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O CORTIÇO Aluísio de Azevedo I

João Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe dei ou, em pagamento de ordenados vencidos, nem s! a venda com o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro" #ropriet$rio e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se % labuta&ão ainda com mais ardor, possuindo-se de tal del'rio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras priva&(es" )ormia sobre o balcão da pr!pria venda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estopa cheio de palha" * comida arranjava-lha, mediante quatrocentos r+is por dia, uma quitandeira sua vizinha, a Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de ,ora e amigada com um portugu-s que tinha uma carro&a de mão e fazia fretes na cidade" Bertoleza tamb+m trabalhava forte; a sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro" )e manhã vendia angu, e % noite pei e frito e iscas de f'gado; pagava de jornal a seu dono vinte mil-r+is por m-s, e, apesar disso, tinha de parte quase que o necess$rio para a alforria" .m dia, por+m, o seu homem, depois de correr meia l+gua, pu ando uma carga superior %s suas for&as, caiu morto na rua, ao lado da carro&a, estrompado como uma besta" João Romão mostrou grande interesse por esta desgra&a, fez-se at+ participante direto dos sofrimentos da vizinha, e com tamanho empenho a lamentou, que a boa mulher o escolheu para confidente das suas desventuras" *briu-se com ele, contou-lhe a sua vida de amofina&(es e dificuldades" /0eu senhor comia-lhe a pele do corpo1 2ão era brinquedo para uma pobre mulher ter de escarrar pr3ali, todos os meses, vinte mil-r+is em dinheiro14 5 segredou-lhe então o que tinha juntado para a sua liberdade e acabou pedindo ao vendeiro que lhe guardasse as economias, porque j$ de certa vez fora roubada por gatunos que lhe entraram na quitanda pelos fundos" )a' em diante, João Romão tornou-se o cai a, o procurador e o conselheiro da crioula" 2o fim de pouco tempo era ele quem tomava conta de tudo que ela produzia e era tamb+m quem punha e dispunha dos seus pecúlios, e quem se encarregava de remeter ao senhor os vinte mil-r+is mensais" *briu-lhe logo uma conta corrente, e a quitandeira, quando precisava de dinheiro para qualquer coisa, dava um pulo at+ % venda e recebia-o das mãos do vendeiro, de /0eu João4, como ela dizia" 0eu João debitava metodicamente essas pequenas quantias num caderninho, em cuja capa de papel pardo lia-se, mal escrito e em letras cortadas de jornal6 /*tivo e passivo de Bertoleza4" 5 por tal forma foi o taverneiro ganhando confian&a no esp'rito da mulher, que esta afinal nada mais resolvia s! por si, e aceitava dele, cegamente, todo e qualquer arb'trio" #or último, se algu+m precisava tratar com ela qualquer neg!cio, nem mais se dava ao trabalho de procur$-la, ia logo direito a João Romão" 7uando deram f+ estavam amigados" João Romão comprou então, com as economias da amiga, alguns palmos de terreno ao lado esquerdo da venda, e levantou uma casinha de duas portas, dividida ao meio paralelamente % rua, sendo a parte da frente destinada % quitanda e a do fundo para um dormit!rio que se arranjou com os cacarecos de Bertoleza" 8avia, al+m da cama, uma c9moda de jacarand$ muito velha com ma&anetas de metal amarelo j$ mareadas, um orat!rio cheio de santos e forrado de papel de cor, um baú grande de couro cru tacheado, dois banquinhos de pau feitos de uma s! pe&a e um formid$vel cabide de pregar na parede, com a sua competente coberta de retalhos de chita" : vendeiro nunca tivera tanta mob'lia" - *gora, disse ele % crioula, as coisas vão correr melhor para voc-" ;oc- vai ficar forra; eu entro com o que falta"

2esse dia ele saiu muito % rua, e uma semana depois apareceu com uma folha de papel toda escrita, que leu em voz alta % companheira" - ;oc- agora não tem mais senhor1 declarou em seguida % leitura, que ela ouviu entre l$grimas agradecidas" *gora est$ livre" )oravante o que voc- fizer + s! seu e mais de seus filhos, se os tiver" *cabou-se o cativeiro de pagar os vinte mil-r+is % peste do cego1 - <oitado1 * gente se quei a + da sorte1 5le, como meu senhor, e igia o jornal, e igia o que era seu1 - 0eu ou não seu, acabou-se1 5 vida nova1 <ontra todo o costume, abriu-se nesse dia uma garrafa de vinho do #orto, e os dois beberam-na em honra ao grande acontecimento" 5ntretanto, a tal carta de liberdade era obra do pr!prio João Romão, e nem mesmo o selo, que ele entendeu de pespegar-lhe em cima, para dar % burla maior formalidade, representava despesa porque o esperto aproveitara uma estampilha j$ servida" : senhor de Bertoleza não teve sequer conhecimento do fato; o que lhe constou, sim, foi que a sua escrava lhe havia fugido para a Bahia depois da morte do amigo" - : cego que venha busc$-la aqui, se for capaz""" desafiou o vendeiro de si para si" 5le que caia nessa e ver$ se tem ou não pra p-ras1 2ão obstante, s! ficou tranq=ilo de todo da' a tr-s meses, quando lhe constou a morte do velho" * escrava passara naturalmente em heran&a a qualquer dos filhos do morto; mas, por estes, nada havia que recear6 dois p>ndegos de marca maior que, empolgada a legitima, cuidariam de tudo, menos de atirar-se na pista de uma crioula a quem não viam de muitos anos %quela parte" /:ra1 bastava j$, e não era pouco, o que lhe tinham sugado durante tanto tempo14 Bertoleza representava agora ao lado de João Romão o papel tr'plice de cai eiro, de criada e de amante" ?ourejava a valer, mas de cara alegre; %s quatro da madrugada estava j$ na faina de todos os dias, aviando o caf+ para os fregueses e depois preparando o almo&o para os trabalhadores de uma pedreira que havia para al+m de um grande capinzal aos fundos da venda" ;arria a casa, cozinhava, vendia ao balcão na taverna, quando o amigo andava ocupado l$ por fora; fazia a sua quitanda durante o dia no intervalo de outros servi&os, e % noite passava-se para a porta da venda, e, defronte de um fogareiro de barro, fritava f'gado e frigia sardinhas, que Romão ia pela manhã, em mangas de camisa, de tamancos e sem meias, comprar % praia do #ei e" 5 o dem9nio da mulher ainda encontrava tempo para lavar e consertar, al+m da sua, a roupa do seu homem, que esta, valha a verdade, não era tanta e nunca passava em todo o m-s de alguns pares de cal&as de zuarte e outras tantas camisas de riscado" João Romão não saia nunca a passeio, nem ia % missa aos domingos; tudo que rendia a sua venda e mais a quitanda seguia direitinho para a cai a econ9mica e da' então para o banco" @anto assim que, um ano depois da aquisi&ão da crioula, indo em hasta pública algumas bra&as de terra situadas ao fundo da taverna, arrematou-as logo e tratou, sem perda de tempo, de construir tr-s casinhas de porta e janela" 7ue milagres de esperteza e de economia não realizou ele nessa constru&ão1 0ervia de pedreiro, amassava e carregava barro, quebrava pedra; pedra, que o velhaco, fora de horas, junto com a amiga, furtavam % pedreira do fundo, da mesma forma que subtraiam o material das casas em obra que havia por ali perto" 5stes furtos eram feitos com todas as cautelas e sempre coroados do melhor sucesso, gra&as % circunst>ncia de que nesse tempo a pol'cia não se mostrava muito por aquelas alturas" João Romão observava durante o dia quais as obras em que ficava material para o dia seguinte, e % noite l$ estava ele rente, mais a Bertoleza, a removerem t$buas, tijolos, telhas, sacos de cal, para o meio da rua, com tamanha habilidade que se não ouvia vislumbre de rumor" )epois, um tomava uma carga e partia para casa, enquanto o outro ficava de alcatéia ao lado do resto, pronto a dar sinal, em caso de perigo; e, quando o que tinha ido voltava, seguia então o companheiro, carregado por sua vez" 2ada lhes escapava, nem mesmo as escadas dos pedreiros, os cavalos de pau, o banco ou a ferramenta dos marceneiros" 5 o fato + que aquelas tr-s casinhas, tão engenhosamente constru'das, foram o ponto de partida do grande corti&o de 0ão Romão" 8oje quatro bra&as de terra, amanhã seis, depois mais outras, ia o vendeiro conquistando todo o terreno que se estendia pelos fundos da sua bodega; e, % propor&ão que o conquistava, reproduziam-se os quartos e o número de moradores"

0empre em mangas de camisa, sem domingo nem dia santo, não perdendo nunca a ocasião de assenhorear-se do alheio, dei ando de pagar todas as vezes que podia e nunca dei ando de receber, enganando os fregueses, roubando nos pesos e nas medidas, comprando por dez r+is de mel coado o que os escravos furtavam da casa dos seus senhores, apertando cada vez mais as pr!prias despesas, empilhando priva&(es sobre priva&(es, trabalhando e mais a amiga como uma junta de bois, João Romão veio afinal a comprar uma boa parte da bela pedreira, que ele, todos os dias, ao cair da tarde, assentado um instante % porta da venda, contemplava de longe com um resignado olhar de cobi&a" #9s l$ seis homens a quebrarem pedra e outros seis a fazerem lajedos e paralelep'pedos, e então principiou a ganhar em grosso, tão em grosso que, dentro de ano e meio, arrematava j$ todo o espa&o compreendido entre as suas casinhas e a pedreira, isto +, umas oitenta bra&as de fundo sobre vinte de frente em plano en uto e magn'fico para construir" Justamente por essa ocasião vendeu-se tamb+m um sobrado que ficava % direita da venda, separado desta apenas por aquelas vinte bra&as; de sorte que todo o flanco esquerdo do pr+dio, coisa de uns vinte e tantos metros, despejava para o terreno do vendeiro as suas nove janelas de peitoril" <omprou-o um tal ?iranda, negociante portugu-s, estabelecido na Rua do 8osp'cio com uma loja de fazendas por atacado" <orrida uma limpeza geral no casarão, mudar-se-ia ele para l$ com a fam'lia, pois que a mulher, )ona 5stela, senhora pretensiosa e com fuma&as de nobreza, j$ não podia suportar a resid-ncia no centro da cidade, como tamb+m sua menina, a Aulmirinha, crescia muito p$lida e precisava de largueza para enrijar e tomar corpo" Bsto foi o que disse o ?iranda aos colegas, por+m a verdadeira causa da mudan&a estava na necessidade, que ele reconhecia urgente, de afastar )ona 5stela do alcance dos seus cai eiros" )ona 5stela era uma mulherzinha levada da breca6 achava-se casada havia treze anos e durante esse tempo dera ao marido toda sorte de desgostos" *inda antes de terminar o segundo ano de matrim9nio, o ?iranda pilhou-a em flagrante delito de adult+rio; ficou furioso e o seu primeiro impulso foi de mand$-la para o diabo junto com o cúmplice; mas a sua casa comercial garantia-se com o dote que ela trou era, uns oitenta contos em pr+dios e a&(es da divida publica, de que se utilizava o desgra&ado tanto quanto lhe permitia o regime dotal" *l+m de que, um rompimento brusco seria obra para esc>ndalo, e, segundo a sua opinião, qualquer esc>ndalo dom+stico ficava muito mal a um negociante de certa ordem" #rezava, acima de tudo, a sua posi&ão social e tremia s! com a id+ia de ver-se novamente pobre, sem recursos e sem coragem para recome&ar a vida, depois de se haver habituado a umas tantas regalias e afeito % hombridade de portugu-s rico que j$ não tem p$tria na 5uropa" *covardado defronte destes racioc'nios, contentou-se com uma simples separa&ão de leitos, e os dois passaram a dormir em quartos separados" 2ão comiam juntos, e mal trocavam entre si uma ou outra palavra constrangida, quando qualquer inesperado acaso os reunia a contragosto" :diavam-se" <ada qual sentia pelo outro um profundo desprezo, que pouco a pouco se foi transformando em repugn>ncia completa" : nascimento de Aulmira veio agravar ainda mais a situa&ão; a pobre crian&a, em vez de servir de elo aos dois infelizes, foi antes um novo isolador que se estabeleceu entre eles" 5stela amava-a menos do que lhe pedia o instinto materno por sup9-la filha do marido, e este a detestava porque tinha convic&ão de não ser seu pai" .ma bela noite, por+m, o ?iranda, que era homem de sangue esperto e or&ava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em insuport$vel estado de lubricidade" 5ra tarde j$ e não havia em casa alguma criada que lhe pudesse valer" Cembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta id+ia com escrupulosa repugn>ncia" <ontinuava a odi$-la" 5ntretanto este mesmo fato de obriga&ão em que ele se colocou de não servir-se dela, a responsabilidade de desprez$-la, como que ainda mais lhe assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto proibido" *final, coisa singular, posto que moralmente nada diminu'sse a sua repugn>ncia pela perjura, foi ter ao quarto dela" * mulher dormia a sono solto" ?iranda entrou p+ ante p+ e apro imou-se da cama" /)evia voltar1""" pensou" 2ão lhe ficava bem aquilo1"""4 ?as o sangue latejava-lhe, reclamando-a" *inda hesitou um instante, im!vel, a contempl$-la no seu desejo" 5stela, como se o olhar do marido lhe apalpasse o corpo, torceu-se sobre o quadril da esquerda, repu ando com as co as o len&ol para a frente e patenteando uma nesga de nudez estofada e branca" : ?iranda não p9de resistir, atirou-se contra ela, que, num pequeno sobressalto, mais de surpresa que de

cegou-o com uma metralhada de beijos" 2ão se falaram" ?iranda nunca a tivera. de olhos fechados. outro som nos gemidos e nos suspiros" 5 gozou-a. num estremunhamento de son>mbulo acordado com viol-ncia" * mulher percebeu a situa&ão e não lhe deu tempo para fugir. sem se poder conter. com um solu&o gutural e estrangulado. voltou ao quarto da mulher" 5stela recebeu-o desta vez como da primeira. na ocasião em que estes subiam para almo&ar ou jantar" . tornando logo e enfrentando com o marido" 5 dei ou-se empolgar pelos rins. grudando-se-lhe ao corpo. gozou a desonestidade daquele ato que a ambos acanalhava aos olhos um do outro. por+m. estatelou-se num abandono de pernas e bra&os abertos. notou-lhe outro h$lito. da' a um m-s. arquejante e convulsa. jurou mil vezes aos seus brios nunca mais. posto que no intimo de cada um persistisse contra o outro a mesma repugn>ncia moral em nada enfraquecida" )urante dez anos viveram muito bem casados. e mais uns dez ou quinze palmos do lado em que ficava a venda" ?iranda foi logo entender-se com o Romão e prop9s-lhe neg!cio" : taverneiro recusou formalmente" ?iranda insistiu" . fingindo que não acordava. e retirou-se tristonho e murcho para o seu quarto de desquitado" :h1 como lhe do'a agora o que acabava de praticar na cegueira da sua sensualidade" . a cabe&a para o lado. nem nunca a vira. sufocando-o nos seus bra&os nus. desviou-se. como se a tivessem crucificado na cama" * partir dessa noite. estabeleceuse entre eles o h$bito de uma felicidade se ual. em que ele se apoderava dela febrilmente. % noite desse mesmo dia. um arranco de corpo inteiro.revolta. como se nada de e traordin$rio houvera entre eles acontecido na v+spera" )ir-se-ia at+ que. o pobre homem. fingindo que continuava a dormir. o honrado negociante sentiu-se tolhido de vergonha e arrependimento" 2ão teve animo de dar palavra. seu único defeito estava na escassez do quintal. na ocasião. achando-o tamb+m agora. os olhos moribundos e chorosos. havia. soltou-lhe em cheio contra o rosto uma gargalhada que a custo sopeava" : pobre-diabo desnorteou. melhor que nunca. rangendo os dentes. quando se achou sozinho na sua cama estreita.7ue cabe&ada1""" dizia ele agitado" 7ue formid$vel cabe&ada1""" 2o dia seguinte. desde que não teve coragem de separar-se de casa. agora. o ?iranda sentia crescer o seu !dio contra a esposa" 5. tão completa como ainda não a tinham desfrutado. eis que a leviana parecia disposta a reincidir na culpa. depois daquela ocorr-ncia. com del'rio. de procur$-la de novo" <onhecia-lhe o temperamento. grunhindo. estorceuse toda. acometido de um novo acesso de lu úria. metendo-lhe pela boca a l'ngua úmida e em brasa" )epois. sem a menor consci-ncia de tudo aquilo" *h1 ela contava como certo que o esposo. deveras escandalizado. assim tão violenta no prazer" 5stranhou-a" *figurou-selhe estar nos bra&os de uma amante apai onada6 descobriu nela o capitoso encanto com que nos embebedam as cortesãs amestradas na ci-ncia do gozo ven+reo" )escobriu-lhe no cheiro da pele e no cheiro dos cabelos perfumes que nunca lhe sentira. passou-lhe r$pido as pernas por cima e. a leviana. como homem. toda ela agonizante. debai o daquele seu inimigo odiado. brusco. soerguendo-se. gozou-a loucamente. agora. com verdadeira satisfa&ão de animal no cio" 5 ela tamb+m. nunca mais. por+m. tanto tempo depois da primeira infidelidade conjugal. e agora que o negociante j$ não era acometido tão freq=entemente por aquelas crises que o arrojavam fora de horas ao dormit!rio de )ona 5stela. ela tamb+m gozou. mais cedo ou mais tarde. forte para desejar e fraco para resistir ao desejo" <onsumado o delito.oi por isso que o ?iranda comprou o pr+dio vizinho a João Romão" * casa era boa. dando corda aos cai eiros do marido. da qual s! pela manhã o ?iranda se retirou do quarto da mulher. mas para isso havia rem+dio6 com muito pouco compravam-se umas dez bra&as daquele terreno do fundo que ia at+ % pedreira. os dois viram-se e evitaram-se em sil-ncio. praticar semelhante loucura" ?as. estimulada por aquela circunst>ncia picante do ressentimento que os desunia.

: senhor perde seu tempo e seu latim1 retrucou o amigo de Bertoleza" 2em s! não cedo uma polegada do meu terreno.: quintalD . sabeD 5u.E e ato" . a sua parte ficaria cortada em linha reta at+ % pedreira. destinada a matar toda aquela miu&alha de corti&os que alastravam por Botafogo" 5ra este o seu ideal" 8avia muito que João Romão vivia e clusivamente para essa id+ia. duas ou tr-s bra&as aos fundos da casa.#asse bem1 . fog(es .8ei de lhe mostrar se tenho ou não o que fazer ali1 . tapando-me as janelas da esquerda1 . pelo menos.fazer aliD .:ra qual1 7ue diabo pode l$ voc. ali$s.oc.Bsso + maldade de sua parte. tal era a variedade dos objetos que ali se apinhavam acumulados6 t$buas e sarrafos. coitada. sem jardim. sem ter alcan&ado o peda&o de terreno que o separava do morro. e escusava eu de ficar com uma aba de terreno alheio a meter-se pelo meu" 7uer saberD não amuro o quintal sem voc.E que voc.#ois creia que se arrepende de não me ceder o terreno1""" .2em tampouco lhe dei arei levantar parede.quer que eu fique sem ch$cara.0e me arrepender. homem de )eus.J$ disse o que tinha a dizer" . que precisa. homem.2em meio palmo1 . se mo quiser vender. porque o que tinha a dizer j$ disse1 . não perdia a esperan&a de apanhar-lhe ainda.fazer de todo este terrenoD""" .decidir-se1 .?as. chamin+s de barro e de ferro. dei e-se disso.ma porcaria de um peda&o de terreno quase grudado ao morro e aos fundos de minha casa1 quando voc-. e diga l$ quanto quer pelo que lhe propus" . restos de carro&as.5ntão ficar$ com o quintal para sempre sem muro. de um pouco de espa&o para alargar-se" . se fa&o tamanho empenho. se me cedesse as dez bra&as do fundo.#ara mim era de vantagem""" . + pela minha pequena. sonhava com ela todas as noites. paci-ncia1 0! lhe digo + que muito mal se sair$ quem quiser meter-se c$ com a minha vida1 . arrematava madeiramentos j$ servidos. uma vez realizado o grande projeto que ultimamente o trazia preocupado . parte esta que.a cria&ão de uma estalagem em ponto enorme.+ teimoso1 :lhe. e o outro. conforme os seus c$lculos. o que era tudo depositado no seu e tenso chão vazio. mastros de navio. sem e emplo.<eda-me então ao menos as dez bra&as do fundo" . caibros.5 eu não cedo. como ainda lhe compro. valeria ouro. fazia pechinchas de cal e tijolos. cujo aspecto tomava em breve o car$ter estranho de uma enorme barricada. troncos de $rvore. aquele peda&o que lhe fica ao fundo da casa1 .ali não pode construir nada1 :u pensar$ que lhe dei arei abrir janelas sobre o meu quintal1""" . que diabo1 pense um pouco1 .:ra. uma estalagem monstro.2ão preciso levantar parede desse lado""" .*h1 isso agora + c$ comigo1""" : que for soar$1 . comprava telha em segunda mão. disp(e de tanto espa&o ainda1 . comparecia a todos os leil(es de materiais de constru&ão. sem nadaD .*deus1 @ravou-se então uma lata renhida e surda entre o portugu-s negociante de fazendas por atacado e o portugu-s negociante de secos e molhados" *quele não se resolvia a fazer o muro do quintal. porque preciso do meu terreno1 ..#ois voc.5ntão que diabo vai voc. por seu lado.2ão preciso abrir janelas sobre o quintal de ningu+m1 .

as propriedades dobravam de valor" ?ontara-se uma f$brica de massas italianas e outra de velas.desmantelados. jurando vingan&as terr'veis. de tudo aquilo de que ele não podia apoderar-se logo com as unhas" 5ntretanto. surgiam chal+s e casinhas da noite para o dia. falando em dar tiros" . e os trabalhadores passavam de manhã e %s *ve-?arias. por maus. nenhuma. perfumarias baratas. de cai as de conserva. queijos. depois das dez horas da noite. o diabo enfim. muito mais. aos contos e aos contos" *final. era uma mol+stia nervosa. aqueles que. azeite. olhando para todos os lados. não duas bra&as. as suas galinhas produziam muito e ele não comia um ovo. objetos de armarinho. aos cinq=enta e aos cem mil-r+is. de reduzir tudo a moeda" 5 seu tipo bai ote. mais gasto" 5 o dinheiro a pingar. dentro da gaveta. fosse o mais simples. resguardava. de tamancos. dep!sitos de cal. mas seis. vint+m por vint+m. len&os com versos de amor.#ois + fazer um muro no galinheiro1 repontava o marido de 5stela" )a' a alguns meses. nunca o fin!rio vendera tanto. com o seu eterno ar de cobi&a. e despachava faturas de barris de manteiga. subiam os alugu+is. todos. sem meias. uma loucura.)ei a estar. soltando % noite um formid$vel cão de fila" 5ste cão era prete to de eternas resingas com a gente do ?iranda. apoderando-se. por+m muito. vendia mais agora. do que no entanto gostava imenso. aboliu a quitanda e transferiu o dormit!rio. todos os seus atos. a cujo quintal ningu+m de casa podia descer. o balcão estava cada vez mais lustroso. fazenda para roupa de mulher. lou&a e muitas outras mercadorias" <riou armaz+ns para dep!sito. oito. a rua l$ fora povoava-se de um modo admir$vel" <onstru'a-se mal. vinha-lhe agora de #ortugal %s pipas. dinheiro que s! lhe saia das unhas para voltar multiplicado" )esde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente. da venda %s hortas e ao capinzal. do seu esfor&o inquebrant$vel e da fecundidade prodigiosa do seu dinheiro. com os olhos. vendia-os todos e contentava-se com os restos da comida dos trabalhadores" *quilo j$ não era ambi&ão.2ão fa&o1 replicava o outro" 0e ele + questão de capricho eu tamb+m tenho capricho1 5m compensa&ão. roupa de riscado para os trabalhadores. sem correr o risco de ser assaltado pela fera" . visavam um interesse pecuni$rio" 0! tinha uma preocupa&ão6 aumentar os bens" )as suas hortas recolhia para si e para a companheira os piores legumes. de cabelos % escovinha.E fazer o muro1 dizia o João Romão. que não levasse imediato sumi&o" João Romão protestava contra o roubo em termos violentos. e a maior parte deles ia comer % casa de pasto que João Romão arranjara aos fundos da sua varanda" *briram-se novas tavernas. escadas partidas. fugidos do cercado do vendeiro. depois de tentar um derradeiro esfor&o para conseguir algumas bra&as do quintal do vizinho. aglomera&(es de telhas velhas. e a escorrer da gaveta para a barra. conseguia ser tão afreguesada como a dele" 2unca o seu negocio fora tão bem. ningu+m compraria. que sabia perfeitamente como essas coisas se furtavam. aproveitando o espa&o para ampliar a venda. a barba sempre por fazer. ia e vinha da pedreira para a venda. era um bazar em que se encontrava de tudo. come&ou a receber alguns g-neros diretamente da 5uropa6 o vinho. um desespero de acumular. todo o quintal e at+ o pr!prio sobrado talvez1 5 dizia isto com uma convic&ão de quem tudo pode e tudo espera da sua perseveran&a. ao que ele. se + que não lhe entre pela frente1 ?ais cedo ou mais tarde como-lhe. João Romão. por e emplo. e da burra para o banco. que dobrou de tamanho e ganhou mais duas portas" J$ não era uma simples taverna. conversava ele na cama com a Bertoleza. chap+us de palha pr!prios para o servi&o ao sol. sacudindo os ombros" . socado. que ele dantes comprava aos quintos nas casas de atacado. resolveu principiar as obras da estalagem" . e de cada uma fazia tr-s com $gua e cacha&a. barricas de cimento. por+m. que nos anos anteriores" @eve at+ de admitir cai eiros" *s mercadorias não lhe paravam nas prateleiras. j$ lhe não bastava sortir o seu estabelecimento nos armaz+ns fornecedores. montes de areia e terra vermelha. dei a estar que ainda lhe hei de entrar pelos fundos da casa. sempre em mangas de camisa. porcelanas. pentes de chifre. cai (es de f!sforos. e an+is e brincos de metal ordin$rio" . ferragens. não caia no quintal do ?iranda galinha ou frango. pilhas e pilhas de tijolos de todos os feitios. utens'lios de escrit!rio.

do pei e frito em azeite e dos lampi(es de querosene" 5ra João Romão quem lhes fornecia tudo. e multiplicar-se como larvas no esterco" . um pouco mais do que levava aos que garantiam a divida com penhores de ouro ou prata" 2ão obstante. que parecia amea&ado por aquela serpente de pedra e cal" : ?iranda mandou logo levantar o muro" 2ada1 aquele dem9nio era capaz de invadir-lhe a casa at+ a sala de visitas1 5 os quartos do corti&o pararam enfim de encontro ao muro do negociante. sabão % parte" *s moradoras do corti&o tinham prefer-ncia e não pagavam nada para lavar" Fra&as % abund>ncia da $gua que l$ havia. na casa de pasto. uma gera&ão. daquele lameiro. que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o rev+rbero das claras barracas de algodão cru. desde a venda at+ quase ao morro. acudiram lavadeiras de todos os pontos da cidade.azer-me um corti&o debai o das janelas1""" 5stragou-me a casa. ou um quarto. a esfervilhar. a concorr-ncia %s tinas não se fez esperar. quinhentos r+is. cobrava juros de oito por cento ao m-s. quando algum precisava" #or ali não se encontrava jornaleiro. uma ap!s outra. em que se lia o seguinte. esp+cie de p$tio de quartel. e protestando aos berros contra o p! que lhe invadia em ondas as salas. cujo ordenado não fosse inteirinho parar %s mãos do velhaco" 5 sobre este cobre. onde podia formar um batalhão" 2oventa e cinco casinhas comportou a imensa estalagem" #rontas. agitada e barulhenta. naquela umidade quente e lodosa. onde os oper$rios das f$bricas e os trabalhadores da pedreira se reuniam depois do servi&o. a estenderem-se unidas por ali a fora. porque ficavam a dois passos da obriga&ão" : ?iranda rebentava de raiva" . sem mesmo dar tempo a que as tintas secassem" 8avia grande avidez em alug$-las. que parecia brotar espont>nea. e depois dobrassem para o lado do ?iranda e avan&assem sobre o quintal deste. possesso" . com as suas cercas de varas. que nem lagos de metal branco" 5 naquela terra encharcada e fumegante. o malvado1 5 vomitava pragas. ali mesmo.. e gra&as ao muito espa&o de que se dispunha no corti&o para estender a roupa. onde se dependurou uma lanterna de vidra&as vermelhas. entre o espesso fumo dos cachimbos. e com um grande portão no centro. surgia uma nuvem de pretendentes a disput$-los" 5 aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia. entre elas algumas vindas de bem longe" 5. coroado de cacos de vidro e fundos de garrafa. nas vinte bra&as que separavam a venda do sobrado do ?iranda.m corti&o1 ?aldito seja aquele vendeiro de todos os diabos1 . a crescer. João Romão mandou levantar na frente. um mundo. um canto onde coubesse um colchão. formando com a continua&ão da casa deste um grande quadrilongo. tudo. quase sempre emprestado aos tost(es. um grosso muro de dez palmos de altura. e fossem logo se enchendo. as casinhas do corti&o. mal vagava uma das casinhas. ou então ali ao lado. cobertos de roupa molhada. e ficavam bebendo e conversando at+ as dez horas da noite. por cima de uma tabuleta amarela. escrito a tinta encarnada e sem ortografia6 /5stalagem de 0ão Romão" *lugam-se casinhas e tinas para lavadeiras4" *s casinhas eram alugadas por m-s e as tinas por dia. como em nenhuma outra parte. at+ dinheiro adiantado. as suas hortali&as verdejantes e os seus jardinzinhos de tr-s e quatro palmos. tudo pago adiantado" : pre&o de cada tina. armadas sobre os lustrosos bancos de lavar" 5 os gotejantes jiraus. metendo a $gua.m corti&o1 e clamava ele. % propor&ão que se atamancavam. uma coisa viva. cintilavam ao sol. enchiam-se logo. come&ou a minhocar. jurando que havia de vingar-se. aquele era o melhor ponto do bairro para a gente do trabalho" :s empregados da pedreira preferiam todos morar l$.5 toda a gentalha daquelas redondezas ia cair l$. e contra o infernal baralho dos pedreiros e carpinteiros que levavam a martelar de sol a sol" : que ali$s não impediu que as casinhas continuassem a surgir.

dissera que o Brasil era uma cavalgadura carregada de dinheiro. socando-se de gente" 5 ao lado o ?iranda assustava-se. em vez de nascer de 5stela.eliz e esperto era o João Romão1 esse.ma grand'ssima1 2o fim de contas que diabo possuo euD""" . respondendo para #ortugal a um e -colega que o felicitava. daquele outro que. sentindo que a febre daquela inveja lhe estorricava os miolos" . minavam por toda a parte. piores e mais grossas do que serpentes. enegrecendo-lhe a alma com um feio ressentimento de despeito" @inha inveja do outro. inquieto com aquela e uber>ncia brutal de vida. a ele. dei ava-se ficar estendido numa pregui&osa. a contragosto. não passava afinal de um peda&o de asno comparado com o seu vizinho1 #ensara fazer-se senhor do Brasil e fizera-se escravo de uma brasileira mal-educada e sem escrúpulos de virtude1 Bmaginara-se talhado para grandes conquistas. junto % mesa da sala de jantar. a pobre crian&a nada mais representava que o documento vivo do ludibrio materno. em voz alta. que. e cada vez mais se complicam e mais me grudam ao estupor desta terra.. o grosseiro rumor que vinha da estalagem numa e ala&ão forte de animais cansados" 2ão podia chegar % janela sem receber no rosto aquele bafo. mas teve de aturar eternamente uma mulher que ele odiava1 5 do que afinal lhe aproveitar tudo issoD 7ual era afinal a sua grande e ist-nciaD )o inferno da casa para o purgat!rio do trabalho e vice-versa1 Bnvej$vel sorte. e que vivia de cama e mesa com uma negra14 G noite e aos domingos ainda mais recrudescia o seu azedume. senhor1 #ara esse + que havia de ser a vida1""" . para ser mais rico tr-s vezes do que ele. daquele outro portugu-s que fizera fortuna. recolhendo-se fatigado do servi&o. isento j$ dos primitivos sobressaltos que lhe faziam. onde dei arei a . sem precisar roer nenhum chifre.. ele. da qual não posso separarme sem comprometer o que l$ est$ enterrado1 um capital metido numa rede de transa&(es que não se liquidam nunca. quando ele. 5nriquecera um pouco. apeando-se da cama. amea&ando rebentar o chão em torno dela. custava-lhe a sofrer a escandalosa fortuna do vendeiro /aquele tipo1 um miser$vel. não teve de casar com a filha do patrão ou com a bastarda de algum fazendeiro fregu-s da casa1 ?as então. que estava hoje tão livre e desembara&ado como no dia em que chegou da terra sem um vint+m de seu1 esse. fechado no quarto de dormir. que se supunha a última e pressão da ladinagem e da esperteza.ma espiga a tal da sua vida1 ... logo depois do seu casamento. sim. que o embebedava com o seu fartum de bestas no coito" 5 depois. que se tinha na conta de invenc'vel matreiro.II )urante dois anos o corti&o prosperou de dia para dia. aterrado defronte daquela floresta implac$vel que lhe crescia junto da casa. fora uma enjeitadinha recolhida por ele.ui uma besta1 repisava ele sem conseguir conformar-se com a felicidade do vendeiro" . que lhe trou era oitenta contos de r+is. mas naquelas condi&(es. porque quando mesmo viesse a casar e a mulher lhe sa'sse uma outra 5stela era s! mand$-la para o diabo com um pontap+1 #odia faz--lo1 #ara esse + que era o Brasil1 . que não pusera nunca um palet!. um sujo. ele. rachando o solo e abalando tudo" #osto que l$ na Rua do 8osp'cio os seus neg!cios não corressem mal. mas incalcul$veis milh(es de desgostos e vergonhas1 *rranjara a vida.ma casa de neg!cio. sim. + verdade. mas comoD a que pre&oD hipotecando-se a um diabo. sim. o desgra&ado nem sequer gozava o prazer de ser pai" 0e ela. ferver o sangue e perder a tramontana. quente e sensual. onde se havia recolhido inutilmente" 5 p9s-se a passear no quarto sem vontade de dormir. e cujas ra'zes. não havia dúvida1 2a dolorosa incerteza de que Aulmira fosse sua filha. ele ?iranda. e o ?iranda estendia at+ % inocentezinha dHIfrica o !dio que sustentava contra a esposa" .ilho da mãe. que era mo&o e podia ainda gozar muito. era ainda a prosperidade do vizinho o que lhe obsedava o esp'rito. indiferente e habituado %s torpezas carnais da mulher. + natural que a amasse e então a vida lhe correria de outro modo. cujas r+deas um homem fino empolgava facilmente. por debai o das janelas. e não passava de uma vitima rid'cula e sofredora1""" 0im1 no fim de contas qual fora a sua África?. ganhando for&as. e ouvia.ui uma besta1 resumiu ele.

o que devia valer mais ainda. visto que o 8enriquinho tinha ordem franca do pai" 2unca pedia dinheiro. a vasta tecnologia da obscenidade. dentes pouco mais claros do que a cútis do rosto. lhe davam atraca&(es6 /Jia. a quem não convinha desagradar-lhe. unhas moles e curtas. que eu me quei o ao juiz de orfe14. e os criados da casa o respeitavam como a um filho do pr!prio senhor" G noite. p+s pequeninos. que a principio lhe tirava dos l$bios incr+dulos sorrisos de mofa.oi da supura&ão f+tida destas id+ias que se formou no cora&ão vazio do ?iranda um novo ideal . cheio de acanhamentos. lisa e seca como um moleque. afetando escrúpulos sociais. chamada Ceonor. )ona 5stela saia com ele. mulata ainda mo&a. mãos quase transparentes. reclamava-a de )ona 5stela. muito s+rio" )ados os primeiros passos para a compra do titulo abriu a casa e deu festas" * mulher. sem lhe faltar um termo. e desde então principiou a sonhar com um baronato. sempre que os cai eiros ou os fregueses da taverna. a darem uma volta ate % praia e. o . s! para me er com ela. das p$lpebras e dos l$bios. a não ser de manhã para as aulas. sem ter. levava-o em sua companhia" * criadagem da fam'lia.o t'tulo" . sendo o objeto lan&ado na conta do fazendeiro com uma comissão de usur$rio" 0ua hospedagem custava duzentos e cinq=enta mil-r+is por m-s. uma negrinha virgem. chegava de ?inas. com pequeninas manchas ro as nas mucosas do nariz. mostrou por ele estima quase maternal e encarregou-se de tomar conta da sua mesada.alentim. nunca mais.alentim. deste" )ona 5stela. cabelos castanhoclaros. que não despendia um vint+m fora das necessidade de primeira urg-ncia" )e resto. no cabo de pouco tempo. fazendo disso o objeto querido da sua e ist-ncia. a quem amar e sem imagina&ão para poder gozar com as prostitutas. p$lida. sem fam'lia. empertigando-se quanto podia e disfar&ando a sua inveja pelo vizinho com um desdenhoso ar de superioridade condescendente" *o passar-lhe todos os dias pela venda. não arredava p+ de casa senão em companhia da fam'lia. o n$ufrago agarrou-se %quela t$bua. mesada posta pelo negociante.casca1 7ue tenho de meu. posto que lhe apontassem j$ os cabelos brancos. que ele. faces levemente pintalgadas de sardas" Respirava o tom úmido das flores noturnas. e finalmente o tal . por sua vez. como um agonizante. nem ter de dei $-lo a pessoa alguma" 0emelhante preocupa&ão modificou-o em e tremo" )eu logo para fingir-se escravo das conveni-ncias. filho de uma escrava que foi de )ona 5stela e a quem esta havia alforriado" . negros. moleirona e tola. %s vezes. quadril estreito mas os olhos grandes. cumprimentava-o com prote&ão. justamente. muito satisfeito no intimo por ter afinal descoberto uma coisa em que podia empregar dinheiro. muito ligeira e viva. como as da mãe. rejubilou com isso" Aulmira tinha então doze para treze anos e era o tipo acabado da fluminense. se não o tinha herdado. magrinha. que ia sempre com o ?iranda. nem queria ter" 2ada lhe faltava. em tendo convite para qualquer festa em casa das amigas. tinha quinze anos e vinha terminar na corte alguns preparat!rios que lhe faltavam para entrar na *cademia de ?edicina" ?iranda hospedou-o no seu sobrado da Rua do 8osp'cio mas o estudante quei ou-se.altando-lhe temperamento pr!prio para os v'cios fortes que enchem a vida de um homem. a filha e um moleque. vivos e maliciosos" #or essa +poca. do ?iranda compunha-se de Bsaura. que por sua vez encarregava o marido de compr$-la. trou era-o por natureza pr!pria. consciente da morte. agora lhe comprazia % farta" #rocurou capacitar-se de que ela com efeito herdara sangue nobre. que gastava todo o vintenzinho que pilhava em comprar capilé na venda de João Romão. de que ai ficava mal acomodado. quando o tempo estava bom. de restitu'-lo % mulher. com umas delicadezas de menina" #arecia muito cuidadoso dos seus estudos e tão pouco e travagante e gastador. que se apega % esperan&a de uma vida futura" * vaidade de 5stela. quando precisava de qualquer coisa. recomendado ao pai dela. no fim de alguns dias. sorrindo sem rir e fechando logo a cara em seguida. uma brancura fria de magn!lia. carregou com ele para a sua resid-ncia particular de Botafogo" 8enrique era bonitinho. o filho de um fazendeiro important'ssimo que dava belos lucros % casa comercial de ?iranda e que era talvez o melhor fregu-s que este possu'a no interior" : rapaz chamava-se 8enrique. conhecendo de orelha. e o negociante. e dizendo. do que ele todavia não tinha conhecimento. se a alma do meu cr+dito + o dote. que me trou e aquela sem-vergonha e que a ela me prende como a peste da casa comercial me prende a esta <osta d3IfricaD .

)ona 5stela encarregava-o de fazer pequenas compras de armarinho. sob as ordens do mesmo patrão. na sua opinião. por não lhe ter sido poss'vel empolgar o mundo com as suas mãos hoje inúteis e tr-mulas" 5. fazia parte dos que acompanhavam a tropa" 5ntão. que pareciam limados at+ ao meio" *ndava sempre de preto. dinheiro.alentim1 #ois. sob as telhas do negociante. desabafava vituperando as id+ias da +poca" *ssim. com um guarda-chuva debai o do bra&o e um chap+u de Braga enterrado nas orelhas" . ficava logo no ar. via-se totalmente sem recursos e vegetava % sombra do ?irada.ora em seu tempo empregado do com+rcio. o talento. a mocidade. aproveitando aquela v$lvula para desafogar o velho !dio acumulado dentro dele" . mandou-o para um hospital. )ona 5stela chorava todos os dias e durante a aus-ncia dele não tocou piano. nem mostrou os dentes a ningu+mD 5 o pobre ?iranda. onde costumava ficar assentado at+ %s horas do jantar. tomava o bonde e ia direitinho para uma charutaria da Rua do :uvidor. cabelo branco. no entanto. que sabia o que ele não aprendera" 5. uma implac$vel amargura. poucas. eis o que ele não perdoava a ningu+m. entre outros assuntos palpitantes. vinha % discussão o movimento abolicionista que principiava a formar-se em torno da lei Rio Branco" 5ntão o Botelho ficava possesso e vomitava frases terr'veis. procurando cravar-se em todas as brancuras e em todas as claridades" * virtude. j$ velho. mo'do a . a ele. comido de desilus(es. um outro h!spede al+m do 8enrique. um contra o outro. uma surda tristeza de vencido. nem cantou. mas. e que. perfeitamente de acordo com o seu nariz adunco e com a sua boca sem l$bios6 viam-se-lhe ainda todos os dentes.* mulher do ?iranda tinha por este moleque uma afei&ão sem limites6 dava-lhe toda a liberdade. coitado. o velho Botelho" 5ste. s! tinha uma serventia6 enriquecer os portugueses. amaldi&oando todo aquele que conseguia o que ele não obtivera. um desespero impotente. antip$tico. trazia-o bem vestido e muita vez chegou a fazer ciúmes % filha. defronte dele" @inha a pretensão de conhecer todo o Rio de Janeiro e os podres de cada um em particular" Gs vezes. de tão solicita que se mostrava com ele" #ois se a caprichosa senhora ralhava com Aulmira por causa do negrinho1 #ois. ela nunca dava razão % filha1 #ois se o que havia de melhor na casa era para o . como quem dispara tiros sem fazer alvo. conhecia na ponta da l'ngua o que se referia % vida de quartel. cheio de hemorr!idas. e de quem se conservara amigo. adorava tudo que dissesse respeito a militarismo. apesar dos seus achaques. noite e dia. não tornava para casa enquanto os militares neo se recolhessem" 7uase sempre voltava dessa loucura %s seis da tarde. depois ia ler os jornais para a sala de jantar. lavava-se mesmo no quarto com uma toalha molhada em espírito de vinho. se quando se quei avam os dois. o seu fraco. o dei ara. entretido a dizer mal das pessoas que passavam l$ fora. como escova. mormente %s de fogo" 2ão podia ouvir disparar perto de si uma espingarda. quando dava por si. chegando a ser bem rico. e. por+m. a principio por acaso e mais tarde por necessidade" )evorava-o. contra tudo e contra todos. barba e bigode do mesmo teor. que gozava o que ele não desfrutara. % espera do almo&o. voltava-se contra o Brasil.Bandidos1 berrava apopl+tico" <$fila de salteadores1 5 o seu rancor irradiava-lhe dos olhos em setas envenenadas. depois corretor de escravos. e principalmente a fortuna. entusiasmava-se por+m com tudo que cheirasse a guerra. como o seu atual estado de mis+ria não lhe permitia abrir contra ningu+m o bico. se quando foi este atacado de be igas e o ?iranda. para a direita e para a esquerda. se não queria sofrer impertin-ncias da mulher e ouvir sensaborias defronte dos criados. o que o Botelho desempenhava melhor que ningu+mD ?as a sua grande pai ão. de malogro em malogro. a saúde. durante a guerra do #araguai ainda ganhara forte. posto que tivera sempre invenc'vel medo %s armas de qualquer esp+cie. para individualizar o objeto do seu !dio. tinha de dar ao moleque toda a considera&ão e fazer-lhe humildemente todas as vontades" 8avia ainda. com quem por muitos anos trabalhou em rapaz. na qualidade de parasita" 5ra um pobre-diabo caminhando para os setenta anos. apesar das súplicas e dos protestos da esposa. levava-o consigo a passeio. almo&ava e sala. eram %s vezes muito quentes as sobremesas do ?iranda. muito macilento. tão gastos. a presen&a de um oficial em grande uniforme tirava-lhe l$grimas de como&ão. a beleza. a for&a. e vociferava impreca&(es. muita vez. com uns !culos redondos que lhe aumentavam o tamanho da pupila e davam-lhe % cara uma e pressão de abutre. contava mesmo que estivera mais de uma vez na Ifrica negociando negros por sua conta" *tirou-se muito %s especula&(es. foi-lhe escapando tudo por entre as suas garras de ave de rapina" 5 agora. curto e duro. era a farda. era ouvir tocar na rua a corneta ou o tambor conduzindo o batalhão. essa terra que. mas a roda desandou e. presentes. quando. distinguia ao primeiro lance de olhos o posto e o corpo a que pertencia qualquer soldado e. na penúria" 0eus dias eram consumidos do seguinte modo6 acordava %s oito da manhã.

com infinito desd+m e at+ com asco. para mim seria o mesmo. creia. antes que ele nos mate1 2ão lhes doam as mãos1""" apenas acho que. descobriu 5stela entalada entre o muro e o 8enrique" )ei ou-se ficar espiando. quando ouvia 5stela falar do marido.#erdão1 eu. certa ocasião.2!s não est$vamos fazendo nada1 disse 5stela. foi como se nada visse. que o via em conta de amigo fiel. ainda mais abusava. para outra vez. porque nada tenho a cheirar com a vida de cada um1""" * senhora est$ mo&a. não fomos n!s que o fizemos torto1""" *t+ certa idade todos temos dentro um bichinho-carpinteiro. quer goste dele quer não goste1 Juro-lhe. tanto assim que. seguro na prote&ão de )ona 5stela" : parasita de muito que o teria estrangulado. + justo que o substitua por outro1 *h1 isto + o mundo.0! parece. quando somos casadas. em hora que não era do seu costume. est$ na for&a dos anos. que + preciso matar. mas o Botelho procurou tranq=iliz$-los. por+m. sem tugir nem mugir. e. percebendo quanto elas o irritavam. não podemos viver sem esposo. + l$ preciso vir meterem-se neste canto do quintalD""" . que se persuadam de que""" . ao vir-lhe a rea&ão. e um capital em caso nenhum a gente despreza1 *gora. porque acho isso a coisa mais natural do mundo e entendo que desta vida a gente s! leva o que come1""" 0e vi. eu bem percebo quanto aquele traste do senhor meu marido me detesta. mas isso tanto se me d$ como a primeira camisa que vesti1 )esgra&adamente para n!s.5st$ bom1 basta1 ordenou 5stela" . dizendo em voz amiga e misteriosa6 . sussurros de vozes abafadas que pareciam vir de um canto afogado de verdura. voc. mulheres de sociedade.. se não fora a necessidade de agradar % dona da casa" Botelho conhecia as faltas de 5stela como as palmas da pr!pria mão" : ?iranda mesmo.Bsso + uma imprud-ncia o que voc-s estão fazendo1""" 5stas coisas não + deste modo que se arranjam1 *ssim como fui eu.alentim" : moleque causava-lhe febre com as suas petul>ncias de mimalho. s! quando os dois se separaram. de forma que tenho de aturar o que me caiu em sorte.*h1 tornou o velho. que a inten&ão daquele malvado era dar-me cabo da pele1 :ra vejam1 @r-s horas de marche-marche por uma soalheira de todos os diabos1 . estrompado de marchar horas e horas ao som da música de pancadaria" 5 o mais interessante + que ele. onde em geral não ia ningu+m" 5ncaminhou-se para l$ em bicos de p+s e. foi que ele se mostrou" * senhora soltou um pequeno grito. seu marido não a satisfaz.ma das birras mais c9micas do Botelho era o seu !dio pelo .o que devia era nunca chegar-se para ela""" . representa nada menos que o capital. dizia ele convicto.fazer d!. muitas e muitas vezes lhas confiara em ocasi(es desesperadas de desabafo.oc. recolhendo-se % casa incomodado. que. com a sua encanecida e peri-ncia do mundo. ouviu. feliz por ver quanto o amigo aviltava a mulher. e. se digo isto. sem poder ter-se nas pernas. podia ser outra pessoa""" #ois numa casa em que h$ tantos quartos. velhaco.. nunca transmitia a nenhum dos dois o que cada qual lhe dizia contra o outro. se consinto que o ?iranda se chegue %s vezes para mim. e. e o rapaz. + para dei $-los bem tranq=ilos a meu respeito" 2ão quero. declarando francamente o quanto no intimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos pontap+s" 5 o Botelho dava-lhe toda a razão. ao passar pelo quintal. recuperando o sangue-frio" . levando o batalhão por uma infinidade de ruas e fazendo de prop!sito o caminho mais longo" . fez-se cor de cera.quer saberD afirmava ela. dandolhe um carinhoso abra&o de admira&ão" ?as por outro lado. lamentava-se ele. se assim fosse. entendia tamb+m que os s+rios interesses comerciais estavam acima de tudo" . revoltava-se furioso contra o maldito comandante que o obrigava %quela estopada. aparentando sumo respeito6 então desculpe. pensei que estivessem""" 5 olhe que.:ra1 e plicava o marido" 5u me sirvo dela como quem se serve de uma escarradeira1 : parasita. se + torto. ainda mais resplandecia de contente" . concordava em tudo plenamente. devem ter um pouquinho mais de cuidado e""" . nem por sombra. sem ser percebido. + porque entendo que paga mais % pena ceder do que pu ar discussão com uma besta daquela ordem1 : Botelho. de vermelho que estava.ma mulher naquelas condi&(es.

: 8enrique atalhou, com a voz ainda comovida6 - ?as, acredite, seu Botelho, que""" : velho interrompeu-o tamb+m por sua vez, passando-lhe a mão no ombro e afastando-o consigo6 - 2ão tenha receio, que não o comprometerei, menino1 5, como j$ estivessem distantes de 5stela, segredou-lhe em tom protetor6 - 2ão torne a fazer isto assim, que voc- se estraga""" :lhe como lhe tremem as pernas1 )ona 5stela acompanhou-os a distancia, vagarosamente, afetando preocupa&ão em compor um ramalhete, cujas flores ela ia colhendo com muita gra&a, ora toda vergada sobre as plantas rasteiras, ora pondo-se na pontinha dos p+s para alcan&ar os heliotr!pios e os manac$s" 8enrique seguiu o Botelho at+ ao quarto deste, conversando sem mudar de assunto" - ;oc- então não fala nisto, heinD JuraD perguntou-lhe" : velho tinha j$ declarado, a rir, que os pilhara em flagrante e que ficara bom tempo % espreita" - ,alar o qu-, seu toloD""" #ois então quem pensa voc- que eu souD""" 0! abrirei o bico se voc- me der motivo para isso, mas estou convencido que não dar$""" 7uer saberD eu at+ simpatizo muito com voc-, 8enrique1 *cho que voc- + um e celente menino, uma flor1 5 digo-lhe mais6 hei de proteger os seus neg!cios com )ona 5stela""" ,alando assim, tinha-lhe tomado as mãos e afagava-as" - :lhe, continuou, acariciando-o sempre; não se meta com donzelas, entendeD""" 0ão o diabo1 #or d$ c$ aquela palha fica um homem em apuros1 agora quanto %s outras, papo com elas1 2ão mande nenhuma ao vig$rio, nem lhe doa a cabe&a, porque, no fim de contas, nas circunst>ncias de )ona 5stela, + at+ um grande servi&o que voc- lhe faz1 ?eu rico amiguinho, quando uma mulher j$ passou dos trinta e pilha a jeito um rapazito da sua idade, + como se descobrisse ouro em p!1 sabe-lhe a gaitas1 ,ique então sabendo de que não + s! a ela que voc- faz o obs+quio, mas tamb+m ao marido6 quanto mais escovar-lhe voc- a mulher, melhor ela ficar$ de g-nio, e por conseguinte melhor ser$ para o pobre homem, coitado1 que tem j$ bastante com que se aborrecer l$ por bai o, com os seus neg!cios, e precisa de um pouco de descanso quando volta do servi&o e mete-se em casa1 5scove-a, escove-a1 que a por$ macia que nem veludo1 : que + preciso + muito juizinho, percebeD 2ão fa&a outra crian&ada como a de hoje e continue para diante, não s! com ela, mas com todas as que lhe ca'rem debai o da asa1 ;$ passando1 menos as de casa aberta, que isso + perigoso por causa das mol+stias; nem tampouco donzelas1 2ão se meta com a Aulmira1 5 creia que lhe falo assim, porque sou seu amigo, porque o acho simp$tico, porque o acho bonito1 5 acarinhou-o tão vivamente dessa vez, que o estudante, fugindo-lhe das mãos, afastou-se com um gesto de repugn>ncia e desprezo, enquanto o velho lhe dizia em voz comprimida6 - :lha1 5spera1 ;em c$1 ;oc- + desconfiado1""" III 5ram cinco horas da manhã e o corti&o acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas" .m acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo" <omo que se sentiam ainda na indol-ncia de neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se % luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia" * roupa lavada, que ficara de v+spera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordin$rio" *s pedras do chão, esbranqui&adas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumula&(es de espumas secas" 5ntretanto, das portas surgiam cabe&as congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; come&avam as 'caras a tilintar; o cheiro quente do caf+ aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas % noite; a pequenada c$ fora traquinava j$, e l$ dentro das casas vinham choros abafados de crian&as que ainda não andam" 2o confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos,

cantar de galos, cacarejar de galinhas" )e alguns quartos saiam mulheres que vinham pendurar c$ fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, % semelhan&a dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se % luz nova do dia" )a' a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomera&ão tumultuosa de machos e f-meas" .ns, ap!s outros, lavavam a cara, incomodamente, debai o do fio de $gua que escorria da altura de uns cinco palmos" : chão inundava-se" *s mulheres precisavam j$ prender as saias entre as co as para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos bra&os e do pesco&o, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o p-lo, ao contr$rio metiam a cabe&a bem debai o da $gua e esfregavam com for&a as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão" *s portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tr+guas" 2ão se demoravam l$ dentro e vinham ainda amarrando as cal&as ou as saias; as crian&as não se davam ao trabalho de l$ ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detr$s da estalagem ou no recanto das hortas" : rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; j$ se não destacavam vozes dispersas, mas um s! ru'do compacto que enchia todo o corti&o" <ome&avam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discuss(es e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; j$ se não falava, gritavase" 0entia-se naquela fermenta&ão sang='nea, naquela gula vi&osa de plantas rasteiras que mergulham os p+s vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de e istir, a triunfante satisfa&ão de respirar sobre a terra" )a porta da venda que dava para o corti&o iam e vinham como formigas; fazendo compras" )uas janelas do ?iranda abriram-se" *pareceu numa a Bsaura, que se dispunha a come&ar a limpeza da casa" - 2h$ )unga1 gritou ela para bai o, a sacudir um pano de mesa; se voc- tem cuscuz de milho hoje, bata na porta, ouviuD * Ceonor surgiu logo tamb+m, enfiando curiosa a carapinha por entre o pesco&o e o ombro da mulata" : padeiro entrou na estalagem, com a sua grande cesta % cabe&a e o seu banco de pau fechado debai o do bra&o, e foi estacionar em meio do p$tio, % espera dos fregueses, pousando a canastra sobre o cavalete que ele armou prontamente" 5m breve estava cercado por uma nuvem de gente" *s crian&as adulavam-no, e, % propor&ão que cada mulher ou cada homem recebia o pão, disparava para casa com este abra&ado contra o peito" .ma vaca, seguida por um bezerro amorda&ado, ia, tilintando tristemente o seu chocalho, de porta em porta, guiada por um homem carregado de vasilhame de folha" : zunzum chegava ao seu apogeu" * f$brica de massas italianas, ali mesmo da vizinhan&a, come&ou a trabalhar, engrossando o barulho com o seu arfar mon!tono de m$quina a vapor" *s corridas at+ % venda reproduziam-se, transformando-se num verminar constante de formigueiro assanhado" *gora, no lugar das bicas apinhavam-se latas de todos os feitios, sobressaindo as de querosene com um bra&o de madeira em cima; sentia-se o trapejar da $gua caindo na folha" *lgumas lavadeiras enchiam j$ as suas tinas; outras estendiam nos coradouros a roupa que ficara de molho" #rincipiava o trabalho" Rompiam das gargantas os fados portugueses e as modinhas brasileiras" .m carro&ão de li o entrou com grande barulho de rodas na pedra, seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo carroceiro contra o burro" 5, durante muito tempo, fez-se um vaiv+m de mercadores" *pareceram os tabuleiros de carne fresca e outros de tripas e fatos de boi; s! não vinham hortali&as, porque havia muitas hortas no corti&o" ;ieram os ruidosos mascates, com as suas latas de quinquilharia, com as suas cai as de candeeiros e objetos de vidro e com o seu fornecimento de ca&arolas e chocolateiras, de folha-de-flandres" <ada vendedor tinha o seu modo especial de apregoar, destacando-se o homem das sardinhas, com as cestas do pei e dependuradas, % moda de balan&a, de um pau que ele trazia ao ombro" 2ada mais foi preciso do que o seu primeiro guincho estridente e gutural para surgirem logo, como por encanto, uma enorme variedade de gatos, que vieram correndo acercar-se dele com grande familiaridade, ro&ando-se-lhe nas pernas arrega&adas e miando suplicantemente" : sardinheiro os afastava com o p+, enquanto vendia o seu pei e % porta das casinhas, mas os bichanos não desistiam e continuavam a implorar, arranhando os cestos que o homem cuidadosamente tapava mal servia ao fregu-s" #ara ver-se livre por um instante dos importunos era necess$rio atirar para bem longe um punhado de sardinhas, sobre o qual se precipitava logo, aos pulos, o grupo dos pedinch(es"

* primeira que se p9s a lavar foi a Ceandra, por alcunha a /?achona4, portuguesa feroz, berradora, pulsos cabeludos e grossos, anca de animal do campo" @inha duas filhas, uma casada e separada do marido, *na das )ores, a quem s! chamavam a /das )ores4 e outra donzela ainda, a 2enen, e mais um filho, o *gostinho, menino levado dos diabos, que gritava tanto ou melhor que a mãe" * das )ores morava em sua casinha % parte, mas toda a fam'lia habitava no corti&o" 2ingu+m ali sabia ao certo se a ?achona era viúva ou desquitada; os filhos não se pareciam uns com os outros" * das )ores, sim, afirmavam que fora casada e que largara o marido para meter-se com um homem do com+rcio; e que este, retirando-se para a terra e não querendo solt$-la ao desamparo, dei ara o s!cio em seu lugar" @eria vinte e cinco anos" 2enen dezessete" 5spigada, franzina e forte, com uma proazinha de orgulho da sua virgindade, escapando como enguia por entre os dedos dos rapazes que a queriam sem ser para casar" 5ngomava bem e sabia fazer roupa branca de homem com muita perfei&ão" *o lado da Ceandra foi colocar-se % sua tina a *ugusta <arne-?ole, brasileira, branca, mulher de *le andre, um mulato de quarenta anos, soldado de policia, pern!stico, de grande bigode preto, quei o sempre escanhoado e um lu o de cal&as brancas engomadas e bot(es limpos na farda, quando estava de servi&o" @amb+m tinham filhos, mas ainda pequenos, um dos quais, a Juju, vivia na cidade com a madrinha que se encarregava dela" 5sta madrinha era uma cocote de trinta mil-r+is para cima, a C+onie, com sobrado na cidade" #roced-ncia francesa" *le andre, em casa, % hora de descanso, nos seus chinelos e na sua camisa desabotoada, era muito chão com os companheiros de estalagem, conversava, ria e brincava, mas envergando o uniforme, encerando o bigode e empunhando a sua chibata, com que tinha o costume de fustigar as cal&as de brim, ningu+m mais lhe via os dentes e então a todos falava teso e por cima do ombro" * mulher, a quem ele s! dava tu quando não estava fardado, era de uma honestidade proverbial no corti&o, honestidade sem m+rito, porque vinha da indol-ncia do seu temperamento e não do arb'trio do seu car$ter" Junto dela p9s-se a trabalhar a Ceoc$dia, mulher de um ferreiro chamado Bruno, portuguesa pequena e socada, de carnes duras, com uma fama terr'vel de leviana entre as suas vizinhas" 0eguia-se a #aula, uma cabocla velha, meio idiota, a quem respeitavam todos pelas virtudes de que s! ela dispunha para benzer erisipelas e cortar febres por meio de rezas e feiti&arias" 5ra e tremamente feia, grossa, triste, com olhos desvairados, dentes cortados % navalha, formando ponta, como dentes de cão, cabelos lisos, escorridos e ainda retintos apesar da idade" <hamavam-lhe /Bru a4" )epois seguiam-se a ?arciana e mais a sua filha ,lorinda" * primeira, mulata antiga, muito seria e asseada em e agero6 a sua casa estava sempre úmida das consecutivas lavagens" 5m lhe apanhando o mau humor punha-se logo a espanar, a varrer febrilmente, e, quando a raiva era grande, corria a buscar um balde de $gua e descarregava-o com fúria pelo chão da sala" * filha tinha quinze anos, a pele de um moreno quente, bei&os sensuais, bonitos dentes, olhos lu uriosos de macaca" @oda ela estava a pedir homem, mas sustentava ainda a sua virgindade e não cedia, nem % mão de )eus #adre, aos rogos de João Romão, que a desejava apanhar a troco de pequenas concess(es na medida e no peso das compras que ,lorinda fazia diariamente % venda" )epois via-se a velha Bsabel, isto +, )ona Bsabel, porque ali na estalagem lhes dispensavam todos certa considera&ão, privilegiada pelas suas maneiras graves de pessoa que j$ teve tratamento6 uma pobre mulher comida de desgostos" ,ora casada com o dono de uma casa de chap+us, que quebrou e suicidouse, dei ando-lhe uma filha muito doentinha e fraca, a quem Bsabel sacrificou tudo para educar, dando-lhe mestre at+ de franc-s" @inha uma cara macilenta de velha portuguesa devota, que j$ foi gorda, bochechas moles de pelancas rechupadas, que lhe pendiam dos cantos da boca como saquinhos vazios; fios negros no quei o, olhos castanhos, sempre chorosos engolidos pelas p$lpebras" #u ava em bandos sobre as fontes o escasso cabelo grisalho untado de !leo de am-ndoas doces" 7uando saia % rua punha um eterno vestido de seda preta, achamalotada, cuja saia não fazia rugas, e um ale encarnado que lhe dava a todo o corpo um feitio piramidal" )a sua passada grandeza s! lhe ficara uma cai a de rap+ de ouro, na qual a inconsol$vel senhora pitadeava agora, suspirando a cada pitada" * filha era a flor do corti&o" <hamavam-lhe #ombinha" Bonita, posto que enfermi&a e nervosa ao último ponto; loura, muito p$lida, com uns modos de menina de boa fam'lia" * mãe não lhe permitia lavar, nem engomar, mesmo porque o m+dico a proibira e pressamente" @inha o seu noivo, o João da <osta, mo&o do com+rcio, estimado do patrão e dos colegas, com muito futuro, e que a adorava e conhecia desde pequenita; mas )ona Bsabel não queria que o casamento se fizesse j$" E que #ombinha,

era sempre *lbino quem tratava de reconcili$-los. quem em geral fazia o rol para as lavadeiras. a ?achona. bem empregado como se achava em casa de um tio seu. que as protegesse e conferisse % filha uma gra&a tão simples que ele fazia. uma dúzia de bolos. passear % tarde pelas ruas e % noite dan&ar nos bailes dos teatros" @inha verdadeira pai ão por esse divertimento. em que ia. entre l$grimas e solu&os. e o pobre-diabo jurou então. coitadas1 daquele casamento dependia a felicidade de ambas. ouvindo-o suspirar com insist-ncia. não tinha ainda pago % natureza o cruento tributo da puberdade. quem lia o jornal para os que quisessem ouvir" #rezavam-na com muito respeito e davam-lhe presentes. como dizia ela" 5 /que dei assem l$ falar o doutor. a sua camisa limpa. restitu'-las ao seu primitivo circulo social" * pobre velha desesperava-se com o fato e pedia a )eus. com efeito. se fosse a senhora. e. sem distin&ão de merecimento. contra o qual não valiam nem mesmo as virtudes da Bru a" #ombinha era muito querida por toda aquela gente" 5ra quem lhe escrevia as cartas. entendia que não era decente. a Bru a. casava-os assim mesmo1 * velha respondia dizendo que a felicidade não se fizera para ela" 5 suspirava resignada" 7uando o <osta aparecia depois da sua obriga&ão para visitar a noiva. por coisa nenhuma desta vida consentiria que a sua pequena casasse antes de /ser mulher4. vestido de dan&arina. indo a uma república de estudantes. faziam-no at+ confidente dos seus amores e das suas infidelidades. ningu+m sabia por qu-. quem tirava as contas. a despeito de tamanho empenho. que não estivesse com a sua cal&a branca engomada. a Ceoc$dia. com uma franqueza que o não revoltava. o que lhe permitia certo lu o relativo" *ndava sempre de botinhas ou sapatinhos com meias de cor. a falar tristemente sobre mol+stias" 5. no meio de toda aquela vida. a *ugusta. por amabilidade. nem tinha jeito. no resto da fileira. com quem j$ estava tão familiarizado que elas o tratavam como a uma pessoa do mesmo se o. a quantas raparigas havia pelo mundo. o *lbino. tencionava. ajuntava dinheiro durante o ano para gastar todo com a mascarada" 5 ningu+m o encontrava. nem comovia" 7uando um casal brigava ou duas amigas se disputavam. fraco. não bebia esp'ritos e trazia sempre as mãos geladas e úmidas" 2aquela manhã levantara-se ainda um pouco mais l>nguido que do costume. enquanto. at+ ao pescocinho mole e fino" 5ra lavadeiro e vivia sempre entre as mulheres.echava a fila das primeiras lavadeiras. empenhados tacitamente por aquele caiporismo. aos domingos. não arredava os pezinhos do corti&o. cor de espargo cozido e com um cabelinho castanho.#or que não chama outro m+dicoD . logo que mudasse de estado. seu vestido de chita engomado. lavando ou descansando. antes de dormir. e ficaram os dois. dar homem a uma mo&a que ainda não fora visitada pelas regras1 2ão1 *ntes v--la solteira toda a vida e ficarem ambas curtindo para sempre aquele inferno da estalagem14 C$ no corti&o estavam todos a par desta hist!ria. numa s! linha. deslavado e pobre. não era segredo para ningu+m" 5 não se passava um dia que não interrogassem duas e tr-s vezes a velha com estas frases6 . os moradores da estalagem cumprimentavam-no em sil-ncio com um respeitoso ar de l$stima e piedade. a não ser nos dias de carnaval. quem a encontrasse % missa na igreja de 0ão João Batista.#or que não tenta os banhos de marD . todas as noites. que lhe ficava ao lado esquerdo. um avental que lhe caia sobre as pernas como uma saia" 2ão fumava. perguntou-lhe o que tinha" *h1 muita moleza de corpo e uma pontada do vazio que o não dei ava1 * velha receitou diversos rem+dios. um sujeito afeminado. mas. não seria capaz de desconfiar que ela morava em corti&o" . que lhe caia. e ortando as mulheres % conc!rdia" )antes encarregava-se de cobrar o rol das colegas. deram-lhe l$. . porque o <osta. mas uma vez. tinha as suas joiazinhas para sair % rua. que nunca mais se incumbiria de receber os r!is" 5 da' em diante.5u. em presen&a dele falavam de coisas que não e poriam em presen&a de outro homem. amarrado % cinta.5ntãoD J$ veioD . domingo ou dia de semana. a voz um tanto cansada j$ pelo servi&o. de quem mais tarde havia de ser s!cio. e. porque passara mal a noite" * velha Bsabel. apesar do zelo da velha e dos sacrif'cios que esta fazia para cumprir % risca as prescri&(es do m+dico e não faltar % filha o menor desvelo" 2o entanto. berrando e quase sem se ouvirem. a ?arciana e sua filha conversavam de tina a tina.or&ando ali$s pelos dezoito anos. um len&o ao pesco&o.

