Nascido no centro de São Paulo, em dois de novembro de 1980.

Musical desde criança − quando começa também a descobrir a arte da Astrologia e dos cósmicos estudos (na vivência) −, Rafael Ramos amava desenhar: passava horas ampliando seus horizontes com o lápis e papel; hoje em dia, fotógrafo por vocação imagética, continua artisticamente tirando seus sentimentos de todas as experiências e espaços da cartola que é esse seu vasto universo. Fez coral na Fundação das Artes de SCS, teatro amador na Escola Paulista. Já em 2005, após ter estudado em mais de uma dúzia de escolas, tornou-se líder do movimento estudantil da FAPSS − Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul. Tendo finalizado seus primeiros mochilões de carona por alguns estados brasileiros, Rafael decide realizar aquela viagem interna, para exorcizar seus fantasmas, concluindo... e publicando suas artes.

(... Sim, tem quase certeza de que já deu seus mil origamis ;)

EVANESCÊNCIAS

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A alma volta / e meia... fecha / volta inteira / nela

Espirolhar - A cada oitava tento... voltar ao todo sendo
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Rafael Ramos

EVANESCÊNCIAS

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Copyright © 2013 by Rafael Ramos Jordão de Aguiar Título original: EVANESCÊNCIAS Todos os direitos dessa edição reservados a Rafael Ramos Jordão de Aguiar pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. São Caetano do Sul - SP CEP: 09572-320

CAPA Rafael Ramos CONTRACAPA Camila Loureiro PRODUÇÃO GRÁFICA Rafael Ramos ARTE FINAL Rafael Ramos / Heinrich Aikawa / Bruna Maya REVISÃO Rafael Ramos / Gustavo Mugica / Luiz Evaristo Garcia Jr.

___________________________________________________________________________________ Aguiar, Rafael L 1.135 F 496 Evanescências / Rafael Ramos – 1. ed. São Paulo – São Caetano do Sul, 2013 – 1. ed. 593.546 94 p.

1. Poesia brasileira. 2. Aguiar, Rafael. I. Título.
CDD - B869.1 CDU - (82-1) ___________________________________________________________________________________ UMA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE PELO SELO: Coelhovermelho

Qualquer parte desta obra pode ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja mecânico, eletrônico, xerox, gravação, etc. Desde que não tenha objetivo comercial e seja citado o autor.
Impresso em 2013, na Crystalgraf – www.cristalgraf.com.br

Gêmeos a Câncer/Saturno!

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Nota do autor (mea culpa)
Sim, vamos pensar positivo: fiz dos meus – piores – sentimentos (de dor, raiva, tristeza, frustração, medo...), poesias, e não atos, que pudessem justificar o nome daqueles! É inerente ao ser humano ter lados escuros, mas é a escolha do que fazer, nas horas em que eles afloram, que vai dizer quem e o que realmente somos. No caso da negatividade, ainda que ela esteja longe das mais altas aspirações, ficar somente na ideia já pode ser considerado um bom caminho; ou, literalmente: joguemos esses momentos para fora... (a tela e o papel usados como destino)

“Meus semelhantes e eu identificamos, admitimos e assumimos plena responsabilidade por nossos sentimentos e opiniões negativas e tudo que eles nos trazem para nossa vida. Não mais julgamos a nós mesmos nem alimentamos preconceito com relação aos outros. Desse modo, eliminamos o conflito, e no fim das contas todas as guerras sobre esta terra. E nosso chão mais uma vez será puro.” Lyn Birbeck
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Agradeço a Deus,

a minha paciência, ao Gustavo Mugica; aos Artistas / Ilustradores / Poetas /Amigos, que, com sua brilhante participação, fizeram a tão sonhada obra coletiva, ainda que não da forma como ela foi originalmente concebida.

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Dedico este livro ao meu primo Robson, que, como Cazuza, preferiu viver dez anos a mil a viver mil anos a dez!

"O poeta se faz evidente por meio de um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos... O poeta é um verdadeiro ladrão de fogo". Arthur Rimbaud 7

ÍNDICE
02- CIRCOLHAR – (28/04/10) ESPIROLHAR – (10/08/2011) - Coelhovermelho 1012131415R – (2006/2013) S.O. QU’EU S.OUL – (2008) - 273,15° CELSIUS OU DIA ZERO – (2003) PREVENIR É MELHOR... – (2003) D – (2007)

я

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TEMPESTADE Falta em Marte) – (2003) FAMILINFERNO – (08/07/2011) GRUNGE – (30/06/06) sρєcυlυm sємэηтє lυcє – (07/06/08) BAR – (04/04/2012) BAFORA – (06/10/06) ESTÁ-LO – (16/07/08) COMPRIMIDO NAS MINHAS TRISTEZAS – (2008) TUDO PELO QUE ESTOU VIVENDO – (11/09/06) MIL INTERPRETAÇÕES – (2008) ENTRAR NESSA ESTRELA (pré-esquizofrenia) – (2009) ESQUIZOFRENIA (trincou) – (09/02/08) OK COMPUTER – (30/11/08) DES-CLASSIFICADOS: CORAÇÃO – (25/06/09) BATIDAS – (2009) 31 – (03/11/12) ESPÍRITO CARBONIZADO – (2009) PREITO – (17/10/12) RESTAURA – (14/12/12) Aubrey D. ANO QUE SERIA – (20/03/11) EU CIDADE – (2009) REMÉDIO POEMA – (03/11/12) POCKET POEMA PARA FINDAR O HOJE – (28/07/12) ... PARA FECHAR O DIA 19... OU INICIAR O DIA 20... – (dia 19 ou 20) ... PARA VOLTAR P/ CASA DO TRAMPO... – (20/06/12) ... PARA TENTAR ACABAR COM AS TEMPESTADES DE HOJE... – (24/08/12) NOVE BURACOS – (06/10/11)

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47- PREMONIÇÃO – (2011) 49- COMA – (2009) Uma página de silêncio 51- ME(-R)CÚRIO 180 – (17/04/11) 52- SFXT – (14/08/06) 52- “SE” —, EU... – (2005) 52- NÃO – (2006) 52- ANTES  DEPOIS ● – (21/05/06) 52- ÁCIDO 98 – (2007) 54- NIRVANA – (2003) 55- DESLIGA A JANELA – (2003) 56- MOMENTO OUTRO – (2004) 57- MODELO VIVO – (08/10/06) 59- FALE IMAGENS – (2007) 60- DETALHES – (2007) 60- BRANDO – (2008) 61- CONTO? – (2009) 61- VOCÊ TAMBÉM É O QUE PERDEU – (2007) 62- UMA – (09/07/08) 63- PROBLEM – (2008) 63- QI – (2004) 64/65- DELIRA NAS MINHAS / PIXOEMA – (14/03/2008 / 2008) 67- EXPERIÊNCIAS DO CHÃO – (2008) 68- EXPERIÊNCIAS DO CHÃO 2 – (2008) 69- EXPERIÊNCIAS DO CHÃO 3 – (2008) 70- QUINTAL – (2008) 71- CAOSTRUÇÃO – (2008) 72- MINHAS ILUMINAÇÕES – (2006/2013) 76- AURA (explique o fogo) – (2010) 81- DEITE NUMA [NUVEM] E PEÇA [SOL] - (todos) – (2007 - 23/02/2012) 82- DEIXO POR VOCÊS MESMOS – (19/08/06) 83- LEVE Pt 2 – (19/03/05) 85- BRASILEIRO – (2006) 85- MANIFESTO – (2006) 86- COMPELIDA – (2005) 87- ESSA PAZ? SAROU? – (06/01/2013) - Coelhovermelho 88- ENSIMESMADO – (14/08/06) 89- VIOLETA CAPUT MORTUUM Terceira parte – (23/08/06) 90- SINGIN’ IN THE RAIN – (2007) 91- O FUTURO MATOU A CRIANÇA – (05/08/08) - Coelhovermelho

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S.O. QU’EU S.OUL Sou a distância estreita de lugar algum, passo que rarefeito... não me pode respirar Fantasma de parede (aqui jaz grafite um sonho) em comum Concreto e deitado Palavra invertida sem sua força p/ girar Sou a desescolha esperando por acontecer Árvore vestida com domínio sem mandar Sem a cor todas no meu acontecer Nenhum comentário de que só os tênis sujos sabem voar Sou o desconforto gêmeo envidraçado Som doença televisiva que está no ar Sou o segundo depois da prova nunca contado Sou decoração buraco na nuca a vermelhar

