30 de Novembro de 2010

Balança Alimentar Portuguesa 2003 - 2008 Dieta portuguesa afasta-se das boas práticas nutricionais
No período decorrido entre 2003 e 2008 acentuaram-se os desequilíbrios da dieta alimentar portuguesa. Excesso de calorias e gorduras saturadas, disponibilidades deficitárias em frutos, hortícolas e leguminosas secas e recurso excessivo aos grupos alimentares de “Carne, pescado, ovos” e de “Óleos e gorduras” caracterizaram a alimentação em Portugal, nesse período. A análise por produtos alimentares revela disponibilidades crescentes nas carnes e pescado. No primeiro caso, a carne proveniente dos animais de capoeira foi a que mais cresceu no período em análise e representava, em 2008, 33% das disponibilidades totais de carnes; no pescado, e apesar do aumento das disponibilidades, assistiu-se a uma redução em 20% das disponibilidades de bacalhau. Constata-se, ainda, uma substituição das raízes e tubérculos por cereais, e da margarina por azeite. De assinalar, ainda, que a partir de 2007 as disponibilidades de cacau e chocolate ultrapassaram as do café. A cerveja continuou a ser a bebida alcoólica preferida pelos residentes em Portugal, enquanto que nas bebidas não alcoólicas a posição cimeira foi ocupada pela água.

A Balança Alimentar Portuguesa (BAP), enquanto instrumento analítico de natureza estatística, permite retratar a evolução e o perfil do consumidor nacional em termos de produtos, nutrientes e calorias, através da disponibilização de um quadro de informação com as disponibilidades alimentares e nutricionais do país. O INE actualiza e divulga a BAP para o período 2003-2008, recorrendo à análise comparativa com a informação relativa à década de 90, sempre que se justifica. Disponibiliza-se, nesta data, em www.ine.pt, um conjunto de quadros estatísticos harmonizados e comparáveis sobre a BAP, de 1990 a 2008.

Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008

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Fonte: Instituto Nac ional de Estatístic a. constata-se ainda a prevalência de disponibilidades para consumo abaixo do recomendado para os frutos (-6 p.). A comparação das disponibilidades diárias per capita em 2008 com o padrão alimentar saudável.Disponibilidades alimentares em Portugal põem em evidência uma dieta hipercalórica e uma roda dos alimentos distorcida Os dados apurados pela BAP revelam que as quantidades diárias de produtos alimentares e bebidas disponíveis para consumo. Este valor reflecte um aumento de 4% face à década de 90 e ultrapassa largamente o valor médio recomendado para o consumo diário de um adulto (2 000 a 2 500 kcal). 51% da população residente com mais de 18 anos. coloca em evidência a distorção que a alimentação nacional provoca na roda dos alimentos.3% Carnes. Pescado Pescado e ovos e ovos 0.Geral do Consumidor Fonte: Direc ç ão. Esta análise está em linha com o diagnóstico efectuado pelo 4º Inquérito Nacional de Saúde. Roda  dos  alimentos Roda  dos  alimentos 20% 20% Frutos Frutos 2% 2% Óleos e gorduras Óleos e gorduras 1 8% 1 8% Lacticínios Lacticínios 1 4% 1 4% Frutos Frutos 5% 5% Carnes. 30% 30% Cereais e Cereais e tubérculos tubérculos Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 2/12 .7% 0.. no período 2003-2008. e no grupo dos “Hortícolas” com disponibilidades deficitárias em cerca de 10 p. Carnes. pescado e ovos”.P . em 2005/2006.) e para as leguminosas secas (-3 p. Carnes. acima do recomendado. com uma disponibilidade para consumo 11 p. Os desvios mais acentuados ocorrem no grupo da “Carne. que indicava que.p.7% LeguLeguminosas minosas secas secas 23% 23% Hortícolas Hortícolas Fonte: Direc ç ão. I.3% 1 6.p. correspondiam em média a 3 883 kcal. I.Geral do Consumidor 28% 28% Cereais e Cereais e tubérculos tubérculos 1 3% 1 3% Hortícolas Hortícolas Fonte: Instituto Nac ional de Estatístic a.p. Pescado Pescado e ovos e ovos 4% 4% LeguLeguminosas minosas secas secas Balança  Alimentar  Portuguesa  2008 Balança  Alimentar  Portuguesa  2008 6% 6% Óleos e Óleos e gorduras gorduras 20% 20% Lacticínios Lacticínios 1 6. Nos restantes grupos.P . tinha excesso de peso e obesidade.p. De referir que apenas nos grupos dos “Cereais e tubérculos” e dos “Lacticínios” as disponibilidades para os respectivos consumos se apresentam próximas do padrão alimentar aconselhado.

