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A guerra do fogo “A Guerra do fogo” de Jean-Jacques Annaud foi produzido no início da década de 1980 e não é totalmente fiel

a realidade. E nem possui a obrigação de ser. Não se trata de uma obra acadêmica ou mesmo didática. É uma obra ficcional e, portanto, não tem nenhum compromisso com a reconstituição do passado, principalmente de um período tão recuado no tempo. Apesar disso, é notório o fato de ser muito utilizado pelos professores de história (incluindo esta) de ensino fundamental e médio para discutir a pré-história. O filme retrata a importância do fogo para o ser humano (seja como forma de proteção, de aquecimento ou no preparo dos alimentos) e mostra diferentes grupos de hominídeos convivendo e competindo no mesmo espaço-tempo. Cada um desses grupos possui características próprias em relação aparência física, linguagem e confecção e o uso de armas e ferramentas. Enquanto alguns desconheciam completamente o uso do fogo, outros o utilizavam no cotidiano sem saber, entretanto, como produzi-lo. A perda do fogo e a busca por uma nova chama foi, inclusive, o início da jornada dos três protagonistas. O último grupo de hominídeos apresentado no filme vivia de uma maneira bem diferente dos demais. Realizavam pintura corporal, o que denota expressão artística. Além disso, já demonstram ter a fala bastante desenvolvida, possuíam conhecimento na utilização de ervas como remédio, sabiam construir de abrigos no que parece ser uma acampamento seminômade, e, sobretudo, dominavam o processo de fabricação do fogo. A convivência com este grupo levou os protagonistas a repensaram seu modo de vida. Era adaptarse ou morrer. O filme, assim como qualquer obra cinematográfica com conteúdo histórico, comete alguns anacronismos (tratar assuntos fora do seu tempo histórico). O surgimento do “amor” e a insinuação da família monogâmica entre dois personagens ao final do filme são conceitos só apareceriam na história da humanidade bem mais tarde. Além disso, em prol do entendimento da narrativa, comete alguns equívocos. Quando os protagonistas encontram as cinzas de uma fogueira recém apagada e comem o resto da carne assada nela, um deles descobre ali um crânio humano. Automaticamente os três jogam fora o alimento, cospem e até limpam a boca. Ora, é inverossímil que, ainda naquela época, eles reconhecessem o crânio de um ser humano. Mesmo que isso fosse possível, acredito que dificilmente, no auge da fome, recusariam carne assada, mesmo que de gente. De todo modo, a cena não deixa de ser engraçada. Por outro lado, o filme retrata bem – pelo menos a princípio – o relacionamento quase instintivo entre homens e mulheres. Homens, a exemplo dos outros animais, mantendo relações sexuais “em público”, violando o corpo feminino com a maior naturalidade, guiando-se tão somente pelo desejo sexual. O filme acerta também ao mostrar como o homem é pequeno e frágil em relação a outros animais. Em uma das cenas, os três protagonistas permanecem por dias em cima de uma árvore, enquanto tigres dente-de-sabre aguardam pacientemente no solo sua refeição. Sem garras ou presas desenvolvidas, sem grande velocidade ou força física seríamos facilmente devorados. Mas apesar dessas desvantagens, o ser humano conseguiu sobreviver, dominar os outros animais e povoar todo o planeta graças a sua inteligência, capacidade de adaptação, de trabalho e de transformação do ambiente.

mas suas ações são perfeitamente compreendidas por qualquer espectador. emociona e. que pode ser entendida como uma metáfora da jornada humana em busca do conhecimento e da sobrevivência. Uma obra belíssima. . mais de trinta anos de seu lançamento.Os personagens de A guerra do fogo não utilizam nenhum idioma atual. faz rir. ainda prende a atenção. por vezes. ainda hoje. O filme pode ser considerado um clássico que.