APOSTILA DE DIREITO CIVIL

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MANDADO DE SEGURANÇA
“A Administração tem seus movimentos limitados pelos muros que lhe dá a lei ”

“O mandato e segurança é ação civil de rito sumário especial, sujeito a normas procedimentais próprias, pelo quê só supletivamente lhe são aplicáveis disposições gerais do Código de Processo Civil. Destina-se a coibir atos ilegais de autoridades que lesam direito subjetivo, líquido e certo, do impetrante. Por ato de autoridade, suscetível de mandado de segurança, entende-se toda ação ou omissão do Poder Público ou de seus delgados, no desempenho de suas funções ou a pretexto de exercê-las. Direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração. O prazo para impetração é de cento e vinte dias do conhecimento oficial do ato a ser impugnado. Esse remédio heróico admite suspensão liminar do ato, e, quando concedida, a ordem tem efeito mandamental e imediato, não podendo ser impedida sua execução por nenhum recurso comum, salvo pelo presidente do tribunal competente para apreciação da decisão.” (Hely L. Meirelles – Direito Administrativo Brasileiro, p. 619, 17.ª Edição, Malheiros Editores Ltda; São Paulo-SP)

1.

Conceito e legitimidade

Mandado de segurança é o meio constitucional facultado a toda pessoa física ou jurídica, órgão com capacidade processual, ou universalidade reconhecida por lei para proteção de direito individual ou coletivo, líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, lesado ou ameaçado de lesão, por autoridade(CRFB, art. 5.º, LXIX e LXX; Lei 1.533/51, art. 1.º). O essencial para a impetração do mandado de segurança, é que o impetrante - pessoa física ou jurídica, órgão públicos ou universalidade legal - tenha prerrogativa ou direito próprio ou coletivo a defender e que esse direito se apresente líquido e certo ante o ato impugnado. O mandado de segurança normalmente é repressivo de uma ilegalidade já cometida, mas pode ser preventivo de uma ameaça de direito líquido e certo do impetrante. Não basta uma suposição de um direito ameaçado; exige-se um ato que possa pôr em risco o direito do postulante. A constituição de 1988, admitiu o Mandado de segurança coletivo a ser impetrado por partido político com representação no congresso Nacional, por organização sindical, por entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento a mais de um ano(art. 5.º, LXX). A constituição apenas inovou na legitimidade ativa das entidades que podem impetrá-lo em favor de seus associados, sendo os demais procedimentos comum aos do mandamus. Deve-se observar que o mandado de segurança coletivo não presta para proteger direito individual de um dos associados mas apenas para assegurar o direito coletivo. Dessa maneira cabe mandado de segurança coletivo apenas para assegura direito líquido e certo de todos os integrantes da classe representada.

2. Natureza processual Como a lei regulamentar o considera, é ação civil de rito sumário especial. Sendo ação civil, enquadra-se no conceito de causa, anunciado pela Constituição, para fins de fixação de foro e juízo competentes para o seu julgamento quando for interessada a União, e produz todos os efeitos próprios dos feitos contenciosos. Difere das demais ações apenas pela especificidade de seu objeto e pela sumariedade de seu procedimento, que é próprio e só subsidiariamente aceita as regras do Código de Processo Civil. Qualquer que seja a origem ou natureza do ato impugnado, o mandamus será sempre processado e julgado como ação civil, no juízo competente.