Dieta alimentar portuguesa afasta-se progressivamente dos intervalos recomendados pelas boas práticas nutricionais: para alcançar uma dieta saudável cada habitante de Portugal deve ter disponível para consumo quantidades adicionais de leguminosas secas. pescado e ovos Carnes. pois representa uma aproximação aos valores preconizados pela roda dos alimentos. mais 79% e 48%. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 3/12 . respectivamente. outra perspectiva quando se avaliam os desequilíbrios por grupo de alimento. As disponibilidades para consumo dos grupos “Carne. verificaram-se aumentos das disponibilidades nos grupos dos “Óleos e gorduras” e da “Carne. Por outro lado. Também o decréscimo das disponibilidades ocorrido no grupo dos “Cereais e tubérculos” foi favorável. pescado e ovos e de gorduras e óleos é excedentário. Contudo também se verificaram algumas evoluções que se podem destacar pela positiva: o aumento das disponibilidades de frutos e hortícolas. tornando-se necessário reduzir as quantidades disponíveis para consumo em. para se alcançar a tipologia de consumo preconizada pela roda dos alimentos. pescado e ovos” e decréscimos no grupo das “Leguminosas secas”. ainda que continuem a ser insuficientes em termos nutricionais. 70% e 67%. A comparação com as disponibilidades alimentares da década de 90 indica que a dieta alimentar portuguesa tem-se vindo a afastar progressivamente dos princípios básicos de uma dieta saudável: variedade. respectivamente. pescado e ovos Gorduras e óleos Gorduras e óleos Cereais e tubérculos Cereais e tubérculos Lacticínios Lacticínios Frutos Frutos Hortícolas Hortícolas Leguminosas Secas Leguminosas Secas -1 7% -1 7% 1 1 % 1 1 % 6% 6% -1 6% -1 6% 1 5% 1 5% 1 0% 1 0% 59% 59% -20% -1 0% 0% 1 0% 20% 30% 40% 50% 60% 70% -20% -1 0% 0% 1 0% 20% 30% 40% 50% 60% 70% A distorção da roda dos alimentos assume. pescado e ovos Carne. equilíbrio e moderação. contudo. De facto. De facto e face à década de 90. que em conjunto vieram acentuar os desequilíbrios alimentares da população portuguesa. os cidadãos residentes em Portugal deveriam aumentar em cerca de 5 vezes as quantidades consumidas de leguminosas secas e suplementar ainda a sua dieta com hortícolas e frutos em. pescado e ovos Gorduras e óleos Gorduras e óleos Cereais e tubérculos Cereais e tubérculos Lacticínios Lacticínios Frutos Frutos Hortícolas Hortícolas Leguminosas secas Leguminosas secas -5 -5 -4 -4 -3 -3 -2 -2 -1 -1 Excesso Excesso 0 0 1 1 Defeito Defeito Variação  das  disponibilidades  diárias  per  capita Variação  das  disponibilidades  diárias  per  capita   (década   de   90   e   período   2003 ‐ 2008)  (década de  90 e  período 2003‐2008) Carne. hortícolas e frutos. pescado e ovos” e de “Gorduras e óleos” já se encontram em excesso Desequilíbrio  das  disponibilidades  dos  grupos Desequilíbrio  das  disponibilidades  dos  grupos    alimentares alimentares Carnes. o consumo de carne.

