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FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

silvana Maria aqUino farias silvana cardoso raMos cintra

FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

são lUís

2011

Governadora do Estado do Maranhão Roseana Sarney Murad Reitor da uema Prof. José Augusto Silva Oliveira Vice-reitor da Uema Prof. Gustavo Pereira da Costa Pró-reitor de Administração Prof. Walter Canales Sant’ana Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis Profª. Vânia Lourdes Martins Ferreira Pró-reitora de Graduação Profª. Maria Auxiliadora Gonçalves de Mesquita Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação Prof. Porfírio Candanedo Guerra Pró-reitor de Planejamento Prof. Antonio Pereira e Silva Assessor Chefe da Reitoria Prof. Raimundo de Oliveira Rocha Filho Diretora do Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais - CECEN Profª. Andréa de Araújo

Edição Universidade Estadual do Maranhão - UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet Coordenador do UemaNet Prof. Antonio Roberto Coelho Serra Coordenadora de Design Instrucional Profª. Maria de Fátima Serra Rios Coordenadora do Curso Pedagogia, a distância Heloísa Cardoso Varão Santos Responsável pela Produção de Material Didático UemaNet Cristiane Costa Peixoto Professora Conteudista Profª. Silvana Maria Aquino Farias Profª. Silvana Cardoso Ramos Cintra Revisão Liliane Moreira Lima Lucirene Ferreira Lopes Diagramação Josimar de Jesus Costa Almeida Luis Macartney Serejo dos Santos Tonho Lemos Martins Capa Luciana Vasconcelos

Universidade Estadual do Maranhão Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet Campus Universitário Paulo VI - São Luís - MA Fone-fax: (98) 3257-1195 http://www.uemanet.uema.br e-mail: comunicacao@uemanet.uema.br

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ATIVIDADES SAIBA MAIS PENSE GLOSSÁRIO ATENÇÃO REFERÊNCIAS . serão encontrados alguns ícones utilizados para facilitar a comunicação com você.ÍCONES Orientação para estudo ao longo deste fascículo. Saiba o que cada um significa.

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................. 24 A lei de diretrizes e bases da educação – nº 9394/96 ............................................. 20 Promulgação da Lei 5692/71.........................................................................................................................................................................SUMÁRIO APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO UNIDADE 1 SOBRE A HISTÓRIA .................................................................................................... 17 A história das leis .................................................. 31 Algumas tendências pedagógicas da educação física escolar .. Educação Física Prática Educativa ou Atividade? ....................................................................... 23 UNIDADE 2 PERÍODOS E CONCEPÇÕES ....... 29 As tendências pedagógicas ........................ 33 Quadro atual .................................... 38 ... 21 O momento atual e a educação física ......................... 22 Os parâmetros curriculares ........ 20 A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4024 .......................

............................................. 43 Os objetivos da educação física no ensino fundamental ...................................................... 75 Colônia de férias .................................................................................................................... 80 Ruas de Lazer ...................... 56 A criança.................................... 44 UNIDADE 4 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS ....................... 54 Plano de ensino ...................................................... 60 Como avaliar na educação física escolar? .................... 82 REFERÊNCIAS .......................... 77 Gincana ............................................................................................................................. 85 ............................................................... 41 Mídia e cultura corporal de movimento ......................................... a educação e a educação física ....... 57 Desenvolvimento motor ............................................................................................ UNIDADE 3 A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ......... 69 UNIDADE 5 O LAZER .......... 53 A relevância da educação física no processo de aprendizagem ....................

A disciplina de Fundamentos e Métodos do Ensino da Educação Física. os modelos de Educação Física na escola.Prezado (a) Estudante. subsídios que devem ser aprofundados ao longo de seu curso e futura atividade profissional. Metodologia do ensino. conteúdos. planejamento. distribuídas em contextualização histórica e suas relações sociais. Silvana Cardoso Ramos Cintra . Essa trajetória levará você ao conhecimento do referencial teórico necessário ao entendimento das práticas da cultura corporal. para o curso de Pedagogia. Esperamos que você aprecie o novo conhecimento e bom estudo! Profª. reunindo os mais relevantes temas da Educação Física no contexto escolar. Organizamos este fascículo. desde suas transformações históricas até o momento atual. O material e enfoque da Educação Física Escolar não tem um ponto final neste documento. ele representa os primeiros passos. possui uma carga horária de 60 horas. objetivos e avaliação da Educação Física Escolar. Silvana Maria Aquino Farias Profª. as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

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vem se modificando de acordo com as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. que rege a obrigatoriedade dessa área de conhecimento. a luz da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. apresentaremos elementos essenciais para a disciplina de Fundamentos e Métodos de Ensino da Educação Física para os alunos do curso de pedagogia.394/96. no espaço escolar. através da Lei 10.APRESENTAÇÃO A prática sistemática de atividades físicas é vista hoje como o grande remédio para os males da sociedade contemporânea. ampliando os conhecimentos específicos e levando em consideração as práticas docentes dos futuros pedagogos para um dos componentes curriculares que é a educação física escolar. Antes de tudo. A Educação Física na escola. por ser uma experiência prazerosa. LDB 9. permanecerá em nossa vida como um conhecimento fundamental do nosso desenvolvimento e personalidade. A Educação Física. torna-se necessário abordarmos tópicos sobre a história da educação física e suas tendências pedagógicas.394/96. LDB nº 9. Neste fascículo. alterada. posteriormente.793/2003. adquiridos ao longo da vida através do sedentarismo e alimentação inadequada. por considerar conhecimento necessário para reflexão das práticas vividas e vistas nas escolas atuais que ainda não superaram a educação física arcaica e .

. esclarecemos conteúdos diferentes como o lazer e práticas alternativas para o tempo livre. Na segunda unidade. para o entendimento da disciplina de educação física escolar. componente curricular obrigatório da educação básica. facilitando o trabalho pedagógico na escola.tradicional. em seguida. apresentados na primeira unidade. Toda nossa conversa será com o objetivo de desvendar a Educação Física. Apresentaremos a herança histórica da educação física na sociedade e suas tendências e como o corpo. As abordagens sobre planejamento e metodologias utilizadas e os tópicos da avaliação apresentamos na quarta unidade e. e suas possibilidades na aprendizagem escolar e desenvolvimento humano. continuaremos a apresentar como a história criou tendências e concepções pedagógicas e como tudo isso está sendo utilizado hoje em dia. onde não ter rendimento esportivo significava ser excluído das aulas de educação física. foi concebido e utilizado pelas leis da educação . veremos os objetivos e conteúdos da disciplina educação física. explorando os significados de conceitos utilizados na área. na terceira unidade. Também serão pontuados a influência da mídia e a visão do corpo para os alunos. Em seguida.

João Batista Freire para darmos introdução a esse fascículo de Fundamentos e Métodos de Ensino da Educação Física. no entanto. Educação de Corpo Inteiro. para refletirmos sobre a Educação Física. Outras crianças como as de favela. joga. nessa questão do movimento. exercem o movimento e a fantasia típicos da infância. trabalham para sobreviver. como razão que. engatinha corre pula. adultos. não brincam. às vezes falta escrúpulos. De qualquer maneira. faz e fala coisas que nós. EDUCAÇÃO DE CORPO INTEIRO Todos nós temos alguma ideia de como é uma criança: ela se arrasta. no espaço que lhes sobra. sua marca característica é a intensidade da atividade motora e a fantasia. a atual geração infantil de apartamento movimenta mais os dedos num videojogo e num sintonizador de televisão do que o corpo como um todo. fantasia. Mesmo essas.INTRODUÇÃO Nada melhor que lançar mão do Texto do Prof. Ele é de uma riqueza incontestável. nem sempre entendemos. É difícil explicar a imobilidade a que são submetidas as crianças quando . Alguns dirão. Ás vezes falta visão ao sistema escolar.

É por isso que as crianças ainda aprendem: por mais restritivo que seja o ambiente familiar ou escolar. imóveis? Aluno só aprende sentado e sem fazer barulho? É claro que existe um jeito muito mais simples que o atual. Claro. para criticar. para se mexer. até adaptarem-se. uma linguagem. Uma sociedade que queira ser livre não deveria conceber uma Educação que restrinja a liberdade das pessoas. está acontecendo algo de muito estranho para eles. e obrigá-lo a correr por alguns quilômetros em ritmo acelerado. para ela. isso não poderia ser imposto. O interessante é que nós professores não suportamos a mobilidade da criança. ser subitamente “amarrada” e “amordaçada” para. sempre resta um espaço de liberdade para pensar. ás vezes. como se diz. que passou sete anos se movimentando. silenciosos. de forma súbita e violenta. Não é à toa que os pequenos que entram na escola passam os primeiros tempos. Dá para imaginar o que representa para uma criança. cumpre o papel de formar crianças para exercerem funções na sociedade. Imagine esse espaço ampliado! Daí não ser descabido propor para crianças uma educação de corpo inteiro. E nisso a escola tem o papel importante.entram na escola. Não haveria uma outra forma de ensinar que não fosse mantendo os alunos presos às carteiras. A escola. que há muito deixou de praticar atividades físicas. Mesmo se fosse possível provar (e não é) que uma pessoa aprende melhor quando está imóvel e em silêncio. a não ser as mais triviais. Quem prova que uma criança livre não aprende melhor que uma prisioneira? De minha parte. cansados (dormem mais cedo) e preocupados. mas queremos que ela suporte nossa imobilidade. estou convicto de que só é possível aprender no espaço da liberdade. “aprender” o que é. A violência seria idêntica. entre outras instituições. e é aí que as pessoas aprendem. desde o primeiro dia de aula. . totalmente estranha? A linguagem da imobilidade e do silêncio? Seria o mesmo que pegar um professor idoso.

Por causa dessa concepção de que a escola só deve mobilizar a mente. ou se enquadrar numa disciplina do tipo militar. já nas escolas maternais e nas pré-escolas. no mínimo. quanto mais quieto estiver. As crianças começam a sofrer os efeitos dos equívocos educacionais desde cedo. A concretude do ensino depende. ou ao “Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil”. da fantasia. Existe um rico e vasto mundo de cultura infantil repleto de movimentos. para a escola e para a “vida”. tanto para os pedagogos de sala de aula como para os pedagogos de educação física. fora uma ou outra experiência isolada existente.Mas esse problema da restrição ao movimento corporal não começa no primeiro dia de aula. Corpo e mente devem ser entendidos como componentes que entregam o único organismo. na escola de 1º grau. Apesar de nessa fase escolar não terem de ficar sentados todo um período do dia. quase sempre ignorado pelas instituições de ensino. há momentos de imobilidade e momentos de agitação. Sem viver concretamente. de jogos. as relações especiais e temporais de . O fundamental é que todas as situações de ensino sejam interessantes para a criança. a escola conta com alunos cuja a maior especialidade é brincar. Durante o aprendizado. mas ambos para se emancipar. Uma coisa é certa: negar a cultura infantil é. menos atrapalhará. Nem a educação física. é ainda um mistério. É uma pena que esse enorme conhecimento não seja aproveitado como conteúdo escolar. esses pequenos têm seus passos gradativamente reduzidos e orientados para umas poucas trilhas: aquelas que os conduziram. no entanto. Como fazer isso. enquanto disciplina do currículo. em “segurança”. Ambos devem ter assento na escola. leva isso em conta. Fica difícil falar de educação concreta na escola quando o corpo é considerado um intruso. mais uma das cegueiras do sistema escolar. que deveria ser especialista em atividade lúdicas e em cultura infantil. o corpo fica reduzido a um estorvo que. de ações práticas que deem significado ao “dois mais dois”. corporalmente. não um (a mente) para apreender e o outro (o corpo) para transportar. a meu ver. Pelo menos até a 4º série do 1º grau.

São Paulo. João Batista. em democracia e assim por diante. fica difícil falar em educação concreta. em formação para autonomia. em conhecimento significativo. FREIRE.Teoria e prática da educação Física. 1994. por ocasião da matrículas. . Sugiro que. a cada início do ano letivo. também o corpo das crianças seja matriculado.que a cultura infantil é repleta.

até ter entrado na escola. Journey to Ixtlan. O lhar para a história da Educação Física no Brasil levanos a perceber a influência que sofreu a disciplina por interesses políticos e sociais durante o seu trajeto. puxa etc. Assim. A história nos retrata toda a evolução do homem pré-histórico que. New York. o homem executa os seus movimentos corporais mais básicos e naturais desde que se colocou de pé: corre. Compreender as mudanças que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 proporcionou para o momento atual da Educação Física Escolar. empurra. fugir ou caçar para sobreviver. os terrenos acidentados favoreciam os saltos. as buscas de frutas em altas árvores levavam . Ele realizava longas caminhadas e desenvolvia a velocidade nas corridas ao fugir de inimigos e perseguir a caça. até o momento em que a criança é capaz de perceber o mundo tal como foi descrito (Carlos Castañeda. Simon and Schuster.. possuía excelentes qualidades físicas.. dadas as precárias condições de sobrevivência.8-9) Conhecer o processo histórico da Educação Física e saber se posicionar criticamente quanto as influências políticas sofridas pela disciplina no interior da escola. arremessa.PP . cada pessoa que entra em contato com uma criança é um professor que incessantemente lhe descreve o mundo. salta. O tiro ao alvo contribuiu ao arremesso.unidade 1 Objetivo dESTA unidade: SOBRE A HISTÓRIA .1972. trepa. Tudo começou quando o homem primitivo sentiu a necessidade de lutar. à luz da ciência.

aos movimentos de trepar. atualmente praticada como jogo e esporte e é considerada o único esporte genuinamente brasileiro. a peteca. cultura popular. deram como contribuição os movimentos rústicos naturais tais como nadar. e os lagos e rios forçava-o ao uso de artifícios nas travessias com pedaços de paus e até mesmo o mergulho e o nado.. Essa luta sem armas usando os pés e saltos fez surgir a capoeira. homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato adentro para recapturar os escravos. sem armas.blogspot. Os negros vieram para o Brasil para o trabalho escravo.Os primeiros habitantes do Brasil. cada uma com significado diferente: homenageando o sol. os casamentos etc. Arte marcial de ataque e defesa introduzida no Brasil por escravos bantos. lançar. A capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura luta. a lua. . Entre os jogos incluem-se as lutas. e as fugas para os Quilombos os obrigavam a lutar. as lutas corpo a corpo incentivavam a destreza. contra os capitães-domato. música esporte..com Brasil colônia . Na suas tradições incluemse as danças. os índios. Fonte: escolacampossalles. correr atrás da caça. Todos esses movimentos de índios e negros juntos formaram as atividades e modalidades esportivas dos conteúdos da educação física. arte marciais e talvez até brincadeira. dança. 22 PEDAGOGIA . Os índios não eram muito fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo que os colonizadores os obrigavam a executar. os deuses da guerra e da paz. Eles foram sistematizados e organizados posteriormente com regras e regulamentos para prática da cultura corporal do movimento da sociedade e dentro da escola. a corrida de troncos entre outras que não foram absorvidas pelos colonizadores. além do arco e flecha.

