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ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO

AUTORES: ANABELLE MACEDO SILVA E CARLOS ROBERTO DE C. JATAHY

GRADUAÇÃO 2012.2

Sumário

Organização da Justiça e do Ministério Público
INTRODUÇÃO AO CURSO DE ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO ............................................................. 3 AULAS 1 E 2: O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO. A ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA. A MAGISTRATURA NACIONAL. O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. ........................................................................................................................ 6 AULA 3: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL .................................................................................................................. 44 AULAS 4 E 5: O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E A JUSTIÇA FEDERAL .......................................................................... 76 AULA 6 E 7: A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL ............................................................................................................. 106 AULA 8: JUSTIÇAS ESPECIAIS INDIVIDUALIZADAS ................................................................................................... 122 AULAS 9, 10 E 11: O MINISTÉRIO PÚBLICO BRASILEIRO ............................................................................................ 144 AULA 12: A POLÍCIA FEDERAL ............................................................................................................................. 191 AULA 13: ADVOCACIA, DEFENSORIA PÚBLICA E ADVOCACIA PÚBLICA........................................................................... 199

ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO

INTRODUÇÃO AO CURSO DE ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, visando evitar o arbítrio e o desrespeito aos direitos fundamentais do homem, previu a existência dos poderes constituídos do Estado e da instituição do Ministério Público, independentes e harmônicos entre si, repartindo entre eles as funções estatais e prevendo prerrogativas e imunidades para que bem pudessem exercê-las, assim como criando mecanismos de controles recíprocos, sempre como garantia da perpetuidade do Estado Democrático de Direito. É a célebre Separação de Poderes, esboçada pela primeira vez por Aristóteles na obra “Política”, detalhada, posteriormente, por John Locke, no “Segundo Tratado do Governo civil” e, finalmente, consagrada por Montesquieu no “O Espírito das Leis”. É no estudo de algumas dessas instituições que iremos nos ater neste semestre que se inicia. O curso de Organização da Justiça e do Ministério Público tem como objeto o exame da estrutura constitucional e infraconstitucional das instituições que integram o Sistema da Justiça Brasileira, ou seja: Poder Judiciário; Ministério Público; e as demais Instituições constitucionalmente incumbidas das funções essenciais à Justiça, que são: Advocacia Pública, Advocacia e a Defensoria Pública.

Um capítulo referente à Polícia Federal foi acrescentado, visando a uma análise desta instituição, que vem chamando a atenção da sociedade. O Poder Judiciário é um dos Três Poderes clássicos previstos na Constituição (Art. 2º), e que tem como função a administração da Justiça e como verdadeiro mister a guarda da Constituição. Não se consegue conceituar um Estado Democrático de Direito sem a existência de um Poder Judiciário, autônomo e independente, para o pleno exercício de suas funções. Daí as garantias que seus membros gozam, asseguradas pela própria Constituição, como a vitaliciedade, a inamovibilidade e a irredutibilidade de subsídios. Já o Ministério Público, consagrado em nossa Constituição e situado fora da estrutura dos demais poderes da República, é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático de Direito e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (Artigo 127 da CF). Para tanto, também lhe foi conferida uma estrutura organizacional própria, com autonomia, independência e garantias.

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A Advocacia Pública, inovação da Constituição de 1988, é instituição que, diretamente ou por intermédio de órgão vinculado, representa a União, os Estados e os Municípios, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. A advocacia é uma função essencial à justiça, que visa à garantia das liberdades e ao cumprimento da ordem jurídica vigente, solucionando conflitos com base em normas e princípios jurídicos pré-estabelecidos, através da mediação, ou por postulação perante os órgãos administrativos ou jurisdicionais, sendo privativa de bacharel em ciências jurídicas, atendidas as demais qualificações exigidas em lei, que a desempenha com múnus público em atendimento a ministério conferido pela Constituição Federal1. Por fim, a Defensoria Pública, prevista na Constituição Federal como instituição essencial à função jurisdicional do Estado, está incumbida da orientação jurídica, da promoção dos direitos humanos e da defesa em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, dos necessitados. Este é o panorama a ser vislumbrado. O curso foi montado com base na constatação de que um bom profissional do direito necessariamente precisa conhecer as instituições estatais que integram o sistema de Justiça, a forma como operam, que funções institucionais desempenham e que competências lhes foram atribuídas pelo constituinte e pelo legislador. Só assim, tendo o domínio desses conceitos técnicos, o futuro profissional poderá maximizar a utilização do sistema em todas as suas instâncias, formando opinião e pensamento crítico para o aprimoramento e transformação das estruturas examinadas. Procura-se, por meio da utilização de diferentes metodologias, uma abordagem analítica e uma visão crítica como elementos permeadores de todo o curso. O objetivo é a interatividade dos alunos com o conteúdo apresentado e o caráter cooperativo que deve propiciar uma aproximação maior entre alunos e professor. Como o programa incorpora conteúdos dos mais variados, como ciência política, direito constitucional, direito administrativo, teoria geral do processo e organização judiciária, algumas aulas serão mais expositivas enquanto outras serão mais abertas a discussões. Em todos os momentos, porém, iremos adotar uma postura de incentivo ao aluno no estabelecimento de links com assuntos correlatos. Durante todo o curso, casos práticos serão apresentados aos alunos, como forma de aproximar a teoria estudada com a realidade social em que vivemos, mediante debates, construções ideológicas e solução dos mesmos.
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D’ÁVILA, Thiago Cássio. Conceito e características da advocacia. Disponível em jus2.uol.com.br. Acesso em 07 de dezembro de 2007.

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ao conteúdo programático do nosso curso! Sejam bem vindos e encarem com prazer o desafio de conhecer a estrutura do Poder Judiciário e demais instituições essenciais à Justiça! FGV DIREITO RIO 5 . abordando toda a matéria do curso. os alunos serão avaliados de acordo com os seguintes critérios: dois testes aplicados em sala de aula. requer uma visão global para ser potencialmente compreendida. que poderá acrescer até um ponto à nota final do semestre. O que se idealiza é uma interdisciplinaridade entre todos os ramos do Direito. Durante o semestre. pois. como instrumento de fixação e observação concreta do funcionamento das estruturas estudadas.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO A Ciência do Direito. Defensoria Pública ou Procuradoria Geral do Estado). Este programa de atividades complementares propõe a realização de visitas a algumas instituições que compõem a Sistema da Justiça em nosso Estado (Ministério Público. apesar de estudada de forma estratificada. Passemos. e Programa “Conhecendo as Instituições”. Judiciário. um na metade e o outro ao final do semestre.

Com a instituição do Estado Social. considerando uma lei inconstitucional. 1) O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO. Constitucional) fez surgir a primeira geração de direitos (direitos de liberdade. A MAGISTRATURA NACIONAL. Subordinado. O juiz. mas já havia uma maior participação do Judiciário nas questões diuturnas.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULAS 1 E 2: O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO. passa a adotar uma postura mais ativa. O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. “boa fé” e “mulher honesta”). em que somente se discutiam interesses particulares. por exemplo. intermediado pelos advogados. Esta. Historicamente. atuando como longa manus do soberano. a inércia do Estado obrigava o indivíduo a buscar a solução de seus conflitos no Judiciário. com um número muito grande de interessados na sua solução: as denominadas “class actions”. em que o Estado passou a ser prestador de obrigações (direitos sociais). vamos assistir a conflitos entre o Executivo e o Judiciário na grande depressão americana (quando a Suprema Corte quis interferir nas ações do presidente Roosevelt) e na criação da Justiça Constitucional. em comparação com o Executivo e o Legislativo. que falavam a linguagem acessível aos magistrados. por exemplo. Não havia repercussão social nas decisões do Judiciário. por conter termos rebuscados e imprecisos (como. direitos civis e políticos). fazendo nascer também a linguagem jurídica. Acrescente-se ainda que no Estado liberal e absenteísta. quando o Judiciário interfere na decisão do Parlamento. não podia se desenvolver a contento. A instauração do Estado de Direito (Estado Liberal. em muitos Estados da velha Europa. Isto porque. sendo capaz de produzir consequências profundas nas relações sociais. Decorre daí o aumento da demanda judicial e um conflito entre os poderes. os juízes eram meros servos da nobreza. paralisar a construção de uma estrada que está afetando o equilíbrio ecológico em uma determinada região. podendo. apesar de estar no mesmo plano dos demais poderes. sempre teve uma menor participação nas decisões do Estado. políticas e do cotidiano. A ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA. obrigando o Estado ao fornecimento de medicamentos básicos aos hipossuficien- FGV DIREITO RIO 6 . A par disto. vamos ver a sociedade industrial criar um novo tipo de conflito. antes inerte. provocou um distanciamento entre o Judiciário e o povo. as questões eram relativas às demandas individuais. De fato. criando direitos que deveriam ser providos. O conflito meta-individual ou transindividual. O Judiciário sai de uma posição secundária e subalterna para uma situação de protagonista. o Poder Judiciário.

determinando a Administração Pública a contratar médicos e professores. deve-se partir de três premissas básicas: (a) A estrutura judiciária brasileira é definida basicamente pela Constituição. quando provocado nos litígios existentes e solucionando os conflitos de interesse. impondo aos cidadãos o cumprimento das leis do país. controle faz parte da teoria dos “checks and balances”. Afinal. São diversos os critérios determinantes na distribuição dos processos: em razão da matéria. No Estado Democrático de direito hoje existente. É o juiz exercendo a jurisdição. em que o Estado. FGV DIREITO RIO 7 . É o Estado. intervindo. 92 a 126) do título IV (Da Organização dos Poderes) da Carta Maior o texto básico para a compreensão e estudo do tema. abstratamente inscritos em seu texto. fazendo aplicar a Lei e o Direito ao caso concreto. da qualidade da pessoa etc. o direito e a sociedade assumem um compromisso com a Constituição. Como expressão do poder estatal. Assim. Consequentemente. Deve. Porém. surge a necessidade de um maior controle sobre o “Gigante adormecido”. portanto. possui a função precípua de julgar os conflitos de interesse que surgem na sociedade. fazendo a divisão das Justiças. com vistas à melhor atuação da função jurisdicional. a Organização Judiciária tem como objetivo estabelecer normas sobre a constituição dos órgãos encarregados do exercício da jurisdição. seguindo esta tendência mundial dos países democráticos. sendo o Capítulo III (Arts. O Poder Judiciário. conferiu ao Poder Judiciário lugar de destaque. visando a plena implementação de políticas sociais. E como é feita essa pacificação? Mediante a atuação da vontade do direito objetivo que rege o caso concreto. Para análise da matéria. manter a paz social. confiando-lhe a tutela de direitos subjetivos até mesmo contra o Poder Público e a função de efetivar os direitos e garantias individuais. para os quais serão destinadas determinadas espécies de causas. Ressalve-se que a jurisdição é una.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO tes. o Judiciário passa a ter uma importância maior. 2) A ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA Com efeito. duas pessoas em conflito num processo judicial terão seus problemas solucionados por meio da aplicação da lei ao caso concreto. é importante que se criem organismos distintos. Trata-se da denominada ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA. ela é eminentemente nacional e não comporta divisões. para uma distribuição racional do trabalho. consoante o artigo 2º da CF. diante de seu maior ativismo judicial. A Constituição Brasileira de 1988.

A União organiza e mantém as Justiças Especializadas (ou. em decorrência de tal premissa. em razão da forma de Estado federativo adotado pelo texto constitucional. cada Estado-membro organiza. Celso Mello. da CF: “Não haverá Juízo ou Tribunal de exceção”). e a Justiça Comum Federal e Comum do Distrito Federal e Territórios. Logo. o respectivo Poder Judiciário local (Art. no Brasil. A segunda premissa decorre do princípio do dualismo judiciário. ainda que recebam a denominação de juiz ou tribunal. Esta constatação é consequência da garantia do Juiz Natural. só é legítimo o juízo previsto pela Constituição e reconhecido por ela como natural. qualquer órgão jurisdicional criado à margem da Carta Magna. portanto. é dual. Eleitoral e Militar da União. também conhecida como “Princípio da naturalidade do Juízo” (HC 73. e (c) A noção de que a ordem judiciária constitucional se estabelece em graus de jurisdição. Nesta dimensão. 125 da Constituição Federal).06. um Poder Judiciário organizado pela União e um Poder Judiciário organizado por cada Estado-membro da Federação. de acordo com sua Constituição. em razão deste princípio.801-MG. o Artigo 92 da Constituição estabelece a estrutura do Poder Judiciário brasileiro. portanto. Por sua vez. também chamado de juízo de exceção (Art. Cabe ressaltar que as Justiças administradas pela União possuem sua estrutura definida na Constituição FGV DIREITO RIO 8 . repudiando todos aqueles que ali não se encontrem como integrantes do Poder Judiciário. XXXVII.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (b) O Poder Judiciário brasileiro. composto da Justiça Comum Estadual e da Justiça Militar Estadual. formando o Poder Judiciário Nacional. no mesmo sistema. DJU 27.1997). de competência devidamente indicada pela Constituição Federal. 5º. os Tribunais de Contas da União e dos Estados e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. também. não são órgãos do Poder Judiciário — o Tribunal Marítimo. Assim. De fato. Há. por meio do qual convivem. o Poder Judiciário da União (também chamado por muitos de Federal) e diversos Poderes Judiciários Estaduais. Esta expressão significa que o juiz natural ou a autoridade competente. haverá um ramo da Justiça que é administrado e mantido pela União e outro ramo administrado pelos Estados-membros da Federação brasileira. invalidando-se. não integram esta estrutura — e. o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. Com tal modelo. É de sua responsabilidade. é o órgão jurisdicional cujo poder derive de fontes constitucionais. LIII (“Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”). a primeira premissa denota que para se conhecer a estrutura do Poder Judiciário brasileiro deve-se conhecer a Constituição Federal. integrado por diversos órgãos. Especiais) do Trabalho. positivada no texto constitucional no Artigo 5º.

e a parte. caput). voltem a viver pacificamente. se não tiver um espírito crítico FGV DIREITO RIO 9 . Já o juiz que sabe que sua decisão é irrecorrível. a essa insatisfação do vencido. DJU 22/11/2002). sejam promovidos por órgãos jurisdicionais diversos. em regra denominada Código de Organização Judiciária. com seus dois caracteres específicos: a possibilidade de um reexame integral da sentença de primeiro grau e que esse reexame seja confiado a órgão diverso do que a proferiu e de hierarquia superior na ordem judiciária”. o duplo grau de jurisdição há de ser concebido. à moda clássica. Neste teor: “Para corresponder à eficácia instrumental que lhe costuma ser atribuída. denominada princípio do duplo grau de jurisdição. também chamado de reexame. a essa revolta. dando uma segunda oportunidade de obter uma decisão favorável e. (ROHC nº 79. Ele acaba vendo na irrecorribilidade. denominada duplo grau de jurisdição. 125. a terceira premissa. que fala em nome do Estado. Mas o inconformismo do vencido é um fator grave de intranquilidade social. portanto. até mesmo em busca de uma justiça melhor que a justiça da lei.785-7/ RJ. sente-se vigiado. Min. sendo sua organização judiciária definida em legislação federal. toda causa que ingressa no Sistema Judiciário está sujeita a um duplo exame: o exame inicial. Por tal princípio. a viver harmoniosamente num instinto de solidariedade. Já as Justiças Estaduais têm sua estrutura definida nas Constituições Estaduais. como também pacificar os cidadãos para que eles voltem. contribuindo para que ao final dessa segunda decisão. emanadas por juízes diferentes. haverá a possibilidade de duas decisões válidas e completas num mesmo processo. Por este princípio. A finalidade da jurisdição é não só atuar a vontade da lei. possui maior tendência ao arbítrio. que é o julgamento originário da causa. e um exame posterior. Há uma relação de autoridade entre o juiz. que tem que se curvar às decisões da autoridade. (b) Coibir o arbítrio do juiz. Consoante decisão do STF. Esta terceira premissa. Finalmente. A instituição do recurso visa atender a esse clamor. possui os seguintes fundamentos: (a) Satisfazer o inconformismo do vencido. O juiz que sabe que sua decisão pode ser reformada pelo tribunal superior. controlado e cede com menos frequência à tentação do arbítrio. que possui caráter revisional do primeiro julgamento. encerrado o litígio.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Federal. respeitadas as diretrizes fixadas na Constituição Federal (Art. Sua organização judiciária é fixada por meio de legislação estadual. mesmo que continue sendo desfavorável. como cidadão.: Sepúlveda Pertence. prevalecendo sempre a segunda sobre a primeira. a formulação do duplo grau de jurisdição exige que o exame inicial e o exame posterior.

Uma segunda oportunidade de julgamento dá ao tribunal de superior instância a oportunidade de examinar a causa com base na motivação do juiz de primeiro grau e outros fundamentos. ou a matéria ser muito complexa. fazendo a melhor justiça da sua consciência. cujo julgamento. se dá de forma colegiada. ou seja. São órgãos inferiores e superiores. o julgamento é realizado por um único juiz. além daqueles expostos pelo juiz na sua decisão. que não é necessariamente a justiça da lei. em regra monocráticos. Dois julgamentos aumentam a probabilidade de acerto da decisão. em regra. que representa a Organização Judiciária brasileira. Observe o Organograma a seguir. Neste contexto. e temos também os tribunais. na terminologia brasileira. com fundamento em dispositivos da Constituição Federal: FGV DIREITO RIO 10 . juízos. (c) Melhorar a qualidade das decisões.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO muito aguçado. órgãos de segundo grau. percebe-se que temos. portanto. não é aceita pelos tribunais superiores. que são órgãos de primeiro grau. O juiz pode ter examinado mal a prova. um poder absoluto. ou ainda pode ter uma opinião jurídica que não é a melhor.

J. 118. 107 e 108) Tribunais de Justiça (art.T.F. (art. I e 119) Justiça Eleitoral Justiça Especial ou Especializada Justiça Militar STM (art. 101 e 102) CNJ (art. I e 123) Tribunais Superiores S. 112) TRE’s (art. II e 120) TJMilitar Turma Recursal 1ª Instância Juízes Federais (art. I) TSE (art.T. 118. III) Juízes e Juntas Eleitorais Juízes Militares (art.ORGANOGRAMA DO PODER JUDICIÁRIO S. II) Juízes de Direito ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO FGV DIREITO RIO 11 . 122. 122. 111. 118. 103-B) Justiça Comum Justiça do Trabalho TST (art. I. (art. 125) Turma Recursal TRT’s (art. 106. 104 e 105 ) 2ª Instância Justiça Estadual Justiça Federal Tribunais Regionais Federais (106. II e 109) Juízes do Trabalho (art.

responda? Existe entre os juízos e os tribunais uma hierarquia? A resposta é não. direitos. 2. de 14 de março de 1979. como veremos nas próximas aulas. que estrutura a carreira da magistratura nacional. O que há é um poder de revisão. deveres. Não há poder de mando dos órgãos superiores aos inferiores no que tange aos julgamentos a serem realizados.Diploma de bacharel em Direito — curso de Direito em faculdade oficial ou reconhecida pelo Ministério da Educação. Diferentemente. exigência inserida no Artigo 37. Para concorrer ao cargo de magistrado. existe sim uma hierarquia. Há que se ressaltar que não existe entre eles qualquer hierarquia jurisdicional. 3) A MAGISTRATURA NACIONAL A Magistratura é o conjunto de juízes que integram o Poder Judiciário. para todos os cargos iniciais da magistratura nacional. FGV DIREITO RIO 12 . dentro do princípio já examinado do duplo grau de jurisdição. Isto porque. a forma de investidura é diversa. Já para o Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores.Nacionalidade brasileira — aqui não existe distinção entre brasileiros natos ou naturalizados. A magistratura é organizada em carreira. dentre outras coisas. Após examiná-lo. cabendo-lhes prover cargos. os Tribunais de Justiça são responsáveis pela administração da Justiça do Estado. estabelecendo as garantias. mas cada juiz é livre para proferir a sua sentença. aplicar penalidades etc. o candidato deverá preencher os seguintes requisitos: 1. existe ainda a Lei Complementar nº 35. vencimentos. É a Lei Orgânica da Magistratura Nacional. prerrogativas. vantagens. forma de ingresso. no plano administrativo. Além das disposições constitucionais acima descritas. sendo vedado somente o acesso aos estrangeiros. cuja função é a de julgar recursos provenientes das Justiças que compõem o Poder Judiciário nacional. A investidura se dá por meio de concurso público. que organizam a estrutura da Justiça no Brasil. realizar concursos. II da Constituição. mais conhecida como LOMAN. quando analisarmos cada um dos ramos da Organização Judiciária.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Este organograma acompanhará nosso estudo. Acima de todos os juízos e tribunais estão o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça.

no mínimo por 16 (dezesseis) horas mensais e durante 1 (um) ano.Integridade física e mental — demonstrada por meio de um exame psicotécnico. III — o exercício de cargos. bem como por uma entrevista pessoal com a Banca Examinadora. anexos de juizados especiais ou de varas judiciais. II — o efetivo exercício de advocacia. varas especiais. FGV DIREITO RIO 13 . A matéria hoje se encontra regulamentada pela Resolução nº 75 do Conselho Nacional de Justiça2. empregos ou funções não privativos de bacharel em Direito será realizada mediante certidão circunstanciada. na forma que se coloca abaixo. Considera-se atividade jurídica. inclusive de magistério superior. que exija a utilização preponderante de conhecimento jurídico. expedida pelo órgão competente. para efeito de comprovação de atividade jurídica. alínea “i”: I — aquela exercida com exclusividade por bacharel em Direito.” 4. empregos ou funções. juizados especiais. Para ser impeditivo ao cargo de juiz 2 Revogou a Resolução nº 11/CNJ de 31 de janeiro de 2006. analisar a validade do documento. 1º) em causas ou questões distintas. § 2º A comprovação do tempo de atividade jurídica relativamente a cargos.Estar no gozo dos direitos políticos — comprovação por meio de certidão fornecida pela Justiça Eleitoral 6. 59.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 3. em decisão fundamentada.Regularidade no serviço militar 5. não podendo registrar antecedentes criminais que sejam incompatíveis com o exercício da função. inclusive voluntária. a contagem do estágio acadêmico ou qualquer outra atividade anterior à obtenção do grau de bacharel em Direito. 58. art. “Art. indicando as respectivas atribuições e a prática reiterada de atos que exijam a utilização preponderante de conhecimento jurídico. § 1º. Mas veja! Não se trata de qualquer antecedente. para os efeitos do art. iniciou-se uma discussão a respeito de sua definição. cabendo à Comissão de Concurso.906. mediante a participação anual mínima em 5 (cinco) atos privativos de advogado (Lei nº 8. § 1º É vedada. 7 Boa conduta social — o candidato deve ter conduta ilibada perante a sociedade.Três anos de atividade jurídica — inovação trazida pela Emenda Constitucional nº 45. 4 de julho de 1994. Como a expressão “atividade jurídica” não é muito precisa. logo após a publicação da Emenda. V — o exercício da atividade de mediação ou de arbitragem na composição de litígios. IV — o exercício da função de conciliador junto a tribunais judiciais.

alternadamente. com possibilidade de acesso a cargos mais elevados. por último. Exclusivamente para a execução desta fase. segundo critérios de promoção. Trata-se do juiz que injustificadamente retiver autos em seu poder além do prazo legal4. a Resolução determinou o registro em gravação de áudio ou por qualquer outro meio que possibilite a sua posterior reprodução. também. assim como a fixação de percentual máximo para efeito de pontuação. uma lesão corporal culposa no trânsito. a quinta e última etapa. nos critérios objetivos de produtividade e presteza no exercício da função. Artigo 93. II. o candidato deverá ser arguido através da prova oral pela Banca do Concurso. Para esta etapa. não será causa impeditiva ao cargo.3 A partir da nova Resolução. exame psicotécnico. poderá obter promoções e chegar ao segundo grau de jurisdição. também de caráter eliminatório e classificatório. Para a segunda etapa. Se o magistrado desejar prosseguir na carreira. é meramente classificatória. os juízes iniciam a carreira em cargos inferiores. em regra. com a apresentação dos títulos que eventualmente o candidato possua. exame de sanidade física e mental e. No que se refere ao concurso de ingresso na carreira da magistratura. Assim. conforme dispõe o Artigo 93. o candidato deverá responder questões discursivas e elaborar uma sentença. Exemplo disso foi a introdução pela EC nº 45 de um critério impeditivo de promoção do magistrado. 4 FGV DIREITO RIO 14 . por antiguidade e merecimento. ao contrário da antiga que previa apenas quatro fases. e da Constituição Federal. Por fim. A fim de dar maior transparência e confiabilidade a esta fase. chegando-se ao final do concurso com a classificação final. Na primeira etapa. o candidato realizará uma prova objetiva seletiva de caráter eliminatório e classificatório. o CNJ uniformizou as regras em todos os ramos do Poder Judiciário nacional. exceto para a prova oral. A terceira é constituída de três fases de caráter apenas eliminatório: sindicância da vida pregressa e investigação social. A aferição de merecimento será avaliada com base no desempenho. Haverá possibilidade de recurso em todas as etapas. bem como a frequência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento. o concurso deverá ser realizado em cinco etapas. Por meio do instituto jurídico denominado “Quinto 3 Resolução do CNJ nº 75 de 12 de maio de 2009. Assim. por exemplo. Há. outra forma pela qual um profissional do Direito pode vir a integrar a magistratura. II da CF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO deve ser incompatível com as funções que um juiz de Direito irá assumir. a Resolução 75/CNJ trouxe uma inovação referente à definição dos títulos admitidos. os Tribunais poderão contratar os serviços de instituições especializadas. Vencidas essas três etapas. quando passará a integrar o tribunal respectivo.

107. Para tanto. A partir de uma lista tríplice encaminhada pelo próprio Tribunal. 123. Compreende ainda a autonomia financeira. O legislador constituinte. o objetivo inicial da clássica separação das funções do Estado e distribuição entre órgãos autônomos e independentes tem como finalidade a proteção da liberdade individual. 4) A INDEPENDÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO E SUAS GARANTIAS Como já estudado. matéria que estudaremos mais profundamente no decorrer do curso. FGV DIREITO RIO 15 . aos cargos necessários à administração da Justiça etc. férias e afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores. por concurso público. o Governador do Estado escolherá um de seus integrantes para nomeação. I. o condão de conferir à instituição a necessária independência para o exercício da jurisdição. atribuiu-lhes um mecanismo de controles recíprocos. Parágrafo único. no intuito de preservar este mecanismo recíproco de controle e a perpetuidade do Estado democrático. denominado freios e contrapesos (checks and balances). garantindo-lhes autonomia e independência. para o bom exercício das funções estatais. assim.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO constitucional. a Constituição assegura a prerrogativa do autogoverno. 115. imunidades e garantias a seus agentes políticos. elege seus órgãos diretivos e elabora seus regimentos internos. dá provimento. administrativa e financeira. para melhor visualização e estudo. Executivo. dos direitos fundamentais e do Estado Democrático de direito. diversas prerrogativas. Podemos então dividir tais garantias. É o exercício pelo Poder Judiciário de atividades normativas e administrativas de auto-organização e auto-regulamentação. I. Ao Poder Judiciário como instituição. consistente na prerrogativa de elaboração de proposta orçamentária e na gestão das dotações pelos próprios tribunais. concede licenças. As garantias conferidas aos membros do Poder Judiciário têm. I. 111-A. previu. I e II da CF). E em que consiste o autogoverno? Consiste na autonomia funcional. A estes órgãos (Legislativo. É o próprio Judiciário ainda quem organiza suas secretarias e serviços auxiliares. Judiciário) a Constituição Federal confiou parcela da autoridade soberana do Estado. 94 da CF) e federais (art.” O quinto constitucional tem previsão na Constituição Federal e estabelece a forma de integração de advogados e membros do Ministério Público aos quadros dos tribunais estaduais (Art. Já as garantias conferidas aos membros do Poder Judiciário dividem-se em garantias de independência e garantias de imparcialidade. em garantias institucionais e garantias aos membros.

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As primeiras se destinam a tutelar a independência do magistrado perante órgãos ou entidades estranhas ao Poder Judiciário ou até mesmo pertencentes à própria organização judiciária. São elas: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios, todas elas disciplinadas no Artigo 95 da Constituição. A vitaliciedade é a impossibilidade de perda do cargo senão por sentença transitada em julgado, dentro de determinadas hipóteses previstas em lei. Não é possível, portanto, após o vitaliciamento, a exoneração do magistrado de seu cargo por mero procedimento administrativo. Sua aquisição se dá após o chamado estágio probatório, ou seja, após dois anos de efetivo exercício da carreira, mediante aprovação no concurso de provas e títulos. Durante este período de prova, o magistrado deverá prestar conta de sua atuação por meio de relatórios periódicos, além das correições a que será submetido. A Emenda Constitucional nº 45 acrescentou mais um requisito. Trata-se da necessária participação do magistrado em cursos oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e aperfeiçoamento de magistrados5. A inamovibilidade, por sua vez, consiste na impossibilidade de se remover membro da instituição do órgão onde esteja lotado, sem a sua manifestação voluntária. A inamovibilidade não sofre exceção sequer em caso de promoção, que não pode ocorrer sem a aquiescência do magistrado. Em caso de interesse público, porém, reconhecido pelo voto da maioria absoluta do Tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça, dispensa-se essa anuência. Por fim, a irredutibilidade de subsídios emerge da necessidade de se garantir ao juiz, para o bom desempenho de suas relevantes funções institucionais, imunidade a eventuais retaliações dos governantes no que concerne à diminuição de sua remuneração. Ressalte-se, porém, que tal garantia não é impeditiva da incidência de quaisquer tributos sobre os vencimentos dos juízes. As garantias de imparcialidade são impedimentos constitucionais dos juízes que consistem em vedações que visam a dar-lhes melhores condições de imparcialidade, representando, assim, uma garantia para os litigantes. O juiz é impedido, consoante o Artigo 95, parágrafo único da CF, de:
“I — exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;6 II — receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo; III — dedicar-se à atividade político-partidária.

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Artigo 93, II, c da Constituição Federal.

O CNJ aprovou a Resolução 34, de abril de 2007, que regulamenta a atividade de magistério pelo Magistrado. Basicamente, veda ao magistrado o exercício de atividade de magistério ligada à gestão.

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IV — receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V — exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.7”

Este inciso V é mais uma inovação trazida pela Reforma do Judiciário — EC nº 45. Trata-se da quarentena, imposta aos juízes e membros do Ministério Público8. A finalidade da norma é preservar a imparcialidade-neutralidade dos juízes e tribunais nos quais o ex-juiz ou ex-promotor tenha atuado. O trabalho, como é sabido, cria laços de amizade e companheirismo entre colegas da profissão. Surge daí a necessidade de se evitar o tráfico de influência que poderia ocorrer nestes casos. Parte dos estudiosos festeja a inovação, sendo um dos reclamos atendidos pelo constituinte derivado, como garantia de uma maior imparcialidade nas decisões do Poder Judiciário. Outros, porém, criticam a forma como isto restou estipulado:
“A norma não se apresenta apta a inibir o exercício da advocacia nos termos estipulados, vez que juízes e promotores poderão utilizar-se de outras pessoas para atuarem em seu nome. Ademais, não será pelo mero decurso do período de três anos (prazo temporal desacompanhado de qualquer outra exigência mais firme) que os possíveis laços de amizade e influência de um magistrado desaparecerão. Pelo contrário, o comum é que a mera passagem do tempo os fortaleça, se já existiam realmente. Se não existiam, o problema não se põe e a restrição é inadmissível. Assim, a medida não se mostra eficaz na prática. Há um pressuposto sinistro, além disso, de que juízes e promotores, que até então eram responsáveis pela prestação da Justiça, no dia seguinte passariam a adotar atitudes imorais e desonestas, para atender a interesses pessoais escusos. Por fim, impedir pura e simplesmente, o exercício da advocacia, por juízes ou promotores que se aposentaram ou foram exonerados, significa restringir direitos individuais, o que só tem sentido se for para salvaguardar o interesse público, o que não parece ser facilmente demonstrável no caso em tela.9”

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Artigo 95, parágrafo único da Constituição Federal. Artigo 128, §6º da Constituição Federal. TAVARES, André Ramos. Reforma do Judiciário no Brasil Pós-88. Saraiva, 2005, p.86.

A OAB deverá passar a averiguar e controlar o triênio na atribuição da carteira funcional aos ex-integrantes do Judiciário e Ministério Público.

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Outro impedimento, previsto na LOMAN, veda ao magistrado se “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério.10” O CNJ através da Resolução n. 10, de 19 de dezembro de 2005, proibiu o exercício pelo magistrado de funções nos Tribunais de Justiça Desportiva e em Comissões Disciplinares. Visa-se com todas estas vedações obter a dedicação exclusiva do magistrado às suas funções constitucionais. O quadro abaixo é elucidativo:
• Autonomia funcional • Autonomia administrativa • Autonomia financeira • Vitaliciedade • Inamovibilidade • Irredutibilidade de subsídios • exercício de outro cargo ou função, salvo uma de magistério; • recebimento de custas e participações em processos; • dedicar-se à atividade político-partidária; • receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; • exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração; • manifestar-se, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério. • exercer funções nos Tribunais de Justiça Desportiva e em Comissões Disciplinares

Da instituição

Autogoverno

Garantias de independência

Garantias Dos membros Garantias de imparcialidade (vedações)

Finalmente, cabe ressalvar que os magistrados, face ao regime jurídico especial que possuem, têm ainda prerrogativas e deveres previstos na LOMAN, onde se destacam:

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Artigo 36, III da Lei Complementar 35/79.

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Prerrogativas do Magistrado
“Art. 33 — São prerrogativas do magistrado: I — ser ouvido como testemunha em dia, hora e local previamente ajustados com a autoridade ou Juiz de instância igual ou inferior; II — não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do órgão especial competente para o julgamento, salvo em flagrante de crime inafiançável, caso em que a autoridade fará imediata comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja vinculado (vetado); III — ser recolhido a prisão especial, ou a sala especial de Estado-Maior, por ordem e à disposição do Tribunal ou do órgão especial competente, quando sujeito à prisão antes do julgamento final; IV — não estar sujeito à notificação ou à intimação para comparecimento, salvo se expedida por autoridade judicial; V — portar arma de defesa pessoal. Parágrafo único — Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação.

Deveres do Magistrado
“Art. 35 — São deveres do magistrado: I — Cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício; II — não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar; III — determinar as providências necessárias para que os atos processuais se realizem nos prazos legais; IV — tratar com urbanidade as partes, os membros do Ministério Público, os advogados, as testemunhas, os funcionários e auxiliares da Justiça, e atender aos que o procurarem, a qualquer momento, quanto se trate de providência que reclame e possibilite solução de urgência. V — residir na sede da Comarca salvo autorização do órgão disciplinar a que estiver subordinado; VI — comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão, e não se ausentar injustificadamente antes de seu término; VIl — exercer assídua fiscalização sobre os subordinados, especialmente no que se refere à cobrança de custas e emolumentos, embora não haja reclamação das partes; VIII — manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.”

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obstáculos inconstitucionais ao Poder Judiciário. a juiz que eventualmente tenha recebido alguma sanção disciplinar. em ação penal contra ele instaurada. rel. os Ministros Carlos Britto e Cármen Lúcia que. sob a alegação de que esta somente poderia ser afastada por sentença judicial transitada em julgado. o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que eles não possuem a prerrogativa de foro prevista no artigo 105 da Constituição Federal. em decorrência de sua aposentadoria. da CF. configurando suas ausências. o submeteria. alternativamente.10. na qualidade de ex-presidente e ex-corregedor-geral. não teria direito à prerrogativa de foro pelo encerramento definitivo da função. XXXV. que a correta leitura do art. tendo em conta a existência de precedentes da Corte. em questão de ordem. no exercício do seu mister constitucional. Alega. supressões ou mesmo reduções. 23. Em outubro de 2007. pleiteia o reconhecimento da negativa de vigência aos artigos 5º. uma vez que interpretação diversa desse dispositivo o colocaria em situação inusitada. LIV. quanto ao deslocamento. Ricardo Lewandowski. assegurador da vitaliciedade aos magistrados. I. I. LV. I. RE 549560/ CE.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Todas estas garantias e deveres. I e 105. IX. Trata-se. Quanto aos Juízes de primeiro grau que são convocados pelos Tribunais de Justiça para exercer a função de desembargador. decidiu. são imprescindíveis à democracia. da CF. “Juiz Aposentado: Vitaliciedade e Prerrogativa de Foro A Turma. na espécie. pois. por desembargador aposentado. de agravo de instrumento convertido em recurso extraordinário criminal interposto. a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu afetar ao Plenário o julgamento do recurso extraordinário em que se discute se o foro especial por prerrogativa de função estende-se ou não àqueles que se aposentam em cargos cujos ocupantes ostentam tal prerrogativa. 105. Min. ainda. A prerrogativa é vinculada ao cargo e não ao eventual exercício da função em substituição: FGV DIREITO RIO 20 . ambos da CF e.2007. Por fim. por maioria. que constituem uma “blindagem” para o exercício pleno das atividades da magistratura. da CF. afetar ao Plenário julgamento de recurso extraordinário em que se discute se o foro especial por prerrogativa de função estende-se ou não àqueles que se aposentam em cargos cujos ocupantes ostentam tal prerrogativa. na qual consignada a perda do cargo. consideravam que a matéria poderia ser decidida pela própria Turma. (RE-549560)” Informativo nº 485 do STF — de 22 a 26 de outubro de 2007. contra decisão da Corte Especial do STJ que declinara de sua competência. 95. O ora recorrente sustenta a incidência do art. incluiria também os desembargadores aposentados. ao fundamento de que. à perpetuidade da separação dos poderes e ao respeito aos direitos fundamentais. Vencidos. requer sejam tidos como transgredidos os artigos 94. a. e § 2º e 93.

Agravo regimental improvido. disponível no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal 5) O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA Após a análise sobre o Poder Judiciário e a necessidade de sua imparcialidade e independência. 23/2/2006. Os Juízes de 1º grau em substituição nos Tribunais de Justiça não possuem a prerrogativa de foro assegurada pelo art. tendo proferido 20 laudas de decisão para o deferimento de liminar em favor da Empresa X. convocando-o a “prestar esclarecimentos perante a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos”. denominada Reforma do Judiciário. Rel. Ellen Gracie. AGRAVO IMPROVIDO. de 30 de dezembro de 2004. JUÍZA DE 1º GRAU EM SUBSTITUIÇÃO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. da Constituição da República. inciso I. o que você poderia fazer? LEITURA OBRIGATÓRIA: HC 86581/DF. estabeleceu. Acórdão publicado em 15/05/2008) CASO DE SEDIMENTAÇÃO 1: Magistrado tem que se explicar em CPI? Após ter estudado bastante para seu concurso público. ambas sob investigação da CPI. AUSÊNCIA DE PRERROGATIVA DE FORO. a qual litigava contra a Caixa Econômica Federal acerca de expressivo numerário que teria sido irregularmente utilizado por esta estatal com violação a direitos contratuais da Empresa X.” (AgRg na Representação nº 368 — BA (2007/0195172-5). que lhe rendeu bastante trabalho. relembrando todo o material da graduação da FGV (notadamente as aulas de Organização da Justiça e do MP!!) você se encontra no exercício da magistratura federal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “PROCESSO PENAL. Está você obrigado a comparecer? Está obrigado a prestar esclarecimentos acerca de sua decisão? Em caso de respostas negativas. A Emenda Constitucional nº 45. Min. Trata-se da implementação do controle exterFGV DIREITO RIO 21 . 1. Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima. como órgão do Poder Judiciário. convém tratarmos da legitimidade de um controle externo sobre suas atividades. Recentemente. tendo em vista ter você proferido decisão contra a CEF. Passados dois meses do deferimento da liminar. eis que surge uma correspondência do Senado Federal em seu gabinete. 2. atuou em processo rumoroso. 105. AGRAVO REGIMENTAL. o Conselho Nacional de Justiça. em favor da Empresa X.

A transparência é essencial. O sistema de Justiça e subsistemas que o integram são considerados atualmente não simplesmente como o exercício de uma potestade pública.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO no da administração da Justiça em nosso ordenamento. a educação. instalado em 14 de junho de 2005. o transporte etc. Uma delas. Neste cenário. falta de concursos públicos para contratação de assessores e abuso de poder encontráveis. Está previsto ainda o controle da atuação administrativa e financeira. em maior ou menor grau. Diversas motivações nortearam o Congresso Nacional. mas como serviços públicos. inclusive. e composto pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal e mais 14 membros nomeados pelo presidente da República. com sede em Brasília. Em sua maioria (nove integrantes). indicado pelo respectivo tribunal. um ministro do Superior Tribunal de Justiça. 12 FGV DIREITO RIO 22 . propondo as providências necessárias sobre a situação do Poder Judiciário no país e da prestação do serviço jurisdicional. para um mandato de dois anos. que se originou da PEC 347/96. As questões levantadas são tipicamente de administração da Justiça. indicado pelo Supremo Tribunal Federal. órgão integrante do Poder Judiciário brasileiro.cnj. como ocorre já de há muito tempo em alguns países da Europa. transparente e eficaz para a proteção dos direitos e reparação das violações. dirigidos e avaliados da mesma maneira como podem sê-lo a saúde. sacrificada por atos de nepotismo. um ministro do Tribunal Superior do Trabalho. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. de grande apelo popular. foi criado o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). em seu relatório de 2005 a prioridade do Poder Legislativo para a sua aprovação (ver página 94 do relatório).br Um exemplo disso é a Emenda Constitucional n. suscetíveis de serem organizados. com a consequente elaboração anual de relatório11. o CNJ é composto por membros do próprio Poder Judiciário e pode ser dividido da seguinte forma: (a) Membros do Judiciário (9): - o Presidente do Supremo Tribunal Federal. com atuação em todo o território nacional. admitida uma recondução. dizia respeito à moralidade administrativa. Controle de atuação administrativa e financeira significam uma avaliação do serviço prestado. Esta competência teve como motivação a necessidade de o Estado brasileiro oferecer às cidadãs e cidadãos do país uma administração de Justiça ágil. indicado pelo respectivo tribunal. alterações nas legislações e na própria Constituição12. sugerindo. um desembargador de Tribunal de Justiça. 11 Disponíveis para consulta no link http://www. e que o CNJ pediu. na magistratura estadual e federal.jus. 50. encontrando no âmbito do Conselho criado um foro adequado para a sua discussão ampla.

Pense. no Conselho.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO - um juiz estadual. 60. Min. (b) Membros das Funções essenciais à Justiça (4): Ministério Público (2): . caberá ao Presidente do STF presidir o Conselho Nacional de Justiça e. indicado pelo Supremo Tribunal Federal. “a existência. indicado pelo Superior Tribunal de Justiça. escolhido pelo procurador-geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual. um juiz de Tribunal Regional do Trabalho. medite e responda: FGV DIREITO RIO 23 . indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho. de notável saber jurídico e reputação ilibada. estende uma ponte entre o Judiciário e a sociedade. permitindo a oxigenação da estrutura burocrática do Poder e a resposta a críticas severas” (STF — Pleno — ADIN nº 3.dois advogados. caberá ao VicePresidente do STF. 2º da CF) e a vulneração das cláusulas pétreas (Art. indicado pelo procurador-geral da República. além de viabilizar a erradicação do corporativismo. César Peluso. nas suas ausências e impedimentos.um membro do Ministério Público estadual. Doutrina e jurisprudência muito divergiam a respeito da constitucionalidade da criação deste controle externo.§ 4º da CF). (c) Membros da sociedade escolhidos pelo Legislativo (2): - dois cidadãos. decisão: 13-4-2005). Para o Supremo Tribunal Federal. Cabe destacar que.367/DF — Rel. indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. com a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 61/2009. indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho. . de membros alheios ao corpo da magistratura.um membro do Ministério Público da União. Advocacia (2): . um juiz de Tribunal Regional Federal. um juiz federal. indicado pelo Superior Tribunal de Justiça. um juiz do trabalho. A discussão passava principalmente por dois pontos: a independência dos poderes (Art.

em artigo “Judiciário: Construindo um novo modelo. Tal criação já foi objeto de Ação de Declaração de Inconstitucionalidade. Executivo e Judiciário — vêm sofrendo um grande desgaste nas últimas décadas. O Judiciário tornou-se protagonista de uma série de conflitos. tendo como relator o ministro Cezar Peluso. tão preservada em nossa Constituição e que veio inclusive coberta pelo manto da imutabilidade das cláusulas pétreas? Ocorre que. que elevou significativamente o acesso à Justiça. tendo sido reconhecida a constitucionalidade do Conselho Nacional de Justiça. então Ministro do STF. as agências reguladoras. as estruturas do Poder — Legislativo. julgada em abril de 2005. — O aumento da criminalidade organizada. como por exemplo. em 2002. — A intensa judicialização das denominadas lesões de massa. No campo do Poder Executivo. havendo necessidade de uma ampla reforma política. O Parlamento não mais. mas não vem sendo capaz de dar as tão almejadas respostas à sociedade. O nosso Judiciário é considerado lento. as questões decorrentes dos planos econômicos. a ingerência cada vez maior do Estado na vida do particular. reflete a vontade popular. é inegável também a crise no Judiciário brasileiro. in “A reforma do Poder Judiciário no Estado do Rio de Janeiro. ineficaz e caro. necessariamente. Questões relevantes precisam ser discutidas para a reestruturação do Estado e dos poderes públicos. principalmente no tocante ao sistema eleitoral. A transformação do Estado Liberal para o Estado do Bem-Estar Social mudou completamente a relação Executivo — Sociedade. denominado Conselho Nacional de Justiça. Quais as causas para esta crise do Judiciário? Para o STF. 2005.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Viola a criação do CNJ a independência entre os poderes e as cláusulas pétreas? Até que ponto a criação desse órgão controlador não iria ferir a independência dos poderes. ocorrida em 2004. as causas são muitas. — O aumento do controle de constitucionalidade. FGV DIREITO RIO 24 . que criou o então órgão de controle externo. e na Justiça Federal. 13 Ministro Nelson Jobim... em 1995. São as privatizações. Fundação Getúlio Vargas-Rio de Janeiro. com a EC nº 45. tanto a nível concentrado quanto a nível difuso. ADIN nº 3367.13 Uma das soluções encontradas para se acabar com a crise no Judiciário foi a sua Reforma. como é cediço. problemas semelhantes se apresentam. mas especialmente: — A criação dos Juizados Especiais na Justiça Estadual. Da mesma forma.

na mesma ADIN.) 4.. Os Estados membros carecem de competência constitucional para instituir. financeira ou disciplinar da respectiva Justiça. como também. Órgão interno do Poder Judiciário de controle administrativo. Controle administrativo. Competência relativa apenas aos órgãos e juízes situados. Não há infringência nas funções típicas do Judiciário. Atribuições de controle da atividade administrativa. (.. Preeminência deste.. 102. Caráter nacional.. financeira e disciplinar. Conselho Nacional de Justiça. Preserva-se a imparcialidade e a independência do magistrado. Órgão interno ou externo... O Conselho Nacional de Justiça não tem nenhuma competência sobre o Supremo Tribunal Federal e seus ministros. PODER JUDICIÁRIO. sobre o Conselho. cuja constitucionalidade foi declarada. como órgão interno ou externo do Judiciário. nos seguintes termos: “(.) 3. apesar do mesmo passar a se submeter a um controle administrativo externo por parte do CNJ. cujos atos e decisões estão sujeitos a seu controle jurisdicional. I. letra “r”. Criação por Estado membro. da CF. inc.(. Inadmissibilidade.. PODER JUDICIÁRIO. a que aquele está sujeito. Inteligência dos art. sua cúpula administrativa. Conselho de Justiça. financeira e disciplinar da magistratura. Órgão de natureza exclusivamente administrativa. Esta decisão inova não somente em relação ao CNJ. e § 4º. Regime orgânico unitário.)” FGV DIREITO RIO 25 . hierarquicamente. financeiro e disciplinar da magistratura. abaixo do Supremo Tribunal Federal. como já tradicionalmente estabelecido. pois todas as decisões do CNJ sobre o controle da atuação administrativa e financeira dos tribunais e sobre a atuação funcional dos magistrados serão passíveis de controle jurisdicional pelo STF. conselho destinado ao controle da atividade administrativa. a partir da EC nº 45/04.. Falta de competência constitucional. Leia a seguir o trecho da decisão acerca deste ponto: “(. caput. sendo esse o órgão máximo do Poder Judiciário nacional. que fixará o último posicionamento. mas também reforça e centraliza na força do Supremo Tribunal Federal todo o ordenamento jurídico-constitucional brasileiro. financeiro e disciplinar. Torna o STF não só a cúpula jurisdicional do Poder Judiciário brasileiro.)” Seria constitucional um Estado da Federação criar um órgão similar ao CNJ no âmbito estadual? O Supremo Tribunal Federal também já teve a oportunidade de solucionar tal questão. como órgão máximo do Poder Judiciário.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Trata-se de um órgão cuja natureza é meramente administrativa.

garantindo maior efetividade na sua atuação. Para uma maior aproximação do Conselho Nacional de Justiça com a sociedade. empregos e funções por parentes. A Reforma do Judiciário lhe conferiu a importante atribuição de zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura. com competência para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos do Poder Judiciário. saber quais são as tão discutidas atribuições do CNJ. quais os limites destes atos regulamentares? Seriam eles regulamentos autônomos? Teriam eles força de lei? Por exemplo. não comportando a instituição de novos órgãos controladores em âmbito estadual. §7º. Desta forma. como bem assinalou o STF. a criação de Ouvidorias de Justiças. sua composição apresenta maioria absoluta de membros do Poder Judiciário. A Constituição Federal trouxe. portanto. § 4º. no dia 18 de outubro de 2005. Porém. agora. ela é eminentemente nacional e não comporta divisões. a EC nº 45/2004 previu ainda no Art. 103-B. três são os pontos caracterizadores do CNJ que afastam a possibilidade de declaração de sua inconstitucionalidade sob alegação de interferência na separação de Poderes: é órgão integrante do Poder Judiciário.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Como já ressaltado acima. em seu Artigo 103—B. ou recomendar providências. o Poder Judiciário é nacional e seu regime orgânico é unitário. no âmbito de sua competência. Questão que tem encontrado grande divergência jurisprudencial e doutrinária diz respeito aos limites do poder normativo do CNJ. Desta forma. Passam elas pelo controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. o Supremo Tribunal Federal.e existe possibilidade de controle de seus atos pelo órgão da cúpula do Poder Judiciário. Resta. podendo expedir atos regulamentares. representando diretamente ao CNJ. a jurisdição é una. ou contra seus serviços auxiliares. o CNJ expediu a Resolução nº 7. Como expressão do poder estatal. um rol exemplificativo das mais importantes atribuições do CNJ. FGV DIREITO RIO 26 . que disciplina o exercício de cargos.

face a cláusula de proibição de restrição a direitos e garantias fundamentais. a emitir atos regulamentares de carárter fiscalizatório. por meio de concessão de medidas liminares. exercendo o CNJ um controle destas. de caráter jurisdicional. impessoalidade. percebe-se que a mesma se encontra dentro dos parâmetros constitucionais delineados para o poder regulamentar do Conselho. sendo nulos os atos assim caracterizados. diz respeito a previsão de comportamentos futuros. portanto. o controle administrativo. moralidade. coibir a prática de nepotismo? Não haveria necessidade de lei para tanto? Há que se explicitar qual o real objetivo do constituinte ao conferir tal poder regulamentar ao CNJ. Desta forma. Pode o CNJ.. Seria um grande equívoco imaginar que a sociedade tivesse conferido ao CNJ o poder de. Voltando a Resolução nº 7 do CNJ. publicidade e eficiência (.)” FGV DIREITO RIO 27 .ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO cônjuges e companheiros de magistrados e de servidores investidos em cargos de direção e assessoramento. Isto porque. substituir a vontade geral do povo. por exemplo. Essa é a distinção. em face da reserva de lei. portanto: • não pode expedir atos regulamentares com caráter geral de abstrato. que se sustenta na reserva de lei. substituir o Poder Legislativo. Aliás. II da CR. somente em sede administrativa. 37. dos Estados. vedando a prática de nepotismo no âmbito de todos os órgãos do Poder Judiciário. Já a matéria reservada aos atos regulamentares do CNJ diz respeito as diversas situações que surjam da atividade concreta dos juízes. de ofício ou mediante provocação. ou seja. essa é a ratio essendi da criação do CNJ. São dois os limites. Da mesma forma. e • não pode se ingerir nos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. O poder de expedir atos regulamentares tem um objetivo específico. mediante resoluções. A matéria reservada à lei. Não pode o CNJ romper com os princípios da reserva da lei e da reserva de jurisdição. funcionais e institucionais. qual seja. apenas podem dizer respeito à situações concretas. no âmbito dos órgãos do Poder Judiciário. §4º. os atos regulamentadores do CNJ esbarram assim na impossibilidade de inovar e na impossibilidade de restringir direitos e garantias pessoais. porém. geral e abstrata. por intermédio de mera resolução. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade.. seria errôneo o entendimento de que o CNJ poderia substituir o próprio Poder Judiciário. o CNJ tem o dever de zelar pela observância do artigo 37 da Constituição Federal14 e apreciar. a legalidade dos 14 “Art. Deve-se restringir. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. Tratando-se de atos de fiscalização administrativa. conforme dispõe o Artigo 103-B.

moralidade. além de representar afronta aos princípios da isonomia. a atuação do Conselho Nacional de Justiça. poderia fazê-lo ex officio? Sim. Considerou-se a proibição constitucional de qualquer discriminação em razão da idade. a respeito do concurso público. Pode o CNJ. que o Plenário do STF. portanto. a proibição do preenchimento de cargos em comissão por cônjuges e parentes de servidores públicos é medida que homenageia e concretiza o princípio da moralidade administrativa. o VII Concurso Público para a Magistratura do Amapá. Ora. da razoabilidade e da legalidade. sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União e dos Tribunais de Contas dos Estados. 37 da Constituição. O Plenário do CNJ. 93. que limitava a participação no certame somente àqueles que haviam completado 45 anos de idade no último dia da inscrição. Outra decisão importante do CNJ. Legítima e constitucional. em qualquer esfera do poder. do Procurador-Geral da República ou do Presidente do Conselho Federal da OAB. tendo em vista a previsão contida nos artigos 91 e 93 do novo Regimento Interno do CNJ. Foi com base nestes dois artigos. Art. de ofício ou mediante provocação. publicidade e eficiência. revê-los ou fixar prazo para que se adotem providências necessárias ao exato cumprimento da lei. por unanimidade de votos. especialmente os de legalidade. de ofício. por unanimidade. anular concurso público para Juiz de Direito substituto? E mais. o qual deve nortear toda a Administração Pública.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO atos administrativos. A instauração de ofício do procedimento de controle administrativo poderá ser determinada pelo Plenário. Art. O controle dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judiciário será exercido pelo Plenário do CNJ. sempre que restarem contrariados os princípios estabelecidos no art. a legislação ordinária ou os editais de FGV DIREITO RIO 28 . foi a proferida no PCA (Procedimento de Controle Administrativo) nº 347 com relação ao concurso para ingresso na magistratura no Estado de São Paulo. afastou tal dispositivo do edital de abertura do concurso por considerar que a limitação de idade não coaduna com a interpretação sistêmica do ordenamento jurídico pátrio. mediante proposição de Conselheiro. por meio de um Procedimento Administrativo. notadamente no que se refere à inserção dos indivíduos no mercado de trabalho. impessoalidade. 91. negou o Mandado de Segurança 26163-DF impetrado contra decisão do CNJ que anulou. Sendo assim. podendo desconstituí-los.

é importante um olhar crítico aos limites dos poderes do CNJ e de seu congênere. § 3º. E que. o CNMP. Irresignada. continua sendo a Corte máxima deste Poder. inclusive. em razão do princípio da legalidade. Para tanto.cnj. 39. Carla foi obrigada a abandonar o cargo. dentre outras situações. de livre nomeação pelo Tribunal. vinculando todo o Poder Judiciário? LEITURA OBRIGATÓRIA: Resolução nº 07 do CNJ (Atualizada com a redação da Resolução nº 09/05 e nº 21/06) (www.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO concursos públicos só poderão fixar limites etários para ingresso no serviço público quando a natureza do cargo o exigir (art. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. Pergunta-se: Poderia o CNJ editar referida Resolução. sendo o órgão legitimado para o julgamento de questões que envolvam decisões tomadas pelo CNJ ou regulamentos por este expedidos. sem a exigência do concurso público. Ocorre que. por cônjuge.jus. estudante de direito e filha de um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. porém. isto é. até o terceiro grau. Lenio Luiz Streck e Clèmerson Clève. colateral ou por afinidade. dos respectivos membros ou juízes vinculados. tal exigência dependerá de expressa previsão legal. conceituando ainda como nepotismo. acerca do assunto: Os limites FGV DIREITO RIO 29 . ainda que possível em determinados casos a estipulação de idade mínima ou máxima para ingresso em cargo público. Cumpre-nos ressaltar. o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada. vedando a prática de nepotismo no âmbito de todo o Poder Judiciário. CF). companheiro ou parente em linha reta. em outubro de 2005.br) Finalmente. torna-se indispensável a leitura do artigo dos professores Ingo Sarlet. que o Supremo Tribunal Federal. ocupando um cargo em comissão. apesar da criação do Conselho Nacional de Justiça como órgão integrante do Poder Judiciário Brasileiro. o Conselho Nacional da Justiça editou a Resolução número 07. examine o caso a seguir: CASO DE SEDIMENTAÇÃO: Carla. trabalhava diariamente como assessora no gabinete de seu pai no Tribunal. Tendo em vista o material exposto a respeito do tema “Conselho Nacional de Justiça”.

3. 93. ao CNJ. 22. provendo-se metade das vagas por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno. DA CF: TRIBUNAL PLENO E ÓRGÃO ESPECIAL — 1 O Tribunal iniciou julgamento de liminar em mandado de segurança impetrado por desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo — TJSP contra decisão do Conselho Nacional de Justiça — CNJ que deferira. o que resultara no requerimento de instauração do aludido PCA. Marco Aurélio que considerava caber ao próprio relator definir a procedência ou não do pedido de concessão de liminar. tendo em conta o disposto na Lei 15 Disponível no site http://jus2. em questão de ordem.uol. com. Entendera o voto condutor da decisão do CNJ que. (MS-26411) — Informativo 460 ART. diante da extinção dos Tribunais de Alçada paulistas (EC 45/2004. exceto a eletiva. DA CF: TRIBUNAL PLENO E ÓRGÃO ESPECIAL — 2 Inicialmente. por integrantes do Órgão Especial. passariam automaticamente para a sua competência todas as atribuições administrativas e jurisdicionais que eram do Pleno. poderá ser constituído órgão especial. 4º). no ponto. XI. 93: “XI — nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores. XI. em parte.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO constitucionais das resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público(CNMP) 15 JURISPRUDÊNCIA Poder Judiciário ART. Vencido. o Presidente do TJSP convocara o Plenário para deliberar sobre as competências a delegar ao seu Órgão Especial. Sepúlveda Pertence. bem como para cassar todas as deliberações administrativas ou normativas do Tribunal Pleno que usurparam atribuições do Órgão Especial. MS 26411/DF. 93. visando manter a supremacia jurisdicional e administrativa deste (CF. Min. medida liminar em procedimento de controle administrativo — PCA para anular a expressão “a ser submetida à apreciação do Tribunal Pleno”.asp?id=7694. com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros. haja vista o disposto no novo inciso XI do art. art. 93 da CF. para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno. art. contida no art.”).br/doutrina/texto. por maioria.348/2006 do Presidente do TJSP. rel. criado o Órgão Especial.2007. 1º e todo o art. admitiu que o pedido liminar fosse submetido ao Pleno pelo relator. o Min. o Tribunal. FGV DIREITO RIO 30 . acesso em 27/11/2009. em violação do Enunciado Administrativo 2 do CNJ e das Constituições Estadual e Federal. 5º da Portaria 7. Na espécie.

