Acórdãos STJ Processo: Nº Convencional: Relator: Descritores: Nº do Documento: Data do Acordão: Votação: Referência de Publicação: Tribunal Recurso: Processo

no Tribunal Recurso: Data: Texto Integral: Privacidade: Meio Processual: Decisão: Área Temática: Legislação Nacional: Sumário :

Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça
043423 JSTJ00018013 FERREIRA DIAS CHEQUE SEM PROVISÃO APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO ELEMENTOS DA INFRACÇÃO SJ199302030434233 03-02-93 UNANIMIDADE BMJ N424 ANO1993 PAG351 T REL LISBOA 2532/87 23-06-92 S 1 REC PENAL. PROVIDO. DIR CRIM - CRIM C/SOCIEDADE. DL 13004 DE 1927/01/12 ART23 ART24. DL 454/91 DE 1991/12/28 ART11 N1. I - O artigo 11, n. 1, do Decreto-Lei n. 454/91, de 28 de Dezembro, não criou um novo tipo legal de crime de emissão de cheque sem provisão, mas simplesmente regulamentou o crime em questão de um modo diferente. II - Tal preceito não teve o efeito de, genericamente, despenalizar as condutas anteriormente previstas e puníveis pelo artigo 24 do Decreto-Lei n. 13004, de 12 de Janeiro de 1927. Acordam no Supremo Tribunal de Justiça: 1- No 3 Juízo Criminal de Lisboa, foi julgado, à revelia, o réu A, casado, gerente industrial, de 37 anos, com os demais sinais dos autos, tendo sido condenado, pela autoria material de um crime de cheque sem provisão previsto e punível pelos artigos 23 e 24 n. 2 alínea a) do Decreto-Lei n. 13004, de 12 de Janeiro de 1927, na pena de três anos de prisão, que ficou reduzida a dois anos, por aplicação do perdão do artigo 13 n. 1 alínea b) da Lei n. 16/86, de 11 de Junho. Foi outrossim condenado na parte fiscal e no pagamento da indemnização de 230000 escudos a favor do queixoso B, por perdas e danos. Notificado dessa decisão, veio interpor recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa que, no seu acórdão de folhas 165 e seguintes, julgou procedente a primeira questão prévia, deduzida pelo arguido, declarando descriminalizados os factos porque o réu foi condenado e, consequentemente, sem qualquer efeito a sua condenação, ao abrigo do artigo 11 do Decreto-Lei n. 454/91. 2- Inconformado com o decidido, dele interpôs recurso o Ministério Público para este Alto Tribunal, alegando, em substância e com interesse: - O acórdão recorrido violou, por erro de interpretação, o disposto no artigo 11 n. 1 do Decreto-Lei n. 454/91, de 28 de Dezembro; - Ao recorrente deve ser reconhecido o direito a novo julgamento; e - Pelo que deve ser substituído por outro que, acolhendo a tese sufragada, decida em consonância. Contra-alegou o réu, afirmando em tal peça processual e em resumo: - Com a entrada em vigor do Decreto-Lei n. 400/82, de 23 de Setembro, verifica-se que ocorreu uma alteração legislativa da factualidade típica, que reformulou o próprio tipo legal do crime de cheque sem provisão, através da junção de um novo elemento constitutivo, que é o "prejuízo patrimonial";

Decisão Texto Integral:

a uma questão relacionada com o princípio da sucessão de leis no tempo. por força do disposto no artigo 2 n. na data de 29 de Março de 1992.de página 935 e Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça de 7 de Junho de 1967 e de 28 de Março de 1979. pareceres que têm sido juntos a vários processos). . quer na jurisprudência. E daí que grande número de juizes. alegado nem provado que ele tivesse causado um prejuízo patrimonial ao ofendido.. Artigo 24: . não for integralmente pago por falta de provisão". passassem a entender que. Colhidos os vistos legais. Boletins 168-262 e 285-187. deve tal questão ser conhecida pelo Supremo Tribunal e absolver-se o ora recorrido ou ainda repetir-se o julgamento. efectivamente. 400/82.Se também assim não for entendido. quanto aos delitos cometidos anteriormente à sua entrada em vigor. 