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Inventário

INVENTÁRIO 1.SOBRE A HERANÇA: Com o falecimento do autor da herança, abre-se a sucessão e o patrimônio deixado transmite-se de imediato e de forma una aos herdeiros. Recebem eles a herança como um todo unitário indivisível, permanecendo em estado de comunhão até que se proceda partilha. Como a herança é considerada um bem imóvel para efeitos legais (art. 80, II CC), qualquer herdeiro poderá defender ou reivindicar de terceiros a herança, parcial ou totalmente. Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros. Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co-herdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio Sendo indivisível, qualquer herdeiro pode defender e reclamar a posse e a propriedade da universalidade da herança. Quando qualquer herdeiro reivindica herança não esta fazendo exclusivamente em seu benefício, mas também em prol da comunhão, já que, enquanto não ocorre a partilha a herança permanece em estado de indivisibilidade. 2. CONCEITO DE INVENTÁRIO: Nas palavras de Venosa: "Inventário consiste na descrição pormenorizada dos bens da herança, tendente a possibilitar o recolhimento de tributos, pagamento de credores, e, por fim, a partilha." Para César Fiuza "Inventário é meio de liquidação da herança. É processo pelo qual se apura o ativo e o passivo da herança, pagam-se as dívidas e legados, recebem-se os créditos etc." Segundo doutrina majoritária o inventário é considerado procedimento contencioso visto que as partes vão a juízo em busca de um provimento judicial que confira validade e eficácia ao acordo homologado. Nada impede, no entanto, que o inventário seja realizado de forma extrajudicial se todos os herdeiros forem capazes e concordes, e não houver testamento, sendo neste caso processado por escritura pública. O art. 983 do Código de Processo Civil dispõe que o inventário deverá ser aberto no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da abertura, e finalizado nos 12 (doze) meses subseqüentes. Caso não seja proposto no prazo estipulado abrirse-á permissão para que o juiz, ex officio, instaure o processo.

3.LEGITIMIDADE PARA REQUERER ABERTURA DE INVENTÁRIO: As partes legítimas para requerer a abertura do inventário estão elencadas nos art. 987 e 988 do CPC, trata-se de legitimidade concorrente, pois qualquer um pode indistintamente pleitear a sua instauração. A lei processual atribui, antes de tudo, legitimidade ao administrador provisório do espólio, e em concorrência ao cônjuge supérstite; ao herdeiro; ao legatário; ao testamenteiro; ao cessionário do herdeiro ou do legatário; ao credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança; ao administrador da falência do herdeiro, do legatário, do autor da herança ou do cônjuge supérstite; ao Ministério Publico e a Fazenda pública. Não se pode confundir legitimidade para requerer inventário com legitimidade para exercer a inventariança. Ainda que vários dos legitimados requeiram o inventário, o processo será só um. Não há óbice segundo Francisco José Cahali seja o companheiro(a) requeira a abertura do inventário bem como seja nomeado(a) inventariante, a lei requer somenteem primeiro momento que o requerente esteja na posse e administração dos bens do espólio e que o falecimento tenha ocorrido na vigência da união estável. 4. FORO COMPETENTE: A competência para instauração do inventário é determinada pelo art. 96 do CPC. A regra geral de fixação da competência interna é que o processo de inventário e partilha deverá ser instaurado no foro do último domicílio do autor da herança, ainda que não tenha ocorrido ali o óbito. Esta regra vem se ligar ao disposto no art. 1.785 do CC, segundo o qual "a sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido". Tendo tido o morto, porém, mais de um domicílio, a competência será fixada pela prevenção, ou seja, competente será o foro em que houver sido primeiramente requerida a abertura do inventário. Se o autor da herança não tinha domicilio certo, competente será o foro da situação dos bens. E ainda, se o de cujus não tinha domicilio certo e deixou bens em diversos lugares, a competência será do foro onde ocorreu o óbito. Segundo César Fiuza: "O juízo do inventário é universal, competindo a ele decidir todas as ações relativas à herança, ainda que concorram outras razões definidoras do poder jurisdicional. Por outros termos, todas as ações relativas ao patrimônio e à pessoa do autor da herança serão atraídas pelo juízo do inventário, devendo ser nele propostas e por ele decididas" Entretanto, no entendimento de Alexandre Câmara "a universalidade fixada no art. 96 do CPC é de foro, e não de juízo... Em outros termos, as demandas ajuizadas em face do espólio deverão ser propostas no for onde o processo de inventário e partilha estiver se desenvolvendo, mas não necessariamente no mesmo juízo." Entende Alexandre que foro diz respeito ao local (cidade do Rio de Janeiro, São Paulo etc.) onde corre a ação, já o juízo é determinado com base nas normas locais de organização judiciária, ou seja, o juízo competente para julgar inventário e partilha é o da Vara de Órfãos e sucessões, e o que julgará

O compromisso pode ser assinado por advogado com poderes especiais. Vl . quanto ao dativo. 991. Incumbe ao inventariante: I . se houver. para exame das partes.administrar o espólio. 748).prestar contas de sua gestão ao deixar o cargo ou sempre que o juiz Ihe determinar. Neste sentido dispõe o art991. V . II . 990 do CPC: o cônjuge sobrevivente casado pelo regime de comunhão de bens. o inventariante terá o prazo de 05 (cinco) dias para firmar compromisso de bem e fielmente exercer seu cargo.juntar aos autos certidão do testamento. velando-lhe os bens com a mesma diligência como se seus fossem. 5.demanda contra o espólio em execução por quantia certa é o juízo de Direito da Vara Civil.trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente.No momento em que for nomear inventariante o juiz observara a seguinte ordem de preferência prevista no art. à escolha do juiz. Vlll . a qualquer tempo. § 1o. O inventariante é nomeado pelo juiz do inventário. Vll . Intimado da nomeação.requerer a declaração de insolvência (art.representar o espólio ativa e passivamente. o qual será representado em juízo por todos os sucessores. IV . . César Fiuza não faz esta distinção a respeito de juízo e foro. não terá ele a representação judicial do espólio. renunciante ou excluído. 12. se lhe confiada a administração do espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados. que é o caso do inventariante judicial e do estranho idôneo. o disposto no art. desde que estivesse convivendo como inventariado ao tempo de sua morte. o testamenteiro. os documentos relativos ao espólio. o inventariante judicial.INVENTARIANTE: Ao inventariante cabe a administração dos bens da herança. representando o espólio ativa e passivamente. o herdeiro que se achar na posse e administração do espólio. qualquer sucessor a titulo universal.exibir em cartório. em juízo ou fora dele.prestar as primeiras e últimas declarações pessoalmente ou por procurador com poderes especiais. in verbis: Art. observando-se. se houvere pessoa idônea. Sendo porem o inventariante dativo. III .

