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Transformadores elétricos I-20

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Transformador ideal - Relações básicas

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Um transformador ideal pode ser representado pelo arranjo da Figura 01: duas bobinas, com N1 e N2 espiras de fio condutor de resistência elétrica desprezível, enroladas em um núcleo fechado de material magnético ideal, de forma que o mesmo fluxo magnético Φ atravessa ambos os enrolamentos. Segundo a lei da Faraday, as tensões são dadas por v1(t) = N1 dΦ/dt e v2(t) = N2 dΦ/dt. Combinando e simplificando, v1 / v2 = N1 / N2 #A.1#.

Fig 01 Portanto, as tensões em cada enrolamento são proporcionais aos seus números de espiras. Aplicando-se a lei de Ampère, ∫ H · dℓ = itotal = N1 i1 + N2 i2. Para um núcleo magnético ideal, μ → ∞ e H → 0. N1 i1 + N2 i2 = 0 #B.1#. i1 / i2 = − N2 / N1 #B.2#. Portanto, as correntes em cada bobina são inversamente proporcionais aos seus números de espiras. A igualdade #B.1# multiplicada por v1 resulta em N1 v1 i1 + N2 v1 i2 = 0. Combinando com #A.1# e simplificando,

São considerados parâmetros complexos e uma carga de impedância Z.1#. são conhecidos N1 = 1000 | N2 = 100 | Vs = 2500 /_0° V | Zs = (0.1#. Determinar as tensões e correntes em cada lado do transformador. A igualdade #B. simbolizadas por V e I (maiúsculos). (significa uma corrente saindo do ponto). Fig 02 A igualdade #A. Z1 = (N1 / N2)2 Z2 #G.2# é escrita I1 / I2 = N2 / N1 #E. As marcas de ponto (•) nos terminais dos enrolamentos indicam correspondência de sentidos. A relação acima indica que a potência líquida é nula. onde P é potência.2375 + j 0. A Figura 02 apresenta o esquema elétrico com símbolo usual de transformador (supostamente ideal neste caso). um acréscimo de corrente que entra no ponto de uma bobina produz uma tensão positiva no ponto da outra. que é considerado ideal.25 + j 2) Ω | ZL = (0. correntes que entram nos pontos produzem fluxos magnéticos no mesmo sentido.1#. Conclui-se então que. A impedância da carga no secundário é refletida para o primário na razão do inverso do quadrado da relação entre espiras secundário / primário. Assim. Consideram-se agora tensões e correntes complexas.1# Exemplo numérico: no circuito da Figura 03. A impedância de entrada é determinada por Z1 = V1 / I1 = (N1 V2 / N2) / (N2 I2 / N1) = (N1 / N2)2 (V2 / I2).1# é escrita como V1 / V2 = N1 / N2 #D. A relação de transformação n é dada por n = N2 / N1 #H.v1 i1 + v2 i2 = 0 ou P1 + P2 = 0 #C. ou seja. A potência complexa é dada por S1 = V1 I1* = (N1 V2 / N2) (N2 I2 / N1)* = V2 I2* = S2 #F. E as principais igualdades anteriores podem ser escritas com uso desse parâmetro: V2 = n V1 I2 = (1/n) I1 S2 = S1 Z1 = (1/n2) ZL #I. Portanto. ou seja. . a potência complexa é mantida.1#.05) Ω.1#. não há perda de potência no transformador ideal. Isso significa que o transformador pode ser usado como um meio de acoplamento de impedâncias entre circuitos. no transformador ideal.1#.

