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Capítulo # 11

FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS:

INTEGRAIS MÚLTIPLOS

11.1

Integrais duplos em domínios rectangulares de IR 2

11.2

Integrais duplos em domínios limitados arbitrários de IR 2

11.3

Aplicações de integrais duplos

11.4

Integrais duplos em coordenadas polares

11.5

Superfícies paramétricas e área superficial

11.6

Integrais triplos em domínios limitados arbitrários de IR 3

11.7

Aplicações de integrais triplos

11.8

Integrais triplos em coordenadas cilíndricas e esféricas

11.9

Integrais múltiplos impróprios

11.A

Mudanças de variáveis e Jacobianos

11.1

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR 2

11.1

Integrais duplos em domínios rectangulares de IR 2

11.1.1

Motivação geométrica na origem do integral duplo

Um integral duplo, representado pelo símbolo

f(x,y) dA , é um integral de

R

uma função de duas variáveis, que supomos definida e limitada em todos os

pontos de um certo domínio limitado R IR 2 .

A motivação geométrica inicial que levou à definição do integral duplo foi a de calcular o volume de sólidos “cilíndricos” como o sólido T representado na figura seguinte, o qual é delimitado pelo gráfico de uma função contínua e não- -negativa f(x,y), definida num certo domínio limitado R IR 2 :

definida num certo domínio limitado R ⊂ IR 2 : T = {(x,y,z) ∈ IR 3

T = {(x,y,z) IR 3 : (x,y) R

0 z f(x,y)}

Contudo, como se verá ao longo do curso, as aplicações práticas dos integrais duplos excedem largamente esta simples motivação geométrica inicial.

1

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

11.1.2 Definição do integral duplo em domínios rectangulares

Começaremos por fazer a definição do integral duplo para o caso de o domínio R ter a forma mais simples possível: um rectângulo com os lados paralelos aos eixos coordenados no plano Oxy.

Seja então f(x,y) uma função definida e limitada (isto é, sem descontinuidades infinitas) em todos os pontos do seguinte rectângulo compacto R IR 2 :

R = {(x,y) IR 2 : a x b

c y d}

Se efectuarmos uma partição arbitrária do intervalo [a,b] em m sub-intervalos

(a = x 0 < x 1 <

sub-intervalos (c = y 0 < y 1 <

< y n = d) resulta uma partição do rectângulo R

< x m = b) e outra partição arbitrária do intervalo [c,d] em n

em k = (m x n) sub-rectângulos R i , designada por P = {R i }, em que 1 i k:

, designada por P = {R i }, em que 1 ≤ i ≤ k: Como

Como medida do tamanho dos sub-rectângulos R i da partição P, define-se a

malha (ou norma) da partição, representada por |P|, como sendo comprimento da maior diagonal de todos os sub-rectângulos R i que constituem a partição P.

2

11.1

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR 2

Se escolhermos um ponto arbitrário de coordenadas (x * , y * ) associado a cada

i

i

sub-rectângulo R i , o conjunto S = {(x * , y * ) R i }, com 1 i k, é aquilo que

i

i

chamamos uma selecção associada à partição P do rectângulo R.

Se representarmos a área do sub-rectângulo R i por A i , a soma de Riemann

para a função f(x,y), associada com a partição P do rectângulo R e a selecção S escolhida para essa partição, é definida pelo seguinte somatório:

k

i =1

f(x * , y * )

i

i

Interpretação geométrica de f(x * , y * ) A i :

i

i

Se f(x * , y * ) > 0, o produto f(x * , y * ) A i

i

i

i

i

representa o volume de um paralelepípedo

com área da base A i e altura f(x * , y * ); se

f(x * ,

A i

representa o simétrico do volume do mesmo

paralelepípedo.

i

i

y * )

i

f(x * ,

i

y * )

i

<

0,

o produto

i

A i

f(x * , i y * ) i < 0, o produto ∆ i ∆ A

Portanto, a soma de Riemann acima definida pode ser interpretada em termos geométricos como sendo a soma algébrica dos volumes dos paralelepípedos que são definidos pela partição P do rectângulo R e pela selecção S associada a P.

Exemplo 11.1

Interpretação geométrica de uma soma de Riemann para a função f(x,y) = 4 + xy, definida na seguinte restrição de IR 2 :

R = {(x,y) IR 2 : 0 x 2

0 y 2}

3

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

Foi feita uma partição regular 4 por 4 da região R, e foi escolhido o centro de

cada um dos 16 quadrados assim obtidos para calcular o valor de f(x * , y * ) que

aparece na soma de Riemann.

i

i

Resulta daqui um conjunto de 16 paralelepípedos, todos com a mesma área da base ( A i = 0.25) e com alturas variáveis, representados na figura seguinte:

e com alturas variáveis, representados na figura seguinte: A soma de Riemann é, neste caso, numericamente

A soma de Riemann é, neste caso, numericamente igual à soma dos volumes dos

16 paralelepípedos, já que se tem f(x * , y * ) > 0, i .

i

i

Se existir o limite quando |P| 0 da soma de Riemann para a função f(x,y), qualquer que seja a partição P do rectângulo R e a selecção S associada a P, diremos que a função f(x,y) é integrável no rectângulo R IR 2 , e chamamos ao referido limite integral duplo de f(x,y) em R:

k def. lim ∫∫ f(x,y) dA ≡ ∑ f(x * , y * ) ∆
k
def. lim
∫∫
f(x,y) dA
f(x * , y * )
∆ A i
i
i
|P |→0 i =1
R

4

11.1

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR 2

A interpretação geométrica do integral duplo é uma consequência imediata desta definição e da interpretação geométrica das somas de Riemann: se f(x,y) 0 em

R, o integral duplo representa o volume do sólido “paralelepipédico” delimitado

pelo gráfico da função f(x,y) e pelo rectângulo R; se f(x,y) 0 em R, o integral duplo representa o simétrico do volume desse sólido; finalmente, se f(x,y) mudar de sinal em R, o integral duplo representa a diferença dos volumes da parte do sólido situada acima do plano Oxy e da parte do mesmo sólido situada abaixo do plano Oxy.