2 do Código Penal. n. de 13 de Abril de 1981 .um crime de perigo abstracto (confira nesse sentido o Assento n. nem que o recorrente tivesse agido com a intenção de causar tal prejuízo. de 23 de Setembro . o Ministério Público terça armas no sentido de que não deve ser sustentada a doutrina da decisão agravada. deve o recurso merecer provimento. Por sua banda. de 28 de Setembro. de 21 de Agosto. a condenação do ora recorrido deixou de produzir efeitos e deve manter-se na íntegra o douto acórdão recorrido.como é de Lei . 1 do Supremo Tribunal de Justiça. e . 454/91. A emissão de cheque sem provisão começou a ser punida através do DecretoLei n.Nestas circunstâncias. nos termos da circular citada pelo Excelentíssimo Magistrado recorrente.Subiram os autos a este Alto Tribunal e.exarou este Ilustre Magistrado o seu douto parecer de folhas 182. E é de todos sabido que a Jurisprudência deste Supremo vinha desde há muito defendendo que a emissão de cheque sem provisão integrava. já que fazia depender a sua punibilidade de um efectivo prejuízo de ordem patrimonial. . conhecido que grassa a maior desorientação a tal respeito. que nos seus Artigos 23 e 24. 86. de 12 de Janeiro de 1927. em síntese. cumpre apreciar e decidir: O problema trazido à cognição deste Supremo Tribunal reconduz-se. nas redacções que lhes foram sucessivamente dadas pela Lei n. entre outros. deve o processo baixar ao Tribunal da Relação para conhecer da questão levantada no ponto 1 das alegações do ora recorrido para aquele Tribunal. se encontravam descriminalizados Foi esta a posição tomada pelo acórdão recorrido.Artigos 23 e 24 do Decreto-Lei n. quer até ao nível da Doutrina (confira os pareceres de Figueiredo Dias . "Quid juris"? Para melhor compreensão do "thema decidendum" façamos um pouco de história. Entrado em vigor o Decreto-Lei n. por mera hipótese académica assim não se entender. É também. de 12 de Janeiro de 1927. quer da 2.No processo não foi averiguado. de 12 de Março in Diário da República . e de Marques da Silva. desde logo sofreu ele as mais desencontradas opiniões e críticas. 25/81. quer da 1 Instância. no direito anterior . 3. ao transformar a referida infracção num crime de dano. 13004. ouvido o Excelentíssimo Representante do Ministério Público . 13004. Ver. rezavam assim: Artigo 23: "É considerada criminosa a emissão de um cheque que.que temos vindo a seguir muito de perto.I série.Se. apresentado a pagamento no competente prazo do Artigo 12 do presente Decreto. entre outros. no qual opina no sentido de que. respectivamente. ao fazer a exegese de tal diploma. quanto ao crime de emissão de cheques sem provisão. e pelo Decreto-Lei n. baseadas fundamentalmente na circunstância de tal diploma.

13004.Nas mesmas penas incorre quem endossar cheque que recebeu. a matéria referente aos crimes de emissão de cheque sem provisão. a pena de seis meses a dois anos de prisão correccional". quem. de 21 de Agosto. cujos conteúdos aqui damos como reproduzidos."Ao sacador de um cheque. porque não o fez expressamente. de 12 de Janeiro de 1927.A pena será de um a dez anos se: a) .. "ex novo".A pessoa directamente prejudicada ficar em difícil situação económica. será aplicada. cujo pagamento por falta de provisão tiver sido verificado nos termos e no prazo prescritos nos Artigos 21 e 22 do presente Decreto. 29. de 12 de Janeiro de 1927. 2. a pedido do portador do cheque. também não se observa que o tenha feito tacitamente. Por último. os fundos necessários ao seu pagamento integral. observando-se o regime geral de punição deste crime. verificada nos termos e prazos da Lei Uniforme Relativa ao cheque. a pedido do respectivo portador.O quantitativo sacado for consideravelmente elevado". b) . ou seja que a revogação possa resultar da incompatibilidade entre as novas disposições e as regras precedentes ou da circunstância de a nova lei regular toda a matéria da lei anterior (confira Artigo . consoante o valor do cheque for igual ou inferior a 50000 escudos ou superior a esta quantia.e que veio determinar no seu Artigo 5 o seguinte: "O corpo do Artigo 24 do Decreto-Lei n.O agente se entregar habitualmente à emissão de cheques sem provisão. em novos moldes. Na verdade. 