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Teoria dos Conjuntos - Uma introdu¸ c˜ ao
Gladys Chalom e Angela Weiss 14 de setembro de 2009

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IME-USP - Departamento de Matem´ atica - agchalom/weiss@ime.usp.br

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . v 1 1 4 9 15 17 19 20 31 31 34 43 43 46 49 51 54 60 66 69 2 Axiomas B´ asicos de Teoria dos Conjuntos 2. . . . . . . . Mais Axiomas . . . . . . . . . . . . . . . . Ideais e Filtros . . . . . . . . . . . . . . . .2 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos Primitivos? . . . . . . . Axioma da Escolha em V´ arias Formas .3 3. . . . . Axiomas. . . . . . .5 Alguns Exemplos de Boa Ordem . . . . . . . . . .4 3. .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 N´ umeros Ordinais e Cardinais iii . . . . . . . .1 2. . . . . . . Conjuntos Ordenados . . . . . .2 N´ umeros Naturais . . . . . . . 3. . .2. . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . Exerc´ ıcios . . .5 Uma Digress˜ ao Sobre L´ ogicas . . . . . . . . . . . Um Guia R´ apido Para Andar Nesta Floresta . . . . . .4 Axiomas e um Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exerc´ ıcios . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . . 3 Ordem e Axioma da Escolha 3. . Formalismo. . .1 3. . . . . . . . . . . .4 1.3 1. Digress˜ oes . . . Indutivo? Como????? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. Exemplos . . . . . . . . .1 1. . . . . . . . . . . . . . . .Sum´ ario Pref´ acio 1 Introdu¸ c˜ ao a L´ ogica 1.2. . . . . . . . . Exerc´ ıcios . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . 73 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Exerc´ ıcios .1 Primeiras Defini¸ c˜ oes . . . . . . . .1 Introdu¸ c˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Conjuntos Hereditariamente Finitos . . . . . . . . .iv ´ SUMARIO 5 Conjuntos Hereditariamente Finitos 73 5. . . . 90 Bibliography 93 . . . . . . . . . . . . 73 5. . . . . . . 76 6 Mais de L´ ogica 7 Os Racionais e os Reais 8 Alguns Exerc´ ıcios sugeridos por alunos 77 81 83 9 Al´ em de ZFC: A teoria das Categorias 89 9. . . . . . . . . . .

voltados especificamente ao p´ ublico da ´ area. alunos de p´ os gradua¸ c˜ ao cujas ´ areas de interesses necessitem em l´ ogica. Este texto n˜ ao deve ser divulgado sem a permiss˜ ao dos autores. ´ algebra. • Os axiomas de teoria dos conjuntos de Zermelo–Fraenkel. • A constru¸ c˜ ao de R e Q a partir de N. Trataremos dos seguintes t´ opicos: • Introdu¸ c˜ ao. licenciatura em matem´ atica. formar uma ponte entre textos ingˆ enuos. ciˆ encia da computa¸ c˜ ao e filosofia.br). citado em referˆ encias ou usado como material did´ atico sem a expressa autoriza¸ c˜ ao dos autores. De posse desta vers˜ ao. Algumas defini¸ c˜ oes de N´ umero Natural. voltados apenas a divulga¸ c˜ ao cient´ ıfica e os textos mais elaborados. LEMBRE–SE: Como toda vers˜ ao preliminar.usp. seguidos de uma discuss˜ ao de seu significado. alguns paradoxos matem´ aticos visando motivar o leitor ao estudo dos fundamentos da matem´ atica.br ou weiss@ime. teoria dos conjuntos como ferramenta de trabalho. possivelmente o leitor encontrar´ a erros. mas a cardinalidade de R ´ e maior do que a v . • Introdu¸ c˜ ao da no¸ c˜ ao de cardinalidade e a prova de que Q e N tem a mesma cardinalidade.Pref´ acio Este texto tem como p´ ublico alvo alunos de bacharelado em matem´ atica. e esta vers˜ ao certamente n˜ ao ser´ a uma exce¸ c˜ ao. neste texto.usp. Estes s˜ ao de nossa responsabilidade e podem ser comunicados via e-mail (agchalom@ime. Visamos.

vi cardinalidade de N. O teorema de Cantor–Bernstein. . que leia um pouco da hist´ oria dessas ´ areas no livro [1]. Recomendamos. intersec¸ c˜ ao. Um livro excelente para acompanhar o curso ´ e [2]. • Algumas teorias axiom´ aticas dos conjuntos: ZF e KM: uni˜ ao. Sugerimos tamb´ em. • Uma Introdu¸ c˜ ao ` a Teoria das Categorias. ´ PREFACIO • Algumas no¸ c˜ oes de l´ ogica matem´ atica elementar (l´ ogica de primeira ordem). Vale a pena verificar em [6]. Professores Fitting e Smullyan s˜ ao sempre ´ otimas recomenda¸ c˜ oes. como leitura suplementar em teoria dos conjuntos [4].

em que a teoria dos conjuntos esteve na moda entre as correntes did´ aticas e era o foco das transforma¸ c˜ oes da matem´ atica moderna. uma afirma¸ c˜ ao ´ e correta (dentro de um certo contexto).Cap´ ıtulo 1 Introdu¸ c˜ ao a L´ ogica 1. Temos tecnologias de CD’s. e portanto uma “linguagem matem´ atica” apropriada e boa de se 1 . Na matem´ atica. Houve uma ´ epoca. Muito do que n´ os criamos recebe inspira¸ c˜ ao em problemas de nosso dia– a–dia. h´ a alguns anos atr´ as. Se formos pensar. A matem´ atica. em qualquer intera¸ c˜ ao enquanto seres que vivem em uma coletividade. onde “ensinavamos” conjuntos a crian¸ cas do ensino fundamental. muito do c´ alculo diferencial e integral que aprendemos se originou em problemas de bal´ ıstica. deve receber inspira¸ c˜ ao. por ser a linguagem comum de todas as ciˆ encias. “conjuntos de carteiras”. mesmo em seus fundamentos. e come¸ camos a pensar em “conjuntos de alunos”. ou se. Uma das raz˜ oes para isso ´ e que a Teoria dos Conjuntos pode ser vista como uma “linguagem”. linguagem essa que se presta a descrever de forma absolutamente axiom´ atica os modelos que normalmente s˜ ao usados para “modelar” ou descrever problemas matem´ aticos. em qualquer campo cient´ ıfico.1 Uma Digress˜ ao Sobre L´ ogicas Para que um livro de Teoria dos Conjuntos? Para que um curso de Teoria dos Conjuntos? Todos n´ os temos uma no¸ c˜ ao intuitiva de conjunto. ali´ as. originadas da experiˆ encia das naves Voyager que levavam mensagens em CD’s e muitos outros exemplos dessa natureza. estamos preocupados em saber quando. etc. de outras fontes.

um edif´ ıcio. at´ e que foram encontrados paradoxos na teoria. para ilustrar uma defini¸ c˜ ao.html Naturalmente. • 3) Todos os l´ ogicos s˜ ao malucos e alguns l´ ogicos n˜ ao s˜ ao malucos. e assim vemos que existem “gram´ aticas” e “sentidos” diferentes em diferentes contextos. esta quest˜ ao das afirma¸ c˜ oes fazerem ou n˜ ao sentido. novamente nos perguntamos para que todo esse formalismo. e a afirma¸ c˜ ao 3 ´ e sempre falsa. INTRODUC ¸ AO trabalhar deve poder determinar isso para pelo menos algumas afirma¸ c˜ oes. sem uma defini¸ c˜ ao clara? Historicamente. foi isso o que ocorreu. ´ e f´ acil mostrar um exemplo. a teoria foi se desenvolvendo sem muita preocupa¸ c˜ ao formal.learnenglish. Veja os exemplos: • 1) Uma velha formiga levou seu c˜ ao para passear. Exemplos tirados do Chomsky park. N˜ ao ´ e necess´ ario uma teoria especial para saber que 1 ´ e verdadeira (ali´ as. ou um animal. ou seja. em http : //www. Veja por exemplo • 1) Existem unic´ ornios ou n˜ ao existem unic´ ornios. [5]. antes mesmo de decidir se as afirma¸ c˜ oes s˜ ao ou n˜ ao verdadeiras. devemos nos perguntar se mesmo que a gram´ atica esteja correta. como uma ponte.. e se n˜ ao ´ e natural quais as coisas corretas e quais n˜ ao s˜ ao. Estes exemplos s˜ ao do livro James MacCauley. n˜ ao existe dentro de certas “linguagens po´ eticas”. • 2) Um elefante morto dorme ruidosamente ` a sombra das flores.org.).uk/games f rame. em outras ciˆ encias. a afirma¸ c˜ ao faz ou n˜ ao sentido. pois cont´ em uma contradi¸ c˜ ao. Em muitas circunstˆ ancias. a afirma¸ c˜ ao 2 pode ou n˜ ao ser verdadeira. mas como “explicar” o que ´ e um grupo abeliano.. Como funciona uma teoria que cont´ em contradi¸ co ˜es? .2 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. • 2) O n´ umero de alunos em certa sala de aula ´ e divis´ ıvel por 7. • 3) Almo¸ camos os axiomas vermelhos da teoria. Assim. Mas. dentro do contexto da matem´ atica. dependendo do dia.. n˜ ao diz nada.

˜ SOBRE LOGICAS ´ 1.1. UMA DIGRESSAO

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Da necessidade de poder decidir o que ´ e verdadeiro ou n˜ ao, e de livrar a teoria das contradi¸ c˜ oes, surgiu um “conjunto” de axiomas e um “conjunto” de regras ( como a l´ ogica formal) que permitem deduzir “verdades” ( como teoremas ) das nossas hip´ oteses originais. Pois bem, n´ os n˜ ao estamos interessados fazer a formula¸ c˜ ao matem´ atica de conceito Platˆ onico de verdade universal. Isso n˜ ao existe, nem em f´ ısica, biologia, psicologia ou matem´ atica. A Ciˆ encia procura parad´ ıgmas, isto ´ e, um conjunto de “fundamentos b´ asicos” que, tomados como a base do conhecimento, expliquem razoavelmente os fatos observados. Como, por exemplo, o parad´ ıgma da F´ ısica Newtoniana foi reformulado, depois das experiˆ encias sobre as medidas da velocidade da luz, que comprovavam que a luz tinha sua velocidade constante, independentemente da velocidade do referencial. O parad´ ıgma da f´ ısica moderna ´ e dado pela equa¸ c˜ oes da teoria da relatividade de Einstein. Mas usamos os modelos e equa¸ c˜ oes da Mecˆ anica Newtoniana para c´ alculos de engenharia. Afinal, usar outro tipo de abordagem, como teoria da relatividade, levaria a c´ alculo muito mais complexos, mais custosos, com resultados deveras semelhantes aos obtidos usando mecˆ anica cl´ assica. O paradigma natural da Engenharia ´ e a Mecˆ anica Newtoniana. Vejamos mais alguns exemplos, de padr˜ oes l´ ogicos: Exemplo 1.1 Tudo pode ser decidido com repostas simples: Sim ou N˜ ao. Ent˜ ao responda, sim ou n˜ ao, vocˆ e j´ a parou de roubar? A frase acima, atribuida a Sir Winston Churchill, em resposta a um reporter que o entrevistava, insistindo em respostas mais objetivas, demonstra uma falha na decidibilidade de certas frases em rela¸ c˜ ao ao crit´ erio: “Se a senten¸ ca S n˜ ao ´ e verdadeira, ent˜ ao sua nega¸ ca ˜o ´ e verdadeira”. Como outro exemplo, considere a frase: Exemplo 1.2 Decida, verdadeiro ou falso: Chove? A resposta acima depende do contexto de tempo e lugar. Por exemplo, hoje, dia 12 de maio de 2010, em S˜ ao Paulo, capital, chove. Nossa melhor abordagem ´ e que podemos ter modelos para “simular” certos racioc´ ıneos. Por exemplo, l´ ogica intuicionista serve perfeitamente

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˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. INTRODUC ¸ AO

para a ciˆ ecia da computa¸ c˜ ao. L´ ogica cl´ assica, de primeira ordem, modela muito de nosso racioc´ ıneo em matem´ atica. Falar sobre a “diferen¸ ca” entre os n´ umeros reais e os n´ umeros racionais, fora o fato de serem corpos linearmente ordenados e densos, exige algo mais forte do que l´ ogica de primeira ordem. Al´ em da nossa teoria dos conjuntos b´ asicas, em ´ algebra, precisamos de teoria das categorias. Nosso objetivo ´ e discutir uma proposta de axiomatiza¸ cao para os fundamentos da matem´ atica.

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Axiomas, Formalismo, Conceitos Primitivos?

Vamos passar Isso a Limpo?
Bem vindo, leitor! Agora vocˆ e est´ a abrindo uma porta nova em seus horizontes de conhecimento. Essa base provavelmente n˜ ao ser´ a usada diretamente em seu trabalho, mas o conhecimento da “pedra fundamental” da matem´ atica certamente far´ a do leitor, seja ele um professor, um comput´ ologo, um matem´ atico, um profissional mais seguro dos seus caminhos de atua¸ c˜ ao. Possuir conhecimentos da base dos fundamentos de uma ciˆ encia significa saber lidar com seguran¸ ca, e sem medo de errar, com problemas pertinentes a sua ´ ` area espec´ ıfica de atua¸ c˜ ao. Devemos sempre, para n˜ ao pecar pela omiss˜ ao gerada pela inseguran¸ ca, nos calcar nos fundamentos. A moral de nossa est´ oria ´ e: ningu´ em reforma uma casa sem ter conhecimento de suas funda¸ c˜ oes, ningu´ em ´ e fluente em uma l´ ıngua sem saber sua gram´ atica. Nossa linguagem deve ter regras b´ asicas e r´ ıgidas. Essa regras s˜ ao os axiomas. Axiomas s˜ ao o c´ odigo de regras do que ´ e permitido ou n˜ ao de se fazer. Note que esses c´ odigos ser˜ ao sempre r´ ıgidos: Fa¸ ca o que diz o axioma e nada mais. Por exemplo: Exemplo 1.3 Vamos estipular as seguintes regras: 1. vogais: a, e, i, o, u; 2. consoantes b, c, d, f, g, h, j, k, l, m, n, p, q, r, s, t, v, w, x, y, z;

1.2. AXIOMAS, FORMALISMO, CONCEITOS PRIMITIVOS?

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3. palavras: conjun¸ ca ˜o de uma consoante com uma vogal ´ e uma palavra; 4. palavras: conjun¸ ca ˜o de duas palavras ´ e uma palavra. No nosso exemplo, bu ´ e uma palavra (conjun¸ c˜ ao de uma consoante com uma vogal). Como conjun¸ c˜ ao de duas palavras ´ e uma palavra, temos que bubu ´ e uma palavra, assim como bububu e bubububu. Mas ub n˜ ao ´ e uma palavra pois n˜ ao satisfaz os quesitos para ser palavra. Palavras danimope gadi lexenadere gabile . . . N˜ ao Palavras epominad gladys alexandre gabriel . . .

Num outro exemplo, poder´ ıamos ter: Exemplo 1.4 Vamos estipular as seguintes regras: 1. vogais: a, e, i, o, u; 2. consoantes b, c, d, f, g, h, j, k, l, m, n, p, q, r, s, t, v, w, x, y, z; 3. palavras: conjun¸ ca ˜o de uma consoante com uma vogal ´ e uma palavra; 4. palavras: conjun¸ ca ˜o de duas palavras ´ e uma palavra; 5. toda palavra come¸ ca por uma vogal. Bem, nesse caso, as condi¸ c˜ oes s˜ ao contradit´ orias e n˜ ao existem palavras. As seguintes perguntas ser˜ ao quest˜ oes centrais de nosso texto: 1. Nosso sistema de axiomas ´ e consistente? Os axiomas do Exemplo 1.4 n˜ ao formam um sistema de axiomas consistente. 2. Nosso sistema de axiomas estabelece o modelo (no nosso caso teoria dos conjuntos) desejado?

• o conjunto dos homens n˜ ao ´ e um homem. dai qualquer conjunto poss´ ıvel.6 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. a lista das coisas que n˜ ao pode listada estaria nesta lista? Exemplo 1. e de Euclides. filosofia ou teologia. ensino de matem´ atica. como formadora ou como gram´ atica da linguagem matem´ atica. filosofia. Vamos a essa tarefa. olhar para a teoria dos conjuntos como o tijolo inicial. Nessa mesma linha. suas roupas. de certa forma come¸ camos com exemplos de como em n˜ ao bem definir conjuntos. Nosso prop´ osito ´ e. isto ´ e. De fato. Existe uma lista para tudo: suas compras da semana. ling¨ u´ ıstica. aquilo que vocˆ e levaria em uma viagem para o Alasca ou para Salvador. Vamos discutir os paradoxos de Russel (1902). neste caso. Neste caso.6 Considere dois “tipos” de conjuntos: • o conjunto das id´ eias abstratas ´ e uma id´ eia abstrata. medicina ou matem´ atica e a resposta mais pragm´ atica pode ser “FAZEM”. INTRODUC ¸ AO A partir da leitura leitura dos par´ agrafos anteriores. Se existe uma lista para tudo. um conjunto universo – um conjunto de todos os poss´ ıveis conjuntos – implicaria na existˆ encia de todos seus poss´ ıveis subconjuntos. • o conjunto de todos os conjuntos ´ e um conjunto . Bem ilustrativos nesse caso s˜ ao os contra– exemplos. Bem. Exemplo 1. podemos formular. na pr´ atica estamos tamb´ em perguntando se pessoas fazem psicologia ou biologia. em em primeiro lugar. de v´ arios pontos de vista. alguns modelos de teoria dos conjuntos. em nosso caso espec´ ıfico. Pois bem. Sem barreiras em nossos julgamentos. como computa¸ c˜ ao.5 A lista de todas listas que jamais seriam listadas. come¸ camos a questionar se matem´ atica ´ e ciˆ encia ou filosofia. o conjunto de todas as listas que n˜ ao podem ser listadas existiria. existe uma lista para as coisas que n˜ ao podem ser listadas. Vamos nos colocar mais formalmente nesse exemplo e discorrer sobre como “definir bem conjuntos”. como fundamenta¸ c˜ ao para v´ arios ramos da ciˆ encia. vamos propor a observa¸ c˜ ao dos fundamentos de m´ atematica sob v´ arios ˆ angulos.

CONCEITOS PRIMITIVOS? 7 Veremos que as contradi¸ ca ˜o. Exemplo 1. ´ e uma contradi¸ ca ˜o . o conjunto dos conjuntos que n˜ ao pertencem a si mesmos. Represente por M o conjunto de todos os conjuntos que pertencem a si mesmos. o conjunto dos homens n˜ ao pertence ao conjunto dos homens. como por exemplo. Um bom m´ etodo para obter alguma respostas ´ e organizar nossas perguntas. acreditamos. ent˜ ao podemos considerar o n´ umero natural p. chamemo–lo de S . pense bem. devem ter deixado o leitor curioso. Agora.1. AXIOMAS. Se sim.7 Considere o seguinte conjunto: {n ∈ N|n˜ ao mais do que 30 palavras da lingua portuguesa s˜ ao suficientes para definir n}. FORMALISMO. estamos agora com dois problemas: N˜ ao ´ e grave que esse conjunto. N pertence a M . seja N. e por N . definido como: Def p p ´ e o primeiro n´ umero natural que n˜ ao pertencea S . N pertence a N ? Se N pertence a N .2. Pois bem. ou sequer poss´ ıvel de ser resolvido. ent˜ ao ´ e verdade que N n˜ ao pertence a N . Logo. como no caso o conjunto das id´ eias abstratas. Vejamos: Q1 Como definir precisamente um conjunto? Q2 Como definir um n´ umero natural? Q3 Como definir o conjunto de todos n´ umeros naturais? Q4 Como definir alguns conjuntos infinitos? Fa¸ camos uma analogia: . mostrar essa coincidˆ encia. p pode ser definido em menos do que 30 palavras? Veja Def p acima. Se S = N. o que novamente. At´ e agora temos v´ arios conceitos a discutir e algumas perguntas que. que usa menos do que 30 palavras para definir p! Exemplos dessa natureza ilustram a necessidade do uso de linguagem formal. mas n˜ ao ´ e um exerc´ ıcio f´ acil. Provaremos que o conjunto de todos os conjuntos n˜ ao existe.