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- 273,15° CELSIUS OU DIA ZERO Meu horizonte fica subversivo em uma tristeza em si apegada Tudo o que me diverte, impregnado de hipérbole, se eu caio em mim – ou nada Fazendo-se passar por delirante onde toda síndrome tem hora marcada É marcante sempre errante Talvez casa na calçada Letárgico, esporádico De viver há de se chegar Viro essa tinta; edifícios, só para ter em quem estar (Abra a porta [eu sou domingo {!}], em nada pode me comprar) Rumo ao zênite de meu cimo invertido S’tá difícil, s’tá comigo Quisera, sem vicissitudes, ser mais que isso Cit cat do Inferno Voltar para o não existo Pois, sabe, enganei a morte Ela já pensa estar comigo Sinto-me sem, e soletrado S-O-Z-I-N-H-O (Costumava ser só metade; ontem/agora nem isso) De bruços no buraco —, mas é só chão — e não acabo Digredir a razão; consumir coração Esvair-me chorado Não poderia muito mais... mais do que tenho tentado Um esporte para variar Bungee Jump sem estar amarrado Pegue um pouco ou leve tudo Meia tarde Recomeço Não me importo se só me existir em seu mundo... ... deixo-me. Luto.
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PREVENIR É MELHOR... Respiro o ar da desordem Não me detenho Não é por você que se chove e sim por mim que eu temo Uma pausa deste subir Dar-me-ei a elas já devendo Lágrimas: nunca vão para o céu Por isso delas tenho Prosseguindo no arrependimento... único sentimento revelado sem futuro Tirei aquela imagem que me detinha no espelho NUNCA MAIS VOU JURAR... juro. (Tentaram ajudar – Ato II) Posso dar à morte um nome de objeto pequeno Remédios circulam em vez da própria sorte Proclamam certa a bula de um texto de veneno Mas é disso que me venho... O amor que eu me amo não poderia ser o mesmo que por você tenho E eles continuam circulando; deixando-o menos vermelho Passível de ser igual Ser, de um mundo invisível Já não tenho como me causar mal Mal existo.

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D Entrei no espaço contradizente desta própria estética moral Beleza em si inconsequente Imagem pueril do mal Sem encontrar os passos eu piso Desabafos em pé na fachada de todas as casas Um certo errático eu vivo Somando pecados por todos os fatos Siga em frente, homem verde Recorte o pedaço mais alto de sua noite Enquanto conjuga o verbo conseguir Tentar não me trouxe o hoje, fazendo-me existir

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TEMPESTADE Falta em Marte

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Uma hora chamada igualdade se desfaz e não se sabe Nós perdemos esse último segundo e os que passaram para a eternidade Fiquei sabendo de notícias Desculpe não poder também de minha parte A vida é breve; o que sentia, mais breve ainda por ser metade Aconteceu ou uma escolha? Amizade era, pelo que entendia Mas tudo tem um fim e eu não queria Ainda não apareceu outra pessoa Simples quando se conta tudo Você inteiro em um segredo Mas foi você que achou... e foi embora Terei agora eu mesmo? Talvez eu devesse... Não; eu deveria escrever de forma pausada Lembranças de intensas alegrias (pausa) lágrimas minhas lembraram Era a coisa mais importante do mundo Ninguém foi amigos como nós Pensávamos da mesma maneira, e sorríamos Falávamos e mudava apenas a voz
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O vazio me assemelha agora Faz muito barulho a siderúrgica em frente a minha casa Entende? Um mundo mudo feito de duas vidraças quebradas!

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FAMILINFERNO Dormem em andares diferentes Casulo consciência-fúria Sol ignorância anula Fogo frio enfermando a semente Ambiente holocausto na zona de guerra Olhar bronze da borboleta nunca nascida A dor movendo a prisão de outras vidas Joelho pelado de sensação aberta Indianas e ingleses? Vivem dos intervalos suportando-se invertidos Mapa que não sai da cheia erupçã♂ Lê muito... aprendendo horários — sem noção Pesadelo de labirinto de dominós caindo Quadros malditos horrorizando a parede Palavrões/ódio... jaz mal-humorada Gritos!!! Gritos!! Gritos; descarga? Os bilhetes lhe davam a vazão para matar... a sede Energia queimando; o mal no convívio A mão não soube do afagar, (controle remoto) Trabalho de máscaras e porões, (suporto?) Violência farmacêutica. (Jogam a flor para dormir no lixo) Tv ligada no desisto; meios, canais e portas quebradas Morte para alimentar o emocional (?) Tocha incinerada; entendimento desigual Nada dos avós. Brônquios de raízes cortadas... Focam no material (possessos) e não no infinito Ao contrário a pedrada... sai do coração! Incentivo zero... desprezado pela aceitação! Não é o brinquedo, e sim ser criança; muito menos um lar a casa... eu sinto... O o d r e p

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GRUNGE Pode usar o que falei Tem mais Pegue Voe com minhas asas Leve minha beleza Use Sem construção que justifique O que gostaria Seja real com minha mente Copie Original Espero que ajude Meu estilo foi doado Minha voz cai melhor em você Tome minhas horas pise aqui para se manter de pé meu ar lhe agrada? É seu Faça o que quiser Aproveite Tudo para seu deleite Fique com o nome No meu lugar Viva meu sonho Saia com a galera que lhe apresentei Escreva aquele texto com minhas ideias Aproveite tudo o que sei Invente o que criei Comece do meu início Sugue Assista aos filmes que li para economizar sua visão Se não entender depois explico Faça meus cursos No meu encalço Abuse Exija O emprego é seu Tome minha agenda de telefones Pode ficar com esse espaço Escolha Farei Suas vontades em primeiro lugar Viva com o que é meu Minha alimentação Com o traço igual Mesmo gosto Sirva-se Clone a personalidade O que tiver vontade Usual Sua vez

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sρєcυlυm sємэηтє lυcє
O Espelho foi partido pela ausência de reflexo Fragmentos se espalham pelo chão Afiados, eles cortam, mas se passam por brilhantes quando o cômodo emerge a escuridão Riscos divergentes furtam o Arco Íris – excêntricos em sublevação Pensando em pistas áureas, loas defenestrando-se à razão Grânulos de Som em alarmes texturizados Desertos de carbonos hidrogenados O ao avesso que ri má verdade de vários lados defracionados (Guarde na gaveta o estigma da imagem, e se deixe para ser aberto na bagunça do exercer por ideias)

(Rafael Ramos/ Andres [G-três])

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BAR NÃO ERAM ESSAS CORES SOZINHAS DE GENTE... (o quadro pega fogo no chão) LÁGRIMAS COM MATIZES EMBRIAGANTES... PARA DE SI BEBER... SEU SENTIMENTO PEDIU POR MAIS UMA BAGUNÇA VINHA! ERA A ERRADA NOVAMENTE DE CORAÇÕES SEM TINTA... FALEI SOBRE PINCÉIS PARA A TELA EM BRANCO... ... MAS SÓ SABIA QUE PODIA MUDAR SE APAGASSEM A LUZ NÃO SÃO ESTES TIPOS DE CÍRCULOS TAMBÉM... VOCÊ AINDA PODE USAR OS DEDOS NÃO! NÃO É SOBRE MOLDURA MAIS BONITA DO QUE O DE DENTRO VIU¿ TINHA UMA NUVEM NO CENTRO FOI PARA O COPO TODOS SÃO COPOS-SENDO PINCELADOS DE ESCURECENDO PENSEI MUITO NA OBRA... O PORQUÊ DO “ESQUEÇO” CONTEXTO MACHUCADO PELO QUE VEJO DA DOSE TALVEZ SEJA DE BAIXO PARA CIMA MESMO MAS NÃO VIRO O CINZA MANCHA AS BORDAS COM A TOSSE TEM DE FICAR AZUL-CARVÃO PARA ACABAR COM AQUELE PEDAÇO GARÇOM!! PODE FECHAR A TAMPA DA CAVERNA! (PAREDES SÃO SEUS TRAÇOS) SINTO PERDER A MÃO ARTE FIGURADA NA FEBRE UM PREGO DEIXA A PINTURA DAS BORBOLETAS NO QUADRO CONTIDO ... FAZ-DE-CONTA... ... ALTO... ALTA... MAS SEU ESPAÇO É DE VIDRO