#ara a Rita todos os dias são dias santos1 * questão + aparecer quem pu e por ela1 . e recolheu-se % casa. pois voc. o #ompeo.0im. que era melhor" . naquela porta.m rapazito de palet! entrou da rua e foi perguntar % ?achona pela 2h$ Rita" .ai l$ dentro e diz a 2enen que te entregue a roupa que veio ontem % noite" : pequeno afastou-se de carreira. e ela lhe gritou na pista6 . pequeno.irmo" . notando que o filho. + verdade. at+ demais.*inda assim não e m$ criatura""" @irante o defeito da vadiagem""" . não te esque&as. passou l$ fora.Bom cora&ão tem ela.*liD .*quela não endireita mais1""" <ada vez fica at+ mais assanhada1""" #arece que tem fogo no rabo1 #ode haver o servi&o que houver. nem mesmo % mulher. sem falar a ningu+m. o quarto est$ fechado.az amanhã oito dias que ela arribou1 * Ceoc$dia e plicou logo que a mulata estava com certeza de p>ndega com o . pergunta na venda ao João Romão.)epois + que são elas1""" : João Romão j$ lhe não fia1 . armado cada qual com a sua grande cai a de bugigangas. a dan&ar e cantar % viola.7ue .em para c$. altercando e praguejando em italiano" . acompanhado pelo 8enrique que ia para as aulas" : *le andre. vai tudo pro lado1 :lha o que saiu o ano passado com a festa da #enha1""" . e iam ruidosamente tomando lagar ao lado umas das outras. o )elporto. atravessou o p$tio..E doida mesmo1""" censurava *ugusta" ?eter-se na p>ndega sem dar conta da roupa que lhe entregaram""" *ssim h$ de ficar sem um fregu-s""" .defronte delas.o que queriaD .5la mudou-seD perguntou o pequeno" .#ara tudo h$ horas e h$ dias1""" . aparecendo pagode.5le disse ontem que eu agora fosse % tarde. separado pelos jiraus.ma a uma ocupavam-se todas as tinas" 5 de todos os casulos do corti&o saiam homens para as suas obriga&(es" #or uma porta que havia ao fundo da estalagem desapareciam os trabalhadores da pedreira. donde vinha agora o retinir dos alvi(es e das picaretas" : ?iranda. o *gostinho. + uma pouca-vergonha1 5st3ro dia. que fazes tu que não vais regar a horta do <omendadorD . que talvez te possa dizer alguma coisa" . com este mulato. entrou solene.*quele cabravasco que se metia %s vezes ai com ela" )iz que + torneiro" . entre uma agita&ão sem tr+guas.2ão. que levas1 ?as. que estivera de servi&o essa madrugada. saiu para a peregrina&ão de todos os dias.ma conversa cerrada travara-se no resto da fila de lavadeiras a respeito da Rita Baiana" .oc.2ão sei. em caminho para o armaz+m. que + fim do m-s" :lha1 . onde se não distinguia o que era galhofa e o que era briga" .irmo.irmoD interrogou *ugusta" .onde pisa este raio de crian&a1 5.*h1 5 amanhã. para dormir" .m grupo de mascates.5ntão agora. de cal&as de brim. o . o .0ai da'. recebe os dois mil-r+is. que nem sei o que parecia1 )eus te livre1 . mas a mulata tem coisas l$" . filho. se apro imava para tomar o lugar do outro que j$ se ia6 . tu tamb+m.* Rita BaianaD 0ei c$1 . carregadas de trou as.não viuD levaram ai numa bebedeira. chap+u alto e sobrecasaca preta.rancesco e o *ndr+a. que não guarda um vint+m pro dia de amanhã" #arece que o dinheiro lhe faz comichão no corpo1 . peste1 J$ principias na reina&ão de todos os diasD .5 que não ponha o refogado no fogo sem eu ter l$ ido1 . disse a ?achona.inha buscar uma roupa que est$ com ela" . onde a preta do tabuleiro est$ vendendo1 J diabo1 olha que pisas a boneca de anil1 J$ se viu que sorteD #arece que não v. que acudiam de fora. formava-se um novo renque de lavadeiras.

. sempre a esfregar.: patrão est$ agora muito ocupado" 5spere1 . )ona 5stela e Aulmira. ambas vestidas de claro e ambas a limarem as unhas. para falar com o vendeiro" 5ra um portugu-s de seus trinta e cinco a quarenta anos. a sua intermin$vel lista das comidas que havia" . havia j$ uma boa hora. conversavam em voz surda. e cada caneca de caf+. que e istia do lado de fora. a arrotar" 2um banco de pau tosco. em torno da sua tagarelice. depois daquela comezaina grossa. um homem.)ois vint+ns de fumo1 . agora o maior movimento era na venda % entrada da estalagem" )avam nove horas e os oper$rios das f$bricas chegavam-se para o almo&o" *o balcão o )omingos e o ?anuel não tinham mãos a medir com a criadagem da vizinhan&a. e primiam tranq=ila bondade" . ofuscando a vista" 5m uma das janelas da sala de jantar do ?iranda.m tostão de a&úcar1 . indiferentes % agita&ão que ia l$ embai o. chinelos de couro cru. os embrulhos de papel amarelo sucediam-se. fazendo pratos. em tom cantado e estridente. de lou&a espessa. o cacha&o grosso e negro.7uatro de sabão1 5 os gritos confundiam-se numa mistura de vozes de todos os tons" :uviam-se protestos entre os compradores6 .olte logo1 ..m cheiro forte de azeite frito predominava" : parati circulava por todas as mesas. reverberavam iluminadas. e a torcer camisas e ceroulas. muito esquecidas na sua tranq=ilidade de entes felizes" 5ntretanto. e o dinheiro pingava sem intermit-ncia dentro da gaveta" .J peste1 d$ c$ as batatas. espadaúdo..?as são quase dez horas e estou com um gole de caf+ no est9mago1 .?eio quilo de arroz1 . de cal&a e camisa de zuarte. caiadinhas de novo. na qual os olhos todavia. junto % parede e perto da venda. em que ningu+m se entendia1 <ruzavam-se conversas em todas as dire&(es. discutia-se a berros.. iam radiantes de contentamento. esperava. que eu tenho mais o que fazer1 . na casinha de pasto.5ntão ainda não se pode falar ao homemD perguntou ele. e o rapaz. humildes como os olhos de um boi de canga. a Bertoleza. não me demore essa manteiga1 *o lado. com a barriga bem cheia. seu )omingos1 5u dei ei a comida no fogo1 . a cada comensal que ia chegando. erguia um vulcão de fumo tresandando a milho queimado" . s! para o frege.?e avie. com valentes punhadas sobre as mesas" 5 sempre a sair. recitava. e os que saiam.#ois olhe que a Rita lhe tem enchido bem as mãos. reluzindo de suor. de saias arrepanhadas no quadril. esfogueadas j$ pelo e erc'cio" *o passo que. o corti&o se embandeirava todo de roupa molhada. quando ela tem dinheiro + porque o gasta mesmo1 5 as lavadeiras não se calavam. e a bater.0eu ?anuel. cabelos pretos e maltratados caindo-lhe sobre a testa.ma algazarra medonha. que João Romão levava de carreira aos trabalhadores assentados num compartimento junto" *dmitira-se um novo cai eiro.?oro na cidade nova" E um estirão daqui1 . alto. indo ao balcão entender-se com o )omingos" . barbas $speras. e sempre a entrar gente. de onde o sol tirava cintila&(es de prata" 5stavam em dezembro e o dia era ardente" * grama dos coradouros tinha refle os esmeraldinos.ma garrafa de vinagre1 . ia e vinha de uma panela % outra. por debai o de um chap+u de feltro ordin$rio6 pesco&o de touro e cara de 8+rcules. as paredes que davam frente ao 2ascente.)ois martelos de vinho1 .

7uanto lhe dão l$D .5le que espere um pouco. seu João. quando João Romão se viu menos ocupado. sem lhe estragar a pedra e sem fazer desastres1 .0im.5stava empregado em outra pedreiraD . entendo que vale a pena pagar mais um pouco a um trabalhador bom.: cai eiro gritou então para a cozinha.<$ por mim.?as setenta mil-r+is + imposs'vel" )es&a um pouco1 . nem se lhe trair a fisionomia o menor sintoma de cansa&o" .0etenta mil-r+is + muito dinheiro1""" .?as + que ainda não almocei e estou aqui a tinir1""" observou o 8+rcules com a sua voz grossa e sonora" .*h1 : ?achucas falou-lhe no desastreD . que j$ não vem sem tempo1 IV ?eia hora depois.#or menos não me serve""" 5 escusamos de gastar palavras1 .. sim senhor. mas sem se quei ar.5u. caindo de fadiga. diz que se vai embora1 . vindo logo o cai eiro cantar-lhe a lista dos pratos" .:h1 Bsso + um disparate1 .)uvido que prestem1 *posto a mão direita em como o senhor não encontra por cinq=enta mil-r+is quem dirija a broca.J filho.vem da parte do ?achucasD perguntou-lhe" 5le falou-me de um homem que sabe cal&ar pedra.#ois v$ l$1 resolveu o homenzarrão. lascar fogo e fazer lajedo" . mas setenta mil-r+is + um ordenado imposs'vel1 .@raga l$ o pescado com batatas e veja um martelo de vinho" .enha o verde. onde os que l$ se achavam o receberam com ar curioso.<inq=enta ganha um macaqueiro""" . saindo da venda para entrar na casa de pasto. o maior ordenado que fa&o + de cinq=enta" .. e o desastre não aconteceria se o homem soubesse fazer o servi&o1 .ica o dito por não dito1 .2esse caso vou como vim""" . que j$ lhe falo1 respondeu o vendeiro no meio de uma carreira" )iga-lhe que não v$1 .7uer verde ou virgemD . pese a p!lvora e lasque fogo.0etenta mil-r+is" .: homem que ai est$. mas anda com isso. sem interromper o que fazia6 .5stava e estou" 2a de 0ão )iogo. como faziam sempre com todos os que ai se apresentavam pela primeira vez" 5 assentou-se a uma das mesinhas.0ou eu" . do que estar a sofrer desastres.:ra1 tenho a' muitos trabalhadores de lajedo por esse pre&o1 .2ão trabalho por menos""" . foi ter com o sujeito que o procurava e assentou-se defronte dele.oc.<ontou-mo. filho. almoce ai mesmo1 *qui o que não falta + de comer" J$ podia estar aviado1 . mas desgostei-me dela e quero passar adiante" . como o que sofreu sua pedreira a semana passada1 2ão falando na vida do pobre de <risto que ficou debai o da pedra1 . medindo-o da cabe&a aos p+s.

.m calor de c$ustico mordia-lhes os touti&os em brasa e cintilantes de suor" . e disse depois com emp$fia6 . esfregando a sua roupa dentro da tina. e então um gemido suspirado subia-lhe aos l$bios" )a casinha número K vinha um falsete agudo. 2a passage do riacho ?aricas t$ marimbando"4 * . perfeitamente bem com o rigor do sol. ao passo que o *lbino. não sabia engomar sem cantar" 2o número L 2enen cantarolava em tom muito mais bai o. batia na t$bua um par de cal&as. vai-se comprar na venda. a Bru a monologava.:h1 fez o outro. que no momento apanhava roupa do chão. automaticamente.5u logo vi" Ceva implicando aqui com a gente e depois.: senhor tem aqui muita gente1""" observou-lhe este" .*nde a ver1 gritou-lhe da porta do frege. ao passar por detr$s de . mas quis me parecer que + boa" )e longe cheirou-me a granito" . se aparece uma rusga. heinD1""" gritou ela. aquela digestão feita ao sol fermentava-lhes o sangue" * ?achona altercava com uma preta que fora reclamar um par de meias e destrocar uma camisa. com o seu tipo de mulata velha. enterrou um chap+u na cabe&a e voltou a ter com o outro" . assoviava os chorados e lundus que se tocavam na estalagem.em pra c$. mas afinado" 5ra a das )ores que principiava o seu servi&o. a *ugusta. ?aricas t$ marimbando. alegre. ao lado da ?arciana que.2ão bula. dando com João Romão6 . parecia derreter-se como sebo. assanhadas pelo morma&o. e tudo acaba logo1 2unca nos entrou c$ a policia. cantava toadas mon!tonas do sertão6 /?aricas t$ marimbando. e ele.. ferrou-lhe uma palmada na parte do corpo então mais em evid-ncia" .oc.conhece a pedreiraD . saracoteando os seus quadris pobres de homem linf$tico.2unca a vi de perto. muito mole sobre a sua t$bua de lavar. nem nunca a dei aremos entrar1 5 olhe que se divertem bem com as suas violas1 @udo gente muita boa1 . que a pouco e pouco se esvaziara de todo" : cavouqueiro pagou doze vint+ns pelo seu almo&o e acompanhou-o em sil-ncio" *travessaram o corti&o" * labuta&ão continuava" *s lavadeiras tinham j$ ido almo&ar e tinham voltado de novo para o trabalho" *gora estavam todas de chap+u de palha.5spere um instante" João Romão deu um pulo % venda.8ouvesse mais cem quartos que estariam cheios1 ?as + tudo gente s+ria1 2ão h$ chinfrins nesta estalagem. sabeD : vendeiro soltou-lhe nova palmada com mais for&a e fugiu. e de um dos quartos do fundo da estalagem saia de espa&o a espa&o uma nota $spera de trombone" : vendeiro.m estado febril apoderava-se delas naquele rescaldo. suspendia o len&o do pesco&o para en ugar a fronte. porque ela se armara com um regador cheio de $gua" . r$pido. resmungando numa insist-ncia de idiota. como um condenado a trabalhar no pres'dio.lorinda.. se +s capaz1 )iabo da peste1 João Romão j$ se havia afastado com o cavouqueiro" . e junto dela. a melanc!lica senhora )ona Bsabel suspirava. um cachimbo ao canto da boca. de vez em quando. eu chego. no ritmo cadenciado e miúdo de um cozinheiro a bater bifes" : corpo tremia-lhe todo. o safado rouba no peso1 )iabo do galego 5u não te quero. dei ou algumas ordens. apesar das toldas que se armaram" . a Ceoc$dia largava de vez em quando a roupa e o sabão para co&ar as comich(es do quadril e das virilhas. a rebolar sem fadigas.lorinda. erguendo-se tesa" 5. sacudindo os ombros.

e a surda zoada ao longe. que ao longe produzia o efeito de um betume cinzento. ali. terminando pela parte de bai o no chão coberto de cascalho miúdo.J$ l$ fui ver.#ois veja l$ isso.amos por aqui mesmo que + mais perto. bem negras. que + melhor1 . tudo reverberava a luz irreconcili$vel de dezembro. irrequietas e gulosas" João Romão parou % entrada da oficina e gritou para um dos ferreiros6 . pareciam um punhado de dem9nios revoltados na sua impot-ncia contra o impass'vel gigante que os contemplava com desprezo. a espica&arem. de corpo nu. por cima de um vest'gio de rio. muitas t$buas empilhadas. pu adas a burro e cheias de calhaus partidos. num dia sem nuvens" * pedreira. servindo ao mesmo tempo de oficina de carpinteiro. iluminados a prumo pelo sol do meio-dia" #ara adiante. enquanto atr$s recome&ava o martelar sobre a bigorna" 5m seguida via-se uma miser$vel estrebaria. banhados de suor e alumiados de vermelho como dois diabos. arrogante. algumas em movimento. a quebrarem. tudo dava a id+ia de uma atividade feroz. na mesma dire&ão. est$ todo comido de ferragem1 . a forja escancarava uma goela infernal. ao barulho met$lico do picão que feria o granito" Cogo em seguida. que vinha do corti&o. tendo % porta troncos de arvore. por toda a parte. e o coro dos que l$ em cima brocavam a rocha para lan&ar-lhe fogo. imperturb$vel a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso.@inham chegado ao fim do p$tio do corti&o e. por aqui e por ali. e outras enfim com os bra&os para o ar. no vivo fartum e alado de l$. onde tr-s pequenos. e ali mesmo. mas. ai muitos portugueses trabalhavam de canteiro. cheia de capim seco e e cremento de bestas. que parecia ter sido bebido de um trago por aquele sol sedento. e pela parte de cima na espessura compacta do arvoredo. firmado sobre colunas de pedra tosca. sem fazer sombra. corria um vasto telheiro. aconselhou o vendeiro" 5 os dois. depois de transporem uma porta que se fechava com um peso amarrado a uma corda. alguns j$ serrados. atravessaram o capim quente e trescalante" ?eio-dia em ponto" : sol estava a pino. de uma luta de vingan&a e de !dio" *queles homens gotejantes de suor. com lugar para meia dúzia de animais" 5stava deserta. mediu-o de alto a bai o. outras j$ prontas para seguir. onde se não distinguiam outros tons mais do que n!doas negras. desvairados de insola&ão. sentia-se que fora habitada ainda aquela noite" 8avia depois um dep!sito de madeiras. encontravam-se trabalhadores. surgia uma oficina de ferreiro. o terreno ia-se tornando mais e mais cascalhudo. acharam-se no capinzal que havia antes da pedreira" . conversavam assentados. perto deles. de onde saiam pequenas l'nguas de fogo. outros debai o de pequenas barracas feitas de lona ou de folhas de palmeira" )e um lado cunhavam pedra cantando. que a lanterna est$ a cair1 5 o vendeiro seguiu adiante com o outro. em que ela batia de chapa em cima. em volta da bigorna dois homens. a torturarem a pedra.azse-lhe um novo. os sapatos enfarinhavam-se de uma poeira clara" ?ais adiante. velho e sujo. em vez de procurarem a estrada. como se acabassem de ser despejadas naquele instante" 8omens labutavam" G esquerda.. tinha-o cara a cara. restos de cavernas e mastros de navio" )a' % pedreira restavam apenas uns cinq=enta passos e o chão era j$ todo coberto por uma farinha de pedra mo'da que sujava como a cal" *qui. toda atravancada de destro&os e objetos quebrados. mais adiante faziam paralelep'pedos a escopro e macete" 5 todo aquele retintim de ferramentas. e o martelar da forja. de outro a quebravam a picareta. como de uma aldeia alarmada. % espera do animal. havia uma ponte de t$buas. num desafio surdo" . de outro afei&oavam lajedos a ponta de picão. havia muitas carro&as. uns ao sol. sobre o verde-escuro" G propor&ão que os dois se apro imavam da imponente pedreira. b-bados de calor. nada mais que uma grande mancha branca e luminosa.: Bruno1 2ão se esque&a do varal da lanterna do portão1 :s dois homens suspenderam por um instante o trabalho" . respondeu o Bruno" 2ão vale a pena consert$-lo. entre os quais avultavam rodas de carro. quase nus. dei ando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas de granito" : membrudo cavouqueiro havia chegado a fralda do orgulhoso monstro de pedra. cegava olhada de frente" 5ra preciso martirizar a vista para descobrir as nuan&as da pedra. martelavam cadenciosamente sobre um peda&o de ferro em brasa.

declarou João Romão. l$ no fim.?as l$ da sua banda hão de fazer o mesmo1 :lar$1 . como ainda sucede ao trabalhador o mesmo que sucedeu ao outro1 E preciso conhecer muito bem o trabalho para se poder tirar partido vantajoso desta pedreira1 Boa + ela. o pesco&o intumescido de cordoveias grossas como en $rcias de navio.*busam. que. tomando na sua mão. mas não nas mãos em que est$1 E muito perigosa nas e plos(es. nem s! não se abre o veio.* pedreira mostrava nesse ponto de vista o seu lado mais imponente" )escomposta.0empre o mesmo servi&o malfeito e mal dirigido1""" resmungou o cavouqueiro" 5ntretanto. aborrecido com a id+ia daquele preju'zo" . escaldante e cheia de cordas que mesquinhamente lhe escorriam pela cicl!pica nudez com um efeito de teias de aranha" 5m certos lugares. desfechando golpes de picareta contra o gigante" : cavouqueiro meneou a cabe&a com ar de l$stima" : seu gesto desaprovava todo aquele servi&o" . sobre quatro pedras.iam-se panelas ao fogo.@oda esta parte que se segue agora. comendo de c!coras defronte uns dos outros. porque tenho de olhar pelo neg!cio l$ fora""" . porque + preciso um empregado que saiba o que faz. a boca aberta. os macaqueiros trabalhavam % sombra delas. amparando. + a melhor1 #ois olhe s! o que eles t-m tirado de l$ . e rapazitos tratando do jantar dos pais" )e mulher nem sinal" )e vez em quando. ao lado de uma garrafa de $gua" . afrontando o c+u. lhe haviam espetado alfinetes de ferro. sobre um precip'cio.7ue digo euD1 <$ est$1 ?acacos de granito1 Bsto at+ + uma coisa que estes burros deviam esconder por vergonha1 *companhando a pedreira pelo lado direito e seguindo-a na volta que ela dava depois. com o escalavrado flanco e posto ao sol. dava-se com um grupo de homens.7ue mina de dinheiro1""" dizia o homenzarrão. se a p!lvora não for muito bem medida. + que se via quanto era grande" 0uava-se bem antes de chegar ao seu limite com a mata" . um paralelep'pedo que estava no chão6 . e se o sujeito não for fino leva-o o demo1 0ou eu quem o diz1 5 depois de uma pausa.. uma sardinha na mão esquerda. apontando para certo ponto da rocha" :lhe para aquilo1 0ua gente tem ido %s cegas no trabalho desta pedreira" )eviam atac$-la justamente por aquele outro lado.. pareciam palitos. vistas c$ de bai o.7ue rela amento1 resmungou de novo o cavouqueiro" @udo isto est$ a reclamar um homem teso que olhe a s+rio para o servi&o1 . acrescentou. creia1 ter pedra desta ordem para empreg$-la em macacos1 : vendeiro escutava-o em sil-ncio. na penumbra de um ensombro de lona. debai o dos bambus que marcavam o limite da pedreira. indiferentes %queles dois" . muito alto do chão. ainda não + minha" 5 continuaram a andar para diante" )este lado multiplicavam-se as barraquinhas. formando um >ngulo obtuso. muito 'ngreme. grossa como o pr!prio cascalho. num feliz e plet!rico resfolgar de besta cansada" . ao ar livre. mas em cima das quais uns atrevidos pigmeus de forma humana equilibravam-se. a mesma atividade parecia reinar por toda a parte" ?as. a barba espetando para o alto. parando entusiasmado defronte do novo pano de rocha viva que se desdobrava na presen&a dele" .umas lascas. a respira&ão forte e tranq=ila de animal sadio. de papo para o ar.ma porcaria de servi&o1 continuou o outro" *li onde est$ aquele homem + que deviam ter feito a broca. lisa. uns calhaus que não servem para nada1 E uma dor de cora&ão ver estragar assim uma pe&a tão boa1 *gora o que hão de fazer dessa cascalhada que ai est$ senão macacosD 5 brada aos c+us. miser$veis t$buas que. um pão na direita.5u nada tenho que ver com este lado1 observou Romão" . erguia-se altaneira e desassombrada. + muito em p+1 7uem lhe lascar fogo não pode fugir senão para cima pela corda. para não contrariar os veios da pedra" 5sta parte aqui + toda granito.eja l$1 disse ele. porque a e plosão punha abai o toda esta aba que + separada por um veio" ?as quem tem ai o senhor capaz de fazer issoD 2ingu+m. alguns trabalhadores dormiam % sombra. apertando os bei&os.

""" melhor seria tomar dois bons trabalhadores de cinq=enta. por e emploD *quilo + servi&o para descanso. forne&o-a euD""" . uma baforada quente. ter para a sua comida % farta. disse depois o vendeiro.#osso amanhã fazer a mudan&aD . quando o corti&o fervia j$ na costumada labuta&ão.0ervir a )eus" 0ua mulher lavaD . tenho um c9modo que lhe h$ de calhar" E o número MN" . sim senhor" . boa estatura.ieram ambos % boleia da andorinha que lhes carregou os trens" 5la trazia uma saia de sarja ro a.5stamos entendidos1 . para o servir" .2aturalmente1 não hei de ficar l$ na cidade nova. + j$ a terceira vez que aquele que ali est$ dei a cair o escopro1 <om efeito1 João Romão ficou calado. cara cheia.#ois est$ fechado o neg!cio1 deliberou João Romão. fisionomia aberta. penetraram na estrada do capinzal com dire&ão ao fundo do corti&o" . o seu gole de vinho.*h1 + verdade1 como voc. pagas talvez a trinta mil-r+is""" .inham ambos pensativos" . cabelos fortes de um castanho fulvo. o marido a mesma roupa do dia anterior" .5ntão estamos entendidosD""" . dispensar um homem daqueles" 5 pensou l$ de si para si6 /:s meus setenta mil-r+is voltar-me-ão % gaveta" @udo me fica em casa14 . como de uma panela fervendo que se destapa. mas s!lidos e perfeitos.*h1 nem menos um real1""" ?as comigo aqui h$ de ver o que lhe fa&o entrar para algibeira1 @emos c$ muita gente que não precisa estar" #ara que tanto macaqueiro. Jer9nimo apresentou-se junto com a mulher. um todo de bonomia toleirona.5 voc-. precisamos ver-lhe uma tina" 5 o vendeiro empurrou a porta do fundo da estalagem. rua1 Rua. muda-se c$ para a estalagemD""" ..E justamente quanto lhes dou" . por economia. com efeito. então.Bsso + que a mulher + quem a faz. a cismar. mas que deve fazer servi&o que se veja.Bem. + servi&o de crian&a1 5m vez de todas aquelas lesmas. tendo o servi&o aqui1""" . teria trinta anos. se eu o tomar.Jer9nimo. que não falta por ai quem queira ganhar dinheiro1 *utorize-me a olhar por eles e ver$1 . se quiser.quer setenta mil-r+is""" suspirou João Romão" .5 a comida. dentes pouco alvos. vozeria tresandante % fermenta&ão de suores e roupa ensaboada secando ao sol" V 2o dia seguinte. enquanto voltavam" . para tomarem conta da casinha alugada na v+spera" * mulher chamava-se #iedade de Jesus. convencido de que não podia.<omigo aqui + que eles não fariam cera" isso juro eu1 5ntendo que o empregado deve ser bem pago.: diabo + que voc. carne ampla e rija. ou.se chamaD . desabotoando-lhe pelos olhos e pela boca numa simp$tica e pressão de honestidade simples e natural" . cabe&ão branco de paninho de algodão e na cabe&a um len&o vermelho de alcoba&a.ou mostrar-lho" 5 aligeirando o passo. de onde escapou.8oje mesmo. mas as compras saem-lhe da venda""" . ali pelas sete da manhã.E lavadeira. que fazem o dobro do que fazem aqueles monos e que podem servir para outras coisas1 #arece que nunca trabalharam1 :lhe.

se o pobre homem não levou a breca.5stava. confirmou a mulher do ferreiro. meteu-se a quebrar pedra em uma pedreira. que nunca viam sem uma pontinha de desconfian&a os inquilinos novos que surgiam" . diziam-lhe patr'cios.. nem futuro. devendo não sei quanto. com efeito. gritando para ser ouvida.5les o que t-m + muito bons trastes de seu1 interveio a Ceoc$dia" .cora&(es""" sentenciou o triste *lbino.* modos. o Romão andava a' %s voltas com os cacarecos do charuteiro" 7uem sabe.ma cama que deve ser um regalo e um toucador com um espelho maior do que aquela peneira1 . em cuja fazenda mourejou durante dois anos. a Ceoc$dia. trabalhando eternamente para outro" 2ão quis" Resolveu abandonar de vez semelhante estupor de vida e atirar-se para a <orte. para poder come&ar a trabalhar logo no dia seguinte" 5ra tão met!dico e tão bom como trabalhador quanto o era como homem" Jer9nimo viera da terra. pelo cair das duas da tarde. dessas em que se podia % vontade enfiar uma perna. a mulher j$ então lavava e engomava.5 a c9moda. onde. mediante um miser$vel sal$rio" * sua e ist-ncia continuava dura e prec$ria. Jer9nimo abra&ado a duas formid$veis mangas de vidro. tentar a vida no Brasil. devorado de necessidades e priva&(es. das primitivas. a *ugusta <arne?ole" . mal chegou.E1 acudiu a ?achona. e o João Romão então esvaziou-lhe ontem a casa e tomou conta do que era dele" . todo o homem bem disposto encontrava furo" 5. que vem para trabalhar na pedreira" 5le ontem andou por l$ um ror de tempo com o João Romão" .i tamb+m" E obra de capricho" 2ão1 eles sejam l$ quem for. suspirando" . respondeu esta.5la me parece gente das ilhas" .i. são gente arranjada""" Bsso não se lhes pode negar1 . que a mulher preparara o melhor e o mais depressa que p9de" 5le contava aviar at+ a noite uma infinidade de coisas.. e a #iedade atracada com um velho rel!gio de parede e com uma grande trou a de santos e palmas bentas" 5 assim atravessaram o p$tio da estalagem.*quela mulher que entrou junto ser$ casada com eleD .2ão1 5ste creio que est$ vivo""" . e de onde afinal se retirou de mãos vazias e uma grande birra pela lavoura brasileira" #ara continuar a servir na ro&a tinha que sujeitar-se a emparelhar com os negros escravos e viver com eles no mesmo meio degradante. encurralado como uma besta. como sucedeu %quele outro que trabalhava de ourivesD .lorinda.cara não v. Jer9nimo e #iedade achavam-se instalados e dispunham-se a comer o almo&o.5 os dois apearam-se muito atrapalhados com os objetos que não confiaram dos homens da carro&a. 2h$ Ceoc$diaD perguntou .oi l$ que morreu a ?aricas do .: que ser$ este peda&o de homemD indagou a ?achona da sua vizinha de tina. por+m creio que arribou. entre os coment$rios e os olhares curiosos dos antigos moradores. ontem.arjão1 @r-s horas depois.viu.7uem v.: que lhe digo + que aquele número MN tem mau agouro1 5u c$ por mim não o queria nem de gra&a1 .?as o número MN não estava ocupado por aquele homem muito amarelo que fazia charutosD""" inquiriu *ugusta" . mas com pequena .5 o orat!rio.E de crer" . entãoD ?uito bonito1""" . sem nunca levantar a cabe&a. Rico traste1 . porque entre ela e a outra estavam a Bru a e a velha ?arciana" .0e são bons ou maus s! com o tempo se saber$1""" arriscou )ona Bsabel" . na qualidade de colono de um fazendeiro. com a mulher e uma filhinha ainda pequena. sem aspira&(es. voc.

duas outras coisas contribu'ram muito para isso6 a for&a de touro que o tornava respeitado e temido por todo o pessoal dos trabalhadores. a grande seriedade do seu car$ter e a pureza austera dos seus costumes" 5ra homem de uma honestidade a toda prova e de uma primitiva simplicidade no seu modo de viver" 0ala de casa para o servi&o e do servi&o para casa. depois do desastre do seu melhor empregado. a sua casinha era a mais decente. diziam" E um homem s+rio e destemido1 <om aquele ningu+m brinca14 5. quando qualquer questão dif'cil os preocupava" )escobriam-se defronte dele. /que a queria com outro saber que não ele. traziam a filhinha sempre limpa e bem alimentada.oi então que lhe indicaram a do João Romão. e. % for&a de dedica&ão pelo servi&o. e depois foise ajeitando com o prumo e com a esquadria e meteu-se a fazer lajedos. o colono desgostou-se dela e resolveu passar para outra" . cal&ava sapatos e enfiava um palet!. tornou-se tão bom como os melhores trabalhadores de pedreira e a ter sal$rio igual ao deles" )entro de dois anos. com a morte do seu patrão e com uma reforma estúpida que os sucessores dele realizaram em todo o servi&o da pedreira. tanto um como o outro. que nunca tinham ido ao monte de socorro. de quebrador de pedra. eram sempre os primeiros % hora do trabalho" *os domingos iam %s vezes % missa ou. porque dia a dia a sua influ-ncia se foi sentindo no progresso do trabalho" <om o seu e emplo os companheiros tornavam-se igualmente s+rios e zelosos" 5le não admitia rela amentos. que o patrão o converteu numa esp+cie de contramestre e elevou-lhe o ordenado a setenta mil-r+is" ?as não foram s! o seu zelo e a sua habilidade o que o p9s assim para a frente. at+ o pr!prio *le andre abria uma e ce&ão nos seus h$bitos e fazia-lhe uma ligeira contin-ncia com a mão no bon+.alia a pena1 *quele homem era um achado precioso1 *ben&oado fosse o ?achucas que lho enviara14 5 come&ou a distingui-lo e respeit$-lo como não fazia a ningu+m" : prestigio e a considera&ão de que Jer9nimo gozava entre os moradores da outra estalagem donde vinha. foi a pouco e pouco se reproduzindo entre os seus novos companheiros de corti&o" *o cabo de algum tempo era consultado e ouvido. ele punha uma camisa engomada. a fazenda que lhe davam era bem escolhida. nessas ocasi(es. distinguia-se tanto entre os companheiros. e. muito diligente. ela o seu vestido de ver a )eus. os grossos p+s sem meias metidos em um formid$vel par de chinelos de couro cru. a cabe&a ao vento. trabalhando de sol a sol e dando sempre tão boas contas da obriga&ão. que. quanto lucrara com a aquisi&ão de Jer9nimo. apesar daquela mudan&a para Botafogo. tinham entusiasmo por ele" /*quele + que devia ser o patrão. não a dei aram quase todos" Jer9nimo. admitiu novos. forte. a quem os pais não mandaram ensinar nada4" #or último.freguesia e mal paga" : que os dois faziam chegava-lhes apenas para não morrer de fome e pagar o quarto da estalagem" Jer9nimo. acompanhada de um pão de quatro. talvez. andava justamente % procura de um homem nas condi&(es de Jer9nimo" @omou conta da dire&ão de todo o servi&o. por+m. e em boa hora o fez. por+m. onde nunca ningu+m o vira com a mulher senão em boa paz. ainda na cidade nova. que os seus fregueses de roupa. os seus ouros trazidos da terra. passou logo a fazer paralelep'pedos. tanto assim que estava disposto a aumentar-lhe o ordenado para conserv$-lo em sua companhia" /. sadia. todo fardado. em mangas de camisa de riscado. a mais respeitada e a mais confort$vel. como ainda. no corti&o em que então moravam. observador e dotado de certa habilidade" 5m poucos meses se apoderava do seu novo of'cio e. ao atravessar o p$tio. malgrado as dificuldades com que os dois lutaram a principio no Brasil" #iedade merecia bem o seu homem. mas #iedade era de natural tão bom e benfazejo que não deva por isso e a maledic-ncia murchava antes de amadurecer" Jer9nimo acordava todos os dias %s quatro horas da manhã. por ocasião de vir ou ir para o servi&o" :s dois cai eiros da venda. estabelecendo-lhes novas obriga&(es e reformando tudo para melhor" 2o fim de dois meses j$ o vendeiro esfregava as mãos de contente e via. % tarde. sempre que a #iedade de Jesus ia l$ % taverna fazer as suas compras. ao #asseio #úblico. despediu alguns trabalhadores. logo que principiara a ganhar melhor. era perseverante. bem acomodada com tudo e com todos. honesta. como defronte de um superior. bem medida ou bem pesada" ?uitas lavadeiras tomavam inveja dela. o )omingos e o ?anuel. radiante. socava-se depois com uma boa palangana de caldo de unto. nem podia consentir que um pregui&oso se demorasse ali tomando o lagar de quem precisava ganhar o pão" 5 alterou o pessoal da pedreira. aumentou o ordenado dos que ficaram. e. fizera-se irmão de uma ordem terceira e tratara de ir pondo alguma coisinha de parte" ?eteu a filha em um col+gio. fazia antes dos outros a sua lavagem % bica do p$tio. principalmente. e finalmente. seguia para a pedreira" * sua picareta era para os companheiros o toque de reunir" *quela ferramenta movida por um pulso de 8+rcules valia bem os clarins de um regimento tocando alvorada" *o seu retinir vibrante surgiam do .

trabalhadores descansavam. os casaquinhos brancos avultavam por cima das saias de chita de cor" )esprezavam-se os grandes chap+us de palha e os aventais de aniagem. at+ %s horas de dormir.caos opalino das neblinas vultos cor de cinza. a velha gritava. que comprara ali mesmo ao tabuleiro de um baleiro fregu-s do corti&o" )entro da taverna. aquelas trancavam no ombro ales de lã vermelha. junto com a mulher. morto de fome e de fadiga" * mulher preparava-lhe sempre para o jantar alguma das comidas da terra deles" 5 ali. saltando de um lado para outro. ele tomava a sua guitarra e ia para defronte da porta. porque a fam'lia ia sair a passeio. gritava 2enen. a paz feliz dos simples. a filhinha que estava no col+gio e que s! os visitava aos domingos e dias santos" )epois. jogando a placa. a fugir dos punhos calosos dos cavouqueiros que. de olhos fechados. que o punha rouco" @ransparecia neles o prazer da roupa mudada depois de uma semana no corpo" *s casinhas fumegavam um cheiro bom de refogados de carne fresca fervendo ao fogo" )o sobrado do ?iranda s! as duas últimas janelas j$ estavam abertas e. a praguejar. entretinha-se a chupar balas de a&úcar. conversava ruidosamente. que fora num pulo tomar o seu primeiro capil+. com grande algazarra" . os martelos de vinho branco.iam-se homens de corpo nu. com uma agilidade de mono. ouviam-se harm9nicas e ouviam-se guitarras. j$ encontrava de p+. um declamava em voz alta versos de /:s Cus'adas6. mais tristes do que uma ora&ão em alto-mar. quando a tempestade agita as negras asas homicidas. tentavam agarr$-la. gozavam os dois. com aquelas cantigas melanc!licas em que a sua alma de desterrado voava das zonas abrasadas da *m+rica para as aldeias tristes da sua inf>ncia" 5 o canto daquela guitarra estrangeira era um lamento choroso e dolorido. vestido de branco. o movimento era agora e traordin$rio % frente da estalagem e % entrada da venda" ?uitas lavadeiras tinham ido para o portão. entre risadas. que l$ iam. com que todos estavam habituados" #ara al+m do solit$rio capinzal do fundo a pedreira parecia dormir em paz o seu sono de pedra. que os recebiam com estrondosas e clama&(es de p>ndega" * Bsaura. pela escada que descia para o quintal. um bom dia de abril" ?uita luz e pouco calor" *s tinas estavam abandonadas. e as crian&as berravam. muito zangadas. assentados em cadeira. e insistia na . assentado debai o de uma $rvore. olhar quem passava. os coradouros despidos" @abuleiros e tabuleiros de roupa engomada saiam das casinhas. eram vozes magoadas. a darem-lhes murros. o voluptuoso prazer do descanso ap!s um dia inteiro de canseiras ao sol" 5. conversavam sobre a sua vida e sobre a sua ?arianita. com um empenho feroz. defronte do candeeiro de querosene. naquela estreita salinha. quando o sol desfechava sobre o p'ncaro da rocha os seus primeiros raios. com o seu len&o engomado ao pesco&o.m grupo de italianos. cuja discreta melodia era de vez em quando interrompida por um ronco forte de trombone" :s papagaios pareciam tamb+m mais alegres com o domingo e lan&avam das gaiolas frases inteiras. galgando a montanha. os copos de cerveja nacional e os dois vint+ns de parati ou laranjinha sucediam-se por cima do balcão. para cavar na pedra o pão nosso de cada dia" 5. sossegada e humilde. em compensa&ão. esperneando" * casa da ?achona estava num rebuli&o. lendo e soletrando jornais ou livros. de um amarelo desbotado" . gritava o *gostinho" )e muitas outras saiam cantos ou sons de instrumentos. carregados na maior parte pelos filhos das pr!prias lavadeiras que se mostravam agora quase todas de fato limpo. ao lado delas o *lbino. e as gaivotas doidejam assanhadas. tontas como se estivessem fechadas dentro de uma ab!bada de chumbo" VI *manhecera um domingo alegre no corti&o. ao lado um do outro. via-se tonta com os apalp(es que lhe davam" Ceonor não tinha um instante de sossego. de cal&a limpa e camisa de meia lavada. cortando a treva com os seus gemidos pressagos. dedilhar os fados da sua terra" 5ra nesses momentos que dava plena e pansão %s saudades da p$tria. aquele m'sero grupo de obscuros batalhadores" Jer9nimo s! voltava a casa ao descair da tarde. a bater-se contra o gigante de granito. passando das mãos do )omingos e do ?anuel para as mãos $vidas dos oper$rios e dos trabalhadores. e estas de croch-. fumando cachimbo" ?ulheres ensaboavam os filhos pequenos debai o da bica. agora as portuguesas tinham na cabe&a um len&o novo de ramagens vistosas e as brasileiras haviam penteado o cabelo e pregado nos cachos negros um ramalhete de dois vint+ns. mas. como sombras. que nunca passavam das nove. passava uma criada carregando baldes de $guas servidas" 0entia-se naquela quieta&ão de dia inútil a falta do resfolegar aflito das m$quinas da vizinhan&a. entre gargalhadas e assobios" G porta de diversos c9modos.

todos queriam novas dela" 2ão vinha em traje de domingo. sem se fartar de v--la. que era perdida pela mulata. que trazia na cabe&a um enorme sambur$ carregado de compras feitas no mercado. servindo os comensais.#odes ir embora. coisa-ruim1 por onde andaste atirando esses quartosD .)esta vez a coisa foi de esticar. heinD1 Rita havia parado em meio do p$tio" <ercavam-na homens. pequeno1 gritou ela ao moleque. me endo as panelas e enchendo os pratos" . indicando-lhe a sua casa. saracoteando o atrevido e rijo quadril baiano. saltara-lhe ao pesco&o ao primeiro encontro. fazialhe perguntas sobre perguntas6 .2ão1 isso + que não1 7uando estou com um homem não olho pra outro1 Ceoc$dia.?as onde estiveste tu enterrada tanto tempo. pu ado sobre a nuca.<ala a boca1 * coisa agora + s+ria1 .:ra. um grande pei e espiava por entre folhas de alface com o seu olhar embaciado e triste.:l+1 Bravo1 E a Rita Baiana1 . carapeta1 )esde que do portão a bisparam na rua.:h1 *inda dura issoD . trazia casaquinho branco. por+m.#(e isso tudo ai nessa porta" *i no número O. e agora. sempre suja e tisnada.5 não + que o demo da mulata est$ cada vez mais sacudidaD""" .<om o . uma saia que lhe dei ava ver o p+ sem meia num chinelo de polimento com enfeites de marroquim de diversas cores" 2o seu farto cabelo. mas sempre em mangas de camisa. durante a qual s! dera noticias suas nas ocasi(es de pagar o aluguei do c9modo" . pondo % mostra um fio de dentes claros e brilhantes que enriqueciam a sua fisionomia com um realce fascinador" *cudiu quase todo o corti&o para receb--la" <hoveram abra&os e as chufas do bom acolhimento" #or onde andara aquele diabo. de roupa mudada como os outros. defronte dela.irmo""" . com as mãos nas cadeiras. havia um molho de manjericão e um peda&o de baunilha espetado por um gancho" 5 toda ela respirava o asseio das brasileiras e um odor sensual de trevos e plantas arom$ticas" Brrequieta. veio revolucionar alegremente toda aquela confedera&ão da estalagem" .oi a chegada da Rita Baiana.5m Jacarepagu$" . os olhos úmidos de como&ão. mulheres e crian&as.5ntão.#ai (es da Rita1 e clamou o Bruno com uma risada" . mas não se ia embora. criaturaD . que voltava depois de uma aus-ncia de meses. cora&ão1 0abeD pagode de roga1 7ue hei de fazerD + a minha cacha&a velha1""" . nem me fales.inha acompanhada por um moleque.m acontecimento. contrastando com as risonhas cores dos rabanetes. e a Bertoleza. levantou-se logo um coro de sauda&(es" .J$ te faz'amos morta e enterrada1 . das cenouras e das talhadas de ab!bora vermelha" . porque defronte da venda viera estacionar um homem que tocava cinco instrumentos ao mesmo tempo. com um acompanhamento desafinado de bombo.sua amea&a do costume6 /que se quei ava ao juiz de orfe4. pratos e guizos" 5ram apenas oito horas e j$ muita gente comia e palavreava na casa de pasto ao lado da venda" João Romão. sempre sem domingo nem dia santo.7ual1 7uem mesmoD @uD #assa fora1 . crespo e reluzente.:lha1 quem ai vem1 . l$ estava ao fogão. respondia para a direita e para a esquerda. aparecia de espa&o em espa&o. rindo. e depois pagou-lhe o carreto" .<om quemD .ma por ano1 2ão contando as miúdas1 . que não aparecia para mais de tr-s mesesD .

5 depois. que parecia mumificado pela idade.<asarD protestou a Rita" 2essa não cai a filha de meu pai1 <asarD Civra1 #ara qu-D para arranjar cativeiroD .me d. apareceu % janela.lorinda ajudava a mãe a preparar o almo&o. de seu natural sempre triste e metida consigo. que não t-m segredos de amor uma para a outra" * Bru a veio em sil-ncio apertar a mão de Rita e retirou-se logo" . sem querer declinar da sua gravidade. pois que estava fardado e pronto para sair. pensa logo que a gente + escrava1 2ada1 qual1 )eus te livre1 2ão h$ como viver cada um senhor e dono do que + seu1 5 sacudiu todo o corpo num movimento de desd+m que lhe era peculiar" . que apareceu toda cerimoniosa na sua saia da missa e com o seu velho ale de ?acau.:lha o velho Cib!rio1 <omo est$ cada vez mais duro1""" 2ão se entrega por nada o dem9nio do judeu1 5 correu para o lugar. #ombinha acabava justamente de sair de casa. muito mole.e logo que #ombinha se p9s ao seu alcance. voltando-se para o outro lado. abandonou a limpeza que fazia em casa e veio ter com a Rita. ambas a ca'rem de riso. a fumar num resto de cachimbo. batendo no ombro da idiota" 7ue diabo voc.h$ de dei ar-me primeiro abrir o bauzinho de folha1""" Cib!rio riu-se com as gengivas. o cabelo ainda por pentear. que a senhora recusou. quando a mulata se apro imou" .?as por que não te metes tu logo por uma vez com o . ao qual retrucou esta com uma contin-ncia militar e uma gargalhada que o desconcertaram" Bam fazer coment$rios sobre o caso. aquecendo-se ao belo sol de abril. abra&aram-se em intimidade de amigas.*h1 <omo est$ chique1 e clamou a Rita. afetando lu úria" . mulata assanhadaD""" 5.0ai da' diabo1 . um octogen$rio. mas a Rita..um feiti&o para prender meu homem1 5 tinha uma frase para cada um que se apro imasse" *o ver )ona Bsabel. resmungando6 . cair-lhe nos bra&os" * pr!pria ?arciana.irmoD por que não te casas com eleD . mas entrou ado no alto da cabe&a.)esta vez tomaste um fartão. seco.J$ veioD""" ao que a velha respondeu negativamente com um desconsolado e mudo abanar de orelhas" : circunspecto *le andre.: João <osta se não te fizer feliz como os anjos sou capaz de abrir-lhe o casco com o salto do chinelo1 Juro pelos cabelos do meu homem1 . contentou-se em fazer com a mão um cumprimento % mulata. na sua honestidade pregui&osa" 5sta tamb+m achava infinita gra&a na Rita Baiana e seria capaz de levar um dia inteiro a v--la dan&ar o chorado" . para saud$-la" * das )ores. tia #aulaD 5u quero que voc. tornando-se s+ria. a rir-se desde longe. tentando apalpar as co as da Baiana. muito bonita e asseada com um vestido novo de cetineta" *s mãos ocupadas com o livro de rezas. abra&ou-a e pediu-lhe uma pitada.m marido + pior que o diabo. rindo. o len&o e a sombrinha" .#ombinhaD perguntou a mulata" ?as. gritou6 . cujo pipo desaparecia na sua boca j$ sem l$bios" .:lha s! que peste1 considerou *ugusta.<ad. para dar-lhe uma palmada e gritar-lhe no nariz6 . quando lhe cheirou que chegara a mulata. e veio logo correndo.5ntãoD perguntou Rita.tanto reza.:lha a feiticeira1 bradou esta última. abra&ou-lhe a cintura e deu-lhe um beijo" . onde estava. hein. por ca&oada. com as saias arrepanhadas no quadril e uma toalha por cima amarrada pela parte de tr$s e servindo de avental. nessa ocasião. abai ando-se para tocar-lhe no ombro" 7uando + o nosso neg!cioD""" ?as voc.Ph1 -h1 fez ele. perguntou muito em voz bai a a )ona Bsabel6 . meneando a cabe&a" E mesmo uma flor1 .

deu uma volta entufando as saias e sacudiu-as depois sobre a cabe&a dele.irgem1 7ue ela não tem de que se arreliar por mor do dinheiro não ir desta. no modo de e primir a id+ia" #ronta uma carta. e então. + o Jeromo e mais a #iedade. que isto de vir sem inda ter p3ronde. mas que lho prometo pro m-s" 5la que se v$ arranjando por l$. e que tenciono mandar busc$-la. chegando-se todos s! com o ru'do da afia&ão do ferro" *o lado direito da casinha da mulata. sobrescritava-a. logo que )eus me ajude. aviando a correspond-ncia dos trabalhadores e das lavadeiras6 servi&o este que ela dei ava para os domingos" 2uma pequena mesa. para melhor. que se esque&a dela por vez e perca o amor %s duas coroas que lhe emprestou1 . de casa para a bica e da bica outra vez para casa. viam-na passar de carreira. sem saber a gente como foi que a noite se passou tão depressa" *l+m de que /era aquela franqueza1 enquanto houvesse dinheiro ou cr+dito.5screva l$. no número K. enquanto o dono ou dona da carta ditava em voz alta o que queria mandar dizer % fam'lia" ou a algum mau devedor de roupa lavada" 5 ia lan&ando tudo no papel. coberta por um peda&o de chita. carregando pesados baldes cheios de $gua" 5 da' a pouco apareciam ajudantes gratuitos para os arranjos do jantar. uma toalha na cabe&a. a Rita deu conta de que pintara na sua aus-ncia. que eu c$ sabe )eus como me co&o. e que. os bra&os arrega&ados. a fungar e ageradamente" 5 entre a alegria levantada pela sua reapari&ão no corti&o. nos tetos. se o Cu's. resolver de vir. o dem9nio que a desencabe&ara para aquela maluqueira. e veio a Ceoc$dia. mas tamb+m sou o mesmo e não me meto em porcarias e rela amento. de Jacarepagu$. o mulato com quem ela agora vivia metida. abriu logo a janela e p9s-se a cantar" 0ua presen&a enchia de alegria a estalagem toda" : . o irmão. a das )ores preparava-se tamb+m para receber nesse dia o seu amigo e dispunha-se a fazer uma limpeza geral nas paredes. ficando a s!s com um de cada vez. enquanto os gatos. como l$ diz o outro6 quando não h$ el-rei o perde1 *h1 Qia esquecendo1R quanto % Cib>nia.7ue eu tenho sentido muito a sua falta dela. com o tinteiro ao lado da cai inha de papel. impacientes todas elas pelo pagode que havia de sair % noite. ia l$ jantar esse dia com um amigo" Rita declarava isto %s companheiras. amolando uma faquinha no tijolo da sua porta.irmo. ! Ceocadinha1 quem são aqueles jururus que estão agora no MND indagou ela. antes de meter-se na cozinha" )escal&a. vinham.*h1 e plicou a interrogada. co&ando a cabe&a. como do lado da Rita Baiana" : *lbino encarregou-se de varrer e arrumar a casa desta. afinal abai ando a voz. apenas com algumas ligeiras modifica&(es. %s vezes mais f+tidos do que a evapora&ão de um lameiro em dias de grande calor" . + tirar da' o ju'zo1 que a Cib>nia se atirou aos cães e faz hoje m$ vida na Rua de 0ão Jorge.lorinda. porque estava muito ocupada. e a . entregava-a ao dono e chamava por outro. pois que nenhum deles queria dar o seu recado em presen&a de mais ningu+m senão de #ombinha" )e sorte que a pobre rapariga ia acumulando no seu cora&ão de donzela toda a súmula daquelas pai (es e daqueles ressentimentos. que mo mande dizer com tempo. a mulata. + fraco neg!cio. para ver se se lhe d$ furo % vida por aqui. para completar a brincadeira. 2hã #ombinha1 disse junto dela um cavouqueiro. com a saia levantada at+ ao joelho. vendo o Jer9nimo % porta da casa com a mulher" . que + pra mulher entender1 )iga-lhe que não mando desta feita o dinheiro que me pediu. que se fingiu indignado. aqueles mesmos que perseguiam o sardinheiro.@odos acharam gra&a nesta pantomimice do velhinho. segredou %s companheiras que % noite teriam um pagodinho de violão" #odiam contar como certo1 5sta última noticia causou verdadeiro júbilo no audit!rio" *s patuscadas da Rita Baiana eram sempre as melhores da estalagem" 2ingu+m como o diabo da mulata para armar uma fun&ão que ia pelas tantas da madrugada. um casal que inda não conheces" 5ntrou ao depois que arribaste" Boa gente. entretanto que a mulata ia para o fogão preparar os seus quitutes do 2orte" 5 veio a . coitados1 Rita carregou para dentro do seu c9modo as provis(es que trou era. para escamar o pei e. mas fa&a letra grande. e veio a *ugusta. que. porque agora não o tenho e estou muito acossado de apertos. a menina escrevia. ningu+m morria com a tripa marcha ou com a goela seca14 . um a um. no chão e nos m!veis. disse o muito que festou em Jacarepagu$.)iz-me c$. o entrudo que fizera pelo carnaval" @r-s meses de folia1 5. tanto do lado da das )ores. acrescentou6 . depois do jantar" #ombinha não apareceu durante o dia. porque as coisas por c$ não correm l$ para que digamos1 5 depois que a #ombinha escreveu.

delgado de corpo e $gil como um cabrito. j$ de volta do seu passeio % cidade. por+m forte. com a das )ores. onde reluzia cheirosa a brilhantina do barbeiro. tantas voltas lhe dava ele a um tempo por entre os dedos magros e nervosos" 5ra oficial de torneiro. por+m. o cavouqueiro. o Bruno. cada vez mais ardentes. o atual amante de Rita Baiana. derreado sobre a orelha esquerda" . militara dos doze aos vinte anos em diversas maltas de capoeiras. mas. apenas interrompendo o seu trabalho para fitar. oficial perito e vadio. mas não parecia ter mais de vinte e poucos" #ernas e bra&os finos. e todo ele se quebrando nos seus movimentos de capoeira" @eria seus trinta e tantos anos. era um mulato pachola. e no número K. como de costume. s! de ma&adas. de cambraia. nem colete. capad!cio de marca. não tinha músculos. e o . dava por paus e por pedras. horas em que chegou mestre . um len&o alvo e perfumado. fazia questão da sua bengalinha com cabe&a de prata e da sua piteira de >mbar e espuma. como na outra. pern!stico. tinha nervos" * respeito de barba. % espera de nova frase" VII 5 assim ia correndo o domingo no corti&o at+ %s tr-s da tarde. pois não conseguira nunca o lugar de continuo numa reparti&ão pública . com um companheiro do com+rcio. afinal. apesar de volúvel como toda a mesti&a.irmo.5 a menina escrevia tudo. que ele punha de banda. encanudado a ferro" Ceoc$dia. l$ estavam ajudando" . o #orfiro. mas tão largas na bainha que lhe engoliam os pezinhos secos e ligeiros" 2ão trazia gravata. sim uma camisa de chita nova e ao pesco&o. de dia de festa. pesco&o estreito. que nunca sossegava. em companhia da mãe. /a abrideira para muqueca baiana4" 5 não tardou que se ouvissem gemer o cavaquinho e o violão" *o lado chegava tamb+m o homem da das )ores. ou ela a ele. escondendo parte da testa e estufando em grande gaforina por debai o da aba do chap+u de palha. um palet! de lustrina preta j$ bastante usado. ia-se formando naquele ponto da estalagem" @anto numa casa. não podia esquec--lo por uma vez. e ferravam-se de novo. *ugusta. era mais velho do que ele e mais escuro" @inha o cabelo encarapinhado" @ip!grafo" *finavam-se muito os dois tipos com as suas cal&as de boca larga e com os seus chap+us ao lado. e que de novo brigassem e de novo se procurassem" 5le tinha /pai a4 pela Rita. o *le andre e o *lbino jantariam com ela no número O. % boca um enorme charuto de dois vint+ns e na mão um grosso porrete de Petrópolis. o jantar seria %s cinco horas" Rita /botou4 vestido branco. em que ele equilibrava um cigarro de palha" )esde a entrada dos dois. vinha do tempo em que ela ainda estava chegadinha de fresco da Bahia. negra. %s vezes. capaz de arrancar as tripas ao ?anduca da #raia" * cafuza morreu e o . uma cafuza dura. vinham vestidos de fraque e chap+u alto" * ?achona. e ela. o que ali$s não impediu que se tornassem a unir mais tarde. com a mão no quei o.estia. ficariam. e bem negra. e então ele fazia como naqueles últimos tr-s meses6 afogava-se numa boa p>ndega com a Rita Baiana" * Rita ou outra" /: que não faltava por a' eram saias para ajudar um homem a cuspir o cobre na boca do diabo14 2ascera no Rio de Janeiro. cal&as apertadas nos joelhos.lorinda" . presentes e palavras de gratidão de alguns importantes chefes de partido" <hamava a isso a sua +poca de pai ão pol'tica. mas o #orfiro tinha outra linha6 não dispensava a sua gravata de cor saltando em la&o frou o sobre o peito da camisa.irmo tomou conta da mulata. ganhava uma semana para gastar num dia. al+m dos parentes desta. 2enen e o *gostinho. tudo. trazendo aquele o violão e o outro o cavaquinho" . os dados ou a roleta multiplicavam-lhe o dinheiro. como se aquelas turras constantes refor&assem o combust'vel dos seus amores" : amigo que . grande cabeleira encaracolada. resguardando o colarinho. metia-se com outros. mas pouco depois se separaram por ciúmes. + certo. chegara a decidir elei&(es nos tempos do voto indireto" )ei ou nome em v$rias freguesias e mereceu abra&os.irmo então pintava o caneco. petulante. mas depois desgostou-se com o sistema de governo e renunciou %s lutas eleitorais. nada mais que um bigodinho crespo. de quando em quando. ?arciana e . enchia-a de bofetadas. )ona Bsabel.irmo trazia aquele domingo em sua companhia. ia procur$-la. na <orte. #ombinha. a casa de Rita esquentou" *mbos tiraram os palet!s e mandaram vir parati.m rumor quente.o seu ideal1 -0etenta mil-r+is mensais6 trabalho das nove %s tr-s" *quela amiga&ão com a Rita Baiana era uma coisa muito complicada e vinha de longe. dividida ao meio da cabe&a. acompanhado pelo seu amigo #orfiro.icariam para o rega-bofe" .irmo.

