FACULDADE DE SAÚDE IBITURUNA-FASI CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM 7º PERÍODO

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AOS CLIENTES COM DISTÚRBIOS DO SISTEMA DIGETORIO: DOENÇA DE CROHN, DIVERTICULITE E MEGACÓLON CHAGÁSICO

ACADÊMICO: ROGÉRIO FREITAS

MONTES CLAROS, MG ABRIL DE 2012

FACULDADE DE SAÚDE IBITURUNA-FASI CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM 7º PERÍODO ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AOS CLIENTES COM DISTÚRBIOS DO SISTEMA DIGETORIO: DOENÇA DE CROHN. DIVERTICULITE E MEGACÓLON CHAGÁSICO ACADÊMICO: ROGÉRIO FREITAS MONTES CLAROS. MG ABRIL DE 2012 .

é a escassez de estudos e divulgação desse grupo de patologias. desnutrição protéico-calórica. cuja trajetória metodológica percorrida apóia-se em leituras exploratórias e seletivas do material pesquisado a fim de descrever a produção do conhecimento em doenças intestinais inflamatórias. Um outro fator. que se incluem no grupo das doenças intestinais inflamatórias (DII). por exemplo. Diverticuloses e Megacolón . PALAVRAS-CHAVE: Chagásico. Este artigo trata-se de um estudo epidemiológico. As doenças crônicas. Doença de Crohn. que agrava a situação dos pacientes portadores de DII no Brasil. porém relacionadas. Essas patologias estão freqüentemente associadas a distúrbios nutricionais significativos como. psicológico e profissional. são entidades clínicas distintas. como as inflamatórias intestinais. são consideradas um dos grandes problemas da população moderna. deficiência de vitaminas e elementos traços. o que contribui para o atraso no diagnóstico e aumento da morbidade.RESUMO A doença de Crohn (DC). gerando repercussões importantes na qualidade de vida de seus portadores. pois tendem a ser progressivas. que acarretam alterações nos âmbitos social. diverticulites e megacolón chagásico.

2002). que. Knutson. sobretudo a partir de 1980. que. epidemiológicos e. caracterizase por inflamação crônica de uma ou mais partes do tubo digestivo e pode acometer desde a boca até o reto e o ânus. a doença inflamatória intestinal corresponde a qualquer processo inflamatório envolvendo o trato gastrintestinal. 2002). Manifestações extraintestinais associadas ou isoladas podem ocorrer e atingem mais frequentemente pele. 1998). não curável por tratamento clínico ou cirúrgico e que acomete o trato gastrointestinal de forma uni ou multifocal. (SOUZA et al. na conceituação mais ampla. pois atingem preferencialmente pessoas jovens. e a principal diferença é que a doença de Crohn. A doença de Crohn é um processo inflamatório crônico de etiologia ainda desconhecida. Greenberg e Cronau (2003) argumentam que ela pode criar um impacto negativo na auto-imagem. A doença afeta indivíduos de qualquer idade. olhos. articulações. Já a RCUI é uma inflamação da mucosa (camada de células que forra a superfície interna do intestino grosso). caracterizam-se por períodos de remissão e exacerbação que podem ser acompanhados de complicações dos mais diversos tipos. compartilham aspectos clínicos. DOUGLAS. Os locais de acometimento mais frequentes são o intestino delgado e o grosso. de intensidade variável e transmural. encontram-se a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI). muitas vezes de forma bastante grave. mas o diagnóstico é realizado com maior frequência na segunda ou terceira décadas.. Esses autores sugerem que o tratamento não deveria focalizar apenas os sintomas físicos da doença. que tem este nome em homenagem ao médico que a descreveu em 1932. apesar de serem doenças distintas. Dentre as principais formas. mostram que está havendo. seja ele agudo ou crônico. cujas manifestações principais são diarréia. A inflamação que ocorre na diverticulite pode acarretar a formação de conexões anormais chamadas fístulas.. Manifestações perianais podem ocorrer em mais de 50% dos pacientes. passando pelo esôfago. A distinção entre a doença de Crohn e a RCUI é realizada por meio de exames de colonoscopia. mas também incluir atenção a fatores psicológicos. intestino delgado e intestino grosso. possivelmente. uma tendência mundial para o aumento de sua incidência (SOUZA et al. atualmente. O curso clínico. podem sugerir novas modalidades de tratamento.INTRODUÇÃO As doenças inflamatórias intestinais ocorrem em todas as pessoas e representam sério problema de saúde. fatores etiológicos comuns (DROSSMAN. estômago. 2003). fígado e trato urinário. Trabalhos retrospectivos sobre a epidemiologia das doenças inflamatórias intestinais. Como conseqüência da natureza e da sintomatologia da doença de Crohn. Esse mesmo raciocínio parece valer para a RCUI. devido à semelhança da sintomatologia. muitas vezes acompanhada de úlceras (VERONESI. se medidos por ferramentas apropriadas. dor abdominal e sangramento retal. entre o intestino grosso e outros . prejudicando as relações familiares e amizades. Segundo Lanna et al. (2006).

