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SANTA GEMA- CALCANI

... . Moas. Moreschini, cuja opiniáo sóbreos estigmas e suor ¿t sàngue já referimos, fo: tarabea espectador da mística coroaQio de espinhos. E:s o resultado das suás autorizadas observares: . • •• - tTendo sabido, diz ele, que alem dos estigmas o angélica virgern sofría muitas vezes o suplicio da corca- pao de espinhos, propus-me assistir a esta cena de dor, e pcesenceac com os meus oihoa o sangue a correr- lhe da cabera.y ■ Ckeguei à hora desejada e. depois de curia espera, enirci com o P. c Lourengo Agri monti no quarto eni que Gema se tinha retirado alguns momentos antes. Vi-a ' estendida sóirc o leito, jó sem sentidos, e parecendo entregue a um cruel martirio. Esperei mais de ducs horas e mela, mui! o resollido a nao me retirar sem ter verificado o derramamento do sangue. O cora$áo da extática. atormentado por palpitares de violencia inaudita, iev&ntava o cobertor por cima do peito e [azia tremer a cama. Experimcntei sentimentos de dcvo$éo misturados, devo confessa-lo. de terror. Urna hora depois, ou vtm vouco mais, as pa'pita- foes acalmaran c o sangue comegou a rebentar da cabera cm tal abundancia, que o trauesseiro e até os ler.- góis, ficara,m ensopados néle. Em muitos lugares, especialmente na parte superior da fronte, acu mutava-se em grumos. O derramamento parou pelas 11 horas e mera da r.oite. e a jovem. £ji:e tinha até entao alguns ligeiros movimenios. conservou imobilidade completa, até ás tres horas pouco mais ou menos. À respiragao mal se pres -

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' \ • ì . • • - - Ì•4. ¿enfia. O rosiò, òan/iaJo </tim sangue vcmzlho. apresentava ism aspecto cadavérico: fer^se-ia julgado morta." ■ Rettrei-me. Quando a vi de novo ao remper do dia, pelas seis horas. }à levantada e pronta para ir à igreja comur.gzr, o seu rosto tinha retomado as ccrer natarais, cono se a norie tivesse sido'calma e sen so¡rímento>. Muìtos contemplativos gosíaram de se deter, como Santa Teresa, na considerala© duma chaga particular do Redentor, que o Evangelio dei.xcu em siléncio: a do ombro esquerdo, cavada pelo peso da cruz durante o doloroso trajecto do Pretòrio ao Calvàrio. • • ■ Gema ti:iha -a também na sua carne, embora alguns a tenham confundido com as chagas da flagelaqáo. Muito larga, profunda, e sempre a sangrar, era a sede duma viva dor que ebrigava a pobre paciente a andar inclinada déste lado. Desaparecía ao mestr.o tempo cue as outras na sexta -feira à noiie ou. o mais tardar, no «ábado de rr.anhá, com a ciferen^a porém de que a dor cor.cin -jaVa a fazer-se sentir, mais ou menos, por muito tempo. • ' * Esta participado maravilhosa nos diferentes supli cios da Paixào, durava aínda no firn de Fevereiro de 1901. Escrevi eníáo a Gema que implorasse do divino Salva - cor o fim déstes fenómenos externes. A humilde jovem. que tanto tinha desojado o seu desaparedmento e muitas vezes tinha suplicado a Jesús que Iho concedesse, pe- díndo agora com o mérito da obediencia, fei ouvida. Os estigmas das naos, dos pés e do lado nao mais se abriram, excepto urna vez, como ]á contei. As picadc - las dos espinhos persistían sómente a'gum tempo sóbre tòda a cabera, assim como as chag as da flagelado. As dores, porém. iooge de desaparecer, tornaraai -se mais vivas.

O derramamenío de sangue trazia ¿ paciente vi- tima, segundo eia jnesma confessa, UDÌ verdadeiro ali vio. Continuaram, pois, as lágrimas á cair-!he dos oíhos c tocio o corpo tremía quando estas torturas reapa - reciaci. . . : '* Entretanto o Senlior quis proporcionar à sua Serva urna consolalo: à fó:<ja de bater dentro do pcito, o coragáo provocava frequentemente a rotura de algum vaso, cujo sangue afluía.à bòca eai golfadas. À inocente donrela mostrava-se coa isto muito satisfeita. Era um é.xtase ouvia -se exclamar: *Jcsits. de boa vontade Vos daría as rr.inhas Triaos c os ,7iei;s pés. mas nao posso>. Nesce momento, o Senhor para experimentar a sua obediencia mostrava-lhe as màos trsspassadas. como a pedir sangue por sangue. «Mas cu nao posso, Tcpetia Gema; sofro co rn isso, mas a obediencia c prefcrivcl às vitimas >. «Se a uisseis Sexta-[eira Santa, da urna às trés r.orasescrevia-me D. Cecilia. Juíguci que mor ria. Que quantìdade de sangue langoti pe!a bóca! cMe a Jesus, dizia eia, nao posso darVos o sangue das entras partes do meu corpo, mas dou-Vos o sangue do coragào>. ■ .. Resta-me recordar neste momento, para ser completo. como a admirável vitima, depois de terem desaparecido os estigmas sangrentes, participou realmente dos outros tormentos da Paixào: o dislocar dos ossos do Sal vador durante o suplicio da cmciíixáo, a horrivel tensao des seus menbros pregados ao. duro madeiro, a exte - nua^ào de todes os órgàos do Sagrado Corpo, durante . c a. p / r lì ¿ o / a: ' 135t

as très horas da cruel agonia, a s Ide ardente.que O fazia exclamar: Sitio. Segundo a pròpria confissa© .de Gena, e segundo o

testemunho unànime de rauitas pessoas, que rcaravi -' Ihadas observaran neìa estes diferentes fenómenos externos, nada lhe faltou do que c:a preciso para a lezna? urna perfetta imagem de Jesus Crucificado. Coni o fin de abreviar, nao referirei nem estas particularidades nem estes testcnunhos. Igualmente deveria mencionar o martirio interior do cora^ào, que tei certamente o mais incfável de todos os misterios da Paixao. Depois ce ter tomado parte nas dores físicas de Jesus, Gena agonizou era espirito con Èie sòbre o Calvàrio. Disto nos cferece un; exenplo o testemunho, citado acima, de Mons. Moreschini. Mas cono dcscrever eni noss3 pobre linguagem humana estas misteriosas agonías? O peito oíegante da extática, o‘s olhos cavos, os labios descòrados, a cór 1 cadavérica davam délas uma pálida imagen. Assim fo: ouvida, en t6da a sua extensao. a fervo rosa prece que. bem cedo, a vista de Jesús crucificado fiderà brotar co ccra^ao e dos lAbios desta menina amada do Céu; «Ó Jesús, tornai-me scmelhante o Vós; ¡a:ei-me sofrer convosco: nao me poupci’s. Vós sofreís, cu quero so/rer tanikém: Vós o Hornera das dores, cu quero ser a [ilha das dores». Pocemos certamente aplicar a Gema, no seu pleno sentido, as palavras de S. Paulo: «Os que retratan: en sí a verdadeira imagen do Filho de Deus sao os preces -

«O duodécimo fi!ho> da familia Giannini — Urna caria encantadora — Vida de Gema era casa dos seus beníeitores — Apreciantes dos que a iratavam — O seu amor aos pobres
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dia em que o senher e a senhora Giannini voltaram com os seus filhos da sua cura de águas, D. Cecilia, a quem desolava o pensamento de ter que reenviar para a familia a sua querida a Genìa, viu-se apre sobremaneira embarazada.' Nào’podendo conformar-se coa separaqáo. sentou-se diante do irrr.ào e da cunhada e disse -lhes: *Dcus cr.caminhou para aquí o anjo que vedes; nao poderia eia continuar connosco? È verdade que há já onze ¡Unos em casa , mas um a mais nào farà di¡eren$a>. Tranquilizada per urna resposta favorável, a bondosa Scnhora corxeu a casa das tias de Gema para obter délas o consentimento de a conservar como sua pròpria filha. Esta proposta afligiu muito as boas tias a quem parecía bastante curo privarem-se da única consolado do seu lar desolado. Entretanto, reílectindo na gra nde penuria ca familia, na situarán ^

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recolhicnento c da sua voca^áo religiosa, há muito tempo manifesta, a principio autorizaram -na a viver, conforme quisc -sse. t:ra em casa dclas. ora em casa da familia Giannini. Geic3 serviu-se admiràvelmente desta permissáo, sebretudo ñas quintas e sextas -feiras. para ocultar aos seus as grabas prodigiosas já referidas. Finalmente, no mes de Setembro de 1900, depois de muitas tergiversa res, suas tias deram plena satisfago ao desejo dos ben - feitores. e passou definitivamente a viver coro a familia Giannini. Sao ad:n¡rávcis as disposile* da Providencia, ma nifestadas rteste passo da vida de Gema. Encontram -se, é certo, em nossas povoa;óes cristas, viúvas sem filhcs, piedosas senhoras solitarias que. com o fi. TÍ de coridale ou simplesmcnte para consolado e cosnodidade pessea!, adoptara órfazinhas abandonadas. Mas. quem nao julgaria arriscado, temerario c irreá - íizável até o generoso pensamento de admitir Gema em urna familia que contava já onze filhós, todos de tenra idade e habitando urna casa relativamente pequeña? Mais ainda: a que propunham para ser adoptada tinha perdico sua mài, viliinada, jovem ainda, pela tuberculose. Nào seria er.tào temeridade introduzir no melo duma juventude florescente urna cstranha, talvez contaminada? ‘ ’ Mas era està a vontade divina; e aos designios de Deus nao há. diz o apóstolo S. Paulo, nem prudencia, nem conselho. nem obstáculo que se oponha. Coui efeito, as primeiras pfopostas de D. Cecilia foratn acolhidas cen alegría por Mateus Giannini, por
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sua espósa, por todos os seus filhos e pelo venerando P. c Louren^o Agrimonti, que vivía recclhído nesta fami lia, onde era amado como um segundo pai.' Os próprios criados ir.ani/estavam a sua satisfago. « Que Gena se ja benvinda, disseram es piedosos país. Será o

duodécimo filho que o' céu nos dá. Que todos honrem a nossa nova ¡i!ka: respeitem-na os criados e qr.e nada Ihe fsl¡c>, «Será a nossa ¿¿tima irmJ. diziam as mer.inas. e amá-lacmos como urna de ent re r.rís». • . Assim falavam igualmente os rapazes que já eram • crescidos. A chegada de Gema foi pois ura motivo ¿e festa e de alegría para tdda esta afcen^oada familia. A mais vélha das meninas. Aninhas, afeiqoou -se duci modo particular A recém -chegada. Jó, quando se encontraran: as primeiras vez es, em Julho de 1599, estas cuas almas se tinham compreer.dido e ligado com urna amizsde que o tempo nao dcixaria esfriar. • A carta seguirte póe em relevo o carácter desta inti midade. Mandava-a Gema no d:a 7 de Agósto a Aninhas que tinha partido rccenterr.ente com sua familia para as ácuns ce Viareggio. cA Jinha querida Aninhas — Tomando a pena para fular conuosco. veem-me á lembranga as nossas últimas despedidas, com as promessas trocadas entre nos r.esse momento da separado. E como pederíamos esquecé-las? F.u. pelo menos, como o poderia? Nao, isso r.áo me parece possivcl. Só por poucos dias tive o pra:er de conversar convosco, mas essas poucas pa'avras, essas pequeñas conversas de que Jesús era o único essunto

AN T A urna G E MtSo A C AÍGA N/ de'tx&vam-me S na alma viva ¡mpress&o e. permitidme que vo-lo dija, um tal afecto por vós que nao sel como exprímir-mc. <Conh ccctr.c -nos muito tarde ou. pelo menos. muito ¿arde comefou a .nossa amizade. Mas. precisamente por- que comefou tarde. ¿ nos (juúremos aplicar melkor ¿i ama: a Jesús e a amá-h muito. Queremos consagrar* -Ihe o; nos sos mais temos sentimentos. «Querecia que o meu coragüo r So tivesse palpica- gce. t, suspiros, vida senáo pora Jesús: quereria que a minha Hr.gua rao soubesse senao proferir o nomc de Jesús, que os r:c;:s olhos se r?¿o voitesscm se nio par.i Jesús, que a minha pena nao soubesse esc rever senSo de Jesús, e c«c o meu pensa.nento r.áo i'oasse senSo para Jesús, ¿futías re:es procurei sobre a ierro um objecto que pudesse rereber os meus afectos, mas rao encontrei outro digno déles, na térra nsn: no ceu. e!ém do meu Bar.-amado Jesús. <£ntretanio tenho-me cerdido mui tas vezes entre as i

fastidiosas dissipagóes da térra; e como sao numerosos os que se perdem ñas vaidades do mundo! Sáo loncos certamcnte: quznto nüo aproveitariam se pensassem en Jesús! Jesús transformar -lkes-ia o coragáo, os afectos, os sentimenios e os suspiros: e se ex pe rimen tus se m por itm só memento a felicidad e de estar com Jesús, afirmo que rijo quererian t jarr.ais deixá-lo. cE nós, conseguiremos cmfim amar verdadeira- mente u Jesús ? Eu
sobreiudo que nZo cesso de O ofender c que ter.ho a coragem de acrescentar noves espinaos 00 ? da pungente coroa que oprime o seu coragáo, l Jesús! Mas éste Jesús, sabéis como se vinga das

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ftkriliij No cer,t.ro o chcio ia.t;il:af SÌ. Maicu* Giuruiini. iarsnact'jctfo. faleciio d :0 de IvJó. A ¿cesia e co^ar.dolhc a ir.5o r.o coltro- D ,\s:sr.a. sua csp6ss. A diretta desta. D Cesila, irjrsa do Sr. M^cus. ialc:id<i o 23 de Dc:c;n- bro de 1931. Cir.co i.'.has s'o heie re’, giosas.— Eufemia. a $rils:^e cc»i:d*nte <d» Sar.:a. hj>j? Madre Gc.tìs pawiw-i:.*.. er.ccr.i^a-ic :ia 1.* hrJia de cirro cr,:rc sua n-.3i D. lurJr.a c svia ii;i D. Cecilia. Oi 5Òo José {advo^ado), M^rwsr.* ¡proltuo/j, Martirio Irr.eóco). Coilos <r Gabriel !er.$er/nciros). O i.iais rr.i-Jo. a dirciia de seu pa*.. ainda nio era nasc-do quante a Santa ihe vdu ic:nar <o 12.° bga

Desia ai>c::£Oada f.^T.ilia dizia Sar.ia Gena: Vói néles. rncu Deas abcn^v>os ex f -r\*s ir.:eréws r&a!tria :*>.
<MCL DC*J£. coreo hei cc rcconhecer :o.;'o o beai c^u- .r.e ÌAiern... Penici

minkas infidelidades? Mostea-me muitas vezes as suas chagas, as suas rr.áos. donde corre um sangue redenter, o sen Coraçâo consumido por um incèndio de amor, os seus braços abertos para nos estreitar, e diz-me que é todo ultima do seu grande amoc por nós. «Pefo sempre a Jesús que me faça chegar de-pressa ao momento táo de se jad o de entrar num convento; pois sinto que no mundo nos nao encontramos bem, e que de nenhum modo ele nos pode tornar felizes. zPcçO'Vos que nao me esqueçais cm vossas oraçôes aos pés de Jesus Crucificado. Farei o mesmo como puder a vosso respeito. Nacía esperéis, porém, das minhas oraçôes: sâo muito fracas. Esta carta er.contrar-uos-à, eu o dose jo e espero , de boa saûde. Se nâo vos custar, far~ -me-er\s o favor de dar recomendaçoes a vossa mai e de ¡he pedir que se lembre algumas vezes de mim jur.to de ]esu$. <tDesculpai a minka desprezivel escrita , e também o pou'co sentido desta carta; nada sei fazer. Peçamos, oeçamos'todos a Jesus que nos de força de nâo wVermos sehâo para o amar a Èie só . Que apenas vivamos para O amar, e que Bie r.cs conceda a graça de expirar sobre o seu Coraçâo, cm um fervoroso transporte de amor. En~ vio-uos muitas saudades. Orai muito, muito pela pobre Gema». Só a vista desta joven, entâo na idade de 21 anos, inspirava à sua nova familia grande simpatia e nâo ne- r.or admiraçâo. Começaram logo a conhecê -Ia: humilde, dócil, respeitosa. incapaz duma leviandade ou dum capri1<6
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No ocio dos’seus bemfcitorcs nuoca fot motivo de perturbases, de maleen tendidos oú de discussóes. nem con es

criados, ncm com os' filh'os da casa. E todavía, que te ignora a facilídade com que as crianzas, de carác ter. idade e sexo diferentes, encontrad sempre que dizer cxn desabono dunia pessoa estranha admitida cm sua casa, nao como ser»a, mas como comensal e igual? Os factos, porém, a: estáo, e muito recentes; podem-se verificar. . ’ . , • «Posso jurar, atesta a senhora desta casa, nao fer nunca notado cm mir.ha familia. durante es tres anos e oito meses que pessuímos Gema, o menor «nconrcníe/ife que Ihe pudesse ser imputado, como também nenhum deleito noUi m'la: dic/o ncr.kum inconveniente, nenhum deleito, mesmo dos mais leves*. A Serva de D-jus corr.etjava. cm certo modo, um género novo de vida. Por falta de lugar, dormía urnas vezes no cuarto duma das fi)has mais vélhas, outras no ds sua máí adoptiva, Cecilia, a quem caqui por diante chamaremos tia para evitar confusóes. Gema chamava - -Ihc. ccm inefável ternura, sua mamá. Como na casa paterna, Jesús ocupava-lhe a melhcr c a muior parle do cia. De manhá, logo que sua tia despertava. levanta* va -se prontamente, vestia-se em alguns minutos, punha o chapcu e esta va pronta para ir h igreja. Neste momento nao empreendia nenhum trabalho, por urgente que fósse. e abstir.ba -se mesmo de falar. As primicias do dia de vi a en ser para Jesús. Por isso. de acórdo ccm sua tia. que afirwil Ihe seguía sempre o exemplo. eslava a pá antes c!e nascer o dia. quando os ouíres aínda der C A P I T U . L O -X U7 < miam e nenhuma necessidade tinkam dos seus ser vidos. ‘ . la, silenciosa e recolhida. ouvír dúos missas: naja como preparado para a cotr.unhio que nunca otnitia. outra como ac?áo de grabas. De vclta a casa. juntava -se ás meninas mais vélhas e ás criadas para cuidar dos mats novos e faré -!os rezar; depois. ccm

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um pequeño írabalho nas mács. andava per um lado e per outro. per toda a parte oade a sua pre senta podia ser útil. Gena era imiito entendida em bordados e trabalhos delicados desechara. Toda vía nunca déles sequis ocupar; i.sso seria, a seus olhos. vaidade e perda de tempo. Prefe ría remendar, fazer meia. e dar -se a outres trabalhos semelhantes. de modesta aparéncia. mas de muita pacien cia e de mui grande uiilidade em urna familia numerosa. Embora habituada desde a infancia a ser servida por criados, tinha grande predilecto pelos trabalhos milis hurriilces. Via-se tirar água, arrumar os quartos com as criadas, lavar a lotiza e auxiliar a cozinheira. A pedido seu. estava encarregada dos doente s. e bastava ela para atender a todas as suas necesidades. Urna criada da casa, afligida com abcesso.s repu gnantes nas pernas. recebeu também a oferta dos scus servidos e foi tratada com admirável so!icitude. A última das servas náp teria mostrado tanto d esvelo pela mclhor das senheras^ Gema fazia lhe a cama, arrumava -lhe o quarto. e. de joelhos diante cela, curava-lhe as cliagas purulentas. Per único reconhecimenio. esta mulher rude cobria a carinhosa enfermeira de injurias e desprezo s. *Vós

145 SANTA GEMA G A LG AN I Cñusais'Trte horror. )he disse eia um dia, nao quero mais vec-vos junto do meu Icito ». Lor.ge de se agastar eoa ¡sto, a bondosa menina, redebrando de dedicalo, pro curava novos meios de ser agradável à serva ingrata c pouco delicada. Se a deixassem iivre, Gena trabalharia durante o dia toco e sera um momento de descanso. Mas sua tía nao concordava com éste fervor. Ti - nham-r.3 recebido na familia para ser nela urna conso lalo e uro bom exemplo per suas virtudes c santas conversai:. mas de nenhum moco para servir. Por isso, quando se tinha descepen bado da parte que Jhe competía nas ocupacòes comuns, a sua protectora di:ia: €<le:xai egoro. dcixsi repensar a initiha querida Gema»; e cor.duzia -a à sala de trabalho ou ao pàtec da casa. À i, entregando -se a qualqucr ligeiro trabalho de costura ou de meia, estas duas belas a lnna 3 conver sava™ familiarmente schre coisa3 espirituaia. Falavam do amor de Jesus, da comunhao da manna, da festa do dia. A tia aproveitava estes momentos para armar la<;cs inocentes à siraplìcidade da sania e surpreender os segredos ca sua vida interior. No meio dum diálogo animado, apertava-a de súbito com preguntas, e com urna habilidade tal que muitas vezes Gema comunicava ingènuamente as luzes recebidas no divino banquete, as resolu^Ses tomadas, as particularidades dos seus éxtases, etc. Graqas a éste piedoso estratagema, que cu mesmo tinha sugerido, foi-nos possiveí descobrir nuit as particularidades extraordinárias e edificantes que, sem isso, ficarinm para sempre ignoradas. A conversado recome -

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$ava todos os cías em todos os momentos livces, sem nada perder do seu encanto. ' Depois désíes fervorosos colóquios, se a virtuosa senhora se retirava por tempo notável e a vía ha substi tuir outro raembro da familia. Geca aproveiíava o pri - meiro momento propicio para se retirar setn ruido á solidáo do seu quarto ou ao oratorio domestico e ai falar intimament e cora Jesús. Assim passavan os dias estas duas santas almas. Quar.do se pecsn no trabalho excessivo que tinha D. Cecilia con a boa administrado da casa, pregun - ta-se como é que. sen desprezar nenhuma das sua3 numerosas ocupares, ainda encor.trava longos momentos para passar em coc.panSia da sua querida íilha adoptiva. £ verdade que c!a costumava dizer: «Com Gema, repouso. A sua vista re cre/a-me e nao sinto o péso da fñdigo nem o amargo das provagoes. Que cenias, acres- centava. darei a Deus. se nao apesciar o dom que me conceded nesfa angélica menina, e se déle néo tirar pro- veifo para a mir.ha a Una?» D. Justina Giannini escrcvia -cce igualmente: zSóbre a nossa Gema, dir-vos-ei sómer.te que neta o sobrenatural briiha cada día mais: quando olko para cía. pare- ce-me notar em sua fisionomía um nao sei que que nao é diste mundo. Que feticidade viuer com éste anjo! P. im- possivel descrevé-la. Para dizer tudo: é um anjo em carne». Foi éste, até ao fim, o seati raento de tóda a familia. C venerando sacerdote .que era o hóspede querido da familia cepós tambera o seguínte: cComecei a adm:- 160 S A N T A
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i rar. desde o primeiro memento em que a conheci. esta menina táo enriquecida dos dor.s de Deus. Hauia ne¡a, urna extraordinaria e encantadora ingenuidade que servia de contrapeso a urna

inteligencia e perspicácia pouco vulgares. «jVáo pedia abster-me de a observar continuamente. Durante todo o tempo que nos fez compankia. nao notei nela u menor [alta, mas tive sempre ocasiáo de admirar a sua escrupulosa exaciidüo em todos os deveres, urna inteira abnegado da venfade e a práiien de todas as virtudes. «Estas virtudes eram exercidas corn tanto entu siasme. constancia e serenidade de espirito que pareciam tcr -se-lhe tornado naturats . Admirava-me particularmente de SÍ ' J profundo recclhimento e intima uniao rom Deus. A-fesmo no meio das mais distractivas o citpafces domésticas andava ccmo ebsorvida rías coísas divinas. o que de nenhum modo a impedia de se desemoenhar bem do ser. trabalho. A su a admrável oiedade ir radia va de toda a sua pessoa, dos olhos sobretudo, sempre modestamente baixos. Confe sso que, se me sucedía encontré-los {¡cava táo impressionado que nao os podia fixar». O depoíme.nto dcsic bom podre, chcío de outras particularidades, termina'assim: «O bem espiritual que iirci do trato com esta sima privilegiada, so Deus o sabe. A coñsotefáo e alivio que déle k&uri. nao o pode calar o coragáo. pois aínda está e estará sempre sob o encanto de suas maneiras angélicas, que me edificaram mais que nunca na ocasiáo da minha doenga. Fiquei maravilh.ado t.om a delicadeza dos seus cuidados, da sua habilidade

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e da sna solicíiude que tinha alguma coisa de verdade ramente maternal >. ' . •’ Outro eclesiástico rauito dignes, amigo t frecuenta dor da familia Giar.niai, exprime -se do mesmo tacdo. Eis um extracto do seu iéstemunho: • «A modestia e ingenua simpiieidade que reflectia a fisionomía de Gema deixavam-me profundamente im- pressionado. Na o me foi possivcl notar ne!a a mais ¡cve imperfeiga o, em&ora a pudesse observar muiias ve:es e de muito pedo. <iO sen modo de tratar tinha urt: cunho de graga c afabíiidade natucais que eevelavom a belez a duma alma pura. Nunca fixava o rosto do interlocutor; o seu o'har dirigíase para outro lado con: nao sei que expressáo extraordinaria. As sitas patavras eran: raras . poís limitaba-se a responder quando a incerrogavam. «Nunca a ouvi /a/ar de si mesma. Informavam-se da sua fraca saúde? As sitas palabras, medidas , parecía,ti sair-lhe a custo da boca. Eu .eslava convencido que era urna alma midió bsla. de invulgar delicadeza de consciencia c toda inflamada no amor divino; mas nunca teña suspeitado da su a eminente santidades. Gema assistía á reísimo comum da manhá e da tarde, mas, dir-se-ia que. só por pura formalidace. Como apenas algunas on$as de alimento Ihe basiavam. lc -go que tir.ha tornado algumas colheres de sopa. - levanta- va-se da mesa sob qualquer pretexto, ia para a cozinba e na o voltava senao.para tomar mais qualquer bocadinho em companhia da familia. No fim.da refei^áo rctirava -sc ¡mediatamente para o quario, sem tomar parte na' ccn - yersaqao'que de costume se seguia. • •• Nunca ia a passeios, c cono a sua repugnancia por j ¿les «a conhecida, ninguém insistía con ela. . A tarde ia ¿> igreja para receber a bea^ao do SS. ' Sacramento, tanto c:u uso na piedesa cidade de Luca, c só voltava a # horas tardías. Falava tao pouco durante o trabalho e era tal a sua

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discgfoá-Q n 0 interior da casa, que cuasi passava desper - ' cebida. Nunca se ouvJa falar pela casa, nem nuito menos rir. Nunca se via correr ou andar atarefadanente, em - bora o ardor do seu carácter a levasse naturalmente á vivacidade dos movimentos. A chegada duma pessüa estra nha retirava-se logo, tanto para deixar toda a liberdade aos menbros da fa milia, cono para evitar, pela ruga de conversas imitéis, as causas de dissipa<;áo. E neste ponto levou tao longe o escrúpulo, que, depois ce nuiles anos r?.o ccnheda, por assin dize r, nenhum eos freqüer.íadores da casa. Do nesno moco igacrava os incidentes da vica doméstica, c desviava a ateneo logo que éles se tornavan assunto da conversa. Para pór em prática una semeibante reserva é certámenes necessário um interior bem harmonizado , cue somente tenha por norma a virtude e a Deus por fim. Nesta familia verdaderamente crista a cotnpassiva joven experimentava a iniúdo a cor.solaqáo de exercer para com os pobres acuela caridade, de cue lbe vinos dar provas nos dias da abundancia da casa paterna. Via*se n cada instante pedir a sua tia alguns restos da co:inha ern tavor dum indigente. ^6das as vc:es que ouvia bater k porta, julgava ser uro pobre, e se niio abriam prontamente pedia licenza para ir da abrir. Quàsi sempre Gema se incontrava e m presenta duni mendigo. Feliz entao e coutente, como se des- cobrisse um tesouro. mandavamo entrar para ò pàteo, pedia -lhe que se sentisse, corría a procurar algun bom bocado e voltava depressa, toda contente, a oferecé -Io coni mar.eiras encantadoras. Assentava-se a seu lado e, emquanto èie comía, fazia-lhe urna piedosa cxortacao. zOuuistcs hoje missa? Hà quanto tempo vos nao aproximáis dos sacramentes? E a ccagio. fazci-la de manhà c è noi te? Pensáis algumas vezes no qué Jesus sofreí: por nós?

etc.». Depois déste exordio, insinuava suavemente no espirito do pebre salu- tares pensamentos de fé, piedade. resignaqào. E ele, completamente restaurado no corpo e na alma, retira- va-sc contente. A tía, bem ao corrente da industriosa caridade da sua íilha adoptiva, presenceava inuitas vezes, por detrás das persianas duma janela, esta cena enterneccdcra; via o rosto angélico de Gema inflamar-se, animarem-se os seus gestes, todo o sei: ser respirar urr.a afectuosa com - paixáo. E a bondosa Senhora bemdizía por isto ao Senhor. Apanhada algumas vezes em flagrante, a jcvem, envergor.hada, explicava do modo seguirte o seu amor aos miseráveis: «jVüo sea cu 1 tamkém pobre? Jrsus ti- rou-me fua'o. c todavía nao ne deixa ter falta de nada: son até milito ben i tratada. E porque é que eos outros haveria de faltar o necessàrio? » Repisando un dia esta idea, disse com um sentí -

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mento comovenie de huoildade: «O que fazem por mini, devern fazc-lo como a um pobre encontrado no caminho, alias nào ierìam rienhtsm méritos. . Esca sublime delicadeza crista diz assaz qual devi?, .ser o reconh.ecirr.ento de Gema para con', os scus bea - feitores. Simples nas mar.eiras c contrària a elogios, nào sabia quási exprimir por palavras éste recor.hecimento, mas ein certas circunstancias a fisionomia mostrava beo os seatimer.tos do ssu cora<;ào. tMcu Deus, exclamava eia ua dia, julgaado -se só f corno neide recenhccer tc-do o bem que me fazem? ìVem ;.'je5/?;o sei dizecihes obrigada, tào geosseira e ignorante $ou. Pensai Vós r.èles. meu Deus, zbenfoai-os em seus intcrèsses /?i ateríais. Rctriòui-lhes centuplicadamente tantos beneficios* Se ¡hes há-de acontecer alguna desgrana, desviai -a para mim». Na última doca^a, disse alguuias vezes com vos afectuosa a um cu outro membro da familia: < tende paciencia comigo por mais um ponco. ¿erntrar-me-et de vos ¡unto de Jesus . Sim, r.o cea pedice: sempre por vos». É fácil ccmpreender por estas palavras que, a -pe- sar-do amor e des cuidados delicadissimos que a cercava: «. a piedosa menina, recolhida por motivo de cari - dade, sentia ao vivo a baixeza da sua situado « quási <e envergonhava de si mesmal Entretanto, perfettamente resignada com a vontade divina, esperava em paz o cum - primen to des designios da Providencia. - . ’ Sabia tào beni ocultar as suas penas que nunca aia - guém notou esta ferida que trazfa no corará? - *Concen- íro-me cm minha olma, escrevia ao seu director, lá encon-

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t t! esus '' ° J > c - R( > /emirar-me que possuo Jesús. sordo no &r. •, me/o ¿as m/n/tas fáflr/mas. St/n, 51 ni o, sínío que sou /c/iz, vvlV'. -' mesmo no me/o cas deso’acócs*. • TV '5/' As continuas oraqóes desta alma pura pclo3 seus ^•’X. .’• benfeitorss tocavam o cora^áo de Deus c levavao -co a cumulá-lcs de beneficios. *Oh! se soubésseis, escre- via-me CU'.. •:: e!a, como Jesús os protege: abenfoa-os a ío ¿os os instantes e afasia deles a desgrana*. A digna mái desta familia foi acometida por urna •: ' doen<;a muito grave, acompanhaáa ce violentos dores • r.os intestinos. Os médicos faziam iá os prcgnósticos niais pessimistas. Gen;a. levada pela piedade. suplicou cío Senhor que j l. xnudasse para ela estes sofrinientos. Sua pcece foi.ouvida, segundo mo contcu nos seguintes termos: «As dores da ¡ v mái. que vos conlxcceis, tone:-as para mirn; das, ccrcm. r i sáo atrozes. Padre, c nao se i o que será de m/m ». ; ' . De'facto, a mái foi curada, mas a heróica menina sofreu durante loncos meses um cruel martirio. Anjo tutelar dos seus caridosos hospedeiros. Gema deveu-lhes por seu lado ir.uitos beneficios, nesmo r. a ordem espiritual. O Ser -ñor. cm sua sabedoria infinita, tinha-a conduzido para urna familia tao crista a -fim-dc atingir os seus íins misericordiosos sóbre esta alma pri vilegiada. Quería conduzi -la por extraordinarios cami nitos e glorificar-se nela por prodigios exteriores, que ainda nao assinalámos na sua totalidade. Na casa paterna estas manifestares místicas teriam sido mal interpretadas: além disso Gema nao teria encentrado ¿á ninguém capaz de a ccmpreeader. guiar e subtrair as vistas profanas. Ela mesno estava táo con -

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vencida disto, que só o pensamcr.to de lá voltar por un) único día o fazia tremer. Con sua familia adoptiva estava táo bem cu melhor que num mosteiro. Nao tinha visitas mundanas, nao tinha dissipagóes. Todas as p essoas que a cercavam. sem excepíáo. erara de sentirnentos profundamente religiosos. D. Cecilio, que Ihe servia de mái, fácilmente podía com preencer. por sua grande experiencia da vida interior, es segredos desía alma e auxiliá -la poderosamente. Do tada de rara prudencia, conseguía evitar as hísbilhotices e os comentarios que nunca deivam de levantar -se entre o povo em volta eos factos extraordinarios ce ordem sobrenatural. Assi:r.. numa familia numerosa c muiio relacionada, visto entregar -se a o comércio. a santa menina podía viver ignorada do mundo. E es favores com que Deus a cumulou foram conhecidos sóracnte pelos seus confes - sores e directores espirituais. Quem nao ve brilhar aquí a bondade de Deus no cxercicio da suá Providencia? E agora, antes de concluir éste capitulo, nao pede mos deixar de r.os dirigir ¿ ilustre familia que deu a Gema urna hospitalidade táo afectuosa. Com o corado comovido e em neme do Senhor, a quem tinha intenso de honrar pelo exercicio da sua caridadc crista, nós Ihe agradecemos os beneficios prodigalidades á sua serva.

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C A Pí T V L O X I

Director espiritual elcito por Deus — Um drama sublime — Prüuciro contacto de Gem a com o novo director da sua alma — 1 «00-1903 —

grandes provas que se seguiram «l a parida o dos estigmas, tinha o Senhor enviado á sua serva, para a animar e consolar, varios Padres Pa.'sicnistas. entre oetros o P.* Cactaoo e o P.® Pedro Paule. Tinha-lhe feito saber ao mesmo tempo, per pala - vras claras, que um religioso desta congregado viria a ser o seu director. Os primeiros prestararo a Gema um grande auxilio r.as necessidades espirituais da ocasiáo, mas. terminada a sua passageira missáo, retiravaose um após outre, alecres por ‘crern admirado nesta alma de predilecd -o os prodigios da graqa. Os juizos de Deus. diz o Apóstolo, difcreui dos jui zos des hotr.ens. Muitas vezes até encontram -se em flagrante oposito. Para realizar seus akos designios cem - p:az -se o Senhor em utilizar o que nad3 vale, ir.stru - mer.tcs vis c abjectos para que eos oihos dos hemens, claramente Ihe fique a £le toda a glória da ebra reali zada. Desta natureza devia ser o director que Deus reservava á nossa santa.

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SANTA GEMA CALCAN I
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Ela nunca o tinha visto, nunca nir.guém Ihe tinha f alado n£lc. Humanamente nao podía saber que existia no mundo êssc hnnicm. E todavía conhecía -o. em seu carácter, idade e até no seu exterior. fc.ste religioso vivía era Roma. Loc¡o que o Salvador lho raostrou d u ir. modo sob:e naturai e lho desígnou como Pai, Gema, abandonando -se à con fiança ilínitada quz sentía a seu respeito. escreveu - -Ihe urr.a carta de dez páginas que começava assitr.: <:VjTe¡¿ Reverendo Padre. já l\i milito en sentía coi me:: coraçâo um gandí desojo de ros ver e tambem de vos cscrcicr. Pedía no mcu con/essor per.vissée de me corresponder cor.vosco: rccusava-me sempee. No sábado último re nord o pedido e acolheu- o favcrávclmcais com grande sstisfsçSo minha. «Mas no momento enx qtic vos escrevo sinfo -n:e possuida de temor: c sabéis porqué? Tcnho eue vos comunicar coisas muito extraordinarias, de que cerfa- mcr.tc ¡icareis admirado. Ccnfesso-roi, francamente, ienho a cabcça um poitco perturbada: urnas vezes imagino ver. o::tras iulgo cuvir coisas impossíreis. Digo im- posstvets, porque Jesús nunca falou, nunca se rerelcti a almas como a minha. tño ,-jiá».
A qui c onta Ge ma a vis S o cm que Ih e foi mo strado o seu
ROVO

d irector (!)•

(1) Grande humildade a dis‘.c ben Padre Gersiano, qce Intírrocip* o tcx:o da carta no ponto tuais Intéressante, para se esconder a si rr.esrr.o. Ou<;a o teicor cssas íínhas preciosas em que Gc~.i rrlata a v¡s3o que o Sonhor Ihe conccdeu do futuro direc'.or di lu a a!:T2.-,.

< i c c . t t í i (xocrcu-rr.c a (dea de dizer a Jesús que n:e conC A P ¡ T U L' O XI

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Depois, referindc -se aos d¿:s últimos anos, faloú da sua grave docnga. da cura miraculosa, de S. Gabriel, da sua

voca^ao para o estado religioso. Poc último anunciou a futura fundado. Luca, dum mosteiro de religiosas Passiomstas, entrando a ¿ste respc.to nos rnais circunstanciados pormenores cuja per - feita realizado veremos mais aciar.te. A carta, catada de 21 de Janeiro de 1900. termina pela fórmula, de que ela cao des istirá jumáis: «Pefo -vos que ;r;e deis a vossa bér.gño. que me auxiliéis e que peíais pe!* pebre Cay,a». Passado pouco tempo, escreveu cutra de seis pági nas. da qual extraio a seguinte passagem: <Ontem, er.contrar.dcme ern cragiio diente do Santissimo Sacramente, ouvi que me ckamavam, parcceu-tr.e ser Jesús. (Padre, antes de continuar a ler-me. pego-vos a cañdade de ;:i?o me acrcÉÍifarc/es. Nao 3crediteis e/rz nada; escreoo sámente por obediencia, sem isso nao diria urna só paia- vra do que Va i seguirse). «Jesús disse-me: minha [iiha, manda dizer ao Pudre

cedesse ver a V. Pyev.cic. NAO rr.c respondett per crtiâo; mas poucos dia* n\ais (arde pareccu-me, emquar.io cu est ava cm oraçSo, ucr um Pensionista que tambim esfàva crsccc diente de Jésus Sacramen- tùdo. E disse-iïte Jesus: <Vé !d quen è o P.û Germano». Oihci c sabc corno irei Est ¿¡tura um pouco chela, csiava ùjodhzdc, firme c insôvcl, co en ai mSos jcrJos, e parecia-nuy que tir. h« os cabcics mais brar.cos do que prctos>. Qualqucr outro lîria pebllcado estas îinbas. quand» mais u3o fô»i. para dersonsrrar que a sua miis3o junto da Santa era obra divina e que a d!recç9o <1?s'a ;iltr.a eleita Ihe f*ra coaiiada pcìo pròprio Salvador. (Nota co Réviser). 160 SANTA GEMA GALGANI
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que leu co.tfessor se porá de boa voniade en corrcspon~ ciencia con é(e. Faze isto. c o meu desejo.'- — Meu Jesús . compreencioVos; queréis que ó Padre saiba ludo o que me diz respeito... ‘ «/a a continuar, mas pareceu-me que Jesús, se nao era a minka cabcga. me inlerrompeu, dizendo: Para o futuro a minha vontade é esta: que o confessor ¡x>nhn o Padre ao correr.te

de ludo*. E na realidade Monsenhor Voipi sentia -se inspi rado a procurar éste auxilio que, contudo. nao conhecia. Em melhores condiqoes que ninguém para apreciar as raras virtudes ¿esta bor.dosa menina, comprcendia éle a importancia da directo durr.a íal alma e a grandeza da sua responsabilicade. Alguinas vezes, por causa das suas numerosas e era ves ocupaqoes e air.da por humildade, o sabio Pre lado. como já ¿issemos, mandava a sua penitente a outros confessores, cujos consclhos depois pedia (l), O fenómeno da estigmatizaqao. do suor de sangue e <ios ex tases, tornados ir.ui freqiientcs. terminaram por despcrtar -lae multas apreensSes e, emfcora tranq uilizado a principio pelo P.° Caetano e pelo P.* Pedro Paulo, as dúvidas voltavam-lhe por momentos oo espi rito. e o' temer aó cora’sáo. ApróveiCando a ocasiáo. cuma viagem a Roma.

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O ieitor — n5o é ceceiiirio que Iho ’cobre— já ccc.- prceede que eiías

consultas entre o ccoícsscr ordir.ár.o e outres cosfessores de ocasiSo, a-pesar-de cío versaren sóbre raatéria directa da cocfiiaüo. cram cxpreíiamrnt» autorizadas pela pea:fcr.tf. (Nota ¿o Revisor).

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Monsenhor Volpi quis ter una conversa comigo, mas nao nos pudimos encontrar.

No mès de Agósto mar.dou -me convidar, por intermèdio do meu Provincial, para ir a Luca, a -firr.-de proceder ao estudo da serva de Deus. Como por principio sou extremamente dificil cm admitir a aeçâo divina nestes fados extraordinarios, sobretodo quando ¿les se preduzem ex mulhercs. acocse - jhei-o a que nâo se inquietasse eoi excesso e que pusesse simplesmente a sua penitente no caminho ordinàrio seguido pelo comum dos fiéis. Sua Excelencia Rev. r : a escreveu r.ovn mente a dar -me rcrtos esdarecimcntos sóbre estas manifestaçôes extraordinarias. Persisti na rr.inha opiniáo e cheouei até à imprudencia de sugerir ao venerando Bispo a tentativa dos exorcismos. Perante urna tal desconfianza da minha parte, a sua' perplexidade contir.uou a aumentar. Querendo que a minha opinino fòsse bascada em experi encias pessoaís. obteve do meu Provincial urna ordem que me obrigc.i a obedecer aos seus desoíos. Cheguei a Luca no principio do Setembro e diri - gi-me a casa da familia Giannini. Ao ver-me. Gema reccnhcceu -me e saíu-me co encontro com'viva alegría. Confesso que em sua presenta experimentei senti - menios de devoçao e de veneraçâo, como se estivesse diante dum ser celeste. Fomos ajoelhar juntos aos pés do crucifixo co oratòrio doméstico. Gema chorou de alegría e recofchecí - rr.ento para com o Senhor e eu também nao puce conter

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SANTA (JEMA GALGANI as lágrimas. «Mea > Deas, cüs.se en entáo, se a presenta dunx justo
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excica (ais seníimentos

aima, que /ara

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vos&et preserva

na patria dos bem-aveniurados?* Por estas singulares iir.pressóes, o Senhcr prepara - va-rr.e para admirar unía cena maravilhosa que devia afastar do meu espirito, desde logo e para semprc, toda a sombra de cúvida. Era unía quinta-íeira. A meio do jantar. Gema, pressentir.do o éxtase, kvaatou -se da mesa, e retirou -se tranquilamente para o quarto. Pouco depois. D. Cecilia, sua mai adoptiva, chacnou -me; segui-a e encoxitrei a don - cela c::i pleno extase, na ocasiáo c:n que travava ccm a Justina divina urna viva luta, cujo fiui era a coiiversao dura pecador. Ccnícsso que em minha vida nunca ass íiti a uta espectáculo táo comovedor. A estática, sentada ¿obre c seu pobre, leito. volt a va os olhos. o rosto, toda a sua pessoa para o ponto do cuarto era que o Scnhor «e cnccntrava. Comovida, mas sem ngitaqáo. mosira -se resoluta, na atituce duma pes - «oa que discute e que quere vencer a to do o custe. Come- qcu assim: *Já que i ’¡estes, Jesús, pedir -vos-et de novo pelo mcu pecador. £ vosso filho e mea irtr.áo, salrui-o. ó jesús», e nomeou-o. Era uní estrangeiro que cía tinha conhecico em Luco e a quera muitas vezes já, ¿evada por urna inspi - ra;áo intetior. tinha advertido de viva voz e por escrito, que p -uses-íe cm ordem a sua consciencia e nao se con- tentasse co:n a fama de bom crisiáo. de que gozava entre o puvo. Oca jesús. suido ás recomendares da sua serva, fícctdido a tratá lo como just o )u:z. Gema conti C A P Í T i l l l O X I

nuou sem desanimar: «Porgue é auc koje me nao o uvis, ó Jesús! Tanto [izestes por urna só alma e a esta recusáis sah>á-la? Sabai-a, Jesús, salvai-a (5). «Sede bom, Jesús, nao me faleis assim. Na boca de Quem é a tr.esma misericordia, esta palabra Eu o abandono n<7o sóa bem: nao elevéis pronunció-la. Vos dermmastes, sem medida, o vosso sangre pelos pecado-

res. E agora queréis medir a quaniidade eos nos sos pecados? Nao me o uvis? A quen: hei-de cu recorrer entáo? Derramastes o vosso sangue por ¿le. assim como por tnim. uSahais-me a mim. c a é!e nao? Nño me levar,tarci daqiti; salvai -o. Dizei-mc que o salváis. Oferege-u ie como i>Uírna por iodos, mas particularmente por ele. Pro- mcto-Vos que nada Vos hei-de recusar. Daismo? £ urna alma. Pensai r.isso, Jesús, é urna alma que Vos ousfo u muito. Vira a ser boa e /iá -de corrigir-se». Por única resposta, o Senhor coDíinuou a opor a ctvina justi^a. E Gema continuou també: », animando -se cada ve¿ mais: *Eu nao procuro a vossa justiga. mas a vossa misericordia. Por quem sois Jesús, ide ter com ésse pobre pecador, e dai um temo abrago ac sen eoragao. Vereis c::e c íe ¿ c ccr.vcrte. Experimental mcr.os... Oni'i, Je - 52/ 5. Vos. como dizeis, tendes multiplicado os estultos para o ganhur, mas nunca Ihe chamasíes vosso fiiho; experimentai. Dizei-lhe que sois sen pai e que ele e rosse nitura do íxtnsc Jesús deve trr-lfce dito que abaa» denava por unía ver í pecador. Só o.uim se explica o cp.< seguc. fi!l¡o. Veréis. rereis que, a éste docc r,eme de par, o seu corafac endurecido se hi-dc abundar?. Nesta ocasiáo, o Senlicr. para mostrar á sua serva os motivos ■ desta severidade, descobriu - lhe. urna por •.ima. com as mais pequeñas circunstancias de tempo e de lugar, as faltas déste pecador , concluido por dizer que a medida esta va cheia. A pobre menina, q-.ie repetiu em alta voz toda esta confissáo. ficou espantada: es bromos cairam -lhe; soltoi: i:m profundo suspiro, pareccu ter-lhe fúgido toda a espe rarla de vencer. i
(1) Nesta De-repente dissipa-se o se« abatimiento e volta á carca: *Eu sei. cu sci. Jesús, que cíe Vo.v

cfer.deu r:\uilo. mus nao Vos tenho cu ofendido ¿¡inda muís? E n.io obstante, ter.des usado de misericordia para comigo. En sci, ca sei. Jesús, que ¿ie vos fez chorar, mas neste momento .nao de veis persa r nos seus pecados, de reís sim. pensar no vosso sar.gi ¡e derramado. Que kondade i enees tido para comigo! Usa: paca com o meu pecador, eu i’o -h pc$o. das nxesmas delicadezas de amor de que fe- nho sido objecto. Lembrai-Vos, Je rus. que o quero nocen/ Triunfal, triunfal, eu vo-!o pe^o

peía t/ossa caridades.

So A Senhor NTA C SMA GAL G A V/ inflexivel e Gema voltou Entretanto permanecía sempre a cair no mesmo desalentó. Está em silen cio. pareccndo abandonar a luta, qunr.do de súbito brilha no seu espirito um'outro motivo que ;he parece inven - cívcl. Retoma a corager.i e exclama: *Bcm. cu sou «nía pecadora, r:5o poderieis encontrar ninguém peor do que cu. Vós nios.mo n;o dissestes. jVao. r.áo mercfO, confes- íc -o. ;¡Jo merejo que me atendais. Apresento-Vos.

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porèni, cutra ii'.tccccssora: c a uossa pròpria Mai. quc Vos pede em seu /,u>or. Idcs dizer que nao e t--ossa Mai? • Cottamente a eia nelo o podo cois ¡azcc. E agora dizci-mc. Jesus, que o n;c¡t pecador esta salvo*. Desto, vez alcan^ou a vítória. O mise rico rdioso Sc - nher conccccu n gra^a c a cena mudou de aspecto. Con: t:m ar de alegría indescritívcl, Gema cvdamou: <E$tá .salvo, esti¡ ¿Jiro! Vene est es. Jesus, triunfa: sempre fissili*. K saiu do cxtn.se. Éste espectáculo, verdaderamente admirável, tinha durado boa ocia hora. Pa;a o descrecer, iitiltzeí as pró - prias palavras de Gema, reco’.hidas è pena ña ocasiáo ou cuidadosamente confiada. 1 : à minha memòria. Tinha-me retirado para o mcu quarto. entregue a rr.il pensamenti «, quando ouvi bater à porta. Anuncia - ram-me que era um individuo estranilo. Mandei-o entrar. Lan^ou-se a meas pés, chorando, e pediu-me que o confessasse. Meu Deus. qunl náo foi a minha surprésa! Ero c pecador ce Gema, convertido pcucos momentos antes. Acusou -se de todas as faltas reveladas no extase pela serva de Deus, esquèccndo sdir.cnte urr.a, que Ihe pude recordar. Consolei -c, contei-lhc a cena que acabava de se dar e obtive déle aijtoricaqao de publicar estas mara villas do Senhcr.
Uepois de nos te rmo s a bracado, desp edi -o.

Já la va o alguns anos. Mas parece* me ter ainda diante des olhos toda esta cena, táo profunda fei a im - pressao que e!a me causou. À acijao divina mr.nifestavá-se claramente neste conjunto de circunstancias extraordinarias que termina*.’* ram peí?, conversáo dum pecador. Que homem de botn US 5 .-I .V : A G E M A ^ C A l . G i senso pedería ver nisio umj 51’niplcs criacao da fantasía ou o eíeiio duma excítalo nervosa? E quanto ao demònio, beni absurda seria a hipótesc da sua intervengo. A sua missao ó arras!ar alnas ac inferno, nao c levá-las ao arrependimento, sobre ludo pela ferma q-ae acabamos ce ver.

Entretanto, como é prudente formar um juizo deí :- ' nitivo sobre um facto ¡solado, por rr.aravilhoso que seja. pus -me a estudar ccm roaioc cuidado o espirito da serva de Deus. As ni in has cbserva«;Òcs ccntinuaram sera interri: - p<;ào durante tres anos. Auxiliado peías lures ca Teologia Ascética e Mis • íica, e das ciencias fisiológicas modernas, submeti a jc - vem a provas langas e variadas; nào desprerei nenhuma das indicadas para semelhantes cases. e. circunstan cia digna de nota, nenhuma veiu desmentir as minhas primearas impressoes. Monscnhor Volpi moslrou-se muíto satisfeito com o ir.cu trabalho e feliz por me confiar a directo da sua penitente. Gema parecen voltar da morie A vida no dia em que 2he dei a certeza de que as manifestares sobrenaturñis ccm que era favorecida vinham do céu, e que podia s em temor deixa --sc concuzir neste camínho pelo Espirilo Santo. Todavía, ccm o íiip de a htimilhar. preferí tratá -la com severidade até ao firn, morlificuci-a constantemente, mas nem per isso deixou de ser dedicada e cheia de atentóos para ccmigo, chamando-me ate com urna inge - nuTd.ióc infantil, scu papá.

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Àlguraas vezes codificava aroàveìmente o apelido. «■Oh! dizia eia, q:.*e mau papá rae deu Jesus!» O «cu reconhecimento para com Deus que )he tinha. segundo eia juigava. enviado um tal auxiliar, e para com o Seu pobre ministro, cjjos servidos esagerava multo, era sera igual. Escrevia-me utr. dio: «A -feu Padre, infinitamente o brigada por tantos cuidados que tomáis c coni certeza tomareis pela m inha pobre alma. Se conseguirdes sai - var-me, ha veis de ver o que farci por vós. perete. Quando est i ver r,o ceu. atrair-vos'ri a lodo o e usto para ¡unto de uiim». E por cutra vez: «Se soubésseis o ben que me faiem as i'ossaj cartas, as i'ossas exoriatóezinhas!... Estou convencida ce que 3gora me conheceis a fundo. Pedi a jesús por mim, e para que £le vos ¡¡untine a meu res- peito. Em seguida ccnvertei-me. Co.isegui-io-cis, tneu bom Padre? 7'en/io sido sempre tào dura de cora f ño!... Quando a rossa ùltima carta prcvocou en: mim esfa re- flexào. chorei, e choro ainda ao pensar nisio. Viva Jesus!» Como se conclue das palavcas precedentes, esta di- recqáo espiritual fazia-se sobretodo per corresponden cia. Contudo muitas vetes o. Senhor, querendo proporcionar a urna alma que lhe era tào querida urna assis - tència especial, dìspunha os acontecimcntos de mi modo que, sem combinalo da minha parte, ine via cbrigado, per ocasiào duina viagem, a passar pela cidade de Luca. Ccm o consentimento dos meus superiores, ia a casa da familia Giannini, onde tinha tóda a facilidad© em prover às necessidades espirituais da sania menina e em continuar de porto as minhas observares.

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SANTA GEMA GALCANI

Na verdade cru-r/.c agradável cjuiar urca alma too virtuoso. íüo desprendida de espirito e de coraqao de tódas as coisas ca térra e aínda mais de si mesma: humilde, d6cíl, afectuosa; íao pronta para o sacrificio, táo cheia de f¿ e de amor divino, e ao rnesno tempo ce maneiras tao «aturáis e espontáneas que difícilmente a distincuirícís, soh este ponto Ce vista, de qualquer cutre don reía. Nao c acui ocas¡3o de descrever as suas raras qua - lídaces. Só direi que as conversas e o aumento de tra ba lho exigidos pelo dever ce activar de cada vez mais os progre.ssos cesta mirihy rilh.a espiritual para a perfei - qao, e a saa correspondencia aos impulsos da c:a;a. nao me causavym nem aborrecí ni en io, neai cansado, mas um
verdade iro r>ra ;c r.
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Podía estar loncas horas a discorrer com ola sobre ccisas divinas, sen notar a demora. A su a palavca, posto que breve e parecendo saic-lhe com dificuldade des la bios. traz;a dz tal modo o cur.ho do bem senso. justeza e un$ao celeste que era um encanto ouvi-la. Menos lacónica na corresponden cia, sen ¿ávida porque a ausencia de interlocutor aíenuava a grar.de repugnancia que tir.ha era falac de si. escrevia carias bastante longos, sen se preocupar com a arte, mas sob a inspíralo da su a afina, ou nesmo do espirito de Deas. A-pesar-disso. a red acqáo nada de i xa a desejar. Gema dirigia-as a principio ao seu confessor, cepois diriciu -as tambén e com mais freqüénda e abandono ao seu novo director. Eu conservava-as cuidadbsamerüe, confrontava -as unas con outras, as recentes com as anticas, e de cada

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vez me convencí « mais da rcáJidade da acqáo divina nesta bela almo e des scus progressos de gigante no caminho cía santidade. Qua titas veres ao Ic -las, encantado e enternecido até as lágrimas, me surpreendi elevando as mács ao céu para apresentar ao Senhor estas páginas admiráveis, fruto da sua divina graqa. Nao sei por que motivo me arroguei neste capitulo o título de novo director de Gema. Diga o qu e disser a serva de Deus, nao o acho exacto. O seu confessoc e director, desde os primeiros anos até á mocte, fes sempre o Senhor Bispo. D. Joao Volpi, a quem simplesmente serví de auxiliar. Eu tinha rr.ais vacar e n?.o estava, como Sua Excelencia Rev. n a , obrigado. em virtude da sua alta posi^áo na hierarquia eclesiástica, a urna reserva que recava pda desconfiarla e. direi mesnio. pelo cesprézo. De resto, o verdadeiro director de Gema, era o Espirito Santo, que se compra: em torr.ar o govérno ¿me diato ce certas almas privilegiadas: era o seu divino Esposo, }esus. era a sua Mái celeste, o seu Anjo da Guarda, como veremos mais adiante. Pelo que me diz respeita, um facto permanece indu^ bitável: do mcu contacto espiritual com a serva de Deus obtive ber.s inaprecááveis. Sentí reavivar -se em minha alma a fé, o desejo das coisas celestes, o amor da virtude. Infinitas graqas Vos sejam dadas, ó Jesús, que, poc me ios sempre admiráveis. providenciáis ao bem das almas que sámente ten a aspirado de Ves agradar.

Fei^áo característica da santidadc de. Gema

LE M

do espirito essencia! da santidade. comum
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iodos os justes. Ká mn espirito particular, o i óprio de cada uni deles. O primeiro consiste na posse de todas as virtudes ensinadas por Jesus, protòtipo de tòdn a santidade. O segundo consiste na proíissáo especial cesta ou diquela virtude, que ó como que a vicia e alma de todas as outras e constitue a iìsio - noruia pessoal de cada santo. Gema trabalhou infaticávelpientc, desde os mais tenros anos, pela aquisiqào de Lòdas as virtudes, chetando a possuilas era grau tào eminente que se torna difícil discernir qual délas e a principal. Urna há contudo que eia coni particular carinho pratico« e que é, podemos direr. a sua virtude característica. Mar.ifestava-se no exterior, embelerava os seus actos e conquistava-Ihe todos cs coraqóes. Fci a simpli - cidade evangelica. Nào será. pois, inútil que se faqa conhecer e admi -

SANTA GEMA CALCAN! rar sob todos os scus aspectos una qualidnde táo rara. Que importa que ° mundo a tenha cm táo pouca estima? Dcus tem-na cm táo alto apreso que todo o seu cor<t{Áo está inclinado para aqueles que caminham na sin:pl:cidade. Rcserva-lhcs as suas mais íntimas comuni cares. Se eos nao /izccdes como crianfas. diz £lc no Evangelho. rao entrareis no reino dos ccits. Esta comparado expresiva dá o verdadeiro sen tido da simplicidade criará, leva o homcr» a farer rcr virtude o que a crianca fa: por natur^ra. afastando a sua alma de tóela a dobrc 2 ou cálculo egoísta e infor - mando tóelas as suas facilidades da perfeita rectidáo. porque esta virtude. no direr de Santo Tomás de Aquino. c fruto de verdade e de modestia. Ora. Gema possuiu -n num grau extraordinario c soh urna forma completamente nova. Era simples no pensa: c incapa: de formar qual - quer juízo pelo que visse ou ouvisse. O seu espirito, sempre voltado pora Deus. clescobria néle o verdadeiro valor moral das coisas: a sua bondade ou mali cia, útil i- dade cu nocividade. Era como um crista! muito puro cm que tudo se podia reí Icccir sem dcixar a menor impressáo e sem nunca turvar a sua admirável transparencia. Por isso Gema 9 ora va urna inalterável paz c perpétua sere - nidade. Esta amável virtude transparecia no seu exterior, o qua), tange de inspirar temor reverencial, atraía pelo contrario e arrebatava os corajes. cnchendo -os de sencimentos ce veneraqáo e de doce cosfianqa. Depois dumá curta conversa com cía, diría certo prelado: <Eu nao

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tinha nenhuma dificuldade en: Jazcr a minha ConftssSo gcral a esta menina c en: lhe confiar os nais íntimos segredos da minha consciencia, f Jo grande c a confianza que me inspira a car.d::ra da su a alma*. De-facto. muitas pessoas. encantadas por esse sem blante de angélica ingcr.uidade. vinhan tratar con cía os mais delicados ncgócios da sua alca. Gema ouvia mo destamente. dava cm poucas palavras a resposta. acrcs centava, sendo preciso, urna exerta^ao. e cr.trava ¡'me diatamente em si para nao nais pensar r.o objecto da confidencia. Tenia que. misturándole ideas cstranhas con es pensanentos celestes, de que sónicnte quetia ocupar -se. fesse alterada a sixr.pHcidade da sua alna. Tentei pee nais C’je urna ve:, con o fin de a expe rimentar sobre este ponto. fa:er derivar a conversa para assunios que já llic nao dizian respeito. Era inútil. <Náo esqueci. meu Padre, interronpia ela. 'de pedir a jesús per ésse in¡ciiz...: dei-lhe grabas pelos bor.s resultados desse negocio ...; nao pensó mais nisso>. Era igualmente incapaz. en sua ingenuídade. de fornor un mau cor.ccito do próximo, r.áo obstante as aparéncias e os factos. Em virtudc desta rectidáo e can - dura. nunca teve pensanentos de vanglórsa. O demonio nao conseguiu surpreendc -la. a-pesar-da sua Habilidade en Ihe fazor passa: insidiosamente per diante des oJhos os «eus méritos e boas qua’.idades. O est esi. non non do Evar.gelho eran a regra da sua condul a. Os louvores desagradavan sen dúvida h sua profunda humildade, mas de nenhun nodo a perturbavam, ceno r.en os desprezos e ?.s injurias, porque o’hava con a mesma serenidade para uns e para outros, exactamente cocio as criancínhas. cuja inocencia e sirap licidade nao sabe fazer

SANTA GEMA G ALGA. NI t caso co que tanto atormenta 00 pobres moríais. Tal era o espirito e o corado desta ponba inocente.
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Ordcm perfeita. serenidade, franqueza, candura. Era utn cora^ào táo puro que pertencia todo a todos, mas em Deus. Era crata para com as pessoas que Ihe testem:: - r.havam afecto, e nao sabia querer nial ás que a olhavam com maus olhos. Nada desejava. nada procurava e com nada se perturbava. Durante as horrivcis vexagóes com que quàsi de continuo era atormentada pelos demónios. só o ccir. or de ofencer a Deus a afligía: e. se nào fóra a obriga^Sc de as revelar, o seu pròprio director té-las-ia ignorado; tal era o desejo que tinha de ocultar os seus sofrimcntos. Muitas vezes íoi injuriada públicamente, mesmo na i¿ 3reja onde ia confessar -se. e pouco falícu para que cer tas personagens embatinadas, impertinentes c ociosas a cxpulsassem cío lugar sagrado. Calava -sc e a ninguém falava do incidente. Pira assim que o Cordeiro Divino subía em silencio para o Calvario, sem rneómo abrir a boca para di zer as suas dores, sem voltar o rosto para quem o ultrajava. Se. como diz o Salvador, c da abundancia do cora rás que falam os labios, podemos afirmar que umn de3: - cada siciplicidade de corado era a inspiradora de todas as pa’avras de Gema. Como nunca pensava mal de nin- guám. nunca falava dos defeitos alheios. Diz urna testemunha que erain precisas tenazes para C A P I T U L O X I I 177
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Ihe arrancar o que eia conhecM de repreensivel nos outros. quando se tornava necessàrio cu útil sabé-lo. . H com o seu pròprio director procedía do mesnio nodo. Interrogada por Ole, a caridosa menina referia -se iao vagamente ao facto. que era difícil comprecndé -!a. e quando

respondía por escrito, usava de reticencias, como quem diz: entenda o cesto, e passava ràpidamente a outro a ssunto. r , A<r¿ Que disenso. rnaior ainda, quando tornava a iniciativa de dcscobrir ao seu pai espiritual a irregularidade da conduta de outrem! «rflfeu Pii. Fu/ano ou Fulana jà nào segue o

caminho que Jesus desoja, escrcvei-lhe a dizee que se emende*. E depois, reticencias.
Para fazer urna comunicalo qualquer. nunca Gema usava de preámbulos, nuitas vezes supérfluos, mas algumas vezes aconsclhadcs pelas conveniencias; era a seus olhos urna perda de tempo e às vezes un artificio ou para dissimular alguma cc isa, ou para dar urna sur - prèsa ao interessado.. Entrava bruscamente no assunto, qualquer que fesse a dignidad« das pes'oas, a nao ser que considé renos como exordios certas fórmulas ^e inefável simpli - cidade ccm qus come^ava nuitas das suas cartas. «S e - nhor, dignai-vos

atender-me*. «¿Víca bom Padre, vina Jesús! Eis una coisa interessante que ucu dizer s e cutras frases semelhantes que
agradam certamente mais a uaj homem de senso que todas as cerim6nias afectadas do estilo hodierno. Na correspondencia com o seu director, sabendo a quen se dirigía. Gena nào punha nenhum cuidado no modo de se exprimir, e pouco lhe importava que a carta

SANTA GEMA GALGAN1 redundasse en SCM Jouvor ou eoi sua humilhacáo. Terminada. sobrescritava-a sem a 1er, e nao pensava mais no
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que tinha escrito. Quando nao possuia urna fólha inteira de papel de carta, servia -se de meia fólha e. c:n caso de necessidadc, do primeiro pedazo de papel que Ihe aparecesse (I). Só urna vez me lembra de cía ¿pre sentar desculpas. Nao cncontrar.dc quem Ihc desse o sélo, enviou -riie una carta urgente sem franquía. «Qucjtj ssbe, dizia en pcstscriptum, o que dirá V . Rcv.' quando tit'cr de pagr.r a sobccuixa? Mus perdoai-mc. son pobre, pobre, nao ten he ríc/.’t um rea:*. Condimentadas com táo amável ingenuídade estas negligencias nao podíate desagradar. Todavía a bondosa menina dcixava -se levar muitas veres demasiadamente pelo instinto da sua beía alma, expondo-se déste ir.cdo a algur.s leves inconvenientes. Tinha entáo de esgetar todos os argumentos quem qui - sesse farer-lhe ver a imprudencia duras cega confianza era toda a gente, e a razáo de ser das queixas acerbas c.ue provocava. Supor.do em todos urna cancura sene - lhante á sua, julgava poder coníiar en todos. Se alguém c-Sra aspereza de palavras lhe íazia sen tir o seu desprézo. nao quería ver nelas urna explosác - de cólera ou de qualquer paixáo desordenada, mas apenas urna sugestao diabólica permitida por Deus para a humi llar. e loco íicava em paz.
(Jj Mv:i:o hcin Éste é-vont&dc r.a cocía santa, que i ua rt'tra'.o espontáneo ¿t¡ su?, ¿mí si.np’.es. Mas ordioiriarr.entc r.5o é para ser lir.isodo. O que nuxa airea é virtud*, neutra será cesleixo ©u ejeesso de fatr.ilinridadt- (Notó do Revisor).

