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S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . A ÚNICA IMAGEM HISTÓRICA COMPROVADA DE PALMARES. DATADA DE 1647. ESTÁTUA DE ZUMBI.1 3. QUE MOSTRA QUILOMBOLAS PALMARINOS PESCADORES E SUA TORRE DE OBSERVAÇÃO. D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 . ERGUIDA EM MACACO 6 R E V I S T A U S P . ACIMA.Negro P O V O AO LADO.

. Orser Jr. FUNARI é professor do Departamento de História da Unicamp e co-diretor do Projeto Arqueológico Palmares. S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . estava interessado em aplicar as modernas técnicas do trabalho arqueológico ao estudo da cultura africana em liberdade. D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 7 . da Illinois State University. em 1991.P E D R O P A U L O A. tendo obtido finanR E V I S T A U S P . pesquisador norte-americano renomado. e conjuntamente pudemos propor um projeto de pesquisa para o estudo de Palmares.1 3. especialista no estudo da cultura material afro-americana (2). Contando. com a ajuda do africanista britânico Michael Rowlands (University College London). F U N A R I A “República de Palmares” e a arqueologia da Serra da Barriga PEDRO PAULO A. ainda. Orser. ao Brasil. nos quilombos. A idéia de desenvolver um projeto de pesquisa arqueológica sobre a República de Palmares (1) amadureceu quando da visita do professor Charles E. submetemos nosso projeto de prospecção arqueológica da área a instituições científicas internacionais.

Duzentos teriam fugido. Nas duas campanhas de prospecção. de um total de seis mil que viviam no principal acampamento (9). datado do século XIX. sobre os tipos de artefatos feitos e usados em Palmares. possuem etimologia africana. provavelmente. Os sítios 10. a partir do século XIII (14). os futuros trabalhos poderão melhor relacionar esse alinhamento e a estrutura geral do assentamento quilombola. Ainda que seja prematuro aventar hipóteses sobre a funcionalidade dos sítios. introduzida na Península Ibérica pelos mouros. ofensivas quase anuais visavam destruir o Estado rebelde. pode-se almejar obter informações a respeito da organização ideológica. Macaco foi tomada e Domingos Jorge Velho reivindicou o motim. governado por Ganga Zumba. de uma forma ou de outra. à exceção do sítio 11. com um possível alinhamento de sítios de observação nos costados a sudeste. A capital. Esses procedimentos básicos permitiram mapear os sítios arqueológicos e avaliar as possibilidades de trabalhos arqueológicos futuros mais extensos e demorados. basicamente. A República de Palmares compunha-se de diversos mocambos. Até aquele momento. entre 1670 e 1687 (10). A partir de 1670.ciamento para duas etapas de campo. rei entre 1687 e 1694. intensificaram-se no período entre 1654 e 1667. partimos dos documentos escritos para entender como os colonizadores compreenderam e combateram esse Estado rebelde (7). capturado e morto em 20 de novembro de 1695. conhecida. como Cerca Real do Macaco ou Serra da Barriga. 7 e 5 formam uma linha leste-oeste. 9. 8. não havia sido efetuada nenhuma pesquisa arqueológica na área do antigo quilombo. tendo vitimado 200 quilombolas e aprisionado 500. tornando-se popular apenas com a Reconquista. em primeiro lugar. A metodologia da etapa de campo consistiu. em 1992 e 1993 (3). 13. entre os quais Zumbi. econômica e política. Já em 1612. o que acaba por gerar uma visão distorcida daquela sociedade. visando localizar vestígios materiais arqueológicos superficiais. S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . obter informações detalhadas. em um levantamento ou prospecção pedestre. que teria vitimado cem pessoas e capturado 31 quilombolas. A rivalidade entre portugueses e holandeses seguramente contribuiu para o crescimento de Palmares e. consiste em adquirir informação sobre a vida quotidiana em Palmares. tupi e portuguesa (5). Em fevereiro de 1694. De início. foi possível identificar 14 sítios arqueológicos na Serra da Barriga. apenas um deles posterior ao Quilombo dos Palmares (13). A localização dos sítios não parece ser fortuita pois. Ganga Zumba foi morto e sucedido por seu sobrinho Zumbi. que culmiram com a expedição comandada pelo paulista Domingos Jorge Velho (11). Nada se sabia