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MARION MACHADO CUNHA

O TRABALHO ALIENADO E A EDUCAÇÃO ESCOLAR NA DINÂMICA CAPITALISTA: UMA “OUTRA ESCOLA” É POSSÍVEL?

Porto Alegre, Rs maio de 2006

MARION MACHADO CUNHA

O TRABALHO ALIENADO E A EDUCAÇÃO ESCOLAR NA DINÂMICA CAPITALISTA: UMA “OUTRA ESCOLA” É POSSÍVEL?

Trabalho acadêmico apresentado à Disciplina de Relendo Clássicos do Programa de PósGraduação em Educação, Doutorado, da Universidade Federal do Rio Grande Do Sul, UFRGS. Profa. Dra. Carmen Lucia Bezerra Machado

Porto Alegre, Rs maio de 2006

Marx. com historicidades e conteúdos reais e concretos de seus vividos.2 PARA INICIAR OS SENTIDOS DAS PALAVRAS: INTRODUÇÃO COM CONTEXTO Este ensaio traz um sentido do qual não podemos simplesmente dizer que são incabíveis ou que estão fora de contexto. de outro devir. Mas esses. Não são palavras novas as que estão ao longo deste texto e tão pouco podemos nos considerar como baluartes desse desejo. Eles estão mortos. porque este é sua função para a qual se propõe qualquer escrita. Estender as pessoas reais e concretas essas palavras. Engels têm no homem real o motivo de suas problematizações e reflexões teóricas. Gramsci. porque o que se apresenta para ela como “valor” é escrita pela palavra “mercadoria”. que o capital luta constantemente em apagar. o devir. empreender constantemente nosso fôlego em denunciar e registrar nossa palavra como poder de negação e superação. “ninguém detém o rio de tuas mãos”: é assim que nos inscrevemos por entre as linhas e as palavras que se desenham aqui. mas para o que está dentro de nossa existência e para “o que está aqui”. daí o . O anúncio de outro caminho. É necessário mobilizar nossas forças. Um vivido negado e sucumbido pela sociedade do capital. como simbolicamente é anunciado por aqueles que aceitam a destituição da capacidade humana e que se “alimentam” do poder que produzem. que aqui estão materializadas. estão enganados ou querem fazer imaginar que estão. felizmente. A palavra. o contexto. Mas qual é sentido central deste ensaio? Partindo do princípio que se pode indagar qualquer texto. nossa intenção é o sentido do vivido. As palavras jamais padecem. Com diz Neruda. não cessa. porque elas são sentidas. representa acreditar no diálogo incessante com outras pessoas. a historicidade da pessoa são encontros que instrumentalizam não para uma posição que está fora de nossa existência ou para o “que está lá”. Toda palavra tem um contexto e o seu sentido está mergulhado nele.

Mészáros. No segundo momento deste ensaio. Para uma unidade textual. e outros autores que acreditam que as palavras têm sentido porque têm contexto e são sentidas. Engels. no primeiro momento. o trabalho. Elas nos interpelam tanto para o contexto de onde foram escritas quanto para o contexto em que podem ser lidas e ouvidas e reescritas. Gramsci. . perguntando o que ela comporta nessa sociedade dominada pelo capital e. indagando se uma “outra escola” é possível. ao mesmo tempo. fizemos uso das palavras de Marx. É por isso que realizamos uma discussão sobre o que representa o trabalho no e para o capitalismo. propondo-nos a apreender como a mercadoria acaba por encerrar e controlar a atividade do homem. estabelecemos uma relação com a escola.3 sentido da palavra. Disso a palavra se apresenta como pontual e misteriosa.