Vamos discutir essas duas id´ eias em nossa introdu¸ c˜ ao ao curso. preocupada que a paciˆ encia do leitor se acabe. Um o ˆnibus ´ e facilmente reconhec´ ıvel por ser um veiculo automotor com uma a duas portas. sem colocar muitas informa¸ c˜ oes que n˜ ao ser˜ ao usadas. Des¸ ca no terceiro ponto. vire para a direita e olhe a placa indicando Museu”. Vocˆ e desejaria? A resposta 2 ´ e correta. vocˆ 4. “ande at´ e o museu”.. Faremos uma cr´ ıtica ao que seria um conjunto infinito.8 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. se existir. sem omitir informa¸ c˜ oes. A resposta 3 tem muito mais informa¸ c˜ oes do que Ana precisa. Fa¸ camos uma teoria dos conjuntos nos moldes do item 4: Sem contradi¸ c˜ oes. INTRODUC ¸ AO Exemplo 1. ` sua direita. “tome o o ˆnibus 61C. “v´ a a nado”. 3. Comecemos definindo quesitos m´ ınimos de existˆ encia de conjuntos. A melhor escolha seria a resposta 4. 2. dirige–se ao guia n´ umero quatro. Vamos colocar formalismos e justificar nossas opera¸ c˜ oes com conjuntos. Ande at´ e o sinal. introduzindo dai o conceito de n´ umero natural. vemos que ela ´ e contradit´ oria. o que ´ e um kepe.” Ana. Objetivamos justificar a defini¸ c˜ ao ingˆ enua abaixo. A e ver´ a um sinal escrito ‘Metrˆ o’. ´ e facilmente reconhec´ ıvel por usar um kepe azul. situadas do lado oposto ao motorista. A prop´ osito. Ana n˜ ao desejaria nadar at´ e o museu. . mas faltam informa¸ c˜ oes para Ana fazer seu caminho. Ela deseja tomar uma condu¸ ca ˜o que a leve do seu hotel a determinado museu bem perto do hotel.. Esse. “tome o o ˆnibus 61C. Analisando a proposta 1. por sua vez.8 Ana visita a cidade de Zwrtztkxz. no leste Europeu.. As respostas de cada guia s˜ ao 1. Ana tem a sua disposi¸ ca ˜o quatro guias tur´ ısticos e pergunta a cada um deles qual ´ e o melhor modo de chegar ao museu. Possivelmente n˜ ao existe caminho por ´ agua at´ e o museu e.

interpretados em sua express˜ ao correspondente em portuguˆ es ∀ Para todo. 30.3. Neste caso P ´ e o conjunto {3. ∈ entre os elementos do conjunto e o conjunto. abreviada. Conjuntos estar˜ ao listados com seus elementos entre parˆ entesis. Cada um desses objetos ´ e chamado de elemento do conjunto. que ´ e lida como p pertence a P . 9. ∨. f. UM GUIA RAPIDO PARA ANDAR NESTA FLORESTA 9 Um conjunto ser´ a uma cole¸ c˜ ao de objetos bem definido por satisfazer certos axiomas. Denotaremos p ∈ P essa rela¸ c˜ ao.3 Um Guia R´ apido Para Andar Nesta Floresta Neste cap´ ıtulo tratamos de uma introdu¸ c˜ ao deveras ingˆ enua a l´ ogica de primeira ordem. . O leitor ser´ a apresentado. ∀.´ 1. 33}. existe uma rela¸ c˜ ao. por exemplo: Def 11 P ´ e o conjunto dos 11 primeiros m´ ultiplos naturais de 3. o uso de senten¸ cas tautol´ ogicas (sentencas de valor verdade sempre igual a Verdadeiro). ¬ N˜ ao. 1 Veja Cap´ ıtulo 6. 18. ¬.o. 24. 27. 15. ∃ Existe. O leitor que j´ a tem alguma base em matem´ atica dever´ a omitir a leitura desse cap´ ıtulo sem perda de pr´ e–requisitos para a compreens˜ ao do texto. 12. de uma maneira bem informal aos conectivos (sinais que ligam duas senten¸ cas ou modificam o valor de uma senten¸ ca) ∧.l. sobre l´ ogicas n˜ ao cl´ assicas para ver o que existem mais coisas al´ em de f. ∃. L´ ogica de Primeira Ordem ´ e o apoio a quase tudo aquilo que escrevemos na matem´ atica de nosso dia1 a-dia . ∧ E. 1. neste texto. 21.o.l.. ⇒. por meio de exemplos. Dado um conjunto. Iremos introduzir. Usaremos os s´ ımbolos a seguir. A leitura dese cap´ ıtulo cobre a linguagem usada em um primeiro ano de gradua¸ c˜ ao em ciˆ encias exatas. 6.

pelo menos uma das senten¸ cas ´ e verdadeira. pelo menos uma das senten¸ cas ´ e falsa. Desse modo. Na linguagem coloquial. ent˜ ao —). Ent˜ ao. que n˜ ao tem na matem´ atica. Ent˜ ao A ∧ B ser´ a verdadeira. ↔ Se e somente se. Pedro e ´ brasileiro ∧ Pablo ´ e espanhol ´ e uma senten¸ ca verdadeira. abreviado como see. se Pablo ´ e espanhol ´ e uma senten¸ ca falsa. ent˜ ao Pedro ´ e brasileiro ∨ Pablo ´ e espanhol ´ e verdadeira. se Pablo ´ e espanhol ´ e uma senten¸ ca verdadeira. se ( Pedro ´ e brasileiro) ´ e uma senten¸ ca falsa. INTRODUC ¸ AO → Implica (Se —. Os s´ ımbolos acima ter˜ ao as seguintes interpreta¸ co ˜es: Conectivo E: Se sabemos que duas senten¸ cas A e B s˜ ao ambas verdadeiras. se ( Pedro ´ e brasileiro) ´ e uma senten¸ ca verdadeira. ent˜ ao. ent˜ ao a senten¸ ca ´ e falsa. . Deste modo. N˜ ao (Pedro e ´ brasileiro) ´ e uma senten¸ ca falsa. Deste modo. Caso contr´ ario. a frase tamb´ em ´ e verdadeira se formos a ambos . N˜ ao (Pedro ´ e brasileiro) ´ e uma senten¸ ca verdadeira. Por outro lado. (Pedro ´ e franc^ es). ent˜ ao Pedro e ´ brasileiro ∧ Pablo ´ e espanhol ´ e uma senten¸ ca falsa. Por exemplo. ent˜ ao Pedro ´ e brasileiro ∨ Pablo e ´ espanhol ´ e uma senten¸ ca falsa. Pablo e ´ espanhol ´ e uma senten¸ ca verdadeira. ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. ent˜ ao a disjun¸ ca ˜o das senten¸ cas ´ e verdadeira. n˜ ao importa qual ´ e o valor (falso ou verdadeiro) da senten¸ ca Pedro ´ e brasileiro.10 ∨ Ou. Na verdade. Caso contr´ ario. Exemplo: Se ambos Pedro ´ e brasileiro ´ e e Pablo e ´ espanhol s˜ ao senten¸ cas falsas. independetemente do valor (falso ou verdadeiro) de Pedro ´ e brasileiro. Conectivo N˜ ao: Modifica o valor de uma senten¸ ca. Exemplo: Pedro ´ e brasileiro ´ e uma senten¸ ca verdadeira. do ponto de vista da matem´ atica. Conectivo OU: Tem valor falso se ambas senten¸ cas forem falsas. Dizemos : vou ao cinema OU ao supermercado. o connectivo OU tem uma conota¸ c˜ ao de exclus˜ ao.

de fato. ent˜ ao A → B ser´ a falsa se e somente se B for falsa. Esse conectivo sequer d´ a um valor ao contexto dessa conex˜ ao. – Ouro ´ e um metal → Pav~ ao ´ e um mam´ ıfero. Uma outra interpreta¸ c˜ ao poder´ a dar o julgamento falso. . conex˜ ao entre as senten¸ cas. – Pedro ´ e brasileiro → Pablo ´ e espanhol. visto que o conectivo → julga algo sobre ruas.l. A → B ser´ a verdadeira se e somente se B for verdadeira. N˜ ao importa se Pablo ´ e espanhol ´ e uma senten¸ ca verdadeira ou falsa. de B . A partir de uma senten¸ ca verdadeira n˜ ao se pode inferir algo falso. Brasil. independemetente do valor. mas A → B como um todo e. ´ importante notar que o conectivo → julga toda a senten¸ E ca e n˜ ao a sua premissa ou a sua consequˆ encia. cl´ assica. como no nosso exemplo. N˜ ao importa o fato de eventualmente n˜ ao haver.´ 1. As duas senten¸ cas s˜ ao verdadeiras. pois n´ os n˜ ao estamos julgando nossa premissa A. • Se A ´ e verdadeira. Mas esse tipo de interpreta¸ c˜ ao n˜ ao pertence ao campo da f. ´ uma senten¸ E ca falsa. Sua conex˜ ao via implica ´ e verdadeira. Mas. Por exemplo – Em S~ ao Paulo. h´ a uma rua chamada Direita → Galinhas s~ ao aves. A interpreta¸ ca ˜o2 do conectivo implica causa alguma polemica nas salas de aula com alunos de primeiro ano.o. falso ou verdadeiro. de uma premissa falsa. A → B sempre ser´ a verdadeira. Se A ´ e verdadeira. vejamos algo: Exemplo: Pedro ´ e brasileiro ´ e uma senten¸ ca falsa. ´ e uma senten¸ ca verdadeira. muito plaus´ ıvel. n˜ ao sobre aves.3. UM GUIA RAPIDO PARA ANDAR NESTA FLORESTA Conectivo Implica: Este conectivo tem a seguinte interpreta¸ c˜ ao: 11 • Se a senten¸ ca A ´ e falsa. 2 Vamos decidir se uma senten¸ ca ´ e verdadeira ou n˜ ao. inferir qualquer senten¸ ca B ´ e. ent˜ ao A → B ser´ a verdadeira. Dai para A falsa. SP.

teremos. Toda substitui¸ c˜ ao pelo nome de uma ´ arvore far´ a com que verifiquemos que essa ´ arvore faz fotoss´ ıntese. sem formalismos: Ao se substituir x por todo valor poss´ ıvel a torna a senten¸ ca verdadeira. ent˜ ao ∀xA(x) ´ e verdadeira. O que for inferido a partir de uma senten¸ ca falsa torna toda a senten¸ ca A → B verdadeira. se nossa substiti¸ c˜ ao for feita usando um compˆ endio de botˆ anica que trata de ´ arvores. . Ora. A primeira das senten¸ cas ´ e falsa. Exemplos: ∀xF otoss´ intese(x) Ora. nenhuma rua tem nome → Galinhas s~ ao aves. Toda substitui˜ ao de x por uma ave canadense. ∀x(Ave(x) → V oa(x)) ´ e falso. Em . Nesse contexto. uma substitui¸ c˜ ao de x por ema resultou falso. . Brasil. Sen˜ ao ∀xA(x) ´ e falsa. nesse caso ∀xF otoss´ intese(x) ´ e verdadeira. F otoss´ intese(Y pe) F otoss´ intese(Jacaranda) F otoss´ intese(M ogno) . Agora vamos usar um guia de ornitologia brasileiro: Ave(tiriba) → V oa(tiriba) Ave(tucano) → V oa(tucano) Ave(urubu − rei) → V oa(urubu − rei) Ave(carcar a ´ ) → V oa(carcar a ´) Ave(ema) → V oa(ema) V erdadeiro V erdadeiro V erdadeiro V erdadeiro F also Apesar de termos muito exemplos positivos.12 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. Vejamos esse exemplo: ∀x(Ave(x) → V oa(x)) Nosso exemplo admite substitui¸ c˜ ao usando um livro de ornitologia canadense. ingˆ enua. A senten¸ ca ´ e verdadeira. INTRODUC ¸ AO – Em S~ ao Paulo. resulta que essa ave voa. S´ ımbolo Para Todo: Uma senten¸ ca do tipo ∀xA(x) tem a seguinte interpreta¸ c˜ ao.

.l. teremos. S´ ımbolo Existe: Uma senten¸ ca do tipo ∃xA(x) tem a seguinte interpreta¸ c˜ ao: Se substituirmos x por algum valor poss´ ıvel a torna a senten¸ ca verdadeira.o. O leitor certamente ir´ a discutir e. em muitos casos.3. fazendo o uso de um n´ umero m´ ınimo de conectivos e s´ ımbolos e fazendo com que os demais conectivos e s´ ımbolos possam ser derivados. possam ser deduzidos a partir desse conjunto m´ ınimo. j´ a em voga no campo da matem´ atica h´ a certo tempo e um campo vasto para pesquisa cient´ ıfica ´ e trazer interpreta¸ c˜ oes mais pr´ oximas da linguagem natural. primeiramente discutir valora¸ c˜ oes de uma forma sint´ etica. Uma substitui¸ c˜ ao pelo nome de um vegetal far´ a com que verifiquemos que esse vegetal.. Principalmente tratando–se do conectivo →. contestar as interpreta¸ c˜ oes de f. N˜ ao ´ e esperado que Ana esteja com o ´culos e Benˆ e sem o ´culos. Exemplo 1. Vamos. ∀xA(x) ´ e falso se em pelo menos uma substitui¸ c˜ ao de x por um valor a resultar falso. tentando fazer suas pr´ oprias interpreta¸ c˜ oes usando os s´ ımbolos da f. UM GUIA RAPIDO PARA ANDAR NESTA FLORESTA 13 conclus˜ ao.9 A seguinte senten¸ ca ´ e falsa: • Ana ou Benˆ e usam o ´culos. essa frase. Ora. n˜ ao faz fotoss´ ıntese. Dai. ∃xA(x) ´ e verdadeira.´ 1.. cogumelo.l.l. nos leva ao seguinte cen´ ario: 1. . . Sen˜ ao ∃xA(x) ´ e falsa. Uma boa tentativa. sendo falsa. N˜ ao ´ e esperado que Benˆ e esteja com o ´culos e Ana sem o ´culos. vamos discutir outras interpreta¸ c˜ oes n˜ ao cl´ assicas pra os s´ ımbolos de f. F otoss´ intese(M usgo) F otoss´ intese(Jacaranda) F otoss´ intese(M ogno) ´ ´ ´ F otossintese(Bambu) F otossintese(Y pe) F otossintese(cogumelo) . ent˜ ao ∃xA(x) ´ e verdadeira. A partir dai. Exemplos: ∃x¬F otoss´ intese(x) Ora. se nossa substiti¸ c˜ ao for feita usando um compˆ endio de botˆ anica que trata de vegetais em geral. isto ´ e.o. 2.o. .

4. Existe pelo menos um homem que tem cabelos. ent˜ ao A → B ≡ ¬A ∨ B Dos exemplos do uso dos s´ ımbolos ∀ e ∃. nega¸ ca ˜o de O(A) ∨ O(B ) a senten¸ ca original. o que ´ e equivalente a interpreta¸ c˜ ao de ¬A ∨ B . esse planeta n˜ ao possue vida. por exemplo • N˜ ao ´ e verdade que todo homem ´ e careca. . observe que A → B ´ e verdadeira see A e B s˜ ao verdadeiras ou se A ´ e falsa . Para todo planeta (que n˜ ao a Terra). A ∨ B ≡ ¬(¬A ∧ ¬B ) Da mesma forma. A frase 4 ´ e verdadeira e pode ser representada por: (¬O(A) ∧ ¬O(B )) lida como n˜ ao ´ oculos em Ana e n˜ ao ´ oculos em Benˆ e.14 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. Em outras palavras ¬(¬O(A) ∧ ¬O(B )) ↔ (O(A) ∨ O(B )) Vamos usar. do mesmo modo verdadeira see A e B s˜ ao verdadeiras ou se A ´ e falsa. INTRODUC ¸ AO 3. que ´ e. motivados pelo exemplo acima. N˜ ao ´ e esperado que Ana e Benˆ e estejam com o ´culos. Pode ser que Ana e Benˆ e estejam ambos sem o ´culos. temos. • N˜ ao ´ e verdade que existe vida em outros planetas Equivalentemente. Temos. Equivalentemente. vemos que ¬∀¬A ≡ ∃A Desta forma.

ent˜ ao f + g. por exemplo 1 + sin x. f ÷ g e f ◦ g s˜ ao fun¸ co ˜es elementares. ◦ Fun¸ co ˜es elementares: 1. Aqui a gente realoca alfabeto e f´ ormulas e o Bl´ a todo do cap 1. sin x. f × g. Vamos colocar a nossa matem´ aica construt´ ıvel em uma apar˜ encia mais clara. 1 × exp(x). Se f ´ e fun¸ ca ˜o elementar ent˜ ao inversa(f ) ´ e fun¸ ca ˜o elementar.4.1. sin x × exp(x) . etc Exemplos de linguagens contru´ ıdas recursivamente: Exemplo 1. Defini¸ c˜ ao 1. sin x e exp(x).11 Alphabeto: as fun¸ co ˜es b´ asicas 1. mas queremos deixar clara as linhas de fronteira de cada lado. por exemplo em “Set Theoretic Topology. 2. ×. j´ a que 1. 1 + exp(x). sin x + exp(x). Conectivos bin´ arios +. 3. Desse modo. ÷. exp(x) Conectivos un´ arios inversa. INDUTIVO? COMO????? 15 1. N˜ ao iremos nos apronfudar. s˜ ao fun¸ c˜ oes elementares. encontrada.10 Indutivo. Todas as fun¸ co ˜es b´ asicas s˜ ao fun¸ co ˜es elementares. Vamos dar ao leitor o sabor de diferencial a parte intuicionista da matem´ atica da parte puramente sint´ atica. x.4 Indutivo? Como????? Isso dever´ a “morar” no cap 1: O que a gente entende por construir algo recursivamente? Essa fronteira deve ficar clara aqui. ent˜ ao. 1 × sin x. Se f e g s˜ ao fun¸ co ˜es elementares.

do contexto An´ alise Real. que se originou do limite f ′ (x0 ) = lim f (x) − f (x0) ǫ→0 x − x0 Definimos derivada recursivamente como Defini¸ c˜ ao 1. por exemplo. exp(sin x × exp(x)) Definimos a fun¸ c˜ ao cos x = sin(x + π/2). recursivamente. n´ os aumentamos a complexidade das fun¸ c˜ oes que escrevemos. • (f × g)′ = (f ′ × g) + (f × g′ ).16 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1. .12 Fun¸ co ˜es b´ asicas: • 1′ = 0. Ora. Essas fun¸ c˜ oes est˜ ao s˜ ao apenas as senten¸ cas que recursivamente constru´ ımos. Conectivos un´ arios • inversa(f (x))′ = Conectivos bin´ arios • (f + g)′ = (f ′ + g′ ). 1 f ′ (inversa(f (x)) . INTRODUC ¸ AO s˜ ao fun¸ c˜ oes elementares. Enfim. podemos definir derivadas de modo igualmente indutivo. E. damos o contexto de associar a cada n´ umero real x um valor f (x) e nos preocupamos com 1 ´ e uma fun¸ c˜ ao elementar definida em dom´ ınio de fun¸ c˜ ao. Por exemplo. Abstra´ ımos a no¸ c˜ ao geom´ etrica de derivada. • sinx′ = cos x. . (1 + sin x) + exp(x). recursivamente constru´ ındo novas fun¸ c˜ oes a partir das fun¸ c˜ oes anteriores com o uso dos conectivos un´ ario e bin´ arios. (1 + sin x) × exp(x). Dentro. x todos reais excepto o 0. • exp(x)′ = exp(x). exp(1 + sin x). • x = 1′ . sobre a complexidade de constru¸ c˜ ao de uma fin¸ c˜ ao.

N˜ ao ´ e verdade que todo homem mente. recursivamente como • x0 = 1. • xn+1 = x × xn = xn × x.1. N˜ ao ´ e verdade que existem ladr˜ oes em Nova Iorque. 1. Tem a sua derivada dada por • (x0 )′ = 1′ = 0. 6. 5. 3. N˜ ao ´ e verdade que toda cobra tem pe¸ conha. N˜ ao ´ e verdade que existem elefantes rosa-choque. g2 17 • (f ◦ g)′ = f ′ (g) × g′ . . a fun¸ c˜ ao xn . 2. N˜ ao ´ e verdade que Ana canta e dan¸ ca. Desse modo. EXERC´ ICIOS • (f ÷ g)′ = (f ′ ×g )−(f ×g ′ ) . 4. • (xn+1 )′ = (x × xn )′ = (x′ × xn ) + (x × (xn )′ ).13 Escreva de modo equivalente: 1. N˜ ao ´ e verdade que vocˆ e anda ou de moto ou de bicicleta.5.5 Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 1. definida.

INTRODUC ¸ AO .18 ˜ A LOGICA ´ CAP´ ITULO 1.

dai n˜ ao temos modelos interessantes ou u ´teis) ou falamos de algo inconsistente e n˜ ao temos nada de u ´til pra falar. vejamos: Estamos falando do que pode ser medido. Devemos procurar consistˆ encia. n˜ ao derivar. n˜ ao provar. A partir da leitura das p´ aginas que antecedem.Cap´ ıtulo 2 Axiomas B´ asicos de Teoria dos Conjuntos Por que Axiomas B´ asicos? Porque estes axiomas. que envolve provar. em si j´ a justificam matem´ atica finitista. uma contradi¸ c˜ ao. Estamos falando sobre problemas de decis˜ ao. precisaremos de alguns postulados b´ asicos para a existˆ encia de conjuntos. s˜ ao o objeto de toda a matem´ atica concreta. essa teoria pode ser proposta como ferramenta para modelagem de problemas que envolvam 19 . surpreendentemente. i. sen˜ ao nosso objeto de estudos fica ou muito banal (falamos de uma linguagem trivial.. uma resposta e se preocupa em analisar a Complexidade ao se calcular essa resposta. Teoria dos conjuntos n˜ ao encerram todo o c´ odigo matem´ atico e.a Matem´ atica que se preocupa em gerar. primeiramente. que ´ e a base para a justificativa dos conjuntos hereditariamente finitos. por meio de um algor´ ıtmo. Deste modo. computado. calculado. um peda¸ co de teoria dos conjuntos. Deste modo. intuicionista. Isso ´ e um bocado de coisa! Sen˜ ao. construir um algor´ ıtmo ou codificar provas. percebemos que devemos nos calcar em bases s´ olidas de linguagem. decidir.e. construtivista . caso contr´ ario estaremos lidando com defini¸ c˜ ao contradit´ orias.

Este conjunto. Procuremos agora postulados consistentes para definir conjuntos. j´ a que todos os conjuntos ser˜ ao obtidos a partir de opera¸ c˜ oes v´ alidas (i.. discutir e analisar o sistema de axiomas de Zermelo– Frankel.´ 20CAP´ ITULO 2. ent˜ ao dar um modelo para o axioma . e um ´ atomo inicial.1 Axiomas e um Modelo Vamos enunciar os trˆ es primeiros axiomas b´ asicos e. Axioma 2. a partir dele. ∀x∀y ∃z (x ∈ z ∧ y ∈ z ) Axioma 2. usando os axiomas de ZFC). Vamos. denotado por ∅ e chamado de vazio. A abordagem axiom´ atica de ZFC vai justificar a abordagem ingˆ enua que temos a partir de nosso conhecimento de ensino m´ edio. o conjunto vazio. Assuma um ente Φ. ∈. vamos descrever um Modelo Canˆ onico da Teoria dos Conjuntos. que n˜ ao possui elementos. onde o conjunto vazio ´ e o “tijolo inicial”. Em s´ ımbolos. denotado ∅. ∃∅ ∀x ¬(x ∈ ∅) Axioma 2. Um dos axiomas de existˆ encia que deve estabelecer a existˆ encia de um conjunto inicial. Vamos. ZFC. 2. ent˜ ao A = B .3 (Extensionalidade) Se A e B s˜ ao dois conjuntos tais que x ∈ A se e somente se x ∈ B . para conjuntos x e y .2 (Forma¸ c˜ ao de Pares) Para todo x e y . A linguagem formal que vamos introduzir aqui usar´ a como part´ ıculas atˆ omicas o sinal pertence. Queremos um modelo matem´ atico em conformidade com os axiomas acima. o conjunto vazio. A partir desses postulados. ser´ a o m´ ınimo necess´ ario. nesse est´ agio construir conjuntos e dar valor Falso ou Verdade a senten¸ cas x ∈ y . fazer o nosso modelo (semˆ antico da Teoria dos Conjuntos).e. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS matem´ atica. existe z tal que x ∈ z e y ∈ z . Vamos introduzir. recursivamente.1 (Existˆ encia do Conjunto Vazio) Existe um conjunto. que ´ e uma rela¸ c˜ ao bin´ aria.