Essa época caracterizou-se pela falta de democracia. No Brasil República foi uma época onde começou a profissionalização da Educação Física. sem dúvida. perseguição política e repressão àqueles que eram opostos ao regime militar. as aulas de educação física da época começaram a contemplar o aluno mais habilidoso em detrimento dos demais. no México. Os anos 70 ficaram marcados pela ditadura militar. Rui era dotado não apenas de inteligência privilegiada. No esporte de alto rendimento a mudança nas estruturas de poder e os incentivos fiscais deram origem aos patrocínios e empresas podendo contratar atletas funcionários. censura. onde o Brasil sagrou-se tricampeão e a euforia nacional pelo título desviava a atenção da ditadura militar que vigorava no Brasil. O governo militar investiu na educação física principalmente com o objetivo de formar um exército composto por jovens sadios e fortes. fazendo surgir uma boa geração de campeões das equipes atlântica Boa Vista. sendo todos os ramos e níveis de ensino voltado para os esportes de alto rendimento. Bradesco. durante 30 minutos.. e o regime autoritário utilizou o esporte como propaganda. da diplomacia e da política. Como o Brasil não se tornou uma potência olímpica conforme se pretendia. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 23 Ditadura Militar foi o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Por isso. Rui Barbosa preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias praticadas quatro vezes por semana. a Seleção Brasileira de Futebol conquistava o Tricampeonato Mundial de Futebol.. voleibol e atletas olímpicos com resultados expressivos. seja como jurista - do jornalismo. principalmente no futebol. Chega a família imperial! Tudo começou na época do Brasil Império . verificamos os patrocínios das empresas nos times e atletas de destaque. Rui Barbosa foi. Essa propaganda era contemplada na Copa do Mundo de Futebol. .º 630 inclui a ginástica nos currículos escolares. entre os anos de 1964 e 1985. a escola seria o "celeiro de novos talentos". um dos mais importantes personagens da História do Brasil. Na década de 70. foi criado o chamado "modelo piramidal". Pirelli entre outras. a maior meta desse modelo era projetar cada vez mais a imagem do país através do desempenho dos seus atletas. Essas duas características permi¬tiramlhe deixar marcas profundas em várias áreas de atividade profissional nos campos do direito - seja como advogado.E o tempo segue. Para isso. mas também de grande capacidade de trabalho. Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à procura de propósitos voltados à sociedade. supressão de direitos constitucionais. até hoje. Muitas discussões e sugestões sobre as ideias de Rui Barbosa sobre educação proliferaram. de que a educação física escolar seria a base.Em 1851 a lei de n. a Educação Física era usada não para fins educativos mas para propaganda do governo. esse modelo faliu.

Os objetivos propostos são modificados em função da sociedade e analisados observando o esporte de alto nível e rendimento ensino. 1967/59). as diferentes estruturas de educação escolar receberam a denominação de Primário (quatro anos). até hoje vemos a aula de educação física ser chamada de recreação e/ou ser utilizada como recreio dirigido para substituir as aulas curriculares. atividades rítmicas. visando abarcar a totalidade do desenvolvimento do aluno. dramatizações. no desenvolvimento da educação física no Brasil desde início da República (1889) até os dias atuais. havia o Curso Colegial propedêutico e os Cursos Técnicos como Curso Normal ou Curso de Formação de Professores: Curso de Contabilidade. era realizada por meio das atividades naturais. após este. manifestada de três formas: esporte educação.Nos anos 90 o esporte passa a ser visto como meio de promoção à saúde acessível a todos. abrigada sob esta estrutura vertical. de Secretariado. e atualmente considerada como um aspecto de educação geral. 24 PEDAGOGIA . dentre outros. oferecendo valiosa contribuição ao educando (Programa da Escola Primária de São Paulo. atividades complementares (Programa da Escola Primária de São Paulo. jogos. esporte participação e esporte performance. 1967/59). nº 4024. A HISTÓRIA DAS LEIS A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4024 Em 1961 promulgou-se a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LBD. (o quinto ano) e o Ginásio também com quatro anos. a aula de Educação Física era ministrada pelos regentes de classe dada suas bases científicas. Na escola primária a educação física teve como objetivo a recreação (individual e coletiva) nos seus variados aspectos.

exceto por faltas: Educação artística. com a coordenação sensório motor. era excluído e encaminhado para as aulas de educação física. Esse argumento levou a educação física escolar a ser considerada dispensável. Inglês e Educação Física (PAR. do CFE. fundamentos de jogo (modalidades esportivas coletivas). 853/71). Então. as aulas de Educação Física apenas reprovavam por falta e eram consideradas uma atividade. 1985). Núcleo-comum para os currículos do ensino de 1º e 2º graus. adquirir habilidades.CFE. as de cunho prático sem reprovação. SE/CENP . e não se previa processo de inclusão daqueles que não se adequassem a normalidade. A doutrina do currículo na Lei 5. o refinamento dos sentidos. Educação Física Prática Educativa ou Atividade? Dez anos depois da LDB nº 4224/61. e por atividade. valendo-se do Método “da Desportiva Generalizada”. capaz de promover o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito e. O programa recomendado para as aulas de Educação Física compreendia um conjunto de ginástica. cheio de vigor.).a Educação Física. força. desportos. fortalecer a vontade. de 12 de novembro de 1971. . Promulgação da Lei 5692/71. equilibrar e conservar a saúde e incentivar o espírito de equipe de modo que seja alcançado o máximo de resistência orgânica e de eficiência individual (SÃO PaULO. também se preocupou com a atitude postural adequada. formar e disciplinar hábitos sadios. é uma palavra que tem origem grega e significa kallós – belo. geralmente com exercícios de calistenia (exercícios de caráter quase militar.È uma atividade física planejada. as aulas de Educação Física para a juventude consistiam em ensinar a ginástica formativa. jogos.692/71. na década de 60. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 25 Parecer nº 853/71. e o aumento da sensibilidade rítmica. Qualquer pessoa podia administrar as aulas (que eram consideradas brincadeiras). Nomeavam-se Disciplina aquelas com orientação teórica. favorecendo a co educação. e o conhecimento de nossos costumes. sem importância. danças e recreação. foi implementada a segunda Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5692. realizada de forma repetida para desenvolver ou manter o condicionamento físico. buscar pela exercitação a harmonia do corpo. você escolhia um esporte para praticar e se não mostrasse as habilidades necessárias. de modo especial.

abriu-se à população a real possibilidade de acesso ao ensino superior. versando a construção da imagem e consciência corporal. de cunho técnico profissionalizante. em São Paulo. é componente curricular da educação básica. segundo o artigo 26. no Ensino Superior.) ofereceu aos professores da rede estadual Implementar:dar execução a um plano. e. O processo de escolarização brasileiro apresenta-se agora completo. SE/CEN. composto por três ou quatro séries. nosso Sistema Escolar termina formalmente na Graduação. demonstrando que seu conteúdo merecia ser estudado. deve ser vista como um lugar de informação. atividades temporo-espaciais. portanto. Doze anos depois. O momento atual e a educação física O currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.. as aulas de Metodologia da Educação Física estavam previstas no documento. a escola. expressão corporal e recreação (SÃO PaULO. incluir e integrar todos os estudantes em torno do Projeto Escolar. Hoje. acompanhada do Manual para o Professor. sendo facultativa nos cursos noturnos” (SÃO PaULO. a partir desta Lei vigente passou-se entender o currículo como um todo. ao contrário das épocas passadas.394/1996. apresentava exercícios. 26 PEDAGOGIA . a aula de Educação Física. SE/CENP 1985/ 79). Esse processo de intensa discussão acerca dos conteúdos escolares terminou em 1992 com a publicação do modelo final das Propostas Curriculares para o 1º e 2º Graus para todas as Disciplinas e atividades coordenadas pela CENP . foi oferecido a todos os estudantes. LBD nº 9. a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP . 1983). subsídios para a implementação da Proposta Curricular de Educação Física para a pré-escola. deve ser “integrada à proposta pedagógica da escola. Iniciando pela Educação Infantil. as propostas e os conteúdos têm a preocupação em atender. projeto. ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar.O 2º Grau.

meio ambiente. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. amparada por decreto anterior nº 69450 de 1971. trabalho e consumo. Art. por uma parte diversificada. as Disciplinas e os Componentes Curriculares devem ter compromisso com o desenvolvimento dos aspectos teóricos e práticos. sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10. é componente curricular obrigatório da educação básica. O plano de curso. inclusive os de Educação Física.793.de produção de conhecimento. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 1 27 . da cultura. Para consecução de tal tarefa.que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas. Em seguida. que consideramos um retrocesso. todos os especialistas. reedita a prática facultativa a um grupo de alunos que mais uma vez tem excluído o conhecimento específico da educação física. A lei de diretrizes e bases da educação – nº 9394/96 A mais nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 26.793. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar.2003). de 1º de dezembro de 2003): I .793. orientação sexual e ética). fala dos currículos do ensino fundamental e médio tendo uma base nacional comum. integrada à proposta pedagógica da escola. 12. datada de 20 de dezembro de 1996. II . a ser complementada. de 1º. de 1º. em seu artigo 26. (Incluído pela Lei nº 10. da economia e da clientela.2003).maior de trinta anos de idade. de ensino e das aulas. devem ser pensados segundo o Projeto Escolar e orientados de acordo com as características dos estudantes. (Incluído pela Lei nº 10. os professores. A educação física. 12. além de articulá-los aos Temas ou Eixos Transversais (saúde. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. de socialização e de desenvolvimento integral de todos os estudantes.

(Incluído pela Lei nº 10. de 1º. de 1º.793. Pare um pouco. Os parâmetros curriculares Os parâmetros curriculares nacionais são diretrizes elaboradas pelo Governo Federal que orientam a educação no Brasil e são separados por disciplina. também que as escolas.que tenha prole. 12. componente curricular obrigatória na educação básica. de 1º. Percebemos.2003). participação facultativa a uma grande parcela da população que poderia utilizar a educação física para uma qualidade de vida melhor. portanto. consideramos que ter filhos.793.(VETaDO) (Incluído pela Lei nº 10.044. 12. em situação similar. Inclusive. por ser considerado horário de aula de educação física.2003) IV . 12.793. de 1º.2003) VI .793. estiver obrigado à prática da educação física. as academias de ginástica comprovam e cobram por essa prática extra escolar. evitando os problemas provocados pelo sedentarismo. 12.que estiver prestando serviço militar inicial ou que. (Incluído pela Lei nº 10. 28 PEDAGOGIA . analisando a Lei nº 10793/2003. V .III . (Incluído pela Lei nº 10. de 21 de outubro de 1969.amparado pelo Decreto-Lei no 1. que trata de pessoas com doenças. e pense a respeito: Percebe-se.2003). e ser maior de 30 anos não pode apresentar problema para a prática da educação física. principalmente as particulares cobram taxas para os alunos praticarem os esportes na escola quando esse serviço deve ser gratuito.

Você se lembra das suas aulas de educação física? Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física trazem uma proposta que procura democratizar. de medo de errar. uma memória amarga. mas devemos lembrar que é uma sugestão. organizados em blocos inter-relacionados e são explicitados como possíveis enfoques da ação do professor. conteúdos e critérios de avaliação. Devemos lembrar que com a construção do Projeto Político Pedagógico de cada escola. indicando objetivos.Quanto à educação física fica bem definido o currículo. Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual. de sucesso. buscando ampliar. aspectos didáticos gerais e específicos da prática pedagógica em Educação Física que podem auxiliar o professor nas questões do cotidiano das salas de aula e servem como ponto de partida para as discussões. de muitas vitórias. construção coletiva. uma experiência prazerosa.. de uma visão apenas biológica. Essa parte contempla. Para boa parte das pessoas que frequentaram a escola. O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e das sociedades amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos. evidencia-se o pensamento da comunidade escolar como meta. valores e atitudes). a segunda parte dos parâmetros aborda o trabalho com as quatro séries finais do ensino fundamental. um norte a ser seguido. humanizar e diversificar a prática pedagógica da área. . cognitivas e socioculturais dos alunos. procedimental (ligados ao fazer) e atitudinal (normas. tendências pedagógicas por série etc.. procedimental e atitudinal. também. conceitos e princípios). FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 29 Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual (fatos.. de falta de jeito. para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas. para outros. de sensações de incompetência. a lembrança das aulas de Educação Física é marcante: para alguns.

"O esporte não é apenas um motivo de competição. e. que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos Cidadania é a qualidade ou estado de cidadão. nas escolas. Fonte: ana-educacaoconsciente.blogspot. mas também uma ferramenta incomparável de inclusão social" (autor desconhecido). considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania. afetos e emoções. ginásticas e danças.com 30 PEDAGOGIA . processos de ensino e aprendizagem e avaliação tem como meta a inclusão do aluno na cultura corporal de movimento. resultante da valorização exacerbada do desempenho e da eficiência. princípio da inclUsão a sistematização de objetivos. respeitar diversidades regionais.O trabalho de Educação Física nas séries finais do ensino fundamental é muito importante na medida em que possibilita aos alunos uma ampliação da visão sobre a cultura corporal de movimento. pretende-se criar condições. conteúdos. por meio da participação e reflexão concretas e efetivas. Busca-se reverter o quadro histórico da área de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais. com finalidades de lazer. como jogos. culturais e políticas existentes no país e. Ressignificar esses elementos da cultura e construí-los coletivamente é uma proposta de participação constante e responsável na sociedade. de outro. seja na manutenção ou na construção de espaços de participação em atividades culturais. de um lado. a capacidade para interferir na comunidade. esportes. A Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades. assim. de forma democrática e não seletiva.A pessoa torna-se cidadão quando intervém na realidade em que vive. Com isso. Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados procurando. expressão de sentimentos. viabiliza a autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e A cultura corporal contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. lutas.