ímprobo. ao mais velho. 992 do CPC).ao testamenteiro.ao herdeiro que estiver na posse e administração dos bens. omisso.ADMINISTRADOR PROVISÓRIO: O administrador provisório é aquele que. Pode ocorrer que. representa ativa e passivamente o espólio.PROCEDIMENTO: O processo de inventário em si deve ter inicio em. desleal. na falta ou escusa das indicadas nos incisos antecedentes. independente de assinatura de termo de compromisso.797. sucessivamente: I . fazer as despesas necessárias coma conservação e o melhoramento dos bens do espólio (art. transigir em juízo ou fora dele. Deverá ser requerida e será processada em autos apartados. conforme o disposto no art. no máximo. se houver mais de um nessas condições. desidioso. Por seu cargo ser provisório. sendo obrigado a trazer os frutos que desde a abertura da sucessão tenha percebido. O inventariante será removido de seu cargo quando ocorrer alguma das hipóteses do art. se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão. enfim quando administrar mal o espólio. em apenso aos autos de inventário e partilha. até que o inventariante seja nomeado e preste compromisso. 6. tinha a posse dos bens que compõem o espólio. poderá ser nomeado. ao tempo da abertura da sucessão. dolosa ou culposamente. e. 995 do CPC ou caso se revele negligente. IV . desde que ouvidos previamente os interessados e com autorização judicial. 1. alienar bens do espólio de qualquer espécie.ao cônjuge ou companheiro. a massa falida fique sob a gerência do administrador provisório. Até o compromisso do inventariante. III . O administrador responde pelos danos que.a pessoa de confiança do juiz.Além desta. II . Este. A ordem de preferência para a administração provisória esta descrita no Código Civil Brasileiro se apresenta na seguinte forma: Art. tenha provocado. fazendo jus ao reembolso de toda despesa útil e necessária que haja efetuado. 60 (sessenta) dias da abertura da sucessão devendo ser ultimado nos doze meses . incumbe ainda ao inventariante. pagar dívidas do espólio. a administração da herança caberá. ou quando tiverem de ser afastadas por motivo grave levado ao conhecimento do juiz 7. 986 do CPC.

subseqüentes. Para dívidas ainda não exigíveis o juiz. Depois de ouvidos sobre as primeiras declarações feitas pelo inventariante. requerer o pagamento das dívidas vencidas e exigíveis. A avaliação será submetida aos herdeiros. para que se manifestem sobre elas. podendo o inventariante. reservando bens que garantam o pagamento da divida ser for julgada procedente. o ativo e o passivo da herança. completá-las. em regra. correndo em apenso aos autos do inventário. que será feita pelo avaliador judicial. Constara nas primeiras declarações: identificação do de cujus. a não ser que haja prorrogação deste prazo pelo juiz. Sendo um único herdeiro.Após analise da petição. o inventariante terá prazo de 05 (cinco) dias para prestar compromisso. Sendo proferida a decisão do Juiz sobre a avaliação do imposto encerra-se a primeira fase do procedimento de inventario e partilha. não havendo impugnação será lavrado o termo de ultimas declarações. mediante a inscrição do competente instrumento judicial no Registro Imobiliário. a investigação de paternidade ou eficácia de reconhecimento espontâneo de filho. Por toda questão de alta indagação será instaurado processo ordinário. habilitando-se nos autos. remeterá as de alta indagação para as vias ordinárias e remeterá a herança para a avaliação. entretanto. Findo o calculo do imposto transmissão mortis causa. decidindo o juiz se ele fica ou sai. São questões de alta indagação as relativas á propriedade dos bens e à condição dos herdeiros. com a petição inicial. deofficio ou a pedido do interessado. a sonegação de bens. dos herdeiros e legatários. liquidada herança e os bens líquidos serão adjudicados a este herdeiro. será aberto o inventario. as primeiras declarações o juiz determinará a citação dos herdeiros legítimos e testamentários. que deverá conter certidão de óbito do autor da herança. à nulidade de atos praticados pelo finado. logo em seguida terá prazo de 20 (vinte) dias para prestar as primeiras declarações. Após ser intimado. o Juiz decidirá as questões suscitadas. depois de ouvidos os interessados em audiência. havendo concordância das partes determinará o pagamento das dívidas. abrir-se prazo para que os herdeiros se manifestem sobre o calculo realizado e não sendo impugnado o juiz o julgará. estas são uma confirmação das primeiras declarações. caso não haja concordância o juiz remeterá o credor as vias ordinárias. a exclusão de herdeiro. Esta somente será possível nas ações ordinárias em apenso. e o Juiz. Após as ultimas declarações o juiz determinará que se efetue o calculo de imposto de transmissão mortis causa. a qualidade do inventariante poderá ser impugnada. com a . No processo de inventário não é admitida prova testemunhal. podem os credores do espolio. o juiz nomeará o inventariante. Nesta primeira fase até a avaliação dos bens. caso não seja feita por ato ex officio do juiz. O procedimento de inventario inicia-se. Após.

