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GEOLOGIA DO PETRÓLEO

OBJETIVO: Apresentar os principais conceitos, modelos e ferramentas utilizados nas atividades de geologia para a exploração e produção de petróleo. SUMÁRIO 1. Introdução: Propriedades físicas e químicas do óleo e gás 2. Produção brasileira, petróleos de referência, elementos de geopolítica 3. Histórico exploratório de petróleo no Brasil 4. Métodos de exploração 5. Perfuração e Produção 6. O ambiente de subsuperfície 7. Obtenção de dados em subsuperfície 8. Avaliação das formações 9. Perfilagem convencional 10. Teste de formação a cabo 11. Teste de formação por tubulação 12. O sistema petrolífero 13. Rochas-reservatório 14. Hidráulica e sedimentação 15. Sistemas deposicionais siliciclásticos continentais e transicionais 16. Sistemas deposicionais siliciclásticos de águas profundas 17. Armadilhas (traps) 18. Cronoestratigrafia do Cretáceo e Terciário 19. Bacias sedimentares brasileiras 20. Tectônica Global e Geologia do Petróleo 21. Volumes e Reservas 22. Bibliografia 2 3 11 15 19 28 29 35 39 55 56 60 72 78 80 106 132 138 142 188 212 215

1. INTRODUÇÃO Petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos, normalmente líquidos e gasosos em condições normais de temperatura de pressão. O petróleo pode conter hidrocarbonetos com os mais variados pesos moleculares, desde o mais simples e mais leve, o metano CH 4, até compostos com moléculas de grande peso e grande complexidade. De uma forma simplificada, pode-se distinguir os hidrocarbonetos gasosos e os hidrocarbonetos líquidos. Hidrocarbonetos gasosos (CNTP): H | H–C–H | H Metano CH4 H H | | H–C–C–H | | H H Etano C2H6 H H H | | | H–C–C–C-H | | | H H H Propano C3H8 Pentano C5H12

N-Butano C4H10 Iso-Butano C4H10 Hidrocarbonetos líquidos (CNTP):

Hexano C6H14, Heptano C7H16, Octano C8H18, Nonano C9H20 (faixa das gasolinas). O papel do refino é o de separar os diversos hidrocarbonetos naturalmente presentes no petróleo bruto, através da destilação, que pode ser sob pressão atmosférica ou a vácuo. No craqueamento, as moléculas muito grandes, que se traduzem em hidrocarbonetos pesados e viscosos, são quebradas em moléculas menores, gerando produtos mais leves e fluidos, de maior valor comercial. Os hidrocarbonetos componentes do petróleo podem ser de cadeia simples ou ramificadas, as parafinas; organizados em anéis com ligações simples entre os átomos de carbono, os naftenos; organizados em anéis com ligações alternadamente simples e duplas entre os átomos de carbono, os aromáticos; ou organizados em conjuntos de anéis aromáticos, as resinas e asfaltenos (Figura 1-1). Todos eles podem abrigar ramificações de metilas, etilas, etc., e de impurezas como Nitrogênio, Enxofre e Oxigênio. De uma forma geral, à medida que aumenta o número de átomos de carbono de um hidrocarboneto, cresce seu ponto de ebulição, cresce sua densidade, cresce sua viscosidade e decresce seu valor comercial.

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Figura 1-1: Esquemas da organização molecular das parafinas, naftenos, aromáticos, resinas e asfaltenos (Selley, 1985).

Uma forma comumente adotada de se caracterizar um petróleo é medindo seu grau API (API gravity). Trata-se de uma medida definida pelo American Petroleum Institute: [ oAPI = (141.5/ Densidade Relativa a 60oF) - 131.5 ] O grau API é inversamente proporcional à densidade. Óleos leves têm grau API na ordem de 40, o que equivale a uma densidade relativa de 0.83, enquanto que óleos pesados têm baixo grau API. Quanto maior o grau API de um petróleo, menor sua viscosidade, maior seu conteúdo em hidrocarbonetos leves e conseqüentemente maior seu valor comercial. 2. PRODUÇÃO BRASILEIRA DE PETRÓLEO A partir da descoberta dos campos produtores gigantes na Bacia de Campos, em 1984, a produção de petróleo no Brasil tem crescido de forma significativa, desde perto de 500.000 barris/dia até cerca de 1.800.000 de barris/dia em 2005. O consumo nacional de derivados de petróleo tem sido historicamente superior à produção, mas as descobertas recentes nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo permitem projetar um volume diário produzido capaz de atender todo o consumo doméstico em 2006 (Figura 2-1).

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e Árabe Leve. No Brasil os volumes são preferencialmente referidos em metros cúbicos. que contém 159 litros. etc. * Inclui óleo bruto.Figura 2-1: Histórico e projeções de volumes de reservas provadas e de produção de petróleo no Brasil. Os de uso mais generalizado são o WTI (West Texas Intermediate). líquido de gás natural. 1 m 3 = 6.28 bbl Petróleos de referência Alguns petróleos são mundialmente utilizados como referências comerciais. Fonte: DOE/EIA A medida de volume internacionalmente adotada para o petróleo e derivados é o barril. Brent (do Mar do Norte). Tabela 1: Produção e consumo de petróleo no Brasil. 1990 – 2001. de 1997 a 2007. Seu preço é publicado 4 .

Pennsylvania. Ressentimentos milenares. Os demais petróleos podem ser cotados relativamente aos de referência. inventassem os motores a combustão interna usados nos primeiros automóveis. O preço do petróleo tem oscilado historicamente em função da demanda e da oferta. da Bacia de Campos.diariamente. em função dos negócios contratados. 1973-2003 O marco inicial da indústria do petróleo foi estabelecido em 27 de agosto de 1859. Até 1973. mas sem forças para impor preços ou quotas de produção. Pennsylvania (Figura 2-2). os exércitos árabes invadiram em duas frentes. sendo fortemente influenciado por fatores políticos. a começar por territórios ocupados pelos israelenses em 1967. até que Karl Benz e Gottlieb Daimler. Já era conhecido que aquele líquido negro e malcheiroso poderia ser destilado para se obter querosene de iluminação. quando o “Coronel” Edwin L. encontrou óleo em arenitos devonianos na localidade de Titusville. 1956 e 1967. mal resolvidos pelos conflitos de 1948. Aproveitando o feriado judeu do Dia do Perdão. os preços dominantes no mercado em todo o mundo não alcançavam 3 dólares por barril (Figura 4). Em outubro de 1973. levaram o Egito e Síria a mais uma vez atacar Israel. pode ser o valor do barril de Brent menos quatro dólares. em 1886. um acontecimento mudou os rumos da História. Drake. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo. no que ficou conhecido como a Guerra do Yom Kippur. como a Península do Sinai e as Colinas de Golan (Figura 2-3). Figura 2-2: O primeiro poço de petróleo foi perfurado por Drake em 1859 em Titusville. existia desde 1960. Drake visava com a perfuração do poço produzir o óleo já conhecido por exsudações nas proximidades. a OPEP. Elementos de geopolítica. 5 . Por exemplo. após perfurar 21 m com uma sonda de madeira utilizada em poços para água. o preço do barril de óleo do campo de Marlim. entretanto. Os outros produtos da destilação eram descartados.

acrescentou novos motivos para ressentimentos. ao contrário do choque anterior. Emirados. e Golan. o que provoca reações cada vez mais violentas por parte dos refugiados palestinos. com longas filas nos postos de gasolina (Figura 2-4). e mesmo países muçulmanos como Irã e Indonésia. Em ambas as frentes os israelenses forçaram um recuo dos inimigos para posições próximas das existentes antes das hostilidades. em junho de 1967. a Cisjordânia. igualmente produtores. quando na famosa Guerra dos Seis Dias Israel ocupou o Sinai. Qatar. a guerra teve efeitos dramáticos na indústria petrolífera. Houve graves casos de desabastecimento na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. da Síria. Se não solucionou o conflito entre árabes e judeus. Em seguida. 6 .Figura 2-3: Outubro de 1973. Iraque. pertencente ao Egito. e terminou virtualmente empatada. da Jordânia. Países árabes grandes produtores de petróleo. Kuwait. ao contrário. Os dois últimos territórios permanecem até hoje sob controle israelense. de 22 de outubro a 11 de novembro. Figura 2-4: Filas para abastecimento na Califórnia em 1973. os grandes produtores usaram a até então inoperante OPEP para decretar um aumento unilateral de preços. decretaram um boicote no fornecimento de petróleo aos países consumidores ocidentais que apoiavam Israel. Tropas egípcias avançam no sul e tropas sírias avançam no norte. elevando em poucas semanas o barril de petróleo de U$3 para U$11. A guerra durou vinte dias. Não houve ganho significativo de território para nenhum dos litigantes. como Arábia Saudita.

surgiu grande incerteza sobre o futuro político. O xá Mohamed Rheza Pahlevi dominava o Irã com mão de ferro e o apoio do governo americano. Os preços praticados só ocasionalmente retornariam a valores similares aos anteriores. Em janeiro de 1979. para áreas com clima inclemente. e para áreas onde era exigida tecnologia de ponta. o que se refletiu em novo aumento no preço do petróleo. o preço do barril em geral ficou entre U$15 e U$20. preços altos prometiam retorno rápido a investimentos de maior porte e de maior risco. como o Mar do Norte (Figura 27). retornou a Teerã em 1o de fevereiro. como o Alaska (Figura 2-6). As grandes companhias voltaram-se para áreas distantes e inóspitas. Além disso. 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Nominal Dollars per Barrel 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 Official Price of Saudi Light Refiner Acquisition Cost of Imported Crude Oil Figura 2-5: Oscilações do preço do petróleo de 1970 a 2002. Em vez de penalizar o odiado inimigo ocidental e recompensar os produtores. viabilizando a exploração em situações antes fora do alcance da indústria. para estabilizar-se em torno de U$30 nos anos seguintes (Figura 2-5). O mentor maior da revolução iraniana. que agia em prol das grandes companhias petrolíferas lá instaladas. outra grande crise tornaria a afetar seriamente as relações internacionais e o mundo petroleiro. As companhias petrolíferas se retiraram.Menos de seis anos depois. Imediatamente instalou-se no Irã um regime teocrático marcado por forte sentimento nacionalista-religioso. O barril chegou a ser vendido a U$40. agitações incontroláveis tomaram conta do país e forçaram o xá a abandonar o poder e a exilar-se no Egito. os preços elevados do petróleo trouxeram grandes lucros para as mega-companhias de petróleo. como em 1986 e em 1999. econômico e social de toda a região. entre U$20 e U$30. como águas profundas. antiocidental e acima de tudo anti-americano. 7 . nos anos 2000. após longo exílio em Paris. Nos anos 1990. Estes valores trouxeram entretanto uma conseqüência inesperada para os países produtores. o Aiatolá Ruholah Khomeini.

Cresceu verticalmente a produção de petróleo de países como Reino Unido. quando o petróleo custava menos de U$3 por barril. e tornouse extensiva nos anos 90. mesmo com os formidáveis incrementos em reservas e produção nelas havidos nos últimos anos. usando da força para assegurar o que acreditam ser o seu direito às fontes de energia. Noruega e Brasil. persiste incomensurável o contraste entre os volumes gigantescos de óleo nos arredores do Golfo Pérsico e os volumes conhecidos de outras áreas.Figura 2-6: A atividade petrolífera na costa ártica do Alaska praticamente inexistia em 1968. que tiveram que apelar para um sistema de quotas para sustentar os preços. que importam 60% dos cerca de vinte milhões de barris que consomem por dia (Figuras 2-8. Entretanto. com o óleo em torno de U$20 por barril. com o barril a U$14. 8 . já era perceptível em 1977. O Golfo Pérsico ainda é um importante fornecedor de óleo para os Estados Unidos. 2-9 e 210). em detrimento da produção dos países da OPEP. Não é por outro motivo que os americanos mantêm uma decisiva presença militar na região.

destacando os campos produtores de óleo (verde) e de gás (vermelho). tendo como principais consumidores os Estados Unidos e o Japão. O Golfo Pérsico é o grande exportador mundial. Figura 2-8: Mapa-mundi destacando as principais rotas comerciais de petróleo bruto.Figura 2-7: Mapa do Mar do Norte. 9 .