05) I2 = V2.25 + j 2) (100 /_−16.1. E a tensão do primário é V1 = Vs − Zs I1 = 2500 /_0° − (0. I1 = 100 /_−16. Inserindo V1 na outra relação anterior. .1 V1 = 242. V1 = 10 [ (0. Tensão e corrente do secundário: V2 = 0. (0.75 + j 5) I1 = 2500 /_0° ou (24 + j 7) I1 = 2500 /_0°.26°) = 2427. Das igualdades de #I.Fig 03 Usando a lei das tensões de Kirchhoff no lado da fonte. − Vs + Zs I1 + V1 = 0. Calculando.37° V e I2 = 10 I1 = 1000 /_−16. Transformadores elétricos I-30 Índice do grupo | Página anterior | Próxima página | Indutância mútua | Indutância mútua Topo | Fim O conjunto das bobinas de N1 e N2 espiras da Figura 01 forma um transformador cujo núcleo não é representado.25 + j 2) I1 + (23.1#.05) 10 I1 ] = (23. (0. Aplicando a mesma lei no lado da carga.26° A.06 /_−4. (0. De forma genérica. Portanto.2375 + j 0.26° A. é possível supor que os fluxos magnéticos que atravessam as bobinas não são necessariamente idênticos. V1 = 10 V2 e I2 = 10 I1. A relação de transformação é n = N2/N1 = 100/1000 = 0. Para a bobina 1. pode ser considerado Φ1 = Φ11 + Φ12 #A.75 + j 5) I1.25 + j 2) I1 + V1 = 2500 /_0°. − V2 + ZL I2 = 0.1#.2375 + j 0. Combinando com a anterior. Onde: Φ1: fluxo total na bobina 1.37° V.7 /_−4.

1#.1#.3# e combinando com as igualdades anteriores M2 = k1 k2 L1 L2.6#. Portanto.5# são escritas: v1(t) = L1 di1/dt + M di2/dt #C. que deve ser L = L1 + L2 ± M. As expressões (N1 N2/Rm12) e (N1 N2/Rm21) também têm dimensão de indutância. obtém-se a indutância mútua em função das indutâncias dos enrolamentos: M = k √(L1 L2) #E. v1(t) = N1 dΦ1/dt = N1 dΦ11/dt + N1 dΦ12/dt #A. Define-se então a indutância mútua M = (N1 N2/Rm12) = (N1 N2/Rm21) #B.4# e #A. Φ11 = N1 i1 / Rm11 e Φ12 = N2 i2 / Rm12 #A. Unificando as constantes de proporcionalidade.4#. De #A.3# (com analogia para o outro lado) é possível deduzir L1 = N1 Φ11 / i1 e L2 = N2 Φ22 / i2 #D.998. deduz-se M = N1 Φ12 / i2. M = N1 Φm / i2 = N2 Φm / i1 #D.6# e #A.2#. Na prática. por conseqüência.2# Na representação com tensões e correntes complexas.1# v2(t) = M di1/dt + L2 di2/dt #C.1#. E as igualdades #A.3#. chegando-se a v2(t) = (N22/Rm22) di2/dt + (N1 N2/Rm21) di1/dt #A. Onde Rm11 e Rm12 são as relutâncias magnéticas dos caminhos percorridos pelos fluxos.2#. L2) e. o de k) pode ser obtido pela medição da indutância do primário e secundário em série. Em geral. v1(t) = (N12/Rm11) di1/dt + (N1 N2/Rm12) di2/dt #A. mas é possível obter resultado similar M = N2 Φ21 / i1.4# Determinação da indutância mútua Das relações #B. Transformadores com núcleo de ferro podem ter valores tão altos quanto 0. Rm12 = Rm21 #B. que pode variar de 0 a 1. Fig 01 Os termos (N12/Rm11) e (N22/Rm22) são as indutâncias de cada (L1. Desenvolvimento similar pode ser feito para o outro lado.50 são típicos para transformadores sem núcleo (núcleo de ar). A relação #A.3# V2 = (j ω M) I1 + (j ω L2) I2 #C. Φ12: fluxo na bobina 1 devido à corrente na bobina 2.Φ11: fluxo na bobina 1 devido à corrente na bobina 1. O sinal positivo ou negativo depende da ligação das bobinas em relação ao ponto (•) de referência (adição ou . Supondo uma proporcionalidade Φm = k1 Φ11 = k2 Φ22 #D. Supondo o meio linear.2# e #A. Segundo relações do eletromagnetismo. De acordo com a lei de Faraday. o valor de M (e. Φ12 = Φ21 = Φm.2#. são usadas as reatâncias indutivas: V1 = (j ω L1) I1 + (j ω M) I2 #C.3#.5#. são denominadas auto-indutâncias #A. Números na faixa de 0.2#. Substituindo os valores em #A. neste caso. Onde k é o coeficiente do acoplamento indutivo.3# para o outro lado foi omitida.

Substituindo V1 pelo valor dado em #C.3#. Aplicando a lei das tensões de Kirchhoff no lado primário.4° V. (1 + 1) I2 = − V2. Fig 02 Exemplo numérico: determinar a tensão de saída Vx do circuito da Figura 02. Essa igualdade e a anterior formam um sistema de equações lineares cuja solução é I1 ≈ 3.4# e simplificando.17 /_−18. (2 + j 2) I1 + j 2 I2 = 10. Transformadores elétricos I-40 Índice do grupo | Página anterior | Próxima página | Indutância mútua: modelos e análise de tensões e correntes | Indutância mútua: modelos e análise de tensões e correntes Topo | Fim As igualdades #C.2# da página anterior permitem construir um modelo para a indutância mútua com domínio de tempo. Portanto.oposição de tensões). Substituindo V2 pelo valor de #C. Ver Figura 01 abaixo. j 2 I1 + (2 + j 2) I2 = 0. Vx = 1 I2 ≈ 2.4° A e I2 ≈ 2. Essas mesmas igualdades podem ser representadas na forma de matrizes conforme #A. .24 /_−153.1# e #C. Para o lado do secundário.4° A.1#. 2 I1 + V1 = 10.24 /_−153.

A equivalência de correntes é I1 = Is e I2 = −IL.L1 M M L2 × di1/dt di2/dt = v1 v2 Fig 01 #A.2#.1# nessa relação.1#. A Figura 04 dá o modelo com tensões e correntes complexas.3#.2#. Substituindo IL / Is de #C. A impedância da fonte é Zs = Vs / Is. Fig 04 De #C. um circuito típico com transformador: no primátio é aplicada uma tensão V s e. Laço do primário: jωL1 Is − jωM IL = Vs #C.1# Fig 03 Seja. no secundário.4# da página anterior). de acordo com o circuito da Figura 03 anterior. conforme Figura 03.1# Para tensões e correntes complexas (domínio de freqüência.1# abaixo. IL / Is = jωM / (jωL2 + ZL) #C. Laço do secundário: (jωL2 + ZL) IL = jωM Is #C. Usando o valor de #C. uma carga de impedância ZL.3# e #C.3# e simplificando.4#. modelo e matrizes são vistos na Figura 02 e em #B. Zs = [ −ω2 L1 L2 + jωL1 ZL + ω2 M2 ] / (jωL2 + ZL) #C. #C. Zs = jωL1 −jωM IL / Is. jωL1 jωM jωM jωL2 × I1 I2 = V1 V2 Fig 02 Análise de tensões e correntes #B. .

portanto.12#. #C.Conforme relação vista na página anterior.7#.4# fica reduzida a Zs = jωL1 ZL / (jωL2 + ZL) #C. Dividindo.9#. a igualdade #C. k = 1 e.11# e #C. Considerando #C. IL / Is = 1 / n #C.6# e simplificando.12# são as relações básicas já vistas para o transformador ideal. .5# e #C.9#.5# e #C.6#. A relação de tensões é VL / Vs = ZL IL / (Zs Is) = (ZL / Zs) (IL / Is).10#. obtém-se IL / Is = (M / L2) [ 1 / (1 + ZL / jωL2) ]. Zs = ZL / n2 #C. A relação de transformação é n = N2 / N1 #C. Com essa relação. considerando #C. VL / Vs = M / L1.11#. que foram aqui obtidas a partir do conceito de indutância mútua.9#. Voltando à igualdade #C.3#.8# e. numerador e denominador por jωL2. se (jωL2) >> ZL e usando #C. Dividindo numerador e denominador por jωL2.8#.5#. chega-se a IL / Is = (M / L2) e. Considerando um transformador ideal.10#. para o transformador ideal. Considerando #C. As igualdades #C. VL / Vs = n #C.3# e #C. M = √(L1 L2) #C. Empregando a mesma premissa anterior (jωL2) >> ZL.7#. na igualdade #C. M = k √(L1 L2). também vale L2 / L1 = n2 #C. Zs = ZL (L1/L2) / [ 1 + ZL/(jωL2) ] #C.