Santa Gema Galgani (Parte I)

■\)

O * O

o o o o o o o o o o o o
u G

r-

k)
o
c G G

, c

O i

o o o
o
o

o

o

*
*

/

P* GERMANO DE SANTO ESTANISLAU

Santa G em a G a lg ani
A FLOR DA PA IXÃO

íroduçÔD do Rcv.° P.* MATOS SOARES
T [ * C t l « A C D I Ç A O

Aurrcnícco e cctoslticdo
P t LO

P.« JOSÉ 0 £ O L IV c IR A D IA S . S. J.
S3 * M I L H A R

POKIO

LIVRARIA APOSTOLADO DA iMrRENSA
EUA Dc CEDOfEirA. 623 * .

JÇíO

N ImI f.bital Olyi'pcr»*, 3-2-íÇ^O PA ULUS DU R à O . S J. Pioep. Piov. Lvnl P ^ j* Imprim’#.i^. Pd:*.0 ió d t F«/.° <£♦ *«940. f A . A.f SISPO D O F C R TO

Todos os direitos ce piopriedcdo teservatioi

C o m p . c l.rp. no f«p. StÇceuo. llmítoda — Poilo

E x plicaçao que se impõe

STA

n o va edição da

vida d c S a n ta O c n u

G a lg a .n i atendeu-se sobretudo a er.riquccéda com a b u n d a n te ilu s tr a ç ã o — i 2 iã o as fetog r a r uras q u e a ad ornam — . a esclarecera com algum as notas o p o rtu n a s, a aetualirã-la c a com plctá- h . por.do-a cm dia com r. a d iç ã o das novos capítulos references à g lo rifica ção d a m ística P assiflo ra de /.« c a . £ s t c tia b a lh o per err. com petia p e r todes cs titi:!os a o R ev." P .e h ia to s Scare*, a q uem sc deve a trad u ção desta en c an tad o ra biografia. C o m cia teve S u a R c v .' o m erecim ento d c to r r a r conhecida cm P o rtu g a!. d<: h ã 18 anes p ara cã. esta jói.i autêntica d a graça d iv ina, cu jo nom e a u sp ic ie >i> J c i a d v jin iç â o perfeita da sua alm a. M a s . a b s o rv id o actualm ente por um grand e em ­ p re en dim en to d a g ló ria dc D e us. r.ão pode o R c v " ,*r.i d u to r ocupar-sc deste trabalho , para o q ua! n in g u ém mais d o que cie estava naturalm ente indicado. 11. o que m ãos menos com petentes fizeram . Ji.it> o

VI

SANTA

GEMA

GALGANl

fariam. sc não fôsse o que já estava feito. P o r isso ainda sc pode d í;c r que esta nova edição é obra do Sr. P.« M atos Soares, exceptuando as deficiências que o leitor nela encontrar. Creio que a encantadora virgem dc Luca. que tanta influência, mostrou exercer no coração d o D iv in o C ru ­ cificado. não me levará a ma! que eu aqui lhe diga que o Rev." P .e M atos Soares, iniciador da sua devoção em Portugal, tem direito a tódas as bênçãos da Sua p ro ­ tecção para a grandiosa obra que nesta hora o preocupa.

J. O . D .

L M A G A L G A S I Sar.ta' S ã o 05 prem id a s auspiciosas c u n ; p o n íi/ ú .i.fo <;ui' desponta esperançoso. cr-.bora s o b re : :tta J o pels* c la rin s de M a rre . S ã o j s c/.if/o c r - <ync desabroche:: o secuto X X . <yyf ri.i c. n ftr.jí. c p riti'e ira santa do nosso século. Gema santa! Sont.1 . cp.:e c r.::::%!e• /rioro. que essa foi a fãtna que na u r u daxo:: ,:C ivo r para o céu. V o x popi:!: vo\ Dei. COjí-t-.j d::ee-se. /’ - </e-facto. Sonto //:c co.T.eça a chamar r-.o;e a If .c .a /:.i jy.i espier.do rosa li tu rijia.
O p e ro » c::> nirn çrorulcs rr.orovilhos AçucSc <JtC i poderoso c c u jo nome c sorto. poJro ela ds:er. fa;çr.Jo-so

eco da V irgem dc Naeaeè. Sim. também Gctr.a Galpant tir.ha o seu M agnifico: para cr.rear. l i entcou’o hoje. sob a majestosa cúpula de S. Pedro. pela i o : de Cristo repercutida r.os lábios de se.: \'igãrio. entifonciro augusto de tidas a< gerações que lhe hão dc cha-

V III

SANTA

GEMA

GALGANI

\

mar beni-avcntuiada. que hoje lhe começam a chamar santa. Escuta, leitor, as harmonias disse M agnificat, reco­ lhe o j ecos dessa apoteose que transcende todos os encómios que na terra se podem tributar a unt simples mortal: «Para honra da Santíssima Trindade t dc cada uma das Pessoas Divinas, para exaltação da fé católica : aumento da religião cristã, per autoridade de N . S. Jesus C risto c dos bemaventurados Apóstolos Pedro c Paulo, depois dc madura deliberação c tendo reiteradas veres im plorado o socorro divino e tomado conselho com os C ardiais da Santa Igreja Romana. Patriarcas. Arce­ bispos e Bispos presentes nesta cidade de Rom a. D E ­ C L A R A M O S S A N T A A B E A T A G E M A G A LG A N I. como tal a definimos c inscrevemos r.o catálogo dos Santos». íi a r o : de Cri?to. tornado visirel no seu Pontífice. a anunciar ao mundo que em Gema Galgani operou dc ■facto grandes maravilhas Aquêle que c pederoso e cujo nome c santo. E queres saber, leitor, que maravilhai foram essas do poder e da santidade dc Deus? Abre este Urro. que nele verás a angélica açucena de I.uca aliando a uma inocência imaculada os santos excessos duma penitência que nunca puderam saciar os seus anseios de expiação. Ve-la-is enreredando corajo­ samente pelos caminhos da santidade. M as a santidade dc Gema não foi ir.fusa. não. Também ela peccu cm Adão. e... não foi confirmada enf graça. Nem foi de rosas o caminho que seus pês trilharam. O s espinhos — . c dos mais dolorosos — foram a sua herança. Ô r f i

P

R

E
i

F

A

C

I

O

IX

desde menina, viu sôbre a sua. família, afeita a uma vida desafogada, desabar a ruina e a miséria. A leitura destes contratempos n ão fará mais que aulncntar em ti o interesse que desperta uma vida tá o clieia de maravilhas. Abre este livro, leitor: e. r.o meio da tantos vaivéns da fortuna, verás a jóia primorosa da família Galgani aureolada de refulgentes carismas. como o* que r:ais r.os assombram na vida dos maiores sar.tos. Vc-la-ás em frequentes êxtases que arrebatavam o seu espirito às alturas luminosas dum mundo sobrenatural e qt:e aca­ baram por fazer de tèda a sua vida cm continuo extase d : amor c de inefável contacto cem a Divindade. Abre este livro e dc-pressa experimentarás esse magnetismo divir.o. essa irresistível atracção que no mundo das almas r.áo cessa de exercer a gema virginal de I.uea. «cui r.oiv.cr. orr.cn». dis<c esta manhã o Augusto Pontífice r.o aureo panegírico engastaJo r.a homilia da Canor.i: i ;ão. Verdadeira jóia d a graça, esplendorosa pérola do paraifO. o seu nome foi de-facto o auspicioso preságio da sua auréola de santa. f\ a atracção da virtude, c a in«.vjira>'.u' da santidade, são os castos er.levos duma can­ dura que extasu c cativa, começando por te despertar a admiração c terminando — quem sabe? c oxalá! — por te arras/ar à imitação. Folheia éste livro, c ser-te-á dado assistir a inefáveis ascensões duma alma que sobe de claridade cm claridade por todos os degraus da vida mística, dcsdc o recolhi- . n c n lo infuso, c da união extátiea até um inexprimível çontacto divino, até não sei que transfigurações será­

X

SANTA

GEMA

GALGANI

ficas, deliciosas fruiçccs do amor dirino. que nos dei­ xam a ilusão dc serem já beatíficas. Observa atra ris destas despretenciosas páginas os passos da sua rida angelical, sobretudo nos últimos anos. c verás a grande apaixonada da Paixão do Salvador, ora bar.hada cm misterioso suor dc sangue, que lhe jorra copiosamente de todos os poros durante os seus êxtases, era ferida visivelmente, freqüentemente e dum modo cruento petos estigmas do D irino Crucificado, que se lhe reproduzem nas mãos. nos pés. no lado. eir.quar.to o espirito, transportado para as regiões Itimincsas dum mundo superior, se abisma na contemplação dos misté­ rios dc Getsemani. do Pretório, do Gólgota. N i o e tudo. leitor. Para acabar de retratar cm Gema a fisionomia dolorosa do Salvador, são ainda as chagas da flagelação que misteriosamente se lhe abrem por todo o corpo, e nele cicatrizam não menos misterio­ samente: c a agonia mortal: c a cruenta coroação de espi­ nhos que lhe deixa tõda a cabeça crirada dc inexplieàreis picadas, donde dimana o sangue em fio: são cmfim lágrimas de sangue que lhe bretam dos olhos e deslisam pela face. fenómeno inédito nos anais da agiografia mística. Efeitos assombrosos, originados da sim­ ples meditação da Paixão, cm que se abisma a alma compassiva da mistica P.issiHor.i dc Luca. ou Flor da P.ii\5o. como hoje mesmo lhe chamara Pio X I I no acto . da canonização. \'olta a página, leitor, prossegue na tua leitura. Peru fut.j j j confidir.cias da santa donzela, as intimida­ d a ,f.i «uj t-íJa angélica: e no santuário augusto dum rccar.ufo aposento, transformado em celeste mansão

P

R

E

F

A ' C

I

O

XI

duma virgem candidissima. terás mil ocasiões dc a veres perdida na contemplação do Salvador. que. ora em apa­ rições sensíveis, ora em visões extáticas, se lhe apresenta c a entretém, já com ir.di:iveis comunicações c colóquios que te convido a saborear, já ccm revelações c caricias divinas que não te è dado ambicionar. Nem deixarás de a aJir.ircr também. já sorrindo extaticamente para a Rainha das Virgens que visivel­ mente lhe serri. e a quem ela com encantadora familia­ ridade chama a sua qucrni.i n.im.V ; j recreada num esfsontãnco .V vonuác per alguns bem-ai-enturadot c es­ píritos angélicos que a vim visitar, já trava-.do a ti rela­ ções de fraternal convivência e vivendo, quási diria, de braço dado com o íc:i bom Anjo. que ser. c do correio visível para lhe levar a* cartas ao director da sua alma. Penetra no santuário do seu espirito e vi-lo-ás com frequência iluminado de I::: profética descobrindo o f u ­ turo e o longínquo com a clarividência duma perfeita intuição e lendo r.o interior das almas o* seut mais recônditos segredos. E que— se não sentirá extasiado d-ar.te dessa sim­ plicidade infantil, com que tão naturalmente a todos julgava dotados dot mesmos carismat que ela. a ponto de um dia pedir ao Senhor escondesse da vi-:a de outros o semblante demasiado severo do seu An:o Custódio * N ão e-.contrarás. leitor, exemplo de tZo sublime inge­ nuidade. como a que. ao sentir pela primeira ve: em suas mãos e pis os estigmas da crucifixão, fé: correr a inocente menina ccm as mãos abertas para sua tia. e di:cr-lhe: «Olhe o que n c fiz Jesus!»

XII

SANTA

GEMA

GALGASI
0

N ão dês ainda por terminada o tua leitura. Tcris também ensejo dc presenciar episódios duma rida será­ fica. Estende a mâo sôbre esse peito incandescente. or.de palpita tin coração cm cachões. Bruscamente, ins­ tintivamente. fugindo < i veemência da combustão, terás de a retirar quasi a arder, como teve dc a retirar q:ien ousou fa:er a experiência. Labaredas inefáveis do amo: divino, qttc lhe deixaram o peito marcado Jc queimadura* bem viuveis e que tJo de-pressa acab j ram per lhe con­ sumir a existência' Auscu’ .t.i C' p u lg õ e s inauditas dêsse coração incen­ diado. e vè-la-is sublevar os pesados cobertores que o abafavam: vè-lo-á< encurvar violentamente as três vér­ tebras da caixa torácica que teimavam cm represar na sua cavidade natural o fogo dum coração que nenhuma fõrça humana podia reprimir. Coração dc virgem c cora­ ção de serafim, consumido por misteriosas chamas, que sujeito a uma autópsia indiscreta quar.do nêlc já não pal­ pitara a vida. deixo:: boquiaberta a ciência medica, ciên­ cia bem limitada que tar.to ambicionava proferir o seu oráculo e que teve de emudecer diante de maravilhas parJ ela incompreensíveis! t\ 'a< paginas dêste livro te aparecerá cinda a figura imaculada de Gema C algani nimbada com a glória do Apostolado. /:. se o idea! da Acção Católico te sedu:. nela c nos seus exemplos encontrarás o mais simpático esti­ mulo do :êlo das almas. Vitima dc expiação pelos peca­ dores mais empedernidos, também ela soube dar almas o Jesus. Mas o Salvador exigiu que ela lhas pagasse pelo mesmo preço por que P.le as comprara: oração, sacri­ fícios. sangue, h'oram conversões admiráveis, mas custa-

# •»

« r•

\
P R E F A C I O X III

nm-iíie suores de sangue. custaram-lhe as flagelações do Pretório, custaram-lhe a agonia do Getscmani. E porque assim cooperou apaixonada c crucntarr.cnte na ebra da Redenção, por isso sJo também sem conta as conversões por meio dela operadas r:.j m u n J .i gloriosa.

Deva-:eios de fantasia exaltada tvJo o que ac3 bas de lerí Maravilhas de palácios encantados? Scnb.cs durr.a ilusa. duma histérica? Também cu seria tentado a crê-h. se r.io sc tra­ tasse duma rida contemporânea cujos prodígios puderam see verificados. estudados, testemunhados e sujeitos à critica mais exigente. Também cu me inclinaria a ver cn Gema Galgani uma simples figura lendária, se n.íc estivesse fresca air.da a tinta des seus escritos, retrato da sua bela alma. fresco o sangue dos seus estigmas e das suas transpirações, fresca a memória de tantas mar.1 vilhas: se durante mais de trinta anos a Igreia não tivesse intervindo com todo o rigor dos seus exames, sujeitando ií mais ir:p!ac.ivet j :itica a vida. as virtudes, os milagres e os escritos dc Gema. sem excluir a sua autobiografia, as suas i ai:as e os >eus êxtases. F. depois de tri 'ta c três mos de exame severíssimo a Igreja acaba por colocá-la r.os altares. E a Igreja na canonização dos santos empenha rigorosamente a sua infalibilidade dogmática. E uma Igreja infalível não canoniza i/usas nem histéricas.

A /r

5A S T A

GEMA

G A L G A .V )

P or outro lado não /ui testemunhos que ofereçam garantia mais sólida que os desta biografia. E la não podia ter autor mais autorizado do que tece. Dir-se-ia difinam ente predestinado para escrever a vida desta alma assim co n o fera por Deus predestinado para a dirigir.
O P y Germano de Santo Estanislati era o director

espiritual c .i Santa, cuja alma foi para cie rnr. Urro aberto. E foi. além disso, testemunha ocular de muitas maravilhas que conta.
«/W io me foi preciso, d i; cie. interrogar traduces

antigas. nem referir-me a testemunhos alheios para re­ constituir a vida da Ser\ -a de Deus. Também nno corri 0 risco dc apresenta r ao leitor, como verdades históricas, impressões de estranhos. q:ie muitas rezes são menos justas. F u i eu próprio a testemunha. maior e a me­ lhor parte da vida mística de desenrolou-se sob os meus olhos, podendo repetir com verdade as palavras do Evangelista 5 . João vamos anunciar-vos o que vimos, o que o in iir.es, o cue apnlpàtr.os com as nossas m ãos. E o meu testemunho não c o dum observador ordinário, que só rò a< cotsas superficialmente. mas C o da testemunha mais íntima que pede haver: d o confessor c director espi­ ritual a quem r.âo pedia escapar nenhum segredo duma alma tào cândida». N ã o te escandalizem, leitor, estas últimas palavras. D os segredos que esse director espiritual revela, uns foram presenciados por ête. não coir.o confessor, mas

P

R

E

F »

A

C

I

O

. XV

como testemunha, outros /er.i«i*//:c eonji.ide< fera :1a intim idade do fôro sacramental. tudo lhe fei comu­ nicado por escrito — <íc ordinário cm cortcsficndêr.cia epistolar — . c sobretudo êle recebeu da santa'dirigida autorização para de iõdas at m anifestares de cons­ ciência . f citas de qualquer modo que fôrse. fazer o u<o que a glória de Deus lhe inspiraste. E m ccr.ehs.lo. ao autor desta biografia r..':o se pode assacar ignorância de causa, li fa!:a dc ra— .peter.cia. para interpretar objectivamente cs fenômenos extraordi­ nários dc que era teatro j ai ma da j dirigida, muito menos. file foi um dos homens mais eminentes que hon­ raram a Igreja e a benemérita Congregação de S. Paulo d a Cruz. Arqueólogo ilustre. iniortalizeu-ie pelas excjraeôes que empreendeu c pelas interessantíssimas descobertas levadas a cabo no sub-selo da Basilica romana dos S a n ­ tos M ártires João c Paulo. Professor abalisado. ensinou
com brilho quasi tôdas as ciências eclesiásticas, como se

em cada uma se houvesse especializado, sen [alar dos seus profundos conhecimentos de pir.tura. escultura, ar­ quitectura. epigrafia e literatura. De tudo dâo testemu­ nho as numerosas obras que publicou.
A Ias i? sobretudo cm teologia i?::síh\i que êle te

manifestou mestre consumado e merecedor do elogio que lhe tributou Pio X . cm carta assinada pelo Cardial M erry del V a i a i 9 do Seicir.bro de 1907. A par desse conhecimento das ciências moticas. o P.e Qerm ano fo i um profundo conhecedor das ciências medicas, fisiológicas e patológicas. Este duplo conhecimento, com que dominara a mis-

Aí 7

SANTA

GEMA

GALGAM

tic a c a mcdicina. foi o que lhe deu o autoridade c -1 com petência cabal dc guia dum a alnta que p a ira ra e n tão cleradas esferas da rida m iitica. M a is d o que ninguém habilitado a discernir o fe n ó ­ meno m is tic o dos efeitos do histerismo e do hipnotism o.
o s ib io Passior.i<ia. com um a intuição dc mestre que

desde o principio acertou sempre, pede com clhar sereno fazer a autópsia delicadíssima da alm a. cuja direcção D eus lhe confiara dur:: m odo tão m.tra ühoso. P ara defender o seu ponto de rista. publicou três dissertações que rerelam cs mais sólidos conhecimentos de patologia e q::e foram tidas em grar.de apreço por mcdicos eminentes. N elas ficaram refutadas as r.cscias interpretações de medicos materialistas, que tanto se « .* .% • forçaram por atribuir a cautas morbosas de histerismo e d c hipnotism o o< fenóm enos sobrenaturais renficitdos na rid a dc G em a G a lg a n i. l i a Igreja infah.-el. c a n o ­ n iza n d o a mistica pa» si flora dc Lu ca. deixou plenamente au to rizado o P s Germ ano, porque, digamo-lo outra re :. a Igreja não põe nos altares histéricas nem ilusas. M a s há também no A u tor desta obra um a qualidade que o preserra dc precipitações e de entusiasmos des­ cabidos.
O s A póstolos obstinaram-se cm n ão acreditar na

verdade da Ressurreição, em quanto a não rissem c a p a l­ passem. O P s G erm ano principiou por nem querer ir re r e a p a lp a r, a-pesar-de instantemente solicitado pela S a n ta c por seu confessor Mor.s. V olpi. F o i necessário que seu. Superior Provincial interviesse, dando-lhe ordem expressa de ir a Luca. ■ t C . já que me referi a M o n s . V olpi. n ão será ino po r-

P

R.

K

F

A

C

I

O

X V/l

tuno acrescentar. â guita Je p arè n ta c . q-jc êstc n ão sc mostrou menos exigente c céptico.

v ir t u e -o

Prelado, confessor dc Gema desde a mais tenra infànci,a.
A /as tar.;réni

ele. ccm o 7 'on:e. rc/u a cair J c jcelhcs d;ar.sc da verdadef: no falecer. a 1!) dc Junho dc 1921. quando ;a Üare-a: .i
o.s horizontes do seu espirito a aurora da glorificação !e

G em a G algani. qi-.is deixar em tc: tamer to te a farte da sua fortuna para sc levantar um templo A santidade -;j sua penitente.
• • t

C aro leiter. q u an d o ehegjret ao termo d a t a * pagtrtes. n ão terãs a m enor dificuldade ern fazer i u j * j í
j-

rras d o F.ni.ri • C á rd ia ! i:r. A . Gau;::ct. O . S f í . a? pre­ fa c ia r a trad::-;.lo inglesa desta í iegraf-.j «Qv:ar.: >a ~.:m.
n ã o conheço b io g ra fia dc santo pcrtcnccntc a qualquer cpoca da I$re;a que r.mfo tenha j;-ra\ ínado do -s.eu e s p irro o sch:-:na:i:ral. c o n o a bicara!;.» dc C e tra Ualqan». cscrica pelo P.* G erm ano. C c n i:d e r o a v:da dc G c in a cc:r:o um daqueles .*ux*.!ics q . ç dc tftr.pcs a fc~pos nos >ào da d o s p.v. i avijjerar a r.o v a t i e as nossas alm as dc D e u s...»

m .ií ;:a ‘.a L).t■c a
r u is

Assim c de-facto.

/■ raro er.cer.ttae na do\

cristã um a rida tão a tu rad a dc sehe-aSura!. que D eus quis inundar a <craftca d .

extraordinários carismas, para que o r.o*so scc::\ \
c um scculo de naturah-mc e de mater.a pudeste a r.::.':r

o m u n d o sobrenatural.

/:

<e c j- .V .i a >arr i /a u :-

n .V á o exercida pela n d a de G em a em todo o /- ando.

S ã o exemplares d a >i:.i c ida que dc ano para ano se têm esgotado por dezenas de milhar cm edifões sucessivas:

A T ///

SANTA

GEMA

GALGANI

{

u
•'J K ^

sáo traduçòcs que se multiplicam cm tódas as lir.guas conhecidas. Sáo graças c milagres, são conversões. que como chuva benéfica de bênçãos não cessam dc procla­ mar que verdadeiramente operou nela grandes maravi• "ias quem c poderoso c cujo nome c santo. Ate os leitores sôfregos do sensacional tem encon­ trado nc>tdf páginas o que nem nas páginas tie novela r.crr. r.os filmes do cinema têm p-ydido saciar essa avide: de paladares estragados N ão c o sensacional mórbido, produzido por fantasia< r u í* cu menos engenhosas, o sensacional sempre mentiroso do romar.ee que encon­ trarás nestas páginas. It o sensacional que inspira os grandes ideais da santidade, c sensacional que eleva ns r.lrr.a«. que as transfigura e arrasta até ao heroísmo da virtude, porque e o sensacional inimigo do fantástico, qtie só se alia com a realidade pura e simples: realidade empolgante, como as que mais o são. mas antes de tudo. realidade flagrante, realidade autêntica, realidade pal­ pitante. Tais são as grandes realidades que sc desenrolam n e iti biografia e que tio salutares revoluções têm provo­ cado nas alrrjc generosas, desde que o nome de Gema G algani começou j ser prenunciado fora de I.u:a.

N a profusão de tão extraordinários carismas, enriqueceram a alma de Gema. vê-se que de-facto est abbreviate manus Domini. £ porque o Senhor r.ào encolheu ainda a sua pródiga de dons sobrenaturais, praza ao céu que

que non mão pela

leitura duma rida que c tfda ela um n o numer.to levantado «i5 maravilhas do Altíssimo e uma epepeia d*s divi­ nas prodigalidades. sc suscitem em Portugal renovado pelas virtudes dos novos, r.ovas gemas. novas pérolas de igual quilate. jdias de refulgente sanridade. eomo a que hoje. -ia apcteóse duma suprem* i k t n j J o , subiu glorificada ao altar de Deus. Em ve: dsma ónica es­ tréia. serà urr.a esplendorosa ccnstelaçSo a eintdar no firmamento da lgre;a S’So te detenho r:ais. le:tcr. Oxalá untas atrai-és destas paginas palpitar o coração dc Gema Galgani. comunicando aos seus leitores os ir.cêndtcs de atncr d ivir.o que ela experimentei:, comunicando-lhes etsat tuas instas dc amar. que te le .ario a dizer t a / w : foi uta
ícraíim q-c passou p<!a terra.

Draga. 2 de M aio dc 19i0. , Feita da Ascensão do Senhor. t
P.e JO SH D E O U V E ! R A D IA S . S. J.

C

A

P

í

T

U i

L

o

I

Nascimento c infância dc G e m a __Pre­ coces flores dc virtude — Doença morte de sua m5i
— i* : s . i«so -

e

AMIGUANO. pequena povoação virinha da cidadc de Luca. na Toscana, foi o berço da angélica virgem, cuja vida vou descrever. Nasceu a 12 de Março de 1S7S. Seu pai tinha fita d o residência com todos os seus. havia j* olguns enos. resta localidade, or.de exercia a profissão de farmacêutico. Chamava-se Hcr.rique G a lg a n i e era descendente por parte da r.ãi. scgur.do sc dir. da famiUa do Beato João Leonardo. Sua mãi. Aurélia. pertencia A respective! casa dos Landi. Eram dois cristãos dc fé antiga. D o seu casar.ento nasceram oito filhos: cinco meninos, um dos quais morreu ainda no berço, c trés meninas: excepto três todos morreram no verdor dos anos. Gema era a mais vélha das meninas. Segundo o costume de pais verdadeiramente cris­ tãos. os esposos Galgani eram solicitos em r.ão retardar aos recém-nascidos a graça sacramental. Por isso. no i

2

SANTA

GEMA

GALGASi

dia seguinte ao do nascimento. levavam-nos à pia baptis­ mal para serem regenerados cm Cristo. O mesmo acon­ teceu com Gema, baptizada vinte c quatro horas depois dc nascer, na manhã do dia 13 dc Março, pelo P.f Pedro Q uilici. Pároco de S. M iguel (1). N ão deixa de parecer singularmente providencial o nome que a menina rcccbcu. Ficava bem o nome de Gema a uma criança que pelo brilho das suas virtudes, devia ilustrar a sua familia c resplandecer na Igreja dc Deus como pccoh brilhantíssima (2). Seus pais escolhe­ ram-no. levados certamente pelo grande aíccto que con-

(1) Ga!$ar.l:

Eis. por ordem crono!ógka. o r.orc dos filhos da casa

Cuido, nascido a 30 dc M aio de 1871: falecido perto de P;sa <!:a!ia) a 19 de Junho de 1922; Heitor. nascido a ? ! de M arço de 157J; íaleciio no Brasil em 1927; Euçtr.io. nascido a 5 de Junho de IS76; falecido em L u:a a I I de Setembro de 1S91; C f f l i — M aria — llmberta —- Pia. r.ascida a 12 de Março ie 1S76. falecida a 11 de Abril de 1903; Artòr.io. n a u (do a H dc M arço de ISSO; faleodo em Lu* a a 21 de Outubro de 1W2: Ar.$e!a. rasc:ia a 30 de Setembro de ISSl; úr.ica sotievi­ ver,te & data da car.oniraçSo de Gema. V iveu na America do Su!. Actualmente viúva reside em Luca Jú!ia. r.ascida a 30 de O utubro de 1SS3; falecida em Luca a 19 de A$ô*to de 1902. Acfrca do cutro filho, falecido quási ao r.aKcr. r io temos noticias certas. (2) Gemma em I taliar.o. do mesmo modo çue em portu^uff. significa pedra preciosa. (N ota do Revisor).
\

c

A

P

I

T

u

L

O

1

3

sagravam a esta filha abençoada. Entre todos os seus irmâo:inhos Gema era a mais querida. Henrique G a l­ gani dizia muitas veses: «só tenho dois filho»: Eugênio c Goma». A inda não era decorrido um m is depois do nas;iir.cnto da querida menina, quando Henrique Galgani. para ficar em condições dc d a : a seus filhos educação r.a is esmerada, fixou residência em Luca. cem tid s a sua familia. H avia nesta cidade um per.s:onato para ac&r.os e meninas, magistralmente dirigido por duas Irsiis. *s Senhoras Emilia c Helena Valltai. H. Galgani. q je as tinha conhecido muito bem r.a sua pequena cidade tatal quando, ainda jovem, vivia cem seu pai Carlos, deuter e n medicina r.ão hesitou em lhes confiar E ugtm o e Gema. e depois sucessivamente António. Angela e Ju!»a. Gema freqüentou éste instituto durante cisco ano*, mdo para lã de manhã e sò voltando â tarde ao se;o de sua familia. domiciliada então r.a v e in k i rua dos Bctgh «. Do-pressa aprendeu as primeiras letras, assim ceno a prática de pequenos trabalhos manuais, prôprics d 3 seu sexo c da sua idade. Suas belas disposições morais, não menos que suas qualidades intelectuais, causaraa grande admiração às mestras que. alguns aros depois de Gema ter saido de casa. escreviam: « A querida Gema apenas tinha deis ar.es quando o pai nes conficu a sua

cd^'a;ão. Mostrou desde lego uma inteligência preccce. parecendo até que a ra :ão ja tires se nela desabrochado. Si>uda. reflectida, grave en tjda a sua conduta, err. r.aJa se parecia com as companheiras, mesmo mais velha i.
. -'

* I
,4

SASTA

GEM A

GALCAN I

Nunca foi vista a chorar r.cm a discutir; a sua fitio. nomia respirara sempre uma sorridente serenidade. M os­ trava-se sempre a mesma, quer fôsse elogiada, quer [ósse repreendida. A sua resposta, cm tais circunstâncias, con­ sistia cm um modesto sorriso, cmquanto que a sua ati­ tude conservava uma calma imperturbável, embora fôsse dotada de um temperamento viro e ardente. Emquanto tiremos a felicidade de a possuir, nunca houve precisão de a castigar. Nas suas pequenas faltas, inevitáveis cm tão tenra idade, bastava uma ligeira observação para a fa:cr entrar logo na ordem. <Deis irmãos e duas irmãs a acompanhavam à nossa cscola: só uma ve: foi surprendida em discussão com eles. Á nerenda privava-te cm seu favor da melhor fruta. A refeição do meio-dia preparada no instituto. Gema mostrava-se sempre satisfeita: nos lábios nunca lhe mur­ chava o seu perpétuo sorriso. Aprendeu sem interrupção, e primeiro que os outros, as orações usadas cm nossa cscola. cuja recitação com­ pleta levava cerca de meia hora. Aos cinco anos lia o oficio de Nossa Senhora c dos defuntos com tanta faci­ lidade como uma pessoa grande: tal era a diligencia que tinha empregado no estudo do breviário, que já sabia ser um tecido de louvores ao Senhor, lira. além disso, assí­ dua no trabalho e dc-pressa compreendia tudo o que sc lhe queria ensinar, mesmo coisas acima do nivcl de sua idade. Tais qualidades tão raras cm uma tenra menina, faziam com que Gema fôsse amada em nosso instituto, especialmente per suas companheiras que parecia não poderem saciar-se de sua companhia».

C

A

P

I

T

U

L

O

I

í>

A inda h j pouco ( i ) tive ocasião dc ver confirmado pelas duas referidas senhoras tudo o que s« contém resta relação, a qual termina com o facto seguinte: *Acérca desta inocente e virtuosa menina diremos mais que. por suas orações, alcançámos de Deus uma graça extraordinária. Tmha-se declarado na cidade a coqueluche, atingindo todos cs m cnbrot da r.ossa lami-

ha. Um consciência nào pcdiarr.es. pelo peripo de con­ tágio. conserrar conr.csco os cinco filhos de 11. Ga!$am. N ào sabendo que fa:er. aconselha mo-no: con o Pareço da sua freguesia, o qual no< dnsc que não abtndonissemos .if pobres criancinhas: tar.to mais que sua rr.j i estaia graremente doente e em perigo de vida. Aceitámos o conselho e imediatamente, obedecendo aos nos tos dese­ jos. Gema começou a implorar os auxilies de Deus. desaparecendo a doer.ço sem ter atingido una só da« nossas educanda?. — Assinado: F.mili* e Helena Vallin :». H. Galgani. que contemplava com satisfarão os rápidos progressos da su.i Gema na virtude e nc estude, sentia aumentar cada ve: mais a sua ternura paternal para com ela. Nos dias feriados qucria-a incessante­ mente junto dc si. Sc era obrigado a ausentar-se. à r.c.tc quando voltava, as suas primeiras palavras exam q u áji sempre estas: «/: Gema. cr.dc estJ ela?». In d x avam-lhc então o estreito aposento ende a querida eeniaa sc recolhia habitualmente para estudar, trabalhar cu pedir

»l) hi

O autor t u r t \ e ? o c í o *ijn if:c j p c rt.«!o « jj

it p ^ i da is c f * ia S í s : j «A r.ia poe 190 5». (N eta io Rtvisor).

6

SANTA

GEMA GALGANI

% a protecção do seu Jesus, passando quási despercebida na casa. Era uir.a alegria para H . Galgani levar a passeio a sua querida filhinha pela cidade ou peto campo. E sc não era possível, cm (ais circunstâncias, chegar a casa A hora da refeição, encomendava para ela nos melhores hot&s as iguarias mais e.vquisitas; para ela também m an­ cava vir dos mais céjebres estabelecimentos os vestuá­ rios c enfeites. Semelhante parcialidade, porém, por muito merecida que seja. não é para louvar num pai. sabendo-se quantas invejas c discórdias provoca quáíi sempre. A própria Gem a. cuja rectidão de espirito e de coração se m ani­ festou. podemos afirmá-lo. logo ao sair do bctço. cão agradava este procedimento do pai: e. embora os seus irmãorinhos não manifestassem sombra de inveja, ela queixava-se vivamente a seu pai. protestava que não merecia distinções c que não as queria. Q u an d o r.ào conseguia impedi-las. chorava dc desgosto. Algum as veies êste pai afectuoso tomava a encan­ tadora criança sóbre os joelhos para a cumular dc cari­ cias c dc beijos. Encontrou sempre resistência e quási nunca levava a melhor. Aquéle anjo cm carne pensava, num a idade tão tenra, que não se deve fa:cr distinção entre as pessoas no que dir respeito à modéstia, c por isso. debatendo-se com suas pequenir.as forças, excla­ mava chorando: «iV jo mc toque. Papá. — M as cu sou teu pai. replicava êle. — Sim. Papá. mas cu nJo qjicro .«cr tocada por ninguen?. Para não a contristar o pai deixava-a logo em par. E embora ficasse descontente, terminava quási

c

A

P

I

T

I!