Φ} e temos a propriedade de que Φ ∈ {Φ. Isto ´ e. que est´ a aprendendo fundamentos decerto est´ a questionando o porque da igualdade n˜ ao ser um conceito ´ obvio. Igual ´ e ter o mesmo nome? A mesma altura? Ter nascido na mesma cidade? Um crit´ erio claro para a rela¸ c˜ ao de igualdade deve ser estabelecido e deve satisfazer . AXIOMAS E UM MODELO 21 da existˆ ecia do vazio criando um ente Φ e a correspondˆ encia (a valora¸ c˜ ao) que manda o ∅. primitivo. o que entendemos por igual. a senten¸ ca x ∈ Φ recebe sempre o valor Falso. Usaremos a abreviatura {Φ. O leitor. y } ´ e um conjunto e vale x ∈ {x. e com o uso de regras claras. em nosso modelo ´ e dada por Defini¸ c˜ ao 2. Vejamos um exemplo para ilustrar a id´ eia de igualdade. Φ} ≡ {Φ} em geral. Nota¸ c˜ ao 2. que pertence a parte de sintaxe de teoria dos conjuntos ao elemento Φ. Ora.2.5 Dado um conjunto x no modelo. {x. o conjunto correspondente ao par formado por x.6 O exemplo mais algbico de igualdade da Gladys cabe aqui! A no¸ c˜ ao de igualdade precisa ser bem definada. Φ como {Φ.1. o vazio. Φ e apenas uma senten¸ ca relacional Φ ∈ Φ. x} em nosso modelo ´ e denotado por {x}. O Axioma da Extensionalidade a ser definido para o nosso modelo de Teoria dos Conjuntos nos permitir´ a definir a rela¸ c˜ ao bin´ aria de Igualdade em nossos modelos. Φ}. y } = Verdade y ∈ {x.4 Se x e y s˜ ao conjuntos. Mais ainda. que pertence a parte semˆ antica de teoria dos conjuntos. Nosso modelo n˜ ao pode ser limitada a uma s´ o palavra. nosso modelo consiste apenas de um conjunto. ent˜ ao {x. Exemplo 2. cujo valor ´ e Falso. Vamos usar os Axiomas de Extensionalidade e pares para justificar a constru¸ c˜ ao a seguir: A forma¸ c˜ ao de pares. criamos a rela¸ c˜ ao bin´ aria: • Se x ´ e um conjunto. queremos que todos sejam bem informados. y } = Verdade Escrevemos o par formado pelo vazio.

x}. denotamos A = B se todo elemento t de A tamb´ em pertence a B e viceversa. • x = y implica y = x (simetria). Esse conjunto possui a propriedade que x ´ eou ´nico elemento de {x}. • x = y e y = z implica x = z (transitividade). Ent˜ ao. ´ e o onjunto tal que Φ ∈ {Φ}. y } e ´ u {y. Defini¸ c˜ ao 2.8 Dados dois conjuntos A e B . x}. igualdade ´ e uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia.9 Dados dois conjuntos A e B . A ⊆ B ≡ (t ∈ A → t ∈ B ) Voltemos ao conjunto dado pela forma¸ c˜ ao de pares. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS Defini¸ c˜ ao 2.7 Propriedades de equivalˆ encia: • x = x (reflexividade). E ´til notar que . {x} = {x. outra no¸ c˜ ao derivada da rela¸ c˜ ao de pertinˆ encia ´ e a rela¸ c˜ ao (bin´ aria) de subconjunto: Defini¸ c˜ ao 2. diremos que A ´ e igual a B . Em outras palavras. Usando pares. diremos que A ´ e subconjunto de B . dados dois conjuntos x e y . Isto ´ e. o conjunto denotado por {Φ} pertence a nosso modelo. denotamos A ⊆ B se todo elemento t de A tamb´ em pertence a B . A = B ≡ (t ∈ A ↔ t ∈ B ) Analogamente a no¸ c˜ ao de igualdade. Em outras palavras. a senten¸ ca x ∈ {x} ´ e Verdade e qualquer outra senten¸ ca z ∈ {x} Para x = z ´ e Falsa.´ 22CAP´ ITULO 2. Usando o jarg˜ ao matem´ atico. temos os conjuntos {x.

coloco o que entendo por indutivo num apendice. Temos. obtemos nossos modelos. Elementos de conjunto s˜ ao conjuntos e as rela¸ c˜ oes ⊆ de subconjunto e =. Usando a defini¸ c˜ ao de igualdade. de uma teoria e. Estamos. no momento) para construir conjuntos.1. o s´ ımbolo ∈.2. s˜ ao no¸ c˜ oes derivadas da rela¸ c˜ ao bin´ aria ∈. a partir desse conjunto de regras. x}. ent˜ ao sua nega¸ c˜ ao ¬P (a) ´ e Verdade. os axiomas. y } = {y. para senten¸ cas da forma x ∈ y ou ¬(x ∈ y ) para x e y conjuntos em fun¸ c˜ ao da complexidade da forma¸ c˜ ao dos conjuntos x e y. temos x ∈ {x. a ser anexado no CAP 1 . ou ⊥. Aqui. estabelecendo a verdade da frase: Se x ´ e um conjunto. Temos que P (a) e ¬¬P (a) s˜ ao equivelentes. para verdadeiro. 23 Prova: Por propriedade de pares. Podemos at´ e com o uso de uns poucos axiomas fazer uma teoria dos conjuntos recursiva (algo que pode ser descrito em um algor´ ıtmo) onde vamos. muitas vezes “guarda no ba´ u” dos conceitos primitivos”. que se a sente¸ ca P (a)´ e Falsa. y }. estabelecemos como nossos tijolos de constru¸ c˜ ao um sistema de regras consistente. temos que x ∈ {x. Note que apresentamos tamb´ em. Pela mesma propriedade aplicada a {y. Os demais conceitos aos quais o leitor est´ a acostumado e.10 Dados dois conjuntos x e y . y } = {y. ou postulados. quer seja: subconjunto e cont´ em ser˜ ao derivados (definidos a partir) da rela¸ c˜ ao de pertinˆ encia. na verdade decidindo pelo valor Falso ou Verdade para uma rela¸ c˜ ao bin´ aria ∈ entre conjuntos. ent˜ ao {x. AXIOMAS E UM MODELO Lema 2. Na verdade. x}. recursivamente1 consruir nosso modelo. de natureza relacional. ent˜ ao n˜ ao ´ e verdade que x ∈ ∅. definida a medida que enunciamos os axiomas de teoria dos conjuntos. Trataremos da decis˜ ao pelo valor ⊤. falso. y }. temos que {x. para nosso modelo de teoria dos conjuntos e para modelos matem´ aticos em geral. de igualdade. y } e y ∈ {x. s´ o com nossos axiomas. x}. e s´ o usando essas regras. y } e y ∈ {x. No momento. j´ a podemos ver que os conjuntos foram (at´ e o momento) recursivamente constru´ ıdos: 1 A palavra INDUTIVAMENTE dever´ a ser bem explicada no CAP 1. a medida que formamos as regras (recursivas.

Dai. x ∈ Φ = Falso {Φ} Φ ∈ {Φ} = Verdade {Φ} ∈ {{Φ}} = Verdade {{Φ}} {Φ. Para n˜ ao repetir conjuntos anteriores e fazer uso d Lemma 2. pelo menos. Usando pares nos quatro conjuntos acima. {Φ}} ´ e um conjunto e {Φ} ∈ {{Φ}. Mais ainda. x ∈ {x. {Φ}. {Φ} ∈ {Φ. Φ} ´ e um conjunto. Vamos continuar a brincadeira de armar feita acima. • Recursivamente. usando pares e identidade.10. {Φ}} e as propriedades: Φ para todo conjunto x. . ent˜ ao {x. {Φ}} e {Φ} ∈ {Φ. temos que – {{Φ}. • Φ e {Φ} s˜ ao conjuntos. {Φ} ´ e um conjunto e Φ ∈ {Φ}. {{Φ}}. os conjuntos • Φ. Em conclus˜ ao. dai. Φ} = {Φ}. y } e y ∈ {x. defina. se x e y s˜ ao conjuntos em nosso modelo. {Φ. pela forma¸ c˜ ao de pares. Decorre do faato que Φ ´ e um conjunto. {Φ}} Φ ∈ {Φ. y } ´ e um conjunto. Φ ∈ {Φ. {Φ}} ´ e um conjunto. {Φ}}. por exemplo. Decorre do axioma de existˆ encia. Mais conjuntos poder˜ ao ser recursivamente constru´ ıdos: Temos. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS • Existe um conjunto: O conjunto vazio ´ e um ´ atomo de nossa teoria e sua valora¸ c˜ ao em nosso modelo fez com que. poder´ ıamos formas 4 × 4 × 4 × 4 = 44 conjuntos. J´ a temos no nosso modelo os conjuntos Φ. o conjunto Φ perten¸ ca a esse modelo e a propriedade de que algum conjunto petence ao Φ ´ e falsa. • {Φ}. {Φ}} = Verdade Note que a rela¸ c˜ ao de pertinˆ encia foi deduzida como verdadeira ou falsa a partir de nosso constru¸ c˜ ao de novos conjuntos usando Pares. Φ ∈ {Φ. {Φ}} = {{Φ}}. {Φ}} = Verdade.´ 24CAP´ ITULO 2. – {Φ. y }. {Φ.

1. {{Φ}}} = Verdade {Φ} ∈ {{Φ}. Cabe aqui uma pequena digress˜ ao sobre o Folclore 2. {Φ}}} {{{Φ}}. {Φ}} ∈ {{{Φ}}. {{Φ}}} = Verdade {{Φ}} ∈ {Φ. {Φ}}} = Verdade {Φ. {Φ. {Φ. Mais ainda. {Φ. {{Φ}}} = Verdade Φ ∈ {Φ. {Φ. {Φ}} ∈ {{Φ}. {Φ}}} = Verdade Podemos tamb´ em decidir. Pertence ´ e uma rela¸ ca ˜o entre conjuntos e seus elementos. Temos que a senten¸ ca {{Φ}} ∈ {{{Φ}}} = Verdade. “conjunto” e uma rela¸ c˜ ao . {Φ}}. {Φ}}} = Verdade {Φ. {Φ. {Φ. senten¸ cas tais como {Φ} ∈ {{{Φ}}} = Falso Em verdade. {{Φ}}} {Φ. {Φ}}} {{Φ}. usando o Φ. {Φ}}} {{Φ}} ∈ {{{Φ}}. {{Φ}}} {Φ. {Φ}}} = Verdade {{Φ}. Teremos. teremos que distinguir conjunto e seus elementos. Agora o leitor tem conhecimento para criticar os conceitos mais “primitivos” sobre fundamentos: Folclore 2.2. {{Φ}}. {Φ. {Φ. {Φ} ∈ {Φ. se aceitarmos o enunciado acima. {Φ}}} = Verdade {Φ. o conjunto {{{Φ}}} foi formado por pares a partir do {{Φ}}.11. dados pela constru¸ c˜ ao de Pares em nosso modelo. {Φ}. s˜ ao {{{Φ}}} {{Φ}} ∈ {{{Φ}}} = Verdade {{Φ.11 N˜ ao confunda conjunto com elemento de conjunto. AXIOMAS E UM MODELO 25 Os conjuntos. vimos que. {Φ}} ∈ {{Φ. {Φ}}} = Verdade {Φ} ∈ {{Φ}. {Φ}}} {Φ. que definir elemento do conjunto. {{Φ}}} = Verdade {{Φ}} ∈ {{Φ}. Ent˜ ao nossa tarefa ´ e dividida em duas “miss˜ oes”: Definir conjunto e elemento do conjunto. {Φ. com o uso de apenas trˆ es axiomas. Veja mais sobre pertinˆ encia nos Exerc´ ıcios. {Φ}}} = Verdade Φ ∈ {Φ. Ora. {Φ.

x3 }}} s˜ ao {x1 . x3 . x3 . elementos de conjuntos. . uma axiomatiza¸ c˜ ao de teoria dos conjuntos que parte da id´ eia de elemento de conjunto necessitaria tamb´ em de uma rela¸ c˜ ao pertence definida entre um conjunto e um elemento de um conjunto. j´ a temos justificadas as senten¸ cas: • {x1 } ´ e um conjunto e x1 ∈ {x1 }. {x1 }}. elemento de conjunto e conjunto. x2 }. . x2 } e {{x2 . . {∅. {x1 }} = {{x1 }}. Os demais conceitos s˜ ao derivados e n˜ ao foi necess´ ario nada mais do que esse trˆ es axiomas. Nossa “teoria” j´ a est´ a ficando muito “larga e pesada” para carregarmos via uma escrita leg´ ıvel esses dois “conceitos”. . formamos os conjuntos ∅. x2 . . x3 }}. . De fato. . x2 }. Ora. se formamos conjuntos x1 . AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS bin´ aria de pertinˆ encia foi bem definida. {{x2 . . {x1 }} ´ e um conjunto e {x1 } ∈ {{x1 }. x2 } e {{x2 . quando j´ a temos algo que funciona da mesma forma.´ 26CAP´ ITULO 2. • Se {x1 . x3 }} s˜ ao conjuntos. ent˜ ao x1 ∈ {x1 . subconjuntos e pertinˆ encia j´ a est´ a bem fundada. {{x1 }. Nossa justificativa para as “no¸ c˜ oes primitivas” de conjuntos. x3 } Os elementos de {{x1 . } seja um ´ necess´ conjunto. {x2 . x2 . – Por Defini¸ c˜ ao. O conjunto {{x1 }} foi formado usando Pares e Extensionalidade: – Por Pares. N˜ ao ´ e verdade que x1 ´ e o elemento de {{x1 }}. {∅}}. E ario um axioma para justificar a existˆ encia de um conjunto infinito. x2 }. • {{x1 }} ´ e um conjunto e {x1 } ∈ {{x1 }}. O bom de definir-se ”conjunto” e a rela¸ c˜ ao “pertence” ´ e que elemento de conjunto tamb´ em ´ e conjunto e o conceito de subconjunto ser´ a um conceito derivado. x2 ∈ {x1 . x2 . . Observe que ainda n˜ ao podemos justificar que {x1 . . dai porque carregar mais a nota¸ c˜ ao? N˜ ao h´ a necessidade de se carregar mais ainda a teoria. x3 } ∈ {{x1 . Por outro lado. . Na verdade x1 ´ eou ´nico elemento de {x1 }. {∅}. {{x1 }. .

. A rela¸ ca ˜o x ∈ A ´ e Verdade. usaremos a seginte nota¸ c˜ ao: Nota¸ c˜ ao 2. Em s´ ımbolos..xn a rela¸ ca ˜o y ∈ X = Falso denotamos X por {x1 . xn ∈ X = Verdade e para todo conjunto y diferente dos x1 . a rel¸ ca ˜o de pertinˆ encia resulta Falsa para qualquer outro conjunto y fora das condi¸ co ˜es dadas acima.. ...13 Dados os conjuntos S . A e x. . mas ∅ n˜ ao tem elementos . . 2. Vamos escrever como fica a uni˜ ao em alguns dos conjuntos que formamos: Φ Nada a fazer. esse axioma resulta na regra para forma¸ c˜ ao de conjuntos dada abaixo: Defini¸ c˜ ao 2.14 Se X ´ e um conjunto tal que para os conjuntos x1 . Nesse ponto.1.. x2 . ent˜ ao a rela¸ ca ˜o x ∈ X ´ e Verdade. existe um conjunto X tal que x ∈ X see existe A ∈ S e x ∈ A. A rela¸ ca ˜o A ∈ S ´ e Verdade. AXIOMAS E UM MODELO 27 J´ a podemos construir muitos conjuntos... x2 .xn a rela¸ ca ˜o x1 ∈ X = Verdade . ∀S ∃X ∀A ∀x(x ∈ A ∧ A ∈ S ↔ x ∈ X ) Em nosso modelo. Mais ainda.2. ∅ ∈ {∅}. . . justificadas as forma¸ c˜ oes de conjuntos por pares e uni˜ ao e dada a rela¸ c˜ ao de igualdade. x2 . existe um conjunto existe um conjunto X tal que se 1. mas n˜ ao justificamos todos os fundamentos da matem´ atica. xn }. N˜ ao existem elementos em Φ {∅} Nada a fazer. .12 (Uni˜ ao) Para todo conjunto S . . Vamos acrescentar (e analisar) os seguintes axiomas: Axioma 2. x2 ∈ X = Verdade.

t = v2 . A uni˜ ao de {∅. teremos os conjunto de todos os elementos de x e de todos elementos de y . {{∅}. ∅ ∈ {∅}. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS {∅. {∅}} ∅ e {∅} pertencem a {∅.. formamos o conjunto {x. {{∅}} {∅} ´ eou ´nico elemento de {{∅}}. vamos derivar o conceito de uni˜ ao que conhecemos a partir dessa defini¸ c˜ ao. Vamos usar a Defini¸ c˜ ao 2. {∅}}.. Defini¸ c˜ ao 2. {∅. {{∅}}} ∅ n˜ ao tem elementos. {∅. cujos elementos s˜ ao x e y . y }. ∅ ∈ {∅. {∅.15 Dados dois conjuntos x e y a opera¸ ca ˜o bin´ aria x ∪ y ´ e dada pelo axioma de uni˜ ao sobre o par {x. como temos de nossos conceitos mais elementares de opera¸ c˜ oes matem´ aticas deve coincidir com essa defini¸ c˜ ao de formar pares e extrair elementos. t = wn e falsa ao contr´ arion e se a rela¸ c˜ ao t ∈ y ´ e verdade.. portanto {∅}. a uni˜ ao do conjunto dado ´ e {∅. {∅}}. {∅}}} A uni˜ ao do conjunto acima ´ e {∅. De fato. Se a rela¸ c˜ ao t ∈ x ´ e verdade..´ 28CAP´ ITULO 2. t = w2 . O u ´nico elemento de {{∅}} ´ e {∅}. {∅}} e {∅} ∈ {∅. A uni˜ ao de {{∅}} ´ e. dados os conjuntos x e y . Essa opera¸ c˜ ao vai coincidir com o conceito de Uni˜ ao que o leitor trouxe de seus cursos b´ asicos. Leitor muito indignado exclama: “Opa.. portanto {∅}... {∅}} s˜ ao ∅ e {∅}. O resultado da uni˜ ao acima ´ e {{∅}}. para t = w1 . A opera¸ c˜ ao de uni˜ ao que conhecemos no n´ ıvel informal ser´ a definida a partir do axioma de uni˜ ao. diganos. . Aplicando-se o axioma da uni˜ ao. ∅ ∈ {∅}. A uni˜ ao. {∅}}} Temos que ∅ n˜ ao tem elementos. ∅´ eou ´nico elemento de {∅}. {∅}} ´ e.. Desse modo. y }. {∅}}.15 para tomar a uni˜ ao dos conjuntos Usando o Axioma da Uni˜ ao. perai!!!!!! Essa n˜ ao ´ e a opera¸ ca ˜o de uni˜ ao que eu aprendi nos cursos elementares de matem´ atica!!!! Devo jogar o conhecimento velho fora? Bem. na verdade. n´ os podemos “descascar” a estrutura de um dado conjunto e extrair os (conjuntos) elementos dos elementos. {∅. {∅}}. por pares. o que coincide com a nossa defini¸ c˜ ao de uni˜ ao. Os elementos de {∅. para t = v1 .

. x2 } e x2 ∈ {x1 . ent˜ ao a rela¸ c˜ ao u ∈ x ∪ y = Verdade ↔ u = w1 ou u = w2 ou . x2 }. xn . x1 }. Ganhamos agora a part´ ı cula ∧.1. {x3 }}. w2 . x2 ∈ {x1 . temos que x ∪ y = {w1 . {x1 . . wn .17 (sucessor) Dado um conjunto x. . v1 . . ou u = vm e falsa caso contr´ ario. Defini¸ c˜ ao 2. vm } 29 Lema 2. Denotamos. que ´ e derivada do ∨ e do ¬ como (p ∧ q ) ↔ ¬(¬p ∨ ¬q ) cuja interpreta¸ c˜ ao informal de seu significado ´ e dado no Exemplo 1. A partir do ´ atomo Φ. .2. Vamos “emoldurar” em uma defini¸ c˜ ao a opera¸ c˜ ao de constru¸ c˜ ao de um n´ umero natural. x2 . . x3 } para todo 1 ≤ i ≤ 3. ent˜ ao w = {x1 . . por pares {x1 . . AXIOMAS E UM MODELO t = vm . x2 }.. temos a part´ ıcula ∨. . J´ a temos todos os conjuntos finitos.16 Se x1 . Por pares. . x2 } e x3 ∈ {x3 }. x2 . Prova: Se n = 1.9. x2 }. Se¸ c˜ ao 3. ou u = wn ou u = v1 ou u = v2 ou . x2 } e {x3 } s˜ ao conjuntos com x1 ∈ {x1 . Aplique a uni˜ ao a esse conjunto e obtenha {x1 . para n ≥ 1 s˜ ao conjuntos. Temos que {x1 . x2 . x2 } com x1 ∈ {x1 . x1 } = {x1 }.1. Φ ´ e um conjunto e x ∈ Φ ´ e falso para todo conjunto x. . . temos conjuntos dos tipos 1. seu sucessor ´ e o conjunto x ∪ {x} e ser´ a denotado por s(x). Usando a nota¸ c˜ ao 2. x3 } com xi ∈ {x1 . fa¸ ca {{x1 . O racioc´ ınio se aplica indutivamente at´ e obetermos w com xi ∈ w para todo 1 ≤ i ≤ m.. x1 } ´ e um conjunto e x1 ∈ {x1 . . . Para n = 2. x2 .14. Com o axioma da uni˜ ao. use axioma dos pares e forme {x1 . xi ∈ w. . Logo {x1 } ´ e um conjunto com x1 ∈ {x1 }. v2 . xn } ´ e um conjunto e para cada 1 ≤ i ≤ n.

3. y = xn apenas. . definidos x0 . x2 . x2 . x1 = {Φ}. {Φ ´ e um conjunto. . x2 . xn } ´ everdade para y = x1 . temos agora o conjunto ℵ0 = {x0 . xn } ´ e um conjunto. .18 (Conjunto Infinito) Existe um conjunto infinito. . . x2 = {Φ..19 (Potencia¸ c˜ ao) ∀x∃y ∀z (z ⊆ x → z ∈ y ) . temos que xn+1 = {x0 .´ 30CAP´ ITULO 2. A senten¸ ca y ∈ {x1 . Axioma 2. .xn em ℵ0 .. . 5. x3 = {Φ. {Φ}}}.. x1 . x4 = {Φ.. } com a propriedade de y ∈ ℵ0 ´ e verdade para 1. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS 2. xn . {Φ. ent˜ ao {x1 . A senten¸ ca x ∈ {Φ ´ e verdade apenas para x = Φ. x1 .. 3. . xn } ∈ ℵ0 Axioma 2.. {Φ}}. x0 = Φ. No nosso modelo de conjuntos. {Φ}}. x2 . Os pr´ oximos axiomas extendem mais a no¸ c˜ ao de conjunto (finito) dado acima. {Φ}}}}. . . xn s˜ ao conjuntos. 4. . {Φ}. . 6. Em geral. {Φ. xn+1 . . .. y = x2 . Se x1 .. {Φ. . Formalmente.. . x1 .. . {Φ}. {Φ. . 2. x2 . x2 . ∃x(∅ ∈ x ∧ ∀y ∈ x(s(y ) ∈ x)) Usaremos esse axioma para definirmos o conjuntos dos n´ umeros naturais. {Φ}. ..

