You are on page 1of 13

Discutindo o Cotidiano das Equipes de Saúde da Família: A Experiência da III Oficina de Atenção Básica da UFPB

Discussing The Daily Work of Family Health Teams: The Experience of The 3Rd UFPB Primary Care Workshop
Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro I/ Geraldo Eduardo Guedes de BritoII / Robson da Fonseca NevesIII / Dailton Alencar Lucas de LacerdaIV / Arleciane Emilia de Azevêdo BorgesV palavras-chave: Ensino; Atenção Primária à Saúde; Formação de Recursos Humanos; Profissionais de Saúde. keywords: Teaching; Primary Health Care; Human Resources Formation; Health Personnel.

CONCEITO E CONTEXTO GERAL
Os cursos da área de saúde da Universidade Federal da Paraíba - UFPB encontram-se em processos de implementação dos novos projetos pedagógicos PPP , baseados nas Diretrizes Curriculares Nacionais - DCN. Assim, o processo de formação atual destes cursos foi influenciado pela necessidade de mudanças na lógica de compreensão do processo saúde-doença e da produção do cuidado, que anteriormente era biologicista e fragmentada. Estes projetos apontam para uma nova forma de vivência das práticas de ensino e constituem um momento institucional propício para a inserção dos cursos na rede de serviços de saúde, em especial, na Atenção Básica. Os projetos pedagógicos contemplam estágios ao longo de todo o curso, desde o primeiro ano, incentivando as práticas de ensino problematizadoras e o perfil generalista de formação profissional. Esses são exemplos claros da conjuntura

favorável para a reorientação da formação profissional em Saúde, na UFPB. Frente a esta nova realidade de formação, que privilegia os espaços dos serviços de saúde, foi criada pela Secretaria Municipal de Saúde, em 2005, a Rede Escola de João Pessoa, constituída pelos serviços que são cenários de aprendizagem das instituições de ensino conveniadas. Envolve docentes, discentes, gestores e comunidade, com o objetivo de facilitar a aproximação e a articulação entre os serviços e as Instituições de Ensino do município. Atualmente, todas as atividades de ensino, incluindo pesquisa e extensão, desenvolvidas na rede municipal de saúde, são efetivadas através de pactuações entre os docentes e os trabalhadores dos serviços e, posteriormente, autorizadas pela Rede Escola, no esforço de que, assim, estas atividades sejam contextualizadas e atendam à realidade e necessidade dos trabalhadores e comunidade.

I

Doutora em Educação; Docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba. Mestre em Saúde da Família; Docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba. III Mestre em Saúde Coletiva; Docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba. IV Mestre em Doenças Tropicais; Docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba. V Estudante do Curso de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba.
II

Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 51

clínicas e hospitais. as equipes de saúde da família e a comunidade passam a conhecer o papel da Fisioterapia e usufruir de suas contribuições na produção do cuidado. Aborda as questões do ensino de graduação associado ao cotidiano das equipes. Essas experiências têm possibilitado aos estudantes a interação com as equipes de saúde da família e um contato diferenciado com os usuários. Constata-se. conforme preconizado pela Política Nacional de Educação Permanente – PNEP2. bem como a estrutura organizativa da Universidade. estimulando o protagonismo dos envolvidos na construção de conhecimentos em equipe e ampliando os espaços educativos para extra-muro da Universidade. algumas características da matriz curricular. que a experiência dessa nova abordagem de formação acadêmica. Ela tem por objetivo proporcionar aos estudantes de todos os cursos de Graduação em Saúde da UFPB a possibilidade de discutir e reconstruir juntamente com os trabalhadores das equipes de saúde da família e gestores municipais os conhecimentos elaborados durante sua vivência na Atenção Básica. experiências na Atenção Básica. limitam o avanço mais rápido de mudanças. podem-se constatar resquícios da formação fragmentada. com uma abordagem preventiva e promotora da saúde. predominantemente. A integração ensino-serviço pode ser definida como “o trabalho coletivo. estão sendo desenvolvidas com objetivo de adequar o conhecimento adquirido às necessidades do local de atuação. Contudo. Embora tenha avançado na concepção de um perfil profissional compatível com as necessidades atuais para o fisioterapeuta. O aluno tem sido então. das disciplinas profissionalizantes no 5º período até o estágio em saúde coletiva. visando à qualidade de atenção à saúde individual e coletiva. então. adotando as vivências práticas como situações problematizadoras e transformadoras do fazer em saúde. o evento “Oficina Ampliada de Atenção Básica” é um dos instrumentos utilizados pela disciplina de Estágio II – Saúde Coletiva. dentro dos ambulatórios. Podem-se atribuir tais fragilidades enfrenta- das à incipiente articulação entre os cursos de graduação da UFPB e destes cursos com a rede de serviços do município da cidade de João Pessoa. através de atendimentos domiciliares e formação de grupos. em ambientes ambulatoriais e hospitalares. de acordo com resolução 12/2005 do Conselho Superior de Ensino. Enquanto o acadêmico se prepara para uma área em ascensão na Fisioterapia e mergulha na complexidade da Atenção Básica. no 8º período.CONSEPE. Esta experiência desafiadora tem sido vivenciada pelos alunos do curso. seu atual PPP foi submetido à reformulação e aprovado em junho de 2005. ainda que em processo de construção. desenvolvidas no curso. à descontinuidade das ações pondo em risco a resolutividade de alguns tratamentos. incluindo-se os gestores. sem perder de vista a enorme demanda assistencial específica. relativas ao perfil dos docentes que vão atuar nestes espaços. pactuado e integrado de estudantes e professores dos cursos de formação na área da saúde com trabalhadores que compõem as equipes dos serviços de saúde. tais como a própria nomenclatura das disciplinas. à integração entre os estudantes dos diversos cursos da UFPB e destes com a equipe. acontecem. Neste sentido. que caracteriza as atividades de núcleo de saber da Fisioterapia. baseadas nas disfunções dos sistemas a serem estudados e da pouca articulação das atividades assistenciais da Fisioterapia com os demais cursos da saúde. Proporciona. 357). os estudantes se depararam com várias dificuldades na prestação de assistência aos usuários e na atuação junto às equipes de saúde da família. Nessa realidade. Pesquisa e Extensão . através de todas as disciplinas profissionalizantes. à qualidade da formação profissional e ao desenvolvimento/satisfação dos trabalhadores dos serviços”1(p. devido à formação que ainda o prepara para atuar.Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro et al No caso do curso de Fisioterapia da UFPB. tanto para os estudantes quanto para docentes. trabalhadores da rede assistencial e gestores. que se iniciam no 5º período. Apesar das inovações curriculares com a implantação desse PPP . sobretudo. O HISTÓRICO DAS OFICINAS Um desafio a ser vencido pelo ensino de Fisioterapia é a sua inserção na Atenção Básica. uma possibilidade de capacitação profissional e de construção de práticas interdisciplinares. As experiências de aprendizado em assistência. Algumas dificuldades têm sido identificadas ao longo deste processo em relação a essas experiências na Atenção Básica. no entanto. confrontado com um cenário de atuação que expõe ou- 52 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 . apoiado pela coordenação do curso de Fisioterapia. traz benefícios tanto aos estudantes quanto aos trabalhadores do serviço e comunidade.

