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22/05/13

A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA

A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA Juliane Cristina Andrade[1] Francis Paulina Lopes da Silva[2] Charles Baudelaire e José de Alencar, autores de nacionalidades diferentes, são de certa forma contemporâneos e abordam, em suas obras, alguns temas semelhantes, embora em diferentes estilos, e expressando uma concepção pessoal da sociedade, em sua leitura do mundo, do ser humano, em sua complexidade existencial. Neste estudo, pretendemos enfocar o tratamento que os dois autores dão para a figura da prostituta na literatura do século XIX. Enquanto José de Alencar funde características românticas e realistas na personagem Lúcia do romance Lucíola, Baudelaire apresenta traços de modernidade em seus poemas que são verdadeiros ensaios de solidariedade e simpatia para com a mulher prostituta. A prostituta sempre foi uma figura polêmica que esteve, com freqüência, presente nas produções artísticas e literárias. O escritor francês Alexandre Dumas Filho criou a personagem Margarida, imortalizada pela obra A Dama das Camélias – provável inspiração de Alencar para a autoria de Lucíola. Recentemente, Manuel Carlos, reconhecido autor de novelas televisivas no Brasil, causou grande repercussão ao criar a personagem Capitu, da novela Laços de Família, uma garota de programa, figura tão comum em nossa sociedade nos tempos atuais. No cinema, a prostituta interpretada por Julia Roberts, no filme Uma Linda Mulher, foi um sucesso de bilheteria, mostrando o quanto o assunto, quando regado com boas doses de romantismo, tem grande aceitação pelo público em geral. Nota-se, portanto, que o contexto social ligado ao contexto literário forma a base das produções artísticas de todos os tempos e de todos os lugares. Na Europa, o Romantismo foi o estilo característico do final do século XVIII e da primeira metade do século XIX, sendo o estilo romântico contemporâneo da ascensão da burguesia que, a partir da Revolução Francesa, tornou-se a classe dominante. Baudelaire escreveu As flores do mal por volta de 1845, e reconheceu-se muitas vezes romântico, mas não insistiu nos abusos e nas contradições típicas do Romantismo, antevendo que logo esse estilo entraria em decadência. Por seu espírito atento às exigências da modernidade, ultrapassou a sua época e se tornou um escritor de notável estilo crítico perante as relações sociais burguesas. Já no Brasil, o Romantismo se inseriu no período histórico do segundo reinado, marcado por mudanças extremas, principalmente, no plano social. Alencar, que já era um escritor de prestígio, com funções político-administrativas e atividades na imprensa, reconheceu, em sua obra, em especial no romance Lucíola de 1862, os padrões de conduta e os valores da sociedade brasileira que, neste momento, passava por profundas transformações. Já que era movida pelo poder econômico, preocupava-se mais com o status social que este proporcionava. Nesse contexto do século XIX, a literatura irá destacar, dentre outros vários aspectos da realidade, o importante papel social que a prostituta aí representa. Seja como alvo do preconceito social, além de mulher, já marginalizada pela cultura machista, e mais ainda, por apresentar-se como um desvio da moral vigente. Seja como peça integrante dessa engrenagem capitalista, seja como pessoa humana, e, portanto, de dignidade e respeito... Esses são alguns aspectos que aqui se pretende depreender da leitura da obra de Alencar e Baudelaire, como representação de contestação e denúncia presente no texto literário. Lucíola: a dupla imagem do feminino Lucíola é o quarto romance de José de Alencar. Sua temática já era bastante conhecida na literatura francesa, que tanto influenciou os autores brasileiros: a da prostituta regenerada. Lúcia é uma prostituta de luxo no Rio de Janeiro em 1855 e Paulo um jovem do interior pernambucano que fora para o Rio conhecer a corte. Seduzida ainda muito moça – aos 14 anos – por Couto, um homem devasso, num