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BAFORA Fico inquieto do seu lado. Vejo as paredes correndo E assim, minhas lágrimas escorrendo, o chão me fugindo... Aperto os cintos e declaro voo, pelas estradas do pensamento Precisava de uma caneta para me suicidar por escrito E ao final da noite ainda penso se lhe devo pedir um beijo Como, ao abrir os olhos, acreditar que você não estava ali? Eu não me lembro de você. Na verdade, eu nunca me esqueci Amnésia! Não quero ser o que está sendo desse momento o sentir Ainda estou no meu corpo “Solape meu homem selvagem e você verá o meu mundo com a coragem dos cegos”, pensei, mas foi embora com o coração de olhos abertos por um soco E eu, parado, brigando eufórico com os meus quatro egos Por um instante achei a caneta e tentei estancar meu coração Em breve despertarei deste profundo delírio. E retornarei do mergulho aos braços do dragão

(Rafael Ramos, Rafael Churai, Gabriela Lipari e Andres [G-três])

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ESTÁ-LO Tenho-me de rua, durmo, aspirando a calçada... pisada Sem céu a céu aberto Encolhido porque não podem abrir agora Sento em frente... desligada; pró-grama; duas horas do nada Descontinuo aqui, vendo a bicicleta andar sem meu momento Subindo a cinco por hora na janela Um cigarro para tapar, da vontade, o pensamento O vento ligado para evaporarmos juntos de chuveiro Roda caminho esquerdo Leve o gás do caminho para casa Cubra de noite esse dia ninguém-se-lembrou No movimento escuro do som que me mata Dois vazios disputando um lugar não preenchem Banho de pós no carro O juízo se decidiu: “– Matem os dentes!” Começando a estralar o bairro Criança da má-vida – estorvando Livre-“blaze” negou o sentir – dentro Meio-dia, não estava lá no mundo No fundo, brinca monstrinho violento Dez minutos sem minutos; de qual efeito me tinha? Ando sujando as ruas com meus sentimentos de sem-vida O olhar é fraco e bem que podia o seu... ... coração descer para tentar me ajudar a achar o meu... As plantas não têm culpa, respiram da noite o seu cansaço São as ideias desse mundo de querer Pisar a ponte do seu espaço... coibir-me de adentrá-lo Não há dúvidas de que quando calo é você quem deveria entender... A parede é de pele... E aqueles vazios são de fato Do sono sem os Sóis a doença no ralo voltou ao transbordar Ensinaram a você a distância, e eu do outro lado a me viciar... Dados podem ser jogados, mas o que ganha é o conscientizar
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COMPRIMIDO NAS MINHAS TRISTEZAS Essa não cor branca ... o lembrar-me mais comigo Injetaram noites tensas e nebulosas na minha veia Sangue enferrujado de chuvosos motivos E a calçada escorrega das minhas pernas (de morro vivo) Esse ir curvilíneo me esquece na porta b Ampola-criança no banco do carro para não quebrar seus sentidos u Depois só acordar no outro dia pós-escadacova pra brincar de vencido s

i

d n

o

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TUDO PELO QUE ESTOU VIVENDO Procuro algo radioativo para fazer Escutando sua voz em algum momento de silêncio Parando de voar somente até a esquina Talvez um pouco psico demais para sobreviver em você Um grito deixou ir a primeira impressão... ... as outras não saíram do meu dedo tão gótico quanto... o obscuro do meu pensamento (9 Ataque) Algo que compense a ausência de algo (?) (Código ao amanhecer) Cinco vírgulas,,,,, antes de morrer Eu falo O soco não produz palavras Tudo ao mesmo tempo agora errrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrando Apague a luz ao sair de mim (2 Nasci) Não faz sentido, mas eu acredito Quarto grau eu persigo Abafado por nuvens de granizo Labirinto de teclas para sair perdido Agoraumafrasebemlongaquecheguenofinaldapáginasparadizerqueumabemlongachegou Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkfuck As curtas valem todas, mentiras são feitas de isopor ‰▼﴾-_ Se parar... acabou Agoraumaoutrafrasebemlongaquecheguenofinaldapáginaparadizerqueumaoutrabemlongachegoueaultrapassou
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MIL INTERPRETAÇÕES E você não se move Enquanto eu continuo (Ela nem entendeu a direção e já queria dar à estrada um lugar)

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ENTRAR NESSA ESTRELA (pré-esquizofrenia) Cúmplice de ser sedado por um segredo doloroso Enxergue quilômetros antes de dar o próximo passo Estando perto há uma distância incrível! Guardando gavetas negras nesse armário mágico Posso sentir todos os que estão aqui sem estar existindo E ouvir... Paralelos Paranormais Paralelos Enquanto crianças sem vida correm ao nosso redor Do cinza ao verde, transparente e dourado Leves e sem fome, revezando o pecado Minha perna esquerda mais parece a sua direita E as luzes... querendo afogar-se às claras para mim Sensações de horizontes entregues na minha alma Chove experiências para dentro do frio E o toque... ... entrega seu passado Voar para mais perto da lua não queimará minhas asas Escolhidos para soltar as grandes verdades... ao levantar... Como dormir? (só não estava deitado) (só não estavam deitadas)

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ESQUIZOFRENIA (trincou) Precisava dualizar o momento... perder o outro; e mais um pouco... ... do passado Queimando escuros fragmentados de uma experiência... vendo-o se perder em minha duplessência... somos três... eu acho... Dose tripla Dentro de mim Dentro de mim Em mim não Como podia querer saber? Foi para ele que ficou... Eu também não vou lembrar os significados do que escrevo daqui a uns anos A memória se culpou Viver impregna mais a Alma do que a tinta no papel branco Falávamos do outro? Enfim... somos nós... ... neste... Pessoas mortas me fazem menos mal Cuidado Cuidados Uma mistura igual Uma mistura letal Se apenas não ser fosse o suficiente normal Não há separações e vivemos separados Pares juntos... isolados, e um tem de sumir, numa janela que nunca dá para o lado de fora Terceiro... andar não vai adiantar... apenas fique, enquanto vou embora agora... sem sair do lugar (em si)
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O que fazer? O que dizer? Qual ser? Esse na verdade nunca existiu, e é mais forte do que todos... essa hora durou um segundo para nós... ... dias para ele... mesmo sem ser notado Da noite direto para o dia Deixe a tarde morrer por você Viva um por vez – melancolia Eu mudo de lado às vezes (triplo significado) A parte errada tem a integridade A parte certa virou duas com nada A parte errada não teve integridade Como estou me saindo? (me saindo?) E se reconhecem... ... os olhares... mas não conseguem se ver por muito tempo Esqueça Como estamos nos saindo? (nos saindo?) (Fecho os olhos)

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OK COMPUTER você se foi sem conhecê-la já sinto algo fazendo o futuro numa sala sem se conversar ao mesmo tempo conversando muito distantes estamos fazendo tecnologia sem amor símbolos da não atitude antipessoas digitantes tanto faz nunca nos conhecemos mesmo sei de você numa caixa de zeros e uns eu a digitaria só para estar entre meus dedos e eu a tenho pois aqui tudo é perfeito você se mostra de pretérito seu agora num guardado presente em caixa maior
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ACABOU A LUZ ...