embora seja provocada por diverticulite no cólon sigmóide. (Schoetz. Apesar de difusas. Nos casos de cólon redundante. 2002). a parede abdominal ou inclusive a coxa ou o tórax. Depois. 2000). O principal sintoma é a dor infra-umbilical. 2002). mas uma histerectomia (remoção do útero) aumenta o risco nas mulheres. . situada no quadrante inferior esquerdo do abdômen. além da dor. Essas fístulas são mais comuns em homens que em mulheres. o tratamento cirúrgico é geralmente necessário na fase avançada da doença e na falha do manejo clínico. Durante o exame de apalpação. raramente com sinais de sangue. chamamos de mecanismo de defesa e que se caracteriza pelo aumento da dor quando se retira a mão bruscamente depois de pressionar o abdômen. Outras fístulas podem formar-se entre o intestino grosso e o intestino delgado. levando ao surgimento de um obstáculo funcional à passagem das fezes. a dor caminha um pouco para a direita do abdômen e pode simular uma crise de apendicite aguda. a ruptura da parede de um divertículo. o útero. o que exige diagnóstico diferencial. Nas fases iniciais da doença. as lesões predominam no reto e sigmóide. (Schoetz. em linguagem médica. A infecção ocasiona a destruição dos plexos mioentérico e submucoso. essa dor se desloca para a fossa ilíaca esquerda. O megacólon chagásico é a complicação mais freqüente da doença de Chagas. podem ocorrer ardor e dificuldade para urinar e diarréia branda. invade a bexiga e causa infecções do trato urinário. peritonite. Outras complicações da diverticulite incluem a infecção disseminada da parede intestinal. especialmente em seu componente parassimpático.órgãos. promovendo obstipação crônica. sangramento e obstrução intestinal. Complicações possíveis nesse tipo de fístula acontece quando o conteúdo intestinal. 2002). a vagina. pode aparecer também aquilo que. Enquanto em uma fase incipiente o tratamento clínico pode aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.( Nahas et al. abaixo do umbigo. isto é. membrana que reveste internamente a cavidade abdominal. (Schoetz. Essa dor pode ser sinal de irritação do peritônio.

Os critérios estabelecidos para inclusão foram: artigos de pesquisa quantitativa e qualitativa. “Utilizou-se os descritores: Doença de Crohn. . trabalhos científicos publicados nos últimos 10 anos (de 2002 ate 2012) referentes à Doença de Crohn. diverticulite. tendo como sujeitos da pesquisa. Este estudo foi desenvolvido à partir da base de dados do SciELO e a coleta foi extraída no período de 01 à 06 de abril de 2012.METODOLOGIA Trata-se de uma revisão Integrativa da Literatura. Megacólon Chagásico. diverticulite. publicados entre os anos de 2002 à 2012. Megacólon Chagásico. e que estavam relacionado ao tema assistência de enfermagem em pacientes com distúrbios no sistema digestório.