o que culminou com a proposição de que a Oficina de Atenção Básica precisava alcançar os demais cursos de saúde da UFPB. O objetivo do projeto é somar força ao Pró-Saúde I (dos cursos de Enfermagem. Fisioterapia e Nutrição foi contemplada pelos recursos do Pró-Saúde II. a partir da mudança do processo de formação. Como foi dito anteriormente. Algumas propostas estão inseridas nesse modelo de gestão. cujo tema foi: “O desafio da prática fisioterapêutica na Atenção Básica (AB)”. a implantação do apoio matricial e do acolhimento. e a UFPB se envolve neste processo com o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde) e o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). Farmácia. da editora UFPB. apontam que o enfoque na saúde da família ocorre de forma pontual. Este debate ganhou força entre os estudantes do estágio em saúde coletiva. diante de situações de complexas resoluções. a proposta integrada dos cursos de Educação Física. com esse modelo de gestão. Alguns autores. ao estudarem as mudanças ocorridas pela implantação das DCN’s nos cursos de graduação em Enfermagem. Diante do desafio de construir esses conhecimentos e de trocar informações com docentes. Em 2008. assim. comissão de estágio na AB. Como também vivenciam sentimentos de impotência. comissão pedagógica do curso. coordenação de curso. decidiu-se pela realização da Oficina Ampliada de Atenção Básica pelos acadêmicos da disciplina Estágio II . A gestão da saúde do município de João Pessoa vem implantando. uma vez que possuía articulação entre todos os cursos da área de saúde e seu foco era a reorientação da formação. os estudantes e docentes do Estágio II propuseram a realização da I Oficina de Atenção Básica. em março de 2009.III Oficina de Atenção Básica da UFPB tras complexidades inerentes à vida e ao modo de vida das pessoas nos territórios. Medicina e Odontologia) e desenvolver um modelo referencial integrador entre a rede de serviço de saúde do município de João Pessoa e as práticas docentes da UFPB. a organização da atenção a partir de linhas de cuidado e a construção de projetos terapêuticos. com outros estudantes e com o serviço e a gestão dos serviços. acolhimento. além de estar publicado na segunda edição do livro Fisioterapia na Comunidade. Este encontro realizou-se em novembro de 2009 e contou com Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 53 . desenvolvidas nas Unidades de Saúde e em suas áreas de abrangência. desfragmentada e descontextualizada nas disciplinas do novo PPP dos cursos envolvidos na pesquisa. O resultado desta experiência foi encaminhado para o Departamento de Fisioterapia. centro acadêmico. Observaram. desde 2004. Concluem que os estudantes dos cursos entrevistados encontram dificuldades em realizar atividades de promoção de saúde. de produção de cuidado e seus dispositivos. amparada e incluída nas atividades propostas pelo Pró-Saúde II. redes de apoio no processo de trabalho em Fisioterapia. atuação interdisciplinar. objetivando a transformação das realidades do serviço e do ensino. bem como para a gerência de educação da secretaria municipal de saúde de João Pessoa-PB. iniciativas institucionais e governamentais objetivam e estimulam as mudanças na formação na área de saúde. envolvendo os programas de reorientação da formação acadêmica para a área da saúde. A segunda Oficina de Atenção Básica foi estimulada pela discussão que circulou nos cursos de saúde da UFPB. também foram implantados 13 Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). dentre elas. os estudantes envolvidos nesse estágio encontraram diversos questionamentos a respeito de temas como referência e contrarreferência. Este encontro contou com cerca de 90 participantes e teve como objetivo principal descrever as fragilidades e os desafios encontrados na prática fisioterapêutica na Atenção Básica. diferenças teóricas na compreensão de conceitos fundamentais para a formação do profissional de saúde. do Curso de Fisioterapia desta Universidade. visto que todos enfrentam dificuldades para sua inserção e atuação na AB. no primeiro semestre do ano de 2009. frustração e inutilidade por desconhecimento ou pela falta de prática na aplicação dos princípios de integralidade e intersetorialidade3. Os estudantes de Fisioterapia inseridos na rede municipal de serviços de saúde convivem. interdisciplinar e multiprofissional. A partir do ano de 2008.“Saúde Coletiva”. numa perspectiva problematizadora. objetivando preparar melhor profissionais para o SUS. No segundo semestre de 2008. modelo de avaliação fisioterapêutica na Atenção Básica e sobre a realização de um trabalho terapêutico em grupo. Medicina e Odontologia na UFRN. um projeto de saúde em defesa da vida. Diante do exposto. ainda.