que será à base de cálculo dos tributos.INVENTÁRIO-PARILHA EXTRAJUDICIAL OU POR VIA ADMINISTRATIVA: . É o chamado arrolamento comum.1 O acertamento da inexistência de bens a partilhar pode ser do interesse. o Ministério Público e a Fazenda Pública serão citados do processo de inventario negativo. Em seguida os autos irão para sentença que será o documento dos herdeiros para todos os fins legais. O inventário por arrolamento é bem mais rápido. o sucessor do falecido quando este tenha deixado dividas (visto que o herdeiro só responde pelas dividas deixadas pelo autor da herança nos limites que tiver herdado). e darão o seu "de acordo".036 do CPC). a respeito do arrolamento sumário. do CC. 1. não há necessidade de processo judicial de inventario e partilha (arrolamento sumario). I. iniciando-se a partilha.concordância das partes. I e 1.ARROLAMENTO: No entendimento de Fiuza.523. decidindo as reclamações dos herdeiros. Em segundo lugar se todos os herdeiros forem capazes e o processo for amigável. Na própria petição. se todos os herdeiros forem capazes e estiverem de acordo com os termos da partilha. se a herança for de pequeno porte (art. 9. mas sua existência é inegável. Também terá interesse no acertamento da inexistência de bens a partilha. recolhem-se os tributos e encerra-se o inventario. não queira se submeter ao regime de separação legal de bens. e desejando contrair novas núpcias. Primeiramente. por exemplo.INVENTÁRIO NEGATIVO: Este instituto que não está previsto no Código de Processo Civil. Pagas as dívidas. É o chamado arrolamento sumário. 1. Entretanto para Alexandre Câmara. Entende assim. julgando habilitado o crédito. imposto pelo art. que será efetuada em audiência. tudo se resolveria por escritura publica. ou sendo o um único herdeiro e este civilmente capaz. Trata-se de processo destinado à obtenção de provimento judicial que declare a inexistência de bens a partilhar. o processo de inventario pode processar-se por via de arrolamento em dois casos. que o arrolamento sumário só é eficaz quando existe apenas um herdeiro (sendo que este adjudicará todos os bens não havendo necessidade de partilha) e é o mesmo é incapaz. Liquidada a sentença homologa-se o cálculo. ouvem-se os interessados e o Juiz julga por sentença. com a presença dos interessados. do cônjuge sobrevivente que tendo filhos do falecido. 10.641. Também se apresenta plano de partilha. 8. Os possíveis interessados. já se apresenta a relação dos bens e sua estimativa. reservará bens para apagamento do débito.

descabido é o pedido de gratuidade judiciária pelo autor que. nos termos do art. Neste caso. APELAÇÃO CÍVEL N. 1) O inventário negativo. como resta claro a leitura do art. VI.). não será possível realizar em juízo o inventário e a partilha do monte. 267. dispõe o seguinte: "A realização extrajudicial do inventário e partilha não é. do CPC. podendo os herdeiros sempre optar pelo procedimento judicial. Assim. 982".JURISPRUDÊNCIA 11. Alexandre Câmara. de acordo com art. APELAÇÃO. 3) Apelo não provido. espontaneamente. a instauração do processo judicial no caso em que cabível a realização extrajudicial do inventário e partilha deverá levar um sentença de extinção do processo sem resolução do mérito. nesse caso. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. a escritura constituirá título hábil para transferência junto ao órgão registral (cartório de imóveis. INEXISTÊNCIA DE BENS. desde que não haja conflito entre eles. GRATUIDADE JUDICIÁRIA. como é sabido.º 3. faltará a necessidade de ir a juízo. embora não previsto em lei. por falta de interesse de agir" 11. é juridicamente possível quando há comprovação da inexistência de bens a partilhar. porém. lavrado no cartório de notas. ou seja. Os herdeiros deverão estar acompanhados de advogado comum ou individual Com relação aos imóveis e demais bens sujeitos a registro. diverge desde entendimento não atribuindo aos herdeiros o caráter facultativo da via administrativa.O inventário e a partilha.260/2007 Origem: VARA ÚNICA DA COMARCA DE FERREIRA GOMES Apelantes: NELCI TAVARES DOS SANTOS e OUTROS Advogada: BENEDITA DIAS DE ANDRADE Apelados: VERÔNICA DOS SANTOS SERRA e RAIMUNDO NONATO TAVARES DOS SANTOS Advogada: LUCI MEIRE SILVA DO NASCIMENTO MIRANDA Relator: Desembargador CARMO ANTÔNIO EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. . constituiu advogado particular. desde que todos os herdeiros sejam capazes e concordes. poderá ser processado por escritura Pública. uma faculdade. e que também não exista testamento. 2) Existindo defensoria pública na Comarca. pagos os tributos e lavrada a escritura.1 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAPÁ. os bens serão repartidos entre os herdeiros. como pode parecer a quem faça interpretação literal da lei. 982 do CPC. É que. DETRAN etc. como automóveis. INVENTÁRIO NEGATIVO. é um dos requisitos essenciais para que o Estado possa emitir um provimento de mérito). Presentes os requisitos (capacidade civil de todos os herdeiros e total acordo entre eles quanto ao modo de partilhar a herança). elemento formador do interesse de agir (o qual. No ensinamento de Cesar Fiuza: "A via notarial é facultativa.

984 e 1013 e § 2º. e somente há pouco (cerca de 3 anos) é que se afloraram as insatisfações dos herdeiros. Rel. "julgada a partilha. Competindo ao Juiz do inventário julgar o cálculo do imposto. quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" (Súmula 83/STJ).Logo.337852-8/000. 1. Rel. O art. Governador Valadares. estava atribuída aos seus descendentes. não havendo bens a inventar. publ.1 SÚMULAS . o inventário será negativo. uma vez que o 'nomen juris' dado ao feito não basta para qualificá-lo.º 1. Eliana Calmon). Inventário. j.3.POSSIBILIDADE . art. antes pertencente a Henrique Maciel dos Santos e a sua esposa.2004). 1. por conseguinte. 2. Isenção Reconhecida na homologação dos Cálculos. publ. mesmo sob a denominação errada de inventário negativo. há de ser examinado. embora anômalo. Recurso não provido. CTN. Rel.02.2004). declará-los isentos do pagamento do imposto de transmissão causa mortis" (REsp n. Rel. a posse sobre o terreno denominado de "Bom Jardim". 20. se o pedido e sua finalidade são juridicamente possíveis.ª Câmara Cível do TJMG.00. Imposto de Transmissão causamortis. pelo que se colhe dos autos. pacificamente.2 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADODE MINAS GERAIS (AC n. RECURSO ESPECIAL.ª Câmara Cível do TJMG.0000. 1.161/SP.542/RJ. 1. Digo pacificamente. 17. A par disso. Precedentes jurisprudenciais. 11.porque essa disposição de direito e vontade se protraiu no tempo (em torno de 30 anos). COMPETÊNCIA PARA DECLARAR ISENÇÃO." (AC n. Rel. não há como se julgar partilha e. Ministro MILTON LUIZ Processual Civil e Tributário. 17.4. 2. por terem aqueles dela se desfeito. CPC.11.843/RJ. 2.INEXISTÊNCIA DE BENS.023 do Código Civil Brasileiro estabelece que. conseqüentemente. Min. permite-se-lhe declarar a isenção. "Cabe ao juiz do inventário à vista da situação dos herdeiros. "INVENTÁRIO NEGATIVO . em vida. Lei Estadual nº 1427/89 (art. a provocação do Poder Judiciário. IMPOSTO DE TRANSMISSÃO "CAUSA MORTIS".337852-8/000. 29). 238. Recurso não conhecido 11. ORLANDO CARVALHO. Afinal. Ministro CASTRO MEIRA TRIBUTÁRIO. apreciando questões de direito e de fato. quando se deu por aberto o inventário.0000. REsp 138. é juridicamente possível quando a comprovação da inexistência de bens alcance o mundo jurídico. miseráveis na forma da lei. 179. "Não se conhece de recurso especial pela divergência. ART.4 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 11. j. 3.02.2004. 179 DO CTN. O denominado inventário negativo.00.02. Outros precedentes.2004. e. fica o direito de cada um dos herdeiros circunscrito aos bens do seu quinhão".º 1.3 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA REsp 143. ORLANDO CARVALHO. arts. uma vez que o inventário pressupõe a existência de bem. Governador Valadares.02. por isto ao apanágio da Justiça Gratuita. 20.