Busca-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas. categorias de conteúdos Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual (fatos. organização e avaliação. procedimental (ligados ao fazer) e atitudinal (normas. motoras e socioculturais dos alunos. visando a ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem. Os conteúdos atitudinais apresentam-se como objetos de ensino e aprendizagem. buscando minimizar a construção de valores e atitudes por meio do currículo. Busca-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas. conceitos e princípios). valores e atitudes). Fonte: ana-educacaoconsciente.princípio da diversidade O princípio da diversidade aplica-se na construção dos processos de ensino e aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos. do compreender e do sentir com o corpo. e apontam para a necessidade de o aluno vivênciá-los de modo concreto no cotidiano escolar.com O princípio da diversidade aplica-se na construção dos processos de ensino e aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 31 . Incluem-se nessas categorias os próprios processos de aprendizagem. cognitivas. na medida em que o objeto central da cultura corporal de movimento gira em torno do fazer.blogspot. cognitivas. motoras e socioculturais dos alunos. Os conteúdos conceituais e procedimentais mantêm uma grande proximidade. visando a ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem.

CaSTELLaNI FILHO. 1998. Entreviste pessoas mais idosas na comunidade sobre a educação física na vida escolar. DF: MECSEF . ______. 1996. ao final fazer um grande grupo de discussão para apresentar os resultados. Lino.De acordo com o que foi visto até agora. 32 PEDAGOGIA . Brasília. 1998. Lei nº. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. SP: Papirus.394 de 20 de dezembro de 1996. Campinas. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. faça as seguintes atividades: Forme duplas e relate suas experiências nas aulas de educação física. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1997. Estabelece as Diretrizes e Bases da educação Nacional. Campinas: autores associados. BRaSIL. Política educacional e educação física. 9. ______. DF . Brasília.

possuíam diversas concepções relacionadas à função da própria educação física. Desenvolvimento da personalidade. educação física no Brasil passou por diversos períodos que. Tinha por finalidade “[. saudáveis e propensos à aderência a atividades boas em detrimento de maus hábitos. podendo estabelecer conexões com o momento atual e o passado vivido. por sua vez. foi decretado no país o “Regulamento n. cabendo no papel da educação física a formação de indivíduos fortes. As tendências podem ser reconhecidas e divididas em: Educação Física Higienista (1889-1930) – Propunha uma ênfase na saúde.. da maneira de trabalhar e ver o corpo. Educação Física Militarista (1930-1945) – De forte influência dos militares. Tinha por objetivo o “desenvolvimento harmônico do corpo. Perceber as várias utilizações do corpo pela sociedade em constante transformação. tornando de caráter oficial a utilização do “Método do Exército Francês”.unidade 2 ObjetivoS dESTA unidade: PERÍODOS E CONCEPÇÕES Compreender as concepções e tendências pedagógicas da Educação Física Escolar. p. da necessidade. 177). 7”. Aperfeiçoamento da A . formando o homem física e moralmente sadio alegre e resoluto” (MARINHO. 1953..] proporcionar aos alunos o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito.

Ou seja. Os conteúdos de educação física eram repetições mecânicas de gestos e movimentos. Na década de 60.IV. A ênfase na esportivização dos conteúdos da Educação Física restringia o movimento e o próprio conhecimento da área aos códigos esportivos. v. acima das “querelas políticas”. (FERREIRa. saindo do 34 PEDAGOGIA A ginástica sueca preocupavase com a execução correta dos exercícios. a educação física foi influenciada pela área médica (higienismo). Educação Física Popular (1985-) – Movimento de cunho ideológico que pretende mudar o paradigma da educação física. é capaz de cumprir o velho anseio da educação liberal: formar o cidadão. Foi o período que houve o maior investimento na educação física como um todo.29) . TEIXEIRa. 1967. 1989. (MaZZEI. Educação Física Competitivista (1964-1985) – Marcada pelo forte apelo aos esportes de competição oficiais.31). conseguem. pelo constrangimento. que ameaçam e. p. por força da profissão é condutor de jovens. as concepções teóricas e a prática real nas escolas se distanciaram.destreza. Educação Física Pedagogicista (1945-1964) – Com uma visão que pode ser traçada ao liberalismo. p. emprestando-lhes um espírito corretivo. Nesse mesmo período histórico. Por isso é conhecida como ginástica de posições. Quer-se dar ao professor de educação física a convicção de que ele. A compreensão de corpo era a mesma difundida pela aptidão física e o movimento norteado pela perspectiva de rendimento esportivo. às vezes. como os sistemas ginásticos alemão e sueco e o método francês. conduzir a maioria acomodada. por um “culto do atletaherói”. um líder e não pode aceitar ser conduzido por minorias ativas que intimidam. até a década de 50. a vertente pedagogicista propunha a educação física como um meio de formação do indivíduo. Emprego da força e espírito de solidariedade”. O método utilizado era norteado pelos estilos comando e tarefas. 143). Nessa mesma época. essa visão foi a predominante no regime militar.” (GHIRaLDELLI JÚNIOR. pelos militares ou acompanhou mudanças no próprio pensamento pedagógico. O professor deveria preparar esses futuros atletas. os processos de ensino e aprendizagem nem sempre acompanharam as mudanças do pensamento pedagógico. começou a haver uma certa confusão entre educação física e esporte. 1989. eram importados modelos de práticas corporais. com a introdução do Método Desportivo Generalizado. p. . “a educação física. 1969 apud GHIRaLDELLI JÚNIOR. pacífica e ordeira. Conteúdo voltado para a iniciação esportiva.

mas essa discussão só alcançou a Educação Física escolar muito tempo depois. e o método desportivo generalizado. Ou seja. (GHIRaLDELLI JÚNIOR. como os sistemas ginásticos alemão. O nome Cinesiologia vem do grego kínesis = movimento + logos = tratado. (COLETIVO DE aUTORES. estuda os movimentos do corpo humano. científicas e pedagógicas.. a Educação Física sofreu influências provenientes da filosofia positivista. a Educação Física escolar sofreu. pt. Nesse mesmo período histórico ocorreu a importação de modelos de práticas corporais. desde as leis físicas e características no nível cinésio/fisiológico. Por exemplo. Contudo.65). 1989. De forma mais específica. instrução pré-militar). Outro exemplo que mostra o viés ideológico é o do Coletivo de autores que fala que: [.] o aluno sistematiza o conhecimento sobre os saltos e os conceitos que explicam o conteúdo e a estrutura do objeto salto.wikipedia.competitivismo para uma visão em direção a “[. de interesses militares (nacionalismo.. a vertente escola-novista na década de 50). a co-educação (meninos e meninas na mesma turma) era uma proposta dos escolanovistas desde a década de 20. até a década de 50. o higienismo). nas décadas de 50 e 60. p. entre as décadas de 10 e 20. no Brasil. da área médica (por exemplo. que ocorreram no pensamento pedagógico desta área. às vezes bastante profundas. 1993. observa-se na história da Educação Física uma distância entre as concepções teóricas e a prática real nas escolas.org/wiki/ Cinesiologia AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS No século XX. assim. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 2 35 . estudo.34). tendências políticas. p. sueco e o método francês. nem sempre os processos de ensino e aprendizagem acompanharam as mudanças.. a solidariedade e a organização e mobilização dos trabalhadores na tarefa de construção de uma sociedade efetivamente democrática”. influências de correntes de pensamento filosófico.. A cinesiologia é a ciência que tem como enfoque a análise dos movimentos. até as explicações político-filosóficas da existência de modelos de salto.] ludicidade. e acompanhou as mudanças no próprio pensamento pedagógico (por exemplo.

estreitaram-se os vínculos entre esporte e nacionalismo. por seus meios. cívicas. a melhoria da aptidão física da população urbana e o empreendimento da iniciativa privada.Mais recentemente. Iniciou-se então uma profunda crise de identidade nos pressupostos e no próprio discurso 36 PEDAGOGIA . mais uma vez. de 1971. O governo militar investiu nessa disciplina em função de diretrizes pautadas no nacionalismo. Este se desenvolveria. processos e técnicas. Nesse período. tornando-se um desporto de elite. a partir da quinta série. desenvolve e aprimora forças físicas. tanto na organização das atividades como no seu controle e avaliação. O decreto deu ênfase à aptidão física. A organização desportiva para a comunidade comporia o desporto de massa. com a seleção de indivíduos aptos para competir dentro e fora do país. o segundo nível da pirâmide. na integração (entre os Estados) e na segurança nacional. Em relação ao âmbito escolar. influências importantes no aspecto político. a partir do Decreto no 69. Nesse período. a Educação Física passou a ser considerada como a atividade que. o chamado modelo piramidal norteou as diretrizes políticas para a Educação Física: a Educação Física escolar e o desporto estudantil seriam a base da pirâmide. morais. na década de 70. psíquicas e sociais do educando. se tornou um dos eixos fundamentais de ensino. buscava-se a descoberta de novos talentos que pudessem participar de competições internacionais. As atividades esportivas também foram consideradas importantes na melhoria da força de trabalho para o milagre econômico brasileiro. Um bom exemplo é o uso que se fez da campanha da seleção brasileira de futebol. e a iniciação esportiva. na Copa do Mundo de 1970. Na década de 80 os efeitos desse modelo começaram a ser sentidos e contestados: o Brasil não se tornou uma nação olímpica e a competição esportiva da elite não aumentou significativamente o número de praticantes de atividades físicas.450. a Educação Física sofreu. objetivando tanto a formação de um exército composto por uma juventude forte e saudável como a desmobilização das forças políticas oposicionistas. representando a pátria.

Às recém-criadas organizações da sociedade civil. passou a dar prioridade ao segmento de primeira a quarta séries e também à pré-escola. as publicações de um número maior de livros e revistas. inspiradas no momento histórico social pelo qual passou o país. Algumas tendências pedagógicas da educação física escolar Em oposição à vertente mais tecnicista. bem como o aumento do número de congressos e outros eventos dessa natureza. que originou uma mudança expressiva nas políticas educacionais: a Educação Física escolar. que estava voltada principalmente para a escolaridade de quinta a oitava séries do primeiro grau. esportivista e biologicista surgem novas abordagens na Educação Física escolar a partir do final da década de 70. fruto de uma etapa recente da Educação Física. O campo de debates se fertilizou e as primeiras produções surgiram apontando o rumo das novas tendências da Educação Física.da Educação Física. bem como entidades estudantis. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 37 . nas novas tendências da educação de uma maneira geral. As relações entre Educação Física e sociedade passaram a ser discutidas sob a influência das teorias críticas da educação: seu papel e sua dimensão política foram questionados. Atualmente coexistem na área várias concepções. somaram-se setores do meio universitário identificados com as tendências progressistas. todas elas tendo em comum a tentativa de romper com o modelo anterior. foram fatores que contribuíram para esse debate. o retorno de professores doutorados que estavam fora do Brasil. O objetivo passou a ser o desenvolvimento psicomotor do aluno. propondo-se retirar da escola a função de promover os esportes de alto rendimento. sindicais e partidárias. além de questões específicas da própria Educação Física. a criação dos primeiros cursos de pós-graduação em Educação Física. Simultaneamente.

. embora outras transitem pelos meios acadêmico e profissional. O conteúdo predominantemente esportivo é substituído por um conjunto de meios para a reabilitação. construtivista e desenvolvimentista com enfoques da psicologia crítica. a dança. Embora contenham enfoques diferenciados entre si. Porém. com os processos cognitivos. por exemplo. Vai permitir movimentos naturais bem coordenados. da lateralidade e da coordenação a principal vantagem dessa abordagem é a maior integração com a proposta pedagógica da educação física. Todas essas correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para a área. Coordenação visomotora é a capacidade de coordenar o campo visual com a mobilidade de partes do corpo. buscando garantir a formação integral do aluno. a sociológicasistêmica e a antropológica-cultural. abandona completamente os conteúdos específicos dessa disciplina. Nele. abordageM psicoMotora a psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que aparece a partir da década de 70 em contraposição aos modelos anteriores. com enfoque sociopolítico. afetivos e psicomotores. com pontos muitas vezes divergentes. então. como. as abordagens que tiveram maior impacto a partir de meados da década de 70 são comumente denominadas de psicomotora. com o ato de aprender. a educação física está envolvida com o desenvolvimento da criança. como se o esporte.Essas abordagens resultam da articulação de diferentes teorias psicológicas. Vejamos. com os processos cognitivos. Exempo: a escrita. o envolvimento da Educação Física é com o desenvolvimento da criança. readaptação e integração que valoriza a aquisição do esquema motor. o que a aproxima das ciências humanas. e a ginástica fossem inapropriados para os alunos. têm em comum a busca de uma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do ser humano. afetivos e psicomotores. sociológicas e concepções filosóficas. Nessa tendência. buscando garantir a formação integral do aluno. 38 PEDAGOGIA . algumas abordagens. ou seja..

A principal vantagem dessa abordagem é que ela possibilitou uma maior integração com a proposta pedagógica ampla e integrada da Educação Física nos primeiros anos de educação formal. Abordagem desenvolvimentista A abordagem desenvolvimentista é dirigida especificamente para a faixa etária até 14 anos e busca nos processos de aprendizagem e desenvolvimento uma fundamentação para a Educação Física escolar. a intenção é a construção do conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo. do desenvolvimento motor e da aprendizagem motora em relação à faixa etária e.A Educação Física é. sociabilização. assim. representou o abandono do que era específico da Educação Física. a Educação Física não tem um conteúdo próprio. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 39 . em função dessas características. Língua Portuguesa. apenas um meio para ensinar Matemática. substituindo o conteúdo que até então era predominantemente esportivo. como se o conhecimento do esporte. em si. mas é um conjunto de meios para a reabilitação. A proposta teve o mérito de levantar a questão da importância de se considerar o conhecimento que a criança já possui na Educação Física escolar. inadequado para os alunos. Para este modelo... Porém. ação sobre o mundo. lateralidade. da dança. Abordagem construtivista Na perspectiva construtivista. incluindo os conhecimentos prévios dos alunos no processo de ensino e aprendizagem. consciência corporal e coordenação visomotora. da ginástica e dos jogos fosse. e para cada criança a construção desse conhecimento exige elaboração. Essa perspectiva também procurou alertar os professores sobre a importância da participação ativa dos alunos na solução de problemas. É uma tentativa de caracterizar a progressão normal do crescimento físico. readaptação e integração. o qual valorizava a aquisição do esquema motor.

