Arquitetura, projeto e conceito (1

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Carlos Alberto Maciel

A estrutura externa em pórticos que atiranta a laje do segundo pavimento permite a li Foto do autor 1/4     A realização de um projeto de arquitetura. A idéia de um conceito que participe como elemento indutor do processo de projeto é de modo recorrente compreendida como algo externo a essas premissas. analogia. do lugar e da construção. Esse conjunto de premissas é elaborado graficamente em um desenho que opera como mediador entre a idéia do projeto e sua realização concreta. há um lugar em que se implantará o edifício. metáfora ou . O MAM é um exemplo de resposta inventiva do arquiteto às demandas de uso.  Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Affonso Eduardo Reidy. 1953. e há um modo de construir a ser determinado. como qualquer outro trabalho. tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser atendido. uma ficção.

prática e acadêmica. em oposição extrema à primeira abordagem citada. comprometendo sua viabilidade e por vezes inviabilizando sua construção. às luzes. a compreensão e a interpretação do lugar podem contribuir para gerar o espaço arquitetônico. a estrutura urbana. seus acessos. a paisagem física e cultural.discurso filosófico que. Sob o ponto de vista conceitual. Podem acarretar ainda aumentos consideráveis no custo de final de construção e manutenção do edifício. que interferem na vida cotidiana e exigem remendos posteriores. seja de modo a negá-los. a topografia e a geometria do terreno. e portanto não se dá ao conhecimento do autor para que dele se extraiam. pelo contrário. no ato do projeto o objeto é o que se busca realizar. Contudo. que se constituem em fundamento para seu trabalho: o lugar. Tais diretrizes. podem se repercutir diretamente na configuração final do objeto arquitetônico. antes da realização do edifício. sua planimetria e altimetria. proponho pensar o conceito como o esforço do arquiteto em compreender. é necessário recuar nesta busca por algo concreto que. tendo em conta a intenção dos humanos que iriam me pagar. interpretar e transformar os dados pré-existentes do problema arquitetônico. Cada um desses aspectos se coloca de antemão ao conhecimento do arquiteto: tudo já está ali.como se se tratasse. e ainda a sua relação com a estrutura urbana. para nós. os ventos e as chuvas e ainda a legislação de uso e ocupação do solo são dados pré-existentes que podem ser extraídos de uma análise cuidadosa do lugar. permitem a identificação de diretrizes latentes de ordenação do espaço e da forma. deveria ser criado pelo conhecimento do mar. às sombras e aos ventos. Buscar compreender as implicações de cada um destes aspectos nas relações de uso e no processo de construção é fundamental tanto sob o ponto de vista técnico como conceitual. a aparente restrição que a delimitação clara de um campo de ação sobre o qual o arquiteto opera durante o processo de projeto não se constitui em eliminação da subjetividade. nem sempre pertinentes. relativizado pela experiência vivida do arquiteto e pelo momento em que se realiza o projeto. Assim. na medida em que tem o potencial de induzir modos diferenciados de ordenação da construção e das relações de uso que ali acontecem. esse conhecimento consiste em substituir o mar. do conceito -. característica . do programa e da construção. Como esclarece Brandão acerca da leitura ou fruição de uma obra acabada. Esta abordagem não procura determinar um procedimento lógico e racional que concatenaria uma seqüência de resultados obtidos cientificamente a partir da observação dos condicionantes. demandando apenas um esforço rigoroso de observação. . interferem nas soluções formal e construtiva pretendidas para o edifício e chegam a comprometer a arquitetura nas suas relações de uso. a busca de ficções legitimadoras isoladas como algo que confira qualidade à arquitetura tem sido uma estratégia usual tanto entre arquitetos que ocupam posições