é um raciocínio lógico que não havendo discenso e sendo todas as partes capazes. MENEZES DIREITO Julgamento: 08/10/2008 Órgão Julgador: Tribunal Pleno EMENTA Citação por edital. é inalterável sempre que assim o desejar. 11. A citação por edital prevista no art. está o consenso e a capacidade das partes. Não obstante. 999. não agride nenhum dispositivo da Constituição Federal. o Poder Judiciário não precisará intervir na demanda. o direito do cidadão à prestação da tutela jurisdicional em contemplação ao principio da Inafastabilidade do Poder Judiciário. devido ao absurdo numero de litígios tramitando em seus órgãos atualmente.3. . do Código de Processo Civil. 2. Ora. Em seguida. § 1º. Desta maneira estamos reservando à apreciação jurisdicional aqueles casos em que ela efetivamente se faça necessário. como ponto principal sempre a ser levado em consideração no procedimento de inventário. 1. Recurso extraordinário a que se nega provimento CONCLUSÃO No decorrer do desenvolvimento das pesquisas doutrinárias. legislativas e jurisprudenciaisque fundamentaram o presente trabalho. do Código de Processo Civil. Inventário.Súmula 542 NÃO É INCONSTITUCIONAL A MULTA INSTITUÍDA PELO ESTADO-MEMBRO.2 ACORDÃOS RE 552598 / RN .441/2007. COMO SANÇÃO PELO RETARDAMENTO DO INÍCIO OU DA ULTIMAÇÃO DO INVENTÁRIO Súmula 331 É LEGÍTIMA A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE TRANSMISSÃO "CAUSA MORTIS" NOINVENTÁRIO POR MORTE PRESUMIDA. 999. destacaremos dois pontos cruciais. § 1º. é fruto direto da nova tendência global pela simplificação dos procedimentos de matérias menos complexas e por conseguinte o desentupimento das artérias do Poder Judiciário que sucumbe a morosidade processual. Art.RIO GRANDE DO NORTE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. Primeiramente vislumbramos que as modificações trazidas pela Lei 11. que figuram como verdadeiros divisores de águas em matéria de Sucessão no tocante ao Inventário.

Lições de Direito Processual Civil. Alexandre. por imposição da lei: • O cônjuge (desde que não esteja divorciado ou separado judicialmente de pessoas e bens) e os descendentes (são os filhos e. em seu lugar através do que se chama o direito de representação). no caso de algum deles já ter morrido. Existe por vezes a ideia errada de que o cônjuge casado no regime de separação de bens não herda do cônjugefalecido. se não existir cônjuge (são os filhos e os filhos de algum filho que já tenha morrido). Os herdeiros são então chamados a herança dos bens dessa pessoa. Morrendo uma pessoa. 12ª Edição. FREITAS CÂMARA. César. o outro herda.12. dá-se a chamada abertura da sucessão.BIBLIOGRAFIA FIUZA. Não é assim. Direito Civil. 2008. os regimes de bens (a separação de bens é um deles) são para a vida do casal. herdam em conjunto. Não existindo testamento São herdeiros as seguintes pessoas. Belo Horizonte. Haverá que apurar quais são os bens que constituem o património de tal herança e quem são os herdeiros. assim. Editora Del Rey. DE SALVO VENOSA. que. . Sílvio. também os filhos deste. Há que distinguir consoante exista ou não testamento. Editora Atlas.  Os descendentes. Por morte de um dos cônjuges. Direito Civil.

Na falta de todas estas pessoas. se não existirem descendentes. deverá então pagar tornas aos demais herdeiros. Assim. mas o valor desta exceder o valor do quinhão hereditário do cônjuge. porque frequentíssima) faz-se por cabeça. bem . herdam os parentes colaterais até ao 4º grau. O cônjuge e os ascendentes (pais. O cônjuge sobrevivo tem o direito de ficar nas partilhas com a casa de morada de família (a casa onde o casal residia) e de usar o recheio da casa. herdam conjuntamente. como adiante se explicará). herdam os irmãos (e bem assim os filhos de algum irmão já falecido). avós). os ascendentes herdam sozinhos.     A partilha dos bens A partilha dos bens da herança entre o cônjuge e os filhos (que podemos arriscar dizer ser a situação normal. Mas a quota-parte do cônjuge não poderá ser inferior a da herança. Se só existirem filhos. só herdam os mais próximos (os pais estão mais próximos do que os avós. Da mesma forma. herdando sempre os que estiverem mais próximos no parentesco. Se não existirem cônjuge. se a casa lhe for atribuída. estes estão mais próximos do que os bisavós). porém. dividindo-se aquela com tantas partes iguais quantos forem os herdeiros. se a casa não fizer parte da herança (porque é. é o Estado quem vai herdar. descendentes nem ascendentes. cada um receberá uma parte igual (isto só em princípio. Se não existirem parentes colaterais até ao grau. por exemplo. Nos ascendentes. Se não existirem cônjuge nem descendentes. se existirem pais e avós (ou bisavós).