25/81 e 400/82. conhecendo a falta de provisão e causando com isso prejuízo patrimonial. após a entrega do cheque.emitir e entregar a outrem cheque de valor superior ao indicado no Artigo 8 que não for integralmente pago por falta de provisão.". a ser a seguinte: "O sacador de cheque nas condições. que o antecederam. a redacção do artigo 24 passou. c) . não veio criar uma figura jurídico-criminal nova e consequente descriminalização da velha consignada nos Artigos 23 e 24 do Decreto-Lei 13004. 454/91. a pedido do respectivo portador. . surge-nos o Decreto-Lei n. 40 e 41 da Lei Uniforme relativa ao cheque. que no seu Artigo 11 estatui deste modo: "1. por força do Decreto-Lei n. ao regulamentar. para melhor entendimento e decisão sobre a questão hipotizada no caso do processo. b) . 25/81. será punido com prisão até três anos. será punido com prisão e multa ou com prisão maior de dois a oito anos. de 28 de Dezembro. ao indicar "expressis litteris" a legislação anterior que determinou revogar nela não indicou as disposições em apreço do Decreto-lei n. passa a ter a seguinte redacção: "1. o Decreto-Lei n. Por outro lado.Posto este borquejo e fazendo sobre ele uma profunda meditação. 13004. causando prejuízo patrimonial: a) . de 23 de Setembro. as seguintes e importantes conclusões: Em primeiro lugar e semelhantemente ao que sucedeu com os Decretos-Lei n. 454/91..que aprovou o Código Penal de 1982 .O sacador do cheque cujo não pagamento por falta de provisão tiver sido verificado nos termos e prazo prescritos nos Artigos 28. podemos dele extrair. com relevância. 400/82. cujo não pagamento por falta de provisão tiver sido verificado nos termos e prazo prescritos nos Artigos 28 e 29 da Lei Uniforme relativa aos cheques.Levantar.Será condenado nas penas previstas para o crime de burla. de 28 de Dezembro.. pela seguinte ordem de razões: Por um lado.. o que nos parece altamente significativo." Em substituição do parágrafo único daquele primeiro Decreto foram-lhe acrescentados sete parágrafos. Mais tarde. c) . 2. 4. Posteriormente. surge-nos no firmamento jurídico-criminal o tão contestado Decreto-Lei n.Proibir à instituição sacada o pagamento do cheque emitido ou entregue.

e outrossim a tomar a defesa do tomador pelo prejuízo que o sacador.será aplicada. que expressamente não constava da legislação anterior. na medida em que este se tem mostrado incapaz de contrariar a realidade criminológica revelada no peso excessivo que a proliferação dos crimes de emissão de cheques sem provisão tem no conjunto da criminalidade. E com razão. tiver sido verificado. quer antes de ser proferido o presente Assento. já que na sua génese se pretendia e lhe subjazia não só assegurar a correcta utilização e função económica do cheque .quem. 25/81..prejuízo .. 400/82. pergunta-se: tal circunstância não desencadeará a descriminalização dos crimes de emissão de cheque sem provisão cometidos no império da lei anterior? Esta posição afirmativa mostra-se sufragada pela decisão agravada. por falta de provisão. colmatar algumas fraquezas do sistema implantado.7 n.continua. estendendo porém. como iremos demonstrar no decurso do nosso discurso. 454/91.. Não perfilhamos tal entendimento. 13007.... como um autêntico crime de dano e não de perigo. Por outro lado. e vem mais firmemente contribuir para a garantia do património do tomador propósitos que não podem ser olvidados na matéria em causa. para cuja consumação basta a consciência da ilicitude da conduta e da falta da provisão para a ordem do pagamento dada".titulo de crédito que desempenhava na vida económica um papel de altíssimo valor . lhe juntou mais sete novos parágrafos.. Mas adicionado que foi pelo Decreto-Lei n. lhe acarreta com a sua criminosa conduta. quando "expressis litteris" proclamava: "Ao sacador de um cheque cujo não pagamento. o seu território a situações novas. 