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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

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Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Campus Pato Branco Curso de Agronomia

COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA

JUDAS TADEU GRASSI MENDESi - Professor titular da UFPR - Phd em Economia Rural pela Ohio State University Autorização de uso: Prof. MIGUEL ANGELO PERONDI Disciplina de Economia e Desenvolvimento Agrícola 3º ano da Agronomia

Pato Branco - PR 2007

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O autor contou com a inestimável contribuição da professora VANIA DI ADDRIO GUIMARÃES, pela sua participação técnica e na editoração.

COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA

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SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO............................................................................................ 1.1 - Justificativa do estudo da comercialização................................................. 1.2 - Evolução do sistema de comercialização.................................................... 1.3 - Conceitos básicos........................................................................................ 1.4 - O agribusiness brasileiro............................................................................. 1.5 - A comercialização e o desenvolvimento.................................................... 1.6 - O papel da comercialização........................................................................ 1.7 - Dualismo tecnológico na comercialização................................................. 1.8 - A comercialização nos países em desenvolvimento................................... 1.9 - Características da produção e do mercado agrícola.................................... 2 - MÉTODOS DE ANÁLISE DA COMERCIALIZAÇÃO......................... 2.1 - Análise funcional........................................................................................ 2.1.1 - Funções de troca.......................................................................... 2.1.2 - Funções físicas............................................................................. 2.1.3 - Funções auxiliares....................................................................... 2.2 - Análise institucional................................................................................... 2.2.1 - O ramo de distribuição de alimentos no Brasil........................... 2.2.2 - Integração horizontal e vertical................................................... 2.3 - Análise estrutural....................................................................................... 2.3.1 - Estrutura de mercado................................................................... 2.3.2 - Conduta de mercado.................................................................... 2.3.3 - Eficiência do mercado................................................................. 2.3.4 - Processo de comercialização....................................................... 2.3.5 - Canal de comercialização............................................................ 3 - CUSTOS, MARGENS E “MARKUPS” DE COMERCIALIZAÇÃO... 3.1 - Custos de comercialização......................................................................... 3.2 - Margens de comercialização...................................................................... 3.2.1 - Margem bruta de comercialização............................................... 3.2.2 - Margem líquita de comercialização............................................. 3.3 - Markup de comercialização........................................................................ 3.4 - Fatores que afetam a margem de comercialização..................................... 3.5 - Análise gráfica das margens....................................................................... 3.6 - A “conta”(despesas) da comercialização no tempo................................... 4 - ANÁLISE DE PREÇOS AGRÍCOLAS.................................................... 4.1 - Característica básica dos preços agrícolas................................................. 4.2 - Funções dos preços agrícolas..................................................................... 4.3 - Análise temporal dos preços agrícolas....................................................... 4.3.1 - Análise de tendência.................................................................... 4.3.2 - Análise de sazonalidade dos preços............................................ 4.3.3 - Análise dos ciclos........................................................................ 4.3.4 - Análise de aleatoriedade.............................................................. 5 - ALTERNATIVAS OU ESTRATÉGIAS DE COMERCIALIZAÇÃO.. 6 – MERCADO A TERMO.............................................................................. 7 – POLÍTICAS DE MERCADO AGRÍCOLA............................................... 04 04 05 06 07 13 15 15 16 17 17 17 17 18 30 38 39 41 42 42 52 53 53 54 57 57 57 57 57 60 61 62 66 67 67 67 68 68 71 80 80 81 86 94

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PREFACIO 1a EDIÇÃO A presente apostila tem como objetivo fornecer um material didático, ainda que parcial, para consulta e estudo dos estudantes e profissionais em ciências agrárias, em especial da UFPr. O autor pretende, em futuro breve, detalhar e expandir esse material tranformando-o em um livro-texto que melhor atenda as reais necessidades dos interessados em aperfeiçoar seus conhecimentos neste importante campo. A abordagem da comercialização agrícola está subdividida, neste trabalho, em sete partes. A primeira, considerada como uma introdução, analisa aspectos como justificativa do estudo da comercialização, evolução do sistema de comercialização, conceitos básicos, importância do agribusiness, a comercialização e o desenvolvimento econômico, papel da comercialização, dualismo tecnológico na comercialização, a comercialização nos países em desenvolvimento e características da produção agrícola e do mercado agrícola. A segunda parte aborda os métodos de análise da comercialização, tais como funcional, institucional e estrutural. A terceira analisa os custos e margens de comercialização. A quarta faz uma análise de comportamento de preços. A quinta parte enfoca as alternativas ou estratégias de comercialização. A sexta se preocupa com o mercado a termo: Hedging; e a sétima analisa as políticas de mercado. Curitiba, 1996. O AUTOR

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O sistema de comercialização inclui desde a existência de uma rodovia ou ferrovia. Esta falta de resposta da produção ante uma demanda crescente pode ser devido a: falta de incentivos econômicos (relação preço-custo).1 . a instalação de um frigorífico ou de uma indústria de processamento de frutas ou a industrialização do leite. pode existir demanda efetiva e condições de disponibilidade de recursos. adquire uma extraordinária importância na produção agrícola. ou se não os submete a certos processos de transformação que aumentam sua durabilidade. Este aspecto é de extraordinária importância e muitas vezes constitui um dos principais pontos para a expansão da produção nos países subdesenvolvidos. características estruturais (desajuste na estrutura de propriedade da terra). Em todos estes casos existiam condições de demanda efetiva e oferta latente. por exemplo. além disso. para todo tipo de produção.INTRODUÇÃO 1. Nesta. estabilidade monetária. ou a instalação de uma planta agroindustrial ou de um centro de armazenamento. em geral. ao estabelecimento e funcionamento de um poder comprador. técnica e capacidade empresarial para fazer crescer a oferta com relação a essa demanda. freqüentemente muito distanciadas dos centros de consumo.JUSTIFICATIVA DO ESTUDO DA COMERCIALIZAÇÃO Entre as várias situações que levam à geração e implementação de um programa de desenvolvimento agrícola estão o desajuste entre o crescimento da demanda e o da produção e o desequilíbrio entre a produção para o mercado interno e a do externo. Mas. o crescimento da demanda pode estar concentrado em um ponto (zonas urbanas) e o crescimento da oferta em outro (zonas rurais). Isto explica o extraordinário efeito dinâmico e mutiplicativo do processo de desenvolvimento que tem. ainda que demanda e produção cresçam igualmente nos mesmos períodos. a grande perecibilidade dos produtos agropecuários faz com que não possam ser enviados dos centros de produção aos centros de consumo se não há meios de transporte adequados e rápidos. a demanda de certos produtos pode crescer menos que sua oferta e. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 4 .1 . ainda que haja uma adequada relação preços-custos e não existam obstáculos do tipo institucional para impossibilidade de comunicação. E. e sem as conexões físicas e comerciais adequadas entre elas. a oferta não crescerá. para certas regiões agrícolas. mas faltava o meio adequado de comunicação entre elas. escassez de recursos. Este fato que vale. E apenas este meio se instala e começa a funcionar. a construção de um rodovia ou ferrovia. a oferta se desenvolve quase que automaticamente. e sistema de comercialização ineficientes. nesta situação. Com efeito. geograficamente.

mesmo os mais elementares tipos de mercado eram inexistentes. e) Empresariado voltado para o setor de consumo. de recursos econômicos suficientes. dando assim. 1. onde segmentos ainda muito primitivos. o advento de unidades econômicas integradas e o uso intensivo de capital COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 5 . f) Empresariado voltado para o "marketing". se mantém ao lado de setores ultramodernos. c) Produção de excedente para o mercado externo (era mercantilista). industrialização ou razões de armazenamento que pode constituir um obstáculo ao maior desenvolvimento da produção agropecuária. Conforme COELHO. pode atuar no mesmo sentido. ainda que todas as demais condições favoráveis sejam dadas. Falta. pode atuar um poder comprador do tipo monopsônico para o mercado interno ou a exportação que pretenda deprimir os preços que obtêm os produtos em seu próprio benefício. A característica dos três primeiros estágios é que os recursos produtivos e a demanda eram variáveis puramente exógenas. ainda que existam os meios físicos.Neste assunto vale a pena mencionar que não é só a falta de meios físicos de comunicação. Da mesma forma. a natureza exógena da produção e da demanda juntamente com a doutrina de uma economia auto-regulada veio a perder substância no último estágio de evolução do sistema de comercialização. por exemplo. b) Produção de excedente para o mercado local (era medieval). Neste estágio. Historicamente. insegurança aos produtores. d) Melhoria na produção da utilidade de forma (revolução industrial). O funcionamento ineficiente do sistema de comercialização.EVOLUÇÃO DO SISTEMA DA COMERCIALIZAÇÃO A análise histórica do desenvolvimento das atividades de comercialização auxilia explicar alguns conceitos e instituições contemporâneas. BREIMEYER classifica a evolução do processo de comercialização em quatro estágios: a) Auto-suficiência b) Organização agrária c) Organização Agrícola d) Organização Industrial No primeiro estágio. A auto-suficiência era obtida dentro do grupo social. próprios ou obtidos em forma de crédito. ou um poder comprador que não consiga regular os preços de modo a evitar as excessivas flutuações destes. a comercialização apresentou seis estágios: a) Auto-suficiência (econômica dentro do grupo).2 . pode inibir o crescimento da produção. onde o mercado não funcionava como coordenador das atividades de produção. principalmente no caso específico do Brasil. do poder comprador.

A primeira é o uso intensivo de capital e tecnologia visando a transformação dos recursos disponíveis e faze-los capazes de usos altamente variados.3 .CONCEITOS BÁSICOS Comercialização Segundo BRANDT "entende-se por comercialização o desempenho de todas as atividades necessárias ao atendimento das necessidades e desejos dos mercados. A utilização de meios para influenciar o comportamento do mercado gradativamente transformou a comercialização de um papel meramente passivo. mas todas as demais operações físicas e envolve as ações desde a aquisição dos insumos para a produção. a comercialização começa antes da produção. planejando a disponibilidade da produção. em uma força operacional e dinâmica com muito mais instrumentos e áreas de ação. a fim de induzi-los a desejar o que seja mais factível de ser produzido. Uma outra característica deste estágio é a tendência das empresas tornaremse de maior tamanho e mais integradas. constata-se que o início da comercialização começou com a geração de excedente de produção. de subordinação completa às forças de oferta e demanda.vieram reduzir. 1. as empresas passaram a ter maior poder de decisão e o sistema econômico como um todo passou a depender mais do esquema de comercialização. portanto. que por seu turno irão aumentar a demanda por alimentos. A utilização de recursos. fruto em parte da especialização e em parte da tecnologia. a tendência de se ter uma maior separação geográfica entre a produção e o consumo. não somente o papel do mercado como regulador da economia mas também a "separação" anteriormente existente entre produção e demanda. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 6 . na direção da integração horizontal e vertical. Particularmente. efetuando transferência de propriedade de produtos. Um outro aspecto da especialização é o conseqüente crescimento das áreas urbanas. tecnologia. o termo "transferência" não significa apenas transporte. Está-se passando. Daí. A segunda envolve o uso de técnicas de persuasão para criar e/ou modificar a escala de preferências dos consumidores. Para que os bens e serviços reflitam a preferência do consumidor. Dessa maneira. Em outras palavras. substancialmente. de um sistema composto por firmas independentes orientadas para o mercado para um sistema de firmas integradas orientadas também para o mercado. é o desempenho de todas as funções ou atividades envolvidas na transferência de bens e serviços do produtor ao consumidor final. traduzidos em maior poder. provendo meios para a sua distribuição física e facilitando a operação de todo o processo de mercado". planejamento e o papel crescente do setor público são as características básicas da organização industrial. o que implica no aumento da importância e o desenvolvimento da comercialização. ou seja. Em conclusão. Neste último estágio duas atividades tem sido largamente desenvolvidas.

A partir da matriz de insumo-produto de cada setor que é levantada pelo censo econômico. entre outras. Dessa forma. Estão.4 . os efeitos que as mudanças de um elemento podem trazer ao sistema com um todo. das operações de produção nas unidades agrícolas. na qual compradores e vendedores tem as facilidades para negociar um com o outro e onde as forças de oferta e demanda atuam de modo a determinar os preços. onde o todo é maior do que a soma de suas partes. marcando definitivamente a forma moderna de pensar a agricultura. de transporte. bolsas de mercadorias. os produtores rurais. desconsiderando o que há de mais importante num sistema: o mecanismo de interação entre os vários elementos que o compõem e.O AGRIBUSINESS BRASILEIRO Por agribusiness deve-se entender a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas. Todas essas operações são elos de cadeias que se tornaram cada vez mais complexas à medida que a agricultura se modernizou e a realização de seu produto no mercado passou a depender mais e mais de serviços que estão fora da fazenda. produtos com grandes volumes ou perecíveis apresentam um mercado com área mais restrita. os processadores. como segmentos independentes de um todo. as entidades comerciais. transporte e características do produto. mas um instrumental de grande importância para o planejamento estratégico de suas empresas. Davis) num congresso sobre distribuição de alimentos. de cada alteração da demanda. Participam também desse complexo. consequentemente. marketing. Para os empresários. financeiras e de serviços. o conceito engloba os fornecedores de bens e serviços para a agricultura. que se desenvolveu o conceito de Agribusiness. tais como o governo. que se concentra nos elementos do sistema. é possível. os transformadores e distribuidores e todos os envolvidos na geração e fluxo dos produtos de origem agrícola até o consumidor final. classificação. Essa forma moderna de pensar a agricultura é a visão sistêmica. por exemplo. o estudo do agribusiness não é um mero exercício acadêmico. mais do que isso. do armazenamento. 1. termo cunhado por dois economistas norte-americanos (Ray Goldberg e John H. O tamanho desta área é limitado pelo sistema de comunicação. os agentes que afetam e coordenam o fluxo dos produtos. inferir o efeito multiplicador na cadeia. neste conjunto todos os serviços financeiros.Mercado Refere-se a uma área. seguros. do processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles. Essa visão contrapõe à tradicional. Por exemplo. É dentro desta visão ampla do que se chama de setor de comercialização. os mercados. Agribusiness seria a soma do setor de comercialização (insumos e produtos) e da própria agricultura (produção). para um determinado cenário sobre o COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 7 . É possível. desde os insumos para a agricultura até o produto para consumo final.

que regulamentam a interação e a integração dos diferentes segmentos do sistema. segundo a análise de insumo-produto.Armazenamento. por exemplo. os agentes financeiros. Na primeira. sindicatos. contratos comerciais.Acondicionamento. ou quanto se utilizará a mais de insumos nessas lavouras. entidades de fomento e assitência técnica e outras. pois o primeiro faz parte do segundo. Na segunda. através do sistema. O agribusiness envolve os agentes que produzem. situam-se os mecanismos coordenadores. Informações como esta ou sobre as tendências de consumo são um importante sinalizador para investimentos das empresas. a saber: . As funções do agribusiness podem ser descritas em sete níveis.Suprimentos à produção. pode-se ter uma melhor visão do agribusiness de acordo com o quadro abaixo: COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 8 .Produção. Nele atuam os fornecedores de insumos e fatores de produção. projetar. estimar. . as fibras e os produtos energéticos provenientes da biomassa. . processam e distribuem produtos alimentares. distribuidores.comportamento da renda nacional. como se comportaria o consumo de frangos a um estímulo de renda e. transformação e acondicionamento.Consumo. num sistema de funções interdependentes. . estão as operacionais.Transformação. para sua utilização intermediária ou final. mercados futuros. a partir daí. As instituições e organizações do agribusiness podem ser enquadradas em três categorias majoritárias. em consequência. . os produtores. de milho e soja. Por último. e que processa o produto agrícola. . Aqui aparecem as empresas de suprimentos de insumos e fatores de produção. os processadores e os distribuidores. No agribusiness. Em síntese. a agroindústria é a unidade produtora integrante dos segmentos localizados nos níveis de suprimento à produção. como o governo. processadores. que manipulam e impulsionam o produto fisicamente. os centros de pesquisa e experimentação. figuram as que geram e transmitem energia no estágio inicial do sistema. . O termo agroindústria não deve ser confundido com agribusiness. quanto será necessário aumentar a oferta de rações e. tais como os produtores. em primeira ou segunda transformação.Distribuição e. associações e outros.

a importância do agribusiness cresceu. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 9 . o agribusiness merece destaque pela sua importância na geração de empregos. o agribusiness representa cerca de 22 % do PIB. em termos relativos e absolutos. a agropecuária emprega mais de 21 milhões de pessoas.1 . em termos relativos (pois de quase 23 % do PIB do país em 1950. a agricultura em si tivesse a sua participação reduzida à metade. compreendendo o segmento de alimentos.1). atualmente é de cerca de 11 %). que no conceito mais abrangente de pessoal ocupado. ou seja. é o maior negócio do país. Os negócios do agribusiness brasileiro (de US$ 140 bilhões) absorvem 45. e é o maior empregador de mão-de-obra naquele país. Com isso. Nos Estados Unidos. crescia em importância a rede de serviços que permitia fazer chegar a produção do campo à mesa do consumidor. uma vez que representa: .cerca de 40 % das receitas de exportações do Brasil. técnica Inform. No caso brasileiro. de um lado.1 % do consumo total das famílias do país. .1 % do produto interno bruto (PIB) do país (tabela 1. mercado Bolsas Mercad.temporárias Horticultura Silvicultura Extração vegetal Indúst. e . em contrapartida à perda de expressão das atividades eminentemente agrícolas na riqueza nacional.QUADRO 1. as grandes transformações porque passou a economia e a sociedade brasileira. fibras e energia renovável (álcool de cana-de-açúcar). um quarto da população economicamente ativa do país.quase 40 % do total de emprego gerado no país. fizeram com que.rurais Alimentos Têxteis Vestuário Calçado Madeira Bebidas Álcool Papel/papelão Fumo Óleos essenciais Restaurantes Hotéis Bares Padarias Feiras Supermercado s Comércio Exportação DISTRIBUIÇÃO E CONSUMO Veterinário Agronômo P&D Bancário Marketing Vendas SERVIÇOS DE APOIO FONTE: ABAG .veterinários Combustíveis Tratores Colheitadeiras Implementos Máquinas Motores Prod.quase um terço do seu produto interno bruto (PIB).animal Lav. em geral de precária capacitação.A COMPLEXIDADE DO A G R I B U S I N E S S FORNECEDORES DE INSUMOS E BENS DE PRODUÇÃO PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA PROCESSAMENTO E TRASNFORMAÇÃO Sementes Calcário Fertilizantes Rações Defensiv. enquanto. Ao longo das últimas quatro décadas. o que representa cerca de 31.permanentes Lav. numa demonstração de que o setor rural do Brasil é ainda extremamente intensivo no uso da mão-de-obra.a utilização de mais da metade da frota nacional de caminhões.Associação Brasileira de Agribusiness. uma vez que emprega em torno de 14 milhões de pessoas. Estima-se que o valor agregado do agribusiness brasileiro esteja ao redor de US$ 140 bilhões por ano. Seguros Importância Econômica do Agribusiness Brasileiro O agribusiness brasileiro. Transporte Armazenagem Portuários Assist. . contudo. do outro lado.agricolas Prods. o que significa mais de um trilhão de dólares anualmente. Cabe registrar.

sementes melhoradas. Na questão da renda per capita. suas cidades crescerem tão rapidamente como o Brasil.O valor dos insumos e dos bens de produção para a agricultura alcança US$ 11 bilhões.Entre as principais transformações da economia e da sociedade brasileira estão o rápido processo de urbanização e o crescimento (apesar da famosa "década perdida") da renda per capita nacional. e 80 % nos demais estados. Em 1980. Basta dizer que. enquanto atualmente está próxima a três mil dólares per capita. processamento e distribuição de produtos agrícolas ou deles derivados). vacinas e medicamentos veterinários). entre os principais) é estimado em US$ 102. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 10 . .3 bilhões gerado pela produção vegetal e US$ 13. como principalmente depois da porteira da fazenda (armazenamento. foram fundamentais para que o agribusiness brasileiro assumisse a importância que tem agora. três em cada quatro brasileiros vivem em cidades.O valor da produção já processada (alimentos. Com base nos dados dos Censos Agrícolas e Industriais. Em 1940. Atualmente. não se pode negar seu crescimento elevado. cujo valor adicionado é de US$ 37. máquinas. o que significa uma participação de 48. . bebidas. tanto antes da porteira da fazenda (pesquisa e experimentação.5 bilhões (a decomposição é mostrada no capítulo II). Poucos países no mundo viram. sendo que em 1980 era de US$ 8. este setor adiciona US$ 24 bilhões). Atualmente. papel e papelão. Esses dois fatores (urbanização e renda). transporte. . das quais nove ultrapassam o milhão. calçados.4 % do valor global da agribusiness brasileiro. fibras têxteis naturais.8 bilhões. madeira. as nove maiores regiões metropolitanas brasileiras concentram quase metade de toda a população nacional. defensivos agrícolas. apesar do grande problema da concentração da mesma (ou seja. fumo. devido às mudanças radicais na cadeia de alimentos e fibras. em conjunto. nos últimos anos. sendo que apenas duas superavam um milhão. enquanto há quatro décadas era exatamente o oposto. esse total elevava-se a 234 cidades. existiam no país apenas 23 cidades com população superior a 50 mil habitantes. pode-se decompor estimativamente os valores dos grandes elos da cadeia do agribusiness brasileiro. tratores. em 1961. da seguinte maneira: . combustíveis.2 bilhões. principalmente nas décadas de 60 e 70. Até o final do século. da péssima distribuição pessoal e regional). mais de 90 % dos habitantes dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo estarão vivendo em cidades. assim distribuido: US$ 21. a renda per capita brasileira era levemente superior a duzentos dólares por habitante.O valor da produção da agropecuária está ao redor de US$ 35 bilhões (ou seja.O valor da produção do sub-setor de distribuição é de US$ 140 bilhões.8 bilhões (ou seja.7 bilhões pela produção animal. o valor adicionado pela área de processamento é de US$ 67. corretivos e fertilizantes. vestuário.

a participação relativa do agribusiness no comércio exterior brasileiro passou a ser menor. O Agribusines Brasileiro no Comércio Internacional Quanto às exportações.1 11.2 3.0 46.5 11.4 Distribuição 74.0 TOTAL 52. PARTICIPAÇÃO SETORES VALOR (em bilhões de dólares) (%) NO VALOR DA PRODUÇÃO ADICIONADO ADICIONADO 1980 1993 1980 1993 1980 1993 Insumos 8.8 22.9 100 FONTE: FIBGE.1 100 102.2 15.0 11.TABELA 1.5 Consumo rural 2. Em 1989.8 bilhões).8 24. sua participação foi de US$ 13 bilhões para a receita cambial do Brasil.7 140. uma vez que o faturamento da indústria agroalimentar é avaliado em US$ 45 bilhões para o ano de 1993.0 27.5 11.8 67.8 13.0 Madeira/papel e papelão 8.7 10. Estima-se que o valor do processamento agroindustrial tem a seguinte composição: TABELA 1.7 6. Com a diversificação da pauta de exportações e com a queda no preço das commodities agrícolas na primeira metada da década de 80.7 140.8 17.COMPOSIÇÃO DO VALOR DO PROCESSAMENTO INDUSTRIAL NO BRASIL.7 5.3 35.3 26.7 3. 1980 1993 GRUPOS US$ bilhões % US$ bilhões Alimentos 24.5 Têxteis 6.0 Vestuário e calçados 5.7 5.5 48.9 1.6 TOTAL 74.ESTIMATIVA DO VALOR DO AGRIBUSINESS BRASILEIRO.9 2.2 30.8 Álcool 1. contra US$ 24.4 1. com uma parcela que variou em torno de 70 % no período de 1940-70.8 11. contudo.1 102. o agribusiness brasileiro contribui com cerca de 40 % das vendas do país no exterior.0 22.4 3.5 Fumo 0.0 bilhões em 1980.2 .1 .8 Agropecuária 29.5 6. Convém destacar que do valor global do processamento agroindustrial (estimado em US$ 102.4 7. o grupo alimentos tem a maior importância.3 5. Estimativa do autor para 1993.8 3. 1980 E 1993. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 11 .6 37.3 3. aumentou.0 100 100 FONTE: AGROCERES para o ano 1980. 1980 E 1993.2 Processamento 52.1 11. FGV E AGROCERES para 1980 e Estimativa do autor para 1993.1 45.5 12.5 12.0 1. o que corresponde a quase 15 bilhões de dólares em 1993.2 2.7 13. Em valor absoluto.8 30.0 Bebidas 1. essências 1. Historicamente.5 Óleos.8 AGRO% 43.0 8.0 20. os produtos agropecuários "in natura" e os processados responderam por substancial parcela das exportações do país.