L

O

I

7

serr.pre por misturar suas lágrimas com as da filha, adm i­ rado de ver tanta virtude em tão tenra idade. Conhecendo o poder mágico das suas lágrimas, o pequenina Gema. que foi sempre m uito atilada, sabia tê-las de reserva para casos inocentes em que o seu efeito era infalível. A ternura da Sr.* G algani para com sua filha, não r.er.os profunda que a do pai. era de outra têmpera. Era esta senhora uma verdadeira saata c um dos mais perfeitos modelos dc mãi cristã. O ra v a incessantemente ç abeirava-se tòdas as manhãs da mesa eucarística, em­ bora o seu cs:ado dc saúde lhe r.ão permitisse ir & igreja scr.ão com grar.de dif:culáadc. Era o P ã o dos »ajos que n enchia de fórça e dc coragem para se desempenhar, com pontualidade c perfeição, de todos os seus deveres. Amava todos os filhos, mas o seu coração era atraído para Gema dum modo mais particular, porque nela. melhor que nos outros, se manifestava a predilecção do Senhor. Efectivamente a graça do Altíssimo tinha começado tem ce io a formar esta alma aind a tenr*: manifestava-íc no seu carácter tão bom e tão dócil, no seu amor ò solidão e ao silêncio, no desprêzo de diversóes e de futílidades pueris, e numa tal ou qual majestade de porte que não se costuma encontrar na idade infantil. Em vez de se expandir em vãs demonstrações de ternura sensível, a Sr.* G algani. cônscia do seu dever. codos os cuidados na cultura dêstes gérmens pre­ coces de virtude c ccn*t!iuiu-jc. sem hesitar, directora e>pi:i(uj! de sua filha. Gem a recordava muitas vezes com reconhecimento as indústrias incessantes com que

8

SANTA

GEMA. GALGANI

%

$c exercia éste magistério nntcrn.il. c declarava dever sobretudo a sua mãi o conhecimento de Deus c o amor da virtude. A Sr.* Galgani tomava muitas vezes nos braços a querida menina e. apertando-a contra o seio que a tinha nutrido, dava-lhe santos ensinamentos, acompanhados ir.uitas veres dc lágrimas: «Pedi tanto .1 Jesus. lhe diria ela. que me desse uma filha: ouriu-me. c certo, mas um

pouco tarde. Estou doente c dentro cm breve terei de te deixar >.
Explicava-lhe as verdades da nossa santa fé. o valor da alma. a fealdade do pccado. a dita dc scr tôda de Deus e a vaidade das coisas déste raundo. Outras veres mostrava-lhe o crucifixo e diria: «Olha Gema. este querido Jesus morreu na cru: por r.ós■ > : e. adaptan­ do-se à capacidade da menina, procurava farer-lhe com­ preender o mistério do amor de Deus para com os homens c o modo por que todo o cristão é obrigado a corrcsponder-lhc. Para lhe incutir o hábito da oração recitava com ela várias preces, de manhã ao levantar, á noite antes de se deitar c com freqüência durante o dia. Todos sabem quanto custa ás crianças ouvir instru­ ções religiosas c recitar orações vocais, incaparcs como são dc estar atentas muito tempo, c inclinadas á dissi­ pação c aos brinquedos. Gema nào era assim. A sua felicidade consistia nestes primeiros ensaios dc piedade cristã. Nunca se cansava de ouvir e dc orar. E quando sua n ã i a deixava, por causa dos cuidados doméSticos. a querida ir.enina agarrava-se-lhe aos vestidos, direndo: «A fam i. fale-me

um pcuco mais de Jesus».

C

A

P

I

T

U

L

O

I

Esta piedosa mãi. ã ircdtd.i que sc aproximava o fim da sua vida. com o aumento d e j sofrimentos, rodobr.iva cíc zelo na educarão re3:g:csa do» filhos queridos. Todos os sibades acompanhava ou. não podendo, m an­ dava acompanhar os ma:s \elhcs i igreja para con­ fessarem. Deste medo q-jeria hab^tu.S-lcs cedo à frequenoa dc tão salutar sacramento. Ela mesma c i preparava; e

C a n ijlijn j - ( . i 'J < n s ’
it íe ã J ã ) c ii- c s .fi

•» * c

'Í J r j v . *
.1 - ' j

.1 ; . v r j J j <f:rci.’J J .l
j / j.v r lc ia

,-cf i% »i r-i

10

SANTA

GEMA

GALCANI
ê

quar.do chegava a ver dc Gema. a vista da sua gravi­ dade. do seu recolhimento e da viva dor que sentia pelas suas pequeninas faltas, arrancava-lhe muitas Vezes lá ­ grimas. Um dia disse-lhe a r.3i: « O h ! se cu pudesse lerar-tc comigol Querias rir? — £ para or.de7 preguntou a menina. — Pa: j o Paraiso a «Ver com Jesus c com os anjos». Estas palavras encheram a criança de grar.de alegria, c dcsdc èsse momento ateou-se em seu coração um ardente desejo dc ir para o céu. de»cjo que aumentou sempre, terminando por consumi-la. «Foi minha ir.ãi. escreveu mais tarde Gema. que começou, sendo eu ainda pequenina, a fazer-me desejar o Paraiso>. E acrescentava com sua simplicidade habi­ tual. refcrindo-sc à proibição de pedir a morte: «Agora, se ainda desejo ir para o céu. c ros peço licença para isso. respondeis-me com um fortr.al não. E u tinha dito a minha mi t que sim. e rccordo-me que. depois de ela me ter d:to que quer/a lerar-me p<tra o Paraiso. a minha ro-:tjJe era não a ceixar mais. nem sair do seu quarto». A doença de D. AurÜia era a tuberculose que h i cinco anos a ia consumindo. Logo que os médicos re­ conheceram a natureza do mal. foi proibido severamente aos filhos apro\imarem-sc do leito da pobre enfirtna. Gema ficou muito aflita por sc ver assim dc-repente separada daquela que amava duplamente, como m ãi e como mestra. Pediu, chorou e com muito custo obteve que abrissem para ela utra excepção. E agora imagine o leitor como é que a fervorosa menina se aproveitaria da permissão obtida. Aproveitou-a bem: mas. a-pesar-disso.

C

A

P

Í
. >

T

U

L

O

!

II

mais tarde. farendo um cuidadoso exame de consciência, ficou muito aflita por lhe parecer que tinha desobede­ cido e que se tinha deixado levar pelo capricho. Ela mesmo nos vai d i:c r o que fa:ia junto do leito da e n­ ferma: «7ot/as às r,o:tcs. ar.tcs dc me deitar. u junto dela para dizer as orações. ajcelhaia á cabeceira do leito c rezava». Sublime impulso de uma criança que nem sete anos completos tinha ainda! Entretanto a tísica multiplicava os seus cvtragos. e o dia da suprema separação não podia tardar. A piedosa m ii teve o cuidado de fa:er com que G ena recebesse o Sacramento da C onfirm ação ( I ) . «Que melhor poderei cu fazer, pensava cia. do que ccr.fiar esta querida fJhifi/u ao Espirito Sar.to antes de dar contas ao meu D e u if Quando cu lhe faltar, sei a quem fica entregue». Ela mesmo a tinha jA ido prep.irar.do e afervorando para receber dignamente aquvle sacramento. Mas. r ã o satisfeita com isto. m andava vsr tòdas as tardes a sua casa uma mestra de do utrina p.ira aperícs-çoar a sua obra. Depois, na primeira ocasião que se ofereceu, a 26 de M aio dc ISS5. levaram a criança a basílica dc S. M iguel in Foro. onde o Sef.hor Arcebispo Nicolau G hilardi administrava o Crisma. U m pormenor, que escapou mais tarde à sua reserva, r.cs d a r i uma idea d n graça» de c!e:ção. dc que o E»p:r»to Santo a cumulou. Terminada a cerimónia, as pessoas que a tir.han

(t) Na ItAJia. ic ro cn ir.c.tc» c«:r»t ,'j.k i catfÜcct. as ir.jr.ças f íctlv:n ti:« Sicrsxtr.'.o. ir.'.n pric*;ra co-.r.ur.h.3o.

I

12

SASTA

GEMA

GALCAN I
$

acompanhado quiseram ficar na igreja a ouvic missa em acção dc graças. Gcma alegrou-se com o pensamento dc poder consagrar êste tempo a Deus. recomendando-Ihe sua pobre mái quási moribunda. <Eu ouvis, o melhor que me era possível. a santa missa, conta ela. e orara pela mamã: de-repente uma vo: diz-me ao coração: Q ue­

res dar-me tua mamã? — Sim. respondi eu. mas com a condição de que também me levareis. — Nào. replicou a voz. dá-me de boa vontade tua mamã. Conduzir-ta-ei ao céu. Dâs-ma dc boa vontade? Fui obrigaJa a dizer que sim. Terminada a missa, corri para casa. Meu Deus! Permanecia junto da mamã e chorava. N ão pedia afa «tar-me dela». Foi esta. segundo os apontamentos dc que dispo­ nho. a'primeira comunicação sobrenatural com que Gcm a foi favorecida. A circunstância da descida do Eypirito Santo pelo Sacramento da Confirmação a uma alma tão pura c. por si mesma uma prova convincente dc que foi Ê lí o verdadeiro autor dêste colóquio, facto que os acon­ tecimentos futuros mostraram ser verdadeiro. Gcma tinha feito a Deus o sacrifício do que no mur.do lhe era mais querido; no céu lhe ficava certo o mérito. D c volta a casa. entra no quarto dc sua mái e cncontra-a quási a expirar. Ajoelhando junto do leito, desata em soluços. re:a com o coração angustiado e declara que não sc afastará deste leito, porque quere recolher as últi­ mas palavras de sua mái. Embora conformada com a vontade divina generosamente aceita junto do altar. Gem a conservava a esperança secreta dc a seguir ao céu.

C

A

P

I
ft

T

U

L

O

I

«3

Entretanto a doente experimentou certas melhoras efêmeras. Depois tomou a piorar, c perdcram-ie tòdas as esperanças. O pai. porem, temendo que a presença duma filha tão amada apressasse o f ia da moribunda, mandou-a sair c confiou-a. até nova ordem. a uma tia materna chamada Helena Landi. Passado pouco tempo, a 19 de Setembro de 1556. D. Aurélia G algani expirava santamente na idade dc trinta c nove anos. f.cvararr a triste r.ova a G cm a. que a?nda estava em casa da tia. A resignação desta criança dc oito anos foi tanto mais admirável, quar.to mais cruelmente a dor duma tal separação havia de ser sent.da pelo seu cora­ ção tão afectuoso. £ assim. 6 r::cu Deus. que. para as desprender do nundo c as purificar sempre mais. Vos cotr.pra:e-.s cm abandonar ao martírio as almas que Vos são mais quendas c desde os seus mais \erdes anos!

Começa a freqüentar o Instituto Guerra Primeira C om unhão e retiro preparatório - i>io - i*»: —

inuito bca c piedeja que físse D . Helena Landi, não pcdta atenuar em Gema a saudade dc sua nsii. A «anta menina, que só sent>a cnconto nos exercícios dc piedade. experimentou bem dc-prcssa a íalta que lhe lèz sua querida mi». «Fo» entio. dtssc-mc ela um dia. çue tire ui:dâde$ do tempo en que a minha rr.ái rr.e fazia orar tanto*. Desejava ir à igreja dc mar.hâ cedo e nm guírn a queria acompanhar Aquela hora. Desejava er.conirar-sc sòrinha para conversar ccm Deus e n io lhe deixavam u::i momento dc tranqüilidade. Grande p<cadcra como era. diria, tinha necessidade de se ccnfcssar todos cs dias: c raras xc:cs lhe concediam esta satisfação; tào manifesta era aos olhes de tedos a sua cAndtda inocéncia. Privada dc director espiritual, ningutm lhe falava dc Jesus, único amor dc sua alma. A pobre menina sofria pois c morria de desgôsto cm S. Januário. Entretanto Helena Landi, que amava muito a sobri­

nha por suas maneiras ingênuas e graves, por sua mo­ déstia c esclarecida piedade, verdadeiramente excepcio­ nal em c ria ria de tão tenra idade, esperava obter a permissão de a conservar ainda muito tempo. Informado deste projecto. Eugênio, irm ão de Gema. i» quem a ausência da irmã. desde alguns neses. parecia intolerável, fé : valer junto do pai todos os argumentos próprios para impedir uma separação mais prolongada. E o S: G algam não linha menos desejo de conservar cm casa a sua filhinha predilecta. Depois de madura reflexão sôbrc o melhor partido a tomar, cm seguida ã dor cruel que acabava de o ferir, chamou para junto dc si todos os filhos, dispersos por várias partes, a-fim-de olhar melhor pela sua instrução. Era nos fir.s de D e:cnbra de I5S6 Gcm a entrou, pois. na casa paterna no meio das lágrimas dc alegria de tóda a familia e particularmente de seu irmão Eugênio. N ão devia pcnsar-sc cm interná-la numa casa dc educação: um novo afastamento custaria muito ao cora­ ção terno de sou pai. Mandaram-na como externa ao instituto, tão célebre, das Irmãs de Santa Z ita . vulgar­ mente chamado instituto Guerra, do nome de sua fun­ dadora. Excelente lembrança a do Sr. G algani cm con­ fiar sua filha a estas mestras eminentes que d ão is meninas, juntamente com vastos conhecimentos literá­ rios c artísticos, uma intensa instrução religiosa, forman­ do-as r.uma sólida piedade. Gcma exprimiu nestes têrmos ao seu director a ale­ gria que lhe causou esta determinação dc seu pai. inspi­ rado muito provávelmcnte por ela: cLogo que comecei a

E x e rc id o de d<»<aho e prova « k h s j (d » ta d o ) de franc i s — extraídos d o caderno escolar de S on:a C err.a. ç-jar.do a '.u r j do

ír.sJituío C u e n -j

N. B.

Neste [ac-sirr.iU a dstiafi-jenj períeitac-.er.se 01 erros de Gesiaiir.ha < ai corrccs®«M da ir.eitra

V

C

A

P

Í

T /

U

L

O

I I

17 .

[requentar a escola das religiosas. C JÍirá no Paraíso». Efectivamente sob a direcção de mestras consagradas a Deu», entre tantos exercícios e prAticas dc piedade, sAbiamente distnouidas pelo decorrer do dia. com tar.tat instruções c exortações religiosas, a fervorosa menina, habituada por sua n á i a viver cais no céu que r.a terra, dev ii sem dúvida encontrar-se r.o seu elemento. Logo que se viu neste instituto. G c = a solicitou o favor dc fa:er a sua primeira comur.hão JA desde h i muito, ferida r.o coração por Jesus c o a as setas do ma;s puro amor. como inocento potr.ba soltava gemidos e cor.sumia-se com o desejo do se unir a Ê!e pelo Sacramenta da Eucaristia. Sua m ii querida tinha-lhe descoberto tòdas as doçuras e dado como que um ante-gâito diste manjar celcstc. Para intensificar mais e mais os seus ardores. condu:ia-a muitas veres ao pé do santo taberr.iculo. donde o Senhor difunde os raios da sua graça c as chamas do seu amor sôbre os que O procuram, c principalmente sôbre as almas sisples e puras. Excessivamente apaixonada pe!o Amigo Dtvinc. Goma queria-0 c. todos os. d:as. suplicava com lAgrimas ao seu confessor, a seu pai e a sua mestra que lh O dessem. Opunham-lhe o costume de não s< admitirem A comunhão crianças de tão pouca idade, u n t o ma:s que sua pequena estatura c membros dehcados mal aparen­ tavam seis anos. quanto mais nove. Gema. porém, voltava incessantemente A carga, com argumentos sempre novos: * Dai-me Jesus e haveis de ver que serei mais sossegada: não farei nais pecados: não serei já o mesma. Dai-mo: sinto-me consumir e não posso ntais>.
s

18

SANTA

GEMA

GALGANI
\

P e r a n te iã o e x tra o rd in ária s instâncias, o confessor, P .e V o lp i, q u e veiu a ser b is p o d e A re zzo , te rm in o u por ce dcr c disse a H e n riq u e G a lg a n i que. sc n ã o q ueria ver a su a fiih a definhar de tristeza, era preciso autorizá- la sere d e m o ra a nutrir-se ccm o P ã o da rida. Q uem poderá descrever a alegria dèsse a n jo ao saber d e s ta dete rm inação? D e p o is de ard entes acções de ç r a ç a s a o Senhor c à S a n tís s im a V ir g e m , p rocuro u o m e lh o r m o d o dc sc p re p ara r p ara tã o in s ig n e favor, c to m o u , scir. deliberação c e m o ra d a . o p a r tid o dc se re­ co lh e r n o convento de suas m estras p a ra a i seguir, crc: p a c ific a so lid ão , um curso re g u la r de exercícios espi­ rituais. N ã o era fácil le var o p a i a aceitar este projecto, pois ju lg a v a n ã o poder ficar u m s6 d ia p riv a d o d a sua c u e r id a G e m a . E la porém fo i tã o insistente c tantas lá g r im a s derram ou q u e a in d a desta vez H e n r iq u e G a l ­ g a n i sc v iu o brigado a cedcr. O u çá m o - la : é ela mesmo q u e r.os v a i contar o re sultad o :

aQ btU 'c a permissão A far d c , e no dia seguinte de m a n h ã f u i sem perda de tempo p a ra o co/:rc/:(o. ende fiq ue : dez dias. D urante este tem po não r i ninguctn da m in h a fa m ília . M a s como eu estaca bem! que P a r also! A p e n a s me r i no con rente, ccrri â capela a agradecer a jesus e a pedir-lhe ardentem ente que me preparaste hem p ára
a S a n ta

C om unhão. N e s ie
um

momento senti nas­ desejo de conhecer

cer em P a ixão >.

m inha alma

g ra n d ç
a

circunstanciadam ente tôda

vida de Jesus e a sua

)á dissem os que G e m a tin h a sido in ic ia d a na m e d i­ ta ç ã o p o r sua própria m ãi. M a s q u e m tin h a e n sin a d o a

C

A

P

I

T
f

U

L

O

!

I

ID

éste a n jo dc no ve anos q u e - o m istério da P aix ão d o S a lv a d o r está tã o in tim a m e n te cundo 6 passar pelo p rim e iro ? liç a d o ao m istério da C ertam ente o mesmo E u caristia, que o m elh o r c a m in h o p ara chegar ao se­ C sp írito S anto , q u e a tin h a jA snund .ido dc tan ta lu : e in fla m a d o ce ta n to am o r p a ra com o A u g u s to S a c ra ­ m e n to do a lia r. «A /a n :/e iíe j este deseje a m in .'ij m esit*. co ntinua G e n a , c c/a começou im ediatam ente as sr.as r i ^ / i f j f c c í .

U n a noite. era j.i f.i rde. /d/ara- m e

c /j

da crucifixão,

d.i coroação de espinhos, de todo* c< supiicios de Jem s:
/<*.: um a pintura rã o r:Va q::c um a der inteniJi te apede*

coa de seguinte.

mim,

causando-mc

r.o

mesmo instante

uma

febre ardente que

m c prendeu ao leito ledo o dia

.As explicações foram-me s u p r im id a imediatamente.

iS e g u ia as práticas na c a p d a . Tc-dcs os dias o p re­ g a d o r rjos dizia: c Q u e n se r.uíre dc fesus v ire tá da sua vida». Estas palavras cnchiam-me de grande cônscia;. ic. levavam-me
a

fa :e r

este

racscvin:'*?

*Sendo

assim,

q u a n d o Jesus estiver com igo, r.jo viverei mais em mim, l isto que cm m im viverá. Jesus*. £: ard.a em d e s e ja de chegar ao m om ento em que pudesse d i;e r com t ó d j a verdade: <Jesus vire «.v.t rrirm». A lgum as v e :cs. m edi­ ta n d o cite pensam ento, passava tóds a r.oite a consumir-mc de desejos. Preparei-me para a confissão gera! que f i: . indo por t:cs ve:es aos pes d o S enhor P / \ 'd p i. terminando-a no sábado, véspera d o ditoso d:a>. ■
fcste d ia fe li: foi o d ia 17 d e Ju n h o dc ISS7, íesta d o S ag rad o C o r a ç ã o de jesus. tran sfe rid a da sexta-feira

antecedente. N a véspera. G cm a quis cscrev«r a seu pai. Inspirando-se no seu coração tão chcio dc celestes afec­ tos. fez só por si a carta seguinte, breve, porque, quanto mais o coração transborda, menos se fala:

«Querido papá. estamos na lêspera do dia dã pri­ meira comunhão, dia pa:a mim duma felicidade extrema. Resolvi escrever-vos estas poucas linhas para vos certi­ ficar do meu amor c vos di:er que peçais a Jesus a-fim-de que. na sua primeira vinda à minha alma me encontre preparada para receber todas as graças que me tem des­ tinadas. *Peço-vos perdão de tanta ? desobediências e de todos os desgostos que vos causei; suplico-ix><. nesta tarde. que esqueçais tudo. • Pedindo a vossa bênção, subscrevo-me vossa filha m uito afectuosa. G E M A * . A ntes de sair do santo retiro. Gema pòs por escrito a s resoluções seguintes: */." Sempre rr.e confessarei e comungarei como se a morte devesse surpreender-me imediatamente depois; 2.* Visitarei muitas t ezes n Jesus Sacramentado sobretudo cm tempo de aflição: 3.* Pre­ parar-me-ei para cada festa da minha M J i celeste com Jilguma mortificação, c tôdas as noites lhe pedirei a bên­ ção ; -iS Quero conscri'ar-mc sempre na presença de D e u s; 5.’ Sempre que derem horas, direi très vezes: M e u Jesus. Misericórdia G cm a teria desejado continuar as suas resoluções: mestra, porém, que a surpreendeu a escrevê-las. r.áo l h o permitiu, com receio de que. sobrecarregando-se «nuito . prejudicasse a saúde: pois sabia bem que a terna m e m n a . dotada dum a grande firmera de carácter c dum

T U L O I I 21 t fervor extraordinário, a p lic a r ia t ò d a s as e r.c tg iz a s d a sua alma ao cumprimento d c s u a s prorr.essas. Chegou cmfim o d o m in g o d c m a n h i. c o n t i n u a com uma fc ardente a a d m ir á v e l c r ia n ç a . l e r a n i e i - m e com prontidão c corri a Jesus pe/a p rim e ira i t ; . . . s\ s m in h a s aspirações foram fin a lm e n te satisfeitas c c c m p r e e n d t então a promessa de Jesus: < A q u c :e que s e r-. u r r e de ir.ini rircrã da minha r id a » . C > meu Pai. escreverá e ’ a m a is ta rc c a o s e u c is r c c tc r * • espiritual, o que sc passou nesse m o m e n ta c r : rc~ J e s u s e mim. eu não o poderei e x p rim ir. Je s u s fet-se s e n ta r - m u ito , tnaitissimj ã minha ahr.i t in d ig n a . E x p e r im e n t a r * nesse instante quanto as delicias c/o c e u diferem d a s d e l i c i a s da terra. Senti-me d o m in a d a p e ie desejo d c t o r r m ^ r c o n ­ tinua c>ta u-.ião com o m eu D e u s . Er.ccr.trai.-a -rr-s «r c a d a re: mais desprendida d o m u n d o c m ais d is p o s e jm rccdhimcnto. Gcma quis fazer a s e g u n d a c e m u r .h â o r .o d i j se­ guinte. r a igreja p aro q u ial, a insi<?nc hasi!;c.» d e i ? . Frcdtano. onde se conserva o p r e c io s o te so u ro d o * r e s to s mortais dc Santa Z ita . A s celestes im pressões d e s u a p u e e i r a c o c i u n h ú o não sc apagaram nunca. «.*\ q u e r id a rr.cm ns. a t e s t a u m a de suas mestras, lembrara-se d è s tc belo d i a c o m um júbilo inexprímircl: nas h o ra s d c re cre io f a la r a d j * p trras c suares delicias saboreadas n e ste s d ite se s mer n-z *rntos. Todos os anos quando c h e g a r a a época d a p r i rneira comunhão, sua alegria era e x tr e m a , c se g u i* cerrz e j p r i ­ meiros comungantes os e x e rc ício s d o r e tir e p r « r p a r a tório*. Todos os anos c c n c m o r a v a c o m e s p e c ia l d c v o ç i o

C

A

P

I

02

i ‘ A .V T A

O li \ 1A

(i A I. G A N I

a q u e le

d ia g ra n d e que ch am av a o d ia

da

sua festa.

A c a rta $ci:i:in!r d irig id a act s.-u d im .t o r c m 1901 no dia im e d ia to a um <lí*sfc.s anivcrsArios. vai-nes c : : c : que s e n ­ tim e n to s a a n im a v a m e n tão . T em d u a s m eira. partes: a p r i­ ir de p ió lo g o . fui escrita n u m desses êxtases

i|-a.' a to m a v a n m uitas veies, m esm o em p re se n ça dos :.eus fam iliares. t M e u P<‘i. n ã o sei se já vo< disse q u e o d ia da festa

d » S ag ra d o C o r s ^ ã o dc Jesux é tam bém o d ia da m inha fc^ta. O f if r m r/cr um dia de P a r a ;so: esfire sempre com Jesus, /a/ei sempre dc jesus. fui ,'e/i< corn Jesus e c h o rd tam bém con 2 jesus. O recolhimento interior r d e v c-me,
r a a ií que de ordinário. unida ao /mcü bem-sm.ido Jesus...

Ú frios pensamentos do m undo. afastai-cos de mim: cu r.ào quero c.*.'ir senão com Jesus, e jesus só». Ccncen(rande-se neste m em ento cm si m esm a p a ra se hutr.iihar, co m o costum ava, depois dos
scjs

transp o rte s dc am or.

c o r.tin n a : < M cu Jesus, c aind a n:c suportais? Q u a n t 0 .•r:ar\ v penso em meus deméritos, m ais c o n fu n d id a tico. e

só encontro meio dc me tra n q ü iliza r recorrendo pron~ tem ente Jesus!»
D e p o is desla exp ansão dc a lm a . G e m a recupera os • r a t id o s e vi-sc com uma pena na m ã o d ia n te da carta ii'ii'.eçada. Retom a o seu assunto com a m a io r scm-ceri■ : .ó n i a : * P ‘ii. para or.de vai agora o m eu pensamento? / ’. r.i i> belo d ia de m inha primeira c c n iu n h ão . O ntem . à

vossa

imer.sa

misericórdia,

ó

compassivo

f»"t. i .Zn ( deste

dc Jesus, experimentei c e novo o júbilo
mi f/i.-). O a íe m de novo gozei o Paraíso. M ax,

•' j , í o um só dia. qu an d o é cerro que mais tarde o </xK\ ircr)io\ jMr.t ,vrri|irc?

C

A

P

I
i

T

u

I

O

I I

c Q c ia da m inha primeira co>r;i:n/i.io /ot. posso .i/írm á - ío , a ç u é f c e/r: q a c o m e t i " c o r / ip ã o í c c n c o n fro rj r/sa/s

abrasado de am or por Jesus. C om o possuindo Jesus ,
p o d ia

cu era

q u a w /o r

cxziam ur: Ú met: D eus. o vosso

C oração é meu. O çu e [az a vossa felicidade potle tam ­ bém la ze r a m inha. Q u e fa lta ra cntào i: m inha felici­ dade? N a d o » .
E «Ó G c m a entra d z n o v o ctr. si pata sc h u m ilh a r :

P a i P ai. m as r.em todos os dias se parecem: há

elgitns e/r. que ter.h.o vergonha de mim. O h ! Q u a n ta * rezes tenho cedido aos atractivos do mur.de>! Q u e J a u s
/•io tome de-pressa o c o r a fâ o c o guarde para si. sc v

não quere ver a in d a pecados».
N unca cu

bem

cedo roubado pelos meus
sc quisesse re p ro d u s if por

te rm in a ria

co m p le to os p ensam entos c sentim entos expressos nas carta* d e G c m a . ccni u m a e lo q üê n cia sem pre no va. sóbre o assun to d a sua prinícir.i co m u n h ão . O p rocu= i b a sta rá pnra J o n jc d a s b a ix e la s da pouco que rep j.r a v a . m o stra r em que a h u r a

terra, o g ra n d e c o ta ç ã o deste

ar.jo. desde a id a d e d o s nove anos.

fei c o n c e d id o conhccer os m istérios do reino do D e u s. ocultos ã m a ic r parte dos
D ito s a criança, bem cedo to hom ens, c saborear a s u a v id a d e c e !« t c d o M .u m Li:<.nrístico p re p a ra d o por A q u ê lc evie disse: « P que ú v m :r

a m inha eterna.

carne c beber o meu

sangue

terá

a rida

C a r á c te r

de

G e m a — Seu

espírito

dc

p ie d a d e — M o r t e

d c seu p a i e dc seu • • /

ir m ã o E u g ê n io •
— tíSS - tSCH -

« | ^ \ V E ? o :s a -----'

das

'

restas

-

da

sua primeira ardor a

*

co m u n h ão . escolar.

G em o

re te m o u

com

v id a

M e stra s e a lu n a s , que tinhaci n o ta d o desde o

p rin cip io as raras disp o siçõe s da recím -vinda. n ã o sc cansav am de a a d m ira r. E n tre ta n to a santa m cnir.a p r o ­ c u rav a d is s im u la r as suas q u alidad es p ara perm anecer desconhecida. N ã o o co nseg uia, de tal m o do tr a n s p a ­ recia a c a n d u ra cesta bela a 5 c»a cm tôda a sua pessea e so b re tu d o nos olhos. « G o r a . Gem a. lhe disse um dia urr.a d a s suas m estras. .<e eu não lesse nos teus olhos

não tc conhecia».
E m b o r a fõsse das m a is novas d a a u la. insp irava ia l respeito q u e (òdas a tra ta v a m com o mais v íln a . « E r a a aí/na d a cscola. atesta u m a o u tra mestra, e nada se fa zia

ai sem c/a. T cdas as com panheiras a estimai-am c g o s ía f a m de a associar às suas festas e brinquedos; e n ã o

obstante G e m a fir /ia

um a natureza pouco expansiva.