454/91 o requisito ".". regra geral. O que o legislador de 1991 pretendeu com o Decreto 454. a pedido do portador do cheque. radica-se nos seguintes objectivos: Por um lado. sofram um prejuízo patrimonial (Confira Problemas Penais dos Cheques de Lucas Coelho a páginas 25 e seguintes). contudo. vendo-se impossibilitados de cobrar as somas neles tituladas. porém." Por seu turno. agora de forma mais sensível. de 20 de Novembro de 1980. 1/81. Acontece. Quer tudo isto significar que nem expressa nem tacitamente se mostra revogada a legislação anterior ao Decreto-Lei n. em substituição do seu parágrafo único. já havia quem considerasse o crime de emissão de cheque sem provisão. que. foi proferido por este Supremo Tribunal o Assento n. dos quais se tira a conclusão segura de que o requisito do prejuízo patrimonial do ofendido . .como também proteger os beneficiários dos cheques que. quer depois. É que a modificação mais saliente para o ponto de vista que estamos a assumir verificou-se com o Decreto-Lei n. mas sem. Mas não fiquemos por aqui. ao punir o autor de um crime de emissão de cheque sem provisão está simultaneamente a proteger o cheque. não só porque a Lei. de 21 de Agosto. 2 do Código Civil). como meio de pagamento.já ele se mostrava ínsito na fórmula inicial do Artigo 24 do Decreto-Lei 13004. Na dominação dos artigos 23 e 24 do Decreto-Lei n. a estar presente no tipo legal do crime de emissão de cheque sem provisão. o certo é que continuou a manter os requisitos essenciais dessa figura. alterar a pena ou penas já cominadas pelo Decreto-Lei n. que são as consideradas nas alíneas b) e c) do Decreto-Lei n. a pena de. o artigo 24 voltou a ter nova redacção a partir do Decreto-Lei n.a pessoa cujos interesses a lei quis especialmente proteger com a incriminação . 454/91 (Artigo 11) e limitando-se a estabelecer uma punição por remissão para o crime de burla dado o seu parentesco com este último crime -. Mas. causando prejuízo patrimonial. reforçar o prestigio do cheque. como se alcança do seu preâmbulo. que reza assim: "O crime de emissão de cheque sem cobertura é um crime de perigo. malgrado tais finalidades. que.. como meio de pagamento. Quanto a tal pressuposto .

isto não só para harmonizar a legislação em vigor com os princípios orientadores do novo Código Penal. pois. pelo menos a partir da entrada em vigor dos mencionados Decretos-Lei.Por último. 454/91.passasse a concordar com os normativos exigidos pelo crime de burla. e nuclearmente. 2 . por força da interpretação dos artigos 23 e 24 do Decreto-Lei n. in loc. ter-se em consideração o que estabelece o artigo 2 n. para que a disposição em foco .definido nos artigos 23 e 24 . elas ficariam dissipadas inteiramente com o aportar do Decreto-Lei n. em contrário. só poderia acontecer em casos de nos acharmos presentes a uma liberalidade ou doação. a quinta conclusão: Referentemente aos crimes de emissão de cheque sem provisão cometidos anteriormente à entrada em vigor do DecretoLei n. deve. aliás. decorrem. em certos aspectos . que.embora em dada altura não expressamente . No que concerne ao elemento subjectivo. a apresentação do cheque a pagamento. . por via do entendimento que atrás deixamos alinhado. 