para ajudar na recuperação. podem representar algum nível de importância em sua apresentação. (Rampton. Não é uma doença contagiosa e pode afetar tanto adultos como crianças. dor do tipo cólica. olhos. além de restrição temporária à ingestão de alimentos. A inflamação do intestino delgado (principalmente do íleo terminal. porém a diarréia é a que mais se destaca. Pode se manifestar ao longo da vida com crises agudas recorrentes. Portanto. com dificuldade para a eliminação de gases intestinais. É doença crônica e não há cura descrita. com necessidade de internações com hidratação venosa. perda de peso e febre são características mais comuns. Outros fatores. permitindo longos períodos sem sintomas. assim como períodos longos de acalmia e ausência dos sintomas. prejudicando significativamente a qualidade de vida do enfermo. não há uma explicação definitiva para a causa da doença. CAUSAS Sua causa ainda não está esclarecida. conhecidos por manifestações extraintestinais. É uma doença muito comum entre os Judeus. Um terço dos doentes com Crohn tem manifestações no ânus e região perianal. Uma maior incidência dentro de núcleos familiares indica importância dos fatores genéticos. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Estomatites (inflamações na boca). É frequente ocorrer uma obstrução parcial ao esvaziamento do conteúdo intestinal. especialmente nos grandes centros urbanos. pela reação inflamatória própria da doença de Crohn e pela infecção secundária que ocorre na área afetada. 2000). fatores ambientais (estilo de vida. É possível também a ocorrência de fístulas. 2000). tabagismo. mas sua incidência tem crescido entre outros grupos étnicos. em especial no intestino delgado. Pode ocorrer estreitamento (estenose). não havendo predominância de sexo. chamado remissão. articulações.DOENÇA DE CROHN A doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória que pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (desde a cavidade oral até a região anal) sendo mais comum na final do intestino delgado (íleo) e do intestino grosso (cólons). Em apenas um terço dos casos apresenta doença restrita ao íleo terminal. em 80% dos casos) e do intestino grosso (colite) provoca diarréia com ou sem muco e/ou sangue nas fezes. caracterizando esta doença como multifatorial. hábitos alimentares) e emocionais. uso de antibióticos venosos e de corticosteróides. (Rampton. Esses trajetos fistulosos podem ser múltiplos e com grande destruição tecidual extensa. diarréia. O tratamento medicamentoso e/ou cirúrgico pode influenciar positivamente no controle da doença. . dor no abdômen. fígado e vasos. É comum apresentar distensões do abdome. tais como o contato com antígenos (vírus e bactérias). Outros problemas podem surgir fora do tubo digestivo afetando a pele.

tratamento e acompanhamento desses enfermos envolvem quase sempre um médico clínico (gastroenterologista) e um cirurgião (coloproctologista ou do aparelho digestivo). Encorajar a ingestão oral de líquidos e monitora a velocidade do fluxo intravenoso. Os exames laboratoriais também são importantes no diagnóstico e controle da enfermidade. Encorajar o repouso no leito para diminuir a peristalse. Registrar frequencia e consistência das fezes. oligúria. é iniciado quase sempre com medicamentos. Várias outras medicações podem ser associadas com o objetivo de fazer regredir a inflamação dos tecidos como os aminosalicilatos e imunossupressores. localização e extensão da doença. É comum a desnutrição em adultos e crianças. A investigação. Os pacientes que evoluem com doença por mais de 10 anos precisam ser controlados através de colonoscopia periódica. exaustão). anticolinérgicos e .DIAGNÓSTICO A colonoscopia com biópsia e avaliação do íleo terminal é o melhor recurso para o diagnóstico da doença. Alguns casos necessitam de intervenção cirúrgica para tratamento de complicações. porque possuem um maior risco de apresentar displasia e neoplasia intestinal. A tomografia computadorizada do abdome pode ser útil na identificação de fístulas entre alças intestinais e outras alterações. EVOLUÇÃO. podendo provocar atraso no crescimento quando a doença surge na infância. Outros exames como radiografias do abdome. O tratamento depende da forma de apresentação da doença e do grau de gravidade. exame contrastado do intestino delgado podem ajudar. Monitorar pesos diários para ganho ou perdas de líquidos e avalia o paciente quando a déficit de volume hídrico (pele e mucosa secas. O corticosteróide é a medicação mais usada. A indicação mais comum de cirurgia é o tratamento das estenoses (estreitamento) intestinais. de acordo com a forma de apresentação. turgor cutâneo diminuído. No caso de aparecimento de fistulas. TRATAMENTO E CONTROLE O curso da doença pode variar de acordo com as manifestações intestinais e/ou extraintestinais. na maior parte das vezes. a fistulectomia é indicada. O exame histopatológico do material colhido na biópsia pode confirmar a suspeita. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A assistência de enfermagem na doença de Crohn consistem em: • • • • • A enfermeira administrar os medicamentos analgésicos conforme prescritos para aliviar a dor.