pois quer agregar ensino. alguns momentos do evento. 21 trabalhadores das equipes e da gestão municipal e 8 docentes da UFPB. o papel dos profissionais no NASF. Teve como sede a Universidade Federal da Paraíba e aprofundou a discussão da temática central de Atenção Básica. que as ações possam ser pactuadas e valorizadas. com trabalhadores do serviço e com a gestão em saúde da Secretaria Municipal de João Pessoa. Constata-se que as últimas décadas trazem uma série de reflexões. o diagnóstico. que se desenvolviam no âmbito da Atenção Básica. o investimento neste novo encontro assume características organizacionais semelhantes à anterior. de tal maneira. O primeiro termo sugere uma maneira para operar a relação horizontal entre sujeitos mediante a construção de várias linhas de transversalidade. sendo eles: 93 estudantes da área de saúde da UFPB. de forma mais abrangente e democrática. As contribuições desta última oficina encontram-se sistematizadas nos parágrafos abaixo e atualmente estão servindo de parâmetro para reorientar ações do Pró-Saúde II. em junho de 2010. Essa oficina teve como objetivos proporcionar aos acadêmicos a ampliação do conhecimento sobre a atuação na Atenção Básica desde a elaboração. conjunturas e expectativas para toda a população brasileira. Dessa forma. a pre- venção de agravos. os facilitadores desenvolveram a metodologia de trabalho do seu GT. adotando o tema “(Re)construindo práticas e integrando saberes”. o tratamento. ainda. quatro temas de mister importância para a Atenção Básica. mas possui aspectos peculiares na medida em que pretende discutir temas presentes na Política Nacional de Atenção Básica e em outras políticas a ela relacionadas. facultar aos estagiários o aprendizado na preparação de um evento que permite o diálogo e a integração dos universitários sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). promovendo o diálogo de forma horizontal. que são atores importantes na Atenção Básica. A oficina abordou. no âmbito individual e coletivo. caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde. contextualizados à realidade local: apoio matricial. Apesar de se ter o conceito de Atenção Básica. que abrangem a promoção e a proteção da saúde. segundo a Política Nacional de Atenção Básica4. Tal iniciativa objetivou a integração entre estes futuros profissionais. com o tema: “O trabalho vivo da Atenção Básica: do acolhimento à significação”. a reabilitação e a manutenção da saúde. acolhimento e acesso aos serviços de saúde e o trabalho em equipe na UBS.Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro et al cerca de 100 estudantes dos cursos da área de saúde. sugere.1. Cada grupo de trabalho (GT) teve como ponto de partida um objetivo e uma questão problematizadora e foi orientado a destacar as potencialidades e fragilidades encontradas nas práticas relacionadas ao seu tema. A oferta de vagas para todos os cursos da área de saúde foi uma das novidades da II Oficina Ampliada de Atenção Básica. aplicada ao sistema de saúde. e incorporando os princípios da Atenção Básica no Brasil e o conceito ampliado de saúde. Associando esta questão aos principais questionamentos que emergiram com a vivência de inserção em equipes de saúde da família pelos estudantes no semestre 2010. uma 54 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 . apontando estratégias de superação para as mesmas. Com base nessas orientações. sendo então realizada a III Oficina Ampliada de Atenção Básica. já na formação acadêmica. serviço e gestão na arena de debates. Abaixo. principalmente se levarmos em consideração o compromisso do governo em garantir meios de promover saúde à sociedade. GRUPO DE TRABALHO 1 – O APOIO MATRICIAL Conceito e contexto A expressão apoio matricial é composta por dois conceitos operadores. A terceira oficina foi motivada por interesses que perpassavam a experiência concreta no território sobre as formas de organização das práticas dos serviços.NASF. fortalecer a aproximação entre Universidade e serviço e a possibilidade da construção coletiva de um pensar/agir em saúde. O evento contou com 132 participantes. percebeu-se a necessidade de uma discussão maior sobre este tema. que. Um das estratégias de ampliação do acesso aos serviços de saúde no Brasil é a Atenção Básica. ainda existem muitas polêmicas e contestações sobre esse tema. principalmente no que se refere às práticas dos trabalhadores que ainda não estão inseridos na equipe mínima e que atualmente aproximam-se da Atenção Básica através dos Núcleos de Apóio à Saúde da Família . execução do processo de trabalho até a organização de estratégias para solução de problemas encontrados nas práticas das equipes de saúde da família.

III Oficina de Atenção Básica da UFPB ABERTURA DA III Oficina GRUPO DE trabalho da III Oficina Plenária Final da III Oficina Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 55 .