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Todavía j& vimos quanto Gema estava longe de ser desprovida de espirito ou de inteligencia; mas procedía déste nodo, porque se tinha feitc crianza po r virtude, por amor do scu Deus.

179 Sendo a admirável simplicidade dcsta virgenzinha fruto da su3 virtude, n5o é de admirar que cía (ranspa - recesse em lude e per tudo. Simplicidadc no scu porte e ñas suas maneíras. simplicidad?, no venido que usava — pode dizer-se que nenhum tinha de seu — , simplici - dade em tudo. Kan quis nunca en seus vestidos nada ce supérfi jo. Neste por.to interpretava a palavra simplicidadc coir. todo o rigor, significando a exclusáo ce tudo o que nao fósse inteiramente nccessário. Bastava olhá-la para se ficar possusdo ele admira do. Nada de singular ou afectado no seu porte, c, se nr.o íesse aquel a gravidade digna que era efeito da sua continua uniáo com Deus, qualquer a tomaría per urna don:e!a vulgar. Na igre« 2. onde passava loncas horas em ora;áo ao pé do Tabernáculo, pcrmanccia imóvel como urna esta tua, nao deixando transpirar nada dos sentimentos de sua alma: nem um suspiro, nem urna só aíitude diferente do comum das pessoas piedosas. Se os ardores da sua alma Ihe fariam derramar lágrimas, cobria inmediatamente ccm ambas as rnács o rosto, suavemente inclinado sobre o peito. • x Em suma, a simplicidade evangélica brilhava en toda a sua pessea e cir. todas as suas virtudes, das quass era a forma e, pode dizer -sc, o doce condimento/ Pode -

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• + mos pois concluir que essa simplicidad « constitue o espirito pròprio c a característica desta nova espòsa de Cristo. ' Urna quaSidade tao acmirávet nao dava semente encanto às virtudes que cativam os olhares e a admiraqào dos homens, mas. como tinha as suas raizes no coraqao e no espirito de Gema, nao podía deixar de a seguir nos caminhos sublimes da contemplalo mística a que Deus se dignou elevàla. Eatrou r.estes caminhcs misteriosos, sendo crianza por espirito, como o era por idade, c assira ficou sempre. Fci como crianza que tratou com a Majes - tade divina, da qu al recebeu inefáveis segredos e sabo - rcou mdizívcis do<juras. É esta, sinceramente o confesso, a maravilha que mais admirei sempre em Gema. Eis o argumento mais convincente que. logo no principio, me Ievou a dar urna opiniáo favorável sobre o scu espirito de. santidade. Refi - ro*mc a essa espontaneidade, a esse natural desprer.di - mento que se manifestava até ñas mais sublimes trans figurares da sua vida sobrenatural. Os altos misterios da fé e da mística sao tais, que, já por sua natureza, nos deixam estupefactos. Aqueles nesmo que tem um grande conhecimento experimental desses mistérios, nao conseguem nunca habituar -se a ¿les por completo; e é com profundo respeito e temor, com esperanza c amor, que reccbem as ccncesccndentes comunicares de Jesús. Nao acontecía assim com Gema. Para eia a fé parecía r.ao ser mais a fé, mas a propria evidencia; nos scus mistérios mais ocultos encontrava-se à vontade e como cm seu mcio natural. Para sentir o espirito e o cora C A P I T U L O X 1 1 r

181 <;áo suavemente penetrados destas grandes verdades, nenhum esfórqo necessitava'de fazer. Dcus. a Humanidade santa do Verbo. Jesus -Eucarístico, os Ar.jos c os Santos do céu, sao interlocutores a quem fala corr. franqueza, a cujos pés se humilha, que adora, suplica, diante dos quais chora, como se os esti vesse contemplando face a face. E assim acontecía, nao só durante os extases. durante es arrebatamentos. e as mais vivas iluminaqoes da contemplado. mas tamben: dum nodo por assim dizer habitual c até na mai s ero- funda aridez espiritual. Deve cor.fessar que tive utn dia urna dúvida: pare - ciamc demasiada a luz desta evidencia. Mas de-p:essa se dissipou essa dúvida. Tcndo no tado a minha hesitado. Gema deu -me conta de algumas das suas mais altas comunicaos c om a Divindade e terminou pelas seguintes palavras. que valem, a meu ver, uma teología: «£ cértamcnte o paraíso sobre a térra. Mas cu aspiro ao próprio

paraíso, porque. meu Pai. se neste inundo vejo a Jesús, nao O vejo inteiramente. Nao se di a contemplar por completo, cnxbora o que me deixa entrever ultrapasse tudo o que se pode imaginar. E cu quero ccntempiá-lO inteiramente».
E nisto está o mérito da fé que permanece intacto com o desejo ardente dos bens futuros, mesmo no meio duma táo grande evidencia e tao íntima familia - ridade. Tanto quanto é permitido a uma criatura humana, Gena aproxirr.a-se de Deus, sem que a deslumbre a Majcstade infinita. Fa!a-lhe com o abandono e a confianza com que u : n a menina fala a seu pal, que com tóda a naturalidade a tcm scntnda sobre os joeihos. Sem en nada faltar á reverencia que I.he é devida, a sania menina conserva, ñas suas conversas com o Cria - cor.

182 SANTA GEMA GALGAN1 a mesma simplicidade, a mes nía ingenuidade de naneiras que usa com as criaturas. Para dar disto urna idea completa, seria preciso reproduzir os longos colo quios dos seus éxtases e contemplares, felizmente con servados. Destaquemos "apenas algumas línhas duma reíagáo de consciencia destinada ao scu director: «Sexta- -feíra Jesús dcíxou-se ver a mim: desta vez estaca multo serio, parecía chorar, e cu dtssc-lhe: Que tendes, Jesús, pan chorar assitn? Nao sería melhoe deixar~mc chorar, a :nim que sinto tanto descjo de o fazer? Jesús porém nao me respondía; e entáo cu, afastandou íe suavemente aproxímeí-me da Mái ceíesfe e prcguntei-lhe: que ten Jesús para chocar tanto? e que podereí cu [azer para O consolar?» Emquanto Gema procedía assim com tanta car.dura.

o Senhor elevava -a, pela infusao de -luzes sobrenatural, até h compreensao dos misterios da sua Justina e miseri cordia no governo do mundo, e do seu infinito amor ás almas. A presenta visivel do Anjo da Guarda era para Gema o que havia de ma:s natural. Falava -lhe do mestno modo que a qualquer pessoa amiga, encarregava -o continuamente de missóes para os habitantes do céu c para os da terra. com um respéito certamente muito humilde. l 2 ' s s c hc¡o de afectuosa familiaridade. E se, emquanto con \crsavain. a fóssem chamar, ou cía tivesse de ir para

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qualquer ocupado urgcnte.partia sem demora; e, sem qualquer atcn^ao. corría ao seu dcvcr, deíxando o Anjo á espera. A noitc. quando se ceitava, pedia ao mestno An;o Ihe fizesse o sinal da cruz na fronte e velasse á sua cabeceira. Assim ern seguranza c sem mais una pala - vra, voltava-se para o outro lado e adormecía. Que delicioso deve ser o seno da alma que os Arijos protegem. vísivelmente presentes! De manhá. ao levantar, se o celeste guardador estava aínda no seu posto. quási nao o! ha va para é;c. (¿o grande era a ansia que sentía de i¡: logo para a igreja receber o seu Bem -Amado, cuja lenibran$a a ocupara durante quási toda a no i te. «Agora prcocupo-mc corr, um bem muito maioc do que vó$. cizia ao Anjo; veu a Jcs:is>; e partía sem demora. Quando o Anjo cm seguida, com urna gra^a ínefá vel, fazia as suas despedidas. Gema respondia -lhe habi tualmente: *Aésus, querido anjo, saüda: a Jesús por mim*. • Todas as semanas, durante muitos anos, se reno vavam as mist eriosas chagas dos estigmas. Durante a noite de quinta para sexta -feíra participava da Paixáo do Salvador e sofría dores a t reres, de que parecía dcvcr niorrer. A-pesar-disso, terminado o éxtase, Gema levan tava-se. como se nada tivesse acontecido, lavav a as máos e a cabera para fazer desaparecer tedo o vestig.o do sangue que tinha corrido abundantemente, estendia as mangas para cobrir as grandes cicatrizes das maos c, julgando nao ter sido vista por ninguém. voltava, calma • e serena, para entre as pesso as da familia. E, o que mais admira, é que unía mulhcr, urna don * reía, objecto de fenómenos tao extiaordinárics, nao se

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SANTA GEMA GALGANI detcaha a preguntar a si mesna: «Mas que é isto? Será bon: cu man símil? Unta operagáo divina ou un: engaño de Satanás?» A sea profunda humildade sugeria-lhe algum temor, sobretudo ao ver a admiraqáo dos outros; entretanto, abanconando -se a Deus e ao juízo dos seus directores espirituais, ficava tranqü:|a c sem cuidado de se informar. Depois de ter visto face a face a Jesús Crucificado, sofrido com £íe e contemplado os grandes misterios da Rcdcnqáo, encontrava -sc perfeitamente disposta, logo depois de retomar os sentidos, a presidir aos divertimen tos das crianzas da casa. ' Muflas veres rccebia durante o extase. para si ou para os outros, avisos sobre tal coisa a fazer ou a evitar. Apressava-sc o dizé-lo so seu director, «Jesús disse isto, aquilo, e ordcncu-me que vo-lo ccmunicasse. Sc com- prccndi mal. [azci que £lc o explique mclhor por si pro- pr:o> e n3o pensava mais nisso. Se a mesma comunicado se repetía cir.co, ¿cz veres mais. Gema voltava a r.:anifcstá -la ao seu dirccicr com igual tranqiiilidadc e candura. lembrando o proceder de Samuel com o Sacerdote Heli: «/esus disse iste. Ouvl-O, Padre, c fazci-lhe a voníade». Para dar urna idea completa da candura desta alma virginal, see me-ia preciso transcrever todas as cartas c todos os coloquios eos seus extases. que sao uin verda dero tecido de pensamentos sublimé expressos cm pala- r J S ¡ngfr.uas. Ao lé-!os r.áo podemos deixar de exclamar: a «r.f¡cat.a simplicidaáe. quáo rara te tornaste no mundo!

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Desprendimento heroico e completo

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'ir upes ni:ni, diz Jesus, renuncie a mesmo. tome a sua cruz e siga-mt. Seguir sus. 6 entrar no caminho da santidade, re - vestirse do homem celeste e perfeito, que é o pròprio Deus Encarnado. É, pois, despojar-sc do homem vélho, do homem 'da naturerà, que e terrestre e vicioso, renunciar às suas inclínales desordenadas e resistir-lhe por urna luta continua. Unía empresa destas, para ser coroaca de è.vito. exige um desprer.dimento absoluto das criaturas, sobre todo de nós mesmos, urna mortificalo assidua, urna humildnde profunda, urna generosidade de alma e grande coragem na prova c no «efrimento. Estes sáo os me ios c¿uc conduzem os raros escolhidos à perfei^ào evangélica; e os maiores sontos sao aqueles que mais se assinalaram em os por em pràtica. Desde a mais tenra infancia, conceoeu Gema o desej'o de imitar a Jesús o melhor pos sí ve 1 e compreendeu

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perfectamente quais ernm os meios indispensáveis para ísso. Táo bem os pós em prática, que merece ser colo cada ao lado das grandes heroínas da viríude, mais em honra na Igreja. Consideremos em prirr.eiro lugar o seu desprer.di - mcnto. É sempre difícil, para urna rapariga que vive no meio do mundo, renunciar á vaidadezinha do s adornos. A na - tureza inclina táo fortemente o sexo fraco para o desejo de se mostrar c de agradar que, scm uní auxilio ir.uito especial do c¿u. rarisslma seria a que nao se deixasse arrastar po: essa tendencia. Cedo concedeu o Senhor a Gema esta graqa e special, sobretudo depois da severa advertencia do seu Anjo da Guarda, referida no capí tulo IV. Desde ésse momento abandonou todos os adornos; e o seu modo de vestir era dos mais simples: urna saia de ]á preta, com um mantelete do mesmo tecido e da mesma cor. e um chapéu de palha igualmente preto. Nada de punhos nos pulsos, nada de colares no pescogo. nem de arrecadas ñas orelhas. nem broches ou alfinetes de adorno ao peito, nem flores ou fitas no chapéu. Em váo a censurava sua familia por essa austeri - dade de trajo. E éste foi o único vestuario de Gema até á sua morte, no invernó como no veráo, nos dias ordina rios e nos dias de festa; nunca aceitou outro. Os restantes cbjcctos do seu uso eram no mesmo estilo. Lima tósca mala de madeira, encerrando alguma roupa branca, um crucifixo, um tér^o, dois ou tres livri - nhos de piedade e a estatueta da Virgem das Dores

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eram todo o haver desía candidísima virgesn. Ncnhum desses obj'ectozinhos de fantasía, de que ainda os mais indigentes nao cstño desprovídes. ¿Nada tenho, dizia ela graciosamente, sou pobre. pobre por amor Je Jesús*. • Desfazia-se com prontidáo até das inagens de pie - dade. scn:indo-se tanto mais h vontade. quanto mais des pojada estava de tudo o que Ihc nao era de nccessidade absoluta. «Jesús disse-mc. repetía ela muitas vezes: /cm - bra-te que fe criei para o cett. nño tens nada que ver com u térra. Oh! que queréis que cu /a>\i de todas cssas coisas de que nño tenho nccessidade ? » Mesmo na docr.^a a paciente menina nao manifes - tava nenhum desejo. E para que as pessoas que a rodea - vam se nao entristecessem por su a causa, dizia que estava bem c que de nada precisava. Sabía sempre dissimular os grandes sofriir.entcs, co:n receio de que lhe procuras - sem remedios ou qualqucr alivio. Era urna alma verda deramente morta para si mesma. Amava ternamente a seus país e mais particular mente sua rr.ái. Ainda nao esquecerños com cue admirá - vel resignado ela recebcu a noticia da sua morte e assis - tiu mais tarde aos últimos momentos de scu pai. Com a mesma serenidade tinha visto morrer seu querido irir.ao Eugenio. Mais tarde, em um só ano. perdeu urna tia. um outro irmio adolescente e sua irmá mais nova. Julia, donzela de dezóito ano s, a querida confidente dos mais íntimos segredos da sua alma. Ou vi agora com que tranquilidad« ela anuncia ao seu director estas últimas provas: «Meu bom Padre, mi * i- . - J . —

urna boa crista. Rccomendat-a a Jesús, tal vez tenha ne- cessidadc de sufragios. Antonio morreu também. pobre irrr.ño que tanto sofreu! Dizei a Jesús que tenha piedade dc!e>. Un pouco mais expressiva é a carta cm que anuncia a perda de Julia. Nela transparecc a dor. embora resi gnada c caiir.a. «Vos, Padre, conhecieis esta irmá; sabieis quanto era piedosa; Jesús, porém. quis levá-la para si. Morrea ante-ontem a minha Julia. Nada tereis de que me repceender. porque nao chorci: sabia que Jesús nño o quería. ViVa Jesús!». Os sentimentos de Gema neste último golpe fo - ram-mc igualmente manifestados por sua beníeitora c mai adoptiva que me escreveu: <Sabeis. Padre, quanto Ci'tiiS duas ir más se an: aram. Todavía a pobre Gema nao se deixou abater. A principio ofereceu a sua dor por a!c:a cía irmá e. ¡mediatamente depois. den grabas a Jesús. Vede que heroica rirtv.de! Eli. no contrario, chorci muito. c Gema, esforzandose por me consolar. di:ia-nie: nao choréis Embora esta bendita menina tivesse mais do céu que da térra, e parccesse indiferente com relaqáo a qualquer pessoa. nem por isso dcixava de ter un coraqáo excess' - vamente tcrr.o e afectuoso. Virginalmente pura e portanto sem no<;áo do amor sensual ou mesmo simplesmente humano, o que por ésse lado a punha ao abrigo de muitas dúvidas e escrúpulos, c'.a ama va coir. plena liberdade de espirito todos aqueles que Ir.c cstavam ligados por qualquer lago. Ccriamcnte nao era coisa que transparecesse, mas

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quem a estudava de porto e a observava assiduamente notava que este an;o sabia amar, e en certos casos co:n uina delicadeza rara. Entretanto, este coraçâo táo puro nunca ficava prèso, nem se importava com ser ou nâo - ser correspondido. A morte ou a ausencia de pessoas queridas só poc instantes a como via. la prontamente dizer a Jesús: *.É$te novo sacrificio

de boa vontade Vo-lo ofercço, ó Jesús; sòzinha coni a única companhia de Jesus!» e recuperava inmediatamente a sua serer.idade celeste. A angélica menina até de seu Pai espiritual era des prendida. Nunca se queixava da raridade das suas visitas ou da demora das suas cartas. «Deixai-mc dizer-vos, seni me repreenderdes , e'screvia cía, que tenho grande necessidade de vos ver, mas se nao uierdes ficarei igualmente contente. Em todo o caso, peço a Jesús que vos envie aqui; se vos inspirar que venhais, apressai-vos. Mandei-vos très carias c aínda nao respondestes a r.enhuma. Parece-me que Jésus quere que me deis urna regra de cor.duta sôbre este ponto. Hei-de ouvir-vos e obede- cer-vos. escrevei-me, mas se nâo (¡verdes tempo ou vontade para isso , fazei como vos aprouver; estou por completo abandonada a Deus ». Jà prestes a mor re r. a alguém que Ihe preguntou se era preciso mandar um te!egrama ao director para o mandar vir de Roma, respondeu a principio afirmativamente. Depois, arrependendo -se, deu contra-ordem. «Tambêm déle, disse, fiz sacrificio a Deus > c expirou, como veremos, só com Jesus, abismada num mar de angustias. Bem melhor nestre a aperfeiçoava magníficamente

S A S T A CE/»! A G A L G A A' / nesta necessària virtudc cío desprendimento. Era o prò prio Salvador. Vou recordar um episòdio entre outros. Tinham dado a Gema una reliquia preciosa: um dente de S. Gabriel, entào sòmente Veneràvel. Guardava -o com extremo cuidado e nunca o deixava. Ora, num dos seus colóquios familiares com o Sal vador, dissc-lhe com a sua candura habitual: *Je$us. o Padre fala-me sempre de desprendimento, mas cu nào o compreendo, porque nào tenho nada e nao sei de que me desprenden. O Salvador rcspondeu -!he: c esse dente do Venerarci Gabriel, nào Ihc estas tu demasiadamente prèsa? cFiquci confundida, cor.toume eia mais tarde, c nào pude deixar de me lastimar. Mas cmfim, ó Jesus, excla- mei cu quasi a chorar, è urna reliquia preciosa. O Divino Mestre, tomando entào um aspecto um pouco mais grave respondeu: /r.mña fi/ha, jà te disse, e basta. Ahi Jesus, repìicoii Gema, do que Vos fazeis caso!»
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Quanto se r.ào poderia direr sóbre o admiràvel des prcndimento da santa menina! Havia, em suas conversares, em suas cartas, em seus éxtases, sublimes e continuos transportes pelos quais eia quería ensinar a todc - o Universo que só Deus seria sempre o seu amor. «£u quero ser tóda de Jesus e ùnicamente dèle. dizia Gema. E que podcrei cu amar sóbre a terra, agora que possuo a Jesus? Mundo, criaturas, nào mais sereis para mim. corno cu nào mais screi para vós: nào posso nern quero amar-ros*. « Nuns apontarr.er.tos íntimos escrevia: tOntem de

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manhS, mima comunicado amorosa que recebi do Dcus de amor, pedi que me desprendesse de tudo, que rnc libertasse do corpo a-fim-de que. liure de todo o lago, fòsse direita a Ble. a £te so e para sempre. Jesus preguntou: para onde querías tu voar? — Para Vós. m cu bom e doce Senhoc. E £le continuou: deixa-me vir mais algum tempo ter contigo e depois, quando eu te libertar, viras para miir. ». Tal era o téclo que a esta pomba inocente inspirava a terra. O scu cora<;áo cstava noutra parte. Parecia -lhe que só cstava no mundo corno urna estrangeira que .nòie nào conhecia ninguém c que. por sua vez néle passava desconhccida. Eia mesmo dizia: «ViVo sobre a terra, mas parcce-mc estar nc!a como urna alma cx/raw'acía; o ;r;cu pensamento foge constantemente para Jesús. /ora de quem tudo para min: é desprezivel ». No ir.cio desta nostalgia celeste ia eia contando os dias, semelhante ao exilado que de regresso à pàtria, com a pressa de chegar, se deten de distancia a distancia para medir o catninho jà percorrido e o que Jhe resta ainda. Esta comparará© é de Gema que a aplicou a si mesma com nuita gra^a. «Eu ¡¡co muito contente com que o tempo se passe ràpidamente; assim, menos me demoro neste mundo em que nada me, encanta e me detem. O meu coragào anda incessantemente à procura dum bem. dum grande bem que nao encontra entre as criaturas, dum bem que me sossegue. me console c finalmente me dé o repouso». Quem táo pouca importáncia liga à vida temporal

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de boa vontade a cede, como coisa sem valor, ao pri me ¡ro que a quiser. E por isso quando Gema via em pcrigo de morte alguma pessoa amiga, corria a pedir ao seu director autorizagào para Ihe dar urn, dois, tres anos da sua vida. «Jesus, dizia eia, acertaría a troca com tanto que vós. Padre, o conscntisseis*. Para obter o meu consentimento encontrava argumentos engenhosos e convincentes, e apresentava-os com tal habilidade que era preciso tomar cuidado para nào correr o risco de cecer. « Vec/es, Padre, dizia eia, trata-se duna mài de familia que ten: mui tos [ilhos. OI i/ Que «era destas pobres crianzas quando, nao tiverem mai! Dcixai-n:e dizè-h a Jesús. Que ;ne impertam a mira dois anos a menos?» Oferecia também a sua vida quando tinha empren dido a conversáo de algum pecador; e tinha sempre algum em vista: «Jesús, dou-Vos tres anos da rr.inha vida: conrertets-mc?» Por fim deixava -mc vencer por esta am&vel e pode rosa eloqüéncia c concedia a permissáo desejada. Deus accitou a troca c Gema merreu no tempo anunciado por ola. em plena juventude c contra tòda a espeefatíva humana. Err. materia de piedade as mulheres sao geralmente muito apegadas a sua opinilo; e Deus sabe quanto é difícil a um director esclarecido modificar a sua maneira de ver quando a c neon tra defeituosa. Sào talvcz mais dóccls cm questces de ordem material mas, no que diz res pcito à vida puramente interior nào acreditara ser.ào < n i s * m c s r r *a$. sobretudo se se trata de'fenómenos
Igrcjù de S. ¿1 ignei. c.*n Lccz. Confessici ir io c.-n rfjcre Afccj. V’c/p* rt/or^fia 05 jcuj pcnitcr.tcs c que Ù nassa Sani* /restìi:/: .'ai* a

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extraordinarios, como pretendidas visdes. audigòcs divinas. etc. O confessor deve curvar-se diante destas iludidas, seguir o seu modo de ver, louvar o seu feliz estado, de contràrio veem as queixas, as criticas e muitas vezes urna hostilidade declarada. O maldito orgulho tem muito dominio sobre as pobres íilhas de Eva. Em Gema nem sequer se podía dcscobrir a sombra deste

grave defeito do seu sexo. Tinha provas convincentes em favor da origem ce leste dos fenómenos, de que sua alma era continuo teatro. O pròprio Deus Iho assegurava por demonstra<;óes evi dentes. palpàveis e por palavras formáis como estas: «Nada temas, sou cu que opero em ti*. Mas isso nào Ihc bastava, quería a opiniáo de seu Pai espiritual e obedccía-lhe por completo, c Dizei-me. meu Pai. devo ccec que é Jesus, ou devo crer antes que c o demonio ou a minha imaginagào? Soii ignorante e posso enganar-me. Que seria de mim se caisse em erro! Sabéis que nao quero estas coisas, basta -me que Jesús esteja contente comigo. Que devo cu ¡azer para Ihc agradar? Dizci-mo. quero agradar a Jesús, custe o que custar*. Algumas vezes, um dos seus primeiros directores, ou con o firn de a experimentar, ou levado por dúvida real, contradizia -a. mortificava-a implacávelmente c chama- va-lhe sem rodeios iludida. Outro. igualmente embara zado diar.te de factos tào estranhos para èie, ordenava à sua penitente, para a si mesmo se tirar de dificuldades, que convidasse o Senhor a retirar -se c a deixá-la no caminho ordinàrio. ( »err.ii agrndcccu ao prlmeiro coni urna sincera hu C A P I T U L O
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mildade e rcspondeu ao segundo nos seguintes termos: cOnlcm dissestes-me que pedisse a Jesús me tirasse tudo. ou entao se revelasse a vos mesmo. ou a urna pessoa designada por vós. Pedirei muito essa graga. pois de toda a minha alma a desojo. A minha cabcga prometeu me — , cuido cu. seguir em tudo a vontade do confessor. Eu disse a Jesús que. se e verdaderamente Éle que se manifesta. está bem: se e o demonio, que o expulse, nao o quero; e se c a minha cabega. antes dcstrui-la que suporta-la. Se duvidais da sinceridade desías palavras, decía- rai-mo. porque eu nao quería dizer mentiras, nem come ter mais pecados ». Um dia o Senhor repre endeu-a suavemente, porque, depot's de tantas provas. aínda eslava hesitante. «Du ndo, responden humildemente, porque os outros dlívida m. Se sois Jesús, fazei-Vos

conhecer como desejamos. Convencci-nos. sem isso nào podemos ir para diante. nem eu. nem o meu confessor». Algumas vezes o Senhor atraía -a invenciveimente para Si e entáo cía abandonava-se ao seu divino amor. Mas. ao snir desias inefáveis comunicares. Gema pre - guntava de novo ao seu ccnfessor cora humilde simpli - cidade: « Dizei-me. Padre, que devo fazer?» Travava-se muitas vezes entre Jesus e a sua amada serva urna luta comovedora e terna, c quando o Divino Mestre a repreendia. eia replicava: «O confessor dis- se-me que Vós nao sois Jesús. £ possivel que o confessor se engar.e?» A vida dos justos sobre a terra é um tecido de con solaos e de orovas. O Senhor nao poupou nem urnas

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ì neta outras á sua amada serva. Mas, emquanto que as provas a alegravam. pouco caso íazia das consolaqóes. de que estava perfeitamente desprendida. Sem divida eram reccbidas por Gema com gratidao e sabia muito bem utilizar -se délas como estimulante na sua subida para a perfe i<;áo. Mas se Jesús a deixava penar ñas t re vas e no abandono, por mais doloroso que fósse éste estado ao seu cora<;áo apaixonado por Ele, declarava-se sempre contente. «Jeras faz bem, repetía ela cntao. O que ¡he agrada dere agradar-nos. Alé/n disso, merejo porcentura as sitas consofofÓcs? Basta-me poder go:á-las na outra i 'ida, pouco me importa sofrer nesta». Com tais dispcsi^òcs urna alma nào te in que temer ilusòcs. Só os ignorantes das coisas divinas e os espiritos superriciais ò podem supor. Xós, pe lo contràrio, sabemos que quem se despoja de si por amor de Cristo fica por isso rr.esmo revestido de Cristo e das suas virtudes: e quem está revestido de Cristo nào pode tornar-se joguete do erro.
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Prodigios de perícita obediencia

ohediénna trae se cxercita a abnegalo. tào essencial à perfeicár* rta vid » crista, lista virtude que o Redentor r.os re - corr.enda pelas seguintes palavras: Aquele que quece vie ùpós mìm rcmincie-sc a si rr.esmo, briJbou em Gema com um esplendor verdaderamente extraordinàrio. Tinha imolado etn tao completo holocausto tóda a vontade pròpria nas màos de quem a dirigía, que nào era possivel descobrir nela a menor parcela dessa vontade. Nunca opunha urna recusa, nào’ direi jà a urca ordecn, mas nem a um desejo, a um sinai expresso da vontade de outrem. órfà e hospede duma casa cstranha, tào perfeita era a obediencia com que se sujeitava, sobretudo à sua afectuosa tia. que esta podia movè-la corno um corpo seni vida. Diziam-Ihe sem muitas cxplicaqòes: «Gema, a pé. saiàmos ; — volta para o quarto; — deita-te>; e Gema obedecia sem hesitacào, sem nada objectar, por mais oup isso ihe custasse.
principalmente na

Todas as manhás ¡a a urna igrcja vizinha acompa - nhada de sua tia. onde se deir.orava cerca duna hora, lima hora! Era pouco para a amante de Jesus, que com tanta feli'cidad e passarla o dia inteiro junto do Amigo divino do Tabernáculo, se )hc desse para seguir o instinto do scu coraqao. Todavía, ao primeiro sinai de sua tia. arrancando-sc do profundo recolhimento ou das delicias celestes em que Jesus a inundava, levar.tava -se logo, como se ociosamente estivesse à esperà do sinai, e partia em paz. Esta obediencia até no mcio dos seus éxtases a dominava: <Um dia. conta a sua benfeitora, permane - cendo ajoelhada à Santa Mesa muito
tempo depois da comunhao, chamei-a para que voltasse ao séu lugar, mas fot em vào. Já eslava em èxtase. No meu ardente desejo de evitar a curiosidade dos assìstentes. fiz mentalmente esta oragao: «ó Jesus! Se c da vessa vontade. fazei-lf]e recuperar ¡mediatamente os sentidos >. Coisa prodigiosa! Gema levantou logo a cabota. Eu disse-lhe em voz baixa que voltasse para o seu lugar ; obedecen. Depois servi-me muitas vezes déste processo, que tinha dado tao bom resultado, e o Senhor interveio sempre para levar a sua muito amada serva a pratica da obediencia*.

Quando a doenga a prendia ao leito, sua tia dizia - -lhe algumas vezes. mesmo em presenta doutras pessoas: «Gema, tcns necessidade de repouso, (forme*. Imediata - mer.te as suas pàlpebras se fechravam sob a acgao dum sono pacifico. Um dia em que cu estava junto do leito da doente com muitos membros da familia, auis tentar a mesma

199 experiencia. « Dou-vos a minha bén$§o, lhe disse, e agora dormí, nós retira,no-nos». Gema, logo que ouviu esta ordem. voltou -se para o outro lado e adormeceu pro fundamente. Eslava eü em preser.qa dum fenómeno de sugestáo ou dum efeito miraculoso da virtude da obediencia? Quis certificar -me. Caindo de joelhos recolhi -me por um momento. Depois, elevando os olhos ao céu. 50 mentalmente de; á menina ordem de acordar. Imediatamcnte. como se fósse despertada por urna voz sonora, abriu os olhos dirigiu-os para mirr. com o seu encantador sorriso habitual. « Entao assim c que se obedece? dissc-lhe eu, nao i>os mandei cu dormir?» E ela com toda a humildade: «nao vos a[lijais. Padre, sentí baterem-mc no o rrtbrc c urna voz forte grí- tou~me: A, pé. o Padre chama-te». O seu Anjo da Guarda tinha -se feito, sem dúvida, eco da minha ordem. Ta^ docilidade nao provinha certamente. como se poderia julgar, dum natural tímido, irresoluto cu pouco capa: de discernir a verdadeira importancia das coisas, porque o temperamento de Gema era mais para dominar do que para ser dominada, mais para mandar do que para se deixar dirigir. Era únicamente o resultado duma virtude hecóica, em que a natureza nenhuma parte tinha. Esta docilidade em se sujeitar á vontade de outrem na vida doméstica era ultrapassada. se é possivel, pela obediencia ao director espiritual em tudo o que dizia res - peito á vida interior da sua alma, fim supremo de seus continuos esforqos. Incapaz, a seus próprios olhos, de avanzar um único passo no carainho da perfeiqáo táo

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ardentemente desejada, abandonou -se cegamente à directo do scu cuia espiritual. «£ tempo, escrevia, de me resolver a seguir a vontadc do
nteu confessor e nao a minhù. Jesus mo disse e mo rcpete muitas vezes: nao devo ter mais vontade nem sentimento pròprio. a minha von - tade de ve ser a do confesso r*.

Recorría constantemente a èie. quer para fazer apreciar a sua conduta nutna determinada circunstancia, quer para preguntar o melhor modo de proceder em outra. Tóda a sua correspondencia nao tem outro firn. Sem està grande nccessidade de direc^ào. que a obrigava a abrir-se com o scu director, ignoraríamos quási tudo do admirável traballio da graga nesta alma de predilecto. Embora dotada da ciencia infusa das coisas celes tes. Gema nunca hesitava em consultar, dcscendo até às menores particularidades. «£u queria pedir u Jesús que me aliviasse uni ponco a cabega. escrevia, aludindo a dores intoleráveis. Julgais, Padre, que farei
beni? É do vosso agrado que cu faga urna confissáo geral com o Padre Provincial? Se sfm, fá-la-ei ; se nao. fico igualmente satisfeita. Apraz'vos que cu pega a Jesús me mande fazer a hora de agonia todas os noites?»

Ao seu confessor ordinàrio escrevcu o seguinte: c£u queria dizer ao Padre {isto é. ao scu director) que faga com que cu seja admitida no convento, mas pare - cc-mc que éle nem querc ouvir falar nisso. Nada direi. £
do vosso agrado que cu vá passar o dia de amanhá com as religiosas? Portarme-ei là mui'fo beni ».

O Icitor pcrmitir-me-S acrescentar a estas outras C A P I T U L O X I V 201 » citagòes que nos dcLxatn ver mel'nor a beleza da sua alma. « Sábado. concedcstes-me licenza de me levantar a ftoras de matinas:
fago-o c rezo, mas quería imitar as religiosas Passionistas que vào ao còro. Permitís que cu. cor. i csíe fim. pega a um padre passionista me ponha ao coccente dos seus exercícios nocturnos de piedade? Ficarieis contente. Padre, se cu pedisse a Jesús que me dé a

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morte pela tubereulese quando chegat o tempo? Eu tínha este desejo. mas acima de tudo. farei sempre con: alegría a vontade de Jesús*.

Por fim cnimando-sc mais era sua confianza filia! , resolveu-se ainda a cscrevcr-me: «Pcrmitis^me. Padre, que tome
a pedir a Jesús me tire de-pressa deste mur.do para O ir gozar na gloria? Vivo no temor continuo de O ofender ».

A estas diversas propostas o confessor c o director respondían! segundo a inspi rado de Deus. t Gema, fie! à sua palavra, recebia com igual satisfago o sim e o nao. Quando a resposta negativa revestía a forma de urna orden:, ou mesmo a sombra duma proibito, a santa menina.nao a perdía mais de vista para com cía se con formar absolutamente. Temos manifestares admiráveis desta obediencia. O Senhor tinha -a elevado a um táo alto grau de vida contemplativa que Ihc bastava ordinàriamente pór-se cm ora^áo para perder o uso dos sentidos. Jul - gando o seu confessor ordinàrio dever imporrine o método de ora<;áo comum aos principiantes. Gema r.áo opós a menor resisténcia c fazia continuos eslorgos para exe- cutar pontualmente a ordem reccbida. embora se sentisse

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continuamente atraído ¿ contemplado dos atributos divi nos. Éste martirio durou perto de dois anos. Vimo-la resistir ao próprio Salvador para se con formar com a vontade do cor.fessor que temía urna ilusáo diabólica. Repelía heróicamente éste Divino Espóso. recon hecido como tal pelo seu próprio director, mas a quem eslava proíbida de atender. <Oh! como me tenta o meu bom Jesús! cifzia ela. Mas agarro-me foctemente «i obediencia, a-pesar duma enorme fadiga. Oh! querido sacrificio! oh! be la e querida obediencia!* lima ve: er.tre cutras pareceu-lhe ver o Salvador, completamente cobcrto de chagas. convldá -Ia a aproxi- marse para as beijar. Lcmbrando-se da proíbí<;áo do confessor. a virgem compassíva pós -se a chorar, mas nao se aproximou. Entretanto o seu corado ia -se abrasando, e já o sofri - mento bem conhecido da impressao dos estigmas se fazia sentir ñas mács. nos pés, no lado. Que fazer? «Logo que o notei. con'a ela. lecantei-me c fugi com prontidáo para longe de Jesús e fiquei coníenfe por ter obedecido >. «Pebre Jesús! dizia Gema maís tarde, que afronta receben de mim. repelia-O resolutamente para obedecer ao confessor. e £le táo bom nao se irritara ». Em certa ocasiáo recebcu licenga de conversar com o Salvador na primeíra aparldo que tivesse, mas só - mente por tempo determinado, para nao prejudicar o sono. Eís o que aconteceu: O Senhor mostrou -se como de costume durante a noíte de quinta para sexta-feira. Gema partícipava das dores da Paixao e consumia-se em amor na presenta de Jesús, quar.do deu a hora marcada para termo do coló C A P I T U L O X I V 203 > . quio. «Que resolugao tomar? escreveu-ine da. Jesús eslava

aínda, mas vía bem o rneu embarago. Para obede - ccr ora preciso despcdi-lO. .■ Neste momento o Salvador disse-me: proractes-mc farer sempre para o futuro a rainha vontade? Entáo cxclamei: Jesús, ide-Vos err.bora, r.áo Vos quero ma:s>. Soube um día que ela conhccia sobrenaturalmente a hora en que as minhas cartas chegavan a Luca. e que. com urna ingenuídade encantador a, a anunciava As pes - soas da casa. — Esta manhá... amanhá de manhá... em tal correio... terei urna carta do Padre. Langou-a na caí.xa onteni de tarde... hoje... a tal hora. — Eoj ¿actos vinham depois confirmar a infalibilidade do scu vaticinio. Querendo mortificá-la, declarei -lhe que havia em scu modo de proceder leviandade c um orgulho subti!. Eis como tomcu a correcqáo: « Padre, prostrada de joc- Ih os, pego-vos perdió. Nao. nao maís me acontecerá para o futuro profetizar a rinda das uossas cartas. Sentí a vossa repreensáo durante todo o día de domingo. Detesto o meu modo de proceder c sinto um arrependimento continuo. Para o futuro escrevei quando vos aprourer. nao ousarci violar a vossa ordem*. Depois, lembrando-se ce que éste conhecimento Ihe vinha de Deus. acrescen- tava tímidamente: «Eu quería desculpar-me; mas nao. obedecerei sem nada dízer. nada. nada>. O tempo nao apagava da sua memoria os avisos do seu director. Air.da alcuns meses depois cscrevia: «Meu bom Padre, vene:! esta manhá. air.da cedo, antes da Sagrada Comunháo. soube com certeza, por urna ins- piragáo. da chegada da vossa carta no prímeiro correio. Custou-me um pouco contcr o rr.eu de se jo de a anunciar.
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m a s reprimi-o. Dominei a minha lingua, conforme me ordenastes. Assim tudo corre bem . nao é verdade?»

Em certos éxtases as pulsares violentas do corado provocavam vómitos de sangue. O confessor ordinàrio,

crabora soubesse que eran completamente independen - tes da sua vontade. proíbiu-lhos: e a santa menina come - <;ou a empregar todos os esfor^os, mesmo durante o éxtase. para os evitar. Pecante a inutilidade dos seus esfor^os sentía re morsos e acusava -se de desobediencia. «Desobedecí. escreviame. desobedecí ao confessor que me protbiu vomitar sangue. Esta
manha. num forte movimento do coragao assotnou-me nos labios urn pouco ».

Nao sabemos que mais admirar Restas palavras. se a simplicidade columbina, se o heroísmo da sua obediencia ilimitada. Éste confessor prudente, temendo que as emocóes violentas a que a querida vítima eslava sujeita todas as semanas, ñas visóes de quinta para sexta -feira. terminassem por lhe arruinar a saúde, pro'ibiu -as por urna ordem formal e. coisa maravilhosa! o Divino Autor dos prodigiosos fenómenos respeitou a ordem do seu mi nistro «inquanto a éste aprouve mantè-la. E ésses fenómenos ordinàriamente nao se repetiam, pelo menos caí suas manifestares externas. Gema mostrava -se contente, embora sentisse a falta das consolares divinas. «O confessor proibíu-me. escre- via-mc eia, que nada fízesse de extraordinario; obedego. mas quanto me custa!» Certo dia ouviram-na exclamar num éxtase: «Oh! querida obediencia, que me privas de todas as doguras dAqudc que ó o meu amor, como te amo! »

C A P I 1 T U L O X I V 205 j Durante urna indisposto que precedeu a sua última doen<;a, o estómago fcchou -sc-lhc a ponto de nao supor tar nem alimento, nem bebida de qu3lquer natureza. Foi unía ocasiào mais de se manifestar a eficácia da obediencia. «Estou disposta, respondeu-me eia. a fazer tudo o que ros
aprouifcr. Jesús há-de dar-me a possibili- dade de seguir as vossas orde; is e, na prime ira sexta- -feira do. mes próximo , esfou certa de nào mais rejeitar alimento algum». Foi o que aconteceu.

Depois destas íclizes experiencias, as ordens mul tiplicara m-se sem intcrrupqáo. Ao menor embarazo re co:ria-se ao confessor ou ao director. Estes davam a Gema orden de ter saúde, de recuperar os sentidos e, como per encanto, a febre desaparecía, o éxtase ou o des - íalecimento cessava. Era assira que Deus manifestava aos clhos dos hemens,cuanto lhc era acradável a obediencia de sua serva. Èie pròprio se compraría er.i lha recomendar direc tamente ou por intermedio do Anjo da Guarda. Obediencia! Obediencia 1 , tal era, pode di:er -sc, a ccnclusao ce todos os colóquios celestes. « Obediencia ccga. obediencia perfeita, tal deve ser a tua grande preocupará o, lhe diric» o divino Mestre. Delxa-te conducir como um corpo san vida: tudo o que quisercm de t:.
c xccuta-o prontamente*.

As repreensóes nao lhe eram peupadas quando se mostrava menos perfeita nesta virtude. «Se nao obedeces ató ao sacrificio, declarava-lhe Jesús, abandonar- -te-e: seni socorro ñas
maos do teu inimigo ». «Se te náo violentas para executac as ordens rece-

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S A NoT Anj A G MA C A L Cnao A N !mais te aparebidas, di:ia -lhe o Eda Guarda,

cerei ». A fervorosa menina tirava proveito de tudo. tanto das a meabas severas como das cxortaçôes temas, tanto das palavras do director espiritual como das do Senhor c do Anj o; e os seus progressos nesta victudc. assiir. como cm t ôdas as outras eratn maravilhosos.

A obediencia dava -lhe tranquilidad « e repouso. c Que consoiûçào experimenta a minha zima «a obediencia. escrevia Gema: cía produz cm meu coruçâo urna serenidad? i nde finiré!. Vira a obediencia, da qua! prey cede toda a paz! Agradeço-vos. caro Padre, o terdes-me dado a conneccr o valor desta beia virtude c o terdes-me livrado, por vos sos conselhos e instruçôes. de táo graics perigos. Com o auxilio divino e para a gradar a Jesús obedecerei sempre*. Em outra carta diz mais: *Recon¡endai-n¡e a Jesús para que cm tudo e por tudo cu pratique a obediencia. A força de a pratiear ja ¡he r.âo sinto o peso err. certas coisas. Foi Jésus que me deu. hà jà muito tempo, esta graça pela quai Ihe ficarei sempre agradecida >. Di: ainda: tjesus prometeu-me manifestar-ros a sua vontade a ni eu respeitc. corn tanto que eu iho peça ccm humHdadc. como tenho feito até aqui. Dèste modo viro cm paz, com o único desejo de ver cumprir-se cm mim a santissima vontade de Deus». Aqui está o ultimo grau da perfeiçâo na obediencia: alegría na renuncia de nós mestr.os. Gema atingiu éste arau. Tent por isso direito à realizaçâo da professa divina: o varao obediente cantará' ritória. — Vir ofce- d:ens hquetur victo riam.

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Sua hamildsdc profunda

saber, presunta Santo Agcstinho, qual é o primeiro grau da santidade? É a hurr.il- dace. E I ¡I o segundo; a hutr.ildadc. E o icr - ceiro? a r bumitcade. Quantas vezes renevardes a pregunta. tantas vezes respcnderei: a humildad «. Co¿n efeito c orgulho, principio funesto de todes os vicios, afasta o homem de Deus, ao passo que a humildade. mài fecunda de tòdas as virtudes, o aproxima déle. Esta profunda doutrir.a era a de Gema. Alguns instantes antes de morrcr, tendo-!he pedido urna reli giosa enfermeira que Ihe indicasse a nais importante das virtudes c a mais querida de Deus, respondeu com viva cidade: *A humildad e. a humildade, porque é c/a o [ur.dsmùnto de tôdas as outras ». ¡ Quando fui chamaco a dar a minha opinilo sóbre ji{ o espirito desta angélica donzela, scrvi -rae dessa infalivel ! pedra de çoque da perfeiçâo evangélica. Muitas pessoas,
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e entre elas o seu pròprio coniesscr, mosiravam -se mais

que hesitantes perente as manifestaçôes tâo extraordinárias que nela se procuziam desde os seus primeiros passos na vida interior, c diziair. entre si: <Podecà vir de
Dcus um tal estado, que mal se encontca r.cs grandes santos que sâo a honra da Jgreja?» Virá certamente de Deus, pensava

cu. se a humildade Ihe nao faltar. Desde o principio do meu exame. verifiquei na angélica menina urna grande compreensáo da importancia desta virtude e um grande cuidado de a praticar de preferencia a qualquer outra. Beni de-pressa me apareceu penetrada de humildade até ao mais íntimo do seu ser. Nâo havia pois lugar para diìvidas. E eu exclamava comovido: feliz menina! Iluminada de precoces ìuzes de Deus, soubeste edificar sobre urna base inabalável o ma gnifico edificio das tuas virtudes. A tua santidade é a meus olhos ¡ncontestável. Durante o retiro que fèz aos treze anos no Instituto Guerra, ouviu o prégador repetir con insistencia: <Le.mbeemo-nos que nào son:o$ r.ada e que Deus c tudo>. A impressào produzida no seu espirito por éste pensamento fot tao viva que nào mais se apagou. Nào hà unta' só de suas cartas para o director, em que o sentimento da pròpria baixeza nào seja expresso com urna força, que vai crescendo, à medida des seus progresses no conhecimento de Deus. As luzes naravilhosas e brilhantes que lhe foram comunicadas sobre a Divindade realizaram nela a breve palavra de Santo Àgostinho: noveriti: te, nouertm me: conhecendo -Vos a Vós, meu Deus, eu me conheccrei o miai. O orgulho parecia -lhe impcssivel. E na verdade nunca um pensamento de amor pròprio contaminou o

No jardin: dà casi Giannini
Ir.iwr.car.oo corn que urr. d» f:!hos (Li ionillia surprccr.Jou .n S.'.r.Li A-pcs^r-Jc ir.uito impcr- fciìii c v x t o rctocaici. a fotografia reilecte a

seu espirito. «Como? costumava da dizec, eu orgu- lhar-me? H averia pior loucura?> Numa ocasiào, depois de eu lhe ter dirigido quais - quer censuras com o firn de a provar, notei que eia pas- sava a exercer grande vigilancia contra o orguiho. do qual eu simulava ter dcscoberto en seu cora^ào uni gér - men secreto. Recebi a seguinte carta: «£,/ a vo5sa catta. Meu Deus, tende piedade de min:. £ verdade. é verdade, o orpu//io està cm mim. Ourì, Padre: logo que li a palavra orguiho o demònio serviu-se disso para procurar lan- far-me no desespero, e durante quàsi ama hora sofri muito. Quando jà nào podia mais. corri para jur.to do cruci[ixo e. prosirada com a fronte no pò, pedi perdào a Jesus. suplicando -lke que me f/rasse a vida a seus pés, mas nao ma tirou. Pouco depois recobrci a serenidade. Meu pobre Jesus. fiz-Vos sofrer! E onde irei eu. se continuo a andar por éste caminho? Vossa carta dizia a verdade. Padre: de joelhos vos agradego. Que tristeza terào causado a Jesus os meus pensamentos de soberba!» Que pensamentos de soberba poderiam ser esse*? Certamente seria muito difícil a Gema dizè-lo, mas jul - gava que os tinha. baseando-se na palavra do seu d irector. À sua carta continua: tPadre. dizei a Jesus que tenha piedade de mini, da minha pobre alma que. longe de ser sempre boa. é solicita em se encher de malicia, de iniqiiidade e de orgulho. Mas Jesus, que me concedeu a gra$a de conhecer éste vil pecado, há-de dar-me tam- bèm a graga de me corrigir>.

> E mais adiante: <(cnho mêdo. tremo que Jesus me castigue por O ter ofendido e vos ter desgostado. E queréis saber o perigo que temo e que eu merecía? Ê o de ser condenada a nao mais O amar, a file, o meu Jesús.- Nao. nao. Jesús, escolhei qualquer outro castigo, mas èsse nao. Meu boni Padre, se notais cm mím mais orgulho. nâo perçais tempo, tratai-me seja de que modo ¡òr, mas curai-me com prontidüo*. E ¿s palavras correspondíala os actos. Nunca se Ihc viu uní semblante altivo, c ninguém a ouviu louvar-sc ou fazer alarde de suas qualidades. Pelo contrarío, a sua modèstia, o horror k ostcntaçào. a habüídace cm conservar oculto tudo o que pucesse atrair os oihares dos homens eram sem igual. «Por amor de Dcus. Padre, cscrevia-mc cía. nao f aléis de min i a ninguém. senño para me [a:er conhecer tal como sou. I/uniiffur-me-ei. convcrtcr-me-ci c hci'de pedir perdâo a todos por ter iludido a sua boa fé com os meus artificios: e Jesús infinitamente bom terá misericordia de mim». A nossa Santa c:a dotada, como sabemos, de raras qualidades naturais: vívacidade c penctraçâo de espi rito, dccisáo de carácter, força de alma, etc.; e entretanto dir -seia, a julgar pelas aparéncías, que era urna pobre rapariga sem inteligencia e sem tino. Pedia censelho. auxilio c dirccçâo para tudo, como se por si só fòsse incapaz da menor decisáo. No Instituto Guerra tínha aprendido com profi - ciéncia francos, desenho e pintura. Mas, terminados os scus estudos, nao inais Ihe saiu dos lábios urna palavra

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SANTA GEMA G ALG AN I

C A P ! 'T U £. O XV

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que recordasse a bela lingua dalém -Alpes. Também nunca se lhe viu nas màos o làpis ou o pince!. Sòmente depois da sua norte se soube. por urna das suas antigas niestras, que possuia estes diversos conheciraentos. Gema também nào utjlizou a grande facilidade que tinha de fazer versos, a-pesar-das insistentes súplicas que lhe eram per veres feitas. querendo evitar, diria eia, um trabalho vaidoso que nunca se emprcende sem perda de tempo. Possuia igualmente urna voz encantadora c dispo- siqòes pouco corr.uns para a música vocal. Às pessoas que lhe conheciam a paix ào de louvar o seu muito amado Jesus e a Virgem Santissima esperarían) ouvir de seus labios puros, ao menos nas horas de trabalho solitàrio, algum canto piccoso. Mas nao: nuaca se ouviu cantar nem mesmo cm voi baixa. Tuco isto em urna joverr. de naturai ta o ardente, e pouco timido constituía urna prova inequívoca de profunda virtude. Os <3ons da gra$a em nada eram inferiores às qualidades ca sua prendada nntureza. O Senhor tir.ha -lhos prodigalizado sem medida. Um cortejo magnifico de virtudes colocava-a ao lado das mais belas almas que a agiografia nos recorda. Mas. ao passo que as pessoas da sua còmpanhia se maravilhavam diante dèstes tesouros do céu. só eia parecía ignorá-Ios, e quando pensava neles era para mais se humilhar dianie de Deus e diante dos hemens. Muitas vezes suplicava ao Senhor. até se tornar importuna, lhe retirasse certas grabas assinaladas de que nào se julgava digna. «Nào me envicls. ó Jesus, 212 SANTA
GEMA GALGANI
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dizia e!a. estes dor.s extraordinários que nao tém ne- nhuma proporgáo
com a. minha fraqueza: para nada siri'o. Como hei-de corresponder a táo grandes favores? Procurai, procurai outra almo, mais generosa ».

Nuna ocasiáo, em que insistía mais do que o costume, o Salvador, Mcstre incomparável de hurail - dade, querendo consolidar mais e mais nesta virtudc a sua serva, disse -lhe interiormente: <Faze o que puderes. mas quero utilizar-te.
precisamente porque és a mais pobre c a mais pecadora de tódas as criaturas >.

Dcsta ve: Gema nao pode replicar, respondeu sim plesmentc com urna familiaridade encantadora: c Jesús, fazei o
que quiserdes. ficarei contente*.

Por outra ver mostrou -ihe o Senhor.a sua alma á claridade d a luz infinita, a -íim-de avivar por esta vista os seus sentimentos de humildade; ao mesmo tempo a sua voz divina dizia-ihe no intimo do corado que devia ter vergonha de aparecer aos olhos dos homens. Gema abaixou -se er.táo ciáis profundamente que nunca, ru bo- rizou-se de si mesma e ficou consternada. «Se vísseis, me dizia. como minha alma é disforme! Jesús féz-ma rer ». Durante algurn tempo o doce Salvador, para redo - brar o amor de sua serva, simulava nao fazer caso déla e aparecia lhe com um ar severo. «.Jesús, dizia Gema. quási nao c!ha para mim, ou apresenta-se com o aspecto táo grave que algumas vezes n\e
vejo fergada a nao olhar para £!c. Parece repelir -n ic. Passo um verdadeiro tormento. E$tou como que abandonada de Jesús por cjusíi d^s rr.cus pecados. E que fazer? A quem recorrer?

C A P I T U L\O XV
Preguntai-o Vós mesmo a Jesus. Padre, e atendei bcm ò re sposta*.

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O sentimento da sua indignidade cobria -a de tal confusào em presenta da Majestadc divina quc. nas fre - qüentcs aparì<;5cs do Scnhor. hcsitava muitas vezes em levantar os ol'nos para O contemplar, ainda quando rece - bia provas da mais incfável ternura. Os favores divinos pcdsam descer a torrentes sóbre esta alma adornada de táo bolas disposi'íóes. sem risco de abalar urna humil dad« que ¿les ce-facto s6 íaziam aumentar. A santa menina, quando falava comigo de viva vos ou por escrito sobre as comunicares que tinha com a Divindade. terminava sempre por algum acío de pro funda hunildade. Apresentemos un exetnplo entre tantos outros. Ao sair dum éxtase des mais elevados, em que o Senhor a tinha inundado de inenarriveis delicias, pare - ceu-lhe despertar para urna vida nova. A breve relajo que depois me fèz terminava assim: «Quanío náo estou maravMhüda diante da
infinita misericordia de Dcus! Sir rt, Jesús é na verdade o meu Jesús, todo che io de bon - dade para com urna miserável pecadora, a mais ingrata das suas criaturas. £!e pròprio o per cu de novo o milagre da ruinha conversa O. dignándose dar-me por urna viva luz o conhecimento da minha bactc;a>.

Gema abismava -se no seu nada em presenta de Ser Infinito, mas o pensamento da sua infidelidade aos dons do céu penetrava -a de terror. O alto conceito que fazia da virtude e da honra devida à Majestadc do Criador por urna vida santa e pura, o perfeit o conhecimento do valor das grabas recebidas que custaram. dizia muitas veres, o pròprio sangue de Jesús, tornavan-lhe tmpossí- ve) tóda a vá complacencia. Eis. a este propòsito, algunas das suas cxpressóes: <Eu devia pensar. Padre, cm tudo o que me fa fía pani ser urna digna filha de Jesus, e pelo contràrio (I)... Eu devia lutar corajosamente, violentsrme. e pelo contra - rio... Só me resfa htur.ithúr~me sob a máo
omnipotente de Dcíis e orar, sen consultar os meus gostos».

O sentimento da sua indicnidad e era unía chaga viva que trazia no íntimo do corado. e que sancrava 20 menor toque.

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<Eis o m(s de Maco, cscrevia eia. Lem- brando-me dos grandes beneficios que recebi da Mài celeste nos pcimeiros anos da minha vida, tenho verge- nha de n.áo ter saíu'Jo reconhece r éste corafáo e estas miles que me enriquecía:?: can tanto amor. E, o que c pior. a tantos favores só correspondí com a ingratidUos.

'SANTA CESIA C AI. C A NI

Um d¡3 permítame dircr -lhe con intenso de a consolidar no despiezo de si pròpria: «Nao compreendo como é que Jesús o usa manchar as máos cm seniclkante imundicie». A humilde virgem sorriu a estas palavras e deixou ver a sua alecria cm ouvir finalmente o epiteto justo que há mu:to tempo procurava. Dai por dfantc a si nesma o aplicava a todos os instantes, na conversa, na coi responde r.cia e até no fixtase. «Jesús, ¿ possível que manchéis assi;m as máos rícifa imundicie de Gema?* <Pe{0‘V 0s. dizia ao Anjo da Guarda, pego-vos que n.?o
ver\ha>$ rr.anckúr-vos junto desta ¡mundicia.
(*J r-stas rct:cín:Sj-i. tio fr<qOco*.ca na peno de G«:na. signl- Ficara a :rnpcuibil¡dadc ¿e exprimir a sua

CP!7UOXv

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Usava ainda outra expressào inventada por cía: ser abjecio. «Que /¡avernos de fazer, Padre, déste ser abjecio?» isto é. cesta criatura deshonrada, profanada, aviltada e repugnante aos olhos de Deus e dos horneas. <Ó minha celeste Mài, cscrevia Gema debulhada cui lágrimas, ó mea Senhoc adorado. nào vir.des levantar ¿s:c ser e6/ccfo? E quando?» Com o mesmo sentimento de alma, tendo sabido q;ie eu ia dirigir-me ao túmulo do Irmao Gabriel de Nossa Senhora das Dores, cnviou-mc urna longa carta, er.carregando -me junto do sanio jovem de diversos recados, particularmente do seguirne: Pregunta : no Vene- ráí'ei (l) Gabriel: que h avernos de [azer de Gema? Pte - puntai-Me iste. Padre, e dizei-me depois qual foi a res posta*.

c de que eia se julgava indigna, confundiam-na c faziam-ca sofrer. «Pefo a Jesus, eserevia-me eia, qi:e me de paciencia paca con: esta boa tia. iì cheia ce atcnfóes comigo. e eu nào quería nsnkumas. Se visseis. Padre. en\ certas coisas preAs ater.qóes que lhe dispensavano

[ere-me aos oc:tros; ckega a ponto de me aquecer o leito. Isso sñ o !á coisas cue se faga,m por rr,im? Por min que merecía, segundo a expressào do meu confessor, ser tratada corno urna simples galinha. Enchem-me de aten- f óes. ó’c ao menos cu soubesse dizer obrigada! Se minhas frias oragóes pudessem ser de algwna utilidadc para os que /íie fa:em bem! Eu de se java ser tida por todos como
tirila CiCrara»,

(t) S. Gabriel aluda cSo esteva car.ocizsdo.

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GEMA GALGA N ì ì

As aínas piedosas. sobretudo as que fizeram voto de virgindade. de boni grado chaman a Jesus se a espòso c tini afeigSo ao título de espòsas de Jesus. O Verbo Divino, ec scu amor infinito para con a pebre humani- dade. coniralu efectivanente con eia una uniào «ixtito mais Intima que tòda a uniào terrestre. Èie pròprio se conpraz cm dar ès r.ossas alnas os nones nais afectuosos. Gena nir.nva-O coiti todo o ardor de un corneo abrasado, e por sua vez rcccbia as mais afectuosas pro- vas de ternura divina; a-pe3ar-disso nunca usou o doce apelido de esposa. Pobre [ilka. serva inútil, virgem /cuca, mìsccàvcl criatura, tais eran, para se designar, os tèrmos preferidos. Duas ou trC-s vezes sònente cm un èxtase sublime, se ouviu chamar ao seu ir.uito anado Salvador E spòso de sangue. As suas cartas terminava«) invari àvelmente pela fòrmula seguirne : «Oì -jì por mim; so w a pobre Gema*. Aconselhei -a a que tornasse um sobrer.ome piedoso e que se assinasse, por excmplo: Gena de Jesus. A minha escolha mortificou -a muito, viu nela urna pretendo exccssiva e teve dificuldade cm aceità -la. Insisti, observando -lhe que c Gema de Jesus* de modo algum significava que eia era digna de Jesus, mas que só n£le desejava glorificar-se. A explicado pareceu satisfazè -la e assir.ou-se: a poòre Gema de Jesus. Mas foi por pouco tempo. O sentimento da sua baixeza terninou por prevalecer e fé:-lhe csqucccr completamente o jfieu conselho. Voltou ao amigo costume d e se chamar simplcsmente a pobre Gema: c isto durou até ao firn dos scus dias. '

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AíonscflAcr Vo/p/. conicssof crJir.ário cc Sorta Gern* desde os sc(c ancj .irò d *:;j
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Nesta viva e profunda convicio da sua misèria, pedia a todos, e com urna eloqùencia sempre engenhosa. a esmola de suas oraq&cs. t R c c o m e n d a i - m c a J e s u s . escrevia-me eia, e dizei
I

aos outros q u e f a g a m o mesmo: é urna grande caridadc pedir por mim. Dignai-vos dar-me a rossa bengào e dizer a o irmáo Gabriel que pense também na pobre Gema».
E numa outra carta dizia: <Se vós soubesscis. Padre. os rneios

de que Jesus se serve para confundir a minha soberba! Oh! corno sou ma. se soubesscis! quem me dora as virtudes que atraein a Jesus! Pedi e rccorncn - dai aos outros que pegam a Jesus me dé quanto antes os mcics de remediar a minha grande misèria, que me faga conhccer o horror das minhas trevas c que me ilu- mine».
Em outra parte insiste: «Farei que tódas as almas santas orem

para que, a-pesar-da minha baixeza e indi gnidade. Jesus seja glorificado em minha pobre alma ». • i
Mas recomendar -se alguém às ora^óes da serva de Deus era torturà-la. Infligiam -lhe rnuitas veres òste suplicio, tào alto era o conceito que tinham da sua vir - tude todos os que a conheciam:

« Ouvi-mc. respondía eia a urna confidente intima: estou surpreendida com a vossa insistencia em pedir ora- fòcs por essa senhora. Se nào me conkecésseis. seriéis desculpável: mas. sabendo vós bem quem eu sou... nào digo mais. Urna alma sem merecimentos. cheia de defeì- tos. que pouco ou nada se importa com Jesus, que podcrà eia òbter? Entretanto obedecerei. mas nenhuma con -

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I

SANTA GEMA CALCAN!
A ucn sacerdote venerando escrcvia: tPedirei por V. Rev. m ‘. mas

sabéis bem que as minhas pobres ora- gees sao ¡cacas; Jesus. que se esconde, nao as o uWrá». jesús, que se esconde , era assim que a boa

menina cha- raava ao Senhor quando Éle lhe subtraía o sentimento da sua doce presenta para a deixar csmoreccr em urna aride: desoladora. Suporíou muito temp o. sem nunca se queixar, éste martirio do abandono divino, que punha á prova a sua fideiidade. ñas em que ela via a justa conseqüéncia dos seus pecados. *Meu Pac/re. escrevia-me ela tremendo. Jesús afastou-se de mim por causa da minha
grande tibieza. Oh! ten: multa razáo; por isso lhe dou gragas. a-pesar-dc tudo. e O adoro».