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é deixá-las arrastarem-se pelo chão no estado de larvas. em que Paulo fala sobre sua chegada ao Rio de Janeiro: “A corte tem mil seduções que arrebatam um provinciano aos seus hábitos. É a partir dessa ambigüidade que devemos analisar o romance de Alencar. p. Percebemos isto. 1988. passa a ser para Paulo. a única sobrevivente da família. que só ao cabo de algum tempo o restituem à posse de si mesmo e ao livre uso de sua pessoa” (Alencar. considerada como sua própria filha. Em Lucíola. no seguinte fragmento. passando por importantes transformações. Nesse livro. Lúcia representa a luta entre a força regeneradora da pureza do amor e uma vida de pecados e devassidão. ou mesmo alguns dias de extravagância (Alencar. confessa seu amor por Paulo e. o pensamento de Paulo então é o seguinte: “Compreendi e corei de minha simplicidade provinciana. mais tarde. Ana. pelos quais manifesta.br/conifes/anais/LCA/lca2701. A história de Lucíola é narrada em primeira pessoa e é por meio do narrador que Alencar vai delineando criticamente os conceitos morais existentes na sociedade. Assim. 1988. uma vez que a obra deste romancista reflete um amplo quadro descritivo do Brasil da segunda metade do século XIX. p. como se vê no seguinte fragmento. Lúcia decide vender sua casa e ir morar em uma casa menor e mais simples.22/05/13 A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA momento de infortúnio. A Lúcia é a mais alegre companheira que pode haver para uma noite. depois que deixara cair na falda do leito o seu último véu (Alencar. no momento em que Paulo vê Lúcia pela primeira vez e pergunta a Sá. agora era a frase ríspida. p. quando lhes dão asas. Sá responde-lhe que ela não era uma senhora. As visitas de Paulo continuam constantes. o moço solteiro – neste caso Paulo – encontrava o prazer na vida urbana e na prostituição. entretanto. O autor apresenta a prostituta Lúcia como uma representação das contradições do corpo e da alma. e lhe fizeste duas ou três barretadas. 31). Lúcia é. sua irmã mais nova. à custa de ricos amantes. então. O afeto sincero que lhe dedica Paulo faz com que a verdadeira natureza de Lúcia desabroche. Essas borboletas são como as outras. do vício e da virtude. que confundira a máscara hipócrita do vício com o modesto recato da inocência” (Alencar.htm 2/6 . um claro desprezo. como podemos exemplificar com o trecho que se segue. 13). O Brasil vinha. apenas adormecida. da família e da prostituição. começa a viver como uma cortesã caprichosa. estando na festa na casa de Sá. e é bem difícil então apanhá-las. e o atordoam e preocupam tanto. Lúcia se engravida e adoece. quem era aquela senhora. 1988. Assim temos que o Paulo-narrador cede a voz ao Paulo-personagem. pois a sociedade que renega os vícios é a mesma que os alimenta. p. 20). expulsa de casa pelo próprio pai. A cortesã revelava-se a mim sem rebuços. Alencar cria uma heroína bem ao gosto do Romantismo. endossando os preconceitos do grupo social a que pertence. porém. 1988. como a consolidação da ordem burguesa com a revolução industrial e as concentrações urbanas cada vez maiores. este quadro é apresentado de forma crítica. questões importantes do período em que viveu: na estrutura do Brasil rural.ufop.ichs. em que o próprio Paulo. no qual este dialoga com Paulo: – Por que lhe falaste nesse tom? Naturalmente a trataste por senhora como da primeira vez. incisiva e levemente embebida na ironia que destilava de seus lábios. É essa a postura assumida por Sá. O seguinte trecho exemplifica claramente este posicionamento de Paulo: Quando a mulher se desnuda para o prazer. 16). Trocando de nome – de Maria da Glória para Lúcia –. voam. percebe uma mudança no jeito de agir de Lúcia: Notei no tom de Lúcia durante o resto desta conversa uma diferença extraordinária com o modo singelo e modesto que ela tinha em sua casa. recusando-se a abortar. acredita-me. A essência de sua pureza e de suas virtudes estava. Paulo. O verdadeiro. e cujas gotas a maior parte das vezes salpicavam a ela própria. os olhos do amante a vestem de um fluido www. em que precisava de dinheiro para salvar seus familiares doentes. morre. Podemos perceber essa ambigüidade de Lúcia.