DJU de 23.533/51 e no Regimento Interno do STF. ela própria. 22. Diante disso. 93 da CF. o § 2º do art. mas as confere aos órgãos que ela própria constitui. e que. nessa condição. 93. nele contida. DJU de 6.533/51 (“Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas. que o seu objeto seja da competência original do órgão delegante e.2007. Reputou densa a plausibilidade dos fundamentos do pedido de segurança. Salientou-se estar diante de mandado de segurança utilizado como substitutivo do conflito de competências ou atribuições entre órgãos não personalizados de estatura constitucional.93. ser de importância decisiva a menção. a Constituição nem institui. cuja competência sustentam. e não por titular individual do direito-função vindicado. Assim. relator. MS 20499/DF. por meio de delegação.4. o Min. MS 26411/DF. Afirmou que a Constituição não delega competências. ao exercício de atribuições delegadas da competência do Tribunal Pleno. a eficácia da decisão impugnada. Em seguida.87).3. haja vista que a decisão do CNJ minimiza a inovação substancial do texto ditado pela EC 45/2004 para o inciso XI do art. Considerou-se bastar a legitimá-los para impetração que. transfira o exercício dessas atribuições ao Órgão Especial que resolva instituir. até a decisão do mandado de segurança. se pretendam titulares do direito de voto nas suas deliberações respectivas. Sepúlveda Pertence. concluiu caber ao Tribunal Pleno FGV DIREITO RIO 31 . DA CF: TRIBUNAL PLENO E ÓRGÃO ESPECIAL — 3 Quanto à questão de mérito. inexistente nos textos anteriores concernentes à instituição do Órgão Especial — compulsória na EC 7/77 à Carta decaída. rel. XI. por isso. e. participem do Plenário. Ressaltou. no caso. incidindo. qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança”). a delegação introduzida pela EC 45/2004 tem dois pressupostos sucessivos: primeiro. 1º da Lei 1. Min. (MS-26411) ART. e facultada no texto original da Constituição. o Órgão Especial nos grandes tribunais — diferentemente do que determinava a EC 7/77 —. bem como o Enunciado da Súmula 622 do STF (“Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que concede ou indefere liminar em mandado de segurança”). deferiu a liminar para suspender. nem lhe concede todas as atribuições jurisdicionais e administrativas do Tribunal Pleno.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 1. Asseverou-se ser improcedente. e citou-se jurisprudência da Corte no sentido de ser reconhecida a legitimação do titular de uma função pública para requerer segurança contra ato do detentor de outra tendente a obstar ou usurpar o exercício da integralidade de seus poderes ou competências (MS 21239/DF. como desembargadores. ademais. o ato deste que delega a outro o seu exercício. de início. afirmou-se a legitimidade ativa dos impetrantes.11. segundo. Sepúlveda Pertence. objeção acerca da legitimidade em virtude de a ordem ter sido impetrada por uma parcela de integrantes do Plenário do TJSP. mas apenas faculta a este que.

qual seja. patente a relevância constitucional dos fundamentos da impetração. financeiro e disciplinar da magistratura. com todas as consequências que poderiam advir para o funcionamento o TJSP. com exclusividade. a legalidade funcional. 22. fundacional pública e autárquica. até a decisão definitiva do mandamus. Outros precedentes citados: ADI 1051/SC (DJU de 13. uma única exceção. e os proventos. Legislativo e Judiciário. o risco de manter a eficácia do ato impugnado. artigos 2º. por fim.97). “produzir os documentos e relatórios necessários ao pagamento dos estipêndios do funcionalismo público”. que a circunstância de a CPSAL ser composta também por representante do Poder Judiciário não afastaria o vício da inconstitucionalidade. o Tribunal julgou procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros — AMB para declarar a inconstitucionalidade da Lei alagoana 5.9. respectivamente). FGV DIREITO RIO 32 .ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO constituir ou manter o Órgão Especial e delegar-lhe parcial ou totalmente suas atribuições com. ADI 183/MT (DJU de 31. Informativo 67.10. pelo menos.97). Sepúlveda Pertence. além de permitir que o Poder Judiciário interferisse indevidamente nos demais Poderes. Cezar Peluso.10. que. e endossar. rel.2006).97). pediu vista o Min.2007. e inclui entre as responsabilidades desta a de “aferir. cuja invalidade seria de declaração provável. ainda. as suas ponderações e escolhas. o pagamento de todos os servidores públicos. seria manifesto na eventualidade de ter-se um regimento votado pelo Órgão Especial. abrangendo os das administrações direta e indireta. dos Poderes Executivo. e “prover. quanto a seus servidores.913/97. Observou-se. em que declarada a constitucionalidade da criação do Conselho Nacional de Justiça — CNJ exatamente por se tratar de órgão interno de controle administrativo. Min. que cria a Central de Pagamentos de Salários do Estado de Alagoas — CPSAL. prevalecessem. 96 e 99.8. ao que decidido na ADI 3367/ DF (DJU de 22.10. ademais. Considerou. Após. de cada servidor público”. salientando o fato de se ter posto ali em evidência a vedação constitucional a interferências externas que possam. Reportou-se. ADI 98/MT (DJU de 31. o poder normativo de elaborar o regimento interno do tribunal e nele dispor sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos. (MS-26411) — Informativo 460 ADI E AUTONOMIA FINANCEIRA E ADMINISTRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO Por considerar caracterizada a ofensa à independência e harmonia dos Poderes e à autonomia administrativa e financeira do Poder Judiciário (CF. do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Estado” — v. de alguma forma.95). MS 26411/DF. afetar negativamente a independência da magistratura. não garantiria que sua atuação. e que esse fato. por não constituir órgão externo à estrutura do Poder Judiciário.3. ou seja. ADI 135/PB (DJU de 15.

SS 3457 AgR/MT. a liminar no mandado de segurança fora concedida para suspender o preenchimento desse cargo até o julgamento do mérito da impetração. se se adotasse o entendimento de que a EC 45/2004 teria estabelecido o retorno ao regime de merecimento puro na promoção de magistrados para os Tribunais de Justiça. (SS-3457) — Informativo 494 FGV DIREITO RIO 33 . o que levaria ao desvirtuamento do sistema previsto na Constituição para a promoção por merecimento dos juízes estaduais. considerada em termos de ordem jurídico-constitucional. Sustentavam os agravantes que impetraram o referido writ para assegurar o direito de serem votados para compor a lista tríplice de acesso. Cármen Lúcia. a incidência da Resolução 4/2006/OE daquela Corte.3. contra decisão que deferira pedido de suspensão da execução de liminar. Ellen Gracie. Tendo em conta a publicação do edital do concurso de acesso. Min. ADI 1578/AL.2. ao cargo de desembargador. independentemente de integrarem a primeira quinta parte da lista de antiguidade da entrância especial. 6º da Resolução 6/2005 do Conselho Nacional de Justiça — CNJ.2. rel. que suspendera o preenchimento de cargo aberto pela aposentadoria de desembargador. (SS-3457) — Informativo 494 PREENCHIMENTO DE CARGO DE DESEMBARGADOR E CRITÉRIO DE MERECIMENTO — 2 Entendeu-se que a decisão agravada deveria ser mantida em razão de não terem sido infirmados ou ilididos os fundamentos por ela adotados. porque.2004). 4. rel. qual seja. SS 3457 AgR/MT.97). dessa forma. por juízes de direito. por merecimento. afastando. por maioria. pelo critério de merecimento. a grave lesão à ordem pública restaria também comprovada. rel. 14. permitir-se-ia que magistrados não integrantes da primeira quinta parte da lista de antiguidade da última entrância pudessem alcançar o cargo máximo da magistratura estadual.2008.2008. (ADI-1578) Informativo 537 PREENCHIMENTO DE CARGO DE DESEMBARGADOR E CRITÉRIO DE MERECIMENTO — 1 O Tribunal.2009. negou provimento a agravo regimental interposto. ADI 2831 MC/RJ (DJU de 28.5. Min.10. a de que a decisão impugnada impediria a aplicação da Resolução do CNJ. fundada no art. 14. concedida em mandado de segurança em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso — TJMT. inibindo o exercício de suas atribuições institucionais. Asseverou-se que o Estado requerente demonstrara a situação configuradora da grave lesão à ordem pública. Além disso. Min.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO ADI 137/PA (DJU de 3. Ellen Gracie.

bem como em razão de a EC 45/2004 ter suprimido do art. teria agido dentro do âmbito de sua competência (CF. SS 3457 AgR/MT. Presidente. aguardando o julgamento final do feito. ademais.2008. § 4º.2. suspensa a liminar no mandado de segurança. “será feita entre os membros integrantes da metade mais antiga da Corte Superior que ainda não tenham exercido o cargo. rel. na redação que lhe foi dada pela EC 45/2004. 93 da CF. Corregedor-Geral de Justiça e Vice-Corregedor. art. Vencidos os Ministros Marco Aurélio e Carlos Britto. o TJMT. II. proferida pelo Min. por fim. Gilmar Mendes. ainda. o alargamento da clientela. Ellen Gracie. para suspender os §§ 2º e 3º do art. implicando. 93. o que produziria distorções. Referidos dispositivos estabelecem. Ressaltou-se. sendo considerado eleito o desembargador que obtiver a maioria de votos da totalidade dos membros do Tribunal Pleno” e que “a metade FGV DIREITO RIO 34 . da CF a expressão “de acordo com o inciso II”. 14. o qual dispunha sobre a exigência de integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antiguidade para fins de promoção por merecimento de entrância para entrância. como autor dela própria. o preenchimento. que a eleição para Presidente e Vice-Presidente do Tribunal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO PREENCHIMENTO DE CARGO DE DESEMBARGADOR E CRITÉRIO DE MERECIMENTO — 3 Aduziu-se. 103-B. que a Constituição haveria de ser interpretada com razoabilidade e que os agravantes estariam a interpretar o inciso III do art. (SS-3457) — Informativo 494 MAGISTRATURA NACIONAL ADI e Cargos de Direção de Tribunal de Justiça O Tribunal referendou decisão concessiva de liminar. a possibilidade de ocorrência do denominado “efeito multiplicador”. em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Procurador-Geral da República. de forma literal e estanque. que davam provimento ao recurso. ao editar a Resolução 6/2005. haja vista que. não implementaria. de qualquer forma. 100 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. a fim de zelar pela observância da impessoalidade e da máxima objetividade na escolha dos juízes a compor a lista de promoção por merecimento. respectivamente. Salientou-se. I e II). por considerar que o ato atacado mediante o agravo não teria uma concretude maior. Min. em face da existência de magistrados em outras unidades da federação em situação idêntica à dos agravantes. que os agravantes estariam tentando contornar a orientação firmada pelo CNJ que. portanto.

ADI 4108 Referendo-MC/MG. que julgava o pleito totalmente improcedente.2009. 93 da CF. que superavam a inconstitucionalidade formal para dar interpretação conforme ao referido art. e não necessariamente com o expediente do foro de caráter geral. por considerar que o referido dispositivo é harmônico com a CF que permite que o magistrado ocupe um cargo de magistério. excepcionando-se o exercício em cursos especializados pela Escola Superior da Magistratura. da LOMAN (“O exercício de cargo de magistério superior. os Ministros Cezar Peluso e Joaquim Barbosa. 2º do Provimento 4/2005. Marco Aurélio. que veda ao magistrado o exercício do magistério em horário coincidente com o expediente do foro.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO referida no parágrafo anterior será apurada depois de excluídos os desembargadores inelegíveis. 93 da CF. § 1º.6. Vencido o Min. em qualquer hipótese. em princípio. já prevista no art. rel. Precedentes citados: ADI 3566/DF (DJU de 15. 26. por tratar de matéria reservada à lei complementar de iniciativa do STF. ADI 3976 MC/SP (DJE de 15. 27. 102 da Lei Orgânica Nacional da Magistratura — LOMAN (LC 35/79).2. Sepúlveda Pertence. desde que não prejudique a atividade judicante. o disposto no art.2008). Min. Min. nos termos do art. que prevê a eleição de magistrados para os cargos de direção dos tribunais de forma diversa. Vencidos.2007. da Corregedoria Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul. bem como não observam o art. Entendeu-se que o dispositivo impugnado ofende a competência reservada à lei complementar. ADI 3508/MS. afrontam. rel. Entendeu-se que os preceitos impugnados. Ellen Gracie. para que se entenda que o horário seja coincidente com o expediente a que está obrigado o magistrado.2. o desempenho de função de direção administrativa ou técnica de estabelecimento de ensino”). os impedidos e os que.6. somente será permitido se houver correlação de matérias e compatibilidade de horários.2007). declararem que não são candidatos”. (ADI-4108) Informativo nº 534 Magistrado e Horário para Magistério O Tribunal julgou parcialmente procedente pedido formulado em ação direta proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros — AMB para declarar a inconstitucionalidade do art. 2º. também. vedado. ao ampliar o rol de magistrados aptos a serem eleitos para os cargos de direção daquela Corte. haja vista se tratar de matéria estatutária. 2. público ou particular. (ADI-3508) — Informativo 473 FGV DIREITO RIO 35 . antecipadamente.

não é mais necessário.2003). 95. LV. na qual consignada a perda do cargo. I. mas aos jurisdicionados. Por fim. nesse caso. pois. RE 549560/CE.4. em que se discute se o foro especial por prerrogativa de função se estende ou não àqueles que se aposentam em cargos cujos ocupantes ostentam tal prerrogativa. que o FGV DIREITO RIO 36 . o que estabelecido pela Corte no RE 291485/RJ (DJU de 23. e § 2º e 93. no exercício do ofício judicial. em decorrência de sua aposentadoria. com o cancelamento do Enunciado da Súmula 394 do STF. a. ambos da CF e.2001). Ressaltou. também.11. Informativo 485. a. ao fundamento de que. (RE549560) — Informativo 495 Juiz Aposentado: Vitaliciedade e Prerrogativa de Foro — 2 O Min. o submeteria. não há de perdurar o foro especial. no sentido de que o foro especial por prerrogativa de função tem por objetivo o resguardo da função pública. de agravo de instrumento convertido em recurso extraordinário criminal interposto.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Juiz Aposentado: Vitaliciedade e Prerrogativa de Foro — 1 O Tribunal iniciou julgamento de recurso extraordinário. O ora recorrente sustenta a incidência do art. estaria afastada a competência originária do STJ para proceder ao julgamento de juiz do TRT aposentado. IX. I e 105. que a correta leitura do art. requer sejam tidos como transgredidos os artigos 94. no qual se consignara que.2001). assegurador da vitaliciedade aos magistrados. da CF. da CF. Reportou-se ao que decidido no HC 80717/SP (DJU de 5. alternativamente. não havendo mais o exercício da função judicante. na espécie. que o magistrado. haja vista que o resguardo dos jurisdicionados. contra decisão da Corte Especial do STJ que declinara de sua competência. 105. da CF — v. pleiteia o reconhecimento da negativa de vigência aos artigos 5º. incluiria também os desembargadores aposentados. e que.3. relator. entendimento baseado no julgamento do Inq 687 QO/SP (DJU de 9. a juiz que eventualmente tenha recebido alguma sanção disciplinar. não teria direito à prerrogativa de foro pelo encerramento definitivo da função. em ação penal contra ele instaurada. ainda.2008. I. negou provimento ao recurso por entender que a pretensão do recorrente esbarra na orientação jurisprudencial fixada pelo Supremo. na qualidade de ex-presidente e ex-corregedor-geral. Trata-se. ainda. 20. garantia que está voltada não à pessoa do juiz. rel. Ricardo Lewandowski. I. Alega. uma vez que interpretação diversa desse dispositivo o colocaria em situação inusitada.2. LIV. Min. sob a alegação de que esta somente poderia ser afastada por sentença judicial transitada em julgado. afetado ao Pleno pela 1ª Turma. Ricardo Lewandowski. XXXV. por desembargador aposentado. Citou. goza da prerrogativa de foro especial.

ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO

provimento vitalício é o ato que garante a permanência do servidor no cargo, aplicando-se apenas aos que integram as fileiras ativas da carreira pública. Por fim, aduziu não haver se falar em parcialidade do magistrado de 1ª instância para o julgamento do feito, porquanto a lei processual prevê o uso de exceções capazes de afastar essa situação. Em seguida, o Min. Marco Aurélio levantou questão acerca da impossibilidade de se discutir a matéria, que já se encontraria julgada por esta Corte, em processo objetivo (ADI 2797/DF, DJU de 19.12.2006), sob pena de se atuar como legislador positivo, restabelecendo, embora de forma mitigada, o § 1º do art. 84 do CPP. No ponto, o relator acompanhou essa manifestação, mantendo seu voto. RE 549560/CE, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 20.2.2008. (RE549560) — Informativo 495

Juiz Aposentado: Vitaliciedade e Prerrogativa de Foro — 3

Em divergência, o Min. Menezes Direito deu provimento ao recurso para assegurar ao magistrado aposentado plena prerrogativa das garantias que são inerentes à magistratura, ao fundamento de que o ato que é objeto do processo foi praticado no exercício das funções judicantes. Salientou, inicialmente, estar-se diante de situação exemplar não contemplada em nenhum dos precedentes citados, que deveria ser analisada pela Corte, qual seja, o fato de que um ex-desembargador, aposentado hoje, ter praticado um delito no exercício da função judicante. Disse que, se o magistrado é vitalício no exercício da função judicante, e se ele, eventualmente, em razão dessa atividade, comete certo ato que pode ser objeto de determinada ação, essa ação não se referiria a nenhuma atividade posterior ao exercício da atividade judicante, mas concretamente ao exercício da atividade judicante. Assim, quando um magistrado, sob qualquer circunstância, em qualquer instância, exercesse atividade judicante, ele teria de ter, até por princípio de responsabilidade do sistema constitucional, a proteção que a CF lhe assegura (CF, art. 95, I). Mencionou, ademais, dispositivo constante do Estatuto de Roma, que aprovou o Estatuto do Tribunal Penal Internacional, integrado pela adesão brasileira e relativo à garantia dos juízes que dele fazem parte (“Artigo 48º... 2 — Os juízes, o procurador, os procuradores-adjuntos e o secretário gozarão, no exercício das suas funções ou em relação a estas, dos mesmos privilégios e imunidades reconhecidos aos chefes das missões diplomáticas, continuando a usufruir de absoluta imunidade judicial relativamente às suas declarações, orais ou escritas, e aos atos que pratiquem no desempenho de funções oficiais após o termo do respectivo mandato.”). Após, o julgamento foi suspenso com o pedido de vista do Min. Eros Grau. RE 549560/CE, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 20.2.2008. (RE549560) — Informativo 495

FGV DIREITO RIO

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ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
Conselho Nacional de Justiça e Atribuições — 1

O Tribunal iniciou julgamento de questão de ordem suscitada pelo Min. Sepúlveda Pertence em dois mandados de segurança, dos quais relator, impetrados contra o Conselho Nacional de Justiça — CNJ, que julgara improcedente Procedimento de Controle Administrativo — PCA, formulado com o objetivo de trancar procedimento disciplinar instaurado, contra o impetrante, juiz federal, no TRF da 3ª Região, para apurar supostas ilegalidades no processamento e julgamento de habeas corpus. O Min. Sepúlveda Pertence, relator, resolveu a questão de ordem no sentido de referendar a decisão de indeferimento da liminar e não conhecer da segurança. Salientou, inicialmente, a necessidade de se proceder a uma redução teleológica da alínea r do inciso I do art. 102 da CF, aditada pela EC 45/2004, que conferiu ao Supremo a competência originária para processar e julgar as ações contra o CNJ, de modo a não converter a Corte, por meio do mandado de segurança, em verdadeira instância ordinária de revisão de toda e qualquer decisão do Conselho. Asseverou, no ponto, ser preciso distinguir as deliberações do CNJ que implicam intervenção na órbita da competência ordinária confiada, em princípio, aos juízos ou tribunais submetidos ao seu controle das que traduzem a recusa de intervir. Esclareceu, quanto às primeiras, as positivas, não haver dúvida de que o CNJ se torna responsável pela eventual lesão ou ameaça de lesão a direito consequentes, submetidas ao controle jurisdicional do Supremo, como, por exemplo, as que avoquem processos disciplinares em curso nos tribunais, apliquem sanções administrativas, desconstituam ou revejam decisões deles ou lhes ordene providências, mas que, diversamente, quanto às segundas, as negativas, o Conselho não substitui por ato seu o ato ou a omissão dos tribunais, objeto da reclamação, que, por conseguinte, remanescem na esfera de competência ordinária destes. MS 26710 QO/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 2.8.2007. (MS-26710) MS 26749 QO/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 2.8.2007. (MS-26749) — Informativo 474

Conselho Nacional de Justiça e Atribuições — 2

O relator considerou que, no caso, o CNJ, ao recusar o pedido do interessado de ordenar ao TRF que não instaurasse o processo disciplinar cogitado, nada decidira a respeito de sua instauração ou não, deixando à deliberação do órgão judicial reclamado. Ressaltou que nem mesmo a motivação da decisão negativa do CNJ vincularia o tribunal federal, que estaria livre para acolher qualquer das alegações do interessado, seja mediante decisão administrativa

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ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO

de não instaurar o processo disciplinar, seja, a fortiori, no exercício do controle jurisdicional de deliberação administrativa em sentido contrário, o qual, mediante mandado de segurança, é de sua competência originária (LOMAN, art. 21, VI). Desse modo, afirmou que a ameaça de abertura do processo disciplinar, contra a qual se insurge o impetrante, continuaria imputável exclusivamente ao tribunal a que está subordinado, e que careceria o Supremo de competência originária para conhecer do pedido de mandado de segurança. Após, pediu vista dos autos o Min. Cezar Peluso. MS 26710 QO/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 2.8.2007. (MS-26710) MS 26749 QO/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 2.8.2007. (MS-26749) — Informativo 474

Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes — 1

O Tribunal deu parcial provimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte que reputara constitucional e legal a nomeação de parentes de vereador e Vice-Prefeito do Município de Água Nova, daquela unidade federativa, para o exercício dos cargos, respectivamente, de Secretário Municipal de Saúde e de motorista. Asseverou-se, inicialmente, que, embora a Resolução 7/2007 do CNJ seja restrita ao âmbito do Judiciário, a vedação do nepotismo se estende aos demais Poderes, pois decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput, da CF, tendo aquela norma apenas disciplinado, em maior detalhe, aspectos dessa restrição que são próprios a atuação dos órgãos jurisdicionais. Ressaltou-se que o fato de haver diversos atos normativos no plano federal que vedam o nepotismo não significaria que somente leis em sentido formal ou outros diplomas regulamentares fossem aptos para coibir essa prática, haja vista que os princípios constitucionais, que não configuram meras recomendações de caráter moral ou ético, consubstanciam regras jurídicas de caráter prescritivo, hierarquicamente superiores às demais e positivamente vinculantes, sendo sempre dotados de eficácia, cuja materialização, se necessário, pode ser cobrada por via judicial. Assim, tendo em conta a expressiva densidade axiológica e a elevada carga normativa que encerram os princípios contidos no caput do art. 37 da CF, concluiu-se que a proibição do nepotismo independe de norma secundária que obste formalmente essa conduta. Ressaltou-se, ademais, que admitir que apenas ao Legislativo ou ao Executivo fosse dado exaurir, mediante ato formal, todo o conteúdo dos princípios constitucionais em questão, implicaria mitigar os efeitos dos postulados da supremacia, unidade e harmonização da Carta Magna, subvertendo-se a hierarquia entre esta e a ordem jurídica em geral. RE 579951/RN, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 20.8.2008. (RE-579951)

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Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes — 2

Aduziu-se que art. 37, caput, da CF/88 estabelece que a Administração Pública é regida por princípios destinados a resguardar o interesse público na tutela dos bens da coletividade, sendo que, dentre eles, o da moralidade e o da impessoalidade exigem que o agente público paute sua conduta por padrões éticos que têm por fim último alcançar a consecução do bem comum, independentemente da esfera de poder ou do nível político-administrativo da Federação em que atue. Acrescentou-se que o legislador constituinte originário, e o derivado, especialmente a partir do advento da EC 1/98, fixou balizas de natureza cogente para coibir quaisquer práticas, por parte dos administradores públicos, que, de alguma forma, buscassem finalidade diversa do interesse público, como a nomeação de parentes para cargos em comissão ou de confiança, segundo uma interpretação equivocada dos incisos II e V do art. 37 da CF. Considerou-se que a referida nomeação de parentes ofende, além dos princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade, o princípio da eficiência, haja vista a inapetência daqueles para o trabalho e seu completo despreparo para o exercício das funções que alegadamente exercem. Frisouse, portanto, que as restrições impostas à atuação do administrador público pelo princípio da moralidade e demais postulados do art. 37 da CF são autoaplicáveis, por trazerem em si carga de normatividade apta a produzir efeitos jurídicos, permitindo, em consequência, ao Judiciário exercer o controle dos atos que transgridam os valores fundantes do texto constitucional. Com base nessas razões, e fazendo distinção entre cargo estritamente administrativo e cargo político, declarou-se nulo o ato de nomeação do motorista, considerando hígida, entretanto, a nomeação do Secretário Municipal de Saúde. RE 579951/RN, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 20.8.2008. (RE-579951)

Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes — 3

O Tribunal aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante 13 nestes termos: “A nomeação de cônjuge, companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”. A edição do verbete ocorreu após o julgamento do recurso extraordinário acima relatado. Precedentes citados: ADI 1521/RS (DJU de 17.3.2000); ADC 12 MC/DF (DJU de 1º.9.2006); MS 23780/MA (DJU de 3.3.2006); RE 579951/RN (j. em 20.8.2008).

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III. (b) Todas as afirmações estão corretas. 02. II. Os Tribunais poderão declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. pelo voto da maioria de seus membros ou dos membros do seu órgão especial. I.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO LEITURA COMPLEMENTAR: Constitucionalidade e Legitimidade da criação do Conselho Nacional de Justiça. dos serviços auxiliares e os juízos que lhe forem vinculados. o Magistrado só poderá perder seu cargo por sentença judicial transitada em julgado. Somente poderão ingressar no STF os Ministros que exerceram durante dois anos suas funções no STJ.com. Desde seu ingresso na carreira.justiçavirtual.br >artigos clássicos constitucional QUESTÕES ACERCA DA MATÉRIA: 01. (e) Apenas as afirmações III e IV estão corretas FGV DIREITO RIO 41 .Analise as afirmações abaixo: (Magistratura — TJ/SP).Assinale a alternativa INCORRETA: (a) A Constituição Federal assegura ao Poder Judiciário autonomia administrativa e financeira (b) Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público (c) Os juízes não podem dedicar-se à atividade político-partidária (d) O Supremo Tribunal Federal é competente para alterar o número de membros dos tribunais inferiores. Luís Roberto Barroso. (e) Os juízes não podem receber custas ou participação em processo. dos juízes e. onde houver. Pode-se afirmar que: (a) Todas as afirmações estão incorretas. (d) Apenas a afirmação III está correta. O Magistrado só poderá exercer uma função no Magistério se estiver em disponibilidade. IV. (c) Apenas as afirmações I e II estão corretas. criar e extinguir cargos e fixar vencimentos de seus membros. Artigo disponível na internet: http://www.

(d) será composto. (b) será presidido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal. (d) A Vitaliciedade impede definitivamente a perda do cargo pelos juízes. (e) N. Em relação às garantias e funções do Poder Judiciário é correto: (Procurador do Estado de Goiás — 8o concurso) (a) Lei específica. salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago. do Distrito Federal e dos Territórios será composto de membros do FGV DIREITO RIO 42 . (c) A irredutibilidade de subsídio torna os juízes imunes à tributação por meio do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 03. admitida uma recondução. O Conselho Nacional de Justiça (Magistratura — TJ/SP — 177º Concurso): (a) é composto por 15 (quinze) membros com mais de 30 (trinta) e menos de 66 (sessenta e seis) anos de idade. que votará em caso de empate. (b) A promoção por merecimento pressupõe quatro anos de exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antiguidade desta. por 02 (dois) membros do Ministério Público Estadual.A 05. (c) terá competência. dos Tribunais dos Estados. de iniciativa do Congresso Nacional. 04.R. é correto afirmar que: (OAB/ Exame de Ordem). (e) Nenhuma das respostas acima. Há alguma exceção à garantia de inamovibilidade dos Juízes? Resposta objetivamente justificada (TJ/SP — Magistratura) 06. (b) A inamovibilidade pode ser afastada por motivo de interesse publico. para rever os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de 02 (dois) anos.Em relação às garantias da magistratura. (c) Um quinto dos lugares dos TRF´s. com mandato de dois anos. disporá sobre o Estatuto da Magistratura. dentre outros. (a) A vitaliciedade é sempre adquirida pelos magistrados após dois anos de exercício no cargo. caso a isso provocado. escolhidos pelo Procurador-Geral da República entre aqueles indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual.

de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado. e. (d) Vitaliciedade. dependendo a perda do cargo. que. de sentença judicial transitada em julgado.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Ministério Público e de advogados com mais de quinze anos de efetiva atividade profissional.A FGV DIREITO RIO 43 . no primeiro grau. nesse período.R. só será adquirida depois de dois anos de exercício. indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. (e) N. nos demais casos.

que se fundamenta essencialmente e.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULA 3: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 1. Esse é o modelo de Justiça constitucional europeu. ao qual iremos nos ater agora de forma mais detalhada. Não chefia administrativamente os demais órgãos da jurisdição. onde apenas questões de direito são apreciadas e não questões de fato. esses dois tribunais julgam os recursos especial (STJ) e extraordinário (STF). em relação a todos os órgãos da jurisdição. sem deixar de ser autêntico órgão judiciário. enquanto ao STJ compete as questões federais infraconstitucionais. neste último caso. na verdade. órgãos de superposição. O Supremo Tribunal Federal representa o ápice da estrutura judiciária nacional e articula-se quer com a Justiça comum. São recursos de extrema excepcionalidade. INTRODUÇÃO O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) são Tribunais da União que possuem a especificidade de não pertencerem a qualquer das Justiças. São. órgãos cuja competência originária vem determinada de forma expressa na Constituição. porém. tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional. 2. que o sistema brasileiro não consagra a existência de uma corte constitucional encarregada somente de resolver as questões constitucionais do processo sem decidir a causa. mas sem dúvida os encabeça funcionalmente: o STF é a máxima instância de superposição. em regra. face a independência jurídica dos magistrados. ORGANIZAÇÃO O Supremo Tribunal Federal. São. quer com as Justiças especiais. além da competência para julgar recursos interpostos em causas que já tenham exaurido todos os graus das Justiças comuns e especiais. Há que se ressaltar. no sistema brasileiro. O Supremo Tribunal Federal constitui-se. E mais: somente exame do direito nacional (aplicação em todo o território brasileiro) e não do direito local (estadual e municipal). FGV DIREITO RIO 44 . na corte constitucional por excelência. A principal distinção entre estes dois tribunais reside no fato do STF julgar questões exclusivamente constitucionais. Quanto ao exercício desta competência de superposição. na noção de um Tribunal Constitucional com competência específica para conhecer os litígios constitucionais.

Já existe inclusive um projeto de emenda constitucional que tende a restringir a ampla liberdade dada ao presidente FGV DIREITO RIO 45 . 101. escolhe livremente o candidato. Outro requisito para nomeação encontra-se inscrito no art. IV da Constituição. Naquele momento. é melhor fazer o sistema funcionar por Flávio Portinho Sirangelo Está em curso o debate sobre o modo de provimento dos cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal. crise agravada pelo recente julgamento do chamado “Caso Mensalão”. estando cinco ministros em cada uma delas. portanto. 7 (sete) dos 11 (onze) ministros que compõem o STF haviam sido indicados pelo Presidente. provocando a maior crise política no governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva. A distribuição dos 11 ministros se dá em duas turmas. extraídos da revista eletrônica Consultor Jurídico. Os ministros devem estar no gozo dos direitos políticos. O critério de escolha é eminentemente político. para poder ser nomeado pelo chefe do Poder Executivo. que o STF não exige a obrigatoriedade do bacharelado em ciências jurídicas e. Art. § 3º. notável saber jurídico e reputação ilibada. tão pouco. que seus membros sejam provenientes da magistratura. O Presidente da República. 2º ao 4º) O ingresso ao Supremo Tribunal Federal não se faz por carreira. O STF. O STF o fez fixando o seu funcionamento no plenário ou em turmas. Vê-se. presentes os requisitos constitucionais para investidura. de autoria de membros da magistratura. com a participação do chefe do Poder Executivo e do Legislativo. mas também no meio político e social. Desta forma. mas por nomeação do Presidente da República. depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal. assim como os outros tribunais. por meio do Senado Federal. 12. num total de 11 membros. pergunta-se: Os critérios para a investidura do ministro do STF são justos? Leia os textos abaixo. Indicação ao Supremo Ao invés de mudar. que será sabatinado pelo Senado Federal. ter mais de 35 anos e menos de 65 de idade. sendo certo que o presidente apenas participa das sessões plenárias (RISTF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Sua composição vem discriminada na Constituição Federal. Este critério vem gerando grandes discussões não só no meio jurídico. esquema montado para distribuir recursos para partidos aliados ao governo. ao exigir sejam eles brasileiros natos. devendo ser aprovado pela maioria absoluta de seus membros. Art. tem a prerrogativa de organizar sua atuação interna mediante a elaboração do próprio regimento interno.

não é necessariamente correta. Tudo decorre. o que daria ao presidente Lula. sobressaem o comprometimento excessivamente ideológico ou partidário do candida- FGV DIREITO RIO 46 . teve. Por esta razão. já que os juízes do STF não integram qualquer tipo de carreira no serviço público. é indispensável que o Senado faça uma avaliação profunda e efetiva da indicação. de alguns dos atuais ministros. Se é válida a premissa de que há um risco para o equilíbrio dos poderes. por razões diversas. a maioria da Suprema Corte. não é incomum a recusa pelo Legislativo de indicações judiciais feitas pelo chefe do Executivo. ao invés de mudar o que já existe — e correr o risco provável de mudar para pior —. era qualificado. na prática. Dentre as motivações de recusa. a contrário senso. na verdade. mesmo que se trate de alguém possuidor de notável saber jurídico e reputação ilibada. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. George Washington. como se vê. o líder da independência e primeiro presidente dos EUA. diante da coincidência de várias sucessões de cadeiras no STF durante um mesmo mandato presidencial. recusada pelo Senado americano uma indicação que fez para a Suprema Corte. compartilhando-as com o presidente. Nesta atuação. O candidato John Rutlege. O processo de nomeação é um processo de natureza política. É legítimo esperar. de um fato recente: o anúncio da iminente saída. Nos Estados Unidos. é mais razoável esperar que os ritos políticos de indicação. A Constituição prevê que os ministros do STF sejam nomeados pelo presidente da República. que o Senado exerça a tarefa de recusar a indicação se ela se mostrar equivocada do ponto de vista do interesse republicano e institucional. Na minha opinião. inclusive. já exercia funções judiciais e havia sido inclusive um dos convencionais que escreveram a Constituição. o privilégio incomum de compor.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO da República para fazer a indicação. muitas indicações presidenciais para a Suprema Corte dos Estados Unidos foram recusadas no Senado por inúmeras e variadas motivações. o Senado é governo e exerce funções executivas de governo. consideradas as nomeações já feitas por ele até agora. A pergunta que tem sido feita é a seguinte: haverá risco de abalo à independência da Corte Suprema e do próprio Judiciário se restar concentrado nas mãos de um único presidente o poder de indicação da maioria dos juízes? A resposta a esta indagação não é singela. com os juízes das instâncias ordinárias. ele próprio. como ocorre. aprovação e nomeação se cumpram efetivamente e se completem. mas foi mesmo assim rejeitado pela maioria dos senadores porque se opusera ao tratado de paz com o Reino Unido. por que a atual Constituição — e bem assim as constituições anteriores — já não teriam estabelecido um sistema diferente e mais controlado? A premissa. segundo conta a história. Durante os dois séculos seguintes. Entidades e organizações reconhecidas como representativas da sociedade civil participam ativamente e influenciam as decisões do presidente e dos senadores.

Ela participou do evento  Diálogos com o Supremo. defendeu mandato para ministro da mais alta Corte de Justiça do país. em face da resistência de entidades da sociedade civil e. Tempo de permanência: 9 a 12 anos. começa a acreditar que é mesmo”. que foi indicado em substituição àquela frustrada nomeação. independente de quem detenha a maioria ocasional. o todo-poderoso presidente atual. o juiz federal Samuel Alito. A ministra demonstrou que. “A pessoa passa a ser chamada de excelência todos os dias. vem sendo duramente combatido pelos principais líderes democratas no Senado americano por meio de uma rigorosa sabatina. liberais e conservadores. 25 de janeiro de 2006 Ministra diz que deveria haver mandato no STF por Marina Ito A ministra Cármen Lúcia. não faríamos mal se adotássemos práticas políticas semelhantes na análise do acerto ou do desacerto da indicação feita pelo presidente. Bush. Daqui a pouco. no final do ano passado. Como adotamos aqui o mesmo modelo e a mesma sistemática para prover os cargos de ministro do nosso Supremo Tribunal Federal. a rejeitar os chamados “ideológicos” e a buscar alguém que mostre capacidade para comprometer-se com os valores fundamentais do país na tarefa de interpretar e aplicar o direito. O interrogatório dos senadores já ocupou uma boa parte deste mês de janeiro e o indicado ainda não conseguiu. A plateia era formada de juízes. detendo a maioria republicana nas duas casas do Congresso em boa parte do primeiro mandato e durante todo o mandato em curso. professores e estudantes da escola de Direito da FGV. na sexta-feira (6/11). No momento em que escrevo. embora não saiba FGV DIREITO RIO 47 . disse com o bom humor que lhe é peculiar. porque o Senado sinalizou a virtual recusa daquela que havia sido nomeada pelo presidente. desembargadores. pode-se afirmar que ele tende. na FGV Direito Rio.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO to. Se é possível resumir o modo de atuação do Senado dos Estados Unidos em face de indicações do presidente para a Suprema Corte. nem assim vem conseguindo emplacar a totalidade das suas indicações para vagas de tribunais federais. Mais do que isso: teve de amargar a retirada de uma indicação que fez para a Suprema Corte. apesar de suas inegáveis qualidades pessoais como jurista. principalmente. que atingiram indiscriminadamente democratas e republicanos. Revista Consultor Jurídico. receber o sinal verde para assumir a cadeira que lhe foi acenada pelo presidente. George W. do Supremo Tribunal Federal.

disse. não a que eu penso. No julgamento sobre o recebimento da denúncia contra o exministro da Fazenda. “Entrou no Supremo e pôs a toga.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO qual o modelo ideal de indicação para os ministros. Hoje. a que eu quero”. Afirmou ainda que o juiz deve escrever para que as pessoas entendam. pode ter. o ministro tem compromisso com ele mesmo. entende. Ela lembrou que. disse Lewandowski. Ela também contou que.” Cármen Lúcia questionou se o Parlamento brasileiro indicaria um ministro sem pensar que depois não poderia chegar perto para lhe pedir um favor. segundo ele. demonstra que a indicação de ministro para o Supremo pelo presidente da República não interfere na independência dos julgadores sobre temas que podem ser delicados ao governo. pode gerar problemas. tem de se declarar suspeito ou impedido. de advogados e procuradores. “Não vejo que modelo melhor poderia substituir o atual. entre as coisas que tem aprendido. disse de modo veemente. a indicação é feita pelo presidente da República. é a de que o bom juiz tem de ter muita disciplina. Antonio Palocci. os integrantes do STF divergiram. Até o Superior Tribunal de Justiça. convidado abrir a série Diálogos com o Supremo. Cármen Lúcia também contou que. autocontrole e compaixão. Para o Supremo. Indicação polêmica No final de agosto deste ano. FGV DIREITO RIO 48 . Os indicados são sabatinados pelo Senado. “Os partidos vão se coligar para aprovar nomes indicados por tal ou qual partido?” Esse tipo de indicação. “A Justiça está na lei. Ela também falou sobre a possibilidade de ter parte de ministros representantes de juízes de carreira. entende a ministra. “O Supremo não é local de magistrado de carreira porque é cúpula de Poder e exerce papel político”. não existe interesses partidários. já votou contra si própria para ficar ao lado da Constituição. pode ter cotas de representantes de tribunais. o ministro Ricardo Lewandowski também foi questionado sobre a indicação de ministros para o STF. afirmou sem hesitar. “Ninguém paga nada. entende que as opções que estão sendo cogitadas demandam reflexão. Não é nem que eu ache que não tenha. Na ocasião. no caso Francenildo. durante seus três anos e meio no Supremo Tribunal Federal. ele falou sobre a independência dos ministros em casos julgados contra supostos interesses de quem os indica. Lewandowski citou um caso recente que. se o juiz “não pode deixar coração no congelador e o fígado na geladeira”. muito menos com a toga”.” Ela entende que o controle da sociedade está cada vez maior. Ela considera complicada a indicação de parte dos integrantes do STF pelo Congresso.

através do título de doutor em Direito etc. este requisito sempre foi questionado e criticado na doutrina. Dois ministros também indicados por Lula votaram pelo recebimento da denúncia.fgv.com. Federal Aposentado do TRF 4ª Região). http://direitorio. magistrado ou comprovação da qualificação de jurista. Alguns defendem um mínimo de cinco juízes de carreira na composição do STF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Três ministros indicados pelo presidente Lula votaram pelo arquivamento da denúncia contra seu ex-ministro Palocci e foram acompanhados pelos dois indicados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.br/node/1756 Um Supremo petista? Merval Pereira.br/2011set-09/participacao-juizes-composicao-stf-claramente-decrescente Vantagens e desvantagens. Artigo disponível no site: http://www. 09 de novembro de 2009 LEITURAS COMPLEMENTARES A indicação para a vaga de ministro do Supremo. Outros entendem que esta expressão deveria ser substituída por requisitos subjetivos. Merval Pereira. professora do Departamento de Ciência Política da USP e diretora de pesquisa do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Judiciais). http://direitorio. seguidos de um ministro indicado pelo ex-presidente Fernando Collor e outro indicado pelo ex-presidente José Sarney. Vladimir Passos de Freitas (Des.br/node/1757 O que será então este notável saber jurídico? Vocês concordam com isso? Apesar de ser uma tradição constitucional brasileira.br/2011-set-25/segunda-leitura-indicacao-vaga-ministro-supremo Reflexões às vésperas de uma escolha para o Supremo.conjur. Merval Pereira. FGV DIREITO RIO 49 .conjur.fgv. Maria Tereza Sadek (Doutora em ciência política. 10 anos de atividade profissional como advogado. http://direitorio.com. como. Artigo disponível no site: http://www. Revista Consultor Jurídico. membro do Ministério Público.fgv. por exemplo.br/node/1749 Alinhamentos.

br): GALERIA DA COMPOSIÇÃO ATUAL Ministro Ayres Britto Presidente Ministro Joaquim Barbosa VicePresidente Ministro Dias Toffoli Ministro Ministra Ministro Marco Cármen Lúcia Celso de Mello Aurélio Ministro Gilmar Mendes Ministro Cezar Peluso Ministro Luiz Fux Ministro Ricardo Lewandowski Ministra Rosa Maria Weber FGV DIREITO RIO 50 . 102. 52. I. consoante o sítio eletrônico da Corte (www.gov. dispostos no Artigo 95 e parágrafo da Constituição.stf. CR). Adquirem ainda uma prerrogativa especial. Esta a atual composição do STF. CR) e nos crimes comuns. II. qual seja: nos crimes de responsabilidade.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Nomeados. b. são processados e julgados pelo Senado Federal (Art. os ministros passam a gozar de todas as garantias e impedimentos dirigidos aos juízes togados. pelo próprio Supremo (Art.

o mandado de segurança e o “habeas-data” contra atos do Presidente da República. ordinários ou extraordinários. do Congresso Nacional. seja. 3.1 Competência originária: Sua função básica é a de manter o respeito à Constituição e sua unidade substancial em todo o país. da Câmara dos FGV DIREITO RIO 51 . as ações declaratórias de constitucionalidade e a arguição de descumprimento de preceito fundamental. Além disso. as ações de inconstitucionalidade por omissão. garantindo a prevalência das normas constitucionais no ordenamento jurídico. Já na competência recursal. das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. o STF é acionado diretamente por meio de ações que lhe cabe processar e julgar originariamente. conforme preceitua a Carta Magna: “Art. dividindo-a em dois grupos. conforme a maneira de acioná-lo: competência originária e recursal. originariamente: d) o “habeas-corpus”. COMPETÊNCIA A Constituição Federal descreveu a competência do STF nos artigos 102 e 103. sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores. Assim. por meio do controle concentrado de constitucionalidade no Direito Brasileiro. q) o mandado de injunção. será o STF o primeiro órgão jurisdicional a ter contato com o conflito posto. compete ao STF processar e julgar as ações diretas de inconstitucionalidade. principalmente. do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal. a guarda da Constituição. do Tribunal de Contas da União. 102. quando direitos fundamentais estiverem sendo ameaçados ou sob real violação. analisando a questão em última instância (competência recursal).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 3. o que faz. No primeiro caso. ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância. quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal. cabe ainda ao STF o julgamento de casos em que figurem como parte — seja réu ou autor — as mais altas autoridades da República. Compete ao Supremo Tribunal Federal. i) o habeas corpus. ou. cabendo-lhe: I — processar e julgar. o STF é acionado mediante recursos. quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República. precipuamente.

do Tribunal de Contas da União. originariamente b) nas infrações penais comuns.” Quanto ao alcance da expressão “infrações penais comuns”. até pouco tempo atrás. c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade. enquanto durarem seus mandatos ou cargos. e não a proteger quem o exerce. Era a dignidade da função que estava sob proteção e não a pessoa em si. Cabe ressaltar que. os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha. do Exército e da Aeronáutica. os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente. do Senado Federal. o Presidente da República. Como se vê. a competência do STF abrange infrações penais comuns cometidas por pessoas que possuem foro por prerrogativa de função. era proteger as pessoas no exercício do mandato ou cargo. ressalvado o disposto no art. encerrase também o foro por prerrogativa de função. cabe ao STF processar e julgar. Entendeu-se que o objetivo da Constituição de 1988. I. menos ainda quem deixa de exercê-lo16. a guarda da Constituição. originariamente: “Art. a competência especial por prerrogativa de função permanecia. esteja ou não a infração relacionada com o exercício das funções. cancelou a referida súmula. entretanto. inclusive. Consequentemente. os membros dos Tribunais Superiores. Ou seja. b. Compete ao Supremo Tribunal Federal. não subsistindo mais a competência do STF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Deputados. o Vice-Presidente. cabendo-lhe: I — processar e julgar. seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República. reformulando seu entendimento. estendendo-se. precipuamente. os membros do Congresso Nacional. 102. cessado o exercício deste mandato ou cargo. aos delitos eleitorais e às contravenções penais. o foro por prerrogativa de função visa a garantir o exercício do cargo ou do mandato. ou do próprio Supremo Tribunal Federal” Por fim. 16 Inquérito 687/SP – Informativo do STF nº 159 FGV DIREITO RIO 52 . com a redação do Artigo 102. Em 1999. De acordo com a Súmula 394 do STF. ainda que o inquérito ou a ação penal fossem iniciados após a cessação daquele exercício. o plenário da Corte. I. de um dos Tribunais Superiores. se o crime fosse cometido durante o exercício funcional. não era este o entendimento dominante em nossa jurisprudência. o STF já se manifestou no sentido de alcançar todas as modalidades de infrações penais. das Mesas de uma dessas Casas Legislativas. 52. ainda dentro da competência originária.

De acordo com o texto constitucional. 3. conforme demonstração abaixo: STJ TSE TST STM FGV DIREITO RIO 53 . na demonstração acima. caberá ao STF resolver os conflitos de competência entre o STJ e TRE. STJ e TRT. A decisão do STJ vincula o TRF e os TJ Estaduais. ou entre estes e qualquer outro tribunal” Sendo assim. não afetando as decisões proferidas e atos praticados anteriormente de acordo com a súmula. não retroativos. entre Tribunais Superiores. o STF também resolverá os conflitos de competência existentes entre os Tribunais Superiores. o TRF e o TJ. ou seja. I. diz respeito ao conflito de competência que deve por ele ser dirimido.1 CONFLITO DE COMPETÊNCIA Último ponto a ser analisado em relação à competência originária do STF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Por fim. isso porque o STJ é órgão hierarquicamente superior a eles. o Pretório Excelso determinou ainda que os efeitos da revogação da Súmula 394 seriam ex nunc. Dispõe o Artigo 102. Onde há hierarquia jurisdicional não há conflito de competência. STJ e TJM: TRE STJ TRT TJM Observe-se que não constam. “o” da Constituição: “o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais.1. cumpre ressaltar que neste julgamento.

RECURSO ORDINÁRIO. ainda. apesar da omissão constitucional. Exemplo: Juiz Federal X TST.1. decididos em única instância pelos Tribunais SupeFGV DIREITO RIO 54 . Mandado de Segurança e Habeas Data. Competência recursal: Ao STF foi atribuída ainda pela Constituição Federal a competência recursal para julgar: 3. o STF tem competência para resolver o conflito entre Tribunais Superiores e juízes pertencentes a outros Tribunais. NOS CASOS DE: - crimes políticos.2.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Caberá. Habeas Corpus. Mandado de Injunção.2. já que o STJ não é hierarquicamente superior aos demais Tribunais Superiores. 3. ao STF resolver os conflitos de competência existentes entre os Tribunais Superiores e qualquer outro tribunal: TSE TRF TJ TST TRE TRT TJM TRF TJ STM TRE TRT TJM TRF TJ TRE TRT TJM Cumpre ressaltar que.

Assim dispõe a Constituição: “Art. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal”.) III — julgar. possibilitando. (Artigo 102. b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal.. e não o reexame da matéria fática. II. a e b. portanto. no âmbito do controle difuso de constitucionalidade. ao Pretório Excelso somente a análise jurídico-constitucional do recurso. devendo ser indicado. quando denegatória a decisão.2. nas hipóteses em que não existir recurso ordinário e dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. 102 (. c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. na petição de encaminhamento. quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Meio idôneo para a parte interessada. suscitada nos juízos inferiores. FGV DIREITO RIO 55 . CR) 3. O requisito justifica-se pela necessidade de verificar-se o enquadramento do recurso num dos permissivos constitucionais. Três são os requisitos exigidos para a impetração do recurso: A — Prequestionamento — exige-se o debate e a existência de decisão sobre o tema jurídico versado no recurso. Pela leitura da alínea a. já de início percebe-se que o constituinte não exige que a decisão recorrida tenha provindo de um tribunal. o que nos faz concluir que o recurso extraordinário é cabível até mesmo contra decisões proferidas por juiz singular. mediante recurso extraordinário. as causas decididas em única ou última instância. levar ao conhecimento do STF controvérsia constitucional concreta.. incluindo aqui tanto as decisões de mérito quanto as decisões que extinguem o processo sem julgamento do mérito.2.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO riores. Essa competência constitucional extraordinária é mais um mecanismo para assegurar a supremacia das normas constitucionais. a hipótese constitucional permissiva. obrigatoriamente.

seja no Supremo — se o recorrente. de 19 de dezembro de 2006.418/06 ter produzido alterações apenas no CPC. É uma espécie de preliminar da preliminar. regulada pela Lei 11. quando para atingir a violação do preceito constitucional houver necessidade de interpretação do teor e sentido da legislação infraconstitucional. desenvolveu fundamentação especificamente voltada para a demonstração. sob pena de seu recurso não ser admitido. A medida. B — Ofensa direta e frontal à Constituição. CPC). da existência de repercussão geral (art. Não obstante a Lei 11. C — Repercussão Geral das questões constitucionais — inovação trazida pela EC nº 45. a fim de que o STF examine a admissão do recurso extraordinário. A matéria. com a introdução do parágrafo terceiro ao texto do artigo 102 da CF. A partir da EC 45/04. passou a exigir que o recorrente demonstre a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso. Não se admite alegação de ofensa reflexa. no caso concreto. então. social ou jurídico. funciona como uma espécie de filtro dos recursos extraordinários levados ao Supremo. conforme decisão do Supremo proferida no AI-QO 664567/RS. cabe verificar. ou ainda. A inclusão do § 3º no art. de cunho econômico. haver o esgotamento de todos os meios possíveis de prequestionamento. político. o fato da alteração ter se dado apenas no CPC não tem maior relevo. pois será analisada antes mesmo das questões atinentes aos pressupostos processuais. Sendo assim.418. que já existe nos Estados Unidos. Para o STF. § 2º. A repercussão geral passou. 543-A. Essa demonstração cabe ao recorrente.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Daí a necessidade do órgão recorrido ter se manifestado sobre a questão constitucional. nos termos da aludida lei. o requisito constitucional da repercussão geral aplica-se aos recursos extraordinários em geral. para que o STF comece a análise do recurso por esse ponto. emitindo juízo de valor sobre o tema. no âmbito do juízo de admissibilidade — seja na origem. tendo em vista que as normas nele inseridas possuem um caráter geral. A decisão deve dar interpretação direta e frontal diversa do texto constitucional. portanto. A via reflexa se caracteriza quando a apuração da ofensa à norma constitucional depender do reexame das normas infraconstitucionais aplicados pelo Poder Judiciário ao caso concreto. em preliminar do recurso extraordinário. em preliminar. que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. portanto. FGV DIREITO RIO 56 . Deve. na Alemanha e no Japão. 102 da CF fez com que a exigência da repercussão geral passasse a integrar o núcleo comum da disciplina constitucional do recurso extraordinário. o requisito da repercussão geral também é exigido no processo penal. a ser pressuposto constitucional de admissibilidade do recurso.

através de seus títulos. ao Supremo. números. como já estudado. Há ainda uma questão procedimental muito importante. como exemplo. deverá este remeter somente um deles. De qualquer forma. diante do caso concreto. recusará o recurso pela manifestação de dois terços de seus membros. Ao mesmo tempo. o Tribunal Superior do Trabalho e os Tribunais de Justiça saem fortalecidos. nos aspectos de sua relevância política.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Após a análise do requisito. além de permitir ao usuário o acompanhamento da votação dos temas que estão no Plenário Virtual. aos poucos. a inadmissão pela repercussão geral. §3º do CPC). se o STF entender que a questão constitucional nele versada não oferece repercussão geral nos termos do artigo 543-A do CPC. Essa foi a solução encontrada pelo constituinte derivado para evitar que controvérsias concretas insignificantes. caberá ao Supremo Tribunal Federal avaliar. impedirá a subida dos autos ao STF. É mais um mecanismo. é possível realizar uma pesquisa avançada dos temas da Repercussão Geral. Os demais ficarão sobrestados até o pronunciamento do STF. social ou jurídica. FGV DIREITO RIO 57 . Tratando-se a repercussão geral de conceito juridicamente indeterminado. convertidos em última instância para as ações que envolvem questões de interesse exclusivo das partes. Ele permite que uma única decisão em cada questão constitucional. quando se tratar de impugnação à jurisprudência dominante ou súmula do STF. econômica. sempre haverá repercussão geral e o recurso não poderá ser inadmitido por esse motivo (Art. a Corte não precisa se pronunciar em outros processos com idêntica matéria. 543-A. todos os demais serão automaticamente inadmitidos. desse modo. sejam submetidas à apreciação do Supremo. o Superior Tribunal de Justiça. na tentativa de reduzir o número de processos que chegam ao STF todos os anos. É uma espécie de filtragem das matérias a serem definidas pelo STF via recursal. Desta forma. No site do Supremo Tribunal Federal. sendo possível delimitar o período desejado. Pelos parágrafos 1º e 2º do Artigo 543-B. Quando houver vários casos idênticos no Tribunal de origem. situação do leading case ou status do julgamento do mérito. Note-se que. assim. se o julgamento da questão constitucional tem importância geral. de absoluta irrelevância jurídica. Cria-se. Trata-se de um caso que a lei já define objetivamente a existência do requisito de admissibilidade do recurso extraordinário. permitindo que haja uma valoração da matéria na esfera da admissibilidade. a referida lei esclarece que. um mecanismo de contenção dos recursos. criou-se instâncias nos tribunais como se fossem sucursais do STF. Assim. uma espécie de Recurso Extraordinário retido. descartandose as questões que não apresentem relevância. Criou-se. negado o recurso enviado como exemplo. Tal requisito serve para reduzir a distribuição de recursos extraordinários ao Supremo Tribunal Federal e racionalizar o seu processamento em todo o Poder Judiciário.

O jurista André Ramos Tavares faz uma breve pesquisa de semelhante requisito no direito comparado e sintetiza as hipóteses que possivelmente serão consideradas como de repercussão geral em nosso ordenamento: “Em síntese. sobrestando de imediato os recursos que versam sobre o mesmo tema nos tribunais e turmas recursais de origem. que conhecia a questão através do recurso especial. p. as causas quando envolvam (i) aspectos econômicos de monta. Com isso. . Evidentemente. deverá se compreender como de “repercussão geral” (i) a temática que afete um grande número de pessoas (Bianchi. (iii) assuntos intrinsecamente relacionados a causas pendentes de julgamento no STF. Com a utilização deste instituto o Pleno não precisou decidir questões de interesse meramente individual tais como18: .ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Ainda é possível consultar as matérias que foram submetidas à análise do STF através dos recursos representativos. COSTA. Relevância Suprema.obrigatoriedade da colocação de semáforos em faixas de pedestres (RE 565.101. Ou.506). . quando a decisão recorrida tiver julgado válida lei local contestada em face de lei federal (alínea d). ainda.418/2007. (ii) temas já amplamente debatidos mas ainda pendentes em diversas instâncias judiciais. que transcenda os interesses egoísticos e pessoais das partes processuais envolvidas. também.dano moral para torcedor que se sentiu prejudicado com o rebaixamento de seu time (RE 565. Reforma do Judiciário no Brasil Pós-88. Disponível no sítio www.138). passando a dispor que o recurso será cabível. 1997:4).com. 18 FGV DIREITO RIO 58 .17” Em menos de um ano após a regulamentação da repercussão geral pela Lei 11. Acesso em o6 de junho de 2008. e seria até desnecessário dize-lo.conjur.possibilidade de redução de multa quando a sentença já transitou em julgado (RE 556. 2005. André Ramos. A análise dessa nova questão inaugura um sistema próximo do sistema americano. 1994:184). Saraiva. e procurando aplicar as idéias anteriores à situação brasileira. antes da alteração era do STJ.se o Estado tem que indenizar por emitir CPF em duplicidade (RE 570. com decisões contraditórias. em relação ao cabimento do recurso extraordinário perante o STF. . 1997:103). e ao recusarem outros. que são classificados como questões menores. houve o reconhecimento de que 17 TAVARES. (iii) que possua um significado geral. in limine.846). o Supremo Tribunal Federal já tinha devolvido 26% dos recursos por falta deste requisito. Essa competência. (ii) que trate de “assuntos significativos” (Morello. que tenha “repercussão considerável sobre o conjunto do ordenamento jurídico e político” (Favoreu. socialmente relevante.br.estadao. Outra importante inovação trazida pela Emenda Constitucional nº 45/2004.385). a enumeração não pretende ser exaustiva. em que os Ministros exercem um sistema de discricionariedade ao escolherem os processos que vão julgar. foi a ampliação das hipóteses de cabimento. Priscyla.

veio a ser instituída finalmente em nosso ordenamento jurídico em 2004. súmula e a nova súmula vinculante. na forma estabelecida em lei. com certeza a maior delas. a interpretação e a eficácia de normas determinadas. o tribunal pode sintetizar tal entendimento por meio de um enunciado objetivo. de 19 de dezembro de 2006. cabe fazer aqui uma distinção entre jurisprudência. nas esferas federal. pois a questão envolve a partilha e exercício de competências entre os entes federativos. sintético e conciso. ibi idem jus. Na prática. acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Nem a jurisprudência. Andou bem o constituinte derivado. bem como proceder à sua revisão ou cancelamento. da EC nº 45/2004: “Art. sempre no mesmo sentido. 103-A. foi a súmula vinculante. optando por aplicar o entendimento jurisprudencial sumulado ou não. § 1º A súmula terá por objetivo a validade. aprovar súmula que. após reiteradas decisões sobre matéria constitucional. Eles estão livres para decidir de acordo com a sua convicção pessoal. onde houver a mesma razão. aplica-se o mesmo direito. O Supremo Tribunal Federal poderá. de ofício ou por provocação. 4. ou seja.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO conflito entre lei local e lei federal implica controvérsia constitucional. FGV DIREITO RIO 59 . Quando chega a surgir um consenso quase absoluto sobre o modo de se decidir uma questão. Objeto de acirradas discussões doutrinárias já há muitos anos. a partir de sua publicação na imprensa oficial. denominado súmula. nem a súmula possuem caráter cogente. recentemente regulamentada pela Lei nº 11. não meramente legal. A jurisprudência é a reiteração uniforme e constante de uma decisão. inclusive com juízes diferentes. estadual e municipal. E o que vem a ser a Súmula vinculante? Antes de mais nada. Passemos. SÚMULA VINCULANTE Uma grande inovação da Emenda Constitucional nº 45. como se entendia. previsto pelo constituinte reformador. mas trata-se de uma faculdade do julgador.417. É o que se chama de ubi idem ratio. terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. sabe-se que acabam tendo grande influência nas próximas decisões. mediante decisão de dois terços dos seus membros. agora sim ao conceito de súmula vinculante. É apenas uma orientação para os juízes em seus próximos julgados.

decisões divergentes nos tribunais. julgando-a procedente. enfim. FGV DIREITO RIO 60 . Texto publicado no sítio www. que já havia sido reiteradamente julgada num determinado sentido. aliado à facilidade de levar os recursos até as 19 FREITAS. A situação do Supremo Tribunal Federal se agravou após a Constituição de 1988. vindo a ser aprovado pelo Supremo Tribunal Federal vinculando toda a Administração Pública direta e indireta e os demais órgãos do Poder Judiciário. assumiu uma competência mais ampla. Foi a crescente insatisfação e a perda da legitimidade do Judiciário que levou o constituinte derivado a instituir a súmula vinculante como forma de restabelecer a segurança jurídica (por meio da diminuição do número de diferentes interpretações jurídicas de uma mesma norma). por ser tão abrangente nos direitos que assegura. conforme demonstra a doutrina19: “Mas foi a Constituição de 1988 que alterou sobremaneira a situação dando nova dimensão ao Poder Judiciário que. além de ter se tornado bem maior (p. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar. revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Além disso. inclusive com intervenção nas políticas públicas do Poder Executivo. revisão e cancelamento foram regulamentados pela Lei Federal nº 11. Acesso em 06 de junho de 2008.” É. portanto. caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que. A morosidade continua.br. conforme o caso. É uma tentativa de reduzir os gigantescos números do nosso Judiciário. anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada. Tudo isto. ao desprestígio do Direito.417/2006. morosidade.estadao. um enunciado sobre matéria constitucional. o princípio da igualdade (a mesma interpretação legal deve ser aplicada aos casos concretos semelhantes) e a celeridade jurídica (impedindo a eternização dos conflitos sobre matérias que o STF já decidiu). a aprovação. e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula. causas que levam ao enfraquecimento do Poder Judiciário. por vezes se mostra ineficaz na prática diante de tantas omissões estatais.. ex.com.conjur. Decisões são delegadas da primeira instância para o STF. Isto porque nossa Constituição. Vladimir Passos de. Sua edição. Cabe ressaltarmos que estamos diante de uma forte mudança estrutural no que diz respeito à competência das Cortes revisoras devido ao incontroverso acúmulo de processos em todos os níveis do Poder Judiciário. foi criada com a finalidade de produzir uma drástica redução do número de processos. com a criação do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei. A idéia de instituir a súmula vinculante surgiu da necessidade de reforço à idéia de uma única interpretação jurídica para o mesmo texto constitucional ou legal. por certo.

