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LORENA RODRIGUES DE OLIVEIRA

EUTANÁSIA: MORTE DIGNA OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO?

GOVERNADOR VALADARES SETEMBRO/2009

UNIVERSIDADE VALE DO RIO DOCE - UNIVALE FACULDADE DE DIREITO, CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS E ECONÔMICAS – FADE - CURSO DE DIREITO

EUTANÁSIA: MORTE DIGNA OU AUXILIO AO SUICÍDIO?
Monografia apresentada ao Curso de Direito da UNIVALE como requisito indispensável para a graduação em Direito.

Aprovada ( ) Aprovada com louvor ( ) Aprovada com restrições ( ) Reprovada ( )

Professor:

_________________________________________________ Vinicius Sampaio da Costa - Orientador

Professor:

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Professor:

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Governador Valadares Setembro de 2009.

Agradecimento:
Agradeço primeiramente a Deus pela sabedoria, pela paciência, por ter feito dos meus problemas e obstáculos o mais belo caminho a minha vitória. Agradeço a minha mãe, pela força, por ter lutado junto comigo esses 5 anos, agradeço a meu pai, que sempre esteve ao meu lado e me incentivou cada dia, aos meus irmãos Julio Cesar e Aroldo, e a minha Irmã Juliana mesmo estando longe. Agradeço aos meus amigos, que não citarei aqui mas que de um modo especial e de coração quero deixar o meu muito obrigada pela força, agradeço também aos meus desafetos que de uma certa forma me incentivaram a ser a cada melhor, lutar pelos meus objetivos. Agradeço a todos os meus grandes professores pelo exemplo, pela dedicação a minha aprendizagem. Agradeço ao meu querido orientador Dr. Vinicius pela dedicação, pela atenção e pela paciência, muito obrigada, quando eu crescer quero ser como você professor. Em especial quero agradecer aos meus grandes e eternos amigos que fiz na faculdade e que sempre estarão presentes em meu coração Marcelo, Marcos Guilherme, Marco Antônio, Emerson, Ruberval, Alana, Anderson Bragatto, aos colegas da sala, meus colegas de trabalho, minha grande e sincera amiga Andréia Wetter e família, a família Marçal, minha amiga querida Michele, obrigada por me suportar, agradeço minha miguxinha Camila pela força, e não poderia deixar de lembrar do meu grande amigo Celso Augusto que fez parte do inicio dessa caminhada e mesmo abandonando o barco sempre me deu força pra continuar. A todos que diretamente ou indiretamente fizeram parte dessa minha caminhada, das minhas lagrimas, das minhas noites de sono em claro, das minhas idas e vindas... O meu muito obrigada.

É errado pensar que a vida é um jogo e que, se algo correr não exatamente de acordo com as nossas expectativas, podemos jogá-lo de novo desde o início, com novas oportunidades de êxito. Seria uma tolice considerar que temos direito a um caminho de triunfos, sem sofrimentos nem desilusões, sem coragem nem heroísmo. Porque isso não sucede a ninguém e não é deste mundo. Aqui é preciso escolher e, depois, seguir em frente até ao fim. Por vezes com os ombros pesados de cansaço, de dor, de desilusão, de fracasso... (Paulo Geraldo)

Governador Valadares. MG). Visa questionar qual o conceito jurídico mais adequado para a Eutanásia. Palavra – chave Eutanásia.RESUMO: DE OLIVEIRA. pondo fim aos seus sofrimentos. A eutanásia seria o ato de provocar a morte por compaixão em um doente incurável e terminal. e como auxilio ao suicídio. Lorena Rodrigues. Pelo exposto. duas concepções. tendo em vista a força com que a mesma atinge as concepções existentes em uma sociedade. suicídio. Monografia (Graduação em Direito. é clara a importância do estudo da eutanásia para a sociedade em geral. morte. Eutanásia – morte digna ou auxilio ao suicídio? 2009. auxilio. . quais sejam. digna. Ciências Administrativas e Econômicas da UNIVALE. bem como as opiniões diversas no que diz respeito ao tema. Serão desenvolvidas nesta monografia. Não se pode ocultar que a eutanásia é uma forma de liquidação da vida humana. a eutanásia como morte digna.

ABSTRAT Visa question what the legal concept more suitable for euthanasia as well as the different opinions regarding the issue. Euthanasia would be the act of causing death by compassion in a patient incurable and terminal. and as an aid to suicide. namely. . putting an end to their suffering. in view of the strength with which it reaches the existing designs in a society. two concepts. Will be developed in this monograph. For these reasons. euthanasia as a dignified death. You can not hide the fact that euthanasia is a form of liquidation of human life. it is clearly important in the study of euthanasia for society in general.

................... 21 6 – EUTANÁSIA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA........................................ 20 5........4...................... Eutanásia no Âmbito Civil...................... 26 6............ Eutanásia no Âmbito Penal............................... A prática da Eutanásia na Idade Antiga................................................................................................................................................... 29 8 – EUTANÁSIA: MORTE DIGNA OU SUICÍDIO ASSISTIDO?......................... 18 5 – MODALIDADES............ 17 4 – CLASSES DA EUTANÁSIA... 13 2............................................................................................................... A prática da Eutanásia na Idade Media... Distanásia............................................................................. 15 2........................................................................................................................................................2.......1.... 35 10 – CONCLUSÃO................................INTRODUÇÃO 2 – HISTÓRICO DA EUTANASIA 2........................... A origem da Eutanásia................................ A prática da Eutanásia na Idade Media e contemporânea............................ 31 9.............................. 42 11 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........ 16 3 – EUTANÁSIA NO BRASIL ...........EUTANÁSIA: PRÓS E CONTRA................................ 20 5...............................................1. 28 7 – A EUTANÁSIA E O DIREITOCOMPARADO....2........................................SUMÁRIO..........................................................................................................................................3.........................................................................................2.................... 23 6.............................................. EUTANÁSIA: MORTE DIGNA OU AUXÍLIO AO SUÍCIDIO? 1 ........ Ortotanásia......1.......................... 43 .................................................................. 11 2.....................

Serão envolvidas duas concepções. é um auxilio ao suicídio.1 A eutanásia vem sendo aplicada há anos. além de questionar e discutir sobre o significado do tema. Aparecem também. a Eutanásia no Brasil e quais são as modalidades normalmente usadas. sendo a vida um dom divino não tendo o homem o direito de subtraí-la de alguém. por compaixão. que na busca de descobertas. com diferentes formas de execução. na verdade. frente a problemas ocasionados pelas ações provindas do conhecimento do homem ocorridas no século XX. que na busca de descobertas. que são elas: a eutanásia como morte digna ou. A eutanásia.INTRODUÇÃO: A eutanásia em seu conceito nos traz o significado de que é o ato de provocar a morte. desprendeu-se de alguns aspectos fundamentais para a evolução de uma sociedade mais humanizada. para a para que ela tenha seus limites delineados e definidos a fim de ser ou não admitida como prática legal de suavização de um sofrimento que não terá fim. Encontra-se na Eutanásia. A eutanásia distante de ser um acontecimento próprio da nossa sociedade. volta-se a questionar princípios tais como ética e moral. entendendo que. apenas ganha novo espaço. . desprendeu-se de alguns aspectos fundamentais para a evolução de uma sociedade mais humanizada. em um doente incurável e/ou em estado terminal. Em se tratando da disponibilidade da vida humana. aqueles que apontam para a questão da sucessão de bens e direitos. o estudo da eutanásia cria interesses a todas as camadas e classes sociais. apenas ganha novo espaço. desprezando-se por completo a vontade e as crenças do enfermo. A eutanásia volta à tona nas discussões ocorridas em todas as esferas da sociedade volta-se a questionar princípios tais como Ética e Moral. entendendo que tal pratica pode ser levada a termo apenas em beneficio do profissional que a possibilita e ou dos herdeiros. será exposto também o Histórico da Eutanásia. Em todo mundo a eutanásia é um assunto muito discutido. pondo fim ao sofrimento. Alegam o contrários a tal pratica princípios religiosos. O estudo. frente a problemas ocasionados pelas ações provindas do conhecimento do homem ocorridas no século XX. posições conflitantes quanto à sua pratica. distante de ser um acontecimento próprio da sociedade. A eutanásia volta à tona nas discussões ocorridas em todas as esferas da sociedade.