Figura 2-10: Consumo de óleo-equivalente em milhões de barris por dia. O consumo na Rússia se ressentiu fortemente dos problemas políticos na década de 1990. enquanto que a China mostra uma tendência de consumo crescente. respectivamente em 1979 e 1990. de 1960 a 2000. de quatro países. de quatro países. de 1960 a 2001.Figura 2-9: Produção de óleo-equivalente em milhões de barris por dia. desde 1970. 10 . A produção doméstica dos Estados Unidos tem sofrido um decréscimo sensível. A produção do Iran e da Rússia foram grandemente afetadas pelas convulsões políticas havidas naqueles países. oferta e procura. A produção da Arábia Saudita sofre grandes efeitos dos preços.

Deve ser abandonada. e mostraria indícios de que os itens 2 ou 3 estão faltando ou não são bem desenvolvidos. 2. Em resultado desse trabalho. • Uma área C apresentaria características de rochas matrizes fracas ou limitadas. escritas nos últimos meses de 1960 pelo então Superintendente do Departamento de Exploração e Produção da Petrobras. Link analisou todas as bacias terrestres do Brasil. independentes da estrutura. • Uma área B é a que possui rochas matrizes (geradoras). etc. 3.3. • Uma área D mostraria claramente que não há rochas matrizes mesmo que apresentasse boas camadas reservatório e estrutura. Rochas porosas ou fraturadas capazes de servir de reservatório no qual o óleo formado se acumula e do qual pode ser retirado. o norte-americano Walter K.. Com base nesses critérios. Link. C ou D. em que o óleo pode se acumular em quantidade suficiente para formar uma concentração econômica que se torne produtiva quando penetrada pela perfuração. blocos permeáveis. HISTÓRICO EXPLORATÓRIO DE PETRÓLEO NO BRASIL O Relatório Link O famoso Relatório Link consiste na verdade em três cartas. as bacias brasileiras foram assim qualificadas: Baixo Amazonas (Marajó) Médio Amazonas Alto Amazonas (Solimões) Acre São Luiz Barreirinhas Maranhão (Parnaíba) Sergipe Alagoas Espírito Santo Sul do Brasil (Paraná) D C D D+ D D D C+ D+ D D Tabela 2: Resumo da qualificação das bacias brasileiras. Grande espessura de rochas matrizes para a geração de óleo. as diferentes bacias sedimentares foram classificadas como A. Estrutura ou outras condições geológicas como “traps” estratigráficos. Para qualificar sistematicamente os riscos envolvidos. • Uma área A satisfaz todas as condições básicas acima mencionadas. Sua política era a de encontrar rapidamente grandes acumulações – ou abandonar a área. segundo o “Relatório Link” (1960) 11 . com base em: 1. B. Link logo decepcionouse com os insucessos da exploração nas enormes bacias paleozóicas brasileiras. Primeiro dirigente de E&P da recém-fundada Petrobras. mas pode aparentemente não apresentar os itens 2 ou 3.

A essa qualificação extremamente negativa. a exploração de petróleo no Brasil passou a ser conduzida por brasileiros pioneiros como Pedro de Moura. inferior a 50. culminando com o ingresso do método 3D em 1984. a partir de então foi adotado o formato digital de aquisição e processamento. a produção de petróleo no Brasil era muito pequena. em 1969 a produção nacional se aproximava dos 200. acompanhado de Riachuelo (1962) e Siririzinho (1965). A atividade exploratória exercida na época. Décio Oddone e Gerson Fernandes. Buracica e Água Grande (Figura 3-3). pode ser acompanhada nas figuras 3-1 e 3-2. Figura 3-1: Aquisição sísmica. Hoje este método responde por praticamente 100% da aquisição de dados sísmicos.” Deixou entretanto aberta a possibilidade de sucesso na exploração da plataforma continental. com destaque para Araçás e Miranga. 12 .000 barris/dia (Figura 3-3). Link acrescentou os comentários: “Duvido que qualquer companhia comercial de petróleo continuasse a exploração nas bacias paleozóicas. 1955-2000.000 barris/dia. Após a demissão de Link. o sergipano Carmópolis (1963). à época chamada de Escudo Continental: “A avaliação das áreas de Sergipe e de Alagoas e das áreas terrestres da Planície Costal não se aplica às áreas ainda inexploradas do Escudo Continental. na forma de aquisição sísmica 2D e perfuração de poços pioneiros. e o maior campo terrestre brasileiro em termos de volumes originais. Neste período. e proveniente unicamente de campos descobertos no Recôncavo nos anos 40 e 50. de 1961 a 1967. a partir de mapeamento geológico de superfície: Candeias. Até 1965. que poderão ser melhores. que atuaram essencialmente na fase dita “terrestre”. em 1965. Dom João. Em conseqüência. a sísmica era essencialmente analógica. foram descobertos muitos campos de petróleo no Recôncavo.” Primeiros passos Até 1960.

Logo vieram Ubarana (1973). na Bacia de Campos. com sucesso estrondoso. Em um extraordinário esforço onde se juntavam talento. na Bacia Potiguar. em águas de 30 m. 1939-2000. de certa forma confirmando as profecias de Walter Link. Camorim e Caioba em 1970 e 1971. 2000 m. mostrou a existência de óleo no Campo de Guaricema (1968). Barracuda (1990). o foco da Petrobras deslocou-se gradativa e inexoravelmente em direção à Plataforma Continental. Águas profundas Estava plantada a semente e revelado o mapa da mina. 13 . O primeiro poço perfurado na costa sergipana. foram desenvolvidas tecnologias de exploração.700. 1500. e campos produtores mais significativos descobertos no período.A saída para o mar Sob a direção de Carlos Walter Marinho Campos. com a descoberta de dezenas de campos produtores em águas rasas. e eram descobertos campos gigantes como Albacora (1984). Raul Mosmann. João Carlos França de Luca e José Coutinho Barbosa conduziram a Exploração enquanto o trabalho prosseguia em profundidades como 1000. determinação e criatividade. Roncador (1997). Marlim (1985). Nesta época a produção de petróleo brasileira ultrapassou os 500. de perfuração e de produção em águas cada vez mais profundas. Diretores como Wagner Freire. seguido de perto por Dourado. Volumes formidáveis. Figura 3-2: Poços perfurados no Brasil. que permitiram à produção da Petrobras ultrapassar os 1. que de 1969 a 1985 ocupou funções sucessivamente mais altas na hierarquia da Exploração.000 de barris/dia em 2005. O sucesso foi imediato. e Garoupa (1974). em torno de 100 m. Esta logo se revelaria extraordinariamente atrativa. no que se costuma denominar a “faixa de Garoupa” (1975-1985).000 barris/dia (Figura 3-3). Jubarte (2001) e Cachalote (2002).

A mesma ênfase é hoje mantida na gestão do Diretor Guilherme Estrella. 14 . Nos anos 80 e 90 houve incrementos significativos com a exploração em águas profundas. Após décadas de descobertas de óleo pesado. é o da qualidade do óleo encontrado nas águas profundas brasileiras. o que se traduz nas grandes descobertas recentes na Bacia de Santos. Figura 3-4: Evolução das reservas. com baixo grau API. 1940–2000. com volumes descobertos que permitem prever grandes aumentos futuros de produção. 1957-2000. acumulações de óleo leve têm sido a tônica dos últimos anos. Os volumes modestos dos anos 60 e 70 provinham de áreas terrestres e marítimas rasas. que está aos poucos sendo superado. A partir de 1975 as reservas no mar suplantam largamente as de terra. Figura 3-3: Produção de óleo da Petrobras. O desafio atual.

Principiando pelo estudo sistemático dos afloramentos. 4-4 e 4-5). Alagoas. Sergipe e Campos. Amazonas. visando em cada uma o treinamento em temas específicos. Sergipe. Miranga e Araçás (BA). parasseqüências em sedimentos costeiros. Dom João. Tucano. busca-se estabelecer um arcabouço cronoestratigráfico. especialmente na bacia do Recôncavo: Candeias. Nos anos 70. A partir do estudo de fósseis e da datação radiométrica de eventuais rochas extrusivas presentes. estratigrafia de alta resolução e sistemas deposicionais carbonáticos. os afloramentos mais didáticos passaram a ser utilizados para a montagem de cursos avançados de campo. Buracica. 15 . desde os trabalhos pioneiros no século XIX até os anos 1970. e responsável por inúmeras descobertas nas bacias do Recôncavo. na década de 60. que apesar de rudimentares levaram à descoberta de campos importantes como Carmópolis (SE). produzindo mapas em detalhe e semi-detalhe de todas as bacias sedimentares terrestres prospectáveis: Acre. Foi somente no fim daquela década que chegou ao Brasil a tecnologia digital. Essa atividade teve forte presença de técnicos da Petrobras nos anos 50 e 60. resultando em descobertas importantes para os anos 40 e 50. Sísmica Os primeiros levantamentos sísmicos. Paraná. o sucesso baseado em sísmica 2D chegou às bacias Potiguar e do Solimões. aliada ao uso de estações de trabalho e de salas de visualização. especialmente nos prospectos em águas profundas e ultra-profundas (Figuras 4-3. é o primeiro método adotado para o reconhecimento de uma bacia sedimentar. sedimentação em bacias rift. Água Grande. inicialmente usada largamente em levantamentos 2D (Figuras 4-1 e 42). de extrema utilidade na definição das seqüências deposicionais. geologia estrutural distensiva e compressiva.4. A tecnologia 3D surgiu no início dos anos 80 e cresceu rapidamente. Esta tecnologia. Posteriormente a prospecção passou a se basear essencialmente em levantamentos sísmicos. atingindo praticamente 100% dos levantamentos no século XXI. A Geologia de Superfície foi extensivamente utilizada no Brasil. especialmente nas bacias do Itajaí. Recôncavo. Ênfase especial é conferida à caracterização de potenciais rochas geradoras e rochas reservatório. Chapada Diamantina. além das descobertas em bacias marítimas como Potiguar. Parnaíba. com o apoio de fotografias aéreas e imagens de satélites. eram compostos por dados analógicos. MÉTODOS DE EXPLORAÇÃO Geologia de Superfície Idealmente. domina o cenário exploratório e explotatório moderno. Solimões. seu empilhamento estratigráfico e estilos estruturais presentes. com crescente presença de pesquisadores de diversas universidades brasileiras. São Francisco e Paraná. Longe de ser abandonados. É nesses locais que se pode aprender na prática como reconhecer fácies e processos turbidíticos. Sergipe e Alagoas. procura-se definir os tipos de rochas presentes na bacia. Sergipe e Alagoas. RecôncavoTucano-Jatobá. Potiguar. As primeiras locações exploratórias tiveram por base mapeamento de superfície.

produzindo um eco que é registrado em hidrofones. emite uma onda de choque que reflete nas camadas em subsuperfície. Neste caso a resolução estratigráfica pode chegar a 40 m. Uma fonte. e posteriormente processado para fornecer a melhor reprodução da geologia local. 16 . Observar a reflexão do fundo do mar e as deformações resultantes de halocinese. Figura 4-2: Exemplo de seção sísmica 2D marítima.Figura 4-1: Esquema de aquisição de dados sísmicos marítimos. normalmente um canhão de ar.