Considerando-se apenas os principais produtos exportados do agribusiness brasileiro, em 1993, tem-se que os calçados e o farelo de soja foram os dois principais com US$ 1.945 milhões e US$ 1.815 milhões, respectivamente, que juntos contribuiram com quase 10 % do valor global das exportações brasileiras. Os nove principais produtos, em conjunto, totalizaram US$ 8,6 bilhões em 1993, ou seja, foram responsáveis por mais de um quinto da receita cambial brasileira. Com relação às vendas externas apenas dos produtos alimentares industrializados, na média dos anos 80, o valor foi de cerca de US$ 5,6 bilhões anuais. Nos dois últimos anos (1992-93), a exportação total de alimentos industrializados gerou um valor médio em torno de US$ 6 bilhões/ano. O aumento das exportações para o Mercosul, ou seja, para a Argentina, influiu fortemente para esse bom desempenho. TABELA 1.3 - VALOR EXPORTADO COM OS NOVE PRINCIPAIS PRODUTOS DO AGRIBUSINESS BRASILEIRO, EM 1993. PRODUTOS Calçados Farelo de soja Café cru, em grão Soja em grão Suco de laranja Fumo em folhas Carne de frango Couros e peles Açúcar cristal Sub-total dos 9 TOTAL DO AGRIBUSINESS US$ milhões (1993) 1.945,1 1.815,0 1.064,9 945,5 826,2 697,0 568,5 403,0 346,8 8.612,0 15.000,0 Participação em % (*) 5,0 4,7 2,7 2,4 2,1 1,8 1,5 1,0 0,9 22,2 100 Variação sobre 1992 32,0 13,7 9,7 16,9 - 21,5 - 13,2 28,5 3,4 114,6 10,0

FONTE: MICT/DECEX (*) Em relação ao valor das exportações totais do Brasil.

O agribusiness é indiscutivelmente o setor-líder na inserção do Brasil no comércio internacional. Entre todos os setores da economia nacional, a agropecuária é o mais aberto e competitivo no cenário internacional. A parcela de mercado detida pelo Brasil no mercado mundial de alimentos e fibras permanece artificialmente baixa e só não é maior por dois conjuntos de restrições, um de ordem externa (os elevados subsídios concedidos pelos países desenvolvidos aos seus agricultores, ou seja, o protecionismo mundial), e outro de ordem interna (baixa produtividade e infra-estrutura inadequada). Muito embora, o potencial de comércio do agribusiness brasileiro seja muito grande e já poderia ser muito maior do que é atualmente, mesmo assim, o Brasil ocupa posição de destaque entre os demais países que produzem e exportam mercadorias elaboradas pelo agribusiness, conforme pode ser visto quadro a seguir:

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QUADRO 1.2 - POSIÇÃO DO BRASIL NO RANKING MUNDIAL NA PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS DO AGRIBUSINESS, 1988.
POSIÇÃO NO RANKING 1º PRODUÇÃO Café Suco de laranja Cana-de-açúcar Acúcar e álcool Mandioca Banana Soja (grão/óleo/farelo) Cacau Castanha de caju Pimenta Carne bovina Carne de frango Milho Mamona Couro Fumo Carne suína Juta Algodão Ovos Mel Cigarros Têxteis Óleo de amendoim Arroz Leite Amendoim Papel EXPORTAÇÃO Café Suco de laranja Óleo e farelo de soja Pimenta Soja em grão Tabaco Cacau Carne de frango Óleo de amendoim Açúcar Carne bovina Algodão

3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º

Papel

FONTE: ABAG, in Segurança Alimentar, 1993.

1.5 - A COMERCIALIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO Em geral, são objetivos do desenvolvimento: • • • Aumento na taxa de crescimento do produto interno per capita. Pleno emprego da força de trabalho ou pelo menos uma taxa de desemprego aceitável. Maior igualdade na distribuição da renda.

O processo de desenvolvimento implica na transformação das economias rurais baseadas na indústria. Conforme COELHO, “o desenvolvimento do sistema de comercialização de produtos agrícolas está estreitamente relacionado com o desenvolvimento global da economia. Na medida em que o processo de desenvolvimento se amplia, a crescente concentração populacional em áreas urbanas, aliada aos aumentos reais na renda "per capita" geram dois fatores fundamentais. O primeiro, naturalmente, diz respeito à dependência cada vez mais
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acentuada da sociedade como um todo no esquema da comercialização. O segundo refere-se a mudança na composição e organização das atividades comerciais agrícolas, usualmente traduzidas na forma de um maior grau de especialização e eficiência". Portanto, há evidências de que com o desenvolvimento econômico aumenta: • • • • a especialização da mão-de-obra; a adoção de novas tecnologias; a separação geográfica entre produção e consumo; a renda “per capita”.

Isto, em conseqüência, provoca uma maior demanda dos serviços da comercialização, tornando-os mais complexos. A comercialização pode desempenhar papel ativo no desenvolvimento através de: • preços baixos de alimentos • possibilidades de baixos salários nominais no setor não agrícola (mas altos salários reais). • promoção da expansão da demanda de produtos agrícolas (Exemplo: soja). • estimulo à criação de empregos. • Promoção da produção e a distribuição de alimentos que melhor reflitam a preferência do consumidor. • Incremento do nível de renda agrícola. Para ROSTOW para haver desenvolvimento econômico são necessárias duas condições básicas: • crescimento equilíbrio entre os setores urbano e rural • Integração do mercado nacional, cujo papel é o aumento da produtividade agrícola e melhoria na comercialização agrícola através de maior eficiência e inovação tecnológica. Por outro lado, ABBOTT enfatiza três condições importantes para assegurar uma demanda de mercado que ofereça os incentivos necessários à produção: • Preços razoavelmente estáveis para os produtos agrícolas, a um nível compensador. • Facilidades adequadas no mercado. • Sistema satisfatório de posse da terra.

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através de processamento. através da troca. através do armazenamento.Utilização mais intensiva de insumos modernos .7 . permitindo em conseqüência mais eficiência e menor margem de comercialização. PRODUÇÃO DA UTILIDADE: • de posse.Maior organização dos produtores.PAPEL DA COMERCIALIZAÇÃO A comercialização deve facilitar a responder os problemas econômicos "o que" e "quanto" produzir. beneficiamento e embalagem. Conquanto existiam muitos objetivos sociais e econômicos para os quais o sistema de comercialização possa contribuir. • de forma. um produto mais voltado para o mercado externo. através do transporte. transmitir aos produtores sobre uma demanda existente. em conjunto. de qualidades eficientes e econômicas. • prover de um mecanismo eficiente a determinação de preços.Demanda relativamente mais elástica a preços Estes fatores.6 . as vendas da soja ocorram em grandes lotes. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 15 . Em outras palavras. A soja. dispor da produção no momento certo. 1. . A soja e o feijão são bons exemplos. colocar as mercadorias no local adequado para os consumidores. as metas fundamentais e diretas do sistema parecem ser duas: • adotar os serviços de transferência de mercadorias do produtor ao consumidor. "quando". ou seja. isto significa: ORIENTAR A PRODUÇÃO.Maior volume de produção por propriedade . com menor número de intermediários que se utilizam de economias de escala.Maior facilidade acesso ao crédito . através da promoção. visando aumentar a demanda (exemplo: soja na alimentação humana). Esta diferenciação. a nível de produção.DUALISMO TECNOLÓGICO NA COMERCIALIZAÇÃO Alguns produtos no Brasil. quando comparados com o processo de outras culturas. ORIENTAR O CONSUMO. e sob que "forma".Maior grau de mecanização . na produção se segmenta a nível de comercialização. relativamente ao feijão. a nível de comercialização. apresentam uma acentuada diferenciação em termos tecnológicos.1. • de lugar. os produtos podem sofrer alterações visando atender às necessidades humanas. possibilitam que. apresenta as seguintes características: . "como" e "onde" distribuir os produtos. • de tempo.

pela redução do custo de comercialização. Dessa forma. fazendo com que as disparidades de preços regional e temporal sejam resultados de elementos monopolísticos e especulativos. constitui a base essencial da industrialização e diversificação de uma economia. tendo em vista que elas estão relacionadas com a estrutura do mercado. especulação. estoques e estimativa do volume da nova colheita. (cultura produzida por pequenos produtores com baixa tecnologia. • Aumentar o valor econômico do produto devido ao melhor desempenho na criação de utilidades. normalmente o número de intermediários é muito grande para permitir o monopsônio. • Expandir a área de mercado (exemplo: a utilização de caminhões frigoríficos). não são competitivos. o sistema comercialização. 1. • Os problemas de transporte fazem com que os produtos perecíveis sejam produzidos próximos ao centro consumidor.A COMERCIALIZAÇÃO NOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO Há uma crença nos países em desenvolvimento de que os seus sistemas de comercialização são explorativos. b) intervenção governamental na movimentação do produto (exemplo: ICMS). Para ROSTOW. economicamente ineficientes e operam com elevadas margens de lucro. nos países de baixa renda resultam da falta de conhecimento e condições inadequadas de transporte e armazenagem. são devidos aos seguintes fatores: baixos volumes de operação (não utilização das vantagens de economia de escala). • Aumentar a produção. nestes países. e habilidade para julgar a tendência de mercado. • As perdas de estocagem. o que possibilitaria melhor preço para o produtor. levantam-se hipóteses tais como: • As imperfeições na comercialização. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 16 . um setor rural moderno. mais ineficientes e com maior margem de comercialização. são grandes.Já o feijão. melhorias nas condições da comercialização contribuem para: • Um melhor uso da produção. Às vezes. adicionado de um sistema de comercialização eficiente. nos climas tropicais. e então as diferenças acentuadas de preços são devidas: a) falta de transporte adequado. e com elevada parcela da produção destinada ao autoconsumo) é comercializado em pequenos lotes por um grande número de intermediários. Contudo. em países de baixa renda.8 . Estas características devem ser levadas em consideração. Em vista disso. Os lucros exagerados.

desempenhada durante as diversas fases da comercialização. 2. Dificuldade de prever o volume de produção por causa dos fatores incontroláveis (clima. Isto significa que o crescimento da demanda de produtos agrícolas depende mais do crescimento da população do que do aumento da renda da mesma. 2 .FUNÇÕES DE TROCA . o aumento no consumo de alimentos seria em torno de 3. A elasticidade-renda para produtos agrícolas é relativamente mais alta. 2.9 . pragas.Compra .02. c) Entender a diferença nos custos de comercialização entre os produtos. análise institucional e análise estrutural.1 .1 . No caso de ocorrer um aumento na renda.1. As funções de comercialização são atividades que. Em países de renda mais baixa. a análise funcional é o estudo das diversas funções ou serviços que são executadas durante o processo de comercialização. Produção sazonal. criando a utilidade de posse. os produtos agrícolas possuem características próprias que os diferenciam dos produtos industriais.ANÁLISE FUNCIONAL Uma alternativa de classificar as atividades que ocorrem no processo de comercialização é dividir esses processos em FUNÇÕES.30 e 0. Mesmo assim. conjugado com um aumento da população. Dificuldade de controlar a produção devido ao grande número de produtores. Portanto.Formação de preços Estas funções envolvem a transferência de propriedade dos bens. ocorrerá um aumento nos preços ou o racionamento de produtos agrícolas.1. Uma função de comercialização é definida como uma atividade especializada. Tais características são: 1. Com relação a esta característica afirma FELDENS "nos países de renda mais alta a elasticidade-renda é relativamente baixa. Inelasticidade-renda dos produtos agrícolas.0 a 5 porcento.01 e 0. Produtos volumosos e perecíveis (maior custo de estocagem e transporte).Venda . COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 17 . armazenamento e processamento. 4. devem ser simplificadas mas jamais eliminadas. resultando em maiores variações nos preços do produto. 3. 6. doenças). havendo um aumento na renda da população em 10 porcento. variando entre 0. entre 0.CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO E DO MERCADO AGRÍCOLA Tanto a nível de produção como de mercado.50.MÉTODOS DE ANÁLISE DA COMERCIALIZAÇÃO Nesta seção são abordadas três alternativas de análise do sistema de comercialização ou seja. como tem que ser realizadas. 5. A análise das funções é útil para: a) avaliar os custos de comercialização dos intermediários b) comparar os custos dentro de uma mesma categoria de intermediários. cujos reflexos são negativos sobre o transporte. a situação é um pouco diferente. análise funcional. sem um aumento substancial na oferta interna de produtos agrícolas. Inelasticidade-preço da demanda. 2.

e "sob que forma" ("in natura". produtos agrícolas (5 bi).3 105. estima-se que aproximadamente 70 % do transporte de cargas é realizado por caminhões. 2.824 100.6 FERROVIÁRIO 63.0 AÉREO 1. Quanto às ferrovias. ferroviário. dos 36 mil quilômetros existentes no Brasil.2.FUNÇÕES FÍSICAS .8 19. MODALIDADE 1978 1988 VOLUME % VOLUME % RODOVIÁRIO 275. fluvial. No Brasil.0 DUTOVIÁRIO (b) 11. os EUA tem 309 mil quilômetros de ferrovias.5 % (136 mil km) estão pavimentadas (nos EUA é de 6.095 2. Japão. calcário (2.4 TOTAL 391. cimento (3 bi).Processamento. Na URSS.1 76.480 57.989 16. Estas funções tentam resolver os problemas de "quando" e "onde" comercializar.Transporte .920 0. A função de transporte é a de possibilitar que as mercadorias estejam disponíveis no lugar desejado pelos consumidores.2 . EUA e em outros países desenvolvidos.1. 1978 E 1988.600 22.1.000 100. OBS: 1 TKU = 1 tonelada transportada em 1 km. É importante ressaltar que tendo em vista a crescente separação geográfica entre produção e consumo. industrializado).800 são efetivamente utilizadas.200 4.5 bi). esse percentual gira entre 20 e 30 %.ANÁLISE ECONÔMICA DO TRANSPORTE A malha rodoviária brasileira (incluindo as estradas federais.583. TABELA 2. Estima-se que a frota brasileira de caminhões esteja ao redor de 1 milhão de veículos. EM MILHÕES DE TONELADAS/QUILÔMETRO.508 10.792 0.5 1. beneficiamento e Embalagem São as atividades relacionadas com o manuseio e a movimentação das mercadorias.0 FONTE: ANUÁRIO ESTATÍSTICO DOS TRANSPORTES (a) inclui cabotagem (b) inclui gasodutos.440 70.0 HIDROVIÁRIO (a) 39. os principais produtos transportados são: minério de ferro (15 bi).Armazenamento .0 480. derivados de petróleo (5 bi).5 bi) e outros (5 bi).VOLUME DE CARGAS TRANSPORTADAS NO BRASIL. Para fins de comparação. que transportam 1.800 16.2.172 quilômetros. Sua função é a utilidade de lugar.5 trilhão de TKU. Dos 40 bilhões de TKU.3 76. carvão mineral (1.1 . embora os dados da tabela abaixo (que são questionados) mostre um percentual menor. 30 mil foram construídas antes de 1930 e somente 29. dos quais apenas 8. E RESPECTIVA PARTICIPAÇÃO POR TIPO DE TRANSPORTE. o transporte tem assumido cada vez maior importância. marítimo e aéreo) que permitem redução de custos. estaduais e municipais) está em torno de 1.2 milhões de km). Esta alternativa envolve a escolha das diferentes rotas e tipos de transporte (rodoviário. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 18 .1 . que transportam anualmente em torno de 40 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU).

o transporte rodoviário é preferido ao trem porque: a) permite "entrega na porta".1 . Estes valores. evidentemente. bastando citar a influência causada por alterações nos preços dos combustíveis. Custo ou frete Rodoviário Ferroviário Cabotagem 0 300 500 Km FIGURA 2. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 19 . permitindo o uso de embalagens mais simples. E mesmo que haja uma ampliação substancial dos transportes ferroviário e hidroviário. FERROVIÁRIA E NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. a participação percentual do transporte rodoviário no transporte total poderá cair somente até certo ponto. mais leves e mais baratas. para abastecer tanto o mercado externo como o interno. cargas pesadas e determinados grãos e cereais. e até 500 km em relação ao de cabotagem. produtos siderúrgicos. d) submete as mercadorias a menos choques e a menor manuseio.Este fenômeno é decorrência primeiramente do custo total para o usuário das diferentes modalidades de transporte. cimentos.1 mostra a relação entre o custo total e a distância em quilômetros nas modalidades rodoviária. Prevê-se para os próximos anos um crescimento substancial da tonelagem/quilômetro. ferroviária e de navegação marítima.RELAÇÃO ENTRE DISTÂNCIA (Km) E CUSTO TOTAL PARA O USUÁRIO DO TRANSPORTE NAS MODALIDADES RODOVIÁRIAS. b) tem maior rapidez na entrega. Os dados revelam que o transporte rodoviário é economicamente indicado para distâncias até 300 km em relação ao ferroviário. A Figura 2. Afora o aspecto das taxas (apresenta tarifas mais baixas que as cobradas pelas ferrovias para cargas pequenas e/ou curtas distâncias). variam de acordo com a classe de produtos e com os custos dos fatores necessários aos transportes. c) possibilita maior flexibilidade de rotas. tudo indica que a maior parte da produção agrícola continuará sendo transportada por rodovias. como a maior parte dos transportes ferroviário e hidroviário se constitui basicamente de minérios. e constituindo-se no meio de transporte indicado para as mercadorias mais susceptíveis de avarias. Além disso.

PE é o preço que vigoraria na região exportadora se toda a sua produção fosse consumida localmente.58 quilômetro. uma redução no preço na região exportadora e um aumento hipotético de custo de transporte zero. Na região importadora o preço seria menor do que sem o comércio. sendo que os custos variáveis são de US$ 0. a região importadora compraria da região exportadora a quantidade Qo. Estudo efetuado pela OCEPAR mostra que os custos totais de transporte com um caminhão pesado (carreta com 27 t de carga) são de US$ 0. respectivamente. observa-se que haverá uma diminuição no volume comercializado entre as regiões (cd < ab). o que significa um desestímulo à produção local e um aumento no consumo.20 e US$ 0. Vamos agora mostrar o aspecto econômico do comércio entre duas regiões (figura 2. Assim. decorre do custo destas unidades. Primeiro. de dificuldades na distribuição e da necessidade de boas ligações rodoviárias e ferroviárias. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 20 . exigindo planejamento e investimentos de infra-estrutura. Qualquer preço acima de PE gera um excesso de oferta (ES ). de modo que uma região tenha vantagem comparativa em relação à outra. Isto significa que quanto maior o custo de transporte. o que estimularia a produção local nesta região. Neste caso. entre outras razões.39/km (dois terços) e os custos fixos somam US$ 0. menor o estímulo ao comércio entre regiões. A falta de transportes é responsável por altos custos de comercialização e pela predominância de uma agricultura de subsistência. Considerando-se que o custo de transporte é maior que zero (segmento tt).2). o preço em ambas as regiões deveria ser igual (Po). para que haja comércio entre duas regiões há necessidade de: a) diferenciação nos custos de produção. Para um caminhão médio (trucado. o preço na região produtora seria maior do que sem o comércio. b) As diferenças de preços entre ambas as regiões pelo menos cobrirem os custos de transporte. US$ 0. com 14 t de carga) esses custos são US$ 0. que é igual ao segmento ab. Finalmente. Este fato.13 por km. cujo déficit de oferta seria complementado pela importação. constata-se acentuada deficiência de veículos refrigerados para transporte de produtos perecíveis.33. PI é o preço que vigoraria na região importadora se o seu consumo fosse atendido apenas pela produção local.19/km.Os problemas de movimentação de safras tendem a crescer ano após ano. Qualquer preço abaixo de PI gera um excedente de demanda (ED) Se o custo de transporte fosse zero.