origem animal Média Década de 90 . pelo que se os padrões alimentares não se alterarem significativamente. o que na realidade se verificou no período em análise. tendo a população ao seu dispor maiores quantidades de proteína de alto valor biológico. No entanto.origem animal 2008 2008 Disponibilidades  diárias  per  capita  de  proteínas    Disponibilidades  diárias  per  capita  de  proteínas por   tipo   de   origem   por tipo de  origem  Disponibilidades  diárias  per  capita   de  gorduras    Disponibilidades  diárias  per  capita   de  gorduras por   tipo   de   origem   por tipo de  origem  g/hab/dia g/hab/dia g/hab/dia g/hab/dia Média 2003-2008 Média 2003-2008 Média 2003-2008 Média 2003-2008 Média década de Média década de 90 90 Média década de Média década de 90 90 0 0 Origem vegetal Origem vegetal 20 20 40 40 60 60 Origem animal Origem animal 80 80 0 20 0 20 Origem vegetal Origem vegetal 40 40 60 80 60 80 Origem animal Origem animal 1 00 1 00 O impacto dos produtos animais nos padrões de consumo é distinto.). a disponibilidade para consumo de produtos de origem animal cresceu a uma taxa média anual de 1. as disponibilidades de proteínas de origem animal aumentaram. Por um lado.p. por cada 4.Produtos de origem animal estão cada vez mais presentes à mesa dos habitantes de Portugal Disponibilidade para consumo de gorduras saturadas excede as recomendações internacionais e é um dos principais factores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares No período em análise. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 4/12 . é previsível que os produtos de origem animal venham ainda a ganhar mais peso na alimentação da população residente em Portugal.origem vegetal Média Década de 90 . Em 2008.origem vegetal Média Década de 90 . sendo que este acréscimo foi consistente ao longo do período em análise. esta situação implica igualmente um consumo proporcional acrescido de gorduras de origem animal (gorduras saturadas). face à década de 90 (+3 p.5 gramas de gorduras de origem vegetal. enquanto que no início dos anos 90 esta relação era de 4g para 6g.5 g de gorduras animais consumiam-se 5.1%. Disponibilidade  diária  per  capita  dos  produtos    Disponibilidade  diária  per  capita  dos  produtos alimentares   por   origem   alimentares por origem  g/hab/dia g/hab/dia 1 400 1 400 1 200 1 200 1 000 1 000 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 2003 2003 2004 2005 2006 2007 2004 2005 2006 2007 Origem vegetal Origem vegetal Origem animal Origem animal Média Década de 90 . De referir que esta tendência já se vem consolidando desde a década de 90.7%. por oposição aos produtos de origem vegetal que no mesmo período apresentaram uma taxa média anual negativa de 0.

a dieta portuguesa em 2008 apresentava já um valor que excedia esta recomendação (16%). Isto torna-se particularmente importante quando o aumento de consumo de gorduras saturadas está directamente relacionado com o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Desta Hidratos de Carbono Hidratos de Carbono Proteínas Proteínas Gorduras Gorduras forma. o padrão alimentar em para termos da contribuição dos a energia disponível diária macronutrientes apresenta também desequilíbrios face aos intervalos recomendados pelas boas práticas nutricionais. Desequilíbrio da distribuição energética por macronutriente aconselha a recentrar as medidas de política de reeducação alimentar na selecção criteriosa e variada dos grupos alimentares e na moderação do consumo Contribuição  energética  por  macronutriente  face Contribuição  energética  por  macronutriente  face    às   recomendações  ‐  2008 às recomendações ‐ 2008 % % 80 80 70 70 60 60 50 50 40 40 30 30 20 20 1 0 1 0 0 0 Além do desequilíbrio verificado na estrutura das disponibilidades para consumo dos grupos alimentares que está a ser praticada face ao preconizado pela roda dos alimentos e da dieta hipercalórica disponível. de acordo com as Estatísticas da Saúde. pescado e ovos” e de “Gorduras e óleos”. cerca de 32%. que deve também ser acompanhada por uma redução das porções ingeridas dos grupos da “Carne. e um aumento da ingestão de frutos.Considerando as recomendações da Organização Mundial de Saúde que apontam os 10%1 como a percentagem máxima de calorias obtidas a partir de gorduras saturadas sem que haja risco para a saúde associado. através de uma selecção mais Nota: c ontribuiç ão por mac ronutriente não inc lui bebidas alc oólic as Nota: c ontribuiç ão por mac ronutriente não inc lui bebidas alc oólic as criteriosa e variada dos grupos de alimentos. em 2008. Por sua vez. hortícolas e leguminosas secas. garantindo uma dieta completa. os hidratos de carbono foram responsáveis por 51% das calorias disponíveis. os esforços a desenvolver deverão centrar-se na promoção deste equilíbrio. dentro do intervalo de valores recomendados (10% a 15%1). 1 Recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no âmbito do Joint WHO/FAO Expert Consultation. e as proteínas corresponderam a 13%. A análise da contribuição dos macronutrientes para o conteúdo energético da dieta portuguesa permite observar que. situando-se abaixo do intervalo recomendado de 55% a 75%1. tendo inclusivamente sido esta a principal causa de morte em Portugal em 2008. foi ultrapassado o limite máximo recomendado para o consumo de gorduras (15-30%)1 com 36%. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 5/12 .