(Rafael Ramos / Rafael Churai)

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DES-CLASSIFICADOS: CORAÇÃO VENDE-SE CORAÇÃO CIDADELADO VIVO PELA METADE... PRATICAMENTE SEM USO (NÃO FAÇO DE SEU SIGNIFICADO) NO MUNDO BATE EM ESPASMOS-ESPAÇOS DE LUGARES NÃO ENTRADOS SOM DIFÍCIL DE ACONTECER ADESTRADO COR QUEIMADURA 3° GRAU VESPERTINO, DEFEITOS INTERESSANTEMENTE VÍVIDOS JÁ VEM COM OLHOS-INSULFILM-AO-INVERSO-DESENSIBILIZADORES-DOR-DE-ALMA-SINTO CHEIO DE VIRTUDES CANSADAS E FAGULHAS EDÊNICAS OITAVADAS! DESENCONTRADO DE OUTROS... E POR ESSES, OS MOTIVOS; SABE FINGIR-SE DE FELICIDADE ESCONDIDO!! NUM MEIO CAÓTICO, DORME DE CONVÍVIO; ACORDA, SE VIVER O ESCOLHIDO – CICATRIZADO – AINDA QUE NÃO PASSADO A LIMPO PONTO FRACO: BONDADE ADIMENSIONAL / IDADE CIRCULAR / FUNCIONAMENTO EM OUTRO PONTO FORTE: QUANDO ACEITO, DECLAMA! GARANTIA DE 96 LUAS!!! E, NA COMPRA, LEVE TAMBÉM UM ESPÍRITO VATE PRATICAMENTE NÃO (a) NOTADO NOVO (EM FOLHA)! OBS: (pnp mode) MAS ESTÁ DESMONTADO... (INSTRUÇÕES NO VERSO) (DESFIBRILADOR NO PACOTE EMBUTIDO) PARA ADQUIRIR É SÓ FAZER UMA DOAÇÃO DE CANETINHAS PARA O INSTITUTO: COR-AÇÃO DE CRIANÇAS COM SÍNDROME DE ARTÍSTICO CONTATO: LOJAS PESSOALIZANDO-SE!! RUA SEMPER FIDELIS, 100 (pedaços) – Ap: 10 (pedaçado) BAIRRO: EUFRATES CIDADE: DAMASCO TEL: 6655321 FALAR COM RAFAEL RAMOS (Desculpe-me se escrevi descompassado... e pela atenção, obrigado!)
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BATIDAS Tum Tum Tum Tum Sem sair som nenhum – canto – o vazio Uma lágrima apenas, já fria antes de morrer – ressoa na pessoa – muda no chão frio Espalha sem sentido Toca você Tum Tum Tum Tum Se eu fosse... ... alguém notaria? Alma-vidraça-emoldurada Estilhaça-se ao suspirar Respiração quebrada Cacos de ar Coração congelado Refogar? Afogar? Afagar? Miragem, deserto decerto desertificado O que aqui batia hoje é cacto

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31 AMARRADO DESFOLHADO CANCELADO DERROTADO EMBRULHADO DESGASTADO ABANDONADO DESFIGURADO MANCHADO CANSADO DEIXADO MACHUCADO SUPERADO DÓ

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ESPÍRITO CARBONIZADO ... eu só tenho pegado fogo (às vezes choro pra ver se apago) Mas talvez só o amor me apague Talvez o amor me apague

PREITO MEU SECORAÇÃO SANGRA MANCHANDO O AR (poderia me fundir com essas quedas) sempre em frente até o Céu existir ... QUE UMA FOLHA ESCRITA ME LEVE DE DENTRO DE MIM...

RESTAURA Tem uma chuva que seca meus sentidos chega indo por você eu sinto... muito.

"O CORAÇÃO QUANDO NÃO ESCOLHIDO... ... ENCONTRA-SE EM UM NADA. NEM NO EU ME CAIBO... SE ACHAR-ME, AVISE... ... EU MATO" Aubrey D.

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ANO QUE SERIA Como se fosse mais fácil levantar a rua; eu descia de algum pedaço de mim – não gostava – era outro lugar que queria ser ali Não me nutria... por isso vazava... ... de fins... “Eu te Amo” era o que expelia; – Sóbrio – rodava, rodava, amava, mas nenhuma das palavras voltavam daqui onde meu coração próprio não me aceitava Bati Esqueleto de algo parecido ao contrário Ainda tinha, mesmo que não me apanhara Até que queria; desistia... Um passo! Às vezes, covas são como casas – rasas Espelho comprido escorrega leveza d’alma Um “i” faria acertar ainda mais? Indiferença, você perfeita... O ano secou por detrás do problema ao queimar-me – negado – (desapareça!) Poroso acidente nu que sustenta Vela pingando de ponta-cabeça: (escureça... Tão criança; como uma abelha me vigio O nascer do Sol inclina a mesma rua... Mais fácil entortar o vício... ... de ser matéria de via única Influxo-colapso no meu dia interior; urbana sinapse que afasta do amor... ... seguia-me (do seu abraço para consentir) Antes que a onda se desfaça, aceite-a Lua; ou, em vez de comer, me engolir...

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EU CIDADE Experimentei todos os tipos de interferência Meu maior defeito me resolve Um caos é o que frequenta Os pneus do carro giram minha nova paciência Some sem sequência Ar preto expirando pulmões cadeados Horas ouvindo o deitar dos horários O chão o aceita quebrado e usado Mataram o Sol de prediocismo Postes de inimigos Cúpula cor: tédio-de-dia Foge, das cores da noite, a alegria Árvores dobradas em finas notícias O antônimo de Grafite é polícia! Sujos. Linha de baixo morta é a ley Pisando (e eu uso muito) Criancinzas brincando no luto!
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REMÉDIO POEMA Canso sem sim – da madrugada hoje o erro não rodará... (volta silêncio) ... em um dos fins. Fraco de sociedade revezo-me com a solidão... ... de mim.

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POCKET POEMA PARA FINDAR O HOJE NEM UM BOM DIA (!!)... DINHEIRO NA MESA... ELA PENSA PLACEBO NA CONSCIÊNCIA... DÓI... MACHUCA... DISPENSA-ME... SERVIR ÀS VEZES DÁ CARÊNCIA... ESQUECERAM UM SOL APAGADO DENTRO DELES CONSOMEM-ME SEM REVESES... PUXAM... EVITAM-ME... QUEREM MINHA PRESENÇA QUE SE VENDE ACABOU A LIQUIDAÇÃO DO MEU AMOR BOA TARDE!! POSSO SER EU QUEM SABE? LIMPO AS LÁGRIMAS... LIMPO O CHÃO ACABOU A ESCRAVIDÃO? DISSE EU PARA O AÇOITE... BOA NOITE!!

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POCKET POEMA PARA FECHAR O DIA 19... OU INICIAR O DIA 20... ELE SEQUER SE FOI... NOTADO INDIFERENTE... QUANDO ESTAVA NÃO SABIAM O VALOR DELE... AGORA A MÚSICA OUVIDA VINTE VEZES SEGUIDA NÃO TOCA MAIS... É A DESPEDIDA... A TAL DA MAIS PEDIDA... MAS O TEMPO TAMBÉM CONTÉM SUAS NUVENS... (A CAMA PARECE O PARAÍSO DITO...) O CLIMA PERFEITO SERIA ESTAR COM VOCÊ E O TRAVESSEIRO DIVIDIRMOS ÀS VEZES... E NÃO SÓ O RECINTO... DESCULPE SE NÃO SEI TENTAR-LHE... ... E EU CONSIGO QUEM NÃO IMPORTA... MAS NÃO POSSO DEIXAR A TRIPULAÇÃO TOMAR CONTA ENQUANTO NÃO ESTOU... SOBREVIVER PODE SER A ÚNICA SOLUÇÃO... NÃO FAZ DIFERENÇA... ELAS IRÃO ENTENDER... ... MAS CEM ANOS MAIS NÃO POSSO ESPERAR... PARA RECONHECER... ENTÃO É ISSO... O FIM VESTIDO DE QUARTO... ... E VOZES ESPALHADAS PELOS FRAMES... ... E PEQUENAS NOTAS NO ESPAÇO... QUE NÃO PREENCHEM TUDO... ....MAS ME DEIXAM DORMIR POR PARTE DO DIA SEREM...

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POCKET POEMA PARA VOLTAR P/ CASA DO TRAMPO... TALVEZ A FLOR SE DESPEÇA AOS POUCOS PERDENDO SUA COR... ... EM UM PRETO E BRANCO EXAUSTIVO DE NADA TALVEZ NEM A TERRA PERCEBA... ... NEM O AR SINTA SUA FALTA... TALVEZ AGORA VÁ ATÉ SOBRAR MAIS ÁGUA... AS PESSOAS? DAS CORES NADA SABEM... GOSTAM DO JARDIM SEM ELAS... CHAMADO CIDADE... TÃO POUCOS SENTIRÃO FALTA... SENTIR NÃO É PRIORIDADE... AQUELA ERA ESPECIAL... O SOL, QUANDO ACORDOU, DEU NUVENS AO MUNDO, ASSIM QUE SUA MORTE NOTOU... A LUA NEM HAVIA PERCEBIDO... VOLTANDO À ÁGUA (e a Lua gosta)... SOBROU MAIS... ENCHEU O RIO... SÓ O FOGO... SABIA... (às vezes a noite é muito fria... .