3. Ato de autoridade

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em outras palavras. que o direito. Equiparam-se a atos de autoridade as omissões administrativas das quais possa resultar lesão a direito subjetivo da parte. Entendo. mas ainda não executado. deverá ser impetrado quando o ato impugnado se tornar operante ou exeqüível. para fins de segurança. 2 . Como também os atos judiciais equiparam-se a atos de autoridade. e carecedores de comprovação e esclarecimentos. As provas que tentam demonstrar a liquidez e a certeza do direito podem ser de todas as modalidades admitidas em lei. delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração. Prazo para impetração O prazo para impetrar o mandado de segurança é de cento e vinte dias. como também os concessionários de serviços de utilidade pública no que concernir a essas funções. Sendo o mandado de segurança um remédio constitucional que visa. desde que ilegal e ofensivo de direito individual ou coletivo. Nos atos de trato sucessivo. não é direito líquido e certo. Direito líquido e certo é todo aquele que se apresenta manifesto na sua existência. Os fatos podem ser imprecisos. então. Porém não se admite mandamus contra atos meramente normativos(lei em tese). precipuamente. coator. existindo. contra ato disciplinar. Até mesmo a segurança preventiva só poderá ser pedida ente um ato perfeito e exeqüível. Aquele é emanado de pessoa física com poder de decisão e este apenas por encarregado de aplica-lo. independente de caução. não pode ser interrompido desde que iniciado. líquido e certo. coisa julgada e contra os interna corporis (Item 3 supra). não se legitima a impetração. é aquele que decidi e não aquele que executa. Enquanto o ato estiver em formação. Este prazo é de decadência do direito à impetração. a impedir ato lesivo de direito individual ou coletivo líquido e certo. mas a lei o excepciona contra o que comporte recurso administrativo com efeito suspensivo. portanto. salvo as de poder do impetrado. o prazo renova-se a cada ato e também não corre durante a omissão ou inércia da administração em despachar o requerido pelo interessado. 4. a contar da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do ato a ser impugnado. é sempre líquido e certo. como pagamento de vencimentos ou outras prestações periódicas. Ainda se faz necessário indicar os atos de dirigentes de estabelecimento particular fiscalizados pelo Governo como também entidades paraestatais 7. ou possa ser corrigido prontamente por via de correição.717/65 e 7. desde que acompanhe a inicial. Se depende de comprovação posterior. Os atos interna corporis do Legislativo não são sujeitados a correção por mandamus. as deliberações legislativas e as decisões judiciais para as quais não haja recurso capaz de impedir a lesão ao direito subjetivo do impetrante. 5. contra decisão ou despacho judicial para o qual haja recurso processual eficaz. no desempenho de suas funções. e como tal. Entende-se por atos de autoridades aqueles praticados por administradores ou representantes de autarquias e de entidades paraestatais. direito líquido e certo é direito comprovado e plano. entretanto. a menos que praticado por autoridade incompetente ou com inobservância de formalidade essencial. podendo ensejar ação popular ou ação civil pública(Leis 4. e não apenas execução. O objeto normal de segurança é ato administrativo específico. O que se exige é prova pré-constituída das situações e fatos que embasam o direito invocado. Direito individual e coletivo líquido e certo Direito individual é aquele próprio do impetrante. do impetrante. consoante com o item 1 supra. Atos de autoridade. Por autoridade entende-se a pessoa física investida de poder de decisão dentro de sua esfera de competência. Se o direito for de outrem. em nome da entidade que o impetrou (não confundir com o direito individual do associado).347/85) Direito coletivo é aquele que deve ser protegido por mandado de segurança coletivo. Não se deve confundir o ato decisório do ato executório. Objeto O objeto do mandado de segurança será sempre a correção de ato ou omissão de autoridade. não se antolha passível de invalidação por mandado de segurança.Ato de autoridade deve ser entendido como toda manifestação ou omissão do Poder Público ou de seus delegados. são os que trazem em si uma decisão. 6. Cabimento A regra é o cabimento de mandado de segurança contra ato de qualquer autoridade. ou depender de formalidades complementares para sua operatividade. mas por exceção presta-se a atacar as leis e decretos de efeitos concretos. ou com efeitos suspensos.

exigindo-se analogia e subsídios doutrinários. assistente com litisconsorte. a decisão do pedido de um influíra na do outro. cabendo ao juiz verificar. 46 a 55). ainda. recebendo o processo no estado em que estiver e manifestando-se sempre na linha do assistido. O irrecusável. o juiz ordenará a notificação pessoal do impetrado.fumus boni juris e periculum in mora. os que são impetrados perante essas Justiças. ser apresentada com cópias de seu texto e de todos os documentos que a instruem.O STF já decidiu que não ocorre a caducidade se o mandamus foi protocolado a tempo. ainda. Tratando-se de litisconsorte necessário não chamado à lide. do CPC). como é comum o interesse das partes e conexa a relação de direitos. mandar suprir as falhas num prazo de dez dias. “eleitoral”. Essa orientação fundamenta-se na máxima “ad impossibilia nemo tenetur”: ninguém pode ser obrigado a fazer o impossível. O recusável.º do art. o processo será extinto(art. VI. As partes ilegítimas devem ser excluídas da causa. então. assistente pode ingressar nos autos a qualquer tempo. se concedida a final . ainda que no juízo incompetente. O assistente não pode inovar a lide. sofre gravame com a decisão da instância ordinária. Partes As partes iniciais do mandado de segurança são o titular do direito requerido. com a fixação do prazo de dez dias para prestação das informações. preliminarmente. O necessário. 267. embora não sendo parte na lide. sob pena de nulidade. Deferindo a inicial. a causa pertence a cada um isoladamente. por economia processual e com o intuito de se evitar decisões teoricamente conflitantes e por haver afinidade entre as causas. Tem-se. a autoridade coatora e a parte pública autônoma(impetrante. o que é feito por ofício acompanhado das cópias da inicial e documentos. sem quê a ação não pode prosseguir sem a presença de todos no feito. Outros interessados. e realmente é o que se infere do disposto no § 2. 113 do CPC. Inicial e notificação Além de atender às exigências do CPC. Em geral a constituição e leis infra. com aquiescência das partes. poderão fazer parte da lide desde que tenham legitimidade para estar ao lado do impetrante ou do impetrado com litisconsorte ou assistente. os autos serão arquivados. Ministério Público). “trabalhista”. para encaminhamento ao impetrado. É digno de ser observado que a segurança deva ser contra a autoridade que disponha de competência para corrigir a ilegalidade impugnada. 3 . Observamos que se tem denominado de mandado de segurança “criminal”. Há manifesto equívoco nessas denominações. regida pelas mesmas normas. 11. trazem a competência para tais julgamentos. deve. 9. também. caso não for interposta apelação. mesmo que a sentença ou o acórdão admita recurso ao seu alcance. Indeferindo a inicial. sendo essa ilegalidade do impetrante ou do impetrado. Existe três tipos de litisconsorte. O terceiro prejudicado pode recorrer do julgado no prazo de que dispõem as partes como. 8. Não se confunda. Competência A competência para julgar mandado de segurança define-se pela categoria da autoridade coatora e pela sede funcional. é cabível até mesmo o recurso extraordinário. a petição inicial. Um apenas representa a linha do assistido enquanto o outro toma parte na lide. impetrado. e só após a omissão da parte é que proferirá o despacho indeferitório 12. Liminar É uma medida cautela admitido pela própria lei de mandado de segurança quando sejam relevantes os fundamentos da impetração e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da ordem judicial. pois todo mandado de segurança é ação civil. primeiro. pode utilizar-se do mandamus para impedir lesão a direito seu. A notificação do impetrado e dos interessados eqüivalem a citação. porem alguns são os casos em que a legislação é omissa. qualquer que seja o juiz competente para julgá-lo. mas. 10. em razão da nulidade do processo. o terceiro prejudicado que é aquele que. a causa pertence a mais de um em conjunto e a nenhum isoladamente. e. Litisconsorte e assistência O litisconsórcio e a assistência serão admitidos por expressa disposição legal. juntamente com o ofício de notificação. se ocorrem as hipóteses estabelecidas no Código de processo Civil (art. O juiz deverá.

do despacho do Presidente do tribunal que suspender a execução da sentença ou cassar a liminar. ficando o impetrado livre para praticá-lo ou prosseguir na sua efetivação desde o momento em que for proferida. Com as informações encerra-se a fase instrutória do processo de mandado de segurança e fecha-se a possibilidade de ingresso de litisconsorte. etc. Deve-se entender que essa são os que entram no país com alguma irregularidade. Na sentença o juiz deverá decidir sobre o pedido inicial. 16. da decisão que apreciar o mérito. para concessão ou denegação da segurança. 15. à saúde. Já o assistente pode fazer parte da ação a qualquer tempo pois não é aproveitado na sentença. isso é. Uma vez cassada a liminar ou cessada a sua eficácia. Informações As informações constituem a defesa da Administração que deve ser prestada no prazo máximo de dez dias. recurso de ofício. Pode o recurso ser posto por qualquer das partes que constituíram a ação. 17. não estendo às fundações. Cabem. O prazo para recursos são fixados no CPC. Cumprida a ordem judicial. 14. voltam as coisas ao statu quo ante. O Presidente do Tribunal competente deverá motivar sua decisão apresentando as razões que justificam e legitimam a suspensão. As informações dever dizer detalhadamente em que se baseou o ato impugnado.A liminar pode ser revogada a qualquer tempo se observado a inexistência dos princípios que lhe deram origem.770/56. específica ou in natura. mediante cumprimento da providência determinada pelo juiz sem a possibilidade de substituição por pecúnia. 13. os demais recursos do CPC O objeto de recurso é somente o devolutivo. proibi a concessão de liminar nas ações de liberação de mercadorias. `a segurança e à economia pública.. empresas públicas. Suspensão da liminar ou da sentença A suspensão da liminar ou dos efeitos da sentença concessiva é providência para evitar grave lesão à ordem. bens ou coisas de procedência estrangeira. condenando o vencido nas custas e honorários advocatícios. agravo regimental. da sentença que conceder a segurança. ainda. porém sendo aceito o necessário. A carência ocorre quando o impetrante não satisfez os pressupostos processuais e as condições do direito a agir. exaure-se o conteúdo mandamental da sentença. O não acatamento do mandado judicial caracteriza o crime de desobediência a ordem legal. Execução A execução da sentença concessiva da segurança é imediata. Ë de carência quando o impetrante não satisfaz os pressupostos processuais e as condições do direito de agir. Recursos Os recursos cabíveis em mandado de segurança são: Apelação. 4 . recurso ordinário. porém fica ao seu arbítrio a valoração dessas razões. desde que o acórdão incida nos permissivos constitucionais. decidirá sobre o direito invocado. A falta de informações leva a confissão ficta dos fatos arqüidos na inicial. A Lei 2. desde a sua liquidez e certeza diante do ato impugnado. qualquer que seja o valor da impetração. A decisão denegatória da segurança ou cassatória da liminar produz efeito liberatório imediato do ato impugnado. À Fazenda Pública é garantido o privilégio da duplicação dos prazos para os recursos. concessionárias de serviços públicos. Já a sentença de mérito. Sentença A sentença em mandado de segurança poderá ser de carência ou de mérito. A ausência de litisconsorte necessário enseja nulidade do julgamento. A sentença quando visa corrigir ato é repressiva e quando se destina a impedir ilegalidade é preventiva. decretar a carência ou indeferir a inicial. A sentença de mérito decidirá sobre o direito invocado.

atentado. alteração dos fundamentos. o mandado de segurança apresenta as seguintes questões processuais: tramitação nas férias forense.. atendimento do pedido antes da sentença. Isso veda a propositura de ação por via ordinária. causa e objeto. 16 da Lei1533/51. não é aceito argüições incidentes. podendo ser impetrada outra ação. quando julgado procedente. Mandado de Segurança. Salienta-se que sentenças nulas não faz coisa julgada. 17. Denegado o pedido. para recurso extraordinário. Direito Administrativo Brasileiro. Hely Lopes. Hely Lopes. Ação Popular. embargos de terceiros. o mérito deve ser julgado mesmo depois de acatado o pedido. Questões processuais Devido seu caráter emergencial e da preferência legal sobre todas as demais causa. se denegatória. faz coisa julga erga omnes. não sendo admitido alteração dos fundamentos posto que o mandamus é contra atos da autoridade e isso legitima a ação. prevenção de competência e litisconsórcio unitário.ª Edição. exceto o habeas corpus. São Paulo-SP. o que admitido a qualquer tempo independentemente do consentimento do impetrado. é o entendimento jurisprudencial. o impetrante somente poderá adquar o seu pedido às informações do impetrado caso não as conhece antes da inicial.ª Edição. como a de falsidade. argüições incidentes. Não faz coisa julgada quando é indeferido desde logo a inicial por não ser o caso de mandamus. em razão da natureza constitucional do mandado de segurança. devido o seu caráter. excluindo-se. 22. poderá ser proposta ação individual. MEIRELLES. São Paulo-SP 5 . Malheiros Editores Ltda. BIBLIOGRAFIA: MEIRELLES. Malheiros Editores Ltda. não se aplicando o disposto no § 4. Mandado de Injunção e “Habeas Corpus”. desistência da impetração. Coisa julgada A coisa julga pode ser tanto concessiva como denegatório. isso para evitar danos retrocedentes. No mandado de segurança coletivo. e valor da causa. a imposição do art. alteração do pedido. agravo de instrumento. desde que por fundamentos diversos. faz coisa julgada. desde que haja apreciado o mérito da pretensão do impetrante e afirmado a existência ou a inexistência do direito a ser amparado. Para que surja coisa julgada é indispensável a triplica identidade de pessoas.18. Ação Civil Pública. 267 do CPC. então. Neste caso não ocorre renovação do mandado. 19. existência ou inexistência de relação jurídica etc. A mesma parte poderá impetrar sucessivos mandados de segurança com o mesmo objeto.º do art. é irrelevante o valor que se lhe atribui.