A Matemática do

Ensino Médio
Volume 1
Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho
Eduardo Wagner
Augusto Cézar Morgado

SOLUCIONÁRIO
COMPLETO

COLEÇÃO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA
SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA
Solu¸
c˜oes do Livro: A Matem´
atica do Ensino M´
edio - SBM
(Elon Lages Lima e col.)
nibblediego@gmail.com
Compilado dia 23/09/2016

Esse documento est´ a em constante revis˜ao. Vez ou outra um
erro de portuguˆes ´e corrigido, uma passagem que n˜ao ficou muito
clara ´e refeita, uma solu¸c˜
ao equivocada ´e substitu´ıda ou a solu¸c˜ao
de uma das quest˜ oes ainda n˜ ao resolvidas aparece magicamente
em minha cabe¸ca, sendo inclu´ıda em vers˜oes atualizadas do doc-
umento. Assim, verifique se o que vocˆe tem em m˜aos ´e de fato
a vers˜ao mais recente do documento. Todas as atualiza¸c˜oes dele
est˜
ao dispon´ıveis em www.number.890m.com sem br mesmo.

Se quiser informar algum erro de portuguˆes, digita¸c˜ao ou mesmo de l´ogica nos exerc´ıcios
escreva para: nibblediego@gmail.com

Sum´
ario
1 Conjuntos 2

2 N´
umeros Naturais 14

3 N´
umeros Cardinais 22

4 N´
umeros Reais 28

5 Fun¸
c˜oes Afins 35

6 Fun¸
c˜oes Quadr´
aticas 56

7 Fun¸
c˜oes Polinomiais 80

8 Fun¸
c˜oes Exponencias e Logar´ıtmicas 87

9 Fun¸
c˜oes Trigonom´
etricas 95

10 Agradecimento 102
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

1 Conjuntos

1. Sejam P1 , P2 , Q1 , Q2 propriedades referentes a elementos de um conjunto universo U.
Suponha que P1 e P2 esgotam todos os casos poss´ıveis (ou seja, um elemento qualquer de U
ou tem propriedade P1 ou tˆem P2 ). Suponha ainda que Q1 e Q2 s˜ao incompat´ıveis (isto ´e,
excluem-se mutualmente). Suponha, finalmente, que P1 ⇒ Q1 e P2 ⇒ Q2 . Prove que valem as
rec´ıprocas: Q1 ⇒ P1 e Q2 ⇒ P2 .

Solu¸
c˜ao:

Como P1 e P2 esgotam todas as possibilidades e P1 ⇒ Q1 bem como P2 ⇒ Q2 , ent˜ao um
elemento de U ou tˆem propriedade Q1 ou tˆem propriedade Q2 . Ou em outras palavras: n˜ao pode
haver elemento de U que n˜ao goze de Q1 e Q2 ao mesmo tempo.

Suponha por absurdo que Q1 ⇒ P2 . Neste caso um elemento u pertencente a U tˆem tamb´em
propriedade Q2 , pois P2 ⇒ Q2 . O que gera um absurdo j´a que Q1 e Q2 se excluem mutualmente.
Logo Q1 ⇒ P1 .

Analogamente se prova que Q2 ⇒ P2 .

2. Enquadre no contexto do exerc´ıcio anterior o seguinte fato geom´etrico: Duas obl´ıquas que
se afastam igualmente do p´e da perpendicular s˜
ao iguais. Se se afastam desigualmente ent˜ ao s˜
ao
desiguais e a maior ´e a que mais se afasta.

Solu¸
c˜ao:

Fazendo uma compara¸c˜
ao com o exerc´ıcio anterior teremos:

P1 : Propriedade de se afastar igualmente.
Q1 : Propriedade de serem de tamanhos iguais.
P2 : Propriedade de se afastar desigualmente.
Q2 : Propriedade de terem tamanhos desiguais.

De modo que P1 ⇒ Q1 , P2 ⇒ Q2 e a reciproca tamb´em ´e verdadeira.

3. Sejam X1 X2 , Y1 Y2 subconjuntos do conjunto universo U. Suponha que X1 ∪X2 = U e
Y1 ∩Y2 = ∅, que X1 ⊂Y1 e que X2 ⊂T2 . Prove que X1 = Y1 e X2 = Y2 .

Solu¸
c˜ao:

Como por hip´otese X1 ⊂ Y1 ent˜
ao basta provar que X1 ⊃ Y1 que por dupla inclus˜ao teremos
mostrado que: X1 = Y1 .

Para mostrar que X1 ⊃ Y1 tomemos um elemento y ∈ Y1 . Como por hip´otese X1 ∪ X2 = U
ent˜
ao y pertence a X1 ou pertence a X2 .

2
A Matem´
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Se y ∈ X2 e X2 ⊂ Y2 ent˜
ao y ∈ Y2 . O que seria um absurdo j´a que Y1 ∩ Y2 = ∅. Logo y ∈
X1 o que prova que X1 ⊃ Y1 . E portanto que X1 = Y1 .

Analogamente se prova que X2 = Y2 .

4. Compare o exerc´ıcio anterior com o primeiro em termos de clareza e simplicidade dos
enunciados. Mostre que qualquer um deles pode ser resolvido pelo outro.

Solu¸
c˜ao:

Para provarmos que X1 = Y1 , por exemplo precis´avamos apenas mostrar que: X1 ⊃ Y1 .
Assim se tomarmos um elemento u de U, P1 como a propriedade de pertencer a X1 e Q1
como a propriedade de pertencer a Y1 . Ent˜ao podemos afirmar que P1 ⇒ Q1 . J´a que X1 ⊂ Y1 .
Neste caso provar a reciproca (Q1 ⇒ P1 ), seria o equivalente a provar X1 ⊃ Y1 .

Em outras palavras provar a quest˜
ao 3 implica na prova da quest˜ao 1 e vice-versa.

5. Ainda no tema do primeiro exerc´ıcio, seria v´alido substituir as implica¸c˜oes P1 ⇒ Q1 e P2
⇒ Q2 na hip´
otese por suas reciprocas Q1 ⇒ P1 e Q2 ⇒ P2 ?

Solu¸
c˜ao:

Essa substitui¸c˜ ao obriga a implica¸c˜ao P1 ⇒ Q1 e P2 ⇒ Q2 . Basta imaginar o exemplo
ao n˜
em que U = N, P1 ´e a propriedade “n ´e par”, P2 significa “n ´e impar”, Q1 que dizer “n e m´
ultiplo
de 4” e Q2 diz “n ´e um numero primo maior do que 2”.


6. Escreva as implica¸c˜ ogicas que correspondem `a resolu¸c˜ao da equa¸c˜ao x + 2 = 2, veja
oes l´
quais
√ s˜
ao revers´ıveis e explique o aparecimento de ra´ızes estranhas. Fa¸ca o mesmo com a equa¸c˜ao
x + 3 = x.

Solu¸
c˜ao:

Fazendo y = x tˆem se: ⇒ y + 2 = y 2 ∗

⇒ y2 − y − 2 = 0

⇒ (y − 2)(y + 1) = 0 (1)

⇒ y = 2, y = −1 (2)

como y = x de (1) e (2) temos:

2= x (3)

−1 = x (4)

3
A Matem´
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De (3) segue que x = 4.

( x)2 = 22

x=4

De (4) segue que x = 1.

( x)2 = (−1)2

x=1

Testando estas ra´ızes chegamos a conclus˜ao de que a solu¸c˜ao de x + 2 = x ´e apenas 4.

x+2=x


4+2=4

2+2=4

4=4

A passagem marcada por ∗ ´e a u ´nica implica¸c˜ao irrevers´ıvel. Como y2 = (± x)2 a sub-
stitui¸c˜
ao de x por y acaba gerando uma equa¸c˜ao com duas ra´ızes. Uma delas seria a tal “raiz
estranha”.

Analogamente se resolve x + 3 = x.


7. Mostre que, para todo m > 0, a equa¸c˜ao x + m = x tem exatamente uma raiz.

Solu¸c˜
ao:

Seja y = x ent˜
ao:

x + m = x pode ser escrita como y + m = y 2

⇒ y2 − y − m = 0

Aplicando bhaskara:
p √
−(−1) ± (−1)2 − 4(1)(−m) 1 ± 1 + 4m
y= =
2(1) 2

Como por hip´ ao a (1 + 4m) > 0 e a equa¸c˜ao y 2 − y − m = 0 possuir´a duas
otese m > 0 ent˜
ra´ızes, uma positiva e uma negativa que chamaremos de k1 e −k2 (com k1 , k2 ∈ R).

Se y = −k2 ent˜ao x = −k2 e x = (k2 )2 sendo assim:

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x + m = x ⇒ −k2 + m = (k2 )2

⇒ m = (k2 )2 + k 2

⇒ m > (k2 )2 (1)

mas como x = −k2 ent˜
ao:

m > (k2 )2 ⇒ m > x

Essa implica¸c˜
ao no entanto ´e um absurdo pois analisando a equa¸c˜ao ( x + m = x), e a
condi¸c˜
ao de que m > 0 ent˜ao devemos ter x ≥ m. Logo x n˜ao pode ser igual a −k2 pois isso
resultaria em m > x

Logo a equa¸c˜
ao s´
o possui uma raiz. E ela ´e positiva.

8. Considere as seguintes (aparentes) equivalˆencias l´ogicas:

x = 1 ⇔ x2 − 2x + 1 = 0

⇔ x2 − 2 · 1 + 1 = 0

⇔ x2 − 1 = 0

⇔ x = ±1
ao (?): x = 1 ⇔ x = ±1. Onde est´a o erro?
Conclus˜

Solu¸
c˜ao:

O problema est´ a na segunda implica¸c˜ao. Enquanto x2 − 2x + 1 = 0 ⇒ x2 − 2 · 1 + 1 = 0 a
reciproca n˜ao ´e verdadeira, pois se x = −1 ent˜ao (−1)2 − 2 · 1 + 1 tamb´em ´e igual a zero. Ou
seja, a passagem de x2 − 2x + 1 = 0 para x2 − 2(1) + 1 = 0 ´e irrevers´ıvel.

omio x3 − 6x2 + 11x − 6 s˜ao 1, 2 e 3. Substitua, nesse polinˆomio, o termo
9. As ra´ızes do polinˆ
11x por 11 · 2 = 22, obtendo ent˜ao x3 − 6x2 + 16, que ainda tem 2 como raiz mas n˜ao se anula
para x = 1 nem x = 3. Enuncie um resultado geral que explique este fato e o relacione com o
exerc´ıcio anterior.

Solu¸
c˜ao:

Dado um polinˆ omio p(x) = ax3 + bx2 + cx + d cuja raiz ´e α ent˜ao p(α) = 0. Tomando agora
um segundo polinˆ
omio q(x) = cx pode-se escrever p(x) como:

p(x) = ax3 + bx2 + q(x) + d

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Repare que est´a substitui¸c˜
ao nada muda em p(x). De modo que p(α) continua sendo raiz
de p(x). Desse modo substituir q(α) pelo termo “qx” em p(x) significa apenas que estamos
substituindo x por α em “qx”.
p(x) = ax3 + bx2 + cα + d

Assim α continua sendo raiz de p(x), mas as suas demais ra´ızes perdem o sentido.

Esse fato tamb´em se verifica no exerc´ıcio anterior quando substitu´ımos x por 1 na equa¸c˜ao
x2 − 2x + 1 = 0

10. Seja P(x) uma condi¸c˜
ao envolvendo a vari´avel x.

(1) “Para todo x, ´e satisfeita a condi¸c˜ao P(x)”
(2) “Existe algum x que satisfaz a condi¸c˜ao P(x).

a) Sendo A o conjunto de objetos x (de um certo conjunto universo U) que satisfazem a
condi¸c˜
ao P(x), escreva as senten¸cas (1) e (2) acima, usando a linguagem dos conjuntos.

b) Quais as nega¸c˜
oes de (1) e (2)?

c) Para cada senten¸ca abaixo diga se ela ´e verdadeira ou falsa e forme sua nega¸c˜ao:

• Existe um numero real x tal que x2 = −1.
• Para todo numero inteiro n, vale n2 > n.
• Para todo numero real x, tem-se x > 1 ou x2 < 1.
• Para todo numero real x existe um numero natural n tal que n > x.
• Existe um numero natural n tal que, para todo numero real x, tem se n > x.

Solu¸
c˜ao de A:

Da senten¸ca (1) conclui-se apenas que: todo x ∈ U tamb´em pertence a A. N˜ao se pode dizer
que A = U porque n˜ ao se sabe se U ´e constitu´ıdo apenas de objetos x.
De (2) se conclui-que A 6= ∅

Assim as senten¸cas (1) e (2) escritas na forma de conjunto seriam respectivamente:

(1) A = {x|x ∈ U}

(2) A 6= ∅

Solu¸
c˜ao de B:

A nega¸c˜
ao de (1) ´e: Existe um x, tal que P(x) n˜ao ´e satisfeita. Que na forma de conjunto
seria:

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A⊂U

Essa nota¸c˜
ao sugere que mesmo que U seja composto apenas de objetos x ent˜ao, “A” ainda
seria subconjunto de U j´ a que ao menos um elemento x pertenceria ao conjunto universo mas,

ao a “A”.

A nega¸c˜
ao de (2) ´e: Nenhum elemento x satisfaz a condi¸c˜ao P(x). Que na forma de conjunto
seria:

A=∅

Solu¸
c˜ao de C:

• Falsa. Pois isso implicaria na existˆencia de uma raiz negativa.
A nega¸c˜
ao da afirma¸ c˜
ao ser´a: Para todo numero real x, tˆem se x2 6= −1.

• Falsa. Pois 1 ´e um numero inteiro e 12 n˜ao ´e maior que ele mesmo (12 > 1).
A nega¸c˜
ao da afirma¸ c˜
ao ser´a: Existe um numero inteiro n tal que n2 ≤ n.

• Falsa. Pois 2 ´e um numero real e 22 > 1
A nega¸c˜
ao da afirma¸ c˜
ao ser´a: Existe um numero real x tal que x ≤ 1 e x2 ≥ 1.
p
• Verdadeira. Dado um numero real r na forma r = ent˜ao qr = p e pertence
q
aos naturais de modo que qr > r.
A nega¸ c˜
ao da afirma¸c˜
ao ser´
a: Existe um numero real x tal que n < x para
todo numero natural n.

• Falsa. O problema aqui est´a no fato da afirma¸c˜ao garantir a unicidade do numero
natural. O que ocorre ´e que, dado um r ∈ R existem diversos naturais n tais que
n > r.
A nega¸ c˜
ao da afirma¸c˜
ao ser´a: Para todo numero natural n, existe um numero
real x tal que n ≤ x.

11. Considere os conjuntos abaixo:

F = conjunto de todos os fil´
osofos.
M = conjunto de todos os matem´aticos.
C = conjunto de todos os cientistas.
P = conjunto de todos os professores.

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a) Exprima cada uma das afirmativas abaixo usando a linguagem de conjuntos.

1) Todos os matem´ aticos s˜
ao cientistas.
2) Alguns matem´ aticos s˜
ao professores.
3) Alguns cientistas s˜
ao fil´
osofos.
4) Todos os fil´
osofos s˜
ao cientistas ou professores.
5) Nem todo professor ´e cientista.

b) Fa¸ca o mesmo com as afirmativas abaixo:

6) Alguns matem´ aticos s˜
ao fil´
osofos
7) Nem todo filosos ´e cientista
8) Alguns fil´
osofos s˜ao professores
9) Se um filosofo n˜ao ´e matem´ atico, ele ´e professor.
10) Alguns fil´osofos s˜
ao matem´ aticos.

c) Tomando as 5 primeiras afirmativas como hip´oteses, verifique quais das afirmativas (6a em
diante), s˜
ao necessariamente verdadeiras.

Solu¸
c˜ao de A:

1) M⊆C
2) M ∩ P 6= ∅
3) C ∩ F 6= ∅
4) C∪P⊃F
5) P ∩ Cc 6= ∅

Solu¸
c˜ao de B:

6) M ∩ F 6= ∅
7) F ∩ Cc 6= ∅
8) F ∩ P 6= ∅
9) F ⊂ M ∪ P
10) F ∩ M 6= ∅

Solu¸
c˜ao de C:
Au´nica alternativa verdadeira ´e a de numero nove.

12. O artigo 34 da Constitui¸c˜
ao Brasileira de 1988 diz o seguinte: “A Uni˜ao n˜ao intervir´a
nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

I. Manter a integridade nacional;
II. Repelir invas˜
ao estrangeira ou de unidade da Federa¸c˜ao em outra”
III. ...;

a) Suponhamos que o estado do Rio de Janeiro seja invadido por tropas do estado de S˜ao
Paulo. O texto acima obriga a Uni˜
ao a intervir no estado? Na sua opini˜ao, qual era a inten¸c˜ao
dos legisladores nesse caso:

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b) Reescreva o texto do artigo 34 de modo a torn´a-lo mais preciso.

Solu¸
c˜ao de a:

O texto n˜
ao obriga a interven¸c˜
ao da federa¸c˜ao.

Solu¸
c˜ao de b:

A Uni˜
ao intervir´
a nos Estados ou no Distrito (...).

13. Prove que x2 + x − 1 = 0 ⇒ x3 − 2x + 1 = 0.

Solu¸
c˜ao:

Se x2 + x − 1 = 0 ent˜ao (x − 1)(x2 + x − 1) = 0. Como (x − 1)(x2 + x + 1) = x3 − 2x + 1
ent˜
ao pode se afirmar que:

x2 + x − 1 = 0 ⇒ x3 − 2x + 1 = 0

14. Prove que, para x, y e k inteiros, tem se x + 4y = 13k ⇔ 4x + 3y = 13(4k − y). Conclua
que 4x + 3y e x + 4y s˜
ao divis´ıveis por 13 para os mesmos valores inteiros de x e y.

Solu¸
c˜ao:

x + 4y = 13k ⇒ 4x + 16y = 52k

⇒ 4x + (3y + 13y) = 52k

⇒ 4x + 3y = 52k − 13y

⇒ 4x + 3y = 13(4k − y)

A conclus˜
ao de que x + 4y ´e divis´ıvel por 13 ´e evidente j´a que k ´e inteiro e:

x + 4y
k=
13

O que obriga a x + 4y `
a divisibilidade por 13.

Analogamente se conclui que 4x + 3y tamb´em ´e divis´ıvel por 13. J´a que o produto de inteiros
ao entre eles tamb´em (3k − y).
tamb´em ´e inteiro (3k) e a subtra¸c˜

15. O diagrama de Venn para os conjuntos X, Y, Z decomp˜oe o plano em oito regi˜oes. Numere
essas regi˜
oes e exprima cada um dos conjuntos abaixo como reuni˜ao de algumas dessas regi˜oes.
(Por exemplo: X − Y = 1 ∪ 2).

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a) (X c ∪ Y c );
b) (X c ∪ Y ) ∪ Z c ;
c) (X c ∩ Y ) ∪ (X ∩ Z c );
d) (X ∪ Y )c ∩ Z

Solu¸
c˜ao de D:

Uma representa¸c˜
ao poss´ıvel para essas oito regi˜oes ´e a seguinte.

X Y

8
2 7 3
5
4 6
1

Z

Assim:
(X ∪ Y ) = 3 ∪ 4 ∪ . . . ∪ 8
(X ∪ Y )c = (1 ∪ 2 . . . ∪ 8) − (X ∪ Y ) = 1 ∪ 2
(X ∪ Y )c ∩ Z = (1 ∪ 2) ∩ (1 ∪ 4 ∪ 5 ∪ 6) = 1

As demais respostas seguem a mesma l´ogica.

16. Exprimindo cada membro como reuni˜ao de regi˜oes numeradas, prove as desigualdades:

a) (X ∪ Y ) ∩ Z = (X ∩ Z) ∪ (Y ∩ Z);
b) X ∪ (Y ∩ Z)c = X ∪ Y c ∪ Z c

Solu¸
c˜ao de A:

Nesse caso pode-se usar o diagrama do exerc´ıcio anterior.

X Y

8
2 7 3
5
4 6
1

Z

Considerando apenas o lado direito da igualdade (X ∪ Y ) ∩ Z = (X ∩ Z) ∪ (Y ∩ Z) temos:

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(X ∪ Y ) ∩ Z = [(7 ∪ 8 ∪ 5 ∪ 4) ∪ (3 ∪ 8 ∪ 5 ∪ 6)] ∩ (4 ∪ 5 ∪ 6 ∪ 1)

(X ∪ Y ) ∩ Z = [(7 ∪ 8 ∪ 5 ∪ 4 ∪ 3 ∪ 6)] ∩ (4 ∪ 5 ∪ 6 ∪ 1)

(X ∪ Y ) ∩ Z = 4 ∪ 5 ∪ 6 (1)

Considerando agora o lado esquerdo:

(X ∩ Z) ∪ (Y ∩ Z) = ((4, 5, 7, 8) ∩ (4, 5, 6, 1)) ∪ ((3, 5, 6, 8) ∩ (1, 4, 5, 6))

(X ∩ Z) ∪ (Y ∩ Z) = (4, 5) ∪ (5, 6)

(X ∩ Z) ∪ (Y ∩ Z) = 4, 5, 6 (2)

Comparando (1) e (2) fica provado a igualdade.

Solu¸
c˜ao de B:

An´
aloga a anterior.

17. Sejam A, B e C conjuntos. Determine uma condi¸c˜ao necess´aria e suficientes para que se
tenha A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ C.

Solu¸
c˜ao:

Para este problema novamente usaremos a imagem a seguir.