Se existem cônjuge e filhos. A lei define recheio como sendo o mobiliário e demais objectos ou utensílios destinados ao cómodo. a legítima é de dois terços da herança (logo a quota disponível será de um terço). porque é precisamente aquela parte da herança de que o testador não pode dispor livremente). Com efeito. apenas lhes poderá reduzir a herança. Existindo testamento neste caso. quem tiver cônjuge (não divorciado nem separado judicialmente de pessoas e bens). A lei permite ao testador aliciar de certa forma esse quadro. os filhos dividirão entre si a parte que àquele caberia se fosse vivo. o quadro dos herdeiros atrás delineado pode ser aliciado. ainda que prestando tornas aos coherdeiros.  . descendentes ou ascendentes não poderá afastálos da herança (a não ser nos casos raros e gravíssimos da chamada deserdação por indignidade do herdeiro). A legítima varia em função do quadro dos herdeiros. Estes familiares mais chegados têm o direito á chamada legítima da herança (também chamada quota indisponível. por isso se designando por herdeiros legitimados (ou necessários). quer introduzindo no quadro dos herdeiros algum ou alguns que nem sequer são parentes. Sempre que se verifique o direito de representação dos filhos de algum herdeiro já falecido.próprio do cônjuge sobrevivo). precisamente pela introdução de um ou vários novos herdeiros (chamam-se herdeiros testamentários porque indicados em testamento). mudando quer a quota de bens que caberá a cada um deles ou a algum. Mas esta faculdade de dispor livremente dos bens tem limites. serviço e ornamentação da casa. o cônjuge sobrevivo tem o direito de ficar com o recheio da casa. assim:  Se só existe cônjuge como herdeiro legítima a que tem direito é de metade da herança (logo a quota disponível será de metade também).

Se só existe um filho. Não existindo herdeiros necessários. a quota disponível é constituída por toda a herança. por exemplo. se morre o avô e os seus filhos já morreram antes dele. por isso chamada quota disponível. a legítima é de metade da herança (sendo igual a quota disponível). quer algum ou alguns dos herdeiros legitimados. irá receber também como herdeiro testamentário. a legítima é de dois terços (a quota disponível é de um terço). Pode perfeitamente deixar. Se houver cônjuge e ascendentes. a legítima é de metade da herança (e de metade será igualmente a quota disponível).       Aos herdeiros testamentários pode. a legítima é de um terço (e a quota disponível é de dois terços). mas no 2º grau ou em grau mais afastado (é descendente no 2.° grau. terão direito à legítima que caberia ao seu progenitor (por exemplo. o testador deixar a parte da herança disponível. Se só existirem filhos. bisavós). . ao cônjuge sobrevivo a quota disponível. filhos dos filhos. Se só existem ascendentes no 1º grau (pais). Se não houver cônjuge sobrevivo. um neto por morte do avô. por conta da legítima. por conta da quota disponível). que assim acumularão a parte que lhes cabe da legítima com a parte da quota disponível (suponhamos que o testador deixa vivo cônjuge e filhos. quer parentes afastados. não há legítima. o que significa que aquele que já herdava na qualidade de herdeiro necessário. a legítima é de dois terços da herança (sendo de um teixo a quota disponível). Estes dividirão entre si a quota que caberia ao respectivo progenitor se fosse vivo). A quota disponível é de toda a herança. Se só existem ascendentes e forem do 2º grau ou mais afastados (avós. consequentemente. Que tanto podem ser chamados a receber essa quota disponível quer estranhos que o testador entenda. juntamente com os filhos. Se existem descendentes. por exemplo. PARENTESCO). descendentes ou ascendentes (ou seja se não existirem herdeiros necessários). herdam os netos.

Na falta de acordo. Foi. exemplificando: não serão doações vulgares as doações de uma casa. em tantas partes iguais quantos os filhos. os herdeiros podem escolher entre si os bens que ficarão para cada um. de jóias ou outros bens valiosos). Depois. de avultadas quantias em dinheiro. Uma vez aberta a sucessão.Como se faz a partilha entre os herdeiros Suponhamos o caso de uma herança em que apenas existam os filhos do falecido. em princípio. a pedido de qualquer herdeiro. deve o herdeiro beneficiado restituir à herança o que recebeu ou simplesmente contabilizar o respectivo valor para o subtrair ao valor da quota hereditária que lhe vier a caber (esta restituição é a chamada colação). através do chamado inventário facultativo (porque também existe o inventário obrigatório sempre que haja . decidirá o tribunal. A herança seria distribuída. consequentemente. embora o progenitor não quisesse favorecer um filho em prejuízo dos demais. beneficiado. Mas o que aquele recebeu deve considerar-se um adiantamento efectuado por conta da herança. Mas algum ou alguns desses filhos podem ter recebido em vida do seu progenitor bens ou dinheiro que os seus irmãos não receberam (entenda-se que estas chamadas doações que apenas as que ultrapassem os gastos vulgares.

mesmo em vida do cônjuge agora falecido. E sobre a meação do cônjuge falecido que ele vai herdar.herdeiros menores. cada uma por metade dos bens comuns do casal. Isto porquanto nesses regimes existem as chamadas meações de cada cônjuge (são duas as meações). E se. Assim. em princípio. existir remanescente. não se poderá esquecer que a meação do cônjuge Sobrevivo (a tal metade dos bens comuns) já lhe pertencia. mas aos seus herdeiros. estes podem aceitar a herança no seu lugar. uma vez pagos os credores. Os herdeiros do repudiante têm o direito de representação. constituídas. . incapazes ou pessoas colectivas sociedades. era sua. Se o repudiante tiver credores. ou seja não a aceitar. sozinho ou com os demais herdeiros que existam. A herança do cônjuge Põe-se a questão principalmente quando era casado em comunhão de bens adquiridos ou em comunhão geral de bens. por exemplo). este não aproveitará ao repudiante. Repúdio da herança Podem um ou vários herdeiros repudiar a herança.

designando um estranho. Havendo cônjuge sobrevivo. escolhendo entre eles o cabeça-de-casal ou. Dívidas da herança Os bens da herança respondem pelas dívidas do falecido. Podem. será este o cabeça-de-casal. cabe ao mais velho o cargo. A herança deve ser administrada até ao momento da sua partilha entre os herdeiros (momento em que cada herdeiro leva aquilo que herdou).Administração da herança O cabeça-de-casal. que não são obrigatórias. se vários houver nestas condições. os herdeiros não se sujeitarem a estas regras. Os herdeiros que hajam já partilhado entre si a herança respondem pelas dividas do falecido na medida da quota que herdaram. caberá ao que vivia com o falecido há mais de um ano. e se existirem vários do mesmo grau. porém. Não existindo. caberá o cargo de cabeça-decasal ao descendente ou ascendente em grau mais próximo do falecido. inclusivamente. . É o chamado cabeça-de-casal quem administra a herança.