'_'0

S A S TA

GEMA I

CALCAS}

b re v id a d e d c palavras, acção decidida e m a n d ra s p er rezes jparcnlc.T .ctilc rudes*.
A s s im sc m a n ife s ta v a n o exterior. M a s no exterior s ò n e n t c . p e rq u e o seu te m p e ra m e n to era m u ito dife re n te . C o n fe ss o u - m c rnvitas vezes que to m ava de p ro p ó sito

C a^ip ííano ■ — Igreja paroquial dc S
b a p tizo d i

or.de o Santa foi

rr.ar.eiras um t a n t o Ásperas com ' o fim d c sc o c u lta r c com receio de c a ir n a d is s ip a ç ã o e ofensa d c D eus, cistrai ndo-se p o r c a u s a d o s se ntid o s. S a b ia dom ir.ar-se a p o n to de ih c to m a re m por e fe ito d a nossa p o b re naturc :a o que era nela fr u to de v ir tu d e . E -tratou de a ltiv a e o rg u lh o s a . *Cor?:o m e [alais dc org u lh o ? re sp e n d e u so rrin d o : fo i assim que a lg u é m , vendo-a tâ o g ra v e e tã o a v a ra de p a la v ra s , a

nc;<t sequer p e n s o nisso. N à o /a /o m uito, p crqve n J o sei
o q<ie hei-dc d i:e r ; n ã o sei tam bem sc ‘t h r i j bem cu

m al, por isso c a /o - m o .
Q u a n d o , s e n d o já m a io r. G e m a sc le m b rar d e ter sido a c u s a d a dc o r g u lh o , escreverá com im p re ssio n a n te h u m ild a d e : <Sr/n. era o meu g ra n c c pecado: Jesus ju lg a rá

sc c.s o tin h a, o:: n ã o . sem sai’Cr. fist-.rc m uitas iv z c s para ir p e d ir p e rd ã o a m.:n/ias mestras, a m inh as eorr.pao.heitãs c .i .Mestra S u p e riors. D epois â tarde e m uttas c c :c s dc noite ch o rav a em silêncio. N ã o ccnhecia c.<tc pecado cm m im *.
O h ! . . . n ã o tivésse m os r.ós o u tr o que dc**.; só §crtnína ria em n ó s . c o m o g crm ir.o u na v ir g c n :in h a dc L u ca a e n c a n ta d o ra flo r d a h u m ild a d e . O íra ç o d o m in a n te d o ca rácte r dc G e m a era a v iv a ­ cid a d e . U m o b s e r v a d o r a te n to bem dc-prcsM dcs-ccbro nc!a um te m p e ra m e n to ard ente, c u jo sa n g u e fàc*lr.:cntc irritáv e l lhe fe rv ia n a s veias. S em urr.a v io lê n c ia c o n tin u a sòbrc si. esía c ria n ç a teria sido. co m o c o s tu m a dircr-sc, u m v iv o d e m ó n io ; a o m esm o te m p o que. p e lo s recursos dum espirito p r o n to c p c rs p ic a r. teria cv crc id o sóbre q u a )q u e r um c o m p le to c o m in io . Q u a n t a s ve res a v i eu a b a fa r , m esm o á custa dc

^ #1 1-VJ/i A i
f

esforços m usculares. os p rim e iro s lera!

m o v im e n to s

de

có­

O u tr o s fo r m a r a m d e la a m e sm a o p in iã o . tE m b o e a

d c natureza i’ii>a. diz u m a te s te m u n h a , G e m a era pacifica, p o rq u e triu n fava sempre de si m esm a. L o ng e d c se perturbar, dc discutir. se alg u ém a provocava. se a m a l­ tra ta ra m m esm o , a principio vespor.dia p o r u m a m áv e l olhar, depois p o r um sorriso tã o m eigo q u e a lg u m a s rezes a sua adversária, d e sa rm a d a, se lhe lançava nos braços para a ;ip e rfa r afectuosam ente a o c o ra çã o ».
Q u a n d o lh e a trib u ia m u m a d e so rd e m a c o n te c id a na casa. d e c la ra u m a o u tra, e a re p re e n d ia m p o r isso emiro ic a m e n te . G e m a o u v ia cr.i siié n c io , d e p o is, q u e r tivesse q u e r n ã o tivesse razão , d ir ia co m v o z c a lm a : * N ã o vos

perturbeis, n ã o ves encolerizeis: serei obediente, p rom e­ to-vos, n ão fa re i mais is$or>, E r a assim q u e ê s í^ a n jo
s a b ia do m inar- se. Q u a n t o à a p a re n te asp ere za d e q u e fala u m a d a s suas m estras, p rcv ir.h a ela d o n a tu r a l fr a n c o e since ro cue p a r tic u la r m e n te d is tin g u iu esta b e m d ita c ria n ça . P a r a ela s.:m era sim. e n ã o era n a o ; b r a n c o era brar.co e preto preto. N ã o h a v ia refo lho s em seu c o ra ç ão ; fa la v a e a g ia se­ g u n d o o seu p e n sa m e n to , sem u s a r de rodeios. Ig n o r a v a tu d o o q u e r.o m u n d o se c h a m a cerim ónia, etiqueta. C u i ­ d a d o s a em o b se rv a r as regras essenciais d a d e lic a d e z a . G e m a n ã o q u e r ia saber de m a is n a d a . F a la v a fr a n c a ­ m ente a to d o s sem d is tin ç ã o de pessoas, e n ã o c o m p re e n ­ deria q u ê se pudesse a c h a r q u e d iz e r a c ê rc a d e sta s in ­ ce rid ade. D e - fa c to . n in g u é m ja m a is se o fe n d e u co m a sua lin g u a g e m o u com as su a s m a n e ira s . * 1

1

C A P Í T U L O >

1 1 1

29 ‘

P o r o u tro la d o , q u a n d o a c â n d id a m e n in 3 estava d isp o sta a prestar-se a u m a lo n g a conversa — o que era ra r o — de b o a v o n ta d e ficaria qualquer lo n g a s horas sob o e n c a n to d a s suas p alavras. É o que a c o n te c ia no in s ti­ tu to G u e rra , c u ja s alunas, n a sua to ta lid a d e , tin h a m pela sua G cir.a uni tal afecto, que haveria ura lu t o geral r.o d ia eiu q u e a do ença a firesse voltar d e fin itiv a m e n te p a ra o seio d e sua fam ília. E sta s in g u la r p arc im ó n ia dc palavras, ju n t o com um h a b itu a l recolhim ento, fizeram com que a lg u n s a ju lg a s ­ sem lir.iida p o r natureza. H o u v e até q uem a considerasse q u ã s i e s tú p id a . G o m a n ã o se preocupava co m estas a p re ­ ciações. e se lhe falav am netas, d ir ia h u m ild e m e n te : íQí.-c necessidade tenho cu de agradar a o m undo? Es-

í\ipidj. sot:-o m uito: teem-me pejr o çue sou n a realidade;
í>:35. pouco m e im porta». E s ta n d o doente, veiu um dia o m édico v i- la . A d m i­ r a d o d o seu recoihim ento. m odéstia e re p u g n â n c ia cm deixar-se tocar, tom ou-a por um a dcy o ta f a n it ic a c no fim da v isita tento u convencê-la dc erro. recorrendo a a rg u m e n to s tra zid o s dos salões m u n d a n o s . Gerr.a. até e n tã o silenciosa, respondeu im ediatam ente. R e fu to u um p o r um estes m esq uinh o s argum entos, com ta l p ro n tid ão c tal v ig e r de frase, que o pretencioso vendo-se na im ­ p o s s ib ilid a d e de responder. retirou-se c o n fu n d id o , com s in g u la r a d m ir a ç ã o das pessoas presentes. E u m esm o, m ais de u m a ver. u s a n d o d e certos so fis­ m as q uis e x p e rim e n ta r a lé or.de chegava a su a lógica e p e n e tra ção dc ju ir o . D e v o . porém , confessar q u e as suas icsp o sta s su b tis e ju dicio sas lhe deram sem p re v antag e m . T a n to 6 v e rd a d e que os hom ens ju lg a m s e g u n d o as-

30

SANTA

GEMA

GALGANI

aparências. só Deus. porém, conhece perfeitamente os corações. Voltemos ao instituto Gucrrn. A admiração das mestras para com sua discípula é traduzida nos seguintes térmos extraídos duma longa memória a que temos jà recorrido: <Tódas as religiosas, inctuir.do a Superiora

que foi sua mestra no curso superior do ano escolar IS91-1S92. tiveram uma profunda estima e vivo afecto a esta querida menina. Eu mesma, que escrevo estas linhas, tive ocasião, em virtude do meu cargo, dc a ver mais de perto e de admirar particularmente a sua sólida piedade e a sua ingenuidade infantil. Desde os primei­ ros dias em que a conheci, julguei-a uma alma predilecta de Deus. mas oculta ao mundo. <Eu ensinava as alunas a fazer de manhã um pouco de meditação, e à noite alguns minutos de exame dc consciência. Observei que Gema. conhecedora já destas práticas piedosas, as tomava mais a peito. Nunca me foi possiveí saber dela o tempo preciso que consagrara a estes exercidos. De suas respostas evasivas conclui que devia dar-lhes muito, sobretudo à meditação. * A vida de ouvir a palavra dc Deus. manifestava uma alegria extraordinária nos dias em que o capelãc rinha explicar o catecismo. O mesmo acontecia por oca­ sião das pregações que se fazem na capela do instituto nas dirersas festas do ar.o. Queria tornar-se uma santa A imitação da venerável Bartoloméa Capitanio. E eu lembrara-lhe muitas vezes a sua resolução por estas palavras: <Pensai bem. Gema. vós deveis ser uma gema dc grar.de preço».
Por sua ver a Reverenda M adre Guerra me escre­

via a respeito de Gema. trere anos depois da sua saida do instituto: « O meu pobre ccra{ão exulta ao saber que Vossa Reverencia trabalha err. glorificar uma santa das

minhas alunas. C ena Galgam. Tire-a cerca de dois anos nas aulas que dava. e posso afirmar que nunca se ofere­ ceu ocasião de me queixar dela. Era muito siltr.ciosa e muito obediente. — Irmã H eler.a Gucrta».
C om o tóda a santidade sc forma junto da C ru :. Deus pôs na alma desta jovem um vivo desejo de conhe­ cer o grande mistírio da nossa Redenção. Ccaeçou a importunar sua mestra (a mesma que ihc faiava da Pai­ xão durante o seu retiro para a primeira comunhão) e terminou por obter, à fõrça de instâncias, a prcaessa dc receber amplas explicações sôbrc este miítério. durante uma hora. tódas as veres que obtivesse na aula de: valo­ res. isto é óptima, tanto no estudo como nos trabalhos manuais. Q u e melhor recompensa poderia eu esperar? diria cia a si mesmo: e. redobrando dc diligtncia. ccnscguiu. a partir deste momento, merecer q u isi todos cs dias o óptimo, de modo que a hora do exercício combi­ nado lhe estava ordinariamente assegurada. *Quantas re:cs. me diria ela um dia. reflectindo r.o amer de Jefus

que tanto sofreu por nós. e na ingratidão com que lhe pagamos, ambas choráramos, a mestra e eu'» A piedosa directora indicava-lhe pequenas mortifi­ cações corporais para compensar um pouco esta ingra­ tidão dos homens, c dava-lhe a cor.heccr dnersos instru­ mentos de penitência. A fervorosa criança procurou uns c fabricou outros. Foi-lhe inútil, porem, insistir, pois não lhe permitiram farer uso dèles. Por conselho da mesma

* • ■ .

■ * * > v j : •. •

\

*32

$ AST A

C EM A

G A LG A X I

directora substituiu as m a c e r a i s ■ da came por uma rigorosa mortificação dos olhos, da lingua, de todos os sentidos, e mais particularmente da vontade: c nisso foi verdadeiramente admirável durante o resto da vida. N o rr.ês de Março de 1S8S foi Deus servido chamar a si esta excelente mestra. irm J Camila Vaglieusi. reli­ giosa de rara santidade, e Gema passou para a direc­ ção da irmã Júlia Sistini. bela alma de não menos vir­ tude. c dotada, dum modo particular, do espirito de oração. «5oí> a direcção desta mestra. me contou ela. comecei .1 yentir i/m.» grande necessidade de orar. Tódas a.< urdes

cepois da aula. logo que chegara a casa. cncerrara-mc r.un quarto para recitar de joelhos o rosário inteiro: de r.oite. Icvantara-me muitas vezes durante cérca de um quarto dc hora. para encomendar a minha pobre alma a Jesus*. Foi reste fervor de espirito c na par doméstica que se passou o resto do ano. Desta criança podia dizer-se o que d o Salvador adolescente atesta o Evangelho: que. avançando em idade, crescia cm sabedoria c cm uraça diante de Deus e dos homens. M as a passagem dos justos sóbre a terra è ordina­ riamente assinalada mais por tristezas que por alegrias, mais por trabalhos que por deleites e passatempos: c muito raro é que o Senhor os não submeta á prova desde a juventude para os habituar, pouco a pouco. As grandes lutas da vida espiritual. Assim aconteceu bem cedo. como vimos, a Gema que aos sete anos perdeu uma tão tarinhosa e virtuosa mãi como era a sua. M as uma tribulação muito mais

C A P I T U 'L • ) .

O

I I I

33

cruel i.i agora cair sôbre sua alma: a desolação espiri* tual. chamada pelos doutores ascéticos martírio interior. Até aqui a piedosa menina só saboreou consolações celestes e só conheceu atractivos c estimulantes para a virtude perfeita. Agora. A sua aversão scasivel por tudo o que é do mundo sucedem o desçósto. a triste:* e a repugnância pela oração. Q uàsi que j* n io sente o seu Jesus, cujos amorosos amplexos, de-repeote desaparecidos. lhe aparecera cor.? sor.hcs longínquos: sofrimento intoIer.Nvcl é-.tc para o sou cor.ição tão pcueo habituado a tal abandono, c que sc prclcngari. r.ão por alguns dias. mas por um ano q u is i inteiro. Entretanto éste período de extrema aride: não ser* para ela um tempo dc repoifo r.o caminho da perfeição. Feio contrário, sentindo ocultar-se éste Deus cujo ataor era ja o único encanto da-sua vida. lança-se c a Sua procura com mais ardor ainda, pelo desprendimento pro­ gressivo dos afectos terrestres, pela frequência fervorosa da santa comunhão c pela prãíica assídua das virtudes mais sólidas. K?força-íc por arraigar bem r.o seu coração o horror ao pecado, que veremos aumentar incessante­ mente com a idade, e uma dor cada ve: mais inter, sa d .u pequenas faltas, que lhe parecem graves c de que pede perdão a tedus com receio dc ser objecto de escândalo. Para melhor purificar a alma quis mesmo recovar a sua confissão geral, o que o ccnfesscr. bem convencido da sua candura, não permitiu. Para di:cr tóda a verdade, éste método dc vida adoptado pela r.ossa C cm arinha agradava pouco aos membros da sua fam:lia. que igr.oravam os altos desis

> r*
$i SASTA GEMA G A L G A S'I

c gnios do céu acerca dela: c repreendian-na muitas veres da sua piedade, que lhes parecia exagerada. N ão lhe permitiam ir à igreja de manhã cedo c freqüentã.Ja muito. A tarde queriam*na no passeio e preparada como as irmãs mais novas. etc. Semelhantes contrariedades enchiam de tristera o coração da pobre criança. A Providência, porém, veiu era seu auxilio. Em seguida à morte de seu tio Maurício, que foi a 15 de Março de 1690. dois anos depois da dc seu avô Carlos, suas tias Elena e Elisa vieram habitar com o irmão H en­ rique. pai dc Gema. Eram duas senhoras dc grande pie­ dade c muito afeiçoadas aos sobrinhos. Com a chegada das tias. Gema. confiada aos seus cuidados, rccupcrou inteira liberdade. Tódas as manhãs, antes da aula. assistia ao lado delas à primeira missa, e A tarde visitava o Santíssimo Sacramento. Juntas oravam e conversavam piedosa* mente. A fervorosa criança julgou ter voltado aos fcclos dias em que vivia sua virtuosa mãi. D al por diante nunca mais foi privada da santa comunhão. Comungava infa­ livelmente todos os dias. embora até ai o seu confessor apenas lho permitisse trés veres por semana. A medida que progredia na vida espiritual. )csus tornava-se-lhe reais íntimo. «Faria-sc sentir dc cada ve: mais à minha pobre alma. confessa ela ingènuamcntc: di:ia-mc muitas coisas e dara-mc a saborear mais fre­

qüentemente grandes consolações». Chegou o ano de 1891. Gema. tendo agora 13 anos de idade, encontra-se elevada a um grau de virtude tal que outros raramente o atingem (iepois dum longo tempo dc esforços assíduos. Entretanto ela julga-se quàsi esta-

C A P I T tU L O

I I I

cionària. A exemplo do Apóstolo, sen olhar para os progressos obtidos, tem constantemente os olhos fixos na perfeição ideal a que o Ser.hor a chama, c trabalha sem descanso por adquiri-la. Êste ano devia faolitar-lhe novos progressos. As irmãs do instituto Guerra costumam dc dois em dois anos proporcionar às suas alunas um turro de exer­ cícios espirituais: «C cjM ra-m c a crer. escreverá ela mais tarde. que se me oferecesse esta ocasião de me encontrar de novo com Jesus. Desta ve: deixaram-me só. sem auxi­ liar»: quere e!a d::er. sem o assistência ce suas mestras, considerada inútil para essa alm a de elcjçic. « Compreendi, continua ela. que Jesus me oferecia uma ocasião dc bem me conhecer, c dc melhor me puri­ fica: para assim lhe ser mais agradável». N o Im o das suas mais caras lembranças (ornou nota diste retiro cos seguintes lêrmos: « Exercícios do ano de 1691. durante os quais Gema deve mudar c dar-se tòJa a Deus». N io se podiam desejar melhores disposições n u c a a c a m a de treze anos. « Lembro-me. escrevei ela que o prigaJe-r r.ct f<; uma meditação sôbre o pecado. F c i então que <em­ preendi verdadeiramente quanto era digna do dn prè:o de t:Jos: via-me ir.grata para com o meu Deus e cheia de pecados. Vciu depcJs a meditação sóbre o inferno: reconheci tê-lo merecido e tomei a resolução de fa:er actos dc contrição, mesmo durante o dta. sobretudo depois de alguma falta». Mesmo durante o dia: estas palavras deixam perceber que a santa menina consa­ grava a tais actos uma parte das noites. <Kas últimas praticas dos exercícios, continua ainda.

SASTÀ

GEMA

GALGASI

mcditou-sc sóbrc os exemplos de humildade, nansidão. obediência e paciência de Jesus: c desta meditação tirei duas resoluções: 1 / — Visitar tedos os dias a Jesus Sacromentado c falar-lhe mais com o coração do que com os lábios: 2.' — Ter o maior cuidado possirel cm evitar con­ versas indiferentes, c falar de coisas celestes». Ah! se os cristãos de idade madura levassem aos exercícios espirituais as mesmas disposições que levava esta tenra menina, que abundantes frutos dc salvação não colheriam!
U r.a tal aplicação às coisas divinas não levava a angélica menina a negligenciar os exercícios cscolarcj. Pelo contrário, era apontada entre as mais laboriosas c obtinha sempre os prémios mais honrosos. N o fim do ano escolar dc 1593-1S94 obteve cm religião o prémio crandc em ouro que sòmcr.tc sc dá a alunas que. durante todo o curso dc catecismo, alcançaram a nota mais alta. Q uando chegavam as exposições dc trabalhos es­ colares. cm uso no instituto, as mestras conseguiam algu­ mas veres vcnccr a repugnância que a humilde menina tinha dc aparcccr. c mandavam-lhe farer poesias, exer­ cícios dc francês, problemas de aritmética, etc.: prova indiscutível de seus bons êxitos nestas matérias. C o n ­ ta-se que os seus. vendo-a tâo absorvida no estudo, lhe diriam algumas veres cm tom dc vitupério: « Para que c

tanto estudar? És já tão sábia c ainda não estás satisfcita?> Entretanto preparava-se uma grande provação para a querida inenina. Seu irm ão Eugênio, que tinha con-

croido o doença da mãi. aproximava-se do fio; da vida. Eram duas almas cm perfeita comunhão dc ideas c de sentimentos, dc sentimentos dc piedade sobretudo. *Eu amava-o mais que todos os outros, d i: Gema. c nos dias

dc ferias estávamos sempre juntos, entretcr.do-nos a armar a!tar;inhos c ú imitar as cerimónias religiosas». Eugênio tinha obtido dc seu pai autorização para entrar no Seminário. Já com ordens menores, prepara­ va-se para o subdiacor.ato quando a doença o prostrou. Em tais circunstâncias poderiam separar-se estes dois corações? O bom irmão, logo que sabia que sua irmãrinha estava cm casa. queria-a imediatamente junto do seu leito. Sem desconhecer o perigo real do contigio. Gema. pouco cuidadosa com a própria vida. conservava-se dia e noite à cabeceira do doente, servia-o. confortava-o. suge­ rindo-lhe piedosos pensamentos a-fim-de o dispor para uma santa morte. O casto jovem adormeceu r.o Senhor r.o mês dc Setembro de 1594. com disposições adm i­ ráveis. Atingida por sua ver duma doença grave que a obrigou a ficar dc cama durante mais de trés meses, a generosa menina viu a sua vida ameaçada. Foi para a família uma consternação geral, essa perspectiva dum novo luto. Recorreram ansiosamente a todos os meios para arrancar à morte ao menos esta filha, esta irmã. esta sobrinha tão am ada. «iV io pesso exprimir, conta Gema. os cuidados dc que era objecto por parte de todos, mas sobretudo de meu pai que eu ria muitas ve:es cho­ rar c oferecer a Jesus a sua vida para salvar a minha*. Parece que o céu aceitou o sacrifício do pai afec­ tuoso. porque morreu ao cabo de dois anos. como vere-

S Ç yvT fí

“ T ' ’ •'

j- - : - •'.--k -

38

SASTA

GEMA

GALGAM

mos no próximo capitulo, emquanto a filha bem de-pressa escapava dc todo o perigo. C ontudo a demora da conva­ lescença obrigou-a a dizer um adeus definitivo ãs suas queridas mestras do Instituto Guerra. Resignou-se paci­ ficamente com a vontade áo Senhor para viver só no seio dc sua familia. Ê assim que Deus semeia de flores c de espinhos as veredas dos escolhidos. N ã o lhes dã felicidade alguma sem a fazer seguir imediatamente dc alguma tristeza. Feliz daquele que. como Gema. encara os diversos acon­ tecimentos da vida perfeitamente conformado com a vontade de Deus.

•I

C

A

P í T. Ú

L O

I V

V ida dc G cm a cm família — Primeiras comunicações sobrenaturais — Começa a provar o c ilix da dor — M orte de seu pai — n ® 5 . iw r —

OMPLETAVA Gema os seus derassete anos. Livre daqui err. diante das ocupações do estudo, entregou-se por completo aos cuidados do govèrr.o da casa e sobretudo A educaçào de seus irr.:ão:inhos. os quais sc esforçou por d;rigir r.o ca­ rrinho da virtude por meio do seu próprio exemplo, por meio de bons conselhos e por u c a cuidadosa vigi­ lância. • Informações precisas sòbre o carácter da sua direc­ ção fraternal, não as temos: r a s o que j i sabemos desta bendita menina permite conjecturar o que deveria ser. Compenetrada da importância da sua cissão. cujas con­ tas temia ter dc dar ao Senhor, esforçava-se por cum­ pri-la com um cuidado extremo: e quando a!gum dos seus educandos caia em qualquer falta, atribula a si a responsabilidade, por não ter sabido preveni-la com u c a vigilância mais activa. Era solicita em acudir às r.ccessidades de cada um. a-ftm-de evitar os descontentamentos

40

SASTA

GEMA

>

GALGAS I

c discussões que tão fàcilmente surgem «ntre rapares c meninas de tenra idade. , O seu bom exemplo no seio da família oferecia além disso um espectáculo raro cm nossos dias; provocava a admiração dos sr.esmos estranhos que ainda a recordam. Um criado da casa. Pedro M aggi. ligado mais parti­ cularmente no serviço da bondosa menina, exprimia assim a sua admiração sempre nova perante a extraordi­ nária virtude de Gema: «Q ue quereis? Gema não tea igual». M otivo particular dc admiração nesta menina era o seu amor aos pobres, o único bem que lhe restava, se­ gundo a sua opinião, entre tantas faltas e misérias espi­ rituais. « Tòdas as feres que eu saia. conta ela. pedia dinheiro a meu pai c. se mo recusara, pedia-lhe que r-.e

deixasse levar pão. farinha ou outros comestíveis. G ra­ ças a Deus. encontrara sempre pobres no caminho e ate três cu quatro. Aos que vinham a ca «a dara rcupa branca c tudo o que tinha à m2o. , Em breve, porém, meu confessor mo proibiu; meu pai nJo me deu mais dinheiro, e nSo me deixou apoderar de mais nada. Entretanto, quando saia. não encontrara senão pobres que corriam para mim. e n io tir.ha que lhes dar. Chorara continuamente de triste:a e terminei per não sair mais». Nem sempre foi permitido a Gema viver ir.?e::3ner.te enclausurada no seio da família. Seu pai. sabendc-a um a destas natureras ardentes que ten necessi­ dade dc movimento, obrigava-a a sair algumas veres, e também algumas veres, na falta dc outros, lhe confiava a vigilância dos irmãos nos p*asscios que davam. A jo-

vem obedecia. Mas. apenas transposto o limiar da porta, dirigia-se apressadamente por travessas bem conhecidas para o campo, a-firr.-de go:ar $o mesmo tempo do ar livre e da solidão, longe das v habitações. * Para a contristar, serviu-sc o demónio um dia desta inocente distracção tomada por obediência c com tantas pre­ cauções práticas. U m jovem oficial, que a tinha observado, põs-se a segui-la. A angélica \irgem. cujos olhos andavam sempre baixos, não deu por isso: quando o notou. sua a fli­ ção foi extrema: chorou eu:to c. depois de fervorosas pre^;*: tomou nunca igreja Soube coisas dc no-.o a resolução 5c mais sair ser.ão para a vi:inha de S. Frediano. cispor tão bom tôdas as que seu pai quasi a r.ào

contrariou neste ponto. T al era cm sua vida fami­ liar a virtude déste anjo: vir­ tude que ela julgava não ter._ csforçar.do-se incessa r.ie=epte^ por adquiri-la. <Gcn:j. repena, cla a todos os instantes, i preciso que mudes c te dês tôda s

PiJ

Je Cvri. enj e j s^r.:j [ci

jesus9 .

■ f

42

SASTA

GEMA G A LG A S !
»

0 0« . '■ Para sc animar ao fervor tirava motivo áe tudo: das solenidades da Igreja, das belezas da natureza, da suces­ são das estações, e dos próprios jogos em que algumas vezes tomava parte para se distrair. Num destes, o da 'p alhã, a sorte deu-lhe um dia a haste maior. «Eis, disse ela. um sinal dc que Deus quere de mim uma grande san­

tidade. e eu também a quero». Findava o ano dc 1S95. e eis que a idea dum ano novo lhe veiu inspirar novos desejos de vida mais per­ feita. Levantou-se da meditação, tomou o livro das reso­ luções c escreveu: «Nette noro ano proponho começar . u/na vida nora. O que c/c me resena não o sei: aban­ dono-me a Vôs. ó meu Deus. Tódas as minhas esperan­ ças c todos os meus afectos serão para Vós. Sinfo-mc fraca, ó Jesus, mas com o rosso auxilio espero c quero rirer dum modo diferente, isto é. mais próxima de Vós». O seu regulamento de vida era o seguinte: Logo ao levantar, sempre cedo. recitação das oraCCvS costumadas, em seguida assistência « \santa missa c comunhão. T òdas as tardes. a sua visita tão querida ao Santíssimo Sacramento, mais ou menos prolongada, se­ gundo o número e urgência dc suas obrigações domés­ ticas. A inda à tarde. meditação com outros exercícios dc piedade e recitação do santo rosário dc joelhos. D c noite continuava, a interromper o sono. ao menos uma vez. durante perto de um quarto de hora, para recomendar a Jesus a sua pobre alma.
Q u e vivos sentimentos de amor. dc confiança e dc arrependimento das suas faltas não brotariam do seu coração durante estes momentos de prece solitária aos

.

. C A P I T U L O

I

V

:

43

pés do seu Jesus! Soube-se da su3 própria bóca que Deus. desde então, se comunicava à sua alma por suaves amplexos de amor. e ao seu espirito por vivas ilustra­ ções ou claras lures, segundo a sua expressão. E assim, noite e dia. mesmo entre as ocupações domésticas, emquanto os p is pisavam a terra, o seu espirito pairava nas regiões celestes. T ão profundo recolhimento interior, longe de ser prejudicial às suas ocupações materiais, ajudava-a pelo contrário a desempenhar-se delas com mais perfeição, pela lembrança dc assim sc conformar com a Vontade Divina, cujo cumprimento farã sempre a alegria da ver­ dadeira piedade. A-fim-de mais desprender ainda das coisas terre­ nas o coração desta virgcnrmha c cnsir.ar-lh.e a n io sc comprazer com n3da aqui no m undo que não fósse Êle. o Senhor tinha-se servido, no cecurso do ano dc 1S95. dum meio extraordinário. Com o oferta dum seu parente, recebeu um dia um relógio de ouro c uma cru: com a sua cadeia:inha do mesmo metal precioso. Gema. para ser agradável ao doador, julgou dever levar estes objectos num dos seus passeios. D c volta a casa. cmquanto tirava estas jóias, pareceu-lhc ver o seu A njo da G uarda. O espirito ce­ leste. olhando-a com aspecto severo, pronunciou pausa­ damente estas palavras: As únicas jóias que embelezam a cspõíJ dum rei cruci[i<ado 5J 0 os apinhes c a cruz: c desapareceu. A impressão produrida r.o espirito da piedosa me­ nina por esta visão sem precedentes e por palavras tão

44

SANTA

GEMA G A LG A N I

expressivas fácil é adivinhá-la. Atira com desprêio para longe de si o relógio c a cadeia. tira do dedo um lindo anel. e prostrada cora o rosto por terra. toma. chorando, a seguinte resolução: «Por i*osso amor. ó Jesus, e para n Jo agradar senão a Vós. prometo-Vos não mais trazer

objecto que traduza vaidade c n.lo / alar mais nele». C um priu a sua palavra e. a pattir disse dia. não mais quis saber de modas nem de adornos. T a l é. segundo as memórias d e X íc m a . o primeiro vestígio dessas aparições angélicas que depois se tornararam freqüentes c a t i quotidianas. c<yno veremos. O próprio Rei dos anjos se dignava desde então honrá-la com ternas visitas, segundo esta ingénua decla­ ração ao seu Director: <A-pesar-de eu ser fio rr.i. Jesuf vinka ver-me e dizia-me muitas coisas*. E continua: <Não sei como não me aparecia irritado: sô uma ve: o -t'i encolerizado>. Êstc aspecto severo, duma só ve:, mais uma prova do que o castigo dc qualquer falta voluntária, visto que Gem a. no decorrer da sua vida. nunca cometeu pecado algum com plena deliberação. Ditosa menina, que fóste julgada digna, desde a idade dos de:assete anos. de ouvir a vo : humana dc Jesus, de O ver e dc O contemplar com teus olhos mortais!
Sem dúvida tais favores não constituem a santidade, pois muitas almas há que, sem os ter çeccbido. merece­ ram. por heróicas virtudes, as honras dos altares. Toda­ via são cm sinal muito certo de santidade, porque nunca se notam em almas de virtude ordinária.

s

• N ã o é de admirar que esta criatura privilegiada, olhando com desdém para os bens caducos desta pobre vida. suspirasse ar­ dentemente p e l a pátria celeste.

•Desde o d:3. escreve ela. cm que minha mài me ins­ pirou o desejo do Paraiso íjJo deixct dc o experimentar. c. sc o Senhor me tivesse dado a escolhec. cu teria pre­ ferido rer quebra­ rem-se os laços do meu ccrpo para voar ao céu. Tàda.* as rezes que era acometida de febre ou dc qualquer cuira doença, experi­ mentara unia doce esperança, tiiinna dor porem aumen­ tara quando, afaitar.de-fC a dc<r.ça. scnr.a icltarem-rne
«jj forças.

U m dia. depois c a S a g ra d a C c-.u -.'-.Jo. prcgu-.tet a Jesus porque motivo me r..io .V: j-. j ; j ra o ParaiíO . — « M inha filha, re jp c r .d c u . q u e ro dar-te r.o d eccrre r da tua existência m uitas cca.-iccs de te enriqueceres

SASTA

GEMA

GALGASI 4

de méritos: avivarei sempre mais o teu desejo do céu. c continuarás a suportar a vida com paciência v Com estas incessantes aspirações cresciam rápidamente em seu coração as chamas do amor divino. E den­ tro em breve, no ano dc 1S96. despertava nela c nela se radicava mais e mais um novo desejo que bem revela a sinceridade do seu amor e o seu grau dc perfeição. D ê ­ mos-lhe a palavra: «L/m outro desejo desabrochou na minha alma. um ardente desejo dc sofrer e dc acompanhar Jesus nas st:as dores> (>)• E continua: «.Vo meio dos meus numerosos pecados» pedia todos os dias a Jesus sofrimento e muito so* frimento. Sim . meu Jesus, repetia eu. quero sofrer por \ ~ ós e sofrer muito*. Um ardente desejo, disse bem: porque lhe bastava um a palavra, uma lembrança, um olhar sôbrc a imagem
dc Jesus Crucificado, para sc sentir completamente pene­ trada dc compaixão c dc amor. eUm dia. conta ela.

fixando o olhar no crucifixo, fu i possuide de tal dor que cai desfalecida. Meu pai. que estaca presente, pós-sc a repreender-me e acusou-me de prejudicar a saúde com a minha vida retirada e ccm o hábito de ir à igreja muito cedo.
(*) Mais que urca ver. o Salvador se mostrará 6 sua serva sob o aspecto da dor. cu coco çue suportaedo verdadeiramente os suplícios da Pa'xSo. ou saturado de tristeza por causa da InçratídSo dos hocens. Todos os santos conheceran mlstlrlo. e. com esta *.Uo de piedade, rea! ou imaginária. procura/ara condoer-se axrorotaseote do» sofrimentos do rosso Redentor, embora a U lhes reveUue que Êle es:S para sempre çlorloso e lo$asslvcL

\*

’• •

i;'?

' ’• .

C A P Í T U L O i .