X Y

8
2 7 3
5
4 6
1

Z

Primeiro vamos calcular o lado direito da igualdade:

A ∪ (B ∩ C) = 7 ∪ 4 ∪ 8 ∪ 5 ∪ 6

e agora o lado esquerdo.

(A ∪ B) ∩ C = 4 ∪ 5 ∪ 6

Para que (7 ∪ 4 ∪ 8 ∪ 5 ∪ 6) e (4 ∪ 5 ∪ 6) sejam iguais seria necess´ario que a regi˜ao 7 ∪ 8 fosse
vazia ou que: 7 ∪ 8 = 4 ou 7 ∪ 8 = 5 ou mesmo 7 ∪ 8 = 6.

Se 7 ∪ 8 for vazio ent˜
ao A ⊂ C. Se 7 ∪ 8 for igual a 4, 5 ou mesmo 6 tamb´em teremos A ⊂ C.
ao para que a igualdade seja verdadeira ´e de que: A ⊂ C.
Portanto a condi¸c˜

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A Matem´
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18. A diferen¸ca entre conjuntos ´e definida por A − B = {x|x ∈ A e x ∈
/ B}. Determine uma
condi¸c˜ aria e suficiente para que se tenha A − (B − C) = (A − B) − C.
ao necess´

Solu¸
c˜ao:

Usando a figura da quest˜
ao anterior teremos:

A − (B − C) = (7, 8, 4, 5) -[(3, 8, 5, 6)-(4, 5, 6, 1)]

A − (B − C) = (7, 8, 4, 5) -[(3, 8)]

A − (B − C) = (7, 4, 5) = A ∩ C

Do lado direito tˆem se:

(A − B) − C = [(7, 4, 5, 8) − (3, 8, 5, 6)] − (4, 5, 6, 1)

(A − B) − C = [(7, 4)] − (4, 5, 6, 1)

(A − B) − C = (7) Que s˜
ao somente os pontos de A.

Assim para que a igualdade seja verdadeira ou 4∪5 = 7 ou 4∪5 = ∅. Em ambos os casos se
conclui que A ∩ C = ∅.

19. Prove que se um quadrado perfeito ´e par ent˜ao sua raiz quadrada ´e par e que se um
quadrado perfeito ´e impar ent˜
ao sua raiz quadrada ´e impar.

Solu¸
c˜ao:

O produto de dois n´
umeros impares ´e impar.

(2k + 1) · (2q + 1) =

4kq + 2k + 2q + 1 = 2(2kq + k + q) + 1

= 2p + 1
2
Assim se tomamos
√ um n qualquer de modo que seu quadrado (n ) seja par, ent˜ao n n˜ao pode
2
ser impar. Como n = n fica provado que a raiz de um quadrado perfeito par tamb´em ´e par.

alogo se prova que se n2 ´e impar n tamb´em o ´e.
De modo an´

20. Prove o teorema de Cantor: se A ´e um conjunto e P(A) ´e o conjunto das partes de A,
n˜ ao f: A → P(A) que seja sobrejetiva.
ao existe uma fun¸c˜
Sugest˜ao: Suponha que exista uma tal fun¸c˜ao f e considere X = {x ∈ A : x ∈
/ f (x)}.

Solu¸
c˜ao:

Essa demonstra¸c˜
ao consta no livro “Matem´atica Discreta” do Edward R. Scheinerman na

agina 189.

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Seja A um conjunto e seja f : A → P (A). Para mostrar que f n˜ao ´e sobrejetora, devemos
achar um B ∈ P(A) (isto ´e, B ⊆ A) para o qual n˜ao existe a ∈ A com f(a) = B. Em outras
palavras, B´e um conjunto que f “perde”. Para este fim, seja

B = {x ∈ A : x ∈
/ f (x)}
ao existe nenhum a ∈ A com f(a) = B.
Afirmamos que n˜

Como f(x) ´
e um conjunto - na verdade, um subconjunto de A - a condi¸
c~ao x ∈
/ f(x)
tem sentido

ao, que exista um a ∈ A tal que f (a) = B. Ponderamos: a ∈ B?
Suponhamos, por contradi¸c˜

• Se a ∈ B, ent˜ ao, como B = f(a), temos a ∈ f (a). Assim, pela defini¸c˜ao de B,
a∈/ f (a); isto ´e a ∈
/ B. ⇒⇐
• Se a ∈ ao, pela defini¸c˜ao de B, a ∈ B. ⇒⇐
/ B = f (a), ent˜

Tanto a ∈ B como a ∈ / B levam a contradi¸c˜oes; da´ı, nossa suposi¸c˜ao [existe um a ∈ A com
f (a) = B] ´e falsa e, assim, f n˜
ao ´e sobrejetora.

Observa¸
c˜ao

O livro do Scheinerman ainda traz uma ilustra¸c˜ao desta prova.

Sejam A = {1, 2, 3} e f : A → P (A) conforme definida na tabela a seguir.

a f(a) a ∈ f (a)?
1 {1, 2} sim
2 {3} n˜ao
3 {} n˜ao

Ora, B = {x ∈ A : x ∈/ f (x)}. Como 1 ∈ f (1), mas 2 ∈
/ f(2) e 3 ∈
/ f(3), temos B = {2, 3}.
Note que n˜ a a ∈ A com f (a) = B
ao h´

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

13
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO
A matem´
atica do Ensino m´edio (volume 1)

Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira.

2 N´
umeros Naturais

1. Dado o numero natural a, seja Y ⊂ N um conjunto com as seguintes propriedades:

(1) a ∈ Y;
(2) n ∈ Y ⇒ n + 1 ∈ Y.

Prove que Y contem todos os n´
umeros naturais maiores do que ou iguais a a.

Solu¸
c˜ao:

Considere um conjunto X = Ia ∪ Y onde Ia = {n ∈ N; n < a}. Se provarmos que X = N,
ao logicamente Y = {n ∈ N; n ≥ a}. Como a primeira demonstra¸c˜ao ´e mais simples vamos
ent˜
focar nela.

Passo base:

• Se 1 < a ent˜
ao 1∈Ia o que implica em 1 ∈ X;
• Se 1 ≥ a ent˜
ao 1 ∈ Y que implica que 1 ∈ X.

Em todo caso 1 ∈ X.

Passo indutivo:

Supondo que k ∈ N ent˜
ao ou k ∈ Ia ou k ∈ Y .

• Se k ∈ Ia ent˜
ao k < a que implica que:

◦ k + 1 ≥ a, nesse caso k + 1 ∈ Y;
◦ ou ent˜
ao k + 1 < a, nesse caso k + 1 ∈ Ia .

Em todo caso k + 1 ∈ X.

14
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

• Se k ∈ Y, ent˜
ao k ≥ a ⇒ k + 1 > a ∈ Y que implica novamente que k + 1 ∈ X,
pois Y ⊂ X.

Como o numero 1 e todos os seus sucessores pertencem a X ent˜ao X = N. O que conduz a
ao de que Y = {n ∈ N; n ≥ a}.
conclus˜

2. Use o exerc´ıcio anterior para provar que 2n + 1 < 2n em seguida, que n ≤ 2 < 2n para
todo n ≤ 5.

Solu¸
c˜ao de A:

Essa proposi¸c˜
ao simplesmente n˜ao ocorre para n = 2 (verifique!). No entanto para n ≥ 3 isso
ocorre. Vamos prova-la pela indu¸c˜
ao j´
a que pro outro caso isso n˜ao seria poss´ıvel.

Passo base:

Para n = 3 temos:

2(3) + 1 < 23

Logo a desigualdade ´e valida para n = 3.

Passo indutivo:

Se a desigualdade ´e verdadeira para n = k, ent˜ao:

2k + 2 + 1 = 2k + 2

2(k + 1) + 1 = 2k + 2

Acontece que 2k + 2 < 2k+1 . Veja:

2k + 2 < 2k+1

2 < 2k+1 − 2k

2 < 2k (2 − 1)

2 < 2k

Como n = k, ent˜
ao k n˜
ao pode ser menor que trˆes. O que prova essa ultima desigualdade.
Assim:

2(k + 1) + 1 = 2k + 2 < 2k+1

⇒ 2(k + 1) + 1 < 2k+1

15
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Completando o passo indutivo e tamb´em a demonstra¸c˜ao.

Solu¸
c˜ao de B:

Passo base:

Para n = 5 temos:

52 < 25

Logo a desigualdade ´e valida para n = 5.

Passo indutivo:

Se a formula e verdadeira para n = k, ent˜ao:

(k + 1)2 = (2k + 1) + k 2 ≤ 2k + k 2

Vamos provar que 2k + k 2 < 2k+1 .

2k + k 2 < 2k+1
k 2 < 2k+1 − 2k
k 2 < 2k (2 − 1)
k 2 < 2k

Essa ultima inequa¸c˜
ao e verdadeira por hip´otese assim:

(k + 1)2 < 2k + k 2 < 2k+1

Que simplificando fica:

(k + 1)2 < 2k+1

O que completa o passo indutivo e a demonstra¸c˜ao.

3. Complete os detalhes da seguinte demonstra¸c˜ao do Principio da Boa ordena¸c˜ao:

Seja A⊂ N um conjunto que n˜ ao possui um menor elemento. Considere o conjunto X formado
umeros naturais n tais que 1, 2,... n˜ao pertence a A. Observe que 1 ∈ X e, al´em disso, se
pelos n´
n ∈ X ent˜
ao todos os elementos de A, conclua que n + 1 ∈ X logo, por indu¸c˜ao, segue-se que X
= N, portanto A e vazio.

Solu¸
c˜ao:

O enunciado do problema sugere que N = X∪A. Mostrar que X = N seria simplesmente
aplicar o Princ´ıpio da Boa Ordena¸c˜
ao (PBO). No entanto o exerc´ıcio ´e de indu¸c˜ao portanto

16
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

seguiremos os dois passos:

Passo base:

1 ∈ X por hip´
otese.

Passo indutivo:

Tomando k ∈ X ent˜ ao k + 1 ∈ A ou ent˜ao k + 1 ∈ X.
Contudo n˜ ao pode ocorrer de k + 1 ∈ A pois pelo PBO A teria de ter um menor elemento.
O que iria contrariar a tese. Portanto, k + 1 ∈ N. Como 1 e todo os seus sucessores pertencem
a X ent˜
ao se conclui que X = N e que A ´e vazio.

 n
n+1
4. Prove por indu¸c˜ ao que ≤ n. Para todo n ≥ 3 e conclua da´ı que a sequencia
√ √ √ n
1, 2 2, 3 3, 4 4, ... e decrescente a partir do terceiro termo.

Solu¸
c˜ao de A:

Passo base:

Para n = 3 temos:
 3
3+1
<3
3
O que ´e verdadeiro.

Passo indutivo:

O que desejamos agora ´e provar que a desigualdade
 k+1
(k + 1) + 1
<k+1
k+1

Ocorre que
 k+1  k  
(k + 1) + 1 k+2 k+2
= ·
k+1 k+1 k+1

ent˜
ao podemos escrever a desigualdade como:
 k  
k+2 k+2
· <k+1
k+1 k+1

(k + 2)k+1
<k+1
(k + 1)k+1

(k + 2)k+1 < (k + 1)k+1 (k + 1) = (k + 1)k+2

17
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Simplificando:

(k + 2)k+1 < (k + 1)k+2

O que evidencia a afirma¸c˜
ao, concluindo que:

 k+1
(k + 1) + 1
<k+1
k+1

Solu¸
c˜ao de B:

Sabemos que:
 n
n+1
<n
n
n+1
⇒ < n1/n
n
⇒ n + 1 < n1/n · n
n+1
⇒n+1<n n
 n 1/n
⇒ (n + 1) n + 1  < n1/n

n
⇒ (n + 1) n2 + n < n1/n

1
⇒ (n + 1) n + 1 < n1/n

Essa ultima desigualdade nos leva a conclus˜ao de que a sequˆencia ´e decrescente a partir do
3◦ termo.

18
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

5. Prove por indu¸c˜
ao que:

n(n + 1)(2n + 1)
1 + 22 + 33 + ... + n2 =
6

Solu¸
c˜ao:

O passo base pode ser facilmente demonstrado.

Passo indutivo:

k(k + 1)(2k + 1)
1 + 22 + 32 + . . . + k 2 + (k + 1)2 = + (k + 1)2
6
k(k + 1)(2k + 1)
= + (k + 1)2
6
(k + 1)(k + 2)(2k + 3)
=
6
(k + 1)((k + 1) + 1)(2(k + 1) + 1)
=
6
que implica em:

(k + 1)((k + 1) + 1)(2(k + 1) + 1)
1 + 22 + 32 + . . . + k 2 + (k + 1)2 =
6
Completando o passo indutivo.

6. Critique a seguinte argumenta¸c˜ao: Quer-se provar que todo numero natural ´e pequeno.
Evidentemente, 1 ´e um numero pequeno. Al´em disso, se n for pequeno, n + 1 tamb´em sera, pois
n˜ao se torna grande um numero pequeno simplesmente somando-lhe uma unidade. Logo, por
indu¸c˜
ao, todo numero natural e pequeno.

Solu¸
c˜ao:

O problema aqui ocorreria no passo indutivo. Pois quando tomamos um n natural “pequeno”
temos de nos perguntar, pequeno em rela¸c˜ao a que? Se em rela¸c˜ao ao maior de todos os n´
umeros
naturais pequenos ent˜
ao n + 1 seria grande?

19
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

7. Use a distributividade para calcular (m + n)(1 + 1) de duas maneiras diferentes e em
seguida use a lei do corte para concluir que m + n = n + m.

Solu¸
c˜ao:

1◦ Forma: Usamos a distributividade a direita.

(m + n)(1 + 1) = m(1 + 1) + n(1 + 1) = m + m + n + n = 2m + 2n;

2◦ Forma: Usamos a distributividade a esquerda.

(m + n)(1 + 1) = 1(m + n) + 1(m + n) = m + n + m + n = 2m + 2nm + m + n + n =
m+n+m+n

Usando a associatividade

m + (n + n) + m = m + n + m + n

(m + (n + n)) + m = m + n + m + n

((m + n) + n) + m = m + n + m + n

(m + n) + (n + m) = (m + n) + (m + n)

Finalmente usando a Lei do corte (A + B = A + C ⇒ B = C) ent˜ao:

n + m = m + n.

8. Seja X ⊂ N um conjunto n˜ao vazio, com a seguinte propriedade: para qualquer n ∈ N, se
todos os n´
umeros naturais menores do que n pertencem a X. Prove que X = N.

Solu¸
c˜ao:

Como o pr´oprio livro diz demonstra¸c˜oes que envolvem o PBO s˜ao normalmente feitas por
ao suponha por absurdo que X = N logo ∃A ⊂ N onde N = X ∪ A. Assim pelo
absurdo. Ent˜
PBO ∃ a = minA e X = {n ∈ N; n < a}. No entanto considerando a hip´otese a ∈ X, o que gera
o absurdo. Assim A = {} e ent˜ao X = N.

9. Seja P(n) uma propriedade relativa ao numero natural n. Suponha que P(1), P(2) s˜ao
verdadeiras e que, para qualquer n ∈ N, a verdade de P(n) e P(n + 1) implica a verdade de P(n
+ 2). Prove que P(n) ´e verdadeira para todo n ∈ N.

Solu¸
c˜ao:

Considere A como o conjunto de elementos a ∈ N, tal que P(a) seja falsa. Suponha por
absurdo que A 6= ∅. Nesse caso A deve ter um elemento m´ınimo (min(A)) que chamaremos de
a1 . Como P(1) e P(2) s˜ao verdadeiras ent˜ao a1 > 2 ´e como a1 ´e elemento m´ınimo de A ent˜ao
P(a1 − 2) e P(a1 − 1) tamb´em s˜
ao verdadeiras. Entretanto como P(n) e P(n + 1) implicam em
ao P(a1 − 2) e P(a1 − 1) implica em P(a) verdadeiro, o que ´e um absurdo,
P(n + 2) verdadeira ent˜

20
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

pois a1 ∈ A

1 2
ao para provar que 13 + 23 + 33 + . . . + n3 =
10. Use indu¸c˜ n (n + 1)2
4

Solu¸
c˜ao:

Base:

A igualdade se verifica para 1.

1 2
1= · 1 (1 + 1)2
4

1=1

Passo indutivo:

Considerando a proposi¸c˜
ao verdadeira para k ent˜ao:

1 2
13 + 23 + 33 + . . . + k 3 + (k + 1)3 = · k (k + 1)2 + (k + 1)3
4

Operando com o lado direito da igualdade acima facilmente se chega ´a:

1 2 k 2 (k + 1)2 + 4(k + 1)3
· k (k + 1)2 + (k + 1)3 =
4 4

e ap´
os certa ´
algebra:

k 2 (k + 1)2 + 4(k + 1)3 1
= (k + 1)2 (k + 2)2
4 4

concluindo o passo indutivo.

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

21
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO
A matem´
atica do Ensino m´edio (volume 1)

Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira.

3 N´
umeros Cardinais

1. Seja f : X → Y uma fun¸c˜ ao. A imagem inversa por f de um conjunto B ⊂ Y e o
conjunto f −1 (B) = {X ∈ x; f (x) ∈ B}. Prove que se tem sempre f −1 (f (A)) ⊃ A para todo
A ⊂ X.e f (f −1 (B)) ⊂ B para todo B ⊂ Y . Prove tamb´em que f ´e injetiva se, e somente se,
f −1 (f (A)) = A para todo A ⊂ X. Analogamente, mostre que f ´e sobrejetiva se, e somente se,
f (f −1 (B)) = B para todo B ⊂ Y .

Solu¸
c˜ao

• Prova de que f −1 (f (A)) ⊃ A para todo A ⊂ X.

ao temos que f −1 (f (A)) = {x ∈ X; f (x) ∈ f (A)}. Assim tomando um x ∈
Por defini¸c˜
A ⇒ f (x) ∈ f (A). Assim x ∈ f −1 (f (A)). Ou seja, dado qualquer elemento contido
em A ele tamb´em estar´ a contido em f −1 (f (A)), concluindo que f −1 (f (A)) ⊃ A
• Prova de que f (f −1 (B)) ⊂ B para todo B ⊃ Y.

ao temos que f (f −1 (B)) = {x ∈ X; f (x) ∈ B}. Isso implica que qualquer
Por defini¸c˜
elemento de f (f −1 (B)) pertencer´a tamb´em a B. Logo f (f −1 (B)) ⊂ B.
• Prova de que f ´e injetiva ⇔ f −1 (f (A)) = A para todo A ⊂ X

ao de A em f −1 (f (A)) j´a foi demonstrada no primeiro item. Resta agora
(⇒) A inclus˜
mostrar que A ⊃ f −1 (f (A)) e com isso f −1 (f (A)) = A.

Suponha por absurdo que exista um x ∈ f −1 (f (A)), mas que n˜ao perten¸ca a A.

Como x ∈ f −1 (f (A)) ent˜ ao f(x) ∈ f(A). E como f ´e uma fun¸c˜ao injetora existe um
a ∈ A tal que, f(x) = f(a). Isso resulta ent˜ao em um absurdo pois se f(x) = f(a) e f
´e injetora isso implicaria em x = a, e por hip´otese x ∈
/ A. Logo conclui-se que se x ∈
f −1 (f (A)) ent˜
ao x ∈ A e portanto A ⊃ f −1 (f (A)).

Por fim se A ⊃ f −1 (f (A)) e f −1 (f (A)) ⊂ A ent˜ao A = f −1 (f (A)).
(⇐) ???

22
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

• Prova de que f ´e sobrejetiva ⇔ f −1 (f (B)) = B para todo B ⊂ X.
???

ao f : X → Y ´e injetiva se, e somente se, existe uma fun¸c˜ao g : Y → X
2. Prove que a fun¸c˜
tal que g(f (x)) = x para todo x ∈ X.

Solu¸
c˜ao:
(⇒)
Se f : X → Y ´e uma fun¸c˜
ao injetiva ent˜ao existe uma fun¸c˜ao g : Y → X.
Tomando agora um y ∈ Y e um x ∈ X ent˜ao o par (y, x) ∈ g e f (x) = y, pois f ´e injetiva.
Sendo assim g(f (x)) = g(y) = x para todo x ∈ X. C.Q.D..

(⇐)
Se g : Y → X ´e uma fun¸c˜ ao existe uma fun¸c˜ao f : X → Y , onde (x, y) ∈ f .
ao, ent˜
Supondo por absurdo que f n˜ ao seja injetora, ent˜ao existe um x e um x0 pertencentes a X
tal que (x, y) ∈ f e (x , y) ∈ f logo, g(f (x0 ) = g(y) = x. Mas, como por hip´otese g(f (x)) = x e
0

x0 6= x temos ent˜ao um absurdo. Logo f ´e injetora. C.Q.D.

ao f : X → Y ´e sobrejetiva se, e somente se, existe uma fun¸c˜ao h : Y ⇒ X
3. Prove que a fun¸c˜
tal que f (h(y)) = y para todo y ∈ Y .

Solu¸
c˜ao:
(⇒)
Se f : X → Y e uma fun¸c˜ ao existe uma fun¸c˜ao h : Y → X.
ao ent˜
Dado tamb´em um x ∈ X existe um y ∈ Y de modo que o par (x, y) ∈ f . E como h ´e uma
fun¸c˜
ao de X e Y ent˜
ao f (h(y)) = f ((y, x)) = f (x) = y. C.Q.D.