CAPEZ. Disponível em: http://jus2.2006.014 103.216 110. A morosidade continua.gov.377 2009 84.stf.324 112.869 10.163 9. Jus navigandi.529 Fonte: Portal de Informações Gerenciais do STF. Sem sucesso.” De fato.316 17. Observe na tabela abaixo o demonstrativo de movimentação processual no Supremo nos anos de 2003 a 201220.670 41. fusão de tribunais de Justiça e Alçada. fez com que a Justiça se tornasse.535 116. o Supremo tem buscado das mais variadas formas reduzir o número de processos que lhes chegam todos os anos. Protocolados Proc. Acesso em 07 nov. considerando o número ínfimo de 11 ministros.522 22.873 130. a criação de varas. A partir dos anos noventa.380 14.284 11. 2005. Movimentação STF Proc. asp?id=7710.com. pois não se podem criar duas categorias de súmula vinculante. Entre outras.05. abarrotada de processos e exposta a críticas. inclusive o Supremo Tribunal Federal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO instâncias superiores. 21 FGV DIREITO RIO 61 . reforma do Poder Judiciário pela Emenda Constitucional 45/2004. Distribuídos Julgamentos Acórdãos publicados 2005 95. *Dados de 2012 atualizados até 30 de abril.781 66. reformas do Código de Processo Civil.212 79.577 103.uol.2012.814 2011 64. n.700 14. Fernando. criação de Juizados Especiais.257 2008 100.173 2006 127. pouco a pouco.109 97.836 24.369 42. Súmula vinculante. convocações de juízes para atuar em segunda instância. Teresina. ano 10.938 159. várias tentativas de controlar a explosão de processos e a consequente morosidade foram feitas.421 2007 119. 31 dez. aumento de tribunais.br em 23. determinando que as súmulas anteriormente editadas pelo STF “somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços dos seus integrantes e publicação na imprensa oficial”.747 19.br/doutrina/texto. E as súmulas editadas pelo Supremo antes da EC nº 45? Será que elas ganharam efeito vinculante automaticamente? A Emenda 45 tratou do tema em seu artigo 8º. mutirões. Obs: Julgamentos — engloba decisões monocráticas (despachos) e decisões colegiadas (acórdãos).093 2012 18. inclusive Federais.729 121.911. E quais serão os requisitos exigidos para que estas súmulas anteriores ganhem efeito vinculante? Será que basta o preenchimento dos dois terços dos integrantes do STF? Ou será necessário observar todos os requisitos do Artigo 103-A? Para Fernando Capez21 “todos os requisitos da EC nº 45/2004 deverão estar preenchidos. uma com e outra sem conteúdo constitucional.018 38.” 20 Informações obtidas junto ao sítio www.483 3. E são muitos.704 2010 71.

Gilmar Mendes. sua independência interna (dentro da e frente à própria instituição a que pertence). Entretanto.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO É o que parece que será realmente exigido. 8º da EC 45/04. A súmula vinculante viola a independência jurídica do juiz. Julgada procedente. 414207-RJ. seja contrariando. A Lei 11. n. o Supremo anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial e determinará que outra seja proferida de acordo com a súmula vinculante. Toda interpretação. Desta forma. seja aplicando-a indevidamente? Caberá reclamação perante o STF. sob pena de estar punindo o juiz por exercer algo inerente a sua profissão. garantiu-se ao magistrado “a liberdade de apreciar os elementos para definir se a conclusão do processo deve ser harmônica ou não com o verbete” (Ministro Marco Aurélio in notícias do STF.” Ou ainda a boa argumentação de Renato Marcão: 22 Agravo Regimental no Agravo de Instrumento. Luiz Flávio Gomes: “A inconstitucionalidade da súmula vinculante é evidente (cf. paralisando a evolução do Direito e transformando nossos juízes de primeiro grau em simples máquinas copiadoras de decisões já tomadas.417/06 prevê a responsabilização civil. que devem julgar com absoluta e total independência.2006. O Ministro destacou que a única hipótese plausível para que os tribunais não apliquem a súmula vinculante se dará quando houver por parte do magistrado. FGV DIREITO RIO 62 . administrativa e até mesmo penal. por mais sábia que seja. Em síntese. São Paulo. Assim pensam alguns juristas como. rel. ou seja. dos órgãos da administração pública que não observarem o comando da súmula vinculante. São muitas as divergências acerca do tema. j.202 e ss). 08 de fevereiro de 2007). tendo em vista decisão do STF no sentido de que. a percepção de alguma peculiaridade no caso concreto. além dos requisitos previstos no art. L. jamais pode vincular os juízes das instâncias inferiores. RT. Posições antagônicas vêm sendo tomadas pelos nossos juristas. p. as súmulas anteriores devem preencher os requisitos previstos na Constituição para que possam ser dotadas de efeito22. a discussão gira em torno dos seguintes argumentos: a adoção da súmula vinculante em nosso ordenamento acabaria por engessar o Judiciário brasileiro. a interpretação de leis. Flávio. não dispôs sobre qualquer sanção aplicável aos membros do Judiciário. E o que acontecerá quando um ato administrativo ou uma decisão judicial desrespeitar a súmula vinculante. 1997.05. em 02. conforme determina o parágrafo 3º do Artigo 103-A da Constituição Federal. Gomes. Min. dada por um Tribunal a uma lei ordinária. isto é. A dimensão da magistratura no Estado de Direito. por exemplo.

ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “A súmula vinculante. Este é o cenário com o qual nos deparamos atualmente. além de outras sérias implicações que não comportam abordagem nas linhas deste trabalho. Já começam a surgir as primeiras decisões acerca de questões ventiladas em súmulas vinculantes. desrespeitar os princípios da igualdade.537. Atlas. a partir de novas provocações. concluir pela presença de um elemento diferenciador e não aplicar a súmula. Direito Constitucional. contudo. compondo os conflitos de interesse na exata medida de suas realidades. atribuição para a qual nunca esteve autorizado politicamente.. proceder a revisão ou cancelamento da súmula. (. podendo. sem. este poderá.) A EC nº 45/04 possibilitou ao supremo Tribunal Federal.” Mas há também juristas renomados a favor da súmula vinculante: “Não concordamos com esse posicionamento. ou seja.23” Alexandre de Moraes e Fernando Capez concordam que como forma de não engessar a atividade do julgador. ao constatar que não há plena similitude entre a súmula vinculante e a matéria no caso concreto que está sendo apreciada. São Paulo. segurança jurídica e celeridade processual. alterar a interpretação dada em matéria constitucional e. como por exemplo. em que a Defensoria Pública da União questionava a decisão de juíza federal que determinou o uso de algema nos pés e nas mãos de sul-africano durante depoimento. 20 ed. carecendo de legitimação democrática. 2006. ainda. o que impedirá qualquer forma de engessamento e paralisia na evolução do Direito. a proferida pelo Supremo na Reclamação 6963. a não vinculação ad eternum a seus próprios precedentes. nem tampouco nos parece que a edição de súmulas vinculantes poderá acarretar o engessamento e consequente paralisia na evolução e interpretação do Direito. É o que ocorre de maneira semelhante no direito norte-americano por meio de um mecanismo processual chamado distinguishing. assim como à Corte Suprema Americana e à Câmara dos Lordes inglesa. desde que o faça fundamentadamente.. FGV DIREITO RIO 63 . a configurar. mitigou de forma significativa os limites da coisa julgada e impôs ao órgão jurisdicional de Superior Instância a tarefa de “dizer o direito em tese”. em caráter genérico e universal. perigoso desvio de sua missão de dizer o direito casos a caso. 23 MORAES. Alexandre de. é a distinção entre o caso concreto e o precedente judicial. reflexões e diversas decisões futuras. p. consequentemente. Para a Defensoria a decisão desrespeitou a dignidade do réu e a autoridade da súmula vinculante nº 11. sendo necessário aguardar que o tempo transcorra para sabermos como irá se posicionar o Supremo. quando não será obrigatório o uso deste último. os juízes e a doutrina.

No Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. publicada no DJE nº 203. Desta forma. uma vez que o uso das algemas deve ser conduzido pela razoabilidade e pelo bom senso. por exemplo. Os réus. Da mesma forma. podemos encontrar a Proposta de Súmula Vinculante nº 13 (PSV nº 13). FGV DIREITO RIO 64 . ainda. na qual a Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis — COBRAPOL propõe o seu cancelamento25. a qual determina que os agentes estatais evitem o uso de algemas. restringindo-o nas situações de resistência à prisão. 24 Decisão de 21/10/2009. ocorreram três episódios nos Plenários do Tribunal do Júri de Comarcas diversas.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO A Egrégia Corte. Considerou. tendo se concluído pela falta de motivação para propor a ação de cancelamento do Enunciado nº 11 do STF. não ter resistido à prisão. tendo em vista a alegação da falta de segurança da sala de audiência e do próprio Fórum. Para o Ministro. desde a sua instalação. do preso ou de terceiros”. 3º. a justificativa do juiz neste caso concreto foi satisfatória. pois naquela ocasião foi discutido o “emprego de algemas em sessão de julgamento de Tribunal de Júri. já ocorreram três fugas de réus que estavam algemados. cujos jurados poderiam ser influenciados pelo fato de o réu ter permanecido algemado no decorrer do julgamento”. estando livres das algemas durante o julgamento. Diante dos fatos ocorridos. ter bons antecedentes. e que. nem representar risco concreto de fuga. entretanto. O pedido foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado para análise. o Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro encaminhou ofício ao Governador do Estado do Rio de Janeiro sugerindo o cancelamento da referida súmula. em caso de “eventual correção legislativa. entendeu que a decisão não afrontou a súmula e negou seguimento à reclamação. a Portaria nº 288/JSF/GDG/1976 do Estado do Rio de Janeiro. foi decidido pelo Ministro Joaquim Barbosa na Reclamação 716524. sob o fundamento de que fora devidamente justificado o uso das algemas no caso em questão. No entanto. apresentada contra ato de juiz que manteve o réu algemado durante toda a audiência. desde que não haja perigo ou agressão por parte do preso. apesar dele ser primário. Com efeito. da Lei nº 11. meses após a aprovação e publicação da Súmula Vinculante nº 11. que o julgamento que deu origem à Súmula Vinculante tratava de um caso diferente. como. divulgado em 27/10/2009.417/2006. haja vista o rol de legitimados previsto no art. nada impede que esta súmula vinculante seja cancelada através da solicitação de outros legitimados. em consulta ao site do Supremo Tribunal Federal. É o que consta em outros dispositivos normativos em vigor. esta seria exatamente no sentido de unificar a necessidade de motivação do uso de algemas. fundado receio de fuga ou para preservar a integridade física do executor. se investiram violentamente contra os Magistrados que presidiam as sessões e os Promotores de Justiça em atuação naqueles Juízos.

stf.br. REFORMA E PENSÃO. SEM PONDERAR AS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO. O SALÁRIO MÍNIMO NÃO PODE SER USADO COMO INDEXADOR DE BASE DE CÁLCULO DE VANTAGEM DE SERVIDOR PÚBLICO OU DE EMPREGADO. SÚMULA VINCULANTE Nº 2 É INCONSTITUCIONAL A LEI OU ATO NORMATIVO ESTADUAL OU DISTRITAL QUE DISPONHA SOBRE SISTEMAS DE CONSÓRCIOS E SORTEIOS.2011 no site www. NEM SER SUBSTITUÍDO POR DECISÃO JUDICIAL. INCLUSIVE BINGOS E LOTERIAS. EXCETUADA A APRECIAÇÃO DA LEGALIDADE DO ATO DE CONCESSÃO INICIAL DE APOSENTADORIA. FGV DIREITO RIO 65 . 25 Consulta realizada em 23. SÚMULA VINCULANTE Nº 4 SALVO NOS CASOS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO.09.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Eis as súmulas vinculantes já aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal: SÚMULA VINCULANTE Nº 1 OFENDE A GARANTIA CONSTITUCIONAL DO ATO JURÍDICO PERFEITO A DECISÃO QUE. SÚMULA VINCULANTE Nº 5 A FALTA DE DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR NÃO OFENDE A CONSTITUIÇÃO. pedido pendente de julgamento. SÚMULA VINCULANTE Nº 3 NOS PROCESSOS PERANTE O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO ASSEGURAM-SE O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA QUANDO DA DECISÃO PUDER RESULTAR ANULAÇÃO OU REVOGAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO QUE BENEFICIE O INTERESSADO. DESCONSIDERA A VALIDEZ E A EFICÁCIA DE ACORDO CONSTANTE DE TERMO DE ADESÃO INSTITUÍDO PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 110/2001.jus.

QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8. SEM PREJUÍZO DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.212/1991. SÚMULA VINCULANTE Nº 7 A NORMA DO §3º DO ARTIGO 192 DA CONSTITUIÇÃO. TINHA SUA APLICAÇÃO CONDICIONADA À EDIÇÃO DE LEI COMPLEMENTAR. SOB PENA DE RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR. ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE. JUSTIFICADA A EXCEPCIONALIDADE POR ESCRITO. CIVIL E PENAL DO AGENTE OU DA AUTORIDADE E DE NULIDADE DA PRISÃO OU DO ATO PROCESSUAL A QUE SE REFERE. AFASTA SUA INCIDÊNCIA. NO TODO OU EM PARTE. QUE LIMITAVA A TAXA DE JUROS REAIS A 12% AO ANO. REVOGADA PELA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 40/2003. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETO-LEI Nº 1. SÚMULA VINCULANTE Nº 9 O DISPOSTO NO ARTIGO 127 DA LEI Nº 7. FGV DIREITO RIO 66 . SÚMULA VINCULANTE Nº 11 SÓ É LÍCITO O USO DE ALGEMAS EM CASOS DE RESISTÊNCIA E DE FUNDADO RECEIO DE FUGA OU DE PERIGO À INTEGRIDADE FÍSICA PRÓPRIA OU ALHEIA.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO SÚMULA VINCULANTE Nº 6 NÃO VIOLA A CONSTITUIÇÃO O ESTABELECIMENTO DE REMUNERAÇÃO INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO PARA AS PRAÇAS PRESTADORAS DE SERVIÇO MILITAR INICIAL. POR PARTE DO PRESO OU DE TERCEIROS. SÚMULA VINCULANTE Nº 10 VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF. E NÃO SE LHE APLICA O LIMITE TEMPORAL PREVISTO NO CAPUT DO ARTIGO 58.210/1984 (LEI DE EXECUÇÃO PENAL) FOI RECEBIDO PELA ORDEM CONSTITUCIONAL VIGENTE.

DE FUNÇÃO GRATIFICADA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA EM QUALQUER DOS PODERES DA UNIÃO. PARA O EXERCÍCIO DE CARGO EM COMISSÃO OU DE CONFIANÇA OU. COMPREENDIDO O AJUSTE MEDIANTE DESIGNAÇÕES RECÍPROCAS.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO SÚMULA VINCULANTE Nº 12 A COBRANÇA DE TAXA DE MATRÍCULA NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS VIOLA O DISPOSTO NO ART. DOS ESTADOS. AINDA. ATÉ O TERCEIRO GRAU. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 13 A NOMEAÇÃO DE CÔNJUGE. CHEFIA OU ASSESSORAMENTO. DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS. DA CONSTITUIÇÃO. SÚMULA VINCULANTE Nº 17 DURANTE O PERÍODO PREVISTO NO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 100 DA CONSTITUIÇÃO. DIGAM RESPEITO AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. FGV DIREITO RIO 67 . E 39. JÁ DOCUMENTADOS EM PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO REALIZADO POR ÓRGÃO COM COMPETÊNCIA DE POLÍCIA JUDICIÁRIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 14 É DIREITO DO DEFENSOR. DA AUTORIDADE NOMEANTE OU DE SERVIDOR DA MESMA PESSOA JURÍDICA INVESTIDO EM CARGO DE DIREÇÃO. COMPANHEIRO OU PARENTE EM LINHA RETA. INCLUSIVE. SÚMULA VINCULANTE Nº 15 O CÁLCULO DE GRATIFICAÇÕES E OUTRAS VANTAGENS DO SERVIDOR PÚBLICO NÃO INCIDE SOBRE O ABONO UTILIZADO PARA SE ATINGIR O SALÁRIO MÍNIMO. § 3º (REDAÇÃO DA EC 19/98). VIOLA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 16 OS ARTIGOS 7º. REFEREM-SE AO TOTAL DA REMUNERAÇÃO PERCEBIDA PELO SERVIDOR PÚBLICO. NO INTERESSE DO REPRESENTADO. 206. NÃO INCIDEM JUROS DE MORA SOBRE OS PRECATÓRIOS QUE NELE SEJAM PAGOS. COLATERAL OU POR AFINIDADE. TER ACESSO AMPLO AOS ELEMENTOS DE PROVA QUE. IV. IV.

A PARTIR DA QUAL PASSA A SER DE 60 (SESSENTA) PONTOS. DEVE SER DEFERIDA AOS INATIVOS NOS VALORES CORRESPONDENTES A 37. NÃO VIOLA O ARTIGO 145.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO SÚMULA VINCULANTE Nº 18 A DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE OU DO VÍNCULO CONJUGAL. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 22 A JUSTIÇA DO TRABALHO É COMPETENTE PARA PROCESSAR E JULGAR AS AÇÕES DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PATRIMONIAIS DECORRENTES DE ACIDENTE DE TRABALHO PROPOSTAS POR EMPREGADO CONTRA EMPREGADOR.404/2002. NO CURSO DO MANDATO. NOS TERMOS DO ARTIGO 5º. INCLUSIVE AQUELAS QUE AINDA NÃO POSSUÍAM SENTENÇA DE MÉRITO EM PRIMEIRO GRAU QUANDO DA PROMULGAÇÃO DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45/04. SÚMULA VINCULANTE Nº 19 A TAXA COBRADA EXCLUSIVAMENTE EM RAZÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE COLETA.5 (TRINTA E SETE VÍRGULA CINCO) PONTOS NO PERÍODO DE FEVEREIRO A MAIO DE 2002 E. II. NÃO AFASTA A INELEGIBILIDADE PREVISTA NO § 7º DO ARTIGO 14 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REMOÇÃO E TRATAMENTO OU DESTINAÇÃO DE LIXO OU RESÍDUOS PROVENIENTES DE IMÓVEIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 21 É INCONSTITUCIONAL A EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIOS DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. NO PERÍODO DE JUNHO DE 2002 ATÉ A CONCLUSÃO DOS EFEITOS DO ÚLTIMO CICLO DE AVALIAÇÃO A QUE SE REFERE O ARTIGO 1º DA MEDIDA PROVISÓRIA NO 198/2004.404/2002. DA LEI Nº 10. PARÁGRAFO ÚNICO. INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10. SÚMULA VINCULANTE Nº 20 A GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE TÉCNICO-ADMINISTRATIVA — GDATA. SÚMULA VINCULANTE Nº 23 A JUSTIÇA DO TRABALHO É COMPETENTE PARA PROCESSAR E JULGAR AÇÃO POSSESSÓRIA AJUIZADA EM DECORRÊNCIA FGV DIREITO RIO 68 .

SÚMULA VINCULANTE Nº 24 NÃO SE TIPIFICA CRIME MATERIAL CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. OU EQUIPARADO. SÚMULA VINCULANTE Nº 26 PARA EFEITO DE PROGRESSÃO DE REGIME NO CUMPRIMENTO DE PENA POR CRIME HEDIONDO. DE MODO FUNDAMENTADO. FGV DIREITO RIO 69 . DE 25 DE JULHO DE 1990. SÚMULA VINCULANTE Nº 29 É CONSTITUCIONAL A ADOÇÃO. 1º.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE PELOS TRABALHADORES DA INICIATIVA PRIVADA. SÚMULA VINCULANTE Nº 28 É INCONSTITUCIONAL A EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO PRÉVIO COMO REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE DE AÇÃO JUDICIAL NA QUAL SE PRETENDA DISCUTIR A EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DA LEI Nº 8.137/90. NEM OPOENTE. OU NÃO. 2º DA LEI N. SÚMULA VINCULANTE Nº 27 COMPETE À JUSTIÇA ESTADUAL JULGAR CAUSAS ENTRE CONSUMIDOR E CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO DE TELEFONIA. SEM PREJUÍZO DE AVALIAR SE O CONDENADO PREENCHE.072. QUALQUER QUE SEJA A MODALIDADE DO DEPÓSITO. PARA TAL FIM. DE UM OU MAIS ELEMENTOS DA BASE DE CÁLCULO PRÓPRIA DE DETERMINADO IMPOSTO. NO CÁLCULO DO VALOR DE TAXA. OS REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DO BENEFÍCIO. A REALIZAÇÃO DE EXAME CRIMINOLÓGICO. PREVISTO NO ART. ANTES DO LANÇAMENTO DEFINITIVO DO TRIBUTO. SÚMULA VINCULANTE Nº 25 É ILÍCITA A PRISÃO CIVIL DE DEPOSITÁRIO INFIEL. PODENDO DETERMINAR. ASSISTENTE. INCISOS I A IV. 8. DESDE QUE NÃO HAJA INTEGRAL IDENTIDADE ENTRE UMA BASE E OUTRA. O JUÍZO DA EXECUÇÃO OBSERVARÁ A INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. QUANDO A ANATEL NÃO SEJA LITISCONSORTE PASSIVA NECESSÁRIA.

devendo ser abordada pelo Parquet no momento do exame dos pressupostos processuais. é o próprio magistrado de primeiro grau que. não receberá o recurso. ou seja. Ocorre que o caso se enquadra perfeitamente ao Artigo 518.” Aqui. Sua manifestação dirige-se ao mérito do recurso sem que se trate de súmula vinculante (até porque não existe essa figura com relação ao STJ). A questão deve guardar simetria entre o decidido e o enunciado. §1º do CPC. analisando a conformidade da sentença recorrida com a súmula dos Tribunais Superiores. restou por determinar a inadmissibilidade de apelações deduzidas contra sentenças apoiadas em súmulas do STJ e do STF. Trata-se da chamada súmula impeditiva de recurso. Duas novas situações surgem em relação a esta inovação. trazida ao ordenamento pela Lei 11. a apelação deve prosseguir. chegando ao segundo grau. SÚMULA VINCULANTE Nº 32 O ICMS NÃO INCIDE SOBRE ALIENAÇÃO DE SALVADOS DE SINISTRO PELAS SEGURADORAS.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO SÚMULA VINCULANTE Nº 31 É INCONSTITUCIONAL A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA — ISS SOBRE OPERAÇÕES DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. pois a nova regra é parte integrante do juízo de admissibilidade do recurso. Assim. FGV DIREITO RIO 70 . Deve o Ministério Público alertar sobre o fato em seu parecer? Entendemos positivamente. Caso contrário. logo no início.276/2006. §1º do Código de Processo Civil: “O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal. 5 — SÚMULA IMPEDITIVA DE RECURSO A reforma processual instituída por diversas leis promulgadas nos últimos anos. a nova redação do Artigo 518. mais um instrumento processual criado para diminuir e dificultar o acesso aos tribunais superiores. seria caso de aplicação da súmula impeditiva de recurso ainda em sede de juízo de primeiro grau. Vamos supor que uma apelação seja recebida.

FGV DIREITO RIO 71 . Esclareceu-se. de função gratificada na Administração Pública direta e indireta. na qual se declarara que a prática do nepotismo no âmbito dos três Poderes da República afronta à Lei Maior. companheiro. pode-se discutir o alcance da súmula. no ponto. qual o recurso cabível? Na opinião de Luís Rodrigues Wambier. quando não era caso de sua aplicação. o Agravo é o recurso cabível para questionamento das decisões interlocutórias proferidas em juízo. porque os fatos deste não se ajustam à hipótese da súmula. inclusive. o recurso cabível é o agravo de instrumento.2008. reputara-se nulo o ato de nomeação de um motorista e hígido o do Secretário Municipal de Saúde. ainda em primeiro grau. apenas para se situarem no assunto. Asseverou-se. o Tribunal deu provimento a agravo regimental interposto contra decisão que indeferira pedido de liminar em reclamação ajuizada contra decisão de 1º grau que. por força do princípio da dialeticidade26. mantivera a posse do irmão do Governador do Estado do Paraná no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas local. o Presidente do 26 Em termos bem gerais. de início.2008). Sendo o Parquet chamado a se manifestar. que não atingiria o caso concreto.10. §1º e não às razões da apelação. até o terceiro grau.”). para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou. viola a Constituição Federal. em linha reta. JURISPRUDÊNCIA Súmula Vinculante NEPOTISMO E CONSELHEIRO DE TRIBUNAL DE CONTAS — 1 Por vislumbrar ofensa à Súmula Vinculante 13 (“A nomeação de cônjuge. em qualquer dos Poderes da União.6. não apenas por se tratar de um agente político. compreendido o ajuste mediante designações recíprocas. da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção. ainda. sendo certo que as razões do agravo devem se dirigir ao Artigo 518. colateral ou por afinidade. ressaltando-se a diferença entre cargo estritamente administrativo e cargo político. nem a hipótese de fraude à lei. Desta forma. em 24. no bojo de ação popular movida pelo reclamante. dos Estados. para o qual fora por este nomeado. que. Já a Apelação tem cabimento contra as sentenças (Artigos 522 e 513 do Código de Processo Civil).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Questão diferente ocorreria se o Ministério Público. e. chefia ou assessoramento. mas por não ter ficado evidenciada a prática do nepotismo cruzado. ou parente. que o caso sob exame apresentaria nuances que o distinguiriam da situação tratada no julgamento do RE 579951/RN (DJE de 24. tomasse ciência que o juiz de primeiro grau inadmitiu um recurso sob o fundamento da súmula impeditiva. do Distrito Federal e dos Municípios. Uma novidade apontada por Cassio Scarpinella Bueno é a de que Recurso Extraordinário ou Especial interpostos contra acórdão fundado em súmula do STF ou STJ pode ter seu trânsito negado na origem por aplicação deste dispositivo.

(Rcl6702) Informativo 537 NEPOTISMO E CONSELHEIRO DE TRIBUNAL DE CONTAS — 2 Entendeu-se que estariam presentes os requisitos autorizadores da concessão da liminar.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Tribunal de Contas daquela unidade federada encaminhara ofício ao Presidente da Assembléia Legislativa. III. tendo em conta o disposto no art.044. dentre outros. mas protocolizado no dia subsequente. regem a Administração Pública em nossa sistemática constitucional. Min. Destacou-se que tal ato fora publicado em jornal no Diário da Assembléia somente em 9.042. em decorrência de aposentadoria. em Sessão Especial Plenária. Considerou-se que a natureza do cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas não se enquadraria no conceito de agente político. ao menos numa análise perfunctória dos autos. b. 52. e que.041. Registrou-se o açodamento. ocorrera apenas em 10. abrindo o prazo de 5 dias para as inscrições de candidatos ao aludido cargo vago. cuja vacância. no dia 10. rel. no mesmo dia.2009. o Decreto 3. da CF. uma vez que exerce a função de auxiliar do Legislativo no controle da Administração Pública. e que o processo de nomeação do irmão do Governador.7. assinado o Decreto 3. os Deputados Estaduais integrantes da Assembléia Legislativa elegeram o irmão do Governador para ocupar o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. ao menos do ponto de vista formal. além de estabelecer novas regras para o procedimento de escolha e indicação da Casa. em face do princípio da simetria. sugeriria a ocorrência de vícios que maculariam a sua escolha por parte da Assembléia Legislativa do Estado. a fim de que se fizesse a seleção de um novo nome. a tentativa de burlar os princípios da publicidade e impessoalidade que. também. a Comissão Executiva da Assembléia Legislativa editara o Ato 675/2008. FGV DIREITO RIO 72 . Observou-se que a aprovação do irmão do Governador para o cargo dera-se inclusive antes de escoado integralmente o prazo aberto para a inscrição de candidatos ao mesmo. segundo uma única discussão. informando a vacância de cargo de Conselheiro. Rcl 6702 AgR-MC/PR. Concluiu-se que. e o Decreto 3. que o nomeou para exercer o mencionado cargo de Conselheiro. tendo o Governador. nos termos dos artigos 54. em especial para transformar a votação de secreta em nominal. que exonerou o irmão do cargo de Secretário do Estado da Educação. Afirmou-se.2009.7. o que indicaria. dos atos levado a cabo na referida Casa Legislativa para ultimar o processo seletivo.3. que aposentou o anterior ocupante do cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas estadual. a nomeação do irmão.7.2008. a e 77. a escolha de membros do Tribunal de Contas pela Assembléia Legislativa por votação aberta. quando mais não seja. Ricardo Lewandowski. § 2º.2008. 4. além desses fatos. ser de duvidosa constitucionalidade. O expediente fora lido em sessão no mesmo dia em que recebido. XIX. no mínimo suspeito. da Constituição estadual. Neste dia.

asp FGV DIREITO RIO 73 .br/rede.3. rel. sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”. determinou-se a imediata comunicação da decisão. deferiu-se. Marco Aurélio.justicavirtual. civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere. Por maioria.direitodoestado. Artigo disponível no site: http://www. a liminar. O Min. Min. Informativo 514. Artigo disponível no site: http://www. Menezes Direito fez ressalva no sentido de não se comprometer com a manifestação do relator acerca da natureza do cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. Ricardo Lewandowski.com.com. (Rcl6702) Informativo 537 Súmula Impeditiva de Recurso USO DE ALGEMAS E EXCEPCIONALIDADE — 4 O Tribunal aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante 11 nestes termos: “Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. o Min.2008. Marco Aurélio. Alexandre de Moraes.asp Perplexidade do novo instituto da súmula vinculante no direito brasileiro. para sustar os efeitos da nomeação sob exame até o julgamento da mencionada ação popular. desrespeito aos mais elementares postulados republicanos. que esta e as demais Súmulas Vinculantes passam a ser dotadas das características das Súmulas impeditivas de recursos. neste ponto. Súmula vinculante. Min.br/rede.com. agente incumbido pela Constituição de fiscalizar as contas do nomeante. José Joaquim Calmon de Passos. 13.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO pelo Governador.8. Por conseguinte.br artigos clássicos constitucional. André Tavares Ramos. também. HC 91952/SP. ficando vencido. Rcl 6702 AgR-MC/PR. por parte do preso ou de terceiros. A edição do verbete ocorreu após o julgamento de habeas corpus impetrado em favor de condenado pela prática de crime doloso contra a vida que permanecera algemado durante toda a sessão do Júri — v. em princípio. justificada a excepcionalidade por escrito. (HC-91952) Informativo 515 LEITURAS COMPLEMENTARES Jurisdição Constitucional: Breves Notas Comparativas sobre a estrutura do Supremo Tribunal Federal e a Corte Suprema Norte Americana. O Tribunal reconheceu.direitodoestado. por unanimidade. sob pena de responsabilidade disciplinar.2009. Artigo disponível no site: http://www. 4. para ocupar o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. estaria a sugerir. rel.

nos termos da lei. nos termos e prazos previstos na lei processual específica. nas esferas federal. respeitada o princípio da separação e harmonia entre os Poderes. salvo nova controvérsia no STF. A instituição da súmula vinculante (Artigo 103-A da Constituição) pela Reforma do Judiciário (EC 45/04) viola a independência funcional dos juízes? Resposta objetivamente justificada. No Supremo Tribunal Federal: (Ministério Público Federal — 23º concurso) I — A fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso extraordinário. (e) somente ação rescisória perante o STF poderá alterar o conteúdo de súmula com efeito vinculante. será expedida de imediato pela Corte medida para tornar efetiva a norma constitucional. é CORRETO afirmar que: (MP/MG 2005) (a) o STF somente poderá aprovar súmula com efeito vinculante com relação aos demais órgãos do Poder Judiciário. 45/2004. (b) o STF poderá. 02. relativamente aos FGV DIREITO RIO 74 . e após 2 (dois) anos da sua aprovação. por falta de norma regulamentadora da Constituição. (c) uma vez aprovada não poderá proceder à sua revisão ou cancelamento.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO QUESTÕES DE CONCURSOS: 01. quanto em relação à Administração Pública Direta e Indireta. de ofício ou por provocação. cujo quorum é de 2/3. 03. III — As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Tribunal nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. prevista na EC nº. aprová-la com aquele efeito tanto em relação ao demais órgãos do Poder Judiciário. dando-se ciência ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo. (d) cabe ação de descumprimento de preceito fundamental contra ato da Administração Pública ou de decisão que contrariar a súmula vinculante. somente podendo o Tribunal recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros. deverá o recorrente demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso. II — Declarada a inconstitucionalidade por omissão na ação direta. Sobre a figura da Súmula com efeito vinculante. estadual e municipal.

cabe: (TRF 1ª Região — Juiz Federal — 1991): (a) Ao Senado Federal (b) Ao Supremo Tribunal Federal (c) À Câmara dos Deputados (d) Ao Congresso Nacional (e) N. os Governadores dos Estados e os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal. FGV DIREITO RIO 75 . IV — Não há a atuação do Procurador-Geral da República nas causas relativas ao controle concentrado de constitucionalidade Analisando-se as asserções acima. nas esferas federal. estão corretas apenas as de números I.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração pública direta e indireta.A 05.A. todas estão corretas. (d) os conflitos de atribuições entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal. somente as de números II e IV estão corretas. N. estadual e municipal. (b) as ações contra o Conselho Nacional do Ministério Público. originariamente. (c) o mandado de segurança impetrado contra ato do Superior Tribunal de Justiça.R. nos crimes de responsabilidade. ou entre as deste e as da União. III e IV. 04. Compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar.R. (182º Concurso da Magistratura de SP — 2009) (a) nas infrações penais comuns. O julgamento dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. podemos afirmar que: (a) (b) (c) (d) (e) que estão corretas apenas as de números I e III.

Não concordam. de fato. definido na CR/88. GRINOVER. 27 2) COMPOSIÇÃO Composto por no mínimo 33 ministros. pág. mais correto seria considerar o Superior Tribunal de Justiça como instância máxima para assuntos de direito federal comum infraconstitucional. Como órgão de convergência da Justiça comum. 2006. logo abaixo do Supremo Tribunal Federal. em todas as vertentes jurisdicionais não-especializadas. um órgão de superposição. 28 FGV DIREITO RIO 76 . Luiz Guilherme da Costa [et al]. O Tribunal é inovação da Constituição de 1988. não recebe causas oriundas das Justiças especiais (direito trabalhista. dispôs em seu artigo 27 sobre a extinção do antigo Tribunal Federal de Recursos e a criação do STJ. portanto. está o Superior Tribunal de Justiça. Editora Malheiros. aprecia causas oriundas de todo o território nacional. como pensa Ada Pellegrini Grinover28. 22ª edição. Para estes juristas. ou seja. Teoria Geral do Processo.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULAS 4 E 5: O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E A JUSTIÇA FEDERAL 1) O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA No organograma do Judiciário. 2006. apesar de serem estas matérias de competência legislativa da União. TST e STM). O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. que daria ao STJ uma proeminência hierárquica em relação aos demais Tribunais Superiores (TSE. Instalado inicialmente sobre a presidência do STF. juntamente com o Supremo. que serão nomeados pelo presidente da República dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos WAGNER Junior. é o Superior Tribunal de Justiça a última instância da Justiça brasileira para as causas infraconstitucionais não relacionadas diretamente à Constituição. sendo o órgão de jurisdição máxima de tal Justiça. órgão previsto no Artigo 92. o STJ teve sua composição definida mediante dois critérios: aproveitamento dos ministros do TFR e nomeação de ministros necessários para completar o número de 33 magistrados. regulamentando a transição entre a Constituição anterior e a atual. Alguns juristas27 criticam tal colocação topográfica. sendo a corte responsável por uniformizar a interpretação da lei federal em todo o Brasil. com o fato de ser o STJ. relaciona-se com a Justiça comum (Justiça Federal e Justiça Estadual). II da Constituição Federal. eleitoral e militar). Foi criado com a função de absorver parte da competência que até então era afeta ao Supremo Tribunal Federal. Editora Del Rey. cúpula de todo o Poder Judiciário brasileiro. “Poder Judiciário e Carreiras Jurídicas”. 76 e seguintes. Ada Pellegrini [et al]. O Superior Tribunal de Justiça. seguindo os princípios constitucionais e a garantia e defesa do Estado de Direito. Com efeito. também com sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional.

Pleno. a garantir também o equilíbrio de oportunidade entre os concorrentes oriundos da advocacia e do Ministério Público. 12.10. em seguida. de representantes dos dois ramos básicos da atividade forense. portanto. §2º. de início. chamou de “critério subsidiário de alternância. § 2º e §3º. IV). Octávio Galotti. Mandado de Segurança n. j. rel. no mesmo julgamento supramencionado. conforme disposto pelo min. uma delas será. Min. determinando que quando for ímpar o número de vagas destinadas ao terço constitucional. de tal forma que.12. 12. Passou-se. só se apelando para o critério subsidiário de alternância. Estadual. dentre advogados e membros do Ministério Público Federal. 100.09. 30 FGV DIREITO RIO 77 . notável saber jurídico e reputação ilibada.1986. Min. Pleno. min. É o “princípio constitucional da paridade entre as duas classes”. DJ 05. portanto. Alemanha. alheios aos quadros da magistratura. Estão excluídos da possibilidade de nomeação. brasileiro naturalizado. somente os estrangeiros. 22. Octavio Galotti.30” “De toda essa evolução legislativa.08. à regra da cooptação. pode deduzir-se que a instituição do quinto constitucional restringiu-se. A composição atual do STJ conta hoje com o ministro Felix Fischer. também sucessiva e alternadamente. 20597-1DF. São os mesmos requisitos e condições especiais impostas para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal. da Lei Orgânica. rel. • 1/3 de juízes do Tribunal Regional Federal. Existem regras pré-determinadas para a escolha de seus ministros.2003. em partes iguais. Carlos Velloso29 no julgamento de um mandado de segurança sobre semelhante questão. j. E como deve ser resolvida a questão para o caso do Tribunal contar com um número ímpar de vagas para o terço constitucional? Não teríamos como atingir a paridade plena entre as classes.2001. na hipótese especial prevista no art. aplicando-se a regra do que poderíamos chamar de terço constitucional. • 1/3. equilíbrio hoje traduzido no princípio de igualdade do número de representantes de ambas as classes. os representantes de uma dessas classes superem os da outra em uma unidade. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. exceto o de tratar-se de brasileiro nato (Art. alternadamente. para os Tribunais. Como se resolver tal questão? O Supremo. alternada e sucessivamente. O eminente ministro é. Carlos Velloso. porque o primeiro emana da Constituição e a segunda é explicitada em norma infra- 29 Mandado de Segurança n. Isso foi o que o então ministro do Supremo Tribunal Federal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO de idade. preenchida por advogado e por membro do Ministério Público. DJ 29. Digo que a paridade é o princípio geral e a alternância uma regra subsidiária. 239727-DF. do Distrito Federal e Territórios. que é natural de Hamburgo. • 1/3 de desembargadores dos Tribunais de Justiça Estaduais.1986.

NO MANDADO DE SEGURANÇA Relator(a): Min. parágrafo único. para ser ministro do Superior Tribunal Justiça. FGV DIREITO RIO 78 . 4. art. 2. um juiz de Tribunal Regional Federal foi escolhido pelo presidente da República. e ainda porque a alternância é dirigida apenas àquela “hipótese excepcional”.REG. e destinada ao preenchimento de vaga excedente do número par imediatamente inferior. Agravo regimental contra despacho indeferitório da liminar não conhecido. Dentro deste contexto. Isso gerou muita controvérsia e indignação dentre os juízes federais. 93. dentre os integrantes da lista tríplice. O argumento utilizado foi que este magistrado passara a integrar os quadros do TRF pela regra do quinto constitucional. de 21 de maio de 1999. sendo originariamente pertencente aos quadros da advocacia. violando-se assim.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO constitucional. por entenderem que tal escolha teria ferido o princípio instituído pelo Art. Alegação de que o juiz indicado não é originário da carreira da magistratura federal. Ao enviar sua mensagem de escolha para a devida sabatina no Senado Federal. III. por intempestivo e incabível. o presidente da República foi surpreendido por um mandado de segurança impetrado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil — AJUFE. inciso I. assim qualificada no parecer do Ministro Xavier de Albuquerque. 26 do RISTJ). Liminar indeferida. Ato do Presidente da República. tendo o referido órgão decidido da seguinte maneira: “MS-AgR 23445 / DF — DISTRITO FEDERAL AG.” É o próprio Superior Tribunal de Justiça quem formula a lista tríplice para preenchimento das vagas na corte destinadas a juízes de Tribunal Regional Federal e Tribunais de Justiça Estaduais e envia para o presidente da República realizar a escolha (Art. 93. Mensagem 664. III da Constituição. o princípio instituído pelo art. da CF. Pergunta-se: procede tal argumentação? Estão corretos os juízes federais? Ou o juiz escolhido tem o direito de ser nomeado. que submeteu ao Senado Federal nome de Juiz de TRF para o provimento de cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça. 104. NÉRI DA SILVEIRA Julgamento: 18/11/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno EMENTA: — Mandado de segurança. 1ª parte). em vaga destinada a juiz de Tribunal Regional Federal (Constituição. se assim entender o Senado Federal? Essa questão chegou ao STF. 3.

parágrafo único.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 5. § 1º. De formação eclética. não cabe distinguir entre juiz de TRF. Seja por atrofia política. pretendeu-se estabelecer. Não é o Superior Tribunal de Justiça corte de segundo grau. estando. dos arts. 8. Às vagas da magistratura concorrem desembargadores federais ou estaduais. 93. I). observa-se a origem dos magistrados. da Constituição. também. 104. 104. 9. 10. 93. III. parágrafo único. desse modo. a exemplo da formação do Tribunal Superior do Trabalho. 12. e para as vagas do Ministério Público e dos Advogados concorrem os seus representantes com mais de dez anos de atividade. Incabível. 11. enquadrado no âmbito do art. tem-se a preocupação de mesclar a formação. da Lei Magna. à espécie. 1ª parte. inciso I. da Constituição. dos 33 integrantes. A carreira dos Juízes Federais tem seu segundo grau nos Tribunais Regionais Federais. inciso I. incisos I e II. de modo a se manter equilíbrio.” Sobre este assunto. em termos a invocar-se a aplicação do art. I e II). FGV DIREITO RIO 79 . e 111. o certo é que deixou de constar no texto constitucional a observância da gênese dos magistrados na composição do STJ. publicado no Jornal O Globo em 24/11/09: Magistratura pede socorro Para a magistratura de carreira. A regra expressa da Constituição dispõe sobre a composição e forma de preenchimento dos cargos de Ministro no Superior Tribunal de Justiça. 104. 22 são de carreira e onze escolhidos dentre membros do Ministério Público e Advogados. Eliana Calmon. a teor de seu art. 7. o órgão maior do Poder Judiciário é o Superior Tribunal de Justiça. As categorias têm formação distinta. originário da carreira da magistratura federal. art. Mandado de segurança indeferido. 1ª parte. Hipótese em que o juiz do TRF indicado proveio da advocacia (CF. I. seja por falta do necessário empenho dos órgãos representativos. III. 6. na escolha dos ministros daquela Corte. ou proveniente do Ministério Público Federal ou da advocacia (CF. a aplicação por analogia. Para o provimento dos cargos a que se refere o art. e. leia abaixo artigo da Min. na composição das turmas de julgamento. 107. regra que consagrasse o equilíbrio. Quando da elaboração da Constituição de 1988. parágrafo único. art. Objeção à investidura como Ministro do Superior Tribunal de Justiça improcedente. 107.

passaram a concorrer às vagas do STJ. Os magistrados de carreira chegam ao STJ com bem mais idade do que os seus colegas do quinto. como ministros. Raros são os juízes de carreira que. a prática é de flagrante injustiça para com a magistratura. estão aptos a alcançarem o tribunal superior. Tenho me indignado com a omissão dos órgãos representativos da magistratura. porque esses magistrados. a não observância da origem tem ensejado acesso desses ao STJ. São incapazes de encetar uma eficiente defesa institucional em favor da magistratura imparcial e equilibrada. antes de chegarem à antiguidade necessária às funções de direção. chego à conclusão da necessidade de falar para que se possa ver o óbvio: as insensatas e injustas escolhas desestimulam. A face mais perversa da disfunção aqui registrada está nas poucas chances de um magistrado de carreira. quando podem almejar o coroamento da carreira. padecerem com as dificuldades de escolha até ascenderem aos tribunais e. vão aos poucos se transformando em modestos servidores. céticos quanto ao acesso. enfrentam como concorrentes os colegas do quinto constitucional recém chegados — se juízes de carreira fossem. desprestigiam os juízes de carreira que. viverem em longínquas cidades. identificados como vocacionados. dez anos no tribunal. Além da quebra de paridade. Como dos tribunais de justiça e dos tribunais federais participam representantes do quinto. dentro do STJ. não estariam aptos a disputar sequer vaga nos tribunais inferiores. a escolha dos desembargadores para comporem as listas de escolha ao STJ dava-se entre os que tinham realce na Corte. na esperança de ver corrigida a distorção. No passado. e. e para os desembargadores do quinto. Entretanto. passam a figurar em número que tende a superar os magistrados de carreira. o tempo era de. sem interstício algum. são alcançados pela aposentadoria compulsória. concorrendo nas vagas dos desembargadores de carreira. sem FGV DIREITO RIO 80 . chegam à presidência. cujos integrantes a escolheram em tenra idade. porque. com os representantes da sua categoria. de tal forma que advogados recém chegados aos tribunais. no mínimo. com um ou dois anos de magistratura.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO A falta de texto escrito tem ensejado grave distorção na formação do “Tribunal da Cidadania”. Nos últimos anos. Até aqui tenho mantido a discrição necessária ao exercício do meu mister. as escolhas passaram a obedecer a critérios outros. disputando com desembargadores com mais de vinte ou trinta anos de magistratura. prepararam-se. Tenho observado a absurda distorção. após se submeterem a concurso. entre outras funções exercidas pelos ministros mais antigos. vice-presidência e corregedoria. A prática desequilibra a formação eclética da Corte. lamentando estar a magistratura sendo dirigida e conduzida quase que exclusivamente pelos advogados transformados em juízes pelo mecanismo constitucional do quinto. a partir da nomeação. exercer as funções de direção da magistratura.

o Tribunal reunir-se-á. art. 104. § 3º. de Juízes. Para a composição da lista tríplice. Os candidatos figurarão na lista de acordo com a ordem decrescente dos sufrágios que obtiverem. em primeiro ou subsequente escrutínio. § 4º. parágrafo único). Advogados e membros do Ministério Público. § 5º. art. parágrafo único). em sessão pública. A indicação. Desembargadores. o Presidente do Tribunal. pelo Superior Tribunal de Justiça. com indicação das datas de nascimento (Constituição.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO a pujança que se espera de um agente político. Já para a escolha dos advogados e membros do Ministério Público que comporão o terço oriundo do MP e da OAB. na forma do Art. § 6º. Ocorrendo vaga destinada a Advogado ou a membro do Ministério Público. A escolha dos nomes que comporão lista tríplice far-se-á em votação secreta. § 2º. observado o disposto no artigo 27. Calar faz-me parecer covardemente acomodada. o Presidente solicitará aos Tribunais Regionais Federais e aos Tribunais de Justiça que enviem. solicitará ao órgão de representação da classe que providencie a lista sêxtupla dos candidatos. pela inserção de julgadores com pouca vivência e sem formação adequada em um tribunal eminentemente técnico como é o Superior Tribunal de Justiça. far-se-á em lista tríplice. ELIANA CALMON é ministra do Superior Tribunal de Justiça. no prazo de dez dias. que as encaminhará ao Superior Tribunal de Justiça. terá preferência o mais idoso. respeitado. Tratando-se de vaga a ser preenchida por Juiz ou Desembargador. serão preparadas listas sêxtuplas por cada instituição. abaixo transcrito: CAPÍTULO VII SEÇÃO I Art. § 1º. a maioria absoluta dos votos dos membros do Tribunal. com o quorum de dois terços de seus membros. também. o número de ordem do escrutínio. 26. Somente constará de lista tríplice o candidato que obtiver. § 3º. 104. para comporem o Tribunal. sessão do Tribunal para elaboração da lista tríplice. relação dos magistrados que contem mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade. a serem nomeados pelo Presidente da República. Recebida a lista sêxtupla. 1º do RISTJ. realizando-se tantos escrutínios quantos forem necessários. observados os requisitos constitucionais (Constituição. É preciso combater todas as práticas que possam macular a última das trincheiras de cidadania. nos cinco dias seguintes. de imediato. § 7º. o Judiciário. Em caso de empate. 26. convocará o Presidente. A disfunção traz prejuízos institucionais irreversíveis. ou esgotado o prazo indicado no parágrafo anterior. FGV DIREITO RIO 81 . além do Presidente.

além de não trazer solução para o impasse. em caso de empate far-se-á o desempate em favor do candidato mais idoso.” O STJ. para os magistrados e membros do Ministério Público. Pergunta-se: e quando o STJ rejeita a lista sêxtupla encaminhada pela OAB ou pelo Ministério Público? Essa questão também chegou ao STF. daquelas a que respeita o inciso IX do art. (RMS-27920) FGV DIREITO RIO 82 . Concluiu-se pela ausência de direito líquido e certo da OAB a que determinados advogados fossem incluídos em lista tríplice a ser formada pelo STJ. além de eliminar a natureza secreta da votação. Eros Grau. No ponto. sob pena de se impor àquela Corte a obrigação de ratificar a escolha de indivíduos que lá não obtiveram o voto da maioria absoluta de seus atuais integrantes. adotar-se-á o critério do tempo de serviço público no cargo. dos motivos pelos quais nenhum integrante da lista sêxtupla alcançara a maioria absoluta de votos. Min. por sua vez.2009.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO § 8º. da lista a ele remetida. 93 da Constituição. se ainda persistir o empate. provocaria desarrazoada exposição dos advogados que dela constam. reputou-se que isso significaria recusa. Para colocação dos nomes na lista. aduziu-se que a seleção de futuro integrante do STJ é um ato complexo e que tal escolha não consubstancia mera decisão administrativa. devendo ser apurada de forma a prestigiar-se o juízo dos membros do Tribunal. por cada um dos Ministros votantes. elaborará lista tríplice a ser encaminhada ao presidente da República para escolha e posterior sabatina pelo Senado Federal. para os advogados.10. pelo STJ. Vencidos os Ministros Joaquim Barbosa e Celso de Mello que proviam parcialmente o recurso por julgar que o ato impugnado careceria de motivação. Registrou-se a excepcionalidade da situação. ou tempo de inscrição na Ordem como advogado. rel. 6. entendeu-se que a divulgação. em que a Corte recorrida constatara a ocorrência de impasse insolúvel diante da legitimidade da norma de seu regimento interno que prevê a necessidade de obtenção de maioria absoluta dos votos pelo candidato à vaga de Ministro. Enfatizando que nenhum dos indicados obtivera a maioria absoluta de votos. RMS 27920/DF. tendo a 2ª Turma decidido da seguinte maneira: Quanto ao tema relativo à determinação ao STJ para que promovesse a redução da lista sêxtupla encaminhada pela recorrente.

oriundo da classe dos advogados. votando pela anulação do ato por falta de motivação. parág. votaram pela rejeição do recurso. tolheria a liberdade para escolha dos nomes para figurar na lista tríplice e exporia desnecessariamente os advogados indicados pela OAB. pelo princípio da transparência. Três votos foram proferidos contra a entidade classista e dois a favor. Já Cezar Peluso.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO CASO: Em 12 de fevereiro de 2008. o pedido foi rejeitado. Dessa decisão. Impetrado o mandado de segurança pela entidade de classe. 3) ORGANIZAÇÃO A organização do STJ pode ser representada pelo gráfico abaixo descrito: ORGANOGRAMA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA TRIBUNAL PLENO 33 ministros (CF. o Plenário do Superior Tribunal de Justiça a rejeitou em sua totalidade devolvendo-a a OAB. 104) Conselho da Justiça Federal (105. O Recurso (RMS 27920) foi decidido por maioria pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. o STJ deveria justificar a razão do veto. Corte Especial 21 ministros 1º Seção 10 ministros 2º Seção 10 ministros 3º Seção 10 ministros 1ª Turma 5 ministros 2ª Turma 5 ministros 3ª Turma 5 ministros 4ª Turma 5 ministros 5ª Turma 5 ministros 6ª Turma 5 ministros FGV DIREITO RIO 83 . Único. Para eles. O voto decisivo foi da Ministra Ellen. recorreu-se ao STF alegando a OAB a ilegalidade e o descumprimento dos deveres constitucionalmente conferidos ao STJ. ao votar a lista sêxtupla apresentada pela OAB para preenchimento de vaga de ministro. Eros Grau e Ellen Gracie. art. Joaquim Barbosa e Celso de Mello foram favoráveis à entidade. entendendo que a justificativa da rejeição por parte dos ministros que participaram do escrutínio tiraria o caráter secreto da sessão.

ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Obs. as ações rescisórias. composta por ministros da Primeira Turma e da Segunda Turma. quando estas divergirem. FGV DIREITO RIO 84 . decide sobre matérias de Direito Privado. É nas seções especializadas que são julgados os processos de competência originária do STJ. é definida no Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal Pleno só exerce funções administrativas. mandados de segurança contra ministros de Estado e matérias de Direito Público e Privado não cobertas pela Primeira e Segunda seções. examinando questões de Direito Civil e Comercial. das seções e das Turmas. cada uma delas composta por duas turmas. Cada seção é formada por duas turmas especializadas. O Conselho da Justiça Federal exerce a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de 1º e 2º graus. bem como questões previdenciárias. julga causas que envolvam matérias de Direito Penal. Já a Terceira Seção.: A competência da Corte Especial. os embargos de divergência. órgão máximo do Tribunal. os feitos são remetidos à respectiva seção. aqueles que têm início no próprio Tribunal. pelo menos. composta por ministros da Terceira Turma e da Quarta Turma. Para que possa cumprir melhor sua missão institucional. ratione matariae. entre outras. A Segunda Seção. como habeas-corpus. com destaque para as questões administrativas e tributárias. São exemplos de processos originários os mandados de segurança. o exame da questão é remetido à Corte Especial. as turmas reúnem-se com a presença de. A Primeira Seção. e os habeas-corpus. analisa e julga matérias de acordo com a natureza da causa submetida à apreciação. Têm prioridade de julgamento as causas criminais. os conflitos de competência e. e cada turma é integrada por cinco ministros. Quando há divergência de interpretação do Direito entre as turmas de uma mesma seção. aprecia matérias de Direito Público. integrado pela totalidade dos ministros da Casa. 3. Nos casos em que há divergência de interpretação entre turmas de diferentes seções. que buscam uniformizar a interpretação do Direito entre as turmas de uma mesma seção. o Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi organizado pelo critério da especialização. Três seções de julgamento. ainda. havendo réu preso.1) Seções de julgamento: Existem três seções especializadas de julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). três ministros. composta por ministros da Quinta Turma e da Sexta Turma. As funções administrativas do STJ são exercidas pelo plenário. Acima delas está a Corte Especial. No STJ.