que se constitui em analisar a prática técnico-gerencial do apoio matricial pela análise circunstanciada a partir da experiência de João Pessoa – PB. A Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa SMSJP adota o apoio matricial nas práticas de gestão em saúde e as equipes de Núcleo de Apoio à Saúde da Família formam . protocolos e centros de regulação8. ainda se fazem presentes no cenário local e norteiam o objetivo do GT. A estratégia do apoio matricial surge de modo a repensar a lógica do processo saúde/doença. Assim. subjetivo e histórico9. O apoio matricial procura construir e ativar espaço para comunicação ativa e para o compartilhamento de conhecimento entre profissionais de referência e apoiadores8. a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações. como aquilo que faz parte da mesma. implantadas também na perspectiva do apoio matricial. Na teoria de sistemas de saúde. a SMSJP continua apostando no apoio matricial como elemento-base na construção da gestão em saúde e articulação Serviço Especializado e Atenção Básica. o apoio matricial se configura como um suporte técnico especializado. o nível primário dirige-se ao secundário e assim sucessivamente. na qual se faz pensar a doença não como ocupante do espaço principal na vida do sujeito e.Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro et al Estudantes organizadores da III Oficina metodologia para ordenar a relação entre referência e especialista com base em procedimentos dialógicos e não mais com base na autoridade5. mas que pode agregar recur- sos de saber e contribuir com intervenções que aumentem a capacidade de resolver problemas de saúde da equipe primariamente responsável pelo caso. questões como: quais as dificuldades e as possibilidades da organização do trabalho. social. sim. havendo ainda uma transferência de responsabilidade quando do encaminhamento6. a construção de um modo de fazer saúde centrado no sujeito e não mais na doença. O apoiador matricial é um especialista que tem um núcleo de conhecimento e um perfil distinto dos demais profissionais de referência. dado que o sujeito é um ser biológico. a 56 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 . fisioterapeuta e Diretora do Distrito Sanitário II / SMSJP iniciou as atividades do GT com uma dinâmica de apresentação e. a exemplo dos de conhecimentos como mecanismos de referência e contrarreferência. em que se prevê uma diferença de autoridade entre quem encaminha um caso e quem o recebe. deflagrou o debate realizando perguntas sobre o tema para que os participantes desenvolvessem suas idéias sobre o assunto. Contribuindo com a clinica ampliada. O sujeito não pode ser reduzido a objeto. Trata-se de uma metodologia de trabalho complementar àquela prevista em sistemas hierarquizados. em seguida. No entanto. com isso. Desse modo. O segundo deles indica uma mudança radical de posição do especialista em relação ao profissional que demanda seu apoio. podendo ser realizado por profissionais de diversas áreas7. na lógica do apoio matricial. que é ofertado a uma equipe interdisciplinar de saúde. produzindo . A Oficina A facilitadora. algo que a SMSJP aponta como importante avanço pelo acompanhamento do cotidiano das equipes e da participação do apoio nas atividades de educação permanente.

GRUPO DE TRABALHO 2 – NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA Conceito e contexto Os Núcleos de Apoio à Estratégia Saúde da Família . Propor uma atuação do apoio matricial flexível. de referência Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 57 . mediante critérios de prioridades identificados a partir das necessidades locais e da disponibilidade de profissionais de cada uma das diferentes ocupações. traduzidas pela assistência hierarquizada (médico-centrada) e fragmentada Dificuldade de implantação do modelo de organização do apoio na lógica matricial. fragmentada e ainda orientada por parâmetros do modelo biologicista e hospitalocêntrico. Possibilidade de trabalho Multi/interdisciplinar.SF. Um NASF deve ser constituído por uma equipe. O Produto Ao final do debate. suscetível e dinâmico de acordo com as necessidades do contexto onde está inserido. propõem oferecer suporte de uma equipe matricial vinculada às equipes de saúde da família no sentido de ampliar o escopo de ações da Atenção Básica. compartilhando e apoiando as práticas em saúde nos territórios sob responsabilidade Quadro 1: Produto final do GT de apoio matricial Potencialidades Articulação da rede de serviços de saúde com a Atenção Básica. visando ações conjuntas com outras políticas públicas importantes como educação. criados pela Portaria Ministerial nº 154 de 28 dessas equipes. Investir na formação profissional que valorize o SUS e seus princípios e na integração ensino-serviço.NASF.III Oficina de Atenção Básica da UFPB saber: Qual a sua idéia sobre Apoio Matricial? Como se dá o trabalho do Apoio Matricial? Quais as dificuldades e as potencialidades da organização do trabalho na lógica matricial? A metodologia utilizada foi bem válida. garantida através das ações de núcleo de saber de cada trabalhador. na qual profissionais de diferentes áreas de conhecimento atuam em conjunto com os profissionais das equipes de Saúde da Família . Fonte: Relatório Final da III Oficina Ampliada de Atenção Básica/UFPB. visto que o debate fluiu livremente.. infraestrutura urbana. Encaminhamentos Articulação e atuação intersetoriais para efetivação da rede assistencial de saúde. O NASF não constitui porta de entrada do sistema para os usuários. Conhecer as especificidades do território de abrangência assistencial. Fragilidade em lidar com conflitos e relações interpessoais entre trabalhadores da ESF na ABS. Reflexão e mudanças de práticas assistenciais. Melhoria nas condições de trabalho (estrutura. uma atenção integral. Aprofundar as discussões sobre o apoio matricial a partir de diferentes matrizes teóricas. Tal composição deve ser definida pelos próprios gestores municipais e as equipes de SF. tanto quanto à infraestrutura das UBS’s quanto à formação e valorização de trabalhadores. trabalho e renda. Formação dos profissionais. Os NASF trazem nas suas diretrizes o conceito de pertencimento para atuar nos territórios adscritos às equipes10. Fragilidades Condições de trabalho na ESF ainda são precárias e inadequadas. construindo a partir dessas os encaminhamentos: (ver quadro 1) de janeiro de 2008. a equidade no atendimento e o acesso facilitado. Resistências e dificuldades do trabalho em equipe. priorizando no usuário. os participantes conseguiram identificar as potencialidades e fragilidades referentes ao apoio matricial. capacitação profissional) para possibilitar uma atuação mais eficaz desse trabalhador. despertando o interesse do grupo com o decorrer dos questionamentos. etc. para garantir a atenção integral no cuidado. recursos. Especificidade na atuação. como subsídio para o apoio matricial. contribuindo com a organização da demanda e interagindo com a população na busca de uma nova compreensão do processo saúde-doença. lócus ou estratégia de atendimento individual.

