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Pintura no Brasil

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Assunção de Nossa Senhora, de Mestre Ataíde, teto da igreja de São Francisco, Ouro Preto. Ataíde representa um dos primeiros momentos de originalidade na pintura brasileira.

A pintura no Brasil nasceu com os primeiros registros visuais do território, da natureza e dos povos nativos brasileiros, realizados por exploradores e viajantes europeus cerca de cinquenta anos após o Descobrimento. Os índios já realizavam há muito tempo algumas formas de pintura no corpo, em paredes de grutas e em objetos, mas sua arte não influenciou a evolução posterior da pintura brasileira, que passou a ser dependente de padrões trazidos pelos conquistadores e missionáriosportugueses. No século XVII a pintura no Brasil já experimentava um desenvolvimento considerável, ainda que difuso e limitado ao litoral, e desde então conheceu um progresso ininterrupto e sempre com maior pujança e refinamento, com grandes momentos assinaláveis: o primeiro no apogeu do Barroco, com a pintura decorativa nas igrejas; depois, na segunda metade do século XIX, com a atuação da Academia Imperial de Belas Artes; na década de 1920, quando se inicia o movimento modernista, que teve sucesso em introduzir um sentido de genuína brasilidade na pintura produzida no país, e em tempos recentes, quando a pintura brasileira começa a se destacar no exterior e o sistema de produção, ensino, divulgação e consumo da pintura está firmemente estabilizado através de um sem número de universidades e escolas menores, museus, exposições, ateliês e galerias.
Índice
[esconder]

 

1 Antes da Descoberta 2 Precursores

o 

2.1 Pernambuco e os holandeses

3 O florescimento do Barroco

o

3.1 Escolas regionais

       

3.1.1 Bahia 3.1.2 Pernambuco, Maranhão e Pará 3.1.3 Rio de Janeiro 3.1.4 Minas Gerais 3.1.5 Província de São Paulo 3.1.6 Outros centros

4 Transição para o Neoclassicismo 5 Academismo

o o  

5.1 Apogeu da Academia 5.2 Outros estrangeiros

6 A crise da Primeira República 7 Modernismo

o o

7.1 A Semana de Arte Moderna e a primeira geração de modernistas 7.2 Difusão do modernismo

      

7.2.1 O eixo Rio-São Paulo 7.2.2 Outros centros

8 Os grandes museus, as bienais e o abstracionismo 9 Anos 60-70: engajamento político e crise conceitual 10 "Onde está você, geração 80?" 11 Atualidade 12 Pintura marginal

o o o   

12.1 Arte naïf 12.2 Arte dos alienados 12.3 O graffiti

13 Referências 14 Ver também 15 Ligações externas

[editar]Antes

da Descoberta

Pinturas rupestres da Serra da Capivara.

Relativamente pouco se conhece a respeito da arte pictórica praticada no Brasil de antes da descoberta do território pelos portugueses. Os povos indígenas que foram encontrados pelo colonizador não praticavam a pintura como era conhecida na Europa, usando tintas na ornamentação corporal e na decoração de artefatos de cerâmica. Dentre as relíquias indígenas que sobreviveram desta época destaca-se um bom acervo de peças das culturasMarajoara, Tapajós e Santarém, mas tanto a tradição de cerâmica como a de pintura corporal foram preservadas pelos índios que ainda vivem no Brasil, estando entre os elementos mais distintivos de suas culturas. Também ainda existem diversos painéis pintados com cenas de caça e outras figuras, realizados por povos pré-históricos em grutas e paredões rochosos em certos sítios arqueológicos. Estas pinturas provavelmente tinham funções rituais e teriam sido vistas como dotadas de poderes mágicos, capazes de capturar a alma dos animais representados e assim propiciar boas caçadas. O conjunto parietal mais antigo conhecido é o da Serra da Capivara, no Piauí, que exibe pinturas rupestres datadas de 32 mil anos atrás.
[1]

Entretanto, nenhuma destas tradições se

incorporou à corrente artística introduzida pelo colonizador, a qual se tornou predominante. Como disse Roberto Burle Marx, a arte do Brasil colonial é em todos os sentidos uma arte da metrópole portuguesa, embora em solo brasileiro tenha passado por várias adaptações ditadas pelas circunstâncias especificamente locais do processo colonizador. [editar]Precursores
[2]

Belchior Paulo: Adoração dos Reis Magos, Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida,Espírito Santo.

Além disso. Nassau implementou uma série de melhorias administrativas e infraestruturais no chamado "Brasil holandês". que realizou as ilustrações de animais para o livro Histoire d'un Voyage faict en la terre du Brésil. que passou por Salvador em 1560 a caminho das Índias Orientais mas deixou pelo menos um painel pintado no colégio da Companhia de Jesus desta cidade. onde se incluía um retrato do índioCunhambebe. [4][5] [3] [editar]Pernambuco e os holandeses O primeiro núcleo cultural brasileiro que se assemelhou a uma corte europeia foi fundado em Recife em 1637 pelo administrador holandês condeMaurício de Nassau. e o padre André Thevet. e deixou obras de decoração espalhadas em muitos dos maiores colégios da Companhia de Jesus até seu rastro se perder em 1619. humanistas e artistas. Com Belchior se inicia efetivamente a história da pintura no Brasil. Pode-se citar o francês Jean Gardien.Albert Eckhout: Negra da Costa do Ouro. Herdeiro do espírito do Renascimento. Entre os primeiros exploradores da terra recém-descoberta vieram alguns artistas e naturalistas. encarregados de fazer o registro visual da fauna. O primeiro pintor europeu que deixou obra no Brasil de que se tem notícia foi o padre jesuíta Manuel Sanches (ou Manuel Alves). como descreveu Gouvêa. Tal produção dos viajantes ainda mostrava todos os traços da arte renascentista tardia. e se insere mais no âmbito da arte europeia. e 1584. para cujo público foi produzida. que afirmou ter realizado do natural as ilustrações para seus três livros científicos editados em 1557. publicado em 1578 por Jean de Léry. 1575. ainda que de grande interesse para esta por seus retratos da paisagem e da gente dos primeiros tempos da colonização. que aqui aportou em 1587 junto com outros jesuítas. de um trabalho cultural sem paralelos em seu tempo e muito superior ao que vinha sendo realizado pelos portugueses nas outras partes do território. e embora não tenha conseguido alcançar todos os seus altos objetivos. Mais importante foi o frei Belchior Paulo. trouxe em sua comitiva uma plêiade de cientistas. do que brasileira. Dois pintores se destacaram em seu . geografia e povo nativo. sua presença resultou na elaboração. também chamada maneirista. pelo homem branco nos trópicos. flora. trabalhando apenas com a aquarela e a gravura. que produziram uma brilhante cultura profana no local. autrement dite Amerique .

e até hoje são uma das fontes primárias para o estudo da paisagem.círculo. propondo uma integração entre as várias linguagens artísticas e prendendo o observador numa atmosfera catártica e apaixonada. favorecendo uma religiosidade caracterizada pela intensidade emocional. marcado pelo ritualismo e festividade. da natureza e da vida dosíndios e escravos daquela região. O teto é coberto de pinturas inseridas em medalhões entalhados. ainda que tenha retornado à Europa na retirada do conde em 1644. o dinâmico. Além de representarem uma tendência puramente estética. como os palácios e os grandes teatros e igrejas. esses traços constituíram uma verdadeira forma de vida e deram o tom a toda a cultura do período. nenhuma obra de arte barroca pode ser analisada adequadamente desvinculada de seu contexto. E de Portugal o movimento passou à sua colônia na América. representou. tornando-se um veículo perfeito para aIgreja Católica da Contra-Reforma e as monarquias absolutistas em ascensão expressarem visivelmente seus ideais. o último eco da estética renascentista em terras brasileiras. integrando-se ao programa decorativo total do conjunto arquitetônico. estava impregnada de milenarismo e do misticismo herdado dos árabes e judeus. primando pela assimetria. forneceu um pano de fundo receptivo. realizando obras que aliavam minucioso caráter documental a uma superlativa qualidade estética. em especial em Portugal. onde o contexto cultural dos povos indígenas. . cuja cultura. na pintura. pelo expressivo e pelo irregular. Frans Post e Albert Eckhout. Esta produção. pois sua natureza é sintética. aglutinadora e envolvente. [editar]O [6] florescimento do Barroco Entre o século XVII e o século XVIII o estilo da pintura brasileira foi o Barroco. uma cultura que enfatizava o contraste. pelo excesso. uma reação contra o classicismo do Renascimento. além de essencialmente católica e monárquica. Para Sevcenko. a dissolução dos limites. o conflito. As estruturas monumentais erguidas durante o Barroco. [7][8] Interior da Capela de São Roque noConvento de São Francisco em Olinda. Essa estética teve grande aceitação na Península Ibérica. o grandiloquente. o dramático. buscavam criar um impacto de natureza espetacular e exuberante. junto com um gosto acentuado pela opulência de formas e materiais.

Aqui o ambiente era de pobreza e escassez. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis. a administração local era confusa e morosa. estavam na vanguarda da conquista do interior do território servindo como evangelizadores e pacificadores dos povos indígenas. isso significou a forte dependência da arte em relação a um conteúdo programático narrativo. de acordo com os princípios definidos pela Contra-Reforma. hospitais e asilos. na imensa colônia do Brasil não havia corte. Em termos técnicos. O Barroco no Brasil foi formado por uma complexa teia de influências europeias e locais. permanecendo a cor como elemento secundário. fornecendo em essência a ênfase necessária à melhor eficiência funcional do desenho. [12] Dominando o panorama artístico colonial. mas era o mais importante espaço de confraternização do povo. e dando forma a. uma larga porção da identidade e do passado nacionais. ao contrário da Europa. com tudo ainda por fazer [9] e. É preciso lembrar que o contexto em que o Barroco se desenvolveu na colônia era completamente diverso daquele que lhe dava origem na Europa.Mestre Ataíde: São Francisco de Assis agonizante (detalhe). onde o desenho ocupa um papel central como o definidor e organizador da ideia. com rara expressão profana notável. embora em geral coloridas pela interpretação portuguesa do estilo. Nesse contexto. e pretende . confundindo-se com. o Barroco foi chamado por Affonso Romano de Sant'Anna de a alma do Brasil. [10][11] Logo enraizando. Construindo grandes templos decorados com luxo e dinamizando imensamente o ambiente cultural como um todo. que administravam além dos ofícios divinos uma série de serviços civis como os registros de nascimento e óbito. a pintura colonial é sempre retórica. abrindo um vasto espaço de atuação para a Igreja e seus batalhões missionários. Mariana. fundavam novas povoações. organizavam boa parte do espaço urbano no litoral e dominavam o ensino e a assistência social mantendo muitos colégios e orfanatos. Costa faz lembrar ainda que o templo católico não era apenas um lugar de culto. um centro de transmissão de valores sociais básicos e amiúde o único local seguro na muitas vezes turbulenta vida da colônia. a pintura patrocinada pela Igreja Católica almejou basicamente desempenhar uma função didática. a Igreja centralizou a arte colonial brasileira.