entre o modelo romântico e o modelo realista. pois. as prostitutas são mulheres fortes. Quando levantou a fronte. ou seja. 150). a figura da prostituta na protagonista do romance Lucíola. 42). Não podemos falar apenas de Paulo e nos esquecer de Lúcia. 43 e 44). No início da obra. que se tornam curiosas.ichs. com as virgens gregas. Sob essa ótica alencariana. continuando a sustentar a classe. representações de uma época. p. no momento em que são pagas pelos “serviços prestados”. É mais do que a prostituição: é a brutalidade da jumenta ciosa que se precipita pelo campo. José de Alencar cria um dos seus primeiros “perfis de mulher”.. Entretanto. figuras socioliterárias que expressam a visão de Alencar sobre a figura da prostituta no século XIX. pois vivenciam a todo momento preconceitos e mais preconceitos e a sociedade.22/05/13 A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA que cega. mais tarde. p. Lúcia é uma mulher forte e decidida. abandona sua vida de libertinagem e pune a si mesma pelas faltas que cometera. mas delas usufruem em benefício próprio. como observamos no seguinte fragmento: “– Que importa? Contanto que tenha gozado de minha mocidade! De que serve a velhice às mulheres como eu?” (Alencar. como uma verdadeira personagem romântica. Seria Lúcia anjo ou mulher fatal? A pureza de seus sentimentos e de sua alma a transformaram em uma figura angelical. Depois agitando as longas tranças negras. coroando-se de verbena. uma prostituta de luxo que participa de orgias noturnas. 1988.. como diz o termo. Ao denunciar os sentimentos cruéis que a sociedade tem para com as prostitutas. O quê? O perdão de sua primeira falta? Não sei. todo o vinho tinha-lhe passado pelos lábios. onde a matéria se depara ao hálito de Deus. portanto. da metade do livro em diante. deixando toda a sua sensualidade fluir.] Lúcia saltava sobre a mesa. Lúcia é com certeza um perfil de mulher tipicamente alencariano que vive o misto entre o amor puro e a libertinagem. traçou-a nos cabelos. exceções. o que viria a ser a denominação “perfis de mulher”: “Esses perfis de mulher. mas. ao contrário. implorava com as mãos juntas e o olhar súplice. constrói-se. pois ela também assume os preconceitos sociais dos quais ela mesma é vítima. mordendo os cavalos para despertar-lhes o tardo apetite (Alencar. dançando de forma erótica. que precisa da ajuda de Paulo para continuar superando os obstáculos que a vida lhe apresenta. Arrancando uma palma de um dos jarros de flores. quase cheia. p. é incapaz de se solidarizar com o seu drama.br/conifes/anais/LCA/lca2701. 1988. 110). como foi a festa na casa do Sá. 25). a concupiscência de muitos. em uma casa simples. a inspiração a transporta a mundos ideais. [. que não tem nome. Lúcia abandona todo o luxo e vai viver no campo. É assim que se deve entender Lúcia. Lucíola é. portanto. Paulo e Lúcia são. Emília e Aurélia” (Apud Coutinho.ufop. justamente pela originalidade e aberrações do viver comum.htm 3/6 . onde Lúcia subira na mesa. Quando a pousou sobre a mesa. não são tipos. 1988. esperando encontrar nos braços de Paulo o “perdão dos seus pecados”. uma denúncia à mesquinhez da sociedade que julga as prostitutas como mulheres impuras. uma vez que centraliza a ação em torno de uma figura feminina – Lúcia. O próprio Alencar explica. Lúcia também assume os preconceitos sociais contra as prostitutas. Lúcia ergueu a cabeça com orgulho satânico. Lúcia se torna uma mulher frágil. 1978. quando porém a mulher se desnuda para cevar. quando a mulher se desnuda para a arte. por sua vez. p. ou idiossincrasias morais. onde a espuma fervilhava ainda. agarrou uma garrafa de champanha. de crítica às contradições da sociedade e do ser humano. mas essa mulher bonita e www. Assim como Lúcia. e levantando-se de um salto. Lúcia escondeu o rosto nos meus joelhos e emudeceu. mesmo com a vista. 1988. que se enroscaram quais serpes vivas retraiu os rins num requebro sensual (Alencar. p. há nisto uma profanação da beleza e da criatura humana. Faltaram-me as palavras para consolar dor tão profunda: beijei Lúcia na face (Alencar.