sobre a cultura material de Palmares e o Projeto Arqueológico Palmares procurou. único local seguramente identificado como parte do antigo quilombo (4). com a retirada desses últimos. os ataques aos assentamentos. planejamos realizar alguns testes com pás. A cerâmica vidrada encontrada no sítio pode ser enquadrada no amplo espectro denominado de majólica. após um sítio de 42 dias. Baro comandou um ataque holandês. visando localizar sítios arqueológicos em superfície e realizar algumas trincheiras e/ou quadrículas. Quase tudo que se sabe sobre Palmares deriva de documentos escritos por aqueles que. iniciando um período de guerras mais intensas. combatiam o quilombo. planejamos realizar duas etapas de campo de caráter prospectivo. que já eram nove. D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 . cuja densidade de ocupação ainda não é possível determinar.1 3. na época. Os outros sítios puderam ser datados pela presença de majólica ou cerâmica vidrada. principalmente por meio dos vestígios materiais. em 1992 e 1993. O objetivo mais amplo do Projeto Arqueológico Palmares. e de primeira mão. Acusado de colaboracionismo. A partir desses dados concretos. localiza-se no município de União dos Palmares (6). a fim de determinar a profundidade e grau de preservação do material. Tendo identificado artefatos na superfície. em 1644. apenas na Serra da Barriga. A majólica foi. ao sul da Serra. social. 6. os sítios restantes situam-se na parte superior ou na face sul. como foi denominado. cujos nomes. defronte ao rio Mundaú. caracterizada por um brilho opaco que contém óxido de estanho. transmitidos pelos documentos da época. a serem vendidos fora da capitania (12). há referências a uma comunidade de escravos fugidos na Zona da Mata e em 1640 os holandeses consideram-na um sério perigo (8). Cerâmicas relacionadas são as faianças 8 R E V I S T A U S P . Antes de iniciarmos os trabalhos de campo.

Entretanto. possuem um vidrado que varia do amarelado ao esverdeado. na medida em que toda a área circundante apresenta abundantes vestígios superficiais de vasos desse tipo. Poderia tratar-se. no teste de 40 m norte. D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 9 . confirma a ocupação da área no século XVII (16). encontramos dois machados líticos com seus fios para baixo. com fundo verde amarelado. de diferentes formas. para proteger o vaso e seu conteúdo. No topo do vaso. Na parte superior interna do vaso. Este tipo cerâmica. nesse caso. Os fragmentos provenientes da Serra da Barriga não podem ser considerados comparáveis à majólica fina da época. na boca. e testávamos. de uma urna funerária. Ambos encontravam-se in situ e não apresentavam sinais de uso. um grande vaso enterrado em época colonial (18). apoiados nas bordas do vaso.Arquivo Pedro Paulo Funari francesas. enquanto outras peças. de 36 cm. do vaso no topo e dos fragmentos cerâmicos no fundo sugere outras possibilidades. Poderia tratarse de um depósito de grãos ou outros materiais. de paredes finas (0. o que explicaria o vaso no topo e os fragmentos ao fundo (20). holandesas e inglesas (delft). a área imediatamente à frente do monumento a Zumbi. Um grande vaso. De um total de 2.448 artefatos coletados. fragmentado mas completo. merece alguns comentários.1 3.54 cm). seguindo uma tradição de cemitérios indígenas pré-cabralinos. No fundo do grande vaso encontramos 31 fragmentos diminutos de cerâmica. A interpretação desse achado não é simples. Havíamos traçado dois transeptos. A própria forma do vaso pode ser PERFIL DO VASO DE TUPINAMBÁ R E V I S T A U S P . S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . escuro. com uma pá. a cada 10 m. Os machados serviriam. ou linhas norte-sul e leste-oeste. devendo ser encarados como um material utilitário e derivado (15). Um dos fragmentos apresenta duas faixas paralelas avermelhadas. quando encontramos. associado à cerâmica comum encontrada na Serra da Barriga. em sua parte exterior. o que sugere um caráter ritual ou apotropaico. encontramos um segundo vasilhame. encontrado enterrado a 15 cm de profundidade. com diâmetro. mais de 90% são objetos de cerâmica (17). a presença dos machados. Uma primeira hipótese poderia relacionar o vaso àqueles de tipologia tupinambá (19).

de tipo tupiguarani. D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 Arquivo Pedro Paulo Funari . Talvez fosse possível aventar a hipótese de que as índias tivessem produzido esses vasos. utilizam recipientes muito semelhantes (21). S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 .. parece indicar que o uso de cerâmica local não-hispânica.1 3. Os residentes referiam-se a Palmares como angola janga (pequena Angola). mas cuja forma não era estranha aos africanos e cujo uso poderia ser mais próximo dos costumes bantus do que ameríndios (22). a presença de cerâmica indígena em assentamentos coloniais não devia ser excepcional e o caso da cidade espanhola de Santa Fé La Vieja.MAJÓLICA ENCONTRADA NO SÍTIO 3 relacionada à África. ocupada de 1573 a 1660. pois os mbundus. Não se es- tranharia tendência semelhante no quilombo de Palmares (23). usados no assentamento quilombola. era bastante difundido.. segundo sua técnica tradicional tupinambá. Stuart Schwartz talvez tenha sido o historiador que melhor desenvolveu a tese de que Palmares era uma sociedade muito claramente africana: “As tradições de Angola claramente predominaram. uma sociedade à qual qualquer homem podia pertencer por 10 R E V I S T A U S P .O ki-lombo. Os resultados preliminares das prospecções arqueológicas na Serra da Barriga indicam que o tema crucial para a compreensão do quilombo relaciona-se com a etnicidade dessa comunidade. De qualquer forma. no nordeste da Argentina. em Angola.

Contudo. De fato. Por outro lado. S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 11 . por sua parte. a assimilação do ki-lombo angolano com o Quilombo de Palmares parece. foi um movimento guerreiro muito específico e efêmero. insustentável. um sacerdote cuja responsabilidade era tratar com o espírito dos mortos.1 3. ao início de Palmares. pois.. a qual podia incorporar grande número de estranhos desprovidos de ancestrais comuns a um poderoso culto guerreiro. Devemos considerar os aspectos africanos de Palmares não como ‘sobreviventes’ desincorporados de seu meio cultural original. Essa interpretação segue uma tradição de associar-se os costumes de Palmares com aqueles de Angola (25). datado do segundo quartel do século XVII (26)..Uma figura fundamental no ki-lombo era o nganga a zumba. mas como um uso muito mais dinâmico e talvez intencional de uma instituição africana na forma especificamente designada para criar uma comunhão entre povos de origens díspares e forne- cer uma organização militar eficiente.. Encontra-se. segundo Schwartz.meio do treinamento e iniciação. o termo quilombo só foi usado no Brasil em 1691. O ganga zumba de Palmares era provavelmente o detentor desse cargo. portanto. O ki-lombo angolano. Certamente os escravos fugidos do Brasil adequam-se a essa descrição” (24). posterior. servia àquele propósito. John Thornton tem ressaltado que os contatos cul- R E V I S T A U S P . uma instituição designada para a guerra.. estando ausente dos documentos anteriores que se referem a Palmares. à luz dos estudos de africanistas.

pode supor-se que ali conviviam pessoas de diversas origens étnicas e culturais. Seu prosseguimento deverá trazer dados inéditos que permitam repensar esse grande Estado rebelde (33). National Endowment for the Humanities. as perseguições coloniais fariam com que Palmares pudesse atrair uma pletora de grupos marginalizados pela ordem vigente (30). Maroon Societies. 1985). Os quilombos estabeleceram-se em uma região circundada por nativos. p. utilizado nos documentos do século XVII. 1984) e por Zezito de Araújo (Serra da Barriga: Exposição de Motivos para o Tombamento. dos 31 quilombolas capturados. 7 Sempre levando em conta que “toda sociedade deixa registros que procuram apresentar suas próprias visões e respostas que se ajustem a um ambiente político específico”. Termos de origem africana. também. nas Américas. pode afirmar-se que os africanos. como fica claro ao compararmos os mapas apresentados por Décio Freitas (Palmares: a Guerra dos Escravos. da prefeitura de União dos Palmares e do estado de Alagoas. p. 12 R E V I S T A U S P . mostravam grande flexibilidade para adotar e mudar sua cultura” (28). 6 A Serra da Barriga localiza-se. não é de se estranhar as referências ao catolicismo em Palmares. American Council of Learned Societies. na costa e. presenças cuja inserção no ki-lombo imbangala seria impensável. pode ser português ou uma má interpretação do termo bantu mococo. Na verdade. Ford Foundation e apoio institucional do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Alagoas. usado para designar qualquer Estado. 8 Gaspar Barleus. foram introduzidos posteriormente. Dombrabanga. faziam parte de um contexto internacional ainda mais amplo. in R. efetuadas nas duas primeiras etapas de campo. nem à presença de mouros. conhecida nos documentos da época como Oiteiro da Barriga (hoje. 1987).180-1) relaciona os nomes Aqualtene. por moradores e fazendeiros. 1987. prevista para os próximos anos. O Quilombo de Palmares. permitirá passar das prospeções. O interesse por Palmares. O trabalho arqueológico em Palmares. tem sido acentuado. na etapa de campo. cf. depois de ficar-lhes conhecendo os lugares e o modo de vida. In Search of Zumbi: Preliminary Archaeological Research at the Serra da Barriga. NOTAS 1 O nome “república”. 1988. 1990. para escavações. apenas a partir da cerâmica. Brazil. em interação. mas as perspectivas são. 1974 [originalmente publicado em 1647]. ao vernáculo. segundo R. Charles E. 5 Kent (op. eram muito mais intensos do que se costuma admitir (27) e sugere que. 4 A localização dos outros mocambos ou aldeias não é segura. tanto no Brasil como no exterior. diversas das africanas (29). os holandeses a nordeste. Joint Committe on Latin American Studies of the Social Science Research Council. Serra da Barriga). pp. Nos documentos que se referem a Palmares. Macaco. Os mocambos sobreviveram não apenas em confronto com esses grupos como. segundo Teodoro Sampaio. atraiçoasse os antigos companheiros”. Porto Alegre. Problems of Internal Written Evidence on a Central African Kingdom”. 420). D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 . Zumbi. em geral com conotações pejorativas. o assentamento rebelde é chamado de mocambo. “esconderijo”. 1614-35.000 m de leste a oeste e 500 m a 1. “os escravos não eram militantes culturamente nacionalistas. ao contrário. que procuravam preservar tudo que fosse africano mas. que poderiam estar inflados. Baltimore. Illinois State University. bastante amplas. brancos e índios no quilombo. portanto. Nesse contexto. entre europeus e africanos. 33. em parte. A continuidade do trabalho arqueológico na Serra da Barriga.174. 33. do termo latino então corrente.1 3. em parte graças às prospeções arqueológicas (32). Os primeiros resultados indicam que há ainda muito a fazer. Édison Carneiro. já demonstra que. Cf. segundo John Thornton (“The Correspondence of the Kongo Kings. Amaro é de origem portuguesa. 3 Obtivemos fundos da Illinois State University. 1979.cit. p. National Geographic Society.14-5 et passim. 9 É difícil avaliar a veracidade desses números. medindo cerca de 4. Subupira e Tabocas são topônimos tupis. Museu Théo Brandão (Maceió). refere-se a que “certo Bartolomeu Lintz vivera entre eles para que. embora ainda muito inicial. Orser Jr. na América.. da situação histórica e estratégica de Palmares. Segundo diversos estudiosos. Normal. National Science Foundation. necessariamente. com bibliografia anterior. Ann Arbor. sete eram índios e alguns crianças mulatas. aproximadamente. P. Kent: “Palmares: an African State in Brazil”. pois a própria escravidão colonial era o resultado do capitalismo mercantil europeu (31). como mocambo e quilombo. 2 Ver o volume organizado por Orser: Historical Archaeology on Southern Plantations and Farms . Este caráter multiétnico deriva. São Paulo. A altitude varia de 150m a 560m acima do nível do mar. Andalaquituche a idiomas bantus.turais. a participação. a capital. é uma tradução.).000 m de norte a sul. State of Alagoas. em seu História dos Feitos Recentemente Practicados Durante Oito Anos no Brasil (Belo Horizonte. na própria África. De qualquer forma. in Paideuma. Maceió. a 9 graus 10’00" sul e 36 graus 05’00" oeste. Em geral. em seu dicionário O Tupi na Geografia Nacional (São Paulo. S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . entre 1630 e 1654. 253). 1992. res publica. Price (org. passavam a forjar culturas especificamente americanas. p. a oeste.. de Michael Rowlands foi financiada pelo British Research Council. pp.

p. Entrevista de P. 1976. 19th. in O Estado de S. 28 John Thornton.705-11).179.A. 20 de novembro. An Ecologial Model of the Spread of Pottery and Agriculture into Eastern South America . José Proença Brochado. Power. 33 Devo agradecer a diversos colegas que. Afro-American Slave Revolts in the Making of the Modern World. Sua inserção no contexto local impossibilitaria sua “exportação” para a realidade do mundo colonial americano. 0.1 3. 1991. 1991. segundo Jean Nsondé (“Christianisme et Religion Traditionelle au Pays Koongo aux XVII-XVIIIe. 1624-1654. p.6% vidro.140. The Ovimbundu of Angola. Essas considerações surgiram de conversas com Susan Alcock e Carla Sinopoli a respeito da reação de alguns pré-historiadores quando de uma palestra sobre os trabalhos na Serra da Barriga. com majólica. Ello se refleja en que. 18 O objetivo desses transeptos era averiguar os danos arqueológicos causados pelo uso de um trator.118-32). Normal. Cambridge. p. p. A Descriptive Dictionary of 500 Years of Spanish-Tradition Ceramics: 13th through 18th Centuries. In Search of Zumbi. Oct. Chicago. se lidos. “Early Kongo-Portuguese Relations: a New Interpretation”. Fernando A. Austin. pp. ver: John Thornton. Florence C. diversos órgãos de imprensa têm publicado artigos. 8.368 e prancha XIV. 1981.46. a fim de “limpar” a área.206. Orser Jr. Graham (org.23. p. California. Há quem proponha tratar-se de duas ocupações sucessivas. 1992. talvez mais provavelmente. permitem constatar que artefatos “pré-históricos” eram usados nos assentamentos coloniais. 1-2. “The Bondsman’s New Clothes: the Contradictory Consciousness of Slave Resistance on the Swahili Coast”. 1934. p. 15 Os fragmentos podem associar-se à majólica portuguesa ou. tornando-a um local mais aprazível para os festejos do dia da consciência negra. Early Mbundu States in Angola (Oxford. “Croyances et Connaissances”. induzindo a erros crassos de julgamento. em seu Kings and Kinsmen. el colonizador Hispánico acostumbró tomar como servientes. 31 Cf. embora a responsabilidade pelas idéias seja somente minha: Zezito de Araújo.11-56. 7. Paulo. in History in Africa.160-260 et passim).278 et passim. in Folha de S. pp.119-21. A importância da ligação entre o exercício do poder e o controle do sagrado na África bantu tem sido ressaltada por Michael Rowlands (“From Tribe to State in West Central Africa”. 24/10/1993. 1974.94: “ el sistema español implantado en America Latina. 25 E. in Estudos Econômicos. cuja cultura material apresenta elementos europeus. p. 84-6. tanto nas religiões tradicionais bantus como no catolicismo africano.). àquela holandesa. in Nes African Life. in Historical Archaeology in Latin America. 20 Merran McCulloch refere-se a tais vasos entre os mbundus (ovimbundus). dominado pela escravidão colonial e pelos ameríndios.183202. os documentos históricos que se referem aos sítios coloniais e que. Michael Rowlands e John Thornton. em agosto de 1995. Infelizmente. Essas hipóteses revelam. 32 No exterior. 0. 12 Segundo o preceito romano reconhecido à época: iuste possidet. “Arqueologia Histórica Urbana en Santa Fe La Vieja: el Final del Principio”. Jonathon Glassman.62. p. em seu The Ovimbundu of Angola (Londres. 24 “Mocambos. 17 91% cerâmica comum. 3-6. material datado entre fins do século XVIII e início do XIX. 32. December/1993. Fort Jesus: A Portuguese Fortress on the East African Coast. um vaso de tipo indígena poderia ser reapropriado pela população mestiça do quilombo como um recipiente de armazenamento. O título nganga era usado para designar “sacerdote”. in Cahiers d’Études Africainnes . Africa and Africans in the Making of the Atlantic World. pearlware. in R. Orser Jr. em Angola. The Dutch in Brazil. Compare-se com a majólica contemporânea em África. 10. têm dificuldade em admitir a presença concomitante. From Rebellion to Revolution. Paulo. 29 Cf. Charlotte Wilcoxen. Lister e Robert H. Oxford. Libreville. Novais. prancha 5 et passim. em Simpósio organizado pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. “The Lost Kingdom”. July-August/1993. 1400-1680. fue relativamente flexible en lo que repecta a la integración de diferentes grupos étnicos a la sociedad colonial. pois a semelhança da coloração com o material daquela proveniência. “Brazil and the Old Colonial System”.5% cerâmica trabalhada. 13 Sítio número 11. Desconhecem. Journal of African History. stoneware. 1991. 19 Cf. A28. as características da Arqueologia História ainda são largamente desconhecidas pelos pré-historiadores. 46. tanto na África como em Palmares. pp. 1987. Lister. Funari. Brazil and the World System. Urbana. 128. S Ã O P A U L O ( 2 8 ) : 6 . Charles E. ajudaram na elaboração deste artigo. toda a área (sítio 1) diante do monumento foi muito afetada pela remoção dos vestígios. 1973. indígenas e mesclas. desde los primeros tiempos. “South America’s Lost African Kingdom”. 1952. a diferencia del Británico en America del Norte. de diferentes modos. 1976. Sobre o título nzumbi. Baton Rouge. Nova York. The 1993 Season. in America Negra. José Joaquim Justiniano Proenza Brochado. associados. 4. cf. Charles E. pp. pp. Historical Archaeology in Latin America. in Archaeology.9% outros materiais variados. “The Archaeolgy of Palmares and its Contribution to the Understanding of the History of African-American Culture”. 1.. and the Modern State in Cameroon”. inexistentes em África. 30. R E V I S T A U S P . p. entre os quais: Ricardo Bonalume Neto. Joseph Miller. 1994.56. and Power. creamware. qui auctore praetore possidet. pp.. p. Pablo Pereira.P. 22 Assim. pp. Funari à British Broadcast Corporation. Oxford. Como era esperado.9. Brian Fagan.29) e Michael Rowlands e Jean Pierre Warnier (“Sorcery. concubinas. pode ser observada. p. Tese de Doutoramento inédita. de cerâmicas de tipo indígena misturadas com cerâmica colonial. Charles Ralph Boxer. Jonathon Glassman. 23 Andrés Zarankin. “Silencio y Ambivalencia: el Mundo de los Negros en Brasil”. Dutch Trade and Ceramics in America in the Seventeenth Century. desconhecimento das características dos sítios coloniais. cf. cf. em sítios históricos. 21 Wilfred D. 17. in The Independent. “O Pequeno Brasil de Palmares”. 14 Cf. a mídia tem dado grande destaque ao trabalho. “Brazil’s Little Angola”. 23.3% líticos. 1981. 6. pp. p. ver: Tulu Kia Mpansu Buakasa. préhistórica e colonial. encontrado na América do Norte. 4/6/95. Genovese. 16 Pré-historiadores. 23. características e transformações do ki-lombo.15). manuscrito inédito. 30 Por exemplo: José Flávio Sombra Saraiva. 1992. No Brasil. figura 16 et passim. p. Siècles”. in Symposium at Cascais on Critical Approaches in Archaeology: Natural Life. Eugene D. e Pedro Paulo A. 1993. 26 Joseph C. cf. contudo. Meaning. Anver Versi. Racines Bantu. 5-16. in Man (NS).1% metal e 1. David Keys. 27 A respeito do Congo. pp. whiteware. p. um estudo detalhado das origens. por alguns anos sucessivos. 1993. também. p. tanto no Brasil como no exterior. em: James Kirkman. p. 1995. o esposas a integrantes de la población indígena local ”. 11 O termo nzumbi possui conotações militares e religiosas a um só tempo. D E Z E M B R O / F E V E R E I R O 9 5 / 9 6 13 . 1987. “Arqueologia Tenta Desvendar Vida em Palmares”. 25/6/95. 4. pp.10 Há muitas evidências da religiosidade associada ao poder. Miller apresenta. 1993. in Théophile Obenga e Simão Souindoula (orgs.14-9. Quilombos e Palmares: a Resistência Escrava no Brasil Colonial”. Hambly. figuras 13 e 14.).