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POCKET POEMA PARA TENTAR ACABAR COM AS TEMPESTADES DE HOJE... DONDE ESTOU AS ESTRELAS ESTÃO APENAS NO CÉU... IDÃO... SEM O SOL FUTURO-CAVEIRA... MUSICANDO O DÓ MAIOR... “SEMANA A SEMANA... SEMANAS...” A BARBA TOMOU CONTA DO ESPAÇO VAZIO... COPO COM ÁGUA O MOVIMENTO É DE ELETRICIDADE PASSANDO... ... SEM LIGAR NADA... AS CADEIRAS SE PARECEM TANTO COM OS ANJOS EM FRENTE A CASA, GENGIVA ALMOÇANDO GANHOU MINHA NOITE ESSE SORRISO-AUSÊNCIA DE DENTES CARENTE GOSTO DE FINALIZAR COM ALGO PURO VOZ FEMININA HAVIA ESPELHOS NAQUELE QUARTO, MAS NÃO ME VIA... SENTIDO ESCURO A LINHA DA VIDA COM CICATRIZ FOTOGRAFIAS TODAS É UM RESPIRAR INCOMUM TALHAM A INOCÊNCIA E QUE SE FODA...

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NOVE BURACOS (A febre deslocou o trabalho... ... contenção deslocando o quente; realocado se faz em gente que não se desloca o suficiente) O sal de prego me tirou O doce em máscara de labor Seis meses de próprio-abate abrem oitenta janelas da escuridão em dia-ventre (deve ser porque não sei onde estou) Quadrados em cima não ensinam, só formam... ... e sou... (informa) voo ou devora

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PREMONIÇÃO Ele a ideia e o menino da cadeira Veneno médio na quantia larga Ela o que não queria Quem era o palhaço sem risadas? (A professora) O sentimento leve que colocou não acompanhou a queda de sua vida desceu

assinou

(o chão de uma pessoa pode ter mais andares do que se imagina)
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COMA Todos os cigarros acesos me apagam Ele nem sabia o que era morrer, mas morreu assim... na sua primeira vez Nenhuma lembrança do ano Só a sala sem vida em família Um branco acinzentado Todos juntos nessa total divisão Dez anos... são passados No ar parado Na mesa, lágrimas Durmo (invejo-lhe) Com a ressalva de que acordarei Não consigo escrever o que lembro (não há) DALTÔNICO Mil opiáceos o sentir Quatro anos... (... o que tinha escrito para essa parte não consegui traduzir) Nem o momento mais importante... Mãos no peito, sensação mesma Escuro-posição-silencioso Som no volume fetal máximo Despedida visual (ainda sem as passagens) Renasça dentro de mim Ele me disse sem dizer que estava para partir Espera criança Vela-se a esperança Foi... A mor A deus
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Uma página de silêncio

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ME(-R)CÚRIO 180 Sobrava-me silencioso Havia os dois lados, mas só resistia um mesmo Como uma corda estourada no meio ocioso Expressão rompida Vácuo pensamento sem ar, sem vento ... e nenhuma onda... Netuno uma 8va abaixo... A água canta quando passa pelo cano Úmido e quente sem conseguir evaporar... Areia emocional sem se mover A l gr m (só com hiato) Passado tirando volume do futuro (os amigos não aguentariam... por isso não pedi) Calei-me de ser Calada do dia Seis meses sem Tento e não consigo Quantas queriam... mas não saíram Buraco não tem muito que dizer fora a queda Em si... lêncio Shhh dentro Ouvia Ou via (Mu(n)do). Sua voz já foi para trás? Sem encontrar o caminho para sair? O “tempo/acorda” foi um “oi”. Fez-me subir!
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SFXT — Não ouço nada de você

“SE” —, EU... Essa chuva me deságua em silêncio Eu não posso ser atingido por todas as gotas (caindo) Meus olhos dispersam do Eu mesmo... ... aqui dentro e lá fora num único rio

NÃO Uma onda afirmativa percorre minha alma vazia — e a esvazia Uma palavra negativa que fura minha vida e o ar Ciméria eu encontro em mim moradia

ANTES  DEPOIS ● Pensava ser único. Lágrimas deveriam escorrer enquanto perco a razão Sentindo como um David numa sala repleta de... Davids (!) Vazio. Todos completos de mim enquanto eu não ÁCIDO 98 O corredor perdeu a cor A menor sombra já me cabia Dance enquanto tento dormir, cobertor Vida fria
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NIRVANA Um pensamento perfeito apagando a luz do Sol Adoro Versos Desconexos De um significado maior

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DESLIGA A JANELA Só para se sentir bem... sempre haverá espaço para eles... ... deve ser porque vejo luzes... mas nelas, todas as vezes. Desse mundo, chegaram agora, o que acontecia não sabiam Talvez elas só não quisessem ficar e sorrir com todos... sozinhas... ... como uma labareda de gelo saindo do Sol

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MOMENTO OUTRO Quem vai entender esse tempo? A Alma do mundo me implora por isso Antes que o dia... (é sempre um bom sinal) Lembrar-me de coisas que não aconteceram é comigo Só para mostrar o quão boa a vida poderia ser Esse momento que se foi é a única coisa que vai ficar no futuro Conheço muitas frases prontas, mas só me improviso de versos escuros!

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MODELO VIVO Em movimentos parados, tal qual o evento de se estar ... e o som encosta no passivo da perfeição dissoluta do caber-se no ar Sorvendo sua melhor posição antes da escolha Faça-me arte; atravesse onde paredes nunca estarão numa folha Pise o momento ímpar das sinfonias com a marca indelével dos sentimentos a dedo Consumindo em pleno todas as suas outras vidas que viriam hoje mesmo

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FALE IMAGENS Não quero substituí-la nessa tradução observando o que acredito em você no meu desenho certo de lhe ver Não há quem não saiba se permitir sem alterar as linhas do elemento personalidade numa pictórica ilusão de se perceber na realidade

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DETALHES Eu sinto o tic-tac do relógio, e o barulhinho da geladeira funcionando, os carros que passam lá fora, com os quatro pneus no asfalto rodando O ruído da minha garganta raspando, e o leve amassar da folha enquanto escrevo, confabulando com o ranger da porta ao vento

BRANDO Ao olhar minha mão, quis ver uma praia Mas a areia escorreu por entre meus dedos E só sobrou água salgada...

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CONTO? Violáceas tempestades nos espaços fechados Seu segredo me fez não me perceber sob essas três luas de plástico O que você leu de si mesmo eu não queria ter me dado E o perigo de não sentir mais isso é o de si mesmo esvaziá-lo

VOCÊ TAMBÉM É O QUE PERDEU Eu acredito na mudança da personalidade do céu passando; da hora em que falsos sóis se acendem e eu emito o que as estrelas têm a dizer

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UMA

TODOS VESTIRAM SEUS EUS AO AVESSO DO ALMÁRIO PERDEM-SE NAS CAMADAS DE UMA ÚNICA PERSONALIDADE UMA QUE TAMBÉM SÃO TRÊS; UM P/ CIMA, UMA FUSÃO, COM O INÍCIO RASGADO DEI (Rafael Ramos, Andres [G-três], Milena Lieto)
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PROBLEM Provadora de mudanças Provedora de bonanças Pró-vetora de andanças Professora de crianças Protetora de lanças Prove / Prova Profe / Profa Pronta Sou um Poema escrito de Poeta Remonta... Revolta / Resolva / Remova... Revolva OI?

