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No Princípio...

A Origem de Tudo e de Todos [4] Por Ruy Porto Fernandes O texto dos primeiros onze capítulos do livro de Gênesis não detalha a complexa mecânica evolutiva da criação de todas as espécies da natureza que incontestáveis dados científicos até o momento apresentam, tampouco uma fidedigna cronologia de pouquíssimas gerações. Mas temos que admitir, o texto corresponde a uma simbologia que a realidade das ciências exatas, sócio-políticas e humanas atuais não priorizam, nem levam em conta. Esse relato da criação e cronologia quer priorizar e enfatizar a relação espiritual entre a criação e o criador; também quer alertar que espíritos outros, além do Espírito do Deus de Israel, estão em ação nesta mesma realidade física em que a criação se desenvolve. O texto bíblico quer demonstrar a imanência do Espírito do Deus de Israel no modo de viver daquelas gerações como agente de fertilidade e saúde, simbolizada na longevidade, em meio a uma população descrente, na maioria das vezes não mencionada. Mais uma surpreendente revelação do Espírito Santo. Tanto o início da Bíblia, como o seu final, o livro do Apocalipse, devem ser tidos como simbólicos, expressando uma realidade espiritual em contexto físico e histórico merecendo nossa especial atenção por culminar na revelação da existência do verdadeiro Deus imanente à natureza e ao universo revelado através do povo de Israel, do seu Messias, Jesus, e do povo Cristão. Que, respectivamente, são testemunhas da Lei do Deus de Israel entregue a Moisés, e de Jesus o Messias, o filho unigênito do Deus de Israel ressuscitado em carne e osso. Portanto, os primeiros 11 capítulos em Gênesis e os 22 capítulos no livro de Apocalipse se complementam na Bíblia cristã. Em suma, o relato bíblico da criação e genealogia enfoca a relação espiritual entre o criador e a criatura, revela que o universo espiritual de Deus está em permanente e eterna ação nesta mesma realidade física do universo em que a criação se desenvolve. A simbologia do texto bíblico quer explicitar e valorizar a relação de Deus com a verdadeira humanidade programada para ser eterna. Os símbolos no texto bíblico do livro de Gênesis darão pistas para a ocorrência do Fator Terra de Adão e Eva (do qual será manifesto o verdadeiro filho de Deus, Jesus o Messias; Yeshua HaMashiach) e do Fator Enoque (também simbolizado pelos 24 Anciãos do Apocalipse (Ap 4), que se prostram e submetem-se a Jesus o Messias). - a vida eterna foi um projeto que Deus se propôs realizar desde o primeiro dia da criação neste universo com a concordância de todos os participantes. Foi o projeto em que a vida microscópica, inorgânica e orgânica, ganha a atual forma macroscópica neste universo material-espiritual. Temos este universo material visível de 5% em massa em meio a outro universo de “matéria escura” indetectável de 25 % em massa em meio outro universo invisível de 70 % em massa de energia escura, e o somatório deste 100 % total pairando em meio a um infinito abismo que nos cerca e no qual flutuamos como numa perene imersão total de um batismo de água, fogo e Espírito. - origem do mal no segundo dia da criação protagonizada por próprios participantes deste mesmo projeto iniciado por Deus no primeiro dia. Assim o mal pessoal surge no universo por meio de nossos próprios “irmãos, irmãs, filhos, filhas, pais ou parentes”. Portanto, natureza de nossa própria natureza simbolizada na história da serpente, Adão e Eva, de Caim e Abel; e do pecado entre os filhos de Deus e as filhas dos homens relacionados a partir do capítulo 6 de Gênesis (que abordaremos em detalhes). - a origem do grupo familiar está simbolizada em Adão e Eva por meio do casamento celebrado pelo amor e a união sexual do casal (macho e fêmea) para multiplicação do gênero e imagem de Deus pelo nascimento de filhos e filhas de Deus. - o ser humano ser criado a partir desta terra inorgânica fora do Jardim do Éden e depois de formado transladado para lá, é símbolo do Fator Enoque que Deus realizou sete gerações depois de Adão e Eva, porque ali no Éden eles não procriaram. Estava nos planos de Deus desde o princípio a reprodução em condições eternas no Éden. Tal fato, que deveria ocorrer durante a vida eterna de seus participes não se

