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Mancha-púrpura - Alternaria porri Esta doença também é conhecida como queima das pontas, crestamento ou pinta.

É de grande importância econômica, com ocorrência durante todo o ano, causando prejuízos e aumento do custo de produção. As condições favoráveis para o seu desenvolvimento são Umidade Relativa de média a alta (70%) e temperaturas altas. Na região, a irrigação e as temperaturas predominantes favorecem o surgimento da doença. Os bulbos podem ser afetados no período de armazenamento. O patógeno sobrevive nos restos de cultura e ervas invasoras nativas e é disseminado principalmente através do transporte de bulbos infectados ou através da chuva e ventos. Controle O uso de variedades resistentes é a medida mais eficiente no controle da doença, sendo indicadas aquelas com maior espessura da cutícula e depósito de cera nas folhas e hastes florais. Até o momento apenas a variedade IAC Solaris foi lançada pelo IAC apresentando alguma resistência ao patógeno as condições de São Paulo.
 Em campos com histórico de incidência de A. porri, recomenda-se fazer rotação de cultura com espécies não-hospedeiras. Retirar os restos culturais do campo e queimá-los, ou fazer aração profunda para enterrá-los. Irrigar apenas quando necessário e evitar a irrigação por aspersão. Aplicar fungicidas preventivos periodicamente. Mancha-púrpura – Alternaria porri (Ellis) Cif. A mancha-púrpura é uma doença amplamente disseminada e tem causado severas perdas em regiões tropicais e subtropicais de clima quente e úmido, cujos índices podem chegar a 50% da produção. Nas regiões temperadas, com época de cultivo predominantemente de primavera-verão, maior incidência tem sido verificada no final do ciclo da. Em muitos casos, as perdas só se evidenciam durante o armazenamento dos bulbos quando o patógeno recomeça a desenvolver-se, após três a cinco meses da colheita. No Brasil tem sido problema especialmente para a Região Norte e Nordeste. e para os Estados de São Paulo e Minas Gerais, com incidência que pode chegar a 70% das plantas, dependendo da cultivar utilizada. No sul do País, embora de ocorrência generalizada, maiores danos têm sido verificados nos campos de produção de sementes. Nas lavouras de bulbos é mais freqüente no final do ciclo, podendo causar perdas em cultivos tardios. Em sistemas de cultivo adensado e com irrigação por aspersão, a ocorrência de manchapúrpura torna-se mais crítica nos genótipos de alta produtividade. Da mesma forma, variedades com cutícula fina e baixa deposição de cera na epiderme são mais facilmente atacadas.

É um patógeno típico de tecido maduro e de folhas já infectadas por outros patógenos. As lesões podem coalescer e cincundar a folha. Nas folhas. A coloração vermelho-vinho que lhe dá o nome de mancha-púrpura é decorrência da difusão de um pigmento secretado pelo fungo. . causando sua morte a partir das lesões em direção ao ápice. de 2mm. alongadas ou irregulares que aumentam de tamanho. e são oriundos do estroma hifal de micélio septado. isolados ou em grupo. sintomas semelhantes causando quebra e/ou secamento podem comprometer a produção de sementes. (sin. antes da invasão do patógeno no tecido. proliferum. com halo amarelado. observam-se manchas esbranquiçadas circulares.vinho (Figura). é do grupo “Dictyoconidial Porosporae”. podendo expandir. podem alcançar os bulbos e provocar apodrecimentos durante o armazenamento dos mesmos. Macrosporium porri Ellis). em meio de cultura com cebola. incluindo A. porrum (Ellis & Holliday. porri. que pertence à família Dematiaceae. da classe Hyphomycetes. classe Hyphomycetes e subdivisão Deuteromycotina. Sintomas O fungo A. claras e superficiais. A. Inicialmente.expansivas. dando a impressão de ser reação do próprio hospedeiro.se em condições de alta temperatura e umidade e tornarem-se vermelho. com zonas concêntricas escuras e bordas púrpuras. fistulosum e A. com centro levemente marrom. b) lesões expansivas. sativum ) e de outras espécies do gênero Allium. maiores. inflorescência e bulbos. mas manifesta-se intensamente também em plantas adubadas com excesso de nitrogênio. As manchas podem apresentar halo clorótico. Os conidióforos são retos ou levemente curvos. Hospedeiros Alternaria porri é patógeno da cebola ( A. Os sintomas podem ser observados em folhas. ordem Moniliales. As infecções que afetam a (bainha). Medem de 30 a 200μm de comprimento por 5 a 10μm de espessura. mas nunca presos um ao outro. hastes e bulbos. tipos de manchas foliares: a) lesões não. expulsos através de um poro. A cor vinho ou púrpura é mais freqüente em folhas maiores ou na haste já infectada por míldio em condições de alta umidade relativa do ar. cepa). 1982). A classificação taxonômica de A. haste floral.Etiologia A mancha-púrpura é causada pelo fungo Alternaria porri (Ellis) Cif. Lesões maiores no centro da folha e da haste floral causam a dobra e quebra das mesmas. os primeiros sintomas são de pequenas manchas esbranquiçadas a amareladas e ovaladas (Figura). do alho (A. deixando proeminente cicatriz no conidióforo ao serem liberados (Figura 15). tendo conídios formados enteroblasticamente. formadas após quatro dias em atmosfera saturada de umidade nas primeiras 24 horas da inoculação. às vezes geniculados. porri ataca folhas. 1970). de cor palha a marrom.. septados. Na haste floral. segundo a ontogenia de conídio e conidióforo (sensu Minter et al.

Em condições extremas poderá haver infecções das sementes que servirão causando severas perdas na fase de produção de mudas. os respingos de água. Mais de 95% dos conídios foram capazes de germinar após 24 horas da inoculação. No entanto. a liberação e disseminação ocorrem durante o dia. é o principal mecanismo que facilita a liberação de esporos. O fungo A. A germinação de conídios é um processo rápido. Embora água livre seja requerida para o patógeno infectar o tecido vegetal. A duração do período úmido correlaciona-se com o número de lesões. alternadamente. sendo favorecidos pelos danos de insetos e/ou outros ferimentos. cujo tecido vegetal possa conter micélio dormente com capacidade de esporular. e após o quinto dia inicia-se a conidiogênese. mas não com o tamanho da lesão. Os primeiros sintomas podem aparecer de um a quatro dias após a penetração. Lesões foliares expostas. A ação enzimática parece ser o principal meio pelo qual o patógeno penetra o hospedeiro e coloniza seu tecido. Os conídios se desenvolviam à noite. formando conídios após 9 horas e os septos aparecendo após 12 horas. . Bulbos infectados podem fornecer inóculo para a haste floral nos cultivos para sementes. à baixa (35% a 50%) e à alta umidade relativa (100%) podem formar esporos em até oito ciclos sucessivos. A esporulação é baixa em umidade relativa entre 75% e 85%. os conídios por sua vez podem sobreviver bem em dias secos. porri requer umidade relativa acima de 90% para esporular. Sementes infestadas podem ser importantes fontes de inóculo quando as plântulas crescem em época quente. com menor importância. havendo infecção no início de sua emergência O vento. aliado à redução de umidade relativa. O principal meio de disseminação é o vento e. Tubos germinativos formam apressórios e podem penetrar diretamente no tecido foliar intacto ou através de estômatos. através da degradação da parede celular.Epidemiologia A principal fonte de inóculo primário são restos culturais.

porri (87%) foi obtida também com filtrado da cultura do fungo Myrothecium verrucaria. O manejo da cultura. Ocimum sanctum. Até o momento apenas a variedade IAC Solaris foi lançada pelo IAC apresentando alguma resistência ao patógeno. Tridax procumbens e Tabernamontana coronaria. podendo reduzir em até 55% a infecção por A. Inibição na germinação de conídios de A. na diluição de 1:10 (Chawda & Rajasab. Datura alba. recomenda-se fazer rotação de cultura com espécies não-hospedeiras.Manejo da doença O uso de variedades resistentes é a medida mais eficiente no controle da doença. porri. porri na superfície foliar foi verificada por Fokkema & Lorbeer (1974) e mostrou que fungos saprofíticos inibem o desenvolvimento de tubos germinativos. com densidade adequada de plantas. ou fazer aração profunda para enterrá-los. A atividade antagonista ao patógeno A. Punica granatum. pois reduz a fonte primária de inóculo. Ipomoea carnea. sendo indicadas aquelas com maior espessura da cutícula e depósito de cera nas folhas e hastes florais. O controle biológico através do aumento da biodiversidade no filoplano pode ser obtido também pelo uso de biofertilizantes foliares. . Retirar os restos culturais do campo e queimá-los. Efeito de extratos vegetais foi estudado por Datar (1994). com extratos de Polyalthia longifolia. O uso de adubações equilibradas com aumento de adubos orgânicos tem propiciado plantas mais tolerantes ao ataque. porri. de modo a reduzir o tempo de molhamento foliar. Azadirachta indica. 1992a). obtendo redução na germinação de conídios. Aplicar fungicidas preventivos periodicamente. Irrigar apenas quando necessário e evitar a irrigação por aspersão. Eucalyptus citriodora.
 Em campos com histórico de incidência de A. A rotação de culturas deve incorporar-se ao manejo fitossanitário. e o plantio em épocas que escapem às máximas temperaturas ajudam a minimizar o problema.