QI Decidi ver o mundo como nunca o havia deixado Jogo a mente toda para frente parado Costumeiramente atraio justamente aquilo que você pensa; cabe à beça – não resisti – cabeça
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DELIRA NAS MINHAS

Risca
DEPOIS VAI EMBORA, ARRANCA ISSO DE DENTRO DE MIM AS VENTAS, AS TÊMPORAS ESPREMIDAS NADA VIVO; QUERES IR FALANDO NA MINHA PELE, TINTEANDO E TATEANDO E TATUANDO BRONZEIA A MENTE QUE FLORESCE AAAAAAAAAAAAAAAAAAA, AAAA , AA AA, PROCURO UM DEUS EM MEIO À POSSE VIOLENTA DESVESTIDA DAS SAIAS NAS DOBRAS DO CINEMA. Encravo-te, Excalibur, em rocha de celulose, TRAD> TATUO UM POEMA NA FOLHA PAPELE AO VIVO> HUM HUM HUM... NA IMAGÉTICA DE MINHA DOR ERRA NA MINHA ALMA E EU INOCENÇO NA TUA TRADUÇÃO A PALAVRA DO COSMOS AGORA É DISTORÇÃO CONVULSIVO DOS ASTROS FAZ A INTRO E SOBREVIVE NO MEU LADO SEM PINTAR DESMISTIFICO DOS TEUS VÉUS DE CRISTAL LONGO É O CAMINHO CURTO É O OBJETIVO Delirando diante do estado Grito risonando a pele azulada O oxifóbico se desespera ao nascer Tesão.
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Em vez de suspiro, respiro Puxo-te para dentro de mim Absorvo-te em paisagem Condenso em meu mundo Borrada pelo suor Interrompe-me se fores capaz, ou então te entregues a mim Busco plenitude Talvez esse quadro chova algo gostoso de fazer A cada ato impensado uma pichação Na cidade caótica do meu (...) BLAS TODERMIZA-ME A NUCA também OM - e seringas e extrações de minhas próprias falsas consciências Tens a brisa na tinta, assim como um pavão Ensandecendo a cor escura; revolto nas costas de uma tempestade andante A conversão de vida em pensamento Sou desenho sem fronteiras, e não mais pele e DNA Deitado em mãos e aparecendo ao qual existo O choque incestuoso da liberdade ofuscante, que dói aos olhos dos escravos que a veem Água onírica Uma metralhadora enviada dos anjos, atacando os telhados E os rostos machucados pela água salgada ETERNIDADE FUGAZ, (QUANDO MORRER, QUERO SER ENTERRADO DE BRUÇOS) PIXOEMA 2ª demão Visual à vista Nade, epiderme diluída intoxique-me com vogais pigmentadas todas em letra-viva Exteriorizando as costas fechadas (vou ter de dormir de barriga)
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(Rafael Ramos/ Andres [G-três])

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EXPERIÊNCIAS DO CHÃO (Era um palmo até o rosto mais próximo; e o medo em si atirava) Meus olhos sentem preguiça E meu coração se sente gelo Minha vida minimiza Abraçando o escuro dos joelhos Minhas ideias negativas acreditam Meus sentidos no canto ficaram As pernas tripartidas Ouvido e mão se dosaram Meus gritos parede na língua Meu estômago consome zerado A lágrima mergulha de cripta No rosto estorvou significado Minhas veias esquecem a vida Minha sombra escreve de lado Meus pés de frio iluminam Minha pele de apelos casaco Meu sono sustenta o palco Meu dia jantou os favores Minha unha morreu musicando Minhas ferramentas estacionam as dores Meus fios sustentam as nuvens Minhas cores deslizam o cano Meu armário me espera ninguém Meu corpo agosto chorando Meus sentimentos 199 pedindo Minha respiração de costas – partido Meu espelho não diz onde estou Meu revólver molhou corre-dor

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EXPERIÊNCIAS DO CHÃO 2 Um passo fantasma... A luz beija o taco e deita o papel Um pozinho que não sente nem o canto Eu o machuco... Limpando Minha barriga sem ar Um copo escaneado em mim me toma

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EXPERIÊNCIAS DO CHÃO 3 Minhas lágrimas varrem descidas O telhado rente deitou Suas voltas ouviram em sede Dourado de rostos amou A fraqueza assídua malícia Minorias mataram a tensão São catorze de sonho celita O esforço apagou a televisão Minhas costas giram o quadrado O silêncio aponta meu cadarço Minha consciência salgou o prato Minhas paredes sobem para baixo Meu dedo invadiu essa esquina Meus contornos tremeram cansados Meus cílios fecharam apagando Minha voz tonou o descaso Meu sono acordou atrasado Meu dinheiro matou paciente O peixe nadou meu espaço Minha noite murchou o passado Meu cabelo no taco descansa A espiral vira esperança A caneta me tira a lembrança Lembra que o futuro matou a criança Minha estátua correu insanidade O cansaço escreve reset

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QUINTAL Quatro da manhã bipou tragedolência Cérebro pequeno Baixo calão a paciência Os aviões se repetem perfume As flores emolduram o bico O pulmão queima sentado O hotel dorme edifício O amarelo de problemas internos A emoção adiciona a cama A insônia de piercings machuca Sua voz coloriu minha nuca As batidas formigando folhearam As canetas cata-vento de luz As ideias deslizando delas As panelas invadindo azul Polo norte e sul no azulejo O relógio quebrou meu atraso Celofanes de aura marcados

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CAOSTRUÇÃO Pintei meu cabelo de parede Banho de papel ácaro cobriu as partes Pichei sangue na eletricidade Aspirei de novo o novo quando era tarde (e novamente) Abaixei o lá fora alumínio Álcool para deitar e descobrir o antes Todas as voltas revoltam bastante Mãos encapadas de expectorantes (crítico) Afundei a ideia em um quadrado Madeira liquefeita de razão Cantos silenciosos de/u/m branco-árduo À base de ex resolveu-se a situação (mágico) Ficando careca a corrida empoeirada P.o.n.t.o.s. ceg●s – mosquitos de vigilância Spray bi-empregado na constância Documentos limpando o dia a dia (de nada) Pincéis de pelos ensinam o golpe

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MINHAS ILUMINAÇÕES Dei um Sol para cada um quando o Céu caiu em mim... ... vendo o fogo dançar violentamente para não morrer de vento No quarto Cruzeiro do Sul entendi como se pegam estrelas (sem pedir) (Quando a chuva atravessa a pele, dá até para ler pensamentos) Conheci Deus numa noite acesa aqui — acendi, ascendi Queimei o inferno que me fazia apagar Eu me transformei em música, dissolvendo-me no som, com todas as pessoas ao redor dentro de mim Vi as cores da luz... e o universo, no seu olhar Decodifiquei o mundo enquanto os carros iluminavam os passos da minha mente infantil Já escutei o som da frente fria enquanto pendurava astros no varal Larguei o que naturalmente não abre o sutil Diamantei-me do câncer do jornal Estudei o emocional ao não alimentar o calor Descobri o relógio de tempo desigual ao mesmo dividido Tive do anjo... seu segredo/amor Sei que depois de morto, recomeça da vida o infinito

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Observei que se chove ao inverso, da casa para fora... até as rosas choram Assim que me curei, notei que verde posso curar Abri aquele espaço entre mim e o além, depois de salva-la dos que abandonam Soube que o melhor planeta submerso é o se amar De pé esperei os primeiros vórtices (escondido?) acordarem Caí para trás – e demora – ante o gozo da disciplina Multidão e água ouviram sobre o que sabem Minha espinha dançou só na mais forte batida Doei o significado da criança cristal Nu, afundei antes que não pudesse mais nadar Vinte e poucos sem a perda horária da discussão... é normal... Virei poemas e desenhos em plena construção de não se estar Sim! Transmutei orquídea ao falar condutor Espartei em mais de 300 Enxerguei a abertura e o caos de se viver de outros tempos, na semi-paz e no terror Saí do corpo (é o de menos?)

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Participei da batalha dos livros sagrados ao desencanar Plantei pulmões e não dilúvios nos recintos Como um círculo aprendi... ser circular Iggy Pop nos viram Ramoníacos Cinco temporadas gerindo o próprio presídio foi arrependimento – experiência! Depois de criança achei ter visto algo mais raro (da outra margem) Lembrei-me de olho os detalhes da regência A força dos quatro anos de saudade é que deixou idade Joana, eu escrevi certo por linhas tortas... Aguardei e subi a maçã preferida Cheguei atrasado para a classe – revolta Com confiança, a cena por mim foi absolvida Ensinei-me a conclusão que é se expor no planeta areia Avisei dos enganos (escolheram os números) Deixei a flor aberta depois de aceita Acordei enquanto durmo

(continua...
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AURA (explique o fogo) 220 de Dourado à consciência celeste, nuvem de rosa-maneira, (brilham detalhes) arte consumida ou à vontade... o que vejo me imita? Não! O violeta mudou mesmo a verdade! Parte pequena dobrando a esquina Tudo está onde deveria Languescente se faz cinza no adeus Renove a doença da esperança para ter calma Os pelos são a grama e a água conduz a Alma Ele escureceu o ar Fácil chegar perto o Pretódio Amarelou de mágoa, tinha cortina, abra o Sol que cozinha Ondas do vento vertical; Círculos-Íris de jogo Salvou e diamantou (enquanto outros morrem bronze na aparência) Do tamanho que se tem quando se fecha os olhos Se na escada derramou... não soube crescer em inocência Fluente como alongar, o esporte Espírito Do celestial se recebe no olhar direito As cores se consumam ao se deitarem comigo O vermelho pinta a rua toda, não só o meu peito Lâmpada andando apagada Em todos os Ds, os três O inferno é mesmo o “eu” pequeno – escarlate com máscaras de ninguém Atmosfera-pessoa: o mundo respira! As nuvens são invisíveis no céu-mentira A 4ª vive-se; ou, ao menos, entenda... ... a primavera, quer queira ou não, chega!