realizou pela interferência de Satanás. Mas Deus não se deixou derrotar, providenciou uma tremenda intervenção e salvação simbolizada no arrebatamento de Enoque na sétima geração. Esta revelação nunca foi tida em conta por não ter se cumprido o tempo do seu anúncio. - a frustrada intervenção dos filhos de Deus (machos) descendentes dos grupos familiares transladados daqui para planetas terras neste universo onde ali nasceram (Gn 6.1-4). Eles deveriam manter o voto de celibato e não se relacionarem carnalmente com as filhas dos homens (fêmeas) gerando filhos. Eles deveriam exercer o papel de reis e sacerdotes, tal como Melquisedeque (Gn 14.18), em tempos mais tarde, quando o Deus de Israel fez em nova intervenção nesta criação por meio de Abraão, Isaque, Jacó e do povo de Israel, para salvação desta humanidade e juízo de Satanás. - a arca de Noé como símbolo de salvação para todas as espécies e a humanidade sujeita à morte, mas criados para serem eternos, em meio às sucessivas extinções desta criação, decorrentes da disputa entre o Mal, criado por Satanás, e o Bem, criado pelo Deus de Israel, como revelado na escritura sagrada que o Espírito Santo de Deus assim preservou para testificar a sua intervenção e nos ensinar. - os dois relatos bíblicos da criação em Gênesis (1.1-2.3 e 2.4-25) refletem os dois Fatores: Fator Terra de Adão e Eva e o Fator Enoque. Apesar de parecerem relatos separados eles estão interligados pelo nome de Deus. O primeiro relato (1.1-2.3) pode parecer mais antigo, mas não é. Apesar de usar o nome antigo Elohim (Deus), nome este foi utilizado pelos patriarcas Abraão Isaque e Jacó antes do tempo de Moisés, utiliza a semana de sete dias com o descanso do sábado que apenas entrou em uso após a entrega da Lei a Moisés. O segundo relato (2.4-25) apesar de ser mais antigo, de fontes anteriores a Abraão, utiliza o nome Javé Elohim (Senhor Deus). Mas o nome Javé foi revelado a Moisés no Sinai, época bem posterior à da origem do texto. - dois relatos bíblicos do dilúvio unidos como se fora um só relato. Mas, claramente, são demonstrados pela análise textual que muitos eruditos observaram. Encontrei a menção desta fusão de relatos e da origem de suas fontes, sacerdotal (P) e Javista (J), para composição bíblica do Pentateuco no livro de Richard E Friedman, Who Wrote The Bible? As duas genealogias de Jesus no NT também refletem a interpretação simbólica dos Fatores. Não há como duvidar que Deus não tivesse continuado a história da criação, que aqui começou, nestas duas vertentes. A deste “paraíso terreno”, em continuidade com a descendência de Matusalém, e indo até Jesus, que representa do povo de Deus (judeus e cristãos) conforme a genealogia em Lucas. E a do “paraíso celestial” simbolizada na genealogia de começa em Abraão e prossegue até Jesus, que simboliza o povo celestial (pois, este vem do céu e o seu reino não é deste mundo) conforme Mateus. Niterói, 23 de maio de 2013.
Fonte do quadro: Apêndice do livro “Who Wrote the Bible?” de Richard Elliott Friedman identificando os autores do Pentateuco para o livro de Gênesis nos capítulos de 1 a 11. Nota 1 - O autor do livro identifica o escriba responsável pela fonte Redacional (R) como Esdras, o qual foi um defensor dos sacerdotes Aaronidas que lideravam à época do retorno do exílio Babilônico. Javista (J) 2.4b-25 3.1-24 4.1-16 4.17-26 5.29 6.1-4 6.5-8; 7.1-5,7,10, 12,16b-20, 22-23; 8.2b-3a, 6, 8-12, 13b, 20-22 9.18-27 10.8-19,21 24-30 6.9-22; 7.8-9, 11,13-16a, 21, 24; 8.1-2a, 3b-5, 7,13a, 14-19; 9.1-17 Sacerdotal (P) 1.1-2.3 Redator1 (R) 2.4a

Criação Geração dos céus e da terra Jardim do Éden Caim e Abel Genealogia de Caim Gerações do homem Filhos de Deus e filhas dos homens O dilúvio

*5.1-28, 30-32

7.6

Embriaguez de Noé Velhice de Noé Gerações de Noé

10.1b-7,20,22-23,31,32

*7.6; 9.28-29 10.1a

A torre de Babel Gerações de sem Gerações de Terá Migração de Abraão

11.1-9 11.10a, *10b-26 11.27a, *32 12.1-4a 11.27b-31; 12.4b-5