TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

Processo TC nº 04311/11

Ementa: Administração Direta Municipal. Município de Caaporã. Prestação de Contas do Prefeito Sr. João Batista Soares. Exercício 2010. Emissão de Parecer contrário à aprovação das contas. Através de Acórdão em separado, julga-se irregular as contas de gestão do Chefe Executivo, na condição de ordenador de despesas, declara-se o atendimento parcial às exigências da LRF, imputa-se débito ao gestor por despesas não comprovadas. Aplica-se multa ao gestor. Determinações. Recomendações.

PARECER PPL TC 066/2013
RELATÓRIO Cuidam os presentes autos da prestação de contas do Prefeito Municipal de Caaporã, relativa ao exercício de 2010, sob a responsabilidade do Sr. João Batista Soares. O município sob análise possui população estimada de 20.362 habitantes e IDH 0,617, ocupando no cenário nacional a posição 4.361 e no estadual a posição 54º.

O relato a seguir extrai os principais aspectos apontados pela Unidade Técnica desta Corte e tem por base a documentação encartada nos autos e informações contidas nos relatórios técnicos inicial e de análise de defesa, às páginas 209/231, 3222/3255, dos quais evidenciam-se: 1 Quanto à Gestão Geral:

1. A Lei Orçamentária Anual (LOA) nº 576, de 02/12/2009 estimou a receita e fixou a despesa em R$ 36.309.058,651, bem como autorizou a abertura créditos adicionais suplementares no valor de R$ 18.154.529,33, equivalentes a 50% da despesa fixada na LOA. 2. Foram abertos créditos adicionais suplementares no valor de R$ 11.549.560,53 cujas fontes de recursos indicadas, foram provenientes de superávit financeiro do exercício anterior e anulação de dotações; e os especiais2 foram no valor de R$ 21.470,00.
1 2

Na previsão da Receita foi deduzido o valor de R$ 3.492.348, 35 para formação do FUNDEB. Os créditos especiais foram abertos sem autorização legislativa (pag. 210);

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

3. A Receita Orçamentária Arrecadada3 subtraindo-se a parcela para formação do FUNDEB atingiu o montante de R$ 31.753.847,44, desta feita, correspondeu a 87,45% da previsão. Já a Despesa Orçamentária Realizada totalizou R$ 31.765.439,22. 4. Sobre os balanços e dívida municipal foi observado: 4.1 O balanço orçamentário apresentou déficit equivalente a 0,04% da receita orçamentária arrecadada (R$ 11.591,78), sem considerar as despesas não contabilizadas no exercício; 4.2 O balanço financeiro apresenta saldo para o exercício seguinte do poder executivo administração direta – no valor de R$ 1.010.899,94, distribuídos em Bancos (98,40%) e Caixa (1,60%); 4.3 O balanço patrimonial consolidado apresenta déficit financeiro da Administração Direta do Poder Executivo no valor de R$ 3.201.776,72; 4.4 A Dívida Fundada importou em R$ 14.950.569,61, correspondentes a 50,72 % da receita corrente líquida (pag. 178). Já a Dívida Flutuante registra o saldo para o exercício seguinte no valor de R$ 4.238.916,72 (fls.179). 5. A remuneração dos agentes políticos apresentou-se dentro da legalidade. 6. As despesas realizadas com obras públicas (elemento de despesa 51) totalizam R$ 1.449.490,034 os quais representaram 4,56% da Despesa Orçamentária do Município e a 5,17% da Despesa Orçamentária do Poder Executivo. Informa-se que a análise das obras está tramitando em processo apartado (Processo TC 10.089/11). 7. Os Repasses ao Poder Legislativo representaram 7,01% das receitas de impostos e transferências do exercício anterior, atendendo a legislação. 8. Não há registro de denúncias para o exercício em análise. 9. As despesas condicionadas ou legalmente limitadas comportaram-se da seguinte forma: 9.1 Despesas com Pessoal representando 70,47% da Receita Corrente Líquida5, superando o limite (60%) estabelecido no art. 19 da LRF; 9.2 Aplicação de 28,90% da receita de impostos e transferência na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), portanto, foram atendidas as disposições do art. 212 da Constituição Federal; 9.3 Os gastos com Ações e Serviços Públicos de Saúde atingiram o percentual de 13,45% da receita de impostos e transferências, portanto ocorreu desatendimento do estabelecido no art. 77, inciso III, § 1º do ADCT. 9.4 Destinação de 69,34% dos recursos do FUNDEB na remuneração e valorização dos profissionais do Magistério, satisfazendo, desse modo, a exigência do art. 7º da Lei 9.424/96; 9.5. O Município transferiu para o FUNDEB a importância de R$ 3.526.016,75, tendo recebido deste fundo a importância de R$ 7.925.892,35, resultando em superávit para o município no valor de R$ 4.399.875,60;