Diarréia ou constipação (intestino trancado/prisão de ventre) também podem ocorrer. Representa na verdade uma herniação da camada mais interna de revestimento do intestino através de um ponto de fraqueza na parede do cólon. reduzindo sua ansiedade. Acometem mais freqüentemente o cólon sigmóide (85% dos casos no mundo ocidental) e é nesse local também onde ocorre mais frequentemente a diverticulite. tenha divertículos assim como praticamente todos aos 80 anos. principalmente dor abdominal e mudança no hábito intestinal. acredita-se que dois fatores estejam associados ao surgimento dos divertículos: o aumento da pressão no interior do intestino e um enfraquecimento de pontos da parede intestinal. Podem variar em número e localização e podem acometer todo o cólon (doença diverticular universal). redução do estresse. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Apenas uma minoria dos indivíduos tem queixas relacionadas à diverticulose. quantidade e extensão da doença. Um divertículo é uma pequena saculação. o paciente com diverticulose tem uma sensibilidade aumentada ou dor à palpação na parte inferior esquerda do abdome. Estima-se que aos 50 anos de idade metade da população. DIAGNÓSTICO Ao exame físico. (Schoetz. 2002). Uma pequena parcela destes apresenta algum sintoma. Estimular medidas de enfrentamento dando-lhe apoio emocional. CAUSAS Apesar de não ser totalmente conhecida a origem. homens e mulheres. bolsa circular que se desenvolve na parede do cólon e tem comunicação direta com o interior do intestino. 2002). A queixa mais comum é de desconforto doloroso na região inferior esquerda do abdome com variável tempo de duração e que alivia com a eliminação de gases ou fezes. Os pacientes portadores de diverticulose normalmente são assintomáticos. O Enema Opaco (Raio X do intestino grosso com colocação de contraste por via retal) é o exame que mais informações fornece quanto à localização. • DIVERTICULOSE Divertículose é a presença de pequenas bolsas que se projetam para fora da parede intestinal chamados de divertículos.• Iniciar medidas para diminuição da diarréia ( quando o paciente apresentar) com restrições na dieta. passando a apresentar a “doença diverticular”. medicamentos antidiarréicos prescritos. A retossigmoidoscopia ou colonoscopia (visualização direta do interior do intestino através de endoscópios introduzidos através do ânus) identificam os óstios (bocas) dos divertículos e servem também para diferenciar a diverticulose de outras doenças do intestino que possam causar . (Schoetz.

constipação. pus ou sangue. criando um abscesso em seu interior e. assim. prevenir novos divertículos e. empregam-se mais frequentemente o exame de ultrassonografia abdominal ou tomografia computadorizada associados a avaliação laboratorial (exames de sangue) para confirmar a hipótese diagnóstica de diverticulite. além do exame direto do paciente pelo médico mostrar alterações evidentes. Remédios anti-espasmódicos que diminuem as contrações excessivas do intestino.). COMPLICAÇÕES DOENÇA DIVERTICULAR Os pacientes com sintomas devem ser investigados para confirmação do diagnóstico e identificação das complicações. . a realização de exames como enema opaco exames está contra-indiciada devido à possibilidade de piorar a contaminação resultante da perfuração do divertículo. Nessa circunstância. exames radiológicos (clister opaco e tomografia computadorizada) e o exame endoscópico (colonoscopia). Durante uma crise de diverticulite aguda. podem aliviar sintomas. TRATAMENTO A maioria dos casos de diverticulose tem suas queixas melhoradas com tratamento clínico. Os divertículos inflamados podem formar pus. A diverticulite manifesta-se por dor forte na parte inferior esquerda do abdome. A grande maioria dos pacientes com doença diverticular necessita de tratamento clínico baseado principalmente na correção dos hábitos alimentares e eventualmente no uso de analgésicos. dor ou obstrução (câncer. fezes e urina). Com a perfuração. maior é o risco dessa complicação. respectivamente. acompanhada de febre e. Quanto maior o tempo de evolução e quanto mais extensa a área com divertículos. verduras. frutas e grãos) na dieta. principalmente. à peritonite (inflamação de todo o abdome) ou ao abscesso localizado. o pus pode se espalhar ou não no abdome levando. diminuir complicações como a diverticulite. com aumento do risco de divertículos e suas complicações. podem ser usados. pode não estar indicada a imediata realização de enema opaco ou colonoscopia. Podem estar associados também náusea.sangramento. inflamação da mucosa. pólipos. geralmente. DIVERTICULITE A diverticulite ou inflamação dos divertículos é a complicação mais comum dos indivíduos com diverticulose. os exames de sangue podem ter sinais de infecção. O estresse emocional também tem sido relacionado com aumento dos espasmos do intestino e. perfurar. sendo empregados exames laboratoriais (sangue. Em consequência disso. etc. O fator mais importante na correção dos hábitos alimentares é o aumento da ingestão de fibras (legumes. Quando há diverticulite. por consequência. vômito e diarréia com muco. Dietas ricas em fibras e/ ou remédios que umedecem e aumentam o volume das fezes. diminuindo o esforço para evacuar.