Remuneração 7.36 10.00 6.33 FONTE: Dados Brutos OCEPAR (*) Preços de abril de 1991.3.31 0.1.96 0.04 2.04 4.35 0.02 2. mostram a relação entre o custo total de transporte rodoviário e o ferroviário. Conservação 1.2.86 2.15 5.66 0. filtr 48.3 .06 10.03 SUBTOTAL 98.CUSTOS FIXOS E VARIÁVEIS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS.19 23.21 0.39 50.68 0.2 .61 1.03 4.13 21.71 12.13 CUSTO TOTAL 146. Depreciação 15.06 0.01 0.100 1.53 0.00 5. Variáveis 1.58 81. Comb.01 0.92 24.51 14.2.6. ICMS 14. Seguros 10.02 SUBTOTAL 48. onde para distâncias pequenas (até +/.21 0.80 0.01 2. NO BRASIL.91 0.74 0.20 II.03 4.55 0.02 1.50 0.07 7. Reparos 9.60 0.09 1.03 1.54 0. Licenciamento 1.02 2.04 6.00 18.34 0.28 0.51 0. Administração 7.37 13.6.000 km/ano. (10 anos).33 0.5.02 4.63 29.75 FONTE: Cia Vale do Rio Doce COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 21 .03 5. DISTÂNCIA (quilômetros) CUSTO (US$/t) FERROVIÁRIO RODOVIÁRIO PREÇO DO FRETE (US$/t) FERROVIÁRIO RODOVIÁRIO 60 100 250 1.06 7.86 6.200 km) o custo rodoviário é menor e representa menos da metade do rodoviário.01 1.59 0. coletados pelo autor em vários estudos.02 1.19 31.59 0.1. Mão-de-Obra 7. lubrif. Pneus.08 34.29 2.70 10.82 0.78 0.50 31.05 0.56 0.TABELA 2.80 0.3. Considerou-se que os caminhões rodam em média 120. FIXOS 2. TABELA 2. câmaras 16.76 0.4.5. Os dados da tabela abaixo.02 2.03 0. 1991 ITENS DE CUSTO CAMINHÃO PESADO (27 t) Cr$/Km (*) US$/Km CAMINHÃO MÉDIO (14 t) Cr$/Km (*) US$/Km I.37 23.CUSTOS TOTAIS E PREÇOS DE FRETE NO TRANSPORTE FERROVIÁRIO E RODOVIÁRIO. Mão-de-Obra 5.350 1.4.61 0.

Assim. por exemplo. ela é.75 0.15 Antes de serem considerados os custos de transporte a atividade A aparece como a mais rentável. por ex. O valor do lucro líquido por hectare (L) para as atividade A e B. Lucro por hectare 363.0.3 Km VARIAÇÃO DO LUCRO DA ATIVIDADE EM FUNÇÃO DA DISTÂNCIA AO MERCADO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 22 .47 A e B f C g D FIGURA 2. e a partir daí. A figura abaixo ilustra as distâncias em que uma atividade é mais econômica que a outra. Atividade A B C D Lucro por ha. esta atividade passa a ter prejuízo. é dado por: La = 700 .Influência do custo de transporte na viabilidade econômica das explorações agropecuárias. Assim. pode-se fazer algumas considerações a respeito das distâncias do mercado nas quais é compensadora a exploração da referida atividade. ao igualar-se as equações para cada duas atividade (A e B. Por outro lado. Para tanto.71 d onde "d" é a distância ao mercado.3 - 192.71 0. sem considerar os custos de transporte 700 500 330 195 Custo de transporte por Km da quantidade produzida por ha 1. também.3 km.75 d .1. a atividade A resulta num lucro maior que a atividade B. a que apresenta os maiores custos de transporte. Com base no valor do lucro por unidade de uma cultura ou criação e nos custos de transporte da produção. em quilômetros. para uma distância de 400 km.). até 192. a atividade A resultará em lucro zero.33 0. os dados apresentados na tabela abaixo listam quatro diferentes linhas de exploração ou atividades. Lb = 500 . em termos de lucros e respectivos custos de transportes.

816 1.759 SILOS (1000t) 987 6.370 47.693 100.4 13.000 5.1.4 CAPACIDADE DAS UNIDADES ARMAZENADAS SEGUNDO O TIPO DE PROPRIEDADE.540 13. a função do armazenamento é produzir a utilidade de tempo.3 2.7 13. consegue-se uma acentuada redução na variabilidade dos preços dos produtos armazenados.176 23.878 857 12.000 a 50.693 ARMAZ. E INFLÁVEIS (1.2.000 TOTAL UNIDADES ARMAZENADORAS.2 104.0 ARMAZ.271 12.000 100. TABELA 2.997 3.904 9.000 a 10.0 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 23 . MISTA TOTAL TABELA 2.763 13. devemos determinar para essa distância a viabilidade e a ordem de lucratividade das atividades.423 15. SEGUNDO GRUPOS DE CAPACIDADE ÚTIL.039 19. E SILOS GRANEL (1. CONVENC.000 a 5.1 1.669 7. conforme tabela abaixo. trazendo.000 50. 1987 ARMAZ. efeitos positivos sobre a renda do produtor e estimulando a produção dos anos seguintes.Se estivermos analisando a situação de uma empresa localizada.8 17.4 15.7 2.2 36. E INFLÁVEIS (1000m3) 14. em conseqüência. ARMAZ.000 > 200.6 7.114 67.000 m3) % 1. por exemplo. enquanto o consumo é relativamente constante ao longo do ano.000 t) % 239 0.000 a 200.103 8. 1987.000 10.480 100. permitindo a disponibilidade das mercadorias no momento desejado pelos consumidores.2 .663 12.8 9.ANÁLISE ECONÔMICA DO ARMAZENAMENTO Devido ao fato de a produção agrícola ser altamente estacional.5 8.537 4. (1000t) 1.721 PROPRIEDADE GOVERNO PRIVADO COOPERATIVA ECON.3 4. a 500 km do mercado.000 1. CONVENC. BRASIL.841 7.000 a 100.861 7.543 14.333 40. ORDEM DE LUCRATIVIDADE 1º 2º 3º 4º ATIVIDADE C B D A LUCRO LÍQUIDO POR ha 165 145 120 -175 2.624 8. que permite uma melhor distribuição da produção ao nível das taxas de consumo. E GRANELIZ.5 CAPACIDADE < 1. Através do armazenamento. GRANE.0 42.475 1.314 104.

9 40.8 9.7 13. enquanto na entressafra a quantidade consumida será 0d ao preço P2. cujo preço em ambos os períodos seria PE.1 751 2. SEGUNDO AS GRANDES REGIÕES. CONVENC.TABELA 2. E SILOS GRANEL (1.842 39.0 36. na safra (primeiros seis meses da colheita) a quantidade consumida seria 0a.220 33.000 t) % 39 0.0 Com relação aos aspectos econômicos da armazenagem (figura 2.693 100. Portanto. REGIÕES NORTE NORDESTE SUDESTE SUL CENTRO-OESTE BRASIL ARMAZ. que é igual ã quantidade aS.0 4.6 104. E INFLÁVEIS (1. quanto maior for o custo do armazenamento.480 100.ECONOMIA DO ARMAZENAMENTO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 24 .0 35. 1987. S P2 PE P1 D2 b d P0 m ES 0b = aS n 0d = cS D1 0 a c S mn = (P2 .CAPACIDADE DAS UNIDADES ARMAZENADORAS.812 59. Com o custo de armazenagem mn haverá um consumo maior no período da safra (quantidade 0c) que será consumida ao preço P1.238 13.6 .760 13. Se o custo de armazenagem fosse zero.458 11. Qualquer preço acima de Po gera um excesso de oferta que será consumido na entressafra (D2).P1 ) = Custo de armazenamento FIGURA 2.0 ARMAZ.4) observa-se que se toda a oferta SS fosse consumida no período da safra (demanda D1 período da safra e demanda D2 período da entressafra) o preço seria Po.1 21.932 1.000 m3) % 1. e assim seria reservado para a entressafra (do 7º ao 12º mês após a colheita) a quantidade Ob. maior a diferença de preços entre o período de safra e de entressafra.116 25.8 12.4 .

Em termos de valor bruto da produção. as grandes (19 %). isto significa mais de 43 mil estabelecimentos. com cerca de 39 mil empresas. que juntos respondem por mais da metade: COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 25 . 7. o Censo em referência destacou a indústria de produtos alimentares como o segundo maior gênero dentre toda a indústria brasileira. Duas das principais características deste grande segmento da economia são: a primeira é a elevada participação da empresa nacional em relação às empresas estrangeiras (64 % as empresas são privadas nacionais e 36 % são estrangeiras). com destaque para três importantes gêneros. por exemplo. no tocante ao número de empresas. constata-se o grande número de micro (ou seja. constatando-se neste segmento a ausência de empresas estatais. Apesar da enorme diversificação crescente de gêneros de atividade e de elaboração de produtos. enquanto a micro são responsáveis por apenas 16 %.5 %). Em números absolutos.PROCESSAMENTO. uma vez que a maior parcela (44 %) do valor da produção da indústria alimentar é constituída por empresas de tamanho médio. Dados oficiais do último levantamento censitário.2. empregando cerca de 13. a participação das empresas por tamanho no valor da produção das indústrias de alimentos mostra uma melhor distribuição. das quais aproximadamente mais de 58 milhões se destinam ao mercado interno e 15 milhões de toneladas para exportação. Resulta deste esforço uma participação direta de 11 % no produto industrial nacional.1 % são pequenas empresas 2. da indústria automobilística). BENEFICIAMENTO.3 % são constituídas por grandes empresas (mais de 500). com até 19 empregados) e pequenas (de 20 a 99 empregados) empresas que participam da indústria de alimentos: 90. O volume de produção de toda a indústria agroalimentar é estimado em mais de setenta e três milhões de toneladas métricas. seguida pelas empresas pequenas (21 %). oito grandes grupos representam 95 % do valor da produção. inferior apenas ao complexo industrial petroquímico. o equivalente a 4 % de todo o produto interno bruto (PIB) brasileiro (praticamente o dobro .2.8 % do total dos estabelecimentos industriais no Brasil produzem alimentos.3 .2 % são médias empresas (de 100 a 499 empregados) 0. relativo a 1985. É o maior gênero da indústria de transformação em termos de números de estabelecimentos e pessoal ocupado. mostram que 20. EMBALAGEM O setor produtor de alimentos representa uma parcela expressiva da atividade industrial brasileira. Verifica-se que as grandes e médias empresas participam com 63 % do valor adicionado da indústria de alimentos e observa-se que são as empresas de porte médio e não as grandes empresas que detêm as maiores participações no valor adicionado pelas indústrias de alimentos. Apesar da expressiva concentração em micro e pequenas empresas (97.1. A segunda.3 % do total do pessoal ocupado.4 % das 39 mil empresas são micro empresas.

8 bilhões.5 8. os produtos alimentares (ou alimentícios) tem a maior importância.7). uma vez que contribuem com US$ 45 bilhões atualmente. Assim. Fazendo parte da chamada indústria agroalimentar (ou da alimentação). adicionando-se os valores da produção dos produtos alimentares com os de bebidas.2 9. a indústria) do agribusiness brasileiro (que inclui além dos alimentos. bebidas. Isto significa dizer que o valor do processamento da indústria de alimentação (produtos alimentícios + bebidas) representa exatamente metade do valor econômico na fase de processamento (industrial) do segmento agribusiness brasileiro.8 bilhões. fumo. cujo valor global é estimado em US$ 6.9 8. chega-se ao valor global da produção da indústria de alimentação. vestuário e calçados. além dos produtos alimentícios. uma vez que o valor da produção agropecuária é de US$ 35 bilhões/ano. os seguintes grupos: madeira/papel e papelão.GÊNEROS beneficiamento de café e cereais derivados de carne óleos e gorduras laticínios fabricação/refino de açúcar derivados de trigo derivados de frutas/legumes chocolate/cacau/balas Outros Importância Econômica da Indústria Agroalimentar % 17. consumo rural e óleos e essências) está avaliado em US$ 102.5 Conforme analisado no primeiro capítulo anterior.5 bilhões por ano. enquanto em 1980 era de vinte e quatro bilhões de dólares. que é de US$ 102. álcool.8 bilhões (tabela 2.7 17.2 10. sendo que o valor adicionado é de US$ 67. estão também as bebidas. Do valor global de US$ 102.6 5.9 4. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 26 . que é de US$ 51.8 bilhões. têxteis. o valor global da produção processada (ou seja.5 bilhões em 1993.5 17.

1 11.6 A indústria agroalimentar está subdividida em empreendimentos que atuam na transformação básica dos produtos da agropecuária.0 6. 1993.5 6. (a) = (b) + (c).0 15. Mercado Externo da Indústria Agroalimentar Brasileira COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 27 .4 12. Uma das principais características da expansão da indústria de alimentos tem sido a crescente diferenciação de produtos que está sendo feita.9 36.7 29. A necessidade de diversificação permanente de linha de produção confere à tecnologia de produto/processo uma importância fundamental nas estratégias de concorrência das empresas.1 6.8 50.0 102. seja para atender o mercado interno.5 45. consumo rural.0 0.2 17.5 38. no entanto. seja para exportar. principalmente através de inovações na composição e embalagens. Os produtos industrializados estão penetrando em todas as classes de renda. Com esta visão.PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA AGROALIMENTAR BRASILEIRA NO PIB E NA INDUSTRIA EM GERAL.0 25. Como algumas também atuam na transformação secundária. papel e papelão. é exemplo dessas alternativas.7 . óleos e essências. O mercado do setor de transformação primária é constituído pela exportação e por outras indústrias.0 100 87.0 11. além da indústria de transformação. têxteis. álcool.0 300. (*) Percentual do valor da produção em relação à cada ítem discriminado na tabela (**) Inclui. fumo. (***) Além da indústria de alimentação. A tendência e a elevação do nível de processamento dos produtos com a obtenção de margens de lucro maiores.TABELA 2. não é uma característica específica do setor. a obtenção de novas possibilidades de aproveitamento dos produtos agropecuários permitiu que as exportações tivessem participação mais expressiva de produtos com valor agregado mais elevado. a indústria extrativa mineral. Cálculos do autor. denomina-se a transformação primária como agroindústria. inclui: madeira.0 288. inclusive alterando a cesta básica de consumo das classes mais desfavorecidas. através da produção de frangos e suínos e seus derivados para exportação.8 51. A transformação do farelo de soja em proteína animal.4 17. De um modo geral. caracterizando uma transformação primária (produtos intermediários) e as empresas que atuam nas transformações secundárias (produtos finais). 450. vestuário e calçados. verifica-se o seu relacionamento com o consumidor final o que.0 140. A estratégia de marketing é o principal fator que permite a introdução de novos produtos. DISCRIMINAÇÃO VALOR (US$ bilhões) DA PRODUÇÃO EXPORTAÇÃO PARTICIPAÇÃO DA INDUSTRIA AGROALIMENTAR (%) (*) Produto Interno Bruto Indústria em geral(**) Indústria de transformação Agribusiness (***) Indústria do agribusiness Indústria da alimentação(a) -Produtos alimentares(b) -Bebidas(c) FONTE: IBGE.

Quanto às exportações, as vendas externas dos produtos alimentares industrializados estão ao redor de seis bilhões de dólares por ano. Entre os principais alimentos industrializados no Brasil que se destinam aos mercados externos, na média de 1992-93, estão: o suco de laranja com US$ 940 milhões (em 1990, chegou a 1,5 bilhão de dólares), seguido pela carne de frango congelado com US$ 511 milhões, carne bovina industrializada com US$ 300 milhões, e açúcar cristal com US$ 280 milhões entre outros (tabela 2.8). Considerando a exportação da indústria agroalimentar de produtos semiindustrializados tem-se o farelo de soja como tradicionalmente o principal produto com US$ 1,7 bilhão; seguido por açúcar (cristal + demerara) com US$ 452 milhões; óleo de soja com US$ 270 milhões; e pela carne bovina congelada/resfriada com US$ 250 milhões, entre outros outros. As dificuldades para um maior incremento das exportações (excluídas as "commodities", cujos preços são formados no mercado internacional) residem ainda na defasagem tecnológica que caracteriza a nossa indústria. Sondagem realizada junto aos próprios empresários do setor mostrou que este revela um índice de atualização tecnológica da ordem de 60 % (considerando 100 % como padrão para os países desenvolvidos). Dentro do setor, os índices variam entre 14 % (no ramo de preparação de leite e fabricação de laticínios) e 78 % (no ramo de açúcar), situandose os ramos de abate de animais e de conservas de carnes em 52 %. Muito embora não sejam expressivas, as importações brasileiras de produtos da indústria agroalimentar assumem importância, principalmente em dois grupos de produtos, que são os de cereais (em especial, o trigo, onde a dependência brasileira de produto estrangeiro é muito grande) e os de moagem, malte, amido e glúten.

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TABELA 2.8 - PRINCIPAIS PRODUTOS DA INDÚSTRIA AGROALIMENTAR EXPORTADOS PELO BRASIL, (Média 1992-93). PRODUTOS VALOR (US$ milhões) SEMI-INDUSTRIALIZADOS - Farelo de soja 1.700 - Óleo de soja 270 - Açúcar cristal 252 - Carne bovina congelada/resfriada 250 - Açúcar demerara 200 - Manteiga, gorduras e óleos de cacau 120 - Farelo de polpa cítrica 100 - Carne suína congelada/resfriada 60 - Pasta de cacau refinada ("Licor") 35 INDUSTRIALIZADOS - Suco de laranja concentrado e congelado - Carne de frango congelado - Carne bovina industrializada - Açúcar cristal - Café solúvel - Lagosta congelada - Extrato de carne - Produtos de confeitaria s/ cacau - Camarão congelado - Chocolate e produtos de cacau - Peixe congelado - Palmitos em conserva - Cerveja de malte - Óleo de algodão refinado - Óleo de soja refinado - Extrato/ essência de café - Refrigerantes e outras bebidas 940 511 300 280 180 65 60 55 54 40 35 32 30 27 27 20 15

FONTE: DECEX/CTIC.

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2.1.3 - FUNÇÕES AUXILIARES - Padronização e classificação - Financiamento (crédito) - Risco - Informação de mercado - Pesquisa de mercado Estas são as funções que facilitam e permitem o funcionamento das funções de troca e físicas. a) Padronização e Classificação A padronização e a classificação estabelece um sistema para medir e descrever a qualidade de um produto, permitindo a fácil identificação das mesmas. Esta função: • Simplifica a compra e a venda, pelo simples exame de uma amostra ou descrição da mercadoria; • Simplifica e permite a reunião de lotes de mercadorias semelhantes nos silos, transporte e mesmo processamento; • Possibilita a redução dos custos de comercialização; • Incentiva o aumento e melhoria da produção através da diferenciação de preço de qualidade; • Facilita o financiamento (mais fácil avaliação). A padronização consiste no estabelecimento de padrões, através da portaria do MARA, segundo os atributos qualitativos e quantitativos das mercadorias. Os atributos qualitativos são a forma, coloração, grau de maturação, sinais de danos mecânicos, de doenças, de pragas e presença de resíduos. Os atributos quantitativos são o preço e o tamanho. A classificação, realizada por classificadores, consiste na comparação de uma amostra representativa da mercadoria com os padrões estabelecidos, enquadrando-a em grupo, classe e tipo. Assim, os produtos agrícolas são classificados em grupo, classe e tipo. As variáveis que definem um "grupo" diferem entre produtos, por exemplo: - Milho em função da resistência; - Feijão em função do gênero (anão, corda) - Arroz em função da apresentação (casca, beneficiado) - Soja em função do diâmetro (graúda, etc) A "classe" é definida em função da coloração, à exceção do arroz que é pelo comprimento. O "tipo" é definido conforme a qualidade do produto.