a todos os planetas. ao tempo. é ela’. “o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza. 1989. enquanto ‘o homem faz da própria atividade vital o objeto do seu querer e da sua consciência. Manacorda. conforme as necessidades produzidas pela unidade natural-humana. 202). dela não se distingue. sua absolvição das forças natureza e. Por que? O trabalho é historicamente compreendido como a atividade vital da existência humana. afirma: O que torna o homem um homem. E a terceira. em confronto com os animais. . Segundo. Tem uma atividade vital consciente: não existe uma esfera determinada com a qual ele imediatamente se confunda’. nesse sentido. O homem. em seu trabalho. como propriedade exclusivamente humana. a produção de Luckács. A condição mediadora do trabalho possibilita ao homem. age voluntariamente e 1 É importante destacar que estamos aprofundando a discussão sobre trabalho em três vertentes. as reflexões de Mészáros e Jesus Ranieri. a si mesmo. que garante ao homem seu caráter universal1. ao mar. permitindo pensá-la na estreita relação homemnatureza. impulsiona. assim.O TRABALHO E O TRABALHADOR SOCIALMENTE ÚTIL NO CAPITALISMO “por isso canto ao dia e à lua. ao mesmo tempo. processo em que o ser humano com sua ação. regula e controla seu intercâmbio material com a natureza”. é que ‘o animal se faz de imediato uno com sua atividade vital. (Marx. a tua voz diurna e a tua pele noturna” (Pablo Neruda) O trabalho é uma categoria marxista central para se pensar o homem enquanto sujeito histórico e produtor de práticas sociais materiais e espirituais. A primeira corresponde ao pensamento originário de Marx e Engels. transformando-a e. em poucas palavras. O trabalho. corresponde a capacidade de liberdade da existência natural do homem ao longo de sua história. se referindo a essa categoria em Marx. Assim. que é uma troca com a natureza.

conjurando-o como mercadoria. Toda manifestação humana. mercadorias em geral (Marx. é manifestação do trabalho. Na produção capitalista. Isto implica em um conjunto de forças produtivas e todo o existir do social entre os indivíduos. Sem adentrarmos no caráter histórico da acumulação primitiva do capital. a mercadoria conforma o trabalhador a uma condição de estranhamento do trabalho – a capacidade vital e atividade produtora– e em relações a si. O capitalismo é inegavelmente constituído pelo trabalho. o princípio da universalidade humana. com base num plano e.48). Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. mesmo no capitalismo. dessa forma. vive universalmente da natureza inorgânica: ‘a universalidade do homem se manifesta praticamente na universalidade pela qual toda a natureza se torna seu corpo inorgânico. O trabalho é a única condição na qual a existência humana se constitui como tal. se torna a força determinante do trabalho. Nos Manuscritos . ele produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria. A mercadoria. do homem. Inicialmente. O trabalho é a dimensão primeira do humano sobre o domínio da natureza. O trabalho não produz mercadorias somente.5 conscientemente. Ou seja. Qualquer que seja a formação social esta está sobredeterminada pelo trabalho. o capital tem no trabalho apenas sua força produtiva. quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. o trabalho é o que lhe dá existência. a capacidade vital. é necessário entender como a sociedade capitalista se constitui em relação ao trabalho e que efeitos são produzidos diante dessa realidade histórico-social. Em qualquer formação econômica. p. não ligado a qualquer esfera particular. (1991. 80). sobretudo. p. Essa forma que assume configura-o como produto capaz de produzir outras mercadorias e a mais-valia: O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz. aos outros homens e a realidade material. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. A atividade do homem é garantia de sua existência humana. do homem social. em sua consciência e ações. de fato. 1989. e isto na medida em que produz. o trabalho é atividade que constitui a natureza do homem e a sua capacidade transformadora. Esse poder estranho com o qual se depara o trabalhador diante de sua capacidade vital tem na mercadoria o ‘espírito’ do capital. movimento e desenvolvimento.

dessa forma. p. Assim. Finalmente. por isso . mas somente um meio para satisfazer necessidades fora dele. o trabalho no qual o homem se exterioriza. figurando o caráter de negatividade e de implicações para trabalhador: o seu trabalho não é. é deslocado para a capacidade de se constituir como mercadoria. justamente porque o trabalho toma a forma mercadoria. 2006). com uma externalidade sobre a qual o indivíduo trabalhador não tem nenhum controle. O conteúdo do trabalho histórico. mas a um outro (Marx. mas agora ela não pertence mais a ele. a satisfação de uma carência. 21). Mészáros (2006) aponta esse aspecto da alienação como privação do homem. Todas as outras formas de alienação são expressões do trabalho alienado. (. é um trabalho de auto-sacrifício.. de outro (2006. 2004. a externalidade do trabalho aparece para o trabalhador como se o trabalho não fosse seu próprio. (Marx. sua condição ativa é reduzida a um conteúdo de necessidade do capital.. porque está investido pelas relações de apropriação do trabalho. Marx esboça o sentido da alienação do trabalho. mas sim ao objeto”. Mészáros destaca o seguinte: Assim. mas de um outro. as relações sociais de uma pessoa no capitalismo estão sobredeterminada pela alienação. como se o trabalho não lhe pertencesse.) O trabalho externo. e as expressões desse processo na relação entre homem-humanidade e homem e homem. p. 83) O trabalho. As relações estabelecidas no capital se dão pela forma mercadoria do trabalho. como se ele no trabalho não pertencesse a si mesmo. 2004. de exclusividade do capital. p. se torna independente do trabalhador e dependente do capital. . na medida em que a forma particular do trabalho alienado se apresenta como negação da atividade humana do trabalho. de mortificação. na medida em que o trabalho está no invólucro do mercado e regido por ele. de um lado. Dessa forma. Ou seja. e não a do homem e sua socialização humano-natural. negando o trabalho como o mediador do devir humano. a mercadoria se apresenta como síntese e mediadora de todas as relações sociais no capital.81). Situando melhor essa compreensão. O trabalho alienado é a base de toda alienação (Mészáros. O “trabalhador encerra a sua vida no objeto. como uma propriedade privada. o conceito de alienação de Marx compreende as manifestações do ‘estranhamento do homem em relação à natureza e a si mesmo’.6 econômico-filosóficos. e vital.