Exemplo 11.2

Interpretação geométrica do integral duplo

(4 + xy) dA,

em que R = {(x,y) IR 2 : 0 x 2

R

0 y 2}.

O valor numérico do integral duplo

R

sólido “paralelepipédico” representado na figura seguinte, o qual é delimitado “em cima” pelo gráfico da função f(x,y) = 4 + xy, e “em baixo” pelo domínio rectangular R onde a função está definida, já que se tem f(x,y) 0, (x,y) R :

dA é igual ao volume do

(4 + xy)

está definida, já que se tem f(x,y) ≥ 0, ∀ ( x , y ) ∈

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

O problema de saber quais as funções que são integráveis num domínio

rectangular R é um problema muito importante, cuja análise detalhada está fora

do âmbito desta cadeira. Limitar-nos-emos assim a dar uma resposta parcial a

este problema, sem a demonstrarmos: a continuidade de f(x,y) em R é uma condição suficiente (mas não necessária) para que exista o integral duplo dessa função em R.

11.1.3 Integrais parciais de funções de duas variáveis

Seja f(x,y) uma função definida e limitada num rectângulo compacto R IR 2 com os lados paralelos aos eixos coordenados. Se integrarmos f(x,y) apenas com respeito a y entre c e d, mantendo x fixo num valor entre a e b, obtemos como resultado uma função de x, designada por G(x), que é chamada integral parcial ⎛ ∂ f

de f(x,y) com respeito à variável y, por analogia com a derivada parcial

y ⎠ ⎟

:

G(x)

def.

d

c

f(x,y)

dy , em que a x b

Se integrarmos f(x,y) apenas com respeito a x entre a e b, mantendo y fixo num

valor entre c e d, este integral é uma função de y, designada por H(y), e chamada integral parcial de f(x,y) com respeito à variável x, por analogia com a

derivada parcial

f

x

:

H(y)

def.

b

a

f(x,y)

dx , em que c y d

Se a função f(x,y) for não-negativa em R, as funções G(x) e H(y) representam a

área de secções rectas do sólido paralelepipédico” delimitado pelo gráfico de f(x,y) e pelo rectângulo R, secções essas que são normais ao eixo Ox e ao eixo Oy, respectivamente:

6

11.1

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR 2

11.1 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR 2 Se f(x,y) ≥ 0, a área de

Se f(x,y) 0, a área de uma secção recta normal a Ox é: G(x) =

Se f(x,y) 0, a área de uma secção recta normal a Oy é: H(y) =

d

c

b

a

f(x,y) dy

f(x,y) dx

11.1.4 Integrais iterados de funções de duas variáveis

Um integral iterado de f(x,y) corresponde a fazer duas integrações sucessivas:

primeiro, um integral parcial com respeito a uma das variáveis; em seguida, um

integral da função resultante com respeito à outra variável. Assim, se a função

G(x) =

seguinte integral iterado de f(x,y) no rectângulo R:

f(x,y) dy for integrável entre x = a e x = b, podemos definir o

d

c

b d def. ⎞ ∫ ∫ f(x,y) dy dx ≡ ∫ d f(x, y) dy
b
d
def.
∫ ∫
f(x,y) dy dx
∫ d
f(x, y) dy
dx
=
∫ b
G(x) dx
∫ b ⎛
a
c
a
⎝ c
a

b

Analogamente, se a função H(y) =

a

y = d, podemos definir outro integral iterado de f(x,y) no mesmo rectângulo R:

f(x,y)

dx for integrável entre y = c e

d b def. ⎞ ∫ ∫ f(x,y) dx dy ≡ ∫ b f(x, y) dx
d
b
def.
∫ ∫
f(x,y) dx dy
∫ b
f(x, y) dx
dy
=
∫ d
H(y) dy
∫ d ⎛
c
a
c
⎝ a
c

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CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

11.1.5 Cálculo de integrais duplos utilizando integrais iterados

A importância fundamental dos integrais iterados que acabámos de definir é evidente do seguinte teorema:

Teorema: Se f(x,y) for contínua num rectângulo R ⊂ IR 2 cujos lados são paralelos
Teorema:
Se f(x,y) for contínua num rectângulo R ⊂ IR 2 cujos lados são
paralelos aos eixos coordenados, então:
b
d
d
b
∫∫
f(x,y) dA =
∫ ∫
f(x,y) dy dx =
∫ ∫
f(x,y) dx dy
a
c
c
a
R

Ou seja, o cálculo do integral duplo de f(x,y) em R fica reduzido ao cálculo de um qualquer dos dois integrais iterados de f(x,y) em R, em que a ordem de integração utilizada para o efeito é teoricamente indiferente: podemos integrar primeiro com respeito a y e depois com respeito a x (simbolicamente, “dy dx”), ou então integrar primeiro com respeito a x e depois com respeito a y (simbolicamente, “dx dy”).

Na prática, porém, acontece frequentemente que uma destas duas ordens de integração conduz a cálculos mais simples, e então essa deverá ser obviamente a ordem utilizada para calcular o integral duplo.

Exemplo 11.3

Calcule o integral duplo

R

(4x 3 + 6xy 2 )

dA por dois

processos diferentes, sabendo que R é o rectângulo seguinte:

R = {(x,y) IR 2 : 1 x 3 – 2 y 1}.