ao vermos o enunciado da lei de que metade da herança constitui a legítima. não temos a pretensão de ensinar pai nosso a vigário. Afinal. Claro. essencialmente. principalmente aos olhos dos menos iniciados no direito sucessório. Em ritmo. seu acervo. se a herdade tem 100. ou depois? Se depois. se fossem deveriam estar noutras ciências. que houve boa receptividade do tema. haverá redução? Se o de cujus resolveu repartir. ainda. de colaboração. portanto. inovado essa questão. como proceder ao cálculo para verificar se realmente houve lesão a direito? . em geral. sem serem useiros e vezeiros dela. pois a matéria não é tão óbvia quanto aparenta. IDÉIAS INICIAIS Embora o Código Civil não tenha. na Escola Superior de Advocacia. Nossos acadêmicos acham oportuna essa iniciativa. ou seja. 50 é a legítima. em Campo Grande-MS. entretanto. pelo que me animo a esta abordagem. àqueles profissionais que buscam alguma referência nessa temática. eventualmente. em singela palestra que proferimos. Pude ver. mas há dispensa de colação.1. mas estão sob suspeição (porque são nossos). Enfim. mas feriu a legítima. entretanto.1 Problemática Não é novidade dizer que os estudiosos do direito. Nem por isso. sobre a quota disponível ou indisponível? Se a doação foi excessiva (inoficiosa). essa metade é sobre o patrimônio bruto ou líquido? Sobre o patrimônio considerado em que momento. em vida. 1. não são dados a cálculo. na abertura da sucessão ou no momento em que se fez o testamento? Ou. parece-me oportuno tratá-la. dirigimo-nos aos noviços e. no final de 2006. seria no momento do registro do testamento (para cumprimento)? Eventuais colações devem ocorrer antes da divisão por metade. devemos ficar na obviedade que faz transparecer o cálculo da legítima.

1.846. os herdeiros necessários. por sua vez. em razão da presença de herdeiros necessários. . Conclui-se. CC).846. e se refere à sucessão que opera por força de lei. Herdeiros necessários. 2. parte da herança gravada com cláusula legal (art. LEGÍTIMA É a quota indisponível da herança. que é essa quota-ideal de metade. CC) de indisponibilidade. são aqueles sucessores que. 1. que além de descendentes e ascendentes. como se sabe. eleitos em lei como privilegiados. 1. com o novo Código. Sucessão legítima é classificação da sucessão quanto à fonte [02]. em ordem preferencial.789. portanto. CC) em favor dos tais herdeiros (art. CC) é a garantia criada (art. CC).Textos relacionados      Direitos e deveres na relação homoafetiva: uma discussão a respeito do nepotismo Reflexos da inseminação artificial homóloga post mortem no âmbito do direito sucessório Planejamento sucessório e holding familiar/patrimonial Cláusulas restritivas de direito dispostas em testamento e a possibilidade de quebra pela via judicial A fórmula da saisine no direito sucessório 2. São também chamados de legitimários e de reservatários.156 e seguintes. favorece.845. A legítima. O princípio da indisponibilidade da legítima (art. Não se pode confundir legítima com sucessão legítima. e. onde os herdeiros acorrem ao acervo. se refere à legítima. consagrada aos tais herdeiros [01]. nesse primeiro passo. é aquela garantia em prol de determinados sucessores legítimos. não podem ser afastados da herança ao bel prazer do hereditando. A primeira expressão é predileta do Código Civil português (arts. que em toda herança com herdeiros necessários há uma quota indisponível: é a legítima. 1. bem sugestiva. o cônjuge.

que é das estacas fundamentais do Estado democrático. nas doações que faz (naturalmente em vida).848 do Código Civil. a liberdade testamentária ativa [04]. o testador está impedido. CC). 1. e no princípio da autonomia da vontade (art. e até as disposições in vita. com sua morte haverá a redução da liberalidade. 5º. XXII. à preservação da legítima. Essa garantia da legítima limita. Com vistas. 549. que deve respeitar metade do acervo hereditário (art. a pessoa dispõe de seus bens inter vivos (negócios jurídicos em geral) e causa mortis (testamentos e codicilos [03]). A doação inoficiosa é uma ofensa antecipada à legítima. também o legislador impõe à pessoa que observe. 421 e 425. Na continuação daquele raciocínio. 549 do Código Civil é norma de ordem pública que age preventivamente. sob pena de se tornar inoficiosa a doação (art. além da limitação à liberdade de disposição testamentária. mas não é só: além de respeitar a reserva legal. e sobre a qual entendemos conveniente não deitarmos raízes no presente terreno. que pouco adiantaria a garantia da legítima aos herdeiros necessários. se não há o dever de colacionar [05] (por dispensa do doador ou por não se tratar de descendente nem cônjuge). do contrário. A LEGÍTIMA E A LIBERDADE DE DISPOSIÇÃO Respaldada na garantia do direito de propriedade (art. como se vê do art. portanto. . CC). 5º. que deve constar expressamente do testamento. é a presença de justa causa.789. 1. II. em regra. CC). diz a norma. o referido princípio da indisponibilidade da legítima. as disposições causa mortis encontram limites.3. da Constituição Federal). se não houver ação para redução. haveria uma porta tão escancarada à fraude. pois. de impô-la gravames. logo o art. em vida do doador. A exceção a essa proibição. da Constituição Federal. e arts. estas quando gratuitas. Dessarte. porém.