454. e salvo o devido respeito pelas teses que.para conseguir os objectivos atrás referenciados. anteriores ou posteriores.De tudo quanto expendido ficou. desde sempre o crime em estudo. não deixaria de. sem prejuízo do constante das alíneas b) e c) do artigo 11 do Decreto-Lei n. cujos montantes não fossem superiores a 5000 escudos (confira artigos 8 e 11 do Decreto-Lei n. Com toda a segurança se professa. o que. elemento este que sempre se achou inscrito . mas também. aliás. sob pena de não se observar a figura jurídica do crime de emissão de cheque sem provisão .A quarta conclusão: da aplicação dos artigos 8 e 11 do Decreto-Lei n. não pretendeu criar uma figura jurídica inteiramente nova. de 28 de Setembro resulta a descriminalização de todos os crimes de emissão de cheque sem provisão.A terceira conclusão: concretizada no facto de não ter sido intenção do legislador descriminalizar todas as actuações criminosas anteriormente a 23 de Março de 1992.A primeira mediatizada na circunstância de. 4 do Código Penal .no âmbito dos elementos objectivos. quanto à sua punição.A segunda conclusão: a de que o legislador. necessário e eventual). abrogando o anterior direito sobre os cheques. 454/91. . 1/81. que. de 28 de Dezembro. 13004. 25/81. de uma penada. com toda a clareza. os pressupostos do crime de emissão de cheque sem provisão. mas tão simplesmente regulamentar o crime em questão . . embora de modo não expresso. não ocorreu. 13004. a páginas 7 e seguintes).de um modo diferente. cujos montantes não forem superiores a 5000 escudos. que. se algumas dúvidas se suscitassem com o Assento n. no prazo legal. como o fez referentemente aos cheques sem provisão. 454/91. e fundamentalmente com o Decreto-Lei n. subjugando o crime de emissão de cheque sem provisão aos parâmetros utilizados para a incriminação da burla. 13004 . atrás identificados. a lei dos cheques sem provisão passou a exigir para a configuração destas o prejuízo patrimonial dos ofendidos (confira no mesmo sentido a abalizada opinião do sábio Mestre de Coimbra Figueiredo Dias.já que os ns. se têm produzido.400/82. pelo menos tacitamente revogaram o comando estatuído no Assento em referência. 400/82. se o quisesse fazer. . continuam a ser precisamente os indicados no direito anterior: a emissão do cheque e a sua entrega ao tomador. de 28 de Setembro. 5. expressamente. de 23 de Setembro. E daí que. o não pagamento do cheque por falta de provisão e o consequente prejuízo patrimonial do ofendido. que antes o aprovara. 454/91). ao elaborar o Decreto-Lei n. Isto porque.o que. data da entrada em vigor do famigerado diploma. através do seu artigo 5.artigo 24 do Decreto-Lei n. o declarar. nos termos acima consignados. alterou o texto do artigo 24 do Decreto-Lei n. revestiu a natureza jurídica de crime doloso (dolo directo. as seguintes conclusões que inteiramente abraçamos: . cit.

1.ainda não transitado . ordenando que o processo baixe ao Tribunal da Relação para se pronunciar sobre a matéria restante deduzida pelo recorrente. Sá Nogueira. . consequentemente. 2 Secção Criminal de Lisboa. revogar o acórdão recorrido. 13004.Desta sorte e pelos expostos fundamentos. 5000 e 1000 escudos. Decisões impugnadas: Sentença de 7 de Novembro de 1988 do 3 Juízo. 3 de Fevereiro de 1993. 1 e 4 da Constituição da República. de 28 de Setembro.que fixou a Jurisprudência pelo seguinte modo: "O artigo 11 n. apenas operando essa despenalização quanto aos cheques de valor não superior a cinco mil escudos e quanto aos cheques de valor superior a esse montante em que não se prove que causaram prejuízo patrimonial". Abranches Martins. 6. Ferreira Dias. não criou um novo tipo legal de crime de emissão de cheque sem provisão. Pela parcial sucumbência da oposição ao recurso pagará o réu recorrido de imposto e de procuradoria. E em abono da posição acabada de perfilhar cita-se o recente Acórdão do Plenário das Secções Criminais deste Supremo Tribunal de Justiça do passado dia 27 de Janeiro . Lisboa. de 12 de Janeiro.em obediência à catequese constitucional do artigo 29 ns. nem teve o efeito de despenalizar as condutas anteriormente previstas e puníveis pelo artigo 24 do Decreto n. decidem os Juizes deste Supremo Tribunal de Justiça conceder provimento ao recurso interposto pelo Ministério Público e. respectivamente. Acórdão de 23 de Junho de 1992 da Relação de Lisboa. alínea a) do Decreto-Lei n.e 3 do mesmo mandamento não têm qualquer cabimento . 454/91.