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em que o produtor tem que manter a mercadoria. onde os preços são o resultado das forças de oferta e procura. Nos casos de escassez conjuntural. através dos agentes financeiros credenciados pelo Sistema Nacional de Crédito Rural. E seria eficiente quanto ao objetivo de proteger a renda dos produtores. fixar os preços mínimos e executar as operações de financiamento (EGF) e aquisição dos produtos amparados (AGF). com um preço único baixo. cso cubra o custo operacional de produção. Como resultado. Este enfoque pode resultar em menor ônus ao governo do que a manutenção de exagerados estoques de produtos. as situações não previstas de excedentes de oferta podem ser tratadas mediante o estímulo às exportações. que ou é exportado ou deverá ser adquirido pelo governo ou o governo adota políticas de controle de produção ao nível da demanda existente. Num sistema de livre mercado. até 1992. estimular ao aumento da produção e reduzir o risco de preço enfrentado pelos produtores.b) Financiamento (crédito) Há um período de tempo entre a colheita do produto até a venda ao intermediário. O preço mínimo somente seria efetivo. sendo fixado em torno do nível de preço de mercado. que atribui à União a responsabilidade de normatizar. as importações podem suprir a diferença entre a demanda e a oferta. Com a recente maior abertura da economia brasileira. O órgão executor. caso fosse fixado acima do preço de equilíbrio do mercado. O preço mínimo ideal. dentro de uma perspectiva de longo prazo e considerando o custo financeiro da política para os cofres do governo é aquele que evita um excesso ou uma escassez estrutural de oferta. gera-se um excedente de oferta. provocando a redução das reservas cambiais. há a necessidade de fundos para financiar a manutenção de estoques. A política de garantia de preços mínimos (PGPM) tem por objetivos proteger a renda do setor agrícola. foi a Companhia de Financiamento da Produção (CFP) e posteriormente a CONAB . Os vencimentos das dívidas de custeio geralmente coincidem com o período pós• colheita. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 31 . Para tanto. A PGPM foi criada através do Decreto Lei nº 79 de 19-12-66. • A presença de poucos intermediários permite uma política de grupo. porque: • Na época da colheita os preços dos produtos são normalmente cotados a níveis baixos.Companhia Nacional de Abastecimento. que geram aumento das reservas cambiais. que perdem qualidade e competição ao retornarem para o mercado nos anos subsequentes.

b. para cada produto e safra. ou seja. O produtor só deveria efetuar caso o preço de mercado não tenha perspectiva de subir e esteja abaixo do preço mínimo.1) Preço Mínimo e Valor de Financiamento Preço Mínimo é o valor definido pelo governo. Possibilita o produtor vender o produto na entressafra quando os preços de mercado tendem a ser maiores. cuja garantia (penhor) é o próprio produto depositado no armazém credenciado. através de decreto ou voto do Conselho Monetário Nacional (CMN). por unidade de peso.Aquisição do Governo Federal É a venda direta do produto ao governo pelo preço mínimo.Empréstimo do Governo Federal É um financiamento de comercialização. Valor de Financiamento é o valor. b. Preço com PGMP sem PGMP tempo COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 32 . EGF . evita-se oscilações bruscas de preços e regula-se o abastecimento (Gráfico). É calculado com base no custo de produção e na política governamental de estímulo ou controle de produção.3) Função dos Instrumentos: Com a aquisição e/ou financiamento da produção na época da safra e seu carregamento no tempo. Empréstimo do Governo Federal Com Opção de Venda (EGF/COV).2) Instrumentos: AGF . que beneficiário recebe na contratação do Empréstimo do Governo Federal Sem Opção de Venda (EGF/SOV). visando a recolocação no mercado na entressafra. Há duas modalidades de financiamento: com opção de venda (COV) e sem opção de venda (SOV). que atua como seguro de preço visando garantir uma renda mínima aos produtores e serve de base para aquisição (AGF) ou financiamento. b.

b. mamona. que assumem o risco da operação. comerciantes. se necessário.Bancos vinculados ao Sistema Nacional de Crédito Rural. soja. cevada. caminhoneiros. de acordo com o tipo e a quantidade entregue (até o limite da produção própria ou da dívida de custeio).6) Agentes Financeiros: AGF . sementes. normativos.030.Rua Mauá 1116 .Cooperativas de Produtores . COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 33 .4) Produtos Amparados: Preço Mínimo algodão (em caroço e pluma) mandioca (farinha e fécula) feijão. trigo.b.Alto da Glória . EGF . milho. b. • Passar por processo de limpeza e secagem. em que o produtor deverá ter cadastro. juta. b. cera da carnaúba. armazéns.7) Entraves: Na falta de sacaria. preencher a proposta de financiamento e assinar as declarações anexas à mesma. triticale. uva.Produtores . canola.200. Neste banco. e dispõe de um prazo para decidir sobre a venda da produção ou para o mercado ou para entregar para o governo. • Ser classificado pela CLASPAR (no Paraná). • O produtor recebe 100 % do preço mínimo. Valor de Financiamento alho.Banco do Brasil. etc) não participam da política. batata semente.Curitiba CEP: 80. comunicar a SUREG/PR Fone: (041) 352-1515 . b. remoção de produtos. etc.Beneficiadores / Indústrias Os intermediários (armazenadores. classificadores. sorgo e castanha de caju. malva e sisal. • Dirigir-se ao banco com o recibo de depósito e certificado de classificação. amendoim.5) Beneficiários .8) Operacionalização do EGF/COV • Levar o produto a um armazém credenciado e que firmou contrato de prestação de serviços com a CONAB.

ele poderá até lucrar se o diferencial de preços (Pt1 . o preço do produto no mercado está abaixo do preço mínimo..PM) for maior que o custo do EGF (Figura 2. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 34 . Contudo. • Dirigir-se ao banco. taxa de classificação.Se o produtor não liquida a operação até o dia do vencimento do contrato. • O produtor recebe 100 % do valor de financiamento. Neste banco. .Se o produtor efetuou o custeio com equivalência-produto. porque o preço de mercado ficou abaixo do custo do EGF.5. com o recibo de depósito. a situação mais comum é a de que. Neste caso. que assume todo o custo da operação.9) Operacionalização do EGF/SOV • Levar o produto a um armazém credenciado e que firmou o contrato de prestação de serviço com a CONAB. A diferença é lucro do produtor. porque: a) se o preço permanecer constante ou cair o agricultor já assegurou o melhor preço que é o preço mínimo. na época da colheita. Também. de acordo com o tipo indicado e a quantidade entregue (até o total da produção própria). e neste caso o EGF só beneficiará o produtor se (Pt1 . o produto vinculado ao EGF/COV vencido é transferido a CONAB. preencher a proposta de financiamento e assinar a declaração formal de que o produto se enquadra nos padrões de classificação. Vantagens e Desvantagens do EGF/COV Dependendo do nível de preço de mercado na época da colheita (to) e do comportamento deste preço nos meses seguintes (t1). b) se o preço subir. se a receita da venda paga o custo do EGF/COV (preço mínimo mais encargos financeiros. há casos em que a operação do EGF com opção de venda não traz benefícios para o produtor.5. quando a receita apurada será usada na liquidação do saldo devedor. pode-se constatar que será sempre vantajoso para o produtor a execução do EGF. Basta que o beneficiário assine uma declaração formal de que o produto se enquadra dentro dos padrões de classificação. despesas de armazenagem e sobretaxa).a). somente não pagará a TR caso a produção seja transferida à CONAB.Pto)for maior que o custo do EGF (Figura 2. o preço do produto no mercado esteja acima do preço mínimo. Se.Vende para o mercado. • A classificação pode ser dispensada. . o banco faz a transformação automática da produção equivalente entregue no armazém credenciado em EGF/COV. em que o produtor deverá ter cadastro. com o governo assumindo a eventual diferença na forma de subsídio. na época da colheita. o produto pode ser negociado em leilão nas Bolsas de Mercadorias. b.b).

5.b . • Passar por processo de limpeza e secagem. • Ser classificado pela CLASPAR (no Paraná) • Dirigir-se ao banco da localidade onde o produto foi depositado. portanto. se necessário. os encargos financeiros. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 35 .11) Contrato de Depósito (com quebra zero) Foi criado pela CONAB para eliminar as perdas em armazenagem. mediante o recebimento da sobretaxa. O armazenador se obriga. com o recibo de depósito e o certificado de classificação. b. como contribuinte substituto.10) Operacionalização do AGF: • Levar o produto a um armazém credenciado e que firmou contrato de prestação de serviços com a CONAB.P t0 > PM t1 b. • O produtor recebe 100 % do preço mínimo. a promover a pronta entrega de 100 % dos estoques recebidos. as despesas de armazenagem e sobretaxa. acrescido do valor da embalagem.a . de acordo com o tipo e a quantidade entregue (até o limite da produção própria ou aquela determinada pelo governo). O produtor assume. Preços Pt Preços Pt PM PM t1 FIGURA 2.P t0 < PM t0 FIGURA 2. que foi criada com esta finalidade. O ICMS e INSS são assumidos pela CONAB.5. o produtor deve liquidar a operação pelo custo do EGF.• Até o dia do vencimento do contrato.

condições da oferta. Entre as variáveis relevantes do lado da demanda tem-se os seguintes indicadores: população doméstica. a qual apresenta dois tipos de riscos. o risco de MERCADO. preços de produtos competitivos. chamado de risco FÍSICO. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 36 . calor). é devido à destruição ou deterioração do produto (fogo. O primeiro. O tipo "analítico" vai além da notícia porque apresenta explicações (razões) sobre a atual tendência e faz previsões desta tendência. consumo per capita. Neste caso há necessidade de conhecimentos de fatores ligados à demanda e à oferta agrícolas). O tipo "informativo" contém apenas dados sobre preços. tempestades. Existem três tipos de informações: a) a puramente informativa ou noticiosa. área disponível para plantio e adoções de pacotes tecnológicos.quando solicitado pela CONAB. mudanças nos gostos e preferências. demanda externa e programas governamentais especiais. volumes de estoques. Os riscos físicos podem ser contornados pelo uso de seguro. c) propaganda. d) Informação de Mercado A função de informação de mercado diz respeito à coleta. acidente.12) Fiscalização dos Estoques Públicos A partir de junho de 1994. depreciação da qualidade e avarias. produtividade esperada. Neste caso. a responsabilidade pela fiscalização dos estoques públicos passou a ser da CONAB. é causado por movimentos desfavoráveis nos preços do produto. como quebra técnica. sem qualquer análise ou comentários sobre a situação de mercado. c) Risco A função do risco consiste na aceitação da possibilidade de perdas do produto na "comercialização". interpretação e disseminação de dados com a finalidade de facilitar a "comercialização". redução do teor de umidade. Do lado da oferta tem-se: intenções de plantio. Anteriormente. enquanto os de mercado podem ser reduzidos através de operações de "hedging" (que será discutido no capítulo 6). O segundo. com conseqüente desvalorização dos estoques. clima. Uma característica importante da informação é a de que ela deve ser atual e confiável. preços de bens substitutos. nível de renda disponível. frio. b) análise (perspectivas) de mercado. etc. expectativa de preços. era de responsabilidade do Banco do Brasil. b. além dos dados das variáveis relevantes há necessidade de se proceder a uma análise destes dados usando-se modelos estatísticos e econômicos. Também se obriga a indenizar à CONAB as perdas de quaisquer natureza que venham a ocorrer durante o período de armazenagem. nível de emprego.

pesquisas relacionadas com mudanças nas preferências dos consumidores são importantes para determinar a política da firma. coloração. pesquisa visando ã redução de custos da "comercialização".EFEITO DESEJADO PELAS FIRMAS. entre outros. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 37 . Como se observa. previsões de venda em certa região. P D D Q FIGURA 2. O segundo tipo de programa. a qual assume duas formas.Um outro tipo de informação de mercado pode ser obtido através da propaganda. DA PROPAGANDA SOBRE A DEMANDA e) Pesquisa de Mercado No contexto puramente empresarial. mas também torná-la mais inelástica (Figura 2. a propaganda tem um cunho informativo-persuasivo. pesquisas de embalagem quanto à forma. tamanho. melhores meios de comunicação para realizar a propaganda. Assim. é o da promoção de produtos de uma firma específica com o objetivo de não só aumentar a sua demanda. A primeira é dita "genérica". Sob o aspecto mais de economia rural são importantes as pesquisas em comercialização nas áreas seguintes: a) Estudos de procura e de dispêndio b) Estudos de oferta c) Análise de custos de comercialização d) Análise de margens de comercialização e) Análise de preços agrícolas f) Estudos sobre a estrutura de mercado.6 . comportamento do consumidor. são úteis informações para o sucesso da empresa no longo prazo. comumente usado. e pode ser conduzida pelo governo ou por um grupo de firmas com o objetivo de aumentar o consumo de um produto.6). sem marca especificada.

Os intermediários comerciantes possuem o título da mercadoria e. que adquirem os bens na área de produção. d) indústria de transformação. e especuladores. que executam os serviços de comercialização de um produto. Os atacadistas vendem para varejistas e para outros atacadistas e industriais. Os intermediários de interesse direto à comercialização de gêneros alimentícios. Fazem comércio para seu próprio lucro. Eles não têm o título e. Os comissários têm geralmente grande autoridade sobre a mercadoria. na medida que as mercadorias se deslocam dos produtores até os consumidores. c) organizações auxiliares ou instrumentais. que manipulam muitos e diferentes produtos. Sua renda é representada pelas taxas e comissões sobre o volume de venda que realizam. portanto. ou "especializados" no comércio de um número limitado de mercadorias.2. mas não comercializam quantidades significativas ao último consumidor. quanto o arranjo e a organização do mecanismo de mercado. não são donos das mercadorias que vendem. retalhistas ou varejistas. relacionadas com as atividades de compra e venda. Neste método o elemento humano recebe ênfase especial. Os varejistas compram os produtos dos atacadistas para revender ao último consumidor. Podem ser atacadistas "gerais". COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 38 . tal como são designados. Os intermediários agentes. Eles constituem o grupo mais numeroso dentre as agências de comercialização. Os intermediários são indivíduos ou organismos comerciais que se especializam na execução das diversas funções de comercialização. ANÁLISE INSTITUCIONAL O método institucional considera tanto a natureza e o caráter dos diversos intermediários e agências. agem somente como representantes de seus clientes. por conseguinte. são proprietários dos produtos que manipulam. garantindo sua renda da margem entre os preços de compra e de venda dos bens que comercializam. b) intermediários agentes: corretores e comissários. Outro grupo de atacadistas localiza-se nos centros urbanos maiores. Eles constituem um grupo altamente heterogêneo. diretamente dos produtores.2. sendo responsável por sua movimentação e arranjo dos termos de venda e dedução das taxas. podem ser classificados do seguinte modo: a) intermediários comerciantes: atacadistas. o mais numeroso é composto por compradores locais ou municipais.

a saber: COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 39 . as empacotadoras. Não tomam parte direta na compra e venda dos produtos. as classificadores. 2. os bancos. as companhias de seguros. É comum assumirem também a função de atacadistas. as lojas de autoserviço. As indústrias de transformação. A grande concorrência que existe entre os supermercados é uma das características dos anos recentes.Os corretores não dispõem com regularidade do controle físico dos produtos que manipulam. Seus poderes nas negociações são menores do que a dos comissários. de fiscalização e outros. mercearias. além dos alimentos. mercados) eram responsáveis por mais de 70 % do volume de vendas dos gêneros alimentícios. Os intermediários especuladores constituem um grupo que se apropria dos produtos. e os órgãos responsáveis pelos serviços de informação e de pesquisa de mercado. mas prestam serviços informativos. nem como comerciante. no curto prazo. nem como agentes. esses agentes contribuem para a manutenção de uma adequada estrutura de preços. As organizações instrumentais auxiliam os diversos intermediários na execução de sua tarefas. Com base em estratégias mercadológicas bem planejadas. com o objetivo de obter lucro a partir das flutuações de preço. Entre o período de 1987 a 91. a proporção das lojas de auto-serviços (supermercados e hipermercados. apesar de representarem menos de 15 % do total de pontos de venda. Na competição com outros intermediários. as Associações Comerciais. tais organizações não participam dos processos de comercialização. conquistaram a preferência dos consumidores em todo o país.1 . as armazenadoras. marcados pela recessão e pela queda do poder de compra da população. seguindo de perto as ordens de seu cliente. reguladores. formando importantes instituições no processo de comercialização. as transportadoras. por oferecer facilidades de acesso a uma grande variedade de produtos. ocorreram profundas transformações nos canais de comercialização de alimentos no Brasil.2. ainda que não incluídas na lista dos intermediários de comercialização. podendo exercer uma influência de longo alcance sobre a natureza da comercialização. Algumas delas. os moinhos e outras indústrias alimentícias. tais como os frigoríficos. distribuindo suas mercadorias aos retalhistas. aconteceram quatro marcantes mudanças na área dos supermercados. agem como próprios agentes de compra nas áreas de produção. estes com área de vendas superior a 2.500 m2) já tinham passado a responder por cerca de três quartos do volume (contra 25 % dos canais tradicionais). Já no início dos anos oitenta. freqüentemente.O RAMO DE DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS NO BRASIL A partir da década de 70. não podem ficar fora das considerações do estudo. uma vez que até então os canais tradicionais (feiras. A atividade de compra e venda é feita freqüentemente ao nível do canal de mercado. Regra geral. Neste grupo estão as Bolsas de mercadorias.

9 37. Devido à redução das margens de lucro.3 27. COBAL). De acordo com censo realizado pela Nielsen Serviços de Marketing. assim distribuídas. em geral atendendo o segmento de hortifrutigranjeiros. A distribuição é um dos mais dinâmicos e competitivos sistemas existentes no país. cujo número.114 m2). a busca de maior produtividade para assegurar a capacidade de competição passou a ser a preocupação fundamental das empresas do setor. Aproximadamente 75 % do faturamento desse mercado encontra-se em poder de apenas dez grandes redes.auto-serviço de 10 ou mais check-outs Com somente 0. por número de lojas e por volume de vendas (em percentagem): Número de lojas 85. b) redução de 28 % no número de lojas dos 300 maiores supermercados (de 4.5 1. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 40 . já chega a 200.4 . como vem aumentando sua participação. as maiores empresas de supermercados não só lideram as vendas de varejo.7 % do número de lojas.auto-serviço de 5 a 9 check-outs .949 para 3. em todo o Brasil.7 Volume de vendas 16. O fenômeno decorre principalmente na expansão da rede de hipermercados. o varejo alimentar brasileiro (auto-serviço e loja tradicionais) tem atualmente 223. que vêm procurando tornar-se mais ágeis. através das centrais de abastecimentos (CEASA. O objetivo dessa atuação é a limitação de preços e uma melhor regularização da oferta desses produtos.a) queda nas vendas em cerca de 15 %. com estrutura mais enxuta.tradicionais . que era de 60 no final da década de 70. a formação de um mercado com características de oligopólio na indústria de produtos alimentares tem sido acompanhada por processo paralelo em sua comercialização.548).auto-serviço com até 4 check-outs .3 mil lojas.5 0.3 12. c) diminuição de 15 % no número de empregados (de 324 mil para 274 mil pessoas). Com relação à estrutura desse mercado. d) aumento no tamanho médio das lojas (de 833 m2 para 1. O Governo brasileiro participa da rede de comercialização.4 18.

isto pode ter como resultado um aumento nas barreiras para entrada de novas firmas por meio de modificações na estrutura (absoluta) de custos. as vantagens da integração vertical (ou contratos) são: maior controle na oferta de matéria prima na época adequada. No Brasil. buscando a matéria prima no local de produção e entregando o produto diretamente ao retalhista ou ao consumidor. se a firma integra verticalmente "para trás" comprando grandes fontes de matériasprimas. a experiência em outros países tem demonstrado que a tendência é reforçar o esquema de compras por meio de integração vertical via estabelecimento de contratos de produção de longo prazo. O desenvolvimento de "linhas" de armazéns e silos. No presente caso. uma cadeia de lojas de produtos alimentícios pertence a ambos os tipos de integração. Integração vertical ocorre para substituir o sistema de preços de mercado como mecanismo de coordenação entre produção e consumo. A "Integração Horizontal" se verifica quando uma firma absorve outras firmas que executavam atividades similares às suas. A "Integração Vertical" ocorre quando uma firma combina atividades não semelhantes às que regularmente realiza.2 . constitui um exemplo desse tipo de integração. Integração vertical geralmente é usada para corrigir certas ineficiências existentes no processo de comercialização de algum produto. Os setores onde ela é comumente observada são o setor de aves e o setor de frutas e vegetais. Neste contexto ela substitui o sistema de preços como o mecanismo coordenador interfirmas. ela envolve a ligação através de contrato ou compra dos diferentes níveis do processo de comercialização. Para a indústria. operados por uma só administração. eliminando a atuação de custos intermediários. quais sejam: integração horizontal. Existem dois tipos básicos de integração. assegurar uma determinada quantidade e qualidade do produto e reduzir os custos por meio de uso de economias de escala nos diversos estágios. Na medida em que o processo de modernização evolui. Esse tipo de organização se verifica quando um firma executa diversas atividades no processo de comercialização. controle de qualidade COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 41 . Tal integração pode ser ilustrada pelo frigorífico que decide alcançar o produtor e o consumidor. a aplicação em grande escala de integração vertical ainda é limitada a um número muito reduzido de produtos em algumas regiões.2. que geralmente ocorre na luta pelo poder de mercado. Conceitualmente ela pode ser "para frente" ou "para trás". Quanto à integração vertical diz COELHO. Adicionalmente. a integração vertical (a menos que ela envolva domínio exclusivo pela firma de alguns estágios) busca basicamente reduzir os riscos.INTEGRAÇÃO HORIZONTAL E VERTICAL Um dos mais importantes aspectos da organização de mercado é o "grau de integração". Já. se a firma integra verticalmente "para frente" pode ter como resultado também uma redução nas opções de escoamento do produto para outras empresas.2. embora na agricultura ocorra quase que exclusivamente do tipo "para trás". Ao contrário da "integração horizontal".

2.1 . segurança de mercado e adoção de melhores métodos de produção. obtenção de capital e insumos modernos. as vantagens dos contratos são: redução de risco de preço e de produção. Para os produtores. melhor uso dos equipamentos devido à oferta mais estável de matéria prima com conseqüente incentivos econômicos. conduta e eficiência de mercado. porque as empresas procuram alocar os recursos ineficientemente através da interferência direta no funcionamento do sistema de preços.da mateira prima.ingredientes de qualidade superior . por exemplo).3. apenas 4 firmas detendo 75 % da produção) tende a ter um grau de eficiência aquém do desejado.ANÁLISE ESTRUTURAL O método estrutural tem seus fundamentos no trabalho de BAIN onde a estrutura de mercado inclui as características de organização de mercado relacionadas à conduta de firmas e à eficiência industrial.ESTRUTURA DE MERCADO Engloba as características que influem no tipo de concorrência nos mercados e na formação de preços. cujo objetivo é tornar a curva de demanda mais inelástica pode ser obtida através: . As cooperativas são um tipo de integração vertical que os produtores encontram para estimular a competição e reduzir sua dependência da indústria devido a tendência da integração vertical e às mudanças na estrutura de mercado. .embalagens especiais COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 42 . Estas características são: a) Grau de concentração de vendedores e também de compradores. Os elementos-chaves são os de estrutura. para os produtores. . b) Grau de diferenciação do produto. menor número de produtores.3 .serviços especiais aos compradores (levar o produto em casa. número e tamanho deles. Entre os problemas resultantes da integração vertical. supondo-se que a direção de causa seja estrutura conduta eficiência. redução da competição. citam-se: a tendência da redução de preços oriunda do aumento no uso de equipamento com conseqüente liberação de mão-de-obra.prêmios. 2. isto é. Acredita-se que uma indústria altamente concentrada (por exemplo.