Assim. uma Educação Física crítica estaria atrelada às transformações sociais. Assim.sugerir aspectos ou elementos relevantes à estruturação de um programa para a Educação Física na escola. em decorrência da prática das habilidades motoras. a Educação Física deve proporcionar ao aluno condições para que seu comportamento motor seja desenvolvido pela interação entre o aumento da diversificação e a complexidade dos movimentos. ou seja. de ordem afetivo-social e cognitiva. A criança deve aprender a se movimentar para adaptar-se às demandas e às exigências do cotidiano. com fundamento no materialismo histórico e dialético. a partir da década de 80 são elaborados os primeiros pressupostos teóricos num referencial crítico. As abordagens críticas passaram a questionar o caráter alienante da Educação Física na escola. uma aula de Educação Física deve privilegiar a aprendizagem do movimento. corresponder aos desafios motores. Abordagens críticas Com apoio nas discussões que vinham ocorrendo nas áreas educacionais e na tentativa de romper com o modelo do esporte praticado nas aulas de Educação Física. Para a abordagem desenvolvimentista. conquanto possam estar ocorrendo outras aprendizagens. assim. econômicas e políticas. sua inserção transformadora nessa realidade. propondo um modelo de superação das contradições e injustiças sociais sugerindo que os conteúdos selecionados para a aula devem propiciar uma melhor leitura da realidade pelos alunos e possibilitar. Em suma. a fim de que a aprendizagem das habilidades motoras seja alcançada. o principal objetivo da Educação Física é oferecer experiências de movimento adequadas ao seu nível de crescimento e desenvolvimento. tendo em vista a superação das desigualdades sociais. 40 PEDAGOGIA .

A Educação Física é entendida como uma área que trata de um tipo de conhecimento. Reavaliaram-se e enfatizaram-se as dimensões psicológicas. e pedagógico. objetivos educacionais mais amplos. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 41 . não só restritos a exercícios ginásticos e esportes. sociais. Essa reflexão pedagógica é compreendida como sendo um projeto político pedagógico. Em resumo. foram englobados aprendizagens. que tem como temas o jogo. afetivas e políticas. Essas quatro abordagens se desdobram em novas propostas pedagógicas. de que a produção cultural da humanidade expressa uma determinada fase e que houve mudanças ao longo do tempo. denominado cultura corporal de movimento. Nesse contexto. a capoeira e outras temáticas que apresentarem relações com os principais problemas dessa cultura corporal de movimento e o contexto histórico-social dos alunos.Busca possibilitar a compreensão. explicitando suas determinações. por parte do aluno. a ginástica. Além disso. cognitivas. Político. porque propõe uma reflexão sobre a ação dos homens na realidade. passando para a escola e para o professor a responsabilidade da adaptação da ação educativa escolar. desenvolvimentista e crítica no espaço do debate da Educação Física proporcionaram uma ampliação da visão da área. porque encaminha propostas de intervenção em determinada direção. a introdução das abordagens psicomotora. a dança. não apenas voltados para a formação de físico que pudesse sustentar a atividade intelectual e conteúdos mais diversificados. construtivista. tanto no que diz respeito à natureza de seus conteúdos quanto no que refere aos seus pressupostos pedagógicos de ensino e concebendo o aluno como ser humano integral. surge uma nova ordem nas propostas da atual Lei de Diretrizes e Bases. orientando para que a educação física se integre na proposta pedagógica da escola. o esporte. Essa nova ordem dá autonomia para se construir uma nova proposta.

dentro de situações desfavoráveis. que. mas a intenção do praticante. O conceito de cultura é aqui entendido. cultura corporal do movimento. produziu cultura. possuímos muitas linhas ou abordagens filosóficas. antecedendo-os e transcendendo-os. e pode ser praticado numa perspectiva de prazer e divertimento. por exemplo. em muitos contextos. simultaneamente. aptidão física.interacionista e a ligada ao meio ambiente. motricidade humana. pelo cidadão comum. desenvolvimentista. Com um caráter predominantemente utilitário ou lúdico. tradicional. 42 PEDAGOGIA . seguem inovando. A rigor. Ao mesmo tempo. como produto da sociedade e como processo dinâmico que vai constituindo e transformando a coletividade à qual os indivíduos pertencem. sócioconstrutivista. cinesiológica. no caso do esportista profissional. um esporte pode ser praticado com fins utilitários. encontra-se ainda. todas visam. sócio. as quatro grandes tendências apontadas têm se desdobrado em novas propostas pedagógicas. o que define o caráter lúdico ou utilitário não é a atividade em si. em função do avanço da pesquisa e da reflexão teórica específicas da área e da educação escolar de forma geral. desde suas origens. a seu modo.Quadro atual Na atualidade. muitas vezes. a combinar o aumento da eficiência dos movimentos corporais com a busca da satisfação e do prazer na sua execução. que não suprem as necessidades e as possibilidades da educação contemporânea O ser humano. e da sistematização decorrente da reflexão sobre a prática pedagógica concreta de escolas e professores. a prática de propostas de ensino pautadas em concepções ultrapassadas. A nossa missão: um compromisso para a toda a vida! Hoje. infelizmente. Sua história é uma história de cultura na medida em que tudo o que faz é parte de um contexto em que se produzem e reproduzem conhecimentos.

Isso também leva à conclusão que não temos um modelo puro e único. e sim mesclado. o esporte. a ginástica e a dança.Se esta realidade nos conforta e nos alimenta também nos alerta para a construção de um Brasil com oportunidades mais amplas a todos e fazer praticar com excelência o jogo. sem nos esquecermos da sensibilidade que deve guiar todos os nossos passos. Sugerir exemplos de atividades para cada concepção. de várias influências e filosofias. CONCLUSÃO Nessa unidade verificamos as diversas tendências e abordagens da educação física escolar. que apresenta um longo caminho trilhado. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 2 43 . Recebemos influências estrangeiras de modelos de ginásticas atividades até chegarmos à educação física nacional como uma cultura corporal. ao final dessa unidade propomos para o aluno: Identificar a principal marca de cada tendência relacionando-a com as concepções abordadas. a luta.

1989. São Paulo: Cortez. CORREIa. Filosofia da educação. Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física. SP: Papirus. Metodologia do ensino da educação física. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos paradigmas na educação física. Campinas. 1992. São Paulo: Scipione. São Paulo: Cortez. Marcos Miranda. LUCKESI. 224 p.COLETIVO DE aUTORES. 44 PEDAGOGIA . FREIRE. João Batista. 1992. Cipriano Carlos. 2006.

algumas foram incorporadas pela Educação Física como objetos de ação e reflexão: os jogos e brincadeiras.blogspot. à dança e à ginástica. com origens nos Estados Unidos da América.UNIDADE 3 OBJETIVO DESTA UNIDADE: A EDUCAÇÂO FÍSICA ESCOLAR Verificar as possibilidades que a Educação Física Escolar proporciona no processo de ensino e aprendizagem com suas múltiplas inserções sociais.org/wiki/ Pragmatismo . Fonte: criandocriancas.com O Pragmatismo constitui uma escola de filosofia. tem buscado a formulação de um recorte epistemológico próprio. que têm em comum a representação corporal de diversos aspectos da cultura humana. caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza de que só a ação humana. as ginásticas e as lutas. Saber a forma mais adequada de trabalhar com a Educação Física como componente curricular. N o universo de produções da cultura corporal de movimento. a partir deles. à luta.wikipedia.. ao esporte. pode alterar os limites da condição humana. movida pela inteligência e pela energia. Possui uma tradição e um saberfazer ligados ao jogo. a Educação Física tem uma história de pelo menos um século e meio no mundo ocidental moderno. ora mais próxima do pragmatismo e da objetividade. os esportes. e. pt.. as danças. . São atividades que ressignificam a cultura corporal humana e o fazem utilizando ora uma intenção mais próxima do caráter lúdico.

das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. e a natureza do trabalho desenvolvido nessa área se relaciona intimamente com a compreensão que se tem desses dois conceitos. formando o cidadão que vai produzi-la. os processos de ensino e tarefa da Educação Física escolar devem garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal. Fonte: kely. das danças.zip. contribuir para a construção de um estilo pessoal de praticá-las.O trabalho na área da Educação Física tem seus fundamentos nas concepções socioculturais de corpo e movimento. dos esportes.net Seja qual for o objeto de conhecimento em questão. entende-se a Educação Física como uma área de conhecimento da cultura corporal de movimento e a Educação Física Escolar como uma disciplina que introduz e integra o aluno na cultura corporal de movimento. visando seu aprimoramento como seres humanos. Portanto. e oferecer instrumentos 46 PEDAGOGIA .silva. instrumentalizando-o para usufruir dos jogos. de forma democrática e não seletiva. reproduzi-la e transformá-la. Cabe assinalar que os alunos portadores de necessidades especiais não podem ser privados das aulas de Educação Física. a Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades.

a cooperação. as Devem dos caract-rísticas Onomatopeia é uma figura de linguagem na qual se imita um som com um fonema ou palavra. aponta para uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que busca o desenvolvimento da autonomia. o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias. Essa cultura dos jovens está muito associada aos meios de comunicação. barulho de máquinas.) e na linguagem da mídia (videoclipes. afetiva. processos decisivos na FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 3 47 . desenhos e fotos associadas a textos concisos nas revistas e jornais etc. a mídia está presente no cotidiano dos alunos. analisá-los esteticamente. Ruídos. canto de animais. estética. imagens produzidas por computação gráfica. ética. a participação social e a afirmação de valores e princípios democráticos.org/wiki/ Onomatopeia alunos em todas as suas dimensões (cognitiva.).. corporal. Também no campo da cultura corporal de movimento a atuação da mídia é decrescente considerar aprendizagem. .. O aluno deve aprender para além das técnicas de execução (conteúdos procedimentais) a discutir regras e estratégias. imagens e música) que se manifesta na própria comunicação entre os jovens (uso de gestos corporais. pt. sons da natureza. palavras e frases truncadas etc. e valoriza o uso de uma linguagem audiovisual (combinação de palavras.wikipedia. transmitindo informações. apreciá-los criticamente. gírias. MÍDIA E CULTURA CORPORAL DE MOVIMENTO a adolescência tem como uma de suas características atuais a capacidade de produzir formas culturais próprias. onomatopeias.para que sejam capazes de apreciá-las criticamente. de relação interpessoal e Fonte: antoniozai. gritos.wordpress. em especial a televisão. avaliá-los eticamente. ressignificá-los e recriá-los (conteúdos atitudinais e conceituais).com inserção social). alimentando um imaginário e construindo um entendimento de mundo.

os alunos possuem muitas informações sobre a cultura corporal de movimento em geral e sobre esportes em particular. correr. metodologias de ensino. com base em práticas pedagógicas. (andar. revistas. muitas vezes. as danças e as lutas tornam-se. rádio e televisão difundem ideias sobre a cultura corporal de movimento.). 48 PEDAGOGIA . influenciados pelas culturas das mídias e do contexto global. O esporte. dessa forma.construção de novos significados e modalidades de entretenimento e consumo. O passo seguinte é partir para as ações. Os alunos também tomam contato. Em primeiro lugar. trilhas ecológicas). a fim de não perder um importante canal de diálogo e compartilhamento de interesses. poderemos avançar em direção a um currículo que se aproxime das aprendizagens reais de sala de aula. Cabe à escola ampliá-los além de propiciar aos estudantes a reflexão dos saberes escolares. na academia etc. e muitas dessas produções são dirigidas especificamente ao público adolescente e infantil. exigindo do professor uma atualização constante. Acreditamos que. Jornais. videogames. malhar. as ginásticas. à superação de desafios (body-jumping. O professor precisa estar permanentemente atento à mídia. produtos de consumo (mesmo que apenas como imagens) e objetos de conhecimento e informações amplamente divulgados ao grande público. planejamentos das aulas e avaliações do ensino-aprendizagem. OS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL Sabemos que os estudantes são sujeitos sociais e de cultura e chegam às escolas com saberes de sua comunidade local. cada vez mais. asa-delta) ou a atividades na natureza (montanhismo.

percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pessoas e entre grupos sociais e étnicos. • Favorecer o conhecimento. ginásticas. entendemos que um currículo não se cristaliza com o documento. danças. Mais que isso. artes circenses etc. Por fim. currículo é constante movimento. acompanha o curso da história da sociedade. de maneira crítico-reflexiva.Acreditamos também que as práticas curriculares devem ser pensadas à luz do processo de formação dos educadores. os objetivos para o ensino fundamental são: • Garantir a todos os alunos a aprendizagem dos saberes da cultura corporal expressos nos jogos. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 49 . inventar e reinventar as práticas corporais lúdicas e competitivas da cultura corporal. • Problematizar. • Promover o entendimento e a valorização das práticas corporais como produção histórica. vida e cultura das escolas. Para entendimento. seus anseios e dilemas. • Ampliar o conhecimento prévio do aluno acerca das práticas da cultura corporal. lutas. apresentamos alguns objetivos a serem considerados no ensino fundamental por ciclos para vermos como a disciplina coloca-se ao longo da escolaridade num espiral de constante desenvolvimento e crescimento. superando limites como a violência. o preconceito e a discriminação. • Oportunizar a expressão da corporeidade.). Objetivos nos Ciclos De acordo com o Referencial Curricular do Estado do Maranhão (2009). esportes e outras práticas (mímicas. o respeito e a valorização da pluralidade de manifestações da cultura corporal do Brasil e do mundo. com vistas a uma compreensão/transformação da realidade.

além de adotar atitudes de respeito mútuo. espera-se que os alunos sejam capazes de participar ativamente das aulas e atividades propostas. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas. dignidade e solidariedade. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio ambiente. 4. conhecer. 5. Identificar. 2. vitória X derrota. 3. por nenhum motivo ou razão. valorizar. 6. Para atingir essas competências. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conhecimentos. Compreender a importância do vestuário adequado para a prática de atividades físicas. 50 PEDAGOGIA . fazendo uso do mesmo. a alimentação e as atividades corporais. apreciar e desfrutar das diferentes manifestações culturais a começar pelas de seu grupo familiar e de seus colegas. é importante desenvolver as seguintes habilidades: Conteúdos. Compreender as relações referentes à inclusão X exclusão. Valorizar. 7. respeitando regras e combinados apresentados pelo grupo. entre outras existentes nas práticas corporais. apreciar e desfrutar das diferentes manifestações culturais presentes em sua comunidade. habilidades. atitudes e Procedimentos rela- cionados por faixa etária 06 ANOS / 07 ANOS / 08 ANOS 1.Ciclos na Educação Física Nos 1º e 2º ciclos. compreendendo que são fatores primordiais a saúde. 08. Participar de brincadeiras e jogos. os hábitos de higiene. estabelecendo relações equilibradas e construtivas.

por nenhum motivo ou razão. Conhecer e comparar os diferentes recursos materiais e físicos disponíveis para a construção do conhecimento nas práticas corporais. Conhecer.09. 12. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo. fazendo uso do mesmo. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as atividades físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. Compreender e participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas. Conhecer. dentre outras existentes nas práticas corporais. 10. 2. valorizar. Compreender as relações referentes à inclusão X exclusão. 8. 10. vitória X derrota. apreciar e desfrutar das diferentes manifestações culturais presentes na sociedade. Compreender a importância do vestuário adequado para a prática de atividades físicas. 4. 9. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as atividades físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. compreendendo-o como semelhante. 3. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas. compreendendo-o como semelhante. Conhecer os diferentes recursos materiais e físicos disponíveis para a construção do conhecimento nas práticas corporais. 09 ANOS / 10 ANOS 1. 5. apreciar e desfrutar das diferentes manifestações culturais. 11. mas não igual aos demais para desenvolver auto estima e cuidados consigo próprio. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conhecimentos. mas não igual aos demais para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio. valorizar. 6. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 51 . 7. por nenhum motivo ou razão. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas. por nenhum motivo ou razão. 13. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo. Adotar atitudes de respeito e cooperação na solução de problemas utilizando o diálogo para favorecer a troca de conhecimentos.

Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas. 3. brincadeiras e outras atividades corporais. Nesta etapa do desenvolvimento os alunos são capazes de realizar movimentos mais elaborados e complexos. 11 ANOS / 12 ANOS 1. 14. entendendo as possibilidades corporais a fim de que sejam estabelecidas metas pessoais como recurso de melhoria da saúde. 4. 5. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. 52 PEDAGOGIA . 13. valorizando-as e pautando-se por princípios de respeito à diversidade e inclusão. reconhecendo-as como fonte de lazer. por nenhum motivo ou razão. entre outras existentes nas práticas corporais. Organizar. apercebendo-se do outro enquanto participador do mesmo espaço. dentre outros princípios democráticos. além de participar ativamente das atividades propostas com respeito às regras e aos colegas. compreendendo-o como semelhante. autonomamente. 16. 15. Utilizar as relações referentes à inclusão X exclusão. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conhecimentos. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as atividades físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. Organizar informações importantes para a potencialização das práticas corporais a partir dos eventos escolares. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo. atividades esportivas. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio ambiente. jogos. Organizar jogos. brincadeiras e outras atividades corporais. como meio de educação para o lazer. mas não igual aos demais para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio. 12.11. Conscientizar e compreender a gama de transformações do corpo e situá-lo no contexto de suas práticas corporais. 2. principalmente. vitória X derrota.

7. 8. Identificar e compreender a importância do vestuário adequado para a prática de atividades físicas. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. 16. 15. técnico. Organizar as informações decorrentes de eventos escolares e de conteúdos programáticos.6. criticamente. apercebendo-se do outro enquanto participador do mesmo espaço. Qualificar o próprio movimento para atuar de forma mais eficiente dentro de suas possibilidades corporais. 18. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 53 . 13. dentre outras existentes nas práticas corporais. utilizando os diferentes recursos e meios adequados à proposta de trabalho. Vivenciar os aspectos técnicos e táticos do esporte no contexto escolar. Participar de jogos e brincadeiras. vitória e derrota. respeitando e compreendendo as regras de cada atividade. 14. Situar-se como sujeito de suas ações. 9. visando à participação efetiva de todos.). Vivenciar e compreender a importância do intercâmbio em outros espaços para o crescimento pessoal e coletivo. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio ambiente. além de participar ativamente das atividades propostas com respeito às regras e aos colegas. no sentido de aperceberse como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. 17. Compreender a importância dos exercícios físicos na promoção e manutenção da saúde. 12. 10. torcedor. atleta etc. 19. Compreender. as relações referentes à inclusão e exclusão. brincadeiras e esportes de acordo com as necessidades do grupo. Construir regras mediadoras de jogos. Vivenciar diversos papéis assumidos no contexto esportivo (árbitro. entendendo as possibilidades corporais a fim de que sejam estabelecidas metas pessoais como recurso de melhoria da saúde. Conscientizar e compreender a gama de transformações do corpo e situá-lo no contexto de suas práticas corporais. Nessa etapa do desenvolvimento os alunos são capazes de realizar movimentos mais elaborados e complexos. 11.

8. dentre outras existentes nas práticas corporais. compreendendo-o como semelhante. 9. Compreender e vivenciar os aspectos técnicos e táticos do esporte no contexto escolar. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conhecimentos. por nenhum motivo ou razão. 4. vitória e derrota. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas. 3. visando à participação efetiva de todos. Conscientizar e compreender a gama de transformações do corpo e situá-lo no contexto de suas práticas corporais. 13. Reconhecer a importância dos exercícios físicos na promoção e manutenção da saúde e qualidade de vida. 7. 12. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. as relações referentes à inclusão e exclusão. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio ambiente. para o crescimento pessoal e coletivo. 14. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as atividades físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. Qualificar o próprio movimento para atuar de forma mais eficiente dentro de suas possibilidades corporais. Vivenciar e compreender a importância do intercâmbio em outros espaços. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo. mas não igual aos demais para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio. 6. 2.13 ANOS / 14 ANOS 1. 10. 11. Analisar as regras oficiais das práticas corporais e construir regras mediadoras de jogos. criticamente. apercebendo-se do outro enquanto participador do mesmo espaço. Compreender. Identificar e compreender a importância do vestuário adequado para a prática de atividades físicas. construindo com criticidade esse contexto fora da escola. brincadeiras e esportes de acordo com as necessidades do grupo. 54 PEDAGOGIA . 5.

atleta etc. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 3 55 . esclarecendo objetivos por faixa etária que podemos ver em uma ordem crescente no desenvolvimento motor. SECRETaRIa MUNICIPaL DE EDUCaÇÃO. a educação física escolar.). 17. Ensino Fundamental. Compreender a importância dos exercícios físicos na promoção e manutenção da saúde. a cada etapa do crescimento. Compreender os aspectos biológicos e fisiológicos relacionados às práticas corporais. Betim: Prefeitura Municipal de Betim. CONCLUSÃO Nesta unidade entramos na cultural corporal do movimento. 2008.15. e como trabalhar. Referencial Curricular de Betim. 16. Vivenciar diversos papéis assumidos no contexto esportivo (árbitro. técnico. torcedor. assim.

.

queimada. Numa comunidade em que os alunos têm atividades motoras bastante restritas. recomendável que o professor realize. um mapeamento das práticas corporais que já façam parte do repertório dos alunos. pique-bandeira.como rolamento. favorecendo um ensino transdiciplinar. parada de mãos etc.unidade 4 Objetivo dESTA unidade: ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS É Orientar metodologicamente como trabalhar com conhecimento e competência no trato pedagógico com a Educação Física dentro da escola Orientar o trabalho da Educação Física junto com o corpo docente. Isso possibilitará uma seleção mais adequada das temáticas que serão trabalhadas e influenciará de maneira decisiva a adesão do grupo à proposta. – precisam ser conduzidas pelo professor de maneira extremamente cuidadosa. o grau de complexidade das técnicas e dos gestos poderá ser mais elevado. rodas. No primeiro ano. roda. facilitando o aprendizado. em áreas essencialmente urbanas. amarelinhas e esconde-esconde são exemplos de propostas . onde as crianças têm experiências extracurriculares com práticas corporais mais variadas e frequentes. por exemplo. Em outra escola. como jogos e brincadeiras. o estudo e a vivência das ginásticas envolvendo movimentos. antes de iniciar as aulas.

Visto que a Educação Física trabalha a motricidade para o desenvolvimento da inteligência. Para alcançar esse propósito é necessário um planejamento pedagógico que veja a criança como um todo. Torna-se também importante utilizar a interdisciplinaridade como método de ensino. das relações sociais entre outros fatores. Nessa etapa de escolarização. cabe à escola propor novas aprendizagens. esportes e outras práticas (mímicas. A sistematização de conteúdos terá como base a Cultura Corporal manifestada nas danças. lutas ginásticas. livros. artes circenses etc. 2010). revistas e jornais. Independentemente do conhecimento prévio delas. Nesta orientação pedagógica 58 PEDAGOGIA . se constituem em experiência relevantes para a ampliação dos conhecimentos da criança (Revista Nova Escola-ago. além de atividades corporais que possam ser pesquisadas em sites. Projetos que abarquem as brincadeiras de países e povos diferentes. sem a separação tradicional do corpo e da mente. também é desejável que a Educação Física extrapole o universo cultural e corporal próximo às crianças. jogos.). dos sentimentos.que podem ser adotadas inicialmente e transformam-se em conteúdos ricos que podem levar a conhecimentos cada vez mais complexos na medida em que os alunos seguem vivenciando nas atividades. A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM Abordar a importância e a relevância da Educação Física no processo de aprendizagem é passar necessariamente pelo conhecimento do que é a educação física hoje e de que maneira o profissional capacitado pode contribuir para esse processo. danças e cantigas de outros tempos e lugares. entrevistas.

As capacidades físicas de força. amortecer. deve-se trabalhar os padrões básicos de movimento. escalar. mas podemos. resistência. A Percepção do corpo em repouso e em movimento. saltar. velocidade. noções de espaço e tempo com ritmo duração. correr. chutar. ainda. levando em consideração as características de crescimento e desenvolvimento humano que possuem uma evolução gradativa. agilidade. flexibilidade e equilíbrio que levam ao conhecimento devem ser trabalhadas. relaxamento e contração). dentro dos conteúdos as habilidades motoras básicas do movimento humano como andar. esquivar. correr. respiração. noções de elementos orgânicos funcionais (tonos. ou seja. cabecear. agarrar a bola até que no futuro possa começar a aprender as habilidades necessárias ao jogo. pois as habilidades motoras simples e/ou combinadas vão levando a criança a incorporação de movimentos cada vez mais complexos. rebater.levam-se em conta temas da cultura corporal que fazem parte do mundo do aluno. Esclarecemos que o conteúdo segue uma sistematização do simples para o complexo e do geral para o específico. acentuação. Utilizamos. girar. receber. 1981 FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 59 . pendurar-se. etc. bater. rolar. balançar-se. deslizar. escorregar. direção e sentido tudo é utilizado nas aulas de acordo com os objetivos no planejamento do professor. Em relação às habilidades motoras. transportar. Como segue o esquema: Quadro 1 Fonte: Pangrazzi e Dauer. arremessar. aos poucos. não podemos esperar que uma criança de seis anos de idade jogue basquete com todas as regras do esporte. levá-la a acertar pequenos alvos. velocidade.

Segunda fase: DESENVOLVIMENTO DO TEMA. mudam e aprofundam-se. PLANO DE ENSINO O planejamento das aulas de educação física deve conter os elementos dos eixos norteadores para abordar os conteúdos específicos da cultura corporal através das danças. levando a um conhecimento e desenvolvimento mais complexo e abrangente. Nela os alunos são convidados a desenvolver diversas atividades que os ajudarão a ampliar seus conhecimentos sobre o objeto de estudo da aula. Terceira Fase: AVALIAÇÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS. esportes e outras práticas. para planejar o seguimento do seu trabalho pedagógico. a problematização inicial e as atividades desenvolvidas. lutas. 60 PEDAGOGIA . com o objetivo de evidenciar a construção do conhecimento sobre as práticas corporais estudadas. Podemos perceber que os objetivos.etapa da aula que toma a maior parte do tempo disponível. Nesse momento. Cabe ao professor verificar cada etapa para progredir com segurança de uma etapa para outra.o conteúdo e os objetivos da aula são apresentados e são feitas as primeiras considerações e questionamentos que levem à reflexão a partir do conhecimento prévio do aluno sobre a temática. Fonte: Referencial curricular de educação física do estado do Maranhão. o professor poderá avaliar o nível de apreensão do conteúdo por parte dos alunos. à medida que o aluno passa de um ciclo para outro. jogos.Dentro de uma sistematização da aula leva-se em conta três fases: Primeira fase: PROBLEMATIZAÇÃO . permanecem. ginásticas.alunos e professores fazem inter-relações sobre a temática da aula.

se quisermos atender às necessidades da criança. descrevendo como a aula procedeu. Questões adicionais podem ser desenvolvidas. avaliação e observações. recursos. Essas fichas ajudam o professor a avaliar seu trabalho tendo em mente as seguintes questões que facilitam esse processo: O que aconteceu na aula? É isso que eu quero? Quais mudanças devem ser feitas para ajudar os alunos a jogar com mais eficácia? Devo mudar as condições do jogo? Um momento ideal para isso é após a primeira aula. Logo. conteúdo. embora os questionamentos devam ser feitos durante a aula. se os objetivos foram alcançados e quais os acontecimentos relevantes. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 61 . objetivos (geral e específico). ser ouvinte e flexível e não forçar escolhas (“esta é a melhor solução”). o melhor caminho é começar por entendê-la. relatar os objetivos do jogo. questionar os alunos sobre a razão de uma solução ser melhor que a outra. A CRIANÇA. pois a criatividade deve estar presente no planejamento do professor. regras ou situações é o papel do professor. sem a necessidade de impor posições. Quanto às observações utiliza-se hoje uma ficha de acompanhamento que pode ser individual (para cada aluno) ou para cada aula.O plano não é diferente das outras disciplinas: contém o tema. Estimular a criança a resolver problemas por si só. questionar os alunos sobre sugestões de outras formas de fazer o movimento. A EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO FÍSICA Na escola.

a expressão da criatividade e dos sentimentos. duro. É através dele que o ser humano age sobre o meio ambiente.br 62 PEDAGOGIA . o cognitivo (pensamento) e o afetivo (sentimentos). gelado. as principais manifestações de uma criança de um recém-nascido são motoras e é pelos movimentos que a criança desenvolve conceitos como: pequeno. a respeito de si mesma e do mundo em que vive. Você já viu uma criança pequena. a importância do ambiente que favoreça a aprendizagem deve ser rico em experiências significativas para seu conhecimento. mole. quente.org. Os domínios do comportamento são compostos de três elementos que são o domínio motor (movimentos). todos formando uma só unidade: a criança. Fonte: colegioagape. para alcançar objetivos e desejos ou satisfazer suas necessidades. Os movimentos são de grande importância para a vida do ser humano. pesado e leve. a comunicação. que favorecerá o conhecimento próprio que a criança levará para a escola. mas aos poucos foram ficando seguros e organizados. grande. não é mesmo? Viu seus movimentos desajeitados no começo. O movimento é a essência da criança.Para que a criança tenha um desenvolvimento harmônico é fundamental que os domínios do comportamento sejam trabalhados conjuntamente. é feita de movimentos.