só se efetiva nas relações de compra e venda.7 pelas relações de troca.80). nem mais e nem menos. 21). que se refere a “subordinação e inclusão do trabalho ao capital”. p. por conseguinte. 100). A mercadoria se constitui como uma universalidade tanto do conteúdo do trabalho (o produto). A história dos indivíduos tem como conteúdo real a vida material e suas efetivas “contradições” (Marx. p. “o que constitui a alienação do trabalho é. portanto com sua produção. no fato do trabalhador não se realizar em seu trabalho”. coincide como venda e compra. Porque a única existência possível para o capital é valer-se da mercadoria e determinar o valor. Ainda para melhor situar o que constitui essa afirmação. tanto com o que produzem. 2005). na disposição arbitrária da coisa” (1991. O capitalismo tem na força de trabalho uma mercadoria tornada propriedade privada. 1983). (2005. A produção de mercadoria é a necessidade do trabalho alienado. esse conteúdo real dos indivíduos e da história: “O que eles são coincide. p. como expressão de vontade geral. “a ilusão de que a própria propriedade privada repousa unicamente na vontade privada. na Ideologia Alemã. 2006. Nas relações de 2 Mészáros afirma que em Marx inorgânico representa a “expressão concreta e a materialização de uma fase e uma estrutura historicamente dada da atividade produtiva. sob estas circunstâncias. determinado como parte do capital (Romero. Essas relações são formas de socialização do trabalho. No capital. A alienação do trabalho passa justamente pela forma de mercantilização da força de trabalho. o tempo de trabalho. p. o trabalho. como com o modo que produzem” (1991. Marx e Engels esboçam. (2002. Souza destaca que. A lógica do capital naturaliza sua lei e imprime a subsunção 3 do trabalho em qualquer direção. Na medida em que o existir do trabalho só se manifesta como mercadoria “o indivíduo é confrontado como meros objetos (coisas. 80). ou. a qual que apreende das obras de Marx. 20) . na forma de seus produtos. como afirmam Marx e Engels. A condição do trabalho. uma vez que seu ‘corpo inorgânico2’ – ‘natureza trabalhada’ e capacidade produtiva externalizada – foi dele alienado” (Mészáros. dos bens materiais às obras de arte”. nas quais não tem poder de decisão e controle. o fato de o trabalho externo ao trabalhador não fazer parte de sua natureza e. como da forma (processo de produção. p. primeiramente. 3 Estamos usando a mesma definição que Romero dá a subsunção. organização do trabalho). 27-28). p. de compra e venda do trabalho. como a qualidade humana. mercadorias). (2005.