A Oficina Essa oficina teve como facilitadora uma apoiadora matricial do Distrito Sanitário II / SMSJP e tutora da residência multiprofissional em saúde da família e comunidade – UFPB/SMSJP . os quais serviriam como subsídio para a discussão. A experiência do NASF em João Pessoa está baseada na concepção de apoio matricial. analisar as atividades realizadas pelos profissionais que compõem efetivamente o NASF com o intuito de uma atuação clínica e gerencial. nas unidades inseridas na rede escola. a facilitadora. no intuito de apreender as principais demandas trazidas pelos participantes. noções de financiamento do SUS). apoio matricial. Heterogeneidade vinculada à prática dos NASF nas diferentes cidades.se concentrado mais na dimensão gerencial do apoio do que na dimensão clínica. O NASF engloba o conceito de apoio matricial em sua atuação. Fonte: Relatório final da III Oficina Ampliada de Atenção Básica/UFPB. 58 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 . assim. pois permite o contato próximo dos discentes com a diversidade de demandas que atravessam a estrutura de serviços da rede SUS. Escassez de investimento em pesquisas com o objetivo de avaliar a efetividade das ações desenvolvidas pelo NASF para que este possa ser validado como estratégia. em alguns cursos. e em seguida as outras pessoas repetiam o nome e o gesto realizado. na qual cada participante se apresentava e realizava um gesto correspondente a uma atividade que gosta de fazer. A experiência junto ao NASF mostra-se relevante tanto no que diz respeito à ampliação da assistência á saúde das pessoas. Os papéis foram colocados em uma bolsa e misturados. foi proposta a seguinte questão problematizadora: “Como se configura o NASF. Possibilidade de unir práticas alternativas ao processo de trabalho convencional desenvolvido pelas equipes de saúde da família. como objetivo. mas sim de apoio às equipes11.apoiadores e apoiadores – Distrito. contudo o trabalho dessas equipes tem. como enquanto aprendizado para a formação acadêmica de futuros profissionais. a definição dos profissionais que irão compor cada tipo de NASF é de responsabilidade do gestor municipal. Implementar conteúdos e práticas na graduação sobre Atenção Básica (NASF. Garantir que. tomando como referência as atividades desenvolvidas com vistas a um processo de trabalho que alinhe o gerenciamento e clínica ampliada?”. Encaminhamentos Ampliação da discussão sobre NASF. Para tanto. o que muitas vezes só é possível mediante a participação dos alunos em projetos de extensão. Importância da realização de pesquisas que mostrem a efetividade do programa NASF. Falta de continuidade das políticas públicas com as mudanças de governo. critérios de prioridade identificados a partir das necessidades locais e da disponibilidade de profissionais de cada uma das diferentes ocupações11. entretanto.Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro et al ou contrarreferência das equipes de saúde da família. na universidade. Fragilidades Carência de disciplinas na graduação. Posteriormente. Quadro 2: Produto final do GT de NASF Potencialidades Capacidade de deslocar os profissionais da lógica curativista e os inserir em outras formas de produção de cuidado. seguindo. assim como sobre o SUS. O GT sobre o NASF teve então. evidenciando. haja apresentação dos serviços (distrito sanitário) e maior aproximação entre apoiadores matriciais e estudantes. Realização de discussões entre equipes de saúde da família . O primeiro turno da oficina teve início com uma dinâmica de apresentação dos participantes intitulada: batizado mineiro. propôs que cada um deles escrevesse em um papel sua compreensão sobre o tema NASF e/ou o que desejava saber. ações assistenciais e de gestão. Diferentes categorias profissionais constituem as equipes do NASF. À medida que os participantes liam o que estava disposto em cada papel. direcionadas para abordagem de temáticas referentes ao campo da Atenção Básica. a facilitadora anotava os principais pontos. fato que vem a colaborar com seu perfil de programa inovador. De acordo com a Portaria 154. para que cada um dos presentes os retirasse aleatoriamente para posterior leitura. utilizando o foco gestão no intuito de pensar estratégias de acompanhamento de famílias.

ouvir a demanda. deu-se início à abordagem propriamente dita do tema NASF. intrinsecamente dependentes de equipamentos e nas leve-duras. as necessidades em saúde e as características dos serviços disponíveis14. Isso difere da organização atual dos serviços de saúde. de forma gradual. potencialidades e encaminhamentos no GT do NASF. como número de atendimentos e rendimento profissional. não exigindo conhecimentos profissionais específicos. é receber bem. para que todos os participantes pudessem contribuir ou fazer questionamentos. caracterizadas pelo domínio de um núcleo específico de conhecimentos. a depender do serviço. o acolhimento pode ser compreendido como uma forma de organização do trabalho em saúde e. Fatores socioeconômicos e demográficos foram considerados determinantes principais na busca e utilização dos serviços de saúde. apropriado por todos os profissionais em saúde. deslocam-se para tendências que buscam qualificá-lo no ato da recepção do usuário. visando ao alcance do objetivo de oferecer serviços de saúde a partir de critérios técnicos. buscar formas de compreendê-la e solidarizar-se com ela. no contexto dos serviços de saúde. enquanto outras estão em discussão para iniciar a implantação. As análises e as alternativas de soluções para o problema de acesso. sobretudo. a sua qualidade15. O acolhimento vem sendo implantado pela gestão de saúde em João Pessoa nas Unidades de Saúde da Família. o acolhimento torna-se mais um instrumento de modificação no critério de marcação de consulta. O processo de implantação tem início com oficinas e reuniões para dar um suporte teórico à proposta e buscar sensibilizar as equipes quanto à sua validade. A ques- Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 59 . A incorporação pela Estratégia Saúde da Família de novas formas de organizar o trabalho em saúde é uma maneira de efetivar uma das proposições que a definem. O termo “acesso” envolve uma variedade de facilitadores e barreiras para o acesso aos recursos buscados pelas pessoas. O acolhimento tem se efetivado como uma atividade. Para encerrar o trabalho desse grupo. Tais constatações levam à reflexão de que o acolhimento precisa ser considerado um instrumento de trabalho que incorpore as relações humanas. as quais se referem ao cuidado no seu sentido mais amplo. especialmente na Atenção Básica. A questão não se restringe a quantas portas de entrada estão disponíveis. Deve ser realizado por toda a equipe de saúde. o que exprime a noção reduzida do acolhimento como forma de organizar a oferta dos serviços16. GRUPO DE TRABALHO 3 – O ACOLHIMENTO Conceito e contexto O acolhimento é uma ação implantada em alguns municípios. O acolhimento foi incluído como elemento inicial do processo de trabalho em saúde centrado em tecnologias leves. Acolher. éticos e humanísticos. Assim. não se limitando ao ato de receber17. como uma atitude desejável no fazer de todos os profissionais da saúde.III Oficina de Atenção Básica da UFPB Finalizada a leitura. Foi apresentada uma breve retrospectiva histórica da implementação das bases teóricas do SUS até chegar ao modelo de atuação proposto pelo NASF. Foi uma apresentação informal. em toda relação que envolve o profissional de saúde e a pessoa em cuidado12. em local específico para esse fim. mediados por categorias secundárias. Algumas equipes estão em fase avançada do processo de implantação. com destaque para os encaminhamentos a serem expostos na plenária final. procedeu-se a uma avaliação das atividades do mesmo. também. em todos os setores. como a consulta médica ou de enfermagem13. aberta. os participantes juntamente com a facilitadora e os relatores do grupo uniram-se para a elaboração do produto do trabalho. destacando os avanços e os retrocessos. com hora e objetivo específico a ser alcançado – garantir o acesso dos usuários – a ser realizado por determinados profissionais. O Produto O quadro 2 o produto das discussões sobre as fragilidades. em cada seqüência de atos e modos que compõem o processo de trabalho. o apoio social. Nessa concepção. No turno da tarde a discussão foi retomada. em bases estritamente quantitativas. O GT sobre acolhimento teve como objetivo avaliar experiências de implantação do acolhimento em João Pessoa. além de uma necessidade para sua concretização como estratégia que visa reorganizar o SUS a partir da Atenção Básica. incluindo a família. como dispositivo capaz de qualificar a assistência. mas. centrada nas tecnologias duras.