1º Processo: integrar 1º com respeito a y e depois com respeito a x:

R

(4x 3 + 6xy 2 ) dA =

∫ ∫

1

3

1

2

8

(4x 3 + 6xy 2 )

dy dx

=

11.1

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR 2

=

3

1

[

= 1

4x 3 y + 2xy 3 y ] y = 2

dx

=

3

1

=

3

1

(12x 3 + 18x) dx =

(

(4x 3 +

2x) ( 8x 3 16x) ) dx

[

3x 4 + 9x 2

]

3

1

= 312

=

2º Processo: integrar 1º com respeito a x e depois com respeito a y:

=

1

2

[

x

R

(4x 3 + 6xy 2 ) dA =

= 3

4 + 3x 2 y 2 x ] x = 1

dy

=

∫ ∫

2 1

1

3 (4x 3 + 6xy 2 ) dx dy =

1

2

(

(81 + 27y 2 ) (1 +

3y 2 ) ) dy

=

=

1

2

(80 + 24y 2 )

dy

=

[

80y + 8y 3

1

] 2

= 312

Convém referir aqui um caso particular do teorema acima enunciado, em que o integral duplo de f(x,y) em R é igual ao produto de dois integrais simples, sem que seja necessário calcular integrais iterados; isso acontece sempre que f(x,y) for o produto de uma função de x por uma função de y:

Corolário: Se f(x,y) = f 1 (x) f 2 (y) for contínua num rectângulo R
Corolário:
Se f(x,y) = f 1 (x) f 2 (y) for contínua num rectângulo R ⊂ IR 2 com
os lados paralelos aos eixos coordenados
⎞ ⎛
∫∫
f(x,y) dA =
∫ b
f 1 (x) dx
∫ d
f 2 (y) dy
⎝ a
⎠ ⎝ c
.
R

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CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

Problemas propostos / Secção 11.1

1. Avalie os seguintes integrais duplos iterados:

(a)

(b)

(c)

(d)

∫ ∫

0

1

0

π

∫ ∫

0 0

3

3

(xy + 7x + y)

dx dy;

e x sen y dy dx;

π / 2 e

0

1

sen y

x

∫ ∫

1

1

2

3

x

y

+

y

x

dx dy;

dx dy.

2. Avalie os seguintes integrais duplos na região rectangular R indicada:

(a)

(b)

x

1 − x 2
1 − x 2

dA, com R = {(x,y): 0 x 1 2 y 3};

R

R

cos (x + y) dA, com R = {(x,y): – π /4 x ≤ π /4 0 y ≤ π /4}.

Soluções dos problemas propostos / Secção 11.1

1. 513 (a) ; 4 (b) 2 (e – 1); (c) 1; (d) ln (
1. 513
(a)
;
4
(b)
2 (e – 1);
(c)
1;
(d)
ln
( 48
3
) .
1
2.
3 ;
(a)

(b)

1.

10

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

11.2

Integrais duplos em domínios limitados arbitrários de IR 2

11.2.1

Definição do conceito

Seja f(x,y) uma função definida e limitada num domínio limitado arbitrário

R IR 2 , e seja A um rectângulo qualquer com os lados paralelos aos eixos

coordenados que contém R, isto é, R A.

Se fizermos uma partição arbitrária Q do rectângulo A em sub-rectângulos, e se apenas considerarmos os k sub-rectângulos que ficam totalmente dentro de R, esse conjunto, representado por P = {R i }, com 1 i k, constitui o que se

costuma chamar uma partição interna de R, determinada pela partição Q de A:

interna de R , determinada pela partição Q de A: A norma |P| desta partição interna

A norma |P| desta partição interna é, por definição, igual à norma |Q| da partição

que originou P. Escolhendo um ponto arbitrário (x * , y * ) em cada um dos k sub-

i

i

-rectângulos R i que constituem a partição interna P, obtém-se uma selecção S

associada a P.

11

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

Se representarmos a área do sub-rectângulo R i por A i , a soma de Riemann

para a função f(x,y), associada com a partição interna P de R e com a selecção S

escolhida para essa partição, é dada pelo somatório

k

i =1

f(x * , y * )

i

i

A i .

Se existir o limite desta soma quando |P| 0, esse limite é, por definição, o

integral duplo de f(x,y) no domínio limitado arbitrário R IR 2 :

k def. lim ∫∫ f(x,y) dA ≡ ∑ f(x * , y * ) ∆
k
def. lim
∫∫
f(x,y) dA
f(x * , y * )
∆ A i
i
i
|P |→0 i =1
R

É possível demonstrar-se que é condição suficiente de existência deste integral que f(x,y) seja contínua em R, e que a fronteira do domínio de integração R seja formada por um número finito de arcos de curva suaves.

Quanto à interpretação geométrica do integral duplo assim definido, mantém-se tudo o que atrás dissemos no caso de domínios rectangulares, se substituirmos agora “paralelepipédico” por “cilíndrico”.

Portanto, se f(x,y) 0 em R, o integral duplo

R

f(x,y)

dA representa o

volume do sólido “cilíndrico” T que é delimitado “em cima” pelo gráfico da função f(x,y) e “em baixo” pelo domínio de integração R, que era o nosso objectivo inicial ao introduzir o conceito de integral, como afirmámos atrás.

11.2.2 Propriedades básicas dos integrais duplos

As propriedades básicas dos integrais duplos são extensões naturais das correspondentes propriedades para integrais simples que estudámos atrás, a saber: linearidade da operação de integração, decomposição do domínio de integração e o teorema da estimativa do integral duplo.

12

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

11.2.2.1 Linearidade da operação de integração

O resultado seguinte garante-nos que o integral duplo da soma de duas funções

é igual à soma dos integrais duplos de cada uma dessas funções, se esses

integrais existirem:

Teorema:

Se f(x,y) e g(x,y) forem integráveis em R IR 2 , a soma [f(x,y) + g(x,y)] também é integrável no mesmo domínio, sendo:

[f(x,y) + g(x,y)] dA =

R

R

f(x,y) dA +

R

g(x,y) dA

Como já acontecia com integrais simples, também no caso dos integrais duplos é sempre válido colocar qualquer constante multiplicativa “dentro” ou “fora” do integral, conforme for mais conveniente:

Teorema: Se f(x,y) for integrável em R IR 2 , e se c for uma constante arbitrária, então [c f(x,y)] também é integrável no mesmo domínio, sendo:

R

[c f(x,y)] dA

=

c

R

f(x,y) dA, c IR

Estes dois resultados, em conjunto, implicam que a integração de funções de

duas variáveis é linear, ou seja, o integral duplo em R de uma combinação linear

de n funções {f i (x,y), i = 1,

, n} é igual à mesma combinação linear dos

integrais duplos em R dessas n funções, caso esses integrais existam todos:

∫∫

R

n

i =1

c i f i (x,y)

dA =

n

i =1

13

c i

R

f i (x,y) dA

, c i IR

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

11.2.2.2

Decomposição do domínio de integração

 

Teorema:

Se f(x,y) for integrável em R IR 2 , e se R = R 1 R 2 , em

que R 1 e R 2 são regiões com interiores disjuntos, então:

f(x,y) dA =

f(x,y) dA +

f(x,y) dA

R

R

1

R 2

f(x,y) dA + ∫ ∫ f(x,y) dA R R 1 R 2 11.2.2.3 Teorema da estimativa

11.2.2.3 Teorema da estimativa do integral duplo

É possível obter uma estimativa do valor de um integral duplo, se conhecermos

a área do domínio de integração, conjuntamente com um minorante e um

majorante dos valores que a função assume nesse domínio:

Teorema:

Se f(x,y) for integrável em R IR 2 , e se m f(x,y) M, (x,y) R , então:

m A(R)

f(x,y) dA M A(R)

R

em que A(R) representa a área do domínio R.

14

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

Como consequência imediata deste teorema, obtém-se um método importante para calcular a área do domínio R por meio de um integral duplo; de facto, se f(x,y) = 1 em R, podemos escolher m = M = 1, e resulta o seguinte corolário:

Corolário:

R

dA = A(R)

11.2.3 Integrais iterados em regiões simples de IR 2

Uma região R IR 2 diz-se y-simples (ou verticalmente simples) se puder ser descrita como segue:

R = {(x,y) IR 2 : a x b

y 1 (x) y y 2 (x)}

em que, por hipótese, y 1 (x) e y 2 (x) são funções contínuas em [a,b]:

1 (x) e y 2 (x) são funções contínuas em [a,b]: Se f(x,y) for uma função

Se f(x,y) for uma função qualquer definida e limitada em R, o integral parcial de f(x,y) com respeito a y em R terá agora limites variáveis, y 1 (x) e y 2 (x):

15

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

G(x)

def.

y 2 ( x )

y 1 ( x)

f(x,y)

dy , em que a x b

Se agora integrarmos G(x) em [a,b], resulta o integral iterado de f(x,y) associado a este domínio y-simples ou verticalmente simples:

 

∫ ∫

a

b

y 2 ( x )

y 1 ( x)

f(x,y) dy dx

def. b

a

y 2 ( x )
⎜ ⎝ ⎜

y 1 ( x )

f ( x, y ) dy

dx =

b

a

G(x) dx

 

Exemplo 11.4

Calcule o integral iterado

2 x 2

xy 2

dy dx , começando

∫ ∫

1

x

por esboçar o domínio de integração.

∫ ∫ 1 x por esboçar o domínio de integração. O domínio de integração é y-simples

O domínio de integração é y-simples ou verticalmente simples, visto que pode ser descrito da seguinte forma (ver limites de integração):

R = {(x,y) IR 2 : 1 x 2

16

x y x 2 }

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

G(x) =

x

x

2

xy 2 dy =

[

1/3 xy 3

y = x 2

] y

=

x

= 1/3 (x 7 – x 4 )

2 x 2

∫ ∫

1

x

2

1

x

8

8

xy 2 dy dx =

= 1/3

⎢ ⎣

G(x) dx =

x 5

5

2

1

2

1

1/3 (x 7 – x 4 ) dx =

= 1027

120

Uma região R IR 2 diz-se x-simples (ou horizontalmente simples) se

R = {(x,y) IR 2 : c y d

x 1 (y) x x 2 (y)}

em que, por hipótese, x 1 (y) e x 2 (y) são funções contínuas em [c,d]:

1 (y) e x 2 (y) são funções contínuas em [c,d]: Se f(x,y) for uma função

Se f(x,y) for uma função definida e limitada em R, o integral parcial de f(x,y) com respeito a x em R terá agora limites de integração variáveis, x 1 (y) e x 2 (y):

17

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

H(y)

def.

x 2 ( y )

x 1 ( y)

f(x,y)

dx , em que c y d

Se agora integrarmos H(y) em [c,d], resulta o integral iterado de f(x,y) associado

a este domínio x-simples ou horizontalmente simples:

⎞ d x 2 ( y ) def. ∫ d ∫ ∫ f(x,y) dx dy
d
x 2 ( y )
def. ∫ d
∫ ∫
f(x,y) dx dy
⎛ ∫ x 2 ( y )
⎝ ⎜
f ( x, y ) dx
dy =
∫ d
H(y) dy
c
x 1 ( y)
c
x 1 ( y )
c

Exemplo 11.5

Calcule o integral iterado

π / 2 cos y

0

0

x

sen y

dx dy,

começando por esboçar o domínio de integração.

O domínio de integração é x-simples ou horizontalmente simples, visto que

pode ser descrito da seguinte forma (ver limites de integração):

R = {(x,y) IR 2 : 0 y ≤ π /2 0 x cos y}

forma (ver limites de integração): R = {(x,y) ∈ IR 2 : 0 ≤ y ≤

18

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

H(y) =

cos y

0

x sen y

dx =

1

2 x 2 sen y

x = 0

x

= cos y =

1

2 cos 2 y sen y

=

π / 2 cos y

0

0

x sen y

π / 2

0

1

2 cos 2 y sen y

dx dy

dy = –

=

1

6

π / 2

0

H(y) dy

[

cos 3 y

π/2 =

] 0

=

1

6

11.2.4 Avaliação de integrais duplos pelo teorema de Fubini

A avaliação de integrais duplos de funções contínuas pode ser feita, em geral, por intermédio dos integrais iterados que acabámos de definir para regiões x-simples ou y-simples do plano Oxy, de acordo com o teorema de Fubini:

Teorema: Seja f(x,y) uma função contínua num domínio compacto R IR 2 . Se R for y-simples, o integral duplo de f(x,y) em R pode ser calculado por:

 

b

∫ ∫

a

y 2 ( x )

 

f(x,y) dA =

f(x,y) dy dx;

 

R

y 1 ( x)

Se R for x-simples, o integral duplo de f(x,y) em R pode ser calculado por:

 

d

∫ ∫

c

x 2 ( y )

 

f(x,y) dA =

f(x,y) dx dy.