porque o trabalho é apropriado no interior do processo de trabalho e por força do capital. para os proprietários. fragmentando tanto o individuo como destituindo o trabalho de sua capacidade vital para o indivíduo. As mercadorias têm de realizar-se como valores. Mas. que seu produto satifaz necessidades alheias (Marx. onde o salário é pagamento ao trabalhador por vender sua força de trabalho. através de forma extensiva do trabalho . para ‘valer’ como valor-de-troca para ele e para o comprador. p. na compra e venda. Se por um lado o capital é negação do trabalho. p 211). A força de trabalho só entra nas relações de produção depois de ser negociada no mercado. proprietário de todos os bens. mas posta em funcionamento pelo comprador. p. o qual o torna útil no processo de produção para dar conta das necessidades do capital. fazendo referência entre a mais-valia e o salário. e valores-deuso para os não proprietários. pois o trabalho nelas despendidos só conta se foi empregada em forma útil para os outros. 1989. o valor-de-uso: o movimento fundamental para o capital reproduzir-se e gerar sua acumulação. a grande massa trabalhadora obrigada a vender a este capitalista sua força de trabalho em troca de determinada quantidade de mantimentos. o representante do capital. ao mesmo tempo. E nece ssário destacar que a reprodução do capital que se viabiliza pela mercadoria. por outro. como apresenta Marx.” (2003. de mudar de mão. Esse fenômeno garante ao capital apropriar-se do excedente do trabalho corporificada na mercadoria. Mehring. de modo a seguir trabalhando e a produzir uma nova geração de proletários em condições de trabalhador. destaca: “A relação entre a mais-valia e o salário faz com que o modo capitalista de produção. também. Todas a mercadorias são não-valores-de-uso.” (1989. não causa ‘espanto’ que o valor do trabalho só ocorra quando é mobilizado e de forma independente dos indivíduos. Todas têm. antes de poderem realizar-se como valores de uso. o indivíduo aliena o valor-de-uso de seu trabalho4 – não-valor-de-uso –. um processo de produzir valor. matérias-primas e instrumentos de trabalho. Por isso. 27). precisa legitimar e garantir sua viabilidade em todas as instancia do social. na troca. 4 Aqui o trabalho é reduzido a força de trabalho. têm elas de evidenciar que são valores de uso antes de poderem realizar-se como valores. Por outro lado. reproduza incessantemente o capital para o capitalista e crie. o processo de produzi-la tem de ser um processo de trabalho ou um processo de produzir valor-de-uso e. ocultando seu valor-de-uso (força vital). o capitalista. Como forma de síntese dessa afirmação. incessantemente. Só através da troca se pode provar que o trabalho é útil aos outros. Ou seja. de outro. portanto. É mister recorrer à Marx para entender essa fórmula: “Sendo a própria mercadoria unidade de valor-de-uso e valor. essa mudança de mão constitui sua troca. a miséria do trabalhador: de um lado. só existe em função do trabalho. ao mesmo tempo.8 mercado. e sua troca as relaciona umas com as outras como valores. 96) O trabalhador individualizado se apresenta ao mercado como valor-de-troca para se constituir como valor-de-uso pelo comprador.

A diferença material das mercadorias é o motivo material da troca. Esse modo de produção determina “a relação dos indivíduos entre si. Assim. Vejamos especificamente na exposição de Marx: O trabalhador preserva os valores dos meios de produção consumidos. de compra e venda. 1991. a produção e a articulação entre os diversos ramos de reprodução da lógica do capital. que se conjugam e se combinam. convertendo-se em valor de uso. através de sua forma produtiva específica. não pelo acréscimo de trabalho em geral. enquanto cada um deles tiver em suas mãos não o objeto de sua necessidade. ao entrar nas relações de troca. uma combinação entre as diversas formas de trabalho para o mercado. p. A segunda forma. ao instrumento de trabalho e ao produto do trabalho” (Marx.. (Marx. A existência do trabalho alienado no capitalismo é compreendida de duas formas. Marx com lucidez apresenta a força da mercadoria como determinante: (.) no mercado de mercadorias apenas se confrontam os possuidores de mercadorias. mas pela modalidade especialmente útil desse trabalho adicional. e torna seus possuidores reciprocamente dependentes. grifo nosso) É o poder da mercadoria que impinge ao trabalho somente o caráter de aptidão média de qualquer indivíduo: “enquanto valor.. o trabalho é atividade criadora de valor de outras mercadorias. a força de trabalho representa apenas determinada quantidade de trabalho social meio nela corporificado.180. Engels.191). transfereos ao mesmo produto como partes componentes do seu valor. 1989. estando combinados e articulados para o capital. e o poder que exercem uns sobre os outros é somente o que deriva de suas mercadorias. 225). A primeira é a forma extensiva que se caracteriza por refletir o trabalho social. no que ser refere ao material. ela. Os trabalhadores são independentes uns dos outros enquanto força de trabalho.9 A força de trabalho é a única mercadoria do capital capaz de ativar o processo de produzir valor-de-uso e valor. pois. Não é mais do que a aptidão do individuo vivo”. p. Sob esse aspecto. mas interdependentes enquanto totalidade produtiva. mas o das necessidades do outro (1980. que é a intensiva. representa a relação direta do trabalho no . 28). p. (1989. p. difere de todas as outras mercadorias.