e mesmo no trabalho de um mesmo artista são frequentes grandes discrepâncias estilísticas. atestando uma grande atividade pictórica. o Mestre Ataíde. imagem tradicionalmente vinculada ao santo. como disse Teixeira Leite. passando a fazer escola. de contornos claros. Em Portugal o estatuto liberal já havia se firmado para os pintores. dispondo de relativa autonomia. mostra o santo segurando uma cruz. Além disso. o enriquecimento de algumas ordens e irmandades religiosas. com uma tendência. para as atividades artesanais. dando motivo para debates acadêmicos. mas sem nos oferecerem indicações de quais obras teriam realizado e em geral sem dados biográficos. muitas vezes absorvidas através de reproduções em gravura de obras célebres europeias. por vezes. e com recursos técnicos limitados. regidas por estatutos definidos em 1572 em Lisboa. a vasta maioria das obras que chegaram a nós tem autoria desconhecida.apresentar ao público uma lição moral. fazendo uso de uma série de convenções formais significantes e elementos plásticos simbólicos que então eram de entendimento geral. mas na colônia as condições reais do mercado de trabalho . figura simbólica tradicional da Santíssima Trindade. acompanhando a expansão do território colonizado. de Mestre Ataíde. dissemina-se. espanholas e em menor grau italianas. um anjo toca um violino. [14] Como foi uma regra durante o período colonial em todo o Brasil. por outro lado. existe uma apreciável quantidade de nomes de artistas registrados em arquivos eclesiásticos. contudo. as antigas guildas medievais. Isso é verificável até mesmo no caso do maior pintor deste período. pelas regras das corporações dos ofícios. [16] A condição social dos pintores e as circunstâncias de sua atuação no Brasil colonial ainda são pouco conhecidas. Em toda a imagem. o açoite e o cilício. pintada na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis em Mariana. Como exemplo. de sabor eminentemente popular. No entendimento de Pietro Maria Bardi a sociedade lusobrasileira teria se pautado. bem como de ricos patronos. buscando imitá-los com uma compreensível defasagem cronológica. enquanto outros o esperam entre nuvens do Paraíso e apontam para um triângulo com um olho no centro. que lança um raio de luz sobre o santo. a pintura brasileira abandona seu caráter pontual. ou se permanecia subordinado aos estatutos das artes mecânicas e artesanais. [15] Essas influências heterogêneas são as grandes responsáveis pelo caráter multifacetado e pela pouca unidade formal da pintura barroca do Brasil colônia. o livro. em conformidade a documentos emitidos pela Ouvidoria do Rio de Janeiro em 1741. Influências flamengas. o crescimento das cidades e a relativa estabilidade econômica. e grande parte dela foi certamente produzida por religiosos de várias ordens. [13] No século XVIII. filtram-se através da visão portuguesa para formar um conjunto respeitável de obras. um desenho tosco e improvisado. o desenho preciso. garante o reconhecimento imediato de cada objeto que compõe a cena e a compreensão da mensagem proposta. a ampulheta. a cena São Francisco de Assis agonizante. Não se sabe exatamente se a atividade do pintor se inseria do âmbito dos ofícios liberais. que atuou na região de Minas Gerais. tudo significando o fim de suas provações terrenas e a conquista do prêmio da vida eterna. tendo ao lado um conjunto de objetos associados à penitência e à transitoriedade da vida: o crânio. toda a pintura colonial vincula-se a tendências e estilos europeus. onde um vívido senso cromático anima. de os pintores e escultores progressivamente se aproximarem dos profissionais liberais. se multiplica e amadurece. Acima. o rosário.

e os escravos ficavam na base. um profissional preparado. Na Bahia formou-se a primeira escola regional de pintura. era responsável final pelas obras e pela formação e habilitação de novos aprendizes. [17] Outro dado importante na pintura brasileira colonial é a popularização. que veio a se tornar um traço característico da religiosidade popular. Em linhas gerais. parece que a forma corporativa foi a predominante até o advento do Império. mas sem graduação para arrematar obras de vulto. dinamizando um grande mercado e possuindo além disso um grande valor documental. Em geral os ex-votos são obra de artesãos anônimos. um memorial visual em ação de graças por algum benefício recebido por intercessão de algum santo. e uma das mais importantes. ou mostra a parte do corpo aflita pelo mal. em seguida vinham os auxiliares. Museu de Arte da Bahia. do gênero do ex-voto. a partir do século XVIII.ainda tinham muito de artesanal e deixavam os artistas numa posição dúbia. comemoram a cura de alguma doença. ativa desde a chegada de Manuel Alves e Belchior Paulo em meados do século anterior. os jovens aprendizes. [18] [editar]Escolas [editar]Bahia regionais José Teófilo de Jesus: O Rapto de Helena. Museu de Arte da Bahia. Mais conhecidos são o . Francisco da Silva Romão: Santa Cecília. e sua iconografia usualmente mostra o doente numa cama junto a umaepifania do seu santo protetor. organizada da seguinte maneira: o mestre-pintor ficava no topo da hierarquia. abaixo estava o oficial.

[15] Francisco da Silva Romão também Manuel de Jesus Pinto: A Fundação da Igreja. João Nunes da Mata e principalmente Antônio Joaquim Franco Velasco. anjos e outras figuras gloriosas da Igreja. deixou obras de qualidade. que pode ter estudado com os holandeses da corte de Nassau. em Salvador. suplantando seu rival Filgueira. . pois oferecia ilusões de arquiteturas abertas ao espaço. mas formou somente um aluno. Deixou obra volumosa e qualificada. tornando-se a partir de 1816 o pintor mais notável da Bahia até sua morte em 1847. e Francisco Coelho pintou uma Santa Ceia e mais quinze figuras de santos e personalidades da Companhia de Jesus para o colégio jesuíta da Bahia.frei Eusébio da Soledade. que nunca mais realizou qualquer obra de vulto. Dos seus discípulos muito se destacaram Antonio Pinto e Antonio Dias. permanecendo em atividade até o início do século XIX. Manoel José de Souza Coutinho. em Salvador. se bem que sua predileção fosse a pintura de cavalete. está na Santa Casa de Salvador. Mateus Lopes. ao encontro de céus onde pairavam santos. mas seu nome se perde até 1769. um recurso sistematizado pelo italiano Andrea Pozzo em seu tratado Perspectiva Pictorum atque Architectorum. uma de suas melhores realizações.Lourenço Veloso. cuja única pintura que resta. Teófilo estudou em Lisboa e entrou em contato com Pedro Alexandrino de Carvalho. Pintou o forro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Nos anos seguintes Rocha pintou diversos outros tetos em perspectiva. João Álvares Correia trabalhou na pintura e douramento da sacristia da Santa Casa de Misericórdia. e pode ter sido autor de algumas obras preservadas na Ordem Terceira do Carmo do Rio de Janeiro. que por volta de 1735 chegou a Salvador e trabalhou em diversas igrejas locais. José da Costa Andrade. que aparece registrado em 1764 como ajudante do pintor Leandro Ferreira de Souza. e em 1714 concluiu as 24 pinturas do forro da capela-mor da Ordem Terceira do Carmo. que lhe valeu a fama em seu tempo de melhor pintor da Bahia. o Retrato do Capitão Francisco Fernandes da Ilha. Entre seus alunos mais destacados estão Domingos da Costa Filgueira e José Teófilo de Jesus. trabalhando até idade avançada. Concatedral de São Pedro dos Clérigos. Ribeiro deixou larga posteridade artística. [19][15] Um outro grupo trabalhou em torno de José Joaquim da Rocha. autores da pintura do forro da nave da Matriz do Passo. excepcional também por abordar muitos temas profanos. foi o introdutor na Bahia da técnica de pintura de ilusão arquitetônica nos tetos de igrejas. [15] Antônio Simões Ribeiro. de 1699. período em que pode ter estudado em Lisboa. Tal decoração produzia um efeito cenográfico típico do Barroco.

José Eloi e Francisco Bezerra. e numerosas outras peças espalhadas por várias cidades. em Recife. representando os principais mártires franciscanos.Anônimo: Flagelação de Cristo. Os principais artistas barrocos de Pernambuco foram João de Deus Sepúlveda. . especialmente Olinda. A capela abriga ainda dois grandes painéis de data posterior. com as figuras menores. em Igaraçu. mas também interessantes. ilustrando episódios da história da cidade. Também sem autoria definida são os importantes painéis da Igreja de São Cosme e Damião. De autoria incerta.Museu de Arte Sacra de Pernambuco. Mosteiro de São Bento. Gonsalves de Melo propôs que algumas das pinturas de santos e santas pelo menos podem ter sido feitas por José Pinhão de Matos. [editar]Pernambuco. talvez o melhor pintor pernambucano em atividade em seu tempo. Frei Ricardo do Pilar: Senhor dos Martírios. Rio de Janeiro. Maranhão e Pará As primeiras expressões notáveis de pintura barroca em Pernambuco estão na Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência.

veio de uma família de artistas e deixou obras notáveis na Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Porto-alegre lhe atribuiu a autoria do forro da Capela do Senhor dos Passos e pinturas de tema religioso feitas para a Igreja do Castelo e a de São Francisco de Paula. que acompanharam Alexandre Rodrigues Ferreira em sua expedição de 40 mil quilômetros através da selva amazônica. com um estilo original. Sua obra mais conhecida está na sacristia do Mosteiro de São Bento. [editar]Rio de Janeiro A chamada Escola Fluminense de Pintura é melhor documentada. o mais importante do grupo. [15] Sepúlveda. entre 1783-92. José Eloi produziu vários painéis para o Mosteiro de São Bento de Olinda. Jacó da Silva Bernardes e Antonio Gualter de Macedo. não se identificou nenhuma obra com segurança. já destruído. Do primeiro. Para Araújo Porto-alegre. um grande painel representando o Senhor dos Martírios. Joaquim José Codina e José Joaquim Freire. Merecem nota dois aquarelistas do Real Gabinete de História Natural do Museu da Ajuda de Lisboa. Entre os artistas do Maranhão e Pará sobre os quais se dispõe de informações biográficas estão Luís Correia e Agostinho Rodrigues. a pintar painéis na Igreja de São Francisco Xavier. cedo mostrou talento artístico. pintor de temas religiosos. obtendo depois permissão para estudar com João de Souza. escravo. Cunha também foi professor. antecipando a introdução da técnica na Bahia. Foi fundada com a chegada do alemão frei Ricardo do Pilar. e João Felipe Bettendorff decorou várias igrejas na região. naConcatedral de São Pedro dos Clérigos e na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares. mantendo inclusive em sua residência um curso regular com duração de sete anos. representando o Gênio da América. Sebastião Canuto da Silva Tavares. mas sua habilidade pode ser avaliada pelas cenas da vida de São Bento que executou em 1791 para a sacristia da Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda. alegorias e retratos.de Manuel de Jesus Pinto. como pensou Germain Bazin. João José Lopes da Silva. da sala de audiências do Paço Imperial. [editar]Minas Gerais [15] [15] . datável dos últimos anos de sua vida e evidenciando afinidades com pinturas flamengo-portuguesas dos séculos XV e XVI. mas pode ter ajudado Rodrigues e João Xavier Traer. Luis Alves Pinto e José Rebelo de Vasconcelos. e que se perderam. em meados da década de 1660. contudo. mas subsistem outras peças na antiga Igreja dos Carmelitas e no Mosteiro de São Bento. hoje dispersa entre Portugal e o Brasil. Sua obra mais importante foi o grande painel decorativo. em Belém. Caetano da Costa Coelhoem 1732 produziu para a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência a primeira pintura perspectivista feita no Brasil. que atuaram em diversos locais entre Pernambuco e Rio de Janeiro. Baltazar de Campos produziu telas sobre a Vida de Cristo para a sacristia da Igreja de São Francisco Xavier. o verdadeiro seguidor do frei Ricardo e chefe da Escola Fluminense de Pintura foi José de Oliveira Rosa. Bezerra foi o autor dos dez painéis sobre a vida de São Pedro que outrora adornavam o forro da Concatedral de São Pedro dos Clérigos. aperfeiçoando-se mais tarde em Lisboa. produzindo considerável obra de documentação visual daquelas paragens. [15] Permanecem também lembrados Domingos Rodrigues. Manuel da Cunha.

em composições severamente estruturadas. mais adequados a receber o novo tipo de decoração pictórica. Domingos. Até 1755 a pintura mineira imitou as tendências que se desenvolviam nas regiões litorâneas. Doravante os forros em caixotões são substituídos pelos de tabuado corrido. alcançar uma verdadeira integração à arquitetura. Francisco e S. de colorido soturno e forte veia dramática. um tanto similar ao trabalho baiano. Bem distinto foi o núcleo de Ouro Preto. em fins do século XVIII. e com um estilo arcaizante e pesado. tipicamente rococós. em Ouro Preto. muitas vezes exibindo a influência de estilos orientais. Tiradentes. foi animado pela produção de José Soares de Araújo e seus discípulos. Num terceiro momento. já descritos dentro da estética do Rococó. a pintura perspectivista transborda os limites arquitetônicos naturais em conjuntos de grande fantasia imaginativa. Dois centros principais se destacam na região mineira. autor da pintura do forro da capela-mor da Matriz de Cachoeira do Campo. mais antigo.Diamantina e Ouro Preto. O primeiro. onde aconteceu um rico florescimento urbano com muitas novas igrejas que precisavam de ornamentação interna. Este centro tem na obra de Mestre [15] . Um outro núcleo importante surgiu na região de Minas Gerais em função dos ciclos do ouro e dos diamantes. marcado pelo colorido rico e as formas leves. Transição do Barroco para o Rococó Mestre Ataíde: teto rococó da Igreja de Santo Antônio em Santa Bárbara. Exemplo típico dessa primeira fase é o forro da nave da Matriz do Pilar. sem.Autor desconhecido: Nossa Senhora com o Menino entregando o rosário a S. Forro da capela-mor daIgreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. [15] A segunda fase é delimitada pela introdução da pintura perspectivista por Antônio Rodrigues Belo. contudo.