Figura 4-3: Exemplo de cubo sísmico 3D. como neste mapa de amplitude do sinal. Figura 4-4: A tecnologia 3D permite expor qualquer atributo sísmico em qualquer superfície vertical. 17 . horizontal ou estratigráfica. com resolução estratigráfica da ordem de 20 m.

normalmente usados para se delinear as grandes feições do embasamento e estruturas de grande porte (Figura 4-6).Figura 4-5: Seção de Velocidade (SEVEL) construída em um cubo sísmico 3D. intrusão ígnea (D) e domo salino (E) (Selley. falha (B). Figura 4-6: Exemplos da leitura de perfis gravimétricos e magnetométricos sobre meio-graben (A). 1985). 18 . Gravimetria e magnetometria São métodos auxiliares. A presença de trechos com velocidades intervalares menores do que os vizinhos pode indicar a presença de rochareservatório com hidrocarbonetos. recife (C).

que por sua vez gira a broca contra a rocha (Figura 5-2). Figura 5-2: Esquema de perfuração de poço horizontal. que é refrigerada por um sistema fechado circulante de fluido de perfuração (Figura 5-1). PERFURAÇÃO E PRODUÇÃO Modernamente os poços de petróleo são perfurados com sondas rotativas. ou fluido de perfuração. (B) Esquema de poço perfurado com a finalidade de testar uma feição dômica. sai em jatos na broca e volta pelo espaço anular. http://whyfiles. que acionam a coluna de perfuração e conseqüentemente a broca tricone ou PDC. onde são amostrados. e o fluido de perfuração injetado sob alta pressão faz girar uma turbina.5.org 19 . Figura 5-1: (A) Esquema de uma sonda de perfuração. A broca corta e tritura a rocha ao ser movimentada de forma circular. é injetada pelas bombas de lama por dentro da coluna de perfuração. A lama. Nos poços horizontais a coluna permanece estática. através da coluna de perfuração e a partir da mesa rotativa. trazendo os fragmentos de rochas para serem retidos por peneiras. com o objetivo de verificar os fluidos presentes no arenito abaixo do folhelho. por sua vez movida por uma bateria de motores diesel.

A B Figura 5-3: Broca tricônica (A) e broca PDC (B). Um químico de petróleo é responsável por manter o fluido de perfuração dentro de parâmetros adequados a cada situação. prolongando sua vida útil. 20 . Os fluidos de perfuração mais usados constam de uma base. Dentre as principais finalidades do fluido de perfuração. A amostragem fica muito prejudicada com a broca PDC. viscosidade. conforme se esteja perfurando folhelho. Ambas as brocas podem ser construídas com diferentes materiais. e durante a perfuração é mantido em um sistema dinâmico circulante fechado. de diferentes resistências. A broca PDC é rígida. podemos citar: • • • • Lubrificar e resfriar a broca. mas ao cortar a rocha produz fragmentos maiores e amostras mais confiáveis. A broca tricone requer substituições mais freqüentes. A segurança de toda a operação depende da melhor adequação dessas propriedades a cada situação. As brocas mais utilizadas na perfuração de poços de petróleo são a tricônica e a PDC (Figura 5-3). água salgada ou óleo. os cones também giram e os dentes cortam a rocha. evitando desabamentos. Retirar os fragmentos de rocha. Sustentar as paredes do poço. podendo permanecer perfurando por mais tempo. que pode ser água doce. À medida que a broca gira em contato com o fundo do poço. permitindo a coleta de amostras. que é extremamente caro. muito cuidado é necessário ao se estabelecer propriedades do fluido como densidade (“peso”). com dentes fixos que escavam o fundo do poço. A broca tricônica é composta de cones dentados montados sobre rolamentos. Assim. ou sal. ou arenito com gás. mas mais resistente. que produz somente farinha de rocha. Manter uma pressão hidrostática para evitar que os fluidos da formação saiam sem controle do reservatório para o poço. salinidade. A broca PDC é mais cara. etc. tratada quimicamente. Ambas apresentam vantagens e desvantagens. O fluido de perfuração preenche totalmente o poço. etc. economizando em manobras para substituição e portanto reduzindo o tempo de sonda.

Havendo óleo ou gás. que é injetada por dentro do revestimento e retorna por fora. causando perda de circulação. no sentido de se obter a melhor produção. Dano no reservatório. e daí perfurado com 8 ½” até o final. São fixados no local por uma pasta de cimento. 21 . um poço terrestre com 4.000 m. ou Blow-Out Preventer. Fraturamento das rochas por excesso de “peso”. com potencial prisão da ferramenta. ao fechar a cabeça do poço e impedir a produção descontrolada de óleo ou gás.000 m pode ser perfurado com 17 1/2” e revestido com 13 3/8” até 200 m. podemos mencionar prejuízos que podem ser evitados pelo uso adequado do fluido de perfuração: • • • • Invasão do espaço poroso do reservatório por filtrado do fluido de perfuração. O uso correto de revestimentos de aço é parte integrante da boa engenharia de petróleo. então perfurado com 12 ¼” e revestido com 9 5/8” até 2. por entupimento dos poros. Os revestimentos são compostos por tubos unidos por roscas. entre ele e a parede do poço. ao menor custo e com a maior segurança (Figura 5-4).Da mesma forma. Por exemplo. Desabamento das paredes do poço. e têm diâmetro um pouco menor do que o poço. será revestido com 7” para produção. contaminando o fluido ali existente. Figura 5-5: O BOP. é peça essencial para a segurança da perfuração. Um poço pode conter todas essas etapas ou apenas algumas delas. Figura 5-4: Esquema hipotético de perfuração e revestimentos.

A finalidade da perfuração pode ser testar para a presença de hidrocarbonetos uma situação nova. explotatórios. de 1 a 9. Jack-up (para águas entre 30 e 100 m).Figura 5-6: Diferentes tipos de sonda. ou praticar a injeção. O objetivo de um poço é o reservatório que ele busca investigar. Terrestre. Todo poço perfurado tem um objetivo e uma finalidade. e expressa por um prefixo numerado. ou estabelecer a produção em uma área já delimitada. 22 . etc. ou verificar a extensão de uma descoberta. e os com prefixo 7 a 9. ou promover injeção de fluido para manter a pressão do reservatório. Classificação de Poços na Petrobras A Petrobras adota uma classificação de poços com base em sua finalidade. Os poços com prefixo de 1 a 6 são os exploratórios. ou colocar em produção para hidrocarbonetos. Semisubmersível e Navio-sonda (para águas mais profundas). desconhecida.

seguida da letra S. 9. BAS. CP – Carmópolis. Assim. 4.1. com a finalidade de confirmar a extensão da acumulação. Extensão É o poço perfurado a poucos quilômetros de uma descoberta. ou explotação de óleo ou gás de uma acumulação conhecida. obtido da região. fazenda. Jazida mais profunda É o poço perfurado dentro dos limites de um campo produtor conhecido. Os poços pioneiros perfurados no mar são designados a partir da sigla do Estado da Federação em frente ao qual ocorre a perfuração. 6. 2. na mesma estrutura. Denominação de poços na Petrobras Os poços perfurados em terra recebem um nome de origem geográfica. A partir do nome constrói-se uma sigla com 2. de forma a manter ou recuperar sua pressão estática. para testar a presença de hidrocarbonetos em um horizonte mais raso que o reservatório já estabelecido como produtor. Jazida mais rasa É o poço perfurado dentro dos limites de um campo produtor conhecido. 3. SC – Sul de Coruripe. buscando comprovar a presença de óleo ou gás onde não haja ainda certeza da presença desses fluidos nas rochas-reservatório. ou extração. significando Submarino: RNS. rio. Injeção É o poço perfurado com a finalidade de injetar fluidos como gás. para testar a presença de hidrocarbonetos em um horizonte mais profundo que o reservatório já estabelecido como produtor. pesquisa de salgema. FTD – Fazenda Tomada. Pioneiro adjacente É o poço perfurado em uma situação potencialmente favorável. Especial É um poço perfurado com alguma outra finalidade. RJS. CSMC – Cidade de São Miguel dos Campos. Exemplos: AR – Araçás. Desenvolvimento É a perfuração com a finalidade específica de proceder à lavra. adjacente à de uma descoberta comprovada. ESS. Estratigráfico É a perfuração executada com a finalidade primordial de buscar informações de caráter estratigráfico e sedimentológico. A Bacia de Santos constitui uma exceção. Pode ser nome de cidade. SES. 5. vila. 7. etc. Pioneiro É toda perfuração praticada em um local inteiramente novo. 3 ou 4 letras. água ou vapor no reservatório. já que há controvérsias acerca do domínio de cada Estado sobre trechos da plataforma continental. AG – Água Grande. etc. visando a aumentar o grau de conhecimento sobre a bacia. como por exemplo a obtenção de água doce. depois de se ter 23 . 8.

3-ME-2B-ALS. 3-ME-2C-ALS. podendo então ser armazenado ou transportado. e o revestimento é perfurado por um canhão a cabo diante dos intervalos a serem colocados em produção (Figura 5-7). Se houver uma quarta repetição. perfurado a partir da praia na costa sergipana. porque a letra D é reservada para poços desviados. 1-RJS-9 foi o nono poço pioneiro perfurado na plataforma continental do Estado do Rio de Janeiro. 1-SES-30 foi o trigésimo poço pioneiro no mesmo Estado. Coral. a letra C. Dourado. na plataforma continental do Estado do Rio de Janeiro. Em todos os casos. há uma numeração seqüencial. Classificações antigas A classificação de poços perfurados antes de 1966 era feita pelo acréscimo de letras à sua sigla. como a árvore de Natal. SJst-1 = São José Estratigráfico número 1. Qualificação de poços na Petrobras Quando um poço é perdido e se perfura outro no mesmo local. o campo recebe o nome de um peixe ou de outra forma de vida marinha: Guaricema. 1-SES-1 foi o primeiro poço pioneiro perfurado na plataforma continental do Estado de Sergipe. acrescenta-se a letra A ao número do poço. os poços explotatórios perfurados no campo recebem o nome do campo. 1-SES-29D foi um poço pioneiro desviado. e decidida a colocação do poço em produção. no Estado do Espírito Santo. Exemplos: Campo de Mero. Para a segunda repetição. MR. no Estado do Espírito Santo. Marlim. significando que tinha outro objetivo que não o estabelecido para o campo. Uma vez confirmado o caráter comercial da acumulação marítima. PRS e SCS.perfurado alguns SPS. 7-GP-5-RJS foi um poço de desenvolvimento. 1-LP-1-ES foi o primeiro poço pioneiro perfurado na região de Lagoa Parda. este é considerado uma repetição. no poço será descido e cimentado ou um revestimento desde a zona de interesse até a superfície. A partir daí. no caso um reservatório mais raso. a letra B. 7-MRL21H-RJS é a designação de um poço horizontal perfurado no campo de Marlim Leste. o quinto perfurado no Campo de Garoupa. CPB-1 = Carmópolis B número 1. o trigésimo perfurado no Campo de Lagoa Parda. conferiu-se aos poços o nome genérico de BSS (Bacia de Santos Submarino). na plataforma continental do Estado de Alagoas: 3ME-2-ALS. GP. Completação de poços de petróleo Uma vez confirmada a presença de hidrocarbonetos em quantidade comercialmente aproveitável na rocha-reservatório. e também uma sigla de 2 ou 3 letras. Garoupa. 3-ME-2A-ALS. DO. usa-se a letra E. Para isso. 24 . para a terceira. 7-LP-30-ES foi um poço de desenvolvimento. Poços horizontais recebem a letra H. instalam-se equipamentos de superfície. de forma controlada. Exemplos: GA. CPx-2 = Carmópolis Extensão número 2. Para a primeira repetição. A seguir. ele deve ser completado. CO. ou um liner desde a zona de interesse até a sapata do revestimento mais inferior. Esses procedimentos permitem que o fluido contido na rocha-reservatório se desloque para o poço e daí para a superfície.

podendo assim o fluido da formação chegar à superfície (C) controlado por uma Árvore de Natal (D).Completação de poços B Completação de poços Completação de poços Completação de poços C ÁRVORE DE NATAL SECA D Figura 5-7: Para ser colocado em produção. o revestimento e cimento perfurados (B). 25 . um poço é revestido e cimentado (A).

prazo em geral menor do que o estimado para o campo produtor. 26 . sem entretanto que um poço interfira predatoriamente com seus vizinhos. Producing. monobóia ou plataforma semisubmersível. Um FPSO tem vida útil projetada para vinte anos. O navio é equipado para separar e tratar gás. água e areia. antigo navio petroleiro adaptado para atuar como FPSO (Floating. a água e a areia são descartadas. O óleo é eventualmente transferido para um navio petroleiro. Figura 5-10: Esquema do PETROBRAS 35. por plataforma fixa. Bacia de Campos. A boa engenharia de reservatórios busca drenar o máximo de óleo do reservatório. óleo. Offload) no Campo de Roncador.Figura 5-8: Exemplos de produção marítima. Figura 5-9: Instalações de produção submarinas e programa de explotação do Campo de Marlim Sul. o gás pode ser transferido ou reinjetado nos poços. Storage.