Condições de trabalho incompatíveis com a implementação da estratégia de acolhimento. foi formada uma roda de discussão. Encaminhamentos A realização de oficinas semelhantes a essa no contexto do serviço. No que diz respeito às fragilidades do acolhimento. Fortalecer e melhorar o sistema de referência e contrarreferência Fortalecimento da articulação da rede intersetorial. mas a família e seu contexto. a unidade produtora dos serviços de saúde não é um profissional isoladamente. Realizar um processo de avaliação. Estimulo às mudanças das estruturas curriculares dos cursos de graduação. elas foram pontuadas sob dois critérios: a formação dos trabalhadores para implantar esse dispositivo e a estrutura dos serviços. buscando identificar qual padrão de acolhimento a população deseja.Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro et al tão indicada para problematizar a temática foi “Como integrar a prática do acolhimento à oferta de serviços visando à ação interdisciplinar?” GRUPO DE TRABALHO 4 – O TRABALHO EM EQUIPE NAS ESF’ A Oficina O grupo de trabalho foi facilitado por uma docente do Curso de Serviço Social da UFPB e desenvolvido em dois momentos. na medida em que estabelece a criação de núcleos multiprofissionais de atuação integrada como fundamental para o desenvolvimento do trabalho no Programa Saúde da Família18. Melhoria de funcionamento das Unidades de Saúde (Atenção Básica. Primeiro foi realizada uma apresentação de slides. mapeamento e monitorização das experiências de acolhimento. Fragilidades Pouca compreensão dos trabalhadores. As intervenções necessárias à saúde devem considerar as determinações biopsicossociais da saúde-doença e o cuidado na autonomia e na responsabilização dos profissionais perante os usuários. e o foco central da atenção não é o indivíduo exclusivamente. No Programa Saúde da Família. Média e Alta Complexidade). Desse modo. Fonte: Relatório Final da III Oficina Ampliada de Atenção Básica/UFPB. os enfrentamentos e os encaminhamentos. tentando listar as potencialidades. Falta de diálogo entre referência e contrarreferência. famílias e comunidade. Emponderamento da equipe e do usuário. Melhor atendimento. Disposição política dos trabalhadores em implementar a política nas USF’s. Dificuldades na mediação com a rede intersetorial Insumos incompatíveis com a estratégia de acolhimento (falta de ambiência). Valorização e construção de vínculo com o usuário. Criação de espaços de troca entre as experiências supracitadas. Articulação dos saberes no cuidado do usuário. No segundo momento. (ver quadro 3) Quadro 3: Produto final do GT de acolhimento Potencialidades Garantia de equidade na oferta de serviços. Estímulo à participação popular. Fragilidade na discussão sobre o processo de trabalho (as discussões são unilaterais). 60 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 . mas sim uma equipe. Pouca adequação na metodologia empregada para apropriação da política pelos trabalhadores. embasando o tema. Conceito e contexto O sistema de saúde pública brasileiro enfatiza o trabalho em equipe. a assistência à saúde passa a ter a característica cen- O Produto O resultado das discussões desse GT está apresentado no quadro a seguir. usuários e gestores sobre a Política de Humanização. cuidado e acesso ao usuário. Socialização das pesquisas envolvendo processo de humanização e acolhimento. Ampliação da relação ensino-serviço. Responsabilização dos trabalhadores com os usuários. Insuficiência de momentos de capacitação acerca da humanização e processo de trabalho.