I V

47

« O que me fa : mal. respondi, c ser obrigada a estar longe do tabernáculo de Jesus. E fui encerrar-me no

quarto onde. pela primeira ve:, desafoguei a minha der. só com o Coração de Jesus». Destas palavras sc dedu: que a ti ésse momento, isto é. ate aos d c ;ó i:o ar.es. a piedosa ir.cn.r.j tinha a b a ­ fado na sua altaa a tr;s'.era que ihc ca usav a n semelhan­ tes dificuldades. E ccr.tmua am da: « £ u disse a Jesus: quero seguir-Vos. 6 Jesus, .i custa de sofrimentos, sejam eles quais forem: quero scguir-Vos cem /error. S 'io . meu Jesus, não rr.ais quero cautar-Vcs repugr.Ànoa com as minhas obras tibias. r.em inspirar-Ves desgisto com a frouxidão com que Vos tcr.ho procurado até agera*. E. como sc quisesse garantir as suas presessa». acrescenta: «P er isso. para o futuro. ora;io mais re­ colhida. comunhão nais fcrccrcsa. Afea Jesus per V is quero sofrer muito, ter.co sempre a prece nes libios ». Depois, ao cons:dcrar. as suas resoluçí«s. c pensa­ mento da fragilidade Humana leva-a a escrever esta re­ flexão: «C ai muitas vezes quem muitas ve:es fe tn a bens propósitos: mas cue sera de quer: só raramente cs ferm ah Gema não era dc modo algum inexperiente r.o cam i­ nho da dor. que cia tão ardentemente deseja perccrrer cm seguimento do seu D ivino Mestre. M uito querida dc ]csus desde a ma:s tenra idade, tinha, cm ccnscqütnoa disso, rcccbido ccdo a sua parte da cru:. • Posso di:er. descobria cia ao seu Director, que. desde a merte de m i­ nha mài. não parses um só d:a sem sofrer alguma coisinha por Jesus». Agora, que j i r.ão estava na infância, mas numa

SAXTA

GEMA

GALGAS/

id a d e m a d u r a , c S e n h o r ia tornar p esad a a su a n ã o d iv in a e a p lic a r g o ip e s c e mestre. A p rin c íp io veio-lhe u n m al terriveí a u m pé. a v ir ­ necrose, a c o m p a n h a d a de dores m u ito a g u d a s . À

tuo sa d o n z e la , ju lg a n d o n ã o dever lig a r im p o r tâ n c ia ao m a l. s u p o r ta v a os so frim e n to s com unta g enero sa c o r a ­ g e m . O m a l. porém d e sp re za d o , agravou-se. a cárie p r o ­ pagou-se. e foi fo rço so recorrer a o c iru rg iã o . Ê ste. à v is ta d o s estragos d a g a n g re n a . n ã o o c u lto u os seus receios e d e claro u que p ro v àv e lm e n te seria n e c e ssária a a m p u t a ç ã o d o pé. [.im itando-se a prir.cipio a u m a o p e r a ­ ç ã o p a rc ia l, descob riu o osso ata c a d o e pós-se a raspá-lo p r o fu n d a m e n te p ara e lim in a r dêle os por.tos ca ria d o s. À paciente, que n ã o tin h a q u e rid o ser cJcroíorm iz a d a . s u p o rta v a h e ro ic am e n te as to rtu ra s d a o p e ra ção : e. e m q u a n to todos os assistentes estrem eciam d e h o rro r c p e n a . só e!a. im óv el, parecia estar in d ife re n te . N o m ais d u r o d a o p e ração , s c lto u a lg u n s susp ires in v o lu n tá rio s , m a s. o lh a n d o im e d ia ta m e n te p ara a im ag e m ce je sus C r u c ific a d o , pediu-lhe p e r d ã o desta fra q u e z a e reto m o u a im p a s s ib ilid a d e . Ê assim que. p a ra e m p re g ar a sua p ró p ria exp res­ s ã o , d e p o is de tan to ter p e d id o um p o u c o d c so frim e n to . Jesus a tin h a consolado! O D iv in o M e s ír e lib e rto u em breve a su a a m a d a serva destes p rim eiros to rm e n to s c o r­ p o ra is. m as p a ra lhe ap re se ntar, n o c á lis de su a p a ix ão , a m a r g u r a bem diferente . H e n r iq u e G a lg a n i. seu p ai. era u m h o m e m e d u c a d o à a n t ig a : bem , sim ples, caridoso, in c a p a z d e e n g a n a r a lg u é m , in c a p a z de ju lg a r que o eng an a sse m a êle. M a s , e m b o ra o n ã o supusesse, viv ia em m aus tem pos. M u it o s

d o ’s q u e co n h e c ia m a su a b o n d a d e excessiva p ro c u r a v a m explorá- la em seu p ro v e ito . D e tò c a a parte v in h a a ter co m ele. Ê s íe v in h a p e d ir d in h e iro e m p restado, a q u è le v in h a pedir-lhe q u e fica sse p o r seu fiadoc; os seus a r r e n ­ d a tá rio s e in q u ilin o s n ã o p a g a v a m as rendas. A lé m disso, lo n g a s e c o n tin u a s d o e n ç a s n a fam ília, entre c ia s as de sua esposa, c c e d o is f:'h o s . doenças a que sc se g u iu a m orte, e m il o u tro s in fo r tú n io s contribuíram p a r a c o n s u ­ m ir p ou co a p o u c o o seu rico p atrim ón io . Q u a n d o c h e g o u o v e n c im e n to das letras, im p r u d e n ­ tem ente c a u c io n a d a s , fo i com ple'.a a ruíca. T o d o s 05 be n s m óveis e im óv e is fo r a m p e nh o rado s, e a n u m e ro sa fa m ília encontrou-se r e d u z id a h m ais la m e n táv e l m iséria. P o u c o d e p o is , o p o b re p ai caía doente co m uca c a n ­ cro na g a rc a r.ta e n ã o ta r d o u a expirar, d e ix a n d o os seus q u e rid o s íilh e s r.a m a is c o m p le ta p e n ú ria . A n o v a d o seu fa le c im e n to , os o fic ia is d a ju stiça e a fô íça p ú b lic a v ie ­ ra m . em n o m e dos cre d o re s, fechar a farm ác ia e « b r c» p ôu co s m ó v e is que a in d a restavam . P e ra n te a n a r r a ç ã o d u m tal in fo rtú n io . n ã o te p a ­ rece. ó leitor, ver p assar d ia n te d e s o ih o s as d .íc :e n ic s cenas d a s d e s.jra ça s de Jo b ? E n tr e ta n to o s q u a :s eram os se n tim e n to s de G e m a cm sem elhante a fh ç á o :

«.E n tráram os n o a/?o dc 1S97. t3o d c lc r c ic p a ra tôd a a fã m i! ia. S ó cu. s e n cora; J o . //c a ta ind ife re n te a
fa.-ifcs ici'cscs ( * ) • O f; 1-0 m ais afUgia cs c iitto s . era

cncOnlrarctn-s c

sem

recursos

e,

p ara

cúm ulo,

rerem

nosso p ã i tão doente. C e rta m a r.k i ccm prcer.di a $ran*

(1)

Sem coroçJo — rr.oJéütJ tr.ar.tidcr» <c~i que cscor.cc

o licrciscro dc v.sa virtude.

OV

S A A I A

O r, M A

u A L U A S' I

f

JO

d e :a d o novo sacrifício que Jesus is impor-me: c h o rd muito. M a s o D irin o M estre nestes dias de dor , fazia-se sentir m uito à minha alma. E depois, a visto da edificante resignação de meu pai em face d a m orfe inspirou-me tanta fôrça que recebi o golpe terrível com calmo. N o d ia d o seu falecimento, Jesus proibiu-mc derra­ mar lágrim as inúteis. Passei-o em oração. m uito resi­ gnada com a vontade de Deus. meu P a i do céu. que r.este m om ento tomou c lugar do meu pai da terra. D cpcis desta perda ficávamos sem nada: n ão tinhamos com que viver».
E ra a 1 1 dc N o v e m b ro de 1S97 que G e m a se v ia ó rfã pela se g u n d a vez. C o m q-.ic heroísm o ab raçou as cruzcs. dc c a d a vez mass pesadas, que o D iv in o M estre costum a d is trib u ir prodigam ente pelos seus predilectos. * '

i

í
i

C

A

P

Í

T

U

L

O

V

G e m a co m sua tia cm C a m a io r e — O seu pudo r v ir g in a l — V o lta a L u c a — À s p o r ­ tas d a m orte — A p a riç õ e s celestes e cura p ro d ig io sa
— tS O M S W —

é sempre grande a desolação num a fam iha depois da morte d o pai. p ara a casa G a lg a n i foi ela incalculável. O falecido deixava sem o m enor recurso seis filhos e duas irm ãs: H e le n a e Elisa.

i

Felizm ente. o utras tias que viviam fora. comovidas

por um tal a b a n d o n o , vieram cm auxilio dos seus sobri­ nhos. e G e m a . a preferida de entre todos, foi recolhida por sua tia dc C am a io re . C a ro lin a Lencioni. cujas rique­ zas lhe perm itiriam voltar aos dias m ais prósperos da casa paterna. M as. assim com o a virtuosa do nzela se n ã o tinha a flig id o com a extrema penúria dc L u ca. assim tambóm n ã o sc regozijou com a opulência de C am aiore. A sua ú n ic a felicidade dev ia consistir, com o sempre, no traba­ lho. na oração e na u n iã o intim a com Jesus. Retem perada no am or d iv in o pela tribulação, esperava poder agora gozar em paz os seus frutos e levar em casa de sua tia. com o num m osteiro, u m a vida túd a celeste.

62

SANTA

GEMA

GALGANl

E sta espectativa fo i ilu d id a . Se n o seio de sua faraiIia lhe deixavam plena lib e rd ad e p ara se entregar a p rá ­ ticas de piedade, e v ita n d o as distracções m und anas, em C am aiore. cocno outrora em S. G e n n a ro , m ultiplicaram-se de dia p ara dia os entraves a o seu ideal dc s a n ­ tidade. P o r um !ado, o seu bo m co ração sofria era se subtrair às conveniências d a sua co nd ição , por outro experimentava, em as seguir, escrúpulo e remorsos. Q u e fazer? Longe de seu confessor o rd inário ,. G e m a não podia m anifestar-lhe as suas incertezas. Abrir-se com outro, pouco a o corrente d o trabalh o interior d a graça em sua a ím a . era coisa que lhe re p u g n av a invencivel­ mente. A lé m disso, a in d a q u e o quisesse, n ã o poderia c>:pl:car-sc nem fazer-se com preender. A todos estes m otivos de am arg u ra vieram juntar-se ir.úmcras d ific u ld a d e s externas contra a C o m u n h ã o fre­ qüente. seu único sustento. F-m tal a n g ú s tia , d irig ia ao seu Jesus súplicas e queixas am orosas. M a s Êle. pare­ cendo permanecer surdo, abando nav a- a a um a p ro fu n d a aridez. A piedosa m enina m u ltip lic a v a co n tu d o os esforços para se tornar mais a g ra d áv e l a seus olhos: e. à im itação de S anta C a ta rin a de S e n a . com o que tinha le van tado em seu coração um a ita r d o n d e incessantem ente se ele­ vavam à M aje stad e D iv in a h um ildes adorações e p a lp i­ tações de am or. Q u a n d o lh e era co ncedida autorização. di:igia-ic a tôda a pressa, em c o m p a n h ia de sua prim a, para a igreja d a colegiada v izin h a , S-fim-de viver alguns instantes m uito cu ito s ju n to d o seu a m a d o Jesus. A in d a hoje os R everendos C ó n e g o s d a C o le g ia d a

C

A

P I T U

L O

V

53

gostam de indicar aos visitantes o lu gar que ocupava h abitualm e nte a nossa santa nas suas visitas eucarísticas. O s seus passeios, aliás forçados, tinh am q u ási sem­ pre por meta o santuário d a A b ad ia em que se vcr.íra u m a a n tig a im agem da V irg e m Santíssim a. C o m que felicidade ex p andia ai a sua terna devoção para com sua

querida M a m ã . com o costum ava chamar-lhe! Recom en­
dava-lhe com lágrim as a alm a dc seu falecido pai e dali só se retirava ao sinal de obediência. Bem de-pressa um acontecimento doutra natureza a vciit perturbar profundam ente. A modestíssima virgem, nos seus vinte anos. era do tad a dc rara beleza. D um porte nobre e gracioso, em seu modo de vestir, pôsto que dos m ais simples, apresentava-se encantadora. O s seus olhos, difíceis dc ver. porque os trazia constantemente baixos, b rilh a v am com o o m eigo scir.tilar das estrelas; e a estes atractivos externos, a piedade, o recolhim ento e a m odéstia, que transpareciam em toda a sua pessoa, acrescentavam r.ovo encanto. O r a . aconteceu, peia segunda v e :, que um jovem da terra, dc m uito honrada fam ília, só com vc-la se enam o­ rou dela: c, sem tirar m uitas inform açòcs. pediu a sua m ão. E ra u m a ocasião favorável para levantar da ruir.a a fam ília G a lg a n i. A angélica donzela, porém, nem sequer q u is o uvir falar cm casamento, c p ara sc subtrair a inúteis vexames tom ou a resolução dc a b a n d o n a r CamaiorcV e n d o que êste m otivo n ã o seria fàcilm ente ad m i­ tido por sua tia. im plorou de novo com a m ais v iv a con­ fiança o auxilio do S enhor: c Êle para livrar a sua serva de to d o o perigo, perm itiu que logo se lhe declarassem

SANTA

GEMA

C A L G AN I
\

dores a g u d a s na cspinha dorsal e nos rins. A nim ando-se e n tã o c s e n se preocupar com a perspectiva das p riv a ­ ções q u e a esperam cm Luca. G e m a pretexta o seu estàdo de saú d e p ara solicitar a p artida. A fôrça de instâncias c de lá g rim a s o btém a perm issão de entrar novam ente na casa p a te rn a que ela ia encontrar, como a tin h a d e i­ x a d o . se p u lta d a na miséria. C onta-se que n o .m o m e n to d a despedida todos os m em bros d a fa m ilia Lencioni sentiram despedaçar-setio. -Ihcs o co ração , ta n to os tinh a atra id o por suas belas q u a lid a d e s a cativante m enina. Viu-se o p róp rio c a rác te r ru d e e d ifíc il dc comover, lançar-se irresistivel­ m ente n e s braços desta querida sobrinha, d e rra m an d o a b u n d a n te s lág rim as. M a l chegara a Luca. sentiu G e m a agravar-se o seu estado. A s dores dos rins e d a espinha dorsal vieram juntar-se o desvio d a coluna vertebral, criscs terríveis d a m en in g ite , perda total d o o u v ir, queda d o cabelo e por ú ltim o a paralisia dos m em bros. A principio, na espe­ rança de evitar o exame médico, tem ido pelo seu p udo r, d is s im u lo u ela a ag u d e za dos sofrim entos, p a rtic u la r­ m ente excessivos na região dos rins. C om o se deixaria e x a m in a r c tocar por um estranho, ela que nem sequer se p e rm itia d irig ir um o lh a r para os mem bros dolorosos, nem m esm o ap ro x im ar deles a m ã o para verificar a existcr.cia d o m al? P e ran te o ag rav am e nto assustador dos sintom as, a sua perp lex id ade tornou-se extrem a. T eria certam ente p re fe rid o suportar torturas dez ypzes mais cruéis a rece­ ber u m a visita m édica, porque, lem brando-se sempre das p a la v ra s de sua m ãi — o nosso corpo é o templo d o E s p í­

C

A

P

I

T

U

f.

O

V

55

rito Santo — . q u e ria a lo d o o custo fazê-lo respeitar
co m o tal. Urr.a tarde. porém , um m édico, c h a m a d o pela fa m í­ lia sem ela o saber, entrou-lhe s u b ita m e n te n o q u a rto , e, a-pesar-da sua recusa inacessível a q u a lq u e r arg um e nto , q uis a tõd a a fôrça exam iná-la. P e ra n te a ordem fo rm al de suas tias. G e m a teve de oferecer a D e u s o inevitável sacrifício. O exame revelou na reg ião lo m b a r um grande m é­ abcesso, parecendo co m unicar co m um dos rins. O

dico. assustado, re ü n iu u m a ju n ta de outros clínicos que declararam u n a n im e m e n te a jo v e m a tin g id a d u m a a fe c ­ ç ã o vertebral de n atu re za m u ito g ra v e e d ificilm ente cu rável (1 ). R e ce itara m a lg u n s m e d ic am e nto s c u jo efeito fo i nulo. Bem de-pressa os progressos incessantes do m a l o brigaram a enfe rm a ao leito in c a p a c ita d a já de m o ­ vim ento. • •• expandia-se cm efém eros ternos gem idos, E m q u a n to se co nsum ia o fr á g il co rp o d3 inocente m e n in a , a sua a lm a n in g u ém trocaria nesses gem idos de am o r que co n so lam e a liv iam , e que pelos p razeres m u n d an o s. S e u pensam ento v o a v a constantem ente p ara Jesus que lh e satisfazia em fim os ardentes desejos de sofrer para L h e ag rad ar. P oc o u tro lado. co m o o confessor estava a g o ra ao seu alcance, a sua a lm a p erm anecia cm p az; e o Senhor, em sin a l de p articu lar estim a, fazia-lhe sentir u m a d o r intensa e um horror sem pre m a io r a o pecado. D ore s fisicas c a rre p e n d im e n to • " • •'(!) Mal de PorÍM * • * *• p u rific a d o r • du m

66

SANTA

GEMA

GALGAN1

passado menos peifcito uniam-se para activ ar a obra de sua santificação. Im possibilitada de se m over por si m esm a, a doente, no seu leito de sofrim ento, perm aneceria em perpétua im obilidade, sc braços caridosos lhe r.ão viessem trazer o alivio d u m a m udança de posição. E assim sc lhe iam passando os dias c as noites, sem outras consolações interiores além das que lhe d a v am a o ra ção e a confor­ m idade com as disposições d a P ro v id ência D iv in a . A lg u m a s veres, q u a n d o se queixava am orosam ente ao S alv a d o r de nem mesmo poder já o rar. rcccbia por interm édio do seu A n jo da G u a r d a fo rtificantes exorta­ ções. «S e Jesus te aflige no feu corpo, d izia o E s p irito ce­ leste. c p a ra melhor p urificar a tua alma: tem paciência*. A lu d in d o mais tarde a esta fa m ilia rid a d e sempre crc^ccnte com o seu bem A n jo . cscrcveu G e m a : « O hl

quantas v e :es. durante a m inha longa doença, me disse ao coração palavras consoladores!*
O s membros da fam ília G a lg a n i fa zia m o im possí­ vel para valer à sua querida G em a. A-pesar-de redu­ zidos a um a penúria extrema, com n e n h u m c u id a d o lhe faltav am , diante de nenh um sacrifício recuavam para obter a sua cura. até que por fim, desesperando dos meios hutcar.cs, se voltaram co n íia d am e n te p ara o céu. C o m o v id a por tantos testem unhos de afecto, a jo ­ vem sofria ao lembrar-se q u e era para todos um motivo de em baraço por causa d a sua lo ng a e fastid io sa doença. A tristeza to:nou-se-lhe tã o intensa que o S enh o r, quer p ara a hum ilhar quer para a cogfortar, se d ig n o u vir pessoalmente repreende-la p o r isso. «C e r/a nanhS. conta G e m a . depois de me ferem

C

A

P

I

T

I I %c

O

*

V

57

trazido a Sagrada Ccm unhào. Jesus cerr. voz muito forte, dirigiu-me u n a grande censuta: <A !m a pusilânime, me

C& jjelit in te rio r cf-n / r r r l j d c

/£>.*j . < n/

fin - V y ra (ju e e r .J

disse, c o teu amor-próprio que recalcitra fo r r.io poder tomar parte r.a vida ordinária d c ; que te cercam; ou antes c a necessidade inevitável dos cuidados dou trem

q u é te causa um à excessiva confusãc. M a is morta para ti mesma, não experim entarias sem elhante inquietação >.
T ã o co nso lad a c o m o esclarecida p o r estas palavras, a piedosa d o n ze la recup erou a p a r , e; desd e e n tão , ficou in d ife re n te tan to às vicissitudes d o seu e stad o, co m o aos in c id e n te s da fa m ília . •"r e s p a lh a d o pela , e num e ro sa s a m ig a s v in h a m E n tre ta n to a n o tíc ia d a sua cruel d o e n ç a tiDha-se c id a d e ,

a d m ir a r de perto o que elas p ró p ria s c h a m a v a m u m pro­ d íg io de paciência em tã o tenra d o n z e la . G e m a , ac o lh e n ­ do-as co m am áv e l sorriso e p rov as d c g ra tid ã o , trocava 'c o m ctas p alavras edificantes, as únic as que sabia, tirar d o seu coração. E ra- lhe in d ife re n te , d iz ia ela. v o a r ao c é u im ediatam ente o u fic a r a in d a nesta p o b re terra para sofrer ta n to q u a n to aprouvesse a D e u s. E ssas boas a m ig a s v e n d o o in u tilid a d e dos cu id ad o s m édico s, esforçavam-se p o r lh e faze r esperar um mi!a:g rc . um as vezes por interce ssão d u m s a n to , o u tra s por interce ssão d o u tro , s e g u n d o a sua d e v e ç ã o p articular. U m a destas v isitan te s, q u e re n d o e x citar a sua c o n ­ fia n ç a em um no vo intercessor, o u a o m e no s am enizar p o r u m a edificante le itu ra as lo n g a s h o ra s d o d ia , tro u ­ xe-lhe a v id a de S . G a b r ie l de N o s s a S e n h o r a das D ores, d a C o n g re g a ç ão dos P a ssio n ista s. e n tã o som ente V e n e ­ ráve l. Gerr.a núr.ca tin h a o u v id o fa la r d?sse S a n to jovem r.eir. d c seus num erosos m ilag res, c u ja n o m e a d a enchia já tô d a a Itália . T a m b é m n ã o m a n ife s to u n e n h u m e n tu ­ s ia sm o a seu respeito, e m b o ra a fa m ília com eçasse a d ir i­ gir-lhe ardentes súplicas. t:is com o o S e n h o r acende u n o c o ra ç ã o d a sua serva u m a centelha de de v o ção , de c o n fia n ç a e d c am o r para

C
.

A

P

I 1

T

U

L

O

V

59

co m êstc S a n to , c e n te lh a que de-pressa se d e v ia tr a n s ­ fo rm a r em in c ê n d io . Em sam e ntos C ansada, u m a d a s suas. horas de s o lid ã o , a pobre p a ­ dc m e la n c o lia e por um a triste za im ensa. cm

c ie n te sentiu-se de-repcnte in v a d id a por so m brios p e n ­ e n fr a q u e c id a , im potente p a ra e n c o n tra r

m o tiv os d c fé o m e n o r co n fo rto , ap o dcro u- sc d e la umd e sa le n to p r o fu n d o c a v id a parecia-lhe in s u p o rtá v e l. N a d a parcce m a is n a tu r a l q u e sem e lhante crise n u m a ra p a rig a do ente e r e d u z id a a tã o la m e n táv e l estado. 1 p ro c u ra v a m a is seu h a b ilm e n te d is s im u la d a , d o astucioso in im ig o , que assim insir.uar-sc-lhe ju lg o u tê-la pela c a la d a perdê-la. na a lm a p ara por seg uram e nte a rtific io co n se g u ir Q uando

o d a v ia isto n ã o era m ais d o que u m a te n ta ção

co m p le ta m e n te

p e rtu rb a d a,

tir a n d o dc súb ito a m ascara, m anifcsta-sc e diz-lhe: «S c í7;c o urires eu te livrarei dos teus torm entos: dar-te-ei

com certe:a a saúde, c ccm a saúde tu d o o çise te puder a g rad a r».
P e la prirr.eira vez vem os Gerr.a face a face com S a ta n á s q u e ve m ab e rtam e n te trav ar a lu ta . N ã o sab e­ m os se esta te n ta ç ã o fo i p r o d u z id a por m e io dc a p a riç ã o real. se. co m o parecem d a r a e ntend er as p a la v ra s d a serva d c D e u s . p o r m eio dc sim ples su g e stão . F ôssc o que fôssc. o re s u lta d o foi b em claro. A u m a forte a g ita ç ã o e g ra n d e p e rtu rb a ç ã o in te ­ rior, até a í d e sc o n h e cid a, a piedosa m e n in a , a-pesar-da sua inex p eriência em casos desta n a tu re z a , reconheceu im e d ia ta m e n te a presença d o d e m ô n io . Lem bra-se de S . G a b r ie l, inveca-o c o n fia d a m c n te e e x c la m a: prim eiro a a /m a , e só dep-ois o corpo.

€0

SANTA
O

GEMA

GALGA XI i

te n tad o r fo i re p e lid o ; m as n ã o ta rd o u a v o ita r da cru s pusecam -no d e fin itiv a m e n te em fu g a .

p a ra um seg ur.d o assa lto . N o v a in v o c a ç ã o a o s a n to e o sin a l D e p o is d a v itó ria . G e m a recuperou a c a lm a e u n a u n iã o m a is in tim a co m D e u s , q u e a recom p enso u gene­ ro sam ente d a sua e n é rg ica resistência. T e n d o assim e x p e rim e n ta d o a e fic a z p ro te c ção d o S a n to jo v e m , se n tiu nascer c m sua a lm a se ntim e nto s dc g r a tid ã o c u m p rin c ip io d e a fe c to p a ra com éle. N o fim d o co m b a te , o seu p d m c ir o p e n s a m e n to fo i p ro c u ra r o liv ro d a sua v id a que tin h a c o lo c a d o sóbre o travesseiro.

mesma tarde. d iz c ia , pus-me a ler a Vida do Irmão Gabriel, li-a muitas rezes: n ã o m e podia saciar dc a ler e de admirar suas virtudes e exemples. Desde o dia em q u e o zioi'o protector me tinha salvado a alma senti uma devoção particular para com è/e; de noite não conciliava o sono se a sua imagem não estivesse sôbre o meu travesseiro. Tinha sempre junto de mim o irmão Gabriel, Neste ponto não me sei explicar: mas sentia a sua presença e em cada um dos meus actos me vinha êle à lembrança>.
A se n h o ra q u e tin h a e m p re s ta d o à e n fe rm a a V i d a d o S a n to ve iu p ara a le v a r. M a s , q u a n to n ã o diferi3tn a g o ra os sentim ento s d a d o n z e la , prestes a p e rd e r o livro, d a q u e le s com que o t in h a recebido ! O seu c o ra ç ã o e n tris ­ teceu-se e as lá g rim a s b ro ta ra m - lh e d o s o lh o s . A n h o ra , c o m o v id a , deix o u- lh o por m a is que a lg u m T o d a v ia » G e m a teve fin a lm e n te separar-se se­ dêle. tem po.

«i\'cssa

«Este Santo do céu. escreveu ela. quis dentro em breve recompensar-mc dèste pequeno sacrifício, porque

• C A P I T U L O

* V

61

na noite seguinte ■ me apareceu, envolvido num manto branco. Não o conheci. M as ê/e. percebendo isso. abriu o manto c deixou ver o hábito dos Passionistas. Não tardei cm o rcccnhecer. Preguntou-me porque tinha eu chorado, ao entregar o livro da sua vida. NSo sei qual foi a minha resposta. £le. porém . disse-me: Sè virtuosã; voltarei a vcr~tc>.
E sta c u rta v is ita de S . G ab rid .- c n c h e r d o de d e li­ ciosa paz e s u a v id a d e a alrr.3 d a santa, re a v iv o u fo rte ­

tVamos a Jesus o u viam - na m u ita s vezes exclam ar, sim, vamos a Jesus p a ra ficar sempre com ê !c>. M a s Jesus n á o te n c io n av a
m ente o seu a n tig o desejo d o céu: ouvi- la a in d a , c c!a, s u fo c a n d o no co ração a q u é k a rd e ste dese jo , p erm anecia tr a n q ü ila n o seu leito d e d o r. p le n a ­ m ente re s ig n a d a corn a v o n ta d e div in a . A lé m dos m em bros d a fam ília, as c a rid o sa s irm ãs dc S. C a m ilo , cham adas B a rb a n tin a s. prestavam -lhe assid u am e n te seus c u id a d o s , levadas a isso c e rta m e r'e n ã o só pela c a r id a d e h e róic a

de q ue. fazem p ro fissão ,

m as ta m b é m pelo m u ito que veneravam a q u e r id a e n ­ ferm a. P o r vezes tr a z ia m a lg u m a das suas no v iças p ara q u e se edificasse co m o espectáculo de ta n to ferv or c v irtu d e . V ir .h a m ig u a lm e n te com o fim de sc cd ific are m as irm ãs de S a n ta Z it a . q u e conservavam u m v iv o afecto à sua a n tig a a lu n a e que recordam a in d a os belíssim os exem plos de v ir tu d e , de que ío r a n teste m u n h a s c u r a n tc a sua lo n g a doer.ça. E n tr e ta n to os meses ia m correndo sem trazer m e lh o ­ ras à d o lo ro sa s itu a ç ã o d a padecente. A m iséria d a fa m í­ lia a u m e n ta v a co m as d ív id a s o casio n ad a s por tanto s

62

SA N T A C EM A

CALC AN I
t

m édico s e rem édios, c h e g a n d o a p o n to de n in g u é m lh e q u e re r em prestar um ú c ic o ceitil. À s a lm as caridosas q u e v in h a m ver a san ta enferm a teriam certam ente, por q u a l­ q u e r m aneira, d a d o re m é d io a su a esta p ob reza, mas os infelize s filh o s de H e n r iq u e G a lg a n i. lem brando-se da p rosp eridade de o u tro ra abstinham -se c u id a d o s a ­ m ente dc a revelar. E assim aco nte cia q u e m uitas vezes nem d is p u n h a m d u m ce ntavo p a ra p ro c u rar a esta q u e ­ ridíssim a irm à o m ais lig e iro alív io . C h e g o u a véspera d a Im a c u la d a C o n c e ição . 7 de D e ze m b ro de IS9S. A s irm ãs B a rb a n tin a s apresentaram-se p ara a sua visita h a b itu a l, a c o m p a n h a d a s d u m a p o stu lan te a q uem a pouca id a d e im p e d ia de vestir o h á b ito religioso. A vista deste a n jo despertou em G e m a o desejo de a im ita r. C re n d o ser uraa in s p ira ç ão d iv in a , fa z v o to a N o s s a S e n h o ra dc e n tra r p a ra a C o n g re g a ç ã o d a s D arbar.tinas; se cheg ar a convalescer. « £ s fe peoiJ.-nenfo consolou-n :e. escreveu ela: fale i

nèle à irm ã Leor.ilda que tomou o compromisso, se cu chegasse a sarar, de m e a d m itir à profissão na mesma época que a jovem postulante ».
M u it o feliz, a-pesar-dos so frim e n to s fisicos. a b o n ­ d o sa e n fê rm a m anife sto u a sua in te n ç ã o a o confessor, q u e veiu nesse mesmo d ia trazer-lhe as graças d o S a c ra ­ m e n to d a P e nitência. « A p ro v o u im ediatam ente o m eu

projecto, c o n tin u a , e concecícu-me aind a outra consola­ ção. sempre recusada até ai: a de faze r nessa mesma tarde o voto de virgindade p e rp é tu a >.
G e m a a tin g ia e n fim o a p o g e u dos seus desejos. A g o r a já pod e proclamar-se tô d a de Jpsus. e de je sus só. N essa noite u m a paz celestial desceu à s u a a lm a , e o seu

C

A

P

I

T

U

L

O

V

63

a m o r esperou co m im p aciência a a lv o ra d a d o d ia se­ g u in te que d e v ia p e la prim eira vez depois d o v o to de v ir g in d a d e p e r p é tu a , uni-la a Jesus n a S a n ta C o m u n h ã o , c dar-lhe a o m e sm o te m p o a ale g ria de oferecer à sua M á » celeste, n a festa d a Im a c u la d a C onceição, a bela prom essa de to m a r o véu. T endo-se a b a n d o n a d o a éstes doces pensam entos, ve iu um t r a n q ü ilo so n o cerrar-lhe as pálpebras e p ôr em rep o uso os seus d o rid o s m em bros. A pareceu-lhe então de n o v o o seu q u e rid o protector, S . G ab rie l, que lhe

[aze dc boa vontade o voto dc entrar cm religião, mas não lhe acrescentes nada*. <Porque não lhe acrescentar nada?» p re g u n ta ela.
disse: « G e m a . n ã o c o m p re e n d e n d o o se n tid o destas p alavras. P o r ú n ic a re sp o sta o u v iu estas d u as p alav ra s, a c o m ­ p a n h a d a s p e lo S a n to d u m terno o lh a r e d u m delicioso

Sorella mia! M in h a irm ã! c Eu nada compreendia de tudo aquilo, c o n tin u a G e m a . Para lhe agradecer beijei-lhe o hábito. Despren­ deu então do seu peito o c o r a fã o (em blem a dos P assio ­ n is ta s ). deu-mo a beijar, e coloccu-o sôbrc o meu. por cima dos lençóis, dizendo de novo: Sorella mia! E desa­ pareceu» (1 ).
sorrjso: Na m a n h ã se g u in te a santa jovem , recebia Jesus

'

(3) O Santo queria significar â donzela que formu!asse sir.plesrrente o voto dc entrar em rcÜgiSc, sem se ligar a nenhuma conçregaçSo. Em seguida dava-lhe ficiJmente a entender que seria religiosa passionista. pelo menos de espirito e coraçJo, Isto é, mlstlcamente transformada em Jesus Crucificado.

SANTA

GEMA

GALGANI

S a c r a m e n ta d o e p ro n u n c ia v a o seu v o to , com a a lm a ‘ in u n d a d a d a s m a is suaves delícias. E s te s íavo res e sp iritu ais n ã o im p e d ia m o e n fr a q u e ­ c im e n to p ro g re ssivo de suas fõrça s. O s m édico s recorre­ r a m , c o m o re m é d io extrem o, à o p e ração d o abcesso d o s rin s e à a p lic a ç ã o de p o n ta s .d e fo g o a o lo n g o d a e s p in h a d o r s a l. E r a a 4 de Ja n e iro de 1899. A s a n ta m e n in a q u e a n te s de tu d o sc p re o cu p av a sem pre co m a g u a r d a d o seu p u d o r , n ã o sc deix o u c lo ro fo rm iza r. S u p o r to u h e r o i­ c a m e n te o su p lic io , a liá s in ú til, porque, c o n tin u a n d o o m a l c o m o s seus estragos, a 28 d o m esm o m ês lh e aparcccu u m tu m o r na cabeça q u e c a u sav a A pobre c n fê rn ia do res horro rosas. O não m é d ic o , c h a m a d o a tô d a a pressa, lim itou-se a fr a q u e z a de G e m a o p e ra ç ã o c ir ú rg ic a . a ta lh á - lo co m um a v e r ific a r a g ra v id a d e d o p e rig o . À p e rm itia

O u t r o s m é d ico s ig u a lm e n te d e c la ra ra m o caso d e s e s p e ­

dc Fevereiro. escreve G e m a . confessei-me. recebi o Sagrado Viático, c esperei o momento de ir para Jesus. O s médicos, julgando que eu não ouvia, disseram entre si que não chegaria à meia-noite».
r a d o . «.A 2 A - p csar- de tu d o . G e m a e fu s ã o A dos m ais n ã o d e v ia dons m o rre r a in d a . s o b re n a tu ra is. E s ta v a r.os d e sígnio s d o S e n h o r glorificar-se n e la p e la e x tra o rd in ário s c u r a e x ig ia um m ila g re ; m as D e u s fè-!o e d o m o d o «.A

m u ito s in g u la r que G e m a nos v a i descrever.

minha família, d iz e la , fazia triduos e novenas pela minha cura. Só eu. confortada pelas doces e fe rn a s palavras que ouvia da própria bôea de Jesus, esfat>a indi­ ferente. Uma das minhas antiga^ mestras veiu visitar-me pela última vez. para me dizer adeus até nos vermos no

C

A

P

Í

T

U

L

O

V

«

cé u . In sistiu com igo para qtfe c a m esmo fizesse um a

novena à B eata M a rg a rid a M a ria A lc o q u e . assegura ndo-me q u e obteria a graça d u m a cora perfeita o a d a m a pronta m orte que me abriria o céu. P a ra lh e fa z e r a v o n ­ tade comecei-a: era a 18 de Fevereiro de 18S9.

/.ui j — Igreja co S. Frcdiano orde a Sa^Ja ft: a pt-.r-.e-.ta comu-

nh&o a 17 de JurJio dc IS57

A ro d ia seguinte, porém , esqueci-me. C om ecei de

novo r.o d ia 20. mas de novo a esqueci. Q u e atenção na reza, meu P adre! C om ecei pela terceira vez n o dia 23. A lg u n s m om en­ tos antes d a meia-noite senti o mover d u m tèrço, senti um a m ão pousar-se-me sôbre a fronte e u m a voz começar n o re rezes a seguir um P ater. A v e . G ló r ia . R espondia

com dificuldade, tão fraca eu e sfa ^a. Esta voz disse-me cm seguida: Queres sarar? Invoca co m fervor tôdas as noites o Sagrado Coração de Jesus. Virei ter contigo todos os dias da novena c oraremos juntamente. Era o Venerável Gabriel, Passionista, que de-facto voltou tôdas as noites. Colocava-me sempre a mão sôbre a fronte e recitávamos as preces ao Sagrado Coração de Jesus: fazia-me acrescentar três Glórias em honra da Beata Margarida Maria. A novena terminou na primeira sexta-feira do mês. Confessei-me e. de manha cedo. recebi a S a g r a d a Comu­ nhão. O h ! que momentos deliciosos passei com Jesus1 ... Repetia-me: Gema. queres sarar? Eu. de comoção. não podia responder. N o intimo do meu coração disse: Jesus, como quiserdes. Como Jesus e bom! a graça estava conccdida. eu estava curada (1 ). Ainda não se tinham passado duas horas depois da. Comunhão e eu jà de pé. A minha familia chorava de alegria. Eu também estava contente. não por ter recupe­ rado a saúde, mas porque Jesus me tinha escolhido para sua filha. Com efeito, antes de me deixar, nessa manhã. tinha-me dito ao coração com uma voz penetrante: M i­ nha filha depois da graça que acabas de receber, seguir-me-ás com mais ardor ainda. Estarei sempre contigo.