Usando–se o axioma da identidade. portanto.3 Mais Axiomas Axioma 2. t ∈ ∅ → t ∈ x ´ e verdadeira. por {∅} e {∅}. nenhum conjunto pertence ao ∅. ent˜ ao {x1 . 2. }. Portanto. basta um contra-exemplo: O conjunto {{∅}} ´ e formado. . {∅} ´ eou ´nico elemento de {{∅}}. x2 . 2. . . . donde t ∈ ∅ ´ e uma afirma¸ c˜ ao falsa e. Al´ em disso. . x2 ∈ {x1 . . 2. I.20 (ACom) Axioma da Compreens˜ ao: Se P ´ e uma propriedade e A ´ e um conjunto. x3 . Com o uso de potencia¸ c˜ ao. t ∈ ∅ ´ e sempre falsa. . x3 . temos que ∅ ⊆ x see t∈∅→t∈x Ora. temos que se x1 . x3 .2 Digress˜ oes O leitor deve tomar nota que: 1. usando–se o axioma dos pares. x2 .2. . o conjunto vazio ´ e subconjunto de qualquer conjunto. mas esses axiomas j´ a s˜ ao suficientes para que possamos iniciar uma discuss˜ ao. usando o axioma do conjunto. temos que a asser¸ c˜ ao. . O vazio ∅ ´ e subconjuntos de qualquer conjunto. } ´ e um conjunto. x2 . Para verificar a primeira afirma¸ c˜ ao. ∀x ∃y ∀z (z ⊂ x → z ∈ y ) Esses ainda n˜ ao s˜ ao todos os axiomas da teoria ZFC. .˜ 2. s˜ ao conjuntos..e. Para justificar a segunda afirma¸ c˜ ao. x1 ∈ {x1 . . x3 . DIGRESSOES 31 Dado um conjunto A. }. existe um conjunto P (A) cujos elementos s˜ ao todos os subconjuntos de A. O vazio n˜ ao necessariamente pertence a um conjunto. etc. ent˜ ao existe um conjunto B tal que x ∈ B se e somente se x ∈ A e P ´ e verdadeira em x. x2 . . a implica¸ c˜ ao verdadeira. .

Est´ a claro que devemos definir propriedade. Exemplo 2. Eles s˜ ao os subconjuntos de um conjunto A dado que . Na pr´ atica. apenas o que temos a m˜ ao: Os axiomas de teoria dos conjuntos e nenhuma defini¸ c˜ ao ex´ otica ` a linguagem que estamos desenvolvendo. uma propriedade ´ e uma combinac˜ ao finita de axiomas da nossa teoria e ´ e dada por uma asser¸ ca ˜o Verdade ou Falso em nosso modelo. Nosso problema a ´ a contagem de f´ ormulas que podemos escrever (um n´ umero enumer´ avel delas e as possiblidades infinitas de conjuntos. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS Esse axioma requer o conhecimento preciso do que ´ e uma propriedade. analogamente a igualdade ou rela¸ c˜ ao de pertin˜ encia usando o que temos. tente a seguinte “propriedade” • P ∈ S se P ´ e um grande compositor brasileiro. Esses subconjuntos est˜ ao sujeitos a formula¸ c˜ ao de uma propriedade P .21 (Propriedade) Uma propriedade em um conjunto x ´ e definida por uma f´ ormula bem formada com axiomas da teoria. mas estamos na froteira da matem´ atica que pode ser constru´ ıda e da grande matem´ atica. {{∅}}} ∧ x = ∅} {x|x ∈ {{{∅}}} ∧ x ∈ {{{∅}}}} No primeiro caso. Nesse caso. temos o conjunto x = {{{∅}}} e no segundo caso x = ∅.22 Essas sentencas ilustram o uso do conceito de propriedade {x|x ∈ {∅. O Axioma da Compreens˜ ao nos d´ a liberdade de formar subconjuntos de um conjunto dado. a medida que introduzimos mais axiomas. fa¸ camos: Defini¸ c˜ ao 2. essa no¸ c˜ ao n˜ ao ´ e univocamente definida. Os exemplos do uso do axioma da compreens˜ ao e uma id´ eia mais clara sobre o conceito de “propriedade” ser˜ ao abordados no texto.´ 32CAP´ ITULO 2. Em suma. o axioma das partes e os axiomas da escolha far˜ ao o papel de assegurar a existˆ encia desses conjuntos. Ora.

0 ∈ A. A ´ e recursivamente definido como 1. Finalmente. 2. y ) ´ e verdadeira. isto ´ e. 2.3. 1 ∈ A.23 (Substitui¸ c˜ ao) Se P (x. Se x ∈ A. 2. Note que isso n˜ ao ´ e a arbitr´ aria forma¸ c˜ ao de subconjuntos. O que falta para descrever ZFC? Vejamos mais axiomas a serem transformados nas regras semanticas do modelo de conjuntos. ent˜ ao s(s(x)) ∈ A.24 Dado um conjunto x. Potencia¸ ca ˜o e Uni˜ ao ser˜ ao discutidos nas constru¸ c˜ oes de cardinais e ordinais. de certo modo. existe um conjunto B onde ∀x ∈ A∃y ∈ B (P (x.2. Axioma 2. MAIS AXIOMAS 33 satisfazem a propriedade P . ent˜ ao s(s(x)) ∈ A. Os Axiomas do Conjunto Infinito. Axioma 2. existe um u ´nico conjunto y = s(x) o sucessor de x (veja a Defini¸ co de sucessor.25 (Funda¸ c˜ ao) Todo conjunto ´ e bem fundado: ∀x(∃y (y ∈ x) → ∃w(w ∈ x ∧ ¬∃z (z ∈ x ∧ z ∈ w))) Todo conjunto x n˜ ao vazio possui um elemento disjunto de x. Ent˜ ao para todo conjunto A. y ) = V erdade) Vejamos um exemplo: Exemplo 2. . O conjunto x possue uma part´ ıcula inicial. O conjunto B ´ e o conjunto dos ´ ımpares: 1. y ) ´ e uma propriedade tal que para todo x existe um u ´nico y onde P (x. o conjunto vazio ´ eo nosso tijolo inicial e nada mais tem complexidade menor em constru¸ c˜ ao. vamos estabelecer que.17) Seja A o conjunto dos pares. Se x ∈ A.

. Em resumo. Exerc´ ıcio 2.26 De acordo com a teoria que foi aprendida. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS Vamos entender melhor o enunciado do Axioma da Funda¸ c˜ ao. {{{∅}}}. 4. Esse axioma. em outra formula¸ c˜ ao nos conta que todo conjunto foi recursivamente construido a partir dos axiomas ZFC. Estabelecemos que 0 ∈ 1. 8. . 0 ∈ 2. e que todo natural j ∈ x.4 Exerc´ ıcios Acho que se eu souber resolver isso eu j´ a aprendi a linguagem! Por isso vou resolver exerc´ ıcios e discuti-los com os colegas e com o professor. {{{∅}}} . {{∅}}. Intuitivamente. Ora. procuramos por um conjunto w que perten¸ ca a xpor´ em w e x n˜ ao possuem elementos em comum. (n˜ ao precisa dar uma justificativa formal. 1 ∈ 2. {∅. . ∅. 1. decida se s˜ ao conjuntos: 1. ∅}. Vejamos: ∃y (y ∈ x) ´ e equivalente a dizer que x n˜ ao ´ e vazio. {0. Nesse caso. Esse w ´ e o vazio. existe um w elemento de x cuja intersecc˜ ao com x ´ e vazia. . Suponha que x ´ e o conjunto dos naturais. 5. . 6. n˜ ao podemos fazer conjuntos sem um “tijolo” inicial. {∅}. . Isto ´ e. 2. 2. todo conjunto tem uma part´ ıcula m´ ınima. }. . 2. 1 ∈ 3. 3.´ 34CAP´ ITULO 2. . . ∅}. 2 ∈ 3. {{∅}. Toda a matem´ atica que escrevemos est´ a calcada no axioma da funda¸ c˜ ao. . 7. {∅}. . . ∅. 0 ∈ 2. decida se ´ e conjunto). {∅}.

y. z }. ∅}}. z } 7. y. 5. ∅}. {{{∅} ´ e um conjunto. z. . {0. ∅. z conjuntos. 2}. 2} = {2. {∅}}. ∅}. y. z }. y. {∅. {∅}}. 13. EXERC´ ICIOS 9. {{∅}}. y. 1. {∅. 2} = {0. 35 Exerc´ ıcio 2. y } ⊆ {x. {{∅}. 1. y. x. y.2. 8. 1. {{∅}. 10. {z. {0. y. suponha que conjuntos s˜ ao denotados por letras min´ usculas. {∅. ∅. ∅ = {∅}. . {∅}. . 11.28 Sejam x. Decida se ´ e verdadeiro ou falso. . 10. 4. . y. {{∅}. 1}. ∅. z }. {{{∅}. 3. 1. Justifique 1. 6. {{{∅}}} = {{∅}}. y. Para resolver os exerc´ ıcios que se seguem. ∅}}. {x. {x} ∈ {x. 2. x ∈ {x. 1. {∅}. {∅}}. ∅}. {∅. {{x}} ∈ {x. ∅. {{{∅}}. ∅. {x. ∅. 0. x. 1. 2. Escreva a uni˜ ao de.4. x ⊆ {x. {∅}. {∅}. ∅. z }. y }} ⊆ {x.27 Sejam x. {{∅}. 9. Exerc´ ıcio 2. 12. z }. 2. 2. 3. z . {∅}. z conjuntos. 11. {∅}.

{x}. {x}. dado o conjunto x. {{{{x. 8. {x}. z }}. {{x}. x. 10. y. {{x. y. z . y }. {x. {x. {{x}}. {x}. Uma defini¸ ca ˜o an´ alogs para P n (x).29 Forme o sucessor e o conjunto de pot˜ encia de: 1. 7. 2. {{x. Defini¸ c˜ ao 2. {{x. {x}}}. {y. Exerc´ ıcio 2. z }. 9. {{x. z }. 3. {x. 4. z }. 6. 6. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS 2. {x}}}}. 8. z }. Por exemplo. temos: . {x}. {x. {y. 7. {y. z }}}. 5. {{{x}}}}. y }. {x. {{{x}}}. z }}}. {x}.´ 36CAP´ ITULO 2. {x}}. 4.30 (sucessor) Dado um conjunto x. {{x. a en´ ezima itera¸ ca ˜o da n opera¸ ca ˜o sucessor ´ e denotada por s (x). {x. {y. {x. z }. {x. {x}. x. z }}. 3. x. x. {x}. {x. {x}. y }. 11. z }}}}}. {y. {{{x}}}. {x. y. 5.

{0. {0. {x}. {x. {1}} = {0. 3. {x}}}}.         {∅} . {x. {y }}. y }} conte os subconjuntos com nenhum. {x}}. 1}. a uni˜ ao de conjuntos dada pelo axioma da uni˜ ao. y }}. P ({x. y }}. 1} ∪ {{0}. y })2 =   ∅. {0}. {y }. {x. s(x)2 = {{x. um . dois. {{y }. y }. escreva s4 (x) e P s2 (x). 37 2. y }}. {x}. {y }. y }}. Lembre–se de que P (x) = V abrevia P ´ e verdadeira em x. {x}. EXERC´ ICIOS 1. y }} .    {∅. y }}. P ({x. {{x}.4. {∅.31 Dado o conjunto x. a partir de agora. temos 1. Dado o conjunto {x. {{{x. {x}}. {x. y }}. {x. {{x. trˆ es e quatro elementos! Exerc´ ıcio 2.   {∅. y }}. {y }. {{x. {x}}}} 3.33 Dado A um conjunto e P uma propriedade. 1. {{ y }} . 1. Exerc´ ıcio 2. s(x)3 = {{{x. {x}}.32 O s´ ımbolo ∪ representa. {x. {{x}. {∅. {1}} = {0. {{ x }} . {x}. {y }}. Decida ent˜ ao se as senten¸ cas abaixo s˜ ao verdadeiras ou falsas. {{x}. {{0}. Denote a opera¸ ca ˜o de intersec¸ ca ˜o de x por y de x ∩ y . 2. 1} ∪ {{0}. {x. 1} ∪ {{0}.        {∅. {{x. Exerc´ ıcio 2. Voce tem alguma representa¸ ca ˜o de diagrama para a intersec¸ ca ˜o? . y }) = {∅. s(x) = {x. {x}}. {x}}}}}}. 2. {0.2. {∅. {1}} = {0. {1}}}. 1. {1}}. {∅.34 Justifique a intersec¸ ca ˜o de conjuntos: ∀x∀y ∃z (w ∈ z ↔ (w ∈ x ∧ w ∈ y )). {x}}. {{ x. Justifique a sua resposta. {x. {y }. {y }}. prove que existe um u ´nico B = {x ∈ A|P (x) = V }. Exerc´ ıcio 2.

A ∪ (B ∩ C ) = (A ∪ B ) ∩ (A ∪ C ) (Leis Distributivas).´ 38CAP´ ITULO 2. De um contraexemplo para mostrar que A \ B = B \ A.35 Justifique o complementar de conjuntos: ∀x∀y ∃z (w ∈ z ↔ (w ∈ x ∧ w ∈ / y . A ∩ B = A \ (A \ B ). 6. A \ (B ∪ C ) = (A \ B ) ∩ (A \ C ) (Leis de DeMorgan).36 Prove que x ∪ y = x see y ⊂ x. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS Exerc´ ıcio 2.39 Prove: 1. Voce tem alguma representa¸ ca ˜o de diagrama para o complementar? Exerc´ ıcio 2. A \ B \ C = A \ (B ∪ C )2 . 2. Denote a uni˜ ao de um conjunto em S por {Bi |i ∈ S } e a intersec¸ ca ˜o em S por {Bi |i ∈ S }.40 Prove as Leis de DeMorgan generalizadas. 4.37 Prove que x ∩ y = x see x ⊂ y . Exerc´ ıcio 2.38 1. Mostre que A\ A\ 2 {Bi |i ∈ S } = {Bi |i ∈ S } = {A \ Bi |i ∈ S } {A \ Bi |i ∈ S } Leia A \ B \ C como (A \ B ) \ C . 3. A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) (Leis Distributivas). . Exerc´ ıcio 2. Exerc´ ıcio 2. A \ B = (A ∪ B ) \ B = A \ (A ∩ B ). 5. 7. Prove que A ∩ B = B ∩ A. Exerc´ ıcio 2. 3. 2. Denote a opera¸ ca ˜o de intersec¸ ca ˜o de x por y de x \ y . Prove que A ∪ B = B ∪ A. A \ (B ∩ C ) = (A \ B ) ∪ (A \ C ) (Leis de DeMorgan).

∅}. Verdadeiro see t ∈ {x} implica t ∈ {x. {∅}} ´ e conjunto se {∅} e ∅ e {{∅}. Os elementos de {x. . z } s˜ ao x. .16. N˜ ao ´ e conjunto. ∅. ∅. Idem. {{∅}. por pares. ∅}}. Dois s˜ ao conjuntos e o terceiro n˜ ao foi constru´ ıdo por nenhuma de nossas estruturas de conjuntos: os axiomas. igual a {∅. Falso. {∅}} ´ e conjunto. y. {{{∅}}}. Os dois u ´ ltimos s˜ ao iguais a {∅. {{∅}. {∅}. ∅. y. ´ e conjunto. {{∅}. Se {{∅}. {∅}}. O conjunto ∅. 3.4. 7. y. z } Pelo Lema 2. ∅}. ∅. {∅}. ∅ ´ e um conjunto definido pelo Axioma do vazio. {∅. ∅} s˜ E ao conjuntos. 13. ∅. {∅}. z }. . {{∅}. ∅}. N˜ ao ´ e conjunto. y. {{∅}. 11. ´ conjunto se e somente se {∅} e ∅ e {{∅}. ∅. {{∅}}. No m´ ınimo est´ a mal identado o que me permite dizer que n˜ ao posso reduzir a ordem hierarquica de sua forma¸ ca ˜o. z }. y. 2. z }. 12. {{{∅}. ∅. ∅}. temos {∅. Verdade. N˜ ao ´ e conjunto. ∅. dai. E 5. {∅} ´ e um conjunto. ∅. {∅}} e {∅. {∅}}. y. Usando extensionalidade. ∅. . ∅. Mesma justificativa. y. {{∅}. . N˜ ao ´ e conjunto. {∅} s˜ ao conjuntos. ∅}. ∅} = {∅}. {{∅}. {∅}} que sabemos ser um conjunto. z } assim como y ∈ {x. N˜ ao ´ e conjunto. ∅. Se ´ e conjunto. . 4. ∅. 3. {{∅}. z }. 2. y. {∅. {∅}}. {∅}. com o uso do axioma de pares. Idem. ∅}. Os dois primeiros s˜ ao conjuntos. o qual pertence a {x. Verdade. Agora t ∈ {x} see t = x. z }. mas o terceiro decomp˜ oe-se em {∅ e ∅ e {∅. ∅}. EXERC´ ICIOS 39 RESPOSTAS 2. 9. 6. y. Por extensionalidade. {x} ∈ {x. ent˜ ao nossa resposta ´ e Afimativa. pares sobre {∅}.2. {∅. ∅. {{∅}. {∅}. E e {∅} s˜ ao conjuntos. O u ´ ltimo j´ a sabemos que ´ e conjunto. N˜ ao ´ e conjunto. Temos que ∅ 8. ∅. Seria verdade se t ∈ x implica t ∈ {x. x ∈ {x. y. . {∅}. {∅}}. x ∈ {x.26 1. N˜ ao ´ e conjunto. z } e z ∈ {x. Sen˜ ao ter´ ıamos que ´ e um conjunto que pertence a si mesmo. Mesma justificativa do exerc´ ıcio anterior ´ conjunto. {∅}. y e z . {∅}. Mesma justificativa do item 6. x ⊆ {x. {{{∅}}} . gera o conjunto {∅. veio de forma¸ ca ˜o de pares de {{∅}. ´ conjunto e originou-se de pares sobre {{∅}}. {∅. {∅}. {∅}} e {∅. z }. A resposta ´ e afirmativa para os dois primeiros. N˜ ao ´ e bem formado usando os axiomas de nossa teoria. ∅}}. 10.27 1. {{∅}}. {∅}. {∅. 2. {∅}}. {{{∅}}. {∅. ∅.

{x}. esse conjunto ´ e unit´ ario. y. y }} implica em t ∈ {x. y }. {x}}}} ∪ {{{x. {x. Falso. {x}}}}}. z }. z }. y }. . 2}. {x. 1. 1. 11. Possuem os mesmos elementos. z }} = {x. Seu conjunto de partes tem 21 elementos. {t ∈ x ∨ t ∈ y ∨ t ∈ z }. 2. {{{∅}}} = {{∅}}. {x. 9. {x. {x. {{{x}}}} ∨ t ∈ x ∨ t ∈ {x} ∨ t ∈ {{x. P (x) = {t ⊆ x}. x. 2. y. 5 O conjunto s({{x. y }. {0. y }. y. Falso. 6. z. {x} = {t ∈ {x}} = {x}. 7. y } ∨ t ∈ z } = {t = x ∨ t = y ∨ t ∈ z }. {x}. {{x. 3 {{x}}. Verdadeiro. Verdade. ∅ = {∅}. 7. y }} see t = z e t = {x. O conjunto das partes de x. {x}}}. 5. {x. 2. {x}}}}} = {{x. y } n˜ ao ´ e elemento de {x. {0. Mesmo racioc´ ınio acima. y. 3. Mal formado. Verdade. x = {t ∈ x} = x. o vazio e o conjunto dado. {x. 10. 8. {{{x}}}}. Temos que t ∈ {z. 2} = {0. {x}. {x}. y. z }. {{{x}}}}. P ({{x}} = {t ⊆ {{x}}}. {{x. S˜ ao iguais. Ambos n˜ ao possuem os mesmos elementos 2. 3. AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS 4. {{{x}}} = {t ∈ {{{x}}} = {{{x}}}. Seria verdade se t ∈ {{x}} implica t ∈ {x. 1. O sucessor de x. 2} = {2. z ∨ t ∈ x}. y. z } = {t ∈ {x. t ∈ {{x}} ⇔ t = {x} e sabemos que {x} n˜ ao ´ e elemento de {x. Falso. {{{x}}}. y }. 1. z }. 6. z }. 2. 5. Vamos verifivar se t ∈ {z. {x}. x. s(x) = x ∪ {x} = {t ∈ x ∨ t ∈ {x}} = {t ∈ x ∨ t = x}. Seu conjunto de partes tem 21 elementos e ´ e dado por {∅. y } ⊆ {x. Falso. {{{x}}} = {t ∈ {x} ∨ t ∈ {{{x}}}} = {{x}. {{{x}}}}. 8.29 1 x. 2. N˜ ao existe t ∈ ∅ e o u ´ nico elemento de {∅}´ e ∅.28 Em uma relolu¸ ca ˜o deveras informal. {x. y }. O conjunto dado tem um elemento. {x}. a afirma¸ ca ˜o ´ e falsa. {z. com um elemento. {x. y }} ⊆ {x. Agora. 1. {{x}} ∈ {x. {x. z }. {t ∈ {x. y }. 0. {{x. {x}. Sen˜ ao t ∈ ∅ see t ∈ {∅}. Como {x. {x. s({{x}}) = {{x}} ∪ {{{x}} = {{{x}}. {x}}. y. z }} = {{x. {x}}}}) ´ e igual a {{x.´ 40CAP´ ITULO 2. {{{∅} ´ e um conjunto. 1}. z } = {t ∈ x ∨ t ∈ {{x. t ∈ x} 4. 1. z }.