foram discutidos alguns conceitos como o de trabalho. através da organização das idéias em tarjetas. na qual cada um dos agentes tem definidas as suas atribuições e sua base de atuação. A elaboração das idéias era feita através de questionamentos que instigavam a reflexão critica do grupo. seja no ambiente da UBS. possibilitando identificar as possibilidades e os nós críticos na integração ensino-serviço. diferenças técnicas e desigual valoração social dos trabalhos especializados. O trabalho em equipe deve envolver uma atuação multiprofissional. Há duas modalidades de equipe: equipe integração e equipe agrupamento. Sendo assim. são apontadas questões. mas que também foram apontadas como encaminhamento para a superação dos problemas. facilitando assim a visualização. a potencialidade do acolhimento para estreitar os vínculos. NASF e o acolhimento dependem da articulação dos diversos saberes dos profissionais que produzem o cuidado. docentes e discentes. Em relação à gestão. uma vez que o apoio matricial. o atendimento oferecido por uma UFS deve ser multiprofissional e interdisciplinar. tais como. seja. no trabalho em equipe cada profissional é instigado a participar coletivamente. o GT de trabalho em equipe nas USF’s teve como objetivo rastrear os elementos que fragilizam e potencializam o trabalho vivo nas equipes de saúde da família. A ampliação da oficina para os demais cursos da saúde revela a potencialidade do debate envolvendo todos os atores atuantes na rede de serviços. A perspectiva de que as mudanças na formação podem refletir mudanças significativas e profundas na prática profissional esteve bem presente no trabalho dos grupos. as dificuldades de relacionamento interpessoal inerentes ao trabalho em equipe. O produto dos grupos de trabalho expõe questões relativas ao serviço. tanto no âmbito da política em nível nacional. e os critérios de reconhecimento dos tipos de equipe dizem respeito à comunicação entre os agentes do trabalho. Neste contexto. esta característica é marcante e presente no cotidiano das equipes de saúde da família e das atividades de ensino desenvolvidas na rede. CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização das oficinas de Atenção Básica tem revelado a necessidade de refletir e avaliar as práticas de saúde. destacam-se questões referentes ao processo de trabalho das equipes. o trabalho vivo e a importância do trabalho em equipe. uma vez que surge como um meio de transformar a produção e a distribuição dos serviços de assistência à população com vistas à reorganização das práticas de saúde21. formulação de um projeto assistencial comum. gestores. garantindo a presença de trabalhadores. especificidade de cada área profissional. complexo e que busca a interdisciplinaridade19. quanto nas questões referentes à estrutura dos serviços de saúde e à política salarial. e flexibilidade da divisão do trabalho e autonomia técnica20. Antes de chegar à discussão do trabalho em grupo. Destacam-se. No tocante ao serviço. a exemplo da falta de continuidade nas ações de saúde decorrentes das mudanças de gestores. O Produto O produto final da construção do pensamento coletivo sobre o trabalho em equipe pode ser visualizado no quadro 4. nessa dimensão. A articulação entre as ações e a interação entre os profissionais é essencial à configuração do trabalho em equipe. dizem respeito ao ensino. buscando superar as dificuldades. ou seja. O trabalho em equipe consiste em uma modalidade de trabalho coletivo que se configura na relação recíproca entre as intervenções técnicas e a interação dos agentes. partindo da seguinte problematização: como se configura o trabalho vivo dos profissionais de saúde nas ESF’s? CCM/UFPB) foi a da construção do pensamento coletivo. ainda. para que haja resultado mediante a contribuição de cada profissão.III Oficina de Atenção Básica da UFPB tral de um trabalho coletivo. à gestão e ao ensino. a insuficiência da A Oficina A metodologia utilizada pelo facilitador do GT (um docente do Departamento de Promoção da Saúde/ Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 61 . Muitas questões indicadas como dificuldades. junto aos demais profissionais da equipe. Na realidade de João Pessoa. Essa forma de produzir saúde – a articulação de profissionais – é considerada como uma estratégia básica na atenção à saúde no SUS. a importância da responsabilização dos trabalhadores pelos usuários. seja na comunidade.

Brasil. conforme proclamado na língua crioula por um estudante “caboverdeano” no encerramento da III oficina. Compreensão sobre ações coletivas multiprofissionais e interdisciplinares. Falta de comunicação entre a equipe. Sampaio MX. 2. 2008. Fonte: Relatório Final da III Oficina Ampliada de Atenção Básica/UFPB. Excesso de demandas assistenciais e de alta complexidade. REFERÊNCIAS 1. de forma brilhante. Abordagem no contexto biopsicossocial que considera a visão ampliada do processo saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde [online]. Rev Bras Educ Med. Resistência à entrada de novos parceiros na equipe. Encaminhamentos Estimular o trabalho em equipe durante a formação acadêmica. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Veloso Dias O. com trabalhadores e gestores compromissados com a população brasileira. Rezende CHA. na luta pela construção de um sistema de saúde universal. além de excesso e diversidade de atribuições. bem como o trabalho na Atenção Básica. Albuquerque VS.Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro et al Quadro 4: Produto final do GT de trabalho em equipe nas USF’s Potencialidades Contribuição de cada especialidade. ainda. 32(3): 356-362. Ministério da Saúde. Registramos também a contribuição de todos os trabalhadores das equipes saúde da família e da gestão municipal de João Pessoa nas atividades de ensino desenvolvidas pela UFPB. Cabe-nos. Troca de saberes nas ações multiprofissionais e interdisciplinares em equipe. Enfim. Complementaridade das ações assistenciais na diversidade profissional. agradecer a todos os estudantes que vêm se comprometendo com as mudanças na formação e assumem. [acesso 62 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 . Fragilidades Trabalhos isolados. Trabalho profissional isolado nas ações assistenciais. Falta de base na formação profissional. para trabalho em equipe. Criar momentos de vivências interpessoais nas equipes para potencializar o trabalho integrado. a exemplo da proposta do NASF. a realização de pesquisas que possam contribuir para avaliar políticas de saúde. Construir experiências sobre currículos integrados no espaço da formação. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de mudança na formação superior dos profissionais da saúde. Diversidade de possibilidades de interfaces assistenciais. Possibilidades de programar ações multiprofissionais e interdisciplinares coletivas. Uso inadequado do espaço geofísico e funcional para planejamento das ações de equipe. experiência acadêmica na Atenção Básica. equanime e integral. Incentivar ações assistenciais integradas e em grupo. Lugarinho RM. Não saber lidar com as diferenças pessoais e coletivas que interferem no trabalho em equipe. na construção da atenção integral. Departamento de Gestão da Educação em Saúde.doença. Gomes AP . fragmentados e pouco resolutivos. a responsabilidade de organizar as oficinas e elaborar os relatórios finais. “Ki Deus ta djuda nhôs!” (Que Deus vos ajude!). a necessidade de vivência interdisciplinar na formação. na perspectiva de reorientar o perfil profissional para este trabalho. Aprender com o saber do outro profissional. Interesses distintos dentro das equipes de trabalho na ação assistencial. Condições de trabalho precárias. Lidar com as limitações pessoais e com as dos outros.