de forma a drenar o máximo de hidrocarbonetos do reservatório com o mínimo de poços. COMPLETAÇÃO E PRODUÇÃO A 1877 m OTC AWARDS 1992 e 2001 POÇO EXPLORATORIO PERFURADO A 2. em flagrante concorrência predatória. sempre evitando a interferência predatória entre eles (Figura 5-9).A moderna engenharia de reservatórios tem um compromisso com a eficiência. para extrair o óleo rapidamente. Figura 5-11: Panorama de um campo de petróleo nos Estados Unidos no século XIX. Dezenas de poços eram perfurados lado a lado. de preferência antes do vizinho (Figura 5-11). quando o que interessava era perfurar o maior número de poços para extrair o óleo o mais rapidamente possível.777m 27 . Esses conceitos não existiam no início da atuação da indústria.

deslocar ou ser deslocada por outros fluidos como óleo ou gás. que 28 . Para isso. no Texas. Figura 6-2: O início da geração de óleo depende da profundidade. realizada anualmente em Houston. Há também aquela água componente da estrutura cristalina de alguns minerais.6oC/100 m.Figura 5-12: Avanços sucessivos da tecnologia de perfuração em águas profundas. ficou evidente a necessidade de a Petrobras explorar e produzir petróleo em profundidades cada vez maiores. Na maioria das bacias sedimentares. E uma parte da água não é móvel.000 ppm NaCl) encontrada em alguns campos de petróleo. 6. Figura 6-1: Potencial Eh e pH de alguns tipos de água (Selley. Normalmente a salinidade da água cresce com a profundidade. essa temperatura será atingida a profundidades menores do que em bacias com baixo fluxo térmico (Figura 6-2). O reconhecimento mundial veio com a premiação conferida à Petrobras em 1992 e 2001 pela Offshore Technology Conference. Considera-se 60oC como a temperatura inicial para a geração de óleo.000 ppm NaCl) existente nos aqüíferos até as salmouras (300. Uma parte da água contida nas rochas-reservatório é livre para se mover. Um fator essencial para a dinâmica petrolífera é a temperatura em subsuperfície. Em bacias com alto fluxo térmico. desde a água doce (<3. 1985). o gradiente varia entre 1. em geral expressa como gradiente térmico. 1977-2000. em termos de pH e potencial Eh (Figura 6-1).8 oC/100 m e 5. foi necessário um expressivo salto tecnológico. Nos anos 1980 e 1990. ficando presa aos grãos na forma de água irredutível. podendo ser produzida nos poços. como argilas e cloritas. CENPES e COPPE/UFRJ (Figura 5-12). alcançado pela parceria entre E&P. O AMBIENTE DE SUBSUPERFÍCIE A água contida nas rochas em subsuperfície obedece a limites de estabilidade.5oC/100 m. com um valor médio de 2.

Mudlogging Literalmente. OBTENÇÃO DE DADOS EM SUBSUPERFÍCIE Uma parcela importante de informações é obtida durante a perfuração do poço. A pressão exercida sobre rochas e fluidos em qualquer ponto em subsuperfície pode ser definida como: • Pressão Litostática: sobrejacentes. por observação do desempenho da perfuração e das propriedades do fluido de perfuração. Normalmente executado por companhias de serviço (Figura 7-1). • Pressão Hidrodinâmica: devida ao movimento natural dos fluidos nas rochas-reservatório. além das amostras recolhidas. Figura 7-1: Vista interna de uma cabine de mudlogging. “perfil de lama”. 7.por sua vez depende do gradiente térmico (Selley. • Ocorre sobrepressão quando a água da formação fica retida nas rochas. devida ao peso acumulado das rochas • Pressão Hidrostática: devida ao peso da coluna livre de água acima do ponto em questão. devido a isolamento por rochas selantes durante o soterramento. 29 . que fornecem diversas informações em tempo real sobre o poço em perfuração (Figura 7-2). 1985).

exibindo taxa de penetração da broca. etc. volumes dos tanques de lama. Além disso. podem ser fornecidos temperatura e salinidade da lama. profundidade. indícios de óleo e gás. tipo de rocha. cromatografia do gás e descrição das amostras de calha.Figura 7-2: Exemplo de um mudlog. 30 . porosidade.

de acordo com o interesse no momento – a cada 3. emitindo um brilho amarelo se contiver óleo. o qual é coletado em um barrilete com 9 ou 18 metros de comprimento. para que o geólogo junto ao poço saiba que tipo de rocha está sendo perfurado.Amostragem As rochas atravessadas durante a perfuração podem ser amostradas de três formas: calha. testemunhos e amostras laterais. de modo geral. 1) Amostras de calha: obtidas a partir dos fragmentos cortados pela broca de perfuração. livres de contaminação. Entretanto. mediante a substituição da broca comum de destruição por uma broca anelar (Figura 7-5). além dos indícios de hidrocarbonetos. Figura 7-4: Fluoroscópio onde a amostra é submetida à luz ultravioleta. para estudos de bioestratigrafia e de geoquímica. são coletadas na peneira de lama a intervalos variáveis. 6 ou 9 m. por permitir um exame mais completo da rocha. As amostras de calha são examinadas na lupa (Figura 7-3). e se esta rocha contém ou não óleo. cortar um testemunho é uma operação bastante cara. que corta a rocha preservando um núcleo central. 2) Testemunhos são amostras especiais obtidas durante a perfuração de um poço. Figura 7-3: Lupa binocular comumente utilizada no exame de amostras no campo. e permite extrair corpos de prova para ensaios petrofísicos. Às vezes o óleo pode ser observado diretamente. Durante a perfuração do poço. o testemunho provê amostras mais seguras. mas com freqüência utiliza-se um aparelho chamado fluoroscópio (Figura 7-4). uma vez estabelecida a 31 . o que a torna bastante rara. incluindo contatos entre camadas e estruturas sedimentares. O testemunho (Figura 7-6) é uma amostra nobre. Além disso.

as mais claras. e as acastanhadas. (3) montar o conjunto broca de testemunhagembarrilete-coluna de perfuração. cortando-se pequenos cilindros de rocha em pontos selecionados. ficando o topo acima. anelar para a obtenção de Figura 7-6: Exemplo de testemunho com 14 m de comprimento. é preciso (1) circular o fluido de perfuração para condicionar o poço. à direita. e a base abaixo. Figura 7-5: Broca testemunhos. arenito com óleo. (2) retirar a coluna de perfuração para remover a broca de destruição. (7) retirar o testemunho do barrilete. (8) descer novamente a coluna com broca e retomar a perfuração normal. através de uma ferramenta a cabo especificamente descida no 32 . rocha fechada. à esquerda. 3) Amostras laterais podem ser opcionalmente obtidas após a perfuração e a perfilagem do poço. Ele é acondicionado em caixas plásticas com um metro de comprimento cada uma. (6) retirar a coluna de perfuração do poço. Em poços com 3000 m toda essa operação pode tomar dois dias. (4) descer essa ferramenta até o fundo do poço. serrado ao meio para facilitar a descrição. As partes mais escuras são mais argilosas. (5) cortar o testemunho – em torno de um metro por hora.necessidade de se obter um testemunho.

Não-marinhos. permeabilidade e pressão capilar. 33 . utilizados na seção continental eocretácea em bacias como Potiguar. que pelo seu tamanho podem ser encontrados em qualquer tipo de amostra. bioestratigrafia e geoquímica (tipo. além de se conferir a presença de óleo. como ostracodes (Figura 7-9). como foraminíferos planctônicos (Figura 7-8). Os microfósseis mais utilizados em bioestratigrafia podem ser: • Marinhos. por uma ferramenta descida no poço por um cabo. Finalidades da amostragem: • • Permitir o exame das fácies e fluidos contidos. Nessa amostra se pode medir parâmetros petrofísicos como porosidade. Em ambos os ambientes encontra-se os palinomorfos. o que é mais completo nos testemunhos. como petrofísica. Permitir a amostragem para análises especiais. Bioestratigrafia A bioestratigrafia na indústria do petróleo baseia-se essencialmente em microfósseis. • • Os microfósseis mais utilizados em paleoecologia são os foraminíferos bentônicos. No Brasil são utilizados nas seções marinhas do Pensilvaniano da Bacia do Solimões e no Cretáceo/Terciário das bacias costeiras. quantidade e qualidade da matéria orgânica contida na rocha).poço para essa finalidade (Figura 7-7). Alagoas. Recôncavo e Tucano. nanofósseis calcários e radiolários. Figura 7-7: Amostras laterais são cortadas na parede do poço aberto.

34 .Figura 7-8: Alguns exemplos de foraminíferos planctônicos e bentônicos. especialmente importantes nas seções neocretácea e terciária no Brasil. Figura 7-9: Alguns exemplos de ostracodes não marinhos. de grande aplicação bioestratigráfica no Cretáceo Inferior no Brasil..

Neutrão: mede diretamente a porosidade da rocha. Perfil é o registro contínuo das propriedades físico-químicas das rochas ao longo do poço. permitindo estimar sua argilosidade. Esta informação será útil para se calcular a salinidade da água da formação e a quantidade de água e de hidrocarbonetos. Imagens: medem a resistividade ou o tempo de trânsito da onda sonora em alta resolução. óleo. 2003) Objetivos da perfilagem Qualitativos -Definição estratigráfica -Identificação de litologia -Correlação geológica -Identificação de fluido (gás. água) -Identificação de fraturas -Qualidade do reservatório Quantitativos -Resistividade -Porosidade -Radioatividade -Permeabilidade -Saturação de hidrocarbonetos Principais Perfis Indução e Laterolog: medem a resistividade das rochas. fraturas. (Soeiro. o que pode ser expresso na forma de imagem que reproduz o aspecto da rocha.8. Densidade: mede a densidade da rocha. Também se utiliza estes perfis para a correlação geológica. Podem ser “vistas” estruturas sedimentares. permitindo calcular a porosidade. os testes de formação a cabo e os testes de formação por tubulação. Sônico: mede o tempo de trânsito da onda sonora na rocha. são os perfis. do ponto de vista petrolífero. AVALIAÇÃO DAS FORMAÇÕES Os métodos mais utilizados na indústria do petróleo para se avaliar as rochas em subsuperfície. 35 . fornecendo ainda a integração da profundidade com o tempo do registro sísmico. a atitude das rochas. mediante o uso de equipamentos especiais. Raios Gama: mede a radiação natural gama das rochas. permitindo calcular sua porosidade e as velocidades sísmicas. etc.

acústicos e radiativos são registrados em uma unidade (em terra. Figura 8-1: Esquema de operação de perfilagem terrestre. em contraste com o arcabouço de grãos.ΦT Φ e = Porosidade efetiva. Conceitos importantes Em sedimentologia. As informações são coletadas pela ferramenta à medida que sobe pelo poço a uma velocidade constante. com exceção das argilas contidas no espaço poroso. transmitidas através do cabo e gravadas em meio magnético na unidade de perfilagem. considera-se matriz a fração mais fina da rocha. MATRIZ Água absorvida Argila Água de argila Fluido livre: Φ Sw + Φ So + Φ Sg Φe ΦT 1 . a partir de uma ferramenta descida no poço por um cabo (Figura 8-1). A porosidade medida no perfil é a Φ T.Esquema de operação de perfilagem terrestre Os perfis elétricos. um caminhão). 36 . Para o intérprete de perfis a matriz corresponde aos constituintes sólidos da rocha.