estabelecendo novos limites e socialização aos indivíduos em sociedade. que também está no mercado. entra no mercado para circular sua materialidade de valor (tempo social de trabalho). nos possibilita localizar a posição e função de um indivíduo no interior do processo produtivo do capital. A violência que o capital exerce sobre o trabalho manifesta-se de forma desmedida. Mas o que dá a mercadoria sua existência. 119). como qualquer mercadoria. A mercadoria. para se efetivar como propriedade privada e produtora de valor de uso e de valor de troca. A EDUCAÇÃO ESCOLAR NA DINÂMICA CAPITALISTA: UMA “OUTRA ESCOLA” É POSSÍVEL? As relações sociais capitalistas. do sistema da divisão social do trabalho que se desenvolve” (Marx. 1989. com base na alienação do trabalho. 1989. p. o capital impôs seu poder na própria ampliação de forças produtivas. Na divisão social do trabalho do capitalismo. O trabalho é apenas a “parte componente do trabalho social. Esse efeito introduz nas relações de produção o próprio caráter do trabalho valer-se como propriedade privada.10 interior do mercado e da produção. produzida pelo trabalho. transformada em força produtiva para e do capital. aprofundando as práticas dessa alienação. um produto do capital. de compra e venda. 119). mas tornando-a um objeto de troca. que configura a força e o poder de subsunção do trabalho. Esse processo garante às necessidades do capital. enquanto que a força de trabalho. ao mesmo tempo. a capacidade do trabalho. enquanto “forma socialmente útil” (Marx. Não é o produto do trabalho que dá ao capital sua existência. A alienação do trabalhado é a condição sine qua non para o capital. A . o trabalhador é combinado e articulado de acordo com a necessidade de produção de mercadoria. A forma intensiva do trabalho corresponde ao trabalho particular. não é o mercado e. exigiram. p. novas racionalidades produtivas e formas de organização do trabalho. Negando a atividade do trabalho. em um determinado ramo da divisão social do trabalho. sob a égide da mercadoria. Essa última categoria. porque tem na alienação do trabalho a garantia de sua continuidade. A revolução industrial no século XVIII é a expressão mais concreta e histórica do capital. sim. mas a força de trabalho transformada em propriedade.

p. mas também no social e no político”. provoca novas socializações dos indivíduos entre si.11 implantação da máquina. mas criar-lhes condições de reprodução do processo produtivo e das relações de trabalho. como estrutura destinada exclusivamente à sua formação” (Manacorda. 2005). As instituições sociais do capital. a dissolução dos laços de dependência. mas a necessidade do capital em ampliar sua reprodução e se situar no campo da luta de classes. “Cada grupo social. nesse movimento. nascendo no terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica. o trabalhador intelectual não pode ser confundido com os intelectuais que constituem a classe burguesia. que torna o trabalhador um apêndice (Romero. e portanto nada mais seguro 5 A escola surge na humanidade na intima relação com as classes possuidoras: “interior das classes possuidoras. porque na própria história estão as contradições inerentes a ela: a luta de classes. Para Romero (2005). organizando as experiências e o consentimento para o trabalho alienado. por serem proprietários exclusivos de sua força de trabalho. Ainda cabe destacar que. o uso de novas tecnologias. 1991. dominada pela industrialização e pelas novas tecnologias de produção. E. Sobre essa referência Fernández Enguita nos expõe a existência da escola: Os cercamentos. A escola5 passa a ser um espaço institucional estratégico na formação e preparação de trabalhadores6 para a inserção na divisão social do trabalho.115). enquanto expressões jurídico–políticas e culturais. não apenas no campo econômico. Evidentemente que as relações de produção devem ser ancoradas de forma intensiva e extensiva do trabalho. tanto no que diz respeito à forma intensiva como à extensiva do trabalho. 6 Tomamos o sentido de trabalhador aquele que figura todo e qualquer indivíduo que não prescinde das relações salariais para sua manutenção e reprodução e que não se constituem como donos dos meios de produção. com a natureza e com o próprio capital. Para isso era necessário o concurso da vontade do trabalhador. mas não asseguravam a extração de seu valor de uso. a escola figura como uma instituição fundamental e com um conteúdo histórico bastante preciso para essa formação social. embora possam ser colaborardes fundamentais para a reprodução do capital. seja ele relacionado ao trabalho manual ou intelectual. para essa compreensão. E que não possuem controle sobre a produção. (1991. não pode ser lido como aprimoramento de técnica. p 03) . a superpopulação relativa e a ruína dos pequenos artesãos [bases da acumulação primitiva do capital] bastavam para que a força de trabalho aparecesse no mercado por seu valor de troca. precisam ser soerguidas e estarem combinadas com a estrutura de produção em todo tecido social. viabilizadas e controladas. cria para si uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função. Como diz Gramsci. Essas instituições precisam ser organizadas. enquanto valor. Não está em jogo apenas disciplinar um contingente potencial de trabalhadores.