Torrefação e moagem de café.Patente de invenção. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 43 .Cereais e produtos afins.Vantagens de custos (na compra de fatores.Fábrica de balas e caramelos.Conservas e doces.Farinhas diversas sobressaindo a mandioca.Usinas integradas de álcool e açúcar. engloba as características que influenciam no tipo de concorrência e na formação de preços. . . poucas empresas dominando o mercado. exclusive amidos e óleos.c) Grau de dificuldade barreiras para entrada de novas firmas. . . . . Isto acontece tanto pelo lado do produto agrícola processado como também pelo lado dos fatores de produção vendidos à agricultura. Estes fatores podem ser: . especialmente.Refinação e preparação de óleos-gorduras vegetais. com poucas empresas de grande porte concentrando parcela extremamente elevada da receita total da indústria de alimentos. que.Suco concentrado de laranja.Economias de escala . Na agroindústria brasileira. .Produtos de milho.Café solúvel. nos seguintes ramos de atividades: . ou seja. . mais ele se aproxima da situação de oligopólio. . Concentração nos mercados de produtos processados Os dados disponíveis indicam a existência de elevado grau de concentração industrial em alguns ramos da atividade. . . . . .Leite em pó.Controle de um fator estratégico (capital ou um insumo importante).Massas alimentícias e biscoitos.Beneficiamento de café. Os ramos com maior grau de concentração industrial são: . Já as micro e pequenas empresas encontram-se. . por sua vez. Quanto mais concentrado for um mercado. Este aspecto é importante fator na determinação do grau de concentração de uma indústria e por extensão da estrutura do mercado. Grau de concentração O grau de concentração é uma importante medida da estrutura de mercado. e Iogurte. .Conservas em carne.Amido de milho.Confeitarias e pastelarias. experiência e na tecnologia. muitos casos se aproximam do "status" oligopolístico.

EMPRESA CICA ETTI FÁBRICAS PEIXE BEIRA ALTA METAL FORTY HERO FIAMMA AGAPÊ COLOMBO CICANORTE TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR ESTADO SP SP PE RJ RJ SP RJ RS RJ PE % NO MERCADO 42. NO BRASIL. óleos vegetais e sucos concentrados. massas. Há. TABELA 2.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE CONSERVAS. como se pode constatar nas tabelas seguintes. NO BRASIL.9 .0 COCAM SP 4.7 MACSOL SP 4.0 6.0 3. dois terços são comercializados por apenas quatro empresas. 1989.0 BRASÍLIA MG 11. situações de oligopólio nos sub-setores frigoríficos.0 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 44 . sendo que a maior (CICA) detém mais de quarenta por cento do mercado nacional. No sub-setor "conservas".Pelo lado dos produtos agrícolas processados.0 10 83.0 8.0 4.8 VIGOR RJ 3. que o mercado de "café solúvel" é típico de oligopólio.0 3.0 3. EMPRESA ESTADO % NO MERCADO CACIQUE PR 27.10 .3 REAL CAFÉ ES 3. por exemplo. moinhos. pode-se afirmar.0 NESTLÉ SP 24.4 CAIBB SP 0. sendo que apenas as quatro maiores respondem por 82 (oitenta e dois) por cento do café solúvel no Brasil. pois este produto é produzido e comercializado por apenas nove empresas. também.9 ALPHA RJ 0.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE CAFÉ SOLÚVEL.0 IGUAÇU PR 20.9 TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR 100.0 TABELA 2.0 11. laticínios.0 2. 1989.

5 MOCOCA SP 2.5 4.7 LACESA RS 2.1 LEITE PAULISTA SP 9.0 5.2 3.1 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 45 .1 6.12 .3 13. NO BRASIL.TABELA 2.2 LECO SP 3.5 3.9 4.13 . NO BRASIL. 1989.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE MASSAS.2 YACULT SP 2.4 TABELA 2.6 4.7 TABELA 2.9 9.5 VIGOR SP 3.7 4. 1989. DIAS BRANCO PILAR MARILAN PULLMAN ISABELA TODESCHINI SELMI SANTA AMÁLIA TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR ESTADO GO RJ CE PE SP SP RS PR SP MG % NO MERCADO 16.5 TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR 81. EMPRESA PERDIGÃO FRIGOBRÁS BORDON AURORA AVIPAL FRIGORÍFICO KAIOWA SWUIFT AMOUR CHAPECÓ AVÍCOLA FRANGO SUL CHAPECÓ TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR ESTADO SC OR SP SC RS SP SP SC RS SC % NO MERCADO 16.6 4. 1989.9 GESSY LEVER SP 16.0 LPC SP 6. EMPRESA ESTADO % NO MERCADO SADIA CONCÓRDIA SP 27.4 4. EMPRESA PETYBON PIRAQUÊ M.9 6.8 SPAM RJ 7.5 8.3 76.0 62.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE FRIGORÍFICOS.3 3.11 .7 3.1 12.3 3.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE LATICÍNIOS. NO BRASIL.

1 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 46 .4 2.6 REFINAÇÕES DE ÓLEO BRASIL SP 3. 1989.0 J.5 SAMBRA SP 14.0 4.5 TABELA 2.0 6.14 .6 COMOVE SP 3.5 2.8 3.0 2.5 TABELA 2.TABELA 2.16 .0 TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR 65. NO BRASIL.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE ÓLEOS VEGETAIS.4 BRASWEY SP 6. NO BRASIL. 1989.6 6.0 3.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE PRODUTOS DE CHOCOLATE. DUARTE SP 3.4 INCOBRASA RS 3.8 2.3 GRANOL SP 3.8 2. NO BRASIL. EMPRESA ESTADO % NO MERCADO CEVAL SC 18.4 OLVEBRA RS 5.2 3.3 SAMRIG RS 4.4 3.15 .0 17.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE MOINHOS.3 1. 1989. EMPRESA MOINHO BRASIL MOINHO DA LAPA MOINHO FLUMINENSE MOINHOS ANACONDA INDÚSTRIAS REUNIDAS SÃO JORGE FORTALEZA MOINHO RECIFE MOINHO SALVADOR MOINHO FAMA ATLÂNTICO TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR ESTADO SP SP RJ SP SP CE PE BA SP RJ % NO MERCADO 28.2 93.7 2.0 3. B.3 10.0 14.6 66. EMPRESA NESTLÉ GAROTO LACTA CHOVISA (VITÓRIA) JOANES CHANDLER REMATEL NEUGEBAUER DIZIOLI CHOCOLATES PAN TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR ESTADO SP ES SP ES BA BA SP RS SP SP % NO MERCADO 40.

sulfúrico e fosfórico).fertilizantes simples (uréia. A indústria de fertilizantes no Brasil está segmentada de acordo com os estágios do processo produtivo. O agregado do agribusiness brasileiro voltado para a produção de insumos e outros bens de produção agrícola tem uma grande importância econômica. tendo introduzido nova base tecnológica de produção.0 TAKENAKA SP 4.0 QUIMBRASIL SP 3.6 NITROFÉRTIL (*) BA 8. os quais são produzidos pelo setor industrial. sulfato de MAP e DAP. rocha fosfatada. Este segmento da indústria é pouco dinâmico no que se refere à introdução de inovações tecnológicas. nitratos de amônio. EMPRESA ESTADO % NO MERCADO ULTRAFÉTIL (*) SP 9. Nos três principais segmentos dos insumos . que possibilitou inclusive a mecanização da agricultura.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE FERTILIZANTES. gás natural.matérias-primas básicas (amônia. do seu alto grau de concentração nos estágios que requerem maior conhecimento técnico. os agricultores enfrentam o que se chama de oligopólio. enxofre. poucas e grandes empresas vendendo os principais recursos de produção. em função. . defensivos animais e rações. TABELA 2. rações e máquinas agrícolas constata-se também uma forte concentração industrial. nafta. pirita. notadamente na década de 70. conforme se pode observar nas tabelas seguintes. b) domínio dos processos tecnológicos. o qual incorpora as seguintes etapas: .3 TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR 60.produtos intermediários (ácidos: nítrico. onde as quatro maiores empresas de cada um desses subsetores são responsáveis por 65 % e 62. ou seja. provavelmente. NO BRASIL.1 TREVO RS 8.1 IPIRANGA SERRANA SP 7. em especial os ligados à indústria de sementes. notadamente no subsetor de rações e de tratores e implementos agrícolas.6 COPAS SP 4. TSP. fertilizantes.17 . . enxofre. . máquinas agrícolas. SSP. e c) capacidade financeira para realizar investimentos de capital e manter elevados estoques. respectivamente. rocha fosfática e sais potássicos).7 %. defensivos agrícolas. sulfatos de potássio e cloreto de potássio).fertilizantes.Concentração nos mercados de insumos agropecuários Pelo lado dos insumos (fatores de produção).5 (*) Faziam parte da subsidiária Petrofértil.fertilizantes mistos (formulações ou mistura de NPK).7 FOSFÉRTIL (*) MG 7. As empresas que compõem o setor fornecedor de insumos e outros bens de produção para a agropecuária são as grandes responsáveis pela modernização da agropecuária.7 ARAFERTIL MG 3.4 MANAH SP 4. mas já foram privatizadas. A participação em todas as fases do processo de produção é baixa em função dos seguintes requisitos: a) controle e acesso às matérias-primas (petróleo. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 47 . 1989.

1 RHODIA 5. já que os microorganismos que se deseja combater criam resistência aos produtos. No ramo de tratores. enquanto no de colheitadeiras as três representam 80 % do mercado.A indústria de defensivos agrícolas no Brasil é constituída quase que exclusivamente por multinacionais. nas duas últimas décadas. 1993.6 HOECHST 5.1 FONTE: ANDEF Estima-se que o faturamento global do ramo de defensivos no Brasil esteja próximo a um bilhão de dólares/ano. com produção sofisticada e escala de produção significativa. a possibilidadade de difusão do conhecimento tecnológico.18 . As empresas que se instalaram no Brasil não trouxeram seus laboratórios de P&D. especialmente grandes empresas da indústria química. No ano passado. No final da década. três produzem tratores de esteiras. a concorrência está baseada na diferenciação de produtos e no constante lançamento de novos produtos.3 BAYER 5. sendo que as dez maiores empresas (tabela 2. juntas. Na década de 70. são responsáveis por mais de 70 % desse total. apenas duas o cultivador motorizado e três fabricam colheitadeiras. A área de máquinas agrícolas é explorada por número reduzido de empresas. uma vez que a fabricação de defensivos decorre do aproveitamento de subprodutos da indústria química.0 ICI 8. portanto. margens mais apertadas e maior rigidez nas normas de controle do impacto ao meio ambiente.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS. Assim. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 48 .18). pois os produtos perdem eficiência com o uso regular. TABELA 2. Acham-se associadas ao Sinfavea e Anfavea quatorze empresas: nove delas fabricam tratores de roda. as três maiores empresas concentram cerca de 85 % das vendas. tem havido um intensificação de fusões entre empresas do setor de defensivos. Em meados de 80. Empresas multinacionais e nacionais privadas (algumas com participação estrangeira no capital) participam do mercado.6 MONSANTO 7. reduzindo.5 DU PONT 8. EMPRESA % NO MERCADO CIBA-GEIGY 11. Estas fusões são aceleradas pela necessidade de se somar esforços na área de pesquisa. Esta indústria tem como principal característica a rápida absolescência tecnológica.0 DOW ELANCO 7. a Union Carbide foi incorporada à Rhodia. o mercado voltou a ser sacudido com a compra da Shell Agrícola pela Cyanamid. uniram-se a Stanler e a ICI e depois a Dow e a Elanco. Além desse grande poder de mercado.0 BASF 4.5 TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR 71. a Ciba uniu-se à Geigy. NO BRASIL.5 CYANAMID 8.

em torno de 650 milhões de dólares (que corresponde a 20 % a mais do desempenho registrado no ano anterir.9 O faturamento global desse gênero no Brasil. As empresas têm acesso direto ou indireto à tecnologia externa. NO BRASIL. Tendo em vista que o Brasil tem um dos maiores plantéis. França (US$ 782 milhões) e China (US$ 633 milhões). em 1993.os parasiticidas 49 . apenas uma dezena responde por cerca de 80 % da oferta nacional. assim.2 bilhões) Japão (US$ 882 milhões). EMPRESA MAXION VALMET AGRALE CBT TATU YANMAR SLC JACTO MULLER BALDAN TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB-SETOR ESTADO SP SP RS SP SP SP RS SP RJ SP % NO MERCADO 37.5 82. perdendo apenas para os Estados Unidos (US$ 3.6 4. no Brasil. A busca contínua por inovações torna a atividade de pesquisa e desenvolvimento tecnológico o aspecto preponderante na capacidade de competição das empresas. que foi de US$ 515 milhões).6 14. Apesar do pequeno porte da maioria delas. todas dispõem de departamento de P&D. Uma rede de revenda bem montada e serviços de assistência técnica (existem atualmente cerca de 700 fornecedores e 1. está ao redor de dois bilhões de dólares/ano. Outro aspecto importante é a organização do sistema de comercialização das empresas.A principal forma de concorrência neste ramo é a diferenciação de produto.4 4.1 2. Do faturamento total.os farmacêuticos 9 .7 2. o mercado veterinário brasileiro teve um faturamento. onde são feitas adaptações nos projetos adquiridos. no quinto maior do mundo. a participação relativa (%) é a seguinte: .os antimicrobianos 22 . TABELA 2. 1989. dominadas por uma reduzida quantidade de firmas maiores.100 concessionárias) são aspectos indispensáveis para a competitividade e a participação no mercado.19 .2 3. No que se refere aos implementos agrícolas.os biológicos 13 . constituindo-se.9 5.os aditivos 7 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 49 . a característica é a existência de um grande número de empresas.PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS NO MERCADO DE TRATORES E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS.6 4.3 3.

No início. os quais passaram a ter fácil acesso aos suplementos. contribuem com mais da metade da produção das especializadas. a Sadia se constitui na maior empresa do ramo. como para os criadores independentes que passaram a produzir suas próprias rações. sendo que apenas metade desse total pode ser considerada participante ativa do mercado. Uma das características do setor nacional de defensivos animais é a sua estrutura atomizada. com cerca de 150 empresas. dos quais 64 são nacionais e 25 de capital estrangeiro. ou os leitões ou matrizes. Bayer (5. o que corresponde a mais de 80 % do total de rações comerciais. Merk Sharp (10).5). mediante o compromisso de entrega dos lotes prontos para o abate. notadamente a partir do início da década de 80. contudo. em conjunto. mas depois as próprias empresas de arraçoamento animal passaram a fabricá-los e inclui-los na linha de produtos. Entre as empresas integradas (em que as agroindústrias fornecem aos criadores para engorda os pintos.2). O mercado de rações sofreu profundas transformações. estes eram ofertados pela indústria químico-farmacêutica. Valée (3. que em volume produzido. da produção total do grupo de empresas especializadas. além de assistência técnica veterinária. As oito maiores empresas especializadas. Três empresas são responsáveis por cerca de 22 %. O conjunto desses 89 laboratórios detém 90 % do mercado nacional de produtos veterinários.5). comprando os suplementos. sendo que os restantes contribuem com cerca de 30 %.2).4) e Roche (3. onde as empresas especializadas e produtoras de rações comerciais foram paulatinamente cedendo espaço. além das cooperativas. O crescimento dos integradores e dos criadores independentes foi favorecido pela facilidade de acesso ao núcleo e premix (vitaminas e sais minerais) no mercado de suplementos. Fatec (4. a ração. detendo cada uma delas uma parcela significativa do mercado. e com quase 15 % da produção de rações no Brasil. um mercado onde um pequeno número de grandes empresas concorrem entre si. uma vez que as demais possuem apenas ação regional. com suas respectivas participações no mercado (%). Pfizer (7. no caso da avicultura de corte. Cabe ressaltar. Assim. devido à entrada das empresas integradas e dos criadores independentes. Estão filiados ao Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Animais (SINDAN). produzem 3.7 milhões de toneladas/ano. a um preço previamente combinado) estão a Sadia. houve uma relativa perda desse poder oligopólico. juntas. Coopers (6. ou um quinto da quantidade produzida pelas empresas integradas. 20 % e 15 %. 89 laboratórios. estão: Tortuga (18 %). Nos anos seguintes. Rhodia (8. o mercado de rações era classificado como sendo um "oligopólio concorrencial". estas três empresas. isto é. até então sob controle das grandes empresas especializadas e do segmento químico-farmacêutico.Entre as principais empresas de defensivos no Brasil. Salsbury (3. a Chapecó e a Seara. tanto para as empresas que verticalizaram suas produões de aves e suínos (via o sistema de integração). e sozinha é responsável por cerca de 10 % da produção total de rações no país. a Perdigão. na suinocultura. Até a metade da década de 70. respectivamente.5).0). COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 50 .7).

0 27. NO BRASIL.1 5. As indústrias processadoras de alimentos estão distribuidas por todo o território nacional. a localização da produção é também importante. SUDESTE 43.3 5.8 4.0 (Em %) FONTE: Censo Industrial 1980 e Cadrastro CNI 1993. com 30.0 2.8 14. que juntos localizam mais de 70 % das empresas.1 Por sua vez.21).8 % do valor da produção desse segmento. 1993 (*).0 6. TABELA 2. a qual determina o poder oligopólico ou oligopsônico no mercado. com uma expressão econômica menor. sendo um dos ramos industriais mais desconcentrados em termos de número de estabelecimentos. Os dados mostram uma maior concentração das empresas junto aos grandes centros consumidores do Sudeste (metade do número de estabelecimentos) e Sul (27. Concentração regional Além da concentração empresarial.0 7. Paraná.4 SUL 19.TABELA 2.1 %) do país (tabela 2. Em seguida.20 - PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DAS PRINCIPAIS EMPRESAS ESPECIALIZADAS NO MERCADO DE RAÇÕES. ANOS 1980 1993 NORTE 4.1 5. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 51 .21 .0 3.0 20. Minas Gerais. estão os seguintes estados: Rio Grande do Sul. considerando a presença das indústrias agroalimentares por estado da Federação.0 15. Rio de Janeiro e Santa Catarina.3 94. uma vez que muitas empresas tem um forte poder num determinado mercado apenas a nível local ou regional. tem-se o Estado de São Paulo como o mais importante.4 50.CONCENTRAÇÃO REGIONAL DA INDUSTRIAL AGROALIMENTAR POR NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS. ESTADO SP SP SP SP SP RS PE MG SP MG % NO MERCADO 22.0 7.8 8.6 REGIÕES NORDESTE CENTRO-OESTE 24.8 EMPRESA PURINA MOGIANA SOCIL PRIMOR PURINA ALIMENTOS ALISUL PURINA DO NORDESTE SUL MINEIRA FRI RIBE AGROCERES TOTAL DAS 10 EMPRESAS NO SUB SETOR (*) Excluindo-se as empresas integradas.

comportamento com respeito ao produto . O comportamento da firma pode ser subdividido em 3 áreas: . a qual aumenta as barreiras à entrada de novas firmas. Conluio Há uma mútua interdependência de comportamento mas os preços são diferenciados porque os produtos são diferentes.CONDUTA DE MERCADO É definida como as políticas da firma em relação às demais concorrentes no mercado. A firma líder anuncia os preços e as demais a seguem. através de “dumping” de preços ou integração vertical. a fim de manter as condições mais estáveis para a indústria. obtido.comportamento coercivo a) Política de preço Nos casos de oligopólios.3. as firmas tentam evitar a competição de preços.comportamento com respeito à política de preços . entre outras formas.Gastos com propaganda . Estes objetivos podem ser conseguidos através de: Acordo entre firmas .2.de preços . COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 52 . c) Conduta coerciva Tenta mudar a estrutura através do enfraquecimento ou eliminação das concorrentes. As firmas anunciam os preços na mesma época e num percentual mais ou menos igual. Há mútua interdependência entre as firmas. Exemplo: indústria automobilística. b) Políticas de produto .territórios (áreas de mercado) Liderança preço Tipo de coordenação de preços sem qualquer organização formal.2 .Diferenciação de produto .Serviços adicionados ao produto As políticas de preço e de produto são resultado das características estruturais do mercado.

preços em relação ao custo médio de produção 2.4 . na forma e na quantidade desejados pelos consumidores. Processo de dispersão .3 .EFICIÊNCIA DO MERCADO Eficiência é uma relação produto/insumo.3.consiste na subdivisão dos grandes lotes reunidos na concentração e encaminhá-los ao consumo no lugar.formado pelas atividades que regulam o fluxo de produção (sazonal) em função da taxa de consumo (mais ou menos constante ao longo do ano).eficiência de preço . Entre a produção e o consumo há uma série de funções desempenhadas pelos diversos agentes envolvidos na comercialização. equilíbrio e dispersão.progresso . sendo que as principais medidas de eficiência em comercialização são: .7 ATACADISTAS CORRETORES BOLSAS INDÚSTRIAS MERCADO TERMINAL EQUILÍBRIO DISPERSÃO E SERVIÇOS NO Atacadistas Beneficiadores MERCADO SECUNDÁRIO V A R E J I S T A S C O N S U M I D O R E S DE FLUXO DE BENS COMERCIALIZAÇÃO SISTEMA COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 53 .margens como reflexo de custos .Inclui a procura e a reunião de produto produzido por milhares de agricultores.perdas e quebras na comercialização . Há três fases distintas no processo de comercialização: concentração.PROCESSO DE COMERCIALIZAÇÃO A comercialização cria um fluxo organizado de bens e serviços.3. Processo de concentração .2. Processo de equilíbrio . no tempo. cuja origem são distintos e dispersos locais de produção e cujo fim são também diferentes pontos de consumo. Cooperativas Transportadores P R O D U MERCADO T PRIMÁRIO O R E S CONCENTRAÇÃO FIGURA 2.

o canal tende a se tornar mais complexo. sob a ação de diversos intermediários. até atingir a região de consumo. É a seqüência de mercados pelos quais passa o produto. portanto. À medida em que há desenvolvimento da economia e que se intensifica a especialização da atividade. o canal de comercialização pode ter uma complexidade variada. PRODUTOR PRODUTOR PRODUTOR Transporte Transporte INTERMEDIÁRIO AGENTE Transporte INTERMEDIÁRIO ATACADISTA Transporte VAREJISTA ATACADISTA Transporte VAREJISTA CONSUMIDOR CONSUMIDOR CONSUMIDOR FIGURA 2.CANAL DE COMERCIALIZAÇÃO Canal de comercialização é o caminho percorrido pela mercadoria desde o produtor até o consumidor final.5 . do número de pessoas envolvidas. A classificação dos canais de comercialização se baseia no seu comprimento e complexidade.8 .TIPOS DE CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 54 .2. Os tipos mais comuns são: a) O produtor vende diretamente ao consumidor Um exemplo é o que acontece com os feirantes que são produtores que vendem sua produção diretamente ao consumidor. O canal de comercialização mostra como os intermediários se organizam e se agrupam para o exercício da transferência da produção ao consumo. PRODUTOR (Transporte) CONSUMIDORES b) As operações são executadas pelos intermediários Neste caso. dependendo do número de operações e .3.

PRODUTOR 77 % 2% ATACADISTAS INTERIOR 17 % CAMINHONEIROS 77 % 2% ATACADISTAS 52 % ATACADISTAS CAPITAL 4% OUTROS ATACADISTAS CAPITAL 20 % 33 % 33 % 9% 5% FEIRAS EMPÓRIOS SUPERMERCADOS MERCADOS DISTRITAIS OUTROS FIGURA 2.CANAIS DE COMERCIALIZAÇÃO DO FEIJÃO.9 . FONTE: JUNQUEIRA et allii (1971) COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 55 . JULHO DE 1971. ESTADO DE SÃO PAULO.

ao passo que para artigos de grande consumo. quanto maior o valor unitário do produto. para evitar perdas. que exigem maior trabalho de distribuição. ou seja. O caráter estacional das vendas favorece o prolongamento do canal de comercialização. Quanto maior o volume médio de vendas por consumidor. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 56 .Fatores que afetam a escolha do canal de comercialização a) Natureza do produto A maior perecibilidade determina canais de comercialização mais curtos. que os locais de produção não distem dos centros de consumo. b) Natureza do mercado Mercadorias de consumo restrito admitem um canal de comercialização curto. tanto maior a possibilidade de sucesso na comercialização direta. Em geral. tanto menor a possibilidade de realizar a comercialização direta. é necessário adotar um canal de comercialização mais longo. pois o lucro é obtido da venda de pequenas quantidades de tais produtos.

taxas de seguro e financiamento.Pa VALOR RELATIVO [(Pv . máquinas e equipamentos).Pp Pa . A seguinte seqüência facilita a compreensão: Produtor Pp Atacadista Pa Varejista Pv Consumidor COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 57 . lucro. A margem total (Mt) é a diferença entre o preço pago pelo consumidor e o preço recebido pelo produtor.2.CUSTOS. contribuições como o FUNRURAL. ou seja.MARGEM BRUTA DE COMERCIALIZAÇÃO MARGEM Total (Mt) Atacado (Ma) Varejo (Mv) VALOR ABSOLUTO Pv . Para a realização destes serviços. promoção.CUSTOS DE COMERCIALIZAÇÃO A demanda por produtos agropecuários se refere não apenas à matériaprima (o bem) em si. mas também aos serviços adicionados a esta matéria-prima. Pp = preço recebido pelo produtor. Pa = preço a nível de atacadista. MARGENS E "MARKUPS" DE COMERCIALIZAÇÃO 3. tais como: transporte.Pp) / Pv] 100 [(Pv . preço pago pelo consumidor. preço de venda do atacadista.MARGEM DE COMERCIALIZAÇÃO A margem (M) de comercialização refere-se à diferença entre preços a diferentes níveis do sistema de comercialização.Pp) / Pv] 100 [(Pa . classificação. É importante ressaltar que a margem relativa se refere à relação percentual entre a diferença de preços e o preço a nível de varejo.Pa) / Pv] 100 Sendo que: Pv = preço a nível de varejo. etc.Pp Pv . armazenamento. beneficiamento. embalagem. os agentes do processo de comercialização incorrem em custos que podem ser classificados em variáveis (embalagem. armazenamento.1 . processamento. classificação.3 .1 . perdas. num determinado lugar. Exemplo: os consumidores demandam arroz beneficiado. num tempo certo. fretes e manipulações. impactos como o ICMS. (juro e depreciação sobre benfeitorias. processamento. etc. ou seja.2 . A margem deve refletir os custos de comercialização e a porção relativa ao 3. 3. e fixos.).

8 PART (%) DO PRODUTOR 50. R$ 19.13 e R$ 93.Exemplo: PRODUTO FEIJÃO (Kg) OVOS (Dz) PRODUTOR 70 20 PREÇOS ATACADO 100 25 CONSUM. respectivamente.5) relativamente ao preço a nível de consumidor.5 TOTAL 50.84 A fim de facilitar o cálculo .2.00 Kg de óleo refinado. b) Tanto para feijão como para ovos.2 .3 28. admitindo-se os seguintes preços: Pp0 = Preço da soja em grãos (saca de 60 Kg) = Pv 1 = Preço do farelo de soja (t) Pv 2 = Preço do óleo de soja ( 900 ml ) = = R$ 10. que leve em consideração os preços dos derivados. o varejista retém o mesmo percentual (28. por exemplo).Margem Líquida de Comercialização Para um produto que é processado.0 42.30 R$ 0.0 57. 140 35 MARGEM (%) ATACADO VAREJO 21. 3.40 R$ 191. Os rendimentos (R) industriais (para cada 100 Kg de soja em grão) são: R1= 78.00 Kg de farelo e 2 R = 18.8% respectivamente. com os derivados farelo e óleo. o cálculo da margem deve ser feito com base num preço. ficariam: R$ 17. Por exemplo.5 14.33.5 por cento do preço pago pelo consumidor. pode-se calcular a margem líquida da seguinte maneira.3 por cento. para um produto como a soja. enquanto a comercialização. Desta maneira.5 28. deve-se converter todos os itens a uma mesma base (100 Kg.33. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 58 . como um todo. a nível de consumidor final. O preço ponderado a nível de derivados (Pv) pode ser calculado pela seguinte fórmula. os preços do itens acima.2 Interpretação: a) O atacadista de feijão fica com 21. ponderados pelos seus respectivos coeficientes técnicos de transformação. para cada 100 Kg de peso. enquanto o de ovos apenas 14. foi responsável por 50% e 42.

64) / 29.4 % 0 b) Segundo Método (considerando as "perdas e quebras" em todos o níveis).72 .16.18) = R$ 31. Pp* = Pp0 ( 1 . Pv = (19.72] 100 = 44.0. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 59 .Pp*) / Pv*] 100 = [(29.040 ) = Cr$ 16.023) = R$ 30.Pp0) / Pv0] x 100) = [(31. Pv Pv ** = Pv 0 (1 .063) = R$ 29. Mt* = [(Pv* .K0 ) = 17. conforme as diferenças no cômputo das "perdas".72 (1 .17. K1= 0.33 x 0.64 Pp* = Preço pago ao produtor menos as perdas iniciais.72 * 0 2 J =1 Pv* = Preços pagos pelo consumidor menos as "perdas e quebras” totais.Σ 2 J =1 Kj) = 31. Os coeficientes de "perdas e quebras" (K) são: K0 = 0.99 "perdas e quebras” no ** = preços pagos pelo consumidor menos as processamento.040 (grão).72] 100 = 45.33) / 31.0.78) + (93. a) Primeiro Método (sem considerar as "perdas e quebras") M = [(Pv0 .008 (óleo).Σ Kj ) = 31.72/ 100 Kg Se.33 ( 1 .015 (farelo) e 2 K = 0.72 (1 .0 % (considerando as "perdas e quebras" apenas no c) Terceiro Método processamento). forem também considerar as perdas.0.72 . além do processamento. "m" varia de 1 a 2 (que são os dois subprodutos).Pv = 0 J =1 Σ Rj Pvj m No caso da soja. Pv = Pp (1 . na fórmula.13 x 0. há três maneiras para se calcular a margem de comercialização (M).

2 70.7 56. arroz.0 Interpretação: • para o feijão.6 29.8 63.0 34. Em termos absolutos. "MARKUP" DE COMERCIALIZAÇÃO O "markup" (Mk) é a diferença entre o preço de venda e o preço de compra (ou de custo).8 38.8 29. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 60 .8 por cento sobre o preço que ele pagou ao produtor.6 64. entre o preço de venda e o custo de produção relativamente ao custo de produção.2 39.Pa) / Pa] 100 Em termos relativos.0 59. por exemplo.2 42. TABELA 3.7 75.2 61. o que significa que menos da metade dos gastos dos consumidores com cada um desses produtos vai para os produtores.4 35.Pp) / Pp] 100 [(Pv .Pp) / Pp] 100 [(Pa .3 50. 1975-82 E 1980-90.9 54.8 60.Rígido + Rígido Estes resultados evidenciam que açúcar.Pa VALOR RELATIVO [(Pv .8 57.Pp Pv .6 36.Rígido + Rígido . 3.1 45. 1985 e 1991.MARGENS E MARKUPS MÉDIOS DE COMERCIALIZAÇÃO PARA ALGUNS PRODUTOS AGROPECUÁRIOS.0 40.1 .4 242 167 80 147 41 43 84 35 198 58 50 289 169 48 111 67 61 89 61 246 78 59 Flexível Flexível Rígido .3.2 36. carne suína e milho tem uma margem superior a 50 %.2 61. 70.7 49.7 70.7 26.9 37.8 38.0 100 75.Pp Pa . PRODUTO PRODUTOR PREÇOS ATACADO CONSUMIDOR ATACADO MARKUP % VAREJO TOTAL FEIJÃO (Kg) OVOS (Dz) 70 20 100 25 140 35 42. "markup” é igual à margem.Rígido + Rígido + Rígido Flexível .3 29. Produto Margem média Participação dos produtores Markup médio 75-82 80-90 75-82 80-90 75-82 80-90 Política de markup (Em %) Açúcar Arroz Carne bovina Carne suína Feijão de cor Feijão preto Frango Leite Milho Ovos Soja FONTE: MENDES E GUIMARÃES. o "markup" mostra o percentual de aumento entre os preços de venda e de compra relativamente ao preço de compra.0 65. os autores obtiveram os valores que estão na tabela 3.8 68.3 25.0 40.1. PARANÁ.8 53.0 67.0 32. o atacadista acrescentou 42. MARKUP TOTAL (Mkt) ATACADISTA (Mka) VAREJISTA (Mkv) VALOR ABSOLUTO Pv .4 63.1 62. CURITIBA.0 40.3 44.8 25.3 73.Estudo efetuado por Mendes e Guimarães para a cidade de Curitiba em dois períodos distintos (1975-82 e 1989-90 ) sobre a evolução das margens e dos markups mensais.9 35. ou.2 46.2 31.1 64.

tendo em vista que produtos como carne.0 mil t. arroz e milho.• para ambos o produtos.FATORES QUE AFETAM AS MARGENS Os principais fatores que determinam a magnitude da margem de comercialização são: a) Quanto maior a perecibilidade. ou seja. respectivamente.500 5.0 17. c) Quanto maior a relação volume/peso ou volume/valor maior a margem. soja e arroz (tabela 3. 3.2 10.367 FONTE: CONAB-FGV-CEASA/RJ. leite. PRODUTO Legumes/hortaliças Frutas Milho Soja Arroz Feijão Trigo TOTAL QUANTIDADES PERDIDAS % 35.0 9. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 61 .2).290 2. milho com US$ 470 milhões. o que resulta em custos adicionais. fortemente concentrados nos legumes/hortaliças com US$ 520 milhões/ano.1 10. maior dever ser a margem. uma política de markup mais ou menos rígida. estima-se que o valor global das perdas chegue a mais de dois bilhões de dólares/ano. frutas com US$ 500 milhões. de um modo geral.000 1.000 2. resultando consequentemente em custos maiores. enquanto o consumidor pagou um preço de 100% e 75%. exigem refrigeração tanto na estocagem quanto no transporte.2 . Por exemplo.. devido aos maiores custos para executar estes serviços. o percentual de acréscimos de preço sobre os preços a nível de produtor é relativamente fixo. porque há necessidade de maior espaço para transporte e armazenamento. embalagem e classificação maior a margem. TABELA 3.4 . perdas ou quebras durante a comercialização.250 250 230 13. etc. 2. b) Quanto maior o grau de processamento.520 VALOR DAS PERDAS (US$ milhões) 520 500 470 380 370 95 32 2. à exceção do açúcar.0 30. sobre o preço recebido pelo produtor. o varejista adicionou 40% sobre o preço pago ao atacadista. Parece haver.ESTIMATIVAS DE PERDAS ANUAIS NA CADEIA DO SISTEMA AGROALIMENTAR BRASILEIRO.3 22.

f) Quanto maior a rapidez de amadurecimento do produto ou sazonalidade da produção. porque os intermediários procuram elevar relativamente mais os preços hoje. estocagem e risco podem ser distribuídos entre um maior número de unidades do produto. devido aos custos fixos maiores para o processamento. devido aos custos mais elevados para realizar o transporte. maior a margem. processamento. maior a margem. resultando em redução dos custos unitários. m0 0 m1 Q DE FIGURA 3. i) Quanto maior a quantidade de serviços adicionais à matéria-prima. embalagem. maior a margem. Assuma que Ps = preço (custo) unitário dos serviços Ps Ss Onde Ss é a curva de oferta de serviços e representa as margens ( m0 e m1) de comercialização. e) Quanto maior a relação entre volume de venda e capacidade de estoques. h) Quanto maior o aumento no custo unitário dos fatores. etc. maior a margem. g) Quanto maior a instabilidade de preços do produto. armazenagem. devido aos maiores custos para executar os serviços é relativamente mais elástica do que a demanda por matéria-prima.5 .ANÁLISE GRÁFICA DAS MARGENS Considere um produto que requeira serviços. devido à elevação nos custos. 3. tais como: transporte.d) Consumidor. Exemplo: Aumentos sucessivos nos preços do petróleo têm elevado os custos de transporte e consequentemente a margem. devido á incerteza de preços no futuro. maior a margem. ficando as máquinas e equipamentos parados por longos períodos. devido ao efeito renda. já que a firma deve ter um maior dimensionamento para atender a transformação da produção num curto espaço de tempo. os custos de financiamento.1 - CURVA DE OFERTA COMERCIALIZAÇÃO SERVIÇOS DO SETOR DE COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 62 .

2 .DEMANDA DERIVADA A NÍVEL DE PRODUTOR Oferta derivada a nível de consumidor (Sv) Há uma curva de oferta a nível de produção (Sp) que reflete a quantidade de matéria-prima que seria produzida a diferentes níveis de preços. P m1 m0 Sv Sp Sv = Sp + Ss 0 Q FIGURA 3.3 . cujos custos são representados por Ss. mas também por serviços adicionados à matéria-prima. P Exemplo: Dv = demanda por bife DP = demanda equivalente por bife contido no animal. Para colocar uma matéria-prima na forma.OFERTA PRIMÁRIA E OFERTA DERIVADA Equilíbrio nos dois mercados COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 63 .S s Dv DP 0 Q FIGURA 3.Demanda derivada a nível de produtor (Dp) A curva de demanda a nível de consumidor (Dv) reflete não apenas a demanda por matéria-prima. Considerando-se que Ss representa o custo dos serviços. então subtraindo-se Ss de Dv tem-se a curva de demanda derivada (DP) a nível de produtor. ao nível de produtor DP = Dv . no local e no tempo desejados pelos consumidores é necessária a realização dos serviços.

Se a Sp for relativamente mais elástica. um dado aumento na margem de comercialização resultará num maior aumento do preço a nível de consumidor e uma menor redução no preço a nível de produtor. do que se a Dv fosse mais elástica. b) o volume comercializado. então um dado aumento na margem de comercialização resultará no mesmo efeito acima do que uma Sp mais inelástica. P Pv A Sv Sp Pp B Dv Dp 0 Q Q Pv .Pp = margem unitária de comercialização FIGURA 3. Mostre graficamente os efeitos de um aumento nas margens de comercialização sobre: a) os preços para o consumidor e para o produtor. dois mercados: um a nível de produtor e outro a nível de consumidor. c) as despesas de comercialização COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 64 . Considerações: A magnitude da variação no preço ao produtor e ao consumidor depende da elasticidade da curva de demanda a nível de consumidor (Dv) e da elasticidade da curva de oferta a nível de produtor (Sp).4 . Sugestão para exercício: Os aumentos sucessivos nos preços dos derivados de petróleo tem aumentado os custos de comercialização e consequentemente.Há. portanto. as margens de comercialização.EQUILÍBRIO NOS DOIS MERCADOS Conclusões: a) A área PpPvAB representa os gastos com comercialização b) A área 0PpBQ representa a receita do produtor c) A área 0PvAQ representa os gastos dos consumidores com o produto. Se a Dv for relativamente inelástica.

as expressões entre parênteses são iguais. para qualquer nível de quantidade comercializada. portanto. Assim: Ev = Pv Ep Pp Desse modo: P Ev Ev > Ep Pv Pp Ep Dv Dp 0 Q0 Q Desta maneira. maior a diferença entre as duas elasticidades. Conseqüência: pequena variação na produção pode causar uma variação relativamente maior no preço para o produtor do que para o consumidor. tem-se: Ev = dQ dPv Ep = dQ dPp Pv = Q Pp = Q dQ dPv dQ dPp 1 Pv Q 1 1 Pp Q 1 Se ambas as curvas tiverem a mesma declividade. Isto explica porque em anos de “supersafra” os preços caem relativamente mais para o produtor do que para o consumidor. Com base na fórmula básica da elasticidade. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 65 . quanto maior a margem de comercialização. maior a diferença entre os preços e.d) a receita do produtor e) os gastos do consumidor Elasticidade-preço da demanda As elasticidades-preço da demanda. são sempre menores a nível de produtor (Ep) do que a nível de varejo (Ev).

b) preços mais elevados pelos insumos usados na comercialização. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 66 .A “CONTA” (DESPESAS) DA COMERCIALIZAÇÃO NO TEMPO A conta da comercialização agrícola é uma estimativa do custo total de comercialização de um produto ou de um conjunto de produtos. À medida em que a renda aumenta. No Brasil. A conta da comercialização tem aumentado mais rapidamente do que o valor da receita da propriedade rural. estima-se que dois terços dos gastos dos consumidores com alimentação são destinados para a “conta” de comercialização e somente um terço se transforma em receita do produtor. não porque ele recebe menos em valor absoluto. os quais não são contrabalançados por ganhos em produtividade.EVOLUÇÃO DA MARGEM DE COMERCIALIZAÇÃO NO TEMPO. a demanda por serviços aumenta mais que por matéria-prima. Causas: a) maior volume de produtos movimentados através do sistema de comercialização. Esta conta mostra a diferença entre os gastos totais com alimentação por todos os habitantes do Brasil e o valor dos alimentos ao nível das propriedades agrícolas. Nos Estados Unidos.6 . estima-se que esta repartição dos gastos dos consumidores se situa em torno de cinqüenta porcento. c) maior quantidade de serviços por unidade de produto % 100 Pv Margem da Comercialização Margem do produtor Pp tempo FIGURA 3. oriundos das fazendas e consumidos dentro do país. mas porque a sua contribuição ao produto final tem sido proporcionalmente menor. A participação do produtor no gasto do consumidor continua a decrescer.5 .3.

COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 67 . c) Variações nos preços agrícolas afetam a distribuição de renda entre os grupos de produtores de baixa e de alta renda.Característica Básica dos Preços Agrícolas A característica fundamental dos preços dos produtos agrícolas é a sua instabilidade. se os preços dos produtos agrícolas se elevam. produção sazonal e inelasticidade-preço da demanda.4 . maior a variabilidade nos preços do produto (o aluno deve estar apto a mostrar isso graficamente). Distribuição de Renda a) Variação nos preços dos produtos agrícolas em relação aos não-agrícolas afetam a distribuição inter-setorial da renda. dificuldade de previsão e controle da oferta. quanto mais inelástica a curva de demanda. os pequenos produtores (que detêm menor volume de excedente) são menos beneficiados que os grandes produtores. ou seja. eles apresentam um elevado grau de variabilidade ao longo do tempo. 4. maior a possibilidade de uma rentabilidade aos demais. Quanto mais elevado o preço de um produto. na alocação de recursos. b) Variações nos preços dos produtos agrícolas afetam distribuição da renda entre grupos de renda do meio urbano. relativamente aos demais.Funções dos preços agrícolas Os preços agrícolas desempenham três funções básicas. Por exemplo. Dado uma variação na produção ( oferta ) .ANÁLISE DE PREÇOS AGRÍCOLAS 4. ou seja. maior a possibilidade de uma rentabilidade maior e consequentemente maior o volume de recursos que serão alocados na produção deste produto. Este fenômeno ocorre como conseqüência de fatores. Alocação de Recursos O nível de preços determina tanto o nível de consumo como o de produção. na distribuição de renda e na formação de capital.1. aumento nos preços agrícolas afetam mais os consumidores urbanos de baixa renda (porque eles gastam relativamente maior parcela de sua renda com alimentação) do que os de alta renda. Por exemplo.2 . tais como.

Para se fazer uma estimativa da tendência.3 . há vários modelos matemáticos.1 . a população. pode-se observar quatro movimentos de preços. a renda.3 oscilatórios . as novas tecnologias. e do lado da demanda. Entre os fatores que podem caracterizar uma tendência de preços estão.3. a educação do consumidor.1 . do lado da oferta.Análise de Tendência A tendência é um movimento de preços de longa duração.sazonalidade . etc. que .PRINCIPAIS MOVIMENTOS DE PREÇOS Tempo (meses) 4. 4. entre os quais estão: COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 68 . ao longo dos anos. ou seja. e portanto maiores níveis de renda e de poupança setorial.tendência .aleatoriedade Tendência P Sazonal P Ciclo Aleatório Tempo (anos) FIGURA 4.Análise Temporal dos Preços agrícolas são: Numa série temporal.ciclo . cuja conseqüência é o estímulo ao investimento (formação de capital).Formação de Capital Aumentos nos preços agrícolas permitem maiores retornos aos recursos setoriais.1 evolutivo .

(Σ t)2 n _ _ a = Pt .bt b= Onde: n = número de anos Usando-se o modelo Pt = a + bt.0.784 8 a = 6.1 .4 6.67 + 0.6 32.1214 (Pt x t) 0 4.4 6. t) .1214 t COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 69 .7 7.2 20. Sabendo-se que: Σ (Pt .a) Pt = a + bt b) Pt = aebt ou Pt = log a + bt c) Pt = a ( 1 + b)t ou log Pt = log a + t log (1 + b) Onde: Pt = preço de um produto no tempo t (anos) a = intercepto b = coeficiente angular Exercício: Suponha que os preços (valores em dólar) do milho nos últimos 8 anos.9 . cujos dados se encontram na tabela 4.4 5.8 t 0 1 2 3 4 5 6 7 28 = 0.4 12.7 6.2 43.1214(3.2 48. Deseja-se estimar a equação que mostra a tendência da evolução destes preços e a sua respectiva taxa de crescimento.9 t2 0 1 4 9 16 25 36 49 140 b = 175.1 29. tem-se 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 Σ Pt 5.1 6.5) = 5.(ΣPt) x (Σ t) n 2 (Σt ) .4 175.1.8 x 28 8 140 .48.9 4.0 34.67 Pt = 5.

9 1989 25. os Índices Gerais de Preços (IGP).4 13.8 19.9 10.2 1985 14.9 1.6 36.9 1.9 1991 20.8 91.69 0.91 0. é indispensável que os preços em valores nominais (isto é.7 10. 1984-93 ANO BOI GORDO PORCO FRANGO ALGODÃO ARROZ CAFÉ FEIJÃO (Em US$/Unidade(*)) MILHO SOJA 1984 18.90 0.59 5. TABELA 4.1 6.5 9. 0.2 0.5 11.5 20.3 10.69 6. IGPb IGP t COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 70 .6 os demais 5.06 0. O IGP é uma medida ponderada entre o Índice de Preços por Atacado (IPA.2 6. cujo peso é 6).7 1993 22.98 0.67 Portanto.Vc .96 0. 100 = 0. MÉDIA PARA O BRASIL.0 5. cujo peso é 1.55 6.7 0. correntes) sejam deflacionados. índices estes também conhecidos como "coluna 2" da FGV. (disponibilidade interna).88 0. frango é quilo. publicados na Revista Conjuntura Econômica da Fundação Getúlio Vargas (FGV).Vr .14 % por cento ao ano.9 1990 26.9 MÉDIA 20. os preços deste produto apresentaram uma tendência de crescimento.0 1. No Brasil.64 5.6 6. para se deflacionar preços ou qualquer outro valor monetário.63 5.14 % a.55 0.3 produtos é saca Como calcular valores (preços) reais ou deflacionados Devido à inflação . convertidos em valores reais.26 0.66 1.6 1988 17.7 12.2 11.4 10. pode-se projetar os valores para os anos seguintes e/ou calcular a taxa média de crescimento (r) do preço.7 9.06 0.77 0. a 5. isentos.67 0.(que embutem a inflação) em valores reais (deflacionados ou constantes) .74 0.0 7.3 0. cuja taxa média foi de 2. porco 0. entre outros deflatores.57 0.2 5.86 6.4 7.a.ICC.4 e Algodão é arroba.9 1986 20.9 1992 19.0 (*) A unidade para de 60 quilos.60 0.8 13.4 10.61 6.8 11.9 25.5 4.3 9. dos efeitos negativos da variação inflacionaria. ou seja.3 3.2 0.4 10.PREÇOS MÉDIOS RECEBIDOS PELOS PRODUTORES RURAIS.7 22.82 6.(já depuradas as variações havidas no valor da moeda) é feito da seguinte maneira: Vrtb = Vct .8 1987 20.53 4.5 6.1 14.8 11.Uma vez estimada a expressão (1).1 6.8 0.86 0.78 0. O processo de conversão de valores nominais ou correntes .59 5.9 9. r = b .9 37.3 21. e para 20.4 0.5 9.6 11.1 .71 16.1214 .9 5.4 29.54 4.7 15.2 20. podem ser utilizados.04 0. portanto. o Índice de Custo de Vida (ICV) no Rio de Janeiro (peso 3) e o Índice Nacional de Custo da Construção Civil . 100 = 2.2 9.6 Boi.

então optou-se por expressar os preços da série histórica a valores de junho de 1994. Devido a uma maior oferta neste período.onde: Vrt = valor (preço) do tempo t deflacionado para o tempo base escolhido Vct = valor nominal do tempo t IGP t = valor do índice do IGP no tempo t IGP b = valor do índice do IGP no tempo base (b) Exemplo: Considerando-se os preços médios mensais correntes do arroz de sequeiro para o produtor.Análise da Sazonalidade de Preços A sazonalidade dos preços decorre do fato da produção agrícola ser sazonal. utilizando o IGP (Índice Geral de Preços). a data mais próxima do momento em que se faz o cálculo e cujo poder de compra da moeda é mais facilmente avaliado pelo analista. calculado pela Fundação Getúlio Vargas como mensurador da inflação da economia brasileira.44 147.076.2 (coluna um).384. Esta determinação dos índices pode ser feita através de dois processos: a) Processo das somas b) Processo das médias (a aritmética e a geométrica) COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 71 . A determinação dos índices sazonais é um importante indicador na orientação sobre o período de estocagem do produto e sobre a época de venda. ou seja.2 . de a colheita não ocorrer ao longo de todo o ano.40 x 27.126. num país de inflação tão alta como o Brasil. O exemplo em questão foi elaborado em junho de 1994. O primeiro passo é escolher a data base. Em geral escolhe-se a data mais próxima do momento em que se faz o cálculo. de um modo geral. mas se concentrada em apenas alguns meses (época da safra).3. para qual momento do tempo todos os preços da série serão referenciados.000 = 28.27 4. pode-se calcular esses mesmos preços em valores reais. ou seja.348. os preços apresentam níveis relativamente mais baixos que na época da entressafra. Pjan/93 a jun/94 = Vn jan/93 x IGP jun/94 IGP jan/93 Pjan/93 a jun/94 = ( 152. constantes da tabela 4. fazendo com que o poder de compra da moeda mude diariamente.287.61) /1. no período de janeiro de 1993 a junho de 1994.

12 21.887.80 1.228.644.511. Por ser mais comumente utilizado.333.91 1.492.098.85 27. não menos que 5).256.98 2.46 29.126. c) Calcula-se o índice estacional para cada mês.00 191.19 237.80 7.37 695.23 527.49 18.382. por saca de 60 Kg.60 15.76 23.046.00 IGP 147.20 5. obtido através do ajustamento da média dos meses.99 24.30 22.325.369.302. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 72 .00 4.058.291.592.80 2.384.976.680. d) Em seguida.07 23. calcula-se a média dos índices estacionais para cada mês.57 23.348.664. b) Calcula-se a média móvel centralizada. o qual resulta da relação entre o preço do mês e a média móvel centralizada do respectivo mês.076.46.070.20 1.40 1. 1993-1994.291.653. através do seguinte procedimento: a) Primeiramente há a necessidade de se possuir uma série mensal de preços para alguns anos (de preferência.811.300. f) Além de se calcular o índice sazonal.033.60 22.40 10.20 6. centrado em 100.36 4.41 3.49 13.41 22.17 29.93 25.657.58 928.40 22.066.133.053.06 21.55 23.897.393.287. é interessante estimar também o grau de dispersão (variabilidade) do índice para cada mês.101.088.502.199.2 - EXEMPLO DE CÁLCULO (CONVERSÃO) DE VALOR NOMINAL PARA REAL (DE JUNHO DE 1994) DOS PREÇOS DE ARROZ DE SEQUEIRO RECEBIDOS PELOS PRODUTORES.46 21.168.698.490.44 25.80 340.4156.49 28. e) Calcula-se o índice sazonal. serão feitas algumas considerações sobre o método das médias.066.495.070.27 186.19 304.133.TABELA 4.416.301.650.894. o índice de irregularidade.840.73 403.00 3.780. ou seja.40 751.369.237.79 21.80 237.505. PREÇOS CORRENTES (*) 152.50 417.288.27 9.178.00 541.304.61 PREÇOS REAIS (CR$/60 Kg) 28.00 ANOS Janeiro/93 fevereiro/93 Março/93 abril/93 maio/93 junho/93 julho/93 agosto/93 setembro/93 outubro/93 novembro/93 dezembro/93 Janeiro/94 fevereiro/94 Março/94 abril/94 maio/94 junho/94 (*) Cruzeiros até julho de 1993 e cruzeiros reais de julho/93 a junho de 1994. multiplicado por 100.40 172.597.920.

61 97.81 71.18 8 84.108.357.26 88.937.855.770.791.895.54 67.327.27 52.1 99.28 91.532.596.793.317.881.50 102.625.479..302.4 88. Isto não era necessário.208.870.52 61. + Pjun MAMDez 1983 = 77.235.942.257.. da seguinte maneira.589.23 80.2 3 Seguindo o processo da média aritmética.60 48.685.0 6 100.44 84.87 87.67 7 102.12 53.3.97 115.71 59.845.85 47.63 + 84.723.63 99.726.62 79.54 110.88 9 62.787.85 128.00 90.04 78. MESES JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 88.482.88 62.85 69.683.06 41.71 65.368.20 55.52 62.299.086.09 64.646.531.46 52.345.03 92.76 87.16 101.793.22 88.76 49.286.798.65 84.709.20 73.00 61.652.3.18 78. 1983 1983 1983 1983 1984 MAMDez = Pjun + Pjul + Pago 13 + .163.880.585.50 61.245.042.03 + 95.75 62.144.319.99 65.29 46.715. pode-se calcular a média aritmética móvel centralizada (MAM).22 5 80.590.343.10 51. conforme os dados da Tabela 4. No entanto.854.798.84 1991 55..1 104.151.52 79.721.406.57 206.6 8 101.64 64. Os resultados estão na tabela 4.1 96.404.Exemplo: Suponha que alguém esteja interessado em estimar a sazonalidade de preços do feijão preto no Estado do Paraná para o período 1983/94.307.64 72.294.553.649.265.80 78.90 51.512.4.80 64.385.80 56.. com a determinação da média móvel.05 57.596.669.32 1993 51.553.70 84.110.110.667.587.379.503.1 96.38 50.025.74 88. A PREÇOS DE JUNHO DE 1994.92 110.12 95.037.22 70.91 61.59 95.75 89.023.939.75 + .642.667.09 106.542.05 83.9 3 91.26 104.580.488.51 1990 70.894.463.107.71 120.929.22 52.73 95. + 99.661.40 143.91 62.01 112.826.24 58.880.31 49.049.37 91.064.09 85. TABELA 4.270.98 98.63 13 Convém observar que os preços (P) foram deflacionados.004.478.89 52.18 133.43 3 83. e de posse dos preços desta tabela 4.37 111.90 113.884.879.89 1 106.29 65. eliminaria as variações devidas à inflação.642.65 76.33 94.73 55.641.86 51.032.PREÇOS MÉDIOS MENSAIS DE FEIJÃO PRETO AO PRODUTOR PARANAENSES.243.226. a melhor alternativa é utilizar valores deflacionados para o cálculo da média móvel.031.166.99 104.02 51. para o mês de dezembro de 1983.748.305.11 51.936.20 99.771.124.39 65.74 62.83 86.299.252. por exemplo.68 52.296.25 75.188.956.766.78 59.42 67.880. com a aceleração da inflação e troca de moeda.2 88.45 62.70 1992 52. considerando-se que o processo de cálculo no índice.597.12 = 90.12 112.97 1994 57.824.92 98.80 63.03 96.494.511. JUNHO DE 1983 A JUNHO DE 1984.3 110.204.44 101.282.171.59 91.16 67.695.98 70.613.091.52 3 77.29 44.3 .372.946.039.21 53.414.487.527.946.834.571.07 93. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 73 .239.70 56.397.596.696.638.45 77.

26 105604. assim. foi obtido dividindo-se 84.92 76685.08 59507.6.41 101154. 1983 A 1994.10 57389.97).57 54864.15 102163.69 106497.73 91253.44 54794.40 54733. os valores dos índices sazonais para cada mês.06 55567.79 81744.30 55260.75 90661.70 102787.52 67538.31 87840.20 83424.44 108129.19 75452.62 55189.94 73921.31 54231.21 102334.05 100198.16 62299.29 68066. Se a média geral dos índices estacionais mensais não der 100.63 vezes 100.81 65498. por exemplo. cada índice mensal deve ser ajustado.37 73037.36 80886.03 60923.63 103198.92 58794.95 98936.57 69033.92 59932.64 75621. obtendo-se.35 100583.12 92672.36 53224.36 67209. multiplicando-se o quociente por 100.TABELA 4.44 68830.30 102596.90 114333.19 96800.25 64536.15 85875.15 70498.33 54716.61 112312. Para o cálculo da média aritmética dos índices estacionais para um determinado mês.46 105033.34 58127.12 1993 54881.48 78301.6.13 55287. Os resultados estão na tabela 4.64 98561.96 71448.30 69993.38 57019.92 por 90. Portanto.60 101895.07 58173.32 102152.72 68555.42 101775.97 97421.96 104250.57 53729.4 .56 71046.53 93721.76 72904.08 102139.286.06 98464.70 52158.78 54397.55 93307.43 57832. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 74 . dezembro.5.30 54289.99 90320.95 102825. os preços deflacionados de cada mês (i) foram divididos pelas suas respectivas médias móveis centralizadas.49 92211.47 1994 91808.60 57822.81 104123.53 53983.17 102459.65 66365.83 64429.22 99892. multiplicando-se por um fator conveniente (que é igual a 100 divido pela média geral dos índices estacionais). ou seja: Tj MAM i = Σ i Pi 13 6-i+6 Tj j+1 Para a obtenção dos índices estacionais.MÉDIA ARITMÉTICA MÓVEL CENTRALIZADA PARA OS PREÇOS DE FEIJÃO PRETO AO PRODUTOR DO PARANÁ.45 A fórmula genérica para se calcular a média móvel centralizada para qualquer mês "i" ( "i" variando do 6º primeiro mês ao 6º último mês) para um ano "Tj" e "j” varia de 0 (ano base) até o ano "n".79 88264. Estes resultados estão na tabela 4.57 66656.46 54779. MESES JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 51970. Por exemplo.14 103288.28 92224.14 51559.00 98218.59 54573.63 67643.661.64 65028.65 92301. por conceito.99 80818.55 110268.30 96332. soma-se todos os índices estacionais para o mês de dezembro e divide-se pelo número deles (normalmente o número de anos).37 54593.64 98522.60 103114.87 55677.24 113843.08 94555.55 67939.81 102083.43 95836.57 67199. como média dos doze meses igual a 100.93 90812.56 59409. o índice estacional de dezembro para o ano de 1983 (92.18 94990. Os resultados estão na tabela 4. a diferença entre o índice estacional e o sazonal é que o segundo tem.51 84767.75 108072.51 98317.16 98312.

51 107. são apresentados os padrões sazonais de preços para outros produtos agropecuários (figuras 4.97 78.36 99.34 93.00 Os índices sazonais calculados para o feijão estão na figura 4.75 193.25 93.87 1989 79.46 99.98 104.16 130.43 95.68 97.67 121.60 109.6 .ÍNDICES ESTACIONAIS DOS PREÇOS DE FEIJÃO PRETO NO PARANÁ. MESES JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ MÉDIA MÉDIA DOS ÍNDICES ESTACIONAIS 100.43 91.63 95.13 TABELA 4.71 106.33 108.43 131.54 107.11 105.60 87.44 102.04 84.18 99.73 112.23 96.66 141.57 109.61 90.38 99.82 1990 86.02 101.12 93.89 95.10 111.69 98.49 98.30 90.31 118.55 96.14 90.55 102.21 92.MÉDIA DOS ÍNDICES ESTACIONAIS E ÍNDICES SAZONAIS DO PREÇO DE FEIJÃO PRETO AO PRODUTOR PARANAENSE. 1983 A 1993.03 91.90 110.30 94. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 75 .55 111.33 92.96 84.07 85.63 99.04 77.60 ÍNDICES SAZONAIS 100.94 89.02 77.04 1986 120.01 126.05 102.05 88.99 96. Além do feijão.79 99.11 97.87 90.77 114.28 94.9).84 103.98 75.78 100.36 106.74 93.11 95.44 104.56 100.20 108. 1983 A 1993.16 98.35 107.TABELA 4.03 1992 101.71 96.42 94.03 99. MESE S JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 92.17 114.77 90.55 98.01 1993 92.43 100.73 91.39 103.14 98.27 102.55 99.27 108.29 83.94 109.35 95.96 98.2.71 1991 82.92 95.53 92.89 91.29 98.41 116.80 86.66 85.77 100.96 102.91 134.16 94.79 125.75 90.08 109.31 83.5 .24 97.3 a 4.02 113.50 113.16 1985 100.17 111.38 1987 97.37 69.17 99.98 108.52 139.09 100.12 102.97 104.63 101.14 100.72 103.56 87.18 1988 101.11 86.15 76.21 98.21 97.11 87.30 63.56 87.62 100.22 95.68 91.97 1983 1984 98.46 91.00 101.89 99.34 107.

PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE ARROZ DE SEQUEIRO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 76 .SAZONALIDADE DO PREÇO DO FEIJÃO PRETO 103 102 101 ÍNDICE 100 99 98 97 J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.2 .3 .PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE FEIJÃO PRETO SAZONALIDADE DO PREÇO DO ARROZ DE SEQUEIRO 120 112 ÍNDICE 104 96 88 80 J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.

PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE MILHO SAZONALIDADE DO PREÇO DO ALGODÃO 108 106 104 102 100 98 96 94 ÍNDICE J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.4 .SAZONALIDADE DO PREÇO DO MILHO 115 110 ÍNDICE 105 100 95 90 J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.5 .PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE ALGODÃO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 77 .

6 .SAZONALIDADE DO PREÇO DO SOJA 110 108 106 104 ÍNDICE 102 100 98 96 94 92 J F M A M J J A S O N D MÊS FIGURA 4.PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE SOJA SAZONALIDADE DO PREÇO DO BOI GORDO 120 115 110 105 ÍNDICE 100 95 90 85 80 J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.7 .PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE BOI GORDO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 78 .

8 .PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE FRANGO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 79 .SAZONALIDADE DO PREÇO DO SUÍNO 106 104 102 100 98 96 94 92 ÍNDICE J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.9 .PADRÃO SAZONAL DOS PREÇOS DE SUÍNO SAZONALIDADE DO PREÇO DO FRANGO 110 105 ÍNDICE 100 95 90 J F M A M J MÊS J A S O N D FIGURA 4.

oriundos de variações cíclicas na oferta. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 80 . devido ao fato de que eles decorrem de fenômenos incontroláveis. bovinos.Análise de Aleatoriedade Este é um tipo de movimento oscilatório.10 .CICLO DO BOI GORDO 4.Análise dos Ciclos Os ciclos de preços são um movimento oscilatório de longa duração. cujo ciclo tem uma duração média em torno de 7 anos. revertendo assim a expectativa. entre outros. cujas variações são imprevisíveis. Este fato estimula a retenção de novilhas para serem matrizes. cacau. há uma diminuição no abate e consequentemente aumento nos preços. café. isto gera uma expectativa de que os preços futuros da carne serão ainda menores. geada intensa.3. semana ou mês). Um exemplo clássico. os pecuaristas decidem abater também algumas de suas novilhas e matrizes mais velhas.3. forçando ainda mais a baixa nos preços devido ao aumento da oferta.3 . guerra. Este fenômeno não é instantâneo.4 . é o que se verifica com os preços da carne bovina. cujos bezerros estarão disponíveis para o mercado daqui a três a quatro anos. tais como. os preços podem apresentar variações substâncias num curto período de tempo (dias. Em circunstâncias assim. A explicação é a seguinte: quando os preços da carne começam a baixar. Após a redução do plantel. quanto então haverá novamente aumento de oferta e um novo ciclo se inicia. tais como: seca prolongada. chuva excessiva. ocorrem com culturas perenes e animais de longo ciclo. entre outros. Preço 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Anos FIGURA 4. Devido a esta expectativa pessimista. mas ocorre ao longo de um período de mais ou menos três anos. De um modo geral.4.

mecanismo. b) Vencimento de compromissos financeiros na época da colheita. ALTERNATIVAS OU ESTRATÉGIAS DE COMERCIALIZAÇÃO Define-se "alternativa" como um procedimento. método ou opção através da qual um produtor pode vender ou influenciar os termos de venda de seu produto. os preços dos produtos agrícolas. na época da safra.Preço Autorizado . este método vem apresentando. a nível de propriedade. Devido à melhoria nas condições de estocagem."Hedging" As características de cada uma destas alternativas serão a seguir analisadas.5 . COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 81 .1 . 5. % 100 1970 1993 anos FIGURA 5. As principais alternativas disponíveis a um produtor são: .TENDÊNCIA DE REDUÇÃO DE VENDA À VISTA A figura acima mostra a decrescente proporção da produção que é comercializada na época da colheita.Preço a Fixar . estão em níveis baixos relativamente à média anual. de um modo geral.Estocagem para Especulação . tendo em vista que.Preço Médio ou Vendas em Comum .Contrato de Venda Antes da Colheita . c) Falta de recursos para financiamento da comercialização (EGF).VENDA A VISTA NA ÉPOCA DA COLHEITA Esta não é uma boa opção para o produtor. ao longo dos anos. Os principais fatores que forçam o produtor a utilizar esta alternativa são: a) Falta de capacidade de estocagem de seu produto.1 .Venda a Vista na Época da Colheita . uma importância cada vez menor.

2 .3 .2 .ESTOCAGEM PARA ESPECULAÇÃO Este método permite ao produtor estocar (armazenar) a sua produção na época da colheita e efetuar à venda no período da entressafra. e seguro. Recomenda-se. que disponha de silos e/ou armazéns. e às vezes. adicionados dos juros implícitos sobre o capital. 5. a fim de saldar o compromisso. porque as possíveis frustrações de safra podem forçá-lo a ter que comprar no mercado. antes do plantio. ou seja.5. b) O produtor.CONTRATO DE VENDA ANTES DA COLHEITA Este contrato para entrega numa data futura é um compromisso (acordo) por escrito entre produtor e comprador em que se especifica que um determinado produto será entregue numa data pré-fixada. Pt 1 P Pto to t1 t (meses) FIGURA 5. Este contrato é feito normalmente antes da colheita.Pto ) > (custo da estocagem + juros + seguro) COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 82 . O pressuposto é que ele tenha condições próprias de estocar.PERSPECTIVA DE PREÇO NA DECISÃO DE ESTOCAR O produtor decide estocar se a sua expectativa com relação aos preços for: (Pt1 . ao emprestador. são: As principais razões para que um produtor procure fazer este tipo de contrato a) O produtor quer garantir um determinado preço. Ele procura armazenar quando espera que os aumentos nos preços serão pelo menos suficientes para cobrir os custos diretos de estocagem. que o produtor não contrate parcela substancial de sua produção na época do plantio. contudo. que utiliza o crédito informal. muitas vezes precisa oferecer. Não se deve contratar antecipadamente mais de 70 % da produção esperada. parte de sua produção como garantia. mesmo antes da colheita.

5.5. Alguns compradores evitam cobrar os custos de armazenamento como meio para atrair o produtor.PREÇO AUTORIZADO Esta é uma alternativa disponível ao produtor através de sua cooperativa. a mercadoria ainda pertence ao produtor e a cooperativa não pode efetuar a venda antes que o associado decida fixar o preço. etc). mas o produtor tém o privilégio de fixar o preço mais tarde (normalmente dentro de seis meses).As três seguintes alternativas são casos particulares desta opção. o produtor entrega e transfere o título do produto ao comprador. portanto. 5. Esta alternativa. Se por um lado o produtor tem o privilégio de fixar o preço. 5. podendo. principalmente para o sojicultor. cujas cooperativas são fortes e detém uma grande capacidade de estocagem. A grande vantagem para o produtor é que ele pode especular sem possuir armazéns ou silos. ao contrário da primeira (venda à vista na época da colheita) está se tornando cada vez mais importante para o produtor. por outro lado. indústrias. sem a necessidade de consultar o produtor. 5. ao qual a cooperativa está autorizada a efetuar a venda da produção Caso os preços de mercado não atinjam o nível estipulado pelo produtor.4 . e ao mesmo tempo estipula um preço.Com Particular Neste caso.5. geralmente na época da colheita.PREÇO A FIXAR Esta alternativa apresenta duas modalidades. e com um custo mensal de armazenamento já pré-fixado. vendê-la ou industrializá-la. caso a operação seja efetuada com particulares (atacadistas. o comprador tem o privilégio de ter a posse efetiva da mercadoria. onde ele entrega a sua produção na época da colheita.2 . ou através de cooperativa.1 . % 100 1970 1993 anos COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 83 .5 . então ele deverá renovar a sua autorização a um nível de preço mais baixo.Através da Cooperativa Quando a operação é efetuada através da cooperativa.

50/Saca COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 84 . Como se observa. a responsabilidade da decisão de venda (preço e época) do produto recai sobre o associado. ou seja.FIGURA 5.000 " 4.VENDAS EM COMUM Esta é uma outra alternativa disponível ao produtor através de sua cooperativa. 5. Efetuadas as vendas.000 " 10.000 " 1.500. para as cooperativas.000 sacas Adiantamento R$ R$ R$ R$ R$ 17.000 sacas 3. passa a efetuar vendas em diferentes épocas (meses) a fim de obter um preço médio. apesar de que. material de consumo.00 34.6 . o associado recebe uma parcela do valor de sua mercadoria. armazenagem.Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social (5%). etc.00 8. a qual após receber a produção de seus associados. cujo valor resultante deve ser rateado proporcionalmente ao volume de entrega de cada associado. razão pela qual não há orientação para que os associados optem por esta alternativa.00 25. este método repassa toda a responsabilidade da decisão de venda para a diretoria da cooperativa.000. depreciação.000. Geralmente no ato da entrega da produção à sua cooperativa. Sobre a "Sobra Líquida". este método resulta em menor flexibilidade em termos de movimentação da mercadoria. que deduzido o adiantamento resulta nas "Sobras Líquidas".00 85. administração. Este sistema é também chamado de "pool” de vendas. Ao contrário da alternativa "Preço a Fixar".00 Adiantamento: R$ 8.3 . um "adiantamento". razão pela qual tem havido uma certa orientação das diretorias das cooperativas no sentido de efetuar a comercialização através desta alternativa. EXEMPLO DE "VENDAS EM COMUM" 1. ENTREGA Associado Associado Associado Associado TOTAL A B C D 2. cujo resultado é o chamado "Valor Líquido Apurado".EVOLUÇÃO DA VENDA ANTECIPADA DE SOJA A figura acima mostra a crescente proporção da produção de soja que é comercializada através da modalidade “preçoa fixar”. que permita reduzir os riscos de mercado.000.500. a cooperativa deduz as suas despesas com gerência. há os "descontos” como o "Fundo de Reserva" (10%) e o FATES .

.980.850 4. DESPESAS na comercialização (gerência..100 R$ 20.805...000....800.922.165.50 R$ 19..300.150 1.00 R$ 108.9805 1..00 R$ 23.000 sc 1...00 R$ 2. VALOR A SER RATEADO (5-6) 8.37 10...00 Sacas Sacas Sacas Sacas X X X X 10.300.9805 = = = = R$ R$ R$ R$ 3.00/10.300.3) 5...800.00 10. "Hedging" é uma operação no mercado a termo pela qual o produtor procura reduzir o risco de mercado.. RATEIO POR ASSOCIADO Associado Associado Associado Associado TOTAL A B C D 2.Adiantamento) 6. RATEIO POR SACA 9.400.961. No capítulo seguinte esta opção será analisada em detalhes.00 -------------------------TOTAL (A).000 sc 4..18 = = = = 3. não deixa de ser uma opção disponível através das cooperativas..000 sc = R$ 1.95 11.9805 1.00 R$ 1...00 R$ 19.805.00 5..00 1... VALOR LÍQUIDO APURADO (A ..900 2.000 sc X X X X Cr$ 19.000 sc 3..7 .80 11.300.00 R$ 12.2...50 7. depreciação) 4.330..00 R$ 2..48/sc 5..50 + 1.00 R$ 44. VENDA 1. PREÇO EFETIVAMENTE RECEBIDO: R$ 8. = R$ 110."HEDGING" Esta alternativa.98 = R$ 10. embora de difícil acesso para a maioria dos produtores. Descontos: -Fundo de Reserva(10%) -FATES (5%) 7.941..9805/sc 1.00 R$ 32. SOBRA LÍQUIDA ( 4 .9805 1. adm..805. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 85 .

1.Mercado de preços .Transação Pública .Troca efetiva de mercadorias . onde as mercadorias são negociadas em quantidades-padrão para entrega numa data futura.meses de entrega b) PERMUTABILIDADE .Termos não padronizados ."D" e "S" futuras MERCADO FUTURO .1. Características a) PADRONIZAÇÃO .2.Mercado central . COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 86 .2.Afetado pela "D" e "S" atuais A TERMO OU FUTURO . É um método de contrato para entrega no futuro. 6. Conceito 6.Mercado aberto . MERCADO A TERMO 6.Termos padronizados . CONTRATOS A TERMO 6.local entrega . Tipos de mercados FÍSICO OU DISPONÍVEL .2.quantidade .Transação privada .a possibilidade de controlar grandes quantidades (ou valores) com um investimento relativamente pequeno.Entrega futura .6.qualidade .liquidação por diferença c) PODER DE ALAVANCAGEM .É um mercado organizado.2.Entrega imediata ou futura .

1 ABERTURA DE POSIÇÃO NA BOLSA DE FUTUROS E CONTROLES DO SISTEMA 87 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA .FUNCIONAMENTO DA PERMUTABILIDADE ABERTURA DE POSIÇÃO BOLSA ORDEM DE COMPRA ORDEM DE VENDA A B COMPROMISSO 1 CONTRATO COMPRADO PERANTE A CAIXA COMPROMISSO 1 CONTRATO VENDIDO PERANTE A CAIXA CAIXA DE LIQUIDAÇÃO POSIÇÃO DA CAIXA 1 CONTRATO COMPRA “A” 1 CONTRATO DE VENDA “B” SALDO = 0 (NULO) FIGURA 6.

LIQUIDAÇÃO DE POSIÇÃO BOLSA ORDEM DE COMPRA ORDEM DE VENDA B C COMPROMISSO 1 CONTRATO 1 CONTRATO VENDIDO COMPRADO COMPROMISSO 1 CONTRATO VENDIDO PERANTE A CAIXA SALDO = 0 CAIXA DE LIQUIDAÇÃO POSIÇÃO DA CAIXA 1 CONTRATO COMPRA “A” 1 CONTRATO DE VENDA “C” SALDO = 0 (NULO) FIGURA 6.2 - LIQUIDAÇÃO DE POSIÇÃO NA BOLSA DE FUTUROS E CONTROLES DO SISTEMA TRANSFERÊNCIAS (PERMUTABILIADE) COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 88 .

4. OBJETIVOS PARA NEGOCIAR NO MF a) Hedging contra o risco de preços b) Especulação. 6.3 CAIXA DE LIQUIDAÇÃO Liquida F Entregando Mercadoria TRANSFERÊNCIAS DE POSIÇÃO NA BOLSA DE FUTUROS E CONTROLES DO SISTEMA 6.3.B C D E Liquida A Recebendo Mercadoria FIGURA 6.negocia em ambos os mercados .HEDGER . Daí. A BASE 6.Pd onde: B = base Pf = preço no mercado futuro Pd = preço no mercado disponível COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 89 . 3 funções econômicas do especulador a) aceita os riscos de preços b) fornece liquidez ao mercado c) descobre preços competitivos.1 Conceito B = Pf .ESPECULADOR .negocia apenas no mercado futuro aceita o risco de variação de preços. os 2 tipos de operadores no MF: .4. cujo objetivo é lucrar com a antecipação de mudança de preços.

Características da base a) menor variabilidade devido ao paralelismo de movimento de preços b) convergência para zero na época de entrega (vencimento do contrato) Preços Pf Chicago BASE Pd to FIGURA 6.Esta diferença deve-se a muitos fatores: a) Condições de "D" e "S" para o produto em ambos mercados b) Condições de "D" e "S" para produtos substitutos c) Diferenças entre a qualidade da mercadoria e a especificada no contrato. BASE FORTE .(ampla diferença).4. d) Disponibilidade de armazenamento no local.4 - t1 meses MOVIMENTOS DOS PREÇOS NOS MERCADOS FÍSICO E FUTURO NO TEMPO. e) Transporte e problemas correlatos f) Preços dos transportes.2 .(pequena diferença) indica escassez BASE FRACA . Pf Chicago Custo do “carrying” Pd Chicago Pd Cascavel BASE ARMAZENAGEM SEGURO JUROS TRANSPORTE 6. Este tipo de relação é devido a: a) produção sazonal b) o custo do “carrying” no mercado físico c) O custo de manter um contrato futuro é pequeno. ou seja. COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 90 . indica abundância. deve-se estocar.

Preços Pf BASE Pd to FIGURA 6. t1 meses COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 91 .EVOLUÇÃO DA BASE NO TEMPO.5 Julho setembro novembro tempo EVOLUÇÃO DO DIFERENCIAL ENTRE OS PREÇOS NOS MERCADOS FÍSICO E FUTURO NO TEMPO.6 .Preços Pf novembro transporte Pd Maio FIGURA 6.

Hedging 6.Aumento de preços março maio saldo Resultado: vendeu por R$ 12.50 1.5 . atacadistas ou processadores.Conceito Assumir posição no mercado a termo.6.50 = 11. • É uma venda a termo para proteger de declínio no Pd • É uma compra a termo para proteger de aumento no Pd Dois tipos de hedging a) hedge de venda (selling hedge) b) hedge de compra (buying hedge) 6.50 -1.00 R$ 11.50 Exemplo 2 .5.00 + 0. em volume igual mas de sentido oposto à posição no físico.Hedge de venda É praticado por qualquer indivíduo que possua um produto com possibilidade de declínio no preço. Exemplo 1 . Em geral pode ser feito pelos produtores.50 R$ 12.00 R$ 12.1 .2 .00 + 0.50 março maio saldo possui vende vende compra Resultado: vendeu por R$ 11.Declínio de preços Mercado disponível R$ 12.5.50 possui vende Mercado disponível R$ 12.50 R$ 11.00 compra COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 92 .50 vende Mercado futuro R$ 11.00 = 11.00 Mercado futuro R$ 11.

Por exemplo.00 Mercado futuro compra R$ 11. para embarque no futuro. Exemplo 1 .50 vende R$ 12.00 + 0.50 vende R$ 11. um exportador que fecha um contrato de exportação.00 R$ 11.00 0.50 = 11.6.Hedge de compra É usado para proteção contra possíveis aumentos de preços de uma mercadoria que será comprada numa data futura no mercado disponível.50 Mercado futuro compra R$ 11.00 R$ 12.50 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 93 .50 vende compra Mercado disponível R$ 12.50 + 1.Aumento de preços março maio saldo Resultado: comprou por R$ 12.Declínio de preços março maio saldo Resultado: comprou por R$ 11.50 vende compra Mercado disponível R$ 12. com preço fixado.3 .00 = 11.50 .5.1.00 Exemplo 2 .

os preços do mercado externo podem estar acima dos preços vigentes no mercado interno. podendo gerar.1.1 . em conseqüência.POLÍTICAS DE MERCADO EXTERNO Os objetivos para a interferência do governo nas operações com o mercado externo são: a) garantia de suprimento (reserva) para o mercado interno. Uma quota de exportação visa garantir suprimento de produto no mercado interno (exemplo: o governo quer que seja assegurada a quantidade Qi internamente).7 . uma escassez no mercado interno.1 .1 .EFEITO DA IMPOSIÇÃO DE QUOTA DE EXPORTAÇÃO onde: DT = demanda do mercado interno + exportação Pexp = preço de exportação Qi = quantidade destinada ao mercado interno Pi = preço no mercado interno.POLÍTICAS DE MERCADO AGRÍCOLA 7. após a adoção da quantidade Qi COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 94 . P S Pexp Pi DT (Di + Exp) Di (interna) 0 Qi QT Q FIGURA 7. o que estimulará os produtores a colocarem seus produtos no mercado externo. 7.Imposição de quota de exportação Devido a muitos fatores (exemplo: um aumento na demanda de um país importador). b) equilíbrio no balanço de pagamentos c) geração de recursos para serem aplicados em (transferidos para) outros setores d) proteção de um setor (indústria) nacional.

b) menor receita cambial 7. por alguma razão (por exemplo. respectivamente. Se houvesse liberação das importações a oferta interna seria ST [produção interna (Q1 ) + importação (QT .1.EFEITO DA IMPOSIÇÃO DA QUOTA DE IMPORTAÇÃO Se a demanda Di (mercado interno) fosse antendida apenas pela oferta interna (Si) o preço e a quantidade seriam P0 e Q0 . o consumo será QC. ao preço PC .Q1)].2 .Qi. quando comparado com P1 (sem imposição) COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 95 .Resultados: a) maior quantidade consumida no mercado interno e a um menor preço.2 Imposição de quota de importação Ao contrário da política anterior. Com a imposição da quota de importação em QC . Resultado: maior preço no mercado (PC). do que sem a imposição da quota. P Si ST P0 PC P1 Di 0 Q1 Qi Q0 QC QT Q FIGURA 7. problema cambial) o governo pode limitar o volume total importado de um determinado produto. a produção interna Qi .

P S P1 Pt DT Di Dt 0 Q1 Q i Qt QT Q FIGURA 7.Qi .3 .Tarifa na importação Através desta política.EFEITO DA IMPOSIÇÃO DE TARIFA DE IMPORTAÇÃO Com a importação liberada (sem imposto). Com o imposto sobre a importação a oferta se desloca de ST para St . o consumo seria QT e a produção interna Q1 e o volume impostado seia QT . a produção interna aumenta de Q1 para Qi e o preço se eleva de P1 para Pt. o volume importado será QT . com o objetivo de equilibrar o balanço de pagamentos e/ou proteger determinada indústria nacional.7.1. 7.3 .Q1.4 . reduz-se o volume de produtos importados.4 . P Si St (Si + Imp com imposto) ST (Si + Importação livre) Pt P1 Di 0 Q1 Qi Qt QT Q FIGURA 7.Tarifa na exportação Esta política desestimula a exportação e gera recursos financeiros que podem ser transferidos para outros setores.1.EFEITO DA IMPOSIÇÃO DE TARIFA DE EXPORTAÇÃO DT = demanda interna (Di ) + exportação sem imposto Dt = demanda interna (Di ) + exportação com imposto COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 96 .

Subsídios à exportação Esta política visa estimular a exportação a fim de equilibrar ou mesmo gerar saldos positivos na balança de pagamentos.2 . Resultados: a) maior preço para os consumidores do país exportador b) maior volume transacionado de produto P S P1 Ps Ds Di 0 Q1 Qi Qt QT DT Q FIGURA 7.Resultados: a) menor preço para os consumidores b) menor volume exportado 7.EFEITO DE SUBSÍDIO À EXPORTAÇÃO Ds = demanda interna (Di ) + exportação com subsídio DT = demanda interna (Di ) + exportação sem subsídio 7.1.5 . COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 97 .5 .POLÍTICAS DE MERCADO INTERNO Os objetivos da interferência do governo no mercado interno são: a) garantia de renda mínima aos produtores b) garantia de suprimento adequado aos consumidores c) estabilização de preços dos produtos d) estabilização de renda para os produtores e) contenção dos preços pagos pelos consumidores.

1 . reduzir a variabilidade de preços. Esta política tem sido utilizada para a cana-de-açúcar.EFEITO DE SUBSÍDIO AO PREÇO 7. pelo menos.EFEITO DA IMPOSIÇÃO DE COTA DE PRODUÇÃO COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 98 .7. e não trouxe os resultados esperados. O problema é o desajuste criado entre o custo privado e o custo social.2. Esta política foi utilizada para o trigo.2 .6 . P Ps S Pc D Qc FIGURA 7.2.Política de manutenção de preço por meio de quota de produção Pelo controle da produção (Qc) é possível manter-se o preço de mercado ou. Portanto o valor do subsídio por unidade de produto é (Ps . S S P Pc Q D Qc Q FIGURA 7.Pc).Pc) Qc.Política de subsídio de preços O governo garante aos produtores o preço Ps enquanto os consumidores pagam o preço Pc. e o gasto total do governo é (Ps .5 .

devido a esta política. onde t é o valor da alíquota. P P1 S Q P0 D Qs Qd FIGURA 7.2.EFEITO DA CONTENÇÃO DE PREÇOS Q COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 99 .Política de contenção de preços Esta política visa favorecer os trabalhadores urbanos e consequentemente a indústria já que.7. P1 = P0 (1 + t).7 . com conseqüente menor nível de consumo.2.8 .3 . Seu principal resultado é um desestímulo à produção e um preço maior para o consumidor.EFEITO DA TRIBUTAÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO 7.Tributação da produção O imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) é um tipo de tributação da produção. A arrecadação governamental representada pela área P0P1AB. S1 P P1 PE P0 B S0 A D Q1 Q E FIGURA 7.4 . há uma menor pressão por salários mais elevados.

Política dos estoques reguladores A instabilidade da produção agrícola.2. S ruim S normal S bom K P Pr Pe Pb G I A D H L C B E Qr Qe M Qb D Q FIGURA 7. associada a uma curva de demanda relativamente inelástica a preços.Esta é uma política desastrosa no médio e longo prazos. Esta instabilidade de preços prejudica tanto os produtores quanto os consumidores. 7.3 . pois provoca um desequilíbrio entre oferta e demanda.POLÍTICA DE ESTOQUES REGULADORES Resultados: Situações Ano bom Ano ruim Produtor ganha Pb PeCB ou + AGHL perde K Consumidor perde Pb PeDB ou + AGH ganha KI Governo Custa Qe DCQb ou . devido a fatores físicos e biológicos.HM +I+A+E COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA 100 .5 .HLM Recebe AE Resultado . geram grandes flutuações de preços dos produtos agrícolas. A política dos estoques reguladores objetiva reduzir parcialmente as flutuações de preços através de uma oferta mais regular.