(⇐)
ao h : Y → X ent˜ao existe uma fun¸c˜ao f : X → Y .
Se existe uma fun¸c˜
Tomando por absurdo que f n˜ ao seja sobrejetora, ent˜ao existe um y ∈ Y onde nenhum x ∈ X
resulte em (x, y) ∈ h. O que ´e um absurdo, pois por hip´otese f (h(y)) = y para todo y ∈ Y .

ao f : X → Y , suponha que g, h : Y → X s˜ao fun¸c˜oes tais que g(f (x)) = x
4. Dada a fun¸c˜
para todo x ∈ X e f (h(y)) = y para todo y ∈ Y . Prove que g = h.

Solu¸
c˜ao:

Para todo y ∈ Y temos

h(y) = x (1)

23
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Por hip´
otese

g(f (x)) = x (2)
o que implica em

g(f (h(y))) = h(y) (3)
0
Como f : X → Y de (2) podemos concluir que existe um y ∈ Y tal que
0
g(y ) = x (4)
de modo que por (1) e (4) podemos dizer que
0
h(y) = g(y ) (5)

0
• Prova de que y = y .
0
Supondo por absurdo que y 6= y , ent˜ao atrav´es da igualdade imediatamente acima conclu´ımos
que f (x) 6= y. Ou seja, existe ent˜
ao um y ∈ Y tal que nenhum x ∈ X implique em g(f (x)) = x.
0
O que contraria o enunciado do problema. Portanto, y = y e assim (por meio da equa¸c˜ao 5)
temos que g = h. C.Q.D.

5. Defina uma fun¸c˜ ao sobrejetiva f : N → N tal que, para todo n ∈ N, a equa¸c˜ao f (x) = n
possui uma infinidade de ra´ızes x ∈ N. (Sugest˜ ao: todo n´
umero natural se escreve, de modo
´nico sob a forma 2a · b, onde a, b ∈ N e b ´e ´ımpar.)
u

Solu¸
c˜ao:

ao pedida ´e f : N → N com f (n) = a sendo n = 2a · b com b inteiro e ´ımpar.
A fun¸c˜

• Prova de que a fun¸
c˜ao ´
e sobrejetora.
Isso ´e evidente, pois como a ´e qualquer, ent˜ao f ´e sobrejetora.

• Prova de que a fun¸
c˜ao possui infinitas ra´ızes.
ao f (20 · b) = 0 para todo valor de b. Assim, f possui infinitas ra´ızes.
Se f (n) = a ent˜

f (20 · 1) = 0
f (20 · 3) = 0
f (20 · 5) = 0
..
.

6. Prove, por indu¸c˜
ao, que se X ´e um conjunto finito com n elementos ent˜ao existem n!
oes f : X → X.
bije¸c˜

Solu¸
c˜ao:

24
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

(Base da indu¸ c˜
ao) Para n = 1 ent˜ao X ´e um conjunto unit´ario e, portanto, s´o pode ter
uma bije¸c˜
ao (n! = 1). Provando a base da indu¸c˜ao.

(Passo indutivo) Seja X um conjunto com n = k + 1 elementos ent˜ao a fun¸c˜ao f ter´a k + 1
elementos no dom´ınio e no contradom´ınio.
Dm Cm
a1
a1
a2 a2
.. ..
. .
ak+1 ak+1

Fixando o elemento a1 do Dm podemos relacion´a-lo a qualquer elemento do Cm, sendo assim,
temos k + 1 possibilidades para f (a1 ): f (a1 ) = a1 , ou f (a1 ) = a2 ,...,ou f (a1 ) = ak+1 .

Feito ent˜
ao essa rela¸c˜
ao (um elemento do Dm com um elemento do Cm), sobrar˜ao k elementos
no Dm e no Cm a serem relacionados de modo a formarem uma bije¸c˜ao. Por hip´otese de indu¸c˜ao
o numero de bije¸c˜
oes que podem ser feitos com esses k elementos ´e igual a k!.

Finalmente, aplicando o princ´ıpio fundamental da contagem teremos (k + 1) · k! = (k + 1)! de
bije¸c˜
oes que podem ser constru´ıdas. Concluindo a prova da indu¸c˜ao.

7. Qual o erro da seguinte demonstra¸c˜ao por indu¸c˜ao:

Teorema: Todas as pessoas tˆem a mesma idade.

Prova: Provaremos por indu¸c˜ao que se X ´e um conjunto de n (n ≥ 1) pessoas, ent˜ao todos
os elementos de X tˆem a mesma idade. Se n = 1 a afirma¸c˜ao ´e evidentemente verdadeira pois se
X ´e um conjunto formado por uma u ´nica pessoa, todos os elementos de X tˆem a mesma idade.
Suponhamos agora que a afirma¸c˜ ao seja verdadeira para todos os conjuntos de n elementos.
Consideremos um conjunto com n + 1 pessoas, {a1 , a2 , · · · , an , an+1 }. Ora, {a1 , a2 , · · · , an } ´e um
conjunto de n pessoas, logo a1 , a2 , · · · , an tˆem a mesma idade. Mas {a2 , · · · , an , an+1 } tamb´em
´e um conjunto de n elementos, logo todos os seus elementos, em particular an e an+1 , tˆem a
mesma idade. Mas de a1 , a2 , · · · , an tˆem a mesma idade de an e an+1 tˆem a mesma idade, todos
os elementos de {a1 , a2 , · · · , an , an+1 } tˆem a mesma idade, conforme quer´ıamos demonstrar.

Solu¸
c˜ao:

O passo indutivo, no processo de prova por indu¸c˜ao, ´e a demonstra¸c˜ao da condi¸c˜ao.

P (n) ⇒ P (n + 1)

Entretanto, para n = 1 a implica¸c˜
ao ´e falha

P (1) ⇒ P (2)

25
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´ a desconsid-
ao ´e feita sobre o conjunto {a2 , ..., an+1 } o qual a1 n˜ao pertence. E
pois, a indu¸c˜
era¸c˜
ao desse fato que acarreta o erro na indu¸c˜ao.

ao, que um conjunto com n elementos possui 2n subconjuntos.
8. Prove, por indu¸c˜

Solu¸
c˜ao1 :

• Provando para 1.

Seja A um conjunto com 1 elemento (A = {a1 }), ent˜ao P(A) = {∅, a1 } ⇒= 21 .

• Provando para n = k + 1.
Precisamos provar que se B ´e um conjunto com n+1 elementos ent˜ao P(B) tˆem 2k+1 elementos.

Se n(B) = k + 1 ent˜
ao ele pode ser escrito como

B = A ∪ {ak+1 }


a que por hip´
otese de indu¸c˜
ao n(A) = k. Assim, para cada subconjunto S de A existem 2
subconjuntos de B: S e S ∪ {ak+1 }. Logo n(P(B)) = 2 o que implica em n(P(A)) = 2 · 2k = 2k+1 .

Obs: A nota¸c˜
ao n(B) ´e usada para denotar o numero de elementos do conjunto B.

9. Dados n (n ≥ 2) objetos de pesos distintos, prove que ´e poss´ıvel determinar qual o mais
leve e qual o mais pesado fazendo 2n − 3 pesagens em uma balan¸ca de pratos. E ´ esse o n´
umero
m´ınimo de pesagens que permitem determinar o mais leve e o mais pesado?

Solu¸
c˜ao da primeira parte:

Para n = 2 ´e obvio. Colocamos um objeto em cada prato da balan¸ca e observamos que com
apenas uma (2 · 2 − 2 = 1) pesagem ´e poss´ıvel perceber qual o mais pesado e o mais leve.

Se tivermos n = k+1 objetos ent˜ao podemos separar um deles em 2n−3 pesagens, descobrimos
qual o mais pesado e qual o mais leve entre os k objetos restantes. Em seguida comparamos o
objeto que foi separado inicialmente com o objeto mais pesado dos k objetos j´a pesados. Agora
temos duas possibilidades.

• O objeto separado inicialmente ´
e mais pesado.
Nesse caso j´
a ´e poss´ıvel distinguir o objeto mais leve e o mais pesado com apenas (2n−3)+1 =
2(n − 1) pesagem.
Contudo, como 2(n − 1) < 2(n + 1) − 3 ent˜ao fica provado a afirma¸c˜ao.

• O objeto separado inicialmente ´
e mais leve.
1 Solu¸
c˜ao retirada das notas de aula da professora Anjolina Grisi de Oliveira da UFPE em 2007. Dispon´ıvel
em: http://www.cin.ufpe.br/ if670/1-2007/apinducao.pdf

26
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Nesse caso devemos realizar mais uma pesagem, pois o objeto separado pode ser o mais leve.
Assim, nesse caso teremos realizado (2n − 3) + 2 = 2n − 1 pesagens.
Como 2n − 1 = 2(n + 1) − 3 ent˜
ao fica novamente provado que 2n − 3 ´e um numero suficiente
de pesagens para determinar o objeto mais leve e o mais pesado.

Solu¸
c˜ao da segunda parte


ao. Como vemos na prova do passo indutivo pode ocorrer de conseguirmos determinar o
objeto mais leve e mais pesado com um numero maior de pesagens. Entretanto, 2n − 3 ´e o n◦
m´ınimo que garante o resultado para qualquer situa¸c˜ao.

10. Prove que, dado um conjunto com n elementos, ´e poss´ıvel fazer uma fila com seus
subconjuntos de tal modo que cada subconjunto da fila pode ser obtido a partir do anterior pelo
acr´escimo ou pela supress˜
ao de um u
´nico elemento.

Solu¸
c˜ao:

Para n = 1 ´e obvio.
Suponhamos ent˜ ao um conjunto X com n elementos dispostos numa fila tal como ´e descrito
como no enunciado.
Tomamos agora um (n + 1) elemento e o acrescentamos a fila, na ordem inversa, a cada
subconjunto da fila anterior, come¸cando com o u
´ltimo. Assim teremos uma fila com todos os
elementos de X, dispostos como descritos no enunciado.

11. Todos os quartos do Hotel Georg Cantor est˜ao ocupados, quando chegam os trens T1 ,
T2 , ..., Tn , ... (em quantidade infinita), cada um deles com infinitos passageiros. Que deve fazer
o gerente para hospedar todos?

Solu¸
c˜ao2 :

No hotel, cujos quartos s˜ ao Q1 , Q2 , ..., Qn , ..., passe o h´ospede do quarto Qn para o quarto
Q2n−1 . Assim, todos os quartos de n´ umero par ficar˜ao vazios e os de numero ´ımpar, ocu-
pados. Em seguida, numere os trˆes assim, T1 , T3 , T5 , T7 , ... Os passageiros do trem Ti ser˜ao
pi1 , pi2 , pi3 , ..., pik , ..., de modo que pik ´e o k-´esimo passageiro de Ti . Finalmente, complete a
lota¸c˜ao do hotel alojando o passageiro pik no quarto de n´ umero 2k · i. Como todo n´
umero par
k
se escreve, de modo u ´nico, sob a forma 2 · i com k ∈ N ´e impar, haver´a um hospede apenas em
cada quarto.

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

2 Solu¸
c˜ao retirada da p´
agina do professor Luciano Monteiro de Castro da UFRN
(http://www.cerescaico.ufrn.br/matematica/arquivos/capmem/cardinais.pdf)

27
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO
A matem´
atica do Ensino m´edio (volume 1)

Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira.

4 N´
umeros Reais

1. Dados os intervalos A = [−1, 3), B = [1,4], C = [2,3), D = (1,2] e E = (0,2] dizer se 0
pertence a ((A−B)−(C∩D))−E.

Solu¸
c˜ao

Observe os segmentos:

−1 3
1 4

Assim A − B = [−1,1). Do mesmo modo se conclui que C∩D = (1,2]. Ent˜ao (A−B) −
oprio A − B como se mostra na figura a seguir:
(C∩D) ´e o pr´

−1 1
1 2

Por fim temos (A−B)−E

−1 1
0 2

Como 0 ∈ A−B e 0 ∈
/ E ∴ 0 ∈ ((A−B)−(C∩D))−E.

2. Verifique se cada passo na solu¸ca˜o das inequa¸c˜oes abaixo esta correto:

5x + 3
> 2 ⇒ 5x + 3 > 4x + 2 ⇒ x > −1
2x + 1
2x2 + x
< 2 ⇒ 2x2 + x < 2x2 + 2 ⇒ x < 2
x2 + 1

28
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao

O processo para resolver inequa¸c˜
oes fracion´arias ´e o seguinte:

5x + 3
>2
2x + 1

5x + 3 − 2(2x + 1)
>2
2x + 1

x+1
>0
2x + 1

Resolvendo o numerador teremos: x + 1 > 0 ⇒ x > −1.
Resolvendo o denominador teremos: 2x + 1 > 0 ⇒ x > −0.5.

1 0.5
− + + x+1
− − + 2x + 1
x+1
+ − + 2x+1

Chegando a conclus˜ ao de que x > −0.5 ou x < −1. O que confirma a suspeita de que as
implica¸co˜es da letra a est˜
ao erradas. Isso porque ela assume que 2x + 1 seja sempre maior que
zero para todo valor de x ∈ R. A segunda implica¸c˜ao no entanto ´e verdadeira uma vez que x2 + 1
´e de fato maior que zero para todo x ∈ R.

a c
3. Seja a, b, c, d > 0 tais que < . Mostre que
b d
a a+c c
< <
b b+d d

Solu¸
c˜ao

ad < bc

ad + ab < bc + ab

a(d + b) < b(c + a)
a c+a
<
b d+b

ad < bc

ad + cd < bc + cd

29
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

d(a + c) < c(b + d)
a+c c
<
b+d d
a c
Das duas desigualdades anteriores e do fato de que < resulta que:
b d

a c+a c
< <
b d+b d

Uma pergunta que pode surgir ´e: Como se soube que devia se somar ab na primeira desigual-
dade ou cd na segunda?

A resposta para isso ´e bem simples. Como j´a sabemos o resultado fica f´acil. Por exemplo,
queremos provar que:
a c+a c
< <
b d+b d
Do lado esquerdo temos:

a c+a
<
b d+b

Onde podemos proceder do seguinte modo:

a(d + b) < (c + a)b

ad + ab < bc + ab

Assim percebemos que para provar o lado esquerdo precisamos somar ab em ambos os lados.

4. Qual ´e a aproxima¸c˜
ao da raiz c´
ubica de 3 com precis˜ao de uma casa decimal.

Solu¸
c˜ao

Como a precis˜ ao ´e de uma u´nica casa decimal a forma mais simples de se resolver o problema
´e por inspe¸c˜
ao, que nesse caso ´e 1,4. Outro m´etodo ´e por meio da formula de Newton (p´ag. 163).

5. Ao terminar um problema envolvendo radicais, os alunos s˜ao instados a racionalizar o
denominador do resultado. Por que?

Solu¸
c˜ao

Segundo o BLOG MANTHANO o costume de racionalizar os denominadores das fra¸c˜oes
remonta a ´epoca em que n˜ ao existia calculadoras, ou seja, era uma quest˜ao operacional; que

1 2
alculos manuais. Considerando a fra¸c˜ao √ e sua forma j´a racionalizada
facilitava os c´
2 2

30
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´e muito mais simples por meio desta ultima encontrar uma representa¸c˜ao decimal para estas
1.4142 1
quantidades. Isso porque ´e muito mais f´acil realizar a divis˜ao do que .
2 1.4142
Para mais detalhes consulte o link:

http://manthanos.blogspot.com.br/2011/03/porque-racionalizar-o-
denominador.html

 
1
6. Considere todos os intervalos da forma 0, . Existe um numero em comum entre todos
n
estes intervalos? E se forem tomados intervalos aberto?

Solu¸
c˜ao

O zero pertence
 atodos os intervalos. No entanto se considerarmos
 os intervalos abertos e
1 1
tomarmos n ∈ 0, com k > n, tem se que n ∈
/ 0, . Logo n˜ao existe um n comum a
k n
todos esses intervalos.

7. Considere um numero racional m/n, onde m e n s˜ao primos entre si. Sob que condi¸c˜oes
este numero admite uma representa¸ca˜o decimal finita? Quando a representa¸c˜ao ´e uma dizima
peri´
odica simples?

Solu¸
c˜ao

Nesse caso aplica-se as seguintes regras:

• Se n ´e uma potencia de 10 ent˜
ao m/n admite uma representa¸c˜ao decimal finita.
• Se n no entanto for primo com 10 ent˜ao m/n admite uma representa¸c˜ao por meio de
uma dizima peri´odica simples.

8. O numero 0, 123456789101112131415... ´e racional ou irracional?

Solu¸
c˜ao

Como a sequencia de n´
umeros depois da virgula n˜ao ´e peri´odica o numero ´e irracional.

9. Utilize a interpreta¸c˜
ao geom´etrica de modulo para resolver as equa¸c˜oes e inequa¸c˜oes abaixo:

a) |x − 1| = 4
b) |x + 1| < 2

31
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

c) |x − 1| < |x − 5|
d) |x − 2| + |x + 4| = 8
e) |x − 2| + |x + 4| = 1

Solu¸
c˜ao

a) |x − 1| = 4
|x − 1| = 4 ⇒ x − 1 = 4 ou 1 − x = 4 ent˜ao x = 5 ou x = 3.

b) |x + 1| < 2
|x + 1| < 2 ⇔ −2 < x + 1 < 2 ⇒ −3 < x < 1

c) |x − 1| < |x − 5|

|x − 1| < |x − 5| · 1
|x − 1|
<1
|x − 5|

x − 1 x−1
x − 5 < 1 ⇔ −1 < x − 5 < 1

Para resolver a primeira inequa¸c˜
ao faremos o seguinte:

x−1
−1 <
x−5

x−1
> −1
x−5

x−1 x+5
+ >0
x−5 x+5

x − 1 + (x + 5)
>0
x−5

2x + 6
>0
x−5

Cuja desigualdade ocorre para x > 5 e x < 3.


a a segunda inequa¸c˜
ao faremos assim:

x−1
<1
x−5

32
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

x−1
(−1) · < 1 · (−1)
x−5

1−x
> −1
x−5

1−x x−5
+ >0
x−5 x−5

1 − x + (x − 5)
>0
x−5

1−x+x−5
>0
x−5

−4
>0
x−5

Cuja solu¸c˜
ao ocorre somente para x < 5 (basta olhar pro denominador). Assim fazendo a
intercess˜
ao entre as solu¸c˜
oes encontramos como solu¸c˜ao a condi¸c˜ao de que x < 3.

d) Nesse caso procedemos da seguinte forma:


x − 2 + |x + 4| = 8
|x − 2| + |x + 4| =
−(x − 2) + |x + 4| = 8

De cada equa¸c˜
ao acima ainda tem-se:


x − 2 + x + 4 = 2x + 2 = 8
x − 2 + |x + 4| =
x − 2 − (x + 4) = −6 6= 8

e tamb´em:


2 − x + x + 4 = 6 6= 8
2 − x + |x + 4| =
2 − x − x − 4 = −2x − 2 = 8

Dos dois u ´nicas solu¸c˜oes poss´ıveis vˆem de 2x + 2 = 8 ⇒
´ltimos sistemas percebemos que as u
x = 3 e de −2x − 2 = 8 ⇒ x = −5.

De fato testando estes valores temos:

|(−5) − 2| + |(−5) + 4| = | − 7| + | − 1| = 8

|(3) − 2| + |(3) + 4| = |1| + |7| = 8

33
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Assim a solu¸c˜ ao seria: x = −5 e x = 3.
ao para a equa¸c˜

e) Procedendo da mesma forma que na quest˜ao anterior chega-se a conclus˜ao de que esta
equa¸c˜
ao n˜
ao tem solu¸c˜
ao.

10. Sejam a e b n´
umeros reais n˜
ao negativos. Mostre que:

2
a2 + b2

a+b
<
2 2

Interprete geometricamente esta desigualdade.

Solu¸
c˜ao

2 2
a2 + b2 a2 + b2 a2 + 2ab + b2 a2 − 2ab + b2
 
a+b a−b
− = − = = > 0.
2 2 2 4 4 2

Portanto
2
a2 + b2

a+b
>
2 2

11. Sabendo que os n´ umeros reais x, y satisfazem as desigualdades
1, 4587 < x < 1, 4588 e 0, 1134 < y < 0, 1135, tˆem-se os valores exatos de x e y at´e mil´esimos.
Que grau de precis˜ao, a partir da´ı, podemos ter para o valor xy? Determine esse valor aproxi-
mado. Como proceder´ıamos para obter um valor aproximado de x/y? Qual o grau de precis˜ao
encontrado no caso do quociente?

Solu¸
c˜ao

Tendo 1, 4587 < x < 1, 4588 e 0, 1134 < y < 0, 1135 multiplicando termo a termo temos:
0.16541 < xy < 0.16557. Perceba que dentro deste intervalo podemos determinar com certeza
que xy = 0.165 com erro inferior a um d´ecimo de mil´esimo.
x x
De forma parecida chegamos que 12.851 < < 12.864 onde determinamos que = 12.8 com
y y
erro inferior a um cent´esimo.

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

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´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO
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Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira.

5 Fun¸
c˜oes Afins

1. Quando dobra o percusso em uma corrida de t´axi, o custo da nova corrida ´e igual ao dobro,
maior que o dobro ou menor que o dobro da corrida original?

Solu¸
c˜ao:

Seja x o valor da bandeirada e y o valor por Km percorrido ent˜ao o custo (C) ser´a:
C = x + ky; Onde k ´e uma constante.
Se dobr´
assemos o percusso ent˜
ao o custo seria:
C = x + 2ky
Se no entanto dobr´
assemos o custo:
2C = 2(x+2ky) = 2x + 4ky
Como 2x + 4ky > x + 2ky ent˜
ao conclui-se que ´e menor que o dobro.