{{x}. 2. Denote a uni˜ ao de um conjunto em S por {Bi |i ∈ S } e a intersec¸ ca ˜o em S por {Bi |i ∈ S }. {y. Agora. t ∈ (A \ B ) \ C . z }. {{x. P{{x.40 Prove as Leis de DeMorgan generalizadas. Lembrando que ¬(p ∧ q ) ⇔ (¬p∨ = q ). Distrubuindo a u ´ ltima senten¸ ca. z }}}. z }}}. {{x. 2. Isto ´ e.31 s0 (x) = x. isto ´ e. escreva s4 (x) e P s2 (x). {x}. z }}} = {∅. t ∈ A \ (A ∩ B ) ⇔ (t ∈ A¬(t ∈ (A ∩ B ))) ⇔ (t ∈ A ∧ ¬(t ∈ A ∧ t ∈ B )). t ∈ A \ B .35 Justifique o complementar de conjuntos: ∀x∀y ∃z (w ∈ z ↔ (w ∈ x ∧ w ∈ / y. Denote a opera¸ ca ˜o de intersec¸ ca ˜o de x por y de x∩y . 5 A ∪ (B ∩ C ) = (A ∪ B ) ∩ (A ∪ C ) (Leis Distributivas). Mostre que A\ A\ {Bi |i ∈ S } = {Bi |i ∈ S } = {A \ Bi |i ∈ S } {A \ Bi |i ∈ S } . Isto ´ e x ∪ y = x see y ⊂ x. {y. z }}}) ´ e dado por {{x. Temos que t ∈ A \ B ⇔ t ∈ A ∧ ¬(t ∈ B ). 7 A \ (B ∪ C ) = (A \ B ) ∩ (A \ C ) (Leis de DeMorgan). trivialmente temos a tautologia p ⇒ p ∨ q . (t ∈ A ∨ ¬t ∈ A) ∧ (t ∈ A ∨ ¬t ∈ B ). z }}) = {{x}. 2. {x}. {y. {y. z }. 2.36 x ∪ y = x ⇔ (t ∈ x ∪ y ) ⇔ t ∈ x) ⇔ (t ∈ x ∨ t ∈ y ) ⇔ t ∈ x) . Ora. s(x) = x ∪ {x}. z }}} ∪ {{{x. 3 t ∈ (A \ B ) \ C ⇔ (t ∈ (A \ B ) ∧ ¬(t ∈ C )) ⇔ (t ∈ A ∧ ¬(t ∈ B ) ∧ ¬(t ∈ C )). ou seja. temos que a u ´ ltima senten¸ ca ´ e equivalente a t ∈ A ∧ (¬t ∈ A ∨ ¬t ∈ B ). Voce tem alguma representa¸ ca ˜o de diagrama para o complementar? 2. t ∈ A \ B . Isto ´ e. t ∈ (A \ (B ∪ C ) ⇔ (t ∈ A ∧ ¬(t ∈ (B ∪ C ))) ⇔ (t ∈ A ∧ ¬(t ∈ B ∨ t ∈ C )) ⇔ (t ∈ A ∧ ¬(t ∈ B ) ∧ ¬(t ∈ C ). {x}. t ∈ (A ∪ B ) \ B ⇔ t ∈ (A ∪ B ) ∧ ¬(t ∈ B ) ⇔ (t ∈ A ∨ t ∈ B ) ∧ ¬(t ∈ B) . {x}. {x}. z }}}} = {{x. {y. equivalentemente. isto ´ e. temos a equivalˆ encia (t ∈ A ∨ ¬(t ∈ B )) ∧ (t ∈ B ∨ ¬(t ∈ B )) ou. ∈ y ⇒ t ∈ x). p ∨ q ⇒ p ´ e logicamente equivalente (´ e uma tautologia em L´ ogica Booleana) a q ⇒ p.34 Justifique a intersec¸ ca ˜o de conjuntos: ∀x∀y ∃z (w ∈ z ↔ (w ∈ x ∧ w ∈ y )). {x}. (t ∈ A ∨ ¬(t ∈ B )). {y. {y. Equivalentemente. {{x}. t ∈ A ∨ ¬t ∈ B .2. z }}}}. z }}}}. EXERC´ ICIOS 7 s({{x}. z }}. P{{x}. {y. Finalmente. {y. {y.4.39 Prove: 1 A \ B = (A ∪ B ) \ B = A \ (A ∩ B ). {y. {x}. Lembre-se de que (p ∨ q ) ∧ r ⇔ ((p ∨ r) ∧ (q ∨ r). s2 (x) = s(x ∪ {x}) = x ∪ {x} ∪ {x ∪ {x}} Dado o conjunto x. 41 9 s({{x. {y. Denote a opera¸ ca ˜o de intersec¸ ca ˜o de x por y de x\y . {x}. Voce tem alguma representa¸ ca ˜o de diagrama para a intersec¸ ca ˜o? 2. {y. Agora. Agora. z }} = {∅. Escreva a u ´ ltima senten¸ ca como p ∨ q ⇔ p.

AXIOMAS BASICOS DE TEORIA DOS CONJUNTOS .´ 42CAP´ ITULO 2.

conjunto vazio. • O n´ umero dois. Nossa part´ ıcula inicial. ∅} = {∅}. Usamos dai o axioma dos pares para. 1 ´ e identificado com o conjunto {∅}. de modo que o ´ atomo.1 N´ umeros Naturais Vamos. obtermos. Nossos objetivos principais s˜ ao a discuss˜ ao sobre o Axioma da Escolha em suas v´ arias verso ˜ oes. Dai. O conjunto {∅} ´ e identificado ao n´ umero 1. indutivamente. construir cada n´ umero natural. 0 ´ e identificado com o conjunto vazio. discorremos sobre conjuntos ordenados e tipos de ordens. 43 . formando pares. 2 = {0. • O n´ umero zero. 2 ´ e identificado com o conjunto {∅. • O n´ umero um. ´ e associado ao n´ umero zero. Vamos antes 3.Cap´ ıtulo 3 Ordem e Axioma da Escolha Nesse cap´ ıtulo. dado ∅. o par {∅. o n´ umero Zero ´ e justificado usando o axioma da existˆ encia. Dai. {∅}}. {∅}}. Indutivamente. 1 = {0} e 0 ∈ 1. faremos. 1} e 0 ∈ 2 e 1 ∈ 2. E o n´ umero dois? Este ´ e identificado ao conjunto {∅. fazendo uso dos axiomas b´ asicos que apresentamos no cap´ ıtulo anterior.

que seria a uni˜ ao de todos conjuntos. Lembre-se que o sucesor de um conjunto y´ e dado por y ∪ {y }. . O conjunto acima ´ e chamado de heredit´ ario. 2}. . aceitamos sem muitas cr´ ıticas ou maturidade: A id´ eia de que existe um conjunto infinito. 2. estamos falando dos conjuntos heredit´ arios finitos. indutivamenta. pela opera¸ c˜ ao de tomar sucessor a partir do vazio. . n} . Vejamos: O conjunto dos naturais ´ e a uni˜ ao de todos conjuntos finitos: N = {1. seu sucessor est´ a bem definido e ´ e denotado por s(n) e que denotamos o conjunto vazio por ∅. Veja o Cap´ ıtulo 5. fomos imbuidos de uma id´ eia que n´ os. Ora. . {∅}. Temos que o sucessor de x. Em particular. {∅}}}. 3 = {0. . . • Uma vez “constru´ ıdo”n. ∃x(∅ ∈ x ∧ ∀y ∈ x(s(y ) ∈ x)) Repare bem. . 2.44 CAP´ ITULO 3. . 1. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA • O n´ umero trˆ es ´ e identificado com o conjunto {∅. 1. } = ∪n∈N {1. {∅. 2.1 Seja x um natural. n˜ ao parece com algo que vocˆ e j´ a viu? A partir do que foi. ent˜ ao y ∈ s(x). Lembre–se de que se n ´ e um n´ umero natural. . nosso primeiro contato com as id´ eias matem´ aticas descontextualizadas (a matem´ atica que n˜ ao faz uso do cl´ assico saco de balinhas de Maria ou as figurinhas de Jo˜ ao). Dai. . Se y ∈ x. Defini¸ c˜ ao 3. x ∈ s(x). . o n´ umero n + 1 ´ e o conjunto {0. s(x). nossa quest˜ ao b´ asica dever´ a ser: temos bases consistentes para fazermos as constru¸ c˜ oes de um n´ umero natural como acima? Vamos a essa quest˜ ao. provavelmente. O leitor dever´ a notar que um n´ umero natural ´ e formado. satisfaz 1. n}. ou boa parte de n´ os.

mas de natureza um pouco mais pr´ atica: O que ´ e o conjuntos dos n´ umeros (todos eles!) naturais? Precisamos do axioma da existˆ encia de um conjunto infinito. . os n´ umeros naturais s˜ ao construidos usando os axiomas abaixo. Defini¸ c˜ ao 3. conhecidos como Axiomas de Peano. 2. que alguns de n´ os conhecemos de nossos cursos b´ asicos. que seria conceitos derivados. O que ´ e de fato um n´ umero natural?? Para os leitores que fizeram o ´ curso de Algebra 1.18. U ∪ {U } ∈ U . que seria o conjunto de todos conjuntos. como antes Suc(x) ao sucessor do n´ umero natural x.1. Ent˜ ao. a uni˜ ao de todos esses conjuntos. . Temos agora um problema mais b´ asico. Denotamos. 1. Ora. 2. zero e sucessor relacionados por 5 axiomas. }. . a existˆ encia de tal conjunto cria um paradoxo (implicaria uma contradi¸ c˜ ao): O conjunto universo U ´ e o conjuntos de todos os conjuntos. Vejamos agora com certa cr´ ıtica essa id´ eia intuitiva de conjunto de todos os conjuntos. x = y ∨ x < y ∨ y < x. menos transcendente que o Platonico conjunto universo. y ∈ N. O conjunto dos n´ umeros naturais ´ e esse conjuntos x que assertamos existir. . Existe um certo conceito de um chamado “conjunto universo”.´ 3. Os axiomas s˜ ao os seguintes: • Zero ´ e um n´ umero natural. Para verificar o u ´ltimo precisamos da teoria que desenvolvemos na pr´ oxima se¸ c˜ ao. NUMEROS NATURAIS 45 Essa f´ ormula ´ e pass´ ıvel de cr´ ıticas. Verifique que os conjuntos construidos acima de fato satisfazem os primeiros quatro axiomas.2 Defina x < y em N se x ∈ y Princ´ ıpio da Tricotomia Para todo x. Temos que a senten¸ ca ∃x(∅ ∈ x ∧ ∀y ∈ x(s(y ) ∈ x)) ´ e identificada com o conjunto N = {0. bem formuladas e certas consequˆ encias dessas defini¸ c˜ oes. uma vez que fizemos uma defini¸ c˜ ao de N em fun¸ c˜ ao de N e nossos objetivos s˜ ao certas defini¸ c˜ oes primitivas. Axiomas de Peano: Os Axiomas de Peano admitem trˆ es conceitos primitivos: n´ umero natural.

Antes de tornar a no¸ c˜ ao de ordem mais formal. xk }. . Ent˜ ao S ´ e o conjunto de todos os n´ umeros naturais. derivada da rela¸ c˜ ao ∈. 2 → f (x2 . Dado um conjunto A.2 Conjuntos Ordenados Temos a defini¸ c˜ ao de ordem en N. . Assim. N˜ ao s˜ ao bem formadas as frases 0≤ 1 ≤ 3. 4 ≤ 9 pois 4 ∈ 9 e 4 ≤ 4 desde que 4 = 4. devemos deixar claro que uma ordem sobre um conjunto A ´ e uma rela¸ c˜ ao bin´ aria sobre esse conjunto. se A = {x1 . 4 3 ≤≤≤ Desse modo. • Zero n˜ ao ´ e sucessor de nenhum n´ umero natural. Vamos agora justificar o conceito de conjunto finito: Defini¸ c˜ ao 3.3 (Conjunto Finito) Vamos definir que um conjunto A ´ e finito se e s´ o se existe um n´ umero natural n e uma bije¸ ca ˜o de n em A. . . e assim sucessivamente. vamos especificar as propriedades que uma ordem sobre A dever´ a satisfazer. • se Suc(x) = Suc(y ) ent˜ ao x = y • Princ´ ıpio da Indu¸ c˜ ao Completa: Seja S um conjunto de n´ umeros naturais tal que: a) 0 ∈ S b) Se n ∈ S ent˜ ao Suc(n) ∈ S . definida por x ≤ y se x ∈ y ∨ x = y Assim.46 CAP´ ITULO 3. podemos definir uma bije¸ c˜ ao 1 → f (x1 ). perceba que uma ordem ´ e uma rela¸ c˜ ao entre dois elementos de um dado conjunto A. 3. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA • Todo n´ umero natural x tem um sucessor Suc(x). por exemplo. x2 . .

se x ≤ y e y ≤ z . • x ≥ y se y ≤ x. y ∈ X tem-se que x ≤ y ou y ≤ x (isto ´ e. . z em A. x ≤ x. recorde que j´ a sabemos o que ´ e um par ordenado (veja Axioma da Forma¸ c˜ ao de Pares 2. y ∈ A. na Se¸ c˜ ao 3. ≤) e x. Chamaremos rela¸ co ˜es bin´ arias simplesmente de rela¸ c˜ oes.6 Uma rela¸ ca ˜o de ordem em X ´ e chamada de ordem total ou linear se para todo x. Vejamos. Isto ´ e. Temos: Defini¸ c˜ ao 3. Uma fun¸ ca ˜o ´ e f de A em B uma rela¸ ca ˜o univalorada.5 Dado um conjunto A. se x ≤ y e y ≤ x. • x < y se x ≤ y ∧ x = y . y.7 Dado um conjuntos ordenado (A. y )|x ∈ A ∧ y ∈ B } A partir dai.4 Sejam A e B dois conjuntos. Vamos agora fixar uma nota¸ c˜ ao Defini¸ c˜ ao 3. ent˜ ao x = y . y ) pertencente a rela¸ ca ˜o R como xRy . quaisquer dois elementos em X s˜ ao compar´ aveis). y ∈ A. CONJUNTOS ORDENADOS 47 Ora. O conjunto A × B ´ e definido como {(x. Denotamos um par ordenado (x.3.2. (reflexividade) PO3 Para todo x.2. se x f y e x f z . (transitividade) PO2 Para todo x ∈ A.5 alguns exemplos de tipos de ordem. uma rela¸ ca ˜o bin´ aria ≤ sobre A ´ e dita uma ordem parcial sobre A se PO1 Para todo x. ent˜ ao y = z . • x > y se y < x. definimos: Defini¸ c˜ ao 3. ent˜ ao x ≤ z . Vamos formalizar o que mais precisamos para definir uma rela¸ c˜ ao de ordem. R ´ e dito uma rela¸ ca ˜o bin´ aria se R ´ e um subconjunto n˜ ao vazio do conjunto A × B . (anti-simetria) Defini¸ c˜ ao 3.

ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA Observa¸ c˜ ao 3. ≤) pode possuir rela¸ c˜ oes e propriedades derivadas da rela¸ c˜ ao ≤. x∈A´ e m´ ınimo se ∀y ∈ X .9 Um conjuntos ordenado (A. referimo–nos a Se¸ ca ˜o 3.5. se nenhuma rela¸ ca ˜o ´ e estabelecida.11 Dado um conjunto X . x∈A´ e m´ aximo se x ´ e majorante e pertence a X . Defini¸ c˜ ao 3. A partir das rela¸ co ˜es = e <.48 CAP´ ITULO 3. ou. digamos.10 Dado um conjunto ordenado (A. <).8 Poder´ ıamos ter como defini¸ ca ˜o primitiva (A. x∈A´ e minimal se x ´ e minorante e pertence a X . Um conjunto ordenado (A. y ≥ x. 2. m´ aximo. Ordem linear se para todo x e y temos x = y ou x < y ou y < x. definimos ≤ como x ≤ y se x<y∨x=y Podemos descatar outros tipos de ordem: Defini¸ c˜ ao 3. existe z tal que x < z < y . x∈A´ e minorante de X se para todo y ∈ X . ≤) e X ⊆ A. y ≤ x. Defini¸ c˜ ao 3. x. Ordem densa. uma boa ordem ´ e uma ordem em X ´ e uma rela¸ ca ˜o de ordem ≤ sobre X tal que: . y . minimal e m´ ınimo: Majorante Maximal x∈A´ e majorante de X se para todo y ∈ X . maximal. se ´ e poss´ ıvel comparar x com y . ≤) tem 1. x∈A´ e maximal se ∀y ∈ X . definimos majorante. que contra–exemplos podem ser dados. x < y . minorante. ent˜ ao y ≥ x. Vamos usar alguns desses conceitos no que se segue. se ´ e poss´ ıvel comparar x com y . ent˜ ao y ≤ x. M´ aximo Minorante Minimal M´ ınimo Para o leitor que est´ a se perguntando qual a rela¸ ca ˜o entre esses conceitos. se para quaisquer elementos comparaveis.

e. Vejamos que x′ ´ e o sucessor de x: Como x′ ´ e o primeiro elemento de {y ∈ A|y > x}. A ´ e linearmente ordenado. Temos ent˜ ao que x ≤ y .. Ent˜ ao o conjunto {y ∈ A|y > x} pode ser vazio ou n˜ ao. donde.2. Parte de nosso trabalho ´ e “podar” o excesso de defini¸ c˜ oes.2. 2) Suponha que A ´ e bem ordenado e seja x ∈ A. 3. Isto ´ e. ent˜ ao.. No primeiro caso. sem perder a generalidade. para todo x < y . a ordem sobre A ´ e linear.3. Ent˜ ao 1. ≤) um conjunto bem ordenado. 2. Prova: Para provar 1. Tome x = y em A. 3. portanto.1 Alguns Exemplos de Boa Ordem O primeiro exemplo de conjunto ordenado ´ e o conjunto dos n´ umeros naturais N. i.11 Lema 3. y } ´ e um subconjunto de A e. sen˜ ao temos a ordem (linear) trivial. Suponha que A tem pelo menos dois elementos. 49 ´ muito interessante notar que muitas propriedades interessantes podem E ser inferidas usando–se BO. Dai n˜ ao existe y tal que x < y < x′ . Todo x ∈ A tem sucessor ou ´ e o m´ aximo de A. Vamos ilustrar esse ponto usando defini¸ c˜ ao 3.12 Seja (A. por BO tem um m´ ınimo. ′ temos x ≤ y . {y ∈ A|y > x} = ∅ e. de modo a obter um corpo m´ ınimo de axiomas. dois elementos de A s˜ ao compar´ aveis. . A tem primeiro elemento. sendo A Bem Ordenado. x′ ´ e sucessor de x 3) O conjunto A ´ e um subconjunto particular de A e. O conjunto {x. esse exemplo ser´ a nosso “gabarito”quando pensarmos em boa ordem. que esse m´ ınimo ´ e x. para todo y em A. y ≤ x e x ´ e m´ aximo. CONJUNTOS ORDENADOS BO Todo D ⊆ A tal qur D = ∅ tem um m´ ınimo. ´ e necess´ ario demostrar que dois elementos de A s˜ ao compar´ aveis. Sen˜ ao. esse conjunto tem m´ ınimo x′ . possui primeiro elemento. Suponha.

defina a uni˜ ao disjunta de da fam´ ılia (Ai . 1 ´ e o m´ ınimo de X . Sen˜ ao n temos que X ⊆ N \ {0. 1}. existe um n´ umero x ∈ X .13 N ´ e Bem Ordenado. Sen˜ ao temos que X ⊆ N \ {0}. ≤ . x ≤ y ou y ≤ x. Verifiquemos se 1 = s(0) ∈ X . Defini¸ c˜ ao 3. j ) <lx (n. Note que esse algor´ ıtmo tem um fim porque X = ∅. k)) Defini¸ c˜ ao 3. N´ os de fato constru´ ımos novos conjuntos ordenados a partir de outros conjuntos ordenados. ≤i )i∈I . Usaaremos aqui a propriedade que todo subconjunto X de N n˜ ao vazio ´ e linearmente ordenado.14 Dado o conjunto ordenado (I. Nosso algor´ ıtmo n˜ ao tem mais do que x repeti¸ c˜ oes porque o m´ ınimo de X ´ e menor ou igual a x. Eu n˜ ao gostei muito dessa prova.seja B um subconjunto nao vazio de A. aw Conjuntos ordenados ser˜ ao usados como base para construirmos outros conjuntos ordenados. Lex Luthor! Seu sentido ´ e colocar numa ordem de dicion´ ario. ≤). j ) ≤lx (n. Prova: Vamos mostrar que todo ∅ = X ⊆ N tem primeiro elemento. 0 ´ e o m´ ınimo de X .50 CAP´ ITULO 3. Repita at´ e que para certo n = s (0) perten¸ ca a X. j ) ⇔ m ≤i n ∀(j <i k)∀m ∈ Aj ∀n ∈ Ak ((m.5. para todo x e y de X .15 Dado um conjunto ordenado (A. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA Lema 3. Se 0 ∈ X . 1 Esse nome n˜ ao ´ e uma homenagem ao vil˜ ao dos quadrinhos. Caso tenhamos sucesso. donde. De fato. Defina a ordem induzida de A em B como m ≤B n ⇔ m ≤ n O leitor n˜ ao ter´ a dificuldade em demonstrar que ordem lexicogr´ afica e ordem induzidas possuem as propriedades de ordem definidas em 3.) e a fam´ ılia de conjuntos ordenados (Ai . . par. ≤i )i∈I como ∪i∈I Ai × {i} Defina a ordem lexicogr´ afica1 ≤lx como (m. Isto ´ e.