Várias dessas irmandades foram formadas por negros e mulatos. Com isso a religiosidade e a arte sacra na região dependeram muito da organização de irmandades leigas. Ataíde também deixou diversas pinturas de cavalete. A Província de São Paulo. como a série representando cenas da vida de Abraão. [15] Também são dignos de nota José Soares de Araújo. em São Paulo. de certa forma subvertia o discurso visual europeu e fazia uma afirmação de classe e etnia "numa sociedade colonial que em tudo negava as qualidades de mestiços e negros". instituições de origem medieval que providenciavam o assistencialismo para seus membros e também financiaram a construção e decoração de inúmeros templos e capelas. contando com poucos artistas . papas e Doutores da Igreja sabidamente brancos. A Capitania das Minas Gerais teve o diferencial de. [editar]Província de São Paulo [20] Frei Jesuíno do Monte Carmelo: detalhe do teto da Capela da Ordem Terceira do Carmo. por determinação régia. nas palavras de Carla Oliveira. uma de suas últimas obras e a única que assinou e datou. nunca chegou a desenvolver uma escola de pintura comparável aos centros antes citados. o teto que pintou na Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto. e a renomada Ceia do Senhor. ver-se impedida de sediar ordens religiosas conventuais e missionárias. uma vez que a prioridade administrativa era a exploração do ouro e diamantes e não a evangelização do gentio. do Colégio do Caraça. é tido como o ponto culminante de toda a pintura colonial brasileira. o que explica a aparição de representações étnicas correspondentes na arte a que deram origem. Joaquim José da Natividade. mesmo quando figuravam santos. representando a Assunção de Nossa Senhora entre anjos músicos e santos e ilustrando a abertura deste artigo. José Soares de Araújo e Silvestre de Almeida Lopes. João Nepomuceno Correia e Castro. Antônio da Costa Nascimento. Ataíde também colaborou com o célebre Aleijadinho pintando as estátuas da Via Sacra no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos emCongonhas. o que. que nos tempos da colônia incluía São Paulo e Paraná. na Igreja de São Francisco de Ouro Preto. Antônio Martins da Silveira.Ataíde seu apogeu. que foram as maiores mecenas de arte pelo resto de Brasil colonial. Manuel Ribeiro. João Batista de Figueiredo.

se aproximam em estilo da pintura mineira. num perfil ingênuo. Manoel do Sacramento e Antônio dos Santos. e decorações em estilo similar ao grottesco do Maneirismo italiano. nas quais fixou aspectos da cidade e tipos populares. que trai influência da pintura de ilusão arquitetural praticada em Minas. conhecido como Miguelzinho Dutra. que embora fosse ativo já no Império continuou a tradição anterior. Francisco Xavier de Oliveira. Reginaldo Fragoso de Albuquerque e Antônio da Costa Nascimento trabalharam em Pirenópolis. uma produção de valor documental só comparável ao trabalho de Hercule Florence. como um retrato equestre de Francisco Nunes de Siqueira feito por João Moura. na capital. Goiás e o Rio Grande do Sul também tiveram alguma produção em pintura. embora exemplos esparsos já tivessem aparecido antes. de Vila Boa de Goiás. mas se destacou sobretudo com suas ingênuas aquarelas. destacando-se em sua produção as obras nas Igrejas de Nossa Senhora do Carmo de Itu e de São Paulo. em São Roque. a quem são atribuídas as pinturas da Igreja da Ordem Terceira do Carmo em Mogi das Cruzes. [editar]Outros centros Mato Grosso. No Paraná só merecem uma lembrança Joaquim José de Miranda e João Pedro. o padreJosé Manuel de Siqueira atuou como ilustrador.e uma economia bem menos dinâmica. realizou diversos retábulos para igrejas locais. de grande qualidade. O último pintor importante em São Paulo foi Miguel Arcanjo Benício da Assunção Dutra. e podem ter sido eles mesmos mineiros. na capela da Fazenda Santo Antônio. No Rio Grande do Sul há registro de atividade pictórica no âmbito das reduções jesuíticas. e André Antônio da Conceição foi autor do forro da Igreja de São Francisco de Paula na mesma vila. autores de guaches e aquarelas que fixam tipos populares e cenas históricas. [15] [15] Outras imagens do Barroco brasileiro  . o Mulato. marcadas pela veia ingênua do pintor popular. em meados do século XVIII. e João Marcos Ferreira trabalhou no retábulo da Matriz do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. [15] Foi aluno de Manso o frei Jesuíno do Monte Carmelo. ativo em Mato Grosso principalmente como cartógrafo. pode ter sido autor de alguns retratos para a Câmara de Cuiabá. Trabalhou na Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte em Piracicaba. Bento José de Souza. mas toda a produção se perdeu. em Itu. integrante da Expedição Langsdorff. A obra-prima de Manso foi possivelmente o forro da capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Candelária. incluindo obras em gêneros muito raros no Brasil. considerado por Mário de Andrade o principal pintor paulista colonial. mas ainda em menor escala do que São Paulo. Não obstante uma modesta escola regional se formou especialmente a partir da atuação de José Patrício da Silva Manso.

Bahia  Veríssimo de Freitas: São João Nepomuceno. Igreja de São Domingos. Museu Afro Brasil  Anônimo: Santa Teresa.Museu da Inconfidência.José Joaquim da Rocha. Ouro Preto. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.Apoteose de São Domingos. Sergipe  Caetano da Costa Coelho:Glorificação de São Francisco. Rio  João Nepomuceno Correia e Castro:Imaculada Conceição. Salvador. Igreja do Carmo. Minas Gerais . São Cristóvão.

Museu Afro-Brasil. como a criação de cursos de arte da Real Casa Pia e da Academia do Nu. Museu da Inconfidência [editar]Transição para o Neoclassicismo A partir de meados do século XVIII se observa uma gradual mudança no espírito colonial pelo impacto de ideais iluministas e classicistas trazidas da Europa. Goiás  Joaquim José da Natividade: Bandeira da Procissão de Cristo. e muito menos na colônia. ainda mais que o Barroco ainda subsistia como um pano de fundo daquela sociedade. capazes de incorporar. pois os valores do mundo português ainda não haviam se desvencilhado totalmente de sua participação nas manifestações monárquicas e religiosas. segundo Anna de Carvalho. refletindo o declínio da influência da Igreja sobre a sociedade europeia naquela época e reagindo contra os excessos dramáticos do Barroco e o decorativismo cortesão e caprichoso do Rococó. Tentativas de normatização. foram muito mal recebidas pela população. Antônio da Costa Nascimento: teto da Matriz de Pirenópolis (perdido em incêndio). quer na neoclássica. bahia  Ex-voto de invocação a São Benedito. um sistema de ensino artístico padronizado e institucionalizado sob a forma das Academias. na arte estas mudanças ocorreram mais em nível teórico do que prático. Salvador. [21] . tantos os preconceitos ainda arraigados. Tampouco havia na metrópole. que já existiam desde o século XVII em outros países. quer na vertente rococó. resultando num paradoxo a transmissão daqueles conceitos de modernidade. sistematizar e transmitir as novidades racionalistas e científicas do Iluminismo e do Neoclassicismo para o campo das artes portuguesas. Contudo.

que desde 1763 fora transformada em capital da colônia e era o principal escoadouro da produção dos minérios das Minas Gerais. Tais exemplos apontam para a complexidade da evolução da arte da pintura no Brasil e à multiplicidade de forças em movimento. o último grande vulto da Escola Fluminense. o que propiciou a formação de uma classe burguesa abastada que competia com a nobreza e o clero na encomenda de obras de arte. Museu Nacional de Belas Artes . que inovou com o gênero do retrato coletivo. uma das maiores figuras na Bahia. trabalhos em que se percebe uma atualização estilística apenas ligeira. mas suas melhores obras estão no palacete que pertenceu à Marquesa de Santos. Leandro Joaquim. diversos artistas do fim do Barroco tiveram a oportunidade de estudar na Europa. uma obra ainda em tudo barroca. Além disso. Como consequência. na Bahia. fim do século XVIII. falando por uma trajetória bem pouco linear. e surgiram primeiro no Rio de Janeiro. [21] É importante frisar que no restante do país ainda se praticará pintura de forte herança barroca por um período significativo. produzindo também para a corte deDom João VI. e o terceiro. José Maria Cândido Ribeiro e Antônio Joaquim Franco Velasco. [22] Entre os mestres mais conhecidos da transição pode-se citar. Além destes muitos outros. deixando o primeiro uma obra perfeitamente rococó.De qualquer forma. que deixou obras religiosas. João Francisco Muzzi. e Francisco Pedro do Amaral. da paisagem. sendo bem conhecidos seis painéis com cenas do Rio de Janeiro. da alegoria profana e da natureza-morta. e José Rodrigues Nunes. Manuel Dias de Oliveira. que se tornaram visíveis em uma produção híbrida. a José Teófilo de Jesus. alguns retratos e paisagens. líder da escola mineira. hoje o Museu do Primeiro Reinado [15]  Leandro Joaquim:Procissão Marítima. Como exemplo basta a menção a Manuel de Ataíde. da cena urbana. principalmente os artistas de extração mais popular. a pintura brasileira começou a experimentar uma maior laicização. No Rio. que estão entre as mais antigas em seu gênero. o segundo. morto em 1881. sintonizando-se com as tendências mais progressistas. proliferando os gêneros do retrato civil. aluno em Roma do celebrado italiano Pompeo Batoni. que por sua vez foi professor de José Rodrigues Nunes eBento José Rufino Capinam. que desaparece da cena somente em 1847. que falece em 1830. José Leandro de Carvalho talvez o retratista mais requisitado do Rio de Janeiro no início do século XIX. um dos primeiros alunos de Debret e chefe de decorações da Casa Imperial. mantiveram viva a antiga tradição até perto do final do século XIX. devedora tanto de referenciais barrocos e rococós como neoclássicos. trabalhou no Palácio da Quinta da Boa Vista e no Paço Imperial. com elementos pré-clássicos. as mudanças eram inevitáveis.

Museu de Arte da Bahia [editar]Academismo Ver artigos principais: Missão Artística Francesa. começou um novo ciclo cultural no Brasil. mas teve impacto ainda maior sobre as artes nacionais o primeiro projeto de institucionalização. uniformização e estabilização do ensino de arte com a criação da Escola Real de Ciências. 1813. que propôs ao rei em um memorando a fundação de um estabelecimento de ensino superior de arte. As verdadeiras causas do lançamento deste projeto são um tanto obscuras. Manuel Dias de Oliveira:Alegoria de Nossa Senhora da Conceição. Museu Nacional de Belas Artes  Antônio Velasco: Retrato de senhora. e entre vários artistas contava com os . Academia Imperial de Belas Artes. em 1808. Com a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. O grupo veio a ser conhecido como a Missão Artística Francesa. 1817. Dentre as várias providências tomadas por Dom João VI para melhorar a vida na colônia constam a fundação de escolas. Artes e Ofícios em 1816. mas parece que a iniciativa partiu primeiramente de um grupo de artistas franceses liderados por Joachim Lebreton. Academismo. 1855. museus e bibliotecas. Museu Castro Maya  José Rodrigues Nunes: A flagelação.