 

R

x 1 ( y)

Este teorema deverá ser completado com as seguintes observações:

19

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

Se R for x-simples e y-simples, poderá em princípio escolher-se a ordem de integração (ou seja, o integral iterado) mais fácil. o que depende não só da forma do domínio R, como também da própria função f(x,y):

∫ ∫

a

b

y 2 ( x ) y 1 ( x)

f(x,y) dy dx =

∫ ∫

c

d

x 2 ( y ) x 1 ( y)

f(x,y) dx dy.

Este é o resultado a que devemos recorrer quando for necessário “mudar a ordem de integração” num integral duplo iterado.

Se R não for x-simples nem y-simples, poderá em geral ser dividida num número finito de regiões x-simples ou y-simples, às quais o teorema de Fubini pode ser aplicado. No fim, pelo teorema da decomposição do domínio de integração, basta adicionar os resultados assim obtidos.

Exemplo 11.6

Calcule o integral duplo

e x 2

R

dA, em que a região R é

o triângulo delimitado pelas rectas x = 1, y = 0 e y = 2x.

A região R é simultaneamente x-simples e y-simples:

R é o triângulo delimitado pelas rectas x = 1, y = 0 e y =
R é o triângulo delimitado pelas rectas x = 1, y = 0 e y =

20

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

R

é x-simples: R = {(x,y): 0 y 2

y/2 x 1}

R

é y-simples: R = {(x,y): 0 x 1

0 y 2x}

∫ ∫

0

2

1

y / 2

e x 2

dx dy

∫ ∫

0 0

1 2 x

e x 2

dy dx

Contudo, o 1º integral não pode ser avaliado, porque não existe a primitiva

elementar de e x 2 com respeito a x. Assim, só nos resta o 2º integral:

R

e x 2

1 2 x

e x 2

 

=

1

0

 

y e x 2

y

= 2 x

 

dA =

dy dx

dx

=

∫ ∫

0 0

y

= 0

 

=

1

0

2x e x 2

 

e x 2

1

dx

=

0

=

e – 1

11.2.5

Valor médio de f(x,y) em R Teorema da média para integrais duplos

 

Definição:

Se f(x,y) for integrável em R IR 2 , o valor médio de f(x,y)

nesse domínio, representado por f(x, y) , é igual ao integral de f(x,y) em R a dividir pela área do domínio R:

 

def.

1

 

∫∫

R

f ( x, y ) dA

 

f(x, y)

A(R)

f(x,y) dA =

∫∫

R

dA

 
 

R

   

Se f(x,y) 0 em R, o valor médio f(x, y) pode ser interpretado em termos geométricos como sendo a altura média do sólido “cilíndrico” T que é delimitado “em baixo” por R e “em cima” pelo gráfico de f(x,y).

21

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

O teorema da média do Cálculo Integral aplicado a integrais duplos garante-nos que qualquer função f(x,y) que seja contínua num certo domínio R assume obrigatoriamente o seu valor médio algures nesse domínio:

Teorema:

(Teorema da média para integrais duplos)

f(x,y) contínua em R IR 2 ⇒ ∃ (a,b) R : f(x, y) = f(a,b)

(a,b) R :

f(x,y) dA = f(a,b)

dA = f(a,b) A(R)

 

R

R

Exemplo 11.7

Calcule o valor médio da função f(x,y) = y sen (x y) no

rectângulo R = {(x,y) IR 2 : 0 x 1

0 y ≤ π /2}.

=

R

π / 2 1

0

0

y sen (x y)

dA

=

x

= 1

] x = 0

y sen (x y)

dx dy

π / 2

0

π / 2

0

[

cos ( x y)

dy

=

(– cos y + 1)

=

dy

=

[

sen y +

A(R) = (1) ( π /2) = π/2

y ] 0 π / 2 =

(– 1 + π /2) – (0 + 0) = π /2 – 1

f(x, y) =

π / 2 1 π / 2

= π − 2 π

.

=

Os pontos de R onde a função assume o seu valor médio poderiam ser obtidos

resolvendo a equação y sen (x y) = π 2

, em que 0 x 1 0 < y ≤ π /2.

π

22

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

Problemas propostos / Secção 11.2

1. Avalie os seguintes integrais duplos iterados:

1 x 2 (a) ∫ ∫ xy dy dx; 0 0 2 2 y (b)
1 x 2
(a)
∫ ∫
xy dy dx;
0 0
2
2
y
(b)
∫ ∫
(3x + 2y) dx dy;
0
2 y
1
x 3
(c)
∫ ∫
e y/x dy dx;
0 0
3
y
(d)
∫ ∫
y 2 + 16
dx dy.
0
0

2. Avalie os seguintes integrais duplos na região R indicada:

(a)

(b)

x (cos xy) dA, em que R é a região do plano delimitada pelas

R

curvas x = 1, x = 2, y = π/2 e y = 2 π/x;

∫∫

R

x 1 + y 2
x
1 +
y 2

dA, em que R é a região do primeiro quadrante do

plano delimitada pelas curvas y = x 2 , y = 4 e x = 0;

(c)

(d)

(3x – 2y) dA, em que R é a região do plano delimitada pela

R

curva de equação x 2 + y 2 = 1;

x 2 dA, em que R é a região do primeiro quadrante do plano

R

delimitada pelas curvas xy = 1, y = x e y = 2x;

(e)

sen y 3 dA, em que R é a região do plano delimitada pelas

R

curvas y =

= 2x; (e) ∫ ∫ sen y 3 dA, em que R é a região do

x , y = 2 e x = 0.