Freqüentes vexaqces diabólicas, sinceramente atri buidas por ela a alguma falta secreta punida pela Jus tina divina, cram igualmente motivo para se humilhar. «fiu sei. cu sei, rr.c dizia. porque e que Jesus me ceixa ñas rr.áos do demonio. Eu vo-lo direi. Padre, em con- fissüo. mas já estou arrependida. Parece que até o meu Anjo tem
vergonha de estar a mea lado».

A ingénua menina, julgar.do que as pessoas da sua companhia viam o Anjo assi m irritado, disse -me com urna ¡nefável simplicídadc: cTalvcz fizesseis bem. Padre. en: dizer ao mcu Anjo que se nao deixe ver pelos ou tros, mas que se conserve oculto >. Até no insuperável abatimento físico, provocado pelas dores atrozes dos estigmas, ela encontrava motivo de confusao. «VeJes.
Padre, como esteu sempre atrasada. como o sofrimento me repugna? Ah! que hela é a fortaleza de alma! Eu quási me atrevería a prefe rir ñas

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niáo-s de Jesús os sofrimentos que rae agradan e a rejei- tar os outros. Pedí pela minha alma*. Julgava-sc pela sua ir.fidelidade ás gragas divinas, a causa inicial de tódas as desordens que bavia em roda déla e até dos niais ordinários desgostos da vida. De bom grado teria suplicado, como Jcnas. a tirassem cüstc mundo para evitar que os outros sofressem per culpa sua.

Gema era fiel, como jii ¿issemos, em revelar ao seu pai A P I deTconsciencia, U L O X V sentía 221 espiritual es C segredos quando necessidade de d»rec<;5o. Um estranho te-la-ia tomado talvez per urna dessas almas leviar.as cuja maior satisfago é falar de si e das suas coisas. E todavia. manifestar os segredes da sua consciencia era para a humilde menina um tormento ¡nexprimíve!. Prefería ocu!ta: -se debaixo da térra a dizer ou escrever urna só palavra sobre as maravilhas que a graqa opera va em sua alma. Ou£amo-la: « Desde a ocasiáo em que vos disse certas coisas, a vergonha deveria-me ter pastado, mas pelo contrario i ai aumentando. Nao é. porém. vergonha: nao sei como expnmir-me: c como que um receto». Na realidade havia as duas ccisas: vergonha de dí:er o que pederia redundar em seu louvor. e médo de levar os outros a erro, se se exprimisse mal. ficando com reoponsabiiidade. <Tcn/:o receio. continua, em tódas as coisas extraordinárias que cada día me accnteccm. tenho receio de me enganar e de cr.gar.ar os outros. Nao o dcscjo. Pedí muito a Jesús que me auxilie a nao enganar ninguém. Tenho um médo tal que em certos dias dese- /'ai-a ocultar-mc a todos os olhares ».

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S ASTA GEMA GALGAS !

Mas de que erigano poderia ser capaz esta alma tao càndida, que nem ao menos sabia que coisa fòsse engañar. corr.c prova éste pedido ingenuo que me fèz utn dia: </:u dcxejavù. Padre, me explicèsscis ben: a sigr.ificafáo da palabra er.ganar, pori nao quería engarrar ninguém». Se até òsti ponto Ihe rusta va manifestar ao seu confessor as coisas de Jesús, segundo a sua pròpria expressoo. qual nao devia ser a sua repugnancia coi as r.;an:fcstar a quaiquec outra pessoa! Instruida na escola dos Santos, tin'na adoptado por norma ds proceder a grande máxima do Profeta Isaías: Sccreium meutn mini: quando para itiim es se^redos do ilici: coratjào. E guardou -os táo hera que. exceptuando o director e. por ordini formal déste, a sua piccosa mài adoptiva, ninguérr. os coniicccu. A-pesar-disso, Gema vivía no receso continuo de deixar transpirar qualquer coisa contra a sua vontade. «Ve/o sobre mi'::. ‘,'io1en:o -tr.c, me dhia. mas femó da minha pur te u/n arrefrafarttc/ifo repe.'tííno e iereflcceldo qué descubra o que dece [icav oculto. No esminho c na igreja procuro rfísfrarV-me, mas nem sempre son bem sucedida, e assim os ouíros pode:n cor.ccbcr a meu respeto urna estima ¡merecida». Déste crande temor provinha o ardente desejo de encerrar a sua vida em uní claustro. Ao menos ai. pensava cid. estaría ao abrico dos ciliares do mundo. Esta alma celeste, táo indiferente a tudo neste vale de lágrimas, táo morta para si. sem inch'r.aqáo, sem von tade. só neste desejo da vida religiosa me pareceu um pouco tenaz. pelo que a repreenci e m orUfiquci militas veres. Quasi r.áo há urna de suas cartas em que nao insista nisto. < Padre. nao me dclxeis no rr.undo. O niisndo nào [oi [eito para rr.im. tenho mede de viver ncíe. Vinde dC’pressa a Luca para me encerrar nvm convenio. Oh! porque me deixais assim ex posta a (od os os olii ares?l £ que scria de mini, se certas coisas chcgasscm a divulgarse!» Gema sámente rcnur.ciou ao seu projccto no dia eoi que o Scnho- ¡he íéz conhecci c!aram -:r.te que tinha cui tros designios sobre cía. Éste temer exccssivo, jur.to a una grande reserva para con

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C A P I T U L O X V 223 seus próprics directores, cora es q -jais r.áo se abría sen urna verdadeira nccessídade, tez -nos perder ir.uitos seg redos edificantes. levados para o túmulo pela vírgenzinha de Luca. O Senhor assira o perraitiu par a nos dcixar ;im modelo completo cc humildadc. Podemos imaginar a dor que devia produzir en*, sua alma qualquer mostra de venerado que se Ihe fizesse. Àbsteve-sc sempre, por piedade. de Ihe tesiemunhar estima quem conheceu a imensa tristeza que isso Ihe- causava. Entretanto recebia muitas carias, assinadas algumas vezes por nonios distintos: e muitas pessoas. descjosas de se aproximaren d c’ 3. conbir.avara com os membros da familia o modo d e se cacontrarem. como por acaso, em sua companhia. Neste último caso, a doozela. se cundo o seu costume, procurava retirar-se ¿mediata*
v» *

mente: e se por obediencia tinha de fícar. via-se ben quanto isto Ihe custava. Algumas veres Untava mao duma extravagancia premeditada para se libertar. Lembra -me que urna vez. entre outras, veiu vèla urna respeitável personagem.

unji i A \ J ¡ n S \ \ J t \ L*\J

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Encontrava-rr.e eu entào aessa cas a hospitaleira. Era impossivel a Gema esquivar-se. Mas, logo que fo¡ avisada, correy a agarrar urti grande gato doméstico, íomou -o em seos bracos c apreseatou se na sala, lazen- do-lñe mil caricias misturadas com meiguices infaníís, eia que, r.otémo -lo bcm. nunca o tinha feito em sua vida. Saíu-se bem co disfarce. O visitante, sem d lívida pouco conhecccor de processos semelhaatcs empregados por outros santos com o firn de desviar a admirado dos homens, cncolhcu es ombros cora desprèzo; e Gema, alegre com o bom resultado do inocente estratagema, sciti mais se preocupar com a importuna visita, afas- tou-se. salutando com o gato nos' bracos. Bemdita loucura. que é aos olhos de Deus sabido - ria e virtude! Bemdita humildade que, conservando o horneen ao seu lugar, airat as gragas que fazem florescer as virtudes! =

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Baixo conceilo que de si faria — O dercónio apodera -se da sua autobiograiia c é obrigadc a restituí-la

HUMILDAD E de Gema, e o desprèzo de si mestna fcaseavam -se. coir.o vicios, r.o ccnheclmento sobrenatural do scu nada e na convicio da sua infidelidade às crasas divinas. Àlém disso a santa ir.cnir.a julgava cair età faltas a cada passo e estar canchada de defeìtos. i Na opiniào de rr.uitos, a verdadeira saniidade trans ' torQa os filkos de Adào em criaturas ideáis. Os próprios agiógrafos comprarem -se muitas veres em nos apresentar os seus heróis envolvidos nurna atmosfera celeste que naca ten de comum com a misèria humana. É uiu erro: os santos sao de carne e òsso como nós, como nos nascidos dum pai decaído, de quem herdaram urna natureza viciada. A gra?a do Redentor eleva, sin, a cossa r.atureza, mas nao até a refazS-la por completo e a restabeiecé -la no estado da inocencia primitiva. Na vida do hemem sobrenaturalizado há urna dupla fisionomia: urna celeste,
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22G SANTA GEMA GA LG ANI cnnobrecida por don$ sobrcnaturais; outra humana com as fragilidades próprias do nosso barro. Para qué ocultar ñas vidas dos santos esta segunda fase que. por oposito á primeira. faz salientar a virtude omnipotente da graga divina? Virtus in infiemitate per- fíciiur. £ no meio da fraqueza, diz S. Paulo, que o poder de Deus se manifesía mais. As almas mais puras estao sujeitas a repugnán - cias e desgostos no exercício das virtudes; sentem tam - bém algumas veres o peso da carne e o aguüháo das paixSes: térn motivos p ara temer pela sua salvado c experimentam a ncccssidade de se violentarem para serem fiéis a Deus. Tarnbém elas podem passar. embora involuntaria mente, por leves desfaiecimentos, e deixar -se surpreen - der por movimentos espontáneos ca natureza. Mas. ilu minadas das mais vivas luzes por ésse Deus cuja infinita purera entreviram em visóes misteriosas, a sombra de urna falta parece-lr.es urna monstruosidade. e a mais leve fraqueza. um crime. Tal é o segrédo das suas lágrimas, das suas peniten cias e dos nomes ignominiosos de grandes pecadores, celerados indignos de viver sobre a face da térra, que ir.cessaníemente se dáo a si mesmos. Assim nos deíeitos de Gema c no que ela chamava grandes pecados nada havja cortamente de voluntario. Preferiría ser lanzada no fogo a cometer a sombra duma falta venia!. «Eu nao quería pecar, afirmava. mas son táo má!... É

em uáo que ando sobre mím, estou sempre a recair. O ma! é que cu só noto as faltas depois de as te? cometido: aliás Jesús sabe bem que cu nao O ofendería ».

C A P Í T U L O ,

XVI i

No tribunal cía penitencia Gema nao estabelecia dis tingo entre o voluntário c o involuntário. o consciente c o inconsciente, e. com urna convicio que induziria o erro o mais experimentado dos confessores. dcclarava -se culpada em todos os pontos. Acusava as faltas sem timidez, sem essa afectaqào e ésses suspiros que sào o distintivo ordinàrio das almas fracas. acusava -as cocí ordem, franqueza e precisáo. con distinqáo de número, especie e gravidade. Eu dei - xava-a dizer, depois, avahando as diversas acusdqóes, nao encontrava nelas senao actos de virtude ou imper - fei<;òes de mera fragilidade. A experiencia de mu i tos anos e a audigao. frecuen temente renovada, da confissac geral de tòda a sua vida pernitem-me afirmar que a santa menina janais come - teu um só pecado formal plenamente deliberado. - Passou tòda a vida, ¡sto è. vinte e cinco anos, neste mundo corrompido e corruptor sem nunca manchar a candura baptismal. que eia levou para o céu com o seu brilho »maculado. Esta mesma afirmaqáo é feita pelos cutros seus confessores e consignada ea depolmentos auténticos (l). Gema, porém. nao c entendía' assim. O terror, que se apoderava da sua alma, quàsi chega a Jan^á-la no desespero. «Será possíi'el, dizia-me cía oprimida pela angùstia, será possivei. que Jesus csteja contente corrugo?

(1) O leitor bea compreer.derá que iste tesíernunho dos cor.' fessores r.ño tcm ner.hurc valer jurídico. Em quaJque: blpótcse é l n n3o podiam falar de outro raodo. (Nota do Revisor). SANTA GEMA GALGANl

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Oh! cu coro e tremo, vendo-me táo impura diante de Jesús que ¿ 228 a mesma pureza. Desprezei-0 murías feces, voltei-lhe as cosías quando a sua voz tema me chamara. Meu Padre, pedi constantemente a Jesús que tenka pie- dade da minha alma. implorai-Lhe perdáo para os meus pecados. Dizei a Jesús que, para reparar as minkas Jal- tas,' mil tormentos do corpo c da alma me pareceráo poucQ. Ó mcu Deus. o castigo, por terrivel que seja. nunca igualará a minha culpabilidade. Castigsi -rne. pois. com tanto que me tiréis o peso dos pecados, que me oprime e esmaga. Infeliz de mint. se por um só minuto perder de vista as minhas iniquidades. Ó Jesús, a quem deshonre:. que desgósto sinto de rnlrn mesma! Só a boa vontade, que me parece ter. me conforta um pouco no meio de tantas miserias ». Estes sentimentos. repetidos por rr.il formas sempre expressivas. cncontravam -se quási em todas as cartas escritas peia humilde serva de Deus. sobretudo quando escrevia durante o éxtase. Considerando a continuídade de tais sentimientos sempre adcm'rávclmente conservada, julgo nada ter lido de comparável na vida dos outros santos. Durante urna visáo tinha preguntado ao Salvador, que chorava. qua! a causa das suas lágrimas. Reflcctindo depóis nesta apariqáo, disse -me: <Reconhecia-me culpada de mil iniquidades e tice a coragem de preguntar a Jesús porque é que Ele chorava >. Por outra ver. depois de um pequeño incidente de familia de que como costumava, se julgou a culpada única, cor.ccbcu um tal horror de si própria que foi difí cil animála. «Mas que /afo cu. Padre? exclamava. AcáC A P I T U L O X V I < r
barei por ser abandonada de todos. O desespero /evar - -me-ia a perder-me; mas nao, ó rninha celeste Mài, Mài dos cr/àos, nao quero desagradar a Deus, nem a vos. Padre, nem a ninguem. Nao, nao quero, créde-me. Nao me compreendo. há cm mim misterio ».

Gema r.So compreendia como e que. ao lado de urna 229 ventado tào resolvida a fazer o bem, pudessem existir algumas fragilidades, que eia alias tanto exagerava. O Senhor, para a conservar nestes baixos sentimen - tos de si propria, permitiu ao demònio que perturbasse o scu espirito até quasi a persuadir que eslava condenada. Fci er.táo que a pobre menina, procurando inùtilmente serenidade e paz. escrevia, tremendo, ao seu director: «Se
alguma vez. Padre, me virdes cm perigo de per - der-me, se me julgardes ñas máos do demonio, pensai cm socorrer-me. quero salvar a minka alma a todo o custo. Que devo fazer para isso?»

Aprouve a Deus, que de tudo se serve para bem de s eus escolhidos, dar alguma eficacia aos meus pobres conseihos. e Gema que se sentia um pouco confortada con èles no me io dos seus temores, reclamava -aos incessantemente: «iVao
imaginais, meu Padre, a grande nc- ccssidade que tenho de vossos conseihos. Se soubésscis o alivio que me dá urna só das vossas linhas!... as vossas palavras dño-me cora< 7em nos sofrímentos e

nas /aprimas. Ajudai-mc. ajudai-me, de contràrio ver-me-eis dentro
em breve reduzidà às cinzas do pecado ».

O horror de Gema pelo pecado provinha, sem cúvida. do temor de manchar sua alma e de se conde nar: mas provinha air.da mais do seu amor para coni

Deus a quem o pecado ofende. A éste amor, elevado a um 230 táo alio, SA N T A G E M urna A G A¡mensa L V A N I coníriqáo dos g:au correspondía grandes ultrajes de que juígava tornar -sc continuamente culpada dia'nte da Majestadc divina. «Como/ exclamava algumas vezes, julgancío nao ser ouvjda, um Dcus t¿o grande e
íSo digno de ser amado, há-de ser ofendido por mitn? E quem son cu para ter tol cusadia? A leu pebre Jesús!»

És'.e pensamento fazia-a empalidecer e arrancava aos seus olhos lágrimas amargas que se viam correr, ccmo diz utna testemunha ocular, ao longo das faces, como duas fonies. Durante os próprios éxtases, em que de ordinàrio sabereava as delicias divinas, confundia -se. chorava e pedia misericòrdia coni uin tom de voz como- vcr.te: cPerdoaí-me,
Jesus! Pai. perdoai-me tantos pecados».

Ern cercos dias o Senhor fazia -ihe experiment ar dutn modo excraordinário estes sentimentos de compunti ao: e Gema, preíerindo a todas as dolerás celestes o favor de chorar as suas faltas com arrependimento cada vez maior. suplicava-Lhe ardentemente que apressasse a viuda de tais seniímentos. Depois conservava déles preciosa lembranga e contava os momentos que a separavam do reaparecimento destas tncfáveis an gustias. <«Há tantos dias que ¡á nao senda a dor dos meus pecados. Jesús ccneedeu-me de novo esta graga. Onten:
ñ noitc cho re i midto a seus pés» Como estas lágrimas crA’i i airurcaí c doces ao mesrr.o tempo, e coi ?¡o era; 7t ‘ >cim.. is oí pulsagóes do mcu corafáo que parecía dever pjrtir-ic </c

do :!»

C A P í T U LiO XVI

23 1

Eis como se produzia esta gra$3. No recoíhimento da oratjáo urna onda de luz irívadia repentinamente o seu espirito, pondo -lhe a descoberio os recantos ciáis secre tos da alca. Via -se eníáo por completo coberta das mais negras manchas do pecado e noiava o Senhor urnas vezes muito irritado, outras triste e aflito pelas afrontas recebidas cela. A pobre menina come^av?. a trem.ee; cora a ¡mensa dor dos pecados perdia os sentidos e caía por térra inanimada. Estas angustias terríveis duravatn militas vezes longas horas e até ntesao um cia ir.tciro. Gema considera va -as doces e amargas ao mesmo tempe. E o que é que podia misturar algvrma doqura con tanta amargura? O per.samento de que este suplicio interior agradava a Jesús como urna reparaqáo das ofen sas que déla rccebia. Ougamos as suas palavras: tEsta ncífe. Padre, todos os meus pecados se me apresentaram como de costume ao espirito; c 'i-os iáo enormes que tive de ¡a:er estorbos para nao desatar en: solutos; c a minha dor [oí táo viva que nunca experimente! outra
igual. O número dos meas pecados ultrapassa infinitamente a capa cidade dos meus anos. O que me consola é sentir grande dor. que eu quería nao mais ver sale nem táo pouco apagar-se da mir.r.a alma. Ó Deus. até onde chegou a mlnha malicia!»

Gema recebia a graqa déste arreper.dimento extraor dinario todas as vezes que era favorecida de recolhi - mento mais profundo e de urna uniao mais intima com Deus. mas sobretudo durante a noite de quinta para sext3 -feira cm que o Senhor a admitía á participa do dos dolorosos mistérios da Paixáo.

232 •

SANTA QEMA GALGANl

> <Na quinta-feira à noite. escreve ela. sin tome pos - suida de urna grande tristeza aó lembrar-ne de todos os meus pecados, que se me apresentam nesse momento ao espirito dum modo particular ;
encho-me de confusño e de tmens3 dor. Os poneos sofrimentos que Jesus me enría trazem-me um pouco de repouso; o/erefo-os pelos pecadores , especialmente por rnim. depois pelas almas do Purgatorio■>.

Assim purificada c a dor c D as lágrimas e confir mada r.o desprezo de s; mesma, a virgenzinha de Luca encontrava-sc aduiirávc!mente preparada para os subli mes íxtases que se repetiam periódicamente todas as semanas. A humildade e um vaso muito puro e muito sólido. É néle só que apraz a Deus derramar as suas graba s: a humildade dilata o pobre coragáo humano, tornando -o capaz de todos es dons celestes. Quando em Setembro de 1900, cheguei a Lu ca, pela primeira vez. a nossa santa estava ocupada, por ordem do seu confessor cm redigir um diàrio, em que se rela- tavam os acontecimentos quotidianos da sua vida interior. Inimigo. por principio, do método que conserva o peni tente sempre contrariado, acoasclhei a suspensáo dSste trabalho, a meu ver. inútil e perigoso; e o virtuoso confessor rctirou ¡mediatamente a sua ordem. A Icitura atenta do manuscrito, que encontrei cheio de sabedoria celeste e de particularidades interessantes, muito precioso para a eventual composito duma biografía. féz -roc arrepender da minha precipitadoC A P I T U L O X V I \ Excelente en si. o tncu principio nao era aplicável no

caso presente. Procurei reparar o frro. 233 Tive urna idea que realizei sen demora, auxiliado pela simplicidade da santa menina. «A dar crédito ao que relatáis, disse-lhe eu sen mais preámbulos. íenc/es cometido desde a mais tenra in f ància urna infinidade de pecados. Conhego muito bem aqueles de que ros tornáis culpada cada dia. mas nao seria bom tambéni consignar por escrito numa confissáo gcral todas as [altas da rossa rida com as menores circunstancias? Deste modo, conhe- cendo a pecadora que hei-de dirigir, mais fácil me será guiar-ros bem no caminho da rirtudo. A santa menina, que era animada do descjo ardente de una directo segura, caiu no la<;o, manifestando entretanto quanto Ihc custaria satisíazer -me. <Ah! diría cía. de que explicagoes podereis precisar, meu Pac/re. e que pecado será preciso manifestar-vos? Fazei urna idea de qua.ntos pecados se podem tornar culpadas as almas mais perversas, tantos sao os que cu cometí. Além disso rccci'o que. depois da leitura desse escrito, horrorizado com a rista de tantos pecados, nao queirais serrir-me de Pai ». À instancia minha c por mera obediencia. Gena pós naos h obra, suplicando ao Ar.jo da Guarda. Ihc assistesse c Ihc trouxesse à memòria tantas coisas, horríve is para cía. «Mcu bom Padre, dir na introduco, preparai- -ros para ourir tudo... Escreverei tudo. o bem c o mal: assim podéis melhcr comprcender qual /oí a minha malicia. contrastando com a condado, de que todos me cer- caram: qual foi a minha ingratidáo para com Jesus, e ciuào pouco ter,ho atendido ¿ios conselhos de meus pais e superiores. Vou comefar, n:eu bom Padre. Viva Jesús!» No decorrer do trabaiho, Gema teve de sustentar ' una luta continua contra a repugnancia cm fafar ce s;. O cuidado de revelar com exactidño as faltas obrigava -a a escrever a història compieta da sua vida, e o cuidado de

fa:er sobressair as suas infidelidades e ingratidào para con o Senhor obrigava -a, segundo cu tinha previsto. a manifestar as grandes grabas o.ue desee menina tir.ha reccbido. Ou^amo-ìa dizer-ncs mais ima vez qual a intensi dad c do seu S O Ì rimonto: « J W C U Jesus, seja sempre [cita a Vos sa
Santissima V or. taci e! Quanto sofro por ter de escrerer certas coisas! A repugnancia que live a principio. ìonge de diminuir. i>at

aurnenfanc/o sempre, e sin io um tormento mortai. Taire: queirais
tombém. ó meu Deus, que cu escrcva essas ccisas secretas, que tr.e destes a conheccr por rossa bondad e. com o firn de me humithar e

consertar sempre r.o rr.eu nada. Se o queréis. ó Jesus, estoti pronta mesmo para isso. Manijes- tal-tr.e a Vossa Vontado. As apreensòes da sua humildade agravavan-se com urna d ùvida. «Mas. exdamava, para que seroi rao estes escritos? Para rossa maior glòria, ó Jesus, cu para ne enterrar cada vez mais no pecado? Vós o quisesíes. obedecí: ñ Vos perter.ee relar por mim. Na chaga do rosso Lado escondo cada urna das minhas patarras, ò a/nável e muito amado Jesus!» Os tormentos da humilde virgenzinha em grande parte provinham certamente co* infernal inimigo, que previa quanto bem ia resultar desse trabaiho. Um dia

C dissc-lhc A P I T U sorriso L O amargo: X V I *Está per -236 apareceu-lhe e com ¡cito, cscrcucsfc t-jdo muito bcm. A fas acaso ignoras que íou cu o atiíor cié ftJí/o íjso? 5c se chega a dcscobrir. que cergonha para fi7 E que será de t¡?> Entretanto a obediencia triuníou. e em pouco tempo Gema compás um pequeño volume em oliavo de ir.ais de cem páginas. Com que rara habil idade procura cía dissimuiar as mais beias flores ce suas virtudes c os meliiores dons co cèu na sombra co pecado com que declara ic -lcs profanado! Inúteis esfer^os todavía. Só lendo essas páginas «i que se pode farer délas urna idea exacta. Traída pela simplicidade do seu corado, qiiando julga ¿eshonrar-se, Jalando ds malicia e Ce desordem, dá -nos urna autobiografia de rara edificalo. Estava atingido o meu firn. Mas o demònio furioso pós a sua astucia em ac<;áo para frustrar èsse resultado. Talvez liaja q uera tenha diticuícade em acreditar no facto que vou descrevcr. A sua realidade, porèm. permanece ir.dufcitàvel c abstcnho-rr.e de acresccntar cual - quer pormenor íirsco ca fantasia. Quando terminr.u o manuscrito. Gema coníiou -o. como cu tir.ha ordenado, a D. Cecilia, que o estondeu numa gaveta, esperando ocasiáo de mo enviar. Passados alguns días. Gema julgou ver o demònio sair. coni um sorriso de cscárneo. pela janeh do quarto onde se enconírava esta gaveta, levando na máo um volume. Habituada a semelhan tes aparcóos, a menina nao fèz caso. Mais tarde, o iniir.igo veiu atormenté -la com horr: -

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SANTA GEMA GALCANl »

veis tentares e. como nao conseguisse venc£-la, afas - touse, rangendo os tientes e gritando era toen de triunfo: «Guerra, guerra; o ten manuscrito está ñas minhas rnáos* (*)Gema. que tinha recebido de mim ordem de mani festar a sua lia tudo o que Ine acontecesse de extraor d i n a ri o . julgoti do scu dever dnr -2he parte desta aparado. D. Cecilia, muito intrigada, correu a a b ri r a gaveta: o manuscrito nao estava la. Avisado disto, fiquei muito contrariado com tal perda. Como reparé-la? Tendo de ir nessa ccnsiào a Isola del Gran Sasso, que fica perto do túmulo do Beato Gabriel, vciu -me a idea de exorcizar o demònio para o constranger a res tituir estes escritos, no caso de ele os ter verdaderamente roubado. Temei a estola, o ritual e agua benta, e, junto do pròprio túmulo do Bcm-aventurado. procedi em forma aos exorcismos. Deus interveiu com o seu poder, pois nesse mesmo momento o volume foi reposto no lugar donde tinha desaparecido, havia mu i tos cías. Mas em que estado! Todas as páginas, de cima a baixo, estavam ennegre cidas de fumo e cm parte queimadas. como se tivessem sido expostas, cada urna em separado, por cima de unía fornalha ardente. Todavía os caracteres permaneciara legivcis.

(J) Gema cenia cita i>parl^2o r.uraa car'a ao seu director a IS." de volume: Letteti cd Estasi delio serva di Dio. Gemma / » « • •
Cjfl*pani,

t C A P I T U L O •>

X V I

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Tentó em meu po-der 6sse volucae, assitn passaco pelo inferno (1 )• Er.cerra confidencias ir.uíto preciosas e os mais im portantes segredos da vida interior de Gema, arrancados por obediencia á sua humildade. Humildade verdadei - ramenle heróica que devía infalivelaientc elevá -la ao mais alto grau de perfeigao moral.

(*_) ú, sabido que este curioslssimo acoolecimenlo, consignado pe^o Aulor na i.' ediqáo Italiana, fol por íle suprimido’r.as seguimos edicC-es cor. rcceio de melindrar os susceptibilidades ce certos espiritos iiílluer.clados. pelo racionalismo moderno. Essa sjpressío. por¿cn, provocou os protestos dos leitores: e o hora P.Germano teve de reparar a sua omiss30 tas últimas editóos. Dc-íacto éste accnteclmer.to parece 6 primeira vista tío estra- vagante <;ue qualquer pode sor tentado de ceptJclsmo. Éste era o ir.cu pensaner.to quando me chega ós mSos. vindo de Roma, o autíntico ccrpo de delito. E o famoso manuscrito fotografío. Aprcsenta efectivamente, como di; o Autor, tfrdas as págir.as ennegrecidas de fumo infernal, mas sem pre;isd¡car gravemente a lc§ibiiidade da escrita. Aquí encontrará o Icitor. para amostra, algumas dessas páginas. Ncssc cOsto se encontram tódas e nesse estado se conservara ha }á -50 anos. {Nota do Revisor).

As pAjiiuts H c 15 do famoso mamurrfto cnncgrccido p<!o hálito de Satanás. Sóo. atnda assitn, as que se encontrar menos conía* n\¡n%\i/t$. Netas poic o textor ver as ecfef indas da Sar.fa & sua F* uncir* comunh¿o que já fícáram consignadas na p&g. 21 c os 5 prepósitos {fue se Ifcm na pág. 20 As 2 ûi'fiVn.ij pájinas do mjnuscnto ( U2 c ISSj.qi:* dAo ¡Á 'ir.cthoc idea do

contacto aiabvUcz

Mortificado heroica

EMA quería a tado o custo ser santa. Éste ardente desejo que e’a beberá, a bem dizer, com o ieite materno, chegou com

a

idade, depois de ter absorvido todos os outros. a urna nao era virtude e

intensi- dade extraordinaria. O que períei^áo deixav3 -a indiferente.

Bastava notar -lhe a expressáo do rosto, ouvir a sua , conversado, observar a sua maneira de proceder para termos a convicio de que vivía con o desejo único ce se parecer com Jesús por neio de urna vida cel este. Para isso era vé-la abracar com ardor a austera virtude da mortificado. O cesprendimento dos ber.s terrenos, embora aliado á abnegado da vontade pela obediencia, nao basta ao verdadeiro discípulo de Cristo. Deve, aléra disso, levar a sua cruz. se quiser chegar a parecer-se com o chefe dos predestinados, que é um Deus crucificado. Mais: o homem. viciado em sua naturera, tem ne*

243 5 A STA GEMA G A L G A NJ ccssidadc de dominar as inclina$óe$ desordenadas co corado c dos sentidos para conservar urna pureza sem mancha, o que nao conseguirá sem se violentar pela mortificalo de cada momento. Instruida nesta verdade por experiencia pròpria e estimulada incessantemente pelo desejo ardente de ser urna viva imaccm de Jesus Crucificado, Gema entre- ocu-se por completo, e até ao heroísmo, à penitencia crista. Embora nunca tivesse abusado dos sentidos, pro - pes-se re:reá-los e castigá los como o nao ieria fe:to um crande celerado recém converticc. Aínda pequeña, cxercia vigilancia sobre os olhos, que constantemente conservava baixos. Com o progresso *dos anos e das virtudes esta modèstia vciu a ser das mais rigorosas, sobretudo depois da rcsolu^so especial tomada na circunstancia seguinte: Est.iva na igreja; o seu olhar, encontrando o gra cioso penteado duca menina colocada diante déla, con - temp!ou-o por alguns momentos com satisfad° - Tomada ocm de-pressa ¿c remorsos por éste inocente prazer esté tico. que pelo menos lhc parecía utr.a cistracdo. a angé lica menina fèz o propósito de nunca mais fixar volun- tàriamente a vista em quem quer que seja. E a partir désse dia. os seus olhos encantadores e puros, em que fcrilhava um icflexo da seráfica bele 2a ca sua alma, permanecerán: rccclhidos c cocéis à sua von- tade. Para Ihos fazer levantar era preciso urna ordem formal c. a -pesar-disso. em sua modèstia, nao tardava a ba»xà-los di novo. Quem desejasse admirar -lhes o brilho c J ixpressào celeste devia surpreendè-la em éxtase. que cntòo esta va rn de ordinàrio erguidos para o céu. 1

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X V I I

243

O sentido do gósío. um dos mais dificeis de subju - gar inteiramente, cncontrou cci Gema um adversario nao menos resoluto. Ninguéir. jamáis soube que al -.mentos ou bebidas ela prefería. Algumas onqas de alimento bas - tavam-llie. e air.da assicn era preciso vigi¿ -Ja para que tomasse o indispcnsávcl. Para encubrir as suas privares, servia -sc de mi! industrias, chegando a abrir na sua colher um pequeño orificio pelo quaí a sopa se escapava em grande parte antes de chegar aos labios. Algumas veres parecía cerner, mexendo cocí as niács en volta do prato. mas na rcalídade nao comía. Se nao se oíerecia qualquer pretexto para dcixar a mesa antes de terminada a reíeiqáo, vía*sc cue experimentava urn vercadeiro ma; estar e cepois, insensivelmente. desaparecía para nao nais v&har. Nunca se viu provar as iguarias na cozínha; e, fora das referees. era inútil oferecer -lhe refrescos cu doces. Quando previa nao poder rccusá -los sem indelicad eza, retirava -se a tempo. Fcita de carne e ósso como nós. com urr. estómago bom e un paladar sao. Gema sentía naturalmente o agra - dável sabor dos alimentos. Isso porém quás: Ihe parecía sensualidade. Para suprimir radicalmente os pcucos prazeres da mesa que o seu espirito de mortificando nao podía atin gir. quís. esperando urna graqa partícula: de Deus, pri va r-sc de todo o alimento, mas nao Iho permitírom. Depois de muitas investígales. julgar.do ter feito urna descoberta. apressou -se. toda contente, e com rauita habílidade. a submeté-Ia h minha aprovaqáo.

24*

SANTA GEMA GALGAXI

<Met¿ Padre, escrevia-me eia, parecc-me quc Jesus me impele, kà }à muito ten\¡x>. a ped:c~vos am favor. Nao ves zanguéis, porque definitivamente farei sempre a vossa vor.tp.de. De certo nao há motivos para mo ce- cusardes. Vós porém encontrareis uni cer.io dèìes. por exempio, que sou magra, quc r.ao hà necessidade ncnhuma, etc. Süo meros pretextos. Eis o que desejo: posso pedir a Jesus a graga de r.ao mais sentir , emquanto viver, o gósto dos alimentos? Esta graga é-mc necessària e espero que, inspirado por Jesus, me autorizeis a pcdi-Ia. Com quaiquer resposta que me derdes [¡cacci contente». Nao respondí a esta carta. Gema, porém. nao se dando p-or vencida, repetiu tantas vezes o pecido que por firn, quási lavado pola curicsidade do que ia acontecer. dei o consentimento. Coni ingenua confianza foi ¡mediatamente apresentar a súplica ao scu Jesus, sendo logo ouvida. Desde éste momento o seu paladar perdei: teda a ser.sibilidade; as iguarias mais finas, as bebidas mais agradàveis tornaran:-se dal por diante completamente insípidas para eia. Os outros sentidos r.ao eram mais bem tratados. Nunca se viu a austera menina tornar urna ilor para ihe aspirar o aroma, nera perfumar os seus vestidos. Quanto ao sentido do tacto, nao se permitía tocar esi ninguém. Esta alna, que sóbre a terra vivia longe da terra, era inaccssivel à curiosid ade. Joaos, divertimer.tos. dis - tracc&cs. de que. mc.'mo fm crianza, nunca tornava a iR.ci^tìva. só tinharn para eia insipidez. U.-n aro quiscram, por ocasiào do carnaval, Ievá-la

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ccm os füho s da c asa a u m ino cen te teatro de familia, F J C O U
consternad a e insistiu du m mod o táo solícito co m seu pai espiritu al que Éste, por c o mpa ixao, in tcrveiu para que a disp ensassem d e assistir.

Nada há mais difícil de domar que a Irngua. O após’olo S. Trago nao hesita en canonizar quem a conten dentro dos justos limites. E é a mulher que mais dificuldade iem em alcanzar esta vitócia. sendo por isso mais digna de admirado quanco a alearla. Gema .dominava de tal modo a l ir.gua que um estra - nho fácilmente a julcaria muda. A -pesar-dissc, supunha caír em abusos, renovando por isso sempre con; mais energía o propósito de Ihe nao dar lifcerdade. Numa ocasiüo. cm que nao póde deíxar de receber algumas amigas, a conversa recaíu por alguns instantes num assunto certamen te muito inocente, mas que pareceu a Gema um pouco mundano. Chorou de remorsos todo o dia. «Ó meu Deus! c.xclamava. com que facilidadc tomei parte em tais conversas! Ó lingua, lingua. eu saberei reduzir-'te ao silencio!» A modesta menina nao razia caso cenhum dos triun - tos que akan^ava nos r.obres combates pela virtude. c quando fazia referencias a fies era para se humilhar aínda mais. «O.níem, escrevía-ne, alcancei urna bcla vitó - ría sobre a minha lingua comprida. mas custou-n jc tanto a reprimi-la! Se soubésseis que tempestado se levantou entre mim e minha tia!... o me « silencio ver.ceu tudo. Rer.ovei nesse momento o firme propósito de nao falac se nao quando fór interrogada.
Comecei a cumprir as mi ' r.has resolugóes. mas Deus sabe com que dificuldade».

Gema obseevava estas resoluqóes desde a mais tenra

24<S SANTA GEMA G A LG ANI idade. co a a ùnica diferen<;a de que entào. para evitar da sua parte cualquer réplica, fugia do xneio d3 altercarlo e escondia -se, ao passo que agora, amadurecida na vir - tude. esperiva num silencio ra od e sto que a tempestado passasse por si mesma. A sua moderalo era tanto mais meritòria quanto é cerio que urna sensibilìdade delicada ihe fazia sentir muito as provocatoci, e um temperamento de fogo a inclinava à cóiera e à rèplica. Mas calava-.se, ecihora cs recursos do espirito Ihe permitisscm fàcilmente vencer o adversario, e continha tao beni as suas paixòes trementes, q ue nem sequer se Ihe notava comodo alguma. O estòrco era todo interior. Só as pessoas íntimas. e:n condì<; Ò C . Ì de a observar de porto, conneciam as (utas conti- nuas da virtuosa menina, cujo corarào era corno uni alear ani cuc contìnuamente so im ola va ir. vitimas de morti: ica?5o. Para ir.dr.or domar os paixòes jnterioves. inerentcs à naturerò humana, deu-sc desde menina ¿s curas mace - raides ca carne. Quantas vezes importunava o confessor para obtec permtssao de se disciplinar, de trazer cilicios, caa cias de ferro e outros instrumentos de penitencia! Muiío insinuante enláo, bastantes vezes al cannava a licenza desojada. Mas de ordinàrio, depois de se ter cansado a pre parar instrumentos de tortura, via que Ihcs tiravam todos, rcstando-lhc sòmente oferecer ao Senhor a boa vor.tacc. r-u tr.esmo tive ocasiao de Ihe tirar alguns. Eram vi!; -. c.n:o armado de sessenta ponías de ferro bem afia - t.-'*. urna disciplina, igualmente de ferro, e urna comprida

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corda toda chcia di: nós, cr ibad?, de pregos. coa que a certa va a carne. A austera menina. despojada distes terríveis instru mentos. procurava por outro nido, sen; desanimar, ucia cotnpensa^ao. Dizte-me eia: <Minha naturerà sempre à procura de comodidades

nào cessa de me pedir um pouco de descanso. Permitis-mc contraríala com (¿das as mi - nhas fórgas? .4 carne que re ria mandar, mas cu quero que obedeza, e sempre, como é justo. Para isso tenho necessidade duma pcrmissao, esperò que ma daréis se.m dificuldade. se Jesus vc-lo insoirar. Desejo promeier a Jesus nso mais procurar alivio ent cJ : .<a aiguma. Se me conccderdes està graga. ficai certo que procederei com prudencia para evitar cs exce$$os>. lini dia em que Gema orava coni filini simplicidad?. pror.ur.ciou estas palavras: zComo vedes , Jesus. é o rneu corpo que murmura, mas hei-de saber ìmpor-lhe silencio. Multas rezes qutixa-se e que re suòtrair-se à minha vontade. mas eci o vifliarei. Ontem parecía 'querer revoiiar-sc; aigur.s agoites beni puxados restituiròmlhe a sìrct'.idade>. Ai do director imprudente que favorecesse cste generoso fervor! A hcróica menina teria certamente arruinado a saúde. Abstinlia-se de ceder às si:as instancias repetidas, coir, tanto mais firmeza quanto é certo que Deus a conservava constantemente seb a pressào de tri - bula^óes interiores, que 56 por si bastavar. para a martirizar. Antes de fa lar délas nucí capítulo à parte, admiremos ainda os efeitos maravilhosos desta mortificando.

Primeiro que tudo exercia perfeito dominio sobre as paix&cs do corado c sobre os sentidos. Gema dava -lhes crdens como raínha e todos Ihe obedeciam voluntaria mente ou ¿¡ forra. Dizer.do voluntariamente ou á fór$a, r.ao queremos insinuar que fóssem recalcitrantes. A hu milde virgem julgava-os recalcitrantes e conscrvava-lhes a r¿dca curta, mas na realidade as suas paixócs e sentidos ficavam suficientemente domados depois da pr¿ - meira efervescencia. Daí, a paz táo suave, fruto da vitória. que respirava o scu angélico resto; daí, a prontidáo do corpo cm secun dar todos os movimentos da alma e os seus mais subli mes transportes. Dir sc-ia que esta carne virginal esteva únicamente ocupada cm servir os desejos do espiri te, táo perfeita era a liberdade que Ihe deixava para se rr.crgu - Ihar na oraráo ou perder no extase. Km c-jsiquer lucar e cm qualquer ccasiáo a santa menina podia dispor de cada urr. dos sentidos sem encon trar a menor resistencia. Quería absorver -se na contemplado das coisas celestes? Imcdiatamente a imaginario se recolhia, a nemória esquecia as lembran<;as da ierra, es movimentos importunos do corado serenavam. as próprias dores físicas, alguinas vezes muito intensas, nao Ihe opunham a menor sombra de d ificuldade cu de distraerlo. Terminadas as comunicares celestes, todos os sen tidos. como s« tivessem pacientemente esperado pela sua hora, rctomavam as respectivas tunróes, vigorosos e bem ctspostos coc-.o nunca. H.'.bitualir.ente era assim. Em tempo de prova e de ande, espiritual, o Senhor. para Ihe proporcionar ocasiáo C A P I T U L O X V I 1 219 «
de luta meritòria permitía certo afrouxamento cèsti impèrio absoluto da alma sóbre as potencias inferiores. Fora desta cxcepcào, os sentidos nao opunham a Gema, ch egada à perfei güo. nenhucia resistencia, repugnancia

ou cansado.

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reliz liberdade, feliz pai. a única que só da santi - dade j>ode vir ao homem. pois é déla fruto natural: opus justìtiae pax. a paz 6 obra da justiqa. A virtudc é, já reste mundo, fonte de felicidade. Desta grande screr.idadc interior, er.anaqáo da pàtria celeste, na scia na alma da santa urna alegría pro funda. que só era momentáneamente perturbada pelo temor de ofender a Deus, ou pela iembran^a dos seus in sondi veis juizos. Nada mais conseguía inquietá -la. Tcria visto sem assoir.bro desaparecer todas as criaturas ou desinoronar -se o mur.do inteiro debaixo de seus pés, com tanto que lhe ficasse Jesús, seu único tesouro. Semeihante estado da alma explica o seu bom humor e o perpetuo sorriso dos seus labios, que forma -, vam um contraste feliz com a gravidade do seu porte e a majestade do semblante.

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Um anjo cru carne mortai nào menos precioso áa mortificalo è a pureza de alma que brilhou em Gema no mais elevado grau que duma filha de Adào se pode esperar. pecado, mancha da alma, tem o seu principio em :rés grandes concupiscencias: orgulho. scr.sualidade e amor eos bens terrenos. Como a santa menina tinha conseguido muito cedo nào só enfraquecer mas extinguir estes tres focos pesti - Icnciais. o mal nào podía apioximar -se dela e a sua alma permanecía isenta de qualquer falta. Entretanto, a -pesar-de ter chegado ao apogeu duma admirável santicade. evitava cuidadosamente o descanso ocioso. Pomba candidissima, eia sabia muito beni quáo corrompido é o mundo e:n que vivemos e co ntagioso o ar que néle se respira. Temía sempre, e nao contente com os rudcs esforqcs empregados no passado para dis ciplinar os apetites desordenados rebeldes. da natureza, continuava a tratá-Ios como ,

Antes de das ocasióes. S A tudo. jV 7* A fugía GEMA GA L G A S ! Dotada dum espiri to atilado. a-pesar-da sua simplicidad « infantil, cía vía n o longe o perigo. «Aquí n a o d e v e e s t í l e J e s ú s , costu• nava cía dízer ao pressentir qualquer tropeo menos seguro para a sua virtude: por j 's s o , Gema, f u j a m o s * . Sem julgar mal de nincuém, nao se fiava en-, qualquer e prefería isolar -se. Dai a sede de solidáo q \ie a teria sempre impedido de transpor os umbrais da casa, se nác necessitasse de ir a igreja cu acompanhar algumas vezes sua tin á c¡ - dade. Do i o afastamento de conversas e negocios que nao Ihc diziam rcspciio. dai a aversáo pelas amizades e rcíiiíóca inúteis. «Gema, cizia rr.uitas vezes. n ¿0 t e [íes c r : t í . T o d a a ccas¡75o p e d e encerrar «rn p e r i g o . /ora d - z j e s ú s l u d o c e n g a n o . p e r m a n e c e s ó c o r n £ i e e camiViía p a r a u f r e n t e s e m t e p r e o c u p a r corrí m a i s nodj ». Por isso o fruto mais encantado.* que a tema virejen zinha coIKeu da árvore da cruz — e a árvore da cruz para ela era a mortificado — ( o : a castidade. Sublime virtude, que devins ser o apanágio de toda a alma crista, cuja vocaqáo, como d iz o Apóstolo, é ser santa c ¡maculada, que rara es neste mundo depravado! Perola celeste, que com tanto brilho e encanto realzas a beleza moral de Gema, até lhe dares urna fisionomía de anjo. nunca elogio alguen corresponderá ao teu valor. Ouqamcs a Gema falar da castidade nutr.a carta que. a pedido de sua máí adoptiva, redigiu para urna crianza da familia Giannini. prestes a aproximar -se da mesa Hucafistica. < ó M a r i a n a . . . e s t á s j á i n s t r u i d a e n : t u d o p o r 5a - c c r d o i c s s a n t o s e z e l o s o s : todavía sinto que é meu dever

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I dizer-te também elgumas palacras. Queros saber sóbre que te vou fatar? É sobre urna virtud e multo bela, c muito querida aos olhos de Deus. Jesús reserva aos que a guar- darem fielmente um lugar de konra no cea. fí a sania purera.

Espero que Jesus h¿-de encontrar cm ti um cor«jfáo en: que dese/ará sempre saborear as suas delicias. Já te disseram que jesús se nutre entre os lirios: conservarás , pois, o ten coragño como um lirio ¡maculado. Jesús nao admite nada ¡mundo en: sua rea/ córte; se queres ir para là possut-lO c preciso que cultives esta beíisstma nY- tude. Pede a Jesús que te conceda tima táo- grande Orafa*. Esta exorta^áo, tinha-a a santa menina ouvido mui- tris veres desde a mais ter.ra idade. dos labios de sua pieúosa mài. E desde o cía em cue o seu corado des pertara para o amor ce Jesús, ccrcou de cuidados extre - 31105 como de espinhos protectores, o lirio da sua vir- gindade. Entre outras práticas santas, que preservai do vicio impuro, a Senhora Galcar.i aconselhava a seus fil'r.os que recitassero todas as noites trés Avé -Marias. conyas máos debaixo dos joelhos. em honra de Maria Imaculada. A inocente crianza praticava éste acto suma idad e ecr. que nao podia aínda ccmprccnder o alcance da sua significado. Depcis de ter repetido très veies a saüdaqáo angé' jica nessa atitude humilde e penosa, levantava-se e dizia. juntando as tnáozínhas: *Minha mài do Céu. nunca permitáis que cu perca a santa pureza. Refugio-me sob o

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A n i A 1/ a/ A I J A L ( J A I W ¡

cosso manto virginal. Guatdai-mc ¿em. assim agcadarci mais a Jesus*. Gema conservou durante tóda a vida esta pràtica ‘recomendada por muitos santos. Poucos dias antes de morrcr. quando, esgetada de fòrqas. Jhe era inpossivel ter-se de pé. surpreenderam -na no quarto a dizer as trés Ave-Ma ria s com as maos debaixo dos joelhcs. Tódas as suas mortificaos, penitencias, maceraqòes da carne, e acima de tuco, a guarda rigorosa dos sentidos i¡nham por firn principal a conservalo da angélica inocencia. Considerando que a mais leve e inocente condes cendencia Ihe pode alterar o suave frescor, aborreceu todas as liberdades dos sentidas sem distingáo. até cair em verdadeiros exageros. Nunca se vía ao espelho. r.cn mesmo para se limpar do sangue, que muítas veres Ihe corría dos olhos em si:as ¿olorosas contemplares. ou da fronte circundada das picaduras, produridas pela coroa de místicos espinhos. Quando mais tarde o seu coragáo, completamente abrasado no au.or divino, sub.T.ergiu em dores inex primíveis tód3 a regiáo peiíoral; cuando a violencia de suas pulsares misteriosas arquecu fortemente tres ccstelas. Gema nerr. sequer se atreveu a aproximar a mào do seio ou a por néle os olhos. emboro nao pudesse explicar, a principio, fenómenos táo extraordinarios. E csíe mesero rigor de modestia virginal o'oservou quando uo mistico dardo de fogo, saído do lado de Jesus, abriu un largo estigma no seu pròprio lado. Lovjo desde os primeiros anos a casta menina ir.os treu nesta materia urna extraordinária severidade. Seu i t ' « I t %

C A P Í T U L O XVIIì 255 > pai nao conseguía abra^á-la; c, tendo apenas sete anos, fèz pagar caro a ura primo diremo a simples tentativa duroa inocente caricia. O joven:, depois de urna visita à familia Galgani, preparava-se para sair. Eslava ji sóbre o cavalo, quando notou que iinha esquecido nao sei que objccto. Convi dada a ir buscá-Io, Gema obedeceu, voltando logo com o objecto pedido. E coa tanta gra<;a o apresentou, que o primo, enternecido, se inclinou para Ihe farer urna caricia en «¡r.al de agradccimento. À m e n i D a , po:¿m, apenas nolou o gesto familiar, mas a seus oIKcs quàsi criminoso, repeliu vivamente a máo e o braqo do jovem, e de tai modo que cíe perdeu o equilibrio e caíu da scia, magoan- do-se bastante na queda. F?r¿i inútil querer ajudá -la r.a sua toilette. Se urr.a criada ou raesmo qualquer pessoa da familia se aprox: - mava. por exemplo. para Ihe ajustar o chapéu, ou atar as fitas dos sapatos, dizia resolutamente: «De.vxar. dcixai cu posso multo bem fazer tudo sòziaha*. Xa última doer.<;a, alguns instantes antes de receber a Extrema-Ungao. dispunba -se a enfermeira. segundo o uso inspirado pelo respeito aos santos óleos, a lavar os pés à moribunda, estendija súbre o Jeito e já quósi ina nimada.’ A lcmbran<;a de ter de suportar o contacto de máo cstranha const ernou a angélica menina. De súbito o amor da modèstia deu-lhc um pouco de vigor e cía, aproveitando a momentánea ausénda da enfermeira, tomou a toa'iha e a água. colocadas junto da cama, e conseguiu lavar -sc só. Quando, ao voltar, eia Ihe ofereceu o¿ seus servi- qos. Gema rcspor.ceu: < A grádelo-vos, fiz tudo por mi- nha própria máo». Tin ha ui extremo recato ñas alus5es, por vezes * in evité veis, ao vicio impuro. Longc de usar termos da Jinguagem vulgar, abstinha -se de certas palavras abso -

256 S AS TA GEMA GALGANI lutamente indiferentes e usadas até pelas almas mais piedosas. sobretudo na Toscaoa. or.ee há o costume de ciar ás coisas o seu nome próprio. Para se exprimir usava perífrases nuito naturais em sua b6ca, o que era .»cuito para admirar, pois igno - rava o mal e as diferentes faltas contra a pureza. Dis - se-me uir. día: <Há certas coisas que nao compreendo. Qucm sabe se já tcrci feito atguma coisa proibida? Pare - ce-me que nao». E acrescenta: «iVáo, cíí nao quero ofender a Jesús; antes morree! Antes ser cega durante o testo da nú nha vida, que pecar contra a santa modestia, mesmo cenia!mente! Antes ser privada de tedos os sen - tidos do rneu pobre ccrpo. que abusar déles!> Nao sci o crédito que mcrccc certa comunicado divina ce que se j yjgou favorecida urna alm a virtuosa do mtu conheciocnto. Encerra, porém, um táo be!o elogio ce Gema, e táo conforme á verdace, que nao posso cci - .\ar de o consignar nesta biografía. «Esta querida filka que tanto amo e de quem sou táo amado, dizia Jesús, pede-me amor e pureza. E cu. que sou a mesura pureza e o amor verdadeiro. atendí o seu pedido tanto quanto urna criatura humana podia ser atendida. Sempre ¡he guarde! aquela pureza de corará o que deve possuir urna esposa privilegiada do Esposo Divino, conservando-a no rneu,puro amor como lirio ce ¡esto.

¡* r • M candura deste anjo trar.sparecia admiràvelmente em seu corpo, o qual apresentava certas qualidades muito raras.

Dir-se-ia formado de puro cristal. Embora total mente despiezado, brilhava corno se fòsse objecto de muitcs cuidados. Nunca cxalou cheiro dcsagradável, mesoo curante as importunas d ocreas que per tanto tempo a prcnderam ao leito. Maravilladas coni éste facto verdaderamente extraordinário, mui tas pesseas. para rr.eìhor se ccrtifica - t'tn. permaneceram dia e noite. por várías veres, junto do leito ¿a enferma. E. coisa air.da mais admirAvcl! Embora Gema nao usasse pomadas, ne. -r. perfumes, nem tnesmo sabào, fora do caso ce verdadera necessidade. um odor muito agra- dávei se exalava rr.uitas veres da sua pessoa e dos objec- tos tocados por e!a. Ccmo en nada se parecía com os aromas da terra, e inspirava devoqào, ninjucm pòs em dúvída a sua oricem sobrenatural. xNáo ser.iis éste perfume táo raro? diriam urnas as outras as pessoas que a cercavam. £ a no ssá querida Gema. Com ceríera. Jesús/ .Maria, ou o sei: Ànjo se e.nconfra junio de¡3 neste ;/TOutenío». Éste prodigio nao é novo nos anais da agiografia. Verificou-se cm / niuitos santos, entre outros em S. Paulo da Cruz c sobretodo na virgern Santa Maria Madalena de Pairi. cujo corpo, passados tres sáculos, emite aínda em certas ocasióes un aroma celeste. . Mas esse dom tao raro e táo angélico devia passar pelo crisol da tentaqào. O demònio, cheio de raiva. tornou -se directa e pessoalmente o tentador da angélica virgem. O ataque nao

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SANTA GEMA GALGAN1

era fácil. Por que Jado assaltar táo inocente pomba que r.cm sequer o neme do Y ÍC ÍO asqueroso conhecia? Como insinuar grosseiras ilusóes á um corado idealmente casto? O espirito do mal de-pressa ccmpreendeu que perdería o trabalho, cu que Deus certameníc inutilizaría os seus cs/or^os. Por isso contcntou -se cora dirigir as suas criminosas tentativas contra os sentidos. En pri - neiro lugar apresentou quadros impuros á imaginado da santa menina, depcis apareceu -lhe cm aíitudes las civas c íéz-llic cuvjr expressóos escandalosamente inde centes. Emfim pes em ac<;áo todos os artificios. Embora Gema nao atingisse o sentido de semejan tes palavras e gestos lúbricos, o instinto do pudor nela táo apcríei<;oado. féz -lhe ccmpreer.der a abominado de tais atítudes. Acautelou -se contra o ir.imigo e opcs -lhe urna enérgica resistencia. Satanás redobrou de esteraos, a-pesarde sercm evidentemente inúíeis. para atormentar a casta menina, a quem a vista destas cenas impúdicas desoiava. Ou^amo-la contar as suas m&guas ao director espiritual.
«•Q:;c terríveis (entoldes sao estas, nicu Padre: Tedas as ter.ta;oes me desagradan. mas , 1$ que sao confia a sania pureza [azem-me tanto na/. r ... O que cu sojro so Jesús o sabe, £!e que me olha, permanccendo escondido, e que se eompraz cor: as minhas ¡utas».

Para nao ver. tanto quanto lhc era pcssSvcl. estas represcnta^Ses impuras. Gema fecha va os olhos. e con servava-os fechados até desaparecer o tentador. Com o cruc;fixo na míio. cha oía va em 'seu auxilio o Anjo da Guarda, os S C J S Santos Protectores e sobretudo a Raí - nh.i das vírgens. ■ • .

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Quando ter minava o conqbatc, voltando -lbe a tran -

qüíUdade f » ai ma. excbmava tòda conient e: «Dèmos pra fas a Deus, porque se passoit o din do mtthor modo que Lhc eprcuu-cj. A corajosa atleta ca pureza eia ne java outras armas defensivas de tèmpera snuito diferente. Ouvira dizer que es santos, para reprimir as tenta^óes da carne. usavam a disciplina, o cilicio, c que algum deles, para nelhor a pa car o fogo da concupiscencia, se tir.ha mergulhadc num tanque de àgua gclada. Nao distir.guir.do enti** as ienía?6es que conovcm os sentidos e as que se deteeen, por assire dizer, à sua porta, sem IKcs perturbar a serenidace, Gema julgou ter nccessìdade dos ntesmos remedios videntes e propòs -se imitar os sar.tos cocí un ardor que teria certamente dilacerado o seu corpo virginal, se nao fòsse a intervengo do director. Muitas vezes até, tremendo só cotr. a vista do pe rito. deixava de pedir conselho ao director da sua alma e recorria h disciplina ou à corda nodosa, erizada de pregos, com que apcrtava fortemente a cintura. Quantas vezes ca;u no chào, desfalecìda c ensangüeniada ccm as ir.toleráveis doces produzidas por cssas grossas ponías que penetíavam na came viva! Os que. como eu. ccr.seguiram ver neste lastimoso estado a cenerosa vitima da santa pureza comoveram -se até ás lágrimas. Num dia de inverno, depois do jantar. o demònio apareceu-lhe sob as formas habitúa:.? de cínica lubrici - . dade c. espumando de raiva. declarava querer vencé -la a todo o custo. ’ A inocente virgem. assustada, levantou os olhos ¿ as máos ao céu, correu irreflcctidamcnte para o jardim da casa onde se

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SANTA GEMA GALGAN1

encontrava urna tina profunda de água gelada, aproxitr.o -j-se déla, fez o sinal da cruz e atirou-se resolutamente para dentro. Passado pouco tempo, entor pecida pelo frío, estava quási a afogar -se quando máo invissvel a retirou déste banho perigoso. Foi assira que Gema se rnostrou. na arena da peni tencia. rival dos grandes heróis do cristianis mo. Peíanle tais e.vemplos dcvjam córar de vergonha tantos cristáos que, proclamando -se discípulos dum Dcus crucificado, se mostram tño compassivos coa o corpo. t¿o vagarosos em refrear os apetites desordenados. Nao esquejamos que. segundo a palavra do divino Salvador, o reino des céus c a perfeijáo da virtude nao se adquiiem sem penitencia.

da cru: que. peía c.ortiíica^áo, pela abnego c pela penitencia, os discípulos de risto se irr.pòem por suas próprias rnáos e levan durante tòda a vida, outra há que o Ser.hor prepara as almas privilegiadas. Sao as provas. é o soírt- niento: Que/n r?ie quise r seguir, diz o Salvador, deve tomar c levar a sus cruz. T ocios os santos ten de levar urna e outra. Pelas penitencias voluntarias e pela abnegado, cooperam na Missào de vítima — Expiando pelos pecadores obra da sua santificando, que De js aperfei^oou no crisol da dor. Tal ‘t a filosofia do Evangelho: per mullas tribuíationes eportet nos inírare in regnum Dei; para entrar no reino de Deus & preciso passar pelo fogo de muitas tri buíales; sen isso nào há vcxdadeira santidad«. A cada novo grau de perfei<;áo corresponde uní sofrimento novo, até que. chegada ao último grau que é a serr.elhan<¡a per - ícíta con Jesus, a alna possa cxclanar: « Eis-me cruci -

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SANTA GEMA G A LG ANI ì

[¡cada com o Sahador: já nào sou eu que vivo, é Jesus quc vive

c/n m rut>. Quanto mais elevada é a saatidadc a que Deus chama os scus cleitos, tanto maiores sào os sofrimentos quc Ihes prepara. Gema, predestinada pelo Senhor a todos os regalos da ur.iào mistica e a um eminente cjrau de viríuáe, devia tramar a amarga beberagem da dor, nào gota a gota, cas a torrentes. Poi o que sucedeu. Nào voltaremos a falar das aflijòes pouco vulgares a que eia desde a infancia foi submetida quasi sem inter rupjào. Essas primeiras provas nao eram mais que o ensaio coni que o Senhor a preparava para maiores itno la«;3es, que só sobre o calvàrio G O sea leito de morte se deviasi consumar. Visto que o so fritte nto, para ser meritòrio e atingir os fins da Providencia, deve ser volontàrio. Deus susci tou err. seu coraqào. pelos meios mais ternos e eficazes, uni grande dcscjo de soírer. AJgumas veres rr.ostrava-se coni a cruz às costas e dizia: <Gema. queros a min ha cruz? olha, é a dádiva que te preparcu o meu amor. Dai-ma, , vieti Jesus, respondía sem hesitar a fervorosa menina; mas dai-me também a coragem para que cu nao
desfatefa seb o seu péso. Desagradar-te-ia. continuava Jesus, beber o meu càlis aie ò ¿¡¡(ima gota? Reaiizai. Scnkor, respondí a Gema, os vossos sanios designios*.

Outra ve:, apareceu - lhe’ o Senhor pregado na cruz, cobcito de chagas. e escorrendo sangue. <£ste espectáculo, dizìa-me eia, encheu-me de ¡mensa dor .
A lembranga do amor infinito de Jesús c dos tormentos suportados

em .sua Paixáo para nos salvar aumentos a minha dor e desfaieci. Ao recuperar os sentidos , e/gii- tnas horas depois. experimentei hm grande desejo de sofrer algún:a ccisa por que/: i tanto tinba sofrido por mim ».

Este deseje de -pressa se ccnverteu cuma verda deira pu:. \do, a que o scu cora^áo nao póde resistir. «Quero sofrer, cxclamava, quero sofrer com Jesús: nao me faieis en mais nada. Quero ser semclhante a Jesús, sofrer sempre emqiiúnto vi ver. e viver sempre para sempre sofrer». No ex tase estes sentimientos vinham -lhe continuamente aos labios. Oí másmos sentimentos tiverara todos es santos ao contemplar o Homem das dores. «Nao, direm ¿les com S. Bernardo, nao e justo que. sob a direc- fío durr. che fe coroado de espir.hos, os súbditos vivam em delicias.
Se íílt sofee, também estes deven sofrer. O contrario seria ingratidéo e monstruosidade>.

Um cía, paca mais avivar o fogo dos seus desejos, aparcccu-lhe o Anjo da Guarda, tendo 33 mao duas coroas: urna ce esp inhos. outra de lirios, de maravilhosa brancura. Propcs-lhe a escclha. <Eu quero a coroa de Jesús, ’disse ¡mediatamente Gema: dai-me a de Jesús, jó essa me
agrada >.

