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Imagens

As percepções visuais são consideradas como um conjunto de estímulos (visuais) que o ser humano recebe do mundo que o rodeia e que se estruturam cerebralmente em entidades significativas, o homem dá uma determinada direcção, um determinado significado, àquilo que o estimula.

As lentes oculares projectam, na retina, a luz emitida ou reflectida pelos objectos. Estes estímulos visuais são transmitidos ao cérebro, dando origem à percepção visual. No entanto, neste processo, entram também em acção variantes psicológicas e fisiológicas.

rugosa ou macia. são criados pelo homem determinados juízos de valor acerca daquilo que o rodeia. dos objectos e do mundo exterior. O homem sente a textura. adivinha as suas estruturas.Assim. .

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O acto de ver é um acto dinâmico. cada movimento possibilita um ângulo de visão diferente. . O resultado é a associação de diferentes experiências.

ter em atenção que os nossos olhos se viciam segundo determinadas regras e esquemas a que se habituaram. esquemas convencionais e estereotipados que em determinadas situações nos são favoráveis. contudo. . como são exemplo disso a leitura que fazemos dos sinais de transito.Devemos.

à margem de esquemas convencionais. É o que acontece com as formas expressivas. desmontar e classificar aquilo que vemos. muitas vezes. de reflectir.De outra forma. que se encontram. estes esquemas convencionais impedemnos de ver outras particularidades. do domínio das artes visuais. .

o resultado de um modo particular de ver. assim.A experiência estética será. será a satisfação resultante da realização ou contemplação das formas que realizam a comunicação visual. .

da sua disponibilidade e capacidade de percepção. . da condição intelectual e emocional do observador.A “ leitura “ de uma imagem depende não só do próprio objecto. mas também.

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A imagem enquanto objecto .

seja conotativo ou denotativo. podemos referirmo-nos a elas consoante o nível de linguagem.Na civilização em que vivemos estamos rodeados de objectos com as suas mensagens incorporadas. Se quiser-mos sistematizá-las. .

As segundas permitem-nos identificar a função do objecto e variam quanto à natureza do produto. ao nosso desejo de posse e variam quanto ao género de posse a sugerir: promoção social. geralmente. inteligência. juventude. etc.As primeiras estão dirigidas. .

O objecto de uso pessoal. . O possuidor de determinados objectos sabe que estes lhe podem proporcionar um tipo de tratamento diferente. desempenha um papel importante de identificação do indivíduo fora de casa. por parte daqueles a quem se dirige e especialmente a quem pretende impressionar.

Na sociedade actual existe uma hipervalorização do objecto. . cuja posse nos faz permanecer dentro dos cânones sociais admitidos e propagandeados.

. adaptado à nossa escala e aos nossos interesses. Por isso. o objecto perdeu a sua identidade funcional. É também através deles que o homem conserva a sua memória e identidade. no qual se baseia a riqueza económica. o próprio gosto. na medida em que é consumido em função de outra coisa.O papel atribuído ao objecto é a criação de um universo artificial. É através dos objectos que se transmitem os próprios modelos culturais.

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.Através dos objectos que as pessoas escolhem pode-se construir um conjunto de significados que traduz a parte visível da sua cultura.

. podemos considerar aspectos através dos quais retiramos determinadas informações sobre o seu utilizador ou possuidor e sobre a sociedade a que pertenciam ou pertencem.Através dos objectos.

. -o avanço tecnológico e os processos de produção. -as atitudes face ao trabalho.Sobre as informações retiradas de um dado objecto podemos aferir aspectos tais como: -a função a que se destinava/destina. -os recursos.

-o tipo de sociedade (rica ou pobre. -as preocupações ambientais. -os valores simbólicos que veicula. -as preocupações com o bem-estar físico e psicológico. -o desenvolvimento socio-económico. hierárquica ou democrática. culta ou ignorante. imaginativa ou trivial. etc). .

ou da sociedade a que pertence (os julgamentos de valor dizem o que as coisas valem por relação a um sujeito consciente: o valor de uma coisa será o valor dos efeitos que ela produz no sujeito. -os valores não utilitários do seu possuídor. um cariz subjectivo-emocional).-as atitudes face ao lazer. . portanto.os julgamentos de valor têm.

O objecto de uso sem abdicar da sua funcionalidade. que é o seu fim imediato. os produtos escolhidos e utilizados por um indivíduo ou sociedade. . transmitem implicitamente os valores desse indivíduo ou sociedade. Logo. procura ainda agradar: aspirar a uma função estética.

seja para nos demarcar do nosso próprio grupo por referência a um grupo de estrato superior” Jean Baudrillard . manipulam-se sempre os objectos como signos que nos diferenciem. seja por aplicação do nosso próprio grupo tomado como referência social.“ Nunca se consome o objecto em si.

Fim .