aquela divisão antecipada da herança pelo ascendente. e com a mesma natureza. em forma de doação. Ou seja. produzindo doação inoficiosa. partilha-doação iníqua ou testamento redutível. . afinal. Há uma distinção digna de nota: o momento referencial para o cálculo da legítima é o momento da abertura da sucessão (art. CC). além do requisito herdeiro necessário. Feito o cálculo. . Em todas essas hipóteses. havendo herdeiro necessário. Exemplo ilustrativo desta última possibilidade.018. se houver testamento. é exceção permitida e não fere a proibição de pacto sucessório (art. o cálculo se faz necessário sempre (e unicamente) que aparecer. que. 4. doação e partilhadoação. Esquematicamente: . se este indicar excesso.herdeiro necessário + doação = cálculo da legítima.herdeiro necessário + testamento = cálculo da legítima. causa mortis. haverá o cálculo da legítima. IMPORTÂNCIA DO CÁLCULO Aberta a sucessão. o último. significa que o de cujus extrapolou sua liberdade de disposição. negócios jurídicos inter vivos. CC). Os dois primeiros. o cálculo é imprescindível para se conferir a legítima e. pois só por meio do cálculo é possível identificar eventual excesso e o quantum das reduções pertinentes. . esquecendo-se do cônjuge (com direito de concorrência com descendentes [07]) ou mesmo deixando a descoberto algum dos descendentes. haverá redução da liberalidade feita com iniquidade na chamada partilha-doação (art. um dos seguintes: testamento. doação ou partilha-doação. 426. seria a partilha em que o ascendente doasse a maior parte de seu patrimônio aos descendentes.herdeiro necessário + partilha-doação = cálculo da legítima.Por fim. operar as reduções. eventualmente. 2. lembra Gonçalves [06] que. como um filho por adoção ou um filho extramatrimonial não reconhecido.

847. nesse contexto. 549 e art. 1.007.846. 2º passo: não se pode olvidar. 2. cuidar da recomendação contida no parágrafo único do art. a expressão contrato de doação. É necessário. 1.847 e art. a reforma de um imóvel e o custeio de um Curso de Mestrado no exterior. no entanto.784. Em miúdos: no caso de testamento redutível a base de cálculo é o patrimônio do momento da morte. custas judiciais e débitos do de cujus (art. manda abater as dívidas (do de cujus) e as despesas do funeral [08].997. CC). deve ser paga à conta da quota disponível. 1. 5.987. nela ínsitas quaisquer liberalidades. deixa-se essa despesa de lado até que se encontre o valor da legítima e da quota disponível. 1. E os bens sujeitos à colação (parte final do art. além dos dispêndios com a operação de transmissão. Sendo assim. a base é o patrimônio no momento da consumação do contrato de doação. se o de cujus dispôs do acervo em testamento. Essas dívidas são: tributo de transmissão causa mortis. No tocante à doação inoficiosa. no caso de doação inoficiosa e de partilha-doação iníqua. ou seja. CC)? Que são bens sujeitos à colação ou colacionáveis? [10] .1. segundo o qual se houver despesa com vintena. para o caso de doação e de partilha-doação. CC). Desta última sairá o montante para o pagamento daquela obrigação. mas será o momento da doação (art. mas não diz tudo: diz sobre que bens (bens existentes na abertura da sucessão). CC). CC).847 do Código Civil é o centro desse cálculo. porém. como o perdão de dívidas. CÁLCULO PASSO A PASSO 1º passo: o art. deve ser tomada em sentido amplo. de que a legítima equivale à metade desse valor encontrado (art. 1. 1. as dívidas por ele contraídas em vida [09].

. 1. exceto num ponto: é considerado o patrimônio no momento da consumação da doação.789. 1. em vida. para que seja equalizada a divisão da legítima. CC). 5. encontra-se a quota disponível. 2.002 e 2.002. segue-se o mesmo raciocínio. que traz a expressão em seguida. sem aumentar a parte disponível do acervo. CC) se houver colação. e ao cônjuge sobrevivente. O valor encontrado é a legítima. ou de um cônjuge a outro.Com base na Lei (arts. 3º passo: após encontrar aquele valor (1º passo) e dividi-lo ao meio (2º passo). quando concorrer com descendente do de cujus[11]. 1.se não houver bens colacionáveis.003. 544. b) Hd = direitos da herança (patrimônio ativo). Maria Helena explica que é uma conferência dos bens da herança com outros transferidos pelo de cujus. desde que não haja vintena a ser paga [12].3 Fórmula prática sugerida Lg (legítima) = {[Hd – (d + f)]:2} + c Onde: a) Lg = legítima. 5. será maior que a outra "metade" (disponível – art. ao falar da legítima (art.a "metade" a que se refere a lei.847. É isso.se da legítima subtrair os bens colacionados. Doação a descendente. a legítima será igual à quota disponível. Logo: . CC: os bens colacionados são computados na legítima. . aos seus descendentes quando concorrerem à sucessão do ascendente comum. que está alinhada com o parágrafo único do art.2 Doação inoficiosa e partilha-doação iníqua Para se identificar a legítima frente a eventuais excessos nas liberalidades por doação. CC). daí a exigência legal de colacionar. CC). vale por adiantamento de herança (art.846. devem-se acrescentar eventuais bens colacionados. e . 2. CC. em atenção à parte final do art.

000 Lg = 10.500)] : 2} + 0 Lg = {[30.1.3.500 : 2} + 5.000 – 8.00. locação de um imóvel e contas de água e energia elétrica deixou um total de R$ 6.00. por não ter havido a despesa da vintena. com seu funeral foram gastos R$ 2. esse é o valor da legítima. Entre mensalidades à UCDB. calcule a legítima.750. a legítima é maior que a quota disponível.c) d = dívidas do de cujus.1.000. d) f = despesas do funeral.1. 5.500] : 2} + 5.3.000. Lg = {[Hd – (d + f)]:2} + c Lg = {[30.00 O que se observa? Como há bens colacionados.500)] : 2} + 5.2 2º caso: com bens colacionados João faleceu solteiro e deixou um patrimônio de R$ 30.00 de débito. Entre mensalidades devidas à UCDB – Universidade Católica Dom Bosco.1 Testamento redutível 5.750.3.000 + 2. locação de um imóvel e contas de água e energia elétrica deixou um total de R$ 6.750 + 5.1. doação no valor de R$ 5.000 – (6.1 1º caso: sem colação João faleceu solteiro e deixou um patrimônio de R$ 30.000 Lg = {21.00. com seu funeral foram gastos R$ 2. Para encontrar a quota .1.00. e) c = bens colacionados.00.000.500 : 2} + 0 Lg = R$ 10. Lg = {[Hd – (d + f)]:2} + c Lg = {[30.000 – (6.000. como não há bens colacionados. que coincide. nesse caso. Sabendose que.00 de débito.000 Lg = R$ 15. Sabendo-se que. a um de seus filhos.000 Lg = {[30. e que fizera.3.000 + 2. 5.000 – 8.500.500] : 2} + 0 Lg = {21.00 Observa-se que.000. calcule a legítima.500. com o da quota disponível.1 Ilustração com análise teórico-prática 5.