O Anjo avangou com a coroa de espínhos. Gema ío::iou-a resolutamente, cobr:u -a de beijos e apertando-a afectuosamente ao peito, exclaraou: <Gragas infinitas a Deus. viva Jesús! Vivam as didi vas de Jesús! Viva a cru: do
Salvador!» 264

SANTA GEMA GALGAS1 > Os ensinamentos divinos tinhan írutificado na a!n 3 ¿a vírgera de Luca. Faltava coroá -los com a clara comprcensáo do último c mais profundo segrédo do mis terio da dor: a comunicado dos méritos dos justos. A missao do Redentor, que se realizou principal •.

mente peta expiado, nao terminou aínda. Os seus discí pulos devern continuá -la. devem até ccmpletá-la, segundo a expressao de S. Paulo: cu supro o que [alta acs sofcimentes de Cristo. Mas a ir.aior parte dos homens, longe de apaziguac por obras ce penitencia a cólera de Deus, provocam -na mais aínda com novas ofensas. Aos justos toca entao expía-las e consolar o corado de Deus. segundo está escrito: O Senhor se consolará em seus serves. Déstc modo íteam cíes associados pela infinita bor.dade de Dci:s á missáo expiadora de Jesús Cristo. Para gravar profundamente esta grande verdade no espirito de Gema, disse-Ihe }esus r.um colóquio íntimo e claro. «Mj/s/ia jilha. tcnko necessidade de vidrias, tras de ritimas fortes. Preciso de almas que expí'c.-?i pelos pecadores e pelos ingratos com os seus sofrimenios e tribuíales. Oh! se cu pudesse fazer compreendcr quanto o r?:cu divino Pai está irritado contra o mundo impío!... Já nada conten a sua fustiga, e um espantoso castigo está ¡mínente sóbre todo o universo*. Es tas palavras eram acompanhadas durna luz celeste que d esccfcría h santa menina toda a sua significado, ao rr.esmo teepo que um incendio de amor ínflamava a sua alma. C.hcsa de entusiasmo ia repetindo em alta voz: «íTu sou a vidria c Jesús o sacñficador. Sacrj/tcai -/ne. ó 1 C A P I T U L O X I X 2&5 \ Jesús . Quero tudo o que quiscr Jesús. Tudo o que Jesús me envía será para mim um presente ». Depoís, prostrada com a face por Ierra. ítz a se guíate precc que submeteu ti minha aprovaqáo:
»

«Eis -me a vossos pés santissimos. ó doce Jesús, para Vos exprimir o mcu reconheci mento pelos vossos grandes e confinuoj favores. Dcu-vos grojas. c se Vos aprouver pego
mais outro favor: ¿ esperar. Sim. Jesús, esperai. Sou vossa vi tima, mas esperai. A minha vida está ñas vossas máos, mas esperai. Podéis áescacregar scJjrc mim a vossa cólera, mas esperai se Ves

aproiu*cr. Que cm tudo se cumpra a vossa sania vcr.iade ». Qual o motivo desta tnsísíéncia cm pedix urna demora? A humilde donzela temía a atengao que os fenómenos sobrenaturais costumam despertar sempre. e ccm receio de que muitos males misteriosos, dífíceís de ocultar. Cbtivessern prestes a fcrír o seu corpo, supli ca va ao Senhor que retardasse ao menos o lado visívcl da expídejáo anunciada, até entrar cm um mosteiro que o ocultaría aos olharcs do mundo. A partir déste día. Gema ficou transformada. A lembran<;a da missáo rcccbída do alto féz cela urna críaiura^nova. A séde do sofrimento consumia -lhe as cntranhas. tSojrer. di'iia, sefrer. mas sem nenhuma consola^áo. sem o menor alivio, sofrer só por amor* .

Para cía. amar c sofrer. ser amada e ser provada cram a mesma ccísa. <£sfcu muito contente, contir.uava, porque Jesús nao cessa de me fciíemun/iar o scu amor. i$io ó.
nao cessa de me mortificar mais do que nunca».

Foi do próprio Salvador, que cía aprendeu esta sublime doutrina. Uma ocasíáo, em que pedía aumento continuo de amor. oaviu as seguintes palavras: c S.e me queres
amar verdaderamente. toma o meu célis por onde jà bebi: podes esgoiá-lo até ¿ última góta ?»

Gema respondeu: *Amável Senhor, os meas labios cstáo tao
prontos como o meu cora^áo. sadat-m$ com ¿ssc cális, inebriai-me com èsse absinio ». Estas expres - sócs nao eram efeito passageiro

dum fervor efémero.

S A S T A C E Ai A G A L G A N I

Quanto mais as tribulag&es se multipücavam, mais a sède delas aument ava na vitima de Jesus. Orarlo, meditagli sucessos tristes ou alegres, tudo despertava as suas aspiraqòes de sofrimento. E. nao contente com os sofrimentos tía ocasiáo, pedia de continuo ao Senhcr que duplicasse a cose, que os variasse, numa palavra e segundo a sua propria expeessào. que a sactasse. <Nui ti sábado à tarde, escrevja-me eia, fui fazer urna visita ao santo crucifixo (l). Senti nesse momento Lr/.n grande dcsejo de sofrer, e
de todo o meu cora^ào pedi a Jesus que o satisjizesse. Desde essa tarde so[ro urna dor violenta de cabc;a. mas tào violenta que choro quási continuamente com receio de n<7o poder resistiry.

A fervorosa menina temía perder as forjas, mas ne;n por isso deixou de continuar corajosamente a pedir até à sacicdade este pào das lágrimas, em que parecía saborear misteriosas delicias. «S/.'.t, cscrevia eia, esfeu contente por [szer em tudo a vontade de Jesús ; se me pedir o sacrificio da vida, [á-lo-ei ¡mediatamente; se quiser outeos sacri[icios,

(l)

Era o da »la di Jar.ta:. ao qual Ji noj referimoi.

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esfou pronta. Só quero ser. a sua v¡tim& para expiar os meus inúmeros pecados e. se ¡ór possiccl , os pecados do mundo ¡nteiro».

Certa ocasiáo. era que suportara havia cuito tempo dores crudclissimas. parcceu -lhc ver S. Gabriel aproxi marse e ofercccr-lhc a Isberta^áo dessas dores. «Nao. responde«, pcfo ros que mas nao tiréis, ou ao menos deixai-me algunvts para que nao me enccnírc ú noife co/ii as máos v&zias. quando Jesús vico. Para Gema um dia sera sofrimento era um dia per dido. Dizia-me. lamcntando-se: <D¡a$ ha que ó r.citc nao tenho nada para o /crecer a Jesús. Oh! cono sou infeliz!» Esta gene. -cstdade agradava ¡mensamente ao Se- nhor. que a urna esposa segundo o scu corado nao rega - teava provas de satisfago e ternura. Urna vez, entre outras. éste Deus, que ccm (anta solicitudc vela peías suas criaturas, preguntou -lhe se tinha soírido muito no decorrer duma longa tribulaqáo qu e aínda durava: «Co.'ii’oíco, respondeu Gema, faz tanto bem so/rerJ... E que custa esta prora, vindo Ves pessoa!n:ente con- so!armc?>

•■jesús continuos: «Sabe que durante os teus sofri- tnenios esta va sempre junto de ti, compra zendo-me con a tua coragcm*. Para a recompensar, permitiu -lhe que se aproximarse e beijasse as suas chacas. «Como, cxcla - mou Gema, em sua profunda humildade. por íao pouco vma tá o grande recompensa?> Todavía, aniaada pela sua filial confianza, aproxi - mou-se do Salvador, pós-se de joelhos e, com o coraqao inflamado, beijou urna por urna as divinas chagas. Mas quando se levantou para aplicar os labios ardentes sCbre a do Sagrado I.ado. sentiu-se desialecida de anor c caiu palpitante aos pés do seu doce Mestre. A vii ima de Jesus estava agora pronta para naiores irr.clajòcs. A sède de sofrimento, excitada pelas provas

precedentes, tornava-a capar de suportar um oceano de amarguras. Os abandonos divinos, as vexa^óes diabó licas. a participado en todas as dores da Paixáo ocupa- ra.T.'lhe os últimos anos da vida, farendo déla urna ima gen viva de Jesús crucificado. dar urna simples idea do martirio moral que o aparente abandono cíe Deus fé: soírer ao scu corado. Esta prova é das mais frequente* no caminho ca per - feid° mística.
Voj

Depois de ter atraído a alna, durante maior ou menor espaqo de tempo, com celestes do^uras. Deus cometa a retirar-se pouco a pouco. esconde a sua face, nao faz -sentir a sua presenta. suspende tòda a comunicado sen - sívcl. ce i.va a alma só, como que abandonada num abismo de trevas. de dúvicas, de temores, de angustias, a ponto de eia se juJgar quási no inferno. Para se cocnpreender nos santos o horror déste estado, seria preciso ter entrevisto, como éles, os encan tos infinitos da Eterna Belerà, da qual se julgam aban donados. e ter experimentando o imenso amor de que cía lhes abrasa o corad 0 ■ ' ' ' " Mas quem nos poderá dar urna idea aproximada déste conhecimento sobrenatural e déste amor ardentissimo? Qi:em nos poderá direr quanto era delicioso para C A P I T U L O X I X 269 % • Gema èsse Jesus a quera amava lào apaixonadamente? Quem nos poderá dizer quào suaves erara as alegrías que cÉle recebia desde a mais tenra infAccia, c quào querida era a sua esperaba de um dia se inebriar de Feiicidade nos seus divinos e etcrnais ampíexo3? As almas vulgares sáo insensiveis is prova^òcs de ordem

sobrenatural. Ahsorvidas pelos bens rcesquinhos deste mundo, os únicos que Ihes agradan e as satisfa- zem. nao tém paladar para saborear os bcn3 celestes, incompativeis cora os da terra. Gema, porém, estava morta para as criaturas. Fora de Jesus tudo para cía era aborrecimento e desgóslo. Como poderia entào viver sem £!e? Ou<¡amos os seus gemidos: «Procuro Jesús c nao O cnccníro. Paree e que se afastou e que ja nao rr.c quere conhecer: pura or.de irci? Que há-dc ser de min 2? Pobre Jesús, ofcndi-Vos mu tío. Mas haveis de permitir que Ves encobre de novo, nao é verdade? Apiacai-Vos. ap!acai-Vos e voltai para mim, porque nào posso resistir í?ia;s. Eu. longe de Vos? oh! nao, nao!» Para a consolar r.este lancinante abandono, o Anjo da Guarda e alcumas vezes até a Virgem Santissima aparecií yn lhe, mas quási nao fazia caso, porque, fal - tandc-lhe Jesús, íaltava-lhe tudo. Inconsolável com o desaparecimento do divino Mestre. como Madalena sòbre o Calvàrio na manna da Rcs- surreiqáo, dizia ao Anjo da Guarda: «Onde esih Jesús?» E a Maria Santissima: « Dizci-me, . ó Mài. para onde foi Jesus?» E ao seu director escrevia: «P or ventura tambem vós nao sabereis ensinar-me
o meio de encontrar de novo
s

o c? Dír<*j -f Ae cue ¡á nao posso resistir mais».

SANTA GEMA CALGANI

A sar.ía ircaiaa procurava dissimulac o melhor pos sível martirio interior, reas sem o conseguir por com - ple'.o. As pesseos cais intimas viam -na inultas veres . pálida e extenuada; nao raro a surpreendiam no quarto, de jodeos, cosí os bracos estendidos, os olhos cheios de lágrimas c levantados para o céu. o peito ofegante, soltando de vez era quando profundos suspiros: <A leu Dous! Náo védes que déste modo me vou consumindo? Lor.ge ác Vos cu morco. Lembrai-Vos que sou ama pobre órfá. Sois ,r.:u pai, nao tenho mais ninguém. e Vós
fugis-me?»

Éste suplicio, continuado sem ¡nterrupjáo, teria infaUvelmente dado a ir .orte a éste inflamado serafim, se no mais intenso ds de solará o. o Senhor nao acudisse coir> solicitude de pai a consolar a su a filha. aninando -n. coni suaves exortaqfies, a viver crucificada. O iciíor estimará cortamente conheccr a’guns desses ensinamentos divinos, tais cotr.o sairam da pera da piedosa donrcla. Sao documentos dujr.a sabedoria ce -' leste. ir.uito próprios para rarer bem a qualquer alma crista. <Minha filha. cizia o Senhor. lamentas-te por cu te dcixar ñas trovas. /na.? náo esqueyas que depois das trovas vem ¿t luz c entáo te deleitarás numa admirável clanduce. Fago-te passar por esta prova
para minha maior gloria, paca alegría dos anjos. para íeu peóprío proveíto. e tambóm para exemplo dos outros. Se me amas verdaderamente. deves amac-me mesmo r,as trevas. Gosto de rr.e entregar as almas afeigoadas a exercicios do amor. £ por isso que finjo

a6anc/onar-fe. ¿ »fas n5o te aflijas, náo é um castigo, é urna inven-

C A P Í T U L O
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fio da minha ternura para te desprender ir.teiramente das criaturas c te prender mais a má -t.

Quando finjo repelir-tc c para depcis te aproximar mais de min. e quando parteo estar longe. cston mais peito que nunca. Ton'.a coragem ; a luta sucede sempre a paz. Permanece fiel e amante. Se cu íc dcixar só. Co/;.'ír:ua a ser paciente, sofre ccm resignagáo e scrc- ■'.idade. Nao imites essa* almas que se preñeem As conscia- gees c aos gostos cspiriiuùis. e pouco se inpertam con a cru:. Quando ckega a r.cra da aridez, abandonan pou co a piuco <5 oragáo, por rio Ihes proporcionar j$ as cíofu- : ras habituáis*. Gema nao era certarr.ente dcss3s alcias iracas. Funha em prálica com raro fervor os ensinamentos do divino Mestre. Longe de afrouxar a sua marcha para Deus, ganhava novo ardor e procurava agradar-lhc tanto mellior. quanto mais se via aparentemente rejeitada. Coni :aais àrdor do que nunca, ia. qua) ponba ofegantc. ' rcfug:ar-sc junto do Tabernáculo e nutrir -se cora o pío da vida à mesa eucaristica. Quando a cr.edita<;5o Ihc era completamente itr.possivcl. perseverava na oraqáo vocal.
Envol vida em espéssas trovas que a nao deixavam \er onde pur.ha os pés. ia sempre para a frente, procurandolo fuoco do abismo, de profundis, segundo a sua express ào. encontrar a Jesus. Sofría sem se queixar e curr.pr:a os seus deveres com a rcesma actividad« que tinha no tempo da consolalo. Só a gra«;a de Deus pode produrir na alma tanta magr.ani mi dade.

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*

Vexâmes diabólicos

purificar os scus cscolhidos e fazer dèlcs ¡timas de expiadlo. serve-se o Senhor muitas ezes ce Satanás que, com o seu òdio ao homem. è nas ajaos de Deus o instrumento mais apto dos Seus designios. A Sagrada Escritura e sobrcíudo os anais da agiografia ofereccm-no3 numerosos exemptos desta conduta da Providencia Divina, Quar.do o Senhor quts elevar S. Paulo da Cruz a um grau mais eminente ce santidade. disse-lae no íntimo da alma: «Far -fe-ei calcar eos pés pelos
demonios*. Gema ouviu ta.ubém um d:a palavras

semeihantes: <Prepara-te. minha filha: por ordem
mirtha o ckmónio vai declarar-te guerra c. desta forma, dar a ùltima demào á obra que realizei em ti».

Podemos afirmar que esta guerra foi gcral, isto dirigida contra todas e cada urna das virtudes e práticas, por meio das quais a santa jovein se esforqava em cami - nhar para Deus. Tódas desagradavam ao anjo do mal.

274

SANTA GEMA GALGA VI
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que as atacou cotr. òdio feroz. Dir-se-ia que. no excrcício do seis tenebroso impèrio. n5o tinha outra preocupado q -je nao fòsse perseguir esta pobre menina e inventar meio 3 de a assaltar coa teníales. A orado é o alimento vital da santidace, o caninho luminoso que conduz ao Soberano Bcm. Desde ha muño que a nossa santa amava e praticava coca todo o nrdor da sua alma o trato íntimo ccm Deus. E de via-'..he liens inapreciáveis. Mas, o cue n5o ÍL*z satanás para afastá -la da orado! Naca poce 2do conseguir cora as suas inspiraqócs perversas, provocava-lhe violentas dores de cabera que ter:am levado urna a’ma mer.es enérgica a un repensó indolente con grave prejuízo da orado- Recorría aínda a mil outros meios para a desviar déste exerccio divino. *Of\! dízia-me cía. íjuc tormento para mim o nao poder orar! Que f a diga rn sofro! E <;;u' es forros ¡a: esse i'clítüi'o (assiro dannava ao demònio) pitra me tornar a cra>áo impossivcl! Gntern h rjoí/e quería matar-rnc, c (c-!o-ia [cito se nào fòsse a rápida ínierrcnfEo de Jesús. Eu estava desfalecida. tinha bar. gravado na min ha alma o no/ne de Jesu?. ñas nao me era possivi"! profen-lú con a y í r?<yua s>. Algunas vezes o infernal inimigo tentava triunfar de um $6 impeto por meio de su gestCes ímpias. cQl'c / a:es :n? ihe cizia. És louca c»? rezar a um malici!or. Ve como ele te atormenta e íe co/;se. -i\3 conzigc sobre a cruz. Por rentare i poJcs amar querp nào ccnheccs c qtiem trata (¿o duramente os seas
melhores amigos?'»
Í-S :.ÍS blasfemias nao eram mais que poeira lanzada

ao vento, nías aíligiam profundamente a alma terna e amante, obrigada a ouvir assim ultrajar o seu adorável Jesús. No mcio de tantos sofrimentos. a pobre menina pro-

C A P I T U L O X X curava algum confòrto no director da sua alma, apresentava-fhe as suas ctficuJdadcs. implorava conselhc c directa ». Éste humilde e filial recurso r.áo agradava ao espi rito das trevas. que via assim diminuir as s-jjs já tío pequeñas probabilidades de éxito. U S O J de :r.ií artificios para isolar na luta a corajosa donzela. a fas tan do -a do directo -- espiritual. Pintou-lho con as mais desíavoráveis coces: como ¡cnornr.te. um fanàtico, un iluso. <Nos últimos dias. escrevía-ne eia. o
mafúrrico fez-mas boas. £s:¿ rej n.írro que ri a privar-me do nieu guia c ccnsc!heiro pura me perder; nao tenko. poré. 71, rece io ce que o

consiga*. Parece que esta confianza cm Dcus deveria desar - mnr Satanó.s, mas nao toi assim. Pecante a inutilidade das suo 3 insinuadles pérfidas, reconre'u h violinola fisica. Logo que Gema tornava a pena para me esersver, tira - va-lhe das inños o papel e rasgava-o. Algunas vezes, agarran do-a pelos cábelos, arrancava-a de junto da cesa con tal raiva que nns màos brutais Ihe fica va m madeà.xas ìnteìras; e ao niesmo íetr.po uivava com voz furiosa: tCuerra. guerra a teu pai
espiritual, guerra emquan.to eie estivar zio mundo!*

Seja-me licito dizer. aqui só entre n6s, que nunca passou das palavras. <Acr editai-me. Padre, dizia eia. ao ourih. vè-se rjrtre éste ueìnaco oc/era mullo mais a vós do que a mina.

276 SANTA GEMA G A LG A N l O demònio levou a audacia até ao ponto de se dis famar nc confessor ordinàrio de Gema. Un dia acabava a Santa de entrar na igreja e espe - rava pelo sacerdote para se confessar. Mas qual nào foi o seu espanto ao vè-Jo ;'à no seu pósto, sen saber por onde c que èie tinha entrado! Sentiu urna grande perturbado interior, que aela era indicio infalível da presenta do espirito maligno. Entretanto aproximou-se e come^ou a coníissáo. A voz que ouvia era realmente a do confes sor ordinàrio, mas as palavras erare escandalosamente indecentes e acompanhadas de actos deshonestos. «Mei: Dei; 5, exdnmou Gema, cue è ¡sto e or.de estou e «? » A casta donzcla. tremendo dos pés A cabeqa. per- n.ancceu por v.m momento estcnteada. Depois sossegou, icvantoj'Se. saiu do confessionàrio e verificou entào que o pretendido confessor tinha desaparecido, sen que nc- nhuma das pessoas presentes o visse ir. Nào ha vi a dùvida, o demònio procurava con èste artificio grcsseiro surpr eender a santa menina, ou, pelo menos, tirar-lhe tóda a confianza no ministro de Deus. Tendo faihado éste golpe, tentou outro. Apareceu sob a forma de um belo anjo, resptandecente de luz cheio de solicitude pela felieidade de Gema. Como cutrora coni Eva :io paraíso terrea!, empregou a mais subtil astucia paca conseguir enganà-la. *Oìhn para mim, ci:ia èie. posso termr-te [diz; jura semente que me ci>e- <3 c c c r à s i . Gema, que desta vez nào tinha sentido a pertur- hncào reveladora da peesex^a do demònio, ouvia tran- q «:i a nienti:. Mas, às primeiras propostas criminosas do c , i imo perverso, os olhos abriram-se-lhe e pòs-se n 3 defensiva. «Mea Deas. María Irr.ncuia.da. exdamou logo, viride em meu auxilio/ » Depois, avanzando resolutamente para o arijo disfamado. cuspiu-lhe na cara.

Desapareceu ¡mediatamente: sob a forma duma grande chama vermelha, deixando no soalho do quarto um morctáo de cir.za. A Iguai te cipo depois, novo assalto. <0 ti vi. Padre. escrevia-ms Gema, oniem entrava cu em casa, depois de me ter confessado. Aproveítando o momento de so! id io, pits-me de jeeihos a recitar a cc.-oa das cinco chagas. Ao chegar ¿ quarta chaga. vi diante de nzim urna pessoa muito parecida com Jesús. Estava flagelado de ha pouco e do seti corará o abeno corría sangue err. abundancia. Disse-me: «£: assim. niir.ha filha. que rr.e correspondes? Consi dera o estado cm que rr.e encontro. Ves como sofro por ti? E nao podes continuar a consoladme com essas penitencias? (1) E no entonto ers beni póuca coisa: podías muito bem retoma-las*. cNaó. nio. respondí, quero obedecer; e desobede - ce ri a se vos ater.dessc ». «Mas emfim, continuou èie. nào foi o confessor que tas proibi'.:, foi esse... (2) Ora tx¡ de nenkum modo estás obrigada a obcdecer-¡hc>. E acrescentou n:uitas mais coisas. Nestes perniciosos conseihos reconheci Satanás, e

(1) (2)

Eiías per.lrtncijs acabavatr. de ífce ser proibidas. O dín’.ór.io quería deil$rar o director ejplr.ru.i5. o Padre Germano.

2T3 S A N T A G 8 Ai A G A L G A N / esía para tomar á discip/ma; corno das ouíras vczes crrj /giráis circynsíáacías, quando .rae senfc diferentemente insniredu. Levántenme, !ancei-lhe áffua benta e desaparecen. Recuperei er.tso a paz, náo iem (er recebido ¿ígumas pancadas cora que a besta vil rae gratifica de lempos a lempos*. Nao podenco obicr outra coisa, procuiava assim o espirito do mal levar Gema, contra a proTbijSo do direc tor espiritual, a penitencias prejudiciais á saúde. Para a proteger contra visees cr.aléficas. ordeneMhe que a cada aparijáo sobien3tural exclamarse: Viva Jesús! O Senhor, san eu o saber, tír.ha -lhe dado un con reino quási igual. Gema novia di:er: Benditos sejam Jesús e Marra/ A dccii menina, para obedecer a ambos, junlava as duas exclarr.aíóes. Os bons anjos respondíam repetindo sempre estas invocares, mas os maus ou nao respor.diam ou se limi íavatn as prtmeiras palavras: Viva, benditos. Por este slr.al erara reconhccidos. e Gema escarnecía déles. Cor. a esperanza de lhe inspirar orgulho, o demonio oostrava-lhe algunas vezes ea son'nos, ou mesmo estando acordada, urna procissso de pessoas vestidas de fcranco que se aproxima vara piedosamente do seu leito para a venerar. Desccbria-lhe também que as cartas para seu pai espiritual erara religiosamente conservadas para S í i r v i r c m u;n dia á su a glorificado, etc., etc. Vas tenía les! a serva de Deus era suficientemente humilde para r.áo se dcixar, como Eva, levar pela sedujo da vaidade. Supondo abalar talvez «a s u a grande confianza err. L/cus. o maicito aproveitava as ocasióes tan frecuentes ü c ; 'b.ínv’.ono c ¿c cruel aridez espiritual para aumentar «oí sua alna o horroroso'temor da condenado eterna. «¿Váo yes. Ihc diría ele. qi;e Jesús nao te escuta, que'já ti nao Guccc co nkccce? para qje !c cansas a correr para ¿le? Só te resía resignar-te com a tua desgranada ser! >».

C A P ! T 'U L o. X X

273

Para 05 santos £o¡ setnpre essa tenta<;ao a mais angustiosa. Gema sentia -Ike tóda a violencia; mas habí tuada a recorrer ao scu Deus, a -pesar-ce tudo e em todas as circunstancias, com a mais viva fé, como urna criarla recorre a seu pai, de-pressa rccuperava a acre - nidade. Por isso podia ela dizer -me: <£ste celerado cansa-se: quería... Mas Jesús com suas palavras inscirou-me tal tranquilidade que todos os esfocgos diabólicos nao pud^ram tirar-ne a confianga por urr. só momento ». O ar.jo da soberba, furioso de ver que tóda a sua astucia se malogra va diante cuma humilde ¿onzela. num aereo de desespero tiro» definitivamente a máscara, pas cando a actos de violencia. Aparecia -lhe sob as formas horriveis dum monstro amea^ader, dutn horneo feroz, dum cao r ai voso. Depois de assim ter procurado aterrorizá -)a, preci pitava-se sóbre ela. batia-lhe. rasgava-lhe a pele, atirava-a dum lado para outro no c uarto, como se fóra urna rodilha; arrastava -a pelos cábelos e martirizava de tódas as maneiras os seus membros inocentes. E nao juague mos que tudo isto se limiíava a impressóes puramente imaginarias, porque os eíeitos sobre o corpo ¿a vi tina persistiam p or muito íempo: cábelos arrancados, carnes lívidas, ossos quási estragados, dores atrozes. Algurnas vezes ouvia-sc o baruího das pancadas.'• via- se o leito mudar c.e sitio e e’evar -se da térra para

13-1

SANTA GEMA GALGANI

cair bruscamente no cfcáo. Estes Vexames duravam sem intcrrupjío horas inteiras e algumas vezes toda a noitc. Sóbre este assunto demos a patavra a Gema. A sim p!:cidade do seu estLO e a ingenua sìnceridade da sua alna dispensam-nes de comentarios. <Hcje. que me jul- gara Uire desta besta vil, fui muito molestada per e/a, id para me dettar, esperando poder dormir; nao suceden. pe re . 71, assira. A principio recebi i /ma pancada das mais terriveis. da quel julguet morrer. O malvado tinha a [¡gura dum grande cao negro, c punkü-mc as patas sobre os om&ros. Tratou~mc de tal nodo, que em dado momento s\tpi;s ter os ossos quebrados. Pouco depcis. como cu fornisse ¿gua benta. tor- ceu-mc o brego com extrema videncia e caí coni a cor. Os onsos csfa:>am completamente destocados • Jesus. pe rem, veiu repó-!os no scu lugar, tocando-os. e tudo [icón remediado. Em outra caria escrevia: <Tsmbc.m ontem o demó - nio me aftigiu. F.linha tia mandou-rne encher os jarros do quarto. /\o passar com os jarros n;t máo. diante da imagen do Coragáo de Jesus. dirigid he com amor urna prece [ crvorosa ; t medra ¿a mea fe senti daremme sobre os omeros u.-na bastonada tüo [ortc que caí por (erra. serr. nada quebrar. Air.da ho je me sinto muito mu! e o menor trabatho me
causa dores*.

A sanca menina escrcvia -rr.e a:r.da n outra ocasiao: </u abo a c passar, como de costume, urna no ite má. O ..un.o ap.'cscrtídM -ie diante de mim em figura de nr riso gigante c bateu-me durante tóda a ñor fe.
C A. P. I. ?' U L O , X. X

1

2S1

dizendo: «para ti j ¿ rulo ñá esperanza de salvalo, estás em mea

pocíer?.
Kespond: que nada temía porque Deus é misericor - dioso. liníS o, ejptrmanrfo c/e rarra, c/ca -me a/r:a £rart¿e pancada na cabega e tfesaparccca grifanc/o: «ma/r/r.'a sejas». Fui para o cuarto repensar um pouco, ?nas :á o fer ies a

encontrar. Comcpoy ce no^o a batet-rr.c con urna corda teda en\ r.ós. Batia-mv por cu me opor a fazer o mal qire n;c sugerís. «N$o>, ìhe di zia eu: c èie rcdcbra:-a as pancadas, ha tendo-me violentamente con a cabera no chao.
Dc-repcr.te tire a ¡cmbranga de implorar o auxilio do Divino Pa: de Jesús c exclamei: cPadre Eterno. /í- rrai-me pela sangue precisissimo de Jesus». ¡Mediatamente o ueihùco rr.e deu urna pancada /or- niidáyt’l, atircu-ms dn cama abaixo dar.do ilo violenta- mente co r;t a cabe? a no cha o que perdi es sentidos con a dor. Só r.mito tempo depois os recupecei. Demos grzfas a Jesús».

Estas cenas repetiarr. -se coni r:iu:ta freqüér.cía c, en certas épocas, repeiiani -se todos os dias. A pobre pa ciente eslava quási habituada a cías. Exceptuando as torturas corporais. podemos dizer que a vista do monstro ir.fernal ¡á nào a atemorizava. Olhava-o co:n a mesma serenidade con que a poroba olha para uui animal imundo. Gema er.tretinha-sc algunas veres a responder -lhe c a humtlhá'Io. quando nao ostava prcsbica de o fa ser. H quando à invocalo do Santissimo r.crae de Jesus, a hedionda besta. se rolava por terra para logo rugir a tòda a pressa, a ingènua menina acompanhava-a com zombarla s c francas garealhadas. «Se visseis. Padre, corno eie fugìa e tropegava cm sua ¡uffa

rnivosa, tcr-vos-icis rido conigo*.
Assistia cu nunia ocasiào à piedosa menina, gravemente doente c em perigo de vida. Sentado a utr. canto do quarto recava tranquilamente o breviàrio, quando uni enorme gato muito prcto c de aspecto terrificante rr.c saltou impetuosamente para os pés. Dea urna volta à roda do quarto, salt yu para o feico da doente e colo - C OÌ I - S C nsuito porco ciò seu rosto, fi.xanco nel. » ucn ollia: £**rOT. O sangue gelou -sc-mc r.3s veías. Genia, porém. p<rr- tn a necia muito sercr.a. <En(ic! que kà de r.oro?> Ihe pregunta cu.

SASTA GEMA G A LG AK I

ocultando o mellior pos&ivel a ininha a:ra - palkasào.

■*.

*Nào tenhsis :r.èdo. Padre, é èsse tvlkaco do demò nio cae querc moie star-aie: rnus nio lerr.jts: a lós rt-lo farà rial nenhunn.

À tremer aproximci-me do Jeito, tornei àgua benta c aspergi-o. A visào desapareccu ¡mediatamente, seni ter conseguido alterar por un sò momento a par profunda c.i doente. lima sò ccisa atcrrava verdaderamente a Gema: er i o rcccio de ceder às sugestòes do iniciig o e c'e ofender a Deus. Enbora no passano nunca tivesse caído, o perico parccia-lhe sempre ¡mínente c conservava-a aterrorizada. Nao esqaecia cenhum mein de deresa: crur, reliquias dos sar.tos, escapularios,^exorcismos, e. acima ce tudo. recurso filial a Deus, a Maria Santissima, ao Ac;o cin Ouarca e ao director da sua alma. Escrcvia -me:

C A P I T U L O

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283

cVi We dc-pressa. Padre, o: ao mcrxos dai fazei exorcismos. porque o demònio persegue-me ac tooos os nodos: ájudai-mc a salvar a alma, tenho mécfo de estar já ñas ruaos da Satanás. Ah! $c soubésseis como sofro! Como èie están a coniente esta notte! Agarrou-me peles cábelos e puxat'a por éies dizendo: <desobedicncia! desobedien cia! Quero acabar desta vez: {.-crii, vem comigo». Quería levzr-me para o inferno. Atormcntou-me durante mais de quotro horas. Fci assim que se passou a r.oite. Tenko receto de al$\;m día ¡he dar cupidos e de vír assim a desagradar a je sus*.

Nalgurr.as rarissimas ocasióes permitiu o Scnhor que o demònio se apoderase cía sar.ta menina, ligando as potencias da :ua alna e periurbaado -lhe a tal ponto a imaginado que se ponería julear possessa. Causava dó vé -!a em tao miserável situal o. EUi mesrr.a
ser.tia utn tal horror a esse estado, que só cora :embrar -se dele, empalidecía e comet a va a tremer, «ó mea Deus, diría eia.

estive no inferno sem Jesus, sem a divina Mài. ss tu o mcu Anjo! Se sai de !á sem pecado. $ó a Vós o dero. ó Jesús. A-pesar-de tudo. cstou con - tente, porque sofrendo assim e sofrendo sempre, fa$o a i’Ossa santissima rontade*. Se estes assaitcs do demònio se tivesscm repelido mais vastas veres ou tivcsíem sido de mais longa curasao. a vida da pobre paciente. a-pesar-de nuito resignada. n?.o teria certamente resistido. A estas tribuíales juntavan -se as dores de cruéis doen^as. provc-cadas. cono temos fortes raróes de crer. peìo pròprio espirito infernal. E se reKcctircr.05 que Gema estava ao rr.csuio tempo

SANTA GEMA G ALGAS' l

rairaculcsacente associaca a todos os tormentos sofridos peio divino Redentor r.a sua Paixáo, terecos urna pálida idea da grandeza do martirio dcsta vírgenzinha heróica, •que se tinha o. ; erccído corno vítima ao Senbor. Todavía declarava -sc feliz no mcio déste mar de sofrimentos físicos e moráis, feliz por se parecer assim cor: o Homem das dores, por se elevar semprc roais ñas puras regióos do amor divi no e expiar pela sua parte os pecados do mundo.

CAPíTULOXXí

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Encautadora convi vencia com o »cu boca Anj o

dos doqmas mais consoladores da nossa fe é o dos anios custódios. Depois do pecado original, o bomem ec fraqvccido e raiserável, ticba r.zcessidade de auxilio e de conselho para seguir o camioho do berc e atingir o fim pura que fci criado. , Em sea nisericórdia infinita e paternal ternura, o Senhor veiu em auxilio dos pobres íilbos de E va que Cíe queria salvar, colocanco'os sob a nrotec<;5o dos anjos. ministros da sua corte cclcs'.e. Cada Ltn de nós é assistido por um désscs puros cspiriíos. cue chamamos coa raráo o nossc bom An;o. Toxanos pela nao, logo que entrases na vida, para r.áo mais r,os deixar durante a r.ossa peregrinado pelo mundo. <E¡s. di: o Scrhcr. 17-r cc.' cnt -jo o non an/o para t 'r diar.tc de t¡. paro le proteger no caminho e introduzir no lug&t que te preparci*. Se Deus prové com soucitude ¿s necessidadcs di:

Ah’T A G EMA GA L G A S / tem com as tódas as suas Scriaturas, particular cuidado almas elcitas que. Ele xnesmo diz. — lhe sao táo que ridas como as pupilas dos seus cihos; c entre os escoihi - cos ;cn r.íe «inda as suas preferencias. Dai os diferentes craus de importancia que apresenta a mis sáo misericor diosa dos «nejos custodios. Estando Gctaa predestinada a um qrau milito ele vado de gloria na bem -aventuranga. era natural c con - forac a Sabedoria divina que o An;'o escolhico para seu guarda tivesse coa cía um cuidado mu ico especial. A gra ^a que já se manifesiava nesta alaa ditoss por fenómenos táo prodigiosos, ¡a aumentar dum modo nao menos prodigioso com a assi.sténcia «o seu boa Ar. jo. Querr. nño conhecesse pelos sagrados livros a paté tica historia de Tobias, c. pela agiografia crista, a sisa frequinte repelido n a v ¡da dos santos canonizados, seria tentado tnlvez a su por exagerados os pormenores maca vilhosos que vou referir. Mas o Se.ihor prodigaiiza todos os dias a seus : ilh.es bens preciosíssimos sea que ninguém se le:nbre de lhe cizcr: porque Vos mostráis táo boa? Gema estava admi ra velm ente preparada^ pelas maís helas virtudes para os favores do seu boa Anjo: inocencia, pureza, candura. simplicidad «; infantil, e. acima de tudo. fé multo viva que lhe aeixava ver quftsi a descober to os misterios da eter r.idade. i al era a dota;áo sobrenatural que devia atrair as simpatías do seu guarda angélico. Com certeza o espi rito celeste devia encontrar na sua feliz protegida alguma semclhar.^a com n nafuceza angélica que lhe permitía.

sera se rcbaixar C A Pmuito, Í T Uraantcr L O ’ com X eia X I urna iaef&vcl 237 familiaridadc. O ~< J ìs maravilheso resta suave assisténcia era a presenta sensivcl e quàsi continua do Anjo da Guarda. Gema via-o com os olhos co corpo, tocava -o coca as rnàos. cotr.o se fòsse de carne e Osso, conversava cora èie como cora uni ¿raigo. Gscrevia-mc o seguiate: <Hà seis dias qtic n5v vejo a Jcr^s. £lc porérr. r.ào rr.e deixo u completamente se: o AnJo da G"*r<ia cor.serva-sc sempre y/fíVeí r'ufiio de mirti: ». Com que fervor dava grabas a Deus por fcste bene ficio. e testecu.nhava «io espirito protector o scu recor.hc ci mento! <Se al gura a vez [ór rnà. anjo querido, lhe dizia eia, r;<5o íe zangues. Quero mosir&c-te a mi/iAa gratidao. «6Vm, respondía c celeste guarda, serti ten guie e ic'.i c o/n par:/i ciro tr.se parài-cl. Nào sabes quera fe con- };ou ìi minha guarda? Fci c misericordioso Jesus». A estas palavras a sarta menina, nao poder.do conr ter os sen’.iraenlos da sua almo, perdio os sentidos e entrava era èxtase r.a companhia do scu Anjo. O que se passava entào, eia raesma o conta por estas simples palavras: <Permancchmcs amo os com Jesus. Oh! se
estirésseis conacsco. Padre*.

Permanecer com Jesus era mcrculhar -sc no oceano irnenso da ci'vindade. para ai aprender e contemplar i.ne íáveis misterios. De ordinàrio Gema e o Anjo da Guarda passavam os seus coloquios a orar jentaraente ou a loevar o Altis simo. Os anjos, segur.co urr. santo òoutor, comprazem -se cri assisCr às almas cci cracào. «Quando oravas con', lágrimas .... disse o Àrcar.jo Rafael a Tobias, o anciào, cu ùpresentava ac Scnkor as tuas orafóes». Quc objecto ¿e complacencia nào seria para o seu

Arijo da Guarda esta admirável menina, cujo corado, como a lámpada do Santuàrio, gelava sempre ciante do seu Deus coa: extraordinaria vivacidade de fé. Costava de ihe aparecer, urnas vezes ajoelhado a sei: lado outras elevado da terra, cora as asas abertas e as màos estendidas sfibre eia. ou juntas r.a aiitude de orar. Rec.'tavain alternad ani ente as oragces vccais e os saìrr.os e. se diriam jaculatorias, tre?., segundo as pròpnas palavras de Gccia, querr. con: mais fòrga exclamaba: Viva
¡esus; Bendito seja Jesus! e outras afectuosas ospiracocs >.

Ñas horas de meditalo o Anjo infundia -Hie no espirito lu:es altissiaas, dava ao seu coragáo suaves e fortes impulsos para que o santo exerdeio fòsse perfetto, c. como a Paixào do Salvador era quasi sempre o assunto da meditala 0 - cesccbria-lhe os seus profundos misrérios: ■¡Considera. di:ia èie, q:ranfo Jesus sofreu pelo hemem. considera urna por tima estas chagas. Poi o amor que as abriu tódas. Vè quào hoteivei é o pecado, cuja ex pia? So custou tanta cor c fanio amor». Estes beÜssinios pen sanen to3 iam ferir o corado da donzela como outros tantos raios de luz e de foco. Tendo assistido pessoalmente muitas vezes às orajes c às meditad « ce Gema e do seu Ar.jo da Guarda, oude convcr.cer-me. só pelas miabas observables exte riores. do realidade de todos os'pormenores que. depois

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< do exercicio, ela r-.e dava ñas su a* ccmunicasCes de con sciéncia.
Nord i gual mente que tódas ai vezes que e!a levan - tava oí nihos para o Anj o a -íi ci -de o ouvir ou de 3hc talar. mesmo tc.'a da ora<;áo, perdí ?1 c> uso dos sentidos.

Ncsscs momentos podiair. picA -la. queircft -la. seai que a sensibilidadc reaglsse. Mas vmha a si. logo que aíastava os olios do Anjo cu cessava o coloquio. Éste fenómeno rer.ovava -se infallvelmente cm cada urna das suas comunicares celestes, por mais próximas que fessem urnas das outras. Setr.pcc e per tóda a parte, r.o neio das ocupagocs, no cami nho, mesmo a mesa, c Anjo eslava á disposi^áo c<: Gema e Gema á dispcsig5o ¿o Ar.jo. Nenhum sir.al externo nanifestava es seus santo3 co:6quics, excepto a absoluta imobiíidade da vidente e o brilho sobrehumano do scu olha ». Bastava tocá -la para que a sua i nsensibilidade nos convencesse que estava arrebatada fera des sentidos e em rclaqóes coc o sobre natural. N es tes coloquios transluiia niuitas vezes a rcaior simplicidade; e a familíacidade do An;o só tir.ha igual r.a do Arconjo Rafael co:n o joveni Tobía s. <Dize-me, meu Anjo, interroga va a donzela, o que tinha Oí/a tnanhi o metí con/c «or para ser táo severo e recusa r ouvirme? E o Padre res¡>or.derá de Roma o carta urgente em que Ihe pego un:s regra de cor.duta sobre (a! por.to? Dize-me, querido Anjc, quando e que jesús me con- verterá éste pecador por quem .me inleresso? Que devo cu responder a tal pessoa que me pede conselho?

SAHTA GEMA GALGANI E que pensáis de mim? Jesús está contente? Como poderei agradar-Lhc?* O Anjo, acomodaudo -se con urna encantadora con - ' descendencia a esta iagenuídade aiguen tanto importuna, respondía a tuco. E os acontecimentos nao tardavam a mostrar a oricem sobrenatural das respostas. Seria preciso um velume para referir estas diversas comunicares, mas talvcz me fósse preciso outro pa ra defender a sua rcalidade, táo extraordinarias pareccm cias muitas veres e táo di:icéis de aceitar pelo raciona lismo contemporáneo. Pode dízer-se. dum modo gcral, que o Anjo da Guarda era para Gema um segundo Jesús. Ela expunha -Ine as suas r.ecessidad es e as eos outros. queria -o inces- santementc junto de si durante os seus temores e sobretodo durante as luías contra o infernal inimico: confía- va-!he diversas rr.t*nsagens para Deus. para a Virgen Santissima. para es Santos seus advocados, dava-lñe até cartas fechadas c lacradas con destino a um ou outro déstes advogados. pedindo -lhe q-.ie a seu tempo trouxesse a respesta, e a maravilha ó cue as cartas eram levadas rialrnente por um ser invisível. Depois de 1er temado todas as precau^des parí me certificar da intervengáo duir.a causa sobrenatural no dcsaparecimcnto dessas cartas, convcnci-me de que neste ponto, como en outres nao menos prodigiosos, o céu. quería, por assixn dizer, brincar com urna m enina, cuja simplicidade Ihe era táo querida (1).
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(') A CJtraord¡t'.Ar.a huc*.:!rlade So P.< GírniiCO levou-o r£3i» le urna >.c:
a %e¡ orr.ii-o no conipo/ii^So <lí-ífa blogrftfia. l'aotr**

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C A P i T U L q X X I Militas vczes cncarregava o Àojo ¿a Guarda duci negócio particular junto de alguca pessoa deste mundo, c qual nao era o scu espanto quando nao via chegar a resposta! «E nao cèsianic, escrevia eia. ha jà tantos dias que
vo-lo tua/idei dizcr pcloAnjo: corno nao fizestes caso? Ao menos podieis mandar-mc cizer por c/e olio .tso era vossa intengào octipar-vos deste negocio. Err. todo o cuso nño vos zíinspieis se de novo insisto pcc neio desta carta».

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Deste modo o oensageiro celeste encoGtrava-se constantemente às ordens desta virgenzinha ce inefàvel candura. Prestavate de hom grado a todos os scus deseaos. acudía. mesaio sec ser invocado, ao nenoc perigo, ò menor necessidadc; refreava a audàcia do dem onio. scm-

dc que pode redunda.- alguma gióáa para ¿le. *3o ia?!ac&velmeate suprioiides pc!s sua peaa. JA vlrr.o» aCr.ls corno ¿ic mtilou a transcribo duma carta da Santa. a-ít*i-df ocultar o nodo como Dexs vlihclraeoic o escolfccu para dirigir a alcia da $ua biograíada. N¿$ c-:rcv;s:a^ d:. Sar.:a cocí o Salvador, com a Mil Cdcil- c cor.i o An;o da Guard: í--jara-s? C9*n frcqüincla elogien «i rcícruV.c.as a *stc virtuoso sacerdote. E¿sas alus&es rio apa;c- cem nc¿ta biografía. Aflora di:*r.cs o A’jtor como ela ttaha a scu servido o Aojo da Guarda para lrvar cartas a Jesús. A Vlr^ec Sciatiwíflia e a atgum Sancos, scus aivo£.*dcs. Mas o que ¿!e c3o diz t que a uxoria desdas carcas. coafiad&* ao Ar.jo, eran; didglcas a é!e. P.* Gcr- cr.ano, que as rcccb¡3 cora t6da a por.Cua!:¿ade. e *Vt veres aré fora dí hor«u. por cxc.T.plo. 5 rr.eia-noitc. —Cf. P. B.vsilio de San Pobló, In /ííenjfeníur¿tíj Cc/?:a Catgut (BarccJcca. 1936). pAg. 13!. (Nota do RevisorI.

29*2 pronto a S maltratar A S T A Ga EM A protegida, GALGA N p:e sua c / alguaas vezes lutava paia Iha tirar das rnáos brutais. Eis nlguns íactos relativos a està assistenza: Lima vez, estando h mesa aioda en casa de seus pais. urna das pesscas presentes, deixando-se levar pelos tnaus comunes ¿a época, proferii; urna blasfemia contra o «doravo) nome de Deus. Logo que Genìa a ouvlu, per - deu os sentido.«; com a dor; e ¿a já a cair. Àotes qui desse coni a cabera no chao, o Anjo veiu amparà-la no cadeira e con urna s6 palavra dita ao ccra^ào fez -lhe retomar iimedhtnmente os sentidos. Ouira ver. de tal modo íicara absorta na meditalo, que coíií-cqava já a acoiíecer, e eia aínda ;ia icreja. O Anjo adveríiu-a c acompanhou -a sob urna forma visi- vcl. ali ¿ porta da casa. Uk día o demònio tinha-a espar.cado tao cruel mente na orasjáo da noií 2 que a pebre menina ficou iai possibilitada de se mover. O Anjo da Guarda cícrece -j- l!:c o seu auxilio, ajudou -a a subir para o Jeito e ficou de guarda à cabeccira. O A, r. i o avisava -a em muitas circunstancias etr. que a sua vida podía correr perigo e indicava -lhe as precauqóes que devia tonar. Sen» a intervengo do «cu Anjo. por mais cuma vez teria sido vitima de algum acídente, táo pouco era o cui dado que ola tiniia de sí. Um eia cisse-lhe ele em tom de amável censura: c Pobre pequeña, como és descuidada; tenho c li de re/ar co/irinunmcflle por th. Nías a rr.issáo dos aojos custódios (era cono objecto principal os :n?crcsscs espirituaiá das almas, files deve ir. ser. segundo os designios da Providencia, guias de san -

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títicaqao que ::os cor.du:arr. pelos catninhos diÉiceis da vírtudc. O An;o de Geni náo perdía urna ocasíao de «». re preer.der, de a accnselhar e a‘.6 de a instruir por crsi namer.tcs cheios de sabedaría celeste, que a xr.cnin.t era parte consigr.ou ñas rela^ñes enviadas a o director espi ritual. Urr.a ven. para que nao se perdesse uca sílaba, o An ;0 íer-lhe escrever alguns dos ensinac;ento> que ¿le ia ciitar.do. Per sua orden, Gema ¿enteu -se á ne:>a. tcncu a pena e c papel, err.quanto ele, de pé a seu lado. co;no un profess o: jur.to do aluno, co. -n^ava: iLembra-te c\:e qi.cm nn ta verdadeieamente a Jesús h!a pc.::;o e so! re indo. Ordeno-te da pacto de Je sus. que nimea d.jas <1 íua opiniio. se rao te ¡ór pedida. que nunca sustentes o teu medo de sentir, mas que cedas dc-prei.m. Quando cometeres cuz!quec [alia, acuss-te imcdlaiar-.er.te sem ser preciso que os vatros te avissm. Obediencia puntual e se- ’ tépiiea ao ten cor.fessce, sin- ceridade con: é!e c can o> cúteos, nao te esquegas de guardóte a vista, Umbrando-te que os olhos mortificados contemplado ?.s belezas do céu*. O sania Ar.jo sabia usar de rigor com a sua discí - pu’a: nao Ir.e ceixava passar una ímperfeigáo e corrí - cía-a seai píedade a ponto de sla me direr: <0 mea Arijo c u:ti pcuco severo, mas sinto-mc bem com isso. Nos úifimos dios chegou ¡2 repreendec-mc tres e ^«aíro vezes por din>. Parecí aíé que o vigilante guarda saíu um dia dos justes linites: Or.ien;. cscrevta Gerr.a. discante a cefeigáo levantei os olhos c i?¡ o Anjo langac-me olhaces severos; MÍO (alavo. Mais (arde, cuando ful repensar, oJhet ouira i e: par.? é!c, rr.os de-pressa baixei n vista: tr.eu Deas, como cítara irritada c.Yjo tcns vergor.ha, me disse ele, de cometer faltas

r.3 ffiinha preserva?»

5 A .V 7 A G r . f > T A . G A L G A N ! Lan.$ai"3 -c:c oigutis cihares tus severos... eu nao fa::2 sen5c chorar. Suplique! a Dsus e ¿¡ minhn celeste ,\/J: que o tirssse de diavte de ruin, cois nao pedia resistir riáis. De q::a nao em q::and o repetía: «envergonho-mc de ti?. Rc:e\ para q¡j:: .-i.ví^sj «?/« o visse nos te ciíarfo. poís cucrr. o i'isse assl::\. dc-ccrto nunca mais se aproximaría de rr.:r\ (1). Sojri c di a i n! cito, náo pude recolhcr-r íe :.v3i só ;;ionc.-!fc; o sea aspecto permanecía tñ:> severo que eu nao ha co:ageni para lúe [alar. Or.tem de r.oite n5o conseguí adormecer até que. finalmente, pelas duas horas da manr.á. o vi aproximarse; pós-me a nao sobre a fronte dizendo: *derme. ná>. fc r.cio o vi fijáis. Nao se podo imaginar o fruto que oeste magisterio angélico tirava a santa menina, secnpre seden'.a de vir - t jóc e de .suncidnrie . Atenta a rr.er.or palavra do Anjo, para Jhc agradar. cumpr:a de todo o cora;so as penitéadas que ¿le emitas ve: es I he irr.pur.ha. <Repugr>ava-me mui te. dizia-me ela. andar a oher ao ¡r.cu confesscr certas coisas, como o Anjo por per,:tétic¡<t me cráenava: foda vía obedecí e.

: 1-. •jrr. encanto ce ¡nyenui’dade cüa frase. A sania oico."a «;ue :&¿<>s vianr. i> rr.csnio que cía. Nno fcJ a Vínica ve; que ISí ri?»rarm M.xcSwrte* .r.ScnBnla<ks. |No»a ce Hrv.sor).

¡ogo ce manhà. violcntando-me corri e dìzer-lhtts. Depois dcs;¿ viiória sóbre nùm mcsir.a. c Anjo. multo contenti, t or noi:-se bon 1 para mini-». Por isso amava G erra este guarda tào dedicado pelo ben do suii alma. Tinha cocsranicinente o «eu nome nos labios c no coraçâc. <Quer:c/o Anjo. di :¡3 chi, quanto uoá arco/ » c £ por çuè?> pregunto ê!e. — «Porque me c'iswiasi a 50.' ¿ca c a conscet'ùr-rr.e ra humüdado. Nâo admira que este vive afecto. cm a!m3 tào sim ples

C A P !.T U L C XX! 255 e injênua. desse angem o una famiSiaridade que pode parecer excessiva. Ao ouvir as conversas de Gema coni o sen querido Anjo. 00 ouvi-la algytr.as vezes dis cutir vivamente para c trarcr à sua opiniâo. dir-se-ía que o ira ta va como di 13 na: para igual. Eu nesmo principio ricuci admirado. Adverti -a que era mau o seu preceder, c disse-lbc que era orgu- lhosa, por levar a familiaridad*: a ponto ce tratar por /u o vm espirito puro, em ver de tremer diar.tc dí -ie. Para a experimentar, proìbi-lhe que ultrapassasse certos limites. • A- santa donrela baixou a cabeça e responden con: cods o humildad?: eTcndes rr.xita rnzáo, Pad re; hci-dc corrigir-me. Da qui per dumte trac a rei sempre o Anjc por vó$: e quarto /.'te f¿r dado i-é-io. tcstemanhar-lke-ei grar.de eréncia. conserrar.do-me à devida distancia*. Na prirneira visita deu Gema £ ccnhecer ao seu borri Anjo a norma de ccnduta que eu Ihe traed: < Tende paciencia, querido Anjo, o meu director r.áo está con tente. preciso de mudar de procedimento. E absteve-se de /.trapassar o limite mar cado, enquanto eu nao levante! a proîbiçào. Pela iôrça do hábito acontecia-'.he murtas vezes

SANTA GEMA GALGA Nì) cnganar-.sc misturando o tu coni o t>ós, mas corrigia-se, rr.csn:o duraste 05 éxtases. Algunas veres o Anjo nao vinha só. nas con: outros csplritos ce.'cstcs para fazerem alegre compaahia a su 3 angíJíca irciáztcha. Logo que disso ti ve conhcc:c:en'o. tr.osírei estar muito descontente c esc revi a Gema direndo, sempre para pór à prova a sua virtude, que era tempo de acabar. Gcxa responden: «¿Va verdade. Padre, náo ccrciprcendo r.ada disso. Os outros, quando est So a rezar, ve era o sen Anjo da Guarda. Se cu o vejo tamben, rü!ha¡s c afligís-vos. A/as ontcm. dia cm que cíes se fes - te ja va :n. dcspedi-cs a todos. O mcu nao quis partir, nem o outro de qi:c vos [alee. Oca que he i’de eu fazer? Nao ves zanguéis outra vez. screi bea e obediente». A íarruiinridade de Gema cctn o Anjo da Guarca era simples, espontánea, chcia de humildade. como tes tecvjcfcam as deas seguintes aparees, tomadas cr.tre mil c contadas pela pròpria menina: < Esta va cu no le ito. muito atormentada, quando n\c ser.ti súbitamente possuida dum profundo recolkimento. Junte: as máos e. ccm iód¿ a Jerpa do meu ¡raco coragSo. ¡iz c acto de contrifáo com urna vira dor dos mcus ¡números peca Jos. E tendo cu o espirito absorrido pela lem branca das minhas atipas, rejo o Anjo junio do leito. Fiquei enrcrgor.hada de n:e ver em sua preserva. £!c pc’o contrario, corti urna amabüidade chcia de en - canío, Jíssc-ner <Jesus tem urna grande afeigáo por (i. ama-O midió». Dcpcts acresccmou: «-Ama.? 3 Mài de jesús? Enrió- -:f:c muiias vezes as ftias saüt/afóes, Eh [ica milito con-

r. íeníc em as recebe: c nunca deixa de as retribuir. Se nlo o faz

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sempre scnsivelmcntc. c para experimentar a tua fidehdade». Abengoou-me c. dcsapsrrrru, O utr a visào: Emquanto cu [¿zia ns oragócs da noite. esc r e vc u ei a, o Anjo da Guarda aprcximcu-sc de mini e. i-atcndome rio ombro, disse: «Gema, como c <j we íu levas tunta apatia
p ar a a orario?»

fiVao ii apai.M», responsi. «/IÓ c/cis cifli ciré nio nic ft'nto òe.-.'J». «rare o »cu dever com ciíWacfo». confinaci: c/c. «e /esuy íe amará mais*. Roguci-lke qt:e fòsse pedir a Jesus pcrmissào para passar a nc.ite junto de mim. Desaparecen ¡mediatamente c. obtida a pcrmissào, voltou cara o meu lado. OhI corno se mostrou borni Quando estava pura partir, pediAhc que nao me deixasse ainda. «.Vj c> possef. responden, «é conveniente que cu uù». «Es;¿ bem. idc», Ihe disse cu. *saiidai a Jesus cor mim». Langando-mc um ùltimo olhar, acrcscentou: «/ilo quero que tenhas conversas con as criaturas. Quando quiseres fslar, ¡ala com jesús e com c fes: Anjo da Guarda». Tal á. pcuco siais ou ir.enos. o gíncro das octras aparees.
Daq -.ii «c pode concluir cono devia ser amada ce Deus esta privilegiada menina. q*j c assim era honrada visi velaente coni a visita, a assisícncia e diiec^ào oc espirites angélicos nos caniinhos ca santidade.

SANTA GEMA CALCAN/

Nao Ihc tcnh.i.acs inve/a. porque também nos rece bemos do mcsfiio Paí celeste unt anjo para nos guardar. E se /oraos. como Gema, rnuíío puros, muiío huaildes, sioplcs de corafáo. chefos ce fe e de sanios cese jos de perfei^áo. GJc earabéo*. nos cercará da raesrna soheitude c de nesmo a.r.or.

CAPíTULO

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Elevares místicas de Gema

ORACÀO. ao passo que aproxi ma de Deus a ali:'..’.. tornala copar duma intensa vida espíritu;*! e er.ca: mnha -3 para a perielio crista. Tc-.!> diversos grans. que sao O J C Í O S tantos graus de \:niào coda vez mais intima com o Soberano Bem.

Os primeiros pcrtcr.cem à meditalo ordirária, r.a. cual se considerai as verdades eternas com o firn de excitar na ventado seatimentos e resolu^óes sslutares. Nào ultropassaa os limites da vida ascética. A raaicr p.irte das a’mas deteem -se ncstes primeiros graus e r.5o pnssam nunca .'lem. Outras porem. mais favorecidas do cé-j. p 2ssa:r. da meditarlo L contemplalo. que é pròpria da vida nistJca. Pola contemplarán a alma sobe dua ir.odo sublime para Deus e píira as coisas celes tes e esta subida é acceipanhada duci olhar da inteligencia, simples, afectuoso, chcio de admiradlo pelas coisas de cdu.
Na rncditii<;ào ordinària, para saborear a depura das

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verdades eternas. 3 alna tem de se aplicar c muitas vezes de soírcr con as suas très potencias: memòria, inteligencia c vontade. N.i contcaplaçâo infusa, rigorosamente ' falcado, -jo há reíiexáo. ncm raciocinio, nerr. aplicaçôes; o espirito ¿ transportado, suspenso, inundado de gozo perar.te as maravilhas da etenidade, entrevistas a un?. I.iz extraordinaria. Nucía palavra, e salvas as devidas proposées. o mistico ve no mundo cocr. a ¡uz da graça as realidades divinas, como o bem -aventurado as ve no cea co.r. a luz da gloria. Depois dcstos sumarias ncçôcs, indispensáveis para me fazer compre?nder coi assunto táo pouco conhecido da maioc parte dos cristacs. va mes admirar em Gema o seu espirito de craçâo em gcral. e seguir o progresso cía sua a’na nos caminhos da nieciiaçâo c da contemplado. Verno-la. crianza aínda, atormentar sua mai c suas professeras para que a ensir.assem a orar rr.elhor. Apenas comcçou a compreencer o valor deste santo exercício, pam se ciar a é!e evitava a coinpanhia da familia e permanecía só no scu quarto durante longas horas em conversarán co:n Deus, ou ocupada cm qualquer trabalho recolhido. O seu horror a tudo o que encanta e dissipa espiri - tos vulgares, o desprendimcnto absoluto das criat uras, a guarda rigorosa dos sentidos, a delicadeza de conscien cia, levada at¿ ao escrúpulo, a mortificado continua dos apetites, a pratica activa das mais beias virtudes só tinba -n i::n F un: frar.quear-lhe o caminho para um intimo contarte con Deus.

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H os seus csfor<;cs íoracv coroados de tais resulta dos. que dentro eia breve conseguía ter constantemente c oíhar íixo cm Deus, sea fadiga algucr.a, como a ¿guia fita o se!. Ora se o fim da oraqáo consiste em estar a aìma diante de Deus, unida a £lc pela íe. devemos concluir que. desde o principio. Gema tinha recebido o ¿oa d?. oratilo em grau niuiío elevado. Para se absorver em Deus, nao tinha nccessicíade como r.ós eie se por em orario e de cecolhe: coa csíórqo as potencias da alma. O Ser.hor esta va sempre presente ao seu pensamento em todo o tempo e lugar, sem que nada a pudesse distrair. E isto parecerá verdaderamente extraordinario, se se pensar que a p iodo sa menina, detestando introme- ter-se em negócios estranhos. cumpria com tal exactidáo todos os seus deveres, que se Ihe podía confiar qualquer trabalho. na certeza de o ver executar com períei^áo. Urna vez sómer.te se acusou de falta de atenqáo actual à divina presenta. O fació ero-lhe rauito esíranho, pois viu néle urna crande desgrana que se apressou a partici pa rme nos seguirles termos: «Nos últimos dias ccmcti urna grande [alia: e é de admirar que Deus nüo me tenha fulminado, ó miseri* cordieso Je si: si O Sr. Lourcngo iinha-mc encarregado de fazer urna corría. Ap!iqaci-me tafocz um pe uro mais do que devia c sai da presenta ds Deus; mss foi apenas por um minuto c de-pressa me rccoìhi. Pedi perda o a Deus que o concedeu imcdiaiamenío. Bastava contemplar a seráfica donre.’a para se ter a certeza ca sua continua uniáo com Deus. A iiia/cstace do semblante, a gravidade do porte, a soler.idade das palavras. a angélica modèstia de tòda a sua pessoa, e esse sorriso suave, espontáneo que Ihe brtlkava nos labios. diziarrì eloquentemente a todos que Gema vivía unicamente ciò pensamento de Deus e que ostava no mundo sòmente eai corpo. A sua aplicado continua às coisas celestes, para eh muito

SASTA GEMA GALO ANI natural, nunca Ihe causava a menor fadiga; pelo contiòiic. era com grande dificuldade que a ínter- rcopia. como provara os f ac ios serruintes. cuja perfeita autenticidad? posso garantir, pois se passacam diantc de ir.im. Encontrava-m> cm casa da familia Giannini. Durante o jantar, notando que a virtuosa menina, colocada cm frente de min. nào saia do scu pro:undo recclhi- m 2r.to, observei-lke. Da qualidade de director espiritual, cue nào era o momento nera o lugar de fazer ora^o. Itnec.iata.ticntc vimos o seu zosto empalidecer, t todo o s?u corpo ficar ruma especie de agita^ào convulsiva. Entretanto c o Dt i n u o u a comer, como se nada fòsse. Ao sair da mesa, notei que os seus vestidos gote- j a va. TI suor, como se tivesse sido mergulhada num banho. J completamente vestida. «ì’ntào qve r isso?» preguntei-lhe eu, extremamente admirado. « Vós sabeis bem o que é. Padre, me cespondeu coni inconsparàvel candura, n5o me tirastes Jesus durante a refeicùo? L. porvcnlura posse cu estar seni pensar rtèle?* Dcsviei a conversa e com certo ar de desprèzo mande i-a mudar de roupa. Algvimas horas depois renov<y a minha ordem e o estranilo ienò.-^rr.c* reproduziu-se; renovei-a pela terceira C A P I T A L O x X X 1 I 303 , ,
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vez. e sempre coca o mesno resultado. Nao Insisti mais, ccrn receto de que o cora;ào da santa menina cstalasss sob o esfórgo estraordinàrio empregado para cae obedecer; t. alé ir disso ti:: ha pena di a ver cm tao grande tortura. E tu. abrasado serafini, air.da vivías nesía miseràvel terra?! Hst3 constarte uniao con Deus sao consistía só no recolhimcnto mais ou menos sentido que tòdas as a ¡mas experimentad quando rccordam piedosamente a pre serva

de Deus. Hra um exerdeio de alta oragào, cheio de dev'lira e de espontaneklade. Gema falava ao seu Deus, Ouvja-O, deliciava-se n£lc. e. passando ccrn a dai irá ve! facilidad? dos pensa- mcr.tos mais abstractos aos senticnentos ordinários, pro- punha-Lhe as suas dúvídas. implorava favores p3ra tal ou tal alma, e agradecía os já reccbidcs. Tal era o seu espirito de recclhímento e a sua
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ocupado durante as vinte e quatro horas do dia. Digo . durante as vìnte e qnatrc horas, porque, dormindo pouco e por breves intervalos, nao interrempia nada ou quasi nada a oragào. 1 ocas as veres que acordava, retomava a craqao no ponio em que a tirilla deixado e assim sucecia até de m.iiihñ. Era edificante, era encantador assistír ao seu des pertar definitivo. Benria'Se devotamente com o auri fico que nao larcava das maos durante o scro e beija - va-o com amor. Dccois de ter assim santificado a noite, como se a tivesse passado na igreja. leva.ntava -se sem cusió.