mas. sendo considerado crime a sua prática em qualquer hipótese. O estudo tem como escopo questionar qual o conceito jurídico mais adequado para a eutanásia. a prática da eutanásia não está elencada. como o suicídio. Diante disso. O direito vê no suicídio um fato imoral e socialmente danoso. No entanto. p. concorre junto com a atividade do sujeito principal. simples ou qualificada.3 9 . de natureza moral. (NORONHA.Nota-se hoje que Eutanásia deixa de ser vista apenas como a simples possibilidade de ocasionar a morte a alguém que está sofrendo em função de determinada moléstia. a eutanásia não encontra ainda previsão legal no Brasil. Tendo em vista sua complexidade. do qual exclusivamente provém o elemento que faz sair o fato individual da esfera íntima do suicida”. logo. ou seja. sim. Nosso Código não aceita nem discrimina a Eutanásia. aplica-se a tipificação prevista no art. Do mesmo modo que na Eutanásia. homicídio. amenizar sofrimentos inevitáveis e dolorosos. mas não vai ao rigor de não lhe conceder o privilégio do relevante valor moral. a associam a doença e a enfermidade de desfecho fatal. o qual haveria de ser penalmente indiferente. a conduta do agente pode configurar o crime de participação em suicídio (art. 20). religiosa e demográfica. o auxiliador viola a lei do respeito á vida humana e infringe interesses da vida comunitária. 122 do Código Penal) (GUERRA FILHO. no Código Penal. 2005).2 Este concurso de energia. No ordenamento jurídico pátrio. uma outra força individual estranha. não de forma explícita e objetiva. constitui exatamente aquela relação entre pessoas que determina a intervenção preventivo-repressiva do direito contra o terceiro estranho. destinado a produzir um dano moral e social. Dependendo as circunstâncias. Entendem os que são a favor da eutanásia que sua utilização não visa exterminar pessoas. 121. Entretanto. as pessoas ao ouvirem falar em Eutanásia. quando a causá-lo. exemplo quem é o homicídio privilegiado por motivo de relevante valor moral. para os efeitos penais concernentes à concessão do privilégio. Comumente. 1992. abre-se caminho para questionamentos sobre quais as posturas a serem adotadas nesse caso. cumpre realçar-se que nem sempre há de estar a Eutanásia indissoluvelmente vinculada à doença de desate letal.

Editora Saraiva. Edgard Magalhães. São Paulo. uma morte sem dor. 3 NORONHA. associado à idéia da dor que comumente antecede os últimos instantes da vida. Nelson. __________________________________________________________________________ 1 2 http: jus2. V.Enfim. Comentários ao Código Penal. sem sofrimento.br/doutrina/texto. Direito Penal. p.uol.com. Vol. ou como se vai morrer. 128-131.asp?id=1861acessado no dia 04/04/2009 HUNGRIA. 1992 p 20 10 . o que na verdade ocorre é que há um medo coletivo da morte. imprevista. todos consideram preferível a morte súbita.

] A última vitória da Medicina – frente a sua impotência científica – quando é impossível triunfar sobre o mal incurável. Numa definição puramente etimológica. Populações rurais sul-americanas. político e ensaísta inglês. a morte piedosa e humanitária.basta que nos lembremos da Holanda. chega a adquirir o valor das vitórias espirituais de uma religião (Ariosto Licurzi) [. ao tratar do tema. 2.4 A palavra eutanásia (em oposição à ortotanásia – que significa a morte na hora certa – e à distanásia – que significa a procrastinação da morte) deriva da expressão grega euthanatos. sacrificavam anciãs e enfermas.Historicamente. mas também quando possa trazer uma morte calma e fácil". Em sábias palavras.]. em verdade. onde eu significa bom (boa) e thanatos.1 A origem da Eutanásia Muitos autores. mas voa no infinito o reconhecimento da vida que pulsa da alma humana".. sul-americanos. Em Esparta.. José Ildefonso Bizatto insta que "o silêncio da morte se cala no papel. sua profunda generosidade humana. a morte calma. esta prática era utilizada por povos como os gregos. Segundo constam nos registros históricos.contemporâneos.. era prática comum.. forçadamente nômades por fatores ambientais. quando estes não mais dispusessem de meios para curar um enfermo atormentado. Os birmaneses. romanos. . Será uma bem triste vitória. a precipitação de recém-nascidos malconformados do alto do monte Talgeto. não somente quando esse alívio possa conduzir à cura. citam os usos dos povos antigos. morte. HISTÓRICO DA EUTANÁSIA. ou mesmo do Japão. será adormecer o agonizante na tranqüila sonolência medicamentosa que leva ao letargo e à morte total. a eutanásia vem sendo amplamente usada ao longo dos tempos. 5 O termo foi proposto por Francis Bacon. em sua obra Historia vitae et mortis. Ele acreditava que "a função do médico é de curar e de aliviar as penas e as dores. Sobre o assunto dispõe Deivid Junior Diniz: [. citada na nossa apresentação. suavemente. Bacon defendia a prática da eutanásia pelos médicos. e até mesmo obrigatória. enterravam vivos os idosos e os enfermos graves. por exemplo. é a morte boa. cuja sensibilidade ética tanto se distanciava da nossa. germanos. como sendo o "tratamento adequado às doenças incuráveis". em 1623. por exemplo . porém. por seu conteúdo de altruísmo. por sua vez. filósofo.2. Se nos reportarmos a povos modernos . para não os abandonar ao ataque de animais selvagens.

apenas na Holanda o tema foi devidamente recepcionado pelo sistema legal. Vol. Artigo do site www. Eutanásia. caças. 1994 12 . 8 ______________________________________________________________________ 4 5 DINIZ. na Constituição Federal de 1988. In: Revista Residência Médica. José Ildefonso. escolheu o momento de sua morte. 7 FRANÇA. Dílio Procópio Drummond de. acessado no dia 02/11/2008 ALVARENGA. II.com. como na França e na Noruega. em seu artigo 121. 13. induzimento ou auxílio ao suicídio) ou. devemos entendê-la atrelada a valores de cunho eminentemente subjetivos como liberdade. 7 Não há dúvidas de que a vida é um bem jurídico por excelência. parágrafo 1° (homicídio privilegiado). ocorre isenção de pena. Similarmente ocorre no Estado americano de Oregon. I. No Brasil. qualidade e dignidade.br acessado no dia 10/04/2009 6 BIZATTO. tipificando-a em seu artigo 122 (instigação. nº 4. pai da psicanálise.6 O primeiro caso de eutanásia conhecido está relatado na Bíblia no Segundo Livro dos Reis. celtas.indianos. e em outros. Edgard Magalhães. eslovenos. Ed. Ao contrário. cap. São Paulo. entre outros. sendo admitida se perpetrada por médicos. de Direito. quando Saul. 2000. gravemente ferido em guerra. São Paulo: Editora Saraiva. Genival Veloso de. Junho de 1984 8 NORONHA. algumas tribos deixavam à morte seus idosos. Direito Penal. parágrafos 9-10. pede a morte a um amacelita. O próprio Freud. o conceito de vida não pode restringir-se meramente à mecanicidade dos movimentos respiratórios e cardíacos. Leme.jus. o Código Penal que data de 1940. Em vários países a prática sofre redução de pena. principalmente aqueles que já não mais participavam das festas. que curiosamente só se fez constar expressamente. Vol. No Brasil. etc. Eutanásia e Responsabilidade Médica. no Brasil. Junior Deivid. Todavia. Porém. Vários países tentaram a legalização da eutanásia. revista Consulex – nº 155/2008. ainda. incrimina a prática da eutanásia. injetando veneno nas veias.

na Birmânia. citado por Paulo Lucio Nogueira. Ainda entre os povos antigos. pois o próprio Estado tinha direito de não permitir a presença de tais pessoas na sociedade. dizendo. Em Roma. praticaram e da qual se tem provas históricas é a que se chama falsa eutanásia. tem-se noticia de que os germanos matavam os enfermos incuráveis. sob o argumento de interesse do fortalecimento do bem-estar e da economia coletiva. estes. Segundo Cícero. pedira a um amalecita que lhe tirasse a vida. 400 a. deram-lhe de beber vinagre e fel ``o vinho da morte . os cidadãos disformes ou monstruosos deveriam ser eliminados. ferido na batalha e a fim de não cair prisioneiro Saul lançará. Apesar da denominação vinho da morte. teria sido uma maneira piedosa de amenizar seu sofrimento. antes de constituir ato de zombaria e crueldade. os doentes cansados de viver procuravam os médicos em busca de um alivio através da morte. . qual seja a morte do Rei Saul. a eutanásia de fundamento e finalidade puramente eugênica. nos termos de Hipócrates. Em Atenas. principalmente na Grécia e Roma.2 A PRÁTICA DA EUTANÁSIA NA IDADE ANTIGA. A eutanásia não é a prática recente.se sobre a sua espada e já ferido. fracos e inválidos. n instante em que sentenciou de morte o mesmo amalecita que por compaixão tirou a vida do Rei Saul a pedido do mesmo. mas ele não tomou.9 A Bíblia Sagrada nos trás um caso considerado por muita uma pratica de eutanásia. As mesmas eram imoladas em nome de um programa de salvação publica de uma sociedade sem comércio. de Israel. A finalidade era a produção de homens robustos e aptos para a guerra. Platão pregava no terceiro livro de sua republica o sacrifício de velhos. nem tampouco aparece com a Idade Moderna. sem letras e sem artes. a eutanásia já se fazia presente.2. Não se pode esquecer que os antigos praticavam a eutanásia contra crianças aleijadas ou débeis. É imperioso lembrar que o Cristo foi submetido aos suplícios da crucificação. eram enterrados vivos juntamente com os velhos. há quem afirme que o gesto dos guardas judeus de darem a Jesus uma esponja umedecida de tal mistura.C. mas podemos buscá-la no começo da civilização. ou melhor. 10 No referente episodio o rei Davi releva a sua repulsa à eutanásia. A eutanásia que os gregos conheceram.

p 43 SAGRADA. Bíblia. mas a polêmica persiste. São Paulo. tinha uma denotação bem diferente da dos dias atuais. De João Ferreira de Almeida. p 362-363 14 . Em defesa da vida. 1995. não se pode esquecer-se de dizer que a eutanásia se fazia presente na vida dos povos antigos. ______________________________________________________________________ 9 10 NOGUEIRA. no entanto.Por fim. Editora Saraiva. trad. Paulo Lúcio.

com o mesmo. . onde as doenças alastravam-se com mais facilidade e rapidez. os mortalmente feridos eram eliminados. Lameira. que tinha a forma de uma folha de louro. 11 ___________________________________________________________________________ 11 BITTENCOURT.3 A PRÁTICA DA EUTANÁSIA NA IDADE MÉDIA. Neste período da historia a eutanásia era praticada durante as guerras. um punhal bastante afiado. Eutanásia (Dissertação para Concurso).2. devido ao grande estado de miséria em que se encontrava a população durante a decadência do feudalismo. Belém: 1939. o guerreiros usavam entre os artefatos que compunham sua armadura. e também foi durante a idade media que ocorreram inúmeras epidemias e pestes.

pois. ocorreram progressos com o passar do tempo. Flávio Augusto M. ocorrendo assim. tem tido uma repercussão mundial. De acordo com o filosofo Hans Jonas ´´ é preciso. . proteger a vulnerabilidade da humanidade e ao dever de viver. todos estão sujeitos a doenças incuráveis não importando assim. e nos tempos de hoje não há nenhum tipo de diferença. onde vem crescendo em todas a áreas. . A discussão doutrinária a respeito da eutanásia. em todos os aspectos em se tratando da expansão do assunto e sua pratica. surgindo assim .´´ nos tempos modernos a Eutanásia tem tido uma repercussão mundial. pois há diversos livros.12 ___________________________________________________________________________ 12 BARROS. as opiniões contrarias estão presente de forma intensa. Entretanto. Em relação a sua pratica e finalidade. antes de tudo. e artigos envolvendo tal discussão. opiniões favoráveis e contrarias a pratica de tal ato. apesar de sua atinguidade a eutanásia não é um assunto pacifico na sociedade moderna. 1997. pessoas dos mais diversos campos da ciência. Saraiva. costume.4 A PRÁTICA DA EUTANÁSIA NA IDADE CONTEMPORÂNEA E NA IDADE MODERNA.Crimes contra a Pessoa. Nos tempos modernos a Eutanásia.2. Rio de Janeiro. ocorrem desde o século passado. acrescer e direito de morrer. etnia ou cultura.

Considerando que as doenças as trazem a morte imediata. Nos dias que vivemos ainda há casos de eutanásia. e os que eram privados de tais ações não teriam mais nenhum estimulo para a vida. a tuberculose foi motivo da pratica da eutanásia. jus. principalmente aqueles que já não mais participavam das festas. Artigo do site www. caças.br acessado no dia 22/03/2009 . etc.com. em caso concreto. pescas. uma vez que se a vida não tivesse nenhuma daquelas atividades ela não teria nenhum significado. fazendo com que o paciente passe por um longo período de dor e sofrimento podendo chegar de 6 meses a 2 anos. crime de homicídio privilegiado. amigos. há que se dizer que médicos ao ver a agonia de pacientes.14 ___________________________________________________________________________ 14 Silva. Na época colonial do Brasil. pois a dor que sentiam era insuportável e não havia cura para tal doença. a AIDS e também a raiva. Sônia Maria Teixeira da. ou parentes são levados a praticar tal ato.3. a morte viria como uma benção. aqui no Brasil algumas tribos deixavam à morte seus idosos. pois naquela época não havia cura para tal moléstia e todas as pessoas neste estado imploravam pela morte. as doenças que mais levam a pratica da eutanásia de acordo com uma pesquisa publicada na revista periódica Residência Médica´´ são o câncer. acreditam esses indígenas que viver era poder participar de festas. mas não são divulgados. nossa lei penal vale-se da eutanásia para fins de atenuação de pena.EUTANÁSIA NO BRASIL De acordo com o que nos diz o historiador Von Martins segundo uma das citações de Lameira Bittencourt. Sendo assim. caças.

Voluntária: ocorre quando a morte é provocada atendendo a vontade do paciente. ou porque não se inicia uma ação medica ou pela interrupção de uma medida extraordinária. De Duplo Efeito: acontece quando a morte é acelerada como uma conseqüência indireta das ações médicas. Ativa: ocorre quando consiste no ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente. . Involuntária: ocorre quando a morte é provocada contra a vontade do paciente. daqueles pacientes com desarranjos físicos e psíquicos graves. Suicídio – assistido: auxilio de quem já não consegue realizar sozinho a sua intenção de morrer. capaz de fixar terminologia e permitir tratamento sistemático. dentro de uma situação de terminalidade. Eugênica: é a eliminação indolor dos doentes indesejáveis. Experimental: é a eliminação de determinados indivíduos. alcoólatras. o impedimento da propagação de tais problemas. dos inválidos e velhos.e tem sido aceita pelos estudiosos . para a sociedade.CLASSES DA EUTÁNASIA É tarefa árdua estabelecer uma classificação para a eutanásia. Criminal: é a eliminação de pessoas socialmente perigosas.classificação de acordo com a iniciativa. criminosos pervertidos e inválidos e acrescentam.4 . Teológica: é a morte em estado de graça. pura e cruel dos psicopatas. com o fim experimental para o progresso da ciência. Pregam. a eliminação simples. Os que abraçam essas formas justificam-na como meio de reduzir a pesada carga. os fins e os métodos. temos as seguintes modalidades: Espontânea ou Libertadora: ocorre quando o enfermo incurável provoca a morte por próprios meios. na verdade. como argumento. 15 A literatura a respeito propõe . Passiva: ocorre quando a morte do paciente ocorre. por fins misericordiosos. monstros. Legal: regulamentada ou consentida pela lei. Não voluntária: caracterizada pela inexistência de manifestação da posição do paciente em relação a ela. Assim. que são executadas visando o alivio do sofrimento de um paciente terminal. no escopo de aliviar a sociedade do peso de pessoas economicamente inúteis. Solidarística: é a eliminação indolor de seres humanos no escopo de salvar vida de outrem.

9. 2000 19 . Ed. Maria de Fátima Freire de.16 ___________________________________________________________________________ 15 16 Adaptado de Vários Autores. Lisboa. 1994(Retirado de Fatos da Vida. São Paulo. “Eutanásia”. Biodireito e direito ao próprio corpo: doação de órgãos. nº 13) SÁ.434/97.Homicídio: resulta da distinção entre aquela praticada por médico e a praticada por parente ou amigo. Belo Horizonte: Del Rey. incluindo o estudo da Lei n.

20 SÁ. proporcionados ou não. morte) é etimologicamente o contrário da eutanásia. 19 ___________________________________________________________________________ 18 19 Bizatto. 17 Consiste em atrasar o mais possível o momento da morte usando todos os meios.1 DISTANÁSIA: A distanásia (do grego “dis”. e “thánatos”. ainda que não haja esperança alguma de cura. Podem dar-se casos concretos em que seja difícil adotar uma decisão ética e profissionalmente correta. Essa recusa pode significar apenas a aceitação da condição humana. etc. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Elida. um médico – como um juiz ou um professor – pode enganar-se. O equilíbrio do pêndulo: a bioética e a lei. não conseguirão afastar a inevitável morte. e ainda que isso signifique infligir ao moribundo sofrimentos adicionais e que. Referindo-nos sempre ao doente terminal. implicações médicolegais. algo mal feito. 2000. como acontece em muitos outros aspectos da vida: o juiz que tem de decidir se alguém é culpado ou inocente quando as provas não são taxativas. Com estes requisitos. ainda que seja mais correto denominá-la de “obstinação terapêutica”.5 . Eutanásia e Responsabilidade Médica. 1999. que se caracteriza também pela inevitabilidade da morte. de Direito. Maria Celeste Cordeiro Leite dos. quando tem dúvidas. Nestes casos. SANTOS. São Paulo: Ícone. uma regra moral evidente é prescindir dos possíveis motivos egoístas da própria decisão e aconselhar-se junto de outros especialistas para decidir prudentemente. perante a eminência de uma morte inevitável. . mal. 1998. médicos e doentes devem saber que é lícito conformarem-se com os meios normais que a medicina pode oferecer e que a recusa dos meios excepcionais ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à omissão irresponsável da ajuda devida a outrem. mas não cometerá um ato ilícito.MODALIDADES: 5. o professor que tem de optar entre aprovar ou reprovar um aluno. Leme. Ed.18 A distanásia também é chamada “intensificação terapêutica”. José Ildefonso. mas apenas atrasá-la umas horas ou uns dias em condições deploráveis para o enfermo. obviamente. Biodireito.