Fracolli LA. Campinas. Saúde mental na atenção básica à saúde de Campinas. São Paulo: Xamã. Dacoreggio ST. 2000. v. Ministério da Saúde. 6. [acesso em 17 abr. São Paulo: Biblioteca Pioneira de Administração e Negócios.14(1):129-38. Malta DC. Rev Bras Enf. 22.saude. Domitti ACP . Merhy EE.gov. 4. Campos RO. Menezes RMP . Um método para análise e co-gestão de coletivos. ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA Dra. São Paulo: Hucitec.35(1):103-9. 1990. 2001. Acolhimento: Perspectiva de reorganização da assistência de enfermagem.gov. 5. Almeida P . Trabalho em equipe de saúde: Uma análise contextual. Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro Laboratório de Estudos e Práticas em Saúde Coletiva – CCS. 20. Costa RKS. Fisioterapia Campus I . Vieira CM. Enders BC. (Série A. 2009.ufpb.gov.l]:UFRGN. A implantação do acolhimento no processo de trabalho de equipes de saúde da família. 2010] Brasília:MS.7(4):530-6. 12. Figueiredo MD. Mishima SM. Brasília: MS. 27). 160 p.br/conferencia_saude_mental_2010/saude_mental/CAB%2027%20NASF%20em%20 23%2011%2009. Clínica: A palavra negada. Souza ECF.Faculdade de Ciências Médicas. 9). Secretaria de Atenção à Saúde. Uchoa SA.saude.5(9):150-3. Rocha PM. Trabalho e subjetividade: Intervenção psicossocial envolvendo uma equipe de profissionais do “Programa Saúde da Família”. Sobre as práticas clínicas nos serviços substitutivos de saúde mental. 2010]. Disponível em: http://2009. Especialização [Monografia] Universidade Federal de Minas Gerais. Ciênc CuidSaúde. Vilar RLA. Disponível em: http://portal. Leite JCA.org. Santos AF. 15. Interface Comunic Saúde Educ. Ações integradas nos sistemas locais de saúde – SILOS. Maia CCA. A perda da dimensão cuidadora na Produção de Saúde. em 25 nov. Núcleo de Apoio às Equipes de Saúde da Família (NASF): Uma breve reflexão. [acesso em 16 abr. Brasil. v. 18. Normas e Manuais Técnicos) (Série Pactos pela Saúde 2006.pdf Campos GWS. 2006.24(1):s100-s110. A abordagem do processo saúde-doença das famílias e do coletivo: Manual de enfermagem [online]. Sena RR. 2001. Textos Básicos de Saúde) (Série Pactos pela Saúde 2006.. 2009.br/saude/programas/protocolos/protocolo_acolhimento. 2005. Saúde Debate. 19.ids-saude. Medicina e Odontologia. 2001. 1999. 21. [acesso em 17 abr. Novaes HM. In: Campos CR. 11. [S. n. Acesso e acolhimento na atenção básica: Uma análise da percepção dos usuários e profissionais de saúde.br/enfermagem.pdf Timoteo RPS.Depto. Guanhães. Peduzzi M. 2010]. 1998. Equipe multiprofissional de saúde: Conceito e tipologia. Um possível diálogo com a teoria a partir das Práticas de Apoio Especializado Matricial na Atenção Básica de Saúde.52(2):161-8. Monteiro AI. 9.João Pessoa CEP . Brasília: MS. 2009. Arq Bras Psicol. Saúde na escola [online]. Ministério da Saúde. Carpintero MC. O desafio do trabalho em equipe na atenção à saúde da família: Construindo “novas autonomias” no trabalho. Cad Saúde Pública. Rocha NSPD. 2010] 2003. 2010].br/bvs/publicacoes/politica_nacional_educacao_permanente_saude. Disponível em: http:// bvsms.sc. Reis AT. Departamento de Atenção Básica. 2008. Departamento de Atenção Básica.III Oficina de Atenção Básica da UFPB 3.25(58):98-111. Merhy EE. 2001.58059-900 PB E-mail: lepasc@ccs. Silva MM. (Série B. p.campinas. 2008. SP: Uma rede ou um emaranhado? Cienc Saúde Coletiva. Almeida MCP . Silva Bueno JM. 64 p. Espaç Saúde.8(1):7-12. 16. Sistema Único de Saúde em Belo Horizonte: Reescrevendo o público.saude.Cidade Universitária . Doutorado [Tese] . 17. Scholze AS. Disponível em: http://www. 7. Saúde da família e projetos políticos pedagógicos: Intenção e gesto na inserção do tema no cotidiano dos cursos de Enfermagem.2005. Brasil.htm 14. Protocolo de Acolhimento da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas [online].gov. (Cadernos de Atenção Básica.br/portal/arquivos/pdf/pactovolume4. Política Nacional de Atenção Básica [online]. Ávila LH. sp. 10. [acesso em 25 nov. Bertolozzi MR. Onocko RC. Disponível em: http://www.143-60. 2009. 8. 2006. 2006. 13. Uchoa AC. 4).br Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 63 . Cordeiro MP . Rev Saúde Pública. Secretaria de Atenção à Saúde.57(1/2):58-74. 60 p.pdf Campos GWS.