SANTA GEMA G ALGAS' l

Cerca dia ojviu-sc-lhe cizer num extase, aiudindo ù o.' 3çâo nocturna: tVède. ó Jesus, aie de noite. que ' horas, que horas?... cu duerno, mas. ó Jesus, o ;.*:eu cor UÇUO nio dorme, vela incessantemente, sempre unido ¿¡ Vos». Fàcilmente se corapreendeiá o pou co uso que das fórmulas ce oraçâo vocal devia farer est»; ¿aflamado sera:::r.. Recitava o rosario etn familia, de quando era ç-jandc a coroa ca Paixâo e a de K. Senhora das Dores, para se guiar na r.ediCôÇâo eos mistérios dolorosos e naca niais. «.Vio fr'ro proveído, diriame. cm ier oraçoes nos lio-ros. A minha alma r.áo cncontra mías alimento e fatija-se. Per isso oro por minha cabeça. cano pos se i. Ic.provisava as suas oraçôes sob a inspiralo da graça e segundo as s::as nccessidadcs. Transcreverencs a’guroas. fielmente rccolhidas dc.5 sens Sabios nos ríomecíos extáticos. Tal ve- se nao pessom cor.íiderar inferiores eos soliloquios de San!. -) Agostiaho. có mir.ha alma, nao te esquejas de consagrar amor npai.xor.ado a Jesús que, er.i sua pied ad e paca co.'; i a rr.inha mi scrii. me oferece todos os mi-io s de chetar ao .■>eu amor! Vos sois, ó ¡esas, utn tesauro que a principio nao cor.hcci. mas ho je conheço-V os. sois todo mets, sohretudo o vosse Cora;áo. Sim, o vosso Ccraçâo ¿ rñO'j, porque mo tendes dado rr.uiiAS vezes. Mas o Vosso Coraç¿o está cheto de iúz, e o meu ckeio de trovas. Quando é que passarci dos mînhas trevas para a luz sem sombra do meu Jesús?... Como roderci louuar-Vos,- ó mcu Deus? Quando n:e enaltes, {.:eslc-h sen nini: também sen i r?i:. 7t tendes C A P I T U X X I I 805 t L O
todo c Icuoor que mereceis. Que Vos louvem tódas as obras que fizestes segundo a grandeza da vossa majestad*. O meu espirito terr. principio c fim. ñas o Ionvor que Deus possue jamais terá flm: c quar.do Vos ¡olivamos, ó Senkor, náo somos nós, sois Vos que Vos louvais c ir; Vós mes: :ío».

De outra vez Geaa ocava assicn:

* Jesús, ven ho a vessos pés pedir-Vos urna grapa. Se rao
fó.cseis omnipotente, náo Vo-la pedida. Oh! como p.'deis abandonar a minka alma tao inflamada de dese- jo.<? Porvcntura despenareis o.? desajes que Vós mesmo aieais nos c.orafóes? Quero esta graga. e Vós Uaveis de djr-fíxa. .móo e veréade? Ó Jesús, ierde piedade de mí m que lanías ce:es Vos tenho pedido pelos outros, tende piedad* dun:a pecadora que Vos custou a vida. Per- dzai-me. n:eu Deus: scu órfá; já náo tenho pa: nem man tend¿ piedade dos órfáos: son um fruto da vossa Paixjo*.

Deixon tantos desees ternes coloquios, que com ele; se enchina uní volunc. Algunas veres a seráfica dor.:eIa desafogava a s-a aa en breves aspirares tódas inflamadas: «Ó Jesús, ó Deus do meu ccragáoi Ó Pai, quero estar sózinha con- vosco só! Quando chegaeá o
momento de Vos ver face a face? Ó térra, como és vil par?, rr.im! ó cruz do meu Jesús. como me és querida!» E como estas, cueras

sementantes jaculatorias que do coragáo :be subíam acs labios quando se julgava só. Tinha feito una colacsáo dos versículos dos salmos n ais apropriados As díspostsccs da sua alma. e servia-se -c deles, cuci modo particular no tempo da aridez mais profundo, e quaodo o excesso de angustias interiores IHe paralssava c espirite e o cora^àoNa aridez ordinària, estas cuas faculdades gozavam do scu livre exercicio talvez ainda melhor co que no tempo do consolalo- ^ ma -(> cikrenga; é que ra aridez o or.iqào era dolorosa e despertava tamanha compaixào c;:e bastava para despedazar o ccra^ao das pesso&s presentes. Tratando da 'conteir.pla<,ào, os doutores místicos dividen!na em infusa e adquirida. A priir.eira é un puro co:n de Deus. m dependente ce tòda a indùstria humana. A segunda. : a caos

306 SANT A G E Si A GALGA N ì elevada, menos luminosa e meros inebriante, ndquire-se só pelas nossns forjas auxiliadas pelo groca ordinària, e por ir.e:o ciò exercido. mais ou menos assiduo, da meditalo. Pela mcdilogno hnbituamc-ncs a pensar ríos fcens eternos; o espirilo e o co ras fio purificam-se, cspirituali- za::i-se codo vez mais a ponto de nao seniirem a nccessi- c i a d c de recorrer a reficxñc e ao raciocinio para se mer- guiharem nvra profundo recolhitnento. A vista duma i.acem. um só pensamento bastará eoíáo para sebtrair a •i!:r.3 ù influencia de aconiecimeatos exteriores e fixà-l* era Deus coni um cibar tranqiiilo e quasi extático. Gemo praticoli também esca ùltima forma de ora-^So. Dc:acto nem sempre se houve ce aedo puramente pas sivo nos corr..nhos espirituais: mas pós tair.bém em acti- vicade o seu esfùr^o naturai, para se tornar digna dos dons divinos.

1 C' A P ! T ( 1 [ O X X ! i

qual cocsagrava. sen contar os seus momentos íivres. duas horas íixa.s do día; de mar.ha na igreja e a noite antes da repeusar. f Nao orn«t:u nenhuma das regras conmínente indi cadas pelos rr.esíres da vida espiritual: preparado re- nota que consistía no recolhimer.ío habitúa) e escolha anticipada do assunto da medicado; preparado pró- * xima. CCÍH actos ce fe. de contriqáo. etc.; representado do mis tirio peía memoria e imaginado: considerado dos 5>c'.;s diferentes aspectos pelo entendimiento: aplicado a sí própria de verdades meditadas: c finalmente accos e alectos da veatade. Os atrih-jt:\s divinos e a Paixáo ¿o Salvador constituían c tema habitual das suas meditares. Dcus c o Cv": iva rio; para estes dois tirir.os convergían infa'.ivei - mente tojos os seus pensamientos. Sera radiga e até sena a menor distraerán podia Gema prolongar a medicado horas inteiras. Apenas co:!'.ooav;t estes doces coloquios coir. o Senhor. o mundo desaparecía ¡nteiramente do horizonte do seu espirito, como se eta já nao fósse da terca. — privilegio insigne e nuico r:-iro que recebeu desde crianza. Esta neditad 0 táo profunda dava fácilmente lugar A contemplado adquirida, cujos frutos ce do^ura Gema conheceu mu ico cedo. S<’. por exeraplo, a belezo de Deus. a sua santidade. misericordia ou justiqa. constituían o cojecto da medi tado. estas períei^óes divinas aparecian-lhe como num espelho. Considerava a grandeza i* profundidade destes divines atributos e descobrta r.eles, tanto quanío é permitido ao espirito humano. ínefáveis segredos: depois. estando cm silencio tócas as potencias da alraa. gozava c repousava nesia conicmpla^ác. Meditando os misterios da Paixáo. depois das pri- rnciras considerares. logo o seu espirito se perdía cono r-.ur.i irar .sem

praias, ccquanto o cora?áu se consumía de der e de amor. F.is cm que tertnos me cava cor.ta ¿a sea oragác: <P¿;ú a nicditagéo sem nenhum car.safo. Minha sima se.nie-sc de súbito abismada na ¡mensidade da grandeza divina e absoeve-se ora n«/n ponfo, ora noutro. A principio considero que. sendo críala á semelh&nga ce Dc.is. só £/c deve ser o meu único fita. Parece-ne er.iao que a almo, iirre do p¿.\ o do corpo, uoa para je sus, e encontrando-me assi:r i na sua preserva. perco-mc completamente /?£ !e. Sir.to que amo éste celeste Amante das suas criaturas, c quant o rrracs pensó n£¡e. mais o encontro doce c a/'ijreí. Qutras ce:cs parece-me ver cm je sus un:a ¡uz divina, um so: ce eterna cíaridade, um Deus grar.de a quem tudo se cncontra sujeito r.o céu e ;;a ierra, uni Deus cuja -vontade c servida peía Omnipotencia. Veic que Ble e c Bcríi soberano entre iodos os bens, o Bem que existe por si mesmo.
Oeste modo encontro iudo o q:ie desej o na infinita perfeigü o de Jesús. Perco-me a inda na s:ia hondada, e er.táo tj üáíi senpre o ,'neu espirito roa para o Paraíso, jesús e infinitamente bom e um día espero gozar r.fiic todoc os bens. Termino a o ragáo. pedir.do a Jesús que jnr¡e.'ífe C.V! ir:/m o $cu amor para que rnats tarde se aperfeigoe no céu?.

303

SA

N 7 A G S A/ r . G A L G A N !

r.m ot:!ra OCOiiáo c$crcvío-:ne: <Na oí¿2fáo esíou como que [ora ce mím r.u/na frar.qiiilidade e par íc nao po¿c/?i cjrp/ícar. Nao conhego em que lugar me encontro. nem se tenko o uso dos stn- tides. Smío-mc atraída por urna Jorga cuc .náo e violenta, mas suave. £ ao saoorcar logo depois a plcniiude da dogura que s¡nto em possuir Jesús. esquejo po: completo que son oeste mundo, s«• o:o que o /:¡í'n.'t¿ cs'.i s^c/ac/a c fjüt? nada muís tem ijiic desoja?. o cora^ao esíj satisfeito. perqué possue um bem ¡menso, infinito, am bem incompa¡á\ti c sem defeito.
A ventura que jesús, en: sua bondade e catid&de se.-*! limite i, «a; faz gozar c táo grande que. depois da oragáo, náo procuro ne/tt

quero mais nudo sobre a forra. j Vp/Tj sempre experimento as
coguras do amor; algu- rn as i'czes sou pessuida durante a oragáo dumu dor táo forte dos meus pecados, que ju ico morree cor;i cía».

C A P I T U L O
•/1

X X I !

SCO

Responderá o a urna dúvidi que artificiosamente !he propus. Gema escreveu-me: «Qua /120 entro em orafüo. 'rao 1*1'.jo Jesús com os clhos do corpo. mas conhego-0 distintamente; faz-me cair num doce abandono c é neste abandono que O cor. h ego. A sua voz faz-sc oun’r táo forte que penetra ;:o rncu cora;¿o nais do que urna espada de deis gumes. As paiaveas ce Jesús sao palabras d-; vida eterna. Guando vejo assim Jesús e O sinto, nao me partee ver urna belez a corpórea ou u,?¡a figura: parcce-me ouvir unt cunto suave, urna harmonía; mas quando vejo c sintc jesús, vejo urna luz infinita, um bem ¡menso; a sua voz nüo ¿ articulada, mas ¿ mais forte c faz-sc ouyiV mclhor ao meu espirito do cuc se fósse articulada». Evidentemente orado táo elevad.* op:o.\ir.ia-se da

aio

5ASTA GEMA GALGAS!

% confcmplatào infusa ;c o é ^ stH fur.da-se na ple- nitude dos dons do Espirito Santo, e uiuíio particular- -¡cute nos dons da ctelicéncia c da sabedcria. O pri- mciro toma a alma capai de penetrar nos arcanos da fé. o segundo faz-ihe apreciar o scu valor c enche-a da sua-, vidade c das alegrías ir.separávcis da contemplalo. Gcrr.a pessuía ambos estes dons do Espirito Sar.to c;:i croL extraordinario, cono se decuz cas cartas ao ìcu disvelar. ¿as manifestares de conscicrida. das palavras. doi seus é.vt.tüCi c de todas a« iuas :i:sitit:cs. Es!a vir-gent mais angélica do que liurr.¡¡r.r> tra f-obrc.iatur.iiir.iTitc dotada de urti espirito subiti e profundo, capai ce atingir jcm csfò:\o as mais nicas concep^oes espiri ruais e ce 'e encoifar no Ben: infinito- Ao mcr-mo vim fino discernimento e urna rara prudincia fanian-lhe preferir a iodos os cutres os bcr.s eternos. que procurava coir. avide: c amava C O C Í indirivcl afecto. A.ssirn elevada por estes cons eminentes ac.‘ma da fraaiìicade humana, e fortificada per urna !u: celeste q*~c era cortes mementos Ihc comunicava o Espirito Santo, via a Unidade da naturr:,i divina e a Tr.'r.dade cas pcsscas. a uniào incfàvel do Verbo coir, a naiureza humana na Incarnalo, oó nistérios da sabedoria. da jusiiqa : da nii«.cricàrdia da Deus r.o govèrno de suas criaturas, tudo crai ini o que a f é crisi.', r.os apresenta de .rais i.npcac tràve!. Via tu de ¡sto Canto cuanto é pcssivel r.cs:e mundo de prova. A-resar-d r tudo. os scus cesejes nào eslavam satis- feitos; ccnprcencendo que se podi subir ainda mais alto <• penetrar m.us a fundo, aspirava* a raelhor. suspira va ardentemente pela visào de Deus face a face. C A P : T U Í . O X X i 1 $11
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Urna ve; entre cucras cuviu -se exclamar: c Gh! Qusn i /ne

dcra as esas da pamba a-[im-ds vose para o V D S S O scio. 6 meu Deus! Dai-mc Vós. ó Jesus, ss asas da con tempi u fio. Gomo h.ei-de ¡azer para chegar aie Vós? Quebrai. quebrai estas cadeias que me rei cera caiiva. U à iHtiitas coisas. ó Jesus, cuja contemplammo è conio u:n aumento pac a a mmha a'.ma. tn as crr; nenh.uma enconira repouso. Se Vcs sois c scu cepcus o».

D.zisì. quc. so a palavra Humana còsso capa; de «Kprimir o que Deus lhe cava a cor.hccer ncstas contemplados. pode ria e se rever volumes sóbre cadi u-i < : .os nisiocios da :iossa :è. Tcdavia, para se farer cou:prec::- cUr pe’o Hi redor da sua ataia, cuc eia quería ter ao Corrente do ludo. auxiliavo-sc, como jà viaos, ce ficuras e. iemzlhan^as corpóreas: eìmaginai urna h:z de ¡mense espìetìdor que cnvolve todos os seres. que os pern iai e ilumina, que cs anima e vivifica: só existen por viiludc deMa luz: e mia e por eia lèni a vid?.: é assim que cu vejo c meu Deus e cs cria- íüras nÉle. Inaginai uni incèndio que encka o universo e se estenda infinitamente a:ár;¿ déle, que tudo abrase sen nada consumir c q:io abrasando ilumine e espalhe o vigor; aqueles a queir. as chamas mais cerca .71 s¿o cs mais leiizes c desoía ,71 mais ardentemente ser abrasados: é assim qae vejo as nossas almas em Deus*. F. sobre a Santissima Trincad e: <Parece-me ver ¡tés pesioas n USIMI luz ¡mensa e unidas em urna so essén- cia: trindade na unidade. unidad e /ia Irindade e ccrr.o é ùnica a essè/icia desia
trindade, ùnica è tambèm a sua bondade. ùnica a stia bem aventuran$a*.

SANTA G EM A CALC A NI > O confessor ordinàrio pediu-lhe um día no coafessionário que cxpÜcasse claramente o que entendia por esíe augusto misterio da Trindade. Gena dispos-se a isso e por meio duras ilustraqao civina psnetxou táo lor.ee costes insendáveís arcanos que rae escrevia depois: cTcr.do chenco ao mais belo . pe.-raaricc eraos ambos cai¿des>.
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N¿o e fácil exprimir a abundancia de do<;u:as que rcccbia na profunda contemplado distes misterios subli mes: muitas veres, nao podendo suportar a plenitude dessas delicias, caía desfalecida ou perdia-se no éxtase. «Corao explicar. ¿'.zia. o qt;c si/iío r.csses mora en- tos? £ o cea iodo que se derrama era miVtna pebre alma.
•A principio t'cra a sorprésa, depois o assembro. O espirito permanece confundido, aniquilado, ü coragáo bate coni mzzita ¡órga. desamparado, sofre e goza ¿o ra esrao temo o c desejaria n!io voltar ruáis a banaÜdadc da rida

s

*

ordinària. Er,\ que estado .•»«: incontra ao s dir da Grafio 1 Nào sci se j¿¡ o experimertastes. Mea Dei:s, como sois ¿ora para comigo».

Estas excelsas ilustrares. rauito freqüentes. surprecnciam-na era qualqjcr ccasiáo, no m ció das ocupares ir.ais distraccivas ou durante a oraqáo ¡nais icDcus. ou das raaravilhas da pàtria celeste. * Pecco a catcfai era a cxpfessao ingènua crr.precada p c ' a para designar o fenómeno sobrenatural que a ;.rrcb.i:awi deste mundo.

i colhida. Uc.a lu

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C A escrevia-xe-o P Í T U L scguinte: O X X // 313 Una ocasiáo <Estava r.a cozinha junto do íume conversando co.ti a criada, quando scnti a acj-áo divina habitual: scm ter tempo de n:c retirar, perci <1 c abe$p. c encontrci-me con Jesús*.

Permanece, síci, permanece coe O teu jesús muito amado, ó Anjo cíioso. c¡ue ninguém (e arrebatará una serte tao invejável! A contemplado é de tres especias: intelectual, itr.a- ginária e mixta. A primeira procede por meio de especies puramente intelcctuais: querc diter. 6 independentc de tóda a imagen sensíve!. A segunda, per itr.agens já percebidas pelos sentidos, mas combinadas por Deus, ou cr.táo por imneens divinamente impresas no mesmo instante. A terceira participa duma e doutra, quer as ima- gens senssveis provenham de Deus, quer se tormem etn virtudc do la^o natural que une a inteligencia aos 'sentidos. / A contemplado intelectual, rigorosamente talando, é rarissima. segundo a epiniáo unánime des teólogos, porque a crf.ra evita violentar setr. necessidadc a natu- rt'-a. limitando-.se a corrici-ía quande ela dificulta a sea acijáo. A contemplando mixta, em c,uc as imagens sensi- veis apnrecem por concomitancia natural. ¿ a m.iis comum. Gema, o raais das vezes, era favorecida da contem plado mixta. Depcis da orado Ier.ibrava-se muito bem do que: tinha contemplado e. embora per tfrmcs mui!o •mperfeitos. podía dar urna Idea de tudo. valcndo-se de

»maceos. o Scue lhc se tivessc s:do S14 A S T Ase^a G Eimpossivcl MA GAL Ga A imaginario S! totalmente excluida da sua visào. A imaginado da jovem mistica. muito sòbria, pcr* mar.ecia inerte durante as ora^òes ordinàrias. sò entrava tri ac'.ividade durante a contemplalo dos n-istérios objetivamente sensiveis. corr.o a Humanidade Santis- sinn do Salvador. Mas r.cste caso coia que delicadeza procedía! Dcsccbr'a-IKe as divinas belezas ile Jesus, pintava- -li-.e n$ chañas do seu corado. as chagns profundas, o corpo ensang-icntado. a cabera traspassada de espinhos. Depois, por.do-se por asslm dizer à parte, deixava qv.e o espirito c 5obretudo o cora^ao fizessem o festo. com o au.vího ó;-.¿ c:ia:.s vivas lui«*s e dos ITInis doces impulsos. Qua:::io era oinda principiante ncs caminhos da mistica, o Espirito divino instruia-a poh contemplado puramente sensivel c imaginària para se acomodar ì: sua simplieidace intanili. K'ostrnvalhe. por esemplo, o Eterno Padre so» a foia:a di: um venerando a:ic:5o revestido de teda o l-.onra e da majestad« ce un fusto juir: ir.ostrava-)he a sua bonàade infinita conio urna eh uva benèfica qje se infiltra suavemente r.a terra, reanima e vivifica as plantas e as ¡robre ce flores e de frutos. Mesmo depois de atingir os liltimos graus da teologia mística, as contemplares sensíveis alternavaui alyu- mas v.:;es com as mais abstractas e elevadas, segundo um modo de proceder muito ordinario da Providencia. Alen disse parece que a sua rara simplicidad^, aumentando sempre de ano para ano na ni estua medida da y.:a snr.t'.Jade, inclinava o cora<;ào dAqude que se
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•I

C brincar A P I ccm T U O XX ! ¡ a trata-las aincÍ3 SIS algumas cj =ri:c:'a ec: as Lalcas simples,

veres cono crianzas. De qcar.do en quar.do era surprcendida a prenun ciar oj a cscíevcr, oo lado dos nais subí: ir.es pensaren- tos» tcnr.cs >r.c ¿r.uos, familiares. c temos con es quais. sendo crianza, íalava de Eterno Padre, o ¿iri.-.o Papá de Jesús, co S C j Acjo que a espía, da celeste Mu -;:á oye a acaricia c e p e r í a cor.iru o corado. O Senhcr. e::i sea sabedoria infinita, conduz assir -. as alnas por \á;:'cs caminhos «etr.prc cm harmonía corn a sja naturezo c con a divcrsidecc das suas a pt id oes. A todas disiribuc a su a grasa, sob formas c co medidas diferentes, c e~ propor^áo coir. a fidslidade de caca urna. y. cerco que r.cn codos os cristaos sao chamados ¿ co:¡:c:np!a<;áo mística. mas tiimbrm sao ¿ menos verdacc. segundo r.ota o autor di Imitado, que éste grau sublime d> ora^áo ¿ nuito raro en nossos dias, perqua pouccs crocuram ternar-se cíanos céle.
» •*

i r

Novas asccn^ocs místicas

Á na contemplado infusa, que é a alma tía vida mistica, diversos graus peles quais o hornera se eleva à mais sublime uniào com Deus. Os teólogos reduzerc-nes a nove, que correspcndem a outres tantos graus de amor divino. Gema percorreu-os todcs. cc:r.o vamos ver. merecen do o glorioso titulo de virgen) Para descrever a maravilhosa ascendo desta alma
serafica.

zarci quanto possívcl as suas próprias palavras, tác expressivas ern sua simpücidacc. O primeiro grau da contemplado é o Rccolhimcnto infuso, producido por urna luz extraordinaria que Deus comunica cc improviso á inteligéacia e que exerce in fluencia sobre os sentidos internes e externos pacifican- do-os e det:ndo-os suavemente dentro da 3lma. £ste recolhimento 6 também um atractivo que afasta

SANTA GEMA GALGAS I

cías criaturas os pcasacientos e as inclinantes a-fim-dc es dirigir Cinfoincnic para o soberano Bem. O pròprio corpo ton-.a urna atilde recolhida e fica sen i movimento, cuniquer q:ie seja o tempo e o lugar caí que a alna fór er.volvida por esta luz inesperada. A Gema foi concedido éste rjrau de contemplado desde a mais tenra idade. Seu cora;5.o. aínda corr. o perfume da grasa baptisma!, seníiu-sc poderosamente at.-nido cara Ucjs e inflamado de terno amor -jor £3e. *S¿ Deas me basta. dizia eia; n-7o quero
ssr.ño s Deas, r.Jo me ¡aléis de outra coisa. Vós sabéis, ó Jesús, que

eu n5o a-:o nada [ora de Vós. Aínda que f.-ie despedacen, se t::e
[¡cardes, estarcí contení-;*.

Di: o Sa!r;:isla que o r.csso Deus é tac doce, táo suave que base.» vè-!o e saborcA-io urna só ve: para Ihe ficarmos presos. Ora. nao só una ve:, mas qjási continuamente, a angelica donrela era favorecida com as lares brilhantes da coníempjaqáo e com a suavicade da presenqa divina. Era como unta esposa ferida de amor pelo celeste Esposo- Para É!e se snclinavan incessantemente o sei: espirito. o seu cora;áo. os scus sentidos, todo o sev- ser. Ta: era a tmpressao que se tinba ao vc-la, e sebre- tudo ao cuv:r-ihe as conversas. Suas palavras, breves e concisas, crai » ordinàriamente inflamadas: <Oh! se iodos soubessen cuanto Jcszss é belo, quanto é asr.ái'sl. só procuravi;;: o amor. Como ¿ que Ble c tao
pouco amado? Perde o seu tempo quem o da as criaturas. Nosso cora-

f. ìo e fc.ío pera amor ¡¡ma so coisa: o nosso Deus*. De- pois de semclhantes efusúes Gema voltava ao reco’hi - mcn¡;> n.ibitual. O Siììr.cio espiritual constitue o segundo crau da contemplalo. Caiivada por ur,a lu: mais viva, poi* uir. ìi tra et ivo nais forte e mais suave, a aba fica estupefacta diar.te da majestad c do Scnhor, serri poder proferir urna paîavra. A prépria iir.am'naçê.o. marrn ilhada co en o que )he é dado entrever, absient-se de todo o movimento cue possa perturbar a paz celeste

C A P ! T U l o assim. X X !no ! silencio 1 do cntendimento. o alma saboreia de 313 suas potencias interiores. u:n ar.tegózo do Paraíso. &s;e grau mais pczíeiio ce contemplado e de uniáo amorosa alternava muitas veres cr.i G en. a com O pri- u:«:iro. Abismada no joro cío recedimento infuso. c;n que o", ser. timen t os de confianza, de rsccn’iecfmento, de lou - vor c humiidace se expandía« livremente. de súbito as tures espiiituais tornava m-se mais intensas, o amor mais ardente c eia ficava suspensa, ixóve'. renovando-se pou co depois o dísabrochar dos afectos. Fácil-era verificar esta alternalo em suas craçôcs. Na priméira fase diverses movinentos de aima iam-se-' -Ihe reflectando sucesivamente na fisionomia, a quai na segunda fase nenhuma alteraçâo acusava. A nassa Santa descrevia-me este último n:odo de craçâo nos seguintes tèrmos: «Estive <H U : I te ce jes:-js. nada ihe disse , nem (île

a mim. permanecemos arr.oos er: siiênclo. Eu cl fis va para SU. £!e para m.rr.. Mas se so::~ bêsseis. Pudre, como é agradável estar

Jésus. 1 ' jâ o expcrimcntasics alguma ne:? Qucretiamos citar sempre' diarie i¡¿le: mas dc-reper.te Jésus diz:
assit:: dianle de vamos, c esta luz afasta-se. O ccraçâo, porém, r.ao artefice logo.

13b

SANTA GEMA- CALCANI Na vcrdade o cor3çao da seráfica virgen conserva- va-se inflamado muito tempo depois da contemplado, qun era seapre breve quando Atingía éste grau elevado. A taciturnidade habitual da dcnzela, o seu rccoJhimeato continuo poden-se atribjir à freqiiència déste silencio sobrenatural. Con} tais ardores na alca e coir. a deliciosa Ienbrar.ça ca beletra infinita que acaba va de contemplar. corro pedía Gema alegrar-se no meio das criaturas?
O hábito de saborear no silencio a doçura da présenta divina cispôe pora a oraçâo de Quietada, terceiro
s/ V

eran da contemplnçâc. É una uciâo niais íntima e quási habitual coa Deus. fundada no seníiaento vivjssimo da sua divina presenta. Desta uniáo deriva urna grande paz interior un repouso cheio ce encantos. Quem t¡‘m a experiencia treq üer.te déste nodo de erar pede fácilmente, sem sair cesta craçâo sobrenatural, entregar-se a trabaihos exteriores para maior cíória de Deus. ¿ unir assin admirávelmente en sua pessoa as fnr.çôes ¿e Marta e as de Maria. Gema tinha chegado a éste raro grau de perfeiçào mística r.os iris últimos anos ce sja vida. Cono Maria, conservava-se constantemente nos pé$ do Senhor nua recolhinento continuo; corr.o Marta, ocupava-se quanta era possive;. em boas ebras, no exercício activo de tocas as virtudes e, levada pelo seu grande desejo de salvar almas, pedia constantemente pela conversan dos pecadores. nv:t.T,-a o é;:o ce certas alnas que, as pritneiras de. icia* que sent¿ m na oraçâo de quietude, quereriaa CA P I T U L PX X ¡ ! I 321 i nao mais sair do retiro ou da (greja, coni prejuizo dos seua dcvcrea de estado, tornando assim impossivel iodo o progresso sèrio r.o caminho dà vida interior.
No seu repo -jso mistico Gema coihia frutes raaravl Ihoso s. Ou$a mo -la:

tErr.quanio e:: tinha niiiios dssejos. a minha cima esraya inquieta; ayora que tcnr.o só un (o de amar a Jesus), soc; fcìiz. Mas, jñ que o cesso amor. 6 Jcstss. c ir.accssivcl. deixai-mc agir lievemente, que c\x pensarel, s ini, eu pensarci e darei remedio n issi: equi, r.o meu corafSo, quero erguer-Vos itm tabernáculo iodo da amor; só Vós entrareis nèle; hei-dc retcr-Vos la, sempre junto de. mini; seréis meu prisicnciro, nao mais Vos deixare: a Hbcrdade, emqunnio me nao derdes a con- sola pao que tar.io descjo. E o que desejo e¿i, o que é que Vos pcfo. ó Jr.sus? ¡des ver que estamos de acòrdo: pego o qm Vós mes.cío qucrcis e dssejo o que Vós nìcsmo desejaisz.

O fruto mais precioso da verdadeira contemplalo de quietucc é a tranqDtlid ade do espirito, un?, profunda paz interior no abandono a Deus e no dcse;'o único e • activo de O pessuir. O quarto e mais perfeito grau de uniáo divina ¿ o Sono mistico. Emquar.to a Quieiude é principalmente o efeito duma luz celeste, o sono provini do amor, que acalcóla suavemente e como que adormece a alma cotr. tódas as faculdades intelectual» e sensitivas, c a faz repousar Iraucjiiilamente no seio de Deus. Neste estado a alma abraca com ternura o seo ciuíío Arnaco, mas sen: reflcctir ne:n se Importar saber de que « f
é

522 SANTA CE Vi A GALGANí mocio checou àquelc delicioso estado. E a-inda que o qui- sesse sabír, nño Ihc seria posstvel. visto que dorme, com o espirito perdido no scio de Deus. Ama c isso Ihe basta. Pouco antes ce e'evar a sua fie3 serva ù UniSv extática, o Senhcr favorecía-a freqüenteccr.te co m éste dom, c sobreiudo durante o día. Cs sentidos ficavam-lhe adormecidos. De pé. assentada. ajoelhaca cu prostrada, parecía dormir, e eia mesmo designa com o noae ce sono éste fenómeno misterioso. O scu corado, porém. e o sea espirito nao deixavam de velar, per a anecia tn adormecidos sómecte para as coísas do mundo e para cía mesma. Ao s¿ir desta sorcolènda divina disia Gema, nao sabendo exprim:r-se de oufro modo, que tinha repou- sado :io scio de Deus. <Imagin¿\ì, cizia-me eia. urna criarv;a qi:e sdcanecc reclinada no scio de sua mai: csquece ti:d o. e.$qiiece-se de si pròpria, noe pensa c,m r.&da. mas repousa e dome sen i saber porqué nem de que mode. & asstm a xiinha alma r,es¿cs momentos, nr.ns créde.
Padre, que c um sor.o tnuito delicioso

Dorme, angélica virgem, dorme sfibie èsse scio divino que com tanta 5ns:a procurou o teu corado. & là que está a felicidade! Ír.síc sono, pienamente sobrenatural, é independents da vontadc humana que nao pode usai provocá-Io nem evitá'lo. Entretanto, mais para me certificar que para mortificar a seráfica menina, terminei por Ihe dizer que fste ad erme cimento, sobreviado durante o dia, me parecía urna bela oca sia o de fomentar a pregui^a. e que por isso era boin nâo se repetir.- E, ccisa singular! o fenómeno místico nao ciáis se repttiu.
Etn ssu amor à obediencia a admiráve! donzela tinha solicitado e obtido do Scr.hor o afastament o dcsta graça. «Vede. Padre, rae diría Gema. Jesús fuz-me cirm- prir a obediencia; jú nao durrr.o; úgcca estaréis contente C TÍÍÍ O vos afligiréis mais comipo. ¿¡ r iâo se: qitc me aconte ça desagradarles cm outra coisa: mas. heide procurar ser boa».

A obediencia assici praticada em grau táo hcróico merecía urna recompensa proporcionada, que nao se féz esperar. O sonó espiritual dea lugar à Uniâo extática. favor de oedern muito mais elevada, que o Senhor proci- <plizou i\ su a serva cor. tanta abundancia que cé!c trataremos duni modo cspccio!. Estando agora táo próxima da fomalha ardente do amor, que é a dlvindade, era impossive! a esta 3lma ditosa abandonar -sc aos encantos da Quieta Je e do sono divino. Chamas celestes cotneçavam a abras¿-]a, despertando cm seu coraçâo os sentimeaíos dum quási delirio de amor. Estes transportes, táo doces como impetuosos, quando trazem o cucho do sobrenatural, recebem o nocte de embriaguez espiritual e constituem un: çrau da mística. mais ou menos’perfeito que os precedentes, segundo as circunstanci as e os pro-jressos da alma. Neste estado o contemplativo trasborda de amor e de júbilo, nao se cansa de leuvar a Deus: quererla fazer ouvjr a sua voz atí acs confias da terra para índuzir tódas as criaturas a glorificar o Senhor. Levado pelo ardente descjo de penetrar ôltissîmos mistérios c de padecer martirios incxtveis pelo serviço de De us. aigu- mas vez es pronuncia palavras e pralica actos eue pare- cern loueur«. Aiguns salmos ce David c a vida de muitos santes particularmente favorecidos do céu: de S. Fraacisco de Assis. ce Santa Teresa. Santa Mada!cna de Pacri. cfe- recen: exemplos desia divina embriaguez. Gema cxpcrimcníon-a rr.uiías veres, cono ¿ fácil rcconlu'cer pelas palavras eue entào escapa van dos seus lâhins ou da sua pena. Toda via só duas ou très vetes foi vista exteriorir-ar os transportes da alma por cestos animados. Parece que a çraça divina quis respeitar a severa reserva que esta virgem modestísima guardava seropre com tanto cuicado en suas alkudes. As raras veres que nao pedia conícr os sena arreb;itam.tntos místicos, enírc- gyva-se a algunas dcmonsiraçôes ¿t alegría exuberante, muflo moderadas e chelas de dicnidade.

Scntir.do'Se con do 1coraçâo. ?ar.ia 3-2-1S A N TA G todo S MoAparaíso G A ldentro .G AN sina! As pessoas prcíer-íes para que se aproxinas- scn. c para qui; colocassem a :nán sobre ele a-flm-dc se certificaren:, da sua fclicidadc; depois exclanava: «Ó Deux! ó amor! Ô Paraíso!» Fora estas raras exceptes, a embriaguez déste aojo, enbora sensível, era tóda interior e só podia conhe- cer-se pelo rosto inflamado e pelas acentuaçôes da vo: que como outras tantas cliamas ardentes lhe prorrom- pia :n do coraçâo. Ouç.imo-l.i : «O s laço:- do i'osso a.'?ior sao tño [oc- la, ó rncu De us. que t'.áo posso dcsprcndcc-me déles. cA p ; T a i o x x Ì i J 325 « *
Deixaì-n ic. dcixai-rr.e a lihcrdade: hei-de cmar-Vos nana de tudo. hei-dc procurar-Vos sempre. Qh! que fizestes. Jcsns. que (uestes ao meu corogUo para que ile csteta ùsstm buco per Vós! Ah! r.5.o posso mais, tenho r.ecessidade de me expandir, ter.ho r.ecessidade de cantar, de exultar. Vii a o ari',or ine ri ad o! Viva o CoragSo do meu Jesus! Ah! se te-dos os pecadores viessem a èsie Corazzo! Vir.dc. vir.de, pecadores. rcJo temáis; a espada da fustiga r.ao penetra là dentro. Oh! tu querii. Jesus, que a mir.hr. voz che gasse aos cor.fins do

universo; cu chamaría tedos o> pecadores para Ihes dizer que er.irasscn r.o cosso CoragS o». F.stcs transportes dutr. amor exuberante vir.ham o triáis das ve:cs durarte os èxtases de Gema c manifestavano-se também frequentemente nos seus escritos. <rTrr\ho :(n\ ardente deseio. e sere via eia, de VOÙC para Deus. Oh! se pudésseis dizer qualquer dia: Gema fei vi tima do amor e morrea so de amor... Ah 1 que bela morie/ Nào. nao me sialo sossegcida emquanto Jesus me m"o consumir em suas chamas. Quería ver c meu corapàfo incendiado pelo ¿>mcr. Quería que todos pudessem dizer: o amor de Jesus reduziu n cinzas o coragio de Gema*. Nao se juigue que, por ser assitr. sensíve!. a embriaguez espiritual 6 menos preciosa, pois consiste antes de tudo c-i una lu: extraordinària do Espirito Santo e no amor experimental, cuja superabundancia trasbordo pelos sentidos do corpo.

Algucas veres estas Inundaba iavadem. como torrentes de fogo, o órgáo material do cora^ao e abra- sam-no duro modo desusado.

£26

S A N TA

GE MA

CALGANl

y ■ ' Estes ardores especiáis, chamados pelos místicos Chanza de amor, ccnstitcem o sexto grau de ur.iáo divina. Na^-irgcai de Luca a intansidade desta chama foi inaudita e nao se teris pedido prolongar por mais do¡3 ou tres meses sem queimar por completo o seu coraqao, como testenunhacn fados reais, escrupulosamente verificados. Èsse corado transformara-se cci autèntica íorr.a- llia. ca qual iiinguém podia aproximar a mao. nesmo aíravés dos vestidos, sem se que:mar. Para melhcr me ceriiiícar do fenòmeno, pedi a D. Cecilia Jr.c examinasse atentamente o peitc durante os extases. E, ó maravilha: rcuitas e muitas veres a parte exterior correspondente no coraba» aparece.: tostada, exactamente cono se tive'sse sido exposta ao :ogo de carvCcs ar¿en*.es. O prodigio duro i: uns deis a trrs meses, e muito tcrr.po depois podian-se aínda examinar as cicatrices das qi:cimaduras e ca chaca que tínham producido. Eia roesna que nos descreva o fenómeno.
*Há cérca CJV dio dias sinio r.a regiáo do coragao u¡:¡ [ego ¡ ni.< ictioso que r.¿ o se; explicar. Ce.vi o a principio na o experi ment al;*! qué si ncr.hnm incómodo, nao [iz caso; ;?!5£ há irés dias éste /ego aumctUou ce tul modo que ¡á quasi nao pc.sso yjpcriá-ic. Precisaría de geío para o apagar; impciic -me de dermir. efe comer; coman tra-se ao exterior, fiste foge, ior.ge de n:e zlormer.iar, dcieita-me. mas vai-me esgotando, consumindo. jcxvs cr.m certeza }¿ vos fèz comprender iudo amo! quar.io Vos ome'.>
islo.

Meti bom Deus, quanto Vos

A dor producida por esta espécie de ccrabustáo era - amito viva, emisora misturada de delicias. A urna pre- gur.ta que lhe ft: respcndeu: «Para formardes unta ¡dea aproximada, imaginat que no mais intimo do ir. cu pobre cor3f5o foi inlrcduzido en ferro áo rubro que constan- iemente se con serva r.cste estado: é es sin que me sinto queimar*.

C A P I T U L Ó X X i ¡ I A-pesar -disso, r.unco fia trocaría por todos os p:a - reres e tesc -j ros co nuncio urna cor táo intensa que no rundo do alc:a era dulcificado por uci o suavidaüe ir.ex - primi vel. Oj vj u-se ua dio exclamar r.o éxtase: tVós estáis abrasado. Senhvr; e c.:: ardo. Ó dor, ó amor seberznz- mer.te fe!::: ó fego dulcíssimo. ó chamas deliciosas! Queréis fo:er do me:: coraj áo urna chema? Ah! encontrei o fogo que devora e rede z a cinzas. Ah! basta, basta: rJ¡o consigo subtrair o meu pelee a tanto fogo. Que digo? Nao. linde. Jesús: eci Vos abro este peiio. introduzi néh o vos so fogo divino. Sois chama, que o meu cocagüo seja també. -n urna chama*. A!cu:r.as veres.' cccnc se aír.do nao tivesse experi mentado tais ardores, di zia: tQue incendio é úste q¿ie smío em mim? Seráo as chontas do ves so amor, ó jesús? Sin j . seto a.s chamas do vosso amor». Mas nenlitma efusáo conseguía acolc-.ar o fogo interior que devorava a seráfica donrela. <Pohm Cen-.a. escrevia-me o Ssjihc-ra cue lhe assisiia, co/r:o sofre! Con- sorae-se de amor per Jesús: está constantemente a repetir que se serte arder e n<lo ve /o£c. oue se

sente forte- mente presa e nao descobre os lagos que a prenden:. Ah! se fósseis testcnunha dos seus transportes acaixo- nados! se cuvlsseis as expressóes que lhe ssen: dos labios durante os éxtases!» /

m

SA tot A C E S I A C A L O A N I

1 Estes ardores conservavam' tOda a vjvacidade, mesco no ir.cio do aridez espirita!. Num dos seus è_\tasci exclamava elei: «Q:.*C‘par. que repensó. (5 Jesus, mcsrno quando Vos coite ais! Per« a necci. pcrmanecci long e de m;m; basta que r.;:nca me ¡alte o vesso amor. Abrasaì-rne. o vesso amor xr.s batta. Old <e um dìa se pudesse dizer que o vesso amor me ccnsunìu! Arr.ee! Anice! nSó quero sepa- rer-mc de Vós. Afastai-Vos quando quiserdes. hel-de seguir- Vos sempre*. K cada ve: ciaìs in fi a no da. Gema continuava ainda: «Porque e que, <5 Jesus, me deixais só. abandonada, depeis de me ¡Cides mosti ado tardo urr.ee? £ o amor, Jesus, que ne fa: /a far assim. Mas se voltais, ó net: Deus, mor retei. ó jesus. amparai-me. PnVai-me de indo, ¡agi para onde quiserdes, mas detxai-me o :•osso amor?. Nào pedem sentir, nao peci era falar de outro rrodo os que. co~o S. Paulo da Gru: saborein-, ern grau tao suhün-c as depuras do atner divino. O pròprio Salvado:, Espóse divino das a’mas, inebriado ce dor e ce aiucr só'ore a cruz. sospirava coni angùstia: Sitio: ter.ho sède. Esta Sède ou o/icùiiia de amo: è o setisne grau da teologia mistica que Scaramelìi define assim: As angustias do amor sào uni vivo e ardente dcsejo de Deus, de de Deus a:r.ado e gostaco, mas ainda r.3o possuido pela alma. A persistencia, a duralo cestas angustias, que ?: cixiim por assira dircr nas er.tranhas da alma, cha- ma-sc sede de amor. Durante coda a vida Genia leve urna só pai.xào: n de chetjar h posse de Deus. A cedida que se purifi"

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32 9

cava r.o crisol dos ciaioics so friolentos, esta paifcào aumentava, inflaciava-sc. convertia-se 3 - .:“3 sede arden Ijssir.a. qucìraava-ihe as entroncas. H:n tais angustias a inocente peraba nao encoctrava outro alivio senio o de gcuscr. E ccnia de dia c de noite, direndo: «Preciso de Jesus, chi dai-nìo, dai -.no*. E d:ri- ginco-se oc Divino Mestre sus pira va :
«.Aprcssai -i -'os, Jesus; nao vedes quante e ncu ccrs- $p.e Ves desoja? Nao vides come èie va: des/a'eccndo? ;V.7o Vos casta, ó me:: Deus, vè-lo sssim cor*svrr.:r*sc de i/o ¿c/o? Viride, vlr.de. Jesus; :\¿o tardéis, ccrrci, apre- xbiai-Vos. fazei-tn c ouufr a i/ossa voz. Ó Deus, quando mr se eie rei c/a yesia faz, quando? Jesus, alimento das tìhias fortes, [ortificai-me. pucificai-me, d:vir,!zaì-me. Deus de infinita grandeza. Jes:is, aìtidei'-ms. Deus gerivo de Deus, vinde c/n /irei: auxilie! Teñí:o sede de V6s. Nao redes como sefro de inanhá, en:quer.io me nio nutre de V¿s? Fazci que .10 /»icnos. quande est ¡ver nutrida, fique saciada*.

Ora seria possíve] que. no órgáo materia! do cora- vie r.ao se repercutissem os ardores desse fogo espiri* t.;.-il ene a io consultado? E de corará® fsse fogo con-.unicOu-se logo as carnes que o cobria:n; a seguir íci iavrando gradualmente, até invadir todo o corpo. Ao contar-nie é.ste fenómeno manvühcsc, diria Geir.a: <0 meu cora^áe, Padre, é vitina de a.ñor; ni o :;\c yen] possive! resistir, /narrerei de a mor. As chanzas cer.scmern o ceragüe e até o corpo; vcu ¡¡car rcd-jzida a cir.zas. Ontem aproximei-me de jesús, expesio
r.r. SS. Sacramento, mas serti-me queimar tác fortemente cue ¡ni obrigadò a ofastac-tr.e; urdía per todo o corpo, e éste

S30ardor

S A che N T godo A Gùos EM A O A Jesus! L C A iVso N 1 sci ccmo c que tantos finta clkcs.Viva crisi jos pedem oproximar-ss délù seni se rem redi:;¡Jos a cir.;zs>.
Eu ntcsr.io quis examinar, coa: o auxilio eie um ter mómeiro. o abrasamento yeral do corpo de Gema. Ape nas o aplique! Aquela carne vir ginal, a coiuna do mer cùrio clevou -se ic .90 aie ao ci mo do t ubo, como se o ti vessem aproxi mado duras fogudra. Se neste triste exilio, a-pesar -des obstáculos des sentidos, a almo, só com o auxilio das luces da fé, pode chegar a tal inten$idode de amcr divino, que transportes r.5o ?cráo es scus. q .iando Ihc :dr per mitido na luz b r i - Ihanle da glòria contemplar face a face a Belerà infinita e de!a y or ar para sempre nurr.n uniào inefavel?

v

C A P í T U '.L O, XXIV

Esponsais místicos

sete graus precederles d e contemplado cor.s- litucm u:na preparado para os Espon ¿ais mís ticos, que consisten r.a ur.iáo perfeíta c estivo! con o Soberano Bcm. mas que sao aínda precedidos dcuiro gran ¿ 2 preparado que a teología mística chama
S

i oques divinos. Peta recclhimzr.tc infuso Dcus torna a alma atenta á sua aarávd presenta; pelo sÜéni'io espiritual p5e-r.a esn estado de ouvír

a sua voz; pe)a quietud* cisp5e-r.a para a nagnaninicade; renova as suas forjas no seno, excitD-a na embriaguez, aquccc-a pela cña/na, conso- ::ic-a e atrai-a pela séde de uniüo e de ¿nteira transformado n£le. Tendo chegedo a esta altura de perfci$3o. a al eta vi-se e ser.íe-se próxima de Deus: go;a d£!e con inex- primiveis delicias, ñas scc: aínda O possuir intimamente. Semclhor.te h bcrboleta que. atraída pela chana.

unLuf

\ IV t

voa ere roda dela, a alma gira eai volta da cssènda divina, caminha para eia ia*.petucsamení¿:, mas Sem eia poder aínda penetrar, abiscaar-se. percer-se.
Por isso g;; -T.e e suspira nuata ansiedade tanto maior quanto mais abundant es e rr.ais vi vas tí ver eai sido sa luzes que cm suas contemplares Ihe dcscobriram os encintes da Beleza infinita. Gena descreveu :nuit o oca éste estado místico coa as segantes paíavras: <jesus esíá en mitn e cu son ióda dale;

espero agora a grs$a duma total transfennagèo nf%'c c con sumome no desejo de me abismar r.essc oceano ìncusc do amor divino».
Segundo a lei común, este insi gne favor nao se comunica sùbitamente à al ma que con cert eza nao poderi;! suportá -lo. Por isso o Pai Celeste come; a por !ho comunicar r.um grau inferior, qu¿ é o oilavo da Teologia mística e a última disposilo para es divinos Desposo rios. Deixa -se tccar substancial mente pela al ma, oi me - lhor, £!e mesmo a loca con c rapidez do rel ámpago, e assi m cometa a deixar -se possuir. Estas fugiti vos, finezas chamados do amor loques incriado, divinos, estes contactos urna definem-se:

impressáo espiritual, análoga á do tacto corpóreo pela qual a alma ser.te a ac -^áo divina no mais ínti mo do seu ser e sacoreia o Soberano Ben dum modo inefávei. Quando os gemidos da seráfica donzela chegaram ao seu auge, cuando o seu cora^ao parecia nao poder s resistir mais ao arder intensissimo das suas chamas. Deus tcve piedade dda, e para Ibe tornar suportável a v;ca. come^cu a aproxi ma -la de quando em quando do seu divino Corará o. Nào posso precisar a época em que se cao:feria ra m estes íoques divinos. A ditosa menina j á g osa va déles quanüo a touici soh miaba dirccçâo, isto é, très anos antes

C A P I T U L O

X X I V

34

de ccorrcr. embora fóssern aieda menos per - feitcs e emito raros. lira de crdítiário durante a contemplado que recc - bia éose precioso den. A medida eue a l u; sobrenatural dcscobria a seu espirito a Bdeza incriada, o coraçâo inflamava -se- lhe. bi’.tia con mais força e anelavu unir -sc ao seu Añado. Pouco a pouco. cea o aumento désíes ardores, caía o muro de bronze que separa a criatura do Criador, c esta al ma feliz eucontr ava -se em contacto com a Di vindade. Durante ésses momentos apenas podía suspirar: có an jos, ó anjos, es! ou aniquilada: eplacdi vos o amo: do ríiei: Deas. Rcndo-tnc. je sus, rendo-me e.o vosso surjo amor»; e. abandonada das forças naturais. caía deifa - l ectda. Gema seníiu um día na ícrcj a. depois da sagrada, cor.unhño. usn déstes toques divinos. A sua humildade ficou táo alarmada que supÜccu ao Senhor nâo tuai s a favorecerse en: público con esta graça. E foi ouvida. Em sua incénLa simplicidadc, a seráfica virgem atribuía aos próprios esforços este felir resultado.

Escrevia ao seu director: «.jesús continua n [<>.:cr-sc ser, ti: em iode o tempo e lugar. Se ja £¡’e sempre bendito! Mas que esforços tcnko de empregar para eue os outres nada suspcitcm. principalmente quar.do cstou na igre/a o;r fora de casa. Pasto ás vezes o día inteiro a ✓ sufocar estes de se jos que tcnko dú me submergir no océano itncnso do amor divine. E c sobretodo nos mo-

S34

SANTA GEMA G ALGA N l

mentes ¡mediatos á Comtr.háo que ienko rraiv rereío. Ce;?: oí esfor^cs que emprego sinto-me á no. : íe com febre. jesús diz-me que estes es{or$os l.he agradan nuito. Avante sempre! Co r.tinuarei a poder cor:ter-rr,e? Temo que r.jo. porque os transportes tornam-se ceda vez rr.ais impetuosos e nais [requemes. Quar.de nao puder mais. dzixare; correr. Viva jesús!*

Também o.» sentidos participavam aiauxas vezes desí a gra<;a preciosa. O Verbo Divino aparecía sob a arr.ávci íor.T.a da sua Humanidade. inílamavn com suo doce presenta o corado da seráfica esposa e convida- va-a a aproxiaar-se do Sagrado Lado. Gema beijava-o co:n labios afo^iendos c desdecía de tcrnjrn nos pés do scu 3r.n Mestre. Vejamos cotr.o cía mestna dcscreve una dc3tas in¿- fáveis co;;::í ici!;5es : c De país de ter con\<.tngjdo sen (i vir Jesús: e queréis saber de q:te modo? Logo qt:e r:eu cocagao O roce- bcu. tiós-se a baler ecni mui!a {órfíi, cc::io se quisesse despedazar o peiío. jesús prcgur.iou-me se cu O
amava i/erdadeiramente. Respondí que s¡:n . — F, Vos. !ne disse cu tambóm. amais-me? — Nesic momento jesús en - cheu-me de caricias, beijott-me, e eu ¡iquei aniquilada diante d£!c>.

Com o tempo, estes assa!t03 do amor infinito, se é licito talar assim, tomaraoi-se nuito freqüentss sobre- curio r.os éxtases: e os assisicntes no f a vaca 05 seus efei- (03 si*r«s:veis. A Gs:e prepósito escrevia ela: « Estes pequeños des - fa!cc:.-'.:r.'os
que me sobreveerr, *na presenta de Jesús. tnu:t:pn:an'..se cada ;>ez mais. Mas se Jesús, continua.

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de-prcssa ¡icará ¿ó ( J J . Ah! c sncr ce Jesús é sa:n amor ir:esistivd. Como nao O ama: cc.-ji tc-da a n.óssa aima? Como nao hei^de desojar pc.-aer-.r.e n£/e c consumcr-ine mis chamas de sen sanio etnor?> À seráfica vir gen j ulgava que todos os crlstáos ardiaxa como eia no amor celeste, e ouviu -sc muítas veres di;er do Senbct: «Men amado Jes-as. se permitís (¡i:e todos ardam ñssim c se ccr.y-mrr. diente de V’ós, r gucin poderá resistir c [ izareis só>. Prcgu’j ícu un día a Dcus donde provinha era seu interior esta sede de lhc agradar e ce se unir a Ele per un*, taco indissolúvel de amor. Respondeu - ’hc o Senhor: é qse en venciste. E Gema: Ah! sim, soit ¡diz en: te: sido vencida por tonta bor.dade. por (unto cn:cr. Chegara para o Divino Mesíre o momento ce com pletar o seu triunfo. Tantos anos de. provas e ¿z puriíi - caçîeô, tantas graças rnaravilhosar, tinham tornado a sua predilecta serva di gna do beneficio insícne da uniio estáve! e j :cífeiia, grau supremo da vi da raísiiea. Como j ¿ dissemos ao íalar da sua hunuldade. a modesta viroeu nao ousava chamar a Jesús seu espeso. Eastavô -lhe a ela o nome el e serva e sobretudo de fi íka. Todavía, crescendo o a-cr e com o amor a con fianza. ie“incu per aspirar h qualidade de espesa e j>cr exprimir tímidamente o scu deseje. <Se experimento, ó meu Jestis. tanta consolaçâo quando de rn&nká me cor,-

(!) Mc-io ce <¡L:er q’jc ÍJJÍ ÍXCÍÍJO ce Middade c de amer a farfío e:pl'a/ a?J pi* Divino EÍ^JO.

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viciáis a chanar-Vos pai. que se.'ó quando me ¡ór pe mi- tido chamar-Vos Esposo? Si;n, Jesús, cor.solai a vossz . pobre fiiha c esposa prometida*. Nouira ocasiáo, senpre en éxtase, íalava assira com r> scu De vis: <Ó Jesús, cr.as senpre vossa [ílka? Nada /nais? E náí> obstante cu queda... ó Jesús! S¡tr„ com - preendo. era dentáis para mim. Queréis
que Vos diga quai c o desojo? En quería, Jesús, cu quería ser. jes'.:s, i’Css3... esposa. Sin, vossa esposa, ó Jesus>. De- pjís destas palavras,

coindo desfalecida, esteve longos horas escondida no chao.
Correi, ó divino Esposo das alíeos, porque é tempo, c d¡;e¡ a esta vir gem seráfica que nao vi ve se nao para Vós: levanta -te c ven, «rem, esposa de Cristo, receba a ccrea que o Sr.nhor (e prepacón desde toda u eternidades ( I ) Os pedidos da angélica menina fe can satisfeitcs. O Verbo Eterno uoiu -se a ela por un; )o¡;c indissolúvd de amor. Como a Santa Catarina de Sena, a S. Paulo da Cruz c a outros santos, opareesu também a Gema sob a for ma d -.i m gracioso menino sustentado nc3 bracos da di vino N'ái. Como penhor déstes místicos esponsais, Ma ría tirou do dedo de scu Filoo um onel que cclocou no dedo da sua ditosa ser va.

( l J EX) o:idc. litúrgico, ñas Vésptraa do Común das Vlr- geni, nfitíícna ¿o MaSn¡tiSait (\; oU d 0 *R C vUor). •

<1>¿M coisas, ó :s. o r.-.cu ccfo- <Ao a.w.a: Viver sofrerJo c depots mor: er de acor>.

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Desde cntáo Gema nao parecía já criatura humana. À ma;esíade do semblante. o esplender do olhar, o suave sorriso dos labios, o conjunto de su3s raras qualidades fisicas revestirán ura nao sel quí de celeste que Ihe dava tódas as aparèncìas dum anjo do céu e inspirava uta religioso respeito. ■zCrede-nos, Padre, escreveram-me os que com eia conviviam. nJo se pode fixae os oihos cm seu rosto, parece «m serafini. Depois de a ter conícmp/acío per um instante somos feriados, a £>a/.var os olhos. dominados pelo cespeito. Passa quàsi tódas as horas de orafao solitària ero èxtase. Nào a podereis ver nesses mome/rios 5Cm ros sentirdes comovido até às lágrimas. Se ouvisseis &s palavras de fogo que Ihe saem dos labios! Ah! a nossa querida Gema'» Eia raesmo me descrevia o seu feliz estado coca as seguintes palavras, precisas e breves: «/esas ccnfínua a amar-me. mas r.uc do mesmo modo que antes; corMr.ua a cecolher-me e a unir-me r. Èie. mas dum modo diferente. Desde èsse dia comcgou para mim urna vida nc"a». A analogía dos desposónos, embora muito imperfetta e grosseira, pode dar urna idea do grau de amor e de uniao a que foi elevada a seráfica virgem. No matrimònio terrestre, duas pessoas dào-se urna à outra COT. t.jdo o que sào e com tudo o que possuem. a pcr.to de se fur.direm de algutna sorte num único ser. No matrimònio espiritual e divino, a alma dá*se taciSém t5da a Deus. e Deus dá-se todo á alma. E esta uniáo. como aquela. mas infinitamente mais perfetta, é íntima, continua. indissolúvel: intima, porque se opera no centro, na pròpria substancia da alma privilegiada; con/ínua porque

se es interrup^ao alo uni a do parte de Deus, se u vcxda- deiro SASTA GEMA GALGAS! autor; ¡ndissolúvel. porque segundo a lei ordinària. jamais acontece que urna tal alma ebegue a perder a gra^a santificante e se separe de Deus. Està uniào perfettissima distinguc-se. pois, clara- nenie des graus inferiores da mistica. Nestes, o Ser.hor sònente conunica es doas celestes, seni Se entregar a Si cesino : ou Se comunica só às potencias da a’ma e nac à pròpria alma, ou, se Se t i n e à alma. 6 ùnicamente por intervalos mais C J menos lcngcs. e nao ce modo permanente. Que nos descreva Gema esta uniáo sublime. j<i que teve a dito de a experimentar: <Hoje jà nào osteu em mim. escou corri o m cu Jesus. scu tòdd paro Pie: e Pie està tc-do em mim c c lodo para mi.'?;. Jesus està enmiyo e è ¡odo mea: està só comigo, e e a csiou só coni Pie, se. a
bemdizé'lo, 50. a cortcjà-!o. Està encerrado na miserale/ cela do ni FU ccrafào onde caco&re <2 sua majestade. Estamos completamente sós. c o nieu conifSo palpita de continuo n unissono coni o Cu.'Jy Jo de fe:us. Vuv Jesus! O Cor,i\3o de Jesux e u nou sào urna c a rr.csr f:a re ¡su. ,Vao 5 e passa uni minuto sc:n e;: sentir a sua querida presenta: manifestase dum modo sempre muís anuir eh.

Que felic-dace nao deve ter neste mundo a alma elevada a tanta altura! Quc celeste mar.à nao deve eia saborear ncsta intima uniào con o Soberano Bem. sendo certo que todos os beus co espóso estào à disposilo da esposa e que os bens de Deus sao infinitos. Wma nada exagera quando*exclama: «Como sao doces para mim es momentos que se passami P ¡tma fe/i-

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cidade ¿órnente co mparáuel a bem-¿ricnturar.£<¡ cierna dos a.njos c dos sanios. Sin:, scu ¡diz. ó jesús, porque sit:(o o neti co.Mf Jo palpitar cor.'ra o cosso, porque V'oj passito! Mas. ó rr.eu Deus. se r.os (ornáis táo fclizes na í f c r a . (¡tic será no ceu/> H sere vía ao seis director: <OV Se pudesseis. pjdre. experimentar, saborear tancas [.n-cres que je rus n:c cor., cede'. Oh! como Jesús c bon:: Pego-ihe que y.:¡.penda es sens dons. porque nao resisto .-na.-s. Ayadai-me, aju- dai-me e ¿.b<::u;oai-n:e?.
É. difícil definir a natureza dos ¿oíj s cuj a super.v bundáncia !an$ava em táo suaves desfaleci mcntos a nova esposa di: Crist o: eia mesci a nao teria podido fa- ze lo, iirain grabas subli mes cuc a nobilitavam cada ve: mais, que a embelezavan: e toenavam mais agradávei acs o?h.?3 de sun di vina maj estad«. Sentia -sc submer gida nurr. abismo de luz, de serenidade, de paz, e cc:nc que transfor mada e:n Deus coa: todas as potencias c todos os actos da a3ma que, pode dize: -se, nao saia dum exta.se senao cara entrar neutro c r.o intervalo per manecía^ abscrvtda eir. Dcus. O Verbo Eterno comunicava à sua esposa pr edi lecta os mais intimes se yredos, ilustrava o scu espirito co:n ?.s mais altas visòes intelectuais, incantava at ¿ os sentidos com as mais suaves apari?6e.s. Descobria -ihs a sj fclirr.icade dos mistérics ca fé. a perielio infinita dos atributos divinos, a felicidade que a espera va no scio da ylí3. -ia celeste. Agora compreende -se que a santa ccnir.a. mais c.tt- gostosa que nunca das coisas da (erra, cxcJamasse tantas vezes: * Meste mundo i\tdo me repugi\a e me pera; só 250 SASTA GEMA GALGAS 1

\ d CSC jo amar. amar. amar. Passo os dios cm aspiraos continuas c cm oragócs jaculatorias). Ja nào scs admira vè-la tao apaixonada do Paraíso, paree cndo-lhe sempre pouco o que jó possuía no cora;ao. *Oh! vamos ¿o Paraíso, oo Paraíso, onde se vé a Deas /ace a /ace, or.de O p-ossuimos com per/eípáo c aie à «acíecfáü'e. Quando é que. ó mcu Dens. me abriréis as portas cío Paraíso?*

Assim se explica o terror que Ihe causava o simples acme ce pccaco e èsse zelo ardente que Ihe teria feito aceitar tocas as torturas para impedir a menor ofensa de Dcus, mas também csses dcsejo3 inflamados de aplacar a Justina divina, à custa año importa ce que expiaqáo, e de realizar grandes obras para a sua glòria. Di zia cora vivacidade: «Mas que [arci cu por Jesus? Oh! quanto que rena [azeri Se pudessc dar-lhe jà tod o o rr.cu sangue! mas
n¿o. quero vicer sempre, se isso Ihe apraz. para trabalhar por £!e e para {azer penitencia por me io de muitos so[rimentcs e de milito amor. Oh! Se eu pudcsse possuir. corno sempre ardentemente desejei. o /erro.c o a:;;or de tedas as ab;js santas, se en rr.'Je .«.*<? igualar cm pureza os próprios ar.jos , e até a ros. o \Ja- ria. r.cssa Mài Santissima!*

Estes pensamento^. estas aspirares e afectos sao muito na turáis numa espósa que vive unicamente para agradar ao esposo. Gema nao pensa eai si: rao há sedimento que pelo seu Araado nao suporte de boa vor.tade. As deshonras, os u‘Lra$es que SIe recebe de criaturas ingratas, fcrcm-na no mais seusivel do seu cora<;áo. Utr. cxeajplo entre muitos: Certa ocasiáo. etr. que voltava da igrcj'a. juntou-se a uma pessoa conhecida que.

CAPIT I ! 1 , 0 come^ou ' X X I V 511 devido a qualquer accntccimcnto dcploràvel, a vomitar horrendas blasfemias,’ alucinada por um cego furor.. A santa aen;r.a tremeu ao ouvi-Ja. e dispunha-se a repreender a infeliz, quando, perdendo as fòr^as coni o excesso da dor, caia ¿esfalecida. Entretanto o cora<;ào butta ceni veeméncia e as veias. violentamente estiradas, dei.xa va m passar através do tecido grande abundancia de sangue que !he jorrava pelos peros e corria por terra, depois de ter manchado todos es vestidos. Espectáculo coooventc este, único talvez r.os anais da agiografia crista, depois da agonia do Getsemani, em que Jesús derramou um suor de sangue parecido, racs- trando-nos ossim quáo horríveis sao as faltas graves contra a majestade divina. Quando retociou os sentidos. Gema Jevantou-sc, con'inuau o caminho. mas nbsorvida pela dor profunda, nao nolou o es’ranho fenómeno e apareceu assim em cas a. Sua tía foi a prirr.eira a encontrá- ’a. Ao ver-lhe o 1 rosto pálido e desfigurado infornou-se apreensiva do seu estado de saúde: mas logo, vendo-a tóda eusangüen-- tada e julgando que se tivesse flagelado ou martirizado com alguin instrumento de penitencia, repreendeu-a severamente. A humilde menina, vendo-se assim desccberta, còrou. fèz cuanto pede para sair do embarazo e. como r.ada conseguisse, ccnfessou ingènuamente, no meio de lágrimas e soluqos, que algumas blasfemias proferidas en sua presenta Ihe haviam provocado um suor de sangue. Preguntou-lhe 3 Senhora, dissimulando urna viva como<;5o:
*Porventuca é a prímeira vez que o uves blasfemar nesta desgranada cidadc? Porque é que só heje se produziu (a! efeitoh

Gema respondeu: «nao é a prímeira vez. isío acon- tecc-me
sempre. se nao consigo retirar-mc a tempo, ou o o menos distraie-mc*.