dominantes no cenário internacional como na produção local. ao programa e à construção. Mas. defrontando-nos tão somente com um equilíbrio de poderes. e a construção. a compreensão e interpretação de cada aspecto colocado como premissa exige por parte do arquiteto a tomada de sucessivas decisões. ou ainda de modo a incluí-los como referência parcial à realização da construção. Também são colocadas as restrições relativas à economia. já diagnosticada desde a emergência do pensamento pós-moderno. daria relevância ao projeto e milagrosamente articularia todos os condicionantes em uma forma significativa. Na ausência de um grande padrão ideal legitimador das ações do arquiteto. operado a partir do conhecimento específico do problema. Sob o ponto de vista pragmático e técnico. Esses mesmos equívocos decorrentes da desconsideração do lugar podem implicar ainda em graves incompatibilidades técnicas na relação entre a construção e o sítio. as demandas e determinações relativas ao lugar. se compreendam ou se estabeleçam conceitos. sua conformação geológica. feita a escolha do terreno. Enquanto a busca pelo conceito por parte do fruidor ou usuário parte da interpretação do objeto em si. Desconsiderar as definições relativas às limitações econômicas ou entendê-las como uma restrição à criação é recorrer à exclusão do problema para buscar uma solução mais simples e fácil (6). Em contrapartida a essa tendência. agindo negativamente sobre o equilíbrio das forças naturais e acarretando ao edifício desgaste mais acelerado pela ação do tempo em virtude da inadequação da sua inserção. exige um direcionamento desta subjetividade como algo operativo sobre os problemas efetivamente colocados pelo mundo ao arquiteto.. uns e outros extraídos da natureza. Essas correções a posteriori. suporia a eliminação completa da subjetividade do arquiteto. Lugar E delinearia meu projeto. na maioria dos casos. mas. servindo como ponto de partida. na verdade. terras contíguas. de descobrir as outras ações que a essas se opõem.. quando se opera com recursos limitados. já esteja disponível ao conhecimento do arquiteto e que permita sua interpretação. em nossos raciocínios. um aspecto geralmente desconsiderado ou subestimado pelos arquitetos (5). a compreensão do lugar em todos os aspectos citados traz o conhecimento necessário para se evitarem equívocos banais que podem comprometer a habitabilidade dos espaços. sua exposição. Essa estratégia reduz a importância de dados existentes do problema e valoriza elementos que em princípio sequer existem como premissas necessárias para a realização da arquitetura. o que se coloca como concreto à compreensão do arquiteto são. A conformação pré-existente do terreno natural. em uma dialética permanente entre as determinações do lugar. e a natureza profunda do subsolo. gerando incompatibilidades em relação ao clima e à natureza. atento à localização. seja de modo a reafirmar os aspectos espaciais e formais pré-existentes no lugar. No caso do projeto. Programa Acreditava que um navio. A consideração das questões de economia. Tal entendimento do processo de projeto – e por conseqüência. seja no que diz respeito à relação com o terreno natural ou com os aspectos do clima ou mesmo com uma estrutura urbana pré-existente. relativos ao clima. o sol. pelas ações que ele exerce sobre um corpo. o programa. Os usos e atividades que geralmente dão origem à demanda por um edifício são em geral colocados no início do processo de projeto. com a paisagem e com os aspectos naturais inerentes ao sítio. no processo de projeto. “[t]oda compreensão é histórica e emerge da situação existencial e da experiência vivida por aquele que se propõe à tarefa de compreender ou interpretar alguma coisa” (2). como que moldado pela própria onda!. de algum modo. Sendo assim. Cada uma dessas decisões é um ato racional. de acordo com suas dimensões. na grande maioria dos casos. uma vez interpretadas pelo arquiteto... onde não se combatiam utilmente (4). (3) A geografia.