tão fortes e sacudidas que desconjuntavam a cadeira em que ela estava. tocando bestial!gicos. o que fez com que )ona Bsabel. o outro divertia-se a perseguir o *lbino. amea&ou o . dando-lhe um charuto" . falava e gesticulava sem se levantar. sempre muito risonha e esperta. vermelho.irmo.5les que se fa&am finos. despindo o bra&o direito at+ o ombro6 . dei ando cair a cabe&a nos bra&os cruzados sobre a mesa" ?as ergueu-se logo. chamando a vizinha. arremedando a fala dos pretos cassanges" *quele não largava a cintura da mulata e s! bebia no mesmo copo com ela. e acrescentou. intumescido de vinho virgem e leitão de forno. dispostos a passar a tarde ao lado um do outro. da janela de uma das casas aparecia uma das moradoras.alavam e riam todos ao mesmo tempo.lorinda. punha os pesados p+s sobre os de #orfiro. em voz misteriosa. rubro e suado como se estivesse a trabalhar na forja. nem prejudicava a safardana nenhum com aquele divertimento. para fazer rir % sociedade" : lavadeiro indignava-se. permutando as duas entre si os quitutes e as petisqueiras em que eram mais peritas" . e que o vatap$ estava muito gostoso1 0e ela tem pimentas. com a boca cheia. gritando um contra o outro como dois possessos" . vindo-lhe o aborrecimento. ro&ando as pernas contra as dele e dei ando-se apalpar pelo capad!cio" : Bruno. defronte dela. não havia de que falar14 .5 que não entiquem muito. que não ficava quieto um instante.7ue espie as vezes que quiser1 bradou a Rita" #ois então a gente não + senhora de estar um domingo em casa a seu gosto e com os amigos que entenderD1""" 7ue v$ pro diabo que o li e1 5u não como nem bebo do que + dele1 :s dois mulatos e o Bruno tamb+m eram da mesma opinião" /#ois então1 )esde que se não ofendia. para entregar um prato cheio. declarasse que sentia muito calor e que ia l$ para a porta esperar mais % fresca o caf+" 5m casa de Rita Baiana a anima&ão era inda maior" . j$ desengravatado e com os bra&os % mostra. e. torcia-se em gargalhadas. para ir de carreira levar l$ fora ao número ST um prato de comida % sua velha que.:lha1 gritava a das )ores para o número O. % paisana. tranq=ilamente como sempre. mas não aceitaram o convite para nenhuma. praguejando ningu+m sabia contra quem" : *le andre. que comigo + nove1 5 o trunfo + paus1 : #orfiro e clamou6 . cambaleando.Jer9nimo e sua mulher foram convidados para ambas as mesas. resolvera não ir ao jantar" G sobremesa o esfogueado amigo da dona da casa e igiu que a amante se lhe assentasse nas co as e davalhe beijos em presen&a de toda a companhia. que o ?iranda tinha vindo j$ espiar por v$rias vezes da janela do sobrado" . cantando. assentado ao lado da mulher. que os racho1 : *le andre procurou acalm$-lo. diz % Rita que prove deste zor9. os bei&os envernizados de molho gordo" *lguns cães rosnavam % porta.0e se incomodam com a gente""" os incomodados são os que se mudam1 :ra pistolas1 .irmo e #orfiro faziam o diabo. levantava-se da mesa. roendo os ossos que traziam l$ de dentro" )e vez em quando. protegido no seu namoro por toda a roda. pra ver que tal o acha.: domingo fez-se pra gozar1""" resmungou o Bruno. repotreava-se na sua cadeira. desde a respeit$vel ?achona at+ ao endemoninhado *gostinho. os dois jantares vizinhos principiaram ruidosos logo desde a sopa e assanharam-se progressivamente" ?eia hora depois vinha das duas casas uma algazarra infernal" . muito lubrificada pela bebedeira. a quem o vinho produzira del'rios hilaridade. conservava quase toda a sua seriedade e pedia que não fizessem tanto barulho porque podiam ouvir da rua" 5 notou. nem dei ava sossegar a mãe. lustroso de suor. Ceoc$dia. tilintavam os talheres e os copos" <$ de fora sentia-se perfeitamente o prazer que aquela gente punha em comer e beber % farta. dava o cavaco . comendo em boa paz o seu cozido % moda da terra e bebendo o seu quartilho de verde pela mesma infusa" 5ntretanto. sem calar a boca. % última hora. a rir forte. com a camisa a espipar-lhe pela braguilha aberta" : sujeito que a acompanhara fazia fosquinhas a 2enen. galanteando-o afetadamente. divertiase a valer e. que me mande algumas1 )o meio para o fim do jantar o baralho em ambas as casas era medonho" 2o número K berravam-se brindes e cantos desafinados" : portugu-s amigo da das )ores. de vez em quando. impaciente por afastar a filha daquele inferno.

como uma espada" . e Aulmira. aquele dia de folga" * casa de pasto fermentava revolucionada. ainda mais o p9s fora de si" . em caso de ter de depor na policia. tão estridente que provocava r+plica aos papagaios e aos perus da vizinhan&a" 5. como a cães danados1 . como um est9mago de b-bedo depois de grande br!dio. vou daqui direito chamar a policia1 0úcia de brutos1 <om os berros do ?iranda muita gente chegou % porta de casa. para aproveitar bem. para ser bem ouvido6 . *le andre. meu boi manso. ele. porque palavra pu a palavra. e arrotava sobre o p$tio uma baforada quente e ruidosa que entontecia" : ?iranda apareceu furioso % janela. e o velho Botelho. por+m. que fora de carreira enfiar a sua farda. que at+ ai estivera calado. + o que +.: que eles querem + que encordoes1""" . o .. com um milhão de raios1 berrou ele. com a sua palidez de flor meia fanada. esta gente + capaz de tudo1 5 via-se de relance )ona 5stela.0aia da' papai1 . daqui e dali.<analhas1 repisava o ?iranda" : *le andre. indiferente. tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo" )e quando em quando. antes que esfrie1 )efronte da porta de Rita tinham vindo postar-se diversos moradores do corti&o. esguichava um falsete feminino. deporia a favor de quem tivesse razão1""" . apresentou-se então e disse ao negociante que não era prudente atirar insultos c$ pra bai o" 2ingu+m o tinha provocado1 0e os moradores da estalagem jantavam em companhia de amigos. e o coro de gargalhadas. que ningu+m podia conter naquele momento de alegria.7ue + isso. tomando o amigo pelo bra&o e fazendo-o recolher-se % casa da mulata" . pobre gente miser$vel. ?iranda1 5ntão1 5st$s agora a dar palhaD""" . at+ ao fim. iam rebentando novas algazarras em grupos formados c$ e l$ pela estalagem" 8avia nos oper$rios e nos trabalhadores decidida disposi&ão para pandegar. pu ando-o para dentro de casa" . e o 8enriquinho.)ei a l$ esse labrego1 resmungou #orfiro.amos ao caf+. l$ em cima o ?iranda tamb+m estava comendo com os seus convidados1 5ra mau insultar.ma vaia un'ssona ecoou em todo o p$tio da estalagem. que mal podia matar a fome com o que ganhava" *inda assim não havia entre eles um s! triste" * mulata convidou-os logo a comer um bocado e beber um trago" * proposta foi aceita alegremente" 5 a casa dela nunca se esvaziava" *noitecia j$" .:lhe alguma pedrada.5m uma outra casinha do corti&o acabava de estalar uma nova sobremesa. de entre o grosso e macho vozear dos homens. e. enquanto em volta do negociante surgiam v$rias pessoas. onde o )elporto. amea&ando para bai o" Bsto tamb+m j$ + demais1 0e não se calam. cada vez mais bonito. % porta da Rita.*h. de palet! branco. l'vida. nem de si pr!prios" . a barriga empinada para a frente. jornaleiros de bai o sal$rio. o #ompeo. um guardanapo ao pesco&o e um trinchante empunhado na destra. mais afinados que nas outras duas casas.irmo. com as mãos nas cadeiras. voltando-lhe as costas" . a olhar para toda esta porcaria do mundo com o profundo desprezo dos que j$ não esperam nada dos outros. com o seu tipo de comendador.J$ se viu chubregas mais atrevidoD1 e clamou . a fitar provocadoramente o ?iranda" 5 gritando mais alto. um ar de fastio a faz--la feia.rancesco e o *ndr+a representavam as principais figuras" @odos eles cantavam em coro.acilita muito. e esta fechada logo em seguida com estrondo" .. que se lhes não podia ouvir as vozes. que te escorvo os galhos na primeira ocasião1 : ?iranda foi arrancado com viol-ncia da janela. quase.omente-se1 respondeu o negociante. canalhas1 : que eu devia fazer era atirar-lhes daqui. engrossando o barulho geral6 era o jantar de um grupo de italianos mascates.ão gritar pra o inferno..

aflito. empurrando os bocados com os dedos. at+ conseguir furtar-lhe o doce ou o vintenzinho que o pobrezito trazia fechado na mão" Rita f--lo entrar e deu-lhe de comer e de beber. foi buscar um copo de $gua e levou-lho a boca" : velho bebeu. este animal1 5 notando que ele continuava ainda mais s9frego por ter perdido um instante6 . disse que semelhante fastio era gravidez com certeza" . boa. a cerc$-lo de festas e a fazer-lhe ratices para o engabelar.Beba $gua. como se temesse que algu+m lhe roubasse a comida da boca" 5ngolia sem mastigar.oi um nojo geral" . principiando pela pr!pria cara. com os olhos sumidos. sofregamente. $vido. mas rindo muito. heinD""" balbuciou o pobre mo&o. tio Cib!rio1 aconselhou *ugusta" 5. olhando inquieto para os lados.chuva" . o velho Cib!rio1 :cupava o pior canto do corti&o e andava sempre a fariscar os sobejos alheios.j$ come&a. que nem jabuti quando v. contra o que ele protestava ressentido. filando ali. as orelhas. apanhando pontas de cigarro para fumar no cachimbo. pedindo a um e a outro.#ois se o bruto quer socar tudo ao mesmo tempo1 disse #orfiro" #arece que nunca viu comida.:lha. soltou-lhe um murro nas costas" : glutão arremessou sobre a toalha da mesa o bocado de carne j$ meio triturado" . assanhada e devoradora. arredando-se" . filando aqui. que jamais ningu+m sabia ao certo onde almo&ava ou jantava. que faz mal ao leite. nem se podia dei ar de rir. quando via algum pequeno desacompanhado. sem achar espinhas1 *lbino. os olhos. esse. a cara tingida de uma vermelhidão apopl+tica" * Ceoc$dia. para bolir com ele. punha-se logo a rond$-lo. coitado1 + que não comia quase nada e o pouco que conseguia meter no est9mago fazia-lhe mal" Rita. esgueirando-se com a sua 'cara de caf+" . inclusive a sua grande calva. vendo aquele resto de gente. para não rebentar ali mesmo" 0e queria estourar. que parecia ir engolir tudo. que era quem lhe ficava mais perto. tudo. grande demais para ser ingerido de uma vez. mas sob condi&ão de que o esfomeado não se socasse demais. ossudo e sem um dente. aquele enorme quei o.irmo prop9s embebed$-lo.#orco1 gritou Rita. e a crian&a pode sair trigueira1 . apesar do espanto. lisa como um queijo e guarnecida em redor por uns p-los pu'dos e ralos como farripas de coco" . cuspindo para o lado" 5ste + mesmo capaz de comer-nos a todos n!s. surgiu do seu buraco. sem despregar os olhos do prato" *rre diabo1 resmungou #orfiro.oc. desde a imensa batata vermelha que amea&ava j$ entrar-lhe na boca. s! para ver a sorte que ele daria" : *le andre e a mulher opuseram-se. chorando mis+rias eternamente.m tipão. aquele esqueleto velho. a devorar sem tr+guas. at+ as duas bochechinhas engelhadas. a devorar. a cabe&a inteira. um peda&o de carne. engasgou-o seriamente" Cib!rio come&ou a tossir. como se quisesse fazer provisão para uma outra vida" )e repente. como um mendigo. agarrando-se ao prato e escondendo nas algibeiras o que não podia de uma s! vez meter para dentro do corpo" <ausava terror aquela sua implac$vel mand'bula. lobo1 7ue diabo1 * comida não foge1 8$ muito ai com que te fartares por uma vez1 <om efeito1 . cuidado1 gritou-lhe a mulata" #ouco caf+. jurando a sua e trema penaria" 5 era tão feroz o dem9nio naquela fome de cão sem dono.5spere um pouco. que as mães recomendavam %s suas crian&as todo o cuidado com ele. fosse estourar para longe1 5le p9s-se logo a devorar.: velho Cib!rio. porque o diabo do velho. cachimbo que o sum'tico roubara de um pobre cego decr+pito" 2a estalagem diziam todavia que Cib!rio tinha dinheiro aferrolhado. coberto por uma pele seca..

enquanto o velho Cib!rio1 pedia a *le andre um cigarro para despejar no cachimbo" 0ervido. que havia acendido um charuto.0e eu soubesse que era para isto que me chamaram não tinha vindo c$. e o companheiro do amigo da das )ores. j$ ningu+m discutia e todos conversavam" *cendeu-se o lampião do p$tio" Bluminaram-se diversas janelas das casinhas" *gora. mostrou-se muito admirado com a noticia.alou-se então largamente a respeito da fam'lia do ?iranda.<omo eles atacam1""" observou *le andre. perguntou #orfiro. arriscou.:ra não sejas tolo1 )ei a-te ficar ai1 0e deres o cavaco + pior1 *lbino limpou as l$grimas e foi sentar-se de novo" 5ntretanto.irmo lembrou que seria melhor irem l$ para fora. que lhe rondava a casa % noite e %s vezes de madrugada" #arecia estudante1 . bigode louro. depois de oferecer outros. dizendo. dispuseram-se a dei ar a sala.irgem 0ant'ssima. a noite fechava-se. para tamb+m fazer a sua pilh+ria.5. era com um sujeito que l$ ia %s vezes. correndo ao faro de outros jantares" Rita. e todos. j$ de novo sem farda" . mas não era com o estudante. ou mal te ter$s de haver com a gente1 . virgulada pelo desarrolhar de garrafas de champanha" . e que ningu+m.ma súcia1 . que insistia no seu namoro com a 2enen.amos l$. mas a roda da Rita Baiana era a maior. bebendo parati aos c$lices" ?as o .: *lbino voltou para dizer muito s+rio % Rita que não gostava dessas brincadeiras" *le andre. principalmente de )ona 5stela e do 8enrique" * Ceoc$dia afian&ou que. de lunetas. *ugusta e *lbino ficaram lavando a lou&a e arrumando a casa" C$ fora o coro dos italianos se prolongava numa cad-ncia mon!tona e arrastada. sabeD gaguejou o lavadeiro. como se falasse a uma criatura do seu se o. galantemente. um barbado. amuado" 5u não sirvo de palito1 5 ter-se-ia retirado chorando. com uma invoca&ão % .7ual1 negou *le andre" Bsso por ai + tudo uma pouca-vergonha. careca e comido de be igas" 5 a pequena vai pelo mesmo conseguinte""" 5sta novidade produziu grande surpresa no grupo inteiro" 7uiseram os pormenores e o *le andre não se fez de rogado6 o namoro da Aulmira era com um rapazola magro. mais fraca do que ela6 . deitaram a fugir que nem cães apedrejados" * *ugusta <arne-?ole benzeu-se. se a Rita não lhe cortasse a sa'da. bem vestido. que ele não me ia com pessoa alguma. ! *lbino1 confessa-nos tudo. + mesmo e ato que este pamonha não conhece mulherD""" . reprovam que a gente coma o que + seu com um pouco mais de alegria1 comentou a Rita" . vira a sirigaita com a cara agarrada % do estudante. menos o Bruno.5le + quem pode responder1 acudiu a mulata" 5 esta hist!ria vai ficar hoje liquidada1 . quase chorando. numa ocasião. refrescando a tarde com o sudoeste" Bruno roncava no lugar em que tinha jantado" * Ceoc$dia passara livremente a perna para cima da de #orfiro. porque fora engrossada pelos convivas da das )ores" : fumo dos cachimbos e dos charutos elevava-se de toda a parte" )ecrescera o ru'do geral. que o sonso do *lbino fora pilhado %s voltas com a Bru a no capinzal dos fundos da estalagem. espiando por cima do muro. que a abra&ava. e assim que os dois deram f+ que ela os espreitava. que faz descrer um homem de si mesmo1 5u tamb+m j$ vi de uma feita bem boas coisas pela sombra dela na parede. o filante desapareceu logo. aos companheiros. no sobrado do ?iranda + que era o maior barulho" 0aia de l$ uma terr'vel gritaria de hipes e hurras. aos beijos e aos abra&os.?as afinal. faziase a digestão. por conseguinte. no entanto. debai o das mangueiras" 0! a Ceoc$dia achou gra&a nisto e riu a bandeiras despregadas" *lbino declarou. em que havia muito peso de embriaguez" Junto % porta de v$rias casas faziam-se grupos de pessoas assentadas em cadeiras ou no chão. que era obra. trepada num montão de garrafas vazias que havia no p$tio do corti&o. devia me er com ele" . /supunha )ona 5stela um modelo de seriedade4" .

de repente. Basta j$ de padecer"4 *batidos pelo fadinho harmonioso e nost$lgico dos desterrados. ela parecia ainda mais triste e mais saudosa do que nunca6 /?inha vida tem desgostos. 7ue s! eu sei compreender""" 7uando me lembro da terra #arece que vou morrer"""4 5. girando. o velho + que lhe corta as asas" . por fim. o cavaquinho do #orfiro. como uma bofetada de desafio.irmo. em torno das quais se nutrem.:ra1 ?ais vale um gosto que quatro vint+ns1 2isto come&ou a gemer % porta do MN uma guitarra.5le não tem entrada na casaD . novas guitarras foram acordando" 5. contrastando com a barulhenta alacridade que vinha l$ de cima. acompanhado pelo violão do .: que eles t-m feitoD inquiriu a das )ores" . se concentrando e caindo em tristeza. na sua lu úria de sultão. romperam vibrantemente com um chorado baiano" 2ada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo.#or isso + que se v.#or enquanto a coisa não passa de namorico da janela para a rua" <onversam sempre naquela última do lado de l$ de fora" J$ os tenho apreciado quando estou de servi&o" 5le fala muito em casamento e a pequena o quer. freneticamente. como se algu+m lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas" 5 seguiram-se outras notas. com o e emplo da primeira. e lhe cantou no ouvido o estribilho da primeira cigarra. como cobras numa floresta incendiada. a mon!tona cantiga dos portugueses enchia de uma alma desconsolada o vasto arraial da estalagem. como se o pr!prio sol americano. mas. porque casei por meu gosto1 . todo atento para aquela música estranha. viesse. e outras. em que palpitara %quela tarde toda a república do corti&o. eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente. intrometeu-se o .tanta porcaria por esse mundo de <risto1 disse a *ugusta" . e lhe acidulou a garganta o suco da . eram ais convulsos. cada vez mais ardentes e mais delirantes" J$ não eram dois instrumentos que soavam.ilha minha s! se casar$ com quem ela bem quiser.0im. chorados em frenesi de amor. que vinha dentro dele continuar uma revolu&ão come&ada desde a primeira vez em que lhe bateu em cheio no rosto. fazendo estalar de gozo" 5 aquela música de fogo doidejava no ar como um aroma quente de plantas brasileiras. mas eu sou feliz. 7uando + que eu te torno a verD Ceva-me deste desterro. vai dar a filha a um estudante1 Fuarda-a para um dos seus""" 7uem sabe at+ se o bruto não tem j$ de olho por ai algum cafezista p+-de-boi1""" 5u sei o que + essa gente1 .irmo. do sobrado do ?iranda" /@erra minha. pelo jeito. era de Jer9nimo" )epois da ruidosa alegria e do bom humor. devia entender-se com a fam'lia e não estar agora daqui debai o a fazer-lhe fosquinhas1 . que te adoro. at+ mesmo os brasileiros. que isto de casamentos empurrados % for&a acabam sempre desgra&ando tanto a mulher como o homem1 ?eu marido + pobre e + de cor. car'cia de fera. o ?iranda. a luz deste sol orgulhoso e selvagem. mas. iam todos. b-bedos do delicioso perfume que os mata de volúpia" 5 % viva crepita&ão da música baiana calaram-se as melanc!licas toadas dos de al+m-mar" *ssim % refulgente luz do tr!picos amortece a fresca e doce claridade dos c+us da 5uropa.. mas não v. beber a l$grima medrosa da deca'da rainha dos mares velhos" Jer9nimo alheou-se de sua guitarra e ficou com as mãos esquecidas sobre as cordas. vermelho e esbraseado. a correrem serpenteando. moscardos sensuais e besouros venenosos. car'cia de doer.2ão1 #ois isso + que eu acho feio"""1 0e ele quer casar com a menina. música feita de beijos e solu&os gostosos.que aquele mesmo.

quem diria1 o grave e circunspecto *le andre" : chorado arrastava-os a todos. a s'ntese das impress(es que ele recebeu chegando aqui6 ela era a luz ardente do meio-dia. sem nunca parar com os quadris. entregue de corpo e alma %quela cantiga sedutora e voluptuosa que o enleava e tolhia. arrastado por ela. a fazer coisas fant$sticas com as pernas. freneticamente.irmo principiava a cantar o chorado. os p+s no espa&o. a cabecear de sono. surgir de ombros e bra&os nus. simples. de borracha. quebrada. em que se não toma p+ e nunca se encontra fundo" )epois. despoticamente. da primeira mesti&a. como numa sofreguidão de gozo carnal. aqueles requebros que não podiam ser sem o cheiro que a mulata soltava de si e sem aquela voz doce. feita toda de pecado. e logo o *lbino e at+. meiga e suplicante" 5 Jer9nimo via e escutava. uma larva daquela nuvem de cant$ridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforesc-ncia afrodis'aca" Bsto era o que Jer9nimo sentia. pulou % arena o . primitiva. a cabe&a a querer saltar-lhe" 5 depois. batendo os calcanhares. estranhando-o" . subindo. um grito de aplausos e plodia de vez em quando. respondeu ele. certas. cheios de uma gra&a irresist'vel. JeromoD""" perguntou-lhe a companheira. numa persist-ncia de loucura" 5. e lhe transtornou o sangue o cheiro animal da primeira mulher. $gil. a tremer toda. que abre feridas com o seu azeite de fogo. e seguido por #iedade. harmoniosa. dessas muito alvas. enquanto a carne lhe fervia toda. mesmo quando. chamara-o v$rias vezes para se recolherem. uma nota daquela música feita de gemidos de prazer. que o atordoara nas matas brasileiras. surgiu tamb+m a . e em seguida sapateava. cheirosas e úmidas. era o aroma quente dos trevos e das baunilhas. soltava um gemido prolongado. com muito de serpente e muito de mulher" 5la saltou em meio da roda. desesperando aos que não sabiam dan&ar" ?as. a derreter-se todo. ela era a cobra verde e trai&oeira. e lhe entonteceu a alma o aroma do primeiro bogari. envolvendo-a na sua coma de prata. num ritmo nervoso. que ele na fazenda via debru&adas confidencialmente sobre os limosos p>ntanos sombrios. ningu+m como a Rita. que dobrava. rubro e quente como deve ser um grito sa'do do sangue" 5 as palmas insistiam. fora cair nos bra&os do amigo" #iedade. a cujo refulgir os meneios da mesti&a melhor se acentuavam. que fora trocar o vestido por uma saia. s! ela. seguido por um acompanhamento de palmas" Jer9nimo levantou-se. que esvoa&ava havia muito tempo em torno do corpo dele. prostrada. picando-lhe as art+rias. erguendo e abai ando os bra&os. sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados" 2aquela mulata estava o grande mist+rio. como % robusta gameleira brava o cip! fle 'vel. ele respondeu com um resmungo e não deu pela retirada da mulher" .irmo. mas o que o tonto não podia conceber" )e todas as impress(es daquele resto de domingo s! lhe ficou no esp'rito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez. os bra&os a querer fugirem-lhe dos ombros. de quei o grudado %s costas das mãos contra uma cerca de jardim. a sumir-se no chão. a muri&oca doida.lorinda. arrogante. apro imou-se da grande roda que se formara em torno dos dois mulatos" *i. como se voltasse % vida. cadentes. num requebrado lu urioso que a punha ofegante. permaneceu. fibra por fibra. para dan&ar" * lua destoldara-se nesse momento. com os bra&os na cintura. a lagarta viscosa. a ressurgir inteiro com um pulo. sobre a nuca. era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju. descendo. ora para a direita. acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra.primeira fruta provada nestas terras de brasa. j$ correndo de barriga empinada. toda de para'so. tinha o m$gico segredo daqueles movimentos de cobra amaldi&oada. estalando os dedos no ar e vergando as pernas. miúdo e cerrado. não de vinho. olhando" :utras raparigas dan&aram. quase que maquinalmente. que junto dele sacudiu as saias e os cabelos" . rebolando as ilhargas e bamboleando a cabe&a. assanhando-lhe os desejos. era o veneno e era o a&úcar gostoso. ora outro. ora um.5spera. onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade" 5 dei ava-se ficar.7ue tens tu. sem tugir nem mugir. era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta. para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional. mas o portugu-s s! via a mulata. ela era o calor vermelho das sestas da fazenda. mas de mel chuchurreado no c$lice de flores americanas. j$ recuando de bra&os estendidos. carinhoso e trai&oeiro" 5 viu a Rita Baiana. ora para a esquerda. tirilando" 5m torno o entusiasmo tocava ao del'rio. como se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite. em voz bai a6 dei a ouvir1 . s! aquele dem9nio.

punha-a doida" /#ois um homem rijo. que ele do que precisava era de dormir" ?as não o conseguiu6 atr$s da Bru a correu a segunda mulher. erguia-se como um monstro iluminado na sua paz" . mas Jer9nimo nada vira de tudo isso. quando. e os murmúrios das $rvores que sonhavam" ?as Jer9nimo nada mais sentia.oi da friagem da noite. fez-se durante muito tempo em sua casa um entrar e sair de saias" Jer9nimo perdeu a paci-ncia e ia protestar brutalmente contra semelhante invasão. se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu % casa" 5 viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem. afirmou a Bru a. a fam'lia do ?iranda pusera-se % janela.J mulher1 vai fazer o que te disse e ao depois então dar$s % l'ngua1 .Bons dias1 5ntão que + isso. erguendo a cabe&a. brilhantes e cheirosos.#assaram-se horas. ordenando-lhe que fosse ter com João Romão e lhe dissesse que ele estava incomodado e ficava de descanso aquele dia" .caiu doente com a minha chegadaD 0e tal soubera não vinha1 5le riu-se" 5 era a primeira vez que ria desde a v+spera * mulata apro imou-se da cama" .ilho de ?aria. anda1 . j$ pela madrugada.*h1 5 desfranziu-se-lhe o rosto" . da mulata. que era j$ quase ocasião de entrar para o seu servi&o. ao longe.?as sentes-te malD .irmo" 0! deu por si. que lhe entontecera a alma. que a arrastava pela cintura" Jer9nimo ficou sozinho no meio da estalagem" * lua. reunira povo l$ fora na rua. aflita" 7ualquer novidade no marido. divertindo-se com a gentalha da estalagem. que nunca caia doenteD 0eria a fe!re amarela?.7ue tens tu.?orrinhento. porque valia a pena esperar de p+" VIII 2o dia seguinte. em vez de comer l$ mesmo na pedreira com os companheiros. Jesus. JeromoD""" . e resolveu não dormir..irgem1 2ão sei se haver$ ch$ preto na venda1 5 ela saiu. e a quarta. nada vira senão uma coisa. desembara&ados da sua faina.oc.ma quieta&ão densa pairava j$ sobre tudo. pelo cheiro. vizinhoD . quando. e a terceira.. principiavam a formar um ninho de cobras negras e venenosas. que lhe persistia no esp'rito6 a mulata ofegante a resvalar voluptuosamente nos bra&os do .ai. por menor que fosse. filha""" . do que aquela música embalsamada de baunilha. 0anto . por detr$s da última parede do corti&o. e. quiseram dar f+ da patuscada um instante antes de ca'rem na cama. e compreendeu perfeitamente que dentro dele aqueles cabelos crespos. nem ouvia. que nem pensar nisso era bom1 <redo14 * not'cia espalhou-se logo ali entre as lavadeiras" .alha-me a . l$ ia caminhando em sil-ncio na sua viagem misteriosa" *s janelas do ?iranda fecharam-se" * pedreira. que lhe iam devorar o cora&ão" 5. pedindo-lhe que o dei asse em paz. e ele tamb+m não deu pelas horas que fugiram" : circulo do pagode aumentou6 vieram de l$ defronte a Bsaura e a Ceonor. o João Romão e a Bertoleza. que ele nunca vira senão depois de sete horas de sono. notou no mesmo c+u.. afinal. agora inteiramente livre das nuvens que a perseguiam.. s! se distinguiam o bru ulear dos pirilampos na sombra das hortas e dos jardins. sentiu que a Rita se apro imava tamb+m" . foi para casa" ?al tocou no que a mulher lhe apresentou % mesa e meteuse logo depois na cama. e deu um pulo % casa do trabalhador para receitar" : doente repeliu-a. Jer9nimo largou o trabalho % hora de almo&ar e.

e o pior ser$ pararem os dois1 . ao lado do dono. muito mais animado" .<h$1 7ue asneira1 <h$ + $gua morna1 Bsso que voc. e ter-se-ia. que entrava muito ligeira e sacudida.tem + uma resfriagem" . mostrando parte do peito cor de canela" Jer9nimo apertou-lhe a mão" .?as que sentes tu. e me dir$ se sua ou não. ele sentiu que principiava a enfar$-lo. para o seu homem.oltou-lhe então o mal-estar e desapareceu o último vest'gio do sorriso que ele tivera havia pouco" .* mulher falou ai em ch$ preto""" .@oma-lo tu1 5la calou-se" Ba a dizer que nunca o vira assim tão $spero e seco.ala. e fica depois fino e pronto para outra1 5spera ai1 5 saiu logo. pesada. s! com respirar aquele alm'scar. dei ando todo quarto impregnado dela" Jer9nimo. disse.*ndaste mal""" . quando a infeliz se apro imou do marido. vivendo naquele instante.2ão te d.U0t$ bem. para a não ver. mas receou importun$-lo" /5ra naturalmente a mol+stia que o punha rezinguento"4 Jer9nimo fechara os olhos. fora do costume. inquieta.J$ tomou algum rem+dioD""" . para a não sentir" 5la. coitada1 fora assentar-se % beira da cama. humilde e solicita.5 eu acho que isso + tolice1 .?as estou-te a dizer que não h$ transtorno1""" . procura adivinhar-lhe as inten&(es" . fechado por dentro.isso cuidado1 2ão parou o trabalho1 #edi % Ceoc$dia que me esfregasse a roupa" 5la hoje tinha pouco que fazer e""" .2ão queres o ch$D ?as + o rem+dio.beber com um gole de parati. era a cala&aria do capinzal1 . como um animal en otado. fazendo-se muito escrava dele. não foi que tivesse o homem doente. acompanhando-lhe os menores gestos com o olhar.5u queria ficar a teu lado. diz3-lo1 .ai1 anda1 5la ia retirar-se. parecia melhor" 7uando #iedade tornou. filhinho de )eus1 . trazendo na mão a fumegante palangana de caf+ com parati e no ombro um cobertor grosso para dar um suadouro ao doente" . este. notou-lhe o cheiro azedo do corpo" . tinha as saias apanhadas na cintura e os bra&os completamente nus e frios da lavagem" : seu casaquinho branco abria-lhe no pesco&o. que nem um cão que.Bom.ou-lhe fazer uma 'cara de caf+ bem forte para voc. se pudesse.Fostei de v--la ontem dan&ar.:ra1 2ão h$ tr-s dias que fiz outro tanto por ela""" 5 demais. triste.ou tomar outra coisa""" . JeromoD""" . resmungando consigo mesma.@ranstorno j$ + estar eu parado. filha. sem vontade pr!pria. bom.7ueres tu um escalda-p+sD""" .J$ te disse que tomo outra mezinha" :h1 #iedade não insistiu" . e. a suspirar. não vais tratar do teu servi&oD""" . para e e clusivamente.2ão cozas o ch$" . filha1 não digas mal da vida alheia1 ?elhor seria que estivesses % tua tina em vez de ficar ai a murmurar do pr! imo""" *nda1 vai tomar conta das tuas obriga&(es" . homem1 2ão me dizes nada1 *ssim m3assustas""" 7ue tens. por+m. Jeromo1 . quando deu com a Rita.<omo principiara a trabalhar esse dia.

oc-s tamb+m. quando sente o seu ninho e posto" . sem encontrar uma palavra para a mulata" 5 dei ou-se ficar" Rita. pu ando em seguida o cobertor at+ %s ventas" * mulher tratou de abafar-lhe bem os p+s e foi buscar um ale para lhe cobrir a cabe&a" . e esfregando sempre com tamanho vigor de pulso. s! andando na ponta dos p+s. sacou-lhe fora a camisa molhada. pousou a vasilha sobre a c9moda do orat!rio e abriu o cobertor" .)eus queira que isto não te v$ fazer mal em vez de bem1""" 2unca tomas caf+. filha.oi a Rita que disse para te dar""" . falando % #iedade.. a en ugar-lhe todo o corpo. passando depois ao peito e aos sovacos.#ois não + assim mesmoD perguntou ela a #iedade. por qualquer coisinha ficam logo pra morrer. sorria contrafeita. com uma cara da última hora1 5 ai. e.Bsto + cacha&a1 . logo que pe&a $gua" <uidado com o vento1 5 saiu e pedida. encontr$-lo pronto. alegre e benfazeja como sempre. o faro sutil e desconfiado de toda a f-mea pelas outras.Bsso + que o vai p9r fino1 disse" .. nem gostas1""" . munida de uma toalha. em tom mais bai o e pousando-lhe a mão no ombro carnudo6 . que j$ tinha sobre as pernas o cobertor oferecido pela Rita. ouviuD . quando voltar logo. e tanto assim que o sangue do cavouqueiro se revolucionou" 5 a mulher. enfiando-lhe logo outra pela cabe&a. mude-lhe toda a roupa e d--lhe dois dedos de parati. ralhava6 . ressentida contra aquela invasão de uma estranha nos cuidados pelo seu homem" 2ão era a intelig-ncia nem a razão o que lhe apontava o perigo. numa afli&ão quase supersticiosa por aquele inc9modo de seu homem" ?as Jer9nimo não levou muito que a não chamasse para lhe mudar a roupa" : suor inundava-o" . mas o instinto. depois de fechar hermeticamente a porta do quarto e meter um punhado de roupa suja numa fresta que havia numa das paredes. sem conseguir disfar&ar de todo o seu descontentamento" . ai. ande1 beba tudo e abafe-se1 7uero. ao ventre e %s pernas. abafando a respira&ão. Jesus. principiando pelas costas. despreocupadamente. ajudando-o a levar a tigela % boca. meu )eus1 :ra esperte-se1 2ão me seja maricas1 5le riu-se assentando-se na cama" .@rata de sossegar1 2ão te me as1 5 disp9s-se a ficar junto da cama.Bebe isto. mas engoliu de uma assentada o conteúdo da tigela. heinD""" desembuchou afinal. a vigi$-lo. procurando o olhar do marido. não bebas a $gua agora" . radiante" 5. toda ela desassossegada. a rir-se.5st$-me a parecer que agora te achas melhor. em seguida tirou-lhe as ceroulas e come&ou.*h1 fez #iedade. seus portugueses. apontando para o carão barbado de Jer9nimo" :lhe s! pr3aquela cara e diga-me se não est$ a pedir que o enterrem1 * portuguesa não dizia nada.Bsto não + por gosto. descendo logo %s n$degas.5 acrescentou.@em ju'zo1 *comoda-te1 2ão v-s que est$s doenteD""" 5le não insistiu" *gasalhou-se de novo e pediu $gua" #iedade foi buscar o parati" . que era antes uma massagem que lhe dava. resmungou6 . apresentando o caf+ ao doente" Beba. lisonjeada.*inda bem1 e clamou ela.0! com o cheiro1 refor&ou a mulata. correndo a cada instante % porta de casa para pedir que não fizessem tanta bulha l$ fora. agitando as saias.5le daqui a nada deve estar ensopado de suor. no intimo. + rem+dio1 5le com efeito nunca entrara com o caf+ e ainda menos com a cacha&a. de onde se evolavam eflúvios de manjerona" #iedade chegou-se então para o cavouqueiro.

fazia-lhe sinais brejeiros. feliz por ver-se longe da pedreira ardente e do sol c$ustico. de olhos fechados. que me diz agoraD 0ente-se ou não melhorzinhoD 5le voltou para a rapariga o seu olhar de animal prostrado e. l$ fora no p$tio da estalagem. a sua carne lhe tocou na carne. batendo com a mão direita aberta sobre a mão esquerda fechada" 5la respondia. acabava de armar-se um esc>ndalo medonho" 5ra o caso que o 8enriquinho da casa do ?iranda ficava %s vezes % janela do sobrado. na doce penumbra do quarto. ouvindo.*gora + tratar de dormir e mudar de roupa. enquanto um dobre de sinos rolava no ar. sempre com seu sistema de conversar por m'mica. disfar&ou logo. tanto que consentiu6 mal..5ntão. nessa ocasião. o ronrom mon!tono da m$quina de massas. seguindo-lhe os movimentos uniformes do grosso quadril e o tremular das redondas tetas % larga dentro do cabe&ão de chita" 5. com o seu coelho debai o do bra&o. um intermin$vel cantar de galos a porfia. que ficava por debai o do sobrado. e o zunzum das lavadeiras a trabalharem. por+m. quando a mulher. parecia sucumbido de fraqueza" * lavadeira apro imou-se da cama do marido em ponta de p+s.a&a-se de tolo. o estudante apareceu % janela. uma vontade desensofrida de senhorear-se no mesmo instante daquela mulher e possu'-la inteira. e depois daquele disp-ndio de suor. que fora fazer uma visita ao enfermo. como se dissesse que fosse procurar a mulher do dono da casa" 2aquele dia. #iedade respondeu sem falar. anunciando um defunto da par!quia" 7uando #iedade chegou l$ fora. o $lcool produziu-lhe logo de pronto o efeito voluptuoso e agrad$vel da embriaguez nos que não são b-bedos6 um delicioso desfalecer de todo o corpo. e. correndo para o dep!sito de garrafas vazias. arfando ao longe. quando #iedade entrou no quarto. abafando os passos" G porta da entrada a *ugusta. indicando com o polegar o interior do sobrado.Jer9nimo não precisou de mais nada para beber de um trago os dois dedos de restilo que havia no copo" 0!brio como era. no conforto da sua cama. mais distante. entre o almo&o e o jantar.5ntão ondeD . pediu com muito empenho ao 8enrique que lho desse" 5ste.*qui não1 disse ela. Jer9nimo sentia-se bem. mas. como a #iedade entrava na salinha ao lado.:lhe que peste1 .em c$1 . piscava-lhe o olho. devor$-la num s! hausto de lu úria. no capinzal dos fundos" * fam'lia do ?iranda havia sa'do" 8enrique. pondo a mão no rosto e vergando desse lado a cabe&a. desceu % rua. ao sentir-se empolgar pelo cavouqueiro. alguma coisa do longo espregui&amento que antecede % satisfa&ão dos se os. por+m. heinD :ra vamos l$1 ?as. trazendo nos bra&os um coelhinho todo branco. por única resposta. quando a pilhava sozinha. pu ou-lhe o len&ol mais para cima do peito e afastou-se de novo. escapou-lhe das garras com um pulo" . numa avidez gulosa de beijos" *gora. mesmo com a roupa de andar em casa e sem chap+u. passou-lhe o bra&o esquerdo na cintura e procurou com a mão direita segurar a dela" 7ueria com isto traduzir o seu reconhecimento. que digo % sua mulher. e a mulata assim o entendeu. nas horas de pregui&a. e ele fez-lhe sinal de que o esperasse por detr$s do corti&o. apro ima-se afinal de n!s. entretido a ver a Ceoc$dia lavar. atirou-se para o capinzal" Ceoc$dia esperava por ele debai o das mangueiras" . tendo feito esperar por ela algum tempo. perguntou-lhe por este com um gesto interrogativo. com a roupa fresca sobre a pele. um desejo ardente apossou-se dele. para e primir que ele agora estava dormindo" *s duas sa'ram para falar % vontade. ganhou um terreno que e istia % esquerda do sobrado e. declarou com um gesto qual era a condi&ão da d$diva" 5la meneou a cabe&a afirmativamente. trinc$-la como um caju" Rita. logo que o viu chegar" *qui agora podem dar com a gente1""" . a Rita correu de novo ao quarto do doente" . que ele na v+spera arrematara num leilão de festa" Ceoc$dia cobi&ou o bichinho e. acrescentando noutro tom6 . se suar outra vez *t+ logo1 5 saiu" Jer9nimo ouviu as suas ultimas palavras j$ de olhos fechados e. dando parte do bom resultado do rem+dio. tristemente.

mas sem largar as pernas do coelho" #assou-se um instante de sil-ncio entre os dois. j$ uma formid$vel punhada a fazia rolar por terra" Ceoc$dia abriu num berreiro" 5 foi debai o de uma chuva de bofetadas e pontap+s que acabou de amarrar a roupa" .2ão faz mal1 segredou ele. tão r$pido como o coelho que. antes que ela respondesse. faz-me um filho. erguendo-o sobre a cabe&a6 . ganhara pela outra banda o caminho do capinzal" 7uando o ferreiro. onde havia o resto de um telheiro em ru'nas" . sua vacaD1 bradou ele. logo em seguida. com a cara que era um tomate" J$ lhe disse que não quero saber de voc. impaciente no seu desejo" . de uma brancura levemente r!sea e toda marcada de mordeduras de pulgas e mosquitos" .#ode-me vir um corrimento1 5 sacou fora a saia de lã grossa. hein1 Ba dizer ainda alguma coisa. tomou conta de um pequeno ai na casa de uma fam'lia de tratamento. em que as folhas secas do chão rangeram e farfalharam" .<om quem te esfregavas tu. andando ligeira e meio vergada por entre as plantas" 8enrique seguiu-a no mesmo passo. assegurando-se de que estavam a s!s" 8enrique. vendo que ele ia recome&ar a dan&a. sempre com o coelho sobra&ado" : calor fazia-o suar e esfogueava-lhe as faces" :uvia-se o martelar dos ferreiros e dos trabalhadores da pedreira" )epois de alguns minutos. cujas pernas o estudante não largava. antes de ser visto.*gora eu vi1 sabes1 2ega se fores capaz1 . maci&as. que a camisa a custo s! cobria at+ o joelho. est$ encharcada1 . seu b-bedo1 5. rilhando os dentes" 2isto.*via-te1 *nda1 apressou ela. e gritou. dei ando ver duas pernas. chegou perto da mulher. que o conteve6 . lan&ando-se de costas ao chão e arrega&ando a fralda at+ a cintura.<hega-te pra c$ e ver$s se te abro aqui mesmo ou não o casco1 . come&ou a quei ar-se dos repel(es que recebia cada vez mais acelerados" .. a botar os bofes pela boca" 5.$ % pata que o p9s1 e clamou ela. sentindo-lhe a frescura da sua carne de lavadeira.*qui1 5 Ceoc$dia olhou para os lados.:lha1 pediu ela. ela parou num lugar plantado de bambus e bananeiras. grossas. que lhe dava setenta mil-r+is por m-s1""" " muito bom passadio1""" 0ua garrafa de vinho todos os dias1""" 0e me arranjares um filho dou-te outra vez o coelho1 5 o pobre brutinho. esta ainda não tinha acabado de vestir a saia molhada" . s9frego. abai ou-se depressa. que eu preciso alugar-me de ama-de-leite""" *gora estão pagando muito bem as amas1 * *ugusta <arne-?ole. sem largar o coelho. e 8enrique.pra nada. mas acudiu-lhe o espasmo e ela fechou os olhos e p9s-se a dar com a cabe&a de um lado para o outro. vendo-se livre.:lha que matas o bichinho1 reclamou a lavadeira" 2ão batas assim com ele1 mas não o soltes.5 tomou % sua direita. na dire&ão em que os dois estavam. passos r$pidos fizeram-se sentir galgando as plantas.5spera1 preciso tirar a saia. as co as abertas" : estudante atirou-se. nesta última barriga. lobrigou a certa distancia a insoci$vel figura do Bruno" 2ão lhe deu tempo a que se apro imasse. atirou-se sobre ela. segurou com ambas as mãos um matacão de granito que encontrou a seus p+s. de um salto galgou por detr$s das bananeiras e desapareceu por entre o matagal de bambus.

que entrara para vender camar(es e parara distra'do perto da janela do ferreiro. ficam enjoados. ao passo que a das )ores. com as mãos cruzadas sobre o ventre.ez-se logo um alarido entre as lavadeiras" /*quilo não tinha jeito. e.#(e essa pedra no chão1 . perguntava. aquilo tinha de acontecer mais hoje mais amanhã1 . tendo um que lhes pertencia" * Bru a. sim. com um frou o riso..J$ c$ est$ dentro com que hei de ganhar a vida1 *lugo-me de ama1 :u pensar$ que todos são como voc-. lembrando-se nomes e nomes. descanse1 que não levarei nada do que + seu. que não podia ouvir ningu+m gritar mais alto do que ela. cheio de borra. sem se chegar a nenhum resultado satisfat!rio" : *lbino tentou logo arranjar a reconcilia&ão do casal. indiferente. se o Bruno ia reformar a .0empre os mesmos peda&os de asno1""" comentava franzindo o nariz" 0e a tola da mulher s! lhes procura agradar e fazer-lhes o gosto. a quem quisesse ouvir..ma cadeira fez-se peda&os contra as pedras. e tudo era arremessado com fúria ao meio da $rea. de cabe&a pendida. fique sabendo1 5.?as não me h$s de levar nada de casa1 Bsso te juro eu. cai as de chap+us cheias de trapos.m chim. encarava desdenhosa a sanha daquele marido.*h. como esta besta1 . o que se acabava de dar" : esc>ndalo assanhou a estalagem inteira.*rme a trou a e rua1 sabeD .:lha a desgra&a1 @inha de muito assentado de ir1 7ueria era uma ocasião1 2em preciso de vocpra nada. não interrompera sequer o seu trabalho. saias e casaquinhos de chita. entre o sil-ncio comovido dos que assistiam ao despejo" . como um jato de $gua quente sobre um formigueiro" /:ra. toda afogueada do ferro de engomar. e ningu+m mais se meteu a congra&$-los" 5ntretanto. caiu-lhe em cima aos murros e o p9s fora do portão com tremenda descompostura" /5ra o que faltava que viesse tamb+m aquele salamaleque do inferno para azoinar uma criatura mais do que j$ estava14 )ona Bsabel.lorinda ria. uma gaiola de p$ssaros. depois veio um candeeiro de querosene. pintalgando de pontos negros os coradouros" . tinha para aquela destrui&ão um profundo olhar de l$stima" *ugusta meneava a cabe&a tristemente sem conceber como havia mulheres que procuravam homem. de mãos nas cadeiras.m belo dia a casa vinha abai o1 .m corno1 5u arrumo-ta na cabe&a se te chegas pra c$1 . o bruto do marido tinha de sujar daquele modo o trabalho da gente. como de tudo. acrescentou.: ferreiro compreendeu que ela era capaz de fazer o que dizia e estacou l'vido e ofegante" . dão por paus e por pedras. aparentando agora um soberano desprezo pelo que se passava" 0! então foi que ela se lembrou do coelho" . com uma costura na mão. biraia1 . contanto que te musques por uma vez1 . sim. empinando a barriga6 . um cigarro no canto da boca.izeram-se mil hip!teses. tão brutal como o dela o fora" . todas as vezes que a Ceoc$dia se fosse espojar no capinzal.* Ceoc$dia parecia não desejar senão isso mesmo14 ?as ningu+m atinava com quem diabo pilhara o Bruno a mulher no capinzal" .:ra gaitas1 disse. jurando que o Bruno estava enganado com certeza e que vira mal" /Ceoc$dia era uma e celente rapariga. e 2enen. diabo do sem-pr+stimoD . se ela não toma a s+rio a borracheira do casamento. para meter-lhe mais raiva.ma súcia. endireitando-se e tomando dire&ão contr$ria % do marido" 5ste fora ai direito ao corti&o narrar. um saco de caf+. todos eles1 . nem preciso1 . levou na cabe&a com uma bilha da Bahia e berrava como crian&a que acaba de ser esbordoada" * ?achona. que diabo1 *rmavam l$ as suas turras e os outros + que haviam de aturarD1""" 0ebo1 que os mais não estavam dispostos a suportar as fúrias de cada um1 7uem parira ?ateus que o embalasse1 0e agora. o Bruno entrara em casa e lan&ava pela janela c$ para fora tudo o que ia encontrando pertencente % mulher" .#ois então despache o beco1 5le virou-lhe as costas e tornou lentamente por onde viera. incapaz de tamanha safadagem14 : ferreiro tapoulhe a boca com uma bolacha. e a velha ?arciana quei ava-se de que lhe respingaram querosene na roupa estendida ao sol" 2essa ocasião justamente. a sala pelo meio das canelas. que nem para fazer um filho serve.0im. as mãos nas algibeiras das cal&as. ningu+m mais poderia ganhar ali a sua vida1 7ue espiga14 #ombinha chegara % porta do número SN. dando f+ do barulho. uma chaleira. deu duas voltas no ar e espalhou o seu conteúdo. uma trou a de roupas.

abafava o baralho da lou&a quebrando-se contra as pedras" 5 Ceoc$dia j$ não precisava acompanhar os objetos com a sua frase de impreca&ão..2ão dei a bater1 . com a cara fechada.0ai da'. porque cada um deles era recebido c$ fora com um coro que berrava6 .*' vai o jarro1 . não satisfizera ainda completamente a sua c!lera" Ceoc$dia apareceu pouco depois e.mob'lia da casa" * Rita fingia não ligar import>ncia ao fato e continuava a lavar % sua tina" /2ão faziam tanta festa ao tal casamentoD #ois que ag=entassem1 5la estava bem livre de sofrer uma daquelas14 : velho Cib!rio chegara-se para ver se. com um raio de roda de carro na mão direita" :s circunstantes o seguiram. apesar de ter feito muito. vermelho como malagueta. absoluto. jogando os bra&os.*' vai o rel!gio1 . suplicando muito fanhoso6 /.0egura1 .pa1 @oma. que o marido acabava de fechar. e o destro&o continuava ainda. dando uma volta feroz % fechadura" *travessou por entre o murmurante grupo dos curiosos que permaneciam defronte de sua porta. escancarando a janela com arremesso. com a sua capa encarnada.m riso geral.2ão pode1 . mas ningu+m se incomodou com a presen&a dele" J$ defronte da porta do Bruno havia uma montanha de cacos acumulados. diabo1 5 o rel!gio espatifou-se na cal&ada" . apoderou-se de fúria e avan&ou sobre a porta.*' vai o alguidar1 . vendo por terra tudo que era seu.2ão d$1 . no meio da confusão. gritava sempre6 /. indo ela cair l$ dentro de barriga para cima" ?as ergueu-se. atropeladamente.pa1 @oma. quando o ferreiro reapareceu. sem fazer caso das risadas que rebentaram c$ fora e. diabo14 . mudo. diabo1 5 a limpeza prosseguia" João Romão acudiu de carreira.m irmão do sant'ssimo entrara na estalagem. a sua vara de prata em uma das mãos.: garrafão1 . que te arranco a pele do rabo1 . safado1 @oca l$ no quer que seja.: cabide1 . que cederam logo. como quem. come&ou por sua vez a arrasar e a destruir tudo que ainda encontrara em casa" 5ntão principiou a verdadeira devasta&ão" 5 a cada objeto que ela varria para o p$tio. na outra a salva do dinheiro. e a ?achona.*g=enta1 . num clamor" . partido e inutilizado.pa1 @oma. arremetendo com as n$degas contra as duas folhas. e parara em meio do p$tio. berrou-lhe do lugar em que se achava6 .Carga o pau1 .ma esmola para a cera do 0acramento14 *s mulheres abandonaram por um instante as tinas e foram beijar devotamente a colombina imagem do 5sp'rito 0anto" #ingaram na salva moedinhas de vint+m" @odavia.#rende1 . e foi galgando a casa. apanhava alguma coisa do despejo. notando que o *gostinho fazia o mesmo.*' vão os copos1 . comunicativo.: bacio1 . o Bruno acabava de despejar o que era da mulher e saia de novo de casa.

E falso1 solu&ou Ceoc$dia" . porque este homem.2em eu queria1 retorquiu a mulher" #refiro meter-me com um cavalo de t'lburi a ter de aturar este bruto1 5. diz-lhe que precisei ir a rua" )epois.#orque voc. apressou-se a correr para o lugar do conflito e cheio de autoridade intimou o Bruno a que se contivesse e dei asse a mulher em paz. que vinha chegando do servi&o nesse momento. mudou a saia molhada.2ão sei. empurra a trou a ai para dentro do meu c9modo" . diz que a senhora""" .7uem era o homemD interrogaram todos a um s! tempo" . filha.#assa-me no sabão aquela roupa. não sei o que ser$ de mim. no fim de contasD inquiriu tamb+m *le andre" .irmo acordar. a quem. aproveitando a confusão.*nda c$ comigo1 não ficar$s % toa1 . a quem o povar+u desarmara num fecha-fecha" . espumando de raiva e quase sem f9lego para falar" . al+m de tudo.:rdem1 :rdem1 .e. mas.Bem.7uem era ele. como eu não lho dou""" . agora sucumbida por uma rea&ão de l$grimas" 8$ muito tempo que este malvado anda ca&ando prete to para romper comigo e.@oma o porrete1 5 Ceoc$dia escapou afinal das pauladas do marido. arrancava-lhe o sangue pelas costas1 8ouve um coro de gargalhadas" .5uD1 esfuziou o ferreiro" .ma e plosão de solu&os a interrompeu" )esta vez não riram.7uem foiD .7uem eraD .não me conhece1 . quando . por ai1""" 8ei de encontrar um furo1""" :s cães não vivemD""" . haviam j$ ferrado um pontap+ por detr$s" : *le andre. embainhando o seu refle. fez de tudo uma grande trou a e foi chamar um carregador" * Rita saiu-lhe ao encontro" .E mentira1 interrompeu ela" .2ão disseste que j$ tinhas ai dentro com que ganhar a vidaD""" E andar1 . escangalhou-me at+ o que eu trou e quando me casei com ele1""" .5 correndo ao *lbino.esta galinha. catando em casa alguma coisa sua que ainda havia. est$ tudo terminado1 0eu marido vai receb-la em boa paz""" . batendo nas costas da companheira. ouvisteD 5. atirou nos ombros o seu ale de croch. e recolhendo do montão dos cacos o que lhe pareceu aproveit$vel. en ugando os olhos na costa da mão.ale cada um por sua vez1 0eu marido""" acrescentou ele. não me vem ainda por cima dar cabo de tudoD1""" interrogou o Bruno.p9s em cacos o que + meu1 gritou Ceoc$dia" . voltando-se para a acusada.<erca1 .$ de rumor1 e clamava o vendeiro. sob pena de seguir para a esta&ão no mesmo instante" . interveio *le andre. procurando dar % voz infle (es autorit$rias e reconciliadoras" . mas um bichanar de cochichos formou-se em torno do seu pranto" . que apanhei hoje com a boca na botija. que lavava6 .?entiraD1 E boa1 @inhas a saia despida e um homem por cima1 .2ão lhe pude ver as fu&as1""" respondeu o ferreiro.#ara onde vais tuD""" perguntou-lhe em voz bai a" . segredou-lhe6 .#ois voc. se o apanho.não v.5st$ bom1 est$ bom1 disse o pol'cia.oc. deu um pulo ao quarto.5 mentira1 repetiu Ceoc$dia.*gora""" continuou ela.5spere um instante""" disse a mulata" :lha..

tão fiel %s suas tradi&(es como a seu marido" *gora estava at+ mais triste. do Brasil. triste porque não se passava um dia que lhe não notasse uma nova transforma&ão. que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens tocam de alvos turbantes de cambraia. lenta e profunda. seus olhos.#ede então % Rita que to ensine""" *quilo não ter$ muito que aprender1 . dia a dia. dantes s! voltados para a esperan&a de tornar % terra. os seus carinhos eram frios e distra'dos. agora.se me fazes por arranjar uns camar(es. reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos. quando cantam % viola os seus amores infelizes. dados como por condescend-ncia. pelo vatap$ e pelo caruru. o pirão de fub$ ao pão de rala. mais amigo de gastar que de guardar. de espa&o a espa&o. para idealizar felicidades novas. tanto mais os seus sentidos se apuravam. feita de um s! bloco. e. repelindo o caldo que ela lhe apresentava ao jantar. a carne-seca e o feijão-preto ao bacalhau com batatas e cebolas cozidas. mas no intimo continuava a ser a mesma colona saudosa e desconsolada. recebia a influ-ncia do meio s! por fora. assim como reformou a mesa" Jer9nimo. aquele homem que se lavava todos os dias. e volvia-se pregui&oso resignando-se.ma transforma&ão. a couve % mineira destronou a couve % portuguesa. compacta. num trabalho misterioso e surdo de cris$lida" * sua energia afrou ava lentamente6 fazia-se contemplativo e amoroso" * vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam. . a pimenta-malagueta e a pimenta-de-cheiro invadiram vitoriosamente a sua mesa. todas as manhãs. Jer9nimo principiou a achar gra&a no cheiro do fumo e não tardou a fumar tamb+m com os amigos" 5 o curioso + que quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros. % semelhan&a do esposo. afinar a sua alma pela alma da nova p$tria que adotaram" <edia passivamente nos h$bitos de e ist-ncia.?as + que não sei""" balbuciou a pobre mulher" . se foram reformando todos os seus h$bitos singelos de aldeão portugu-s6 e Jer9nimo abrasileirou-se" * sua casa perdeu aquele ar sombrio e concentrado que a entristecia. e aos domingos reunia-se gente para o jantar" * revolu&ão afinal foi completa6 a aguardente de cana substituiu o vinho. como ela preparou aqueles doutro dia" 0ouberam-me tão bem1 5ste resvalamento do Jer9nimo para as coisas do Brasil penalizava profundamente a infeliz criatura" 5ra ainda o instinto feminil que lhe fazia prever que o marido. aquele homem que aos domingos punha perfumes na barba e nos cabelos e tinha a boca cheirando a fumo" 7ue pesado desgosto não lhe apertou o cora&ão a primeira vez em que o cavouqueiro. o caso mudava muito de figura" 5ssa.. disse-lhe6 . a a&orda e o caldo de unto foram repelidos pelos ruivos e gostosos quitutes baianos. muralha de fogo com que o esp'rito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a p$tria contra os conquistadores aventureiros" 5 assim. imprevidente e franco. afigurando-se-lhe at+ que cometia um adult+rio. conservando-se inalter$vel quanto ao moral. donde. triste. adquiria desejos. porque chegava a estranh$-lo. não a queria para mais nada e havia de reformar a cama.5 as duas sa'ram. tomava gosto aos prazeres. sem conseguir. pouco a pouco. tornava-se liberal. selvagem e alegre. e tragava dois dedos de parati /pra cortar a friagem4" . como os olhos de um marujo. operava-se nele. a desconhec-lo. vencido. quando % noite acordava assustada ao lado daquele homem que não parecia o dela. compreendia at+ as inten&(es po+ticas dos sertanejos. % moda da Ritinha. inteiri&a e tapada. j$ se não revoltavam com a turbulenta luz. e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim. pertencia-lhe muito menos agora do que dantes" ?al se chegava para ela. %s imposi&(es do sol e do calor. na maneira de viver. num lu o oriental de ar$bicos pr'ncipes voluptuosos" *o passo que com a mulher. que se habituaram aos largos horizontes de c+u e mar. a farinha de mandioca sucedeu % broa. ambas sacudidas. para dar dois dedos de palestra nas horas de descanso. desde que o caf+ encheu a casa com o seu aroma quente. esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambi&ão. o caldo verde. j$ lhe não afagava os rins.J filha1 por que não e perimentas tu fazer uns pit+us % moda de c$D""" . com efeito. dei ando atr$s de si suspensa a curiosidade do corti&o inteiro" IX #assaram-se semanas" Jer9nimo tomava agora. picantes e violentas. j$ apareciam por l$ alguns companheiros de estalagem. triste porque Jer9nimo fazia-se outro. posto que em detrimento das suas for&as f'sicas" @inha agora o ouvido menos grosseiro para a música. surge um monarca gigante. quando estivesse de todo brasileiro. a 03ora #iedade de Jesus. hora a hora. uma 'cara de caf+ bem grosso. pela muqueca.