A maioria dos pacientes melhora com o tratamento clínico e evolui satisfatoriamente sem outras crises. historia de constipação e períodos de diarréia. O sangramento é mais comum em divertículos do lado direito do intestino grosso e ocorre também sem diverticulite. dieta sem resíduos e analgésicos. podendo apresentar estenose (estreitamento do intestino) ou fístula (comunicação interna do intestino grosso com os órgãos vizinhos como bexiga. até uso de antibióticos por via oral ou por via venosa. Outras complicações a formação de fístulas (comunicação anormal de um órgão com outro ou com o exterior. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM No colhimento do histórico do paciente deve-se perguntar o início e duração da dor. Algumas vezes não é possível realizar a junção das partes que restaram do intestino. naqueles com sangramento importante ou repetido. seus hábitos alimentares além de perguntas sobre o esforço na defecação. Na maioria dos casos o sangramento para espontaneamente. tenesmo e distensão abdominal. Obstrução do intestino grosso geralmente deve-se a sucessivas inflamações e cicatrizações de diverticulites. e a obstrução intestinal. os padrões de eliminações pregresso e atual. intestino delgado. O tratamento cirúrgico é necessário apenas quando o sangramento persiste apesar do tratamento clínico e endoscópico.O tratamento da diverticulite depende da gravidade do caso. Alguns evoluem com novas crises. variando desde repouso. porém algumas vezes o tratamento endoscópico através da colonoscopia pode ser utilizado com sucesso. internação hospitalar com reposição de líquidos pela veia e cirurgia. vagina. sendo necessária uma colostomia com uma bolsa externa para coletar as fezes. As fístulas decorrem da drenagem espontânea de um abscesso. obstrução intestinal. Cirurgias podem ser indicadas em jovens com a doença ( já que seu risco de um novo episódio ao longo da vida é grande). geralmente todo o cólon sigmóide. por exemplo. mas pode ser grave dependendo do volume de sangue perdido. entre outros) que necessitam de tratamento cirúrgico eletivo (programado). muitas vezes acompanhado de taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos). No exame físico fazer . em geral. temporária. útero. A cirurgia consiste basicamente na retirada da parte do intestino onde se encontram os divertículos. pele. em pacientes com crises frequentes de diverticulite. o que pode ocorrer para a bexiga ou vagina. inicialmente em companhia de fezes e depois isoladamente e caracteristicamente na forma de coágulos. COMPLICAÇÕES MENOS FREQUENTES Além da diverticulite alguns pacientes podem apresentar hemorragia. que é menos frequente. A cirurgia de urgência pode ser necessária quando há piora do estado geral. resultando em fibrose (cicatrização deficiente) e fixação do intestino. hipotensão (queda da pressão arterial). perfuração da parede do intestino e infecção generalizada. sudorese (suor frio) e desmaio e devem receber atendimento médico imediato. na presença de fístulas ou se há suspeita de outra doença associada (câncer. Nesses casos os pacientes apresentam saída de grande volume de sangue vivo pelo ânus. por exemplo).

