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"Aos olhos dos leigos em construção, a fissura constitui um defeito cujo responsável é o arquitecto, o engenheiro, o empreiteiro ou fabricante do material

. Entretanto, desde as origens da construção, as fissuras sempre existiram, pois elas são consequências de fenómenos naturais". Essa tese do arquitecto francês “Charles Rambert”, procura explicar de maneira relativamente simples a origem do defeito: se considerarmos que os ditos fenómenos naturais são dados irrefutáveis do problema, a antítese nos parece mais verdadeira.

01| INTRODUÇÃO O presente relatório refere-se à análise do estado e conservação do edifício sito na Rua. Quintino Rogacio e Rua. Azevedo Gomes, 373, na cidade das Acácias Rubras, Benguela (ver Fig. 001). Foi efectuado pelos estudantes Jorge L. T. Bento e Jose J. Chingongue do 5º da Faculdade de Arquitectura da Universidade Cátolica de Angola em Benguela (UCAB) para a cadeira de Teoria da Conservação do Restauro, tendo como docente o Eng. Milton Gualdino. Para a sua execução procedemos a diversas visitas técnicas ao edifício tendo em vista o levantamento do esquema estrutural, a caracterização geométrica dos elementos que o compõem e a determinação do seu estado de conservação.

Sendo assim, este estudo tem como objectivo concluir acerca do estado de conservação dos elementos edificado do edifício e da sua capacidade resistente global, tendo em vista a sua utilização actual. O presente relatório tem por base: − A visualização dos elementos estruturais nas diversas inspecções; − O uso do martelo, para obter uma estimativa da resistência mecânica dos elementos em betão armado; − Som de resposta obtido por percussão produzido por impacto com um martelo nas vigas; − O uso do distanciómetro laser para confirmação de medidas; − O levantamento arquitectónico.

Fig.01 - Localização

02 | DESCRIÇÃO DO EDIFICIO O edifício objecto de análise do presente estudo, aqui referido como edifício da Direcção Provincial da Ordem, fig.1, foram construídos nos anos de 1936 e 1938, respectivamente, com o objectivo de funcionarem como “Instituição politica e situa-se na rua R. Quintino Rogacio e R. Azevedo Gomes, 373, na cidade das Acácias Rubras, Benguela.

O edifício apresenta algumas particularidades que o torna em interessante exemplo de construção com algum arrojo para a época em que foram construídas. Em primeiro lugar, o grande vão do edifício. Por outro lado, a utilização de lajes em betão armado, quando esta técnica estava ainda nos seus primórdios, é também um bom exemplo de acompanhamento da evolução das técnicas construtivas por parte do projectista e do empreiteiro.

03 | IDENTIFICAÇÃO DO ESQUEMA DISTRIBUIÇÃO 03.1| ESTRUTURA Nos elementos em betão armado, lajes e vigas do edifício foi utilizado o martelo, para obter uma estimativa da resistência mecânica dos elementos em betão armado; indicando o seu estado de conservação. De referir que o facto das lajes e das vigas se encontrarem encont à vista e sem revestimentos em alguns compartimentos permitiu efectuar estes ensaios com facilidade. Nos elementos de alvenaria de tijolo não foi necessário utilizar nenhum instrumento específico, na medida em que o material se apresentava, salvo raras rar excepções, visivelmente em bom estado. Nos elementos estruturais de madeira Fig. 02 – Planta de Distribuição l

foram efectuadas as medições do teor de humidade e a leitura da resposta respost dos elementos ao impacto de um martelo. Esta inspecção permitiu não só concluir acerca do estado físico de cada peça, mas também do estado das entregas do vigamento nas paredes de alvenaria. Alguns dos vigamentos dos pavimentos encontravam-se encontravam à vista devido ido à degradação do soalho originada pela entrada de água, tendo sido possível observá-los los mais facilmente.

03.2 | PAREDES O edifício apresenta paredes resistentes de alvenaria de tijolo com espessuras de cerca de 0,24m,. A parede meeira do edifício é, de igual modo, tendo em conta a sua espessura de 0,24m. De referir que na zona dos vãos (janelas) das fachadas laterais, existem elementos em cantaria de granito com 0,14m de espessura. As paredes divisórias são de tijolo furado, reboco de argamassa e cal e acabamento estucado, com espessura total de 0,10m. De um modo geral não foram detectadas patologias relevantes nas paredes de tijolo. No entanto, na fachada lateral do edifício, mais precisamente no alinhamento da zona do passadiço de betão armado, verificou-se se a existência de um movimento com alguma importância da parede. Este movimento traduz traduz-se se num assentamento vertical de cerca de 4cm dos elementos de alvenaria de tijolo da fachada, originando alguma fissuração no restante pano de parede. Refira-se se que as padieiras das portas sob o passadiço de betão ficaram praticamente amarradas a este, não tendo sofrido nenhum assentamento. O movimento ter-se-á á devido ao assentamento diferencial e localizado de um troço da fundação. Por seu lado, este assentamento da fundação poderá estar associado à abertura de um buraco ou vala para introdução, por exemplo, de tubagem de saneamento, uma vez que existe uma caixa na proximidade. Se for esse o caso, a rotura dessa tubagem terá promovido o assentamento da fundação, com o consequente movimento da parede.

03.3 | FUNDAÇÕES Foi possível aceder a uma cave em que se visualizaram as fundações de alvenaria de tijolo do edifício. Tendo em conta a altura desta cave, as fundações têm pelo menos 2,50m de altura e são formadas por u uma ma alvenaria de tijolo bem aparelhada, apresentando um aumento de espessura com a profundidade. 03.4 | LAJES E VIGAS DE BETÃO ARMADO O edifício apresenta lajes maciças em betão armado no piso 1 e pelo menos numa parte do piso 0 (zona da cave). Estas lajes estão armadas em duas direcções e englobam um conjunto ortogonal de vigas de betão armado, visível a partir dos pisos inferiores e que e estão apoiadas nas paredes resistentes. Através do distanciómetro laser concluiu-se se que a espessura da laje é de cerca de 0,15m.

Fig. 03 – Planta do Revestimento do Piso As vigas, de dois tipos, formam uma malha com cerca 1,80x2,50m2. As vigas (vigas principais) têm uma secção com base de 0,24m e altura aparente de 0,20m; as vigas V2, vigas secundárias situadas junto às paredes de alvenaria de tijolo, têm uma base de 0,16m por 0,20m de altura aparente. Os elementos de betão armado encontra encontram-se se à vista, com uma camada de revestimento de estuque. Existem cachorros de betão nas paredes de alvenaria, a auxiliar o apoio das vigas, por sua vez, nas paredes existem uns cachorros falsos no alinhamento das vigas a simular os cachorros existentes nas paredes de alvenaria. As vigas aparentando maior dimensão, situadas nos extremos das divisões, apresentam uma parte falsa. As lajes e as vigas de betão armado (do piso 1) encontram encontram-se se tapadas por um tecto falso. Foi precisamente nestes compartimentos, nas zonas em que o tecto já tinha caído, que foi possível efectuar os ensaios. Na zona da cave, uma laje de betão armado. Esta laje é maciça e tem cerca de 0,17m de espessura, tendo sido fabricada, à semelhança do que se fazia na altura, com godo como agregad agregado.

Fig. 04 - Degrau Na fachada existe uma de betão cerca 004). alguma devido à edifício foi nova fachada armado e tijolo.

Fissurado posterior do edifício varanda também armado, com de 0,12m ,Fig. Esta laje apresenta fissuração horizontal corrosão das armaduras. No construída uma posterior com betão

através do uso do martelo. 05 – Varanda Este Nos degraus da escadas de acesso ao piso 1.Fig. muitos dos valores registados com o martelo estão acima do limite superior indicado nas curvas de calibração. através da raspagem da mesma. indici indiciando estar-se se na presença de um betão de boa qualidade. Fig. A partir das leituras consideradas válidas obtiveram obtiveram-se os valores das resistências mecânicas através das curvas de calibração. 05 Através de inspecção ão visual foi possível observar que as lajes e vigas de betão armado do edifício se apresentam em mau estado de conservação. Fig. Antes do ensaio é necessário proceder à regularização da superfície. Para a realização do ensaio fiz fizeram-se se várias leituras em cada um dos elementos estruturais em análise. 06 – Estado avançado de degradação das lajes das Varandas a) Ensaio de betão com martelo artelo Na inspecção foram efectuados ensaios “in situ” ao betão das lajes e das vigas do edifício. função da grandeza de recuo medida e do ângulo de disparo. que q necessita de reforço. . verificou-se se a existência de um afastamento da dos mesmos do piso da varanda. eliminando eliminando-se se os valores que se afastavam claramente da média das leituras (afastamentos superiores a cerca de 5 unidades). No entanto. com deformações e vibrações relevantes.

Fig. Elementos de Betão C2 A-C2 eflorescência / Mancha de Humidade Fig. ARMADURAS /CABOS A-D1 D1 Varão a Vista (descasque do recobrimento) A-D4 Varão Corroído.D . 07 – Mancha da Humidade A-C4 C4 Escamação / Desgastes / Desintegração. 08 .Escamação A.04 l INSPECÇÃO E DIAGNÓSTICO Medida que a investigação decorreu apurou apurou-se se na generalidade os seguintes elementos bases que apresentamos em síntese segundo Inspeção Visual com auxílio de equipamento portátil: A-C . .

ERROS DE PROJECTO C-A23. Fig. Outros erros de concepção. 09 .D . 10 – Fissuras na Alvenarias . ELEMENTOS SEGUNDARIOS A-16.Fig. Drenagem diretamente sobre elementos estruturai A.H .Estado da Armadura dos pilares A. A25. DRENAGEM DE ÁGUAS A-H2. Dreno obstruído A-H2. H2. Deficiências da pintura C-A.Não previsão de uma inclinação mínima em superfícies quase horizontais C-A25.

04 l ANOMALIA VERIFACADAS NA GENERALIDADE E POSSIVEIS CAUSAS 〉 Célula de corrosão em betão armado 〉 〉 〉 Fissuração do betão devido às forças de expansão dos produtos da corrosão Deterioração progressiva devida à corrosão das armaduras Recobrimento precário – pilar apresenta “ninhos” e armadura principal sem recobrimento. Fissuração de paredes de alvenaria devida a apoio transversal de uma viga. Fraca qualidade do betão e respectiva vibração (ninhos e materiais estranhos incorporados). e incorrecta. Fissuração em vãos de alvenaria devida a deformação excessiva do pavimento inferior. Aspectos de juntas de argamassa irregulares ou mal preenchidas. Fissuração característica devido a deformação semelhante dos pavimentos superior e inferior (na altura dos peitoris das janelas) e o esmagamento dessas paredes. Fissuração de alvenaria no contorno de vão de janela devido à concentração de tensões. Fissuração característica de divisórias de alvenaria devida a deformação excessiva do pavimento inferior. direita). Fissuras na alvenaria e destacamentos no encontro com a estrutura em decorrência da deflexão das vigas em consola. Cunhal mal executado e esquema para correcta execução. Fissuração de paredes de alvenaria devido a carga excêntrica. esquerda. 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 . Aspecto do tubo de drenagem da caixas de ar (solução correcta. Fissuração a de alvenaria devida a excessiva sobrecarga. Fissura provocada pela deformação da viga lintel de sustentação da parede. Fissuras provocadas por assentamentos diferenciados de fundação assente sobre secção mista Fissuras devidas a assentamentos diferenciam em edificação assente sobre aterro mal compactado.

por questões térmicas. Manifestação de eflorescência na base da parede. Deterioção progressiva devido à corrosão das armaduras. Humidade ascendente de águas superficiais numa parede exterior. Fissuração de paredes inseridas em estrutura reticulada de betão armado. Fissura de esforço de corte em viga alta de betão armado. Fissuração de paredes divisórias devida ao movimento da laje de cobertura em terraço por efeito da variação de temperatura. Deslocamento do revestimento por eventual argamassa bastante rica em cimento. A “linha” é aqui perfeitamente visível. fissuras de flexão sobre as aberturas. Degradação da parede devido a ataques de fungos de podridão 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 〉 . Fissura em parede causada pela movimentação térmica de laje de cobertura. Fissuração em viga de betão armado devido a esforços de torção.~ Fissuração entre a alvenaria e estrutura. com provável entrada de água de chuva para o interior da edificação. devido a variações térmicas da estrutura.〉 〉 Fundações contínuas. Humidade ascendente de águas freáticas em paredes interiores. Empolamento resultante de dilatações térmicas por ausência de juntas. Assentamento diferencial entre pilares provocando o aparecimento de fissuras inclinadas nas paredes. Fissuraçâo de paredes de alvenaria devido a variação de humidade. provocado pela contracção da alvenaria devido à variação da humidade dos materiais. Fissuração entre a estrutura e a alvenaria. devido à má concepção e pormenorização da cobertura.