Origem  das  proteínas  da  dieta    Origem  das  proteínas  da  dieta portuguesa   por   produto   alimentar   ‐ portuguesa por produto alimentar   ‐ 2008 2008 Produtos Produtos estimulantes estimulantes Leguminosas Leguminosas Secas Secas Ovos Ovos Origem  das  gorduras  da  dieta    Origem  das  gorduras  da  dieta portuguesa   por   produto   alimentar   ‐ portuguesa por produto alimentar   ‐ 2008 2008 Pescado 1 % Pescado 1 % Ovos 2% Ovos 2% Produtos Produtos estimulantes estimulantes Frutos Frutos Cereais Cereais Origem  dos  hidratos  de  carbono  da    Origem  dos  hidratos  de  carbono  da dieta   portuguesa   por   produto   dieta portuguesa por produto  alimentar  ‐  2008 alimentar  ‐  2008 Leguminosas Leguminosas 1% 1% Secas Secas Produtos Produtos 2% 2% Hortícolas Hortícolas Produtos Produtos 3% estimulantes 3% estimulantes Lacticínios Lacticínios Frutos Frutos Raizes e Raizes e tubérculos tubérculos Açúcares Açúcares 4% 4% 7% 7% 10% 10% 17% 17% 57% 57% 20% 20% 40% 40% 60% 60% Frutos Frutos Oleos e Oleos e gorduras gorduras Produtos Produtos Hortícolas Hortícolas Raizes e Raizes e tubérculos tubérculos Pescado Pescado Lacticínios Lacticínios Cereais Cereais Carnes e Carnes e Miudezas Miudezas 2% 2% 2% 2% 2% 2% 3% 3% 3% 3% 3% 3% 4% 4% 1 2% 1 2% 1 5% 1 5% 23% 23% 32% 32% 1 0% 1 0% 20% 20% 30% 30% 40% 40% 2% 2% 3% 3% 3% 3% 1 0% 1 0% 1 7% 1 7% 61 % 61 % 20% 20% 40% 40% 60% 60% 80% 80% Lacticínios Lacticínios Carnes e Carnes e Miudezas Miudezas Oleos e Oleos e gorduras gorduras Cereais Cereais 0% 0% 0% 0% 0% 0% Carne de suíno ainda lidera as disponibilidades para consumo de carne em Portugal com 38% do total em 2008. segundo os grupos de produtos alimentares da BAP em 2008. com a seca extrema que se verificou em Portugal em 2005. gorduras e hidratos de carbono. a produtividade animal foi afectada. Disponibilidades  diárias  per  capita  de   carnes Disponibilidades  diárias  per  capita  de   carnes (g/hab/dia) (g/hab/dia) 200 200 1 80 1 80 1 60 1 60 1 40 1 40 1 20 1 20 1 00 1 00 80 80 60 60 40 40 20 20 0 0 2003 2004 2005 2003 2004 2005 Carne de bovinos Carne de bovinos Carne de animais de capoeira CarneCarnes de animais de capoeira Outras Outras Carnes 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Carne de suínos Carne de suínos Carne de ovinos e caprinos Carne de ovinos e caprinos Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 6/12 . Com o início da crise financeira e económica em 2008. o que levou a um abrandamento do ritmo de crescimento das disponibilidades para esses anos. mas a carne de animais de capoeira tem vindo a reforçar a sua importância e já representa 33% das disponibilidades alimentares das carnes As disponibilidades diárias de carne para consumo aumentaram cerca de 7% no período em análise.Origem dos macronutrientes na dieta portuguesa por grupo alimentar As principais fontes de proteínas. No entanto. assiste-se de novo a uma desaceleração. com consequências também em 2006. o grupo dos óleos e gorduras (61%) e dos cereais (57%). foram respectivamente o grupo das carnes e miudezas (32%). mantendo-se as disponibilidades diárias per capita. próximas de 2007.