1) ⇔ m ≤ n. Seja {As }s∈S uma famil´ ıa de conjuntos n˜ ao vazios. na ordem herdada da ordem de N. 0) ⇔ m ≤ n. Vers˜ ao ZERO. Vers˜ ao DOIS. CONJUNTOS ORDENADOS 51 Exemplo 3. ent˜ ao como N × {0} ´ e bem ordenado. .16 O conjunto N × {0} ∪ N × {1} na ordem lexicogr´ afica ´ e bem ordenado. pelo seu sabor intuitivo e ´ obvio foi (ou ainda ´ e) objeto de algumas confus˜ oes. Na verdade esse axioma estabelece que as propriedades de indu¸ c˜ ao que temos no conjunto dos n´ umeros naturais podem ser mantidas em outros conjuntos. Ent˜ ao existe uma fun¸ c˜ ao f definida em S tal que para todo s ∈ S . Caso X ∩ N × {0} = ∅. esse conjunto tem um m´ ınimo. as quais apresentamos a seguir. f (s) pertence a As . existe uma rela¸ c˜ ao ≤ que bem ordena A (veja defini¸ c˜ ao 3. 1). Repita o racioc´ ınio anterior sobre o conjunto bem ordenado N × {1}. que ´ e o m´ ınimo de X em N × {0} ∪ N × {1}. (m. V´ arias vers˜ oes (enunciados equivalentes) do Axioma da Escolha est˜ ao dis´ pon´ ıveis “no mercado”. Para todo conjunto A. 0) ≤ (n. Prova: A ordem lexicogr´ afica sobre N × {0} ∪ N × {1} ´ e dada por: • (m.2 Axioma da Escolha em V´ arias Formas Temos agora as ferramentas b´ asicas para enunciar o Axioma da Escolha.11). 1) ≤ (n.3. n ∈ N. E bom tomar conhecimento de algumas dessas vers˜ oes. O Axioma da Escolha.2. Ent˜ ao podemos escolher a0 ∈ A.2. • Para todo m. 3. como X = ∅. Se X ∩ N × {0} = ∅. Vers˜ ao UM. 0) ≤ (n. ent˜ ao X ⊆ N × {1}. AEsc Axioma da Escolha. • (m. Seja A um conjunto n˜ ao vazio. Vamos provar que ∅ = X ⊆ N × {0} ∪ N × {1} possui m´ ınimo.

na Defini¸ c˜ ao 3. ´ claro que zero ´ Prova. Se A \ {x0 } n˜ ao ´ e vazio. Uma fun¸ c˜ ao definida em todo s ∈ S pode ser obtida da seguinte forma: Caso f esteja definida em X ⊆ S e X = S . portanto x0 ≤ x0 .52 CAP´ ITULO 3. ent˜ ao S \ X = ∅ e.( Tamb´ Vers˜ ao TRES em chamado de Lema de Zorn) Seja A um conjunto Parcialmente Ordenado. extendendo. existe as ∈ As . An´ alise. podemos escolher x1 ∈ A \ {x0 } e ordenar x0 ≤ x1 . Ordenando x ≤M xM para todo x ∈ O e fazendo x ≤M y se x ≤ y em O. de novo. Definindo f (s) = as . DOIS ⇒ UM: Seja {As }s∈S uma fam´ ılia de conjuntos n˜ ao vazios. x0 = x0 e. P O2 e P O3. Se toda cadeia em A (todo o subconjunto de A que satisfaz Lin) tem um elemento majorante. i. . Pela forma ZERO. Posto isso. ent˜ ao A tem um elemento maximal. Ordene {x0 } pela a ordem trivial. Aplicando seguidamente ZERO. f para f (sX ) = aX ..5. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA ˆ . o conjunto As0 pode ser bem ordenado.17 As quatro formas de axioma da escolha enunciadas acima s˜ ao equivalentes. temos o resultado desejado. Isto ´ e. Essas quatro vers˜ oes do Axioma da Escolha sempre ser˜ ao usadas. existe x0 ∈ A. Lema 3. por uma ordem ≤s0 . em ´ uma de suas formas. Suponha que temos O ⊆ A bem ordenado. temos o resultado desejado. Topologia. por ZERO. Precisamos provar que ZERO implica UM. ent˜ ao A \ O n˜ ao ´ e vazio e podemos escolher xM ∈ A \ O. ZERO se e somente se UM: E e uma vers˜ ao mais simplificada de UM. A satisfaz P O1. Como para cada s ∈ S . Se O = A. em Algebra. primeiro elemento de As . podemos escolher sX ∈ S \ X e aX ∈ AsX .e. XS ∩ As ´ e um conjunto unit´ ario. desse modo. temos: UM ⇒ DOIS: Seja A um conjunto. podemos escolher s0 ∈ S e as0 ∈ As0 . A vers˜ ao UM tamb´ em tem seu apelo intuitivo como: Existe um conjunto XS tal que para todo s ∈ S .

Dai. r s ou s r . Vamos. CONJUNTOS ORDENADOS 53 ˆ : Seja A um conjunto parcialmente ordenado e tal que UM ⇒ TRES toda cadeia em A tem um majorante. Provemos que toda cadeia em P tem um majorante.3. Desta forma. seja linearmente ordenado. A \ M = ∅. y ∈ r . podemos. novamente usando UM. caso A \ C = ∅ tomar. contradizendo que M ´ e majorante. caso contrario. ˆ ⇒ DOIS: Seja A um conjunto n˜ TRES ao vazio. x ≤ y em ∪C e ∪C ´ e um majorante para ∪C . se r s. Sejam P todos os subconjuntos de A que podem ser bem ordenados. de escolha de um conjunto linearmente ordenado. teriamos m ∈ A onde c ≤ m. o passo zero. s ∈ P . ˆ . ent˜ ao A \ M = ∅. Podemos. Esses subconjuntos de A s˜ ao linearmente ordenados pela ordem herdada de A. De fato. ent˜ ao para todo r. ent˜ ao x ≤ y em r . De fato. Donde. Ordene P por ∀r. P tem um maximal. Vamos mostrar que esse maximal ´ e A: Toda cadeia em P tem um maximal: Se C ´ e uma cadeia na ordem definida acima. para todo x ∈ A \ M . provar que A tem um maximal. podemos. impor que esse x seja o m´ aximo. existe r ∈ C tal que x. M ∪ {x} tem. C possui um majorante. Sen˜ ao. para todo c ∈ C e m ∈ C (recorde–se da defini¸ c˜ ao de majorante: onde ´ e possivel compara¸ c˜ ao. Por UM. Teremos. y ∈ ∪C . Claramente os unit´ arios em A s˜ ao bem ordenados. para todo s ∈ C . Esse majorante ´ e maximal em A. Se M = A. Deste modo. usando UM. s ∈ C . y ∈ r e para todo s ∈ C . m´ e o m´ aximo). Desse modo. se r s. dado por um unit´ ario em A j´ a foi tomado e. preservando a ordem de M . O maximal de P ´ Por TRES e A: Seja M o maximal de P . Por hip´ otese. . x ≤ y em s. na ordem um majorante. Desta forma. Caso C ∪ {c}. com a ordem herdada de A. podemos extender C para C ∪ {c}. podemos escolher unitarios a0 ∈ A. tomamos (A \{c}) \ C e podemos continuar o processo de modo a tomar C subconjunto de A linearmente ordenado e maximal para essa propriedade. dado C ⊆ A lineramente ordenado. Isto ´ e M = A. dado x. escolher C ⊆ A maximal e linearmente ordenado. continuamente usando UM.2. ent˜ ao que P tem um maximal. c ∈ A \ C . ent˜ ao x. r s see r ⊆ s e a ordem de r coincide com a ordem de s.

Prova: 1) Como para todo A ∈ F e B ⊇ A.19 Seja F um filtro sobre um conjunto X . 3. temos que para s0 ∈ S . 3) Se {As }s∈S . Defini¸ c˜ ao 3. . .3 Ideais e Filtros Uma das formas equivalentes de axioma da escolha muito usada em ´ algebra e topologia geral ´ e a o seu enunciado na forma para filtros.182. temos que A1 ∩ A2 ∈ F . (A1 ∩ A2 ) ∩ A3 ∈ F . sec. Para todos A e B em F . como X ⊇ A para todo A ∈ F . ent˜ ao. 2. F ´ e fechado para intersec¸ co ˜es finitas. Ultimo ex) faremos uso de: Lema 3. 2. Vamos fixar essa no¸ c˜ ao com exemplos. A ∩ B ∈ F .20 Dado um conjunto n˜ ao vazio X e ∅ = Y ⊆ X . 3. suponha (A1 ∩ · · · ∩ An−1 ) ∈ F . S = ∅ ´ e uma familia de conjuntos em F . por 3.54 CAP´ ITULO 3. .183 pertence a F. temos que (A1 ∩ · · · ∩ An−1 ) ∩ An ∈ F . o conjunto ∪s∈S As est´ a contido em As0 . Pela propriedade 3. . um conjunto F contido no conjunto das partes de X (um conjunto formado por subconjuntos de X ´ e um filtro se 1. .18 Dado um conjunto n˜ ao vazio X . ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA 3. Temos que 1. B ∈ F . Para todo A em F e B ⊇ A. ∅ ∈ F . temos que B ∈ F . Indutivamente. X ∈ F . F ´ e fechado para uni˜ oes. (Refira exemplos na prox. temos que X ∈ F . donde. donde. An } de elementos de F .) No exemplo (refira qual prox sec. o conjunto F ado pore todos subconjuntos de X que contem Y ´ e um filtro. Lema 3. 2) Para todo conjunto finito {A1 .

temos que B ⊇ A ⊇ Y . Donde. Ent˜ ao Y ⊆ A e Y ⊆ B . B ∈ F ). Donde. ((C1 ⊆ A1 ) ∧ (C2 ⊆ A2 ) ∧ (C3 ⊆ C1 ∩ C2 )) ⇒ (C3 ⊆ A1 ∩ A2 ) donde.22 O conjunto F = {A ⊆ X |∃C ∈ B (C ⊆ A} ´ e um filtro. 3) Considere A ∈ F . Por hip´ otese. Defini¸ c˜ ao 3. Lema 3. Para todo A e B em B . Desse modo. 2.3. Ora. por defini¸ c˜ ao A1 ∩ A2 ∈ F . Dai. 2) Considere A e B em F . . contra a defini¸ c˜ ao de B . Prova: Vamos provar que ∅ ∈ F . existe um conjunto C ∈ B tal que C ⊆ A ∩ B . Ora. ∅ ∈ B . diremos que F1 ´ e mais fino do que F2 se todo A em F1 pertence a F2 . IDEAIS E FILTROS 55 Prova: 1) Como Y n˜ ao ´ e vazio. Ent˜ ao Y ⊆ A. chamado de filtro gerado por B . temos que ¬(Y ⊆ ∅) (o u ´nico subconjunto de vazio ´ e o vazio) e desse modo.23 Dados dois filtros F1 e F2 sobre um conjunto X . ¬(∅ ∈ F ). existe C ∈ B tal que C ⊆ A. Y ⊆ (A ∩ B ). Sen˜ ao ∅ ∈ F implica que existe C ∈ B tal que ∅ ⊇ C . Vamos provar que F ´ e fechado por intersec¸ c˜ oes finitas. se A ∈ F . Ora. para todo B ⊇ A. de fato. C ⊆ A ⊆ A′ . Observe que duas bases diferentes podem gerar um mesmo filtro. um conjunto B ⊆ P (X ) ´ e chamado de base de um filtro se 1. para todo ′ A ⊇ A. se A1 e A2 s˜ ao dois elmentos de F . ent˜ ao existem C1 e C2 em B tal que C1 ⊆ A1 e C2 ⊆ A2 . Provar que certos conjuntos s˜ ao base de um filtro ´ e algo mais concreto e acess´ ıvel do que mostrar que o filtro gerado por essa base ´ e. (tem exemplo disso???) Filtros podem ser ordenados de acordo com a ordem do ⊆: Defini¸ c˜ ao 3. Isto ´ e A′ ∈ F . Finalmente. existe C3 ∈ B tal que C3 ⊆ C1 ∩ C2 .21 Dado um conjunto X = ∅. ent˜ ao ∅ = C e ∅ ∈ B . um filtro.3. Vamos definir base de um filtro.

56 CAP´ ITULO 3. Equivalentemente. Para todo A em I e B ⊆ A. um conjunto I contido no conjunto das partes de X (um conjunto formado por subconjuntos de X ´ e um ideal se 1. Agora.24 Dado um conjunto n˜ ao vazio X .25 I ´ e um filtro sobre um conjunto X see seu dual F dado por F = {A ⊆ X |X \ A ∈ I} ´ e um filtro sobre X . A ∪ B ∈ I . Vamos fazer caminho do n˜ ao algebrista (mesmo que os autores “tor¸ cam” para o time da algebra) e definir ideal dual a defini¸ ´ c˜ ao de filtro: Defini¸ c˜ ao 3. Os filtros que s˜ ao m´ aximais no sentido que nenhum filtro seja mais fino do que um filtro maximal. Filtros em l´ ogica e ideais em ´ algebra s˜ ao um conceito chave nessas ´ areas da matem´ atica. . Vejamos a defini¸ c˜ ao de filtros maximais ou ultrafiltros. X \ B ∈ F . X \ A em F e X \ B ⊇ X \ A. 3. Para todo A e B em I . Para todos A e B em I . X ∈ I see X \ X = ∅X ∈ F . Uma das equivalˆ encias do Axioma da Escolha ´ e que todo filtro F admite um refinamento de modo que existe um filtro F ′ que ´ e maximal e refina F . (X \ A) ∪ (X \ B ) = X \ (A ∩ B ) ∈ F . B ∈ I . por hip´ otese. A ∩ B ∈ I . 3. para todo X \ A e X \ B em F . A ∩ B ∈ I . Prova: Vamos provar que duais de ideais s˜ ao filtros: 1. 2. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA Um exemplo de dois filtros F1 e F2 com F1 ´ e mais fino do que F2 ´ e dado em 3. Equivalentemente. 2. X ∈ I . Para todo A em I e B ⊆ A.40 O dual da defini¸ c˜ aode filtro ´ e dado pela Ideais. A palavra dual tem a sua justificatica no lemma abaixo: Lema 3. B ∈ I . donde X \ (A ∩ B ) ∈ F .

26 Seja F um filtro sobre um conjunto X . Diremos que F ´ e um ultrafiltro se para todo A ⊆ X . existe B ∈ F ∪ A tal que B′ ⊆ A ∩ B Ora. Prova: 1 ⇒ 2: Se F n˜ ao ´ e maximal. S˜ ao equivalentes: 1. .. Vamos mostrar que F n˜ ao ´ e ultrafiltro mostrando que existe B ∈ F tal que B ∩ (X \ A) = ∅. A ∈ F \ F . Vejamos asser¸ c˜ oes equivalentes para ultrafiltros antes de provar o Teorema 3. Como esse conjunto ´ e base de um ′ filtro. Como (B ′ ⊆ A ∩ B ) ⇒ (B ′ ⊆ A) ent˜ ao B ′ ∩ (X \ A) = ∅. temos que A ∈ F ou X \ A ∈ F . Ultrafiltros s˜ ao maximais no sentido que esses filtros n˜ ao admitem extensao pr´ opria. Uma das equivalencias do axioma da escolha ´ e que todo filtro pode ser extendido a um ultrafiltro. ent˜ ao temos as duas hip´ oteses: 1. F ´ e ultrafiltro. Considere o filtro gerado por F ∪ A. extens˜ ao pr´ opria de ′ F e. 2. desse modo. para todo B ∈ F ..28 Lema 3. F ´ e maximal no sentido de n˜ ao admitir extens˜ oes pr´ oprias.. Temos que A ∈ F . A ∈ F implica que o filtro gerado por F ∪ {A} ´ e o pr´ oprio F . . podemos supor que ′ ∈ F ... IDEAIS E FILTROS 57 Defini¸ c˜ ao 3. item (X \ A) ∈ F que um filtro gerado por F ∪ {A} teria por elemento A ∩ (\A) = ∅. 3. 2 ⇒ 1 Como para todo A ⊆ X temos que A ∈ F ou (X \ A) ∈ F .3. ent˜ ao existe F ′ .3.27 Seja F um filtro sobre um conjunto X .

Prova: Seja F um filtro n˜ ao trivial. 1. teriamos (∃B1 ∈ F (B1 ∩ A = ∅)) ∧ (∃B2 ∈ F (B2 ∩ (X \ A) = ∅) Agora. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA de modo que F n˜ ao admite extens˜ ao pr´ opria. A3 } ⊆ P (X ) e GF Ai o filtro ao o gerado por o conjunto de F ∪ {Ai } ou o conjunto P (X ). Escolha A ∈ F . F ∪ {X \ A)} gera um filtro. {1}} {{1}} Teorema 3. vamos provar que (∀B1 ∈ F (B ∩ A = ∅)) ∨ (∀B2 ∈ F (B ∩ (X \ A) = ∅) Caso contr´ ario. Em um esquema. ent˜ seguinte esquema: 3 {2} 2 {1} 1 F ∪ {A1 } F {0.28 O Axioma de Zorn ´ e equivalente ao seguinte axioma: • Todo filtro F pode ser extendido a um ultrafiltro. De fato. A2 . Temos. ((B1 ∩ A = ∅) ∧ (B2 ∩ (X \ A) = ∅)) ⇒ ((B1 ∩ B2 ∩ A = ∅) ∧ (B2 ∩ B1 ∩ (X \ A) = ∅)) . Isto ´ eF ´ e maximal. Temos que 1. F2 } um conjunto de filtros.58 CAP´ ITULO 3. F1 . Uma das formas equivalentes do Axioma da Escolha ´ e que o Axioma de que todo filtro pode ser extendido a um ultrafiltro. sejam {F . {A1 . F ∪ {A} gera um filtro. 2.

ent˜ ao exite G ∈ C tal que A ∈ G e. portanto.3. Use o fato de todo ideal ter uma ´ extens˜ ao maximal e use o gerador disso como MAXIMO. temos ent˜ ao que o filtro F admite extens˜ oes n˜ ao triviais e podemos. (Esbo¸ co: Escreva cadeias em Ideais. • Se A ∈ G2 . um majorante: • Se ∅ ∈ G . portanto. temos que existem G1 e G2 tais que A ∈ G1 ∧ B ∈ G2 Como C ´ e cadeia. ∅ ∈ ∪{G|G ∈ C}. onde temos: Lema 3. ent˜ ao existe G ∈ C tal que ∅ ∈ G . ent˜ ao FILTROS tem algum maximal. Como cadeias em FILTROS tem majorante. sen˜ ao poderia ser extendido a um certo A ∈ F ou X \ A ∈ F . Vamos provar que G = ∪{G|G ∈ C} ´ e um filtro e extende cada elemento de C e ´ e. Considere uma cadeia C ∈ FILTROS. n˜ ao vazio. Portanto. o que n˜ ao ocorre. suponha que todo filtro pode ser extendido a um ultrafiltro. desse modo. A e B pertencem a G2 .29 Seja X um conjunto e F o filtro gerado por um subconjunto A = ∅. . considerar o conjunto FILTROS de todos os filtros que extendem F ordenados pela rela¸ c˜ ao ⊆. uma contradi¸ c˜ ao com o fato de ambas as suas intersec¸ c˜ oes com A e X \ A s˜ ao o conjunto vazio. pertence a G .3.) Ultrafiltros n˜ ao s˜ ao uma ferramente capaz de gerar exemplos triviais excepto no caso de filtros gerados por subconjuntos de um conjunto X . Reciprocamente. denotado por F ´ e ultrafiltro. portanto. IDEAIS E FILTROS 59 Mas B1 ∩ B2 ∈ F e ´ e. donde. todos os sobreconjuntos de A pertencem a G . • Para todo A e B em G . Ent˜ ao os ultrafiltros que extendem F s˜ ao todos os ultrafiltros gerados pelos unit´ arios {a}. para qualquer a ∈ A. Portanto A ∩ B ∈ G2 e. podemos supor sem perder a generalidade que G1 ⊆ G2 . portanto. Ora. Esse maximal.

para todo Y ⊆ X . a ordem lexicogr´ afica (como no exemplo 3) nos pares ordenados (a. uma rela¸ ca ˜o de ordem: PO1 Para qualquer n´ umero complexo a + bi. Mas como a + bi ≤ c + di e c + di ≤ a + bi ent˜ ao . ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA Prova: Considere F um filtro gerado por um conjunto A ⊂ X . a = e e b ≤ f . temos que a ∈ Y ou a ∈ Y . Isto ´ e. d). No pr´ oximo exemplo. desse modo. Aqui. a rela¸ c˜ ao de ordem n˜ ao satisfaz a ≥ b ∧ c > 0 ⇒ ac ≥ bc Exemplo 3. portanto a + bi ≤ e + f i(transitiva).4 Exemplos Temos por objetivo nessa sess˜ ao. para todo {a} ∈ A. e definimos em C a seguinte ordem: a + bi < c + di se e somente se a < c ou a = c e b < d. temos que a ∈ Y ou a ∈ X \ Y . PO3 Suponhamos que a + bi ≤ c + di e c + di ≤ a + bi ent˜ ao. com as opera¸ co ˜es usuais. Observe que esta ´ e. Se A n˜ ao ´ e unit´ ario. b) e (c. se a = e ent˜ ao a = c = e e b ≤ ded ≤ f assim. a teoria exposta nesse cap´ ıtulo. de fato. 3. b ∈ IR}.30 Considere C o conjunto dos n´ umeros complexos. temos que a ≤ c e c ≤ a logo a = c. vamos mostrar uma ordem obre o corpo C n˜ ao compat´ ıvel com as opera¸ c˜ oes de corpo de C. (reflexiva) PO2 Suponhamos que a + bi ≤ c + di e que c + di ≤ e + f i ent˜ ao temos que a ≤ cec ≤ e logo a ≤ e pois a rela¸ ca ˜o ´ e transitiva nos reais. Por outro lado. Vejamos que esta ´ e. temos que ∀B ∈ F ({a} ∩ B ¬∅) donde {a} ∪ F ´ e base para um filtro G que extende F . vamos considerar C = {a + bi|a. ilustrar e. Se a < e temos que a + bi ≤ e + f i pela defini¸ ca ˜o. Esse filtro ´ e um ultrafitro porque para todo Y ⊆ X . e se baseia na ordem total definida sobre os n´ umeros reais.60 CAP´ ITULO 3. na verdade. temos a + bi ≤ a + bi. contextualizar. Isto ´ e. A = ∅.

e claramente 0 + 2i < 0 + 3i.31 Vamos ilustrar algumas ordens sobre conjuntos j´ a conhecidos. i ´ e positivo. Mas ( n˜ ao a < c ) ´ e equivalente a ( a ≥ c ) e n˜ ao ( a = c e b ≤ d) ´ e equivalente a (a = c ou d ≥ b). isto ´ e. portanto. i ≤ 1 e i ≥ 0. Agora. contrariando a defini¸ ca ˜o da ordem. pois: suponhamos que a + bi ≤ c + di ent˜ ao. portanto a + bi ≥ c + di.4. como i ≥ 0 temos que (2i). i ≥ 1. Sen˜ ao. isto ´ e uma defini¸ ca ˜o) se A est´ a contido ou .3. vejamos que esta ordem n˜ ao ´ e compativl com a multiplica¸ ca ˜o: em primeiro lugar. a = c e b = d portanto a + bi = c + di (anti-sim´ etrica). Exemplo 3.i o que implica que −2 + 0i < −3 + 0i. se b − a ´ e maior do que zero!! 2 Considere N o conjunto dos n´ umeros naturais e seja P o conjunto de seus subconjuntos. Ent˜ ao. isto ´ e. se a + bi ≤ c + di temos que a ≥ c e al´ em disso a = c ou b ≥ d. ( verifique quais axiomas nos garantem a existˆ encia de P ). quais s˜ ao os n´ umeros complexos “positivo”.i < (3i). tamb´ em que esta ´ e uma ordem linear. pois lembre-se. i ≤ 1 ⇒ i2 ≤ i ⇒ i3 ≤ i2 donde. EXEMPLOS 61 b ≤ d e tamb´ em d ≤ b e assim. dizemos que a ≤ b se e somente se b − a ´ e um n´ umero positivo. Suponha que. e. Em particular. Em P definimos a rela¸ ca ˜o de ordem dada pela inclus˜ ao. 1 As ordens usuais nos n´ umeros inteiros ou nos n´ umeros reais s˜ ao exemplos de rela¸ co ˜es de ordem. tais que a + bi ≥ 0? S˜ ao os complexos com a ≥ 0 ou a = 0 e b ≥ 0. necessariamente. De um modo geral. nessa ordem. vejamos. dai. Essas rela¸ co ˜es s˜ ao definidas de modo intuitivo. Vejamos. isto ´ e. qualquer order ≤ sobre C n˜ ao ´ e compativel com a multiplica¸ c˜ ao no corpo C. Tome uma ordem ≤ sobre C e compat´ ıvel com as opera¸ c˜ oes de corpo em C. −i ≤ −1. diremos que o conjunto A ´ e menor ou igual ao conjunto B se ( e somente se. temos que n˜ ao vale ( a < c ou ( a = c e b ≤ d )) ent˜ ao: ( n˜ ao a < c ) e n˜ ao ( a = c e b ≤ d).

ordens que n˜ ao s˜ ao totais. ≤) com pontos x ∈ A representados comos pontos do plano Cartesiano e pontos x < y sao representados por vertices x → y . vamos representar conjuntos ordenados (A. Vamos ilustrar conjuntos ordenados atrav´ es do uso de diagramas de em Hasse ou desses diagramas com algumas modifica¸ c˜ oes.62 CAP´ ITULO 3. mas aten¸ ca ˜o. 2.T } 15 475 35 5 7 . e em a ´lgebra comutativa. Os exemplos 1 e 3 acima nos mostram ordens totais e os exemplos 2 e 4. por isso chamadas de ordens parciais. 4 Considere um n´ umero natural qualquer. assim. 20.475. 4. diremos ent˜ ao que A e B s˜ ao incompar´ aveis. 3 Chame de X ao conjunto das palavras de um dicion´ ario. por exemplo. 35. de fato. Em D60 . 5. 6.32 T 90 6 2 3 1 O digrafo acima representa um conjunto A = {1. observe que h´ a conjuntos A e B para os quais nem A ≤ B nem B ≤ A. 30. 5. 7. P02 e P03. por exemplo 4 ≤ 12 . 5 ≤ 15. esta rela¸ ca ˜o satisfaz os axiomas P01. Em geral. 12 ≤ 60. 15. e seja D60 = {1. 4 ≤ 5 nem 15 ≤ 20. E acil ver que. 6. por exemplo 60. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA ´ f´ ´ e igual a B . 12. Vamos deixar mais claro em exemplos: Exemplo 3. porque ela ´ e usada em algoritmos tradutores. 10. A ordem ´ e dada pelo fecho transitivo do digrafo acima definido. 3. 60} o conjunto dos divisores (inteiros e positivos) de 60. diremos que x ≤ y se x for um divisor de y . Al´ em disso. 15. As palavras est˜ ao ordenadas por uma ordem chamada lexicogr´ afica. 3. 90. 5 ≤ 20. e quem se interessa por a ´lgebra ou por computa¸ ca ˜o vai ouvir falar muito dessa ordem.