o meio ambiente no qual se insere a estrutura e que. A região onde se encontra o componente estrutural. Aos diferentes tipos de betões deverão corresponder diferentes recobrimentos. explicar o porquê de uma estrutura corroída. Execução. pilares semi-enterrados poderão ter problemas de corrosão mais rapidamente que pilares em ambientes interiores e secos. em geral.05 l IDENTIFICAÇÃO E TRATAMENTO DAS PATOLOGIAS 05. várias etapas: ◊ Planeamento e concepção. é o agente promotor de eventual corrosão. Da mesma forma. devem ser levados em conta. ou seja. também deve ser considerado. propriamente dita. 05. A justificativa mais cómoda. portanto e essencialmente.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO O processo de produção e uso de uma estrutura compreende. das características e propriedades intrínsecas do betão. Por outro lado. É de se esperar que regiões com atmosfera seca e "pura" não agridam tanto a estrutura quantas atmosferas húmidas e fortemente contaminadas por gases ácidos. normalmente.01 l CORROSÃO DE ARMADURAS EM BETÃO ARMADO Como as variáveis que intervêm no processo tem origem em diferentes fontes. quando tantas outras em tudo semelhantes e similares não apresentam o problema. Aumentar o recobrimento. significa aumentar as dimensões das peças ou manter as dimensões e aumentar as secções de aço. Selecção e recepção dos materiais e componentes elaborados fora do estaleiro da obra. que a maior incidência de problemas de corrosão são originados por deficiências no projecto. ◊ ◊ Tem-se observado. pilares ou paredes e a própria natureza. por experiência. laje. especificações e falhas de execução. Lajes em ambientes húmidos podem sofrer muito mais o fenómeno da condensação do que elementos verticais. em geral. O recobrimento de betão tem a finalidade de proteger fisicamente a armadura e propiciar um meio alcalino elevado que evite a corrosão passiva do aço.01. vigas. mantendo o mesmo nível de protecção. segundo a posição que o componente . Utilização de construção após conclusão. nem rápido. em muitas situações não é fácil. aumentar o custo da estrutura. Essa protecção depende. A maioria dos projectos não prevê diferentes betões ou diferentes recobrimentos de um mesmo betão. é atribuir o facto à falta de recobrimento adequado de betão. em última instância. ◊ ◊ Projecto e especificações.

durante a execução não são tomados os cuidados necessários com a colocação dos dispositivos que asseguram o recobrimento do betão. ou não recobre ou recobre deficientemente a armadura. Ela ocorre quando se forma uma película de electrólito sobre a superfície dos varões ou barras de aço. originando tensões no betão superiores a 15 MPa. por natureza e desde que bem executado. a direcção dos estribos. conforme figura 2. a alternância de trechos não alterados com trechos fortemente corroídos. Nas regiões em que o betão não é adequado. A corrosão pode ser acelerada por agentes agressivos contidos ou absorvidos pelo betão. em geral.01. em alguns casos. Na maioria das vezes formam-se micropilhas que podem. Essa fissuração acompanha. Esta película é causada pela presença de humidade. a descontinuidade do fenómeno ao longo da extensão da armadura principal. mais raramente. descarga e cura adequada são. tais como pastilhas e espaçadores. Por oxidação entende-se o ataque provocado por uma reacção gás-metal com formação de uma película de óxido. Este tipo de corrosão é extremamente lento à temperatura ambiente e não provoca deterioração substancial das superfícies metálicas.estrutural ocupa na obra ou segundo a agressividade do meio ambiente onde a estrutura será inserida. Da mesma forma. a não ser que estejam à superfície. Por corrosão. Essas tensões provocam inicialmente a fissuração do betão na direcção paralela à armadura corroída. entende-se o ataque de natureza preponderantemente electroquímica que se dá em meio aquoso. proteger a armadura contra a corrosão. 05. É típico da corrosão. em geral sempre presente no betão. A composição do betão. podendo causar o fissuramento do betão. predominantemente electroquímica em meio aquoso. Essa protecção baseia-se no impedimento da formação de células electroquímicas. salvo se existirem gases extremamente agressivos na atmosfera. alternar de posição os pólo. Na maioria das vezes aparecem manchas castanhas avermelhadas na superfície do betão e bordos das fissuras. inclusive. há a formação de óxidos de ferro que passam a ocupar volumes três a dez vezes superiores ao volume original do aço da armadura. propriamente dita. a direcção da armadura principal e. geralmente.02 l RECOBRIMENTO NO BETÃO Uma das grandes vantagens do betão armado é que ele pode. sua porosidade. Verifica-se. o que favorece a carbonatação e a penetração do CO2 e agentes agressivos. cadeias de pilhas conectadas em série. através de duas maneiras: . parâmetros e técnicas construtivas desconhecidas do engenheiro ou encarregados das obras.

nas quais poderão estar inseridas as estruturas de betão. Outros aniões. sem " ninhos”. penetrando no seu interior por difusão gasosa. Como a atmosfera viciada.01 l CARBONATAÇÃO DO BETÃO A corrosão de superfícies metálicas expostas a gases ácidos de atmosferas urbanas e industriais e a salinidade presente na atmosfera marinha.04 l AGENTES AGRESSIVOS INCORPORADOS AO BETÃO .01.03. Pode-se adoptar. podem ser classificadas em atmosferas rurais. entende-se aquela resultante de ambientes fechados e específicos.01. denominado carbonatação do betão dá-se lentamente. cozinhas industriais e outros ambientes.03. a perda de passividade da armadura. pois se não for atingida a humidade critica não haverá risco de corrosão acentuada. como referência. sempre com intensidades menores.5 a 13.01. Essa redução ocorre essencialmente pela acção do C02 presente na atmosfera e outros gases ácidos. tais como galerias de águas pluviais. tais como sulfatos e amónia. deve ser considerada sempre em conjunto com a humidade relativa da região. Protecção química. 05. Protecção física Um bom recobrimento de armadura com um betão de boa compacidade. que a armadura estará normalmente passiva. quando em meio alcalino apresente um pH entre 10. efectuadas por Pourbaix. contribuem para a rápida redução da alcalinidade do betão. 05. tais como gás sulfídrico e dióxido de enxofre. a protecção do aço ao ataque de agentes agressivos externos 05.03.03. A característica principal de atmosferas urbanas e industriais é que elas possuem elevados teores de óxidos de enxofre e fuligem ácida que se depositam por impacto sobre as superfícies dos componentes estruturais. interceptores e colectores de esgoto.01. podem actuar de modo similar. urbanas industriais. garante. aumentando a velocidade e profundidade de carbonatação e.02 l CARACTERÍSTICAS DO MEIO AMBIENTE As atmosferas. presente em atmosferas marinhas (até aproximadamente 5 km da costa).Protecção física. Esse processo.03 l CAUSAS DA CORROSÃO 05.01. com teor de cimento adequado e homogéneo. Nas superfícies dos components estruturais a alta alcalinidade inicial do betão vai sendo reduzida com o tempo. consequentemente. A acção danosa dessas atmosferas.03 l AGENTES AGRESSIVOS PRESENTES NA ATMOSFERA O agente agressivo mais intenso é o cloreto. 05. marinhas e viciadas. que penetram no betão por difusão. porém. por impermeabilidade.

O sulfato de cálcio tem carácter ácido. podendo até pelo contrário. Esse subproduto industrial pode originar pastas e argamassas com pH por volta de 6 que. podem contribuir para o aumento da corrosão das armaduras.04 l QUALIDADE DO BETÃO DE RECOBRIMENTO A carbonatação superficial dos betões é variável conforme a natureza de seus componentes. a resistividade eléctrica do betão. Da mesma forma. 05. descarga e cura utilizada. principalmente quando decorrente da obtenção de fertilizantes. . o que também pode acarretar problemas. que pode ser adicionado involuntariamente ao betão. cloreto de cálcio. não acarretam problemas á armadura. por absoluto desconhecimento dos técnicos envolvidos. Os agregados de regiões próximas ao mar e águas contaminadas ou salobras também podem conter cloretos. reduzindo a protecção química do recobrimento. Concentrações de cloretos iguais ou superiores a 700 mg/1 retiram a perda de passividade ao aço. na maioria decorrentes de rochas em alteração.01. Os produtos das reacções podem ser ácidos.É usual na maioria das vezes. o meio ambiente e as técnicas construtivas de transporte. é o emprego de agregados com concentrações ferruginosas. todos os revestimentos nos quais predominem a cal e o cimento portland como aglomerantes. a incorporação de elementos agressivos durante a amassadura do betão. Pequenos teores de cloreto podem ser responsáveis por grande intensidade de corrosão. significativamente. A grande maioria dos aditivos aceleradores de presa e endurecedores tem. é possível evitar-se a retracção superficial e a consequente micro e macro-fissuração que poderiam permitir a penetração de agentes agressivos. à base de gesso. há que ter cuidado no emprego indiscriminado de argamassas prontas. elemento abundante na orla maritime (vulgar sal). consequentemente. O agente agressivo mais comum é o cloreto. além de reduzirem. agregados e águas contaminadas. A cura da superfície dos componentes estruturais tem um papel importantíssimo na protecção contra a corrosão. Com tratamentos adequados. é natural que tenha grande influência na velocidade de carbonatação. Praticamente. na sua composição. Como consequência a profundidade de carbonatação é de difícil previsão e também variável dentro de amplos limites. auxiliar na protecção. na maioria das vezes sob a forma de cloreto de sódio. Não é o caso põe exemplo de outros revestimentos. Embora não muito comum. por serem porosos e higroscópicos. actuando na maioria dos casos como catalizados das reacções electroquímicas. pois eles não são incorporados aos produtos de corrosão. a partir de aditivos aceleradores de presa. Tendo a relação água/cimento papel preponderante na permeabilidade dos betões. que irão contribuir para o aceleramento do fenómeno de carbonatação superficial do betão.

são: Avaliar agentes agressivos da atmosfera no local de implantação da obra. Alguns dos principais factores a considerar. Rejeitar barras de aço excessivamente corroídas. na etapa de recepção de materiais.05 l MEDIDAS PREVENTIVAS Alguns dos principais factores a considerar. Especificar recobrimentos maiores ou betão de melhor qualidade para as armaduras de componentes semi-enterrados. podem gerar pilhas de corrosão e concentração diferencial aumentando o risco de corrosão ou acelerando uma corrosão já iniciada.01. na etapa de projecto.55. 05. nos agregados e na água de amassadura. pelo menos 15 dias. 05. Evitar proximidade de diferen tes metais e tratamentos metálicos superficiais. Alguns dos principais factores a considerar.Outro aspecto que deve ser ressalvado é o relativo à homogeneidade do betão e à uniformidade do recobrimento. na etapa de execução. Curar. áreas de serviço. regiões porosas ou de pequeno recobrimento. Aumentar o teor de argamassa dos primeiros betões lançados sobre juntas de betonagem. Preparar pastilhas de argamassas ou adquirir pastilhas plásticas. coberturas e exteriores. Promover a hidrofugação periódica (manutenção) das superfícies de betão aparente. Sendo a corrosão um fenómeno essencialmente electroquímico. garagens.06 l MEDIDAS CORRECTIVAS . Avaliar as condições higrotérmicas do local de implantação da obra. Cuidar da vibração do betão para evitar ninhos. as superfícies do betão. são: Determinar teor de agentes agressivos nos adjuvantes ou aditivos. alternadas com regiões densas e com maior recobrimento. Evitar revestimentos neutros ou ácidos à base de gesso. casas de banho. Empregar agregados com dimensão máxima característica da mesma ordem de grandeza da espessura do recobrimento. são [ Evitar betões com relação água/ cimento superior a 0.01. Não permitir o derrame de agentes agressivos sobre as barras e fios de aço nos stocks. Proteger temporariamente os arranques ou esperas.

Recompor a área da secção de betão original. validadas pela experiência e pelo conhecimento técnico. Consiste basicamente em três etapas: Limpeza rigorosa. absorvem facilmente água por contacto. tradições regionais e outras variáveis envolvidas. inclusive das camadas de óxidos e hidróxidos das superfícies das barras. operações. pretende-se registar uma partilha de vivências ligadas à execução. deve-se controlar o tempo e temperatura por forma de evitar a mudança das estruturas do aço. oxigénio e agentes agressivos até as armaduras. Esse betão tem boa aderência ao betão velho e não requer formas. com espessura final de cerca de 10 mm. de preferência com jacto de areia e apicoamento de todo o betão solto ou fissurado. sendo porosos. variantes de execução. Análise criteriosa da possível redução da secção transversal das armaduras atacadas.02 l ALVENARIAS Face à diversidade de pormenores. colocar novos estribos e/ou novas armaduras longitudinais. As juntas. devem ser . e como tal. De um modo geral.01 l EXECUÇÃO DE ALVENARIA EM ZONA CORRENTE Os tijolos são elementos cerâmicos resultantes da cozedura da pasta de argila. Reexecução do recobrimento das armaduras de preferência com betão bem adensado. Propiciar um meio que garanta a manutenção da capa protectora no aço. 05. Esse novo recobrimento pode ser executado através de qualquer procedimento que atenda aos requisitos abaixo mencionados: Betão projectado com espessura mínima de 5 cm. Assim. Assentamento do tijolo. deve ser realizado de modo que as juntas verticais e horizontais fiquem desencontradas de pelo menos 1/3 do comprimento do tijolo (“matar ajunta”). Este recobrimento tem a finalidade de: Impedir a penetração de humidade. Sempre que for empregue solda.de-obra especializada. Se necessário. no entanto tem a desvantagem de acarretar perda de material e sujar o ambiente. As medidas correctivas devem ser tomadas em função das causas e origens específicas de cada problema.02. pois sem este cuidado absorvem parte da água da amassadura da argamassa o que a torna desagregável. 05. devem ser efectuadas análise e diagnósticos precisos do caso patológico ocorrido. a recuperação desse tipo de fenómeno patológico é delicada e requer mão. antes de serem assentes devem ser molhados.Antes de se decidir por um certo procedimento de recuperação e protecção contra a corrosão.