(t) Dois diaj antes deita cura miraculosa tem G eaa uma cotáve! apariçAo da SaotSjsima Virgem, presenciada também por Leilcia BeriucceHl. O relato desta aparição feito pela testemunha ocuiar encontrá-lo-á o leitor maJs adiante, quAsl no fim desta bio­ grafia. (N<Xa do Revisor).

servir^te-ei de pai. c tua mãi, ei-la (mostrava-me a Vir­ gem das Doces)* ( I ) . A minha assistência paternal n ã o pede [altar àquele que sc abandona nas minhas mãos; por isso nada te [altará. mesmo quando eu te tirar tôda a consolação e todo o apoio sôbre a terra».
F e liz p e rd a ! d ito so g a n h o ! S im . feliz perda d e tôdas as a le g ria s h u m a n a s , q u a n d o é co m pensada p e lo g anh o e pela posse de Jesus! A seq üê n cia desta b io g r a fia vai-nos d a r u m a p ro v a p a lp á v e l desta afirm a ção .

(1) O Salvador mostrava « n a estatueta de Nossa Senhora das Dores, colocada era frente da cabeceira da doeate. G eca tinha-a recebido de sua mâi moribunda, particularidade que lha tornava duplamente querida. Gostava de fitar nela muitas vtxei o olhar, mesmo durante n noite, para se cocdoer das IntfiveLs dorea de rua M ii Celeste e oferecer-lhe o coraçOo.

C

A

P

í (T

U 'L

O

V I

Sonhos

dc v id a no

c la u s t r a !— E x e r c id o s da V is it a ç ã o

e sp iritu ais

c o n v e n to

M ir ç o - M t io 1800

c u r a de G e m a fo i in s ta n tâ n e a e p e rfe ita. L o g o

que saiu d o le ito de d o r em q u e sua a lm a s e tin h a p u rific a d o , co m o o o iro no crisol, e ab rasad o p o r co m p le to c o a m o r d iv in o , a a n g é lic a m e ­ nina apressou-se a reto m ar tô d a s as práticas de p ie d a d e ,

«Nessa o c a sião. d iz ela. eu não podia viver sc não [ósse a Jesus tôdas as manhãs>.
p rin cip alm e n te a d a c o m u n h ã o q u o tid ia n a . Sentia-se de v o ra d a p o r u m a fopie in te n sa d a E u c a ­ ristia. fe m e que de m o d o a lg u m tinb am p o d id o m itig a r , d u ra n te a su a do ença d e m a is de doze meses, a lg u m a s co m unhões, co nce didas d c lo n g e em lo ng e. Ê n o B a n ­ quete s a g ra d o que ela ve rá re a lizad a a prom essa d o S e n h o r; « Nada

te faltará, mesmo quando eu te tirar tôda a consolação e ío<fo o apoio sôbre a ferra >. Jesus
A p e n a s c u rad a . G e m a , q u e h á m uitos a n o s suspJ- ..

S a c ra m e n ta d o suprir-lhe-á tu d o . r ã v à p d a v id a claustra], m a n ife s to u & fa m ília a in te n ç ã o

70

SANTA

GEMA

GALGANl

de executar o seu projecto e o seu v o to . N in g u é m pensou nesse m o m e n to cm co n trariar u m a v o cação, a todos tã o m a n ife sta , tan to m ais que n ã o s u p u n h a m próxim a a sua re a lização . A sem dem ora D iversas serva d e D e u s , p orém , tencionava vo ar p a ra a so lid ão dum dos claustro -últimos silencioso tem pos da

a-fim-de a í viver só co m Jesus. circunstâncias do ença p o d ia m deixá-la indecisa sõb re a escolha d u m a co n g re g a ção . S o b a in sp ira ção d a s irm ãs B arb a n tia a s, tin h a prom e tid o à V ir g e m S a n tíssim a , no caso de cura. e ntrar p ara o seu in stitu to . P o r o u tro la d o o B eato G a ­ b riel. na a p a riç ão d o s P assionistas. E m fim . um a vo z misteriosa parecia tê-la co n v id ad o a tom ar o véu n a V is ita ç ã o . G e m a inclinava-se m ais p a ra esta ú ltim a O r d e m , le v a d a sem d ú v id a c u ja intercessão lhe tinh a o b tid o a pelo re­ conhecim ento p a ra co m a B eata M a r g a r id a M a r ia ( l ) . saúde. S eis dias d e p o is d a sua p rod ig iosa cura, escrevia: « E u já relatada tinh a- lh e v ária s vezes c h a m a d o irm ã, co!ocando-lhe sôb re o peito o em blem a

queria voar quanto antes para onde me quere, a Bem-aventurada Margarida Maria. O h i como se está mal no mundo! Desde que deixei o meu leito de enfêrma. sinto uma inexprimível aversão ao que passa».
E n tre ta n to a noticia da cu ra espalhava-se pela c i­ d a d e de L uca. n ã o sem suscitar num erosos com entários. À s V is ita n d in a s m an ife sta ram desejo d e ver a do n ze la

(l ) Curiosa coLnddénda: os cntSo Beatos t hoje Santos Gabriel e Margarida Maria vieram a ser canonizado* amboa co cie^-no dia. p o r Bento X V , a 13 de Maio de 1920.’ (Nota do Revisor).

p ara o uvir dc Sua p ró p ria bó ca as p articu larid a d e s deste acontecim ento. N ã o se p o d ia recusar-lhes u m a tão le g i­ tim a satisfação. A m iraculada fo i a c o lh id a cora a lv o rô ç o no m os­ teiro. e as religiosas, na persuasão de a possuírem um d ia definitivam ente, m a n ife sta ra m to d o o seu jú b ilo . Ê ste d ia esperava G e m a ce rta m e nte vê-lo alvorecer desde c/?eno:*a a aquele m om ento d a sua cu ra. em q u e u m a vo z celeste lhe tin h a feito o u v ir estas p alav ra s:

Jesus tôdas as tuas promessas. e acrescenta que. n o mês con? sagrado ao Seu C o r a fá o , irás também consagrar-te a £U»À piedosa m e n in a tin h a in te rp re tad o estas palavras com o um cham am ento à V is ita ç ã o , c. r.o Im paciente desejo de corresponder, esmorecia p o r v e r ain d a afas­

tHoje. escrevia ela, esfam os a 9 de M a r ç o ; como esperar até ao dia de Junho?» P ara
ta d o éste m om ento. suavizar o seu to rm e n to , as V v s ita n d in a s prom eteram recebf-la como re c o lh id a pelos princípios de M a io . e um mês depois como p o stu la n te . Passaram -se trin ta dias de espera, d u ra n te os q u a is o S e n h o r c u m u lo u a sua serva de inefáveis consolações. N esta época com eça dos maiores santos. A té aqui foi sem d ú v id a favorecida p o r luzes inte­ lectuais, colóquios d iv in o s , suaves im pressões d e alm a, aparições celestes, m as sô m e n te por in te rv a lo s m ais o ú m enos longos. H o je abre-se a série d a s com unicações d iv in a s q u ási in in te rru p ta s e de o rd em tnais elevada; inspirações lum inosas, sub lim ès atracções, poderosos p ara .G e m a u m a v id a tôda celesíe e a tal p o n to e x tra o rd in ária q u e p ou co difere da

T2

SA N TA

GEMA

G ALG ANl
>

O t ia w U flte s q o c r io r à p id a m e n te v ã o c o n d u z ir a vir-

tsosM jo v e m « u m a a d m irá v e l perfeição.£ l o t i a a a sua u n iã o co m D e u s . c o n te m p la - O s e n ^ ^ f a le c im e n t o . sem p o d e r detcr-se em nenhuraa cria-

mt*. P e lo sc u a b s o lu to a b a n d o n o à P ro v id ê n c ia , pela $xu in alte ráv e l c o n fo r m id a d e c o m a V o n t a d e D iv in a ,
conserva a p a z e a a le g ria n o m e io d a s m a is d u ra s p ro ­ vas. N u m a p a la v ra . G e m a n ã o v iv e s e n ão p a ra D e u s . p a ra D e u i c o n v e rg e m to d o s os se u s desejos, p o r D e u s clam am tô d a s as p a lp ita ç õ e s d o seu co ração . N ê le só se deleita a sua a lm a e n ê le rep o usa tr a n q ü ila . E n tre ta n to a S e m a n a S a n ta vínha-se a p ro x im a n d o . G e m a esperava-a co m im p a c iê n c ia p a r a e x p a n d ir nesses d ia s m em oráveis 03 seus te rn o s se n tim e n to s p ara co m Jesus C ru c ific a d o . A n te s de re fe rir as g ra ça s im p o r ta n ­ tes recebidas n e sta g r a n d e s e m a n a devem os fa la r d a

Hera santa, p o s ta em p r á tic a p e la s a n ta d o n z e la , pois foi
d u ra n te èste p ie d o s o e x e r c id o q u e n e la se re a lizaram , nos últim os a n o s d a s u a v id a , o s m a is a d m iráv e is p ro ­ d íg io s do a m o r d iv in o . E sta p ie d o s a p r á tic a d e s o lid a r ie d a d e co m o D iv in o P adecente tir.ha-lhe sid o s u g e rid a e e x p lic a d a d u ra n te a do ença p e la ir m ã JúÜ a, u m a d a s s u a s a n tig a s m estras do In s titu to Unir-se G u e rra , dum co m o fira de ao fo r tific a r d iv in o a sua paciência. m odo especial R e d e n to r

c a d a q u in ta - fe ira , d ia c m q u e c o m e ç o u a dolo rosíssim a P a:xao, d e v ia a g r a d a r im e n so à fe rv o ro sa m e n in a q ue, a ^ o o b stan te o e n fra q u e c im e n to ÍÍSico, q u is a b ra ça r sem em era esta d e v o ção . P e d iu o m a n u a l d a

Hora s a n ía .

te o p ú s c u lo , d e v id o à fu n d a d o r a d o In s titu to d e S a n ta

*

c
Z it a , H e le n a

A

P

1
>

T
tem

U

L: O

V I

73

«Uma hera de . oração com Jesus agonizante em Gethtsemani* t c o n ­
G u e rra , p o r titu lo : tém q u a tr o m e d ita ç õ e s m u ito piedo sas sõb re éste m is ­ tério. s e g u id a s de o ra çõ e s e o fertas.

Irutituto Guerra. cm Lxca. regido pçlã) írmÃs de Sanim Zita. onde a SarJa foi educada

o n *» i n

L* ík A

U A L ^7 / i /V /

D e p o is de ter d a d o u m a vista de o lh os a estas p á g i­ n a s , G e m a julgou-sc na posse d u m tesoiro e fê z a o C o r a ­ ç ã o de Jesus a prom essa d e ja m ais em su a v id a o m itir tã o co m o vente devo ção , se chegasse a s a r a r d a doença sua m o rtal. R e c u p e ra d a a saúde m irac u lo sam e n te ,

apressou-se a cu m p rir a sua p alav ra com a a p r o v a ç ã o d o co nfesso r. E ra em Q u in ta - fe ira S a n ta . C o m o fim de se d isp o r m elhor p ara o p ie d o so exer­ cício. a s a n ta fê-lo preceder d u m a co n fissão g e ra l. E s ta p re p a ra ç ã o tão séria revela o a lto conceito q u e o S e n h o r lhe t in h a o rd e n a d a d io so d c insp irado acerca d u m a p rática secretam ente por sua P ro v id ê n c ia com um fim m iserico r­ q u e tratarem os em o utro c a p itu lo . O u ç a m o s

G e m a descrever-nos as operações d a g ra ça nesta Q u in ta -íeira S a n ta .

pela primeira vez a fazer a Hora santa [ora do leito, segundo a minha prom essa a o Sagrado Coração. O arrependimento de meus pecados atingiu tal intensidade que sofri um verdadeiro martírio. Em minha dor imensa restava-me uma fôrça que era ao mesmo tempo um alívio: a de chorar. Chorei. pois, e orei du­ rante tôda a hora: em seguida sentei-me. Á dor conti\ nuava. ,
«C or/iecei

Alguns instantes depois senti um grande recolhi­ mento e como que um enfraquecimento repentino de minhas forças. Quási que não pude levantar-me para fechar à chave a p o rta do quarto. ■ Onde me encontrei então? Em presença de Jesus Crucificado, jorrando sangue de tôdas as partes. Üluitó perturbada com esta aparição, baixei os olhos e fiz o ••nal da Cru:. A perturbação xucedeu dentro em pouco

C
a

A

P

I

T

U

L

O

V I

76

tranqüilidade dc espirito (1 ); mas a doc dos meus pecados tornava-se com isto cada vez mais viva. N ão me sentindo com coragem de. nem sequer por um ins­ tante. levantar os olhos para Jesus, prostrei-me com a fronte em terra e fiquei muitas horas nesta posiçio. Vol­ tei a mim: as chagas de Jesus tinham-se gravado tanto no meu espirito que não mais se apagaram».
A Jesus v is ã o desapareceu. G e m a a rd e n d o n o am o r dc C ru c ific a d o , suspirou então pela a lv o ra d a dc

Sexta-feira S a n ta p a ra co n te m p la r S uas inefáv eis dores c p ara se u n ir às S u a s trÍ3 horas dc a g o n ia . C h e g a d a , p o ré m , a h o ra dos S a n to s O fíc io s , a fa m ília , por p r u ­ d ê n c ia . recusou-lhe a u to riz a ç ã o de ir à ig re ja , com re ­ ceio d e q u e em ta l d ia a v iv a c id a d e d a sua fé e a ternura d o seu a m o r lhe despedaçassem o coração. G e m a sentiu p ro fu n d a m e n te esta co n trarie d a d e e os seus o lh os encheram-se de lá g rim a s . D om inou-se c o n ­

<Fiz resolutamente a Jesus éste p rim e iro sacrifício, c Jesus tão generoso para comigo quis rccompcnsà-lo».
tu d o . pois nos d e c la ra: P a ra n ã o perder o fru to d o exercício que quisera re a lira r n a ig re ja, a nossa san ta encerrou-se

r.o q u a rto :

e a sós com eçou as três horas de o ra ção . Q u e d ig o , a sós? M a l se h a v ia ajo e lh a d o , vê aproxim ar-se o seu A n jo

(1) Bi* KQU.-MÍO os teólogo», a diíereaça entre as a p a r a ta celestes e a i apaiiçôes diabólica»; a i primeirai a priccipio iniplram temor e. logo depoli uma suave tranqüilidade, emquanto que ai segundai para melhor se irulnuarem começam por uma fingida *«gurança. para terminarem por uoa graode perturbação e vivo terror. Nao i pois difícil ordinàriamente diitingulr umaj das outrai.

76

SANTA

GEMA

GALGANl

da G uard a. O

espirito celeste censura-lhe as lá g r im a s

q u e a c a b a d e derram ar; dirige-lhe sábias a d v e rtê n c ia s sób re a fõ r ç a de alm a que D e u s quere em face d o sacrifid o ; d e p o is uniu-se ás suas orações e a ju d o u - a a fa ze r c o m p a n h ia a Jesus padecente e ò V ir g e m D o lo r o s a . C o m esta assistência G e m a recebeu em su a c o n te m ­ p la ç ã o tã o g ra n d e s graças que m a is tarde p o d e r á d ize r

<Foi a primeira vez e a primeira sexta­ -feira em que Jesus se fê: sentir tão fortemente à minha alma: e embora O não tivesse recebido das mãos do sacerdote, p o r q u e era impossível (1 ), o próprio Jesus re iu dar-se a mim (2 ). A nossa união foi tão intima que fiquei confundida. Como era /m p re w io na /ife a vo: de Jesus».
a o seu d ire c to r: E stes fav o re s enchendo de co n so lação a a lm a da s a n ta d o n z e la , enchiam-na tam b ém de c o n fu s ã o e dc tem or, tã o in d ig n a se ju lg a v a déles. Q u e r e r ia , em sua h u m ild a d e , n ã o os deixar entrever a n in g u é m . P a r a que sc resolvesse a revelar a o seu p ró p rio confessor a interc e ccc o ra a p a r iç ã o dc Sexta-feira S a n ta , teve o A n j o , d a G u a r d a de a exortar m uitas vezes e de a repreend er até. A v is ta d o R edentor, todo coberto de sangue» tin h a '

do amor. nos d iz ia ela. do amor até ao sacrifício, e um vivo desejo de sofrer alguma coisa por Aquéle que tanto tinha sofrido por mim».
e x c ita d o n o coração dc G e m a dois se ntim e nto s: « O C o m o conseqüência disto, que idea h a v ia ela d e ter?

Ern S«ta-fclra Santa n3o M dà a cotnunhSo talo X X V líf* < *Ut r"0t,°

boj

fiéis,

a Gema, ver-sc-á no capl-

C A P I
Sem

T U L ò
% , p o ço ■ * da

V I
casa, desp rend e

77 a

ser n o ta d a , v a i a o

c o rd a , dá-lhe m uitos n ó s c, co m ela assim , a p e rta a sua ca rn e . M a s . co m o chegar a o s o n h a d o g ra u de am o r de D e u s ? A fervorosa m e n in a p re g un ta- o a o confessor, e co m o a resposta lhe parecesse in s u fic ie n te , dirigiu-se

«Eu estava inquieta, escreve, por não saber am ar; Jesus, p o ré m , em sua bondade infi­ nita. dignou-se Je sc e r até ao ponto de se tornar meu mestre*.
d irectam ente a o S enh o r. E r a um d ia de A b r il d o a n o de 1599. d u r a n te a o r a ­ ç ã o d a noite. S ò z in h a , no seu estreito q u a rto , a fe rv o ­ rosa virgem tin h a o p e n sam e n to e o c o ra ç ã o ab ism a d o s n o D iv in o P adecente, q u a n d o «efe-repenfe. c o n tin u a ela.

senti profundamente recolhida e m e encontrei pela segunda vez em presença de Jesus Crucificado. Mos­ trando-me as suas cinco chagas abertas, disse: Vè. mi­ nha filha, e aprende como se ama. Vês esta crui. estes espinhos e estes cravos, estas carnes lividas, estas pisa­ duras. estas chagas? Tudo é obra do amer e do amor infinito. Eis até que p o n to te am e i. Q u e re s amar-me ver­ dadeiramente? A P R E N D E P R IM E IR O A S O F R E R : O S O F R IM E N T O E N S IN A A A M A R * .
me D ia n te desta visão e a o o u v ir tais p a la v ra s , a terna m e n in a experim entou u m a d o r tã o in te n sa q u e . a b a n d o ­ n a d a de suas fôrças, ca iu d e s m a ia d a e fic o u m u ita s horas e ste n d id a no chão. • P re d e stin a d a m e n in a , a g o ra já sabes d a p ró p ria

b ó c a d o D iv in o M estre co m o se a m a . P rep ara- te . ag o ra, p a ra a d o r q u e vai fare r de ti u m a rd e n te serafim .

78

SANTA

GEMA

GALGANI

Ia-se a p ro x im a n d o o p rim e iro de M a io . d ia fix ad o a Gem a pelas religiosas V is ita n d in a s p a ra o com èço d u ra tu r n o de exercícios e sp iritu ais n o co n v e n to . A s a n ta d o n z e la c o n ta v a as horas q u e a se p a ra v a m a in d a desta d a ta tã o ansiosam ente e sp erada, que b e m s u p u n h a d e v ia ser a d o seu ad eus d e fin itiv o a o m u n d o e a d a sua in te ira d o a ç ã o a o m u ito A m a d o Jesus. P o r seu la d o , o S a lv a d o r c o n tin u a v a activam e nte na p u rific a ç ã o desta a lm a eleita, co m o fim d e a preparar p a ra um do m m ístic o dos m ais raro s. C h e g o u em fim o p rim eiro d e M a io . P e la s o ito horas d a tard e . G e m a dirigiu-se, tr a n s b o r d a n d o d e ale g ria , ao s a n to a s ilo d a V is ita ç ã o o n d e lh e pareceu, s e g u n d o a sua expressão , estar no P a ra íso . T i n h a ser. lhes disse, cios de que p r o ib id o aos seus q u e fõssern visitá-la d u ra n te os d ia s d o retiro, q u e d ev iam

«todos p a ra Jesus».
de co n se rv ar a m a is preciosa lem ­

S ig a m o s a fervorosa m e n in a nestes santo s exercí­ há b ra n ç a . Dever-lhes-á a ú ltim a p re p a ra ção p ara a g ra ça e x tr a o r d in á r ia que v a i ser o g u in te . Recebendo-a cm seu m o steiro , as V is ita n d in a s n ã o tin h a m s ò m e n te a in te n ção , co m o já dissem os, de a c o n ­ servar a lg u n s dias; estavam n a e sp e ra n ça de a a d q u irir, p o rq u e , n ã o obstante a s u a p o b re za e p riv a ç ã o bem c o n h e c id a s . G e m a , por suas g ra n d e s v irtu d e s , co n stitu ía um v e rd a d e iro tesouro. F o i d e c id id o tam b ém , de a c ô rd o co m o seu confessor, q u e n ã o fa r ia os exercícios esp iri­ tu a is em p articu lar, co m o u m a pessoa e s tra n h a , m as c o m u n id a d e . T o m a r ia s e g u iria em tu d o o h o rá rio d a a s s u n to d o c a p itu lo se­

p arte n o o fic io d o côro, na m e d ita ç ã o c o m u m , nas re-

C A P I T U L O
I *

V I

79

feições e nos outros exercícios d a reg ra, co m o u m a ver­ d a d e ira no viça. • ’ A h u m ild e v irg e n z in h a p re fe riria perm anecer soli^

tária e passar despercebida, m as. sab e nd o que a o b e ­ d iê n c ia e a a b n e g a ção da v o n ta d e p ró p ria a g ra d a m m ais a o S e n h o r, abandonou-se c o a fia d a m e n te à direcção" da m estra de noviças, como se fôsse u m a de las. C o n fir ­ m a d a s com o estavam em sua g ra n d e estima a esta m e­ n in a por M g r . V o lp i. seu co nfesso r e g ra n d e protector d o m osteiro, as V is ita n d in a s in te n ta v a m assim exam i­ ná-la de perto e ao m esm o te m p o pro p o rcio n ar à s Jovens recolhidas um g ra n d e proveito espiritual pela edificação de seus bons exem plos. P reve nidas em seu fav o r, no v iças e professas puseram-se a cercar de atenções a recém -chegada. So bretudo a S up erio ra p rod ig alizava- lh e sinais p articulares dé afecto. N o refeitório queria que estivesse a seu lado. no lu g a r de h o n ra . S u a ategria era fa ia r m uitas vezes com ela de coisas d iv in a s, d u ra n te o recreio da tarde. o u no seu q uarto , d u ra n te os m om entos q u e a fervorosa exercitan te n ã o p assava no cõro. a sós com D e u s. A s luzes e com unicações celestes recebidas nestes santos dias. G e m a no-las d e ix a entrever p o r estas p a la ­

€Jesus, sem olhar para a minha miséria, trazia-mt as suas consolações c fazia-se sentir cada vez mais à minha alma». Is to quere d ize r, p ara q u e m conhece
vras: a sua lin g u a g e m , que o céu se derram av a em sua a lm a p a ra a excitar a o bem e arre b atar to d o s os seus afectos. • G e m a sentia-se realm ente feliz no convento d a V i ­ sitação.- E n tre ta n to n ã o se e n c o n tra v a n o seu verdadeiro

e le m e n to . A regra parecia m u ito p ou co severa a o seu fe rv o r. P a ra o seu d e se jo d e oferecer a Jesus g ra n d e s p e n itê n c ia s, êsie g én e ro d e v id a parecia-lhe d e m asiado suave, e o p róp rio D iv in o M e s tre lh o teria d a d o a eotend c r.

«Muitas vezes... c o n ta e la, Jesus m e disse interiornente: Minha filha, quero para ti uma regra mais aus­ tera».
M a s . enifim , ela fic a ria d e b o a v o n ta d e n o m osteiro:

só a atem orizava a id e a d e v jr a deixá-lo p a ra de no vo se recolher à sua fa m ília . E p o r isso n ã o cessava de p e d ir a o seu confessor lh e obtivesse d a a u to r id a d e eclesiástica p erm issão para ali fic a r d e fin itiv a m e n te . F o ram ter com o A rc e b isp o . O san to p re la d o — era M o n s e n h o r G h ila r d i — j á tin h a o u v id o fa la r de G e m a : e tinh am - lha representado co m o u m a pessoa de saú d e d e lic a d a , a-pesar-do m ila g re d a sua cu ra. e de c o n s ti­ tu iç ã o fraca, tra ze n d o a lé m disso a in d a o e sp artilh o de fe rro im posto pelos m é d ico s n o p rin c ip io d a d o e n ça , p ara s u sp e n d e : o desvio v e rte b ral. N e s ta s c o n d içõe s h ouve p o : bem o p rud e n te p e d id a . A esta noticia, a S u p e rio ra , v iv a m e n te desejosa de s u p r im ir todo o o b stác u lo , o rd e n o u à jo v e m q u e deixasse o espartilho de ferro. G e m a n ã o se fêz ro g a d 3 . N o m e sm o instante se d e s p o jo u d o m a lfa d a d o a p a re lh o e n u n c a mais o retom ou, sem q u e tivesse p o r fo rm 3 a lg u m a s e n tid o a falta d è le .. T u d o . porém , fo i in ú til. O A rcebispo, in s p ira d o certam ente p o r D e u s , pect i n e c e u inflexível e p ro ib iu q u e a d m itisse m a asp ira n te â o noviciado n o més de J u n h o , í o m o e stav a p ro je c ta d o . » ' • . . A rc e b is p o recusar a a u to riz a ç ã o

A tssüaá dc Ar.é «S.* dz3 Dcrcs quc s Sir.:* rcccbcra dc svâ m ii moribnrdj c «I tmhj gcdrdc afciç&c. «Ah! r::nha quer.ca M<m3. hei-dc a.xa/-Vos
sc.T.prc. scir.pro.

%

A u to r iz o u s o m e n te a co nservassem n o m o steiro até v in te d e M a io , p a r a lh e d a r a a le g ria de assistir à p ro fissão d c a lg u m a s n o v iç a s , fix a d a p a ra esta d a ta . •N ã o c o m u n ic a r a m lo g o a G e m a a decisão arquiep is c o p a l. N a m a n h ã d o d ia v in te d e M a io e d u ra n te a c e r im ó n ia fissão , ta m b é m da co m ela pro ­ que esp e ­ viram r a d ia n te

r a v a ser m ais ta r d e b e n e fic ia d a , -na de d iz tô d a

ale g ria .’ « Jesus. ela. errferaeceu

o m eti

que
fim

coração mais de costume»;
co m o p re p a r a r

sem d ú v id a de a

p a r a a p a r tid a i m i­ n e n te . lugar ce E s ta v a em num
O

isolado, do­

a b s o r v id a

Sr. Henrique Gatgártí, pai dc Santa Ccmã •

c o n te m p la ç ã o .

«.Chorei, chorei muito», acre sce n ta : lá g r im a s de am o r e
d e ce le stial a le g r ia . C o n ta - se q u e neste d ia , c m q u a n to tô d a a c o m u n i­ d a d e fe ste jav a a s n o v a s p rofessas. G e m a . ficara era o r a ­ ç ã o tô d a a m a n h ã n a c a p e la , sem q u e n in g u é m tivesse n o t a d o a su a a u s ê n c ia a o a lm ô ç o ne m a o ja n ta r . E ela em su a u n iã o ín t im a co m D e u s . a in d a m enos tin h a p e n ­ s a d o nisso. M a s d e p o is d o m eio - dia a fra q u e z a n a tu r a l traiu-a. e

62

SANTA

CEMA

GALGANI *

L o g o q u e as religiosas conheceram a causa d a . in d is p o ­ sição, apressaram -se a co nduzi- la a o refeitório. Ê ste in c ó m o d o p o ré m n a d a era, em c o m p a ra ç ão d o q u e ia experim entar essa m esm a (a rd e : ter que sair d o m osteiro e v o lta r p a r a a sua fa m ília . F o i extrem a a d o r d a nossa s a n ta e só a póde s u a v iz a r a sua h e róic a subm issão às disp o siçõe s d a P ro v id ê n c ia . « F o i ás cinco

horas da manhã, no dia 21 dc M aio de 1899, que tive dc partir, escreveu ela; pedi. chorando, a benção à Supe­ riora. saüdci as religiosas e saí. M eu Deus, que dor!*
A pobre m e n in a e ntro u co nsternad íssim a em sua casa, a q u a l tão d ife re n te lhe pareceu d o co n v e n to q u e ju lg o u n ã o p o d e r v iv e r n e la. C o m o eram diferentes as ocupações, as pessoas, a s conversas. T o d a v ia , p ara c u m ­ p rir a v o n ta d e de D e u s . acom odou-se e entregou-se aos cu id ad o s dom ésticos co m o ard o r d c antes. V ia por o u tro la d o que estes c u id a d o s n ã o lhe desv iavam a a te n çã o d a s coisas celestes, as ú n ic a s q u e a p a ix o n a v a m o seu coração. A b a fa n d o na a lm a as suas tristezas e a sua d o r. asp irav a ao c u m p rim e n to perfeito d o s seus deveres p ara com as tias e os irm ã o z in h o s . C onservava-se inteiram ente a o seu serviço, e com o exem plo anim ava-os à paciência n o n e io d a p enúria sem pre crescente d a sua tã o p r o ­ v a d a fa m ília . E n tre as piedosas p rátic as d a san ta d o n ze la nesta época, conta-se a q u e v a m o s descrever. S ab em o s q u ã o ternam ente a m a v a seu p ai. a q uem «n-.pre ccrcora de atenções filiais a té a o ú ltim o suspiro. tp o is d a sua morte, êste afectcv traduziu-se por c o n tí­ n u o s su frág io s pelo rep o uso de sua a lm a . D u r a n te a

C

A

P

I

T <

U

L O i

V

I

S3

estad a em casa d a tia de C a m a lo re . la m u ita s- v e ze s; a c o m p a n h a d a de sua p r im a , à ig re ja d a A b a d ia , co m o que em d e v o ta ro m a g e m , p a ra lá re c o m e n d a r à V ir g e m S a n tís s im a a a lm a d e seu p a i. D c v o lta a L u c a , n ã o d e i­ xou p a s s a r n e n h u m d ia d e festa sem ix a o ce m itério com s u a ir m ã J ú lia o rar sôb re as c a m p a s d e seus q ue rid o s pais. E ag o ra,, d e v o lta d o co n v e n to d a V is ita ç ã o . G e m a retom a co m carístico, p a ra o portas. E n tr e ta n to a sua p ie d a d e n ã o está a in d a satisfeita, e esperam fo ra a reabertura d o cem itério, silenciosas, re c o lh id a s e sem se im p o rta re m nem com c h u v a ne m com frio o u calo r. U m d ia u m a v iz in h a pobre v iu d o seu casebre as d u as m e n in a s expostas n o c a m in h o p ú b lic o à s in te m p é ­ ries d a e stação . C o n v id o u - a s a abrigarem -se. e sab e nd o q u e estav am em je ju m , ofereceu-lhes u m a p e q u e n a re fe i­ ç ã o . V e n d o d e perto as d u a s irm ã s , n ã o ta r d o u a g anh ar-Ihes a fe iç ã o e arrancou-lhes a prom essa de v ire m sem ­ pre re p o u sa r em sua h u m ild e c h o u p a n a . m e n in a s e n c o n tra re m ausente a • piedosas h o sp e d e ira; D e p o is d is to aconteceu m u ita s vezes à s caridosa m ais fervor a m esm a p rá tic a d e p ie d a d e co m a su a q u e rid a c o m p a n h e ira Aí p e rm a ­ filial. D e p o is d e o u v ir m issa e de receber o P ã o E u ­ dirige-se ce m itério , s itu a d o fo ra d a c id a d e .

necem a m b a s a té a o m eio-dia, h o ra a q u e se fe c h a m as

m u ito tím id a s p a ra irem b a te r a o u tra p o rta , ficavam sem a lim e n to a té a o fim d o d ia . E q u a n d o se retirav am n ã o ia m a in d a d ire c ta m e n te p a ra casa. O u v in d o os sinos d a c id a d e c h a m a r os fiéis à s ce rim ó n ias d a ta rd e . deti-

S4 ;

SANTA

GEMAGALGANI
\

n h a a - s c n a lg u m a ig re ja p a ra assistirem à

bênção do

Santíssim o Sacram ento.

. .