p. contudo. Em oposição. mais baratas e consideradas mais saudáveis. refrigerados ou congelados Crustáceos e Moluscos frescos. A procura de carnes brancas. Para esta tendência não será alheio o aumento de preço que. por serem menos gordas. produto tão tradicional e apreciado na gastronomia nacional tem. a sua importância. apresentou uma ligeira perda de importância na estrutura de consumo diário (-1 p.) no período em análise. aumentou 6. tendo inclusivamente aumentado em 16% no período em análise. sendo o segundo tipo de carne mais disponível para consumo. de acordo com o índice de preços no consumidor para os produtos secos e salgados. resulta do aumento em 21% das disponibilidades para consumo de peixe e de 26% para os crustáceos e moluscos. Disponibilidades de pescado para consumo aumentam no período em análise. refrigerados ou congelados Bacalhau e outros peixes secos. mas as de bacalhau baixam cerca de 20% O aumento de 15% das disponibilidades diárias per capita Disponibilidades  diárias  per  capita  de  pescado Disponibilidades  diárias  per  capita  de  pescado    g/hab/dia g/hab/dia 80 80 70 70 60 60 50 50 40 40 30 30 20 20 1 0 1 0 0 0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Crustáceos e Moluscos frescos. com cerca de 38% em 2008. face a preços de 2002. refrigerado ou congelado de pescado. e não obstante a crise dos nitrofuranos e a da gripe das aves que afectaram a produção destas espécies em 2003 e 2006 respectivamente.A carne de suíno. apresentando neste período um decréscimo de 20%. salgados ou fumados Bacalhau e outros peixes secos. a carne de animais de capoeira aumentou em 3 p.p. no período em análise. salgados ou fumados Peixe fresco. O bacalhau.2% em 2007 e 9. vindo a perder importância na estrutura de consumo do pescado. representando 33% das disponibilidades para consumo em 2008. refrigerado ou congelado Peixe fresco. De facto. apesar de continuar a ser a mais disponível em Portugal.4% em 2008. em particular a partir de 2006. as disponibilidades para consumo não foram afectadas. são argumentos decisivos para a opção alimentar dos consumidores. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 7/12 .

Portugal é o maior consumidor de arroz da Europa com uma capitação de 17. Queijo e iogurtes foram os mais afectados A evolução das disponibilidades diárias per capita de lacticínios para consumo foi positiva entre 2003 e 2008 (+6%). o que originou em 2008 uma retracção no consumo. o índice de preços no consumidor dos produtos lácteos aumentou. Com efeito. menos 2% e menos 4% respectivamente. tendo contudo em 2008 apresentado um ligeiro decréscimo de 1%. em 2007 e 2008. 16% do total em 2008. Como consequência. a escassez de matéria-prima fez aumentar os preços na produção de leite cru (índices de lacticínios junto do consumidor.3% em 2008) e consequentemente o preço dos Disponibilidades  diárias  per  capita  de  cereias  e    Disponibilidades  diárias  per  capita  de  cereias  e de   raízes   e   tubérculos de raízes e  tubérculos g/hab/dia g/hab/dia 350 350 300 300 250 250 200 200 1 50 1 50 1 00 1 00 50 50 0 0 2003 2003 2004 2004 Cereais Cereais 2005 2005 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Raizes e tubérculos Raizes e tubérculos Trigo Trigo Arroz em casca Arroz em casca Outros cereais Outros cereais Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 8/12 . que apresentam uma retracção.Disponibilidades de lacticínios para consumo diminuem em 2008.6% em 2007 e de 11. principalmente em produtos de alto valor acrescentado como o queijo e os iogurtes. Na origem desta inflexão está a falta de matéria-prima verificada na indústria transformadora de lacticínios ao nível da União Europeia. sendo esta a primeira vez. De realçar que no caso dos iogurtes. Cada vez mais os cereais se tornam sucedâneos das raízes e tubérculos na dieta nacional. com início em 2007 e cujas repercussões se estenderam até 2008. o segundo produto lácteo mais disponível para consumo. após 14 anos de crescimento das disponibilidades diárias per capita para consumo.3 kg/ano Disponibilidades  diárias  per  capita  de  cereais Disponibilidades  diárias  per  capita  de  cereais (g/hab/dia) (g/hab/dia) 350 350 300 300 250 250 200 200 1 50 1 50 1 00 1 00 50 50 0 0 2003 2003 2004 2004 2005 2005 Milho Milho 2006 2006 Centeio Centeio 2007 2007 2008 2008 Disponibilidades  diárias  per  capita   de  lacticínios Disponibilidades  diárias  per  capita   de  lacticínios (g/hab/dia) (g/hab/dia) 400 400 350 350 300 300 250 250 200 200 1 50 1 50 1 00 1 00 50 50 0 0 2003 2003 Leite Leite Queijo Queijo Leite em pó Leite em pó 2004 2004 2005 2005 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Iogurtes Iogurtes Outros produtos derivados do leite Outros produtos derivados do leite preços no produtor com aumentos de 14.

