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Dos Veículos Operacionais – CTB - PRF

1.1.1.

Dos Veículos Operacionais

VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente, observadas as seguintes disposições: a) quando os dispositivos estiverem acionados, indicando a proximidade dos veículos, todos os condutores deverão deixar livre a passagem pela faixa da esquerda, indo para a direita da via e parando, se necessário; b) os pedestres, ao ouvir o alarme sonoro, deverão aguardar no passeio, só atravessando a via quando o veículo já tiver passado pelo local; c) o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência; d) a prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se dar com velocidade reduzida e com os devidos cuidados de segurança, obedecidas as demais normas deste Código;
1.1.1.1. CABIMENTO

O veículo especial deve atender às seguintes condições:  Encontrar-se em efetivo serviço de urgência;  Possuir alarme sonoro;  Possuir Iluminação vermelha intermitente. Para que esses veículos possuam livre circulação, estacionamento e parada é necessário o atendimento de todas as condições relacionadas anteriormente. Ausente quaisquer das condições acima, fica impedido o veículo de transitar com toda liberdade pelas vias públicas, podendo circular pela contramão, avançar sinal vermelho etc. Um ponto interessante diz respeito a infração prevista no art. 222 do CTB, pois, segundo sua redação, só há infração de trânsito se o veículo de emergência deixar de acionar o sistema de iluminação vermelha intermitente. Ora, se o veículo deve acionar ambos os dispositivos – luminoso e sonoro – para poder circular livremente pelas vias do território nacional, qual a razão de punir apenas a ausência do sistema de iluminação? Não há, de fato, qualquer contradição no código, pois, o legislador entende que a situação de emergência pode se desdobrar em dois níveis: o primeiro no qual há a necessidade de se infringir regras de circulação de trânsito, avançando sinal vermelho ou mesmo transitando pela contramão, para que a vítima transportada no veículo possa ser atendida o mais rápido possível; e o segundo, quando o grau de risco da vítima não se aproxima da necessidade de descumprir regras de circulação de trânsito, o que impõe como regra de prudência ao motorista de transportar a vítima com as cautelas legais. Neste 1 caso, a lei impõe, sob pena de multa prevista no art. 222 , a necessidade do acionamento apenas da luz vermelha de emergência, uma vez que não haverá necessidade de transitar pela contramão ou mesmo avançar sinal vermelho. Caso o motorista venha a descumprir as regras legais de circulação em razão da emergência do atendimento à vítima que transporta no veículo, devem ser acionados o sistema de iluminação

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Art. 222. Deixar de manter ligado, nas situações de atendimento de emergência, o sistema de iluminação vermelha intermitente dos veículos de polícia, de socorro de incêndio e salvamento, de fiscalização de trânsito e das ambulâncias, ainda que parados: Infração - média; Penalidade - multa.

JEAN DINIZ

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vermelha intermitente em conjunto com o dispositivo sonoro de emergência, pois, só assim, estará livre das autuações dos agentes de trânsito que presenciarem as infrações. Além disso, só haverá obrigação de ceder passagem a esse veículos de emergência quando ambos os dispositivos sonoro e luminoso dos estiverem acionados. Não subsistindo essa obrigação, contudo, quando acionado apenas o dispositivo luminoso, consoante redação do art. 189 do CTB, que passo a colacionar:
Art. 189. Deixar de dar passagem aos veículos precedidos de batedores, de socorro de incêndio e salvamento, de polícia, de operação e fiscalização de trânsito e às ambulâncias, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitentes: Infração - gravíssima; Penalidade - multa.

O assunto já foi alvo de questão de prova no concurso do TRT de 2004, elaborado pela CESPE/UNB nos seguintes termos:
Sempre que estiverem trafegando, os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada.

A questão é incorreta, uma vez que a prioridade e a livre circulação, estacionamento e parada dependem da situação de emergência e o acionamento dos dispositivos sonoro e luminoso, cumulativamente.
1.1.1.2. DO COMPORTAMENTO DO PEDESTRE

Segundo o art. 29, VII, b do CTB, deve o pedestre, ao ouvir o alarme sonoro, aguardar no passeio, só atravessando a via quando o veículo já tiver passado pelo local. A situação de emergência já impõe, por si só, a necessidade de acionamento do sistema de iluminação vermelha intermitente do veículo operacional, devendo ser acionado em conjunto com o dispositivo sonoro apenas quando houver necessidade descumprir as regras de circulação de trânsito. Diante dessas duas situações, o comportamento do pedestre deve ser assim tratado: Quando está acionado apenas o sistema de iluminação vermelha, presume-se que o veículo circula obedecendo às regras de circulação de trânsito, uma vez que o nível de emergência não supera os riscos de se colocar os demais usuários em perigo pelo descumprimento das regras de circulação. Com efeito, o pedestre pode atravessar a via tranquilamente, eis que o veículo mesmo estando em situação de emergência não avançará o semáforo por não ter acionado o dispositivo sonoro em conjunto com o sistema de iluminação vermelha intermitente. Por outro lado, quando estiverem acionados ambos os dispositivos, sonoro e luminoso, o veículo sinaliza que a gravidade da emergência obriga o motorista a desobedecer as regras de circulação, devendo o pedestre permanecer no passeio, aguardando a passagem do veículo para só após atravessar a pista de rolamento, uma vez que o veículo não respeitará o sinal vermelho do semáforo. Portanto, o pedestre ao OUVIR O SINAL SONORRO, do veículo de emergência, certamente observará o sistema de iluminação igualmente acionado, devendo permanecer no passeio até a passagem do veículo.
1.1.1.3. DO USO DA SINALIZAÇÃO

O uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência. Essa regra vale tanto para os veículos da administração pública, (polícia, bombeiros), como da iniciativa privada, ambulâncias de hospitais etc.
1.1.1.4. PRIORIDADE LIMITADA

Mesmo estando em situação de emergência, o veículo não terá preferência absoluta nas vias públicas, devendo transitar pela área de cruzamentos com velocidade moderada, de modo a garantir a segurança do trânsito diante de eventos supervenientes imprevisíveis.

JEAN DINIZ

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