A ssim a c a b a v a m de sa n tific a r o d ia estes d o is a n jo s , depois de terem d a d o u m a in te ira sa tis fa ç ão ao s seus sentim entos d e p ie d a d e filial.* D e s p e d in d o G e m a , a 21 de M a i o déste a n o , as V isitan d in a s n ã o lh e tin h a m tir a d o t ô d a a esperança de a tornar a receber, q u a n d o as d ific u ld a d e s q u e sobrevieram fóssem a p la n a d a s . A santa p o r s u a v i z , em bora n ã o encontrasse o seu id e a l neste c o n v e n to , a êle v o lta r ia de boa v o ntad e , a in d a que fósse s ò m e n te p a ra fu g ir à v id a secular. A c o n s a g ra ç ã o a o S a g r a d o C o r a ç ã o , de q u e o S e ­ n h o r lhe t in h a fa la d o n o m o m e n to d a sua c u ra m ir a ­ culosa. interpretara- a ela n o s e n tid o d e c o n s a g ra ç ã o religiosa n u m m osteiro d a V is ita ç ã o . A f i n a l era sim p les­ mente um m eio de apressar a su a to ta l tra n s fo rm a ç ã o cm D e u s pela d o r e pelo am or. G e m a . p o ré m , to m a n d o á letra as p a la v ra s d o S a lv a d o r , s u s p ira v a a in d a e su s­ pirava ard e n te m e n te , pôsto q u e ad m issão a o no viciado. E n tr e ta n to as d ific u ld a d e s lo n g e de desaparecer, iam-se m u ltip lic a n d o . E x ig ia m a g o ra ce rtific a d o s d o m é ­ dico e n ã o sei que outros a te sta d o s d ifíc e is de o bter. A lé m disso, com o todo o seu d o te co nsistia únicamente na su a g ra n d e virtud e e em seus m odestos v e s tu á ­ rio*. as V is ita n d in a s , com o n o p r in c ip io n ã o tivessem txJo lito em consideração, j u l g a r ^ n e n c o n tra r a g o ra c o n o te m p o e com novas reflexões, u m o b s tác u lo in s u ­ perável. co m re sig n a ção , pela v id a c la iistra l e reno vava sem se c a n s a r o p e d id o de

A s a n ta m e n in a de-pressa c o m p re e n d e u a h esitação dessas bo as religiosas» m a s sem se p e rtu rb a r. C o m a sua c o n fia n ç a h a b itu a l voltou-se de n o v o p a ra o S e n h o r, q u e lh e d e u claram e n te a e n te n d e r d e sta vez q u e a m isteriosa c o n s a g ra ç ã o n ã o d iz ia respeito à v id a re lig io sa , pelo m enos n a o rd e m d a V is ita ç ã o . G e m a d e ix o u im e d ia ta ­ m ente de in s ta r e esperou n o seio de su a fa m ilia , com re sig n a ção e c a lm a , q u e se m a n ife sta sse m e lh o r a v o n ­ ta d e d o céu acêrca d o seu fu tu ro .

r .« > •, * ■ » • < •• • . : > J *• >•

P r o d íg io s d e c s tig m a tix a ç á o

— 8 ác JunKo i c tS^J’—

EPRODUZIR em sua p e sso a u m a p e rfe ita im a g e m
de Jesus, ta l e ra a su p re m a a s p ira ç ã o de G e m a ; e co m o o F ilh o d e D e u s p a ra re s g a ta r as nossas a lm a s e g a n h a r m a is eficazm ente os n o sso s co raçõ e s a p a re c e u n o m u n d o , so b a fo rm a d a d o r, s u a fiel serva n ã o q u e r ia co n h e c e r s e n ã o a Jesus C r u c ific a d o . O s m is té rio s d a s g r a n d e z a s d iv in a s p are c iam p r e o ­ c u p a r p o u c o o seu e sp írito . < A h l o m eu B em - A m ado. d iz ia e!a com a E spôsa dos C a n ta re s ,

i

p a ra

m im

u m feix e de m irra: n ão q u e ro considerar nêle o u tra coisa, p o rq ue f o i a p a rfe q u e escolheu. V i q uem q u ise r c o n te m p là- lO n o T abor. eu fic o n o C a lv á rio , em c o m * p a n h ia de m in h a querida M ã i das D ores*. G e m a n ã o
q u e r ia o u tra s im a g e n s de d e v o ç ã o a lé m d a s q u e r e p r e ­ se n ta v a m a Je su s s o fre n d o p o r nós. P e q u e n in a a in d a , o uvia-se d iz e r m u ita s vezes a s u a p ie d o s a m ã i: « M a m ã , falai-m e d a P aix S o d e Jesus*: e às m estras do in s titu to G ue rra:

tlr m ã s . cxplical-me

___ . . _

------ -- - - -

W « I 4*u n *1 I
r

a lg u m p o n to dos mistérios dolorosos de Jesus*. E bem sc
r e c o rd a m d a s q u e era preciso ter u m a g ra n d e p ru d ê n c ia n a s a tis fa ç ã o dêste s.san to s desejos, co m receio d c q u e a v iv a e m o ção , sem p re p ro v o c a d a n e sta a lm a terna pela n a r r a tiv a dos so frim e n to s de seu B e m - A m a d o Jesus, lhe ca u sa sse q u a lq u e r p e rtu rb a ç ã o de sa ú d e . T a is p rincíp io s, lo n g e de se d e sm e n tire m , pela v id a a d ia n te , de-pressa fo ra m seg uido s d e a d m iráv e is p r o d í­ g io s. q u e vieram revelar d u m m o d o e v id e n te e co roar, a c o m p le ta tr a n s fo r m a ç ã o d c Gem a en Jesus C r u c i­ fic a d o . V im o s co m o o S a lv a d o r , a-fim -de in fla m a r a d e v o ­ ç ã o d c su a serva p a ra com sua d o lo r o s a P aix ão , lh e a p a re c ia a lg u m a s veres to d o co berto d e sang ue e pela v is ta su rp re e n d e n te d a s suas c h a g a s a b e rta s a estim ulava a a rn á - lO e a sofrer p o r Êle. E ssa s visões so b re n atura is e in e fá v e is entrevistas d is p o s ta s com um a p ro v id ê n c ia m u ito p articu lar, iam p r e p a r a n d o g ra d u a lm e n te a sua a lm a p a ra o do m in a ­ p re c iáv e l que lh e reservava o S a g r a d o C o ra ç ão . D e p o is de ter saido d o c o n v e n to da V is ita ç ã o . G e m a o u v iu um a vo z m isteriosa dize r- lh e com fòrça ao o u v id o : « V a m o s , ío m a coragem ; esquece tôdas as cria -

tu ras: abandona-te sem reserva a D e u s . A m a - 0 m uito, n ã o op onh as nenhum obstáculo aos seus desígnios, e verás o cam inho que em pouco fe m p o fe fa r á percorrer, sem tu m esmo o notares. A fa s ta todo o tem or ; o C oração de Jesus é o trono d a m isericórdia , em q u e ós miseráveis s ã o os m ais bem acolh id os ».
R e c o n fo rta d a p o r estas p a la v ra s , a s a n ta , voltand o - jc p a r a u m a im ag e m d o S a g r a d o C o r a ç ã o , ex clam a:


• » .

C A P I T U L O ' .
%

‘V 11
m uito:

89

*

* .

* <ó

m eu

l Jesus, q u e ria . . • voz

am ar-V os. m uito.
. c o n tin u o u :

* m as

'
c v

r.ão sei*. E a
sem pre

s o b r e n a tu r a l

«Q ue re s

am ar

a Jesus? N S ó deixes u m m o m e n ío d e sofrer por

Ê le . A cruz é o trono dos verdadeiros am antes; a cruz é. nesta vida, o patrim ôn io dos escolhidos ».
F in a lm e n te , um d ia o u v iu d e p o is d a S a n ta C o m u ­ n h ã o o p róp rio Jesus dizer-lhe: « G e m a , coragem ! espe-

ro-te no C alvário, sòbre esta m o n ta n h a p ara a q u a l te d ir ig i >.
Ê realm ente p a ra éste nobre p o n to de r e ü n iâ o q u e a P ro v id ên c ia a tin h a e n c a m in h a d o p e las m ultíplices p ro v a s d a v id a d o m éstica , pelas a tro ze s dores de sua lo n g a d o e n ça , e recentem ente p o r u m retiro de trés sem a­ n a s na V is ita ç ã o , p o r u m a rre p e n d im e n to e x tra o rd in á rio de suas faltas, por u m a co n fissão g e ra l a c o m p a n h a d a de m u ita s lá g rim a s , pela recusa d a s m esm as V is ita n d in a s em a receber no n o v ic ia d o , n u m a p a la v r a , pelas g raças e x tra o rd in ária s p ro d ig a liz a d a s à v ir g e n z in h a d c L u ca . desde a sua cura p ro d ig io s a a té êste d ia . A g o r a q u e sua a lm a b rilh a com u m a p u re za id e a l. Jesus convida-a a o C a lv á r io . C ocxesponde. sim , a o seu co nv ite, p re d e stin ad a m e ­ n in a . e deixa-te tra n s fo rm a r em teu E s p ô s o C ru c ific a d o .

A & de Ju n h o de 1899. véspera d a g ra n d e festa d o S a g r a d o C o ração , a lg u n s m o m ento s d e p o is de c o m u n ­ g a r , d e u o S e n h o r a e ntend er à su a p r iv ile g ia d a serva q ue. nessa mesma tard e , u m fav o r in s ig n e lh e seria c o n ­ c e d id o . Sem perda de tem p o , corre a in fo r m a r d is to o seu co nfesso r e pede-lhe m a is u m a a b s o lv iç ã o d e suas faltas. D e p o is , co m o espírito ch eio d e santo s p en sam e n to s, o C oração a tran sb o rd ar de p az e d u m a a le g ria fo ra d o co stum e, entrou em casa. \ •

' r ’•

' C A P. I. T U l O • V I 1

9 1 .’

* ' ' « A tarde, c o n ta e la. f u i tomada subitam ente, e m ais' j

de-pressa que de costume, d um uivo arrependim ento dos m eus pecados, m as d u m arrependim ento tão v iv o que n ã o m ais experim entei semelhante, julgan d o- m e a p o n to de morrer. <Pcuco depois, tódas as potências d e m in h a alm a entraram num m isterioso recolhim ento: a inteligência somente via os m eus pecados e o horror d a ofensa de D e u s: a m em ória recordava-mos todos, a s sim c o m o os torm entos su p o rtad o s por Jesus para m e salvar; a v o n ­ tade detestava-os, prom etendo sofrer tu d o p a ra os expiar. O n d a s de sentim entos se c o m p rim ia m n o meu coração: sentim entos de dor, de am or. de e s p e ra n ça , de
co rag e m , de tem or.

<A éste recolhim ento interior sucedeu cm breve a perda dos sentidos, e encontrei-me cm presença d c m inha A íõ i celeste. T in h a à sua direita o meu A n jo , q u e antes dc tudo me ordenou que recitasse o acto de contrição. « Q u a n d o term inei, m inha M â i d ir ig iu -me estas pala v ra t: « M in h a filh a . Jesus quere fazer-te u m a g ra ça:
saberás tornar-te d ig n a d e la ? »

* A m inha m iscria não sabia que responder.
« M a r ia c o n tin u o u ; «S erei p ara ti u m a n ã i ; m ostrar-te-ás p ara c o m ig o u m a v e rd ad e ira f ilh a ? »

E stende nd o então o m anto cobriu-me com èle. N o
m esm o in s ía n fe

apareceu Jesus: suas chag as estavam

abertas, m as n ã o saia sangue: saiam cham as ardentes. D e súbito estas cham as tocaram m inh as m ãos. m eus pés e o meu coração. Senti-me morrer e ia a cair. q u a n d o m inha M ã i me sustentou, conservando-me sem pre sob o seu m a n ío . F iq u e i m uitas horas nesta posição: cm se-

/-VI

X JC M A

'. GT IX GÍ 7Í 7
.

< g u id a m in h a A /á t beijou-mc na fr o n te ,'e tu d o dcsapareceu. Encontrei-m e a jo e lh a d a n o m eu q u arto . * U m a fo rte dor persistia nas m ãos, nos pés. no coração, e notei, ao levantar-me. q u e destes lugares corria sangue. C ob ri o m elhor possível as partes d o lo ­ rosas: depois, a ju d a d a p e lo meu A n jo , p u d e su b ir para 0 leito*.
A s s im a d o r n a d a co m as jó ia s d iv in a s d o s d iv in o s estig m as. G e m a to m ava lu g a r ju n to d a c r u : entre as m ais belas e ele v a d as a lm a s , a o la d o d e S . F ra n c is c o de A s s is , de S a n t a C a ta r in a de S e n a , de S a n t a V e r ó n ic a G iu lia n i, ig u a lm e n te fav o re cid o s com éste d o m . P o d ia a p lic a r a si estas p a la v ra s d e S . P a u lo : « N in g u é m me

seja molesto, porque trago cm meu corpo os estigm as d o m eu S en h or Jesus» (1 ).
Q u a n d o o S e ráfico P a tr ia r c a d e A s s is , recebeu a im p re ssão d o s s a g ra d o s estig m as, sentiu-se c o m p le ta ­ m ente tr a n s fo r m a d o em D e u s pelo a m o r, m as o seu e m ­ b a ra ç o r.ão fo i p e q ue n o a o lem brar-se q u e n ã o p od eria o c u lta r aos o lh o s p ro fa n o s estas c h a g a s m isteriosas. P or co nse lho de se u s d iscíp u lo s d o A lv e r n e 're so lv e u d issim ulá- las o m e lh o r possível. P o d e ria G e m a to m a r se m e lh ante a titu d e , ela que iv iv ia. n ã o sôb re um m o n te s o litário , m as n o m eio do m u n d o e c e rc a d a de pessoas cu rio sas? N ã o p o d ia pri( 2 ) . o S a n to

1

_

t1) O prodígio da esttgraatízaç5o deu-se. na casa n.* 13 da ^ u a BiscJooe onde Gema vivia eat3o com os seus. (3) Moo te dos Aper.lr.os or.de S. Francisco recebeu o miraW oso favor. '

c

A

P

t
/

T u

L Ô

V

I I

*

98

. var-se d c ir à ig re ja , d e m a n h ã p à ra a S a n t a C o m u n h ã o c d e taede p a ra a v isita a o S a n tís s im o S a c r a m e n to . O r a . o s seus estig m as d e r r a m a v a m .s a n g u e em a b u n d â n c ia .* Q ue dev erá fa z e r ? T ôda a n o ite sc in te r r o g o u a st m esm a sôb re èste p o n to . Q u a n d o , a o rom per d o d ia . sc q u is le v a n ta r , m a l os seus pés to c ara m n o ch ão , e x p erim en to u u m a d o r in t o ­ le rável de q u e ju lg a v a m o rrer a c a d a in s ta n te . C o n s e g u in d o em fim ter-se de pé. a jo v e m ca lço u as lu v a s p ara e sconde r as c h a g a s d a s m ãos c arrastou-se a tè à igreja. D e v o k a a casa viu-se d u p la m e n te p e rp le x a : por u m la d o n ã o p o d ia c o n tin u a r a e n c o b rir o p ro d ig io . por o u tr o n ã o c o n h e c ia a sua s ig n ific a ç ã o precisa, nem sabia se era fe n ó m e n o raro. se piedosas. S u p o n d o q u e tô d a s as a lm a s d e sp o sad a s co m C risto p e lo s votos de r e lig iã o recebiam estes sinais, fo i pregunta r a um a c a o u tra , com u m c o n s tr a n g im e n to cheio dc c a n d u r a , se a lg u m a s vezes lhes r.ão tin h a m s o b re v in d o feridas de tal e de ta l fo rm a. N e n h u m a re sp o sta a fir m a ­ tiv a . O u n a d a c o m p re e n d e m d o m o tiv o de su a s preguntas in g é n u a s , o u se riem d a sua s im p lic id a d e . • E n tr e ta n to o s a n g u e corria sem pre p o r d e b aix o das lu v a s e G e m a decide-se a revelar o fe n ó m e n o a u m a de su a s tias. A p r e s e n ta n d o os braços e stend id os e as m ãos co bertas pelo m a n te lc te , d iz : < M in h a tia. vêde o que m e fre q üe nte e n tre as pessoas

f è : Jesus*. A tais p a la v ra s e à v ista d a s p r o fu n d a s im ­
pressões s a n g re n ta s , a b o a senho ra fic o u estup efacta, t ã o lo ng e estav a d e ex p lic ar, co m o m a is ta rd e o fa r á . . t ã o estranh o m istério .

94 O

SANTA
leitor espera

GEMA

GALGANI \
por p a rtic u la rid a d e s

ce rtam ente

sób re a n atu re za dos estigm as n a serva de D e u s , co m o é que apareceram , co m o e v o lu c io n a v a m e p o r q u e tem p o p erm aneciam . É o q u e passo a e x p o r, n o ta n d o antes de tu d o que êste fe n ó m e n o m ístico, e m b o ra raro , n ã o é n o v o na v id a dos S a n to s . . E m diferentes séculos fo i 'éle a d m ir a d o em m u ito s dos m aiores v u lto s d a Ig r e ja , a lg u n s dos q u a is , com o os já referidos, estão c a n o n iz a d o s . Foi v e rific a d o dum m o d o p articu lar n o -último século p o r m ilh a re s de teste­ m u n h a s n a pessoa d a virgem b e lg a , L u íz a L a te a u , a q uem ex a m in aram , sob o p o n to d e v is ta fisio lóg ic o , s á ­ bios m édicos católicos e ra c io n a lista s e, sob o p o n to de v ista teológico, do uto re s ig u a lm e n te d is tin to s p o r sisa ciência e v irtu d e , que p u b lic a ra m sóbre éste caso p a r ti­ cu lar volum es inteiros. N a virgem de L u c a a e s tig m a tiza ç ão . d e p o is de se ter m a n ife s ta d o a p rim e ira vez p e lo m o d o que ac ab a m o s de ler. reproduziu-se. d u r a n te d o is ano s, tõ d a s as s e m a ­ nas. em d ia e hora fixos, isto é. na q u in ta - fe ira pelas oito horps d a noite, p ara desaparecer n a sexta às três horas d e p o is d o meio-dia. E x c e p tu a n d o o re c o lhim e nto p recu rso r d o êxtase, nenhum sintom a físico, nenhum a im p re ssão d o lo ro sa a n u n c ia v a a sua a p ro x im a ção . M a s de-repente. com o êxtase, via-se aparecer r.as costas d a s m ãos e n o centro das p a lm a s um a m a n ch a v e rm elh a; p rog ressivam ente abria-se sob a epiderm e e n o vivo d a carne u m a fe n d a , irre g u la rm e n te circular n a s palm a$ e o b lo n g a n a face o p o sta. E m fim a ep iderm e rasgava-se, p o n d o a des­ coberto u m a ch a g a v iv a d u n s b o n s d e z m ilím e tro s de

la rg o p o r v in te de c o m p r id o n a p a lm a , e sóm ente com d o is m ilím e tro s de la r g o n a s costas d a m ã o . Esta. fe n d a , a lg u m a s vez.es m u ito sup e rficia l e m esm o q u á s i invisív el a õ lh o n u , a tin g ia d e o rd in á rio u m a g ra n d e p r o fu n d id a d e , p arecendo até atravessar tòda a espessura d a m ão . q u e se d iria tre sp assad a de lado a la d o . D iz e m o s parecendo até atravessar , p o rq ue , ver­ tendo as feridas s a n g u e em parte c o a g u la d o e fe c h an ­ do-se lo g o que o s a n g u e p a ra v a , seria preciso, p ara ter a certeza, s o n d á - la s 'c o m a u x ilio d u m estilete m édico, o que n u n c a se o u so u , p e lo tem or reverenciai q u e insp irava a extática neste estad o m isterioso. A lé m disso a o p e ra ç ão seria d ifíc il: as m ãos inteiriçavam-se c o n v u ls iv a m e n te sob a o pre ssão d a d o r, e a ab e rtu ra d a s c h a g a s fic a v a coberta. n a face p a lm a r, por u m a p ro tu b e râ n c ia q u e à p rim eira v ista se ju lg a ria ser u m a r e iin iã o de g ru m o s de sang ue , m as q u e n a realidade era c a r n u d a e d u ra ; levantava-se nos b o rd o s, inteira­ m ente livres, a fe c ta n d o a fo rm a d u m a cabeça de prego de do is ce n tím e tro s e m eio de d iâm e tro . O s estigm as d o s pés, m aiores e ceccados de côres lív id a s, a p re se n ta v a m , a o c o n trá rio d o s d a s m ãos. no peito d o pé u m d iâ m e tr o m a io r d o que n a p la n ta . A lé m disso, o d o p é e sq u e rd o era tã o la rg o n a face superior, com o o d o pé d ire ito n a p la n ta , o q u e é n a tu r a l se os pés d o R e d e n to r fo ram p re g a d o s à cruz p o r u m só cravo, te n d o o d ire ito so b re p o sto a o esquerdo. A lg u m a s vezes, em lu g a r de se forrqarem pouco a pouco n o espaço d e cin c o a seis m in u to s , co m e ça n d o sob a pele o u epiderm e , as feridas abriam -se instantâneam ente. c o m e ç a n d o d o exterior, co m o sob o im p u ls o vio-

SANTA

GEMA

GALGANI

le n to d e cravos invisíveis. E ra e n tã o u m s u p lic io ver a q u e r id a m ártir, assim ferida de im p ro v iso , trem er de d o r em todos os m úsculos dos braço s, d a s pernas, de to d o o corpo. À abertura d o la d o raram ente fo i o b se rv a d a e por p o u ca s pessoas. N in g u é m ousav a de sc o b rir, p a ra um a sim p les satisfação de curiosidade, a sua ca rne v irg in a l. F o i por isso que eu mesmo me privei d a c o n s o la ç ão de a v e r. M a s . a ju lg a r pela a g u d e z a d o so frim e n to , que pene­ tra v a a té ao m ais in tim o d o co ração , d e v ia êle a tin g ir ta m b é m esta viscera. D e m a is , sc o fim d o S e n h o r na r e a liz a ç ã o de tais p ro d íg io s é traçar em a lg u n s d o s seus servos p rivileg iado s u m a v iv a c p e rfe ita im a g e m de Jesus C r u c ific a d o , n ã o h á m o tiv o para su p o r que a re p ro d u ção n ã o se ja com pleta. F a z e n d o a au tóp sia d u m a serva d e D e u s ig u alm e n te e s tig m a tiz a d a , Jo a n a da C r u z . os ciru rg iõ e s p a ra a tin g ir em cheio o coração. O no taram , co m e sp an to , qúe a ferida d o la d o atra v e ssav a o p u lm ão m esm o teria sido v e r ific a d o em G e m a . se o p ro d íg io n ã o tivesse cessado p o r co m p le to do is ano s a n te s d a su a m orte. N e s ta santa d o n ze la, o estigm a d o la d o ap re se nta va a fo r m a du m crescente, com as e x tre m id a d e s v o lta d a s p a ra c im a . O seu co m p rim ento em lin h a recta era de seis centím etros: a la rg u ra , no m eio. d c três m ilím etros: e a c u rv a tu ra ig u a la v a a d u m arco d o m e sm o tam ar.ho. te n d o u m a flecha de m eio centím etro. A fo rm a de crescente, nova entre os e stig m a tiza d o s c o n h e c id o s, causava-me espanto, e m q u a n to n ã o vim a sab er. p e la leitura da v id a d a V e n e r á v e l D io m ir a A lle ­ g ri. flo rc n tin a , d o século' xvit, q u e esta serva d e D e u s

C A

P t T

U

L Ò

V

J I

97

tin h a recebido u m estigm a d e asp ecto id ê n tic o , se g u n d o a d e c la ração , ce rtificada por ju r a m e n to , dos m édicos encarre g ad o s de a e x a m in a r c de m u ita s o utras teste­ m u n h a s oculares.

A ó.icí.j efe

Cem jíore. O exterior da igreja

Uma

form a

tão bem

d e f in id a , reaparece ndo

três

séculos dep o is, perm ite a c re d ita r em u m a co n fo rm ação co rresp ond ente d o ferro d a la n ç a q u e atravessou o lado d o S a lv a d o r. E s ta ferida produzia-se cm G e m a . u m a veres in s­ ta n ta n e a m e n te e d o exterior, co m o se fôsse ab erta por u m a la n ç a d a , o utras p ou co a p o u c o e co m e ça n d o d o in te ­ rior. N o ú ltim o caso viam -sc a p r in c ip io aparecer, era n ú m e r o sempre crescente, p e q u e n in o s o rificics verme-

98

SANTA

GEMA

*

GALGANI

lh o s ; depois a pele rasga'va-se, d e ix a n d o ver a c h a g a tã o im p re s s io n a n te jà d e sc rita . O sangue corria em ta l a b u n d â n c ia que os vestidos in te rio re s ficavam e n s o p a d o s . A h u m ild e v irg e m esfo r­ çava- se o m ais possivel p o r encob ri- lo: a p lic a v a sôbre o p e ito u m p an o d o b r a d o m u ita s vezes q u e lhe era preciso r e n o v a r freq üe ntem ente e q u e ela la v a v a em segredo. T o d a v ia a flu ê n c ia R ecom eçava com d o s a n g u e n ã o era c o n tín u a . ou m enos longos, in te rv a lo s , m a is

d u r a n te os q u a is a c h a g a secava a lg u m a s vezes, a p o n to d c . se n d o la v a d a , parecer em v ia de c u r a . M a s . com o n ã o se tra ta v a d u m fe n ó m e n o n a tu r a l, a o p rim e iro in cê n d io <io fo g o m isterioso q u e se m a n tin h a n o in te rio r, a ferida in fla m a v a - se de n o v o e o s a n g u e c o rria em g ra n d e q u a n ­ tid a d e . E m m uitas de suas ca rtas G e m a fa la d a chaga d o la d o : « E s fa m an h ã. pelas d e z horas, d iz ela. o m eu cora­

ç ã o batia, b a tia ... Sentia-m e e n fra q u e c e r... A

dor d o

c o ra ç ã o sucedeu urr.a d o r m u ito fo rte cm todos os m em ­ bros; m as o que precedia e u ltra p a s s a ra tu d o era a dor d o s meus pecados. C o m o é intensa esta d o r! Se aum en­ tasse
O

n ão poderia

sobreriver-lhe. v io le n to que

com o

não

poderia
(•)•

so b re rive r ao

golpe

experim entei

m e u pobre coração, n ã o p o d e n d o p o r mais tem po per­

m anecer fechado, com eçou a expelir sangue cm grande a b u n d â n c ia * . E n u m a o u tr a c a r ta ; « Jesus fêz-se sentir m u ito à m inha alm a. e n ã o p o d e n d o o meu coração co n ­ ter-se. a chaga d o la d o abriu-se e d e u s a n g u e » .

(1) Êste golpe a chaga do lado.

violento é a invisível lançada que lhe abria

C A P

I T

U L O

V I I

M

N ã o sabem os q u a n ta s v e ze s se p r o d u z iu éste fefléraenò m a ra v ilh o s o fo ra d o s d ia s h a b itu a is , nem tam b^m p o d e m o s precisar a q u a n t id a d e de s a n g u e que perdi* a s a n ta v itim a d u ra n te as v in te horas, pouco mais ou m enos, q u e d u r a v a m o s e s tig m a s . M a s . s e g u n d o o testc ' m u n h o d a s pessoas q u e m a is sc a p r o x im a v a m dela. era c o n sid e ráv e l. U m a destas pessoas a fir m o u , sob ju r a m e n to , qu* 0 fluxo d e s a n g u e d o la d o c h e g a v a até à terra, se nãc se lhe opusesse o b s tá c u lo . A O m e s m a d e c la ra ç ão fo i feic* a respeito d o flu x o d a s m ã o s e d o s pés. s a n g u e e ra v iv o . de có r bela e d a m esm a r.3tu ' fe rid a recentem ente a b « 'ta reza q u e o q u e sai dusr.a

com o q u a l se p are c ia a in d a d e p o is da sua com pleta dfesecação sôb re a pele. s ô b re o s vestidos o u sôbre o soalho• O m o d o p o r q u e d e s a p a re c ia m os e stig m a s n ã o cra m enos m a ra v ilh o s o q u e o d a sua fo rm a ç ão . D e p o is d o êxtase de sexta-feira a flu ê n c ia d o 5l1n* gue cessava d e fin itiv a m e n te , as fibras d o s tecidos focc" rad o s to r n a v a m a so ldar- se p o u c o a p o u c o , e n o ^ ia seg uinte o u . o m ais ta r d a r , n o d o m in g o n e n h u m vesti9‘° fic a v a desta s p r o fu n d a s fe r id a s .1cobertas já d u m a n o v a . se m e lh an te à d a s o u tr a s partes c o n tíg u a s . A p e n a s u m a m a n c h a e s b r a n q u iç a d a in d ic a v a o lu g a r que tinhatri o c u p a d o e q u e o c u p a r ia m d e no vo . p a ra se to rn a re i1 a fechar sem pre d o m e s m o m o d o . D o is a n o s d e p o is d o d e sa p are c im e n to d e fin itiv o ^ as c h a g a s , esta m a n c h a p e rsistia e p ô d e ser observada à v o n ta d e p o r o c a sião d a m o rte d e G e m a . so b re tu d o oos pés. os q u a is , e m q u a n to v iv a . era m u ito d ific il d e s n ü ^ ar d u r a n te os êxtases.

100

SANTA

GEMA

GALGAN/ >

A n te s d e seus directores, p o r d is p o s iç ã o m a n ife sta —.» m e n te in s p ir a d a , lhe p ro ib ire m sujeitar-se aos estigm as, o fe n ó m e n o renovava-se in v a riá v e lm e n te tó d a s as sem a­ n a s . d c q u in t a p a ra sexta-feira e n u n c a em o utro s dias. a-pesar-da su a s o le n id a d e o u d a fo rm a e x tra o rd in ária dc certos êxtases d a s a n ta d o n z e la . D ig a m o s já tu d o : h o u v e a p e n a s u m a ex cep ção q u e nos será referida m ais a d ia n te p e lo P .* P e d ro P a u lo , p a ssio n ista . q u e fo i o c a ­ s iã o e te ste m u n h a d e la. O fa v o r dos e stig m a s é e v id e n te m e n te dos m ais certas a lm a s p r iv ile g ia d a s co m o fo i, sem raro s. M a s q u e m p o d e n e g a r a o S e n h o r o d ire ito de o co n ce d e r a d ú v id a a lg u m a , a v irg e m de L u c a ? O q u e se m ostrasse e s c a n d a liz a d o , sòm ente p o r o u v ir fa la r nisto , d a r ia prova d u m a c o m p le ta ig n o r â n c ia d a s leis d a P ro v id ê n c ia n a s a n tific a ç ã o d a s a lm a s , e m esm o de fé p o u c o s ó lid a .'

C A P Í T U L O
«

V I I I

P r im e ir o c o n ta c to cora os P a d r e s P a& sionistas — D if ic u ld a d e s co m que tro p e ç a n o se io d a sua f a m ília — N a b e n e m é rita fa m ília G i a n n in i e n c o n tr a u m a se g u n d a m 5 i — C o n t r a d iç õ e s c h u m ilh a ç õ e s q u e suscita o exam e in d is c r e to d o s estigm as — 1800-1000 —

DIVLSHA-SE q u ã o seráfica teria sid o a c o m u n h ã o de 9 de Jun ho , d e p o is d o m iste rio so a c o n te ­ c im e n to d a véspera. P e la p rim e ira v e r G e m a apresentava-se a o S a lv a d o r co m as m ão s e o s pés dc la d o a la d o a tra v e ssad o s com o os seus, e o p r ó p r io la d o a b e rto p o r u m a la r g a ferida. Q u e se n tim e n to s d e g r a ­ tid ã o e d ê a m o r ! Q u e celestes d o ç u ra s a s u a v iz a re m a d o r dos e stigm as! Q u a n ta s vezes neste feliz e s ta d o n ã o te rá ela re p e tid o co m tò d a a e fu sã o .da s u a a lm a : « O m eu

B em - A m ado é para mim e eu so u para Ê le . E s to u verda­ deiram ente crucificad a com Jesus. V iv o . m as n ã o sou eu. c Jesus que vive em m im ».
E n tr e ta n to a h u m ild e v irg e m n ã o ta r d o u em experi­ m e n ta r u m a v e rd a d e ira p erp le x id ad e com a le m b r a n ç a de ter q u e d a r c o n ta d a o p e ração d iv in a a o seu confessor, a q u e m n a v é sp e ra tin h a a v is a d o d o seu p re sse n tim e n to sõb re a im in ê n c ia d u m a g ra ça e x tr a o r d in á r ia . R e s e rv a d a em extrem o q u a n d o a n e c e ssid ad e a obri-

102

SANTA

GEMA

GALGANI
>

,

g a v a a fa la r dc si, e a lé m disso n ã o se a b r in d o senão co m u m a grande r e p u g n â n c ia , e ru b o r a té , co m o iria ela d e s v e n d a r um fav o r tã o in s ó lito , tã o m iste rio so ? « Q u e

p ensará o meu confessor, d iz ia a si m e sm a , a o ouvir a n a rra ção dêste fa v o r celeste, é/e que conhece perfeita­ m ente q u a n to sou in d ig n a ? E se chegasse a divulgar-se. com o todos m e conhecem cheia de pecados, n ão me tor­ n a re i eu antes pedra d e escândalo ?» -A estes se ntim e nto s de h u m ild a d e acrescia talvez, p a ra a g r a v a r a r e p u g n â n c ia d a san ta , a fa lta de cora­ g e m . o u u m a te n ta ção d o de m ón io . O fa c to é que o A n j o d a G u a r d a in s to u com ela m u ita s vezes para que se vencesse, e co m v iv a s repreen­ sões. T o d o o mês d c J u n h o sc passou n e sta perplex idade, setn que G em a pudesse resolver-se a c u m p r ir o seu d e v e r. M a s o m ise rico rd io so S a lv a d o r v e iu em seu a u x i­ lio . e n c am in h an d o - a p o r sua a d m irá v e l p ro v id ê n c ia na v ia tr a ç a d a por seus eterno s desígnios. E stava-se no a n o d c 1899. P o r o rd e m de L e ão xiil. d e v ia m prègar-se m issões cm tôdas as c id a d e s d a Itá lia , p a ra a fe r v o r a r os fiéis p o r o casião d o ju b ile u q u e come­ m o r a v a o fin a l d o séc u lo x ix e o co m éço d o século xx. Os P a d r e s P assion istas fo ram e n v ia d o s p e lo s fin s dc p ro d u zira m fru to s e x tra o rd in á rio s de sal­ J u n h o à igreja ca te d ra l de L u ca , onde os seus trabalh o s a p o s tó lic o s vação. G e m a segui3 e n tão n u m a o u tra ig r e ja as pregações d o m ês d o S ag rad o C o r a ç ã o . N o com éço de Ju lh o , m o v id a p o r u m im p u ls o d iv in o , co rre u a o s exercícios d a m issão n a c a te d r a l. Q u a l n ã o foi
a su a a le g r ia ao reconhecer no h á b ito d o s m issio n ário s o

ir.esmo q u e tra z ia em suas a p a riç õ e s S . G a b rie l, seu q u e ­ rid o p ro te c to r?! c<4 im p re s s ã o * /o i tal. d iz ela. que n ão

pode descrevec-se. A prim eira vez que vi estes P a d re s , senti-me possuida p o r èles d u m afecto especial c n ã o perdi u m a só das suas pre gaçõe s * ( l ) .
N ã o se e stra n h e que a jo v e m , cuja v id a in te ira se tin h a passado m u ita s cm L uca o r.de c s de vista P adres P assionistaa m ais v in h a m vezes exercer o santo m inistério, n ã o nenhum dêles, ta n to

conhecesse a in d a

que a pou co s q u iló m e tro s d a cidade se eleva um dos
(1) P ijjíO r t iiía i assim se cham am os religiosos da Coagre-

ç jç S o de Clérigos Descalços d a Santíssima Cruz e P aix ão de N . S. Jesus Cristo, fundada em Itá lia p o r S áo Paulo da C rus em 1735 e aprovada pelos Pontífices Bento xiv (1746). Clemente xtv (1769). P io vi (17/5> e P io v « ( 1S01). O r.ome é Justificado por u a 4.* voto especial que fazem os seus membros de promover a devoçJo e memória d a PaixSo c M orte de Jesus Cristo. T ém por escudo, pregado a o p róprio hábito, ura co raçáo encimado por um a crus e teado r.o centro, sôbre fundo negro, a legend» palma e cutro de oliveira entrelaçados. A Congregação, em 2 séculos de existência, propagou-se por quási todos os países do véiho e n o vo mundo. E m Espanha muitos de seus filhos, nos calamitosos anos q u í acabam de decorrer, g lo ­ rificaram a Deus com um heróico raartirio. D u a s foram as vitimas imoladas em 1934 duraate a R evoluçSo das A stúriaj e cérca de 30 os que em 1936. duraate o dom frJo do* comunistas ateus, de r a n o sangue generoso e a v id a por Jesus Cristo. A perseguição religiosa, que em á n a ç ío vlricha trouxera o advento d a 2.* R epública, já antes obrigar» algvms d é « e s benemé­ ritos relJgiosos a refugiarem-se Portugal, oede actualmente desenvolvem o seu zélo apostólico, por melo de missóes rurais, depois dc fundarem entre nós duas residências, uma em Braga, outra em Barrosetas. pro v ín cia d o M in h o . (N o ta do Revisor 1.

leni Xpi Pãszio. e na

parte Inferior trés cravos. O coraçSo é clrrur.dado per um ramo de

104

SANTA

GEMA

G A L G A 'V /

seus conventos, m u ito fre q ü e n ta d o pelos h ab ita n te s de L u ca .
é

que a v id a m uito re tirad a d a serva de D e u s e

a sua s in g u la r m o rtific a ção afastava-a de tõ d a a c u rio ­ sidad e, m esm o d a m a is inocente. O u ç á m o s a an g é lic a G e m a c o n tin u a r a n a rra ç ã o do seu p rim eiro e n c o n tro com os P assion istas:

«E stávam os no últim o d ia d u santa missão. Todo o povo se encontrava reiinido na igreja para a com unhão geral em que tomei parte, m isturada com a m ultidão. Jesus agradou-se d o meu acto. porque se fê z sentir inten­ samente à m inha alm a e m e fê z esta pregunta: G e m a
ag rad a- te o h á b ito de que éste p a d re está v e stid o ? E in ­

dicava-me um Passionista próxim o de mim. «N e n h u m a palavra me vinha par a responder a Je­ sus. O meu coração porém m elhor que os lábios, falava por meio das suas palpitações.
« G o s ta r ia s , continuou Jesus, de ve stir ta m b é m èste m esm o h á b ito ? « M e u D e u s ! exclam ei...