respectivamente 7. a mais grave dos 60 anos anteriores. de acordo com o Instituto de Meteorologia. as disponibilidades diárias per capita de cereais em Portugal não foram afectadas neste período. apresentaram um crescimento de 3% no início do período em análise. De realçar que a disponibilidade média anual per capita deste cereal. tendo sido substituídas nomeadamente pelo arroz. no período em análise. mas em média essa 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Maçã Laranja Pêra Outros frutos frescos Frutos de casca rija Maçã Laranja Pêra Outros frutos frescos Frutos de casca rija disponibilidade traduziu-se apenas em cerca de meia maçã por habitante/dia.Apesar da crise relativa à disponibilidade de cereais no mercado mundial em 2007/2008. A partir desse ano as disponibilidades foram gradualmente aumentando. as quantidades de cereais disponíveis para consumo mantiveram-se relativamente estáveis no período em análise. frescos e de casca rija. da ordem dos 10%. sendo o país europeu que consumiu mais arroz. motivada pela quebra de produção nos maiores produtores mundiais (Estados Unidos da América e Rússia). Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 9/12 . mas acabaram por ser refreadas em 2005. as disponibilidades para consumo de pêra aumentaram cerca de 30% no mesmo período. Apesar disso. As disponibilidades de frutos secos para consumo são cada vez mais residuais Disponibilidades  diárias  per  capita  de  frutos Disponibilidades  diárias  per  capita  de  frutos g/hab/dia g/hab/dia 300 300 250 250 200 200 1 50 1 50 1 00 1 00 50 50 0 0 As disponibilidades diárias per capita de frutos. pela quebra de stocks na União Europeia e pelo desvio da matéria-prima para a produção de biocombustíveis. fenómeno este que também teve o mesmo efeito sobre as raízes e tubérculos (-10%). em média. tendo até registado um ligeiro aumento de 1% em 2008. mas ultrapassado em 2006. No período em análise. sendo este o fruto com maiores disponibilidades para consumo. no período em análise. De resto. devido à situação de seca extrema ocorrida em Portugal. na sequência da produção agrícola excepcional de 2004. Relativamente à estrutura de consumo dos frutos. se situou nos 17. com um ligeiro decréscimo em 2005 em resultado da seca extrema que se verificou em Portugal (-1%). Em oposição. seguido de Espanha e Itália com valores muito inferiores. disponível para consumo 1/2 maçã por dia. a maçã foi o fruto com maiores quantidades disponíveis para consumo.3 kg/hab/ano de arroz branqueado. As disponibilidades das raízes e tubérculos continuaram a apresentar uma trajectória descendente iniciada na década de 90. a tendência ao longo do período em análise foi negativa. Cada habitante de Portugal tem. a liderança dos cereais em substituição das raízes e tubérculos foi reforçada. segundo dados da FAO de 2007.2 e 6 kg/hab/ano. embora sem retomarem os valores atingidos em 2004.

Salienta-se o decréscimo nas disponibilidades para consumo de margarina neste período (-16%). por sua vez. tendo até ultrapassado a partir de 2005 as disponibilidades de margarina Os óleos vegetais representavam cerca de 37% das quantidades disponíveis para consumo diário per capita de óleos e gorduras em 2008. Disponibilidades  diárias  per  capita  de  hortícolas Disponibilidades  diárias  per  capita  de  hortícolas 300 300 250 250 200 200 1 50 1 50 1 00 1 00 50 50 0 0 g/hab/dia g/hab/dia 2003 2003 2004 2004 2005 2005 2006 2006 2007 2007 2008 2008 Disponibilidades de azeite para consumo situaram-se acima da média de consumo da década de 90. Esta inversão deve ser encarada de forma muito positiva. representaram em média. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 10/12 . no período em análise. apresentando um aumento de 9% no período em análise. azeite   e   margarinas azeite  e  margarinas g/hab/dia g/hab/dia 40 40 30 30 20 20 1 0 1 0 0 0 2003 2004 2005 2003 2004 2005 Outros óleos vegetais Outros óleos vegetais Margarinas Margarinas 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Azeite Azeite Média da década de 90 Média da década de 90 disponibilidades em óleos e gorduras em 2008 e posicionavam-se acima da média observada na década de 90. já que reforça a utilização de uma gordura mais saudável.    Disponibilidades  diárias  per  capita   de  óleos. As disponibilidades de azeite para consumo representavam 16% do total das Disponibilidades  diárias  per  capita   de  óleos.Os frutos de casca rija. em detrimento do azeite que progressivamente a vem substituindo na dieta alimentar. com valor nutricional comprovado e com benefícios inquestionáveis para a saúde. evidenciando um acentuado decréscimo de 20% neste período. situação agravada pelos efeitos da seca na produção agrícola nacional. estas disponibilidades aumentaram ligeiramente (+2%). Disponibilidades para consumo de hortícolas diminuem no período em análise As disponibilidades para consumo diário per capita dos hortícolas decresceram 8% até 2005. apenas 5% do total das disponibilidades para consumo de frutos. Em 2006. mas nos anos seguintes evidenciaram alguma estabilização.