A maioria das crianças atendidas nos primeiros anos do ensino fundamental está na fase de desenvolvimento das habilidades básicas ou movimentos naturais. avaliar e persistir. pensar. Estes movimentos pode variar de acordo com as experiências vividas pela criança. A Educação Física deve proporcionar uma variedade de oportunidades para que a criança desenvolva no máximo todas as potencialidades de movimentos. Quadro 2 Fonte:Pangrazzi e Dauer. A educação Física deve. proporcionar às crianças ambientes de aprendizagem que facilitem as atitudes de tentar. Veja ao lado os movimentos realizados de acordo com um parâmetro de idades que não são fixas. desenvolvendo assim a capacidade de usar seu corpo efetivamente.As habilidades motoras desenvolvidas nos primeiros anos de vida formam a base para a aprendizagem posterior de movimentos mais complexos. 1981 FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 63 . ainda. praticar. tomar decisões.

é um envolvido no processo permanente de aprender a mover-se eficientemente. É necessário também verificar como os conteúdos acontecem de acordo com o desenvolvimento motor da criança: Desenvolvimento motor O desenvolvimento motor representa um aspecto do processo desenvolvimentista total e está intrinsecamente inter-relacionado às áreas cognitivas e afetivas do comportamento humano. Cada uma dessas mudanças ocorre devido aos diferentes tipos de atividade física.br a prática da atividade motora leva a mudanças no organismo da criança. 2002). Portanto. Há mudanças nos músculos. e do simples para o mais complexo. no sistema nervoso. do bebê ao adulto. Fonte: escolapedrita. a importância do desenvolvimento motor ideal não deve ser minimizada ou considerada como secundária em relação a outras áreas do desenvolvimento. sendo influenciado por muitos fatores. o processo do desenvolvimento motor revela-se basicamente por alterações no comportamento motor. no coração.com. 64 PEDAGOGIA .Perceba também que os movimentos aparecem do geral para o específico. em reação ao que enfrentamos diariamente em um mundo em constante modificação (GaLLaHUE. nos pulmões. OZMUN.

sendo executada principalmente pelas mãos e dedos. que requer um emprego de força mínima. Conforme Canfield (1981).Nos primeiros anos de vida a criança explora o mundo que a rodeia com os olhos e as mãos. p.154). Em outras palavras. 2002). ao mesmo tempo. desenvolvendo as primeiras iniciativas intelectuais e os primeiros contatos sociais com outras crianças. determinam a quantidade e a extensão da aquisição de destrezas motoras e a melhoria da aptidão (GALLAHUE. 1984. às vezes também pelos pés” (MEINEL. visto que a mudança progressiva na capacidade motora de um indivíduo. toda sequência básica do desenvolvimento motor está apoiada na sequência de desenvolvimento do cérebro. combinada com condições ambientais específicas (como por exemplo. 1984). a motricidade fina envolve a coordenação óculo-manual e requer um alto grau de precisão no movimento para o desempenho da habilidade FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 65 . 2001). através das atividades motoras. as características hereditárias de uma pessoa. desencadeada pela interação desse indivíduo com seu ambiente e com a tarefa em que ele esteja engajado. mas grande precisão ou velocidade ou ambos. OZMUN. Ela estará. Habilidades motoras finas requerem a capacidade de controlar os músculos pequenos do corpo. A coordenação fina diz respeito à habilidade e destreza manual ou pedal constituindo-se como um aspecto particular na coordenação global. Elementos básicos do desenvolvimento motor Motricidade fina Motricidade Fina “é uma atividade de movimento espacialmente pequena. Segundo Oliveira (2001). É em função do seu desenvolvimento motor que a criança se transformará numa criatura livre e independente (BATISTELLA. a fim de atingir a execução bemsucedida da habilidade (MAGILL. encorajamento e instrução) e os próprios requerimentos da tarefa que o indivíduo desempenha. oportunidade para prática.

Para isto 66 PEDAGOGIA . a precisão do movimento não é tão importante para a execução da habilidade. levando-a a ter condições de realizar diversos movimentos simultaneamente. A coordenação viso manual representa a atividade mais frequente utilizada pelo homem. as capacidades motoras globais são caracterizadas por envolver a grande musculatura como base principal de movimento. pintar etc (ROSA NETO. sendo que cada um destes movimentos pode ser realizado com membros diferentes sem perder a unidade do gesto (OLIVEIRA. A coordenação global e as experimentações feitas pela criança levam a adquirir a dissociação do movimento. 1984). que se desenrolam num certo período de tempo e que exigem a atividade conjunta de vários grupos musculares. a coordenação perfeita na realização deste movimento é imprescindível ao desenvolvimento hábil desta tarefa (MAGILL. trabalhar em relógios etc. Podemos citar exemplo da necessidade desta habilidade que seria na realização de tarefas como escrever. No desempenho de habilidades motoras globais. 107) destaca que “a interação com pequenos objetos exigem da criança os movimentos de preensão e pinça que representam a base para o desenvolvimento da coordenação motora fina”. A conduta motora. A motricidade global envolve movimentos que envolvem grandes grupos musculares em ação simultânea. Embora a precisão não seja um componente importante nesta tarefa. num grande nível de realização. motora e neurológica da criança. Dessa forma. Motricidade global Segundo Batistella (2001). 1996). tocar piano. pois atua para inúmeras atividades como pegar ou lançar objetos. desenhar. 2001). escrever. p. Velasco (1996. com vistas à execução de movimentos voluntários mais ou menos complexos. a motricidade global tem como objetivo a realização e a automação dos movimentos globais complexos. de coordenação motora global é concretizada através da maturação. como nos casos das habilidades motoras finas.específica.

Quanto mais defeituoso é o movimento mais energia consome. No plano da organização neuropsicológica. ainda que inconsciente. O equilíbrio tônico postural do sujeito. seu gesto. a postura inadequada está associada a uma excessiva tensão que favorece um maior trabalho neuromuscular. se pode dizer que o equilíbrio tônico postural constitui o modelo de autorregulação do comportamento (ROSA NETO. é necessário liberar os pontos de maior tensão muscular (couraças musculares). 1996). sua atitude etc. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 67 . auditiva. O equilíbrio considerado como o estado de um corpo. aparecendo como uma resposta aos problemas de equilíbrio que costumam ocorrer segundo as mudanças nas proporções corporais e seus segmentos. isto é. seu modo de respirar. posições e atitudes indica a existência de equilíbrio. dificultando a transmissão e informações dos impulsos nervosos. quando distintas e encontradas forças que atuam sobre ele se compensam e se anulam mutuamente. contra o desequilíbrio resulta numa fatiga corporal. considera que as variações da postura estão associadas a períodos de crescimento. o conjunto de reações tônicas de defesa integradas a atitude corporal. Equilíbrio O equilíbrio é a base primordial de toda ação diferenciada dos membros superiores. Para voltar a encontrar seu estado de equilíbrio biopsicossocial. A postura é a atividade reflexa do corpo com respeito ao espaço. sinestésica. 1996).. tal gasto energético poderia ser canalizado para outros trabalhos neuromusculares. Asher (1975). e angústia do indivíduo. porém ao mesmo tempo de suas dificuldades e de seus bloqueios. Conforme Rosa Neto (1996). visual.ocorrer haverá um refinamento das sensações e percepções. são reflexo de seu comportamento. aumentando o nível de stress. tátil e principalmente proprioceptiva. mental e espiritual. Nesta luta constante. ansiedade. Desde o ponto de vista biológico. a possibilidade de manter posturas. através da solicitação motora que as atividades infantis requerem (VELASCO.

que está relacionada à atitude. ordenado e harmonizado pelo jogo complexo dos reflexos da atitude. Essas duas orientações da atividade motriz (tônica e cinética). da sensibilidade e da acomodação perceptiva e mental. com a incessante reciprocidade das atitudes. Esquema corporal A imagem do corpo representa uma forma de equilíbrio. de seu ser. em que o conhece bem. As atividades tônicas. Sua personalidade se desenvolverá a uma progressiva tomada de consciência de seu corpo. A função tônica se apresenta em um plano fisiológico. É a representação relativamente global. correspondem aos aspectos fundamentais da função muscular. O esquema corporal é um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança. 1996). em que o utiliza não só para movimentar-se. 1975). sendo estes mesmos. A criança percebe-se e percebe os seres e as coisas que a cercam. em função de sua pessoa. A imagem corporal como resultado complexo de toda a atividade cinética. de todos os estímulos e de todas as ações que permitam a criança se 68 PEDAGOGIA . mas também para agir (PEREIRA. orientada para o mundo exterior. resultado das sensações proprioceptivas e da soma dos estímulos provenientes do mundo exterior (ROSA NETO. infraestrutura de toda ação diferenciada (tono). de suas possibilidades de agir e transformar o mundo à sua volta. 2002). científica e diferenciada que a criança tem de seu próprio corpo (WALLON. postura e a atividade cinética. o tono de atitude. 1996). em dois aspectos: o tono de repouso o estado de tensão permanente do músculo que se conserva inclusive durante o sono. Ela se sentirá bem na medida em que seu corpo lhe obedece. que deve assegurar a relação com o mundo exterior graças aos deslocamentos e movimentos do corpo (mobilidade) e assegurar a conservação do equilíbrio corporal. sendo a imagem do corpo a síntese de todas as mensagens. Em um contexto de relações mútuas do organismo e do meio é onde se organiza a imagem do corpo como núcleo central da personalidade (ROSA NETO.

ao mesmo tempo concreta e abstrata. como a chave de toda a organização da personalidade (PEREIRa.). a organização espacial depende simultaneamente da estrutura de nosso próprio corpo (estrutura anatômica. e de fazer do “EU” o sujeito de sua própria existência. e a tratar as modificações no curso de nossos deslocamentos (OLIVEIRa.wikipedia. Olho e ouvido. 2001). a audição. . O esquema corporal pode ser definido no plano educativo. fusos neuromusculares e pele. e o olfato. o tato. finita e infinita..diferenciar do mundo exterior. a percepção relativa à posição do corpo no espaço e de movimento tem como origem estes diferentes receptores com seus limites funcionais. pt. 2002). labirinto. biomecânica. Na vida cotidiana utilizamos constantemente os dados sensoriais e perceptivos relativos ao espaço que nos rodeia. sua posição e orientação. 1996). Propriocepção também denominado de Cinestesia. representam o ponto de partida de nossa experiência espacial (ROSa NETO. enquanto que a orientação espacial dos objetos ou dos elementos do meio. necessita mais da visão e audição. Todas as modalidades sensoriais participam pouco ou muito na percepção espacial: a visão. fisiológica etc. a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais. 2001). é nossa atividade perceptiva baseada sobre a experiência do aprendizado a que lhe dá um significado. 1996). da natureza do meio que nos rodeia e de suas características (ROSa NETO. receptores articulares e tendinosos. a propriocepção. e ação eficaz sobre o meio externo.. a integração contínua das informações recebidas conduz a sua estruturação. as primeiras experiências espaciais estão estreitamente associadas ao funcionamento dos diferentes receptores sensoriais sem os quais a percepção subjetiva do espaço não poderia existir. a orientação espacial designa nossa habilidade para avaliar com precisão a relação física entre nosso corpo e o meio ambiente. organiZação espacial a noção do espaço é uma noção ambivalente. sem utilizar a visão. é o termo utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo. porém. Estes dados sensoriais contêm as informações sobre as relações entre os objetos que ocupam o espaço. Está praticamente estabelecido que da interação e da integração destas informações internas e externas provem nossa organização espacial (OLIVEIRa.org/wiki/ Propriocepção FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 4 69 .

a segunda permite a variação do intervalo que separa os dois pontos. as sensações vestibulares abastecem índices sobre certos dados espaciais (orientação. Os deslocamentos de uma parte do corpo sobre uma superfície plana podem ser apreciados pela sinestesia tanto no caso dos movimentos lineares como angulares. 1996). a pele apresenta receptores táteis onde a concentração modifica de uma região a outra no corpo. a ordem e a duração.Segundo as características das nossas atividades. a orientação espacial diminui. permite fazer diferenças entre o contínuo e o distinto. horas. dias. ao cerebelo e ao lóbulo frontal. os acontecimentos se sucedem com intervalos). Não obstante. Sinestesia – relações de planos sensórias diferentes (como o gosto) o termo é usado para descrever uma figura de linguagem e uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica. a ordem ou distribuição cronológica das mudanças ou acontecimentos sucessivos representa o aspecto qualitativo do tempo e a duração seu aspecto quantitativo (ROSa NETO. o tempo passa. organiZação teMporal Percebemos o transcurso do tempo a partir das mudanças que se produzem durante um período estabelecido e da sua sucessão que transforma progressivamente o futuro em presente e depois em passado. podemos utilizar duas dimensões do espaço plano distância ou profundidade. Esta medida possui diferentes unidades parte da física que trata da medida do tempo. o princípio e o fim de um acontecimento. associados aos índices sinestésicos resultam da exploração de um objeto que permite o reconhecimento das formas (esterognosia) em ausência da visão (sentido háptico). porém só contribuem muito debilmente a percepção dos deslocamentos. geralmente se existe lesão do sistema vestibular (RIGaL. uma dimensão convencional (sistema cultural de referências. Medição do tempo pelo cronômetro. que o ritmo reúne. a organização temporal inclui uma dimensão lógica (conhecimento da ordem e duração. cronométricas como o dia e suas divisões. Chegam aos núcleos vestibulares. O tempo é antes de tudo memória. numa ordem física irreversível. velocidade e aceleração). minutos e segundos. a separação dos pontos de estimulação Cinestesia – conjunto de sensações pelas quais se percebem os movimentos musculares. 1988). o primeiro define a sucessão que existe entre os acontecimentos que se produzem. Os índices táteis. uns a continuação de outros. 70 PEDAGOGIA . durante os deslocamentos passivos onde a visão e a sinestesia não intervêm. à medida que leio. assim aparecem os dois grandes componentes da organização temporal. horas.