em geral.02 EXECUÇÃO DE PAREDES DUPLAS A elevação dos dois panos da parede dupla pode ser feita em simultâneo ou de forma sequencial. devido a dificuldades de execução.realizadas com argamassa intervalo entre tijolos. com aplicação de tubos de drenagem (em plástico) salientes para o exterior (espaçados de cerca de 2 metros). para permitir um adequado travamento.02. Na execução de paredes duplas devem ser adoptadas as medidas e precauções descritas para as paredes simples com as seguintes particularidades. é fundamental que o tijolo não fique com os furos voltados para o exterior.03 l SOLAMENTO TÉRMICO EM PAREDES DUPLAS . considera-se vantajosa a opção pelo seu preenchimento.02. como nos restantes cruzamentos de paredes é muito vantajoso que as fiadas das duas direcções estejam niveladas. A execução simultânea dos 2 panos facilita a aplicação dos grampos de ligação mas apresenta. pouco consistente preenchendo completamente o A opção pelo preenchimento das juntas verticais tem sido motivo de alguma polémica nos meios técnicos ao longo dos últimos anos. mas sempre devidamente travado. os tubos devem ficar mais compridos. A limpeza da caixa de ar e em particular a caleira é um dos aspectos mais importantes da execução de paredes duplas. Execução da meia cana ou caleira que remata o fundo da caixa de ar. Nos casos em que se pretenda uma maior rigidez da ligação. Face a eventuais incertezas relativa à espessura final dos revestimentos. através de inclinação dada a estes. podem aplicar-se grampos metálicos na junta horizontal ligando as duas. não obstante a reduzida contribuição para o aumento da resistência da parede à compressão. No entanto. para posterior alinhamento por corte. paredes com cargas excêntricas aplicadas. 05. ao alto (furação na vertical) cortado para as dimensões convenientes. Nos cunhais das paredes de fachada. Deverá igualmente providenciar-se uma saliência em relação ao revestimento final não inferior a 15 mm. em paredes sujeitas a solicitações horizontais e em Nos cunhais e esquadrias das paredes deverá haver um cuidado especial de modo que os tijolos fiquem bem travados entre si. Na ausência de tijolos de formato especial para estas situações. pode usar-se o tijolo furado corrente. são usados argumentos relativ os à economia e à má qualidade natural das juntas verticais. ombreiras e outras extremidades de parede em contacto com o exterior. maiores dificuldades de execução. Em defesa do não preenchimento. 05. Nos cunhais. Os tubos de drenagem devem recolher as águas do fundo da caleira e conduzilas ao exterior.

Qualquer destes sistemas é utilizado sobretudo em acções de reabilitação. etc. aumenta o risco de condensações no interior da parede e obriga a cuidados especiais de revestimento (reboco armado.02. A primeira solução exige um bom desempeno do suporte. sendo aplicável com igual desempenho em construções novas.). Nos sistemas com revestimento independente. A aplicação de isolamento térmico pelo interior é executada após a conclusão e secagem das alvenarias e deve ser encarada como uma actividade de revestimento especial Isolamento Térmico Pelo Exterior Do ponto de vista do comportamento térmico das construções. forros de madeira. uma vez que as placas rígidas de isolamento térmico (poliestireno expandido) são coladas directamente à parede e sobre elas é executado um reboco delgado armado. Isolamento térmico pelo exterior sob placas rígidas de revestimento independente. proporcionando uma elevada inércia térmica e reduzindo o risco de condensação no interior das paredes. o isolamento térmico pelo exterior constitui a solução mais eficaz. A colocação deste tipo de placas na caixa de ar de uma parede dupla deve obedecer às seguintes exigências: . com caixa de ar (“bardage”). embora com características especiais 05. sendo assumida como uma actividade de revestimento. A sua aplicação não interfere com a construção das paredes de alvenaria.Isolamento Térmico Pelo Interior É pouco frequente a realização de isolamento térmico pelo interior. este tipo de isolamento térmico é feito com recurso a técnicas mais complexas. uma vez que reduz a inércia térmica. uma vez que só tem lugar algum tempo após a conclusão destas. revestimento com gesso cartonado. uma vez que este fica encostado à parede e separado do revestimento exterior por um espaço de ar ventilado.04.01 l MATERIAIS RÍGIDOS Os materiais destinados ao isolamento térmico das paredes podem apresentar-se sob a forma de placas rígidas com espessuras correntes de 3 a 5 cm.04 l ISOLAMENTO TÉRMICO NA CAIXA DE AR 05. Face às características dos isolantes disponíveis e às exigências funcionais dos revestimentos das paredes de fachada. com rede de fibra de vidro ou polipropileno. as irregularidades da parede afectam de imediato a qualidade do assentamento das placas e o aspecto final do revestimento. das quais se destacam. Deste modo. as seguintes soluções: Revestimento sintético delgado armado sobre isolamento térmico.02. entre outras. este é constituído por placas rígidas assentes sobre uma estrutura secundária colocada sobre a parede e o seu aspecto e desempenho não dependem do isolamento térmico. incluindo a sua durabilidade e resistência às intempéries.

devem ser aplicados e fixos através de dispositivos adequados depois de construída a parede interior. o levantamento simultâneo dos 2 panos de parede (exterior e interior). uma vez que inviabiliza. garantindo a continuidade total da camada isolante. o levantamento simultâneo dos 2 panos de parede (exterior e interior). encostadas à face exterior da parede interior e fixas por grampos.04.03 l MATERIAIS PROJECTADOS Os materiais projectados são geralmente compostos sintéticos com grande capacidade de aderência. A colocação de placas rígidas do isolamento deve ser coordenada com a sequência de operações da execução das alvenarias. poderia permitir a construção posterior da parede interior. obriga à construção da parede exterior em último lugar. fixados ao pano exterior da parede. indeformável e apresentar uma reduzida absorção de humidade (dado que resistência térmica da parede com o aumento do teor de humidade diminui. As placas de isolamento térmico devem estar aprumadas. Apresentam no entanto duas importantes limitações: . apresentam-se em geral em rolos. Esta deverá estar desempenada de forma a facilitar a circulação de ar. A utilização de materiais de isolamento térmico flexíveis sem caixa de ar. A colocação de placas rígidas do isolamento deve ser coordenada com a sequência de operações da execução das alvenarias.02 l MATERIAIS FLEXÍVEIS Os materiais de isolamento térmico flexíveis. o que permite que sejam cortados com a altura da parede a isolar. uma vez que inviabiliza. 05. em geral. tendo por origem a não garantia de total estanquicidade da parede exterior). 05. baixa porosidade e insensíveis à água.60 e1. mas está limitada.O material deve ser imputrescível. pela elevada capacidade de absorção de água destas mantas e pela fragilização da parede exterior nos pontos de fixação.02. o que obriga a inverter a ordem do processo de construção. isto é. com larguras variáveis entre 0. incluindo pequenos ressaltos e reentrâncias. por exemplo. por exemplo. Para uma correcta colocação e garantia.02. As placas devem constituir uma barreira contínua sem juntas verticais ou horizontais abertas entre elas. a partir de andaimes exteriores e com maiores dificuldades na limpeza final da caleira da caixa de ar. Têm como vantagem a facilidade de cobrir todas as zonas irregulares da construção. Estes materiais têm uma maior versatilidade na adaptação a zonas irregulares da construção mas apresentam diversas condicionantes de fixação em zona corrente. de modo a impedir fenómenos de convecção entre as suas duas faces. que poderão constituir zonas preferenciais para a entrada de água.20 m.04.

apesar de totalmente preenchida com material granular. cujas misturas são normalmente efectuadas no local.04. É necessário garantir que o material não sofre qualquer compactação ou adensamento natural com o tempo. sem vazios ou zonas de diferente compacidade (o que é particularmente difícil em paredes com aberturas ou outros elementos singulares). pelo que deve ser utilizado com reserva. que provoque a diminuição do volume que ocupa na caixa de ar.04. A face exterior do pano exterior deve ser impermeável à água mas permeável ao vapor de água.05 l MATERIAIS INJECTADOS Os materiais injectados são constituídos por espumas. O material deve ser imputrescível. O sistema é pouco corrente e apresenta as seguintes condicionantes: É necessário garantir o total preenchimento da caixa de ar. 05. o que. Ao aplicar-se em situações de reabilitação de paredes que não tenham tido qualquer correcção inicial das pontes térmicas. A execução deve ser feita por pessoal especializado que tenha meios para garantir e verificar o integral preenchimento da caixa de ar.02. Esta técnica está reservada em geral a situações de reabilitação em que não é viável a alteração das faces exterior e interior da parede. 05. exige-se a sua total insensibilidade à acção da água. não absorvente e insensível à água. l CORRECÇÃO DAS PONTES TÉRMICAS . mas impedindo que os grânulos de isolante saiam ou obstruam os tubos de drenagem. Deve ser garantida a drenagem do fundo da caixa de ar.04 l MATERIAIS A GRANEL A utilização de isolamentos térmicos a granel obriga ao preenchimento total da caixa de ar. A segunda à dificuldade de garantir uma espessura uniforme da camada isolante. este sistema agravará.A primeira diz respeito à necessidade da construção da parede exterior só após a aplicação do isolante. se torna particularmente difícil nas paredes recortadas ou de geometria irregular e nas paredes com grampeamento entre os dois panos.02. inevitavelmente. recorrendo a equipamento próprio. essa situação. o que poderá ser feito por etapas ou no fim da parede executada antes da execução da última fiada.02. Uma vez que este sistema implica o preenchimento total da caixa de ar. mais uma vez. 05. como já sucedia nos materiais flexíveis.05.

Este tijolo não pode naturalmente ser considerado como um apoio do pano superior. transversal) componentes Dimensões e rugosidade superficial dos componentes de alvenaria. A correcção das pontes térmicas. com uma forra de tijolo furado. . abrangendo também o topo da laje. tendo-se tirado desses estudos algumas conclusões importantes. tijolo furado de 7 cm. é frequente que a laje de piso tenha uma aba saliente (rebordo) em relação ao alinhamento exterior dos pilares e das vigas. as correcções interiores são mais fáceis de executar que as protecções exteriores. Do ponto de vista da execução. Poder de aderência da argamassa. PATOLOGIAS DAS ALVENARIAS 05.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO Inúmeros factores intervêm na resistência final de uma alvenaria a esforços axiais de compressão. dos componentes (longitudinal e de alvenaria e dos da argamassa de da Módulos de deformação alvenaria e da argamassa. A resistência da alvenaria é inversamente proporcional a quantidade de juntas de assentamento. Diversos estudos já foram efectuados em várias partes do mundo. nomeadamente a sua estabilidade dimensional e a eventual libertação de gases nocivos resultantes de solventes. A aprovação da injecção de espumas na caixa de ar implica a verificação prévia das características físicas e químicas da espuma no tempo.06. 05. Nestas situações é particularmente delicada a colocação de tijolo na face exterior da viga. No caso das protecções exteriores. procurando-se correlacionar a resistência final de uma alvenaria com todos os factores mencionados.06. consiste na protecção (interior ou exterior) da estrutura de betão armado e outros pontos singulares da construção que apresentam menor resistência térmica do que as paredes de alvenaria.O projecto deve defin ir com exactidão o tipo de correcção da ponte térmica a executar assim como criar as condições necessárias de aplicação e compatibilização entre os diversos elementos estruturais. tais como: Resistência mecânica assentamento. sendo utilizado com muita frequência.02. Espessura e tipo das juntas adoptadas. que permite o apoio total ou parcial da referida forra da estrutura em alvenaria.02.

podem aparecer fissuras horizontais em ocorrência do esmagamento da argamassa de assentamento (caso bastante raro) ou em ocorrência da ruptura dos próprios componentes de alvenaria (tijolos maciços com pequena resistência a compressão ou blocos vazados horizontalmente. nem com a resistência da argamassa de assentamento De forma geral. esquecendo-se na maioria das vezes que também na região dos vértices nferiores das janelas a concentração de tensões é bastante significativa. As fissuras que se manifestam nas alvenarias. são geralmente verticais originando-se da deformação transversal da argamassa de assentamento e dos próprios componentes de alvenaria. desde que se planeie correctamente o travamento da parede e a transição da dimensão corrente para a dimensão de protecção. uma vez que poderiam constituir um factor de descontinuidade grave na parede com grande probabilidade de fissuração posterior. A resistência da parede não varia linearmente com a resistência do componente de alvenaria. sem o emprego de dispositivos adequados para redistribuição das tensões. pode provocar o esmagamento localizado ou a manifestação de fissuras inclinadas a partir do ponto de aplicação da carga (caso típico de asnas ou vigas apoiadas directamente sobre a alvenaria ou sobre coxins excessivamente curtos). contudo. pode provocar o esmagamento localizado ou a manifestação de fissuras inclinadas a partir do ponto de .Componentes assentes com juntas travadas. Anisotropia dos materiais constituintes. Na prática. A actuação de cargas concentradas nas alvenarias. Na zona dos pilares. Dimensões da abertura e localização da mesma na parede. as fissuras em alvenarias carregadas axialmente começam a surgir muito antes de serem atingidas as cargas limite de ruptura. produzem alvenarias com resistência significativamente superior àquelas. Magnitude das tensões desenvolvidas. A actuação de cargas concentradas nas alvenarias. As fissuras nos contornos dos vãos. decorrentes de sobrecarregamentos. podem assumir diversas configurações em função da influência dos seguintes factores: Dimensões do painel de alvenaria. As forras devem se concluídas antes das alvenarias. Em casos muitos específicos. com paredes muitos delgadas. as dificuldades são menores. onde os componentes são assentes com juntas verticais aprumadas. procura-se combater essa concentração de tensões através da construção de vergas sobre as aberturas. Um factor de primordial importância no fissuramento de alvenarias é a presença de aberturas de portas e janelas. em cujos vértices ocorrem acentuadas concentrações de tensões. sem o emprego de dispositivos adequados para redistribuição das tensões.

que a parcela da flecha oriunda da deformação lenta do betão. provocam deformação lenta. O “Centre Scientifique et Technique de la Construction” propôs num trabalho diversas limitações de flechas para vigas e lajes. Existem formas simplificadas de se considerar a influência da deformação lenta do betão. Em função da intensidade dessas cargas podem surgir fissuras de tracção numa das faces da parede. As deformações da estrutura. o C. desprendimentos de ladrilhos cerâmicos etc. tendem a introduzir nesses componentes esforços de tracção e de cisilhamento (corte) provocando fissuras com diversas configurações.06. 05. Os componentes estruturais podem admitir flechas que não comprometem em nada a estabilidade da construção e mesmo estética do componente flectido. é a manifestação de fissuras horizontais em alvenarias portantes da ocorrência da actuação de cargas verticais excêntricas ou cargas horizontais. propõe uma formulação bastante completa para a previsão da curvatura de componentes flectidos. . fissuramento de tectos e pisos. . Ao que tudo indica. em ultima instância. embora não muito frequente. ruptura de placa de vidro pela sobrecarga sobre os caixilhos. A deformação (flecha) de componentes estruturais podem provocar avarias de diferentes ordens como o emperramento de caixilhos. já que a mesma é solicitada à flexão – compressão.02. a retracção e a deformação lenta do betão. Uma outra forma simplificada. os componentes das edificações mais sensíveis à deformabilidade das estruturas são as alvenarias. seja equivalente ao dobro da flecha instantânea.E. levando em conta a natureza dos componentes apoiados sobre essas peças estruturais e a parcela da flecha desenvolvida após a instalação da carga transmitida pelo componente Levando em conta a fissuração.B. é aquela onde se considera. entretanto. na curvatura final de um componente flectido. podem ser incompatíveis com o bom comportamento de paredes ou outros componentes que se apoiam sobre as peças flectidas.aplicação da carga (caso típico de asnas ou vigas apoiadas directamente sobre a alvenaria ou sobre coxins excessivamente curtos) Um último caso que se pode ainda citar. considerando inclusive a influência de factores tais como a humidade do ambiente e a idade do betão por ocasião da colocação em serviço do componente estrutural.02 l FISSURAS PROVOCADAS POR DEFORMABILIDADE DAS ESTRUTURAS DE BETÃO ARMADO As estruturas de betão armado deformam-se naturalmente sob acção das cargas permanentes e das cargas acidentais. Essas flechas. de forma geral. calculada para cargas permanentes e que..

analisa diversas propostas de correlações entre esses parâmetros. mas advertindo para o perigo de pseudo-correlações. com particular interesse para estacas agrupadas. De uma maneira geral. em maior ou menor proporção. Para o caso de estacas. Schmertmann. o que conduz a uma acentuada redução de inércia da peça flectida. constituindo-se ainda hoje um grande desafio para a Mecânica dos Solos. etc. As flexões diferenciadas entre vigas em balanço. se deformam. No caso destas deformações serem significativamente diferentes ao longo do plano das fundações de uma obra. a tentativa de estima-los com base na previsão do módulo de deformabilidade (E) ou do coeficiente de reacção do solo (Ks) a partir de ensaios de penetração dinâmica (SPT) ou ensaios de penetração estática (Rpr deepsounding). na falta de indicações mais precisas. origina que tensões de grande intensidade serão introduzidas na estrutura. o interesse recai quase que invariavelmente nos assentamentos diferenciais.03 l FISSURAS PROVOCADAS POR FUNDAÇÕES RECALQUES DIFERENCIADOS DAS Os solos são constituídos basicamente por partículas sólidas. todos os solos. 05.02. devido aos inúmeros factores intervenientes.). conforme indicado na. A determinação dos assentamentos absolutos que ocorrerão numa fundação é tarefa bastante difícil. provocando o aparecimento de fissuras. poderse-á dizer que existem boas teorias para os cálculos de recalques de placas rasas ou profundas (Terzaghi. o que nem sempre é viável do ponto de vista económico. Uma das primeiras dificuldades que se apresentam é a determinação da parcela da flecha que se desenvolve após a fissuração do betão.06. A rigor. Sob efeito de cargas externas. Como no caso das fissuras. pelo que se entende válido. a teoria de (Davis e Poulos) parece ser uma das mais actualizadas e respeitadas. Abstraindo-se da dificuldade de se estimarem valores precisos de E ou Ks. “Vítor Mello”.No caso de vigas em consola. tendem a provocar a fissuração horizontal de paredes localizadas na extremidade da consola A previsão correcta das flechas que ocorrerão nos componentes estruturais é tarefa praticamente impossível de ser realizada. água. julgando como muito promissor o emprego de Rpr para previsão de assentamentos. só poderiam ser efectuadas através de provas de carga ou de ensaios de laboratório relativamente sofisticados. as fissuras provocadas por assentamentos diferenciais manifestam-se de forma semelhante aquelas produzidas por excessiva . ar e não raras vezes por materiais orgânico. Skempton. a flexão normalmente provoca o aparecimento de fissuras de cisalhamento no painel de alvenaria e o destacamento entre a alvenaria e a estrutura. estimativas razoavelmente precisas. para dois pavimentos consecutivos.

. pois todos os trabalhos de recuperação ou reforço por melhor que tenham sido executados não deixam de ser um remendo. havendo a tendência de formação de fissuras com configuração indicada. sendo que nem sempre resolvem os problemas em definitivo. controle de recepção dos materiais e componentes.deformabilidade da estrutura.07 l MEDIDAS CORRECTIVAS Por falta de informação. excesso de arrojo ou negligência. calendários ou qualquer outra camuflagem. Falhas de betonagem de estacas moldadas in situ Atrito negativo desenvolvido pelo lançamento de aterros e pelo adensamento de camadas de argila.02. A execução de obras a em prazos excessivamente curtos e as medidas pretensamente económicas tomadas por alguns construtores e agentes promotores contribuem de forma intensa para a má qualidade final do produto. parte das fissuras nasce conjuntamente com o projecto da obra. Os assentamentos diferenciais em fundações profundas podem ocorrer por diversos motivos. poderiam de alguma forma minimizar o problema. Não consideração do efeito de grupo de estacas. O reconhecimento de que as movimentações dos materiais de construção. A adopção de sistemas diferentes de fundação numa mesma obra. podendo-se citar: Estimativa incorrecta do atrito lateral mobilizado. Assim sendo. Controle deficiente das negas de cravação. 05. Assentamentos diferenciais podem surgir mesmo ao longo de um componente com trechos diferentemente carregados. fiscalização eficiente da obra etc. As obras de reparação. prevenindo a ocorrência de fissuras através de bons projectos.. conduz geralmente a assentamentos diferenciais. ou sobre aterros mal compactados. A direcção em que ocorrer a maior movimentação da fundação normalmente é indicada pela inclinação da fissura ou mesmo pela variação de abertura verificada ao longo de sua extensão. especificações correctas e exaustivas dos materiais a serem empregues. ocorrem em edificações assentes sobre secções mistas. são geralmente difíceis e dispendiosas. e da obra como um todo é inevitável. umas das melhores soluções que tivemos para o problema é aquela sugerida por Pfeffermann e que consiste em encobrir-se as fissuras com quadros. o mesmo ocorrendo para obras dotadas de um corpo principal (mais carregado) e de um corpo secundário (menos carregado). Caso isso não ocorra. Os casos mais frequentes de fissuras devidas a assentamentos. parece-nos prudente que os profissionais ligados à construção actuem directamente sobre as causas do problema. retratos.

No caso das argamassas. O revestimento endurecido empola progressivamente. podem-se observar nas edificações os seguintes fenómenos. Estes fenómenos podem apresentar-se como resultados de uma ou mais causas actuando. adições. Má aplicação do revestimento. sílicocalcárias. bem como os problemas apresentados pelas fissuras de per-si.01. prejudiciais ao aspecto estético de paredes e tectos: A pintura acha-se parcial ou totalmente fissurada. Tipo e qualidade dos materiais utilizados no preparo da argamassa de revestimento. movimentação de estrutura.03. sobre a argamassa de revestimento. de entre os quais se podem citar: Factores externos ao revestimento.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO 05. devem conhecer-se os desempenhos das matériasprimas. em placas A superfície do revestimento apresenta fissuras de conformação variada. e as suas No nosso meio é utilizada como agregado a areia natural.03.03. dilatações térmicas diferenciadas. descolando do emboco. 05. A argamassa do revestimento descola inteiramente da compactas ou por desagregação completa.03 l ARGAMASSA DE REVESTIMENTO Independentemente de sua idade. A superfície do revestimento apresenta vesículas com descolamento da pintura.01 l CAUSAS DECORRENTES DA QUALIDADE DOS MATERIAIS UTILIZADOS No estudo de qualquer produto. alvenaria.02 l AGREGADOS A areia é o constituinte em maior abundância na argamassa características influenciam fortemente as propriedades deste produto. ligantes. resultantes de causas como assentamento de fundação.01. Má proporção dos componentes das argamassas. Há formação de manchas de humidade com desenvolvimento de bolor. falamos de agregados. descolando da argamassa de revestimento. São particularmente . 05. Há formação de eflorescências na superfície da tinta ou entre a tinta e o revestimento. Estão excluídas desta análise as fissuras de revestimento. ou calcárias) e características (roladas ou britadas). essencialmente de origem quartezítica.05. podendo este material ter as mais diversas origens (siliciosas. adjuvantes e água potável.

em percentagens superiores a 5% da dosagem de ligante. mas todos têm em comum. A presença de areias reactivas. mica. corantes (diversos óxidos). A desagregação do revestimento por sua vez. hidráulicas (escórias de alto-forno). destinados a melhorar desempenhos e poderão distinguir-se entre pozolânicas (cinzas.03. observando-se no interior de cada vesícula um ponto escuro. São normalmente de natureza pulverulenta.03 l LIGANTES Como a designação sugere. são igualmente produtos que se poderão adicionar às argamassas. a podem empregar-se um conjunto de produtos diferentes como cimentos compostos (tipo II).03. polímeros (epoxis) e fibras (de vidro não reactivas. respectivamente da hidratação de argilo-minerais ou de matéria orgânica. A matéria orgânica pode ser a causa de formação de vesículas de esporos.prejudiciais as impurezas. quanto à finura que regulará os níveis de retracção por secagem. tais como: aglomerados argilosos.01. cimentos brancos. concreções ferruginosas e matéria orgânica. e na presença de água. pirite.03. 05. mas sim. pozolanas naturais e sílicas de fumo). com formação de gel e degradação das argamassas e pinturas sobre rebocos.04 l ADIÇÕES São produtos que em algumas situações se poderão adicionar durante a confecção das argamassas. A expansão. cimentos refractários. um processamento de cozedura que lhe dá as características de produzirem com a água uma pasta que irá endurecendo progressivamente. A retracção nas primeiras 24 horas é controlada pela retenção de água que. com excesso de finos na areia ou de mica em quantidade apreciável. 05. A mica pode também reduzir a aderência do revestimento à base de duas camadas entre si.05 l ADJUVANTES Tal como as adições. ou de polipropileno). tem como causa a presença de torrões argilosos. por sua vez é proporcional ao teor de finos.01.01. que . pode levar à alteração do ligante cimento (reacções silico-alcalinas). pode ser resultante da formação de produtos de oxidação da pirite e das concreções ferruginosas-sulfatos e óxidos de ferro hidratados. estes constituintes têm a função de ligar os grãos de areia entre si. Não existe inconveniente quanto ao tipo de cimento. mas em percentagens inferiores a 5% da dosagem de ligante. em idades maiores. Mas. cais aéreas hidratadas e cais hidráulicas. 05.

O revestimento mantém-se aderente apenas nas regiões correspondentes às juntas de assentamento. ou na retenção da água. uma camada de revestimento aplicada sobre outra impregnada de um produto orgânico. uma superfície de betão impregnada por descofrante ou uma camada de chapisco contendo um produto hidrófogo. Descolamento com Pulverulência Cura do revestimento. retracção aumenta como teor de finos.03 l MEDIDAS PREVENTIVAS Para além das soluções de reparação propostas no quadro 1.07 l CAUSAS DECORRENTES DO MODO DE APLICAÇÃO DO REVESTIMENTO Independentemente do número de camadas de argamassas aplicadas.06 l CAUSAS DECORRENTES DO TRAÇO DA ARGAMASSA Observa-se fissuração e descolamento quando a argamassa é excessivamente rica em cimento (proporção). costuma-se adicionar aditivo incorporador de ar às argamassas de cimento. Como medidas preventivas na fase de concepção / construção poder-se-ão destacar as seguintes: Limpeza eficiente do suporte. se referem. da resistência ao gelo. o processo de cura deverá consistir na humidificação homogénea das . ou da qualidade dos materiais empregues. é essencial que existam condições de aderência do revestimento à base. corrigindo situações menos boas. à que ter atenção aos seguintes aspectos que. Consequentemente.servirão também para melhorar o desempenho destas. pode apresentar problema de aderência.03.03. de seguida. bem como da homogeneidade dessas propriedades. no caso da argamassa ser aplicada em tempo quente e seco. excepção feita à de chapisco. o qual impede a penetração da nata do aglomerante. na alteração da velocidade de presa ou de endurecimento. da plasticidade.03. 05.01. Outra causa a ser citada é a ausência de rugosidade da camada de base. condição agravada quando aplicada em espessura maior do que 2 cm. Outra alternativa é a de adicionar-se cal hidratada que aumenta o teor de finos. nos domínios da impermeabilização. De modo a contornar o problema. devendo os paramentos ser convenientemente lavados antes da aplicação. vai depender da textura e da capacidade de absorção da base. Cita-se como exemplo. Assim. melhorando a retenção de água e a trabalhabilidade do conjunto.01. A aderência dá-se pela penetração da nata do aglomerante nos poros da base e subsequente endurecimento. 06. 05.

podendo se analisar a intensidade das movimentações em função dos limites extremos de temperatura a que estará submetido o componente e em função do coeficiente de dilatação térmica linear do seu material constituinte. por forma a evitar – se a desidratação. De forma prática. A prevenção dos problemas de revestimento pode ser feita em duas frentes: Dos conceitos básicos sobre argamassa – preparação e aplicação e os seus materiais constituintes Certificação de qualidade dos materiais. O comprometimento da durabilidade da obra. pela má qualidade do produto. Fissuras inclinadas em paredes devidas a movimentações diferentes entre pilares expostos e pilares protegidos. podendose. Fissuras Provocadas Construção. parecenos particularmente importante o problema da fissuração. sob efeitos das movimentações diferenciadas. isto é. se do construtor. . 05. auxiliar no julgamento da responsabilidade do dano observado.superfícies durante as 72 horas seguintes à execução. verificar o efeito de sua deformação sobre componentes vizinhos. assumem diversas configurações e diferentes intensidades: Destacamentos e entre panos de alvenaria e estrutura. por Variações do Teor de Humidade dos Materiais de As alterações de humidade dos materiais porosos provocam variações dimensionais nos elementos e componentes da construção.04 l FISSURAÇÃ O EM EDIFICAÇÕES Dentre os inúmeros problemas patológicos que atingem as edificações. As tensões desenvolvidas no material poderão ser estimadas com base no seu módulo de deformação e nas condições de contorno do componente. As lesões verificadas em obras. Fissuras horizontais em alvenaria resistente devida a movimentações térmicas da placa de cobertura. a temperatura da superfície do componente exposta a radiação solar pode ser estimada a partir da temperatura do ar e da cor desta superfície. O aumento da humidade repercute-se numa expansão e a diminuição da humidade numa retracção do material. devido a três aspectos fundamentais: O aviso de um eventual estado perigoso. Fissuras verticais regularmente espaçadas em muros longos. pela utilização dos materiais escolhidos. de maneira análoga. se do fabricante.

previstas ou não em projecto. Materiais cerâmicos normalmente apresentam pequenas movimentações reversíveis com as variações de humidade e de temperatura. Quantidades de água adicionais aos produtos à base de cimento.3 mm. uma relação água – cimento de aproximadamente 0. considerando-se que cerca de 22% a 32% de água seria necessária para que se processasse a reacção química completa (estequeométrica) e que uma quantidade adicional em torno de 15% a 25% seria necessária para formação do gel. Em 1950. a água combinada quimicamente sofre uma contracção de cerca 25% do seu volume (esta é a chamada retracção química). Nos produtos à base de cimento. A ocorrência de fissuras num determinado componente de betão armado provoca uma redistribuição de tensões ao longo do componente fissurado e .). ou 0. A actuação de sobrecargas. por efeito do ganho de humidade. e que excedam os 40% mencionados. apresentando traçado descontínuo e sendo de largura reduzida (raramente ultrapassando os 0. Aparecem em geral durante o primeiro verão que se segue à conclusão da execução das alvenarias. ficando delimitadas a um certo intervalo. evaporando-se posteriormente provocando o fenómeno conhecido da retracção . As movimentações irreversíveis. dependendo fundamentalmente da natureza dos argilo – minerais presentes na matéria-prima e das condições de queima do tijolo.As fissuras de retracção são quase sempre verticais ou pouco inclinadas em relação à vertical. Para os materiais de construção que apresentam contracção inicial por secagem. pesquisas efectuadas na Austrália e nos EUA mostraram que expansões irreversíveis de grande intensidade podem ocorrer em tijolo cerâmico. mesmo no caso de se secar ou se saturar completamente o material. é idêntico ao analisado para as movimentações provocadas por variações térmicas. ruptura ou instabilidade do componente.40 é suficiente para que ocorra a hidratação completa do cimento. O mecanismo de formação das fissuras por variação do teor de humidade. As movimentações reversíveis ocorrem por variações do teor de humidade do material ao longo do tempo. A reacção química entre o cimento e a água ocorrem com redução de volume. os movimentos irreversíveis são superiores aos reversíveis. necessariamente. permanecem livres no interior da massa. de forma geral. são aquelas que ocorrem geralmente logo após a fabricação do material e originam-se da perda ou ganho de água até que se atinja a humidade higroscópica de equilíbrio.2 mm. entretanto. devido a grandes forças interiores de coesão. pode produzir a fissuração de componentes de betão armado sem que isto implique. Essas expansões começam a ocorrer imediatamente após a queima do produto e tendem a estabilizar-se após longos períodos de tempo.

seja pela magnitude das tensões desenvolvidas ou mesmo pelo próprio comportamento. . é aquele resultante da torção da viga. as fissuras inclinam-se a deformabilidade e da durabilidade da estrutura. principalmente no que se refere ao perigo de ocorrência de corrosão das armaduras. Em função de eventual sub-dimensionamento da armadura. procurando-se somente limitar esta fissuração em função de requisitos estéticos e/ou em função da Levando em conta as tensões de serviço. os módulos de deformação longitudinal do aço e do betão. manifestam-se fissuras inclinadas junto aos apoios. conjunto do sistema estrutural adoptado. já que existem casos em que é limitada a possibilidade de redistribuição das tensões. e apresentam aberturas gradativamente maiores em direcção a face inferior da viga. Neste caso. falhas de betonagem. desaprumos excessivos ou mesmo por movimentações acentuadas do vigamento (deflexões e/ou dilatações). as fissuras inclinam-se aproximadamente a 45 graus. os componentes flectidos são em geral dimensionados prevendo-se a fissuração do betão em regiões tracionadas. taxa geométrica da armadura. Junto aos apoios. Nas vigas deficientemente armadas contra o esforço de corte. provocada por excessiva deformabilidade de lajes ou vigas que lhes são transversais. foram desenvolvidas diversas teorias com a finalidade de preverse o espaçamento médio entre fissuras e suas aberturas mais prováveis em componentes de betão armado submetido a flexão ou tracção pura. Nas vigas altas esta inclinação tende a ser da ordem de 60 graus. A manifestação de fissuras em pilares de betão armado é um facto bastante raro. em geral. bastante inferiores às tensões últimas.mesmo nos componentes vizinhos. podem surgir nos pilares algumas fissuras características. associadas a coeficientes empiricamente determinados e factores probabilísticos. onde se encontram as fibras mais tracionadas. Essas formulações teóricas. seja pelo critério de dimensionamento da peça. conduzem a estimativa bastante precisas do nível de fissuração das peças. Para os casos comuns de estrutura de betão armado.). recobrimento da armadura. por recalques diferenciados das fundações ou mesmo pela acção de sobrecargas como aquelas transmitidas por marquises. já que as tensões instaladas nesses componentes são. As fissuras que ocorrem numa viga flectida são praticamente verticais no terço médio do vão. Obviamente que este raciocínio não pode ser estendido indiscriminadamente. etc. de maneira que a solicitação acaba sendo absorvida de forma globalizada pela estrutura ou parte dela. devido à influência dos esforços cortantes. Um tipo característico de fissuramento de vigas em betão armado. o coeficiente de deformação superficial da armadura e diversas outras características geométricas (diâmetro das barras tracionadas. podendo ou não ocorrer as fissuras de flexão no meio do vão.

05. é um dado importante para a elaborações de diagnósticos. Humidade de condensação. decorre normalmente em três fases distintas. que permitam identificar as respectivas causas no sentido de propor soluções para a sua reparação.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO A maioria dos materiais empregues na construção de edifícios ou em acções de reparação necessitam de água para a sua confecção. como é o caso dos tijolos na execução de alvenarias. tais como os tijolos ou o betão. 06. Humidade devida a fenómenos de higroscopicidade. ocorrendo normalmente de uma forma bastante rápida A segunda dá-se pela evaporação da água existente nos poros de maiores dimensões dos materiais. importantes e muitas vezes um edifício pode no curso da construção vir a acumular um número significativo de litros de água em excesso Alguma desta água evapora rapidamente. como por exemplo as argamassas e os betões. .05. Humidade devido a causas fortuitas. A primeira consiste na evaporação da água superficial dos materiais. duma forma geral. O conhecimento das formas de manifestação destas patologias. O processo de secagem de materiais porosos.conforme indicados na aproximadamente 45 graus superfícies laterais da viga segundo rectas reversas. mas uma quantidade substancial demora bastante tempo a fazê-lo. sendo este um processo mais demorado na medida em que a água que está contida no interior dos materiais tem de atravessar os poros sob a forma líquida ou de vapor até atingir a superfície. constituem umas das acções mais gravosas e correntes nos nossos dias. No sentido de facilitar a exposição dividimos os vários tipos de manifestações da humidade em cinco grupos: Humidade de construção. Estes problemas originam condições de insalubridade significativas para os residentes.01. ou para a sua colocação. Humidade de precipitação. contribuindo também para uma acelerada deterioração dos materiais.01 l HUMIDADE DE CONSTRUÇÃO 05. Humidade do solo. nas suas variadas formas de manifestação. 05.05 l HUMIDADES e aparecem nas duas Os problemas de humidade que tantos afectam os edifícios. As quantidades de água introduzidas por essa via são.

Intervalos de tempo inferiores a menosprezadas.05. um fenómeno limitado no tempo. estas últimas motivadas pelo facto da condutibilidade térmica dos materiais variar em função do respectivo teor de água. devidas quer à evaporação da água existente. por definição. o que aumenta ainda mais o respectivo teor de água. na tentativa de remover a água em excesso que ocorreu durante o processo construtivo. Em países com um clima ameno. Torna-se difícil fixar um padrão de variação dos teores de água das paredes para este tipo de manifestações. 06. A humidade de construção pode dar origem à ocorrência de anomalias generalizadas ou localizadas. Por outro lado. em geral. No primeiro caso água ao evaporar-se pode provocar expansões ou destaques de alguns materiais ou em virtude de fazer diminuir a temperatura superficial dos materiais. decorrendo muitas vezes ao longo de vários anos. As reparações a efectuar nos elementos afectados pelas manifestações de humidade de construção. só devem ser executadas após se ter procedido à secagem completa das paredes. como é o caso de Portugal.A terceira dá-se pela evaporação da água existente nos poros de menores dimensões. quer exteriores quer interiores. decrescendo ao longo do tempo mais rapidamente nas primeiras do que nas segundas. sendo este processo extremamente lento. na medida em que ele vai variando ao longo do tempo. Duma forma geral as anomalias devidas a este tipo de humidades cessam ao fim dum período mais ou menos curto. os materiais e os edifícios ainda em fase de construção estão sujeitos à acção directa da chuva.05. dar origem à ocorrência de condensações. Assim As zonas de humedecimento atingem. toda a superfície das paredes.01. as anomalias devidas a humidade de construção não são muito frequentes.02 l MEDIDAS PREVENTIVAS O dado essencial para um diagnóstico de humidade de construção é o conhecimento da data em que as obras de construção ou de reparação tiveram lugar. as medidas a tomar para facilitar a evaporação da água em excesso dos materiais devem ter sempre como objectivo garantir que a humidade relativa do . No segundo caso podem ocorrer manchas de humidade ou condensações.01. o qual é função das características e do tipo de utilização do edifício em causa e da região climática em que se insere. quer ao simples facto de os materiais terem um teor de água superior ao normal. Assim. 05. se tiverem sido tomadas as precauções mínimas que é corrente serem observadas na construção de qualquer edificação. As soluções de reparação a utilizar em casos deste tipo devem ser orientadas no sentido de criar de condições ambientes que favoreçam a secagem das paredes.03 l MEDIDAS CORRECTIVAS A humidade de construção é.

ar em contacto com a parede seja o mais baixa possível. permite que ar relativamente seco esteja permanentemente em contacto com as paredes humedecidas.05. A utilização destes equipamentos só tem sentido se mantiverem todas as janelas fechadas. as quais conduzem a um acréscimo da humidade relativa do ar.05. melhorar as condições de secagem de paredes húmidas. contribuindo de uma forma negativa para os objectivos cm causa. Este facto pode ser aproveitado para. 1 ou 2 anos indicam que se pode estar em face de uma manifestação deste tipo de humidades. designadamente no que se refere ao binómio humidade relativa/temperatura do ar exterior. Este objectivo pode ser alcançado através das seguintes medidas: Reforço da ventilação dos ambientes – este é o método mais eficaz e mais económico de secagem de paredes. 05. provoca a libertação de quantidades apreciáveis de vapor de água. Aumento da temperatura do ar – o aumento de temperatura do ar provoca a diminuição da respectiva humidade relativa. em conjunto com o reforço de ventilação referido anteriormente. ter em conta que o aquecimento dos locais só deve ser efectuado em conjugação com uma ventilação eficiente.02. a humidade existente no solo tende a penetrar pela parte inferior das fundações e pelos . Diminuição da humidade relativa do ar – A diminuição da humidade relativa do ar pode ser forçada através da utilização de desumidificadores que retiram água do ar. Por outro lado. o que por si só não significa que não possam ocorrer outras anomalias provocadas ou não por aquela causa. sendo a sua eficácia aumentada em termos de secagem das paredes se forem aplicados em conjunto com aquecedores.02 l HUMIDADE DO SOLO 05. Naturalmente. de forma a criar correntes de ar. na medida em que a combustão daquele gás. permite que se estabeleça um equilíbrio que torna desnecessário mover os equipamentos para os vários locais afectados . Assim poder-se-ão utilizar aquecedores destinados a aumentarem a temperatura do ar ambiente. A abertura das portas de comunicação entre os vários compartimentos que se pretendam secar. a utilização de aparelhos de gás butano para aquecimento ambiente é totalmente contraindicada. É importante. este tipo de procedimento só é exequível em condições climáticas favoráveis. mantendo todas as outras fechadas. favorecendo-se desta forma o processo de secagem. A simples abertura de janelas. no entanto.01 ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO Nas paredes dos pisos térreos e paredes de caves não protegidas. em especial quando o diferencial das temperaturas interior e exterior for baixo.

02 l MEDIDAS PREVENTIVAS As grandes dificuldades de ordem técnica e económica.paramentos em contacto com o solo. dá origem a criptoflorescências. variando. A ascensão da água nas paredes é função da porometria dos materiais. Quando a água que atingiu as superfícies das paredes se evapora. indicam-se os princípios gerais a seguir: Procurar não construir em terrenos alagados. quer horizontalmente. A água pode existir no solo em zonas bem localizadas. após terem sido dissolvidos pela água são transportados através da parede através do fenómeno de capilaridade. .02. quando a deposição dos sais e respectiva cristalização ocorre sob os revestimentos de parede. justificam plenamente que se tomem nas fases de projecto e execução. da quantidade de água em contacto com a parede e das condições de evaporação de água nos materiais. os sais cristalizam e ficam aí depositados. as medidas preventivas necessárias para suprimir ou minimizar essas anomalias. Inexistência ou deficiente posicionamento de barreiras estanques nas paredes. quer ascendendo por capilaridade. provocando a colmatação dos poros e consequentemente uma redução da permeabilidade Quando a cristalização dos sais ocorre sobre a superfície da parede. A água superficial é frequentemente devida a uma recolha defeituosa da água das chuvas e a ruptura de canalizações de águas e esgotos. Sem a preocupação de ser exaustivo. que se põem na reparação de construções afectadas por humidades do solo. vindo posteriormente a manifestar-se na parte não enterrada da alvenaria Assim na ausência de barreiras de protecção. este fenómeno dá origem à formação de eflorescências. Drenar as águas afastando-as das fundações. as quais correspondem diferentes sintomatologias e reparações: águas superficiais e águas freáticas. de acordo com a origem.05. Os sais existentes no terreno e nos materiais de construção. Constituição das paredes com materiais de elevada capilaridade. as migrações de humidade verificam-se nas seguintes condições: Existência de zonas de parede em contacto com a água do solo. A espessura das paredes é directamente proporcional à altura de água atingida pela humidade. constatando-se que existem basicamente dois tipos de fontes de alimentação de água às paredes. as manifestações de humidade nas paredes. 05.

torna-se mais denso e escoa-se para o exterior ao longo da face inferior do furo.03. polietileno.05.03 l HUMIDADE DEVIDA A FENÓMENOS DE HIGROSCOPICIDADE 05. é essencial a sua ligação mútua de forma a eliminar quaisquer pontos de infiltração de humidade. cobre. a solução mais eficiente será reparar a avaria. Os materiais usados são diversos: feltros betuminosos. resinas de poliéster. tornando-se então necessário recorrer a Execução de simples furos de arejamento dispostos em quincôncio e inclinados de 20 a 30 graus com horizontal. não sendo ainda de excluir combinações de diferentes processos. tratando-se em geral de reparações elementares exigindo. e outras impedindo o acesso de humidades as paredes. Utilização de materiais densos e poucos permeáveis nos elementos de construção em contacto com o solo. Injecção de produtos impermeabilizantes numa fiada de orifícios abertos na parede. que é naturalmente criada entre o terreno e a parede quando da humidificação desta. pois verifica-se frequentemente pontos de má vedação nas zonas enterradas. técnica que nem sempre se revela satisfatória ou viável. O ar seco que entra no orifício carrega-se de humidade.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO . método este que por meio duma diferença de potencial criada entre eléctrodos inseridos na parede húmida e outros enterrados no solo. como acontece na maioria das manifestações devidas a águas superficiais.Interposição de revestimentos estanques horizontais e verticais. além da drenagem do terreno. etc. dá origem a uma descida de água na parede. inventado por Knapen e largamente difundido. Este processo. Quando se apliquem revestimentos estanques.03 l MEDIDAS CORRECTIVAS Se a origem da humidade é acidental.05.02. podem empregar-se varias técnicas. Entre as primeiras destacam-se as seguintes: A medida preventiva mais eficaz consiste em realizar e manter uma drenagem conveniente no solo de fundação.05. Inserção de membranas impermeabilizantes em fendas horizontais abertas na parte inferior das paredes. chumbo. Electro-osmose. Além das técnicas acabadas de enumerar existem outras. Para o tratamento das paredes em elevação afectadas por água freática. 05. Este sistema. alguma atenção. baseia-se na inversão da tensão. A realização de juntas de construção ou dilatação deve ser muito cuidada. Execução de valas em caves situadas abaixo do nível freático. 05. é apesar disso muito criticado por alguns estudiosos. umas realizando ou favorecendo a secagem.

encontrando-se associadas a degradação do revestimento das paredes. e implicam em geral a existência de um outro tipo de anomalia. se as paredes forem humedecidas os sais dissolvidos acompanharão as migrações da água até às superfícies onde cristalizarão designadamente sob a forma de eflorescências e criptoflorescências. em virtude de os materiais apresentarem elevadas concentrações de cloreto de sódio. Estas manifestações podem ocorrer durante lodo o ano. tendo sido extinto com recurso a água salgada. propiciando a ocorrência de diversos ciclos de dissolução-cristalização dos sais. As anomalias devidas a fenómenos de higroscopicidade são caracterizadas pelo aparecimento de manchas de humidade em locais com fortes concentrações de sais. A existência de sais no interior das paredes não é. mas que no entanto tenha criado as condições propicias para a realização do fenómeno. O diagnóstico efectuado mostrou que a causa das anomalias era a ocorrência de fenómenos de higroscopicidade. em circunstâncias correntes.02 MEDIDAS PREVENTIVAS Neste caso as soluções passam por em manter a humidade relativa em valores elevados ou baixos (fora do intervalo 65-75 %). quando a humidade relativa está acima de 65-75%. especialmente em locais ricos em matérias orgânicas. assim como nos solos. proveniente da água utilizada no combate ao incêndio. têm a propriedade de absorverem humidade do ar dissolvendo-se. mesmo no Verão. Verificou-se que determinados paramentos de paredes e de tetos duma dada zona se desagregavam continuamente. em períodos em que se verifica uma elevada humidade relativa do ar. .Um grande número de materiais de construção apresenta na sua constituição sais solúveis em água. resultantes dos aumentos de volume que acompanham a sua cristalização. Estes sais são susceptíveis de provocarem não só o humedecimento das superfícies sobre as quais se encontrem mas também darem origem anomalias de grande significado. no entanto. conforme for mais razoável e as condições opermitam. que pode eventualmente já ter cessado. ao ponto de dificultarem uma utilização normal dos espaços. isto é. Como se sabe as condições ambientes dum determinado espaço podem variar bastante e várias vezes ao longo do dia. 05. voltando a cristalizar proporcionando um aumento significativo de volume quando a humidade relativa baixa daqueles valores. Importa realçar a semelhança existente ao nível visual. Alguns destes sais são higroscópicos. particularmente gravosa. o que é susceptível de criar algumas dificuldades no processo de diagnóstico. entre este tipo de anomalias e as resultantes de fenómenos de condensação superficial. È o caso por exemplo de um edifício em Lisboa que sofreu um incêndio.05.03. em consequência da sucessão de ciclos dissolução – cristalização.

05.03.05.03. embebido em água destilada colocado sobre as zonas afectadas.05. que se efectua.03 l CONTROLO DA HUMIDADE RELATIVA DO AR Procede-se ao controlo da humidade relativa do ar em contacto com as zonas afectadas para que esta seja sempre inferior ou superior a 65-75%. sejam impermeáveis ou de muito baixa permeabilidade ao vapor de água e que não fiquem em contacto com as zonas afectadas das paredes existentes 05.03. afastados alguns centímetros da existente.05.03. passando-se a sua apresentação sumária.04 l HUMIDADE DE CONDENSAÇÃO . essa operação constitui um tipo de intervenção bastante eficaz.Desta forma os sais higroscópicos permanecerão respectivamente sempre cristalizados ou dissolvidos. A solução consiste quer na execução duma nova parede pelo interior.03. diminuindo dessa forma a sua concentração nas zonas superficiais das paredes. os sais vão sendo transferidos para as compressas.03.02 l SUBSTITUIÇÃO DOS ELEMENTOS AFECTADOS Sempre que seja viável a substituição dos elementos afectados por outros novos. 05. sempre que se pretenda preservar o aspecto das superfícies em que elas ocorrem. Por acção da humidade. em geral. apenas em paredes que apresentem um valor artístico. Este tipo de operação. desde que haja preocupação em assegurar que os novos materiais.05. 05.03 l MEDIDAS CORRECTIVAS As anomalias provocadas por humidade devida a fenómenos de higroscopicidade são de uma forma geral as de mais difícil resolução. quer na aplicação de revestimentos de parede especiais. não exercendo a sua acção destrutiva devida à sucessão de fenómenos de dissolução/cristalização. é efectuado utilizando compressas de algodão ou de papel absorvente.03.03.05.03 l OCULTAÇÃO DAS ANOMALIAS Trata-se de uma forma prática e económica de resolver este tipo de problemas. 05. 05.01 l REMOÇÃO DOS SAIS HIGROSCÓPICOS A remoção dos sais higroscópicos é um tipo de operação extremamente delicado.05.03. Em termos gerais são quatro os tipos de soluções destinados a corrigir estas patologias.

A ventilação das edificações é uma necessidade muitas vezes mal compreendida. A quantidade máxima de vapor de água que o ar pode conter. nos paramentos interiores das paredes. é limitada. decorre do facto de existir no ar uma quantidade de vapor de água igual ou superior. em especial nas condições em que é mais necessária. Isolamento térmico das paredes (que contactem com espaços mais frios).04. variando na razão directa da temperatura. especialmente nos períodos de Inverno. cozinha.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO O ar é constituído por uma mistura de gases e por vapor de água. as superfícies interiores dos componentes tendem a apresentar temperaturas mais baixas que a temperatura do ambiente. por extensão. Este receio é completamente infundado. nalguns casos mesmo em condições de saturação.05. considerando a produção intensa de vapor nos ambientes (casa de banho. (paredes heterogéneas a elementos estruturais. facilmente são geradas situações em que ocorre o fenómeno de condensação superficial nos componentes. designadamente em zonas de pontes térmicas. Na realidade. Em resumo e em termos genéricos.). generalizadas ou localizadas. causa alguma preocupação aos utentes dos espaços o permitir que o ar frio e por vezes muito húmido do exterior. ou seja no período de Inverno. Ventilação dos locais. Com efeito. das quais depende a produção de vapor nas edificações. Nessas condições. aquela que o ar poderia conter na temperatura a qual se encontra. estes fenómenos podem também ocorrer em paredes interiores. da humidade relativa da massa de ar que preenche as edificações. isto é. etc. o ar frio e húmido do exterior é aquecido em contacto com o ar interior. como é o caso das situações muito correntes de anomalias nas paredes de instalações sanitárias. a ocorrência de condensações superficiais em paredes depende dos seguintes factores: Condições de ocupação. Se bem que na maioria dos casos as paredes afectadas sejam as exteriores. respectivamente. Toma-se portanto essencial proceder a uma correcta ventilação dos espaços de forma a conduzir para o exterior o excesso de vapor de água. parapeitos. Os sintomas associados aos fenómenos de condensação superficial manifestam-se através do aparecimento de manchas de humidade e de bolores. Esse fenómeno. provocando esse acréscimo de temperatura uma consequente diminuição da sua humidade relativa e. etc). por troca com o ar interior.05. Tal quantidade de vapor é tanto mais alta quanto mais elevada a temperatura do ar ambiente. Nas edificações em geral. Temperatura ambiente interior. possa penetrar nos espaços ocupados. designada limite de saturação. aumentando ou diminuindo consoante a temperatura do ar aumenta ou diminui. em particular naqueles em que não existam dispositivos que executem essa função duma forma automática. .

quando os usuários mantêm as janelas totalmente fechadas. O resfriamento das paredes externas e coberturas se deve. não é planeada. Essa situação torna-se crítica nos períodos de frio. etc.). Secar as superfícies molhadas devido à condensação do vapor de água não removido para o exterior. Isto faz com que a ventilação dos ambientes seja precária pois.05. . Deve-se ressaltar. explica-se pela maior estanquicidade à água necessária para as janelas e. no entanto. especialmente se a edificação é ocupada por um grande número de pessoas. O aumento da incidência dos problemas de humidade devido a condensação em apartamentos.04. Paralelamente à precariedade da ventilação. 05. como por exemplo a apresentação de superfícies frias. outras variáveis contribuem para que tal situação se agrave. a película de água que se deposita na superfície dos componentes pode gerar condições ao aparecimento de bolor. particularmente. o volume de ar por pessoa é reduzido e a quantidade de vapor de água é aumentada.05. geralmente. constitui a medida mais importante no combate às condensações. à baixa resistência térmica das mesmas. evacuando o ar interior húmido e substituindo-o por ar exterior mais seco. A resistência térmica dos componentes reduz-se consideravelmente em função de água no mesmo.02 l MEDIDAS PREVENTIVAS Como medida preventiva à não ocorrência de condensações é da maior importância verificarem-se as seguintes condições: Melhoria do isolamento térmico Acréscimo da temperatura ambiente Melhoria da ventilação Nota-se que a ventilação nestes casos tem dupla função: Remover total ou parcialmente o vapor de água gerado no ambiente (reduzindo assim o risco da condensação superficial nas paredes. tem-se observado que a precariedade na ventilação é uma das responsáveis mais significativas. coberturas.03 l MEDIDAS CORRECTIVAS A ventilação dos ambientes. Nos casos em que a ventilação dos ambientes é precária. Nestes casos.05. Nessas situações. que apesar de devidamente dimensionados alguns componentes (principalmente paredes) podem apresentar um desempenho térmico inadequado (temperaturas superficiais baixas) devido à presença de água no interior dos mesmos.04. o da condensação. Para resolver o problema da infiltração de água da chuva cria-se outro. consequentemente maior estanquicidade ao ar.

perdendo-a posteriormente quando o ambiente se torna mais seco. Os pontos de maior vulnerabilidade em que essas infiltrações são mais frequentes. criptoflorescências. Montagem de sistemas de ventilação mecânica. . No entanto no caso de o vento lhe estar associado. São características deste tipo de humidade as eflorescências. são: As juntas de argamassa de assentamento das alvenarias de tijolo. acompanhadas por vezes de difusão de humidade em círculos concêntricos. As anomalias. em consequência de vários factores designadamente deficiências de concepção. devidamente protegidas no interior de modo a evitarem-se as correntes de ar incómodas.05. aparelhos que obrigam o ar a contactar com materiais que absorvem parte da sua humidade. existência de fissuração. no interior. acabando por desaparecerem quando o tempo se apresenta seco. A penetração da água da chuva nas paredes é um fenómeno normal que não apresenta problemas se aqueles elementos tiverem sido concebidos para resistirem a este tipo de acções. que aparecem em paredes exteriores muito batidas pelas chuvas e pelo vento. manifestam-se com particular interesse a seguir a períodos de chuvas intensas. Aplicação de revestimentos porosos que absorvem a humidade quando o ambiente está saturado.05. Essas manchas tendem a desaparecer quando cessam os períodos de chuva.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO A chuva. ocorrência de bolores.Nesse sentido as medidas a tomar para conseguir essa ventilação são: Execução de orifícios de ventilação nas fachadas. Aplicação de revestimentos impermeáveis que.05 l HUMIDADE DE PRECIPITAÇÃO 05. não constitui uma acção especialmente gravosa para as paredes de edifícios. placas isolantes. impedindo as Desumidificadores. embora não condensações. A humidade que se infiltra através das paredes exteriores de um edifício. 05. pode causar os mais sérios danos nos materiais e na sua eficiência construtiva. origina que seja a principal fonte de humidades de infiltração nas paredes exteriores dos edifícios.05. Montagem de janelas especiais providas de aberturas de ventilação. de um revestimento de agregados leves. no entanto as situações de ocorrência de anomalias devidas a este tipo de fenómenos são muito frequentes. manchas de humidade e água visível. põe o interior da parede ao abrigo da humidade. etc. por si só. acompanhadas de vento forte. desde que a componente vento não lhe esteja associada. etc. Aumento de isolamento térmico da parede por aplicação. provocadas por esse tipo humidade.

ligações das alvenarias às caixilharias. juntas de dilatação. constitui a solução mais eficiente para evitar a penetração da água da chuva no interior das construções.05. que constitui uma barreira mecânica que se opõe à passagem da água através da parede.02 l MEDIDAS PREVENTIVAS A protecção eficiente do paramento exterior das paredes e a pormenorização cuidadosa de pontos especiais remates superiores e ligações às coberturas.05. desde que executadas com os cuidados indispensáveis. As palas em betão ou metálicas que formam uma primeira protecção à incidência directa da chuva nas paredes. Aplicação dum revestimento exterior curativo com base em ligantes sintéticos. são algumas das medidas preventivas para evitar as infiltrações nas paredes. motivados por erros de projecto ou de execução. ou à inadequação entre a sua constituição e o respectivo grau de exposição à acção da chuva incidente.05. após remoção dos existentes. etc.As partes inferiores de paredes com revestimentos impermeáveis. 05. a problemas construtivos. 05. além da escolha de materiais adequados e a boa execução dos trabalhos. As áreas desagregadas de rebocos exteriores fissurados ou fendidos. é evitada a infiltração da água por capilaridade. são correntes no Norte do País onde as empenas são protegidas com chapas onduladas de fibrocimento ou metálicas. portas. visto que não se tornam impermeável ao vapor. Aplicação dum hidrófugo de superfície nos paramentos exteriores. Esta técnica tem sobre a impermeabilização a vantagem de os produtos aplicados (principalmente compostos à base de silicones) permitirem que a parede continue a respirar. As ligações dos panos de alvenaria com elementos da estrutura e com caixilharia dos vãos.05. Na hidrofugação. O uso de paredes duplas. A impermeabilização é obtida normalmente por aplicação de materiais com componentes betuminosos. .03 l MEDIDAS CORRECTIVAS As deficiências de estanquicidade das paredes são devidas. à inexistência de operações regulares de manutenção atingido o limite do seu tempo de vida útil. em geral. já que os produtos aplicados recobrem as paredes dos poros dos materiais tomando-os não molháveis. A correcção destas anomalias pode ser efectuada através da implementação das seguintes medidas correctivas: Aplicação de revestimentos de parede novos.

05. Os sintomas associados aos fenómenos de humidade devida a causas fortuitas são. De entre as causas mais frequentes deste tipo de anomalias. quer passivos como no caso de falta de manutenção. devidas a entupimentos de caleiras. naturalmente. a deficiência no capeamento destas. águas pluviais e saneamento. algerozes ou tubos de queda. nomeadamente redes de distribuição de águas. 05.05. Duma forma geral caracterizam-se pela sua natureza pontual. falhas de equipamentos ou de erros humanos.06. em termos espaciais. apresentando. em bom número de casos algumas características típicas. quer activos como por exemplo os acidentes.03 l MEDIDAS CORRECTIVAS . Verificação do bom estado geral das redes de água. Verificação periódica de pontos singulares. Carácter permanente e de grande gravidade em situações de rotura de canalizações.06. susceptíveis de ocorrência de humidades.05. Associação com os períodos de precipitação em situações relacionadas com infiltrações de água das chuvas e maior gravidade dos fenómenos em relação aos que resultariam normalmente daquelas infiltrações. das quais se destacam as seguintes Natureza localizada das anomalias. Migração da humidade para locais afastados da origem das anomalias em situações em que o débito de água propicie a actuação dos mecanismos da capilaridade. eventualmente sazonal se estas forem de águas pluviais. contudo. muito variáveis.06 l HUMIDADE DEVIDA A CAUSAS FORTUITAS 05. águas pluviais e esgotos ou devidas a infiltrações nas paredes de águas provenientes da cobertura.05. 05. a deficiências dos remates da cobertura com as paredes emergentes ou. destacam-se as que decorrem de roturas de canalizações. Trabalhos de manutenção periódicos. e decorrem de defeitos de construção.Aplicação dum revestimento exterior de elementos descontínuos.06.02 l MEDIDAS PREVENTIVAS Como medidas preventivas poder-se-ão enumerar: Limpeza de algerozes e caleiras no início do Outono.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO São diversas as situações de ocorrência de humidades devidas a causas fortuitas e torna-se devido a este facto a sistematização de todas as causas possíveis.05.

o qual favorece a solubilização de maior teor de sais. ela é considerada como um dano. a formação de eflorescência branca sobre tijolo vermelho.06 l EFLORESCÊNCIAS Na ciência das edificações. por evaporação resulta na formação de um depósito salino. não ocorrerá o fenómeno. a eflorescência é constituída principalmente de sais de materiais alcalinos (sódio e potássio) e alcalino-terrosos (cálcio e magnésio) solúveis ou parcialmente solúveis em água. podendo esta ser bastante variada. para os sais pouco solúveis. principalmente em casos onde se verifica contraste de cor entre o sal e a base sobre a qual se deposita. aumenta a velocidade de evaporação da humidade absorvida pelo elemento de alvenaria. . o termo eflorescência significa a formação de depósitos salinos na superfície de alvenarias como resultado da exposição a intempéries. Assim. Os sais dissolvidos podem tanto permanecer nos poros capilares como migrar para a sua superfície. O fenómeno. além de favorecer a solubilização dos sais. A pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície. se uma delas for eliminada. A elevação da temperatura. tais como: A quantidade de solução que aflora. assim como causar degradação profunda no caso dos sais constituintes serem bastante agressivos. o elemento fica saturado e estes sais são dissolvidos.O tipo de reparação a efectuar depende da causa que a origina. 06. como por exemplo. 05. existem factores externos que favorecem o fenómeno. no entanto. Todas estas três condições devem existir e. há que detectar primeiramente a causa para posteriormente sanar o problema. maior é a fracção solubilizada. A solução migra para a superfície e. pode ocorrer em qualquer elemento da edificação.06.01 FACTORES QUE CONTRIBUEM PARA A FORMAÇÃO DE EFLORESCÊNCIAS A eflorescência é causada por três factores igualmente importantes: O teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes. Pela acção da água da chuva ou da proveniente do solo. implicando que quanto maior a quantidade de água. Normalmente. A alteração do aspecto visual pode ser exuberante. O aumento do tempo de contacto. Quimicamente. A presença de água. por alterar a aparência do elemento onde se deposita. Além disso.

pode-se realizar a limpeza. a fim de evitar uma penetração profunda do ácido. a seguir. Como um último recurso. da reacção química entre os compostos do tijolo com o cimento. A água deve penetrar na alvenaria dissolvendo os sais existentes. das substâncias contidas em solos contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica.01 l TIPO 1 O tipo mais comum de eflorescências caracteriza-se por um depósito de sal branco. com menor incidência. da água utilizada na amassadura dos agregados. Pode apresentar-se bastante abundante. A eliminação mais rápida é realizada por remoção dos sais depositados na superfície da alvenaria com uma escova de aço. Nem sempre a eflorescência é formada sobre o componente que possui maior teor de sais solubilizáveis. seguida de lavagem com água abundante. carbonato de sódio e de potássio. No entanto.01 l SOLUÇÕES DE REPARAÇÃO Se o problema da eflorescência aparecer em alvenaria externa de edificação recentes. sendo os sais solúveis em água. em juntas de assentamento. por outro lado. No entanto. sulfato de cálcio e de magnésio. de cimentos.06. Em primeiro lugar porque as reacções ainda não se encontram terminadas. a eflorescência desaparece após um período mais ou menos prolongado. Esses sais podem ser provenientes de tijolos. deve-se saturar a alvenaria com água. não sendo prejudicial à alvenaria. em ladrilhos cerâmicos e em juntas de ladrilhos cerâmicos esmaltados e azulejos. blocos. ladrilhos. lavar com água abundante. 05. em regiões próximas a caixilhos mal vedados. na forma de um véu. 05. Em geral.02. pois o ácido clorídrico em contacto com os álcalis dos componentes . podendo ser utilizado um sabão com poder tensoactivo que facilite a penetração de água. permitindo a percolação da solução.02 l TIPOS E CARACTERÍSTICAS DAS EFLORESCÊNCIAS 05. se esta se acumular na interface alvenaria/pintura a película de pintura poder-se-á descolar. pela acção da chuva.A porosidade dos componentes (tijolos. com uma solução de ácido muriático (ácido clorídrico técnico) a 10%. Os sais neste caso são frequentemente sulfatos de sódio e de potássio e. aparecer em superfície de alvenaria aparente (tijolos cerâmicos) ou revestida com argamassa. muito solúvel em água. pulverulento.01. No caso de penetração profunda pode haver aumento de eflorescência. há casos de sabões à base de esteorato e oleastos de sódio que podem até aumentar o teor de sais.02.06.06. argamassas e betão). a maneira mais fácil é deixar que esta desapareça por si mesmo. Inicialmente. este tipo de eflorescência somente modifica o aspecto estético. Deve-se repetir a operação até eliminação total.

encontra-se citada em literatura. Os depósitos brancos formados.06. caracteriza-se por um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. de cimento e cal.02. muito solúveis em água.02.02. conforme descrito anteriormente. . Este sal é basicamente carbonato de cálcio.06. muito aderente e pouco solúvel em água que em contacto com ácido clorídrico apresenta efervescência. que se apresentem fissuradas por efeito de expansão da argamassa de assentamento. Esta cal em contacto com água. de modo geral. pelo que se deverá ter cuidados nas aplicações frequentes de solução ácida com concentração muito elevada.06. em presença do anidrido carbónico do ar.01 l SOLUÇÕES DE REPARAÇÃO Em caso de depósito abundante. Segue-se lavagem com solução de ácido muriático. executadas com pedra calcária. Ás vezes é difícil eliminar totalmente o fenómeno. isto é. carbonatando-se. não produzem qualquer perigo à estabilidade da alvenaria.pode formar cloretos alcalinos. bem como a protecção das mãos e dos olhos 05. Este procedimento implica precauções quanto a protecção de elementos em áreas próximas. onde existe um elevado teor de cal não hidratada. A ocorrência deste tipo de eflorescência não é frequente entretanto. O fenómeno ocorre tanto em fachadas expostas à acção de chuva como nas não expostas.03 l TIPO 3 A eflorescência também pode -se manifestar com um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. podendo ser prejudicial à durabilidade do componente. de forma a facilitar-se a acção do tratamento químico. sendo esta a reacção responsável pela formação deste tipo de eflorescências. em presença da água proveniente de chuvas ou de infiltração de humidade. esta. Na evaporação da água. 05. esta cal transforma-se em carbonato de cálcio. há casos de utilização de argamassas mistas. Entretanto. apenas apresentam um efeito estético negativo e são difíceis de serem eliminados 05. Estes casos.02 l TIPO. também será dissolvida.02. eliminando-se parte dos sais. Na hidratação do cimento há liberação de cal. vindo a depositar-se sobre a superfície. um composto pouco solúvel em água. o problema pode ser solucionado escovando-se a superfície por processo mecânico.2 Um tipo menos comum de eflorescência. dissolve-se e deposita-se na superfície das fachadas. Estes sais geralmente formamse em regiões próximas a elementos de betão ou sobre as suas superfícies e por vezes sobre superfícies de alvenaria.

05.04 l MEDIDAS PREVENTIVAS O fenómeno da eflorescência pode ser evitado. reduzindo o risco de reacção tijolo/cimento.Logo que o fenómeno tenda a estabilizar. sulfatos alcalino-terrosos. Reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria. com a cal do cimento. O sulfato de cálcio responsável pelo fenómeno descrito pode ser originário ou do tijolo ou do resultado da reacção entre os sulfatos de sódio de potássio existentes. de cálcio. sais de vanádio e molibdénio por prévia adição de produtos químicos à pasta cerâmica Tratamento dos tijolos. saturar os tijolos com água a fim de diminuir absorção de água de amassadura da argamassa pelo tijolo. por outro lado. não se devem realizar reparações até que o fenómeno estabilize. Em caso de execução de alvenaria em período seco. .06. neste caso. promove um aumento de capacidade do matéria dificultando a circulação de humidade e as possíveis reacções tijolo – argamassa. ainda. Neutralização de determinados sais solúveis.01 l SOLUÇÕES DE REPARAÇÃO Nestes casos.03. por capilaridade. que não só leva a uma redução do conteúdo dos sais solúveis como. a absorção de água de chuva por capilaridade. Em caso de parede em alvenaria aparente. estão também presentes os sulfato de sódio de potássio. pode ser diminuída utilizando-se uma pintura impermeável resistente à exposição em solução alcalina. de magnésio e. A presença dos sais pode ser verificada através da realização de ensaios em laboratório Prolongamento da cosedura.06. após a cozedura com soluções muito diluídas de siliconatos solúveis na água que diminuam a penetração da água por capilaridade.Este fenómeno ocorre em zonas abrigadas da chuva por efeito de fissuração e expansão causadas pela hidratação do sulfato de cálcio que transforma -se em gesso.02. 05. resultado da reacção entre o sulfato de cálcio e um aluminato de cálcio hidratado do cimento. Evitar infiltração de humidades provenientes do terreno ou da chuva executando-se boa vedação e impermeabilização. poderá efectuar-se a reparação e o fecho das fissuras. observando-se os seguintes cuidados: Não utilizar materiais e componentes com elevado teor de sais solúveis. usando um cimento isento de sulfatos. Em zonas húmidas da alvenaria ocorrem fissuração e expansão devido a formação de um produto expansivo conhecido como sal de “candlot”.

Estado das canalizações de água. 05.01 l ORIGEM E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO A experiência mostra que as falhas existentes com a pintura normalmente manifestamse de duas maneiras: Na interface da película com o substrato de aplicação Na própria película de pintura. A lixiviação da cal e do cimento pode ser reduzida.07 l PINTURAS Sendo esta a ultima actividade numa construção. na execução do edifício devem ser observados os seguintes factores: Humidade do solo. 05. durante as várias fases do projecto e execução dos edifícios pode provocar condições favoráveis não só para a formação de eflorescência como para a deterioração dos materiais utilizados.07. De maneira geral. no entanto é importante. As principais razões para a ocorrência dos problemas são os seguintes: . esgoto e águas pluviais. isto é.05 l MEDIDAS CORRECTIVAS De uma maneira geral. em geral não se dá a devida importância à qualidade dos serviços de pintura por motivo de economia. Água utilizada na limpeza. 05. tais como: cimento pozolâmico ou de alto-forno. A ausência de precauções contra a humidade. à tinta.A reacção tijolo-cimento pode ser evitada utilizando-se argamassa mista/bastarda (cimento: cal: areia). Água da chuva acumulada antes da cobertura da obra ou infiltrada através de paredes e fissuras.06. o fenómeno de eflorescência causa apenas danos de ordem estética. estes problemas são ocasionados por uma combinação de factores e não somente devido ao produto em si. utilizando-se cimentos que libertem menor teor de cal na sua hidratação. Assim sendo. na medida que é o resultado de um problema mais grave e frequente em patologia das edificações: a humidade. procuram-se firmas de pintura de segunda linha ou simplesmente pintores que oferecem serviços mais baratos.

Em geral perde brilho ou apresenta descoloramento. com perda de brilho e pulverulência. Enrugamento com aspecto de “pele de jacaré”. Condições meteorológicas inadequadas – aplicação de pintura em ambiente de temperatura e humidade relativa muito baixam ou elevada ou ocorrência de vento forte. . Película pegajosa. Manchas suaves de cor castanha clara e amarela.02 l DEFEITOS NA PELÍCULA DE PINTURA Os principais tipos de defeitos são: Película apresentando fissuras e trincas em alguns casos. Ausência de preparação da superfície ou preparação de modo inadequado – aplicação da pintura sobre base que apresenta deposição de materiais pulverulentos. 05.07. de cor amarela e castanha. cinza. ou por incompatibilidade com o substrato. Formação de bolhas e vesículas. Formulação inadequada da tinta. a película apresenta fissuração. sendo exemplo as tintas a óleo ou alquídicas aplicadas sobre base húmida e com elevada alcalinidade. Desagregação pulverulenta (empolamento ou calcinação). Diluição excessiva da tinta na aplicação. base muito porosa. Aplicação de tinta com baixa flexibilidade sobre substrato de variação dimensional elevada. verifica-se a destruição da película por fissuração ou por deterioração com pulverulência.Selecção inadequada da tinta – exposição a condições muito agressivas em relação à qualidade normal do produto. óleo. Humidade excessiva no substrato – remanescente da execução do edifício.03 l PROBLEMAS COM A NATUREZA DA TINTA Os principais problemas com a natureza da tinta surgem: Aplicação de tinta com baixa resistência à radiação solar em ambientes externos. preta. bolor e materiais soltos. com sinais de bolha de água e de oleosidade. com deterioração da película. contaminados de sujeira. de infiltração ou de condensação. A película fica pegajosa com sinais de bolha de água e óleo. superfície deteriorada.07. Aplicação de tinta com baixa resistência a alcalis. Manchas de cor castanha. 05. alguns casos apresentando sinais de descoloramento. vermelho ou verde sobre a película. Substrato que não apresenta estabilidade – aplicação sobre alvenaria e betão insuficientemente curado.

A película mostra-se enrugada.06 l MEDIDAS PREVENTIVAS 06. Aplicação de tinta sobre substrato muito poroso. em alguns casos com pulverulência.05 l APLICAÇÃO EM CONDIÇÕES INADEQUADAS Secagem muito rápida da superfície pintada. partículas soltas. Aplicação de tinta com baixa resistência ao ataque por agentes biológicos. A película apresenta-se deteriorada.07. manifestando-se pulverulência. apresentando manchas escuras sobre a superfície.04 l PROBLEMA COM A NATUREZA DO SUBSTRATO Os principais problemas com a natureza do substrato são: Aplicação de tinta sobre argamassa de revestimento contendo partículas expansivas. Há deterioração da película. devido a temperatura e humidade relativa inadequadas e ocorrência de ventos fortes. sobre substrato de argamassa (de cimento. O fenómeno geralmente é favorecido pela temperatura e humidade e a película apresenta-se com bolhas e vesículas. 05.07. ficando na superfície apenas os pigmentos e cargas na forma de uma camada pulverulenta. cal ou gesso) ou betão mal curado. eflorescências. fungos e algas. poeira. 05.01 l PREPARO INADEQUADO DO SUBSTRATO OU AUSÊNCIA DE PREPARAÇÃO Os principais problemas com preparo inadequado ou ausência de preparação: Aplicação de tinta em superfície contaminada por sujeira.07.07. ficando apenas os pigmentos e cargas na forma de uma camada pulverulenta. O veículo da tinta é absorvido pela base. A película apresenta-se com manchas. óleo. Incompatibilidade das várias camadas do sistema de pintura. que forme película impermeável. óleos descofrantes (betão). secagem muito rápida ou espessura elevada. 05. Aplicação sobre substrato muito poroso o veículo da tinta é absorvida pelo substrato. facilmente removível. Aplicação de tinta que forme película de elevada porosidade em substâncias que contêm elevado teor de sais solúveis em água. facilmente removível.Aplicação prematura de tinta. tais como bolor.06. Aplicação de tinta sobre argamassa de revestimento com partículas contendo substâncias solúveis em água. . em substrato que apresenta elevado grau de humidade A película deteriora-se.

que forme película impermeável. Muitas vezes. Há perda de aderência e sinais de pulverulência. tais como pintura em betão com descofrante ou cerâmica. 05.03 l APLICAÇÃO EM BASE HÚMIDA Os principais problemas com aplicação em base húmida: Aplicação de tinta com baixa resistência a alcalis. expansão ou desagregação. por acção da evaporação e capilaridade. a selecção inadequada da tinta. em base muito húmida. isto é.07.Aplicação de tinta em substrato muito liso. a má qualidade da tinta é a razão para a falha da pintura.: parede externa de zona industrial) apresenta deterioração. aplicação em condições meteorológicas inadequadas. Desta forma. cimento ou gesso) ou betão mal curado Há perda de aderência e sinais de pulverulência e humidade na interface da película com a superfície de aplicação. aplicação sobre superfícies inadequadas ou excesso de diluição da tinta na aplicação.06. entretanto é difícil separar esta razão da outra. O fenómeno geralmente é favorecido pela humidade ou temperatura.02 l APLICAÇÃO EM SUBSTRATO INSTÁVEL Os principais problemas com substrato instável: Aplicação prematura de tinta. oleosidade na interface da película com a superfície de aplicação. com posterior descolamento da mesma. humidade. as falhas em pinturas são ocasionadas pela selecção inadequada da tinta. Uma mesma tinta aplicada sobre superfície exposta a um ambiente agressivo (ex. A humidade condensa na interface da película com a superfície de aplicação provocando o descolamento da pintura. 05. A selecção inadequada da tinta para uma aplicação específica é um erro comum nos dias de hoje A introdução de uma grande variedade de matérias-primas na indústria de tinta ocasionou o aparecimento de ampla gama de produtos no mercado. Aplicação de tinta que forme película impermeável.06. Aplicação de tinta em substratos que estejam sujeitos à deterioração. A presença de humidade solubiliza estas substâncias que.07 l MEDIDAS CORRECTIVAS De um modo geral. em substratos que contêm elevado teor de sais solúveis em água. com nomes . isto é. sendo exemplo as tintas a óleo ou alquídicas. 05. no entanto pode mostrar bom desempenho quando aplicada em ambiente não agressivo (parede interna de uma sala ou quarto). que forme película impermeável sobre a argamassa (de cal. o consumidor vê-se à frente de uma grande variedade de tintas. depositam-se na interface da película com a superfície. Aplicação de tinta.07. aplicadas sobre o substrato húmido a alcalino.07.

dificultando a sua transmissão. 05. deverão ser individualizadas por anomalias e organizadas. não está normalmente "estruturada". Assim. pelo que se acha oportuno a elaboração de um conjunto de fichas vocacionadas para a reparação de anomalias. do substrato na qual será aplicada a tinta e dos efeitos da macro e micro condições climáticas. Supervisão adequada na obra durante a aplicação. haverá a necessidade de procurar a sistematização dos processos de diagnóstico. Exame mais detalhado da situação. Especificar tintas para uma determinada aplicação em obra. como na tinta.08 l PRINCÍPIOS DE DIAGNÓSTICO Dada a vastidão da matéria que está associada à resolução dos problemas da patologia em edifícios. . deverá haver o maior cuidado na análise do diagnóstico devendo o mesmo passar pelas seguintes quatro fases fundamentais: Percepção das anomalias. todas do mesmo modo” sintomas. alguns dos problemas apresentados. tendo por objecti contribuir para uma mais fácil resolução dos casos concretos. envolve um conhecimento dos tipos de tinta. Entretanto. Muitas vezes os problemas de pintura podem ser atenuados por: Consideração do aspecto da pintura na edificação na fase de projecto. Essas fichas. pois determinadas características da tinta podem ser modificadas na formulação. a título de exemplo um conjunto de fichas “tipo” que se poderiam considerar. A complexidade do comportamento das construções. exame. se ocorrerem após a aplicação.comerciais que podem levar a enganos. são considerados como falha da pintura. Recolha de informação. apresentam-se no anexo I. diagnóstico de causas e reparação”. já que as pinturas não são permanentes e se deterioram rapidamente. das propriedades físicas e químicas. se ocorrerem logo após à aplicação. Definição da actuação correctiva. Conhecimento sobre a tinta e procedimentos para aplicação.07. que se colocam na resolução de identificação e reparação de patologias. são considerados como ausência de manutenção. Tanto no substrato. Face à tarefa de grande complexidade. leva a que a experiência profissional tenha um papel preponderante. Restabelecimento do diagnóstico das causas. envolvendo mecanismos cuja verdadeira essência não está ainda em muitos casos suficientemente estabelecida. Essa experiência.

um diagnóstico correcto proporcionando uma identificação precisa das causas e a avaliação rigorosa da situação real é condição indispensável para a resolução dos problemas tendentes à sua correcção .Perante a ocorrência de anomalias.

TEORIA DA RECONSTRUÇÃO DO RESTAURO JORGE L.TUTUVALA BENTO JOSE JOAQUIM CHINGONGUE 54/09 .