já que é o tipo de bebida alcoólica mais consumida neste tipo de eventos. 55% do total em 2008. Segundo a Organização Internacional de Café (ICO).p. alterando-se assim a estrutura de consumo g/hab/dia g/hab/dia deste grupo de produtos e passando o café a assumir menor importância no total das disponibilidades (-6 p. Este aumento foi promovido unicamente pela cerveja (+2%).).Disponibilidades de produtos estimulantes para consumo aumentam no período em análise. Cacau e Chocolate reforçam a sua presença e a partir de 2007 ultrapassam mesmo as disponibilidades de café As quantidades disponíveis para consumo de café Disponibilidades  diárias  per  capita   de  produtos Disponibilidades  diárias  per  capita   de  produtos    estimulantes   estimulantes  25 25 20 20 1 5 1 5 1 0 1 0 5 0 5 0 2003 2004 2003 2004 Cacau e chocolate Cacau e chocolate 2005 2005 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Café. e cuja importância face ao total de bebidas alcoólicas rondava os 40% em 2008. Disponibilidades de vinho mantêm a tendência de decréscimo iniciada na década de 90 A quantidade disponível para consumo diário per capita de bebidas alcoólicas no período em análise decresceu 8%. observou-se um crescimento acentuado (+29%). seguindo a tendência que se iniciou na década de 90. sobrepondo-se claramente ao vinho. O carácter estimulante e promotor de conforto deste tipo de produtos. apesar de ter registado um aumento de 1% em 2004 Disponibilidades  diárias  per  capita   de  bebidas Disponibilidades  diárias  per  capita   de  bebidas    alcoólicas   alcoólicas  ml/hab/dia ml/hab/dia 350 350 300 300 250 250 200 200 1 50 1 50 1 00 1 00 50 50 0 0 2003 2003 Cerveja Cerveja 2004 2004 2005 2005 Vinho Vinho 2006 2007 2008 2006 2007 2008 Outras bebidas alcoólicas Outras bebidas alcoólicas aquando da realização do Campeonato Europeu de Futebol em Portugal. no âmbito dos países da UE27. De resto. tradicionalmente atribuído ao café. Em contraste. misturas e sucedâneos mantiveram-se estáveis no período em análise. cujas disponibilidades decresceram cerca de 10%. tem sido a cerveja a bebida alcoólica com maiores disponibilidades para consumo diário per capita. parece estar a ser substituído pelo consumo de chocolate e de cacau. e no que diz respeito ao cacau e ao chocolate. misturas e sucedâneos Café. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 11/12 . Cerveja é a bebida alcoólica com maiores disponibilidades para consumo em Portugal e água é a bebida não alcoólica preferida. sendo a Finlândia o país que ocupava o primeiro lugar com uma capitação anual de cerca de 13 kg. Portugal ocupava em 2008 a 15ª posição em termos de consumo anual de café com cerca de 4kg por habitante.