as bases matérias de produção do capital não são asseguradas somente na esfera produtiva. é necessária uma superestrutura. se apresente como uma vontade geral. A educação intitucionalizada. a apresentar seus interesses como sendo o interesse comum de todos os membros da sociedade. Na base material do capitalismo. mas como representante da sociedade. p. dando à lógica do capital viabilidade como práticas naturais dessa sociedade: sua expressão como classe social está na condição de manter a estrutura produtiva da qual emerge sua força. especialmente nos últimos 150 anos. A escola assume um caráter dinâmico na estrutura do capital por empreender uma educação sistematizada que se apresenta como uma totalidade e como unidade. políticas e jurídicas.114). O instrumento idôneo era a escola. estendidas às pessoas. para alcançar os fins a que se propõe.” (1991. isto é. que dê às bases materiais sua consciência e validade e. para expressar isso mesmo em termos ideais: é obrigada a emprestar às suas idéias a forma de universalidade. grifo nosso). um consentimento: com efeito ainda. p. serviu – no seu todo – ao propósito de não só fornecer os conhecimentos e o pessoal necessário à máquina produtiva em expansão do sistema de capital. p. p 72). (1989. não como classe. a qual tem a função de criar a unidade entre as condições materiais e o conjunto das relações sociais. a burguesia é a classe que representa a força do capital para além da base material. . como também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes. e apresentá-las como sendo as únicas racionais. Ainda é necessário para nossa compreensão a referência que Marx e Engels fazem na Ideologia Alemã: “As idéias dominantes nada mais são do que a expressão ideal das relações materiais dominantes.35). (Mészáros. que ao mesmo tempo. Ora. como se não pudesse haver nenhuma alternativa à gestão da sociedade. com todo o aparato institucional. seja na forma internalizada (isto é. pelos indivíduos devidamente ‘educado’ e aceitos) ou através de uma dominação estrutural e uma subordinação hierárquica e implacavelmente imposta. como os fundamentos dessa organização social e histórica. capazes de converterem a força da lógica do capital em forças hegemônicas. A classe revolucionária surge. . desde. porque já se defronta com uma classe. Engels1991. cada nova classe que toma o lugar da que dominava antes dela é obrigado para alcançar. as únicas universalmente válidas. 2005. (Marx. O que se apreende da importância da educação mediatizada pela escola são as veiculações de valores morais e crenças.12 que molda-la desde o momento de sua formação.74.

p. ao tratar de defender uma teoria pedagógica para a educação. porque ele estabelece uma reflexão fundamental dessa conexão nos “planos superestruturais”. Entretanto. A hegemonia. que correspondem à função hegemônica que o grupo dominante exerce” (1991. Daí a necessidade de compreender a conexão existente entre a base material de produção e a política. Gramsci destaca que existem duas distinções que operam no interior da sociedade capitalista: “a sociedade civil (isto é. nos discursos produzidos fora do ato educativo em geral e. privilegiando os embates ideológicos e políticos que permeiam as mudanças na produção e no trabalho (1998. como movimento e contradições. O que o autor nos chama a atenção é justamente tentar empreender um esforço que seja capaz de apreender as conexões. 159). Temos em Gramsci um conteúdo preciso nessa direção. trata a ênfase das formas de poderes e de ideologia como manifestações externas: Ainda a teoria pedagógica e curricular estão marcadas por essa externalidade. Arroyo. implica na capacidade de direção. para desempenhar sua função de direção em relação aos demais grupos sociais” (Severino. p. A realidade. 10-12). p. no sentido mais amplo.13 A educação. nos embates ideológicos. se torna um “instrumento valioso de um grupo social dominante para o exercício de sua hegemonia. Nesse sentido. centrar-se nas estruturas de poder. relações. do capitalismo engendra uma educação escolar voltada para as socializações do capital. fora da prática escolar. Arroyo nos coloca a questão central para viabilizarmos a leitura sobre a instituição escolar orientada por um conjunto ideológico-cultural. especificamente. contradições que ocorrem entre o mundo do trabalho e a escola. p. filosóficocientífico. nos modelos de infância. As conseqüências têm sido marginalizar seu próprio objeto. dominação e o exercício do . em Gramsci. Disso decorre um de seus conceitos fundamental: “a hegemonia”. 44). nesse espaço institucional. expressa que é fundamental discutir sobre as formas de poderes e as relações de força que constituem a existência da escola. Os próprios estudos sobre trabalhoeducação caem por vezes nessa externalidade. 157) e. Mais adiante. o autor chama a atenção que este fenômeno é apenas “parte das questões educacionais” (1998. o conjunto de organismos chamados comumente privados) e da sociedade política ou Estado. não se pode limitar ao “denuncismo”. prático e ético-moral. dessa forma. em seu ensaio. concreta e histórica. 1986. na história das idéias.