*gora est$s tu a chorar1 :ra. filha. que não parasse % porta um instante.*h1 eu bem sei o que isto +1""" . certa de que o marido não se chegava. foi ter com ele.5st$s a quei ar-te da sorte sem razão1 7ue )eus te não castigue" 5sta rezinga chamou outras que. Jer9nimo afetava grande interesse pela /pobrezinha de <risto4" . #iedade ficou com o cora&ão ainda mais apertado. mas""" sabesD deves tomar banho todos os dias e""" mudar de roupa""" Bsto aqui não + como l$1 Bsto aqui sua-se muito1 E preciso trazer o corpo sempre lavado. tal qual como havia em casa da Rita" . dei a-te disso1 5la continuou a solu&ar.quando os dois ficavam a s!s.Fr$vidaD mas então não + do marido1""" .:ra. dando arfadas com todo o corpo" : cavouqueiro acrescentou no fim de um intervalo6 . amanha por ti1""" Rita havia aboletado a amiga. sempre que vinha % estalagem durante o dia.E que j$ não me queres1 J$ não +s o mesmo homem para mim1 )antes não me achavas que p9r.?aldita hora em que viemos dar ao raio desta estalagem1 *ntes me tivera caldo um calhau na cabe&a1 . 2h$ Rita. foi prete to para lhe fazer presentes am$veis. com o correr do tempo. negou-se. tinha de provoc$-lo" 5. meu amigo.?uito bem1 muito bem1 aplaudia Jer9nimo" . a prete to de que no quarto fazia muito calor. porque ele. a quem Ceoc$dia se alagou como ama-seca. fez bem1""" * se3ora mostrou com isso que tem bom cora&ão""" . se ela sentia necessidade do marido. sem f9lego. a respeito da Ceoc$dia. por e emplo. repelindo-a brandamente6 . + o que +1 . pela pobrezinha de <risto.5 bobagem tua.2ão digas asnices. a mulata disse que Ceoc$dia estava gr$vida" . ao se não. e agora sabia que ela acabava de descobrir um bom arranjo num col+gio de meninas" . filha1 . abandonou a cama e foi deitar-se no sof$ da salinha" )esde esse dia não dormiram mais ao lado um do outro" : cavouqueiro arranjou uma rede e armou-a defronte da porta de entrada. mulherD #(es-te agora a fazer tamanho escarc+u. que + isto.2ão te queria falar. malucando na sua vida comum. depois passou-a para uma fam'lia. e agora at+ j$ te cheiro mal1 5 os solu&os recrudesciam" .*h. agora nunca era ele que a procurava para o matrim9nio.oi uma e plosão de ressentimentos e desgostos que se tinham acumulado no seu cora&ão" @odas as suas m$goas rebentaram naquele momento" . nunca..ez bem. uma noite. nem que se cuidasse de coisa s+ria1 #iedade desabafou6 . que. muito suas camaradas. e terminou por dizer-lhe. quando ele esteve incomodado. pois. se foram amiudando" *h1 j$ não havia dúvida que mestre Jer9nimo andava meio caldo para o lado da Rita Baiana. cheira-se mel1""" @em paci-ncia1 5la desatou a solu&ar" . neste mundo hoje por mim. a principio em casa de umas engomadeiras do <atete. desde que a Rita se arvorara em protetora da mulher do ferreiro. não passava pelo número O.5ntão. para perguntar-lhe pela /saudinha4" : fato de haver a mulata lhe oferecido o rem+dio. p9r os seus pr+stimos % disposi&ão dela e obsequi$-la em e tremo todas as vezes que a visitava" @inha sempre qualquer coisa para saber da sua boca. o qu-1 : mundo + largo1 sentenciou a baiana" 8$ lugar pro gordo e h$ lugar pro magro1 Bem tolo + quem se mata1 5m uma das vezes em que o cavouqueiro perguntou-lhe. Jer9nimo fingiu-se indisposto. como de costume.ma outra noite a coisa ainda foi pior" #iedade.

e. 03ora #aula. nas quais sangrara tais e tais tipos de fama. meteu na mão da feiticeira uma moeda de prata. quando ele saia da casa dela. recordando fa&anhas de capoeiragem. prometendo dar-lhe coisa melhor se o rem+dio tivesse bons resultados" ?as não era s! a portuguesa quem se mordia com o descaimento do Jer9nimo para a mulata. então cortasse um pouco dos cabelos do corpo. nem sei que vir$ a ser de mim neste mundo de <risto1""" 5nsine-me alguma coisa que me pu e o Jeromo1 * cabocla disse-lhe que se banhasse todos os dias e desse a beber ao seu homem. que ela dispunha sobre a mesa caprichosamente. agora no número ST. algumas gotas das $guas da lavagem. o meu rico homem1 5 a chorar. tinha o seu c9modo na oficina em que trabalhava" 0! pelos domingos + que ficavam juntos durante o dia e então não rela avam o seu jantar de p>ndega" . s! falou em rolos. mas tamb+m não escondeu o seu mau humor. a resmungar a cada figura que saia do baralho uma frase cabal'stica. depois do caf+. este regime não produzisse o desejado efeito. pateta. se perco aquela criatura. a ver dan&ar a mulata. babão" 5 ela. torrasse-os at+ os reduzir a p! e lhos ministrasse depois na comida" #iedade ouviu a receita com um sil-ncio respeitoso e atento. porque isso para ele não era gente1 <om um par de cocadas boas ficavam de p+s unidos para sempre14 Rita percebeu os ciúmes do amigo e fez que não dera por coisa alguma" 2o dia seguinte. pelas alminhas do purgat!rio.. pintando-se terr'vel.ai fazer agora pelo 0ão João quatro meses justamente" Jer9nimo j$ nunca pegava na guitarra senão para procurar acertar com as modinhas que a Rita cantava" 5m noites de samba era o primeiro a chegar-se e o último a ir embora. o ar compungido de quem recebe do m+dico uma senten&a dolorosa para um doente que estimamos" 5m seguida.ma vez em que ele gazeara o servi&o. no caf+ pela manhã. onde ela foi logo ter de carreira" . entre a velha ?arciana e sua filha . muito calma. suplicou % Bru a. esquecido de tudo.2ão" .*i. olhava-o atravessado" : capad!cio ia dormir todas as noites com a Rita. cada qual seguiu em sil-ncio para o seu lado" Rita deliberou prevenir Jer9nimo de que se acautelasse" <onhecia bem o amante e sabia de quanto era ele capaz sob a influ-ncia dos ciúmes. valetes e damas.5le tem a cabe&a virada por uma mulher trigueira" . consciente do feiti&o.#ode bem ser que sim" Barriga de quatro meses""" . foi v--la fora das horas do costume e encontrou-a a conversar junto % tina com o portugu-s" #assou sem dizer palavra e recolheu-se ao número O. em dar cabe&adas e navalhadas. era tamb+m o . na ocasião em que o cavouqueiro desceu para almo&ar. %s seis horas da manhã. declarou convicta. o que não era raro. um novo esc>ndalo acabava de e plodir. e o olhar que os dois trocaram entre si era j$ um cartel de desafio" 5ntretanto. esteve impertinente e rezingueiro toda a tarde" Jantou de cara amarrada e durante o parati. e durante o pagode ficava de quei o bambo. mas não morava na estalagem. dando-lhe embigadas ou fingindo que lhe limpava a baba no quei o com a barra da saia" 5 riam-se" 2ão1 definitivamente estava ca'do1 #iedade agarrou-se com a Bru a para lhe arranjar um rem+dio que lhe restitu'sse o seu homem" * cabocla velha fechou-se com ela no quarto. limpando.E o diacho da Rita Baiana1 e clamou a outra" Bem c$ me palpitava por dentro1 *i.lorinda" .irmo" 8avia muito j$ que este andava com a pulga atr$s da orelha e. que lhe remediasse tamanha desgra&a" . /não contando dois galegos que mandara pras minhocas. aflita. que ia para o trabalho.irmo não lhe disse nada a respeito das suas apreens(es. acendeu velas de cera. ainda mais se requebrava e reme ia. as l$grimas no avental de c>nhamo. que lhe punha. quando passava perto do cavouqueiro. lamuriou a infeliz entre solu&os. se no fim de algum tempo.*h1 mas ela não foi h$ mais tempo do que issoD""" . encontrou-se com o portugu-s. abstrato. mas. sem tirar os olhos das suas cartas6 . queimou ervas arom$ticas e tirou sorte nas cartas" 5 depois de um jogo complicado de reis.

fechou a porta da casa. que era mais que entendida no assunto" * cabocla. j$ zangada" 0em obter nenhum resultado das suas dilig-ncias. guardou a chave no seio e. diz logo quem foi""" E melhor1 aconselhou a das )ores" . desatou-lhe violentamente o vestido. como sucede sempre que h$ um pouco mais de servi&o e + necess$rio pu ar pelo corpo1 :ra est$ ai o que +1 . sem se alterar. berrava como uma louca" *bandonaram-se logo todas as tinas do p$tio e algumas das mesas do frege. mas não lhe bata agora. . nem de censura" ?arciana. curioso e alvoro&ado. ganhou a janela e caiu de um salto l$ fora. fez-lhe v$rias perguntas e mais % mãe. a velha escarranchada sobre a rapariga que se debatia no chão.2ada.7uem foiD1 7uem foiD1 5 de cada vez desfechava-lhe um sopapo pelas ventas" . amea&ando para o grupo.7ue sentes tuD""" . porque o flu o mensal desta se desregrara havia tr-s meses. e est$s lan&andoD""" 8einD1 .?arciana andava j$ desconfiada com a pequena.*h1 não queres dizer por bemD :ra espera1 5 a velha ergueu-se para apanhar a vassoura no canto da sala" . terr'vel e armada de pau" @odos procuraram cham$-la % razão6 . largou o servi&o.5st$ de barriga" 5 afastou-se.2ão sei. apalpando-a toda com um olhar inquiridor" . que surgiu logo % porta. e foi ao número ST. mas não respondia" .2ão1 5u quero saber quem lhe encheu o bandulho1 5 ela h$ de dizer quem foi ou quebro-lhe os ossos1 . tia ?arcianaD1 5ntão que + issoD1 . batendo na porta e amea&ando entrar pela janela" C$ dentro. disse a *ugusta. e depois disse friamente6 .lorinda.7ue + istoD1 E que esta assanhada est$ de barriga1 5st$ ai o que +1 #ara tanto não lhe faltou jeito.Bem.5stão vendoD""" e clamou a mãe" 2ão responde. correu a chamar a Bru a.7uem foiD1 * pequena berrava.ez-se em torno da rapariga um sil-ncio $vido. coitada1 *ssim voc. perguntava-lhe gritando e repetindo6 .2ada""" .2ão sinto nada. levantou-se de um pulo. tateando-lhe o ventre. nesse dia. e o populacho.lhe d$ cabo da pele1 . entre o povo amotinado" <oisa de uns nove palmos de altura" *s lavadeiras a apanharam. tr-mula de raiva.lorinda se levantou da mesa e foi de carreira para o quarto" * velha seguiu-a" * rapariga fora vomitar ao bacio" . tenteou de novo a mulatinha. mamãe""" . embalde tentando escapar-lhe. não senhora1""" * mulata velha apro imou-se.7ue + istoD""" perguntou-lhe a mãe. vendo iminente o cacete. .lorinda.5ntão que + isso. en ugou os bra&os no avental. este diabo1 ?as esperem. ou não1 . caiu aos murros em cima da filha" 5sta. nem foi preciso que a gente andasse atr$s dela se matando. cuidando em defend--la da mãe. levantou-lhe as saias e e aminou-lhe todo o corpo. quando. precipitou-se para o número ST. sem um gesto de surpresa. que eu lhes mostro se ela fala. cheio de curiosidade" . não tendo as duas acabado ainda o almo&o.5ntão. furiosa.

em c$1 5.5 as lavadeiras tiveram de agarrar-lhe os bra&os e tirar-lhe o cacete. o )omingos e o ?anuel aviavam os fregueses. l'vido de morte" . sempre aos pulos. meneando a cabe&a" ?uito bem1 #ois agora + tomar conta da fazenda e. numa roda-viva" 8avia muitos negros e negras" : baralho era enorme" * Ceonor l$ estava. me endo com outro.enho entregar-lhe esta perdida1 0eu cai eiro a cobriu. que a seguia como um animal pu ado pela coleira.. atrapalhado de servi&o" Bertoleza. +brios.7ue temos l$D perguntou de dentro o vendeiro. agarrando a filha pela mão. no capinzal. que não sei o que houve1 5le veio afinal" 7ue diabo era aquiloD .5ntão o senhor anda-me aqui a fazer conquistas. na sua l'ngua e mascando tabaco" ?arciana na frente do grande grupo e sem largar o bra&o da filha.: )omingos1""" . com uma grande colher de zinco gotejante de gordura. muito ensebada e suja de tisna.. sim1 desmentiu-o a . arrastou-a at+ % venda" :s circunstantes acompanharam-na ruidosamente e de carreira" * taverna.m dia de manhãzinha. me endo com um. chorando e cobrindo o rosto com a fralda do vestido. debai o das mangueiras""" : mulherio em massa recebeu estas palavras com um coro de gargalhadas" . mostrando a dupla fila de dentes brancos e grandes.: seu )omingos1 : cai eiro respondeu6 /0enhor"""4 com uma voz de delinq=ente" . apareceu % porta.oi o )omingos1 disseram muitas vozes" .*h1 foi aquele cara de naboD gritou ?arciana" . heinD1""" disse o patrão.. berrou6 .lorinda" . e levando apalp(es rudes de mãos de couro nas suas magras e escorridas n$degas de negrinha virgem @r-s marujos ingleses bebiam gengibirra.<orre aqui. gritou para seu homem6 .oi ele.J seu João Romão1 . cantando. seu João. %s quatro horas.: cai eiro desviou os olhos.oi seu )omingos""" disse ela. não senhor1""" . abai ou o rosto e retirou-se lentamente" .2ão fiz nada. ao ver tanta gente reunida.com esta pequenaD .8ein1 7ue + l$ issoD1 .. não houve outro rem+dio6 . e. deve tomar conta dela1 João Romão ficou perple o" . como não gosto de cai eiros amigados.7ue fez voc. fervia de concorr-ncia" *o balcão daquela.<hegue c$1 5 o criminoso apresentou-se. pode procurar arranjo noutra parte1""" )omingos não respondeu patavina. para a não encarar" . como a casa de pasto. porque a velha queria crescer de novo para a filha" *o redor desta a curiosidade assanhava-se cada vez mais" 5stalavam todos por saber quem a tinha emprenhado" /7uem foiD1 7uem foiD14 esta frase apertava-a num torniquete" *final. ao chegar % porta lateral da venda..: cai eiro da venda1""" . rasgado na luta" .

0abeD : cara de nabo diz que não casa1 5sta frase produziu o efeito de um grito de guerra entre as lavadeiras. pelo portão da esta agem. que se reuniram de novo.<hame a pol'cia1 . se postassem as outras de sentinela.Ci e-se. invadira a casa de João Romão e perseguia o )omingos que preparava j$ a sua trou a" .)as )ores1 toma cuidado.:nde est$ o *le andreD 5 ningu+m mais se entendia" G vista daquela agita&ão.5ra s! o que faltava1 .: grupo das lavadeiras e dos curiosos derramou-se então pela venda.7uer escapar1 . se o homem não casa. fizeram-se profecias" 5ntretanto. no meio de crescente algazarra. sem largar a filha. simD1 bradou esta" #ois veremos1 5 despejou da venda. ordenou-lhe" )ei e-se ficar por enquanto" Cogo mais lhe direi o que deve fazer" 5 chegando a uma das portas que davam para a estalagem. que enfureceu a velha" . se este tentasse fugir" <om o seu e emplo não tardou que em cada porta. ouviam-se pragas ferozes e amea&as6 . formando grupos de tr-s e quatro" 5.5ntão mais ningu+m pode contar com a honra de sua filhaD .:ra li e-se1 resmungou o cai eiro. onde era poss'vel uma escapula.7uem não pode com o tempo não inventa modas1 .. agora muito vermelho de c!lera" .5ntãoD perguntou-lhe" 7ue tenciona fazerD 5le não deu resposta" . repartindo-se em pequenos magotes que discutiam o fato" #rincipiaram os coment$rios.. os ju'zos pr! e contra o cai eiro.0aia o canalha1 .7uem não quer ser loto não lhe vista a pele1 * mais empenhada naquela repara&ão era a ?achona. gritando para todos6 . agitadas por uma grande indigna&ão" . não1""" ?ais devagar com o andor1 . não casaD1""" .@inha gra&a1 . mande-no-lo pra c$1 @emos ainda algumas pequenas que lhe conv-m1 .2ão saia agora. por todos os lados.$ de rumor1 2ão quero isto aqui1 E safar1 . que o patife não espirre por ai1 .J seu João Romão.<omo. disposta a segurar o culpado.5st$ fazendo a trou a1 . gritou6 .2ão dei e sair1 . o vendeiro foi ter com o )omingos" .0e não queria casar pra que fez malD . ?arciana.:u ele casa ou sai daqui com os ossos em sopa1 . pelo frege.?as onde est$ esse ordin$rioD1 .*h.oc. e a mais indignada com o fato era a )ona Bsabel" * primeira correra % frente da venda.h$ de casar6 ela + menor1 )omingos soltou uma palavrada.amos1 vamos1 fale1 desembuche1 .

nem eu admito. h$ de ficar calado.. agrade&a-o a mim1 . pode tratar de vida nova1 2ada o prende aqui" 5stamos quites" .:u d--nos pra c$ o patife1 . como a ?arciana lhe lan&asse uma injúria mais forte. com um p$ssaro inteiro grudado % copa. e muito menos dos meus cai eiros1 .5ntão eu tenho de pagar um doteD1""" . amea&ando-o com o punho fechado. os seus l$bios pintados de carmim.ão descansados. sempre que tinha l$ as suas zangas" : esc>ndalo não dei ou de ser. cintilantes de pedras finas.Basta1 0e quiser. a sua sombrinha vermelha. por um urbano" . curto.enha o homem1 acompanhou o coro" . como costumava.2ão foge1 não dei a fugir1 . era ainda esse o principal assunto das conversas" C+onie. se h$ pouco não lhe arrancaram os f'gados. quando. sem saber que provid-ncias tomaria o vendeiro" 5speraria at+ ao dia seguinte /para ver s!14 : que nesse ela fez foi dar uma boa lavagem na casa e arrum$-la muitas vezes.olte cada uma para a sua obriga&ão. discutido um s! instante" 2ão se falava noutra coisa. suas p$lpebras tingidas de violeta. v$ quei ar-se % policia""" 5st$ no seu direito1 5u me e plicarei em ju'zo1""" . o seu cabelo artificialmente louro.:u casar""" *h. o seu pantafa&udo chap+u de imensas abas forradas de velado escarlate.: rapaz casa1 disse o vendeiro com ar sisudo" J$ lhe falei""" 5st$ perfeitamente disposto1 5. se vocquiser.ugir + que não1 . a pequena ter$ o seu dote1 . enfeitado de encarnado sangue de boi. as suas lavas de vinte bot(es que lhe chegavam at+ aos sovacos.bem viu como estão todos a seu respeito1 5. respondo por ele ou pelo dinheiro1 5stas palavras apaziguaram os >nimos.2ingu+m se arrede1 5. decerto1 mas não + justo.oc. este neg!cio de tr-s vint+ns + assim1 <usta dinheiro1 *gora. ao contr$rio .E preciso dar-lhe uma li&ão1 . a mandaria jogar l$ fora. se não casar.<om que. se ela insistisse com desaforos. mostrando uns sapatinhos % moda com um salto de quatro dedos de altura. tanto que. que saia da minha algibeira porque não estou disposto a pagar os caprichos de ningu+m. *ugusta e *le andre receberam uma visita da comadre.<omoD se o senhor ainda não me fez as contasD1""" . que lhe fecho a porta e dei o-o ficar %s turras l$ fora com esses danados1 ..#onha-nos então pra c$ o homem1 e igiu a mulata velha" . junto com a filha. as suas j!ias caprichosas.<ontasD 7ue contasD : seu saldo não chega para pagar o dote da rapariga1""" .oi preciso prometer dinheiro e tenho de cair com ele.amos1 . ficar aqui at+ % noite. meu amigo.. j$ % noite. não recebo nadaD""" . o taverneiro jurou que. a C+onie. petulante.?as""" .rua1 5 afastou-se" ?arciana resolveu não ir ao subdelegado. por muito favor. com as suas roupas e ageradas e barulhentas de cocote % francesa..2o mais""" acrescentou. tudo isto contrastava tanto . João Romão recolheu-se6 chamou de parte o )omingos e disse-lhe que não arredasse p+ de casa antes de noite fechada" . levantava rumor quando l$ ia e punha e press(es de assombro em todas as caras" : seu vestido de seda cor de a&o. durante o dia.5 não principie com muita coisa.#ois então o homem que case1 responderam" . o grupo das lavadeiras afrou ou.amos1 . sumida numa nuvem de rendas cor-de-rosa e com grande cabo cheio de arabescos e travagantes. que eu não posso perder tempo1 .

com e clama&(es de assombro % vista de tanto lu o de rendas e bordados" * visita sorria. de mão no quei o. onde reluziam dentes mais alvos que um marfim" Juju. que as dominava na sua sobranceria de mulher loura vestida de seda e coberta de brilhantes" * das )ores sentiu-se orgulhosa. a sua originalidade. descal&ava os sapatos para enfiar os chinelos velhos que encontrasse debai o da cama" 2ão obstante. porque a achava deveras bonita" /:ra1 era preciso ser bem esperta e valer muito para arrancar assim da pele dos homens ricos aquela por&ão de j!ias e todo aquele lu o de roupa por dentro e por fora14 . era carregada de casa em casa. mas solene sempre.ma boneca francesa1 . e muitos moradores se abalaram do c9modo para ver a filhita da *ugusta /com cabelos de francesa4" @al sucesso p9s C+onie radiante de alegria" *quela afilhada era o seu lu o. prezava todavia com admira&ão e respeito a honestidade vulgar da comadre. com um embrulho de balas em cada mão. disse que a invejava do fundo do cora&ão. não se animavam. falando compassadamente. mas dava-lhe apre&o talvez por isso mesmo e. discreteava sobre assuntos s+rios.tase. arranjava-lhe chap+us escandalosos como os dela e dava-lhe j!ias" ?as. ali$s tão alegres e vivazes. malicioso e petulante. a rir nem levantar a voz. revistar-lhe as salas. parando a todo momento. a coisa boa da sua vida de cansa&os depravados.Rica pequena1""" . cercada por uma roda de lavadeiras e crian&as. como um 'dolo milagroso.com as vestimentas.oi caso para uma revolu&ão na estalagem. a Juju. levantando-lhe o vestido. tomava ao colo o pequenito da comadre e.. levando o capricho ao ponto de lhe mandar talhar a roupa da mesma fazenda com que fazia as suas e pela mesma costureira. patenteada em todo o seu carão mulato. % espera que cada qual desafogasse por sua vez o entusiasmo pela crian&a" 0ilenciosamente risonho.ma menina Jesus1 : pai acompanhava-a comovido. em parte. um ar condolente e estúpido de um profundo reconhecimento por aquela fortuna. a noticia correu logo de número a número. quando C+onie lhe pousou no ombro a mãozinha enluvada e recendente. passando de bra&o a bra&o e levada de boca em boca. defronte dela. ao ver a sua pequena. %s vezes. bebia $gua pela caneca de folha. o cotovelo no ar" * Rita Baiana levara-lhe um ramalhete de rosas" 5sta não se iludia com a posi&ão da loureira. nem ela parecia a mesma. chegavam a e aminar-lhe a roupa. que a matariam de rid'culo em qualquer outro lagar. ficou com os dela arrasados de $gua" C+onie trazia sempre muito bem cal&ada e vestida a afilhada. quando os tinha castanhos por natureza" . *ugusta. condenando maus atos e desvarios. enquanto Juju percorria a estalagem. enviando-lhe dos c+us o ideal das madrinhas" 5.. o acatamento que lhe votavam *le andre e a mulher não tinha limites. sentia-se honrada com a sua estima. de admir$-la. cheia de infle (es de pessoa pr$tica e ajuizada. no seu entusiasmo. naquele dia. a grande novidade que Juju apresentava era estar de cabelos louros. para lhe perguntar pelo seu homem" 5 não se fartavam de olhar para ela. com o seu rostinho redondo. que )eus lhe dera % filha. e muito linda nas suas roupas de espavento. os costumes e as maneiras daquela pobre gente. conduzida em triunfo. como em procissão. aplaudindo a moral e a virtude" 5 aquelas mulheres. e conversavam a medo cochichando..ma criaturinha dos anjos1 . de bigode que parecia posti&o. C+onie na casa da comadre. tolhidas de respeito pela cocote. pareciam capazes dos maiores sacrif'cios por ela" *doravam-na" *chavam-na boa de cora&ão como um anjo. que de todos os lados surgiam olhos curiosos a espreit$-la pela porta da casinha de *le andre. com os olhos úmidos.E um enlevo olhar a gente pro demoninho1 # E mesmo uma lindeza de crian&a1 . apalpar-lhe as meias. por sua vez comovida" #iedade declarou que a roupa branca da madama era rica nem como a da 2ossa 0enhora da #enha" 5 2enen. cobria-a de obs+quios de toda a esp+cie" 2os instantes que estava ali. pois at+ os olhos lhe mudavam de e pressão" 5 não queria prefer-ncias6 assentava-se no primeiro banco. ao que a mãe lhe observou que não fosse besta" : *lbino contemplava-a em . entre aqueles seus amigos simpl!rios. que todos queriam beijar" 5 os elogios não cessavam6 . como vinha tão embonecada e catita. a tapar a boca com a mão. era o que aos seus pr!prios olhos a resgatava das abje&(es do oficio" #rostituta de casa aberta.

arranja-se tudo1 2ão passar$ bem como em sua casa. levo-lhe toda a roupa" *gora. mandou ver se ele por acaso estaria no portão.*h1 esclareceu *ugusta" 2ão est$ ai. quintas e s$bados.7ue <ostaD .#or que a comadre não dorme aquiD""" lembrou *ugusta" 0e quiser. comadre.7ual1 2ão + por falta de boa vontade da parte delas. pagodes fora da cidade e dinheirama grossa para gastar % farta1 5nfim. de prop!sito. por+m. não lho permitiram. a pontap+s e cacha&(es de um bruto de marido1 E dona das suas a&(es1 livre como o lindo amor1 0enhora do seu corpinho. agora me aparece por l$D""" quis saber C+onie . no p$tio.E aquele mesmo que veio da outra vez com a comadreD""" . servir de dama numa sociedade em que os cai eiros do com+rcio aprendiam a dan&ar" . sem dar tempo a que se opusessem.5 #ombinhaD""" perguntou a visita" 2ão me apareceu ainda1""" .#refiro um copo de cerveja. + verdade1 tamb+m tenho poucas" . tirou da carteira uma nota de dez mil-r+is. que deu a *gostinho para ir buscar tr-s garrafas de <arls Berg" * vista dos copos. sem falta.#ara que gastar tantoD""" 7ue alma grande1 : troco ficou esquecido.7uando voc-. corridas. formou-se um sil-ncio enternecido" * cocote distribuiu-os por sua pr!pria mão aos circunstantes.)epois d3amanhã est$ tudo l$" 5 a noite ia-se passando" )eram dez horas" C+onie. mas uma noite corre depressa1""" 2ão1 não era poss'vel #recisava estar em casa essa noite6 no dia seguinte pela manhã iriam procur$la muito cedo" . quais eram estes. reservando um para si" 2ão chegavam" 7uis mandar buscar mais. objetando que duas e tr-s pessoas podiam beber juntas" . a verdade + que ela passa muito bem de boca e nada lhe falta6 sua boa casa.2ão sei. bailes quando quer e.az-me ir sozinha por ai ou incomodar algu+m que me acompanhe1 .5 aquiloD""" J$ veio afinalD""" .. entre uma infinita quinquilharia de coisas velhas e bem tratadas" .5ntão + bom mandar-me toalhas e len&!is""" <amisas de dormir. se a comadre tem precisão de alguma""" podese aprontar com mais pressa""" .Bmprest$vel1""" resmungou" .: noivo1 5ntão a #ombinha j$ não foi pedidaD . seu bom carro para passear % tarde. nem para que mol+stia os tomava" . mediante dois mil-r+is por noite. regatas. % espera" . teatro toda a noite. filha1 pregava depois a mulata.#ra semana. a uma companheira. *ugusta apresentou-lhe uma 'cara de caf+. seja assim ou assado. como a Ceoc$dia e outras. sobre a c9moda.*h1 sei""" 5 a cocote perguntou depois. impaciente j$ pelo rapaz que ficara de ir busc$la. e plicou que a filha de )ona Bsabel ia todas as ter&as. aos domingos. declarou ela" 5. que ela s! entrega a quem muito bem lhe der na veneta1 . s! o que afian&o + que esta não est$ sujeita.. liberalmente cheios.2ão" E um mais alto" )e cartola branca" <orreu muita gente at+ % rua" : rapaz não tinha chegado ainda" C+onie ficou contrariada" .oi l$ que ela conheceu o <osta""" acrescentou" . abafando a voz6 . que C+onie recusou por não poder beber" /5stava em uso de rem+dios"""4 2ão disse. como a outra mostrasse na cara não ter compreendido. foi % sociedade de dan&a com a mãe" 5. coitadas1 *gora mesmo a velha fez uma nova promessa a 2ossa 0enhora da *nuncia&ão""" mas não h$ meio1 )a' a pouco.

era lobrigada de relance. chegava % janela.2isto chegou #ombinha com )ona Bsabel" )isseram-lhes logo % entrada que C+onie estava em casa do *le andre. os olhos fechados. da' a um quarto de hora. mirando-a toda" . ajudava o Botelho nos arranjos da casa e. a dar as suas ordens. ou aparecia no patamar da escada do fundo. para namoriscar #ombinha. ora de um lado.#or um pouco que não me apanhas""" continuou a cocote na sua conversa com a menina" 0e a pessoa que me vem buscar tivesse chegado j$.0e mamãe dei ar""" :lha1 ela ai vem" #e&a" )ona Bsabel prometeu ir. levantando espantos e gargalhadas" .0audades suas""" respondeu a mo&a. levando a mão ao lagar da pancada" 0empre h$ de mostrar que + galego1 X 2o outro dia a casa do ?iranda estava em preparos de festa" Cia-se no $%ornal do &omércio que 0ua 5 cel-ncia fora agraciado pelo governo portugu-s com o titulo de Barão do . não no dia seguinte. como fuma&a de um tiro de pe&a" <hamaram-se novos criados para aqueles dias" 2o salão da frente. ouvisteD Juju dormia" Resolveram não acord$-la. disse bai inho % menina6 .ai amanhã com tua mãe. eu estaria longe" . que fingia não dar por isso. mas no outro imediato. no p$tio.*quela pra c$ nem pintada1 5. mas vestido com esmero e muito bem apessoado" * cocote. radiante de alegria" Fostavam-se muito uma da outra" * cocote recebeu-a com e clama&(es de agrado e beijou-a nos dentes e nos olhos repetidas vezes" . acompanhada at+ o portão por um s+quito de lavadeiras. beliscou a co a de Jer9nimo e soprou-lhe % meia voz6 . como est$ essa lindeza1 perguntou-lhe. abertas de par em par.5ntão. e a menina dei ou a mãe um instante no número SN e seguiu sozinha para ali..5 mudando de tom. e na cozinha havia rebuli&o" )ona 5stela. a Rita. a acarinhar-lhe os cabelos6 . toda embebida na sua costura. para dei ar bem patente as suas prefer-ncias.2ão lhe caia o quei o1""" : cavouqueiro teve um desdenhoso sacudir d3ombros" .2ão + preciso que ele saiba que vais l$ domingo. abanando-se com um grande leque. a sacudirem tapetes e capachos. numa cadeira de vime. ora de outro. surgir de vez em quando Ceonor ou Bsaura. virou o p+ do lado e bateu com o tamanco na canela da mulata" .2unca vou % cidade""" E raro1 suspirou #ombinha" . logo que o viu apro imar-se. isolando-as de todas as outras" C+onie entregou % #ombinha uma medalha de prata que lhe trou era. via-se nas janelas do sobrado. de penteador de cambraia enfeitado de la&os cor-de-rosa. uma tet+ia que valia s! pela esquisitice. o rapaz por quem esperava C+onie" 5ra um mo&o de vinte e poucos anos. pretos lavavam o soalho. jantam as duas comigo""" .rei al. que era domingo" 5 a palestra durou animada at+ que chegou. a cabe&a torcida para dentro por causa da poeira que a cada pancada se levantava. de palet! branco. que escorriam para o quintal" Aulmira tamb+m ia e vinha. com a sua palidez fria e úmida de menina sem sangue" 8enrique. e como os seus amigos se achassem prevenidos para ir cumpriment$-lo no domingo.#or que não me apareces1""" 2ão tens que recear6 minha casa + muito sossegada""" J$ l$ t-m ido fam'lias1""" . uma . iria no dia seguinte" 2a ocasião em que C+onie partia pelo bra&o do amante. estabeleceu-se. cheia de interesse para ambas. representando uma fatia de queijo com um camundongo em cima" <orreu logo de mão em mão. preocupada em soerguer as saias contra as $guas sujas da lavagem. % porta do número SN. o negociante dispunha-se a receb-los condignamente" )o corti&o. onde esta novidade causou sensa&ão. sem emprego e sem fortuna. rindo bonito na sua boca ainda pura" 5 uma conversa amiga.:lha o bruto1""" quei ou-se esta. batendo-lhes em cima com um pau. minha flor. de instante a instante.

B-beda. e metia-se no carro que o esperava % porta da rua" . na hora em que os homens do mercado. entrava da rua e atravessava a sala de jantar. indiferente %s frases que uma ou outra lavadeira imprecava contra ele" 5las. da secretaria e das esta&(es de pol'cia para o escrit!rio de advogados que. sobre-casacado.*gora deste para chorar. que )eus + quem h$ de punir por mim e por minha filha1 e clamou a desgra&ada" ?as o vendeiro afastou-se. quase sem intermit-ncia. porque lhe disseram que nada se poderia fazer enquanto não aparecesse o delinq=ente" ?ãe e filha passaram todo esse s$bado na rua. por+m. ?arciana vinha tão furiosa que. homens carregados de gigos de champanha. prostradas de cansa&o. malvado. latas e latas de conserva.:ra. cestos e cestos de mantimentos.)ei a estar.oc. e aminando tudo. logo que se inteiravam da escassez de recursos de ambas as partes" 7uando as duas. c$ embai o. heinD *h. corja1 tão bom + um como o outro1 ?as eu hei de mostrar1 .?as voc.disse que respondia por ele1 repontou ?arciana. ela desviava os olhos do servi&o e erguia-os para o sobrado" 5ntretanto. o sedutor da . abriu toda a casa e correu a buscar $gua para baldear o chão" 5stava possessa" . um por um. um caso palpitante agitava a estalagem6 )omingos. lhes perguntavam de quanto dispunham para gastar com o processo. despachando-as. lembrando sinistramente uma crian&a a quem enforcassem depois de tirar-lhe a pele" @odavia.est$ b-bedaD . que parecia ter envelhecido dez anos naquelas últimas vinte e quatro horas" . tornaram % tarde para a estalagem. seguia at+ a despensa. mas o tratante cegou-me1 7ue havemos de fazerD""" E ter paci-ncia1 . com o chap+u alto derreado para tr$s na cabe&a e sem largar o guarda-chuva.amos ver se o fogueteiro aprontou os fogos1 5 viam-se chegar. a figura gorda e encanecida do novo Barão. não me amole1 5 João Romão virou-lhe as costas. ralhando. heinD mas na ocasião do rela amento havias de estar bem disposta1 * filha solu&ou" . para falar % Bertoleza que se chegara" .7ue doteD . canastras d3ovos. mostrando a meia de seda azul e um sapatinho preto de entrada bai a. recolhiam-se j$ com os balaios vazios ou com o resto da fruta que não conseguiram vender na cidade. e outros traziam perus e leit(es. com grandes pe&as de carne em vinha d3alhos.perna dobrada sobre a outra. uma s! noite rolada por cima do esc>ndalo bastava para tirar-lhe o m+rito de novidade" ?arciana foi com a pequena % procura do subdelegado e voltou aborrecida. dando ordens. cai as de #orto e Bord+us.@oca1 toca1 . sempre apressado. sem mais considera&(es.0ei c$1 <reio que não podia traz--lo pendurado ao pesco&o1""" .lorinda. diligente esbaforido. s! de longo em longo espa&o. sem dar palavra % filha e com os bra&os mo'dos de esbordo$-la. que ali moravam.)e acordo. j$ se não mostravam tão indignadas como na v+spera.. indagando se j$ tinha vindo isto e mais aquilo.#ois então ande com o dote1 . numa roda-viva. quartos de carneiro e de porco" 5 as janelas do sobrado iam-se enchendo de compoteiras de doce ainda quente. sa'do do fogo. que tinha as pernas abertas. voltando-se para a direita e para a esquerda.a vassoura1 *nda1 Cava1 lava. que est$ isto uma porcaria1 #arece que nunca se limpa o diabo desta casa1 E dei $-la fechada uma hora e morre-se de fedor1 *pre1 isto faz peste1 5 notando que a pequena chorava6 . desaparecera durante a noite e um novo cai eiro o substitu'a ao balcão" : vendeiro retorquia atravessado a quem lhe perguntava pelo evadido6 . provando dos vinhos que chegavam em garraf(es. barricas de cerveja. e travess(es. prontos para entrar no forno" G porta da cozinha penduraram pelo pesco&o um cabrito esfolado. e depois tornava a sair. esbraseadas de calor. de barro e de ferro. e igindo atividade.

estranho . por sua vez. para cair numa dor humilde enternecida de mãe que perdeu o filho" . vira-o luzir. + bem feito1 7ue diabo1 ela + de carne. vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da pra&a e da pol'tica.#ara onde iria ela. de bra&os abertos. para arvorar-se terr'vel defronte da venda. aquele sovina que nunca sa'ra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de *ngola. senhor1 aquele taverneiro. na apar-ncia tão humilde e tão miser$vel. cercado de amigos e rodeado de aduladores. aquele animal que se alimentava pior que os cães.E bem feito1 *gora chore na cama que + lugar quente1 .#ois voc.. tão fora de si. que foi colocar-se perto dela. por mais de uma vez mandara Bertoleza % coisa mais imunda. ou chamo um urbano1 )ou-lhe uma noite1 amanhã pela manhã . fugindo em desfilada pela rua" 2ingu+m teve tempo de apanh$-la. apenas porque esta lhe fizera algumas perguntas concernentes ao servi&o" 2unca o tinha visto assim. o invejara a ele" *companhara-o desde que o ?iranda viera habitar o sobrado com a fam'lia. que nunca jamais amara senão o dinheiro.?inha filha1 .?inha filha1 ?inha filha1 ?inha filha1 2ingu+m quis tomar o partido da infeliz. compreendendo que a filha a abandonava. fitando-a im!vel. tudo. olhando para o espa&o" *s l$grimas saltavam-lhe pelas rugas da cara" 5 logo. aquele desgra&ado. vira-o enfim em todas as suas prosperidades. vira seu nome figurar em v$rias corpora&(es de gente escolhida e em subscri&(es. coisa-ruim1 2ão ouvisteD . aquele ente atrofiado pela cobi&a e que parecia ter abdicado dos seus privil+gios e sentimentos de homem. cheio de import>ncia. % e ce&ão da cabocla velha. de um salto. tão cheio de repel(es. pego-te fogo na casa" * bru a sorriu sinistramente ao ouvir estas últimas palavras" : vendeiro chegou % porta e ordenou em tom seco % ?arciana que despejasse o número ST" .5ste galego e que teve a culpa de tudo1 ?aldito sejas tu. vira-o meter-se em altas especula&(es comerciais e sair-se bem. que te fa&o chorar com razão" 5 precipitou-se sobre ela com uma acha de lenha" ?as a mulatinha. girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense. meu pai do c+uD .<ala-te. para p9r de parte tudo. como um grosso pião de ouro. assinando belas quantias. quando. nem parecia aquele mesmo homem inalter$vel. vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro.rua1 *h1 ele esse dia estava intolerante com tudo e com todos. disparou da c!lera.E andar1 E andar1 2ão quero esta berraria aqui1 Bico.ugiu-lhe. que ganhava ou e torquia. com dobrada amargura do que sofrera o marido de )ona 5stela. com o seu desvairado olhar de bru a feiticeira" ?arciana arrancou-se da abstra&ão plangente em que ca'ra.desd3ontem que bate na rapariga1""" disse-lhe a Rita" . ladrão1 0e não me deres conta de minha filha. desatou por sua vez a solu&ar. não + de ferro1 . como uma doida e. pinchou pela porta e atravessou de uma s! carreira o p$tio da estalagem. invejava-o deveras.lorinda solu&ou mais forte" . malvado.*h1 choras sem motivoD""" 5spera. apostrofando com a mão no ar e a carapinha desgrenhada6 . e um clamor de galinheiro assustado levantou-se entre as lavadeiras" ?arciana foi at+ o portão. que a convulsionava desde a manhã da v+spera. vira-o nas felizes ocasi(es da vida. sem transi&ão. e nunca lhe tivera inveja" ?as agora. invejava agora o ?iranda. sempre calmo e met!dico" 5 ningu+m seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o ?iranda agraciado com o titulo de Barão" 0im. vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional.

come&aram a jorrar cascatas de libras esterlinas. e as linhas desenhavam-se n'tidas. de muito lu o. e homens de farda bordada. rodando deliciosamente. de todos os cantos do quarto. como todas as manhãs. brindando o anfitrião" 5. tresandando a uma mistura de suor com cebola crua e gordura podre" ?as João Romão nem dava por ela. em que se não determinava o que era p+tala de rosa ou asa de borboleta. ao lado dele a crioula roncava. um turbilhão de grandezas que ele mal conhecia e mal podia imaginar. s! o que ele via e sentia era todo aquele voluptuoso mundo inacess'vel vir descendo para a terra. por+m. uma vida fidalga. literatura e ci-ncia" 5 uma vida inteira. de libr+. entre mob'lias preciosas e objetos espl-ndidos. que agora lhe deparava o del'rio. lentamente. sem firmezas de tintas. nunca fora. bai elas e cristais. o dono de um corti&o. transformava-se. quando se estirou na cama. para ir buscar o pei e. nesse dia. colos e bra&os de mulheres seminuas. e a seus p+s principiou a formar-se um formigueiro de pigmeus em grande movimento comercial. de um lado a outro. at+ os modestos dois vint+ns de manteiga. chegando-se para o seu alcance. de ta&a em punho. mas apenas pelo ru'do namorador e f$tuo. o enorme capitalista1 o propriet$rio sem igual1 o incompar$vel banqueiro. sopeando parelhas de cavalos grandes" 5 intermin$veis mesas estendiam-se. com medo de ser iludido. com uma coroa % portinhola. e os surdos rumores indefinidos eram j$ animadas conversas. seu João. de simples mancha amarela. em opulenta ins'gnia de ouro cravejada de brilhantes" G noite. e r$pidos comboios a vapor atravessam-no todo. onde ele se via cercado de titulares milion$rios. murmúrio de brisa ou ciciar de beijos" 2ão obstante. em que damas e cavalheiros discutiam pol'tica. e navios descarregavam pilhas e pilhas de fardos e cai (es marcados com as iniciais do seu nome. serpenteando a perder de vista. um quadro de manchas p$lidas. num fremir de risos e espumar aljofrado de vinhos cor-de-ouro" 5 nuvens de caudas de vestidos e abas de casaca l$ iam. pretendendo abarc$-lo com as suas pernas curtas. pelas paredes imundas. para dormir. nem contornos. ali era o 0r" Barão1 : Barão do ouro1 o Barão das grandezas1 o Barão dos milh(es1 . que ela tinha de preparar para os seus fregueses" João Romão. para ir % praia" 0ão horas1 Bertoleza chamava-o aquele domingo. de igual para igual. não se achou com animo de dei ar a cama e disse % amiga que mandasse o ?anuel" . e as vozes duvidosas e confusas transformavam-se em falas distintas. pela primeira vez alucinado. sussurrantes.*corda.sentiu tamanho calafrio em todo o corpo. velado e p+rolas. ficava deslumbrado com o seu pr!prio sonho" @udo aquilo. real. ao lado da Bertoleza. que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos" . não p9de conciliar o sono" #or toda a mis+ria daquele quarto s!rdido. acumuladas de iguarias. onde se distinguiam instrumentos. pondo-lhes a mão no ombro" 5 ali ele não era. a quem tratava por tu. um mundo habitado por seres superiores. e telegramas faiscavam eletricamente em volta da sua cabe&a. nos tetos funebremente velados pelas teias de aranha. como imenso globo em cima de colunas feitas de moedas de ouro" 5 viu-se logo montado a cavaleiras sobre o mundo. de repente. de tamancos e em mangas de camisa. pelo chão enlameado de poeira e sebo.deslumbramento1 quando o vendeiro leu no /Jornal do <om+rcio4 que o vizinho estava barão Barão1 . defronte da sua preocupa&ão. gorda. numa encantadora confusão de flores. ao som de langorosas valsas e % luz de candelabros de mil velas de todas as cores" 5 carruagens desfilavam reluzentes. at+ ai s! lhe passara pelos olhos ou lhe chegara aos ouvidos como o eco e refle o de um mundo inating'vel e long'nquo. como se o cosessem com uma cadeia de vag(es" ?as. um conjunto harmonioso e discreto de sons e cores mal definidas e vaporosas. arfando e apitando sem tr+gua. estrompada de servi&o. tudo desapareceu com a seguinte frase6 . o cocheiro teso. descortinou-se amplamente defronte dos seus olhos fascinados. não confiava nunca aos empregados a menor compra a dinheiro. em h$bitos e veneras de toda a ordem e esp+cie" 5 em volta do seu esp'rito. em ondas de seda e rendas. porque nada disso o vendeiro conhecia de perto. de muito dinheiro. na cabe&a uma coroa de rei e na mão um cetro" 5 logo. acentuando-se" 5 as dúbias sombras tomavam forma. uma vida de pal$cio. um para'so de gozos e celentes e delicados. artes. cercadas de um e de outro lado por lu uoso renque de convivas. tudo se convertia em comendas e crach$s. num reviver de natureza ao raiar do sol" :s t-nues murmúrios suspirosos desdobravam-se em orquestra de baile. em cujos capitais se equilibrava a terra.endeiro1 7ual1 era o famoso. completa. e tudo se ia esclarecendo e tudo se aclarava. que media sobre um peda&o de papel de embrulho para dar ao fregu-s. e paquetes de todas as nacionalidades giravam vertiginosamente em torno do seu corpo de colosso. de papo para o ar. que os seus grosseiros sentidos repeliam. estrelavam pontos luminosos que se iam transformando em grã-cruzes. luzes. perpassou vertiginosamente.Barão1 5 durante todo o santo dia não pensou noutra coisa" /Barão1""" <om esta + que ele não contava1"""4 5.

ma banda de música.oc. com o fiscal da rua6 /#ois ele era l$ algum parvo. não aprendera a dan&arD e não freq=entar sociedades carnavalescasD e não fora de vez em quando % Rua do :uvidor e aos teatros e bailes. fazendo fam'lia. lhe fora ao tabuleiro do pei e frito" #arava defronte das tinas vazias. duras como as de um cavouqueiro. procurando prete tos para ralhar" ?andava. sem saber para que e com que fim. por causa de um gato desta.30t$ bem1 Basta1 5 o seu mau humor agravou-se pelo correr do dia" <ome&ou a implicar com tudo" *rranjou logo uma pega. e mais dinheiro. curtindo priva&(es. criados % solta. caso resolvesse mudar de vida radicalmente. agradecendo para a rua. e mais ainda.@eria gasto mais. acendia charutos. mudaram-se as cortinas. e com o len&o. todo de branco. que ele não gostava de cães % porta1""" 5ra andar14 #egou-se depois com a ?achona. em frente % porta do sobrado. que tivesse medo de amea&as de multasD""" 0e o bolas do fiscal esperava com--lo por uma perna.)ei e1 2ão me amole voc.ter vivido como ele vivera at+ ali. tomando esposa. feliz. amargurado6 . montar um sobrado como o do ?iranda e volver-se titular. a semana passada. e com o charuto. distra'do do servi&o" . resplandecente" João Romão via tudo isto com o cora&ão mo'do" <ertas dúvidas aborrecidas entravam-lhe agora a roer por dentro6 qual seria o melhor e o mais acertado6 . em tamancos e mangas de camisa. um desejo forte de querer saltar e um medo invenc'vel de cair e quebrar as pernas" *final. armaram-se flor(es de murta % entrada e recamaram-se de folhas de mangueira o corredor e a cal&ada" )ona 5stela mandou soltar foguetes e queimar bombas ao romper da alvorada" . deformados pelo diabo dos tamancos. como se ajeitariam com a luvaD""" 5 isso ainda não era tudo1 : mais dif'cil seria o que tivesse de dizer aos seus convidados1""" <omo deveria tratar as damas e cavalheiros. quando at+ ali fora tão pouco condescendente para com a pr!priaD""" 5.ora uma besta1""" pensou de si pr!prio. tocava desde essa hora" : Barão madrugara com a fam'lia. estaria apto para o fazerD""" #oderia dar conta do recadoD""" )ependeria tudo isso somente da sua vontadeD""" /0em nunca ter vestido um palet!. sem precisar de privil+gio para issoD""" ?aldita economia14 . para ver s! quanto lhe custaria a festa1""" 5 que lhe não rosnasse muito.deu hoje para conversar com as almas. + verdade1""" 2ão estaria tão bem1""" mas. que.tamb+m" 2ão estou bom hoje1 . acabaram azedando-lhe de todo a alma e tingindo de fel a sua ambi&ão e despolindo o seu ouro" /. brilhantes no peito da camisa. sa'rem as crian&as de seu . com um berro. ao lado da mulher ou da filha. tão penosamente acumulados.J gentes1 não falei por mal1""" <redo1 . e limpava a testa com o len&o. e cercando-se de amigosD""" @eria animo de encher de finas iguarias e vinhos preciosos a barriga dos outros. como faziam tantos outros seus patr'cios e colegas de profissãoD""" #or que. João Romão. e com tudo que os outros usavam naturalmente. como vestiria uma casacaD""" <om aqueles p+s. que e perimentasse. encolerizado. habilitado a possuir e desfrutar tratamento igual ao do vizinhoD""" )inheiro não lhe faltava para isso""" 0im. como cal&aria sapatos de baileD""" 5 suas mãos. com uma gravata de rendas. unir-se a uma senhora bem-educada e distinta de maneiras. comendo boas coisas e gozando % fartaD""" 5staria ele. sem dizer barbaridadesD"""4 5 um desgosto negro e profundo assoberbou-lhe o cora&ão. em troca de uma tet+ia para o peitoD""" @eria animo de dividir o que era seu. ou ter feito como o ?iranda.. seu JoãoD""" perguntou-lhe Bertoleza. como eles. notando que ele falava sozinho. % entrada da venda. sem mais nem menosD""" sacrificar uma boa por&ão de contos de r+is. a casa do ?iranda resplandecia j$" B&aram-se bandeiras nas janelas da frente.0eriam quatro da madrugada" 5le conseguiu então passar pelo sono" Gs seis estava de p+" )efronte. em meio de um grande salão cheio de espelhos e cadeiras douradasD""" <omo se arranjaria para conversar. e com a bengala. e corridas e a passeiosD""" #or que se não habituara com as roupas finas. ora adeus1 estaria habilitado a fazer do meu dinheiro o que bem quisesse1""" 0eria um homem civilizado1""" . calosas e maltratadas. e com o chap+u. a dolorosa desconfian&a de si mesmo e a terr'vel convic&ão da sua impot-ncia para pretender outra coisa que não fosse ajuntar dinheiro. de acordo1 mas teria animo de gast$-lo assim. e com a cerveja. chegava de vez em quando a uma das janelas. sem meias.ma grande besta1""" #ois não1 por que em tempo não tratara de habituar-se logo a certo modo de viver. risonho. como costumava fazer com os outros. e com o cal&ado justo.

cruzaram-se com os sacos de roupa suja. cada vez mais e citado. o colchão velho. não respondia %s perguntas que lhe dirigiam" João Romão falou-lhe. sa'ra e entrara na estalagem mais de vinte vezes. e lavadeiras ganharam a rua em trajos de passeio. era um rabujar confuso. sem opor uma palavra.* *ugusta chegara-se tamb+m" . indiferente a tudo. devassado em flagrante intimidade" 5 veio o homem dos cinco instrumentos. com os joelhos juntos. olhava para a infeliz. como uma cadela a quem roubaram o cachorrinho" 5stava apatetada. as lou&as ordin$rias e sujas do uso. j$ roto e destripado. monologando com persist-ncia man'aca" 2ão pregou olho durante toda a noite. a dar arres e empurrando para fora.:s tarecos fora1 e j$1 *qui mando eu1 *qui sou eu o monarca1 5 tinha gestos infle 'veis de d+spota" #rincipiou o despejo" . quando os carregadores quiseram depor no p$tio os trens de ?arciana" C$ fora do portão1 C$ fora do portão1 5 a m'sera. ela persistia no seu inintelig'vel mon!logo.ormava-se j$ um grupo de curiosos" ?as ningu+m entendia o que ela rosnava. que. aparecia sempre.2ão1 aqui dentro não1 @udo l$ fora1 na rua1 gritou ele. que saiam.caminho6 /7ue praga de piolhos1 *rre. no meio de grande roda entusiasmada e barulhenta" . continuava a sussurrar funebremente" J$ não chorava. foi buscar dois homens e ordenou que esvaziassem o numero ST" .lorinda lhe fugira. tinham % porta da casa uma esterqueira de cascas de melancia e laranja. fona de uma figa1 2ão sei que diabo fica fazendo c$ no mundo um caco velho como este. irrequieta. agora de novo compungidas. que entravam. intermin$vel. tudo amontoado e sem ordem.<ruzes1 parece que lhe deu alguma1 .$ l$ pra casa at+ encontrar arruma&ão1""" 2ada1 : mon!logo continuava" . algum trapo ou algum frasco vazio que l$ ficara abandonado. levava a choramingar e maldizer-se. e os tabuleiros de roupa engomada.7uero isto limpo1 bramava furioso" 5st$ pior que um chiqueiro de porcos1 *pre1 @omara que a febre amarela os lamba a todos1 maldita ra&a de carcamanos1 8ão de trazer-me isto asseado ou vai tudo para o olho da rua1 *qui mando eu1 <om a pobre velha ?arciana. triste e autom$tico" *li perto. que j$ não presta pra nada1 #rotestou contra os galos de um alfaiate. parecia não dar pela presen&a de ningu+m" <hamaram-na pelo nome repetidas vezes.@ia ?arciana1 dizia a mulata" 2ão fique assim11 Cevante-se1 ?eta os seus trens pra dentro1 . e faziam-lhe oferecimentos. não houve meio" * desgra&ada não prestava aten&ão a coisa alguma. resmungando" @ranseuntes paravam a olh$-la" . escancarando as portas. dem9nio1 2unca vira gente tão danada para parir1 #areciam ratas14 )eu um encontrão no velho Cib!rio" . acompanhado de um único gesto de cabe&a. ela nem sequer se voltou para ouvir" 5 o vendeiro. tinham. as trou as de molambos úteis. um ar indecoroso de interior de quarto de dormir. porque estes. ?arciana não respondia" 7uiseram obrig$-la a comer.@eria ensandecidoD""" perguntou % Rita. que. e a en otada. ululando. conforme a intima&ão da v+spera. mas os olhos tinha-os ainda relentados na sua muda fi idez" *lgumas mulheres da estalagem iam ter com ela de vez em quando.0ai tu tamb+m do caminho. os m!veis desconjuntados e sem verniz.ituperou os italianos. com um prato de comida na mão" <oitada1 . assentados sobre a janela e a cal&ada" . monologando" João Romão percorreu o número ST. na alegre independ-ncia do domingo. que se divertia a faz--los brigar. a sua fúria tocou ao del'rio" * infeliz. que não tratara de despejar o número ST. desde que . sem tirar a vista de um ponto" . a seu lado. as mãos cruzadas sobre as canelas.:lhe que vai chover1 2ão tarda a cair $gua1 J$ senti dois pingos na cara" 7ual1 . aos domingos. assistia ao despejo acocorada na rua. com o p+. que eles comiam tagarelando. e fez-se o entra-e-sai dos mercadores. e ?arciana não se movia do seu lugar.

e eu não hei de. quando. tornou ao p$tio da estalagem quei ando-se de que tudo ali ia muito mal" <ensurou os trabalhadores da pedreira. como um efeito de sugestão" Rita afastou-se. da' a coisa de uma hora. a certa distancia. nem dependo de nenhum safardana1 0e gostasse de festas. todo encharcado de chuva. era agora o primeiro a dar o mau e emplo1 perdia noites no samba1 não largava os rastros da Rita Baiana e parecia embei&ado por ela1 2ão tinha jeito14 #iedade. mas logo depois voltou-lhe a c!lera com mais 'mpeto ainda" *quele convite irritava-o como um ultraje. entrasse para beber um gole de parati. a principio. suado e vermelho. deu com a ?arciana. acompanhado pelo #orfiro. a espernearem. devendo saber que ele decerto l$ não iaD""" #ara que. fitava-a com estranheza. primeiro desse g-nero que em sua vida recebia. quando fechar a porta.elizmente. igualmente im!vel. nomeando o pr!prio Jer9nimo. veio dispersar o ajuntamento que se tornava s+rio" <ada um correu para o seu buraco. ficar com ela aqui dentro da venda1 : soldado saiu e. os criados iam e vinham. saltou em defesa deste com duas pedras na mão. num alvoro&o e agerado. sem atar. esta mulher + gira1 não tem domicilio. impaciente por não ver #ombinha.irmo. que estava esse dia de passeio com a mãe em casa de C+onie" João Romão. come&ou a imaginar como seria. se não para o enfrenesiar ainda mais do que j$ estavaD1""" 0eu ?iranda que fosse ' t(!ua com a sua festa e com os seus t'tulos14 . uma provoca&ão" /#or que o pulha o convidara. rindo. a sorrir para os lados. discretamente silencioso e af$vel. l$ dentro a música quase que não tomava f9lego. por pagode. da sala de jantar % despensa e % cozinha. e viu-se l$ em cima. carregados de copos em salvas. ?arciana era carregada para o adrez. sentindo que o citavam dos lados em voz morti&a e respeitosa como um homem rico. trazendo ambos embrulhos para o jantar" : amigo da das )ores tamb+m veio" )eram tr-s horas da tarde" * casa do ?iranda continuava em festa animada cada vez mais cheia de visitas. caindo em cheio.:ra bolas1 pra que diabo me metem em casa este estuporD1 Fosto de ver tais caridades com o que + dos outros1 Bsto aqui não + acoito de vagabundos1""" 5. afinal ai chegara o domingo e não se havia ainda lascado fogo1 . uns negros por compai ão haviam arrastado para dentro da venda. de pano fino. alagando o p$tio" 7uando João Romão entrou na venda. como um pol'cia. ferviam brindes. João Romão voltou-se para ele e disse-lhe6 . assanhando todos os >nimos" . enquanto a $gua jorrava copiosamente. porque acabava de chegar o . fingindo que nadavam" 5 l$ defronte.ma verdadeira cala&aria1 : tal seu Jer9nimo. tratou aos repel(es a Bertoleza e. recolhendo-se da chuva. ouvindo o vendeiro dizer mal do seu homem. disparatou6 . cheio de independ-ncia" 5 adivinhava os olhares aprobativos das pessoas s+rias. no caso que estivesse prevenido de roupa e aceitasse o convite6 figurou-se bem vestido. dantes tão apurado. os !culos curiosos das velhas assestados sobre ele. com uma boa cadeia de rel!gio. um cai eiro entregou-lhe um cartão de ?iranda" 5ra um convite para l$ ir % noite tomar uma ch$vena de ch$" : vendeiro. depois de serrazinar na venda com os cai eiros e com a Bertoleza. as crian&as despiram-se e vieram c$ fora tomar banho debai o das goteiras. aparecia de quando em quando % janela. procurando ver se estaria ali um bom arranjo para uma das filhas de menor cota&ão" 2esse dia serviu mal e porcamente aos fregueses. j$ as cinco horas. mo&as e meninas dan&avam na sala da frente. sem o menor protesto e sem interromper o seu mon!logo de demente" :s cacar+us foram recolhidos ao dep!sito público por ordem do inspetor do quarteirão" 5 a Bru a era a única que parecia deveras impressionada com tudo aquilo" . a chuva. no meio da sala. dava-as eu1 2o entanto. uma gravata com alfinete de brilhantes. com muito riso. saltando e atirando-se ao chão. que. de carreira.2ão preciso dele para nada1""" e clamou o vendeiro" 2ão preciso. ficou lisonjeado com o obs+quio. 8enrique. nem desatar. prestando aten&ão a um. desarrolhavam-se garrafas a todo instante. e uma contenda travou-se.* Bru a. enfiando quadrilhas e valsas. no sobrado. cuja for&a f'sica ali$s o intimidara sempre" /5ra um rela amento aquela porcaria de servi&o1 8avia tr-s semanas que estava com uma broca %-toa.<amarada. prestando aten&ão a outro. gritando.

a chuva cessou completamente. sem afrou ar" 5ntrou a das )ores" 2enen. varando o espa&o. tamb+m posto de p+. rapidamente. um palmo mais bai o que o portugu-s. e o corti&o palpitou inteiro na tr-fega alegria do domingo" 2as salas do barão a festa engrossava.?eu bem1 se voc. rodavam de mãos nas cadeiras. levantando protestos e surriadas" * noite chegou muito bonita. que fora passar o dia com ela. s!lido e resistente. caiu e austa. a baiana ca'ra na imprud-ncia de derrear-se toda sobre o portugu-s e soprar-lhe um segredo. miando. assentando-se ao lado dele. sempre com um dos p+s no ar.<analha1 berrou possesso. por+m. e bamboleando todo o corpo e meneando os bra&os. punho de quebrar um coco com um murro6 era a for&a tranq=ila. sem tirar a vista de cima do mulato" . no meio da grande roda.0enta1 0enta1 . rebolando em meio de uma volta de palmas cadenciadas. aprumou-se então defronte dele. como para despedir-se6 andorinhas esgaivotaram no ar. ?as.irmo. a perna direita levantada. dou uma perna ao demo1 : mulato não ouviu.irmo precisou empregar grande esfor&o para não ir logo 's do ca!o. pesco&o de 8+rcules.ez-se um profundo sil-ncio" 2ingu+m se me eu do lugar em que estava" 5. espadaúdo.5ntretanto. a rondar disfar&adamente o rival" : canto e a dan&a continuavam todavia. respondeu altivo com um gesto igual" :s instrumentos calaram-se logo" .irmo. incitado pela grande anima&ão que havia em casa do ?iranda" . o portugu-s segredou-lhe com a voz estrangulada de pai ão6 .)ar-te um banho de fuma&a. mais uma amiga sua. mas ambos corajosos" . grunhindo.2ada de rolo1 . dei ou-se cair de costas. franzino.m. estava inspirada. e o samba rompeu mais forte e mais cedo que de costume. olhavam-se em desafio" Jer9nimo era alto. . de um salto. com todas as vozes de bichos sensuais. constru&ão de touro. de vez em quando vinha de l$ uma ta&a quebrar-se no p$tio da estalagem. e o soco passou por cima.)ei a-me ver o que quer de mim este cabra1""" rosnou ele" . era o arrebatamento que tudo desbarata no sobressalto do primeiro instante" . o outro. gritaram em volta" #iedade erguera-se para arredar o seu homem dali" : cavouqueiro afastou-a com um empurrão. agora avan&ando e recuando. o cabra. com um belo luar de lua cheia. enroscava-se todo ao violão. os dois homens. ofegante de cansa&o. divina1 2unca dan&ara com tanta gra&a e tamanha lubricidade1 @amb+m cantou" 5 cada verso que vinha da sua boca de mulata era um arrulhar choroso de pomba no cio" 5 o . cresceu para o advers$rio com um soco armado. num desespero de lu úria que penetrava at+ ao tutano com l'nguas fin'ssimas de cobra" Jer9nimo não p9de conter-se6 no momento em que a baiana. como preparado para agarr$-lo" Jer9nimo. frente a frente. esbravecido pelo insulto. pernas e bra&os secos.0egue a dan&a. perfilados defronte um do outro. requebrando os olhos" . galego ordin$rio1 respondeu . enquanto o portugu-s apanhava no ventre um pontap+ inesperado" . iluminados amplamente pelo capitoso luar de abril. quando uma cabe&ada o atirou no chão" . que come&ou ainda com o crepúsculo. l$ pelo meio do pagode.irmo. ligeiro e destemido. firmando-se nas mãos o corpo suspenso. e ia precipitar-se em cheio sobre o mulato. o pulso de chumbo" : outro. o sol reapareceu. ganindo.oi um forrobod! valente" * Rita Baiana essa noite estava de veia para a coisa. no acompanhamento do ritmo requebrado da musica" 7uando o marido de #iedade disse um segundo cochicho % Rita. medindo-o de alto a bai o com um olhar provocador e atrevido" Jer9nimo. de m$ cara. agilidade de maracaj$6 era a for&a nervosa. b-bedo de volúpia. mas notou o cochicho e ficou.quiser estar comigo. cada vez mais estrepitosa. e o violão e ele gemiam com o mesmo gosto.

mas o capoeira deu para tr$s um salto de gato e o portugu-s sentiu um pontap+ nos quei os" 5spirrou-lhe sangue da boca e das ventas" 5ntão fez-se um clamor medonho" *s mulheres quiseram meter-se de permeio. para atravessar o capinzal e ir % rua ver se descobria o marido. ele rugia e arfava. at+ as canelas do advers$rio e surgiu-lhe rente dos p+s. Jer9nimo. fecharam-se por dentro. encintada pelo povo.irmo varou pelos fundos do corti&o e desapareceu no capinzal" . de bra&os cruzados. jurava abrir as fu&as a quem lhe desse um segundo coice como acabava ela de receber um nas ancas. *ugusta enfiara pela porta do fundo da estalagem. cujo movimento de pernas apenas se percebia" . j$ uma rasteira o tombava para a direita. soprados com desespero" 2isto. mas. para lhe afagar as barbas e os cabelos" . tiveram dificuldade em chegar ao número SN. estrepitosa. girava-a com tal per'cia e ligeireza em torno do corpo. o meu rico homem1 ululou #iedade. a certa distancia. no meio de uma nova roda. estarrecida e em solu&os.irmo.?atou1 ?atou1 ?atou1 e clamaram todos com assombro" :s apitos esfuziaram mais assanhados" . aos pulos e %s cambalhotas" * vit!ria pendia para o lado do portugu-s" :s espectadores aclamavam-no j$ com entusiasmo. atirando-se de joelhos sobre o corpo ensang=entado do marido" Rita viera tamb+m de carreira lan&ar-se ao chão junto dele. correndo depois para o lugar da briga" : Bruno. que lhe iam matar o homem.ez-se uma debandada em volta dos dois advers$rios.irmo tentava alcan&$-lo. formando-se uma roda limpa. de limpo que estava. que talvez estivesse de servi&o no quarteirão" #or esse lado acudiam curiosos e o p$tio enchia-se de gente de fora" )ona Bsabel e #ombinha.*i.. o capoeira mergulhou. investindo ora com os p+s. sem consentir que ningu+m se apro imasse" : terror arrancava gritos agudos" 5stavam j$ todos assustados. os trabalhadores da pedreira. erguera o bra&o direito. a ?achona. que parecia embastilhado por uma teia impenetr$vel e sibilante" 2ão se lhe via a arma. jogava-o tão bem quanto o outro jogava a sua capoeiragem" 5mbalde . via. onde. aqueles dois homens a se baterem por causa dela. praguejando a velha contra a desordem e lamentando-se da sorte que as lan&ou naquele inferno" 5ntanto. fora de si. 5 então o mulato. #iedade clamava. o portugu-s e o brasileiro batiam-se" *gora a luta era regular6 havia igualdade de partidos. nos rins e nas pernas" : sangue inundava-o inteiro. num relance. caindo uns por cima dos outros" *lbino perdera os sentidos. por+m o cabra as emborcava com rasteiras r$pidas. nos bra&os. tinham rolado em torno dele. atacava" : brasileiro tinha j$ recebido pauladas na testa. enquanto da esquerda ele recebia uma tapona na orelha" . repetindo a sua dan&a de todo o corpo" : outro erguera-se logo e. armada com um ferro de engomar. refilando as presas e espumando de c!lera. sem esperar.irmo acabava de receber. desferiu novo soco. o c+u. ora com a cabe&a.#ega1 #ega1 . e todos os outros que tentaram segurar o mulato. ao mesmo tempo que se defendia.Cevanta-se. uma formid$vel cacetada na cabe&a" E que Jer9nimo havia corrido % casa e armara-se com o seu varapau minhoto. mal se tinha equilibrado. sopesando ao meio a grossa vara na mão direita. com o rosto banhado de sangue. e livrando-se daqui. de súbito. nos ombros. no meio da qual o terr'vel capoeira. menos a Rita que. iroso e cansado.urioso. a das )ores soltava censuras e maldi&(es contra aquela estupidez de se destriparem por causa de entrepernas de mulher. grupado nele. doido. rasgando-lhe o ventre com uma navalhada" Jer9nimo soltou um mugido e caiu de borco. no peito. sentia-se um vento úmido de chuva" #iedade berrava reclamando pol'cia. segurando os intestinos" . de p+. s! se ouvia um zunido do ar simultaneamente cortado em todas as dire&(es" 5. livrando-se dali. fizera-se cor de lousa. reinava. mal entraram. porque o cavouqueiro jogava o pau admiravelmente. saltando a um tempo para todos os lados. de volta da casa de C+onie. cheia de pavor" ?ulheres e homens atropelavam-se. no pesco&o. que não dou em defuntos1 e clamou o . onde se viu cintilar a lamina de uma navalha" . um ligeiro sorriso encrespava-lhe os l$bios" * lua escondera-se6 mudara o tempo. os mascates.m horr'vel sarilho se formava" João Romão fechou %s pressas as portas da venda e trancou o portão da estalagem. tinha levado um troca-quei os do marido. porque insistia em tir$-lo da luta" *s janelas do ?iranda acumulavam-se de gente" :uviam-se apitos. ecoou na estalagem um bramido de fera enraivecida6 .

os urbanos invadiam os quartos. arremessados l$ de dentro. a todos. as mulheres. como um general em perigo.ora1 5. enquanto os homens guardavam a entrada do capinzal e sustentavam de costas o portão da frente. ia ceder" ?as a barricada estava feita e todos entrincheirados atr$s dela" :s que entravam de fora por curiosidade não puderam sair e viam-se metidos no surumbamba" *s cercas das hortas voaram * ?achona terr'vel fungara as saias e empunhava na mão o seu ferro de engomar" * das )ores. porque. um grande rombo abriu-se logo.m empenho coletivo os agitava agora. correndo na dire&ão da barricada" . como se ficassem desonrados para sempre se a pol'cia entrasse ali pela primeira vez" 5nquanto se tratava de uma simples luta entre dois rivais. havia grande estrop'cio.2ão entra1 2ão entra1 repercutiu a multidão em coro" 5 todo o corti&o ferveu que nem uma panela ao fogo" . era uma das mais duras e que parecia mais empenhada na defesa" *final o portão lascou.*g=enta1 *g=enta1 )e cada casulo espipavam homens armados de pau. punham tudo em polvorosa" 5ra uma questão de !dio velho" 5. que l$ fora se repetiam ferozes" * pol'cia era o grande terror daquela gente. e os quatro primeiros urbanos que se precipitaram dentro foram recebidos a pedradas e garrafas vazias" 0eguiram-se outros" 8avia uns vinte" .. numa solidariedade briosa.ora1 . desbaratavam o inimigo" J$ o sargento tinha a cabe&a partida e duas pra&as abandonavam o campo. a gemer.*bre1 *bre1 reclamavam de fora" João Romão atravessou o p$tio. arrancavam jiraus. estava direito1 /Jogassem l$ as cristas. sempre que penetrava em qualquer estalagem.. estava agora armado de um refle e o #orfiro. não mais por obriga&ão que por necessidade pessoal de desfor&o" 0emelhante resist-ncia os humilhava" 0e tivessem espingardas fariam fogo" : único deles que conseguiu trepar % barricada rolou de l$ abai o sob uma carga de pau que teve de ser carregado para a rua pelos companheiros" : Bruno. em desordem. mestre na capoeiragem. estalava. que ningu+m dava nada por ela. olhando para os lados % procura de uma alma caridosa que lhe valesse" ?as nisto um estardalha&o de formid$veis pranchadas estrugiu no portão da estalagem" : portão abalou com estrondo e gemeu" . ao passo que os projetis. rolavam as tinas. que o mais homem ficaria com a mulher14 mas agora tratava-se de defender a estalagem. despejado sobre eles. achas de lenha. % falta de ar" 5ra imposs'vel invadir aquele baluarte com tão poucos elementos. varais de ferro" . todo sujo de sangue. desnorteou-os" #rincipiou então o salseiro grosso" :s sabres não podiam alcan&ar ningu+m por entre a trincheira. gritando a todos6 . a cada e clama&ão.*g=enta1 *g=enta1 Jer9nimo foi carregado para o quarto. formando %s pressas uma barricada" *s pranchadas multiplicavam-se" : portão rangia. come&ava a abrir-se. 2enen gritou.2ão entra1 2ão entra1 5 berros atroadores respondiam %s pranchadas. mas a pol'cia teimava. nos bra&os da mulher e da mulata" . onde cada um tinha a zelar por algu+m ou alguma coisa querida" . % capa de evitar e punir o jogo e a bebedeira. por+m. restos de colch(es e sacos de cal. arrastavam carro&as. ca'ram t$buas.*cudam aqui1 *cudam aqui1 8$ fogo no número ST" 5st$ saindo fuma&a1 .m saco de cal. quebravam o que l$ estava.ora os morcegos1 . tome pedra1 tome lenha1 tome cal1 tome fundo de garrafa1 :s apitos estridulavam mais e mais fortes" 2essa ocasião. a comuna.2ão entra a pol'cia1 2ão dei a entrar1 *g=enta1 *g=enta1 .E preciso o doutor1 suplicou aquela.. tinha na cabe&a uma barretina de urbano" .

oi mesmo em mangas de camisa e sem meias. sequiosas de vingan&a" 2isto. piorou do ju'zo e tentou incendiar o corti&o" 5nquanto os companheiros o defendiam a unhas e dentes. quer por simples curiosidade" . escapando como aquela ao fogo. para cobrir o dano. muito jirau quebrado. carregar um imposto sobre os moradores da estalagem.ma verdadeira patuscada esse passeio % cidade1 #arecia uma romaria. avaliando e carpindo. roncou no espa&o a trovoada" : vento do norte zuniu mais estridente e um grande p+-d3$gua desabou cerrado" XI * Bru a.ez-se logo medonha confusão" <ada qual pensou em salvar o que era seu" 5 os policiais. quer por esp'rito de camaradagem. outros cuidavam em defender a casa" ?as as pra&as. macarroneando.m inc-ndio lamberia aquelas cem casinhas enquanto o diabo esfrega um olho1 . algumas mulheres levaram os seus pequenitos ao colo. para qu-D o que ela queria fazer. não escaparam % devasta&ão da pol'cia" *lgumas ficaram completamente assoladas" 5 a coisa seria ainda mais feia. por influ-ncia sugestiva da loucura de ?arciana. avan&aram com 'mpeto. levando na frente o que encontravam e penetrando enfim no infernal reduto. desde pela manhã dera logo as provid-ncias para que tudo voltasse aos seus ei os o mais depressa poss'vel6 mandou buscar novas tinas. que se viu tonta" 2enhum deles nada esclarecia e todos se quei avam da pol'cia. lavrava nos >nimos" * pol'cia retirou-se sem levar nenhum preso" /* ir um iriam todos % esta&ão1 )eus te livre1 )emais. um magote de italianos ia % frente. o que se salvou do destro&o" : tempo levantou de novo % meia-noite" *o romper da aurora j$ muita gente estava de p+ e o vendeiro passava uma revista minuciosa no p$tio.ogo1 * esse grito um p>nico geral apoderou-se dos moradores do corti&o" . mas as conseq=-ncias foram do mesmo modo desastrosas. inconsol$vel e furioso..ns fugiam % prisão. fez1 5stava satisfeita14 *pesar do empenho do João Romão. o portão da frente e a tabuleta foram reduzidos a lenha" João Romão meditava. como se aquilo l$ fosse roupa de franc-s1 . com todo o disfarce. metiam dentro as portas e iam invadindo e quebrando tudo. ela. e clusivamente dirigido a João Romão. porque na ocasião se achava ausente da estalagem" )e que tinha certeza era de que as pra&as lhe invadiram a propriedade e puseram em cacos tudo o que encontraram. aproveitando o terror dos advers$rios. alguns cantavam" 2ingu+m tomou bonde. como quem destro&a uma boiada" * multidão atropelava-se. de parte a parte. carregava palha e sarrafos para o número ST e preparava uma fogueira" .elizmente acudiram a tempo. lampi(es em fanicos. depois de reacomodar. se não viera o providencial aguaceiro apagar tamb+m o outro inc-ndio ainda pior. ningu+m conseguiu descobrir o autor da sinistra tentativa. e por toda a viagem discutiram e altercaram em grande tro&a. loucas de c!lera. entre plangentes lamenta&(es. p9s gente a remendar o portão e a tabuleta" *o meio-dia teve de comparecer % presen&a do subdelegado na secretaria da pol'cia" . porque muitas outras casinhas. a fumar cachimbo. fabricar novos jiraus e consertar os quebrados. o taverneiro declarou que nada podia saber ao certo. desembestando num alarido" . havia muita tina partida.. comentando com gargalhadas e chala&as gordas o que iam encontrando. a chamar a aten&ão das ruas por onde desfilava a ruidosa far>ndola" * sala da pol'cia encheu-se" : interrogat!rio. hortas e cercas arrasadas. o seu preju'zo" )e vez em quando soltava uma praga" *l+m do que escangalharam os urbanos dentro das casas.Bem feito1 bradou o subdelegado" 2ão resistissem1 . a dar espadeiradas para a direita e para a esquerda. e s! muito tarde cada qual cuidou de pregar olho. que. e agerando as perdas recebidas na v+spera" * respeito de como se travara o conflito e quem o provocara. a despeito dos protestos e das amea&as da autoridade. muitos do corti&o o acompanharam. era respondido por todos a um s! tempo. aumentando-lhes o aluguel dos c9modos e o pre&o dos g-neros" )iu#se numa do!adoura durante o dia inteiro.

enquanto o vendeiro e seu bando andavam l$ %s voltas com a pol'cia. outro repetia. sofrera o seu preju'zo" ou a sua arranhadura. aflita e atarantada. havia de ser aperreada que nem boi ladrãoD""" @inha l$ jeitoD :s rolos era sempre a pol'cia quem os levantava com as suas fúrias1 2ão se metesse ela na vida de quem vivia sossegado no seu canto. para socorrer Jer9nimo. com estalos de juntas. sem uma palavra. ao lado da mulher e da Rita. %quele 8+rcules tranq=ilo que mataria o . caindo de fadiga" )e resto. tratando-o por tu. João Romão recolheu-se junto dela. descrevendo entusiasmado os pormenores da luta. riscando f!sforos e acendendo cavacos num fogareiro. e pigarreando forte" *cordou o cai eiro para ir ao mercado. sentia calafrios e pontadas na cabe&a" <hamou pela amiga. e da' a pouco. o m'sero.irmo com uma punhada. dele. o viu pegar no sono. que com os olhos o devorava de beijos ardentes e sequiosos" )epois da meia-noite dada. e mostravam entre si. as que tinham roupa com mais pressa foram lavar fora ou arrastaram bacias de banho para debai o das bicas. depois de mudar-lhe a roupa. tagarelando em volta do conserto das tinas e jiraus. feliz naquela desgra&a que lhe permitia gozar dos seus carinhos" 5 tomava-lhe as mãos. donde come&aram a borbotar grossos novelos de fumo espesso" . que nenhum deles. que fez logo a sua retirada. ela. os desaforos que dissera depois nas bochechas da autoridade. os objetos partidos ou a parte do corpo escoriada" ?as %s nove da noite j$ não havia viva alma no p$tio da estalagem" * venda fechou-se um pouco mais cedo que de costume" Bertoleza atirou-se ao colchão. toda a estalagem estava igualmente prostrada e morrendo pela cama. muitas horas adiante. logo depois da invasão da pol'cia. e muito menos a vitima. não conseguiu arrancar deste o menor esclarecimento sobre o motivo da navalhada" /2ão fora nada1""" 2ão fora de prop!sito1""" 5stavam a brincar e sucedera aquilo1""" 2ingu+m tivera a menor inten&ão de fazer-lhe mossa1"""4 Rita mostrou-se de uma incans$vel solicitude para com o ferido" . não fazia senão chorar e arreliar-se" * mulata. quem serviu de ajudante ao medico e quem serviu de enfermeira ao doente" ?uitos l$ iam. por+m. seria capaz de apontar o criminoso. mais adiante trocavam-se quei as e recrimina&(es. mulheres e homens. demorando-se um instante.. s! faltava beij$-lo com a boca. gargarejou um pouco d3$gua % torneira da cozinha e foi fazer fogo para o caf+ dos trabalhadores. de que era irmão" 5. % falta de melhor vasilha para o servi&o" )iscutiu-se a campanha da v+spera sem variar o assunto" *qui era um que lembrava as suas proezas com os urbanos. depois de dirigir-se inutilmente a um por um.oi ela quem correu a buscar os rem+dios. estrompada. quando lhes não saia algu+m pela frente1 5sbodegavam at+ % última. a bocejar. se bem que nesse dia as lavadeiras em geral gazeassem o trabalho. cada qual. na sua boa-f+. porem não conseguiu dormir. de portas adentro. que a amava muito. a gemer. e o resto do corti&o formigava. impediu que transpirasse o menor vislumbre de denúncia" : subdelegado. na sua dor silenciosa e quieta de animal ferido. se dei ara navalhar pelo fac'nora" /5 tudo por causa dela1 s! por ela14 0eu cora&ão de mulher rendia-se cativo a semelhante dedica&ão ensang=entada e dolorosa" 5 ele. desde que Jer9nimo se achou operado. mas que. no dia imediato. ela e #iedade ficaram sozinhas velando o enfermo" )eliberou-se que este iria pela manhã para a :rdem de 0anto *nt9nio. desceu da casa do ?iranda % estalagem. mas a dizer bem claro. j$ sem a menor sombra de escrúpulo. ameigando-lhe os cabelos sujos de sangue com a polpa macia da sua mão feminil" 5 ali mesmo em presen&a da mulher. para dar f+. fungando no seu estremunhamento pesadão. o esp'rito de coletividade. interrompia as contra&(es do rosto para sorrir defronte dos olhos enamorados da baiana. s! pelo gostinho de fazer mal1 #ois então uma criatura. com efeito. tanto que o m+dico. e cingia-lhe a cintura. e pediu-lhe que lhe desse alguma coisa para suar" 0upunha estar com febre" * crioula s! descansou quando. %quele gigante inofensivo. Jer9nimo. não lhe abandonou a cabeceira. que unia aquela gente em circulo de ferro. que a amava loucamente" Rita afagava-o. porque estava a divertir-se um bocado com os amigos. numa febre de indigna&ão.m coro de respostas assanhadas levantou-se para justificar a resist-ncia" /*h1 5stavam mais que fartos de ver o que pintavam os morcegos. ali. e não seria tanto barulho1"""4 <omo de costume. podiam esfaquear-se % vontade. %s quatro da madrugada. essa não chorava. cheio de emp$fia. que. mas a sua fisionomia tinha uma profunda e pressão de m$goa enternecida" *gora toda ela se sentia apegar-se %quele homem bom e forte. despachou o bando. erguia-se ela. ao passo que #iedade. seguia dentro de um carro para o hospital" *s duas s! voltaram de l$ % noite. sem um gesto. no meio de uma alacridade mais quente ainda que a da ida" C$ no corti&o. resignado e comovido.

e. mas de outro modo. % mesa. languesce e morre. apertava-lhe os dedos por debai o da mesa" )epois da refei&ão. que sufocavam a menina. naqueles divãs fofos e traidores. como se não houvera interrup&ão" #rincipiava o burburinho" *quela noite bem dormida punha-os a todos de bom humor" #ombinha. tomando-lhe as mãos.C$ fora clareava j$. e. come&ou a desabotoarlhe o corpinho do vestido" . com efeito. fechou a porta pelo lado de fora. que não estava habituada a tomar vinho. gelo e $gua de 0eltz. em presen&a de )ona Bsabel" C+onie fingia prestar-lhe aten&ão e nada mais fazia do que afagar-lhe a cintura. fazendo-lhe uma infinidade de perguntas. tinha para ela e tremas solicitudes de namorado. entretanto. bebia do seu copo. toda perple a. na sua simplicidade. as co as e o colo" )epois. nessa manhã acordara abatida e nervosa. presunto e queijo.2ão. e pedindolhe beijos. sentiu vontade de descansar o corpo. com vontade de afastarse.. se carinhosa borboleta não vai sacudir sobre ela as asas prenhes de fecundo e dourado p!len" : passeio % casa de C+onie fizera-lhe muito mal" @rou e de l$ impress(es de 'ntimos ve ames. bem juntinho uma da outra. toda ela transpirava uma contemplativa melancolia de convalescente.2ão te sentes melhor hoje. havia uma doce e pressão dolorosa na limpidez cristalina de seus olhos de mo&a enferma. )ona Bsabel. C+onie. não. sem animo de sair dos len&!is" #ediu caf+ % mãe. não podia saber qual era" * cocote percebeu o seu enleio e ergueu-se.ebre não tens" . cuja origem a pobrezinha. que tomaste em casa de madama1""" 2ão te diziaD""" *gora. sem largar-lhe a mão" . repetidos. o melhor + dar-te um escalda-p+s1""" . que pareciam ressequidos % mingua de beijos de amor. sem se descuidar um instante da rapariga. aqueles m!veis casquilhos e aquelas cortinas escandalosas arrancavam-lhe saudosas recorda&(es do bom tempo e avivavam a sua impaci-ncia por melhor futuro" *i1 assim )eus quisesse ajud$-la1""" Gs duas da tarde. aqueles impertinentes espelhos. sem lhe alegrar os l$bios.. indolentemente. quentes. que nunca mais se apagariam por toda a sua vida" * cocote recebeu-a de bra&os abertos. mal percebeu que a velha dormia. levantava-se e fazia. e a vida renascia no corti&o" * luta de todos os dias continuava. e tornou a abra&ar-se nos travesseiros. como que distraidamente. na sua parva compreensão do conforto. enchendo-a de espanto e de um instintivo temor. C+onie franqueou-lhe um bom quarto.*inda sinto o corpo mole""" mas não + nada""" isto passa1""" . ningu+m. assim delicada planta murcha. constrangida. apalpando-lhe a testa" . mas sem animo de protestar.em c$. que saboreava gemendo. acompanhado de champanha. defronte do seu modesto lavat!rio de ferro" )ir-se-ia sem for&as para a menor coisa. para melhor ficar em liberdade com a pequena" Bem1 *gora estavam perfeitamente a s!s1 . no rebordo da cama e. tentou reatar o fio da conversa. com boa cama. por amor de )eus1 )aqui a pouco estou em p+1 Gs oito horas. nem mesmo o Beb-. pu ando-a contra si e dei ando-se cair sobre um divã" 0abesD 5u te quero cada vez mais1""" 5stou louca por ti1 5 devorava-a de beijos violentos. que elas sustentavam um pouco antes. por acanhamento. bebeu.oi de tanto gelo. radiante com apanh$-la junto de si. escondendo o rosto" . arrastando-a para a alcova" #ombinha assentou-se. o alinho da cabe&a. um pobre sorriso p$lido a entreabrir-lhe as p+talas da boca. e assentou-se ao lado da menina. entre todo aquele lu o e travagante e requintado pr!prio para os v'cios grandes" :rdenou % criada que não dei asse entrar ningu+m. de olhos fechados" )ona Bsabel suspirava tamb+m. levava-lhe a comida % boca. minha flor1""" disse-lhe.)escansemos n!s tamb+m um pouco""" prop9s. por sua pr!pria mão serviu %s visitas um pequeno lanche de foie#gras. minha filhaD""" perguntou-lhe )ona Bsabel.

e prosseguiu na campanha" * menina.7ue mal fazD""" 5stamos brincando""" . doida de lu úria. desgalgando o leito para vestir-se" .icarei muito triste se estiveres mal com a tua negrinha1""" *nda1 2ão me feches a cara1""" .2ão1 #ara qu-1""" 2ão quero despir-me""" . fremindo-lhe a carne em crispa&(es de espasmo. mal orientada ainda e sem conseguir abrir os olhos. ameigando-lhe a nuca e as esp$duas" ?as #ombinha parecia inconsol$vel. a pupila tr-mula" 5. por cima. cingindo-se rente aos travesseiros e abafando o seu pranto. a solu&ar bai inho" .2ão volto mais aqui1 nunca mais1 e clamou por fim a donzela. #ombinha1 . a beijar-lhe todo o corpo. relutando. envergonhada e corrida" * impudica.:h1 :h1 )ei a disso1 )ei a disso1 reclamava #ombinha estorcendo-se em c!cegas. mas o atrito daquelas duas grossas pomas irrequietas sobre seu mesquinho peito de donzela impúbere e o rogar vertiginoso daqueles cabelos $speros e crespos nas esta&(es mais sensitivas da sua feminilidade. e mordia-lhe o l!bulo dos ombros. e afinal desabou para o lado. soltando de instante a instante um solu&o estrangulado" * menina voltara a si e torcera-se logo em sentido contr$rio % advers$ria. repelindo-a" . com os olhos envesgados.)ei e-me1 . e a outra teve de erguer-se a meio e pu $-la como uma crian&a para o seu colo. tolinhaD""" )e que tens medoD""" :lha1 . e pondo em contacto com o dela todo o seu corpo nu" #ombinha arfava. ao passo que a outra. vermelha de pudor" . e obedecer-lhe como um cachorrinho. como se quisesse arranc$-lo aos punhados" *t+ que. desertandolhe a razão ao rebate dos sentidos" *gora.2ão vou1 J$ disse1 5 vestia-se com movimentos de raiva" C+onie saltara para junto dela e p9s-se a beijar-lhe. num relance.em c$1 2ão sejas ruim1 . em corcovos de +gua. adulando-a. irracional. como entre duas colunas.2ão1 2ão1 balbuciou a vitima. onde ela foi ocultando o rosto. a empolgar-lhe com os l$bios o r!seo bico do peito" .5stou bem assim" 2ão quero1 . devorou-a num abra&o de todo o corpo. meu amor1""" #ombinha continuou a solu&ar" .0im1 0im1 insistiu C+onie. ganindo ligeiros gritos. secos. desfez-se da roupa. que enlouqueciam a prostituta" . muito agudos.2ão chores assim. e precipitou-se contra ela. cerrando os dentes.ou dar e emplo1 5. vendo-se descomposta. bufando e relinchando" 5 metia-lhe a l'ngua tesa pela boca e pelas orelhas. e esmagava-lhe os olhos debai o dos seus beijos lubrificados de espuma. e dei ando ver preciosidades de nudez fresca e virginal. inerte. e agarrava-lhe convulsivamente o cabelo. fazendo se muito humilde. % for&a" os ouvidos e o pesco&o. feroz. revoluteava. curtos. acabaram por foguear-lhe a p!lvora do sangue.7ue tolice a tua"""1 2ão v-s que sou mulher. apesar dos protestos. os membros atirados num abandono de b-bedo.em c$. cruzou os bra&os sobre o seio.. arrancou-lhe a última vestimenta. das súplicas e at+ das l$grimas da infeliz.)ei a1 segredou-lhe a outra. comprometendo-se a ser sua escrava.amos1 2ão quero ver-te deste modo1""" 5st$s zangada comigoD""" . com um assomo mais forte. procurou anim$-la. e >nime. fechando-a entre os bra&os.. contanto que aquela tirana não se fosse assim zangada" . espolinhava-se toda.?as faz tanto calor""" #(e-te a gosto""" ...

7ue aborrecimento1 . readquirindo o seu ar tranq=ilo de mulher ajuizada. que a criada levara a passear desde logo depois do almo&o.)ei a-me sair1 .5u grito1 .:lha1""" :uve1""" . desenrugou-lhe a saia. falando como crian&a. e empoou-se. sentia-se aziada com o foie#gras. tudo com uma e pedi&ão de quem est$ habituada a vestir-se muitas vezes por dia" 5. dormindo at+ o momento de a chamarem para mesa.2ão estou zangada. para tomarem vermute com gasosa" : jantar foi %s seis e meia" <orreu frio. e repu ava o pesco&o e sacudia os bra&os. num movimento r$pido de dedos. por amor de )eus1 #ombinha acabava de encasar o último botão do corpinho.2ão sei1 Cargue-me1""" . e uma afeta&ão de agrados levantou-se em torno da pequerrucha" C+onie p9s-se a conversar com ela.?as eu fa&o questão do beijo1 .:h1 meu )eus1 )ei e-me sair1 .. por favor1""" .7ue acordasse1 *gora a meretriz defendia a porta da alcova" .2ão1 não h$s de ir zangada. não se forrou a desvelos e fez por alegr$-las rindo e contando anedotas burlescas" *o caf+ apareceu Juju. ajustando bem a sua roupa ao corpo" ?as C+onie ca'ra-lhe aos p+s.7ue amola&ão1 :h1 .*rrede-se da'.2ão quero assim1 . creia1 5stou + indisposta""" 2ão me sinto boa1 .#ois bem1 5st$ ai1 5 beijou-a" . correu uma vista de olhos pela menina. ou fa&o aqui um esc>ndalo dos diabos1 . perfumou-se.. enleando-a pelas pernas e beijando-lhe as saias" . todavia. * dona da casa. endireitou o penteado defronte do espelho.)ei a de tolice1""" 5scuta. que ali$s se mostrava bem incomodada.5 que mamãe j$ acordou com certeza1""" .5spera1 . dizendo-lhe que mostrasse a )ona Bsabel /o seu papatinho novo14 . sem fazermos as pazes""" .*h1 *gora bem1 5spera um nada1 )ei a arranjar-me1 E um instante1 5m tr-s tempos.2ão dou1 ..a&o tudo1 tudo1 mas não fiques mel comigo1 *h1 se soubesse como eu te adoro1""" . não tanto por parte de #ombinha. consertou-lhe melhor os cabelos e. tomou-a pela cintura e levou-a vagarosamente at+ % sala de jantar.#ois grita1 7ue me importa1 .2ão dei o. e enfiou camisa.)$-me um beijo1 . an$gua e penteador.oi dado de m$ vontade1""" #ombinha deu-lhe outro" . lavou-se ligeiramente no bid-. pronta.az as pazes""" . como porque )ona Bsabel.#ois então não sais1 .

bordado de ouro. que se agitavam. a princ'pio muito leve e transparente. no rega&o de uma rosa intermin$vel. enchendo-a de surpresa e mergulhando-a em fundas concentra&(es de . onde o sol.7ue tens tuD""" perguntou-lhe a mãe duas vezes" 5 de ambas a filha respondeu6 . mas.lorinda.2ada1 *borrecimento""" 2o pouco que dormiu essa noite. percebeu. como um coro religioso de penitentes" : calor tirava do capim um cheiro sensual" * mo&a fechou as p$lpebras. teve sonhos agitados e passou mal todo o dia seguinte. desprendendo aromas de flor" 5. % sombra dos bambus e das mangueiras" . toda a sua carne ria e rejubilava-se. foi por v$rias vezes repelido" *s onze para o meio-dia era tal o seu constrangimento e era tal o seu desassossego entre as apertadas paredes do número SN. macio. sob a t+pida luz de um sol embriagador. nem para ver os destro&os do conflito" * noticia do defloramento e da fuga de . e mais. completamente s!. um cotovelo em terra. oscilava como um p-ndulo fant$stico" 5ntretanto. ora mais duvidoso. nada mais en ergavam do que uma grande claridade palpitante. at+ formar-se em torno dela uma floresta vermelha. e estendeu-se de todo no chão. iam-se formando ondulantes camadas sang='neas. junto de um homem amado. saiu a dar uma volta por detr$s do corti&o. no terra&o. e um livro que ela tentou ler. cheia de encantos. a cabe&a reclinada contra a palma da mão" 2a doce tranq=ilidade daquela sombra morna.?ais tarde. at+ ai mudos e adormecidos. ouvia-se retinir distante a picareta dos homens da pedreira e o martelo dos ferreiros na forja" 5 o canto dos trabalhadores ora mais claro. depois mais carregado. e mais. dentro dela balbuciavam desejos. feito de uma s! mancha reluzente. mas constantes" 2ão teve animo de pegar na costura.m inef$vel quebranto afrou ava-lhe a energia e distendia-lhe os músculos com uma embriaguez de flores trai&oeiras" 2ão p9de resistir6 assentou-se debai o das $rvores. posto que bem abertos. com molezas de febre e dores no útero" 2ão arredou p+ de casa. de barriga para o ar. seus olhos. que foi a do baralho com a pol'cia. que. cor de sangue. acompanhando o marulhar dos ventos.tase" . em volta da sua nudez alourada pela luz. que lhe batia de chapa sobre os seios" ?as. ondeava no espa&o. que se achava deitada entre p+talas gigantescas. onde largos tinhor(es rubros se agitavam lentamente" 5 viu-se nua. tomou a mão de #ombinha e meteu-lhe no dedo um anel com um diamante cercado de p+rolas" * menina recusou o mimo. formalmente" . bra&os e pernas abertas" *dormeceu" <ome&ou logo a sonhar que em redor ia tudo se fazendo de um cor-de-rosa. rodando o olhar. uma afli&ão de conversar consigo mesma.oi preciso a interven&ão da velha para que ela consentisse em aceit$-lo" Gs oito horas retiraram-se as visitas. seguindo direitinho para a estalagem" )urante toda a viagem #ombinha parecia preocupada e triste" . fofo. pouco a pouco. trescalante e morno" 5 suspirando. espregui&ou-se toda num enleio de volúpia asc+tica" . pressentindo delicias que lhe pareciam reservadas para mais tarde. tão tristonho e tão pouco amigo" #ungia-lhe na brancura da alma virgem um arrependimento incisivo e negro das torpezas da antev+spera. notava que. lubrificada por essa recorda&ão. produziu-lhe grande abalo nos nervos" 2a manhã imediata. como a da loucura da velha ?arciana. malgrado os protestos da velha. e mist+rios desvendavam-se no segredo do seu corpo. toda nua. e posta ao c+u. a apartava no seu estreito quarto sufocante. em que seu corpo se atufava como em ninho de veludo carmesim. melanc!lico e sentido. não vivas. vencida pelo seu delicioso entorpecimento. a despeito de fazer-se forte. torceu o nariz ao pobre almo&o que )ona Bsabel lhe apresentou carinhosa" #ersistiam-lhe as dores uterinas.ma irresist'vel necessidade de estar s!. enquanto fumava um cigarro.

batia alegre as doze badaladas do meio-dia" : sol. convulsa de amor. enfiando cheia de alvoro&o pelo número SN" 5 ai. sentiu o grito da puberdade sair-lhe afinal das entranhas. e. desvairada de volúpia" . saiu ela ao p$tio. ora se chegando lentamente. se não fora a formal oposi&ão da menina.. delirante de desejos. a rir e a chorar. + que parecia falar e não ela" )e cada vez que a borboleta se avizinhava com as suas nega&as. um dos seus raios descia em fio de ouro sobre o ventre da rapariga. gota a gota. precipitou-se l$ de cima agitando as asas. tonta de gosto sob aquele eflúvio luminoso e fecundante" 2isto. um s! instante. e a fechasse num r$pido abra&o dentro das suas asas ardentes" ?as a borboleta.em1 suplicava a donzela. em cujo rega&o a virgem permanecia com os peitos franqueados" 5 a donzela. teria passeado em triunfo a camisa . enamorado das suas mimosas formas de menina" 5la sorriu para ele. queria a todo custo que a borboleta pousasse nela. a flor arrega&ava-se toda.2ão fujas1 2ão fujas1 #ousa um instante1 * borboleta não pousou. que descia do c+u. e então o fogoso astro tremeu e agitou-se. que lhes abria os horizontes da vida. desensofrida. beijou-lhe repetidas vezes a barriga e parecia querer beijar tamb+m aquele sangue aben&oado. aquele sangue bom.. irrequieta. dilatando as p+talas. e veio. em uma onda vermelha e quente" * natureza sorriu-se comovida" . abriu-se de par em par em duas asas e principiou a fremir. nem que se de improviso lhe inflamassem os desejos. que tinha ao colo. aben&oando a nova mulher que se formava para o mundo" XII #ombinha ergueu-se de um pulo e abriu de carreira para casa" 2o lugar em que estivera deitada o capim verde ficou matizado de pontos vermelhos" * mãe lavava % tina. no arrebatamento de sua como&ão. apoderou-se da mo&a.m sino. abrindo o seu pistilo vermelho e $vido daquele contato com a luz" . desdobrando-se. estava a pino e. ao menos um instante. caindo de joelhos defronte da menina e erguendo para )eus o rosto e as mãos tr-mulas" )epois abra&ou-se %s pernas da filha e. sempre que a borboleta se apro imava da rosa. fugia logo. não conseguia deter-se. sem uma palavra. ao longe. mal se adiantava. sacudiu as asas com mais 'mpeto e uma nuvem de poeira dourada desprendeu-se sobre a rosa.C$ do alto o sol a fitava obstinadamente. #ombinha soltou um ai formid$vel e despertou sobressaltada. mas. ela chamou-a com inst>ncia. ergueu as saias do vestido e e p9s a )ona Bsabel as suas fraldas ensang=entadas" . doidejava em todas as dire&(es ora fugindo r$pida. sempre doida. medrosa de tocar com as suas antenas de brasa a pele delicada e pura da menina" 5sta. por entre a copagem negra da mangueira. fazendo a donzela soltar gemidos e suspiros. requebrando os olhos.ma sofreguidão lúbrica. apresentando o corpo" #ousa um instante em mim1 7ueima-me a carne no calor das tuas asas1 5 a rosa. ardia por ser alcan&ada e empinava o colo" ?as a borboleta fugia" . sentia-se penetrar de um calor estranho. que lhes garantia o futuro. num del'rio. atra'do e perple o" ?as de repente.Bendito e louvado seja 2osso 0enhor Jesus <risto1 e clamou ela.em1 . e cheia de susto ao mesmo tempo. enorme borboleta de fogo. apregoando aos quatro ventos a linda noticia" 5. sem parar nunca. que lhe acendia. sorrindo feliz e enrubescida" *s l$grimas saltaram dos olhos da lavadeira" . adejar lu uriosamente em torno da imensa rosa. todo o seu sangue de mo&a" 5 a borboleta. vitorioso. como a chuva benfazeja sobre uma pobre terra esterilizada pela seca" 2ão se p9de conter6 enquanto #ombinha mudava de roupa.eioD1 perguntou a velha com um grito arrancado do fundo d3alma" * rapariga meneou a cabe&a afirmativamente. levando logo ambas as mãos ao meio do corpo" 5 feliz.

ensang=entada, para que todos a vissem bem e para que todos a adorassem, entre hinos de amor, que nem a uma ver*nica sagrada de um &risto. - ?inha filha + mulher1 ?inha filha + mulher1 : fato abalou o cora&ão do corti&o, as duas receberam parab+ns e felicita&(es" )ona Bsabel acendeu velas de cera % frente do seu orat!rio, e nesse dia não pegou mais no trabalho, ficou estonteada, sem saber o que fazia, a entrar e a sair de casa, radiante de ventura" )e cada vez que passava junto da filha dava-lhe um beijo na cabe&a e em segredo recomendava-lhe todo o cuidado" /7ue não apanhasse umidade1 que não bebesse coisas frias1 que se agasalhasse o melhor poss'vel6 e, no caso de sentir o corpo mole, que se metesse logo na cama1 7ualquer imprud-ncia poderia ser fatal1"""4 : seu empenho era p9r o João da <osta, no mesmo instante, ao corrente da grande novidade e pedir-lhe que marcasse logo o dia do casamento; a menina entendia que não, que era feio, mas a mãe arranjou um portador e mandou chamar o rapaz com urg-ncia" 5le apareceu % tarde" * velha convidara gente para jantar; matou duas galinhas, comprou garrafas de vinho, e, % noite, serviu, %s nove horas, um ch$ com biscoitos" 2enen e a das )ores apresentaram-se em trajos de festa; fez-se muita cerim9nia; conversou-se em voz bai a, formando todos em volta de #ombinha uma solicita cadeia de agrados, uma respeitosa preocupa&ão de bons desejos, a que ela respondia sorrindo comovida, como que e alando da frescura da sua virgindade um vitorioso aroma de flor que desabrocha" 5 a partir desse dia )ona Bsabel mudou completamente" *s suas rugas alegraram-se; ouviam-na cantarolar pela manhã, enquanto varria a casa e espanava os m!veis" 2ão obstante, depois do tremendo conflito que acabou em navalhada, uma tristeza ia minando uma grande parte da estalagem" J$ se não faziam as quentes noitadas de violão e dan&a ao relento" * Rita andava aborrecida e concentrada, desde que Jer9nimo partiu para a :rdem; ,irmo fora intimado pelo vendeiro a que lhe não pusesse, nunca mais, os p+s em casa, sob pena de ser entregue % pol'cia; #iedade, que vivia a dar ais, carpindo a aus-ncia do" marido, ainda ficou mais consumida com a primeira visita que lhe fez ao hospital; encontrou-o frio e sem uma palavra de ternura para ela, dei ando at+ perceber a sua impaci-ncia para ouvir falar da outra, daquela maldita mulata dos diabos, que, no fim de contas, era a única culpada de tudo aquilo e havia de ser a sua perdi&ão e mais do seu homem1 7uando voltou de l$ atirou-se % cama, a solu&ar sem al'vio, e nessa noite não p9de pregar olho, senão j$ pela madrugada" .m negro desgosto comia-a por dentro, como tub+rculos de t'sica, e tirava-lhe a vontade para tudo que não fosse chorar" :utro que tamb+m, coitado1 arrastava a vida muito triste, era o Bruno" * mulher, que a principio não lhe fizera grande falta, agora o torturava com a sua distancia; um m-s depois da separa&ão, o desgra&ado j$ não podia esconder o seu sofrimento e ralava-se de saudades" * Bru a, a pedido dele, tirou a sorte nas cartas e disse-lhe misteriosamente que Ceoc$dia ainda o amava" 0! )ona Bsabel e a filha andavam deveras satisfeitas" 5ssas sim1 nunca tinham tido uma +poca tão boa e tão esperan&osa" #ombinha abandonara o curso de dan&a; o noivo ia agora visit$-la, invariavelmente, todas as noites; chegava sempre %s sete horas e demorava-se at+ %s dez; davam-lhe caf+ numa 'cara especial, de porcelana; %s vezes jogavam a bisca, e ele mandava buscar, de sua algibeira, uma garrafa de cerveja alemã, e ficavam a conversar os tr-s, cada qual defronte do seu copo, a respeito dos projetos de felicidade comum; outras vezes o <osta, sempre muito respeitador, muito bom rapaz, acendia o seu charuto da Bahia e dei ava-se cair numa pasmaceira, a olhar para a mo&a, todo embebido nela" #ombinha punha alegrias naqueles ser(es com as suas garrulices de pomba que prepara o ninho" )epois do seu id'lio com o sol fazia-se muito amiga da e ist-ncia, sorvendo a vida em haustos largos, como quem acaba de sair de uma prisão e saboreia o ar livre" ;olvia-se carnuda e cheia, sazonava que nem uma fruta que nos provoca o apetite de morder" )ona Bsabel, ao lado deles, toscanejava do meio para o fim da visita, tra&ando cruzes na boca e afugentando os bocejos com voluptuosas pitadas da sua insigne tabaqueira" ,i ado o dia do casamento, o assunto inalter$vel da conversa era o en oval da noiva e a casinha que o <osta preparava para a lua-de-mel" Briam todos tr-s morar juntos; teriam cozinheiro e uma criada que lavasse e engomasse" : rapaz trou era pe&as de linho e de algodão, e ali, % luz amarela do velho candeeiro de querosene, enquanto a mãe talhava camisas e len&!is, a filha cosia valentemente numa m$quina que lhe oferecera o noivo"

.ma vez, eram duas da tarde, ela pregava rendas numa fronha de almofada, quando o Bruno, cheio de hesita&(es, a co&ar os cabelos da nuca, p$lido e mal asseado, disse-lhe, encostando-se % ombreira da porta6 - :ra, 2hã #ombinha""" tinha-lhe um servicinho a pedir""" mas vosmecezinha anda agora tão tomada com o seu en oval e não h$ de querer dar-se a ma&os""" - 7ue queres tu, BrunoD - 23+ nada, + que precisava que vosmecezinha me fizesse uma carta p3raquele diabo""" mas j$ se vque não tem cabimento""" ,ica pr3ao depois1 - .ma carta para tua mulher, não +D - <oitada1 E mais doida do que ruim1 #ois se a gente at+ dos brutos tem pena1""" - #ois est$s servido" 7ueres para j$D - 2ão vale estorvar1 <ontinue seu servicinho1 5u volto pr3outra vez1""" - 2ão1 anda c$, entra1 : que se tem de fazer, faz-se logo1 - )eus lhe pague1 ;osmecezinha + mesmo um anjo1 2ão sei a quem se chegue a gente ao depois que j$ lhe não tivermos c$1""" 5 continuou a louvar a bondade da rapariga, enquanto esta, toda servi&al, preparava numa mesinha redonda os seus apetrechos de escrita" - ;amos l$, Bruno1 que queres tu mandar dizer % Ceoc$diaD - )iga-lhe, antes de mais nada, que aquilo que quebrei dela, que dou outro1 7ue ela fez mal em quebrar tamb+m o que era meu, mas que fecho os olhos1 Iguas passadas não movem moinho1 7ue sei que ela agora est$ desempregada e aos paus; que est$ a dever para mais de m-s na estalagem; mas que não precisa dar cabe&adas6 que me mande c$ o senhorio, que me entendo com ele" 7ue acho bom que ela dei e a casa da crioula onde come, porque a mulher j$ se quei ou e j$ disse, a quem quis ouvir, que aquilo l$ não era ponto de vadios e mulheres de m$ vida1 7ue ela, se tivesse um pouco de tino, nem precisava estar %s migalhas dos outros, que eu na forja fazia para a trazer de barriga cheia e mais aos filhos que )eus mandasse""" - #rincipiava a tomar calor" - 7ue a culpada de tudo isto + s! ela e mais ningu+m1 tivesse um bocado de ju'zo e não precisava envergonhar a cara por ai""" - Bsso j$ est$ dito, Bruno1 - #ois arrame-lhe outra vez a ver se ela toma brio1 - 5 que maisD - 7ue lhe não quero mal, nem lhe rogo pragas, mas que + bem feito que ela amargue um pouco do pão do diabo, pra ficar sabendo que uma mulher direita não deve olhar se não pra seu marido; e que, se ela não fosse tão maluca""" - J$ a' vai voc- repetir inda uma vez a mesma cantiga1""" - ?as diga-lhe sempre, tenha paci-ncia, 2hã #ombinha1""" 7ue ainda estaria aqui, comigo, como dantes, sem ag=entar repel(es de estranhos1""" - *diante, Bruno1 - )iga-lhe""" 5 interrompeu-se" :ra, que mais ele tinha a dizerD""" <o&ou a cabe&a" - ;eja, Bruno, voc- + quem sabe o que precisa escrever a sua mulher""" - )iga-lhe""" 2ão se animava" - 7ue"""

- )iga-lhe""" 2ão1 não lhe diga mais nada1""" - #osso então fechar a cartaD""" - 5st$ bom""" resmungou o ferreiro, decidindo-se" ;$ l$1 )iga-lhe que""" - 7ue""" 8ouve um sil-ncio, no qual o desgra&ado parecia arrancar de dentro uma frase que, no entanto, era a única id+ia que o levava a dirigir-se % mulher" *final, depois de co&ar mais vivamente a cabe&a, gaguejou com a voz estrangulada de solu&os6 - )iga-lhe que""" se ela quiser tornar pra minha companhia""" que pode vir""" 5u esque&o tudo1 #ombinha, impressionada pela transforma&ão da voz dele, levantou o rosto e viu que as l$grimas lhe desfilavam duas a duas, tr-s a tr-s, pela cara, indo afogar-se-lhe na moita cerdosa das barbas" 5, coisa estranha, ela, que escrevera tantas cartas naquelas mesmas condi&(es; que tantas vezes presenciara o choro rude de outros muitos trabalhadores do corti&o, sobressaltava-se agora com os desalentados solu&os do ferreiro" #orque, s! depois que o sol lhe aben&oou o ventre; depois que nas suas entranhas ela sentiu o primeiro grito de sangue de mulher, teve olhos para essas violentas mis+rias dolorosas, a que os poetas davam o bonito nome de amor" * sua intelectualidade, tal como seu corpo, desabrochara inesperadamente, atingindo de súbito, em pleno desenvolvimento, uma lucidez que a deliciava e surpreendia" 2ão a comovera tanto a revolu&ão f'sica <omo que naquele instante o mundo inteiro se despia % sua vista, de improviso esclarecida, patenteando-lhe todos os segredos das suas pai (es" *gora, encarando as l$grimas do Bruno, ela compreendeu e avaliou a fraqueza dos homens, a fragilidade desses animais fortes, de músculos valentes, de patas esmagadoras, mas que se dei avam encabrestar e conduzir humildes pela soberana e delicada mão da f-mea" *quela pobre flor de corti&o, escapando % estupidez do meio em que desabotoou, tinha de ser fatalmente vitima da pr!pria intelig-ncia" G mingua de educa&ão, seu esp'rito trabalhou % revelia, e atrai&oou-a, obrigando-a a tirar da subst>ncia caprichosa da sua fantasia de mo&a ignorante e viva a e plica&ão de tudo que lhe não ensinaram a ver e sentir" Bruno retirou-se com a carta" #ombinha pousou os cotovelos na mesa e tulipou as mãos contra o rosto, a cismar nos homens" 7ue estranho poder era esse, que a mulher e ercia sobre eles, a tal ponto, que os infelizes, carregados de desonra e de ludibrio, ainda vinham covardes e suplicantes mendigar-lhe o perdão pelo mal que ela lhes fizeraD""" 5 surgiu-lhe então uma id+ia bem clara da sua pr!pria for&a e do seu pr!prio valor" 0orriu" 5 no seu sorriso j$ havia garras" .ma aluvião de cenas, que ela jamais tentara e plicar e que at+ ai jaziam esquecidas nos meandros do seu passado, apresentavam-se agora n'tidas e transparentes" <ompreendeu como era que certos velhos respeit$veis, cujas fotografias C+onie lhe mostrara no dia que passaram juntas, dei avam-se vilmente cavalgar pela loureira, cativos e submissos, pagando a escravidão com a honra, os bens, e at+ com a pr!pria vida, se a prostituta, depois de os ter esgotado, fechava-lhes o corpo" 5 continuou a sorrir, desvanecida na sua superioridade sobre esse outro se o, vaidoso e fanfarrão, que se julgava senhor e que no entanto fora posto no mundo simplesmente para servir ao feminino; escravo rid'culo que, para gozar um pouco, precisava tirar da sua mesma ilusão a subst>ncia do seu gozo; ao passo que a mulher, a senhora, a dona dele, ia tranq=ilamente desfrutando o seu imp+rio, endeusada e querida, prodigalizando mart'rios que os miser$veis aceitavam contritos, a beijar os p+s que os deprimiam e as implac$veis mãos que os estrangulavam" - *h1 homens1 homens1""" sussurrou ela de envolta com um suspiro" 5 pegou de novo na costura, dei ando que o pensamento vadiasse % solta, enquanto os dedos iam maquinalmente pregando as rendas naquela almofada, em que a sua cabe&a teria de repousar para receber o primeiro beijo genital" 2um s! lance de vista, como quem apanha uma esfera entre as pontas de um compasso, mediu com as antenas da sua perspic$cia mulheril toda aquela esterqueira, onde ela, depois de se arrastar por muito

que ela vira decorrendo em quentes camarinhas pelas $speras e maltratadas barbas do marido de Ceoc$dia" 5 não obstante. sem temeridades de revolta. havia em cada olhar um sang='neo refle o de noites nupciais" )esfolharam-se rosas % porta da #ombinha" Gs onze horas parou um carro % entrada do corti&o com uma senhora gorda. abra&ando as amigas. para ter um instante de lu úria entre as pernas de uma desgra&adinha irrespons$vel e tola. era mais um animal que viera ao mundo para propagar a esp+cie. linda" #arecia comovida. porque o <osta era como os outros. uma por uma" . violeta infeliz. quando vier a primeira barriga" * noiva sorria. quase todos tinham os olhos ressumbrados d3$gua" #ombinha surgiu % porta de casa. a mo&a pressentiu bem claro que nunca daria de si ao marido que ia ter uma companheira amiga. a fremir concupiscente. e por conseguinte nunca lhe teria amor. aquele matrim9nio era o seu sonho dourado" #ois agora. sem v'cios tr$gicos. seria muito capaz de dissolver o ajuste" ?as. o rosto paralisado por uma como&ão respeitosa. com as mãos cruzadas atr$s. cujos segredos ela possu'a. no seu esp'rito rebelde de flor mimosa e peregrina criada num monturo. subalterno ao lado da esposa infiel. li defronte. um belo dia acordou borboleta % luz do sol" 5 sentiu diante dos olhos aquela massa informe de machos e f-meas.um bom parto. pressentiu que nunca o respeitaria sinceramente como a um ser superior por quem damos a vida. cujas 'ntimas correspond-ncias escrevera dia a dia. vaporosa. e viu o ?iranda. se na terra houvera homens dignos disso" *h1 não o amaria decerto. quei ou-se de que o maganão do <osta lhe passara a perna roubando-lhe a namorada" Bngrata1 5le que estava disposto a fazer uma asneira1 2enen deu uma corrida at+ % noiva. que um estrume forte demais para ela atrofiara. sem ideais pr!prios. leal e dedicada. na ocasião em que esta chegava % carruagem e. e viu o )omingos.irmo e o Jer9nimo atassalharem-se. estalando-lhe um beijo na boca.2ão1 aquela não nascera para isto1""" sentenciou o *le andre. feliz cada um por v--la feliz e em caminho da posi&ão que lhe competia na sociedade" . um pobre-diabo enfim que j$ a adorava cegamente e que mais tarde. e trabalhadores de toda a esp+cie. sem capacidade para grandes crimes. cercada pela b-n&ão de toda aquela gente. toda de branco. onde toda a salsugem e todas as fezes daquela praia de despejo foram arremessadas espumantes de dor e aljofradas de l$grimas" 5 na sua alma enfermi&a e aleijada. passivo e resignado. a comichar. como dois cães que disputam uma cadela da rua.ma f'mbria de desd+m toldava-lhe a rosada candura de seus l$bios" 5ncaminhou-se para o portão. e tornou a ver o Bruno a solu&ar pela mulher. da' a uma semana. vestida de seda cor de p+rola" 5ra a madrinha que vinha buscar a noiva para a igreja de 0ão João Batista" * cerim9nia estava marcada para o meio-dia" @oda esta formalidade embatucava os circunstantes. e cavouqueiros. de v+u e grinalda.tempo como larva. que nunca lhe votaria entusiasmo. e outros ferreiros e hortel(es. que fora da venda.)iz que + muito bom para quem deseja casar1""" e eu tenho tanto medo de ficar solteira1""" E todo o meu susto1 . at+ então. cujos cora&(es conhecia como as palmas das mãos. e. sufocando-se uns aos outros" 5 viu o . despedia-se dos companheiros atirando-lhes beijos com o seu ramalhete de flores artificiais" )ona Bsabel chorava como crian&a. depois de um trabalho de barro. rid'culas e vergonhosas. e perdendo o seu emprego e as economias ajuntadas com sacrif'cio. j$ pronta para desferir o grande v9o.)eus lhe ponha virtude1 e clamou a ?achona" 5 que lhe d. porque a sua escrivaninha era um pequeno confession$rio. cascalhando uma risada decr+pita. se não fora a mãe. a estalagem era toda em rebuli&o desde logo pela manhã" 0! se falava em casamento. furtando horas ao sono. que se alinhavam im!veis defronte do número SN. nas v+speras de obt--lo. um e +rcito de bestas sensuais. cujas l$grimas rebentaram afinal. com ou sem razão. alguns sorriam enternecidos. sem atrevimentos de ambi&ão. sentia repugn>ncia em dar-se ao noivo. aceitando a e ist-ncia que lhe impunham as circunst>ncias. derramaria aquelas mesmas l$grimas. de olhos bai as" . pediu-lhe com empenho que se não esquecesse de mandar-lhe um botão da sua grinalda de flores de laranjeira" . desse de que ela se sentia capaz de amar algu+m. retorcendo o reluzente bigode" 0eria l$stima se a dei assem ficar aqui1 : velho Cib!rio. que se divertia a faz--lo dan&ar a seus p+s seguro pelos chifres.

única rivalidade que verdadeiramente o estimulava" . /que ali se não admitiam meias medidas a tal respeito1 *li6 ou bem pei e ou bem carne1 2ada de embrulho14 E inútil dizer que a parte contr$ria lan&ou mão igualmente de todos os meios para guerrear o inimigo. veio ocupar a casa que )ona Bsabel esvaziou poucos dias depois do casamento de #ombinha" *gora.m vendedor de pei e. muitos pretendentes surgiam disputando os c9modos desalugados" )elporto e #ompeo foram varridos pela febre amarela e tr-s outros italianos estiveram em risco de vida" : número dos h!spedes crescia. o .irmo conquistara r$pidas simpatias e constitu'ra-se chefe de malta" 5ra querido e venerado. como nunca. dia a dia agravada por pequenas brigas e rezingas. e estes dois. assim que se instaurara a nova estalagem. perigosa concorr-ncia" #9s-se logo em campo.igurava como seu dono um portugu-s que tamb+m tinha venda.XIII G propor&ão que alguns locat$rios abandonavam a estalagem. para que o não dei assem respirar um instante com multas e e ig-ncias ve at!rias. abandonou o quarto na oficina e meteu-se l$ de súcia com o #orfiro.ma fam'lia. impunham respeito aos carapicus. estalando de raiva. mas o legitimo propriet$rio era um abastado conselheiro. germinava outro corti&o ali perto. a quem não convinha. retornou % sua primitiva preocupa&ão com o ?iranda. de resto. era cometer trai&ão tamanha. das quais destas a mais velha tinha trinta anos e a mais mo&a quinze. peitando fiscais e guardas municipais. entre os quais. denunciar a um contr$rio o que se passava. podia vir sobre ele com gana" 2o /<abe&a-de-Fato4. que lhe cedia a cama mediante esmolas" : capoeira fazia questão de ficar no /<abe&a-de-Fato4. homem de gravata lavada. e come&ou a perseguir o rival por todos os modos.irmo. poria os p+s no /<abe&a-de-Fato4 e o . e as mulheres iam despejando crian&as com uma regularidade de gado procriador" . s! por si. a das )ores. lucravam com o progressivo movimento de povo que se ia fazendo no bairro. notando que os seus interesses nada sofriam com a e ist-ncia da nova estalagem e. mas entre os pr!prios pol'cias havia adeptos de um e de outro partido. uma vez bem curado. apesar da oposi&ão de Rita. que mais depressa o dei aria a ele do que aos seus velhos camaradas de corti&o" )a' nasceu certa ponta de disc!rdia entre os dois amantes. os habitantes do /<abe&a-de-Fato4 tomaram por alcunha o titulo do seu corti&o. por coisa alguma desta vida. por decoro social. e os de /0ão Romão4. fosse o que fosse. havia muito boa gente para o que desse e viesse" ?as ao cabo de tr-s meses. aparecer em semelhante g-nero de especula&(es" 5 João Romão. João Romão. os companheiros tinham entusiasmo pela sua destreza e pela sua coragem. não tardando que entre os moradores da duas estalagens rebentasse uma tremenda rivalidade. porque ai se sentia resguardado contra qualquer persegui&ão que o seu delito motivasse. foi encontrado quase morto perto do cemit+rio de 0ão João Batista" *le andre. não obstante. Jer9nimo não estava morto e. incompatibilizado com os carapicus" #ara estarem juntos tinham encontros misteriosos num caloji de uma velha miser$vel da Rua de 0ão João Batista. as suas entrevistas tornavam-se agora mais raras e mais dif'ceis" * baiana. at+ pelo contr$rio.irmo achava-se. mudar-se algu+m de uma estalagem para outra era renegar id+ias e princ'pios e ficava apontado a dedo. foram batizados por /<arapicus4" 7uem se desse com um carapicu não podia entreter a mais ligeira amizade com um cabe&a-de-gato. em que as lavadeiras se destacavam sempre com quest(es de freguesia de roupa" 2o fim de pouco tempo os dois partidos estavam j$ perfeitamente determinados. disposto % luta. os casulos subdividiam-se em cub'culos do tamanho de sepulturas. que caiu na asneira de falar a um cabe&a-de-gato a respeito de uma briga entre a ?achona e sua filha. na mesma rua. o /<abe&a-de-Fato4" . composta de mãe viúva e cinco filhas solteiras. o urbano que entrava na venda do João Romão tinha escrúpulo de tomar qualquer coisa ao balcão da outra venda" 5m meio do p$tio do /<abe&a-deFato4 arvorara-se uma bandeira amarela. tirando o nome do pei e que a Bertoleza mais vendia % porta da taverna. sabiam-lhe de cor a legenda rica de fa&anhas e vit!rias" : #orfiro secundava-o sem lhe disputar a primazia. viu que aquela nova república da mis+ria prometia ir adiante e amea&ava fazer-lhe % sua. dentro do circulo oposto. que os companheiros a puniam a pau" . que os incompatibilizava com a gente do /<abe&a-de-Fato4" *quele que não estivesse disposto a isso ia direitinho para a rua. esse então não cochilava com os advers$rios6 nas suas partes policiais figurava sempre o nome de um deles pelo menos. os carapicus responderam logo levantando um pavilhão vermelho" 5 as duas cores olhavam-se no ar como um desafio de guerra" * batalha era inevit$vel" 7uestão de tempo" . enquanto pela sorrelfa plantava no esp'rito dos seus inquilinos um verdadeiro !dio de partido.

tem certeza dissoD J$ viuD . p9s a barba abai o. seu João1""" . que era o único que ele assinava havia j$ tr-s anos e tanto. j$ não se prestava muito a servir pessoalmente % negralhada da vizinhan&a. na doce convic&ão de que se instru'a" *dmitiu mais tr-s cai eiros. a desgra&ada fazia-se mais e mais escrava e rasteira" João Romão subia e ela ficava c$ embai o. mas não foi l$" Bertoleza + que continuava na cepa torta. pelo contr$rio. não do ordin$rio que vendia aos trabalhadores. sem domingo nem dia santo. mandou soalh$-lo. abandonada como uma cavalgadura de que j$ não precisamos para continuar a viagem" <ome&ou a cair em tristeza" : velho Botelho chegava-se tamb+m para o vendeiro. aceitava a&(es de companhias de t'tulos ingleses e s! emprestava dinheiro com garantias de boas hipotecas" : ?iranda tratava-o j$ de outro modo.*quela pequena + que lhe estava a calhar. mas de um especial que guardava para seu gasto" 2os dias de folga atirava-se para o #asseio #úblico depois do jantar ou ia ao teatro 0ão #edro de *lc>ntara assistir aos espet$culos da tarde. nem voltava % tarde para o jantar.tem ouvido""" canta o seu bocado""" aprendeu desenho""" muito boa mão de agulha1""" e""" *bai ou a voz e segredou grosso no ouvido do interlocutor6 .<omoD 7ue pequenaD . assentado defronte da venda. principiou a comer com guardanapo e a ter toalha e copos sobre a mesa. entrou a tomar vinho. em nada. e %s vezes trocava com ele dois dedos de palestra % porta da venda" *cabou por oferecer-lhe a casa e convid$-lo para o dia de anos da mulher.E um bom partido. isso vai ou não vaiD"""4 5 tinha sempre uma frase amig$vel para lhe atirar c$ de fora" 5m geral o taverneiro acudia a apertar-lhe a mão. seu João. parava risonho para lhe falar quando se encontravam na rua. em nada absolutamente. pelo menos. Botelho. arranjou um chuveiro ao lado da retrete. correu uma limpeza no seu quarto de dormir. comprou alguns m!veis em segunda mão. com uma paci-ncia de santo.)esde que o vizinho surgiu com o baronato. ia aprender a dan&ar. que era da' a pouco tempo" João Romão agradeceu o obs+quio..J$1 #alavra d3honra1 <alaram-se um instante" Botelho continuou depois6 . depois de falar com o costumado entusiasmo do seu belo amigo Barão e da virtuos'ssima fam'lia deste. forrou-o e pintou-o. cal&ado e de gravata" )ei ou de tosquiar o cabelo % escovinha. tudo aquilo + s!lido1""" #r+dios e a&(es do banco1""" . sempre atrapalhada de servi&o. de cara alegre. que ele agora tratava com brilhantina todas as vezes que ia ao barbeiro" J$ não era o mesmo lambuzão1 5 não parou a'6 fez-se s!cio de um clube de dan&a e. que aquele mesmo n+o metia prego sem estopa. o chap+u alto derreado para a nuca e o guarda-chuva debai o do bra&o" #rincipiava a meter-se em altas especula&(es. desfazendo-se em demonstra&(es de reconhecimento. @anto assim que uma vez. a ler jornais" )epois deu para sair a passeio. mas o outro atalhou6 .oc. participava das novas regalias do amigo. do /Jornal do <om+rcio4. sempre a mesma crioula suja. em que os dois sa'ram % tardinha para dar um giro at+ % praia. na pra&a do com+rcio e nos bancos. agora at+ mal chegava ao balcão" 5 em breve o seu tipo come&ou a ser visto com freq=-ncia na Rua )ireita. que o ambicioso lia de cabo a rabo. vestido de casimira. +1 5 celente menina""" tem um g-nio de pomba""" uma educa&ão de princesa6 at+ o franc-s sabe1 @oca piano como voc. acrescentou com o olhar fito6 .*li. tirava-lhe o chap+u. e ainda mais do que o pr!prio ?iranda" : parasita não saia agora depois do almo&o para a sua prosa na charutaria. duas noites por semana. sem deter-se um instante % porta do vizinho ou. e propunha-lhe que bebesse alguma coisa" 0im. come&ou a usar rel!gio e cadeia de ouro. essa. passou a receber mais dois outros e a tomar fasc'culos de romances franceses traduzidos. o vendeiro transformava-se por dentro e por fora a causar pasmo" ?andou fazer boas roupas e aos domingos refestelava-se de casaco branco e de meias. sem lhe gritar l$ de dentro6 /5ntão. % medida que ele galgava posi&ão social. conservando apenas o bigode. João Romão j$ convidava para beber alguma coisa" ?as não era % loa que o fazia.:ra morda aqui1 #ensa que j$ não dei pelo namoroD""" ?aganão1 : vendeiro quis negar.