„continentes do homem‟ ou prolongamentos do homem.. [. Nada negligenciava. para a definição de hierarquias e demarcação de diferenciações claras entre os espaços de naturezas distintas. e é mais relevante quando evita os gestos retóricos que procuram. integrações. como aqueles que elaboramos durante a produção de um projeto. A partir deste entendimento.. o domínio efetivo das dimensões permite a atuação ativa do arquiteto sobre a construção a fim de definir espaços qualitativamente distintos. por conseguinte. parece mais fértil. a promover a não preservação dos recursos naturais disponíveis para o homem no planeta. Prestava a mesma atenção a todos os . a caracterização de um discurso sobre algum dos aspectos envolvidos na sua realização. Portanto o dimensionamento é fundamental.. considerando as dimensões e a escala do homem como referência para a determinação dos espaços: O metro é apenas uma cifra sem corporeidade [. A forma é portanto algo que resulta deste embate. A definição da ambiência de um espaço de permanência ou de um percurso e a demarcação de seu caráter público ou privado são diretamente determinados pelas suas dimensões. Como aponta Brandão. Em relação aos usos e atividades demandados em um programa.. desvestir as pretensões excessivas que extrapolam seus fundamentos primeiros e cuidar daquilo que lhe é mais caro. a partir da reelaboração dos padrões recorrentes na tradição. é possível buscar como parte desta estratégia conceitual a investigação dos diversos modos de vida dos usuários. passando ao entendimento da questão dos usos e da ocupação humana do espaço edificado a partir da compreensão das diversas possibilidades de vivência do edifício no cotidiano. Esse dimensionamento se constitui em parte fundamental da interpretação do programa. de qualquer modo. Para escolher as melhores medidas vale mais „vê-las e apreciá-las com a separação das mãos‟ do que pensá-las somente (isso para as medidas muito próximas da estatura humana). sobre a imagem. ao invés de reproduzir padrões de espaço culturalmente desenvolvidos ao longo da história para esta ou aquela finalidade. para além de um atendimento imediato às questões utilitárias entendidas em um sentido funcionalista. não surgem do nada. como sugere Valéry. ora justapostas em demarcações e rupturas violentas entre os domínios do público e do privado.. deve ser durável.. a fim de buscar nesses modos de vida as especificidades que sugiram o espaço mais apropriável e mais adequado para que estes hábitos tomem lugar. por um lado. Mesmo em situações em que a escassez não é condição para a realização da arquitetura. embebendo-as e apodrecendo-as. Sendo assim. Para além das questões relativas às proporções da forma. Antes um edifício era construído para durar para sempre ou. cada projeto é um ato único. que definiria o espaço como atendimento objetivo a atividades específicas. é possível superar uma visão funcionalista.. Prescrevia o corte das tábuas no veio da madeira. em primeira instância. (. no caso em que o cliente se trate de uma instituição pública. a noção da dimensão deve ser algo que ultrapassa a abstração da reprodução de padrões métricos universalmente aceitos. A necessidade da atenção à economia remete à questão do decoro. Arquitetura em princípio. A partir desse entendimento. [.] os objetos que se deve construir [. parece possível interpretar e interferir nestes diferentes modos de vida.recorrente no contexto brasileiro.. apontada por Vitruvio: “o decoro é o aspecto correto da obra. Os materiais devem assegurar vida longa aos edifícios. a fim de estabelecer no espaço físico continuidades e descontinuidades. que resulta da perfeita adequação do edifício. o habitar não passa pela noção da função ou da utilidade imediata. ou seja. Nesse sentido. é antes de tudo uma premissa que pressupõe a viabilidade da construção. Representa ainda um descompromisso do arquiteto com a realização concreta de sua obra. ou em relação à sociedade. Os conceitos. pelo menos. Essa compreensão da tradição pode aqui ser tomada como uma interpretação do repertório acumulado da cultura a fim de transformá-lo em proposições adequadas para o presente. mesmo quando nele momentaneamente não desenvolvemos qualquer atividade. construir o navio a partir da compreensão das forças que o mar lhe impõe. o dispêndio excessivo e supérfluo implica em última instância na inserção direta do trabalho do arquiteto no mundo do consumo desenfreado. Assim. quase por princípio econômico. pensar o espaço fisicamente construído a partir das forças e tensões que as diferenciações entre os domínios do