O autor Dolf Oehler também levanta essa comparação entre a prostituta e Baudelaire. 30). está Lúcia que. como foi mencionado antes. Baudelaire não apoiava os exageros líricos e românticos de seu tempo. sugerido ironicamente já no próprio título. por sua vez. posicionando-se em defesa dessa classe. assumindo uma postura anti-lírica e incômoda aos padrões poéticos de seu tempo. que vendo o meu pensamento e quero ser autor (Apud Benjamin. ele.] pois todos sabem que o jovem Baudelaire já possuía uma sensibilidade bastante apurada para as formas especificamente modernas do amor e que. p. vende o seu pensamento: Para ter sapatos. como autor. Eu bancasse o Tartufo e fingisse altivez. p. é claro perceber como Baudelaire é solidário ao drama vivido por essas mulheres..br/conifes/anais/LCA/lca2701. que se poderiam também denominar como “flores do mal”. Ao manifestar essa visão crítica da sociedade que. p. 247).. despreza e sustenta a classe das prostitutas. Mas o bom Deus riria se. 1997. em meio à sociedade capitalista da modernidade: assim como estas vendem o corpo e a alma. 1995. pois afirma que a literatura é um negócio como qualquer outro. é uma mulher forte e corajosa que não pode viver em uma sociedade tão injusta e. mas profundamente sensíveis: Ó monstros. Sendo assim: Para ser competitivo. ou seja. muito provavelmente inspirado por Fourier. perto dessa infame. As “flores do mal”. massacradas pelo preconceito social. deve-se ter um cuidado especial com a fachada do produto artístico. um escritor que representou o papel da prostituta através da ambigüidade de seus poemas. Talvez seja por esse motivo – a necessidade de divulgar e “vender” o seu trabalho – que Baudelaire assume uma certa simpatia e cumplicidade poética com as prostitutas. cuja qualidade não é perceptível à primeira vista por um público burguês pouco dado às artes: devese emitir sinais que atraiam os compradores.22/05/13 A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA sedutora é marcada também por uma vida de luxúria e devassidão. e é bem aceito se a originalidade está voltada para o mercado. 48). do mesmo modo que a prostituta destaca-se da femme honnête [mulher honrada] pela maquiagem e pelas lantejoulas (Oehler. ela vendeu sua alma. Entretanto.htm 4/6 . Ainda. podemos perceber a caracterização ambígua que Baudelaire confere a essas “mulheres mal-ditas”. Alencar prefere deixar que a morte seja sua redenção. ó vestais. desejava elevar as heroínas de sua poesia justamente as representantes daquela forma de amor que representava o maior dos escândalos para os homens da época: as lésbicas (Oehler. acima dessas características. explora.ufop. segundo Baudelaire O polêmico poeta francês Charles Baudelaire é. Chega mesmo se comparar a elas. que poderíamos interpretar como “mulheres mal-ditas”. ó mártires sombrias. na prece e nas orgias. Entretanto. por isso. Vós que buscais o além. Espíritos nos quais o real sucumbe aos mitos.ichs. O poema intitulado “Mulheres Malditas” da obra As flores do mal é um exemplo do posicionamento baudelaireano perante as prostitutas. www. nos seguintes versos do poema. com todas as suas idiossincrasias. Eu. assim como o fez com as lésbicas: [. 1997.