porosidade. FRw = Ro quando a formação está 100% saturada com água de resistividade Rw. Rt) A resistividade da água Rw sofre variações consideráveis em escala de bacia. a = 1 e m = 2. fraturas. A tarefa de interpretação resume-se então à leitura de Φ no perfil de porosidade e de Rt no perfil de resistividade a cada ponto da rocha-reservatório. Assim: Ou: Sw = √ (Ro/Rt) Sw = √ (a. Sw é a fração de rocha com água da formação. Nos pontos 37 . fluídos. correlação. e obtida a partir de água recuperada em testes de formação. Nos reservatórios com hidrocarbonetos. Swn = FRw/Rt Onde n é o expoente de saturação e Rt é a resistividade verdadeira da formação. mas pode ser considerada localmente constante. sismogramas.Principais utilidades dos perfis Resistividade Acústicos Radioativos Imagens Calibre Sísmico vertical A fórmula de Archie Archie deduziu empiricamente nos anos 1940: F = a/Φ Onde: F é o Fator de Formação a é uma constante empírica Φ é a porosidade do reservatório m é o Fator de Cimentação F = Ro/Rw Onde Ro é a resistividade da rocha completamente saturada com uma salmoura de resistividade Rw. Velocidade. Para uma dada porosidade. fluidos. Diâmetro do poço Velocidade.Rw/Φ m m Salinidade. fluidos. Argilosidade. Para a maioria das rochas consolidadas. correlação entre poços Estruturas sedimentares. porosidade. litologia. Ro/Rw permanece constante por um largo espectro de resistividade da água. então (1-Sw) é o volume de espaço poroso contendo hidrocarbonetos. aplicando-se em seguida a fórmula de Archie.2. n normalmente é próximo de 2. atitude de camadas.

ou 60%. onde a = 0. A presença de argila ou de pirita exige modificações consideráveis na fórmula.onde Sw for menor do que 0. é grande a chance de uma parte importante da água calculada ser irredutível. para rochas inconsolidadas da costa do Golfo do México.62 e m = 2. ou imóvel. com o que o reservatório produzirá somente hidrocarbonetos. Por exemplo.15 dá melhores resultados. Layout de um perfil Pista 1 Pista 2 Pista 4 Pista 3 Escalas Verticais: 1:1000: Cada traço horizontal equivale a 5 metros 1:200: Cada traço horizontal equivale a 1 metro Figura 8-2: Esquema básico de apresentação dos perfis. Muitas variações desta fórmula foram deduzidas para circunstâncias específicas. Pista de profundidade 38 .6. a Equação Humble.

possibilitando. se deposita na parede do poço. PISTA 1 6 Cali (pol) BS=8 1/2” 16 ZONA COM ARROMBAMENTO ZONA COM FORMAÇÃO DE REBOCO Figura 9-1: Exemplo de perfil de calibre.9. o reboco. por exemplo. O reboco se forma em conseqüência da invasão da formação por parte do fluido de perfuração. Braço do caliper 39 . Figura 9-2: Esquema da ferramenta de medição de calibre. PERFILAGEM CONVENCIONAL Calibre (Caliper) Fornece o registro contínuo do diâmetro do poço em polegadas. A parte líquida do fluido. o filtrado. e a parte sólida do fluido. entra nos poros da rocha substituindo parte do fluido naturalmente existente. a identificação de zonas com desabamentos e formação de reboco (Figura 9-1). podendo causar importantes reduções no diâmetro do mesmo.

Este perfil é mais confiável em poços terrestres. em conseqüência da dificuldade de se fixar um eletrodo de superfície em poços marítimos. Tório e Potássio. o perfil de raios gama pode ser uma ferramenta auxiliar na interpretação de elementos deposicionais (Figura 9-6). Diante de rochas não reservatório. comumente enriquecida em Urânio (folhelhos geradores). medida através de um cintilômetro. Sais de potássio como a silvinita também apresentam altas leituras de raios gama. De uma forma bastante rudimentar. Unidade fluxo de corrente do SP Eletrodo Eletrodo fixo (peixe) móvel Figura 9-3: Esquema de registro do Potencial Espontâneo (SP) Perfil de Raios Gama (Gamma Ray .GR) É o registro. da radioatividade natural das rochas. apresentado em milivolts em escala linear na Pista 1. 40 . O potencial elétrico é gerado pelo contraste entre as salinidades da água da formação e do filtrado do fluido de perfuração. Contudo. onde a alta leitura de raios gama reflete a presença de feldspato potássico. e não uma granulometria mais fina. da diferença de potencial elétrico entre dois eletrodos: um móvel dentro do poço e outro fixo na superfície (Figura 9-3). é necessário ter cautela no caso dos arcóseos. mas para discriminá-los é necessário correr o perfil de Raios Gama Spectral. em geral de 0 a 150.Potencial Espontâneo (Spontaneous Potential – SP) É um registro. argilosas. o SP indica qualitativamente a permeabilidade da rocha-reservatório. Como há uma tendência de esses elementos se fixarem em rochas mais finas. se for menor. na correlação estratigráfica. a deflexão será para a direita. o SP sofre uma deflexão para a esquerda. A escala utilizada baseiase em um padrão API. Em geral a radioatividade natural das rochas resulta da presença de elementos radioativos como Urânio. É utilizado na definição de litologia. Se a salinidade da água da formação for maior que a do filtrado. na estimativa do volume de argila e na identificação de minerais radioativos. Picos anormais em folhelhos podem estar refletindo a presença de matéria orgânica. apresentado em escala linear na Pista 1. não há deflexão e o SP segue o que se chama “linha de folhelho”.

PERFIL DE RAIOS GAMA-GR APRESENTAÇÃO DAS CURVAS DE GR E DE SP (Pista 1 – escala linear)
0 0 GR (API) SP 150 100

Folhelho Arenito A
1750 A combinação do SP com o GR mostra que, de fato, a zona b é um reservatório de Qualidade superior, ou seja: menor argilosidade.

Arenito B

Folhelho

Figura 9-4: Apresentação das curvas de SP e GR na Pista 1. A baixa leitura de GR (verde) indica que o Arenito B é pouco argiloso; A curva de SP (vermelho) indica que o Arenito B é permeável e contém água com salinidade maior que a do filtrado do fluido de perfuração.

RESPOSTA DO RAIOS GAMA FRENTE A FOLHELHOS RADIOATIVOS

BR PETROBRAS

E & P - AM / GEXP / GEAGEO

0 4

GR CALIPER BS= 6 1/8”

700 14 2725

CIGEO Arrombamento Intenso
2750

2775 Pacote de folhelho rico em matéria orgânica 2800 Apresentam alto potencial para geração de Hidrocarbonetos

2825

2850

Figura 9-5: Resposta do perfil de raios gama frente a folhelhos radiativos, mostrando leituras bem mais altas.

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Resposta do perfil de raios gama a elementos deposicionais Caixote Árvore de Natal invertida Sino

Figura 9-6: Resposta do perfil de raios gama frente a diversos elementos deposicionais. Um padrão em caixote pode representar espessa sucessão de camadas arenosas, como resultado da ação de sistemas fluviais entrelaçados, ou retrabalhamento eólico, ou preenchimento de canyon submarino; ou pode representar uma espessa sucessão de camadas carbonáticas, como resultado de uma plataforma ou recife. Um padrão em árvore de Natal invertida é normalmente associado a granocrescência ascendente, comum em barras de distributários, por exemplo. Um padrão em sino é comumente associado a granodecrescência ascendente, com freqüência encontrada em barras em pontal. Em qualquer caso a interpretação geológica não prescinde de dados de rochas. (Cant, 1992).

Figura 9-7: Exemplo de análise faciológica, integrandose o padrão do perfil de Raios Gama com a amostragem obtida em testemunhos (Bruhn et al., 1985).

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Perfis de indução A bobina transmissora gera um campo magnético, que induz correntes circulares nas camadas que, por sua vez, geram campos magnéticos induzindo sinais na bobina receptora (Figura 9-8). Como a intensidade das correntes induzidas na formação é proporcional à sua condutividade, o sinal induzido na bobina receptora é também proporcional à condutividade da formação e, portanto, inversamente proporcional a sua resistividade. Em geral este é o perfil mais confiável para se obter a resistividade da formação, Rt (Figura 9-9). Quando se perfura seções evaporíticas, é preciso evitar cavernas por dissolução com o uso do fluido de perfuração saturado em sal, o que torna o perfil de indução inoperante. Neste caso ele é substituído pelo perfil Lateral.

Esquema
Bobina Receptora

Acoplamento Direto Sinal x emf

Corrente Induzida

IL

Bobina Transmissora Corrente Constante

IT

Campo Magnético

Figura 9-8: Esquema da ferramenta de indução.

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O perfil é chamado de compensado porque utiliza dois transmissores e quatro registradores. imersa na lama de perfuração. Transmissor Superior R1 R2 R3 R4 Transmissor Inferior Figura 9-10: Esquema de registro do perfil sônico. buscando medir o tempo de trânsito da onda sonora na formação. Princípio: Os dois transmissores geram ondas sísmicas que se propagam pela lama e pelas rochas até atingirem os receptores.Figura 9-9: Apresentação do perfil de indução. Perfis de porosidade: Sônico. Os tempos de detecção podem ser balanceados para compensar o fato de as quatro trajetórias terem percorrido distâncias diferentes. As curvas de resistividade são traçadas em escala logarítmica na Pista 4. O perfil é corrido enquanto a ferramenta é tracionada. O perfil de indução é normalmente acompanhado dos de raios gama e/ou SP e calibre. registrados em escala linear na Pista 1. 44 . através da lama do poço (Figura 9-10) . Densidade e Neutrão Perfil Sônico Compensado (Borehole Compensated Sonic .BHC ).

divide-se por 3. dentro da coluna de profundidades. a Velocidade é o inverso do tempo de trânsito.0 47.m) 0. em escala linear. No mesmo perfil. crescendo da direita para a esquerda.0 57. escala linear (240 a 40 ( µ s / pé) ) Integração (TTI): Marcação no lado direito da pista de profundidade Tabela 3: Velocidades sônicas e tempos de trânsito em algumas rochas e minerais.0 67. V = 10^6/60 = 16666 pés/s = 5081 m/s 45 . Comumente o perfil sônico é apresentado no mesmo documento com os perfis de indução (verde.000 23. O tempo de trânsito (curva vermelha) DT = 60 µs/pé.000 DTma (µ s/pé) 55.5 43. Normalmente é impresso um traço maior a cada dez milisegundos.28.500 APRESENTAÇÃO DO SÔNICO Curva do Tempo de Trânsito: Pista 4.5 – 51.AM / GEXP / GEAGEO / CAF 1-FF-1-GG (µ s / pé ) DT 240 150 AHT-10 (Ohm.000 15. TTI: O Tempo de Trânsito Integrado resulta do plot da velocidade sônica contra a profundidade. BR PETROBRAS AIT/BHC/GR 1:200 40 2000 2000 2000 0 4 GR (UAPI) CAL (pol) BS= 6 1/8” E & P .000 – 19. O tempo de trânsito medido pela ferramenta é expresso na Pista 4. Pista 4) e raios gama (preto.2 AHT-90 (Ohm.Material Arenito Calcário Dolomito Anidrita Halita Tubos Vma (pé/s) 18. multiplica-se por 10^6.2 3000 TTI 3025 Figura 9-11: Apresentação do perfil sônico. de 40 a 240 µs/pé (em vermelho).m) 0.5 50. está o Tempo de Trânsito Integrado TTI. Para converter pés em metros.000 20. cada traço valendo um milisegundo. figura 46.000 – 23.m) 0. (cada traço equivale a 1milisegundo). Para converter microsegundos para segundos.6 – 43. Pista 1).500 21. V = e/t e = V/t Exemplo: Intervalo 3015-3020 m.2 14 AHT-60 (Ohm. Cada tracinho equivale a um milisegundo.0 17.