individual e do coletivo nele determinam.] são. feitos em si que têm corporeidade. certamente não esperávamos que desaparecesse (8).] A arquitetura (e com essa palavra englobo a quase totalidade dos objetos construídos) deve ser tão carnal e substancial como espiritual e especulativa (9). que deve incorporar as contradições específicas surgidas do embate entre seus condicionantes. Nesse sentido. A construção de um edifício requer um empenho enorme e um grande investimento. e. Habitamos simplesmente o espaço. ignorar as restrições e limitações de ordem econômica representa em um contexto de escassez um ato de irresponsabilidade em relação ao usuário. ou seja. para um domínio das demandas de espaço a que correspondem as diversas atividades e. a fim de que. impedissem a umidade de penetrar nas fibras. a determinação de uma linguagem a priori e. A arquitetura pode surgir do conhecimento e da interpretação dos condicionantes impostos pela vida cotidiana... Ao se estabelecer um programa. conhecidos ou imaginados. no qual não haja nada que não esteja fundado em alguma razão” (7). em segunda instância. A demarcação de territórios com caracterizações distintas em suas relações de privacidade evoca a premissa de que a arquitetura se funda na necessidade de mediação das relações humanas (11). mas da reflexão sobre a nossa própria experiência dos espaços e daquilo que nos fornece a tradição que lhes concerne. resulta mais circunstancial e menos ideal.) cumpre elaborar a reflexão sobre nossa experiência desses espaços. separações e fragmentações. no caso de uma relação particular entre arquiteto e cliente. e tem sido mais abandonado. Como aponta Le Corbusier. os significados e sentidos que a tradição nos transmite e que se depositou como repertório da cultura (10).] As cifras do Modulor são „medidas‟. Quando entendida assim. promovendo articulações variadas entre as atividades e os domínios territoriais. surge a necessidade da determinação de dimensões dos espaços a fim de acomodar as diversas atividades propostas para o edifício. que é a importância do conhecimento da construção como o único meio de viabilização do espaço físico destinado à habitação pelo homem. ora controladas pelas necessárias transições. Como aponta Moneo. A arquitetura pode prescindir do discurso. por outro lado. interpostas entre a alvenaria e as vigas que nelas se apoiassem. Construção Eupalinos era senhor de seu preceito.

. A tirania dos desenhos é evidente em muitos edifícios em que o construtor procura seguir literalmente o desenho. O ato de projetar pode ser entendido como um trabalho reflexivo. de modo complexo. Nesse sentido. da estrutura. bem como a eleição dos materiais. depois. fisicamente edificada. dos processos construtivos e dos detalhes. e parece que por muito tempo continuará sendo. das proteções contra as intempéries. promovido pelo Núcleo de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de . Ordenava a prática da cinzeladura. A representação gráfica é. são escolhas do arquiteto que visam a viabilizar a realização do espaço imaginado e resultam na forma arquitetônica. que aponta que “[h]á que aprender a imaginar o objeto e ao mesmo tempo inventar sua construção” (13). o desenho é o ponto crítico no processo. estudava minuciosamente todos os meios de evitar que as arestas se ferissem ou que a pureza dos encaixes se alterasse. ainda que eleitos caso a caso. a expressão gráfica (. entre a obra e o habitante. é cometer o mesmo erro dos herdeiros desavisados de arquiteturas do passado. desde já. notas 1 Este artigo foi elaborado originalmente para publicação e apresentação em mesa redonda do Seminário Arquitetura e Conceito. Desconhecer os procedimentos para a construção do objeto é operar apenas sobre a imagem pretendida para o edifício e seu espaço interior. deve se fundamentar no conhecimento de todas as premissas que interferem nesta realização do objeto. Conhecia todas as suas pedras: cuidava da precisão de seu talhe. acredito ser sua realização através da manipulação ativa de sua lógica de construção. a reserva dos calços. É um ato de pensar a construção. das instalações complementares. em especial a gravidade. A linguagem e a forma surgem como decorrência imediata. A definição das fundações. o desenho perde sua relação direta com o objeto arquitetônico. Como confirma Brandão. dispensava o mais fino cuidado ao reboco que aplicava nos muros de simples pedra (12). O desenho como mediador Sou avaro em divagações. raramente afastava-se do canteiro.. mas é a própria construção da idéia. da viabilização do abrigo. pela contextualização e