Educar quanto ao uso de laxativos emolientes se prescritos. por exemplo. hipersensibilidade ou massa firme no quadrante inferior esquerdo. contagem de leucócitos. batimentos cardíacos(taquicardia) e pressão arterial (hipotensão). 2000). Avaliar os sinais de perfuração. independente da sua etiologia. Etimologicamente significa “colo grande” e tem sido usado para designar toda e qualquer dilatação do colo. A doença de Chagas é uma afecção endêmica comum no Brasil e pode deixar seqüelas em diversos órgãos do indivíduo por ela acometido como. Instruir o paciente a ingerir alimentos macios ricos em fibras para aumentar a massa de fezes e facilitar a peristalse. cuja doença denomina-se megacólon chagásico. ausculta dos sons intestinais. temperatura.palpações para a dor. • • • • • • MEGACOLÓN CHAGÁSICO O termo megacolón tem-se prestado a muitas confusões. alivio da dor e ausência de complicações para isso o enfermeiro deve: • • • • Instruir o paciente a ingerir 2 litros de líquido por dia salvo os limites dos cardíacos e renais crônicos. Encorajar exercícios pois aumenta o tônus muscular abdominal. A assistência de enfermagem na diverticulite visa a obtenção e manutenção dos padrões normais de eliminação. Muito freqüentemente o cólon sigmóide é o mais acometido (FILHO. além da importância de práticas de saúde. Monitorar a dor abdominal aumentada e sensibilidade acompanhada por rigidez abdominal. definir horário para defecação e identificar os hábitos que suprimem a vontade de defecar. muco ou sangue.Também inspecionar as fezes quanto a presença de pus. . o intestino grosso (cólon). Recomendar ao paciente a estabelecer horário para refeições. Aliviar a dor do paciente administrando analgésicos e antiespasmódicos prescritos Registrar a intensidade da dor duração e localização para determinar quando o processo inflamatório aumenta ou diminui. Instruir a família dos cuidados domiciliares como ingestão de líquidos e de alimentos ricos em fibras.

Os trabalhos de Köeberle e de vários outros autores vincularam definitivamente o megacolo endêmico. aumentando muito o volume abdominal.O megacólon chagásico caracteriza-se por estase fecal crônica. responsável pelos movimentos peristálticos. à doença de Chagas. tratados por longo tempo com atropínicos. como na doença de Chagas ou do bloqueio farmacológico parassimpático. Kasper. . tentando diferencia-la com outras dilatações do colo que ocorrem na vida adulta. Os casos de dilatação do colo em crianças. Diagnóstico: O quadro clínico do megacolón chagásico é por demais conhecidos para entrarmos em discussão mais pormenorizada. O sintoma inicia-se na infância. Após a clássica descrição de Hirschsprung (1888) de megacolo em duas crianças. mas é somente na idade adulta que a pessoa procura o médico. são chamados de megacolo funcional ou psicogênico. vólvulo. causadas por fundo emocional. SINTOMA A constipação é o sintoma que leva a pessoa ao médico. Mya (1894) propôs a denominação de megacolo congênito para esta modalidade. com dilatação cólica. et al (2006) diz que os pacientes com megacólon apresentam dor abdominal e constipação crônica. cuja causa é desconhecida e a lesão principal parece situar-se na inervação sacral parassimpática. onde o parasita (triatomídeo) destrói o sistema nervoso autonômico intestinal. podendo evoluir para formação de fecaloma e outras complicações (FILHO. 2000). e que a patologia quando mais avançada pode causar obstrução. que ocorre com inusitada frequência em algumas regiões do Brasil e em outros países Sul Americanos. septicemia e morte. como nos doentes de Parkinson. A denominação de megacolo orgânico é empregada para designar as dilatações secundárias a causas obstrutivas e megacolo idiopático para nomear os casos de etiologia desconhecida. O paciente pode ficar por semanas sem evacuar. que passou então a ser denominado de megacolo adquirido ou megacolo do adulto. Shepherd e Wright (1965) e Bohm e Smith (1966) descreveram o megacolo africano. Megacolo tóxico são aquelas formas que ocorrem em casos agudos ou reagudizados de retocolite ulcerativa inespecífica. CAUSAS É a forma intestinal da Doença de Chagas. Köeberle expôs a idéia de que o termo megacolo deveria ser empregado exclusivamente para designar os casos em que a alteração motora decorre de lesões do plexo mientérico.