Para um arenito mais consolidado.tma φ = -------------------------------tf . tma tperfil = tf . a leitura do perfil sônico é 74 µs/pé.O espaço entre dois tracinhos será V/t (t em milissegundos. Utilização: contam-se os traços do TTI desde a profundidade desejada até a superfície.08 m Com esta velocidade. φ + tma .0% Figura 9-12: Gráfico para o cálculo de porosidade a partir do perfil sônico. Multiplica-se o resultado por dois para obter o tempo duplo de reflexão. Para um arenito pouco consolidado.tma . com tempo de trânsito tf.tma Uma alternativa é usar o gráfico: 16.001 = 5. tperfil = tf .φ ) . φ + (1 .tma) + tma tperfil . (tf . a velocidade da matriz é 18. 46 .5%. excluído o espaço poroso.001 s) e = V/t = 5081/0. como por exemplo a água do mar.500 pés/s  Φ = 16.000 pés/s  Φ = 14%. Este valor pode ser cotejado com a profundidade em tempo duplo do refletor na seção sísmica. A rocha propriamente dita.5% 14. os tracinhos são impressos a cada 5. Obtenção da porosidade com o perfil sônico O espaço poroso φ está preenchido por um fluido f. No exemplo. a velocidade da matriz é 19.08 m. é chamada de matriz e tem um tempo de trânsito tma. ou 0. extrapola-se para o intervalo não perfilado.φ tperfil = φ .

mais elétrons ela possui.25 RHOB NPHI DRHO .E & P . em conjunto com o perfil Neutrão.AM / GEXP / GEAGEO / CAF 1:200 -.Perfil de Densidade (Formation Density Compensated – FDC) .25 3 -15 0 4 1-SSS -1-AA GR 150 CAL 14 2 BS= 6 1/8” 2900 45 47 2925 . ele também é utilizado para interpretação litológica e para a definição de reservatórios com gás.25 a 0. Esses raios gamas desalojam elétrons e são defletidos em relação às suas trajetórias de colisão. Quanto mais densa a formação. havendo um efeito de espalhamento (efeito Compton).25 g/cm 3) BR PETROBRAS FDC ( Formation Density Compensated ) Curva densidade: Pista 4 é corrido enquanto a ferramenta Figura 9-13: Esquema de registro do do perfil de densidade. Pista 3 Curva da correção: . e mais raios gama de espalhamento são detectados. A ferramenta mede os raios gamas espalhados. Efeito Compton θ Reboco θ e- Detetor Longe Detetor Próximo Fonte APRESENTAÇÃO DO PERFIL DENSIDADE Escala Horizontal de RHOB: ( 2 a 3 g/cm 3) Escala Horizontal de DRHO: ( -0. Além de ser o perfil mais confiável para se medir a porosidade das rochas-reservatório.Princípio: Uma fonte radioativa aplicada na parede do poço emite raios gama de média energia (Figura 9-13). Este perfil também é conhecido como gama-gama. pressionada contra a parede do poço. O perfil é tracionada.

excluído o espaço poroso. ρ b = ρ f . Esta variável é designada como RHOB. aumentando da esquerda para a direita. do grego ∆ρ. sofre grandes influências da rugosidade da mesma.ρ b φ = -------------------------ρ ma . φ + ρ ma . (ρ f .Figura 9-14: Apresentação do perfil de densidade.φ ) . de 2 a 3 g/cm3. φ + (1 . Obtenção da porosidade com o perfil densidade O espaço poroso φ está preenchido por um fluido f. A rocha propriamente dita. Delta Ro.ρ f 48 . As correções daí derivadas são apresentadas na pista 3 pela curva tracejada de DRHO. Sendo o perfil corrido contra a parede do poço. do grego ρb. ou Bulk Density.φ ρ b = φ . é chamada de matriz e tem uma densidade ρ ma.ρ ma) + ρ ma ρ ma . lida pelo perfil. ou seja a densidade total da rocha. O valor de densidade é registrado em curva contínua na Pista 4. Comumente o perfil de densidade é apresentado junto com o de raios gama.ρ ma . com densidade ρ f. ρ ma ρ b = ρ f .

BR PETROBRAS 0 4 GR CAL BS= 6 1/8” 150 14 MR= . 2-) Cada linha vertical à esquerda da linha da densidade de matriz equivale a 3% de porosidade.Princípio: Uma fonte de nêutrons emite nêutrons de alta energia que penetram na formação.AM / GEXP / GEAGEO / CAF 1:200 -. A quantidade de energia perdida depende da massa relativa do núcleo no qual o nêutron colide. Perfil Neutrão Compensado (Compensated Neutron Log – CNL ) . Os nêutrons perdem energia devido às colisões elásticas com átomos da formação. em conjunto com o perfil Densidade.65 3% 6% 9% 24 % 2925 Figura 9-15: Exemplo de leitura direta de porosidade a partir do perfil de densidade.65 g/cm 3). No estado termal são capturados por átomos de H e Cl.E & P . Este perfil é utilizado para leitura direta de porosidade a poço aberto e a poço revestido. 3-) O valor da porosidade no ponto assinalado é 24 %.25 RHOB DRHO . A maior perda de energia ocorre quando o nêutron colide com núcleo de partículas de igual massa (hidrogênio).25 3 2900 2 1-SSS-1-AA 12 % 15 % 18 % 21 % 2. 49 .FDC (Formation Density Compensated) O perfil de densidade permite uma leitura direta de porosidade: LEITURA DIRETA DA POROSIDADE (DENSIDADE) 1-) Marcar a linha referente ao RHOB da matriz (arenito=2. e para a definição de reservatórios com gás.

A curva é designada de NPHI (de Neutron Porosity. de –15 a 45. aumentando da direita para a esquerda. BR PETROBRAS Detetores Epitermais Escala Horizontal: Unidades de Porosidade (45 a -15 %) .25 3 -15 0 4 GR CAL BS= 6 1/8” 150 14 2900 2 45 1-SSS-1-AA 2925 Figura 9-17: Apresentação do perfil Neutrão. 50 . menor a porosidade Fonte de AmBe (16 Curie) CNL (Compensated Neutron Log) APRESENTAÇÃO DO PERFIL NEUTRÃO Pista :4 Figura 9-16: Esquema da ferramenta do perfil Neutrão. N Φ).Esquema do Perfil Neutrão Detetores Termais Quanto maior a contagem de nêutrons termais.AM / GEXP / GEAGEO / CAF 1:200 -.25 RHOB NPHI DRHO .E & P . e registrada na Pista 4.

adicionar 4% para a porosidade lida. BR PETROBRAS . portanto a porosidade real é 24%. 2-) Nesta escala cada linha vertical equivale a 3% de porosidade.E & P . 4-) No ponto assinalado a leitura é 20%.E & P . BR PETROBRAS . 3-) Marcar a linha do zero (0%) de porosidade. 51 . 5-) Como o equipamento do neutrão é calibrado para calcário. e para ler porosidade de arenitos é necessário somar 4% ao valor lido. PERFIS DE POROSIDADE Apresentação conjunta dos perfis de densidade e neutrão – Este formato tem a grande vantagem deDO permitir a definição visual de reservatórios com gás. Observar que o perfil é calibrado para calcário. O paralelismo das curvas aponta para reservatórios com água ou óleo. enquanto que o perfil de densidade deflete para a esquerda (Figura 9-19). caso em APRESENTAÇÃO PERFIL DO CONJUNTO DENSIDADE/NEUTRÃO que a leitura do neutrão sofre forte inflexão para a direita.AM / GEXP / GEAGEO / CAF 1:200 -.CNL (Compensated Neutron Log) O perfil neutrão também permite uma leitura direta de porosidade: LEITURA DIRETA DA POROSIDADE (NEUTRÃO) 1-) A curva do neutrão é apresentada em unidade de porosidade.25 RHOB NPHI DRHO .25 3 -15 0 4 GR CAL BS= 6 1/8” 150 14 2900 2 45 1-SSS-1-AA 2925 Figura 9-19: Perfis de densidade (preto contínuo) e neutrão (vermelho tracejado).AM / GEXP / GEAGEO / CAF 0 4 GR CAL BS= 6 1/8” 150 14 2900 45 1-SSS-1-AA 1:200 NPHI -15 12 % 15 % 18 % 0% 3% 6% 9% 20 % 2925 20%+4%=24% Figura 9-18: Exemplo de leitura direta de porosidade no perfil neutrão.

85 g/cm3. Gr=baixo SLV Dt=74 µs/pé.04 g/cm3. Gr=baixo HAL Dt=67 µs/pé. RG FLH BGCP ARN H2O D Rt Rxo Nphi Rhob DT ARN H2O Doce FLM MGCP ARN C\ GÁS ARN C\ ÓLEO ARN C\ H2O Sal FLH AGCP BGCP=Baixo Grau de Compactação MGCP=Médio Grau de Compactação AGCP=Alto Grau de Compactação APLICAÇÕES DOS PERFIS Figura 9-20: Modelo teórico de resposta dos perfis nos sedimentos. em função de argilosidade.98 g/cm3.75 g/cm3.65g/cm3. Nphi=-2 up.5 µs/pé.RESPOSTAS DOS PERFIS NOS SEDIMENTOS Este é um modelo teórico.Gr=baixo Figura 9-21: Resposta dos perfis nos minerais. Dt=43. Rhob=2. Respostas dos Perfis nos Minerais AND Dt=50 µs/pé. etc….86 g/cm3. Nphi=-3 up. Rhob=1. Anidrita. Nphi=-3 up. do diâmetro de invasão. Nphi=-2 up. de constituintes mineralógicos. Rhob=2. Rhob=2. Nphi=0 up. Gr=mod. Respostas dos perfis nos sedimentos da relação Rw/Rmf. enquanto que halita e silvinita têm densidades muito baixas. em função de argilosidade. 52 . Rhob=2. diâmetro de invasão. Rhob=2. constituintes mineralógicos. diabásio e dolomita mostram altos valores de densidade. Nphi=2 up.5 µs/pé. Gr=baixo QTZ Dt=55. Rhob=2. Gr=alto DOL CAL Dt=47. As respostas dos perfis estão IDENTIFICAÇÃO LITOLÓGICA sujeitas a variações. do tipo de argila. Devemos ter em mente que as respostas dos perfis estão sujeitas a variações. do tipo de argila. Nphi=1 up. etc…. no tempo de trânsito sônico ocorre o inverso.5 µs/pé.Gr=baixo DIA Dt=49 µs/pé.98 g/cm3. da relação Rw/Rmf.

0 8 GR CALI 150 18 140 45 2 DT NPHI RHOB 40 -15 3 HAL AND DIA FLH ARN DMT Figura 9-23: Uso dos perfis de resistividade.2 RT DT RHOB PHIN 35 3 -15 2550 2575 2583 m a separação entre as curvas de densidade (contínua) e porosidade neutrão (pontilhada) aponta para gás.AM / GEXP / GEAGEO / CAF 0 6 GR 150 CAL 16 BS= 8 1/2” 135 1-LLL-1-LL 2 2000 45 0. Rt ) Óleo (Ød > Øn. Acima desse ponto é pequena a separação entre as curvas de densidade e de porosidade neutrão. indicando a presença de óleo.E & P . óleo e água. A 2583 m há uma queda abrupta na leitura de resistividade. No intervalo 2543-2566 m a resistividade é alta. Rt Correção da porosidade para o efeito do2gás 2 φ c = φd + φn 2 BR PETROBRAS COMPOSITE LOG . indicando um contato óleo-água. densidade e neutrão para distinguir reservatórios com gás. e RESERVATÓRIOS CONVENCIONAIS ) Gás (Ød >>> Øn. Rt ) Água Salgada (Ød = Øn.Perfil Interpretado Figura 9-22: Perfil interpretado com identificação das diferentes litologias. indicando a presença de hidrocarbonetos. 53 .

Figura 9-24: Esquema de registro do check-shot. o geofone pode ser posicionado em lugares quaisquer. Ondas de choque são geradas na superfície enquanto o geofone é posicionado a diferentes profundidades dentro do poço.glossary.slb.oilfield. de modo a confirmar ou modificar as interpretações sísmicas. produzindo uma onda de choque na superfície e registrando o sinal resultante (Figura 9-24). descendo-se um geofone até cada formação de interesse. A velocidade das ondas P das formações perfuradas pelo poço podem ser medidas diretamente.com/). (www. 54 .Check-shot É um levantamento sísmico no poço. efetuado para medir o tempo sísmico da superfície até uma determinada profundidade. enquanto que no VSP muitos geofones são usados a intervalos regularmente espaçados dentro do poço. As velocidades registradas são utilizadas para calibrar o perfil sônico e gerar um sismograma sintético (Schlumberger WEC Brasil 1985). Os dados podem então ser utilizados para corrigir o perfil sônico e gerar um sismograma sintético. O check-shot difere do Perfil Sísmico Vertical (VSP) no número e densidade dos registros em profundidade.