23

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

3. Em cada caso, escreva o correspondente integral iterado com a ordem de integração trocada e, em seguida, avalie esse integral:

(a)

(b)

(c)

∫ ∫

0

1

4

4 x

e y 2 dy dx;

∫ ∫

0 0

1

arccos x

∫ ∫

0

1

π / 2

arcsen y

x

dy dx;

sec 2 (cos x) dx dy.

4. Calcule o valor médio de f(x,y) no domínio R indicado em cada caso:

(a)

(b)

x 2 +
x 2
+

f(x,y) = x

f(x,y) = 10 – 8x 2 – 2y 2 , R = {(x,y): 0 x 1

y , R = {(x,y): 0 x 1

0 y 3};

0 y 2}.

Soluções dos problemas propostos / Secção 11.2

1

1. 12 ;

(a)

(b)

64

5

;

(c)

(d)

e

2 – 1;

61

3

.

2. (a)

(b)

(c)

(d)

(e)

2

π ;

17 − 1 1

2

0;

1

8 ; 1 cos 8

3

3. ∫ ∫

(a)

0

0

4

y / 4

;

.

e y 2

dx dy =

1 e 16

24

8

;

11.2

INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR 2

4.

π / 2 ∫ cos y (b) ∫ 0 0 / 2 ∫ sen x
π
/ 2 ∫ cos
y
(b)
0
0
/ 2 ∫ sen
x
(c)
∫ π
0
0
2 ( 31 − 9
3 )
(a)
45
14
(b)
.
3

x

dx dy =

π

8

;

sec 2 (cos x) dy dx = tg 1.

;

25

11.3

APLICAÇÕES DE INTEGRAIS DUPLOS

11.3

Aplicações de integrais duplos

11.3.1

Cálculo de volumes utilizando integrais duplos

Se f(x,y) for uma função contínua e não-negativa definida numa região limitada R IR 2 , o volume do sólido “cilíndrico” delimitado pelo gráfico de f(x,y) e pela região R é, por definição, o integral duplo de f(x,y) em R (se o integral existir).

o integral duplo de f(x,y) em R (se o integral existir). Volume de T = ∫

Volume de T =

R

f(x,y) dA , se f(x,y) 0 em R

Em geral, porém, f(x,y) poderá assumir valores positivos e negativos em R. Nesse caso, se quisermos calcular o volume do sólido “cilíndrico” delimitado

pelo gráfico de f(x,y) e pelo domínio R, teremos de calcular o integral duplo de

f ( x, y)

no mesmo domínio, em vez de f(x,y).

Se f(x,y) e g(x,y) forem duas funções contínuas definidas numa região plana limitada R, e se f(x,y) g(x,y) em R, o volume do sólido “cilíndrico” que é delimitado pelos gráficos das duas funções pode ser obtido calculando o integral duplo no domínio R de [f(x,y) – g(x,y)], mesmo quando as duas funções assumirem valores negativos em R:

27

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

# 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS Volume = ∫ ∫ [f(x,y) – g(x,y] dA

Volume =

[f(x,y) – g(x,y] dA , se f(x,y) g(x,y) em R

R

Exemplo 11.8

Calcule o volume do sólido delimitado pelos planos z = 6 e z = 2y, e pelos cilindros parabólicos y = x 2 e y = 2 – x 2 .

do sólido delimitado pelos planos z = 6 e z = 2y, e pelos cilindros parabólicos

28

11.3

APLICAÇÕES DE INTEGRAIS DUPLOS

A projecção deste sólido cilíndrico no plano Oxy é a região R delimitada pelas parábolas y = x 2 e y = 2 – x 2 , que se intersectam nos pontos de coordenadas (1, 1) e (– 1, 1). Esta região pode ser descrita como sendo a união de duas regiões x-simples, ou então como uma única região y-simples:

R é a união de duas regiões x-simples:

{

{ (x, y) : 0 ≤ y ≤ 1 ∧ − y ≤ x ≤
{ (x, y) : 0 ≤
y ≤ 1 ∧ − y ≤ x ≤ y
} ∪
(x, y) : 1 ≤ y ≤ 2 ∧ − 2 − y ≤ x ≤ 2 − y
}
(x, y) : 1 ≤ y ≤ 2 ∧ − 2 − y ≤ x ≤

{

R é y-simples:

(x, y) : 1 x 1 x 2 y 2 x 2

}
}

Claramente, é mais fácil considerar esta 2ª hipótese, já que envolve o cálculo de um único integral iterado, em vez de dois integrais.

O volume pretendido é igual ao valor do integral duplo no domínio R da diferença entre a função “maior” e a função “menor”; ora, no domínio R, tem-se sempre 6 2y, já que 0 y 2. Portanto, para calcularmos o volume pretendido, vamos integrar a função 6 – 2y:

V

=

R

(6 – 2y) dA

=

2 x 2

∫ ∫

1

1 x 2

29

(6 – 2y)

dy dx

=

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

=

1

1

[

6y y 2

y = 2 x 2

] y = x 2

dx

=

1

1

(8 – 8x 2 )

dx

= 32/3

Note-se que, no caso de [f(x,y) – g(x,y)] assumir valores positivos e negativos

em R, o volume de T é igual ao integral duplo de

f ( x, y) g ( x, y)

em R.

11.3.2 Cálculo de áreas utilizando integrais duplos

O cálculo de áreas por meio de integrais duplos é uma consequência imediata do corolário do teorema da estimativa do integral duplo. O que nós calculamos de facto é ainda o volume de um sólido "cilíndrico", mas como f(x,y) = 1 em R, esse volume é numericamente igual à área da base do sólido, isto é, à área de R:

Área de R =

= ∫∫ dA

R

isto é, à área de R: Área de R = = ∫∫ d A R Se

Se R for uma região y-simples ou x-simples, o teorema de Fubini conduz-nos a resultados que já são nossos conhecidos do estudo das funções de uma variável:

Área de região y-simples =

Área de região x-simples =

∫ ∫

a

b

y 2 ( x ) y 1 ( x)

∫ ∫

c

d

x 2 ( y ) x 1 ( y)

30

dy dx =

dx dy =

b

a

d

c

[y 2 (x) – y 1 (x)] dx

[x 2 (y) – x 1 (y)] dy

11.3

APLICAÇÕES DE INTEGRAIS DUPLOS

Exemplo 11.9

Utilize um integral duplo para calcular a área da região R do plano Oxy que é delimitada pela recta y = x e pela parábola y = x 2 – 2x.