DIAGNÓSTICO: O quadro clínico antes descrito. independentemente do grupo que ele é atendido. dirigimos a anamnese também para o esôfago. mostrou-nos que 70% dos pacientes passavam até 10 dias sem evacuar.Machado é positivo em 90% dos casos de megacolo chagásico). com a sua sintomatologia característica. (G. nos permite fazer o diagnóstico do megacolo. proporcionando então a formação do chamado fecaloma. TRATAMENTO O tratamento farmacológico da doença de chagas é insatisfatório. uma história clínica dirigida e radiografias do colo (enema opaco). apenas dois fármacos – nifurtimox e benznidazol – estão disponíveis para esse objetivo. geralmente. que poderá apresentar esofagopatia chagásica e também para o lado de uma possível cardiopatia. . Outra queixa comum nestes pacientes é o acúmulo de gases no abdome. Geralmente o portador de megacolo chagásico. Infelizmente. ORIENTAÇÃO TERAPÊUTICA: O tratamento do megacolón chagásico é fundamentalmente cirúrgico. A principal delas é o fato de não podermos definir a indicação de cirurgia apenasmente escudado no enema opaco.Obstipação intestinal sempre progressiva. O período de obstipação observado em 268 casos durante a primeira consulta. a reação ou reações sorológicas positivas. Um destes pontos de contacto é a necessidade de se fazer em todos os pacientes. O enema opaco (mostrando dilatação do colo). cerca de 15% passavam até 30 dias. a radiografia do esôfago e o eletrocardiograma completam a investigação clínica. os dois fármacos são ineficazes e frequentemente causam efeitos colaterais graves como: dor abdominal. aliado à procedência do paciente (zona endêmica da doença) e outras alterações compatíveis com a doença de Chagas (esofagopatia e cardiopatia) e o exame físico do paciente. Há muitos anos. não se preocupa com o funcionamento intestinal. Por sabermos que a doença de Chagas pode ocasionar lesões em outros órgãos. Teoricamente. agravando com a evolução da doença. seriam passíveis de tratamento cirúrgico. esôfago e eletrocardiograma. por ser indivíduo de baixo nível cultural. A experiência acumulada com a doença no entanto nos ensinou outras ocorrências com a doença que nos obrigaram a mudar um pouco o critério de indicação da cirurgia. no nosso entender. todo o paciente portador de megacolo chagásico que preenchesse os critérios de diagnóstico da lesão.

Orientações. DE PACIENTES . 1976). CUIDADOS GERAIS PARA PÓS-OPERATÓRIO SUBMETIDOS A CIRURGIAS DO CÓLON: • • • • • aceitação alimentar. A técnica descrita por Duhamel em 1956 e posteriormente modificada por Haddad e Cols em 1965 (cirurgia de Duhamel-Haddad) vem sendo empregada por vários grupos na atualidade como uma das principais opções de tratamento cirúrgico ao paciente acometido pelo megacólon chagásico (GAMA. náusea/vômito. CUIDADOS DE ENFERMAGEM • • • • • • • • • Cuidados higiênicos. náuseas. visto que está diretamente ligada a doença e a cirurgia. (1983) afirmam que no Brasil várias técnicas têm sido propostas para o tratamento cirúrgico de megacólon adquirido. Higiene oral. Apoio psicológico. Explicações. Os quais geralmente desaparecem com a redução da dose ou a interrupção do tratamento (IDEM). parestesia. Verificação dos sinais vitais. inquietude. espasmos musculares. eliminação de flatus. (1986) apud Oliveira. insônia. desorientação. perda de peso. AZEVEDO. polineurite e convulsões. como banho no leito e de aspersão. vômitos.anorexia. Controle da diurese e eliminações intestinais (fezes e flatus). distensão abdominal. Curativos. queixas álgicas abdominais e perianais. COSTA. Gama. 1986 apud REZENDE. Costa e Azevedo. Incentivo ao tratamento.

eliminações intestinais sangramentos). características.• • • • ruídos hidroaéreos. (freqüência. . Incentivo ao autocuidado: mobilização no leito. características. algias e eliminação urinária: volume. freqüência e algias. deambulação. higiene e proteção do coto cólico.

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