Museu Nacional de Belas Artes. Nicolas-Antoine Taunay:Apolo visitando Admeto. Museu Nacional de Belas Artes. Museu Imperial. responsáveis pela divulgação consistente do estilo Neoclássico em terras brasileiras.pintores Jean-Baptiste Debret eNicolas-Antoine Taunay. ca. . 1830. [23][24] Jean-Baptiste Debret: Dom João VI em trajes de sua aclamação. Simplício de Sá: Dom Pedro I.

e sendo um enxerto cultural em um ambiente díspar. O ensino se daria em três fases: [25]  Desenho geral e cópia de modelos dos mestres  Desenho de vultos e da natureza  Pintura com modelo vivo Paralelamente Lebreton estruturou o ensino de escultura. Debret formou alguns discípulos e permaneceu no Brasil por dez anos. discriminou os recursos humanos e materiais para o bom funcionamento da Escola. [23] A Missão teve resultados pouco visíveis de imediato.Augusto Müller: Retrato da Baronesa de Vassouras. e previu a necessidade da formação de artífices auxiliares competentes através da proposta de criação paralela de uma Escola de Desenho para as Artes e Ofícios. até o fim do Segundo Reinado. Lebreton morreu em 1819. publicada por ele na França. período em que realizou extensa e inestimável documentação visual da natureza. A posse de Henrique José da Silva. crítico implacável dos franceses. intrigas palacianas e hostilidades declaradas por parte de artistas já estabelecidos. e até então as aulas foram dadas mais ou menos informalmente. dos índios e escravos e da vida urbana do Rio e de outras regiões brasileiras em uma série de aquarelas e desenhos. sofreu severas críticas desde a origem e até no século XX. bem como sistematizou o processo e critérios de avaliação e aprovação dos alunos. mas tardou em se estabelecer. com algumas modificações. Museu Imperial. gravura e arquitetura e sugeriu ainda que se introduzisse o ensino da música. indicou formas de aproveitamento público dos formados e projetava a ampliação de coleções oficiais com suas obras. o cronograma de aulas. que também viria a ser pintor de nomeada e diretor da instituição. depois reproduzidos na justamente célebre obra Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Sua maior . Lebreton propôs instaurar uma nova metodologia de ensino com disciplinas sistematizadas e graduadas. como diretor da Escola em 1820 agravou o ostracismo sofrido pelos estrangeiros. [23] A escola foi criada no papel. enfrentando muitas oposições. mas deixou seu filho Félix-Émile. [26] A orientação didática estabelecida por Lebreton balizou o funcionamento da Academia. desistiu e abandonou o país em 1821. [27] Nicolas-Antoine Taunay. cujo ensino seria gratuito mas igualmente sistemático.

com 4 paisagens do Rio de Janeiro. flores e frutas. e em 1845 foram instituídos os prêmios de viagem ao exterior para aperfeiçoamento. mas a implantação deste modelo [29] levaria décadas para se consolidar no Rio e mais ainda no restante do país. João VI. Na pintura expuseram Debret.contribuição para o sistema de arte brasileiro foi a introdução de um sistema educacional de nível superior. ampliando o prédio e introduzindo novas cátedras. e Afonso Falcoz. fazendo com que uma terceira exposição só acontecesse em 1840. e do Visconde de São Leopoldo. com marinhas. entre os quais A Sagração de D. Ele teria chance de introduzir melhorias no ensino ao assumir a direção da Academia entre 1854 e 1857. a primeira no gênero ocorrida em todo o Brasil. José da Silva Arruda. Após muitos impasses e funcionamento precário. retratos. Simplício de Sá. com retratos e figuras históricas. e iniciou-se um outro período improdutivo e conflituoso. com alguns retratos. com estudos de cabeça. posteriormente titular de Pintura de Paisagem. e das exposições regulares. Sua primeira exposição pública de obras de arte. com 10 quadros. [32] Em seguida Debret voltou para a Europa.O Desembarque da Imperatriz Leopoldina e o Retrato de D. que retomou a orientação primitiva francesa desvirtuda por seu antecessor e implementou diversos melhoramentos. Ministro do Império. foi aberta em 2 de dezembro de 1829. sendo excelente pintor de paisagens e naturezas-mortas. Félix-Émilie Taunay. marinhas e paisagens. que obteve o Prêmio de Viagem à Europa. de alunos e professores. bom retratista e futuro professor de Vítor Meirelles. [32] Após a morte de Henrique José da Silva em 1834 a direção da escola passou para Félix-Émile Taunay. Pedro I. esboços e desenhos. José de Cristo Moreira. por força [31] da intervenção do Conde de Valença. Neste ano um impulso novo veio através da instituição dos prêmios e condecorações. a Escola. como Agostinho José da Motta. e Augusto Müller. baseado em modelos institucionais europeus de tradição antiga e eficiência comprovada. quadros decorativos. [33] . Francisco de Sousa Lobo. [33] Mas já na exposição de 1849 Manoel de Araújo Porto-alegre teceu fortes críticas aos resultados apresentados. acusando escasso preparo dos artistas. [30] iniciou suas atividades regulares somente em 5 de novembro de 1826. com figuras histórias. José dos Reis Carvalho. com vários estudos. [28] e com um objetivo claramente progressista. ora nomeada como Academia Imperial de Belas Artes. José Correia de Lima. que foi sendo enriquecida com a produção de mestres e alunos destacados. Na mesma época Simplício Rodrigues de Sá assumiu a cátedra de Desenho e depois a de Pintura Histórica. de onde voltou para lecionar na escola que o formara. contando com mais de 150 trabalhos em várias técnicas. paisagista e retratista de talento superior e digno seguidor da escola francesa. além de criar a pinacoteca da Academia.

Museu Nacional de Belas Artes. Pedro Américo: Batalha do Avaí. esta estabilidade política de certa forma deixou o ambiente nacional um tanto alheio às vanguardas do momento. Museu Nacional de Belas Artes. Museu Nacional de Belas Artes. 1882. sintomaticamente. [editar]Apogeu da Academia Ver artigo principal: Pintura do Romantismo brasileiro A estabilidade do Segundo Reinado e o mecenato pessoal do imperador Dom Pedro II criaram condições para mais um ciclo de grande desenvolvimento nas artes. 1883. Rodolfo Amoedo: O Último Tamoio. Museu Nacional de Belas Artes. e a alguns problemas sociais que existiam. Almeida Júnior: Descanso do modelo. criando os ícones de uma brasilidade nascente. Os bolsistas na Europa pouco contato tiveram com figuras renovadoras.Vítor Meirelles: A primeira Missa no Brasil. 1861. preferindo manter-se . 1872-77. Mas.

numa linha segura e aceitável à sociedade que os sustentava. A produção central desta fase pode ser descrita como romântica, com um imaginário e tratamento de índole heróica, dramática e ufanista, e se alinhou em um projeto nacionalista inédito na história cultural do Brasil, resultando em uma série de obras-primas onde brilham algumas das mais notórias imagens da arte brasileira de todos os tempos.
[34][35]

Ao mesmo tempo, durante este período, não tendo o Brasil uma história oficial antiga e nobre como a européia, a temática indígena adquire relevo como símbolo de uma brasilidade arquetípica, autêntica e pura. Mesmo que tais personagens tenham sido muito glamurizados, sua passagem para um plano destacado na grande arte acadêmica foi um dado importante no resgate das raízes nacionais.
[35]

O negro, entretanto, com raríssimas exceções, só vai deixar

de figurar como elemento anônimo e mera parte da paisagem para assumir o primeiro plano quando o movimento abolicionista já estava ganhando uma força irrefreável, para depois da República tornar-se mais comum e aceitável.
[36]

A obra das figuras maiores desta geração

demonstra bem os interesses da ordem vigente. Pedro Américo, um dos maiores pintores brasileiros do século XIX, privilegiou cenas históricas com temas nacionais, num estilo grandioso que tanto glorificava as façanhas do povo e de seus protagonistas como a augusta benevolência e firmeza da Coroa. Suas obras mais importantes, O grito do Ipiranga e A batalha do Avaí são peças capitais do academismo nacional, e são panegíricos do nacionalismo e da ordem estabelecida, sem que isso lhes tire vigorosas qualidades estéticas. Também pintou inúmeras cenas religiosas e alegóricas, e muitos retratos.
[37]

Outro mestre desta fase é Vítor Meirelles, que também pertence à mesma estirpe de grandes criadores, servis aos seus mecenas, mas possuidores de um talento que transcende a política e a ideologia heróica, antes delas fazem uso para expressarem a força de seu próprio gênio. Também foi autor de quadros que permanecem vivos até hoje no imaginário nacional: A primeira Missa no Brasil, de feição tranqüila e composição impecável,Moema, peça-chave do nacionalismo indigenista, tipicamente romantizado, a Batalha naval do Riachuelo, a Batalha dos Guararapes e a Passagem de Humaitá, três obras sobre momentos da história nacional tratados com grande fôlego e maestria. Suas outras composições, sobre temas sacros ou mitológicos, são menos impressionantes, mais formais, mas sempre corretas.
[38][39]

Por esta altura a Academia já se tornara uma instituição sólida e respeitada, e cumpria um papel determinante e seletivo na orientação das tendências artísticas que deveriam ou não vicejar.
[38]

O ensino dava frutos visíveis e de qualidade, influenciando outros centros, o acervo

dapinacoteca da Academia era constantemente enriquecido, exposições independentes começavam a aparecer fora de seus muros como prova da fertilização do solo artístico nacional, Amoedo
[33]

e outros nomes importantes surgiam no cenário, como Rodolfo
[40]

[39]

e Henrique Bernardelli.

Na Bahia uma Academia de Belas Artes nos mesmos
[41]

moldes da carioca foi fundada em 1877 e desenvolvia atividade regular e proveitosa.

Em São Paulo se destacavam Oscar Pereira da Silva

[42]

e sobretudo Almeida Júnior, dono de

um estilo original, transitava com a mesma facilidade e gênio de temas históricos para momentos burgueses e cenas da vida do brasileiro comum, do interiorano rústico, introduzindo notas de realismoinéditas na produção acadêmica anterior e que seriam uma força renovadora em relação à tendência romântica.
[43]

Também foi importante a criação em

1873 do Liceu de Artes e Ofícios, que em 1905 passaria a contar com uma Pinacoteca, a atual Pinacoteca do Estado de São Paulo, um dos maiores museus de arte do país. [editar]Outros
[44][45]

estrangeiros

Georg Grimm: Vista do cavalão, 1884. Museu Nacional de Belas Artes.

A exuberante paisagem tropical do Brasil sempre causou admiração e atraiu o estrangeiro. Durante o século XIX se estabeleceriam aqui diversos artistas de fora, por intervalos maiores ou menores, principalmente no Rio de Janeiro, e deixariam registros apreciáveis da paisagem e dos costumes. Algumas figuras ativas no século XIX são Richard Batee Friedrich Hagedorn, aquarelistas, Augustus Earle, pintor de animadas cenas de gênero, Charles Landseer, retratista de tipos e costumes, e Maria Graham, preceptora da Princesa Maria da Glória e autora de uma série de refinadas paisagens da capital do Império. Mais importante foi Thomas Ender, aquarelista integrante da comitiva da Princesa Leopoldina e autor de preciosas cenas de costumes e de trabalho. Mas estes foram presenças isoladas, espectadores do cenário que possuíam já uma formação prévia ao chegarem, e não tiveram maior influência no desenvolvimento da pintura nacional, ainda que tenham legado atraentes e valiosos testemunhos do ambiente natural e humano.
[46]

Bastante ativo no circuito oficial foi François-René Moreau, que entre 1840 e 1859 participou de muitas das exposições da Academia, viajou extensamente pelo Brasil e foi um dos fundadores do Liceu de Artes e Ofícios, além de realizar uma quantidade de retratos de personalidades ilustres da época, inclusive a cena da Sagração de Dom Pedro II, pela qual recebeu o hábito da Ordem de Cristo. Seu irmão Louis-Auguste também expôs na Academia e em 1841 obteve Medalha de Ouro pela tela Rancho de Mineiros, e recebeu a Ordem da

Rosa por Jesus Cristo e o Anjo. Outro premiado foiRaymond Monvoisin, que chegou ao Rio em idade já avançada mas cuja obra causou excelente impressão. Abraham-Louis Buvelot, com uma obra paisagística muito sensível, foi elogiado por Porto-alegre. Também merecem atenção Nicola Antonio Facchinetti, grande paisagista, Eduardo de Martino, marinista de primeira linha, e já perto do final do século são notáveis os portugueses José Maria de Medeiros e Augusto Rodrigues Duarte, que em suas obras históricas de refinada execução traduzem perfeitamente o Romantismo ainda em vigor.
[46]

Acima de todos Georg Grimm deixou sua marca no cenário nacional. Em sua aparição de 1882 nos salões da Academia expôs nada menos de 105 paisagens do natural, obtendo imenso sucesso. No mesmo ano foi indicado como Interino da cátedra de Paisagens, Flores e Animais, popularizando a prática do ensino ao ar livre que havia sido introduzida possivelmente por Agostinho da Motta muitos anos antes,
[46]

valendo-se das novidades
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técnicas representadas pelo surgimento das tintas em tubos e telas pré-preparadas.