Para Sílvio Narvar Ribas Sobrinho. A ortotanásia consiste em suspender um tratamento de uma doença incurável que só irá prolongar o sofrimento do paciente. as espécies eutanásia e ortotanásia. mas se quer ter qualidade . Você apenas deixa que o processo de morrer aconteça naturalmente. p. Morte liberadora ou libertadora. durante longo período no passado distante. denominava-se aliviara morte imprimida com emprego de arma branca aos velhos e doentes graves. Ela é o meio termo entre eutanásia e distanásia. e a pedido ou com o assentimento desta (Nélson Hungria. homicídio piedoso. Na mesma trilha. no início do século. 3. nos quais se aplicam amplas doses de sedação e se descarta a internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Já foi até mesmo regulamentada pela Lei Covas.. V. gênero que a nosso ver compreende.5.2 ORTOTANÁSIA: Algumas tribos antigas e selvagens denominavam morte branca obrigação "sagrada" que o filho tinha para com o pai velho e doente. 1955. homicídio-suicídio. 125). na Europa e nos Estados Unidos. Esse tipo de eutanásia que você não injeta. estava com câncer e queria ter este direito regulamentado. morte benéfica. Comentários ao Código Penal. o homicídio eutanásico deve ser entendido como aquele que é praticado para abreviar piedosamente o irremediável sofrimento da vítima. passou-se a denominar homicídio caritativo a prática da eliminação da vida em certas situações.21 Segundo um conceito generalizado. Este procedimento é geralmente ministrado em pacientes com câncer. v. de fazer-lhe "adormecer suave e definitivamente. el homicídio por altruísmo o compasion. conclui Reinaldo Ayer. Forense. medida tomada pelos paliativistas." Na Idade Média chamou-se misericórdia matar os feridos e mutilados de guerra. a ortotanásia acontece quando não há possibilidade de cura. É a ortotanásia”. Mário Covas. agente de pastoral da capelania católica. mas que não têm efeito imediato. tem aceitação na categoria médica. para que o paciente possa morrer ao lado dos parentes. 22 “É a supressão de medidas heróicas de manutenção da vida. na atualidade. representante da religião católica na equipe de cuidados paliativos e coordenador de projetos de ações sociais do Hospital Emílio Ribas. l´uccisione pietosa. mas suspende um tratamento essencial ao paciente. criada quando o ex-governador paulista. apenas controlando os sintomas de dor. em situação extrema. pois visa trazer qualidade de vida à fase terminal do paciente. Entre os camponeses da América do Sul. foram e são variantes empregadas para definir o "homicídio eutanásico". ed.

quando você está nos últimos instantes. diz que. 1999. Maria Helena. São Leopoldo: Editora Unisinos.23 ___________________________________________________________________________ 21 http://jus2. assim como a bioética.com. São Paulo: Saraiva. “A igreja. 22 . perspectivas e desafios.asp?id=2962 acessado no dia 13/02/2009 22 23 DINIZ. Isto seria a ortotanásia”.br/doutrina/texto. O estado atual do biodireito. sejam retirados todos os recursos extraordinários de prolongamento da vida. José Roque. 2001. JUNGES. define.de vida.uol. Bioética.

indolor. morte sem dor nem sofrimento. Quanto à forma eugênica. De acordo com o art. Laborou com acerto o legislador penal brasileiro. que significa bem. logo em seguida a injusta provocação da vitima.6 . morte doce. apenas com a redução da pena. antropológico. trata-se da eliminação daqueles seres apsíquicos e associais absolutos. muito raramente. por povos primitivos. não facultando a possibilidade da eutanásia. trata-se de homicídio doloso que. têm coragem de praticá-la. o moribundo encontra-se inconsciente e tratando-se de caso terminal que provoca sofrimento agudo. que é morte. seu médico ou seu familiar. sociológico. loucos incuráveis e outros. . mas. § 1º do Código Penal Brasileiro em vigor diz: Se o agente comete crime impedido por motivo de relevante valor social ou moral. o enfermo incurável pede que se lhe abrevie a dolorosa agonia. monstros de nascimento. Na forma libertadora. com uma morte calma. o aspecto médico. Já na forma piedosa. em face da motivação do agente. A eutanásia no Brasil é crime.24 Ocorre. significando boa morte. idiotas graves. proporcionando horríveis espetáculos. a piedosa e a morte econômica ou eugênica. contra judeus e outras minorias. As modalidades da eutanásia são três: a libertadora. disgenéticos. que na prática a situação é bem diferente. provocando a antecipação de sua hora fatal. 121. a eutanásia até hoje encontra seus simpatizantes que.EUTANÁSIA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA. de agonia. poderia ser alçado à condição de privilegiado. religioso. o liberta. Muito praticada na antiguidade. de defendê-la publicamente ou apontar seus benefícios de forma a convencer a opinião pública. A palavra eutanásia deriva de eu. ou sob o domínio de violenta emoção. freqüentemente. em prol da apuração da raça ariana. movido por piedade. todavia. e thanatos. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. como aconteceu no caso Schiavo. pois envolve além do aspecto legal. Essa modalidade está presente na lembrança histórica das atrocidades dos nazistas.

dom divino que é. é praticada impunemente no Brasil. o que de fato é consagrado em nosso ordenamento jurídico. pois o que é incurável hoje. se a sociedade brasileira não aceita a pena de morte. 25 A vida é nosso bem maior. Embora muito remota pelos princípios humanos e cristãos da sociedade. dádiva de Deus. desde a concepção até a morte. para poupar o sofrimento ou as despesas de seus parentes. burlar o homicídio pela modalidade piedosa e finalmente burlar o infanticídio e até o aborto criminoso pela modalidade eugênica ou econômica.Por esses problemas é que a eutanásia. mas sim o propósito mórbido e egoístico de poupar-se ao pungente drama da dor alheia. há 24 . que ficará livre do “fardo” que se encontra obrigado a “carregar”. amanhã poderá não sê-lo e uma anomalia irreversível poderá ser reversível na próxima semana. Em linhas gerais podemos afirmar que a todos é assegurado o direito à vida. a principal característica do direito à vida vem a ser sua indisponibilidade. razão pela qual o Estado protege a vida humana. quando nos deparamos a casos concretos envolvendo interesses mundanos. pois o que realmente leva à prática da eutanásia não é piedade ou a compaixão. que iguala o homem moderno a seus antepassados bárbaros e primitivos. médicos. Afinal. "caput". Relatos de pessoas que aplicaram a eutanásia em parentes somam-se a relatos de médicos que a praticaram. pois ele é o fundamental alicerce de qualquer prerrogativa jurídica da pessoa. qualquer que seja a circunstância. sociólogos. A vida. não sejamos hipócritas. A falsidade no enfoque desse assunto salta aos olhos. Somente os indivíduos sujeitos a estados de extrema angústia são capazes do golpe fatal eutanásico. Previsto na Constituição Federal. é óbvio que esta mesma sociedade não aceita que se disponha da vida de um inocente. caso seja legalizada no Brasil. Não pode ser suprimida por decisão de um médico ou de um familiar. amigos. enfim. sua prática deve ser punida exemplarmente. quer de natureza conjugal ou de sucessão patrimonial. Enquanto for crime a eutanásia. Ora. artigo 5º. mas sim o próprio. embora sendo crime. pois o alívio que se busca não é o do enfermo. se estará admitindo uma forma de burlar o crime de auxílio ao suicídio pela modalidade libertadora. Isto se aplica aos familiares. sempre todos imbuídos do espírito da “piedade”. a todos aqueles que já pensaram ou defenderam a prática desse crime hediondo. a eutanásia. advogados.

Comentários ao Código Penal . como o da dignidade da pessoa humana. legitimamente. pratique condutas que venham a retirar a vida de outrem. vem a ser justamente a disponibilidade da vida humana.5 – Rio de Janeiro Artigo publicado no Diário do Grande ABC no dia 06/04/05 25 . poderia a agonia física e moral. Legítima Defesa. ___________________________________________________________________________ 24 25 BRASILEIRO. 2005 Hungria. Assim. o próprio Estado permite que o cidadão. Nelson . quer pelo Estado. a questão que se coloca em discussão quando o assunto eutanásia é abordado. Código Penal. Aborto Legal.que ser preservada em toda e qualquer circunstância. Editora Rideel. Estado de Necessidade. dentre outros. que possui diversos princípios norteadores. o câncer.Ed. vol. sendo inconcebível sua eliminação quer pelo homem. Assim. como por exemplo. o direito à vida não pode ser visto isoladamente dentro de nosso ordenamento jurídico. Apesar desta afirmativa. ser mais uma hipótese de permissibilidade de retirada da vida. 2ª edição. a proibição de tratamentos desumanos ou degradantes. como por exemplo a AIDS. aliada à certeza da morte diante da impossibilidade da cura da doença a que esteja uma pessoa acometida. 1958. com o único objetivo de abreviar os padecimentos por ela sofrido? Na verdade. em algumas circunstâncias. Forense.

impõe-se uma questão: se a omissão é penalmente relevante.1 . a. mas abrangida por norma geral permissiva.como forma de "ação socialmente adequada". sem dar ouvidos às inovações ocorridas no estrangeiro. que a torna lícita. Segundo Jimenez de Asúa. está no fato de que aquela especial redução de pena não encontra obstáculo sequer no mínimo cominado pelo artigo 121. Goffredo Telles Jr a irônica observação: "De ora em diante. Os códigos soviético (1922).considerada como delito ordinário ou privilegiado.A EUTANÁSIA NO ÂMBITO PENAL Equipara-se ao homicídio.6. as hipóteses de tratamento que a eutanásia pode receber são quatro: a. do CP. a que somos favoráveis. no que se refere a crimes privilegiados. mas uma hipótese atenuada do tipo básico de homicídio. ponham os velhos ricos suas barbas de molho. que faculta a redução de pena ( de um sexto a um terço) imposta a quem matou impelido por motivo de relevante valor social ou moral.deixa de aplicar a pena. quando abordamos. Está no artigo 121. em que se baseariam . em conformidade ao artigo 13 do Código Penal. que abraçamos a tese defendida pelo Dr. 26 O dispositivo mereceu do Prof. cujo artigo 121. como delito privilegiado.permitir ao juiz a concessão de perdão . c. Não criou tipo autônomo.pode-se elencar o móvel compassivo dentre as causas de exclusão de antijuridicidade nesse caso. como explicaremos adiante. a conduta é típica. d. isenção de pena ao homicídio por compaixão cometido a pedido da vítima. sobre o assunto. O primeiro eco. Se o homicídio é culposo: pena – reclusão de um a três anos. ouviu-se no Anteprojeto da Parte Especial do CP. apresentaram. no Brasil. b. a matéria enquadra-se. no tópico relativo à classificação da eutanásia. parágrafo terceiro. peruano (1942) e uruguaio (1933)... Levando-se em consideração. Nossa lei penal vigente preferiu cuidar do tema como delito privilegiado. Erik Frederico a respeito da ortotanásia. O homicídio piedoso é exemplo constante da Exposição de Motivos. respectivamente. reconhecendo circunstâncias que o justifiquem. parágrafo 1º. é causa de extinção de punibilidade. III. impunidade ao auxiliador que agiu por compaixão e perdão judicial. Em nosso direito." Enquanto não se transformar em lei. por exemplo. A diferença com relação à atenuante genérica do artigo 65.

inexiste ilicitude. comando que obrigue a impedir o resultado. visto que houve defesa. do mesmo modo. 2ª edição. 2005 SILVA. da sua licitude? A resposta está no próprio dispositivo: se inexiste dever de agir. Sônia Maria Teixeira da. jus.br 27 .os defensores da ortotanásia para justificá-la. anteriormente. Editora Rideel. Código Penal.com. 27 ___________________________________________________________________________ 26 27 BRASILEIRO. Artigo do site www.

Insurgiram-se contra ele os pretórios e a doutrina. por exemplo. conforme o artigo 159. com todas as letras. quando o ratifica. no caso de homicídio. 2ª edição. E o brasileiro? O nosso Código Civil também traz texto de lei expresso sobre a matéria . no Código Penal de 1830. às parcelas literalmente descritas no artigo 1537. Contudo.28 A interpretação ao pé da letra desses textos daria margem a uma excessiva restrição no que tange à responsabilidade do agente. O Código argentino. no seu artigo 5º. no art. 844. ___________________________________________________________________________ 28 BRASILEIRO. 3. seu funeral e o luto da família. as responsabilidades no campo civil. superficialmente. acabou por criar sistema muito tacanho. A rigor. podemos afirmar os seguintes princípios.Qualquer pessoa que tenha sofrido prejuízo tem ação de reparação.6.2 A EUTANÁSIA NO ÂMBITO CIVIL Enfocamos. Clóvis Bevilaqua diz que o legislador brasileiro buscou fugir à excessiva generalidade com que se tratara a matéria da liquidação das obrigações. parágrafo único. A concubina. do CC. no seu artigo 1084. ao fazê-lo. no item 6 ( culpa civil).O dano moral é indenizável.No pagamento das despesas com o tratamento da vítima. Levando-se em consideração o estado atual de evolução. Já o dizia o artigo 76. do nosso Código. Código Civil. a simples integração sistemática do Código afasta o entendimento originário que se cingia. e o alemão. a Constituição Federal de 88. 2. hipóteses especiais em que a necessidade de demonstrar o dano é atenuada. 2005 . ou até mesmo dispensada. Editora Rideel. que reproduzimos: A indenização. rigidamente.O texto do artigo 1537 abarca. apenas. que prove o dano emergente da morte do companheiro (RF-157:173). O alemão possui uma exceção: alude ao tempo provável de vida da vítima para orientar a fixação do montante e à obrigação de se indenizar o dano sofrido por quem contratara serviços ao falecido. consiste: I. Aprofundemo-nos um pouco mais neste item. V. devidamente pesquisados: 1. com aura de Lei Maior.Na prestação de alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. Falam em indenização pelo dano sofrido.é o artigo 1537. II. apresentam textos expressos sobre a matéria.

Conforme já citado. Uruguai).ou eutanásia por duplo efeito . porém. exceto por motivo egoístico ( Peru ). no Estado da Califórnia. vemos que a prática é vista como uma forma de homicídio privilegiado pela maioria dos povos latinos (Colômbia. Em 1990 a Holanda estabeleceu uma rotina de notificação para os casos de eutanásia. entre eles. No caso particular do vizinho Uruguai. estabelecendo inúmeros critérios para a sua adoção. a Argentina e o Brasil. Bolívia. autor de um homicídio efetuado por móveis de piedade. conforme nos informa Carlos Fernando Francisconi. deixando. mediante súplicas reiteradas da vítima . embora alguns adotem ainda uma postura extremamente conservadora. os Territórios do Norte da Austrália. no ano de 1996. Costa Rica. O Uruguai. de inclusão da eutanásia no Código Civil. que não excluem o delito de figurar entre os tipos de homicídio. mas. " 30 . em suas diversas formas. Desta maneira. incluiu. a eutanásia passiva . Essa sistematização visou apenas isentar o profissional médico de procedimentos criminais. estabelece o perdão judicial nos seguintes termos do seu artigo 37: "Os juízes tem a faculdade de exonerar do castigo ao indivíduo de antecedentes honestos. a Associação Mundial de Medicina considera a eutanásia ativa como sendo um procedimento eticamente inadequado. 29 Assim como a Igreja. A experiência no Direito Comparado: Vários países tentaram incluir em suas legislações a permissibilidade da prática da eutanásia. As diversas legislações estrangeiras tem se ocupado.7 – EUTANÁSIA NO DIREITO COMPARADO.são moralmente aceitas pela maioria das sociedades médicas e correntes religiosas dentro do princípio da “morte com dignidade”. de torná-la legal. através do que chama de homicídio piedoso1[25]. o código elaborado por Irureta-Goyena e recentemente aprovado. editaram uma Lei que possibilita formalmente a eutanásia. de outra parte. com bastante freqüência. em 1934. Nos Estados Unidos houve a tentativa. do tema da eutanásia em seus respectivos códigos. baseado na doutrina de Jiménez de Asúa. Cuba. e até como uma ausência de delito em outros. a possibilidade da eutanásia no seu Código Penal.

p. República Checa e Itália. 18. Leo da Silva. Direito de morrer dignamente: eutanásia. quando movido por compaixão. como na Inglaterra. 30 . a questão vinha sendo deixada ao livre arbítrio das legislações estaduais. Para uma melhor visão acerca da questão da Eutanásia. ortotanásia. 31 BORGES.). nº 29. No Canadá francófono. Espanha e Bélgica). 15. a lei 145 introduziu. Nos Estados Unidos. e que dispõe de poderes executáveis ainda em vida ( ao contrário do testamento ). o que foi revisto por recente decisão da Corte Suprema norte americana que estabeleceu ser a matéria de competência legislativa privativa da União. devendo ser ratificado perante o registro público e homologado judicialmente. ora cominando penas atenuadas. a delegação de consentimento de cuidados médicos e a administração de bens. 2001. análise constitucional e penal e direito comparado. Revista Consulex. consentimento informado. Suíça. maio 1999. Holanda.31 ___________________________________________________________________________ 29 30 ALVES. em 1990. Biodireito: ciência da vida. o qual se torna possuidor de um mandado para agir em determinadas circunstâncias e dentro dos limites propostos pelo concedente. Atualmente. sendo revogável a qualquer tempo. testamento vital. ainda que alguns outros não a admitam formalmente (Grécia. Áustria. Maria Celeste Cordeiro Leite dos (org. p. In: SANTOS. ano V – nº 114 –15 de outubro de 2001. desespero ou outro valor relevante social ou moral (Artigo 133). há limitação da pena de seis meses a três anos. São Paulo. Roxana Cardoso Brasileiro. Em Portugal. Noruega. quando houver pedido do paciente (Código Penal Português. a figura do curador público designado livremente por qualquer cidadão. o curador público representa cerca de 16000 indivíduos maiores de idade e supervisiona 5000 curadores privados e 12000 tutores. REVISTA JURÍDICA CONSULEX. Tal mandado cobre. emoção violenta. por exemplo.Por outro lado. Eutanásia. Código Criminal de 1922). São Paulo: RT. Ele também administra os bens das pessoas desconhecidas ou não encontráveis pelos registros públicos. Artigo 134) e. de um a cinco anos. os novos desafios. ora isentando de qualquer pena (Rússia. verifiquemos com maior riqueza de detalhes a eutanásia praticada em alguns países. somente na província de Québec. de acordo com os mesmos procedimentos formais. as legislações européias são muito mais benevolentes. França.

por que é que não existe consenso à volta da eutanásia? Desde Robbins (1959) verificou-se que mais de 90% das pessoas que se suicidam apresentavam alterações psicopatológicas. por vezes. Desta forma. a decisão de se suicidarem.normalmente associadas a um forte sofrimento físico ou psíquico decorrentes de uma doença incurável . uma vez que considera que os mais fracos. por detrás do desejo de morrer. Aquilo que todo o ser humano tem direito é de viver e morrer com dignidade. pelo que a eutanásia passa ser a vista como um gesto de compaixão.de poder decidir pôr termo à sua vida. desumano. Quase diariamente. antes uma inevitabilidade. Nestas situações prevalece um espírito de complacência e compreensão. Sabemos ainda que. no caso de surgirem idéias de suicídio nestes indivíduos não se procura demovê-los. já que o sofrimento e o desespero em que se encontram conduzem automaticamente a um estatuto de “suicidas justificados”. Deste modo. aqueles que adoecem ou simplesmente envelhecem. é consensual que o suicídio não deve ser encorajado. os psiquiatras na sua atividade clínica confrontam-se com doentes que tentaram o suicídio ou que têm idéias de se concretizar. existem várias doenças mentais tratáveis – como é o caso da depressão. motivo de vergonha e que por isso deve ser banido a qualquer preço. as vítimas do infortúnio. Outro argumento para justificar a eutanásia corresponde “ao sofrimento da pessoa”. em determinadas circunstâncias . Afinal. devendo-se proteger o indivíduo de causar a morte a si própria. Julgo que a morte não é em si um direito. 32 Então. nem auxiliá-los.EUTANÁSIA: MORTE DIGNA OU SUICIDIO ASSISTIDO? O principal argumento daqueles que defendem a eutanásia incide sobre o direito que o indivíduo tem. uma injustiça e um sentimento egoísta. Na maioria dos países. raramente se suicidava. excluindo o suicídio por motivos políticos ou religiosos mais extremistas. O sofrimento é muitas vezes visto como algo indigno. já não têm lugar nesta sociedade. mas não serão também estes os motivos que levam a maioria dos indivíduos a cometer o suicídio? O homem é o único ser vivo que reflete sobre a sua própria morte. Esta “piedade hipócrita” esconde. mesmo sendo submetidas a um sofrimento atroz e às mais diversas torturas. Ou seja. a existência de um “suicídio racional” é algo questionável e a história dá-nos um exemplo extraordinário a este respeito: a esmagadora maioria dos prisioneiros dos campos de concentração.8 . A posição do psiquiatra é sempre . estariam privadas do discernimento necessário (em termos mentais) para avaliar em consciência e em liberdade.

pois somos confrontados com situações dramáticas. incurável e evolutiva. n. Transmite-se assim a idéia de que.a mesma: demover a pessoa protegê-la de si própria. tal como acontece com muitas doenças incuráveis. ajudar alguém a pôr fim à sua vida é um ato de caridade e de amor. Caracterização jurídica da dignidade da pessoa humana. horrendas em termos de violência psíquica e cujo sofrimento associado é incomensurável. Antônio Junqueira de. 2002. que é sempre fácil fazê-lo. Chegam a ser os próprios familiares que a incitam e reclamam. para as quais o avanço da medicina vai descobrindo novos tratamentos também verificaram que as situações de tormento infindável muitas vezes acabam por ter uma solução. Diante de tanta tragédia. em sentido lato. muitas vezes o papel do médico limita-se a acolher o sofrimento da pessoa. Os defensores da eutanásia ou. Revista dos Tribunais. 32 AZEVEDO. em determinadas circunstâncias dramáticas. A pessoa depois de ajudada recupera a alegria de viver e encontra um sentido para a vida. No entanto. 797. O princípio constitucional da dignidade da pessoa humana:o enfoque da doutrina social da igreja. Rio de Janeiro: Renovar. 2001. 32 . proporcionando a maior qualidade de vida possível aos doentes e às famílias. prevenindo o sofrimento que acarreta. quando é aí que reside a grande hipocrisia da eutanásia. É através desta visão humanista da medicina que se procuram solucionar os problemas decorrentes da doença prolongada. 32 ___________________________________________________________________________ 31 ALVES. São Paulo. porém. A escutá-la e a sofrer com ela. mar. aliviar-lhe a angústia e transmitir-lhe palavras de esperança. e da nossa impotência. do suicídio assistido. A resposta à eutanásia está nos cuidados paliativos. apresentam-na como um ato de misericórdia e de compaixão perante o sofrimento de uma doente vítima de uma doença grave e incurável. Cleber Francisco. Não se julgue.

uma vez que considera que os mais fracos. Então. pelo que a eutanásia passa ser a vista como um gesto de compaixão. 33 Outro argumento para justificar a eutanásia corresponde “ao sofrimento da pessoa”. por vezes. estariam privadas do discernimento necessário (em termos mentais) para avaliar em consciência e em liberdade. Desta forma. Ou seja. aqueles que adoecem ou simplesmente envelhecem. desumano. que é 33 . a existência de um “suicídio racional” é algo questionável e a história dá-nos um exemplo extraordinário a este respeito: a esmagadora maioria dos prisioneiros dos campos de concentração. aliviar-lhe a angústia e transmitir-lhe palavras de esperança. a decisão de se suicidarem. por que é que não existe consenso à volta da eutanásia? Desde Robbins (1959) verificou-se que mais de 90% das pessoas que se suicidam apresentavam alterações psicopatológicas. as vítimas do infortúnio. Sabemos ainda que. mesmo sendo submetidas a um sofrimento atroz e às mais diversas torturas. motivo de vergonha e que por isso deve ser banido a qualquer preço. o principal argumento daqueles que defendem a eutanásia incide sobre o direito que o indivíduo tem. antes uma inevitabilidade. A posição do psiquiatra é sempre a mesma: demover a pessoa protegê-la de si própria. em determinadas circunstâncias . Nestas situações prevalece um espírito de complacência e compreensão. é consensual que o suicídio não deve ser encorajado. porém. excluindo o suicídio por motivos políticos ou religiosos mais extremistas. Afinal. nem auxiliá-los. O sofrimento é muitas vezes visto como algo indigno. raramente se suicidava. já não têm lugar nesta sociedade. Deste modo.normalmente associadas a um forte sofrimento físico ou psíquico decorrentes de uma doença incurável . Na maioria dos países. devendo-se proteger o indivíduo de causar a morte a si própria. Julgo que a morte não é em si um direito. Quase diariamente. mas não serão também estes os motivos que levam a maioria dos indivíduos a cometer o suicídio? O homem é o único ser vivo que reflete sobre a sua própria morte.de poder decidir pôr termo à sua vida.A Eutanásia não é um suicídio assistido. já que o sofrimento e o desespero em que se encontram conduzem automaticamente a um estatuto de “suicidas justificados”. os psiquiatras na sua atividade clínica confrontam-se com doentes que tentaram o suicídio ou que têm idéias de vi-lo a concretizar. no caso de surgirem idéias de suicídio nestes indivíduos não se procura demovê-los. Aquilo que todo o ser humano tem direito é de viver e morrer com dignidade. por detrás do desejo de morrer. uma injustiça e um sentimento egoísta. Esta “piedade hipócrita” esconde. Não se julgue. existem várias doenças mentais tratáveis – como é o caso da depressão.

com. 34 ___________________________________________________________________________ 33 34 http://www.br/materia/materia.com/articles/1783/1/a-eutanasia-no-direito-brasileiro/pagina1. e da nossa impotência. Diante de tanta tragédia. A escutá-la e a sofrer com ela.html 34 .sempre fácil fazê-lo.webartigos. pois somos confrontados com situações dramáticas. horrendas em termos de violência psíquica e cujo sofrimento associado é incomensurável. muitas vezes o papel do médico limita-se a acolher o sofrimento da pessoa.jsp?id=6629 acessado em 20/032009 http://www.universia.

Erik Frederico Gramstrup batiza essa corrente de pensamento como "teoria Hedonista". daqueles que são favoráveis. que a questão da guerra justa. numa síntese. b. pode representar gravame injusto para a família e para a sociedade. para a própria pessoa ou para a comunidade. e e. pois as razões invocadas poderiam ser resumidas em um único princípio: o de que a vida humana só mereceria apreço na medida em que fosse apta para proporcionar prazeres e utilidades. O embasamento oferecido varia em proporção direta às formas admitidas. a proliferação das mazelas da população eliminada. As opiniões não só se dividem numericamente. ocupando leitos hospitalares. Os mais moderados acrescentariam a tudo isso certas condicionantes. evitando o "mau exemplo" ( no caso dos criminosos) e a propagação genética. Neste grupo. na vida social.nessas hipóteses. d. tanto favoráveis quanto contrários. Vamos dividir os que apresentam argumentos favoráveis em dois grupos: os permissivistas mais radicais e os mais moderados. não há porque lutar contra o que as próprias forças da ciência revelam-se impotentes.9 .a certeza da proximidade e inevitabilidade da morte atestada por profissional habilitado etc. b. José Afonso. levantemos as opiniões. mas também qualitativamente. polêmica e antiqüíssima. costumam posicionar-se os que rejeitam a eutanásia eugênica. como: a. O Dr. a discussão sobre a eutanásia é instigante. situam-se em pólos opostos.EUTANÁSIA PRÓS E CONTRA Da mesma forma que o aborto. 35 ___________________________________________________________________________ 35 SILVA.o consentimento do interessado ou de membro da família. em princípio.109 .. por exemplo.toda vida gravemente tolhida em suas manifestações por padecimento físico ou moral carece de valor. p.os que admitem a forma eugênica ainda dizem que a mesma atenuaria. pois se observa que mentes ilustres. Cit. Apóiam-se os mais radicais nas seguintes alegações: a. doutrinadores respeitáveis. Ob. São argumentos profundamente abalizados. sem a preocupação de citar nomes.se a situação é irreversível. que a pena de morte.o interessado tem direito à morte condigna. Inicialmente. c.

o valor de sua manifestação de vontade.Para ele. possui razões de sobra todos aqueles que defendem a tese de que a medicina não é pitonisa infalível. escreveu o ilustre criminalista. evidentemente. que persegue fins superiores a si. no seu curso. O objetivo supremo da existência passa ao largo do deleite. um enfermo em estado terminal não possui condições para manifestar sua vontade. fazendo críticas. Voltamos àqueles princípios aprendidos no Direito Natural. à posição precedente. seria escasso. quanto mais a quem perdeu o poderoso instinto de auto conservação. "isso significa olvidar o valor absoluto da vida. pois. as situações de desconforto são mais freqüentes do que as de prazer. em que eles vaticinam três a quatro meses de vida para seu paciente. E. Ora. portanto indisponível. sendo. que é um bem supremo. Luiz Flávio D´Urso: "Ora. se nega. E. filosófica. ou seja. pois que. a simples dor. claro. mas sim o propósito mórbido e egoístico de pouparse ao pungente drama da dor alheia. anos e anos depois! Quantas vezes uma espera não daria à técnica o tempo necessário para oferecer solução satisfatória? 36 . E acabam falecendo antes do próprio paciente. iniciam-se." E como disse o Dr. de pessoas desenganadas por médicos. por exemplo. com habitualidade." Palavras duras. Como cita o Dr. não sejamos hipócritas. O princípio fundamental é de natureza deontológica. não é justificativa aceitável para o extermínio de si ou de outrem. metajurídica: o homem é simples peça encartada em uma ordem universal superior. a expressão "vida sem valor" é tão contraditória quanto a quadratura do círculo! Outro aspecto de que não podemos fugir aponta para os problemas dos encargos sociais gerados pelo enfermo. ( Deus deu. pois o que realmente leva à prática da eutanásia não é a piedade ou a compaixão. Dr. não lhe competindo usar mal de seu livre-arbítrio para subvertê-la. de fato. Erik. Paralelo ao fato de ser um direito irrenunciável. Deus tira)." Aqui. O homem não pode tirar a própria vida. completando: ". mas a realidade! Há inúmeros exemplos na sociedade. de 16 de maio de 1990. por estar com as faculdades perturbadas. em nada melhora esse quadro se o paciente der o consentimento. eficácia fática e jurídica ao consentimento de quem tem o desenvolvimento mental incompleto. e aos encargos econômicos e pessoais que ela representa. senão nenhum. Assim. os argumentos contrários à eutanásia. Há casos reais. Além do mais.. Erik. na página 14. mesmo que manifestasse.. No Jornal O Estado de São Paulo.

seu estado agrava-se a cada dia. com arbítrio para definir que peculiaridades retiram humanidade a um ser. não se quer dizer mais do que literalmente a frase assevera.C.Pior. Que dizer dos casos em que o profissional atestasse um quadro dramático com intenções pérfidas. O ilustre Professor Paulo José da Costa Jr escreveu. trouxe a notícia seguinte: No dia 28 de março.C. na página 44: "Como se vê. dos herdeiros? Quanto ao argumento eugênico. mostra-se irrecuperável. ela vai perdendo a consciência. É o caso de R.C. essa não é a posição da grande maioria que é contrária à eutanásia. não há motivo algum para que se apliquem lenitivos extraordinários se a vida não mais se sustenta em virtude do colapso de suas funções. Internada na Unidade de Terapia Intensiva. de 25 de abril de 1990. muitos que se posicionam como favoráveis à eutanásia não se estariam perguntando: "Somos obrigados ética e juridicamente a prolongar. Quantas barbaridades não foram animalescamente cometidas em nome da conservação de uma suposta "pureza racial"? Por outro lado. uma vida que. 36 Conseqüências desastrosas dessa tese aparecem na história da humanidade. Como diz a maioria dos estudiosos que defendem agudamente a não-eutanásia: quando se afirma a transcendência da vida humana. mesmo solicitado. no jornal O Estado de São Paulo.. R. São contrários à eutanásia. de omissão no prolongamento artificial e desnecessário de uma existência inviável. sua respiração é feita por meio de aparelhos e. A conclusão da maioria contrária à eutanásia ( mas favorável à ortotanásia) pode assim ser sintetizada: 37 ." Eis a posição de vários doutrinadores. Não age: deixa apenas de prolongar. em vão. aos poucos. Seu sangue não coagula. em 3 de junho de 1990. Faz pressupor que um grupo ou determinados grupos alcem-se na posição de semideuses. por exemplo. além de sofrida. a ortotanásia não implica qualquer conduta do médico. foi internada no Hospital das Clínicas de São Paulo com o fígado praticamente sem funções e com o pulmão esquerdo comprometido por uma infecção. mas favoráveis a ortotanásia. O Nazismo. a morte piedosa. por exemplo. de 23 anos. Realmente. tomada a expressão no sentido estrito. a soldo. por meios artificiais. Este não pratica. O Jornal O Estado de São Paulo. refuta-se com indignação. isto é. a agonia dos mortos-vivos? " Evidentemente.C.

http://www. Cit. perceptível mediante os sentidos". em qualquer caso.VII/16/17. É direito essencial da pessoa. remédio mortal.. por assim dizer.em face dos acidentes . b. a vida apresenta-se. Conforme nos ensina Pontes de Miranda. frente aos demais direitos da personalidade. Trata-se do direito à integridade da pessoa humana e sua tutela. seu objeto pode consistir em não ser atingido o corpo da pessoa e não a propriedade deste corpo. 37 ___________________________________________________________________________ 36 37 JUNGES. Ob.html 38 . 110. na verdade. advindo daí que o direito à integridade corporal é um bem em si." Quando falamos em Direito à Vida.possibilidade da interrupção do tratamento por meios extraordinários.webartigos. A integridade física pode ser definida como um "modo de ser físico da pessoa. c. v. nem conselho que o induza à perdição.garantia de morte digna ao paciente. José Roque. no seu artigo 66 (Cap. por ser este um direito de personalidade que consiste no direito que cada um tem de não ter seu corpo atingido por atos ou fatos alheios. notadamente de terapia reanimatória no caso de coma irreversível. como substância .com/articles/1783/1/a-eutanasia-no-direito-brasileiro/pagina1. para ajudar. p. passa pela nossa mente que. V).entendido no sentido aristotélico: aquilo que existe em si . repete a passagem do juramento de Hipócrates: "A ninguém darei. meios destinados a abreviar a vida do paciente. Erik Frederico. ainda que o pedido deste ou de seu responsável legal". empregando-se os sedativos necessários. Tal preceito.que existem em outro. veda ao profissional: "Utilizar. no seu Tratado de Direito Privado.prescrição da eutanásia ativa.a. Segundo o Dr. protegido pelo Direito. a orientação acima se adapta à do Código de Ética Médica que.

Quanto à natureza do direito em pauta. para completar. Esse direito é abrangido também pelo direito à saúde ou o direito de não ser contagiado por outrem. a saber: direito à vida. que o direito à integridade física não se reduz à simples incolumidade anatômica e externa do corpo humano. a tutela da integridade física não é direito recente. ou destruí-lo. 39 . estando também. Hoje. muito se discutiu. na Lex Aquilia. por não ter a direta. e à saúde. em seu nome.) Saúde. quoniam dominus membrorum suorum nemo videtur". pois a ninguém se considera dono de seus membros. tutelando-se. o corpo do indivíduo contra as agressões alheias. à integridade corporal. que já na antiga Roma. denominado por Messineo. O direito de integridade corporal se situa logo atrás do direito à vida. Assim. enquanto o de integridade corporal. ( É o direito ao pudor. Ultimamente. na qualidade de proprietário de seu corpo. no dizer de Pontes de Miranda. dizemos. O direito à vida diz respeito à própria existência do indivíduo. Chegou-se mesmo a dizer que esse direito constituir-se-ia em um direito de propriedade. ou simplesmente.Contudo. não se considerava o direito ao próprio corpo como um direito de propriedade. Em Ulpiano. este ponto de vista não vem encontrando apoio entre os autores. Incide na espécie o princípio do primado do direito mais relevante. o que significa que o indivíduo possui. o direito de ação por meio da Lex Aquilia. pois. porém. Um dos principais argumentos dos opositores à teoria da propriedade sobre o próprio corpo está no fato de que o proprietário de uma coisa tem o poder de disposição sobre a mesma. que não mais aceitam a idéia de que cada um de nós possui um direito de propriedade sobre o próprio corpo. encontramos sob a denominação de direito à integridade física. diversos outros direitos como subtipificações dos direitos de personalidade. Pode-se concluir. Ihering. doença e medicina constituem a tríade que invade nosso direito na atualidade. teria o indivíduo amplo poder de disposição sobre o mesmo. já o negava. em seus ensinamentos. uma vez que deve ser garantida e preservada a personalidade humana. de integridade física. Ao de leve. encontramos a máxima "directam enim non habet. podendo mutilá-lo. amplamente. consiste na incolumidade física da pessoa e em sua saúde.

instigação e auxílio ao suicídio. comecemos por lembrar a Constituição Federal de 88. em relação ao próprio corpo. conscientemente. a exemplo dos duelos. E dentre eles. no seu artigo 5º. ainda. ser disponível. Assim. dos contratos que permitem a eutanásia (sobre os quais falaremos mais adiante) ou que causem mutilação. objeto de seu direito. dentro de certos limites. Obviamente.a eutanásia. constituindo-se atentados à integridade física do indivíduo. Esses atos ilícitos dizem sempre respeito ao corpo vivo. percebemos que o ato será ilícito. estão aqueles que comprometem a conservação do ser humano. pois. mesmo que o indivíduo enfermo em estado terminal decida.conseqüentemente. Essa disponibilidade chegou a tal abuso. E também a eutanásia. que Josserand. infanticídio. Estaria desse modo. o direito à integridade física com o poder de disposição que o proprietário possui em relação à coisa que lhe pertence. apesar de ser um direito absoluto. aborto. induzimento. dentro do nosso Direito. autorizada a extrema diminuição permanente da integridade física que se traduziria na perda da própria vida. que se refere justamente à inviolabilidade. e ainda pela instituição da legítima defesa como excludente da antijuridicidade . um ius utendi. no que concerne ao tema de nosso trabalho . que é um direito indisponível. Queremos. Dentro do que nos interessa . ao contrário do direito à vida. desde que essa disponibilidade não resulte uma diminuição permanente na integridade física ou que não seja contrária à lei e aos bons costumes. autorizado o suicídio. Não possui o indivíduo. um ius fruendi e um ius abutendi como possuiria em relação a um bem de sua propriedade. afirmava lucidamente que a disponibilidade do indivíduo sobre seu corpo chegava ao ponto de transformá-lo em matéria de transação. existe o elo entre o direito à vida e o direito à integridade física. o direito à integridade do homem pode.para não fugirmos demais ao tema proposto .existem atos ilícitos em relação ao que afirmou Josserand. pela eutanásia. O que dirá se autorizado por terceiros. Não se confunde. De forma concreta. não se aplicando ao corpo morto. 40 . já em 1932. pelo exposto. lembrar que. resultante na diminuição permanente da integridade física.no campo penal: pela tipificação das figuras relativas ao homicídio. A vida é um direito indispensável. essa tutela desdobra-se: a. Conforme vimos. feitas as observações preliminares.

manchas de hipóstase e a rigidez cadavérica. inatismo.39 _________________________________________________________________________ 38 http://www. pois não ocorre num átimo. segundo o convincente critério lembrado por Adriano de Cupis. o direito que é mais veementemente nuclear é o direito à vida. expressão. São sinais abióticos imediatos: a inconsciência. nem por isso se quer dizer que a vida não esteja protegida por sanções de caráter civil. no entanto. a imobilidade. Quando se fala em extra patrimonial idade.no campo civil: o ressarcimento dos danos e o direito aos alimentos (embora se deva admitir que seu objeto imediato seja a saúde). Desfruta daqueles caracteres comuns ao gênero em que se insere: essencialidade. a insensibilidade. extrapatrimonialidade. Quando surge o direito à vida? Segundo o Dr. lastreado nos dados da ciência biológica. oponibilidade absoluta. a abolição do tônus muscular. interioridade. Trata-se apenas de deixar claro que a utilidade econômica é mediata.com/articles/1783/1/a-eutanasia-no-direito-brasileiro/pagina1. visto que. formado o zigoto. senão mediante processo desorganizador. dá-nos os fenômenos consecutivos: perda de peso e pergaminhamento da pele gerados pela evaporação tegumentar. resfriamento. intransmissibilidade e indisponibilidade.b. difícil de definir.webartigos.38 Tal critério.com. este já apresenta o número de cromossomos indicador da espécie humana. esse direito surge no instante da concepção. O prolongamento dá-se até morrer. afigura-se como indiscutível.br acessado no dia 13/07/2008 41 . Certeza. Grosso modo. Erik Frederico. por sua vez. segundo ele.google. em obra já citada. superioridade hierárquica.html acessado no dia 15/08/2008 39 http: // www. os colapsos respiratórios e os circulatórios.

. 121. o agente estará incurso no art. homicídio. absoluto. ou se a vítima é menor ou tem diminuída por qualquer causa. 122 do Código Penal) (GUERRA FILHO.CONCLUSÃO O estudo tem como escopo questionar qual o conceito jurídico mais adequado para a eutanásia. A pena é de 2 a 6 anos. no Código Penal. Neste caso. 122 do Código Penal. companheiro. de cônjuge. A pena é duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico. em sua impossibilidade. se previamente atestada por dois médicos à morte como iminente e inevitável e desde que haja consentimento do paciente ou. deve-se compreender que a dignidade da pessoa humana não é um conceito objetivo. surge o respectivo questionamento: se a eutanásia é realmente uma doença incurável ou de sofrimentos cruéis seria justificativa para conceder a pessoa o direito de morrer ou se a eutanásia configura uma atitude piedosa que põe fim ao sofrimento de um paciente em fase terminal. a capacidade de resistência. por exemplo. sendo considerado crime a sua prática em qualquer hipótese. a eutanásia não encontra ainda previsão legal no Brasil. Não é crime deixar de manter a vida de alguém por meio artificial. a denominada morte digna ou seria uma forma de auxilio ao suicídio. simples ou qualificada. o portador de uma doença infecto-contagiosa. descendente ou irmão. A grande maioria da sociedade concorda com o direito de morrer dignamente. possível de ser abstraído em padrões morais de conduta e a serem impostos a todas as pessoas. Diante do exposto. ou seja. Dependendo as circunstâncias. Entretanto. Tendo em vista sua complexidade. Entretanto quando a utiliza a palavra eutanásia para designar tal acontecimento. cuja terapia ainda não esteja ao alcance da medicina. No ordenamento jurídico pátrio. a conduta do agente pode configurar o crime de participação em suicídio (art. instigue ou auxilie ao suicídio. aplica-se a tipificação prevista no art. ascendente. 2005). abre-se caminho para questionamentos sobre quais as posturas a serem adotadas nesse caso. geral. Diante disso. Diante disso. não de forma explícita e objetiva. Pode ocorrer também que o agente induza. surge uma grande polêmica. a prática da eutanásia não está elencada. Pessoa ligada por estreito vínculo de afeição à vítima não poderá suprir-lhe a anuência.

a eutanásia não tem sido vista apenas como a simples possibilidade de ocasionar a morte a alguém que esta sofrendo em função de determinada moléstia. . quem pratica eutanásia. mas nega-se a aceitar a forma e quando ela ocorrerá. O homem questiona sobre a sua dignidade. uma vez que a característica da vida é nascer. Ademais. o que na verdade ocorre é que há um medo coletivo da morte. mesmo doente e irremediável e a pedido próprio. em cada caso concreto. Neste contexto é importante dizer que a todos é assegurado o direito a vida. Pode-se observar que a eutanásia é um termo de grande amplitude e pode ter diferentes interpretações. indistintamente. o que se coloca em discussão é a disponibilidade da vida humana. morrer. imprevista. ou à morte. uma morte sem dor. jurídicos e religiosos poderão influenciar na manutenção da "vida" de um moribundo de quadro irreversível? Por outro lado. é importante salientar que permitir a supressão da vida de um ser humano. Assunto por demais atual e inerente à condição de ser humano na medida em que o direito à vida. Assim. Até que ponto valores éticos. será sempre injusto punir. põe-se sob a ótica de bens indisponíveis. sem sofrimento. morais. ignorando-se a pluralidade e a complexidade da sociedade atual. viver e conseqüentemente. Enfim. o uso do princípio da dignidade humana pode ser usado para a negação da pessoa. todos consideram preferível a morte súbita. a vida humana é protegida desde a concepção ate a morte. o que de fato é consagrado em nosso ordenamento jurídico. para a homogeneização dos indivíduos e para a negação da dignidade. Sem o intuito de emitir uma opinião definitiva sobre o instituto em questão deixo registradas as argumentações acima expostas para uma minuciosa análise visando uma possível tomada de posição por parte daqueles que se interessam pelo assunto. tentando abrandá-la o máximo possível. é um ato de muito risco. o comportamento típico. sem se observar a análise das peculiaridades que envolvem. antijurídico e culpável.Sem a consideração da tolerância. ou como se vai morrer. associado à idéia da dor que comumente antecede os últimos instantes da vida.

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