para decidir.8omem1 disse o vendeiro.*h1 nesse caso + dei $-los l$ arranjar a vida1 . +1 <reio at+ que com ele ser$ mais f$cil qualquer transa&ão""" .<onforme. o outro oferecia dez" .do neg!cio s! por si.*h1 Bsso + dos livros1 *rranje-me voc. e com papel passado a prazo de casamento. sim""" em todo o caso falaremos depois.a fazer-me.#elo amor de )eus1 0ou incapaz de semelhante sacril+gio1 .<reio que não me sup(e um velhaco1""" .#ois não falemos1 ?as no dia seguinte voltaram % questão6 .#or menos não me serve1 . dou-lhe quinze1 . como não sou rico""" . que não me quer dei ar comer uma migalha da bela fatia que lhe vou meter no papo1""" : ?iranda hoje tem para mais de mil contos de r+is1 *gora. como lhe parece talvez""" .o neg!cio e não se arrepender$""" .quer""" . com efeito. de intimidade com a fam'lia. se voc.7uer dizer que me far$ guerra""" .5ntão1""" .5ntão não falemos mais nisso1 5st$ acabado1 . mas não o podemos criminar""" são coisas pegadas da mulher. apanha-lhe a filha""" .inte1 . fique sabendo que a coisa não + assim tamb+m tão f$cil.2ão1 melhor seria um pr'ncipe1""" .inte.Bom1 então não temos nada feito""" resumiu o velho" @rate voc. sabe l$ o que + não quererD @enha voc. que lhe ronda muito a porta""" 5 ela.: ?iranda + bom homem.7ual o qu-1 #ois uma menina daquelas. criada a obedecer aos pais.5 voc.E melhor. decerto6 neste mundo estamos n!s para servir uns aos outros1""" apenas.alha-me )eus.. não lhe faz m$ cara""" .uma pessoa. por e emplo1 .*h1 se voc. ao que parece.0im. que de dentro empurre o neg!cio e ver$ se consegue ou não1 5u.: Barão h$ de sonhar com um genro de certa ordem1""" *i algum deputado""" algum homem que fa&a figura na pol'tica aqui da terra1 .5 mesmo a pequena tem um doutorzinho de boa fam'lia. que dúvida1 )izem que o ?iranda s! faz o que voc. com mais vagar""" 2ão + sangria desatada1 5 desde então. não1 .. criatura1 não fa&o guerra a ningu+m1 guerra est$ voc. coitado1 tem l$ as suas fuma&as de grandeza.est$ resolvido a""" D .* proteg--loD""" 0im.#aci-ncia1 . sempre que os dois se pilhavam a s!s discutiam o seu plano de ataque % filha do ?iranda" Botelho queria vinte contos de r+is.5 eu vinte não dou1 .se metesse nisso. mas j$ lhe vou prevenindo de que não conte comigo absolutamente""" <ompreendeD .5la talvez não queira""" .. no entanto acho-o com boas disposi&(es a seu respeito""" e. conforme""" .)izem com razão" .souber lev$-lo..

o pobre-diabo chegava a causar d! de tão atrapalhado que se via #or duas vezes escorregou. vestiu-se de roupa nova em folha. solicitando-lhe a fineza de ir jantar com ele mais a fam'lia. aprovado no seu primeiro ano de ?edicina..oc. a visita comeu tão pouco e tão pouco bebeu. rindo ambas % socapa por verem ali o João da venda engravatado e com piegas de visita" )epois do jantar apareceu uma fam'lia. João Romão riu-se para o outro. ensaiou o que tinha que dizer. por+m. fingindo aceitar o fato como prova segura de que o jantar não prestava. o obsequiado pedia por amor de )eus que não acreditassem em tal e jurava sob palavra de honra que se sentia satisfeito e que nunca outra comida lhe soubera tão bem" Botelho l$ estava. escanhoou-se com esmero. risonho e cheio de timidez. receber$ do Barão um chamado para l$ ir jantar ao primeiro domingo.5.2em ningu+m o obriga""" *deuzinho1 . a despeito da resist-ncia com que se rendia. depois que o Barão. a passos de granadeiro. homem1 bradou-lhe o dono da casa" 0e tem calor venha antes aqui para a janela" 2ão fa&a cerim9nia1 J Ceonor1 traz o vermute1 :u o amigo prefere tomar um copinho de cervejaD João Romão aceitava tudo. quando apareceram na sala )ona 5stela e a filha. que por essa ocasião hospedava-se com o ?iranda" 8enrique.quer1 mais vale um gosto do que quatro vint+ns1 : Botelho não faltou ao prometido6 dias depois do contrato selado e assinado. fora visitar a fam'lia. a cadeira afastou-se e ele quase vai ao chão" Aulmira riu-se. e João Romão. vai. sentiu logo o suor dos grandes apuros inundar-lhe o corpo e correr-lhe em bagada pela fronte e pelo pesco&o. com sorrisos de acanhamento. fez um gesto de quem não quer intrometer-se com o que não + da sua conta" . dando-lhe no ombro uma palmada amig$vel" 5ntão não h$ meio de chegarmos a um acordoD""" .. sem animo de arriscar palavra" * cerveja f--lo suar ainda mais e. vieram tamb+m alguns rapazes. ainda assim. formaram-se jogos de prendas. afeitos por toda vida % independ-ncia do chinelo e do tamanco. em ?inas" Bsaura e Ceonor serviam aos comensais.. ao lado de um velhote fazendeiro. sem dizer palavra" : Botelho. trazendo um rancho de mo&as. não parecia tão an-mica e deslavada. conhecida.+ o diabo1""" faceteou aquele. tinha j$ dois dentes posti&os. pela primeira vez em sua vida. no dia marcado. conservava o pesco&o branco.. caso esteja eu pelos vinte.inte1 . aceita o convite. e numa delas foi apoiar-se a uma cadeira que tinha rod'zios. nem que se o desgra&ado acabasse de vencer naquele instante uma l+gua de carreira ao sol" *s suas mãos vermelhas e redondas gotejavam.<aso o meu nobre amigo se decida pelos vinte. onde seus grandes p+s. que os donos da casa a censuraram jovialmente. João Romão recebeu uma carta do vizinho. mas disfar&ou logo a sua hilaridade pondo-se a conversar com a mãe em voz bai a" *gora. areou os dentes at+ faz--los bem limpos. muito solicito. lhe tomou o chap+u e o guarda-chuva" *rrependia-se j$ de ter l$ ido" . no espelhado e pretensioso salão de 0ua 5 cel-ncia" *os primeiros passos que dera sobre o tapete.#ois seja l$ como voc. coitada1 + que se precipitava. conversando sozinho defronte do espelho do seu lavat!rio. se destacavam como um par de tartarugas. posso contar que"""D . e encontrar$ o terreno preparado" . *h1 que revolu&ão não se feriu no esp'rito do vendeiro1 passou dias a estudar aquela visita. em resposta. desfazendo-lhe a primitiva gra&a maliciosa dos l$bios. pintava o cabelo. liso e grosso.ique a gosto. refeita nos seus dezessete anos. banhou-se em varias $guas. aparou e bruniu as unhas. perfumou-se todo dos p+s % cabe&a. afinal.*t+ mais ver" 7uando se encontraram de novo. e %s quatro e meia da tarde apresentou-se. e dos cantos da boca duas rugas serpenteavam-lhe pelo quei o abai o. vieram-lhe os seios e engrossara-lhe o quadril" 5stava melhor assim" )ona 5stela. e os seus bra&os não desmereciam dos antigos cr+ditos" G mesa. viu-se metido em tais funduras" 2ão se saiu mal todavia" . e ele não sabia o que fazer delas. para a velhice.

por associa&ão de id+ias. foi que. p9s-se a malucar6 *inda bem que não tinham filhos1 *ben&oadas drogas que a Bru a dera % Bertoleza nas duas vezes em que esta se sentiu gr$vida1 ?as. para pensar mais % vontade no seu futuro. tão ligado vivera com a crioula e tanto se habituara a v--la ao seu lado. muito satisfeito consigo mesmo.irmo continuava a encontrar-se com a baiana na Rua de 0ão João Batista.*i1 ai1 gemeu o vendeiro. e assim mais de tr-s meses se passaram depois da noite da navalhada" . respirou com independ-ncia.*gora est$s sempre apertada de servi&o1""" resmungava o .ma roupa de uma fam'lia que embarca amanhã para o 2orte1 @em de ficar pronta esta noite1 J$ ontem fiz serão1 .5 se ela morresseD""" XIV Bam-se assim os dias.5stou muito apertada de servi&o1 acrescentava % r+plica do amante" .: ch$ das dez e meia correu sem novidade. com efeito. roncava. resignando-se" 5 despiu-se" .:r3essa1 @ens coragem de dizer que não te dou nadaD 5 quem foi que te deu esse vestido que tens no corpoD1 .ma vez deitado. lhe acudiu esta hip!tese6 .irmo" . distra'da. havia de p9r a cabe&a naquele mesmo travesseiro sujo em que se enterrava a hedionda carapinha da crioulaD""" . sem animo de afastar-se da beira da cama. estendida na cama. %s vezes impertinente. quando enfim o ne!fito se pilhou na rua. reme endo o pesco&o dentro do colarinho engomado e soprando com al'vio" . abrindo e destripando pei e. afinal. menos nela" 5 agoraD 5 malucou no caso at+ %s duas da madrugada. com a boca aberta. desfazer-se de toda aquela roupa e atirar-se % cama. de que modo se veria livre daquele trambolhoD 5 não se ter lembrado disso h$ mais tempo1""" parecia incr'vel1 João Romão. dei ando ver o negrume das pernas gordas e lustrosas" 5 tinha de estirar-se ali. a contempl$-la de c!coras % porta da venda. filho1 #onha-me eu a dormir e quero ver do que como e com que pago a casa1 2ão h$ de ser com o que levo daqui1 .5 que + preciso pu ar por ele. cujos horizontes se rasgavam agora iluminados de esperan&a" ?as a bolha do seu desvanecimento engelhou logo % vista de Bertoleza que. para não se encostar com a amiga. ao lado daquela preta fedorenta a cozinha e bodum de pei e1 #ois. de papo para o ar.ma alegria de vit!ria transbordava-lhe do cora&ão e fazia-o feliz nesse momento" Bebeu o ar fresco da noite com uma volúpia nova para ele e. rosnava o capad!cio com ciúmes" :ra queira )eus que eu me engane1 2as entrevistas apresentava-se ela agora sempre um pouco depois da hora marcada. entrou em casa e recolheu-se. a camisa soerguida sobre o ventre. que nos seus devaneios de ambi&ão pensou em tudo.8um1 hum1 temos mouro na costa. e. mas a mulata j$ não era a mesma para ele6 apresentava-se fria. rejubilando com a id+ia de que ia descal&ar aquelas botas. surgiu-lhe n'tida ao esp'rito a compreensão do estorvo que o diabo daquela negra seria para o seu casamento" 5 ele que at+ a' não pensara nisso1""" :ra o demo1 2ão p9de dormir. pu ando questão por d$ c$ aquela palha" . tão cheiroso e radiante como se sentia. sem achar furo" 0! no dia seguinte. e sua primeira frase era para dizer que tinha pressa e não podia demorar-se" .

sem janelas. passeando na estreiteza da miser$vel alcova. e contentou-se em rondar a estalagem" 2ão conseguiu v--la.E1 não h$ dúvida1 #or isto + que a perua ultimamente me anda de vento mudado1""" 5 um ciúme doido. os dentes cerrados" /0e aquela safada lhe aparecesse naquele momento.2ão disse que nunca me desse nada.me d$ não pago a casa e não ponho a panela no fogo1 @amb+m não lhe estou pedindo coisa alguma1 :h1 *zedavam-se deste modo as suas entrevistas. pediu um martelo de parati e acendeu um charuto.*presentou-se hoje pela manhã na estalagem" . sacudindo as pernas cruzadas. . a pensar" . um desespero feroz rebentou-lhe por dentro e cresceu logo como a sede de um ferido" /:h1 precisava vingar-se dela1 dela e dele1 : amaldi&oado resistiu % primeira.irmo resmungou no fim de uma pausa6 .)iabo1 )epois assentou-se no leito. batendo com toda a for&a o seu petr!polis no chão6 . arrastando o seu desgosto por aquele domingo sem pagode" Gs duas horas da tarde entrou no botequim do Farnis+. deu-lhe a noticia de que na v+spera o Jer9nimo. e . nem pio l$ com os carapicus1 0e abrires o bico dou-te cabo da pele1 J$ me conheces1 . atirando para dentro do quarto uma palavra porca" #ela rua. rosnando pragas obscenas..irmo acordou com um sobressalto" . todo ele respirava uma febre de vingan&a e de !dio" . resolveu esperar at+ % noite para lhe mandar um recado" 5 vagou aborrecido pelo bairro.:ra ai est$ o que +1 e clamou o capoeira.irmo esperou ainda. os olhos vermelhos.. mas não se sentiu com animo de l$ ir. uma espelunca. como um on&a enjaulada. o atra'a ao corti&o de 0ão Romão.)isse-me o #ataca" . sem rodeios.m s9frego desejo de castig$-la. morador no /<abe&a-de-Fato4.eja mais um martelo de parati1 gritou para o portuguesinho da espelunca" 5 acrescentou. com um cheiro mau de bafio e umidade" 5le havia levado um embrulho de pei e frito. ele seria capaz de torc--la nas mãos14 G vista do embrulho da comida estourou-lhe a raiva" )eu um pontap+ numa bacia de lou&a que havia no chão.m domingo. jurava que /aquela caro pagaria a mulata14 . esfriando as poucas horas que os dois tinham para o amor" . mas com o que voc.irmo atirou-se numa cadeira. a boca espumando pelos cantos. e afinal saiu. durante o caminho.:lha1 disse ao companheiro de mesa" )isto. mas não lhe escaparia da segunda14 . o sobrolho intumescido.2ada1 E c$ comigo" @oma alguma coisaD .m mulatinho. perto da cama.@enho nada que falar1 #ra qu-D .: Jer9nimoD1 . fungando forte. onde ele costumava beber de súcia com o #orfiro" : amigo não estava l$" .eio novo copo. tivera alta do hospital" . no mesmo instante. veio assentar-se na mesma mesa e.<omo soubesteD . a gaforina mais assanhada que de costume.irmo esperou bastante tempo e Rita não apareceu" : quarto era acanhado e sombrio.5 não passa de hoje mesmo1 <om o chap+u % r+. esperou ainda algum tempo. e soltou um marro na cabe&a" . pão e vinho.Bom1 5 ficaram ainda a beber" . para almo&arem juntos" )eu meio-dia e . soltando um murro na mesa" . perto da praia.7ue + o qu-D interrogou o outro" .

p$lido. para ir chamando for&a %s pernas" @amb+m estive tanto tempo preso % cama1 0! de uma semana pra c$ + que encostei os p+s no chão1 )eu alguns passos na sua pequena sala e disse depois.<oitada1""" resmungou depois" ?uito boa criatura. mas confesso que não encontro nela umas tantas coisas que desejava""" 5 chupou os bigodes" .7ueres tomar um caldinhoD perguntou-lhe" <reio que ainda não est$s de todo pronto""" . sua mulher anda de p+ atr$s comigo1 5 eu não quero hist!rias1""" Jer9nimo sacudiu os ombros com desd+m" .*quiD 7ual1 2essa não caio1 5 se vier não lhe abro a porta1 *h1 quando embirro com uma pessoa + que embirro mesmo1 .Bsso + verdade. tornando junto da mulher6 ..: que me saberia bem agora era uma icrinha de caf+. um sil-ncio fez-se em torno do convalescente. desfigurado.5ntra.oc.5stou1 contrap9s ele" )iz o doutor que preciso + de andar.E um coisa-ruim1 2ão quero saber mais dele1""" .7u-D 7ue não quero saber mais deleD 5sta que aqui est$ nunca mais far$ vida com semelhante c$bula1 Juro por esta luz1 .C$ o meu homem quer do seu caf+ e torceu nariz ao de casa""" ?anda pedir-lhe que lhe fa&a uma 'cara" #ode serD perguntou a portuguesa % baiana" . tivera alta e tornara aquele domingo ao corti&o. para ir pedir o obs+quio % mulata" *quela prefer-ncia pelo caf+ da outra do'a-lhe duro que nem uma infidelidade" .oc-s são tudo a mesma súcia1 Bem tola + quem vai atr$s de l$bia de homem1 5u c$ não quero mais saber disso""" *o outro despachei j$1 : cavouqueiro teve um tremor de todo o corpo" ..2ão vale a pena estorvar-se em l$ ir""" 0e me d$ licen&a. Jer9nimo.5le ainda vem c$D perguntou o cavouqueiro" . mas queria-o bom como o faz a Rita""" :lha1 pede-lhe que o arranje" #iedade soltou um suspiro e saiu vagarosamente. pela primeira vez depois da doen&a" . diabo1 @oma o caf+ e dei a de maldiz-ncia1 E mesmo vicio de #ortugal6 comendo e dizendo mal1 : portugu-s sorveu com del'cia um gole de caf+" . porque da' a um instante. a Rita Baiana tinha os olhos arrasados d3$gua" #iedade levou o seu homem para o quarto" .*qui ele sabe melhor""" .inha magro. bebo o cafezinho aqui mesmo""" . apoiando-se a um peda&o de bambu" <rescera-lhe a barba e o cabelo. surgiu-lhe % porta" . com efeito. ningu+m falava senão a meia voz.Jer9nimo. e gaguejou6 .2ão custa nada1 respondeu esta" <om poucas est$ l$1 ?as não foi preciso que o levasse. tomados de uma tristeza respeitosa.<ala a boca.irmoD Rita arrependeu-se do que dissera. que ele não queria cortar sem ter cumprido certo juramento feito aos seus brios" * mulher fora busc$-lo ao hospital e caminhava ao seu lado. igualmente abatida com a mol+stia do marido e com as causas que a determinaram" :s companheiros receberam-no compungidos. seu Jer9nimo" .m traste1 .:utro quemD1 : . mas""" .2ão digo mal.pega j$ com partes1 :lha. RitaD . com o seu ar tranq=ilo e passivo de quem ainda se não refez de todo depois de uma longa mol+stia.

)ei a disso" #ode tua mulher ver1 . e com um sinal preveniu-os de que não falassem por enquanto sobre o assunto que os trou era ali" Jer9nimo comeu %s pressas e convidou as visitas a darem um giro l$ fora" 2a rua.#reciso muito te falar""" .#ois sei de um que a quer como )eus aos seus1""" .Bem achado1 confirmou A+ <arlos" 8$ l$ bons fundos para se conversar" 5 os tr-s puseram-se a caminho.7uandoD .#ois diga-lhe que siga outro oficio1 5la se chegou para recolher a 'cara.tem outro agora""" .:ndeD . aqueles dois vieram ao seu encontro" : cavouqueiro levou-os para casa. perguntou-lhes em tom misterioso6 .7ue esperan&a1 2ão tenho.5le fez-lhe algumaD .*h1 fez Jer9nimo" J$ sei o que +" *t+ logo.:s banhos frios + que são bons para isso" #(em duro o corpo1 * outra.. l$ estamos" *o sair no p$tio. 2h$ Rita" :brigado" 7uando quiser qualquer coisa de n!s. muito a s+rio6 . e ele apalpou-lhe a cintura" .Cogo mais" . mas aqui fica feio" .encontrasse um""" que a quisesse deveras""" para sempreD""" . onde a mulher havia posto j$ a mesa do almo&o. atravessou em sil-ncio a pequena sala. foi ter com o marido e comunicou-lhe que o A+ <arlos queria falar-lhe. dizendo sem transi&ão6 . junto com o #ataca" ..E que então voc.:nde poderemos falar % vontadeD : #ataca lembrou a venda do ?anuel #ep+. RitaD . defronte do cemit+rio" . sem trocar mais palavras at+ % esquina" .:lha1 5scuta1 Rita fugiu com uma rabanada.#ois sim.2ão + com essas1""" .:nde nos encontramos entãoD . embesourada.Cogo" . ela disfar&ou.em c$1 .0ei c$1 5.:ra1 não paga a pena1 . vendo que #iedade entrava.2ão sei1 não quero1 acabou-se1 .)e pedra e cal1 respondeu o cavouqueiro" .#or que. e disse r$pido.2ão sei" .5ntão est$ de p+ o que dissemosD""" indagou afinal aquele último" . nem quero mais ter homem1 .5""" se voc.

que a Rita Baiana lhe pregou de fresco1 @inham chegado % venda" 5ntraram pelos fundos e assentaram-se sobre cai as de sabão vazias.vai tu. onde est$ um galo % tabuleta" .*inda estou muito fraco""" observou lastimoso o convalescente" .Farnis+D .5 eu estou-lhe com uma gana1""" acrescentou o #ataca" .?as o teu pau est$ forte1 5 al+m disso c$ estamos n!s dois" @u podes at+ ficar em casa.5la ia l$D .arrancava logo pelo ferro1"""4 )ois trabalhadores. e os tr-s puseram-se a cavaquear animadamente sobre o efeito que aquela sova havia de produzir. como se acompanhasse o pensamento do cavouqueiro. se quiseres""" . relembrando aos companheiros a hora da entrevista e atirando sobre a mesa um n'quel de duzentos r+is" .Cogo ao cair da noite.#ois seja hoje mesmo1 resolveu Jer9nimo" 5 o dinheiro l$ est$ em casa. em volta de uma mesa de pinho" #ediram parati com a&úcar" . enquanto Jer9nimo o escutava abstrato.*quele botequim ali ao entrar da Rua da #assagem. afetando que fazia esta pergunta sem interesse especial" C$ mesmo no 0ão RomãoD""" . disse-lhe emborcando o resto do copo6 .#ois se o doutor me disse que andasse quanto pudesse""" . heinD . que continuou a falar a respeito da mulata. por sinal que num gole""" .?uito b-bado. quarenta pra cada um1 5m seguida % mela corre logo o cobre1 5 ao depois vai a gente tomar uma fartadela de vinho fino1 . em camisa de meia.* que horas nos juntamosD perguntou A+ <arlos" ..oi direito para o corti&o" .5 o que + que se fazD .5u c$ tamb+m vou que o melhor seria pespegar-lhe hoje mesmo a sova""" declarou o outro" #ão de um dia para outro fica duro1 .5 ser$ feito. e l$ esteve ontem. entraram na tasca e o grupo calou-se" Jer9nimo fogueou um cigarro no cachimbo do #ataca e despediu-se. irei eu .@alvez o melhor fosse liquidar a coisa hoje mesmo1""" .Justo1 5le vai l$ agora todas as noites.*h1 )efronte da farm$cia nova""" .:nde + que eles se encontravamD""" informou-se Jer9nimo. ao v--lo entrar" . por um .2o Farnis+.Bsso + que não1 atalhou aquele" 2ão dou o meu quinhão pelos dentes da boca1 . aqui mesmo" 5st$ ditoD .2em sei como ainda não romperam1 interveio A+ <arlos..7uemD * Rita mais eleD :ra o qu-1 #ois se ele agora + todo cabe&a-de-gato1""" . se )eus quiser1 : #ataca acendeu o cachimbo. que o vi.*inda não sei""" #reciso antes de tudo saber onde o cabra + encontrado % noite" .<omo um gamb$1 *quilo foi alguma. a cara que o cabra faria entre tr-s bons cacetes" /5ntão + que queriam ver at+ onde ia a impostura da navalha1 )iabo de um calhorda que. sem tirar os olhos de um ponto" : #ataca. afirmou o #ataca" .)uvido1 5ntão logo aquela1 *quela + carapicu at+ o sabugo das unhas1 .azes mal em andar por ai com este sol1""" repreendeu #iedade.

que o acompanhara at+ l$. um quadro. esgotando o copo com um último gole" *gora onde vamos n!s1 #areceme ainda cedo para o Farnis+" . % for&a de paci-ncia. havia mais algu+m na tasca" @omaram juntos. apontando com disfarce para uma esteira velha enrolada" #reparei-os ainda h$ pouco""" 2ão os quis muito grandes""" )este tamanho" 5 abriu a mão contra a terra no lugar do peito" . e a tarde passaram-na os dois de palestra. pu o discussão e afinal desafio-o pra rua. mostrando a uberdade das tetas cheias" 8avia muito riso. j$ familiarizado com a roupa e com a gente fina. acudiu Jer9nimo" . assentados % frente de casa. e saiu na ponta dos p+s. assim que o viu dormindo. piscando o olho" . que atirou sobre a mesa" . pequenos travessavam. fico""" chego-me para ele. fazia. separou oitenta mil-r+is. sorrindo de olhos bai os. formando grupo com a Rita e a gente da ?achona" 5m torno deles a liberdade feliz do domingo punha alegrias naquela tarde" ?ulheres amamentavam o filhinho ali mesmo. tão depressa rindo como chorando.<$ por mim não quero.5stiveram de molho at+ agora""" acrescentou.#erfeito1 aplaudiu Jer9nimo.Bravo1 e clamou A+ <arlos" Bsto + o que se chama fazer as coisas % fidalga1 8aja contar comigo pra vida e pra morte1 : #ataca entendia que podiam tomar agora um pouco de cerveja" . en otou as moscas de junto dele. e então voc-s dois surgem e metem-se na dan&a. passeava solenemente o seu bandulho. instalado defronte de uma mesinha em frente % sua porta.:s paus onde estãoD""" perguntou o cavouqueiro" . agora. dormir e procriar" *o cair da noite.?as recolheu-se % casa. um pouco +brio. que ele. que estava gr$vida de sete meses. volto logo a dizer-lhes. ao lado dele. numa das janelas do ?iranda. % venda do #ep+" :s outros dois j$ l$ estavam" Bnfelizmente. recortadas a tesoura e grudadas em papelão com goma-ar$bica" 5 l$ em cima. os italianos faziam a ruidosa digestão dos seus jantares de festa. procuro entrar em conversa. dei ando a porta encostada" Jantaram da' a duas horas" Jer9nimo comeu com apetite. vestido de casimira clara.Bsto + o do ajuste1 5ste + sagrado1 acrescentou. em c+dulas de vinte" . ouviam-se cantigas e pragas entre gargalhadas" * *ugusta. ele cai na esparrela. estirou-se na cama e ferrou logo no sono" * mulher. e gritou para dentro6 . no caso de algum contratempo" . e que continuava a mourejar estupidamente. como ficara combinado.Bom1 aprovou Jer9nimo. guardando-as na algibeira do lado esquerdo" )epois separou ainda vinte mil-r+is.*inda1 confirmou o #ataca" )ei emo-nos ficar por aqui mais um pouco e ao depois então seguiremos" 5u entro no botequim e voc-s me esperam fora no lugar que marcamos""" 0e o cabra não estiver l$. levando um outro filho ao colo" : *lbino.5sse a' + para festejarmos a nossa vit!ria1 5 fazendo do resto do seu dinheiro um bolo. ao passo que o vendeiro lan&ava para bai o olhares de desprezo sobre aquela gentalha sensual.:lha mais um martelo de parati1 5m seguida enterrou a mão no bolso da cal&a e sacou um rolo grosso de notas" . João Romão.#odem en ugar % vontade1 disse" *qui ainda h$ muito com qu-1 5. caso esteja. de sol a sol. uma gravata % moda. socou-o na algibeira do lado direito e plicando entre dentes que ali ficava ainda bastante para o que desse e viesse. claros e quase descalejados. ordenando as notas. pelo mesmo copo. mas bebam-na voc-s. apertava nos dedos. junto %s pipas""" segredou o #ataca. muito parolar de papagaios. bebeu uma garrafa de vinho. ao ar livre. atirava migalhas de pão para as galinhas do corti&o. sem outro ideal senão comer. um martelo de parati e conversaram em voz surda numa conspira&ão sombria em que as suas barbas ro&avam umas com as outras" . cobriu-lhe a cara com uma cambraia que servia para os tabuleiros de roupa engomada. que o enriquecera. Jer9nimo foi.*li. composto de figurinhas de cai a de f!sforos. conversava com Aulmira que. e. como quem não quer a coisa1 7ue achamD .

ais tu então. porque ele se dirigiu para l$" 5ra uma mulatinha magra. fingindo-se mais b-bedo do que realmente estava" XV : Farnis+ tinha bastante gente essa noite" 5m volta de umas doze mesinhas toscas. depois de mandar encher os copos6 . nem se temesse que a noite lhe fugisse de súbito" #agou a despesa. parati e laranjinha" 2o chão coberto de areia havia cascas de queijo-de-minas. num engordurado bufete. junto ao balcão e entre as prateleiras de garrafas cheias e arrolhadas. resolveu Jer9nimo. restos de iscas de f'gado.E muito cedo ainda""" obtemperou A+ <arlos.. mestre Jer9nimo1 concorreu o outro" Jer9nimo agradeceu e disse.. mãos a obra1 0ão quase oito horas" :s outros dois esvaziaram de um trago o que ainda havia no fundo dos copos e levantaram-se tamb+m" . com disfarce. que este não pesa na consci-ncia de ningu+m1 . % sua1 brindou A+ <arlos. muito e citados" 0! pararam perto do Farnis+" . conversando em voz bai a. dando id+ia de que ali não s! se en ugava como tamb+m se comia" <om efeito.:brigado1 respondeu o cavouqueiro. a olhar para os p+s. em certa mesa. mal vestida.*os amigos e patr'cios com quem me achei para o meu desfor&o1 5 bebeu" . lhe chamara a aten&ão. encarvoando o teto" 5 de uma porta ao fundo. inteiramente calvo. não cambaleando. acompanhada por uma velha quase cega e mais um homem. ver se descobria o . viam-se grupos de tr-s e quatro homens. abalava a mesa com um frou o de tosse. que escondia o interior da casa com uma cortina de chita vermelha. que sofria de asma e. contraveio o terceiro" . em todos os grupos. erguendo-se" Bem1 2ão nos dei emos agora ficar aqui toda a noite. advertiu o companheiro.5ntão. de quando em quando. fumando e bebendo no meio de grande algazarra" .G sua.#referia um trago de vinho branco. que parecia morrer em caminho.G da 03ora #iedade de Jesus1 reclamou o #ataca" .a dar que fazer % m$ casta dos botic$rios1 .@udo o que quiserem1 franqueou aquele" 5u tomo tamb+m um pouco de vinho" 2ão1 que o que estamos a beber não + dinheiro de navalhista. fazendo dan&ar os copos" : #ataca bateu no ombro da rapariga" . foi ganho ao sol e % chuva com o suor do meu rosto1 E entornar pra bai o sem caretas. estava um travessão de assado com batatas. mais para dentro. vinho virgem. um osso de presunto e v$rios pratos de sardinhas fritas" )ois candeeiros de querosene lumiavam. quase todos em mangas de camisa. mas algu+m. de pau. vencida por aquela densa atmosfera cor de opala" : #ataca estacou a entrada.azia-se largo consumo de cerveja nacional. afetando grande bebedeira e procurando. que os fazia de vez em quando dar para a frente alguns passos mais r$pidos" 0eguiram pela Rua de 0orocaba e tomaram depois a dire&ão da praia.irmo" 2ão o conseguiu.?as talvez tenhamos alguma demora pelo caminho. não +D perguntou o cavouqueiro ao #ataca" 5ste respondeu entregando-lhe o embrulho dos paus e afastando-se de mãos nas algibeiras. vinha de vez em quando uma baforada de vozes roucas. e os tr-s sa'ram. cuspindo de esguelha e limpando o bigode nas costas da mão" . logo que veio o novo refor&o" #ra que não torne voc.5m todo o caso vamos seguindo. impaciente. espinhas de pei e. com uma coberta de folha-de-flandres pintada de branco fingindo m$rmore. mas como que empurrados por um vento forte. indo buscar junto %s pipas o embrulho dos cacetes" .

acrescentou6 . supondo que se tratava do seu homem.<erveja" .*h1 +s tu. um belo dia arribou. fingindo-se de novo muito b-bedo. a prete to de que desconfiava dela com o Bento marceneiro. e que no seguinte oferecendo-se de porta em porta. e .<oitada1 foi pro hosp'cio""" 5 passou logo a falar a respeito da velha ?arciana. rindo.J #orfiro1 não vensD gritou l$ para dentro.ma Fuarda-.. ficou na rua e dormiu numas obras de uma casa em constru&ão na @ravessa da #assagem. contando. por+m. dava-lhe muita coisa.<omo vais tu.5 tua mãeD .lorinda. seu galegoD <omo vai issoD * ladroeira correD . est$s amigadaD Bom1""" . diz que encabula" .irmo levantou a cabe&a e encarou-o com arrog>ncia. encaminhou-se na dire&ão em que vinha o mulato" 5sbarraram-se" .lorindaD 5la olhou para ele. mas desfranziu o rosto logo que o reconheceu" .irmo surgia muito +brio. e .*h1 disse o #ataca. dinheiro at+.. trazia-a sempre limpa e de barriga cheia. ! pequeno1 gritou o #ataca" . a dar bordos. o #ataca. levando o que apanhara ao velho" . quando joga. p9-la na rua. depois de esperar inutilmente pela resposta. e ela.aiD . contou que.$ l$" <hegaram-se para o balcão" . que ele afinal entrou ou num bolo e recolheu na algibeira das cal&as" .lorinda um /at+ logo4 r$pido e. não gosta que eu fique perto.5 mesmo" )esde que estou com seu Bento não tenho sa'do quase" .. arrastando a voz" 5.Cadroeira tinha a av! na cuia1 *nda a tomar alguma coisa" 7ueresD . j$ lhe não prestava aten&ão. como o vendeiro da esquina estava sempre a cham$-la para casa.Bom1 muito bom1 anuiu #ataca" ?as o diabo do velho era um safado. disse que ia bem.Rola-se. sim senhor1 mas queria que ela se prestasse a tudo1 Brigaram" 5. est$ l$ dentro" 5le. . e perguntou-lhe como passava" . uma massagada de dinheiro. muito e pansiva com a sua folga daquele domingo e com o seu bocado de cerveja. por enquanto não tinha raz(es de quei a" : #ataca olhou em torno de si com o ar de quem procura algu+m.2ão est$ c$.0empre estive1 5 ela então. chamando a si o que a pobre de <risto trou era da casa do outro e dei ando-a s! com a roupa do corpo e ainda por cima doente por causa de um aborto que tivera logo que se metera com semelhante peste" : Bento tomara-a então % sua conta.5st$s então agora com o da vendaD 2ão1 : tratante. no dia em que fugiu da estalagem. em notas pequenas. sem conseguir. para alugar-se de criada ou de ama-seca. porque nesse momento acabava de abrir-se a cortina vermelha.:h1 :h1 e clamou o #ataca" )esculpe1 .elha. filha" @u que fim levasteD 8$ um par de quinze dias que te não vejo1 . fez alguns passos na sala" : #ataca deu % . encontrou um velho solteiro e agimbado que a tomou ao seu servi&o e meteu-se com ela" . gra&as a )eus.7ue h$ de serD .

#render a quemD a mimD :ra.:ndeD .ieste armadoD . que a pedisse1 . se te prenderem não te encontram ferro""" .* Rita" .5sconde1 não deves mostrar isso aqui1 *quela gente ali da outra mesa j$ não nos tira os olhos de cima1 .*hn1 não sabia1""" * Rita est$ então com eleD""" .E que. como .5stou-me ninando pra eles1 5 que não olhem muito.0abes quem vi ainda h$ poucoD 2ão +s capaz de adivinhar1""" . estranhando o pedido" .oc.2ão est$..irmo sacou da camisa uma navalha" .* Rita não me apareceu hoje..irmo insistisse.<om quemD ..)esgostos""" resmungou o capoeira. sabesD 2ão foi e eu bem calculo por qu-1 . aposto1 . consentiu-lhe que fizesse a despesa" 5 os n'queis do troco rolaram no chão. que os tinha duros na tensão muscular da sua embriaguez" .<onfio nos meus dentes. nem nunca h$ de estar.#orque a peste do Jer9nimo voltou hoje % estalagem1 .2ão sei1 5sta + que não me sai das unhas. olhando quase de olhos fechados o rel!gio da parede" :ito e meia" .irmo levantou-se de improviso e cambaleou para o lado da sa'da" .#or qu-D . mas agora pago eu1 Beberam de novo.5ntrou um urbano1 #assa-me a navalha1 : capad!cio fitou o companheiro. que eu daqui mesmo vou % procura daquele galego ordin$rio e ferro-lhe a sardinha no pandulho1 . e esses mesmo me mordem a l'ngua1 .irmo pu ou logo dinheiro para pagar" . nem para meu pai. vai-te catar1 .Cimpa o quei o que est$s cuspido" )esgostos de qu-D 2eg!cios de mulher.)ei a1 disse o outro" * lembran&a foi minha1 ?as.7ue horas sãoD perguntou #ataca.hoje ferrou-a deveras1 5st$s que te não podes lamber1 .7uemD .<om um tipo que não conhe&o""" . e plicou aquele. e o coadjutor de Jer9nimo observou depois6 .Bsto não + coisa que se dei e ver1 .Bem sabes que não me entendo com armas de barbeiro1 .*li na #raia da 0audade" . que lhes dou uma de amostra1 .amos a outra garrafa. sem conseguir lan&ar da boca a saliva que se lhe grudava % l'ngua" . fugindo por entre os dedos do mulato.5 ela + boaD )ei a ver1 .5 porque não tens confian&a em mim1 .

e outras. e outra em seguida nos rins.irmo. que grunhia frou amente a seus p+s" *final. e outra nas co as.0egurem-lhe as pernas1 gritou para os outros" :s dois vultos.. porque. foge1 : mulato não fez caso desta observa&ão e saiu a esbarrar-se por todas as mesas" #ataca alcan&ou-o j$ na rua e passou-lhe o bra&o na cintura.elizmente chovia menos" :s tr-s tomaram de novo a dire&ão de Botafogo. em caminho Jer9nimo perguntou ao #ataca se ainda tinha consigo a navalha do .estava perdido" 7uando o #ataca o viu preso pelos sovacos e pela dobra dos joelhos. a gotejar sangue de todo o corpo" * chuva engrossava" 5le agora. a que o infeliz não resistiu. mergulhando bem fundo as suas tr-mulas ra'zes luminosas" . desferiu um golpe com a cabe&a. do lado oposto da bala os lampi(es pareciam surgir d3$gua. mas + preciso ir com jeito. arfavam. apoderaram-se de . perto da pedreira" <aminha.irmo e pediu-lha. e da' a pouco instalavam-se em volta de uma mesa de ferro" #ediram de comer e de beber e puseram-se a conversar em voz soturna. ao que o companheiro cedeu sem obje&ão" . arquejantes. se não o p$ssaro se arisca1 * praia estava deserta" <aia um chuvisco" . pediram parati e beberam como quem bebe $gua" #assava j$ de onze horas" )esceram pela #raia da Capa. mal tocou com os p+s em terra. cada vez mais r$pidas. compreendeu que a mulher estava % sua espera. sacou-lhe fora a navalha" . quando de todo j$ não tinham for&as para bater ainda.entos frios sopravam do mar" : c+u era um fundo negro. ao mesmo tempo que a primeira cacetada lhe abria a nuca" )eu um grito e voltou-se cambaleando" . estavam encharcados. sem se ag=entar nas pernas" . enquanto outra logo lhe rachava a testa e outra lhe apanhava a espinha.irmo.#ronto1 5st$ desarmado1 5 tomou tamb+m o seu pau" 0oltaram-no então" : capoeira.ma nova paulada cantou-lhe nos ombros. foi at+ % casa.*qui t-m voc-s. a bater sempre.*li h$ um botequim. que bracejava seguro pelo tronco" )ei ara-se agarrar . que h$s de ver1 5 continuaram a andar para as bandas do hosp'cio" ?as dois vultos surdiram da treva. o bodum azedo que ela punha de si.*li mais adiante. vindo l$ de dentro. batiam de novo nos pontos j$ espancados. pensou sentir. disse. acordada talvez. at+ que se converteram numa carga continua de porretadas. espiou pelo buraco da fechadura. guardando a arma" 0epararam-se defronte da estalagem" Jer9nimo entrou sem ru'do. indicou o #ataca. se ela nos bispa.E para conservar uma lembran&a daquele !is!órria. arrastaram a trou a at+ a ribanceira da praia e lan&aram-na ao mar" )epois. rolando no chão. ao chegarem debai o de um lampião. % toa.amos devagar""" disse. tomados de uma irresist'vel vertigem de pisar bem a cacete aquela trou a de carne mole e ensang=entada. em cuja porta bateu devagarinho" . para os lados da cidade" <hovia agora muito forte" 0! pararam no <atete. e plicou o cavouqueiro.5spera1 rosnou o outro.:nde est$ elaD perguntou o . havia luz no quarto de dormir.. detendo-o" 0e queres vou contigo. como algas de fogo. pondo o cacete entre os dentes. apontando a Rua da Fl!ria" 0ubiram por uma das escadinhas que ligam essa rua % praia. ao p+ de um quiosque. o #ataca reconheceu-os e abra&ou-se de improviso ao mulato" . muito cansados" * uma hora da madrugada o dono do caf+ p9-los fora" . Jer9nimo parou suando apesar do aguaceiro que cala" . de uma s! tinta. minguava como se estivesse ao fogo" Cembrava um rato morrendo a pau" . assim debai o daquele bate-bate sem tr+guas. fez uma careta de nojo e encaminhou-se resolutamente para a casa da mulata. tirando do bolso as quatro notas de vinte mil-r+is" )uas para cada um1 5 agora vamos tomar qualquer coisa quente em lugar seco" . amigavelmente" . outra mais violenta quebrou-lhe a clav'cula. parecia muito menor. deitaram a fugir.m ligeiro tremor convulsivo era apenas o que ainda lhe denunciava um resto de vida" :s outros tr-s não diziam palavra.

irmo. amou-a muito mais quando teve ocasião de jogar a e ist-ncia por esse amor. mas desde que Jer9nimo propendeu para ela.irmo j$ não lhe aparecia no esp'rito como um amante ciumento e perigoso. foi a janela. e queria a mulata. para esfaque$-lo ali mesmo" 2ão respondeu ao primeiro chamado. havia uma terr'vel e pressão de crime" . em que os seus gemidos e suspiros eram todos para ela" * mulata bem que o compreendeu.ala bai o" Rita come&ou a tremer6 no olhar do portugu-s. cedendo %s imposi&(es mesol!gicas. de parte a parte.E ele1 disse.)e cuidar da nossa vida""" *i tens a navalha com que fui ferido1 . a aus-ncia no hospital veio a completar a cristaliza&ão do seu prestigio. desesperado com a aus-ncia dela. embebedava-se naturalmente e vinha ao corti&o provocar o cavouqueiro. fascinando-a com a sua tranq=ila seriedade de animal bom e forte. arrastando atr$s de si a saudade dos que o choravam" 5ntretanto. mas não teve animo de confessar-lhe que tamb+m morria de amores por ele. e. fez ele. iluminou-se com o seu pr!prio sangue derramado.Rita. não como ele era dantes. pelo seu lado. armado de uma velha navalha desleal e homicida" : seu medo transformava-se em uma mistura de asco e terror" 5 sem achar sossego na cama. recolhera-se aflita e assustada" )ei ara de ir ter com o amante e mais tarde admirava-se como fizera semelhante imprud-ncia. pela irresist'vel cone ão do instinto lu urioso e canalha que predominava em ambos. o mesmo fen9meno se operava no esp'rito de Jer9nimo com rela&ão % Rita6 arriscar espontaneamente a vida por algu+m + aceitar um compromisso de ternura. mas ao contr$rio. por uma esp+cie de vicio que amaldi&oamos sem poder larg$-lo. era a volúpia. depois continuou a estar com ele por h$bito. no seu todo de homem +brio. a reclamar o Jer9nimo aos berros. depois. como se o cavouqueiro houvera bai ado a uma sepultura.0ou eu""" disse Jer9nimo. em que empenhamos alma e cora&ão. amou-a logo. justamente no momento mais perigoso. cresceu com aquela navalhada. chegando-se" Reconheceu-o logo e correu a abrir" . nas suas mãos encardidas de sangue. porque sentiu nela o resumo de todos os quentes mist+rios que os enlearam voluptuosamente nestas terras da lu úria. at+ ai. a situa&ão parecia-lhe muito melindrosa" . com o tr$gico incidente da luta. e ambos sabiam disso" 5sse amor irracional e emp'rico carregara-se muito mais. encharcado e sujo. b-bado. JeromoD # &hit. a mulher por quem fazemos tamanho sacrif'cio. e amou-a loucamente durante a triste e dolorosa solidão da enfermaria. ficou escutando" )epois de uma pausa bateram de novo" 5la estranhou o modo pelo qual batiam" 2ão era natural que o fac'nora procedesse com tanta prud-ncia" 5rgueu-se. essa noite. dei ava-se atordoar pelos seus pressentimentos. % primeira troca de olhares com a baiana. uma coisa que ela. tinha-lhe medo" *mara-o a principio por afinidade de temperamento. cheio de apreens(es que a punham aflita" . era o fruto dourado e acre destes sert(es americanos.irmo. com aquela loucura de faltar % entrevista justamente no dia em que Jer9nimo voltava % estalagem. pondo o dedo na boca" . em que o portugu-s fora vitima Jer9nimo aureolouse aos olhos dela com uma simpatia de m$rtir sacrificado % mulher que ama.)onde vens tuD""" segredou ela" . quando ouviu bater na porta" . sobressaltado. a briga rebentaria de novo. e Rita preferiu no europeu o macho de ra&a superior" : cavouqueiro. onde a alma de Jer9nimo aprendeu lasc'vias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes" *mavam-se brutalmente. nervoso. porque a mulata era o prazer. fatal para um dos dois. enfarava a esposa. como tivera coragem de p9r em pr$tica. não se sentira com animo de praticar" 2o intimo respeitava o capoeira. sua cong-nere. sela ela quem for assume de um s! v9o em nossa fantasia as propor&(es de um ideal" : desterrado.<omoD1 E voc-. indeterminado e frou o. o sangue da mesti&a reclamou os seus direitos de apura&ão.7uem est$ aiD""" perguntou a meia voz" . abriu uma das folhas e espreitou pelas r!tulas" . mas como um simples fac'nora. receou prejudic$-lo" *gora. com o cora&ão a saltar" 5 via j$ defronte de si o . se + que não seria para ambos" )o que ela sentira pelo navalhista persistia agora apenas o medo.

5 atirou-lhe sobre a mesa a navalha de ,irmo, que a mulata conhecia como as palmas da mão" - 5 eleD - 5st$ morto" - 7uem o matouD - 5u" <alaram-se ambos" - *gora""" acrescentou o cavouqueiro, no fim de um sil-ncio arquejado por ambos; estou disposto a tudo para ficar contigo" 0airemos os dois daqui para onde melhor for""" 7ue dizes tuD - 5 tua mulherD""" - )ei o-lhe as minhas economias de muito tempo e continuarei a pagar o col+gio % pequena" 0ei que não devia abandon$-la, mas podes ter como certo que, ainda que não queiras vir comigo, não ficarei com ela1 2ão sei1 j$ não a posso suportar1 .m homem enfara-se1 ,elizmente minha cai a de roupa est$ ainda na :rdem e posso ir busc$-la pela manhã" - 5 para onde iremosD - : que não falta + p3r3onde ir1 5m qualquer parte estaremos bem" @enho aqui sobre mim uns quinhentos mil-r+is, para as primeiras despesas" #osso ficar c$ at+ %s cinco horas; são duas e meia; saio sem ser visto por #iedade; mando-te ao depois dizer o que arranjei, e tu ir$s ter comigo""" 5st$ ditoD 7ueresD Rita, em resposta, atirou-se ao pesco&o dele e pendurou-se-lhe nos l$bios, devorando-o de beijos" *quele novo sacrif'cio do portugu-s; aquela dedica&ão e trema que o levava a arremessar para o lado fam'lia, dignidade, futuro, tudo, tudo por ela, entusiasmou-a loucamente" )epois dos sobressaltos desse dia e dessa noite, seus nervos estavam afiados e toda ela el+trica" *h1 não se tinha enganado1 *quele homenzarrão hercúleo, de músculos de touro, era capaz de todas as meiguices do carinho" - 5ntãoD insistiu ele" - 0im, sim, meu cativeiro1 respondeu a baiana, falando-lhe na boca; eu quero ir contigo; quero ser a tua mulata, o bem do teu cora&ão1 @u +s os meus feiti&os1 - 5 apalpando-lhe o corpo6- ?as como estas ensopado1 5spera1 espera1 o que não falta aqui e roupa de homem pra mudar1""" #odias ter uma reca'da, cruzes1 @ira tudo isso que est$ alagado1 5u vou acender o fogareiro e estende-se em cima o que + casimira, para te poderes vestir %s cinco horas" @ira as botas1 :lha o chap+u como est$1 @udo isto seca1 @udo isto seca1 ?ira, toma j$ um gole de parati p3r3atalhar a friagem1 )epois passa em todo o corpo1 5u vou fazer caf+1 Jer9nimo bebeu um bom trago de parati, mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita" - ;em pra c$""" disse, um pouco rouco" - 5spera1 espera1 : caf+ est$ quase pronto1 5 ela s! foi ter com ele, levando-lhe a ch$vena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores; assentou-se ao rebordo da cama e, segurando com uma das mãos o pires, e com a outra a 'cara, ajudava-o a beber, gole por gole, enquanto seus olhos o acarinhavam, cintilantes de impaci-ncia no antegozo daquele primeiro enlace" )epois, atirou fora a saia e, s! de camisa, lan&ou-se contra o seu amado, num frenesi de desejo doido" Jer9nimo, ao senti-la inteira nos seus bra&os; ao sentir na sua pele a carne quente daquela brasileira; ao sentir inundar-lhe o rosto e as esp$duas, num eflúvio de baunilha e cumaru, a onda negra e fria da cabeleira da mulata; ao sentir esmagarem-se no seu largo e pelado colo de cavouqueiro os dois globos túmidos e macios, e nas suas co as as co as dela; sua alma derreteu-se, fervendo e borbulhando como um metal ao fogo, e saiu-lhe pela boca, pelos olhos, por todos os poros do corpo, escandescente, em brasa, queimando-lhe as pr!prias carnes e arrancando-lhe gemidos surdos, solu&os irreprim'veis, que lhe

sacudiam os membros, fibra por fibra, numa agonia e trema, sobrenatural, uma agonia de anjos violentados por diabos, entre a vermelhidão cruenta das labaredas do inferno" 5 com um arranco de besta-fera ca'ram ambos prostrados, arquejando" 5la tinha a boca aberta, a l'ngua fora, os bra&os duros, os dedos inteiri&ados, e o corpo todo a tremer-lhe da cabe&a aos p+s, continuamente, como se estivesse morrendo; ao passo que ele, de súbito arremessado longe da vida por aquela e plosão inesperada dos seus sentidos, dei ava-se mergulhar numa embriaguez deliciosa, atrav+s da qual o mundo inteiro e todo o seu passado fugiam como sombras f$tuas" 5, sem consci-ncia de nada que o cercava, nem mem!ria de si pr!prio, sem olhos, sem tino, sem ouvidos, apenas conservava em todo o seu ser uma impressão bem clara, viva, ine tingu'vel6 o atrito daquela carne quente e palpitante, que ele em del'rio apertou contra o corpo, e que ele ainda sentia latejar-lhe debai o das mãos, e que ele continuava a comprimir maquinalmente, como a crian&a que, j$ dormindo, afaga ainda as tetas em que matou ao mesmo tempo a fome e a sede com que veio ao mundo" XVI * essas horas #iedade de Jesus ainda esperava pelo marido" :uvira, assentada impaciente % porta de sua casa, darem oito horas, oito e meia; nove, nove e meia" V7ue teria acontecido, ?ãe 0ant'ssimaD""" #ois o homem ainda não estava pronto de todo e punha-se ao fresco, mal engolira o jantar, para demorar-se daquele modoD""" 5le que nunca fora capaz de semelhantes tonteiras1"""V - )ez horas1 ;alha-me 2osso 0enhor Jesus <risto1 ,oi at+ o portão da estalagem, perguntou a conhecidos que passavam se tinham visto Jer9nimo; ningu+m dava noticias dele" 0aiu, correu % esquina da rua; um sil-ncio de cansa&o bocejava naquele resto de domingo; %s dez e meia recolheu-se sobressaltada, com o cora&ão a sair-lhe pela garganta, o ouvido alerta, para que ela acudisse ao primeiro toque na porta; deitou-se sem tirar a saia, nem apagar de todo o candeeiro" * ceia frugal de leite fervido e queijo assado com a&úcar e manteiga ficou intacta sobre a mesa" 2ão conseguiu dormir6 trabalhava-lhe a cabe&a, afastando para longe o sono" <ome&ou a imaginar perigos, rolos, em que o seu homem recebia novas navalhadas; ,irmo figurava em todas as cenas do del'rio; em todas elas havia sangue" *final, quando, depois de muito virar de um para outro lado do colchão, a infeliz ia caindo em modorra, o mais leve rumor l$ fora a fazia erguer-se de pulo e correr % r!tula da janela" ?as não era o cavouqueiro, da primeira, nem da segunda, nem de nenhuma das vezes" 7uando principiou a chover, #iedade ficou ainda mais aflita; na sua sobree cita&ão afigurava-se-lhe agora que o marido estava sobre as $guas do mar, embarcado, entregue unicamente % prote&ão da ;irgem, em meio de um temporal medonho" *joelhou-se defronte do orat!rio e rezou com a voz emaranhada por uma agonia sufocadora" * cada trovão redobrava o seu sobressalto" 5 ela, de joelhos, os olhos fitos na imagem de 2ossa 0enhora, sem consci-ncia do tempo que corria, arfava solu&ando" )e repente, ergueuse, muito admirada de se ver sozinha, como se s! naquele instante dera pela falta do marido a seu lado" :lhou em torno de si, espavorida, com vontade de chorar, de pedir socorro; as sombras espichadas em volta do candeeiro, tracejando tr-mulas pelas paredes e pelo teto, pareciam querer dizer-lhe alguma coisa misteriosa" .m par de cal&as, dependurado % porta do quarto, com um palet! e um chap+u por cima, representou-lhe de relance o vulto de um enforcado, a me er com as pernas" Benzeu-se" 7uis saber que horas eram e não p9de; afigurava-se-lhe terem decorrido j$ tr-s dias pelo menos durante aquela afli&ão" <alculou que não tardaria a amanhecer, se + que ainda amanheceria6 se + que aquela noite infernal não se fosse prolongando infinitamente, sem nunca mais aparecer o sol1 Bebeu um copo d3$gua, bem cheio, apesar de haver pouco antes tomado outro, e ficou im!vel, de ouvido atento, na e pectativa de escutar as horas de algum rel!gio da vizinhan&a" * chuva diminu'ra e os ventos principiavam a soprar com desespero" C$ de fora a noite dizia-lhe segredos pelo buraco da fechadura e pelas frinchas do telhado e das portas; a cada assobio a m'sera julgava ver surgir um espectro que vinha contar-lhe a morte de Jer9nimo" : desejo impaciente de saber que horas eram punha-a doida6 foi % janela, abriu-a; uma rajada úmida entrou na sala, esfuziando, e apagou a luz" #iedade soltou um grito e come&ou a procurar a cai a de f!sforos, aos esbarr(es, sem conseguir reconhecer os objetos que tateava" 5steve a perder os sentidos; afinal achou os f!sforos, acendeu de novo o candeeiro e fechou a janela" 5ntrara-lhe um pouco de chuva em casa; sentiu a roupa molhada no corpo; tomou um novo copo d3$gua; um calafrio de febre percorreu-lhe a espinha, e ela

atirou-se para a cama, batendo o quei o, e meteu-se debai o dos len&!is, a tiritar de febre" ;eio de novo a modorra, fechou os olhos; mas ergueu-se logo, assentando-se no colchão; parecia-lhe ter ouvido algu+m falar l$ fora, na rua; o calafrio voltou; ela, tr-mula, procurava escutar" 0e se não enganava, distinguira vozes abafadas, conversando, e as vozes eram de homem; dei ou-se ficar % escuta, concheando a mão atr$s da orelha; depois ouviu baterem, não na sua porta, mas l$ muito mais para diante, na casa da das )ores, da Rita, ou da *ugusta" V)evia ser o *le andre que voltava do servi&o"""V 7uis ir ter com ele e pedir-lhe not'cias de Jer9rimo, o calafrio, por+m, obrigou-a a ficar debai o das cobertas" Gs cinco horas levantou-se de novo com um salto" VJ$ havia gente l$ fora com certeza1"""V :uvira ranger a primeira porta; abriu a janela, mas ainda estava tão escuro que se não distinguia patavina" 5ra uma pregui&osa madrugada de agosto, nebulosa, úmida; parecia disposta a resistir ao dia" V: senhores1 aquela noite dos diachos não acabaria nunca maisD"""V 5ntretanto, adivinhava-se que ia amanhecer" #iedade ouviu dentro do p$tio, do lado contr$rio % sua casa, um zunzum de duas vozes cochichando com interesse" V;irgem do c+u1 dir-se-ia a voz do seu homem1 e a outra era voz de mulher, credo1 Blusão sua com certeza1 ela essa noite estava para ouvir o que não se dava"""V ?as aqueles cochichos dialogados na escuridão causavam-lhe e tremo alvoro&o" V2ão1 <omo poderia ser eleD""" 7ue loucura1 se o homem estivesse ali teria sem dúvida procurado a casa1"""V 5 os cochichos persistiam, enquanto #iedade, toda ouvidos, estalava de agonia" - Jeromo1 gritou ela" *s vozes calaram-se logo, fazendo o sil-ncio completo6 depois nada mais se ouviu" #iedade ficou % janela" *s trevas dissolveram-se afinal; uma claridade triste formou-se no nascente e foi, a pouco e pouco, se derramando pelo espa&o" : c+u era uma argamassa cinzenta e gorda" : corti&o acordava com o remancho das segundas-feiras; ouviam-se os pigarros das ressacas de parati" *s casinhas abriam-se; vultos espregui&ados vinham bocejando fazer a sua lavagem % bica; as chamin+s principiavam a fumegar; recendia o cheiro do caf+ torrado" #iedade atirou um ale em cima dos ombros e saiu ao p$tio; a ?achona, que acabava de aparecer % porta do número L com um berro para acordar a fam'lia de uma s! vez, gritou-lhe6 - Bons dias, vizinha1 0eu marido como vaiD melhorD #iedade soltou um suspiro" - *i, não mo pergunte, 03ora Ceandra1 - #iorou, filhaD - 2ão veio esta noite pra casa""" - :lha o demo1 <omo não veioD :nde ficou ele entãoD - <$ est$ quem não lho sabe responder" - :ra j$ se viuD1 - 5stou com o miolo que + $gua de bacalhau1 2ão preguei olho durante a noite1 ,orte desgra&a a minha1 - @eria a ele lhe sucedido algumaD""" #iedade p9s-se a solu&ar, en ugando as l$grimas no ale de lã; ao passo que a outra, com a sua voz rouca e forte, que nem o som de uma trompa enferrujada, passava adiante a nova de que o Jer9nimo não se recolhera aquela noite % estalagem" - @alvez voltasse pro hospital""" obtemperou *ugusta, que lavava junto a uma tina a gaiola do seu papagaio" - ?as ele ontem veio de muda""" contrap9s Ceandra" - 5 l$ não se entra depois das oito horas da noite, acrescentou outra lavadeira" 5 os coment$rios multiplicavam-se, palpitando de todos os lados, numa boa disposi&ão para fazer daquilo o esc>ndalo do dia" #iedade respondia friamente %s perguntas curiosas que lhe dirigiam as

*i. sem interromper a cantiga. não mudou de roupa. não se ouvia em noites de lua clara roncar a on&a e o maracaj$. de um verde alourado e quieto. decerto. nem pela manhã. credo. a afetar indiferen&a pelo que não era de sua conta. mas vi a modos que fantasmas""" 5 chorava" .5le te apareceu nos sonhosD""" perguntou Ceandra com assombro" . o que fazia s! era chorar e lamentar-se" . como em cada flor que desabotoa e em cada moscardo que adeja h$ um v'rus de lasc'via" C$. e parecia disposta a morrer ali mesmo. tantas vezes. essa boa terra cansada. seria o mesmo lavrador triste e contemplativo. criatura1 : homem não te morreu.0e te apareceram almas. o formigueiro assanhava-se com as compras para o almo&o. ao romper do dia. maldizia a hora em que sa'ra da sua terra. essa boa terra tranq=ila. nem a coral esperava traidora o viajante descuidado para lhe dar o bote certeiro e decisivo. o meu rico homem1 5 o mugido lúgubre daquela pobre criatura abandonada antepunha % rude agita&ão do corti&o uma nota lamentosa e tristonha de uma vaca chamando ao longe. perdida ao cair da noite num lagar desconhecido e agreste" ?as o trabalho aquecia j$ de uma ponta % outra da estalagem.orte desgra&a a minha1 repetia a infeliz a cada instante" . a cobra assanhada. não se lavou. quando levantava para o c+u os punhos fechados. l$ a sucuruju não chocalhava a sua campainha fúnebre. l$ os campos eram frios e melanc!licos. filha1 . pra estares agora ai a carpir desse modo1 . e desaparecendo logo. cantava-se. ouvindo gemer na guitarra dele os queridos fados de al+m-mar" 5 Jer9nimo não aparecia" 5la ergueu-se finalmente. que a desgra&a pode ser maior1 : choro pu a muita coisa1 .i tanta coisa esta noite1""" . compungido e b'blico" ?aldita a hora em que ela veio1 ?aldita1 mil vezes maldita1 5 tornando % casa. no número O.2os sonhos não. chegando de vez em quando % janela para vir soprar fora a cinza da fornalha do seu ferro de engomar. os mercadores entravam e saiam6 a m$quina de massas principiava a bufar" 5 #iedade. sem sobressaltos nem desvarios de juventude" 0im. olhando de passagem para a direita e para a esquerda. l$ Jer9nimo seria ainda o mesmo esposo casto.. ria-se. rilhava o bando truculento das quei adas. suspirava feliz. soltava-se a l'ngua. a dan&adeira de chorado.0e vais assim. porque ali defronte. #iedade ainda mais se enraivecia. onde ela. onde em cada folha que se pisa h$ debai o um r+ptil venenoso.0ei-o eu l$ se me morreuD""" disse #iedade entre solu&os" . mas p(e a f+ em )eus. naquele limiar de granito. que lhe roubara o seu homem para d$-lo a outra. contra aquele sol crapuloso.*i. p9s-se a andar agitada. que não dormi. não comeu nada. a gesticular forte" 5 nos seus movimentos de desespero.companheiras. quebrando $rvores. mulher1 e não te rales desse modo. cantava alegremente. estava triste e sucumbida. como o gado que % tarde levanta para o c+u de opala o seu olhar humilde.5stou desgra&ada1 . assentada % soleira de sua porta. nos saudosos campos da sua terra. velha como que enferma. com a cabe&a encostada ao ombro do seu homem. e não ardentes e esmeraldinos e afogados em tanto sol e em tanto perfume como o deste inferno. filha. anunciando a morte. muito embebida no seu servi&o" *h1 essa não fez coment$rios sobre o estranho . l$ o seu homem não seria anavalhado pelo ciúme de um capoeira. mas sim contra aquela amaldi&oada luz alucinadora. est$s bem arranjada1 e clamou-lhe a ?achona. l$ não varava pelas florestas a anta feia e terr'vel. paciente e ululante como um cão que espera pelo dono. dir-se-ia que não era contra o marido que se revoltava. que fazia ferver o sangue aos homens e metia-lhes no corpo lu úrias de bode" #arecia rebelar-se contra aquela natureza alcoviteira. falando sozinha. a mulata baiana. silencioso e meigo. porque a comida lhe crescia na boca e não lhe passava da garganta. chegando % porta de sua casa a dar dentadas num pão recheado de manteiga" 7ue diabo. foi l$ fora ao capinzal. porque a outra era gente do seu peito e ela não" 5 maldizia solu&ando a hora em que sa'ra da sua terra.