a educação escolar é uma educação alienada. Não é o trabalho que é a negação da capacidade vital do homem. é possível entender o porquê Manacorda afirma que é com a indústria que a escola é “uma coisa de toda a sociedade” (1991. de direção e dominação” (2005. p. como uma das instituições da sociedade civil. a escola é um espaço social e político. E também porque essa escola se apresenta dividida entre a escola para trabalhadores e escola para intelectuais (para o trabalho manual e para os dirigentes intelectuais). 1986. Segundo Gruppi.116). Em outras palavras.69). na disseminação e reprodução da ideologia e. p 67-68). Nenhuma alternativa será possível se não romper com os “sistemas de internalizações” do capital. dominadas ou subalternas – como diz Gramsci – participam de uma concepção do mundo que lhes é imposta pelas classes dominantes. Ela existe no seio da divisão social do trabalho e como aparelho de hegemonia. 1995). p. na consolidação do consenso social. que é ao mesmo tempo uma instituição de hegemonia. ao analisar o conceito de hegemonia de Gramsci. Por isso. mas o conjunto produtivo do capital e sua lógica de mercadoria. seu efeito para os indivíduos incide na legitimação do trabalhador alienado. A escola do capital tem um papel importante na configuração. e não aos interesses e à função histórica – ainda inconscientes – das classes subalternas (Gruppi. expressa que: As classes sociais. Essa ideologia das classes dominantes corresponde à função histórica delas. Faz necessário pensar outra educação para além do capital (Mészáros.14 consenso e da persuasão (Gruppi. sem “ações conscientes” na qual a educação no sentido mais . Partindo dessas referências. na preservação do bloco histórico dominante [estrutura de produção capitalista e a superestrutura político-ideológica] e na reprodução da própria estrutura de produção da formação econômica do referido grupo (Severino. Mello é bastante preciso ao considerar que o capitalismo precisa de “hegemonia ativa. 44) Se na escola burguesa a sociedade tem no trabalho somente seu aspecto produtivo de mercadoria e a forma útil do trabalhador. conseqüentemente. 1991. 115 . p. 1980).

A partir dela é possível além de mudar as condições de reprodução gerir “automudança consciente dos indivíduos chamados a concretizar a criação de uma nova ordem social metabólica radicalmente diferente”. p. .170). refere à capacidade de apreender através do espírito criativo.65). em sentido amplo. para Gramsci (Nosella.. Nessa direção. 2005. que Gramsci orienta. 2004). na perspectiva do homem concreto e histórico. A formação a partir do trabalho. a luta contra-hegemônica está também na luta “contra-internalização” (Mészáros.. onde a prática. se apresenta como fundamental para o homem e o trabalho. dessa forma.) re-encontramos na proposta gramsciniana da escola unitária um conceito que funde a caraterística formativa-humanista [o ensino das leis da natureza e da sociedade] com sua dimensão prático-produtivo”. p. As instituições de educação formais estão. o homem no reencontro do trabalho ativo.45). Disso a escola burguesa não pode nos possibilitar. 2005). (Mészáros. É aqui cabe a negação da escola burguesa. mesmo porque.” (2005. ou seja.. Uma prática educativa orientada por aquilo que Marx e Engels apresentam como “dominar o real” e o “vínculo com história”. 2005). livre e autônomo o movimento das leis naturais e humanas. como diz Mészáros. está em unidade com a consciência. p. Concordamos com Mészáros quando sublinha que o “cumprimento dessa nova tarefa histórica envolve simultaneamente a mudança qualitativa das condições objetivas de reprodução da sociedade. “integradas” e revestidas pelo capital. mais do que negar o capital. é estratégica nesse movimento. 65). A educação é compreendida no sentido mais amplo e situada no trabalho: são duas premissas essenciais para mobilizarmos uma educação capaz de atender a existência do homem em sua unidade natural-humana. (2004. A educação. O princípio desta luta tem no próprio o trabalho a condição e o conteúdo central.15 amplo deve ser mobilizada (Mészáros. Nosella destaca: “(. E disso a concepção de uma escola unitária.. A educação da escola unitária aqui não corresponde à educação escolar do capital. atividade humana. Torna-se imprescindível movimentar uma luta contra-hegemônica por entre as fissuras abertas pela contradição dentro e fora da escola. é necessário imprimir outra reprodução social. Para isso. Lançar mão da práxis como conteúdo da verdade e da história da existência humana a partir da qual é possível se lançar a uma contra-hegemonia. a “consciência da práxis existente” (1991. em outras palavras. p.

dessa forma. 2005. É sob essa compreensão que será possível criar instrumentos que não se subjuguem às mistificações capitalistas e da mercadoria.16 É inevitável nossa posição política de contra-hegemonia de romper com o vigente modelo de reprodução que a atual educação escolar dispõe na sociedade. a partir de uma tomada de posição de práxis. conforme a necessidade do mercado. terá o trabalho dimensões criativas e produtivas da e para a existência humana. Enquanto esta ratifica as disposições dos indivíduos para a legitimidade da mercadoria e a divisão social capitalista. É possível empreender sua negação para todos os indivíduos concretos e criar condições reais e alternativas desse momento histórico. para Gramsci o trabalho deve ser o fundamento central e estratégico para a legitimação do homem real e histórico. . dispondo os indivíduos em uma hierarquização na divisão social do trabalho. p. Uma luta que não cesse de aprofundar e ampliar a contradição da escola burguesa. A educação. 48). Disso deriva uma capacidade “consciente” de uma educação contra-internalização. porque é sustentada por um “objetivo de uma mudança verdadeiramente radical” (Mészáros. produção e política. assume um valor exponencial. na estreita conexão material e espiritual. A educação do capital é necessariamente pautada por educação alienadora do capital. que terá na escola o espaço privilegiado e orientado para a formação intelectual e para o trabalho. O que Gramsci nos oferece é uma compreensão diametralmente oposta à escola do capital. que a desestabilize tanto internamente quanto externamente. O primeiro passo é justamente compreender suas conexões e vigências e o fundamento que dá viabilidade ao capital. Daí sim.

Só será possível uma escola unitária. sob a dinâmica da política) e as relações de força militares.17 PARA NÃO CONCLUIR No capital onde o trabalho é alienado. das internalizações dos valores e dos princípios dominantes capitalistas. sua reprodução não se realiza de forma mecânica. e partindo dele. Mas também esse espaço escolar é um palco de contradições. A escola é uma instituição na qual o capital não cessa de produzir sua hegemonia e internalizações do trabalho alienado: a educação formal acaba sendo indispensável para a reprodução da lógica do capital. Se outra escola é possível. Mas é preciso antes superar da auto-alienação do trabalho no capitalismo. Para Gramsci é necessário conhecer as relações de força: a) a relação de “força ligada à estrutura objetiva” que é forjada pelo “grau de desenvolvimento das forças materiais de produção” (campo da estrutura de produção e das forças produtivas). a resposta é sim. fazer valer como eminentemente político. p. b) a relação de “força política” que é elaborada no conjunto da “avaliação do grau de homogeneidade. 48-51). todo o tecido social é na mesma medida. 2005). (1980. na qual o trabalho seja a centralidade para. na medida em que trazer o trabalho para dentro e fora da escola burguesa do capital. construir alternativas reais (Mészáros. . no sentido gramsciniano. e empreender uma luta de contra-hegemonia. Entretanto. de autoconsciência e de organização alcançado pelos vários grupos sociais” (campo da superestrutura. Temos que mobilizar a práxis geradora da verdade e da história como conteúdo contra-hegemônico para a qual a educação funcione com uma catarse das mitificações. Daí a importância de estabelecer por dentro da escola relações de força que sejam capazes de agir tanto internamente como externamente. A sociedade não é algo estático e as relações de forças se caracterizam pelo potencial das classes sociais tem em mobilizar suas existências coletivo-individuais. daí a emergência revesti-lo ainda mais de contradições.

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