Sua

permanência na Instituição durou apenas dois anos, inadaptado ao formalismo reinante. Com sua saída um grupo de discípulos o acompanhou, criando-se uma escola que revelou alguns dos melhores paisagistas brasileiros: Castagneto, Parreiras e García y Vásquez, e uns poucos mais. Sua influência perduraria até perto da década de 20 do século vindouro.
[46]

Thomas Ender: Vista do Rio, 1817, Academie der Bildenden Künste, Viena

Augustus Earle: Capoeira, 1824, Biblioteca Nacional de Canberra

Augusto Rodrigues Duarte: As exéquias de Atalá, 1878, Museu Nacional de Belas Artes

a qual. e que eram pouco afetadas pelo que acontecia na capital da nação. Rodolfo Bernardelli assumiu a direção da Academia. mesmo que ele possa ser criticado em alguns aspectos. O que faltou a Duque e seu círculo parece ter sido em essência a falta de uma perspectiva histórica adequada. "transformou a Escola de Belas-Artes em feira". nem parecem ter estimado corretamente as possibilidades reais de renovação cultural em larga escala de um país que mal estava se consolidando como entidade independente e tinha uma longa e arraigada herança barroca que mesmo nos anos finais do século XIX ainda sobrevivia em várias regiões e em várias expressões da arte e da cultura populares. galerias foram fechadas e decaíram. agora transformada em Escola Nacional de Belas Artes e em breve a intensa atividade anterior esmoreceu. anêmico. já no ano seguinte surgiram outros sinais de crise. Mas cresceu inexorável um movimento contra sua orientação. Museu Histórico Nacional [editar]A crise da Primeira República Desde anos antes da Proclamação da República a Academia vinha sendo atacada pelos críticos da geração mais nova. e mudou os estatutos. liderados por Gonzaga Duque. com o que as classes se esvaziaram. servil ao Estado e por demais dependente da Europa. que viam seu sistema de valores como utópico. escolheu professores que o apoiavam para perpetuar-se no cargo. Eduardo de Martino:Fragata Constituição. 1872. os estudiosos contemporâneos tendem a considerar essas opiniões parciais. [51] . e reafirmam a importância do projeto acadêmico imperial como um todo. dizia-se. defasado. Foi acusado de malversão de verbas. [29][50][35] Instaurando-se a república em 1889. não levando em conta os determinantes pregressos que conduziram o desenvolvimento artístico brasileiro no século XIX. desconectado dos tempos modernos e sem maior relevo para a cultura nacional. datadas historicamente e hoje ultrapassadas. elitista. [48][49] Contudo.

aburguesada. como Pedro Américo em suas obras tardias como o Tiradentes esquartejado. [52][53][54] No início da década de 1930 a Escola Nacional foi incorporada à Universidade Federal do Rio de Janeiro. e em Manuel Lopes Rodrigues. [53][56] . Carlos Chambelland. o demonstra: Pedro Alexandrino Borges. como o Realismo. Belmiro de Almeida e Leopoldo Gotuzzo. o Impressionismo. todos e cada um refletiram em seus trabalhos a diversidade de tendências da época.Helios Seelinger. abrindo uma quantidade enorme de novos campos formais na pintura e acelerando as transformações em direção a uma nova ordem de valores que seria patenteada na polêmica modernista. multifacetada e borbulhante com as cidades em crescimento acelerado e sob o impacto das recentes inovações tecnológicas.Henrique Bernardelli: A Proclamação da República. 1900. [55] Mesmo nesse período conturbado. e o vigor e variedade da produção destes artistas emergentes. De fato para a pintura as coisas não estavam ruins. Antônio Garcia Bento. autor de uma Alegoria da República que é um ícone impactante na nova ordem. Henrique Bernardelli. c. Rodolfo Chambelland. reinterpretando para seus próprios propósitos a formalização iconográfica anterior e ao mesmo tempo tentando afastarse dela pela introdução de personagens e estéticas mais atualizadas. o Ecletismo e a Art nouveau. Arthur Timótheo da Costa. O próprio novo Estado republicano se valeu imediatamente da pintura para ilustrar seus novos valores e heróis. democracia e progresso. além de cooptar outros mestres já consagrados ou em ascensão como Rodolfo Amoedo. que não tinham uma vinculação significante com o passado monárquico e tinham em vez uma ligação com perspectivas de modernidade. Georgina de Albuquerque. muitos dos quais mulheres. o Simbolismo. já que nascida na monarquia há cem anos a instituição não poderia permanecer idêntica no novo regime republicano e em meio a uma atmosfera social todo diversa. encerrando sua história como instituição autônoma. alguns nomes ressaltam por seu mérito inegável. Eliseu Visconti e Antônio Parreiras. A crise institucional e estética gerada não obstante deu lugar a uma reavaliação de conceitos e objetivos. Para isso encontrou intérpretes exímios nos próprios acadêmicos.

Benedito Calixto. atuando no litoral de São Paulo. paisagista em Pernambuco. s/d. Manuel Lopes Rodrigues na Bahia.De fora do centro do país são de assinalar as presenças mais ou menos isoladas de Jerônimo José Telles Júnior. Pedro Weingärtner e Antônio Cândido de Menezes.Museu de Arte do Rio Grande do Sul  Jerônimo José Telles Júnior: Paisagem. ambos com sólida formação acadêmica e deixando obra de qualidade. onde eram bastante ativos.Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro. 1898. 1896. ensinando em Alagoas.Museu do Estado de Pernambuco . junto com figuras menores. Merece nota também o caso do Rio Grande do Sul. 1889  Manuel Lopes Rodrigues:Alegoria da República. especialmente o primeiro deles. Museu de Arte da Bahia  Pedro Weingärtner:Tempora mutantur. [53]  Benedito Calixto: Porto de Santos.

impulsionada pela riqueza oriunda do cultivo do café e pela industrialização.Pinacoteca do Estado de São Paulo  Antônio Parreiras: Fim de romance. Distante da influência direta da . s/d. e com uma classe burguesa abastada. 1907. Coleção particular  Belmiro de Almeida:Retrato de Abigail Seabra aos 12 anos de idade. Oscar Pereira da Silva:Moça com Bandeja. Pinacoteca do Estado de São Paulo [editar]Modernismo [editar]A Semana de Arte Moderna e a primeira geração de modernistas Ver artigo principal: Semana de Arte Moderna Nas primeiras décadas do século XX São Paulo já se afirmava como uma das grandes cidades brasileiras. Coleção Marília Seabra Buarque de Andrade  Lucílio de Albuquerque:Retrato de Georgina de Albuquerque. 1900. 1912..

e a polêmica estava declarada. e Mário de Andrade. O ambiente se dividia entre uma tendência retrógrada fiel ao academismo. eVictor Brecheret na escultura. atualizados com as correntes da vanguarda europeia da época. dentro de um espírito mais cosmopolita. [60] . empestando o ambiente intelectual de uma pauliceia que se apresentava comercial e industrialmente para sua grande aventura progressista. e a presença morta de medalhões nacionais e estrangeiros. além de alguns outros.Academia. Atacada por Monteiro Lobato no artigo Paranoia ou Mistificação?. tanto que nos primeiros anos os participantes do movimento eram conhecidos como futuristas. da literatura e das artes gráficas. onde havia maior afluxo de artistas estrangeiros. ainda que os primeiros avanços significativos tenham se dado visivelmente na área daarquitetura. e por fim foi organizada uma série de recitais. muitos educados na Europa. [57] Nas palavras do pintor Di Cavalcanti: "O academismo idiota das críticas literárias e artísticas dos grandes jornais. e outro setor cuja insatisfação e irritação contra o estado estagnante de coisas se expressava em termos contundentes. [59] Do grupo faziam parte os escritores/poetas Oswald de Andrade. 15 e 17 de fevereiro de 1922. o marco inaugural do Modernismo no Brasil. o que constituiu a Semana de Arte Moderna. ocos. o Futurismo e o Cubismo. trazendo ideias progressistas da Europa. o ambiente artístico pôde evoluir de forma um pouco mais livre. curiosas de novas formas literárias. já impregnadas de novas doutrinas filosóficas " [58] O clã a que ele se referia era um grupo de intelectuais. foi a celeuma surgida em torno da exposição de Anita Malfatti em 1917. palestras e exposições em 13. Guilherme de Almeida. oFauvismo. dentre todas as correntes o Futurismo teve o maior papel no lançamento do Modernismo brasileiro. isso desesperava nosso pequeno clã de criaturas abertas a novas especulações artísticas. o grupo modernista de imediato se reuniu em defesa de Anita. a empáfia dos subliteratos. Outros eventos de vanguarda se sucederam nos anos imediatamente seguintes. instalados no mundanismo e na política. como o Expressionismo. O estopim para a realização da Semana de Arte Moderna. palavrosos. Segundo Contier.

. [63] e surgia Tarsila do Amaral com uma obra originalíssima. Vicente do Rego Monteiro e John Graz. 1925. Intensamente atacados os artistas em conjunto. Havia uma tendência entre os primeiros modernistas de identificar progresso com Europa. dizendo mais diretamente a caracteres brasileiros. política e mesmo econômica. e o próprio catálogo da mostra é inexato.Di Cavalcanti: Samba. que já metabolizara a influência direta do estrangeiro. uma escolha deliberada que se inseria no processo modernista de resgate das raízes miscigenadas do país. contribuindo para redefinir o sentido de brasilidade na arte e para a criação de um novo ícone de beleza e autenticidade nacional. o que viria a ser expresso com mais clareza na esteira do Movimento PauBrasil de 1924. a mostra de pintura em si passou quase despercebida pela imprensa e crítica. mas a necessidade de atualizar o Brasil com o que vinha acontecendo em terras mais "civilizadas" era sentida por muitos como uma urgência não só artística. de certa forma rejeitando a realidade cultural nacional e seus ritmos próprios. Mas o que de fato importa é a comoção que o evento como um todo surtiu no ambiente da arte paulistana e logo da brasileira. [62][59] Neste momento Di Cavalcanti começava a abordar o tema das mulatas. mas também social. a participação da pintura na Semana foi modesta. quando um nacionalismo emergiu nas consciências e serviu como ponto focalizador dos avanços. mas não havia realmente uma unidade de ideias e propostas. Tarsila do Amaral: Abaporu. mas parece que só expuseram efetivamente com quadros Anita Malfatti. As fontes são contraditórias. dos recitais poéticos e palestras à música. [61] O espírito de ruptura e revolução era claro para todos. Outros movimentos se sucederam. Di Cavalcanti. 1928 Cobrindo uma gama de expressões artísticas. dando origem a uma iconografia que se tornou vastamente popular tomada como representação de todo um estilo de vida.

já se viam em atividade. exerceu profunda repercussão no mundo artístico daquele momento. mas sim a liberdade de pesquisa e expressão individual. onde a influência do espanhol Pablo Picasso veio a ganhar um enorme destaque. com um trabalho derivado do Cubismo. o primeiro deles chamado. [64] considerada hoje o representante por excelência do Modernismo Contudo. embora curta. paulatinamente se patenteou que o cerne de toda a [65] discussão não eram estilos ou correntes em si. que se refletia não apenas na temática e forma. [66] Mesmo no Rio. do Expressionismo e do Surrealismo. principal reduto do Academismo tradicional. segundo Franco de Andrade. brasileiro. introduziu o Modernismo no âmbito acadêmico oficial e passou a aceitar obras modernistas nos Salões da Escola. cuja administração. mas também no instrumental técnico e material. personalidades independentes como Ismael Nery. desde meados dos anos 20. também de Tarsila. Daí em diante pouca unidade real poderia ser esperada em termos de estilo ou de proposta estética de um universo formado por artistas de matrizes tão diversas. sintomaticamente. Em 1930 o então ministroGustavo Capanema nomeou Lúcio Costa como diretor da Escola Nacional de Belas Artes. teve um impacto e uma importância . como nenhuma outra. que faria do Modernismo brasileiro das décadas de 30 e 40 um prisma multicor.como a Antropofagia. nascido por intermédio de Oswald de Andrade a partir da telaAbaporu (1928). uma obra que. Este Salão. nem o Brasil ou a Europa. A esta altura começou a emergir uma legião de artistas. [editar]Difusão [59] do modernismo [editar]O eixo Rio-São Paulo Ismael Nery: Mulher agachada. de Salão Revolucionário. embora sua obra não tivesse grande circulação em seu tempo.

Vários integrantes desses grupos se reuniram em 1937 na chamada Família Artística Paulista. Muitos dos egressos da Semana de 22. mais outros novos integrantes como Lasar Segall e Antonio Gomide. todos proletários que se dedicavam à pintura de cavalete nas horas vagas. fundaram em 1932 a Sociedade Pró-Arte Moderna. [69][70] Um pouco mais adiante reuniu-se o Grupo Santa Helena. Léger. mas o Núcleo durou até 1940. importante especialmente pela presença do fundador Flávio de Carvalho e por uma orientação bem mais irreverente e menos elitista do que a do outro grupo. [72] Segundo Lorenzo Mammi. Mário Zanini. fundaram oNúcleo Bernardelli.Washington. dirigida por Rossi Osir e Waldemar da Costa. Suas personalidades artísticas eram muito diferenciadas. . uma figura imensa que se manteve em criativa evolução até o fim de sua longa vida. DC. José Pancetti e Edson Motta. Bonadei. [67][71] Tais agremiações expressam acima de tudo a importância do associativismo como estratégia de ação bem sucedida ao longo da década de 1930. Deste grupo humilde saíram alguns dos nomes mais notáveis da arte brasileira da época: Rebolo.Pintura mural de Portinari no edifício da Biblioteca do Congresso. e com grande preocupação por uma pintura de artesania cuidadosa. com as importantes adesões de Quirino Campofiorito e Milton Dacosta. [67][68] Em São Paulo o movimento moderno seguia cada vez mais forte. Faziam uma abordagem moderada do Modernismo. Outro grupo notável foi o Clube dos Artistas Modernos. através da qual ganharam enfim notoriedade. A descoberta da terra. Gris e De Chirico. também foram mostradas pela primeira vez no Brasil pinturas de Picasso. com alguns outros. como uma alternativa ao ensino oficial. Bustamante Sá. 1941. [67] Em 1931 Ado Malagoli. Clóvis Graciano e sobretudo Alfredo Volpi.ainda maiores do que a Semana de 22 na consolidação do Modernismo no Brasil. que teve sede própria onde. formado basicamente por amadores. além de trabalhos seus.

[72] Em 1934. nem críticos influentes. tinha. ainda que as obras mais importantes dele tenham sido um fruto relativamente tardio". porém. o Modernismo teve seu marco inicial na pintura com a primeira exposição de José Guimarães. [67] Iniciando a década de 1940. recebendo uma série de encomendas oficiais e retomando uma tradição de composições históricas grandiosas que não se viam desde o século anterior. em 1932. O grupo dissolveu-se imediatamente depois. Incompreendido. notadamente dosretirantes do Nordeste. Só uma década [74] . no Rio de Janeiro. e núcleos modernistas começavam a proliferar por vários centros brasileiros.e tantas outras vezes poética ."A geração que despontou na década de 30 foi decerto mais conservadora. ali o movimento moderno foi mais ou menos retardado pela influência da figura tutelar do acadêmico Prisciliano Silva. aluno de Prisciliano. O Núcleo Bernardelli. Portinari. foram conseqüência desse novo clima. Aldemir Martins e Mário Gruber. mas alguns de seus integrantes se destacariam no panorama nacional em linhas avançadas que levariam diretamente à interpretação brasileira da abstração e a uma nova abordagem do Surrealismo. Luís Sacilotto. o prestígio do Modernismo já estava consolidado o bastante para determinar a criação da Divisão Moderna no Salão Nacional de Belas Artes. Volpi foi seu produto mais valioso. de variadas origens e formações. poucos anos mais tarde. Mas não se limitou à história: deixou uma grande quantidade de obras em que retratava de maneira pungente. maior consciência de que os problemas da arte se resolviam em primeiro lugar no campo da arte. mas marcados pelo Expressionismo do pós-guerra. amargou um ostracismo que o levou a se transferir para o Rio. às vezes denominada Realismo Mágico. inicia com a tela Café uma brilhante carreira que o levaria a uma condição quase de pintor nacional.realidade da população rural. Introduzido primeiro pela literatura. Além disso. muito devedor a Picasso. [73] Iniciativa marcante foi a realização em 1947 da mostra do Grupo dos 19. e a Família Artística Paulista. Maria Leontina. expressionista. [editar]Outros centros Ver artigo principal: Pintura no Rio Grande do Sul Na Bahia até a década de 40 não havia nenhum museu organizado. nem salões regulares. a dura . embora evidentemente num estilo moderno. em São Paulo. onde participaram entre outros Flávio Shiró. no embate concreto com suas tradições e suas técnicas. recém de volta da Europa. onde não teve sorte melhor.

Jenner Augusto e Carybé. acervo do MARGS. A situação só começou a mudar em favor dos modernos no fim dos anos 40. além de considerável grupo de independentes como Lula Cardoso Ayres. Liderada pelo pintor e crítico suíço Jean-Pierre Chabloz. Antônio Bandeira e Mário Barata. só em 1948 a Sociedade de Arte Moderna de Recife. Ado Malagoli: O gato preto. [76] Carybé: Festival das Américas. com uma mostra de modernos de São Paulo organizada por Jorge Amado. fundada por Abelardo da Hora. logrou introduzir definitivamente o Modernismo. [67] . com a mesma repercussão negativa. quando foi convidado para participar do governo estadual o educador Anísio Teixeira.depois outro evento semelhante aconteceria. Inimá de Paula. Gilvan Samico e João Câmara. [75] O Modernismo enraizou com força no Ceará a partir da fundação. da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP). cujo objetivo expresso era introduzir o Modernismo nas artes do Ceará. ganhando então o respaldo oficial e espaços próprios. Na mesma época se fixaram em Salvador Pancetti. em 1944. Em Pernambuco. Reynaldo Fonseca e Hélio Feijó. seguidos de outros. descontando-se poucos precursores que formaram na década de 1930 o Grupo dos Independentes. e mais diversos outros artistas locais. A criação doAtelier Coletivo em 1952 trouxe novo fôlego com a participação de Wellington Virgolino. contava com a participação destacada de Aldemir Martins.

as bienais e o abstracionismo Ver artigo principal: Bienal Internacional de Arte de São Paulo . assumindo uma cátedra no Instituto e logo a Direção da Divisão de Cultura do Estado. [editar]Os grandes museus. e com a fundação da Escola de Belas-Artes. Alvo de muitos protestos e até mesmo de depredação. Loio-Pérsio e Miguel Bakun. promoveu o primeiro salão de arte moderna em Belo Horizonte. um autodidata de talento polimorfo. Também teve um papel importante a Associação Francisco Lisboa. tendo como professores Libindo Ferrás. Formou um grande número de discípulos. Outro sócio importante foi Carlos Alberto Petrucci. este de tendências mais progressistas e talento superior. com a construção da Igreja de São Francisco da Pampulha. Os primeiros ares modernistas em Minas se registram no início dos anos 40. pontuado por figuras importantes como Weingärtner. Oscar Boeira e João Fahrion. Angelo Guido. pôde realizar uma pequena revolução modernista nas terras sulinas. Guido Viaro. em Santa Catarina a figura maior foi Martinho de Haro. ainda bastante acadêmicas. Em 1944 Juscelino Kubitschek. [77][78] Com a chegada de Malagoli em 1952 a Porto Alegre. e em seguida a Direção do Museu de Arte do RS.Depois de início hesitante em meados do século XIX. recém-criado. fundada em 1938 por João Fahrion e Carlos Scliar. uma das maiores coletivas da década. surgindo nomes como por exemplo Mário Silésio e Maria Helena Andrés. que se tornaria o ponto central de difusão da arte no estado nos moldes da Academia do Rio. então governador do estado. [73][67] [67] e Independentemente trabalhava em Barbacena Emeric Marcier. [79] No Paraná deve-se assinalar as presenças isoladas mas fortes de Theodoro de Bona. o salão foi de fundamental importância para a renovação do circuito de arte mineiro. em Belo Horizonte. além da atuação da Escola de Música e Belas-Artes desde 1948. grande paisagista e pintor de temas sacros. e em 1908 fundouse o Instituto de Belas Artes. dirigida por Guignard e formando muitos alunos. no Rio Grande do Sul o interesse geral pela pintura cresceria rapidamente. sendo responsável pela orientação do ensino artístico público riograndense.

o papel consagrador. [67] Outro impulso foi dado pela criação da Bienal de São Paulo. Ao mesmo tempo nascia uma nova geração de críticos. já existia oficialmente desde 1937 o Museu Nacional de Belas Artes. que foram importantes instâncias de reconhecimento oficial e divulgação do Modernismo. de 1918. preservador e divulgador desempenhado pelos grandes museus. e já com a participação de governos estaduais. do Museu de Arte do Rio Grande do Sul em 1954 e do Museu de Arte da Pampulha. articulada em torno de Mário Pedrosa. em 1905. exemplo que foi seguido no Rio com a criação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1948. inaugurado em 1952). acessível a um grande número de pessoas. do Museu de Arte de Santa Catarina (1949). Entre o final da década de 40 e o início da década de 50 um grupo de mecenas paulistas fundou o Museu de Arte de São Paulo (1947). que já não precisavam sair do país para buscar informação. na história da pintura brasileira. onde pela primeira vez obras abstratas e artistas de vanguarda estrangeiros receberam ampla divulgação. de 1957. [80] . libertando-se do domínio da literatura. herdeiro das coleções reais. Com essa rede de instituições em atividade a atualização do Brasil quanto à arte internacional se tornou mais fácil. e logo em seguida o Museu de Arte Moderna (1948). tendo um impacto sobre a futura evolução da pintura no Brasil.Não pode ser negligenciado. fazendo o debate direcionar-se para uma decidida especialização. No Rio. Um dos primeiros a ser criado foi aPinacoteca de São Paulo. seguida pelo Museu de Arte da Bahia.

criando pontes de aproximação entre arte e indústria. Cícero Dias. dos grupos De Stijl e Cercle et Carré. depois da atuação precursora de Max Bill. definindo aqueles que criam formas novas a partir de princípios antigos e aqueles que criam formas novas sobre princípios novos.Ivan Serpa. Lygia Clark e Hélio Oiticica. a esta altura com uma obra amadurecida de grande requinte . [81] As influências formadoras do Concretismo estavam nas experiências da Bauhaus. de atuação mais marginal. montada no Hotel Quitandinha de Petrópolis. Aluísio Carvão e outros. caracterizado pelas referências locais. Antônio Bandeira. lançou um divisor de águas. e junto com a atuação de grupos de vanguarda como o Ruptura. Logo em seguida à sua consagração na primeira Bienal o Abstracionismo se estabelece no Brasil. com sua crença na indústria e no progresso. em São Paulo. Neste momento se assinala o fim da primeira fase do Modernismo brasileiro. [83] Lembre-se ainda Volpi. no Rio. e o Frente. alinhado ao Concretismo paulista e autoproclamado como a "primeira vanguarda brasileira". Pela primeira vez se entendia a obra de arte do ponto de vista puramente plástico. além do Suprematismo e Construtivismo soviéticos. regido por um sistema de convenções que determinava o que era ou não moderno. 1955. Luís Sacilotto. [82] Em 1953 foi lançada a primeira Exposição Nacional de Arte Abstrata.Hermelindo Fiaminghi: Elevação vertical com movimento horizontal. Também foi importante o ideário políticodesenvolvimentista. exemplo típico de pintura concreta. a vanguarda se organizava em torno das tendências abstratas geométrico-construtivas em detrimento das informais e expressivas. Hércules Barsotti. o regionalismo ou a crítica social. pela indefinição estética e pela ausência de convenções. inaugurando uma fase de constituição de um campo artístico autônomo. Segundo De Paula. O manifesto de 1952 do Grupo Ruptura. Outros nomes destacados neste momento são Hermelindo Fiaminghi. formal. e não a partir de questões extra-artísticas como a brasilidade. com obras de Bandeira. Lothar Charoux e Samson Flexor.Waldemar Cordeiro.

o resgate da subjetividade. Em 1956 foi realizada a Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta . [editar]Anos [82] 60-70: engajamento político e crise conceitual O Concretismo se esvaiu em seguida. uma dissidência do Concretismo que repercutiu também sobre a literatura e outras especialidades artísticas. Lygia Pape. 1969. Entretanto. o retorno ao gesto expressivo. Em 1959 Amilcar de Castro. . a manutenção da "aura" da obra de arte e a recuperação do humanismo. embora evoluída da figuração. nestes eventos já ficava claro que a manutenção da unidade do grupo concretista não seria viável por muito tempo. denunciando a "perigosa exacerbação racionalista" do Concretismo e o que viam como uma degradação mecanicista. [84] Os paulistas enfatizavam o conceito de pura visualidade da forma. contra o que os cariocas contrapunham uma articulação íntima entre arte e vida.que. assumiu um caráter fortemente abstrato e construtivo. Ferreira Gullar. [82] Iberê Camargo: Figura em tensão. Reynaldo Jardim e Theon Spanudis assinaram o Manifesto Neoconcreto. realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo e reeditada no ano seguinte no Rio. Propunham em seu lugar a liberdade de experimentação. Franz Weissmann. Lygia Clark. fragmentada em uma grande variedade de propostas diferentes. rejeitando a consideração da obra como "máquina" ou "objeto" e dando maior importância à intuição como elemento central na produção artística. abrindo espaço para a criação do movimento Neoconcreto. dogmática e cientificista do fazer artístico.

o Abstracionismo florescia também em uma linha informal. Sintonizada com esta atmosfera desponta uma geração consumidora de arte. Aqui podemos encontrar artistas como Manabu Mabe. imbuída de uma nova sensibilidade estética e novos hábitos de vida.Por vezes recebendo influência das artes gráficas. ou ainda incorporando objetos e colagens em suas obras. a situação política do pais estava se tornando confusa e agitada. foram representantes típicos do movimento Aluísio Carvão.Mira Schendel. Willys de Castro. O Abstracionismo derivou também na escola Op. com seu dramatismo explosivo. Raymundo Collares. mas sempre com uma organização geometrizante de rigor variável. [86] Entrementes. tendo como condutor as galerias privadas de arte moderna e contemporânea produzida no próprio Brasil. Arcangelo Ianelli. que enfocasse os problemas da nação. exigindo uma nova orientação para a arte.Maurício Nogueira Lima e Luís Sacilotto são bons representantes. um lírico. e em Cultura posta em questão (1965. passando pela implantação definitiva de uma sociedade urbana modernizada. integrando uma burguesia industrial. que trabalhava efeitos puramente visuais e ilusionismos ópticos de diversas espécies. ao mesmo tempo em que se começava a ouvir protestos contra as vanguardas abstratas. [85] No início da década de 1960 se transitava do nacionalismo da era de Vargas ao desenvolvimentismo de Juscelino. privilegiando formas ou linhas fluidas com ênfase na sensibilidade do gesto espontâneo e das sutis gradações de cor. Em Notas para uma teoria da arte empenhada (1963) de José Guilherme Merquior. que sustentou a criação da primeira estrutura de mercado de arte no país nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Abelardo Zaluar. escrito anos antes) de Ferreira Gullar. embora esta corrente no Brasil tenha conseguido poucos adeptos. então ligado à União Nacional de Estudantes. LoioPérsio e Pedro Escosteguy. vanguarda e engajamento político apresentavam-se como operações distintas e inconciliáveis no . Por outro lado. Hércules Barsotti. ou como Iberê Camargo. embora administradas em geral por estrangeiros refugiados da II Guerra Mundial.

Consideravam que estas vanguardas eram de fato entraves e adversários naturais de uma verdadeira popularização em larga escala da arte. [88] Rubens Guerchman: Policiais Identificados na Chacina (Registro Policial). Nas palavras de Reis. um projeto de nação ainda possível dado através das artes visuais experimentais e tendo um caráter transformador ao unir experimentação estética e engajamento político e social". Atacavam os "experimentos estéreis.campo artístico. fundou-se uma das discussões de base dos anos 60 … Ficou muito presente nas discussões entre os artistas e a crítica cultural da época a possibilidade de um projeto de vanguarda nacional. impotentes e alienados" das vanguardas abstratas e intelectualistas e advogavam um decidido mergulho nas questões candentes que agitavam a sociedade brasileira. Ou melhor dizendo. seja pela diferença de seus projetos. "Do encontro destes dois territórios. de mensagem claramente compreensível e de propósito didático. Diversos artistas tomaram a peito a tarefa de reavaliar a natureza da arte e seu papel na sociedade. criando um ambiente oprimido pela censura. Ao mesmo tempo. por aproximações dialéticas e através da complexidade da produção artística. outros críticos punham sob suspeita e atacavam outros elementos do sistema de arte. só possível. colagem e outros materiais. 1968. como os salões. [87] A crise social se precipitou. através de um realismo sociopoliticamente engajado. pintura. os museus e as galerias. segundo os autores. considerando que a obra deixara de ser um objeto autônomo e passava . a experimentação artística e a transformação política. muitas vezes com evidentes ligações de dependência com o poder constituído. os militares deram um golpe de estado em 1964 e foi implantada uma ditadura.

e também apelando para a crítica social. e aproximando-se da Arte Pop norte-americana. pelas expressões populares incultas. José Roberto Aguilar. outra das grandes tendências desta época. uma nova resposta visual para um mundo novo. de acordo com Paulo Herkenhoff. segundo Pedrosa. o nonsense e o humor. embora com objetivos bem distintos desta. devido a interesses da lógica mercantil da novidade e pela própria autonomia do objeto artístico na era moderna. cuja visceralidade. críticos também destacados como Frederico Morais e Aracy Amaral ofereciam leituras bem diferentes do momento estético dos anos 60. Figuras principais são Rubens Gerchman. Apontava ainda para o papel determinante nas transformações das vanguardas recentes o desempenhado pelo mercado de consumo e pela publicidade. Carlos Vergara. teve ampla repercussão na arte brasileira a partir da metade da década de 60 e se estendeu pelos anos 70. salientando a contínua transformação das vanguardas históricas em direção à condição de vanguarda experimental.a ter uma função social. [89] Formou-se então. com uma veia urbana mais agressiva. A produção brasileira dos anos 60. a partir de suas raízes imediatas concretas e neoconcretas. Wesley Duke Lee. o que fazia com que a linguagem das artes visuais fosse rapidamente transformada e substituída por outra. e a do parisiense Mythologies Quotidiennes. além das experimentações abstratas. e seu engajamento social. Antônio Dias. [90] Outras influências figurativas importantes foram a do grupo argentino Otra Figuración. na verdade um feixe de correntes heterogêneas. pela artes gráficas (especialmente a arte seqüencial). retomando a representação figurativa e influenciado pelos meios de comunicação de massa. merece o nome de pioneira em todo o mundo. Nelson Leirner e Roberto Magalhães. Por outro lado. o [91] . por oferecer. a dita Nova Figuração. Mário Pedrosa levantou-se em 1966 em defesa das vanguardas com o texto Crise do condicionamento artístico.

o que se desdobrava por todo o âmbito da arte e da cultura. entre eles Antônio Dias. [92] Outra vertente da movimentação dos anos 60 foi o que se chamou de Arte Conceitual. Carlos Zílio. da Antropofagia e do Concretismo. procurando a construção de uma "arte total". Hélio Oiticica. Os célebres Parangolés de Hélio Oiticica são exemplos típicos dessa integração entre domínios artísticos diferentes. Lygia Clark. [93][89][95] Neste processo de ampla quebra de paradigmas chegou-se a declarar que a pintura. derivada principalmente do Barroco. e a outra negando de todo a existência de uma verdadeira vanguarda nacional. A indagação principal recaia sobre o significado do ato criativo. [94] Neste contexto.primeiro traçando um painel baseado num conceito de identidade tipicamente brasileira. teatro. tornando difícil a classificação de cada peça. minimizando a importância do objeto físico e privilegiando as idéias e propostas subjacentes. Ali o conceito de vanguarda foi expresso da forma mais aberta e complexa possível. etc . Carlos Vergara. tentou-se resolver os impasses da produção artística frente ao novo regime político e posicionar seus desdobramentos formais frente às movimentações internacionais. assinada por um importante grupo de criadores e críticos. Rubens Gerchman. como um gênero específico. [93] Sintomáticos da necessidade de encontrar válvulas de escape para a repressão política foram o uso de suportes alternativos ou incomuns para pintura. poesia. e os críticos Frederico Morais e Mário Barata. e o caráter propositalmente efêmero de certas produções. estava morta. incluindo o corpo humano. e generalizou-se o experimentalismo e a contestação em todas as frentes.pintura. os limites entre as tradicionais categorias de expressão . música. [96] Um consenso temporário e liberal foi obtido em 1967 com a publicação da Declaração de princípios básicos da vanguarda. mas o resultado foi na .deixam de ter relevância e observase um entrecruzamento de materiais e técnicas.

Resultados mais práticos se revelaram na forma da produção artística propriamente dita. as prioridades eram ganhar o apoio da classe média através de uma política de incentivo ao consumo. como a Opinião 65. Com a posse do general Emílio Médici como presidente. [98] Não obstante a pressão política. e destruir a oposição. o regime militar entrou em sua fase mais brutal. pelo crescimento econômico e pela combinação de repressão policial e censura. abriu-se um grande novo mercado de trabalho. se necessário se valendo do assassinato e da tortura. Seu governo foi marcado pela intensa propaganda política. numa fase em que se iniciava o chamado Milagre Brasileiro. entre outras. Nova Objetividade Brasileira e Do corpo à terra. Brasil. com massiva divulgação de slogans como Pra frente Brasil!. [97] Marcello Nitsche: Auto-retrato. Com o fortalecimento da economia. o consumo explodiu e a cultura de massa atingiu níveis de abrangência sem precedentes. ame-o ou deixe-o.verdade amplo e livre demais para não se tornar ambíguo. A conquista pelo Brasil da Copa do Mundo de 1970 de futebol foi um pretexto perfeito para a propaganda do governo. que definiram como possível uma arte ao mesmo tempo experimental e comprometida. com forte penetração norteamericana. Quadro de vídeo mostrando o artista com pintura corporal. Propostas 65. para Tadeu Chiarelli os anos 70 foram extremamente significativos porque certos artistas começaram a se dar conta que os espaços de atuação do . 1975. e no espaço de discussão criado com as exposições públicas. Como disse Napolitano.

acervo do MARGS. a obra que inaugurou uma nova situação para a pintura brasileira foi a série de auto-retratos de 1975. todos os pressupostos conceituais e eruditos do que seria arte. por completo. Juntamente nasceu um autoquestionamento que punha em dúvida todos os pressupostos que. Dentro desse contexto. e como estratégia buscaram produzir obras ainda contundentes. Expressionismo. embora não mais explicitamente contrárias ao status quo. Completando o quadro. até então. associando pintura e vídeo. Concretismo. etc como se pudesse encontrar algum refúgio e um mínimo de identidade na própria história da arte. de Marcello Nitsche. e se iniciaram reflexões profundas sobre suas identidades como artistas. [editar]"Onde [99] está você. onde o artista. . acrílico sobre lona. já naquele momento. 1987. e sobre o lugar que poderiam ou deveriam ocupar no contexto da história da nação e da história da arte. através do uso da alegoria. vivia-se também no Brasil uma crescente inundação de imagens veiculadas pelos meios de comunicação de massa. geração 80?" Leonilson: A viagem secreta. dirigiam a atuação dos artistas mais participativos. representou-se em cada quadro dentro de um determinado estilo da história da arte moderna Impressionismo. "cujo poder avassalador era. e o papel de ambos nessa sociedade em profunda transformação". capaz de destruir. artista.artista numa esfera mais ampla da sociedade haviam sido drasticamente limitados.