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Pediu de costas (não há lados nesse dizer) Outros ficam tortos ao pensar Arquétipos de frequências Ação-interferência – luz-guia ao lhe buscar Diminui conforme não suporta Uma hora ausência sendo, um minuto depois salvou cristal adentro Outros se perdem buscando sintetizar a porta Ela espelha a mim, determinada Tão antiga que abarca a vida da sala Inocente, rogou pela doença-cura A cor ao contrário, se não vista, o coração não assusta Intuição não conhece a dimensão-barreira Azul-abraço de quem tem ao seu lado A lente diferente não lhe deixa raro Nem a matéria é verdadeira O mental se rende ao frio esfumaçado, e pesa – concordar não foge à regra O que se fizer a um, é-se em todos Muita mistura estraga o joio Ao dividir, suporta-se a dor... ... mas qual serei? O futuro perguntou... A raiz passada lhe plantou Crescer é suplantar esse “sou” Doze vezes quando se encontram O fraco vivendo junto, ou fica forte, ou sai machucado Do outro lado da rua as cordas tocam Algumas brigas já deixam o laço manchado Vai esquecer quando mudar Se mudar de novo, pode relembrar O supérfluo vem de fora, o de dentro vem comigo Deus se é sentindo
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Ficou o dia dele entre as páginas Na medida-ciclone ao cantar as fúrias O micro e o macro fazem as pazes, mas lembrem-se do ponto (do outro) na figura Implodiu, a pele queima! Fogo-raiva, por dentro não esquenta... A humildade leva ao longe quem a frequenta Autoprisão: refiro-me à soberba “À luz dos mendigos”, já dizia Leonardo Do verde-lodoso, a flor de Lótus renova o cenário O artista emite, quem compra “faz” errado Quem me mostrou como voar foi um pássaro... Estresse-faixa ao seu lado, lhe consomem Explodir também não é o certo do homem O triângulo ensina sobre os afunilados Quando se espalham, deixe a calma assentá-los A egrégora permitirá ou não a sua saciedade Sociedade de se estar aos poucos A natureza é se encontrarem (jardins naquela quarta) Só alguns servirão flores O amor é a verdadeira mágica Perfeição de se querer ter e de se querer dar Entendo de a carne fazer parte (não o abate) Sentido espiritual ao respirar Tudo é o que é! Os polos são o mesmo: Terra e Céu! Você abre as janelas com o que pensa Tormentas ou frutos dependerão da estação Eu O tempo é cíclico várias vezes DNA yin e yang, de aceitação mútua A história é a mesma, mas os dizeres mudam / muda / muda que compreende
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A semente existe em todos os níveis Se a claridade não alcança toda a sala, também não é a sua escuridão que apagará o fósforo É doce olhar seu gosto, onde nem você se experimentou na vinda A casa respira e treme (colocam o neon para pegar a mosca [devoram-na viva]) As crianças são o parâmetro porque elas sabem... O sorriso pode não ser igual ao brilho Educar é mostrar que está tudo errado nessa sociedade O auge é ser igual ao mendigo As estrelas vêm em túneis... e passam de uma simples escolha, pode mudar a dimensão Todos sabem quem é você (lá no fundo) Inconsciente consciente é a realidade da intuição Subatômicas em um dia de sol Se você se cura... consegue curar Já o cigarro, o deixa frio onde morre o ar Perverte a natureza e não valida: o destilar Nenhum espectro é mais importante que o outro... sinto Da lavagem dos pés à despedida da era Mais fácil perceber do que ser centrífuga; descobriu o amigo: Platão e Aristóteles contrapondo-se na medida certa Os monstros são mais difíceis quando não se sabem As mortes mais profundas, quando não se notam “Disciplina é liberdade”, já dizia o do bem Aleister ignorava (?..), mas tudo que vai, volta Não há glória sem luta – a desistência e o ócio não ensinam Fique de olho nos símbolos em volta e nas pequenas coisas do dia a dia Os sinais espirituais são simples e iluminam Rosa e verde, os sentimentos dos que vivenciaram a Vida!

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DEITE NUMA [NUVEM] E PEÇA [SOL] - (todos) Mesmo ensombrado pelo entardecer dos outros, lunado e impermissivo... ... perto de você me lhe sirvo. Mesmo reverso de permanências, fechado e sem começo... ... ao seu lado não esmoreço. Mesmo escondido por entre hojes de vezes mornas, diagnosticado: inseguro... ... no meu abraço eu lhe ajudo. Mesmo sendo planejamento esquecível, adiado e incidental... ... sua vida é o plano, afinal. Mesmo perdendo o porquê de ser no espaço, fátuo e sisudo... ... eu lhe explico o mundo. Mesmo no autofalecimento da ideia, distante e excludente... ... juntos, não ficarei indiferente. Mesmo extático pelo exagero não suportado, saturado e iniludível... ... comigo verá um outro nível. Mesmo precisando ser um pouco mais todos, insuficiente e insular... ... serei quando precisar.
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DEIXO POR VOCÊS MESMOS Desnudei o calor em mim Agora, amassei o papel em que escrevi o frio — queimei-me De um momento que passei, no gélido que esperei, e de repente cantei, e me encantei em uma brisa alucinante, pessoas delirantes Veio o ardor como um presente A nostalgia aquece-me a fronte como uma tocha Saudade das belas imagens que presenciei, rostos que vomitam sentimentos, vontades, ansiedade e pulsação. Bocas abertas entupidas de dentes de todos os tipos e cores Esses olhares me impulsionam para frente; foi nas faces que vi a mágica do mundo E então a torrente de gritos mudos vacilou Explodiram afora insultos brandos, brancos e pretos como um planeta sem flores Por um átimo, percebendo-se apenas Por um instante, o relógio para... Sinto como se ele se agarrasse, segurando os segundos, os centésimos de segundos, para que cada um deles dure eternamente, fazendo com que todas as pessoas notem a beleza ao redor Mas passa; o tempo não consegue resistir à sua própria força devastadora Expandindo a quilômetros daqui mesmo Condensando o lugar à nossa própria existência Com caminhos vazios, propagamos uma realidade, que hoje vai passar de ilusão e renascer no Novo Mundo

(Rafael Ramos, Diego Giusti, Rafael Churai, Andres [G-três], Monge, Gabriela Lipari, Felipe [Lipo], Matias Bigho)

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LEVE Pt 2 Ficamos mais próximos quando perdemos os poucos que estão na Terra Como quando se permeia tudo à sua volta, explodindo vida nelas Domingo — ao abrir o jornal, Pandora se despede até da Esperança Falando de Anjos, ainda não sei se são homens, tampouco, se mulheres, mas com certeza sempre serão crianças! Nenhuma estrela; o Amor inexiste agora Dormir faz você chegar mais rápido Nada há a aprender no primeiro dia de aula, só que o mundo continua sem estar ao seu lado Vamos! Abrace-as todas, pois talvez não haja segunda vez (tão simples olhar dentro dos olhos) Tenho certeza de que ainda assim perdoariam Não pelos motivos, mas sim por quem os fez No fundo somos todos iguais (agora sim... Amém.)