2001). sua retenção depende da memória e da codificação da informação contida nos acontecimentos. Movimento intencional.animacorpus. a percepção da ordem nos leva a distinguir o simultâneo do sucessivo. e anos) e um aspecto de vivência. independente de ser sucessão ou duração. a lateralidade é a preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo: mão. www. Esta atitude funcional. se desenvolve de forma fundamental no momento da atividade de investigação. a consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas. organizado... Por exemplo. a lateralização cortical é a especialidade de um dos dois hemisférios enquanto ao tratamento da informação sensorial ou enquanto ao controle de certas funções (OLIVEIRa. escrevemos com uma só mão. a percepção da duração começa pela discriminação do instantâneo e do duradouro que se estabelece a partir de 10 ms a 50ms para a audição e 100ms a 120ms para a visão (RIGaL. não obstante. No tempo psicológico organizamos a ordem dos acontecimentos e estimamos sua duração. variando o umbral segundo os receptores utilizados. construindo assim nosso próprio tempo.semanas. que desembocará na aprendizagem e a consolidação das praxias. perna.net/ glossario/ FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 4 71 . 1988). a ação educativa fundamental para colocar a criança nas melhores condições para aceder a uma lateralidade definida. lateralidade O corpo humano está caracterizado pela presença de partes anatômicas pares e globalmente simétricas. é permitir-lhe organizar suas atividades motoras (ROSa NETO. 1996). ao largo da qual a criança vai enfrentar-se com seu meio. respeitando fatores genéticos e ambientais. a lateralidade está em função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a iniciativa da organização do ato motor. Esta simetria anatômica se redobra. Os aspectos relacionados à percepção do tempo. olho. tendo em vista a obtenção de um fim ou de um resultado determinado. ouvido. por uma assimetria funcional no sentido de que certas atividades que só intervêm numa das partes. . evolucionam e amadurecem com a idade. meses. que aparece antes dos outros dois (percepção e memória da sucessão e da duração dos acontecimentos na ausência de elementos lógicos ou convencionais). suporte da intencionalidade. os centros de linguagem se situam na maioria das pessoas no hemisfério esquerdo.

Segundo Pereira (2002). 72 PEDAGOGIA . para que a criança possa descobrir por si só.wiktionary. contribuindo assim. através de estudos realizados por autores clássicos. devem-se estimular ambos os lados. como o máximo de acertos possíveis para que seu desenvolvimento ocorra dentro dos períodos desejáveis. isto se torna indispensável se pensar em cada vez mais atender o desenvolvimento das pessoas. que são elaborados e discutidos. tendo em conta os aspectos afetivos e sociais (ROSa NETO.org/wiki/ Fidedigno possam legitimar-se e oferecer fundamentos fidedignos sobre as hipóteses que pretendem estabelecer e discutir. orgânica. Piaget. antes disso. Normalmente utilizam-se testes para conhecer as características e necessidades individuais das pessoas. acredita-se que para ensinar eficientemente é preciso acompanhar às crianças e analisar suas necessidades e interesses. 1996). Grajon. Stambak. como forma de elucidar os diferentes vieses que perfazem a existência do homem e sua evolução física. cognitiva e psicológica. e a grande quantidade de influência que os afetam. constituem basicamente por diferentes teorias científicas e sustentam a evolução de estudos que se caracterizam pelas técnicas de pesquisa e pelos meios utilizados na obtenção de dados. Picq e Vayer. 1996). ilustrações e teorias adicionam ao contexto. “a preferência pelo uso de uma das mãos geralmente se evidencia aos três anos”. em especial as crianças. como Ozeretski. Guilmain. qual o seu lado de preferência. Zazzo. para com um desenvolvimento pleno. a observação do comportamento humano feito através de testes já se constitui prática antiga. entre outros que se dedicaram ao estudo da criança (ROSa NETO. É importante lembrar que o caráter estatístico de nível normal de referência dos testes não engloba o mesmo valor para todas as populações. Os conceitos. avaliação Motora O padrão de crescimento e comportamento motor humano que se modifica por meio da vida e do tempo. a estrutura necessária para que tais estudos que merece crédito pt. a definição de uma das partes do corpo só ocorre por volta dos sete anos de idade.

o valor. avaliar é “calcular ou determinar a valia. A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início do ano letivo. além de poder influenciar no processo de desenvolvimento que ocorre desde a concepção. a partir daí. constitui-se para um melhor acompanhamento do desenvolvimento motor. entender a relação entre a idade da criança com a fase e característica motora pelas quais passam. De acordo com Barbosa (1997). podemos classificar a avaliação em três tipos: a diagnóstica. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 73 . quem avalia tem o poder de decidir a que o avaliado é merecedor. para que. Embora seja discutido há muito tempo. o que dificulta a avaliação por parte do professor. o professor possa planejar seu trabalho de acordo com as necessidades dos alunos. o conhecimento é construído pela assimilação de experiências corporais e pela criação de movimentos. Como avaliar? O que avaliar? São questionamentos que vêm a cabeça quando o professor começa a planejar as aulas. em que é possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos. a avaliação ainda é um assunto polêmico no ambiente docente. no que tange a avaliação motora da criança. com o objetivo de dar ao professor uma noção sobre os níveis de conhecimento e habilidades dos alunos. a formativa e a somativa. para fins didáticos. Assim.Dessa forma. como forma de melhor acompanhar seu desempenho e detectar possíveis problemas de ordem motora. Na Educação Física. COMO AVALIAR NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ? A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais. destacamos a importância do conhecimento dos profissionais de Educação Física. o ‘merecimento’ de”. Ou seja. Mas o que é avaliar? De acordo com o Dicionário Michaelis (2006).

por fim. de qualidade de vida. O diagnóstico é fundamental. Valorização da cultura corporal de movimento — É importante avaliar não só se o educando valoriza e participa de jogos esportivos. e uma avaliação formativa para que o professor venha a se corrigir ou apenas aprimorar suas aulas. Já a avaliação somativa é mais complexa. junto com o projeto político pedagógico da escola. 74 PEDAGOGIA . o desempenho propriamente dito do aluno tanto nas atividades quanto na organização das mesmas. E. modificar a maneira de ministrar suas aulas de acordo com a evolução de seus alunos. semestre ou ano letivo. brincadeiras. Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam três focos principais de avaliação na Educação Física: Realização das práticas — É preciso observar primeiro se o estudante respeita o companheiro. que objetiva verificar o resultado do processo ensino-aprendizagem ao final de um bimestre. montam um projeto e agem cooperativamente durante a aula. Geralmente esta avaliação está associada a uma “nota” que o reprovará ou aprovará para o ano seguinte. Em segundo lugar vem o saber fazer. onde o professor pode detectar possíveis falhas no processo ensinoaprendizagem. podendo. a avaliação somativa. Relação da Educação Física com saúde e qualidade de vida — É necessário verificar como crianças e jovens relacionam elementos da cultura corporal aprendidos em atividades físicas com um conceito mais amplo. é nela que está centrado este ensaio. Relevante também é seu interesse e sua participação em danças. para que se possa delinear o plano de ensino e os objetivos a se alcançar ao final do ano. como lida com as próprias limitações (e as dos colegas) e como participa dentro do grupo. excursões e outras formas de atividade física que compõem a nossa cultura dentro e fora da escola. assim. O professor deve estar atento para a realização correta de uma atividade e também como um aluno e o grupo formam equipes.Já a avaliação formativa é realizada durante o ano letivo.

Betti (1991) não especifica o modelo. os jogos. medidas biométricas e execução de gestos técnicos referem-se a uma avaliação “formal”. considerar os pontos positivos e limitados das técnicas de avaliação empregadas. Com essas características. p. entendidos como linguagem corporal. as danças. a avaliação que se pratica na escola é a avaliação da culpa.103).. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 75 . para procedermos a uma avaliação. que as notas são usadas para fundamentar necessidades de classificação de alunos. análise e conceituação de elementos que compõem a totalidade da conduta humana e que se expressam no desenvolvimento de atividades” (COLETIVO DE AUTORES. devemse ter claros alguns princípios: esclarecer o que será avaliado inicialmente.. Mauad (2003) fala que a educação física é uma disciplina que trata do conhecimento denominado de cultura corporal. 2003. p.Giannichi (1984) esclarece que. 35). já que ela também possui um caráter “não formal”. Concordamos com os autores quando defendem que a proposta de avaliação do processo de ensino-aprendizagem em educação física deve “[. 1992. a ginástica e as lutas.] levar em conta a observação. Aponta. levar em conta uma variedade de técnicas para assegurar uma avaliação compreensiva e considerar a avaliação como meio e não fim. selecionar as técnicas de avaliação em função dos objetivos. e desse modo acaba por segregar aqueles classificados como menos aptos (MAUAD. ou metodologia de avaliação.). ainda. De acordo com Luckesi (1999). por isso seus adeptos compreendem que os conteúdos devem ser: o esporte. Apenas deixa claro que o processo de ensino-aprendizagem deve estar de acordo com a proposta política pedagógica da escola. ou seja. isso fica claro quando o professor escolhe aqueles mais habilidosos para dividir as equipes. critérios estabelecidos pelos professores a partir de condutas e comportamentos que ocorrem nas aulas e influenciam a nota do aluno (segundo os autores da obra em questão. onde são comparados desempenhos e não objetivos que se deseja atingir. organizar atividades etc. A avaliação presencial. a avaliação em educação física vem sendo realizada com ênfase na aptidão física e na busca de talentos esportivos.

76 PEDAGOGIA . não se avalia de acordo com rendimento. Barbosa (1997) dividiu seus métodos avaliativos em: diagnóstico. Acreditamos que toda avaliação deve ser um reflexo do processo ensino-aprendizagem e se levar em conta se os objetivos traçados foram alcançados e não usar a avaliação como uma arma de defesa ou coação aos alunos. e de acordo com o projeto político-pedagógico da escola é traçado o planejamento de ensino. esporadicamente. a partir daí. Não existe um modelo. A avaliação formativa é realizada ao longo das aulas em observações dos alunos e. também. O processo de avaliação somativa está fundamentado nos objetivos de promoção de saúde e qualidade de vida. métodos de ensino e relacionamento com os alunos.por meio da qual o aluno pode compreender melhor as relações sociais do meio em que vive e confrontá-las com outras realidades existentes à sua volta. e nas aulas iniciais onde é feito os primeiros contatos. formativo e somativo. desenvolver a compreensão de todas as informações relacionadas às conquistas materiais e espirituais da cultura física e aprender a apreciar o corpo em movimento. observa o trabalho. favorecer o desenvolvimento de atitudes favoráveis e positivas em relação à atividade física. por fim. através de uma avaliação dos alunos em relação às aulas. assim como em conselhos do professor titular da classe que. ao aluno. mais uma vez. O diagnóstico é realizado previamente em observações da turma. Com estes feedback’s têm-se uma forma de repensar a postura do professor em aula. DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996). assim como incentivar o gosto por atividades físicas fora do ambiente escolar e para a vida adulta. o projeto político pedagógico da escola onde a avaliação deve ser dividida em prática e teórica e. habilidade e tão pouco em relação à frequência. ou fórmula mágica de avaliação. pois.394. e puni-lo por isso fere uma lei do MEC (LEI Nº. também leva-se em conta. 9. Betti (1992) completa que é preciso levar o aluno a compreender as razões que o levam a fazer uma atividade física. no comprometimento dos alunos com as aulas. é permitido a ausência em 25% das aulas.

em que é possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos. o uniforme ou a participação em jogos e competições . o conhecimento é construído pela assimilação de experiências corporais e pela criação de movimentos. As primeiras aulas funcionam como referência. coletiva e individualmente. os motivos pelos quais ela faz parte do programa. o que dificulta a avaliação por parte do professor. desde o início. nada de considerar apenas a frequência às aulas. Exemplos: descobrir o próprio corpo para utilizá-lo melhor em atividades motoras básicas (correr. Não há uma única fórmula pronta para avaliar. observando e registrando as características de cada estudante. para avaliar bem é preciso definir os objetivos. Na Educação Física. justamente porque representa um desafio. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 77 . Portanto. é preciso explicar. mas é essencial detectar as dificuldades e os progressos dos estudantes. como em todas as outras áreas. para que o professor faça a análise inicial da turma. Com esse tipo de estudante é preciso aplicar métodos adequados para trabalhar suas dificuldades específicas.nem comparar os que têm "veia" de campeão com os que não têm. É comum o professor de Educação Física encher os olhos quando vê alunos habilidosos nos esportes. saltar) ou específicas (passes no basquete ou handebol. A criança com pouca vivência motora é a mais importante para o trabalho docente. chutes no futebol) e compreender e respeitar as regras de um jogo e agir cooperativamente. Independentemente de o grupo conhecer ou não a atividade. pois eles determinam o conteúdo a ser trabalhado e os critérios para observar a evolução da aprendizagem. quais os movimentos. Na Educação Física. as capacidades e as habilidades que serão trabalhadas e que aspectos serão avaliados. A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais. O estudante precisa conhecer quando e como será julgado.Na Educação Física a avaliação é a chance de verificar se o aluno aprendeu a conhecer o próprio corpo e a valorizar a atividade física como fator de qualidade de vida.

SOUZa JUNIOR. Falamos também. Renato Sampaio Re. SaDI. Escrever uma resenha sobre como você trataria a disiplina educação física como pedagoga de uma escola. n. REVISTa NOVa ESCOLa. Marcílio. SECRETaRIa DE ESTaDO Da EDUCaÇÃO. SEDUC. 1987. São Paulo: Ícone. O saber e do fazer pedagógicos: a educação física como componente curricular? isso é história! Recife: EDUPE. São Pulo: abril. Pedagogia do Esporte: descobrindo novos caminhos. do planejamento e avaliação para nortear a ação do professor. É através da experiência que o aluno aprendi e adquire as habilidades para sua vida.CONCLUSÃO Nessa unidade apresentamos o aperfeiçoamento gradual do movimento do aluno durante a sua vida escolar. mostrando as diferenças da disciplina de educação física na escola. 2009. e sempre os movimentos sendo trabalhados na sequência do simples para o complexo. o movimento vai sendo assimilado com atividades do geral para o específico na motricidade global do aluno. 78 PEDAGOGIA . 236. DF. 2010. 2010. Ensino Fundamental. Ou seja. Módulos 3 e 4 / MEC/SEED. 1. Referencial Curricular de Educação Física de São Luís. ed. Os alunos deverão fazer um resumo do texto abaixo construindo objetivos para cada fase do desenvolvimento motor . 1999. Subsídios para professores de educação física de 1ª a 4ª série. MINISTÉRIO Da EDUCaÇÃO E CULTURa. out. Brasília.

Capacitar o professor a desenvolver junto à comunidade atividades de lazer. favorecendo a integração dos participantes. direitos do cidadão. Dar valor a essas atividades e reivindicar o acesso a centros esportivos e de lazer. e a programas de práticas corporais dirigidos à população em geral. Fonte: estudiohispanico.com é um posicionamento que pode ser adotado a partir dos conhecimentos adquiridos nas aulas de Educação Física. O .UNIDADE 5 OBJETIVO DESTA UNIDADE: O LAZER Conhecer noções básicas sobre recreação e lazer. lazer e a disponibilidade de espaços públicos para as práticas da cultura corporal de movimento são necessidades essenciais ao homem contemporâneo e. por isso. Os alunos podem compreender que os esportes e as demais atividades corporais não devem ser privilégio apenas dos esportistas profissionais ou das pessoas em condições de pagar por academias e clubes.

Todo cidadão tem hoje grande envolvimento com elementos da cultura e do lazer. criticar e modificar este que é um espaço de grande importância na vida das pessoas. do doping. na rua. A palavra lazer nos remete a um universo complexo de significações. dos interesses políticos e econômicos. da filosofia e do senso comum. transmitir e impor esses valores. apesar disso. a prática pela prática.A atuação dos meios de comunicação e da indústria do lazer em produzir. onde se mesclam interpretações da moral. discutir. cresce cada dia mais a necessidade da sociedade pelo tempo de lazer. consciente e criticamente desse tempo livre. sejam na prática como espectadores e/ou consumidores na escola. torna imprescindível a atuação da Educação Física escolar. ideológico. 80 PEDAGOGIA . ao adotar o esporteespetáculo como produto de consumo. da religião. nas academias e escolas de esporte através da mídia. ou utilitarista. É papel da escola de instrumentalizar e agregar competências para que se possa usufruir autônoma. Mas. históricas e sociais que possibilitem a análise crítica da violência. compensatório. Na escola. a criticidade). o individualismo. o consumismo. por não questionar os valores implícitos. entre outros aspectos. Esta deve fornecer informações políticas. nos estágios. dos sorteios e loterias. Educação Física e a formação para o lazer Quando nos lembramos da dimensão cultural e econômica da vida. Começamos a entender a importância de se aprender. nos parques. com o reforço dos mitos e preconceitos impregnados na sociedade capitalista (a competição predatória e a vitória a qualquer custo. nos clubes. o sexismo. o termo é banhado em um sistema de pensamentos que fez do lazer a condição da felicidade e da “liberdade”. acaba reforçando a utilização do lazer como um processo de controle social.

pouca Jogos individuais ou de duplas. 1988. condomínios. São Paulo. Loyola. TABELA 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS LAZERES Lazeres Passivos Atividades culturais (O indivíduo é receptor. adolescentes e até mesmodos adultos. escolas e academias.teoria e pequisa.Sarah. Lazer. mas participa psicologicamente) Lazeres Ativos Jogos Infantis de (Indivíduo participa física e organização e regras. psicologicamente) Esportes em grupos Atividades musicais Artes e hobbies Atividades de viagem. COLÔNIA DE FÉRIAS As Férias estão aí e não existe época melhor para desenvolvimento de atividades recreativas em clubes.As atividades de lazer são atividades realizadas no tempo livre de cada um de nós e que possui em sua essência o livre-arbítrio. após o cumprimento das atividades profissionais e sociofamiliares. O espaço de lazer é um aspecto que vem sendo estudado atualmente. Tempo livre é a parcela de tempo linear marcado pelo relógio e que cada um de nós possui para si. parques. Esta denominação é utilizada principalmente pelo fato de que tais atividades não trazem em si qualquer sentido de obrigatoriedade ou uma relativa restrição. BACAL. Para a alegria de crianças. devido à sua importância para as sociedades contemporâneas. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 5 81 .

Essa caixa vai ficar escondida e para que todos cheguem a ela. passeios oU clUbe ecolÓgicos e edUcação aMbiental eM parqUe Fonte: http://jacidade. de acordo com as regras estabelecidas pelos recreadores.com. escolas. os participantes terão que seguir pistas deixadas por todo o espaço da atividade. condomínios. boas ideias que possam ser aplicadas em Colônia de Férias e Festas Recreativas que vocês podem realizar: caça ao tesoUro (atividade sUrpresa) Esta é uma boa atividade para o final de uma colônia.br/index Esta atividade é feita com a ajuda de todos os participantes.o tesouro está debaixo da maior mesa do clube! . charada ou adivinhações. Seguem. Pode ser qualquer coisa ou até uma dica para uma surpresa final. Os recreadores planejam um passeio ecológico com os participantes 82 PEDAGOGIA . academias e espaços apropriados onde o planejamento da programação possa contemplar os objetivos propostos. ao final da atividade todos os participantes tentam encontrar o tesouro e quem encontrar pode ficar com o tesouro pra si ou para a equipe. as pistas podem ser diretas como: . uma caixa contendo o que desejarmos.Colônia de Férias é uma programação voltada para crianças. abaixo. adolescentes e jovens que já se desvincularam do colégio nos períodos de férias.ou vir em forma de provérbio. Uma pista vai levar a outra e a última pista vai levar ao tesouro final. são organizadas por equipes de profissionais ou não que buscam incentivar a livre iniciativa com brincadeiras lúdicas. quando queremos distribuir algum brinde ou pontos para uma gincana. leitura e o contato com a natureza. Elaboramos um tesouro. Normalmente as colônias de férias ocorrem em clubes. parques.

Geralmente. encontramos profissionais que fazem palestras sem qualquer fim lucrativo.br FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 5 83 . equipe x equipe. além da hidroginástica. a equipe que encontrar mais pássaros ou espécies de bichos diferente ganha os pontos. É importante que as crianças já saibam desde cedo sobre a ressuscitação cardíaca e primeiros socorros. É muito animado e cria um ambiente agradável de socialização. não há nada mais gostoso que unir boa parte ou todos os participantes de uma colônia ou academia para uma ginástica aquática. nem sempre só a brincadeira atrai. higiene. por exemplo. a equipe que contar melhores piadas. assim. palestras instrUtivas (priMeiros socorros. Macro ginástico na ágUa (hidroginástica oU gincana aqUática Em dias quentes de verão. aids etc. sobre saúde do corpo. é uma boa oportunidade para a conscientização de todos com relação a bons hábitos e cidadania. coM todos) Fonte: jcholambra.por toda a área escolhida e aproveitam o passeio para fazer competições do tipo: caça lixo (cada um tem um saquinho e a equipe que conseguir pegar mais lixo vence os pontos). ou seja. Em Colônias de Férias. principalmente os Bombeiros. músicas pelo caminho etc. boMbeiros. Crianças e adolescentes adoram palestras instrutivas sobre a saúde e natureza.com. podem ser feitas atividades aquáticas competitivas e recreacionais no formato de uma gincana.

Nesse mural. • Apresentação com mágicas. • Gincanas culturais e recreativas Existe Colônia de Férias que além de se preocupar com os aspectos já citados buscam ainda a proximidade familiar entre pais e filhos. • Torneios. • Gincanas aquáticas. pinturas dentro daquele tema escolhido. E quando todos os murais estiverem prontos serão expostos em uma parede visível a todos como uma exposição de arte. • Karaokê. • Outras Sugestões: • Passeios ecológicos. fazer poesias. Que poderá ser seguida de uma palestra já ministrada por um profissional especializado no assunto. As gincanas são divididas em equipes. por turma. Alguns exemplos de tarefas recreativas e tradicionais: 84 PEDAGOGIA . • Artes marciais. músicas. escolhemos essa atividade com a finalidade de passar e divulgar alguma ideia importante. e frases) Geralmente. Mural sobre temas importantes e educativos (de desenhos. compostas de várias tarefas recreativas e culturais. as crianças vão. desenhos. GINCANA É um tipo de competição recreativa que tem o objetivo de pôr à prova as habilidades físicas e intelectuais. colagens. mímicas e outros.

blogspot. blogspot. Fonte: http://blogdeemrc. com dinâmica.com/2010/07/corridacom-ovo-na-colher.com Caça ao Tesouro: a organização da gincana elabore pistas para que as equipes possam encontrar um tesouro.html Ovo na Colher: os competidores devem percorrer o mais rapidamente possível uma distância equilibrando um ovo numa colher sem deixá-la cair. blogspot. bambolê. pois a principal forma de lazer está sendo usurpada nas grandes cidades.Corrida de Saco: os competidores devem percorrer o mais rapidamente possível uma distância dentro e um saco que vai em média até suas cinturas. Fonte: http://jogostradicionais8a. O objetivo é resgatar e incentivar as brincadeiras entre as crianças e também adultos que permitem voltar a serem crianças. Cabo de Guerra: um número variável de competidores de duas equipes puxa em sentido contrário uma corda.com/ Fonte: http://nossoamiguinhojunior. Ganha a equipe que alcançar o objetivo em menor tempo.com atenção! as pistas podem ser elaboradas em forma de charadas. Vence quem conseguir que toda a equipe adversária atravesse uma linha marcada no chão. Fonte: http://espacomaat. utilizando o brincar como meio de educação. “O brincar ao ar livre” na praça de lazer as crianças podem brincar livremente e vivenciar o aspecto lúdico. FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 5 85 . blogspot. Veja vídeo em anexos. perna de pau. amarelinha. muita diversão e aprendendo a socializar-se. pular cordas e outras brincadeiras da cultura popular. a Praça de Lazer tem atividades como tênis de mesa.

RUAS DE LAZER

Resgatar as brincadeiras de ruas é de suma importância, pois hoje em dia já que as crianças ficam somente no computador, não se exercitam como antigamente. E a violência favorece esse comportamento. O objetivo do evento é promover a inclusão de crianças e jovens através da rua do lazer, proporcionando um momento de lazer para todas as crianças se divertirem com várias estações de brinquedos, pula-pula, piscina de bolinhas, baiana, danças coreografadas, jogos pré-desportivos, pinturas de rosto, colagem, brincadeiras populares e outras. A Rua para quem quiser Seja para praticar esporte, seja para morada, seja para passagem, seja para passear ou brincar, a rua assume a dimensão de possibilidades. Lugar onde se “pode” fazer tudo. Porque ela é via, é pública, é onde passamos grande parte do tempo. Trabalhar e manifestar, comer e se divertir. Partimos daqui: o lazer na rua. A rua como lugar de lazer é usada desde os tempos mais antigos, pois nem sempre existiram teatros fechados, cinemas, shoppings e clubes. Aliás, alguns desses lugares nasceram na rua, justamente por ser aberta e pública. Peças de teatro, por exemplo, eram encenadas na rua. Antes da lona as calçadas eram palcos das peripécias dos palhaços. Mas não podemos reduzir a utilização da rua simplesmente como lugar restrito à passagem. Ao contrário, as pessoas vão à rua para assistir a uma peça, ver um filme, fazer caminhada, encontrar com amigos, brincar. A rua demonstra que pode ser usada coletivamente. Umas das características mais marcantes do lazer são as brincadeiras de crianças, que ficam mais interessantes quando brincadas na rua. Em algumas periferias, notamos crianças brincando de ‘pega86 PEDAGOGIA

pega’, patins, rouba-bandeira e futebol. Sim! Crianças e jovens ainda fazem dos chinelos traves para marcarem o gol. Embora isso esteja cada vez mais raro, por alguns motivos como o trânsito, a criminalidade e o medo, muitas crianças e jovens só têm a rua como lugar de lazer. Grupos inventam o lazer, apropriando-se da rua para o entretenimento e a sociabilidade, imprimindo marcas e disputando o espaço. Com suas diferentes artes de fazer o urbano, criam um espaço onde se identificam e reivindicam a participação no centro, Maria Elisa Macedo. A proposta do Projeto Rua de Lazer é oferecer aos participantes, além de uma grande variedade de atividades esportivas, recreativas, de lazer e culturais, atividades que busquem a valorização do respeito, companheirismo e que estimulem a participação das famílias. Além disso, os participantes recebem pipoca, refrigerante, picolé e algodão doce, geralmente doado por empresas, comunidade etc.. Um dia diferente de entretenimento dentro das comunidades que vivenciam o pouco acesso ao lazer. É o que se propõe com as Ruas de Lazer, evento que visa proporcionar atividades recreativas, culturais e esportivas para toda família. Ferramenta de democratização e universalização do acesso ao esporte, recreação, cultura, arte e lutas como vivências de lazer, com melhoria da qualidade de vida da população sobralense, em todas as faixas etárias. Diversas atividades são ofertadas de forma acessível à comunidade como ginástica, capoeira, karatê, dança, teatro, música, artes manuais, esportes em geral e cinema, respeitando a cultura local e suas manifestações. Inclui ainda atividades e programas como Cinema na Praça, Rodas de Conversa com a comunidade e Cinema Itinerante, que viabilizam a atividade na casa do morador do bairro. A ideia promove novo significado de lazer e descentraliza o acesso ao entretenimento nos espaços públicos, valorizando novos espaços como quadras, campos, a própria rua, e fortalece ainda a integração com outros programas sociais já existentes no Município.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 5 87

Ruas de lazer garantem diversão e segurança aos moradores. Em grandes cidades as vias são fechadas aos domingos e feriados para o lazer da população. Na cidade de São Paulo tem cerca de 900 ruas do tipo. a maioria em áreas carentes. No Rio de Janeiro ruas da avenida atlântica são interditadas todos os dias num horário determinado para a prática de atividades físicas, ao lado do calçadão da praia.

CONCLUSÃO O lazer é um dos direitos do ser humano, onde ele dá uma pausa do trabalho e da rotina. É também um tempo livre para socialização através de contato maior e prazeroso com a família e amigos. a educação física abrange essas atividades de forma recreativa, envolvendo todas as idades, devendo, portanto, ser estimuladas na comunidade.

Formem duplas ou trios para programar e executar uma das atividades de lazer apresentadas na unidade.

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PEDAGOGIA

REFERÊNCIAS

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ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ESCOLAR | REFERÊNCIAS 89

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