105 da Constituição Federal — exercer a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus — e na Lei n. As decisões do Colegiado do CJF que fixam normas são objeto de Resoluções. advogados e membros do Ministério Público que devam compor o Tribunal. uma vez empossados.3) Conselho de Justiça Federal O Conselho da Justiça Federal (CJF).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 3.472/1992. de função jurisdicional. qualquer que seja a origem. os ministros do STJ. a cada dois anos. O Colegiado do CJF é formado por cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelos presidentes dos cinco Tribunais Regionais Federais do país. Por meio de seus atos administrativos. Em decorrência da criação dos Juizados Especiais Federais. Tanto quanto os ministros do Supremo. já estudadas. de criação de novos cargos de juiz federal ou de varas federais são examinadas pelo Colegiado do CJF e encaminhadas à apreciação do Superior Tribunal de Justiça. a quem cabe fazer a convocação dos ministros quando houver matéria em pauta. tem como missão promover e assegurar a integração e o aprimoramento humano e material das instituições que compõem a Justiça Federal. pela Lei 10. o Plenário é o órgão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que resolve as questões administrativas sob responsabilidade dos magistrados. que são destinadas aos juízes togados. o Conselho dotou-se. FGV DIREITO RIO 85 . assim como os nomes que compõem as listas tríplices dos juízes. com sede em Brasília-DF. o presidente e o vice-presidente da Corte. Passam pela aprovação exclusiva do Colegiado do CJF as propostas de normatização de procedimentos administrativos para a Justiça Federal. É ali também onde se vota o Regimento Interno do STJ e suas emendas. É o Plenário do STJ que dá posse aos membros do Tribunal e elege. desembargadores. propostas de criação ou extinção de TRFs. As propostas orçamentárias aprovadas pelos Tribunais Regionais Federais (TRFs). Como a Corte Especial. ou de fixação das políticas e diretrizes de atuação das Secretarias do CJF.259/2001.2) Plenário: Constituído pela totalidade dos ministros do Tribunal. atos normativos cujo cumprimento é obrigatório em toda a Justiça Federal. ficam sob as garantias e vedações constitucionais. o CJF tem regulamentado uma série de atividades essenciais à celeridade na prestação jurisdicional da Justiça Federal. o Plenário é dirigido pelo presidente do STJ. sendo presidido pelo presidente e vice-presidente do STJ. A competência do CJF está prevista no parágrafo único do art. sem prejuízo da autonomia necessária ao bom desempenho dessas unidades. ainda. 8. 3.

compete ao STJ. em grau de recurso. tenham seus direitos fundamentais ameaçados ou concretamente violados. nestes e nos de responsabilidade. b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado. processos oriundos dos Juizados. e. o STJ também possui competências originária e recursal. cujas decisões terão caráter vinculante. A uniformização da Jurisprudência dos Juizados. é de fundamental importância para a garantia da celeridade e da segurança jurídica desses juízos. processar e julgar. consoante o Artigo 105 da CF: “Art. A partir da entrada em vigor da Emenda Constitucional nº45. dos Comandantes da Marinha. Assim. os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais. Competência originária Compete ao STJ processar e julgar originariamente os casos em que as altas autoridades da República. ou quando estas mesmas autoridades estiverem violando direitos fundamentais dos cidadãos.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Em setembro de 2002 começou a funcionar junto ao CJF a Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais. quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea “a”. É o defensor da lei federal e unificador do Direito. os dos Tribunais Regionais Federais. dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho. que não estejam sob a jurisdição do STF. FGV DIREITO RIO 86 . promovida pela Turma Nacional. c) os habeas corpus. Da mesma forma que o Supremo. originariamente. os Governadores dos Estados e do Distrito Federal. originariamente: a) nos crimes comuns. os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal. ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição. o CJF passou a ter também poderes correicionais. os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal. órgão julgador colegiado que aprecia. do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal. 105 — Compete ao Superior Tribunal de Justiça I — processar e julgar. 4) COMPETÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça é considerado o guardião do ordenamento jurídico federal.

da administração direta ou indireta. h) o mandado de injunção. quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão. d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais. da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. ressalvada a competência do STF: TRF TJ TRE TRT TJM b) Entre tribunais e juízes a eles não vinculados: Juízes Estaduais TRF Juízes Eleitorais Juízes Trabalhistas Juízes Militares Juízes Federais TJ Juízes Eleitorais Juízes Trabalhistas Juízes Militares Juízes Federais TRE Juízes Estaduais Juízes Trabalhistas Juízes Militares FGV DIREITO RIO 87 . entidade ou autoridade federal. ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. 102. ressalvado o disposto no art. acima. do Exército ou da Aeronáutica. “o”.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Ministro de Estado ou Comandante da Marinha. excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar. caberá ao STJ resolver conflitos de competência: a) Entre quaisquer tribunais. De acordo com o texto da alínea “d”. I. da Justiça Eleitoral. bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos.

e 31 O STF manteve a competência para processar e julgar. como a concessão de cartas rogatórias e o processamento e julgamento da homologação de sentenças estrangeiras. a apreciação desses pedidos era feita no Supremo Tribunal Federal (STF)31. I. o Distrito Federal ou o Território e a extradição solicitada por Estado estrangeiro (Artigo 102. Até então. quando a decisão for denegatória. FGV DIREITO RIO 88 . do Distrito Federal e Territórios. o Estado. em recurso ordinário: a) os “habeas-corpus” decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. como parte da reforma do Judiciário. originariamente.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Juízes Federais TRT Juízes Estaduais Juízes Eleitorais Juízes Militares Juízes Federais TJM Juízes Estaduais Juízes Eleitorais Juízes Trabalhistas c) Entre Juízes vinculados a tribunais diversos: Juízes Federais Juízes Estaduais Juízes Eleitorais Juízes Trabalhistas Juízes Militares Em 2005. do Distrito Federal e Territórios. o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União. Competência Recursal Recuso Ordinário constitucional Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar. o STJ assumiu também a competência para analisar algumas matérias internacionais. b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. quando denegatória a decisão. alíneas e e g da Constituição Federal).

ainda. o relator no Superior Tribunal de Justiça. Compete ao STJ julgar. e. ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado. Recurso Especial É uma modalidade de recurso cuja finalidade precípua é a defesa do direito federal e a unificação da jurisprudência. de 8 de maio de 2008. deixar de aplicá-la ou violá-la. o exame da matéria de fato. Não abrange. Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. porém. o recurso não será admitido. poderá determinar a FGV DIREITO RIO 89 . quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito.672. deve ser atual.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional. b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal. É obrigatória aqui a indicação do dispositivo legal violado. mediante recurso especial. Tal divergência. Recentemente. § 1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia. do outro. uma alteração foi produzida em nosso Código de Processo Civil a respeito do processamento do recurso especial. de um lado. negar-lhe vigência. que entrou em vigor em agosto de 2008 e introduziu o Artigo 543-C. Deve se restringir à análise jurídico-constitucional do recurso. as causas decididas em única ou última instância. 543-C. ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. A Súmula 13 do STJ ressalta que a divergência deve se dar entre tribunais diferentes. Distrito Federal e Territórios. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. § 2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo. Ressalte-se também aqui a necessidade de prequestionamento e consequente análise por parte do Tribunal Regional Federal ou dos Tribunais Estaduais ou do Distrito Federal da questão federal a ser posteriormente analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial. c) dar a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça. preservação da unidade e da autoridade do direito federal. Trata-se da Lei 11. o recurso especial será processado nos termos deste artigo. desta forma redigido: Art. ou negar-lhes vigência. Isso é o mesmo que tê-la por inexistente. Se o entendimento trazido à colação como paradigma já se encontra superado no tribunal que o proferiu.

O julgamento dos demais feitos idênticos fica suspenso até a decisão final da Corte superior. no âmbito de suas competências. conhecida como “lei dos recursos repetitivos”. o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial. dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem. § 6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros. nos tribunais de segunda instância. se for o caso. após cumprido o disposto no § 4o deste artigo. conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria. poderá admitir manifestação de pessoas. Esse é o elemento identificador da controvérsia. ou II — serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. caberá à Seção competente estabelecer corretamente as questões de direito do caso concreto. FGV DIREITO RIO 90 . que irá determinar a existência ou não de multiplicidade de recursos acerca do tema. § 5o Recebidas as informações e. na medida em que estas é que estão relacionadas à matéria de fundo do recurso especial. No julgamento do recurso repetitivo.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO suspensão. § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça. os recursos especiais sobrestados na origem: I — terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça. § 8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo. § 3o O relator poderá solicitar informações.” O dispositivo simplifica o julgamento dos recursos múltiplos fundados em matérias idênticas para que o recurso seja mais célere. A referida lei dispõe ainda que caso o presidente do tribunal de origem não determine a suspensão dos processos. ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. ao mérito da questão. o presidente do tribunal de origem (Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal) poderá selecionar um ou mais processos referentes ao tema e encaminhá-los ao Superior Tribunal de Justiça. ao verificar que. o relator no STJ. § 4o O relator. Com a nova lei. § 9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão. far-se-á o exame de admissibilidade do recurso especial. o trâmite dos recursos especiais passa a funcionar da seguinte maneira: verificada a grande quantidade de recursos sobre uma mesma matéria. a serem prestadas no prazo de quinze dias. órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos. ou seja. terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo.

por um lado. com idêntico objeto. a ampliação do acesso à justiça. como já visto. instituída pela Lei 7. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I . III da CF. CASO DE SEDIMENTAÇÃO Ação civil púbica proposta pelo MP para tratamento de saúde de criança. você propôs Ação Civil Pública32 em favor do menino. substituindo um número incalculável de demandas. os transindividuais. que tem por finalidade reduzir o número de processos que chegam ao Superior Tribunal de Justiça. evitando-se inúmeras decisões judiciais contraditórias. permitindo que inúmeras pessoas lesadas pudessem vindicar seus direitos de maneira mais eficaz. num único processo. conforme já estudado acima. quando foram recebidos 9. entretanto. assim entendidos.454 recursos. Em menos de 03 (três) meses de vigência da lei. ou seja. Felizardo.interesses ou direitos individuais homogêneos. 81. seja pelo cerceamento da defesa no caso concreto. Trata-se de uma das funções institucionais do Ministério Público. 2002. eis que se trataria de direito individual. trouxeram em si controvérsias a respeito dos benefícios e malefícios que delas advieram. Cabe ressaltar os motivos que levaram a introdução da ação civil pública.interesses ou direitos difusos. seja pela celeridade. reduzindo substancialmente o número de julgamentos produzidos.” 32 FGV DIREITO RIO 91 . os transindividuais. o maior número de interessados. comprometido com a concretização dos direitos fundamentais e com a atuação socialmente responsável do direito. cujo tratamento somente se encontra disponível na cidade do Rio de Janeiro. obteve sentença de procedência junto ao Juízo de Porciúncula. dirigiu-se ao seu gabinete. reformada pelo TJERJ. poderá decidir pela suspensão. Acompanhado de sua mãe Piedade. Comparado a agosto deste ano. p. Com a ação.590 recursos especiais. a qual foi. de natureza indivisível de que seja titular grupo.347/85. em nosso ordenamento jurídico. É um indicativo claro de desafogamento da Corte Superior e de que a justiça está chegando mais rápido à sociedade.87%. de outro. de forma mais célere. histórico. Sendo profissional atuante. à Promotoria de Justiça da Comarca de Porciúncula. ao lado da ação popular (Lei 4717/65). privilegiando a possibilidade de uma única decisão judicial – mais facilmente executável – atingir maior número de jurisdicionados. Objetivou também atender ao princípio da economia processual. Trata-se de mais um mecanismo de contenção dos recursos. para efeitos deste código. insuscetível de tutela pela via da ação civil pública. as notícias já informavam uma redução de aproximadamente 40% do número de recursos. a ação civil pública. A lei 8. Dados informados pelo próprio STJ em notícia publicada em 02/11/2008 em seu sítio da internet: “A uma semana de completar três meses de vigência. sofre de enfermidade auditiva. de natureza indivisível. chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) 5. residente em Porciúncula/RJ. principalmente. até que se julguem os recursos especiais em curso naquele superior tribunal. que deu provimento à Apelação interposta pelo Município de Porciúncula. a queda é de 40. turístico e paisagístico. Levou em conta ainda o princípio da segurança jurídica. a bens e direitos de valor artístico. sob o fundamento de que não teria o MP legitimidade para propor ACP em favor de uma criança. conforme disposto no artigo 129. II . ou a título coletivo.interesses ou direitos coletivos. volume 40. assim entendidos o dano ao meio ambiente. Teve o legislador em mente. para efeitos deste código. assim entendidos. de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. visando a atender. a exemplo do que acontece no Supremo Tribunal Federal. após ter procurado a Secretaria de Saúde do Município sem sucesso. 27-36). permitindo que esta Corte julgue as questões mais relevantes para a sociedade. No mês de outubro. ao consumidor. por ações coletivas. estético. 9 anos. III . a Lei dos Recursos Repetitivos já deu provas significativas da sua eficácia.078/90 pormenorizou e conceituou os interesses transindividuais na forma que se segue: “Art. disciplina a responsabilidade por danos causados aos direitos transindividuais.” Tais inovações. assim entendidos os decorrentes de origem comum. Parágrafo único. para custeio das viagens rodoviárias (Porciúncula x Rio) necessárias ao tratamento hospitalar já obtido na rede pública (Hospital da UFRJ). proferidas em processos individuais (MENDES. Em termos gerais. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente.32% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO já existe jurisprudência dominante ou que a matéria acerca da controvérsia já está afeta ao colegiado. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base.

br/2012-mar-14/stjaumentar-numero-ministros-vez-reduzir-recursos. passou a ser exercido pelos Tribunais Regionais Federais então criados. p. 5) JUSTIÇA FEDERAL A estrutura orgânica da Justiça Federal é composta por juízes federais. Ao ser citado. quando se visualizou a conveniência de distribuir as funções jurisdicionais entre Estados e União. o desembargador aciona seus advogados que impetram um hábeas corpus em favor do paciente. E por que surgiu a Justiça Federal. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988. dando prosseguimento à ação penal. houve a extinção do antigo Tribunal Federal de Recursos e o segundo grau de jurisdição. como poderia o Ministério Público recorrer da decisão proferida pelo TJERJ? CASO DE SEDIMENTAÇÃO 2 No dia 20 de novembro de 2006. 2 ed. tudo isto para que o Estado federal não ficasse com seus interesses subordinados ao julgamento das magistraturas das unidades federadas. Reservou-se para a Justiça Federal a competência para julgamento das causas em que a União é parte. FGV DIREITO RIO 92 . Themistocles Brandão.conjur. Estando certa a autoria e havendo justa causa para tanto. 33 CAVALCANTI. Artigo disponível na internet: http://www. o promotor de Justiça da 34ª Vara Criminal do Rio de Janeiro recebe em seu gabinete peças de informação relatando o crime de lesão corporal gravíssima praticado por um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro contra sua esposa. o promotor de Justiça forma sua opinio delict e denuncia o desembargador pela prática do crime perante o juízo de primeira instância. em segunda instância. que também instituiu o regime federalista. por sua vez. José Miguel Garcia Medina. O objetivo foi a regionalização dos serviços jurisdicionais do segundo grau da Justiça Federal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Considerando o direito individual indisponível de Felizardo (direito à saúde). O Juiz da 34ª Vara Criminal. recebe a denúncia. Manual da Constituição. e pelos Tribunais Regionais Federais. em contraposição à Justiça Estadual? Isso se deu em decorrência da proclamação da República.com.. 205). no âmbito federal. Pergunta-se: Para que tribunal foi endereçado o HC? Qual a fundamentação? LEITURA COMPLEMENTAR: STJ precisa aumentar número de ministros. É o “sistema da dualidade da Justiça — federal e estadual”33. em primeira instância.

com sede em Brasília e jurisdição sobre o Distrito Federal e os Estados do Acre. Há ainda uma posição intermediária. com a jurisdição e sede que lhes fixar o Tribunal Federal de Recursos. Minas Gerais. a Constituição atribuiu competência para causas de determinada natureza. Goiás. Jurisdição e Competência. o que também ocorre com os outros ramos da Justiça administrados pela União (Militar. b) O TRF da segunda região.. 144. Antônio Carlos de Araújo [et al]. Já para Athos de Gusmão Carneiro35. Roraima e Tocantins. Os julgados do Supremo Tribunal Federal. CARNEIRO. Arruda. Min. Celso de Mello. Em cumprimento à disposição constitucional. j. Recurso Extraordinário n. Amazonas. Isto porque.. p. Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco34 entendem ser a Justiça Federal pertencente à Justiça comum. eleitoral e militar. de Arruda Alvim36. fixou em cinco o número dos Tribunais Regionais Federais a serem criados. a Justiça Federal é comum tendo em vista o critério das normas por ela aplicadas”. Piauí.” São cinco regiões que. p. em seu Ato de Disposições Constitucionais Transitórios. 9ª ed. a serem instalados no prazo de seis meses a contar da promulgação da Constituição. Mato Grosso. a Justiça Federal é uma Justiça Especializada já que a competência desta última vem expressamente prevista na Constituição. 27(. Bahia. priorizando. como sede no Rio de Janeiro e jurisdição sobre os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.03. por seu turno. p. Antônio Carlos de Araújo Cintra. DJ em 02. V. em conjunto. como uma justiça de índole especializada. 1. 22 ed. ramos específicos do Direito como direito trabalhista. A Constituição Federal de 1988. em 31. assim..) § 6º — Ficam criados cinco Tribunais Regionais Federais. Malheiros. ALVIM. quanto a Justiça Especial. cobrem todo o território nacional.2000. Athos de Gusmão. Já a Justiça Comum (Estadual e Federal) conhecem qualquer matéria que não esteja contida na competência das Justiças especializadas..8806-DF. do Trabalho e Eleitoral). Amapá. Todavia. Rondônia. Teoria Geral do Processo. 7ed. 22.2001. 34 CINTRA. que entende que “a justiça federal pode ser considerada.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Há discussão doutrinária acerca de ser a Justiça Federal de natureza comum ou especializada. p 345. tendo em conta o número de processos e sua localização geográfica. Pará. em relação à estadual. Maranhão. a primeira corrente examinada37.. rel. 160. referem-se sistematicamente à Justiça comum Federal.10. “Art. 12. Manuela de direito processual civil. 35 36 37 FGV DIREITO RIO 93 . o extinto Tribunal Federal de Recursos editou a Resolução 1/88 que definiu: a) O TRF da primeira região.

I da CF. sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal. A Justiça Federal de primeiro grau. as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado.. São juízes monocráticos ao lado dos quais funciona também o Tribunal do Júri. Paraná e Santa Catarina. 109. cujo número é variável. criadas por lei e localizadas onde ela dispuser. e e) O TRF da quinta região. tendo em vista que abrange vários Estados. portanto. conforme exigência do já estudado Artigo 93. O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de se manifestar acerca do rol de competências e decidiu que “a competência da justiça federal está limitada mediante enumeração exaustiva. um aposentado que deseje ingressar em juízo com uma ação previdenciária. é representada pelos juízes federais. d) O TRF da quarta região. A tendência atual é a interiorização da justiça federal de primeira instância. Não ficam necessariamente sediadas apenas nas capitais dos Estados. por exemplo. com sede em São Paulo e jurisdição sobre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO c) O TRF da terceira região.) § 3º — Serão processadas e julgadas na justiça estadual. por antiguidade ou merecimento. no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional exige do candidato à judicatura federal a idade mínima de 25 anos. e. com sede em Porto Alegre e jurisdição sobre os Estados do Rio Grande do Sul. 109 — (. Ceará. Min. se verificada essa condição. Cada região é integrada por diversas seções judiciárias. Cada seção judiciária é composta por varas federais. Os juízes federais de carreira são responsáveis pelo julgamento das causas federais arroladas no Artigo 109 da Constituição. com sede em Recife e jurisdição sobre os Estados de Pernambuco. Rio Grande do Norte e Sergipe. a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.. pelo Artigo 109 da Constituição. O ingresso na magistratura federal se dá mediante concurso público de provas e títulos para os cargos de juiz substituto. se a cidade onde ele vive com sua família não possui vara federal? Terá ele que se locomover até a Capital do seu Estado? É disso que trata o Art. Por meio de promoção. Paraíba. presentes em todos os Estados e no Distrito Federal. § 3º da CF: “Art. Humberto Gomes de Barros.38” E o que deve fazer. FGV DIREITO RIO 94 . Alagoas. o juiz federal substituto chega a juiz federal. As varas federais são titularizadas por juízes federais de carreira.” 38 Conflito de Competência 14051/SP.

1999.06. de Cândido Portinari.04. Min. Sendo assim. É o que a ministra Eliana Calmon convencionou chamar de “competência delegada da justiça estadual.2005. centralizada ou autárquica. por juízes estaduais de primeira instância. Conflito de competência n. e “O Retrato de Suzanne Block”. Sepúlveda Pertence. Conflito de competência n. quando o requerente for domiciliado na Comarca. Min Castro Meira. Veja que tal previsão é um favor constitucional. ambas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Trata-se de uma faculdade. Foi o que fez a Lei nº 5010/1966. II — as vistorias e justificações destinadas a fazer prova perante a administração federal. do que ingressar no juízo estadual de sua cidade. Min Eliana Calmon.2005. por 39 STJ – Recurso Especial 517. A União. 45199. resguardando os bens de excepcional valor cultural e artístico. Min.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO São causas federais que podem ser julgadas em condições especiais. Esta é sua opção e deve ser respeitada40. ajuizados contra devedores domiciliados nas respectivas Comarcas. tendo que até lá se locomover. concluiu o Ministro relator que “compete à Justiça Federal o processo e o julgamento de eventual ação penal”. que ainda hoje organiza a Justiça Federal em primeiro grau e já declarada recepcionada pela Constituição de 198841. Assim.719-RS.11. foram subtraídas duas obras de arte: “O Lavrador de Café”. DJ 13. DJ 12. 26. rel.02.1998. Para o relator. Min. que se referirem a benefícios de natureza pecuniária. por intermédio do IPHAN. mas sim o fato da coleção de arte que compõe o seu acervo ser tombada pelo IPHAN.“ Decisão recente do STJ42 fixou a competência da Justiça Federal para processar e julgar o furto ocorrido no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) em 2007. STF – Recurso Extraordinário 2395942-RS – rel. de Pablo Picasso. rel. j. uma opção colocada à disposição do segurado e não uma imposição. 40 41 42 FGV DIREITO RIO 95 . pode o beneficiário entender melhor ingressar no juízo federal da capital do Estado. o que desloca a competência para a Justiça Federal não é o fato do furto ter ocorrido dentro do MASP. Nas Comarcas do interior onde não funcionar Vara da Justiça Federal (artigo 12). Arnaldo Esteves Lima. 15. §3º autoriza ainda que a lei preveja a delegação de competência para outras causas. os Juízes Estaduais são competentes para processar e julgar: I — os executivos fiscais da União e de suas autarquias. 106413. rel. j. tendo a 3ª Turma. cabendo a este a sua manutenção e vigilância. Na ocasião. possui efetivo interesse na preservação e manutenção do patrimônio histórico e artístico nacional. O Artigo 109. ao dispor em seu artigo 15: “Art. Arnaldo Esteves Lima.”39 A condição constitucional para que a delegação se dê é que não haja vara federal instalada na Comarca em que o segurado/beneficiário é domiciliado. 17. III — os feitos ajuizados contra instituições previdenciárias por segurados ou beneficiários residentes na Comarca.

Aos juízes federais compete processar e julgar: IV — os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens. Compete aos Tribunais Regionais Federais II — julgar. Compete ao Supremo Tribunal Federal. em recurso ordinário: b) o crime político. “Art. a guarda da Constituição. cabendo-lhe: II — julgar. são processados e julgados pelos Tribunais Regionais Federais da região na qual estejam os julgadores de primeiro grau. Os recursos interpostos contra atos dos juízes federais de primeiro grau.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO unanimidade. precipuamente. cabe ao Supremo Tribunal Federal julgar o recurso ordinário contra tal decisão. na função de órgão de segundo grau de jurisdição. 108. funcionando. as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição” Essa é a competência recursal dos Tribunais Regionais Federais. 102.” De forma similar. neste caso. 105. 109. serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas. Art. 109. bem como dos juízes estaduais que se pronunciem no exercício da competência delegada. Art. como órgão de segundo grau. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: FGV DIREITO RIO 96 . quando os juízes federais julgam em primeiro grau as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional. em grau de recurso. Quando os juízes federais julgam em primeiro grau os crimes políticos. o recurso cabível também é o ordinário e compete ao Superior Tribunal de Justiça julga-lo. porém. Aos juízes federais compete processar e julgar: III — as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional. excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral. “Art. duas exceções devem ser mencionadas. conhecido o conflito e declarado a nulidade da sentença proferida pelo Juízo Estadual. “Art.

do outro. Município ou pessoa residente ou domiciliada no País” Além da competência recursal mencionada. para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicioFGV DIREITO RIO 97 . conforme preceitua a CF: “Art. e. e os membros do Ministério Público da União.) XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores. O pleno dos tribunais é composto pela totalidade de seus membros. nos crimes comuns e de responsabilidade. poderá ser constituído órgão especial. e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal. em recurso ordinário: c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional. originariamente: a) os juízes federais da área de sua jurisdição. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais: I — processar e julgar. São proferidas em reunião plenária ou por meio de um de seus órgãos fracionários. ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.. 6) TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS As manifestações dos Tribunais Regionais Federais são. I da Constituição Federal.” Passemos então ao estudo da estrutura orgânica do Tribunal Regional Federal. b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO II — julgar. de um lado. pode ser constituído um órgão especial para o exercício das atribuições delegadas da competência do pleno. com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros. colegiadas. d) os “habeas-corpus”. “Art. quando a autoridade coatora for juiz federal. estabelecida no Artigo 108. 93 (. incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho. Quando o tribunal é composto por mais de vinte e cinco julgadores. em regra.. os Tribunais Regionais Federais possuem ainda competência originária. c) os mandados de segurança e os “habeas-data” contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal.

53. a representação. a representação é feita pela Ordem dos Advogados do Brasil: “Art. A indicação.45” 43 Artigo 107. tem por finalidade: II — promover. com exclusividade. provendo-se metade das vagas por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno. desta forma. Os juízes que compõem os Tribunais Regionais Federais são chamados de desembargadores federais e originam-se de duas classes: 1 — Classe do quinto constitucional É composta de advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de carreira. dotada de personalidade jurídica e forma federativa. 44 45 FGV DIREITO RIO 98 . as atribuições e o Estatuto do Ministério Público da União. a lista sêxtupla para a composição dos Tribunais Regionais Federais. No caso dos advogados.” Os tribunais se dividem ainda em turmas julgadoras.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO nais delegadas da competência do tribunal pleno. Art. Compete ao Colégio de Procuradores da República: II — elaborar. No Tribunal Regional Federal da segunda região. Lei Complementar 75/93 – dispõe sobre a organização. a lista sêxtupla é elaborada pelo Colégio de Procuradores da República: “Art. por exemplo. sempre que possível lotados na respectiva região. que abrange o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. 44.44” No caso do Ministério Público. inicia-se na intimidade dos órgãos de representação de classe. com advogados que estejam em pleno exercício da profissão. facultativo e secreto. com mais de dez anos de carreira. são quatro seções e oito turmas com diferentes matérias de especialização. ambos da Constituição. as quais se reúnem normalmente em seções especializadas. a defesa. a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil. Lei 8906/94 – dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil. serviço público. mediante voto plurinominal. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). sendo elegíveis os membros do Ministério Público Federal. vedada a inclusão de nome de membro do próprio Conselho ou de outro órgão da OAB. para o preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários de âmbito nacional ou interestadual. 54 — Compete ao Conselho Federal XIII — elaborar as listas constitucionalmente previstas. I c/c Artigo 94. que contém mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos de idade. que são indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes43.

30.2011. mas tão somente nas promoções entre cargos públicos no Poder Judiciário de primeiro grau. caput.conjur.06. Consulta realizada no site www.12. 107. 107. Marília Scriboni. Mandado de Segurança n.2005. Min. enviando ao presidente da República que. para as Associações de Classe dos Magistrados. O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre o tema e decidiu que nestes cinco anos também se computa o tempo de exercício no cargo de juiz substituto47. 93. DJ 23.585 no Supremo Tribunal Federal. Ellen Gracie.br em 08. rel. todos da Constituição Federal. XVI. c/c Art. 93.br/2011-set-20/barroso-faz-parecer-nomeacao-desembargador-trf#autores 46 Art. j. 23789-0PE. 2 — Classes da magistratura de carreira Já a classe da magistratura de carreira é integrada por juízes federais que chegam ao tribunal por meio de promoção. impetraram o Mandado de Segurança nº 30. escolherá um de seus integrantes para nomeação46. Sendo assim. jus. nos vinte dias subsequentes.com. por antiguidade ou merecimento.stf.09. devendo para tanto contar com mais de cinco anos de exercício. Questão importante diz respeito à interpretação das normas constitucionais que disciplinam a promoção de juízes nas carreiras da magistratura nacional (art. CF não se aplicam na hipótese do inciso III. 94 § único e Art. a Constituição Federal determina a nomeação automática daquele que aparecer três vezes na lista tríplice elaborada pelo respectivo tribunal. 84. II da CF).2005. 47 48 FGV DIREITO RIO 99 . É uma exigência constitucional (Art. ministro Ricardo Lewandowski48. o qual teve a liminar concedida pelo relator. Para a Presidente. as regras contidas nas alíneas do inciso II do art.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Encaminhadas as listas sêxtuplas. LEITURA COMPLEMENTAR Dilma errou ao não nomear o mais votado para o TRF-2. incisos II e III da CF): indaga-se se a regra da obrigatoriedade de promoção por merecimento daquele que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento alcança também o acesso dos juízes federais aos Tribunais Regionais Federais. No entanto. Tal assunto foi motivado pela decisão da Presidente Dilma Rousseff de não nomear um desembargador do TRF 2ª da Região que figurou por três vezes consecutivas na lista tríplice elaborada pela corte. Artigo disponível no site: http://www. cabe ao Tribunal Regional Federal formar lista tríplice.

coletivos ou individuais homogêneos. O processo nesses juízos valoriza os critérios da oralidade. IV . Parágrafo único). da Constituição Federal. Compete ao Juizado Especial Federal Criminal “processar e julgar os feitos de competência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo. Trata-se de órgão colegiado. Exemplos da celeridade e economia processual existente nos Juizados Especiais Cíveis podem ser divididos em duas classes: uma destinada a qualquer parte do processo. bem como executar as suas sentenças.sobre bens imóveis da União. conforme dispuserem as normas locais de organização judiciária. Dentro da estrutura dos Juizados existem ainda as Turmas Recursais. permitindo-se ao cidadão a livre escolha entre o procedimento adotado pela Justiça comum ou aquele previsto para os juizados especiais. 2º da Lei 10259/01). execuções fiscais e por improbidade administrativa e as demandas sobre direitos ou interesses difusos. II . de desapropriação. possibilitando.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 7) JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS A Justiça Federal é composta ainda. cíveis e criminais. da simplicidade. excetuada as causas do §1° do mesmo artigo50. 5°). Quanto à União. autarquias e fundações públicas federais. salvo o de natureza previdenciária e o de lançamento fiscal. autarquias. assim entendidos os crimes cuja pena máxima não ultrapasse 2 anos. autarquias. Nos juizados especiais valoriza-se a prática de atos processuais da maneira mais simples possível.que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão imposta a servidores públicos civis ou de sanções disciplinares aplicadas a militares. III . competentes para rever as decisões dos Juizados. §1º da Constituição e Lei nº10259/2001. 109. O acesso aos juizados federais cíveis é optativo nos Municípios onde não houver a Vara do Juizado Especial Federal Cível. III e XI. Já nos Municípios que possuem vara do Juizado Especial Federal Cível. de divisão e demarcação. Em relação às partes processuais. a sua competência é absoluta. da informalidade. a 49 § 3o No foro onde estiver instalada Vara do Juizado Especial. incisos II. 50 § 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível as causas: I . e outra à União. 3°. elas são tratadas de maneira idêntica ao particular. não possuindo esses entes prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual ou recursal (art. reunidos na sede do Juizado.referidas no art. FGV DIREITO RIO 100 . pelos Juizados Especiais Federais. buscando sempre que possível a conciliação das partes.” Aos Juizados Especiais Federais Cíveis compete processar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos. Parágrafo único e art. em exercício no primeiro grau de jurisdição. no Juizado Especial Federal não se admite recurso que não seja da sentença e da concessão ou denegação da medidas cautelares (art. fundações e empresas públicas federais. competentes para julgar pedido de uniformização baseado em divergência entre decisões de turmas de diferentes regiões ou da decisão proferida em contrariedade à súmula ou jurisprudência dominante do STJ. conforme art. com apoio no Artigo 98. 11. transigirem ou desistirem (art. as ações de mandado de segurança. Existem também as Turmas de Uniformização. 10. cumulada ou não com multa.para a anulação ou cancelamento de ato administrativo federal.259/0149. composto por três juízes. 9°). fundações e empresas públicas federais. ele é obrigatório. possibilidade de essas pessoas conciliarem. a sua realização em horário noturno. § 3° da Lei 10. ressalvadas as matérias excluídas pelo parágrafo 1º do Artigo 3º da Lei nº 10259/2001. da economia processual e da celeridade. respeitada as regras de continência e conexão” (Art. populares. assim.

A composição nos Juizados Criminais pode operar-se por meio da composição dos danos. deve a autoridade policial encaminhar o autor do fato e o ofendido ao juizado. previsto no Artigo 109. induvidosamente.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO não obrigatoriedade do reexame necessário (art. valoriza a presença dos conciliadores e dos árbitros. A regulamentação dos juizados pugna pela conciliação prévia das partes. desejando-se. É possível ainda que no momento do oferecimento da denúncia oral pelo Ministério Público seja feita a proposta de suspensão condicional do processo. diligenciar no sentido da realização dos exames periciais necessários. 13) e o pagamento de valor até 60 salários mínimos ser feito de forma integral e independentemente de precatório (art. Para tanto. o pagamento deverá ser realizado integralmente por precatório judicial. e da transação. a de reverter o descrédito na Justiça ocasionado pela reconhecida morosidade no andamento dos processos. assim. que a demanda não prossiga em seus trâmites regulares. No caso dos Juizados Especiais Criminais. §§ 1° e 3°). consequentemente. Caso não seja possível a realização imediata da audiência preliminar. § 4°). pelo qual o acusado ficará submetido a um período de prova por dois a quatro anos. saindo as partes intimadas. A primeira é relativa ao acesso ao Poder Judiciário. o exercício do princípio da oralidade. facultado ao exequente a renúncia ao crédito excedente para receber integralmente e sem precatórios (art. §5: FGV DIREITO RIO 101 . que são os primeiros juízes da causa: examinam previamente o pedido. assim. que será posteriormente submetida ao juiz togado. um simples termo circunstanciado substitui o inquérito policial. Pelo exposto. 8) FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES CONTRA OS DIREITOS HUMANOS E INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA A Emenda Constitucional nº 45 de 2004 trouxe uma importante inovação ao ordenamento jurídico brasileiro tendo sido objeto de grandes discussões doutrinárias. a segunda é. mas que antes seja solucionada na audiência de conciliação. cumprindo-lhe. Caso o valor ultrapasse os 60 salários mínimos. conseguem a conciliação. Juntamente com a autuação sumária. Trata-se do Incidente de Deslocamento de competência para a Justiça Federal. 17. em que o autor da infração supre o prejuízo patrimonial por ele causado à vítima. o juiz designa outra data. são duas as funções principais desempenhadas pelos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. ainda. proposta do Ministério Público de aceitação pelo autuado de pena não privativa de liberdade. 17. se possível. verificada a ocorrência de infração penal de menor potencial ofensivo pela autoridade policial. garantindo-se. reúnem-se com as partes e.

” Com esta inovação. São quatro as condições fixadas pela Constituição. Ocorre que. Tendo em vista a excessiva abertura da expressão “grave violação dos direitos humanos” pode ocorrer de um processo judicial já instaurado vir a ser deslocado para a Justiça Federal com base em critérios vagos e imprecisos.51” Como já mencionado. de forma cumulativa: 1 — estar originalmente a competência atribuída à Justiça Estadual. 3 — obter o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais dos quais o Brasil seja parte. Reforma do Judiciário no Brasil pós-88. perante o Superior Tribunal de Justiça. a responsável pela sua aplicação. Era um contra-senso. p. há grande discussão doutrinária acerca do novo instituto. no caso. Critérios objetivos deveriam ter sido definidos de forma a limitar essa prerrogativa do Tribunal Superior. vem taxando de inconstitucional o instituto por violação ao princípio do juiz natural. internacionalmente. podendo o processo judicial estar em qualquer fase ou mesmo ainda ser apenas um inquérito policial. portanto. Outros. o Superior Tribunal de Justiça foi “alçado à condição de tribunal da federação. porém. Muito se critica a indefinição desta expressão por ser alta a discricionariedade conferida ao Superior Tribunal de Justiça. 2 — haver grave violação dos direitos humanos.. 2005. Saraiva.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “Art. incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. inclusive aquelas decorrentes de tratados internacionais versando essa temática. Basta que o Brasil seja signatário do tratado. com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte.) 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos. FGV DIREITO RIO 102 . antes da EC nº 45 não havia um mecanismo de controle da União sobre a aplicação do tratado quando a Justiça Estadual era. pelo cumprimento dos tratados internacionais em que o Brasil seja parte. A norma não exige.49. pelo qual não só o juízo ou o tribunal para a causa devem ser previamente identificados.. responsável pela relevante tarefa de equacionar as dificuldades relacionadas ao cumprimento judicial de obrigações relacionada aos direitos humanos. em qualquer fase do inquérito ou processo. 109 — (. Parte da doutrina vê com bons olhos a alteração feita pela EC nº 45. o Procurador-Geral da República. como também regras prévias e objetivas para a determinação da competência dos órgãos julgadores. Isto porque a União é a responsável. ferindo desta forma a garantia que seria conferida pelo princípio do juiz natural. que aquele processo específico de re- 51 TAVARES. André Ramos. poderá suscitar.

4 — ser suscitado pelo procurador-geral da República. ocorreu um homicídio. Um homem foi brutalmente assassinado por cerca de dez índios Guajajara. conheceu e julgou improcedente o recurso ordinário em habeas FGV DIREITO RIO 103 . Os índios foram processados e julgados pela Justiça Estadual da pequena cidade. dando prosseguimento à ação penal. tendo sido condenados pelo Tribunal do Júri. II. vizinha à reserva indígena. a CR). O crime aconteceu em uma pequena cidade. Pessoas estavam sendo escravizadas numa fazenda no interior do Estado.105. tendo sido denegatória a decisão. O acontecimento virou notícia nos jornais do Brasil e do mundo. Essa legitimidade exclusiva também tem sido criticada. já estando o júri marcado para outubro de 2008. no interior do Estado do Maranhão.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO cepção do tratado ao ordenamento jurídico pátrio. Os autores foram presos em flagrante e o promotor de Justiça da comarca denunciou os mesmos pelo crime imediatamente. O defensor público da comarca impetrou habeas corpus perante o TJ do Estado do Maranhão sustentando a incompetência da Justiça Estadual. que teria interesse na exploração de riquezas existentes no interior da reserva indígena. por seu turno. porém. alegando se tratar o caso em questão de grave violação aos direitos humanos. previsto no Artigo 5º. seja deflagrado. contrariando a moderna orientação da Constituição quanto à abertura para acionar o controle de constitucionalidade. Pergunta-se: Deve o Superior Tribunal de Justiça deferir o deslocamento? CASO DE SEDIMENTAÇÃO 2: Em 2003. uma cidade foi cenário de um terrível crime. Teria havido um retrocesso. Em maio de 2008. O Superior Tribunal de Justiça (art. o procurador-geral da República suscitou perante o Superior Tribunal de Justiça um incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. devido à crueldade a que eram submetidas essas pessoas. §3º da CF. CASO DE SEDIMENTAÇÃO: No dia 05 de janeiro de 2008. O juiz competente recebeu a denúncia. duas delas vindo a falecer naquele mesmo dia. eis que a vítima era conhecida como segurança de um fazendeiro da região. O delito teria sido motivado por questões de disputa de terras e riquezas minerais.

asseverou-se que o grau de instrução e a maioridade não se presumem e que a sua demonstração é ônus do Parquet. é procurado pelo cacique Guajajara. Ademais. do STF. permitindo-se a realização de perícias necessárias para a verificação do grau de integração dos pacientes e para aferir a idade de dois deles. Mantida. Decidindo ajudá-los. restabelece-se o decreto da prisão preventiva antecedente. cuja ementa segue abaixo: INDIOS GUAJAJARA — CONDENAÇÃO PELA JUSTIÇA ESTADUAL Nulidade Absoluta e Laudo Antropológico A Turma deu provimento a recurso ordinário em habeas corpus interposto por índios Guajajara condenados por crime de latrocínio pela justiça estadual. No caso concreto. que se encontra de férias na região dos Lençóis Maranhenses. ressaltando que a nulidade não decorre propriamente da falta de perícia. para se aferir. No ponto. cuja validade não é objeto do recurso. respectivamente.12. estes não compartilhariam dos mesmos valores e costumes da sociedade como um todo.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO corpus interposto pelos índios. Na qualidade de famoso advogado especializado em causas afetas aos Direitos Humanos. aduziu-se que nos autos não se encontram demonstrados fatos que concretizem as conclusões das instâncias anteriores. dado que. a prisão. segundo o chefe da tribo. Min. que medida judicial proporia? Leitura obrigatória ao inteiro teor do acórdão proferido no RHC 84308. (RHC-84308) QUESTÕES ACERCA DA MATÉRIA FGV DIREITO RIO 104 . sem que fossem realizadas as perícias antropológica e biológica. bem como de que seriam desnecessários. visto que. Tendo em conta que a questão de preclusão é puramente de direito. Sepúlveda Pertence. anulada a condenação. o grau de incorporação à sociedade e a idade dos pacientes. 15. entendeu-se pelo afastamento do aludido óbice. quando não necessária. rel.2005. RHC 84308/ MA. você. para que avalie as possibilidades de defesa que ainda restam aos Índios. uma vez que se trata de nulidade absoluta e a ausência de requerimento da perícia somente poderia ser atribuída ao Ministério Público. a quem caberia comprovar a legitimidade ad causam dos pacientes. RHC provido para anular o processo a partir da decisão que julgou encerrada a instrução. haja vista a existência de outros elementos capazes de evidenciar o pretendido. os mencionados laudos não foram efetivados ao argumento de que o tema estaria precluso. passível de análise em habeas corpus. encontrando-se em estágio de desenvolvimento diverso. no entanto. que não se exige.

ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 01. (c) Os membros dos Tribunais de Contas. apenas nos crimes comuns. Ao Superior Tribunal de Justiça compete julgar em recurso ordinário os habeas corpus decididos em: (Promotor de Justiça — MG — 2007) (a) única instância pelos Tribunais de 2º grau (b) última instância pelos Tribunais Federais (c) única ou última instância pelos Tribunais de 2º grau. (b) um quinto deles. em partes iguais. será composto por advogados e membros do Ministério Público. Ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) compete julgar: (Magistratura — TJ/SP). alternadamente. (b) Os Desembargadores. (e) Nenhuma das respostas anteriores 02. (d) Os membros dos Ministérios Públicos que oficiem perante tribunais. (a) Os governadores dos estados. (c) um terço deles será composto por desembargadores dos Tribunais de Justiça indicados em lista tríplice elaborada pelo Conselho Nacional de Justiça. Quanto aos ministros do Superior Tribunal de Justiça (Magistratura — TJ/SP — 177º Concurso): (a) um terço deles. com mais de 15 (quinze) anos de efetiva atividade profissional ou de carreira. alternadamente. será composto por advogados e membros do Ministério Público. federais e estaduais.A 3. em partes iguais. quando denegatória a decisão (d) única ou última instância pelos Tribunais estaduais (e) única instância pelos Tribunais Federais FGV DIREITO RIO 105 . (d) um terço deles será composto por juízes dos Tribunais Regionais Federais indicados em lista sêxtupla elaborada pelo Conselho da Justiça Federal. nos crimes comuns e de responsabilidade. nos crimes de responsabilidade. (e) N.R.

o Tribunal de Justiça compõe-se de 180 (cento e oitenta) desembargadores e tem como órgãos julgadores as Câmaras Isoladas. distinguindo- FGV DIREITO RIO 106 . como também na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LC/35/79). o Órgão Especial. a que alude o item XI do artigo 93. sendo 20 (vinte) cíveis e 8 (oito) criminais. Trata-se. No Rio de Janeiro a matéria é disciplinada nos Artigos 151 e seguintes da Constituição Estadual. Dentro do próprio tribunal. a Seção Criminal. ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO ESTADUAL. A Constituição Federal prevê como órgãos do Poder Judiciário Estadual os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Ordinariamente. com as alterações realizadas pela Emenda Constitucional nº 37. portanto. A Constituição Estadual e a Lei de Organização Judiciária são editadas no exercício do chamado poder constituinte derivado decorrente. o Conselho da Magistratura. O segundo grau de jurisdição é integrado pelos Tribunais de Justiça. com sede na capital do Estado e jurisdição em todo o território estadual. de uma competência residual. como integrante de sua estrutura administrativa. da Constituição da República e. portanto. deliberam por maioria ou unanimidade.” A matéria vem disciplinada não só na Constituição Federal (Art. sendo complementares à Constituição Federal. respeitados os princípios cogentes da Constituição Federal e da LOMAN. Como órgãos colegiados que são. na Constituição Estadual do respectivo ente federativo e pela sua Lei de Organização Judiciária (CODJERJ). Portanto. Conforme preceitua o Artigo 125 da Constituição Federal “os Estados organizarão sua Justiça de acordo com a respectiva Constituição.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULA 6 E 7: A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL A Justiça Estadual é o ramo da Justiça comum competente para apreciar as matérias que não estejam afetas constitucionalmente à Justiça especializada ou à Justiça Federal. A Constituição Estadual remete ainda para a Lei de Organização Judiciária (Resolução nº 1 de 1975 — CODJERJ) e para o Regimento Interno do Tribunal de Justiça. os desembargadores reúnem-se em órgãos fracionários denominados Câmaras. 93 — 100 e 125). há subdivisões que serão por nós rapidamente estudadas. são elaboradas de forma autônoma pelo Estado-membro. para uma melhor prestação da Justiça. também pertencente à Justiça comum. dois graus de jurisdição. de 1º de junho de 2006. Os desembargadores são distribuídos em vinte e oito (28) Câmaras. São órgãos colegiados compostos por membros chamados desembargadores. No Rio de Janeiro. São.

§ 4º. 25. por números ordinais. O quadro abaixo demonstra a organização do Tribunal de Justiça: TRIBUNAL DE JUSTIÇA ÓRGÃO ESPECIAL SEÇÃO CRIMINAL CÂMARAS CÍVEIS CÂMARAS CRIMINAIS JUIZADO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE JUÍZES DE DIREITO TRIB. II. 98. A reunião de todos os desembargadores forma o Tribunal Pleno. CF E Lei 9099 / 95) JUSTIÇA DE PAZ (art. com exclusão dos Juizados Especiais Cíveis. CF) FGV DIREITO RIO 107 . DE JUSTIÇA MILITAR TURMAS RECURSAIS (art. As Câmaras Cíveis julgam recursos de decisões proferidas pelos juízes de primeira instância em matéria cível. existem as Câmaras Criminais. o julgamento de prefeitos por crimes comuns (Artigo 29. A reunião de todas as Câmaras. 98. com exclusão das decisões dos Juizados Especiais Criminais. 98. em função de sua especialidade material gera um órgão fracionário denominado Seção. MILITAR (art. por exemplo. A competência é específica para matéria criminal como. que julgam recursos de decisões proferidas por juízes de primeira instância em matéria criminal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO se as de igual competência. dentro de cada seção. CF e Lei 9099 / 95) AUD. CF) JUIZADOS ESPECIAIS (art. X da Constituição Federal). Em similitude. presidida pelo 2º vice-presidente do Tribunal de Justiça e constituída pelos dois desembargadores mais antigos lotados em cada uma das Câmaras Criminais. No Rio de Janeiro existe uma Seção Criminal.

I.05. XI): para esse fim. 96. Metade das vagas do Órgão Especial será provida por antiguidade. e não da lei. As atribuições dos órgãos de Justiça Estadual estão previstas nos Códigos de Organização Judiciária (1º e 2º instâncias) e nos Regimentos internos dos Tribunais. m. específica para Tribunais de Justiça que possuam mais de vinte e cinco desembargadores. ao qual tocaria conhecer da impetração. n): reconhecimento. DJ 20. não bastando a existência de vagas recém-criadas. I. Aliás. STF: competência originária (art. para criá-lo. A outra metade por eleição pelo Tribunal Pleno. (Ação Ordinária n.c. CRFB) só existe em alguns Estados. no entanto. onde foram implantados (São Paulo. no regimento interno. Min Sepúlveda Pertence. art.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO OBS: 1. CF — para dispor. 93.2001)” São exemplos de matérias acometidas ao Órgão Especial os crimes cometidos por juízes e membros do Ministério Público. que pressupõe. 1. para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do Tribunal Pleno. II.04. Minas Gerais e Rio Grande do Sul). 102. rel. 03. Poder Judiciário: órgão especial dos Tribunais: competência do próprio Tribunal. “E M E N T A: I.. considera-se a composição já implementada da Corte. j. permitindo a constituição de um novo órgão. composição efetiva superior a 25 juízes. A competência para criar o Órgão Especial se contém no poder dos Tribunais — segundo o art. FGV DIREITO RIO 108 .95. dentre outras. Só pode criar Órgão Especial o Tribunal integrado por mais de vinte e cinco juízes (CF. As matérias reservadas à competência do Órgão Especial serão enumeradas no regimento interno do respectivo Tribunal de Justiça. “sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos” (ADIn 410/SC. Lex 191/166) 2. Há uma previsão na Constituição Federal (Art. XI). Tribunal de Justiça Militar Estadual (art. sendo desnecessária lei formal nesse sentido. 2. “a”. 93. Pleno. na hipótese em que os demais juízes de um dado tribunal impetram mandado de segurança visando a assegurar sua própria participação no exercício de competências que a si mesmos se reservaram com exclusividade os integrantes do Órgão Especial. denominado Órgão Especial. mas ainda não preenchidas. 125 § 3°. 232-0-PE. o Supremo Tribunal Federal já decidiu que é do próprio Regimento Interno do Tribunal de Justiça a competência para a criação do órgão especial.

A PRESIDÊNCIA À Presidência compete um extenso rol de atividades administrativas (Artigo 30 do CODJERJ) e de atividades jurisdicionais. Interposta a Apelação. Ao 3º vice-presidente compete a substituição do corregedorgeral de Justiça e o deferimento ou o indeferimento dos recursos especial e extraordinário. dentre outras funções (Art. julga improcedente o pedido de Carlos. Compete à Corregedoria as funções administrativas de disciplina e fiscalização de toda atividade administrativa da primeira instância do Tribunal de Justiça. além de outras funções (Artigo 31 do CODJERJ). por três vice-presidentes. pedindo a repetição de indébito de imposto que indevidamente lhe foi cobrado. resolvendo-se os incidentes que se suscitarem (Art. E o que são serventias extrajudiciais? FGV DIREITO RIO 109 . em suas atividades. e no conhecimento de denúncias ou pedidos de providências. julga procedente o pedido de Carlos. 32 do CODJERJ). tendo como causa de pedir a inconstitucionalidade da lei instituidora do referido imposto. analisando o caso. quando de julgamento no Órgão Especial. Recebe o auxílio. A CORREGEDORIA-GERAL DE JUSTIÇA É um órgão correcional. Pergunta-se: É correta a decisão do desembargador? Existem ainda outros órgãos na estrutura do Tribunal de Justiça. para que sejam executados com regularidade. a Presidência da Seção Criminal e a distribuição criminal. Ao 1º vicepresidente compete a substituição do presidente quando se fizer necessário e a distribuição cível.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO CASO DE SEDIMENTAÇÃO Carlos impetra uma ação ordinária em primeiro grau. bem como sobre todas as serventias extrajudiciais. entendendo que a lei de fato é inconstitucional por se tratar de imposto caracterizado como confiscatório.32 do CODJERJ). O juiz competente para a causa. A correição consiste na inspeção dos serviços judiciários. Ao 2º vice-presidente compete a substituição do 1º vice-presidente. o desembargador competente. no Tribunal Pleno e no Conselho de Magistratura.

erros ou omissões de magistrados. O CONSELHO DE MAGISTRATURA. Para apuração do quinto. ESCOLA DA MAGISTRATURA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO Órgão integrante da estrutura administrativa do Tribunal de Justiça. também sucessiva e alternadamente. já estudado quando da análise do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. por abusos. os Tabelionatos. tem aplicabilidade a regra do quinto constitucional. Tornando-se ímpar o número de vagas destinadas ao quinto constitucional. eleitos por este. Compete a ela conhecer as representações em face de magistrados. Trata-se de uma escola de formação e aperfeiçoamento de magistrados. por petição. Qualquer pessoa poderá representar. ao Conselho da Magistratura. FGV DIREITO RIO 110 . um quinto dos lugares do tribunal será composto por advogados em efetivo exercício da profissão e membros do Ministério Público. indicados em lista tríplice. em sessão pública e escrutínio secreto. para um mandato de dois anos. alternada e sucessivamente. QUINTO CONSTITUCIONAL No que concerne à composição do Tribunal de Justiça. considerando-se apenas o número de unidades alcançado. É o órgão censório do Tribunal de Justiça. uma delas será. Registros de Títulos de Documentos e Registro Civil das Pessoas Naturais. o número de desembargadores do tribunal será dividido por cinco. os representantes de uma dessas classes superem os de outras em uma unidade. de tal forma que. desprezadas quaisquer frações de unidades. Tem também sob sua responsabilidade Curso de Preparação à carreira da Magistratura. vice-presidentes. praticados por magistrados.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO São os Cartórios de Notas. Os órgãos de segunda instância comunicarão ao Conselho da Magistratura os erros e irregularidades passíveis de sanções disciplinares. ou quaisquer auxiliares da Justiça. com dez anos pelo menos de prática forense. preenchida por advogado e por membro do Ministério Público. os Cartórios de Registro de Imóveis. corregedor-geral e cinco desembargadores que não façam parte do Órgão Especial. Assim. O Conselho da Magistratura é integrado pelo presidente. conforme se abra a vaga no primeiro ou segundo quadro. todos de notório merecimento e idoneidade moral.

correspondente à cota no “quinto constitucional” da advocacia: composição de lista sêxtupla pelo Tribunal de Justiça que. o poder de emitir juízo negativo ou positivo se transferiu. O “quinto constitucional na ordem judiciária constitucional brasileira: fórmula tradicional. 6. 3. por um ou mais dos indicados. a possibilidade de o tribunal recusar a indicação de um ou mais dos componentes da lista sêxtupla. 94 da Constituição. por força do art. para a investidura e do controle jurisdicional dessa recusa. se fundada em razões objetivas de carência. incumbidos da composição das listas sêxtuplas — restando àqueles. Mandado de Segurança: processo de escolha de candidatos a cinco vagas de Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. a alguns ou a todos eles. declinadas na motivação da deliberação do órgão competente do colegiado judiciário. mais de dez anos de carreira no MP ou de efetiva atividade profissional na advocacia. se tiver razões objetivas para recusar a algum. para submetê-los à escolha final do Chefe do Poder Executivo. o Supremo Tribunal Federal declarou a nulidade de listas sêxtuplas elaboradas pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo por desrespeitarem a norma inserta no artigo 94 da Constituição Federal de 1988: “EMENTA: I. 94 e seu parágrafo único da Constituição Federal: declaração de nulidade de ambas as listas.) 4. sem prejuízo da eventual devolução pelo Tribunal de Justiça à OAB da lista sêxtupla apresentada para a vaga. dos Tribunais de cuja composição se trate para a entidade de classe correspondente. 2.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Em recente decisão. porém. Essa transferência de poder não elide. elaborou a lista tríplice: contrariedade ao art. desprezando a lista sêxtupla específica organizada pelo Conselho Seccional da OAB para a primeira das vagas. 1. 5. Nessa hipótese ao Tribunal en- FGV DIREITO RIO 111 . desde que fundada a recusa em razões objetivas. à falta de requisito constitucional para a investidura.g. a partir de 1934 — de livre composição pelos tribunais da lista de advogados ou de membros do Ministério Público — e a fórmula de compartilhamento de poderes entre as entidades corporativas e os órgãos judiciários na seleção dos candidatos ao “quinto constitucional” adotada pela Constituição vigente (CF. II. acaso rejeitada pela Ordem. dos requisitos constitucionais. o poder de reduzir a três os seis indicados pelo MP ou pela OAB. conforme o caso. Na vigente Constituição da República — em relação aos textos constitucionais anteriores — a seleção originária dos candidatos ao “quinto” se transferiu dos tribunais para “os órgãos de representação do Ministério Público e da advocacia”-. os tribunais. é que a Constituição atribuiu o primeiro juízo de valor positivo atinente à qualificação dos seis nomes que indica para o ofício da judicatura de cujo provimento se cogita. Pode o Tribunal recusar-se a compôr a lista tríplice dentre os seis indicados. A questão é mais delicada se a objeção do Tribunal fundar-se na carência dos atributos de “notório saber jurídico” ou de “reputação ilibada”: a respeito de ambos esses requisitos constitucionais. art. 94 e parágrafo único). dentre eles. as qualificações pessoais reclamadas pelo art. substituiu os seus integrantes por nomes remanescentes das listas indicadas para as vagas subsequentes e. 94 da Constituição (v. À corporação do Ministério Público ou da advocacia.

o infanticídio. Órgão Julgador: Tribunal Pleno)” PRIMEIRO GRAU DE JURISDIÇÃO Logo abaixo dos Tribunais de Justiça estão os juízes de Direito e o Tribunal do Júri. a rejeição parcial ou total do tribunal competente às suas indicações. Os juízos são distribuídos pelo território estadual. conforme o número de candidatos desqualificados: dissentindo a entidade de classe. Relator: Min. juntamente com o juiz de direito. primeiro grau de jurisdição da Justiça Estadual. instigação ou auxílio ao suicídio. A comarca não se confunde com município. o homicídio. Sua competência é determinada pelo Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado do Rio de Janeiro (CODJERJ). que são as unidades em que se divide o território do Estado para efeito de administração da Justiça Estadual. localizando-se em comarcas. SEPÚLVEDA PERTENCE. 7. total ou parcialmente. designados por números ordinais. na via processual adequada. compostos por um único juiz. É um órgão colegiado especial. competente para o julgamento de crimes dolosos contra a vida. Julgamento: 06/09/2006. e um em cada uma das demais Comarcas. decidirão o caso. (MS 25624 / SP — SÃO PAULO.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO volvido jamais se há de reconhecer o poder de substituir a lista sêxtupla encaminhada pela respectiva entidade de classe por outra lista sêxtupla que o próprio órgão judicial componha. XXVIII da Constituição Federal. Seus julgamentos são proferidos por um colegiado e não monocraticamente. A primeira fase do julgamento se perfaz perante o juiz togado e a segunda fase em Plenário. o aborto e o induzimento. No Rio de Janeiro há quatro Tribunais do Júri na Capital. MANDADO DE SEGURANÇA. É especial porque em sua composição estão representantes do povo funcionando como jurados que. Enquanto FGV DIREITO RIO 112 . A solução harmônica à Constituição é a devolução motivada da lista sêxtupla à corporação da qual emanada. quais sejam. Os Juízos de Direito Os juízos de direito são órgãos monocráticos. O Tribunal do Júri O Júri é instituição referida no Artigo 5º. a ela restará questionar em juízo. com julgamento pelos representantes do povo. ainda que constituída por advogados componentes de sextetos eleitos pela Ordem para vagas diferentes. para que a refaça.

serão considerados os números de habitantes e de eleitores. Tanguá e Trajano de Moraes. Engenheiro Paulo de Frontin. Belford Roxo. A promoção dos juízes se dá de entrância em entrância até que. Duque de Caxias. por antiguidade ou merecimento. São João de Meriti. Paty do Alferes. Teresópolis e Nova Friburgo. Miracema. São João da Barra. Armação dos Búzios. São Pedro da Aldeia. Natividade. Macaé. Em cada comarca poderá haver um ou mais juízos. Petrópolis. alcancem uma vaga no Tribunal de Justiça como desembargadores. da Pavuna. Mendes. Rio das Flores. Paraíba do Sul. Queimados.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO o município é uma unidade político-administrativa. A comarca é o foro em que tem competência o juiz de primeiro grau. Rio Bonito. A entrância é um grau de classificação administrativa das comarcas. São Fidélis. Para a criação e a classificação das comarcas. Cordeiro. Guapimirim. Criminal. uma ou mais varas. Cachoeiras de Macacu. Sapucaia. São Sebastião do Alto. teremos varas especializadas em determinadas matérias conforme dispuser o Código de Organização Judiciária. Cabo Frio. Porciúncula. Araruama. Casimiro de Abreu. Não há entre elas qualquer espécie de hierarquia. Pode haver assim Vara Cível. Rio Claro. Nova Iguaçu. independentemente da matéria. Mangaratiba. embora muitas vezes sejam equivalentes. Itaocara. Itaboraí. Parati. São comarcas de entrância especial: Capital. Seropédica. Piraí. Laje de Muriaé. Carapebus/Quissamã. o movimento forense e a extensão territorial dos municípios do Estado. Barra Mansa. Paracambi. Santa Maria Madalena. FGV DIREITO RIO 113 . Conceição de Macabu. Pode ocorrer de uma comarca possuir apenas uma vara. Duas Barras. segunda e primeira entrâncias. Cantagalo. alternadamente. Santo Antônio de Pádua. Fazendária. Japeri. Resende. Campos de Goytacazes. Bom Jardim. Cambuci. ou seja. Empresarial. Ex: Foro Regional da Ilha do Governador. Silva Jardim. No Estado do Rio de Janeiro. Saquarema. Carmo. São Francisco do Itabapoana. Rio das Ostras. São Gonçalo. Iguaba Grande. Niterói. Pinheiral. a comarca é uma unidade judiciária. Mesquita. As comarcas de primeira entrância são: Arraial do Cabo. Nilópolis. Barra do Piraí. Valença e Vassouras. São José do Vale do Rio Preto. as comarcas são classificadas em três entrâncias: especial. Na vara única todas as causas são decididas pelo mesmo juiz. a receita tributária. Três Rios. Sumidouro. de Jacarepaguá. Itatiaia. de Bangu. Maricá. Porto RealQuatis. Miguel Pereira. dentre outros. dentre outras. Bom Jesus do Itabapoana. São comarcas de segunda entrância: Angra dos Reis. Volta Redonda. da Barra da Tijuca. Italva (Cardoso Moreira). Itaguaí. Quando uma comarca possui mais de uma vara. Itaperuna. Magé. A comarca da Capital poderá ainda ser dividida em foro central e foros regionais.

como o MST (Movimento dos Sem-Terra) e tristes episódios foram assistidos. Já os juízes de direito em matéria criminal têm sua competência fixada no artigo 93 do CODJERJ. de cadeiras de rodas a clientes maiores de 65 anos. portador de necessidade especial de locomoção.213/1999. recebeu do funcionário do banco resposta negativa quanto a existência de tal equipamento. como atuaria para sustentar a legitimidade da atuação dos fiscais dos direitos do consumidor com base nas leis atacadas pela FEBRABAN? Varas Agrárias Especializadas Não é nenhuma novidade para vocês a questão agrária. que apresentem dificuldade de locomoção. CASO DE SEDIMENTAÇÃO: No quinto dia útil do mês de setembro de 2003. Movimentos foram criados. Quantas não foram as matérias jornalísticas dando notícia de conflitos por causa da terra. em suas agências. Órfãos e sucessões. dia de pagamento de aposentados. Infância. dentre outros. eis que as leis importariam em custos adicionais para estes. A competência vem discriminada conforme a matéria para as quais sejam competentes. como em Eldorado dos Carajás (PA) e no Pontal do Paranapanema (SP). por ser o Brasil uma nação em desenvolvimento com caráter latifundiário. eis que muitos conflitos decorrentes da posse e propriedade da terra ocorreram em nosso país. Fazenda Pública. bem como da Lei municipal n° 6. Os juízes de direito do cível têm sua competência estabelecida no artigo 84 e seguintes do CODJERJ. após demandar pela cadeira de rodas da agência. • O Banco demanda da Federação Brasileira dos Bancos — FEBRABAN a propositura de ação coletiva para defesa dos interesses dos Bancos. como por exemplo. Juventude e Idosos. Encontrava-se presente na fila o aposentado JOSEMAR. Daí a grande FGV DIREITO RIO 114 . o qual. que estabelece prazo máximo de vinte minutos na fila para atendimento a clientes em agências bancárias. que impõe a Bancos o oferecimento. Como atuaria na condição de advogado da FEBRABAN? • Na condição de Procurador do Estado do Rio de Janeiro. dentre tantos outros. fiscais da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor lavraram autos de infração contra o Banco ante o descumprimento da Lei estadual n° 3. pensionistas e de pagamento de inúmeras empresas.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Os juízes se dividem conforme a matéria. Ante a situação caótica verificada. Família.652/1998. os consumidores permaneceram mais de duas horas em imensas filas em agência bancária localizada no centro da cidade do RJ.

no Distrito Federal e nos Territórios. divisão. de 2004. parcelamento. (iii) partilha. 52 TAVARES. ao prever. São Paulo. A especialização jurisdicional permite um conhecimento mais profundo sobre a área de atuação do juiz. desenvolvimento e uso de uma metodologia própria. estariam incluídas como questões agrárias as controvérsias relacionadas ao domínio e posse da terra e aquelas decorrentes da prática da atividade agrária e dos negócios com os bens agrários.. decisões mais adequadas e tecnicamente mais precisas. A União. remunerada. que ela se torne mais justa e eficaz neste tema tão importante para toda a sociedade. 98.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO importância da inovação trazida pela Emenda Constitucional 45. dispõe o Artigo 98. haverá um juiz de paz e dois suplentes. com as quais se pode concordar: (i) relativas ao cumprimento ou não da função social da propriedade rural. E o que vem a ser “questão agrária”? Essa expressão vaga e ampla não restou conceituada pala Constituição Federal. demarcação. composta de cidadãos eleitos pelo voto direto. Juízes de Paz Em cada distrito e subdistrito das comarcas do interior e em cada circunscrição do Registro Civil. são importantes as conclusões trazidas por André Ramos Tavares52: Assim. Já os conflitos fundiários podem ser considerados como aqueles relacionados à disputa do solo. seus acessórios naturais e benfeitorias (. oferecendo uma maior garantia de acerto. FGV DIREITO RIO 115 . nos limites territoriais das respectivas jurisdições para habilitar e celebrar casamentos. Espera-se com essas varas especializadas um maior engajamento da Justiça. a criação de varas especializadas para conflitos fundiários. p. (ii) as de política agrária. II da Constituição Federal: “Art. Nesse sentido. O juiz de paz será competente. Essas são as vantagens trazidas com a referida inovação. Saraiva.) Indica Laranjeira (2000:390). maior e melhor aproveitamento de magistrados com talento restrito à respectiva área.. respeitando as aptidões naturais do indivíduo. no Artigo 126 da Constituição. (v) questões decorrentes do imóvel rural instituído com bem de família”. algumas causas que seriam agrárias por natureza. Neste sentido. desmembramento e loteamento de imóveis rurais (iv) arrecadação de imóvel rural abandonado. e os Estados criarão: II — justiça de paz. 2005. André Ramos. 151. com mandato de quatro anos e competência para. Reforma do Judiciário no Pós-88. universal e secreto. na comarca da capital. exemplificativamente.

afastamento da exigência de certeza. informalidade e economia procesFGV DIREITO RIO 116 . Operosidade — equivalentes jurisdicionais como a conciliação e a arbitragem. Utilidade — prioridade para a celeridade como forma de atingir a efetividade do processo. §§3º.” Apesar da Constituição Federal estabelecer eleição para o cargo. de ofício ou em face de impugnação apresentada. assegurará o direito a prisão especial em caso de crime comum. oralidade. para servir pelo prazo de quatro anos mediante escolha em lista tríplice organizada pelo presidente do Tribunal de Justiça. 4º e 5º da Constituição Federal. o tempo de serviço prestado nessa função. em seu artigo 98. conforme dispõe o Artigo 158 do CODJERJ: “Art. Juizados Especiais A Constituição Federal. computado para qualquer efeito. no Rio de Janeiro são nomeados pelo governador do Estado. além de outras previstas na legislação. dispensa de assistência advocatícia nos juizados cíveis. juízes leigos. mediante escolha em lista elaborada pelo presidente do Tribunal de Justiça. sem caráter jurisdicional. celebrar casamentos. iremos estudá-las juntamente com a análise da Justiça Militar.” O exercício do cargo de juiz de paz constitui serviço público relevante. prevista no Artigo 125. priorizando as possibilidades e probabilidades. simplicidade.099/1995 regulamentado a matéria. o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO na forma da lei. taxas e despesas. dispensa em primeiro grau do pagamento de custas. tendo a Lei nº 9. Justiças Militares Estaduais Quanto as Justiças Militares Estaduais. previu a criação dos Juizados Especiais Estaduais. obrigatoriedade de implantação de serviços de assistência judiciária. concentração e informalidade do procedimento. preocupação com os costumes e regras da vida da comunidade. no entanto. verificar. A estrutura da Lei que regula os Juizados Especiais se assenta em alguns pilares fundamentais: Acessibilidade — descentralização da Justiça: expediente noturno. 159 — O Juiz de Paz será nomeado pelo Governador do Estado. não sendo. até definitivo julgamento e não causa impedimento para o exercício simultâneo de cargo público.

578 através de uma Representação de Inconstitucionalidade. O Órgão Especial do TJ. portanto. do Código de Processo Civil. proferir sentenças. improcedente tal ação por entender que a atividade de juiz leigo não se caracteriza como cargo público e. por maioria. Os conciliadores e juízes leigos são auxiliares da Justiça. Proporcionalidade — possibilidade de citação de pessoa jurídica mediante a entrega de correspondência em mãos de recepcionista (mas a revelia só se produzirá se o contrário não resultar da convicção do juiz). cominação de multa diária para garantir a utilidade da sentença (astreinte). para apreciá-las e para dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica.578 de 2005. e os segundos. O processo perante o juizado especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO sual. Puderam concorrer a uma vaga alunos da EMERJ que estivessem cursando a partir do quarto período ou aqueles egressos da escola formados no máximo há um ano. Os Juizados Especiais Cíveis são responsáveis pela conciliação. cumulada ou não com multa. entre os bacharéis em direito. a ação de despejo para uso próprio e as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a quarenta salários mínimos.556/96. economia processual e celeridade. já foi realizada. assim consideradas as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos. 275. objetivando. sempre que possível. execução no próprio Juizado. Os Juizados Especiais são compostos por juízes de direito — chamados de juízes togados —. não depende de concurso para ser exercida. No âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro foram criadas as funções de juiz leigo e conciliador através da alteração legal da Lei 2. respeitadas as regras de conexão e continência. inciso II. assim consideradas as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo. recrutados. julgou. conciliações. O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas. informalidade. A Ordem dos Advogados do Brasil contestou a constitucionalidade da Lei 4. Os Juizados Especiais Criminais são competentes para a conciliação. sendo permitida somente a inscrição dos alunos da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ). inicialmente um total de 50. os primeiros. conciliadores. mas todos os seus atos serão submetidos ao juiz togado. Eles irão realizar audiências. a aplicação de pena FGV DIREITO RIO 117 . processo e julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo. a reparação dos danos sofridos pela vítima. preferentemente. as enumeradas no art. A atividade veio regulamentada na Lei 4. sacrifício do direito de defesa com minimização de suas consequências. no entanto. juízes leigos e Turmas Recursais. processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade. Os novos juízes atuarão nos Juizados Especiais Cíveis. A primeira seleção dos candidatos ao preenchimento das vagas. entre advogados com mais de cinco anos de experiência.

Da sentença proferida pelo juiz no âmbito do juizado especial. se possível. Caso não seja possível a realização imediata da audiência preliminar. e da transação. diligenciar no sentido da realização dos exames periciais necessários. consequentemente. são duas as funções principais desempenhadas pelos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. denominados de “Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a FGV DIREITO RIO 118 . A primeira é relativa ao acesso ao Poder Judiciário. Juntamente com a autuação sumária. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. a Turma Recursal é formada por três juízes no exercício do primeiro grau de jurisdição.340. No caso dos Juizados Especiais Criminais. Da mesma forma que nos Juizados Especiais Federais já estudados. um simples termo circunstanciado substitui o inquérito policial. nos termos do § 8o do art. de um tribunal. deve a autoridade policial encaminhar o autor do fato e o ofendido ao juizado. a de reverter o descrédito na Justiça ocasionado pela reconhecida morosidade no andamento dos processos. conseguem a conciliação. ainda. saindo as partes intimadas. assim. em que o autor da infração supre o prejuízo patrimonial por ele causado à vítima. a regulamentação dos juizados pugna pela conciliação prévia das partes. proposta do Ministério Público de aceitação pelo autuado de pena não privativa de liberdade. elaborada tendo como principal objetivo evitar a banalização da violência cometida contra as mulheres. o juiz designa outra data. Não se trata. De acordo com o artigo 14. reúnem-se com as partes e. pelo qual o acusado ficará submetido a um período de prova por dois a quatro anos. Recentemente foi sancionada pelo Presidente da República a Lei denominada de “Maria da Penha”. desejandose. que será posteriormente submetida ao juiz togado. de agosto de 2006 criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. valoriza a presença dos conciliadores e dos árbitros. o exercício do princípio da oralidade. verificada a ocorrência de infração penal de menor potencial ofensivo pela autoridade policial. assim. garantindo-se. cumprindo-lhe. Para tanto. induvidosamente. caberá recurso para o próprio juizado a ser dirimido pelas chamadas Turmas Recursais. Prevista no Artigo 41 e 82 da Lei 9. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir.0099/95. É possível ainda que no momento do oferecimento da denúncia oral pelo Ministério Público seja feita a proposta de suspensão condicional do processo. portanto. que são os primeiros juízes da causa: examinam previamente o pedido. Pelo exposto. o que sem sombra de dúvidas é bastante salutar. que a demanda não prossiga em seus trâmites regulares. antes seja solucionada na audiência de conciliação. A Lei 11. A composição nos Juizados Criminais pode operar-se por meio da composição dos danos. a segunda é.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO não privativa de liberdade e a conciliação entre as partes. 226 da Constituição Federal. deve haver a criação de Juízos especializados.

órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal. Da mesma forma ocorreu com os Juizados Especiais Adjuntos Criminais. contudo.099/1995). Enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Mulher”. seis na Comarca da Capital. é correto afirmar que: (Concurso para Técnico Administrativo do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — março de 2007) FGV DIREITO RIO 119 . CASO DE SEDIMENTAÇÃO Sentença prolatada em sede de Juizados Especiais (Lei nº 9. e pelos Estados. mantendo.340/06. O sucumbente impetra uma Apelação perante o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. o Tribunal de Justiça Estadual já criou dez Juizados de Violência Doméstica. Os Juizados. um na Comarca de Nova Iguaçu. para o processo. sua vinculação aos órgãos ao qual estavam subordinados. no Distrito Federal e nos Territórios. um na Comarca de Duque de Caxias e outro na Comarca de São Gonçalo. No Estado do Rio de Janeiro. qual seria o recurso correto? Para onde deveria ser endereçado? E da decisão proferida no julgamento deste recurso? Cabível a impetração de outros recursos? Quais? E para onde deverão ser endereçados? QUESTÕES ACERCA DA MATÉRIA 01. o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. incluindo em sua competência o processo e o julgamento dos fatos a que se refere a Lei nº 11. Pergunta-se: está correta a impetração deste recurso perante o Tribunal de Justiça? Em caso negativo. um na Comarca de Niterói. que passaram a ser denominados Juizados da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Especiais Adjuntos Criminais. Em atendimento ao disposto na Lei 11.340/2006. poderão ser criados pela União. a Resolução 23/2006 do TJRJ alterou a denominação dos Juizados Especiais Criminais para Juizados da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Especiais Criminais. Quanto à organização do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro/ TJERJ.

originalmente. em sessão plenária. (d) Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais em face da Constituição Federal. (e) Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. (c) A competência do TJERJ encontra-se detalhada na Constituição Federal. pelo Supremo Tribunal Federal. elencando suas competências e estrutura organizacional. (b) A Constituição Federal instituiu os Tribunais estaduais. que. 02. quanto no exercício de sua competência recursal. tanto em suas ações originárias. sendo a lei de organização judiciária de iniciativa privativa do Presidente do Tribunal de Justiça do Estado. A respeito dos órgãos judiciários de segunda instância. (d) Somente pelo voto de 2/3 de seus membros poderão os Tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. (e) Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais e municipais em face da Constituição Federal. conforme os princípios estabelecidos na Constituição Federal de observância obrigatória pelo constituinte estadual. originalmente. (b) Toda demanda que suscite questão constitucional deve ser apreciada. sob pena de nulidade do julgamento. somente pelo voto de 2/3 (dois terços) de seus membros poderá declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (a) A competência do TJERJ encontra-se definida na Constituição do Estado. privativamente. 03.pelo Supremo Tribunal Federal. assinale a alternativa correta: (Ministério Público do Estado de São Paulo — 85º concurso) (a) Toda demanda que suscite questão constitucional deve ser apreciada. (XL Concurso para Analista Judiciário do TJRJ — 2008) FGV DIREITO RIO 120 . (c) Compete ao Supremo Tribunal Federal. declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo pelo voto da maioria de seus ministros. sob pena de nulidade de julgamento. assinale a opção correta com base no CODJERJ. Relativamente à Cláusula de Reserva de Plenário.

presidir as eleições para os cargos de direção e as sessões do Órgão Especial do TJRJ e do Conselho da Magistratura e distribuir. sendo facultativa a aceitação do cargo. a quem compete dirigir os trabalhos do tribunal. FGV DIREITO RIO 121 . respeitada a representação de advogados e membros do Ministério Público. Concorrerão à eleição para os referidos cargos os membros efetivos do TJRJ. (c) O Órgão Especial do TJRJ é constituído de 25 membros. os feitos de natureza cível. dele fazendo parte o presidente.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (a) O TJRJ compõe-se de 150 desembargadores e tem como órgãos julgadores as Câmaras Isoladas. em ordem decrescente. mediante determinação do Conselho da Magistratura. provendo-se metade das vagas por antiguidade. os vice-presidentes e o corregedor-geral da justiça. (b) O TJRJ é presidido por um dos seus membros e terá três vice-presidentes. (e) Serão presididos pelo presidente do TJRJ os processos instaurados contra juízes. em audiência pública. o Conselho da Magistratura e o Órgão Especial. além do corregedor-geral da justiça. a Seção Criminal. funcionando como escrivão o diretor-geral da Secretaria da Corregedoria. (d) O chefe do Poder Judiciário do Rio de Janeiro é o presidente do TJRJ. inadmitida a recusa do encargo. e a outra metade por eleição pelo Tribunal Pleno. na forma da lei processual.

A Justiça Militar da União tem como órgãos de sua composição o Superior Tribunal Militar. os JuízesAuditores e os Juízes-Auditores Substitutos. Acre. além da Lei nº 8457. o território nacional é dividido em Circunscrições Judiciárias Militares. o Conselho de Justiça. tido como antecessor dos castelos medievais). administrada pela União. a Auditoria de Correição. Rio Grande do Norte. Para efeito de administração da Justiça Militar. Sua competência vem expressamente definida na Constituição Federal. nos artigos 122 a 124 e 125. de 1992. ao lado da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral. parágrafo único. que organiza a Justiça Militar da União e regula o funcionamento de seus serviços auxiliares. em virtude do termo latino castrum (uma fortificação que servia de acampamento militar romano. Amapá e Maranhão 9ª — Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso 10ª — Estados do Ceará e Piauí 11ª — Distrito Federal e Estados de Goiás e Tocantins 12ª — Estados do Amazonas. Roraima e Rondônia Número de Auditorias 4 2 3 1 1 1 1 1 1 1 2 1 FGV DIREITO RIO 122 . é uma Justiça especializada. Paraíba e Alagoas 8ª — Estados do Pará. Atualmente são 12 Circunscrições e cada Circunscrição possui uma ou mais Auditorias da Justiça Militar: Circunscrição da Justiça Militar 1ª — Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo 2ª — Estado de São Paulo 3ª — Estado do Rio Grande do Sul 4ª — Estado de Minas Gerais 5ª — Estados do Paraná e Santa Catarina 6ª — Estados da Bahia e Sergipe 7ª — Estados de Pernambuco.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULA 8: JUSTIÇAS ESPECIAIS INDIVIDUALIZADAS 1) JUSTIÇA MILITAR A Justiça Militar também é conhecida como Justiça Castrense. Como já estudado.

XI — executar as sentenças. O ingresso na carreira se dá no cargo de juiz-auditor substituto. mediante despacho fundamentado em qualquer caso. FGV DIREITO RIO 123 . em despacho fundamentado. os autos de inquéritos arquivados e processos julgados. III — manter ou relaxar prisão em flagrante. bem como as requeridas pelas partes para serem respondidas por ofendido ou testemunha. integrantes da Magistratura Militar. XIV — decidir sobre livramento condicional. VII — relatar os processos nos Conselhos de Justiça e redigir. pedido de arquivamento. à autoridade a que estiver subordinado o acusado. por meio de promoção. no prazo de oito dias. X — decidir sobre o recebimento de recursos interpostos. V — determinar a realização de exames. XII — renovar. A competência dos juízes—auditores vem definida no Artigo 30 da Lei nº 8457/1992: “I — decidir sobre recebimento de denúncia. perícias. decretar. IV — requisitar de autoridades civis e militares as providências necessárias ao andamento do feito e esclarecimento do fato. IX — expedir alvará de soltura e mandados. VI — formular ao réu. Exército e Aeronáutica. 20 e 21 desta lei. diligências junto às autoridades competentes. diligências e nomear peritos. de seis em seis meses. XV — revogar o benefício da suspensão condicional da pena. para captura de condenado. inclusive as proferidas em processo originário do Superior Tribunal Militar.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO As Auditorias são competentes para conhecer os feitos relativos à Marinha. Cada Auditoria tem um juiz-auditor e um juizauditor Substituto. as decisões a ele relativas. quando ilegal. observado o disposto nos arts. no prazo de dez dias. Ambos são juízes togados. VIII — proceder ao sorteio dos conselhos. revogar e restabelecer a prisão preventiva de indiciado. XVI — remeter à Corregedoria da Justiça Militar. II — relaxar. as sentenças e decisões. e. XIII — comunicar. ofendido ou testemunha suas perguntas e as requeridas pelos demais juízes. a prisão que lhe for comunicada por autoridade encarregada de investigações policiais. chega-se ao cargo de juiz-auditor. quando não interpostos recursos. 9° desta lei. de devolução de inquérito e representação. tendo nela ingressado após regular aprovação em concurso público de provas e títulos. na hipótese prevista no § 3° do art.

fugindo à tradição do Poder Judiciário. o pagamento de auxílio-funeral de magistrado e dos servidores lotados na Auditoria. aquele que tiver sido. Conflito conhecido para declarar competente a Justiça Militar da União para processar e julgar o feito. praticado ‘por militar em situação de atividade ou assemelhado. São eles responsáveis pelo processo e julgamento dos casos de competência da Justiça Militar da União. conceder licenças. do art. caput. Os delitos previstos na denúncia. entre si e o Juiz-Auditor Substituto e. A qualificação como crime militar encontra guarida na combinação do previsto na alínea ‘a’ do inciso II. 9º. XXIII — cumprir as normas legais relativas às gestões administrativa. o Substituto de Auditor estável. possuem equivalência nos artigos 209.” FGV DIREITO RIO 124 . COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR. com a definição de bombeiro como militar do art. que considera crime militar em tempo de paz. tipificados nos artigos 129. 124 da CF/88 para os processos de competência da Justiça Castrense. os efeitos aforados na Auditoria. do Código Penal. relativos ao ano anterior. quando houver. obedecida a ordem de entrada. Trata-se do Conselho de Justiça. CORRELAÇÃO DA CONDUTA COM TIPOS PREVISTOS NO CÓDIGO PENAL MILITAR. caput. contra militar na mesma situação ou assemelhado’. não são responsáveis pelo julgamento dos crimes militares isoladamente. XXIV — praticar os demais atos que lhe forem atribuídos em lei. até o dia trinta de janeiro.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO XVII — encaminhar relatório ao Presidente do Tribunal. 42 da CF/88. XVIII — instaurar procedimento administrativo quando tiver ciência de irregularidade praticada por servidor que lhe é subordinado. dos trabalhos da Auditoria.” Apesar do vasto rol de competências. é um órgão colegiado. AUTORES MILITARES E VÍTIMA BOMBEIRO MILITAR. O primeiro grau de jurisdição da Justiça Militar. assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça: “CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. férias e salário-família aos servidores da Auditoria. 147 e 331. na forma da lei. Em recente julgado. XX — dar posse. composto pelo Conselho Especial de Justiça e pelo Conselho Permanente de Justiça. os crimes militares definidos em lei. financeira e orçamentária e ao controle de material. em tese. XIX — aplicar penas disciplinares aos servidores que lhe são subordinados. XXI — autorizar. como exige o art. CONSTITUCIONAL E PENAL MILITAR. do CPM. 233 e 299 do Código Penal Militar. XXII — distribuir alternadamente.

” (Conflito de competência 26986 (1999/0070357-0). crimes contra militares. em tempos de paz. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM. assim decidiu o STJ o conflito de competência entre a Justiça Comum e a Militar: “PROCESSO PENAL. DJ em 26/03/2007.095-RJ (2006/0008902-0). crimes cometidos em locais sob a administração militar. Atualmente. Cabe à Justiça Comum Estadual julgar homicídio decorrente de acidente automobilístico em que o acusado e a vítima. VEÍCULO PARTICULAR. os casos de deserção. dentre outros.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (Conflito de competência n. não se encontravam em exercício militar. 1.º 62.(Precedentes). da Comarca de São Joaquim da Barra. crimes contra a segurança externa do país. De forma geral. HOMICÍDIO CULPOSO. Ademais. crimes contra a administração e contra o patrimônio militar. tendo como acusado e vítima agentes militares. p. é frequente a tramitação. embora agentes militares. julgado em 14 de março de 2007. Ministro Relator Thereza de Assis Moura. SP. Antes. DJ em 02/04/2007) Em outro processo. por exemplo. 192) E O QUE SÃO CRIMES MILITARES? Os crimes julgados pela Justiça Militar da União estão definidos no Código Penal Militar. de crimes como tráfico e uso de drogas. diante de atividade de natureza individual e particular não se há por correto cogitar-se de atividade militar ratione materiae. eram os mais comuns. ACIDENTE DE TRÂNSITO FORA DO PERÍODO DE CASERNA. julgado em 14 de março de 2007. roubo de armas e estelionato. FGV DIREITO RIO 125 . Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direto do Foro Distrital de Ipuã. Ministro Relator Paulo Medina. nas instâncias da Justiça Militar da União. POLICIAL MILITAR. 3. eles podem ser definidos da seguinte forma: • • • • • • crimes militares contra o serviço militar e contra o dever militar. 2. Com os crescentes índices de criminalidade. o perfil dos crimes julgados pela Justiça Militar da União foi ampliado. crimes contra autoridade ou disciplina militar.

datada de 23 de outubro de 2007. O respeito à hierarquia é consubstanciado no espírito de acatamento à sequência de autoridade. 290 do Código Penal Militar. FGV DIREITO RIO 126 . Este 53 A exceção feita a essa regra se refere aos oficiais generais. Jurisprudência predominante do Supremo Tribunal Federal reverencia a especialidade da legislação penal militar e da justiça castrense. sim. HABEAS CORPUS INDEFERIDO. Órgão Julgador: Primeira Turma)” O Conselho Especial de Justiça é competente para o julgamento dos oficiais53. Julgamento: 23/10/2007. Os juízes militares são escolhidos por sorteio dentre militares de posto superior ao do acusado. I. PRECEDENTES. Lei 8457/92. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. O fundamento constitucional do crime militar é o art. “Art. A ordenação se faz por postos ou graduações. PENAL MILITAR E PROCESSUAL PENAL. ao Superior Tribunal Militar. (HC 92462 / RS — RIO GRANDE DO SUL. CRIME DE PORTE DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE PARA USO PRÓPRIO PREVISTO NA LEI N. mas.343/06: LEI MAIS BENÉFICA: NÃOAPLICAÇÃO EM LUGAR SUJEITO À ADMINISTRAÇÃO MILITAR. parágrafo único. 14. na espécie. A autoridade e a responsabilidade crescem com o grau hierárquico. sendo composto por um juiz-auditor. o da retroatividade da lei penal mais benéfica. § 1º A hierarquia militar é a ordenação da autoridade. a.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Em recente decisão. o Supremo Tribunal Federal assim se manifestou a respeito da especialidade da legislação penal militar e da justiça castrense: “EMENTA: HABEAS CORPUS. Relator(a): Min. por não ser o critério adotado. sob a presidência de um oficial-general ou oficial-superior. HABEAS CORPUS. PRECEDENTES.343/06. em níveis diferentes. CÁRMEN LÚCIA. 11. 290 do Código Penal Militar não sofreu alteração pela superveniência da Lei n. o da especialidade. O art. definido no art. prevista no Artigo 14 da Lei nº 6880/1980. originariamente. 11. dissolvendo-se após a conclusão dos trabalhos. um oficial superior que será o presidente. conforme dispõe o artigo 6º. cujo processo e julgamento compete. “ Este conselho é constituído especialmente para cada processo. da Constituição da República: tratamento diferenciado do crime militar de posse de entorpecente. 3. 290 DO CÓDIGO PENAL MILITAR. Precedentes. 2. sem a submissão à legislação penal comum do crime militar devidamente caracterizado. dentro de um mesmo posto ou graduação se faz pela antiguidade no posto ou na graduação. A hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas. quatro juízes militares (leigos). O Conselho Permanente de Justiça é competente para o julgamento dos praças. e três oficiais de posto até o capitão-tenente ou capitão. sendo composto por um juiz-auditor. ART. por respeito a hierarquia militar. Habeas corpus indeferido. dentro da estrutura das Forças Armadas. 124. 1.

Superior Tribunal Militar Órgão de segundo grau de jurisdição. Esses dois conselhos podem se instalar e funcionar apenas com a maioria de seus integrantes. São todos nomeados pelo Presidente da República. I da Lei 8457/92: “I — processar e julgar originariamente: a) os oficiais generais das Forças Armadas. 3 (três) oficiais-generais da Aeronáutica 5 (cinco) civis. depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal. dentre juízes-auditores e membros do Ministério Público Militar. Sua competência originária veio definida no artigo 6º. De suas decisões caberá recurso ao Superior Tribunal Militar. composto por um juiz-auditor corregedor. não estando ele limitado a qualquer lista tríplice ou sêxtupla. e) a revisão dos processos findos na Justiça Militar. com mais de 10 anos de efetiva atividade profissional) e 2 (dois) por escolha paritária. os do Presidente do Tribunal e de outras autoridades da Justiça Militar. O Superior Tribunal Militar tem competência originária e recursal. FGV DIREITO RIO 127 . c) os pedidos de habeas corpus e habeas data.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO conselho é constituído para funcionar durante três meses. Trata-se de um órgão de fiscalização e orientação judiciário-administrativa. sendo indispensável somente a presença do juiz auditor e do presidente. 4 (quatro) oficiais-generais do Exército. coincidindo com o trimestre do ano civil. b) revogado. d) o mandado de segurança contra seus atos. um diretor de secretaria e auxiliares que trabalham com o objetivo de uniformizar procedimentos e corrigir eventuais equívocos cometidos nas auditorias militares. A escolha do presidente é livre. f ) a reclamação para preservar a integridade da competência ou assegurar a autoridade de seu julgado. sendo 3 (três) advogados (de notório saber jurídico e conduta ilibada. É composto por 15 (quinze) ministros: • • • • 3 (três) oficiais-generais da Marinha. Na primeira instância podemos encontrar ainda a Auditoria de Correição. nos casos permitidos em lei. nos crimes militares definidos em lei. o Superior Tribunal de Justiça tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional.

f ) os feitos originários dos Conselhos de Justificação. i) a representação formulada pelo Ministério Público Militar. será competente ainda a Justiça Militar da União para julgar civis. g) os conflitos de competência entre Conselhos de Justiça. entre Juízes-Auditores. Eventualmente. por motivo de interesse público. no interesse da Justiça Militar. observado o Estatuto da Magistratura. Corregedor da Justiça Militar e Juiz-Auditor. Isso ocorrerá nos casos de cometimento de crimes contra o patrimônio e contra a administração militar e crimes contra militares no exercício de funções militares. c) as apelações e os recursos de decisões dos juízes de primeiro grau.” Já a competência recursal do Superior Tribunal Militar está fixada no artigo 6º. i) as questões administrativas e recursos interpostos contra atos administrativos praticados pelo Presidente do Tribunal. Conselho de Justiça. h) a representação para decretação de indignidade de oficial ou sua incompatibilidade para com o oficialato. b) os pedidos de correição parcial. JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL Ao lado da Justiça Militar da União. destes últimos. e) os agravos regimentais e recursos contra despacho de relator.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO g) os procedimentos administrativos para decretação da perda do cargo e da disponibilidade de seus membros e demais magistrados da Justiça Militar. É possível a criação por meio FGV DIREITO RIO 128 . j) os recursos de penas disciplinares aplicadas pelo Presidente do Tribunal. a Constituição Federal prevê a possibilidade de criação da Justiça Militar Estadual.” Eventual recurso ordinário ou extraordinário de decisão proferida nas causas de competência originária será da competência do Supremo Tribunal Federal se ocorrerem as hipóteses dos incisos II e III do Artigo 102 da Constituição Federal. Juiz-Auditor e advogado. d) os incidentes processuais previstos em lei. II da Lei 8457/1992: II — julgar: a) os embargos apostos às suas decisões. bem como os de atribuição entre autoridades administrativa e judiciária militares. previstos em lei processual militar ou no regimento interno. h) os pedidos de desaforamento. ou entre estes e aqueles. bem como para remoção.

que dever ser policial militar ou bombeiro. o concurso necessário de dois requisitos: um. j.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO de lei estadual ordinária. ART 125.1994. os assim definidos de forma concentrada no Código Penal Militar. PAR. estende-se. no primeiro grau de jurisdição. mediante proposta de iniciativa privada do Tribunal de Justiça Estadual. rel. portanto. A Justiça Militar Estadual é formada por juízes de direito e conselhos de Justiça. sob a presidência do juiz de direito.” 54 Hábeas Corpus n. São dois os critérios. de índole subjetiva (a qualificação do agente como policial militar ou como bombeiro militar). sendo de direito estrito. portanto: • ratione materiae — ocorrência de crime militar.1994. sendo o Tribunal de Justiça Estadual seu órgão de segundo grau. — PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL — NULIDADE DOS ATOS DECISORIOS PROFERIDOS PELA JUSTIÇA MILITAR DO ESTADO — PEDIDO DEFERIDO. A competência constitucional da Justiça Militar estadual. impondo. compete processar e julgar os demais crimes militares. é possível a criação do Tribunal de Justiça Militar. — A Justiça Militar estadual não dispõe de competência penal para processar e julgar civil que tenha sido denunciado pela pratica de crime contra a Policia Militar do Estado. Compete aos juízes de direito no primeiro grau de jurisdição julgar. DJ 01. 70604-SP. Ao Conselho de Justiça.. no contexto de nosso sistema jurídico. — A Constituição Federal. aos integrantes da Policia Militar ou dos Corpos de Bombeiros Militares que hajam cometido delito de natureza militar54. clara violação ao princípio constitucional do juiz natural (CF. 4. 5. LIII). para efeito de sua configuração.07. art. É o que já decidiu o Supremo Tribunal Federal: “EMENTA: HABEAS CORPUS — CRIME COMETIDO POR CIVIL CONTRA O PATRIMÔNIO DA POLICIA MILITAR DO ESTADO — INCOMPETENCIA ABSOLUTA DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL (CF. tão-somente. 10. Nos estados em que o efetivo militar seja superior a 20 mil integrantes.). FGV DIREITO RIO 129 . o segundo grau de jurisdição. Qualquer tentativa de submeter os réus civis a procedimentos penais-persecutórios instaurados perante órgãos da Justiça Militar estadual representa. • ratione causae — qualidade do agente. ou seja. delimitou o âmbito de incidência do seu exercício. singularmente. os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares.05. ao definir a competência penal da Justiça Militar dos Estados-membros. Min. Celso de Mello. de ordem objetiva (a pratica de crime militar definido em lei) e outro.

portanto. ainda que praticado por militar estadual. aplica-se a Lei nº 9299/1996. Min. Compete ao Júri ou à Justiça Castrense? A Emenda Constitucional 45 de 2004 constitucionalizou a questão. 260. ressalvou a competência do júri. Moreira Alves. No Artigo 125. A Justiça Militar Estadual só julga policial militar e bombeiro militar.” Também não é competente a Justiça Militar Estadual para julgar crimes praticados por civil. será julgado na Justiça comum. não é competente a Justiça Militar Estadual para julgar crimes comuns. rel. Exemplo disso é o crime de abuso de autoridade que. se encontra uniformizada tanto na Justiça Militar Estadual. Não tem a Justiça Militar Estadual competência para processar e julgar tais crimes. pelo que. não tendo a Justiça Militar competência para julgar crimes dolosos contra a vida. Para finalizar o estudo sobre a Justiça Militar. como a Constituição Federal não fez a mesma ressalva. ainda que praticado em serviço. 22. §4º. cuja constitucionalidade já foi atestada pelo Supremo Tribunal Federal55 e que de igual forma excluiu da Justiça Castrense Federal a competência para julgar tais crimes. Por que órgão judicial serão julgados os crimes dolosos contra a vida previstos no Código Penal Militar (homicídio.03. Cabe ressaltar que não é só porque um militar praticou um crime comum que este vai se transformar automaticamente em crime militar. É o que dispõe a Súmula 192 do STJ “Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade. devemos nos ater a uma última questão. por não estar previsto no Código Penal Militar. quanto da União. j. induzimento ou auxílio ao suicídio e genocídio)? Muita dúvida já surgiu em torno do tema. FGV DIREITO RIO 130 .404MG. crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil deve ser julgado pelo júri. Crimes militares são somente aqueles definidos no Código Penal Militar. hoje. Quanto a Justiça Militar da União.2001.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Assim. ao tratar da Justiça Militar Estadual. A questão. O quadro abaixo é elucidativo: 55 Recurso Extraordinário n. instigação. ainda quando praticado por militar.

de forma paritária. José agiu culposamente. do Exército. José. O Superior Tribunal Militar. revistaram José e lograram êxito na apreensão da res e na prisão em flagrante de José. Três dos indicados dever ser oficiais-generais da Marinha. JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL Processa e julga os crimes militares e as ações judiciais contra atos disciplinares praticados pelos oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. COMPETÊNCIA COMPOSIÇÃO CASO DE SEDIMENTAÇÃO: No dia 05 de abril de 2006. e três. Os outros cinco indicados devem ser civis. a mais alta corte da Justiça Militar. no caso dos estados em que o efetivo militar seja superior a 20 mil. sem qualquer questionamento sobre a procedência da res. depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal. dentre Juízes-Auditores e membros do Ministério Público Militar. ao desrespeitar o dever objetivo de FGV DIREITO RIO 131 . é composto pelos Tribunais de Justiça Estaduais ou pelos Tribunais de Justiça Militar. que lhe ofereceu fios e cabos elétricos a um preço bem convidativo. todos da ativa e do posto mais elevado da carreira. José. a Justiça Militar da União pode julgar civis em casos especiais. configurando-se o crime de receptação culposa: art. No caso. 255 do Código Penal Militar. policiais militares. sabendo do alto valor que aquele objeto possui no mercado. quando já chegava em casa.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO Processa e julga os integrantes das Forças Armadas (Marinha.00. Na segunda instância. bem como os crimes cometidos por militares da reserva e reformados. os fios e cabos elétricos pertenciam a estabelecimento militar da União. compõe-se de 15 ministros vitalícios. Momentos depois. cerca de R$ 20. Diferentemente da Justiça Militar Estadual. nomeados pelo presidente da República. aceitou a oferta e então comprou os cabos acondicionados numa sacola plástica. que voltava para casa após um dia de trabalho. 3 advogados e os outros 2. definido no Código Penal Militar. da Aeronáutica. Exército e Aeronáutica) acusados de crime militar. Juízes de Direito. com exercício nas varas da Justiça Militar e nos Conselhos de Justiça (primeiro grau de jurisdição). foi abordado por um desconhecido na estação de trem. quatro. sob fundada suspeita. nos casos especificados na legislação penal militar.

com certeza este foi o ramo do Judiciário que mais profundamente sofreu alterações com a Emenda Constitucional 45 — Reforma do Judiciário — não só no que tange à sua composição mas também à sua competência. Não há mais juízes classistas no Tribunal Superior do Trabalho ou no Tribunal Regional do Trabalho. coincidentemente com a presente suspeita de que a coisa não podia ter origem lícita. No primeiro grau de jurisdição. sendo sua competência expressamente prevista na Constituição Federal. transformou-se em Vara do Trabalho. como visto. de 9 de dezembro de 1999. nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. ao lado da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO cuidado. II— os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho. 94. em respeito ao mandamento do Artigo 94 da Constituição. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros. portanto. Em sua composição estão 27 Ministros escolhidos da seguinte forma: “Art. o órgão colegiado denominado Junta de Conciliação e Julgamento. os Tribunais Regionais do Trabalho e os Juízes do Trabalho. É uma das Justiças especializadas. São órgãos da Justiça Trabalhista: o Tribunal Superior do Trabalho. a regra do quinto constitucional. Pergunta-se: A quem compete. o julgamento de José? 2) JUSTIÇA DO TRABALHO Prevista nos artigos 111 a 117 da Constituição Federal. é importante ressaltar que a Emenda Constitucional nº 24. oriundos da magistratura da carreira. escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos. extinguiu a participação de juízes classistas na Justiça Trabalhista em todas as instâncias. cuja jurisdição é exercida por um só juiz singular.” Aplica-se ao Tribunal Superior do Trabalho. Antes de iniciarmos o estudo de cada órgão em separado. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de cúpula da Justiça do Trabalho. indicados pelo próprio Tribunal Superior. sendo: I— um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício. observado o disposto no art. 111-A. O diferencial aqui é que em relação aos membros oriundos da magistratura FGV DIREITO RIO 132 .

sendo a indicação feita diretamente pelo Tribunal Superior do Trabalho ao Senado Federal. o Tribunal Superior do Trabalho está dividido em: ÓRGÃO PLENÁRIO COMPOSIÇÃO Totalidade dos Ministros do TST. e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho. ÓRGÃO ESPECIAL COMPETÊNCIA Dar posse à direção do Tribunal e dar posse aos Ministros do Tribunal. a Constituição Federal não faz menção a lista tríplice. 9 ministros. 11 Ministros mais antigos do Tribunal. SEÇÃO ESPECIALIZADA EM DISSÍDIOS COLETIVOS 9 Ministros. financeira e patrimonial da Justiça Trabalhista em primeiro e segundo graus. todos decorrentes de dissídios coletivos. mandado de segurança e recurso ordinário em mandado de segurança.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO de carreira. Julgamento de embargos de divergência e agravo regimental em embargos. vice-presidente. cabendo-lhe exercer a supervisão administrativa. como órgão central do sistema. agravo de instrumento em recurso ordinário. Questões administrativas. Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho a Escola de Formação e Aperfeiçoamento da Magistratura do Trabalho. 27 Ministros. orçamentária. recurso ordinário. dentre o presidente. agravos de instrumento em recursos ordinários e em agravos regimentais e mandados de segurança. mandados de segurança contra ato de Ministro do Tribunal e contra ato do Presidente do TRT. o corregedor e os seis ministros mais antigos do Tribunal. o corregedor e 8 ministros integrantes das turmas. embargos infringentes. ou seja. corregedor e cinco integrantes de turmas. recursos ordinários em agravos regimentais e mandados de segurança.Quorum de cinco ministros para funcionar SEÇÃO ESPECIALIZADA EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS SBDI II Ações rescisórias. dentre presidente. SBDI I 11 ministros. Quorum de sete ministros para funcionar. FGV DIREITO RIO 133 . dentre o presidente. agravo regimental. arguições de inconstitucionalidade. após aprovação pela maioria do Senado Federal. conflitos de competência. Julgam dissídios coletivos. o vice-presidente. cabendo-lhe regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção da carreira. o vice-presidente. mandados de segurança. cujas decisões terão efeito vinculante. A nomeação dos membros se dará pelo presidente da República. Em sua forma organizacional. agravos regimentais em ações rescisórias e em mandado de segurança.

Os Tribunais Regionais do Trabalho funcionam em Plenário ou divididos em Turmas e Grupos de Turmas. e nove Turmas. sendo: I — um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício. ambas já estudadas na primeira aula de nosso curso. no Brasil. Roraima. 115. em respeito ao mandamento do Artigo 94 da Constituição. Hoje. II — os demais. como visto. §2º). com 64 magistrados. por exemplo. mediante promoção de juízes do trabalho por antiguidade e merecimento. a regra do quinto constitucional. Seções — são duas: uma seção especializada pelos dissídios coletivos e a outra seção especializada pelos dissídios individuais. 115.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO Previsto no Artigo 115 da Constituição Federal. §1º) e a possibilidade de funcionar descentralizadamente por meio de Câmaras Regionais (Art. recrutados. aperfeiçoamento e especialização dos magistrados do trabalho. O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. alternadamente. Órgão Especial (13 desembargadores). em número de juízes. sendo o maior. na respectiva região. Só Amapá. formação. 94. sete juízes. dependendo exclusivamente do seu tamanho e das disposições do seu Regimento Interno. Funciona junto ao Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. o de São Paulo. Acre e Tocantins não possuem ainda Tribunal Regional em sua área territorial. 115. observado o disposto no art. Sua composição está prevista no Artigo 115 da seguinte forma: “Art. FGV DIREITO RIO 134 . existem 24 Tribunais Regionais do Trabalho. Duas importantes inovações prometem conferir à Justiça do Trabalho a celeridade e eficiência tão almejadas: a Justiça Itinerante (Art. o Tribunal Regional do Trabalho é órgão de segundo grau de jurisdição da Justiça Trabalhista. pertencendo a tribunais situados em outros Estados. está dividido em: Plenário (todos os desembargadores). Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de. e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos. a Escola de Magistratura da Justiça do Trabalho no Estado do Rio de Janeiro — EMATRA-RJ — com as finalidades de preparação. ainda. no mínimo.” Aplica-se aos Tribunais Regionais do Trabalho. quando possível.

entre sindicatos e trabalhadores. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I — as ações oriundas da relação de trabalho. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO A competência da Justiça do Trabalho veio enumerada no Artigo 114 da Constituição Federal. VII — as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho. 195. III — as ações sobre representação sindical. podendo.” No que se refere ao inciso I do Artigo 114 supra descrito. conforme noticiado no Informativo 422. 114. habeas corpus e habeas data. chegam a juízes do trabalho. e seus acréscimos legais. 112. I. Ingressam como juízes do trabalho substitutos e.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO JUÍZES DO TRABALHO O primeiro grau de jurisdição da Justiça do Trabalho é composta por juízes trabalhistas que ingressam na carreira mediante aprovação em concurso público de provas e títulos. cujo juiz de direito terá competência para julgar a causa. atribuí-la aos juízes de direito. II — as ações que envolvam exercício do direito de greve. V — os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista. de ofício. do Distrito Federal e dos Municípios. dos Estados. com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho da Região56. por merecimento ou antiguidade. VIII — a execução. ingressar em juízo junto à Justiça Estadual Comum. e II. Trata-se de um grande incentivo e implemento do acesso à Justiça na área trabalhista. e entre sindicatos e empregadores.” FGV DIREITO RIO 135 . entre sindicatos. decorrentes da relação de trabalho. IV — os mandados de segurança. das contribuições sociais previstas no art. decorrentes das sentenças que proferir. VI — as ações de indenização por dano moral ou patrimonial. na forma da lei. nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição. I. alternadamente. cabe mencionar que o Supremo Tribunal Federal. que trazemos à colação: “Art. a. quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. domiciliado em comarca não abrangida pela Justiça do Trabalho. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União. IX — outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho. ressalvado o disposto no art. 102. o. por meio de promoção. A lei criará varas da Justiça do Trabalho. conferiu interpretação conforme à Constituição para suspender da competência da Justiça do Trabalho a apreciação de causas instauradas entre o Poder 56 “Art. Há ainda a possibilidade do jurisdicionado.

as ações de indenização. FGV DIREITO RIO 136 . de 30 de dezembro de 2004. o STJ decidiu que esta justiça especializada também é competente para julgar ações relativas à representação sindical após a EC nº 45. conforme decisão do STF no CC 7204/MG57. inclusive por dano moral. proposta por empregado contra (ex)empregador. A 1ª Vara sucedeu a 8º Vara Empresarial.2005. “após o advento da EC nº 45/2004. são da competência da Justiça do Trabalho. que havia determinado o bloqueio do dinheiro. que. rel. com base em acidente de trabalho. recentemente. 29. j. Cumpre-nos trazer à colação. Min. O Ministro Humberto Martins destacou que.” Por fim. Pleno. a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a competência do juiz da 1ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro para julgar as ações referentes à falência da Varig. mecânicos de vôo e pilotos da Varig e da Nordeste Linhas Aéreas. a empresa Aéreo Transportes Aéreos S/A poderá continuar a dispor do capital destinado ao plano de recuperação da empresa. Caso seja mantida a decisão de primeiro grau. Já no que se refere ao inciso VI do mesmo Artigo. O juiz da 8ª Vara Empresarial se recusou a cumprir a decisão do juiz da 33ª Vara do Trabalho. Na ação foi pedido o bloqueio dos US$ 75 milhões levantados com o leilão da Unidade Produtiva da Varig (UPV) como garantia de pagamento das ações trabalhistas. O conflito de competência foi suscitado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro porque as Justiças estadual e trabalhista declararam-se competentes para julgar a ação proposta na Justiça do Trabalho pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e associações de comissários. por decisão liminar do próprio STJ. cabe ressaltar que a partir da Emenda Constitucional nº 45. Carlos Britto. Em seu voto. recente julgado do Superior Tribunal de Justiça a respeito de conflito de competência entre a Justiça do Trabalho e a Justiça Estadual Comum (Vara Empresarial): “Justiça Empresarial do Rio de Janeiro é competente para julgar as questões da falência da Varig Em decisão unânime. O ministro Ari Pargendler ressaltou que tal exigência não constava no edital do leilão. o ministro Ari Pargendler ressaltou que somente o Tribunal de Justiça estadual poderá rever a decisão judicial que livrou a empresa Aéreo Transportes Aéreos S/A — subsidiária da Varig Log e arrematante da Unidade Produtiva da Varig — de arcar com as despesas trabalhistas. passou a justiça especializada a ser competente para julgar e 57 Conflito de Competência 7204MG.06.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Público e os servidores a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico-administrativo. já estava processando as ações da empresa.

ao lado da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho. os Juízes Eleitorais e as Juntas Eleitorais. João sofreu um acidente enquanto trabalhava. alegando a existência de omissão e de contradição na sentença impugnada. Tendo procurado ajuda. então. em ações propostas por sindicatos. O relator ressaltou que a única exceção é referente aos casos em que existiam sentenças proferidas anteriormente ao advento da EC nº 45/2004. foi obrigado a continuar o seu turno de trabalho. João. pertencente também ao ramo da Justiça da União. não permitiu a saída de João. Pergunta-se: Qual o Juízo competente para julgar a ação? 3) JUSTIÇA ELEITORAL Prevista no Artigo 92.” CASO DE SEDIMENTAÇÃO No dia 10 de dezembro de 2004. É uma justiça especializada. impetra embargos de declaração.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO processar os feitos que envolvam a cobrança de contribuição sindical prevista no artigo 578 da Constituição das Leis Trabalhistas (CLT). em primeiro grau extinguiu o feito por entender ser incompetente para o julgamento de referida ação. porquanto essa interpretou o tema debatido — competência para o processo e julgamento de ação de reparação de danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente do trabalho — em desconformidade com o decido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do CC 7. federações ou confederações. Como o Código Eleitoral que disciplina esta matéria é lei FGV DIREITO RIO 137 . a Justiça Eleitoral é mais um órgão do Poder Judiciário.204/MG. Relator o Ministro Carlos Britto. os Tribunais Regionais Eleitorais. O Artigo 121 da Constituição Federal exige Lei Complementar para dispor sobre a organização e competência dos Tribunais. São órgãos da Justiça Eleitoral: o Tribunal Superior Eleitoral. Não há ingresso diretamente na carreira da magistratura eleitoral. V da Constituição Federal. porém. que ferido. Tendo em vista o ocorrido e estando ciente da Reforma do Judiciário (EC nº45/2004). o diretor da empresa o encaminhou para a enfermaria. Trata-se de uma justiça sui generis tendo em vista sua total composição por membros integrantes de outros órgãos judiciários. no dia 28 de dezembro de 2004. João ingressa com uma ação de reparação de danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente do trabalho na Justiça Trabalhista. O juiz trabalhista. a qual aconselhou a remoção para o hospital mais próximo. Juízes de Direito e Juntas Eleitorais. A diretoria.

II. P. FGV DIREITO RIO 138 . 29. porém. Como Tribunal Superior. j. por sua vez. foi recepcionada.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO ordinária e datada de 1965 — Lei nº 4737 — procedeu-se à chamada recepção da referida Lei pela Constituição de 1988. Como se pode ver. TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL O Tribunal Superior Eleitoral é o órgão máximo da estrutura da Justiça Eleitoral. A circunscrição. Compete ao Tribunal Superior: I — Processar e julgar originariamente: 58 A matéria relativa à organização dos tribunais eleitorais. Alexandre de. e nunca por mais de dois biênios consecutivos59. O Supremo Tribunal Federal. não se aplica aqui a regra do quinto constitucional. firmando-se a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral. possui competências originárias e recursais determinadas no Código Eleitoral: “Art. no mínimo. no sentido de que os parágrafos do art. como se Lei Complementar fosse58. A Constituição Federal faz uma limitação temporal ao exercício do cargo de ministro do Tribunal Superior Eleitoral. afirmando que o objetivo é a preservação da imparcialidade do Judiciário e o afastamento das ingerências políticas nos Tribunais Eleitorais. Assim é constitucional tal exigência e este entendimento deve ser também aplicado ao Tribunal Superior Eleitoral. (Recurso Especial Eleitoral n. rel. 2º da CF. eleitos por voto secreto. 12641-TO. 59 60 MORAES. outrossim. Min. dois juízes. no Artigo 119. Eles servirão por dois anos. Direito Constitucional.191/84 (Resoluções 12. dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral. É composto por sete membros: três juízes dentre os ministros do Supremo Tribunal Federal. 25 do Código Eleitoral não foram revogados pela Lei 7. Para melhor organização. A Constituição. 547. É o ápice da estrutura. Paulo Roberto Saraiva da Costa Leite.318). até porque a própria Constituição já determinou uma composição bastante mista para o Tribunal. Passemos agora ao estudo estratificado de cada órgão. Cada Estado e o Distrito Federal constituem uma circunscrição. o território nacional foi dividido em circunscrições eleitorais.1996. fez somente duas exigências para os advogados indicados: notável saber jurídico e idoneidade moral. é dividida em zonas eleitorais. A Constituição Federal se omitiu quanto a este requisito somente quando tratou da Justiça Eleitoral. dois juízes dentre os ministros do Superior Tribunal de Justiça.391 e 18. julgando a questão em âmbito do Tribunal Regional Eleitoral. E porque isso? Alexandre de Moraes60 traz a resposta. decidiu ser também exigível 10 anos de efetivo exercício da atividade profissional. 22. disciplinada no Código Eleitoral.) Artigo 121. pela vigente Constituição.02. indicados pelo Supremo Tribunal Federal e nomeados pelo presidente da República. eleitos por voto secreto. com forca de Lei Complementar.

Sua composição é de dois 61 Artigo 22. em matéria eleitoral. d) os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos cometidos pelos seus próprios juízes e pelos juízes dos Tribunais Regionais. ou. dos Ministros de Estado e dos Tribunais Regionais. ambos do Código Eleitoral. Ministério Público ou parte legitimamente interessada.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO a) o registro e a cassação de registro de partidos políticos. candidato. relativos a atos do Presidente da República. FGV DIREITO RIO 139 . j) a ação rescisória. órgãos de segundo grau de jurisdição. e) o habeas corpus ou mandado de segurança. i) as reclamações contra os seus próprios juízes que. desde que intentada dentro de cento e vinte dias de decisão irrecorrível. dos seus diretórios nacionais e de candidatos à Presidência e vice-presidência da República. 276 inclusive os que versarem matéria administrativa. nos casos de inelegibilidade. quando houver perigo de se consumar a violência antes que o juiz competente possa prover sobre a impetração. o habeas corpus. quanto à sua contabilidade e à apuração da origem dos seus recursos. das quais caberá recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal. b) os conflitos de jurisdição entre Tribunais Regionais e juízes eleitorais de Estados diferentes. II — julgar os recursos interpostos das decisões dos Tribunais Regionais nos termos do Art. c) a suspeição ou impedimento aos seus membros. h) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos nos Tribunais Regionais dentro de trinta dias da conclusão ao relator. formulados por partido. Existe um tribunal regional na capital de cada Estado e um no Distrito Federal. proclamação dos eleitos e expedição de diploma na eleição de Presidente e Vice-Presidente da República. salvo as que declararem a invalidade de lei ou ato contrário à Constituição Federal e as denegatórias de “habeas corpus” ou mandado de segurança. parágrafo único c/c Artigo 281. g) as impugnações á apuração do resultado geral. f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos. possibilitando-se o exercício do mandato eletivo até o seu trânsito em julgado. interposto no prazo de 3 (três) dias61. ainda.” As decisões proferidas pelo Tribunal Superior Eleitoral são irrecorríveis. ao Procurador Geral e aos funcionários da sua Secretaria. no prazo de trinta dias a contar da conclusão. Tribunal Regional Eleitoral Logo abaixo do Tribunal Superior Eleitoral estão os Tribunais Regionais Eleitorais. não houverem julgado os feitos a eles distribuídos.

escolhido. não havendo. formulados por partido candidato Ministério Público ou parte legitimamente interessada sem prejuízo das sanções decorrentes do excesso de prazo. quanto a sua contabilidade e à apuração da origem dos seus recursos. c) a suspeição ou impedimentos aos seus membros ao Procurador Regional e aos funcionários da sua Secretaria assim como aos juizes e escrivães eleitorais. um juiz federal. ou. d) os crimes eleitorais cometidos pelos juizes eleitorais. g) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos pelos juizes eleitorais em trinta dias da sua conclusão para julgamento. um juiz do Tribunal Regional Federal respectivo. colegiadamente62. pelo voto secreto.” 62 Artigo 28 do Código Eleitoral. 29. f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos. Compete aos Tribunais Regionais: I — processar e julgar originariamente: a) o registro e o cancelamento do registro dos diretórios estaduais e municipais de partidos políticos. Vice-Governadores. os denegados ou concedidos pelos juizes eleitorais. em matéria eleitoral. b) das decisões dos juizes eleitorais que concederem ou denegarem habeas corpus ou mandado de segurança. por nomeação do presidente da República. dois juízes de direito. em grau de recurso. escolhidos entre os magistrados estaduais.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça. ainda. COMPETÊNCIA Os Tribunais Regionais Eleitorais também possuem competência originária e recursal previstas no Código Eleitoral: “Art. contra ato de autoridades que respondam perante os Tribunais de Justiça por crime de responsabilidade e. mediante eleição. pelo aludido Tribunal Regional Federal. em qualquer caso. II — julgar os recursos interpostos: a) dos atos e das decisões proferidas pelos juizes e juntas eleitorais. indicados pelo Tribunal de Justiça. pelo voto secreto do respectivo Órgão Especial. o habeas corpus quando houver perigo de se consumar a violência antes que o juiz competente possa prover sobre a impetração. FGV DIREITO RIO 140 . e) o habeas corpus ou mandado de segurança. b) os conflitos de jurisdição entre juizes eleitorais do respectivo Estado. em sessão pública. bem como de candidatos a Governador. sendo suas decisões proferidas por maioria de votos. escolhidos mediante eleição. dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral. O Tribunal Regional Eleitoral não é fracionado organicamente. e membro do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas. ou.

1995. houver mais de uma vara da Justiça Estadual. Artigos 40 e 41 do Código Eleitoral. O voto de cada um dos componentes da turma tem o mesmo valor.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO As decisões do Tribunal Regional Eleitoral são irrecorríveis. versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais. por oportuno. que não cabe recurso direto do Tribunal Regional Eleitoral ao Supremo Tribunal Federal. conforme já decidido pelo STF64. salvo quando forem proferidas contra disposição expressa da Constituição ou de lei. j. ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais. JUNTAS ELEITORAIS As Juntas Eleitorais são órgãos da Justiça Eleitoral competentes para apurar as eleições. e diploma de candidatos eleitos (no caso de eleições municipais). mandado de segurança. quando então será cabível recurso ao Tribunal Superior Eleitoral63.66 São compostas por um juiz de direito e de dois a quatro membros escolhidos pelo Tribunal Regional Eleitoral dentre cidadãos de notória idoneidade. “habeas-data” ou mandado de injunção.1996. conforme determina o Artigo 11 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional — a LOMAN. Quando. rel. que exercem funções de juízes de fato. Sydney Sanches.12. conforme o Artigo 35 do Código Eleitoral. 63 Artigo 121. Ressalve-se. 164491-6-MG. consoante critérios estabelecidos nas Resoluções do TSE nº 20505/1999 e nº 21009/2002 e mediante aspectos objetivos de rodízio e antiguidade. Quem exerce as funções de juiz eleitoral é um juiz de direito estadual. Os juízes eleitorais exercem jurisdição nas zonas eleitorais. denegarem “habeas-corpus”. 64 65 66 FGV DIREITO RIO 141 . anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais.03. DJ 22. 18. é o Tribunal Regional Eleitoral quem designa a qual incumbe o serviço eleitoral65. Juízes Eleitorais e Juntas Eleitorais Abaixo do Tribunal Regional Eleitoral na estrutura orgânica da Justiça Eleitoral estão os juízes eleitorais e as juntas eleitorais. Min. na comarca. parágrafo único do Código Eleitoral. §4º da Constituição Federal. 1ª Turma. expedir boletins de urnas. Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n. resolver impugnações e incidentes durante a apuração dos votos. Artigo 32.

gov. filiada ao Partido X e filha do governador do Estado do Amazonas.9. Artigo Publicado na Revista de Estudos e Informações da Justiça Militar do Estado de Minas Gerais nº 21. Galvão da Rocha. Min. 57. Com base nesse entendimento. fundadas em acidente do trabalho. Fernanda vê sua candidatura impugnada por um outro candidato. que dispõem sobre a composição e a competência da Justiça Militar daquela unidade federativa. Ocorre que. Disponível no site: http://www.br. N. da Constituição do Estado de Goiás. motivo de brigas familiares que levaram ao rompimento entre os dois. Artigo disponível no site: http://www.2008. JURISPRUDÊNCIA ADI: Composição e Competência da Justiça Militar O Tribunal julgou procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Procurador-Geral da República para declarar a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 3º do art. 3. 125. rel. que altera a jurisprudência consolidada pelo Supremo no sentido de que a competência para julgamento dessa matéria FGV DIREITO RIO 142 . (ADI-471) — Informativo 500 Indenização por Danos Decorrentes de Acidente do Trabalho: Competência As ações de indenização propostas por empregado contra empregador.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO CASO DE SEDIMENTAÇÃO Fernanda. § 3º. da CF. bem como do art.mg. a criação da Justiça Militar estadual.br > artigos. que atribui à lei ordinária.98). ADI 471/GO. resolve se candidatar a governadora do Estado por discordar veementemente da administração de seu pai. Precedente citado: ADI 725/RS (DJU de 4.tjm. cuja iniciativa é reservada ao Tribunal de Justiça local.gov.mg. Entendeu-se que os dispositivos impugnados ofendem o art. Eros Grau. Ricardo Henrique Alves Giuliani. Fernando A. Prefeitos e Deputados Estaduais e a competência para o processamento e julgamento nos crimes militares. eleito no ano de 2004 pelo Partido Y.tjm. 58. após efetuar o seu registro. poderá ou não concorrer ao cargo? LEITURAS COMPLEMENTARES Tribunal do Júri na Justiça Militar Estadual.4. afinal. Pergunta-se: qual terá sido o fundamento legal para a impugnação ao registro? Fernanda. são da competência da justiça do trabalho.

Marco Aurélio. as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. ressaltando ser o acidente de trabalho fato inerente à relação empregatícia. quando ajuizadas pelo empregado contra o seu empregador. I. 109. 114 da CF. por razões de política judiciária. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:. da regra geral contida na primeira parte — que define a competência dos juízes federais em razão da pessoa que integra a lide — as causas de acidente do trabalho em que a União. o Min. Afirmou-se que referidas causas consistem nas ações acidentárias propostas pelo segurado contra o INSS. assistente ou oponente (CF: “Art. em nenhuma das partes do mencionado dispositivo as ações reparadoras de danos oriundos de acidente do trabalho. a edição da EC 45/2004. Esclareceu-se que.6. Asseverou-se que tal entendimento veio a ser aclarado com a nova redação dada ao art. de entidade autárquica ou de empresa pública federal. Fixou-se. e outras controvérsias decorrentes daquela relação. e que passaram a ser da competência da justiça comum pelo critério residual de distribuição de competência (Enunciado da Súmula 501 do STF). que a competência para julgamento dessas ações há de ser da justiça do trabalho. Concluiu-se. por isso. 7º da CF como autêntico direito trabalhista. excluem-se. da justiça especial. Não se encaixariam. Entendeu-se que não se pode extrair do referido dispositivo a norma de competência relativa às ações propostas por empregado contra empregador em que se pretenda o ressarcimento por danos decorrentes de acidente de trabalho. a qual cabe conciliar e julgar os dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores. Carlos Britto. 109. entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas. quando o empregador incorrer em dolo ou culpa. Min. em Conflito de Competência suscitado pelo TST — Tribunal Superior do Trabalho em face do extinto Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais. 109 da CF. CC 7204/MG. que estabelecia o termo inicial dessa competência a partir da redação original do art. deve ser. cuja tutela. conheceu da ação e determinou a remessa do feito à Corte suscitante. nesse caso. ainda.”). no ponto. exceto as de falência. como marco temporal da competência da justiça laboral. destarte. que o direito à indenização em caso de acidente de trabalho. decorrentes da relação de trabalho. está enumerado no art. por força do disposto no art. ré. Aos juízes federais compete processar e julgar: I — as causas em que a União.2005. rel. 114. nas quais se discute controvérsia acerca de benefício previdenciário.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO seria da justiça comum estadual. entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras.”). especialmente com a inclusão do inciso VI (“Art. em razão de não existir. 29. da CF. nos termos da segunda parte do inciso I do art. (CC-7204) Informativo 394) FGV DIREITO RIO 143 .. 114 da CF. e não contra o INSS.. na condição de autora. Vencido. portanto. VI — as ações de indenização por dano moral ou patrimonial. assistentes ou oponentes. o Plenário. pela EC 45/2004. exceto na hipótese de uma delas ser empregadora. rés. Acrescentou-se. interesse da União.

além do Ministério Público dos Estados. utilizada atualmente como sinônimo da Instituição. Esses valores recebem atenção dos membros do Ministério Público. Ministério Público Militar e Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios. 49. a expressão Parquet. respectivamente. 127. considerando-se. no Brasil. Na visão do jurista Alfredo Valadão. II. 10 E 11: O MINISTÉRIO PÚBLICO BRASILEIRO 1) INTRODUÇÃO O Ministério Público. de diversos ramos distintos. integrado pelo Ministério Público Federal. com a finalidade de extirpar do texto constitucional o “Parquet”67. sendo certo que. o Ministério Público como cláusula pétrea implícita à função jurisdicional do Estado68. é compreensível que também o Parquet se apresente diversificado em vários organismos. pois. seja quando estes se encarregam da persecução penal. não há que se falar em quarto poder. é instituição permanente. o Belo. em 1302. Na verdade. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. aqueles de relevante valor social. o Ministério Público seria um verdadeiro Quarto Poder do Estado69. II. da Carta Magna e o Artigo 146. eis que os procuradores do rei. por exemplo. como já estudado. em correspondências que trocavam entre si. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. A função de controle dos atos da Administração Pública pelo Ministério Público. Tal norma encontra-se inserida no capítulo constitucional dedicado às “Funções essenciais à Justiça” ao lado da Advocacia-Geral da União e da Defensoria Pública. 68 69 FGV DIREITO RIO 144 . e compondo-se este. A natureza jurídica da instituição e seu posicionamento na Carta de 1988 são questões que têm gerado controvérsia na doutrina. da Constituição Federal. A finalidade da existência do Ministério Público é a função de defesa da sociedade no regime democrático instituído pela Carta de 1988. é configurado como instituição autônoma que não integra o Poder Judiciário. Belo Horizonte: Líder. O Artigo 85. p. visando distinguí-lo do ofício privado dos advogados. consoante o art. no processo e perante os juízos e tribunais. primordialmente. de certos bens e valores fundamentais como o meio ambiente. caput. consideram crimes de responsabilidade. embora desenvolva as suas funções essenciais. onde os procuradores do rei podiam sentar-se lado a lado com os magistrados. 2001. João Câncio de. Ministério Público do Trabalho. presente em cada uma das unidades federativas. deduzindo em juízo a pretensão punitiva do Estado e postulando a repressão ao crime. Informado por MELLO JÚNIOR. qualquer ato atentatório ao livre exercício do Ministério Público. do Presidente da República e do Governador do Estado. ou de certas pessoas como os incapazes e os consumidores. seja quando no juízo cível se ocupam de certas instituições como a família. na França. Trata-se de um órgão de extração constitucional. 67 A origem das expressões “Parquet” e “Ministério Público” advém da época do Reinado de Felipe IV.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULAS 9. Oficiando os membros do Ministério Público junto ao Poder Judiciário. tem origem no estrado existente nas salas de audiência. Assim. A Carta Magna deferiu ao Parquet a condição de guardião dos interesses sociais e individuais indisponíveis. temos o Ministério Público da União. denominavam sua função como um ofício ou ministério público. essencial à função jurisdicional do Estado. O Ministério Público. da Carta Fluminense. As palavras “permanente” e “essencial” geram reflexos impeditivos ao próprio poder de reforma da Constituição. vinculando-o assim à tutela (coletiva ou individual) dos direitos mais expressivos da sociedade.

portanto. a odiosa designação do promotor de encomenda bem como as designações especiais para essa modalidade de substituição. férias. como por exemplo. mas somente segundo a forma estabelecida em lei. porém. para um determinado caso concreto. 70 MAZZILLI. nem tampouco. São três os princípios institucionais enumerados no texto da Carta Magna: a unidade. Indivisibilidade O princípio da indivisibilidade significa que os membros do Ministério Público podem ser substituídos uns pelos outros. “Unidade significa que os membros do Ministério Público integram um só órgão sob a direção de um só chefe”70.127 da Carta Magna fixa os princípios institucionais do Ministério Público. Para tanto. 155 FGV DIREITO RIO 145 . Regime Jurídico do Ministério Público. sem solução de continuidade das funções institucionais. A unidade significa também que. suspeições ou outros tipos de afastamentos. A Unidade Institucional A unidade traduz a identidade do Ministério Público como Instituição. São Paulo: Saraiva. Hugo Nigro. os quais analisaremos a partir de agora. já que os atos devem ser compreendidos como se produzidos pela instituição e não pelo seu agente. entre o Ministério Público estadual e o Ministério Público da União. ou seja. e a independência funcional. para cada função institucional deferida ao Ministério Público na Constituição.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 2) PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS Para a garantia de tão importantes funções. p. poderá substituir um outro quando se fizer necessário. Seus membros não devem ser identificados na sua individualidade. Ao atuarem. impedimentos. 2001. Não há unidade. a instituição foi dotada de uma série de garantias e princípios. eivado de inconstitucionalidade. as substituições não podem ocorrer arbitrariamente. oficiam em nome da Instituição. O §1º do art. A indivisibilidade está estreitamente vinculada ao Princípio do Promotor Natural. 5ª ed. a indivisibilidade. A Instituição se faz presente com o comparecimento de um de seus membros. observada a sistemática legal. entre Ministérios Públicos de estados distintos. licenças. Sua observância é cogente e qualquer ato que destoar deles será inválido. só exista um único ramo do Ministério Público apto para desempenhá-la. Um membro do Ministério Público. mas sim como integrantes de um mesmo organismo. apenas um ramo do Ministério Público terá atribuição para atuar. em nada comprometendo a atividade institucional. Impede.

71 Súmula 2 da Assessoria de Assuntos Institucionais do Ministério Público do Rio de Janeiro. etc. os membros do Parquet não podem ser responsabilizados pelos atos que praticarem no estrito exercício de suas funções. 129. Exemplo: Um promotor X pede a absolvição do réu e logo depois sai de férias com sua família. se diferem das decisões administrativas da Administração Superior. CRFB). No âmbito do Ministério Público só se concebe hierarquia entre o chefe da instituição e seus integrantes no sentido administrativo. decorre também a imunidade quanto à responsabilidade civil por seus eventuais erros de atuação. devendo sempre. auxiliando a defesa do promotor71. Por exemplo: dever de atender às convocações. A despeito disso. não vinculam o membro da instituição. pedindo a condenação do réu. De fato. A indivisibilidade e a independência funcional O princípio da indivisibilidade não implica a vinculação de pronunciamentos dos agentes do Ministério Público no processo de um modo a obrigar que um membro da instituição que substitui a outro observe a mesma linha de pensamento de seu antecessor. face ao princípio da independência funcional. as quais devem ser obrigatoriamente atendidas pelo membro da Instituição. tomando ciência da sentença. O promotor Y. no entanto. Os membros do Ministério Público estão sujeitos a recomendações dos órgãos da administração superior. dever de encaminhar relatórios periódicos. substituto. motivo pelo qual o Ministério Público do Rio de Janeiro editou uma súmula para garantir a presença da Instituição como assistente simples nestes processos. crescente vem sendo o número de ações de ressarcimento movidas diretamente contra o membro do Ministério Público.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Independência Funcional Princípio mais importante da Instituição. no desempenho de suas atividades não estão subordinados a nenhum órgão ou poder. Apesar de divergente a matéria. apoiado no princípio da independência funcional.85 do Código de Processo Civil). absolvendo o réu. As recomendações administrativas. entretanto. nunca no sentido de índole funcional ou técnica. a menos que tenham agido com dolo ou fraude (art. o entendimento majoritário é pela possibilidade de manifestações díspares. a independência funcional preconiza que os membros do Parquet. Tais recomendações podem ser de cunho administrativo ou mesmo de cunho institucional. mas somente à sua consciência. Do princípio ora em análise. Questão controvertida versa sobre a possibilidade de um membro do Ministério Público recorrer de uma sentença que tenha acolhido o pedido de absolvição de outro promotor. fundamentar suas manifestações processuais (art. A sentença acolhe o pedido do Ministério Público. VIII. apela. FGV DIREITO RIO 146 .

MP. 74 75 “O Promotor ou procurador não pode ser designado sem obediência ao critério legal a fim de garantir o julgamento imparcial e isento. Min.HC 80.Resp.666RJ – Rel. Vinculação de pronunciamento de seus agentes. de forma expressa. apesar de com ela se ter posto de acordo Promotor de Justiça.” Vide STF . o que foi acolhido na sentença de pronúncia. lhe garantiu autonomia financeira.Celso de Mello. Min.” (RSTJ 39/461) FGV DIREITO RIO 147 . de fato. não merecendo abrigo a tese de falta de interesse processual.75 72 GARANTIAS INSTITUCIONAIS STF . provendo o recurso da defesa.inf. editar atos relativos ao seu quadro de pessoal. Princípio da Unidade e da Indivisibilidade. 73 Especificamente. incompatível com a pretensão de que a concordância do Promotor com a apelação vinculasse os órgãos da Instituição que oficiem junto ao Tribunal.73” PRINCÍPIO DO PROMOTOR NATURAL Similar ao princípio do juiz natural. com propósitos políticos e pouco recomendáveis. como ocorre com o juiz natural. O réu tem direito público subjetivo de conhecer o órgão do Ministério Público que vai lhe acusar. prover seus cargos diretamente. Sepúlveda Pertence .6ªTurma. STJ .Rel. inclusive provendo seus cargos e os de seu serviço auxiliar. um outro membro do Parquet que o substitui no processo pode interpor recurso pugnando para que se preserve a acusação inicial. efetuadas pela chefia da instituição. podendo. portanto. constitucionalmente tutelado no art. o princípio do promotor natural procura repelir. 20. da CRFB.315-SP. de modo a inibi-los de interpor recurso especial contra decisão que. estruturar-se na forma prevista na respectiva lei orgânica.Vicente Leal.HC 67759/RJ. desclassificou a infração. a partir da vedação de designações casuísticas. quanto a tutelar a própria coletividade. a quem reconhece o direito de ver atuando em quaisquer causas apenas o promotor cuja intervenção se justifique a partir de critérios abstratos e predeterminados estabelecidos em lei. O Artigo 127 § 2° da Constituição prevê que o Ministério Público goze de autonomia funcional e administrativa. em relação ao Ministério Público.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “I.72” “se um representante do MP manifestou-se na fase de alegações finais em prol da exclusão de qualificantes.97: “Processo Penal. bem como pelo Superior Tribunal de Justiça. 92.206. XXXVII e LIII. na medida em que lhe assegura a inamovibilidade. implicitamente.Min. A independência funcional é. A Lei nº 8625/1993 — Lei Orgânica Nacional do Ministério Público — em seu artigo 3º fez referência expressa à autonomia nessas três vertentes. Tal princípio é reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal. Antes de ser uma prerrogativa institucional.05. a figura do “acusador de exceção”. que proverá a Justiça sem odiosas discriminações74.2000 . Consagra uma garantia da ordem jurídica destinada tanto a proteger o membro do Parquet. a autonomia funcional e administrativa e. Ministério Público: Sucumbência no provimento da apelação da defesa. Alcance. Inexistência. a Constituição Federal assegurou. Rel. 5º. tal princípio é direito inalienável do cidadão de se ver processado por membro do Ministério Público isento e imparcial.

traduz-se na prerrogativa que o órgão possui de elaborar sua proposta orçamentária. cabendo ao Ministério Público promovê-la.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO enfim. diferentemente do tratamento conferido ao Poder Judiciário (Artigo 99 da CF). Código Penal Interpretado. à autonomia administrativa prevista na própria Constituição. a hipótese da ação penal ser promovida pelo próprio ofendido ou por quem tenha qualidade para representá-lo. baniu de nosso ordenamento os procedimentos penais ex officio. §4º e §5º. Teria havido alguma restrição ao Ministério Público face ao tratamento diferenciado? Entendemos que não. Há casos. Sem essa iniciativa. ainda. confundindo-se com a própria essência do Ministério Público. reger seus destinos sem qualquer vinculação a outro Organismo ou Poder. São Paulo: Atlas. assim como o Judiciário. no § 3º do Artigo 127. Com efeito. É a ação penal de iniciativa privada. optou por conferir à Instituição. revogando o artigo 26 do CPP e todas as leis especiais que permitiam a instauração da ação penal pública. a nomeação do procurador-geral é realizada pelo chefe do Poder Executivo. I. expressamente previstos em lei78. é de iniciativa pública incondicionada. da Constituição Federal. respectivamente. “A ação penal que depende de representação. a destituição do procurador-geral é deliberada pelo Legislativo. 24 do CPP. como consectário da autonomia funcional e administrativa. A ação penal. Há. as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público. Há limitações. 78 79 Art. Júlio Fabbrini. a Carta Magna. Há que se fazer menção. 525 FGV DIREITO RIO 148 . e o membro da Instituição vitalício somente pode perder o cargo por força de sentença judicial transitada em julgado76. §3º. reclama manifestação de vontade do ofendido para atuação do Ministério Público. em regra. No que concerne à autonomia financeira. em que a iniciativa do Ministério Público dependerá da representação do ofendido79 ou da requisição do Ministro da Justiça. prevendo sua gestão financeira anual. entretanto. A Carta Magna. ainda. “onde ocorre uma espécie de substituição processual. em que se defende interesse alheio em nome próprio”. com o apoio de Alexandre de Moraes77. ao deferir privativamente ao Parquet o monopólio da persecução penal. sem denúncia do Parquet ou queixa. Constituição do Brasil Interpretada. prevista no artigo 128 § 5º da Carta Magna. dentro dos limites estabelecidos na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Competências e principais atribuições constitucionais A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA ÁREA PENAL Sem sombra de dúvida. a ação penal nasce com vício insanável. 1999. legitimando o respectivo procuradorgeral a deflagrar o processo visando a estabelecer a organização. independentemente da manifestação da vontade de qualquer um que seja. A Instituição está imune a qualquer influência externa no exercício de sua atividade finalística. p. 1523. A autonomia financeira. p.80 76 Artigo 128. nas hipóteses legais. onde o termo é expressamente previsto. a iniciativa de elaboração de sua proposta orçamentária. a autonomia legislativa. 77 MORAES. Alexandre de. a. a persecução penal é uma das mais importantes atribuições ministeriais.” (RSTJ 106/436) 80 MIRABETE.

cabendo-lhe. conforme o Artigo 81 do CPC.8560/92. pátrio poder. III — nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte. interdição. L.7853/89. de acordo com o Artigo 82 do CPC. o Ministério FGV DIREITO RIO 149 . seja ela como órgão agente ou interveniente. existem algumas prerrogativas processuais inerentes ao munus público desempenhado.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA ÁREA CÍVEL A atuação ministerial no âmbito cível não pode ser estudada dissociada dos artigos 81 e 82 do Código de Processo Civil: “Art. tutela. embora inúmeros autores o façam. O Ministério Público exercerá o direito de ação nos casos previstos em lei. 127). curatela.” Tendo em vista os mencionados dispositivos. está disposta em três hipóteses de intervenção do Parquet. é importante observar que a intervenção ministerial por força do artigo 82 do CPC não pode ser equiparada ao que a doutrina convencionou chamar de funções custos legis. cumpre fazer uma crítica ao art. quando afirma que os poderes e ônus do Parquet são idênticos aos das demais partes na relação processual. II — nas causas concernentes ao estado da pessoa. qualquer que seja a atuação ministerial. qualquer que seja a sua participação processual.129. L. diante da hipossuficiência dos incapazes. infere-se que a atuação do Parquet no processo civil pode ser sintetizada em duas hipóteses: quando exerce o direito de ação. a intimação pessoal e o prazo em dobro. II e III da CRFB). L. no processo. Muita divergência há na doutrina quanto à natureza dessa intervenção. 7347/85.8069/90 etc. Ora.). declaração de ausência e disposições de última vontade. 81. eis que a correta aplicação da lei deve ser verificada pelo membro da Instituição. 81 do CPC. será órgão agente e nos casos enumerados no artigo 82 do CPC. como por exemplo. L. 82. A atuação do Ministério Público como órgão interveniente. Art. atuará como órgão interveniente. L. codificados ou não (vide CC/2003. A atuação ministerial como órgão agente advém de dispositivo constitucional (art. dentre outros. Preliminarmente. conforme mandamento constitucional (CF. casamento. Art. bem como de inúmeros textos legais. que diferem o Parquet das demais partes. os mesmos poderes e ônus que às partes. Para alguns. CPC.8429/92. Nesse contexto. Compete ao Ministério Público intervir: I — nas causas em que há interesses de incapazes. O inciso I determina a intervenção quando houver interesse de incapazes na causa.

p. 384. no sistema de provedoria de fundações. 254:205-06. hipótese que torna obrigatória a intervenção do Ministério Público. “O Ministério Público e o interesse público no Processo Civil. nas Promotorias de Família. o exercício regular deste poder discricionário. III do Código de Processo Civil. uma posição temperada83 afirma que o Ministério Público pode ter opinião livre não podendo. V. Revista do Processo. Por derradeiro. ou seja. 1983. diversamente dos incisos I e II. portanto. note-se que a primeira parte do dispositivo faz alusão a litígios coletivos pela posse de terra rural. como arguição de prescrição. Como não há norma disciplinando tais hipóteses. discricionariamente84. O controle externo permite ao Ministério Público buscar um trabalho policial dedicado e bem conduzido. Comentários ao Código de Processo Civil.. 735. na Promotoria de Fazenda Pública.1 Hugo Nigro Mazzilli. por força da aplicação subsidiária de suas normas. 378 Tornagui. para que sejam fornecidos subsídios capazes de gerar a justa causa necessária para o desencadeamento da ação penal pública. vez que não enumera as hipóteses de intervenção. Ao Judiciário cabe. tomar qualquer medida judicial em desfavor do incapaz. Já na segunda parte. a atuação do Ministério Público é apenas fiscalizatória. ob. No mesmo sentido. A interpretação do Artigo 82. RF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Público intervém para reequilibrar o contraditório81. em seu artigo 9º. Propugna pela correta aplicação da lei. 1. Hélio. No que concerne ao inciso II do art. “O Art. entendendo que não há discricionariedade do órgão do Parquet mas mera aferição ou não da existência do interesse público. É oportuno asseverar que tal controle 84 85 FGV DIREITO RIO 150 .” Arruda Alvim. Celso Agrícola Barbi. prevista no Artigo 80 da LONMP. entretanto. submetendo sua decisão ao crivo do Judiciário. Regime Jurídico do Ministério Público. ob cit. Rio de Janeiro: Forense. O dispositivo assume vital importância. valendo lembrar sua incidência imediata em relação a todos os Ministérios Públicos Estaduais. ao nível da legalidade. fazendo menção genérica a tal dispositivo. tão somente determinando a atuação ministerial em caso de evidência de interesse público. 82. em todas as causas e hipóteses ali descritas. 1. o dispositivo é mais abrangente. A Lei Complementar Estadual nº 106/2003 (LOMPRJ) também regulou a matéria. em seu artigo 36. 381. Para outros. Por fim. por exemplo. Vol.85 a quem competirá tão somente aferir a legalidade. O titular deste poder discricionário é o Ministério Público. Milton Sanseverino. Atividade do Ministério Público no Processo Civil. dentre outros. 3ª ed. III é norma discricionária. na Promotoria da Infância. decidir se deverá ou não intervir. v. há consenso na doutrina de que a intervenção possui natureza fiscalizatória. 10/72. p. p. eis que os artigos 84 e 246 do CPC preconizam a nulidade de qualquer feito. sendo bastante variada as áreas onde atua. Celso Agrícola. Juventude e Idosos. a ser demonstrado em Juízo. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. 82 Controle Externo da Atividade Policial 83 Função ministerial geradora de controvérsias é o controle externo da atividade policial. 81 Barbi. ainda que isso signifique opinar contra o interesse da parte menor de idade82. 3:139-41.1. seja pela natureza da lide ou pela qualidade da parte. nas Promotorias das massas falidas e liquidações extrajudiciais. Estas são as formas de intervenção do Ministério Público na área cível. A Lei Complementar nº 75/1993 (LOMPU). cit. Comentários ao Código de Processo Civil. caberá ao Ministério Público. p. veio disciplinar a matéria. 281 e Alcides Mendonça Lima. como. controlar o exercício deste poder. Contra: Antonio Cláudio Costa Machado. v. enumerando. Revista de Processo.82. desvinculada dos interesses do incapaz. em relação ao inciso III. por exemplo. face a não intervenção do Ministério Público.

Naturalmente que. 1996. polícia ferroviária federal. polícia civil. na medida em que antes de tudo são para ele voltadas. no âmbito do Ministério Público. quer para algum indivíduo em particular (que se torne vítima de alguma forma de abuso de poder ou autoridade). eventuais desvios de conduta das autoridades policiais e seus agentes e abuso de poder. 80 da Lei nº 8. quando do exame dos procedimentos que lhes forem atribuídos) ou através do controle concentrado (membros com atribuições específicas para o controle externo da atividade policial. Pedro Roberto. tão importante função ministerial afirmando que “o termo “controle” tem aqui o sentido de acompanhamento. 184. e não de subordinação hierárquica. civil ou militar. 87 FGV DIREITO RIO 151 . polícia militar e corpo de bombeiros militares). à qual seja atribuída parcela de poder de polícia. a resolução dispôs em seu artigo 1º a respeito dos sujeitos passivos dessa atividade fiscalizadora do Ministério Público. quer representem prejuízos para a coletividade (porque eventualmente não se apura crime ocorrido). incumbe ao membro do Ministério Público. o controle externo da atividade policial. I. polícia rodoviária federal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO possui índole técnica e tem por objetivo apurar omissões. Cuida-se de possibilitar o acesso do Ministério Público a todas as atividades-fim exercidas pela polícia. com acerto. bem como as polícias legislativas ou qualquer outro órgão ou instituição. orientação. p. 9º da Lei Complementar nº 75/93 e o art.” Em maio de 2007 o Conselho Nacional do Ministério Público editou a Resolução nº 20 regulamentando o art. conforme disciplinado no âmbito de cada instituição).625/93. observação. No exercício de suas atribuições rotineiras na fiscalização da atividade policial. São eles não só os organismos policiais relacionados no artigo 144 da CF (polícia federal. a) havendo fundada necessidade e conveniência. em especial as de polícia judiciária. aos documentos relativos à atividade-fim policial. cabe também ao Ministério Público verificar a ocorrência de eventuais desvios no exercício das funções da polícia. Pedro Roberto Decomain86. instaurar procedimento investigatório referente a ilícito penal que tenha ocorrido no exercício da atividade policial. Os órgãos do Ministério Público. bem como aos presos a qualquer momento87. disciplinando. no exercício das funções de controle externo da atividade policial têm livre acesso aos estabelecimentos prisionais. Duas são as formas de se exercer o controle em estudo: através do controle difuso (por todos os membros do Ministério Público com atribuição criminal. Florianópolis: Editora Obra Jurídica. Comentários à Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. tomando as providências que a hipótese possa recomendar para que tal situação tenha fim. define. no exercício desse controle. Artigo 5º. b) ins- 86 DECOMAIN. II e VII da Resolução nº 20 do CNMP. relacionada com a segurança pública e persecução criminal. Inovando a legislação até então existente acerca do assunto.

muito se discutiu sobre a necessidade de haver um controle externo da entidade. ao qual se aplicam. os mesmos comentários feitos em relação ao Conselho Nacional de Justiça. FGV DIREITO RIO 152 . Não é possível tratá-los. para fins de investigação criminal. Também não se encontra inserido na estrutura de nenhum dos Poderes Estatais. d) encaminhar cópias dos documentos ou peças de que dispõe ao órgão da instituição com atribuição para a instauração de inquérito civil público ou ajuizamento de ação civil por improbidade administrativa. como se fossem sinônimos. ilegalidades ou abuso de poder relacionados com a atividade de investigação criminal. nem ao Poder Judiciário e nem ao Poder Legislativo. porém. quer da União. a celeridade. com algumas ressalvas. §§ 1º. e buscar superar as falhas na produção da prova. A Emenda Constitucional nº 45 criou o Conselho Nacional do Ministério Público. cabe ressaltar não se tratar de órgão que integra o Ministério Público. Carlos Ayres). CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO Tendo em vista a independência e a autonomia do Ministério Público. a fim de evitar eventuais abusos cometidos por seus membros. Trata-se de mais uma inovação na linha evolutiva dos tradicionais mecanismos de checks and balances que permeiam as relações entre os órgãos de soberania. inclusive técnica. o aperfeiçoamento e a indisponibilidade da persecução penal. ou seja. quer dos Estados. para a prevenção da criminalidade. É um órgão de “extração constitucional” (Min. o controle externo da atividade policial pelo Ministério Público tem como objetivo a constatação da regularidade e adequação de procedimentos empregados na realização da atividade de polícia judiciária. a prevenção ou a correção de irregularidades. é órgão constitucional autônomo dissociado dos Poderes do Estado. O CNMP difere em alguns aspectos peculiares. devendo o Parquet atentar. de forma similar ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. O CNMP. deriva da própria Constituição e não está vinculado nem ao Poder Executivo. bem como a integração das funções do Ministério Público e da Polícia judiciária voltada para a persecução penal e o interesse público. a finalidade. nesta atividade. c) apurar as responsabilidades decorrentes do descumprimento injustificado das requisições que tenha feito.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO taurar procedimento administrativo visando sanar as deficiências ou irregularidades detectadas no exercício do controle externo da atividade policial. Composição do CNMP Conforme disciplina o Artigo 130-A da Constituição Federal: 88 Artigo 4º. 2º e 3º da Resolução nº 20 do CNMP. Inicialmente.88 Em suma.

admitida uma recondução. ou recomendar providências. enquanto o MPU tem cinco representantes no Conselho. de ofício ou mediante provocação. Atribuições do CNMP “Art. indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal” Trata-se de uma composição híbrida. 130-A. IV — dois juízes. III — receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público da União ou dos Estados. 130-A (. cabendo-lhe: I — zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público. podendo avocar processos disciplinares em curso.. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de quatorze membros nomeados pelo Presidente da República. o MPE. para um mandato de dois anos. determinar a remoção. a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas. De fato. III — três membros do Ministério Público dos Estados. inclusive contra seus serviços auxiliares. II — zelar pela observância do art.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “Art. assegurada ampla defesa. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. podendo desconstituí-los. sem prejuízo da competência dos Tribunais de Contas. a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados. havendo nítido desequilíbrio entre o Ministério Público da União e os Ministérios Públicos Estaduais. indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. podendo expedir atos regulamentares. VI — dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. II — quatro membros do Ministério Público da União. tem apenas três representantes. assegurada a representação de cada uma de suas carreiras. sem prejuízo da competência disciplinar e correicional da instituição. no âmbito de sua competência.) § 2º Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros.. sendo: I — o Procurador-Geral da República. 37 e apreciar. revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. indicados um pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior Tribunal de Justiça. FGV DIREITO RIO 153 . dentre os 26 Ministérios Públicos Estaduais do Brasil. que o preside. V — dois advogados.

Poderá ainda. bem como requisitar e designar membros do Ministério Público ou servidores. portanto. XI. e sendo competência do CNMP zelar pela legalidade dos atos administrativos dos membros do Ministério Público da União e dos Estados (Artigo 130-A. proposto a criação de 10 cargos de confiança. parágrafo 2º. que são a remoção. Sua atividade é instrumental e não finalística. os processos disciplinares de membros do Ministério Público da União ou dos Estados julgados há menos de um ano. §2º. III. cabendo-lhe o recebimento e a colheita de informações para fins de submissão ao conselho. Ressalve-se que as sanções aplicáveis ao membro do Ministério Público pelo conselho não abrangem a perda do cargo. V — elaborar relatório anual. propondo as providências que julgar necessárias sobre a situação do Ministério Público no País e as atividades do Conselho. no exercício de suas funções. atuando conforme sua iniciativa legislativa. III).” Essas são as atribuições constitucionalmente conferidas ao Conselho Nacional do Ministério Público. Tendo em vista o relatado. órgão com atribuição para valorá-las e decidir. II da CR/88). da qual participarão todos os integrantes do Conselho Nacional.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO IV — rever. a disponibilidade e a aposentadoria (Artigo 130. As atribuições do corregedor estão voltadas às atividades de cunho disciplinar e correicional. não abrangendo. O relacionamento do CNMP com as instituições controladas tem natureza preventiva no que concerne a autonomia financeira e repressiva quanto à autonomia funcional e administrativa. delegando-lhes atribuições para a apuração das reclamações e denúncias. O constituinte derivado preocupou-se em enumerar exaustivamente as sanções aplicáveis pelo conselho. A escolha será feita por votação secreta. CASO DE SEDIMENTAÇÃO O Conselho Nacional do Ministério Público recebeu uma reclamação anônima narrando o fato de ter o Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. a perda do cargo. o qual deve integrar a mensagem prevista no art. sem submeter a proposta ao Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça como determina a Lei nº 8625/1993. de ofício ou mediante provocação. desconstituiu o ato e aplicou uma sanção administrativa ao chefe da InstiFGV DIREITO RIO 154 . Artigo 10. 84. realizar inspeções em qualquer dependência do Ministério Público da União ou dos Estados. Corregedor Nacional do Ministério Público Um dos integrantes do conselho será escolhido para atuar como Corregedor Nacional do Ministério Público.

consoante determinado pela LONMP em seu Artigo 38 § 1º. A LC Estadual nº 106/2003 acresceu mais uma hipótese a este rol: a prática de FGV DIREITO RIO 155 . § 5º. consoante comando insculpido no Artigo 53. porque somente poderá ser quebrada mediante processo judicial. previstas no artigo 128. Enquanto não vitaliciado. licenças ou afastamentos. prerrogativas e responsabilidades dos membros do Ministério Público. então. o Promotor de Justiça somente poderá perder o cargo. o constituinte outorgou aos membros do Ministério Público três garantias. “a” a “c” da CRFB. Isto não ocorre após o vitaliciamento quando. §5º. A vitaliciedade dos membros do Parquet. prevista no Artigo 41 da Carta Magna. assegurada a ampla defesa no procedimento administrativo. caput. dentro de determinadas hipóteses previstas em lei. I. não computados quaisquer períodos de férias. preconizada no Artigo 128. por sentença judicial proferida em ação civil própria e transitada em julgado. é. senão por sentença transitada em julgado. Pergunta-se: Foi legal a atuação do CNMP? ESTATUTO FUNCIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO Passemos agora ao estudo das Garantias. o promotor de Justiça pode perder o cargo mediante manifestação voluntária (pedido de exoneração) ou ser demitido em processo administrativo disciplinar.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO tuição (suspensão por três dias). o membro da instituição deverá contar com dois anos de exercício efetivo. que agora serão analisadas: A VITALICIEDADE É a impossibilidade de perda do cargo após dois anos de efetivo exercício. Vedações. Garantias dos membros do Ministério Público A par das garantias institucionais. I “a” da CF difere da estabilidade garantida aos servidores públicos. perderá o cargo somente por decisão judicial transitada em julgado. após três anos de efetivo exercício. da LONMP. exercício da advocacia e prática de crime incompatível com a função. com decisão trânsito em julgado. se ocorrerem quaisquer das seguintes hipóteses: abandono do cargo por mais de trinta dias corridos. isto. Após ser vitaliciado. para alcançar a vitaliciedade. visando o pleno e independente exercício das funções ministeriais. Deve-se ressalvar que.

cabendo recurso de tal decisão ao Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça (Art. X e XI. vedado o acréscimo de qualquer gratificação. os crimes considerados incompatíveis com o exercício funcional. Por não ser uma garantia de caráter absoluto. abono. §4º dispõe ser o subsídio uma remuneração exclusiva. 12. impedindo até a própria promoção sem a prévia aquiescência. A IRREDUTIBILIDADE DE SUBSÍDIOS A irredutibilidade de subsídios foi outorgada aos membros do Ministério Público pela Carta de 1988. VIII da LONMP c/c 22 V da LC 106/03). I. Assim. XLIII da Carta Magna. a inamovibilidade pode ser afastada por decisão da maioria absoluta dos membros do Conselho Superior do Ministério Público. há que se obedecer. verba de representação ou outra espécie remuneratória. em caso de interesse público (remoção compulsória). em seu artigo 39. 134. FGV DIREITO RIO 156 . é a impossibilidade de se remover um membro da Instituição do órgão onde esteja lotado. sem sua manifestação voluntária. assegurada ao membro do Parquet a ampla defesa e o devido processo legal (Arts 15. os que importem lesão aos cofres públicos e aqueles previstos no Artigo 5º. E o que vem a ser subsídio? A Constituição Federal. após manifestação do órgão colegiado competente. preconizada no Artigo 128 § 5. adicional. imunidade às eventuais retaliações dos governantes no que concerne à diminuição de sua remuneração. contra a administração e fé pública. II da LONMP c/c 79. “b” da Carta Magna e disciplinada nos Artigos 38. A razão da irredutibilidade de vencimentos ou subsídios emerge da necessidade de se garantir ao membro do Parquet. em qualquer caso. nos § 3º e 4° do aludido Art. em decorrência da Lei Federal n° 8. que não havia sido prevista na LONMP. salvo motivo de interesse público. para o bom desempenho de suas relevantes funções institucionais. Inovou também a legislação estadual ao estipular. II da LC nº 106/2003. fixada em parcela única. Para tanto. os Artigos 37.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO improbidade administrativa. a ensejar a perda do cargo do promotor vitaliciado. A INAMOVIBILIDADE A inamovibilidade. são considerados incompatíveis com o exercício do cargo os crimes dolosos contra o patrimônio. prêmio. VIII “d” da LONMP c/c 74 § único da LC 106/03).429/1992.

local do cometimento do crime. pelo órgão definido para tanto pelo regimento interno da Corte. só havendo exceção na hipótese de crime eleitoral. perante o STF (Art. pelo presidente do TJ e o julgamento do procurador geral da República. III. I. A CF. XIV da Constituição Estadual. mesmo que cometa crime de competência da Justiça Federal89. Ocorre que. Homicídio praticado por Promotor de Justiça. consoante o artigo 99. o juiz natural do membro do Ministério Público Estadual (promotor ou procurador de Justiça) será o Tribunal de Justiça do Estado onde estiver vinculado. I “b” da CF). V da LC 106/03.558/ES) “HC.112-1/MG –Min. III)”(STFPleno –HC nº 77. 89 “Compete aos Tribunais de Justiça o julgamento de juizes estaduais. Vale ressalvar que tal garantia é de ordem absoluta. Juliana praticou um ato de improbidade administrativa (Lei nº 8429/1992). é processado e julgado originariamente. O procurador-geral da República. que o foro especial cessa quando o membro do Ministério Público se aposenta. a Assembléia Legislativa do Estado. No Rio de Janeiro. I. excepcionalmente. que será feito no Senado Federal e presidido pelo presidente do STF (art. Art. Juliana logrou êxito em ser aprovada nas provas e tomou posse como promotora de Justiça substituta no dia 10 de maio de 2004. 102. atuando conforme os princípios reitores da Instituição. na mesma hipótese. regra geral do Direito processual. CASO DE SEDIMENTAÇÃO Tendo prestado concurso público para ingresso no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.”(STF – 1ª Turma – HC 73. Trata-se de exceção do princípio do “locus delicti comissi”. que será presidida. já que a garantia é destinada ao cargo e não ao seu ocupante. “a” da CRFB) de sua região. Assim. nas infrações penais comuns. Há ainda duas questões interessantes sobre a matéria: o crime de responsabilidade praticado pelo procurador-geral de Justiça. que tem por juiz natural. sem que ainda houvesse sido oficialmente vitaliciada pelo Conselho Superior do Ministério Público. IV da LONMP c/c 81. no dia 20 de maio de 2006. Durante o tempo em que esteve submetida ao estágio probatório. por sua vez. Ressalte-se. em seu artigo 96.: Ilmar Galvão) 90 FGV DIREITO RIO 157 . Militar ou ainda crime doloso contra a vida90. Competência originária do Tribunal de Justiça. Ressaltese que os membros do Ministério Público da União possuem foro especial no STJ (artigo 105. outorgada também pelos artigos 40. por oportuno. outorga aos membros do MP Estadual o foro por prerrogativa no TJ do Estado onde estiver vinculado.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO FORO ESPECIAL Outro predicado constitucional dos membros do Parquet é o do foro especial por prerrogativa de função. II da CRFB). mesmo que acusados de crime de competência da Justiça Federal (CF. 52. Juliana entregou regularmente os relatórios exigidos ao CEJUR (Centro de Estudos Jurídicos). “a” da CRFB) ou nos TRFs (artigo 108. a competência é do Órgão Especial. quando o promotor será julgado no TRE onde estiver vinculado. 96.

430/SP. 159. mediante processo administrativo. Outra vedação ao membro do MP (Art. sendo seguida. consoante os Artigos 128 § 5º. antiga Lei orgânica do Ministério Público Fluminense (Art. Ressalvese que o Artigo 29 § 3º do ADCT resguardou aos membros do Ministério Público Estadual o direito à advocacia. honorários. somente passaram a ter a restrição com o advento da Carta Magna. II. de 07 de novembro de 1997. devendo o montante ser creditado ao Fundo Especial do Ministério Público (Lei estadual nº 2. A prática da advocacia. 44. e Juliana veio a perder o cargo no dia 10 de junho de 2006. Pergunta-se: Agiu corretamente o Conselho Superior? As vedações constitucionais dos membros do Ministério Público PERCEPÇÃO DOS HONORÁRIOS OU VERBAS EQUIVALENTES Ao membro do Ministério Público é vedado auferir a qualquer título ou pretexto. pela LC 28/82. Isto porque a primeira lei orgânica do Ministério Público Estadual já vedava esta atividade. III da LC 106/03) é a de exercer o comércio ou 92 FGV DIREITO RIO 158 . 91 PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADES COMERCIAIS Inclusive verba honorária. já que sua remuneração consiste nos vencimentos ou subsídios. se ingressos na Instituição antes do advento da LC 40/8192. No que concerne à sucumbência obtida em ações por ele ajuizadas91. 128 § 5º. para o membro vitalício do Parquet enseja a perda do cargo. III da LONMP e 119. consoante previsto no Artigo 38 § 1º. “c” da CF c/c Arts. Confirase Informativo STF nº 120. VIII) que apenas ressalvava o direito aos já inscritos em 15 de Dezembro de 1981. como anteriormente visto. que reitera a norma transitória do Artigo 29 § 3º do ADCT. que não possuíam qualquer vedação em seus respectivos estatutos. Agravo em Agravo Regimental 189. porcentagens ou custas processuais. II. respeitada a ampla defesa e o contraditório.819. Confira-se o Artigo 165 da LC 106/03. EXERCÍCIO DA ADVOCACIA O exercício da advocacia é vedado aos membros do Ministério Público. art. “b” da LC 106/03. daquele não vitalício. rel. gerando a demissão. destinado ao aperfeiçoamento institucional do Ministério Público. Min. inciso XII). a Instituição — e não seu membro — pode cobrá-la. “b” da CF. neste mister. II da LONMP c/c 134 I. Sepúlveda Pertence. Note-se que os membros do Ministério Público da União. 4o.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Tendo em vista o ocorrido. foi instaurado um processo administrativo disciplinar.

sem dispêndio de qualquer esforço gerencial ou de direção. os membros do Ministério Público podiam. As prerrogativas As prerrogativas dos Membros do Ministério Público encontram previsão legal. entretanto. salvo um magistério. Desta forma. O intuito da vedação é afastar o membro do Parquet das atividades estranhas ao exercício funcional. O constituinte vedou de forma absoluta a atividade políticopartidária por membro do Ministério Público. A PRISÃO E A INVESTIGAÇÃO DO MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO A Lei 8625 estabelece que o membro do Ministério Público somente poderá ser investigado. na verdade. em seu Artigo 128 § 5º. no entanto. EXERCÍCIO DE OUTRA FUNÇÃO PÚBLICA A Constituição Federal. nos casos previstos em lei. nos artigos 40 a 42 da LONMP e nos artigos 81 a 83 da LC 106/2003. na qualidade de mero capitalista. permitindo. cabe ressalvar que as prerrogativas não são privilégios outorgados aos membros do Parquet. respectivamente. exercer atividade político-partidária. para a condição de quotista ou acionista sem. Há ressalva. em detrimento do exercício daquelas funções institucionais deferidas ao Parquet. ATIVIDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA Até o advento da Emenda Complementar nº 45/2004. pelo Procurador Geral de Justiça. constituem atributo com a finalidade de assegurar o pleno exercício das funções institucionais deferidas pela Carta Magna. Não há mais a ressalva constitucional.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO participar de sociedade mercantil. veda ao membro do Ministério Público o exercício de qualquer outra função pública. em caso de conduta delituosa. Para tanto. mesmo pública. II “d”. Inicialmente. uma série de requisitos e prazos deveriam ser obedecidos. A Emenda 45 inovou totalmente o tema. salvo um magistério da mesma natureza. mas. se no curso da investigação surgem indícios de que FGV DIREITO RIO 159 . poder de gestão. entretanto que participe de atividades empresariais. A essência da vedação é evitar que o membro do Ministério Público possa desempenhar qualquer outra atividade.

Assim. Com efeito. portanto. mas. ao Procurador Geral de Justiça. Poderá o PGJ oferecer denúncia em face do membro do parquet. Já no caso do promotor não pagar a pensão alimentícia devida ou for depositário infiel. certificada pelo escrivão. remetê-lo ao Tribunal de Justiça e apresentar o membro do Parquet ao procurador geral de Justiça. INTIMAÇÃO PESSOAL DAS DECISÕES A intimação pessoal do membro do Ministério Público está prevista nos artigos 41. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era pacífica nesse sentido. não se tratando de atributo pessoal. sob pena de prática de abuso de autoridade (art. 41. 3º. O feito é distribuído para um desembargador do órgão especial do Tribunal de Justiça para servir de juiz natural à causa. um plus no que concerne à validade do flagrante. §único da LONMP FGV DIREITO RIO 160 . A intimação deveria se dar mediante a entrega dos autos. determina).93 A investigação prosseguirá por parte do procurador-geral de Justiça. ou determinar o arquivamento (não requer. poderá ser preso pelo juiz da vara de família ou da vara cível. cabe à autoridade policial lavrar o auto de prisão em flagrante. sendo cabível o relaxamento da prisão. entendia-se que a prerrogativa da intimação pessoal só era aperfeiçoada com o “ciente” do promotor. IV da LONMP e no artigo 82.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO quem cometeu o ilícito foi um Promotor. com vista. A lei determina. Antigamente. Nesta hipótese. Pode ocorrer também a prisão em flagrante na hipótese de crimes inafiançáveis. mas recentemente houve alteração no entendimento da Corte. não podendo mais continuar nas investigações. sendo dele a competência para julgar o promotor. mas de cunho institucional. imediatamente. “j” da Lei nº 4898/1965). somente um desembargador integrante do Órgão Especial poderá mandar prender o promotor de Justiça. deve a autoridade policial remeter os autos. o membro aposentado não pode utilizá-lo. A prisão do membro do MP pode se dar por ordem judicial proferida por autoridade competente. A prerrogativa de ser investigado apenas pela chefia institucional não pode ser estendida aos membros aposentados do Parquet. III da LC nº 106/2003. a autuação é feita imediatamente. a apresentação do promotor de Justiça ao procurador-geral é indispensável para a regularidade do instrumento flagrancial. QUEM É A AUTORIDADE JUDICIÁRIA COMPETENTE? Se for uma decisão criminal. A não apresentação no prazo hábil acarretará a perda da condição coercitiva de liberdade do instrumento flagrancial. no que concerne ao cômputo do pra- 93 Conforme art. Não bastava a entrada do processo no escaninho destinado ao Ministério Público na secretaria da vara ou mesmo nas dependências do Ministério Público.

sentiu-se muito orgulhosa pela atuação do MP contra a corrupção. A entrega dos autos com vista continua em vigor. • Os políticos envolvidos no escândalo de corrupção propuseram ação de responsabilidade civil contra os dois procuradores da República (pessoalmente) buscando elevados valores de indenização pelos danos morais decorrentes da publicação das informações. A intimação continua se realizando por meio da entrega dos autos com vista ao promotor. como se dava anteriormente. B. o que alegaria na ação proposta. o ciente do promotor de Justiça. onde foram analisadas as diligências já realizadas pelo MP e os elementos de prova até então recolhidos. e em todos seus vizinhos. a velhinha de Taubaté. Reacendeu-se nela. duas situações ocorreram: • Uma assídua leitora do jornal. prerrogativa esta que independe de qualquer ato formal de licença ou autorização. Não está se exigindo mais. Após a publicação das declarações prestadas. após conhecer o trabalho que o MP vinha desenvolvendo. a esperança de que a impunidade e a corrupção no Brasil estão sendo combatidas com vigor.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO zo processual. PORTE DE ARMA Dispõe o artigo 42 da LONMP sobre a licença legal para porte de arma que gozam os membros do Ministério Público. O que o STF mudou foi o cômputo do prazo processual. FGV DIREITO RIO 161 . A. Ocorre que. considera-se como iniciado o cômputo do prazo processual no momento em que os autos ingressam na secretaria da Promotoria de Justiça.Na qualidade de advogado dos Políticos. o que você alegaria em resposta à ação proposta.Na qualidade de advogado dos Procuradores da República. para o início do prazo. CASO DE SEDIMENTAÇÃO Lei da Mordaça — O MP pode falar com a imprensa? Dois procuradores da República que investigam corrupção no governo federal foram procurados por jornal de grande circulação para dar entrevista acerca do caso. que para a nova tendência jurisprudencial inicia-se na data que o feito tiver ingressado nas dependências do Ministério Público.

balizas e preceitos que devem ser obrigatoriamente obedecidos pelos diversos Ministérios Públicos locais. 5º da CF). obedecido o critério constitucional. a Instituição é dividida. parágrafo 1º da Carta da República). admitida sua recondução ao cargo. que estabelece parâmetros. para mandato de dois anos. dentre os integrantes da carreira maiores de 35 anos. o Ministério Público Militar e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. que se encontra disciplinado na LC 75/93 e que abrange o Ministério Público Federal.128. aos Ministérios Públicos Estaduais. par. 128. regidos por uma Lei Orgânica de cunho nacional (Lei nº 8625/1993 — LONMP). Art. mediante autorização do Senado Federal. Cada Ministério Público Estadual possui ainda uma Lei Orgânica própria. no exercício de sua investidura “pro tempore”. respeitado é claro. das normas previstas na Lei Orgânica do Ministério Público da União (LC nº 75/1993). em duas grandes vertentes: O Ministério Público da União. §5º).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO A ESTRUTURA LEGISLATIVA E ORGANIZACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO Como já visto. Ressalve-se que o procurador-geral da República pode ser integrante de qualquer uma das quatro carreiras que integram o Ministério Público da União. pelo Artigo 128 da Carta Maior. consubstanciada formalmente em Lei Complementar Estadual. escolhido livremente pelo presidente da República. com a chancela do Senado Federal. MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO O Ministério Público da União é chefiado pelo Procurador-Geral da República. numa clara demonstração do legislador da existência de um pensamento institucional monolítico a nível nacional acerca do Parquet.128. por maioria absoluta de seus membros (CF. a autonomia decorrente do pacto federativo. O chefe do Ministério Público da União pode ser reinvestido indeterminadamente em suas funções. A destituição do procurador-geral da República. o Superior Tribunal FGV DIREITO RIO 162 . o Ministério Público do Trabalho. respeitado o mesmo processo (art. cuja iniciativa é facultada aos respectivos procuradores-gerais de Justiça (art. e os Ministérios Públicos dos Estados. Ressalte-se que o Artigo 80 da LONMP autoriza a aplicação subsidiária. A Lei Orgânica especificamente do Estado do Rio de Janeiro é a LC nº 106/2003. O Ministério Público Federal O Ministério Público Federal compreende o ramo do Ministério Público da União que atua perante o Supremo Tribunal Federal. dar-se-á apenas por iniciativa do presidente da República.

I da LC 75/93. propondo as ações cabíveis e manifestando-se nos processos de sua competência96. Os procuradores da República são lotados em ofícios. admitida uma recondução. podendo inclusive propor ações para a declaração de nulidade de cláusulas de contrato. para a defesa de interesses coletivos. investido em tais funções na forma acima descrita e que acumula a chefia com a direção superior do Ministério Público da União e a função de Procurador-Geral Eleitoral. 45 da LC 75/93).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO de Justiça. a promoção da ação civil pública. São Paulo. A exoneração. O procurador-geral do Trabalho é substituído. no STF e no TSE. O Ministério Público do Trabalho O Ministério Público do Trabalho é o ramo do Ministério Público da União que atua perante a Justiça do Trabalho. competindo-lhe. confira-se o Art. Recife. acordo coletivo ou convenção coletiva que violem liberdades individuais ou coletivas ou ainda direitos individuais indisponíveis dos trabalhadores.95 O Ministério Público do Trabalho tem por chefe o Procurador— Geral do Trabalho. 37. A carreira do Ministério Público Federal possui três classes. dentre integrantes da instituição. mediante solicitação do Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho. antes do término do mandato. os subprocuradores-gerais atuam por delegação do PGR. 96 FGV DIREITO RIO 163 . A investidura se dá por dois anos. quando desrespeitados direitos sociais constitucionalmente garantidos. O procurador-geral do Trabalho tem assento perante o plenário do Tribunal Superior do Trabalho. com mais de trinta e cinco anos de idade e cinco na carreira. e ainda oficiar em qualquer fase do processo trabalhista. manifestando-se previamente em todos os processos de sua competência. 94 95 Art. Art. do Juiz ou das partes. que compreendem os cargos de Procurador da República (oficiam perante as varas federais). o STJ e o TSE (art.66 da LC 75/93). entre outras funções institucionais. que integrem lista tríplice escolhida mediante votação plurinominal por toda a classe. 83 da LC 75/93. por iniciativa própria. a promoção das demandas que lhe sejam atribuídas pela Constituição Federal e pelas Leis trabalhistas. Para o rol das funções institucionais do Ministério Público do Trabalho. dar-se-á por ato do procurador-geral da República. sediadas nas cidades onde há Tribunais Regionais Federais (Rio de Janeiro. Porto Alegre e Brasília). Incumbe ao Procurador-Geral da República exercer as funções do Ministério Público junto ao Supremo Tribunal Federal. Certo é que.94 É chefiado pelo Procurador-Geral da República (Art. por igual período. Já os procuradores regionais da República são lotados nas Procuradorias Regionais da República. 90 da LC 75/93. nomeado pelo Procurador-Geral da República. os Tribunais Regionais Federais e juízes federais e os Tribunais e juízes eleitorais. respeitado o mesmo procedimento. nas Procuradorias da República sediadas nos Estados e no Distrito Federal. os Procuradores Regionais da República (oficiam perante os TRFs) e os Subprocuradores-Gerais da República (atuando perante o STF.

122 da LC 75/93. 100 101 FGV DIREITO RIO 164 . Os membros do Ministério Público que atuam perante a Auditoria da Justiça Militar Estadual não pertencem ao Ministério Público Militar e sim ao Ministério Público Estadual. por ele designado dentre os subprocuradores-gerais do Trabalho. Os promotores e os procuradores da Justiça Militar 97 98 99 Art. propondo as ações cabíveis e manifestando-se nos processos de sua competência100. Os subprocuradores-gerais do Trabalho oficiam perante o TST e na Câmara de Coordenação e Revisão. O procurador-geral da Justiça Militar tem assento perante o Superior Tribunal Militar. Art. os Procuradores da Justiça Militar e os SubprocuradoresGerais da Justiça Militar. distribuídas. compostas por auditorias de Justiça Militar (primeira instância) e o Superior Tribunal Militar. dentre integrantes da instituição. respeitado o mesmo procedimento. constituída de Conselhos de Justiça Militar99. competente para processar e julgar policiais militares e integrantes do Corpo de Bombeiros Militar nos crimes militares definidos em Lei. os primeiros especialmente nos litígios trabalhistas que envolvam interesses de menores e incapazes98. nomeado pelo Procurador-Geral da República. 110 a 112 da LC 75/93. 89 da LC 75/93. 120 e 121 da LC 75/93. com mais de trinta e cinco anos de idade e cinco na carreira. no Rio de Janeiro.97 A carreira do Ministério Público do Trabalho é constituída de três classes: os Procuradores do Trabalho.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO em suas faltas e impedimentos. A investidura se dá por dois anos. compreendidas as Circunscrições da Justiça Militar. 166 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. os Procuradores Regionais do Trabalho e os SubprocuradoresGerais do Trabalho. em número de onze. por ele designado dentre os subprocuradores-gerais da Justiça Militar. Arts. que integrem lista tríplice escolhida mediante votação plurinominal por toda a classe. por igual período. Os procuradores do Trabalho e procuradores regionais do Trabalho atuam perante os TRTs. consoante facultado pelo Artigo 125 § 3º da Carta Magna. pelo vice-procurador-geral da Justiça Militar Trabalho. Art. há Justiça Militar Estadual de primeira instância. A exoneração. O procurador-geral da Justiça Militar é substituído. órgão de coordenação e integração do exercício funcional da instituição. antes do término do mandato. O chefe da Instituição é o Procurador-Geral da Justiça Militar. Convém ressaltar que. pelo vice-procurador-geral do Trabalho. O Ministério Público Militar O Ministério Público Militar é o ramo do Ministério Público da União que oficia perante os órgãos da Justiça Militar da União. mediante solicitação do Conselho Superior do Ministério Público Militar. em suas faltas e impedimentos. admitida uma recondução.101 A carreira do Ministério Público Militar é constituída de três classes: os Promotores de Justiça Militar. dar-se-á por ato do procurador-geral da República. por todo o território nacional. Art.

156 da LC 75/93. antes do término do mandato. 178 e 179 da LC 75/93. A investidura se dá por dois anos. É substituído. órgãos setoriais de coordenação e integração do exercício funcional da instituição. 26. lotados em ofícios nas Promotorias de Justiça. por igual período. Art. O chefe da Instituição é o Procurador-Geral de Justiça. respeitado é claro. respeitado o mesmo procedimento. correspondente a Lei Orgânica Nacional (Lei nº 8625/1993 — LONMP). a autonomia estadual em decorrência do pacto federativo. A exoneração. com mais de cinco anos na carreira. mediante representação do presidente da República106. os Promotores de Justiça e os Procuradores de Justiça.110 MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL 102 Arts. propondo as ações cabíveis e manifestando-se nos processos de sua competência107. 156 § 2º da LC 75/93. 140 da LC 75/93. Arts. 158 da LC 75/93. Os promotores adjuntos e os promotores de Justiça atuam perante a primeira instância. 157 da LC 75/93. admitida uma recondução. que é nomeado pelo Presidente da República104 e empossado pelo Procurador-Geral da República105.108 A carreira do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios é constituída de três classes: os Promotores de Justiça Adjuntos. órgão de coordenação e integração do exercício funcional da instituição. Arts. Art. por duas ordens jurídicas: A primeira. em suas faltas e impedimentos. balizas e preceitos que devem ser obrigatoriamente obedecidos pelos diversos Ministérios Públicos locais. por ele designado dentre os procuradores de Justiça. 144 e 146 da LC 75/93. Art. que integrem lista tríplice escolhida mediante votação plurinominal por toda a classe. regidos.103 O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios é o ramo do Ministério Público da União que oficia perante o Tribunal de Justiça e juízes do Distrito Federal e Territórios. Como já asseverado neste trabalho. cada qual. específica para cada Ministério Público Estadual. O procurador-geral de Justiça tem assento perante o Plenário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. uma das grandes vertentes do Ministério Público Brasileiro é o Ministério Público dos Estados.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO atuam perante a primeira instância.109 Os procuradores de Justiça oficiam perante o Tribunal de Justiça e nas Câmaras de Coordenação e Revisão. dar-se-á por deliberação da maioria absoluta do Senado Federal. A segunda. lotados em ofícios nas Procuradorias da Justiça Militar espalhadas por todo o território nacional. Art. que estabelece parâmetros. Art. IV da LC 75/93. 103 104 105 106 107 108 109 110 FGV DIREITO RIO 165 .102 Os subprocuradores-gerais da Justiça Militar oficiam perante o STM e na Câmara de Coordenação e Revisão. pelo vice-procurador-geral da Justiça. 167 e 175 da LC 75/93. dentre integrantes da instituição. Art.

O chefe do Ministério Público Eleitoral é o Procurador-Geral da República que. por oportuno. com mais de dois anos de atividade. sob sua aprovação. O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL O Ministério Público Eleitoral não é uma instituição dotada de autonomia administrativa. nos precisos termos do art. 73 §único e 74 § único da LC 75/93. nestas funções. será promovido a procurador de Justiça. na verdade.112 Em cada Estado da Federação e no Distrito Federal há um ProcuradorRegional Eleitoral. podendo para tanto designar. por merecimento ou antiguidade. ainda. O Ministério Público tem por chefe o Procurador-Geral de Justiça. em obediência ao disposto no Artigo 37 da Constituição Federal. de uma função institucional afeta ao Ministério Público Federal. das normas previstas na Lei Orgânica do Ministério Público da União (LC nº 75/1993). onde houver. a estrutura dos órgãos da administração superior do Ministério Público. recebe a denominação de Procurador-Geral Eleitoral111. O ingresso na carreira se dá mediante concurso público de provas e títulos. Trata-se. no cargo de Promotor de Justiça Substituto. sendo vedado a qualquer Ministério Público Estadual dispor. Ressalte-se. FGV DIREITO RIO 166 . Após dois anos de estágio probatório o promotor de Justiça é vitaliciado e no decorrer da carreira. de modo diferente. em sua Lei Orgânica. 72 da LC 75/93. 5º da CF). indicados em lista tríplice.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO consubstanciada em Lei Complementar Estadual. Determina. passando a atuar junto ao segundo grau de jurisdição.128. para auxiliá-lo neste mister. ou procuradores da Repúbli- 111 112 Art. financeira e orçamentária. dentre integrantes da carreira. nomeado pelo governador do Estado. com as prerrogativas previstas no Artigo 127 da Carta Magna. que o Artigo 80 da LONMP autoriza a aplicação subsidiária. para oficiarem naquela corte. designado pelo procurador-geral eleitoral dentre os procuradores regionais da República. permitida uma recondução sendo observado o mesmo procedimento. Arts. cuja iniciativa é facultada aos respectivos procuradores-gerais de Justiça (art. A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público tem por objetivo estabelecer normas gerais e princípios que devem ser seguidos por todos os Ministérios Públicos Estaduais. atuando perante o primeiro grau de jurisdição. além das atribuições dos seus membros e dispositivos acerca da autonomia do Parquet. dentre os SubprocuradoresGerais da República além de membros do Ministério Público Federal. par. aos Ministérios Públicos Estaduais. um vice-procurador-geral eleitoral. para mandato de dois anos. competindo-lhe exercer as funções do Ministério Público Eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral. 73 da LC 75/93. alternadamente. fixando-lhes a competência e os mecanismos de controle interno da instituição. não constituindo ramo autônomo do Ministério Público.

não obstante as expressivas garantias de ordem subjetiva concedidas aos seus Procuradores pela própria Constituição (Art. o maior número de interessados. Editora Revista dos Tribunais. privilegiando a possibilidade de uma decisão judicial — mais facilmente executável — atingir maior número de jurisdicionados. por ações coletivas. gerando controvérsias acerca da natureza e a autonomia dessa Instituição.114 O MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AO TRIBUNAL DE CONTAS A Carta Magna de 1988 previu. caput.” A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA DEFESA DOS INTERESSES TRANSINDIVIDUAIS Inicialmente. São Paulo. As funções eleitorais junto aos juízes e juntas eleitorais são exercidas pelo Ministério Público Estadual. Interesses difusos são aqueles em que uma parcela indeterminada de pessoas. evitando-se inúmeras decisões judiciais contraditórias.. 73. I e 130. visando a atender. 2002. estão sendo atingidas nos 113 114 115 Art. entretanto. num único processo.113. 76 da LC 75/93. por meio dos promotores de Justiça. in fine) — da prerrogativa de fazer instaurar o processo legislativo concernente à sua organização. cabe ressaltar os motivos que levaram a introdução desta categoria de interesses em nosso ordenamento jurídico. entendeu que ”O Ministério Público que atua perante o TCU qualifica-se como órgão de extração constitucional. principalmente.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO ca já vitaliciados. O Ministério Público junto ao TCU não dispõe de fisionomia institucional própria e. que se acha investida — até mesmo em função do poder de auto-governo que lhe confere a Carta Política (Art. proferidas em processos individuais115. Ações Coletivas no direito comparado e nacional. 78 da LC 75/93. permitindo que inúmeras pessoas lesadas pudessem vindicar seus direito de maneira mais eficaz. Art. Objetivou também atender ao princípio da economia processual. eis que sua existência jurídica resulta de expressa previsão normativa constante da Carta Política. 130). à sua estruturação interna. Levou em conta ainda o princípio da segurança jurídica. Teve o legislador em mente. com idêntico objeto. ligadas por uma mesma circunstância de fato. p. a ampliação do acesso à Justiça. à definição de seu quadro de pessoal e à criação dos cargos respectivos. O STF. 27-36. Aluisio Gonçalves de Castro.. substituindo um número incalculável de demandas. MENDES. encontra-se consolidado na intimidade estrutural dessa Corte de Contas. a existência de um Ministério Público junto ao Tribunal de Contas. que são denominados promotores eleitorais. em seus Artigos 73 § 2º. para exercerem as funções do Ministério Público Eleitoral perante os respectivos Tribunais Regionais Federais. FGV DIREITO RIO 167 .

não há dúvidas de que o Ministério Público. além da autonomia financeira. já que sua determinação é tão somente por advir de uma origem comum. de um direito. Outro meio de controle encontra-se na legitimidade ativa concorrente dos outros colegitimados. de forma mais idônea. percebe-se que esses direitos possuem pontos comuns e divergentes entre si. A Ação Civil Pública é pautada sobre os princípios da obrigatoriedade e da indisponibilidade. portanto. III do CDC) Assim. dotado de garantias e prerrogativas constitucionais. assim como os anteriores. I do Código de Defesa do Consumidor (CDC).ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO seus direitos de natureza indivisível. § único. o legislador tratou dos meios de controle de observância do princípio da obrigatoriedade pelo membro do Ministério Público. No caso dos interesses coletivos. porém. 9º e seus parágrafos da Lei 7347/85) de rever pedido de arquivamento formulado por promotor de Justiça. Inteligentemente. Assim. verificando a existência dos elementos exigidos em lei para a propositura da Ação Civil Pública. Diversamente dos interesses referidos anteriormente. diferem quanto à divisibilidade do interesse (indivisíveis e divisíveis) e pela origem da lesão (relação jurídica básica e origem comum). O Ministério Público é o legitimado mais adequado para a defesa de todos os interesses protegidos pela Lei da Ação Civil Pública. idoneidade técnica. diferem pela origem da lesão (circunstância de fato e relação jurídica fática) e pela abrangência do grupo (indetermináveis e determináveis). previstos no inciso II do §único do citado artigo. isto porque identificados por uma relação jurídica base. por sua vez. orçamentária e administrativa. o Ministério Público não tem discricionariedade para deixar de agir. que poderão propor Ação Civil Pública quando o Ministério Público não o fizer. os direitos individuais homogêneos são divisíveis. na forma do art. Legitimado adequado é aquele que. pode defender em juízo o interesse em jogo. inclusive com as alterações impostas pela Lei nº 8078/1990. sendo ambos determináveis. conforme preceitua o artigo 81. FGV DIREITO RIO 168 . igualam-se. Os interesses difusos e os interesses coletivos têm natureza indivisível. Um deles se reflete na função atribuída ao Conselho Superior (art. caso em que atuará como custos legis. 5º. sendo seus titulares determináveis (artigo 81. mas sim de um dever de agir. Desta forma. Não se trata. sendo direitos coletivos de natureza indivisível. no que diz respeito ao grupo lesado. os destinatários são determináveis. moral e econômica. §1º da Lei 7347/85. é o legitimado mais apto à defesa dos anseios sociais. Os direitos coletivos e os individuais homogêneos. §único.

deverá ser instaurado o inquérito civil. somente podendo ser instaurado pelos Promotores de Tutela Coletiva e pelo Procurador-Geral de Justiça nas hipóteses de sua atribuição originária (artigo 29. estipulando cláusula penal em caso de descumprimento de suas obrigações. Trata-se de procedimento prescindível. testemunhas e outras providências visando a formação de seu conhecimento.522/09). se for possível.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO O inquérito civil O inquérito civil é procedimento administrativo preparatório. de cunho inquisitorial e que tem por objetivo dotar o Ministério Público de instrumento investigatório para a apuração de fatos tidos como infracionais a interesses meta-individuais e. § 2º da Res. presidente da Assembléia Legislativa ou governador do Estado). muito menos partes. quando a autoridade reclamada for presidente de Tribunal de Justiça. prorrogável por igual período. O inquérito civil não possui litigantes. por meio de promoção fundamentada (artigos 7º. VIII da LONMP. poderá instaurar PPIC (Procedimento Preparatório de Inquérito Civil). GPGJ 1. previsto no artigo 8º e seguintes da Lei nº 7347/1985. em seu bojo não pode ser praticado nenhum ato que cause constrangimento a cidadão. O Inquérito Civil é instaurado mediante portaria do promotor. Diferentemente da Ação Civil Pública. notificar. sendo dispensável. a requisição para a instauração do inquérito civil pelo Conselho Superior do Ministério Público em hipóteses em que tenha rejeitado arquivamento de procedimento preparatório anterior. com atribuição. inclusive coercitivamente. No curso da investigação. pelo prazo de 90 dias. Assim. uma única vez. Por ser apenas um procedimento inquisitivo. Se o promotor sentir necessidade de “esclarecimentos complementares”. assim como o inquérito policial. a produção do lastro probatório por meio de peças de informação. consequentemente. eis que o instrumento por si só não tem o condão de tolher a liberdade individual ou constranger fisicamente alguém. quando então. Pode haver. o Inquérito Civil é exclusivo do Ministério Público. a jurisprudência dominante entende não ser possível obstaculizar o procedimento do inquérito civil mediante Habeas Corpus ou Mandado de Segurança. FGV DIREITO RIO 169 . que deverá ser acompanhada pelo próprio Promotor de Tutela Coletiva. que pode agir de ofício ou em face de representação de qualquer do povo. regendo-se pelo Princípio do Informalismo. se não concluído o procedimento. embasar a Ação Civil Pública. Finda a investigação. pode o promotor requisitar diligencias. não se lhe aplicando o princípio do devido processo legal. que tem diversos co-legitimados. três providências podem ser tomadas pelo representante do Parquet: a) Ajuizamento da Ação Civil Pública no foro competente. ainda. b) Celebração de Termo ou Compromisso de Ajustamento de Conduta.

permitindo a solução rápida e amigável do conflito. sua decisão ao reexame necessário do Conselho Superior do Ministério Público.. até mesmo medidas compensatórias. como forma de buscar o cumprimento da obrigação nele assumida. 116 CARNEIRO. o próprio interessado. por meio de uma declaração unilateral. “o compromisso de ajustamento de conduta funciona. este poderá ser desarquivado por provocação do promotor de Justiça com atribuição. sua abrangência ultrapassou a mera obrigação de fazer ou não fazer. o inquérito civil pode servir de lastro. submetendo no prazo de três dias (artigo 9º. Dada a grande aplicação que ganhou o Termo de Ajustamento de Conduta. sob pena de falta grave. passando a alcançar. suporte probatório mínimo para a ação penal. seja na fase pré-processual seja no curso do próprio processo”. O causador do dano assume uma obrigação que visa evitar ou reparar lesão a direito ou interesse público. ao Conselho Superior do Ministério Público. O Termo de Ajustamento de Conduta é uma dessas formas. §1º da Lei nº 7347/1985). por meio de seu artigo 211 (“os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de conduta às exigências legais.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO c) Promoção de arquivamento do inquérito civil. Mediante o Termo de Ajustamento de Conduta. p. O Ministério Público deve participar diretamente da atividade judicial ou extrajudicial por ser. assim. como a medida de coerção multa. Naquele mesmo ano. se obriga a ajustar a sua conduta àquilo que a lei determina. Ressalve-se que eventuais vícios do inquérito civil não maculam a Ação Civil Pública posteriormente ajuizada. ou seja. o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078) acrescentou o parágrafo 6º à Lei da Ação Civil Pública (Lei 7347/85).”). Deve. Acesso à Justiça: Juizados Especiais Cíveis e Ação Civil Pública. devido a seu caráter consensual. Paulo Cezar Pinheiro. como verdadeiro equivalente jurisdicional. FGV DIREITO RIO 170 . 119. em 1990. aquele que deve zelar pela ordem jurídica. 1ªed. eventualmente.. Lei 8069. sendo certo ainda que mesmo neste caso. à semelhança da conciliação e da transação. Após arquivado o inquérito civil. Rio de Janeiro: Forense. 1999. Como bem salientou Paulo Cezar Pinheiro Carneiro116. fundamentadamente. constitucionalmente. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) O Termo de Ajustamento de Conduta ou Compromisso de Ajustamento de Conduta foi uma inovação trazida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. pautar sua atuação focando as formas mais produtivas possíveis que assegurem o acesso a uma ordem jurídica justa. expandindo de vez a utilização de tão importante instrumento de operosidade das demandas coletivas.

portanto. Indignado. de índole processual. A segunda fase. O recorrente é delegado de polícia e. a mesma era inconstitucional. com o inquérito policial ou consectários. A controvérsia se acentuou devido a decisão do Supremo Tribunal Federal. que. FGV DIREITO RIO 171 . apesar de baseados em uma Lei sobre financiamentos. Precedentes. 129. com duração de 120 meses. VIII). postulando a repetição de indébito dos valores pagos a maior por todos os contratados e à obrigação de não mais inserir nos contratos futuros a referida cláusula. mas requisitar diligência neste sentido à autoridade policial. o STF empreendeu análise histórica. da lavra do ministro Nelson Jobim. investigação direta. tudo isso tendo como causa de pedir o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei. autoridade administrativa. em duas fases.”117 Inicialmente. Seus atos estão sujeitos aos órgãos hierárquicos próprios da corporação. concluindo que desde 1936 até os dias de hoje. para que o decisum surta efeitos erga omnes. Chefia de Polícia e Corregedoria. Caio procura o Ministério Público. aos seus membros inquirir diretamente pessoas suspeitas de autoria de crime. com a ação penal. propõe uma ação civil pública contra a Caixa Econômica Federal. Ocorre que. Pergunta-se: é possível o pedido feito pelo Ministério Público mediante Ação Civil Pública? A INVESTIGAÇÃO DIRETA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO A persecução criminal no nosso ordenamento jurídico divide-se. nos seguintes termos: “A constituição Federal dotou o Ministério Público do poder de requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial (CF. analisando os documentos apresentados. Não cabe. art. A norma constitucional não contemplou a possibilidade do Parquet realizar e presidir inquérito policial. de cunho extraprocessual. portanto. em regra. apesar das tentativas de modificação do modelo de 117 Hábeas Corpus 81326. Caio foi informado por um amigo contador que os juros previstos no contrato firmado eram abusivos pois. Questão controvertida versa sobre a possibilidade do Ministério Público realizar.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO CASO DE SEDIMENTAÇÃO Caio e sua esposa Maria firmaram contrato de financiamento habitacional com a Caixa Econômica Federal. Recurso conhecido e provido. A primeira. na fase extraprocessual. quando estava para efetuar o pagamento da 15ª parcela.

apenas delimitar a atribuição de cada uma delas. encaminhadas ao Ministério Público. o Ministério Público teve seu papel amplamente aumentado. para a Polícia Federal a apuração das infrações penais. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. o poder de investigação não é exclusividade da polícia. mas sim delimitar o âmbito de atuação de cada uma das Polícias ali mencionadas. Não deixou também o constituinte de ressalvar para a Polícia Civil as funções de polícia judiciária e apuração de infrações penais.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO investigação policial. Exemplos: Constituição Federal de 1988 “Art. que em seguida elencou as funções da Polícia Militar. portanto. em conjunto ou separadamente. quando não colidentes com a competência da União. pela simples leitura do artigo 144.” FGV DIREITO RIO 172 . É inoperante o método histórico utilizado. isoladamente. não tendo o Parquet essa função institucional. Existem outros órgãos do Estado para os quais a lei prevê a possibilidade de realização de diligências investigatórias. §1º da Carta da República pode-se observar que a verdadeira vontade do constituinte não foi de conferir exclusividade à Polícia no que tange à investigação. passando de Instituição vinculada e subordinada ao Poder Executivo. reservando. para a apuração de fato determinado e por prazo certo. Ora. Polícia Ferroviária e Rodoviária Federal. recebendo o papel maior de guarda do Estado Democrático de Direito. com exclusividade. serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. para um perfil independente. leis e julgados anteriores à Constituição de 1988 para concluir que o Ministério Público não possui poderes investigatórios. que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais. em especial. para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. Quis o legislador. se for o caso. A nova hermenêutica preconiza que nenhum método de interpretação é capaz de. não podendo. Desta forma. portanto. a prevenção e repressão ao tráfico de drogas e o exercício. sendo suas conclusões. Outro importante argumento utilizado foi o de ser competência exclusiva da Polícia Judiciária a atividade investigatória. nem o seria desta e do Ministério Público. mediante requerimento de um terço de seus membros. há um novo fundamento de validade a embasar a atuação da Instituição. das funções de polícia judiciária da União. Na verdade. nunca foi concedido ao Ministério Público o poder de realizar diligências investigatórias. tanto é assim. o intérprete se utilizar de posicionamentos doutrinários. da defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Com a Constituição de 1988. 58 § 3º — As comissões parlamentares de inquérito. resolver em definitivo uma questão de tamanha complexidade.

Vale ressalvar. sendo certo que o Superior Tribunal de Justiça. apreciando a questão. visto que ele admite expressamente que o Ministério Público dispense o inquérito se a representação recebida vier acompanhada de dados suficientes para que desde já. 33 — São prerrogativas do magistrado: Parágrafo único — Quando. Por tudo o que foi exposto. § 5º do CPP também não pode ser esquecido. admitido-se no ordenamento processual. Relator Min. diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional. inclusive. não ser o inquérito policial indispensável ao lastro da peça acusatória. desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade. que o artigo 28 e o artigo 67..118 Para reforçar esta idéia de prescindibilidade do inquérito policial. portanto. o Presidente instaurará inquérito. civil ou militar. nos dias atuais. a investigação particular. 43. I. O poder investigatório do Ministério Público encontra-se lastreado em diversos diplomas legais: 118 RHC 9340 / SP. lembre-se do artigo 27 do CPP que permite que qualquer do povo provoque a iniciativa do Ministério Público. coligação. seja deflagrada a ação penal. houver indício da prática de crime por parte do magistrado.)” Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal “Art. corroborando assim com a existência de investigação criminal fora da sede de inquérito policial. quinta turma.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO LC 64/90 “Art. a fim de que prossiga na investigação. inclusive assim já decidiu. não há que se falar em monopólio da Polícia no que tange ao poder de investigação criminal. no curso de investigação. ou delegará esta atribuição a outro Ministro. fornecendo-lhe informações necessárias sobre o crime de seu conhecimento. candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral. relatando fatos e indicando provas. em benefício de candidato ou de partido político(. se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição.” LC35/79 — Lei Orgânica da Magistratura Nacional “Art. José Arnaldo da Fonseca. a autoridade policial. 22. também. ambos do CPP falam em “peças de informação”.. remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento. portanto. O Artigo 12 do CPP é claro ao deixar patente a prescindibilidade do inquérito.” Vale lembrar. j. indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido. Qualquer partido político. Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal. ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social. com a nova ordem constitucional vigente. FGV DIREITO RIO 173 . O artigo 39. 16/12/1999.

desde que compatíveis com sua finalidade. mediante comprovação escrita do membro do Ministério Público. b) requisitar informações.” LC 75/93 “Art. considerando-se de efetivo exercício. IX — exercer outras funções que lhe forem conferidas. no caso de ausência injustificada. órgãos e entidades a que se refere a alínea anterior. V — realizar inspeções e diligências investigatórias. na forma da lei complementar respectiva. indireta ou fundacional. o Ministério Público da União poderá. para instruir procedimentos ou processo em que oficie.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Constituição Federal de 1988 “Art. VI — expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência. São funções institucionais do Ministério Público: I — promover. a ação penal pública. sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. para instruí-los: a) expedir notificações para colher depoimento ou esclarecimentos e. na forma do inciso I deste artigo.” FGV DIREITO RIO 174 . nos procedimentos de sua competência: I — notificar testemunhas e requisitar sua condução coercitiva. requisitar condução coercitiva. 4º A falta ao trabalho. requisitando informações e documentos para instruí-los. em caso de não comparecimento injustificado. exames periciais e documentos de autoridades federais. IV — requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial e de inquérito policial militar. podendo acompanhá-los. indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. 8º Para o exercício de suas atribuições. estaduais e municipais. II — requisitar informações e documentos a entidades privadas. não autoriza desconto de vencimentos ou salário. No exercício de suas funções. 129. para todos os efeitos. 26. do Distrito Federal e dos Municípios. privativamente. da Constituição Federal. o Ministério Público poderá: I — instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos pertinentes e. c) promover inspeções e diligências investigatórias junto às autoridades. inclusive pela Polícia Civil ou Militar. inciso VIII. dos Estados. VIII — requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial. na forma da lei. bem como dos órgãos e entidades da administração direta. de qualquer dos Poderes da União. VII — expedir notificações e intimações necessárias aos procedimentos e inquéritos que instaurar. em virtude de atendimento à notificação ou requisição. ressalvadas as prerrogativas previstas em lei. 129. observado o disposto no art.” Lei 8625/93 — LONMP “Art.

de aplicação corrente no direito constitucional pátrio. como direito fundamental do homem.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Alguns juristas se insurgem contra o poder investigatório ministerial. acesso em 10/09/03. 120 Apud Ofício encaminhado pela CONAMP – Associação Nacional dos Membros do Ministério Público ao Secretário da Reforma do Judiciário a propósito das investigações criminais realizadas pelo Ministério Público. fornecer-lhe objetivos a serem conquistados. não prosperariam os argumentos contrários a tal autorização diante da Teoria dos Poderes Implícitos. FORMULAR DENÚNCIA CONTRA REFERIDO AGENTE POLICIAL — VALIDADE JURÍDICA DESSA ATIVIDADE INVESTIGATÓRIA — CONDENAÇÃO PENAL IMPOSTA AO POLICIAL TORTURADOR — LEGITI119 Apelação Criminal 4174/2000.03. implicitamente estará concedendo-lhe os meios necessários ao atingimento do seu objetivo. o Habeas Corpus ou o Mandado de Segurança. Primeira Câmara Criminal – Desembargador Paulo Ventura – j. requisitar informações ou expedir notificações. no HC 89. 27. se não lhe proporcionasse os meios para atingi-los? Se o constituinte originário dotou o Ministério Público da privativa promoção da ação penal. Na hipótese de excesso ou subversão da lei por parte do Ministério Público quando de suas investigações. Valendo-se da máxima de quem pode o mais pode o menos. Mais uma vez não merece prosperar tal questionamento. se nada disso fosse suficiente para se reconhecer ao Ministério Público tal poder investigatório. segundo a qual. cunhada pela Suprema Corte norte-americana no julgamento do caso McCulloch X Maryland. De fato.119 Apesar de toda a previsão legal e opiniões doutrinárias e jurisprudenciais no sentido de reconhecer ao Ministério Público o poder investigatório. FGV DIREITO RIO 175 .837/DF. lícito será ao ofendido a impetração dos remédios constitucionalmente previstos para todos os casos de abuso de autoridade e agressão a lei. uma função (atividade-fim). devendo figurar o Ministério Público como agente coator. quais sejam. Recente decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. p. se o constituinte concede a determinado órgão ou instituição. invocando a Teoria dos Poderes Implícitos. de que adiantaria a Constituição da República dotar o Ministério Público de tamanha grandeza institucional. que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.2001.org. A própria Constituição assegurou no seu artigo 5º. por que haveria ele de se manter inerte diante de casos em que a Polícia Judiciária se fizesse inoperante na promoção da investigação de que o Parquet tanto necessita.htm.br/noticias/investiga. FUNDADO EM INVESTIGAÇÃO POR ELE PRÓPRIO PROMOVIDA. ainda assim. forneceu-lhe a faculdade. 4. esposou a tese de não haver óbice à investigação criminal pelo Ministério Público. tendo por base justamente os fundamentos anteriormente apontados: E M E N T A: “HABEAS CORPUS” — CRIME DE TORTURA ATRIBUÍDO A POLICIAL CIVIL — POSSIBILIDADE DE O MINISTÉRIO PÚBLICO. já tendo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidido neste sentido. XXXV. in www. sob pena de ser frustrado o exercício do múnus constitucional que lhe foi cometido120. Pinto Ferreira. de quando entender necessário.conamp. tendo como argumentação a suposta ausência de controle de legalidade dos seus atos.

estar presente e acompanhar. a acusação penal. Precedentes. MARYLAND” (1819) — MAGISTÉRIO DA DOUTRINA (RUI BARBOSA. O INQUÉRITO POLICIAL. MARCELLO CAETANO. sem prejuízo de outras medidas que lhe pareçam indispensáveis à formação da sua “opinio delicti”. A QUESTÃO DA CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DE EXCLUSIVIDADE E A ATIVIDADE INVESTIGATÓRIA. dentre os diversos organismos policiais que compõem o aparato repressivo da União Federal (polícia federal. a pertinente “persecutio criminis in judicio”. a atuação persecutória do Ministério Público. que traduz atribuição privativa da autoridade policial. a quem igualmente competirá exercer. QUE CONSTITUI UM DOS DIVERSOS INSTRUMENTOS ESTATAIS DE INVESTIGAÇÃO PENAL. quaisquer atos de investigação penal. DE PRÉVIA INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL. CASTRO NUNES. mesmo aqueles sob regime de sigilo. TEM POR DESTINATÁRIO PRECÍPUO O MINISTÉRIO PÚBLICO. NAS HIPÓTESES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA. Doutrina. NÃO DEPENDE. será sempre dirigida por autoridade policial. assumir a presidência do inquérito policial. mesmo assim. junto a órgãos e agentes policiais. polícia rodoviária federal e polícia ferroviária federal). de caráter pré-processual. a presidência do respectivo inquérito. para tanto. — A investigação penal. JOHN MARSHALL. no entanto. ordinariamente vocacionado a subsidiar. determinar a abertura de inquéritos policiais. 144. § 1º. A ACUSAÇÃO PENAL. PELA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. perante juízes e Tribunais. pode fazer instaurar. OSWALDO TRIGUEIRO. — A outorga constitucional de funções de polícia judiciária à instituição policial não impede nem exclui a possibilidade de o Ministério Público. da Constituição da República — que não inibe a atividade de investigação criminal do Ministério Público — tem por única finalidade conferir à Polícia Federal. JOÃO BARBALHO.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO MIDADE JURÍDICA DO PODER INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO — MONOPÓLIO CONSTITUCIONAL DA TITULARIDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA PELO “PARQUET” — TEORIA DOS PODERES IMPLÍCITOS — CASO “McCULLOCH v. Precedentes. inciso IV. validamente. quando realizada por organismos policiais. de elementos mínimos de informação. — A cláusula de exclusividade inscrita no art. nos casos de infrações perseguíveis mediante ação penal de iniciativa pública. — O inquérito policial qualifica-se como procedimento administrativo. NECESSARIAMENTE. AO MINISTÉRIO PÚBLICO. primazia investigatória na apuração FGV DIREITO RIO 176 . PARA SER FORMULADA. fundados em base empírica idônea. sendo-lhe vedado. requisitar esclarecimentos e diligências investigatórias. — Ainda que inexista qualquer investigação penal promovida pela Polícia Judiciária. o Ministério Público.g. v. que é o “dominus litis”. com exclusividade. que o habilitem a deduzir. que é o verdadeiro destinatário dos elementos que compõem a “informatio delicti”. Precedentes.) — OUTORGA. desde que disponha. DO PODER DE CONTROLE EXTERNO SOBRE A ATIVIDADE POLICIAL — LIMITAÇÕES DE ORDEM JURÍDICA AO PODER INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO — “HABEAS CORPUS” INDEFERIDO.

em sede penal. sempre excepcional. selecionar ou deixar de juntar. na condição de “dominus litis” e. está permanentemente sujeito ao controle jurisdicional dos atos que pratique no âmbito das investigações penais que promova “ex propria auctoritate”. — O poder de investigar compõe. procedimentos de investigação penal destinados a viabilizar a obtenção de dados informativos. — Função de polícia judiciária e função de investigação penal: uma distinção conceitual relevante. nem submetêlo a medidas sujeitas à reserva constitucional de jurisdição. em ordem a propiciar eventual ajuizamento da ação penal de iniciativa pública. a este. nem constrangê-lo a produzir prova contra si próprio. ainda. da atribuição de fazer instaurar. nem impedi-lo de fazer-se acompanhar de Advogado. — O procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público deverá conter todas as peças. desrespeitar o direito do investigado ao silêncio (“nemo tenetur se detegere”). sem prejuízo da fiscalização intra-orgânica e daquela desempenhada pelo Conselho Nacional do Ministério Público. de subsídios probatórios e de elementos de convicção que lhe permitam formar a “opinio delicti”.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO dos crimes previstos no próprio texto da Lei Fundamental ou. A ESTES. que também justifica o reconhecimento. NO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO. QUANDO EXERCIDO. Precedentes. Doutrina. que dispõe. É PLENA A LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DO PODER DE INVESTIGAR DO MINISTÉRIO PÚBLICO. nem lhe ordenar a condução coercitiva.). também. nem impor. sem prejuízo do poder investigatório de que dispõe. aos autos. o complexo de funções institucionais do Ministério Público. v. nem lhe recusar o conhecimento das razões motivadoras do procedimento investigatório. CONTROLE JURISDICIONAL DA ATIVIDADE INVESTIGATÓRIA DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO: OPONIBILIDADE. a função de proceder à investigação dos ilícitos penais (crimes e contravenções). ressalvada a competência da União Federal e excetuada a apuração dos crimes militares. Doutrina. PELO “PARQUET”. sonegar. cujo conteúdo. ainda que em caráter subsidiário. mas por autoridade própria e sob sua direção. ao Ministério Público. em tratados ou convenções internacionais. 7º. — O Ministério Público.906/94. O MONOPÓLIO DA COMPETÊNCIA PENAL INVESTIGATÓRIA. O PODER DE INVESTIGAÇÃO PENAL. termos de declarações ou depoimentos. — Incumbe. eventualmente prevalecente no contexto de investigação penal FGV DIREITO RIO 177 . do poder investigatório em matéria penal. à Polícia Civil dos Estados-membros e do Distrito Federal. — O regime de sigilo. como atividade subsidiária. como expressão de sua competência para exercer o controle externo da atividade policial. o “Parquet”. o Ministério Público.g. laudos periciais e demais subsídios probatórios coligidos no curso da investigação. deve ser tornado acessível tanto à pessoa sob investigação quanto ao seu Advogado. POIS OS ORGANISMOS POLICIAIS (EMBORA DETENTORES DA FUNÇÃO DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) NÃO TÊM. por referir-se ao objeto da apuração penal. DO SISTEMA DE DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS. art. não podendo. quaisquer desses elementos de informação. dentre outras limitações de ordem jurídica. não podendo. indevidas restrições ao regular desempenho de suas prerrogativas profissionais (Lei nº 8.

173. neste julgamento. relatados e discutidos estes autos. 122 Habeas Corpus nº 100042. que o Ministro Celso de Mello122. pelo Ministério Público Federal. 90. não poderá se utilizar de dados informativos que derivem de documentos ou escritos anônimos. da respectiva ação penal. Ausente.837/DF) Além do HC 89. no âmbito do Ministério Público. nos termos do voto do Relator. Dispõe a resolução que o procedimento investigatório criminal é instrumento de natureza administrativa e inquisitorial.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO promovida pelo Ministério Público. julgados em 27/10/09. e dá outras providências. Cabe ressaltar. CELSO DE MELLO — RELATOR (HC nº 89. Mais uma vez. Falou. em indeferir o pedido de “habeas corpus”. a instauração e tramitação do procedimento investigatório criminal. nem os tenham como único fundamento causal.837/DF. Brasília.610. 20 de outubro de 2009. ACÓRDÃO Vistos. em Segunda Turma. 121 Habeas Corpus nºs 87. disciplinando. julgado em 02/10/09. não se revelará oponível ao investigado e ao Advogado por este constituído. Relator Ministro Celso de Mello. 26 da Lei n. A RESOLUÇÃO Nº 13 DO CNMP Em 13 de outubro de 2006 o Conselho Nacional do Ministério Público editou a Resolução nº 13 regulamentando o art.º 8. na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas. 8º da Lei Complementar 75/93 e o art. FGV DIREITO RIO 178 . por unanimidade de votos. reconheceu-se que a investigação criminal realizada pelo MP é constitucional e legítima. sob a Presidência da Ministra Ellen Gracie. apesar de reconhecer que o Ministério Público possa formar sua opinio delicti com apoio aos elementos de convicção resultantes das atividades investigatórias por ele próprio promovida. servindo como preparação e embasamento para o juízo de propositura. a Segunda Turma julgou mais três habeas corpus121. por unanimidade. em que se discutia a legitimidade investigatória do Ministério Público em matéria criminal.625/93. Relator Ministro Celso de Mello. Ressalva a resolução. e terá como finalidade apurar a ocorrência de infrações penais de natureza pública. Wagner Gonçalves. justificadamente.099 e 94. ou não. acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal. porém. possuindo um caráter concorrente e subsidiário. o Senhor Ministro Cezar Peluso. o Dr. instaurado e presidido pelo membro do Ministério Público com atribuição criminal. no entanto. que terão direito de acesso — considerado o princípio da comunhão das provas — a todos os elementos de informação que já tenham sido formalmente incorporados aos autos do respectivo procedimento investigatório. que o procedimento investigatório criminal não é condição de procedibilidade ou pressuposto processual para o ajuizamento de ação penal e não exclui a possibilidade de formalização de investigação por outros órgãos legitimados da Administração Pública.

Na ADI 3806. ao tomar conhecimento de infração penal. a Ordem dos Advogados do Brasil ajuizou outra Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADI 3836 — com os mesmos fundamentos acima explicitados. por qualquer meio. Em 10 de outubro de 2006. no âmbito de suas atribuições criminais. Em pesquisa realizada em junho de 2012 contatou-se que ambas as ações ainda estavam em tramitação. encaminhar as peças para o Juizado Especial Criminal. inciso I. instaurar procedimento investigatório criminal. por tratar-se de matéria de competência privativa da União. confronta a Constituição Federal em seu artigo 22. a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil ajuizou no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADI 3806 — sob o fundamento de que a Resolução. a empresas do setor portuário. foram deferidos os pedidos da CONAMP (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público e da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) para funcionarem como amicus curiae. sob a forma de subvenção econômica ao setor produtivo. restando normatizado o que na prática já vinha ocorrendo mas sem um procedimento previamente determinado.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Em poder de quaisquer peças de informação. o Ministério Público do Estado recebeu uma denúncia anônima por intermédio de sua Ouvidoria e instaurou um procedimento administrativo para investigar a suspeita de FGV DIREITO RIO 179 . por membro do Ministério Público. além de violar a exclusividade da condução das investigações criminais pela polícia judiciária. resta clara a intenção do Conselho Nacional do Ministério Público em regulamentar o poder investigatório do Ministério Público. promover fundamentadamente o respectivo arquivamento. A instituição financeira realizou a operação na condição de executor da política creditícia e financeira do Governo Estadual. que seriam subsidiados pelo Estado. Em 21 de dezembro de 2006. ainda que informal. que deliberou sobre sua concessão e ainda se comprometeu a proceder à equalização da taxa de juros. caso a infração seja de menor potencial ofensivo. ao legislar sobre matéria processual penal. CASO DE SEDIMENTAÇÃO O governo do Estado do Rio de Janeiro realizou um convênio com uma instituição financeira para a concessão de empréstimos. O procedimento investigatório criminal poderá ser instaurado de ofício. Ocorre que. com base em plano de governo. tendo como objetivo a reativação do referido setor. ou requisitar a instauração de inquérito policial. ou mediante provocação. Dispondo desta forma. o membro do Ministério Público poderá promover a ação penal cabível.

HC 89837/DF. em caráter emergencial. desde que respeitados os direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado. para efeito do art. sem prejuízo da possibilidade — sempre presente no Estado Democrático de Direito — do permanente controle jurisdicional dos atos praticados pelos promotores de justiça e procuradores da república. pela prática do crime de tortura.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO fraude na concessão desses empréstimos. delegado de polícia. como deve decidir o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro? JURISPRUDÊNCIA SEGUNDA TURMA MINISTÉRIO PÚBLICO E PODER INVESTIGATÓRIO — 1 O Ministério Público dispõe de competência para promover. a afirmativa de que o exercício das funções inerentes à Polícia Judiciária comFGV DIREITO RIO 180 . ao entendimento de que dirigente da instituição financeira não é autoridade. Celso de Mello. 38 da Lei nº 4. já que não tem poderes para tanto.2009. ambos assegurados constitucionalmente. rel. então. observadas. (HC-89837) MINISTÉRIO PÚBLICO E PODER INVESTIGATÓRIO — 2 Inicialmente. o Ministério Público determinou diretamente a Instituição financeira o fornecimento da lista de beneficiários de liberação de recursos. as prerrogativas profissionais de que se acham investidos os advogados. investigações de natureza penal. por indisputável. ainda. Pergunta-se: Tendo em vista o direito fundamental à intimidade e o poder de requisição do Ministério Público. asseverou-se que não estaria em discussão.10. por estarem protegidos pelo sigilo bancário. impetra um mandado de segurança sob a alegação de não poder informar os beneficiários dos aludidos empréstimos. 8º. 20. pedindo ainda esclarecimentos quanto à natureza das operações e a respectiva situação. previsto no art. da LC nº 75/1993. O Banco. a Turma indeferiu habeas corpus em que se alegava a nulidade de ação penal promovida com fulcro em procedimento investigatório instaurado exclusivamente pelo Ministério Público e que culminara na condenação do paciente. por autoridade própria. sempre. Com base nesse entendimento. Min.595/1964. e. Face à documentação inicialmente obtida e restando fundadas as suspeitas perpetradas pela denúncia anônima. E mais: alega que o Ministério Público deve requerer ao Poder Judiciário a quebra do sigilo bancário e não fazê-lo diretamente. pelos agentes de tal órgão.

que não mais podem ser considerados meros objetos de investigação. promover. respeitadas — não obstante a unilateralidade desse procedimento investigatório — as limitações que incidem sobre o Estado. requisitasse diligências investigatórias. atos de investigação penal. Enfatizou-se. Tendo em conta o que exposto. validamente. fazer instaurar. art. 4º. com todos os elementos necessários ao esclarecimento da verdade real e essenciais à formação. ao parquet.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO petiria. rel. em tema de persecução penal. por parte do representante do parquet. art. assinalou-se que a eventual intervenção do Ministério Público. de responsável pela condução das investigações penais na fase pré-processual da persecutio crimi- FGV DIREITO RIO 181 . que é o dominus litis — e desde que indique os fundamentos jurídicos legitimadores de suas manifestações — determinasse a abertura de inquéritos policiais. reputou-se constitucionalmente lícito. de sua irrecusável condição de presidente do inquérito policial. desde que disponha de elementos informativos para tanto. IV e § 4º). deduzir. 144. a pretensão punitiva do Estado. e por esta. Min. pela autoridade policial. (HC-89837) MINISTÉRIO PÚBLICO E PODER INVESTIGATÓRIO — 3 Em seguida. podendo o Ministério Público. aduziu-se que o procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público não interfere nem afeta o exercício. 20. Realçou-se que essa unilateralidade das investigações preparatórias da ação penal não autoriza o Ministério Público — tanto quanto a própria Polícia Judiciária — a desrespeitar as garantias jurídicas que assistem ao suspeito e ao indiciado. Dessa forma. Celso de Mello. conduzida pela Polícia Judiciária. que essa especial regra de competência não impediria que o Ministério Público. instrumentalmente. por autoridade própria. ainda quando inexistente qualquer investigação penal promovida pela Polícia Judiciária. § 1º. do poder de controle externo que lhe foi constitucionalmente deferido sobre a atividade desenvolvida pela Polícia Judiciária. as investigações penais promovidas pela Polícia Judiciária — serão dirigidos e presididos por autoridade policial competente.10. então. com exceção das atividades concernentes à apuração de delitos militares. Consignou-se que a existência de inquérito policial não se revelaria imprescindível ao oferecimento da denúncia. em ordem a prover a investigação penal. ou. sempre presididos por autoridade policial competente. apenas (CPP. poderá caracterizar o legítimo exercício. Observou-se que o órgão ministerial.2009. contudo. assim mesmo. a pertinente persecução criminal. por essa Instituição. poderia. às Polícias Civil e Federal (CF. caput). quando feita com o objetivo de complementar e de colaborar com a Polícia Judiciária. ordinariamente. de sua opinio delicti. no curso de inquéritos policiais. HC 89837/DF. Esclareceu-se que isso significaria que os inquéritos policiais — nos quais se consubstanciam. em juízo.

sob a garantia do contraditório — fossem os únicos dados probatórios existentes contra a pessoa investigada. ainda que por implicitude.2009. (HC-89837) MINISTÉRIO PÚBLICO E INVESTIGAÇÃO CRIMINAL — 1 A Turma negou provimento a recurso extraordinário. 20. quando realizada pelo Ministério Público. Advertiu-se. VII. Nesse sentido. cujo conteúdo. permitindo. o que afastaria a objeção de que a investigação penal. 129. VI. (HC-89837) MINISTÉRIO PÚBLICO E PODER INVESTIGATÓRIO — 4 Ponderou-se que a outorga de poderes explícitos. a investigação penal não legitimaria qualquer condenação criminal. as atribuições constitucionais expressamente concedidas ao Ministério Público em sede de persecução penal.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO nis e do desempenho dos encargos típicos inerentes à função de Polícia Judiciária. tanto em sua fase judicial quanto em seu momento pré-processual. poderia comprometer o exercício do direito de defesa. Afastou-se. 20. que se confira efetividade aos fins constitucionalmente reconhecidos ao Ministério Público (teoria dos poderes implícitos). qualquer desses elementos de informação. o recorrente tivera seu sigilo FGV DIREITO RIO 182 . aos membros dessa instituição. por fim. o procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público deverá conter todas as peças. por se referir ao objeto da apuração penal. por completo. selecionar ou deixar de juntar. uma indevida perspectiva reducionista. Na espécie. que à semelhança do que se registra no inquérito policial. Min. de outro lado. porque este estaria presidindo investigação criminal. termos de declarações ou depoimentos e laudos periciais que tenham sido coligidos e realizados no curso da investigação. VIII e IX). Celso de Mello. Min. esvaziar-se-iam.10. ao Ministério Público (CF. supõe que se reconheça. Celso de Mello. a titularidade de meios destinados a viabilizar a adoção de medidas vocacionadas a conferir real efetividade às suas atribuições. mesmo quando conduzida. na espécie. Não fora assim. art. unilateralmente. não podendo o membro do parquet sonegar.2009. e ilegalidade da quebra do sigilo de dados do recorrente. rel. aos autos. se os elementos de convicção nela produzidos — porém não reproduzidos em juízo. em que se sustentava invasão das atribuições da polícia judiciária pelo Ministério Público Federal. assim. pelo Ministério Público. e desde que adotada. HC 89837/DF. qualquer alegação de que o reconhecimento do poder investigatório do Ministério Público poderia frustrar. HC 89837/DF. rel. comprometer ou afetar a garantia do contraditório estabelecida em favor da pessoa investigada. I. salientou-se que. deve ser tornado acessível à pessoa sob investigação.10.

e sim de apuração de ilícito penal mediante obtenção das FGV DIREITO RIO 183 . Asseverou-se que houvera a devida instauração de inquérito policial para averiguar fatos relacionados às movimentações de significativas somas pecuniárias em contas bancárias. de eficácia retroativa dessa lei. que. Não se trataria. afastou-se a apontada violação ao princípio da irretroatividade das leis. No mais. concluiu-se pela possibilidade de. a concessão de provimento jurisdicional que afastasse o sigilo dos dados bancários do recorrente. como já previa o CPP. tendo em conta ser princípio basilar da hermenêutica constitucional o dos “poderes implícitos”. que se a atividade fim — a promoção da ação penal pública — foi outorgada ao parquet em foro de privatividade.174/2001 para utilização de dados da CPMF. devido à invocação do disposto na Lei 10. Ellen Gracie. bem como que o Ministério Público requerera. da CF. I e IV. mas. mesmo no período anterior a sua vigência. 144. já que o CPP autoriza que peças de informação embasem a denúncia. segundo o qual. haja vista que esse diploma legal passou a autorizar a utilização de certas informações bancárias do contribuinte para efeitos fiscais.10. considerou-se irrelevante o debate. rel. § 1º. mesmo que se tratasse da temática dos poderes investigatórios do Ministério Público. com o intuito de se apurar possível sonegação fiscal. melhor sorte não assistiria ao recorrente. em algumas hipóteses. dá os meios. ao juízo competente. Dessa forma.2008. não haveria como não lhe oportunizar a colheita de prova para tanto. já era possível a obtenção desses dados quando houvesse indícios de prática de qualquer crime. Aduziu-se. ser reconhecida a legitimidade da promoção de atos de investigação por parte do Ministério Público. a título de tutela cautelar inominada. haja vista que a denúncia pode ser fundamentada em peças de informação obtidas pelo órgão do Ministério Público sem a necessidade do prévio inquérito policial. 28. quando a Constituição Federal concede os fins. (RE-535478) Informativo 526 MINISTÉRIO PÚBLICO E INVESTIGAÇÃO CRIMINAL — 2 Considerou-se. aperfeiçoando a persecução penal. ademais. portanto. RE 535478/SC. Quanto à questão relativa à possibilidade de o parquet promover procedimento administrativo de cunho investigatório e à eventual violação da norma contida no art. especialmente em casos graves como o presente que envolvem altas somas em dinheiro movimentadas em contas bancárias. Reputou-se não haver óbice a que o Ministério Público requisite esclarecimentos ou diligencie diretamente a obtenção da prova de modo a formar seu convencimento a respeito de determinado fato. especialmente quando se verifique algum motivo que se revele autorizador dessa investigação. Min.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO bancário e fiscal quebrado para confrontação de dados da CPMF com a declaração de imposto de renda.

esta. Min. III. Com base nesse entendimento. Celso de Mello. rel. ante a constatação de que os direitos individuais homogêneos ora em exame estariam revestidos. de processo coletivo destinado a viabilizar a tutela jurisdicional de tais direitos.4. como o mandado de segurança ou como a própria ação civil pública. de extração constitucional destinada a viabilizar.2008. não se conheceu do recurso. RE 535478/SC. coletivos e individuais homogêneos.437/85 e na Lei 8. em favor do indivíduo ou de uma determinada coletividade (como a dos segurados do sistema de previdência social). (RE-535478) Informativo nº 526 AÇÃO CIVIL PÚBLICA E LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO O Ministério Público possui legitimidade para propor ação civil pública com o fim de obter certidão parcial do tempo de serviço que segurado tem averbado em seu favor. de tal modo que a injusta recusa estatal em fornecer certidões. como os direitos difusos. Gilmar Mendes. na espécie. por iniciativa do parquet. com o objetivo de impugnar a ilegalidade do reajuste de FGV DIREITO RIO 184 . restaria ainda mais evidenciada. assim como da Lei 7.625/93.2008.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO informações bancárias. a defesa (individual ou coletiva) de direitos ou o esclarecimento de situações. Considerou-se que o direito à certidão traduziria prerrogativa jurídica. RE 472489 AgR/RS. Enfatizou-se que a existência. a Turma negou provimento a agravo regimental em recurso extraordinário em que o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS sustentava ofensa aos artigos 127 e 129. Ellen Gracie. III. deu provimento ao recurso e assentou o cabimento da ação civil pública. a legitimar desse modo. Min. de índole eminentemente constitucional. caput e 129. 29. ambos da CF. por efeito de sua natureza mesma. (RE-472489) — Informativo 504 AÇÃO CIVIL PÚBLICA E LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO A Turma iniciou julgamento de recurso extraordinário em que se discute a legitimidade do Ministério Público estadual para propor ação civil pública para impugnar majoração supostamente abusiva da tarifa de transporte coletivo público. a instauração. autorizaria a utilização de instrumentos processuais adequados. amparável mediante ação civil pública. ajuizada pelo parquet com base nos artigos 127.10. 28. já que as matérias teriam natureza infraconstitucional. nos casos em que se configurasse a existência de direitos ou interesses de caráter transindividual. No que tange aos demais argumentos apresentados. rel. da CF. O Min. relator. de interesse social relevante. não obstante presentes os pressupostos legitimadores dessa pretensão.

(RE-228177) — Informativo 500 CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MINISTÉRIOS PÚBLICOS E COMPETÊNCIA DO SUPREMO Compete ao Supremo Tribunal Federal dirimir conflito de atribuições entre Ministérios Públicos (CF. Carlos Britto que. Enfatizou que. do CDC.2006). mas de preço público cobrado como contraprestação ao serviço de transporte público urbano. quanto à preliminar. inicialmente. por unanimidade.12. 1º. e. Eros Grau. I. Após. o que faria transparecer o interesse difuso em jogo.2007). conheceu de conflito negativo de atribuições entre os Ministérios Públicos do Estado de São Paulo e do Estado do Mato Grosso do Sul. Considerou-se que não teria sido praticado nenhum ato de conteúdo jurisdicional com força bastante para atrair a tipificação de conflito negativo de competência. reportando-se ao que decidido na ACO 756/SP (DJU de 31. esclareceu que não se estaria diante de tributo. art. Ademais.2007. I. ACO 853/RJ (DJU de 27. o Min. art. Min.3. (Pet-3631) — Informativo 491 CONCURSO PARA PROCURADOR DA REPÚBLICA E CARGO PRIVATIVO DE BACHAREL EM DIREITO O Tribunal indeferiu medida cautelar em mandado de segurança impetrado contra ato do Procurador-Geral da República que cancelara a inscrição preliminar do impetrante no 24º Concurso Público para provimento de cargos de Procurador da República (Edital 24/2007). o Tribunal. Precedentes citados: Pet 3528/BA (DJU de 3. rejeitou a tese utilizada no acórdão recorrido. Salientou-se. não conhecia do feito. tal como definido pelo art. no caso. Cezar Peluso.4. tratar-se-ia de controle da legalidade dos atos e contratos firmados pelo Poder Público municipal para a prestação à população dos serviços de transporte público urbano. rel. ao fundamento de que a Constituição não incluiu na competência judicante do STF conflito de atribuições entre nenhuma autoridade. rel.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO tarifas de transporte público urbano. 81. de que o Poder Judiciário não poderia se pronunciar sobre o assunto. Gilmar Mendes. o julgamento foi suspenso em virtude do pedido de vista do Min.3. Pet 3631/SP.4. Confirmando esse entendimento. RE 228177/MG.2008. indeterminados. reconheceu a competência do primeiro para apreciar suposto crime de receptação (CP. De outro lado. Considerou que a mencionada ação estaria voltada à proteção dos usuários (consumidores) do transporte coletivo público. 102. 180).2006). Vencido. a necessidade de se apresentar o pedido de liminar à apreciação do Plenário. 6. Min. por maioria. f ). em razão FGV DIREITO RIO 185 .

impetrara o MS 27013/DF.2010 Ministro Celso de Mello reafirma validade de investigação conduzida pelo MP O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello negou recurso ordinário em Habeas Corpus (RHC 83492) que pretendia anular investigação feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. MS 27158 MC-QO/DF.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO de manifestação divergente. em sede de liminar. anteriormente impetrara o MS 27014/DF contra a Resolução 93/2007 do Conselho Superior do Ministério Público Federal.93. Em sua decisão. Min. entretanto. desde 13.93. 129. o ato deveria ser considerado nulo desde o início. o deferimento da liminar pleiteada.1. Esclareceu-se que o ora impetrante.3. tendo obtido. de exercício de cargo.96. a defesa argumentou que o MP do Rio de Janeiro teria agido como polícia ao instaurar inquérito criminal e oferecer denúncia contra o empresário. não atendendo.2007).99. que responde por crime de corrupção ativa (suborno) por supostamente contribuir para um fundo destinado ao pagamento de propinas a funcionários públicos no estado. No recurso apresentado ao Supremo. ao menos no plano formal. desde 30. alegando que a exigência. de dois Ministros da Corte sobre questão aparentemente idêntica. (MS27158) — Informativo 495 NOTÍCIA DO STF EM 23. tendo em conta que. fora indeferido. em princípio. da CF. e é bacharel em Direito desde 1º. com base no que decidido na ADI 3460/DF (DJU de 15.2. O pedido de liminar. O pedido de anulação foi feito pela defesa do empresário José Caruzzo Escafura. De acordo com os advogados. 21. da isonomia e da razoabilidade. Concluiu-se não haver razões suficientes para reputar ilegal ou inconstitucional o ato ora impugnado. o que poderia gerar consequências concretas que violariam o princípio da igualdade. Gilmar Mendes. o cargo exercido pelo impetrante não seria privativo de bacharel em Direito. investigação de natureza penal”. nesse writ.12. o disposto no art. FGV DIREITO RIO 186 . o ministro ressaltou que “o Ministério Público dispõe de competência para promover. por autoridade própria.2.6. Ocorre que outra candidata. rel. que exerce o cargo de auditor fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná. nos termos do que definido no julgamento da ADI 3460/DF. e bacharel em Direito desde 27. emprego ou função públicas privativos de bacharel em Direito para inscrição no concurso para provimento de cargos de Procurador da República feria os princípios da legalidade.4. questionando a mesma Resolução. ocupante do cargo de analista tributário da Receita Federal do Brasil. para a comprovação de atividade jurídica. § 3º.2008.

supostamente envolvidos em práticas como corrupção ativa e passiva. Envolvido na investigação. destacou. ambos. novos depoimentos. pois tais informações podem servir para sua própria defesa. em última análise. especialmente em decisões da Segunda Turma da Corte. os atos de investigação realizados pelos organismos policiais.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Decisão Fundamentado em jurisprudência do STF. ele próprio. novos esclarecimentos. o empresário José Caruzzo Escafura teve negada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro alegação quanto à nulidade da investigação conduzida pelo Ministério Público — decisão que foi posteriormente confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça e contra a qual foi impetrado o RHC 83492 no Supremo. O ministro lembrou. da persecução penal e da concernente apuração da verdade real”. apesar de a presidência do inquérito policial caber à autoridade policial. que nem o Ministério Público e nem a Polícia Judiciária estão autorizados a desrespeitar as garantias jurídicas que assistem ao suspeito e ao indiciado. nada impede que o órgão da acusação penal (Ministério Público) possa solicitar. nessa condição. à Polícia Judiciária. promove a convergência de dois importantes órgãos estatais (a Polícia Judiciária e o Ministério Público) incumbidos. mediante requisição de novos elementos informativos e acompanhamento de diligências investigatórias. além de outras medidas de colaboração. que. delegados de polícia e outros agentes policiais. que não mais podem ser considerados meros objetos de investigação. o ministro negou o recurso para considerar válida a investigação promovida pelo Ministério Público fluminense. o ministro Celso de Mello destacou que. de garantias legais e constitucionais”. Celso de Mello ressaltou ainda que “a atuação do Ministério Público no contexto de determinada investigação penal. “O indiciado é sujeito de direitos e dispõe. FGV DIREITO RIO 187 . longe de comprometer ou de reduzir as atribuições de índole funcional das autoridades policiais — a quem sempre caberá a presidência do inquérito policial — representa. na realidade. no entanto. Ao concluir que a investigação por parte do Ministério Público reveste-se de integral legitimidade constitucional. Ele também ressaltou que a pessoa investigada tem o direito assegurado de ter acesso a toda informação já produzida e formalmente incorporada aos autos como provas. ou novas diligências. o exercício concreto de uma típica atividade de cooperação. sem prejuízo de poder acompanhar. Esse caso envolveu extensa investigação criminal promovida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro contra chefes do crime organizado.

é correto afirmar que: (Concurso para Técnico Administrativo do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — março de 2007) (a) É presidido sempre por membro do Ministério Público.br > artigos Investigação Criminal e Ministério Público. (e) Compete ao Corregedor nacional requisitar servidores do Ministério Público e.com. a cada biênio. Sobre o Conselho Nacional do Ministério Público. para um mandato de dois anos.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO LEITURAS COMPLEMENTARES O controle externo do Ministério Público.cleveadvogados. Humberto Dalla Bernadino Pinho.com. alternando-se na função. Artigo disponível no site: http://www.br QUESTÕES ACERCA DA MATÉRIA 01.Artigo disponível no site: http://www. (c) Limita-se a receber e conhecer reclamações contra membros do Ministério Público. Artigo disponível no site: http:// www. 02. um representante da União e um dos Estados. Clèmerson Merlin Clève.adv. é correto afirmar que o Conselho Nacional do Ministério Público: (Concurso para Técnico Superior Processual do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — março de 2007) (a) Não possui poder regulamentar. Clèmerson Merlin Clève.cleveadvogados. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. (b) Tem seus membros nomeados pelo Procurador-Geral da República. (d) Cabe-lhe rever e desconstituir os atos administrativos ilegais praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados. requisitar membros do Ministério Público. após autorização do Congresso Nacional. FGV DIREITO RIO 188 . Artigo disponível no site: http://www.mundojuridico. De acordo com as normas constitucionais.br A Constituição e os requisitos para investidura do Chefe do Ministério Público nos Estados. Hugo Nigro Mazzili. (b) Tem legitimidade para propor ação judicial para demissão de membro vitalício.pro. admitida uma recondução.humbertodalla.br > artigos Direito Individual Homogêneo e Legitimidade do Ministério Público: visão dos Tribunais Superiores.

deixando de oferecer ação penal contra indiciado com quem supostamente manteria relações de amizade. Irresignado com a situação. o Promotor de Justiça que dele era titular se submete a qual situação funcional? Explique as possibilidades decorrentes dessa situação. embora todos os elementos para o ajuizamento da denúncia estivessem presentes. O acréscimo ou supressão da competência do juízo alteram imediatamente a atribuição do órgão de execução? RESPOSTA OBJETIVAMENTE JUSTIFICADA.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (c) É órgão subordinado diretamente ao Ministério Público da União. foram praticados para a salvaguarda do interesse público. (b) a investigação gera uma ruptura do sistema constitucional de divisão dos poderes. (XXX Concurso para Ingresso Ministério Público/RJ — 2008 — Princípios Institucionais do Ministério Público — Prova específica) 04. (XXX Concurso para ingresso no Ministério Público/RJ — 2008 — Princípios Institucionais do Ministério Público — Prova preliminar) 05. já que todos os atos. Após a regular tramitação do processo administrativo. no seu entender. sendo manifestamente ilícita. pois afronta a total liberdade política do Administrador. Em caso de extinção de vara judicial junto à qual atua órgão de execução. o Corregedor Nacional constata a veracidade dos fatos e aplica a sanção de remoção do membro do Ministério Público. referido agente busca amparo no Conselho Nacional do Ministério Público. o Conselho Nacional do Ministério Público acolhe os argumentos FGV DIREITO RIO 189 . O Corregedor Nacional do Ministério Público recebe uma mensagem eletrônica apócrifa noticiando que determinado Promotor de Justiça omitese deliberadamente no exercício de suas funções. com a consequente designação direta de outro Promotor de Justiça para o oferecimento imediato da denúncia. argumentando que: (a) o juízo valorativo do membro do Ministério Público em relação aos fatos é equivocado. com base nas garantias constitucionais e na disciplina normativa institucional. Determinando a instauração direta de procedimento disciplinar. incluindo remoção compulsória. por tratar-se de órgão excepcional de controle externo do Ministério Público. 03. (e) Pode aplicar sanções administrativas aos membros Ministério Público. Determinado agente público é notificado pelo órgão com atribuição do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para prestar esclarecimentos em inquérito civil que apura o seu possível envolvimento na prática de atos de improbidade administrativa. (d) Age apenas por provocação. As providências adotadas estão corretas? RESPOSTA OBJETIVAMENTE JUSTIFICADA.

À luz desses fatos. (XXIX Concurso para ingresso no MP/RJ — 2007 — Direito Constitucional — Prova preliminar) FGV DIREITO RIO 190 . questiona-se: é juridicamente correta a decisão do Conselho? RESPOSTA OBJETIVAMENTE JUSTIFICADA. aplicar ao Promotor de Justiça a sanção de aposentadoria compulsória com proventos proporcionais ao tempo de serviço. face à gravidade do fato.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO apresentados para trancar o inquérito civil e.

A segurança pública. dirigidas por delegados de polícia de carreira. o contrabando e o descaminho. organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. dever do Estado. através dos seguintes órgãos: I — polícia federal. IV — polícias civis. instituída por lei como órgão permanente. organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. incumbem. V — polícias militares e corpos de bombeiros militares. aeroportuária e de fronteiras. prevê a Carta Magna de 1988 um capítulo específico sobre a Segurança Pública (Capítulo III). Às polícias civis. II — polícia rodoviária federal. as funções de polícia judiciária da União. destina-se a: I — apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. A polícia ferroviária federal é um órgão permanente. com exclusividade. exceto as militares. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. na forma da lei. 144. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. A polícia rodoviária federal é um órgão permanente. destina-se. II — prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. A polícia federal. segundo se dispuser em lei. as demais polícias são estaduais. destina-se. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. organizado e mantido pela União e estruturado em carreira.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO AULA 12: A POLÍCIA FEDERAL A POLÍCIA FEDERAL O constituinte originário fez questão de estabelecer de forma expressa as diretrizes principais da segurança pública em nosso país. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. dentro do Título destinado à Defesa do Estado e das Instituições Democráticas. III — exercer as funções de polícia marítima. Assim. nos seguintes termos: “Art. IV — exercer. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. III — polícia ferroviária federal.” Salvo as três primeiras. na forma da lei. FGV DIREITO RIO 191 . direito e responsabilidade de todos. ressalvada a competência da União.

incumbe a execução de atividades de defesa civil. inicia e se completa no âmbito da função administrativa. prepara a atuação da função jurisdicional penal. amp. aquele a quem se atribui o cometimento do ilícito penal.. é órgão permanente. por sua vez. Aos corpos de bombeiros militares.. além das atribuições definidas em lei. 4º e seguintes) e executada por órgãos de segurança (polícia civil ou militar). ao passo que a Polícia Administrativa o é por órgãos administrativos de caráter mais fiscalizador. embora seja atividade administrativa. Lúmen Júris. Em âmbito federal. as funções de polícia judiciária da União. Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública.. exceto as militares.. o que a faz regulada pelo Código de Processo Penal (arts. 69. é atribuição da Polícia Federal exercer. é dever do Estado. p.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Às polícias militares. cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. nós temos a presença das polícias civis e militares. e at. (. nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.) Por pretender evitar a ocorrência de comportamentos nocivos à coletividade. ressalvada a competência da União. Já a Polícia Judiciária tem natureza predominantemente repressiva. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. Os mesmo não ocorre com a Polícia Judiciária. Segundo José dos Santos Carvalho Filho123: “ A Polícia Administrativa á atividade da Administração que se exaure em si mesma. Outra diferença reside na circunstância de que a Polícia Administrativa incide basicamente sobre atividades dos indivíduos. incumbindo-lhes.. consoante expressa previsão constitucional. rev. ou seja. Já as polícias civis são dirigidas por delegados de polícia de carreira (ingressos por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos). (. 123 CARVALHO FILHO. por fim. José dos Santos. Compõe a segurança pública que. com exclusividade.)” No âmbito estadual. Manual de Direito Administrativo. A POLÍCIA FEDERAL A Polícia Federal. organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. 15ª edição. enquanto a polícia judiciária preordenase ao indivíduo em si. eis que se destina à responsabilização penal do indivíduo. que. reveste-se a Polícia Administrativa de caráter eminentemente preventivo: pretende a Administração que o dano social sequer chegue a consumar-se. FGV DIREITO RIO 192 . A doutrina clássica costuma classificar a polícia em dois grandes ramos: a polícia administrativa e a polícia judiciária. 2006. É no estudo da polícia federal que iremos nos ater um pouco mais nesta aula. portanto. ou seja.

ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO direito e responsabilidade de todos e é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Art. quando a Lei nº 4.” O decreto nº 6378. das funções de Polícia Judiciária da União. de maneira simplificada. 6378. ATRIBUIÇÃO CONSTITUCIONAL O art. 200. O Conselho Superior de Polícia concluiu. bem como diligências em procedimentos existentes. tendo sido. Como órgão específico singular. Em 1967. com o advento do Decreto-Lei nº. Neste contexto.144. Atente-se que o Ministério Público tem. dentre suas atribuições constitucionais. FGV DIREITO RIO 193 . considerando-se automaticamente substituída por esta denominação a menção à anterior constante de quaisquer leis ou regulamentos. destaque-se não haver dúvida acerca da atribuição constitucional para a investigação policial. há alteração de nomenclatura. vige até o dia 16 de novembro de 1964. (v. a de requisitar a instauração de procedimento policial. missão de um grupo de trabalho o estudo e pesquisa de subsídios que possibilitassem a decisão pelo Conselho Superior de Polícia da data real de criação do Departamento de Polícia Federal. quando a Polícia Civil do Distrito Federal foi transformada em Departamento Federal de Segurança Pública objetivando a federalização da atividade policial. O resultado deste trabalho foi publicado no livro editado com o objetivo de comemorar os 60 (sessenta) anos do DPF. Esta é a data que parte dos policiais federais acreditava ser a origem do DPF.144.210 daquele dispositivo legal. §1º da Constituição da República Federativa do Brasil prevê dentre as atribuições da Polícia Federal. é autônomo administrativa e financeiramente e tem por finalidade a execução. inclusive. §1º. com exclusividade. “Departamento de Polícia Federal — 60 anos — a serviço do Brasil” em 2004.483 determina a reorganização do Departamento. o exercício. que a Polícia Federal foi criada pelo Decreto nº. de 28 de março de 1944. das atribuições constitucionais previstas no art.210: “o atual Departamento Federal de Segurança Pública passa a denominar-se Departamento de Polícia Federal. 5834. Decreto nº. nos termos do art. de 28 de março de 1944. além das previstas em legislação complementar. de 06 de julho de 2006) ORIGEM A origem do Departamento de Polícia Federal (DPF) é controvertida. em todo o território nacional.

446/2002) É atribuição do DPF a prevenção e repressão ao tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. bem como exijam repressão uniforme.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Prevê a Carta Magna que compete à Polícia Federal. 1º. desde que tais crimes tenham repercussão interestadual ou internacional. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. o contrabando e o descaminho de bens e valores. sem prejuízo da manutenção da ordem pública pelas Polícias Militares dos Estados. Por fim. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em mais de um Estado da Federação. (Lei 10. Quando fundadas em atividades de inteligência.446/02. violação a direitos humanos. senão vejamos: O Departamento de Polícia Federal. quando se tratar de crime de competência federal. A Polícia Federal atua também quando há turbação e esbulho possessório dos bens da União e das entidades integrantes da Administração Pública Federal. Outros crimes não dispostos no caput. sem prejuízo dos demais órgãos da segurança pública. transportadas em operação interestadual ou internacional. prejuízo direto aos FGV DIREITO RIO 194 . praticado por motivação política ou em razão da função pública exercida pela vítima. inerente ao poder de investigar. da Lei 10. Cumpre destacar a relevância social e a importância jurídica dos trabalhos desenvolvidos pelo DPF no exercício de suas atribuições. traz consequências e reflexos imediatos para a sociedade. mas que também tenham repercussão interestadual ou internacional dependem de determinação do Ministro da Justiça para apuração pelo Departamento de Polícia Federal. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. formação de cartel. poderá atuar nas investigações dos crimes dispostos no art. inclusive bens e valores. Os crimes previstos no dispositivo são: sequestro. A liberdade de iniciativa. bem como previne e reprime esses crimes. segundo se dispuser em lei.446/02. do art. cárcere privado e extorsão mediante sequestro. o exercício da polícia judiciária da União permite o desenvolvimento de uma atividade bastante dinâmica. apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. roubo ou receptação de cargas. aeroportuária e de fronteiras. 1º. Além das atribuições contitucionais existem outras atribuições da Polícia Federal. as investigações podem identificar e interromper a atuação de organizações criminosas que causam. o texto constitucional diz ser atribuição da Polícia Federal o exercício das funções de polícia marítima. furto. caput. da Lei 10. Instaura ainda inquéritos relacionados aos conflitos agrários ou fundiários e os deles decorrentes. de maneira continuada. Mais do que apurar fatos pretéritos.

tanto no âmbito do direito formal quanto substancial (como. g.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO cofres públicos com reflexo danoso para toda a sociedade. que define as competências específicas de cada unidade e as atribuições de seus dirigentes. O DPF é composto de unidades centrais e descentralizadas cujas atribuições estão disciplinadas na Instrução Normativa nº 13. o que evidencia o caráter de carreira jurídica do cargo de delegado de polícia federal. como a educação e saúde. ainda que condicionados a uma apreciação posterior pelo Ministério Público e pelo Judiciário. em matéria de produção de prova. na medida em que os inquéritos são concluídos e relatados. a atividade da polícia judiciária da União traz importantes consequências na esfera jurídica. As ações policiais provocam constantes posicionamentos do Ministério Público e do Poder Judiciário. o exercício da subsunção e verificação da legalidade dos procedimentos de investigação) é feito na esfera policial. É nesse instante que as diversas teses jurídicas sustentadas durante a fase de investigação. o primeiro juízo em matéria penal e processual penal (v. A simples desarticulação de tais organizações (portanto. adequação da tipificação penal. o organograma da Instituição: FGV DIREITO RIO 195 . beneficiando a população com a melhoria dos serviços públicos prestados. Veja abaixo. por exemplo. valores antes desviados para enriquecer as contas da corrupção poderão finalmente chegar ao seu destino original. Por consequência. etc. antes mesmo de haver processo penal ou formação de culpa) traz o efeito imediato de estancar as ações criminosas que atingem a Administração Pública e a impedem de promover a sua função social.) serão apreciadas e decididas. Além de repercutir diretamente em favor da sociedade. Em outras palavras. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A estrutura organizacional do Departamento de Policia Federal está prevista na Portaria 1825/2006. de 15 de junho de 2005.

CASO DE SEDIMENTAÇÃO No dia 17 de maio de 2007. Pretende-se mostrar estrutura de uma instituição que muitas vezes é conhecida apenas pelo resultado que seus trabalhos alcançam na mídia e que teve sua credibilidade recentemente reconhecida em pesquisa sobre as instituições que compõem o aparelho criminal estatal. o presente texto demonstra suas atribuições constitucionais. estudante de Direito que se preparava para ir à aula enquanto assistia os primeiros jornais da manhã pela televisão se deparou com a seguinte notícia: FGV DIREITO RIO 196 . a importância da atuação combinada das diversas instituições com o objetivo de prevenção e repressão a crimes. estimulando o estudante de direito a conhecer mais uma Instituição da qual poderá fazer parte após a sua formação. sua estrutura orgânica.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO ORGANOGRAMA CONCLUSÃO Objetivando apresentar de maneira breve a Polícia Federal ao aluno. João.

assegurava a liberação de pagamentos de obras superfaturadas. Cerca de 400 policiais federais estão mobilizados na captura dos suspeitos no Distrito Federal e em nove Estados (Alagoas. principalmente os responsáveis pelo pagamento das propinas.” Os mandados de busca e apreensão foram decretados pela Ministra do Superior Tribunal de Justiça. obtinha a vitória das empresas envolvidas nas licitações para executar as obras e. segundo. Quanto a obras municipais.br. Segundo a PF. Há ainda 84 mandados de busca e apreensão a serem cumpridos”. das Cidades. Mato Grosso. Bahia. e do DNIT. prefeitos e deputados. O grupo era organizado em três níveis. além do encaminhamento de todos os presos na operação para Brasília. ocasionou a atuação da polícia federal? 124 Notícia publicada no portal do site Terra no dia 17 de maio de 2007: www. objetivamente. Eliana Calmon. irregulares ou mesmo inexistentes. garantia o direcionamento de verbas públicas para obras de interesse da quadrilha. Goiás. tendo a mesma determinado o bloqueio de contas e a indisponibilidade de bens imóveis dos integrantes do esquema. Com base nestes dados João se pergunta: está correta a atuação da Polícia Federal neste caso? Não seria hipótese de atuação da polícia civil presente em cada Estado da Federação? O que. Min. No segundo. FGV DIREITO RIO 197 . Sergipe. deflagrada às 6h desta quintafeira. por meio de fraudes em licitações. terra. as fraudes ocorreram nos Estados de Alagoas.124 Interessado. atuavam pessoas diretamente ligadas à construtora Gautama. São Paulo). No último havia autoridades públicas que tinham a função de remover obstáculos à atuação da organização criminosa. Maranhão. estavam os auxiliares e intermediários. Maranhão. Sergipe. A quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia. já deteve 46 suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos públicos federais. No primeiro. Piauí e Distrito Federal. funcionários públicos e empresários. Em nível estadual. Piauí. do Planejamento. o esquema tinha três etapas: primeiro.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “A Operação Navalha da Polícia Federal. por fim. da Integração Nacional. Entre os detidos estão ex-governadores. João acessou a internet e leu ainda outras notícias acerca da operação: “As investigações começaram em novembro de 2006. Pernambuco. estariam envolvidas autoridades de cidades Camaçari (BA) e Sinop (MT).com.

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CASO DE SEDIMENTAÇÃO Em novembro de 2007, João, estudante de Direito, ao se preparar para ir à aula enquanto lia os jornais, se deparou com a seguinte notícia: “O criminoso conhecido como Zé, preso por tráfico internacional de drogas, interpôs Habeas Corpus junto ao Tribunal de Justiça contra denúncia oferecida por Promotor de Justiça. Segundo o acusado, o membro do Parquet estaria impedido de funcionar na fase processual tendo em vista que ele mesmo, pessoalmente, colheu as declarações das testemunhas de acusação em seu gabinete, oferecendo posteriormente a exordial acusatória. Além disso, a defesa de Zé alega ser da polícia federal a exclusividade das atividades de polícia judiciária da União”. João se questiona: O crime em questão — tráfico internacional de drogas —, não suscita a atuação investigatória pela Polícia Federal? Não dispõe a Constituição de 1988 que a função de polícia judiciária é de exclusividade da polícia federal? Procedem os argumentos apresentados pela defesa do traficante internacional?

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AULA 13: ADVOCACIA, DEFENSORIA PÚBLICA E ADVOCACIA PÚBLICA

ADVOCACIA A Constituição de 1988 deu, pela primeira vez, estatura constitucional à advocacia, institucionalizando-a no Título IV “Da Organização da Justiça”, ao lado do Ministério Público e da Advocacia-Geral da União. Os advogados são “pessoas que, por seu conhecimento do direito, legislação e jurisprudência, aconselham as partes litigantes e sustentam seus direitos em juízo, esclarecem os juízes e, devidamente habilitados, com procuração legítima e bastante das partes, dirigem a causa, alegando de fato e de direito tudo quanto convenha aos interesses de seus constituintes125”. O constituinte erigiu a princípio constitucional a indispensabilidade e a imunidade do advogado, prescrevendo em seu artigo 133: “O advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.” A denominação advogado é privativa dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, sendo o advogado profissional legalmente habilitado a orientar, aconselhar e representar seus clientes, bem com a defender-lhes os direitos e interesses em juízo ou fora dele. A Ordem dos Advogados do Brasil, criada pelo art. 17 do Dec. Nº 19.408/1930, é serviço público, dotado de personalidade jurídica e forma federativa, tendo finalidades fixadas no próprio Estatuto da Advocacia.
“I — defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas; II — promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil.”

Para inscrição em seu quadro é preciso ser bacharel em Direito, com diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e aprovação no Exame de Ordem. Para o regular exercício da profissão de advogado, o interessado não poderá ainda ter qualquer impedimento ou incompatibilidade. O Estatuto da OAB, Lei nº 8.906/1994, em seu artigo 27 distingue a incompatibilidade, que seria uma proibição total, do impedimento, que é a proibição parcial para o exercício da advocacia.

125 Manual do advogado, 1926, apud LANGARO, Luiz Lima. Curso de deontologia jurídica, 2. ed, 1996.

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A exigência de aprovação prévia no Exame da Ordem, como requisito para inscrição nos quadros da OAB, está prevista no art. 8º, inciso IV, da Lei 8.906/94. No entanto, a obrigatoriedade do exame foi questionada no STF através do Recurso Extraordinário nº 603.583. Para o Min. Marco Aurélio, relator do recurso, “o exame serve ao propósito de avaliar se estão presentes as condições mínimas para o exercício da advocacia e para oferecer à coletividade profissionais qualificados”126. Com base neste entendimento, os ministros do Supremo reconheceram, por unanimidade, a constitucionalidade deste dispositivo e negaram provimento ao recurso, por considerarem “que a exigência do exame está de acordo com os princípios constitucionais, baseado no interesse público de proteger a sociedade do exercício de profissões capazes de gerar algum tipo de dano à coletividade”127. São atividades privativas da advocacia a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais, bem como as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas (Art. 1º do Estatuto da OAB). Conclui-se, portanto, que as atividades dos advogados podem se desdobrar em judicial (de caráter predominantemente contencioso) e extrajudicial (eminentemente preventiva). Cumpre ressaltar que o Estatuto da Advocacia (Lei nº 8906/1994) foi objeto de ação direta de inconstitucionalidade com relação a vários de seus dispositivos, tendo o STF suspendido liminarmente a eficácia do artigo que prescreve a obrigatoriedade de advogado perante os juizados especiais, por ter vislumbrado na norma ofensa ao princípio constitucional do amplo acesso à Justiça (ADI 1127/DF — Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade — Min. Paulo Brossard — julgamento em 06/10/1994). O advogado, na defesa judicial de seu cliente, age com legítima parcialidade institucional.
“Art. 2º § 2º No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de decisão favorável ao seu constituinte, ao convencimento do julgador, e seus atos constituem múnus público”

Muito se discute a respeito da natureza jurídica da advocacia. Modernamente, fixou-se o entendimento de que a advocacia é, ao mesmo tempo, ministério privado e indispensável ao serviço público. Trata-se, portanto, do exercício privado de função pública e social. Entre juízes de qualquer instância, advogados e membros do Ministério Público não há hierarquia nem subordinação, devendo-se todos consideração e respeito recíprocos. Há que lembrar aqui, porém, que o princípio da indispensabilidade da intervenção do advogado não é absoluto, como se poderia pensar. É possível que a lei em casos excepcionais outorgue o ius postulandi a qualquer pessoa. Isso já ocorre com o habeas corpus, pois sua interposição há que ser feita à luz do princípio do direito de defesa assegurada constitucionalmente (Artigo

126 Notícia publicada no site do STF em 26.10.2011: www.stf.jus.br 127 Notícia publicada no site do STF em 26.10.2011: www.stf.jus.br

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5º, LX), que inclui, sem sombra de dúvida, o direito à autodefesa, e também na revisão criminal, conforme dispõe o artigo 623 do Código de Processo Penal. Por fim, nesta exposição geral sobre a advocacia, cumpre reforçar que a inviolabilidade do advogado, por seus atos e manifestações no exercício da profissão, não é absoluta, sujeitando-se aos limites legais. Foi o que decidiu o Supremo Tribunal Federal no RHC 69619/SP. Desta forma, haverá excesso impunível se a ofensa irrogada for vinculada à atividade funcional e pertinente à pretensão que esteja o advogado defendendo em juízo. A imunidade inexistirá quando a ofensa for gratuita, desvinculada do exercício profissional e não guardar pertinência com a discussão da causa. Por exemplo, o Código Penal, em seu artigo 142, I, prevê que “não constituem injúria ou difamação punível: I — a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador”. São causas de exclusão do crime apenas com relação aos delitos que menciona — injúria e difamação —, mas não quanto à calúnia, que omitira. Assim, a imunidade do advogado não foi estendida à calúnia nem com a superveniência da Lei nº 8.906/1994, — o Estatuto da Advocacia e da OAB —, cujo art. 7º, § 2º, só lhe estendeu o âmbito material — além da injúria e da difamação, nele já compreendidos conforme o código, ao desacato. Quanto ao desacato inclusive, o Supremo Tribunal Federal, na Adin nº 1127-8, rel. Min Paulo Brossard, suspendeu liminarmente a eficácia da expressão “ou desacato” contida no Artigo 7º, §2º do Estatuto da OAB, que alargava a abrangência da imunidade material dos advogados. Da mesma forma, limita-se a imunidade do advogado quando a ofensa se dirige contra magistrado:
“HC 82190 / RN — RIO GRANDE DO NORTE HABEAS CORPUS Relator(a): Min. GILMAR MENDES Julgamento: 22/10/2002 Órgão Julgador: Segunda Turma EMENTA: HABEAS CORPUS. ADVOGADO DENUNCIADO PELA PRÁTICA DE CRIMES DE DIFAMAÇÃO E INJÚRIA CONTRA MAGISTRADO. — Não há como se trancar a ação penal se a conduta configura, em tese, crime. — A conduta do denunciado não encontra respaldo na imunidade profissional do advogado, que nem é absoluta, nem agasalha a ofensa dirigida a magistrado. — Não há como, por meio de habeas corpus, investigar-se a existência ou não do dolo, em face da inexistência de dilação probatória. — Habeas corpus indeferido.”

Por fim, cabe lembrar que a profissão de advogado tem assegurada, por lei, alguns direitos que se constituem, na verdade, prerrogativas para o fiel e correto desempenho da função. São exemplos destes direitos o Artigo 6º e 7º do Estatuto da OAB, Artigos 20 e 40 do Código de Processo Civil. Por outro

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para defendê-lo. em caráter efetivo. possuem uma volatilidade que lhes é inerente. como chefe do Poder Executivo Federal) e representante. Como exceção. a Constituição reconhece o status especial dos Advogados Públicos. Artigo 34 do Estatuto da Advocacia e Artigo 14 e 39 do Código de Processo Civil. consoante a LC nº 73/1993 compreende: FGV DIREITO RIO 202 . de candidatos habilitados em concursos públicos. A Advocacia-Geral da União. O ingresso nas carreiras da Advocacia-Geral da União ocorre nas categorias iniciais. pessoal e imediata supervisão do presidente da República. Eis alguns deles: Artigo 2º. A composição da Advocacia-Geral da União.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO lado. pois exercem uma função essencial à Justiça. o Advogado-Geral da União não possui as mesmas garantias que dispõe o Procurador Geral da República. mediante nomeação. ADVOCACIA PÚBLICA A Constituição Federal de 1988 rompeu a tradição existente da representação judicial da União ser atribuição do Ministério Público. §3º). Todavia. e obedecida a ordem de classificação. é organismo criado pela Constituição de 1988 e instituído pela Lei Complementar nº 73/1993. como tais. que diretamente. também restaram previstos na legislação diversos deveres e consequentes infrações a que se submetem os advogados. o constituinte originário reconheceu o Ministério Público como defensor da sociedade e criou uma outra instituição diretamente ligada ao Poder Executivo. cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. portanto. representa a União. São nomeações que se caracterizam por ser pessoais e políticas e. judicial e extrajudicialmente. temos a execução da dívida ativa de natureza tributária cuja competência foi constitucionalmente atribuída a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (Artigo 131. de livre nomeação pelo presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos. de provas e títulos. de notável saber jurídico e reputação ilibada. financeira e orçamentária. Inovando substancialmente a instituição. para melhor cumprir sua missão. Daí a necessidade de que as Instituições de advocacia pública tenham autonomia administrativa. ou por meio de órgão vinculado. Essa liberdade de escolha se justifica pelo fato da necessária relação de confiança que deve existir entre representado (presidente da República. A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União. Por isso. o AdvogadoGeral da União está submetido à direta. não possuindo investidura garantida por tempo determinado. podendo ser demitido ad nutum conforme conveniência do Poder Executivo. 8º a 19. Tendo em vista esta especificidade. 44 a 46 do Código de Ética e Disciplina.

após manifestação do procurador-geral da República. III — órgão de assistência direta e imediata ao Advogado-Geral da União: o Gabinete do Advogado-Geral da União”. O advogado-geral da União. d) o Conselho Superior da Advocacia-Geral da União. ingressa com embargos de declaração alegando ser obrigatória a sua intervenção no feito (omissão quanto a questão de ordem pública). então. aprovados pelo Presidente da República e publicados. II — órgãos de execução: a) as Procuradorias Regionais da União e as da Fazenda Nacional e as Procuradorias da União e as da Fazenda Nacional nos Estados e no Distrito Federal e as Procuradorias Seccionais destas. tendo em vista ser esta decisão irrecorrível (Art. b) a Consultoria da União. 2º — A Advocacia-Geral da União compreende: I — órgãos de direção superior: a) o Advogado-Geral da União. Da mesma forma ocorre como as súmulas da Advocacia-Geral da União que têm caráter obrigatório quantos aos órgãos jurídicos enumerados no Artigo 2º supra descrito e quanto aos órgãos jurídicos das autarquias e fundações.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO “Art. e e) a Corregedoria-Geral da Advocacia da União. Os pareceres do advogado-geral da União. julga a ação procedente. vinculam a Administração Federal. c) Consultoria-Geral da União. 26 da Lei nº 9868/1999). como uma das etapas do concurso público para professores. da Secretaria-Geral e das demais Secretarias da Presidência da República e do Estado-Maior das Forças Armadas. b) a Procuradoria-Geral da União e a da Fazenda Nacional. cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento (Artigos 39 e seguintes da LC 73/93). O STF. as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. a submissão a exame psicotécnico. CASO DE SEDIMENTAÇÃO: Um partido político com representação no Congresso Nacional propõe uma Ação Declaratória de Constitucionalidade perante o STF visando ver afastada a incerteza jurídica quanto à constitucionalidade de uma lei estadual que exige. com base inclusive em sua súmula 686 (Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público). Pergunta-se: procede a alegação do AGU? FGV DIREITO RIO 203 .

seu modo de ingresso. existem as Procuradorias-Gerais do Estado. a defesa em juízo ou fora dele. sendo de iniciativa privativa do governador do Estado a lei complementar que irá tratar da matéria. A competência para legislar sobre a organização administrativa e judiciária da PGE é da Assembléia Legislativa. na esfera estadual. dos atos e prerrogativas do prefeito. após relatório circunstanciado das corregedorias. cargos. na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação judicial e consultoria jurídica das respectivas unidades federadas e serão organizadas em carreira. de supervisionar os serviços jurídicos da administração direta e indireta no concernente às Autarquias. A Procuradoria Geral do Estado possui dotação orçamentária própria. a previsão encontra-se na Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro — Artigos 134-136 — e na Lei 788/85. destacando-se as de funcionar como órgão central do sistema jurídico estadual. o exercício de funções de consultoria jurídica da Administração. nos Municípios. direitos. No caso do Estado do Rio de Janeiro. garantias e prerrogativas. autonomia financeira e também administrativa. porém. A Emenda Constitucional nº 19/1998. A PGM/RJ é o órgão do Poder Executivo ao qual compete a representação judicial do Município e de suas autarquias. a Procuradoria Geral do Município. Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista no âmbito do Poder Executivo. a cobrança administrativa e judicial da dívida ativa do Município. defender em juízo ou FGV DIREITO RIO 204 . a organização e funcionamento da Procuradoria Geral do Estado estão descritos na Lei Complementar Estadual nº 15 de 1980.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO PROCURADORIA GERAL DO ESTADO Em simetria a este organismo representativo. PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Em simetria a Procuradoria Geral do Estado existe. ativa ou passivamente. Suas principais atribuições estão previstas no Artigo 132 da Constituição Federal e no Artigo 176 a Constituição do Estado. inovou ao exigir a participação obrigatória da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases do concurso. de oficiar no controle interno da legalidade dos atos da Administração Pública e de exercer a defesa dos interesses legítimos do Estado. Possui ainda competência privativa para a cobrança judicial e extrajudicial da dívida ativa do Estado. mediante a avaliação de desempenho perante os órgãos próprios. deveres. A estabilidade será adquirida pelos procuradores após três anos de efetivo exercício. Fundações. No Rio de Janeiro. que dispõe sobre a carreira de Procurador do Estado.

é privativo de Procuradores do Município. 3º da Lei nº 788/1985. 135 — Além de outras competências estabelecidas em lei. instituição essencial à Justiça.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO fora dele o Legislativo municipal e responder a consultas por ele formuladas. § 2º — A Procuradoria-Geral oficiará obrigatoriamente no controle interno da legalidade dos atos do Poder Executivo e exercerá a defesa dos interesses legítimos do Município. incluídos os de natureza financeiro-orçamentária. dentre outras competências disciplinadas no Art. § 5º — Lei complementar disciplinará a organização e o funcionamento da Procuradoria-Geral. de supervisionar os serviços jurídicos da administração direta. são organizados em carreira na qual o ingresso depende de concurso público de provas e títulos realizado pela Procuradoria-Geral do Município. ressalvadas as competências da Procuradoria-Geral da Câmara Municipal. diretamente vinculada ao Prefeito. com iguais direitos e deveres. assegurada em sua organização a participação da Ordem dos Advogados do Brasil. observados os requisitos estabelecidos em lei complementar. são exercidas pelos Procuradores do Município. como órgão central do sistema jurídico municipal. § 1º — Os Procuradores do Município. com funções. Título III — Da Organização dos Poderes Capítulo III — Do Poder Executivo Seção VII — Da Procuradoria-Geral do Município Subseção II — Da Competência Privativa Art. 134 — A representação judicial e a consultoria jurídica do Município. “Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro Título III — Da Organização dos Poderes Capítulo III — Do Poder Executivo Seção VII — Da Procuradoria-Geral do Município Subseção I — Das Atribuições e Organização Art. FGV DIREITO RIO 205 . excetuados aqueles dos serviços de apoio. bem como a carreira e o regime jurídico dos Procuradores. § 4º — A Procuradoria-Geral do Município prestará qualquer informação dos dados que dispuser a qualquer do povo que o requerer. indireta e fundacional no âmbito do Poder Executivo. compete privativamente à Procuradoria-Geral do Município a cobrança judicial e extrajudicial da dívida ativa do Município. sem prejuízo das atribuições do Ministério Público do Estado e da Procuradoria Especial do Tribunal de Contas do Município. membros da Procuradoria-Geral. § 3º — O exercício de cargos comissionados na Procuradoria-Geral do Município.

A direção da instituição compete ao Procurador Geral. Além disso. sob supervisão da Procuradoria-Geral do Município. As desapropriações. zelando tanto pela otimização dos serviços públicos prestados pela prefeitura. sem representação judicial. necessárias à condução da política de obras e serviços públicos no âmbito municipal. as quais serão chefiadas preferencialmente por Procurador do Município ou por Assistente Jurídico. licitações e convênios celebrados pela administração municipal. isto é. 136 — Integram o sistema jurídico municipal as Assessorias Jurídicas da administração direta. § 1º — Os Assistentes Jurídicos do Poder Executivo e dos órgãos a este vinculados exercem suas funções.” Na área de urbanismo e do meio-ambiente. A PGM. 2ª e 3ª categorias). § 2º — Ao Assistente Jurídico são reservadas as funções de assessoramento jurídico. mediante concurso público de provas e títulos. a Procuradoria exerce a defesa do Tesouro em face do contribuinte. podendo a ele concorrer bacharéis em Direito. Na área tributária. § 3º — A carreira de Assistente Jurídico é composta de advogados aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos. com as prerrogativas de Secretário Municipal. bem como as negociações de dissídios coletivos e causas trabalhistas relativos ao pessoal celetista empregado pelo Município. a PGM atua na elaboração de contratos. os impostos e taxas não pagos. no sistema jurídico municipal. será composta de procuradores e de órgãos que integram a sua estrutura orgânica. que precisam ser cobrados de forma amigável ou através de execução judicial.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Título III — Da Organização dos Poderes Capítulo III — Do Poder Executivo Seção VII — Da Procuradoria-Geral do Município Subseção III — Do Assessoramento Jurídico Art. A PGM faz também a cobrança dos tributos municipais inscritos em dívida ativa. nomeado em comissão dentre bacharéis em Direito maiores de 35 anos. são conduzidas pela PGM. autárquica e fundacional do Município. O quadro de Procuradores do Município é constituído de 75 (setenta e cinco) cargos distribuídos em categorias (1ª. e do Município enquanto contribuinte em face das demais entidades tributantes. com a participação de representante da Ordem dos Advogados do Brasil. A PGE possui autonomia administrativa e financeira e disporá de dotação orçamentária própria. atividade da advocacia cujo exercício lhe é inerente. da regularização da ocupação do solo urbano. zoneamento e edificações. FGV DIREITO RIO 206 . O ingresso na carreira de Procurador do Município far-se-á na 3ª categoria. a PGM atua no plano administrativo e no judicial para a proteção do patrimônio cultural e ambiental. para o desenvolvimento da política habitacional. diretamente subordinada ao prefeito. como também pela garantia da legalidade nas relações do Município para com o seu quadro de pessoal estatutário (servidores públicos).

FGV DIREITO RIO 207 . Quais os requisitos para se fazer jus a gratuidade de Justiça? A pessoa que se enquadrar no conceito legal de necessitado. foram declarados inconstitucionais nas ADI’s 3892 e 4270. deve apresentar uma afirmação de hipossuficiência. como por exemplo. perante todos os juízos e tribunais do país. 5º da CF.134. sem formali- 128 Notícia publicada no site do STF em 14. a falta de Defensoria Pública acarreta diversos prejuízos aos presos hipossuficientes. Tais dispositivos. só no ano de 2006 veio a promulgar uma lei complementar implantando a Defensoria Pública. O Min. difusos e individuais homogêneos das pessoas desassistidas. Não obstante isso. a promoção dos direitos humanos e a defesa. O Plenário do Supremo Tribunal Federal. um dos maiores Estados do nosso país. em todos os graus. até hoje128. Ou seja. Joaquim Barbosa. tendo em vista que tal atribuição foi reconhecida à Defensoria Pública e não aos advogados dativos. poucos são os Estados brasileiros que já o fizeram. tendo em vista que este é o prazo dado para que a LC 155/97 deixe de produzir efeitos no ordenamento jurídico.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO DEFENSORIA PÚBLICA A Defensoria Pública. §1º). Há ainda prejuízo na defesa dos interesses coletivos.03. por exemplo. assim considerados na forma do inciso LXXIV do art. declarou que a inexistência de uma Defensoria Pública no Estado de Santa Catarina “é uma questão nacional que interessa a todos. Min. de forma integral e gratuita. Por esta razão não só a União estruturará adequadamente a sua. Celso de Mello. É uma petição simples. é competente pela orientação jurídica. as Defensorias são essenciais. No Estado de Santa Catarina. De acordo com a Lei Complementar Estadual 155/97 e o artigo 104 da Constituição de Santa Catarina. Segundo o Artigo 134 da CF. prevista na Constituição Federal como uma das instituições essenciais à função jurisdicional do Estado. Para o relator das ADI’s. a não ser que não se queira construir a igualdade e edificar uma sociedade justa. com uma população carente de número bastante expressivo. decidiu que esta situação só pode vigorar por até um ano a partir da data do julgamento. judicial e extrajudicial. tendo em vista que o defensor público é um “agente incumbido de viabilizar o acesso dos necessitados à ordem jurídica justa”. dos direitos individuais e coletivos.2012. o Estado de Santa Catarina terá doze meses para criar sua Defensoria Pública Estadual. dos necessitados. por maioria de votos. no entanto. impactando diretamente na regularidade da execução penal. aplicando a eficácia diferida. como também os Estados deverão fazê-lo (Art. acompanhando o voto do relator. não há defensoria pública instituída. o encarceramento ilegal ou por tempo que excede o regular cumprimento da pena. fraterna e solidária”. No Estado de São Paulo. são advogados dativos indicados pela OABSC que prestam assessoria jurídica gratuita à população hipossuficiente.

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dades, que será anexada à petição inicial. Esta afirmação goza de presunção relativa, presumindo-se pobre, até prova em contrário, quem afirmar essa condição nos termos desta lei, sob pena de pagamento até o décuplo das custas judiciais.
“Lei nº 1.060/1950 Art. 2º(...) §2 Considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.”

Este é o conceito legal de necessitado econômico.

E no que consiste essa gratuidade?

O necessitado, com esta afirmação, fica dispensado de pagar as taxas judiciárias e os selos; os emolumentos e custas devidos aos juízes, órgãos do Ministério Público e serventuários da Justiça; as despesas com as publicações indispensáveis no jornal encarregado da divulgação dos atos oficiais; as indenizações devidas às testemunhas que, quando empregados, receberão do empregador salário integral, como se em serviço estivessem, ressalvado o direito regressivo contra o poder público federal, no Distrito Federal e nos Territórios; ou contra o poder público estadual, nos Estados; os honorários de advogado e peritos; as despesas com a realização do exame de código genético — DNA que for requisitado pela autoridade judiciária nas ações de investigação de paternidade ou maternidade. Os benefícios da assistência judiciária compreendem todos os atos do processo até decisão final do litígio, em todas as instâncias. Cabe ressaltar que a Lei nº 1060/1950, conhecida como a Lei de Assistência Judiciária ou Lei de Gratuidade de Justiça, não é privativa da Defensoria Pública. Assim, todo e qualquer advogado pode requerer a gratuidade para seu cliente, desde que de acordo com os requisitos da lei, quando, então, estará prestando assistência judiciária gratuita.

E como se estrutura a Defensoria Pública?

A Estrutura Nacional da Defensoria compreende a Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública do Distrito Federal e Territórios e a Defensoria Pública dos Estados. O ingresso na classe inicial da carreira se perfaz mediante concurso público, em atendimento à exigência constitucional (Art. 37 da
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CF). Em atendimento ainda ao disposto no Artigo 134, §1º da Constituição, foi promulgada a Lei Complementar nº 80, de 1994, chamada Lei Orgânica da Defensoria Pública, alterada pela Lei Complementar nº 132 de 2009. Esta Lei tem uma tríplice função, pois: (a) Organiza a Defensoria Pública da União; (b) organiza a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios; e (c) prescreve normas gerais para a organização das Defensorias Públicas nos Estados. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, é a Lei Complementar nº 06/1977 que organiza a Defensoria Pública no Estado. A chefia da Defensoria Pública da União fica a cargo do Defensor Público-Geral Federal, nomeado pelo Presidente da República, dentre membros estáveis da carreira, maiores de trinta e cinco anos, escolhidos em lista tríplice formada pelo voto direto, secreto, plurinominal e obrigatório de seus membros, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida uma recondução, precedida de nova aprovação do Senado Federal. Da mesma forma ocorre nas Defensorias Públicas dos Estados, cujo chefe será o Defensor Público-Geral, nomeado pelo Governador do Estado.

Autonomia funcional, administrativa e orçamentária

Por fim, cumpre-nos falar um pouco sobre o grande salto que a Defensoria Pública deu no cenário jurídico após a Emenda Constitucional nº 45/2004, com o acréscimo do §2º do Art. 134:
§ 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, § 2º.

Antes da Emenda, a autonomia funcional e administrativa tinha respaldo infraconstitucional. Isso prejudicava a real autonomia da instituição. Já a autonomia financeira não existia. Hoje, atendendo os reclamos da doutrina, existe a iniciativa para a proposta orçamentária, o que deverá tornar este órgão mais fortalecido. Deve-se lembrar que, muitas vezes, a Defensoria Pública em suas atividades se voltava contra o próprio Poder Executivo ou fisco. Eram ações propostas em nome do assistido contra o Estado. Ocorre que este mesmo Estado era o patrocinador da entidade. Era o Poder Executivo o responsável pelo repasse orçamentário à Defensoria Pública, o que tornava a situação, ao menos desconfortável naquelas demandas em que o próprio patrocinador da entidade era por esta caracterizado como réu.

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Com a alteração trazida pela Lei Complementar nº 132 de 07 de outubro de 2009, tal autonomia passou a constar também na Lei Orgânica da Defensoria Pública (art. 97-A, incisos I a VII, da LC 80/94). De acordo com o art. 97-B, da Lei Orgânica, caberá à Defensoria Pública do Estado elaborar sua proposta orçamentária dentro dos limites definidos na lei de diretrizes orçamentárias e encaminhá-la ao Chefe do Poder Executivo dentro do prazo estabelecido. Caso a proposta não seja enviada dentro do prazo ou esteja em desacordo com os limites estipulados pela lei de diretrizes, caberá ao Poder Executivo considerar os valores aprovados na lei orçamentária vigente ou proceder aos ajustes necessários para fim de consolidação da proposta orçamentária anual. Caberá ao Poder Legislativo, mediante o controle externo e interno, a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da Defensoria Pública do Estado, quanto à legalidade, legitimidade, aplicação de dotações e recursos próprios e renúncia de receitas (art. 97-B e parágrafos). Essa inovação, portanto, certamente permitirá um substancial aumento orçamentário e consequentemente uma desejável efetiva e imparcial atuação. Desta forma, mostra-se de imensurável importância a atuação da Defensoria Pública, intuindo-se sua imprescindibilidade para realização do Estado Democrático de Direito.

Legitimidade da Defensoria Pública nas ações coletivas lato sensu

No dia 16 de janeiro de 2007 foi publicada a Lei 11.448/2007, alterando o artigo 5º da Lei 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública), legitimando para a sua propositura a Defensoria Pública. Mas, quais são os direitos que podem ser legitimamente defendidos pela Defensoria Pública? A questão passou a ser bastante discutida nos meios jurídicos. A Defensoria Pública sustenta que o objetivo da lei foi incluir mais um órgão no rol dos legitimados para a defesa dos interesses transindividuais, possibilitando o maior acesso possível à Justiça. Desta forma, estaria a Defensoria Pública legitimada a defender qualquer interesse transindividual através da ação civil pública. Outros organismos, ao contrário, entendem que a lei conferiu à Defensoria Pública a legitimidade para propor ações civis públicas direcionados à tutela coletiva, genericamente considerada, apenas de hipossuficientes, tendo em vista que essa é a sua legitimação constitucional (Constituição da República, Título IV, Capítulo IV, artigos 127 a 135) cabendo à Defensoria Pública a defesa dos hipossuficientes. Esta foi a decisão da 5ª Turma do TRF1ª Região proferida em recurso da Defensoria Pública da União129 no qual alegava ser instituição essencial à fun-

129 Ação Civil Pública nº 2007.34.00.018385-5/DF

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ção jurisdicional do Estado “justamente para garantir o direito fundamental à assistência jurídica integral e gratuita aos carentes”, não estando a sua atuação “condicionada apenas à existência de interesse exclusivo de hipossuficientes” já que “exigir que cada um dos beneficiados pela ação demonstre sua hipossuficiência revela-se descabido”. Para o Tribunal, “a Defensoria Pública não é parte legítima para patrocinar ações de interesse dos consumidores, de forma ampla e irrestrita”, mas tão somente “de consumidores que se enquadrem na condição de necessitados”. Sendo assim, não reconheceu a legitimidade da Defensoria para propor Ação Civil Pública sobre direito de poupadores, uma vez que não se pode presumir que todos os investidores em caderneta de poupança sejam hipossuficientes. Superadas as divergências, nada impede, porém, a atuação litisconsorcial, por exemplo, da Defensoria Pública e do Ministério Público, na hipótese de haver cumulação de pedidos. Assim, no caso de uma poluição de um rio com o rompimento de um dique e consequente alagamento das casas ribeirinhas, poderia atuar o Ministério Público na defesa do meio ambiente com o pedido de reparação ambiental, e a Defensoria Pública atuaria na defesa das pessoas hipossuficientes que tiveram suas casas alagadas devido ao desastre ecológico. Nada impediria, da mesma forma, a prevalecer este entendimento da legitimidade genérica, que o Ministério Público e a Defensoria Pública ajuizassem conjuntamente uma ação civil pública na defesa desses mesmos bens e pessoas lesadas. Nesse sentido também é o entendimento do Ilustre Dr. Humberto Dalla Bernardina de Pinho130:
“Nesse sentido, e tendo em vista que, em geral, normas definidoras de direito e garantias devem ser interpretadas de forma extensiva, estamos em que a Defensoria Pública, ao menos hoje, tem legitimidade para a tutela das três espécies de direitos (difusos, coletivos e individuais homogêneos). Caberá ao Defensor, no caso concreto, aferir se aquela situação demanda a atuação da Defensoria Pública, levando em conta todas as circunstâncias que puder examinar, sobretudo as econômicas, sociais, culturais e jurídicas.”

Entendemos que muito ainda há que se discutir acerca do tema. Uma norma regulamentadora há de ser prontamente elaborada a fim de evitar que celeumas doutrinárias e disputas políticas acabem por prejudicar a coletividade. Até que esta norma seja editada, entendemos que a previsão genérica é que deva prevalecer. Caso se conclua que a Defensoria Pública só poderá atuar na seara coletiva em prol dos necessitados, cabe lembrar que o Ministério Público atua como custos legis nas ações civis públicas propostas por outros legitimados e continuará o fazendo em sede de ação proposta pela Defensoria Pública. Desta forma,

130 PINHO, Humberto Dalla Bernadino. A Legitimidade da Defensoria Pública para a propositura de Ações Civis Públicas: primeiras impressões e questões controvertidas. Disponível em www. humbertodalla.pro.br. Acesso em 17 de outubro de 2007.

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título executivo judicial. sendo.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO atuando a Defensoria em matéria que não seja referente a hipossuficientes. 4º das Disposições Transitórias da Lei Complementar 988/2006. Entendeu-se que as normas impugnadas seriam harmônicas com a Constituição Federal. assumir o pólo ativo da demanda quando for necessário. FGV DIREITO RIO 212 . do mesmo Estado-membro. haja vista que os Procuradores do Estado de São Paulo. Tício foi processado pelo crime de lesão corporal culposa praticada na direção de veículo automotor (Artigo 303 da Lei nº 9503/1997). ou na carreira de Defensor Público. subiu na calçada e atropelou Mévio. 11 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de São Paulo e do caput. garantidas as vantagens. aos quais viabilizada a opção pela carreira de Defensor Público. portanto. pergunta-se: agiu corretamente o membro do Ministério Público ao impetrar a ação civil ex delito? JURISPRUDÊNCIA Defensoria Pública PROCURADORES ESTADUAIS E OPÇÃO PELO CARGO DE DEFENSOR PÚBLICO O Tribunal julgou improcedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Procurador-Geral da República para declarar a inconstitucionalidade do art. teriam ingressado na Administração 131 ADI nº 3943. Tício. 3º e do § 1º do art. morador de rua. o Ministério Público ajuíza a ação de execução no juízo cível. a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público — CONAMP — ajuizou no Supremo Tribunal Federal uma ação direta de inconstitucionalidade131 contestando a Lei 11. Diante da redação do Artigo 68 do Código de Processo Penal e do que acabamos de estudar. caberá ao Parquet. incisos e § 3º do art. que facultam aos Procuradores estaduais. alertar para esta preliminar de ilegitimidade ativa e. optarem pela permanência no quadro da Procuradoria-Geral do referido Estado-membro. que conduzia seu veículo distraidamente. No dia 16 de agosto de 2007. Sabendo-se que a sentença penal condenatória transitada em julgado torna certa a obrigação de indenizar o dano.448/2007. A ADIn tem como relatora a Ministra Carmen Lúcia e até dezembro de 2011 ainda não havia sido julgada. CASO DE SEDIMENTAÇÃO No dia 30 de outubro de 2005. com isso. vindo a ser condenado em março de 2006. lesionando-o em suas pernas gravemente. como custos legis. os níveis e as proibições. no prazo de 60 dias da promulgação da Lei Orgânica da Defensoria Pública.

10. Aduziu-se que a opção do legislador pela convivência entre os artigos 32 do CPP (autoriza o juiz. para a espécie. a implementação da Defensoria Pública. 225. da mesma forma como admitira a junção de carreiras (ADI 1591/RS. rel. em cada Estado. em que observada simplesmente a cisão de carreira que se mostrava única e que. § 1º. a fim de converter a ação penal pública condicionada em ação penal privada. não obstante a pobreza da vítima. viera a ser preservada quanto ao Contencioso Geral e à Consultoria Geral.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO Pública mediante concurso de provas e títulos. o parquet deteria legitimidade para o ajuizamento de ação civil ex delicto. o ente da federação possui Defensoria Pública devidamente aparelhada. possa haver concessão de perdão ou abandono da causa. ser distinto o dever de o Estado prestar assistência judiciária às pessoas menos favorecidas e as condições estabelecidas no Código Penal para a propositura da ação penal. na hipótese do art. teriam feito concurso para prestar serviços nessas diversas áreas. depois de formalizada a representação. até o surgimento da Defensoria Pública. entendeu-se que tal eleição não fora alterada com a criação e instalação das defensorias públicas nos Estados. entre elas a de prestar assistência judiciária aos menos favorecidos. Asseverou-se. DJU de 30. Por fim. Min. 225. do CP (vítima pobre). a Consultoria Geral e a Assistência Judiciária.2000). 214) quando. os candidatos ao cargo de Procurador estadual. pois a norma visa impedir que. comprovada a pobreza da parte. nas hipóteses de pobreza decla- FGV DIREITO RIO 213 . Além disso. ADI 3720/SP. que passaria a ter como parte legitimada ativa a Defensoria Pública. asseverou-se que a Lei Complementar estadual 478/86 teria previsto as atribuições próprias ao cargo de Procurador do Estado. Desse modo. Tendo isso em conta. Rejeitou-se o argumento de inconstitucionalidade do art.2007. Marco Aurélio.6. 213) e atentado violento ao pudor (CP. 31. do CP pelo simples fato de o Estado-membro ser provido de Defensoria Pública estruturada. a norma do art. I. estabelecendo a divisão da Procuradoria em três áreas de atuação: o Contencioso Geral. haveria de admitir situação inversa. aos quais facultada a opção. Assim. 68 do CPP e a jurisprudência fixada pela Corte quanto a esse dispositivo — até que viabilizada. (ADI-3720) — Informativo 486 AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA E ILEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA A Turma negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus em que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro alegava a ilegitimidade do Ministério Público para propor ação penal pública condicionada à representação pela suposta prática dos delitos de estupro (CP. art. §§ 1º e 2º. ressaltou-se que o Supremo. a nomear advogado para a promoção da ação penal privada) e 225 do CP (concede titularidade ao Ministério Público para a propositura de ação penal pública condicionada) tem como consequência impedir que. considerouse despropositada a construção da recorrente no sentido de invocar. no ponto. art. quando o titular do direito à reparação do dano for pobre —.

(ADI-3569) — Informativo 462 Advocacia INTERROGATÓRIO DO ACUSADO E PRESENÇA DE DEFENSOR A Turma deu provimento a recurso extraordinário para declarar a nulidade de processo. (RHC-88143) — Informativo 464 ADI E VINCULAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL À SECRETARIA DE JUSTIÇA O Tribunal julgou procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Diretório Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro — PTB para declarar a inconstitucionalidade da alínea c do inciso IV do art. o art. No caso. após a representação formalizada. 2º da Lei Complementar estadual 20/98. no ponto. incluído pela EC 45/2004. 61. mas tendo em conta o que foi dito na ação com relação à tutela. no caso. Cármen Lúcia ressalvou que a vinculação.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO rada da ofendida. ADI 3569/PE. por si só. Entendeu-se que o dispositivo impugnado viola o § 2º do art. Sepúlveda Pertence. não acarretaria a quebra da autonomia. Min. 2. ao Poder Executivo estadual (CF.4. Além disso. Aduziuse que. em que condenado o recorrente. subsistiria ainda que declarada a inconstitucionalidade do dispositivo questionado. por não estar em harmonia com o texto constitucional modificado. A Min. §1º). que vincula a Defensoria Pública Estadual à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos — SEJUDH que cria. acompanhou o relator. 2º da Lei Complementar 20/98 já estava revogado. a vinculação da Defensoria Pública à Secretaria de Justiça submete a primeira à tutela do Secretário de Estado. que assegura às Defensorias Públicas Estaduais autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária. 24.2007. afastou-se a alegação de que a ação seria desprovida de utilidade. a partir da realização do interrogatório sem a presença do respectivo defensor. 2º da Lei 12.775/2005. art. rel. quando da sanção da Lei 12. continuando ela vinculada. que.2007. Min. por não ter sido objeto de impugnação. RHC 88143/RJ. que é incompatível com o vigente status constitucional da Defensoria Pública. rel. entretanto.755/2005. Ressaltou-se. a qual. em razão de o dispositivo impugnado repetir orientação prévia fixada pelo art. Asseverou-se que a EC 45/2004 não conferiu à Defensoria Pública a iniciativa legislativa para criação de cargos. 134 da CF. do Estado de Pernambuco. que sobre ela deterá poder de controle de legalidade.4. a Defensoria Pública da União interpusera recurso extraordinário contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul que assentara que o interrogatório FGV DIREITO RIO 214 . outorgada ao Ministério Público. Joaquim Barbosa. não haja disposição de conteúdo material do processo.

art. ao impor limitação ao exercício do poder discricionário de escolha conferido FGV DIREITO RIO 215 . porquanto ato privativo do magistrado.792/2003. Precedente citado: HC 83836/RS (DJU de 23.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO não estaria sujeito ao princípio do contraditório. julgou improcedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Governador do Estado de São Paulo contra a expressão “entre os Procuradores que integram a carreira”. com assistência de advogado. asseverou-se que o interrogatório é fase do próprio processo e que cumpre observar a imposição constitucional (CF. Informativo 336.10. apenas explicitara algo que já decorreria do próprio sistema legal. RE 459518/RS. Joaquim Barbosa. 261).. 235. teria competência para a definição dos critérios para a escolha do Procurador-Geral. rel. 132. 23.2007. com mais razão tal garantia há de ser conferida àquele que já possui contra si ação penal instaurada. LV) e também a legal (CPP. com trinta e cinco anos de idade. na forma prevista no inciso VIII do art. que alterou a redação do art. 235. que estabelece a representatividade do Estado por integrantes da carreira (“Art. Sepúlveda Pertence. em voto de desempate. em comissão. e deverá apresentar declaração pública de bens. no ato da posse e de sua exoneração. acompanhou o relator. tendo em conta o princípio de que ninguém pode ser processado sem assistência técnica. responderão pela Procuradoria-Geral. na linha de outros votos já proferidos. 25. Assim. Entendeu-se que a Constituição estadual. ainda.2005).. qual seja. no mínimo. art. VIII — até a promulgação da Constituição Estadual.”) — v. a exigência da presença do advogado no interrogatório. nomeados pelo Governador eleito e demissíveis ad nutum. 100 da Constituição do referido Estado-membro (“O Procurador-Geral do Estado será nomeado pelo Governador. 185 do CPP. 5º. entre os Procuradores que integram a carreira. a inexistência de quaisquer limites à clientela passível desta nomeação. Considerou-se que se aquele que está simplesmente preso deve ser informado dos respectivos direitos. Nesta assentada.9. que a edição da Lei 10. subordinada aos princípios contidos na Constituição Federal. no exercício da auto-organização conferida pelo art. (RE-459518) — Informativo 485 Advocacia Pública PROCURADOR-GERAL DO ESTADO: ESCOLHA — 2 O Tribunal. segundo a Constituição Federal. Gilmar Mendes. por maioria. e em consonância com o art. Vencidos os Ministros Maurício Corrêa. Marco Aurélio. pela Advocacia-Geral e pela Defensoria-Geral do Estado advogados com notório saber. o Min. sendo absolutamente dispensável o comparecimento do defensor. Ressaltou-se.”). Min. contida no parágrafo único do art. ao fundamento de não ser essencial do cargo em comissão. Ellen Gracie e Nelson Jobim que julgavam o pedido procedente por considerar que a norma impugnada.

QUESTÕES ACERCA DO TEMA 01. a mesma disciplina prevista para os servidores públicos ocupantes de cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. Maurício Corrêa. Min.br/doutrina/texto.8. Cirilo Augusto Vargas. rel. 16.jus2. (Concurso para Procurador do Distrito Federal — 2004) (a) Foro Especial por prerrogativa de função junto ao Tribunal de Justiça. II. c. (ADI-2581) — Informativo 476 LEITURAS COMPLEMENTARES A Legitimidade da Defensoria Pública para a propositura de Ações Civis Públicas: primeiras impressões e questões controvertidas. Assinale abaixo a alternativa em que se descreve prerrogativa compatível com estatuto constitucional de Procurador do Estado.humbertodalla. Artigo disponível no site: http://www. Humberto Dalla Bernadino Pinho. Artigo disponível no site: http://www. da CF. § 1º.com.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO ao Governador. p/ o acórdão Min. rel.uol. excludente da capacidade desta para conferir mandado ad judicia a outros advogados para causas especiais (d) Foro especial por prerrogativa de função junto ao Tribunal de Justiça. bem como o princípio da separação entre os Poderes. nos crimes de resposnsabilidade definidos em lei (b) Estabilidade após 03 (três) anos de exercício efetivo aplicando-se-lhe. inclusive quanto a perda do cargo. ADI 2581/SP. orig.2007. ofenderia o art. nos crimes dolosos contra a vida (e) Independência funcional FGV DIREITO RIO 216 .pro. ADI nº 3943: atentado contra a democracia. naquilo em que o regime que lhe é próprio não for derrogante do regime comum (c) Monopólio da representação judicial da pessoa jurídica de direito público a que estiver vinculado. Marco Aurélio. no tocante a esta.asp?id=10490. 61. br > artigos.

vigora no sistema constitucional brasileiro a seguinte regra: (Magistratura do Estado de Minas Gerais — 2003/2004) (a) A Advocacia Geral da União é instituição essencial à função jurisdicional. (d) Prerrogativa de se manifestar sobre projetos de lei referentes à sua estrutura. Relativamente às funções essenciais da justiça. (b) A Advocacia Geral da União é instituição permanente essencial à função jurisdicional. Integrar associação civil. judicial e extrajudicialmente. (c) A Advocacia é instituição permanente para a função jurisdicional do Estado. A Defensoria Pública possui: (Consurso Defensoria Pública do Estado de São Paulo — 2006) (a) Iniciativa de lei referente à sua estrutura. FGV DIREITO RIO 217 . (e) Poder de veto sobre projetos de lei referentes à sua estrutura. Exercer o magistério. (d) A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado. Fazer parte de sociedade comercial. Exercer a advocacia fora de suas atribuições institucionais. (e) O Ministério Público é instituição não permanente essencial à função jurisdicional. que representa a União. 04. (b) Iniciativa de sua proposta orçamentária (c) Iniciativa de lei referente à criação e extinção de cargos e à fixação de vencimentos e vantagens.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO 02. que representa a União. judicial e extrajudicialmente. 03. Aos defensores públicos é vedado: (Concurso Público da Defensoria Pública do Estado de São Paulo — 2006) (a) (b) (c) (d) (e) Filiar-se a partido político.

FGV DIREITO RIO 218 . Lúmen Júris. sendo membro do MPERJ desde 1988. É bacharel em Direito pela UERJ. Rio de janeiro: Ed. Leciona no magistério jurídico desde 1988. 2007 e Ministério Público– Legislação Institucional. Foi membro do Conselho Superior do MPERJ de 2005 a 2008. É Subprocurador-Geral de Justiça no biênio 2009-2011.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO CARLOS ROBERTO JATAHY Procurador de Justiça no Estado do Rio de Janeiro desde 2002. 3ª edição. 2000. Roma Victor. O Ministério Público e o Estado Democrático de Direito: perspectivas institucionais de atuação institucional. É mestre pela UNESA. Lúmen Júris. 2ª edição 2006. 2008. Autor das obras Curso de Princípios Institucionais do MP.

Azevedo COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Márcia Barroso NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA — PLACEMENT Diogo Pinheiro COORDENADOR DE FINANÇAS Milena Brant COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 219 . PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO Rodrigo Vianna VICE-DIRETOR ADMINISTRATIVO Thiago Bottino do Amaral COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Cristina Nacif Alves COORDENADORA DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Paula Spieler COORDENADORA DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES E DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS Andre Pacheco Mendes COORDENADOR DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA Thais Maria L. S.ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DE ENSINO.