Já sem o peso da censura ditatorial. acervo do MARGS. geração 80?". junto com o hermetismo das proposições conceituais. montada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage do Rio de Janeiro em 1984. aplicadas com fartura. mais capazes de traduzir o seu entusiasmo em gestos amplos. Coleção do autor. Mais emblemática dentre todas as desta década foi a exposição "Onde está você. enfatizando a sensualidade . [100] Nela a pintura foi exibida com grande força. acrílico sobre papel sem chassi. em favor de uma explosão de cores e formas e assuntos. As obras eram muitas vezes de grandes dimensões. a sombria e ácida temática política foi abandonada. e as tintas.Ricardo Frantz: Ilha-fortaleza. quase todos em início de carreira. 1989. 1988. Milton Kurtz: Quasi contacto. contando com 123 artistas. A progressiva abertura política dos anos 80 trouxe um clima de relaxamento ao cenário das artes. acrílico sobre tela.

exposição. Nas artes. "alegre". essa geração sonhava com muito som. Beatriz Milhazes. os heróis de histórias em quadrinhos. que a cobriu de adjetivos como "descomplicada". [103] [102] Segundo Marcus Lontra. a sexualidade já sem tantos tabus. "despretensiosa". Leda Catunda. Em São Paulo. Alguns dos pintores mais conhecidos dessa geração. perpassava um sentimento de liberdade. Rodrigo Andrade. Esse compromisso hedonista. de pintar a vida com cores fortes e vibrantes. [101] Passa-se a elaborar crônicas do cotidiano urbano e o corpo humano em seus variados aspectos. muito sol e rock and roll. essa ânsia de ser feliz vai encontrar suas raízes no desejo coletivo de "participar". foi destaque o grupo reunido em torno da Casa 7 e da Fundação Armando Álvares Penteado. um sucesso estrondoso. com uma atitude idêntica. Nuno Ramos. sãoDaniel Senise. de integrar a coletividade democrática que se sonhava". e logo consagrada pela crítica. A repercussão na mídia popular foi da mesma forma grande. nas palavras de Carvalhaes. contrapunha-se um desejo de fazer da arte o local das emoções. curador da Para o mercado de arte e para as instituições artísticas formais a volta da pintura à cena foi um verdadeiro alívio. Essa preponderância do fazer material implicava também uma escassa preocupação com o acabamento do produto final. muitos ainda em atividade.da matéria e o aspecto sensível da obra. "jovem" e outros desse mesmo tom atraente. um desejo de ser feliz. prazeres e sensações. a ação. sendo rápida e avidamente absorvida pelo mercado de arte. valorizando o gesto. um caldeirão borbulhante de odores. [104] . um meio de expressão tradicionalíssimo e bem adaptado à estrutura de museus e para a qual era mais fácil definir critérios de valor. sendo a ausência do chassi da tela uma característica comum em seus trabalhos. A produção dessa geração foi. "Herdeiros do silêncio. Ao esgotamento do modernismo e ao excessivo suporte teórico que confinava a arte em uma espécie de castelo acadêmico somente penetrado por mentes e espíritos elevados. Leonilson e Mônica Nador.

ignorando até jóias mais recentes como Malfatti. A releitura tornase um lugar comum e de certa forma perde o sentido vital que tinha pouco antes. nostálgica. [105] Para Ricardo Basbaum a crítica que celebrou instantaneamente a geração 80 pecou por evadir-se do confronto e análise da obra em si para se concentrar em aspectos puramente comportamentais. o que contribuiu para dar um rosto altamente polimorfo à pintura desta década. com forte influência doNeoexpressionismo e da tendência historicista da corrente pós-moderna. Guignard ou Volpi. Isso foi em parte pretexto para as críticas ao movimento que aos poucos se fizeram ouvir. A debilidade desse nosso revival torna-se ainda mais evidente quando é sabido que a maioria de nossos jovens artistas pintores desconheciam a pequena história da pintura brasileira. fazendo uma releitura de uma grande variedade de temas e elementos formais do passado longínquo e recente. e para Martin Grossmann a prática da releitura historicista não tinha muito cabimento no contexto brasileiro. voluntariamente ignorando tanto a tradição artística como os problemas sociais.O movimento não foi isolado. por exemplo" . e outros ainda entenderam a proposta como ingênua. Outras questionaram a legitimidade da consagração tão rápida e em tão larga escala de artistas tão jovens. a década posterior revelou primeiro um certo esvaziamento. que se traduz mais pela pura vontade de pintar do que por uma proposta estética unificada ou coerente. e acompanhou a recuperação da pintura na Europa e Estados Unidos. sente-se a necessidade de direcionar os esforços em . principalmente pelo fato de não haver no país "… as referências in loco (em museus) como os europeus e os americanos. um cansaço. [106] [editar]Atualidade Na sequência da explosão dos anos 80. conformista ou superficial.

muitas vezes fazendo uso da palavra como elemento plástico que abre para a obra novas dimensões de narrativa. espelhando a sociedade [94] . A pintura brasileira contemporânea mais recente. por sua vez. embora tenha perdido espaço relativo no mundo da arte. anacronismo e originalidade. e os artistas voltam a se encontrar em uma encruzilhada. ainda tendo tendo como base forte as práticas e elementos visuais das vanguardas históricas e do Conceitualismo. com o corpo humano e as relações interpessoais como objeto central. continua muito presente. o vídeo. como a transgressão aos suportes e técnicas tradicionais e a associação com mídias alternativas. significado e visualidade. e têm se valido desta riqueza para criar linguagens pessoais plasticamente atraentes e com uma pluralidade de leituras e associações possíveis. Outros ainda. competido com outras mídias como a fotografia.busca de um novo sentido para a prática da pintura. A diversidade e a busca por uma resignificação de termos são aspectos centrais da produção. A saída encontrada por alguns . metabolizaram mais positivamente a enxurrada de novos conceitos e a abertura de novos campos de pesquisa. relativizando. Outros artistas dão prosseguimento a um trabalho sobre questões típicas da Pós-Modernidade. a performance e a instalação. problematizando e atualizando aspectos de autoria.ou o reflexo de uma desorientação foi a deformação e a ênfase em aspectos de perversidade. estando plenamente atualizada com todas as correntes significativas em voga no momento.

apesar da maciça e facilmente acessível divulgação da arte contemporânea nos meios de comunicação de massa.globalizada e multi-referencial de que o Brasil hoje faz parte. [109] A mesma situação se apresenta para o grande público. se viram na contingência de adaptar e relativizar amplamente práticas e conceitos. essas novas maneiras de fazer e entender a pintura têm repercutido de forma interessante no mundo do ensino artístico. muitos jovens artistas entrem nas faculdades ainda com uma visão romantizada de seu ofício. [107][108] Por outro lado. [111] Os últimos decênios se caracterizaram ainda pelo aparecimento de novo modelo de gestão e funcionamento do sistema da arte. como o Itaú Cultural e o Centro Cultural do Banco do Brasil. implicando uma reorientação nas próprias bases do conteúdo intelectual das . muitas vezes incapaz de decifrar os complexos códigos da linguagem da pintura atual. Não deixa de ser paradoxal que. legitimação e difusão da produção pictórica nacional. e as próprias escolas oficias contemporâneas. seleção. a desempenhar uma função determinante no mapeamento. e demonstrem tanto uma desinformação sobre o contexto recente como uma dificuldade de assimilá-lo de pronto. herdeiras da antiga Academia. passando os curadores. [110] tornando a presença de mediadores de exposição e textos explicativos uma necessidade inescapável. a fim de acompanhar o fluxo dos acontecimentos. produtores culturais e um tipo muito específico de plataforma cultural operada por grandes instituições ligadas ao setor bancário.

[112] Para Calzavara. Adriana Varejão e outros. pesquisadora. Nuno Ramos. ambigüidades e inconclusões a respeito de seus respectivos trabalhos. produzem novas formas de expressão pictóricas. por tornar esse meio expressivo um dos mais conscientes de suas potencialidades e limites.grandes exposições que promovem. ao serem enfrentados. ao menos. a pintura brasileira atual enfrenta o desafio adicional de acontecer um um país tradicionalmente considerado periférico em relação aos grandes centros mundiais. que. Isso acaba por conferir a boa parte da produção atual (ou. Contudo. operando de maneira (às vezes mais e outras menos) tensa entre essas duas condições". têm dado declarações onde expressam incertezas. e continua a deparar-se com dilemas mal resolvidos diante do mundo tecnológico. àquela que considero mais consistente) um estado de autocrítica que acredito benéfico. ao contrário de inviabilizar a pintura. "Talvez possamos identificar aí .mesmo que se trate de uma identificação baseada em incertezas . alinhando-se em regra a uma filosofia neoliberal e servindo como modelos para a atuação de outras instituições menores. O Estado também tem ocupado uma posição de relevo. financiando vários projetos que contemplam a pintura e museus de arte através de leis de incentivo à cultura.uma especificidade relativa ao campo da pintura hoje: ele necessariamente compreende questionamentos inadiáveis num mundo industrializado e tecnológico. como Oscar Araripe. [113] [113] Como disse a . esses mesmos dilemas parecem constituir parte importante da própria essência do fazer pictórico nos dias de hoje. Paulo Pasta. globalizado e pesadamente industrializado em que se vive. tornam-se quase a condição sine qua non para sua existência são esses questionamentos que. Artistas destacados da produção mais recente.

1990. acervo do MARGS  Maria Tomaselli Cirne Lima: Três Semanas. acervo do MARGS  Paula Mastroberti: Daniel. coleção da artista  Mário Röhnelt: sem título. acervo do MARGS  . 1991. 1993. 1991. Regina Ohlweiler: O primeiro vôo do pássaro azul.

coleção do artista  Kika Salvi: Serena Bukowski. 2008 [editar]Pintura marginal À margem do grande circuito oficial ou semi-oficial das artes. no Brasil existe ainda um rico acervo de pintura que não se . coleção do artista  Richard John: da sérieMorphing Jesus. 2008.Alfredo Nicolaiewsky: Anjo da guarda. que sempre teve um caráter marcadamente intelectualizado. 1995. pintura sobre suporte cinético. coleção do artista  Chico Machado:deraierendelouer. 1993/94.

que primam pela originalidade de soluções plásticas. Djanira (um caso na . Anônimo pernambucano:Paisagem. e a recente produção de graffitis nas grandes cidades. e sendo em geral peças de devoção religiosa destinadas ao adorno de locais de culto. sem que isso comprometa suas qualidades estéticas. onde muitas obras nitidamente nasceram fora dos círculos ilustrados. [editar]Arte naïf O gênero pode ser rastreado desde o barroco brasileiro. muitos deles anônimos. acabaram misturadas ao contexto geral. o caso especial da arte dos alienados mentais. preservam uma atmosfera muitas vezes atemporal e ingênua em sua produção. a partir da produção de José Bernardo Cardoso Júnior.enquadra em qualquer categoria erudita. Nomes maiores desta seara são Heitor dos Prazeres. o Cardosinho. [114] Mas somente no início do século XX o gênero recebeu atenção da crítica especializada. Alheios à evolução erudita e sem preparo acadêmico. São os artistas populares ou Naïfs.

que através dele buscavam a compreensão do universo interior de um sujeito que muitas vezes não era capaz de se expressar de outra forma. que amiúde têm grande poder expressivo e alto requinte visual. Constância Nery. Em 1952 ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente para preservação e estudo de um vasto acervo de obras produzidas no atelier do Centro Psiquiátrico. hoje denominado Instituto Municipal Nise da Silveira em sua homenagem. Sônia Furtado. Dos artistas brasileiros são exemplos notáveis Artur Amora. Este campo no Brasil mereceu cuidado especial a partir do trabalho pioneiro de Nise da Silveirano Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II. e legião de outros. Ivonaldo Veloso de Melo.Antônio Poteiro. Emygdio de Barros. José Rodrigues de Miranda. no Rio de Janeiro.Dalvan da Silva Filho. Chico da Silva. Carlos .verdade híbrido). Agostinho Batista de Freitas. e desde então a crítica de arte nacional têm dado alguma atenção a estes trabalhos. José Antônio da Silva. Rosina Becker do Valle. Tercília dos Santos. o imaginário elaborado por doentes mentais recebeu atenção inicialmente por parte de psiquiatras e psicólogos. Rodolpho Tamanini Netto. sem mérito artístico. [editar]Arte [115] dos alienados Tantas vezes considerada mera expressão de mentes perturbadas.

em São Paulo. na parte externa do Museu Afro Brasil. Ver artigo principal: Grafite (arte) De existência imemorial. mantinha ainda um caráter anarquista de contracultura. Albino Braz e Bispo do Rosário. Isaac Liberato. no Parque do Ibirapuera. como forma contestação do sistema ou da cultura oficiais. as inscrições e pinturas de paredes anônimas.como uma maneira de comunicação e autoidentificação grupal e de ocupação de espaços urbanos abandonados. tomaram força a partir dos protestos de rua parisienses de 1968. Pedro Cornas. Entendida por seus ativistas dos anos 80 quando já se havia feito notar como forma de expressão peculiar . os graffiti. e se ligava a movimentos musicais como o punk. [116] Nas Bienais de São Paulo de 1983 e 1985 o gênero recebeu .Pertuis. Graffiti anônimo em Porto Alegre. [editar]O graffiti Graffiti de Daniel Melim.

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