Utiliza duas câmaras para amostragens de fluidos.Equipamento geração com inovações tais como: -Amostragem PVT -Mini teste de formação -Possibilita coletar amostras de formação sem contaminação do perfuração. a realização de Inúmeros prétestes com tomadas de pressão. 55 . 3-Obter os gradientes de pressão estática. 2-Estimar a permeabilidade efetiva dos reservatórios. 8-Efetuar correlação entre acumulações de um campo de óleo e gás. 7-Detectar a variação dos contatos entre fluidos. após a produção. Figura 10-1: Equipamento “RFT” (Repeat Formation Test) que possibilita. 6-Determinar contatos entre fluidos. Formation de última fluidos da fluido de Objetivos do testador a cabo: 1-Obter a pressão estática dos reservatórios.10. TESTE DE FORMAÇÃO A CABO É efetuado por um aparelho descido no poço por meio de cabo. 5-Identificar os tipos de fluidos. antes da amostragem. para tomar medidas de pressão e proceder à amostragem do fluido da formação (Figuras 101 e 10-2) . Figura 10-2: “MDT” (Modular Dynamics Tester) . 4-Obter as densidades dos fluidos dos reservatórios.

11. A zona a ser testada é isolada do restante do poço (cheio de lama) por um obturador. Linha de surgência Tubulação Obturador Serve para isolar o intervalo testado do restante do poço Tubos perfurados Para possibilitar a passagem de fluido pelo interior da coluna. sem que seja descido caro revestimento de produção. 56 . acima do qual é aberta uma válvula. permitindo o fluxo do fluido da formação através dos tubos perfurados. Deslocamento do fluido Figura 11-1: Esquema de teste de formação por tubulação. Este procedimento é importante para confirmar o caráter produtor do poço. TESTE DE FORMAÇÃO POR TUBULAÇÃO Serve para conectar a pressão do reservatório com a pressão atmosférica e com isso promover a produção temporária de fluido em direção à superfície. grande risco Serve o para conectar a pressão do reservatório com o a pressão envolvido impede que seja adotado em poços abertos submarinos. o fluido então pode subir pela coluna de perfuração até uma eventual surgência. Entretanto. Teste de Formação por tubulação atmosférica e com isso promover a produção de fluido em direção à superfície B R Atenção Só se consegue surgência quando o reservatório é de boa qualidade (porosidade e permeabilidade).

estática. Todos os fluidos devem ser cuidadosamente amostrados. respectivamente). fluxo e estática) ou seis horas (30. define-se o intervalo a ser testado a partir do fundo do poço. Como padrão.Figura 11-2: Tubo perfurado e obturador (“packer”) aberto (E) e assentado(D) (Okabe. que opera mediante a rotação da coluna de perfuração. a DCIP (Figura 11-3). 60. um teste pode durar quatro horas e meia (30. 90. 2003). As pressões atuantes na altura da ferramenta de teste são gravadas por registradores especiais. Um teste normalmente consta de quatro fases. 57 . Rotina do teste de formação por tubulação Um teste de formação por tubulação é preferencialmente efetuado logo após a perfuração do intervalo de interesse. 120 minutos para fluxo. que consta de tubos perfurados. Verificada a presença de indícios de hidrocarbonetos. A alternância entre as condições de fluxo e estática é obtida pela abertura e fechamento de uma válvula chamada Double Close-In Pressure. obturadores (Figura 11-2). válvulas e registradores de pressão. 180 minutos. é montada a coluna de teste. Condicionado o poço e retirada a coluna de perfuração. 60. que é descida no poço acoplada à própria coluna de perfuração. ou seguindo uma programação prévia. duas em que o fluido da formação pode fluir livremente (fluxos) e duas em que se fecha uma válvula para medir a pressão estática da formação. para evitar que desabamentos da parede do poço ocasionem grandes diâmetros. que comprometam o assentamento dos obturadores. no que se denomina surgência. de preferência menos do que vinte metros. instalados dentro da ferramenta (Figura 11-4). Durante o teste observa-se se o fluido da formação preenche toda a coluna de perfuração vazia e chega à superfície. 60. Todos os dados de pressão e fluidos recuperados são essenciais para a correta interpretação do teste.

H. M. O. C.Figura 11-3: Válvula DCIP (Double Close-In Pressure) e esquema de funcionamento. Q. aplica-se à coluna de perfuração um determinado número de rotações.Montando comandos.Montando Equipamento.Montando Equipamentos de Superfície.Início do primeiro fluxo. o que faz com que a DCIP esteja alternadamente aberta ou fechada.Atingindo o fundo do poço e registrando a pressão hidrostática da lama. N. 58 . B.Desassentando obturadores.Descendo coluna. K. G. D.Abrindo DCIP. E.Fechando DCIP: estática 2. P. A cada etapa do teste.Retirando comandos. I.Registro da hidrostática. Figura 11-4: Exemplo de carta de pressão de um teste de formação por tubulação.Retirando coluna.Início do segundo fluxo.Abrindo Hydrospring.Fim do teste.Fechando DCIP: estática 1.Desmontando Equipamento. L. A. J. F.

mas depletivo. portador de óleo. A depleção se manifesta pelo valor significativamente menor da segunda estática.Figura 11-5: Exemplo de carta de pressão de teste em intervalo com boa permeabilidade. Figura 11-6: Exemplo de carta de pressão de teste em intervalo com boa permeabilidade. portador de óleo e gás. se comparado à primeira. 59 .

12. 2003). São preferencialmente folhelhos. estando numa situação geológica adequada (fazendo parte da trapa e capeadas adequadamente) permitem que o petróleo seja acumulado e possa ser produzido comercialmente. O SISTEMA PETROLÍFERO Definições: • • • É um sistema físico-químico dinâmico que gera e concentra petróleo (Demaison & Huizinga. São preferencialmente arenitos ou carbonatos porosos. Caso estejam associadas adequadamente (estrutural ou estratigraficamente) às rochas reservatório formam a trapa. margas e calcilutitos. Rocha geradora Rocha carreadora Rocha reservatório Rocha selante Rochas de sobrecarga.) Especulativo (?) Rochas geradoras efetivas: contêm matéria orgânica (querogênio). e sofreram uma evolução térmica adequada para geração/expulsão de quantidades significativas de petróleo. Elementos Essenciais: • • • • • • • • • • • Processos: Nível de Certeza: Definições dos Elementos Essenciais: • • • 60 . Rochas-reservatório: são rochas capazes de conter e transmitir fluidos que. Conhecido (!) Hipotético (. permitem que o petróleo expulso das geradoras migre até a trapa. estando numa situação geológica adequada (sem armadilha mas capeada). Rochas selantes: são rochas de baixas permeabilidades que não permitem (ou retardam muito) a migração secundária de petróleo. Descreve a relação genética entre a “cozinha de geração” ativa e as acumulações de óleo e gás associadas (Magoon & Dow. Formação de armadilhas. em quantidade e qualidade. Geração-migração-acumulação de petróleo. Um sistema petrolífero existe quando os elementos e processos essenciais ocorrerem (Santos Neto. 1994). 1994). Rochas carreadoras: são rochas porosas e permeáveis que.

equipamento automático capaz de medir o potencial gerador de uma rocha e a temperatura máxima em que este se dá. Geração de petróleo: série de reações químicas que transformam o querogênio em óleo e gás. que exercem pressão litostática sobre as rochas geradoras. eventualmente pode ser trapeado novamente. Migração primária: ocorre dentro da rocha geradora e para fora dela. O deslocamento de petróleo se dá por microfissuras. Migração secundária: é o movimento do petróleo fora das rochas geradoras (distâncias relativamente longas). Definições dos Processos: • • • • Representação Sintética do Timing dos Elementos e dos Processos dos S. 61 . ou desmigração: um tipo particular de migração secundária. Remigração. pelas rochas carreadoras ou por falhas e discordâncias.P. Figura 12-1: Representação sintética da cronologia dos elementos e processos. Quando o mesmo sai das geradoras é chamado de expulsão. Ocorre quando uma acumulação é “aberta” e o petróleo continua seu caminho em direção à superfície.• Rochas de sobrecarga: são as rochas sobrejacentes. Dependem da maturação térmica (temperatura e tempo geológico). em distâncias relativamente curtas. Figura 12-2: Pirolisador Rock-Eval.

até um máximo de ~50% dos valores originais (carbono residual ou refratário. craqueamento dos demais hidrocarbonetos. continental. e os seus respectivos hidrocarbonetos.~65-70%) Tipo III. elevado potencial gerador de hidrocarbonetos (F. Qualidade da matéria orgânica: Avaliada a partir da definição dos índices de hidrogênio e de oxigênio.O. obtidos na pirólise Rock-Eval (Figura 12-2) e normalmente expressos em diagramas do tipo Van Krevelen (Figura 12-5). exceto gases biogênicos. • • • Tipo I. não gerou hidrocarbonetos. Composição química: Os hidrocarbonetos presentes podem ser identificados através da cromatografia gasosa (Figura 12-3). marinha ou mista. Senil (metagênese). Quanto maior o índice de hidrogênio e menor o de oxigênio. ou pela refletância da vitrinita (Figura 12-4). lacustre e marinha.C. M. Figura 12-3: Cromatograma em que cada pico corresponde quantitativamente a um hidrocarboneto distinto. A maturação reduz os valores de COT. baixo potencial gerador. 62 . fornecido pela pirólise. Matura (catagênese).C. principalmente para gás (F. somente CH4 estável. melhor a qualidade da matéria orgânica. potencial intermediário para óleo e gás (F.O. A evolução térmica pode ser avaliada pelo perfil de Tmax. porém as geradoras efetivas de maior interesse sempre apresentam COT > 3%. M.5% (calcilutitos). principal fase de geração de óleo e gás úmido.Caracterização geoquímica de rochas geradoras : Quantidade de matéria orgânica: normalmente o mínimo aceito é de 1% COT (folhelhos) e 0.C. dead carbon). • • • Imatura (diagênese). ao longo do tempo. M. ~85-90%) Tipo II.~30-35%) Evolução térmica: transformações químicas devido ao aquecimento sofrido por uma geradora. carbono residual.O.

Figura 12-4: Fotomicrografias de fragmentos de vitrinita em luz refletida. marinha e continental. 63 . Quanto maior a refletância da vitrinita. II e III correspondem aos três tipos de matéria orgânica: lacustre. relacionando o índice de oxigênio e o índice de hidrogênio. As faixas I. maior a temperatura a que ela foi submetida no tempo geológico. Figura 12-5: Diagrama de van Krevelen para as amostras provenientes de um poço.

Tmax e hidrocarbonetos livres. Reflectância da Vitrinita. A variação do índice de hidrogênio reflete os diferentes tipos de M. mostrando profundidade. pirólise Rock-Eval. 64 . e Reflectância da Vitrinita Ro) : Figura 12-6: Perfil geoquímico de um poço.O. Índice de Hidrogênio.Reconhecimento de rochas geradoras em perfis geoquímicos (Carbono Orgânico Total. Potencial Gerador. amostragem. estratigrafia.original . COT. Índice de Oxigênio.

Entretanto. como indicam os dados de Tmax e refletância da vitrinita. A zona matura está entre 1500 e 3200 m. este intervalo está imaturo. 65 . mostrando intervalo com elevado potencial gerador entre 600 e 800 m.Elementos e Processos dos Sistemas Petrolífer ento de oras em micos e Rock- COT S2 IH Ro IO Tmax S1 500m 200m Figura 12-7: Perfil geoquímico de um poço.

A faixa térmica ideal para a geração de hidrocarbonetos líquidos está entre 65 e 150oC. quanto maior for o gradiente geotérmico da bacia sedimentar (Selley. do tempo geológico envolvido e da temperatura alcançada durante a história geológica. A profundidades e temperaturas muito grandes somente se forma gás. A temperatura é função do gradiente geotérmico. poderá estar imaturo se o tempo de cozimento for curto. o único hidrocarboneto formado é o metano biogênico (Figura 12-9). A profundidades menores. 66 . maturo para óleo ou até para gás se o tempo envolvido for muito longo (Figura 12-10). ocorrem as condições termoquímicas para gerar óleo (“janela do óleo”). submetido às mesmas condições de temperatura e pressão. as rochas potencialmente geradoras são submetidas às temperaturas ideais a profundidades menores (Figura 12-8). Figura 12-8: A faixa térmica ideal para a geração de óleo ocorre a profundidades menores. À medida que aumentam a profundidade e a temperatura. O tempo também é um fator importante. Em bacias com maior gradiente geotérmico. Um mesmo tipo de matéria orgânica.Geração de hidrocarbonetos A transformação da matéria orgânica em hidrocarbonetos é uma reação termoquímica que depende da pressão proveniente do soterramento. 1985). sob pequeno soterramento e temperaturas relativamente baixas.