Memória de cálculo da Receita Arrecadada, incluindo o FUNDEB: Receita Corrente R$ 34.585.772,25 Receita de Capital R$ 694.091,94 De acordo com o Relatório Inicial da Inspeção das Obras, foram aplicados recursos de diversas fontes (próprios, estaduais e federais – Processo TC 10.089/11. 5 Despesa com pessoal do Poder Executivo: 67,31%. Poder Legislativo: 3,16%.
4

3

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

2

Irregularidades remanescentes, após análise de defesa:
Quanto às disposições da LRF:

a) Déficit orçamentário do Poder Executivo de R$ 4.306.878,21 (14,19% da Receita Orçamentária destinada ao Poder Executivo) (item 4.1.1); b) Gastos com pessoal, correspondendo a 70,47% da RCL, em relação ao limite (60%) estabelecido no art. 19, da LRF (item 8.1.2); c) Gastos com pessoal, correspondendo a 67,31% da RCL, em relação ao limite (54%) estabelecido no art. 20, da LRF, e não indicação de medidas em virtude da ultrapassagem de que trata o art. 55 da LRF (item 8.1.2). Quanto aos demais aspectos examinados e relatados: a) Apresentação da Prestação de Contas em desacordo com a RN TC 03/10, à vista do não encaminhamento de Relação dos Precatórios em 31/12 (item 1); b) Déficit financeiro do Poder Executivo de R$ 7.506.192,33, considerando dívidas da administração indireta e despesas não contabilizadas no exercício (item 4.3); c) Despesas não licitadas – R$ 1.160.672,37 (item 5.1); d) Aplicação de recursos próprios nas ações e serviços públicos de saúde de 13,45% da receita de impostos e transferências, não atendendo ao mínimo exigido constitucionalmente (item 7.2); e) Execução dos serviços de coleta de lixo sem o controle e sem o atesto (item 9.1); f) Eventos da folha de pagamento não contabilizados: vantagens de R$ 146.270,81 e descontos de R$ 140.458,79 (item 9.2); g) Despesa não comprovada com folha de pagamento – R$ 43.122,03 (item 9.3); h) Não adoção do controle de combustíveis, peças e serviços determinado pela RN TC 05/2005 (item 9.4.1); i) Retenções dos servidores não repassadas em favor de bancos/financeiras e de planos de saúde – R$ 909.489,59 (item 9.5); j) Não funcionamento do sistema de controle interno (item 9.7); k) Repasse de R$ 347.980,00 para Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã, em função de convênio para prestação de serviços médicos gratuitos, com prestação de contas incompleta (item 9.8); l) Repasse de R$ 30.029,67 para a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde do Estado da Paraíba (item 9.8); m) Não elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) (prazo até 02/agosto/2012 – Lei Nacional 12.305/2010) (item 9.9); n) Controle patrimonial/tombamento desatualizado (item 9.10); o) Inexistência de controle de precatórios (item 9.11); p) Não pagamento de dívida com a CAGEPA (item 9.12); q) Pagamento de despesas sem cumprimento da fase da liquidação (item 9.13); r) Encargos patronais previdenciários em favor do IPSEC (regime próprio) não contabilizados (estimativa de R$ 1.417.985,71) (itens 8.1.2 e 11.1.1); s) Retenção de servidores em favor do IPSEC não contabilizada (R$ 37.000,27) (item 11.1.3); t) Acúmulo de retenção de servidores em favor do IPSEC não repassado (R$