Gema podía ter acrescer.tado que a videncia da dor lhc tinha arrancado algunas vezes lágrimas ce sangue. Éste fenómeno, de que nao havia memoria até entáo, reproduriu-se freqüentemeníe e íoi observado por muitas pessoas quando Gema. cHegada b perfeí<;áo do amor, reccbeu do Divino Mestre a graeja dos

misticos espon- sais. SAN TA GE/A A GALGA N I injurias Sob a prcssáo durna dor intensa, provocada pelas feitas ao seu muito amado Espóso. o sangue corría-ihe lentamente dos olhos puros e coagulava sóbre a face, donde era preciso desprendé-lo acs grumos. Outro fruto da perfeita uniáo de Gema coa Deus era urna tal ou qual impassibilidade em face cas mniores tribula<;des da vica. Ou nao lhes sentía o amargo ou r.áo lhes prestava aten^áo; e. emquanto á volta déla reí- nava a tristera e o abatiraer.to. só Gema permanecía calma c serena. «Nao i»os perturbéis, diría, nao é nada. jesx:s nao há-de pcrmíítV que acóntela mal algum. Por - ventura nüo está Jesús conr.osco? Por gue ter tanto recelo?* Os soírimectos físicos, por mais intensos que fós- sem. nao ahrravam a sua alegría. Até entio a aridez espiritual tinha sido o grande tormento da sua alma. Quando desaparecía o amado Jesús, a seráfica vir-

C A P I T U L O X X I V 643 1 gem empalidecia e come^ava a tremer, com receio de O ter perdido para sempre. Mas, depois que se tornou sua espósa. cena da iadissolubilidade dèsse mistico Ia?o, nunca mais se perturbou. Para a experimentar, pcxíia o Seahor subtralr-lhe a do^ur* da sua divina presenta, mas náo pedia separarle do scu cora^ao. «Quem wce, dizia eia agora, se Jesús se me mos~ tracé oulra vez? Mas. se nào olhae para mim, potreo me importa. Quartfo a mim, náo O perderei de vista, e se nao me quiser com £le. segui-lo-ei. apejar-de tudo. Quero pensar sempre r.Éle; por fin : há de voltar. Fugi. fug:. Senkor; ter-mc-eis sempre &iràs de Vos. certa de que nem o ce'a, nem a ferra, nem o inferno nos separaráo ja mais. Se Vos aprouver martirizar-ne com a prñ’Jfác da vessa querida presenta, pocco me importa. com tanto que saiba que estáis contente . Desde que Vos estáis contente, todos o deven: estar. Viva Jesús escondido .1'» As vexa<;óes diabólicas, cuja horrível atrocidade já conheceibos. também nào conseguiram tirar-lhe e paz do corado. DLzia-me na última carta: <Créde. Padre, que ;a nao tenho mido do demonio. £le bate-me , bate-me sempre, mas sei que. se jesús tke dà a permissáo de me molestar, náo Ihe dará a de fazer ma! à minha alma*. Mas o fruto mais precioso que brota do supremo grau ca uniáo mística t o admirável abandono em Deus, Desde a sua in f ància amava Gema a vontade divina e só no seu cumprimento encoatrava paz e feiicidade. Depois que fei elevada à dignidade de espusa, a vontade SANTA GEMA GALGANI ■>
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do Espòso divino absorveu per completo a sua e tor- cou-se a única preocupado da sua alma. ' Seríanos demasiado extensos, se tivéssemos de tra user e ver urna parte só que fòsse, das notas que pos- sui eos, relativas a este assunto. À santa menina pode, escrever-me sem exagerar; Podre, estal contente: abar,donei~mc por completo ñas naos de DCLLS. Procuro a jesús, mas so para que me ajudc a cunprìr a sua Santissima Voniade. Déste modo nao ha mais de:e}os nern devánelos e:n

minha alma, e vivo r.o si:.indo e r.a paz do cora$3o. Oh! que alegría c estar totalr-.cnte ur.ida à Santissima Vor.tadc de Deus! Fsta felicidade me kasta>. Déste completo abandono nas maos ce Deus nas- ciac urna indorcàvcl coragem cm face de tòdas as difj- culdades e obstáculos, urna fòr<;a heréica nos sofrimer.tos de tòda a ordem e urna alegría ina’terável que da parte superior do espirito descia até ao 3 sentidos, toruando-lhe es dias serenos c fazendo com que eia fòsse amada de codos. Entretanto o que mais nos comovia no feliz estado da santa aonzda era a extraordinaria intensificado dos ardores do seu coraba o para com o soberano Bem. Difícilmente se encontrarían: almas abrasadas com chamas táo vivas. Embora este serafim estivesse h¿ tantos anos a pal pitar de acor, aínda algumas vezes exclamava: « M a s o que c que c u sinto? Nao posso, ó mea Deas, afcantfc- r.ar-rne a esta dogura, a esta felicidade! O que é. ó meu Deus. o que é que cu sinto? Ah! sinto-Vos no meu ccra- fSo. sinto-Vos là. como que vivo. Que mistério! Sinto-me
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> no Paraíso. Alguma vez morrerei. ó Jesús, ao sentir-Vos assim como que palpitar no mcu corafSo. Ó Jesús, se um- dio. se pudesse dizer que o vosso amor me co/utimiuJ Nao. r.áo, Jesús, nSo me mandéis mais que Vos ame. Nao. nao Vos pedirei mais amor, perqué nao posso suportar mais». O corado, órgáo material do amor. mostrava que realmente era assim. Impotente para agüenUr es 3rdorcs desta alna seráfica.' agitava-se e abandoaav3-£c a oovi- meníos desusados. Gema escrevia-mc: «O mea po6rc corajáo bate com videncia, com muita violencia; parece querer sallar fera do peito. É muilo ¡caco, nao pode permanecer firme. Fatigadme multo, obrigando-me a estar sentada no leito: e o Icito treme tamben:. Em certas ccasides parece que o corayáo rr.e sai do pei!o e scu ebrigada a conorimi-lo com a méo. Ahí nao ter eu alguém que me ajude a moderar os ardores c ds chamas com que está perpetuamente agitado!» Os 'que procuravarr. reprimir as palpitares violen tas desse corado táo possuido do amor divino, fincavam néle com firmeza

ambas as máos. mas sentiam-sc vivamente repelidos. Eu próprio vi, durante estas fortes ccr.o<;5cs. mo- ver-se a cadeira ocupada por Gema c tremer o Jeito cm que jazia. ao passo que cía permanecía cm paz e. o que é mais para admirar, sen sombra de angustia, de temor ou de enfado. Falava sem dificuldade. mcv;'a-sc com desembarazo, como se nada hou véase: mostrara nao ter incómodo algum, só o ccra^áo estava agitado. Urna vez preguntei- ’he qual era, na sua opiniáo, a

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causa o¿55c fcnóacoo. Respondcu-mc coai a sua habitual candara: <jVío o vedes? Jesús é

tâo grande e o r:eu coraçâo tâo pequeño!... Jesús nao cabe num fáo pequeño coraçâo: quere estabelecersc nele e o coraçâo agitase; se Jesús nio dé remidió. Padre, isto vai ma!. Oh! como csie coraçâo se dilata, como se dilata para que Jesvs esteja r.élc à vontade\>

Uas dia. num impetuoso transporte de amor divino, éste coraçâo virginal, senîinco-se cm espaço muico aper- tado, levar.tou très coscelas. curvando-as em ángulo recto. O pcito sofreu urna cîefcrniaçâo que persistiu muño tempo e pode ser examinada à vontade. Tinba no exterior utr.a grande saliênda e no interior um espaço suficiente pa:a o coraçâo palpitar COCÍ mais Iiberdade. Paremos aquí. !ci:o:. pois sentimos dcsfakcercni- -nos as iôrças para continuar. De joelhcs Vos adoramos, ó Jesús, autor divino de tao grandes maravjlhas. 1

teólocos colocam o ¿xtase e o arroubamcr.to entre os graus da uniáo mística, c ccm razáo. No cxíasc. a luz infusa c a chama do amor clevam pouco a pouco a alma e abismam-na em Deus scm violencia, dum modo suave e delicado, que paraliza totalmente o uso dos sentidos; no arroufceraenío. Csse efeíto c producido súbitamente pela sc?5c mais enérgica c :r.ais irresistlvel do atractivo divino. Havendo muito que dicer sóbre estes dois graus de uniáo mística em Gema, resolvemos tratar deles em capi tulo separado. Como os dois maravilhosos fenómenos alternavam continuamente na virgero de Luco, e visto que o segundo, a-pesarda sua impetuosidade. conservava a moderaqSo c a majestade do À grande extática do nosso «cuto primeiro. designá-los-ei a ambos com a der-onuna^ao comum de éxiases. Gema foi favorecida diste dom táo raro scm ter sico para ¿le preparada por essas grabas inferiores, com

que o Espirito Santo coscuaa gradualmente elevar as alnas 24<S SANTA GEMA G A LG ANI predestinadas à uniáo mística. E adquiriu depcis urna táo grande perfeicáo dessa uniáo que se ciria ser- -Ihe quási natural. O estado ce extática manifestava-se em qualquer tespo e lugar, no meio de qualquer ccupaqao, e no mo- cento em que menos o «sperava. De ordinario presseo- ti 3'0, alguns momentos antes, por um recolhimento súbito seguido de vivas palpitares do corado e cum desejo ardente de se ur.ir mais intimamente a Dcus. A humilde donzela procurava mover-se. distrair-se. c. se o nao conseguía, retirava-se para que a r.áo vissem em è x tase. Quando 3 comunicado divina a surpreendia de improviso, entrava cui éxtase e perdia o uso des sentidos em qualquer lugar q je estivesse: o corpo conservava sempre a flexibilidadc e, o mais das veres, a liberdade de se por de joelhos ou de pó. Neste siculo infeliz e ir. que o racionalismo, com o seu prurido de increc-jlidace. procura obscurecer os mais evidentes factos sobrenaturais. ao passo que aceita, de olhos fechados, as afirmares do charlatanismo hipnotizador e do espiritismo, parece que Deus atcnucu pro- positadamente era Gema a forma de certos fenómenos exteriores dos éxtases. que em muitos outros santos poderiam dar pretexto à critica dos sofistas. Coa efeito. mesmo durante o èxtase eia apresentava todos os indicios duma pessoa com perfeita saúde, todos os sinais dum estado fisiológicamente normal; nada de atit;:des desusadas, ou de contracqóes musculares, nenhunsa palidez cadavérica, nenhum gesto exaltado. Só

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% os sentidos externos pernanedam inertes. como disse- mos- Podian picA-la com urna agüita, ñas máos, DOS bracos, na cabera; qudm6la cora a chama duma vela, fazer ruido ensurdecedor; a santa menina nada sentía, nenhum fació exterior perccbia. Kos freqüentes éxtases dolorosos, os menbros, conservando o seu estado normal, manifestava« um profundo cansado. e era preciso scsté-la para que nao catssc; quando èsses éxtases a surpreendiasn no idtc, ficava absolutamente extenuada. Nos arroubamentes beatíficos, pelo contràrio, o corpo participava da alegría da alma, una chama raiste- rosa accndia-se!he nos qlhos,_g!jg_XCSplandedam como doissóis. e ruboriza vaIhe as faces, e todo o seu rosto parecía o dum anjo que tivesse dcscído do c!éu. aureolado pelos eternos esplendores. Escrevíam-me de Luca: cSe a vis seis oníem.'... Ó mcu Deas! Nao se oodia o'har paca cía: nao era urna cciaíuca humana, eco o r o s f o dum serafini. Sentiamo-nos pcnetcadcs de devo$áo e choráramos. Como nos pareceti curia a hera cjue durou c éxtaso. À familia adoptiva da santa menina teve ocasiáo de gozar muítas vezes éste espectáculo celeste que parecía sempre novo, tanto é verdade que o hornera neste mundo é sempre insacíávei de sobrenatural. O rosto de Gema, enmagrecido pela docn^a. tinha perdido '.òca a beleza no fini da sua vida. O extase, poréra. restituía-lha sùbitamente cm grau muito superior, irapritnir.co néle urna certa majestade que ir.cctia res- peito e venerado. Os éxtases da serva de Dcus podem divi dir-se cci
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tris classes: os menos perfcitos. os perfeitcs. os extraordinarios. Os menos pcríeitos. táo freqüentes. que chsgavam •a repctir se muitas veres ao dia, eram os mais espooLáceos c cs mais simples. Para os provocar bastava urna luz infusa menos que cotnum. O mundo sensivel desaparecía entáo para Gema, ura profundo recolhimeoto apo- derava-se de todo o seu ser e, num instante, encoatra- va-se no céu. sem que nenhum estremecimento ¿o corpo precedesse ou acoaipanhasse o vóo do espirito; os olhos cintinlavam. fixos no céu ou no ponto ocupado pela visáo. Quantas veres me correratn as lágrimas no contem pló-la neste estado, emquanto cezávanos juntes ou red- távamos o oficio divino. Eu eslava dutn lado d 3 mesa. Gema do outro con o breviàrio na mño, sa Irnodiávam os alternadamente. Lia as ligies dos nocturnos, diría os versículos e os responsórios com exactídáo admirávei. voltava as íólhas do livro. Como pedia farer isto? Meu Deus, confesso que ^u^c 3 o ccmpreendi. Estava morta para teda a impres- sáo do tacto. Os olhos. emboca aplicados à lettura do breviàrio, pernaneciatn insensíveis a ludo o mais. Se Ike fòsse preciso interromper o éxtase per quaJquer motivo, recuperava iaediatamente o uso dos sentidos, mas pata os perder de novo, logo que retomasse a ora^áo. Em nossas conversas espirituais preguntei-lhe algu- mas vezes se o An;o da Guarda estava sempre no seu pósto, ocupado em a guardar. Com urna deliciosa simplicidade voltava os olhos para o espirito celeste, permanecía extática e fora dos sentidos emquanto o contemplava. 0 Espirito Santo que se delidava em morar nun corá^áo tao puro, propoccio- nava-ihe durante o dia ocasiSes semelhantes a esta para se abstrair do mundo. 1 ars sào os èxtases de Gema a que tu chamo menores. Eran puramente seasiveis 3 maior parte das vez es. de curta dura^áo e muito pouco intensos, visto que a perda dos sentidos, exceptuando o tacto, n 5o era totai. Militas vezes podia ler, escrever una carta cu conferenciar cocí o seu pai espiritual; ñas que cartas e que conversas nao eran: as suas!

SAS TA GEMA GALGASI

Os éxiases perfeitos, profundos e C menos A P 1 freqüentes, T U l 0 \mais XXV mais elevados, exbora igualmente simples, eram tambén de mais longa duragáo, variando entre nei a e una hora, e as ve:es mais. A cerda dos sentidos era total c persistente. Para a fare: cessar era preciso unía orden articulada, formal que nen sempre bastava, pois o Espirite Santo nao está obrigado a confcrmar-se con a vontade dum hornea:, aínda que seja seu ministre. Tcdavia algesias veres um simples preceito mental» iiravu a piedosa virgen dos extases mais sublimes. Voltava à viJa exterior sen dar nenhuna prova de descontentamenteQuando retcmava os sentidos, espontáneamente, cm virtudc da suspensáo do influxo divino, oferecia aos asistentes un espectáculo enternecedor e cheio de encanto. Longe de mostrar cansado ou enfado, confusáo de espirito cu inaginagac perturbada, o rosto da angélica menina iluminava-se com um sorriso celeste. Dir-se-ia urna pessoa que deixou a doce companhia den amigo para ir íalar con outro que a espera.

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olhos 352Algumas veres S Afoi N Tvista A G cobrir E M A os GA L G Aconi N 1 ambas as naos. por verconha de se ver assim surpreendida, ou fcalver porque Ihe devia saber nal o)har a térra depois de ter contemplado o céu. Estes grandes éxtases davan-se ordinariamente depois da Sagrada Comuohao. durante a exposi<;ao so- ler.e das Quarenía Horas e en ccasióes semelhantes. peóprias pora i Jtcnsiíicar raaia e mais os ardores da sua alma. Finalmente os extases extraordinarios tinhatr. lugar con naior ou niencr freqüénda no decurso do ano. sen regra ftxa. e periódicamente dua3 vezc3 por senana: na quinta-íeira pelas oito horas da r.oite e na sexta pelas trés boras da tarde. O.i p n m n r n s indicios distes éxtases aparecían o na¡3 das ve;es durante a refci?áo doméstica. Notava-se r.ela seoi dificuidade un recolhinento wats profundo, oihares angelicais dirigidos para o céu. c?:rta imobilidade da sua pessoa e a violencia que parecía fazer sóbre s: paca resistir. Logo que se maniíestavam os primeiros influxos da ac<;áo divina. Gena apressava-se a tonar o alimento indispensável e Ievantava-se, nesno no meio da refrito, para Ir encerrar-se co quarto. Alguns ninutos depois era seguida por alguna das pessoas da casa que a ia encontrar de Joelnos junto do lcito. con as naos erguidas, olhos no céu. con pie- tament^ perdida'em Deua e numa total aSstrac^ao dos sentido^. . . « Quando a atracqáo divina a surpreendia con maior vceméncia. a prudrnte menina, receando cair desíalecida

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no chào, conia para o Jeito. onde se eccontrava ordinàriamente sentada e numa atitude aagélica. Estes èxtascs, a-pcsar-de freqüentes, cram extraor- dinàrios por causa da Intensidade da lui divina, da grac- diosidade dos ofcjectos contempladas e dos maravillosos efeitos produzidos em sua alca. Urr. dòstcs efeitcs era a participadlo corporal cas dores da Paixáo de Jesus. Podic-sc notar a abundancia e sublimidad« das comunicares divinas nesies momentos preciosos, pois eia mesma o manifestava muitas vezes nos co'òquios em voz alfa com o Salvador. As piedosas senioras que a hospedavam reco'hlam por escrito, ora urna, ora outra. tòdas as palavras. e é devido a elc3 que possutmos colóqulos de cento e cin- qiienta éxtases, escrupulosamente reproduzidos. Os assuntos s3o vórtos, os pensaraentos multo elevados, a doctrina cuni ÌmpecAvel rigor teològico, a forma é revestida de tal suavidace e r.ajestade divina que penetrasi o corado do leitor. Que felicidad e para aqueles que tinhao a consclaqào de ouvir da sua pròpria bòca estas paiavras inflamadas: Quanto a mim. devo coofessA-lo, tòdas as vezes que estive presente, r.ao fi: senào chorar. O terra de cada éxtase. ordinàriamente único, consistía unas veies nura hiro ce louvor a algum dos atribuios divinos, outras nucí epitalàmio co Espòso celeste, outras nucía luta amorosa para obter de sua misericòrdia a conversao de algum pecador. O mais das vezes reladonava-se com a Paixáo ou com o desejo de se transformar em Jesus Crucificado. Ofere^o à apreciado co leitor urna passagem dura

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destes colóquios, transcrito p o r isinha ordem pela seráfica virgem. dcpois do cxtasc de 19 de Mar^o de 1301: <ó Jesús, quar.do oufo pronunciar o vosso nome, a sninha alma ganha ccragem. Só o vosso /tome, ó Jesús, sim. só ele serena a minfca vida, ó Jesús. o mea coragáo está desprendido da térra c repousa em Vós, mas a mt- nka. alma suspira, vende-se cumulada de tantos e f5<? co/iíf/suoj favores. Nao pedendo pagar-Vos dcvldamente com obras heroicas, elevarse em pensamientos e em e f u - sdes ce amor». tEmquanto eu falava assim, continua Gema. Jesús faziase sentir cada vez mais é minha alma e eu sentía deseje de morree para O seguir ao ce'u. Exclame!: ó Jesús. esta pobre olma, ligada como está a éste pobre e miserável corp^o, nao pode voar para Vos; taíe as asas e elevase quanto pcxle para chegar mais perto de Vos. elevase pelo espirito, visto que éle nao está ligado ao corpo. Alentada peta consolado, continua acoda: Vol- tei-me para os me:rs queridos onjos do Paraíso, que sao testemunhas de todas as maravilhas de Deus: dizei-me, todas estas maravilhas nao sáo as manifestagóes dum peder sem limites, inspirado por tim amor infinito? De- pois. voltando-me para Jesús, pregtintci-lhe o que me tinka feico ao coragáo para que eu nao fósse senhoro déle: qaerc sempre ir para Jesús, sem que o possa impedir. Nao quere ser mea. deu-se todo a Jesús. E Jesús com ve: doce e penefrante respondeu-me: É que eu ven- ci-te. Ah! sim. scu feliz por ter sido vencida por tanta bondsdc. por fanfo amor. Viva Jesús!» C A P Í T U L O X X V
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Todavía as cfusCcs mais temas desta alma seráfica tinbam por objecto a Paixâo do Salvador. Uin exeaplo entre muitos: «Quem vos mato u. ó Jesús?! O amor. Ahí os cravos, a cruz, o sanguc derramado S Ú O obra do amor... rezeí. mea Jesús, çce, quando os meus labios se aproximarcm dos vossos para Ves beijarem, eu sinto o vesso fe!, fazei que cu sinta os a-;oites da flagelaçâo. Fazei-me sentir a vos sa PaixSo quand o & i/ossa carne se comunicar à minha na Eucaristía; que e:¡ sir.ta os vossos espinkos quando a minha cabeça tocar a vossa; e quando c meu lado se aproximar do vosso. que eu sinta os vossos ardores e a vossa lar.ça... que Ves poderei eu dar por tantos dons, por me tercies amado e tornado feliz? Que

podereis esperar duma vil criatura? Dar-vos-ei tudo o que tenho de Vos». Depois. ciriçindo-se a si aesaa. começou a dizer: «Minha alma, bemdize a Jesús e r.unca fe esqaeças de tantos beneficios que te tcm jeito: ama a Deus que tanto • re ama, eleva-te para Élc que tanto se abaixou por ti, ama a Jesús que te íi'rou de tanta miseria, ama o teu Deus. bemdize o teu Senhor». Jesús, mostrando comprazer-se, insistía para que ela O amasse seuipre mais e comprcendesse bem que o amor se prova pelo sacrificio. E Gema ccntinuou: *Sim. Jesús, para aprender a amar, e preciso aprender a sofrer. Ah! Agora rejo bem que a eftisSo do vos so sangue foi obra do amor. Oh! se me quiserdes. Jesús, de boa vontade me cfereço por vitima. Qaero beber pe/o m«mo cálix por or.de bebestes. Agradeço-vos, Jesús, por me conservar- des assim sobre a cruz>. O mais das vezes com estes sublimes afectos se mis- *

SAUTA CUVA GALGAN1

'turavá una i&efável símplicidade. Gema suplica va ao Scjohor Ihe tirasse os estigmas sagrados, pois sofría por 'nao poder escocdé -ios aos olhos ¿os que con 'ela vivían. Outamo-'a: «Que o\izeis. o Jesús, dais-mu esta consola- ^áo? Tcr.des-ne concedido tantas gragas e recusar- -,'rte-c :5 a rr.ais nccsssária? Se assim acontccce. quar.do me pcegur.iardes: Gema, amas-tne? responderei nao. Mas quar.do Vos ti ver cu tr. alado de instancias e /a ti- gado cor: impertinencias, di.'-nzceis con: certeza: vá ¡á, ’ conccdo-te essa qraga*.
O doce Salvador parecía sorrir, ouvindo estas inge nuidades. Mas a anjélica donzeia. cada vez mais animada. concmuava. «VJ* sorris. Jesus: en. porém. nao o a.'no. Oifcí-.'ne. /e.<* • c^ncc-deis-me esta pra^a? Di- reí-i7ic que s:;n. vamos. de contrario isto i-ai acabar /na!. Nio consideréis os meas méritos, considera: os méritos 'daqueles que a peden: cor mím>. O Salvador prometeu aiendé-la pelo menos cm parte, como acontecen: e Gema exclamou ¡mediatamente: <Bem me parecía! era impossivet que me nao ouvisseis. Multo bem. Jesús!» Díio isto. alegre e sorriceate. reíomou os sentidos. ' Os éxtases da Serva de Deus pocen conparar-se. ' por sua elevagao e vivacidad?, con: os de Santa María Madaler.a de Pazzi e de outros san ‘03 ilustres. Mas a siraplicidace própria do espirito de Gena torna-os únicos nos aaais da santidad*. M os ira ai a que

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altara a gra^a divina pode elevar urna humilde virgen - zir.ha e quantna Majestad*; do Deus da inocencia se corapraz coa as almas Lngénuas, elogiadas por Ble dum modo particular: Ex ore ¡nfaniiunx perjecisti laudern.

As alais extáticas sao algumas vezfes atraídas, para Deus. com tal impetucsidaáe. que o corpo perde o seu pésó, deva-se da térra e fica suspenso no ar. S. o. Vóq místico que acompanha algunas veres o arroubamento perícito e que também se deu r.a virgeni de Luca, exúbera rr.uito raramente. Ha vi a na sala de jantar, pendurado na parede, um grande crucíiixo. q¡:'e era objecto.dc especial venerabao da

C A P Í T U multas L O X X ao V dio ir c esía $57 piedosa menina, cir?. vista veres sala, • i > • ’ *i .• sob pretex'.o de a per caí ordem. Quando se eccontrava só. colccaya-se diante da santa imagen;, de pé cu de jeeihos. ccm os olkos fixos neSa. A vista do Divino Crucificado, os mais elevados e mais ternes pensair.enios nao tardavam a aqucccr-lhe o coraqño. ' , Com receio de caír ce exíase aíastava-se sem demora, depois de ter beijsdo afectuosamente es pés.'de Jesús Crucificado. Algumas veres, vencida pelo amor, deaorava -se. quena aplicar os labios á prepria terida do Corado de Jesús; mas como chegar lá? Misto, entrava en éxtase e. elevando-se sem nenhum auxilio humano, aproximava-se do Salvador c con serva va-O abracado per muito tempo. Hin certa manhá de Setcmbro de 1901, eaquapto preparava a mesa para o jantar. andava como unía bor - boleta em volt a do seu querido cruciíixo. Quanío mais olha para ele, mais c coraqac se lie abrasa e palpita. Por diferentes veres precvrou aproximar os labios do Salvador para ihe beijar o lado, naj em váo. Nao se podando conter, exdamou: tjesus. c/ai-mc a possibiüdncc de chegar junto de Ves. íenho sede do

vesso sangue>.

A prodigioso' S T A li ES! A G outrora A LG N acor.tecsu ! Espectáculo Cono cor: S. Francisco ¿c Assis e con S. Paulo da Cruz, a ‘irrajen transíorino -jse ua pròpria realidace divina que c!a «presentava: Jesus desprendeu da cruz o bra^o

do qr.¿; a Sjr.fj ( {t/e vários ixtase j I .!

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* direiio e cora amoroso oLhax ccavídou sua fiel serva a Ir ter cora Ele. Gema ]an?a-se e conseguc chegar até ao Corado do Salvador, que abran^ando-a cotc o bra^o desprendido da cruz. Ihc aplica os láblos á ckaga do lado. Gema bebeu a largos tragos nesta fonte de vida. Abra^ava o Salvador coca os dois bracos, esteva de pé. parecendo repousax sobre uma nuvem. Ahí Nao estar um pintor presente a esta casa cora o pincel r.a tr.áo c a tela diante de sil Que belo cuadro poderia deixar á posieridade, como prova do amor de Jesús pela su a criatura, e da felicidade da criatura Intimamente unida a Jesús!

Visòes e apari^òcs sobrenaturais
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ENDO o èxtase un grau tào elevado de contemplalo infusa, por sua natureza é acompa - ' nhado de visòes, porque, a alma nào perde o uso dos sentidos senáo na medida em que um cbjecto arrebatador, que se faz ver oú sentir, a atrai ou inebria de gozo. , Depois dos precedentes capítulos consagrados à contemplado de Gema, parece -me inútil falar da natu - reza das suas visòes. Direi sòmente que nunca manifes- tavam nada de estranho. de exagerado ou de incoerente, nada que fizesse suspeitar ser a imaginado a sua causa única. Longe de ofender a santidade e a majestade dos rcistérios da nossa santa f¿, estas visòes decornaci sem pre com decòro, ordem, dignidade e a mais pura verdade dogmática. É éste certamente o melhor argumento em favor da sua origem sobrenatural e divina« pois é irepos- sível que urna donzela. táo ingenua» sexa mais instruyo

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SANTA GEMA GALGANI

que a das class« elementares, chegasse a coordenar táo bem. zò ccm a iniagiaa?áo, os pormenores de inumerà- veis extases c cuaca fòsse encontrada em érro v Alca disso. ao contràrio do que acontece cora tantas alcas levianas. vítimas fáceis da ilusáo, que quere- riam dizer ao céu e à terra o que Ihes acontece de estraordinàrio, a serva de Deus. táo profundamente humilde, guardava rigoroso silencio sobre os favores divinos e só es manifestava ao director da sua alna, quando sentía vardadeira necessidade de directo. É outro sir.al. c mu ito certo, da origem celesce das suas visòes. A nossa Santa era também muito favorecida de coloquios íntimos cotn o Senhor. O Verbo Eterno des- ccbria-lhe as suas grandezas infinitas, os designios da sua Providencia, o estajo de clguma alma em particular. Indicava-lhe qualquer obra que desejava se estabelccesse na Igreja. ou qjalqucr abuso que se dsvia eliminar. E Gema, dócil à voz do Divino Esposo. lego que ¿aía do éxtasc, empregava tocos os mcics para fazer ejecutar os seus cesejcs adcrávei3. dirigindo-se directamente ás pessoas competentes ou interessadas. Escrevia : Senhor. a ventade de Deus é que vos empregutis cm tal coisa, que evitéis tal cutra. e sem demora, se desejais agradar-lhe. Certo dia, num èxtase depois da comunháo ouviu o Senhor dizer-lhe: <Minha füh.a. hás~de comunicar, em meu nomo, um negocio muito importante ao teu director». Julgando que Jesus se referia ao confessor ordinàrio, a donzela respor.deu com tòda a simpliddade: «Metí jejus. fazei-me esta cañdade. nao me envieis a èsse.

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sabéis perfectamente, bom jesús, que èie náo acredita r.as minhas fantasías». H J<sus: «¡Vio. mandar-te-ei a teu Pai (o seu director espiritual), qtre dará certamente ao meu Cocagào a sat¡sfa$áo que deseja>. Adiante se verá qual era o cbjecto des (."i divina nensagern. £ raro encontrar carta 3 dirigidas per Gema aos seus directores, em que e!a nao ncncior.c al-jum déstes coloquios celestes. E os acontecimientos, que eia certamente nao podía conhecer c ainda ríenos prever por meios na turáis, vinham infalivelmente demonstrar a sua veracidade. Muitos veres o divino Mestre dava-lhe úteis ensi- r.nmcr.fos espirituais para dirigir e estimular incessantemente o sc-u ardor nos caminhos da virtude. Conhecem.os já muitos extractos que seria fácil multiplicar indefinidamente. * Por isso nao é maravilha que, na escola da Sabe- doria Encarnada, a ditcsa discipula tivesse chegado a táo elevada períeiqáo. Gena recoiheu também frutos salubres das app.riqóes sobrenaturais que Ihe focam prodi- gülizadas juntamente com outras grabas.
As apari^óes r.fio diferi:m ofcjectivamente das vísóes: mas. ao contràrio destas, cáo-se fora do éxtase. embora a alma, rr.aravilhada. possa perder o uso des sentidos, como sempre acontecía com Gema. inútil é recordar a doce, familiar e quási continuo pres enta do seu Anjo da Guarda. }á raíamos e voltaremos ainda a referir-nos ás apanines de outros anjos e de muitos santos do céu, en particular de S. Gabriel, bem como das almas do Purgatòrio.

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\ O mesmo dizemos das. aparj?Ses. táo ternas de Je^ sus ¿ que se mostrava ordinàriamente com os estigmas <ia Paixáo, n. tempe de o leitor admirar outras apari^óes mais hela:;. Cnneccmos pelas da Santissima Virgem: A r.ossa Santa amou sempre com o. amor ir.ai 3 ardente a celeste Rainha dos Anjos, a quem chama va com doce confianza a nunha Mamá, órfá de mai desde os mais tenros anos, fora de Maria nao quis eia outra mài e raostrou-se sempre para com eia urna filha temaner.te afectuosa. A Virgem Santissima, depcis de Jesús, perter.cia todo o seu coragác. «Quan.'o 2.770 a minha Mama!. costumava direr. ¿Va sabe-o. e afem disso foi Jesús quem ma deu c me disse que a amasse sempre. Como esta celeste Mài se lem mesi rado boa para comìgo! Qite seria de mim sem eia? Tem-mc auxiliado sempre em minhas r.ecessidades espiri:vais, tem-me preservado de muitos perigos e li- vmdo das màos de demcr.io que incessantemente ver: ¡nde star-me. Descu!pa-mc' di ante de Jesus quando O ofendo, sossega-O quando è irritado pela minha rida mà. cr.xina-me a conhecc-lQ. a amà-IO. a ser boa e a agendar-lhe. Ah! rr.inha querida Mama, hei-de amar-vos sempre, sempre*. Estas expressòes da mais viva ternura «aian-lhe quasi contìnuamente dos lábios e apareciam a cada instante ñas suas cartas. E podi a a divina Mài deixar de retribuir centuplicadamente éste amor tao terno de sua filha dedicada? Na realidade. Maria deu-se por completo a Gema, assim corno Gema se tinka dado por com pleto a Maria. Santissima. C A P I T U L O X X V I \ Além ¿es inuceráveij favor« que Ihc cbteve do sen divino Filho. dignou-se aparccer-Ihe tnuiías veres dum modo scnsJvel. cuou!ó-!a de caricias e apertá-la ao SCJ seio materoo. Dei.x exnos a düosa vidente pintar-eos a delicadeza dcjte amor. Ninguém o poderia fazer melhor do que quera Ihe experinentou os icefáveis depuras. __ Numa comunicado de ccosciéncia Gema ese:«ve:

S'35 riesse «Querai pedería imaginar que a minha querida Mama rísitar-me? Eu nJo o esperara, por causa do ncu mau preceder. Tere por en compaíxáo de rr.im. e en breve ser,tí um grande

recolhimento interior. Depois. cono sempre me acontece, perdí a cabera c encontrei-me. segundo me parcccu. con a Mii das Dores. Que ¡elicí- dade curar.te estes breves mementos! Q-JC depura no tneu corafáo! Explique-o quem puder. Depois de alguas momentos de comogáo. celo* ccu-mc sobre os ¡ceibos, [ez-me pousar a cabera sebre os seus ombros e assim me teúe por alguns instantes. O »¡cu corafáo, ckeio de felicidad*. nada niais tinha a de se jar; Nao amas serta o a mim? preguntara-me de vez ém quanc/o Oh! nao. 'respondía eu; prímeiro que a Vos. amo entra pessda. E quera é? continuara, fíngindo nao o saber. Urna pessoa que me é muito querida, mais querida do que tu do o que existe. Amo~a tanto que da va jó todo o rrtíií sangue por da: por da penco me importa a vida. Mas dize-me quen: é, preguntara impacientemente. . Se tioéjseis ■ rindo ante-ontem - á rieite. te-la-ieis encontrado junto de mim. Nao rem muitas vezes: eu. pelo contràrio, é que con a eia todos os dias (I). E, se pudesse. ìria ainda mais vezes. E quercis sabet porque querida Mamá? Porque sei que. estando longe de mim, cuere ver se sou capaz de a esquccer. Mas. quanto mais se esconde mais me sinto transportada de amor por eia. Dize^me, quem é. voltava a preguntar. Nao, nao vo-lo direi. Vede querida Mamá, parece-se convosco por sua beleza: os seu.s cábelos tém a cór dos vossos. Nestc momento a doce Mài. acariciar.do-me, pce- ffvniou mais urna vez: mas. minha filha, a quem é que te referes? Entao exclamd com fórga.- r.ao me compreendcis? Rcfiro-me a Jesus, a Jesus. Olhou-me, sorrindo. apertou-me ardentemente contra o seu ccrafào e acrescentou: Sim. ama-O. ama-O muito e nao ames senao a £le.

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SANTA GEMA G A LG AN 1 jVào temáis, respondí, nin.ffuém no mundo, fora de Jesus, gozará o meu afecto. Apertou'rr.e de nouo conira o corafào e beijou-me r.a fronte. Depois acordci ( 2) , e encontrei-me estendida por ferra, junto do crucifico». Deliciosa narragáo esta, encantadora pela ingenui- dase e tocante simplícidadc! Lendo-a muitas vezes, en- contramo-la sempre nova, sempre comovente.

(!) A Ssaía rcíerc-s« rvSdtr.tíraejite à sua conunhSo quoti-

(-> A cor dei. zísúm exprima o Santa o rcçr«so à vida das i*nfcdcsi dcpols de
tcrmloado o txtas* coni a despedid* ¿a celeste

¿parido.

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leito sem dormir air.da. quar.dó me parece» vee urna bela senhora aproximarse e indinarse sobre mim para me obragar. Fiquci ¡mediatamente em éxtase e meito lor.gc dcste mundo. Fu mil protestos, em obediencia ¿s vossas ocder.s. mas a minha Mal celeste olhava-me sorrider.tc c d¡:ia: Querida filha! Perdoai-me. mea Padre, se cedí cocí f&cilldade. Abandonei-me á minha doce Ma\ que me tomou nos tragos. Julguei morrer. sim. morrer eom excesso de feli- cidade... Que caricias!... Querc-me tanto bem!... Lustimava-se e dizia que tinha vindo buscar o mea riri alhete: compre endeis (l) Encontrou-me muito pobre e excitcu-me ñ i'irtude. sobcetudo á humildade e ¿ obediencia. Depois d¿ algtimas palavras que nao compreendi. acrcscentov: Minha filha. purifica e aperfeigoa a tua zima, mas de-pressa. Nestc ponto nao sei o que acontecen. Esta palavra— de-pressa — provocou um mov¡mentó táo violento do me» coragáo, sobre o qual a minh# Mamá colocou logo a máo. que eu nao podía falar. Pedi bo meu inferior urna explicagáo. abri os othos. com os quais a ir.terroguei. Responden: dize a fett Pa¡ ( 2). que se éle nSo pensa em ti (3). eu fe conduzirei dentro em breve ao Paraisoí

Eij urna outra pouco diferente: </?ípou.sat’a

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{1} Era o nunalhcte dos suaí p*ni tí acias e actos de vírcidc. (2) Aí^:J. ccrao *rapre. <F\U> í o director «pir:c¿aJ de Cecea.

(1) Quert dlscr. « r.So sí rcsoJvc a er.ccrrx-'te co cLiuitro da vldíi rellgioíA.

3ÒS SANTA GEMA GALGANI Meste moriente beijou-mc, dizendo: sim, se nào pensa nisso de-pressa. mais de-pressa do que julga csta- «'-05 jentasy. ' E foi o que aconteceu, ainda «inio rcir.orsos. Err. menos cium ano, e contra tóda a expectativa, éste anjo vcoj cía terra, passando a cnelhor vida. «Wcu Padre, dizia da. depois Jèstcs instantes divinos, corro o mundo parece desprezivei! jVao sei se jà o expcrtrr.rntastes. Oh! corno a celeste Mai era bela. Js a l isies algvma vez? (1} H.mírora terina vindo multas vetes visitar-me. conservo sempre urn ardente desejo de a tornar a ver*. Por outra ve: a Mài Santissima apareceu-lhe. tendo nes bracos o seu divino Filho sob a forma duir. gracioso menino. Coloco'j-o no regalo da sua querida filha que o apcrto-j contra o corado e o co'oriu de caricias e de fcei- jos inflamados. O divino Infante retribuía-Ih e estas caricias e dava-lhe sapientísimos cnssnamentos. Por ùlcino abem;oou-n. voltcu para os bracos He- sua Mai, c desapareced a visao. Gema recebeu pelo menos tres veres este raro faver. Por outras qua tro o Senhor apareceu-lr.e $ó. sob a ferma de rocigo infantinho. Oufamo-la contar-nos corno Ihe aparecen em certa ocasiào: tOflicri: ò noite. à hora habitual de recolher.

(J) O Ici'.cr nüo deixará de saborear osa ve: aiais os tzezz- te» desv* ir.genu'dade Soíattj!. Por rtiai* de urna vtz apareces interrogaos de»:as em suaj cartas. A angíl'.ca menina jdgava que <» outroí er&m cou:o ela favorecidos por celestial* v.s£>es. (Nota do Rev*.»or).

O Sjnfu Crucifico, dijiite dü

se derúnt dn fjcfüí extrjerJmjnes njerados r.ctii che*

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<Cu:rr. vos notou. ó J<sus* O amor. Ah! c* travos. .i .tu:, V tongue ¿crraouJo s£o oUj do arr.cr>.

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retirei-me para a sol id á o do metí quarío, onde o Menino Jesús fo: ter comigo. Oh! como Jesús era beloí Se todos O corj/iecesscm, como O amariaml Pósase sóbre os metiS joclhos, acariciou-me, fcc:;ou-me, preguntou^me se eu O amava. Per mir.ha vez abrafava-O tambem com fór$a e testemunhava-lhe todo o mcu afecto. Pregur.tou-me se quería ser toda d£!e. Transbordando de alegría r.em sabia responder, e ubra$ava-0, abra^ava-O sempro.

Extasiemo-nos na contemplado déste quadro arre batador. Esta jovcnzínha era afinal urna pebre íüha de Adao, e Quem ela estreita em seus brames é o Deus de Infinita Majestade, o Verbo Encarnado, que se dignou revestir as aparéncins de menino para abracar a sua criatura, para se deixar abragar perdidamente por el a e déste modo ser amado com mais intensidade. Ó mistério da Encarnado e do amor de um Deus. corno és s u b l i m e !
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A extática ce Luca penetrou tanto nesíes adoráveis mistérios que se encontrava completamente á vontade diante do seu Criador. Démos-lhe ainda a pa’avra: «Por fin comccei a /alar corrt tóda a confianza. Pedi a Jesús que vos desse. a vos, mcu Padre, e ao
confessor a comprcensác do que se passa cni minha alma e que r.áo me dcixasse mais na inquietagáo a éste respeito. Jesús socria e dizia-me: «Assim o fareiv, mas exprimia-se com voz baixa e r.um iom pouco

resoluto. Pedi-lhe que se desembaragasse. porque nao eslava efisposía a esperar mais. Josas conti- nuou: «Mas cu amei-te mais que tantas outras criaturas, embora fósses a píor/»

Éste colóquio inefável durou urna hora.

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Gema termina a 35¿tr. a narragáo: xjesus afastou-sc c cii-ír.e de r.oi’O só. Di:e:-me. Padre. é do vosso agrado ~ ' q u e Jesús voUe ter comigo? — Se é, voitará certamentc. Abengoai-m c cnuiaí-irte novamente a Jesús, porque r.lo pesso viver longe d£!e».

Nao responci a esta carta entemecedora; mas. cotn o corado profundamente comovido. exdamci: O anor fez perder o tino — ainda ben — . a esta seráfica menina. porque só pocic falar desti modo, queci ama ser. medica.

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O Serafim do Tabernáculo — Afectos eucarísticos

til ADA pele Espirito Divino no caminho duna admirável santidace, a ditos 3 menina dirí- gia-se instintivamente para o que era mais sóüdo e mais perfdto. Embora lkc agradassem todas as práticas ce devo ro üuíotizuJai. pela Iyicja, e se alegrasse ce as ver seguidas por um grande número ce fiéis, todavía para si escolheu poucas, escolheu as que ccelhor ccrrespondiam ás disposi-;óes ca sua alma: devo^áo á Santíssima Hutr.a- nidade do Verbo e á sua Paixáo. á Mái de Deus e hs suas Dores, e h Sagrada Eucaristía. A primeira en'.cmecia-lhc o ccra<;ác. exdtando-o ao sacrificio; a secunda inspirava-lhe ccragcm e confianza filial: a terceira alimcntava a sua alma, tornando-a capar de viver nes:e mur.do urna vida celeste. Sobre esta devoqáo. ce ternura incomparávd. pos suimos pormenores extraordinarios c patéticos, que permitem acreditar que o Senhor pe: especial providencia..

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0 susotou, esta sua fiel serva para servir de modèlo e cs:inuio acs cristàos no culto e amor ao SS. Sacramento, 'nestes tempos eai que a piedade se enconcra tiáo resfriada. A Eucaristia é por excelencia o misterio da Fé: rr.ystcctum fidei. A rasào humana, nos outros misterios, pode encontrar, mais ou menos, onde se apoiar: neste r.üo poce, só a fé tem a possibilídade de descobrir o tesouro divino que éste Sacramento encerra. Gema possuia. como vimos, urna fé tao viva que quasi atingía a evidencia. Tinha. a!ém dísso. o cora^áo puro, e o Senhor prometeu deixar-se ver acs puros de coro;5o. Er 3 humilde e simples como urna crianza, e a estas almas e que o Senhor dcscobre os segredos ca sua Sabedoria c Bor.dadc. Com o olhar claro e penetrante da sua virgir.dade. sinplicidade e pureza sem mancha, e con o auxilio das vivas lures derramadas a torrentes cm seu espirito durante as altas contemplares. Gema penetrava nos segredos cèste ir.efávcl Sacramento e media a profun- didade dos seus raisiérios. N De ordinario as almas piedosas nao poden: entrar em comunicaíáo com o Deus escondido da Eucaristía sern antes se recolherem. o que ce ordinàrio só com certa diíiculdade se consegue. A Gema bastava trazè-lo à lembranga — nem tanto era preciso a urna alma que sempre pensava nÉle — para O ver ¡mediatamente, como a descoberto. sobre o altar para onde tinha voado o seu pensamento; para O sentir presente no santo Cibòrio e aí exultar de alegría em todo o seu ser diante cesta amáveJ Majesiade. Para fazercos una idea do ardor desta devono, scria preciso ter assistido aos seus ccJóquios sóbre a Eucaristia, scria preciso !cr tudo o que escreveu ea sua correspondencia, e o que outros recoJhcram de seus libios durante os colóquios extáticos. Só eJa pede fazer- -nos conhecer os pensamientos elevados que recebía do céu sobre éste misiério, e os sublirr.es scntimentos de cue o

C A foco P I inextinguiveJ. T U L O •X X V I I ’ S78 seu cora^ào era Vamos pois reproduzir alguns documentos mais edificantes sobre éste assunto. Escrevia-me: «Mcu Padre, ides ler urna caria sem sentido; nào importa, deixai-me [atar da sagrada coma- r.hao: nào posso cor,ter cs rr.cus sentìmentos. Sera pos- sivel haver almas que ignorem a riqueza ir.cfàvel que se enccrra r.a Divina Eucaristia? Almas insensiueis aos ampfexos dirinvs. às misteriosas e aedentes efusóes do Compilo Sagrado do ??¡eu Jesus? ó Coragào de Jesus, Ccr&gào de aaor’> Hscrcvendo a u:r>n ssnhorn roñara, «=ua arriga intima. dizia: «Conso é ¿uai/e o fesso espirito. c Jesus! O que ó que levou Jesus a comunicasse a nós dum modo tao belo e rào admiràvel?

Meditemos: Jesus nosso ali- mento. Jesus rr.cu alimento! Nestc instante, cuantas coises cu queria dizer-lhe, mas nào sei: sòmer.te sci chorar e dizer multas vezes: Jesus rr.eu alimento! E pensar que se dà assim pelo grande amor que nos ¿er;».

E as lágrimas da santa menina, táo doces cono espontáneas, corriam continuamente; lágrimas silenciosas de reconhecimenio e de ¡elkidade celeste. segundo a sua pròpria expressáo. • Durante un éxtase. falando coa Deus, cxprimia-lhe

ò'A.VT/4 G E V A G A L G A N I do sejuìntc modo a sua gratidào e felicidade: c Vejo berr., Semhcr. que cm lugar de riquezas temperáis e p<?5- sjgeiras-, me

desiss a verdadeira riqueza: o alimento eucaristico do Verbo. Que seria de min se nao dedicasse j sania Hostia tèda a minha ternura! Oh! sin:. co;? 3- preertio. Senhor. que para ir.e ¡azer merecer no céa o Paraíso me destes jà tim sóbre a terra*.

Cctr.a parecía ate nao distinguir entre as delicias do céu c o Paraíso de jesús que saboreava no Banquete divina. Nos ex tases. chana va tacíbém à Eucaristia: do Paraíso em que se aprende a amar. A Es- cola. — acre scemava eia, explicando o seu pensamento. — c o Cenáculo: o Mestre e Jesus; e as douirina»
sào a sua carne e o seu sangue».

A adnirávei virgen::ríha conservava-sc noite e cía. em eapüritc. oíante do Tabcrr.jcuio. Mas o seu maior praz er era ir pesso al mente á igreja acorar a Jesús Sacramentado. Para evitar a singularidade. a que leve sempre horra*, conteníava-se em ir à igreja duas veres per dia: de rawrhá para ouvir a santa mis sa e comur.gac, e à tarde para tomar parte na adorado pública. «Vou a jesús, canes a jesvs. Está muitc só,
ninguem pensa nÉle. pobrt fe sus!*

io.go que chegava á igreja. voitando-se con: modesto desembarazo para o santo Tabernáculo, fixava nclc os clhos em chamas e permanecía iraóvel, de joe- lhos.sem se importar coca os outros, como se estivesse só dsar.ie de Deus. Exceptuando esta atitude, o inflamado do rosco e as lágrimas que Ihe dcslizavam lentamente • pelili- taces, nada mais havia por onde se pudesse distingeir exteriorícente de qualquer outra pessoa pledosa em orsçâo. Mas se fósse visto o scu interior, coca certeza todos a tomarían por ua ardente scraíim. <0h! exetamava cía, co.-no é
grande a alegría, a felicídode do meu cocaçSo diante de Jesús Sacramentado! E se Jesús me permitisse entrar no sanio Tabernáculo or.de reside cm corpo, san- gue, aima c diiir.dade,

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r.áo estaría cu no Paraíso?>

Diante do altar c-jcarístico, suspiro va aínda: < Jesús,
sima da minea alma, meu Paraíso, Hostia Santa. eis~mc junto de Ves. Sentí que me procurareis c corrí». Dcpois con urna

confiança lilial, acrescentava que vinha farer- -Ihe companhia, ofcrcccr-je tôda ao seu amor, íazcr^lhe presente de alguma pobre virtuáe praticada para lhe agradar, receber as suas ordens, ou, pelo menos. ouvir de sua bóca algurnas palavras ternas, e acima de tudo pedir-lhe amor, sempre amor. E com que ardor nao fazia ela estes actos! Demons tram-no <is seouintes paiavras proferidas durante as elevaçôes cío éxtase: '
*EiS'tne diante de Vos. ó Jesús. Apreser.to-Vos a minha alma, esta alma, ó Jesús. que [ccmastes. nao da vossa substancia ncm de qualquer elemento material, mas pelo poder do Verbo que sois Vós mes-no: esta alma espiritual, vessa obra imorredoura. que santificases, puri/icastes pelo sar.to baptísmo, ah!...i

Aquí Gema conserva-se cm süèncio, desenvolvendo mentalmente o seu pensatr.cnto. Depois continua: «5c o bem. r.cste mundo, se faz amar por si mesmo. que a mor nao inspirareis Vós, que sois o rei de
todos os bens! O prazer que dao as cria-,

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turas sobre a ierra é muito diferente do que se goza em . Vós. que sob o Criador. Vede, ó Jesús; quando urna criatura deseja aljum objecto. morre por possui-lo; mas, quando chega a possui-lo, náo fie a satisfeita. nunca está saciada. Só Vos a podéis saciar, só Ves tornáis puros e ¡maculados os que vivem em Vos e Vos possuem. Ahí enconttei a vossa morada, ó Jesús. Habitais ñas almas que crias tes á vossa imagem. ñas almas que Vos pr o- curam. que Vos amam. que Vos desejam. Oh! a minha alma, que é rao pobre, comprcendeu as riquezas do vosso atr.ee».

Dcpois. hurnilhando-sc. segundo o scu costunc. no meio dos mais doces ccaunícagfles do céu, prosseguia: <5ou vossa. sou vossa. c jesús. Tivestes razio para Vos queixardes de mim. porque Vos c ¡endi. Indigna como
sou. devia restituir ao aliar tantas hostias e tar.to sangue quanto de lá tirei. Mas promeio-Vos a emenda, bas~ ta-me que continuéis com & córtente dos vossos favores. Antes morrer que faltar á ¡idelidade e ao amor. Que ccerets de mim. que queréis de mim. ó Jesús? Que o meu amor se/a constante? Nutrir-me-ei todos os dias da vossa carne c do vosso sangue

Urna vez fo¡ ouvlda a dar gra;as pelas vitória3 alcanzadas contra o ininigo infernal, nos termos sc guiníes: <Esia manhá vencestes. ó Jesús. Depois de Vos ter rccebido. pus-me a considerar os grandes combates que. com o vosso auxilio, tenho sustentado vitoriosamente contra o demonio. Contei tantosI
Quem sabe quantas vezes. se me náo auxiliásseis, a minha fé teria vacilado, a minha esperanza e caridade teríam diminuido? A minha

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inteligencia. ter-se-ia obscurecido se Vos, ó Eterno Sol. a náo Uuminásseis. Quantas vetes o meu amor teria er.fcaquecido sem o conforto das vossas caricias! E a mí* nha vontade. qmntas vezes se abandonaría á pregulga! A-Jas o vosso [ojo vinha inflamá-la. Tudo isto era únicamente. eu o enmpreendo. obra do vosso amor infinito. E desee entáo, Senhor, n.io deveria ei: ser reconhecida?>

Serafic abrasado em chamas do rr.ais ardente afecto, nao se cansa de insistir cox acentuadles vibran tes. neste temo pecsamcr.to que c todo scu: <¿\fcu Deus. abri-me o
vosso Cora<?áo. ó Jesús, abri-me o vosso peito eucaristico. quero depor neie todos os rr.eus afectos. Que cu Vos ame setnpre. ó Jesús! Mas, porgue é que me tratáis táo amorosamente, a-pesarde et; Vos ofender com tanta ingratidáo? Bste único pensamento

bem compceen- dido devia transformar-m? em urna chama de amor. É beso e doce amar quem náo se irrita contra os que o efendem. ó Jesús, se en constcerasse bem o muito que fszeis por nim..como de veda distinguir-me na prática de todas as virtudes! Perdoai-me, ó Jesús, tanta negligencia, perdoai-ñie tao profunda ignorancia. Jesús, meu Deirs, meu amor, Bem incriado, que seria ce rr.im se a vossa sclicitudc me r.áo tivesse conduzido para Vos? Abrirme o vosso peito eucarístico. eu abro-Vos o meu>. Depo ¡3 destas efusóes, en que os mesmos pensa- mento 3 erara repetidos ecn fórmulas sempre nova 3, Gema quási cansada, ficava em süéncio. Utna luz celeste desda ao seu espirito e elevava-o a urna contemplado altíssima. Neste estado sublime, Jesús falava-lhe e íazia sentir ao seu cora<;áo quanto Ihe era ogradável esta visita na qual encontrava. diria Ele,.urna compensadlo ás ingratid&« eia maior parte dos homens e acs ultrajes dos pecadores. Louva-lhe a fidelidade, declara-se con- tenie cora eia e sempre pronto a benefidá-la coni novas crazas, a enriquecé-la de noves dons; e anima-a emita a rcíribuir^lhe constantemente amor con; amor. Ao ouvir tais palavras, o coraqáo da santa menina abrasa-se cada vez mais. Comeqa ce novo a fatar e, depcis de ter

SANTA CEKA GALGANi ccnfessado humildemente a sua indigni- dade. exdama : <Quereís amor, ó Jesús! Amor Vos darci, mas nao tenho mais no corafáo: Ah! cu quería inflamar r.cle todas as criaturas do universo. E. quecendo dar urna prova desees sentimer.tos. acrescenta, ingènuamente: <Si:po~ nhznos. Scnb.or. que Ves éreis Gema e cu Jesús. Que~ reís saber o que et; faria? De ¡xa va de ser Jesús pora que Vos o fósseís». Tais eraci os sentimento.; que dcsabrochavam no cora i; ¿o virginal desta sama menina diante do SS. Sacramento. Muiias veres, nos seus transportes de. amor, faiia- vam-Ihe as forjas: *Ah! exclamava, nao posse resistir r:\ais a o ¡cribrar* me que Jesús se Ja z assim sentir à última das suas criaturas e Ihe manifesta, cm prodigiosa exparjsáo de amor paternal, iodos os esp'encfores do seu amabilissimo cora y ¿o». B. cizendo isto, caía cesíaiecida nos bracos de sua cotapanhdra cuc. prevenco estes cases, sabia dispor as ccisas de tal modo c # ue ninguém na igreja notava nad3. Durna candura colombina 'julgava que todas as almas piedosas esta vara inflamadas, como eia, no fogo do amor civico. Por isso rapito se ad mirava de as nào ver experimentar os mcsnos fenómenos. c£u nào sei, dizia, conto c que fanfos. que se consccvam ¡ur.to de Jesuj. nào s5o abrasados. Quanto a mim. se permanecesse um quarto de hora apenas, parecc-me que deveria /t'ear redii~ zida a cinzcs». Por causa disio, ao pressentir os priraciros asso.-nos dèsses G -. ÌS ter ¡osos transportes da sua alma, saia aprc3- suda da igreja. sobretudo quando nào tinha consigo sua conpanheira. Recomendei-lhe era urna carta que. quando se cn- cor.trasse diante de Jesus, me ¿presentasse a £!e c Ihe dicesse que cu também O quería amar muito. Deu-ne esca ingenua resposta: *5crd isso corsa que se dewa fazer. meu Padre? E se t'cs aconiece como a mim? Quem esfen- dfcù <sì /r,üv> sóbre o vosso curalo (para comprici:: as palpitares) e que scria se. estando so, caisseis por ierra? Nào. nào se deve fazer». Dorante um èxtase dizia familiarmente ao Sechor:

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<Quvi. Jesus, a pregunta que me fèz o confessor: que fazes. G?. 7ia. quando estás diante de Jesus? — O que fago? Se esicu com Jesus crucificado, sofro: se estcu com Jesus Eucaristico, amo». Quando escrevia às suas amigas nào deixava de as convidar a ir jur.io do sanio Tabernáculo: «Corramos o Jesus com o coragáo cheio de íernura, cheio de amor. £spero-vos junio de Jesús, amanha de manhà. Pernia- negamos juntas diar.te do SS. Sacramento para qce Jesús nos abengóe!* O seu iiorário, que eia constantemente se apressava a comunicar-me, trazia etn primeiro lugar a hora da

ANTA GEM A G A L G A segundo N1 entrevistaS eucaristica, que variava as estaqòes do ar,o: «De manhi. á$ 7 horas, com Jesus; à farde, ¿¡s 6 horas, diante de Jesús, per tedo éste inverno. Vindc /arer-roe ccmpar.hia e ajudac-me a amar o 7SOSSO Deus>. Tiuha combinado com as suas mais íntimas amigas a coruuta<;ào da comunhào quotidiana, julgando, em sua huxnildade, que só eia lucrava com essa troca. Nunca esquecia estas combina^oes, e etn suas cartas as ¡a )em- brando ás Interessadas. Ditosas anizades que deste modo se nutren e conservan; aos pés de Deus!

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O Serafim do Tabernáculo — Amplcsoá eucari3íico3

entremos já no ponto essencia! da devoro i Divina fcucaristia. — a sagrada comunháo, em que pròpriamente se realiza na terra o misterio do amor de Jesús. Ah! se a santa menina pudesse dar ás cr.inhas palavras aquela cntoagáo ardente cotr. que tantas vezes ¿íe abriu a alma, para desccbrir as chamas com que o Esposo divino a abrasava :io banquete eucaristico! Se a seráfica- virgem andava dia e noite. com o pensamento, em volta do Tabernáculo, era porque se sentía consumida pela fonie e pela sède cc Jesus Sacramentado. O seu coraqào precisava déste alimento divino, nào anelava outro. Lembramo-nos a inca que. na idade de nove anos, . teria corrido o risco de morrer de tristeza, se nào Ihe apressassem o dia da prineira co.T.unhào. E con que ardor de fé. cora que amor iluminado se ajoelhou entào à santa mesa! Ora esta focr.e e esta sède, longe de diminuir com

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a recep^áo quoddiana do incíável Sacramento, aumenta ran continuanjcnte c acabaran; por martirüar-lhe as fibras aiais íntimas da alma. Escrevia-mc a-propósito: tTócas as manhás, emboca sem as dispcsífóes necessárias, recebo a sania corranháo, mea único e delicioso conforto. O testemunho de amor que Jesits me dá tocas as manhás, vir.do a mim, ccmove-me c.7J extren 10 e reclama tódos os afectos do mea miserável rorafác». Depois cadamava: <Eis. ó Scnhor, o ;;icu coragáo c a msnrta alma! Vede. Scnhor, abro-Vos o rr.eu peito, pc- netrai né!c. fogo divino: abrasai-mc. ccnsumi-me. Vinde, nao tardéis. Jiu quería habitar no meio de vossas chamas*. Estes descjos manifesíavam-se regularmente todas as tardes; iam crescendo de hora para hora e atormenta- varr,-na. e tabora suavemente. tód 3 a r.cite, a ponto de a rarerem desfakcer. <Durante a noite de ontcm e a de hoje, ao pensar na sóycdda comunháo. o tiica cora^áo pós-se a palpitar c cai dcsfaiccida. Ontem a tarde, antes da refera o, recite: algumas ora^óes e entre cu tras esta jaculatoria: Fazci. Scnhor. cae dcsta pc&re r efeigáo t'u passe já a gozar o i<osso magnifico festim. Detive-mc alguns minutos a considerar éste desejo e sentidme ¡mediatamente impelida para Jesús ( I ) . £ o que me acontece todas as vezes que pensó cm Jesús, principalmente guando O oufo conui- dar-n:c a reccbc-ío, oa quando O cy/fo dizer-me que rem re¡>ousar no rr.cu corafáo».

(>) Maccira Je diicr que x scatiu arreciada «tn íilajc.

O confessor, para que a donzéla dormisse algunas horas e nao prejubicasse a saúde, viu-se ebrigado a prol- bir-)he que se cetivesse voluntàriamente de noite a pensar na cornunhao da manha seguiate. Logo ao romper do día Gema náo contendo os scus santos ardores. levactava-se, vestia-se en poucos minutos e estava

pronta para ao prímeiro sinal se pór a cami- nho da igreja. Quar.tas veres, encontrando-me cu hospedado nesta casa de benfeitorc 3 da mínha Congregado. tive eesejo de eie co mover até ás lágrimas ao ver a sania menina, de pé. con o chapéu na cabera, profundamente recolhida. esperando que a coaipanhcira saisse do quarto para ¡rem ambas à igreja! *Ondc rois. ,-r.:r.h. 2 fi!ha?’> preguntava cu. <A Jesus. Padre». «£ qtie vais fazcr?> — A resposta era um modesto sorriso que significava: v 6s o sabéis. c Ao'vé-la, diz a scbrcdtta companheira. dava, a imr pcessáo de que i a todas a.v manhüs para alguma [esta nupcial». E na verdade e!a ia, segundo a sua expressáo, para a festa do amor de Jesús. Nao se 3he notava a ca- neiras afectadas, mas o seu cora<;áo estava numa adivi* dade extraordinaria. Só a r.ecessidade ou as conveniencias podiam arrancar-lhe n es tes momentos alguma pa- lavra. O pròprio Aajo da Guarda, se Ihe aparecía, era amávelmcnte convidado a suspender qualquer conversa, a-íimde a dcixar iivre para bem melhor ocupaqáo, como dizia. A piedosa menina coropenetrava-se tanto da eran- de 23 duaa coraucháo, que tudo o mais Ine desaparecía do espirito. Dava o seguíate motivo desta preparado táo cuidadosa: tTratase de juntar deis extremes: Deus que è tudo, e o criatura que è nada: Deus que é a luz. c a criatura que e trevas: Deus que é a santi- d.ide. e a criatura que é o pecado. Trata-se de femar parte à mesa do Senhor. Poderá havee preparagao que baste?-> Ac considerar táo profundos contrastes. Geir.a ecpalidecia de horror. Por sua parte, scoi a coragem que Ihe inspirava a sua grande íé. nunca se teria aproximado ¿o banquete divino, ctr.bora tivesse grande desejo de tonar parte néle. Ñas horas de aridez como ñas de consolado, c até no neio das mais afectuosas comunicagóes do divino Amante das

SANT A GEMA GALGANI almas, estes contrastes agitavam sera descanso o seu cora^ao. íaziam-no sofrer, e levavam-na a Lmentar-sc diaute do Senhor: *$im. su sei, jesús: é melhor recebcr-Vos do que rontemplar-Vos: rr?*« s///- jo-me ao pensar que anos e anos de preparagao angélica ni o me tornar ia.-n digna de Vos rcceber. Ó jesús, sinto dogura c m confessar diarie de Vós a minha miseria. Ajudai-me, Senhor. Ah! posso ainda langar-me a vossos pés e repetir mil vezes coni [è ardente: é melhor receber- -Vos do que eontemplar-Vos». Estas palavras tinham-lhe sido sugeridas pelo pròprio Jesus, como é fácil deduzir do contexto. Déste modo, temperando a confianza com o temor, e o temor coni a confianza, estabelecia-se no corado da inocente jovcm o equilibrio necessàrio para urna digna comunháo.