se és quem fazes – fada de olhos suaves. na medida em que se solidariza com o drama pessoal de cada uma. Que importa.ichs. Ainda no poema “Hino à Beleza”.htm 5/6 .br/conifes/anais/LCA/lca2701. ainda. a presença do amor. O olhar do poeta é. perfume e ritmo cheia! – Mais humano o universo e as horas menos graves? (p. capaz de captar. Pelas urnas de amor que inundam vosso peito! (p. Pela escritura particular e criativa. também o olhar do leitor para uma visão crítica da sociedade. teu riso. considerando-as suas “pobres irmãs”. Em Alencar e Baudelaire. sempre direcionando. ao mesmo tempo. Assim. o drama ficcional da protagonista Lúcia espelha uma realidade social conflitiva e hipócrita. nessas mulheres. embora trate de um tema tão recorrente na Literatura. 155). p.22/05/13 A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA Ora cheias de pranto. Ó rainha de luz. o discurso literário é construído em imagens sugestivas e simbólicas. por sua condição existencial. como “monstros” e “mártires”. esse conflito entre o bem e o mal. gigantesco e horrendo! Se teu olhar. ora cheias de gritos (Baudelaire. na prece e nas orgias”. percebemos que as prostitutas são caracterizadas por descrições que expressam o verdadeiro dualismo barroco. vosso desejo eterno. 1985. para se adequar ao estilo romântico da época. em sua imagem de monstro e vítima. o misto entre o espiritual e o carnal – “Vós que buscais o além. disfarçado nas mais diversas aparências: Que venhas lá do céu ou do inferno. Em Alencar. a figura da prostituta é contraditória por si só. pois. de mulheres idolatradas pela mesma humanidade que as rejeita: Vós que minha alma perseguiu em vosso inferno. e sensível às suas dores. que importa. representa. Criticamente. teus pés me abrem a porta De um infinito que amo e que jamais desvendo? De Satã ou de Deus. em Baudelaire. O poeta caracteriza-as. Já na poética de Baudelaire. tornando-se a voz crítica à cultura da modernidade. um olhar sobre a modernidade. atento às complexas e dramáticas implicações da própria existência humana na sociedade capitalista que reduz a pessoa a um simples bem de consumo. eu vos renego e vos aceito. faz-se a elas solidário. Beleza! ó monstro ingênuo. Contestação e denúncia Constata-se que o processo de produção literária trabalha com dois aspectos: o literário e o social. o social permeia o literário com a finalidade de contestar e denunciar a visão da sociedade a respeito da mulher prostituta. www. cada um desses artistas da palavra soube registrar à sua maneira o retrato crítico de uma época. 399). entre a pureza e a devassidão. unificados em um todo estrutural. que importa? Anjo ou Sereia. ao retomar a temática da prostituta e sua relação com a sociedade. entre o céu e o inferno. 399). Por vossa triste dor. com base numa visão menos idealista. embora o tom de denúncia seja disfarçado na trama amorosa. Baudelaire identifica-se com essas personagens marginalizadas. Ao analisarmos os versos acima. Pobres irmãs. o dualismo existencial está nitidamente presente na leitura que o poeta simbolista faz do belo. mais real.ufop.

br/conifes/anais/LCA/lca2701. Samuel Tintan Jr. 1985. Trad. Charles. UFV. Teoria Literária. Obras Escolhidas. Quadros Parisienses (1830-1848): estética anti-burguesa em Baudelaire. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Doutora em Ciência da Literatura. [2] Professora Adjunta do Departamento de Letras e Artes. Walter. As flores do mal / Charles Baudelaire. Trad. Lucíola. Damier e Heine / Dolf Oehler. São Paulo: Ática. BENJAMIN. Trad. e notas de Ivan Junqueira. OEHLER. v.22/05/13 A PROSTITUTA NA LITERATURA: CONTESTAÇÃO E DENÚNCIA Referências Bibliográficas ALENCAR. www. José Marcos Macedo. 12.htm 6/6 . Hemerson Alves Baptista. 1997. III. José. BAUDELAIRE. ed. 1988. [1] Aluna do 6º período do Curso de Letras da Universidade Federal de Viçosa. São Paulo: Companhia das Letras. Charles Baudelaire um lírico no auge do capitalismo. José Martins Barbosa. São Paulo: Brasiliense. Dolf. 1989.ufop.ichs.