que vivia mais para a folia do que para o . e por quemD1 por uma não-sei-que-diga1 um diabo de uma mulata assanhada. não tinha comido nada esse dia e não sentia fome. um sobressalto vago e opressivo esmagava-lhe o cora&ão e matava-a de impaci-ncia por atirar-se % procura de noticias sobre as ocorr-ncias da noite. ao entreg$-la. um pavoroso pressentimento varou-lhe o esp'rito como um raio" *fastou-se logo. pois fora visto aquele mesmo dia. voltando tarde e b-bedo. o que fazia crer viesse ele naquele momento de casa. as pernas pareciam-lhe de chumbo" 0eria eleD1""" interrogou a si pr!pria" 5 os racioc'nios come&aram a surdir-lhe em massa. saindo pelos fundos do corti&o. inquiriu sobre Jer9nimo e pespegou-lhe ao mesmo tempo a noticia do assassinato de . + porque então dei ou-me de feita pela Rita1V @entou fugir a semelhante hip!tese. ao necrot+rio. e que depois seguiram para os lados da praia. que Jer9nimo surgira de manhãzinha do capinzal perto da pedreira de João Romão. nesse pouco que saiu. pouco arredou o p+ de dentro de casa e. todos tr-s mais ou menos no gole" 0em a menor desconfian&a do crime. ensarilhados. enfiou uma saia.irmo" <om esta nova + que #iedade não contava" . soubera na rua a respeito do marido mais do que esperava" 0oubera em primeiro lugar que ele estava vivo. onde o crime era atribu'do aos carapicus. nem mesmo quis ouvir noticias dele. no Farnis+ e na #raia da 0audade. soubera ainda que o cavouqueiro fora % :rdem buscar a sua cai a de roupa e que. como uma carta maior que o resto do baralho6 V0e ele matou o . que. na v+spera. encontrando o corti&o cheio j$ e assanhado com a noticia da morte do . ficando superior.irmo. cruzou o ale no ombro. por interm+dio de um rondante amigo de *le andre. um h$lito morno de c!lera malsofrida e sequiosa que crescia com a apro ima&ão da noite e parecia sacudir no ar. tingindo o c+u de uma vermelhidão pressaga e sinistra" #iedade entrou carrancuda na estalagem. mais de uma vez. repeliu-a indignada" 2ão1 não era poss'vel que o Jer9nimo. que tão depressa era de #edro como de #aulo1 uma sirigaita. ah1 ah1 ela estava bem preocupada" *pesar do al'vio que lhe trou era ao esp'rito a morte do . vinha enfurecida. com medo de falar. ela atirou logo o trabalho p3ro canto.icou l'vida. e foi tr-mula e ofegante que abriu a porta e meteu-se no número MN" *tirou-se a uma cadeira" 5stava morta de cansa&o. soubera. contanto que não voltasse sem algum esclarecimento. quase ao mesmo tempo. atropelando-lhe a razão" 2ão conseguia coorden$-los. seu marido de tanto tempo. de súcia com o A+ <arlos e com o #ataca.irmo e a despeito do seu contentamento de passar por uma vez aos bra&os do cavouqueiro. contra os quais juravam-se e tremas vingan&as de desafronta" 0oprava de l$. porque ficara em grossa p>ndega com os amigos e que. um homem a quem ela nunca dera razão de quei a e a quem sempre respeitara e quisera com o mesmo carinho e com a mesma dedica&ão. o pai de sua filha. certa de que iria encontrar o homem e despejaria contra ele aquela tremenda tempestade de ressentimentos e despeitos acumulados. não vinha triste. a abandonasse de um momento para outro. disposta a ir ao hospital. estivera a beber % farta na venda do #ep+. indefeso. contava encontr$-la aberta e a sua decep&ão foi cruel ao v--la fechada como a dei ara" #ediu a chave % ?achona. a vagar macambúzio. a perturbar as outras. entre todas uma id+ia insubordinava-se com mais teima. rosnando. %s onze horas. que amea&avam sufoc$-la se não rebentassem de vez" *travessou o corti&o sem dar palavra a ningu+m e foi direito % casa. e ganhou o mundo. que o aceitou logo" V#udera1 #ois se havia muito a deslambida não queria outra coisa1"""V <om esta convic&ão inchou-lhe de súbito por dentro um novelo de ciúmes. perfeitamente vivo. a cabe&a andava-lhe % roda. foi %s pressas e sem dar trela a ningu+m" 2ada1 que as penas e desgostos não punham a panela no fogo1 5ntretanto. saia aflita em busca dele. e nu. dera-lhe para meter-se com a mulata. dormiu na estalagem e não veio ter comigo.irmo e do terr'vel efeito que esta causara no V<abe&a-deFatoV.oi cada uma para seu lado e s! voltaram % tarde. ao diabo. a irrequieta fl>mula amarela" : sol descambava para o ocaso. mel percebeu que #iedade. a desgra&ada ficou convencida de que o marido não se recolhera aquela noite % casa. % pol'cia. amea&adoramente. tamb+m disposta a não voltar sem saber tintim por tintim o que havia de novo" . e ela correu incontinenti para a estalagem. tanto assim que. depois de esperar em vão pelo marido.procedimento de mestre Jer9nimo.

ficara tudo combinado. não + verdadeD insistiu a outra. cigana1 e clamou a portuguesa. mas que lhe conservaria a mesma estima e continuaria a pagar o col+gio da filha. e adeus cora&ão1 . formando roda. engalfinhadas.<om a minha vida + que te meteste tu. ficou calada sem achar o que responder" . na ocasião em que a baiana.5 o que tem voc. inquiriu aquela. % noite iria ter com o novo amante. tinham j$ arranh(es e mordeduras por todo o busto" . sem se desunharem.muda-seD * mulata não contava com semelhante pergunta. independentes. rachando-lhe a pele do quei o. no meio de grande algazarra dos circunstantes" João Romão acudiu e quis separ$-las. acompanhada por um pequeno descal&o" . pronto1 entraria em vida nova.)iga-me uma coisa. despedindo-se do seu servi&o. e estas. voc. sem nenhuma delas querer meter-se no barulho" :s homens riam e atiravam chufas %s duas contendoras. que""" 2ão1 7ual1 5ra l$ poss'velD1 ?as então por que ele não vieraD""" por que não vinhaD""" por que não dava noticias suasD""" por que fora pela manhã % :rdem buscar a cai a da roupaD""" : Roberto #apa-)efuntos dissera-lhe que o encontrara %s duas da tarde ali perto. #iedade saltara ao p$tio. as lavadeiras dei aram logo as tinas e vinham. santos do c+u1 que o seu homem estivesse disposto a nunca mais tornar para junto delaD 2isto entrou a outra. numa casa de pasto. não lhe tenho de dar satisfa&(es1 ?eta-se com a sua vida1 :ra esta1 .#or aqui + o caminho1 : cavouqueiro. e j$ a dizer no seu todo de impaci-ncia que não estava disposta a muita conversa" . esta deu um salto da cadeira e gritou-lhe6 . estivera com Jer9nimo. cheios de espuma de sabão. ao dobrar da Rua Bambina. tomando ainda o caf+ de depois do jantar. senhor da sua mulata. e que at+ pararam um instante para conversar" <om mais alguns passos chegado % casa1 0eria poss'vel.az favorD . armada com um dos seus tamancos" .com issoD ?ude-me ou não.7ue +D resmungou Rita. vivendo um para o outro.. onde continuaria a trabalhar. jantaram juntos. perua choca. e. parando sem voltar senão o rosto. livres e sozinhos. fazendo-se vermelha" . mandaria uma carta a João Romão.#ula c$ pra fora. cutruca ordin$ria1 berrou a mulata.z$s1 fazia-se a mudan&a completa. sem se conter e avan&ando para a porta com 'mpeto" . estacionar ali ao p+. feito isto.oltaria no dia seguinte ao corti&o.inha satisfeita. quase todos os brasileiros eram pela Rita e quase todos os portugueses pela outra" )iscutia-se com febre a superioridade de cada qual delas.Bsca1 Bsca1 gritavam eles" *o desafio da mulata. por uma dessas fatalidades de que nenhuma criatura est$ livre. com os bra&os nus. cabra do inferno1 ?as dei a estar que h$s de amargar o que o diabo não quis1 quem to jura sou eu1 .ma pedrada recebeu-a em caminho. dei ava de viver em companhia dela. como sucedia sempre quando no corti&o qualquer mulher se disputava com outra" . assim % queima-roupa. pelo seu lado. rebentavam gritos de entusiasmo a cada mossa que qualquer das duas recebia. e.trabalho1 uma peste.#ensas que j$ não sei de tudoD ?aleficiaste-me o homem e agora carregas-me com ele1 7ue a m$ coisa te saiba. dando um passo em frente" . j$ habituada %quelas cenas" )ois partidos todavia se formavam em torno das lutadoras. silenciosas. se +s capaz1 5m torno de Rita j$ o povar+u se reunia alvoro&ado.8einD1 Repete. no fim de uma semana . mas levaria alguma roupa e os objetos mais indispens$veis e que não dessem na vista por ocasião do transporte" . indiferente. ao que ela respondeu desfechando contra a advers$ria uma formid$vel pancada na cabe&a" 5 pegaram-se logo a unhas e dentes" #or algum tempo lutaram de p+. dizendo com boas palavras que. arranjara-se o ninho" 2ão se mudaria logo para não dar que falar na estalagem. e outra % mulher. todos protestaram" * fam'lia do ?iranda assomou % janela. seguida pelo pequeno. passava defronte da porta de #iedade. numa eterna embriaguez de gozos" ?as.?uda-se.

a mãe dera-lhe licen&a. num fecha-fecha de formigueiro em guerra. ao passo que numa berraria infernal.2ão tira1 . barracas e tinas. pra vingar com sangue a morte de . j$ não havia ali brasileiros e portugueses. em todo o quarteirão. rota. cantava em altos berros uma coisa que lhe parecia responder % música b$rbara que entoavam l$ fora os inimigos. p9s-se de sentinela %s prateleiras. a pedido dele. guardou %s pressas na barra o que havia em dinheiro na gaveta. que vinham dar batalha aos carapicus. sem que a desordem cessasse" <ada qual correu % casa. o povar+u. nem o portão da estalagem. regadores e cai (es de planta.ns cem homens. que um permanente fora buscar a galope" 5 o rolo fervia" ?as. rapidamente.m s! impulso os impelia a todos. num clamor de pragas e gemidos. mas tornava logo. seu chefe de malta" XVII ?al os carapicus sentiram a apro ima&ão dos rivais. e logo em seguida um formid$vel rolo. baiacu da praia1 :s portugueses precipitaram-se para tirar #iedade de debai o da mulata" :s brasileiros opuseram-se ferozmente" .5nche1 . afastava-se em massa. os que se batiam ainda h$ pouco emprestavam armas uns aos outros. rugindo de medo. ouviu-se um baque pesado e viu-se #iedade de bru&os no chão e a Rita por cima. sentia-se impotente para conter semelhantes dem9nios" V. bamboleando o corpo e dando rasteiras para . que at+ ai não fora notado por ningu+m no 0ão Romão. ofegante. em que se não via a arma que traziam" #orfiro vinha na frente. limpando com as costas das mãos o sangue das feridas" *gostinho. do pau e de tudo que servisse para resistir e para matar" . em busca do ferro. encostado ao lampião do meio do corti&o. tudo rolava entre aquela centena de pernas confundidas e doidas" )as janelas do ?iranda apitava-se com fúria. ouvia-se na rua um coro de vozes que se apro imavam das bandas do V<abe&a-de-FatoV" 5ra o canto de guerra dos capoeiras do outro corti&o. a dan&ar. não mais de duas mulheres. mas de uns quarenta e tantos homens de pulso. armando-se com uma tranca de ferro. mulheres e crian&as berravam" João Romão. dos fundos do corti&o e pela frente surgia povo e mais povo" : p$tio estava quase cheio. para defender com ela a propriedade do seu homem" 5 o rolo a ferver l$ fora. estava rindo" :s cabe&as-de-gato assomaram afinal ao portão" . gritando vitoriosa. da rua. os cabelos caldos sobre a cara. como a onda no reflu o dos mares" * pol'cia apareceu e não se achou com animo de entrar. baldes. de bra&os abertos. l$ dentro na cozinha. a socar-lhe o cacha&o de murros cont'nuos. e. com a boca correndo sangue6 . postou-se defronte da entrada. % espera dos invasores.irmo. escarranchada sobre as suas largas ancas. desgrenhada. em que o pequeno enfiou a faca da cozinha" . aquela onda viva ia arrastando o que topava no caminho. vivas a #ortugal e vivas ao Brasil" )e vez em quando. todos davam e todos apanhavam. al+m de tudo.2ão dei a1 . rebentou como um terremoto" *s cercas e os jiraus desapareceram do chão e estilha&aram-se no ar.2ão pode1 . estalando em descarga. novos apitos respondiam.@oma pro teu tabaco1 @oma. aprontava uma grande chaleira de $gua quente. ningu+m mais se entendia. no melhor da lata. havia um s! partido que ia ser atacado pelo partido contr$rio. um grito de alarma ecoou por toda a estalagem e o rolo dissolveu-se de improviso.azer rolo aquela hora.m mulatinho franzino. que imprud-ncia1V 2ão conseguiu fechar as portas da venda. clamando furioso. que continuava a crescer. pra não te meteres comigo1 @oma1 @oma. galinha podre1 @oma.5ntra1 5ntra1 5 as palavras VgalegoV e VcabraV cruzaram-se de todos os pontos. de mãos limpas. um rolo a valer. antes de vir um refor&o de pra&as.7uando menos se esperava. disposto a abrir o casco ao primeiro que se animasse a saltar-lhe o balcão" Bertoleza. e todos tiveram confian&a nele porque o ladrão. cada vez mais inflamado com um terr'vel sopro de rivalidade nacional" :uviam-se. como bofetadas" 8ouve um vavau r$pido e surdo. para p9r um cinto de 2enen.

sem voltar o rosto. todos os capoeiras tinham pela frente um advers$rio de igual destreza que respondia a cada investida com um salto de gato ou uma queda repentina que anulava o golpe" )e parte a parte esperavam que o cansa&o desequilibrasse as for&as. leais nas suas justas de partido. que se fechou logo de fuma&a fulva" * Bru a conseguira afinal realizar o seu sonho de louca6 o corti&o ia arder. entusiasmado como sempre por tudo que lhe cheirava a guerra. entraram e apro imaram-se lentamente. dei ando atr$s de si as melancolias do crepúsculo. os mesmos que barateavam tão facilmente a vida.echou-se um entra-esai de maribondos defronte daquelas cem casinhas amea&adas pelo fogo" 8omens e mulheres corriam de c$ para l$ com os tarecos ao ombro. e choro de crian&as esmagadas. soltava gritos de aplauso e dava brados de comando militar" 5 os cabe&as-de-gato apro imavam-se cantando. sem sentir as queimaduras e as feridas. desaparecia de todo nos limbos do horizonte. desdenhosos de aceitar o au ilio de um sinistro e dispostos at+ a socorrer o inimigo. ouviam-se os guinchos de Aulmira que se espolinhava com um ataque" 5 come&ou a aparecer $gua" 7uem a trou eD 2ingu+m sabia diz--lo. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero" )a casa do Barão saiam clamores apopl+ticos. abandonaram o campo.*g=enta1 *g=enta1 . a dan&ar como selvagens" *s navalhas traziam-nas abertas e escondidas na palma da mão" :s carapicus enchiam a metade do corti&o" . o Botelho. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. apressavam-se agora a salvar os miser$veis bens que possu'am sobre a terra" . reluzia que nem metal em brasa.az frente1 clamavam de dentro os carapicus" 5 os outros. não mais desordenada e cega. no entanto. a sua crina preta. mas um fato veio neutralizar inda uma vez a campanha6 imenso rebentão de fogo esgargalhava-se de uma das casas do fundo. escorrida e abundante como as das +guas selvagens. único causador de tudo aquilo. abrindo furo % vit!ria. que + a saudade da terra quando ele se ausenta. rastejando alguns de costas para o chão. levando consigo a alegria da luz e do calor" C$ na janela do Barão.m clarão tremendo ensang=entou o ar. sepultando a louca num montão de brasas" . mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas" :s sinos da vizinhan&a come&aram a badalar" 5 tudo era um clamor" * Bru a surgiu % janela da sua casa. a dan&ar. com um la&o de fita amarela flutuando na copa" . dava-lhe um car$ter fant$stico de fúria sa'da do inferno" 5 ela ria-se. jogaram-se as cabe&adas e os voa-p+s" #ar a par. sob o comando de #orfiro que. sempre a cantar ou assoviar. que abateu rapidamente.m sil-ncio arquejado sucedia % estrepitosa vozeria do rolo que findara" 0entia-se o hausto impaciente da ferocidade que atirava aqueles dois bandos de capoeiras um contra o outro" 5. como % boca de uma fornalha acesa" 5stava horr'vel. por+m com m+todo. cantando o seu hino de guerra.que ningu+m lhe estorvasse a entrada" @razia o chap+u % r+. com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma e travagante de maluca" Ba atirar-se c$ para fora. saltava em todas as dire&(es. o número KK" 5 agora o inc-ndio era a valer" 8ouve nas duas maltas um súbito espasmo de terror" *bai aram-se os ferros e calou-se o hino de morte" . sem nunca ser alcan&ado por ningu+m" )esferiram-se navalhas contra navalhas. desgrenhada. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo. não haveria meio de reprimir aquele cruento devorar de labaredas" :s cabe&as-de-gato. firmados nos pulsos e nos calcanhares" )ez carapicus sa'ram em frente. se assim fosse preciso" 5 nenhum dos carapicus os feriu pelas costas" * luta ficava para outra ocasião" 5 a cena transformou-se num relance. nunca fora tão bru a" : seu moreno trigueiro. de cabocla velha. numa balbúrdia de doidos" : p$tio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colch(es espocados" 2ingu+m se conhecia naquela zumba de gritos sem ne o. indiferente. dez cabe&as-de-gato se alinharam defronte deles" 5 a batalha principiou. o sol. +bria de satisfa&ão.

e j$ estrebuchava. de fogo varou o teto e iluminou de vermelho a miser$vel pocilga" Cib!rio tentou ainda um esfor&o supremo. rodando. mal deu luz % candeia. por única resposta. de cima do telhado. sorrindo e agradecendo" *lgumas mulheres atiravam-lhe beijos. como uma e pedi&ão m$gica. ao passo que outros.:s sinos continuavam a badalar aflitos" 0urgiam aguadeiros com as suas pipas em carro&a. come&ou a tirar ofegante alguma coisa do seu colchão imundo" 5ram garrafas" @irou a primeira. piruetando. tirando-lhe da garganta grunhidos roucos de animal batido e assustado" )uas vezes tentou erguer-se. apoderaram-se do sinistro. os dedos enri&ados como as unhas de abutre ferido" João Romão atravessou o p$tio de carreira e meteu-se na sua toca para esconder o furto" *o primeiro e ame. a cada passo que o vendeiro adiantava. sem uma palavra. com uma limpeza de m$quina moderna. depois de insinuar a l'ngua. enquanto o velho. fazendo cada qual maior empenho em chegar antes dos outros e apanhar os dez mil-r+is da gratifica&ão" * pol'cia defendia a passagem ao povo que queria entrar" * rua l$ fora estava j$ atravancada com o despojo de quase toda a estalagem" 5 as labaredas iam galopando desembestadas para a direita e para a esquerda do número KK" . enquanto. reconheceu logo que era dinheiro em papel o que havia nas garrafas" 5nterrou a trou a na prateleira de um arm$rio velho cheio de frascos e voltou l$ fora para acompanhar o servi&o dos bombeiros" . duas vezes rolou por terra moribundo" João Romão objurgou-lhe que qualquer demora ali seria morte certa6 o inc-ndio avan&ava" 7uis ajud$-lo a carregar o fardo" Cib!rio. e nada p9de. mais $geis que macacos. sem conseguir p9r-se de p+. conseguiu sufocar uma ninhada de labaredas. come&ando a tremer da cabe&a aos p+s. rastreava na pista dele.m papagaio. meia dúzia delas" )epois pu ou %s pressas a coberta do catre e fez uma trou a" Ba de novo ganhar a sa'da. e o her!i voltou-se para a multidão. a dardejar duchas em torno de si. arrega&ou os bei&os. o amigo de Bertoleza. de relance. quando o vendeiro lha arrancou das garras com viol-ncia" @amb+m era tempo. j$ esquecido do desastre e s! aten&ão para aquele duelo contra o inc-ndio" 7uando um bombeiro. a tremer. esquecido % parede de uma das casinhas e preso % gaiola. todo ele ro o. notando que o velho Cib!rio. redobrou de afli&ão e torceu-se todo sobre as garrafas. rosnando uns vagidos de morte. como se dera cara a cara com um bandido" 5. j$ sem fala. c$ de fora. at+ estrangularem as chamas que se atiravam ferozes para cima deles. que surgia defronte dele. o fogo mostrou a boca e escancarou afinal a goela devoradora" : tratante fugiu de carreira. dominando-o incontinenti. escalavam os telhados abrasados por escadas que mal se distinguiam. sem hesita&(es e sem atropelos" * um s! tempo viram-se fartas mangas d3$gua chicoteando o fogo por todos os lados. grudando-se cada vez mais % sua trou a. mostrando as gengivas sem dentes e tentando morder a mão que o vendeiro estendia j$ sobre as garrafas" ?as. porque. resolvidos a não dei ar uma s! telha en uta" : povo aplaudia-os entusiasmado. sem se saber como. fuzilavam de $gua toda a estalagem. seguiu-o com disfarce e observou que o miser$vel. assim que o viu. depois de escapar de morrer na confusão do inc-ndio. entre brados de ova&ão" XVIII #or esse tempo. a tremer. gritava furioso. o tremor e o sobressalto do velho recresciam. alvoro&ados. arrevessando uma golfada de sangue e cingindo contra o peito o misterioso embrulho" João Romão apareceu. defendendo-as com o corpo inteiro. mas soltou um gemido surdo e caiu no chão sem for&a. os olhos turvos. l$ de cima. e um bando de dem9nios de blusa clara. a olhar aterrado e de esguelha para o seu interventor. a ponta de uma l'ngua. saltando. imperturb$veis. homens. estrangulado de desespero senil. e ele. número por número. a segunda. anunciando que chegava o corpo dos bombeiros" 5 logo em seguida apontaram carros % desfilada. e outros invadiam o cora&ão vermelho do inc-ndio. como se pedisse socorro" )entro de meia hora o corti&o tinha de ficar em cinzas" ?as um fragor de repiques de campainhas e estridente silvar de v$lvulas encheu de súbito todo o quarteirão. dificultosamente. abra&ado % sua presa. armados uns de archotes e outros de escadilhas de ferro. como dentro de um inferno. fugia agoniado para o seu esconderijo. rebentou c$ debai o uma roda de palmas.

encostado ao muro do ?iranda. com o seu melhor uniforme. mas esses. impressionado com a primeira tentativa de inc-ndio. com a saia ainda encharcada de $gua. falou-lhe em voz bai a. a olhar im!veis os esqueletos carbonizados e ainda úmidos das casinhas queimadas" :s cad$veres da Bru a e do Cib!rio foram carregados para o meio do p$tio. depois de cuidadosamente enroladas e dobradas % moda de bilhetes de rifa" Receoso. at+ lhe dei aria lucros" . chorava. s! para isso. que fizera prod'gios contra o inc-ndio.. que apareceu %s tr-s da tarde. a dar dinheiro. com um <risto de latão % cabeceira e dois c'rios que ardiam tristemente" *le andre. descobriam-se defronte deles. nada menos de quatrocentos a quinhentos. aguardando o p-same das visitas. sobre as outras levantaria um segundo andar. horrorosos.erificou que as garrafas eram oito e estavam cheias at+ % boca de notas de todos os valores. passava pelo sono.+ um homem dos diabos1 disse afinal. #iedade ca'ra de cama. com um gesto en+rgico que abrangia toda aquela Babil9nia desmantelada" 5 e p9s o seu projeto6 tencionava alargar a estalagem. de que a crioula não estivesse bem adormecida e desse pela coisa. e alguns curiosos lan&avam piedosamente uma moeda de cobre no prato que. num carrinho dirigido por um cocheiro de cal&ão de flanela branca e libr+ agaloada de ouro" : ?iranda apresentou-se na estalagem logo pela manhã.. agora. assentado a um canto da sala. apontando para o lado em que maior era o grupo dos infelizes que tomavam conta dos restos de seus tarecos atirados em montão" . permaneciam horas esquecidas. quando Bertoleza. o ar compungido. meu caro1 <autela e caldo de galinha nunca fizeram mal a doente1""" segredou o dono do corti&o. aqueles + que com certeza não gostaram da brincadeira1 acrescentou. por+m. a rir" :lhe. um novo correr de casinhas. mas felicitou-o porque tudo estava no seguro" : vendeiro. com o rosto escondido nas mãos. disformes.*h. em vez de um centena de c9modos. % espera do carro da ?iseric!rdia" 5ntrava gente da rua para os ver. com uma longa varanda na frente toda gradeada" 2egociozinho para ter ali. e. sobre uma mesa coberta por uma cerimoniosa toalha de rendas.m duro sil-ncio de desconsolo embrutecia aquela pobre gente" . fitando-o com respeito" . estava o cadaverzinho da filha morta. encostada na cama.ou reedificar tudo isto1 declarou João Romão. o Bruno levara uma navalhada na co a. vestida de cetineta cor de creme. a das )ores a cabe&a partida. todos se quei avam de danos recebidos e revoltaram-se contra os rigores da sorte" : dia passou-se inteiro na computa&ão dos preju'zos e a dar-se balan&o no que se salvara do inc-ndio" 0entia-se um fartum aborrecido de estorrilho e cinza molhada" . entrando um pouco pelo capinzal" Cevantaria do lado esquerdo. aos p+s dos dois defuntos. coitado1 : enterro da pequenita foi feito % custa de C+onie. recebia a esmola para a mortalha" 5m casa de *ugusta. de mãos cruzadas atr$s.*h. dois trabalhadores da pedreira estavam gravemente feridos. lamentando aquela cat$strofe. ao relento. a ?achona tinha uma orelha rachada e um p+ torcido.G meia-noite estava j$ completamente e tinto o fogo e quatro sentinelas rondavam a ru'na das trinta e tantas casinhas que arderam" : vendeiro s! p9de voltar % trou a das garrafas %s cinco horas da manhã. em vez de lhe trazer o fogo preju'zo. aproveitando assim parte do p$tio. que diabo1 nada t-m que perder1""" considerou o outro" 5 os dois vizinhos foram at+ o fim do p$tio. com tamanha inspira&ão o fez que. conversando em voz bai a" . que ai foram metidas. com efeito. um italiano perdera dois dentes da frente. todo enfeitado de flores. tratara de segurar todas as suas propriedades. batendo-lhe no ombro" . por+m superior" )eu um ligeiro abra&o em João Romão. de doze a vinte e cinco mil-r+is cada um1 *h1 ele havia de mostrar como se fazem as coisas bem feitas" : ?iranda escutava-o calado. e jaziam entre duas velas acesas. e uma filhinha da *ugusta <arne-?ole morrera esmagada pelo povo" 5 todos. uma a uma. que não precisava ser tão grande. o corpo cheio de pequenas queimaduras" .ultos sombrios. com um febrão de quarenta graus. fardara-se. ah. para retirar os cad$veres que houvesse" Rita desaparecera da estalagem durante a confusão da noite.oc. João Romão resolveu adiar para mais tarde a contagem do dinheiro e guardou o tesouro noutro lugar mais seguro" 2o dia seguinte a pol'cia averiguou os destro&os do inc-ndio e mandou proceder logo ao desentulho.

0eria um ato de justi&a1 concluiu João Romão. a pedir chorando que lhe dessem de esmola um cantinho onde ele se metesse com sua mis+ria" João Romão tivera sempre uma vidente cobi&a sobre aquele dinheiro engarrafado. ao sair de l$. depois de certificar-se de que Bertoleza ferrara num sono de pedra. sentiu a indigna&ão de um roubado" *maldi&oou aquele maldito velho Cib!rio por tamanho rela amento. consumida at+ o fim. batendo-lhe no fundo. em caminho do seu armaz+m" E de muita for&a1 #ena + estar metido com a peste daquela crioula1 2em sei como um homem tão esperto caiu em semelhante asneira1 0! l$ pelas dez e tanto da noite foi que João Romão. ia logo as desenrolando e estendendo cuidadosamente em ma&o. lhe apareceu com o colchão %s costas. assentou-se. que daqui a dias eu lhes mostrarei para quanto presto1 XIX . trazia uma grande admira&ão pelo vizinho" : que ainda lhe restava da primitiva inveja transformou-se nesse instante num entusiasmo ilimitado e cego" . veio-lhe então o receio de que a melhor parte do bolo se achasse inutilizada6 restava-lhe todavia a esperan&a de que fosse aquela garrafa a mais antiga de todas e a pior por conseguinte" 5 continuou com mais ardor o seu delicioso trabalho" @inha j$ esvaziado seis. quando notou que a vela. guardando o dinheiro bom e mau e dispondo-se a descansar. mas nos trocos""" #or que nãoD *lgu+m reclamaria. ao passar % segunda garrafa. % vista de tão bela soma. notando que o miser$vel dava pronto sumi&o a qualquer moedinha que lhe caia nas garras" . quei assem-se do governo1 o governo + que era o ladrão1V . depois de secar-lhes a umidade no calor das mãos e da vela" 5 o prazer que ele desfrutava neste servi&o punha-lhe em jogo todos os sentidos e afugentava-lhe o sono e as fadigas" ?as. rematou ele. um dos primeiros moradores do corti&o. foi buscar a imunda e preciosa trou a.5.5m todo caso. logo que este. que diabo1 os outros assim mesmo haviam de ir com jeito""" 8oje impingiam-se dois mil-r+is. amanhã cinco" 2ão nas compras. não era crime1""" 0im1 se havia nisso ladroeira. foi buscar outra nova e viu ao mesmo tempo que horas eram" V:h1 como a noite correra depressa1"""V @r-s e meia da madrugada" V#arecia imposs'vel1V V *o terminar a contagem. a e plorar a boa-f+ de uns e o trabalho intelectual de outros. porque estavam muito socadas e peganhentas de bolor" G propor&ão que as fisgava. com inten&(es velhacas. como todo o mercador. assim tão estupidamente comprometida. foi-lhe. fariscara-o desde que fitou de perto os olhinhos vivos e redondos do abutre decr+pito. pelo menos seria impedir que todo este pobre dinheiro apodrecesse tão barbaramente1 :ra adeus1 mas sete ricos continhos quase inteiros ficavam-lhe nas unhas" V5 depois. resolveu dar balan&o %s garrafas de Cib!rio" : diabo + que ele tamb+m quase que não se ag=entava nas pernas e sentia os olhos a fecharem-se-lhe de cansa&o" ?as não podia sossegar sem saber quanto ao certo apanhara do avarento" *cendeu uma vela. o prazo da circula&ão dos seus t'tulos.E um filho da mãe1 resmungava ele pela rua. sem se fartar de olhar para as pilhas de c+dulas que tinha defronte dos olhos" ?ais oito contos e seiscentos eram em notas j$ prescritas" 5 o vendeiro. amaldi&oou o governo porque limitava.7uinze contos. mas muitos engoliriam a bucha""" #ara isso não faltavam estrangeiros e caipiras1""" 5 demais. e principiou a tarefa" @omou a primeira garrafa. quatrocentos e tantos mil-r+is1""" disse João Romão entre dentes. por+m. as primeiras carro&as passavam l$ fora na rua" . no seu cora&ão vulgar de homem que nunca produziu e levou a vida. necess$rio e trair as notas. bru uleava a e tinguir-se. e convenceu-se de todo. uma por uma. sofreu uma dolorosa decep&ão6 quase todas as c+dulas estavam j$ prescritas pelo @esouro. isto j$ serve para principiar as obras1 )ei em estar. tentou despej$-la. chegou at+ a sentir remorsos por não se ter apoderado do tesouro do avarento. e carregou com esta para a casa de pasto ao lado da cozinha" )ep9s tudo sobre uma das mesas.

e aminavam os materiais escolhidos para a constru&ão. o que ali$s não impedia que as lavadeiras continuassem a bater roupa e as engomadeiras reunissem ao barulho das ferramentas o choroso falsete das suas eternas cantigas" :s que ficaram sem casa foram aboletados a trou-e e mou-e por todos os cantos. procurando galante$-la e mais ao resto da fam'lia. queria muito" <om a visita reconciliaram-se. e Ceoc$dia decidiu tornar para o 0ão Romão e viver de novo com o marido" *gora fazia-se muito s+ria e amea&ava com pancada a quem lhe propunha brejeirices" #iedade. aquela mulher levada dos diabos. no entanto. com um terra&o ao fundo" : lugar em que ele dormia com Bertoleza. como o outro. um arsenal. onde João Romão se fez gente. e mais as pratas e as porcelanas que haviam de vir. agora sempre de palet!. estava tudo pronto. e afetando-se bons entendedores. chorando ambos. ia tamb+m entrar em obras" : vendeiro resolvera aproveitar dela somente algumas das paredes. morriam por que lhe dissessem" 0im. tomavam na palma da mão e esfarelavam entre os dedos um punhado da terra e da cal com que os oper$rios faziam barro" Gs vezes chegavam a ralhar com os trabalhadores. talhadas % portuguesa. palpitando ambos por ver a sa'da que o vendeiro acharia para semelhante situa&ão" ?aldita preta dos diabos1 5ra ela o único defeito. o senão de um homem tão importante e tão digno" *gora. essa e que se levantou das febres completamente transformada" 2ão parecia a mesma depois do abandono de Jer9nimo. cal&as brancas. a quem ele. os antigos moradores tinham prefer-ncia e vantagens nos pre&os" . em que o seu com+rcio iria fortalecer-se e alargar-se" : Barão e o Botelho apareciam por l$ quase todos os dias. quando lhes parecia que não iam bem no servi&o1 João Romão. tão misto6 aquilo agora parecia uma grande oficina improvisada. ambos muito interessados pela prosperidade do vizinho. e ningu+m lhe ouvia falar no nome do esposo" 5sses meses. ficara feia. mas não se quei ava. mais alto que o do ?iranda e. colete e corrente de rel!gio. abriria as portas em arco. emagrecera em e tremo. que eram de um metro de largura. com uma franqueza e agerada que não olhava gastos" 0e tinham de tomar alguma coisa. não seriam decerto para os bei&os da negra velha1 <onserv$-la-ia como criadaD Bmposs'vel1 @odo Botafogo sabia que eles at+ ai fizeram vida comum1 @odavia. perdera as cores do rosto.m dos italianos feridos morreu na ?iseric!rdia e o outro. com imenso pasmo. flores e tudo o que aparecia" 2os leil(es das festas de arraial era tão feroz a sua febre de obsequiar a gente do ?iranda. dentro de pouco tempo. o lado do ?iranda. porque o p! da terra e da madeira sujava-lhes a roupa lavada" ?as.)a' a dias. j$ não parava na venda. % espera dos novos c9modos" 2ingu+m se mudou para o V<abe&a-de-FatoV" *s obras principiaram pelo lado esquerdo do corti&o. desfazia-se em obs+quios brutais e dispendiosos. ele fazia vir logo tr-s. durante as obras. com efeito. tanto o Barão como o Botelho. resolveu-se a ir visitar o seu homem no hospital" 7ue alegrão para o infeliz a volta da mulher. batiam com a biqueira do chap+u de sol no pinho-de-riga destinado ao assoalho. em cujo fragor a gente s! se entende por sinais" *s lavadeiras fugiram para o capinzal dos fundos. carregado com os mimos que o vendeiro arrematava" . porque aquela boa casa que se estava fazendo. apesar de tudo. a sebosa bodega. a cozinha e a casa de pasto seriam abobadadas. mais vistoso" #r+dio para meter o do outro no chinelo. quatro janelas de frente. suspenderia o teto e levantaria um sobrado. comia em hot+is caros e bebia cerveja em larga camaradagem com capitalistas nos caf+s do com+rcio" 5 a crioulaD <omo havia de serD 5ra isto justamente o que. quatro garrafas ao mesmo tempo. não se animavam a abrir o bico a esse respeito com o vizinho e contentavam-se em boquejar entre si misteriosamente. triste e resmungona. viram que a venda. e. e s! acompanhava as obras na folga das ocupa&(es da rua" #rincipiava a tomar tino no jogo da Bolsa. com a parte de taverna. com toda a certeza. e. tanto o ?iranda. tão acentuado e. pedindo sempre o triplo do necess$rio e acumulando compras inúteis de doces. engravatado. formando. foram uma +poca especial para a estalagem" : corti&o não dava id+ia do seu antigo car$ter. e Ceoc$dia. tamb+m l$. mas de carne dura. continuava ainda em risco de vida" Bruno recolhera-se % :rdem de que era irmão. não se passava um domingo sem que o amigo de Bertoleza fosse jantar % casa do ?iranda" Bam juntos ao teatro" João Romão dava o bra&o % Aulmira. que não quis atender %quela carta escrita por #ombinha. e os ricos m!veis encomendados. martelava-se ali de pela manhã at+ % noite. a estalagem metia-se em obras" G desordem do desentulho do inc-ndio sucedia a do trabalho dos pedreiros. oito de lado. um grande armaz+m. que nunca voltava para casa sem um homem atr$s.

)$" . sem ter ainda morrido. % noite vendendo-o % porta. porque o pranto e os solu&os não lhe dei avam fazer nada" Botelho havia dito ao vendeiro6 . tinha por ele o fanatismo irracional das caboclas do *mazonas pelo branco a que se escravizam. nem tampouco para si.:u escrever" . mas que tamb+m são capazes de matar-se para poupar ao seu 'dolo a vergonha do seu amor" : que custava aquele homem consentir que ela. com o cora&ão eternamente emprenhado de desgostos que nunca vinham % luz" *final. as l$grimas saltaram dos olhos da infeliz.:ra1 se não tivesse não lho diria deste modo1 .a&a o pedido1 E ocasião" . gasta. por um h$bito de muitos anos. feia. como seus pais que a dei aram nascer e crescer no cativeiro" 5scondia-se de todos. a indecorosa n!doa daquela prosperidade brilhante e clara" 5. repugnante.@em certeza dissoD . convencendo-se de que ela. fiz-lhe o pedido em seu nome" )isse que estava autorizado por voc-" . covarde e resignada. triste de sentir-se a mancha negra. era somente confian&a no amparo da sua velhice quando de todo lhe faltassem as for&as para ganhar a vida" 5 contentava-se em suspirar no meio de grandes sil-ncios durante o servi&o de todo o dia. uma linha dura de um canto ao outro da boca" 5 durante dias inteiros. dessas que morrem de ciúmes. envergonhada de si pr!pria.#ode pedir a mão da pequena" 5st$ tudo pronto1 . sobrolho carrancudo. de manhã escamando pei e. era a primeira a erguer-se e a ultima a deitar-se. j$ não era amor o que a m'sera desejava. que antes não o fizesse" * desgra&ada muita vez sentia-lhe cheiro de outras mulheres.iz malD .ez muito bem" <reio at+ que não + preciso mais nada1 . seu João. sem interromper o servi&o.oc.8einD . perfumes de cocotes estrangeiras e chorava em segredo. desabou num fundo entorpecimento ap$tico. certo dia em que João Romão conversou muito com Botelho. gesticulava e me ia com os l$bios.alei-lhe. nos momentos de bom humor. se chegasse para junto deleD @odo o dono. para descansar da trabalheira grossa das horas de sol. atire-se enquanto o angu est$ quente1 . sempre sem domingo nem dia santo.?alD . que ela fazia agora automaticamente. desconfiada. sem animo de reclamar os seus direitos" 2a sua obscura condi&ão de animal de trabalho. afaga o seu cão""" ?as qual1 o destino de Bertoleza fazia-se cada vez mais estrito e mais sombrio. pouco a pouco dei ara totalmente de ser a amante do vendeiro.. era com tal repugn>ncia. mesmo da gentalha do frege e da estalagem.não tem continuado a receber as floresD .2ão. para ficar sendo s! uma sua escrava" <omo sempre. quando o fazia.5 Bertoleza bem que compreendia tudo isso e bem que estranhava a transforma&ão do amigo" 5le ultimamente mal se chegava para ela e. e ela teve de abandonar a obriga&ão. j$ não vivia para ningu+m. estagnado como um charco podre que causa nojo" . a tudo que a cercava" 2ão obstante.5 a meninaD .Respondo por ela" .izera-se $spera..@amb+m1 . sem tempo para cuidar de si. monologando sem pronunciar as palavras" #arecia indiferente a tudo. adorava o amigo.5le prometeuD . compreendeD . se o ?iranda não vier logo ao seu encontro + bom voc. imunda. uma vez por outra. amaldi&oando-se por ser quem era. no entanto.#ois então não dei e pelo seu lado de ir mandando tamb+m as suas e fa&a o que lhe disse" *tire-se.@enho" .: Barão d$-maD .lhe falar.

fizera tanta maldade. foi-lhes preciso comprar de novo todos os arranjos de casa. tristes. a certeza de que a pessoa amada nunca mais ter$ olhos para cobi&ar mulheres. fez-se pregui&oso. aquela pobrezita orfanada antes da morte dos pais" . porque do 0ão Romão Jer9nimo s! levou dinheiro. que o desterrado lan&ou do cora&ão com o e tremo arpejo que a sua guitarra suspirou1 * guitarra1 substituiu-a ela pelo violão baiano. era muito escrupulosa" * primeira parte da sua lua-de-mel foi uma cadeia de delicias continuas. deu-lhe das suas muquecas escandescentes. sortiram a despensa de tudo que mais gostavam. #iedade de Jesus. toalhas de mesa.#or outro lado. tanto ele como ela. devia. deu-se bem com a perturba&ão em que a punha o $lcool. cor de brasa. a que o cavouqueiro se abandonara como um b-bedo que adormece abra&ado a um garrafão inesgot$vel de vinho gostoso" 5stava completamente mudado" Rita apagara-lhe a última r+stia das recorda&(es da p$tria. zoada nos ouvidos e o est9mago embrulhado. sem forcas para iludir-se com uma esperan&a f$tua. uma dura desesperan&a. dinheiro que ele j$ não sabia poupar" <om o asseio da mulata a sua casinha ficou. de fazer chorar. lu urioso e ciumento. ai deles1 o curupira transforma-os em bicho-do-mato" 5 deu-lhe do seu comer da Bahia. ao calor dos seus l$bios grossos e vermelhos. achavam a coisa muito natural" V: fac'nora matara tanta gente. nesse ponto. naquele colo carnudo e dourado da mulata. chorava o seu abandono e ia tamb+m agora se transformando de dia para dia. e morava agora com a Rita numa estalagem da <idade 2ova" @iveram de fazer muita despesa para se instalarem. comiam em pratos de porcelana e usavam sabonetes finos" #lantaram % porta uma trepadeira que subia para o telhado. apenas espacejada pelo estribilho dos beijos em dueto. nem boca para pedir amores. temperado com fogoso azeite-dedend-. do seu pr!prio car$ter. todavia. penduraram gaiolas de passarinho na sala de jantar. tinham cortinado na cama. bebido sem respirar. e embebedou-lhe os sonhos de amante prostrado com as suas cantigas do norte.m dia. habituou-lhe a carne ao cheiro sensual daquele seu corpo de cobra. e mais ningu+m" * morte do . foi-lhe fugindo o trabalho pouco a pouco. pois. quer ele. foi um prazer prolongado e amplo. Jer9nimo empregara-se na pedreira de 0ão )iogo. sem se ter j$ neste mundo na conta de alguma coisa e continuando a viver somente porque a vida era teimosa e não queria dei $-la ir apodrecer l$ embai o. amigo das e travag>ncias e dos abusos. % felicidade de possuir a mulata e ser possu'do s! por ela. lavado tr-s vezes ao dia e tr-s vezes perfumado com ervas arom$ticas" : portugu-s abrasileirou-se para sempre. pouco ou nada trabalharam.irmo não vinha nunca a toldar-lhes o gozo da vida. de que as abelhas gostavam muito. acabar como acabou1 2ada mais justo1 0e não fosse Jer9nimo. sem se conformar com a aus-ncia do marido. onde trabalhava dantes. deleitosas. um cachimbo. e querem que todo o viajante que vai passando lhes ceda fumo e cacha&a. em que h$ caboclinhos curupiras. aqueles primeiros dias fugiram-lhe como estrofes seguidas de uma deliciosa can&ão de amor. a vida dos dois resumira-se. que nunca chegava a esfriar de todo" Jamais a e ist-ncia pareceu tão boa e corredia para o portugu-s. esquecia-se um . vencida por um desmazelo de chumbo. abandonando-se ao abandono. que no sertão v-m pitar % beira das estradas em noites de lua clara. quase que e clusivamente. a derradeira l$grima de saudade. fez-se madra&a e moleirona. as suas freguesas de roupa come&aram a reclamar. s! ela. abrindo pela manhã flores escarlates. todo inteiro. fronhas de renda. compraram galinhas e marrecos e fizeram um banheiro s! para eles. em que h$. e deu-lhe a ele uma rede. secou. sem o que. para elemento de resigna&ão. guardanapos. nos oitos palmos de colchão novo. quer a amiga. len&!is de linho. desistindo dos seus princ'pios. e deu-se todo. por uma vez" )eu para deslei ar-se no servi&o. mas depois come&ou a afundar sem resist-ncia na lama do seu desgosto. que era um regalo. porque o da estalagem repugnou % baiana que. seria outro1 5le assim o quis. sem abrir os olhos. #iedade levantou-se quei ando-se de dores de cabe&a. ainda a pobre de <risto tentou resistir com coragem %quela viuvez pior que essa outra. covardemente. a que nem as l$grimas bastavam para ado&ar as agruras" * principio. aconselharam-lhe que tomasse um trago de parati" 5la aceitou o conselho e passou melhor" 2o dia seguinte repetiu a dose.bem feito1V #or esse tempo. fora-se-lhe de vez o esp'rito da economia e da ordem. precisando j$ empregar grande esfor&o para não bulir nas economias que Jer9nimo lhe dei ara. porque isso devia ser para a filha. para mudar todos os dias. muita roupa branca. perdeu a esperan&a de enriquecer.

esses que ela passava ao lado da filha" :s antigos moradores da estalagem principiavam a distinguir a menina com a mesma predile&ão com que amavam #ombinha. insultada pela outra e coberta de rid'culo pelos novos companheiros do marido. a principio nos domingos pela manhã.pouco durante algum tempo das amofina&(es da sua vida. quase a pedir-lhe perdão. tinha que ir ao col+gio nos dias de semana" 7uase sempre levava-lhe presentes de doce. de peles vazias. e. em que a melhor parte nascera com o remorso" V5ra justo. por ve ame. que estava arriscada a ser e pulsa do col+gio. ser talvez repelida grosseiramente. a voz muito espremida no aperto da garganta" . numa e plosão de solu&os que lhe faziam vibrar o corpo inteiro" #or algum tempo choraram ambos abra&ados" . para s! tornar ao col+gio na segunda-feira" Jer9nimo ao saber disto. a pequena ia passar os domingos com ela" 0a'ra uma crian&a forte e bonita. mandou dizer que não estava em casa" 5la insistiu. gole a gole. pousando-lhe a mão larga na cabe&a" 5 os dois emudeceram um defronte do outro. e perguntava-lhe se precisava de roupa ou de cal&ado" ?as. ao encontr$-lo tamb+m triste e desgostoso. disse em voz bem alta que não ia l$ por ele. ia para saber que destino lhe havia de dar. para ver a filha. apesar do procedimento do marido. para voltar % tarde. ao v--lo. era1 que a pequena aos domingos e dias santos lhe fizesse companhia1V 5 então. e pede a )eus 2osso 0enhor que me perdoe os desgostos que te tenho eu dado1 . que o marido j$ não estava ali para impedir que a filha pusesse os p+s no corti&o. no caso que não liquidassem prontamente a divida" #iedade levou as mãos % cabe&a6 V#ois o homem j$ nem o ensino da pequena queria darD1 7ue lhe valesse )eus1 onde iria ela fazer dinheiro para educar a filhaD1 V . Jer9nimo teve vergonha de l$ voltar. eu irei pagar o col+gio de nossa filhinha e hei de olhar por ti" . para enganar os pesares" *gora. que a diretora lhe negou a entrada" )esde essa ocasião. com uma carta em que a diretora negava-se a conservar a menina. pu ara do pai o vigor f'sico e da mãe a e pressão bondosa da fisionomia" J$ tinha nove anos" 5ram esses agora os únicos bons momentos da pobre mulher. declarou que não arredaria dali sem lhe falar. cujas l$grimas corriam j$ silenciosamente. porque agora a pequena estava muito taluda para ser enjeitada na roda1 Jer9nimo apareceu afinal. nos s$bados.ai. e. um belo dia. escondendo o rosto contra o peito dele. mas. 0enhorinha entregou % mãe uma conta de seis meses da pensão do col+gio. revoltou-se no primeiro 'mpeto. mas pela filha. por interm+dio da professora. ainda no intimo se impressionava com a id+ia de que não devia contrari$-lo nas suas disposi&(es de pai" V?as que mal tinha que a pequena fosse aliD 5ra uma esmola que fazia % mãe1 C$ pelo risco de perder-se""" :ra adeus.<onsola-te1 que queres tuD""" 0ão desgra&as1""" disse o cavouqueiro afinal. e as suas visitas % filha tornaram-se muito raras" @empos depois. a que eles privilegiavam respeitosamente. perdeu logo toda a energia com que chegara e comoveu-se tanto. que as l$grimas lhe saltaram dos olhos %s primeiras palavras que lhe dirigiu" 5 ele abai ou os seus e fez-se l'vido defronte daquela figura avelhantada.oi como se eu tivesse te morrido""" mas podes ficar certa de que te estimo e nunca te quis mal1""" . mas. s! se perdia quem mesmo j$ nascera para a perdi&ão1 * outra não se conservara sã e puraD não achara noivoD não casara e não vivia dignamente com o seu maridoD 5ntãoD1V 5 0enhorinha continuou a ir % estalagem. possu'da de imprevista ternura com aquele simples afago do seu homem" . arquejantes" #iedade sentiu >nsias de atirar-se-lhe nos bra&os. habituara-se a beber todos os dias o seu meio martelo de aguardente. j$ sabia onde ele morava" Jer9nimo recusou-se. apresentou-se tão +brio. pensando bem no caso.m súbito raio de esperan&a iluminou-a toda por dentro.olta para casa.oi % procura do marido. e agora que #iedade precisava de consolo. ela desabou. com um ar triste de vicioso envergonhado que não tem animo de dei ar o vicio" * mulher.?inha pobre velha""" balbuciou. limpando os olhos" . achou que era justo dei ar % mulher aquele consolo" V<oitada1 devia viver bem aborrecida da sorte1V @inha ainda por ela um sentimento compassivo. porque em toda aquela gente havia uma necessidade moral de eleger para mimoso da sua ternura um entezinho delicado e superior. dei ou que a sua mão fosse descendo da cabe&a ao ombro e depois % cintura da esposa. frutas. dissolvendo de relance os negrumes acumulados ultimamente no seu cora&ão" <ontava não ouvir ali senão palavras duras e $speras. depois j$ de v+spera. de cabelos sujos e encanecidos" 2ão lhe parecia a mesma1 <omo estava mudada1 5 tratou-a com brandura. sua alma prostrou-se reconhecida. assim que Jer9nimo. como súditos a um pr'ncipe" <rismaram-na logo com o cognome de V0enhorinhaV" #iedade.

antes da sobremesa. e.<omo não me hei de quei ar. impaciente pela ocasião de entender-se com o marido sobre o neg!cio do col+gio" Rita.5 acompanhou-a at+ o portão da estalagem" 5la. no dia seguinte. que estava sempre a serrazinar dentro dele. acompanhada pela filha. no intimo.*i. desfez-se em obs+quios com a fam'lia do amigo" *s outras visitas sa'ram antes do jantar" #useram-se % mesa %s quatro horas e principiaram a comer com boa disposi&ão. % embriaguez" 7uando #iedade. resmungando desculpas. mas s! a id+ia de separar-se da amante punha-lhe logo o sangue doido e apagava-se-lhe de novo a luz dos racioc'nios" V2ão1 não11 tudo que quisessem.. mas onde ia buscar dinheiro naquela ocasiãoD o seu trabalho mal lhe dava agora para viver junto com a mulata.2ão as dei o sair1 E boa1 #ois hei de dei ar ir minha filha sem matar as saudadesD #iedade assentou-se a um canto. ao fim do jantar. falou na divida do col+gio e nas amea&as da diretora" . esvaziara freq=entes vezes o seu copo e. coitado1 bem que se mortificou por isso. todos os outros estavam. Jer9nimo não mandou saldar a conta do col+gio. bebia em camaradagem com os companheiros e habituara-se. quando a portuguesa se viu defronte da baiana" . esse estava de todo" #iedade. o infeliz sofria deveras" * lembran&a constante da filha e da mulher apoquentava-o com pontas de remorso. tornou l$. nem durante todo o resto do m-s. pois. carregando no virgem logo desde a sopa" 0enhorinha destacava-se do grupo. não guardava rancores. mais ou menos chumbados pelo vinho" Jer9nimo. estava j$ alcan&ado nos seus ordenados e devia ao padeiro e ao homem da venda" Rita era desperdi&ada e amiga de gastar % larga. um domingo. soltando e clama&(es de entusiasmo" <om um milhão de raios1 que linda estava a sua morgadinha1 :brigou-as logo a tomar alguma coisa e foi chamar a mulata. filha1 disse-lhe o cavouqueiro" *gora est$s tu tamb+m pr3a' com essa mastiga&ão1 )ei a as tristezas pr3outra vez1 2ão nos amargures o jantar1 . dentro em pouco. sacudida ainda de vez em quando por um solu&o retardado" 5ntretanto. que o cavouqueiro não aceitou" . não podia passar sem uns tantos regalos de barriga e gostava de fazer presentes" 5le.--las entrar" Beijou a pequena repetidas vezes e suspendeu-a pela cintura.amos1 vamos1 *bracem-se1 *cabem com isso por uma vez1 bradava Jer9nimo. quinze dias depois da sua primeira visita. j$ com azedume na voz. e ele. triste e assustada ao mesmo tempo" : pai acabrunhava-a com as suas solicitudes brutais e com as suas perguntas sobre os estudos" G e ce&ão dela. foi então que ela. que dia a dia alastravam na sua consci-ncia. queria que as duas mulheres fizessem as pazes no mesmo instante" 5ra questão decidida1 8ouve uma cena de constrangimentos. saiu cabisbai a. por+m. volúvel como toda a mesti&a. para fugir %quela voz irrefut$vel. entre aquela gente. at+ ai tão completo com respeito % baiana. ai1 que temos lamúria1 . a en ugar os olhos no ale de lã. instigada por ele. se tudo me corre malD1 . encontrou-o b-bedo. % propor&ão que esta ia acordando daquela cegueira" : desgra&ado sentia e compreendia perfeitamente todo o mal da sua conduta. dera para quei ar-se amargamente da vida. menos isso1V 5 então. subordinava-se calado e afetando at+ satisfa&ão. na sua timidez de menina de col+gio parecia. numa roda de amigos" Jer9nimo recebeu-as com grande escarc+u de alegria" .@riste sorte a minha1 . sem se fitarem" #iedade estava escarlate de vergonha" . hão de jantar conosco1 * portuguesa op9s-se. a empurr$-las uma contra a outra" 2ão quero aqui caras fechadas1 *s duas trocaram um aperto de mão.:ra muito bem1 acrescentou o cavouqueiro" *gora para a coisa ser completa.:ra. receoso de contrari$-la e quebrar o ovo da sua paz. nem no outro. sem poder pronunciar palavra.

travando da filha pelo bra&o" ?aldita a hora em que vim c$1 5 as duas. passeando de um para outro lado.5u quero antes ficar com minha mãe1""" balbuciou a menina.#ague-a voc-. afagando-lhe os cabelos" J$ passou1 . que tem l$ o dinheiro que lhe dei ei1 5u + que não tenho nenhum1 . ingrata. franzindo o sobrolho" 7ue diabo1 com choradeiras nada se endireita1 @enho eu culpa de que sejas infelizD""" @amb+m o sou e não me quei o de )eus1 #iedade abriu a solu&ar" . se quisesse voltar para junto da mulher. fica aqui. meu bem1 disse ela. porque amor não era obrigado1V )epois de falar s! por muito espa&o. h$ de estourar por for&a1 :ra bolas1 0enhorinha correu para junto do pai.J mulher1 voc. tomou-a pelos quadris e assentou-a em cheio sobre as suas co as" .0ebo1 berrou ele. arredando com os l$bios a espessura dos bigodes" Jer9nimo voltou-se para a amante.2ão te rales.. nem se mostrara a favor de nenhuma das partes" V: homem. o cavouqueiro atirou-se a uma cadeira. 0enhor dos *flitosD1 . desviando-a" 0empre a mesma coisa1 #ois não estou disposto a aturar isto1 *rre1 . melhor ser$ não tornares c$1""" resmungou Jer9nimo.?inha pobre filha1 7uem olhar$ por ela. antes que eu fa&a alguma asneira1 .5u não vim c$ por passeio1""" prosseguiu #iedade entre l$grimas1" . com o rosto escondido no ombro da filha. mãe e filha.0im1 #ois se + para isso que aqui vens. desapareceram.@ens razão1 besta fui eu em dei $-la p9r p+ c$ dentro de casa1 5 abra&aram-se com 'mpeto.*h1 então com que não pagasD1 . erguendo-se e dando urna punhada forte sobre a mesa" 5 aturem-na1 #or mais que um homem se não queira zangar.amos daqui1 gritou a portuguesa. que j$ tenho de sobra com que arreliar-me1 . para as duas seguirem o seu destino de en otadas" XX . despejou sombrio dois dedos de laranjinha num copo e bebeu-os de um trago" . procurando cont--lo" . que voltasse1 5la não o prenderia. monologava.0im.não est$ separada dela a semana inteiraD""" #ois a pequena. j$ me fazes guerraD1 #ois vão com todos os diabos1 e não me tornem c$ para me ferver o sangue. #iedade. segurou-lhe a cabe&a entre as mãos e beijou-o na boca. esperava que as l$grimas cedessem um pouco. como se o breve tempo roubado pelas visitas fosse uma interrup&ão nos seus amores" C$ fora. junto ao portão da estalagem. e aos domingos ir$ v--la" :ra a' tem1 . que nada lhe faltar$1 .* pequena j$ não precisa de col+gio1 dei e-a c$ comigo. em vez de ficar no col+gio.*' temos1 berrou o marido. enquanto Jer9nimo.*h1 tamb+m tu. abra&ando-se a #iedade" .0eparar-me de minha filhaD a única pessoa que me restaD1 . por detr$s. heinD1 #ois então dei e-me c$ com toda a minha ruindade e despache o beco1 )espache-o.im c$ para saber da conta do col+gio1""" .E que +s muito pior do que eu supunha1 . furioso sob a fermenta&ão do vinho" Rita não se metera na contenda.2ão1 <om um milhão de raios1 .*rre1 *ssim tamb+m não1 * mulata então apro imou-se dele..

toda a parte em que havia varanda foi monopolizada pelos italianos. toda mobiliada de novo.izeram-se seis latrinas. e tudo caiadinho e pintado de fresco. ningu+m sabia por que. para a qual se subia por duas escadas. condutores de bondes. sabia-se que ela dava ainda muito que fazer ao corpo sem o concurso do marido.<hegaram a casa %s nove horas da noite" #iedade levava o cora&ão feito em lama. um orat!rio grande. e % noite via-se o *le andre. que nunca parava.ma campanha desesperadora. cai eiros de botequim. a passear ao comprido da varanda.5stava-se vendo disso todos os dias1. que ralhava com *gostinho" 5m diversos pontos cantavam e tocavam a viola" ?as o corti&o j$ não era o mesmo. habitavam cinco a cinco. estava gr$vida outra vez. assim como este. mal dava id+ia do que fora" : p$tio. a mob'lia muito brunida. cujo rev+rbero parecia olhar desconfiado l$ de dentro para quem passava c$ no p$tio" *gora. se dei aria arrastar inteira l$ para dentro" <ome&avam a vir estudantes pobres. seis torneiras de $gua e tr-s banheiros" )esapareceram as pequenas hortas. eternamente. e depois fechava-se em casa e. preocupava-se muito em arrumar tudo isso. depois que a criatura pediu a um padre um pouco de $gua benta e benzeu-se com esta em certos lugares. pois entendia que aquele assanhamento por homem não era maldade dela. artistas de teatro. casquilho e defumado" 5 ele. sempre muito circunspecto. aborrecido da vida" )efronte justamente ficava a casa do Bruno e da mulher. não dera palavra por todo o caminho e logo que recolheu a pequena. e notava-se que nesse ponto a estalagem estava j$ . e o dem9nio do bichinho a multiplicar-se cada vez mais e mais todos os dias" . mas s! de versos e jornais. e a esposa. que j$ não eram gente sem gravata e sem meias" * feroz engrenagem daquela m$quina terr'vel. sempre com o seu len&o cheiroso % volta do pescocinho. solu&ando" 5stava tudo acabado1 @udo acabado1 . ouviam-se as risadas dela e a voz avinhada e grossa do seu homem. defronte da porta tinham um fogãozinho e um fogareiro. aos domingos s! ia % rua para comer. um lavat!rio com espelho todo cercado de rosas artificiais. num lu o de igreja. e c$ de fora via-se-lhe o papel vermelho da sala. % direita. pena era que lhe dessem as formigas na cama1 5m verdade.tanto que ultimamente. saia todas as manhãs e voltava %s dez da noite invariavelmente. ia mais longe na defesa. os jardins de quatro a oito palmos e os imensos dep!sitos de garrafas vazias" G esquerda. nem onde" : *le andre jurava que. surgiram cont'nuos de reparti&(es públicas. todo cal&ado por igual e iluminado por tr-s lampi(es grandes simetricamente dispostos" . houvesse o que houvesse no corti&o. pessoa muito calada. e as algibeiras muito cheias. toalhas de renda por toda a parte. ao entrar ou sair fora de horas. como se esperasse a cada instante a visita de um estranho" :s companheiros de estalagem elogiavam-lhe aquela ordem e aquele asseio. era praga de algum boca do diabo que a quis e a pobrezinha não dei ou" . o palet! fouveiro. não punha mais o nariz de fora" 5. chorou ainda. o #ataca e o A+ <arlos. e da' por diante. encostou-se % c9moda. o casal vivia em santa paz" Ceoc$dia estava discreta. o fogo desaparecera logo. em meias tinas serradas ou em vasos de barro" *lbino levou o seu capricho at+ % cortina de labirinto e chão forrado de esteira" * casa dele destacava-se das outras. enquanto a mulher dentro de casa cuidava de outras" * filharada crescia-lhes. nunca a pilhara no vicio. erguia-se um segundo andar. como João Romão havia prometido. acompanhando todo o lado do fundo e dobrando depois para a direita at+ esbarrar no sobrado de João Romão. uma pontinha de cigarro a queimarlhes a penugem do bu&o. e vendedores de bilhetes de loteria" )o lado esquerdo. ocupando juntos o mesmo c9modo. que o trazia triste. agora parecia uma rua. o p$lido lavadeiro. acalentando uma criancinha ao colo. e ela ai vivia direita e s+ria que não dava que falar a ningu+m1 *ugusta ficara com a fam'lia numa das casinhas do segundo andar. seis a seis no mesmo quarto. ia j$ lan&ando os dentes a uma nova camada social que. abafadas de vez em quando pelos berros da ?achona. estendia-se um novo correr de casinhas de porta e janela.oi % garrafa de aguardente. bebeu uma boa por&ão. o seu cabelo mole caldo por detr$s das orelhas bambas. resplandecente de palmas douradas e prateadas. tornou a beber. que metia medo" V5ra um no papo outro no saco1V ?oravam agora tamb+m desse lado os dois cúmplices de Jer9nimo. disposta a parasitar a alegria dos que se divertiam l$ fora" * das )ores tivera jantar de festa. at+ onde acabava o pr+dio do ?iranda. bem vestida e pontual no pagamento. e depois saiu ao p$tio. mas ningu+m dizia quando. portas verdes e goteiras encarnadas" #oucos lugares havia desocupados" *lguns moradores puseram plantas % porta e % janela. fechado em cima do primeiro por uma estreita e e tensa varanda de grades de madeira. entretanto. com um grande candeeiro de querosene em frente % entrada. uma em cada e tremidade" )e cento e tantos. a sua cal&a branca de boca larga. notavam-se por último na estalagem muitos inquilinos novos. estreitara-se com as edifica&(es novas. a numera&ão dos c9modos elevou-se a mais de quatrocentos. com os seus chap+us desabados. pouco a pouco. paredes brancas. porque sempre tivera pena de Ceoc$dia. estava muito diferente. era no andar de bai o. em que preparavam eles mesmos a sua comida" Cogo adiante era o quarto de um empregado do correio. jarras de flores sobre a c9moda. a *ugusta <arne-?ole. mas a cama de *lbino estava sempre coberta de formigas" 5le a destru'-las. o tal sujeito do com+rcio.

soltava um formid$vel sibilo estridente e rouco" #or debai o ficava a casa da ?achona. raro era o dia em que a pol'cia não entrava l$ e baldeava tudo aquilo a espadeirada de cego" . como a janela. ceia de caf+ com pão.<om o demo1 voc. em vez de V5stalagem de 0ão RomãoV lia-se em letras caprichosas6 V*. a pretender arremedar a Rita no seu choradinho da Bahia" 5ra a boba da roda" Batiam-lhe palmadas no traseiro e com o p+ embara&avam-lhe as pernas. formava-se ai todos os dias uma esterqueira de cascas de melancia e laranja" 5ra uma comuna ruidosa e porca a dos dem9nios dos mascates1 7uase que se não podia passar l$. encontrou-a a dan&ar ao som de palmas. a mais animada. criticando e arremedando as figuras ratonas da estalagem" : #ataca ria-se. e então com as cortinas e com a mob'lia nova impunha respeito" . agora o forte eram os forrobod!s dentro de casa. realejos. que j$ estou com os quartos doendo de tanto andar de l$ pra c$1 5ssa noite. a bebedeira de #iedade foi completa" 7uando João Romão entrou. entre os quais um homem podia at+ arranjar a vida. os olhos requebrados. cuja porta. e mesmo o cana#verde MN pouco se dan&ava e cantava.5 toca a enfiar para ai quadrilhas e polcas ate romper a manhã1 ?as naquele domingo o corti&o estava banzeiro.muito mais suja que nos outros" #or melhor que João Romão reclamasse.:lha pra que lhe deu o +brio1 0olta-me a perna. entre os quais sobressaia uma arara enorme que. de mão em mão. molhos e molhos de vasilhame de folha-de-flandres. imitando pedra" . tinha de voltar outra vez para ench--la de novo" V:lha que estafa1 . que empesteava todo o corti&o" * parte do fundo da varanda era asseada felizmente e destacava-se pela profusão de p$ssaros que l$ tinham. desassombrada. de todos. de cimento. 2enen trazia sempre enfeitada de tinhor(es e beg9nias" : pr+dio do ?iranda parecia ter recuado alguns passos.7uerem saber1 5mpinem por a' mesmo. % segunda volta. por+m. o ar sobranceiro e triunfante" João Romão conseguira meter o sobrado do vizinho no chinelo. bonecos e castelos de gesso. #iedade j$ parecia outra" <ome&ou a conversar e a tomar interesse no pagode" )a' a pouco era. no meio de uma grande tro&a..ma desmoraliza&ão completa1 ?uitos cabe&as-de-gato viraram casaca. j$ se não faziam sambas ao relento com o choradinho da Bahia. a outra deca'a de todo. muita cal&a branca e muito vestido engomado" . estupor1 : grupo achava gra&a nos dois e aplaudia-os com gargalhadas" 5 o parati a circular sempre de mão em mão" * das )ores não descansava um momento. ainda assim.ão beber pro diabo1V *final apareceu com o garrafão e pousou-o no meio da roda" . passando-se para os carapicus. tendo entre ela e a rua um pequeno jardim com bancos e um modesto repu o ao meio. mal vinha de encher a garrafa l$ dentro de casa. de espa&o a espa&o. falando pelos cotovelos. e na tabuleta nova. que se divertiam com a viola % porta de casa" : melhor. a garrafa de parati correu a roda. se soubesse trabalhar com jeito em tempo de elei&(es" 5 emplos não faltavam1 )epois da partida de Rita. tal a acumula&ão de tabuleiros de lou&a e objetos de vidro. macacos. com tr-s ou quatro músicos. a quebrar a espinha. caindo por cima dela e passando-lhe o bra&o na cintura" . nem j$ ningu+m se animava a comparar as duas estalagens" G medida que a de João Romão prosperava daquele modo.52B)* 0W: R:?W:V : V<abe&a-de-FatoV estava vencido finalmente.oc.oi abai o aquele grosso e velho muro da frente com o seu largo portão de cocheira. era o da das )ores" #iedade dirigiu-se logo para l$. foram-se as iscas de f'gado e as sardinhas preparadas ali mesmo % porta da venda sobre as brasas. e. criatura de )eus1 * vida não d$ para tanto1 : homem dei ou-teD :ra sebo1 mete-se com outro e p(e o cora&ão % larga1 5la suspirou em resposta. gritos e risadas. para a ver cair e rebolar-se no chão" .anda agora que nem o boi castrado1 e clamou-lhe o #ataca.ora-se a pitoresca lanterna de vidros vermelhos. assentando-se ao lado dela" *s tristezas atiram-se para tr$s das costas. por cima dos telhados. o seu era mais alto e mais nobre. cai as de quinquilharia. a saia levantada. que l$ defronte erguia-se altiva. sombria e cabisbai a" . muito maior que a primeira.ainda + mulher pr3um homem fazer uma asneira1 . o diabo1 5 tudo isso no meio de um fedor nauseabundo de coisas podres. vencido para sempre. e a entrada da estalagem era agora dez bra&as mais para dentro. para a casa do vendeiro. perseguido pelo batalhão das casinhas da esquerda. ainda triste. e agora olhava a medo. de volta da casa do ?iranda. havia apenas uns grupos magros.