* E acrescentou: S e r á s u m a filh a d a m in h a P a ix á o
e u m a filh a p re d ile cta. U m dêsses será teu p a i. V a i e re v e la tu d o » . G em a tom ou à le tra estas p alavras, susceptíveis c o n tu d o d u m a d u p la interp retação ; e a le m brança de vestir um d ia a libré d a P a ix ã o in u n d o u sua a lm a da m ais doce aleg ria. A o m esm o tem po, tô d a a re p u g n ân c ia era se ab rir tin h a desaparecido. P a ra obedecer sem d e m o ra à ordem d o S a lv a d o r correu a lançar-se aos pés dum dos m issionários, o P.* C a e ta n o d o M e n in o Jesus, e descobriu-lhe com in ­ teira lib e rd ad e os seus m ais ín tim o s segredos. D e p o is

C A P t T l l L O

V I 1 1

105

falou-lhe d o s estigm as c d a d ific u ld a d e q u e sentia em os descobrir ao seu confessor. M a r a v ilh a d o dc tais co nfid ê n cias, n ã o m enos que d a in g e n u id a d e d a co n fid e n te , o P a d re anim ou-a e exor­ tou-a a conscrvar-se h u m ild e e reconhecida pelos beneficios divinos. M a s . antes de se p ro n u n c ia r sôbre a ori-

L u c a

jV / o s r c ir o

d à s

V i s i f n n d i r u

15.

106

SANTA

GÇtyA

GALGANI

g em dos factos e x trao rd in ário s s u b m e tid o s ao seu ju ízo , d e c la ro u querer reflectir m a d u ra m e n te . P rom etendo-lhe a y v ^ J a de n o v o sôbre este assunto lo g o q u e voltasse a L j j £ u . o p ru d e n te religioso impôs-lhe a ordem fo rm a l < ^,ijcv e lar tu d o a o seu confessor o rd in á rio . ^

,

H ã m uito te m p o q u e a pobre m e n in a , co nv encida de ter sido ch a m a d a p o r Jesus à v id a re lig io sa entre as F i ­ lh a s de S . P a u lo d a C » u z . d e se jav a fazer, por d e v o ção p a rtic u la r, vo to d c p o & e z a , c a s tid a d e e obediência. J u l­ g o u pois propicio o n ttfé k n to de o b te r êste favor d u m m issio n ário p a s s io n is t^ V ' -}O P.* C a e ta n o coj& edeú-lho. m a s p o r pouco tem po, c com a co ndição de rif> renovar êsses votos sem o c o n ­ se n tim e n to d o co nfesâw ’ o rd in á rio . M ostrou-se. porém , p o u c o c o n d e s c e n d e n t e ^ respeito d o s instrum ento s de p e n itê n c ia fabricados p c lá jovem co m o fim de m acerar • a carne. P ro íb iu- lh o ske o nv e ncid o d e que o confessor o r d in á r io n ã o teria p ç & e d id o d c m o d o diferente. C o m quc ale g ria « f e r v o r o s a m e n in a se n ã o lig o u a p rim eira vez pelos tr ê J^ o to S Í E la m e sm o no-lo vai d ize r: *«£fu tinha tido sem pre g rà n d ç desejo de os fazer; ap ro ­

veitei a ocasião. O P a d re fêz-mos p ro n u n c ia r a cinco dc Ju n h o ; deviam d u ra r eié à solene festa de oito de Setem ­ bro. F iq u e i m uito co> (finfe;' foi m esm o um a das m inhas ■maiores consolações >
. . Ju lg a r á talvez o' tór.vque G e m a n ã o foi bastante if-ordinário. N a d a disso. G e m a e a g ir .d e o u tr o m odo. E xpli• fra n c a co m o seu con .n ã o .e s ta v a em co ndi ■ q uem o- no s:

M o n s . V o lp i c x e rc ia .u m m in is té rio m u ito laborioso

C A P I T U L O
. >•.

V I I I

107

cm c o n d içõe s d ifíc e is. A lé m d o s m ultíplices c u id a d o s d o seu c a rg o (1 ) c d a s absorventes o b ra s dc zélo, tin h a re corrido à sua d ire c ç ã o esp iritu al tal núm e ro d c a lm as que lh e era im p o ssív e l ocupar-se dc tôdas. O seu c o n fe s s io n ário , o n d e passava todos os dias p e n ite n te que lhe parecesse ter real m u ita s horas, via-sc lite ra lm e n te ccrcado. E m b o ra n ã o repelisse n e n h u m necessidade d o seu m in isté rio , m uito s to d av ia p o d ia m de se jar m ais te m p o d o que as circunstâncias perm itiam conceder-lhes. P a r a alm as, c o m o G e m a , c o n d u zid a s pelos c a m i­ n h o s e x tra o rd in ário s d a g ra ç a d iv in a , esta pressa tem os seus in co n v e n ie n te s. A p o b re m e n in a sofria em silêncio. M u it a s vezes, na im p o s s ib ilid a d e dc sc ap ro x im ar de M o n s . V o lp i, p edia- lhe p o r escrito u m a regra de co n d u ta a- p ro p ósito de a lg u m a g ra ça recebida ou d c q u a lq u e r d ific u ld a d e : d e m o ra r, alm a. A lé m disso, lo g o q u e v o lto u a L u ca . o P.* C a e ta n o , d c a c ô rd o co m a s a n ta , resolveu cncarregar-sc élc mesmo d c m a n ife s ta r a M o n s . V o lp i as ú ltim a s operações da g ra ç a , d e q u e G e m a fo ra favorecida. O m is sio n ário fo i ter co m S u a E x .4 R e v .m\ seguido lo g o d e p o is p o r G e m a que lhe abriu inteiram ente o seu coração. a resposta nunca era d a d a com as senão a seu tem po n o .c o n fe ssio n ário , o n d e a necessidade de sc n ã o m al se c o n fo r m a v a suas precições. É ev idente que isto n ã o b a s ta v a para a direcção desta

(1)

Mor.s. V o lp i exercia e n tio as funções de coadjutor do

Arcebispo dc Luca.

SANTA
O g ra n d e

GEMA
<

GALGANI
' a o bra

P re la d o reccbcu-os a a m b o s co m a fa b ilid a d e e b e n e v o lê n c ia . A pro vo u

do

c o n fe sso r

e x tr a o r d in á r io ; m as a respeito d o s e s tig m a s , le v a d o p e la re s p o n s a b ilid a d e q u e t in h a d ia n te de D e u s e d ia n te d o s h o m e n s , c o m o co n fe sso r e co m o b is p o , n ã o o u so u pron u n d a c - s e sôb re a s u a o rig e m . « Q u e se d irá . p en sav a êle,

d u m / acto tão insólito neste século incréd u lo?»
P o ; u m la d o te m ia p ara a su a p e n ite n te as c o n s e ­ q ü ê n c ia s la s tim o s a s s o frid a s por o u tr a s pessoas por

c a u s a de s e m e lh a n te s factos e x tr a o r d in á r io s , em q u e n ã o se re c o n h e c e u d e p o is a in te r v e n ç ã o d iv in a . P o r o u tr o la d o . p e rfe itam e n te c o n v e n c id o d a c a n ­ d u r a de G e m a . d a b e le za de s u a a lm a , d a p r o fu n d id a d e c e sua v ir tu d e que n u n c a tin h a s id o a t in g id a p e io m e n o r d e s fa le c im e n to , d o seu a rd e n te a m o r d c D eus. c das c o m p ia c ê n c ia s d o S e n h o r p a ra co m e la, re p u g n a v a - lh e sup ô- la v itim a d a ilu s ão , d u m a d o e n ça , o u d a m a líc ia de S a ta n á s . A -pesar-disso, n ã o q ueria de m o d o a lg u m , sem p r o ­ vas c o n v in c e n te s, p ro n u n ciar- se a fa v o r de q u a lq u e r in te r v e n ç ã o s o b re n a tu ra l. S e g u n d o o c o n s e lh o d o E s p i­ rito S a n to : < N o lite ornni sp iritid credere, o m n ia autem

p robate», reso lve u e s tu d a r m a d u r a m e n te o fe n ó m e n o .
E n tr e ta n to , em v ir tu d e de c ir c u n s tâ n c ia s d iv e rsas c p o r c a u s a destas m a n ife s ta ç õ e s m ístic a s, a v id a d a donzc ia n o sc;'o d a sua fa m ília era d a s m a is p e n o sas, s o b re ­ tu d o d e p o is d a p a r tid a de seu ir m ã o H e it o r p a ra o ser­ v iço n ::it a r , e de seu o u tr o ir m ã o , G u id o , p a r a a A m é r ic a . O b r ig a d a a sujeitar-se a o c u p á ç õ e s , p o u c o o u n a d a era h a r m o n ia com os seus gostos d e v id a in te rio r, s o fria

C A P I T U L O
>

V' / / /

109

por nao poder à sua vontade pcxmaccccr no quarto a-fim-de se entregar à oração ou a um trabalho soli­ tário.
A c o n te c e u u m a v e z ter certa pessoa d a fa m iü a . n o a r d o r d u m a a lte r c a ç ã o , p ro fe rid o p alav ra s irre ve re nte s c o n tra a M a je s t a d e d iv in a . T a n t a a té â terra. I n ú t il lh e p ro d ;g io so . H a v ia a lg u m te m p o já q u c os seus. te n d o o b s e r ­ v a d o r.ela co isas n o v a s e m isteriosas, p r e g u n t a v a a entre si co m c c rta in q u ie t a ç ã o : Q u c será isto? C e r to s e ito s , v in d o s de fora t in h a m c o n tr ib u íd o p a ra lh es desperta- a a te n ç ã o , s o b r e tu d o n a tia C a v o lin a , a q u e m a c â n d id a d o n z e la re v e la ra a im p re s s ã o dos estigm as. U m a c e n a v io le n ta s u o r de S3ngue. D ê m o s a G e m a a p a la v r a : «jE x .™ S e n h o r, escreveu a seu co n fe sso r, quereis saber o q u e ontem me [êz i :m a se g u iu o ú ltim o fe n ó m e n o d o foi a d o r de G e m a

q u e o sa n g u e t r a n s u d o u de to d o o seu c o r p o , c c r r c n d c fo i p ro c u ra r e n c o b rir este fa c to

d a s m inhas tia s ? Q u a n d o entrei no qvarto aprcxim ou- sc d e m im m u ito enco/e riracía c disse-m e: < E s ta n o ite n ã o
tens tu a ir m ã J u lia p a r a te d e fender.. M o stra - m e d o n d e saiu todo êsse s a n g u e , scr.ão ac ab o c o n tig o à fó rç a de pancadas».

«C a/ew ne. E n tã o agarrando-m e com um a d a s m ã o s
p e lo pescoço, com a outra quis-me tirar os vestidos. N o m esm o in sta n te b ateram à porta e retirou-se. M a s n ã o tin h a a c a b a d o a in d a : à hora d c d e ita r v o l­ tou e disse-me q u c era tem po de acabar com éstes f in g i­
m ento s c q u e e u jà tin h a esp antad o demais o povo. O u v e .

c o n tin u o u , se m e n ã o

dize s

conde

saiu

ésse

sangue.

110

SANTA

GEMA
(

GALGANI

n u n c a m ais te de ix o sair de casa sem c o m p a n h ia , e n u n c a m a is te m a n d o a n e n h u m a p a r t o .

< ! m a g in a i a n u n n a a c r ( 1 ) , A tais p a /a u ra s pus-me a cn o rar, n á o sabendo que fazec. E m fim decidi-m e a salisfaze r m inha tia. S ã o as b la s fê m ia s , respondi; q u a n d o
o u ç o b la s fe m a r v e jo a Jesus so fre r m u ito c s o fr o co m É Ic ; s o fro n o c o r a ç ã o e o s a n g u e s a i. E n cão pareceu

sossegar u m p o u c o e deixou-me tra n q ü ila ».
N ã o foi esta a ú n ic a vez q u e a s a n ta d o n z e la teve que s o fre r p o r parte d o s seus. q u e n ã o c o m p re e n d ia m as o b r a s m a ra v ilh o s a s da g raça. N ã o p o d e n d o a o u tr a sua tia. a b o a H e le n a , de sa ú d e d e lic a d a , a c o m p a n h á - la se m ­ pre ã ig re ja , C a v o lm a n ã o q u e ria deixá-la ir só. U r n a c u rio s id a d e in d iscre ta de a lg u n s m e m b ro s da fa m ília v in h a a a flig i- la m ais a in d a . Q u a n d o se re tira v a ao q u a rto , e sp iav am - na esp e ­ r a n d o v e r produzir-se n e la a íg u m fa c to e x tr a o r d in á r io . S e a s u rp re e n d ia m em êxtase, c o m u n ic a v a m e n tre si as suas im pressões, m ais o u m enos fa v o ráv e is , e c o r r ia m a c o n v id a r pessoas a m ig a s p a r a este d e s u s a d o especcáculo. A p o b re m e n in a lam entava-se d isto a o seu c o n fe s ­ sor e m e sm o a Jesus, d c q uem tin h a 'r e c e b id o a re c o m e n ­ d a ç ã o de s u b tra ir tu d o a oihos p ro fa n o s. O D iv in o M e s tre o u v iu as q u e ix a s de su a fiel se rv a . V i v i a e n tã o e v iv e a in d a na c id a d e d e L u c a u m a dessas fa m ília s p a tria rc a is , p a ra q uem o tem o r de D e u s e as v ir tu d e s cristãs co n stitue m o p r in c ip a l teso uro. C o m -

í 1)

F.ra o rcccio cJe qu t a tia nSo mais a autorizasse a Ir à

xr.issa c comungar.

X
*

C A P I T U L O i

V I I I

111

põe-se de p a i, m ã i. d u m a irm ã e doze filhos* Seu n o m e é tã o q u e rid o a to d o s os seus c o n c id a d ã o s q u a n to é g ra n d e a estim a de q u e estão cercados. É a fam :I:a d o S e n h o r M a te u s G ia n n in i. S em fe ito ra dos h u m ild e s íiih c s de S . P a u lo d a C r u z , c ã h o s p ita lid a d e ao s que o exercicio d o m in is té rio ap o stó lic o o b rig a fre q üe nte m e nte a passar p o r I.u c a . A re fe rid a ir m ã . C e c ilia G ia n n in i. é senhora de g r a n d e p ie d a d e , to ta lm e n te d e d icad a a o b ras dc :c lo . S o m e n te c o n h e c ia G e m a de vista. O P.* C a e ta n o talou-lhc nela lo c o que vo lto u a L uca e. q u e re n d o c u m p rir a promessa de to rn a r a ver a s a n ta , p e d iu k b o a senho ra que a fõsse p ro curar. E s ta . d e s e ja n d o relacionar-se com um a a lm a tã o p riv ile g ia d a , n ã o se fêz r o g a d a . De-pressa a descobriu; trouxc-3 p ara sua casa e em breve se felicitou por ter e n c o n tra d o u m tesouro. A a u s ê n c ia da fa m ília G ia n n in i. que tinh a ido d u ra n te èste m ês d e A g ó s to p ara a estância b a ln e a r de V ia r e g g io , p erm itiu- lh e c o n v id a r a san ta d o n re la a vir p assar to d o s cs d ia s a lg u m a s horas com ela. D e n tro em breve, p re te x ta n d o a sua so lid ão , q u is tê-la consigo ta m ­ bém de noite. A te n d e n d o à b em reconhecida h o n ra d e z da fa m ilia , p e rm itira m a G e m a satisfazê-la tam bém neste p o n te , a p rin c íp io d e te m p o s a tem pos, depois q u á s i h a b itu a l­ m ente. F o i u m a a le g ria p a ra a santa rnenina. N e s ta h a b ita ç ã o de santos, em que n a d a p e rtu r­ b a v a a sua u n iã o com D eus, respirava eía u m ar m ais puro; e ju n t o d c D . C e c iü a . cu ja ca rid ad e só lid a e m á s ­ cu la v irtu d e , a tin h a m im pressionado, su a a lm a dilata-

112

SANTA

GEMA

GALGANI

••

va-sc à v o n ta d e , e m q u a n to q u e o seu c o ra ç ã o pressentia n e la u m a s e g u n d a m ãi. P e r seu la d o a excelente se n h o ra, c a d a v e z m ais e n c a n ta d a com a ra ra b o n d a d e , s im p lic id a d e in fa n t il, e s in g u la r m o d éstia d c G e m a , tin h a p o r ela um v iv o afe cto . E x p e rim e n to u , lo g o n o p rin c ip io , u m a ce rta p e rp le x id a d e em fac e d o s fe n ó m e n o s m aravilh o sos q u e se v e r ific a r a m r.esca su a a m ig a . P a ra m elh o r se in te ira r cêles n ã o d e i­ xou um m o m e n to de o observar, c e a e sp iar, a té nos m e n o re s m o v im e n to s. G e m a , por certo rcca'.o n a tu r a l, e n ã o m e n o s pcc h u m ild a d e , e m p re g a v a tô d a a sua in d ú s tr ia p a r a os subtra ir à in tu iç ã o d e sua b c a a m ig a . Ju lg a n d o - se p r o f u n ­ d a m e n te in d ig n a d o s favo res d iv in o s , te m ia tornar-se u m o b je c to d e e s c â n d a lo p ara a sua p ro te c to ra n o dia em q u e esta viesse a descobri-los. O S e n h o r , p orém , c u e ria m a n ife s ta r, p a ra g ló r ia sua e b em d a s a lm a s , os d o n s da ycaça; e tô d a a c ir c u n s ­ p e c ç ã o d a sua serva de n a d a servia. E is co m o ela c o n ta a o confessor u m a dessas c ir ­ c u n s tâ n c ia s em q u e as suas precauções m a is p o n d e ra d a s fo r a m in ú te is e que ela m esm a c h a m a su a s desventuras:

c O n te m

Jesus /éz-m e sofrer m uito. S u e i s a n g u e

te d o o d ia : n ã o estava em m inha casa. m as em casa de D . C e cilia. Jesus recomenda-me continuam ente que nad a deixe suspeitar: se eu fa lto a isso, castiga-m e. D iz-m e
repefiefas re ze s que devo tec vergonha de m e d e ix ar ver.

sejã p o r quem fô r. porque a m inha a lm a está cheia de im perfeições*.
\ D eus, D . C e c ília , p a ra n ã o c o n trista r a serva de

n e n h u m a a d m ira ç ã o m a n ife s ta v a p e ra n te fa c to s tã o pro-

c

A P ! T

U L
e

Q

V I I I

113

d ig io s o s. Q e m d izia a o S e n h o r, r e d o b r a n d o d e v e n e ra ç ã o e de a m o r p a ra co m o su a h ó s p e d a . <Vtc-a Jesus! d iz ia

D. C iz ilia Giannini o bondosa Scnhcra q-~c foi /t 2.' er.ji ria Santa •: confrJcnfc r ij sva i ’>da núilica

ela. temos cn; casa um an jo. Corr.o corresponder a tão

grande graça?*
E n tr e ta n to , d e p o is d o P.* C a e ta n o , o P .e P e d ro P au to , e n tã o p ro v in c ia l des P a s s io n is u s . e dep o is arce-

114

SANTA

GEMA i

GALGANI

b is p o de C a m e rm o , M o n s . M o re s c h in i. teve o c a sião dc v e rific a r, a 29 cie A g o s to d e 1899, n 3 ca sa d o s G ia n n in i, o fe n ó m e n o dos estigm as. C o m o no tei n o c a p itu lo sétim o, fo i a ú n ic a v e z que a estig m a tiz ação. se p r o d u z iu fo ra dos c ia s h a b itu a is da q u in ta e scxt3-fei'ra. C e d a m o s a p a la v r a à e m in e n te te s te m u n h a :'

* E u tin h a, d iz cie, o u v id o contar acerca d a jovem coisas m aravilhosas. S u sp e itar,d o que fossem puras ilu ' sões, assaz freqüentes n o seu sexo. fo rm e i o projecto dc m e inteirar bem de tu d o p o r m ini mesmo. * D irigi-m e pois p ara casa d a fa m ilia G ia n n in i. E ra u m a terça-feira. D e p c is 'd e a ter visto senti-me inspirado a p e d ir a D e u s algum s in a i p a lp á v e l d a origem d iv in a destes factos prodigiosos, e, sem nad a d iz e r a ninguém , especifiquei dois: um s u o r c e sangue e a fo rm a çã o dos estigm as.
c A hora de vésperas, <t jovejn f o i só p a ra d ia n te do

g ra n d e crucifix o da sala d c ja n ta r a-fim-de faze r as suas orações costum adas. M in u t o s depois, a b ri a porta e vi-a cm êxtase, tra nsfig u rad a a n jo . ■ <AprOximci-me: d o rosto, d a cabeça , d á s m ãos c
sem d ú v id a de tôdas as partes d o corpo, corria um s a n ­

p er c o m p k to . E m b o ra

a b is­

m a d a cm um a d o r im ensa, parecia verdadeiram ente um

g u e verm elho que sc dcssecaoa ar.tcs dc che g ar ã terra e q u e n ã c p ara ra senão d e p ois de meia hora. pouco mais ou mer.es. Rctirei-me vivam ente com ovido. < S aida d o êxtase , G e m a disse confidencialm ente a D . C ecilia: O P a d r e p e d iu d o is s in a is a Jesus, c Jesus
d e u - lh e um ; dar-lhe-á t a m b é m "o o u tro . « Q u e s in a is s e rão estes? S a b e i- lo ? ...

C A P I

T U L o ' t

V

I

I

t

115

«C h e g a d a a noite, f o i esta S e n h o ra ter-comigo. o fe ­ g an te de em oção: < P a d re , m e disse . n ã o seriam os esti­
g m a s o s e g u n d o s in a l q u e e s p e rá v e is ? »

<Fiquei fo ra de m im . c ela c o n tin u o u : cP re g u n to -vos isto. p o rq ue se 6 assim , G e m a j á c s tem abertos; v in d e ve r». « C o r r i e encontrei esta b e n d ita m e n in a em êxtase.

C o n :o d a prim eira c e ;. suas m ãos e stacam traspassadas: traspassadas, afirmo-o, d e la d o a la d o : tin h a m n a carne viva um a larg a chaga d o n d e o s a n g u e c o rria cm a b u n ­ d ân c ia . O com ovente espectáculo d u ro u cinco m inutos.
A q u i :az o v e n e r a n d o p r e la d o u a ia d e s c riç ã o m in u ­ ciosa q u e o m ito p o r c o n c o r d a r p e r fe ita m e n te co m a q u e a trá s íicou já feita.

« N o fim d o êxtase o d e r r a m a m e n to de sangue ces­ sou. as feridas fecharam , a pele ra sg a d a retom ou subita­ m ente o estado p rim itivo , e. lo g o que a serva d e D e u s laveu as m ãos. n e nhum vestígio d o fe n ó m e n o se notou. <Jesus tinha-se d ig n a d o o u v ir a m in h a prece. D a n ­ do-lhe i 'ã ’as a c fõ c s de graças, a b a n d o n e i tód a a d ú v id a desfavorável, firm em ente c o n v e n c id o de que estava ali
o d edo de D e u s * . E sta n a rra ç ã o , e n v ia d a p e lo a u to r q M o n s . V o ip i a 3 de S etem b ro d c 1S99, te r m in a v a p e las se g u in te s p a la ­ vras:

* V i corn os m e u s p ró p rio s olhos as chagas das

m ãos. tan to as das c o s ia s c o m o as da fa c e p alm ar, e eram verdadeiras feridas. N o fim d o êxtase tinham -se fe chad o íò d a s. fic a n d o somente as cicatrizes. O r a , com o e posstvel que um a chaga se feche assim natu ralm e n te ? Q u a n to a m ini reconheço a í a acção d iv in a * .
P o r seu la d o o P adce C a e t a n o t in h a s u b sc rito a

316

SANTA

GEMA

CALGANJ

d e c la ra ç ão seguinte:

* H u ; a b a ix o assin a d o , atesto ter

visto no mês dc Ju lh o d o a n o d e 1899, nas m ãos da jovem G e m a G a lg a n i. certas chagas q u e n a d a tin h a m de
co m u m com as q u e SC observam o rd in à ria m e n te nu n a tu ­

reza. Via-se na p arte infe rio r exactam ente nas palm as, com o que um bocado de carne salier.te sem elhante A cabeça de um prego, com a superfície d e u m sôldo (1 ).
jN as ccstas de am bas as m ãos aparecia u m a abertura um

p ouco profunda. O q u e fa lta v a de carne d a v a a im pres­ são d c ter sido levado p o r um prego ro m b o q u c se tivesse enterrado pela palm a. * N ã o hesito e m itir a o p in ião , c o n fo rm e à da teste­ m u n h a ocular que m c aco m p a n h o u , de q u e a origem dês tes estigmas de m o d o algv.m p odia atribuir-se a um a causa natural; porque, tendo observado a s m ãos da jo ­ vem na quinta-feira â tarde, n ã o n otám os s in a l de nada; r.a sexta-feira de m a n h ã apresentavam o e stad o descrito, e no sábado apenas um a pequena cicatriz averm elhada se n o tav a v.
T a is testem u nhas fizerarr. sentir m a is a M e n s . V c lp i a d c lic a c e ra do sua p o sição . J u lg a n d o o b r ig a ç ã o sua p ro c e d e : corn extrem a reserva, resolveu, d e p o is de m a ­ d u r a d e lib e r a te ), te n ta r u m a e x p e riê n c ia q u c s u p u n h a ser decisiva. Sem n a d a d ize r à santa d o n z e la , pediu a um . m é c ic o de c o n fia n ç a , tã o p ie d o so ccrr.o s á b io , o fa v o r d c v e rific ar e e stu d ar o fe n ó m e n o . G e m a conta n a sua a u to - b io g ra fia c o m o o S e n h o r

t 1)

M oeda de 5 cíntim cs da lira de cccSo. cujo deâmeCro

é

ser.slvdnrnte igual oo da ROvsa rr.otda hodierna de 20 centavos. (N o ta do Revisor).

C A P I T U L O
«

.

V 1 I I

117

a in fo rm o u dèste p ro je c to . <fvionscr.hor, d iz e la. ju lg o u

que era bem fazer-me visitar p o r u m m é d ic o sem eu o saber; m as f u i avisada pelo peôpcio Jesus que m c disse:
« D iz e « o c o n fe sso r q u e c m p re se n ça d o m é d ic o n á o fa re i n a d a d o q u e êle d e s e ja » . P o r ordem

de Jesus
R c v .mJ:

adverti o confesso:».
Com efeito Gem a escreveu a Sua E x.* «Onfe.Ti à noite Jesus dirigiu-m e estas p alavras: Deves

dizer ao teu confessor q u e , se êle quere um s in a l de mim. lh o darei e à sua escclha. contar,:o que esteja só. Q u e sossegue: h ã o h á doença com o suposeram *.
Q ue reso lução d e f in itiv a iria to m a r Sua Ex.* R e v .n,‘ ? Fiar-se n a sua p r ó p r ia o b se rv a ção ? M a s assim a re s p o n sa b ilid a d e q u e êle q u e ria e v ita r cabia- lhe por com pleto: e se êle s u s p e ita v a q u e estes factos sin g u lare s eram o re s u lta d o de u m a d c e n ç a o u. d iç â m o - lo , d e auto-sugestáo. cc m o ê que. só p o r suas lures e sem c o m p e ­ tência m édica, p o d e ria d is s ip a r as d ú v id a s ? M a n te v e pois a su a d e c is ão c in fo rm o u d isso a D . C e cília que o co n se rv a v a a o corrente d o s m enores incidentes relativos à p ie d o sa jo v e m . O e x am e m édico fo i m a rc a d o p a ra sexta-feira. 8 de S etem b ro d e festa d a N a tiv id a d e d c N o s s a S e nh o ra. N e sse d ia . peias 10 h o ra s d a m a n h ã . G e m a . retirada n o seu q u a rto , entrou em êxtase. P e la s I I h o ra s retom ou os sentido s e escreveu a M o n s e n h o r , d ize n d o - lh e que p o c ia vir, m as só. sem o. q u ê je sus. desconte nte , n a c a ih e d a ria a ver. <E n tre ta n to , acrescentou cia, f a :e i com o 1899.

bem vos parecer: de q u a lq u e r m odo ficarei con te n te ».
E n tre g o u o b ilh e te a D . C e c ilia ; e esta. d e p o is d c o ler. apressou-se a cnv:5-Io a o seu destino. *IT

118

SANTA

GEMA

>

GALGANl '

.