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

1.374.717,49) (item 11.1.4); u) Encargos patronais previdenciários em favor do INSS não contabilizados (estimativa de R$ 1.231.775,81) (itens 8.1.2 e 11.2.1); v) Acúmulo de retenção de servidores em favor do INSS não repassado (R$ 346.530,18) (item 11.2.3) Além dos aspectos acima, algumas sugestões administrativas foram feitas pela Auditoria. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público Especial, o qual opinou por: 1. Emissão de Parecer Contrário à aprovação das contas do Prefeito do Município de Caaporã, Sr. João Batista Soares, relativas ao exercício de 2010. 2. Declaração de Atendimento parcial aos preceitos da LRF. 3. Aplicação de multa pessoal ao Sr. João Batista Soares, com fulcro no art. 56 da LOTCE. 4. Imputação de débito no valor de R$ 73.151,70, ao Sr. João Batista Soares, em razão de despesas não comprovadas com folha de pagamento e repasse indevido a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã. 5. Representação à Receita Federal do Brasil acerca da mácula contida no item 25 para adoção das medidas de sua competência. 6. Recomendação ao gestor no sentido de adotar as providências: 6.1. para a recuperação junto ao INSS e IPSEC de Salário Família, Auxílio Maternidade e Auxílio Doença, no valor de R$ 347.384,13, pagos durante 2009 e 2010; 6.2. em relação a R$ 17.130,71 demonstrados no Realizável e não identificados; 7. Envio de cópia dos autos para a DILIC para análise do valor contratado para a coleta de lixo (R$75.200,00 mensais). 8. Recomendações à Prefeitura Municipal de Caaporã no sentido de guardar estrita observância aos termos da Constituição Federal, das normas infraconstitucionais e ao que determina esta Egrégia Corte de Contas em suas decisões, evitando a reincidências das falhas constatadas no exercício em análise.

Cumpre, por fim, informar que: 1) Esta Corte assim se pronunciou em relação às gestões de 2008e 2009: Exercício Parecer Gestor (a) 2008 Parecer CONTRÁRIO (Parecer PPL TC Jeane Nazário dos Santos 85/2010) 2009 Parecer CONTRÁRIO (Parecer PPL TC João Batista Soares 120/2012, em fase de apreciação de Recurso de Reconsideração, Processo TC 5938/10)

2)

O gestor municipal do mandado de 2009-2012, Sr. João Batista Soares, mesmo com as contas do exercício de 2009 reprovadas, logrou êxito no último pleito eleitoral, sendo reeleito para o período de 2013-2016. (Lei nº 135/2010).

É o Relatório, tendo sido efetuadas as intimações de estilo para a presente sessão.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

V O T O DO RELATOR As contas de gestão demonstram graves problemas em relação a excesso na contratação de pessoal, com destaque para contrato por tempo determinado e serviços de terceiros - pessoa física. Em decorrência do excesso de contratações, o município não tem capacidade para recolher as contribuições previdenciárias inerentes, chegando a recolher menos de 2% do valor total da folha. Ressalto que o gasto de pessoal do poder executivo atingiu 67,31% da RCL, ultrapassando o limite estabelecido pela LRF de 54%. Assim, quanto à gestão fiscal, voto no sentido de declarar atendimento parcial das exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Concernente à gestão geral, foram constatadas aplicações do mínimo legal na manutenção do desenvolvimento da educação (28,90%), bem como do percentual mínimo legal dos recursos do FUNDEB na valorização do magistério (69,34%).

Todavia, nas ações e serviços públicos de saúde, constatou-se o não cumprimento da determinação constitucional de aplicação mínima, visto que foi atingido somente 13,45%.

Ressalto que a Auditoria questiona a prestação de contas do Convênio firmado com a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã em 2009, visto que de acordo com o termo celebrado, o 2º convenente entre outras obrigações, tem a responsabilidade de: 1) elaborar relatório mensal, a ser encaminhado junto à prestação de contas, contendo a quantidade de pessoas atendidas, os procedimentos adotados e a identificação dos pacientes; e 2) elaborar a prestação de contas mensal contendo procedimentos adotados, valores despendidos, cópias de recibos e notas fiscais, quantidade de pessoas atendidas. No entanto, os relatórios apresentados são os dos atendimentos pelos SUS e não os dos serviços médicos gratuitos6, bem como à prestação de contas limitou-se a apresentação de depósitos bancários de valores líquidos de folha de pagamento da Associação. Assim, à vista do que preceitua o art. 1167 da Lei 8.666/93, o valor repassado à Associação, contabilizado para o exercício de