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BRASILEIRO Por que falam apenas em “americanização”? Em português: invadiram Em tupi-guarani: Amõ aé retame teîké (trad.: “invasão”)

MANIFESTO A cidade é uma biblioteca ao ar livre As pessoas são os livros Abra suas páginas

Nota: Amõ aé retame teîké: “entrar na terra de outrem”.
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COMPELIDA Nós temos que refletir nossas próprias almas Copiando-se, escoam algumas enquanto a sociedade roda Diante de mim, acerto e erro conforme meu agora No meu relógio não há números para se perderem as horas

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ESSA PAZ? SAROU? Há olhares para quem não desprende o céu? (pergunta de poeta) A bela agitação da pálida conformidade quer sair ao vento léu... ... não na fresta O Buda da corte sente-se privilegiado de nacos banais (das cores)... ... que caem... da vida... negando amores... Reais Calma sem alma, diria; doente ao subir desencontrado (só... pensou no voar) Meditou e não se soltou pássaro Não, sociedade, não vai sarar.

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ENSIMESMADO Quando o Eu dos demais se consome em vaguidades, e a Máquina do Mundo se perde em dislates, eu me tranco na frase: inutilia truncat Trebelhos inépcios! Não dão xeque-mate MCMLXXXIV como se fosse hoje Temporãs! Hausto de sua sub-re“ce”ptícia imagem À luz das estrelas: Sturm und Drang Embaixo das macieiras: a gravidade De áurea mediana para somenos São apenas nada, soprados pelo mesmo vento Tento achar em mim um locus amoenus Alcandorado! Vivendo dez segundas como se fossem decênios Sonhe saudades imanência decadente Sinta-se como um milhão de dólares (de um sono verde) Minha mente infantil continua a estar Star! Plêiade de ideias: lenitivo o mudar

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VIOLETA CAPUT MORTUUM Terceira parte Faltando ar qual chuvisco acinzentado-televisivo Sinto-me imêmore, esvaecente além-alma Ao modo dessas paredes, que descolorem face ao que sinto, o frio que as frequenta inuma de preto toda a sala Viver eu me perdendo entre flébeis olhos de energia abandonada, por indagações que me abraçam em círculos nessa lúrida paisagem em falta... Retórica essa se fazendo depois explicar os vínculos Uma oitava acima em todos os movimentos Musical em vida, e no saimento; dolências recendendo junto ao Ludwig van do meu réquiem (Post mortem) inexiste, desde antes, o momento Espirais arrecadam o findar; e aos que continuam sendo: você já significou algo para alguém?

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SINGIN’ IN THE RAIN Enquanto molho a música... nada o ar

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O FUTURO MATOU A CRIANÇA Colocam o sexo num Sol de plasticida Nerando a vida Espalham as crianças na internet Sem vestes (Vista) Condicionaram o ar no mundo Gaiola-cumulus Ensacolaram o encontro da libido Super/mercado/pinto Globalizaram o meu tempo na prateleira Dezoitenta Desflorestaram o sentido do futuro.com sumo Câncer disposto logo de manhãzinha Ali cia vi Pró-pagando / propagando / propaganda Usa do a venda Assistir a um televazio Deserto a visão ao vivo Roda no esquerdo caminho De/pré/chão vindo Claridade vide essência O coelho da cartola morreu de más experiências

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ILUSTRADORES / COLABORADORES:
pag. 02 pag. 11 pag. 18 pag. 25 pag. 30 pag. 40 pag. 48 pag. 53 pag. 58 pag. 66 pag. 74 pag. 79 pag. 83 pag. 90 Capa Contracapa Arte final Revisão

Emel – “Circolhar”
emellc.deviantart.com

pag. 87

“Essa paz? Sarou?”

Gabriel Brambatti – “Oráculo multidimensional”
cargocollective.com/gabrielbrambatti

Kiev de Paula – “Scanner Art”

flickr.com/photos/scan-art-rafaelramos-kievdepaula

Dhan – “Deus do Céu x ‛Deus’ da Terra”
dhanlc.carbonmade.com/projects/4642023#1

Monge – “Trincou”

facebook.com/MONGEART.BR / flickr.com/photos/mongejr/

Natas – “O tempo passando”
artwanted/natanaelmendes

Monolho – “Deus… sim…”
flickr.com/photos/monolho/

Alan Costa – “Kurt Cobain” Bruno Shinob – “Senhorita Fêmur” OXá.de Basquiat – “Black Bean Project” Rafael Jukiri – “Viva”
manifestoescritoindigesto.blogspot.com.br / flickr.com/photos/comicsart/ facebook.com/groups/350655695006345/

Firmino – “Sakyamuni Flower” Noise – “Faces da fome”
cafeinegroove.blogspot.com / flickr.com/photos/ton_noise/

Coelhovermelho – “Coelhovermelho” Rafael Ramos – “Céu pintado de chão com anjo-água” Camila Loureiro – “Borboleta na calçada” Heinrich Aikawa / Bruna Maya Gustavo Mugica / Luiz Evaristo Garcia Jr.
myspace.com/gustavomugica / soundcloud.com/gustavomugica 92

(Mais uma vez, agradeço a cada um de vocês por cederem suas obras, que tanto admiro, para que componham poética-imageticamente esse nosso livro). DEDICO TAMBÉM: A capa ao Michel CenaSete e ao Monge, ao qual dedico também a contracapa; (a oportunidade faz o ladrão... ou o artista).
flickr.com/photos/cena7-mpc/ / cena7.art.br “CIRCOLHAR”, “ESPIROLHAR” e “ESSA PAZ? SAROU?” ao

Emel.

meu talentosíssimo amigo

“R ”,

я

a todos que me conheceram (sinta-se livre para escrever o que quiser)

(

TEMPESTADE

Falta em Marte)”,

ao meu melhor amigo Daniel (sua ausência foi sentida).

“sρєcυlυm

sємэηтє lυcє”, à galera e ao meu amigo Felipe Baleiro (Espelho), que me inspirou a dar esse nome ao poema.
“ESTÁ-LO”, ao

parceiro conscientizador de Almas e Luz-guia: Tio Milton.

“ENTRAR NESSA ESTRELA (pré-esquizofrenia)” Rafaelchurai.blogspot.com “ME(-R)CÚRIO 180”, à

e “ESQUIZOFRENIA (trincou)”, ao meu grande amigo de encontros na 4ª dimensão Rafael Churai. Taís, por ter me salvado com um “oi” da, digamos, “catatonia ao Matias Bigho.

vocal”.

“MODELO VIVO” e “FALE IMAGENS”, “PROBLEM”, ao

meu intenso amigo Andres (G-três). do atentado ocorrido na cidade russa de Beslan, em

“LEVE Pt 2”, às crianças

1º de setembro de 2004.
“COMPELIDA”, a

minha amiga Clau (conversa = poema).

... alguns poemas são para minha família... e amigos. Amo vocês!
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http://www.4shared.com/office/ldmUxP7F/EVANESCNCIAS.html Leia também meu primeiro livro com poemas escritos na minha infância/adolescência:

http://www.4shared.com/document/sMwbrwBA/DOS_2_LADOS_DO_CEU_2.html http://pt.scribd.com/doc/88188277/Dos-2-lados-do-Ceu#page=1

EM BREVE, PARA FECHAR A TRILOGIA DE POEMAS, PUBLICAÇÃO DE:

Amantíssimo

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2005: como vice-coordenador de eventos, efetua o primeiro concurso de poemas e contos da FAPSS. 2006: organiza, com a Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul, um concurso de poesias e contos. 2010: publica seu primeiro livro, Dos 2 lados do Céu, de forma independente, com poemas de sua infância e adolescência. 2011: é convidado por Monge (que na época coordenava uma ocupação artística na Faculdade de Santo André − FSA) para expor suas imagens, realizando, assim, a primeira exposição de Scanner Art do Brasil (composta de trabalhos feitos entre 2008 e 2009, com o ator Kiev de Paula). 2012: cria seu próprio selo (f): Coelhovermelho, e, oficialmente, após alguns anos, divulga seu coletivo Do Lodo ao Lótus, com a atividade de doação e apoio às ocupações em São Paulo, onde também participa de saraus. E neste ano 13? Bem-vindo ao seu buraco negro evanescente!
Aubrey D.

rafaelramos_p@hotmail.com facebook.com/RafaelRamosArt rafaelramosp.tumblr.com rafaelramosp.blogspot.com youtube.com/user/RAFAELRAMOS9 cargocollective.com/rafaelramosphotographer flickr.com/photos/scan-art-rafaelramoskievdepaula flickr.com/photos/rafaelramos9 rafaelramos9.deviantart.com picasaweb.google.com/RAFAELRAMOS9 95

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