À um a h ora da ta rd e G e m a , de n o v o n o seu q u a rto , • to r n o u a cair em êxtase. D . C e c ília , q u e n ã o ta r d o u a ir ter c o m ela. v iu o s a n g u e correr-lhe d a fr o n te e d a s m ão s « b e r ta s , m a rc a d a s ccra os e stig m a s. V ie r a m co n te m p lá- la neste e sta d o , com re lig io so resp eito , o c a v a lh e ir o M a t e u s G ia n n in i. q u e t in h a c h e c a d o d a s á g u a s , su a e sp ô sa Justin a e a lg u n s o u tro s m e m b r o s d a fa m ília . • • P e la s d u as h o ra s , M o n s . V o lp i e o m é d ic o fo r a m • a n u n c ia d o s ' D . C e c ília c o r r e u a o seu e n c o n tro : « V in d e ,

-vinde, lh es disse, r a d ia n t e de a le g r ia , estam os n o m o­ m e n to m a is ò e ío » ; e in tr o d u z iu - o s n o q u a r t o o n d e a in d a
se e n c o n tr a v a m as pessoas já m e n c io n a d a s . O m é d ic o to m a um p a n o , m o lh a- o em á g u a e lim p a as m ã o s e a fr o n te d a jo v e m em ê x ta se . S u b ita m e n te o s a n g u e p á ra e*a pele aparece sem c h a g a , sem a m e n o r a r r a n h a d u r a • o u p ic a d e la . Im agine- se a e s tu p e fa c ç ã o e o desap onta. o e n t o d e te d o s os e sp e c ta d o re s. O m é d ic o . ie r.d o fic a d o < 5f> c o m D . C e c ilia , q u is e x a m in a r ta m b é m o s pés e o c.oração, m as n a d a d e s c o b r iu d e a n o r m a l. D ê s íe m o d o o S e n h o r , c u jo s d e s íg n io s são m u ita s v e r e s im p e n e tráv e is p a r a n ó s . c o n f u n d ia a ciê n c ia h u ­ m a n a . n á o lh e p e r m itin d o v e r ific a r u m s im p lic id a d e
77:0 d o .

fa c to c e o rc e m

s o b r e n a tu r a l. G e m a d iz- n o s n a sua a u to - b io ç r a fia com in g é n u a : as «O

confesser

procedeu Jesus

a

seu tin h a

m as

coisas

passaram-se

co m o

ar.unciadc-t.
: E nessa m esm a ta r d e escrevia a o P r e la d o : «S e tivés­ O êxtase tin h a d u r a d o tç d o o te m p o d o e x am ê. os

seis v in d o sd, Jesus ter-oos-ia p e rsu a d id o bem ».
' P o r isso G e m a n a d a a d v e r tiu . R e c u p e r a n d o p o ré m

s e n tid o s , n o to u certa m u d a n ç a n a s pessoas q u e a cerca-

C A P I T U L O
vam , d id a s . ve ndo - as d e s c o n c e rta d a s ,

V I I 1
m o rtific a d a s .

m
c o n fu n ­

D . C c c ilia p a r a a d is tra ir, e a fa s ta r dèste m eio Lccóm o d o . p ro p ô s- lh e q u e saísse. N o c a m in h o diz- ihe G e m a :

*C o n d uzis- m e a Jesus? 7'enho necessidade d e Jesus*.
À p ie d o s a S e n h o r a c o n c o r d o u em a a c o m p a n h a r à ig re ja de S . S im ã o , b a s ta n te a fa s t a d a . A v isita a o S a n tís s im o S a c r a m e n to p ro lo n g o u - s e cêrca de u m a h o ra . A o sa ir d a ig r e ja a s a n ía m e n in a disse à sua p ro ­ te c to ra : < E u q u e r ia com unicar-vos u m a co isa, m as sinto

r.isso m u ita

v e rg o n h a ». A n im a d a a

fa la r , m o s tro u as

m ão s d o n d e o s a n g u e c o rria . D . C e c ilia teve a ie m b ra n ç a c e as fa z e r ver neste e s ta d o a M o n s . V o lp i, e e n c a rre ­ g o u u m a pessoa de c o n fia n ç a de lh e c o n d u z ir G e m a . O P r e la d o p ô d e v e r ific a r co m seus p r ó p r io s olhos,

n ã o o s a n g u e , é v e r d a d e , m as a p e q u e n a fe rid a d o n d e tin h a c o r r ic o . N e n h u m a a d m ir a ç ã o m a n ife s to u co m re ­ ceio d e expo r a d o r .z e la o q u a lq u e r p e rig o d c v a id a d e , m as. d e p o is d u m a s im p le s o b se rv a ça o d a s m ão s, a p re s ­ sou-se a m a n d á - la e m b o ra . O S e n h o r em s u a m is e ric ó rd ia , a te n u a v a assim c. h u m ilh a ç ã o d a su a s e rv a , le v a n ta n d o um p ou co a c o r a ­ gem d e seu m in is tr o e d a s o u t r a i teste m u n h a s d o in ú t il e d e s a iro s o exam e m é d ic o .

t1
• ■ •
i •

\ — i
.
• -

' —J
* .

1
«I

j\.

* — . *

• % -

Jesus acode em favor de Gema hum ilhada — Novas intervenções que comprovam a vera­ cidade da estigm atização— Portentosos fenó­ menos místicos (suor de sangue, flagelação, coroação de espinhos, agonia m ortal)
— 18Q9-S000 —

a l g u m a s v e z e s D e u s a f lig e o s s e u s s e r v o s , n ã o os a b a n d o n a a d m ir á v e l err. nunca. À se u s P r o v id ê n c ia , s e m p re sabe conso­

c a m in h o s ,

lá - lo s e d e f e n d ê - lo s n o s c a s o s m a is d e s e s p e r a d o s . G e m a , nós o ve rem o s, :a d e c a ir m u ito na o p in iã o de a lg u n s

c e p o is d o e x a m e m é d i c o p o d e r ia m a is le v a n t a r - s e .

e. h u m a n a m e n t e M as n e la se

fa la n d o , n ã o r e a liz a r ã o as

p a la v r a s d o E c le s i á s t i c o : F a c ile est in o c u lis D c : s u b ito
h o n e s ta c e p a u p e r e m .

D e - fa c to , a - b io g r a fia :

v ir tu o s a

m e n in a

escre ve n a

sua

a u to -

« D e s d e o d ia d a

v isita d o m e d ic o c o m e ç o u
um a d3 v id a de in tim o

p a r a m im
s o f r im e n t o .

um a
N ão

v id a

nova*. T eve
os m e m b ros

f a m íli a

G ia n n in i,

m a s a té o p r ó p r i o c o n f e s s o r c o n s e r v a v a m

s u a s d ú v id a s

in q u ie t a d o r a s , e ê s te ú l t i m o , a- p e sa r- d a v e r if i c a ç ã o p e s ­ s o a l d o s e s t ig m a s . « O

c o n fe s s o r , d iz G e m a . d e n o v o m e

p r o ib iu t ô d a s a s c c is a s e x tr a o r d in á r ia s d a q u in t a e s e x ta -

122

SANTA

GEMA

GALGANI

voltou c om o era costume, e a té com mais intensidade que a n te s».

À s e rv a de D e u s . p o s ta p o r Jesus a o corrente das in c e rte za s de seu p a i e s p ir itu a l, a fliçia - se p o r êle. P e sso a lm e n te aleg rava- se com esta h u m ilh a ç ã o <a m ais bela. são p a la v r a s suas. que

me deu o m eu

am ado Je sus». M as, n ã o p o d ia d e ix a r de se co m p ad e ce r
d o e s ta d o d e a lm a d c q u e m desd e a sua ir .fâ n c ia a m a v a c v e n e ra v a com o-pai. A lé m d isso era a g ita d a pelo tem or de p e rd e r éste bom g u ia . seu ú n ic o s u s te n tá c u lo n a s c o n ­ tin u a s p r o v a s . A b a n d o n a d a recorrer ? O S e n h o r veiu em a u x ilio de s u a serva nestes m o ­ m e n to s de p ro stração . * M in h a filh a , lh e disse, em tôdas p o r êle. a q u e m h a v ia de

as tuas incertezas, nas tu as aflições, n a adversidade, lembra-te m enos dos outro s qite de m im ; p ro c u ra m a is
em m im q u e nêles a iiu io e c o n fo rto ». P o r o utro s tê n n o s , p o r m a is ju s ta e r a :o á v e l q u e íô sse a s u a a fe iç ã o ao m in is tr o s a g ra d o , p o r m a is s a n ta q u e fòsse' a sua c o n ­ fia n ç a n êle . r.ão d e v ia lam entar-se, a in d a q u e viesse a perdê-lo se m cu lp a sua: ficar-lhe-ia Jesu s, r.ão necessi­ ta v a d c m a is. G e m a c o m p re e n c e u estas p a la v r a s d iv in a s q u e resü t u ír a m im e d ia ta m e n te a p a z ao seu c o r a ç ã o a flito , a c a ­ bando O de o d e s p o ja : d e to d o o s e n tim e n to h u m a n o . seu a b a n d o n o a D e u s tornou-se co m p le to : e co m o

eram s o m e n te os p r in c ip ie s d a v ir tu d e q u e in sp ira v a m •as m e n o re s p a r tic u la r id a d e s d a s u a c o n d u ta , o s receios de q u e o b o m P r e la d o tivesse c o n c e b id o a seu respeito id eas d e s fa v o rá v e is c m fia n ç a n ê le . . n a d a ’d im in u ir ia m • . ■‘ a sua c o n ­ : .

ir . L.

C fliJ cm

4

:

quc vive*t n «Sa*ííã c o n í j j fàttiUj. r.j R‘ j& Siscicr.c, cn Lvcj

***
r. E m

5 A /V / A

& t> M A

(J A L G A S I
r

m u ita s das suas cartas, d ir ig id a s a o p ró p rio

M o n s e n h o r V o lp i e a o u tr a s pessoas in tim a s , de c la ra ela q u e p e d ia c o n stan te m e n te a Jesus o ilu m in a s s e e conso-= lasse; A t é r.os c o ló q u io s de seus êxtases, n o m eio d a s e x p a n s õ e s d a sua a lm a c a n s a d a e d o lo r id a , a le m brança d o c o n fe s s o r apresentava-sc m u ita s vezes a o seu esp í­ r ito . « Ó Jesus, ide consolar M o n se n h o r q u e é m uito infe­

liz . U m ju lg a um a coisa, o u tro ju lg a o u tra . M a s prefe- * ris V ó s q u e assim seja? A g o r a que todos me cham am lo u c a tendes-me m ais a m o r que r.o tem po em que me ju l­ g a v a m s a n ta ? O h ! A g o ra , r.ão é verdade?*
Os g u ir a escritos, que só a fòrça da o b e d iê n c ia conse­ a r r a n c a r à h u m ild a d e de G e m a . p ro je c ta v a S u a

E x .J R c v .',,■ , subcncte-los a o u tro r;iéd:cc. M a s a santa cle-pressa so u b e , p o r m eio do seu d iv in o E s p õ s o . d o p ro ­ je c to cio co n fe sso r. E is co m que c â n d id a sim p lic id a d e e x p r im ia o seu d e s c o n te n ta m e n to num cos êxtases:

<Ó Que

Jesus, querem m ostrar os escri:os ate ao c/ou/or? is to n ã o sconteça. Ó Jesus. m cteni-V o$ a rid í­

c ulo . S e quiserem ler os escritos que n ã o vejam m zis d o q u e p a p e l em branco. !de, Jesus, ide ter com Mor\se­ n h o r e tranqi':izai-o. consolai-o
A l g u m a s vezes ju lg ou - se ela a b a n d o n a d a d o P re ­ la d o . o q u a l. em v irtu d e de suas a u s ê n c ia s e o cup açòes a b s o r v e n te s , o u s im p le sm e n te p ara se a u x ilia r co m as lu z e s d e e n tr e m , a m a n d a v a um as vezes a um confessor, o u tr a s a o u tro . • M a s n e m poc isso d e ix o u de lh e c o ijn e rv a r tô d a a su a a f e i; ã o e de c o n tin u a r até à 'm o r te a confessar-se'.a êle. n ã o q u a n to c e ssa n d o de o ve nerar co m o a u in p ai. O h ! nos n ã o ensina a a d m irá v e l c o n d u ta de G e m a

“ *\ *

.

-t

•. •

\ . '

C A P Í T U L O -

í

X

125

n o m eio d c ta n ta s p ro v as! E

com o são v e rd a d e ira s as

p a la v ra s d c Jesus à sua se rv a : So fre nd o aprende-se a am ar. N e s te m esm o iv.c.s de S e te m b ro d c d c sa ú d e le v ara m a Luca o 1S99, m otivos

P .* C a e ta n o . S a b e n d o o

re s u lta d o d o exam e m é d ic o e a sua in flu ê n c ia d e s fa v o ­ rável sôb re o e sp írilo dc M o n s . V o lp i. êle m esm o se n tiu m u ito a b a la d a a su3 p r im itiv a co n v ic ção , O S e n h o r, poréir., d ig n o n -sc se g u ir a seu respeito o m esm o processo q u e s e g u iu p ara com o a p ó s to lo S . T o m é . « M e ie a q u i o

dedo. considera as m inh as n ã o s . e n ã o sejas ir.crcdulo
m as fie !». D u r a n t e os d o is meses d a sua re sidên cia na c id a d e o P .c C a e t a n o v iu c e n o v o e à v o n ta d e o ‘ fe n ó m e n o d a e s tig m a íir a ç à o . o bservo u, a p a lp o u e de-pressa lhe d e s a ­ pareceram as d ú v id a s . N u m a c a rta a M e n s . V o lp i apressava-se a a n u n ­ ciar ç u c . te n d o p r o c u r a d o re p e tir a experiência d o mec ic p . fiz e ra la v a r p o r três o u q u a tr o veres as c h a g a s d a s m ão s. de a p a r ê n c ia p r o fu n d a . F.stas n ã o desa p are c e ram e o s a n g u e , d e tid o p o r um in s ta n te , o u tra s ta n ta s vezes to rn a v a a b ro ta r. O R c v . P.® P e d ro P a u lo , a q uem as fu n ç ò e s dc tr a r ia m fre q ü e n te m e n te a L u ca , M a te u s P r o v in c ia l

G ia n n in i. su a esposa, seu filh o m ais v ê lh o c e sp ecial­ m e nte su a ir m ã C e c ília . Io d o s pessoas m u ito h o n ra d a s e a b s o lu ta m e n te d ig n a s dc c ré d ito , tiveram m uitíssim o s veres o c a s iã o d c v e rific a r por espaço de a n o e m eio. ta n to d e p o is co m o a n lc s d a v is ita d o m édico , os estig m as e os o u tr o s sin a is d a P a ix ã o d e que se tra ta rá n o fim J r . * . ------

J2b

SASTA

GEMA

GALGANI

O testem unhe do P.* P edro P a u lo é p a rtic u la rm e n te a u to r iz a d o . S u a doutrina, seu 2 êlo e su a p ru d ê n c ia no g o v e rn o , no ministério ap o stólic o e na d ire c ção d a s a lm a s s ã o co nhecidos c apreciados em Itá lia . D e p o is q u e exer­ ceu p e r algurr. tempo o cargo de S u p e rio r G e r a l d a C o n ­ g re g a ç ã o dos Passionistas. o 'S a n t o P a d re P io x confiou - lh e a visita apostólica de des dioceses im p o rta n te s c a c a b o u por elevá-lo à cadeira a r q u ie p is c o p a l de C a ­ in erino. Aos testem unhos precedentes seja-m e p e rm itid o ju n t a : o m eu. porque tive tô d a s 'a s fa c ilid a d e s de ve ri­ fic a r e e x a m in a r rigorosam ente os factos p ro d ig io so s que a p r o u v e a D e u s operar em sua serva. T e m o s , ê vercade. re lativam ente aos e s tig m a s,- a in fru tu o s a prova do m édico, m as o d e p o im e n to de m uitos m e m b ro s da fam ília G ia n n in i. c o n fir m a n d o a re a lid a d e d a s c h a g a s antes do exame, a p re d iç ã o m ira c u lo s a dêste exam e e d a sua in u tilid a d e . depois o s ú b ito desapareciur.ento. sob as mãos dc d o u to r, das c h a g a s o u fe rid a s na r e a lid a d e existentis. v isto que o s a n g u e c o rria , c o n s ti­ tu e m u m a p ro v a evidente d o carácter s o b r e n a tu r a l d o T u d o se passara a fin a l com o G e m a t in h a a n u n c ia d o d a p a r te d e Jesus. N o coso c o n trário é q u e h a v e ria m o ­ tiv o p a ra suspeitar da re a lid ad e d a s suas c o m u n ic a ­ çõe s com o S a lv a d o : e p o rta n to d a o rig e m d iv in a dos e stig m a s. A d m i;e rr.o s A À s a n ta m e n in a aqui as disposições na da P rovidenciadum c la u stro igre ja nào v iv ia s o lid ã o fe n ó m e n o .

fe c h a d o à curiosidade p úb lica, m as « io m e io d o m u n d o . n e c e ssid ad e de ir a casa dos G ia n n in i. o u à

C

A

P

I T

U

L

O

I X

127

) a-fim-de o u v ir a san ta m issa, rccebcr a s a g ra d a co m u ­ n h ã o e v is ita r o S a n tís s im o Sacram ento obrigava-a a sair •m uitas vezes a o dia. S ò n e n t e algum as pessoas Sr.tLmas d a fa m ília na G ia n n in i c o n h e c ia m os factos e x trao rd in á­ estes fac tcs eram ignorados - na cidade rios d c q u e se trata, c g u a r d a v a m tão bem o segrêdo que re a iid a d e d e Luca. M a s o q u e teria a c o n te c id o , se o m é d ico e outros estranhos tivessem v e rific a d o a existência d o s estigm as e de sem elhantes sinais m aravilho sos? Q u a n ta s provas e c o n tra p ro v a s p ara o fu tu ro ! Q u a n to s curiosos espreitando as saídas de G e m a ou a sua ch e g ad a à igre ja! A h u m ild e virgem tornar-se-ia a s s u n to das conversas de tô d a a c id a d e e d a s zo m b arias d u m g ra n d e núm ero. O Senhor, s u b tr a in d o a o s olhares d o m é d ic o e de o utro s profanos o p ro d ig io s o fenóm eno , h u m ilh o u a sua serva e conser­ v o u e s c o n d id a esta g e m a preciosa. D c resto, a p ru d ê n c ia , a discreção. a ciência e h o n ­ radez d a s pessoas oue observaram esíes p rod íg io s, sem excluir o p r ó p r io M o n s . V o lp i, podem suprir bem o in su ­ cesso d o exam e m édico. A c iê n c ia não pod e ter a pretenção de explicar o so b re n a tu ra l, deve lim itar-se a verificar os factos. O tes­ te m u n h o d o s sábios n ã o é indispensável p a ra que um facto seja a d m itid o . T o d o a q u ê le que tem m ãos para a p a lp a r e o lh o s par3 ver p o d e atestar a ve rd ad e . E como neste caso o fe nóm e no , sem ser permanente, sc m a n i­ festava p o r diversas vezes, o sábio só poderia afirm a r que no m o m e n to d o seu exam e n ã o se p ro d u z iu . M a s . p a ra o to r n a r in d u b itá v e l, deve bastar a palavra de tes­ te m u n h a s d ig n a s de íé q u e o observaram m u ita s vezes.

o n t* J s \

\ j l,

n

KJ / 1 1* \ j A t i I

O s o utro s sinais da P a ix ão de q u e vou fa la r peia o rd e m fo r a m D eus. O s ta n to s favorecidos com os cin c o estigm as a o m e sm o tem p o são raros. O E sp irito sopra cnc/c quere e c o m o quere, a tin g in d o sem pre os seus altíssim os fins. A p ro u v e - lh e d ir ig ir d u m m o c o p a rtic u la r sôhre a dito sa G e m a a torrente c o s seus favores, e torná-la p a rtic i­ p a n te . n ã o s ó d a s cinco ch a g a s s im u ltâ n e a s c o d iv in o C r u c ific a d o , P a ix ã o . m as tam b ém ce te d o s os suplicios da c ro n o lóg ica , m enos m e n c io n a n d o apenas a lg u n s , r.a serva r.ão de severam ente v e rific ad o s

O

p ro d ig io so suor de sa n g u e . m e n c io n a d o em sua

n a r r a ç ã o por M o n s . M o re s c h in i e q u e eu tive já o c a sião de a s s in a la r, foi v e rific a d o fre q üe n te m e n te na an g é lic a m e n in a d u r a n te as suas m ed itações sôbre a a g o n ia no Ja rd im d a s O liv e ir a s e sôbre o utro s m istérios da P a ix ã o . N ã o ap a re cia, e n tre ta n to , nos êxtases periódicos da q u in t a e sexta-feira, m as cm o utro s sim , e. m esm o a lg u ­ m a s vezes, q u a n d o esta%-a no uso p len o d o s sentido s. C o m p r im id o n o co ração e nas a rté ria s peia veem ência da su a c o m p a ix ã o do lo ro sa , o s a n g u e saia por todos os p o ro s, especialm ente pelos d o la d o e sq ue rd o d o peito q u e encerra o co ração , c G e m a fic a v a literalm ente b a ­ n h a d a cm sangue. C o m que respeito n ã o re colhe riam os a n jo s êste s a n ­ g u e c o ap re se n ta riam a o S e n h o r, a-fim-de a p a z ig u a r a su a ju stiça pelos m éritos d a inocente v itim a quc o e s p a ­ lh a v a tã o generosam ente, a e x e m p lo d o d iv in o S u p li­ c ia d o d o C a lv á r io !

P«sr.o air.da manchado de jongue corn que a Sar.ra «s::^:njn:ada cosíunava tittpaj a chaça do lad«.

C

A

P

f

T

U 'l

O

I X

m

A o s u o r c e s a n g u e d o G e te s e m a n i, seg uiu- se p o u c o d e p o is a f la g e la ç ã o d o R e d e n to r . A in o c e n te v ir g e m d e Luca, sem p re ro so um c o n te m p la v a êste d o lo ­ com e s­

m is té r io s e n tim e n to de

p e c ia l

devoção. um a por p r o fu n d a s

C o n ta n d o um a as

chagas

a b e r ta s p e ­

lo s a ç o u t e s n o c o rp o sag rado do ceieste

E s p ô s o , d iz ia : «7 'ò-

das

são
E

ob ra s

do

am o r».
s u m id a de as

era c o n ­

p e lo d e s e jo ver i g u a l­

m e n te im p r e s s a s em sua p r ó p r ia c a rn e .

O s ê x ta se s nos c u a is

o

Senhor

se

m o s tra v a

c o b e rto
ò\ G j Í t í c l

de chagas, que G e ­ m a e r a c o n v id a d a a to c a r não dos e eram a a b e ija r , d e s t in a ­

d ; .V.* S .’ das Doces.

pàSiior.isía quc tar.in j vc:e.i aparzçtu à

r.oaa SzrJà
seus d e se jo s.

d im in u ir o

fo g o de

N a p r im e ir a s e x ta - fe ira d e M a r ç o d e 1901, d u r a n t e o ê s ta s e h a b it u a l, fo i o u v id a a s ú p lic a q u e ela c o m lá g r i­ m a s d ir ig ir a a o seu E s p ô s o p a r 3 que a to rn a s s e d c a l^ u m m o d o p a r t ic ip a n t e d o m a r tír io d a fla o e la c á o . c . V * ç o r C * -

330
'

SA>(TA
"

GEMA

>

GALGANI

-feira; pelas-duas horas. escrevia-me ela. Jesüs fez-me sentir a lg u n s pequenos açoutes, fiquei tôd a e m c h a g a s , meu P a :, e sefro com cias um poucochinho. V iv a Jesus!>
^7*-" E s tá s
** •

chagas

esiavatn lo ng e d c

ser im a g in á ria s . '

D . C e c ília , que m u ita s vezes as e x a m in o u a te n ta m e n te , fa z d e la s a seguinte descrição: «AfT a primeira sexta-feira de M a rç o , notei que G e m a

sofria m ais que dc costume d urante o êxtase. Tomei-lhe u m ò r a f o ; tinha grandes sulcos vermelhos. A p ro x im e i deles um lenço ; ficou tinto dc sangue. C c m o a santa me­ n in a parccia sofrer m uito c cu lhe c.uvisse dizer: <S e ria m estes os vossos açoutes, ó Jesus?» pensei n um a invisível fla g e laç ão . h to M a rç o , com
'■

renovou-se n a s 'o u tra s três sextas-feiras d e agravam ento progressivo. Na segunda

sexta-feira, 6. corpo da extática ficava dilacerado: na terceira, q u ási se viam os ossos: na quarta, era um a ccisa in d isc riti ue/:‘ c h a g a s p o r tôdas as partes c. nalguns sítios, d a p ro fu n d id a d e d um centímetro. D epois de dois o u três dias. desapareciam sem deixar vestígios. U m a vez quis lig a r duas destas chagas. E la s p o ré m agravaram -se cm vez d c sc fecharem, e n ão pude tirar o
p e n s o sem p ro d u zir as mais vivas dores: a cura efec­

tu o u s e por si pouco a pouco. A s outras chagas tinham-se cicatrizado sc/n dem ora. E stas chagas estavam dispostas d o m edo seguinte: d u a s cm cada braço, d o comprimento de q u a tro a cinco centím etros e m uito profundas: um a r.o peito, bem no m eio c n a direcção d a garganta: duas a cim a do joelho, as m ais consideráveis c mais oblongas: d u a s nes joelhos c d u as nos cotovelos que q u ási descobriam o osso; d u a s

C

A

Pit

/

T

Ú.L
• .

O

i

X

131

cm cada « m a d a s panturrilhas.-re d o nd as c m aiores que um a m oeda de d u a s /íra s ( l ) ; o u /r a s d ú a s na-frente d a perna, a o lo n g o d o 6 sso; fin a lm e n te um a p rofu n d a e mats ou menos circular no p e ito d o s pés. H a v ia outras sôbre o tronco, que n ã o p u d e n o ta r bem .
• .

N a prim eira sexta-feira sòm ente se notaram , como já dissemos, sulcos san g u in o le n to s ; mas depois apare­ ceram p rofundos rasgões, e p re g u n ta n d o eu a G e m a a razão, respor.deu-me: «a principio eram as var3s: ag o ra

São os.azorragucs».
P ara vos d a r um a idea d o seu estado lam entável, im a g in a i o grand e crucifixo d a nossa sala de ja n ta r, aos pês d o q u a l ela ta n to gostava de orar. A sem elhança era perfeita: as mesmas pisaduras, as m esm as lacerações da pele e d a carne, nas m esmas paries d o corpo, o mesmo

aspecío comovente. O sangue c o rn a por sulcos , alguns
d e s q u ais m ediam quarenta a c in q u e n ta centím etros de com prim ento p er cinco de largo; descia ate à terra, se ela estava de pé. e, q u a n d o estaca d eitada, ensangilentava os lençóis d o leito, m o lh a n d o p o r com pleto o col­ chão».
O s q u c p ude ram ver estas c h a g a s vivas, fizeram delas a m esm a descrição . A su a o rig e m so b re n atu ra l n ã o sc p o d e contestar, porque seria im p o ssiv c l à jovern d ila ­ cerar-se assim com d iscip lin a s o u o u tro s instrum ento s de penitèr.cia.

0)

A mocd.-i dc 2 liras, ir.ocda de prata ectfo conecte ca . ■• .. •

j.

Itália era um pouco neoor que a r.ossa actuat mocoa de de; escudos. cNoía do Revisor).

■ '

P o r o u tro la d o estas horríveis feridas ío rm àv a c - s e um a p e la rap idez h u m a n a m e n te ioex'• ........• ‘ • ’•

m e sm o durante o êxtase. em presença de testem unhas, c a e s á p a ic c ia m com
p lic á v e i. ,‘ • •

A divinhava- se

a titu d e

da

q u e r id a

vitim a

quaD to devia sofrer s o b os golpes in v isív e is q u e ab riam
tais c h a g a s na ca rne v iv a .

a flagelação, d iz u m a te ste m u n h a , m cjtra-se possuída de terríveis sofrimentos, mas nãõ se move. Algumas vezes sobreveen: ligeiras convulsões, c 05 ò ra ^o s tremem. P, evidente que possue então teda a' sensibilidade. Pobre menina! como sc nos confrange o coração ao vê-la sofrer assim1E quereis saber o que ela me disse no meio destas torturas? cR cc o m e n d ai- m e m uito a Jesu s». E acrescentou: « ó m in h a celeste M ã i ! 0 eterno P a i!» Depois do êxtase sentiu fraqueza, mus p e r pouco tempo. Notei que conservava perfeitamente a lembrança de tudo o que se passnra».
N ã o sabem os se êste fenóm eno m ístic o se repetiu cm o utro s dias além d a s sextas-feiras de M a r ç o de 1901. P o d e ria acontecer, p o rq u e a h u m ild e v irg e m tir.ha um a h a b ilid a d e sem ig u a l p a ra o cu ltar cs d o n s de D eus. U m c ia cm que-pedira a D . C e c ília p erm issão p ara to m a r u m b a n h o , p o rq u e sentia, s e g u n d o a firm a v a , cs v e stid os co lado s à ca rn e , encontrou-lhe esta Senho.*?, o co rp o v ir g in a l su lcad o etr. io d o s os se n tid o s de grandes c h a g a s jà
s Zc ò s

c Durante

às q u a is a cam isa, em v á r io s sities, se

tin h a p e g ad o . P a ra a a rra n c a r d a s co stas fo i preciso re a b rir as feridas, n ã o sem atrozes dores. C o n tu d o , todos estes torm entos, d iz ia ela, consis­ tiam som ente «em

alguns golpes pequenos que Jesus lhe

C

A

P

I

T

U

L

O

I X

é

133

fazia sentir >, p a ra lhe d a r a g ra ç a d e sofrer <um poccochinko*.
D e p o is da fla g e la ç ã o d o S a lv a d o r , a so’dadesca d o P retório, entre o u tra s m o stras d e escárr.eo apoderacdo-se d o D iv in o P ade cente , coroou-o de espinhos, cujas pontas cruéis se e n te rra v a m n a cabcça. C o ro a a d o rá v e l! Q u e c ris tã o p o d e ria recusar-te o seu am or, e n ã o c o n s id e ra ria u m a sup rem a h o n ra c in g ir c o n tig o a fro nte , a o lem brar-sc conio tu cingiste a p r ó ­ pria fro n te d o H o m e m - D e u s ? A %'irgen: de L u ca tin h a a p r o fu n d a d o m uito os m is­ térios d a in fin ita g ra n d e z a d e Jesus-P adecente; e isto a levou a apaixonar-se bem c e d o pelo seu doloroso d ia ­ dem a com o p o r u m a in c o m p a r á v e l jó ia . P o r o u tro la d o o R e d e n to r aparecia-lhe m u ita s vezes, te n d o na fro n te a coroa sa n g re n ta c p r e g u n t a n d o lh e se ela não a queria. Q u a n d o a s a n ta d o n z e la a d q u ir iu , p o r seus desejos e p urificaçõ e s m ísticas, a ú lt im a re a lid ad e à visão. p re p a ra ção p ara êste d o m e x tra o rd in ário , os actos sucederam à s p alavras, a

«F in alm e nte esta noite, escrevia ela a 19 de Ju n h o
de 1900, depois d c te r so frid o p o r seis dias o afasta-

m ento d c Jesus, fiz esforços p a ra me recolher. Com ecei a orar, com o em tô d a s as quintas-feiras: meditei na cru­ cifixão de Jesus. ' . ■ A p rin c ip io nenhum sentim ento experimentei; alguns -momentos depois , sobreveio um pouco de recolhimento ; Jesus estava próxim o. N e s íe recolhim ento peedi a c a ­ beça, com o das outras vezes e encontrei-me d iante de Jesus que sofria penas terríveis. Será possível ver sofrer

134

SANTA *.

GEMA" CALC AN 1 1 >

Je s u s /e não procurar ãliviâ-lo? Senti-me p e n e tra d a ‘d um g ra n d e desejo de sofrer e p e d i instantem ente a Jesus que o satisfizesse. Ouviu-m e im ediatam ente. : . Aproxim ando-se de m im , tirou d a cabeça a coroa d e espinhos para a colocar sôbre a m in h a , com prim in­ do-a com suas divinas m ãos contra as m in h a s fontes. F o ra m
*'*• Um

momentos dolorosos, mas felizes. F iq u e i uma
pouco m ais tarde G e m a , to r n a v a a escrever:

hora a sofrer assim com o Jesus*.
« O n t e m , à s fres horas depois d o meio-dia, cansada e

esgotada, grande

experimentei,

para

dizer

a

verdade, n:e

um a

repugnância, quar.do dc

novo

encontrei

d ia n te de Jesus. Ê le porém , jà não estava triste, como em a noite p3ssada. D e p c is de rr,e ter feito algum as caricias, tirou-me d a cabeça, com um aspecto m uito alegre, a coroa de espi­ nhos (so fri um p c u c o neste'm om ento, m as m enos) e tor­ nou-a a cclocar na sua. T ôd a a c o r desapareceu; recupe­ rei de súbito as fòrças e senti-me m elhor que antes dc sofrer s.
O s efeitos palpáv eis destas ap a riçõ e s dem ostraram q u e c ia s n ã o eram o p ro d u to d u m a im a g in a ç ã o doente. A ca b e ça d a angélica d o n :c !a aparecia, a o m esm o tempo, c r iv a d a de picadelas do n d e corria u m s a n g u e v iv o , não s ò m e n tc em volta, m as ta m b é m cm tò d a a su a superfície p o r d e b a ix o do cabelo; e isto d á cré d ito à o p in iã o dc a lg u n s santos contem plativos, se g u n d o os q u a is a coroa d c e s p in h o s cobriu tõd a a cabeça c o S a lv a d o r . A lg u m a s vezes as p icad e la s, quósi in v isív e is a õlh o n u . adiv inh avam - se sòmcr.te pelo s a n g u e q u e d e rra m a ­ v a m . O u tr a s veies, no d ire r c o Rev- P a d r e L ou renço

Ç
A g r ia o n t i.

A- P

t T

U XL O ■■ 1 X
testem u nhas

325

e de

outras

oculares, distia-

guiam -se p e rfe ita m e n te n a fronte c n o couro c a b e lu d o bu ra co s de e s p in h o s , triang ulares, em c a d a um dos quais b rilh a v a , co m o p é ro la , um a g ra n d e g o ta d c sangue. O . p r o d íg io renovou-se regularm ente,- sem pre d u ­ ran te o m esm o e sp aço de tem po, d c q u in ta paxa sexta: -feira de c a d a se m a n a, m esm o c e p o is d o desapareci­ m ento d e fin itiv o d o s outros estigm as. Ç c m e ç a v a m uitas vezes antes d o êxtase h a b itu a l dc q uin ta - fe irs à tarde. D u r a n te a r e fe iç ã o fam iliar, viam -se aparecer sôbre a fro n te de G e m a , em n ú m e ro sem pre crescente, gotns de sa n g u e que de sc iam ao lo n g o das faces, c o pcsccço.

cabdo. a fir m a u m a testem unha, tinha uma gcta, de sorte q u e o sangue corria até à terra >.
dos vestidos. «C aca E ra ura e sp e c tác u lo com ovedor, c a p a z de enterne­ cer um co ração de gelo. Estava-se d ia n te d a rr.3is bela re p ro d u ç ão d o

Eccc Homo. «S e vós vísseis. Padre, escre­ viam -m e. o sangue corrç-the dos olhos, dos ouvidos c dã testa! Nêle molhei dois lanços. E que efervescência cm seu peito* ( l ) .
Um d ia , e m q u e eu m esm o fu i testem unha dèste m andei-a enx u gar e la v a r tô d a s as facto p ro d ig io s o ,

p equenas ch a g a s d a cabeça. M a s , d e p o is d c a lg u n s m i­ nutos. o s a n g u e to rn a v a a correr dos mesraçs p on to s p a ra de n o v o lh e b a n h a : o rosto v ir g in a l. S aía cçm v iv a ­ cidade. co m o so b urna forte pressão, corri3 a o lo n g o das faces e n ã o d e m o ra v a a secar sôbre a pele. ;

( !)

A tc jfix u n h a fa i aJus3c> ' ■ ' .

palpitações víolict.u aes'

clocadaj enj cutri> lugar.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful