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SÉRIE PENSANDO O DIREITO

Nº 37/2011 – versão publicação

A quantificação do Dano Moral no Brasil: Justiça, segurança e eficiência Convocação n. 001/2010 Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas DIREITO GV Coordenação Flavia Portella Püschel Equipe Pesquisadores doutores: Alessandro Hirata André Rodrigues Corrêa Bruno Meyerhof Salama José Rodrigo Rodriguez Pesquisadores: Carolina Ignácio Ponce Luciana Marin Ribas Luis Antônio G. de Andrade Maybi Mota Rebecca Groterhorst Estatística: Eliana Bordini Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL) Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Edifício Sede – 4º andar, sala 434 CEP: 70064-900 – Brasília – DF www.mj.gov.br/sal e-mail:sal@mj.gov.br

Secretaria de Assuntos Legislativos

Ministério da Justiça

CARTA DE APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
Quatro anos após o lançamento do projeto Pensando o Direito, a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ) traz a público oito novas pesquisas para que toda a sociedade conheça mais sobre aspectos diretamente ligados às leis e normas vigentes no Brasil. Esta publicação consolida os resultados das pesquisas realizadas pelas instituições selecionadas na Convocação 001/2010 do Projeto Pensando o Direito

A cada lançamento de novas pesquisas, a SAL renova sua aposta no sucesso do projeto

Pensando o Direito, lançado em 2007 com o objetivo de qualificar e democratizar o processo de elaboração legislativa. Com essa iniciativa, a SAL inovou sua política legislativa ao abrir espaços para a sociedade participar do processo de discussão e aprimoramento do ordenamento normativo do país. Isso tem sido feito pelo fortalecimento do diálogo, principalmente, com a academia jurídica, a partir da formação de grupos multidisciplinares que desenvolvem pesquisas de escopo empírico, como estas aqui apresentadas.

A inclusão do conhecimento jurídico de ponta na agenda legislativa tem estimulado

tanto a academia a produzir e conhecer mais sobre o processo legislativo, quanto qualificado o trabalho da SAL e de seus parceiros. Essa forma de conduzir o debate sobre as leis contribui para o fortalecimento de uma política legislativa democrática e permite levantar argumentos mais fundamentados e convincentes para apresentá-los ao Congresso Nacional, ao governo e à opinião pública.

O Pensado o Direito consolidou, desse modo, um novo modelo de participação social para

a Administração Pública. Por essa razão, em abril de 2011, o projeto foi premiado pela 15ª edição do Concurso de Inovação da Escola Nacional de Administração Publica (ENAP).

No contexto da democratização do processo de elaboração legislativa, os resultados das

pesquisas do Pensando o Direito fazem parte de uma série de publicações. A série, que leva o mesmo nome do projeto, é lançada ao final das pesquisas como compromisso de transparência e de disseminação das informações produzidas.

O presente caderno faz parte do conjunto de publicações em versões resumidas que

reúnem os volumes 32 a 40 da Série Pensando o Direito. A versão integral de cada uma das 40 pesquisas já realizadas até o momento pode ser acessada no sitio eletrônico da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, em www.mj.gov.br/sal.

APRESENTAÇÃO DA PESQUISA
O presente trabalho de pesquisa teve como fio condutor uma inquietude: haveria uma discricionaridade excessiva do Poder Judiciário no estabelecimento dos valores de danos morais, capaz de comprometer a previsibilidade das decisões e o tratamento igual de casos iguais? Ou, formulando de outro modo: há segurança jurídica suficiente no sistema atual de cálculo de danos morais? Trata-se, na realidade, do questionamento de uma noção de senso comum muito

Brasília, novembro de 2011.

Marivaldo de Castro Pereira Secretario de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça

difundida tanto entre leigos quanto entre juristas, segundo a qual o Poder Judiciário costuma conceder arbitrariamente altas indenizações a título de dano moral. A preocupação com a arbitrariedade no exercício do Poder pelos Tribunais

e a injustiça das decisões é totalmente legítima e estava a exigir uma investigação aprofundada, especialmente diante do fato de que o Poder Legislativo tem procurado lidar com esta questão por meio de projetos “tarifadores do dano moral”, direcionados a preestabelecer o valor das reparações, os quais são polêmicos, tanto no que se refere à sua adequação, quanto à sua constitucionalidade. Pesquisamos a questão na doutrina jurídica, nos projetos de lei e debates

parlamentares e, principalmente, na própria jurisprudência. O levantamento jurisprudencial, feito com base nas decisões de quinze tribunais

das Justiças Estadual, Federal e do Trabalho de várias regiões do país, é o coração do trabalho. Foi ele que nos permitiu superar a discussão abstrata do problema e tratar da jurisprudência com mais do que apenas intuição - com dados concretos - e contestar alguns mitos sobre o cálculo dos danos morais. Foi o levantamento jurisprudencial também que nos deu mais trabalho, sem

dúvida. Não apenas pela quantidade de decisões analisadas, ou pela dificuldade de acesso aos dados junto aos Tribunais, mas, sobretudo, porque, sendo a pesquisa empírica ainda relativamente pouco desenvolvida na área jurídica, representou um desafio metodológico especialmente grande.

O que nos motivou a todos foi o desejo de contribuir para as discussões de política legislativa sobre o cálculo do dano moral. no projeto “Pensando o Direito”. SEGURANÇA E EFICIÊNCIA Relatório de Pesquisa apresentado ao Ministério da Justiça/ PNUD. Flavia Portella Püschel (Coordenadora Acadêmica) SÉRIE PENSANDO O DIREITO A QUANTIFICAÇÃO DO DANO MORAL NO BRASIL: JUSTIÇA. É importante frisar que um trabalho abrangente e aprofundado como este apenas Fundação Getulio Vargas Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo foi possível de realizar em equipe. de modo a direcioná-las para um caminho mais frutífero. Referência PRODOC BRA 07/004 SÃO PAULO OUTUBRO de 2011 7 .

38 II.1 Constitucionalidade da tarifação.. O levantamento jurisprudencial.13 I. A tarifação da reparação por dano moral..15 I..32 II.24 II.1...2.1 Da adequação da compensação..2 Critérios de cálculo..46 II..50 9 .....46 II.1..1 Valores de reparação e sua uniformidade..1 O tratamento jurisprudencial dos limites indenizatórios presentes na Lei de Imprensa (L.2.2.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Sumário Introdução.. 5250/67)..3 Conclusão sobre a constitucionalidade da tarifação..2 O tratamento jurisprudencial dos limites indenizatórios presentes na regulação do transporte aéreo..32 II.11 I.2 Da clareza da compensação...1..3 Da uniformidade...49 II.43 II..2 Tarifação e suas prováveis consequências práticas.33 II...

Esses dois fatores (a falta de critérios legislativos expressos e o caráter extrapatrimonial do dano) levaram ao desenvolvimento jurisprudencial de critérios para o cálculo de danos morais bastante variados e que.. não consiste em uma indenização (pois não torna a vítima indene). no entanto.55 Introdução Desde a Constituição Federal de 1988 (CF/88) encontra-se superado o debate anteriormente existente sobre a reparabilidade dos danos morais (ou extrapatrimoniais). mas em uma compensação. ficou a cargo do Poder Judiciário a definição do modo de calculá-los. a qual se tornou central no debate brasileiro sobre danos morais e refletir sobre a conveniência de uma reforma legislativa para regular o tema. apontam para uma preocupação dos tribunais com a prevenção de ilícitos por meio da adoção de uma estratégia punitiva (PÜSCHEL. A reparação do dano moral. isto é. 10 11 .. Essa situação gera uma inquietude: haveria uma discricionaridade excessiva do Poder Judiciário no estabelecimento dos valores de danos morais. em muitos casos. nem sequer de modo aproximado. Ao pacificar a questão...53 Referências bibliográficas (da versão completa do relatório). 17-36). a Constituição não determinou critérios específicos para o cálculo da reparação nesses casos. p. no oferecimento de uma coisa diversa da que foi perdida como forma de compensar a perda. a rigor. formulando de outro modo: há segurança jurídica suficiente no sistema atual? Este artigo sintetiza os resultados da pesquisa realizada para responder a esta questão. de modo que o pagamento de uma quantia em dinheiro – ao contrário do que ocorre na reparação de danos materiais – não tem o poder de colocar a vítima no estado anterior à lesão. em vez de guardar relação com a perda sofrida pela vítima.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Conclusão. É preciso notar que o cálculo dos danos morais propõe uma dificuldade intrínseca: trata-se de danos que por definição não tem valor monetário. capaz de comprometer a previsibilidade das decisões e o tratamento igual de casos iguais? Ou. Tendo em vista que tampouco a legislação infraconstitucional estabeleceu tais parâmetros e que aqueles utilizados para o cálculo de danos materiais (danos emergentes e lucros cessantes) não se aplicam aos danos morais. 2007.

No quarto capítulo. apresentamos no capítulo sétimo uma proposta de projeto de lei regulando a matéria. Feito isso. a partir da análise de acórdãos. Remetemos o leitor que queira conhecê-los em maior detalhe ao texto do relatório completo. A medida da insegurança será dada pela comparação dos valores concedidos com especial atenção às questões da tarifação. dos critérios de cálculo e dos objetivos sociais da responsabilidade por danos morais. Por meio da análise dos valores concedidos a título de danos morais será possível ainda verificar a hipótese igualmente muito difundida de que os valores de danos morais concedidos são excessivamente altos. no quinto capítulo. existentes tanto na doutrina. do ano de 2008. Em seguida. havendo risco de surgimento de uma indústria de danos morais. para submetê-la ao debate público. quanto no parlamento. a técnica legislativa empregada (por meio da qual se aumenta ou diminui o espaço para a atividade jurisdicional). O levantamento jurisprudencial O levantamento de dados da jurisprudência. No primeiro Isso significa que muitos dados e aspectos dos argumentos serão necessariamente capítulo tratamos do que se deve considerar segurança jurídica e das armadilhas capazes de frustrar os objetivos da legislação que vise a aumentá-la. tarifação de danos morais. Por mais importante que seja. os objetivos sociais do próprio instituto jurídico da responsabilidade civil por danos morais. No terceiro capítulo. tem como objetivos centrais fornecer dados concretos sobre a real dimensão da insegurança jurídica decorrente do sistema atual. apresentamos uma análise da jurisprudência sobre o deixados de fora ou serão tratados apenas superficialmente. tratamos do estado atual do debate na doutrina nacional. em uma tentativa de apreender (e respeitar) a avaliação sobre a semelhança dos próprios tribunais. No segundo capítulo. I. cálculo dos danos morais. A pesquisa procurou atender ao objetivo de investigar as questões acima na tramitação que estabelecem teto e/ou tarifação de danos morais. a segurança jurídica não é o único objetivo do ordenamento jurídico: a regulação legislativa do cálculo dos danos morais precisa conciliar a segurança jurídica com a persecução dos fins sociais da responsabilidade civil por tais danos. levantamento jurisprudencial realizado e na análise da tarifação. passamos ao tratamento crítico da questão dos objetivos da responsabilidade por danos morais e das técnicas legislativas para sua regulação. o qual encontra um importante Concluída nossa análise crítica do direito vigente e das propostas de alteração. Federal e do Trabalho. evidentemente. no sexto capítulo. de objetivo ambicioso. vamos concentrar a discussão nos principais resultados do 1  Esta categoria foi desenvolvida por nós para dar conta do papel de certas circunstâncias do caso (outras que não o direito violado e o dano causado) na determinação da semelhança entre casos. e por outro lado. federal e do trabalho. analisamos projetos de lei atualmente em para casos que possam ser considerados semelhantes (conforme façam parte de uma mesma “constelação”1 de casos). bem como um panorama dos critérios de cálculo desenvolvidos pela jurisprudência na ausência de regulação expressa. estabelecido o estado atual da questão no direito brasileiro. O problema da segurança jurídica apenas pode ser tratado satisfatoriamente quando se consideram duas ordens de questões: por um lado. das Justiças Estadual. 12 13 . de modo a testar a hipótese amplamente aceita pelo senso comum jurídico de que há grande disparidade no tratamento dos casos. Trata-se. redigido com base nos resultados de levantamento realizado em quinze tribunais de diferentes regiões do país. obstáculo na imensa quantidade de decisões judiciais que tratam do cálculo de danos morais. cuidamos do problema da constitucionalidade da jurisprudência nacional de três Justiças: estadual.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça O relatório completo da pesquisa articula-se em sete capítulos. Neste artigo.

caso se escolhesse um período mais recente. 15 . Este último aspecto mostrou-se especialmente problemático e será tratado com Neste ponto. TRT20. TRF2. em realidade. definiu-se a limitação temporal bases de dados não é. Este método nos permite apresentar resultados com margem de erro de 5% para I. a amostra da Justiça Federal foi composta de acórdãos dos cinco Tribunais Regionais Federais. TRT4. com a análise de 1044 acórdãos. sobre aquilo que o tribunal decide (ao disponibilizar certas decisões para consulta pública) que quer que seja considerado como sendo sua jurisprudência. em virtude da Súmula 07. cinco para cada Justiça2. Trabalhamos com três amostras. mas decide apenas casos nos quais entende que os valores deferidos na instância inferior sejam excessivamente altos ou excessivamente baixos. de um ano. Também devido ao excessivo número de decisões. com a necessidade de coincidência do território de competência entre os tribunais das diferentes Justiças (na medida do possível. generalizações quantitativas são problemáticas e precisam ser feitas com cautela. verificar a hipótese de que os valores arbitrados são excessivamente altos. Além disso. TRT24.1. TJSP. Os tribunais selecionados foram os seguintes: • Justiça Estadual: TJRS. Trata-se. nome do advogado. uma vez que a competência dos TRFs não respeita as fronteiras das regiões geopolíticas do país). TJSE. TRF4. optamos por trabalhar com quinze tribunais. um levantamento acerca da jurisprudência de cada tribunal. para haver certeza de que todos os acórdãos do período estariam disponíveis nas bases de dados (o que poderia ser um problema. uma para cada Justiça. Na escolha dos tribunais analisados. TJMS. • Justiça Federal: TRF1. procurou-se conciliar cortes representativas de cada região geopolítica do Brasil. TRF5. de levantamentos sobre o que poderíamos chamar de “a face pública” da jurisprudência de cada tribunal. o mesmo ocorrendo com a Justiça Estadual. tendo sido escolhido o ano de 2008. é necessário dizer algumas palavras sobre as bases de dados mais detalhe adiante. Não são todos os acórdãos – mas acórdãos selecionados – que compõem a base de dados de jurisprudência dos tribunais. etc.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Para enfrentar esta dificuldade sem abandonar a busca por resultados que mais e para menos. pois tem repercussões importantes para os resultados da pesquisa. traduzissem a realidade do país (e não apenas de um estado ou região). Há tribunais que permitem acesso a todas as decisões. devido de jurisprudência dos tribunais em geral. isto é. distribuídos entre as várias regiões do país. foi composta com acórdãos dos cinco tribunais selecionados para a respectiva Justiça. esta corte não trata do tema da quantificação em geral. Isto é importante. na verdade. bem como a necessidade de trabalhar com bancos de dados acessíveis. Diante disso. Valores de reparação e sua uniformidade No que se refere aos valores concedidos a título de reparação por danos morais. Diante disso. TRT8. apenas as partes e seus advogados possuem. devido ao prazo variável para inserção das decisões nas bases de jurisprudência). nome das partes. Selecionados os tribunais. naturalmente. buscou-se. por sua vez. Trata-se de informações que. pois a existência de condenações exorbitantes. Assim. pois não há como saber qual a quantidade de decisões em um ou outro sentido que deixaram de ser colocadas na base de dados. 2  Não incluímos o Superior Tribunal de Justiça (STJ) dentre os tribunais analisados pelo fato de que. Cada amostra. mas com base em dados como número do processo. um levantamento exploratório apontou que. TRF3. é importante deixar claro que todo levantamento feito a partir de tais ao grande número de decisões judiciais. não há informações claras sobre o modo como são selecionadas as decisões incluídas nas bases de dados. em primeiro lugar. • Justiça do Trabalho: TRT2. TJPA. seria necessário fazer o levantamento por amostragem. a amostra da Justiça do Trabalho por acórdãos dos cinco Tribunais Regionais do Trabalho selecionados.

seja de cada amostra separadamente.000. Os casos em que as vítimas receberam valores superiores a R$100.00 a R$ 99. Em segundo lugar.999.999.00 e em 62% por cento dos casos.000.999. Em 91% por cento dos casos.00: 16% das vítimas receberam menos que R$ 5. TRFs .00 De R$ 10. é um dos argumentos comumente invocados em favor da tarifação da reparação por danos morais e do estabelecimento de tetos.00 De R$ 25.999.00 ou mais 23% reparações em casos semelhantes.000.000.00 a R$ 99.00 a R$ 49.999.000. também nos Tribunais Regionais do Trabalho.00 41% De R$ 10.000.000.999. seja de todos em conjunto.999. Em 87% por cento dos casos.999. Faixas de Valores por Vítima .000.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça com a criação de uma “indústria de danos morais” voltada ao enriquecimento das vítimas.00 a R$ 9.999. 16 17 .00 representam apenas 4% do total.999. embora com uma tendência maior à concentração na faixa que vai de R$ 10.000. Assim.00 ou mais casos as vítimas receberam menos que R$ 5.000.000.00 a R$ 24.000.000.000. Os casos em que as vítimas receberam valores superiores a R$100. esse valor foi de até R$ 24.00 representam apenas 3% do total. evitando o que muitas vezes se denomina de “loteria” dos danos morais.00. esse valor foi de até R$ 24. buscou-se verificar se há grande variação nos valores das 27% TJs -Faixas de Valores por Vítima 6% 1% 2% Menos de R$ 5.00 De R$ 50.00 a R$ 49.Geral 5% 11% 38% 3% De R$ 5.000.000.00 a R$ 9.999.00 representam apenas 3% do total.00 De R$ 25.00 a R$ 24.00.00 a R$24.00 a R$ 9. 29% 14% A mesma situação se verifica quando analisamos as amostras separadamente.999.00 11% De R$ 50.000. No que se refere à primeira questão.00 De R$ 25.00 a R$ 49.00 De R$ 100.000.00 a R$ 24.999. apresenta uma marcada prevalência de valores baixos. esse valor foi de até R$24.00 a R$ 99. nos Tribunais Estaduais. esse valor foi de até R$24.Faixas de Valores Concedidos por Vítima 6% 4% 3% Menos de R$ 5.00 16% 60% De R$ 10. temos que em 38% dos Nos Tribunais Regionais Federais.00 ou mais Finalmente.00 Menos de R$ 5.000. Em 81% por cento dos casos.00 De R$ 50.00.00 De R$ 5. Os casos em que as vítimas receberam valores superiores a R$100. Combinando-se os resultados de todas as amostras. 60% das vítimas receberam menos que R$ 5.999. a análise dos valores concedidos pelos tribunais analisados.00.999. Os casos em que as vítimas receberam valores superiores a R$100.000.000.00 representam apenas 2% do total.000.00 De R$ 5.00.00 De R$ 100.999.00. de modo a testar a capacidade dos tribunais de conceder tratamento igualitário.00 De R$ 100.000.000.000.000.00.000.999. 41% das vítimas receberam menos que R$ 5. o padrão de concentração dos casos nas faixas mais baixais de valores se repete.

18 19 .00 a R$ 24. na jurisprudência dos tribunais analisados. que é difícil discordar dela. Ao contrário do que supõe o senso comum.000. O acidente ocorreu porque o motorista do ônibus partiu sem verificar se o caminho estava livre e. diante dos resultados deste levantamento. é preciso concluir que a ausência de critérios legais para o cálculo do valor da reparação por danos morais não levou. em se estabelecer quais casos são semelhantes – exigindo tratamento semelhante – e quais casos são diferentes – exigindo tratamento diferente. é possível encontrar distinções. todas são circunstâncias as quais – pode-se argumentar – diferenciam as situações. O tipo de dano parece É possível discordar dos critérios empregados. especialmente para cumprir o objetivo punitivo da responsabilidade. e o maquinista não apitou nenhuma vez.Faixas de Valores por Vítima 4% 9% 6% 16% Menos de R$ 5. a crítica que se pode fazer segunda vítima tinha renda mensal de mais de R$ 50. A vítima no primeiro caso era um homem de poucas posses. A contribuição da primeira vítima para o acidente. O motorista não apenas atropelou o homem.000.000. o fato de que a segunda vítima foi aos tribunais. evidentemente um bom modo de determinar a semelhança entre os casos: pessoas que sofrem danos semelhantes devem receber reparações semelhantes.00 a R$ 99. inclusive.000. é que os valores concedidos podem ser excessivamente baixos.00 a R$ 9. esperando na área indicada pela companhia aérea pela van que o transportaria para a sala de passageiros. Diante disso. mesmo em casos de morte (um dano sobre o qual se pode razoavelmente argumentar que é igual para todos). nem cancela. note-se que é casos é mais difícil. e é isto que torna difícil a análise a que nos propomos quanto ao tratamento igualitário.00 De R$ 100. 2008). a vítima costumava transitar pela área e tinha conhecimento da passagem do trem (PORTO ALEGRE. mas também o arrastou por 30 metros (SÃO PAULO. A preocupação dos tribunais com a moderação dos valores aparece. este é um consenso que não nos leva muito longe. à temida situação de condenação a valores milionários.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça TRTs . pois.999. acelerou em vez de frear (pois estava em treinamento e ainda não sabia guiar o ônibus adequadamente). portanto.999. a diferença da situação econômica das vítimas. Imaginemos dois homens mortos por atropelamento. quando foi atropelado por um ônibus de transporte de passageiros. sofrendo uma morte especialmente terrível. O outro estava na pista de um aeroporto.00 De R$ 10.999. quando percebeu a iminência do atropelamento. havia boa visibilidade.00 De R$ 50. após desembarcar de um avião. ao passo que a expressamente no discurso de fundamentação das decisões. Um exemplo pode ilustrar bem esta dificuldade.00 a R$ 49. Esta afirmação parece tão óbvia. justificando a atribuição de valores distintos como reparação do dano moral decorrente da morte.00 De R$ 25. o critério “proibição do enriquecimento sem causa” está entre os mais frequentemente encontrados nas decisões de todas as amostras. justamente.000. Não havia sinalização. Por outro lado. justamente a ideia de proibição do enriquecimento sem causa que a torna uma distinção relevante.00 ou mais 41% No entanto.00. o qual – conforme também se verá abaixo – é amplamente aceito por esses mesmos tribunais. 2008). Um deles foi atropelado por um trem ao atravessar a linha férrea em perímetro urbano.000.000. Como se verá abaixo.00 5% 19% De R$ 5.999. que desfigurou seu corpo. mas fica evidente que distinções são possíveis. A análise da capacidade de os tribunais manterem o tratamento igualitário dos arrastada por vários metros. A dificuldade está. Com relação ao aspecto das diferentes situações econômicas.

aquelas que apresentam situações fáticas que se podem considerar mais homogêneas. Inscrição no SERASA/SPC/CCF/ Protesto indevido.000.9% 100% frequentes que identificamos em cada amostra.563.00 500. no entanto.00% 2 De R$ 50.999.00 De R$ 5.030.40% 5.00 a R$ 49.999.00 20 21 .6 vezes.00 a R$ 24. ressalvando-se.80% 25.00% 0 De R$ 100. em cada Tribunal: Menos de R$ 5.00% 1. Segue tabela com os valores mínimo e máximos concedidos para cada dessas TRT Ocorrências 15 3 28 9 2 0 2 59 % dento da constelação 25.00 1.60% 88 0 0. o que (embora também possível) não é o mesmo que afirmar que os tribunais não são capazes de estabelecer critérios de semelhança e leva-los em consideração para manter a igualdade no julgamento dos danos morais. O que pretendemos verificar – em conformidade com o objetivo geral deste cada constelação analisada.10% 47.000. mesmo na ausência de critérios legais expressos.000.5% 15.00 a R$ 49.000.000.00 De R$ 10. Note-se.999. por faixa de valor.00 1. As constelações selecionadas foram as seguintes: • Tribunais Estaduais: Cobrança indevida.10% 15. que em 91%.000.00 De R$ 5.Cobrança Indevida 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Menos de R$ 5.000.00% 3.00 a R$ 9.00 0 0.000.00 a R$ 24.999.00 R$ 100. • Tribunais Regionais Federais: Inscrição no SERASA/SPC/CCF/Protesto indevido.00 25.00 0 0. selecionamos para análise.000.23 38.999. dentre as “constelações” mais % dentro da constelação 44. Com esse fim. é de se esperar que haja distinções capazes de justificar certa variação de valores. os casos encontram-se distribuídos do seguinte modo: TJs . Com relação ao valor atribuído ao dano moral.00% 1.7 vezes o valor mínimo.4% 100% O valor máximo para casos de cobrança indevida nos Tribunais de Justiça é aproximadamente 9.40% 0.000.00 a R$ 49.00% 0. nesta pesquisa procuramos respeitar as distinções traçadas pelos Segue tabela com o número de ocorrências/porcentagem do total de casos de próprios tribunais.999. • Tribunais Regionais do Trabalho: Assédio Moral/Sexual no Trabalho.000.999.00 5 21.00 De R$ 25.70% 8. A análise do conjunto desses casos que os próprios tribunais consideram semelhantes podem nos dar dados sobre o sucesso ou insucesso dos tribunais em manter a igualdade de tratamento.00 De R$ 25.999. que mesmo dentro do grupo de casos semelhantes.500. o que corresponde a uma diferença de aproximadamente 6.500. pois não seria útil dizer que os tribunais são incapazes de atender ao princípio da igualdade usando um parâmetro de igualdade externo. no entanto.90% 0.000.5% 100% TRF Ocorrências 79 17 9 1 0 0 2 108 % da constelação 73. os valores de reparação estão na faixa entre R$ 1.00 Valor máximo 14.000.40% 27.000.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Diante disso.00% 0.00 a R$ 9.00 a R$ 99. A crítica neste caso seria outra: tratar-se-ia de criticar o modo como os tribunais estabelecem a semelhança entre os casos.00% 3 23 100% 198 trabalho – é se os tribunais são capazes de estabelecer semelhança e tratar igualmente os casos assim estabelecidos.00% 0 0 0.999.7% 55 De R$ 10.00% 0.00 80.00 2 8.000.00 e R$ 9.00 ou mais Não informado constelações nos respectivos tribunais: Tribunais TJs TRFs TRTs Constelação Cobrança indevida Inscrição no SERASA/SPC/CCF/Protesto indevido Inscrição no SERASA/SPC/CCF/Protesto indevido Assédio Moral/Sexual no trabalho Casos 23 198 108 59 Valor mínimo 1.30% 1.30% 3.000.00 ou mais Não informado TJE Ocorrências % dentro da constelação Ocorrências Cobrança indevida Cobrança indevida Inscrição no SERASA/SPC/CCF/ protesto indevido Inscrição no SERASA/SPC/CCF/ protesto indevido Inscrição no SERASA/SPC/CCF/ protesto indevido Inscrição no SERASA/SPC/CCF/ protesto indevido Assédio Moral/ Sexual no Trabalho Assédio Moral/ Sexual no Trabalho 16 69.3% 0.7% 50 De R$ 25.00.

00 a 50.000. Os gráficos de distribuição de casos por faixa de valor acima mostram para todas as constelações analisadas e em todos os tribunais uma grande concentração de casos em faixas mais estreitas de variação de valores. Com relação ao valor atribuído ao dano moral.000.00 a 25.999. os casos encontram-se distribuídos Mesmo o intervalo de variação de valores sendo amplo demais.00 a 10.999.00 a 100. os casos encontram-se distribuídos do Trabalho é de 80 vezes o valor mínimo.Inscrição SERASA etc. sendo um dos 2 casos nos quais o valor da reparação ultrapassou a faixa de R$ 24. como se vê.000. suas repercussões físicas.00 9.00 De R$ R$ Não De R$ De R$ De R$ 5.00 9.999. etc.999.00 a 25.Assédio Moral/ Sexual A maior diferença entre o valor mínimo e o valor máximo (80x) encontra-se na constelação “Assédio moral/sexual no trabalho” a qual se pode considerar a mais sujeita O valor máximo para inscrição no SERASA nos Tribunais Regionais Federais é a variações dentre as analisadas: as condutas que caracterizaram assédio podem ser muito diversas. os casos encontram-se distribuídos do seguinte modo: do seguinte modo: TJs .00 a 25.00 30 25 20 15 10 5 0 Menos de R$ 5.00 24.000. do seguinte modo: realidade bem menor.00 a 10. psíquicas e sociais sobre a vítima. 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Menos de R$ 5.00 TRTs .00 24. apontando que a diferença entre os extremos refere-se a casos excepcionais.000. Isto é um indicativo de que a diferença de valores entre os caso de uma mesma constelação é geralmente pequena.00 a 25.00 99.00 De R$ De R$ De R$ R$ Não De R$ 5.999.00 De R$ De R$ De R$ De R$ R$ Não 5. assim como a posição relativa dos envolvidos na hierarquia da empresa.999.000. A diferença.000.999.000.00 49.000.00 a 10.000.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça O valor máximo para inscrição no SERASA nos Tribunais de Justiça é O valor máximo para assédio moral/sexual no trabalho nos Tribunais Regionais aproximadamente 76 vezes o valor mínimo.00 informado R$ R$ R$ R$ ou mais 49. mas o caso com valor máximo encontra-se isolado.000.00 informado R$ ou mais R$ R$ R$ 24.999.999. que fogem à regra. com casos excepcionais. Com relação ao valor atribuído ao dano moral.00 49.000.000. uma análise mais detalhada mostra que para a maior parte dos casos essa variação de valores é em TRFs .999. Com relação ao valor atribuído ao dano moral.Inscrição SERASA etc.00 49.00 informado R$ R$ R$ R$ ou mais 9.000.00 a 100.000. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Menos de R$ 5.999. 22 23 .00 a 100. a duração do assédio.00 49.999.00.00 aproximadamente 25 vezes o valor mínimo. e grande.999.00 a 25.000.000.000.

Tendo em vista que a dissuasão depende do efeito negativo que a sanção tem sobre o sujeito responsabilizado. além de diversos critérios excessivamente vagos. Curioso. bem como a justificativa de considerarem-se punitivos ou não. como “razoabilidade”. analisadas e a frequência de sua ocorrência. fugindo à regra). ao lado de critérios limitadores (como a proibição do enriquecimento sem causa). Mas pode ser também um indício de que a jurisprudência sobre este tema específico ainda não atingiu maturidade suficiente. I. eventualmente. cf. dado importante é a constatação do grande uso de critérios punitivos 6 67 41 34 13 7 3 66 45 63 72 52 1 43 8 3 19 Culpa concorrente da vítima Industria do dano moral Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Simples violação do direito Grau de culpa do ofensor Ganhos obtidos Circunstâncias fáticas Lapso temporal entre o ilícito e a propositura da ação Práticas atenuantes por parte do ofensor Conduta das partes antes e depois na justificativa do cálculo dos valores dos danos morais a serem compensados. Finalmente. um mais grave e outro menos grave. De todo modo. os baixos valores encontrados nas decisões judiciais analisadas indicam a necessidade de discutir abertamente a questão. a jurisprudência aceita a ideia de que a responsabilidade civil por danos morais deve servir para punir/dissuadir o autor de atos ilícitos. 3  Para uma descrição de cada um dos critérios identificados. sua regulação por meio legislativo (neste caso. O uso de critérios excessivamente vagos pode ser apenas a manifestação de um déficit de fundamentação das decisões judiciais que não é exclusivo dos casos de danos morais. 24 25 .Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Especificamente no caso de “Assédio moral/sexual no trabalho” nos Tribunais propondo. Seguem os dados sobre os critérios de cálculo identificados nas decisões Regionais do Trabalho. no entanto. a versão completa do relatório de pesquisa. apesar das divergências doutrinárias ainda existentes. é que a aceitação de critérios punitivos não resultou em valores de condenação altos. bem como outras informações importantes. Isto indica que. para elevar os valores das condenações). a distribuição dos valores parece indicar a existência de dois subgrupos de casos. pois há concentração de casos em 2 faixas de valores (com casos excepcionais. Critérios de cálculo A análise dos critérios empregados pelos tribunais em seu discurso de justificação • Tribunais Estaduais Critérios Enriquecimento sem causa Extensão do dano Posição da vítima Posição do agressor Capacidade econômica da vítima Capacidade econômica do ofensor Adicional de periculosidade/ insalubridade Indenização de outras fontes Razoabilidade Equidade Proporcionalidade Critério material Ocorrências 206 195 110 64 54 64 1 dos valores de reparação de danos morais forneceu o elenco de tais critérios3 e sua frequência. Percebeu-se que há critérios voltados à compensação da vítima. vale lembrar que a vagueza e a grande variedade de critérios identificados não parece afetar a estabilidade dos valores das condenações.2. ou simplesmente “as circunstâncias fáticas”.

seguida pela menção expressa à função punitiva dos danos morais (66 ocorrências).. Condutas das..... 26 27 . Função preventiva.. é também muito frequente.... Industria do dano.. uma vez que é possível argumentar que tal critério introduz uma distinção inaceitável entre os direitos dos indivíduos.. Critério material... Dentre os critérios punitivos.. pelo menos um critério de cálculo punitivo. Circunsâncias. Capacidade.. Ganhos obtidos... ou seja. Capacidade... Grau de culpa do..Critérios Punitivos 66 45 72 63 52 64 Extensão do dano.. Lapso temporal.... Proporcionalidade. aquele que ocorreu com maior frequência foi a simples violação de direito (72 ocorrências). Indenizações de..... Posição da vítima. • Tribunais Regionais Federais por outro lado... Práticas.....Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça TJs Critérios de Cálculo 250 200 150 100 50 TJs . Posição do.. Razoabilidade.... o que pode levantar objeções ao fundamento da jurisprudência desses tribunais e ser um argumento favorável à intervenção legislativa. em aproximadamente 52% dos casos... há referência a sem causa (206)....... embora tenha menos ocorrências que a Critérios Enriquecimento sem causa Extensão do dano como amic curiae indeferida Participação Posição da vítima Posição do agressor Capacidade econômica da vítima Adicional de periculosidade/ insalubridade Indenizações de outras fontes Razoabilidade Equidade Proporcionalidade Critério material Culpa concorrente da vítima Ocorrências 175 153 91 54 65 7 10 157 90 85 10 10 extensão do dano... Função punitiva.................. Simples violação... indica... mas também que a repercussão da ofensa sobre a vítima é medida preferencial da compensação... O fato de que a extensão do dano é o segundo critério mais frequente (195).. Enriquecimento...... Equidade..... O critério da posição social da vítima.. 0 1 Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Simples violação de direito Grau de culpa do ofensor Ganhos obtidos Capacidade econômica do ofensor O critério com maior número de ocorrências foi a proibição do enriquecimento Em 202 acórdãos. Culpa... Função pedagógica. o que indica a preocupação dos tribunais analisados com a limitação dos valores concedidos a título de danos morais.... não apenas a relevância da função compensatória da responsabilidade por dano moral..... Adicional de.......

... Proporcionalidade Industria do dano. 28 29 Condutas das.. seguida pela menção expressa à função punitiva dos danos morais (124 ocorrências).. Indenizações de. O critério com maior número de ocorrências nos TRFs foi. vem a extensão do dano.. pela extrema vagueza. Circunsâncias.51% dos casos. em aproximadamente 84.Critérios Punitivos Critério material Series 1 150 que embora possa também traduzir uma preocupação com a moderação dos valores de reparação. Grau de culpa do.. aquele de maior ocorrência foi a simples violação de direito (150 ocorrências).. Adicional de.. Culpa.. Simples violação.... O problema.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Critérios (cont. ou seja. é minimizado pelo fato de que nenhuma decisão emprega o critério da razoabilidade isoladamente. O critério com segundo maior número de ocorrências foi a “razoabilidade”. Em terceiro lugar em frequência. Práticas.. 0 Equidade .. há referência relevância da função compensatória da responsabilidade por dano moral e a importância da repercussão da ofensa sobre a vítima como medida da compensação.. o que indica a preocupação dos tribunais analisados com a limitação dos valores concedidos a título de danos morais... a proibição do enriquecimento sem causa (175 ocorrências). Extensão do. Posição do. Capacidade... mais uma vez.) Industria do dano moral Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Simples violação do direito Grau de culpa do ofensor Ganhos obtidos Circunstância fáticas Lapso temporal entre o ilícito e a propositura da ação Práticas atenuantes por parte do ofensor Condutas das partes antes e depois Ocorrências 2 124 70 101 150 80 0 116 40 2 15 200 150 100 50 TRFs .. a pelo menos um critério de cálculo punitivo.. Na ausência de critérios legais. no entanto. ser também considerado como apenas uma referência ao poder do juiz e não propriamente um fundamento para o seu exercício. Razoabilidade Dentre os critérios punitivos. Lapso temporal. é critério excessivamente vago que pode... indicando novamente a 101 Ganhos obtidos 80 88 Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Simples violação de direito Grau de culpa do ofensor Capacidade econômica do ofensor Em 251 acórdãos.. Enriquecimento. a construção da segurança jurídica pela jurisprudência depende da concretização de termos vagos deste tipo..Critérios de Cálculo Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Posição da... 124 70 TRFs ...

. apenas o 8º. Adicional de.35% dos casos. critério mais citado pelos tribunais analisados.. Condutas das partes. Em 310 acórdãos. seguida pela função preventiva (143 ocorrências).. Extensão do dano Posição da vítima Posição do agressor Capacidade.... Ganhos obtidos Circunsâncias fátidicas Lapso temporal entre. Também nos TRTs.. em aproximadamente 86. Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Simples violação de..Critérios de Cálculo Ocorrências 122 300 250 Ocorrências 249 102 85 73 186 29 44 177 76 77 48 35 7 124 142 143 109 131 1 155 59 10 32 200 150 100 50 0 Dentre os critérios punitivos....... Razoabilidade Equidade Proporcionalidade Critério material Culpa concorrente da. o critério da proibição do enriquecimento sem causa é expressivo.Critérios Punitivos 124 O critério com maior número de ocorrências foi a extensão do dano (249 Função punitiva ocorrências).. Industria do dano moral. 30 Enriquecimento sem. no entanto... Grau de culpa do. Práticas atenuantes. com 122 ocorrências.. há referência a pelo menos um critério de cálculo punitivo.. TRTs .. 186 142 143 109 131 1 Função pedagógica Função preventiva Simples violação de direito Grau de culpa do ofensor Ganhos obtidos Capacidade econômica do ofensor 31 .. sendo.. Capacidade. ou seja.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça • Tribunais Regionais do Trabalho Critérios Enriquecimento sem causa Extensão do dano Posição da vítima Posição do agressor Capacidade econômica da vítima Capacidade econômica do ofensor Adicional de periculosidade/ insalubridade Indenizações de outras fontes Razoabilidade Equidade Proporcionalidade Critério material Culpa concorrente da vítima Industria do dano moral Função punitiva Função pedagógica Função preventiva Simples violação do direito Grau de culpa do ofensor Ganhos obtidos Circunstância fáticas Lapso temporal entre o ilicito e a propositura da ação Práticas atenuantes por parte do ofensor Condutas das partes antes e depois TRTs . Indenizações de... aquele que ocorreu com maior frequência foi a capacidade econômica do ofensor (186 ocorrências).

tabelar o valor de danos morais seria desnecessária. em 2009 a ADPF 130/DF (BRASÍLIA. Na versão completa do relatório da pesquisa. Diante dessa constatação a análise da constitucionalidade da tarifação das reparações por danos morais neste trabalho está organizada em torno da jurisprudência dos tribunais superiores nestes temas. Nesses dois âmbitos encontramos regras legais que limitam a priori os valores de indenização: no âmbito dos meios de comunicação temos a regra inscrita nos art. Diante disso. 2009a) e no Recurso Extraordinário 351750-3/RJ (BRASÍLIA. etc. Nesta síntese. usuários.1 Constitucionalidade da tarifação Pode-se afirmar que dois dos maiores campos produtores de danos aos direitos de personalidade são os circunscritos pela atividade dos meios de comunicação e pela atividade de fornecimento de produtos e serviços ao consumidor. o fato de que até pouco tempo4 vigia entre nós uma Lei de Imprensa (lei 5250/67) que estabelecia regras instituidoras de limites fixos aos valores relativos à indenização dos danos morais produzidos através dos meios de comunicação fez com que essas regras fossem objeto da análise dos dois tribunais superiores com vistas à definição de sua constitucionalidade. começando por este último. 2009a) conforme veremos abaixo. II. assim não surpreende o fato de que a discussão judicial sobre a constitucionalidade da 4  Até ser julgada. pelo STF.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça II. Além disso. a decisão política pela regulação estrita dos valores de reparação por danos morais permanece naturalmente em aberto. A tarifação da reparação por dano moral Os resultados do levantamento jurisprudencial descritos acima indicam que o temor de que a ausência de critérios legislativos expressos para o cálculo de danos morais leve a uma situação de imprevisibilidade das decisões e grande desigualdade de tratamento entre as pessoas não encontram respaldo na realidade da jurisprudência brasileira. incisos da lei 5250/67 (conhecida como lei de imprensa) e no âmbito do fornecimento de serviços ao consumidor temos as regras inscritas nos artigos 22 do decreto nº 20. etc. 32 33 . vamos nos limitar a indicar os resultados da análise. 5250/67) A atividade das empresas de comunicação. bem como dos profissionais a elas práticas e pelo ângulo da sua constitucionalidade. Faremos isso por dois pontos de vista: pelo ângulo de suas prováveis consequências II. imagem. 2009b).704 de 24 de novembro de 1931 (Promulga a Convenção de Varsóvia de 1929) e 257 e 260 da lei 7565 de 19 de dezembro de 1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica). consumidores.1. no entanto.). por suas peculiares características (investigação e publicação de fatos.) grande potencial lesivo em relação a certos direitos de personalidade (intimidade. Por essas razões compreender a lógica das linhas jurisprudenciais construídas pelo STJ e pelo STF acerca do tema é fundamental para que se possa compreender os suportes e os obstáculos que um projeto que pretenda regular esse tipo de indenização (por danos morais) pode vir a receber do Poder Judiciário no âmbito dos referidos tribunais. ligados tem. apresentando em detalhe apenas as principais decisões do STF em cada um dos dois temas: as decisões na Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 130/DF (BRASÍLIA. é possível concluir que qualquer interferência legislativa para limitação tarifada da indenização do dano moral nos dois tribunais superiores brasileiros (STJ e STF) esteja organizada em torno do debate acerca da recepção constitucional desses dispositivos. privacidade. Ainda assim. obviamente porque abrangem uma massa de sujeitos a eles vinculados (telespectadores. o que nos leva a examinar mais detalhadamente a possibilidade de tarifação dessas reparações. etc).1 O tratamento jurisprudencial dos limites indenizatórios presentes na Lei de Imprensa (L. manifestação de opiniões. encontra-se uma análise detalhada dos argumentos de cada um dos acórdãos relevantes. honra. daí porque estão esses sujeitos (empresas de comunicação e jornalistas/articulistas) entre aqueles que mais comumente são partes em ações de indenização por danos morais. 51 e 52.

Carlos Britto não será acompanhada pelo Min. qual seja a relativa à recepção pela Carta de 1988 de toda a Lei de Imprensa. 5º da CF/88 (BRASÍLIA. inciso V também Ministro Carlos Ayres Britto afirma que a proporcionalidade prevista para a resposta ao agravo “há de se comunicar à reparação do dano” (BRASÍLIA. XIII e XIV do art. o juiz. p. 48). No âmbito do STF. 5º do mesmo texto constitucional (BRASÍLIA. leva em conta o efetivo prejuízo sofrido pela vítima [. Em seu voto o Min. O que não parece ser lógica e normativamente consistente. 5º” (BRASÍLIA. boa parte da discussão que foi depois realizada no Supremo Tribunal Federal e que veio. tais balizas legais não podem subsistir diante da menção. p. Quer dizer. ressalva a necessidade de proteção dos direitos de personalidade elencados nos incisos V e X do art. 220 da CF/88 que não autoriza uma regulamentação dessa atividade no que ela tem de essencial (BRASÍLIA. Carlos Britto a nãorecepção da lei de imprensa como um todo se dá. Aliás. Essa orientação relativa a não-recepção in totum da Lei de Imprensa pela Carta de danos patrimoniais o Min. Gilmar 34 35 . objeto já de decisões anteriores. basicamente. 102). 87. o debate em torno da questão da recepção pela norma argumento de que a não-recepção in totum da Lei de Imprensa deixará sem baliza a indenização dos danos morais produzidos nesse âmbito (BRASÍLIA. com nuances distintas obviamente. foi retomado no âmbito de uma discussão bem maior. 2009a. § 1º tem de ser interpretado como instituidor de “proibição de se reduzir a coisa nenhuma dispositivos igualmente constitucionais. p. 46). Já o Min. após ter proferido um conjunto significativo de decisões sobre o tema. ou seja. Carlos Alberto Menezes Direito. no interior do Superior Tribunal de Justiça. conforme se pode perceber já em sua “explicação” (BRASÍLIA. X. o princípio da proporcionalidade. bem como das chegar-se a concluir pela não-recepção integral da referida lei.93). 2009a. p. não enseja uma disciplina legal apriorística. Como forma de justificar a não extensibilidade desse argumento a regulação legal expressão e comunicação indicadas no art. em constante evolução. ocasião em que acabou por apresentar matizes que não possuía anteriormente. desaguar no julgamento da ADPF 130 (BRASÍLIA. 82). 6  CC/2002. 2009a). segundo ele. 5º. (BRASÍLIA. somente pode materializar-se em face de um caso concreto. ao fixa-la. 104) – esquecendo-se de todo o debate acerca dos lucros cessantes. visto que o universo da comunicação social constitui uma realidade dinâmica e multifacetada. Em 2004. 5º. Constitucional defendida pelo Min. 2009 a) já havia sido realizada anteriormente. segundo o relator o dispositivo do art. 2009a. 220 da CF/88 estão os incisos V e X do art. Ricardo Lewandowsky associa a fixação de indenização para esse casos a uma “aferição objetiva” -“a indenização por dano material.. pois estará sempre regulando segundo modelos abstratos de conduta. à proporcionalidade: Ademais. como todos sabem. 2009a. realizada na Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 130/DF (BRASÍLIA.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Desde meados da década de 90 o STJ vinha enfrentado a questão acerca da Mendes. art.]”(BRASÍLIA. 44). V. p. Em seu voto o Min. 62-69). 2009a. como os mencionados incisos IV. p. p. 2009a. Carlos Britto indica que entre as limitações à liberdade de Ocorre que adotada essa perspectiva chegaríamos à conclusão absurda de que ao legislador não é dada possibilidade de fazer juízos de proporcionalidade. é aferida objetivamente. posteriormente. tal como explicitado no referido dispositivo constitucional. 2009a. por um juízo acerca do que dispõe o art. p. Como se pode perceber pela leitura dos precedentes desta súmula. é importante destacar que inclusive algumas das decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça foram utilizadas pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal como fornecedoras de argumentos estruturantes de suas manifestações. no inciso v do art. 220. 2009a. tipo de dano patrimonial que por imposição normativa tradicional6 5  No que diz respeito ao princípio da proporcionalidade e o disposto no art. o referido tribunal tendo pacificado internamente seu entendimento. 103)5 constitucional dos dispositivos da Lei de Imprensa relativos à limitação da indenização por dano moral. publicou a Súmula 281 na qual restou declarado que “a indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa”. Ricardo Lewandowsky afirma não lhe impressionar o decisões referidas por tais precedentes. ainda que admitindo a possibilidade de recepção pela Constituição Federal de 1988 de algumas das regras presentes na lei 5250/67. Para o Min. 2009a. p. que leve em conta modelos abstratos de conduta. pois.. 402.

. morais e à imagem da pessoa injustamente ofendida.. Nós podemos ter sanções pecuniárias que podem representar. Peluso na ADPF9 no sentido de que: [. a reparabilidade patrimonial de tais gravames. AO OFENDIDO. 165) e cita em amparo sua manifestação no AI 595395/SP8. mas sim com o padrão da razoabilidade. uma vez configurado esse contexto de tensão dialética. as normas inscritas no art. a súmula 281 do STJ (BRASÍLIA. nesse aspecto. 2009a.. 220.] a autonomia privada – que encontra claras limitações de ordem jurídica – não pode ser exercida em detrimento ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros. ASSEGURA. DE QUE RESULTE INJUSTO GRAVAME AO PATRIMÔNIO MORAL/MATERIAL E À DIGNIDADE DA PESSOA LESADA. 104). 5º. impõe-lhe. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 5º. visualizando um campo legítimo de texto constitucional das regras limitadoras da indenização do dano moral presentes na Lei de Imprensa (BRASÍLIA. DANO MORAL. pois é possível ler em seu voto que. Em sentido diverso ao do Min. a necessária observância de parâmetros . a liberdade que deve prevalecer no caso concreto. 56.dentre os quais avultam.. da liberdade de informação. AGRAVO DE INSTRUMENTO IMPROVIDO. . O que. como também reclama eventual intervenção legislativa com o propósito de concretizar a proteção dos valores relativos à imagem. 171-172). Hipótese de não-recepção. quando caracterizado o exercício abusivo. QUE SE RESOLVE. 5º parece se mover a opinião do Min. por seu relevo.O reconhecimento “a posteriori” da responsabilidade civil.expressamente referidos no próprio texto constitucional (CF. 52 (que define o regime de indenização tarifada) e no art. Tal posição será.. MAGISTÉRIO DA DOUTRINA. ART. POR EFEITO DO QUE DETERMINA A PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (CF. além daqueles limites da tarifa. como requisito legitimador de sua prática. cuja eficácia e força normativa também se impõe aos particulares no âmbito de suas relações privadas. em tema de liberdades fundamentais (BRASÍLIA. 52 e 56 da lei de imprensa pela CF/88. no domínio de sua incidência e atuação. 220 da Constituição da República. EXAME SOBERANO DOS FATOS E PROVAS EFETUADO PELO E. em cada situação ocorrente. p. pois se à questão da limitação do dano moral for aplicado o argumento feito pelo Min. posteriormente. em regular processo judicial de que resulte questão dos limites legais à fixação do valor da indenização onde parece indicar justificativa constitucionalmente legitimadora daquela tarifação decorrente do sopesamento entre o interesse na proteção do interesse das vítimas à reparação o mais completa possível e o interesse na proteção das empresas frente ao risco de opressão financeira decorrente de condenações excessivas: O que fez o STJ e. A LIBERDADE DE IMPRENSA EM FACE DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE. O problema está no fato de que o referido Ministro não visualiza o paradoxo que regulação infraconstitucional a esses direitos previstos nos incisos V e X do art. incisos V e X). no caso específico da tarifa. SITUAÇÃO DE ANTAGONISMO ENTRE O DIREITO DE INFORMAR E OS POSTULADOS DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DA INTEGRIDADE DA HONRA E DA IMAGEM. Elas podem vir a sucumbir pela opressão financeira a partir de uma sistemática a condenação ao pagamento de indenização por danos materiais. O DIREITO À REPARAÇÃO CIVIL. no entanto. .]. o poder de transigir ou de ignorar as restrições postas e definidas pela própria Constituição. Cezar Peluso. cabendo. AI 346501. 227). Por fim o Min. art. aí sim.Não subsistem. imagem e à privacidade. mais uma vez. que aquelas tarifas poderiam ser inconstitucionais. Ricardo Lewandowsky refere que. e direitos da personalidade. 2009a. quanto à possibilidade do legislador ordinário regular o direito à indenização dos danos morais decorrentes de agressões à honra. pois a autonomia da vontade seguinte passagem na qual se manifesta sobre a jurisprudência do STJ e do STF sobre a 7  Cita como exemplo: REs 396386-4/SP.A Constituição da República. não parece fazer nenhum sentido lógico e normativo. O EXERCÍCIO ABUSIVO DA LIBERDADE DE INFORMAR. Gilmar Mendes. Doutrina. ambos da Lei de Imprensa (Lei nº 5. já de longa data. 2009a. mas não qualquer tarifa. 5º. que os riscos também da mídia são enormes neste caso. 8 Ementa: “LIBERDADE DE INFORMAÇÃO. art. 9  E em outras oportunidades pelo STF: RTJ 164/757. COLISÃO ENTRE DIREITOS FUNDAMENTAIS. complementada pelas idéias expostas na suas opiniões produzem. p. p. INCISOS V E X). MATÉRIA INSUSCETÍVEL DE REVISÃO EM SEDE RECURSAL EXTRAORDINÁRIA. pois é o próprio estatuto constitucional que estabelece. tem jurisprudência assentada relativamente a não-recepção dos arts. de outro). não podemos dizer. por incompatibilidade material com a Constituição da República promulgada em 1988 (CF. 220 da CF/88 “não só legitima. necessariamente.. AMBOS DA LEI DE IMPRENSA. depois. E vamos ser honestos. PRERROGATIVA CONSTITUCIONAL QUE NÃO SE REVESTE DE CARÁTER ABSOLUTO. a reserva legal estabelecida pelo art. PELO MÉTODO DA PONDERAÇÃO CONCRETA DE VALORES. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. especialmente aqueles positivados em sede constitucional. Doutrina. porque nós sabemos. 56 (que estabelece o prazo decadencial de 3 meses para ajuizamento da ação de indenização por dano moral). em cláusula expressa (CF. INOCORRÊNCIA. POR INCOMPATIBILIDADE COM A CONSTITUIÇÃO DE 1988. 2009a.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça em nosso ordenamento jurídico não está relacionado com o padrão da efetividade. art. o Supremo Tribunal Federal nas duas Turmas? Que aquelas normas [.. os direitos da personalidade . embora garanta o exercício da liberdade de informação jornalística. p. não transgride os §§ 1º e 2º do art. confirmando. RE 161243. NÃO-RECEPÇÃO DO ART. EM TAL HIPÓTESE. Cezar Peluso refere a questão da não-recepção pelo Teríamos que toda e qualquer cláusula de limitação e restrição de responsabilidade seria incompatível com as normas constitucionais. AMPLA REPARABILIDADE. definir. a Corte Suprema não confere a ninguém. EM CADA CASO. [. 447484/SP e 240450/RJ e o AI 496406/SP.250/67). mediante ponderada avaliação das prerrogativas constitucionais em conflito (direito de informar. 52 E DO ART. DE INDEVIDA RESTRIÇÃO JUDICIAL À LIBERDADE DE IMPRENSA. pelo órgão de comunicação social. Doutrina. 36 37 . Precedentes do Supremo Tribunal Federal. de um lado.7 Em sua manifestação o Min.] não foram recebidas e que o juiz poderia fixar critérios outros. § 1º). à honra e à privacidade” (BRASÍLIA. ao Poder Judiciário. V e X). uma ameaça à liberdade de imprensa.

um sentido de afrontar a liberdade da imprensa em toda a sua dimensão. A empresa irresignada solicitou. é possível identificar uma linha jurisprudencial que se inicia Em seu voto a Min. que a mencionada turma emitisse entendimento expliícito sobre a Convenção de Varsóvia e a impossibilidade de ter-se verba indenizatória fora dos parâmetros de tal instrumento. 304). em embargos declaratórios. de algumas regras do Código de Defesa do Consumidor é importante. Nesses julgados o foco do debate estava nas questões relativas: ao alcance das normas constitucionais que se referem ao direito do consumidor e à aplicação das normas presentes no Código de Defesa do Consumidor a setores econômicos nos quais há regulação legal específica (mais especificamente.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça condenação. 51 e 52 da Lei de Imprensa já havia jurisprudência assentada em ambos tribunais10 no sentido de que ambos dispositivos não teriam sido recebidos pela Carta Constitucional (BRASÍLIA.. bem como a interpretação extensiva de seus dispositivos transforma a jurisprudência assentada em torno desse diploma legal em um dos maiores. 2009a. No âmbito do STF. a análise relativa à atuação Tratava-se de recurso apresentado por empresa aérea em vista de decisão proferida pela Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis do Estado do Rio de Janeiro. por todo o exposto. da inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei de Imprensa que pretendiam limitar in abstracto e antecipadamente o valor das indenizações pagas às vítimas de danos morais já estivesse estabilizado antes mesmo do julgamento da ADPF 130/DF (BRASÍLIA. aquela regra que foi considerada in totum inconstitucional não tinha. 1996). Assim. necessariamente. Carmem Lúcia sustenta que no que respeita aos arts.[. 2009a. 10  Dando como exemplo o RE 447584 e o RESP 213188. senão o maior problema que pode vir a enfrentar um projeto de lei que pretenda estabelecer limites à indenização dos danos morais. O precedente mais importante sobre o tema é o Recurso Extraordinário 351750-3/ RJ (BRASÍLIA. transporte aéreo nacional e/ou internacional de pessoas e cargas).2 O tratamento jurisprudencial dos limites indenizatórios presentes na regulação do transporte aéreo Além da jurisprudência relativa à Lei de Imprensa. a qual aparece em vias de consolidar-se no julgamento do RE 351750/RJ (BRASÍLIA. inclusive. A referida turma havia decidido a questão relativa á indenização decorrente dos alegados transtornos decorrentes da má prestação do serviço com base em regra disposta no Código de Defesa do Consumidor.. Essa orientação surge e se cristaliza em um conjunto de decisões do referido tribunal exaradas no confronto com problemas surgidos no interior do setor aéreo. posteriormente informou o reconhecimento pelo STF do direito do consumidor como norma fundamental balizadora de todas as regras infraconstitucionais que regulam relações envolvendo a prestação de serviços e a circulação de produtos. p. o qual analisaremos mais em detalhe. 2009b). 283-284) No final dos anos 90 e começo dos anos 2000 começa a se delinear no STJ uma orientação que. Então. com o Recurso Extraordinário 172720-9/RJ (BRASÍLIA. II. pode-se concluir que ainda que o entendimento acerca nos anos 90. já tendo sido explorados por manifestações divergentes em alguns dos acórdãos que compõem a referida orientação. 38 39 .]. que é seu afazer restrito. 1996) e o Agravo Regimental em Agravo de Instrumento 172720-9/RJ (BRASÍLIA. (BRASÍLIA. Os embargos foram desprovidos sob a alegação de ausência de omissão e. segundo a qual as regras do CDC tem precedência sobre qualquer regra especial relativamente à tutela dos consumidores em qualquer setor da economia. Nesses acórdãos o tópico em questão – a tarifação legal do valor pago a título de indenização – foi analisado em contraste com o sistema de proteção ao consumidor.1. 2009b). porque ela tinha o sentido de proteger esse afazer da mídia. p. ainda que não majoritária à época. pois a amplitude que vem sendo dada ao espectro de aplicação das regras desse diploma. foi interposto o presente recurso extraordinário. por essa razão. tendo em vista os riscos envolvidos na atividade profissional. 2009a) é também possível visualizar que os argumentos que fundamentaram essa linha jurisprudencial possuem inúmeros problemas de consistência alguns deles.

a regra do CDC que garante o direito à reparação efetiva dos danos sofridos pelos consumidores (art. Mas essa linha de argumentação não foi adotada pelos demais Ministros. p. indefinível sem a intervenção dessa mesma legislação (VAZ. Adotada essa premissa vai concluir que “tendo o direito do consumidor status de corrente que. entendendo que o dever de envolvendo o conflito entre as regras presentes na Convenção de Varsóvia e no Código Brasileiro de Aeronáutica e aquelas presentes no Código de Defesa de Consumidor não diz respeito. desde que não violem de forma retrocedente os direitos do consumidor” (BRASÍLIA. passam eles a constituir.). conflita com o princípio da autonomia do legislador. temos: uma lei geral. exatamente por sua natureza principiológica. 2008) princípio constitucional.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Após um breve debate acerca da admissibilidade do recurso extraordinário Sobre a “proibição de retrocesso” cabe destacar que inicialmente o problema (BRASÍLIA.. p. 383 ss. se é correto apontar a existência de elevado grau de consenso [. em regra. com base no conceito de J. p. pois as regras que estabeleceriam o tratamento “menos benéfico” ao consumidor – Convenção de Varsóvia e Código Brasileiro de Aeronáutica .. a “proibição de retrocesso social”. as segundas. implica que não se possa desconsiderar na aplicação das regras relativas à indenização dos danos. já era contemplado na Convenção de Varsóvia. exatamente. Eros Grau e o fez defendendo a preponderância da Convenção de Varsóvia e do Código Brasileiro de Aeronáutica sobre o Código de Defesa do Consumidor sob a justificativa de que esta lei geral não teria derrogado aquelas leis especiais (BRASÍLIA. 2009b.] a admissão de um princípio da proibição de retrocesso social. “o princípio da defesa do consumidor continua a ser contemplado. senão vejamos: O relator para o acórdão. Em sua opinião: Não há incompatibilidade entre os textos normativos considerados. “uma vez obtido um determinado grau de realização dos direitos sociais e econômicos. entre outras. disciplinando. Gomes Canotilho. não pode ser assumido em termos absolutos: Com efeito. diferente do que parece intuir o Min. ou seja. O primeiro a votar foi o Min. (BARROS. entendido como uma garantia dos direitos sociais perante a lei. simultaneamente. Min.. uma vez que o nível de determinação constitucional desses direitos parece ser nenhum. o que faz com que “a Convenção de Varsóvia e o Código Brasileiro de Aeronáutica possam receber aplicações. Carlos Britto discorda da opinião do Min.J.] quanto à existência de uma proteção contra o retrocesso. (SARLET. a uma questão de retrocesso social do tratamento dado a determinado direito fundamental social. 1114-1115). 2009b. o que. presentes nesses dois estatutos. 1105-1106). 6º. 2009b.. 11  Sustenta inclusive o referido Ministro que. igualmente é certo que tal consenso [. sobre a defesa dos consumidores e textos normativos específicos que encerram. não é dado a outras disposições legais restringir indenizações por mau uso do serviço” (BRASÍLIA. 1992. passou-se ao julgamento do mérito. p. Nesse sentido Suzana de Toledo Barros para quem: [. a própria admissão dessa proibição está sujeita a críticas tais como as de que o conteúdo dos direitos fundamentais sociais que se pretende proteger desse retrocesso decorrente de seu tratamento pela legislação ordinária é. inclusive. porque um é geral em relação ao outro: a primeira trata da defesa do consumidor [compreensão menor e extensão maior]. p. disposições sobre a defesa do consumidor em determinado mercado [setor da economia]. 2009b. 2009b. 1085-1097). 2009b. 1114). p.possuem vigência anterior às regras que estabeleceriam o tratamento “mais benéfico” – Código de Defesa do Consumidor11. (BRASÍLIA. 1996. Eros Grau e constrói sua premissa no sentido de que o inciso XXXII do art. 1116).” (Brasília 2009b) 40 41 . por sua vez. Além disso. Carlos Britto. aspectos atinentes a sua defesa enquanto consumidores. p 163) Mesmo entre aqueles que admitem a existência desse princípio parece ser voz indenizar não era objeto do mesmo. 2009b. p. 1101). VI). da relação entre os agentes econômicos e seus clientes em determinado mercado [setor da economia]. Aliás.] abrange o reconhecimento de que tal proteção não pode assumir caráter absoluto. 1104) Por essa razão conheceu do recurso extraordinário e. 5º enquanto norma constitucional densificadora do princípio da dignidade da pessoa humana e da proteção econômica impõe. p. deu-lhe provimento (BRASÍLIA... Assim. uma garantia institucional e um direito subjetivo” (BRASÍLIA.

porventura.] não apenas a redução da atividade legislativa à execução pura e simples da Constituição se revela insustentável. propugnam a impossibilidade de 12  O problema da transmutação das normas infraconstitucionais em direito constitucional e a necessidade de estabelecer parâmetros para esse processo não é algo específico do ordenamento jurídico brasileiro. ao reconhecimento da incompatibilidade existente entre as normas que estabelecem limites pré-fixados à verba indenizatória presentes nos estatutos legais e o referido princípio constitucional (BRASÍLIA. 21).que trata a questão como um conflito entre normas ordinárias que deve ser solvido pelo privilégio às regras especiais – sustenta que a lei 8078/90 ainda que ordinária é “excepcionalmente qualificada pelo fato de versar. I. 2009b. 1987. mas também pelo fato de que esta solução radical. isto é. Carlos Britto identifica como uma 307-309) sublinha a circunstância de que tal proibição não pode ser tida como geral e absoluta sob pena de se colocar em grave risco a necessária e indispensável autonomia do legislador ordinário. como a mantida até a edição da Constituição Federal de 1988. adoção de uma postura cautelosa quanto à admissibilidade geral do dano moral em nosso ordenamento. 1136-1137 e 1141-1142 ). “segundo o qual as indenizações por dano material e moral devem ser a estes proporcionais” (BRASÍLIA. como reconhece Ingo Sarlet. 42 43 .. 1135). o que impediria sua revogação (BRASÍLIA. p. p. cabe sublinhar que o que o Min. 2009b. 2008. tanto um direito fundamental quanto um princípio da ordem econômica”.” 13 “Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica. 5º. pois: [. mais uma vez. esse se transformaria em mero órgão de execução das decisões constitucionais – o que por si só contradiz o reconhecimento constitucional da lei como via de estruturação criativa dos mandamentos constitucionais.. proteger do que entende ser uma violação ao direito à reparação previsto no seu art. levaria. 2008. do contrário. 51. revogação ou aniquilação do núcleo essencial desse direito. a indenização poderá ser limitada. 2003. Assim. retrocesso como tendo alcance geral e absoluto. já adotada no RE 447584-7/RJ. (SARLET. na doutrina estrangeira. p. Na mesma esteira é a opinião de Canotilho para quem: contrariedade às normas da lei 8078/90 – as regras presentes na Convenção de Varsóvia e no Código Brasileiro de Aeronáutica relativas à limitação da indenização do dano patrimonial que. de que as normas constitucionais presentes no art. VI pelas normas presentes na Convenção de Varsóvia e do Código Brasileiro de Aeronáutica que atuam restritivamente sobre as hipóteses e sobre os valores relativos às indenizações devidas aos usuários dos serviços de transporte – admite esse tipo de restrição! Neste ponto se revela. concebido como uma forma de concretização dos direitos de liberdade constitucionalmente garantidos. uma vez que. p. cada vez mais. Carlos Britto. além da admissão da referida figura. 266). Vieira de Andrade (ANDRADE.. Cezar Peluso . pois poderá ser necessário. 26)12.3 Conclusão sobre a constitucionalidade da tarifação É possível perceber uma linha evolutiva em nossa jurisprudência que vai da em constitucionais que se percebe ocorrer no voto do Min. a impropriedade do argumento de que as regras que limitam o direito à indenização constituam sempre e em qualquer hipótese No limite. caso tida como aceitável. pois ele diferentemente do Min.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Nesse sentido. p. para Von Bar (VON BAR apud CANARIS. necessariamente. acabaria por conduzir a uma espécie de transmutação das normas infraconstitucionais em direito constitucional. não se pode encarar a proibição de uma anulação. Por fim. possa surgir nos desempenho dessa atividade – na verdade não pode ser assim compreendida. Eros Grau . pois a própria lei admite esse tipo de limitação conforme resta inequívoca da leitura da parte final do disposto no art. além de inviabilizar o próprio desenvolvimento deste.1. 6º. Em resumo: A própria sistemática da lei 8078/90 – que o Min. Carlos Britto quer [. do referido diploma13. o equívoco da opinião defendida pelo Min. 2009.] a chamada tese da ‘irreversibilidade de direitos sociais adquiridos’ se deve entender com razoabilidade e com racionalidade.. p. adequado e proporcional baixar os níveis de prestações essenciais para manter o núcleo essencial do próprio direito social (CANOTILHO. Aliás. p. “o direito da responsabilidade delitual na Europa de hoje é. 1127). é exatamente essa transmutação indevida das questões infraconstitucionais II. V e X seriam concretizadoras do que chamou princípio da indenizabilidade irrestrita. passando pela admissão completa da figura do dano moral e culminando com o surgimento de opiniões que. em situações justificáveis”. no caso.

Outro argumento encontrado nos acórdãos analisados se estrutura com base em entendimento de que a norma constitucional do art. não pode ser utilizado contra uma lei que teria o condão de criar tetos indenizatórios incidentes sobre todos os tipos de danos morais que podem ser causados por todos e quaisquer sujeitos. temos que: Há uma linha jurisprudencial consolidada no STJ e em vias de consolidação no STF que assume a premissa de que. logicamente.704 de 24 de novembro de 1931 (Promulga a Convenção de Varsóvia de 1929) e 257 e 260 da lei 7565 de 19 de dezembro de 1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica).Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça restrição de sua atuação por meio de norma infraconstitucional. 5º. ou seja. o texto constitucional por sua estrutura normativa distinta da presente em outros diplomas constitucionais estrangeiros não admite se possa “importar” as teses relativas à cláusula de reserva de lei construídas sob as regras presentes naqueles ordenamentos constitucionais. incisos da lei 5250/67 (conhecida como “Lei de Imprensa”). a análise do conflito entre o art. e que serve ao juízo de inconstitucionalidade de uma lei que limita os valores de indenização em vista dos tipos de danos produzidos por sujeitos determinados. Ora. uma legislação que limite a indenização do dano moral em valor fixado a priori não faz com que o conteúdo dos direitos fundamentais protegidos pela possibilidade de condenação do autor da lesão ao pagamento de uma indenização seja completamente afetado. e b) no âmbito do fornecimento de serviços ao consumidor temos as regras inscritas nos artigos 22 do decreto nº 20. em nada atinge a proteção pela via inibitória/preventiva. ainda que se imaginasse que tal ponderação feita pelo tribunal fosse lógica e juridicamente consistente coisa que. do reconhecimento do direito a ser indenizado não decorre. 5º. 5º. Quanto às decisões envolvendo o âmbito do fornecimento de serviços ao temos que: Um dos argumentos utilizados em um dos nossos tribunais superiores –Superior Tribunal de Justiça . V da CF/88 implica o reconhecimento do direito à reparação integral desses danos. de consumidor. Quanto à discussão judicial sobre a constitucionalidade da limitação tarifada da acordo com nossa estrutura constitucional. pois ainda que essa lei No que diz respeito às decisões envolvendo os dispositivos da Lei de Imprensa implique uma redução da proteção pela via indenizatória. não é dado a outras disposições legais restringir indenizações por mau uso 44 45 . V. 51 e 52.para justificar a não-recepção constitucional desses dispositivos acima mencionados está no fato de que a vigência dos mesmos produziria tratamento não-igualitário de forma injustificada (RESP 52842/RJ e RESP 235678/SP). a outra situação concreta. Assim. indenização do dano moral nos dois tribunais superiores brasileiros (STJ e STF) notase que essa está organizada em torno do debate acerca da recepção pelas normas da Constituição Federal de 1988 dos seguintes dispositivos: a) no âmbito dos meios de comunicação temos a regra inscrita nos art. Isso significa que. há o argumento de que reconhecimento do direito à indenização do dano moral e material pela norma inscrita no art. pois da premissa.CF/88 como “direito fundamental à indenização” temos que um conjunto de regras infraconstitucionais que venha a limitar o valor a ser pago pelo réu não faz com que o núcleo essencial desse direito reste completamente afetado. a conclusão de que tal direito não possa ser limitado (tanto pela legislação como pelas partes). Por fim. Compreendido o direito fundamental inscrito no art. 5º. V. e b) assim o resultado da análise aplicada em vista de uma medida legislativa – por exemplo. teríamos que: a) como toda ponderação de princípios parte do pressuposto de que não há princípios absolutos o seu resultado dependerá sempre dos elementos – direitos fundamentais – envolvidos na situação concreta. da CF/88 e o art. ressalta-se mais uma vez. afinal a vítima segue tendo direito a reparação do dano moral. 52 da Lei de Imprensa – não pode ser estendido. Ora. Há aqui um problema de silogismo lógico. direitos fundamentais podem ser restringidos por meio de lei sem que exista previsão expressa no texto constitucional para tanto. ainda que limitada. Além disso. não é. de forma direta. nessa esteira temos que o argumento esgrimido pelo referido tribunal. tendo o direito do consumidor status de princípio constitucional. V e X não admite restrição decorrente de lei infraconstitucional.

isso pode impactar a competitividade das empresas e a qualidade de seus produtos disponíveis no Brasil e no exterior. Analisaremos separadamente cada um desses argumentos. 2. Como se vê. Tarifação e suas prováveis consequências práticas Três argumentos são comumente apresentados para justificar a hipótese de que a tarifação do dano moral em lei possa reduzir a insegurança jurídica no tocante à sua quantificação. a valoração muito baixa do dano moral pode impedir a dissuasão. o segundo da maior clareza. alega-se que a tarifação em lei poderia evitar a valoração muito baixa do dano moral pelo Poder Judiciário. Segundo. Em segundo lugar.2. potencialmente pelo menos. sob a alegação de estabelecer valores mais que na esfera penal coube ao legislador fixar as penas para a prática de crimes. I. Isso é verdade independentemente da acepção que se dê ao termo “compensação”. na verdade. o risco de altas indenizações pode impactar o custo de operação das empresas. uma apreciação de vantagens relativas de diferentes poderes políticos.declarado inconstitucional. Em tese. Primeiro. os prêmios das apólices podem. Para ilustrar este pressuposto é possível invocar uma analogia: da mesma forma II. possam surgir nos desempenho dessa atividade. 1991. X e XXXII . discutindo o tema no contexto norteamericano). conceitualmente modesta: correto é aquele valor que não seja nem excessivamente alto. mais corretos é. a valoração muito baixa traz pelo menos dois tipos de questões. De fato. estejam tais empresas protegidas (ou não) por cobertura securitária. O primeiro é da maior adequação da compensação. Dependendo das circunstâncias. a defesa da tarifação parte do pressuposto de que que o Poder Legislativo teria uma vantagem relativa ante o Poder Judiciário no que toca ao cálculo das adequadas compensações por danos morais. lei 8078/90). pode-se trabalhar com uma definição de compensação “correta” que seja 46 47 . a valoração baixa (por definição) frustra a compensação da vítima. com o aumento dos riscos. porventura. É possível antever certo risco de que um projeto legislativo que pretenda estabelecer limitações aos valores pagos a titulo de dano moral por meio da criação de um sistema tarifário uma vez tornado lei seja . a analogia faz sentido prático. pois a própria lei de proteção aos consumidores admite esse tipo de limitação (art. De tudo o que foi exposto até aqui. potencialmente. simplesmente porque o valor da compensação a ser paga posteriormente em juízo é muito baixo. Parece haver perspectiva positiva para um projeto legislativo que pretenda estabelecer limitações aos valores pagos a titulo de dano moral por meio da criação de um sistema de critérios balizadores do exercício de prudência judicial na fixação de valores das indenizações (arbitramento). antes de tudo. compensações muito altas podem quebrar empresas e até inviabilizar alguns tipos de indústrias. se pode extrair duas conclusões gerais: 1. Primeiro. Isto é: o causador dos danos pode simplesmente continuar a cometer as ações que lhes dão causa.2. também na esfera civil deveria caber ao legislador fixar outros tipos de custos a serem suportados por causadores de danos a terceiros. No interior dessa orientação encontra-se um problema lógico não resolvido pelos tribunais: há um paradoxo que decorre da assunção da premissa de que constituem contrariedade às normas da lei 8078/90 as regras legais.1 Da adequação da compensação A tarifação se justifica. V. ou prevenção. que dispõem acerca da limitação da indenização dos danos que. alega-se que a tarifação permitiria estabelecer um “teto” para as compensações. Isso é verdade. Até certo ponto. Afinal. o argumento de que a tarifação permite compensações com valores II. Na sua essência. presentes em leis especiais. de ações causadoras desses danos. De fato. nem excessivamente baixo. Como o dano moral é por definição nãopatrimonial. 51.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça do serviço. Daí decorrem conseqüências distributivas difíceis de serem estimadas. Em primeiro lugar.diante dessas linhas jurisprudenciais consolidadas ou em vias de consolidação e estabilização no Supremo Tribunal Federal acerca do alcance do âmbito de aplicação das normas presentes no art. a vantagem relativa do corretos para a compensação pelo dano moral. 5º. e o terceiro é o da maior uniformidade. aumentar também (VISCUSI.

caminha no sentido da defesa da tarifação em lei do dano moral. logo após a edição da Constituição de 1988. que a grande maioria das indenizações por danos morais se deu em valores baixos. Muito ao contrário. A existência de uma tabela.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Poder Legislativo ante o Poder Judiciário no cálculo de compensações por danos morais poderia decorrer do maior tempo de deliberação que existe no Poder Legislativo. Esses tetos existem em alguns países. a clareza. poderia realmente tornar mais claro o valor da compensação. Terceiro. contudo. certo. as decisões dos magistrados devem ser tomadas mais rapidamente. a maior clareza da compensação pelo dano moral pode também 48 49 . Uma vez que um tribunal seja capaz de atingir certo nível de padronização. afinal. Com a tarifação. o Judiciário não conta com assessoria especializada em assuntos não estritamente jurídicos. no Judiciário. por exemplo. no Poder Judiciário os congressistas contam com apoio de diversos assessores técnicos das mais diversas especialidades. a tarifação torne a batalha política nas instâncias governamentais e legislativas se intensificaria no tocante à valoração. Há indicações de que o STJ possua uma tabela informal que estabeleça o valor da compensação por dano moral em vários casos. em muitos casos. A tarifação conduz à completa politização do dano moral. e os resultados dessa batalha política são. pelo menos para fins da aplicação do direito pelos magistrados. diversas condenações por valores muito elevados. a pesquisa de jurisprudência realizada indicou.2 Da clareza da compensação Além da alegada adequação. Esta observação. a conveniência da quantificação mais clara e facilite a aplicação da lei. deve ser ponderada por duas considerações que tarifação também é questionável. os dados mais recentes sugerem que essas circunstâncias já não são mais claramente observáveis no Brasil. tanto mais fará sentido estabelecer-se um teto pela via legislativa. é muito razoável imaginar-se que. o valor do dano moral – que é incerto por natureza – passa a ser certo. há evidências de que. no Judiciário o debate político é bem mais estreito. opõem-se alguns bons argumentos. por exemplo. Naquele país.2. facilitando a quantificação do dano pelo Poder Judiciário. à exceção dos peritos. O risco de compensações muito altas é uma das justificativas mais comuns para se incluir um limite (“teto”) nas tarifações do dano moral. Isto é: com a tarifação. como se viu acima. para ponderação em casos excepcionais. 2003). houve partes. De fato. Segundo. com abertura de espaço. II. os resultados concretos dos tetos têm sido bastante controversos. a ocorrência de julgados com compensações excessivas. o debate político que se trava no Poder Legislativo envolve diversas De um modo geral pode-se afirmar que quanto mais comum for. Por conta da ação coordenada de grupos de interesse. não previsíveis de antemão. sem a necessidade de um teto (VISCUSI. portanto. apontam em sentido oposto. Argumenta-se que a tarifação torna o incerto. como nos Estados Unidos. No que toca ao problema das compensações muito altas. por exemplo. contudo. sugerindo que tais tetos contribuíram para o aumento da segurança jurídica naquele país. tais como Serasa ou SPC. Em sentido oposto. Viscusi. num caso como este. A tal linha de argumentação. a tarifação justifica-se também por sua alegada Comecemos pelo problema da compensação excessivamente baixa. De fato. que refletiram grandes acordos políticos gerados no Congresso. Em segundo lugar. em um caso de “positivação” indevida de um consumidor em entidade de monitoramento de risco de crédito. e entende que o principal objetivo deveria ser o de se conseguir previsibilidade quanto ao valor das indenizações. ao mesmo tempo. de fato. Em primeiro lugar. Aqui convém notar que nada garante que a tarifação pelo Poder Legislativo será em valores suficientemente altos para compensarem as vítimas de danos morais. Isso ocorre. a hipótese de que a tarifação simplesmente reduza o valor geralmente pago a título de compensação não deve ser descartada. Isso poderia agregar sobriedade e ponderação às decisões do Poder Legislativo. o não tabelamento teria a vantagem de conciliar segurança jurídica com manutenção da possibilidade de levar em conta circunstâncias novas. enxerga pouco sucesso na criação dos tetos. incertos. Rubin e Shepherd (2007) têm uma visão mais otimista dos tetos norte-americanos. Contudo. até onde sabemos. neste momento. Toda esta linha de argumentação. a jurisprudência atualmente já tratou de estabelecer parâmetros de quantificação.

então. fica impossível controlar efetivamente o comportamento de seus destinatários. concretos. Por um lado. Por outro. porque a tarifação em lei dos danos morais pode enrijecer o sistema. contudo. a hipótese de que a tarifação induza a formação de “indústrias” da compensação por danos morais. uma empresa pode vir a ter que “fechar as portas”. a proposta de tarifação em lei dos danos morais também se justifica sob a alegação de ensejar maior uniformidade na aplicação da lei. Existência concomitante de mais de um dano moral. simplesmente traduzir-se em modalidade do que Braithwaite (2002) denominou de “rule seeking” (que traduzimos como “gincana de regras”). iii. essa atitude poria em questão a alegada clareza e uniformidade da tarifação. tanto 50 51 . em tese. Desta ótica. mais do que dos danos patrimoniais. Contudo. uma mesma circunstância pode ser grave em alguns casos. A desejável proteção da igualdade perante a lei. em alguns casos. a tarifação pode. considere formas de atenuação do valor da compensação. Em primeiro lugar. A estimação dos danos morais. pois não há relação necessária entre normas fechadas e segurança jurídica (BRAITHWAITE . frequentemente há vulnerabilidades da parte das vítimas. Se o dano moral for estabelecido por lei em um valor relativamente elevado.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça trazer aspectos negativos. o pagamento de valor tabelado como indenização pode causar sérias conseqüências para os réus – por exemplo. Ao invés de restringir as possibilidades de aplicação com a criação de uma regulação cada vez mais precisa e específica. às vezes pequenos danos diretos levam a grandes complicações indiretas. Por exemplo. em muitos casos a extensão e probabilidade de ocorrência de danos (morais ou patrimoniais) dependem de esforços de mitigação de riscos. independentemente da autorização expressa em uma eventual “lei da tarifação”. margem de manobra aos magistrados. e novos danos antes não reconhecidos. 2002). Em terceiro lugar. portanto. Variações em idade e expectativa de vida das vítimas. nos casos contam com regras específicas para uma diversidade muito grande de situações. É bem verdade que o mero tabelamento não impede que o juiz. Surgimento de novas circunstâncias. princípios de equidade e proporcionalidade continuariam a ofertar. também se abre mão da clareza e uniformidade alegadamente trazida pela tarifação. os juízes procurem adequar casos objetivamente iguais em categorias tarifárias diferentes a fim de adaptar o valor da compensação às circunstâncias particular de cada caso. mas não em outros. Segundo Braithwaite.3 Da uniformidade Além da adequação e clareza. ao invés de tomarem providências que impediriam ou mitigariam a ocorrência desses danos. o que é comum em relações de consumo. É razoável imaginar-se que. A depender do objeto regulado. O mesmo pode ser dito quando se considera a hipótese. algumas potenciais vítimas poderão. Sem mecanismos voltados para o estabelecimento de critérios que sirvam para fundamentar argumentativamente as decisões. o que traduz um princípio de igualdade perante a lei. é quase sempre possível justificar toda sorte de atitude com fundamento em uma norma jurídica fechada qualquer.2. Além disso. Desta maneira. uma norma jurídica aberta pode produzir mais II. preferir sofrer os danos morais (e receberem a compensação). Como é evidente. Em segundo lugar. depende das circunstâncias individuais de cada caso. a tarifação enfrenta dificuldades práticas nas seguintes situações: i. Em particular. o efeito da regulação acaba sendo contrário ao objetivo fixado pelo legislador. a tarifação evitaria que casos iguais recebessem tratamentos diferentes. que através da tarifação. pode não se concretizar segurança jurídica do que uma norma jurídica fechada. ii. Não se afasta. Desta maneira. de que a existência de categorias tarifadas abra brechas para a escolha por parte dos magistrados. causando o desemprego de seus funcionários. esta pode ser uma solução falsa: a partir do momento em que se abre a possibilidade ao juiz de atenuação (ou agravamento) do valor da compensação pelo dano moral. diante de diplomas legislativos muito detalhados. Esta possibilidade será particularmente clara se lei tarifadora for redigida de forma a dar alguma margem de manobra ao magistrado. havendo tarifação. bastante provável. a proliferação de regras permite que qualquer atitude encontre uma norma para servir-lhe de justificação.

Trata-se do fenômeno típico das democracias modernas. portanto. 2008. contudo. Ele também pode ser um mecanismo – imperfeito. verificou-se que os valores concedidos a título de reparação por danos morais tendem a ser baixos. porém efetivo – para permitir que o direito se adapte às novas circunstâncias do mundo moderno. O problema é que a constante edição de novas leis impõe um óbice concreto ao assentamento jurisprudencial. Novas leis editadas com enorme freqüência minam o componente sistêmico do direito. porque a interpretação de leis em um dado momento depende também da identificação da direção do sistema jurídico como um todo. nossa investigação aponta que não há indícios de uma delas apontando em sentido oposto. Pelo contrário. Sob o pretexto de atender-se a demandas sociais vistas como prementes. inclusive no que toca aos incentivos. a análise das constelações de casos frequentes indica uma razoável consistência das decisões com relação a valores. este não foi o resultado observado no levantamento empírico realizado. custos e outras dificuldades concretas relacionadas à operabilidade prática das reformas legais uma vez implementadas. necessariamente sobrepor a argumentos ligados aos valores democráticos (SALAMA. A análise dos incentivos postos pela tarifação conduz a duas conclusões. Essa observação é importante porque a tarifação do dano moral corre o risco de se transformar apenas em mais um componente no processo já em curso de “inflação” legislativa. em primeiro lugar que propostas de reformas legais marcadamente instrumentais (como a tarifação do dano moral) vão muito além da mera discussão técnica sobre qual a melhor doutrina ou técnica constitucional. é comum que as pessoas depositem grande expectativa nas reformas legislativas como forma de aumento da segurança jurídica. no Brasil. e/ou que haja grande falta de isonomia na sua aplicação. Nada disso implica que argumentos de natureza conseqüencialista se devam empiricamente que as compensações são de fato inadequadas. 2010). É igualmente comum. Por um lado. capaz de comprometer a previsibilidade das decisões e o tratamento igual de casos iguais? No que se refere à jurisprudência. sendo excepcionais os casos que ultrapassaram a barreira que a falta de critérios legislativos de cálculo tenha levado a uma situação de desrespeito ao princípio da igualdade. Este fenômeno. pode-se ou proteção de interesses excessivamente estreitos. que parlamentares lutam pela aprovação de leis para obtenção de exposição midiática 52 53 . que as reformas não logrem o fim desejado. novas leis são editadas em um ritmo frenético. Com o tabelamento. O ponto é simplesmente o de que a legitimidade política da tarifação do dano moral depende de tal tarifação ser um instrumento adequado para de fato permitir um aumento da segurança jurídica. Com o devido cuidado de observar-se as ressalvas metodológicas apresentadas acima. inclusive do Brasil. Diante disso.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça por parte de potenciais vítimas quanto de potenciais causadores. Uma possível conseqüência negativa surge no caso de as partes diminuírem seus esforços de mitigação. Com relação às prováveis consequências práticas da tarifação. Ao contrário. a tarifação pode ser desejável em particular quando se identifique concluir. em Além disso. e de responder-se a necessidades dos novos tempos vistas como irresistíveis. pode ocorrer que o juiz aplicador da lei se veja impossibilitado de realizar este tipo de ponderação. é preciso considerar a interação dessa doutrina com a realidade prática. as regras e intuições de culpabilidade dão aos juízes os elementos para ponderarem o valor da compensação pelos esforços de mitigação de riscos das partes envolvidas. pode ter a virtude de evitar que o direito se cristalize. é bem verdade. cada Conclusão Na introdução a este trabalho formulou-se a seguinte questão: haveria uma discricionaridade excessiva do Poder Judiciário no estabelecimento dos valores de danos morais. Geralmente. a serem ponderadas pelos formuladores da política pública e congressistas interessados na melhoria do sistema jurídico de responsabilização civil no Brasil.

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Recurso Especial 3604/SP.homicídio .clap. Acumuláveis são as indenizações por dano moral e dano patrimonial. Disponível em: http://www. Indenização por danos BRASÍLIA. Recurso especial não conhecido. Morte em moral. O problema resolvese na liquidação por arbitramento. 2010. por não satisfazer a Fepasa. Prazo prescricional.jus. Relator: Ministro Adalício Nogueira. 2010.com. Reparabilidade. Cumulação com danos patrimoniais. taxas ou contribuições exigíveis por lei. Superior Tribunal Federal.jusbrasil. Disponível em: http://www.+ou+%28%28%27REsp%27.br/SCON/jurisprudencia/toc. conseqüência de atropelamento por comboio ferroviário. Responsabilidade civil. Relator. aos pressupostos estabelecidos no art. p. Relator: Ministro Barros Monteiro. ambos ensejando indenização.clas.+ou+%27REsp%27. Responsabilidade civil.br/ jurisprudencia/672980/recurso-extraordinario-re-59940-sp-stf.%29+e+@ num=%2711177%27%29. tomo 1.clas. 962 do Código Civil. 04 de novembro de 1991 (1991b).suce. Supremo Tribunal Federal. 2010. comporta indenização. vol.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Extraordinário 53404. 05 de agosto de 1991 (1991c).br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. REsp 1604/SP.clas. Superior Tribunal de Justiça. de natureza não contratual.%29+e+@ num=%273604%27%29. postulada pelos pais de operário solteiro. 2010.stj. vitima de violências praticadas por policiais.jus. esta será devida cumulativamente com o ressarcimento de cada um deles.jus.suce. Disponível em: http://www. Ministro Aliomar Baleeiro. Recurso Extraordinário 65281/SP. 22 de outubro de 1990.%29+e+@num=%273229%27%29. E acumulável a indenização por dano moral com a indenização por dano patrimonial. Relator: Ministro Ilmar Galvão. Acesso em: 01 nov. Responsabilidade Civil – A morte de filhos menores.%29+e+@ num=%271604%27%29. Ação indenizatória. mas não provido. BRASÍLIA.jsp?livre=%28%27REsp%27+adj+3229%29.jus. 03 de maio de 1967 (1967a). Indenização a ser liquidada por arbitramento. Cumulação do ressarcimento pelos danos 66 67 . Recurso especial. 38-44.com.jsp?livre=%28%27REsp%27+a dj+3604%29. clas. Superior Tribunal de Justiça. materiais com a indenização pelo dano moral. que vivia em sua companhia. Morte de menor.+ou+%28%28%27REsp%27. Supremo Tribunal de Justiça.dano morais.suce. Indenização .br/ jurisprudencia/663785/recurso-extraordinario-re-65281-sp-stf.asp?id=37223&c odigoClasse=240&numero=53404&siglaRecurso=embargos&classe=RE.jus. Acesso em: 01 nov. Contagem dos juros de mora. sem ocupação lucrativa regular. Indenização. posta no art.stj. 11 de novembro de 1991 (1991a). Superior Tribunal de Justiça.+ou+%27REsp%27. 1967 (1967b). Do Dlei 4597/42. Cumulação. e não quinquenal. Dano moral e dano patrimonial. Relator: Ministro Athos Carneiro. ainda que oriundos do mesmo fato. Prescrição vintenaria. conforme as circunstâncias. Dano moral. Expectativa justificável de cooperação mais efetiva em futuro próximo. Recurso Extraordinário 59940/SP. Acesso em: 01 nov. Disponível em:http://www. Acesso em: 01 nov. Dano moral e material.stf. Limita-se a estabelecer parâmetros para alcançar o montante das indenizações. BRASÍLIA. portanto preço público. mas que ajudava os pais. 2010. REsp 3229/RJ. SE existem dano material e dano moral. 2010. Dissídio.+ou+%28%28%27REsp%27. O Título VIII do Livro VIII do Código Civil.cumulação com a devida pelo dano material. Recurso conhecido pelo dissídio.+ou+%27REsp%27.clap.jsp?livre=%28%27REsp%27+a dj+11177%29. Acesso em: 01 nov. A expressão delito. Responsabilidade civil . 39. BRASÍLIA.stj.clap. Superior Tribunal de Justiça. Relator: Ministro Victor Nunes Leal.+ou+%27REsp%27. Precedentes do STJ. 23 de setembro de 1968.jsp?livre=%28%27REsp%2 7+adj+1604%29.br/SCON/jurisprudencia/ toc. recurso especial conhecido. Os termos amplos do artigo 159 do Codigo Civil hão de entender-se como abrangendo quaisquer danos. 2010. Resp 11177/ SP.jusbrasil. de condição humilde. Responsabilidade Civil. Acesso em: 01 nov. Relator: Ministro Waldemar Zveiter.stj. compreendo. Pois sua fonte basica de receitas são as tarifas. Disponível em: http://www. Relatório. BRASÍLIA.br/SCON/jurisprudencia/toc. mas não provido. sociedade de economia mista.br/SCON/jurisprudencia/toc. pois. Acesso em: 01 nov. Cumulabilidade.clap. BRASÍLIA. Precedentes da súmula 37 do STJ BRASÍLIA.+ou+%28%28%27REsp%27. abrange os atos ilícitos em geral. 2. tambem os de natureza moral. Disponível em: http://www. Recurso conhecido mas não provido.. Administrativo. e não impostos. jan. Disponível em: http://www. Revista Trimestral de Jurisprudência do STF. contando-se assim os juros de mora desde o evento danoso.suce.

em verdade. 21 de junho de 1996. Superior Tribunal de Justiça. decorrente de deformidade estética. Se existe dano material e dano moral. e a existência do dano moral.2. Desnecessidade. Responsabilidade tarifada. Disponível em: https://ww2. Violação de direito. Intento de. V – Recurso especial conhecido e parcialmente provido. Matéria probatória. Lei de imprensa.jsp?livre=%28 %27REsp%27+adj+513057%29.Agindo o jornal internacionalmente. III .Dispensa-se a prova de prejuízo para demonstrar a ofensa ao moral humano. 06 de setembro de 1991 (1991e). Assertiva constante do aresto recorrido.stj. salvo prova de força maior ou caso fortuito. Contratada a realização de cirurgia estética embelezadora.+ou+%28%28%27REsp%27. Superior Tribunal de Justiça. por vez é de difícil constatação. o valor da indenização por dano moral sujeita-se ao controle desta Corte. Acesso em: 01 nov. Inexistência de omissão e contradição do Acórdão recorrido. não se podendo admitir. 159. Recurso desacolhido.jus. por envolver análise das provas.+ou+%27REsp%27. Obrigação de liquidação de sentença.clap. 1537 refere-se apenas aos danos materiais. ambos ensejando indenização. ainda que oriundos do mesmo fato.+ou+%27REsp%27. em Ofensa veiculada pela imprensa.1967. Danos morais. no caso. I . 7 da Súmula/STJ. A limitação estabelecida pela Lei de Imprensa quanto 68 69 . Relator: Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. ao âmago e à honra da pessoa. Precedentes da súmula 281 do STJ: BRASÍLIA. Disponível em: http://www. 01 de julho de 1991 (1991d).suce. pelo próprio sistema da Lei de Imprensa.jsp?livre=%28%27REsp%27+a dj+168945%29. Acesso em: 01 nov.stj. não há como reexaminar a hipótese nesta instância.clap. 1. punir o ofensor e desestimular este e outros membros da sociedade a cometerem atos dessa natureza. De qualquer forma. recomendando-se que a sua fixação seja feita com moderação. Demonstração de prejuízo. Liquidação de sentença. Dano moral. Dano material e dano moral. em sede de declaratórios. 2011. rediscutir fatos e circunstâncias da causa.%29+e+@ num=%274236%27%29#DOC2.Tendo constado do aresto que o jornal que publicou a matéria ofensiva à honra da vítima abusou do direito de narrar os fatos. Notícia jornalística. 2010. incide o art. limitação estabelecida na lei nº 5. o cirurgião assume obrigação de resultado. II – Segundo reiter ados precedentes. II . Nulidade Danos morais. no tema. Superior Tribunal de Justiça.clas.jus. vedada nos termos do enunciado n. não é nula a decisão que. nãorecepção pela Carta Política de 1. 2010. Relator: Ministro Dias Trindade. Cirurgia estética. A norma do art. IV . Superior Tribunal de Justiça. Necessidade de distinguir as hipóteses em que. Disponível em: http://www. com o advento da Constituição de 1988 não prevalece a tarifação da indenização devida por danos morais. esta será devida como ressarcimento de cada um deles. Não há. 7 da Súmula/STJ. Dolo do jornal. I – A indenização por dano moral objetiva compensar a dor moral sofrida pela vítima. de 9. Precedentes.553.Conforme jurisprudência desta Corte. modificação na sentença liquidanda.clas.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça De quando será devida indenização cuida o art.%29+e+@num=%27513057%27%29. a pretexto de indenizarse o dano material. já que o dano moral. BRASÍLIA. BRASÍLIA.stj. clap.br/SCON/jurisprudencia/toc. REsp 168945/SP. faz referência a tal fato. Inaplicabilidade. Acesso em 01 nov.Se para a fixação do valor da verba indenizatória. Indenização. Abuso do direito de narrar.suce.br/SCON/jurisprudencia/toc. Responsabilidade civil. REsp 513057/SP.o seu interior. não há que se cogitar. RESP 10536/RJ. Civil. o fundamento do ressarcimento. Incidência da Súmula nº 7-STJ. tido como lesão à personalidade. Relator: Ministro Antônio de Pádua Ribeiro. Impossibilidade de reexame nesta instância. Não-recepção pela Constituição de 1988. com o objetivo de deturpar a notícia. Relator: Ministro Eduardo Ribeiro. Lei de imprensa.+ou+%27REsp%27. Acesso em: 01 nov.jus. não constituindo óbice a que se reconheça deva ser ressarcido o dano moral. acaba sendo irrelevante o fato de ter havido provocação da vítima. Quantum indenizatório. 2010. 10 de março de 1998. a interpretação da lei conforme a Constituição. de responsabilidade tarifada. Civil. sendo obrigado a indenizar pelo não cumprimento da mesma obrigação.suce. Não havendo norma específica para a liquidação.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28%27REsp% 27+adj+4236%29.+ou+%28%28%27REsp%27. mas também pela violação de um direito.stj.A responsabilidade tarifada da Lei de Imprensa não foi recepcionada pela Constituição de 1988. Disponível: http://www.988. haja vista os reflexos atingirem parte muito própria do indivíduo . Responsabilidade civil. Enunciado n.jus. RESP 4236/RJ.br/processo/ita/listarAcordaos?classe=&num_processo=&num_ registro=199100081779&dt_publicacao=19/08/1991.%29+e+@ num=%27168945%27%29. IV . resultantes do homicídio. tanto pelo dano material quanto pelo moral. resultado.clas. Processo Civil.250. III .+ou+%28%28%27REsp%27. a indenização não surge somente nos casos de prejuízo. consideradas as demais circunstâncias do ato ilícito. BRASÍLIA.

REsp 453703/MT. Relator: Ministro Cesar Asfor Rocha. Tarifação. DJU de 27. 19 de março de 2001 (2001b). de Arguição de descumprimento de preceito fundamental 130 BRASÍLIA. stj. Danos Morais. Ademais. Resp 213188/SP. “O valor da indenização por dano moral não pode escapar ao controle do Superior Tribunal de Justiça” (REsp n. Ari Pargendler. Disponível em: https://ww2. da Lei de Imprensa). A pessoa entrevistada que fez afirmação injuriosa veiculada em programa televisivo. I. CPC.2001). Na via especial.br/SCON/jurisprudencia/toc. IV. Razoabilidade. A fixação do valor da indenização por danos morais não está sujeita ao tarifamento positivado na Lei de Imprensa (Lei nº 5. Superior Tribunal de Justiça. Agravo no recurso especial. Recursos especiais não conhecidos. unânime. Min. ININCIDÊNCIA. Recurso parcialmente conhecido e nessa parte parcialmente provido. 2ª Seção.jus. Não padece de nulidade o acórdão que se acha devidamente fundamentado. A tarifação prevista na Lei de Imprensa não mais prevalece após o advento da Constituição Federal de 1988. Relator: Ministro Aldir Passarinho Junior. 7-STJ.%29. Legitimidade passiva do entrevistado. Relator: Ministra Nancy Andrighi. Disponível em: http://www.%29+e+@num=%27453703%27%29. Acesso em: 01 nov. 53.%29+e+@num=%27169867%27%29. Valor da indenização fixado em parâmetro razoável. Hipótese em que as matérias jornalísticas atacam a pessoa do magistrado. Ação de indenização. Lei de imprensa. Dano moral. sobretudo quando. Nilson Naves). Processual Civil e civil.+ou+%28%28%27REsp%27. Inaplicabilidade. RESP 169867/RJ. aos efeitos do gravame suportado.+ou+%27REsp%27. e não os atos por ele praticados no exercício da judicatura.br/revistaeletronica/ita. forma a restar descaracterizada a “crítica inspirada no interesse público” (art.jus.321/RJ.Súmula n. Superior Tribunal de Justiça.jus. clap. Recurso especial não conhecido. 21 de outubro de 2003. Superior Tribunal de Justiça. não podendo ser tomada como pedido certo para efeito de fixação de sucumbência recíproca. Acesso em 01 nov. BRASÍLIA. Impossibilidade. III. de que decorreu a ação indenizatória de dano moral promovida pelo que se julga ofendido em sua honra.jsp?livre=%28% 27REsp%27+adj+169867%29. “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial” . Dada a multiplicidade de hipóteses em que cabível a indenização por dano moral. Notícia ofensiva publicada em jornal de sindicato profissional. como no caso. admite-se que o pedido seja formulado sem se especificar o valor pretendido a título de indenização. 2010. 265. VIII. 21 de maio de 2002. Civil e processual. Argüição de descumprimento de preceito 70 71 .indo muito além da recompensa ao desconforto.%29+e+@num=%27213188 %27%29+ou+%28%27RESP%27+adj+%27213188%27. Rel.jus.+ou+%28%28%27REsp%27. Indenização. 2010.stj. Relator: Ministro Barros Monteiro. Precedentes do STJ. pelo que indevidos os pedidos tanto de elevação. Valor. para a fixação do valor da reparação do dano moral.clap. BRASÍLIA. Acesso em: 01 nov. a ação foi proposta com base no direito comum. Disponível em: http://www. Min. na hipótese de a ação vir a ser julgada procedente em montante inferior ao assinalado na peça inicial (REsp n. 2011. II.suce.suce. as instâncias ordinárias constataram soberana e categoricamente o caráter insidioso da matéria de que decorreu a ofensa. Admissibilidade da fixação do quantum indenizatório acima dos limites ali previstos. Precedentes. Em se tratando de responsabilidade civil fundada em dano moral. BRASÍLIA. Quantificação.08.250/67) AgRg no RESP 323856/RS. Ofensa à honra. Disponível em: http://www.suce. clas.br/SCON/jurisprudencia/ toc. tem legitimidade para figurar no seu polo passivo. Matéria veiculada em televisão. Indenização. 21. jsp?livre=%28%28%27RESP%27.” (Súmula nº 7-STJ).+ou+%27RESP%27. ao desagrado. para que não importe em um prêmio indevido ao ofendido. Acórdão estadual. 2010. VI.+ou+%27REsp%27.stj. “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. A Constituição de 1988 afastou.asp?registro=200100599081&dt_publicacao=27/08/2001. como de redução. Acesso em: 01 nov.br/SCON/jurisprudencia/toc. Honorários de sucumbência. 02 de agosto de 2001 (2001a). aliada à dificuldade na mensuração do valor do ressarcimento. Para se estipular o valor do dano moral devem ser consideradas as condições pessoais dos envolvidos. Não tarifada. Civil e processual civil.stj. ART. evitando-se que sejam desbordados os limites dos bons princípios e da igualdade que regem as relações de direito. V. não é possível o reexame das provas produzidas pelas partes. Reexame de prova. Supremo Tribunal Federal.clap.clas. Omissão não configurada. 27. tem-se que a postulação contida na exordial se faz em caráter meramente estimativo.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça ao montante da indenização não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988.clas. as regras referentes aos limites tarifados previstas pela Lei de Imprensa. apenas contendo conclusões parcialmente desfavoráveis às pretensões das partes autora e ré.350/RJ.jsp?livre=%28%27REsp%27+adj+453703%29.

Extravio de carga. em atenção à Constituição (Art. Superior Tribunal de Justiça. Configurados esses pelo sentimento de desconforto. de Aeronáutica e Conv. Relator: Ministro Carlos Brito. 17. 2010. Recurso dos autores conhecido em parte.stj. 3. Disponível em: http://www. BRASÍLIA. Bras. Responsabilidade civil da empresa jornalística. II. de constrangimento. V. Segundo a orientação formada e adotada pela 3ª Turma do STJ. Indenização (responsabilidade). Extravio de bagagem (danos à bagagem/danos à carga). Acesso em 01 nov. Cód. IX.br/processo/ita/listarAcordaos?classe=&num_processo=&num_ registro=199900966708&dt_publicacao=14/02/2000. TRANSPORTE AÉREO. mas desprovido. fixado pelo Plenário. ofensiva à honra e à boa fama da vítima. é incompatível com o alcance da indenizabilidade irrestrita assegurada pela atual Constituição da República. 2010 em viagem aérea .dano moral .clas. lei de imprensa. 02 de dezembro de 1999. destinada a tutelar os direitos do consumidor.asp?id=559777. Relator: Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. Recurso conhecido pela divergência. 2011.250/67.br/paginadorpub/paginador. 1.stj. Editada lei específica. prévia e abstrata. 2011 BRASÍLIA. VI.jus.br/processo/ita/listarAcordaos?classe=&num_processo=&num_ registro=199700813266&dt_publicacao=28/08/2000.Convenção de Varsóvia . 28 de novembro de 2006. aplicase o disposto no Código de Defesa do Consumidor. 04 de abril de 2000 (2000b). Cód. Acesso em: 01 nov. já não vige o disposto no art. Disponível em: https://ww2. Demais questões não conhecidas. cumpre observar a Carta Política da República incisos V e X do artigo 5º. Publicação de notícia inverídica. Relator: Ministro Ruy Rosado de Aguiar. Responsabilidade Civil. Norma não recebida pelo ordenamento jurídico vigente. Acesso em: 01 nov.clap.extravio de mala 158. Responsabilidade civil. Lei BRASÍLIA. caput e § 1º. Acesso em: 01 nov. objeto de juízo de equidade. Disponível em: https://ww2. como regra. RESP 235678/SP. resolve-se a Questão de Ordem para estender esse prazo por mais 180 (cento e oitenta) dias. Convenção de Varsóvia. 52 da lei 5. RESP 154943/DF. § 1º. Dano moral. Transporte aéreo. Dano moral. a indenização tarifada por danos materiais não exclui a relativa aos danos morais. de Def. Toda limitação. Ato ilícito absoluto. Superior Tribunal de Justiça. Inadmissibilidade. Transportador. do Consumidor.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça fundamental. Recurso especial conhecido pelo dissídio mas desprovido. Código de Defesa do Consumidor. Atraso. Por isso.000 (sessão de 4. X. 13 de março de 2001. expiração do prazo de 180 (cento e oitenta) dias. jsp?docTP=AC&docID=219795 Acesso em 01 nov.535 e 169.jus. Disponível em: http://www. XIII e XIV. referendo da medida liminar.stf. Supremo Tribunal Federal. O fato de a Convenção de Varsóvia revelar. e. e mostrando-se irrecusável o reconhecimento da existência de relação de consumo. 06 de fevereiro de 1996. 2010. Convenção de Varsóvia.%29. aborrecimento e humilhação decorrentes do extravio de mala. Transporte aéreo de Imprensa.jus. para o julgamento de mérito da causa. Relator: Ministro Marco Aurélio. Recurso extraordinário improvido. prevalecendo a lei interna posterior que se revela com ele 72 73 . IV.jus.. Recurso da ré não conhecido. 52 da Lei de Imprensa. Interpretação do art. e art. Havendo antinomia. Limitação de Indenização. ao valor de indenização por dano moral. Supremo Tribunal Federal.asp?id=409800. jsp?livre=%28%28%27RESP%27. O dano moral decorrente de atraso em viagem internacional tem sua indenização calculada de acordo com o CDC. Relator: Ministro Nilson Naves. Viagem internacional. o previsto em tratado perde eficácia. Para a apuração da responsabilidade civil do transportador aéreo internacional pelo extravio da carga.stf. da CF de 1988.%29+e+@num=%27223939 %27%29+ou+%28%27RESP%27+adj+%27223939%27. do Consumidor. internacional. Recurso Extraordinário 172720-9/72 RJ. 30 de abril de 2009 (2009a). Acesso em 01 nov. 25 e 51. Relator: Cesar Peluso. nos termos do art.+ou+%27RESP%27. em casos que tais. Superior Tribunal de Justiça. 6º.suce. quando ali se ultimou o julgamento dos REsp’s Outros BRASÍLIA. Retificação de voto.jus. RESP 223939/SP. INDENIZAÇÃO. o qual não foi recebido pelo ordenamento jurídico vigente. Código de Defesa do Consumidor. Indenização . 2. Tendo em vista o encerramento do prazo de 180 (cento e oitenta) dias. BRASÍLIA. Superior Tribunal de Justiça. Disponível em: http://redir.br/ portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. de Varsóvia/Cód.jus. BRASÍLIA. parcialmente provido. a responsabilidade do transportador não é limitada. 220.observação mitigada . 5º.br/SCON/jurisprudencia/toc. no que se sobrepõe a tratados e convenções ratificados pelo Brasil. 5º.br/portal/ inteiroTeor/obterInteiroTeor. de Def. Disponível em: http://www.stj. XXXII). arts.Constituição Federal . Limitação da verba devida. Código de Defesa do Consumidor. 14.stf.4). nessa parte. Responsabilidade Civil. Recurso Extraordinário 447584. suas disposições devem prevalecer.Supremacia. 2011.

2011.stf. Acesso em: 01 nov.br/trf3r/index. Data: 11 de dezembro de 2008.jsp?livre=%28%28%27RESP%27. Disponível em: http://www. Disponível em:https://ww2.trf3. 2010. Transporte MORAL. RESP 223939/ SP. Parcial provimento da apelação da RFFSA e improvimento do recurso adesivo dos autores. RECURSO DESACOLHIDO. Recurso conhecido e não provido. 2.stj. CULPA CONCORRENTE. firmou posicionamento pela aplicação do Código de Defesa do Consumidor nas indenizações decorrentes da deficiente prestação no transporte aéreo. ACIDENTE FERROVIÁRIO. configurada a relação de consumo. BRASÍLIA.jus. Ofensa indireta à Constituição de República. O princípio da defesa do consumidor se aplica a todo o capítulo constitucional da atividade econômica. DANO Convenção de Varsóvia. Data: 21 de outubro de 2008. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Código de Defesa do Consumidor. Relator: Ministro Paulo Costa Leite. SÃO PAULO. força maior ou que foram tomadas todas as medidas necessárias para que não se produzisse o dano. Responsabilidade civil. BRASÍLIA. RE 351750/RJ. matéria infraconstitucional.trf4.asp?registro=199900296400&dt_ publicacao=05/03/2001. PRECEDENTES. Não conhecimento. Disponível em: http://www. Supremo Tribunal Federal.br/SCON/jurisprudencia/toc. Recurso não conhecido. 13 de março de 2001. jsp?docTP=AC&docID=603051. Ausência de prova.br/visualizarDocumentosInternet..+ou+%27RESP%27. 2 . 2010. de específicas normas de consumo veiculadas em legislação especial sobre o transporte aéreo internacional.stj. Disponível em: http://gedpro. Acesso em: 01 nov. Superior Tribunal de Justiça. PORTO ALEGRE. 1.php?id=20 Acesso em: 01 nov.Com o advento do Código de Defesa do Consumidor. Aplicabilidade. através das duas Turmas que a compõem. de cercas ou muros em volta de suas linhas férreas. Recurso extraordinário.clas.suce. Afastam-se as normas especiais do Código Brasileiro da Aeronáutica e da Convenção de Varsóvia quando implicarem retrocesso social ou vilipêndio aos direitos assegurados 74 75 .jus. Disponível em: http://redir. asp?codigoDocumento=2500507 Acesso em: 01 nov. clap.001734-6/PR.br/revistaeletronica/ita. BRASÍLIA. I . RESP 169000/RJ.%29+e+@num=%27223939%27%29+ou+%28%27RESP%27 +adj+%27223939%27. 3. reduzindo à metade o valor indenizatório.gov. Apelação 2003 61 00 018039- aéreo. 1 . no caso concreto. em local de intenso trânsito de pedestres. a indenização pelo extravio de mercadoria não está sob o regime tarifado. Danos morais 9.jus. subordinando-se ao princípio da ampla reparação.jsp?num_registro=199800221786&dt_publicacao=1408-2000&cod_tipo_documento=. Tribunal Regional Federal da 3ª Região.Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça incompatível. Acesso em 01 nov. aplicação do código de defesa do consumidor. Superior Tribunal de Justiça. Disponível em: https://ww2. 2010.br/paginadorpub/paginador. Prequestionamento. Relator: Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. 2010. Código de defesa do consumidor.Restando incontroverso o atraso em vôo internacional e ausente prova de caso fortuito.%29. Excludente de responsabilidade. Indenização tarifada.br/ processo/jsp/ita/abreDocumento. Acesso em 01 nov. Atraso em vôo internacional. 2011. Reconhecimento de culpa concorrente do transeunte. II . Transporte aéreo de mercadorias. Apelação Cível 2008. VÍTIMA FATAL.70. Relator: Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz. 10 de dezembro de 2009 (2009b).A Seção de Direito Privado. sobre a correta aplicação do Código de Defesa do Consumidor ou sobre a incidência. cabível é o pedido de indenização nos moldes da Convenção de Varsórvia.jus. Relator: Ministro Carlos Alberto Menezes Direito. DANO MATERIAL.stj. Relator: Rubens Calixto. RESP 209527/RJ. Não cabe discutir. decorrentes de atraso ocorrido em voo internacional.Recurso especial conhecido e provido. 04 de abril de 2000 (2000c). RESPONSABILIDADE CIVIL. Julgamento extra petita. 4. Relator: Ministro Marco Aurélio. 15 de dezembro de 2000 (2000d). A empresa ferroviária responde civilmente pelo descumprimento do dever de manutenção e conservação. pelo Código de Defesa do Consumidor. na instância extraordinária. Ausência.99. APELAÇÃO. jus.

Esta pesquisa reflete as opiniões de seus autores e não a do Ministério da Justiça 76 .