Por rr.iuto perìo da caia Giannini c poi scr multo jx;uco co:icorrxÌ3. era prefenda p-or Gina. Ali comungava ircqucs'e- mente c atrés dis iuas co'.ur.as ia «condir CÌ s<us ix'.oscs durante a îicçao de graças.

Na macha da fes:a de S. Lourenijo, dirigly ao Se- nhor as seguintes palavras:

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«Mea smacío Jesús, que vergonka para mim esta rr.anhá! Segundo o vos so de se ¡o, ccupei o meu espirito a per.sar em S. Louren<¡o. Mas fico confundida, ao vé-lo no rr.cio dos tormentes, emquan.to cu, na santa Hostia, gozo as depuras do Paraíso. Ó Cora$5o do meu Jesús. cora$áo ternissimo, se quisesseis dar-me urna parte grande (dos sofrímentos des se Santo mártir) . oh! fa- zei-o. ja basta que cu ver,ha sempre a V'ós cor i receso de Vos ofender. Pus as r.ossas duas almas eni confronto: a du¡n samo c a duma pecadora. Pedia cu nao ficar confundida? Eu quería, por intermedio do mesmo Santo. apresentar-Vos a minha alma pecadora, mas tenho rr.cdo, porque a ccnhcfo culpada citante de Vos. Quería que a visseís befa, cono saín de vossas maos*. E.screvccdo um día ao seu director, dí^ia: «O que me da un i pouco que pensar, e que a comunháo cuotidiana, o pao angélico nao tem comunicado á minha alma t^dos os ber.s que a tantas outras almas ten: conferido abundantemente. A culpa, eu o ceconhe^o. está r.a fraqueza da minha pouca uirtude; aproximo-mi de Jesús sem nenhum mérito. Ajudai-me, ajudai-me, meu Padre. Hoje pedería ter atingido graus elevados: e. pelo contrario, retrocedí, com detrimento da minha pobre alma. Algunas vezes. accediiai meu Padre, tremo e enver- gonho-me multo ao pensar que vou receber. impura, a Jesús que é a pureza por esséncia. iVfas Jesús, o querido Jesús aír.da me ama. assim meSmo como sou e faz-se sentir continuamente á minha alma».Era coca estes sentimentos de abandono, desejo. atnor e, acna de iudo, humildad*, que Gcoa se dispu- nka para a sagrada comunháo. Que admira entáo. que eia colhcsse frutos abundantes e preciosos? Que admira que o Senhor mostrasse tanta complacencia ccm a cotaunháo da sua serva? Fa zia-se sentir muito. como ela rnesmo dizia, á sua alma durante os felizes morr.cntos di sagrada comunháo e inendava-a de 9rande sunvidade.

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As espécies eucaristicas produziarr.-lhe muttaa veres r.o paladar urna sensaqáo deliciosa e dcsdam-)he 5s cn- tranhas ccm a do^ura dum bálsamo. Algunas veres sentiu até na bóca a ¿mpressáo e o gósto do precioso sangue. Ou<;amo-ia: iOtitcm. dia da Pur.ficagáo, depois de corr.ungac senti a bóca cheia de sangue. Mas como era bom! Como faria be;n! Comprimí íoriemente o peito para que des - cc.«e todo ao co.3fáo. Experimental, Pudre, como /az bsn i aiimer.tarmo-nos de Jesús-Enearistia! En experi —' mcr.teí’O no mes de Outubro (cela prinieira vez) desde urna sext¿'¡eira até á sexta-feira seguir. re; depois aca- bou. A mesma ¡mpressáo rccc/íicfou esfa manha, rr.as consome-me. sinto-mc morrer continuamente, jesús ani- qüita-me. Mas como estou bem! Como é doce! O /ego do n:eu corará o subiu esta marina ate a garganta. Viva Jesús! Vede, Padre, se Jesús continua a con serrar-/re neste estado, neo viverei mais que alguns meses, e quem sabe?> Também a Mai celeste se compraría tauito com as fervorosas comunhóes ca angélica menina. Para Ihe car um testemunho da sua satisfago e ao raesmo tcr.po para mais a aoiinar, acompanhou-a algunas vere 3 ao divino banquete corn os anios da Euca- •ristia. Depois de tantcs ouíros favores maravilhosos. iste já náo nos deve admirar. A esta vjsào ir.csperada a santa menir.a extasìava-s,: e cx*j3tava ds alegría aos pés ce sua doce Mài. A-propòsito escrevia-cie: *Como e bela a sagrada comunhào [cita em companhia da Mài do Paraíso! Ontem. oito de Sialo, pela primeira re:, comur.guei assistila por Eia . Queréis sabe e. Padre, o que dizian: ncste momento iodos os transportes do meu cora$ào? Dizioni estas úricas palavras: ninna Mài. min ha querida Mài'.-» Le-se na vida de alguns santos mais famir.tos ca Eucaristia, que o Seahor quando é’es r.ao podían ir ù icreja. Ihes mandava a casa, por meio dos anios. urna hostia consagrada (l)-

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Parece que Gema rccefceu très veces pelos menos a divina Hóstia das próprias màos co Salvacor. Eis corno o refere urna tcsíemunha ocular: «.Va man/ià cíe sexta-feira, em que a r.ossu querida Gema foi submetida pela primeira vez so suplicio da flagela?Jo. corno ostava ccberta de hcrriveis cnagas. nào a deixei levantar-se. A pobre meni/ra obedeceu e carnet cu iVnec/iarameníe a prepararse para a comunkào espiritual, com tanto reco Ihimer.to e fervor, ccmo se fòsse recever realmente a Sa.ifissi.7ia lìucaristia. Passa-

(lj Fol o qu; se c'tu por exenpta «sci S. Ejtanislau Kost’ua quenco t:a V’itsa de Austria odocccu'gravcmcntir e ir. c.xxa ¿¡> luterano c;ie o hospedo va. (Nota do Revisor).

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dos instantes er.trou cm éxtnse c num dado momento vi-a juntar as msos e retomar os sentidos. Os clhos cintilavam e o resto inflamou -se como durante as visóes extraordinarias. Estcndcu a lingua. tecclheua pouco depois e cah¡ en éxtase para dar n costumada ac^So de gra;as. A niesma cer.a se repetiu na sexta-feira segante c proi'ái'dmer.te cuicas re: es aínda, sen que c:j fósse testemunha. Cenia disse-mc ingenuamente que o próprio S ai u ador. c nño um nnjo. Ihc tinha tcazido o comunhác*. Depois do que íica dito scbrc a fono que a piccosa virgen tinha da Eucaristía, í¿cil é imaginar cual r.io seria o SÍU tormento, qur.ndo alguxna deen^a gravo a ¡r.- pedia de acudir á ¡greja. Eir. tais casos, felizmente muito raros, irr.plorava de Deus as ir.elboras precisas para se poder levantar e suplica va-Lhe que. se n quería mortificar con dores físicas, as tornasse cen ve:e3 mais intensas, antes que deixá-la sem o pao da vida. li para tnais O ebrigar acrescentava: «Para um Amante Qpaixonado. como V'ós seis. Scnhcr, nao sao precisas tantas súplicas; atende logo co primcico pedido. Dizei. pois. que si/:i, e cu vcnhc>. A naior parte das veses o celestial Espeso diría que 5«m, e Gema, haarir.do ccragen da sua grande fé, podía lcvantar -sc. embota o terrr.ónetro tívesse marcado, instantes antes. 40 tjraus de febre. Quando o Senhor dispunha douíro nodo, a santa donzela bai.xava a cabera, dizer.do: f ía t. E contentava-se ccm a conunháo espiritual, senpre acompanhada de ineíáveis comunica^oes divinas, que anplanente a co:::- per.savam da abstinencia euccristica. • Um dia o confessor ordinàrio, para a experimentar e mortificar, finsiu querer suprimir-lhe a comunnào. Gena

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anunciou^mc Còta desgrana nos seguintes tèrmos: «Mea Padre, nieu Podre, ho je. à$ 5 horas, fui confessar-me e o confessor fa!cu erti n:e tirar Jesus. Mcu Padre', a pena recesase a escrever, a minha rnao treme. ckoro». E na verdad e estas palavras. que ten ho diante doa olhos para as íranscrever. estào tragadas co.*n mào convulsa. Cornudo* ficl <13 normas seguidas cm scneihantes circunstancias, cntrou ¡mediatamente coi si para se entregar a sentimcntos de humildades «Grabas sejam dadas a Jesus! Até (7Lio c tu firn encontrei elguém que nc c cnhcce e cuc me ajudarà a salvar-me. Nào, Padre, nao son digna de reeeber a Jesus. Guantas veres Jesus quis vie ja a èste rude corará o. pior que urna cstrumeira. ¿Veste momento reconhcci tao vivamente a minha misèria que dcsijaria, desejarta... Padre, IKCJ Padre!* O ilustre confessor tínha tao pouco a intenqao ce a afasiar eia sagrada mesa, que disia nos membros da sua familia adoptiva: <i:azci toco o possine!, embota este.ja docnte. por ccr.duzi-ía à igreja: como passaria a pobre menina seni ccmungar?* Por outra vez. sendo alta noite, o demonio persuadila de que tiniia cometido nao sci que fa'ta grave. A perspectiva de náo poder ir no dia seguiate à Saccada Cotuunhào mactirtzou-a t&dn a notte. De ma- nh5. ouviu missa c vo’tou sem se ter aproximado co Banquete divino. Chorava incor.solàvc’mcnte. Ào chegar a casa cntrou era èxtase. Àpareceu-ihe o demònio disfamado na pesso.i do Salvador para a :a=cr

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cair no desespero. A cena, das mis cotnoyedoras, arran- cou lágrimas a todos os assistente*. A luz penetrante do éxtasc. Gema desccbriu o erabusteiro e exclamou coa voz angustiosa: <A r áo. r.áo te quero. Oh! para cr.dc /oí o rr.eu Jesiis? Or.dc estáis. Jesus? è verdade que Jesús esta manhá r.so vciu a niirr.; rr.ss iu nüo, nunca entrarás, nao (e quero dentro de mini. Ó Jesús. afastai-o! Mas como permitís. 6 Jesús, que o demònio venha cm vesso lugar? Vir.de Vós. Jesús, vinde triunfar no nc« corafáo que Ves deseja. Apressai-Vos. Jesús; o meu cora;áo anseia por V'ós. Nao vedes como sofre? Afast&i éste mentiroso; n¿io vü des como quere levar-me «20 pecado? Porque me abandonáis assim? ¿E verdade que fui a primeira a deixar- -Vos. mas eu quero-Vos; r:áo me deixeis só>. Meste Qcuier.to parece que o Scnhcr a reprcendeu por nào ter atendido ao convite que Ihe fez de ir común- gar .sen: receio. E Gema, dcsculpanco-se com tòda a ’ candura. diz: «¿im, resisti, ó Jesús; mas sefri muito. Oui'i o vesso convite esta manhá; mas. Jesús, cono /rauta de fazer para Vos receber? Véde. Jesús: se o rr.eu cor.- fessor me tivesse dito c¡ue fose á comunhüo. té-lo-ia feiio, /ñas è!e tnesmo me diz que r.áo me posso fiar em mi/n pròpria. Déste modo. deixci-Vos porque juigava ¿er pecado. Portanto, jesús, perdoai-rr.e e vinde, vir.de agora co :r.eu coragáo. Ah! £¡e c vosso, vinde, Jesús; é vosso. Vinde e fozei-Vos sentir». Esta lula, éste colóquio, de que apenas cei um extracto, curou cerca de una hora e terrainou peía vitória completa da santa menina sobre o Corado tereís- sieso do Salvador. A julgar pela ve emènda dos senti- • mentes e agitad 0 de táda «i sua pessoa, devia ter saido do extase extenuada, mas cao foi assim. Logo que reto- d c u os sentidos, ficou serena e sorridente, podenco entregar-se activamente ás ocupares domésticas.

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Aqui tem o Icitor urna pálida idea do que era a pre parado de Gema para o Banquete divino. Devia agora dizer algutr.a coisa sobre a ac^áo de grabas, mas nao faria mais que repetir-me, porque o» transportes de fé. de amor, de confiarla, ce huniildade e ce abandono, que precedían o acto sol ene da coaiij' nhao. renovavacn-se depois dele. A acqiio de grabas. cotr.eqada na igreja. continuava durante todo o dia entre as ocupares domésticas. O scu coragao, exultando corn a suave lembranqa ca comuna ¿o, experimentaba incessantemente a necessidade de se expandir: c o corpo, incapa: ce resistir á veernSncia de tantos afectos, perdía de quando cm quando o uso dos ; cutidos. Tal é a explicad« dos numerosos éxtases de Gema, desde a saida da igreja até à r.oite. As in'pressSes profundas sentidas de manhñ è sagrada mesa repeciam-se a tocos os instantes. A dar-lhe crédito, teria querido sepultar para sempre no seu cct3<;ào èsse Jesus que recebera no altar, teria querido aprender até que ponto e até que medida devia levar o seu amor para agradecer tanta condescendencia. E. reconhecendo a sua ¿mpossibilidade. esclamava: «¿Víeu Deus, meu Jesus 4 metí Pac. mir.ha dogura! Ar.ior me sustentáis! ConsoU^áo de toda a criatura! Fogo íjue sempre ardéis sem nunca Vos apzgardesl* Depois preguntava ao Senhor se as chamas que a consumían Ihe eran agracáveís. Pedia a seus sanies advogades, acs anjos. a sua celeste Mài, que a ajudas- sem a .bem-direr, louvar e agradecer o amor ce Jesús Sacramentado. As cartas escritas curante o dia resscntíeni'sc des- tes ardores. Qualquer que fòsse o assunto dessas carias, o pensamento da Eucaristia devia ter sempre tugar, quando n.ìo predominava: e o nais das veres, tocando esta materia táo ser.sivel ao seu ccra«;áo. a seráfica dcr.- zela perdia os sentidos c continuava a carta arrebatada en éxtasc. O pensamenti da Eucaristia abícrvia-a per

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completo: c da Eucaristía :inha o coragáo a trasbordar. Ora c da abundancia do ccra<;áo cue íalan os labios e que a :uüe estrave. Entre as prov¿*.s dolorosas a que foi submetida. especifiquei a aride; espiritual e disse que fei a mais atror. E na verdace, correr atrás de Jesús c ncm ao nenos recebcr uní olhar. chamar ansiosamente per Ele. e r.ào ouvir resposta, é para a alma, que só aspira pelo céu, um tomento que só experimentado, se pode fa:er céle urna idea. Ora, para Gen?, o céu era a Eucaristía. Jesús Sacra mentado era tuco. Viví?, déste doce misiério, encoc- trar.do r.¿3e tòda a sua felicidad«. Todavía o Senhor. cuja providencia só ten em vista a santificado das almas, deixava-a de quando em ve: sem as inebriantes delicias, que costumava saborear junto do altar, ou à mesa eucaristica. Eclipsava-se totalmente aos olhos da sua seráfica esposa. Escrevia-me entáo para me pòr ao corrente das suas

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angustias: <Padre. meu Padre, todas as consolagóes que cu experimentava de manhá depois da corr.unháo e que duravam o dia todo, converteram-se cm outros tantos abandonos. Nao sei qual se ja o motivo*. Outra vez, depois de rae ter falado de certas comu- nicagóes extraordinarias recebidas á mesa eucaristica, acxesccmava: <Mas r.á dias em que nao acon/ece assim. Há já tres rnanhñs que jesus. depois de cu O ter rece- bido, procede como se nao tivesse t »indo ao ir.eu cora- $éo. Ca/a-se e faz-pie morree cié desejo*. Mas ncm por isso a tema amante do Salvador era menos fervorosa ou menos activa. Visse ou nao visse o seu Jesus. cuvisse uu nao o eco dos seys chamanentos, cootinuava a correr para a igreja, procurava-O sempre cora o mesmo ardor c norria de desejo. dun desejo que. como ela afirmava, a ia cor.sumindo. Ah! se todos os homens conhecesscro como Gema as riquezas ineíaveis que er.ccrra a Eucaristía, nao es veríamos mendigar entre as criaturas que passam, urna felicidad-;: que cías nao poden dar a corajes criados para o infinito.

costuma dar a certas almas, tnaravühosa- mente favorecidas da gra^a, a vocagao espe- eia! de trabalhar na sa'vaqào de seus irinaos, tiño só pelo exemplo de h eró ¡cas virtudes, mas por obras de zelo também. À virgem de Luca foi deste nùmero: trabalhou duro modo mito particular na cooversáo dos pecadores, en virtude da niissáo q -.ie scler.emente recebeu em circunstancias espseiais. Eia que nes coate o Gema apóstola^— Espirito profètico sucedido:

<IIá dias, logo de pois de ter recebido a sagrada Comunhao. fcz-mc Jcsits a seguirte pregunta: Dizc-tnc. filha, ¿mias-me? Que resposta podiam dar os meus labios? Mas res- pondúu o mea coragao com as suas fortes palpiia^óes. Se me amas, accescentou o Salvador, farás tudo o que cu quisee de ti. Depois suspirando exclamou: Quanta ingratidào e malicia vejo no mundo! Os pecadores obstinan-sc per-

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tintamente ecrx s\:a vida de pecado, &s almas vis c fcacas nao fazem nenhum esforzó para vencer os instintos da carne, as aim os a ¡Utas cacoi r.o desalentó c no ‘desespero, os ministros do msu santuario.... a indifer enfa geral vai crescendo e ningucm desperta. Entretanto, do alto do céu r.áo fs;o senao conceder gra;as e favores a todas as criaturas, luz c vida <i ¡greta, virtude c /órj\i acs que c dirigen, sabedoda a quem deve iluminar as almas que andar: ñas trevas. constancia e energía a os que devem seguir-me mais de per ¡a, grabas de teda a especie acs justos, e até acs pecadores que pctinaneceni nos seus antros tenebrosos. Fa:o cl\egac*lke$ até lá a minha luz, prccuro por todos os meios o ntecr.ccé-los e convcrtc-los. ¡vías con: ludo isto que lucro cu? Que correspondencia enecniro ñas mi nhas criaturas que tanto ame:? Ninguér.i já se lcinbr¿i do nteu Cora jao /ic .71 do mcu amor.
Sou esquecido como se nunca tivesse amado, como se nunca ti ves se sofeido, como se [ósse para tedes v;n a.'sconhecido.
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O mea

Corad csiA coRfinaa/nertíc triste: qitási sempre me deixam só ñas
¡orejas, e qtiando nulas se reúnan multes, e por cutres motives, e nao para me honrar; sofro por ri*r n minha Igreja, a mlnha casa cor- vertida cm ui:i lugar de dlvertlmenios. A! u i tes, seb apa réneias hipócritas, atrai$oam-n:c cont comunhces sacrilegas... Jesús teria continuado, mas cu ful abrigada a dizct- -Ihe: Jesús. Jesús, r.üo resisto mais*.

Ccrn estos conoventes queixas inspira va o Senhor a s-ja serva uno dedica;áo sea* limites pelo bem espiri tual do próximo e pila convcrsao dos pecadores, ces- cobrindo-lhc ao mesmo tempo a forma do seu apostelado. Resposta de Gema: <D'¿ividaeei$. Scnhcc. cue eu querrá sácrificar-rr.e inteiramente? Por Vos suportaría os maiores tomentos: para contentar o Cora$So de Jesu3 c para impedir que tantos pecadores o ofendessem eu daría todas es gotas co

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mcu sangue>.
Dcpois das polav"a 5 . vejados as ebras ca santa menina. Nao íalarei mais de tormentes: n.io há tormentos que rao ter.ha experimentado, e com grande inter.- sidade. Nao fabrei de sangue derramado; derramou-o a torrcnic3 pebs máo.s. pelos pés, pelo lado. pelos olhcs. pela eib.:<;a e por toco o eorpo, a ponto de poderir.03 duvidar si* íhe restava aínda alqurr.a gota. Mas que apostobco poderia exercer urna frágil donzeb? Levada pelo Espirito do Senhcr. Gema cum- priu a sua rmssáo dentro da esfera das suas rel<i«;óe5 e. onde nao podía chegar com a acqáo. chegava certamente cotr. a o:a<;áo e com as lágrimas. Pelo que me di: respeito posso afirmar que. desde o primeiro dia en: que conheci esta virgenzinha admirá- vel até á SJO morte. sempre a vi trabalhando con zélo pela ccr.versao dos pecadores. Disse desde o pcimeiro dia. oludindo á cena táo patética descrita a páginas 16-í e seguintes. As rr.inhas memorias cor.teem outros factos notáveis de conversces. semclhantes. sob muiros aspectos, ao que ai ceixe: referido, e nao menos auténticos. Onito-os para ser breve e r.áo me repetir. Gema conhecia o segrido de comover c Cora<;ao do seu Jesús. As suas lágrimas inocentes, os seus suspiros inflamados c es argumentos que hábilmente sabia manejar. obtinham sempre o seu efeito. Só no dia de juízo saberemos o número de almas arrancadas ao poder de Satanás per esta humilde virgem, que nao deixava passar uní só dia sen pedsr pelos pecadores. Ojvia-se muitas veres repetir, durante os éxtases: Imaginai. Stnhor. que me cavéis un por dia». E conti- nuava: <ú jesxss. nao abandonéis os pecadores, pensai nos pecadores, quero que todos sejam salces». Dcpois, visto que 'taha sempre algún particular- cíente e:u vista, diría: <Lcmbrai-i-os dequele, Jesús, dum modo

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particular; quero que se ja saleo comigo*. Salvo comigo!
Sugestivas palavras. bern próprias para comover o Cora^áo do Divino Redentor, tño teruo para coir. a sua fiel serva. Muitas vez es a virtuosa menina dirigia-se ¿i Mái Celeste, cujo poder sobre o Redentor já ela tinha experi* mentado milito bf-n mun ne*j*cio que a interessava. Un dia, estanco arrebatada em éxtase, viw María Santissirr.a muito sflita e. ao mesmo tempo, resolvida a nao se interessar por urna alma, em favor da qual Gema pedia. A santa menina csíor^ou-se por dcnové-la da sua determinaqáo. «Mas que dizeis he je. minha querida Mái? Abandonar aque.'a alma!... Pcrventura nao é urna alma de Jesus? Nao deeramcu Jesús iodo o seu sangue por ela? £ verdade que eu /nesmo a escuece estes dias. É por isso que a querets abandonar? N¿o, nao. nao hesitéis, ide aplacar a jesús». A divina Mái deu a entender que achava difícil a

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emprèsa, e Gema continua: *Mas Jesus obedece sempre a sua Mài. Af irmáis que nada conseguiréis? Mas cu sei que ¡unto de Jesús gozáis de omnipo tencia suplicarte! Oh! antes de abandonar urna alna... será possiveL ó mtnha Mài. que Jesus queir a abandonar vmji alma? Mas. coragem! Ble te ve piedade do ladra o. Sei. respondeu Gena, mas isso r.Jo quero cu ve:; poderia mostrar-te como c malvada a sua alma. Sei. respondeu Gorra. nías isso nio quero eu ver, cuando far salvo. e.ntao. sim. o cerei, ó minka querida Mai, como ¿ es irán ho o me do por que me f alais hoje. Vós. p. advocada dos pecadores! Por ven tura deixasíes de ser MU? Impossivcl. O minha querida Mài. queréis de:xar-me hoje assim afltca? Obtende-me de jesús o que me obtivesíes c:\bp.do ( > ) . Ceno fie.tre i cor.te:ite!? Abandonar ucr.a almrJ. Esta paiavra horrorirava G^. T . ÍI e traspassava-ihe o corado. Eu raesmo me avea- turei urna vsz a repetiia. a-propósito duna penitente, cuja indocilidade n'.e levava a deseaibara<;ar-Gie cicla. A virtuosa menina, alarmada, escreveu-ste: <cMeu Pudre! E porque c que. em vez de perder o ànimo c pronunciar essa vil palavra abandonar, n.ào a chamáis para que diga tóds a verdade? Porque nao Ute testemunhais èsse afectuoso interèsse que tendes cor mim. que scu mil vezes pior do que e!a? A tende i: se vos fór pos si ve! ve-la, falai-lhe; se mío, escrcvei-ihe imedia- ta,Tiente a dizer que. se nio entra no recio caminho e nao

(!) Getv.o »ludia ò C0QVCrs5o doutro pecador, peb q*ja] tinta pedido rr.uito.

__ -.r.ccnù icdo o vestigio do pecado. Jesus a fulminará. Naca mais die:': sóbre è sis assurto. Sei indo, ss: fado». Ge — ;i r.lo jróde manier por ni Lito tempo a rescindo ¿-; zz calar. Escrsvcu-m* ciada ouira ver: «.Va verdade. Padre. Jesus

SA STA CSM A CALCASI

r.ào està coniente com essa sin a, r.ào. r.ào. Dlsse-mc coisas muito graves! Dlzei-lhe que, se r.ào se emenda. Jesus a fulminará. Fere: essim, Padre, e. quando a vlrdes. falai-lhe de min e instai con c la para que ver.ka t er-me. Se tivesse rindo, nada teri3 acontecidos.
T cstcir.unha :::uito digna c: crédilo conJa-rscs o sscuir.te facto: <Pedlu-mc una senhora mir.ha ccr.he- cid.i cue

rccomer.dasse a Gema um seti irrr.So, grande pecador. Assirr. o fi:, e a sania cómela nao o csqueceu. Jesus por cm dissc-ìhc n cm éxiase, evidentemente para experimentar a sua fé. cue nao conhccla ia! pecador. Cerro o rtùo coriheceis, respcndcu. sendo èie rosso ftì ho? Depois dingut-se a ì\ laria. ¡Mas. vcr.do-a silenciosa e bar. fiada cm lágrimas, volt cu-se para .S. Gabriel que tsmhém guarda: silencio. Gena nào perdei: a coragem c rr.iiìiiplicou os pedidos. Di zia-me entao: Èsse ho men cere ser realmente urna grande pecndcr, pois Jesus diz que o nào ec.r.hece. a divina Mai chora, e o ir mio Ga- briel :jo nc responde. Depots dun ano de súplicas assiduas. tima o casiào em cue eu ia para a Igreja con Geni, er.contrei a criada da referida ser,hora teda afilia, t> qual nos disse cue o tmao de sua ama estará noribur.do. Ficàmos muiio irisas. ?-!as. mal tinhamos dado vr.s vinte passos ccmegou Genia a exclamar: Està salvo, està salvo!

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lÿrc;. i de Sor.tû Mariä d.: cm L I ::3~A Sù't* âjocihod. j r.o c&nufifùtôfio

Quem? pregunte:. O icmao da ser/nora. Soube di pois que éste Homem tirina expirado, apartando a máo do sacerdote, no momento preciso en q-je a. criada entreva en casa. Ora. èsse instante coincidía exactamente con aquéie en que Gema tinha exclamado: està salvo, está salvo!> Aquí se manifesti como levadas pelo 2 fio c pela grande estima
e::i que tir.han a santidade ce Gema, pes- soas amigas recorriam ¿s suas orajes para cbter a conversilo de entes queridos. Mas nao era raro também que Dcus Ihc fizesse conhecer directamente certos pecadcr ¿3 en providenciáis encor.tros. ou mesmo en casa dos seus beníeitores. De aualquer parte que viessem. a caridosa menina recebia-os con alegría, como se fóssem um tesouro. K qmnfo Tra;'.«; o numero numenrava mais eia desejava vè-Io crescer. Disia: tEu d ese ja va

que todos os pecadores fóssem salvos, porque tedos [oram resgatados pelo sangue de Jesús».
O'último, cuja salvado teve a peito dum modo particular. ou. como eia dizia, que levou aos onbros, foi um habitante de Luca, pecador famoso e obstinado, e del 2 pessca’mer.te desconhecido. Durante muito tempo a santa menina inplorcu de Jesus a sua convecsao, sen nunca desanimar. Na última doeivja disse a urna confidente intima: <Hei-de tè-lo

aos ombeos per tòda esta cuaresma, depois aliviar-me-ei délo. E com eíeito. ca Quinta-feira Santa, o zeloso sacerdote que lhe
tinha recomendado esta alma fé:-me saber, toco contente, que acabava de reconciliar con Deus um gra".:ie pecador: era o pecador de Gema. 4C2 SS.:;TA G E M A C A L C A N I
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Dois dias cepois. a virtuosa donrcls. aliviada desu- peso c c:~ ciáis urna palma n a máo. vea va para o céu. roi esta a vllima cocversio visivelmente operada p?la serva de Deus. A prirceira ceu se por ocasiao da !onga c calorosa docr.<;a que sofreu na casa paterna, antes ce zzz receñido a soleue investidura do s¿u apostolado. ArquivSco-la. cue é verdadeiranente digna de rr.cnqáo.

Entre as pessoas cue prestavam 05 seus cuidados ¿ jeve;:: eriérna encor.trava-se una aulher de vida pouco edificante, cujos servidos a familia dessjava dispensar. *Cc.r¡i?, ci:ia Gema coxn o rosto infla nado, pcri'cnf::ra J !&c-3Ícr.a [ci repelida per Jesús, pelo /aero cíe ser peca- ¿cr¿? Dctxüi-a rir. Quen 1 saóe se se pederá [s:er!h,c s:.gi::rc cem? .Wio a ajasteis ce mim. cu rc-lo pefo». Z, emfcora extenuada c quási moribunda, ccupou-se déla. O caso era difícil, porque a mulher vivía da sua infame proft'ssáo. Mas. c que nao pede a caridace de Cris'o excrdda por una alma táo arderte cono a de Gema ? A sua Cia de Canaiore er.viava-lhe de (eir.pos a tempes algún dinheiro para as suas granees necesidades. A doer.te passava-o para as naos da pecadora con •• na graga chcsa de encanto, e pagava -lhe a renda di : a. para que ela nao tivesse de a ganhar ofendendo a ü s. d quando aljjuém da familia Ihe preguntava que destina dora ao dir.Heiro mandado pela tia — «Sos sega i. rispend:a. .i.io desperdigo nada: uereis. haveis ce saber o uso v’t [i: déte*. Por esta forma adquirió un tal prestigio sobre aqueja sica cue en pouco tempo, con estas i¡:c*Js:r;35 e exortaíóes assiduas a arrancou das naos do c A p i t ' i i o . x :: : x m •

demònio. A mulhcr fèz .usa coiiiissio 52 : 2 ! e viv*u dei por diant-r corno boa cristi. • E cctr.ò nao havia o dcrr.órv'o de se enraivecer con o :£lo da piedosa desina, que assire Ihe arrebatava as ctais belas prèsas? Muitas vezes aparecia-lhe eoe: 05 olhos sinistramente iluminados per urna chama do inferno e c rilava cr. tom ani-rajador: -tPelo quù íe diz respe; co pessoaímente. procede corno er.:cr.deres: mas Ultra- te d¿ fazer alguna coisti cm [acor dos pecadores. porque

no pagarás*. Al rumas veres disíari;ava-se em prudente conse- Ihcíro e disia: «Cenia? dor.de te i>errs tanta pee surgió? Estás carrsgada de pecados, todos os anos ca Cua tri ¡da nào bastarían para os chorar e expiar, c perdes o íemp o a ocupar-te con es pecados dos ouieos? Nao ves que a t::a alma está en: pe rigo?

Q‘.:e hela vantagem: censar nos outros. descuidando -se de si m¿sma!>
Vii os esforqos ésses que aínda estimulavam mais 05 sar.ros ardores da ncss3 missionària. «Querers saber. Jesus. dizia eia num Cxtase. quem me proibiti de pensar nos pecadores? O diabo.

Mas. pelo Contràrio. Jesus, per.- sai nos pobres pecadores, eu Vo-lo recomendo. Ensi- nar-me a irebaihar para 05 salvar*.
Quando alcun Jhe manifestava hostiiidade, as ora- i;6es em seu favor tornavam-se mais vivas. Líe: exemplo entre nui'os outros. Um dia ouvi- ram-r.a di:er. em éxtase: <jcsus, por orden do neu c-'n- [essor. cecomendo-Vos o mu maior inimigo, o mea picr adversario. Guia:-o, acompanhai-o. c se a vossa n:áo ten de cair sobre ¿le. que

caia antes sòbm min. Cumulai-o de téngaos. Jesús, nao o abar.dor.eis. cor.so'ai-o. Pcuco

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S A N T A CE!.! A G A L G A N I

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.ir.-perra que rr.e fafúis sofrer. mas a élc r.áo, eu Vo-ío recuenco agera c para sempre. Fazei-lks rr.uüo bem. . ■cr.rtfídciS'nc. Jesús? P*ra Vos mostrar que o amo, cc.'Tixrzgzrc: anor.hü por su¿ intenf&o. £le tahez pense c.7í nos /ar-v na/; mas r.ós queremos-lhe multo heñí*.
A paixaa ca santa men ijea r.áo era só trabalhar por tf 3=cr ío red :) as c ve '. has de sgarradas. mas tamben aju - dar tocas as ale tas a p rcc jred ir no aasoc de Deus, na fidelidad.: ao seu servido, na períe iqao da virtud e. Ao ver tan ta tibieza nos cristáos de no sse s c ia s, ncs inem - b res dura c ccu tr o clero , e ató r,o in terio r eos c la ustros, o sea carago o parecía nao poder sosse gar. Nao coréente de pedir senpre po r todo s, r. áo ccrd ia u ms ocasiao ¿ e dar co nsc lhos, de ad vertir, d e corrigir. e. ser.do nccessária. de a tnea qar ci- r.or.e do Ser.hor. <Isso r.So ¿grada
co.-n certeza a Jesús, d iría a certa pessoa. ce vete proceder de entro modo. E a ou tra : f.Para a^ra - c.ar a Jesús deveríeis seguir tú! lir.ha de conduta a.

Un; venerando superio r veiu consu ltá -la e pregan - tou -lhe na ra in ha p resenta se o seu modo de go vernar *:? radava a Jcsns. Go ma. 5ahcnd o que t'Ift era nlg u m tan to precip itado en suas dedsó es e áspe ro para con -, os subord in ados, respcndeu lhe : <Scrh conveniente que p:’0\cdésscis com nais prudencia e que
en tudo vsssscis d¿ suavidade. alias nao contentareis a ningucm*.

Cheia ce simp licida d «. a iodo s manifestava assin c

• seu taco o de pen sar, c orr. modestia c hu mildade, é certo,
ir. as sen: re ticenc ias. E esta liberdade nao desagrada va a porque a tod os e ra c ipn iíesta a candura angé lica con cue proced ía. Msr.da va ca rtas u rgen tes aos directores de almas.

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conhec:dos cela, e ao seu pròprio confessor, para os levar a corri g ir

certas penitentes: <Essa alma air.a-se mais a si do que a Jesus; dizei-lhe C que A P r.ào Í T podi U L sor O assim X X e corrìgi-a 1 X >. Nera «6 eu fui poupaco. Muìtas veces advertíale francamente dos meus defcitcs. acertando sempre no alvo. Esta angélica raeniaa. erbora acorrecesse ccupar-se de negocios a Ih e i os e andasse tào concentrada en si. que o mundo parecía nao existir para eia. encoutruva-sc r. ai- tes vezes no exercício do apostolado, levada pelo zèlo da glòria de Deus. Algumas vezes o Senhcr mar.dava-a, corno s^:a embaixatris. levar avisos, mesco a pesscas ce noneada. E eia ia seia demora, depois de ter solicitado, visto que descocfiava sempre das pcóprias forças, a aprovaçâo do seu confessor ou do scu director. Escrevendo a oedir urna desìas autorizaos. dizia: «Uè já muitos dias que Jesus me disse as seguintes pai

a v ras: ' «Vai tee com a Superiora (de tal mosteiro ce religiosas) e dizeAhe que, se persiste no sei: projecto c continua a desprezar as mi .ih as inspiraçôes. rcsistir.do -ñs ordens de sens superiores. e:n breve se arrepcr.derà, pois que o seu castigo ;i e¿fi preparado. Infeliz deU SÌ r.5o prestar uiençâo a este ùltimo aviso! Dize-lhe que o seu castigo ¡oi deferido até agora, en atençio a algunas aimas eue me sâo nuito queridos. Agora, porên. nao espcro mais. Dizç-lhe que t'jdo deoer.ds dcî&>.
' Pouco tempo depo¡3. Gema escrevia de novo a¿bce o n-.esmo assunto: <Quj'nia-fe:ra, durante a ho:a sar.U. prcjuntoti-me Jésus se eu tinha aplicado de boa vont ¿de ¿06- - SAN TA'. OSJM- U / . L U A A / • % 05- sofrincsitos- caqaeia' r.oite (refcrc-se aos tormentos' ' periódicos de: quinta para sexW-fcíra} pe/as [alias de sdyumas religiosas. . /?C 5ponc/:'-J/je:. sim Jsr muiío boa vor.tadc.

En seguida cuvi estas pala iras: ai délas e d aquz! a que as dirige, se recusam cu n: prie a rentad e de Deusl Se [icarerr. sur das à voz, dentro ern breve se acreper s- decao. r:as será tarde. jesi:s nunca mais ¡ará reinar entre et as a paz q::e há tempo gozavam. a discòrdia irá aumentando senpn. e de-pressa serao obrigadas a separar-se*. Felizmente a voz do Senhor foi envida e a par fir- rucu-ie naquele reosteiro. grabas àò ora<;òes e ¿olorosas expiareis daquela que. a-pesar-de tudo, quería se? charlada a (¡obre Gema. Deus facilitava roaraviihosarnente a Gena o seu ministerio em favor das almas por meio de cons extraordinarios, tais como o d¡scernimento ¿os espirites e o conhccimcnto de co isas ocultas e futuras. Est.i va em relacSes espirituais ccm certas almas extraordinarias, sem nunca as ter visto. Kscrevta-lhes e ttnha délas um cor.nccir.cnto que adicirava es préprics coníessores que há muifo as dirigiam. Certas impressóes interiores revdavam-íhe. a maior parte cas veres, o estaco de pessoas que se apreser.ta- vaci dia-jte déla, nestno pela primeira ver. Distinguía assim as almas'queridas de Deus cas -'mas vulgares, recochccendo muito particularmente as tjuc se cncoritravam em pecado morta*. Em presenta destas. o seu costo nao pedia dissimu-

lar a viva repugnancia cue !he causavano e, se as con- vcniéndas o permitiam, caoCcd>:ava A P I de T as U advertir. L O Assim X X utilizava 1 X .o melhor que podía, para bere do próximo. estas luz es secretas que Deus Ihe concedía. Eu pròprio que por principio e por feitio, em materia de reveíales sobrenadarais, r.So sea fácil cm acreditar nos penitentes, sem provas ciaras cas suas disposi?5es. e muiío meaos cm mulheres, reccrri rr.uitas veres ñas m:> r.has dúvidas ás luzes sobreña turáis de Gema. Passacos alejuns dias recebia resposta. Nun déstes casos aíirmava-ir.e c seguíate: «Cre- de-mc. Padre, posso enganar-me. ñas a pessoa de qi:c me [alais nao e.íf¿ animada de boas intensóos. Custa~me di: è-lo. mas [aréis ben em nao vos ccuc&rdes dela, pois perderéis o trabalho. Ah! como cu vejo essa alma dis-

forme diante de Dcus!»
O futuro nao tardou a demonstrar a verdad« desta apreciadlo, e dou grabas á santa menina por me ter esclarecido a tempo. Outras vezes, pelo contràrio, sossegava-rce sdbre certas almas, cujas aparéndas me ir.spiravaiu desconfiaba e que cu estava para abandonar. Deixava-me guiar pelas suas opinióes e nunca me arrependi. Gema ar.ur.dava ccm a mesma certeza as conse- qüéncias funestas que se procuziriam, se nao fòsse se- guida a liaba de conduta transmitida per eia cm nome do Senhor. Sobre éste ponto, muito ha vía que cizer; mas, por brevidade, nao des^o a particularidades. Entretanto Gena, quasi seepre silenciosa c duma circunspecto e.\!r*ma, mes Ira va-se nu:to sòbria restas * predicóos. So o motivo certo da gloria de Deus ou do bea cum3 alna a ia:ia sair ce sua reserva. Fora déstes •cicM. r.ur.ca se arvorava cc profetisa. A’w/rca, repito, peis quando pcsscas curiosas, aínda que fòsse o seu ¿irscíor. procurava^ ten:¿-la. respondía modestamente: <\'iio sei. preguntai a Jesus*. Eis, segundo as sua; preprias palavras. coc:o lhe vinhan «sias luzes acerca ce coisas ocultas ou futuras:

Ì• - *Q'jerìJc '.Ì S A jV 7dige-o A Gii só MA A LG ANI Pecre, aG irós: atgurr.as vezes. ssrr. pensar eri nuda, briiha urna luz no n?u espirito. Aio fago caro e. u.7i dia depoìs ou no mesrr.o dia. nc(o C-¿ a iiumim;io t *inha de Deus. Iste cconiecc-me rr.ui- iris reres, rr.as tudo se passa em silencio*. '¡'a! è. segundo a opinsào dos místicos, a maneira mais ordinària co:::o Deus costuma faiar a scus servos. Gema na sua humildad; parecía dar pouco crédito a estes revelares. Mas no fuaio da sua cima náo existía cambra c> diivida. c só o sen cirec-.or espiritual pedería per jadi-la da realidade duma ilusào.
Para r.e'hor fa:er ver o espirito apostòlico da serva ce Deus vou referir-ne a urna ebra que me di: respeito. Instituirá cu cm Roma e ea vàrias outras cidades e sldc:a3. com o nome de Colegio de Jesi:s, urna associalo ò; .' r¡as generosas que, sera nenhum aparato externo de cargos e dignidades, sem secretariados nea tesoura- rias. se aplicaría a cultivar em si a vida interior e se esfor^am, sob a directo cum boca sacerdote, por con- s-: - ar na igreja a decencia e o decoro do culto divino, scbre’.udo ¿o culto eucaristico, e por razer a'gum beca -05 hes pitáis. ñas prisíes. ñas familias, por toda a parte enfia onde ha ja almas a auxiliar, desordeno a eliminar. Acraccu a mui los o cegulaaeato que cei a esta piedosa agremiado. Ec pouco tempo a fluí rara numerosos aderectes e. grabas a Deus, algún: bes se tía í'eito. Falei a Gír.a aa taiaha obra, a!egrou-se muito c quis ser a priceira. na cidade de Luca. a insccever-se. iratou logo «de a propagar, andando de casa ec casa a recrutar merr.br os. a excitar o zélo dos directores, a organizar as coras. Nos éxtases falava freqüentemente a Jesús desia associaqao, e o Senhor dicnava-se responder que LHe era cuito agradavel e que aben^oava coa particular afecto os que dcla ínziaci parte. Possac estes encontrar utr. incentivo na Iembcaa<;a de que tiveracn per cocpa- nheira a seráfica virgem de Luca. O acor, quar.do é verdadeiro, abraqa indistinta- cente tocos os

homens c nao C coobece limites. Geca, A P I T U L OO de X X I X chegado o uaa ¿09 alta perfeiqáo, estendia a sua sclicitude nao só aos pecadores privados do inesticável doc da graqa e ás alcas imperfectas que se acrastazi indolentemente pelos cacinhos da virtude. cas tacbéc es pobres alcas do Purgatorio. Coc extraordinaria dedicado cferecia a Deas, por tddas en geral. o calóes continuas, penitencias c os scu3 grandes soFrimentcs tísicos e moráis. Mas entre elas. coco entre os pecadores, eacontra- va-se sempre alnuca feliz privilegiada. «Sim. so/rer, dizia e!a, sefrer petes pecadores e em particular pehs almas do Purgatorio, sobrecudo por aque/a...> . E o Deus de misericordia. que tacto deseja levar para o céu estas alcas justas, estimulava c zélo da sua serva. o:ereceado -lhe nevos meics de expiado: <0 A.ijo

410

SANTA GEMA CALCAN! di G'ssrci disse-ne. escrevia, cuc està coite Jesus me ¡¿rà sofeer alguntù coi$ 2 a mais, dorante duas horas e a par;ir das r.ci't, or?: ¡avor dama alma do Purgatòrio*.
Scj ur.do da messo coufessou. a dor foi radio vi va c du. -ou precisamente o Cespo anunciado. <Eu (ir.ha a ca^cfa c.xccssivamcnte derida e cada movimento me des- periata tcriuràs tsrfiveis*. O ccu accìtava as gcr.cr osas cxp.:av -es desta elsa inocer.te, c as pebres padccentes co Pur gatòrio ser.tiac: alivj ar cs seus sofriseatcs e di mi nuir o (ispo do seu cat ivciro. Um exemplo cntre raukos outros: Gema soube sobrenaturaLncnte que una religiosa pass:or.isia do sos - teiro de Coriicto, bela alma muito querida de Deus, acabava de coir mortalmente deente. Preguntoo -se se era vjrdacc e. respondendo -lhe cu que sir::, supìicou a Jesus ihe fi zesse pagar a eia neste aiundo as dividas que essa eniòrma teria para com a fustiga divina a -fim-de que. depois da morte, c ccu IKe fèsse prontamente nbcrto. O Senhor ouviu>a, pelo menos era parte, pois a fer vorosa doenie mcrrou cepois de nutiios rr.escs eie cruéis soirimentos. A pa ree cu depois a Gema seb cs tra -;o3 mais dolo- rcscs. implorando que a socorresse nas penas terriveis que no Purgatòrio softia por causa de ccrfos defeiios. Xasa mais era preciso para IKe comover tòdas as fibra* do coracao. A-fiode angariar para a pebre Ima nusercscs suirftcies. Gema anunciou scm decora a sua morte t /amilia ccoptiva, desigr’ondo -a pelo seu nome ce religiào, descc. -.hccido cm Luca: Maria Teresa do Ic -u'r.o Jesus. a compassava Gema, a partir cèste momento. scm niaiá descanso, pedia constantemente. dborava. lutava amorosamente CCCJ o Senfcor c cidamava: «Jes- \ sahai'B:. Jesús, levai Ai ir: a T tren para

o Paraíso. J? vrr.a alma muito querido de Ves, f&zei-mc sefrer multo por cía, quero-a no ceu>. Víiina voiuatária, a generosa menina sofreu cruelmente denasseis dias consecutivos. ao t’im dos quais, calando satisfeita a jus:i<;a divina, scou a Lera da líber- tagáo. Hio o que s^bre o caso me

. C A P Í T U L O

X X I X

'411

escreveu; «Por volta da urna hora e meta (da r.oite) e. Ser.hora veiu. segando me parecen, ar.ur.ciar-me que estaba pro- xirno o momento. Algún tempo depois julguei ver cami- nhac paca núm María Teresa vestida de religiosa passio- nista. acompanhada do sen Anjo da Guarda e de jesús. Ah! como o seu aspecto era diferente do qne tinha cuando a vi pela primeira vez! Sorrindo, aprcximou'se de rr.í’m e disse que era verdaderamente feliz e que ta gozar do sea jesús para sempre: Depois de nevos agrá- dccimenios. acenou muiias vezes com a n;áo a dizer-me arfen?. Depois, com J«.«er< <* o seu Anjo da Guarda, c oc-tt para o cea. cerca das duas horas e meia da no:íe>. Oh: se no mundo houvessc ntuiías desta« almas generosas, quantas grabas rao atralrianii Dcus. que ccr mcio de do:e pobres pescadores converteu o mundo, pedería salvá-lo a inda pslas lágrimas secretas, penitencias e expiares de humildes virgens, desprendas dos horneas, mas grandes a seus olhos, íais como Gema C-algani.

Funda-sc cm Luca o oostciro de Religiosa Passionista3

gg$®LMA tao apaixonada das bcr.s cclesies nào podia R'ZÌ — ay cncontrar-se à vontadz r,o mundo: <Ohì o SsaaSai cuc hci-dc [azer, di 2ia Gema, para viver ;:o mur.do, or.de tudo me enfastia? Tirem-me, tirem-me do mundo onde jà nào posso csiar». eSuplicc-vos. em nome de Jesus, escrcvia noutra ocasiào ao seu directcr, que venhais encercar-me r.un: convento, o rr.ur.do niio é para /ritm». Em quàsi tòdas as carias se !ia a ardente expressào deste scu desejo, que o Seahor dedarava ser ccafcrne à sua vontade e de cujo cunprimento £!e aeszio lhe tìnha cado a ccrtc:a. quando as pcssoas encarrcgadas de exe- cutae os seus dcslgnios quisesserri por ir.aos à ebra (I).
Dv.tzr.lc cu l t o s vi v eu a p i ed o s a vî rç e m s u ma v5 e xp e ct at i v a. . M as
as s u as as p i ra çc es , l o n g e d e ec i r a - q u ec e re r: co r r. o t e mp o , t o rn a ra m -s e an gu s t i o s as , s o b re • tuio
CD

r es t o c a vi d a, at ¿ o u i p -o r f i n : ép ro u v é a o S ecl i c r n o s t ra r -i / . e

cl a ra m en t e q u e er a i n ú t i l es p e ra r a s u a re a - n c aç âo . D es d e ep . t âo d es i s ci u d e t o d o s o s p ed i d o s , n ao t o l e ran d o n a s u a a! rc a s er . ao p en s a m en (o s e as p i ra çc es e m p e rf ei t a h a r mo n í a co m a vo n t ad e d i v i n a. O s eu p r i r r. ei ro i mp u l s o s o b ren at u ral p ar a a v i d a re l i gi o s a d at a ¿ e 1 S 9 9 , q u an d o t ev e es s a d een ça mo r t a l ca q u e f o i p ro d i gi o s a men t e cu r ad a, gr aç as ao S a gr a d o C o ra rá © d e J és u s . F . i s o f act o , a t es t ad o d ep o i s d a s u a n o rt e p o r Let i ci a B cr t u c cel l i . a r. ci ga c ri ad a d a f am i l i a G al g ar . i :

<Entrando cu de no:te r. o quarte da deente, vi -o todo iluminado c

w

s\

L vr ¿V ¿

u / n a pessoa ao lado déla. Transida de meco , p o rq u e julguei ser u rn a a par i;

¿o de se: i pai, mo rí o p o u co an t es n o mes mo cuarto e n o mes n t o leito, fui aprosadamente alisar a (¡a de Gema. Eia. p o rém, jul- gov-rr.e vi tima dama tíasüo. e f i i - e de t *o Itar. só e a f re n e r. para o qaario. Nada ti.".ha mudado. La esteva a mesma ccssoa. q u e era u rn a ¿enhora. Nao o'jsci [ixaf os olhos neta c reçu e/ , ckeia c e terror. Entretanto, como en Olivia. / alar. embora estivesse com médo. coloquei-me per detrás da porta a o u y i r. . A senhora di-ia: < G em a, t u t i i t h as u rn a ve : a i n t en s o d e t e : a : e c
re l i gi o s a: d e s ej as ai n d a r eal i : á - !a? >

<

C er t a men t e q u e s i n . r es p -o n d eu G e ma, s e a S e r. h o ra me

5 u xi !i as 5 e. S o u t ao p o b r e e t ao d o en t e! »

tciro se tornasse itñpossível.'náo faltariaca pessoas para te socorrer neste mundo». «Está be acrescentou Gema. se;a feita a vontade de Deus>. Desaparecen a visao c en (res no qúarto. .A doeníe cor.[esscu qxc Ncssa Senhora tinha vir.de fis:tá-la. mas proibiu-me de cizec quatquer cotsa. durante a siza vida, do que tinha visto e oui'ido. Doís dias depois eslavo curada». A santa donrela soliciten inútilmente, como vimos no capítulo vi, a sua ndmissao ras Visitandinas. O con- fessor concebeu logó o projecto de a apreser.tar ás Capu- ckinhas, depois ¿s Carmelitas. e por fia a cuas outras casas religiosas. Gema repetía sempre: <Itci. se o cese- jare: tí. mas o cora^ao dtz-me que Jesús nao me cuece lá. jesús nao parece ser dessa opiniáo. por isse nada se conseguirán. ■ E de-facto. urnas vezes por uta motivo, outras por outro. nada se conseguía. Um único mosieiro havía para o qual a alma de Gema se inclina va: o das Religiosas Passionistas, que conhecera pela leiiura ca vida de S. C-3brie!. Sste servo ce Deus tt'nha-!he dado grandes esperantos: e da: por diante, sea mostrar outro desejo. nunca ceixou de suspirar dianíe de Deus pc)3 sua realira^áo. Mas o único convento italiano de
A scnr.orñ continuou: < 5 e a t u a a cí mi s s ao n o n o s -

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Religiosas Passionistas er.contrava-se aa esdade de Corneto, a cincjüenta e cír.co leguas de Luca. Q JC fazer er.iáo? Depois de ter reílectico muito c tomado ccnsclho. resolveu com tees companhtiras ir lá assistir a uns ejercicios espirituais. Fireram o pedido colícíivamecte.

-S A i i T A G E M A G A L G A S ;
A r e s i s t a c a u s c u u r n a vì v j d e c e p s S o . A s u p e r i o r a , m u - l.vx d e e s p i r i l o e l e v a d o e d e coiaio, r e s p o r . d e u : «P o - derr. ver as tres. ms.s sem G e ma , e a 0 5 f e n n a . 7 i - . s e de

a trszer. n'iis r.ào receberenos ncnr.uma>. A b o a s u p e r i o r a , t e n d e o u v i c o d e G e ma a p r e c i a r e s t à o d i v e r g e n t e s t o ma
va-a por urna dessas raparigas his téricas ou al acinadas. com a pres erva das quais as comunidades r.ada tè;/, a lacrar. A sr.nta menina recebeu a noticia con grande tris teza, uu:.s ser. se i n c i g n a r ; e . s e o u v i a m u r m u r a r a l g u ma p e s s o a d a c a s a . d i : : a l o g o : «P o r q u e faíais

assirr.? i V á c digáis ma! dà Madre Presidente ( a s s i m s e c ’ r . a r . a a s u p e r i " . *? . c a s
P a s s i o n i s t a s J ; e u a:r.o-a multo e quando entrar r.o ParaLo. seca a Madre Presidente

a prime ira que r.ci-dc saùdar> . E ma i s t a r d e , c s c t e v e n d o a u r n a s u a n - n i g i .
< i i : i a : «V i > o n . h o s a Madre Presidente: olha- va-me C O ' »t Lun sembiante rr.uito

severo. Amo^a muito e eU r.ào n:c consagra nenhura umor*.
E n t r e t a n t o , f i r m e m e n t e c o n v e n c i d a d a s u a v o c a q à o . G e ma n a o p e r d e u d e t o d o a e s p e r a r l a . D e p o i s d a r e c u s a d a S u p e r i o r a d e C o m e t e , t r a v o u a mi : a d e e o e : u r n a v e n e r a n d a ma d r e d o m e s r a o c o n v e n t o , a q u e r n e s c r e v e u c a r t a s c u r a a l t o mi s t i c i s m o , i n va r i à v e l m e n t e t e r m i n a d a s p o r a l e u r n a c x p r e s s a o c o s c a a r d e n t e desejo. cxprcssáo sen tida e por ve:es ingènua:

«Recebei-ne r.o convento em vossa compar.hia. Sere: boa. obedccerei. Dai-me esta satis{a$ao. Nao tenho urr. reai sou rr.uito pobre, mas procurarei tcrnar-rr.s útil como ir;rr.¿ c o n versa. Créde que sei irabalkar: sei varrer. . p e r a mesa, ajudar r.a
c o - i n i r a . « e as mir.kas fórgas suportar,'. c j ü a & j u o r trabalho fatigante. Recebei-me

para agra•

C A P I T U L O . X X X
ì .

«7

d¿r a Jesus.'Sei que o Padre (seu director) está em Cor- ' /icio. Dizei-ihe multas coisas em mcu nome, dizci-lhe que me mita no convento ccr.vosco. Seccí sempre cbedier.ie, e r.ur.ca [arci nada por mir.ha cabera. Sarei muito [ranca e [arei o que quiserdes. Enconiro-me muito mal' r.o mundo. Di: ci ao Padre qce rere muito e de pois que so resoL porque dentro em breve jà r.ao hauerà tempo*.
Eu pròprio recebia directamente as nesnas solicitases. expressas ainda con naior insistencia. *De-pressa. Padre, ouvi a

X

Jesus, alias já nào haverà tempo». Veremos depois o sentido destas palavras tantas vezes repetidas: «ra r.ao haverà tempo*.
Comeqava-se cr.tao a falar da iunda^ao dura convenio de Religiosas Passionistas na cidade de Luca. Que alegría para Gema, a qual julqou emíim conseguir o que tanto desejava! Todos os que trabalhavam na piedesa empresa acimava-os a confiar no Scnhor, a nao se dei- xaren desanimar pelas diísculdadea, cas. ao contràrio, a haurir nfclas novo arder:

<Jesus quere a [undafèo, cizia, e o que Jesus quere será ccm certeza bem sucedido, per isso .'-ños <2 obra e ser:: demora*. Os que Ju’gavaci as ccisas coa una prudencia tai- ve: mais
humana — e cu era un déles— persistían en esperar mais tenpo. E só as ra:òes de Gema nao basta- vam para 03 convencer.

Cono i cue. diziam, se poce fundar sem dínheiro un convento de rigorosa clausura? Era preciso comprar casa, acomodá-la, mobilá-la. E de- pois onde ir buscar o necessàrio p3ra o
sustento das religiosas? reünico duas mil liras, emquanío que a cùria . • Passadcs dois a^os em trabalhos constantes» só se * tinhan

arcuíepiscopa! ti: Luca exilia urna avultaca so -.a por u.¿a reiieiosa. í»cra as irmas ele Corneto esíavasi «sol - vkiaj a permitir cus alguna fósse tentar a fundado. sen •garantia.» suficientes para o futuro. Gema nao deíxava ¿? insistir. tfnieressai-vos rr.ais. n:eu Padre, escrevia-me cÜa. /eiüLá r.üo está contente com a vossa pouca con- [ixn$z. Como se £¡e nao pvdesse en: um momento provi' denotar a tudo! Conzecc,m e ve rao o que Jesús sabe ¡szer*. E cía mes na. acompaohada de sua inseparável n-.Si aáopdva. pe:co;:ia as rúas da cidade á procura de casa conveniente. 01: ao menos de um terreno once se pudesse construir. En; Mar^o de 120!. como já nao houvesse divida aiguma sobre a fundado, escrevia a religiosa de Corre co su a a mica:

<S2Í

SANTA CE ü A GALO AVI

•íSi’ito (anta alegría em ros ouvir d::cr que Jesús Caere* o novo nxosteiro!... Sint. Jesús o quera e breve- rxr.t¿ vos dará cssa consolo^áo*. E acresceníava: <Se- pzndo diz Sua Ex*1-* Rev.n* (o bispo auxilia: de Luca). pses se resolver aígurna coisa c preciso vír ¡alar ccrrt o Sr. Arce bispo. //o/e arranjámos ot'fo mi/ libras. Alé en cisso. hh. nucías casas grandss para vender o u alagar, á voníade dos superiores. Mas. se estes dormem!... Emfim, lir.hsrr.es esperarla. Que Jesús se digne tecolher-me em dgurr. canto*. • E continua va aínda, referindo -se a tnim: <Sc o nos so íc.n Padre se cecidisse a / a;er a vor.táde de Jestis. vor.tade que é:e conkece rr.uito (ií.u, a obra terminada d> -ssa. Pc;¿rr.cs a Jesús que ¡he de a grata de vencer suas
hesit&goes*. "

i

C A P I T ' Il L O XXX t
Assim importunado. eu estava sòbce espinhos e sy plicava à Majestade divina, no meio de insupecàveis dificutdades, que rr.e mostrasse ura caxicho. Os ceses, pcrém, :a::i correndo scm haver audacia de situarlo. Durante èste tempo, para melhor excitar a sua se. .a à orarlo e ao tcabalho em tavor da santa empresa. o Se - nhor mostrava*lhe a grande estima que tir.ha pelas Re!i - giosas Passionistas. a glòria que Lhe adviria do cstabe - lecimcnto do novo mostei. o, o grande cem que aeie se havia de fazer. E:ìi urna v:sào, depois de te: dec’arado que a jua - ::qa do Pai ceteste pedia vititr.as, Jesus acresceciou: «Quantas vezes O tenho detldo. apreser.tando-Lhe a!mas queridas e vitimas fortes! Agora air.da lr,e o/erefo Wft ’ - rr.a.i para O apaziguar. mas sào
poucas. Queir, sào? Intcrrogou Gemo.

As fiìhas da minha Paixp.o. Se soubesses quantas vezes vi acalmar mer: Pai ao considerà-las! Esc rei-e ¡mediatamente ao teu director espiritua!, dize-lke cu*c và a Roma c *pe (ah ao Papa sóbre o meu desejo; que Ine diga que està imir.enie um grande castigo e que hà r.e- cessidade de vitimas*.

A idea do novo mosteiro. sempre aliada à espi rarla de er.contror r.éle um refùgio paciiico, acompa - nhava a virgem de Luca até nos èxtases. Ouv ia-sc aìgu- mas vezes exclamar: tjesus. o confessor diz-ne que insidia convcsco para que se rea'ize a [unda; ao, m::ito desejada por èie. Fósizs Vcs que me incutistes èste grande desejo. A Vós pertence pensar r.a sua realizafao, a Vós que estais ccrigado ao que prometei*, nào é ver- dade? Vamos. Jesus , nào Vos demoreis >. ■ .A santa menira tinha recebido ce S. Gaorie! e da Mai celeste a firme certeza do feliz éxito da obra. Ti ncan-Ib e revelado o mode pelo qual scria levada a boa tèrno, sera emitir as pariicularic^des ir.ais minuciosas que se rcaliraram

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£A N T A GEMA GALGAS!

por.tualmcnte ciepois da sua morie. Aaunciou que a fundado terminaría a pouca distancia da beatificalo do entSo Venerável Gabriel. Contribuirán: para eia: o Sumo Pon ti tice, o Bispo. um Con- su:t5r geral e o pròprio Cera’ dos Passionistas, conven cido e levado pelo Consultor, o Provincial da provincia romana e un outro padre enviado por eie a Luca para organizar tu do. <Co7i o /:.?i de impedir a ebra. vaticinava eia. o de.rtónio dará [ormidáveis c continuos as sal! OS. a por. io de se juiga r que c ; impossbel reaUzé-ía. A las, urna vez r eaüzada, os próprios adversarios ser-ihe-áo favoraveis c manifestarne» o seu contentamento*. Urr. vaticinio houve da serva de Deus que foi cer tamente doloroso para o scu corado. <Rescloam-se, insistía eia. porque dentro cm breve já nao scrà tempo. Jcs::s r.5o esperà. Disse que me fritaría pam £/c. se a fur.dagào nàc estivesse concfacia dentro de seis meses. A ì'\ti celeste curou-me desia doen^a pcriposa (3). mas cc.r. a condifào de se /arer o convento. Se o /:ào cocc- fa.Tt cuanto antes, mandar-me-à urna recaída e leva-me cor.sigo*. Deus por ùltimo fér cochecer a Geuia que a condicio nao se cumpriria, sendo -lke formoso resiguac -se.

p) DcJ-i « fiia r.d capítulo

*Eu r.ao sa he ria exprimir, escrevia eh. o que sìr.t: est2 mar.hñ. Direi semente que tive urna grande vcnt&de de chorar. Para estar

mais a ventad e. retírenme para o quarto or.de derrarr.ei muitas lágrimas. Por ùltimo excla- rnei: Fiat voluntas tua. Todavía es
minhas lágrimas nao eram Ingrimas de dot, mas de resignando*.

O fiat escava pronunciado. Dai por diante Gema nao per.scu ciáis r.a vida claustral, nem disse mais urna palavra sóbrs eia, ocupcu-se ùnicamente em se preparar ben*. para a morte, que tcve lugar, segundo a sua profecía, ao cabo de seis

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meses. Deus cor.tentou-se ccrn o seu desojo e com o sacrificio táo generosamente feito. Alétr. disso. Gema tinha já fei:o por devoqáo parti cular os voto 5 da profissáo religiosa. Religiosa e Passio- nista, era-o de coraqño e de espirilo quetr. trazia a cruz táo profundamente gravada no seu coracáo. e os estigmas sángrenlos da Paix.ño impressos na sua carne. Pedia, pois, partir contente déste cundo, com a satisfago intima ce ter desempernado admiràvelmeate a missáo.cue Deus lhe destinara. Senti remoesos logo que a nossa virgenzinha exa’ou o último suspiro, lì tinaa motivos para isso. Os remersos acordaram-ne e, sem mais demoras, tratei activamente da fundado do mosteiro. Lembrci-me da orcem que. da pares do Senhor. me tinta transmitido un cr.o antes a saüdosa menina, de ir a Roma fa!nx ao Sumo Pontífice. Dirigi-r.e à Cidade eterna e fui recc- bido em audiencia por Pio x. pouco antes elevado h cadeira de S. Pedro. Ouviu-me ccm interèsse, sorriu ao ver o projecío da obra, tomou a pena c deu a sua alta aprova<;áo. O precioso documento diz assim:

S A ti r A G E U A G A LG A

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<Aôer.çoàmcs com paternal afecto a fundaçëo do iovo no.s:ciro de Religiosas Passionistss r.a cidade de Cuc¿. aben;oar:os o r.osso ver.eràvel im Io. Arcebispo Wicchu Gr.ilard:. que a favorece buvàvel mente, a re verenda madre Maria José do Ccraçâo de Jesus. <jue Jererà ser a pr iride a supcriora, todos cs benfeitores que :cr.ccrreran cu hào-dc concorrer para o sen estabeleci- '-icr.tc, e as religiosas presentes e futuras que déle fize- re.7’. parte.
Q'jcrenps que estas piedosas vir gens, en suas ora- pòcs, penitencias, pràiicas de devoçào e outres exerci- :ics prescritos pe¡3 regra do seu Instituto, se prcponham. sono fìrr. especia! da sua conunidade. eferecerem-se :ono t'idnas ao Senhor peins necessidades espirituais e temperáis da sar.ta I gre ja e do Su rr.o Pontífice.. Vaticano. 2 de Outubro de 1903. Pio X. PP.*.