1 < 475. 7 < 475. 3} com a ordem dada pela ordem em C1 mais as condi¸ co ˜es: • ∀m ∈ C2 (0 ≤ m). 1 < 3. 475 < T 63 Exemplo 3. 2 < 90. ]1. EXEMPLOS com a ordem < dada por 1 < 2. 1 < 35. 1 < 15. 3[ em R. 1 < 7. 3 < 90. 1 < 90. Seja C1 a uniao desses intervalos com a condi¸ ca ˜o que pontos em intervalos distintos n˜ ao s˜ ao compar´ aveis e pontos no mesmo intrvalo herdam a ordem usual em R. 3 < T 5 < 15. N+ com a ordem ≤ dada por m < n see m divide n. 5 < T 7 < 35. 2[ e ]2. 5 < 90. 5 < 475.4. 1 < T. 3 < 15. 2 < 6. 2 < T 3 < 6.34 Considere os intervalos ]0. 7 < T 6 < 90. 5 < 35. .33 Vamos representar o conjunto dos n´ umeros naturais positivo.3. 3 < 475. Essa ordem ´ e representada pelo fecho transitivo do digrafo 8 4 2 12 6 3 9 5 1 18 10 7 14 15 Exemplo 3. 6 < T 90 < T. 1 < 5. Considere agora C2 o conjunto obtido pela uni˜ ao de C1 ao conjunto {0. 1[. 1 < 6. • ∀m ∈ C2 (m ≤ 3).

m´ ınimo ou minimal. . . o qual n˜ ao ´ e vazio. No mais. o conjunto X ´ e um filtro sobre X mas P (X ) n˜ ao ´ e um filtro. ele ´ e fechado por intersec¸ c˜ oes. Exemplo 3. 3}. Prova: Para provar que X ´ e um filtro sobre X . ent˜ ao n˜ ao temos m´ aximo em B . maximal. o que n˜ ao caracteriza um filtro. Os pontos 0 e 3 s˜ ao. Considere B = {0. 2. veja que o u ´nico elemento de F ´ e X .35 Considere a ordem em N dada pelo fecho transitivo de 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Seja A = {2}.36 Dado um conjunto n˜ ao vazio X . Temos que o conjunto de seus majorantes ´ e dado por {4. Portanto F cont´ em X e n˜ ao cont´ em o vazio. . observe que ∅ ∈ P (X ). Seus maximais s˜ ao 2 e 3. F ´ e fechado para sobreconjuntos. Note que A n˜ ao tem m´ ınimo ou minorante em N por´ e tem por mimal os elementos 0 e 1. m´ aximo e maximal. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA Represente o conjunto por: 3 1 0 2 1 C1 3 2 1 0 2 1 0 C2 3 2 C1 n˜ ao tem majorante. como F ´ e unit´ ario. minorante. Como os sobreconjuntos de X s˜ ao apenas X . respectivamente C2 minorate. 6. 1. m´ ınimo e minimal e majorante. .64 CAP´ ITULO 3. 8. m´ aximo. }. Exemplo 3. Para provar que P (X ) n˜ ao ´ e um filtro. Como n˜ ao temos majorantes em B .

temos que (B ⊇ A) ⇒ ((N \ B ) ⊆ (N \ A)) desse modo N \ B ´ e um subconjunto de um conjunto finito e. desse modo. temos que 3N ⊆ A ⊆ B donde 3N ⊆ B . .3. Ent˜ ao F ´ e um filtro. um conjunto finito e. pertencem a F . ´ e subconjunto de A ∩ B . Portanto ∅ ∈ F .38 Considere F o conjunto de todos subconjuntos em N que est˜ ao contidos no conjunto dos m´ ultiplos de 3. finito. 3. Isto ´ e B ∈ F. que n˜ ao ´ e finito. . e B ⊇ A. . temos que 3N ´ e subconjuntos de ambos. Pela defini¸ c˜ ao de F . Prova: Para todo X ∈ F . portanto. Se A ∈ F e B ⊇ A. portanto ∅ ∈ F . f (x) = 0. Se A e B est˜ ao em F .4. . A e B e portanto. 6. . −9.39 Seja X o conjunto de todas as fun¸ co ˜es cont´ ınuas de R em R. Defina o conjunto F como o conjunto de todo Y ⊆ X tal que existe F um conjunto finito n˜ ao vazio tal que para todo x ∈ F e f ∈ Y . 0. temos que A ∩ B ´ e tal que N \ (A ∩ B ) = (N \ A) ∪ (N \ B ) O segundo membro da identidade acima ´ e uma uni˜ ao finita de conjuntos finitos. discorrer sobre o exemplo abaixo. 9. . } ´ e subconjunto de X e. portanto. Vamos usar a defini¸ c˜ ao de base para Exemplo 3. EXEMPLOS 65 Exemplo 3. −6.37 Considere F o conjunto de todos subconjuntos em N cujo complementar ´ e finito. Temos que F ´ e um filtro sobre N. . o conjunto 3N = {. Se A ∈ F . Prova: O conjunto vazio tem como complementar N. −3. Exemplo 3. Dados A e B em F . temos que A ∩ B ∈ F .

21}. 35}} Prove que B1 e B2 geram o mesmo filtro. Toda fun¸ c˜ ao f em XF pertence a XF1 e a XF2 . {4. Exemplo 3. por {X ⊆ N!7 ∈ ∧(∃p(p primo ∧ ∀nNnp ∈ X }. isto ´ e todos os subconjuntos X ∈ N tal que 17 ∈ X ´ e mais fino do que o filtro dado pelos sobreconjuntos de {0. considere o conjunto I = . Exerc´ ıcio 3. 35}. 21. 12. 7. 7. O filtro dado pelos sobreconjuntos de {17}. quer seja o filtro dado por todos os sobreconjuntos de {7}. existe um conjunto XF ∈ B tal que XF ⊆ XF1 ∩ XF2 . Seja B = {XF |F ∈ D}. definida por 0(x) = 0 pertence a XF . {1.66 CAP´ ITULO 3.43 Para todo n ∈ N. ∅ ∈ B .. seja XF = {f ∈ X |f (x) = 0 ⇔ x ∈ F }.18’ .45 Prove que o o conjunto gerado pelas condi¸ co ˜es 3. Exerc´ ıcio 3. Exerc´ ıcio 3. o conjunto F como o conjunto de todos subconjuntos de X que contˆ em Y ´ e um filtro.41 Prove que o conjunto definido em 3.5 Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. 2) Sejam F1 e F2 dois subconjuntos finitos de R e seja F = F1 ∪ F2 . 0. 17}. {{0. Vamos provar que B ´ e a base de um filtro: 1) Para todo F ∈ D . para todo XF1 e XF2 em B . {0. donde n˜ ao existe XF ∈ B tal que XF = ∅.40 Considere os subconjuntos de N. (Tarefa para Gladys: colocar os ideais de Zn e observar o que s˜ ao os ideais primos.42 Prove que dado um conjunto n˜ ao vazio X e ∅ = Y ⊆ X . donde XF ⊆ XF1 ∩ XF2 . Provar esse exemplo ´ e tarefa do leitor. {7. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA Prova: Considere D = {F ⊆ R|F ´ e finito}.14 ´ e em Bem Ordenado. 3. 7. Para cada F ∈ D . respectivamente. Exerc´ ıcio 3. Isto ´ e. 21.44 Sejam B1 e B2 os subconjuntos de (P )(N) dados. 17} e {17}.. Em conclus˜ ao. a fun¸ c˜ ao identicamente nula. 12}.

A ∩ B ∈ F . Para todos A e B em F .3.46 Seja F o filtro em N gerado por {3. Quais s˜ ao os ultrafiltros que extendem F ? .5. B ∈ F . 13}. 3. 2. Para todo A em F e B ⊇ A. ∅ ∈ F . 67 Exerc´ ıcio 3. EXERC´ ICIOS 1. 7. ´ e (P )(X ).

68 CAP´ ITULO 3. ORDEM E AXIOMA DA ESCOLHA .

Cap´ ıtulo 4

N´ umeros Ordinais e Cardinais
Introduzimos nessa se¸ c˜ ao o conceito de n´ umeros ordinais e n´ umeros cardinais. Sabemos que todos conjunto pode ser bem ordenado. Ora, ent˜ ao nosso pr´ oximo passo ´ e estabelecer propriedades de conjuntos bem ordenados. N´ os adicionamos ao nosso sistema de axiomas o axioma da escolha. Equivalentemente, n´ os aceitamos como axioma que todo conjunto pode ser bem ordenado. Ordenar e contar ser˜ ao formas de estabelecermos ordem em conjuntos. As palavras contar, ordenar, comparar ganham os conceitos, a primeira vista distintos de cardinal e ordinal. Os resultados obtidos ser˜ ao bastante interessantes. Vamos, em primeiro lugar estabelcecer a no¸ c˜ ao de cardinais. Essa no¸ c˜ ao tem o sabor intuitivo de contar e comparar elementos de dois conjuntos sem ´ a id´ levar em conta poss´ ıveis rela¸ c˜ oes de ordem nos conjuntos. E eia mais pr´ oxima da intui¸ c˜ ao de contagem. Vamos ilustrar essa estoria de contar com uma conto Folclore 4.1 Existia na Hungria uma vial onde, incrivelmente, os seus habitantes n˜ ao sabiam contar. Isso foi h´ a muito tempo, muito tempo, muito tempo atr´ as. Ora, o chefe da vila era escolhido, por uma ano, como a pessoa que tinha mais ovelhas na cidade. Como esse chefe era escolhido, se as pessoas nao sabiam contar? 69

70

´ CAP´ ITULO 4. NUMEROS ORDINAIS E CARDINAIS

Uma resposta: As pessoas poderiam fazer dois cercados para as ovelhas e dois candidatos a chefe poriam suas ovelhas, cada rebanho em um dos cercados. Abre-se a porta dos dois cercados e faz-se passar uma ovelha de cada candidato. Sucessivamente at´ e que o canditado que tem mais ovelhas ´ e o dono do rebanho onde sobram ovelhas. Repete-se o processo de compra¸ c˜ ao com o vencedor da primeira compara¸ c˜ ao e um novo candidato, at´ e serem esgotadas as contagens. O vencedor ´ e aquele que, comparadas ovelha a ovelha de cada rebanho, fica com ovelhas sobrando no cercado. E em caso de empate? A aldeia fica sem chefe porque as pessoas discutem os crit´ erios de desempate por um ano, mas, na minha experi˜ encia, n´ os n˜ ao precisamos do chefe! Vamos transportar essa id´ eia de compara¸ c˜ ao para dois conjuntos. Defini¸ c˜ ao 4.2 Sejam A e B dois conjuntos. Diremos que A e B tem a mesma cardinalidade, denotada por |A| = |B | se existe uma fun¸ ca ˜o f bijetora de A em B . Exemplo 4.3 Os conjuntos dos naturais e dos pares dos naturais tem a mesma cardinalidade. Prova: Seja 2N o conjunto {n ∈ N|(∃m ∈ N)(n = 2m)} Defina f : N → 2N como f (x) = 2x. Essa fun¸ c˜ ao ´ e Injetora: Se f (x) = f (y ), ent˜ ao 2x = 2y . Dai, x = y . Sobrejetora: Se m ∈ 2N, ent˜ ao existe n ∈ N tal que m = 2n. Dai, f (n) = m. Exemplo 4.4 Os conjuntos dos naturais e dos naturais maiores do que 50 tem a mesma cardinalidade. Prova: Seja N50 o conjunto {m ∈ N|50 < m}. Defina f : N → N50 como f (m) = 50 + m. Essa fun¸ c˜ ao ´ e Injetora: Se f (x) = f (y ), ent˜ ao x + 50 = y + 50. Dai, x = y .

71 Sobrejetora: Se m ∈ N50 , ent˜ ao 50 < m. Dai, m − 50 > 0. Dese modo, existe j ∈ N tal que j = m − 50. Agora, f (j ) = j + 50 = m − 50 + 50 = m.

Exemplo 4.5 Os conjuntos dos naturais e o conjunto N + N dado pela uni˜ ao disjunta de duas c´ opias dos naturais, N × 0 ∪ N × 1 tem a mesma cardinalidade. Prova: Prove que a fun¸ c˜ ao f (x) : N → N + N definida por f (x) = ´ e bijetora. Exemplo 4.6 O conjunto dos racionais e dos reais n˜ ao tem a mesma cardinalidade. Prova: Decorre do (n n par 2 , 0) 1 , 1) n impar ( n− 2

72 ´ CAP´ ITULO 4. NUMEROS ORDINAIS E CARDINAIS .

Toda a estrutura s´ ıntaxe da l´ ogica formal. vamos caracterizar a no¸ c˜ ao (ingˆ enua) ilustrada na Figura 5. as quais provaremos serem equivalentes. como f´ ormulas ou provas s˜ ao codificadas como conjuntos hereditariamente finitos.Cap´ ıtulo 5 Conjuntos Hereditariamente Finitos 5. os n´ umeros naturais s˜ ao o mais concreto dos objetos matem´ aticos. seu caso particular. aprofundamos nossa discuss˜ ao sobre os n´ umeros naturais e os conjuntos hereditariamente finitos. onde formamos conjuntos cujos elementos s˜ ao conjuntos finitos. Primeiro. recursivamente.1. O ramo da esquerda da figura representa o conjunto de n´ umeros naturais.2 Conjuntos Hereditariamente Finitos Conjuntos hereditariamente finitos e. construindo. vamos a uma ilustra¸ c˜ ao do que estamos. A seguir. 5. Antes de darmos duas defini¸ c˜ oes de conjuntos hereditariamente finitos. apresentando aplica¸ c˜ oes.1 Introdu¸ c˜ ao Neste cap´ ıtulo usamos os axiomas b´ asicos da teoria dos conjuntos para justificar a constru¸ c˜ ao dos n´ umeros naturais e dos conjuntos hereditariamente finitos. 73 .

definidos logo acima. .74 CAP´ ITULO 5. • Se x1 . Observe que o pr´ oprio conjunto H infinito (existe pelo Axioma ??). . ent˜ ao {x1 . p´ orem seus elementos s˜ ao conjuntos finitos. • Rn+1 = P (Rn ). e o seu conjunto limite como: • R0 = ∅. 1. R1 . . • Rω = R0 ∪ R1 ∪ . ser´ a justificada pelo axiomas b´ asicos de ZFC. . xn ∈ H. H ´ e a classe dos conjuntos fechados pela opera¸ c˜ ao de forma¸ c˜ ao de pares. } ∈ H Em outras palavras. . . . x2 . Na nossa segunda caracteriza¸ c˜ ao usaremos conjunto de potˆ encias. . . x2 . Defini¸ c˜ ao 5.2 Defina a seq¨ uˆ encia de conjuntos R0 . . .1: Conjuntos Finitos Defini¸ c˜ ao 5. CONJUNTOS HEREDITARIAMENTE FINITOS 3 {2} 2 {1} 1 0 {0. mais sint´ etica. Nosso trabalho agora ´ e demostrar que as duas cole¸ c˜ oes s˜ ao as mesmas: .1 Conjuntos hereditariamente finitos s˜ ao elementos do conjunto H que ´ e construido por • ∅ ∈ H. . Nossa defini¸ c˜ ao. {1}} {{1}} Figura 5.

. Rn ∈ H e daiqualquer membro de Rn ´ e hereditariamente finito. uma vez que o conjunto dos naturais ´ e subconjunto de Rω . seja nj . . Agora.2.3 Se x ∈ H.4 2. Se y ∈ P (x). Seja H. De fato. . O leitor deve notar que ¬(Rω ∈ H). Vejamos agora parte da igualdade das duas cole¸ c˜ oes: Teorema 5. 2) Suponha que x ∈ Rω . Pelo Exerc´ ıcio 5. todo conjunto hereditariamente finito pertence a Rω : Teorema 5. . pelo Lema 5. 75 Prova: Pela defini¸ c˜ ao de H. . . . Vamos mostrar que {x1 . . desde que Rω n˜ ao ´ e finito.7). De fato. xn } ∈ H. ent˜ ao P (x)) ´ e finito (Veja o Exerc´ ıcio 5. x2 .5. . {x1 . o conjunto dos n´ umeros naturais est´ a contido em Rω .3. ent˜ ao Rn+1 = P (Rn ) ∈ H. . . x2 . Para cada n. xn } ∈ Rω . existe Rn1 com x ∈ Rn1 . ent˜ ao P (x) ∈ H. ent˜ ao y ⊆ x. 2 < j ≤ k tal que xj ∈ Rnj .5 H ⊆ Rω . xk . reciprocamente. todo subconjunto finito de H ´ e elemento de H e. Rn ∈ H. por defini¸ c˜ ao que ∅ ∈ Rω e ∅ ∈ H. n2 . x2 . pela defini¸ c˜ ao de P (x) ∀z (z ⊆ x → z ∈ P (x)) Como x ´ e finito. R0 = ∅ ∈ H. um elemento de H ´ e um subconjunto finito de H. Desse modo. . Em conclus˜ ao Rω ⊆ H. . De fato.8). CONJUNTOS HEREDITARIAMENTE FINITOS Lema 5. cada um deles pertencente a H. Analogamente. Ent˜ ao existe n tal que x ∈ Rn . Prova: Temos. . Suponha que temos contru´ ıdos os conjuntos hereditariamente finitos x1 . nk 1. Por 1). Por indu¸ c˜ ao. dai x ∈ H. como x1 ∈ Rω . Rω ⊆ H. . se Rn ∈ H. P (x)) ´ e um subconjunto finito de H e dai um membro de H. Prova: 1) Por defini¸ c˜ ao. . . Seja M ax o m´ aximo ente n1 .

5 ´ e um algoritmo que conta como gerar cada conjunto hereditariamente finito. de provas. Defini¸ c˜ ao 5. . Exerc´ ıcio 5.7 Justifique o nome potencia¸ ca ˜o e moste que um conjunto com n n elementos tem 2 elementos. ent˜ ao o posto de cada elemento de x tem posto menor do que o posto de x.3 Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 5. Exerc´ ıcio 5.76 CAP´ ITULO 5.6 Um conjunto hereditariamente finito x tem posto n se x ∈ Rn mas ¬(x ∈ Rn+1 ) 5.9 Se x ´ e hereditariamente finito. ent˜ ao n ∈ Rω . CONJUNTOS HEREDITARIAMENTE FINITOS Note que a demostra¸ c˜ ao do Teorema 5.8 Se n ´ e um n´ umero natural. Estamos falando desse modo de algoritmos.

quem sabe?). Se denotarmos Verdadeiro por ⊤ e Falso por ⊥. mas isso ´ e “papo” para outro curso.Cap´ ıtulo 6 Mais de L´ ogica Essa se¸ c˜ ao ainda est´ a em constru¸ c˜ ao. Os simb´ olos (conectivos) Booleanos ¬. essas tabelas (tautol´ ogicas) s˜ ao dadas por p ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ p ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ p ⊤ ⊥ q ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ q ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ ¬p ⊥ ⊤ 77 p∧q ⊤ ⊥ ⊥ ⊥ p∨q ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ . ∧. ∨ e → tem uma tabela tautologica. por enquanto. se a gente pensar s´ o em logica cl´ assica (existem outras l´ ogicas que n˜ ao obedecem essas tabelas.at´ e a pr´ oxima se¸ c˜ ao. V´ a.

Exemplo: Exemplo 6. Prova: A ∨ ¬A: A ¬A ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ Donde: A ¬A A ∨ ¬A ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ A → B ≡ (¬A ∨ B ): A ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ¬A ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ B ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ A→B ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ ¬A ∨ B ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ [A → (B → C )] → [(A → B ) → (A → C )]: .1 Prove as seguintes tautologias: • A ∨ ¬A. independentemente do valor Booleano. • [A → (B → C )] → [(A → B ) → (A → C )]. • A → B ≡ (¬A ∨ B ). passado por essa tabela. MAIS DE LOGICA p q p→q ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ Bom. dˆ e como resultado final ⊤. agora nosso “trabalho de l´ ogico” ´ e chamar de tautologia ou teorema de l´ ogica cl´ assica tudo aquilo que.78 ´ CAP´ ITULO 6.

ent˜ ao as senten¸ cas s˜ ao equivalentes.2 Prove que 1. coincidem. p ∨ (q ∨ r ) ≡ [(p ∨ q ) ∧ (p ∨ r )].79 A B C B → C A → (B → C ) ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊥ ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ A tabela de (A → B ) → (A → C ) ´ e dada por: A B C A → B A → C (A → B ) → (A → C ) ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊥ ⊥ ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊤ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ ⊤ ⊥ ⊥ ⊥ ⊤ ⊤ ⊤ Como as duas tabelas. 2. dados os mesmos valores Booleanos. Exerc´ ıcio 6. . p ≡ ¬¬p. p ∧ (q ∨ r ) ≡ [(p ∧ q ) ∨ (p ∧ r )]. 3.