4 1 887.0 484.1 21 .8 0. pescas e indústria alimentar.4 1 877.4 22.4 1 47.4 299. cuja principal aptidão seja a alimentação humana.p).2 21 .6 1 48.3 22. a água ganhou importância no período em análise (+3 p. em termos de campo de observação.Quanto às bebidas não alcoólicas (sumos. sendo traduzidos em termos de macronutrientes (proteínas.2 448.7 1 886.0 1 44.4 1 47.1 500.7 P ro teínas (g/hab/dia) 0.6 520. O cálculo dos consumos de cada um dos grupos de produtos alimentares e bebidas estabelece-se com base em equilíbrios entre recursos e empregos a nível tão desagregado possível.2 290.por razões de arredondamento.1 0.8 0.1 Hidrato s de carbo no (g/hab/dia) 22.3 Capitação edível diária (ml/hab/dia) 474.6 1 48.2 Capitação edível diária (ml/hab/dia) 31 5.5 1 43. integra todos os produtos da agricultura.0 1 44. sistematizados na classificação para efeitos de balança alimentar portuguesa.3 22.1 1 47.6 1 1 9.8 0.0 4.) face aos refrigerantes (-5 p.4 22.1 460. Para este aumento terá contribuído a expansão acentuada das marcas brancas da distribuição.9 1 839.6 22.7 31 8.6 520.9 1 839.8 0.5 1 864. refrigerantes e águas).5 451 .1 23.7 31 8.0 1 44. Balança Alimentar Portuguesa – 2003-2008 12/12 .1 21 .8 0.1 500.1 0.0 Calo rias (kcal/hab/dia) 90 92 92 94 95 89 Calo rias (kcal/hab/dia) 90 92 92 94 95 89 NOTA .3 1 22.2 21 .7 1 1 9.1 1 1 9.4 22.5 461 . vendidas a preços inferiores.1 304. até 2007 as quantidades disponíveis para consumo aumentaram 10%. denotando uma maior preocupação dos consumidores por opções mais saudáveis e equilibradas.2 448.1 460.1 0.5 1 22.1 0.2 22.8 0. com o início da crise financeira e económica em 2008.3 P ro teínas (g/hab/dia) 0.4 1 887.9 4.9 4.2 22.9 1 1 9.8 0.0 20.5 500.5 451 .7 1 886.p.2 361 5 361 5 3595 3595 3631 3640 361 5 361 5 3595 3595 3631 3640 B e bida s a lc o ó lic a s 2003 2004 2005 2006 2007 2008 B e bida s a lc o ó lic a s 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Capitação edível diária (ml/hab/dia) 31 5.8 0.1 5.2 5.5 500.4 453.1 0.1 1 1 9.5 Á lco o l (g/hab/dia) 22.1 P ro teínas (g/hab/dia) 0.4 31 5.5 Calo rias (kcal/hab/dia) 1 82 1 82 1 79 1 73 1 71 1 65 Calo rias (kcal/hab/dia) 1 82 1 82 1 79 1 73 1 71 1 65 B e bida s nã o a lc o ó lic a s 2003 2004 2005 2006 2007 2008 B e bida s nã o a lc o ó lic a s 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Capitação edível diária (ml/hab/dia) 474.1 0. Síntese  dos  principais  resultados  da  Balança  Alimentar  Portuguesa Síntese  dos  principais  resultados  da  Balança  Alimentar  Portuguesa  2003 ‐ 2008  2003‐2008 P ro dut o s a lim e nt a re s P ro dut o s a lim e nt a re s Capitação edível diária (g/hab/dia) Capitação edível diária (g/hab/dia) P ro teínas (g/hab/dia) P ro teínas (g/hab/dia) Hidrato s de carbo no (g/hab/dia) Hidrato s de carbo no (g/hab/dia) Go rduras (g/hab/dia) Go rduras (g/hab/dia) Calo rias (kcal/hab/dia) Calo rias (kcal/hab/dia) 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2003 2004 2005 2006 2007 2008 1 887. os totais podem não corresponder à soma das parcelas Ficha técnica de execução Projecto de divulgação quinquenal que tem como período de observação o ano civil e que.0 4. em termos da estrutura de consumo das bebidas não alcoólicas.0 484.5 1 22.6 1 887.0 0.4 1 877. Realça-se ainda que.1 0. No entanto.4 453.7 1 1 9.3 449.5 1 864.1 0.3 449. as águas apresentaram uma retracção de 2% nas disponibilidades.0 Hidrato s de carbo no (g/hab/dia) 22.6 23.2 P ro teínas (g/hab/dia) 0.8 Hidrato s de carbo no (g/hab/dia) 5. hidratos de carbono.0 0.3 1 22.8 Á lco o l (g/hab/dia) 22.6 23.4 31 5.2 523.0 1 44.1 304.0 1 1 7.4 299.2 1 43. aumento promovido Disponibilidades  diárias  per  capita  de  bebidas    Disponibilidades  diárias  per  capita  de  bebidas não   alcoólicas não alcoólicas ml/hab/dia ml/hab/dia 600 600 500 500 400 400 300 300 200 200 1 00 1 00 0 0 2003 2003 Águas Águas 2004 2004 2005 2006 2005 2006 Refrigerantes Refrigerantes 2007 2008 2007 2008 Sumos Sumos essencialmente pelas águas (+15%) e pelos sumos (+31%).9 461 .8 0. assim como os refrigerantes (-7%).2 523.0 1 1 7.7 Hidrato s de carbo no (g/hab/dia) 5.0 20.2 5.6 22.1 23.8 0. álcool) e calorias.2 5. gorduras.1 1 47.4 22.2 5.2 290.1 5.