Vide DOC TC nº 18.426/12 (convênio de 2010), 18.428/12 (convênio de 2009) e 18.437/12 (relação de repasses) Art. 116, § 3º da Lei 8.666/93 “As parcelas do convênio serão liberadas em estrita conformidade com o plano de aplicação aprovado, exceto nos casos a seguir, em que as mesmas ficarão retidas até o saneamento das
7

6

impropriedades ocorrentes: I - quando não tiver havido comprovação da boa e regular aplicação da parcela anteriormente recebida, na forma da legislação aplicável, inclusive mediante procedimentos de fiscalização local, realizados periodicamente pela entidade ou órgão descentralizador dos recursos ou pelo órgão competente do sistema de controle interno da Administração Pública”;

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

2010, por conta do referido convênio (R$ 313.030,00) no meu sentir estão irregulares, entendendo também que a Auditoria foi prudente não computando esses valores. no cálculo de ações e serviços públicos No tocante às despesas não comprovadas, o órgão de instrução informa que constam dos autos (DOC TC 18426/12, pag. 17) informações extraídas do DATASUS que dão ciência de que a responsabilidade pelos serviços médicos referente à competência janeiro/2010 ainda era da Secretaria de Estado da Saúde, informação esta confirmada na defesa do gestor. Ocorre que o valor dos serviços médicos hospitalares (R$ 30.029,67) constante no referido documento coincide com a primeira parcela paga à Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã, por conta do convênio 01/20108, motivo pelo qual a Auditoria e o Ministério Público Especial sugerem a devolução desse valor, por não ser devido pela prefeitura àquela entidade.

Quanto à diferença apurada na folha de pagamento, no valor de R$ 43.122,03, com base na instrução dos autos, estou convencido de que a Auditoria está com a razão, visto que comparando os valores empenhados (R$ 18.777.305,68) com os valores das folhas de pagamentos apresentadas por ocasião da diligência (R$ 18.734.183,65, DOC TC 18037/12, pag. 03), evidencia-se a ausência de comprovação do montante informado. Destaca-se que nesse item a defesa não apresentou esclarecimento satisfatório, limitou-se a asseverar que todas as despesas empenhadas encontram-se legalmente amparadas por documentações acostadas aos empenhos.

Entendo que às despesas apontadas como realizadas sem licitação, no total de R$ 1.160.672,37, equivalente a 4,14%, da despesa orçamentária também maculam as contas. Isto posto, voto no sentido de que este Egrégio Tribunal: 1. Emita e encaminhe à Câmara Municipal de Caaporã parecer contrário à aprovação das contas do Prefeito, Sr. João Batista Soares, relativas ao exercício de 2010;

8

Objeto do Convênio firmado em 2009 com esta Associação: prestação de serviços médicos gratuitos à população do município de Caaporã - PB, nas dependências físicas do conveniado, nas seguintes especialidades: Cardiologia, Ultrasonografia, Traumatologia, Clínicas Médicas, Radiologia, Neurologia. Objeto do Convênio firmado em 2010 com esta Associação: execução de serviços médico-hospitalares ambulatoriais na média complexidade e Internações Hospitalares a ser prestada a qualquer indivíduo que deles necessite.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

Em Acórdão separado:

1. Julgue irregulares as contas de gestão do Chefe do Poder Executivo do Município de Caaporã, Sr. João Batista Soares, na condição de ordenador de despesas; 2. Declare que o mesmo gestor, no exercício de 2010, atendeu parcialmente às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal; 3. Impute débito ao Sr. João Batista Soares, no valor de R$ 386.181,70 (trezentos e oitenta e seis mil, cento e oitenta e um reais e setenta centavos), sendo: a) R$ 313.030,00 referentes à ausência de prestação de contas, nos moldes legais, dos valores repassados a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã, por conta do convênio 001/2009; b) R$ 43.122,03 referentes despesas não comprovadas com folha de pagamento; e c) R$ 30.029,67 referentes a repasse indevido a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã, por conta do Convênio nº 01/2010, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para devolução dos referidos recursos à prefeitura; 4. Aplique multa pessoal ao Sr. João Batista Soares, no valor R$ 4.150,00 (quatro mil, cento e cinqüenta reais) devido aos atos praticados com graves infrações à norma legal, assinando-lhe prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento do valor da multa, a contar da data da publicação da presente decisão, para efetuar o recolhimento ao Tesouro Estadual, à conta do Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, a que alude o art. 269 da Constituição do Estado; 5. Assine prazo de 90 (noventa) dias ao gestor, para adoção de medidas no sentido de elaborar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), de modo a cumprir a Lei Nacional nº 12.305/2010, a qual determinou o prazo de 2 (dois) anos, ou seja, até 02/agosto/2012, para o seu cumprimento (arts. 18 e 55). 6. Represente à Delegacia da Receita Previdenciária acerca do recolhimento a menor de contribuição previdenciária, para as providências cabíveis; 7. Determine envio de cópia dos autos para a DILIC para análise do valor contratado para a coleta de lixo (R$75.200,00 mensais, item 9.1 e 9.1.1 do relatório inicial); 8. Recomende ao gestor: a) a adoção de medidas com vistas a não repetir as irregularidades apontadas no relatório da unidade técnica deste Tribunal, precisamente a cumprir rigorosamente os preceitos da Lei de Licitações e Contratos;