5le tratou-me bem.. esquentando a medida que a garrafa de parati se esvaziava" #iedade deu de mão aos seus desgostos. as l$grimas foram-se-lhe. para espiar o que faziam os dois" 2ão deram por ela" 5 a conversa prosseguiu.#ão h$" : vinho + que + pouco1 . que te esqueceras do outro1 #iedade repeliu-o" 7ue se dei asse de asneiras1 . sem dizer nada" #iedade. no sil-ncio da noite. pedindo a João Romão que não levasse aquilo em conta. veio-lhe uma crise de l$grimas e solu&os" 7uando p9de falar contou o que lhe sucedera essa tarde. a falar surdamente" #iedade deu mais luz ao candeeiro" . s! o #ataca e #iedade dei aram-se ficar ainda no p$tio. por+m nenhum dos dois se sentia disposto a meter-se no quarto" . chegou a arrega&ar as mangas e sungar a saia.2ão faz mal1 . quando l$ fui da primeira vez""" 8oje + que não sei o que tinha6 s! faltou p9rme na rua aos pontap+s1 . foi ver" 8avia meia garrafa de parati e um resto de vinho" ?as era preciso não fazer barulho. repelindo-a" . e intimou a todos que se recolhessem" *quilo j$ não eram horas para semelhante algazarra1 .#ois não1 : que não falta são homens.: vendeiro. não com o procedimento de Jer9nimo. de fraque e chap+u alto.E mesmo1 . mas com o dela" Rebai ar-se %quele ponto1 com efeito1""" Br procurar o homem l$ na casa da outra1""" :h1 . cães que ladravam l$ fora na rua.5 ferrou-lhe a mão nas pernas6. o jantar em comum com a peste da mulata. então muito mais refor&ado de gente. quis despicar-se.amos ficar %s escuras1 *cabou-se o g$s1 : #ataca saiu. tristemente" #iedade come&ou a quei ar-se da vida. não tem vergonha de estar aqui a servir de palha&oD1 . reclamando o seu direito de brincar um pouco com os amigos" 7ue diabo1 não estava fazendo mal a ningu+m1 ..:lha agora1 . porque era tudo cacha&a" . e afinal a sua humilha&ão de vir de l$ en ovalhada e corrida" #ataca revoltou-se.<hega-te para mim. para voc.ai mesmo com a caninha1 5 assentaram-se" : corti&o dormia j$ e s! se ouviam. foi direito ao grupo. e de volta trou e tamb+m um peda&o de queijo e dois pei es fritos.não ser tola1 . por3mor da pequena que estava dormindo" 5ntraram em ponta de p+s.Bom.:ra v$ mas + pra cama cozer a mona1 vituperou-lhe João Romão.tem l$ alguma coisa que beber em casaD""" perguntou ele afinal" 5la não sabia ao certo.amos1 <ada um para a sua casa1 #iedade foi a única que protestou.oi bem feito1 *inda acho pouco1 )evia ter-lhe metido o pau.. e cada qual procurando a casa" Recolheram-se todos em sil-ncio. bom.amos1 . narrou os pormenores da sua ida com a filha % procura do marido. e ela manducou então . que levou ao nariz da lavadeira.orte b-bada1 #iedade assomou-se com a descompostura.oc-. desocupou a mesa do engomado e serviu dois pratos" : outro reclamou vinagre e pimenta e perguntou se havia pão" . mas o #ataca meteu-se no meio e conteve-a.oc. aos bordos. a discutir o ato do vendeiro" : #ataca tamb+m estava bastante tocado" *mbos reconheciam que lhes não convinha demorar-se ali. p9s-se a papaguear um pouco. com uma filha quase mulher.*sneiras1 E o que se leva desta vida1 * pequena acordara l$ no quarto e viera descal&a at+ % porta da sala de jantar. filha1 : mundo + grande1 #ara um p+ doente h$ sempre um chinelo velho1. para ir a casa buscar uma vela. bom1 mas aviem-se1 *viem-se1 5 não se retirou sem ver a roda dissolvida.

havia .2ão sei se h$. amparados um no outro. perguntando aflita o que tinha a mãe" .7ue mal fazD"" )ei a1 . diabo1 5. suspendeu-a por debai o dos bra&os" #iedade. furioso. que continuava a apalpar-lhe de vez em quando as co as" *quelas coisas.Carga1 repreendeu a mulher. a dar encontr(es nos trastes.2ão quero1 5 ria-se por ver a atitude c9mica do #ataca vergado defronte dela" . cambaleando. foram ambos ao chão" . comendo com a mão. para ir ajud$-la" C$ perto do fogão agarrou-a de súbito. que o mar est$ forte1 e clamou #ataca. sentiu uma ligeira sombra fugir em sua frente" 5ra a pequena. que isso passa1 :lha1 se h$ limão em casa passa-lhe um pouco atr$s da orelha.:lha que peste1 resmungou a desgra&ada. que permanecia no mesmo lugar.5spera1 )ei a1 . mal mudou a posi&ão da cabe&a. que fora espiar % porta da cozinha" #ataca assustara-se" . ! criatura1 Cevanta-te1 *nda a ver o caf+1 5.7uem anda aqui a correr como gatoD""" perguntou voltando a ter com #iedade. erguendo-se agarrada % mesa" 5 bordejou at+ % cozinha. em chinelas e camisola. sem se esperar. + que tinham gra&a1""" dizia ele. filha1 e plicou o #ataca" )ei e-a dormir.0ai da'. que nem uma trou a de roupa suja" * infeliz não dava acordo de si" 0enhorinha acudira. rindo j$ das pilh+rias do companheiro. e citado e vermelho. afinal. assim. e veras que amanhã acorda fina e pronta pra outra1 * menina desatou a solu&ar" 5 o #ataca retirou-se. tentando ergu--la.:l$1 7ueres ficar ai. a dar esbarr(es pela direita e pela esquerda" . porque.m aposento largo e forrado de azul e branco com florinhas amarelas fingindo ouro. levantando-se tamb+m. não tomara caf+" 0ebo1 XXI *o mesmo tempo. vou ver. a embeber peda&os de pei e no molho das pimentas" Bem tolo era quem se matava1 )epois lembrou que não viria fora de prop!sito uma icrinha de caf+" . respondeu a lavadeira.com apetite.arraios te partam1 5 dei ou-se ficar por terra" 5le p9s-se de p+ e.@ento no leme. João Romão. como um galo abafando uma galinha" . sem for&as para se defender" 5le apanhou-lhe as fraldas" . agora quase adormecida" 0acudiu-a" . vomitou sobre o peito e a barriga uma golfada f+tida" . ao encaminhar-se para a sala de jantar.:lha o demo1 resmungou #ataca" 5st$ que se não pode lamber1 5 foi preciso arrast$-la at+ a cama. passeava de um para outro lado no seu quarto novo" . quando o advers$rio conseguiu saciar-se nela" .2ão + nada.

pensava em Bertoleza que. afinal. + que iria % 5uropa. talvez sem consci-ncia. cheio de bichos. a essas horas. perturbando-lhe estupidamente o curso da sua felicidade. e a mob'lia toda era j$ de casados. que era o bem. dos que herdaram sem trabalho ou dos que. apag$-lo rapidamente.E e ato1 5 a BertolezaD""" repetia o infeliz. pois.isconde1 #or que nãoD e mais tarde. a dormir. algumas horas antes. e tinguir-se1 )evia ceder o lagar % p$lida mocinha de mãos delicadas e cabelos perfumados. s! depois de ter o titulo nas unhas. de um momento para outro. porque era tudo que havia de mau na vida dele1 0eria um crime conserv$-la a seu lado1 5la era o torpe balcão da primitiva bodega. caberlhe-ia mais tarde tudo o que o ?iranda possu'a. impaciente por descobrir um meio de ver-se livre dela" E que nessa noite o ?iranda lhe falara abertamente sobre o que ouvira de Botelho. brasileiro. o romance solfejado ao piano. a rond$-lo amea&adora e sombria. sentia ainda a leve pressão do bra&o melindroso que se apoiara ao seu. era o frege imundo e a lista cantada das comezainas % portuguesa. como quem não quer a coisa. era o pei e trazido da praia e vendido % noite ao lado do fogareiro % porta da taberna. a chegada desse belo futuro conquistado % for&a de tamanhas priva&(es e sacrif'cios1 7ue ferro1 ?as. depois. perto da comua" ?as que diabo havia ele de fazer afinal daquela pesteD 5 co&ava a cabe&a. as flores nas jarras. ela era a sua cúmplice e era todo seu mal. quando o barco estivesse navegando ao largo a todo o pano . fazendo-lhe em sil-ncio um mal horr'vel. sem interromper o seu vaiv+m ao comprido da alcova" )iabo1 5 não poder arredar logo da vida aquele ponto negro. dos felizes e dos fortes. sustentava de si para si nos últimos anos o firme prop!sito de fazer-se um titular mais graduado que o ?iranda" 5. dormia l$ embai o num vão de escada. metendo invejas. realizando-se deste modo um velho sonho que o vendeiro afagava desde o nascimento da sua rivalidade com o vizinho" 5 via-se j$ na brilhante posi&ão que o esperava6 uma vez de dentro. posto nunca o dissera a ningu+m. o ch$ servido em porcelanas caras. de passeio. cercado de adula&(es. at+ empolgar-lhe o lagar e fazer de si um verdadeiro chefe da col9nia portuguesa no Brasil.um tapete aos p+s da cama. sim. aos fundos do armaz+m. atordoando o mundo velho com o seu ouro novo americano1 5 a BertolezaD gritava-lhe do interior uma voz impertinente" .devia. sustentando grandeza. o empurrando para o lado. sem achar uma boa solu&ão para o problema" :ra. s! com lembrar-se da sua união com aquela brasileirinha fina e aristocr$tica. com certeza. rompendo e subindo por entre o rebanho dos escrupulosos ou dos fracos" 5 o vendeiro tinha defronte dos olhos o namorado sorriso da filha do ?iranda. a puro esfor&o. em segundo lagar aumentava consideravelmente os seus bens com o dote da noiva. associava-se logo com o sogro e iria pouco a pouco. retardando-lhe. e sobre a peniqueira um despertador de n'quel. j$ passadas mas ainda palpitantes" Bertoleza devia ser esmagada. pr!digo. porque a maldita ali estava perto. conseguiram acumular dinheiro. era o sono roncado num colchão f+tido. devia ser suprimida. em . liberal. um largo quadro de vit!rias rasgava-se defronte da desensofrida avidez da sua vaidade" 5m primeiro lagar fazia-se membro de uma fam'lia tradicionalmente orgulhosa. se o dem9nio da crioula o acompanhava j$ havia tanto tempo e toda a gente na estalagem sabia dissoD 5 sentia-se revoltado e impotente defronte daquele tranq=ilo obst$culo que l$ estava embai o. que era rica e. como era. . porque era o que ria e alegrava. <onde1 5ram favas contadas1 *h1 ele. era enfim a doce e ist-ncia dos ricos. dito por todos. era o aladroado vintenzinho de manteiga em papel pardo.tome l$ alguns pares de contos de r+is e passe-me para c$ o titulo de . como quem tira da pele uma n!doa de lama1 7ue raiva ter de reunir aos v9os mais fulgurosos da sua ambi&ão a id+ia mesquinha e rid'cula daquela inconfess$vel concubinagem1 5 não podia dei ar de pensar no dem9nio da negra. porque o esperto não estava para comprar m!veis duas vezes" #arecia muito preocupado. ali estava como o documento vivo das suas mis+rias.isconde1 0im. e estava tudo decidido6 Aulmira aceitava-o para marido e )ona 5stela ia marcar o dia do casamento" : diabo era a Bertoleza1""" 5 o vendeiro ia e vinha no quarto. em terceiro. que raio de dificuldade armara ele pr!prio para se coser1""" <omo poderia agora mand$-la passear assim. a de )ona 5stela. as sedas e as rendas. porque era a vida nova.

que ela dobrara por debai o da cabe&a" *parecia-lhe uma parte do corpo nua" João Romão contemplou-a por algum tempo. aquela miser$vel preta que ali dormia indiferentemente.7ue +.E preciso despach$-la1 E preciso despach$-la quanto antes. suaves. mas. sem despregar os olhos de cima de Bertoleza. alguns passos para frente. como poderia despach$-la. se eles nunca passeavam juntosD""" )iabo1 5 o desgra&ado ficou a pensar. subindo de novo para o quarto" 7ual1 )esconfiar de qu-D""" 5 meteu-se logo na cama. heinD""" Br tão bem at+ aqui e esbarrar na oposi&ão da negra1""" 5 os coment$rios depois1""" : que não dirão os invejosos l$ da pra&aD""" V*h. como um criminoso que leva uma id+ia homicida" * crioula estava im!vel sobre o en ergão.*h1 fez ele" . uma preta imunda com quem vivia1 7ue tipo1 0empre h$ de mostrar que e gentinha de laia muito bai a1""" 5 aqui a engazopar-nos com uns ares de capitalista que se trata % vela de .5 se eu a matasseD ?as logo um calafrio de pavor correu-lhe por todos os nervos" *l+m disso. comoD""" 0im. onde Bertoleza dormia" *pro imou-se dela. e a BertolezaD""" 0im1 era preciso acabar com ela1 despach$-la1 sumi-la por uma vez1 )eu meia-noite no rel!gio do armaz+m" João Romão tomou uma vela e desceu aos fundos da casa. respirava ainda os perfumes da menina. escoltado pelo imperturb$vel olhar da crioula. no melhor da festa. sem dei ar sinais comprometedores do crimeD""" 5nvenenando-aD""" )ariam logo pela coisa1""" ?at$-la a tiroD""" #ior1 Cev$-la a um passeio fora da cidade. afagar-lhe-ia as carnes e os cabelos" ?as. escolhidos e penetrantes como palavras de amor. disposto a não pensar mais nisso e dormir incontinenti" ?as o seu pensamento continuou rebelde a parafusar sobre o mesmo assunto" . não levar$ muito tempo para isso""" o ?iranda naturalmente comunica a noticia aos amigos""" o fato corre de boca em boca""" chega aos ouvidos da crioula e esta.5 se eu a esganasse aqui mesmoD""" 5 deu. dentro em pouco. seu JoãoD . não abriu o bico a respeito da questão. o grande estorvo da sua ventura1""" #arecia imposs'vel1 . atir$-la ao mar ou por um despenhadeiro. $speros e vermelhos.5 se ela morresseD""" 5sta frase. tornava-lhe agora ao esp'rito. por+m j$ amadurecida e transformada nesta outra6 . seja l$ como for1 5la.passeio pela praia de Botafogo. de casti&al na mão. )ona 5stela est$ a marcar o dia do casamento. bem longe e. com asco" 5 era aquilo.2ada" . p+ ante p+. vendo-se abandonada.im s! ver-te""" <heguei ainda não h$ muito""" <omo vais tuD #assou-te a dor do ladoD""" 5la meneou os ombros. conservava a impressão da t+pida car'cia daquela mãozinha enluvada que. quando pensou pela primeira vez naquele obst$culo % sua felicidade. at+ agora. que ele tivera. nos prazeres garantidos do matrim9nio. onde a morte fosse infal'velD""" ?as como arranjar tudo isso. que o intimava mesmo pelas costas" . curtos. estoura1 estoura com certeza1 5 agora o ver$s1 <omo deve ser bonito. que continuava im!vel. na ponta dos p+s. sem dei ar nunca de contempl$la" ?as a crioula ergueu de improviso a cabe&a e fitou-o com os olhos de quem não estava dormindo" .@eria desconfiadoD pensou o miser$vel. ah1 ele tinha em casa uma amiga. abstrato. sem responder ao certo" 8ouve um sil-ncio entre os dois" João Romão não sabia o que dizer e saiu afinal. com o rosto escondido no bra&o" . nos seus dedos grossos. parando logo. não deu ainda sinal de si. com a cara escondida no bra&o direito. deitada de lado.

então. ganhava dois mil-r+is por m-s regando as plantas do <omendador.libra1 :lha o carapicu pra que havia de dar" 0ai sujo1V 5. eras tu. e o desgra&ado nada de pregar olho. continuava a matutar sobre o assunto. as canelas. o seu bra&o direitoD"""V ?as agora. dentro de casa. virando-se de um para outro lado da sua larga e rangedora cama de casados" 0! pelo abrir da aurora. acompanhados de um ruidoso grupo de curiosos. trou eram-lhe sobre uma t$bua o cad$ver ensang=entado do filho" *gostinho havia ido. e tu. abrira no casco e despejava o pirão dos miolos. logo %s sete da manhã. coisa-ruim. lamentou-a no intimo. essa apenas soltou um bramido de monstro apunhalado no cora&ão e caiu mesquinha junto do cad$ver. quando dois trabalhadores. isso.oi um alarma no p$tio quando ele chegou" <ruzes1 que desgra&a1 *lbino. 2enen ficou que nem doida. brincar % pedreira com outros dois rapazitos da estalagem. coitadinho. tão besta que nada fiz1 5 a peste da crioula est$ ai senhora do terreiro como dantes. que lavava ao lado da ?achona. subido a uma altura superior a duzentos metros do chão e. era uma s! massa vermelha. ningu+m desconfiaria da hist!ria6 V#or que diabo iria o pobre homem dar cabo de uma mulher.ui um peda&o d3asno1 0e eu a tivesse despachado logo. cabritando pelas arestas do precip'cio. a beij$-lo. porque conta. que dei avam um filho alheio matar-se daquele modo em presen&a deles.5la h$ muito que devia estar longe de mim""" fiz mal em não cuidar logo disso antes de mais nada1""" . tenta&ão do diabo1 e clamava uma delas. quando ainda se não falava no meu casamento. de repente. segundo o costume. no entanto. a sov$-los ambos que metia medo" . sem achar meio de dar-lhe sa'da1 )iabo1 . dobravam moles para debai o das co as. e não descubro meio de ver-me livre dela1""" :ra j$ se viu como arranjei semelhante entala&ãoD""" Bsto contado não se acredita1 5 pisava e repisava o caso. com medo de cair tamb+m na boca do mundo. peste1 aquele. e com razão. se est$1 mas finge-se desentendida. depois da separa&ão das camas. s! serves para me dar consumi&(es1 @oma1 @oma1 @oma1 5 o chinelo cantava entre o berreiro feroz dos dois rapazes" João Romão chegou ao terra&o de sua casa. mas. a mãe. e de l$ mesmo tomou conhecimento do que acontecera" <ontra todos os seus h$bitos impressionou-se com a morte de *gostinho. conseguiu passar pelo sono. ol+. cada uma se apoderou logo do seu e caiu-lhe em cima. se a negra aparecesse morta de repente1 )iabo1 )eram quatro horas. com quem vivia na melhor paz e que era at+. tomado de estranhas condol-ncias" . e. com o pequeno seguro entre as pernas a encher-lhe a bunda de chineladas" 2ão era aquele que devia ir.?ira-te naquele espelho. a cabe&a. depois de todas aquelas reformas de vida. faltara-lhe o equil'brio e o infeliz rolou de l$ abai o. volta atr$s e d$ o dito por não dito1 Bem sei que ela est$ a par de tudo. não faltaria decerto quem o acusasse. a fam'lia da menina. que eu não serei tão parvo que espere o dia do casamento sem ter dado sumi&o % negra1 contam que a coisa correr$ sem o menor esc>ndalo1 5 eu. ralhando e discutindo como sempre. ainda em mangas de camisa. vagindo como uma crian&a" 2ão parecia a mesma1 *s mães dos outros dois rapazitos esperavam im!veis e l'vidas pela volta dos filhos. tinham. e principalmente depois que corresse a noticia do casamento. quebradas no joelho. coitado1 ao menos ajudava a mãe. partindo os ossos e atassalhando as carnes" @odo ele. numa das mãos faltavam-lhe todos os dedos e no quadril esquerdo via-se-lhe sair uma ponta de osso ralado pela pedra" . porque ela queria muito %quele irmão. teve uma s'ncope. teve de p9r-se a p+6 o corti&o estava todo alvoro&ado com um desastre" * ?achona lavava % sua tina. a das )ores imprecou contra os trabalhadores. mal estes chegaram % estalagem. desarticulada.

envenenando-lhe a felicidade. entristeciam com a sua fria nitidez de coisa nova" .*inda não. em que a gente não se mete.?as. mas1 voc.E que.#obre pequeno1 tão novo""" tão esperto""" e cuja vida não prejudicava a ningu+m. que diabo1 . morrer assim.<alor""" e plicou o outro" 5 prosseguiu depois de uma pausa.m cai eiro do armaz+m apareceu % porta. passou com a visita % sala de jantar" : cheiro ativo dos m!veis.)esembuche. disse João Romão" . dava ao aposento um car$ter insoci$vel de lagar desabitado e por alagar" :s trastes.. que não houve meio de pegar direito no sono" . que eu te despacho bonito e asseado1""" disse o vendeiro de si para si. desastradamente1""" ao passo que aquele diabo velho da Bertoleza continuava agarrado % e ist-ncia. mas""" João Romão sup9s que o parasita ia pedir-lhe dinheiro e preparou-se para a defesa. porque o Botelho acrescentou com o olhar fito nas unhas6 .oc. mas calou-se. e na sua carapinha compacta ainda não havia um fio branco" *quilo.não repare. enquanto o outro. mas""" .2ão1 *o contr$rio1 fale com franqueza""" 2ada de receios""" .*diante1 . acendendo um cigarro6 pois eu vinha c$ falar-lhe""" . mas l$ em casa contam comigo""" : vendeiro mandou o seu empregado dizer l$ defronte % fam'lia do Barão que seu Botelho não ia ao almo&o" 5. das quais ela trazia um par de balas penduradas em saco contra o peito. mas""" . tomava lugar % e tremidade de um dos lados" .?as vamos l$1 7ue temos entãoD""" inquiriu o dono da casa.oc. prevenindo de que o almo&o estava na mesa" .E que h$ um pontinho que + preciso p9r a limpo""" <oisa insignificante.não desembuchar$ por uma vezD""" . respondeu o velho em tom de mist+rio. tão nus como as paredes.*ssim" 2ão tenho passado l$ essas coisas""" João Romão deu-lhe noticia da morte do *gostinho e declarou que estava com dor de cabe&a" 2ão sabia que diabo tinha ele aquela noite. sem tomar o casaco.sabe que eu tenho tratado do seu casamento com a Aulmirinha""" C$ em casa não se fala agora noutra coisa""" at+ a pr!pria )ona 5stela j$ est$ muito bem disposta a seu favor""" mas""" . mostrava-se forte e rija" 0uas pernas curtas e lustrosas eram duas pe&as de ferro unidas pela culatra. as r!seas lustrosas do seu cacha&o lembravam grossos chouri&os de sangue. voc. mas""" : taberneiro compreendeu logo onde a visita queria chegar e apro imou-se dele. voltando ao quarto para acabar de vestir-se" 5nfiava o colete quando bateram pancadas familiares na porta do corredor" . que""" 5u não creio. arre1 tinha vida para o resto do s+culo1 . homem de )eus1 .tem c$ em sua companhia uma""" uma crioula. apesar de triste e acabrunhada. dizendo confidencialmente6 . sem se decidir a despachar o beco1 5 o dem9nio da crioula parecia mesmo não estar disposta a ir s! com duas raz(es. assentando-se % cabeceira da mesa.5ntãoD1 *inda se est$ em val de len&!isD""" 5ra a voz do Botelho" : vendeiro foi abrir e f--lo entrar ali mesmo para a alcova" .#onha-se a gosto" <omo vai voc-D . junto dele. note-se.2ão devia falar nisto""" são coisas suas l$ particulares.?as dei a estar.E que""" sim.amos comer.ale.j$ almo&ouD . quei ando-se inopinadamente de que os neg!cios não lhe corriam bem. voc. polidos ainda de fresco.

5 voc.:ra essa1 7uero ficar a seu lado1 7uero desfrutar o que n!s dois ganhamos juntos1 quero a minha parte no que fizemos com o nosso trabalho1 quero o meu regalo.enquanto )eus 2osso 0enhor me deu for&a e saúde1 .est$ armando casamento com a menina de seu ?iranda1 . chegou mais a sua cadeira para junto da de Botelho e acrescentou em voz bai a6 .at+ me possa au iliar1""" :lhou para os lados..5sta mulher meteu-se comigo.ou dizer-lhe toda coisa como ela +""" e talvez que voc. mas eu tamb+m sou1 . para ao depois ser jogada no meio da rua.5u escutei o que voc. + arranjar-lhe uma quitanda em outro bairro.0im.#ois. ao contr$rio agora mesmo tratava aqui com o seu Botelho de arranjar-te uma quitanda e""" .5la j$ sabe em que p+ est$ o neg!cioD""" . c$ por mim.. quem te disse que eu quero atirar-te % toaD""" perguntou o capitalista" . foi ficando""" e agora""" . ficou abstrato.)epois. que diabo1 eu tamb+m. desde pela manhãzinha at+ pelas tantas da noite.compreende. como galinha podreD1 2ão1 2ão h$ de ser assim. seu João1 * mim não me cegam assim s!1 . ela foi ficando para ai. a pu ar pelo corpo todo o santo dia que )eus manda ao mundo.conversava.a não manda emboraD""" arriscou o Botelho. seu João1 . que não + tola1""" 5u. que dúvida1 pode ser um obst$culo s+rio ao meu casamento1 ?as. como disseste.)eve desconfiar de alguma coisa.oc. trazendo uma travessa de carne ensopada com batatas" João Romão não respondeu.m dia havia de cuidar de meu casamento1""" 2ão hei de ficar solteiro toda a vida. afirma que não""" *h1 aquilo + uma grande alma1 mas )ona 5stela. voc.2ão1 <om quitanda principiei. sim. porque acabava de entrar um portuguesinho. como voc.*gora + um trambolho que lhe pode escangalhar a igrejinha1 E o que +1 . confesso""" precisava de algu+m nos casos dela.7ual1 h$ muito tempo que nem sombras disso""" .#or que voc.. dar-lhe algum dinheiro e""" Boa viagem1 : dente que j$ não presta arranca-se fora1 João Romão ia responder. não hei de ser quitandeira at+ morrer1 #reciso de um descanso1 #ara isso mourejei junto de voc.?as afinal que diabo queres tuD1 .E1 )izem que ela + coisa sua""" C$ em casa rosnou1""" : ?iranda defende-o. filha de )eus. que não nasci para podengo. seu João. mesmo depois que o pequeno saiu.5 depoisD . declarou confidencialmente6 . uma resolu&ão. sem mais aquelas1""" 0eria ingratidão. mas tenho sentimentos1 7uem me comeu a carne tem de roer-me os ossos1 5ntão h$ de uma criatura ver entrar ano e sair ano.inha tão transformada e tão l'vida que s! com a sua presen&a intimidou profundamente os dois" * indigna&ão tirava-lhe fa'scas dos olhos e os l$bios tremiam-lhe de raiva" Cogo que falou veio-lhe espuma aos cantos da boca" . não a posso p9r na rua. meu amigo.sabe o que são as mulheres1""" torce o nariz e""" 5m uma palavra6 receio que esta hist!ria nos traga qualquer embara&o1""" <alou-se.oc. se cuida que se casa e me atira a toa1 e clamou ela" 0ou negra. não lhe pareceD""" . estou" .quer o seu1 . não nego1 )evo-lhe isso1 não1 ajudar-me ajudou1 mas""" .oc. voc.ainda faz vida com elaD . a bater com a faca entre os dentes" . ?as tamb+m não te sacudo na rua. quando eu principiava minha vida""" 5ntão. então. que me ajudasse""" e ajudou-me muito.+ fino. mas o outro tomando. não lhe toquei em nada""" .est$ muito enganado. despejando vinho no seu e no copo do companheiro" *inda desta vez não obteve logo resposta.?as.0im. assim. afinal. mas Bertoleza assomou % entrada da sala" .

*h1 agora não me en ergo1 agora eu não presto para nada1 #or+m.?as não v-s que isso + um disparateD""" @u não te conhecesD""" 5u te estimo.*h1 5la + escravaD )e quemD . ambos preocupados" 2o fim de uma boa pausa. v$ então % autoridade e quei e-se1 *h.. não seja ingrato1 João Romão perdeu por fim a paci-ncia e retirou-se da sala.5ra e +1 . com efeito. meu caro.0e não quiser ir por bem. fazem-se assim ou não se fazem1 :lhe que aquele modo com que ela lhe falou h$ pouco + o bastante para voc.<alma. e atira-se com ela no monturo do cisco1 2ão1 assim tamb+m )eus não manda1 #ois se aos cães velhos não se en otam. caminhando calado. se o dono consentir1""" .. para serem bem feiras.ver que semelhante estupor não lhe conv+m dentro de casa nem mais um instante1 )igo-lhe at+6 j$ não s! pelo fato do casamento. andando agora mais devagar.<omo nãoD1 * pol'cia a obrigar$1 E boa1 .oc.precisou de mim não lhe ficava mal servir-se de meu corpo e ag=entar a sua casa com o meu trabalho1 5ntão a negra servia pra um tudo.)e quantoD""" .reitas de ?elo" : primeiro nome não sei" Fente de fora" 5m casa tenho as notas" . filha.com isso nada mais tem que ver1 5 se ela voltar % sua procura.:ra1 então a coisa + simples1""" ?ande-a p3ro dono1 ..5la h$ de querer comprar a liberdade""" . ira por mal1 0ou eu quem o diz1 5 o vendeiro esfuziou pela escada.viuD1 . perguntou-lhe6 . restitu'-la legalmente % escravidão" 2ão seria dif'cil""" considerou ele.quer encarregar-se distoD prop9s ele ao companheiro. mas por ti farei o que for bem entendido e não loucuras1 )escansa que nada te h$ de faltar1""" @inha gra&a. atirando % amante uma palavrada porca" .5 se ela não quiser irD""" .E""" resmungou o parasita. parando ambos % espera do bonde. dizer-lhe onde esta se achava refugiada e aquele ir logo busc$-la com a pol'cia" 5 respondeu ao Botelho6 . Botelho perguntou se Bertoleza era escrava quando João Romão tomou conta dela" 5sta pergunta trou e uma inspira&ão ao vendeiro" Ba pensando em met--la como idiota no 8osp'cio de #edro SS. despache-a logo. acompanhando-o at+ a alcova.#ois que a compre. estas coisas. se insistir.)e um tal . de cabe&a bai a. se quiser pode tratar. mas acudia-lhe agora coisa muito melhor6 entreg$-la ao seu senhor. agora não presta pra mais nada.2ão vale a pena encanzinar-se""" segredou-lhe o Botelho. mas por tudo1 2ão seja mole1 João Romão escutava. que lhe darei uma gratifica&ão menos m$""" . sem mais vislumbres de agita&ão" @inham chegado % praia" . que mal podia acompanh$-lo na carreira" J$ na esquina da rua parou e. em que meti muito suor do meu rostoD""" 7uer casar.*rre1 2ão a posso aturar nem mais um instante1 7ue v$ para o diabo que a carregue1 em casa + que não me fica1 . espere então que eu feche primeiro os olhos. que fic$ssemos vivendo juntos1 2ão sei como não me prop(es casamento1 . era s! procurar o dono da escrava.oc. onde o vendeiro enterrou com toda a for&a o chap+u na cabe&a e enfiou o palet! com a mão fechada em murro" . sem interromper os passos" 5 seguiram em sil-ncio. homem de )eus1 <alma1 . fitando no outro o seu olhar flamejante. quando voc.oc. por que me hão de p9r fora desta casa. levando atr$s de si o velhote.

cambistas. zang(es. trabalhava. por economia. que negociavam o seu montepio. que iam receber a sua mesada. homem s+rio. desertando para o V<abe&a-de-FatoV e sendo substitu'dos por gente mais limpa" )ecrescia tamb+m o número das lavadeiras. estou sempre pronto1 . s! comia do que ela pr!pria preparava para si e não dormia senão depois de fechar-se a chave" G noite o mais ligeiro rumor a punha de p+. e propunham-se negocia&(es de empresas e privil+gios obtidos do governo. com a mesma febre com que dantes. uma trepadeira em volta da sua porta. e. a barba por fazer. boca aberta e pronta para pedir socorro ao primeiro assalto" 2o entanto. e conclu'am-se empr+stimos de juros fortes sobre hipotecas de grande valor" 5 ali ia de tudo6 o alto e o bai o negociante. em aparos de dinheiro. aos poucos. aos contos de r+is. de !culos. que passavam procura&ão contra o seu ordenado. italianos principalmente. pra tudo que for p9r cobro a rela amento de negro. muito comprometedores para o cr+dito profissional do autor. capitalistas adulados e mercadores falidos. iam. farisqueira. sempre inquieta. o nome do dono. cheia de apreens(es. faziam-se largos contratos comerciais. queijo e cerveja. que são abismos de constrangimento entre pessoas que moram juntas" * infeliz vivia num sobressalto constante. transa&(es em que se arriscavam fortunas.2ão1 dobre1 . em torno da sua atividade de escrava trabalhadeira. em redor do seu desassossego e do seu mal-estar. uma lisboeta cor de nabo. que no fim do ano causava assombros" João Romão fizera-se o fornecedor de todas as tabernas e armarinhos de Botafogo. olhos arregalados. onde havia um bufete sempre servido com presunto. a pincel. pela quantidade. respira&ão convulsa. ao certo. mas e tremamente circunspecta. e mais tr-s oper$rias que preparavam palha de milho e picavam e desfiavam tabaco" . a pobre velha ?arciana. os advogados e a gente miúda do foro. e realizavam-se vendas e compras de pap+is. velhusca. a meter o nariz em tudo. e a maior parte das casinhas eram ocupadas agora por pequenas fam'lias de oper$rios. e capatazes de v$rios grupos de trabalhadores pagos pela casa.5 o resto fica a meu cuidado1 #ode d$-la por despachada1 XXII )esde esse dia Bertoleza fez-se ainda mais concentrada e resmungona e s! trocava com o amigo um ou outro monoss'labo inevit$vel no servi&o da casa" 5ntre os dois havia agora desses olhares de desconfian&a. prosperava igualmente a sua avenida" J$ l$ se não admitia assim qualquer p+-rapado6 para entrar era preciso carta de fian&a e uma recomenda&ão especial" :s pre&os dos c9modos subiam. e grandes partidas de barricas de cerveja e de barris de manteiga e de sacos de pimenta" 5 o armaz+m. ajudado pela mulher. para depois ir dei ando sair de novo. de su'&as que cosia na sua m$quina entre oficiais. empregados públicos. que levou a fantasia art'stica ao ponto de fazer. sem mudar de posi&ão. a papelada debai o do bra&o. destacando-se de todos. viúvas.5st$ dito1 5u c$.#ois então logo mais % tarde lhe darei. em seguida um relojoeiro calvo. o lugar em que ele residia quando ela veio para mim e o mais que encontrar a respeito" . e rodavam-se pipas e mais pipas de vinho e de vinagre. da manhã at+ % tarde. o pequeno com+rcio sortia-se l$ para vender a retalho" * sua casa tinha agora um pessoal complicado de primeiros.. com as suas portas escancaradas sobre o público. com um lucro lind'ssimo. estudantes. o cigarro babado e apagado a um canto da boca" 5. do seu escrit!rio saiam correspond-ncias em v$rias l'nguas e. do comprador. que ocupava nada menos de tr-s números na estalagem e tinha quatro filhas e dois filhos a fabricarem cigarros. e muitos dos antigos h!spedes. voltara para o 0ão Romão e trazia a sua casinha em muito bonito p+ de limpeza e arranjo" 5stava ainda de luto pela mãe. gorda. como a casa comercial de João Romão. com medo de ser assassinada. segundos e terceiros cai eiros. onde se viam p$ssaros de v$rias cores e feitios. os vint+ns choviam dentro da gaveta da venda" )urante o dia paravam agora em frente do armaz+m carro&as e carro&as com fardos e cai as trazidos da alf>ndega.<em mil-r+is1 . que ultimamente havia morrido no hosp'cio dos doidos" *os domingos o .lorinda. corretores de pra&a. feia. al+m do guarda-livros. tudo ali prosperava forte em grosso. por dentro das grades de madeira polida. metida agora com um despachante de estrada de ferro. em que se liam as iniciais de João Romão. empres$rios de teatro e fundadores de jornais. com um principio de bigode e cavanhaque. que parecia mumificado atr$s da vidra&a em que ele. mais adiante instalara-se um cigarreiro. artistas e praticantes de secretaria" : corti&o aristocratizava-se" 8avia um alfaiate logo % entrada. do despachante e do cai a. engolia tudo de um trago. depois um pintor de tetos e tabuletas.@er$s os duzentos1 .

ou arrastavam para os gabinetes particulares dos hot+is os sensuais e gordos fazendeiros de caf+. a desconfiar dela e a espreit$-la. sinceras l$grimas de como&ão. antes do jantar.ma ocasião em que l$ fora. medrou logo admiravelmente na lama forte . caindo nos bra&os de um bo-mio de talento. que fazia delas uma s! cobra de duas cabe&as. pelo seu pr!prio p+. ao que ele ganhava. foi-se sentindo enfraquecer e enfermar. que vinham % corte esbodegar o farto produto das safras do ano. em um camarote de boca chamavam sobre si os velhos conselheiros desfibrados pela pol'tica e $vidos de sensa&(es e tremas. se algum dos freq=entadores de #ombinha a pilhava de improviso. que ali j$ se não admitiam sambas e chinfrinadas ao relento" * ?achona quebrara um pouco de g-nio depois da morte de *gostinho e era agora visitada por um grupo de mo&os do com+rcio. trabalhadas pelos seus escravos" #or cima delas duas passara uma gera&ão inteira de devassos" #ombinha. depois de uma orgia. mas com um artista dram$tico que muitas vezes lhe arrancara. dominavam o alto e o bai o Rio de Janeiro" 5ram vistas por toda a parte onde houvesse prazer. at+ que um belo dia. e. as duas cocotes. fingia-se criada ou dama de companhia" : que mais a desgostava. mas. como neste mundo uma criatura a tudo se acostuma. no teatro. rompeu com ela e entregou-a % mãe. mas das outras primeiras. terr'veis naquela inquebrant$vel solidariedade. ou belo. procurou afinar em tudo com o pobre rapaz. todavia. aceitou de cabe&a bai a o primeiro dinheiro que #ombinha lhe mandou" 5. s! com tr-s meses de cama franca. com vergonha de si mesma. escondia-se. entre os quais havia um pretendente % mão de 2enen. da' a meses. não mais com o poeta libertino. quando ele esteve a decidir com uma pneumonite aguda. fizera-se tão perita no of'cio como a outra. mas tudo de portas adentro. atendeu-o nas suas e ig-ncias mesquinhas de ciumento que chora. a sua infeliz intelig-ncia. libertino e poeta. com a Juju ao lado. de bot(es que cegavam. fugindo em seguida para 0ão #aulo" )ona Bsabel. nem for&as para trabalhar. tratou-o com toda a solicitude. fora de horas. de desgosto em desgosto. estava morando num hotel com C+onie" * serpente vencia afinal6 #ombinha foi. coitada1 desfez-se em l$grimas. e fingiu ligar interesse ao que ele fazia. parecia criar bolor na sua moleza úmida e tinha um ar triste de cogumelo. para conservar-se mulher honesta. e como a rapariga pu ava os feitios da Rita Baiana. jogador e capoeira" : marido não deu logo pela coisa. #ombinha desapareceu da casa da mãe" )ona Bsabel quase morre de desgosto" #ara onde teria ido a filhaD""" V:nde est$D onde não est$D #rocura daqui1 procura da'1V 0! a descobriu semanas depois. e. pelo h$bito de andar sempre gr$vida" * sua comadre C+onie continuava a visit$-la de vez em quando. jurando que agora respondia por ela e pedindo-lhe que esquecesse o passado e voltasse para junto de sua mulher" : rapaz não respondeu % carta. a infeliz. não desta última falcatrua da filha. os gostos rasos e a sua risonha e fatigante palermice de homem sem ideal. resignada. as confid-ncias banais nas horas intimas do matrim9nio. aceitou sempre. aconselhou-a a que se arrependesse e mudasse de conduta. a ele. constituindo-se a rapariga no seu único amparo da velhice e sustentando-a com os ganhos da prostitui&ão" )epois. de repente. as suas noitadas acabavam sempre em pagode de dan&a e cantarola. empinando muito a barriga para a frente. e o que ela não podia tolerar sem apertos de cora&ão. atravessavam o <atete em carro descoberto. tentou perdoar-lhe a falta de esp'rito. desde então. a arte. ouviu-lhe. % noite. escondeu a sua mal-educada e natural intui&ão pelo que + grande. a mulher. que bem a mortificaram. mas come&ou a estranhar a mulher. a despeito do muito que amava % ingrata. amigas insepar$veis. como a desgra&ada não tinha com que matar a fome. que se mirrava j$ de tanto esperar a seco por marido" *le andre fora promovido a sargento e empertigava-se ainda mais dentro da sua farda nova. não lhe falou nunca em coisas que cheirassem a lu o. )ona Bsabel mudou-se para a casa da filha" ?as não aparecia nunca na sala quando havia gente de fora. aturdindo a atual pacatez daquele cen!bio com as suas roupas gritadoras" . ou arrojado. que se atirara ao mundo e vivia agora em companhia dela" #obre #ombinha1 no fim dos seus primeiros dois anos de casada j$ não podia suportar o marido. seguindo-a na rua sem ser visto. intercedendo por #ombinha. a tarde. era vista com freq=-ncia a dar de mamar a um pequerrucho de poucos meses. a principio. que sabia j$. z$s1 faltou-lhe o equil'brio e a m'sera escorregou. em seguida escreveu ao genro. e. a est+tica. produzira grande alvoro&o entre os decanos da estalagem. atra'da. onde afinal morreu" *gora. o desgra&ado teve a dura certeza de que era tra'do pela esposa. meter-se-lhe na boca" * pobre mãe chorou a filha como morta. visto que os desgostos não lhe tiraram a vida por uma vez e. declamando no teatro em honra da moral triunfante e estigmatizando o adult+rio com a ret!rica mais veemente e indignada" *h1 não p9de iludir-se1""" e. a originalidade. um s$bado % tarde. ao que ele pensava e ao que ele conseguia com paci-ncia na sua vida estreita de negociante rotineiro. nascida e criada no modesto lodo da estalagem. era ver a pequena endemoninhar-se com champanha depois do jantar e p9r-se a dizer tolices e a estender-se ali mesmo no colo dos homens" <horava sempre que a via entrar +bria. porque consigo levava #ombinha. at+ cair de cama e mudar-se para uma casa de saúde. ao que ele dizia. sempre indiferentemente fecunda e honesta.despachante costumava receber alguns camaradas para jantar. mas.

por sua vez. grupos de senhoras. que os companheiros iam embalando em cai (es com papel fino picado" :s empregados das secretarias públicas vinham tomar o seu vermute com sifão. aproveitando-se da quase completa inconsci-ncia da infeliz" *gora. toda de negro. logo depois )ona 5stela. que na casa de #iedade não faltava de todo o pão. o verdadeiro tipo da estalagem fluminense. % espera que desocupassem uma das mesinhas de m$rmore preto. alguns paravam para lhe falar" 5le tinha sorrisos e oferecimentos para todos os lados. algumas pessoas liam j$ os primeiros jornais da tarde. furtando-se olhares no complicado encontro dos espelhos. que os compradores levavam pendurados num dedo" *o fundo. votava agora. aviavam-se grandes encomendas de banquetes para essa noite. muito triste. seus l$bios não tocavam em ningu+m sem tirar sangue. como dantes. o menor trago de aguardente a punha logo pronta. donde brota a vida brutalmente. causava repugn>ncia e nojo" *pagaram-se-lhe os últimos vest'gios do brio.m empregado de João Romão. id-ntica % que noutro tempo inspirara ela pr!pria % C+onie" * cadeia continuava e continuaria interminavelmente. que as aben&oava com o seu estúpido sorriso de pobreza heredit$ria e humilde" #ombinha abria muito a bolsa. passo firme e ar severo de quem se orgulha das suas virtudes e do bom cumprimento dos seus . l$ na *venida 0ão Romão. todo o dinheiro que a vitima pudesse dar de si" 5ntretanto. para'so de vermes. como se todo o seu ideal fosse conservar inalter$vel. sentia-se pouco calor" Fente entrava e saia. fez maravilhas na arte. era. ainda assim. sabia beber. sem chorar. como de uma podridão" XXIII G porta de uma confeitaria da Rua do :uvidor. faziam lanche com vinho do #orto" Respirava-se um cheiro agrad$vel de ess-ncias e vinagres arom$ticos. a passo frou o. por tr-s vezes a en otou. mais abjeto. quando l$ iam. sem dei ar a porta. a legend$ria. de boca que j$ se não governa" . no dia seguinte ao último em que #ombinha apareceu por l$ com C+onie e dei ou-lhe algum dinheiro. fazendo-se cada vez mais torpe. cheia de gente. % propor&ão que o 0ão Romão se engrandecia. torres e castelos de balas e trou as d3ovos e imponentes pe&as de cozinha caprichosamente enfeitadas. mais corti&o. serventes. cada vez mais adorada pelos seus velhos e fi+is companheiros de corti&o. e consultava o rel!gio de vez em quando" ?as a fam'lia do Barão surgiu afinal" Aulmira vinha na frente. da <asa #ascoal" C$ dentro janotas estacionavam de p+. j$ prontas. o corti&o estava preparando uma nova prostituta naquela pobre menina desamparada. pela boca do homem mais avarento. muitos de uma vez. foi refugiar-se. acompanhadas por Juju. grave. no V<abe&a-de-FatoV que. muito elegante no seu tipo de fluminense p$lida e nervosa. sem nenhum trato e sempre +bria. principalmente com a mulher de Jer9nimo. junto com a filha. vivendo satisfeito do li o e da salsugem que o outro rejeitava. homens malvados abusavam dela. e ela. parecia adivinhar todos os segredos daquela vida. a cuja filha. a legitima. de um dos lados do salão. porque j$ ningu+m confiava roupa % desgra&ada. mais e mais ia-se rebai ando acanalhado. João Romão. gota a gota. soprando o fumo dos charutos. que nesse dia andava em compras" 5ram duas horas da tarde e um grande movimento fazia-se ali" : tempo estava magn'fico. mas com disfarce. que ultimamente fazia as vezes dele na estalagem. pacotes de papel de cor. havia um rumor quente e garrido. traziam-se l$ de dentro. apurado num fato novo de casimira clara. esperava pela fam'lia do ?iranda. mas bem-educado. recebia cumprimentos de quem passava na rua. para arranjar casa" *final. sua protegida predileta. que se fazia mulher ao lado de uma infeliz mãe +bria" 5 era. a porta da *ugusta ficava. brejo de lodo quente e fumegante.dos v'cios de largo f9lego. de todas. despejaram-lhe os tarecos na rua" 5 a m'sera. mas era s! correr % garrafa e voltavam-lhe as risadas frou as. muito atarefados. $vidos de noticias. para sempre. vestidas de seda. pediu que lhe dessem alguns dias de espera. com essas esmolas de #ombinha. aquela em que se matam homens sem a pol'cia descobrir os assassinos. rep!rteres insinuavam-se por entre os grupos dos jornalistas e dos pol'ticos. despachavam compras de doces e biscoitos e faziam. como a mestra. namorava-se forte. apoiado no seu guarda-chuva de cabo de marfim. uma curiosidade indiscreta nos olhos" João Romão. com um vestido cor de palha justo ao corpo. dessa embriaguez sombria e m!rbida que se não dissipa nunca" : seu quarto era o mais imundo e o pior de toda a estalagem. acordava todas as manhãs apatetada. sem animo para viver esse dia. vivia andrajosa. uma simpatia toda especial. e nem ela podia dar conta de qualquer trabalho" #obre mulher1 chegara ao e tremo dos e tremos" <oitada1 j$ não causava d!. viveiro de larvas sensuais em que irmãos dormem misturados com as irmãs na mesma lama. sem descansar. comendo empadinhas junto %s estufas. com o chap+u % r+. homens bebiam ao balcão e outros conversavam. criados desciam das prateleiras as enormes bai elas de metal branco. aquela em que h$ um samba e um rolo por noite.

?iranda queria que o vizinho aceitasse um lugar no seu carro.m criado acudiu logo e João Romão. fitinha ao peito.5la h$ de choramingar. em andar de passeio. ele sorriu e Aulmira tamb+m. sabeD 5st$ tudo combinado1 . não lhe pareceD . e. fez algumas considera&(es sobre as reformas e novos adornos do salão da confeitaria" )ona 5stela dirigiu. pediu sandu'ches.: homem vai hoje.l$ esteja1 . durante esse tempo contemplava o teto e as paredes. meu amigo. todavia. fazer lamúrias e coisas. que o p9s vermelho e o desnorteou de todo" . de m$.elizmente. s! )ona 5stela conservou inalter$vel a sua fria m$scara de mulher que não d$ verdadeira import>ncia senão a si mesma" : e -taverneiro e futuro visconde foi. estacando no meio do largo" :ra gra&as1 J$ não + sem tempo1 . a João Romão v$rias perguntas sobre a companhia l'rica.#ior1 *ssim não arranjamos nada1 7ualquer dúvida pode entornar o caldo1 E melhor fazer as coisas bem feitas" 7ue diabo lhe custa istoD""" :s homenzinhos chegam.que a fez negra1""" . ao encontro deles. o colarinho at+ ao quei o. depois de consultar )ona 5stela.pronto1 . acompanhados pelo parasita" C$ chegados.#ois vamos l$1 creio que são horas" .7ue horas sãoD . descobrindose desde logo e convidando-os com empenho a que tomassem alguma coisa" 5ntraram todos na confeitaria e apoderaram-se da primeira mesa que se esvaziou" .amos indo" 5 desceram de novo a Rua do :uvidor at+ ao ponto dos bondes de Fon&alves )ias" .*h1 vaiD perguntou João Romão com interesse. reclamam a escrava em nome da lei. levantara a mão contra ele. como sabe. questão entre inferior e superior" : sargento.0em tempo1 #ois olhe. este disse ao ouvido do outro.oi uma campanha1 .Bsso + que seria bom se se pudesse dispensar""" )esejava não estar presente""" .podia fazer as minhas vezes""" . doces e moscatel de 0etúbal" ?as Aulmira reclamou sorvete e licor" 5 s! esta falava. chap+u alto e bigode cuidadosamente raspado" *o darem com João Romão.?as""" . e s! agora consegui pilh$-lo" .rancisco. se o homem não apareciaD""" 5stava fora1 5screvi-lhe v$rias vezes.:ra essa1 5ntão com quem se entendem elesD""" 2ão1 tenha paci-ncia1 + preciso que voc. botas de verniz. que dúvida1 5 faiscavam-lhe os olhos no seu inveterado entusiasmo por tudo que cheirasse a farda" .oc.ieram logo as anedotas an$logas.m sargento levantara a mão para um oficial superior1""" devia ficar estendido ali mesmo.deveres" : ?iranda acompanhava-as de sobrecasaca.8$ que tempo j$ tratamos disto1""" .p(e-se duro e dei e-a seguir l$ o seu destino1""" Bolas1 não foi voc. e voc. e o oficial então arrancara da espada e atravessara-o de lado a lado" 5stava direito1 *h1 ele era rigoroso em pontos de disciplina militar1 . o ?iranda contou um fato id-ntico que se dera vinte anos atr$s e Botelho citou uma enfiada deles intermin$vel" 7uando se levantaram. ficou tudo pronto1 mas voc. lentamente.a entrega . sem tomar f9lego6 . nesse instante chegava o Botelho e trazia uma noticia6 a morte de um sargento no quartel.ui tamb+m % pol'cia duas vezes e j$ l$ voltei hoje. afinal o ?iranda que.?as que quer voc-. os outros estavam ainda % procura de um assunto para a conversa.. insultado por um oficial do seu batalhão. cheio de solicitude..deve estar em casa para entregar a crioula quando eles l$ se apresentarem""" .ica livre dela para sempre.@r-s e vinte" . e seguiram todos para o Cargo de 0ão . e daqui a dias estoura o champanha do cas!rio1 8ein. o que confundiu por tal modo ao pobre do homem. que tenho suado o topete1 . mal a carruagem partiu. mas voc. João Romão deu o bra&o a Aulmira e o Barão % mulher. mas João Romão tinha ainda que fazer na cidade e pediu dispensa do obs+quio" Botelho tamb+m ficou.

sim. se eu soubesse que eles se não demoravam muito ficava para ajud$-lo" .m sil-ncio formou-se em torno dele.#ois dou-lhos" . para conversar assentados.não sabe l$ se a mulher + ou era escrava. voc.acabou-se1 : pr!prio ?iranda vai logo. a todo o trote" Botelho vergou-se logo para tr$s.5 se o homem quiser os ordenados de todo o tempo em que ela esteve em minha companhiaD""" . filho. ambos muito alegres.a entrega. acompanhado de duas pra&as. de sorte que não puderam conversar durante a viagem" 2o Cargo da <arioca uma vit!ria passou por eles.@alvez s! venham depois do jantar. vivia % solta com outros da mesma idade e pagava ao Rio de Janeiro o seu tributo de rapazola rico" *o chegarem % casa. observou o velho" .não a alugou das mãos de ningu+mD1""" . para fazer a coisa % fidalga" .oc. assentando-se % carteira" .nem precisa dizer palavra""" fa&a como coisa que não tem nada com isso. respondeu este" 5 acrescentou para o Botelho6 . logo.5 feito isso .*' uns quinhentos mil-r+is.0ão eles1 . abriu-a defronte dos olhos e leu-a demoradamente" . agora aparece o dono. confirmou o velho" 5 desceram logo" . a rir-se com inten&ão" )entro do carro ia #ombinha. acrescentou o Botelho.er$1 Bam falar ainda.. assaltado por todos os lados pela gente que o esperava" :s dois s! conseguiram lugar muito separados um do outro. reclama-a e voc. ter com voc-1 . pode pedir o seu saldo de contas. interrogou-o por sua vez e. como não havia novidade. ao lado de 8enrique.ique para jantar" 0ão quatro e meia. tomou Botelho pelo bra&o e convidou-o a sair" .E minha escrava. os cai eiros pararam em meio do servi&o. compreendeD . João Romão pediu ao cúmplice que entrasse e levou-o para o seu escrit!rio" .)escanse um pouco""" disse-lhe" . intimidados por aquela cena em que entrava a pol'cia" . tinha-a por livre naturalmente. ao que João Romão respondia por monoss'labos de capitalista. quando um empregado subiu para dizer que l$ embai o estava um senhor. em p>ndega" : estudante.. mas para isso voc. afirmou o outro" 7uer entregar-maD""" .E. se voc.ou j$. mas o bonde de 0ão <lemente acabava de chegar..lhe dar$ qualquer coisa""" .:lhe. procurando os olhos do vendeiro. um pouco tr-mulo. pediram dois c$lices de conhaque" . segredou-lhe na escada" J$ não era preciso prevenir l$ defronte porque agora o velho parasita comia muitas vezes em casa do vizinho" : jantar correu frio e contrafeito. os dois sentiam-se ligeiramente dominados por um vago sobressalto" João Romão foi pouco al+m da sopa e quis logo a sobremesa" @omavam caf+. e que desejava falar ao dono da casa" .5st$ aqui com efeito""" disse afinal o negociante" #ensei que fosse livre""" .7uem me procuraD""" e clamou João Romão com disfarce.m homem alto. agora no seu quarto ano de medicina.)eve ser.7uanto devo dar-lheD .<omo.: de 0ão <lemente não est$ agora. coberta de j!ias. porque não quer ficar com o que lhe não pertence1 5la. com ar de estr!ina.ou tomar um copo d3$gua enquanto esperamos" 5ntraram no botequim do lugar e.m cai eiro apro imou-se dele respeitosamente e fez-lhe v$rias perguntas relativas ao servi&o do armaz+m. adiantou-se e entregou-lhe uma folha de papel" João Romão. tornou aquele. chegando ao armaz+m" .

estava de c!coras.. p$lido. por+m. circunvagou os olhos em torno de si. restitu'a-a ao cativeiro" 0eu primeiro impulso foi de fugir" ?al. depois um pequeno corredor que dava para um p$tio cal&ado. erguendo-se com 'mpeto de anta bravia. que o acompanharam logo. vendo que ela se não despachava. olhou aterrada para eles. chegaram finalmente % cozinha" Bertoleza. recuou de um salto e. ensinava-lhes o caminho" João Romão ia atr$s. com um gesto. de casaca1 trazer-lhe respeitosamente o diploma de s!cio benem+rito" 5le mandou que os conduzissem para a sala de visitas" FIM . não tendo coragem para mat$-la.?as imediatamente" . e encaminharam-se todos para o interior da casa" Botelho. que a sua carta de alforria era uma mentira. desembainharam os sabres" Bertoleza então. e que o seu amante. sem pestanejar" :s policiais.#rendam-na1 E escrava minha1 * negra.:nde est$ elaD . adivinhou tudo com a lucidez de quem se vperdido para sempre6 adivinhou que tinha sido enganada. que havia j$ feito subir o jantar dos cai eiros.E esta1 disse aos soldados que. j$ de um s! golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado" 5 depois embarcou para a frente. intimaram a desgra&ada a segui-los" . tapando o rosto com as mãos" 2esse momento parava % porta da rua uma carruagem" 5ra uma comissão de abolicionistas que vinha.)eve estar l$ dentro" @enha a bondade de entrar""" : sujeito fez sina1 aos dois urbanos. o senhor adiantou-se dela e segurou-lhe o ombro" . e um calafrio percorreu-lhe o corpo" 2um relance de grande perigo compreendeu a situa&ão. cercada de escamas e tripas de pei e. com uma das mãos espalmada no chão e com a outra segurando a faca de cozinha. im!vel. procurando escapula. antes que algu+m conseguisse alcan&$-la. quando viu parar defronte dela aquele grupo sinistro" Reconheceu logo o filho mais velho do seu primitivo senhor. % frente deles. no chão. escamando pei e. rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue" João Romão fugira at+ ao canto mais escuro do armaz+m. para a ceia do seu homem. com as mãos cruzadas nas costas" *travessaram o armaz+m.