MAIS DE LOGICA .80 ´ CAP´ ITULO 6.

podemos completar Q para obter R. com certa maturidade. Se temos uma id´ eia do que ´ e o conjunto dos n´ umeros naturais. vimos nas aulas de ´ algebra as seguintes constru¸ c˜ oes: 1. como. O corpo dos n´ umeros reais. a partir de Q. Q. R. tenham sido estudados nas aulas de ´ algebra e an´ alise. o leitor pode “jogar” com a intui¸ c˜ ao a respeito desses conjuntos. excelente para introduzirmos a id´ eia de n´ umeros ordinais e n´ umeros cardinais. um bom livro para rever esses assuntos ´ e o Hungerford. 3. Veremos. O corpo dos racionais. com nossa pr´ opria abordagem. Z. acredito. O corpo dos n´ umeros alg´ ebricos. ent˜ ao.Cap´ ıtulo 7 Os Racionais e os Reais Antes de enunciar toda axiomatiza¸ c˜ ao de teoria dos conjuntos. Agora. (Se vocˆ e gosta de ´ algebra. [3]. 4. nas aulas de an´ alise. O anel dos inteiros. racionais e inteiros que. sob outra abordagem. 81 . vamos rever os conceitos de reais. via cortes de Dedekind. 2.) Vimos.

OS RACIONAIS E OS REAIS .82 CAP´ ITULO 7.

{0.Cap´ ıtulo 8 Alguns Exerc´ ıcios sugeridos por alunos Exerc´ ıcio ??. 1}. Essa express˜ ao ´ e mal formada. 1. 1} ∪ {{0}. Como 0. pois 0 ∈ {0. 2} = {2. 1. 2. 2. 3. 0. 1. {1}} = {0. Justifique: 1. 1}. 2 ∈ {0. {0. 2 s˜ ao os u ´nicos elementos desse conjunto. {0. a uni˜ ao de conjuntos dada pelo axioma da uni˜ ao. 3. {0}. 1. Verdadeiro ou falso. 2. 0. 2. temos a asser¸ c˜ ao verificada. {1}} 83 . 1}: Verdadeiro. 2} e 1 ∈ {2. Falso. 1. 5. 1. Justifique a sua resposta. 1. ∅ = {∅}: Falso pois ∅ ∈ {∅} e n˜ ao ´ e verdade que ∅ ∈ ∅. {1}} = {0. 1. 3. 1. 0. Exerc´ ıcio 2. 1 ∈ {0. 1. 2}: Verdadeiro pois 3 ∈ {0. Decida ent˜ ao se as senten¸ cas abaixo s˜ ao verdadeiras ou falsas.32. mas {{∅}} ∈ {{∅}}. 2} = {0. 0. a partir de agora. O s´ ımbolo ∪ representa. 4. 2} e 3 ∈ {0. 2. 1} ∪ {{0}. 2. 2} (dois conjuntos s˜ ao iguais see seus elementos s˜ ao os mesmos). {{{∅}}} = {{∅}}: Verdadeiro. 1. 2} e 2 ∈ {2. 1}. {0. 1. 1. 2. {{{∅} ´ e um conjunto: Falso. 2} e 0 ∈ {2. 1. 1}. {{∅}} ∈ {{{∅}}}. 1.

{0. y ) ´ e identificado com o conjunto {x. t ∈ B see t ∈ B Exerc´ ıcio ??. 1} ∪ {{0}. O par ordenado (x. podemos ”construir” {A. Dado A um conjunto e P uma propriedade. x ≤ y ou y ≤ x. 1. y ) com uma contru¸ c˜ ao como acima. Prova do exerc´ ıcio 2. y }}. ent˜ ao x = y . Verdadeiro. existe um primeiro elemento x em D (x ∈ D e se y∈D´ e tal que y ≤ x. Dai. {1}} mas {1}} ∈ {0. {1}}}. 1. {0. BO Para todo D ⊆ A. B }. ′ ′ ′ pela defini¸ c˜ ao de B . Lin Para todo x. ent˜ ao. {x. y em A. Sejam B e B ′ tais que B = {x ∈ A|P (x) = V } e B ′ = {x ∈ A|P (x) = V }. {1}} = {0. x ≤ z . veja a uni˜ ao dada acima. ≤ como: PO1 Se x ≤ y e y ≤ z . que ´ e um conjunto ’permitido’ em nossa teoria de conjuntos. {A.84 CAP´ ITULO 8. 1} ∪ {{0}. ent˜ ao x = y . 1. veja justificativa acima. B }}? Identifique dessa forma o par ordenado (x. B }? E do conjunto {A. {1}} = {0. Exerc´ ıcio 2. B }} a partir dos conjuntos A e {A. {0}.33. Prova do exerc´ ıcio ??. Vocˆ e pode justificar a forma¸ c˜ ao do conjunto {A. Usando o axioma de forma¸ c˜ ao de pares. t ∈ B . pelo mesmo axioma.33. see. . Definimos uma rela¸ cˆ ao de boa ordem. prove que existe um u ´nico B = {x ∈ A|P (x) = V }. Sejam A e B dois conjuntos. 1} 2. ALGUNS EXERC´ ICIOS SUGERIDOS POR ALUNOS e {1}} ∈ {0. {{0}. t ∈ B see x ∈ A ∧ P (t) ´ e verdadeira. Lembre–se de que P (x) = V abrevia P ´ e verdadeira em x. 3. Desse modo. Falso. PO2 x ≤ x. Agora. B } a partir dos conjuntos A e B . {1}}. podemos construir o conjunto {A. {A. PO3 Se x ≤ y e y ≤ x. {0}.

Dai. P O1. P O2. Por BO. Prova do exerc´ ıcio 2. Bem. Desse modo. A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) (Leis Distributivas). y ∈ A. . Uma sele¸ cˆ ao no Exerc´ ıcio 2. Prove: 1. x ≤ y . A \ (B ∩ C ) = (A \ B ) ∪ (A \ C ) (Leis de DeMorgan). De fato. o que queremos dizer ´ e que poder´ ıamos ter escrito apenas P O1. P O3 e BO implicam Lin. 5. A ∪ (B ∩ C ) = (A ∪ B ) ∩ (A ∪ C ) (Leis Distributivas). 7. Eu fa¸ co os 2.35. seja x. A \ (B ∪ C ) = (A \ B ) ∩ (A \ C ) (Leis de DeMorgan). temos que D = {x. A \ B \ C = A \ (B ∪ C ).39. x ∈ A ∧ (x ∈ A ∧ x ∈ B ) see x ∈ A \ (A \ B ). Agora. A ∩ B = A \ (A \ B ). isto ´ e. P O2. x ≤ x e x ≤ y . P O3 e BO que lin decorreria dessas premissas. Justo? Parte 2. x ∈ A ∩ B see x ∈ A ∧ x ∈ B see x ∈ A ∧ (x ∈ A ∧ x ∈ B ). 6.39. sem perda de generalidade que esse elemento ´ e x. 3. 2. Prove que a condi¸ c˜ ao Lin acima ´ e desnecess´ aria. Prova do exerc´ ıcio ??. Use p ∧ q ≡ (p ∧ (¬p ∨ q )) para essa u ´ltima equivalˆ encia. Denote a opera¸ c˜ ao de intersec¸ c˜ ao de x por y de x \ y . A \ B = (A ∪ B ) \ B = A \ (A ∩ B ). A ∩ B = A \ (A \ B ). 4. Use o axioma da compreens˜ ao sobre o conjunto x e a propriedade P dada por ∀x∀y ∃z (w ∈ z ↔ (w ∈ x ∧ w ∈ y O diagrama eu fico devendo at´ e achar um computador com x-fig. Exerc´ ıcio 2.85 Exerc´ ıcio ??. y } ⊂ A tem primeiro elemento. Suponha.35. Voce tem alguma representa¸ c˜ ao de diagrama para o complementar? Prova do exerc´ ıcio 2. Dai. 4 e 6. Vocˆ e faz o resto. Justifique o complementar de conjuntos: ∀x∀y ∃z (w ∈ z ↔ (w ∈ x ∧ w ∈ y .

Desse modo. ALGUNS EXERC´ ICIOS SUGERIDOS POR ALUNOS Parte 4. Prova do exerc´ ıcio ??. x ∈ A \ (B ∩ C ) see x ∈ A ∧ ¬(x ∈ (B ∩ C )). f (A) ∩ f (B ) = f (A ∩ B ) e f (A) \ f (B ) = f (A \ B ). Exerc´ ıcio ??. x ∈ A ∩ (B ∪ C ) see x ∈ A ∧ x ∈ (B ∪ C ) see x ∈ A ∧ (x ∈ B ∨ x ∈ C ). see x ∈ A ∧ ¬(x ∈ B ∧ x ∈ C )). Parte 6. A \ (B ∩ C ) = (A \ B ) ∪ (A \ C ). Distribuindo. Usando ¬(p ∧ q ) ≡ ¬p ∨ q . ∃w ∈ X (w ∈ A ∧ f (w) = x) ∧ (∀w′ ∈ X (f (w′ ) = x → w ∈ B ) . f (A) ∩ f (B ) = f (A ∩ B ) f (A) \ f (B ) = f (A \ B ): x ∈ f (A) \ f (B ) see x ∈ f (A) ∧ x ∈ f (B ) see ∃w ∈ X (w ∈ A ∧ f (w) = x) ∧ ¬(∃w′ ∈ X (w ∈ B ∧ f (w′ ) = x) isto ´ e. De um contra–exemplo para essa asser¸ c˜ ao se f n˜ ao for injetora. x ∈ A ∧ (¬x ∈ B ∨ ¬x ∈ C ) ≡ ((x ∈ A ∧ ¬x ∈ B ) ∨ (x ∈ A ∧ ¬x ∈ C )) Isto ´ e. x ∈ A \ B ∨ x ∈ A \ C .86 CAP´ ITULO 8. ∃w ∈ X (x = f (w)) ∧ w ∈ A ∩ B ) o que ´ e equivalente a x ∈ f (A ∩ B ). Distribuindo. temos que a u ´ltima express˜ ao equivale a: x ∈ A ∧ (¬x ∈ B ∨ ¬x ∈ C ). A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ). Dai x ∈ (A \ B ) ∪ (A \ C ). as asser¸ c˜ oes acima s˜ ao equivalentes a ∃w ∈ X (w ∈ A ∧ x = f (w)) ∧ w ∈ B ∧ x = f (w)) isto ´ e. Prove que se X e Y s˜ ao conjuntos e f ´ e ´ e uma fun¸ c˜ ao injetora de X em Y . Desse modo. O que equivale a dizer que (x ∈ A ∩ B ) ∪ (x ∈ A ∩ C ). temos a seguinte equivalˆ encia: (x ∈ A ∧ x ∈ B ) ∨ (x ∈ A ∧ x ∈ C ). Desse modo. Deste modo. B ⊂ X . para todo A.

ent˜ ao t ∈ B . Desse modo. se t = f (x) e t ∈ A. w ∈ A \ B implica w ∈ B . Suponha agora que x ∈ f (A \ B ). donde x ∈ F (a) \ f (B ).87 Note que a passagem acima n˜ ao ´ e trivial. w ∈ A \ B implica que w ∈ A. Analogamente. Portanto. t ∈ B e a senten¸ ca acima implica que (Usando f (w) = f (w′ ) → w = w′ ) se t ∈ A e f (t) = x. Ora. x ∈ f (A) \ f (B ). f ´ e injetora e se x = f (w) e w = w′ . De novo. x ∈ f (A). Ent˜ ao existe w ∈ A \ B tal que f (w) = x. Pense no exemplo! . Ela exige vocˆ e escrever a tautologia ¬(p ∧ q ) ↔ (p →= q ). desse modo. Deste modo. x ∈ f (B ).

88 CAP´ ITULO 8. ALGUNS EXERC´ ICIOS SUGERIDOS POR ALUNOS .

para um enfoque onde objetos e morfismos formam uma paisagem mais rica para estudar determinado assunto. da forma usual. Usando as palavras do pr´ oprio Jacobson: “Trabalhar com categorias significa uma mudan¸ ca de dire¸ c˜ ao. estudar os espa¸ cos vetoriais e suas transforma¸ c˜ oes lineares. onde os objetos eram as coisas mais importantes. por exemplo. E com isso. a teoria de categorias se alastrou entre todas as ´ areas da matem´ atica.Cap´ ıtulo 9 Al´ em de ZFC: A teoria das Categorias Em diversas ´ areas da Matem´ atica. As primeiras defini¸ c˜ oes de categorias foram dadas por Saunders MacLane e Samuel Eilenberg. os intervalos e as fun¸ c˜ oes cont´ ınuas. estamos “ganhando generalidade”ao estudar “propriedades universais”( esperamos que esses conceitos fiquem claros ao longo do cap´ ıtulo!). e est´ a presente em quase todos 89 . os grupos e seus homomorfismos e outros exemplos de categorias (que iremos definir daqui a pouco). Podemos. em t˜ E ao poucos anos. principalmente atrav´ es de fun¸ c˜ oes espec´ ıficas de cada tipo. no fim da d´ ecada de 40. queremos estudar as propriedades gerais dos objetos que trabalhamos e tamb´ em como se relacionam. o livro “Basic Algebra”vol 2 de Nathan Jacobson.” Citando novamente Jacobson: “a linguagem e os resultados elementares da teoria das categorias permeiam hoje em dia uma parte muito fundamental da matem´ atica” ´ impressionante como. mas o nosso enfoque segue de muito perto.

aqui neste contexto). cair nos paradoxos discutidos no come¸ co do livro). Ou considerando a Teoria de Conjuntos dada por Neumann.1 Segundo a teoria axiom´ atica de Neumann-G¨ odel-Bernays NBG (que n˜ ao iremos definir com todos os detalhes. existe o seguinte axioma: • Sejam X e Y classes tais que Y ∈ X ent˜ ao Y ´ e um conjunto.90 ´ DE ZFC: A TEORIA DAS CATEGORIAS CAP´ ITULO 9. isto ´ e. H´ a diversas formas de formalizar a teoria de categorias. por exemplo.. mas para isso queremos considerar um meta-conjunto ou um super-conjunto. mas neste caso. citamos algumas: Pode-se definir axiomaticamente a teoria de Categorias. Claramente esta abordagem foge ao prop´ osito deste livro. ( de qualquer jeito. ou com todos os espa¸ cos vetoriais. e derivar a teoria dos conjuntos a partir deste conjunto de axiomas. e “universal”! 9. este conjunto. Intuitivamente podemos pensar que uma classe ´ e uma cole¸ ca ˜o de conjuntos que s˜ ao definidos por certas propriedades..1 Primeiras Defini¸ c˜ oes Para definir categorias. mas pode ser encontrado no livro “Categories for the working mathematicians ”de Saunders Mc Lane. G¨ odel e Bernays. que extende a teoria de ZFC ( e portanto nos parece a melhor abordagem. temos um s´ erio problema: gostariamos. Provavelmente isto ocorre por ser uma abordagem de fato. aqui neste cap´ ıtulo) consideramos dois objetos primitivos “classes”e “conjuntos”onde por defini¸ ca ˜o classes que s˜ ao elementos de outras classes s˜ ao conjuntos. ALEM os assuntos “atuais”. e todos os teoremas de NBG que se referem apenas a conjuntos s˜ ao teoremas de ZFC. Extender a teoria dos conjuntos para evitar esse tipo de problemas e poder trabalhar com as categorias mais razo´ aveis. ao mesmo tempo. n˜ ao cabem todas!!!) e aqui ainda temos duas formas de extender: decretar que toda a matematica cabe dentro de um conjunto Universo. n˜ ao se comporta como os outros. Al´ em disso temos que: Todos os teoremas de ZFC s˜ ao tamb´ em teoremas de NBG. natural. de trabalhar com todos os grupos. Defini¸ c˜ ao 9. onde “caibam ”muitos outros conjuntos ( sem contudo. .

B. g) → f ◦ g do conjunto HomC (A. g ∈ HomC (B.4 • O exemplo que primeiro lembramos. D) ent˜ ao vale: (h ◦ g) ◦ f = h ◦ (g ◦ f ). B ) . um conjunto HomC (A. B ) ⊂ HomC (A. e como morfismos todas as fun¸ co ˜es. B ) × HomC (B. um exemplo que parece simples. Introduction to Mathematical Logic. B ) = (C. B ) cujos elementos s˜ ao chamados de morfismos com dom´ ınio A e contradom´ ınio B. A) (que ´ eu ´nico para cada A). Defini¸ c˜ ao 9. D) s˜ ao disjuntos. Al´ em disso. mas nos remete diretamente aos paradoxos da teoria dos conjuntos: Consideramos como objetos. D) os conjuntos HomC (A. Aqui Obj (C ) ´ e uma classe. C ) e h ∈ HomC (C. 2) Para cada par ordenado (A. ´ e tamb´ em. B ) e HomC (C. A).3 Uma categoria D ´ e uma subcategoria da categoria C se Obj D ´ e uma subclasse de Obj C e para cada par de objetos A e B em Obj D . C ).˜ 9. B ) de objetos em Obj(C ). b) Se f ∈ HomC (A. todos os conjuntos. como j´ a vimos no Cap´ ıtulo ?? Obj (C ) n˜ ao pode ser um conjunto. denotada por Obj(C ). 1A e a composi¸ ca ˜o de dois morfismos deve ser a mesma nas duas categorias. C ). e 1A ◦ g = g ∀g ∈ HomC (B. existe uma fun¸ ca ˜o: (f. quem ´ e 1 Obj (C ) ?? Obviamente. HomD (A. Defini¸ c˜ ao 9. PRIMEIRAS DEFINIC ¸ OES 91 Sugerimos ao leitor interessado nessa teoria de conjuntos o livro de Elliot Mendelson. 1 Procure e corrija .2 ([?]) Uma Categoria C consiste de: 1) uma classe de objetos. e nos perguntamos. ∀f ∈ HomC (A.1. 3) Para cada terna ordenada de objetos (A. C ) → HomC (A. Al´ em disso. B ). talque f ◦ 1A = f. supomos que morfismos e objetos satisfazem as seguintes condi¸ co ˜es: a) Se (A. Vejamos exemplos de categorias: Exemplo 9. que estivemos usando at´ e agora. B ). pelo menos considerando o sistema de Axiomas ZFC. c) Para cada objeto A existe um elemento 1A em HomC (A.

que s˜ ao. C ) ent˜ ao g ◦ f em C op ´ e dado por op f ◦ g em C . V ) ´ e ele pr´ oprio um objeto em Obj (C ). Alias.92 ´ DE ZFC: A TEORIA DAS CATEGORIAS CAP´ ITULO 9. F(B )) de modo que o quadrado abaixo ´ e comutativo: . id´ eia essa que est´ a na base da defini¸ ca ˜o das transforma¸ co ˜es naturais. observe que o conjunto HomC (U. Intuitivamente dizemos que C op reverte as flechas de C . que s˜ ao fun¸ co ˜es entre funtores. perguntamos: como se relacionam diversas categorias? que tipo de “fun¸ c˜ oes”h´ a entre elas? Definimos agora como s˜ ao as flechas entre categorias: Defini¸ c˜ ao 9. construimos a partir de C uma nova categoria denominada C op fazendo Obj C op = Obj C e para cada par de objetos A e B em Obj C op definimos HomC op (A. B ) → HomD (F(A). representadas pela mesma letra F que satisfazem: F : Obj (C ) → Obj (D ) e. fixamos um corpo K. B ) = HomC (B. em geral. ALEM • Nosso pr´ oximo exemplo. Atrav´ es dessa categoria. pois daqui vieram certas id´ eias que deram origem a ` no¸ ca ˜o de “naturalidade”e transforma¸ ca ˜o natural ( que ser´ a definida logo adiante): Aqui. para quaisquer objetos A e B de C temos F : HomC (A. por outro lado. B ) e g ∈ HomC op (B. Seja C uma categoria. e para cada A ∈ Obj C 1A ´ e definida da mesma forma que em ´ C . um funtor (covariante) F : C → D ´ e dado por duas fun¸ co ˜es. E f´ acil ver que isto de fato define uma categoria.5 Sejam C e D categorias. ´ e um exemplo muito significativo. A). e os morfismos as transforma¸ co ˜es lineares entre eles. definimos: Obj (C ) = {V |dimK V < ∞} e dados U e V em Obj (C ) o conjunto ( ´ e fac´ ıl ver que s˜ ao de fato conjuntos) HomC (U. Se f ∈ HomC op (A. e consideramos que os objetos s˜ ao os Kespa¸ cos vetoriais de dimens˜ ao finita. veremos como relacionar objetos diferentes de uma maneira “natural”. De maneira natural. V ) cujos elementos s˜ ao as transforma¸ co ˜es lineares entre U e V . chamada de categoria oposta de C . Isto ´ e. eles pr´ oprios. fun¸ co ˜es entre categorias.

6 Sejam C e D duas categorias e F : C → D um funtor. Observe que a composi¸ c˜ ao de dois funtores covariantes ou dois contravariantes ser´ a um funtor covariante. • pleno se para todo par de objetos A e B em C a fun¸ ca ˜o F : HomC (A. ent˜ ao F (g ◦ f ) = F (g) ◦ F (f ) e F (1A ) = 1F (A) para todo A ∈ Obj (C ) ´ f´ E acil ver que dar um funtor contravariante F : C → D ´ e equivalente a ∗ op dar um funtor covariante F : C → D A composi¸ c˜ ao de dois ou mais funtores se define de maneira natural. Defini¸ c˜ ao 9.˜ 9. • denso se para todo objeto X em D existe um objeto A em C tal que X∼ = F (A). B ) → HomD (F(A). F(B )) ´ e injetora. PRIMEIRAS DEFINIC ¸ OES 93 A −→ B ↓ ↓ F(A) −→ F(B ) Para definir o funtor contravariante considere o quadrado A −→ B ↓ ↓ F(A) ←− F(B ) Al´ em disso. F satisfaz as condi¸ co ˜es: Se a fun¸ ca ˜o composta g ◦ f est´ a definida em C . Defini¸ c˜ ao 9.1. F(B )) ´ e sobrejetora.7 Dados dois funtores F : C → D e G : C → D uma transforma¸ ca ˜o natural . B ) → HomD (F(A). diremos que F ´ e: • fiel se para todo par de objetos A e B em C a fun¸ ca ˜o F : HomC (A.

94 ´ DE ZFC: A TEORIA DAS CATEGORIAS CAP´ ITULO 9. ALEM .

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