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

b)

a adoção de providências para recuperação junto ao INSS e IPSEC de Salário Família, Auxílio Maternidade e Auxílio Doença, no valor de R$ 347.384,13, pagos durante 2009 e 2010 e para identificação dos devedores cujos valores estão demonstrados no Ativo Realizável, no valor de R$ 17.130,71.

É como voto.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

ANEXO AO RELATÓRIO DO CONSELHEIRO

QUADRO ANÁLITICO IDH Ranking por UF Ranking Nacional Despesas por Função R$ Receita RTG Despesa DTG R$ Função Saúde R$ Função Educação R$ Função Administração R$ Despesa com Pessoal R$ Despesa Pessoal x DTG Ações Serv. Pub.de Saúde Aplicado R$ R$ Limite Mínimo Aplicado X Limite Função Educação - Indicadores Aplicação por Escola Aplicação por Professor Aplicação por Aluno Índices Alunos X Escola Alunos X Professores Medicamentos Aplicado R$ Merenda Escolar Aplicado R$ Dados Geo-Econômicos População Estimada Eleitores Alunos Infantil e Fundamental Valor

2009 0,617 54 4.361 Per Capita Ano (habitantes) R$ 1.383,54 R$ 1.362,06 R$ 260,44 R$ 539,78 R$ 165,06 R$ 1.077,23 79,09% R$ R$ Valor R$ R$ R$ R$ R$ R$

2010 0,617 54 4.361 Per Capita Ano (habitantes) R$ 1.559,47 R$ 1.560,04 R$ 308,10 R$ 552,51 R$ 152,27 R$ 1.020,22 65,40% R$ R$ 129,33 144,23 -10,33% 250.006,76 38.266,34 2.149,06

27.759.359,03 27.328.427,72 5.225.452,96 10.830.174,06 3.311.750,09 21.613.501,08

31.753.847,44 31.765.439,22 6.273.474,95 11.250.304,19 3.100.579,04 20.773.662,18

3.029.049,72 2.981.025,15

150,97 R$ 148,58 R$ 1,61%

2.633.448,68 2.936.861,52

45 R$ 240.670,53 294 36.837,33 5.739 R$ 1.887,12 128 20 202.258,37 351.904,85 20.064 15.686 5.461 R$ R$ 10,08 64,44 R$ R$

45 R$ 294 5.235 R$ 116 18 240.019,06 327.587,10 20.362 16.012 5.007 R$ R$

11,79 65,43

Fonte: IDEME - SAGRES - IBGE – INEP e PCA 2009 a 2012

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

I - Informações Gerais A Receita Total Geral (RTG) e a Despesa Total Geral (DTG) apresentaram crescimento em relação ao exercício anterior, de 14,39% e 16,24%, índices reveladores de que o gasto por habitante passou de R$ 1.362,06 em 2009 para R$ 1.560,04 em 2010. As Despesas com a Função Saúde e Educação apresentaram acréscimo de 20,06% e 3,88%, respectivamente. Já a função Administração apresentou decréscimo de 6,38%. Na Função Educação (FED) percebe-se um acréscimo no percentual de aplicação por aluno. No exercício de 2009, o gasto foi de R$ 1.887,12 passando agora para R$ 2.149,06, o que representa acréscimo de 13,88%. Destaca-se que o número de alunos foi reduzido de 5.739 para 5.235 alunos. A título de informação, registro que em consulta ao sítio do Ministério da Educação foi dado observar às metas bianuais referentes aos exercícios de 2007, 2009 e 2011 para o índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)9, estabelecido numa escala que vai de 0 a 10, para o Ensino Fundamental da rede municipal. Isto posto, evidenciam-se os índices abaixo: Ensino Fundamental Anos Iniciais Anos Finais 2007 3,1 2,1 IDEB Observado 2009 3,1 2,9