Esta região pode ser descrita como sendo a união de duas regiões x-simples, ou então como uma única região y-simples; é mais fácil considerar a 2ª hipótese, já que envolve o cálculo de um único integral iterado, em vez de dois integrais.

Se resolvermos a equação x = x 2 – 2x, concluímos que a recta e a parábola se intersectam nos pontos (0, 0) e (3, 3), pelo que a descrição y-simples de R será:

0) e (3, 3), pelo que a descrição y-simples de R será: A(R) = ∫ ∫

A(R) =

R

R = {(x,y) IR 2 : 0 x 3

dA =

=

3

0

∫ ∫

0

x

3

x 2 2 x

dy dx

[x – (x 2 – 2x)]

dx

=

x 2 – 2x y x}

3

0

[y ] y

= x y = x 2 2 x

=

3

0

(3x – x 2 )

dx =

9

2

dx

=

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

11.3.3 Centro geométrico de figuras planas

Definição: O centro geométrico (por vezes chamado “centróide”) de um domínio compacto R ⊂ IR
Definição: O centro geométrico (por vezes chamado “centróide”) de um
domínio compacto R ⊂ IR 2 é o ponto cujas coordenadas ( x, y)
são os valores médios de x e de y em R, respectivamente:
∫∫
x dA
∫∫
y dA
def.
def.
R
R
∫∫
dA
∫∫
dA
R
R

x

; y

É possível por vezes utilizar com vantagem o seguinte princípio de simetria: se a

região plana R for simétrica com respeito à linha recta l, então o centro geométrico de R terá de estar situado obrigatoriamente sobre l:

de R terá de estar situado obrigatoriamente sobre l : Em particular, se R for simétrica

Em particular, se R for simétrica com respeito à recta vertical x = a, então x = a;

e se R for simétrica com respeito à recta horizontal y = b, então y = b.

32

11.3

APLICAÇÕES DE INTEGRAIS DUPLOS

11.3.4 Massa de uma lâmina de densidade variável

Em linguagem corrente, uma lâmina é um objecto cuja espessura (ou altura) é desprezável quando comparada com as outras duas dimensões. Em linguagem matemática, uma lâmina é uma idealização deste conceito corrente, ou seja, é uma região plana bidimensional delimitada por uma (ou mais) curvas no plano Oxy, como a que é mostrada na figura anterior.

Se uma lâmina R de massa m e área A for homogénea, a sua densidade de massa

δ (ou “massa por unidade de área”) será simplesmente dada por δ = m A .

Se a lâmina R não for homogénea, a sua densidade poderá variar de ponto para ponto, ou seja, poderá ser representada por meio de uma função δ (x,y). Se fizermos uma partição arbitrária da lâmina, a massa m i de uma pequena porção

de área A i será dada aproximadamente por m i δ (x * , y * ) A i . Formando a

i

i

soma de Riemann correspondente, e passando ao limite quando A i 0,

obtém-se o integral duplo que nos dá o valor exacto da massa da lâmina R:

m(R) = δ (x,y) dA

R

Exemplo 11.10 (i) Calcule as coordenadas do centro geométrico duma lâmina delimitada pelo gráfico de y = cos x e pelo eixo

Ox, entre x = – π /2

e

x = π /2.

(ii) Se a densidade de massa desta lâmina for representada pela função δ (x,y) = 1 + y, calcule a massa da lâmina e

a sua densidade média.

desta lâmina for representada pela função δ (x,y) = 1 + y, calcule a massa da

33

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

(i) Coordenadas do centro geométrico:

Em virtude da simetria com respeito ao eixo Oy (x = 0), podemos afirmar

imediatamente que x = 0. Para obtermos y, iremos considerar que R é uma região y-simples, descrita da seguinte forma:

R

dA =

R = {(x,y) IR 2 : – π /2 x ≤ π /2

π / 2

cos x

π / 2 0

dy dx

=

π / 2

π / 2

0 y cos x}

cos x

dx

=

[

sen x

]

π / 2

− π / 2 = 2

R

y

dA

=

π / 2

cos x

π / 2 0

y

dy dx

=

π / 2

π / 2

[

1/2 y 2

y

] y

=

=

cos x

0

dx

=

=

1/2

π / 2 π / 2

cos 2 x

dx

= 1/4

π / 2 π / 2

(1 + cos 2x)

dx = π /4

Portanto,

y (

R

y dA

/

dA ) = π/8, e as coordenadas do centro

R

geométrico da região R acima representada são (0, π /8).

(ii) Massa da lâmina e densidade média:

m(R) =

R

(1 + y)

dA =

π / 2

cos x

π / 2 0

(1 + y)

dy dx =

=

π / 2

π / 2

π / 2

π / 2

=

[

y + 1/2 y 2

y = cos x

] y

=

0

dx =

π / 2

π / 2

(cos x + 1/4 + 1/4 cos 2x)

dx = 2 + π /4.

(cos x + 1/2 cos 2 x) dx =

A densidade média da lâmina R é igual à massa m(R) a dividir pela área A(R):

34

11.3

APLICAÇÕES DE INTEGRAIS DUPLOS

def. δ (x, y)

1

A(R)

R

δ (x,y) dA = m(R )

)

A(R

=

2 + π / 4

2

= 1 + π /8.

Problemas propostos / Secção 11.3

1. Utilize um integral duplo para calcular o volume dos sólidos indicados:

(a)

O tetraedro situado no primeiro octante que é delimitado pelos três planos coordenados e pelo plano z = 5 – 2x – y;

(b)

O

sólido

situado

no

primeiro

octante

que

é

delimitado

pelos

planos

x

= 0, z = 0, x = 5, z = y e

z

+ 2y = 6;

(c)

O sólido delimitado pelas

superfícies y 2 = x, z = 0 e

x + z = 1;

35

0, x = 5, z = y e z + 2y = 6; (c) O sólido

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

(d)

O sólido delimitado pelas

superfícies z = 1 + x 2 +

+

y 2

e

z

=

0, sendo

o

domínio de integração em Oxy delimitado pelas curvas y = x e y = 2 – x 2 ;

(e)

O sólido delimitado pelo parabolóide z = 1 – x 2

– y 2 e pelo plano z = 0;

 

(f)

O

sólido situado no

primeiro octante que é delimitado pelos cilindros

circulares x 2 + y 2 = 25 e

x 2 + z 2 = 25.

circulares x 2 + y 2 = 25 e x 2 + z 2 = 25.
circulares x 2 + y 2 = 25 e x 2 + z 2 = 25.

2. Utilize um integral duplo para calcular a área das regiões do plano delimitadas pelas curvas dadas:

(a)

(b)

(c)

(d)

y = x 2 + 1 e y = 2x 2 – 3;

y = x 2 e y =

2

1 + x 2

;

y = sen x e y = cos x, se 0 x ≤ π/4;

y = cosh x e y = senh x, se 0 x 1.

36

11.3

APLICAÇÕES DE INTEGRAIS DUPLOS

3.

Em cada caso, calcule as coordenadas ( x, y) do centro geométrico da região plana delimitada pelas curvas dadas:

(a)

x = 0, y = 0 e x + 2y = 4;

(b)

y = 0, y = x 2 e x = 2;

(c)

x = 3y 2 – 6y e x = 2y – y 2 ;

(d)

y = 0 e y = sen x, no intervalo 0 x ≤ π.

4.

Em cada caso, calcule a massa da lâmina delimitada pelas curvas dadas, com densidade de massa δ (x,y):

(a)

y = 0, x = 1 e y =

x , com δ (x,y) = x + y;

x , com δ (x,y) = x + y;

(b)

y = sen x e y = 0 entre x = 0 e x = π , com δ (x,y) = y.

Soluções dos problemas propostos / Secção 11.3

1.

2.

3.

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

(a)

(b)

(c)

(d)

(a)

(b)

125

12

15;

8

15 ;

837

70

;

250

2

π

;

;

3

.

32

3

π

;

2

3 ;

; 8 3 7 70 ; 2 5 0 2 π ; ; 3 . 3

2 – 1;

1 – 1 e .

4

3

3

, 2

3

6

2 , 5

;

;

37

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

4.

(c)

(d)

(a)

(b)

4 , 1

π

;

5

, π

8

.

2

13

20 ;

π

4

.

38

11.4

INTEGRAIS DUPLOS EM COORDENADAS POLARES

11.4

Integrais duplos em coordenadas polares

11.4.1

Integrais duplos em “rectângulos” polares

Certos integrais duplos são mais facilmente calculados—ou, em certos casos, só podem ser calculados—se se fizer uma mudança de variáveis de coordenadas rectangulares para coordenadas polares, utilizando as conhecidas relações:

x

y

=

= r

r

cos θ

sen θ

.

A situação mais simples em que isto pode acontecer ocorre quando o domínio

de integração R é um “rectângulo” polar, isto é, um domínio do plano Oxy que

se transforma num rectângulo quando mudamos de coordenadas rectangulares para coordenadas polares:

de coordenadas rectangulares para coordenadas polares: R = {(x,y) ∈ IR 2 : a ≤ r

R = {(x,y) IR 2 : a r b

α θ β, com β α 2 π }

Se a = 0, o “rectângulo” polar será um sector circular; se 0 < a < b, com α = 0 e β = 2 π , o “rectângulo” polar será um anel circular.

39

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

Sabendo da geometria elementar que a área de um sector circular de raio r e

ângulo-ao-centro θ é igual a

2 r 2 θ, podemos calcular a área do “rectângulo”

polar acima representado como diferença das áreas de dois sectores circulares:

1

A(R) =

1

2 b 2 ( β α) –

2 a 2 ( β α) = 2 (b + a) (b – a) ( β α) = r r θ,

1

1

em que r =

1

2 (b + a), r = b – a e θ = β α.

Para calcularmos o integral duplo

f(x,y) dA, em que R é o “rectângulo”

R

polar acima referido, começamos por fazer uma partição do intervalo [a,b] em m

sub-intervalos de comprimento r = (b – a)/m:

a = r 0 < r 1 < …… < r m1 < r m = b

e depois uma partição do intervalo [α, β] em n sub-intervalos de comprimento θ = (β α)/n:

α = θ 0 < θ 1 < …… < θ n1 < θ n = β.

θ = ( β – α )/n: α = θ 0 < θ 1 < ……

40

11.4

INTEGRAIS DUPLOS EM COORDENADAS POLARES

Fica assim definida uma partição polar P do “rectângulo” polar R em k = m x n “sub-rectângulos” polares {R i }, em que a malha ou norma | P | desta partição é o

comprimento da maior diagonal de todos esses “sub-rectângulos”.

Em seguida, escolhemos o ponto central de cada “sub-rectângulo” R i , de

coordenadas polares (r * , θ * ), em que r * e θ * representam os valores médios

i

i

i

i

das coordenadas radial e angular no “sub-rectângulo” R i (ver figura anterior).

A soma de Riemann para a função f(x,y) associada com a partição polar P do “rectângulo” polar R é então dada pelo somatório

k

i =1

f(x * , y * )

i

i

A i

r *

i

em

substituirmos x * por (r * cos θ * ) e y * por (r * sen θ * ), esta soma de Riemann

r θ é a área do “sub-rectângulo” polar R i . Se agora

que A i