pela fruição da obra (15). Cumpre reafirmar. Concebo como se executasse (14). A realidade pertence ao desenho. Se há algum caminho possível para a arquitetura nesse momento. mas não óbvia. pois não é apenas a representação final de uma idéia pensada de antemão. A deficiência da representação decorre do desconhecimento da construção.. O conhecimento da construção é a única possibilidade de se viabilizar concretamente a idéia do objeto arquitetônico. o habitar e o pensar colocados como premissa para este debate. no sentido pragmático da configuração do abrigo e da proteção que o conhecimento da técnica viabiliza. pelo programa e pela construção. Se tratado de modo abstrato e desvinculado da lógica e das implicações da construção.)Dizer que essa relação é dialógica significa dizer que ela se desenvolve a partir do jogo de perguntas e respostas que são colocadas entre os dois momentos. Dir-se-ia tratar-se de seu próprio corpo. implica em explorar conceitualmente as possibilidades da construção.pontos sensíveis do edifício. Rafael Moneo confirma essa hipótese: Muitos arquitetos atualmente inventam processos e ensinam técnicas de desenho sem a preocupação com a realidade da construção. e não o contrário. Durante o trabalho da construção. a construção. não ao edifício. na medida em que deixa para outro a responsabilidade fundamental das definições que em última instância implicam na geração da forma visível e tangível do edifício. operando a partir de seus fundamentos para atingir uma resposta concreta. que somente se realiza a partir do conhecimento da vida cotidiana e da atuação intencional do arquiteto sobre as articulações físicas do espaço e da construção. é possível identificar diretrizes latentes de ordenação do espaço e da forma em cada aspecto relacionado à construção. por mera impossibilidade ou divergência entre a técnica possível e o espaço e volume imaginados. o hábito e o lugar. o modo de mediação entre a idéia e a sua realização concreta. Portanto. do programa e das próprias possibilidades de construção. Pensar cada um desses aspectos para além de suas determinações técnico-funcionais. um esforço de equilíbrio entre o construir.) não é apenas representação de uma idéia mas um momento de compreensão e construção dessa idéia. Enquanto desenha. Mas um verdadeiro desenho de arquitetura deve implicar sobretudo o Conhecimento da construção (16). Assim como nos aspectos relativos ao lugar e ao programa. a execução de biséis no mármore dos adornos. Sua desconsideração é a garantia da falência da arquitetura – e do arquiteto -. que faça repercutir no objeto arquitetônico. Portanto. e deixa de ser o meio para sua realização. e no sentido específico da mediação das relações humanas. Como mediador que visa a concepção e a realização do edifício. é o simulacro da decoração e do ornamento supérfluo. Respeitar as especificidades de cada solução técnica. Arrisca-se assim a não realização do edifício como previsto. o desenho deve explicitar com clareza os procedimentos para a construção do objeto. cabe concordar com Joaquim Guedes.. o arquiteto testa hipóteses de resolução das diversas contradições que surgem do embate entre as demandas impostas pelo sítio. A necessidade do conhecimento acumulado associado à observação acurada dos aspectos específicos que dizem respeito a cada projeto sugere uma possibilidade de abordagem metodológica do projeto arquitetônico. o conhecimento. a interpretação e a transformação de todas as restrições e determinações do lugar. Esse jogo se desenvolverá também para estabelecer a relação entre o projeto e a obra e. que a própria definição do conceito é mediatizada pelas perguntas colocadas pela construção. que entenderam a arquitetura de sua época como um padrão baseado em um repertório formal a ser reproduzido. e na definição da ambiência e da conformação do espaço interior destinado à vida humana. de modo a transformar a situação pré-existente em algo novo. deste trabalho reflexivo sobre os dados pré-existentes do problema. Fiar-se em relatos legitimadores externos..] Os edifícios se referem tão diretamente às definições do arquiteto e estão tão desconectados com a operação da construção que a única referência é o desenho. compreender o comportamento dos elementos em relação às forças da natureza. [.. a representação. (. que configure um suporte habitável. para ser suficiente e para viabilizar a construção de um edifício qualquer. reduzindo a importância da consideração efetiva dos condicionantes reais que surgem da vida cotidiana. implica em pensar o elemento da construção como gerador de espaço.