Jesus acabava de falar no cornano do scu Vicàrio e levava-o z. declarar solenencnte. como Gc:i»a linha predilo. que as religiosas do novo moste irò deveriam cíere- cer-se como vumias de expiado pelo beni da igrej'a. Con; es'.e venerando documento nas rnàos. apre- sentri-me em Luca, depois era Corneto. Per tèda a parte me <*b:ia o caainho. Mais duas cartas pontificias para os pcc'adcs cestas cidades, vieram. poace depois, reforjar as ir.ìnhas ciiigêndas c a fundaçâo foi resolvida. Notc-se que foi o pròprio Sumo Por.cifice que quis designar a superiora do novo ciosìeiro. e a sua cscolha re: precisamele na religiosa a queai Gema t:nHa e: : tjesits o qcere e brevemente ros
darà essa consolalo.

Entretanto a qucstáo pecuniárla volíou a retardar os úitiino3 preparativos, até que una terceira carta do Pipa ao administrador apostólico da diocese de Lura, estando a Sé vaga,

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Ihz desaparecer todas as diíiculdades. Duas religiosas do córo c urna ¡mía conversa par tirá n imediataner.tc de Corneto para a cidade de Luca.

Laca — Wosteico d.¡s Religiosas Passis>nüt&$
Era ca Marqo de 1905. dois anos depois d 3 iaortc de Gema. F.n váo procurcu o demónio levantar mil cíficu!- dades. e até verdaderos perseguidles de todos os lados. A obra prosperou; c. enquanto outras comunidades, ha rauiio tenpo estabelecidas n.i cidade. tinham dificuidade en recrutac novias, esta aunentou rápidamente. Até 31 de >ulho de 1903 as Religiosas Passionistas ocuparan una habitaqao provisória, nao tendo pedido, contra toda a previsao hu.-r.ana, entrar na posse do seu

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ccstEÍro, adquirido ha via jè certo tempo. Só cesse día, que foi u:r.a sexta-feira. segundo a predigáo ce Gema, è que es astiges proprietários Ihes eutregarani as chaves. A serva de Deus tinha igualmente afirmado que a fundado ter a i-a ria a pouca distancia da solcr.idade da beatificado do entáo Venerávcl Gabriel de Nossa Se- nhora das Deres. Esta tinha-se realizado deis meses antes, a 3i de Maio. Quando recusaraci a Santa Resa de Viterbo a entrada no convento das Franciscanas da sua terra natal, pccnuüdou eia estas palavras proíéticas: 1N¿o me cuerera viva, ñas ter-mz-üo morta>. Geaa. que se encor.trou cuaa situalo identica, depois de ter proferido o generoso /raí, exclamou tam- b¿x : <As religiosas passionistas nf.o me quererti recetor. rr.zs cu quero es!ar co:r; das. c cs(arc¡ depois de /noria >. £ de esperar que esta profecía se real-zc, se a Igreja, en seu jvízo infalíve!. reconhecer un dia a santidad e de Gena. Entño, as filhas de S. Paulo da Cruz, de Lucu, fcli:es por posauir os seu s i estos moi tuis sub o aitar da sua capela. dirào à posteridade que a verdadeira fur.daàora e protectora co seu mosteiro é a seráfica virgen. Santa Gema Galgani (i).

1 Cea a rcccatc canortisa^io ¿a Virgem de Ltica, acaba de « realizar o jocho ooira^o cío s¿u virtuoso director cspiriMaL Muito ar.tcs :e kavla ;á realizado a profecía ca sua dirigida, per fie tío ací:iaia.~ectc interpretada. «Efectivamente os reseca :rortaU ¿a Vlrjeu: de Luca !á descansar.’. JA co —oslelio ¿zs relisio- üv» Pi-.v'oalitii sob o altar ria sua caccia. (Nota do Revisor).

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Última doença de Gema- — Visita do director da sua alna — Ultimes Sacramentos da moribunda MBOF.A Gema tivesse sofrico muito com frecuentes efusócs de sangue, continuas c horríveis vexaçôes co demònio, angustias espirituais e com jejuns e maccraçôes, a aun saúde nao deixava nada a desejar. Tinha una boa disposilo, e um verdadeiro viger muscular. A parte ésses ligeiros acessos de febre. devides ir.ats aos ardores celestes do amcr divino que a urna causa naturai, nenhuma doença a tinha perturbado, desee a cura prodigiosa de 1S99 até Pentecostés de 1502. Nesta solenidade o seu recolhimento roi mais profundo e o seu resto infla co u-se mais que nur.ca. c:r.- quanto o coraçâo Ihe palpitava coni tôda a força. Rece- beu, no meio de cemunicaçôes excepeionais, a r«velaçâo do granee papel sobrenatural que ia coroor a sua vida. A Er.célica dcnzeîa tir.ha-se o. f crecido corr.o vitima pela salvaçâo das aimas, mas a vitina nâo se toma verdaderamente tal senso quando é inolada.

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Pira coroar a sua níssáo de expiando. Gena devia òeixar-se estender sòbrc o ler.ho do sacrificio, e o Senhor cfc- oi’.'Se vir scücüar o seu consentimento. «Ter.ho necessidade, Ihe disse £!e. tenho neeessidade duna ex placco ¡mensa, particularmente pzhs pecados e sacrilegios con: que ne vejo ultrajado pelos ministros do san* tuàrio... Se cu nao ¿tendesse aos anjes que cercam es rr.eus altares, cuantos fulminaría no mesmo fugar!» A estas palavras, à vista dum Deus irritado, o cora- gao da esposa íiel trerneu de cor e ce horror; una páli do: ñor tal Ihe cc'oriu o resto e os olhos encheraci-se de lágrimas. Quando en seguida o Senhor Ihe preguntou se cía tacsna quería aceitar esta expiaqáo. exclanou. r.o rae so dun transporte espontáneo de còda a sua pessoa: «Ceno me preguntáis, ó Jesús, se aceito? Sin. imediata* mente, ó Jesus, de se areegai sobre OÍ un a vossa cólera e giorlficai-Vos nesta miserarci criatura». Deus aceitou a cierta heroica, e Gena caíu grave- rr.er.te doer.tc. O estómago fechou-se a ponto de recusar todo c alimento. Qualquer coisa, rnesmo em quantidade minina, Iho revolucionava as cntranhas e fazia sofrer cr-oéss dores, emquanto nao vomitasse. Apenas tolerava alguns tragos d.-; vinho, que constituían a sua exclusiva alimentadlo durante dois meses inteires. E é ce espantar que pudesse viver só cco éste alimento. Nunca ninvjuóm soube di:er cual era a natureza do nal e a causa dos estranhos fenómenos que o ncompa- r.havan. Mas a vitina sabia-o, porque uta cía, estando e. -^ éxtase, foi ouvida íalac assim com o Senhor: <Jesus. cepressa chegaremos ao fini do rosso més (o mes de Junho). Todo éle é verdaderamente rosso. Vos o sabéis.

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Jesús. Mas eu .tunca me saciare}. Dcpois dcste mes ter.ho tanto• que fazer por obediencia!.,. Ajuda:-ms. Jesús*. De-facío. conhecendo eu a origen sobrenaiural ca doença e nao quereodo que Gema caisse cas naos des médicos, ordenci-lne, en notne da obediencia, que pe- disse a Deus a sua cura. E ela. com a maior docilidade, mas fazcr.do violencia a si rcesnta. fez o pedido. Jesús respondeu-lhe que. en atençâo à obediencia e para nos- trac que era ?.le o autor da misteriosa doença, a curaría sen demora, ñas por pouco tempo. À cura foi repentina. Gema voltou a tomar c alimento habitual e. ao cabo duna semana, as forças t:r.han volcado acucie corpo extenuado que já parecía un cadáver. depcis de sesser.ta dias de dieta absoluta. Mas os designios ce Deus devian cumprir-se. A 9 de Scteir.bro, dcpois duna tregua de trés semanas, vol- tou ñ manifestar-se o mal, e n 21 ¿o mesmo mes a santa menina, chcia.ce íebee. coneçou a vomitar sancue. Já nao era esse sangue provocado pelos impetuosos transportes de amor do scj cot¿ii,áo. era sonyue vivo dos pulnóes. Ao mesno tempo, para se Ihe agravarem os tormentos. a vítima de expiaçâo ficava privada das doçuras da cor.tenpiaçâo. cas suaves paîpitaçSes do coraçâo. e. salvo raras exccpçôcs, de todos os favores místicos: dcs- falecimenlos de amor, arrebatamentos, vis 6cs, etc. 5ó e sem nenhum conforto, consuniase no soírimento. en holocausto ao Senhor. O que me nar.davam di:er de Luca a seu respeito causava dó: «Gema está muito ¿oenfe. e um esqueleto

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ceberio de pete, so?re cores terriveis e penas interiores c--c fazcm tremer. — Gema r.áo pede niais. Receto que expire dum momento para o outro. Eu mesmo r.ío posso r.-v.s por n a o saber o que hei-de fazee para a aliviar. Ser.te una grande necessidade de vos ver. Vir.de de- -pressa dar-lhe zima norma de conduta>. Depois de repetidas instancias, resolví ir a Luca. Era cnt Outubro do ittesao ano de 1902. Ao saber da ciínha chegoda, a angélica menina manifestou grande alegría e quis sair do Jeito para me dar de p¿ as boas- -viadas. Qual nao foí a tninha der ao vé-!a neste estado, con o presser.'icr.ento de que agora o Scnhor no -!a levaría! Aben^oci-a e crdenei-lhe que voltasse para o !cito. Depois. sentado ao lodo déla, císse-lhe: xEr.táo, Ge ría, q:ie
¡n:er,:c'$ r.*r?y

<Eu. Padre, t-ou para Jesús», respor.dcu com ua acento de indízivel alegría. *Devecas?> *Sim. Padre, esta rez Jesús disse-mo muito c7ara- ra.'íte/ífe. JVO ceu, n:cu bom Padre, no ceit com Jesús!» «£ 05 pecados, acrescer.teí eu, quando os hacernos de expiar? Que befo projecto e o tcu!> < Jesús, respondeu ela. Jesús ja pensou nisso. F¿r- ~me-á sofrer tanto no pouco tempo que me resta, que, sadsfeito cor: os meus pobres sofrimer.tcs, santificados pelos méritos da su a PaLrao, me conduzirá con: £le para o Paraíso». <\!as eu nao cuero, Ihe dísse. que morras ainda>. H. cía, com ingenua vjvacidade: <E se Jesús quíser, er.táo?*

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Neste ponto, nao sei cono, come<;cu a falar das par ticularidades mais minuciosas da su a morte: de que modo ihe seriara administrados os últimos sacramentos, como a h avia a di vestir depois de expirar, co mo seria colocada no caixao, transportada ao cecitério e se pultada. Gema dava estes pormenores com urna admiráve! tranqüilidade, exactamente como se se tratasse apenas ce mudar de quarto ou de casa. Ouvia -mc c respon- día-rae graciosa e alegremente, mas, quaado a conversa recata sobre o lugar da sepultura, retomando de -repente a sun grnvidndc. disse -me com vos um tanto comovida: «Vigiai bes r:. Padre. sobre o que váo [ázer do meu esdá- vcc. Nao vos reiireis di Ltica antes de o ter pósto em seguranzas. Como cu nao compreendesse o alcance destas pala - vras, pedi u:r.a explicado. «Nao quero, disse ela, que o metí ccrpo scjs visto r>em tocado per ninguétn, porque é de Jesús». Algumas palavras tranquilizadoras dissiparam a sua inquietado. Qucm pode ccsorever n rrintrntamenín da .sania menina, ao ver a scu ludo o director espiritual? Julgava ela que, de futuro, estaria segura no meio das crises rr.ais terríveis e agradecía interiormente ao Divino Mestrc o tcr - lhe dado es‘.a consolado depois de tantos soíri memos. Kessa mesma ncite. para a contentar, ceixei -a repetir a confissáo gera!. e convenci -nie mais urna vez. derra mando lágrimas de consolado, que. durante todo o curso dos seus vinte e cinco anos, a angélica donzela nunca tinha cometido com plena advertencia ua único pecado

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venial c que levava para o c¿u. ilibada ce ¿oda a mancha, a inocencia bnptismaì. Nao seria fácil cescrever a alegría espiritual mani festada pela doente depois desta nova absolviólo. Foi preciso moderà -ia com receio de que a sua viva comodo e fervorosa conversa agravassem a extrema fraqueza em que j¿ se incontrava. Na manhà seguiate, ainda ceco, preparen-se tudo para a administrado do Sagrado Viàtico. A-pe- sar-dos ardores duna congestáo pulmonar. Gema rada quss tornar de r.oite para ficar em jejum. Senta ra n>na no leito e cobriram -lhc u cabeqa coni urr. véu branco. Depois ce Ihe ter dirigido alcumas palavcas de edi ficatilo adaptadas à circunstancia, retirei-me para um ranto do quarto, esperendo de joclhos a chegada do San tissimo Sacramento. Gema fscou lego fora de si. arreba tada em profundo éxtase. com as máos juntas sobre o paito, os olhos fechados, o espirito recolhido. insensível a tudo. Parecía um anjo era adorado diante da majes- tace ce Deus. Chcgou o sacerdote com o Sagrado Viático, cclocou o ciborio sobre o pequeño alear improvisado e voltou -se paia a coente. Mas, ao ver èsse rosto angélico que pare cía despedir chamas e irra¿:n<;6e$ de amor, ficou pos -- suido dum religioso temor. Animei-o, dizer.do-lhe que se aproximasse com a sagrada partícula, porque a extática procedería como se estivasse no pleno uso dos sentidos. Com efeito, ao aproximarle o seu muito amado /¿jus. o seráfica virgem abriu os olhos cheios de lágri -

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cas, esimceu a lingua, recebeu a Sagrada Hostia ¿ re cali: i ned tata cent« en Sxtase. Terminada a piedosa cerimònia, o sacerdote levou o Santissimo Sacramento à igrcja, para voltar a tóda a pressa para o quarto da doente. ende esteve de joelhos junto do leito, rezando e chorando todo o tempe que durou a ac<;áo de grasas da extát ica virgen. Eu mesco, emhcra habituado a scmelhantes trans» fíguraqdes desta alma celeste, nao podia conter as lacrimas. Jamais csquecerei aquéle dia. aquile quarto, aquela cena do Paraíso. Entretanto a doenfa seguía o seu curso cora alter nativas de melhor e de ptor. As sincopes eram freqüen - ces e perigesas. sendo preciso estar a’guém de dia e de r.oite no lado C3 en: èrma, sempre pronto para evitar a asfixia e auxiliar a respirado per me ¡o de inalaqòes ce oxigénio. Passadcs alguns dias, d isse-lhc eu: tGema quanto fe.?ipo durará aínda a doer.fa? Es quería partir ». «Se queréis. Padre, pedéis ir. r.So morro aínda. Ter- • minarci
certamente com esta docn^a. mas air.da nao; pelo menos Jesus assim no disse ».

Aben<;oei pela última ver aquéle anjo que nao tornaría a ver sobre a terra e reíirci-me. Mas antes de me despedir da piedosa familia Giannini. tratei de recomendar sérias providencias para a preservado das crianzas, cois entendí que nao se deve tentar a Deus. A maior parte dos médicos ciagnosticavam urna tuberculose pulmonar. Outros, è certo, nao encontrando a prova disso na análise microscópica, disseram cue era

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usa doen<;a nova e misteriosa: ñas todos concordaran! r.i possibilidace de in:ec<;áo por coctágio e na urgencia ct ásolar a enferma.

Ora. quem o ’novia de dizer? Encor.trei neste ponto a? ¡cr.aiores difículdades. «Como privar-nos de Gema? dsíam grandes e pequeños. Dees cor.duziu-a para nossa CÍSCJI c hüvcmos de a dcixac sair? ¡sso. r.unca. Se está p:esíes a morecr. somos nos que ¡he queremos assist:r>.
O filho mais vélho. estudar.te da Universidade. cxcE air.ou: «Que seria de nós quar.do Gema ja r.áo esti- verse c:n nossa casa? De-as abenfoou e /aro recen sempce a r.ossa familia

pe ios méritos da sania a qttcm damos hsspiiaiidade. Vericis. vedéis o que seria de nos».
Tal era o modo de pensar geral, sucedendo que. t:cs -Rieses depois da minha pac'.ida, aínda se nao tinhom resol vi do á separado. O.-, conselhos de prudencia sempre prevalecerom por íim. e concordaram nucí tr.eio termo. Lima lia de Gema. D . Elisa, alugou u m pequeño aposento que estava contiguo h casa Giannini. com vistas sobre ela: e na ncite di 2-i de Janeiro de 1903 transportaran p ara iá a que rida doente. Nada ou quási nada foi mudado por isso ca assis - tic.cia que Ihe prestavam. Seus dedicados benfeitores nao díexavam a cabeceira da enferma. As próprias crianzas, a -pesar-da da prclbi^áo dos médicos, conseguían iludir teda a vigila ncia, e. ora um. ora outro, esconder.do -se de teas ca tia, chegavam -se p3ra junto ce Gema de quea e5o podiam ver-se separados. Por sua vez a pobre enferma nao seniia menos a r!or da sepora^Ho. porque ama va tercamente todos 03

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menores desea familia afectuosa, e taais particularmente a que chanava sua segunda mái (1). Quar.do esíava para deíxar a casa hospitaleira, onde se tinham passado em par os últimos aaos da sua juven - tude. exclamou cora as lágrimas nos olhos: <É a segunda vez que perco urna boa mái: mas viva Jesús! Só e únicamente cor t Jesus!> A 6 de Fevcreiro cscrevia -ne: cjV/eu bom Padre, viva sempre Jesús! i a:s sao as minhas palavras a todos os instantes do dia. Viva Jesús! porque me den tanta fórga e cora ge m que eu de vía incessantcmente agrade- cer-Lhe. Completei o sacrificio de muito bea voniade. sem mes .'no o
notar. Compreendi, Padre, que já terminos

(2) Agora que o Idtor jd conhece o que fol para Gema «sta boodau senhora. D, Cecilia Giannini, a quetn eia chair.ava a sua qiicrida rr.tt.-7iJ. ji o3o seri Inoportuco revelar-Ihc a confidinola q\i? a Santa fai ao
director da sua alma, na 63/ das sviaa cartas:

<Estov mui'o cor.ccr.tt r.os fcra^os de mir.hù rr.arr.5. só. só, ier^ rr.ais nìnguém. Mas. ac'àre-mc. m«i Padre. aia cùvid/v potquc é que. sempre que eu nostro preciìccgùo per aigtima pcisoa da terra, JCS'JS me repecendc; e só tratando-se di tia (a 2.* cam3) £.'e me nJo reprcende?»
Era assira que o Salvador mostrava aprovar a predl!ecs3o da càndida virgem de Luca pela sua materna! benfeltora.

E se o leitor quere sa ber a!r.da o motivo perque eh ciò ch?- gou a sacrificar essa predìlcc^io que tlnha pela rr.aniJ. a tr.erma carta o veto revelar, re feri.-.do a confidJnda que disse seu amer a pròpria Gema filerà a D. Cecilia. cSó a idei de me er.corJrar tdgvma ve: noi frrofos doctra peuoa co perder oj 2 .T.anfc¿s, a :o¿cs oj momentos, pego por ves para que /er.fcaí* aí/iaa urr. penco de paciencia co/nipo. Son a pe- ¿re Ge/ra». 4 Instalado en; sua nova habitado, escrcveu pouco clcpcis uir.a últ¿m 3 carta á Mái Cc’estc. como faria nos suas festas principáis oa em qualquer ncccssidacc partJ-

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sentidos (querc d:zer. ao cair em ¿xcase) me afecio que vcj tenko*. (Nota do Revisori.
c.tusj una pena

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irxrive! e

irjpira iste ardente

o tempo de ser criante. Fór(a c cora ge m! Mas nu/ica deixeis ce me a¡t:dar com elgiz/r.a dessús exocta$óc:i- nhas me /arcm Jan ¿o f>c/ri. Esfar con/eníe, como eu, no meso cas aflifóes. Abcnccai-mc sempre. Todas as

SANTA GFM A GALGAN/

1. C’j3j cj Ctoin/ní rj eic¿dc rfc ÍLuca. 2. CdJ* cúrJijua, p;t7.i ccjc fl >S¿nfa /oí tromferidj & 24 ríe /j tetro ¿c W¿.
+ /j.nc*^ Jo ^yjffo <wi/c ¿i S.in'j faíeocu.

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cular. E, nao sei porqué, .encerroi>a. contra o seu costume, na última carta que ae eoviou. A bondosa menina cao podia certamen*.: deixar-ne lembran;a mais preciosa do que esta fólh.a onde se reflecte toda a su a alma. Eis os pontos principáis: <Minha Alai. a minha débil existencia continua neste mundo a bataíhar: mas estos contente, e. no temer ou na esperanza, abandono-mc a Deus. <Se eu sou todo por ti, me disse jesús esta mj.nfcá. quem pederá jamais ven- cer-te?...» Minha querida Alá!, nao estos completamente bem. a minha vida es^ofa-se. E o meu espirito? Oh! rr.eu Dees! Eit clamo. clamo com muita /ór;a no meio dos meas grandes sof rímenles; volto-me (jara jesús e [a$o- -!he promessas de amor, mas jesus permanece escondido, já poseo os nads me ama. Paciencia! Nao está hnge de n\itn. Ó ininhu A lúi. yiVa jesús! ¿s Iv h.'i-de n7 ,yac-sc dentro em breve e santamente cor sen divino amor da mais

ingrata das ssas criaturas. Ó Alai. pedi por mim. dizei a jesus que serei boa. obediente. Mas quero ir de-pressa para o céu. se isso Lhe apraz. Abengoai-mc. sos a pobre Gema*. Era assicn que, no meio das ondas mais encapelacas. a virgen sin ha de Luca coc««rvava sempre a mais viva fé. No mais amargo da aconla r.unca perdeu a doce expar.- sáo do amor: e. diante do horror da morte. era animada pela serenidade da esperanza e pelo dzssjo do céu. Feliz de quem sabe, como e!a. radicar em seu cora;áo tais sedimentos. Urna vida, passada toda aos pés de Jesus crucifi cado. tinha ce terminar sobre o calvario do sofrinento.

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Gena apropriara, por ura. todos es tormentos do Hornern-Deus: as suas angustias interiores, c suor de sangue. a flagelado, os naus tratos, a corcalo de espinhos. r. deslocaqáo tíos ossos. as chacas causadas pelos cravcs. Fara que fòsse uta perfetto retrato cío Redentor só ihc fahava a agenta e a norte no meio dum oceano de deres. Foi c que Jesús ihe ccncedeu nos últimos dias ca vida. Mas. como o seu corpo delicado nao podía suportar tantos sofr;mecto3. compensou a intensidade corr. a dura- qáo. conservando a vi tima pregada à cruz durante longos meses. A SSÍS U ÍCTCS ù continualo déste martirio. A-pesar-da gravidaáe co seu estaco, a piedosa enferma teve, a principio. corageo de se arrastar ledas as maahás, ainda cedo, até è ig:eja pata cotnungar. A sua incansável mài adoptiva acompanhava-a todas as vezes e, de volta, colo- cava-a no leiío por suas próprias naos. e lá a deixava ec ac>;5o de grabas. Mí ; a íelicidade e o confòrto que a piedosa doa- zela sentía com éste alimento celeste eran grandes de mais cara queut desempenhava o papel de víti.v.a, e ]esus tirou-lhos. Etn menos de dois meses os progtvssos inces- santes da íebre paralisaram-r.a por completo. Petante este novo sacrificio. Gema tnclinou a cabera nuir.a pacifica resignado. Até e.ntáo o seu alimento tinha consistido naíguns tragos ce líquidos substanciáis e fortificantes, mas centro em breve ncm isto sequer podía tolerar no estómago. O seu corpo, sen alimento, ia-se desfazendo pecco a pouco, de tal mane-ira que nao havia céle parte alguroa só c que r.áo tivesse a sua dor especial.

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< Pobre mártir, cscreviac-as de Luca. pobre vitima ds jesús! sofre continuamente; sente os osses como <jue a serem esrr.agados. Vé-se que é torturada, en: todos os membros, ccnsomc-se e nao pode mais. H¿ vinte días que perdeu a vista, c a voz c tío fraca que. a-pesar-dos seii5 eí/orfos, 'difícilmente se o uve. Parece U.T: esqueleto que se vai co/wumrnc/o de hora para hora; o vz-ífa ca^5a per,;a c arreólos».
E Codos estes tormentos vtsiveis rao ernm naca ac lado dos que o demónio infligía ¿ pobre cr.?¿rtr,a.

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Supremo combate com o inferno — Visita de sua irmà iz-NOS o Espirito Santo que Satanás, eos últimos momentos da nossa vida, sabendo que tem pouco tempo para fa:er mal, nos assalta coas pérfidas tentagòcs. como um leáo que ve a presa prestes a escapar-lhe. Que supremos e furiosos ataques nào devia dirigir contra .a angélica dómela, a quem tòda a vida tinha perseguido com òdio mortal, e procurado vencer, ou ao menos desanimar coir, urna guerra seni trécuas. De outros santos se le que no íim dos seus dias tiveram que suportar assaltos do demònio mais ou mer.03 violentos e terriveis, mas passageiros. Gema, porém, suportou um ataque continuo de sete meses, apenas interrompidos por curtos intervalos de tregua. O facto é aterrador, mas absolutamente certo, porque é unánimemente atestado por todas as pessoas que acoapanharam a angélica jovem durante a sua última doen^a. O espirito das treyas pecíurbava-lhe a imaginario

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con ni: cantasrzas próprios para encher o scu coraqao de triote_a, cc aasieda ics. oc tenor. O seu fia era leva-la ao desespero. Represectava-Ihe, seb es maia tétricos aspectos. o quadro da sua vida táo cheia de angustias, as desgranas da sua familia, as priva^oes de tóda a oreem. Faria-lr.e passar diante dos olhos os agentes da fòrqa pùb.’ica indo, depois da aorte de seu pai, acom- par.hadcs pelos crè dores. sequestrar os bens da sua casa, c depois exclanava: *Ai tens o resultado de tódas 3 3 tuas fadlgas no serrilo de Deus*. Explorando o estado de extrema aridez espiritual eia que. durarte a maior parte do tempo, o Scnhor a dei- xava para mais purificar a sua alca, o aojo das trevas CE precava todos os artificios para a persuadir de que escava irrenediàvelmente abandonada de Deus e que nao havia recio de escapar à condenad 0 - O tentador astucioso ir.sinuava-lhe que as suas heróieas virtudes e at¿ o:> mais insignes favores divines cr.im apenas ilusáo e h ipocrisia. Esta prova, a mais terrivel e duradoura de todas, lar.qou a pobre dor.rela numa insuportável afligao. Sem cair no des espero. resolveu remediar, cuanto possível, o seu passado por unía confissáo geral: tomou a pena e, nessa ag:ca«;?.o de espirito e confusilo de ideas, escreveu toda a ¡.istòria da sua vida, CE que se declorava digna de mil infernos, cor ter, com malicia diabólica, enganado os coníessores, os directores e a si pròpria. Passando cm seguida urna revista minuciosa aos mandamer.tos da lei de Deus e da Ifireja, pecados capi- tais c deveres de estado, confcssava-se culpada dos ír.aiores critaes.

C A P febrilmente I T U L O escritas, . X ' X X lidas l ! a principio 4Ì1 Estas páginas, foram por.urna pessoa autorizada, depois levadas a um santo sacerdote.-designado pela ¿oente. com o pedido de vir car-lhe a absc!vi<;áo ce todos aqueles pecados. Veiu, cor.fessou-a e restituíu-lhe a serenidade. mas nem assim o inímigo se deu por vencido. Procurou uT.a vez mais ¿asultar o pudor virginal da angélica menina. Sabia muito bein o tentador com que amor e cuidado a santa ccr.zela tinha guardado. tòda a vida, o inestiaáveJ tesouro da sua pureza, cora que heroísmo tinha já sustentado, neste campo, lulas terríveis, sempre coreadas de triunfo. Mas quería, se nao alcanzar urna vitória que jutgava inpossivel, ao menos vingar-se das suas derrotas por meío ce tentones, que sabia serem as mais próprias para amargurar os últimos dias ca inocente menina. O quarto da enferma pareceu ccnverter-se encáo num prostíbulo do inferno. Nao crani já pensamentos, imaginares, adeudes lascivas, as quais nao podía ser sensivel urna alma daquela tèmpera. Eram apariqóes reais scb formas sempre novas duma lascivia cínica e bruta!. «Padre. Padre, escrevia-me cía do seu hito de dor. ésfe sof rimento é mu ito intenso para mim. Pcd: a Jesus qcic o /roque por ouiro qualquer. Er.viai. mesmo de ¡onye. maldifócs c csconjuros para aiastar o vc'heco do demonio, cu ordena/ ao i;osso Anjo da Uuarda que ve- nhá ¿[astá-io para longe daqui». Vencido em todos es campos, termincu por aíligi-la com cruéis vexa$óes exteriores. A éníermeira da angélica mirti? escrevia-me por virias vezes: <Esta besia hedionda acaba-nos com a

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querida Gc'ra.—Saco serr.prc de junio dcla a chorar; éste ñorrívcl esmónio consomc-a. e r.üo vejo nenhum remédio a eper. — Sáo pancadas ensurdecedocas, figuras espan- . losas de aaimais ferozes: mata-a com certeza. Corremos c.Ti seu auxilio, ¡arcando agua benta no quarto, o baru- tho cessa. mas para recome^ar pouco depois com mais r$!ca>. Nir.guém imagina até cade chegou a crueldade do ir.visivel initr.igo para con a inocente vítima! Gema sen - tiu alcurr.as melhoras quenco á di:icu!dade de ingerir os alimentos. Satanás, pocen, eslava de atalaia: logo que a comida era apresentada k deente, aparecia-lhe cobería de insectos repugnantes, de tudo quanío possa imaginarle de nojcr.to. Perar.tc a repugnancia do estómago, era forzoso retirar tudo. Bichos repelentes, reais ou imaginarios. ánvediaai-lhe o Jeito, c tortura va o] he o corpo de mil maneiras, sem que pudesse ver-se livre déles. Dtzia muitas vezes á Irma enfertneira com uci tom de terror, que sentía urna serpeóte a envolvé-la da cabera at¿ eos pés e tentando sufocá-la. Mui tas veres pediu exorcismos; mas como nao se ¿esse importancia acs seus pedidos, ela mesmo. voltan- do-se para o inimigo com o rosto inflamado, exclamou resolutamente: *Espiri:os perversos, ordeno-vos que entréis no lugar que vos esfa destinado, aliás. desgranados dz vés! acuso-vos ao mee; Deus>. Depois. voltada para a Mái celeste, comeqou a c;'zer: cMir.ha Mái, enconiro-me cm poder do demonio c;:e me fire. me flagela, trabalka por me arrancar das rnáos de Jesús. Nao. nüo, Jesús, r.áo me abandonéis, ser-

AÔ P minka I T Mài. U pedi L .a Jesus, O X \ rr.im. Z X 7 te. -vos-eiC ¡id. por De /noi estou só. cheia de terree, ■ oprimida e corno que ligada em todas as potencias da alma c cm todos os sentidos do corpo, sem me poder mexer. Viva Jesús!* O divino Mestre vinha de tempos a tempos, reaai- marShe a coragcm c S O S S C 5A - I 3, fa:endo-lhe sentir a sua doce presença e dizendo-!he aígumas palavras. <Minka filha. porque é que. cm vez de te entristeceres con as perseguiçôcs do ¡nimigo, nao aumentas a tua espcrar.ça cm min:F HumUha-te sob a minha poderosa máo, nao te deixes abater pelas îer.taçôes. Resiste sempre, sem desánimo. e. se a tentaçëo perseverar, persevera também na resistencia: a Usía hvar-te-à à vitóda>. Outras vezes era o Anjo da Guarda que vinha con- fo:tála. Mas pouco duravam estes felices momentos. Em breve a sua alma recaía ñas trevas e o tentador aparecía de novo, mais furioso que nunca. Deste ir.odo se passavam, para a pobre donzela, 05 cias. as semanas, os ceses. Que esemplo admirável de resignaçâo e que motivo de salutar receio para nós. que nao temos os méritos de Gerr.a, na hora terrivel da morte! Na maior parte dos doentes. com o corpo extenuado pelo sofrimento e com o espirito esmagado pela conscien cia do pròprio estado, o rosto manifesta tristeza e aba- timento. Gema, porém. conservava sempre o seu aspecto alegre e ura angelico sorriso. Ner.hum abatimento moral se reflectia nela, nunca Ihe sairarr. do peito ésses suspiros, ésses gemidos que a força da dor arranca até aos mais corajosos. Nunca pedia alivio, nem raesmo ima simples muda::.;a de posi^ao no Jeito, ecbora fósse incómoda a f. posigáo ec que estava. Nunca se queixou por causa dos cuidados que o seu estado exigía, aínda que, por algum equivoco, a deixassem só noiies inteiras. quando ciáis

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r.eccssidade tir.ha d e ser assistida por alguétn. Para evitar éste inconveniente, rccorreu-se ás religiosas eníerrr.eiras, chamadas Barbactinas, que, movidas da sua beca cor.hecida caridade, se encarregaram de cuida.- de Gema até ao fin:. Urna délas. maravilhada con: a heroica paciencia desta mártir. fez o seguinte depolrr.ento: «jDttrd/tfe iodo c tctr.po que tive o consc!a<;üo de as sis tic á querida Gema r.unca a ouvi queixar-sc. Só no principio a o una a ¡gamas ve:es dizer: Aieu jesús, nao posso rr.aisf A/a .5 quar.do Ihe lembrci que iudo é possicel ‘.orn a Je Pcu¿, itJo tepetiu muís ¿tquelas ¡juiuvrds: c. quando olguma das pessoas presentes, movida de pie- dade. oiría: Pobte menina, na verdade nao pode mais. Ger.za respondía ¡mediatamente: Sin, sim, ainda posso um poucochinho. E. no entretanto, continua a ir:«a, t*í-a suportar tais sofrimentos que me parece nao os hacer mais terriveis no Purgatorio». No raeío de tantas cores, de tantas perseguidles diabólicas. a virtuosa donzela nao sentía a menor difi culdade era conversar familiarmente com o seu Deus. e com a mesr.a calma e suavidade de espirito que tinha no tempo das maiores coasolaqóes. «Oh! or.de estáis. Jesús? dizia ola habiíualmeate no fim de cada batalba com o anjo rebelde. Nao julguets que Vos esquejo; r.áo Vos esquejo? e Vos, que vedes o meu | corará o. sabc¡-!o muito bem>. Profería estas palavras
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com urna acentuado ele ¿r.exprimívd ícraura, tendo 03 bracos abertos e os oíaos fixos no céu. Depois. vohando-se para Nossa Senhora. acrescen- tava: «Minha Mii. dizei a Jesús que cumprirei as mi- nkss promessas e que Ihe serei ¡ic!>.

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Algumas vezes. senitndo-se repentina c raais viso- rosamente atacada pelo inirr.íco, exclamava ccta o mesmo abandono afectuoso: «ó Jesús, se Vos apraz, dai-me um pcuco de repousc! Sinto-me desfalccer, dai-me um pouco de repensó, Jesús!> Estas aspirares sucediara-sc sem ir.terrup<;áo. algunas vezes articuladas e muitas puramente interiores: <Náo sabéis, Jesús, que son toda vossa? Sun, toda vossa; quero juntar-me convosco no Paraíso*. A Irma eníermeira disse-She um dia: «5c Jesús a deixasse escolher entre ir para o céu, dcixar.do de sofrer. c ficar r.j térra no meio de dores, que {aña, su pondo que o último partido era o níais ventajoso para a Sua g'ióna? Antes sofrer que ir para o céu, respondeu ccm vjva- cidade. quar.do se trata de sofrer por Jesús e dar-lr.e, glorias. Durante as longas horas da no:'te. Gema pedia encarecidamente & Irma eníermeira que recitasse em voz alta cra«;6es e jaculatorias, sentinco, ao ouvi-las, grande consolado: «Vamos minha Irma, vamos, coragem, oremos; r.áo nos ocupemos doutra coisa. Jesús só!> Ao verem tanto fervor nurna enferma quósi mori bunda. as boas religiosas entusiasmadas disputavara a consolado de lhe prestar os seus cuidados. Ouqamos urna oclas, a irma Camila: *A impressáo que esta donzela me dcixou. é que era vm complexo de tedas as virtudes. Durante todo o tempo Ihe assisti, nao [éz senáo edifícar-me. Notei n.ela um conhecimcnto profundo da espirituelidade e do misticismo. Ñas conversas que tir,ha ccm c!a. que versa vam sempre sobre coisas celestes, cu hauría urna grande /orfa de alma: parecíanme ouvir u-m anjo. Suas expressóes erarr. táo nítidas, táo precisas e exactas que nao se pode- ria deseiac mais dum mostre da vida espiritual. Se. para a animar a so[rer, cu ¡he recordara o exemplo de Jesús. :¿do o seu rosto se inf! amava. vinha-lhe aos lúbios um doce serriso e parecía }á nao sofrer. táo deliciosa para o sen cor aj -áo era a len:bran$a de Jesús».
Os senticnentos da sua alno eran ordinàriamente de prof unda

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compunj o. «Muitas reres, di: urna testemu - nl:,i. ri'd-iO tremer u j

pea ser /ju> seas pe<.ud’js. Durante todo o curso da doen^a a lembranga désses pecados cn- chia-a de horror, e náo se pediam ouvir. sen: chorar, os palac-'ras comovidas que saiam cntáo dos scus labios. <Ó Jesus, exelamava, quantos pecados. Nao os vedes. Jesus? Mas a vossa misericòrdia e infinita. Ja mos tendes perdoado tantas vezes!... Perdcai-mos nova- mente. Depois^ dirigir.do-se a Alaria com os el nos cheios ce lágrimas: *Minha mài. quando cu me apresenfar diante do vosso Filho. dizei-lhe que use de misericòrdia comigo. «A sua jaculatoria ordinaria era: «Meu Jesús, misericòrdia!> Uca das Ir mas enfertneiras pede atestar: «A vir- tude. que mais brilhou em Gema durante a dcen<;a e que mais vivamente me comoocu, foi a sua grande humildades.

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A oragáo da santa menina era continua. Quando r.áo vía ninguém junto cela. volíava-se para um grande crucifixo suspenso da parede do quarto, ou para urna taagem da Virgem Santissima, colocada em frente do Jeito, e orava cm voz 3lta. Depois calava-se; mas pela expressao do rosto, conhecia-se que continuava a orar com o mesmo ardor. «O $r. Bispo, dizia eia, aconsdhcu-rr.e a orar com o con¡gao, quando nao pudesse faiar com 05 íáhios: e assim faf o*. Antes gc perder a vista. Gema entregava-se por vezes a alguma Jeitura piedosa. Sua tía, ao vé-la um dia com um livro ca máo. preguntón: «Que estás a ler. Gema?* «Estcu a !er a preparando para a morie. Ha muito tempo que me preparo assim para a /norte». E de-facto nao omitiu urna só noiíe. desde o principio da doen<;a. éste devoto exercício. «i \'fas. dize-me, continuou a tía, nao tens pena de
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<Oh! nao. respondeu Gema; já nao tenho afeigio a nada deste mundo». As suas dores, assim como nao Jhc impediam a intima uniáo com Deus, tambem nao lhe dificukavam as relaqOes com as criaturas. Se nao cstava em ora<;ño ou em luta com o demònio, a heróica menina, esquecendo as su 3s torturas, entregava-se por completo ás pessoas que a cercavam. edificando-as, como vimos, com santas conversares, e procurando distraí-las da compaixao que ihes inspirava o scu estado lastimoso. De sua tía. que chcrava junto do leiío, disse urna oca«:5o: *Minha Tia! confcefo-a bem. tcm um natural nuiio compasivo, af!ige~sc por me ver sofrer. Que se o¡aste. que se afasie. Sim. afastai-a. porque se aflige nuito. ¿Váo a fa$3:s vir junio do met¡ leito». Ti ni: a sempre alguna palavra amüvcl para os que déla se apreximavam e sabia condimentar a conversalo co.-n citas espirituosos. Aos agradáveis gracejes eoo qua procuravam distrai-la

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respondía cocí outros gracejes, a corrí pan ha dos de sorrisos encantadores. Quando as crianzas da familia benfeitora vinham ter con eia. Gema dava-lhes. acompanhados de afectuosas caricias, bolos e doces cotr. que a tinham preseníeado e que guardava cuidadosamente para escás ocasices. II rr. cía íci visitada por sua única irmá aínda viva, a qual, ao ver o triste estado da sua querida Gema, nao pjJe cuutcr üü ¿o!uv;os. *N¿o chores, Ángela, ihc disse, sossega. nao é nada. Angela, pefo-fe perdao se te dei ntaus exem.p!os>. Estas palavras aumentaran a comodo da irniá. que por sua ve: pediu perdao. tNáo penses nisse. coníinuou Gec.a, procura ser virtuosa, sou cu que to pego». E des- pediu-a. Mostrava-se cheia de aten^óes e de gratidáo para corr. as boas religiosas que lhe assístiam; e, emboca o seu natural franco e Ingènuo tivesse pouco jeito para cum- priTT.en tos, a linguagem dos olhos manifestava eloqüen- tener.tc quanto era profundo o seu reconhecimento. Uin día que ouviu sua mài adoptiva dizer à superiora destas religiosas: <esíá chegada a ocasiño de as recompensar, saben: cumprir o'mea dever», Gena iníer- rorapeu e. coni o resto animado, cisse: «¿Váo. r.Ho, son eu
<Ajora ¿ ben verdate que nlo rosso mais. Jc\us. encomendo-vas a cuioha pob.v aba... I«su*!>

que. junto de Jesus, pagarci as icmis>. À quera cucr que Ihe prestasse

o menor servio diria sempre: tSéde bom cristSo . per,sarei cm vós. rao o duvideis. Quando estiuer junto de Jesús, nao esquecerei o que fazeis por
mim>.

No último período da doenqa, a santa donzcla, cevido ct extrema fraqueza, caía muitas vez es em desia- Jecimento ou em delirio, e o demonio aproveitava csses momentos de impcssível reacuño para melhor a torturar com fantasmas aterradores. Mas a vitima expi atória. aínda neste estado de prostralo, soltava o seu habitual grito ce guerra: tViva Jesus! Tudo
para Jesús. Jesús 5Ó. > E repelía vítoriosamer.te as sugestdcs
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malignas. No mais intenso do delirio, notava -se que. apenas Ihe falavam de Jesús, logo voltava a si e respondía a -propósito como se estívesse no seu estado normal. O mesmo acontecía quando, movida pela graqa divina, «e excitava a algum elevado pensamento de Deus. A inconsciencia dava »mediatamente lugar à razáo. e Gema fatava cm termos sublimes so bre a vida mística. Certa ocasíao. numa cestas perturbares de espi rito, provocada por um ataque de tosse que parecia suío - cá-la. exprimía ideas incoerente:» e risiveis. quando uuia pessoa da sua familia adoptiva se aproximou, envolvcn - do*a num olhar de ccmpaixao. A doer.te rcconhcceu -a, oihou para eia com amor e cisse -lhe: «Ve. Eufemia, e aprende con :o Jesús querc ser amado. Eufemia era a predilecta de Gema e a confidente de todos os seus segredos. assistiu-lhe assiduamente durante tòda a doenqa e encont rou-se presente à hora da norte. Mas voltemos ao nosso calvàrio para Iá vercios expirar a pobre crucificada.

£ consumado o holocausto — Morte c sepultura de Gema — A autopsia do coragáo nao tem mais que um sópro de vida. Todo o seu corpo é vítima do sofrimer.to e o rosto cobre -o jS a palidez da morte. Ja: imóvel sobre o leito, r.uma atitude impressionar.te que records o Salvador expirando r.a cruz. Quatro ou cinco dias antes de morrer tornou -se táo pesada'que tres pessoas robustas com dificuldade a podía m levantar. E no er.tanto a sua pequeña estatura e extrema magreza deviam permitir que urna simples crianza a movesse. « Temos tratado di tantos doentes. diziam as religiosas enfermeiras. e nanea vimos coisa igual*. Aos que Ihe notavam este fenómeno. Gema respondía: « Nao sou cu, estai cectos. que peso assim*. E na verdad« podemos crer que fósse urna íntervenqao diabó lica. com o fim de aumentar os tormentos da pobre vititna. porque logo depois da morte. o corpo voltou ao peso normal.

SANTA G*5MA CALCAN I Era Quarfa-fcira Sar.ta, S de Abril. Genia parecía levemente extática c fixava de quando em quando cs olhos no c¿u. exclamando com voz abafàda pela angùstia: Jesus! ¡esus! A un ca do momento entrou bruscamente num ■disse* grandes èxtases, tao freqüentes em sua vida. Foi de pouca duiaqào: mas. ao retomar os sentidos, a mori- tunda, coa o rosto ainda transfigurado, respondeu cándida mcr. i» à religiosa, que lhe pregustava se Jesus a tirina consolado: «ó micha Irma, se vos fòsse permitido ver un bocacinbo do que jesus acata de me mostrar, que feücidade nao sería a vossa'y Recebeu r.essc mesmo din o Sagrado Viático corn sentimentos de extraordinaria deve^áo, abstendo-se, todavía, ce qualquer manifestado externa de piedade fora tic- comuni. A pobre menina estava privada da Cc-munhño desde o dia 23 de Mar^o. Por isso pediu ihe trouxessem o seu Jesus no dia seguinte, Quinta-íeira Santa, solemdade da instituido da Eucaristía, táo doce ao scu cora^áo. Coi::o o sacerdote liesit.isse eni lhe tr.izer de novo a Comunháo por viático, disse que de bom grado esperava cm jejum. o*pcs 2i-dos tormentos duna séce ardente, para nao ser privada do conforto divino. «Partera urna 5ar:ía, di: urna íescemunha. assentala no ¡cito, juntas as rnaos. cs olhos babeos. o aspecto radiante e os libios sorridentes, a-pesar-da violencia do mah. Rcccbica a Comur.háo. entreu iaiediatamente num profundo recolhimento. éxtase de duas horas, que nao lhe tirou u faculdade de responder, de quando cui quando, aos que lhe falavam de coisas santas. Ke¡sc éxtase pareceu -lhc ver uma'coroa de espiches c disse: «/Anící de terminares, que terriveis momentos has-de passar!> E acrescentou, volcada para a Irma: «Que día terei amanháfy CKcgou ésse amankü. Sexta-feira Santa. Pelas dez. horas da raanhá. a ser.hora que !he assistia. sentir.do -sc extenuada d> fadiga c de insónia. ia a rctirar -se para repousdt um
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pouco. «iVáo me deixeis, suplicou a moribunda. aré que eu se/a pregada na cruz. Vou ser crucificada con Jesús. Jesús disse-me que
seus fühos devem mocrcr crucificados*.

A senhora ficou e ecr. breve Gema caindo num éxtase profundo, cstendeu pouco a pouco os bracos e permancccu nc¿sa atitudc até h urr.ci hora c rncin. No seu semblante reílectia -se um misto iaefável ce dor e de amor, de desolaqáo e de calma. Nenhuma pala - vra lhe saia des lábios. mas como era comcvente o seu aspecto! Agonirava com o Salvado: sobre a crus.Oa assistentes. tomados de admirado, nao se cansav am de a contemplar. «.Imagina':, escrevia-me um déles, imagina: Jesús crucí/icacío, moribundo, iai era o aspecto de Gema naqueíe ;r:omcnío». Continuos a sofrer cores moríais durante o resto do día, na noitc seguiníe e na manhá de Sábado. Parecía dever expirar dum memento para outro seb a violencia de espasmos horrorosos e, mais aínda, sob a violencia de angustias interiores. No Sábado Santo, pelas olto horas, a moribunda recebeu a Extrema -Unsjáo, com singular piedade, es -

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íando no uso perfeito cas faculdadcs e procurando res ponder con voz quási apagada às ora<;ócs rituais. Aíiman es santos que o maior tormento de Jesús na agonia co Calvàrio, foi o abandono aparente ca parte de scu Eterno Pai, e o abandono real da parte dos horneas. Déste abandono se queixou Ríe do alto da cruz. Kisto aínda devia Gema parecer-se com o seu divino Mestre. Motivo de admiragáo será para o leitor ver que. cm rao .cnto táo angustioso, nao se cncontrasse junto da moribunda, nem confessor, ncm director, mas só algunas nulheres piedosas. que ali esta vara mais para se ccmpa- deceren dos scus sofrimento s do que para a confortarem espiritualnenie. £ste isolamento foi sem dúvida querido pc!a Provi dencia para elevar ao mais alto grau o martirio e o mé rito da sua serva. O sacerdote da igreja mais próxima trouxe -lhe o Sagrado Viático e desap3receu: o párcco da íregucsia administroj-the a Extrema-Un^ao e só voltou para Ihe ler n rnconH*r:rlai;áo da alma; o confessor extraordinario, chamado por eia. retirou-se ¡mediatamente depois de lhe. ter dado a absolvigáo. para nào mais aparecer: o con- ffissoc ordinario, o único que conhccia todos os segreccs da sua alma, pois a dirigirá desde a infancia, e que por isso codia prestar-lhe grande auxilio no aeio de tantas penas espirituais. de tantas dores, luías s upremas, tentalees, esteve com cía apenas alguns instantes e nao vohou mais: e cu, longe de Luca*e ignorando as gran des necessidndes da deente, nao pensei em visitá -la. r.em cm Ihc dirigir algunas palavras de conforto. C A P I T U L O X X X I I I 455
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A principio pediu cía que cc chamassem poc tele grama; depois calou-se. tendo sido avisada poc inspi rado interior,

que Deus lhe pedia tamb¿m o sacrificio da miüha assisténcia. E a que.ti lhe recordava a minha pessoa. depoi3 de te: mostrado cont modisto socciso que me linha presente no espirito, respondía: eFiz a Detis o sacrificio de tedo c de todos, nao peyo n:ais r.ada. Agora preparo- me para morrer*. • Por sen lado o Scnhor rctirou -!he o seatimento ca S-J.I divina presenta e nunca mais fez descer ao seu espi rito un raiorinho de lu:. nem ao seu corado urna gcta - zinha de bálsamo consolador. Aniquilada finalmente pela veemencia do mal. e«=agada «ob o peso de ¿mensas dores, atormentada em todas as faculdades da alma e do corpo pelos espíritos infernáis, sen conforto ne m do c¿u ñera da térra, a ino cente mártir elevou a voc qjási apagada e pronuuciou estas últimas palavras: < Agora é bem verdad* que na o posso mais. Jesus. encome.ido-Vos a minka pobre alma... Jesus: > Era o ccnsumaiu.ti esí e o in manus tuas do Sal- vadee expirando sobre a cruz. De-íacto ia consjmar -se o holocausto... Para re mate do sacrificio faltava só... o último suspiro... Ques - táo de meia hora apenas... Gema está sentada no Jeito, con a cabera apocada no onbro duma das seahora¿ da sua familia adoptiva... Sua joven confidente, Eufemia, de joelhcs diante déla, como Madalena aos pés de Cristo crucificado, toma -lhe as máos entre os suas, e urnas veres as apecta contra o peito, outras coloca a frente í&bre elas...

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A Ima enierneira e 33 outras pessoas da faiailia benfei- to. r 3, hosnens c nulhercs, estào eie pé, contemplando éste qu?.d:o sublime e comovente... Gema parece adormecida c calma. De-repente. emquanto todos cs ofhos escào fixos no seu rosf.o angélico, ainda belo a-pesar-dos estragos da Jonga

doen<;a. ucn doce sorriso Ine afíorou aos labios, incllnou: suavemente a cabera e ccixou de viver do nesao modo que de Nosso Senne: se le no Evangelho: Et inclinato capi re irzdidii spiritimi. Imediatamente a sua alma seráfic3. recreada, corno firmemente creio, pela presenta visivel do seu muito Ànado Jesus, da sua Mài celeste, do scu Anjo da Guài-da, de S. Paulo da Cruz que tantas veres invocava nos últimos ’mementos, de S. Gabriel, de quem era táo devota, voou carregada de co roas e de palmas para o scio de Deus. A principio nincuém nctou a sua morte, que nao fora precedida de agonia. O último suspiro da santa menina <derase seui es!6r<;o, sem nenhum sinal de opres- sao. Dir-se-ia um simples beijo de despedida que aquela alma inocente dava ao scu corpo virginal. Fci, como di: o salmista, o sono des amigos de Deus. Esta ditesa morte deu-se à urna hora da tarde de Sábado Santo, 11 de Abril de 1903. Certa ocnsiáo disse Gema à sua tía : *Tcnho pedido a /e.íirs .(j^e /r.e dé a morie por ecasiéo duma solenidadc grande. Como ó beh morree por ocasiáo duma sole-’ n ida de!» E nos podemos acrescentar: como é belo rcorrer na
solenidade da Re$$urrc¡$áa dcpois de ter santificado a v.. Sexta:cira Santa sobre a cru: do Salvador e de ter *. torrado parte em’tódas as suas dores!

SAHTA GEMA GALGA N ì

Cása c:n que o Sú.ita mor;cu
No I." andar. aLgado por sua ría ZUsa. citó a jarte la (1 j do aposento en euc Gema viveu es últimos 77 ¿-.as da ¿ua vi¿a

l Joven: bsir.dita. i r.spita-nos tambe.ti q a:;:or no sofrijicr.to; scm èie n5o se entra na pàtria da eterna feli f .**
^ • «U krf s

.•

As irrr.às enfermeiras prestaran os últimos servaos 50 cadáver virginal ca Santa: c. por inspiralo de quen !

SAHTA GEMA GALGA N ì cor.hccía a fundo os seus ar.tigos desejes. vestiraiu-na de prcío. como urna religiosa passionista. e colocaram-lhe sfibr-e o coradlo o emblema da Paixáo. distintivo proprio co Instituto de S. Paulo da Cruz. Puseram-lhe na esbeqs urna coroa ce flores, ao pescoso o rosàrio e jun- toraíTi-lhi os naos sobre o peito. na ciesma atitude que costumava tomar durante os éxtases. Os labios conservava::: o amável sorriso com que tinha expirado. A ss ¡'ir. composto aquéle snr.to corpo, inspirando un r.áo sei que de celeste, dir-se-ia suavemente adormecida. ! ou arrebatada fora dos sentidos c em íntima comunicado con a divindade. Os assistentes r.áo se cansa va m de olhar para ele. Apenas se anunciou a morte ce Gema, vieran mui- tas pessoas junto do sen Icito fúnebre. Os ftlhos da ízaííi?. cue a tinha hospedado foram os primeiros. Até Os mais peqvicnos, de írés e cinco anos. Ihe beijavam as rráoü gelacas. chamando num totr. conovedor: Gema! Gema! O sacerdote da C 3 s a . um santo anciao, que. mais c o que ¡ninguém, venerava e amava aquèle an;o, encerrou-se na cámara mortuària e ’á esteve iodo o dia de Páscoa orando c chorando até ser levantado o corso bendito. Entre os visitantes, foi particularmente notado o t::gnTssi¡;io sacerdote a quen Gema, fortemente atormentada pelo demònio, tinha feito urna confissào cerai.

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Ficou possuldo duaia tal como<;áo religiosa, ao ver a defunta, que exdamou, caindo de joelhos. «Gema, tens a leus pés uní grande pecador, pede a Jesús por mím», Muiios eclesiásticos c Icigos tocavam-lhe Céreos :io rosto para os conservacerci c:>:r.o reliquia. A concorrér.cia do povo eontinuou durante todo o Domingo de Páscoa. £stc levava urna flor da coroa, aquéle por deve^ao tocava-lKe ñas míos e nos pés, mui-

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tos arrancavara-lhe cábelos, cheganco a indiscri^áo a tal ponto que. se nao fòsse a enérgica intervengo da RcJi- giosa que esíava de guarda, naca ficava da abundante cabeleira de Gema. Udì respeitável eclesiástico, nao tendo eñegado a tempo de ver o cadáver, q-jís ter ao cienos a consolado ¿e re:a: na cáciara mortuària já deserta. Logo que entrón nao pode ccntcr as lágrimas e disse: «Parece-me esfar nunt santuario de que éste :e¡to c o altar. Como se rera aquí bem! O rríeu deseje era nác saír daquh. Tcve de sa ir. mas. atraído por um encanto írresis-

SANTA GEMA G ALGAS' l

tívd, \oltou exclamando: «Ccmo és feliz, Gema. por tee .sabido viver corto os anios e morrer como os santos/» Far'.ia ¿fínalr.rc'.e, mas vokando-se aínda de vez em quandi para o quarto, once a bela alma de Gema parecía ter dci.xado como que um perfume do céu. A «orde do día de Páscoa. aproxímava-se. Era tempos« proceder à cerimònia da inhumado. O corpo foi cok-codo num modesto ataúde de madeira, onde tíve- ram o cuidado de introdurr. encerrada num tubo de cristal, a seguintc memòria, escrita em pergoir.inho e dííadj p>:io ?. Roberto Andreuccetti: iGesr.a Cacari, nascida en Casigliano, perto de I. ara. a 22 de Mar$o de ¡373. de Hcnrique Calgani e Aurclis iLundi. «De costemos ¡maculados e de singular piedade. foi un: modelo adir.irárel de virtudes cristas. Pccvada. desde a infancia, cor grandes desventuras domésticas, purificada pur urna longa c dolorosa doenga que supoetou com edificante resigna;So. cnccntrcu sempre o scu único conforto ni devogào constanti a jesús crucificado, a quem ardentenzente de se java consagrac-sc per completo, ves- tindo o habito religioso d3s Fi!has de S. Paulo da Cruz. «VJac fura para o céu. para là voou no Sábado Santo, 11 de Abril de 1903. Viftí com os anjos. alma piedosa. e pede por nos». A honra de levar o ataúde foi reclamada pelo filho mais vflho da familia benfeitora. csíudante da Universidade, por un des seus irmàos c por mais ¿oís men> bros dum3 irmaadade de penitentes, todos revestidos coni o hábito da sua piedosa associalo. A grande solenidade pascal contrastava certamente e

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dym modo singular coni a cerimònia fùnebre. Mas quc.nto nao significava utr. tal contraste! Gste prèstito parecía urna apotcose festiva. Em- quanto a alma da virginal donzela. levada pelos anjos ac seio do eterno esplendor, celebrava no ciu o triunfo da Ressurrci<;5o ce Jesus, es hemens iam confiar às cr.traohas da terra os seus restos cortáis at¿ ao dia en que. vivificados de novo por ua sòpro do poder civico, se tao-de levantar para una eterna juventude. Foi sepultada r.utr.a campa privilegiada ao ar li- vre ( l ) : e sóbre urna placa de mármore foi gravado o seguiate epitafio latino:

l’i A x.‘pu!iu;a da serva de Deus jà :iao e ao ar i-vre cctro aq^i cissc o autor. N';i r.aahii de dia 7 de Ontubro d e 19CS. o corpo venerando foi exutr.ado e reposto. a siguas metros d e distancia, no lóculo n * seb .-i arcada >9. Po: essa ocassio. elcvara.T. sàbre o novo tù.uulo da serva de Deus gracioso :sor.u.r.en!o encimado por un anjo ccm ss rcios Jur.tas < os olhos voltados para o cíu. recordando a vida de Orario e de <x=ase de Cesa GalganJ. Tendo os restos cortáis da Santa lido trasladados de cerai- tério de Luca para o rr.osieiro das religiosas Pus'.oaistas. iste nocumento conserva-sc hoje a un-. Sngu.o da cape.a. i/eja-se adlar.se a gravura correspendente. (Noia do Tradutor. completada pe!o Revisor) .

GEMMA GALGANl LVCENSIS VIRGO INNOCENTISSIMA QVAE DIVINI AMORIS ÀESTV MAGIS QVAM VI MORBI ABSVMPTA QVINTO AETAT1S LVSTRO VIX EMENSO AD CAEL5STIS SPONSI NVPTJAS EV0LAV1T DIE XI M. APRILIS A. MCMIII PERVIGSLíO DOMINICAE RESVRRECTIONIS

ANIMA DVLCIS TE 3N PACE CVM ANGFXIS

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cuja tradugSo é a seguíate:
Gema Galgar.i. de Luca, virgen inocentissima. a que.!,

apenas completado o quinto lustro da sua i dude, consumida mais pelas chamas do amor divino do que pe!a violencia da doenga. voou ás nupcias do celeste Esposo u 11 de Abril dz 1903. véspera da Ressurrei$5o do Senhor. Rcpousa en: paz. ó alma ditosa, na companhia dos fxnjos*
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Éste desenlace vciu provocar na familia benfeitora urna dor t¿o yiva, e em todos 05 espiriíos urna tal cor. - fusao que foi csq-jccido o projecto. há muíto concebido, d; ab::r o peito de Gema depois da sua morte. na esperarla de se Ihe encontrar no cora^áo algum sina! extraordinario. Dele se Icmbraram porten logo depois da ¡:ih;i- majao, e trataram de o executnr seai demora.

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As formalidades que caí tais circunstancias exigen as autoridades civis prolongara m-sc até 24 de Abril. Só nesse aia. o décimo terceiro depois da norte da Santa, é que se proceden à exumaqáo. O cadáver estava intacto dentro do caixào. tal como fora colocado, mas já com síntomas de incipiente decomposto. O coraqao. tendo sido descofcerio c extraído, aparecen, contra toda o expectativa, fresco, vcrmeiho, flexívei. como se estívesse cheio de vida, o que i¿z admirar etr. extremo os técnicos encarregados da au- lúpsia. A forma daquele órejáo era verdaderamente singular, contrastando con-, o tico natura!. Muito achatado r.as duas faces e muito dilatado dos doiá lados, parecía mais largo que alto. Mas foi um assembro para tocos. quando, ao ser o cora<;ño aberío pelo escalpelo, se viu jorrar dos ventrículos e das aurículas um sangue vivo, overmelhado e muito fluido que inuncou a mesa ce mármore da operado. Ninguém ignora que. inediataaecte Leca — Túmulo da Sor.ta áepois da morte, todo o sangue ccntído no coraqáo se escapa ou,

no caso dua rápido resFriamento, coagula, perdendo a cor viva. Com rnaior razáo se devia isso verificar treze dias depois da norte, e morte causada por urna doen^a infecciosa. . _ Ah! Aquéle coragáo que foi fornalha de tantas cha mas celestes, que palpitou de táo puro amor de Deus. que, r.áo podenco ccnter-se na sua cavidade natural. % levantou tres costelas do peito. curvando -as fortemente. que abriu urna saida para o exterior na misteriosa chaga do lad o, e que inflamava toda a regiáo toráxica désse lado, a ponto de ninguém poder aproximar a rr.áo sen experimentar urna sensato de queimadura. éste cora<;áo ce scrafim nao podia morrer! I : oi um erro, foi urna desgrana sujeitá -lo ao escalpelo profano. Mas Deus o permitiu para que se mani - festasse um prodigio que. sem isso. ficaria ignorado. A forma anormal observada no cora<;áo da seráfica virgein nao parece ter outra explicado que nao seja a dos tormentos extraordinários. provocados pelo fogo de amor divino que a abrasava. O que nos deve admirar é que éle nao tivesse sido recudido a cínzas. Gema nunca apreser.tou síntomas de doen^a car diaca que pudesse produiir táo estranho efeito. O seu corado, sempre robusto e sao. nunca manifestou a me nor irrcgularidade. fora dos éxtases e do martirio místico da sua alma. Mas logo que cessavam .essas comc^óes divinas, retomava ¡mediatamente o estado normal. £ certo que Gema foi atingida duma leve anemia nos últimos meses da vida. Mas quem dirá qu e esta docnqa podia produrir. e^i táo pouco tempo, semelhante deformado do órgáo vital?

(*) A profeda, ccmo se vi, era cor.dicicnaL Aislc sascir.fca o Scnhor cc sua s e r v a oì vjvcs ccsejci di vida rcli$:Oia. q ? i e apre.;- sarEm «rtasecie, ou ccrcccrasi atè a fu.ida<;3c do noslciro de Religiosai Pas-vorisias cm Luca.