2. A escala da figura abaixo ´e linear. Calcule o valor correspondente ao ponto assinalado.

17 59

Solu¸
c˜ao:

Graduamos a reta do seguinte modo:

17 x 59

0 1 2 3 4 5 6 7 8

Agora fazemos:

35
A Matem´
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59 − 17 x − 17
=
8−0 3−0
Onde se conclui que x = 41.

3. A escala N de temperatura foi feita com base nas temperaturas m´aximas e minimas em
Nova Igua¸cu. A correspondˆencia com a escala Celsius ´e a seguinte:

N C
0 18
100 43

Em que temperatura ferve a ´
agua na escala N?

Solu¸
c˜ao:

C N

100 x

43 100

18 0

De acordo com o diagrama acima devemos fazer:
43 − 18 100 − 43
=
100 − 0 x − 100

Onde se conclui que x = 328◦ .

4. Uma caixa d’´ agua de 1000l tem um furo por onde escoa ´agua a uma vaz˜ao constante. Ao
meio dia ela foi cheia e as 6 da tarde do mesmo dia ela tinha apenas 850l. Quando ficar´a pela
metade?

Solu¸
c˜ao:

Vamos pensar do seguinte modo.
As zero horas a caixa possu´ıa 1000 litros. Seis horas depois possu´ıa 850. Esta situa¸c˜ao pode
ser entendida pelo gr´
afico abaixo.

36
A Matem´
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1000L

θ1
850L

θ2
0h 6h xh

O ponto onde a reta vertical intercepta o eixo x ´e a quantidade de horas que a caixa leva para
ficar vazia. Como a inclina¸c˜
ao de uma reta ´e constante em qualquer ponto θ1 = θ2 de modo que
suas tangentes tamb´em s˜ao iguais assim:
1000 − 850 1000 − 0
=
6−0 x−0
Onde se conclui que a caixa ficar´
a vazia apos 40h (x = 40). E como a vaz˜ao ´e constante ficar´a
pela metade ap´
os 20h (40h/2) do inicio da vas˜ao.

5. Um garoto brinca de fazer quadrados com palitos como na figura. Se ele fizer n quadrados
quantos palitos usar´
a?

Solu¸
c˜ao:

1 quadrado = 4 palitos ou 4 + (1 − 1)3
2 quadrado = 7 palitos ou 4 + (2 − 1)3
3 quadrado = 10 palitos ou 4 + (3 − 1)3
..
.
n quadrado = 4 + (n − 1)3
Ou seja n quadrados levariam 4 + (n − 1)3 palitos, o que pode ser expresso pela f´ormula a
seguir

n = 3n + 1

37
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

6. Admita que 3 oper´
arios, trabalhando 8 horas por dia, construam um muro de 36 metros
em 5 dias.

a) Quantos dias s˜ao necess´
arios para que uma equipe de 5 oper´arios, trabalhando
6 horas por dia, construam um muro de 15 metros?
b) Que hip´
oteses foram implicitamente utilizadas na solu¸c˜ao do item anterior.
c) Dentro dessa mesma hip´
otese, exprima o numero D de dias necess´arios `a con-
stru¸c˜
ao de um muro em fun¸c˜
ao do numero N de oper´arios, do comprimento C do
muro e do numero H de horas trabalhadas por dia.

Solu¸
c˜ao a:

a) O problema em quest˜
ao ´e um problema de regra de trˆes composta.
5 6 36 5
· · =
3 8 15 x
5
Que implica em x = que ´e aproximadamente 1d e 16h.
3

Solu¸
c˜ao b:

b) O tempo e o numero de oper´ arios ´e inversamente proporcional ao tempo. Enquanto a
quantidade de metros constru´ıda ´e diretamente proporcional aos dias.

Solu¸
c˜ao c:

c) Usando a ideia de resolu¸c˜
ao da regra de trˆes composta chega-se a conclus˜ao de que:
10 C
D= ·
3 NH

7. As leis da f´ısica, muitas vezes, descrevem rela¸c˜oes de proporcionalidade direta ou inversa
entre grandezas. Para cada uma das leis abaixo, escreva a express˜ao matem´atica correspondente.

a) (Lei da gravita¸c˜
ao Universal). Mat´eria atrai mat´eria na raz˜ao direta das massas
e na raz˜
ao inversa do quadrado da distˆancia.
b) (Gases perfeitos). A press˜ao exercida por uma determinada massa de g´as
´e diretamente proporcional a temperatura absoluta e inversamente proporcional ao
volume ocupado pelo g´as.
c) (Resistˆencia el´etrica). A resistˆencia de um fio condutor ´e diretamente pro-
porcional ao seu seu comprimento e inversamente proporcional `a ´area de sua se¸c˜ao
reta.
d) (Dilata¸c˜
ao t´ermica). A dilata¸c˜ao t´ermica sofrida por uma barra ´e diretamente
proporcional ao comprimento da barra e `a varia¸c˜ao de temperatura.

38
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao:
m1 m2
a) F = k
d2
b) pv = ct
l
c) r = k
s
d) ∆l = k l ∆t

8. As grandezas X e Y s˜ ao inversamente proporcionais. Se X sofre um acr´escimo de 25% qual
o decr´escimo percentual sofrido por Y?

Solu¸
c˜ao:
1
Suponhamos que Y = k se X for acrecido de 25% teremos:
X
1
Y= k
X + 14 X

Simplificando
4 k
Y= ·
5 X
4
Ou seja Y sofre uma redu¸c˜
ao de 5, para determinar a porcentagem desta redu¸c˜ao usamos
regra de trˆes.

Y = 100%
4
Y = X%
5
Que implica em X = 80%.

9. Os termos a1 , a2 , ..., an de uma PA s˜ao os valores f(1), f(2),...,f(n) de uma fun¸c˜ao afim.

a) Mostre que cada ai ´e igual `a ´area de um trap´ezio delimitado pelo gr´afico de f,
pelo eixo OX e pelas retas verticais de equa¸c˜oes.
1 1
x=i− e x=i+
2 2
b) Mostre que a soma S = a1 + . . . + an ´e igual a ´area do trap´ezio delimitado pelo
afico de f, pelo eixo OX e pelas retas verticais x = 21 e x = n + 12 .
gr´
a1 + an
c) Conclua que S = n.
2

Solu¸
c˜ao a

A fun¸c˜
ao a ser considerada aqui ´e: f(i) = a1 + (i - 1)r pois a1 ,..., an s˜ao termos de uma PA.

39
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

A ´
area do trap´ezio ´e o produto entre altura e base m´edia. Pelo gr´afico verificamos que a
altura ´e igual a 1.

h

i i
i− 2 i+ 2

 
1 1
h=i+ − i− =1
2 2

a a base m´edia ´e igual a an .

i i
i− 2 i+ 2

f (i − 1/2) + f (i + 1/2)
Base media = = a1 + (n − 1)r.
2
Assim fazendo a base m´edia vezes a altura chega-se a an .

1·an = an

Solu¸
c˜ao b
a1 + an
Seguindo a mesma l´ ogica anterior se conclui que S = n que ´e o resultado da soma
2
a1 + . . . + an , como ´e demonstrado na letra c.

40
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao c

Esta dedu¸c˜
ao se encontra em TODO LIVRO de matem´atica do ensino m´edio que se prop˜oem
a trabalhar com progress˜ oes de modo que n˜ao ser´a feita aqui.

10. Pessoas apresada podem diminuir o tempo gasto em uma escada rolante subindo alguns
degraus da escada no percusso. Para uma certa escada, observa-se que uma pessoa gasta 30
segundos na escada quando sobe 5 degraus e 20 segundos quando sobe 10 degraus. Quantos s˜ao
os degraus da escada e qual o tempo normalmente gasto no percusso.

Solu¸
c˜ao

Seja d o numero total de degraus ent˜ao:

(d − 5)t = 30s

(d − 10)t =20s

Onde se conclui que:
d = 20
Ou seja existem 20 degraus na escada. Substituindo este valor em:

((20) − 5)t = 30s

Chegamos a t = 2. Isto ´e, a escada leva 2 segundos para deslocar cada degrau. Como
existem 40 degraus na escada ent˜
ao ser˜ao necess´ario 40 segundos para subi-la ou desce-la sem se
movimentar.

11. Augusto certo dia, fez compras em 5 lojas. Em cada loja, gastou metade do que tinha e
pagou na sa´ıda 2 R$ de estacionamento. Se ap´os toda essa atividade ainda ficou com R$ 20,00
que quantia ele tinha inicialmente?

Solu¸
c˜ao

Como ele gasta sempre metade do que tˆem ent˜ao:
D D D D D 31
+ + + + = D
2 4 8 16 32 32
Assim:
31
D + 22 = D
32
Que resulta em D = 704 R$.

41
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

12. Seguindo as ideias de E.W., construa uma r´egua para medir n´
umeros de sapatos.

Solu¸
c˜ao
A cargo do leitor.

13. Estuda-se a implementa¸c˜
ao da chamada f´ormula 95. Por essa f´ormula os trabalhadores
teriam direito `
a aposentadoria quando a soma de suas idades e tempo de servi¸co chegasse a 95.
Adotando essa f´ ormula, quem come¸casse a trabalhar com 25 anos, com que idade se aposentaria?

Solu¸
c˜ao

A equa¸c˜
ao ´e a seguinte:

Idade + Tempo de servi¸co = 95.

No entanto para cada ano de servi¸co ´e somado um ano a idade atual, portanto:

Idade = Idade atual + Tempo de servi¸co.

Portanto:

Idade atual + 2·Tempo de servi¸co = 95

se a idade atual do individuo ´e de 25 anos ent˜ao:

Tempo de servi¸co = 35.

14. Em uma escola h´ a duas provas mensais, a primeira com peso 2 e a segunda com peso 3.
Se o aluno n˜ao alcan¸car m´edia 7 nessas provas, far´a prova final. Sua m´edia final ser´a ent˜ao a
m´edia entre a nota da prova final, com peso 2 e a media das provas mensais, com peso 3. Jo˜ao
obteve 4 e 6 mas provas mensais. Se a media final para aprova¸c˜ao ´e 5, quanto ele precisa obter
na prova final para ser aprovado?

Solu¸
c˜ao

A m´edia antes da prova ´e:
4(2) + 6(3)
= 5, 2
5
Assim a nota que ele precisa tirar ´e:

5.2(3) + 2n
≥5
5
n ≥ 47

42
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

15. Arnaldo da a Beatriz tantos reais quanto Beatriz possui e da a Carlos tantos reais quanto
Carlos possui. Em seguida, Beatriz d´
a a Arnaldo e a Carlos tantos reais quanto cada um possui.
Finalmente, Carlos faz o mesmo. Terminam todos com 16,00 R$ cada. Quanto cada um possu´ıa
no inicio?

Solu¸
c˜ao

Suponha que de inicio Bia tenha x reais, Carlos y reais e Arnaldo z reais.

Arnaldo da a Beatriz tantos reais quanto Beatriz possui e da a Carlos tantos reais quanto
Carlos possui.

Bia = 2x
Carlos = 2y
Arnaldo = z − (x + y)

Em seguida, Beatriz d´
a a Arnaldo e a Carlos tantos reais quanto cada um possui.

Bia = 3x − y − z
Carlos = 4y
Arnaldo = 2z − 2x − 2y

Finalmente, Carlos faz o mesmo.

Bia = (3x − y − z) + (3x − y − z) = 6x − 2y − 2z
Carlos = 4y − [(3x − y − z) + (2z − 2x − 2y)] = 4y − (x − 3y + z) = 7y − x − z
Arnaldo = (2z − 2x − 2y) + (2z − 2x − 2y) = 4z − 4x − 4y

Terminam todos com 16,00 R$ cada.

Bia = 6x − 2y − 2z = 16
Carlos = 7y − x − z = 16
Arnaldo = 4z − 4x − 4y = 16

Resolvendo o sistema de equa¸c˜
oes chega-se `a: x = 14, y = 8 e z = 26.

Assim Bia tinha 14 reais, Carlos possu´ıa 8 reais e Arnaldo 26 reais.

16. Um carro sai de A para B e outro de B para A, simultaneamente, em linha reta, com
velocidade constante e se cruzam em um ponto situado a 720m do ponto de partida mais pr´oximo.
Completada a viagem, cada um deles para por 10 min e regressa, com a mesma velocidade de ida.
Na volta, cruzam-se em um ponto situado a 40m do outro ponto de partida. Qual a distˆancia de
A at´e B.

Solu¸
c˜ao3 :

Seja va a velocidade do carro que sai de A e vb a velocidade do carro que sai de B ent˜ao,
suponha que ap´os um tempo t de viagem eles se encontram a 720m de A.
3 Solu¸c˜
ao retirada da p´
agina da UFPR. Dispon´ıvel em: http://www.mat.ufpr.br/ensinomedio/paginas/solucao.html

43
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Nesse caso podemos dizer que va t = 720 e, chamando de d a distˆancia entre A e B, temos
vb t = d − 720.
Fazendo a raz˜
ao entre as igualdades:

va t 720
=
vb t d − 720

va 720
=
vb d − 720

Seja t0 o tempo decorrido desde o in´ıcio do percurso at´e o segundo encontro dos carros.
Levando em conta os 10 minutos em que cada carro esteve parado, temos:

va (t0 − 10) = d + 400

e

vb (t0 − 10) = 2d − 400

va d + 400
Dividindo membro a membro estas duas igualdades resulta = .
vb 2d − 400
720 d + 400
Comparando, obtemos = . Segue-se imediatamente que d = 1760.
d − 720 2d − 400

17. Em uma ferrovia, as esta¸c˜ oes A e B distam entre si 3 km e a cada 3 min parte um trem
de cada uma delas em dire¸c˜ ao `
a outra. Um pedestre parte de A para B, no exato momento em
que um trem parte de A para B e outro chega a A vindo de B. Ele chega a B no exato momento
em que um trem parte de B para A e outro trem chega a B vindo de A. Em seu caminho, o
pedestre encontrou 17 trens que iam no mesmo sentido que ele e com 23 trens que iam no sentido
oposto ao seu, a´ı inclu´ıdos os 4 trens j´a citados anteriormente. As velocidades dos trens s˜ao
iguais. Calcule as velocidades dos trens e do pedestre.

Solu¸
c˜ao4

Seja t minutos o tempo gasto pelo pedestre para ir de A a B. At´e chegar a B, ele foi ultra-
passado por 16 trens (contando com o ultimo, que chegou junto com ele). Este ultimo trem saiu
de A 16 × 3 = 48 minutos apos o pedestre, logo levou t − 48 minutos para ir de A a B. Seja v a
velocidade do pedestre e w a dos trens. Ent˜ao w(t − 48) = vt = 3km.
Por outro lado, o primeiro trem que cruzou com o pedestre (na dire¸c˜ao contr´aria) saiu de
B 22 × 3 = 66 minutos antes do trem que estava saindo de B no momento em que chegava o
pedestre. Logo, o tempo que aquele primeiro trem gastou para ir de B at´e A foi 66 − t minutos.
(Saiu h´
a 66 minutos mas j´
a chegou h´a t minutos.) Ent˜ao w(66 − t) = vt = 3km.
Assim, t − 48 = 66 − t, donde t = 57 minutos e t − 48 = 9 minutos. Como w(t − 48) = 3k,
segue-se que w = 1Km/3min = 20km/h. A velocidade dos trens ´e, portanto, 20km por hora. A
velocidade do pedestre ´e v = 3/t = 3/57km por minuto, ou seja 180/57 km/h = 60/19 Km/h.
4 Solu¸
c˜ao retirada da p´
agina da UFPR: http://www.mat.ufpr.br/ensinomedio/paginas/solucao.html

44
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

18. Dado o gr´
afico abaixo, obtenha, em cada caso, o gr´afico da fun¸c˜ao g tal que:

y

f

x
O

a) g(x)=f(x)-1

b) g(x)=f(x-1)
c) g(x)=f(-x)
d) g(x)=2(f(x))

e) g(x)=f(2x)
f) g(x)=|f (x)|
g) g(x)=f(|x|)
h) g(x)=max{f (x), 0}

Solu¸
c˜ao

a) O gr´
afico ´e deslocado uma unidade para baixo.
b) O gr´
afico ´e deslocado uma unidade a direita.
c) A imagem do gr´
afico ´e refletida em torno do eixo y.
d) Duas semi retas com origem no ponto (1, −2). Uma passa pelo ponto (0,2) e a
outra (2,0) (UFPR).
e) Duas semi retas com origem no ponto (0.5, −1). Uma passa pelo ponto (0,1) e a
outra (1,0) (UFPR).
f) A parte da fun¸c˜
ao abaixo do eixo x ´e refletida para cima formando um W.

g) A parte do gr´
afico que tem x > 0 mais a reflex˜ao dessa mesma parte em torno do
eixo Y (UFPR).
h) O gr´afico de f , com a parte que tem y < 0 substitu´ıda pelo intervalo [0.5, 2] do
eixo X (UFPR).

45
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

19. Determine os valores reais de x que satisfazem:

a) 2x + 3 − (x − 1) < x + 1
b) 2x + 3 − (x − 1) < x + 5
c) min{x + 1; 5 − x} > 2x − 3
d) min{x + 1; 5 − x} < 2x
e) min{2x − 1; 6 − x} = x
f) 2|x + 1| − |1 − x| ≤ x + 2
g) (2x + 3)(1 − x) = (2x + 3)(x − 2)
h) |x + 1 − |x − 1|| ≤ 2x − 1

Solu¸
c˜ao:

a) 2x + 3 − (x − 1) < x + 1

2x + 3 − x + 1 < x + 1
x+4<x+1
4<1

Como a condi¸c˜
ao n˜
ao ´e verdadeira para nenhum x ent˜ao a inequa¸c˜ao n˜ao tˆem solu¸c˜ao.

b) 2x + 3 − (x − 1) < x + 5

2x + 3 − x + 1 < x + 5
x+4<x+5
4<5

Ou seja, a inequa¸c˜
ao se satisfaz para qualquer valor de x.

c) min{x + 1; 5 − x} > 2x − 3

min{x + 1; 5 − x} > 2x − 3
x + 1 > 2x − 3 ⇒ x < 4
8
5 − x > 2x − 3 ⇒ x <
3

46
A Matem´
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8 8
Como < 4 ent˜
ao a solu¸c˜
ao ser´
ax< .
3 3

d) min{x + 1; 5 − x} < 2x
An´
alogo ao anterior.

e) min{2x − 1; 6 − x} = x
x = 1 ou x = 3

f) 2|x + 1| − |1 − x| ≤ x + 2


2(x + 1) − |1 − x| ≤ x + 2
2|x + 1| − |1 − x| ≤ x + 2 =
−2(x + 1) − |1 − x| ≤ x + 2


2(x + 1) − 1 + x ≤ x + 2 (1)
2(x + 1) − |1 − x| ≤ x + 2 =
2(x + 1) + 1 − x ≤ x + 2 (2)


−2(x + 1) − 1 + x ≤ x + 2 (3)
−2(x + 1) − |1 − x| ≤ x + 2 =
−2(x + 1) + 1 − x ≤ x + 2 (4)

De (1) tˆem-se:

2x + 2 − 1 + x ≤ x + 2

3x + 1 ≤ x + 2

1
2x ≤ 1 ⇒ x ≤
2

A inequa¸c˜
ao (2) n˜
ao tˆem solu¸c˜
ao.

5
A inequa¸c˜ ao para todo valor de x ≥ − .
ao (3) tˆem solu¸c˜
2
3
A inequa¸c˜ ao apenas para x ≥ − .
ao (4) tˆem solu¸c˜
4
 
3 1
Assim a solu¸c˜
ao da inequa¸c˜ ao ser´a: x ∈ − ,
4 2

3
g) x = ±
2

47
A Matem´
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h) An´
alogo aos anteriores.

20. Resolva a inequa¸c˜
ao.
1 1
<
2x + 1 1−x
Solu¸
c˜ao:

1 1
<0
2x + 1 1 − x

(1 − x) − (2x + 1)
<0
(1 − x)(2x + 1)

3x
− <0
−2x2 +x+1

Ou seja, resolver a inequa¸c˜
ao inicial ´e o equivalente a resolver:

3x
>0
−2x2 + x + 1

ao ocorre para x ∈ (−∞, −0.5) ∪ [0, 1).
Cuja solu¸c˜

ao f : R → R tal que f(x) = max{x − 1, 10 − 2x}.
21. Determine a imagem da fun¸c˜

Solu¸
c˜ao:
 
8
A imagem ´e o intervalo , ∞ . Para visualizar essa imagem ´e necess´ario esbo¸car o gr´afico
3
da fun¸c˜
ao.

22. Fa¸ca os gr´
aficos de:

a) f (x) = min{4 − x; x + 1}

b) f (x) = |x + 1| − |x − 1|

48
A Matem´
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Solu¸
c˜ao5 :

a) O angulo reto com v´ertice no ponto (3/2, 5/2) e lados passando pelos pontos (−1, 0) e
(4, 0).

b)As semi-retas horizontais S = {(x, −2); x ≤ −1} e S 0 = {(x, 2); x ≥ 1}, juntamente com
o segmento de reta que liga os pontos A = (−1, −2) a B = (1, 2), os quais s˜ao as origens dessas
semi-retas.

23. Identifique o conjunto dos pontos (x,y) tais que:

|x| + |y| = 1
|x − y| = 1

Solu¸
c˜ao:

a) (x,y) = {(1, 0); (0, 1); (−1, 0); (0, −1)}

b) |x − y| = 1 ⇒ x − y = 1 ou y − x = 1. Nesse caso a solu¸c˜ao seria ambas as possibilidades,
a saber: a reta y = x + 1 e y = x − 1.

24. Um supermercado est´ a fazendo uma promo¸c˜ao na venda de alcatra: um desconto de 10%
´e dado nas compras de trˆes quilos ou mais. Sabendo que o pre¸co do quilo de alcatra ´e de R$ 4.00
pede-se:

a) O gr´
afio do total pago em fun¸c˜ao da quantidade comprada.
b) O gr´
afico do pre¸co m´edio por quilo em fun¸c˜ao da quantidade comprada.
c) A determina¸c˜
ao de quais consumidores poderiam ter comprado mais alcatra pelo
mesmo pre¸co.

Solu¸
c˜ao:

4x para x ∈ (0, 3)
a) f (x) =
3.6x para x ∈ [3, ∞)

f (x) 4 para x ∈ (0, 3)
b) =
x 3.6 para x ∈ [3, ∞)

5 Solu¸
c˜ao retirada da p´
agina da UFPR: http://www.mat.ufpr.br/ensinomedio/paginas/solucao.html

49
A Matem´
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c) (Solu¸
c˜ao retirada da p´agina da UFPR6 )
4
ao, pondo x0 =
Se 2.7 < x < 3 ent˜ x, temos x0 > x e f (x0 ) = 3.6x0 (pois x0 > 3), portanto
0
3.6
f (x ) = 4x = f (x).

25. Um supermercado est´a fazendo uma promo¸c˜ao na venda de alcatra: um desconto de 10%
´e dado nos quilos que excederem a 3. Sabendo que o pre¸co do quilo de alcatra ´e de R$ 4.00
pede-se:

a) O gr´
afico do total pago em fun¸c˜ao da quantidade comprada.
b) O gr´
afico do pre¸co m´edio por quilo em fun¸c˜ao da quantidade comprada.

c) A determina¸c˜
ao de quantos quilos foram compradas por um consumidor que pagou
R$.

Solu¸
c˜ao:

4x para x ∈ (0, 3]
a) f (x) =
12 + 3.6(x − 3) para x ∈ (3, ∞)

ao 12 + 3.6(x − 3) foi deduzida atrav´es da tabela a seguir:
A equa¸c˜

Quantidade Valor
4 12+3.6·1
5 12+3.6·2
6 12+3.6·3
7 12+3.6·4

No entanto, perceba que o valor pode ser expresso em termos de quantidade de alcatra (seja

a o que isso for), comprada.

Quantidade Valor
4 12+3.6·(4-3)
5 12+3.6·(5-3)
6 12+3.6·(6-3)
7 12+3.6·(7-3)
x 12+3.6·(x-3)

4 para x ∈ (0, 3]
(
f (x)
b) = 1.2
x 3.6 + para x ∈ (3, ∞)
x
6 http://www.mat.ufpr.br/ensinomedio/paginas/solucao.html

50
A Matem´
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c) O consumidor que pagou R$ 15,00 levou 3.83Kg.

12 + 3.6(x − 3) = 15 ⇒ x = 3.83Kg

26. Os novos valores de IR-fonte:
Base de c´ alculo Al´ıquota Parcela a deduzir
At´e R$ 900 Isento 0
De R$ 900 a R$ 1800 15% R% 135%
Acima de R$ 1800 25% R% 315%
Baseado na tabela acima, construa o gr´afico do imposto a pagar em fun¸c˜ao do rendimento.

Solu¸
c˜ao:

Para resolver esta quest˜ ao assumi as condi¸c˜oes do problema 27. Isto ´e: supondo que a renda
liquida ´e calculada atrav´es de uma express˜ao da fora y = ax − p, onde a seria a al´ıquota e p a
parcela a se deduzir.

 0 para x ∈ [0, 900]
f (x) = 0.15x − 135 para x ∈ (900, 1800]
0.25x − 315 para x ∈ (1800, ∞)

27. O imposto de renda y pago por uma pessoa que, em 1995, teve uma renda l´ıquida y
ao da forma y = ax − p, onde a al´ıquota a e a parcela a deduzir
calculado atrav´es de uma express˜
p dependem da renda x e s˜ ao dadas por uma tabela, parcialmente fornecida a seguir:

Renda (em R$) Al´ıquota (a) Parcela a Deduzir (p)
At´e 8800 0% 0
De 8800 a 17.160 15%
De 17.160 a 158.450 26%
Mais de 158.450 35%

(a) Complete a tabela, de modo que o imposto a pagar varie continuamente com a renda (isto
´e, n˜
ao haja saltos ao se passar de uma faixa de renda para outra).

(b) Se uma pessoa est´
a na terceira faixa e sua renda aumenta de R$ 5 000,00, qual ser´a seu
imposto adicional (supondo que este acr´escimo n˜ao acarrete uma mudan¸ca de faixa)?

(c) E comum encontrar pessoas que lamentam estar no in´ıcio de uma faixa de taxa¸c˜ao (“que
azar ter recebido este dinheiro a mais!”). Este tipo de reclama¸c˜ao ´e procedente?

(d) A tabela de taxa¸c˜ ao ´e, as vezes, dada de uma outra forma, para permitir o c´alculo do
imposto atrav´es de uma express˜ ao da forma y = b(x − q) (isto ´e, primeiro se deduz a parcela q e
depois se aplica a al´ıquota). Converta a tabela acima para este formato (isto ´e, calcule os valores
de b e q para cada faixa de renda).

(e) Qual a renda para a qual o imposto ´e igual a R$ 20.000,00?

51
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao7 :

(a) As parcelas a deduzir s˜
ao 0, 1320, 3207, 60 e 17468, 10.

(b) 0, 26 · 5000 = 1300.

(c) N˜
ao, porque a fun¸c˜ao que descreve a renda l´ıquida (renda menos o imposto) em termos
da renda ´e uma fun¸c˜
ao crescente.

(d) Em cada faixa de renda, devemos ter ax − p = b(x − q) = bx − bq, para todo x. Ou seja,
b = a e p = bq. Assim, b = 0% e q ´e arbitr´ario para a faixa 1, b = 15% e q = 8800 para a faixa
2, b = 26% e q = 12.336, 92 para a faixa 3 e b = 35% e q = 49908, 86 para a faixa 4.

(e) Inicialmente, vamos calcular o IR nos pontos de mudan¸ca de faixa:

Renda IR
8800 0
17160 1254,24
158450 37983,40

Logo, um IR igual a R$ 20 000,00 ´e pago na faixa de tributa¸c˜ao de 17.160 a 158,450. A renda
correspondente satisfaz 0, 26x − 3207, 60 = 20.000, ou seja, ela ´e igual a R$ 89.260, 00.

28. Uma copiadora publicou a seguinte tabela de pre¸cos:
Numero de c´ opias Pre¸
co por c´ opia
de 1 a 19 R$ 0.1
de 20 a 49 R$ 0.08
50 ou mais R$ 0.06
Esboce o gr´
afico da fun¸c˜
ao que associa a cada natural n o custo de n c´opias de um mesmo
original.

Solu¸ c˜
ao:

 0.1x para x ∈ [0, 900]
f (x) = 0.08x para x ∈ (900, 1800]
0.06x para x ∈ (1800, ∞)

29. Discuta o n´ oes da equa¸c˜ao |x − 2| = ax + b que ocorre em fun¸c˜ao dos
umero de solu¸c˜
parˆ
ametros a e b.

Solu¸
c˜ao:

x − 2 = ax + b ⇒ (a − 1)x + (b + 2)
|x − 2| = ax + b =
2 − x = ax + b ⇒ (a + 1)x + (b − 2)
7 Resolvida por Humberto Jos´e Bortolossi. Dispon´ıvel em:
http://www.professores.uff.br/hjbortol/disciplinas/2011.1/gma00116/listas/gma00116-lista-12.pdf

52
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Repare que em cada caso temos apenas uma u ´nica possibilidade de solu¸c˜ao. Assim a equa¸c˜ao
b+2 b−2
oes poss´ıveis, a saber: −
tˆem duas solu¸c˜ e− .
a−1 a+1

ao rampa a uma fun¸c˜ao poligonal f : [a, b] → R, cujo gr´afico ´e de uma
30. Chama-se de fun¸c˜
das formas abaixo:

Isto ´e, f tem dois patamares [a, c] e [d, b], onde assume, respectivamente, os valores 0 e D,
ligados por uma rampa.

a) Mostre que toda fun¸c˜
ao rampa pode ser escrita na forma
α
f (x) = [(d − c) + |x − c| + |x − d|],
2
para todo x ∈ [a, b], onde
D
α=
d−c
´e a inclina¸c˜
ao da rampa.

b) Mostre que toda fun¸c˜
ao poligonal definida em um intervalo [a, b] pode ser expressa como
uma soma de uma fun¸c˜ ao constante (que pode ser vista como uma fun¸c˜ao rampa de inclina¸c˜ao
zero) com um n´ umero finito de fun¸c˜
oes rampa. Escreva nesta forma a fun¸c˜ao poligonal cujo
gr´
afico ´e dado abaixo.
y

1 2 3
x
-1 4
-1

53
A Matem´
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c) Conclua que toda fun¸c˜
ao poligonal definida em um intervalo [a,b] pode ser escrita na forma

f (x) = A + α1 |xα1 | + α2 |x − a2 | + · · · + α11 |x − αn |,
para todo x ∈ [a, b], onde α1 , α2 , ..., αn s˜ao as abscisas dos v´ertices da poligonal. Escreva
nesta forma a fun¸c˜
ao poligonal cujo gr´afico ´e dado acima.

31. Dadas as progress˜
oes aritm´eticas

(a1 , a2 , ..., an , ...) e (b1 , b2 , ..., bn , ...)

mostre que existe uma, e somente uma, fun¸c˜ao afim f : R → R tal que f (a1 ) = b2 , ..., f (an ) =
bn , ...

Solu¸
c˜ao:

Suponha por absurdo que exista uma fun¸c˜ao afim g 6= f tal que g(a1 ) = b2 , ..., g(an ) = bn , ...

Sendo assim:

g(a1 ) = f (a1 )

g(a2 ) = f (a2 )

g(a3 ) = f (a3 )
..
.

Sendo g(a1 ) = a(a1 ) + b e f = a0 (a1 ) + b0 ent˜ao:
b0 − b
g(a1 ) = f (a1 ) ⇒ a1 =
a − a0
b0 − b
g(a2 ) = f (a2 ) ⇒ a2 =
a − a0
b0 − b
g(a3 ) = f (a3 ) ⇒ a3 =
a − a0
..
.

O que implica em um absurdo, pois se todos os termos da sequˆencia (a1 , a2 , a3 , ...) s˜ao iguais
a mesma n˜ao pode ser uma progress˜
ao aritm´etica.

32. A e B s˜
ao duas locadoras de autom´ovel. A cobra 1 real por quilˆometro rodado mais uma
taxa fixa de 100 reais. B cobra 80 centavos por quilˆometro rodado mais uma taxa fixa de 200
reais. Discuta a vantagem de A sobre B ou d B sobre A em fun¸c˜ao do numero de quilˆometros a
serem rodados.

54
A Matem´
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Solu¸
c˜ao:

Vamos determinar quando A ´e mais vantajoso que B.

1x + 100 < 200 + 0.8x

0.2x < 100 ⇒ x < 500
Assim at´e 500 quilˆ
ometros a empresa A ´e mais vantajosa que a B.

Agora determinemos quando B ´e mais vantajoso que A.

1x + 100 > 200 + 0.8x

0.2x > 100 ⇒ x > 500
Assim acima de 500 quilˆ
ometros a empresa B ´e mais vantajosa que a A.

33. Defina uma fun¸c˜ao f : R → R pondo f (x) = 2x se x ´e racional e f (x) = 3x se x ´e
irracional. Mostre que se tem f (nx) = nf (x) para todo n ∈ Z e todo x ∈ R mas f n˜ao linear.

Solu¸
c˜ao:

34. Prove que a fun¸c˜ao f : R → R, definida por f (x) = 3x+sen(2πx), ´e crescente e, para todo
x ∈ R fixado, transforma a progress˜ao aritm´etica x, x + 1, x + 2, ... numa progress˜ao geom´etrica.
Entretanto, f n˜ao ´e afim. Por que isto n˜ao contradiz o fato provado no final da se¸c˜ao 4 (p´ag.
102)?

Solu¸
c˜ao8 :

Para todo x ∈ R, como sen[2x(x + 1)] = sen(2πx), segue-se que f (x + 1) − f (x) = 7, portanto
a sequˆencia f (x), f (x + 1), ..., f (x + n), ... ´e uma progress˜ao aritm´etica de raz˜ao 7. A maneira de
0 0
f e f (x) = 7 + 2π · cos(πx). Como [2π · cos(πx) ≤ 2π < 7, tˆem-se f (x) > 0 para todo x, logo f
´e crescente.

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

8 Solu¸
c˜ao retirada da p´
agina da UFPR. Dispon´ıvel em: http://www.mat.ufpr.br/ensinomedio/paginas/solucao.html

55
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO

A matem´
atica do Ensino m´edio (volume 1)

Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira

6 Fun¸
c˜oes Quadr´
aticas

1. Encontre a fun¸c˜
ao quadr´
atica cujo gr´afico ´e dado em cada figura abaixo:

2 2
(5,13) (1.9)

8

(3,5)

Solu¸
c˜ao 1a:

Usando a forma canˆ
onica:

f(x) = a(x − 3)2 + 5

como f (5) = 13 ent˜
ao:

a(5 − 3)2 + 5 = 13

Que implica em a = 2. Assim a fun¸c˜ao quadr´atica ser´a

f (x) = 2(x − 3)2 + 5.

Solu¸
c˜ao 1b:

Explorando a simetria da par´
abola a coordenada “x” do v´ertice estar´a a 2 unidades da reta
y = 2 e y = −2.

56
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

|2| + | − 2|
= 2uc
2
Logo a coordenada “x” do v´ertice est´a em 0.
Usando a forma canˆ
onica.

f (x) = a(x − 0)2 + y1

= ax2 + y1
ao ´e da forma f (x) = ax2 + y1 com isso montamos o sistema.
Assim sabemos que a fun¸c˜

3 = a(−2)2 + y1

⇒ a = −2; y = 11
9 = a(1)2 + y1

Assim a equa¸c˜
ao do gr´ a: f (x) = −2x2 + 11.
afico ser´

2. Identifique os sinais de a, b e c nos gr´aficos de fun¸c˜oes quadr´aticas f (x) = ax2 + bx + c
dados abaixo.
´
GRAFICO UM

O

´
GRAFICO DOIS

O

´
GRAFICO ˆ
TRES

O

57
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao:

1◦ gr´
afico: a < 0, b > 0, c > 0.
2◦ gr´
afico: a > 0, b > 0, c < 0.
3◦ gr´
afico: a > 0, b < 0, c > 0.

3. Escreva cada uma da fun¸c˜ oes quadr´aticas abaixo na forma f (x) = a(x − b)2 + c. A seguir,
calcule suas ra´ızes (se existirem), o eixo de simetria de seu gr´afico e seu valor m´ınimo ou m´aximo.

a) f (x) = x2 − 8x + 23
b) f (x) = 8x − 2x2

Solu¸
c˜ao 3a:

Encontrando o v´ertice da fun¸c˜
ao:
b (−8)
− =− =4
2a 2(1)

f (4) = 42 − 8(4) + 23 = 7

Logo o v´ertice ocorre em (4,7). Assim a forma canˆonica da fun¸c˜ao ´e:

f (x) = 1(x − 4)2 + 7

Como o ponto (4,7) ocorre acima do eixo x e a par´abola ´e voltada para cima, ent˜ao a fun¸c˜ao

ao tˆem raiz. O eixo de simetria ´e a reta x = 4 e o ponto de minimo ´e 7.

Solu¸
c˜ao 3b:

As ra´ızes da equa¸c˜
ao ocorrem para x = 0 e x = 4.

f (x) = 8x − 2x2

x(8 − 2x)

O v´ertice da fun¸c˜
ao ocorre em (2, 8).
b 8
− =− =2
2a 2(−2)
f (2) = 2(8 − 2(2)) = 8

Logo a forma canˆ onica da fun¸c˜ao ´e: f (x) = −2(x − 2)2 + 8. Como a par´abola ´e voltada para
baixo ent˜
ao: o eixo de simetria ´e a reta x = 2 e o valor de m´aximo ´e 8.

58
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

4. Observe os gr´aficos abaixo, que representam as par´abolas y = ax2 para diversos valores
de a. Estas par´
abolas s˜
ao semelhantes entre si?

a=3 a=1
a=1/3
3

1 y = ax2
1/3

O

Solu¸
c˜ao:

Dada uma fun¸c˜ ao y = ax2 ent˜ ao toda fun¸c˜ao y 0 = (ka)x2 com k ∈ R s˜ao semelhantes entre
si e a y = ax2 . Logo todas as fun¸c˜
oes do problema s˜ao semelhantes.

5. Encontre a unidade que deve ser usada nos eixos cartesianos de modo que a par´abola
abaixo seja o gr´ ao f (x) = 2x2 .
afico da fun¸c˜

O

Solu¸
c˜ao:

No gr´
afico tra¸camos a fun¸c˜
ao g(x) = x.

P

(0,0)

59
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Os pontos de intercess˜
ao ir´
a ocorrer em (0,0) e (0.5, 0.5).

g(x) = f (x)

x = 2x2

2x2 − x = 0

x(2x − 1) = 0 ⇒ x = 0 ex = 0.5

Onde f(0) = 0 e f(0.5) = 0.5

Duplicando a coordenada x de (0.5, 0.5) encontramos a unidade.

6. Encontre os valores m´ınimos e m´aximo assumidos pela fun¸c˜ao f (x) = x2 − 4x + 3 em cada
um dos intervalos abaixo:

a) [1, 4]
b) [6, 10]

Solu¸
c˜ao

A fun¸c˜
ao tˆem concavidade para cima e v´ertice em (2,-1). Assim no intervalo [1, 4] ter´a um
m´ınimo em x = 2 e m´ aximo em x = 4.


a no intervalo [6, 10] o m´ınio ser´
a em x = 6 e m´aximo em x = 10.

7. Seja f(x) = ax2 + bx + c, com a > 0.

 
x1 + x2 f (x1 ) + f (x2 )
a) Mostre que f < .
2 2
b) Mais geralmente mostre que se 0 < a < 1, ent˜ao f (αx1 + (1 − α)x2 ) < αf (x1 ) +
(1 − α)f (x2 ). Interprete geometricamente esta propriedade.

Solu¸
c˜ao 7a:
   2  
x1 + x2 x1 + x2 x1 + x2
f =a +b + c (1)
2 2 2

f (x1 ) + f (x2 ) (x2 + x22 )2 + b(x1 + x2 ) + 2c
=a 1 (2)
2 2

60
A Matem´
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comparando (1) e (2):
2
a(x21 + x22 )2 + b(x1 + x2 ) + 2c
  
x1 + x2 x1 + x2
a +b +c 
2 2 2
a(x1 + x2 )2 + b(x1 + x2 ) + 2c a(x21 + x22 )2 + b(x1 + x2 ) + 2c

2 2
2  2 2 2 
a(x
 1 + x2 ) +  b(x
1+x2 ) + 
2
c a(x 1 + x2 ) +  b(x
1+x2 ) + 
2
c
 
2
 2

(x1 + x2 )2  (x21 + x22 )2
Concluindo que:

(x1 + x2 )2 < (x21 + x22 )2

Solu¸
c˜ao 7b:

Provemos inicialmente que se x1 6= x2 e 0 < α < 1 ent˜ao:

[αx1 + (1 − α)x2 ]2 < αx21 + (1 − α)x22
Prova:

[αx1 + (1 − α)x2 ]2 − αx21 + (1 − α)x22 < 0
 

(α − α)2 x21 − 2α(1 − α)x1 x2 + (α − α2 )x22
⇒ α(1 − α)[x1 − x2 ]2 > 0 se x1 6= x2 e 0 < α < 1 C.q.d.

Finalmente voltamos ao problema principal.

f (αx1 + (1 − α)x2 ) = a(αx1 + (1 − α)x2 )2 +b(αx1 + (1 − α)x2 ) + c

<a(αx21 + (1 − α)x22 ) +b(αx1 + (1 − α)x2 ) + c

Usando o resultado da primeira demonstra¸c˜ao:

= αax21 + αbx1 + αc + (1 − α)x22 + (1 − α)bx2 + (1 − α)c

= αf (x1 ) + (1 − α)f (x2 )
Como se queria demonstrar.

ao inteiros impares, as ra´ızes de y = ax2 + bx + c n˜ao s˜ao racionais.
8. Prove que se a, b e c s˜

Solu¸
c˜ao:

Imagine por absurdo que exista uma raiz racional p/q em sua forma irredut´ıvel. N˜ao pode
ocorrer de p eq serem ambos pares pois, neste caso p/q n˜ao estaria em sua forma irredut´ıvel.
Logo segue trˆes possibilidades:

61
A Matem´
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1◦ - (p e q s˜
ao ambos impares).

Neste caso:
 2  
p p
a +b +c=0
q q

ap2 bp
2
+ +c=0
q q

ap2 + bpq + cq 2 = 0

Como o produto de dois n´ umeros impares ´e impar ent˜ao, ap2 , bpq, cq 2 tamb´em s˜ao
impares, o que ´e um absurdo, pois n˜ao pode haver trˆes n´
umeros impares cuja soma
seja igual a zero.

2◦ - (p e q s˜
ao ambos pares).

Neste caso ap2 ´e impar, bpq, cq 2 s˜ao pares. Como a soma de dois pares e um impar ´e
impar ent˜
ao n˜ao pode ocorrer de:

ap2 + bpq + cq 2 = 0

o que gera novamente um absurdo.

3◦ - (Um ´e par e outro ´e impar).

Para essa demonstra¸c˜
ao assumiremos que p ´e par e q ´e impar.

Neste caso ap2 e bpq ´e par e cq 2 ´e impar. O que novamente resulta no absurdo.

9. Uma pessoa possui um gravador de v´ıdeo dotado de uma contador que registra o numero
de voltas dadas pelo carretel da direita. A fita, de 6 horas de dura¸c˜ao, est´a parcialmente gravada.
O contador indica 1750 ao final do trecho gravado e 1900 ao final da fita. O problema ´e saber
quanto tempo de grava¸c˜ ao ainda est´a dispon´ıvel no final da fita.

a) Explique porque n˜
ao ´e razo´avel supor que o tempo e grava¸c˜ao seja proporcional
ao numero de voltas do contador.
b) Considerado que a fita se enrola em cada carretel segundo c´ırculos concˆentricos
igualmente espa¸cados, mostre que o tempo T (n) de grava¸c˜ao ap´os n voltas ´e dado
ao da forma T (n) = an2 + bn.
por uma fun¸c˜

62
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

c) Medindo o tempo de grava¸c˜ao correspondente as primeiras 100, 200, 300 e 400
voltas, foram encontradas os dados abaixo. Estes valores s˜ao considerados com o
modelo acima?
Volta Tempos(s)
100 555
200 1176
300 1863
400 2616

d) Quanto tempo de grava¸c˜
ao resta na fita?

Solu¸
c˜ao 9a:

Evidente.

Solu¸c˜
ao 9b:
Pela cinem´
atica sabe-se que:

2π(R + (n − 1)r
T (n) =
v
Onde r ´e a espessura da fita, n o numero de voltas e R o raio do carretel.
O tempo total ser´a a soma dos tempos de cada volta.
n
X 2πR 2π(R + r) 2π(R + 2r) 2πR + (n − 1)r
T = T (n) = + + + ... +
i=1
v v v v


= (R + (R + r) + (R + 2r) + . . . + (R + (n − 1)r))
v

(Rn + (r + 2r + . . . + (n − 1)r)
v
Como r + 2r + . . . + (n − 1)r se comporta como uma P.A. ent˜ao:

(r + (n − 1)r)n 2n2 r − rn
r + 2r + . . . + (n − 1)r = =
2 2
Logo

2n2 r − rn
  

T = Rn +
v 2

2πRn 4πn2 r 2πrn
= + −
v 2v 2v
   
2πr π(2R − r)
= n2 + n
v v

Que ´e da forma T (n) = an2 + bn.

63
A Matem´
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Solu¸
c˜ao 9c:

Com os dados fornecidos montam-se os seguintes sistemas.
a(300)2 + b(300) = 1863

a(400)2 + b(400) = 2616

a(100)2 + b(100) = 555


a(200)2 + b(200) = 1176

ao ´e S1 = {0.0033; 5.22} e S2 = {0.0033; 5.22}.
Cuja solu¸c˜
Como ambos os sistemas possuem a mesma solu¸c˜ao ent˜ao os valores s˜ao consistentes.

Solu¸
c˜ao de 9d:

A fun¸c˜
ao que usaremos ´e:

T (n) = 0.0033n2 + 5.22n
T (1750) = 19241, 25
T (1900) = 21831
T (1900) − (1750) = 2589.75 seg

10. Dado um conjunto de retas do plano, elas determinam um numero m´aximo de regi˜oes
quando est˜
ao na chamada posi¸c˜
ao geral: isto ´e, elas s˜ao concorrentes duas a duas e trˆes retas
nunca tem um ponto em comum. Seja Rn o numero m´aximo de regi˜oes determinadas por n retas
do plano.

a) Quando se adiciona mais uma reta na posi¸c˜ao geral a um conjunto de n retas em posi¸c˜ao
geral, quantas novas regi˜
oes s˜
ao criadas?

b) Deduza de a) que Rn ´e dada por uma fun¸c˜ao do 2◦ grau em n e obtenha a express˜ao para
Rn .

Solu¸
c˜ao:
???

11. No m´
aximo quantos pontos de interse¸c˜ao existem quando s˜ao desenhadas n circun-
ferˆencias?

Solu¸
c˜ao:

Observe os desenhos a seguir.

64
A Matem´
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O desenho mais a esquerda ´e composto de dois c´ırculos e dois pontos de interse¸c˜ao (22 − 2).
O desenho do centro possui trˆes c´ırculos e 6 pontos de interse¸c˜ao (32 − 3). O desenho mais a
esquerda ´e composto de 4 c´ırculo e 12 pontos de interse¸c˜ao (42 − 4). O que sugere que n c´ırculos
dariam n2 − n pontos de interse¸c˜ao.

Obs: O leitor pode se perguntar “como se chegou a solu¸c˜ao de n2 − n?” A resposta ´e simples.
Os trˆes diagramas podem ser modelados pelos pares ordenados (2,2); (3,6); (4,12). Poder´ıamos
continuar esbo¸cando mais diagramas e assim obtendo mais pares ordenados, mas como o cap´ıtulo
em quest˜ ao ´e sobre fun¸c˜
oes quadr´
aticas (e trˆes pontos s˜ao suficientes para determinamos uma
quadr´ atica) n˜ao h´
a necessidade de continuar criando disgramas. Finalmente por meio do sistema:

 a · 22 + b · 2 + c = 2
a · 32 + b · 3 + c = 6
a · 42 + b · 4 + c = 12

ao y = n2 − n.
Determinamos a equa¸c˜

12. Um estudante anotou a posi¸c˜ao, ao longo do tempo, de um m´ovel sujeito a uma for¸ca
constante e obteve os dados abaixo.
Instante(seg) Posi¸c˜ao (metros)
0 17
10 45
20 81

Calcule a posi¸c˜
ao do m´
ovel nos instantes 5 seg, 15 seg e 25 seg.

Solu¸
c˜ao:

Com os valores fornecidos montamos o sistema.

 a(0)2 + b(0) + c = 17
a(10)2 + b(10) + c = 45
a(20)2 + b(20) + c = 81

Cuja solu¸c˜
ao ocorre para a = 0.04, b = 2.4 e c = 17. Assim a fun¸c˜ao que expressa a distˆancia
ser´
a:

f (x) = 0.04x2 + 2.4x + 17

65
A Matem´
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13. O motorista de um autom´ ovel aplica os freios de modo suave e constante, de modo a
imprimir uma for¸ca de frenagem constante a seu veiculo, at´e o repouso. O diagrama a seguir
mostra a posi¸c˜
ao do veiculo a cada segundo a partir do instante em que os freios foram aplicados.

a) Os dados acima s˜
ao compat´ıveis com o fato de a for¸ca de frenagem ser con-
stante?
b) Qual a posi¸c˜
ao do veiculo 5s ap´os o inicio da frenagem?
c) Quanto tempo o veiculo demora para chegar ao tempo de repouso.
d) Qual era a velocidade do veiculo no instante em que o motorista come¸cou a
aplicar os freios.

Solu¸
c˜ao 13a:

Com os valores fornecidos montamos o sistema.


 a(0)2 + b(0) + c = 0
a(1)2 + b(1) + c = 30


 a(2)2 + b(2) + c = 55
a(3)2 + b(3) + c = 75

5
ao ocorre para a = − , b = 32 e c = 0. Como o sistema tˆem solu¸c˜ao, ent˜ao os
Cuja solu¸c˜
2
dados s˜
ao compat´ıveis.

Solu¸
c˜ao 13b:

Usando os valores anteriores chegamos `a:

f (t) = −2.5t2 + 32t
Assim f (5) = 100m.

Solu¸
c˜ao 13c:

Tomando a derivada de f(t) ent˜ao:
v(t) = −5t + 32 que ser´
a nula quando t = 6.5 seg.

Solu¸
c˜ao 13d:

v(t) = −5t + 32.5
v(0) = −5(0) + 32.5
v(0) = 32.5 m/s

14. Um grupo de alunos ao realizar um experimento no laborat´orio de F´ısica, fez diversas me-
didas de um certo comprimento. O instrutor os orientou no sentido de tomar a media aritm´etica

66
A Matem´
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dos valores encontrados como o valor a ser adotado. Esse procedimento pode ser justificado do
modo a baixo.
´ razo´avel que o valor adotado x seja escolhido
Sejam x1 , x2 , . . . , xn os valores encontrados. E
de modo que o erro incorrido pelas diversas medi¸c˜oes seja o menor poss´ıvel. Em geral, este erro
´e medido atrav´es do chamado desvio quadr´atico total, definido por

d(x) = (x − x1 )2 + (x − x2 )2 + . . . + (x − xn )2 .

x1 + x2 + . . . + xn
a) Mostre que d(x) ´e minimizado quando x =
n
Suponha agora que se deseje utilizar o desvio absoluto total e(x) = |x − x1 | + |x −
x1 | + . . . + |x − xn | como medida do erro cometido. Mostre que e(x) ´e minimizado
quando x ´e a mediana de x1 , x2 , . . . , xn .

Solu¸
c˜ao 14a:

= (x − x1 )2 + (x − x2 )2 + . . . + (x − xn )2

= (x2 − 2xx1 + x21 ) + (x2 − 2xx2 + x22 ) + . . . + (x2 − 2xxn + x2n )

= nx2 − 2x(x1 + x2 + . . . + xn ) + (x21 + x22 + . . . + x2n )

O ponto de m´ınimo ´e dado por:
b 2(x1 + x2 + . . . + xn ) x1 + x2 + . . . + xn
x=− = =
2a 2n n

15. Numa vidra¸caria h´ a um peda¸co de espelho, sob a forma de um triangulo retˆangulo de
lados 60 cm, 80 cm e 1 m. Quer-se, a partir dele, recortar um espelho retangular com maior ´area
poss´ıvel. A fim de economizar corte, pelo menos um dos lados do retˆangulo deve estar sobre um
lado do triangulo.
As posi¸c˜ao sugeridas s˜
ao as da figura acima. Em cada caso, determine qual o retˆangulo de
maior ´area e compare os dois resultados. Discute se a restri¸c˜ao de um lado estar sobre o contorno
do triangulo ´e realmente necess´
aria para efeito de maximizar a ´area.

Solu¸
c˜ao 15a:

Do ∆A tiramos:
80 − x
y
Do ∆B tiramos:
x
(60 − y)
Por semelhan¸ca:

67
A Matem´
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80 − x
= df racx(60 − y) ⇒ 60x + 80y = 4800
y
A fun¸c˜
ao da ´
area ´e:
 
240 − 3x 3
A(x, y) = xy = x = 60x − x2
4 4
Cujo m´
aximo ocorre em (30,40). Assim ´a ´area m´axima ser´a A(30,40)=30·40 = 1200 cm.

16. Com 80 metros de cerca um fazendeiro deseja circundar uma ´area retangular junto a um
rio para confinar alguns animais.
Quais devem ser as medidas do retˆangulo para que a ´area cercada seja a maior poss´ıvel?

Solu¸
c˜ao:

Queremos maximizar A(x, y) = xy com a restri¸c˜ao y = 80 − 2x.

A(x, y) = x(80 − 2x) = 80x − 2x2
Cujo m´
aximo ocorre em (20,40). Logo o retˆangulo deve ter 20m por 40m.

17. No instante t = 0 o ponto P est´a em (-2,0) e o ponto Q em (0,0). A partir desse instante,
Q move-se para cima com velocidade de 1 unidade por segundo e P move-se para a direita com
velocidade de 2 unidades por segundo. Qual ´e o valor da distˆancias m´ınima entre P e Q?

Solu¸
c˜ao:

Primeiro devemos expressar os pontos P e Q em termos de t (tempo).

P = (2t − 2, 0)

Q = (0, t)
2
Assim P Q = (2t − 2)2 + t2
p
PQ = (2t − 2)2 + t2
Cujo minimo ocorre para t = 0.8. Fazendo t = 0.8 chegamos ´a:

2 5
PQ =
5

68
A Matem´
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ao reais tais que 3x + 4y = 12, determine o valor m´ınimo de z = x2 + y 2 .
18. Se x e y s˜

Solu¸
c˜ao:
 2
12 − 3x 25 2 72 144
Z = x2 + = x = x+
4 16 16 16

Cujo m´ınimo ocorre para x = 1.44 e y = 1.92. Assim Z(1.44, 1.92) = 5.76

19. Um avi˜ ao de 100 lugares foi fretado para uma excurs˜ao. A companhia exigiu de cada
passageiro R$ 800,00 mais R$ 10,00 por cada lugar vago. Para que numero de passageiros a
rentabilidade da empresa ´e m´
axima?

Solu¸
c˜ao:

A fun¸c˜
ao custo ser´
a:

C(x) = 800x + [(100 − x)10]x = 1800x − 10x2
Cujo m´
aximo ocorre para x = 90. Assim o lucro da empresa ser´a m´aximo quando houver 90
pessoas.

20. Jo˜
ao tˆem uma fabrica de sorvetes. Ele vende, em m´edia, 300 caixas de picol´es por R$
20,00. Entretanto, percebeu que, cada vez que diminua R$ 1,00 no pre¸co da caixa, vendia 40
caixas a mais. Quanto ele deveria cobrar pela caixa para que sua receita fosse m´axima?

Solu¸
c˜ao:

C(x) = (300 + 40x)(20 − x)
aximo ocorre para x = 6.25. Assim o pre¸co deve se 20 − 6.25 = 13.75R$.
Cujo m´

21. Uma loja est´
a fazendo uma promo¸c˜ao na venda de balas: “Compre x balas e ganhe x%
de desconto”. A promo¸c˜ao ´e v´
alida para compras de at´e 60 balas, caso em que ´e concedido o
desconto m´aximo de 60%. Alfredo, Beatriz Carlos e Daniel compraram 10, 15, 30 e 45 balas,
respectivamente. Qual deles poderia ter comprado mais balas e gasto a mesma quantia, se
empregasse melhor seus conhecimentos de Matem´atica.

Solu¸
c˜ao:
10
Supondo que o pre¸co de cada bala ´e p, ent˜ao comprando 10 balas pagaremos 10p − 10p ·
100
(valor sem desconto − desconto).
30
Comprando 30 balas pagamos 30p − 30p · .
100

69
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

60
a se comprarmos 60 balas pagaremos 60p − 60p ·
J´ . Assim, o indiv´ıduo que comprar x
100
balas pagar´
a:
x p 2
xp − xp · = px − x
100 100

22. O diretor de uma orquestra percebeu que, com o ingresso a R$ 9,00 em m´edia 300 pessoas
assistem aos concertos e que, para cada redu¸c˜ao de R$ 1,00 no pre¸co dos ingressos, o publico
aumenta de 100 espectadores. Qual deve ser o pre¸co do ingresso para que a receita seja m´axima?

Solu¸
c˜ao:

A fun¸c˜
ao ser´
a:

C(x) = (300 + 100x)(9 − 1x)
aximo ocorre para x = 3. Logo o valor do ingresso deve ser: 9 − 3 = 6 reais.
Cujo m´

aximo de 21n - n2 , n inteiro?
23. Qual o valor m´

Solu¸
c˜ao:

O valor de m´
aximo ocorre para n = 10.5. Contudo como n deve ser inteiro testamos para n
= 10 e n = 11.

21(10) − 102 = 110
21(11) − 112 = 110
Em ambos os casos o valor m´
aximo ´e 110.

24. Fa¸ca o gr´
afico de:

f (x) = |x2 | − |x| + 1
f (x) = |x2 − x|

Solu¸
c˜ao 24a:
x2 − x + 1 para x ≥ 0

|x2 | − |x| + 1 =
−x2 + x + 1 para x < 0

Solu¸
c˜ao 24b:
 2
2 x − x para x ∈ (−∞, 0] ∪ [1, ∞)
|x − x| =
−x2 + x para x ∈ (0, 1)

70
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

25. Identifique o conjunto dos pontos (x,y) tais que:

a) x2 − 5x + 6 = 0
b) y = x2 − 5x + 6

Solu¸
c˜ao de a:

Resolvendo x2 − 5x + 6 = 0 chegamos a x = 2 ou x = 3.

Solu¸
c˜ao de b:

???

ao x4 + x2 − 20 > 0.
26. Resolva a inequa¸c˜

Solu¸
c˜ao:

A resolu¸c˜ ao ´e algo trivial e fica a cargo do leitor. A resposta ´e x < −2 ou
ao dessa inequa¸c˜
x > 2.

27. Determine explicitamente os coeficientes a, b, c do trinˆomio f (x) = ax2 + bx + c em
fun¸c˜
ao dos valores f(0), f(1) e f(2).

Solu¸
c˜ao de b:

f (0) = a · 02 + b · 0 + c ⇒ c = f (0)

f (1) = a · 12 + b · 1 + c mas como c = f (0) ent˜ao:

f (1) = a + b + f (0) ⇒ f (1) − f (0) = a + b (1)

De f (2) tiramos o seguinte.

f (2) = a · 22 + b · 2 + c mas como c = f (0) ent˜ao:

f (2) = 4a + 2b + f (0) ⇒ f (2) − f (0) = 4a + 2b (2).

Multiplicando (1) por −4

−4(f (1) − f (0)) = −4(a + b)

−4f (1) + 4f (0)) = −4a − 4b
e somando com (2) termo a termo obtemos:

71
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

−4f (1) + 4f (0)) = −4a − 4b
+
f (2) − f (0)) = 4a + 2b

4f (1) − 3f (0) − f (2)
3f (0) − 4f (1) + f (2) = −2b ⇒ b =
2

De posse do valor de b e c e sabendo que f (2) = 4a + 2b + f (0) ent˜ao:
 
4f (1) − 3f (0) − f (2)
f (2) = 4a + 2b + f (0) = 4a + 2 + f (0)
2
f (0) − 2f (1) + f (2)
⇒a=
2

28. Um restaurante a quilo vende 100 Kg de comida por dia, a 12 reais o quilo. Uma pequisa
de opini˜
ao revelou que, por cada real de aumento de pre¸co, o restaurante perderia 10 clientes,
com um consumo m´edio de 500 g cada. Qual deve ser o valor do quilo de comida para que o
restaurante tenha a maior receita poss´ıvel.

Solu¸
c˜ao:

V (x) = (100 − 0.5 · 10x)(12 + x)

V (x) = (100 − 05x)(12 + x)

Cujo ponto de m´
aximo ocorre para x = 4. Assim o pre¸co a ser cobrado deve ser de 16 reais,
(12 + 4 = 16).

29. Um pr´edio de 1 andar, de forma retangular, com lados proporcionais a 3 e 4, vai ser
constru´ıdo. O imposto predial ´e de 1 real por metro quadrado, mais uma taxa fixa de 250 R$.
A prefeitura cede um desconto de 1 real por metro linear do per´ımetro, como recompensa pela
ilumina¸c˜ao externa e pela cal¸cada em volta do pr´edio. Quais devem ser as medidas dos lados
para que o imposto seja o m´ınimo poss´ıvel? Qual o valor desse imposto m´ınimo? Esboce o
gr´afico do valor do imposto como fun¸c˜ao do lado maior do retˆangulo.

Solu¸
c˜ao:

Imposto = (3a · 4b)1 + 150
Desconto = (3a + 4b)1
O total a se pago ser´
a:
T = (3a · 4b)1 + 150 − (3a + 4b)1 = 12ab + 150 − 3a − 4b

30. Determine entre os retˆ
angulos de mesma ´area a, aquele que tem o menor per´ımetro.
Existe algum retˆ
angulo cujo per´ımetro seja maior do que os de todos os demais com mesma
area?
´

72
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao:

Chamando de x e a/x os lados desse retˆangulos, o per´ımetro em fun¸c˜ao de x ser´a:

 a
p(x) = 2 x +
x

Sendo a uma constante√e fazendo
√ p0 (x)√= 0 conclui-se
√ que os pontos cr´ıticos dessa fun¸c˜ao
ocorrem nas coordenadas ( a, p( a)) e (− a, p(− a)).
√ √ √ √ √
 
a
Como p( a) > p(− a) ent˜ ao o per´ımetro m´aximo ser´a p ( a) = 2 a+ √ = 4 a.
a

Coment´
ario:
Existe, pelo menos, mais um m´etodo de resolver esse problema sem o uso de c´alculo diferencial.
Entretanto, como o pr´oprio livro faz referˆencia as derivadas n˜ao h´a porque n˜ao usa-las aqui.
Outro motivo ´e que o conte´udo do ensino m´edio ainda abrange o estudo da derivada. Isso
pode parecer estranho, pois a maioria dos professores negam essa afirma¸c˜ao, de modo que
´e bastante prov´
avel que vocˆe s´
o tenha tomado conhecimento do c´alculo diferencial na facul-
dade/universidade. Entretanto, alguns livros (os bons) de ensino m´edio como o T´opicos da
Matem´ atica elementar o Matem´ atica do Ensino m´ edio do Smole e Diniz (2007) e o
Matem´ atica do Giorno (2002) ainda trazem esse conte´udo.


afico da fun¸c˜ao f : [0, ∞) → R, dada por f (x) =
31. Que forma tem o gr´ x?

Solu¸
c˜ao:

y

x
0


32. Mostre que a equa¸c˜
ao x + m = x possui uma raiz se m ≥ 0, duas ra´ızes quando
1 1
− < m < 0, uma raiz para m = − e nenhuma raiz caso m < −1/4.
4 4

Solu¸
c˜ao:

Chamando y = x ent˜
ao:

73
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA


x + m = x ⇒ y + m = y2
Aplicando Bh´
askara chegamos:

1± 1 − 4m
yR =
2


Se m ≥ 0 ent˜
ao 1 + 4m tˆem solu¸c˜ao e a equa¸c˜ao tˆem duas ra´ızes. O mesmo ocorre
para m ∈ (−1/4, 0).

Se m = −1/4 ent˜ ao 1 + 4m = 0 e a equa¸c˜ao tˆem somente uma raiz. A saber
x = 0.5.

Se m < −1/4 ent˜ao 1 − 4m n˜ ao tˆem solu¸c˜ao, pois (1 − 4m) < 0 e n˜ao existe raiz
de numero negativo. Portanto a equa¸c˜ao n˜ao tˆem solu¸c˜ao.

33. Numa concorrˆencia publica para a constru¸c˜ao de uma pista circular de patina¸c˜ao apresenta-
se as firmas A e B. A firma A cobra 20 reais por metro quadrado de pavimenta¸c˜ao, 15 reais por
metro linear do cercado, mais uma taxa fixa de 200 reais para administra¸c˜ao. Por sua vez, a
firma B cobra 18 reais por metro quadrado de pavimenta¸c˜ao, 20 reais por metro linear do cer-
cado e taxa de administra¸c˜
ao de 600 reais. Para quais valores do diˆametro da pista a firma A ´e
mais vantajosa? Esboce um gr´ afico que ilustre a situa¸c˜ao. Resolva um problema an´alogo com
os n´umeros 18, 20 e 400 para A e 20, 10, 150 para B.

Solu¸
c˜ao:

Seja d o diˆ
ametro da pista ent˜
ao:

p = πd (Per´ımetro)

d2 ´
A=π (Area da pista)
4

Sendo assim o valor cobrado pela empresa “A” ´e de

πd2
CA (d) = 20 · + 15πd + 200 (com d > 0)
4
e o valor cobrado por B ´e de

18πd2
CB (d) = + 20πd + 600 (com d > 0).
4
Os valores de “d” para o qual a empresa A ´e mais vantajosa ´e o resultado da inequa¸c˜ao:

CA (d) − CB (d) < 0

74
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

18πd2 20πd2
 
⇒ + 20πd + 600 )−( + 15πd + 200 <0
4 4

5πd − πd2
⇒ + 400 < 0
2

Resolvendo essa u
´ltima inequa¸c˜
ao encontramos
√ √
5π + 25π 2 + 80π −5π + 25π 2 + 80π
d> ed< ,
π −π
entretanto como d > 0 podemos descartar a segunda solu¸c˜ao, sendo assim,

5π + 25π 2 + 80π
d> =≈ 21.72
π
Que implica em d > 21.72

Assim a empresa “A” ´e mais vantajosa quando d > 21.72m.

34. Dados a, b, c positivos, determinar x e y tais que xy = c e que y = ax + by seja o menor
poss´ıvel.

Solu¸
c˜ao:

Fazendo f (x, y) = ax + by como xy = c, ent˜ao f (x, y) pode ser escrita como:
bc
f (x) = ax + (1)
x
Imagine agora que desejamos obter x em fun¸c˜ao da soma f (x). Multiplicando (1) por x e
reorganizando seus termos obtemos

ax2 − f (x) + bc = 0
E usando Bhaskara.
p
f (x) ± f (x)2 − 4abc
⇒x=
2a

Para que as solu¸c˜
oes da√equa¸c˜
ao imediatamente
√ acima sejam reais devemos ter f (x)2 −4abc ≥
0, onde obtemos f (x) ≥ 2 abc ou f (x) ≤ −2 abc.

Assumindo que f (x) ´e positivo ent˜ao o m´ınimo ocorre quando f (x) = 2 abc.

ao: x e y devem ser escolhidos de modo que ax + by ≤ −2 abc.
Conclus˜

35. Cavar um buraco retangular de 1 m de largura de modo que o volume cavado seja 300 m3 .
Sabendo que cada metro quadrado de ´area cavada custa 10 reais e cada metro de profundidade
custa 30 reais, determinar as dimens˜
oes do buraco de modo que o seu custo seja m´ınimo.

75
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao:

Seja 1, h e w as dimens˜
oes do buraco ent˜ao:

V (h, w) = 1 · h · W = 300 (1)
e o custo ser´
a de

C(h, w) = 10w + 30h (2)
evidenciando h em (1) e jogando em (2)

9000
(h) = 10w +
w

⇒ c(h)w = 10w2 + 9000

⇒ 10w2 − c(h)w + 9000 = 0 (3)

Para que a equa¸c˜
ao (3) tenha solu¸c˜
ao o seu discriminante deve ser maior ou igual a zero. Isto
´e:

c(h)2 − 360.000 ≥ 0

⇒ c(h) ≥ 600

pois como w > 0 ent˜
ao c(h) > 0 tamb´em. Assim, p custo m´ınimo ´e de 600 reais.

Se c(h) = 600 ent˜
ao de (3) escrevemos

10w2 − 600w + 9000 = 0

⇒ w = 30m

O que implica em h = 10m.

oes do buraco ´e de 1m × 30m × 10m.
Assim, as dimens˜

36. Dois empres´ arios formam uma sociedade cujo capital ´e de 100 mil reais. Um deles trabalha
na empresa trˆes dias por semana e o outro dois. Ap´os um certo tempo, vendem o neg´ocio e cada
um recebe 99 mil reais. Qual foi a contribui¸c˜ao de cada um para formar a sociedade?

76
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao:

Supondo “x” o valor do capital investido pelo s´ocio que trabalha 3 dias, ent˜ao por meio de
regra de trˆes simples deduzimos que o capital investido pelo s´ocio que trabalha apenas 2 dias
3x
deve ser de .
2

3 dias – x
2 dias – ?

Como o capital empregado ´e inversamente proporcional aos dias de trabalho o esquema acima
sofre uma “invers˜
ao”

2 dias – x
3 dias – ?
3x
⇒? =
2

Aplicando a regra da sociedade9 a soma dos capitais, de ambos os s´ocios, deve ser igual a 100
mil. Sendo assim:

3
x + x = 100 × 103
2
⇒ x = 40 × 103

3
e portanto x = 60 × 103
2
Logo o s´
ocio que trabalha 3 dias investiu R$ 40.000,00 (quarenta mil) e o outro R$ 60.000,00.

37. Nas ´aguas paradas de um lago, Marcelo rema seu barco a 12km por hora. Num certo rio,
com o mesmo barco e as mesmas remadas, ele percorreu 12km a favor da corrente e 8km contra
a corrente, num tempo total de 2 horas. Qual era a velocidade do rio, quanto tempo ele levou
para ir e quanto tempo para voltar?

Solu¸
c˜ao:

Seja v a velocidade da corrente, ent˜ao o tempo gasto a favor da corrente ´e de:
∆s 12km
∆t = =
v 12km/h + v 0
Onde 12 km/h ´e a velocidade do barco em ´agua parada e v 0 ´e a velocidade das ´aguas do rio10 .


a a velocidade contra a corrente ser´a:
9 Caso n˜
ao conhe¸ca a regra da sociedade sugiro que veja as notas de aula de Matem´ atica Financeira da
prof(a). Eridan Maia, p´agina 5. Dispon´ıvel em: https://pt.scribd.com/doc/315018311/Matematica-Financeira
10 Veja volume 1 do curso de f´
ısica b´
asica do Nussenzveig cap´ıtulo 2, 4 ed.

77
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

0 8km
∆t =
12km/h − v 0
Como Marcelo faz todo o percusso em 2 horas ent˜ao

0
∆t + ∆t = 2

12 8
⇒ + =2
12 + v 0 12 − v 0

0
⇒v =6

assim, a velocidade das correntes ´e de 6km/h e os tempos s˜ao 12/18h = 40 min., a favor da
corrente, e 1h20min contra.

38. Os alunos de uma turma fizeram uma coleta para juntar 405 reais, custo de uma excurs˜ao.
Todos contribu´ıram igualmente. Na u´ltima hora, dois alunos desistiram. Com isso, a parte de
cada um sofreu um aumento de um real e vinte centavos. Quantos alunos tem a turma?

Solu¸
c˜ao:

Com um total de “x” alunos a parte que caberia a cada um seria
405
x
a com x − 2 alunos seria

405
x−2
Sabemos tamb´em que com a desistˆencia dos dois alunos o valor da parcela que caberia a cada
um, caso n˜
ao houvesse a desistˆencia, foi acrecida em R$ 1,20. O que em linguagem matem´atica
seria

405 405
= + 1, 20
x−2 x

⇒ 1.2x2 − 2.4x − 810 (1)

Usando bh´ askara, ou m´etodo similar, observa-se que a equa¸c˜ao (1) possui duas solu¸c˜oes: 27 e
−25. Como “x” representa o numero de alunos n˜ao pode ser negativo, ent˜ao o n´ umero de alunos
na turma ´e de 27 alunos.

39. Prove que a fun¸c˜ao f : R → R ´e quadr´atica se, e somente se, para todo h ∈ R fixado, a
ao φ(x)f (x + h) − f (x) ´e afim e n˜
fun¸c˜ ao constante.

78
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

Solu¸
c˜ao11 :

(⇒) Se f ´e quadr´ ao f (x) = ax2 + bx + c, com a 6= 0 e
atica ent˜

φ(x) = f (x + h) − f (x) = a(x + h)2 + b(x + h) + cc − (ax2 + bx + c)
= 2ahx + ah2 + bh

que ´e uma fun¸c˜
ao afim e n˜
ao constante para qualquer h n˜ao nulo.

(⇐) Supomos, para h 6= 0 fixado, φ(x) = f (x + h) − f (x) = px + q, com p 6= 0 e seja
x1 , x2 , xm , ..., uma progress˜
ao aritm´etica n˜ao constante, de raz˜ao r.
Afirmamos que f (x1 ), f (x2 ), ..., f (xm ), ... ´e uma progress˜ao aritm´etica de 2a ordem n˜ao de-
generada. Com efeito, f (xn+1 ) − f (xn ) = f (xn+r ) − f (xn ) = pxn + q = yn ´e uma progress˜ao
aritm´etica n˜ ao constante, pois yn+1 − yn = pxn+1 + q − (px0 + q) = p(xn+1 − xn ) = pr ´e constante
e diferente de zero. Logo, pelo teorema da caracteriza¸c˜ao f ´e quadr´atica.

40. Olhando o gr´ ao quadr´atica f (x) = x2 , vˆe-se que ele parece uma par´abola.
afico da fun¸c˜
Se for, quais ser˜
ao o foco e a diretriz? Por simetria, o foco deve ser F = (0, t) e a diretriz deve
1
ser a reta y = −t. Use a defini¸c˜
ao de par´abola para mostrar que t = .
4

Solu¸
c˜ao:

O foco da fun¸c˜
ao ser´
a:
   
b ∆+1 1
F = − ,− = 0,
2a 4a 4
e a diretriz
−∆ − 1 1
t= =−
4a 4

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

11 Solu¸
c˜ao retirada da p´
agina da UFPR: http://www.mat.ufpr.br/ensinomedio/paginas/solucao.html

79
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO

A matem´
atica do Ensino m´edio (volume 1)

Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira.

7 Fun¸
c˜oes Polinomiais

1. Sejam P (x) e p(x) polinˆ ao identicamente nulos, com gr P (x) ≥ gr p(x). (onde gr
omios n˜
omio). Prove que existe um polinˆomio q(x) tal que gr[P (x) − p(x)q(x)] <
significa o grau do polinˆ
gr P (x). Usando repetidamente este fato, mostre que existem polinˆomios q(x) e r(x) tais que
P (x) = p(x)q(x) + r(x), com gr r(x) < gr p(x). Os polinˆomios q(x) e r(x), tais que P (x) =
p(x)q(x) + r(x) com gr r(x) < gr p(x), chamam-se respectivamente o quociente e o resto da
divis˜
ao de P (x) por p(x).

Solu¸
c˜ao:

Se P (x) = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 , com an 6= 0

e

p(x) = bp xp + bp−1 xp−1 + · · · + b1 x + b0 , com n ≥ p e bp 6= 0,

ent˜
ao basta tomar
an n−p
q(x) = x
bp
para provar o que se pede.

Prova de que o q(x) determinado satisfaz a equa¸
c˜ao gr[P(x) − p(x)q(x)] < gr[P(x)].

P(x) − p(x)q(x)
 
an n−p
= P(x) − p(x) · x
bp
 
 an n−p
= P(x) − bp xp + bp−1 xp−1 + · · · + b1 x + b0 · x
bp
 
n an bp−1 n−1 an b1 n−p+1 an b0 n−p
= P(x) − an x + x + ··· + x + x
bp bp bp

80
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

 
an bp−1 n−1 an b1 n−p+1 an b0 n−p
= an xn +an−1 xn−1 +· · ·+a1 x+a0 − an xn + x + ··· + x + x
bp bp bp
   
an bp−1 an b0 n−p
= (an − an ) xn + an−1 − xn−1 + · · · + a0 − x
bp bp
   
an bp−1 an b0 n−p
= an−1 − xn−1 + · · · a0 − x
bp bp
aximo que a fun¸c˜ao acima pode ter ´e n − 1.
Observe que o grau m´

Ou seja,
an n−p
gr[P(x)-p(x)q(x)] < gr[P(x)] se q(x) = x
bp

Provando assim a primeira parte do problema12 .

Prova da segunda parte.

Na primeira etapa provamos que dado um polinˆomio P(x) existe um p(x) e q(x) tal que:

gr[P (x)] > gr[P (x) − p(x)q◦ (x)]
Como P(x) ´e um polinˆ omio qualquer ent˜ao podemos aplicar a mesma l´ogica ao segundo
membro da desigualdade acima. Isto ´e,

gr[P (x) − p(x)q(x)] > gr[(P (x) − p(x)q◦ (x)) − p(x)q1 (x)]

⇒ gr[P (x) − p(x)q(x)] > gr[P (x) − p(x)(q◦ (x) − q1 )] (1)

e assim como conclu´ımos anteriormente o podemos dizer que o polinˆomio

P (x) − p(x) (q(x)◦ q1 (x))

aximo, grau n − 2.
tem, no m´

Se aplic´assemos novamente essa l´ogica ao segundo membro da desigualdade (1) obter´ıamos
um polinˆ omio de grau n−3 e assim por diante. Ou seja, n˜ao importa qual o valor de p (lembre-se
que p ´e o grau do polinˆ
omio p(x)) sempre podemos chegar a um polinˆomio cujo grau, no m´aximo,
a p − 1.
ser´

Esse fato implica na existˆencia de um polinˆomio r(x) tal que gr[r(x)] < gr[p(x) e P (x) =
p(x)q(x) + r(x).
12 Na verdade essa n˜
ao ´
e uma prova definitiva. A demonstra¸c˜
ao absoluta dessa afirma¸c˜
ao ´
e um pouco mais
densa.

81
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

2. Prove a unicidade do quociente e do resto, isto ´e, se P (x) = p(x)q1 (x) + r1 (x) e P (x) =
p(x)q2 (x) + r2 (x), com gr r1 (x) e gr r2 (x) ambos menores do que gr p(x), ent˜ao q1 (x) = q2 (x)
e r1 (x) = r2 (x) para todo x ∈ R.

Solu¸
c˜ao13 :

P (x) − P (X) = 0

⇒ p(x)(q1 (x) − q2 (x)) = r2 (x) − r1 (x) (1)

Supondo por absurdo que q1 (x) 6= q2 (x) ent˜ao teremos:

gr[p(x)(q1 (x) − q2 (x))] ≥ gr[p(x)]
E para r2 (x) − r1 (x) teremos

gr[r2 (x) − r1 (x)] ≤ max{gr[r2 (x)], gr[r1 (x)]} < gr[p(x)]
o que implica em:

gr[(q1 (x) − q2 (x))p(x)] 6= gr[r2 (x) − r1 (x)]
O que pela equa¸c˜
ao (1) seria uma absurdo. Logo q1 (x) = q2 (x) e ent˜ao:

p(x)(q1 (x) − q2 (x)) = r2 (x) − r1 (x)

⇒ p(x) · 0 = r2 (x) − r1 (x)

⇒ r1 (x) = r2 (x)

Completando a demonstra¸c˜
ao da unicidade.

3. Diz-se que o numero real α ´e uma raiz de multiplicidade m do polinˆomio p(x) quando se
tem p(x) = (x − α)m q(x), com q(α) 6= 0. (Se m = 1 ou m = 2, α chama-se respectivamente
uma raiz simples ou raiz dupla.) Prove que α ´e uma raiz simples de p(x) se, e somente se,
tem-se p(α) = 0 e p0 (α) 6= 0. Prove tamb´em que α ´e uma raiz dupla de p(x) se, e somente se,
p(α) = p0 (α) = 0 e p00 (α) 6= 0. Generalize.

Solu¸
c˜ao:

(⇒) Se α ´e raiz simples de p(x) ent˜ao p(x) = (x − α)1 q(x)

⇒ p(α) = 0.
0
Derivando p(x) provamos que p (α) 6= 0.
0 0 0
p (x) = (x − α) q(x) + (x − α)q (x)
13 Solu¸
c˜ao retirada do livro T´
opicos da Matem´
atica Elementar volume 6.

82
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

0
= q(x) + (x − α)q (x) (veja regras de deriva¸c˜ao)
0
⇒ p (α) = q(x) 6= 0.

ao p(x) = (x − α)n q(x).
(⇐) Se p(α) = 0 ent˜
0 0
Derivando p(x) chegamos `a p (x) = n(x − α)n−1 q(x) + (x − α)n q (x).
e considerando, por absurdo, que n 6= 1 ent˜ao p(α) seria

(x − α)n 0
p(α) = n q(x) + (x − α)n q (x)
x−α
0n 0
⇒ p(α) = n q(x) + (0)n q (x)
0
⇒ p(α) = ∞ (singularidade)

Observe que a singularidade obtida s´o deixa de existir quando n = 1. Logo, p(α) 6= 0 somente
quando n = 1 o que implica no fato de α ser uma raiz simples.

0
4. Certo ou errado: α ´e raiz dupla de p(x) se, e somente se, ´e raiz simples de p (x).

Solu¸
c˜ao:
0 0
Errado. Por exemplo, em p(x) = x2 − 1 temos p (x) = 2x onde 0 ´e raiz simples de p (x), mas

ao ´e raiz dupla de p(x).

5. Determine o polinˆ
omio P (x) de menor grau poss´ıvel tal que P (1) = 2, P (2) = 1, P (3) = 4
e P (4) = 3.

Solu¸
c˜ao:

Esse problema pode ser resolvido de duas formas. Numericamente, por meio da interpola¸c˜ao
lagrangiana, ou algebricamente, por meio de sistemas.

Numericamente

A fun¸c˜
ao passa por 4 pontos.

(x0 , y1 ) = (1, 2)
(x1 , y1 ) = (2, 1)
(x2 , y2 ) = (3, 4)
(x3 , y3 ) = (4, 3)

com base nele calculamos

x−2 x−3 x−4
L0 = · ·
1−2 1−3 1−4

83
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

x−1 x−3 x−4
L1 = · ·
2−1 2−3 2−4
x−1 x−2 x−4
L2 = · ·
3−1 3−2 3−4
x−1 x−2 x−3
L3 = · ·
4−1 4−2 4−3

Assim, o polinˆ
omio interpolador ser´a:

p(x) = 2 · L0 + 1 · L1 (x) + 4 · L2 (x) + 3 · L3 (x)
4 65
⇒ p(x) = − x3 + 10x2 − x + 15
3 3

Algebricamente

A presen¸ca de quatro pontos sugere que o problema seja resolvido por um polinˆomio de
terceiro grau. Sendo assim:

P(1) = 2 ⇒ a(1)3 + b(1) + c(1) + d = 2

P(2) = 1 ⇒ a(2)3 + b(2) + c(2) + d = 1

P(3) = 4 ⇒ a(3)3 + b(3) + c(3) + d = 4

P(4) = 3 ⇒ a(4)3 + b(4) + c(4) + d = 3

Resolvendo as equa¸c˜
oes acima por meio de um sistema chegamos a seguinte solu¸c˜ao:

a = −4/3; b = 10; c = −65/3; d = 15
4 65
Sendo assim P(x) = − x3 + 10x2 − + 15.
3 3

6. Seja p(x) um polinˆ omio cujo grau n ´e um numero ´ımpar. Mostre que existem n´ umeros
reais x1 , x2 tais que p(x1 ) < 0 e p(x2 ) > 0. Conclua da´ı que todo polinˆomio de grau ´ımpar
admite pelo menos uma raiz real.

Solu¸
c˜ao:

Seja P(x) = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a0 tal que gr[P(x)] = n com “n” impar.
Supondo an > 0 podemos reescrever P(x) como:
P (x) = an xn + k com gr[k] < n
sendo assim

lim P (x) = lim (an xn + k) = ∞, pois an > 0
x→∞ x→∞

lim P (x) = lim (an xn + k) = −∞, pois an > 0 ´e impar.
x→−∞ x→−∞

84
A Matem´
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Logo existe x1 e x2 tais que P(x1 ) < 0 e P(x2 ) > 0. E atrav´es do teorema do valor m´ edio
existe tamb´em um x3 em ]x1 , x2 [ tal que P(x3 ) = 0, ou seja, P(x) tˆem pelo menos uma raiz real.

umero par, ent˜ao o polinˆomio p(x) = xn + xn−1 + · · · + x + 1 n˜ao
7. Mostre que se n ´e um n´
possui raiz real.

Solu¸
c˜ao:

Reescrevendo o polinˆomio de tr´as para frente nota-se que seus termos est˜ao em progress˜ao
geom´etrica com raz˜
ao igual a “x” e cuja soma ´e
xn − 1
Sn =
x−1
Sendo assim, pode se afirmar que
xn − 1
P (x) =
x−1
Observando a equa¸c˜
ao acima vemos que o u
´nico valor que poderia se uma raiz ´e 1, entretanto
P(1) resultaria numa indetermina¸c˜
ao do tipo 0/0, sendo assim, P(x) n˜ao possui nenhuma raiz
real.

8. Tomando x0 = 3, use a rela¸c˜
ao de recorrˆencia

 
1 5
xn+1 = xn +
2 xn

Para calcular 5 √com trˆes algarismo decimais exatos. (Por exemplo: sabemos que 1.414 ´e
ao de 2 com trˆes algarismos decimais exatos porque 1.4142 < 2 < 1.4152 .)
uma aproxima¸c˜

Solu¸
c˜ao:

x0 = 3, logo,
 
1 5
x1 = x0+1 = x0 + ≈ 2.333
2 x0
 
1 5
x2 = x1+1 = x1 + ≈ 2.238
2 x2
 
1 5
x3 =x 2+1= x2 + ≈ 2.236
2 x2
 
1 5
x4 =x 3+1= x3 + ≈ 2.236
2 x3

Como (2.236)2 < 5 e (2.237)2 > 5 a resposta ´e 2.236.

85
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA


9. Usando o m´etodo de Newton, estabele¸
√ ca um processo iterativo para calcular
3
a e aplique-o
a fim de obter um valor aproximado de 3 2.

Solu¸
c˜ao:

O m´etodo de Newton ´e um m´etodo num´erico para determinar as ra´ızes reais de um polinˆomio.
omio p(x) = x3 − 2 (veja C´alculo com geometria anal´ıtica do Louis Lethold,
Neste caso do polinˆ
volume 1, p´
agina 61).
Come¸cando a partir de x0 = 1 obtemos:

x1 = 1.333

x2 = 1.2639

x3 = 1.25999

Como (1.25999)3 < 2 < (1.26)3 a aproxima¸c˜ao para 3
2 como pedido ´e de 1.2599.

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

86
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO

A matem´
atica do Ensino m´edio (volume 1)

Elon Lages Lima
Paulo Cezar Pinto Carvalho.
Eduardo Wagner.
Augusto C´esar Morgado.
Resolvido por: Diego Oliveira

8 Fun¸
c˜oes Exponencias e Logar´ıtmicas

1. Com um l´ apis cuja ponta tem 0,02 mm de espessura, deseja-se tra¸car o gr´afico da fun¸c˜ao
f (x) = 2x . At´e que distˆ
ancia ´
a esquerda do eixo vertical pode-se ir sem que o gr´afico atinja o
eixo horizontal?

Solu¸
c˜ao:

Chamando de r o raio da ponta do l´apis, ent˜ao a linha que esbo¸ca o gr´afico tocar´a o eixo OX
no ponto (x, 2x ) com 2x < r.
Resolvendo a inequa¸c˜ao formada obtemos a solu¸c˜ao.

2x < r com (r > 0)

⇒ log(2x ) < log(r)

⇒ x · log(2) < log(r)
log(r)
⇒x<
log(2)

log(r)
como log(2) ≈ 0.301 ent˜
ao x < .
0.301
Assim, o gr´
afico tocar´
a o eixo horizontal no ponto onde a abscisa ´e imediatamente menos que
log(r)
.
0.301

2. Dˆe exemplo de uma fun¸c˜ ao crescente f : R → R+ tal que, para todo x ∈ R, a sequˆencia
f (x + 1), f (x + 2), ..., f (x + n), ... ´e uma progress˜ao geom´etrica mas f n˜ao ´e do tipo f (x) = b · ax .

Solu¸
c˜ao:

Tomando f (x) = xb (fun¸c˜
ao linear), ent˜ao

87
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

 0 0 0

f (0 + 1), f (0 + 2), · · · , f (0 + n), · · · = (b, b, · · ·

 0 0 0

f (1 + 1), f (1 + 2), · · · , f (1 + n), · · · = (b, b, · · ·

..
.

 0 0 0

f (n + 1), f (n + 2), · · · , f (n + n), · · · = (b, b, · · ·

..
.

Que s˜ ao progress˜
oes geom´etricas constantes (P.G. de raz˜ao igual a 1). Como f (x) n˜ao ´e do
tipo b · ax ent˜
ao ´e uma resposta aceit´
avel ao problema.

3. Dados a > 0 e b > 0, ambos diferentes de 1, qual a propriedade da fun¸c˜ao exponencial que
assegura a existˆencia de h 6== 0 tal que bx = ax/h para todo x ∈ R? Mostre como obter o gr´ √afico
x
de y = bx a partir do gr´afico de y = ax . Use sua conclus˜ao para tra¸car o gr´afico de y = 1/ 3 4
afico de y = 2x .
a partir do gr´

Solu¸
c˜ao da primeira parte:

A propriedade em quest˜ao diz que a fun¸c˜ao exponencial f : R → R+ , definida por f (x) = bx ,
´e sobrejetiva. Portanto, dado a > 0, ∃h ∈ R tal que bh = a, ou seja, b = a1/h . Da´ı bx = ax/h
para todo x ∈ R.

Solu¸
c˜ao da segunda parte:

afico de y = bx , trace uma reta vertical que passe pelo ponto x/h e outra que
Para obter o gr´
passe pelo ponto x.

ax = h

x/h x

Em seguida trace uma reta que passe pela intercess˜ao da primeira reta (a que passa por x/h)
com a curva e que seja paralela ao eixo x.

88
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

ax = h

x/h x

ao dessa reta com a reta que passa pelo ponto (0, x) ser´a o ponto (x, bx ).
A intercess˜

Solu¸
c˜ao da terceira parte:

Quando a = 2 e b = 1 · 3 4, a desigualdade ax/h = bx , que equivale a h = log(a)/log(b), nos
a h = −3/2 e x/h = −2x/3.

Tomando x = 1 ent˜ ao marcamos os pontos (x/h, 0) = (−2/3, 0) e (x, 0) = (1, 0) e tra¸camos
duas verticais sobre eles.

y = 2x

P

-1 -2/3 1

Agora trace uma reta paralela ao eixo x que passe pelo ponto P.

y = 2x

P P’

-1 -2/3 1

Fazendo isso ser´a formado um ponto P’ na coordenada (1, b1 ). Repetindo esse processo para
outros valores de x esbo¸camos o gr´
afico requerido.

89
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

4. Prove que uma fun¸c˜ ao do tipo exponencial fica determinada quando se conhecem dois dos
seus valores. Mais precisamente, se f (x) = b cot ax e F (x) = B · Ax s˜ao tais que f (x1 ) = F (x1 )
e f (x2 ) = F (x2 ) com x1 6= x2 ent˜
ao a = A e b = B.

Solu¸
c˜ao:

Se bax1 = BAx1 e bax2 = BAx2 ent˜ao:
 a x1 B  a x2
= =
A b A
a
6 x2 , isto obriga
Como x1 = = 1, ou seja, a = A. O que implica em:
A

B
= (1)x1
b

B
⇒ =1
b

⇒B=b
C.Q.D.

5. Dados x0 6== 0 e y0 > 0 quaisquer, mostre que existe a > 0 tal que ax0 = y0 .

Solu¸
c˜ao:
1  1 x0

Tomando a = y0x0 ent˜
ao ax0 = y0x0  = y0 , como requerido.
 

6. Dados x0 6= x1 e y0 , y1 n˜
ao-nulos e de mesmo sinal, prove que existem a > 0 e b tais que
b · ax0 = y0 e b · ax1 = y1 .

Solu¸
c˜ao:
 x 1
y0 0 −x1 y0
Basta tomar a = eb= .
y1 ax0

7. A grandeza y se exprime como y = b · at em fun¸c˜ao do tempo t. Sejam d o acr´escimo que
se deve dar a t para que y dobre e m (meia-vida de y) o acr´escimo de t necess´ario para que y se
reduza ´a metade. Mostre que m = −d e y = b · 2t/d , logo d = loga 2 = 1/log2 a.

90
A Matem´
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Solu¸
c˜ao:
log(4)
Vamos come¸car provando que se y(t + d) = 2w e y(t) = w, com y(t)bat , ent˜ao d = .
2 · log(a)
Prova.

y(t + d) = 2w

⇒ bat+d = 2w

⇒ bat+d = 4w

Como bat = w ent˜
ao:

wad = 4w

⇒ ad = 4
1
⇒ d = log(a) = log(4)
2
log(4)
⇒d=
2 · log(a)

C. Q. D.

Provada a afirma¸c˜
ao partiremos agora para a resolu¸c˜ao do problema proposto.
Seja y(t) = w considerando o enunciado temos:

y(t + d) = bat+d = 2w (1)

1
y(t + m) = bat+m = bat+m = w (2)
2

Comparando (1) com (2)

y(t + d) = 4 · y(t + m)

⇒ bat+d = 4 · bat+m

⇒ bat ad = 4 · bat am

⇒ ad = 4am

ad
⇒ =4
am

91
A Matem´
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⇒ ad−m = 4
Aplicando logaritmo

log ad−m = log(4)


⇒ (d − m)log(a) = log(4)

log(4)
⇒d−m=
log(a)

log(4)
Uma vez que provamos que d = ent˜ao
2 · log(a)

log(4)
d−m=
log(a)

log(4)
⇒m=d−
log(a)

log(4) log(4)
⇒m= −
2 · log(a) log(a)

log(4)
⇒m=− = −d
2 · log(a)

⇒ m = −d

Com isso fica provado que m = −d, e mudando a base de d de 10 para 2 conclu´ı-se tamb´em
que:

log(4) 1
d= =
2 · log(a) log2 (a)

C. Q. D.

8. Observa¸c˜
oes feitas durante longo tempo mostram que, ap´os per´ıodo de mesma dura¸c˜ao, a
popula¸ca˜o da terra fica multiplicada pelo mesmo fator. Sabendo que essa popula¸c˜ao era de 2,68
bilh˜
oes em 1956 e 3,78 bilh˜ oes em 1972, pede-se: (a) O tempo necess´ario para que a popula¸c˜ao
da terra dobre de valor; (b) A popula¸ca˜o estimada para o ano 2012; (c) Em que ano a popula¸c˜ao
da terra era de 1 bilh˜ ao.

92
A Matem´
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Solu¸
c˜ao de a:

Ap´ ao ´e uma express˜ao do tipo y(t) = b·eat onde “b” ´e a popula¸c˜ao
os um tempo “t” a popula¸c˜
inicial (2.68 milh˜
oes). Sendo assim

y(t) = 3.78

⇒ 2.68 · ea(1972−1956) = 3.78

⇒ a ≈ 0.0215

⇒ 2.68 · eat = 2.68 · e0.0215t
Quando a popula¸c˜
ao da terra dobrar teremos:

y(t) = 2b

⇒ be0.0215t = 2b

⇒ e0.0215t = 2

⇒ t ≈ 23, 24
Solu¸c˜
ao: 23,24 anos.

Solu¸
c˜ao de b:

Em 2012 teremos t = 56 (2012 − 1956 = 12), assim

2.68e0.0215·12 = 8.9bi
Solu¸c˜
ao: A popula¸c˜
ao da terra ser´
a de 8.9 bilh˜oes.

Solu¸
c˜ao de c:

2.68e0.0215t = 1

⇒ 0.0215t · ln(e) = ln(1/2.68)

t ≈ −45.87
Finalmente, fazendo 1956 + (−45.87) chegamos a solu¸c˜ao.

1956 + (−45.87) = 1956 − 45.87
= 1910.13

93
A Matem´
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Assim. descobre-se que o ocorrido foi no ano de 1910.

9. Dˆe um argumento independente de observa¸c˜oes para justificar que, em condi¸c˜oes normais,
a popula¸c˜
ao da terra ap´
os o decurso de per´ıodos iguais fica multiplicada pela mesma constante.

Solu¸
c˜ao:

???

10. Resolva os exerc´ıcios do livro “Logaritmos”, especialmente os do u
´ltimo cap´ıtulo.

Solu¸
c˜ao:

O professor que cobrar do aluno essa quest˜ao ´e t˜ao sem no¸c˜ao que merece uma surra!

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
nibblediego@gmail.com para que possa ser feito a devida corre¸c˜ao.

Para encontrar esse e outros exerc´ıcios resolvidos de matem´atica acesse: www.number.890m.com

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´
A MATEMATICA ´
DO ENSINO MEDIO

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9 Fun¸
c˜oes Trigonom´
etricas

aximo e m´ınimo da fun¸c˜ao f : R → R definida por f (x) =
1. Determine os valores m´
3/(2 + sen(x)).

Solu¸c˜ao:
Como −1 ≤ sen(x) ≤ 1 ent˜ ao f(x) ´e m´axima quando sen(x) = −1 (ou seja, quando o
denominador de f(x) ´e m´ınimo) e m´ınima quando sen(x) = 1 (quando o denominador de f(x) ´e
m´aximo).
3
Vmax = =3
2 + (−1)
3
Vmin = =1
2 + (1)

2. Observando a figura a seguir, onde AB = x, mostre que t = sen(x)/cos(x).

t
1

B

x O
A

Solu¸
c˜ao:
Trace uma reta como a reta pontilhada na figura a seguir.

95
A Matem´
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t

B

x
O C A

Observe que ∆OBC ∼ ∆ TOA assim:

CB OC sen(x) cos(x) sen(x)
= ⇒ = ⇒t=
AT OA t t cos(x)

3. Se sen(x) + cos(x) = 1.2, qual ´e o valor do produto sen(x) · cos(x)?

Solu¸
c˜ao:

sen(x) + cos(x) = 1.2

⇒ (sen(x)+cos(x))2 = 1.44

⇒ 1+2sen(x)cos(x) = 1.44

⇒ 2sen(x)cos(x) = 0.44
0.44
⇒ sen(x)cos(x) =
2
⇒ sen(x)cos(x) = 0.22

4) Definimos aqui as fun¸c˜
oes:

1
secante: sec(x) = se cos(x) 6== 0
cos(x)
1
cossecante: csc(x) = se sen(x) 6== 0
sen(x)
cotangente: ctg(x) = cos(x)/sen(x) se sen(x) 6== 0.

Mostre que:

a) sec2 (x) = 1 + tg 2 (x)

96
A Matem´
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b) csc2 (x) = 1 + ctg 2 (x)

Solu¸ c˜
ao da letra a:
1 cos2 (x) + sen2 (x) sen2 (x)
sec2 (x) = = = 1 + = 1 + tg 2 (x)
cos2 (x) cos2 (x) cos2 (x)

⇒ sec2 (x) = 1 + tg 2 (x)

C.Q.D.

Solu¸c˜
ao da letra b:
2 1 cos2 (x) + sen2 (x) cos2 (x)
csc (x) = 2
= 2
=1+ = 1 + cotg 2 (x)
sen (x) sen (x) sen2 (x)

⇒ csc2 (x) = 1 + cotg 2 (x)

C.Q.D.

5. Prove as identidades abaixo:

1 − tg 2 (x)
a) = 1 − 2sen2 (x)
1 + tg 2 (x)
sen(x)
b) = 1 + cos(x)
csc(x) − ctg(x)

Solu¸
c˜ao de a:
sen2 (x) cos2 (x) − sen2 (x)
1−
1 − tg 2 (x) cos2 (x) 2
cos(x)

= = 
1 + tg 2 (x) sen2 (x) cos2 (x) + sen2 (x)
1+ 2
cos2 (x) cos
 (x)


cos2 (x) − sen2 (x)
= = cos2 (x) − sen2 (x) = 1 − 2sen2 (x)
cos2 (x) + sen2 (x)
C.Q.D.

Solu¸c˜
ao de b:
sen(x) sen(x) sen2 (x) sen2 (x) 1 − cos(x)
= = = ·
csc(x) − cotg(x) 1 cos(x) 1 − cos(x) 1 − cos(x) 1 − cos(x)

sen(x) sen(x)

sen2 (x)(1 + cos(x))
= = 1 + cos(x)
1 − cos2 (x)

97
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

 π 1
6. Determine todas as solu¸c˜
oes da equa¸c˜ao cos 2x + =
3 2

Solu¸
c˜ao:
π π
2x + = 2kπ + ⇒ x = kπ
3 3
e tamb´em
π π π
2x + = 2kπ − ⇒ x = kπ −
3 3 3

3
7. Se tg(x) + sec(x) = , calcule sen(x) e cos(x).
2

Solu¸
c˜ao:
3
tg(x) + sec(x) =
2
sen(x) 1 3
+ =
cos(x) cos(x) 2
⇒ 2(1 + sen(x)) = 3 · cos(x)
2 2
⇒ [2(1 + sen(x))] = (3 · cos(x))
2
⇒ 4 (1 + sen(x)) = 9 · cos2 (x)

⇒ 4(1 + 2 · sen(x) + sen2 (x)) = 9 · cos2 (x)

⇒ 13sen2 (x) + 8sen(x) − 5 = 0 (1)

Chamando sen(x) de y ent˜
ao (1) pode ser escrito como:

5
13y 2 + 8y − 5 = 0 ⇒ y = −1 ou y =
13

5
ao sen(x) = −1 o que implica em x = 270◦ ou sen(x) =
Como fizemos sen(x) = y ent˜ .
13
Entretanto, o problema da primeira solu¸c˜ao ´e que quando x = 270◦ o cos(x) = 0◦ , sendo assim,
5
au
´nica solu¸c˜
ao poss´ıvel ocorre para sen(x) = .
13
Substituindo esse valor em (1)

2(1 + sen(x)) = 3 · cos(x)

2(1 + 5/13) 2 18 12
⇒ cos(x) = = · =
3 3 13 13

98
A Matem´
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12
⇒ cos(x) =
13

5 12
Solu¸c˜
ao: sen(x) = e cos(x) =
13 13

8. Encontre as f´
ormulas para sen(2x), cos(2x) e tg(2x).

Solu¸
c˜ao:

sen(2x) = 2 · sen(x) · cos(x)

cos(2x) = cos( x) − sen2 (x)
2tg(x)
tg(2x) =
1 − tg 2 (x)

ˆ = 45◦ .
9. Observando a figura abaixo, mostre que AOB

B

3

O 6
2

A

Solu¸
c˜ao:
1 1
Fazendo AOP = α e BOP = β, temos tg(α) = e tg(β) = . Logo,
2 3
1 1
+
tg(α + β) = 2 3 = 1. Assim, AOB = α + β = 45◦ .
1 1
1− ·
2 3

1
10. Se tg(x) = , calcule tg(3x).
2

Solu¸
c˜ao:
1

tg(2x) = 2 = 11
1 2
1−
4

99
A Matem´
atica do Ensino M´edio Diego Oliveira - Vit´oria da Conquista / BA

11. Calcular:
   
5π 5π
a) y = sen · cos
12 12
π
1 + tg
b) y =  12
π
1 − tg
12

Solu¸
c˜ao:
   
5π 5π 1 1
a) 2y = 2sen · cos = . Logo, y = .
12 6 2 4
π π
tg + tg
b) y = 4  12π 
π
1 − tg · tg
4 12

aximo e m´ınimo de y = 2sen2 (x) + 5cos2 (x).
12. Determine o valor m´

Solu¸
c˜ao:

Esse ´e um caso em que se pode recorrer ao c´alculo diferencial.

Primeiro determinamos a derivada da fun¸c˜ao y.
0
y = −6 · sen(x) · cos(x)
0
Fazendo y (0) descobrimos os pontos cr´ıticos da fun¸c˜ao.
0
y =0

⇒ −6 · sen(x) · cos(x) = 0

⇒ sen(x) · cos(x) = 0

Observando o ciclo trigonom´etrico a identidade imediatamente acima ocorre quando sen(x) =
0, que ocorre quando x = 180◦ ou x = 0◦ . Ou quando cos(x) = 0, que acontece quando x = 90◦
ou x = 270◦ .

Testando cada um desses valores chegamos a resposta.

y(0◦ ) = 2 · sen2 (0◦ ) + 5 · cos2 (0◦ ) = 5

y(180◦ ) = 2 · sen2 (180◦ ) + 5 · cos2 (180◦ ) = 5

y(90◦ ) = 2 · sen2 (90◦ ) + 5 · cos2 (90◦ ) = 2

y(270◦ ) = 2 · sen2 (270◦ ) + 5 · cos2 (270◦ ) = 2

100
A Matem´
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Ou seja, o valor de m´
aximo da fun¸c˜ao ´e 5 e o m´ınimo ´e 2.

13. Determine o valor m´
aximo e m´ınimo de y = sen(x) + 2cos(x).

Solu¸
c˜ao:

Semelhante a quest˜
ao 12.

Se alguma passagem ficou obscura ou se algum erro foi cometido por favor escreva para
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A Matem´
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10 Agradecimento
Agrade¸co ao professor Everton Moraes, de Manaus, pela corre¸c˜ao da quest˜ao 38 da p´agina 78.

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