3 3º caso: partindo do valor total de uma sociedade conjugal.00).1. c) c = bens colacionados.3. Há uma premissa básica. imprescindível: os dados que dizem respeito à sociedade conjugal devem ser transformados.000.disponível. dividindo-os. sem colação João e Maria.750. teremos: Qd = Lg – c Qd = 15. só após a identificação da quota disponível procederíamos ao seu pagamento. devo observar que apenas metade é objeto da herança.1. se os bens colacionados são acrescidos somente à legítima e a despesa da vintena recai apenas sobre a quota disponível. apenas parte dela pertence à herança de João. Vejamos: Lg = {[Hd – (d + f)]:2} + c . ou seja. preservando a grandeza da garantia em detrimento da disponibilidade dos bens. ao meio. vê-se a preocupação do legislador em prestigiar a garantia criada em favor dos herdeiros reservatários. pois é dessa parte que ela deve sair. Assim. e que foram dispendidos R$ 2. Ou seja.00 (quando João veio a óbito).000 Qd = R$ 10. legítima menos bens colacionados é igual à quota disponível.000.000.00 Se houvesse a despesa da vintena. se aquela dívida é da sociedade. casados em regime de comunhão universal de bens. Sabendo-se que as dívidas do casal totalizavam R$ 12.00 em seu funeral. com a fórmula sugerida: Qd = Lg – c Onde: a) Qd = quota disponível.00.500. se o patrimônio é do casal. b) Lg = legítima. assim como.750 – 5. angariaram patrimônio ativo no valor de R$ 60. Ora. basta subtrair o valor colacionado (R$ 5. no presente caso. 5. calcule a legítima.

500)] : 2 + 0 Lg = {[30.750 – 5.000 – (6. tão logo. Propositalmente não inserimos essa hipótese na fórmula para identificação da quota disponível. angariaram bens no valor de R$ 60. portanto. que foram dispendidos R$ 2. para ajudá-lo a alavancar uma pequena empresa (lavadouro de carros e motos).00 em seu funeral. Assim: Lg = {[Hd – (d + f)]:2} + c Lg = {[30. Não se pode esquecer. por se tratar de uma despesa . sabemos que há diferença entre a legítima e a quota disponível.500 : 2} + 5.000 – 8.000 Qd = 10.00 5.00 Nesse caso. Sabendose que o casal doara R$ 10.4 4º caso: bens colacionados + valor total da sociedade conjugal + doação feita pelo casal João e Maria.1. pois só àquela acrescem os valores colacionados. há que incidir somente sobre o objeto da herança.500] : 2} + 0 Lg = {21. basta.500.1.000 + 2.500] : 2} + 5.750.750. de que os valores fornecidos dizem respeito a uma sociedade conjugal e que o cálculo. e que as dívidas do casal totalizavam R$ 12.000 Lg = 10. Se houvesse vintena. quando João veio a óbito e.00. que a deixam maior.00 ao filho mais jovem. calcule a legítima. ainda.00 Eis a quota disponível. em que há colação.750. repita-se.000 Lg = {[30.000 – (6.000 Lg = {21. casados em regime de comunhão universal de bens.000 Lg = R$ 15.000.000 + 2.500)] : 2} + 5. mas não se pode esquecer de perquirir sobre eventual vintena.000.00.750 + 5.000.3.Lg = {[30. Para identificar a quota disponível. desse valor encontrado ainda seria abatida referida despesa.000 – 8. aplicar a fórmula: Qd = Lg – c Qd = 15.500 : 2} + 0 Lg = R$ 10.

Em todos esses casos. CONCLUSÃO Do breve ensaio. como na doação e na partilhadoação.2 Doação inoficiosa e partilha-doação iníqua Já tivemos a oportunidade de observar que só muda o momento referencial para verificação do patrimônio. CC). b) o cálculo da legítima não é tão singelo quanto os menos iniciados poderiam imaginar. 5. conforme se trate se testamento redutível ou doação inoficiosa (aqui inclusa a partilha-doação iníqua).de rara ocorrência e para não complicar os caminhos do cálculo. haverá redução das disposições testamentárias (art. d) o momento referencial para o cálculo varia. que impõe o gravame em favor dos herdeiros necessários. pois se o testamento extrapola a quota disponível. invadindo a legítima. o patrimônio que serve de base para o cálculo é o .967. abatidas as obrigações). Dessarte. mudando-se apenas o momento de referência: aqui a referência é o patrimônio no momento da consumação do contrato de doação. c) não só no testamento. deve ser considerado o patrimônio líquido do doador (resultado da soma de todos os direitos. Para o caso de testamento. mas é de suma importância para se verificar a adequação da liberdade de disposição frente aos limites legalmente impostos.3. é perfeitamente aproveitável nos casos de conferência da legítima frente à doação inoficiosa e partilhadoação iníqua. podemos colher as seguintes idéias: a) legítima é a quota-ideal de metade do acervo. vê-se a pertinência do cálculo. Todo o raciocínio. nada mais. 1. dispendido para o cálculo de redução do testamento. o disponente corre o risco de extrapolar seu poder de disposição.1. 6. no caso de doação. indisponível por força de norma imperativa.

a redução das disposições causa mortis e inter vivos. enquanto nos casos de doação. que enseja a segura identificação da legítima. da doação inoficiosa e da partilha-doação iníqua. aquelas disposições feitas por testamento e por doação.com. a legítima será sempre maior. Leia mais: http://jus. como consequência. estamos diante do testamento redutível. h) encontrada a legítima. f) legítima e quota disponível só se equivalem se não houver colação (direito que só acresce à legítima) nem vintena (despesa que só abate à quota disponível). o do momento em que se consumou a liberalidade. vale dizer. estão sujeitos à redução bastante para salvar a legítima de eventuais abusos. que terão. procede-se ao cálculo.br/revista/texto/12402/calculo-dalegitima-sugestoes-teorico-praticas#ixzz2PQkYx1dD . e) com a fórmula sugerida. se há lesão. do contrário. pois. g) mesmo os dispensados de colacionar (por convenção ou por lei).do momento da abertura da sucessão.