São Paulo: Martins Fontes. Eupalinos ou O Arquiteto. Carlos Antônio Leite. almost by economic principle.arquitetura. Eupalinos ou O Arquiteto. Robert. But a truly architectural drawing should imply above all the Knowledge of construction. Op.. 14 VALÉRY. VENTURI. 1996.16. 2 BRANDÃO. Rafael. 16 Many architects today invent processes or master drawing techniques without concern for the reality of building. 6 Robert Venturi aponta a simplificação decorrente da exclusão de problemas como uma estratégia para assegurar uma pré-determinação da forma.. cit. 56-57. Kenzo Tange Lecture.. Paul. p. Paul. Pensar. 1985.ufmg. Los diez libros de arquitectura. mestre em Teoria e Prática de Projeto pela EA-UFMG.1. 11 Para aprofundar o entendimento da arquitetura como mediação dos códigos de ética da sociedade. 8 ”The construction of a building entails an enormous amount of effort and a major investment. 2003. not to the building. VITRUVIO. 5 Vitruvio aponta a economia como um importante definidor da arquitetura. Barcelona: Editorial Iberia. Revista de Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo. 1995. Op. Marco Lucio. “The solitude of Buidings”. Harvard University Graduate School of Design.br/ia>. Acesso em 15 mar. Buenos Aires: Editorial Poseidon.] The buildings refer so directly to the architect's definition and are so unconnected with the operation of building that the only reference is the drawing. Daí resulta a abordagem. São Paulo: Editora 34. São Paulo: Editora 34. 10 BRANDÃO. 1961. professor no Unicentro Izabela Hendrix e na Universidade de Itaúna.. 175. 1955. cit. The tyranny of drawings is evident in many buildings when the builder tries to follow the drawing literally. should be durable. possui projetos premiados em diversos concursos nacionais. (Tese).arch-mag. we certainly did not expect it to disappear”.1. 2000. Belo Horizonte: Grupo de Pesquisa "Hermenêutica e Arquitetura" da Escola de Arquitetura da UFMG. como o Centro de Arte Corpo. Rafael. ibidem. 15 BRANDÃO. prólogo e notas por Agustín Blanquéz. cf.1.Arquitetura da UFMG. Tradução Olga Reggiani. p. sob o Tema: “Construir. Disponível: <http://www. Disponível:<http://www. Op.. sendo um pressuposto à utilidade. Complexidade e Contradição em Arquitetura.br/lagear/cabral/phd/index. Paul. 13 GUEDES. José dos Santos. cit. José dos Santos Cabral Filho. Paul. da economia em conjunto com as questões referentes ao uso. El modulor: Ensayo sobre uma medida armonica a la escala humana aplicable universalmente a la arquitectura y a la mecánica.html>. The reality belongs to the drawing.ufmg. MONEO. Contrapõe a essa tendência a necessidade da busca por uma complexidade que inclua efetivamente na resolução da forma as diversas demandas que comparecem no processo de projeto. sob a coordenação do prof. março. Sobre isso. O que é Projetar?”. 12 VALÉRY. cit. CABRAL FILHO.12.com/3/recy/recy1t. Acesso em 25 jun. Joaquim. Op. In: VALÉRY.3.14. neste trabalho.. 1996. 39. Tradução direta do latim. configurando as demandas relativas ao programa. Carlos Antônio Leite. seção 1. o 4o Prêmio Jovens Arquitetos e a 4a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. 9 LE CORBUSIER. 7 VITRUVIO. p. em julho de 2003. Op. cit. [. cf. Materials should provide for the buildings's long life. MONEO. 51. . s/p. Architecture in principle.html>. sobre o autor Carlos Alberto Maciel é arquiteto e urbanista. p. “Linguagem e arquitetura: o problema do conceito”.arq. 4 Idem. n. Cf. Carlos Antônio Leite. A building formerly was built to last forever or. “Geometria Habitada”. Disponível: <http://web. s/p. p. s/p. p. cit. Tradução Álvaro Cabral. Formal games and interactive design. vol. Habitar. hoje. 155... Dr. 1996 (Prefácio). 3 VALÉRY. novembro de 2000. Tradução Olga Reggiani. s/p. p. p. at least. Sheffield: School of Architectural Studies. Op. Acesso em 05 jun 2003. (discurso).