2011 3,4 2.8

Constata-se, que para os anos iniciais não foram atingidas as metas projetadas para os exercícios de 2009 (3,3) e de 2011 (3,7) e para os anos finais não foram atingidas as metas projetadas para os exercícios de 2007 (2,7) e de 2011 (3,1). Quanto ao valor da Despesa de Pessoal (DEP) registrada contatou-se um decréscimo de 3,89%, e, se comparada com a Despesa Total Geral (DTG) o índice é de 65,40% contra os 79,09% observado no exercício anterior. O gasto per capta em Ações e Serviços Públicos de Saúde (SPP) foi de R$ 129,33 contra R$ 150,97 observados no exercício anterior, registrando, assim, um decréscimo per capta de 14%. Referente aos gastos com Medicamentos (MED) e Merenda Escolar (MES), registram-se R$ 240.019,06 e R$ 327.587,10, respectivamente, estes revelam aumento da despesa com medicamento em 18,67% e decréscimo da despesa com merenda escolar de 6,91%, quando comparadas com as do exercício de 2009. Por fim, ressalto que os dados apresentados, não permitem refletir com precisão o enfoque da administração sob o aspecto da qualidade, eficiência e eficácia da gestão, diante das políticas públicas implementadas, no entanto, com a criação do IDGPB e utilização do mesmo quando da análise das contas para exercícios vindouros, bem como de outros indicadores parametrizados a serem criados, este Tribunal poderá mensurar os critérios de qualidade e eficácia na avaliação das prestações de contas anuais.

9

Indicador que mede a qualidade da educação a partir de dados sobre rendimento escolar, combinados com o desempenho dos alunos constantes do censo escolar e do sistema de avaliação da Educação Básica – SAEB, o qual é composto pela avaliação nacional da educação básica –ANEB e avaliação nacional do rendimento escolar (Prova Brasil).

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

II - Gráficos comparativos das despesas condicionadas: 1 Despesas com Pessoal representando 70,47% da Receita Corrente Líquida10, observando-se que neste item houve decréscimo de 10% em relação ao índice apurado no exercício anterior.

APLICAÇÃO PESSOAL
90,00% 78,03% 65,51%

Percentuais

70,47%

60,00%

30,00%

0,00%

2008

2009 Exercícios Limite Limite

2010

Aplicado

2 Aplicação de 28,90% da receita de impostos e transferência na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), portanto, foram atendidas as disposições do art. 212 da Constituição Federal, valendo observar que o percentual de aplicação em MDE decresceu 5,5% com relação ao exercício anterior.

APLICAÇÃO MANUT. DESENV. DO ENSINO
40,00% Percentuais 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 2008 2009 Exercícios Limite Aplicado 2010
35,18%

30,57%

28,90%

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

3 Os gastos com Ações e Serviços Públicos de Saúde atingiram o percentual de 13,45% da receita de impostos e transferências, portanto ocorreu desatendimento do estabelecido no art. 77, inciso III, § 1º do ADCT. Percentual este que decresceu em 12% do verificado em 2009.

APLICAÇÃO AÇÕES E SERV. PÚB. DE SAÚDE
20,00% 15,79% 15,24% 13,45%

Percentuais

15,00% 10,00% 5,00% 0,00%

2008

2009 Exercícios Limite

2010

Aplicado

4 Destinação de 69,34% dos recursos do FUNDEB na remuneração e valorização dos profissionais do Magistério, satisfazendo, desse modo, a exigência do art. 7º da Lei 9.424/96, quando comparado com o exercício de 2009, constata-se que o percentual aplicado no exercício de 2010 cresceu em 8,5%.

APLICAÇÃO VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO
72,00%

Percentuais

68,00% 64,00% 60,00% 56,00% 52,00% 63,00% 63,93%

69,34%

2008

2009 Exercícios Limite

2010

Aplicado

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

5 O Município transferiu para o FUNDEB a importância de R$ 3.526.016,75, tendo recebido deste fundo a importância de R$ 7.925.892,35, resultando em superávit para o município no valor de R$ 4.399.875,6 nos exercícios anteriores (2008 e 2009) também foi observado superávit.

