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(Curso Técnico de Estruturas & Máquinas Navais

)

DESENHO TÉCNICO I

Professor: Rony Peterson Ferreira Eng. Civil, B.Sc. M.Sc. em Estruturas Metálicas/Offshore Doutorando Estruturas Oceânicas - COPPE/UFRJ

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SUMÁRIO 1.0 - INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 3 2.0 – LITERATURAS E NORMAS UTILIZADAS.............................................................. 3 3.0 – TIPOS DE HACHURAS CONFORME NORMA (ABNT).......................................... 4 4.0 – CORTES................................................................................................................... 6 4.1 – CORTE TOTAL ........................................................................................................ 6 4.2 – MEIO CORTE......................................................................................................... 10 4.3 – CORTE PARCIAL .................................................................................................. 11 4.4 – SEÇÕES................................................................................................................. 12 5.0 – VISTAS................................................................................................................... 14 5.1 – VISTA AUXILIAR ................................................................................................... 14 5.2 – VISTA AUXILIAR DUPLA...................................................................................... 17 6.0 – DESENHOS DA ÁREA NAVAL E OFFSHORE..................................................... 18 6.1 – INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 18 6.2 - RESISTÊNCIA ESTRUTURAL DE VÁRIOS PERFIS............................................. 22 6.2 – DESENHO NAVAL ................................................................................................ 23 6.3 – DESENHO OFFSHORE ......................................................................................... 25 6.4 – INTERFACE DESENHO NAVAL/OFFSHORE ...................................................... 28

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7.0 – SIMBOLOGIAS ...................................................................................................... 29 7.1 – INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 29 7.2 – LIGAÇÕES PARAFUSADAS ................................................................................ 30 7.3 – TIPOS DE PARAFUSOS ....................................................................................... 31 7.3.1 - PARAFUSOS COMUNS ...................................................................................... 31 7.3.2 - PARAFUSOS DE ALTA RESISTÊNCIA ............................................................. 31 7.3.3 - PINOS, BARRAS E PARAFUSOS TORNEADOS .............................................. 32 7.3.4 – RESISTÊNCIA DOS PARAFUSOS .................................................................... 33 7.3.4.1 – DOS PARAFUSOS A TRAÇÃO E CISALHAMENTO ..................................... 33 7.3.4.2 – FUROS ............................................................................................................. 34 7.3.4.3 – DISTÂNCIA MÍNIMA DE UM FURO ÀS BORDAS .......................................... 35 7.4 – LIGAÇÕES SOLDADAS........................................................................................ 38 7.5 – SIMBOLOGIA DE ACABAMENTOS ..................................................................... 65 8.0 – APLICAÇÃO DO USO DE TRANSFERÊNCIA DE ESCALAS.............................. 68 8.1 – DESENHO DE BLOCOS........................................................................................ 69 9.0 – DESENHO ESTRUTURAL..................................................................................... 71 9.1 – PROJETO BÁSICO ............................................................................................... 71 9.1.1 – EXERCÍCIO RESOLVIDO................................................................................... 75 9.1.1 – EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................... 79 10.0 – LISTA DE MATERIAL.......................................................................................... 80 10.1 – EXERCÍCIO PROPOSTO..................................................................................... 81

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1.0 - INTRODUÇÃO O desenho técnico é uma forma de expressão gráfica que tem por finalidade a representação de forma, dimensão e posição de objetos de acordo com as diferentes necessidades requeridas pelas diversas modalidades técnicas, de engenharia, arquitetura e afins. Utilizando-se de um conjunto constituído por linhas, números, símbolos e indicações escritas normalizadas internacionalmente, o desenho técnico é definido como linguagem gráfica universal. Assim como a linguagem verbal escrita exige alfabetização, a execução e a interpretação da linguagem gráfica do desenho técnico exige treinamento específico, porque são utilizadas figuras planas (bidimensionais) para representar formas espaciais. Esta apostila tem o objetivo de orientar aos futuros técnicos de estruturas e máquinas navais parte do estado da arte de desenhar/projetar estruturas aplicadas as áreas de projetos de estruturas navais e offshore. 2.0 – LITERATURAS E NORMAS UTILIZADAS /2.1/ API RP2A - Recommended Practice for Planning, Designing and Constructing of Fixed Offshore Platforms – 21th edition; /2.2/ AISC 89 - Manual of Steel Construction (ASD); /2.3/ AWS - Structural Welding Code - Steel - AWS D1.1-1998; /2.4/ NBR 5984 – Norma Geral de Desenho Técnico; /2.5/ NBR 8196 – Emprego de Escalas em Desenho Técnico; /2.6/ NBR 6402 – Execução de Desenhos Técnicos de Máquinas e Estruturas metálicas; /2.7/ NBR 12298 – Representação de Área de Corte por Meio de Hachuras em Desenho Técnico; /2.8/ NBR 10126 – Cotagem de Desenho Técnico; /2.9/ Arte Naval Volume I e II – Maurílio M. Fonseca, 5o edição-1989.

deve-se interromper as hachuras para deixar bem nítida a inscrição feita.0a O espaçamento entre as hachuras deverá variar com o tamanho da área a ser hachurada. Figura 3. evidenciando as áreas de corte. como mostra a figura 3.0c. As hachuras são constituídas de linhas finas. Figura 3. Figura 3. conforme mostra a figura 3.0b Havendo necessidade de fazer qualquer inscrição na área hachurada.DESENHO TÉCNICO I REV. eqüidistantes e traçadas a 45° em relação aos contornos ou aos eixos de simetria da peça.0a.0c . Quando a área a ser hachurada for muito grande pode-se colocar as hachuras acompanhando o contorno da peça (c). PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 4 3.0 – TIPOS DE HACHURAS CONFORME NORMA (ABNT) A finalidade das hachuras é indicar as partes maciças. conforme mostrado na figura abaixo (a e b).

Nos desenhos de conjuntos as peças adjacentes devem ser hachuradas em direções diferentes. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 5 As hachuras de peças com espessura muito pequena. Figura 3. com filetes brancos separando as partes contíguas.0d Em uma mesma peça as hachuras devem ter uma só direção. são representadas em preto. conforme mostra a figura 3. peças delgadas. desenhadas montadas. observe que a vista em corte com variação das direções e dos espaçamentos das hachuras permite a identificação dos limites de cada peça e facilita bastante a interpretação do desenho.0e .DESENHO TÉCNICO I REV. Figura 3. A figura seguinte mostra um conjunto de peças.0d.

1a mostra a aplicação de um corte total onde o plano secante muda de direção. resulta na apresentação do corte – CD na posição da vista lateral esquerda. O plano secante pode ser constituído de mais de uma superfície. com o sentido de observação indicado.1 – CORTE TOTAL Corte Total é aquele que atinge a peça em toda a sua extensão.0f 4. . Figura 3. A figura 3.DESENHO TÉCNICO I REV. onde o plano de corte atravessa completamente a peça. para melhorar a representação das partes internas da peça.0f mostra algumas hachuras convencionadas para representar o tipo de material utilizado na construção da peça. A figura 4. Observe que a linha de corte muda de direção para atingir detalhes internos não alinhados.0 – CORTES 4. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 6 Existem normas específicas que permitem a utilização das hachuras para indicar o tipo do material da peça. como o desenho está no 1º Diedro. O corte total é chamado de Corte Reto. Ao observarmos o desenho abaixo. Quando o plano secante muda de direção o corte é chamado de Corte em Desvio ou Corte Composto. sendo composto por várias superfícies.

Figura 4. A figura 4.1a sendo cortada mais de uma vez. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 7 Figura 4.1b .1b mostra a mesma peça da figura 4.DESENHO TÉCNICO I REV.1a Na representação de uma peça pode-se fazer tantos cortes quantos forem necessários para facilitar o entendimento de todos os seus detalhes internos.

1c. para transformar o corte composto por duas superfícies em um corte reto. conforme mostram as peças na figura 4. Figura 4. A superfície oblíqua do plano de corte é rotacionada até a obtenção de uma única superfície. Figura 4.1d . O plano de corte também pode ser composto por planos sucessivos conforme mostra a figura 4. nas quais os planos de corte “BB” e “CC” são compostos por superfícies concorrentes.DESENHO TÉCNICO I REV.1d. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 8 Os desvios dos planos de corte podem conter superfícies oblíquas.1c O desenho resultante com a rotação da parte oblíqua do plano de corte representa a verdadeira grandeza do corte contido pelos planos concorrentes.

faz-se.) radialmente distribuídos e que não são atingidos pelo plano de corte.1e. a rotação dos detalhes até que coincidam com o plano de corte. sem qualquer menção ou indicação. . PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 9 No exemplo apresentado na figura 4.1d. Desta forma. ressaltos. conforme mostra a figura 4. Figura 4. ao mesmo tempo. Quando a peça contiver detalhes (furos. na vista resultante do corte – GG. e no lado direito aparecem rotacionados o ressalto inferior com o seu furo e a sua nervura. é necessário utilizar rupturas para poder representar a verdadeira grandeza da parte oblíqua e. A vista em corte será simétrica e os detalhes rotacionados aparecem em suas verdadeiras grandezas. manter o alinhamento vertical das vistas.1e Na figura 4.1e pode-se observar. onde os detalhes das diferentes superfícies do corte composto aparecem em verdadeira grandeza. nervuras. etc. que houve no lado esquerdo o rotacionamento da nervura superior.DESENHO TÉCNICO I REV. o corte composto apresenta o resultado de um corte reto.

quando o eixo de simetria for horizontal à metade cortada deverá estar na parte inferior.DESENHO TÉCNICO I REV.2 – MEIO CORTE Em peças simétricas é conveniente fazer com que o plano de corte vá somente até a metade da peça. em relação ao eixo de simetria e à linha de corte. as linhas tracejadas somente devem ser desenhadas se forem imprescindíveis para a compreensão do desenho.2a mostra a linha de corte indo até o meio da peça.2a A figura 4. Assim como no corte total. conforme mostram a figura 4. Deste modo.2b (a) e (b). tanto na parte cortada como na parte não cortada. em ambos os lados. Figura 4. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 10 4. . a vista em corte representará simultaneamente a forma externa e interna da peça. e desviando-se perpendicularmente para fora da peça. Quando não há representação da linha de corte. na parte inferior. a forma interna da peça e na parte superior a forma externa. O eixo de simetria separa o lado cortado do não cortado. A vista em corte mostra. as normas determinam que: quando o eixo de simetria for vertical a metade cortada deverá ser representada à direita e. Ou seja. no meio corte. também não se deve representar as arestas invisíveis.

para facilitar a execução do desenho deve-se utilizar o corte parcial. A linha de ruptura é uma linha irregular.3 – CORTE PARCIAL Nos Cortes Parciais ou Rupturas como também são chamados. . contínua e de espessura fina. Nos cortes parciais são representadas todas as arestas invisíveis.DESENHO TÉCNICO I REV. assim sendo.2b 4. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 11 Figura 4. apenas uma parte da peça é cortada visando mostrar algum detalhe interno. se colocam todas as linhas tracejadas. ou seja. Quando os detalhes estão concentrados numa determinada parte da peça não haverá necessidade de utilizar um corte completo e. Nos cortes parciais o plano secante atinge a peça somente até aonde se deseja detalhar e o limite do corte é definido por uma linha de ruptura.

4a mostra a aplicação. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 12 Figura 4.. a figura 4.4 – SEÇÕES Seção é um corte que representa somente a intersecção do plano secante com a peça. a seção representa a forma de um determinado ponto da peça. . enquanto. braços de volantes.3a 4. Para facilitar o entendimento da diferença entre corte e seção. de corte AA na parte superior da figura e da seção AA na parte inferior. As seções são chamadas de Seções Transversais porque o plano secante é perpendicular ao eixo da parte a ser seccionada e o corte resultante é rebatido sobre o plano do papel. na seção é representada somente a parte atingida pelo plano de corte AA (parte hachurada).DESENHO TÉCNICO I REV. Em outras palavras. Observe que na vista em corte é representado tudo que se está vendo a partir do plano de corte AA. As seções podem ser desenhadas dentro do contorno da vista ou fora do contorno da vista e são utilizadas para representar a forma de nervuras. rasgos etc. em uma mesma peça.

4a No desenho abaixo.4b As seções podem ser utilizadas para mostrar a variação da forma de uma peça ao longo de seu comprimento (Seções Sucessivas). Figura 4. desenhada dentro do contorno da vista.4c mostra diferentes seções de cada ponto da respectiva peça. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 13 Figura 4. desenhadas fora do contorno da vista. observe que com a aplicação de uma seção. . A figura 4.DESENHO TÉCNICO I REV. sobre o braço do volante fica mais fácil o entendimento do desenho.

a forma da parte inclinada do objeto.4c 5. A figura 5. .1a mostra três vistas de um objeto com superfície inclinada. as linhas traço ponto (linhas de centro) fazem a identificação dos pontos seccionados em cada peça. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 14 Nestes casos. em nenhuma das vistas principais as superfícies inclinadas aparecem representadas em suas verdadeiras grandezas. Figura 4. em verdadeira grandeza. como as seções foram desenhadas próximas das vistas.0 – VISTAS 5.DESENHO TÉCNICO I REV.1 – VISTA AUXILIAR Devido à utilização de projeções ortogonais. observe que em nenhuma das três vistas aparece.

como mostra a figura 5. faz-se o tombamento da peça perpendicularmente à superfície inclinada. Ou seja. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 15 Figura 5.1b .DESENHO TÉCNICO I REV. Figura 5.1a A representação da forma e da verdadeira grandeza de uma superfície inclinada só será possível fazendo a sua projeção ortogonal em um plano paralelo à parte inclinada.1b.

como são localizadas em posições diferentes das posições resultantes das vistas principais. permite que as cotas sejam referenciadas às verdadeiras grandezas das dimensões cotadas. Figura 5. A projeção feita no plano auxiliar é chamada de vista auxiliar. Como o desenho técnico tem como objetivo representar com clareza as formas espaciais dos objetos.1d mostra que as vistas auxiliares. a ABNT recomenda a utilização de vistas parciais. Desta forma. limitadas por linhas de rupturas. conforme mostra a figura 5.1b é resultante da projeção ortogonal em um plano auxiliar paralelo à face inclinada do objeto e perpendicular ao plano que recebeu a projeção da vista de frente.DESENHO TÉCNICO I REV. não tem sentido prático desenhar as partes das vistas que aparecem com dimensões fora das suas verdadeiras grandezas.1c As vistas auxiliares. A figura 5. . que representam somente as partes que aparecem as formas verdadeiras dos objetos. devem ter o sentido de observação indicado por uma seta designada por uma letra. além de representar a forma do objeto com maior clareza.1c. que será usada para identificar a vista resultante daquela direção. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 16 O rebatimento mostrado na figura 5. As vistas auxiliares são empregadas para mostrar as formas verdadeiras das superfícies inclinadas contidas nos objetos representados.

a primeira projeção deverá ser feita em um primeiro plano auxiliar perpendicular à superfície inclinada e a um dos planos ortográficos. no caso a “Vista de A”. é feito no sentido perpendicular à superfície que se deseja representar em verdadeira grandeza. . O primeiro rebatimento. a segunda vista auxiliar é obtida pela projeção do objeto em um segundo plano auxiliar paralelo à superfície inclinada e perpendicular ao primeiro plano auxiliar. O segundo rebatimento.2a. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 17 Figura 5.1d 5. Ou seja. serão necessárias duas projeções auxiliares para determinar a verdadeira grandeza da superfície.2 – VISTA AUXILIAR DUPLA Quando o objeto contiver superfícies inclinadas em relação aos três planos de projeções.DESENHO TÉCNICO I REV. O segundo plano auxiliar não é perpendicular a nenhum dos planos ortográficos. sempre é feito de modo a representar por uma linha a superfície que se quer obter em verdadeira grandeza. conforme mostra a figura 5. Ou seja. no caso a “Vista de B”.

Na área naval e offshore existem várias formatações de perfis estruturais com a finalidade de atender a uma vasta necessidade de projetos. A seguir. que é um composto que consiste quase totalmente de ferro (98%). mecânicas e estaleiros. aços carbono e aços de baixa liga. Para compreender o comportamento das estruturas de aço é essencial que o desenhista/projetista esteja familiarizado com as propriedades do aço. O carbono é o material que exerce o maior efeito nas propriedades do aço. com pequenas quantidades de carbono. os tipos mais usuais encontrados no mercado. A matéria-prima comumente utilizada é o aço. • Alta resistência mecânica.0 – DESENHOS DA ÁREA NAVAL E OFFSHORE 6. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 18 Figura 5. tais como. enxofre.1 – INTRODUÇÃO Os desenhos da área naval e offshore tem grande aplicação nas indústrias metalúrgicas.DESENHO TÉCNICO I REV. • Dutibilidade (capacidade que o aço tem de se deformar antes da ruptura). pois suas propriedades são bem definidas. .2a 6. manganês etc. Os aços são divididos em dois grupos. silício.

soldados ou eletrosoldados Perfil I de abas inclinadas (laminado) .DESENHO TÉCNICO I REV. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 19 Barra redonda Barra chata Barra quadrada Perfil I de abas paralelas.

PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 20 Perfil U laminado Perfil U de abas paralelas Perfil T laminado Cantoneira laminada Chapa plana Tubo redondo .DESENHO TÉCNICO I REV.

DESENHO TÉCNICO I REV. dobrada enrijecido Perfil Bulbo ou WT cortado equivalente . dobrada simples Perfil U de ch. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 21 Tubo quadrado Perfil U de ch.

DESENHO TÉCNICO I REV. .2 . PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 22 6.RESISTÊNCIA ESTRUTURAL DE VÁRIOS PERFIS A seguir tabela explicativa sobre as resistências de vários aços estruturais.

PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 23 6. .2 – DESENHO NAVAL Neste item será apresentado brevemente os desenhos normalmente empregados na área de estrutura naval.DESENHO TÉCNICO I REV.

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PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 25 6.3 – DESENHO OFFSHORE Neste item será apresentado brevemente os desenhos normalmente empregados na área de estruturas offshore.DESENHO TÉCNICO I REV. .

DESENHO TÉCNICO I REV. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 26 .

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6.4 – INTERFACE DESENHO NAVAL/OFFSHORE Muita das vezes é comum haver interfaces entre desenhos navais com offshore, isso normalmente ocorre quando se trabalho com projetos de plataformas flutuantes (FPSO, Semi-Submersível, etc...), assim como, transporte marítimo de módulos estruturais. Abaixo será apresentado alguns destes tipos de desenhos.

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7.0 – SIMBOLOGIAS 7.1 – INTRODUÇÃO A simbologia técnica está intrinsicamente ligada aos projetos de estruturas navais e offshore, sendo assim, se faz necessário o entendimento destes símbolos (soldas, chanfros, parafusos etc...), principalmente as simbologias de soldas e parafusos, pois as mesmas são utilizadas em larga escala em desenhos industriais. Para começarmos a entender as simbologias de soldas e parafusos, precisamos primeiramente nos interarmos sobre as ligações (conexões) que as preescrevem. Quanto a rigidez de uma conexão podemos classificar em 02 tipos; 1. Ligações rotuladas ou flexíveis = São tipos de ligações na qual após o carregamento da estrutura a mesma permite uma pequena movimentação do nó estrutura. 2. Ligações rígidas ou engastadas = São tipos de ligações na qual após o carregamento da estrutura a mesma não permite uma movimentação do nó estrutura, isto é, o nó se mantém rígido. Segue exemplos de ligações estruturais.

Ligação flexível com cantoneiras

Ligação flexível com chapa de extremidade

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Ligação flexível com chapa simples Ligação rígida com chapa de cabeça parafusada assimétrica

Ligação rígida soldada simétrica 7.2 – LIGAÇÕES PARAFUSADAS

Ligação rígida simétrica com perfil T laminado

As ligações parafusadas são empregadas em larga escala nas construções metálicas e as vezes também utilizada na construção offshore e naval. Os parafusos vieram a substituir com vantagens as ligações rebitadas usadas durante muito tempo no Brasil (aproximadamente até 1969), as principais vantagens e desvantagens deste tipo de ligação são;

podendo ser empregadas em locais onde há pouca energia disponível.PARAFUSOS COMUNS São feitos de materiais de aço carbono. o que muitas vezes exige reforço destas partes.PARAFUSOS DE ALTA RESISTÊNCIA São feitos de materiais com aço de médio e baixo carbono tratado termicamente.DESENHO TÉCNICO I REV. ASTM-A325 inclui em sua composição porcas e arruelas planas endurecidas. em alguns casos. Melhor resposta às tensões de fadiga. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 31 VANTAGENS • • • • Rapidez nas ligações de campo. Contato por esmagamento (Bearing Type). onde o deslizamento da junta é contido parcialmente pela fricção entre as partes ligantes. onde o deslizamento da junta é contido pelo corpo do próprio parafuso [ver figura 7.3. Necessidade. Devido sua menor resistência mecânica gera conexões menos econômicas que os parafusos de alta resistência. de menor custo e nomenclaturado de ASTM-A307. para evitar falta de parafusos na obra. de se realizar uma montagem de fábrica para casamento perfeito dos furos. DESVANTAGENS • • • Necessidade de verificação de áreas líquidas e esmagamentos das peças. Necessidade de previsão antecipada.3. • • Contato por fricção (Friction Type). não muito qualificadas. torque este que confere à ligação dois tipos de contato. Uso de poucas pessoas (02).2 . 7.1 .2a].3.3. como é o caso dos soldadores.3 – TIPOS DE PARAFUSOS 7. sendo esta protensão considerada no cálculo [ver figura 7. ASTM-A490 é de aço-liga temperado e revenido. Ecomonia em relação ao consumo de energia. 7. .2b]. Os parafusos de alta resistência são instalados nas conexões através de um torque (protensão).

DESENHO TÉCNICO I REV.3.2b A325-F e A490-F = Tipo fricção.3. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 32 Figura 7. Figura 7. São utilizados para confecções de pinos de ligações (simulando rótulo). A325-N e A490-N = Tipo esmagamento com rosca no plano de cisalhamento.PINOS. A325-X e A490-X = Tipo esmagamento com rosca fora do plano de cisalhamento.3 .3. 7.2a Os parafusos A325 e A490 se divide em. . BARRAS E PARAFUSOS TORNEADOS São barras de aço nomenclaturados em ASTM-A36 e SAE 1010/20 de menor custo.

PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 33 Figura 7.3. na área nominal. Ft. produzida pelas forças aplicadas às partes conectadas. somente atuando por exemplo tração. . não deverá exceder os valores calculados pelas fórmulas da tabela A. onde fv é a tensão de cisalhamento produzida pelas mesmas forças e não deve exceder o valor de cisalhamento dado na tabela 1. Ab.1 – DOS PARAFUSOS A TRAÇÃO E CISALHAMENTO Parafusos sujeitos a esforços combinados de tração e cisalhamento devem ser projetados com os valores de tal modo que a tensão de tração.4 – RESISTÊNCIA DOS PARAFUSOS 7.3a 7.DESENHO TÉCNICO I REV.3. Para os esforços atuando nos parafusos de forma individual.4.3. isto é. deverá ser utilizado a tabela 1.

4.2 – FUROS Há quatro tipos básicos de furos para parafusos ou barras rosqueadas. . Na tabela 2 são dadas as suas denominações e suas dimensões máximas em função do diâmetro d do furo ou da barra. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 34 Tabela 1 – Cargas admissíveis dos parafusos (tf) – série ASTM.DESENHO TÉCNICO I REV.3. 7.

. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 35 Tabela 2 – Tipos básicos de furação.3 – DISTÂNCIA MÍNIMA DE UM FURO ÀS BORDAS Há quatro tipos básicos de furos para parafusos ou barras rosqueadas.3.4. Tabela 3 – Limitações relativas ao emprego de furos alargados ou alongados. 7.DESENHO TÉCNICO I REV.

PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 36 Furo padrão A distância mínima do centro de um furo padrão a qualquer borda de uma ligação não pode ser inferior ao valor indicado na tabela abaixo. .DESENHO TÉCNICO I REV. sendo d o diâmetro do parafuso.

.DESENHO TÉCNICO I REV. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 37 Tabela 4 – Espaçamento máximo entre furos e furo/borda.

4 – LIGAÇÕES SOLDADAS . PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 38 7.DESENHO TÉCNICO I REV.

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aparência. perfilógrafos. a aplicação desta simbologia é adotada como indicação meramente qualitativa. corrosão. . A rugosidade superficial é função do tipo de acabamento. O acabamento superficial é medido através da rugosidade superficial.5a). pode-se distinguir os seguintes erros: • Erros macro-geométricos ou erros de forma: Podem ser medidos com instrumentos de medição convencionais. a qual é expresso normalmente em microns. Estes instrumentos podem ser óticos. A indicação de acabamento superficial em desenhos sob a forma de triângulos está ultrapassada e não deve ser utilizada.5b mostra uma relação aproximada entre a simbologia antiga de triângulos e os parâmetros de rugosidade superficial.5 – SIMBOLOGIA DE ACABAMENTOS As superfícies de peças apresentam irregularidades quando observadas em detalhes. No Brasil. escoamento de fluidos e superfícies de medição (blocos-padrão. Na análise dos desvios da superfície real em relação à superfície geométrica (ideal.DESENHO TÉCNICO I REV. propriedades óticas. micrômetros. porém. Estas irregularidades são provocadas por sulcos ou marcas deixadas pela ferramenta que atuou sobre a superfície da peça. Recomenda-se todavia a medição da rugosidade e respectiva indicação por um parâmetro específico. de projeto). de forma e de posição não é suficiente para garantir a funcionabilidade do par acoplado. O acabamento superficial é fundamental onde houver desgaste. etc. onde somente a precisão dimensional. os conceitos de rugosidade superficial são definidos pela norma ABNT NBR 6405/85. paquímetros. A importância do estudo do acabamento superficial aumenta na medida em que cresce a precisão de ajuste entre as peças a serem acopladas. Às vezes. devido às dificuldades em se medir os parâmetros de rugosidade. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 65 7. transmissão de calor. A Tabela 7. • Erros micro-geométricos: Podem ser medidos somente com instrumentos especiais tais como rugosímetros. Os detalhes sobre a simbologia a ser utilizada em desenhos técnicos são mostradas abaixo (figura 7. resistência à fadiga. atrito. da máquina-ferramenta ou do processo de fabricação utilizado.). a laser ou eletromecânicos.

DESENHO TÉCNICO I REV. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 66 Tabela 7.5a .

DESENHO TÉCNICO I REV. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 67 Tabela 7.5b .

Para facilitar a interpretação da relação existente entre o tamanho do desenho e o tamanho real do objeto. Para evitar distorções e manter a proporcionalidade entre o desenho e o tamanho real do objeto representado.0 – APLICAÇÃO DO USO DE TRANSFERÊNCIA DE ESCALAS Como o desenho técnico é utilizado para representação de máquinas. foi normalizado que as reduções ou ampliações devem ser feitas respeitando uma razão constante entre as dimensões do desenho e as dimensões reais do objeto representado. para viabilizar a execução dos desenhos.DESENHO TÉCNICO I REV. que resulta nas seguintes possibilidades: . os objetos grandes precisam ser representados com suas dimensões reduzidas. sendo o desenho técnico uma linguagem gráfica. enquanto os objetos. A razão existente entre as dimensões do desenho e as dimensões reais do objeto é chamada de escala do desenho.5a – Desenho mostrando símbolo de rugosidade de superfície 8. ou detalhes. Assim. É importante ressaltar que. e a escala do desenho sempre será definida pela relação existente entre as dimensões lineares de um desenho com as respectivas dimensões reais do objeto desenhado. muito pequenos necessitarão de uma representação ampliada. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 68 Figura 7. estruturas e até unidades inteiras de processamento industrial. pelo menos um dos lados da razão sempre terá valor unitário. é fácil concluir que nem sempre será possível representar os objetos em suas verdadeiras grandezas. a ordem da razão nunca pode ser invertida. equipamentos.

DESENHO TÉCNICO I REV. Quanto a técnicas de transferência de escala. desenhos de blocos se faz necessário. existirá abaixo dos respectivos desenhos a identificação das escalas utilizadas. a utilização das seguintes escalas: A indicação é feita na legenda dos desenhos utilizando a palavra ESCALA. 8. Os blocos montados na oficina são transportados até uma carreira ou dique e unidos uns aos outros. as redes entre outros são construídos e montados simultaneamente dentro das oficinas em grandes blocos. Sendo assim. as máquinas. houver desenhos com escalas diferentes daquela indicada na legenda. Desvantagem = maior nível de coordenação e precisão na construção dos blocos. tendo em vista a precisão para o acoplamento das estruturas. . para o Desenho Técnico.1 – DESENHO DE BLOCOS Atualmente nos estaleiros as construções de navios em blocos (módulos) são muito utilizados. Quando. permitem que propriedades de uma estrutura refinada sejam adaptadas para uma simulação mais grosseira. seguida dos valores da razão correspondente. A parte estrutural. em uma mesma folha. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 69 • 1 : 1 para desenhos em tamanho natural – Escala Natural • 1 : n > 1 para desenhos reduzidos – Escala de Redução • n > 1 : 1 para desenhos ampliados – Escala de Ampliação A norma NBR 8196 da ABNT recomenda. porém conservando suas propriedades originais. • • Vantagem = rapidez de construção e menor custo.

1a – Foto de uma estrutura em bloco de navio Figura 8.DESENHO TÉCNICO I REV.1b – Desenho esquemático de um bloco de navio . PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 70 Figura 8.

Projeto Básico = Consiste em gerar desenhos com informações básicas. A seguir será mostrado vários exemplos de projeto básico seguido de comentários para uma melhor elucidação da máteria dada. que serve para fabricação imediata. a P. Projeto Detalhado = Consiste em gerar desenhos com informações detalhadas (discretizadas) da estrutura. . são divididos em dois grandes grupos. assim como.DESENHO TÉCNICO I REV. a P.T. o projeto básico consiste em gerar desenhos com informações básicas. na qual são indicadas medidas reais de cada peça a ser construída. 9. 1.T.T. migrarmos para o projeto detalhado (esta matéria é dada no 3o ano).1 – PROJETO BÁSICO Como já dito anteriormente. na qual são indicadas medidas de eixo a eixo (P. lista de material detalhada de todas as peças envolvidas. 2. No 2o ano iremos dar ênfase para o projeto básico. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 71 9. na qual são indicadas medidas de eixo a eixo (P.) estrutural.T. assim como lista de material que serve para se fazer orçamento do custo da estrutura projetada. estruturas offshore entre outros. além de auxiliar cotações/licitações para construção da obra em questão.) estrutural.0 – DESENHO ESTRUTURAL Os desenhos estruturais utilizados para confecções de navios. pois se faz necessário o entendimento deste para aí sim.

observe que este offset se faz necessário devido ao afastamento mínimo.T.T.T. a P.T.1/.) dos elementos estruturais. assim como outras observações conforme indicado na figura abaixo. extraído de /2. conforme norma /2.1a é mostrado a cota do offset (distância entre os P. Figura 9. observe que as cotas indicadas são somente aquelas em que se mostra a medida de centro a centro (P.´s da diagonal e montante da face da jaqueta). na qual preconiza que a folga mínima entre tubos de um nó estrutural deverá ser de 51mm (2”).de um nó estrutural Na figura 9. que neste exemplo são tubos.T. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 72 No desenho da face 1 da jaqueta (plataforma fixa de petróleo) acima.DESENHO TÉCNICO I REV.1b – Detalhe de uma junta (nó estrutural) simples. a P.1a – Desenho mostrando cota de P. Figura 9.1/ .

conforme /2. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 73 Na figura 9. isto é.-23200 Na figura 9. assim como.DESENHO TÉCNICO I REV.1/ para definição de uma junta tubular simples. os offset´s em relação a pena da jaqueta. são mostrados os comprimentos reais dos tubos com suas respectivas boca-de-lobo). as marcas e propriedades das peças. no projeto básico os tubos são detalhados. . Figura 9. Observe que em nenhum instante.1b acima são mostradas as considerações básicas.1c – Detalhe da mesa da jaqueta na EL.1c são mostradas as cotas básicas da mesa.

1d – Elevação de um convés de jaqueta Figura 9. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 74 Figura 9.1e – Detalhes e seções de um convés de jaqueta .DESENHO TÉCNICO I REV.

1e. tendo em vista que toda a estrutura é soldada (na grande maioria das vezes as estruturas navais e offshore são soldadas). Observe que na estrutura acima a mesma é apresentada na forma de perfis “vestidos”.1a – Arranjo geral da estrutura O arranjo geral é a forma na qual normalmente o calculista apresenta a estrutura ao desenhista. . na qual somente é apresentado as linhas de centro da estrutura em questão. porém. se faz necessário identificar as simbologias as serem utilizadas.1d é mostrado a elevação de um convés de uma jaqueta. que neste caso são os símbolos de soldas. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 75 Na figura 9. a estrutura pode também ser entregue ao desenhista/projetista na forma de unifilares. na qual seus respectivos detalhes e seções são mostrados na figura 9. assim como. comprimento e altura da estrutura também são apresentados. isto é. Figura 9.1. Observe nos detalhes e seções que. largura. na qual as medidas básicas.1 – EXERCÍCIO RESOLVIDO Seja o projeto básico da estrutura de apoio de um tanque aéreo. renderizado.1. a identificação dos materiais envolvidos.DESENHO TÉCNICO I REV. isto é. 9.

1b – Plano das bases O plano das bases. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 76 Figura 9.DESENHO TÉCNICO I REV. sendo assim. pois. é o primeiro desenho estrutural a ser feito. normalmente. a mesma representa a estrutura em planta no nível do fuste do pilar.1. . é apresentado a seção transversal dos pilares e suas respectivas placas de base.

1c – Plano das vigas O plano das vigas representa a estrutura em planta no nível do topo da viga.DESENHO TÉCNICO I REV. Figura 9. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 77 Figura 9.1.1d – Elevação das Filas A e B .1.

Figura 9.1.1f – Detalhes e material das peças .DESENHO TÉCNICO I REV.1e – Elevação dos Eixos 1 e 2 As elevações nada mais é do que a vista frontal e lateral da estrutura.1. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 78 Figura 9.

1 – EXERCÍCIO PROPOSTO Desenvolver o projeto básico da estrutura abaixo (módulo de turbo gerador).1. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 79 Os detalhes e seções são indicadas no desenho com o intuito de deixar claro quanto a concepção das ligações utilizadas.DESENHO TÉCNICO I REV. . 9.

A sexta coluna (da esquerda para a direita) é utilizada para identificar os pesos totais por linha das peças estruturais utilizadas. observe que as marcas podem ser numéricas. tubulação.. 1C etc... observe que os nomes dos perfis são aqueles já consagrados nas literaturas técnicas.0 – LISTA DE MATERIAL Os desenhos estruturais normalmente possui uma lista de material para indicar com precisão os materiais a serem utilizados na confecção da estrutura em questão. tais como.DESENHO TÉCNICO I REV. A terceira coluna (da esquerda para a direita) é utilizada para identificar o nome dos perfis estruturais utilizados. Observe que o peso total global (soma de todos os pesos totais por linha) é apresentado .. porém.). A quinta coluna (da esquerda para a direita) é utilizada para identificar os pesos unitários das peças estruturais utilizadas. ou 1A. A quarta coluna (da esquerda para a direita) é utilizada para identificar os comprimentos das peças estruturais utilizadas. alfabéticas ou alfa-numéricas. 1B. A segunda coluna (da esquerda para a direita) é utilizada para identificar as quantidades das peças estruturais utilizadas. civil. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 80 10. B1. B3 ou 1. A formatação da lista de material pode variar em função do tipo de desenho (mecânico. 2. estrutural etc. elétrico. B2. normalmente os itens constantes no mesmo são indicados acima. A primeira coluna (da esquerda para a direita) é utilizada para identificar as marcas das peças estruturais. 3.

qualquer ressalvas devem ser explicitadas no cabeçalho da lista de material. As unidades utilizadas.DESENHO TÉCNICO I REV. assim como.1 – EXERCÍCIO PROPOSTO Desenvolver a lista de material da estrutura do item 9. PROFESSOR ELABORADOR CURSO TÉCNICO FOLHA 0 RONY PETERSON ESTRUTURAS & MÁQUINAS NAVAIS 81 no final da lista.1. 10. .1.