Migração A migração primária é a que se dá dentro da rocha geradora e desta para a rocha-reservatório ou para dutos permeáveis. por exemplo. e sendo fluidos seguem a tendência de buscar sítios de menor pressão. Figura 12-11: Seção esquemática mostrando migração primária (setas vermelhas) e secundária (setas pretas).Figura 12-9: Um mesmo tipo de matéria orgânica dará origem a tipos distintos de hidrocarbonetos. Assim 67 . estará imatura se for cenozóica. Uma rocha que esteja hoje a 100oC. e senil se for eopaleozóica. como falhas e discordâncias (Figura 12-11). quando submetido a diferentes profundidades e temperaturas. matura se for eomesozóica ou neopaleozóica. O óleo e gás gerado têm volume maior que a matéria orgânica original. A migração secundária é a que ocorre dentro da rocha-reservatório ou através de dutos permeáveis. Figura 12-10: Efeito do tempo geológico na maturação de rochas geradoras.

Esta água perdida pode ser expulsa do então folhelho. 1967). Figura 12-12: Aspectos da diagênese de argilas. A transformação da montmorilonita em ilita se dá por perda de água. 1994). Parte dos hidrocarbonetos pode também ser carreada para fora da rocha geradora quando da diagênese das argilas. até que ela se livre do excesso de fluidos.formam-se microfraturas temporárias na rocha geradora. 1994) (Figura 12-13). 68 . durante a compactação. processo que libera volumes expressivos de água (Figura 12-12). de outra sorte impermeável. contribuindo para carrear eventuais hidrocarbonetos para fora da rocha geradora (Powers. postula-se que a migração secundária se dê na forma de filetes de óleo que se deslocam em meios porosos (England. Figura 12-13: Esquema ilustrando a migração secundária na forma de filetes de óleo que ocupam progressivamente a rocha-reservatório trapeada (England. De forma similar.

com freqüência apenas 1% encontra o caminho de uma armadilha para ser armazenado. a partir da matéria orgânica orginal contida na rocha geradora. Sempre é necessário encontrar volumes significativos retidos em subsuperfície. formando exsudações (oil seeps) (Figura 12-15). o sistema petrolífero envolve processos de baixa eficiência.000 km3 de rocha geradora. mas também pode significar trapeamento ineficiente. A presença de exsudações é um indicador seguro da existência de óleo na bacia. migração e acumulação de hidrocarbonetos. ou 10.000 km2. Considerando 1% de matéria orgânica. da qual somente 30% é convertida em petróleo (Figura 12-14). serão gerados 3 km 3 de hidrocarbonetos. Figura 12-14: Seção esquemática mostrando frações usuais de geração.000 m3. Por exemplo. se uma rocha geradora com 100 m de espessura estiver matura ao longo de um retângulo de 100x100 km.Eficiência do processo de geração.03 km 3 de óleo. teremos 1. se acumularão 0. ou perto de 200 milhões de barris. migração e acumulação de hidrocarbonetos Como um todo. Se 30% deste volume se transformar em petróleo. O óleo que escapa do trapeamento pode alcançar a superfície de forma visível. se 1% do volume gerado alcançar o trapeamento. será possível alcançar 10 km3 de querogênio.000. ou 30. e 99% se perdem. 69 . E do petróleo gerado. Não são raras as rochas geradoras contendo apenas 1% de matéria orgânica.

Figura 12-15: Fotografias de exsudações de óleo nos Estados Unidos. 70 .

podendo propiciar acumulações mais volumosas. 3 . perdas 1 .LONGA DISTÂNCIA GERAÇ ÃO REL AÇÃ O ESPACIAL "ÓTIMA " (ORIENTE MÉDIO) Figura 12-16: A proximidade geométrica das rochas geradoras e reservatórios favorece os processos de migração. ou muito próximas. ATÉ CENTE NAS DE QUILÔ ME TROS A CUMULAÇÃO M IG R AÇ + + + + + + G ERA ÇÃO + + + + + "COZINHA " + + ÃO N O D UT O ( " CA RR IER BE D ") Figura 12-17: Se as rochas geradoras estão mais distantes das rochas-reservatório organizadas em armadilhas. a partir da matéria orgânica contida em rochas argilosas (folhelhos).CURTA (OU NENHUMA S TÂNCIA) em eficácia e possibilita maiores (Figura DI 12-17). se as rochas geradoras estiverem muito distantes das rochas-reservatório. é expulso e migra para rochas porosas e permeáveis (arenitos) e se acumula em armadilhas. migração e acumulação de hidrocarbonetos Em resumo. o processo perde II. podendo haver grandes perdas e conseqüentemente acumulações menos volumosas. ACUM UL AÇÃO GERAÇÃO CORPO ISOLADO ("ISOLANI") IM ERSO NO GERADOR A CUMULA ÇÃO L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L L SEL O II. o petróleo é gerado por aquecimento e soterramento ao longo do tempo geológico.Eficácia do processo de geração. o processo de migração tem menor eficácia. 71 . Ao contrário. das rochas geradoras (Figura 12-16). contido por rochas impermeáveis (folhelhos) A migração é mais efetiva se as rochas-reservatório estiverem em cima.

maiores serão as gargantas entre os poros. e a facilidade com que cada um se move no meio poroso é chamada Permeabilidade Efetiva ao fluido considerado. mais estreitos e mais tortuosos. Um reservatório com freqüência produz mais de um fluido simultaneamente. diminuindo a porosidade e a permeabilidade. A Permeabilidade Relativa é obtida pela normalização. Por exemplo. com maior permeabilidade. com empacotamento entre grãos mais apertado. 2001).13. As razões entre os fluidos devem ser mantidas dentro de limites economicamente significantes. sem reduzir a vida útil do campo. • Tamanho dos grãos: quanto maiores forem os grãos. A Permeabilidade Absoluta é medida quando existe apenas um único fluido saturando a rocha. Rochas bem selecionadas são mais porosas e permeáveis. Uma rocha-reservatório contém sempre dois ou mais fluidos. onde ko é a Permeabilidade Efetiva para o Óleo e k a Permeabilidade Absoluta. os grãos menores ocuparão os espaços porosos existentes entre os grãos maiores. Quanto mais arredondados e esféricos forem os grãos. mais difícil será o movimento dos fluidos. Fatores que afetam a qualidade do reservatório • Forma dos grãos: arredondamento e esfericidade. tem porosidade e permeabilidade menores (Figura 13-3). representado pela letra k. Permeabilidade k: é a medida da capacidade de fluidos passarem através de um meio poroso. É necessário que a rocha permita o fluxo de fluidos. RGO a razão gás/óleo e BSW o teor de sedimentos e água produzidos junto com os hidrocarbonetos. poros maiores e mais conectados oferecem menor resistência ao fluxo de fluidos (Thomas. que quanto mais cheios de estrangulamentos. ou divisão da Permeabilidade Efetiva de um fluido por um valor de permeabilidade escolhido como base. • Seleção: em uma rocha mal selecionada. Grãos 72 . a Permeabilidade Relativa ao Óleo seria kro = ko/k. Por outro lado. não há a garantia de que eles possam ser extraídos. comandando o volume de fluidos contido na rocha. traduzindo-se em vazões. maior será a porosidade e mais livres as gargantas entre os poros. • Fábrica: uma rocha mais compactada. e conseqüentemente maior a permeabilidade. A unidade de medida mais usada é o darcy. Mesmo que uma rocha contenha um volume expressivo de poros preenchidos com quantidades importantes de hidrocarbonetos. Os fluidos percorrem “canais porosos”. Propriedades essenciais das rochas-reservatório Porosidade Φ: é a proporção de vazios em relação à rocha total. ROCHA – RESERVATÓRIO É a rocha capaz de conter e transmitir fluidos. RAO é a razão água/óleo. em geral a Permeabilidade Absoluta.

73 . A dissolução tanto de grãos como de cimento tem efeito justamente contrário. • Diagênese: A cimentação ocupa os espaços porosos. e a tornar a permeabilidade anisotrópica.orientados tendem a diminuir a porosidade. destacando os poros em azul. diminuindo porosidade e permeabilidade. • A continuidade lateral e vertical é essencial para que a rocha-reservatório alcance volumes capazes de conter quantidades economicamente significantes de petróleo. Figura 13-2: Imagem de MEV de um arenito bem selecionado. Figura 13-1: Fotomicrografia de um arenito mal selecionado. com grãos arredondados.

do clima. regular (B) e pobre (C) (Selley. Valores de porosidade para um reservatório de óleo (Hyne. O arranjo cúbico de esferas perfeitas resulta em 48% de porosidade. contra 26% do arranjo romboédrico (Selley. 2001) 1-10 md 10-100 md 100-1000 md Continuidade do reservatório A continuidade do reservatório é uma propriedade essencial para que as acumulações de hidrocarbonetos alcancem volumes expressivos (Figura 13-4). o gás 74 . 2001) 0 – 5% 5-10% 10-15% 15-20% 20-25% Cutoff: 8-10% Valores de permeabilidade para um reservatório de óleo (Hyne. Em resumo. material disponível e relevo da área fonte. 1985).Figura 13-3: A porosidade depende do empacotamento das rochas. pode-se considerar que pressão. e de variações do nível do mar. o óleo tende a predominar entre 2000 e 3000 m de profundidade. temperatura e salinidade da água crescem com a profundidade. Pobre Bom Excelente Insignificante Pobre Razoável Bom Excelente Figura 13-4: Exemplos de continuidade de reservatório em sistemas canalizados: boa (A). A continuidade é essencialmente função do sistema deposicional atuante. 1985). o gás biogênico ocorre a menos de 1000 m.

SA L INI D. 75 .T E N DÊ NCI AS DEA L T E R A ÇÕE S COM A PR OFUNDIDA DE( Qual itativo) T E M PE . GÁ S P E R M O -P O R O S I DA DE A R E NI T O SC A L C Á R E O S (-10 00) (-20 00) E D A D I D (-30 00) N U F O R P (-40 00) (-50 00) (-60 00) (+) (+) ( +) (0) (0) (?) (?) Figura 13-5: Tendências qualitativas de alterações das condições em subsuperfície com a profundidade. I II. a permoporosidade em arenitos e calcários decrescem com a profundidade. ÓL E O PR E D . .4 . PR E SSÃ O R AT UR A Á G UA (-) (-) (-) PR E D. embora a razões distintas (Figura 13-5).termoquímico cresce até perto de 4000-5000 m.

Figura 13-6: Seção geológica em um sistema petrolífero. os limites de ocorrência da rocha-reservatório e os elementos estruturais pertinentes aos caminhos de migração e acumulação de hidrocarbonetos (Magoon & Dow. mostrando as zonas imatura. 76 . 1994). das potenciais rochas-reservatório e das armadilhas mapeadas. os caminhos de migração e as armadilhas onde se situam os campos produtores (Magoon & Dow 1994). a rocha reservatório.Síntese de um sistema petrolífero A análise dos dados de subsuperfície. dos caminhos preferenciais de migração secundária. mostrando os limites de ocorrência da rocha geradora em condições favoráveis de maturação. a rocha geradora. pode ser representada em seção geológica (Figura 13-6) ou em mapa (Figura 13-7). matura e super-matura. Figura 13-7: Mapa de um sistema petrolífero. incluindo a caracterização das rochas geradoras. da zona matura.

1990). Figura 13-9: Síntese da idade das acumulações petrolíferas conhecidas (Ulmishek & Klemme. 1990) (Figura 13-9). 1991). E a maioria das acumulações conhecidas está em rochas-reservatório neocretáceas e terciárias (Ulmishek & Klemme. As geradoras mesozóicas respondem por quase 60% das acumulações conhecidas (Klemme & Ulmishek.As rochas geradoras mais prolíficas em todo o mundo são do Cretáceo Superior. Figura 13-8: Síntese das rochas geradoras em todo o mundo. 1991) (Figura 13-8). Oligo-Mioceno e Jurássico Superior (Klemme & Ulmishek. 77 . conforme a idade.