FUNDEB
8.900.000 7.700.000 7.127.602 6.767.737 7.920.755

Valores

6.500.000 5.300.000 4.100.000 2.900.000 1.700.000

3.812.476

3.562.185

3.526.017

2008

2009

2010

Exercícios Transferido Recebido

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

DECISÃO DO TRIBUNAL
O TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, usando da competência que lhe é conferida pelo art. 13, § 2º, da Constituição do Estado e art. 1º, IV, da Lei Complementar n.º 18/93, à maioria, na sessão plenária realizada nesta data, declarando-se impedido o Conselheiro Antônio Nominando Diniz Filho, com o voto de desempate do Presidente, Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira, acolhendo o voto do Exmo. Sr. Conselheiro Relator, decide:

1. Emitir e encaminhar à Câmara Municipal de Caaporã parecer contrário à aprovação das contas do Prefeito, Sr. João Batista Soares, relativas ao exercício de 2010;

Em Acórdão separado:

1. Julgar irregulares as contas de gestão do Chefe do Poder Executivo de do Município de Caaporã, Sr. João Batista Soares, na condição de ordenador de despesas; 2. Declarar que o mesmo gestor, no exercício de 2010, atendeu parcialmente às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal; 3. Imputar débito ao Sr. João Batista Soares, no valor de R$ 386.181,70 (trezentos e oitenta e seis mil, cento e oitenta e um reais e setenta centavos), sendo: a) R$ 313.030,00 referentes à ausência de prestação de contas, nos moldes legais, dos valores repassados a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã, por conta do convênio 001/2009; b) R$ 43.122,03 referentes despesas não comprovadas com folha de pagamento; e c) R$ 30.029,67 referentes a repasse indevido a Associação de Proteção à Maternidade e Assistência à Infância de Caaporã, por conta do Convênio nº 01/2010, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para devolução dos referidos recursos à prefeitura; 4. Aplicar multa pessoal ao Sr. João Batista Soares11, no valor R$ 4.150,00 (quatro mil, cento e cinqüenta reais) devido aos atos praticados com graves infrações à norma legal, assinando-lhe prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento do valor da multa, a contar da data da publicação da presente decisão, para efetuar o recolhimento ao Tesouro Estadual, à conta do Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, a que alude o art. 269 da Constituição do Estado; 5. Assinar prazo de 90 (noventa) dias ao gestor, para adoção de medidas no sentido de elaborar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), de modo a
11

CPF Nº 686.226.438-91

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 04311/11

cumprir a Lei Nacional nº 12.305/2010, a qual determinou o prazo de 2 (dois) anos, ou seja, até 02/agosto/2012, para o seu cumprimento (arts. 18 e 55). 6. Representar à Delegacia da Receita Previdenciária acerca do recolhimento a menor de contribuição previdenciária, para as providências cabíveis; 7. Determinar envio de cópia dos autos para a DILIC para análise do valor contratado para a coleta de lixo (R$75.200,00 mensais, item 9.1 do relatório inicial) 8. Recomendar ao gestor: c) a adoção de medidas com vistas a não repetir as irregularidades apontadas no relatório da unidade técnica deste Tribunal, precisamente a cumprir rigorosamente os preceitos da Lei de Licitações e Contratos; d) a adoção de providências para recuperação junto ao INSS e IPSEC de Salário Família, Auxílio Maternidade e Auxílio Doença, no valor de R$ 347.384,13, pagos durante 2009 e 2010 e para identificação dos devedores cujos valores estão demonstrados no Ativo Realizável, no valor de R$ 17.130,71.

Publique-se, intime-se e registre-se. Sala das Sessões do TCE-PB – Plenário Ministro João Agripino. João Pessoa, 08 de maio de 2013.

Em 8 de Maio de 2013

Cons. Fábio Túlio Filgueiras Nogueira PRESIDENTE

Cons. Fernando Rodrigues Catão RELATOR

Cons. André Carlo Torres Pontes CONSELHEIRO

Cons. Arthur Paredes Cunha Lima CONSELHEIRO

Cons. Umberto Silveira Porto CONSELHEIRO

Cons. Arnóbio Alves Viana CONSELHEIRO

Isabella Barbosa Marinho Falcão PROCURADOR(A) GERAL

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful