Metafísica do Nacional-Bolchevismo

por Aleksandr Dugin

1. A definição adiada

O termo "Nacional-Bolchevismo " pode significar várias coisas completamente diferentes. Ele surgiu praticamente ao mesmo tempo na Rússia e na Alemanha para significar as suposições de alguns pensadores políticos sobre o caráter nacional da revolução bolchevique de 1917, escondido na fraseologia marxista ortodoxa internacionalista. No contexto russo "nacional-bolcheviques" era um nome comum para os comunistas, que tentaram proteger a integridade do Estado e (conscientemente ou não) continuaram a grande missão geopolítica histórica russa. Os nacional-bolcheviques russos, tanto entre os "brancos" (Ustrialov, Smenovekhovtsy, Eurasianos de Esquerda) e entre os "vermelhos" (Lenin, Stalin, Radek, Lezhnev etc) (1) Na Alemanha, o fenômeno análogo foi associado com formas extremamente esquerdistas de nacionalismo dos 20s-30s, em que as idéias do socialismo não-ortodoxo, a Idéia Nacional e uma atitude positiva em relação a União Soviética foram combinados. Entre os nacional-bolcheviques alemães Ernst Niekiesch foi sem dúvida o mais consistente e radical, embora alguns revolucionários conservadores também possam ser referidos a este movimento, tais como Ernst Jünger, Ernst von Salomon, August Winnig, Karl Petel, Harro Schultzen-Beysen, de Hans Zehrera, os comunistas Laufenberg e Wolffheim, e mesmo alguns Nacional-Socialistas extremamente esquerdistas, tais como Strasser e, durante um determinado período, Joseph Goebbels.

Na verdade, o termo "nacional-bolchevismo" é muito mais extenso e profundo, que as tendências políticas listadas. Mas, para compreendê-lo adequadamente, devemos examinar os problemas globais mais teóricos e filosóficos, a respeito da definição de "direita" e "esquerda", do "nacional" e do "social". A palavra nacionalbolchevismo contém um paradoxo deliberado. Como podem duas noções mutuamente exclusivas serem combinadas em um único e mesmo nome?

Independentemente do quão longe foram as reflexões dos nacional-bolcheviques históricos, que certamente foram limitadas pelas especificidades conjunturais, a idéia de aproximação do nacionalismo a partir da esquerda, e do bolchevismo a partir da direita é extremamente fértil e inesperada, abrindo horizontes absolutamente novos de compreensão da lógica da história, do desenvolvimento social, e do pensamento político.

Não devemos começar a partir de uma coleção de fatos políticos concretos:

Niekiesch escreveu isso, Ustrialov avaliou algum fenômeno de tal forma, Savitskiy apresentou tal argumento, etc, mas tentaremos olhar o fenômeno a partir de um ponto de vista inesperado: aquele mesmo que tornou possível a combinação “nacional” e “bolchevique”. Então nós seremos capazes não apenas de descrever este fenômeno, mas também de compreendê-lo e, com sua ajuda, muitos outros aspectos de nosso tempo paradoxal.

2. . A inestimável contribuição de Karl Popper

É difícil imaginar algo melhor para a difícil tarefa de definir a essência do "nacionalbolchevismo", do que uma referência às pesquisas sociológicas de Karl Popper, e especialmente à sua obra fundamental: "A Sociedade Aberta e seus Inimigos". Neste trabalho volumoso Popper propõe um modelo bastante convincente, segundo o qual todos os tipos de sociedade são divididos em dois tipos principais "Sociedade Aberta" e "Sociedade Não-Aberta" ou "Sociedade dos Inimigos da Sociedade Aberta". Segundo Popper, a "Sociedade Aberta" é baseada no papel central de um indivíduo e nos seus principais traços característicos: a racionalidade, o comportamento do tipo passo-a-passo (discrição), ausência de teleologia global em suas ações, etc. O sentido de uma "Sociedade Aberta" é que ela rejeita todas as formas de Absoluto, que são não-comparáveis com a individualidade e sua natureza. Tal sociedade é "aberta" apenas por causa do simples fato de que as combinações de variedades "de átomos individuais não têm um limite (assim como qualquer propósito ou sentido) e, teoricamente, tal sociedade deve ter por objetivo a realização de um equilíbrio dinâmico ideal. Popper também considera-se como um adepto convicto da "sociedade aberta".

O segundo tipo de sociedade é definido por Popper como "hostil à sociedade aberta". Ele não o chama de "fechada", prevendo possíveis objeções, mas freqüentemente usa o termo "totalitária". No entanto, segundo Popper, apenas baseando-se na aceitação ou rejeição do conceito de uma "sociedade aberta" todas as doutrinas políticas, sociais e filosóficas estão classificadas.

Os inimigos da "Sociedade Aberta" são aqueles que, propõem (proclamam, apresentam) modelos teóricos variados (diferentes) baseados no Absoluto contra o indivíduo e seu papel central. O Absoluto, mesmo sendo instituído de forma espontânea e voluntária, de imediato se intromete na esfera individual, altera radicalmente o processo de sua evolução, viola (exercita coerção sobre) a integridade atomística do indivíduo, submetendo-o a algum impulso externo individual. O indivíduo é imediatamente limitado pelo Absoluto, portanto, a sociedade das pessoas perde a sua qualidade de "exposição (abertura)" e a

perspectiva de desenvolvimento livre em todas as direções. O Absoluto dita os objetivos e tarefas, estabelece dogmas e normas, viola (compele) o indivíduo, como um escultor coage o seu material.

Popper inicia a genealogia dos inimigos da “Sociedade Aberta” com Platão, a quem ele considera como um dos fundadores da filosofia do totalitarismo e como o pai do "obscurantismo ". Além disso, ele passa por Schlegel, Schelling, Hegel, Marx, Spengler e outros pensadores modernos. Todos eles são unificados em sua classificação por uma indicação, que é a introdução à metafísica, à ética, à sociologia e à economia, com base em princípios, que negam a "sociedade aberta" e o papel central do indivíduo. Popper tem toda a razão neste ponto.

O mais importante na análise de Popper é o fato de que os pensadores e os políticos são colocados na categoria dos "inimigos da sociedade aberta", independentemente de suas convicções serem de "direita" ou "esquerda", "reacionárias" ou "progressistas". Ele acentua alguns outros critérios, mais substanciais e fundamentais, unificando em ambos os pólos idéias e filosofias que à primeira vista parecem ser os mais heterogêneos e opostos uns ao outros. Marxistas, assim como os conservadores e os fascistas, e até mesmo alguns social-democratas podem ser contados entre os "inimigos da sociedade aberta". Ao mesmo tempo, os liberais como Voltaire ou pessimistas reacionários, como Schopenhauer podem ser classificados entre os amigos da sociedade aberta.

Assim, a fórmula de Popper é assim: ou "sociedade aberta" ou "seus inimigos".

3. A Santa Aliança do objetivo

A definição mais feliz e completa do nacional-bolchevismo será a seguinte: "O nacional-bolchevismo é uma superideologia, comum a todos os inimigos da sociedade aberta". Não é apenas uma das ideologias hostis a tal sociedade, mas é exatamente a sua antítese plena e consciente, total e natural. O nacionalbolchevismo é uma espécie de ideologia, que é construída sobre a negação completa e radical do indivíduo e do seu papel central; e na qual o Absoluto, em nome do qual a pessoa é negada, tem o sentido mais extenso e comum. Ousaremos dizer que o nacional-bolchevismo justifica qualquer versão do Absoluto, qualquer refutação da "sociedade aberta". No nacional-bolchevismo há uma tendência óbvia para universalizar o Absoluto a qualquer custo, para fazer avançar uma ideologia e um programa político tais que seriam a personificação de

Os primeiros nacional-bolcheviques históricos construíram sua teoria sobre a base daquele impulso profundo e quase de todo irreflexivo. no liberalismo político: a “sociedade igualitária”. sendo claramente consciente de suas relações ideológicas e filosóficas. a ideologia dos “direitos humanos”. e similares. o nacional-bolcheviques compreenderam além das ideologias a essência de sua posição metafísica e a de seus adversários. admitiu sua relação com as ideologias análogas. Praticamente. o "individualismo" é praticamente identificado com o "subjetivismo". e os conservadores negam-se a ter qualquer coisa a ver com ambas as tendências acima referidas. O princípio do individualismo poderia ter unido a monarquia protestante inglesa com o parlamentarismo democrático da América do Norte. poderíamos afirmar que o nacional-bolchevismo é completamente contrário ao "subjetivo" e completamente favorável ao "objetivo". reconhecendo um denominador comum e integrando um bloco conceitual e político indivisível. nenhum dos "inimigos da sociedade aberta". Claro que. considerando as comparações como críticas pejorativas. ao longo da história as diferentes tendências. Os comunistas negam indignados sua semelhança com os fascistas. a a filosofia política do nacional-bolchevismo afirma a unidade natural das ideologias fundadas sobre a posição central do objetivo. eles revelaram aquele eixo comum que. Na “direita”. na esquerda. reunia em torno a si todas as alternativas possíveis ao individualismo e à sociedade por ele fundada. onde o liberalismo no início foi graciosamente combinado com o escravagismo. também foram hostis entre si. A questão então não se po~e nos termos materialismo ou idealismo. Assim. o individualismo se expressava na economia. na “teoria do livre-mercado”. Se aplicássemos uma leitura da estratégia nacional-bolchevique a este nível. de “direita” tanto como de “esquerda”. mas sim nos termos idealismo objetivo e materialismo objetivo (de um lado da barricada) ou idealismo subjetivo e materialismo subjetiva (do outro). que eram hostis à sociedade aberta. O alvo da crítica nacionalbolchevique foi o individualismo. Em linguagem filosófica. Ao mesmo tempo. ao qual se confere um . O nacional-bolcheviques foram exatamente os primeiros a tentar agrupar as diferentes ideologias hostis à "sociedade aberta". ao parecer de seus opositores ideológicos. as diferentes versões de "sociedade aberta" se desenvolveram em estreira união recíproca. Em outras palavras.todas as formas intelectuais hostis à Ssociedade aberta ".

Este é o modelo da “sociedade aberta” sobre a qual Popper escreveu. o caminho que se distancia deste “ego”. fugidia aos condicionamentos do imanente. estatistas. bolchevistas. Daí decorre o paradoxal da tradição iniciática. o que é acima de tudo. O mesmo sentido está contido na genial afirmação de Nietzsche: "O humano é aquilo que deve ser superado". da expansão à outros limites do pequeno “ego” individual. porém ao mesmo tempo interno a este último como sua parte mais íntima e misteriosa. ou Marx visto a partir da Direita . A identidade de "Atman" e "Brahman" na sua unidade transcendente é a coroa da metafísica hinduísta e. em breve. As diferentes versões da filosofia "individualista" se concretizaram progressivamente no campo ideológico do liberalismo e da política liberal-democrática. em seu sentido objetivo e supraindividual. Os inimigos da “Sociedade Aberta” retornaram ao seu terreno metafísico comum. É por isso que nos obrigamos a desenvolver o problema de um modelo máximo comum ideológico para os autores da percepção “objetiva”.status idêntico a aquele do Absoluto. Como resultado. expresso na frase famosa do evangelho: "quem queira ganhar sua vida. sem qualquer exceção. O dualismo filosófico entre o "subjetivo" e "objetiva" influenciou todo o curso da história na esfera mais concreta da ideologia. operada verticalmente em relação aos esquemas habituais (como idealismo-materialismo). da superação do “Si Mesmo”. Em paralelo à inovação radical dessa filosofia discriminante. é a base do caminho da realização espiritual. Em todos elas se apresenta a questão da finalidade fundamental da existência humana. A extrema-esquerda (comunistas. 4. “hegelianos de esquerda”). seguindo as especificações da política e do ordenamento social. interior ou exterior. de um programa socio-político universal para os “inimigos da sociedade aberta”. O "Brahman" é a Realidade Absoluta. não vamos adquirir outra coisa senão o nacional-bolchevismo. os nacionalbolcheviques assinalam uma nova linha demarcadora na política. abarcando o indivíduo desde o exterior. A "sociedade aberta" é o último e mais maduro fruto do individualismo tornado ideologia e sendo cumprid em uma política concreta. Tanto a esquerda como a direita são divididas em dois setores. O "Atman" é o Espírito interno. independentemente de como seja interpretado esse caráter objetivo. sustentadores da Idéia do “Novo Medievo”. conduz ao mesmo êxito vitorioso. A Metafísica do Bolchevismo. . o caráter objetivo elevado a sua fonte primária e suprema. Este é o ponto comum de todas as doutrinas sagradas. com todos os “hegelianos de direita”. Podemos dizer que a máxima metafísica suprema do nacional-bolchevismo é a fórmula hinduísta "O Atman é Brahman". vêm a se combinar na síntese nacional-bolchevique com os nacionalistas extremistas. No hinduísmo "Atman" é o ser humano supremo. a perderá". transcendente e indiferente ao “ego” individual.

as pessoas que fizeram a Revolução de Outubro e tomaram o poder na Rússia foram chamados de "bolcheviques". em russo. em contraposição às abstrações dogmáticas dos marxistas e. de “integração nacional” ("bolchevique". "revolucionário". das táticas conformistas das outras tendências social-democratas. durante os debates no seio do POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo) para definir a facção que se situou junto às teses de Lênin. O termo "bolchevismo" apareceu pela primeira vez. ao progresso. A referência é a aquele aspecto da teoria da esquerda que Popper define como “ideologia totalitária” ou como “teoria dos inimigos da Sociedade Aberta”. o "bolchevismo" não é apenas uma conseqüência da influência mentalidade russa sobre uma doutrina social-democrata. Tanto quanto sabemos. característica para a Rússia e foi aquela que predominou no Ocidente. Quase imediatamente após a revolução. ou teoria da conspiração revolucionária.como o apelo à racionalidade. pode traduzir-se aproximadamente como "representante da maioria"). como é sabido. aponta para uma possibilidade de interpretação do "fascismo". que é comum para todas as tendências da esquerda radical de caráter socialista e comunista que podemos definir como "radical". em grande medida. Chegou-se assim a uma fase na qual o “bolchevismo” foi percebido como uma versão nacional. ao mesmo tempo. a menção de "bolchevismo" em relação ao termo “nacional-bolchevismo” não se limita a este significado histórico. Vamos lembrar que a política de Lênin no âmbito da social-democracia russa consistiu na orientação para um radicalismo ilimitado. Mais tarde. . Mas essa questão se faz urgente: é necessário cubrir esta demanda. Essa interpretação de "bolchevismo" foi. "antiliberal". de “política pan-nacional”. puramente russa. Porém. ao humanismo. e na acentuação do caráter elitista do partido e no "blanquismo". É um determinado componente que está constantemente presente em toda a filosofia de esquerda. o termo perdeu seu significado circunscrito e passou a ser entendido como sinônimo de “majoritário”. ao igualitarismo e etc. Estamos na presença de uma certa política. que poderia desenvolver-se livremente e abertamente à margem das condições na rússia de 1917. No entanto. uma recusa aos compromissos. É difícil negar ao comunismo traços característicamente “de esquerda” . a questão análoga . Nestes últimos dias a maioria dos historiadores mais objetivos cada vez mais freqüentemente levantam uma pergunta: "A ideologia fascista é realmente de direita?” E a presença de tal dúvida.Agora vamos esclarecer o modo de entender os dois componentes da expressão “nacional-bolchevismo” em um significado puramente metafísico.não é levantada ainda."A ideologia comunista é realmente “de esquerda”? . porém. naturalmente. Assim. como um fenômeno mais complexo. possuindo uma grande quantidade de características tipicamente de "esquerda". do comunismo e do socialismo.

nós iniciados. pelo materialismo. É absolutamente evidente o caráter quase-tradicional dessa direção política: um misticismo escatológico radical. e evidentemente em seus programas sociais e em seus manifestos. do “Regnum”. e revestiram de reflexos políticos e sociais o século áureo do porvir. a idéia do retorno às Origens. de Hegel). cujo sentido se reduzia ao seguinte esquema: “O mundo moderno é intrínsecamente maligno. Os socialistas utópicos. Trata-se da herança dos socialistas utópicos franceses e do hegelianismo de esquerda. e pelo egoísmo. Antes. bem distante da lógica profana de Descartes e .). sem dúvida. inclusive escatológica. aos problemas epistemológicos. Somente a ética de Feuerbach contrasta com a essência “bolchevique” da construção ideológica de Marx. pelo engano. mas inclusive à “extrema direita”. esotérica. As instituições religiosas são corruptas e perderam a benção de Deus (um tema comum entre as seitas extremistas protestantes. e a favoreceremos com rituais enigmáticos e ações ocultas”. apresenta aspectos que se mostram. Agora cheguemos a Hegel e a sua dialética. sabemos do próximo retorno de uma Idade de Ouro. conferindo ao conjunto inteiro uma terminologia humanista e progressista. Certamente. sobre a realidade social. tal terminologia reflete a estrutura da aproximação iniciática. incluídos por Marx no conjunto de seus antecessores e professores. Estes são em seu conjunto os elementos de “direita” presentes na ideologia comunista. onde não é difícil encontrar descrições das maravilhas da futura sociedade comunista (navegantes que cavalgariam no lombo de golfinhos. etc. aparecem dois elementos suspeitos. Praticamente. Porém. comum ao esoterismo messiânico ocidental. que definimos como “bolcheviques” em seu sentido mais geral. pois perdeu a dimensão do sagrado. comunidade de esposas e liberdade sexual. fortemente impregnadas de uma atmosfera de misticismo. em ampla medida. Ademais. manipulação das condições metereológicas. vôos humanos. É amplamente conhecido que as convicções políticas pessoais do filósofo foram extremamente reacionárias. O mundo está governado pelo mal. Porém essa não é a questão. como os anabatistas e os “velhos crentes” russos). Os socialistas utópicos projetaram este modelo. desde o ponto de vista progressista. que faz uso de uma terminologia específica. os quais foram. todos eles eram membros de sociedades esotéricas. do anti-humanismo e do totalitarismo. à margem de um marco de “esquerda” e que se associam à esfera do irracional.ao lado destes. que justificam plenamente a classificação dessa componente não apenas à “direita”. descobriremos uma doutrina perfeitamente tradicionalista. Se examinamos o fundamento metodológico da dialética hegeliana (e foi precisamente o método dialético do que Marx tomou emprestado. era uma tentativa de racionalização do mito escatológico. Um universo no qual se intercalavam motivos sectários e ocultismos religiosos. escatologia e previsões apocalípticas. de serem “realmente” de “esquerda”. são os representantes de um particular messianismo místico e predecessores de um “retorno à Idade de Ouro”. sem sombra de dúvida. no próprio marxismo. porém ao mesmo tempo era uma intromissão na política do caráter sobrenatural do Reino vindouro.

a "coisa em si" não é interpretada como algo transcendente e puramente apofático. a síntese tem lugar após a "negação". torna-se o mundo (Lembremos a fórmula do Corão: "Deus era um tesouro escondido. que. A Filosofia da História de Hegel é uma versão do mito tradicional. “O Ser e a Idéia são uma mesma coisa”. predeterminando o caráter providencial da trama dos eventos. considerando o processo do pensamento em sua coerência. integrado em uma teleologia puramente cristã. a segunda hipóstase o"Ding an sich” (coisa em si). mas amplamente utilizada nas correntes místicas de Paracelso. Na síntese se complementam tanto a afirmação como a negação. alienada de si mesma. mas como um ser-de-outro-modo epistemológico. os hermetistas e a Rosacruz. enquanto segunda negação ou “negação da negação”. que de acordo com uma determinada perspectiva ontológica e epistemológica não é vista como vazio. ao contrário da perspectiva kantiana. integrada em seu aspecto potencial.a "nova lógica" de Hegel toma como objeto aquela especial dimensão ontológica do coisa. Encarnando-se ao longo da história. Jakob Boehme. por efeito daquele. as especificações epistemológicas daquela “consciência da vida quotidiana” da qual (vale a pena anotá-lo) todos os liberais. entendida não como puro nada (do ponto de vista da lógica formal). quer dizer: “O Atman é Brahman”. em um Império do Fim que o nacionalista alemão Hegel identificou com a Prússia. são apologistas. A segunda hipóstase é a "negação" daquele fato. de “subjetivo” se faz “objetivo”. estas teriam por fundamento o “sentido comum”. que é baseada nas leis da lógica formal. Mas. A epistemologia de Hegel é baseada nessa visão ontológica. mediante o advento do Filho de Deus. a Idéia Absoluta exerce uma influência desde o exterior sobre os omens. O fato de um sujeito ou uma afirmação (a que se reduz a epistemologia “quotidiana” de Kant)é para Hegel apenas uma dos três hipóstases. e em particular Karl Popper. alma. a perspectiva apocalíptica da realização total da Idéia Absoluta se desvela ao nível subjetivo. não como uma perspectiva epistemológica do não-ser. que abarca tanto a afirmação como a negação. mas como outro-modo-de-ser da vida. Isso devém em um determinado Reino particular."). que queria ser descoberto. Para além da racionalidade comum. trabalha apenas com afirmações positivas e se limita às relações atuais causa/efeito. . a sua alienação ao longo da história é a antítese. O coisa co-existe com sua própria morte.Kant. A primeira hipóstase é o "Ding für uns" (a coisa para nós). a síntese. a sua realização no Reino escatológico é a síntese. A Idéia Absoluta é a tese. Para tal fim. a tese tanto como a antítese. como “astúcia da Razão”. E ambas hipóstases relativas desembocam na Terceira. mas como um modo particular de existência supraintelectual de algo ou de uma afirmação. Assim. inacessíveis para a "consciência da vida cotidiana". A Idéia Absoluta.

Não por acaso o próprio Marx definiu a primeira etapa da humanidade como "comunismo das cavernas. mas sua busca pela transformação mágica da realidade e rejeição radical dos sonhos de compensação de todos os sonhadores irresponsáveis que não fazem mais que agravar o elemento de alienação por sua inação. e o "Ding an sich (coisa em si) tornase "Ding für sich (coisa para si). Marx identificou a máxima alienação do Absoluto no Capital. que vêem a história como um movimento progressivo na direção da sociedade de livre mercado e da universalização de um denominador comum monetário. foi apenas a primeira e necessária condição para a Grande Restauração após a Última Revolução. Essas tendências gnósticas presentes em Marx e seus predecessores foram coletados pelos bolcheviques russos.O pessimismo epistemológico de Kant. E esse entendimento mecânico. não se excluindo mutuamente. ou seja. é derrubada. a fórmula alquímica das suas regras de funcionamento. a alienação da Idéia Absoluta na história. mas o êxito final. é descoberta como "imprudência". seguindo a meta-ideologia liberal. De modo genial. dirigido pela casta dos Iniciados (o ideal da Prússia) será integrado com a Nova Jerusalém descida à Terra." A tese é o "comunismo das cavernas". De acordo com uma lógica semelhante. não testemunha o interesse de Marx pela praxis. sua "natureza rude" (se não tentativas subversivas). de Era do Espírito Santo. Da análise da estrutura do capitalismo e de sua evolução histórica Marx extraiu o conhecimento dos mecanismos de alienação. os alquimistas medievais poderiam ser rotulados como "materialistas" e sedento de riquezas para aqueles que não levam em conta o seu simbolismo profundamente espiritual e iniciático que está contido em seus discursos sobre a destilação da urina. o Reino do comunismo por vir não era apenas o progresso. Será o Fim da História e o início da Idade do Espírito Santo. Explicações surpreendentemente simplistas. a transmutação de ouro em chumbo e sobre a transformação dos minerais em metais. Marx. O Reino Terreno do Fim. alimentadas em um ambiente onde a força . a esfera das relações económicas. que têm mantido a sua polaridade no decurso de várias gerações de reacionários. focando sobre as relações económicas e industriais. Mais provavelmente. Este cenário messiânico escatológico foi tomado emprestado por Marx e aplicado a uma outra esfera. A razão do mundo e o próprio mundo são combinados na síntese escatológica. Uma pergunta interessante: Por que Marx fez uma coisa dessas? A "direita" está pronto para responder citando sua "falta de idealismo". a "revolução" no sentido etimológico do termo. foi seduzido pela semelhança entre as teorias liberais de Adam Smith. a síntese é o comunismo mundial. que exaustivamente estudou a economia política inglesa. as fórmulas da antítese. O materialismo. Para Marx. Comunismo é sinônimo de Fim da História. onde a existência e a inexistência estão presentes. e o conceito hegeliano que expressa a antítese histórica. a antítese é o Capital.

os mais à "direita ". em sintonia com a tendência de escolher um tema esotérico no marxismo. etc. nos países do Extremo Oriente: China.enigmática das seitas russas. esse "comunismo de direita" cujas origens faziam referência às antigas sociedades iniciáticas e às doutrinas espirituais de tempos remotos." o povo russo era um povo deíforo (Portador de Deus). menos aquele humanismo inercial que agora emerge no mundialismo globalizador. as sociedades secretas e os tratados apaixonantes e românticos dos rebeldes formaram o fermento contra um regime monárquico alienado. Foi esse "marxismo de Direita". confrontado com fórmulas estritamente espirituais. O marxismo dos nacional-bolcheviques equivale a Marx menos Feuerbach. cultural. Coréia. a fim de garantir um "optimum" de condições econômicas em uma pequena área geográfica. política. Mas isso não significa que se trate de uma questão apenas da Rússia: tendências semelhantes se apresentaram em partidos comunistas de todo o mundo. é o progressismo. . clara e concreta. o messianismo nacional. não é de surpreender que o socialismo revolucionário triunfou plenamente. o marxismo ofereceu uma estratégia econômica. Vietnã. econômica. Mas. "bolchevique". Precisamente aqueles povos e nações mais tradicionais e menos progressistas e "modernos" (isto é. Assim. Moscou era a "Terceira Roma. O nacionalismo pode significar a exaltação da "pureza racial" ou a "homogeneidade étnica". que triunfou na Rússia sob o nome de "bolchevismo". a Rússia estava destinada a salvar o mundo: todas essas idéias estavam permeabilizadas no cotidiano do povo russo. isto é. A única coisa que parece inadequada e ultrapassada no discurso marxista. que reconheceram no comunismo uma essência mística. secularizado e degenerado. O conceito de "nação" não é nada simples. mágica. menos "alienados do Espírito). quando estes não se degradaram ao nível da social-democracia no espírito liberal parlamentar. em que aparecem os temas acidentais e obsoletos do humanismo. sua interpretação pode ser biológica. compreensível para as pessoas comuns e apta a formar uma base à disposição de sua natureza social e política. além de Rússia. o outro componente do "nacional-bolchevismo" merece ser explicado. política e social. O Nacional-Bolchevismo tomou como própria esta tradição bolchevique. mas é considerado como um meio da prática teúrgica. espiritual. METAFÍSICA DA NAÇÃO Naturalmente. como um instrumento particular para a transformação social. O aspecto econômico do comunismo não veio aqui negado. como a agregação de indivíduos atomizados.

ou seha: como uma entidade integral. sem o menor traço de racismo ou de uma visão de "pureza étnica". Este anjo é o sentido . A agregação imperial das nações do Leste. Para os seguidores de Ustryalov. um certo Anjo. com esta versão "com dimensões continentais" de nacionalismo que corresponde exatamente às demandas específicas messiânicas universais específicas do nacionalismo escatológico e ecumênico russo. um determinado ser celestial. trata-se da questão da interpretação geopolítica e cultural da nação. de uma direção revolucionária socialista contra o capitalismo e "progresso". Neste último caso. ao “lugar de desenvolvimento”. No curso da história. os “eurasianos de esquerda”. refratário a qualquer subdivisão anatômica. consolidada na escolha "ideocrática" e na rejeição da plutocracia. Esta leitura cultural e geopolítica da "Nação" é baseada no dualismo geopolítico que nas obras de Halford Mackinder encontrou a sua primeira forma clara e deu lugar à escola de Haushofer e dos “eurasianos” russos. o "Terceiro Reich" deveria ser construído em torno de um prussianismo. Significativamente Niekisch insistiu em dizer que na Alemanha. Em todos os casos. para não falar dos nacional-bolcheviques soviéticos. ao fenômeno-nação à escala continental. mas sim como sua definição em um nível inferior. Segundo a doutrina tradicional. é responsável pela vigilância de todas as nações da terra. que. quer meta-histórico. geopolítico. Também nos escritos de Niekisch e os seus adeptos alemães acha-se a idéia de império continental "de Vladivostok à Flessing" com a idéia da "Terceiro Figura Imperial" (Das Dritte imperiale Figur). orgânica. a nação é compreendida em analogia ao conceito de "narod" (povo-nação) interpretado pelos "narodniki" (populistas) russos. geneticamente e culturalmente ligados à Rússia e ao mundo eslavo. em relação à escala continental. também existe no nacional-bolchevismo uma interpretação mais restrita. reunidos em torno à Rússia constitui o possível esqueleto da nação continental. que tem um destino específico e uma estrutura única. Mas. em sua essência. o “nacionalismo” é super-étnico. os círculos Nacional-Bolcheviques se distinguiram pela tendência de ler o conceito de nação no seu sentido imperial. não se apresenta como uma contradição.O componente "nacional" do nacional-bolchevismo (em seu sentido quer histórico. protestante e potencialmente socialista. e não sobre a Baviera católica e ocidental gravitando em torno da órbita do modelo capitalista. está associado ao messianismo geopolítico. à cultura. absoluto) é especial.

um momento mágico em que ambos se baseiam. O Anjo da nação não é algo vago e sentimental. E o que é mais fascinante: essa idéia. uma vez caídas as dinastias monárquicas. A inteligência nacional. estamos diante de uma questão extremamente interessante. novamente. O Anjo da Rússia se desvela qual Anjo da integração. Nas sociedades tradicionais o Anjo da nação se manifesta de forma pessoal na "Re Divini". mas com a misteriosa entidade angélico que se manifesta al longo de toda a sua viagem histórica. ambas aceitáveis para a ideologia nacional-bolchevique. têm um denominador comum. em uma ordem.na cultura. Não é por acaso que Erich Müller. social e econômico. mas uma essência intelectual brilhante. ortodoxo e soviético. nos grandes heróis. psicologia. "finalizado" . e sua formação social.o nacionalismo russo e soviético torna-se o fulcro ideológico do nacional-bolchevismo. entendida como categoria metafísica não se identifica com a multidão de indivíduos específicos com o mesmo sangue ou que falam a mesma língua. em um partido. como comunidade mística aberta. em uma classe.histórico da nação em particular. os destinos das nações. resulta da multiplicidade de seu povo e. mas sempre presente nas vicissitudes históricas da nação. absolutamente teológica. consciente. Portanto. porém elevando-os à escala imperial universal.na elite nacional no curso de determinados períodos escatológicos da história. nebuloso. e o Segundo Reich protestante. pode se encarnar de forma coletiva . ainda quando sua realidade sobre-humana o torna independente de seu hospedeiro humano. discípulo e colaborador de Ernst Niekisch havia escrito em seu livro intitulado "Nacional-Bolchevismo”: "Se o Primeiro Reich foi católico. das nações. territoriais. como Herder diz. e até mesmo as suas inclinações políticas e sociais . A interpretação russa (e em grande medida soviética) da "nação russa". um “pensamento de Deus”. e sua cultura. não só nos confins da Rússia e da Europa Oriental. A estrutura é visível em conquistas históricas da nação. Estamos em um ponto muito importante: essas duas interpretações da "nação". É o análogo da Idéia Absoluta de Hegel. nessa visão se fundem tanto a concepção do grã-continental. mas em um nível global. a nação. nas instituições sociais e religiosas que a caracterizam . A estrutura toda da história nacional nada mais é que o texto da narrativa da qualidade e da forma desse Anjo brilhante nacional. destinada a levar a luz da salvação e da verdade para o mundo na época do fim dos tempos. como ser luminoso particular que busca unir teologicamente as outras essências angélicas no interior de si. Trata-se da Rússia e da sua missão histórica. mostra a interrelação entre as condições de existência geográficas. em seu aspecto concreto. como a históricocultural da Nação. sem cancelar a individualidade de cada um. o Terceiro Reich deverá ser ortodoxo. Assim assume . Se os anjos das nações são indivíduos diferentes. sábios e santos. política e religiosa refletem as forças do mundo angélico." No caso concreto. o destino além do tempo e espaço. e brilhantemente confirmada pela análise geopolítica. É significativo que no nacional-bolchevismo alemão a "russofilia" desempenhou o papel como a pedra angular sobre a qual construir seu ponto de vista político. porém em forma minúscula. Nesta perspectiva. no decurso da história. Assim.

a profanação da civilização e o "racionalismo" moderno. é em verdade o eixo do Sagrado. com todas as suas conseqüências lógicas. É lógico. Tanto na obra de Guénon como na de Evola se expõe a mecânica do processo cíclico. O centro de gravidade da Tradição é colocado dentro de uma área não somente não-racional. O irracional não é interpretado pelos tradicionalistas como uma categoria negativa ou pejorativa. As principais motivações dos "inimigos da sociedade aberta" e seus oponentes mais vocais e consistentes.gradual explicação o dualismo entre o Oriente e o Ocidente. Portanto. e não reveste nenhum significado decisivo. ou Evola visto a partir da Esquerda Quando Karl Popper "desmascara os inimigos da sociedade aberta".devem ter uma relação com a Tradição. mas como uma esfera gigante de realidade. os escritores mais abertamente anti-liberais tendem a se justificar e a objetar a acusação de "irracionalidade". não nascem no sol do racionalismo. sobre as doutrinas expressas nos símbolos. porém apontando na direção oposta. o Ocidente anglo-saxão plutocrático. são considerados como um dos estágios de degeneração. Em princípio. a Rússia “ideocrática” (o mundo eslavo além de outros grupos étnicos da Eurásia) contra a ilha. aceitando essa acusação. A ordem angelical da Eurásia contra a armada atlântica do capitalismo. as diversas ideologias antiliberais. mas da confiança da particular experiência iniciática. sobre este tema a doutrina tradicional não contesta as sagazes conclusões do liberal Popper. mas também não-humano. desmascarado por Popper como o ponto focal da doutrina dos "inimigos da sociedade aberta". Sendo este o caso. faz uso constante do termo "irracional". O intelecto discursivo tem apenas valor auxiliar. O Tradicionalismo. o ritual iniciático que provoca a fratura de consciência. Nesta questão. porque a "sociedade aberta" é baseada no primado da razão e dos princípios da "consciência comum". e até mesmo o dualismo étnica: a terra. A verdadeira natureza do "Anjo" do capitalismo (que segundo a tradição tem o nome de Mammon) não é difícil de adivinhar. e em primeiro lugar de René Guènon e Julius Evola. . A Tradição é baseada no conhecimento supra-intelectual. impossível de estudar com métodos simples de análise e senso comum. é essencial que trabalhamos escritores tradicionalistas. da previsão ou dos pressupostos. em que a corrupção do elemento Terra (e da consciência humana correspondente). O nacional-bolcheviques conscientemente aceitam o esquema de Popper. mesmo quando expressam uma avaliação completamente oposta. O irracional. incluídas as ideologias revolucionárias "de esquerda" . e não se trata da bondade da intuição. o centro e a base da Tradição. mas concorda com ele. o nacionalbolcheviques.

durante os quais expressou opiniões niilistas. mesmo quando a experiência pessoal de Evola teve períodos. também inclusive em seu período intermediário. anarquistas. caso que. o próprio Evola (e até certo ponto Guénon. Mas aqui nós não vamos lidar com a experiência histórica de Evola enquanto figura política. embora isso não se possa afirmar sem dúvida. mas mesmo duas tendências no coração da Tradição. mas também das instituições tradicionais (monarquia. Não se trata apenas de seu anti-cristianismo.) Como combinar este aspecto do anti-liberalismo com o tradicionalismo? Significativamente. segundo nossa opinião. paradoxalmente. Por outro lado.. uma vez que o seu comportamento nas confrontações da "esquerda" nunca foi explícito) negou qualquer carácter tradicional às doutrinas revolucionárias." E aqui chegamos a um ponto especificamente relacionado com a metafísica do nacional-bolchevismo. Mas aqui nos deparamos com outra questão: as ideologias revolucionárias anti-liberais. De fato. Em seu lugar importa ressaltar como em seus escritos políticos. no qual se observa uma certa discrepância entre sua doutrina metafísica e suas convicções políticas. se isso parece óbvio no caso das ideologias de "extrema direita".. são absolutamente escandalosas as simpatias de Evola por personagens como Giuliano Kremmerz. dos quais um é. que no contexto do conservadorismo tradicional hindu são considerados heterodoxos e subversivos. típicos dos círculos políticos da extrema-direita “centro-européia” contemporânea. organizações religiosas . Neste livro magnífico sobre o tantrismo que é "Lo Yoga della Potenza". tendo como única resposta positiva o "Cavalgar o Tigre" o que quer dizer fazer causa comum com as forças da decadência e do caos. é problemático no caso das ideologias de "esquerda". ao mesmo tempo fez um apelo a uma heterodoxia evidente. Maria Naglovska e Aleister Crowley. baseadas. não se encontrava alinhado com os modelos monárquicos e clericais predominantes entre os conservadores europeus que com ele tiveram contatos políticos. Evola . em geral. mas seu interesse na Tradição tântrica e no budismo. propagam a destruição radical não apenas das relações capitalistas. a negação do outro (o idealismo e o materialismo). vem acentuada a necessidade de fazer apelação a qualquer Tradição esotérica. incluindo o comunismo. Fato significativo foi o reconhecer-se entre os seguidores do "caminho da mão esquerda.Agora. da degradação e da decadência. e não apenas dois sistemas filosóficos. Assim. igreja. o anarquismo e o socialismo revolucionário. No caso específico. em certos preconceitos difíceis de se expurgar. Evola é um autor importante. entre as tendências negativas e destrutivas do esoterismo. o positivo (ortodoxo) e o negativo (subversivo). hiperconservadoras. vemos como se combinam não somente duas tendências políticas opostas ("direita" e "esquerda"). à primeira vista. a fim de superar o ponto crítico da "decadência ocidental". que foram localizados por Guénon entre os representantes da "Contra-Tradição". Já tocamos no assunto tratando do o conceito de "bolchevismo". se constantemente Evola se posiciona na "ortodoxia tradicional" e critica violentamente doutrinas subversivas de esquerda. especialmente os primeiros e os últimos. considerando-as como a expressão máxima do espírito contemporâneo. de máximo conservadorismo.

" O tradicionalismo característico do nacional-bolchevismo. as auto-imolações de "kristis". na sua maioria em geral é de "esquerda esotérica". arriscadas e perigosas. o esotérico de "esquerda" se opõe à "direita" esotérica. escreve que em determinados períodos cíclicos. que copia em sua substância os princípios do "Kaula" tântrico e da doutrina da "Transcendência destrutiva." O racionalismo e o humanismo de estampa individualista golpearam de morte a aquelas instituições do mundo contemporâneo que nominalmente se afirmam “sacras”. e portanto a auto-realização metafísica deve assumir métodos e vias novas. Tudo depende do cumprir as complexas operações iniciáticas e da autoridade da experiência transcendente. Em outras palavras. É evidente que nos encontramos de frente com esta realidade do esoterismo “de esquerda” no caso de Evola e daqueles místicos que estão na origem das ideologias socialistas e comunistas. fundada na convicção da insuficiência. a doutrina tântrica seja chamada “o quinto Veda”. O ritual tântrico (como a própria doutrina budista) e a participação em suas iniciações traumáticas comportam de certa forma o cancelamento de todas as estruturas políticas e sociais comuns. Além disso. dedicado ao tantrismo. instituições sociais. as instituições tradicionais perdem sua força vital. da degeneração e do caráter alienado das instituições sacrais ordinárias. Por conseguinte. A restauração da Tradição em suas proporções reais segundo a via da melhoria gradual das condições existentes. como . etc). perto do final da Kali-Yuga. mas por causa de uma particular afirmação paradoxal versada sobre o caráter autêntico da experiência e sobre o caráter concreto da auto -transformação. caem na mesma espécie. O Tantra é uma espécie de “sacralidade de esquerda”. em um artigo intitulado "O Quinto Veda". a lição de Evola para o nacional-bolcheviques é enfatizar os elementos diretamente ligados às doutrinas da "mão esquerda". O fenômeno dos "Velhos Crentes". castas. igreja. não enquanto negação. todo apelo á evolução e à gradualidade só pode levar à disseminação do liberalismo. é impossível." Para os fins tântricos não tem importância nenhuma ser um brâmane ou um chandala (representante das castas mais baixas). esta é a razão pela qual existindo apenas quatro Vedas. característica da sociedade indiana. Em outras palavras. a medida em que as instituições tradicionais conservadores decaem (no caso da monarquia. assegurando que "quem percorre o caminho mais curto não necessita de apoio externo. O próprio Guènon. mas como "destruição ativa e agressiva do racional" como uma luta contra a "consciência quotidiana" (e contra o “comportamento quotidiano”). sempre assumem um papel de primeiro grau aquelas práticas iniciáticas particulares. ligadas ao "caminho da mão esquerda. não-ortodoxas. A crítica destrutiva evoliana à Igreja não é uma mera negação da religião. mas sim uma particular forma estática do espírito religioso que insiste sobre a natureza absoluta e concreta da auto-transformação “aqui e agora”. Os nacional-bolcheviques entendem o "irracional" não apenas como "nãoracional". à realização espiritual traumática na esperança concreta de transformação e revolução dos usos e costumes que perderam toda justificativa de ordem sagrada. Essa hierarquia se mostra verticalmente na postura frente a própria hierarquia sagrada.descreve a estrutura iniciática das organizações tântricas (Kaula) e sua hierarquia típica.

se a extrema-direita não quer ser usada como terreno de recrutamento. refutaram teimosamente as motivações místicas inerentes à sua ideologia. historicamente inadequadas e totalmente ineficazes. o comunismo russo (e chinês). então somente lhes resta uma via: o Nacional-Bolchevismo. condenados a assistir ao fracasso de seus esforços políticos e ideológicos em favor da integração. enquanto os soviéticos. aquela particular existência mágica "do homem diferenciado". há uma revolução una e indivisível. simultaneamente. Terceira Internacional Duas únicas variantes teóricas dos "inimigos da sociedade aberta" foram capazes de derrotar temporariamente o liberalismo. torna-se claro como o Sol não somente a verdade metafísica do nacional-bolchevismo. o Anjo cosmopolita do capitalismo. a não ser que eles não queiram persistir em suas doutrinas superadas. Terceira Roma. Do outro lado da "direita" e "esquerda". Mas. que está contida na tríade dialética: "Terceira Roma . No Nacional-Socialismo alemão prevaleceu a nefasta e quebrada linha católicobávara de Hitler. e o fascismo europeu. se os homens que possuem sentimentos religiosos não encontram satisfação nos miseráveis sucedâneos moralistas ofertados por sacerdotes de cultos imbecis ou em um pseudo-espiritualismo primitivo. Se a extrema-esquerda rechaça ser o apêndice banal e oportunista da social-democracia.um mergulho no elemento da "Nova Vida". À primeira vista.Terceira Internacional" . veio a vez da última cidadela antiliberal: URSS. em seguida. expoentes de uma oportunidade histórica única que não viu a luz. Entre esses dois extremos se colocaram os nacionalbolcheviques. como facção extremista do aparato repressivo do sistema liberal. Só o discurso político dos anos 20 e 30 do século XX que havia conservado sua atualidade se encontrava nos textos dos eurasianos russos e dos revolucionários-conservadores “de esquerda” alemães. que rejeitou qualquer proibição e norma externa. dessangrando espiritualmente e castrando intelectualmente o bolchevismo.Terceiro Reich . O Nacional-bolchevismo é o último refúgio dos "inimigos da sociedade aberta". forçado a agir à margem do fascismo e do comunismo. o ano de 1991 marca o encerramento do encontro geopolítico com Mammon. mas também a justiça histórica absoluta de seus primeiros representantes. Terceiro Reich. sutil formação de políticos clarividentes. O primeiro a cair foi o fascismo.

coroado pelo Sol da Suástica Eterna. a ressurreição dos heróis. o portador sem cabeça da Cruz. enquanto continental e universal. Esta Última Revolução é tarefa do Acéfalo.O reino do nacional-bolchevismo. da insurreição dos corações contra a ditadura da razão. Tradução por Raphael Machado Postado por D. eis aqui o perfeito cumprimento da maior revolução da história. Matos às 15:39 0 comentários . Foice e Martelo. Falamos do retorno dos anjos. o Império do Fim. "Regnum".

Em qual sistema de coordenadas deve-se examinar o fenômeno do "financismo" Representa o capitalismo financeiro apenas uma variante aleatória da essência comum do desenvolvimento do sistema capitalista? Ou será. ainda que muitos autores tenham lançado um olhar profundo sobre esse fenômeno.não apenas a partir do ponto de vista da cronologia quantitativa. ao invés. nós temos que considerar toda a história do paradigma econômico. seu triunfo? A resposta para essa questão não pode ser encontrada dentro dos clássicos da teoria econômica. 8 de dezembro de 2010 "Financismo". Até mesmo para darmos os primeiros passos na direção de um panorama consistente desse tema. E ainda. Em sua análise não há clássicos estabelecidos. o Estágio Supremo de Desenvolvimento do Capitalismo por Aleksandr Dugin 1. que se recusava . mesmo aqui. A tarefa de compreender o "financismo" é nossa.quarta-feira.cuja tendência geral e completa significância econômica eles (e principalmente os marxistas) investigaram completamente e corretamente. E mais. Haverá mesmo uma e apenas uma única história da economia? Tal história realmente existiu. existiu uma terceira orientação (ou seja. Existe uma história reconhecida da economia a partir da posição liberal (capitalismo como a expressão do paradigma mais moderno e progressivo na economia). "heterodoxia" econômica). quer gostemos ou não. seu horizonte sendo limitado à fase industrial do desenvolvimento . bem como a partir da posição marxista (socialismo como a superação do capitalismo como a expressão do paradigma mais moderno e progressivo na economia). em muitas maneiras. mas a partir do ponto de vista da relevância qualitativa desse fenômeno no desenvolvimento geral de modelos econômicos. mas em duas (ou três?) versões alternativas. A sociedade pós-industrial ainda é. e individuar ali o lugar do "financismo" . a encarnação definitiva de toda sua lógica. nós nos deparamos com um elemento de incerteza solapando a estrutura da análise. uma realidade obscura. no ponto-zero da formulação do problema.

vencer a guerra ideológica contra o campo socialista. . 2.impedindo-o de se consolidar em um partido revolucionário atuando em escala mundial. .é exatamente o paradigma econômico que encarna em si mesmo o verdadeiro espírito do mundo moderno. especificamente. ao invés. À parte da posição de vantagem tática. Uma avaliação problemática do financismo na perspectiva marxista Os eventos da última década demonstraram um sucesso claro da tendência histórica da economia liberal. Não obstante. provou ser o regime econômico mais atualizado. O pensamento socialistas permaneceu. Eu posso compreender que pessoas que partilham de um certo conjunto de Weltanschauungen (*Visões-de-Mundo) dificilmente aceitarão essa conclusão . mais do que o socialismo (e do que modelos econômicos de "Terceira Via").isto é. o capitalismo consistente . como os economistas clássicos costumavam fazer. e a queda dramática do sistema soviético introduz acentos inconfundíveis na história dessa disputa acadêmica. Mas esta escola ecomômica de "Terceira Via" (sobre a qual eu relatei na "Coleção Econômico-Filosófica) permaneceu marginal. Capitalismo liberal. E precisamente no contexto do pensamento econômico e filosófico liberal nasceram as primeiras teorizações a respeito da sociedade pós-industrial.absolutamente a avaliar o paradigma econômico segundo esta fórmula simplória (progressivo-não progressivo). . o modelo liberal bem-sucedidamente derrotou a ameaça marxista. nós somos confrontados aqui com uma conclusão conceitual muito relevante. a despeito da presença de economistas e filósofos de primeira categoria em suas fileiras. um grande número de fatores está nos levando a pensar que o paradigma liberal .evitar as revoluções socialistas. A partir de todos esses aspectos. O sistema liberal foi capaz de: .e mesmo o pensamento de tal generalização poderá ser perturbador para alguns.dissolver o proletariado: . completamente dentro das fronteiras do paradigma industrial.

ao mesmo tempo se apegando ao paradigma econômico moderno.a partir desse ponto de partida . . Como concluir .). "O Paradigma do Fim".9). blanquista-leninista) em muitas áreas do mundo.Sendo este o este o estado das coisas. histórico.não um produto do curso objetivo da história. mais e mais claramente: que o socialismo foi o resultado de um esforço geral resoluto .mas não apenas em relação a ela. Não é um beco-sem-saída.. subjacendo nas raízes do modelo econômico capitalista. "O Paradigma do Fim"..o fato da existência do marxismo (do marxismo realizado. seria errado decifrar a posteriori os sistemas socialistas como tendo sido demonstrados menos adequados. cit.cultural.ainda que de um modo voluntarista. Hodiernamente a posição socialista não vale um único centavo: não apenas as previsões de Marx a respeito da transição do Ocidente industrializado para o socialismo provaram-se verdadeiras apenas no modo de produção agrário-asiático oriental. étnico e religioso . vitorioso .Dugin. porém não determinante. mas como um fator importante. aparecem como uma espécie de tendência anti-modernista em relação à economia . Um fato emerge. Tudo é muito mais complexo: a orientação anti-capitalista e a premissa filosófica. mas a última luta (ainda que velada e externamente estilizada segundo a aparência do "modernismo") do paradigma anti-moderno de uma Weltanschauung que encontra expressão na teoria e praxis econômica (ver A. a peculiaridade geográfica e cultural dos países onde o socialismo triunfou não aparece mais como um elemento aleatóroi. mas precisamente da insurgência contra esse curso objetivo o efeito de uma insurreição heróica e de um feito moral de heroísmo. o marxismo caiu em pedaços junto com o Império Russo-Soviético. Nessa moldura.que o socialismo mesmo representa um fenômeno mais "progressivo"? Como significar que o verdadeiro curso da história mundial (a infame necessidade histórica) corre precisamente em sua direção? É impossível. A geopolítica efetivamente corrige a política econômica (ver A.Dugin. O messianismo escatológico eurasianista russo (e judaico ortodoxo) dos comissários bolcheviques provaram ser um argumento de muito mais peso que as abstrações sofisticadas da economia política.de orientações e prioridades orientais. O universalismo marxista não provou ser comparativamente válido. mesmo o último argumento marxista foi batido . Elementy n. O socialismo venceu nos países do Leste como um inimigo . no qual um máximo de tensão enlaçavam tanto a elite revolucionário como a massa nacional. E como uma linguagem conceitual comum.

em primeiro lugar . "Dominação Real do Capital" O liberalismo assimilou da Weltanschauung socialista (e mesmo marxista) o quê sob um ponto de vista paradigmático não entrava em contradição com as fundações da lógica capitalista. 3. Apenas após realizar essa tarefa. que se instauraria na eventualidade de que a alternativa revolucionária do sujeito proletário não tivesse vencido a batalha na fase anterior da "dominação formal".e acima de tudo do destino trágico do socialismo na sua última década. O financismo é um limite lógico.com o desafio seriíssimo de prover uma explicação marxista não contraditório dos paradoxos do século XX .durante a qual sua transição a uma fase puramente financeira da economia ocorreu . Já que o capitalismo mesmo é considerado como moderno e "progressivo". na direção do qual o desenvolvimento mais autosuficiente do Capital é atraído. Ademais. No não publicado Livro VI do "Capital". e destruiu todas as formas remanescentes aquelas realmente alterntivas .As tentativas hodiernas de descriptografar o fenômeno do "financismo" em uma perspectiva marxista ortodoxa estão claramente destinadas à falha. o movimento na direção de um estágio mais moderno e "progressivo". O movimento na direção de uma economia puramente financeira será. econômica e geopolítica.ao fim de uma guerra ideológica. seria possível seguir adiante. Esse tema marxiano da natureza não pré-determinada do resultado final da luta mundial entre Trabalho e Capital é algo que o marxismo ortodoxo sempre temeu tanto como todo ser vivo teme o fogo. Marx ofereceu uma descrição dessa fase como o ciclo eventual da "dominação real do capital". tendo realizado tal tarefa. (ver Jean-Marc Vivenza. é um módulo ligado à metamorfose desse paradigma em algo que não possui alternativa. seria o marxismo ortodoxo o mesmo de antes? É difícil de acreditar. nessa visão. O financismo é uma fase modular de desenvolvimento do paradigma capitalista. Porém. A ortodoxia é confrontada . desde que a ortodoxia mesma foi destruída.coincidiram com a globalização e totalização do próprio paradigma liberal. "Da dominação formal à dominação real do . Desse modo. o liberalismo possui as qualidades para analizar o "financismo" segundo sua própria perspectiva peculiar. muito mais moderno e "progressivo" será o financismo. A fase pós-industrial do desenvolvimento do capitalismo .

resistindo contra a entropia histórica.o progresso da alienação. Nesse processo de alienação total. esta iniciativa também cai sob a mó do Destino. a translação de toda a economia no modo de especulação financeira virtual. 4.Capital". Elementy n.7). Profetas e Salvadores. Liberalismo como alienação. como a queda inercial de uma massa pesada. o "modernismo". e finalmente. como sina e mal. corrompido pela sociedade). então. e Marx ("distanciamento do comunismo originário").aquele de Heróis. e as condições apocalípticas se tornam piores. . o "curso natural da história". a alienação do produto do trabalho dos produtores. segundo os tradicionalistas. mais cedo ou mais tarde. Mas um tema constantemente emerge na Tradição . contra a força gravitacional do Existente. Daí a sugestão de situar o "financismo" na zona escatológica da história econômica do desenvolvimento capitalista. História é alienação. Esta abordagem estará perfeitamente correta a partir da perspectiva da principal tendência do desenvolvimento capitalista . o curso natural do desenvolvimento histórico é claramente demonstrado a partir da perspectiva da sociedade tradicional. como um resfriamento conseqüente do Ser. Mas. a alienação de toda a esfera de produção no sistema de crédito bancário. Essa perspectiva tradicionalista vê o "progresso". Primeiro. A história da civilização é vista como alienação por Rousseau (o "bom selvagem". (Marx e a doutrina marxiana podem muito corretamente serem contados como análogos dessa insurgência "pré-escatológica"). "progresso" como decadência O financismo é a coroa da lógica capitalista e representa em si mesmo o último e mais elevado nível de alienação. Hegel ("alienação da Idéia Absoluta").

o "fim do mundo" (este evento ontologicamente positivo. então quer conscientemente ou não . Isso não pode ser disfarçado sob a retórica do "progresso". leninista . mas também para todos os modelos econômicos que são nãomodernos. "Estado Prussiano" em Hegel. será erradicado pela mão direita vingadora do princípio transcendental. autonomizada. O curso natural da história (também da história econômica) não nos convém.A alegre reviravolta ("democracia justa". Uma questão diferente é o modo como nós avaliamos o "financismo". nós consideramos a entropia histórica como imoral.não apenas para o conjunto de visões "não-financistas" sobre a economia. separada de todas as outras estruturas sociais de valor em sua encarnação qualitativamente moderna. O financismo representa o pico do desenvolvimento da economia moderna. em Rousseau. segundo os cristãos) se segue à era do Anticisto.nós nos encontramos no lado oposto ao espírito da modernidade.de um modo voluntarista. e nós queremos nos posicionar contra ela. isso não significa que o anúncio inegável da Segunda Vinda se aproximando também possa alcançar o "Príncipe desse Mundo". Isto é a não variação do "status quo". Mas é claro. e. baseados em um impulso "heróico" (segundo a definição de Werner Sombart) de superar o curso maligno do mundo contemporâneo. Há apenas uma coisa boa no clímax da alienação .uma vez que esse processo letal tenha alcançado seu limite. nós temos que nos voltar . Assim. anti-modernos. Nesse caso. Economia financeira e a dialética do mal O liberalismo é a tendência natural de desenvolvimento da "filosofia da economia". "Revolução Mundial" em Marx) acontece não obstante a inércia da história. mais geneticamente. 5. E a vinda do Anticristo é detectada como o sinal inconfundível da Segunda Vinda que se aproxima. o caminho "liberal-capitalista" do desenvolvimento econômico. Se nós vemos o "financismo" ("dominação real do capital") em cores escuras. .

tanto quanto põe sob exploração a realidade da economia e sua ontologia (ainda que essa ontologia não possa ser independente. no qual um princípio transcendental ou não intervém. A economia virtual. ele obteve uma vitória muito mais fácil do que em sua forma original. até um certo ponto. ou que transferências fictícias de capital através de redes de computador solapam o desenvolvimento dos setores materiais protuditvos. O capital (como a alienação última. a virtualização da substância econômica são o acorde final natural do desenvolvimento capitalista. é uma fase normal de seu desenvolvimento . A economia não é mais do que uma linguagem. 6. Isso se demonstrará letal. E conseguiu isso com o "financismo". Como uma representação. O imperativo indemonstrável da revolução Nós podemos concordar completamente com todas os prognósticos extremamente catastróficos sendo feitos por analistas imparciais sobre a significância ética dessas tendências. ou não pode intervir. transferindo os investimentos para a esfera da economia virtual. como uma redução total ao princípio materialista quantitativo) tem lutado por um longo tempo para se tornar o único sujeito da história humana. substituindo-a com seu sistema operacional ilusório porém ainda poderoso. É estúpido e irresponsável reclamar sobre o fato de que a massa da especulação financeira nas bolsas de valores do mundo em muito excede os orçamentos de países desenvolvidos. E ainda . Efetivamente.esta é a lógica absoluta de cada processo imanente. fictícia põe o próprio princípio da realidade sob exploração .segundo as visões tradicionalistas da sociedade (e outras doutrinas nãoliberais e anti-liberais) . A alienação das finanças da esfera produtiva. se não o quer. ela necessariamente deriva da forma social e metafísica supra-econômica mais geral).O "financismo" não é uma questão de desvio mecânico do paradigma econômico do capitalismo. aumentar a economia virtual em prejuízo dos setores reais de produção inevitavelmente leva ao desastre econômico. A antítese (mesmo teórica) ao "financismo" pode se manifestar nas fases anteriores do desenvolvimento capitalista. O elemento informacional nas sociedades pós-modernas objetiva substituir definitivamente a realidade. pela qual qualquer mensagem .a fase de seu triunfo mundial.

É por isso que protestar contra o "financismo" em escala nacional ou mundial é impossível sem uma revolução global da consciência. O anti-financismo não é mais que o nível exterior da luta mais profunda e radical contra o capitalismo e o liberalismo. é o Capitalismo Liberal em sua forma mais pura. John Mill. O modelo liberal da economia é a mensagem da alienação e entropia triunfantes. Marx). por justiça e irmandade. mas contra sua causa ("capitalismo". baseado no "Exílio dos Deuses" (M. "espírito moderno"). O "financismo" não é nada absolutamente novo. Rousseau. Tal é a mensagem do "espírito moderno". Tradução por Raphael Machado Postado por D. sem a expressão de uma nova Alternativa integral . socialistas. niilista da modernidade.pode ser formulada. cuja necessidade não brota a partir de interesses pragmáticos. comunistas) e "direitistas" (fundamentalistas. uma Alternativa não apenas contra o resultado (o "financismo" mesmo). integralistas) há muito tempo interpretaram o evangelho liberal (em filósofos como John Locke. e toma partido de uma ontologia superior.um sujeito que. dos "novos salvadores". indutivamente indemonstrável e empiricamente não-evidente. a mensagem do Iluminismo. Buscar por tal Alternativa dentro da esfera limitada da economia é impensável. Tal Alternativa terá que transcender todo o conjunto dos discursos modernos. político. Matos às 17:56 0 comentários . por liberdade e igualdade. na "Morte e Assassinato de Deus" (F. mas das profundezas da dignidade do sujeito humano como uma espécie . É a "modernidade" tendo sobrepujado completamente sua antítese. Jeremy Bentham. "liberalismo". da atomização do todo social. como a dissolução de qualquer essência orgânica. Apenas após isso. toda a "linguagem da modernidade". e em economistas como Adam Smith e David Ricardo) como a encarnação do mal nesse mundo. por uma nova sacralidade. quando o paradigma filosófico global da Revolução final tiver sido forjado. tradicionalistas. "Esquerdistas" (democratas radicais. Este é o espírito mortal. na "exploração" (K.como o caminho pragmático para afirmar um imperativo transcendente. rejeita qualquer conciliação com o mundo manchado de sangue. esta alternativa assumirá uma forma econômica . dos "novos heróis".e mais. Heidegger). sem uma revisitação excelente de cada ideologia anti-liberal. Nietzsche). mesmo no abismo de ter sido abandonado por Deus. Esse é o papel dos "novos profetas". cultural e histórico.

pela Antagonista Editora. 7 de novembro de 2010 Entrevista com Aleksandr Dugin di: Christian Bouchet direttore@rinascita. contudo.domingo. estão cada vez mais implicados no apoio a estas guerrilhas islamitas. Christian Bouchet: Obrigado por ter aceitado responder às nossas questões. com Barack Obama. Aleksandr Dugin é titular da cátedra de geopolítica na Universidade Lermontov de Moscovo (Universidade Estatal de Moscovo). a cidade de Moscovo foi vítima de duas explosões terroristas em estações de metro. . que se querem vingar da derrota do seu País na Ossétia do sul e na Abecásia. O teórico mais conhecido do neo-eurasismo. Existem.net Traduzioni: Doutor em história das ciências e em ciência política. os apoiantes de Zbigniew têm de novo influência. desde há muito director do Centro de Análise Geopolítica da Duma. Ao mesmo tempo. na Ingúchia e na Chechénia – pequenos grupos islamitas que continuamente travam uma luta armada contra a Rússia. a sua primeira obra em língua portuguesa: A Grande Guerra dos Continentes. a pista dos islamitas do Cáucaso foi a única a ser privilegiada pela comunicação social de massas. muito recentemente. E estes são favoráveis a um apoio aos rebeldes islamitas na Rússia a fim de desestabilizar a Federação Russa.A participação de islamitas nesses atentados é quase certa e Doku Umarov reinvindicou a sua responsabilidade. O que é que sabe acerca disto e qual é a sua opinião? Aleksandr Dugin . Há tantos acontecimentos políticos e geopolíticos sobre os quais gostaríamos que nos esclarecesse. tornando-a mais dependente do Ocidente. no Cáucaso do Norte – no Daguestão. No Ocidente. senão mesmo a CIA. com efeito. Foi publicada. que nos é difícil começar… Em 29 de Março último. é considerado como tendo uma grande influência nos meios políticos e militares russos. algumas vozes discordantes afirmaram que se tratavam de acções «sob falsa bandeira» e que os incitadores de tais atentados bem podiam ser os serviços secretos georgianos. também é certo que os serviços secretos georgianos. e os democratas no poder. Para além disso. nos estados Unidos.

há muitos islamitas e a etnia uigur tem aí lugar de destaque. Contudo. Moscovo quer controlar essa base para que Bichkek não se arrogue demasiadas liberdades. Creio que a ineficácia das revoluções coloridas já ficou provada. para justificar o eclodir dos motins. liberal. a termo. os países cujos dirigentes são hostis à Rússia – como a Moldávia. é preciso sublinhar uma coisa importante: é a Rússia e não os Estados Unidos que garante a integridade desses países. da Svanétia e da Javakhetia arménia. ou o Azerbaijão – são ameaçados pelo separatismo. Portanto não é de excluir que possa estalar. Era odiado por uma parte importante dos Quirguizes e havia razões bastantes. podemos pois. e já agora generalizado? Poderemos pensar que tal se insere numa mudança geral de orientação das repúblicas originadas pela implosão da União Soviética? Aleksandr Dugin . pelo secessionismo da Mingrélia. da Bielorrússia. segundo tudo indica. Será isto correcto. uma guerra civil entre o Sul e o Norte. Bakiev tinha falhado na reorganização do seu País e na consolidação da sociedade. a Geórgia. de uma forma mais ou menos esquemática. pró-russa e pró-americana. Actualmente. O Quirguistão está dividido em duas regiões. no tempo de Yuschenko. Não conseguiram . ligadas à sua política interna. É evidente que quer a Rússia quer os Estados Unidos têm interesse em controlar o governo de Bichkek em exercício. resumir a situação da seguinte maneira: os atentados de Moscovo foram. procura o apoio de Putin. continuando a lutar contra Moscovo. setentrional e meridional. Basta que modifiquem a sua atitude face a Moscovo para que os seus problemas acabem. É o caso do Cazaquistão. acaba de cair no Quirguistão e o governo alaranjado ucraniano teve recentemente uma amarga derrota eleitoral. refugiou-se lá antes de se exilar na Bielorrússia. No que às outras repúblicas ex-soviéticas diz respeito. É isto que pode explicar a continuação da ameaça à integridade da Geórgia. Para mais. já depois da Ossétia e da Abecásia terem declarado a sua independência. cometidos por islamistas com o apoio da Geórgia e o incitamento de Washington. não creio que por detrás dos motins se possa discernir a mão dos russos ou dos americanos. Rosa Otumbaeva que acaba de lhe suceder é. Hoje em dia apenas Saakachvili se recusa a compreende-lo.Assim sendo. Christian Bouchet – O governo saído da revolução laranja. mas ninguém sabe como é que ela se irá comportar de seguida. que é originário dali. Pelo contrário. simultaneamente. Bakiev. da Arménia. a Ucrânia. dita das túlipas. Nesta última. Parece que os governos originados por revoluções coloridas estão todos em dificuldades. Washington depende muito da base de Manas para os aviões militares que intervêm no Afeganistão. nem tão pouco se conseguirá manter o poder por muito tempo. Se os seus dirigentes simpatizam com Moscovo não têm problemas de separatismo.O que se passou no Quirguistão foi consequência das correlações de força geopolíticas e domésticas.

Mais uma vez é a justiça imanente… Christian Bouchet – A 26 de Março último cumpriu-se o décimo aniversário da ascensão ao poder de Vladimir Putin. imediatamente após a sua chegada ao poder. Deste ponto de vista creio que a Rússia ganhou o combate de influências no espaço pós-soviético. Também simbolicamente não se poderia imaginar um acontecimento que melhor pudesse demonstrar à maioria dos russos que os polacos estavam a utilizar os factos do passado com um objectivo russófobo. sobre o quê? Aleksandr Dugin . uma vez mais. Na realidade. é de molde a modificar as relações entre Moscovo e Varsóvia? Aleksandr Dugin . e isto enquanto homem e enquanto incarnação de uma política favorável ao retorno da Grande Rússia. sempre teve mais boa vontade face a Moscovo. o acidente de avião que causou a morte do presidente da República Polaca. Para ele era um pretexto simbólico da mais alta importância. uma vez mais. Há as imagens e há a realidade. confesso-lhe que estou um pouco desencantado. É absolutamente impossível. Somente o repetiu. os russos. Mas tudo isto não está formalmente organizado e os especialistas questionam-se se existirão realmente diferenças reais ou se assistimos unicamente a uma encenação para sossegar os americanos. morreu por sua própria culpa.instaurar governos estáveis. Christian Bouchet – O discurso de Vladimir Putin em Katyn teria um significado particular a nível geopolítico? A ser esse o caso. a justiça imanente foi mais forte que a vontade dos dirigentes da Rússia que são preferencialmente favoráveis a um compromisso com o Ocidente. Donald Tusk. As imagens fazem pensar que Medvedev é mais liberal e que Putin é mais patriota. criminalizar os russos e os soviéticos.No que a Katyn diz respeito. Só Putin é. Putin já se resignara a isso. Por seu lado. Salvou a Rússia do abismo e manteve a sua integridade. no avião morreram todos os representantes da russofobia mais extremada que viajavam com Kaczynsky. Putin já tinha admitido a culpabilidade russa. que acederá sem dúvida à presidência da República Polaca. Lech Kaczynsky queria utilizar a ocasião proporcionada pelo aniversário do acontecimento para. foram as forças da justiça imanente que emergiram neste extraordinário acidente de avião. Isto é verdade e se sim. . aos olhos das massas. é possível e tal não poderá deixar de as melhorar. Que isso venha a modificar as relações entre a Polónia e a Rússia. Putin fez. coisas excelentes. legítimo. Como analisa este decénio? Diz-se por vezes que existiriam desacordos entre Vladimir Putin e Dimitri Medvedev. É claro que os Estados Unidos são favoráveis a Medvedev m as não podemos dizer onde acaba o jogo e começa a realidade. É extraordinário! Excluo totalmente que Moscovo possa estar implicada no acidente.Ninguém sabe exactamente. Simultaneamente. Quanto a julgar a década de Vladimir Putin. Aquele que queria humilhar.

Depois disso. Lukoïl. incluindo quer o fornecimento de combustível a partir dos seus terminais no Médio Oriente. era magnífico e prometedor.Moscovo hesita entre um apoio firme ao Irão e um apoio às pressões do Ocidente. Não lutou efectivamente contra a corrupção. ensaiando uma ruptura estratégica com o atlantismo das suas origens. sem dúvida. Não mudou nada no clima cultural da Rússia. em 2000-2001. mais uma vez.Certamente que esta evolução não pode senão ser apreciada e aceite de uma maneira muito favorável. Christian Bouchet – Acabámos de saber que o gigante russo do Petróleo. em França. estamos perante uma ausência total de alternativas. . Foi um erro grave. Esperamos que Putin volte ao poder em 2012. bem como o transporte de crude desde o mar Cáspio até ao porto iraniano de Neka. Moscovo não vê Teerão – mesmo dotada de uma bomba nuclear – como um perigo. A Rússia quer desempenhar o papel de país neutro que apazigua os ocidentais. da geopolítica. mas que igualmente se afasta do Irão quando este tenta dotar-se de uma bomba nuclear prematuramente. parou com as suas reformas de tipo eurásico e ligou-se aos liberais e ao ocidente. ele não venha a fazer nada de definitivo. Esta lógica obriga a França a defender os interesses da Europa Continental e a levar a cabo uma política telurocrata. O pior aconteceu depois do 11 de Setembro. Há a lógica do espaço político. Há aquilo que é contingente e há o fundamental. Christian Bouchet – 2010 será o ano comemorativo da amizade Franco-Russa. parou o seu comércio com o Irão. Comportou-se mais como um pragmático do que como um patriota convicto. mas não quer muito simplesmente ser arrastado pelo Irão para o confronto deste com o Ocidente. não resolveu os graves problemas sociais. da qual não nos podemos desembaraçar. Pode afastar-se deste rumo mas não pode libertar-se dele sem correr o risco de se deslegitimar. Tolerou os liberais e não propôs receitas alternativas contra a crise. Isto não é. a impressão que Nicolas Sarkozy está a regressar aos fundamentos da diplomacia tradicional francesa. quando decidiu apoiar os americanos no Afeganistão. mas alguns já temem que. O seu balanço é positivo mas o interregno de Medvedev levanta questões e dúvidas quanto aos seus projectos futuros. Há aqui flutuações e não mudanças de rumo. É certo que continuou a levar a cabo uma política mais ou menos correcta mas o ritmo das suas acções começou a colocar problemas aos patriotas. mas ao mesmo tempo. Temos. O facto de ter proposto Medvedev para lhe suceder não foi compreendido por estes. O que é que acham disto em Moscovo e o que é que o Kremlin espera do Eliseu? Aleksandr Dugin . o que torna a situação difícil e o futuro obscuro. Sentem-se os primeiros indícios de desencantamento face a Putin na população. uma decisão neutra… Qual é pois a posição real de Moscovo face ao dossier nuclear iraniano? Aleksandr Dugin .Tudo aquilo que foi feito nos primeiros anos.

uma questão sensível na Europa: a da integração da Turquia na União Europeia. Christian Bouchet – Para concluir.O Kremlin opõe-se em absoluto à entrada da Turquia na União Europeia porque a Rússia quer desenvolver relações estratégicas com uma Turquia que cada vez se afasta mais dos Estados Unidos.Espero que o vosso presidente persista na sua nova orientação e que as relações russo-francesas se venham a tornar cada vez mais calorosas. (c) Flash. jornal gentil e acutilante. na sua qualidade de geopolítico. O que pensa o Kremlin disto e o que acha. . desta? Aleksandr Dugin . Os próprios patriotas turcos são hostis ao facto do seu país vir a integrar a União Europeia. tal como o eram na época de Jacques Chirac. partilho a posição do Kremlin e das massas patrióticas turcas que temem perder a sua identidade nacional e cultural ao aderirem à União Europeia. Quanto a mim.

e os confrontos pelo domínio de territórios e populações perdem-se na neblina dos tempos. O’Tuathail afirma que é “o modo de relacionar dinâmicas locais e regionais com o sistema global como um todo”4 e. era “o planeamento da política de segurança de um país em termos dos seus factores geográficos”. o mesmo autor escreve que “estuda a geografia da política internacional. a “Guerra-Fria”.5 . alterando e revendo as linhas de poder que eram as fronteiras do mapa político mundial. Spykman. quando os impérios em competição travavam inúmeras guerras. Napoleão 1o. Introdução Apesar do termo “Geopolítica” ter sido utilizado pela primeira vez pelo cientista político sueco Johan Rudolph Kjellen. gerando. particularmente a relação entre o ambiente físico (localização. na opinião do autor.A Geopolítica Russa: De Pedro “O Grande” a Putin. etc. apenas no final do século XIX. “A Rússia é uma charada. território.) e a conduta da política externa”.3 Mais modernamente. o Eurasianismo e os Recursos Energéticos "A política de um Estado está na sua geografia”.2 Existem inúmeras definições de “Geopolítica”. Agnew. dentro de um enigma” Winston Churchill 1. G. Para N. vários intelectuais importantes tinham já escrito sobre a influência da geografia na conduta da estratégia global das nações. Aqui se deixam algumas que. em conjunto com J. Para a Escola de Munique de Haushofer é “a ciência da vinculação geográfica dos fenómenos políticos”. recursos. O termo surgiu na era da rivalidade imperialista entre 1870 e 1945. melhor reflectem e abrangem o pleno âmbito do termo: Kjellen definiu-a como o “estudo da influência determinante do ambiente na política de um Estado”. embrulhada num mistério.

Nessa época. ele e os seus sucessores quase o conseguiam. temos de recuar na história russa até ao início do século XIII. Para entender mais completamente o que se pretende expor neste trabalho. As Guerras Púnicas foram a imagem mais clara da oposição “terra-mar”. o Norte e o Sul da Ásia). automaticamente romanizados após a conquista. sendo posteriormente substituído pelos EUA. as potências que se tornaram em símbolos da “civilização marítima” foram a Fenícia e Cartago. caíram um a um perante a implacável máquina de guerra mongol. Na História antiga. Retrospectiva Histórica da Ásia Central A história da Ásia Central foi condicionada pelas migrações de pastores nómadas das estepes desde muito cedo. frequentemente em guerra uns com os outros. o mongol (Genghis Khan e sucessores). Por seu lado. a Grã-Bretanha utilizou o comércio marítimo e a colonização das regiões costeiras como o seu instrumento básico de domínio. no primado da política sobre a economia.6 No âmbito deste trabalho interessam particularmente os dois últimos.Na história do mundo. Para os Eurasianistas. pois nessa época teve lugar um acontecimento catastrófico que deixou marcas indeléveis no carácter nacional russo. Mais modernamente. tarefa que ele cria lhe ter sido confiada por Deus para executar. em competição constante. autoritária. que tornou possível o comércio entre o Ocidente e o Oriente. conhecido para a posteridade como Genghis Khan. podem considerar-se cinco períodos históricos: o pré-islâmico (Ciro. Entre 1223 e 1240. provavelmente 4000 AC. mercantil e capitalista. Alexandre e a dinastia Sassanida. o islâmico (dinastias Ummayad e Abbasid). remonta ao século II AC a “rota da seda”. Roma representava uma amostra de uma estrutura de tempo de guerra. o dos séculos XVI ao XIX. Nos 30 anos seguintes. a Grã-Bretanha tornou-se o “pólo” marítimo. um génio militar analfabeto de nome Teumjin. não tendo conseguido unir-se para combater o inimigo comum. 2. duas aproximações às noções de espaço e terreno – a terrestre e a marítima. O . Tal como a Fenícia. com a sua penetração profunda no continente e assimilação dos povos conquistados. apesar de todas as variações históricas possíveis. O império terrestre que se lhes opunha era Roma. Segundo Mehdi Amineh. Em 1206. teve o sonho de conquistar o mundo. na História moderna. Portanto. existem. pode dizer-se que a generalidade das civilizações marítimas tem estado sempre ligada ao primado da economia sobre a política. os seus sucessores são os Impérios Russo. É um exemplo de um tipo de colonização puramente continental. e o russo-soviético. baseada acima de tudo nos interesses materiais e nos princípios do liberalismo económico. a Rússia consistia apenas em cerca de uma dúzia de principados. Austro-Húngaro e Alemão. Criaram um padrão especial de civilização. baseada no controlo civil e administrativo.

com a derrota dos tártaros na batalha do rio Ugra (5. Letónia e Estónia). a sua política externa muitas vezes agressiva. Foi a partir do Principado de Moscovo que. 1). os russos estagnaram e sofreram a opressão da “Horda Dourada”. Fig. deixando o caminho aberto para uma das maiores empresas coloniais da história: a expansão da Rússia para Oriente. recolher as produções e capturar populações para vender como escravos. Fig. reconquistou os dois primeiros (1553 e 1555). boa parte da Polónia (antigo reino da Polónia). Entretanto. 1) e Crimeia. Ucrânia. em virtude de ter a protecção do Império Otomano.8 O homem a quem os russos devem a sua liberdade face à opressão mongol foi Ivan III. na Ásia. tão temida no início. Lituânia. explicando grande parte da sua xenofobia. 1). “o Grande”. “o Terrível”. um dos sucessores de “o Grande”. a partir de meados do século XIV. encarregado de negócios dos EUA em Moscovo no início da “guerra-fria” e estudioso da política externa soviética. os estados bálticos (Lituânia. tinha entretanto perdido a vontade e o gosto de lutar. 2) “A História prova que o espaço e a posição têm influído no destino político de cada território (…) O espaço. com a finalidade de evitar invasões. além do território russo actual. bem para além dos Urais.7 Para George Kennan. a Finlândia. os vizinhos europeus da Rússia (principados alemães. A partir de 1580. anexando-os a Moscovo. sujeitos a tributos obrigatórios pesadíssimos pelos mongóis). as fontes principais da conduta soviética eram determinadas pela história e geografia russas. Moldávia (Bessarábia) e quase toda a Ásia Central. Raramente uma experiência deixou cicatrizes tão profundas e perenes na psicologia de uma nação. ficando reduzido apenas a três “khanatos” dispersos: Kazan (2.9 No seu apogeu o Império Russo incluía. Bielorússia. “A cautela e a flexibilidade soviéticas são atitudes solidificadas nas lições da história russa: séculos de batalhas entre forças nómadas na vastidão de planícies desprotegidas”.”10 . (Fig. aproveitando as circunstâncias e a fraqueza militar. que via nele um importante baluarte contra os russos. termo pelo qual os mongóis ficaram conhecidos.sistema político que o domínio mongol criou era muito descentralizado (sistema de “khanatos” – semelhantes a principados – onde o “khan” era uma espécie de senhor feudal. quando existe. o comércio de peles começou a atrair os russos para a Sibéria. Cáucaso. que se expandia rapidamente. se foi cimentando e alargando o Império Russo. cria a grande potência. O poderoso império de Genghis Khan colapsou no Ocidente. sendo comparável em muitos aspectos à conquista americana do Oeste. cuja sombra ainda hoje se faz sentir na Rússia. A máquina de guerra mongol. A expansão russa só terminou quando o Oceano Pacífico foi atingido. Durante cerca de 250 anos. Apenas restou a Crimeia como último reduto tártaro. Astrakhan (1. no final do século XV. e a histórica aceitação da tirania interna. e o resultado inevitável foi um jugo tirânico dos príncipes vassalos sobre os seus súbditos. Polónia e Suécia) foram ocupando partes do seu território. acomodando-se e não sendo já invencível. Ivan IV. Fig. príncipe de Moscovo. A ameaça mongol tinha assim sido eliminada.

que imaginou como uma porta de ligação comercial e cultural com a Europa. deu-se uma nova dinâmica à vida económica e política. no início do século XVIII. uma possessão cristã do Xá. pelo menos desde essa época.Durante o século XVI. anexou o antigo e independente reino da Geórgia. 3. 3). enviou uma embaixada diplomática à Europa Ocidental e construiu S. Catarina “a Grande” voltou a dar sinais de interesse pela Índia. . na transição do século XVII para o XVIII. e o seu sucessor Alexandre I recuperou à Pérsia os territórios do Cáucaso. o que o fez virar a atenção para aí e para a Índia. mas Constantinopla: para manter a Grã-Bretanha sossegada na Europa. devia mantê-la ocupada na Ásia”. não a Índia. No fim do século XVIII. alguns políticos britânicos continuavam contudo a pensar que “o objectivo real da Rússia era. chegaram-lhe notícias. o Império Persa tentou impedir o Império Otomano de ter acesso à “Rota da Seda” e ganhar o monopólio desta fonte de riqueza. tentar chegar à Índia. Em 1801. – o outro. mas apoderou-se do “khanato” da Crimeia nos finais do século XVIII. Petersburgo. Constantinopla. o acesso ao Mediterrâneo. A guerra entre estes dois impérios fez com que os “khanatos” asiáticos perdessem o seu poder e ressurgissem as forças tribais. ameaçando Constantinopla.11 O primeiro dos Czares a tentar modernizar a Rússia foi Pedro “o Grande”. devido ao crescente comércio entre as tribos da Ásia Central e a Rússia. já da dinastia Romanov. Não conseguiu conquistar nem Constantinopla nem a Índia. A Expansão Russa Pode recuar-se na “geopolítica” russa até finais do século XVII. levada por um lado pelo sonho da libertação dos cristãos ortodoxos. Em 1804. capital da Arménia (Fig. Porém. que a Pérsia considerava estar na sua esfera de influência. tendo esgotado o tesouro combatendo simultaneamente a Suécia e o Império Otomano. Catarina era uma expansionista e não era segredo que sonhava em expulsar os turcos de Constantinopla e controlá-la. a Rússia perseguiu dois objectivos estratégicos: – um. cercando Yerevan. Cerca de 50 anos mais tarde. avançou ainda mais para Sul. causando o declínio económico da Ásia Central no século XVII. e afirmar que. nas margens do Amu-Darya. É também nesta altura que se dá a progressiva sedentarização das tribos nómadas. Para tal. da descoberta de ricos jazigos de ouro na Ásia Central. o que contribuiu bastante para a centralização política da região. mas que lhe daria também o controlo do Bósforo e dos Dardanelos e. logo.

no Congresso de Viena. “a jóia da coroa” do Império Britânico. a modificação do mapa político da Europa. ficando contudo com a parte de leão. No século XIX. O “Grande Jogo”. O período clássico do “Grande Jogo” decorre desde aproximadamente 1815 até à Convenção Anglo-Russa de 1907. Petersburgo para a Ásia Central. por exemplo. atingir a Índia: – uma seria partindo de Orenburg (3.O Mar Negro tinha deixado de ser um “lago turco” e os russos começaram a construir uma gigantesca base naval em Sebastopol (4. e . Fig. as grandes potências. fez virar as atenções de S. como tinha feito Alexandre “o Grande”.13 A trégua entre a Rússia e a Pérsia no Cáucaso (a Pérsia acabou por aceitar a soberania russa entre o Cáucaso e o Mar Cáspio e em grande parte do Azerbaijão). tinha começado. Fig.14 Existiam apenas duas rotas possíveis para um exército russo. o Czar Alexandre solicitou. O “Grande Jogo” é um termo atribuído a Arthur Connolly. as guerras na Europa para fomentar revoluções ou conquistar território. pela supremacia na Ásia Central. em troca da utilização da Pérsia como caminho de passagem para invadir a Índia. destinado a isolar e a derrotar a Grã-Bretanha. Em 1807. entretanto. O termo foi popularizado posteriormente por Rudyard Kipling. forçando-os a aderir ao “bloqueio continental”. Perante a forte oposição britânica. Nos EUA e na Rússia. Alexandre I concordou em dividi-la com a Áustria e a Prússia. Porém. Fig.12 Após a derrota de Napoleão em 1812. suficientemente grande para ter sucesso. ficando os seus vasos de guerra a dois dias de Constantinopla. a luta subtil mas persistente pelo controlo das vastas terras situadas entre o Mar Cáspio. 3). capturar Khiva (2. 3) e Balkh (6. Mas a dicotomia entre a Europa e os outros continentes era reforçada pela combinação frequente entre uma “terra-mãe” e uma periferia trazendo uma experiência colonial para perto de “casa”. A presença da Rússia no Próximo Oriente e no Cáucaso começava a preocupar ao Império Britânico. o que fez parar o avanço russo. 1 e 3). na sua obra “Kim”. eram vistas como ameaças ao “equilíbrio de poder” entre os Estados dominantes. não existia uma separação clara nem fronteiras físicas óbvias. derrotou os russos em Friedland. atravessar o Hindu Kush. a Sul. exigindo o controlo da Polónia. a Pérsia e a Índia. utilizado para descrever a rivalidade e o conflito estratégicos entre os Impérios Britânico e Russo. surgiu Napoleão! Este ofereceu ajuda ao Xá para rechaçar os russos. Após a revolução bolchevique de 1917. existiu uma segunda fase. após subjugar a Áustria e a Prússia. 1). Fig.

embora mais longa. Cercou Damasco e avançou pela Anatólia na direcção de Constantinopla com um poderoso exército. “Se os afegãos. em virtude da resistência tenaz e das pesadas baixas sofridas. Estes desenvolvimentos colocaram de sobreaviso o Império Britânico. que o Afeganistão estava no centro de uma intensa e incessante luta pelo poder. Em qualquer dos casos. como nação. Fig. a coberto da fortaleza inexpugnável com que a natureza a tinha . Alexandre. Em 1833. fundado em meados do século XVIII. 4) para o Desfiladeiro Bolan (B. 4) para Peshawar e chegaria ao rio Indo. – a outra rota possível implicava a captura de Herat (7. encerrando uma cadeia de acontecimentos iniciada dois anos antes. e evitava os confrontos com os perigosos Turcomenos. 4) e Quetta (Q. que via no alargamento da armada russa e nas suas posições no Cáucaso uma cabeça-de-ponte para lançar investidas posteriores contra a Turquia e contra a Pérsia.15 Desde o colapso do grande império Durrani. Fig. que veio por termo à rebelião. Fig. poderiam fechar os Dardanelos a todos os navios de guerra estrangeiros. o sultão teve de aceitar reconhecido esse auxílio. através do Karakorum. que seria utilizada como ponto de apoio logístico. as dificuldades tornar-se-iam intransponíveis”. se S. No século XIII. Daí marchariam por Kandahar (Z. estiverem determinados a resistir aos invasores. uma enorme frota de navios de guerra russos posicionou-se perto de Constantinopla. cujos governantes hesitaram. atravessaria o Desfiladeiro Khyber (K. Herat poderia ser atingida através de um acordo com a Pérsia. que lhe ofereceu prontamente auxílio. Petersburgo assim o desejasse. esta rota. nos termos do tratado de paz. Fig. Genghis Khan abandonou a campanha no Afeganistão. querendo destronar o sultão. um invasor teria de passar pelo Afeganistão! No século IV DC.dirigir-se a Kabul. os estrategistas consideravam que o poder da Rússia era apenas defensivo. A armada russa retirou. daí marcharia para Jalalabad. Fig. então nominalmente parte do Império Otomano. Esta frase explica o interesse britânico em manter o Afeganistão forte e unido por um líder central em Kabul. Este apelou ao auxílio britânico. mas os turcos passaram a ser pouco mais do que um protectorado do Czar e.16 Explica ainda uma grande parte da história mais moderna deste país. o Afeganistão de hoje. conquistou todo o império persa. 4). Até então. Perante a situação. Mais lesto foi o Czar Nicolau I. quando e onde era vantajoso para os respectivos líderes tribais. tinha mais água que a rota alternativa. à excepção da província Bactro-Sogdiana. 3). ou atravessando o Cáspio para Astrabad. com uma revolta do governador do Egipto. O Império Britânico sentiu isso bem na pele. Não existia unidade real entre os afegãos. afirmou um oficial britânico em serviço na Índia. meramente alianças temporárias. o Grande.

Khiva. as fronteiras da Rússia tinham avançado cerca de 800 km em direcção a Constantinopla e cerca de 1 500 em direcção a Teerão. a multidão atacou as tropas inglesas nas ruas de Kabul e a guarnição acordou uma retirada protegida. e impôs um regime “fantoche”. na realidade. Todo este território tinha sido conseguido furtivamente. a maior parte das paragens da Ásia Central não estava cartografada. amotinação dos cipaios indianos. Fig. Mas. Ao mesmo tempo. insustentável sem apoio militar britânico significativo. sem contudo nunca ter chegado a um confronto directo. levou mesmo a um dos piores desastres da história militar britânica. Fig. À medida que as tropas russas começaram a conquistar “khanato” após “khanato”. espionagem e diplomacia imperialista. três anos depois. os sucessivos governos britânicos passaram a ver o Afeganistão como um estado-tampão. as conquistas russas sobre a Suécia montavam a metade da área original daquele reino. Fig. através de astúcia e pequenas invasões sucessivas.ª Guerra Anglo-Afegã). Porém. nenhuma delas suficientemente importante para causar fricções importantes com os outros poderes europeus. Na Europa. 3) e Bukhara. e os dois impérios jogaram um jogo subtil de exploração. Da perspectiva britânica. A 1. a expansão czarista ameaçava a Índia. desde o reinado de Pedro “o Grande”. de 15 para quase 60 milhões. em direcção àquele estado e. Em 1842. foi a vez de Khiva.17 No início do século XIX. a uma razão de mais de 50 000 km2 por ano. Merv e Tashkent (12. os britânicos viram-se a braços com a “Revolta da Índia”. O ponto nevrálgico da actividade foi. Em 1870. a expansão imperial czarista ameaçava colidir com o domínio e a ocupação crescentes do sub-continente indiano. os afegãos não cumpriram o acordado e cerca de 4 500 militares e 12 000 apoiantes pereceram durante a retirada. O controlo russo estendia-se então até à margem Norte do rio Amu-Darya. os britânicos temeram que o Afeganistão se tornasse numa área de preparação para uma invasão russa da Índia. 3) eram praticamente desconhecidas dos estrangeiros. como já foi dito. O regime durou pouco tempo. As cidades de Bukhara (10. Samarcanda (11.19 . Mas. Em 1838. em toda a Ásia Central. os súbditos do Czar tinham aumentado quatro vezes. em 1865. os russos continuaram a avançar para Sul. anexaram formalmente Tashkent e. Infelizmente para os britânicos. e sobre a Polónia eram quase iguais à área de todo o Império Austríaco. 3). No final do referido século. o Afeganistão. o já referido “Grande Jogo”. O conflito ameaçou sempre uma eventual guerra entre as partes. em vez de tentar estabelecer uma liderança forte e amistosa que pudesse proteger a Índia contra invasões russas. O desastre russo em Khiva (1839) não se pode comparar a este.ª Guerra Anglo-Afegã foi um golpe devastador no seu orgulho e prestígio. No seguimento desta humilhante derrota.18 Entre meados de 1857 e meados de 1858. os britânicos refrearam as suas ambições sobre o Afeganistão. Após essa rebelião.contemplado – o seu clima e os seus desertos – conforme Napoleão tinha descoberto à sua própria custa. a Grã-Bretanha lançou um ataque ao Afeganistão (1.

Considerando-se o guardião dos locais santos do Cristianismo na Terra Santa. No Outono de 1854. No período de “détente” que se seguiu. O cerco durou quase um ano e a rendição russa tornou-se inevitável. O Mar Negro ficou desmilitarizado e a independência e integridade da Turquia garantidas. considerando que a sua captura e destruição asseguraria a independência da Turquia. então com 25 anos. As ambições da Rússia na Europa e no Próximo Oriente tinham sido bloqueadas. alegadamente para proteger os cristãos eslavos daquela região. o Czar Nicolau invadiu as províncias setentrionais dos Balcãs. Os britânicos e os franceses. determinados a manter os russos afastados do Próximo Oriente.20 . Concordaram também em consolidar as suas fronteiras. por seu turno. As duas partes concordaram que o sultão deveria ser mantido no trono enquanto tal fosse possível. Os russos foram fortemente penalizados na região do Mar Negro. A sua principal preocupação era o futuro do Império Otomano. Os britânicos. Confessou estar muito preocupado com o que poderia acontecer quando ele se desfizesse. ignorando um ultimato dos turcos para retirar. a grande base naval russa no Mar Negro. a Áustria ameaçou juntar-se à coligação e o novo Czar. em 1853. entre lei e desordem. subjugando vizinhos problemáticos. Porém. Alexandre III. Berlim.O Czar Nicolau I visitou a Rainha Vitória. mas também fazer parar a sua expansão na Ásia Central. pondo uma vez mais os dois países em guerra. cerca de 400 km a leste do Mar de Aral. Viena. ao mesmo tempo que o Czar Nicolau I adoecia e morria em Março de 1855. então parte integrante do Império Otomano. a Rússia olhou para a Ásia Central como uma região onde a rivalidade com a Grã-Bretanha lhe poderia ser mais favorável. Roma. os russos avançaram as suas praças-fortes através das estepes cazaques até às margens do Syr-Darya. banidas que foram todas as bases e navios de guerra daquele mar. o oposto. Praga. Passaram 15 anos até que a Rússia denunciasse o acordo de paz e reiniciasse a construção de uma frota do Mar Negro. tinha começado. como lhe chamava. A Guerra da Crimeia. “o homem doente da Europa”. Após a rendição de Sebastopol. entre aqueles que tinham e aqueles que queriam ter. A seguir à derrota na Guerra da Crimeia. as boas relações cessaram. Budapeste. Em 1848. aliaram-se ao sultão. acedeu a assinar um acordo preliminar de paz. Ao derrotar os russos na Crimeia. cederam a foz do Danúbio e várias cidades capturadas aos turcos. conseguiram anexar o Sind e colocar líderes favoráveis a governar o Punjab e a Caxemira. franceses e britânicos sitiaram Sebastopol. O efeito foi. em Londres em 1844. etc. que ninguém queria e que poderia facilmente ser evitada.) entre governantes e governados. tinham estalado revoluções nacionalistas em várias capitais europeias (Paris. a Grã-Bretanha esperava não só afastá-la do Próximo Oriente. todavia. algo que temia estar eminente.

especialmente o fértil vale de Fergana. Mas. foi a Guerra da Secessão nos EUA. Em 1859. ao mesmo tempo. presidente dos EUA e conhecido pelo “corolário Roosevelt”. existiam outras cidades importantes: uma era Samarcanda. Na década de 1850’s. a cidade mais rica da Ásia Central. se bem que gradualmente. O Xá da Pérsia. em direcção à costa do Pacífico. possessão de Khokand. pastagens e uma população de 100 000 pessoas. oásis e montanhas. ao longo do rio Amur. agora parte dos domínios de Bokhara. num memorando para os seus embaixadores na Europa: “A posição da Rússia na Ásia Central é idêntica à de todos os estados civilizados que entram em contacto com populações nómadas e semi-selvagens. Tashkent. no Cáucaso. reclamou a cidade de Herat e ocupou-a no final de 1856. do tamanho da França e da Alemanha juntas. Bokhara e Khokand dominavam. Como resultado da guerra. Fig. acontece sempre que o estado mais civilizado é forçado. os russos continuaram a expandir-se para Leste. no entanto. o líder afegão reconquistou-a. que degeneraram em 1856 na Segunda Guerra do Ópio. o abastecimento foi cortado. Em 1863.21 . aproveitando a Guerra da Crimeia. anteriormente independente. É interessante verificar a semelhança entre esta posição e a expressa no final do século XIX por Theodore Roosevelt. que não possuem uma organização social estável. sob o domínio chinês. vinhas. uma vasta região de desertos. com potencial para produzir quantidades substanciais desse têxtil. 3) na Ásia Central. que se estendia da margem oriental do Mar Cáspio até ao Pamir. entre eles. Aquilo que finalmente decidiu o Czar a agir. onde hoje é Vladivostok (Fig. com os seus pomares. não estava em posição de os impedir. capital do extinto império de Tamerlane. A Rússia sabia. O Czar Alexandre III estava decidido a conquistar esses campos de algodão o mais rapidamente possível. que os torna indesejáveis”. no interesse da segurança das suas fronteiras e das suas relações comerciais. era particularmente favorável à cultura do algodão. cujos estados sulistas tinham sido a principal fonte de abastecimento de algodão. 5). que a região de Khokand (4. outra era Kashgar (5. Em 1863. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Czar declarou no final de 1864. 3).Entretanto. finalmente. a contas com a rebelião Taiping no Sul e. Os “khanatos” de Khiva. e para Sul. fundando Vladivostok. O imperador chinês. Nesses casos. com as exigências francesas e britânicas para concessões de terras e outros privilégios. com o tamanho de metade dos EUA. entre a China e a Grã-Bretanha. a exercer uma certa ascendência sobre os vizinhos com um carácter mais turbulento e agressivo. conseguiram também submeter finalmente a quase totalidade da Circassia. Os russos acrescentaram assim uma enorme porção de territórios. ao seu já gigantesco império asiático. o Afeganistão voltou a ser notícia. Em 1860 chegaram ao Pacífico. Faltavam contudo os três “khanatos” independentes da Ásia Central. Fig. a Rússia estava preparada para penetrar na Ásia Central. afectando seriamente toda a Europa. separada das outras por altas montanhas. para além destas três cidades-estado.

no Volga. Tashkent era considerada a chave para a conquista e o domínio da Ásia Central. vindos do Sul. não ser facilmente defensável nem economicamente viável!…23 Em 1870. a Rússia vendeu o Alasca aos EUA por sete milhões de dólares. No verão de 1871. em virtude de.Em 1862. Eventualmente. o primeiro de uma série de movimentos que iriam fortalecer grandemente a sua posição política e estratégica na região. Começaram também a melhorar significativamente as suas comunicações na Ásia Central: uma nova linha férrea vinha de S.22 Em 1867. foi constituído o novo “Governo Geral” do Turquestão. pretendiam a frustração demonstrando o seu valor militar na conquista militar da Ásia. o receio que os britânicos chegassem ali primeiro. há muito que se sabia que o ponto mais vulnerável do Império Britânico era a Índia. deixando apenas o “khanato” de Khiva a fazer frente ao Czar. Petersburgo até Gorki (antiga Nijni Novgorod). o factor estratégico. que dominava . após a Guerra da Crimeia. – depois vinha a razão do orgulho imperial. Tashkent e Khokand. Samarcanda foi absorvida pelo Império Russo. 3). Fig. bloqueados na Europa e no Próximo Oriente. o que significava que os “khanatos” tinham os dias contados. – finalmente. segundo eles. onde circulavam cerca de 300 barcos a vapor até ao Mar Cáspio. o que se sabia não ser verdade pois. Samarcanda. Em 1865 ocuparam Tashkent. no caso de disputa com a Grã-Bretanha. e monopolizassem o comércio. O modo mais óbvio de ligar a Ásia Central à Rússia europeia era construir um porto na margem oriental do Cáspio. uma linha férrea podia ser construída através do deserto ligando Bokhara. algum tempo depois. declarando que a ocupação era temporária. ocupou o território muçulmano de Ili (8. Existiam três razões principais para isso: – antes de tudo. tal como o Báltico era o “calcanhar de Aquiles” da Rússia. renunciou unilateralmente às cláusulas do acordo de paz sobre o Mar Negro. quando Khiva fosse conquistada e os perigosos Turcomenos pacificados.

A Áustria-Hungria aliou-se à Grã-Bretanha sobre o problema da Bulgária. aceitasse também uma missão britânica. Este massacre levou o Czar. ao Montenegro e à Bulgária. da Anatólia Oriental. os exércitos russos estavam às portas de Constantinopla. a Rússia adquiriu o controlo da navegação no baixo Amu-Darya. do Cáucaso a Khokand. e a Rússia conseguiu territórios na Anatólia Oriental. à distância. e os britânicos colocaram tropas em Malta e ocuparam Chipre. No final. a Rússia tinha anexado um território com a área de metade dos EUA e conseguido uma barreira defensiva em toda a Ásia Central. Com esta acção. que se proclamava protector dos cristãos sob soberania turca. Em 1877 os russos declararam guerra à Turquia e iniciaram o avanço para Constantinopla. a Índia. devido a divergências sobre as possessões do Império otomano nos Balcãs. de onde se espalhou rapidamente à Sérvia. Este território era também rico em minérios e servia como celeiro daquela desolada região. a Rússia voltou a envolver-se com as outras potências. 3) (hoje Turkmenbashi). em 1717 e 1839. a um conflito latente com o Sultão. ocupando a Bósnia-Herzegovina. sem convite prévio. Sher Ali. o que fez o Czar Alexandre II recuar e aceitar uma trégua com os turcos. Esta foi recusada e. uma força de 40 000 homens atravessou a fronteira. Após os revezes anteriores. séculos antes. A resistência turca fracassou e. a Rússia não queria falhar. Porém. simultaneamente. ocupada em 1875. com os correspondentes benefícios comerciais e estratégicos. e lançou um ataque de três direcções diferentes: de Tashkent. em 1878. A Bulgária adquiriu a sua independência do Império Otomano. de Orenburg e de Kransnovodsk (13. Tropas turcas mataram e massacraram alguns milhares de cristãos búlgaros. bem como o domínio total da margem oriental do Cáspio. quando a Rússia enviou uma missão diplomática a Kabul. iniciando a 2. O problema iniciou-se em 1875 na Bósnia-Herzegovina. A Grã-Bretanha exigiu que o homem forte do Afeganistão. Khiva finalmente capitulou.ª Guerra Anglo-Afegã. prestes a realizar o seu sonho de séculos. Tinha sido através destes desfiladeiros que as hordas de Genghis Khan tinham. em retaliação. a crise resolveu-se sem recurso à guerra. numa tentativa de fazer recuar as tropas russas de Constantinopla. Em 1873. na Europa. Esta incursão foi quase tão desastrosa como a . invadido a Rússia.25 A tensão voltou a crescer em 1878. encontraram também a esquadra britânica fundeada nos Dardanelos. através dos Balcãs e.24 Entretanto.importantes passagens para a Sibéria meridional. Conseguiu também uma base a partir da qual poderia ameaçar a independência da Pérsia e do Afeganistão e. o Czar Alexandre II decidiu efectuar um ataque demolidor a Khiva. tendo o Sultão conseguido recuperar dois terços do território perdido. Fig. Num período de 10 anos. e que se tinha recentemente rebelado contra a soberania chinesa. contra a opinião britânica.

A rendição de Merv. 3). a meio caminho entre Merv e Herat. Em 1884 tomaram Merv. O Xá da Pérsia. Em 1879. O trono foi oferecido a Abdur Rahman. com a finalidade de delinear cientificamente a fronteira entre a Transcáspia russa.28 Em 1884. representantes das duas potências (Comissão Conjunta da Fronteira Afegã) reuniram-se perto de Merv. demonstrando ser mestre na arte do “facto consumado”. conseguida de modo considerado militarmente pouco ortodoxo. a expansão russa despoletou nova crise quando ocupou o oásis de Pandjeh. no limite Sul do deserto Karakum. formalmente pertencente à Pérsia. Petersburgo. levando finalmente as tribos turcomenas à capitulação e à submissão à soberania de S. Após uma longa correspondência diplomática. À beira da guerra. foi considerada pelas autoridades britânicas. Fig.primeira e em 1881 os ingleses voltaram a retirar de Kabul. na Índia e em Londres. a meio caminho entre o Cáspio e Merv. mas foi rechaçada. a Comissão Conjunta acordou que a Rússia devia abandonar Merv. que aceitou que a Grã-Bretanha orientasse a sua política externa enquanto ele consolidava a sua posição interna. ao mesmo tempo que tinham erradicado a influência russa em Kabul. quatro anos após ter anexado Khokand. a Convenção Anglo-Russa finalizou o período clássico do “Grande Jogo”. com perdas substanciais de território.29 A Rússia tinha conseguido mais uma vez aquilo que queria. Foi a sua pior derrota na Ásia Central desde o ataque de má memória a Khiva. em 1717. A “falha” do Pamir estava finalmente fechada. pediu à Grã-Bretanha para ocupar Herat antes dos russos.26 Os britânicos tinham conseguido assim estabelecer um estado-tampão razoavelmente estável e com um líder amistoso. desta vez com êxito. Em 1907. os russos cercaram Geok-Tepe de novo. profundamente alarmado pela agressividade russa. O acordo estabelecia a fronteira Norte do Afeganistão no Amu-Darya. podia facilmente fazer a ligação entre as cidades e guarnições da Ásia Central e transportar tropas até à fronteira afegã. a Pérsia e o Afeganistão. como sendo “de longe o passo mais importante dado pela Rússia para ameaçar a Índia”. Conseguiu dominar as rebeliões internas com eficácia brutal e reunir a maior parte do país sob o governo central. Londres e S.27 Em 1881. Petersburgo chegaram finalmente a acordo sobre a fronteira entre a Ásia Central russa e o Afeganistão oriental. Estas preocupações britânicas baseavam-se na linha férrea que os russos tinham começado a construir na direcção de Merv. a Rússia tentou atacar a cidade turcomena de Geok-Tepe (9. mas podia reter Pandjeh. Em 1895. que quando completada. com a aceitação russa de que a política do Afeganistão ficava sob controlo . no Afeganistão.

uma “espada de Damócles” sobre a cabeça do Xá. as potências europeias foram apanhadas de surpresa pela “Revolta dos Boxers”. Guam. Os alemães. obteve o porto de águas quentes de Port Arthur (hoje Dalian) (1. desde que esta garantisse a permanência do regime. o Trans-Siberiano (Fig. a França e a Grã-Bretanha obtiveram outras concessões. mas apenas retirou cerca de um terço dela.britânico. apesar de dominada. as maiores potências europeias estavam já empenhadas numa corrida desenfreada para conseguirem a sua parte do moribundo Império Manchu e do que lhe estava associado. enquanto a Rússia. tendo a revolta sido dominada por uma força de intervenção de seis países que ocupou Pequim. e com grande . e adquiriram em 1898 o Hawai. e que conduziria todas as suas relações com aquele país através da Grã-Bretanha. As fronteiras manter-se-iam. 6). Em 1900. Wake e as Filipinas. o Cônsul francês foi linchado. Nas escaramuças que se seguiram. antes dos outros “predadores” o conseguirem. foram os primeiros a solicitar uma base naval e uma estação de carvão. Alterava drasticamente o equilíbrio estratégico na região. com os seus recursos e mercados. Os EUA juntaram-se também ao “leilão”. com a sua capacidade de transportar tropas e artilharia. 5) e as terras em redor. S. Petersburgo foi fortemente pressionada para retirar esta força após a revolta ter sido dominada. apesar de terem partido tarde na corrida colonial. a revolta.30 Mas a Rússia continuava a sonhar abrir para si todo o Extremo Oriente. representando. onde os russos temiam pelo seu novo caminho-de-ferro e onde. Teria mais de 7 200 km de Moscovo a Vladivostok e seria capaz de transportar mercadorias e matérias-primas em ambos os sentidos em menos de metade do tempo que demorariam por via marítima. viria a ter consequências importantes na Manchúria. Por esta altura. Porém. um sentimento de forte ressentimento contra os “diabos estrangeiros” que. O Caminho-de-Ferro Transcaspiano foi iniciado em 1880. cobiçadas também por outras potências. causando assim sérios embaraços à hegemonia da Grã-Bretanha sobre as rotas marítimas. Em 1888 atingiu Bokhara e Samarcanda e encontrava-se a caminho de Tashkent. devido a isso. tirando partido da fraqueza da China. O plano envolvia a construção do maior caminho-de-ferro jamais visto. colocaram 170 000 homens. estavam a conseguir portos e outros privilégios comerciais e diplomáticos. A linha férrea corria paralela à fronteira com a Pérsia durante cerca de 500 km. Foram massacrados missionários cristãos. Fig. algures na costa Norte da China para a sua frota do Extremo Oriente. fazendo o papel de protectora da China.

Port Arthur e o controlo de partes do Trans-Siberiano foram transferidos para o Japão. Encontraram-se sitiados e prisioneiros na base naval fortemente defendida. entre a Coreia e o Japão. numa tentativa desesperada de terminar o bloqueio a Port Arthur. dominavam o mar. Um mês depois. O Czar Nicolau II decidiu então enviar a frota do Báltico para o Extremo Oriente. Fig. apesar de ficar na esfera de influência japonesa. A Coreia foi declarada independente. pois Lenine . devia ter um exército europeu e construir um império pela guerra. os russos jogaram no “facto consumado”. no início de 1905. Ambos os países acordaram em abandonar a Manchúria. da monarquia russa. que ameaçava directamente os seus próprios interesses na região. que foi devolvida à soberania chinesa. conseguiu infligir baixas importantes à frota russa e minar-lhe o moral. à medida que os japoneses. a revolução russa levou ao colapso de toda a frente oriental da 1. especialmente na Ásia. os responsáveis japoneses decidiram enfrentar a ameaça russa e. Tudo correu mal aos russos. atacaram sem aviso a base naval russa de Port Arthur. Longe de estar terminado. contudo. Indirectamente. Em Outubro de 1917. apesar de inferior em número e do fogo cerrado das baterias de artilharia de terra russa. A perda das suas praças-fortes no Oriente para os “macacos amarelos” abalou profundamente o prestígio russo no mundo. foi determinado que esta prosseguisse com a finalidade de reconquistar os mares do Oriente aos japoneses. a frota japonesa. O Japão tomou consciência. em meados do século XIX. à volta de três continentes. os russos poderiam trazer tropas em grande número.31 Tinha observado com grande apreensão o crescimento militar e naval da Rússia no Extremo Oriente. Tinha notado particularmente a infiltração russa na Coreia. a Guerra Russo-Japonesa levou à queda. O Japão tinha ainda consciência que o tempo jogava contra si. As más notícias chegaram à esquadra do Báltico quando esta se encontrava ainda em Madagáscar. em 1904. O conflito durou 18 meses e. Por estas razões. tacticamente superiores e melhor comandados. 13 anos depois. estavam à sua espera nos Estreitos de Tsushima.relutância. Apesar disso. o que a colocava perigosamente perto do seu território. Estes. A humilhação russa foi total e o sonho do Czar Nicolau II de construir um novo império no Oriente pereceu para sempre. que os peritos russos consideravam praticamente inexpugnável. artilharia pesada e outro material de guerra. Brilhantemente liderada pelo Almirante Togo. 5). uma vez mais. de que se não quisesse ser colonizado como a Índia ou despedaçado como a China. o “Grande Jogo” recomeçaria com renovado vigor e uma nova face. A paz foi mediada pelos EUA e assinado um acordo de paz. Os bolcheviques rasgaram todos os tratados assinados pelos seus predecessores. pois quando o caminho-de-ferro Trans-Siberiano estivesse concluído. 400 km a Norte de Port Arthur. do Cáucaso ao Báltico. e infligiram-lhe uma derrota catastrófica. A Guerra Russo-Japonesa tinha começado. caiu o fortemente defendido centro ferroviário de Mukden (hoje Shenyang) (2. Ficou claro que.ª Guerra Mundial. Port Arthur capitulou.

temendo que Amanullah escapasse à sua esfera de influência e percebendo que a política do governo afegão era controlar todas as tribos de língua pashtu. bem como jornais e escritos em línguas turcas e persa.ª Guerra Anglo-Afegã (1919) foi precipitada pelo assassinato do líder de então. bem como aos nacionalistas indianos exilados. a campanha russa no Afeganistão foi apenas mais um mero episódio desse “Novo Grande Jogo”. O Reino Unido impôs sanções económicas e diplomáticas insignificantes. Apesar disto. Em 1936. Azerbaijão.32 Os Czares tinham permitido e apoiado as religiões e as instituições sociais existentes. mais recentemente. que introduziu novas noções de nacionalidade e dividiu os territórios etnicamente heterogéneos em regiões administrativas que não respeitaram as etnias existentes. O Acordo de Rawalpindi concedeu autodeterminação completa ao Afeganistão em política externa.ª Guerra Mundial. face à analogia dos acontecimentos envolvendo a Índia. Quirguizistão. afirmando a sua influência no Médio Oriente na extracção de petróleo. Turcomenistão e Uzbequistão. tecnológica e militar. Esta descentralização foi destruída pela revolução bolchevista em 1917. Com o advento da 2. as novas repúblicas da Ásia Central. A URSS fornecia a Amanullah ajuda monetária. A 3. Habibullah Khan. os EUA substituíram o Reino Unido como poder global. o Afeganistão e. em 1940. tendo Amanullah oferecido abrigo aos muçulmanos fugidos da URSS. o Afeganistão e a URSS assinaram um tratado de amizade.33 A revolução bolchevique de 1917 anulou os tratados existentes e deu início a uma segunda fase do “Grande Jogo”. Cazaquistão. o Paquistão. tido como envolvido em actividades de espionagem. as relações soviético-afegãs continuaram equívocas.ª Guerra Mundial e o início da “guerra-fria”. embora com pouquíssimos resultados. os interesses da URSS e do Reino Unido convergiram na expulsão de um grande contingente não diplomático alemão. como uma luta mais abrangente. o “Novo Grande Jogo”. Segundo Lutz Kleveman. Com o fim da 2. Tadjiquistão. Em Maio de 1921. Amanullah. contenção da URSS e acesso a outros recursos. Geórgia. O seu sucessor. fazendo desvanecer a influência britânica. de ambos os lados da fronteira.pretendia “pegar fogo ao Oriente” com o “evangelho” do Marxismo. declarou independência total e atacou a fronteira Norte da Índia britânica. foram criadas as “Repúblicas Socialistas Soviéticas” da Arménia. Este período foi baptizado por vários analistas no início dos anos 1990’s.34 .

ª Guerra Mundial pelo etnólogo e filólogo Nikolai S. O Eurasianismo Na geopolítica russa do final do século XIX. historiador e filósofo Lev Gumilev. pelo historiador Peter Savitsky.37 Durante a 1. Defendia que a Rússia era claramente não europeia porque a vasta região ocupada. surgiram os primeiros dilemas e ambiguidades. o Eurasianismo procurava estabelecer a identidade ímpar da Rússia. lutando contra os seus aliados geopolíticos naturais – Alemanha e Áustria – com o intuito de libertar os seus “irmãos eslavos” do domínio turco. pelo teólogo ortodoxo G.35 Baseado nas ideias de Mackinder.Hoje. entre outros.V. O papel ímpar da Rússia era juntar a rica diversidade da Eurásia numa “terceira via”. tendo-se encontrado várias vezes em Praga com Karl Haushofer.39 Gumilev foi o criador da “teoria da etnogénese”. Era um continente em si mesmo. mas também mergulhando numa revolução e numa guerra civil catastróficas. nobre russo branco. liderado pela Rússia. mas os termos em que se idealizava o país eram idênticos aos de um império europeu. Centraliza-se nas reservas energéticas do Mar Cáspio (petróleo e gás natural).ª Guerra Mundial. os actores são diferentes e as regras do jogo neocolonial são muito mais complexas do que as de há um século atrás. estão as maiores reservas inexploradas de combustíveis fósseis. pela qual as nações são originárias da regularidade do desenvolvimento da sociedade. Trubetskoy. além disso. em que um grupo nacional dominava outras nacionalidades subordinadas. pelo geógrafo. distinta da Ocidental e focava a sua atenção para Sul e Leste. Nas suas margens e nos seus fundos. foram retomadas no período a seguir à 1. quando a Rússia se aliou à Grã-Bretanha. defendendo a luta cultural e política entre o Ocidente e o distinto sub-continente da Eurásia. Aqueles teóricos da geopolítica eurasiana analisaram com profundidade e atenção os impérios de Genghis Khan e Otomano. sonhando numa fusão entre as populações ortodoxas e muçulmanas. logo. apesar de situada entre os dois continentes – Europa e Ásia – era geográfica e.36 Rejeitava categoricamente o projecto do Czar Pedro para “europeizar” a Rússia. pela simples circunstância que englobava territórios. 4. a maioria dos quais se localizavam na Ásia. posteriormente. à França e aos EUA.38 Estas ideias acerca da geopolítica da Eurásia e do destino do Império Russo. . a cultura russa tinha sido maioritariamente moldada por influências vindas da Ásia. Florovsky e. denominado Eurásia. consistente com a cultura e as tradições da Ortodoxia e da Rússia. o Eurasianismo lutava por se sobrepor às tendências reformistas pró-ocidentais e ao movimento eslavófilo. objectivamente separada de ambos.

colocando o Estado nacional acima dos interesses individuais e económicos. que insistia na indivisibilidade da grande região que correspondia à Eurásia. passaram a ser “um povo entre outros” que partilhavam a autoridade. que tinha condicionado e determinado os movimentos históricos e a interpenetração dos seus povos.ª Guerra Mundial. Chamamos a essa nação Eurasiana. o Eurasianismo pressupunha autoritarismo. contrariamente à doutrina marxista. Segundo ele. a cultura marítima foi sinónimo de “Atlantismo”.41 Trubetskoy afirmava que “o substrato nacional do antigo Império Russo e actual URSS. Após a guerra fratricida e terrível entre dois países geopolítica. uma ideia de integralidade geográfica. só pode ser a totalidade dos povos que habitam este Estado. as suas ideias traziam. “a grande catástrofe eurasiana foi a agressão de Hitler contra a URSS. quer da Ásia. espiritual e metafisicamente chegados. a marca do “Atlantismo”! Para o mesmo autor. a vitória da URSS foi de facto equivalente a uma derrota”. Mackinder demonstrou claramente que. nos últimos séculos. as civilizações marítimas estiveram sempre ligadas ao “primado da economia sobre a política”. preservou a grande unidade do espaço eurasiano do Império Russo. algo que desapareceria perante a vitória planetária do comunismo. Dugin afirmou que a liderança de Lenine tinha um substrato eurasiano pois. o seu território Eurásia e o seu nacionalismo Eurasianismo. a capacidade humana para se sacrificar em prol de objectivos ideológicos. distinta quer da Europa. Ao contrário. Devido à unidade da região derivar da Natureza.e da “teoria da paixão”. Segundo Savitsky. possuía o seu próprio nacionalismo. na sua mundialização. o principal ideólogo eurasianista da actualidade. O conceito de separatismo não era aceitável para Trubetskoy.43 5. Trotsky insistia na exportação da revolução. Os russos. cujo resultado tinha sido a criação de um único Estado. personificado no Reino Unido e nos EUA. a Eurásia tinha sido modelada pela Natureza. tido como uma nação multiétnica peculiar e que. do liberalismo e da “democracia protestante”. e considerava a URSS como algo efémero e transitório.”42 Para Alexander Dugin. combateu na 2. esteve num campo de concentração nazi e voltou a cumprir uma sentença de 10 anos no Gulag. possuía a qualidade transcendente dessa mesma Natureza. e Trubetskoy adaptou o seu pensamento ao novo estado de coisas. por actividades contra a ideologia marxista-leninista. Esteve 16 anos presos no tempo de Estaline. Por seu lado. A “Guerra-Fria” . hierarquia e comunitarismo. defendendo a prioridade do individualismo. por isso. como tal. antes considerados como os “donos e proprietários” de todo o território. económica e étnica.40 A revolução de 1917 tinha terminado com a existência formal do Império Russo.

não se podiam estabelecer acordos com a URSS. insere-se nesse projecto geopolítico como oposição à OTAN. a reflexão sobre uma eventual guerra futura. ou o movimento comunista a nível mundial. na Hungria. com justificações equivalentes à teoria americana do “dominó”44. George Kennan. Esta era a essência da URSS e nada podia ser feito contra tal. como em muitos outros domínios. apesar do aparecimento do átomo e dos foguetões. Durante os últimos anos do estalinismo. históricas e geográficas. na Checoslováquia e no Afeganistão. estando o exército vermelho apenas a ajudar o povo a exercer a sua autodeterminação num sentido ideológica e geopoliticamente correcto. e hermeticamente fechada sobre o exterior. de se expandir. justificavam a intervenção militar soviética. De facto. o que poderiam pesar tais evoluções nos armamentos face às teorias enunciadas pelo “genial” Estaline? Apenas após a sua morte se retomou. simultaneamente esquadrinhada. os interesses fundamentais do socialismo noutros países. A justificação para esta atitude ficou conhecida como a “doutrina Brezhnev” (1968). expôs o seu conceito sobre a URSS como sendo uma potência com uma determinação e uma necessidade. sendo Estaline o grande mestre. onde se articulavam os limites dentro dos quais os Estados-satélite comunistas da Europa Oriental podiam operar. a reflexão continuou bloqueada. . (…) Cada Partido Comunista é livre de aplicar os princípios do Marxismo-Leninismo e do socialismo no seu país. A “guerra-fria” fez com que a URSS utilizasse meios militares na sua zona geopolítica para fazer face a levantamentos populares na Polónia. fechada no seu interior (Gulag). a reflexão estratégica deixou de existir na URSS. A URSS devia ser uma fortaleza.Apesar da “guerra-fria” ter sido primária e fundamentalmente um confronto entre ideologias e não sobre geopolítica – alguns autores chamam-lhe “geopolítica ideológica” – a Geopolítica desenvolvida pelos pensadores europeus do final do século XIX foi uma matéria importante para Estaline. (…) A soberania individual de países socialistas não se pode sobrepor aos interesses do socialismo e do movimento revolucionário mundiais. O Pacto de Varsóvia. O ensino da Geopolítica foi interdito na URSS.48 Toda a ciência se tornou marxista-leninista. por ser a disciplina maldita de uma Alemanha malévola. Qualquer decisão desses Estados que pudesse por em causa o socialismo nesse país. mas não se pode desviar desses princípios”46 O “encarregado de negócios” americano em Moscovo em 1946. integrando os países da Europa de Leste na esfera soviética. criando uma “zona tampão” (“buffer zone”) de estados-satélite que impedissem a repetição dos traumas causados pelas invasões de Napoleão e de Hitler.45 “Cada Partido Comunista é responsável não só perante o seu povo. mas também perante todos os países socialistas e o inteiro movimento comunista.47 A partir de 1937. timidamente.

Ogarkov. Estava preocupado com a América Latina e insistia no conceito de “guerra nuclear intercontinental relâmpago”. Shtemenko. durante a primeira metade da década de 50. dizia-se em Moscovo. V. Nos seus planos estratégicos.A ideia da não-inevitabilidade das guerras entre os dois sistemas políticos foi aflorada por Estaline apenas na sua última intervenção pública. o seu delfim. a penetração económico-cultural no Afeganistão. Foi ele o responsável pela . que iria ser retomado mais tarde. de uma visão estratégica para fazer da URSS uma potência mundial e de uma conjuntura internacional favorável a esse projecto. “Khrutschev teve bastante pena de não ter porta-aviões durante a crise de Cuba”. Porém. a marinha soviética conheceu uma ascensão considerável. Foi a partir dessa altura que os soviéticos aceitaram o dogma da coexistência pacífica. desde 1948. uma figura chave na geopolítica soviética foi o General Sergey M.49 Desde o final da 2. a URSS viveu aterrorizada pela eventualidade de uma ofensiva ocidental. Este programa de construção naval reforçou o empenhamento da URSS numa política realmente mundial. quer por razões climatéricas (Murmansk e Vladivostok). a qualidade dos navios não podia rivalizar com a dos EUA. principalmente em África. afirmando que aquele país tinha um papel geopolítico especial. em Outubro de 1952. na qual a arma atómica tinha um lugar de destaque. uma série de vazios políticos que interessava preencher. Por isso. Shtemenko já tinha alertado que não seria sensato basear a segurança da URSS apenas em mísseis balísticos intercontinentais. Contudo. Além disso.ª Guerra Mundial. durante os anos 60’s. face à evolução da relação de forças entre os dois sistemas.51 Um dos herdeiros das ideias geopolíticas e geoestratégicas de Shtemenko foi o Marechal N. a descolonização criou. estava. em detrimento das outras armas. Exigiu por isso uma modernização das forças navais e o desenvolvimento de uma frota de alto mar. que chegou a ser. antes de conseguir capacidade nuclear intercontinental. a própria configuração do território soviético não permitia o acesso permanente a mares abertos. provavelmente influenciado pelas ideias de Malenkov. Ao contrário.50 Entre o fim dos anos 60’s e a metade dos anos 80’s. permitindo o acesso soviético ao Índico. comandante das forças armadas do Pacto de Varsóvia e Chefe do Estado-Maior General da URSS. Chefe do Estado-Maior General das forças armadas soviéticas entre 1977 e meados dos anos 80’s. Por essa altura. Khrutschev tinha conceitos geoestratégicos exclusivamente baseados no emprego de mísseis intercontinentais. apesar do esforço enorme de aumento da capacidade naval. resultado da conjugação de um projecto político. a URSS nunca conseguiu apresentar-se como uma potência marítima capaz de conseguir obter o controlo dos mares. quer por estarem “fechados” por estreitos controlados pela OTAN (estreitos turcos e dinamarqueses).

O discurso de Brezhnev de 18 de Janeiro de 1977 marcou a adopção formal do conceito de dissuasão na doutrina estratégica soviética. ao mesmo tempo. ansiosos por salvar o sistema comunista da estagnação. o grito de alarme de Ogarkov em 1984. O reconhecimento da dissuasão pelo poder soviético teve como resultado a inércia de nada fazer em matéria de modernização dos armamentos convencionais e. multiplicaram-se as referências. e surgiu bem antes da SDI. por um tempo determinado.53 Na década de 80’s. O debate foi pois geopolítico e geoestratégico mas. em que os serviços de informações da OTAN foram confundidos por uma desinformação excelentemente conduzida. face à obsolescência do seu aparelho de produção e dos seus métodos de gestão. Daí. fez com que os soviéticos aceitassem sentar-se à mesa das negociações SALT a partir de 1968. servia objectivamente a manutenção da paz no planeta”. Esta dissociação entre guerra total e guerra limitada. em reformar o conjunto da economia soviética. para levar a cabo tais operações em profundidade. portanto. A partir de 1979. Mas. Brezhnev afirmou que “o equilíbrio estratégico-militar entre a URSS e os EUA. justificação para o acréscimo do poder militar convencional no teatro europeu. “Uma guerra mundial pode começar a ser travada. Mas os dados estratégicos modificaram-se consideravelmente a partir de 1983. Em 1981. e também pela adopção de uma opção doutrinária de guerra convencional limitada na Europa. após o lançamento da SDI. um conflito desenrolado exclusivamente na Europa com armas convencionais.operação contra a Checoslováquia. da corrupção e da . não só à dissuasão. tinha surgido uma nova geração de burocratas soviéticos. como objectivo de planeamento e modernização dos armamentos convencionais. Vislumbra-se aqui uma nova concepção estratégica. orçamental e estrutural. a indústria soviética de armamento não parecia estar à altura dessa “revolução industrial”. nos anos 70’s e 80’s. indirectamente. Ora. apenas com armamentos convencionais”. os soviéticos tinham de contar com o desenvolvimento muito rápido da tecnologia ocidental de armamentos de nova geração. mas também à ideia do absurdo de uma guerra nuclear e à impossibilidade de obter uma vitória numa tal guerra. As negociações sobre a limitação de armas estratégicas contribuíram para o aparecimento de uma nova geração de pensadores estratégicos militares na URSS.52 Ele afirmava que a função dissuasora das armas nucleares estratégicas era um assunto arrumado e que era conveniente modernizar os armamentos clássicos. entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia.

Yeltsin. Em grandes linhas. apressou a mudança das atitudes. O Eurasianismo conseguiu reconciliar filosofias muitas vezes . Gorbatchev e os seus sucessores lideravam um Estado suficientemente poderoso para controlar um povo ainda amedrontado. em 1985. Há muitos séculos que é um Estado imperial. Ao declarar que “nenhum país detém o monopólio da verdade”. Os segundos (Dugin. existem duas aproximações quanto às opções geopolíticas da Rússia: os internacionalistas liberais ou “ocidentalizadores” e os eurasianistas.) têm linhas ideológicas nacionalistas e patrióticas que acreditam que. Kozyrev. Para os líderes ocidentais. a Rússia não pode ser classificada como Ocidental ou Oriental. Trenin. mas demasiado fraco para administrar uma economia aberta. O “Novo” Eurasianismo O que irá ser a Rússia? Um Estado-Nação ou um império multinacional? Zbigniew Brzezinski afirma que “a Rússia será um império ou um estado democrático. eram sinais evidentes de que a “perestroika” era um facto real. históricas. Os primeiros (Gorbatchev.54 A sua chegada ao poder. Zhirinovsky. sobre os escombros do regime comunista.) crêem que os valores ocidentais do pluralismo e da democracia são universais e aplicáveis à Rússia. mas nunca ambos ao mesmo tempo”. culturais e mesmo psicológicas. muito antes de ser comunista. mas com primazia para as políticas. assinalou o fim da “doutrina Brezhnev” como o princípio geopolítico orientador das relações entre a URSS e os regimes comunistas da Europa Oriental. etc. Este facto é fundamental para se poder analisar com rigor a sua possível evolução. etc.55 A evolução da orientação geopolítica da Rússia liga-se à busca de uma identidade pós-soviética e ao seu lugar no mundo após o colapso do comunismo. 6. a vontade soviética de renunciar à “Doutrina Brezhnev” e de desistir da “luta anti-imperialista” no Terceiro Mundo. devido às particularidades geográficas. Quando o comunismo soviético entrou em colapso. A evolução que se tem verificado na Rússia. sendo um Estado forte e dominante na Eurásia. O nome mais sonante dessa geração foi Mikhail Gorbachev. tornando-o assim ainda mais difícil. Solzhenitsyn.hiper-extensão imperial (por demais evidente na campanha militar desastrosa no Afeganistão). Zyuganov. A realidade é que não existe cultura democrática na Rússia. é um processo em que as transformações políticas e económicas têm acontecido simultaneamente.

conquistando adeptos ao longo de todo o espectro político. adaptou as teorias tradicionais de Mahan e Mackinder e postulou uma luta pelo domínio internacional entre as potências terrestres – personificadas na Rússia – e as potências marítimas – principalmente os EUA e o Reino Unido. Por outras palavras. essa obscura e velha moldura geopolítica e ideológica. bem como nos interesses e preocupações de segurança. seu principal ideólogo. é cada vez mais evidente na conduta daquela política pelo Presidente. posteriormente. mais significativo ainda. pela sua localização geográfica e caminho histórico. Dugin crê que os interesses estratégicos da Rússia devem ser orientados de um modo anti-ocidental e para a criação de um espaço Eurasiático de domínio russo. a Rússia não poderá subsistir fora da sua essência imperial. Dugin analisou com profundidade e atenção os trabalhos de Trubetskoy. Apesar do seu passado obscuro (antigo membro duma organização radical anti-semita e. foi levada ao extremo por Dugin. . o ex-ministro da defesa Yevgeny Primakov. enquanto que as sociedades marítimas são inerentemente liberais. diferente do Ocidente nos seus valores culturais. Contra o “Atlantismo”. sobrepondo-se às preocupações de índole individualista e económica. personificando princípios de autoritarismo. Vladimir Zhirinovsky e outros altos dignatários. teoriza ele. As suas ideias têm influenciado o líder do Partido Comunista. em Dezembro de 1999. mas também são opostos culturalmente. Como resultado. supostamente com apoio organizacional e financeiro do Presidente Putin que. desde que assumiu a presidência da Rússia.57 A Rússia é uma civilização distinta. o Eurasianismo. A ideia de Mackinder sobre a oposição geopolítica entre potências marítimas e terrestres. Gennady Zyuganov. alterou o rumo da política externa de Moscovo. da Revolução Conservadora racista. Grande parte deste novo alento do Eurasianismo deve-se a Dugin. que postulou que os dois mundos não são apenas regidos por imperativos geoestratégicos antagónicos. liberalismo económico e democracia protestante – representado primariamente pelo bloco anglo-saxónico – ergue-se o “Eurasianismo”. As sociedades terrestres.contraditórias como o comunismo.56 O Partido Eurasianista foi fundado por Alexander Dugin em Maio de 2002. De facto. tendem normalmente a ter sistemas de valores e tradições absolutas e centralizadoras. Dugin é hoje considerado o principal geopolítico russo e é conselheiro de assuntos internacionais de várias figuras proeminentes da Duma. emergiu como uma força maioritária nos meios da política externa russa e. ganhou rapidamente importância. personificando o primado do individualismo. a religião ortodoxa e o fundamentalismo nacionalista. hierarquia e o estabelecimento de um comunitarismo. Savitsky e Florovsky.

Quanto à política interna.62 . Este impulso civilizacional comum será a base de uma união política e estratégica”. a sua homogeneidade geopolítica e a linha vertical de autoridade. o oposto do materialismo dialéctico. Assim. põe ênfase num eixo Moscovo-Teerão e na criação de uma zona de influência iraniana no Médio Oriente. em muitos aspectos. para onde se dirigem as suas actuais aspirações de hegemonia. Dugin reforça a necessidade de construir alianças que sirvam para aumentar o domínio político e económico. por detrás da prosperidade económica. combater o separatismo e o extremismo. o Eurasianismo defende que o caminho que o Ocidente tomou é destrutivo. A Europa. reduzir a influência dos clãs oligárquicos. no espaço. social e politicamente chegada aos EUA. que vê como essencial para a criação de um “cordão sanitário” contra a influência ocidental no antigo bloco soviético.59 Por outro lado. A vitória será encontrada na geografia. tem preocupações geopolíticas. o Eurasianismo opõe-se também ao “wahabismo satânico”. zona de influência russa. Churchill chamou “o baixo-ventre da Rússia”. está uma degradação espiritual total. para fortalecer as suas posições na Ásia Central. falsa e monstruosa. aquilo a que W. e apoiar a economia nacional.60 No respeitante à política externa. Hitler: fala sobre capitalismo. não na história. pretende reforçar a unidade estratégica da Rússia. colocam agora a sua esperança em ver regressar a Rússia à grandeza numa teoria que é.58 “O novo império eurasiano será construído no princípio fundamental do inimigo comum: a rejeição do ‘Atlantismo”.Muitos intelectuais russos que um dia pensaram que a vitória da sua pátria seria um resultado inevitável da história. não no tempo. mas são hoje aceites sem relutância pelo Partido Comunista. As suas teorias foram banidas durante a época soviética pelas suas ligações ao Nazismo. baseado numa combinação de nacionalismo e socialismo.61 O que torna Dugin notório e preocupante é que o seu pensamento faz lembrar. advoga um eixo Moscovo-Berlim. a sua civilização é espiritualmente vazia. apesar de ser cultural. geoestratégicas e económicas semelhantes à Rússia e à Eurásia. que ameaça e põe em risco a sua fronteira Sul. Os EUA exploraram a mágoa pelos ataques terroristas de 11 de Setembro. Na Europa. controlo estratégico dos EUA e na recusa em aceitar valores liberais para nos dominar. e sob a capa da luta contra o terrorismo. Dada a presente situação internacional pouco influente da Rússia. em certos aspectos.

Arménia. o conflito na Tchetchénia. bem como pelos seus próprios problemas internos (a guerra na Tchechénia fez com que as relações com a Geórgia. económico e estratégico preponderante naquelas ex-repúblicas da URSS. Turcomenistão e Uzbequistão na Ásia Central. em especial das forças do revivalismo islâmico. o Médio Oriente e a Ásia. Para contrabalançar esta situação. os enormes recursos petrolíferos e de gás natural da região. transformaram-na num local de enorme competição/cooperação. A Rússia vê assim a sua posição na região ameaçada pela expansão militar americana e da OTAN. se deteriorasse muito). A limitada definição dos seus requisitos de segurança leva a Rússia a ver aquela região como uma “zona tampão” (“buffer zone”). especialmente durante a presidência de Yeltsin. económicos e militares para manter a sua influência na década que se seguiu ao colapso da URSS. ela constitui um elo importante de comércio.63 Estas considerações são fundamentais na posição da Rússia face à Ásia Central. o alargamento da OTAN. legitimando uma intervenção militar. . a incapacidade da Rússia implementar as necessárias reformas nas suas Forças Armadas e na sua economia. a quem acusa abertamente de abrigar terroristas tchetchenos. em detrimento dos EUA. propôs uma cooperação triangular com a China e com a Índia através da Organização de Cooperação de Xangai (com Cazaquistão. As determinantes fundamentais da postura russa presentemente. a enorme prioridade dos problemas económicos e sociais internos. em conjunto com a hostilidade com que a sua presença é vista. juntamente com o fim da “missão de grande potência”. Quirguizistão e Tadjiquistão) e estabeleceu uma relação privilegiada com o Irão. A Rússia sempre considerou a região como o seu “quintal” estratégico. mas não teve os recursos políticos. tão evidentes na governação do Presidente Putin. se necessário. e a prudente avaliação dos “objectivos/capacidades” e dos “custos/benefícios”. Contudo. limita as suas possibilidades de cooperação e faz diminuir a sua influência. ao longo da fronteira Sul da Rússia: Cazaquistão. uma área de ligação natural e de trânsito entre a Europa.64 A doutrina consensual da “vizinhança próxima” define que a Rússia quer manter um papel político. Uma das consequências mais importantes dessa alteração foi a aparição de novas repúblicas independentes na Ásia Central. em especial no Cáucaso. Dada a posição geoestratégica da região. De qualquer modo. Quirguizistão. são o declínio acentuado do seu poder nacional na primeira metade da década de 90’s. Tadjiquistão. a Rússia espera manter a sua influência na Ásia Central. Ao mesmo tempo.O colapso da URSS e o fim da Guerra fria levou a uma alteração dramática na configuração da geopolítica da Eurásia. e o grande retraimento das suas aspirações externas. Azerbaijão e Geórgia no Cáucaso.

e alcançar a integração económica. a Rússia desperdiçou muitas oportunidades de preservar a sua influência na Ásia Central.Feng Shaolei afirma que durante a primeira fase do período pós-guerra-fria (1991-1993). a política externa seguida por Putin a partir dessa data caracterizou-se por uma inflexão nas suas escolhas estratégicas. a Rússia perdeu o controlo sobre os acontecimentos. Fazendo um esforço enorme para ter relações mais estreitas com os EUA e o Ocidente. o . a Rússia manteve grande influência.65 A resposta dos EUA aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001. Entretanto. quando a orientação pró-ocidental do Ministro dos Negócios Estrangeiros Andrei Kozyrev deu lugar à orientação eurasianista de Yevgenyi Primakov. a versão extremista do Islão é uma das maiores ameaças para a Rússia. A política russa para esta região não se alterou radicalmente até 1999/2000. utilizando por vezes esse controlo como um mecanismo para controlar os Estados da região. da ascensão de Vladimir Putin à presidência. política e militar. nos seus esforços para manter os EUA longe da região do Cáspio. Na fase seguinte. apesar desta política oficial. quando as relações com o Ocidente caíram para o nível mais baixo. pois a maioria dos líderes da região eram antigos colegas de Boris Yeltsin no Comité Central do Partido Comunista ou tinham obtido as suas posições com a sua ajuda. Segundo D. dos ataques extremistas no Quirguizistão e no Uzbequistão e. As ex-repúblicas da Ásia Central evoluíram de proto-estados para estados plenos. com os respectivos atributos. especialmente. fez alterar a geopolítica global. reforçava o seu controlo sobre os oleodutos e gasodutos. Trenin. Mesmo assim. o vácuo geopolítico criado deveu-se à política russa para a região.66 No pensamento de Putin. em virtude da crise do Kosovo. de 1994 a 1996. A Rússia fez então esforços titânicos para restaurar a sua influência e teve um papel importante no problema dos oleodutos e gasodutos da região. Uma terceira fase da política russa para a Ásia Central começou na segunda metade de 1996. Apesar disto. e apoiando o Ocidente na sua “guerra contra o terrorismo internacional”. dando a sua concordância à colocação de forças americanas em antigas bases soviéticas na Ásia Central.

na opinião pública russa. dado não existirem muitos países que o queiram fazer. ao processamento da lã e à fiação da seda. étnica e religiosa à maioria das ex-repúblicas soviéticas. o modelo secular de desenvolvimento turco pode atrair os regimes da Ásia Central que procuram exemplos para seguir. apesar de possuir divisas dos petro-dólares. cultural. portanto. Em primeiro lugar. Em quarto lugar. a exploração das reservas petrolíferas emergiram como um factor primordial na competição. o Irão pertence à facção Shiita do Islão. ao curtimento de couro. O fornecimento de material militar convencional e de tecnologia nuclear russa ao Irão é um dos aspectos fulcrais desta aliança. os alemães tentaram conquistar a região petrolífera de Baku. na margem ocidental do Mar Cáspio. e o Jogo intensificou-se. O Irão confia na Rússia como fornecedor de armamento. ao passo que a maioria da população muçulmana da Ásia Central (à excepção do Azerbaijão) é Sunita. Em segundo lugar. os iranianos são etnicamente Indo-Arianos e. Para a Rússia. a Rússia também vê vantagens e lucros no fornecimento de armamento. devido à sua proximidade geográfica. Durante a 1. Muitos políticos e peritos russos estão bastante mais alarmados com a Turquia. O Petróleo Sabia-se da existência de petróleo no Cáucaso e na Ásia Central desde o século XIII e foi factor importante no “Grande Jogo” do século XIX.67 7. o Irão não está economicamente em posição de iniciar uma modernização estrutural na Ásia Central e no Cáucaso. Em terceiro lugar.Irão encontrou um aliado inesperado na Rússia. nuclear inclusive. que são de origem turca ou caucasiana. bem como o seu potencial económico e apoio político ocidental. é bastante limitada e claramente exagerada pelos políticos ocidentais. à excepção dos Tadjiques. A aliança russo-iraniana pode aliás considerar-se um dos mais importantes factos geopolíticos do pós-guerra-fria. uma relação estreita com o Irão pode considerar-se como uma reacção à expansão da OTAN para a Europa Oriental. Até ao início do século XX. já que muito poucos países estão interessados em fornecer armas ao regime dos “ayatollahs”. bastante diferentes de outras etnias da região Sul da ex-URSS. No final deste século. ao Irão. Além disso. para fazer frente às actividades americanas na área. para continuar a . Ambos puseram temporariamente as suas divergências de lado. as elites locais não pretendem adoptar a forma de governo teocrática imposta no Irão.ª Guerra Mundial. com as capacidades tecnológicas aumentadas. a principal actividade económica da Ásia Central estava ligada ao algodão. A possível influência iraniana no fundamentalismo islâmico.

levou à invasão da Rússia em 1941. Expandiu os seus interesses petrolíferos ao Golfo Pérsico e fortaleceu a sua posição na Pérsia (hoje Irão). por seu turno. persuadiu os japoneses que uma guerra com os EUA era inevitável. o processo de globalização e a internacionalização das actividades do Estado como consequência principal daquela. junto ao Cáucaso. estava restrita à margem ocidental do Mar Cáspio. Em termos de percentagem.69 As reservas de petróleo e de gás natural da região do Mar Cáspio são sem dúvida significativas.71 Estes vastos recursos energéticos transformaram a região numa área de grande competição e de cooperação. No teatro europeu. Irão. O fim da “guerra-fria”. entre actores estatais e não-estatais. o que não conseguiram. a Grã-Bretanha tinha poucos recursos petrolíferos domésticos e ficava dependente de importações. estando consciente em 1942 que. Esta transição deu aos navios britânicos uma vantagem significativa em velocidade e autonomia sobre os seus adversários. no Noroeste do Iraque. em especial a Alemanha. enquanto a Alemanha e o Japão planeavam abastecer-se na Roménia e nas Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia). Cazaquistão. para alcançar Baku. Este contexto “pós-guerra-fria” é pertinente para compreender a actual geopolítica da Ásia Central.ª Guerra Mundial. por outro lado. quando a Marinha Inglesa decidiu converter a propulsão dos navios de combate do carvão para o petróleo. se falhasse o controlo do petróleo do Cáucaso. levando-os ao ataque de surpresa a Pearl Harbor. a desesperada necessidade da Alemanha em obter petróleo. levando a uma reformulação do conceito de geopolítica. pelo controlo daqueles recursos.72 Novos . e cerca de 50% das de gás natural. colocou a Londres um outro dilema: se bem que bastante rica em carvão.68 A data crítica para o petróleo deu-se em 1912.alimentar o esforço de guerra. Mas. na realidade. Na 2. conseguiu concessões importantes em Mosul. Hitler parece ter tido a mesma determinação. aqueles cinco países possuem cerca de 15% das reservas mundiais comprovadas de petróleo. perderia a guerra. transformaram o modo como o mundo pode ser compreendido. apenas descoberta a partir de meados do século XX pois. A tentativa japonesa de se abastecer nas Índias Orientais Holandesas levou à imposição de um embargo de exportações para o Japão o que. Rússia e Turcomenistão) estão comprovados cerca de 154×109 de barris de petróleo70 e cerca de 76. A riqueza mineral da Ásia Central só foi. por seu turno. Nos cinco países que circundam aquele mar (Azerbaijão. até aí. A França.5×1012 de metros cúbicos de gás natural.

na . após a chegada de Putin à presidência. sem experiência anterior de independência. Esta alteração foi posteriormente acentuada com as alterações geopolíticas introduzidas pela administração Bush como resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001. As novas repúblicas procuraram por isso outras opções para se distanciar e não depender da Rússia. especialmente da Turquia. e serem capazes de alcançar mercados diversificados. levaram ao estudo de rotas alternativas para levar os recursos até aos mercados. Para tentar manter a sua influência nas exportações dos produtos energéticos. 8.73 De facto. os alvos geopolíticos primários para a subordinação política parecem ser o Cazaquistão e o Azerbaijão. após o colapso soviético. normas e mecanismos políticos apropriados que assegurem uma coabitação civilizada entre a Rússia e os novos estados. para a Europa. as tentativas russas para retardar os projectos de desenvolvimento liderados por outras potências. O maior objectivo de Moscovo é assegurar que uma parte significativa dos recursos energéticos do Cáspio seja transportada pelo sistema russo de oleodutos para o Mar Negro e. O Futuro As orientações políticas russas emergentes ligam-se à busca de uma identidade nacional renovada e do seu lugar no mundo e nos assuntos internacionais. As maiores preocupações da Rússia dizem respeito ao controlo das rotas de exportação dos recursos energéticos. A subordinação deste último ajudaria a “selar” a Ásia Central do Ocidente.74 Todavia. Porém. Daí o ressurgimento de um discurso Eurasianista na política externa. rejeitou os pedidos russos para a manutenção de bases militares no seu território e desafiou também as exigências daquele país para um único oleoduto com terminal no porto russo de Novorossiysk. O Azerbaijão. daí. o sistema existente de oleodutos e gasodutos da era soviética é considerado como obsoleto. encorajado pela Turquia e pelos EUA. a conquista da soberania alcançada pelas ex-repúblicas soviéticas não foi apoiada e baseada em regras. Parece óbvio que a Rússia fez uma “escolha estratégica” ao emparceirar com o Ocidente na “guerra contra o terrorismo internacional”. numa região onde a dissolução da URSS criou um vazio de poder. no Mar Negro. A acrescentar ao oleoduto de Baku para Supsa. a Rússia apoia apenas oleodutos que passem através do seu território.75 Para a Rússia. prejudicando a posição da Rússia como potência dominante na região e fazendo-a perder o controlo sobre os recursos energéticos da região e do seu transporte. feitos com materiais de qualidade duvidosa e com manutenção de má qualidade técnica. que se estão a deteriorar com o tempo.Estados.

78 Outra ameaça séria à Rússia é o trânsito. tem utilizado também a incerteza quanto ao regime legal do Mar Cáspio. Se a Rússia quiser lucrar com o aumento de produção no Azerbaijão. ainda por acordar. Moscovo sentiu isso como uma humilhação geopolítica que prenunciava uma grave perda de influência no Cáucaso. com investimentos pequenos. seria um perigoso precedente que outras repúblicas predominantemente islâmicas do Norte do Cáucaso (Tcherkessia. Ao bloquear ou atrasar novos projectos de oleodutos. o Cazaquistão. em segundo lugar. dois ou três toneladas de heroína pura são transportadas anualmente da Ásia Central. Grozny. Dagestão.77 A Tchetchénia era uma região autónoma gozando já de uma larga autonomia.) poderiam querer seguir. a Rússia gostaria que passassem por território seu. nomeadamente as duas referidas atrás.Geórgia. a Rússia era principalmente um país de passagem no fornecimento de droga à Europa. evitando assim definitivamente o território russo. se tiverem de construir mais. quando declarou unilateralmente a sua independência em 1994. no Mediterrâneo. o actual sistema de oleodutos não possui a capacidade para o aumento de produção que se prevê para o Cazaquistão e para o Azerbaijão e. Porém. importação e consumo de droga. e esse atravessa a Tchetchénia. Se a materialização dos planos do oleoduto para Oeste falhar. tem de manter o controlo da república a todo o custo. Actualmente. a Turquia. A Rússia decidiu resolver o assunto pela força por duas razões principais: em primeiro lugar porque. o Azerbaijão e a Geórgia assinaram em 1999 um acordo para a construção de um oleoduto ligando Baku ao porto turco de Ceyhan. A vulnerabilidade étnica do Cazaquistão (cerca de 40% da população é russa) torna quase impossível uma confrontação aberta com Moscovo. se a Tchetchénia fosse autorizada a sair da Federação Russa. que pode também explorar o receio do Cazaquistão sobre o crescente dinamismo da China.76 É neste contexto que se encontra a explicação mais plausível para os recentes problemas de fornecimento de gás natural à Geórgia e para o diferendo com a Ucrânia sobre o mesmo combustível.79 . a Rússia conseguiu vencer praticamente todos os negócios energéticos. é já um consumidor importante. Para tentar diminuir as iniciativas unilaterais de desenvolvimento das novas repúblicas. Apenas há seis ou sete anos. De acordo com estimativas da ONU. a Tchetchénia é um ponto nevrálgico na rede de oleodutos vindos do Cáspio. todo o petróleo do Azerbaijão irá continuar a ser transportado pelo único oleoduto existente para o mar Negro. Kabardin-Balkar. o Cáspio e Novorossiysk. capital da Tchetchénia. é o centro de uma importante rede de oleodutos que liga a Sibéria. etc.

Pela primeira vez desde o início da 2. Está a fazer o contrário da China. estabelecer um novo relacionamento de segurança com a Europa e com a OTAN. combater o fundamentalismo islâmico. a Rússia não aprendeu as duas lições fundamentais que se podem extrair da experiência histórica da evolução da democracia: promover um desenvolvimento económico autêntico e sustentado e construir instituições políticas transparentes e equilibradas. a Rússia tentou avançar primeiro e rapidamente para a reforma política e chegou a um presidencialismo “inflacionado”. ambos os países tinham um inimigo comum! A Rússia concordou mesmo com a presença de tropas americanas no Uzbequistão e no Quirguizistão. passando toda a informação que possuía sobre terroristas islâmicos e a sua experiência no montanhoso país.80 No âmbito da política de segurança. de qualquer modo. antigas repúblicas soviéticas e ainda regiões de grande relevância para a segurança da Rússia. Estas preocupações levaram Putin a tratar os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 como uma oportunidade para cooperar com o Ocidente relativamente ao desafio fundamentalista que. sentia já estar no seu caminho. o fundamentalismo islâmico constitui a maior preocupação da Rússia. todavia. as prioridades de Putin parecem ser: a recuperação da economia russa. facto que não deixa de conter dois alertas: a afirmação de que não prescinde de continuar a manter a Ucrânia na sua esfera de influência. que está a reformar a sua economia antes do sistema político. A Rússia falhou em ambos os aspectos. reduzindo os poderes das outras instituições governativas. a Rússia começou a ajudar os EUA no problema afegão.81 Após aquele evento. e um sério aviso à UE.Neste contexto. controlar e eliminar as rotas do tráfico de estupefacientes. No plano económico. e resolver a questão nuclear estratégica com os EUA. No plano político. .82 Por outro lado. ameaçando cortar o fornecimento de gás natural. face à profunda dependência energética desta. porque Washington não conseguiu arranjar uma infra-estrutura militar no Paquistão. Os líderes russos consideram os “talibans” do Afeganistão e movimentos similares como ameaças ao Cáucaso e às recém-independentes repúblicas da Ásia Central. a restauração da Rússia enquanto grande potência. não hesitou em entrar em conflito com a Ucrânia.ª Guerra Mundial.

que detém 51% das acções). em vez de um unipolar. O Ocidente tem criticado Putin por ter utilizado o petróleo e o gás natural para enviar “mensagens” à Geórgia e à Ucrânia. não é sensato irritar o homem que aquece as nossas casas e que abastece os nossos carros. para a Rússia. Putin tem declarado que pretende um número multipolar. ao Kosovo e à Coreia do Norte. Crê que “a dependência mútua fortalece a segurança energética do continente europeu. Tem razão. De qualquer modo. O vice-presidente americano. servem apenas para que possa ter uma voz de oposição oficial à política externa intervencionista americana. criando boas perspectivas para a aproximação noutras áreas”. nem o Sudão. tem de haver vencidos. O objectivo de longo prazo é reestabelecer a influência internacional da Rússia. ao mesmo tempo. Poderá a Rússia ser poupada?83 Por seu lado. crescer a economia russa. a Rússia tem-se oposto tenazmente à política externa dos EUA. que se está a tornar numa das maiores empresas petrolíferas do mundo. nem o Irão têm importância estratégica fundamental para a Rússia.Porém. que desbarataram a riqueza nacional e que contribuíram bastante para o declínio económico e para a perda de prestígio internacional da Rússia. desde que ele nacionalizou a Yukos Oil – após a declaração de falência desta em 2006 – e a colocou sob o controlo da Gazprom (empresa controlada pelo Estado. nem a Coreia do Norte. Dick Cheney. As elites ocidentais têm ultimamente empreendido uma intensa campanha na opinião pública contra Putin. em assuntos que vão do Irão ao Sudão. Esta medida deu-lhe grande popularidade interna (mais de 70% de concordância com a decisão) e teve um efeito benéfico na estabilização do rublo e no aumento do nível de vida. mas não estará a ser um pouco ingénuo? Várias civilizações têm sido trituradas para satisfazer a gula e a cobiça mundiais pelo petróleo. . a política internacional ainda é um “jogo de soma zero”: se houver vencedores. fazendo. Putin está a abrir os mercados russos e a procurar satisfazer as grandes empresas petrolíferas. Muitos russos recordam ainda as experiências falhadas de “mercado livre” de Yeltsin. chamou-lhe mesmo “chantagem”. Contudo.

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81 KISSINGER. 77 FORSYTHE.htm – 2005-01-25. p. The Hague. 75 CUTLER. October 22. 1. 296. Lisboa. 76 RAMONET.robertcutler. 74-81. 83 WHITNEY. p. Henry – obra citada. 13-17. 127. novas ameaças”. Mike – “Energy geopolitics: Putin gets mugged in Finland”. 2003. p. Sander – «Pipeline politics – The struggle for control of the Eurasian energy resources». Sergey – obra citada. p. 80 ZAKARIA. 183. 82 LOUNEV. 2002. pp. 53-57. em www. Sergey – obra citada. Fareed – “O futuro da liberdade – A democracia iliberal nos Estados Unidos e no mundo”. pp. pp. 181. Lutz – obra citada. p.org/ar99gg3b. 78 KLEVEMAN. Gradiva. Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos Postado por D.72 Ibidem 73 HANSEN. Ignacio – “Guerras do século XXI – Novos medos. em “Global Research”. Rosemarie – obra citada pp. Campo das Letras. Mehdi Parvizi – obra citada. 79 LOUNEV. 2003. Porto. Robert – “Cooperative energy security in the Caspian region: A new paradigm for sustainable development?”. 2006. Matos . Clingendael Institute. 87-90. 74 AMINEH.

Mas dificilmente na antiguidade houve algum tempo. O Grande Projecto. tanto mais real se apresenta o momento do presente ao qual aplica a força gigantesca da sua sugestão. O que foi ontem. 29 de março de 2010 O Grande Projecto Publicado em Geopolítica Eurásica A agressão do efémero Nós estamos de tal modo enterrados em “este minuto”. Quanto mais ilusória é a Sociedade dos Espectáculos. que constantemente perdemos de vista o principal. se lançam para o diferente. como foi ontem. são aceites por nós apenas quando sábios académicos paramentados com específico uniforme. acordando. apenas treta. aquilo que dá sentido à vida. a nossa existência gravitacional achata-nos contra a terra. Nomeadamente. — destacada como a única realidade pelo seu próprio arbítrio. que. O principal.segunda-feira. em que a hipnose da rotina actuasse tão total e impudentemente. Assim constituída. estribilho. denunciando. envergonhando. há uma hora atrás. ou popes triunfalmente imponentes. A História humana é a história da . nas peripécias políticas e económicas. rompendo com os condicionalismos e convenções sociais. quando artistas com barretes de veludo. Contra esta materialização da humanidade as almas fogosas sempre se queixaram. Ou simplesmente uma cobertura. volta e meia. um esquema verbal e emocional. o grande. e tão apaixonadamente atendemos ao hipnótico conjunto da vida quotidiana. nos problemas psicológicos. expressando-se pelos poderosos mecanismos mediáticos que paginam a realidade efémera. parece profunda antiguidade. seriamente. os bons sucessos e os falhanços no caminho da sua realização constituem a essência do processo histórico. censurando. Esses excêntricos. um adorno exterior daquilo que com senso prático afirmamos como básico e real e que sentimos ser concreto. o que define o motivo mais alto – é para nós. Os liberais contra o Projecto A Humanidade vive apenas porque nela existe um Projecto.

realização do Grande Projecto. Sem dúvida que não é simples. Frequentemente paga-se com milhões de vidas, sangue, torturas, dores excruciantes, ferro ao rubro, desmedido sofrimento, pela escolha do caminho. E ele apresenta-se errado, falso. Mas de novo se lambe a persistente ferida humana, os ventos dispersam os fumos das queimadas, os raios do sol expulsam os fantasmas da guerra, e nós lançamo-nos a novo Projecto, sabendo na alma, que haveremos de pagar pela medida grande tudo aquilo que resultar e que não sair como tínhamos imaginado, mas se desistirmos dum alto objectivo, desistimos de ser gente com sua específica dignidade, com a nossa postura vertical, com a nossa visão severa e inteligente – para a frente e para cima.

Todos têm um projecto. Tanto pequeno como grande. Mas existe um sector da humanidade – resmungão, cobarde, egoistamente fechado na sua concha – que quer aniquilar o Projecto, acabar com a História, abolir os heróis, estabelecer na terra o reino dos “últimos homens”. “Que é a verdade?” – perguntam os últimos homens e piscam os olhos [“Assim falou Zaratustra”/F. Nietzsche]. Abertamente, a respeito do “Fim da História” e do “Último Homem”, ensinam os ideólogos da nova ordem mundial – Karl Popper, Daniel Bell, Francis Fukiama, Jacques Attali, Milton Friedman, George Soros. Para eles a “era do Projecto” acabou. Eles ensinaram que a humanidade paga um “imposto à História” demasiado grande. Eles declararam que com o fim do estado soviético, a civilização ultrapassara o último baluarte do Grande Projecto, o qual caíra sob a pressão da massa apodrecida da banalidade generalizada.

O tratante[1] não conhece o Projecto. Ele esforça-se por escapar ao imposto sobre a realidade, à taxa pela vida não alienada, e pelo alto feito, por vezes completamente insensato. O tratante odeia o Herói. E quando o Herói sofre uma catástrofe imediata, — tão doce para ele, tão inscrita no seu destino luminosotrágico solar-dionisíaco, quando o rasgam os cães, titãs ou bacantes, o Tratante esfrega as mãos, e, tendo esperado, toma alento: “O Grande Projecto desta vez está posto de lado”.

A abominação do liberalismo hoje saltou para mais. “O Grande Projecto caiu para sempre”, — proclamam os últimos homens, avançando para nova espira das reformas do mercado.

“A sociedade não deve ter mais nem objectivos, nem orientações, nem supertarefas , nem regulações. Tudo isto apenas causa coacção. Laissez-faire. Deixai as pessoas em paz, não impeçais que elas façam o que querem, não as seduzais a quaisquer aventuras históricas, não lhe ofereçais mitos e missões sagradas. Que elas sejam o que elas são: gente miúda com problemas miúdos. Elas precisam apenas de mercados. Foi-nos muito caro contornar o entusiasmo galvanizante das experiências precedentes”. Assim, mastigando, dança ao ar do liberalismo a fisionomia de boca retorcida do neto reencarnado de um grande

escritor soviético, cantor da ética ascética e do elevado, duro, brilhante e jovem heroísmo. Tudo como na teoria de Vilfredo Pareto: “Os avós são heróis revolucionários; os pais — conservadores moderados; os netos – monstros e degenerados”.

À palavra “Projecto”, a mão do liberal por si mesma marca o número da mais próxima esquadra da polícia. Deles, os mais honestos, desconfiando que, matando o Projecto, eles matam o próprio homem, notam que este aspecto se liquida como tal. E, em reservados saguões de reparação europeia, engenheiros geniais da “nova ordem mundial” produzem clones com código comportamental corrigido : o homem – sem história, sem ideal, sem agressividade, sem heroísmo, sem o Grande Projecto. O homem ideal do globalização vencedora. Celibatário, cosmopolita eternamente adolescente. Boneco vivente com dentes ideais, exalando Pepsodent. Perfeição artificial do natural. A História a partir de agora será feita nas telemontagens, e as pessoas – nos tubos de ensaio.

O inimigo da meia noite

Nós, os “nossos”, nunca os venceremos, se não nos consciencializarmos da escala da luta. Nós estamos a viver o momento mais dramático da história, onde nas cartas está em jogo o Homem. E este dramatismo só é mais grave e tenso devido a que exteriormente parece que nada há mais banal, mais insensato e mais medíocre do que o nosso tempo sórdido e estúpido. Quando a noite atinge a linha crítica, o ponto da Meia Noite absoluta, a lembrança da luz do sol varre-se de tal modo que parece que ela nunca existiu e que até a dor de ontem com as últimas luzes se apaga na curta memória dos homens. Quando apenas há a escuridão e nada com que compará-la, ela deixa de ser escuridão e está livre de se apresentar como se quiser. “Que é a luz?” – perguntam os últimos homens. E piscam os olhos.

Sobre os personagens bastante ocasionais, que se apoderaram do poder do mais belo e comovedor povo do mundo, sobre o país mais inquiridor, enorme e magnífico, paira a sombra do muito profundo processo mundial. Aquilo por que os pelados e débeis receiam o restolhar dos ratos e por pouco olham de esguelha, e se atrapalham nos fios eléctricos e tropeçam nas escadas do funcionalismo do estado, não nos deve levar à tentação do menosprezo do seu poder. Eles são mesquinhos e dignos de piedade precisamente porque pertencem ao exército dos guerreiros que lutam contra tudo que seja elevado e grande, ideal e heróico. São lansquenetes do avanço liberal contra o Grande Projecto. Aquele que está por eles, que se decidiu a pôr fim à história, é a figura mais sinistra e perigosa.

Há dois pólos, apenas dois pólos, dois campos. Eles e nós. Eles são contra o

Projecto como tal. Nós somos pelo Projecto, qualquer que seja, contanto que grande (e formidável).

Dantes tudo era diferente. Havia muitos projectos. Os seus paladinos impiedosamente lutavam entre si, seguiam os seus próprios caminhos, e tenazmente conseguiam o seu intento. Mas isto era quando ainda havia história. Agora tudo é diferente. E colocaram todos os insubmissos num só gueto comum. É um gigantesco pedaço do planeta, que não se inscreve nas normativas repulsivamente eleitorais do “Norte rico”, isto é, os detritos das velhas culturas, ideologias e nacionalidades, que não entraram no “bilião dourado”. Nós não tivemos passaporte para o “brave new world”. Algum de nós, na verdade, o queimou conscientemente…

O último feito russo

Apesar de tudo, tendo cuspido em todas as normas e decências, em todas as cerimónias do consenso e fórmulas diplomáticas da correcção política, somos obrigados a declarar a nossa fidelidade ao Grande Projecto. Mais do que isso, devemos cultivar, alimentar, mimar, criar o nosso Projecto, mesmo que nada resulte. Estou perfeitamente convencido: os inimigos esforçam-se especialmente para nos atrair ao momento concreto, hipnotizar-nos com “este minuto”, paralisar as altas energias criadoras com a magia do pesado momento. Depois, quando a horda deles se dispersar como fumo, e a sua certeza e persistência se desfizerem em cinzas, nós ficaremos nos arredores dos abismos abertos pós-reformistas, e estas hordas uivantes, perguntar-nos-ão: “Então? E onde estão as vossas ideias, ideais, objectivos? Perderam-se na luta connosco? E nós somos apenas fantasmas da meia noite, kishshuf. E nada mais”. Como no notável filme dos anos 30 “Dibbuk”[2], começam a andar de um lado para o outro os semi-transparentes e semi-corpóreos fantasmas pelo tortuoso cemitério. E teremos um aspecto estúpido e desnorteado. Vencedores da futilidade, submetidos aos subterfúgios dos refinados hipnotizadores de “este minuto”. Tácticas brilhantes das manobras posicionais lutando com sombras.

O Grande Projecto deve nascer aqui e agora. Apesar da conjuntura política. Varrendo os imperativos efémeros da luta. Com calma e grandiosamente nós, os russos, devemos de novo tomar consciência da história, dos mundos do espírito, do desígnio secreto da história religiosa, da lógica magnética do espaço qualitativo, a sagrada geografia do mundo.

Devemos acordar depois do choque. Sim, a precedente forma do Grande Projecto ruiu. Mas é preciso reconstruir tudo de novo, repensar tudo, reclamar outra vez. É preciso fazer entrar em ebulição o tenaz trabalho nacional – nos gabinetes de

Ocidente. Oriente. Nele. não prestando atenção às figuras políticas concretas. nas bibliotecas e mosteiros. aos partidos e uniões. onde os atletas russos trabalham as trajectórias de novos golpes. a crónica da nossa Pátria. vetustos livros proféticos e cerimoniais. Tudo depende somente de nós. nós. São os inimigos do Grande Projecto. comunidade e solidariedade. materialismo pequeno burguês. são o mal. nova ordem mundial. individualismo. Justiça. globalização. bebendo o sangue da nossa Rússia. para desenhar os aparelhos para a futura Grande Rússia. Tudo isto deve ser o caminho para o Grande Projecto. com um ícone. Agora não pode ser apenas projecto. Nós devemos unirmo-nos no nosso Projecto. uma roda de máquina. Não há lugar para a concorrência ou para a escolha entre algumas variantes. A Rússia antes do fim do mundo tomará para si toda a carga da história humana. e nos ginásios. uma habilidade. o florescente complexo dos povos e culturas da Eurásia. É criminoso passá-la a dormir. como antes. com um metro de área. alto idealismo. capitalismo. no Projecto comum. em salões forrados a madeira de carvalho de boa qualidade. partindo do nervo básico. nas praças. ao governo. da qual se retiraram outros povos. uma linha. todos juntos – acima dos partidos e das facções — devemos formular o Grande Projecto. contribuindo para ele com um óbolo. nos bosques. E de novo. onde para mal da caixa diabólica é preciso ter sob os olhares de jovens ardentes os antigos manuscritos russos. do nosso povo. as técnicas de receber e atacar – observando perante olhares furiosos os traços pintalgados do inimigo. todos e toda. uma beleza. uma faca bem afiada. onde a luz se acende à noite e os engenheiros russos silenciosamente se aproximam das folhas de papel Whatman e dos computadores. os tratantes russos começarão a planear subtis operações para a guerra económica com a ralé. Chega a nossa hora. com um copeque. uma corda. logo desde o princípio será possível discriminar as linhas básicas: liberalismo. com um punho. no próximo Grande Projecto. com um ponto de comércio. ao poder e à oposição.construção. nas clareiras. russos. são o bem. com uma peça. socialismo. “ninguém nos dará a salvação”. Aleksandr Dugin . O eixo do nosso Grande Projecto. E. É preciso ir mesmo ao Grande Projecto.

Ver Internet (N. [2] [2] Kishshuf (magia. Traduzi-a pelo seu homónimo no português medieval (N.) [1] ‘Torgóvetz’ quer dizer ‘mercador’ em russo. os homens da meia-noite.) Postado por D. do T. Falta-nos o Grande Projecto. do T. feitiçaria) e dibbuk (demónio que se apodera de uma pessoa e a controla) são palavras hebraicas.A Coisa Russa Tradução: Joaquim Reis Nota do tradutor: Mutatis mutandis. porque é criminoso dormir. Dominam-nos os tratantes. nem pelos dibbuk. Não sejamos dominados pela kishshuf. as ideias expostas neste pequeno ensaio aplicam-se também a Portugal. Matos às 15:23 0 comentários . Temos de acordar.

Converte-o à sua forma própria de um nacionalismo socialista. e no principal teórico. Niekisch junta-se seguidamente ao pequeno Partido Socialista da Saxónia. 27 de março de 2010 Ernst Niekisch Ernst Niekisch (23 de Maio 1889 . lançando de seguida o seu próprio jornal Widerstand ("Resistência"). Nascido em Trebnitz na Silésia. bem como ao pacifismo geral do SPD. Colaborando com a maior parte das personalidades da cena nacionalista. do Nacional Bolchevismo e do antiocidentalismo alemão. apercebe-se da importância do nacionalismo e tentou influenciar o SPD nesta direcção. torna-se na figura de proa. Esta "orientação para Leste" duplica-se com uma admiração pela organização politica e ideológica da URSS. tornou-se professor. Os nacional bolcheviques vêem na União Soviética uma continuidade da velha aliança entre a Rússia e a Prússia. retornando ao SPD. e criado em Nördlingen. Opôs-se violentamente ao Plano Dawes e ao Tratado de Locarno.corresponde a uma fascinação pelo Leste.revolucionária (como Ernst Jünger.o Ocidente que encarna o mundo burguês . O interesse pelo mundo eslavo e em especial pela Rússia reencontra-se num certo espírito prussiano deste movimento.27 de Maio de 1967) foi o principal ideólogo alemão do nacional bolchevismo.sábado. A Rússia Soviética surge como um aliado potencial contra as ingerências dos aliados. a tal ponto que foi excluído do partido em 1926. Deixou o SPD para se juntar ao Partido independente Social Democrata da Alemanha brevemente. a hostilidade para com o Oeste . etc. Durante os anos 20.). Junta-se ao Partido Social Democrata alemão em 1917 e participa no estabelecimento da efémera República Soviética da Bavária no ano seguinte. Otto Paetel. No NB. .

Ocupou também a cadeira de Sociologia na Universidade Humboldt. Após a tomada do poder dos nazis.Partidário de um estado "Total". Niekisch instalou-se na zona de ocupação soviética que ia tornar-se na RDA e tornou-se professor na Universidade de Berlim-Leste. Morreu a 23 de Maio de 1967. foi estabelecer-se em BerlinOcidental. Foi encarcerado num campo de concentração do qual foi libertado. completamente invisual.acusando a sua falta de verdadeiras raizes socialistas. passou à clandstinidade e à resistência activa. Matos às 17:57 0 comentários . Niekisch rejeitou contudo Adolf Hitler. Em 1953. Voltou-se então para o marxismo ortodoxo e aderiu ao Partido comunista alemão. desgostado pela repressão brutal dos levantamentos dos trabalhadores. Foi apanhado em 1937 e condenado 2 anos de prisão por alta traição. em 1945 pelo Exército Vermelho. Postado por D.

espirituais e políticos desta ampla convergência entre grandes as correntes de pensamento anticapitalistas e antiburguesas. dos arquétipos fundamentais.). o facto de que expressiva parcela dos movimentos políticos contemporâneos. as principais tradições esotéricas da revolta irracionalista contra a ‘Sociedade Aberta’ ao longo da História. portanto. de mais fatal e inexorável em cada cultura.Ter em mente que a oposição entre ‘fascismo / nacional socialismo’ – ‘bolchevismo’ já não possui hoje mais qualquer sentido. o pensamento de numerosos autores e líderes políticos. econômica e cultural irrelevantes no mundo contemporâneo. 25 de março de 2010 Quinze teses Nacional-Bolcheviques Alfredo RR de Sousa . Otto Strasser. de forma clara e inequívoca. .Estudar. os alicerces filosóficos.Perceber que o Nacional-Bolchevismo não é apenas um movimento político. ‘comprar’ o ‘pacote completo’ da perspectiva ideológica adjacente.quinta-feira. Nikolai Ustrialov. fascismo. uma vez que se estribava em circunstâncias transitórias de índole política. que tanto o socialismo quanto o liberalismo são tão somente as ‘duas cabeças de Janus’ do pior inimigo da Humanidade: o Iluminismo. que começaram a lançar. socialismo. com o fito de encontrar o . por um lado.Conceber. de mais primordial. Carl Schmitt. já nas primeiras décadas do século XX. mas também parte integrante de um vasto e ambicioso esforço de compreensão do que há de mais recôndito. Ernst Niekisch. liberalismo. NÃO significa que o indivíduo seja obrigado a. . dos mitos fundadores de cada civilização. que os sistemas ideológicos ‘fechados’ (comunismo. na medida do possível. anarquismo. . com a fixidez estéril dos dogmatismos monocromáticos. . d’uma vez por todas.Entender. . . e descartando o restante. do impulso românticomessiânico e do sentido atávico da existência contra os falsos ídolos da razão.Ter a ciência de que admirar / advogar uma determinada característica / elemento de uma corrente ou regime político. Julius Evola. etc. de mais arcano. tanto à esquerda quanto à direita. isto é. e já não correspondem às demandas e tarefas do presente. . etc. Giovanni Gentile.Pugnar contra o grande obstáculo no que concerne à materialização de nosso projeto. ou seja. – Lutar. Ernst Jünger. inexorável e necessariamente.) fracassaram redondamente. que gerou as grandes tragédias políticas e militares da modernidade.Compreender o profundo elo metafísico que une as duas supracitadas esferas ideológicas: a ‘revolta do Coração contra a Razão’ (Dugin). e por outro. provenientes de diversos países e contextos culturais (Corneliu Codreanu. pela superação da falsa dicotomia entre ‘esquerda’ e ‘direita’. do substrato simbólico. incorporando o que há de aproveitável em cada perspectiva. não consegue romper com o rigor mortis dos esquematismos ideológicos. É preciso refundar todo o agir político em novas bases.

de origem iluminista. dos complexos civilizacionais cujos alicerces mais profundos vão de encontro ao ‘atlantismo’ talassocrático. por fim. imutável e infinita da ETERNIDADE. lobbies empresariais. cambiável e finita do TEMPO e a esfera necessária. . atemporal. à ‘Sociedade Aberta’. fazer uso da religião para agir politicamente. ou então sob a égide de um estamento gerencial (conforme ocorre no socialismo) – como ponto de partida para a concepção de um modelo de organização social alternativo.Compreender. ao liberalismo e ao socialismo marxista. e uma ‘esfera pública’ (onde o cidadão deveria observar o pensamento oficialmente adotada pelo Estado). mormente por intermédio da via parlamentar) -. entre a dimensão contingente.) ligados à ‘Sociedade Civil’ organizada – ‘indireta’ por formalmente ser levada a efeito fora da esfera específica dos mecanismos e instâncias do aparato estatal (muito embora não raro nele inseridos. a estreita ligação entre a filosofia do NacionalBolchevismo e o universo do Traditionswelt descrito por autores como o italiano Julius Evola. quando o Ayatollah Khomeini. a remota unidade transcendente entre todas as grandes Tradições orientais e ocidentais. cujo centro de gravidade é justamente a conquista de garantias jurídicas para o exercício das liberdades individuais. e vacilantes ‘homens ocos’ (apud TS Eliot) sob a . transitória.‘elo perdido’ na aurora da História. assim sendo. transfigurada em conflito político. ao iluminismo. em lugar de canalizar politicamente o Islã para fazer a revolução iraniana. nos termos d’uma belíssima declaração do líder taliban. etc. do confronto entre ‘guerreiros santos’ sublimados pela lux aeterna da Tradição. ou então. Hoje podemos de sobejo verificar quão precisa foi a diagnose schmittiana: a ‘atuação indireta’ empreendida pelos diversos movimentos de ação política (ONG’s. É. e não permanecer sob o controle d’uma minoria proprietária (tal como no capitalismo). Trata-se. de outro.Absorver uma sábia lição ministrada pelo pensador alemão Carl Schmitt: a distinção. mas vivemos na Eternidade”). acaba por beneficiar-se da ausência de responsabilidade institucional inevitavelmente associada à ação de Estado. evitar o ônus que inexoravelmente recai sobre as autoridades constituídas. movimentos de ‘ação afirmativa’. de um lado. -Estar de olhos abertos para a análise e incorporação de processos políticos revolucionários fora do horizonte ocidental. da visão de mundo de um homem que vai decididamente de encontro ao caráter utilitário. em detrimento do raio de alcance do poder estatal. aos supracitados movimentos usufruir de todas as ‘vantagens’ relacionadas ao exercício do poder e. sindicatos. permanente. . simultaneamente. ou seja.Incorporar o ideário distributivista de Chesterton e Belloc . pois. isto é. Exemplo emblemático: a Revolução Islâmica no Irã. em nome dos valores perenes d’uma Ordem transcendente. a contraposição essencial. com efeito. pragmático e ‘quantificável’ da modernidade. pois já estamos mortos. Mullah Omar (”Não tememos a morte. combatemos no Tempo. portanto. E tal processo envolve a busca pela seiva vital das tradições culturas e civilizações de índole telurocrática e / ou eurasiana. abriu espaço para o advento do liberalismo político. entre ‘esfera privada’ (onde o cidadão poderia professar o credo que bem entendesse). Tal circunstância permite. lançou mão da política para atuar religiosamente em prol da regeneração espiritual e moral de seu país. .perspectica que preconiza que os meios de produção devem pertencer ao maior número de indivíduos possível.

Postado por D. em ruptura flagrante com as raízes mais atávicas de sua própria existência.égide do materialismo espiritual do Ocidente contemporâneo. Matos às 21:01 0 comentários . seres avessos ao substrato mítico e religioso que lastreia seus alicerces históricos e culturais.

em grau notável. A esta penetrante análise pode juntar-se a consideração de que a maior parte dos intelectuais ocidentais eminentes. Deste modo. o filósofo Ali Shariati. esperada pelos liberais optimistas. apenas se reforçaram nas suas próprias posições críticas. e aplicam estes conhecimentos no reforço da potência dos próprios sistemas nacionais. assimilou Heidegger e Guénon. recusam-se a seguir cegamente o Ocidente. Samuel Huntington. tendo recebido formação ocidental superior. e pelo contrário. do Terceiro mundo). mencionou uma fórmula muito importante – “modernização sem ocidentalização” (modernization without westernization). produz-se o armamento de alguns regimes “arcaicos”. 23 de março de 2010 Modernização sem ocidentalização Aleksandr Dugin "Projecto Eurásia" A terceira posição No seu notável artigo. não conformistas e anti-sistema. e também . entre civilizações. Ele descreve a relação com os problemas do desenvolvimento socioeconómico e tecnológico de alguns países (por regra. gente do Oriente. Assim. Um exemplo característico desta via é o principal pensador da revolução iraniana. muitos representantes das elites do Oriente. o que faz a confrontação civilizacional ainda mais aguda. se esforçam por colocar algumas tecnologias ocidentais – opostas ao seu conteúdo ideológico – ao serviço dos sistemas de valores do seu carácter nacional. regressam às suas pátrias equipados com conhecimentos e metodologias técnicas importantes. e. e por consequência.terça-feira. compreendendo a necessidade objectiva de desenvolvimento e aperfeiçoamento dos mecanismos políticos e económicos dos seus sistemas sociais. religioso e político. “tradicionalistas” com novíssimas tecnologias. homens de cultura. Estudou em Paris. personalidades criadoras. os quais. foram por si mesmas. em vez da aproximação. estudando os génios do Ocidente. descrevendo o futuro “choque de civilizações” (clash of civilizations).

Este também é o método dos actuais eurasianos. de doutrinas não conformistas das europeias “novas direitas” e “novas esquerdas”. Fichte. que puseram na base da sua convicção nacional tipicamente russa. Nomeadamente. criadores e re-elaboradores. pois fala-se de revolução bem sucedida. Este exemplo é especialmente importante. dificilmente identificariam os seus ideais com o lúgubre tradicionalismo dos mullah. Matos às 18:13 0 comentários . as quais. adoptando dos filósofos alemães (Herder. Hegel) diversos modelos. o socialismo e o existencialismo. Pelo mesmo caminho foram os russos eslavófilos. e gradualmente chegou à convicção da necessidade duma síntese conservativo-revolucionária entre o Islão místico-shiita revolucionário. anti-ocidental e anti-globalização.alguns autores neo-marxistas. em caso contrário. Postado por D. nos interesses da Rússia. Shariati pôde atrair à revolução a elite intelectual e a juventude iranianas. concluída com a completa vitória do regime conservativorevolucionário.

e a batalha final aproxima-se".World Policy Journal (EUA). Actualmente. actualmente. a história do mundo consiste de um confronto centenário entre o hierarquicamente organizado poderio continental "eurásico" e o poderio naval liberal "atlantista". se regem as duas maiores potências mundiais: os Estados Unidos da . reflectem a tendência dominante nas actuais correntes políticas e culturais da Rússia. que exprime os mais profundos sentimentos quer de muitos dos seus concidadãos quer dos seus governantes”. as bases de fundo do Atlantismo (o primado da economia sobre a política) e da ideologia Eurásica (o primado da política sobre a economia).Free Republic (EUA) "Este movimento liderado por Alexander G.Revista da Armada (Portugal) "Notório promotor da ideologia eurásica". com a simpatia de Putin. pelo contrário. Azure (Israel) "Na visão apocalíptica de Dugin. Se quisermos compreender o actual zeitgeist russo. . este confronto decorre com a Rússia e os EUA como os principais representantes destes dois tipos antagónicos de civilização.domingo. de modo acessível e condensado. as duas forças antagónicas pelas quais já se regiam as ancestrais Roma e Cartago e.Revista Militar (Portugal) "Dugin e a sua filosofia não são um episódio insignificante da história intelectual russa. . Dugin. associa num espaço geopolítico comum as potências continentais". 21 de março de 2010 No prelo (data estimada de publicação: 10 de Abril) A Grande Guerra dos Continentes “O principal ideólogo eurasianista da actualidade". A Grande Guerra dos Continentes enuncia. é essencial familiarizar-nos com este intelectual. . .

principalmente na sua vertente geopolítica. Preço: 10€ (portes incluídos) Formato: 19. É considerado actualmente como o intelectual mais influente da Rússia.com/ Postado por D. embora aborde. a existência de duas “teorias da conspiração”. próximo quer do primeiro-ministro. é professor de sociologia e director do Centro de Estudos Conservadores da Faculdade de Sociologia da Universidade Estatal de Moscovo. o francês. ainda que de modo irónico e bem humorado. Desde Março de 2008 é o ideólogo oficioso do partido Rússia Unida. fundador da Escola Moderna de Geopolítica Russa e líder do Movimento Internacional Eurásico. o romeno. se inclui o português. doutor em Ciências Políticas. de muitos líderes da oposição. o italiano. de acordo com a informação constante da página oficial do Мovimento Internacional Eurásico.5/12 Páginas: 110 ISBN: Brevemente Pedidos na Editora Antagonista: http://antagonistaeditora. Em 1999 foi presidente de secção do "Centro de Análises Geopolíticas" do Conselho de Analistas para os Assuntos de Segurança Nacional junto do Presidente da Duma (Assembleia Legislativa russa).América e a Rússia.blogspot. Aleksandr Dugin. nascido em 1962. Matos às 11:47 0 comentários . algumas já traduzidas para o inglês. É autor de mais de 20 obras. inclusive. quer do presidente e. partido do governo presidido por Vladimir Putin. o árabe e o espanhol. É uma obra de referência para qualquer estudante de ciências políticas. agora. sob as quais recai a responsabilidade de boa parte dos eventos da História europeia e mundial. entre outras línguas nas quais.

fascismo mudaram profundamente. A teoria eurasiana se formou em duas etapas -. Noções tão fundamentais quanto socialismo. étnica e religiosa da humanidade. 20 de março de 2010 Alexander Dugin A Idéia Eurasiana* O que é hoje o Eurasianismo? Que tipos de conceitos de Eurásia existem? -. Suvchinckiy. a constituição do neo-eurasianismo (a partir da segunda metade da década de 1980).sábado. Seu significado tem se tornado mais claro ao longo da História. Eurasianismo como uma luta filosófica A idéia eurasiana representa uma revisão fundamental da história política. Hara-Davan etc. A idéia eurasiana reflete um processo dinâmico muito ativo. eles se tornaram banais.) seguido pelos trabalhos históricos de Leonid Gumilev e. finalmente. eles pertencem a uma nova linguagem política e contexto intelectual cuja criação está apenas no início. Iljin. Os termos "Eurasianismo" e "Eurásia" possuem também certas inseguranças por serem novos. capitalismo. Alekseev.A evolução da noção de Eurasianismo Mudanças no significado original de Eurasianismo Diferentes termos perdem seu significado original ao longo dos anos. democracia. . apesar de seu uso cotidiano. Savickiy.Sete sentidos da palavra Eurasianismo -. e oferece um novo sistema de classificação e de categorias que suplantará os clichês estabelecidos.um período de formação do eurasianismo clássico no início do século XX por intelectuais emigrantes (Trubeckoy. Na verdade. Bromberg. mas necessita de desenvolvimento adicional. ideológica.

Por meio do neo-eurasianismo. mas já revelou seu potencial oculto.Rumo ao neo-eurasianismo A teoria eurasiana clássica pertence indubitavelmente ao passado e pode ser corretamente classificada como parte das ideologias do século XX. Eurasianismo como uma tendência global A Globalização como a estrutura principal da história moderna Em sentido amplo. tornou-se menos óbvia. Quando a idéia eurasiana emergiu das cinzas. a idéia eurasiana e até mesmo a Eurásia enquanto conceito não correspondem estritamente às fronteiras geográficas do continente eurasiano. Não podemos ignorar hoje o grande período histórico do neoeurasianismo e devemos tentar compreendê-lo em seu contexto. Em vez disso. Paradigma da globalização -. um novo sentido. mas ao mesmo tempo oferece um cenário de globalização que não implica em um mundo unipolar ou em um governo global unificado. A idéia eurasiana é uma alternativa ou versão multipolar da globalização. escala e significado. A idéia eurasiana é uma estratégia de escala global que reconhece a objetividade da globalização e o fim dos "estados-nações" (Etats-Nations). estamos .o paradigma do Atlantismo O estado-nação hodierno está sendo transformado em um estado global. descreveremos os vários aspectos deste conceito. A seguir. O eurasianismo clássico pode ter passado. ela oferece várias zonas globais (pólos). toda a teoria eurasiana ganhou uma nova dimensão. mas a globalização é no presente o processo mundial mais fundamental decidindo o vetor principal da história moderna. mas o neo-eurasianismo lhe proporcionou um segundo nascimento.

reorganizados em federações continentais ou "impérios democráticos" com um largo grau de autogoverno interno. mas vemos hoje um fenômeno anti-globalista em larga escala. cidadania e nacionalidade. independente do lugar de nascimento. É uma tendência histórica da Europa ocidental que alcançou seu auge através do domínio dos Estados Unidos da América. Isto significa a arquitetura de um novo sistema mundial sem nenhuma oposição e com um único pólo -.diante da constituição de sistemas de governo planetário no interior de um único sistema econômico-administrativo. mas não fatal. um plano. e a idéia eurasiana coordena de um modo construtivo todos os oponentes da globalização unipolar. a idéia eurasiana defende que o planeta consiste de uma constelação de espaços vivos parcialmente autônomos e abertos uns aos outros. Eurasianismo como pluriverso O eurasianismo rejeita o modelo mundial de centro-periferia. ele cessará de existir. Em um sentido global. residência. Podemos também nos referir a esta arquitetura como Nova Ordem Mundial. Esta variante de arquitetura mundial está em desacordo completo com o conceito de eurasianismo. O filósofo político americano F. o eurasianismo está aberto a todos. mas luta pelo futuro. É a unificação em um só sistema (frequentemente associada à supressão e à violência) de diferentes estruturas nacionais. e étnicos. A globalização é um fenômeno unidimensional e unilateral que tenta universalizar o ponto de vista ocidental (anglo-saxão. É um erro acreditar que todas as nações. A globalização enquanto atlantismo busca evitar esta definição de todas as formas. O modelo de oposição entre dois pólos (Leste-Oeste. Mais ainda. Norte-Sul) se transforma no modelo de centro-periferia (centro -.Ocidente. culturais. É muito grave. sócio-políticas.sul). O eurasianismo não se limita à busca do passado ou à preservação do presente status quo. oferece a idéia concorrente de globalização multipolar (ou alter-globalização). incluindo um complicado sistema de fatores administrativos. Há uma alternativa à Globalização Unipolar Atualmente. Estas áreas não são as dos estados-nacionais. americano) de como melhor gerenciar a história humana. "norte rico". classes sociais e modelos econômicos devem repentinamente começar a cooperar nas bases desta nova lógica planetária. Em vez disso. A globalização é a imposição de um paradigma atlantista. étnicas e religiosas.o pólo do atlantismo. O eurasianismo providencia a oportunidade de escolha de um futuro diferente do clichê do atlantismo e um sistema de valor para toda a humanidade. a Nova Ordem Mundial é nada mais do que um projeto. periferia -. Os adeptos da globalização negam qualquer alternativa para o futuro. Os proponentes da globalização argumentam que quando não houver mais alternativa ao atlantismo. . Cada uma destas áreas é multipolar. Fukuyama escreveu sobre o "fim da História". religiosos. mas as de uma coalizão de Estados. que significa na verdade o fim da história geopolítica e do conflito entre atlantismo e eurasianismo. ou uma tendência.

filósofos e intelectuais veremos que a maioria deles é adepta (alguns inconscientemente) da idéia eurasiana. culturas. sinônimo de um mundo multipolar. e os proponentes do atlantismo estão aptos a administrá-los. Mas. Se pensarmos em todos estes que discordam do "fim da História”. oferece uma oposição construtiva e positiva ao globalismo em vez de simples negação. ao lado de outros sistemas culturais e civilizacionais. a possibilidade de vitória se tornará maior. mas em sua totalidade é meramente um sistema cultural que tem o direito de existir em seu próprio contexto histórico.reconhecendo que a estrutura atual do mundo precisa de mudanças radicais. É um tipo de "poliverso" que providencia espaços vitais a todos. é um conceito revolucionário que clama por uma nova base de entendimento mútuo e cooperação entre um grande conglomerado de poderes distintos: os Estados. permanecem descoordenados. artificiais. A idéia eurasiana protege não apenas os sistemas de valores anti-atlantistas. no entanto. e da área do Pacífico paralela à Terra Mãe eurasiana. A idéia eurasiana promove uma idéia revolucionária global A idéia eurasiana. de ambos os continentes americanos. . objetivos e subjetivos no caminho da globalização unipolar. que as sociedades industriais e estados-nacionais exauriram todos os seus recursos. o eurasianismo se define no século XXI pela adesão à alterglobalização. numa escala global. A idéia eurasiana não vê a criação de um governo mundial fundamento nos valores liberal-democráticos como o único caminho para a humanidade. Em seu sentido mais fundamental. incluindo os Estados Unidos e o atlantismo ao lado de outras civilizações. O eurasianismo é a soma dos obstáculos naturais. e torna-se mais realista o fracasso da visão estratégica americana de segurança coletiva para o século XXI. Se analisarmos as declarações e afirmações de vários políticos. ligada à constituição de um mundo unipolar. O atlantismo não é universal O eurasianismo rejeita por completo o universalismo do atlantismo e do americanismo. A configuração da Europa ocidental e da América possuem elementos muito atraentes. e religiões que rejeitam a versão atlantista da globalização. pois o eurasianismo também defende as civilizações da África. Estes obstáculos. se estes obstáculos puderem de alguma maneira ser integrados em uma força unificada. mas a diversidade das estruturas de valor. nossos ânimos se elevam. que podem ser adotados e prezados. nações.

em que os ideais liberaldemocráticos do Iluminismo foram combinados com as idéias escatológicas de seitas protestantes radicais. estados. esta teoria confrontou diretamente não apenas as culturas do Oriente e da Ásia. O Velho Mundo é frequentemente colocado em oposição ao Novo Mundo. A integração do continente eurasiano . o Novo Mundo muito cedo se conscientizou de seu destino "messiânico". Os Estados Unidos são a mais bem sucedida criação da "sociedade perfeita". Esta foi a teoria do Destino Manifesto. o Novo Mundo se afastou da herança do Velho Mundo. enquanto os países da América Central e do Sul permaneciam colônias do Velho Mundo. histórico-técnico. A Alemanha e a Europa Oriental foram menos influenciadas pela concepção de "sociedade perfeita". o início de um movimento que buscava libertação geopolítica do controle político brutal. O Novo Mundo como Messias Como um produto histórico da evolução da Europa Ocidental. que pareceu aos americanos arcaica e repleta de preconceitos e tradições antiquadas. estratégico e econômico do "Irmão mais velho". Irlanda e França. Imediatamente após a II GM. paralelamente. Por sua vez. O Velho Mundo é um produto orgânico da história humana. o Novo Mundo se tornou líder indisputável na própria Europa e "critério de veracidade" para os outros. a civilização americana suplantou todas as culturas e civilizações do Velho Mundo e em sua forma presente é obrigatória para todas as nações do planeta. no qual os projetos europeus de modernismo foram criados. etnicidades e religiões ligadas umas às outras histórica e geograficamente por um destino dialético. o continente americano descoberto pelos europeus e transformado em base para uma civilização artificial. mas entrou em conflito com a Europa. Isto inspirou uma onda correspondente de domínio americano e. formada por intelectuais da Inglaterra. habitado por nações. Com o tempo. que se tornou o novo símbolo de crença para gerações de americanos. transoceânico.Eurasianismo enquanto Velho Mundo (Velho continente) O Novo Mundo é uma parte do antigo Velho Mundo. Nos termos de Oswald Spengler. É um super-espaço multi-civilizacional. ou um sentido mais especifico e estrito de eurasianismo aplicável ao que chamamos de Velho Mundo. o dualismo entre o Velho e o Novo Mundo pode ser resumido nas seguintes oposições: cultura-civilização. De acordo com esta teoria. culturas. O conceito de Velho Mundo (tradicionalmente aplicado à Europa) pode ser considerado em um contexto muito mais amplo. orgânico-artificial. O Novo mundo foi construído a partir de ideologias humanamente produzidas como uma civilização de puro modernismo.

Eurásia como três grandes espaços vitais.África. a integração européia sob a égide dos países continentais (Alemanha. integrados ao longo do meridiano Três cinturões eurasianos (zonas meridianas). Esta foi a resposta do Velho Mundo ao desafio do Novo Mundo. Isto se torna ainda mais óbvio se levarmos em consideração a idéia de que a Europa vai do Oceano Atlântico aos Urais (S. França) pode ser chamada de eurasianismo europeu. Elas são as seguintes: • Euro . O vetor horizontal de integração é seguido por um vetor vertical. . considerado o berço da história européia e a matriz de suas nações.No século XX. a integração do Velho Mundo inclui o vasto território da Federação Russa. Em outras palavras. segurança e liberdade para si mesma e para todos os seus membros. a Rússia (assim como os ancestrais dos europeus) está historicamente ligada à nações turcas. • A zona Rússia-Ásia Central. tentativas similares foram feitas por Alexandre o Grande (integração do continente eurasiano) e Genghis Khan (fundador do maior império da história). Os planos eurasianos para o futuro supõem a divisão do planeta em quatro cinturões geográficos verticais (zonas meridianas) de Norte a Sul. geopolítica e econômica do norte do continente eurasiano. Em tempos antigos. A Rússia dá à integração européia uma dimensão eurasiana tanto no sentido geográfico quanto no simbólico (identificação do eurasianismo com o continentalismo). o eurasianismo neste contexto pode ser definido como um projeto de integração estratégica. começou a se mover rumo à integração de todas suas nações em uma união capaz de garantir soberania completa. Durante os últimos séculos. Esta é a zona meridiana atlântica. Paralela à Turquia. de Goll) ou até Vladivostok. Desse modo. Se considerarmos a aliança entre USA e Europa Ocidental como o vetor atlantista do desenvolvimento europeu. Em adição à zona acima. com a União Européia em seu centro. A criação da União Européia foi o mais importante auxílio à restauração do status da Europa como potência mundial ao lado dos Estados Unidos da América. passo a passo. a Europa se tornou consciente de sua identidade comum e. a idéia da integração européia tem sido proposta pelas facções revolucionárias das elites européias. Ambos os continentes americanos formarão o espaço comum orientado e controlado pelos EUA dentro dos moldes da doutrina Monroe. mongóis e caucasianas. três outras estão planejadas.

O primeiro é a Federação Russa ao lado de diversos países da CEI [Comunidade dos Estados Independentes] -. o número será muito menor do que o de estadosnações atuais. Os grandes espaços correspondem às fronteiras das civilizações e incluem vários estados-nações ou união de Estados. que é um setor civilizacional autônomo. e todos juntos contrabalançam a zona meridiana atlântica. O modelo eurasiano propõe quatro pólos. Afeganistão. Esta região geopolítica é um grande mosaico e pode ser diferenciada por diversos critérios. No futuro.• Zona do Pacífico. Cada um deles possui liberdade relativa e independência mas está estrategicamente integrado em uma zona meridiana correspondente. O terceiro grande espaço é o Hindustão. Paquistão). A zona Rússia-Ásia Central é formada por três grandes espaços que às vezes se imbricam. A União Européia e o grande espaço árabe. as Filipinas. Grandes espaços As zonas meridianas no projeto eurasiano consistem de vários "grandes espaços" ou "impérios democráticos". A zona meridiana do Pacífico é determinada por um condomínio de dois grandes espaços (China e Japão) e também inclui Indonésia. formam a Euro .África.membros da União Eurasiana. Os países asiáticos da CEI interseccionam esta zona. estes cordões podem ser a fundação sobre a qual se erguerá um mundo multipolar: o número de pólos será maior do que dois. Malásia. O segundo é o grande espaço do Islã continental (Turquia. Irã. entretanto. . e Austrália (alguns pesquisadores a associam com a zona meridiana americana). No interior destas zonas terá lugar a divisão regional do trabalho e a criação de áreas de desenvolvimento e corredores de crescimento. que integra a África do norte e transsaariana e o Oriente Médio. Estes cinturões (zonas meridianas) contrabalançam uns aos outros.

militar e político de Rússia e Irã aumentará o processo de integração da zona. • Rússia e Ásia Central são fracionados. que buscam a criação de uma Nova Ordem Mundial e a globalização unipolar. grandes espaços. Mais ainda. Esta última zona meridiana contrabalança a pressão americana e providencia às zonas européia e do pacífico a capacidade de agir como pólos civilizacionais autocentrados. não é suficiente ser pólo em modelo bipolar do mundo: o rápido progresso dos Estados Unidos da América só pode ser contrabalançado por uma sinergia das três zonas meridianas. Eurasianismo como integração russo-centro asiática Eixo Moscou-Teerã Quarta zona meridiana -. Entretanto. O equilíbrio multipolar real. A união dos potenciais econômico. Central e canadense-americano. Importância da quarta zona O modelo de mundo baseado em zonas meridianas é aceito pela maior parte dos geopolíticos americanos.A zona meridiana americana consiste nos grandes espaços da América do Norte. mas sem que se constituam numa zona meridiana independente. A questão central deste processo é a implementação de um eixo Moscou-Teerã. Os futurólogos atlantistas dividem o mundo nas três zonas que se seguem: • Pólo americano. o mundo se torna unipolar. O projeto eurasiano propõe o super projeto desta quarta zona em um nível estratégico geopolítico. . a existência do espaço meridiano da Rússia-Ásia Central é um grande obstáculo: a presença ou ausência deste cinturão muda radicalmente a figura geopolítica do mundo. tornando-a irreversível e autônoma.integração russo-asiática. O processo interno depende do sucesso do estabelecimento de uma parceria de médio e longo prazo com o Irã. e a independência dos cinturões meridianos. e estado-nações depende do sucesso da criação de uma quarta zona.África como um dependente) e • as regiões asiáticas e do Pacífico como sua periferia distante. com a União Européia como sua periferia próxima (Euro .

leal tanto a Moscou quanto ao Irã. Esta é . a ameaça da globalização. O plano eurasiano para a Índia. aptas a criar seu próprio modelo organizacional para a região. A razão desta necessidade é que os Estados independentes de Afeganistão e Paquistão continuarão a ser fonte de desestabilização. patrocinado por Moscou. A luta geopolítica providenciará a capacidade para implementar uma nova federação central-asiática e transformar esta região complicada em uma área de cooperação e prosperidade.de elites políticas e socialistas a religiosas e militares. Moscou terá um papel importante. Eixo Moscou-Deli A cooperação russo-indiana é o segundo mais importante eixo meridiano de integração no continente eurasiano e em seus sistemas de segurança coletiva. é a criação de uma federação que refletirá a diversidade da sociedade indiana com suas numerosas minorias étnicas e religiosas. Assim. Certas facções da sociedade turca entendem esta situação -. ameaçando os países vizinhos. Cáucuso O Cáucuso é a região mais problemática para a integração eurasiana dado seu mosaico de culturas e etnias que facilmente leva a tensões entre as nações. o eixo Moscou .Ankara pode se tornar uma realidade geopolítica apesar do longo período de hostilidade mútua. Moscou-Ankara O principal parceiro regional no processo de integração da Ásia Central é a Turquia. Tanto Moscou quanto o Irã são potências auto-suficientes. diminuindo as tensões entre Deli e Islamabad (Kashmir). O plano eurasiano para o Afeganistão e o Paquistão O vetor de integração com o Irã tem importância vital para que a Rússia ganhe acesso a portos de águas quentes e também para a reorganização políticoreligiosa da Ásia Central (países asiáticos da CEI. incluindo sikhs e muçulmanos. seus interesses e objetivos regionais. A Turquia só será capaz de manter suas tradições dentro do modelo multipolar de mundo. A Turquia reconhece suas diferenças civilizacionais com a União Européia.O eixo Moscou-Teerã será a base para uma integração posterior. Uma cooperação próxima com o Irã implica na transformação da área afegãopaquistanesa em uma confederação islâmica livre. A idéia eurasiana está se tornando popular por lá atualmente devido ao entrelaçamento das tendências ocidentais e orientais. Afeganistão e Paquistão). e a posterior perda de soberania. É imperativo para a Turquia estabelecer uma parceria estratégica com a Federação Russa e o Irã.

parcialmente similar às definições . A solução eurasiana para este processo jaz não na criação de Estados étnicos ou estritamente associados a uma só nação. pois o que for bem sucedido ali poderá sê-lo ao longo do continente eurasiano. Moscou-Mahachkala. interesses econômicos e energéticos. A região deve ser um polígono de testes de diferentes métodos de cooperação entre os povos. Desde o início. o setor da Ásia Central deve possuir vários vetores de integração. O plano alternativo é colocar o foco em semelhanças étnicas e religiosas: mundos turcos. Moscou-Tbilisi. A principal função dessa área específica é a reaproximação da Rússia com os países do Islã continental (Irã. iranianos e islâmicos. uma estratégia comum de sistema de segurança).uma das principais armas usadas por aqueles que buscam parar o processo de integração do continente eurasiano.) e entre os centros do Cáucusos e os aliados da Rússia no interior do projeto eurasiano (Baku-Ankara.). Integração eurasiana de territórios pós-soviéticos União Eurasiana Um significado mais específico de eurasianismo. Moscou-Erevan. O plano eurasiano para a Ásia Central A Ásia Central deve se mover rumo à integração com a Federação Russa em um bloco unido. a sucessora da CEI. Paquistão. Moscou-Grozni etc. Afeganistão). estratégico e econômico no interior da estrutura de união eurasiana. mas no desenvolvimento de uma federação flexível fundamentada nas diferenças étnicas e culturais no interior de um contexto estratégico comum da zona meridiana. A região do Cáucuso é habitada por nações que pertencem a diferentes Estados e áreas civilizacionais. O resultado deste plano é um sistema de um semi-eixo entre Moscou e os centros do Cáucuso (Moscou-Baku. Um plano tornará a Federação Russa o principal parceiro (similaridades de cultura. Erevan-Teerã etc.

ambos os Estados enfrentarão um dilema: perder a soberania e se dissolver no mundo unificado global com a dominação dos valores liberais americanos ou preservar sua identidade religiosa e cultural no contexto de uma União Eurasiana. Entretanto. está associado ao processo de integração dos territórios pós-soviéticos. Tashkent e Ashabad O Uzbequistão e especialmente o Turcomenistão se opõe ao processo de integração. pela URSS. É notável que Teerã prefira estabelecer uma parceria com os etnicamente próximos armênios. devido ao crescimento dos índices de globalização. apesar de sua adesão ser menos tangível em comparação com a do Cazaquistão. Moscou-Erevan e Erevan-Teerã. continuidade natural de ambos os países e de suas histórias. Em nossa opinião. Hoje. Eurasianismo é a filosofia de integração do território pós-soviético em uma base democrática. e indo-europeus) ao império de Gênghis Khan e seus sucessores. . linguísticas e étnicas de todos os membros da união. é um aliado firme da idéia eurasiana. Astana. buscando conquistar o máximo de resultados positivos de sua recém adquirida soberania nacional. em breve.dos intelectuais eurasianos dos anos 1920-30. Uma integração mais recente foi liderada pelo império russo dos Romanov e. e dá atenção às características culturais. a união eurasiana dá continuidade a estas tradições de pensamento de integração por meio de um modelo ideológico único que leva em consideração procedimentos democráticos. Nursultan Nazarbayev. O mais ativo aliado da integração é o Cazaquistão. Os Estados trans-caucasianos A Armênia continua gravitando rumo à União Eurasiana e considera a Federação Russa um firme aliado e conciliador que ajuda a administrar as relações com seus vizinhos muçulmanos. turcos. como pré-requisitos positivos da integração. uma comparação imparcial destas duas opções levará à segunda delas. Dushanbe. e Bishkek como as forças principais da integração Diferentes repúblicas asiáticas da CEI ameaçam de maneira desigual o processo de integração pós-soviética. Este fato nos permite considerar dois semieixos. sem dominação de nenhum dos grupos étnicos ou religiosos. respeito aos direitos das nações. Diferentes formas similares de integração podem ser vistas na história: dos hunos e outros impérios nômades (mongóis. O Quirguistão e o Tadjiquistão igualmente dão suporte ao processo de integração. não-violenta. O presidente do Cazaquistão. mais tarde. e voluntária.

Entretanto. A Rússia e a Ucrânia possuem muito em comum: similaridades culturais. A análise do sistema cultural do Azerbaijão mostra que este Estado é mais próximo da Federação Russa pós-soviética e das repúblicas pós-soviéticas do Cáucuso e da Ásia Central do que do religioso Irã e até mesmo da moderada Turquia. o status estratégico e econômico de Belarus é menos importante para Moscou do que aqueles de Kiev e Astana. A cooperação de Moscou e Kiev vai mostrar as atitudes pan-européias de ambos os países eslavos. e luta pela adaptação de seu programa ideológico à sociedade de informação e pós-industrial que é chamada de pós-modernismo. onde as intenções de integração são muito mais evidentes. o que torna a negociação com Kiev urgentes como nunca. com suas características e tradições eurasianas. O pós-modernismo eurasiano.Baku permanece neutro. Adjaria. pois eles estão interessados na harmonia política da Europa Oriental. O mosaico característico do Estado georgiano é a causa de sérios problemas para a construção de um novo estado nacional que é fortemente rejeitado por suas minorias étnicas: Abkhazia. O triângulo geopolítico Moscou-Astana-Kiev é um modelo capaz de garantir a estabilidade da união eurasiana. Esta filosofia tem como sua prioridade uma sociedade tradicional. o Estado georgiano não tem nenhum parceiro forte na região e é forçado a buscar parceria com os EUA e a OTAN para contrabalançar a influência russa. despojando-os e tornando-os iguais. religiosas. mas esta situação mudará drasticamente com o contínuo movimento de Ankara rumo ao eurasianismo (que imediatamente afetará o Azerbaijão). Ucrânia e Belarus -. a dominação de um eixo Moscou-Minsk prejudicará a integração com a Ucrânia e o Cazaquistão. pois desde o início da recente soberania da Ucrânia.etc. modernidade. A Geórgia é o problema chave da região. Os fatores acima mencionados estão presentes em Belarus. e até elementos do pósmodernismo. A solução deste problema se encontra na cultura ortodoxa da Geórgia. Ossétia do sul. a russo fobia e a desintegração têm sido promovidas. Estes aspectos precisam ser enfatizados. Muitos países da UE podem influenciar positivamente o governo ucraniano. linguísticas e étnicas. Mais ainda. Além disso.ao lado de outros vetores do processo de integração eurasiana. reconhece o imperativo da técnica e da modernização social (sem separá-la da cultural tradicional). O Pós modernismo formalmente remove as contraposições entre a tradição e o modernismo.países eslavos da CEI Para o sucesso da criação da união eurasiana é suficiente a conquista do apoio do Cazaquistão e da Ucrânia. . o que faz com que a integração com Belarus deva fluir sem nenhum incidente repentino -. Eurasianismo como Weltanschauung A última definição de eurasianismo caracteriza uma Weltanschauung específica: uma filosofia política que combina tradição.

pelo contrário, promove a aliança de tradição e modernismo como um impulso construtivo, otimista e energético orientado à criação e ao crescimento. A filosofia eurasiana não nega as realidades descobertas pelo Iluminismo: a religião, a nação, o império, a cultura etc. Ao mesmo tempo, as melhores aquisições do modernismo são usadas amplamente: os avanços tecnológicos e econômicos, as garantias sociais, a liberdade de trabalho. Os extremos se encontram, dissolvendo-se em uma teoria harmônica e original, inspirando um pensamento refrescante e soluções novas para os eternos problemas encarados pelos povos ao longo da História.

O eurasianismo é uma filosofia aberta O eurasianismo é uma filosofia aberta, não-dogmática, que pode ser enriquecida com novos conteúdos: religião, as descobertas etnológicas e sociológicas, geopolítica, economia, geografia nacional, a pesquisa política e estratégica etc. Mais ainda, a filosofia eurasiana oferece soluções originais em contextos linguísticos e culturais específicos: o eurasianismo russo não será o mesmo das versões francesa, alemã ou iraniana. No entanto, a estrutura principal da filosofia permanecerá invariável.

Os princípios do Eurasianismo Os princípios básicos do eurasianismo são os seguintes: • diferencialismo, o pluralismo de sistemas de valores contra a convencional dominação obrigatória de uma dada ideologia (a democracia liberal americana em primeiro e mais importante lugar); • tradição contra a supressão de culturas, dogmas e descobertas das sociedades tradicionais; • os direitos das nações contra os "bilhões de ouro" e a hegemonia neocolonial do "norte rico"; • as etnias como valores e sujeitos da história contra a despersonalização das nações, aprisionadas em construções sociais artificiais; • justiça social e solidariedade humana contra a exploração e humilhação do homem pelo homem.

* Traduzido e revisado por André Luiz.

sábado, 20 de agosto de 2011

Aleksandr Dugin: As Bases da Geopolítica

Relembremos os postulados de base da geopolítica – uma ciência que foi anteriormente igualmente apelidada de “geografia política” e cuja elaboração deve ser fundamentalmente atribuída ao cientista e perito em política inglês Halford MacKinder (1961-1947). O termo geopolítica foi utilizado pela primeira vez pelo sueco Rudolf Kjellen (1864-1922) sendo de seguida difundido na Alemanha por Karl Haushofer (1869-1946). Mas de qualquer maneira, o pai da geopolítica continua a ser MacKinder, cujo modelo fundamental está na base de todos os estudos geopolíticos posteriores. O mérito de MacKinder é que este conseguiu delinear e compreender as leis objetivas precisas da história política, geográfica e econômica da Humanidade. Embora o termo “geopolítica” tenha surgido muito recentemente, as realidades designadas por este termo têm uma história plurimilenar. A substância da doutrina geopolítica pode resumir-se nos seguintes princípios: na história planetária apresentam-se duas abordagens opostas e em competição permanente para apreender o espaço planetário: a abordagem “terrestre” e a abordagem “marítima”. Conforme a abordagem à qual aderem os diversos Estados, povos ou nações – e de acordo com a sua consciência histórica, a sua política externa e interna, a sua psicologia, a sua visão de mundo, formam-se segundo regras completamente determinadas. Tendo em conta tais características, é perfeitamente possível falar de uma visão do mundo “terrestre”, “continental” ou mesmo “estepiana” (a “estepe” é a “terra” na sua forma pura, ideal), e de uma visão do mundo “marítima”, “insular”, “oceânica” ou “aquática” (denotaremos incidentalmente que as primeiras características de uma abordagem similar podem ser encontrados nos trabalhos dos eslavófilos russos, tais como Khomiakov e Kirievsky). Na história antiga, as potências “marítimas” que se tornaram nos símbolos

históricos da “civilização marítima” no seu conjunto foram a Fenícia e Cartago. O império terrestre que se opunha a Cartago era Roma. As guerras púnicas formam a imagem mais pura da oposição entre a “civilização marítima” e a “civilização terrestre”. A Inglaterra tornou-se, na época moderna e na história recente, o pólo “insular” e “marítimo”, “a senhora dos mares”, à qual se seguiu mais tarde a ilhacontinente gigante, a América. A Inglaterra, tal como a antiga Fenícia, utilizou em primeiro lugar como instrumento fundamental de dominação, o comércio marítimo e a colonização das regiões costeiras. O tipo geopolítico fenício/anglo-saxão, engendrou um modelo particular de civilização “de mercado-capitalista-mercantil” fundado, antes de tudo, sobre os interesses econômicos e materiais e nos princípios do liberalismo econômico. Por conseqüência, a despeito de todas as variações históricas possíveis, o tipo geral da civilização “marítima” está sempre ligado ao “primado do econômico sobre o político”. Por antinomia face ao modelo fenício, Roma representava um exemplo de estrutura autoritária-guerreira fundada sobre uma dominação administrativa e sobre uma religião civil, sobre o primado do “político sobre o econômico”. Roma é o exemplo de um tipo de colonização puramente continental, não marítima, mas terrestre, com uma penetração profunda no continente e a assimilação dos povos submetidos, invariavelmente “romanizados” depois da conquista. Na história moderna, as encarnações da potência “terrestre” foram o Império Russo e também os impérios Austro-Húngaro e o da Alemanha da Europa Central. A “Rússia/Alemanha/Áustria-Húngria” são o símbolo essencial da “terra geopolítica” na história moderna. MacKinder demonstrou claramente que em todos estes últimos séculos a “atitude marítima” significa Atlantismo, tal como hoje em dia as “potências marítimas” são antes de tudo a Inglaterra e a América, quer isto dizer países anglo-saxônicos. Face ao “atlantismo” que personifica o primado do individualismo, do “liberalismo econômico” e da “democracia de tipo protestante”, perfila-se o Eurasianismo, que pressupõe necessariamente o autoritarismo, a hierarquia e o estabelecimento de princípios nacionais-estatais “comunitários” acima das preocupações meramente humanas, individualistas e econômicas. A atitude eurasiana claramente expressa é típica, antes de mais, da Rússia e da Alemanha, as duas potências continentais mais fortes, cujas preocupações geopolíticas, econômicas e – o mais importante – a visão do mundo são completamente opostas às da Inglaterra e dos Estados Unidos, ou seja dos “atlantistas”. * Postado originalmente no Legio Victrix. Postado por D. Matos às 09:58 0 comentários Marcadores: Dugin, Geopolítica

tentemos.como o movimento protestante primitivo na Europa. que eles decidiram impor sobre os povos do mundo. e cataclismas geopolíticos de séculos distantes. A vagueza de formulações. Talvez. passos pragmáticos e blecautes táticos. Econômico: A ideologia da Nova Ordem Mundial pressupõe o estabelecimento completo e mandatório do sistema de mercado capitalista liberal sobre todo o planeta. absorvendo a experiência do protestantismo. não é simplesmente uma questão de dominação políticoeconômica de uma certa claque governante "oculta" de banqueiros internacionais. definir os elementos básicos da ideologia da Nova Ordem Mundial. excedendo em muito o escopo de outras formas históricas de utopias planetárias . sem consideração por regiões culturais e étnicas. injetaram no discurso quotidiano a fórmula "Nova Ordem Mundial". nos termos mais gerais. métodos táticos. o mistério deliberado dos mundialistas não permite. criado por George Bush. Colocando isso de lado. revoluções comunistas. discernir claramente o contorno dessa nova ideologia. etc. baseada no estabelecimento de um Governo Único Global. o mundialismo contemporâneo. que começaram a chamar as coisas por seus próprios nomes. certas proibições foram descartadas e múltiplas publicações apareceram. até o último momento. testes que avaliaram mecanismos integracionais. prioridades ideológicas. Assim. a efetividade de estruturas de comando. o Califado Árabe. a secretividade e cautela constantes. "justiça social ou nacional".quarta-feira. governado pelo Governo Mundial. ambiguidades. Essa "Ordem" baseia-se na vitória em escala global de uma certa ideologia especial. como seguindo-se às ordens de alguém. A Nova Ordem Mundial. com base nas análises conduzidas por um grupo de funcionários do corpo editorial da revista Elements. ou os planos comunistas para uma Revolução Mundial. e o liberalismo de mercado está tornando-se o único elemento econômico dominante no planeta. Esses princípios podem ser classificados em quatro níveis: 1. bem como no Ocidente. o mundialismo contemporâneo finalmente formulou seus princípios fundamentais considerando a situação atual. aperfeiçoou suas formulações finais. 17 de agosto de 2011 Ideologia do Governo Mundial por Aleksandr Dugin Após a Guerra do Golfo. Todas os flertes passados do mundialismo com modelos "socialistas" estão sendo completamente paralisados. um "novo pensamento". "proteção social" devem ser completamente destruídos ou transformados em sociedades de "livre-mercado". quase toda a mídia de massa na Rússia. e então usada por outros políticos incluindo Gorbachev e Yeltsin. heresias escatológicas. finalmente determinando o que era pragmático e incidental em formas prévias. A Nova Ordem Mundial representa em si mesma um projeto messiânico. escatológico. mas também a "revolução ideológica". E apenas após o Iraque. Após toda uma sequência de vacilações. e assim o conceito concerne não apenas a instrumentos de poder. um consciência "golpista". . e o que realmente compunha a tendência básica da história no caminho para a Nova Ordem Mundial. Todos os sistems sócioeconômicos que portam elementos de "socialismo". esses projetos utópicos tenham servido como prelúdios para a forma final do mundialismo. como já foi candidamente admitido por ideólogos da Comissão Trilateral e de Bilderberg.

e do triunfo dos apetites individualistas na esfera econômica. ele sempre será favorecido em comparação com um vizinho do leste. do Messias que revelará as leis de uma nova religião para a humanidade e realizará muitos milagres. supõe-se que mudará a cena religioso-ideológica no planeta. Mais do que isso. racionalistas e materialistas pelos mundialistas acabou. uma base para o desenho da civilização futura. da miscigenação. A prioridade geopolítica de orientação ocidental está tornando-se absoluta. para o cosmopolitanismo. no nível econômico representa "livre-mercado absoluto". usados anteriormente pelos mundialistas em sua luta contra os "grandes nacionalismos" de tipo imperial.começando com o "neoespiritualismo" e terminando com os desenhos econômicos e estruturais de tecnocratas pragmáticos. e outros autores. Religioso: A ideologia da Nova Ordem Mundial está preparando a vinda ao mundo de uma certa figura mística. aparecerá nas páginas dos volumes seguintes de Elements. já que não haverá mais lugar para eles nessa Ordem. Mas nós gostaríamos de focar em diversos aspectos imediatamente. Movimentos nacionais e micronacionais. Essa combinação de "direita" econômica com "esquerda" ideológica serve como o eixo conceitual da estratégia mundialista contemporânea. uma parta dos quais. do liberalismo ético pertencem à categoria das prioridades políticas "esquerdistas".2. A era do uso pragmático de doutrinas ateístas. Mesmo no caso de uma localização relativamente ocidental de um país ou outro. a política nacional do Governo Mundial será orientada para a mistura. que. Ideólogos do mundialismo eles mesmos estão convencidos de que o que quer dizer-se com isso é a vinda ao mundo do Moshiah. nacional. dentro dela existe uma sobreposição consciente e essencial de duas camadas. Ocidente capitalista junto com Rússia comunista contra Alemanha nacional-socialista) não está mais em uso pelo mundialismo contemporâneoo. A Nova Ordem Mundial é radicalmente e rigidamente "direitista" no plano econômico. o surgimento da qual. serão decisivamente suprimidos. étnica e cultural possíveis dos povos. Em todos os níveis. Hoje. eles estão proclamando a vinda de uma época de "nova religiosidade". do livre-mercado absoluto. Étnico: A ideologia da Nova Ordem Mundial insiste na maior mistura racial. 4. relacionadas às realidades políticas polarizadas. a Nova Ordem Mundial é radicalmente e rigidamente "esquerdista" no fronte político-cultural. servindo intelectualmente ao mundialismo em diversos níveis . Essa é exatamente a imagem emergindo de uma análise das últimas revelações por ideólogos da Comissão Trilateral. nós podemos . dando preferências ao cosmopolitanismo das grandes cidades. Essa ambiguidade é manifesta mesmo no próprio termo "liberalismo". Simultaneamente. é importante notar que essa ideologia não pode ser qualificada nem como de "direita" ou de "esquerda". já que a ideologia do cosmopolitanismo. Geopolítico: A ideologia da Nova Ordem Mundial dá preferência incondicional a países que compõem o Ocidente geográfico e histórico em contraste com os países do Oriente. O estudo cuidadoso desses quatro níveis da ideologia do Governo Mundial é uma preocupação de muitos projetos e trabalhos de pesquisa sérios. daí em diante. Agora. 3. já que assume a primazia absoluta da propriedade privada. O esquema previamente implementado de aliança geopolítica do Ocidente com o Oriente contra o Centro (por exemplo. do Clube Bildeberg. Em primeiro lugar. nós esperamos. do Conselho Americano de Relações Estrangeiras. mas no nível ideológico clama por uma "suave ideologia de permissibidade".

que claramente identificam a "nova religiosidade".) e "esquerdistas" na esfera econômica (em outras palavras. e o Messias com o mais sinistro ator do drama escatológico. é. mas uma condição necessário nessa fase do conflito. É por isso que o Messias do Governo Mundial não é simplesmente um "projeto cultural". o Sol da História. do ponto de vista de diversas tendências religiosas como o Cristianismo Ortodoxo e o Islã. Religioso: Devoção às formas religiosas originais e tradicionais . Étnico: Fidelidade às tradições nacionais. ou uma "utopia grotesca". cuja vinda as instituições mundialistas deverão facilitar. mas é algo muito mais sério. Econômico: Prioridade da justiça social. "Anti-asianismo" joga apenas nas mãos da . um novo "mito social". 3. Geopolítico: Uma orientação clara para o Leste e solidariedade com os setores geopolíticos mais ao leste na consideração de conflitos territoriais. o Messias. Reveladoramente. que os mundialistas usaram anteriormente para alcançar seus objetivos agora abrem espaço para uma lógica globalista cristalina. não entre Religião e Ateísmo. Em verdade.justificadamente afirmar que o Governo Mundial baseará sua ditadura não em algum modelo típico de "tirania totalitária". claramente e sem dúvida associado com a figura sinistra do Anticristo. É completamente óbvio que os oponentes do mundialismo e os inimigos da Nova Ordem Mundial (os membros dessa revista contam-se entre estes) devem assumir uma posição radicalmente negativa em relação a essa ideologia. e dos fatores nacionais e comunais no sistema de produção e distribuição. etc. 4.). mas entre Religião e Pseudo-Religião. a Nova Ordem Mundial. No curso da última fase da realização dos projetos mundialistas. o simbolismo natural deve concorrer completamente com o simbolismo geopolítico. A frente de combate ideológico anti-mundialista deve também combinar em si mesma elementos de ideologias "esquerdistas" e "direitistas". que mesmo um simplório poderia compreender. assume o papel tanto de modelo estratégico quanto de modelo cultural. e a complexidade das construções de blocas. o embate ocorrerá não entre o Sagrado e o Profano. do "socialismo". manobras e alianças políticas geopolíticas precedentes. e terrível. real. "nacionalistas". A ideologia radicalmente oposta ao mundialismo também pode ser descrita em quatro níveis: 1. com uma preferência especial pelo "grande nacionalismo" de tipo imperial em contraste com os mini-nacionalismos com tendências separatistas. Cristianismo Ortodoxo e Islã. às vezes sustentado pela direita russa sob a influência de um exemplo ruim e desnecessário da direita européia. Como segue-se da própria lógica do drama apocalíptico. A prioridade geopolítica do Leste torna incumbente a nós renunciar completamente aos preconceitos "anti-asiáticos". põe-se. e daí em diante. mas nós também devemos ser "direitistas" em termos políticos (em outras palavras. essa combinação mesma não é apenas um programa político convencional e arbitrário. mas nos princípios do "liberalismo". o Ocidente. formulada pela negação da doutrina da Nova Ordem Mundial.mais importantemente. Isso significa que é necessário combater o Governo Mundial e seus planos com uma ideologia alternativa. no curso do conflito final. Em terceiro lugar. da proteção social. situado na cabeça das teorias geopolíticas da Nova Ordem mundial como hemisfério em que o Sol. etc. 2. étnicas e raciais e às características dos povos e Estados. será aperfeiçoada e completada. apoiadores da justiça social. é exatamente nesse caso que a terrível paródia escatológica chamada Nova Ordem Mundial. "tradicionalistas". o Anticristo (Dadjal em árabe). Em segundo lugar.

e Seus missionários. Seus servos. o "lado certo". Seu exército. . Curto será o instante de seu triunfo." O Juiz Verdadeiro "vira inesperadamente". a não ser o Filho de Deus. da tentação e da morte nessa terrível jornada. finalmente. O Governo Mundial é a última rebelião do mundo inferior contra o Divino. aos ensinamentos dos Santos Padres.Nova Ordem Mundial. Eterna será a alegria daqueles que unir-se-ão às fileiras dos "últimos combatentes pela Verdade e Liberdade em Deus. ao Cristianismo Ortodoxo é um elemento necessário e extremamente importante da luta anti-mundialista. Nós devemos tornar-nos Sua hoste. do pecado. a "parte abençoada". lealdade à Igreja. já que a substância e o significado dessa luta está em escolher o Verdadeiro Deus. E ninguém será capaz de salvar-nos dos falsos encantos. E.

mas também na quebra das regras de trânsito e nas dificuldades de respeitar as regras de boa vizinhança. distribuir as benesses desse desenvolvimento econômico entre todos os cidadãos da pátria. e ainda. A construção do poderio de uma nação depende tanto do grau de riqueza de sua sociedade como da força de vontade de seus cidadãos na direção desses objetivos comuns. a sociedade perceberá rapidamente que é possível construir estruturas sociais mais justas e amplia sua segurança. fundou uma tradição política liberal bastante forte no país. que por sua vez refletem a incompetência de nossos políticos. O partido da pátria não poderá assumir de antemão uma ideologia de esquerda ou de direita. Esta subserviência ocorre mesmo no viés “esquerdista”. e o comunismo falha ao perpetuar o mesmo grupo político no poder. no caso da indústria de defesa não é possível a pequena escala de produção e nem mesmo a participação dos trabalhadores nos lucros pois suas empresas dependem fortemente das compras governamentais. indiferente ao modelo de gestão empresarial . Infelizmente. Não obstante. Com leis e sistemas de fiscalização mais eficientes visando punir o comportamento individualista anticomunitário. as ditaduras de direita falham ao não conseguirem fazer com que os ideais nacionais sobrevivam para além da morte de seu líder. paralelamente. tanto por ser o interesse social diverso como por circunstâncias materiais diferenciadas: enquanto na agroindústria podemos estimular pequenas cooperativas de produção. não conseguiu alimentar o conjunto de sua população e ainda menos de gerar oportunidade de crescimento social significativo para todos. manifestando-se nos crimes de corrupção politica e nas pequenas falcatruas individuais como burlar o imposto de renda ou adquirir produtos importados sem a devida tributação. Essa atitude antissocial e antinacional nasce das legislações e dos sistemas de fiscalização e punição frouxos e ineficientes. O modelo de desenvolvimento brasileiro de industrialização voltada para mercados regionais e baseada em multinacionais estrangeiras. refletindo-se numa política externa que antes busca a conciliação que o enfrentamento com os países centrais. depois de cinco séculos. Uma sociedade que. A democracia liberal falha ao acirrar as contradições entre indivíduo e comunidade. incapaz de construir a autonomia econômica e política nacional para além do campo da retórica política. 15 de outubro de 2011 EM BUSCA DE UMA AGENDA CONSENSUAL PARA UM PARTIDO PATRIÓTICO NO BRASIL Por Edu Albuquerque* A implementação de uma agenda patriótica deve considerar prioritária a execução de um programa de identificação e promoção do interesse nacional numa sociedade crescentemente globalizada e. somente pode concluir que fracassou enormemente. redundando nesse perturbador quadro de anomia social atual. Essas transformações sociais e políticas necessárias somente serão possíveis através do fortalecimento do partido da nação. Os partidos políticos liberais e da esquerda pura falharam gravemente em organizar a sociedade brasileira. dependente da exportação de riquezas naturais para as nações industrializadas.sábado. o comportamento individualista e anticomunitário se propaga como uma chaga na sociedade brasileira.

podem e devem ser consertadas e melhoradas. que possa manter a unidade na diversidade. Sua criação deve visar influenciar os programas partidários e as agendas institucionais político-administrativas. Empréstimos do BNDES e outros bancos públicos condicionados a contrapartida de investimentos em ciência e tecnologia pelo contratante. − − − − − − − − . A eventual perda de arrecadação ocasionada num primeiro momento será compensada pelo aumento dos impostos sobre o consumo dos produtos concorrentes estrangeiros e similares produzidos por multinacionais estrangeiras instaladas no país. O programa de subsídios governamentais será em caráter temporário e obedecendo um cronograma do planejamento estratégico da instalação do novo empreendimento. será sempre algo mais fácil divisar o interesse nacional. A segunda. reforçando parcerias internacionais (escolhas estratégicas entre determinados países dos BRICs e da América do Sul. até que este alcance competir em igualdade de condições com suas congêneres mundiais. A primeira. Incentivar a ampliação da poupança interna. Povoamento e desenvolvimento agropecuário e industrial dos anecúmenos da Amazônia brasileira. Educação Básica pública e em turno integral (vedado o ensino privado). Ênfase no domínio de capacidade de desenvolvimento tecnológico e ciclo de produção (incluindo setor industrial-militar). A atração de capitais estrangeiros deverá ser estimulada apenas quando não impeça o controle nacional da nova empresa e quando se submeta à regulação estatal. visa proteger a indústria nacional nascente para a inserção autônoma das empresas brasileiras no mundo globalizado. Dois pilares devem fundamentar essa agenda nacional: a priorização da educação e a lei de incentivo à indústria nascente. obtendo em retorno cotas acionárias condizentes com as posições assumidas. AGENDA PATRIÓTICA O objetivo geral de uma AGENDA PATRIÓTICA (AP) seria a implantação de umaagenda nacional progressista no Estado brasileiro e projeção de poder autônomo no campo internacional. Este breve texto reúne argumentos propositivos para iniciar uma discussão mais profunda quanto ao conteúdo programático mínimo e máximo para a fundação de um movimento ou partido patriótico brasileiro. com formação de cooperativas e associações de trabalhadores rurais (as propriedades rurais produtivas serão preservadas). As indústrias nascentes terão controle privado e o Estado ofertará mecanismos creditícios especiais e renúncias fiscais. Reforma Agrária com desapropriação de terras sem indenização. respeitando as diversas tendências ideológicas desde que submetidas ao bem maior da pátria. portanto. UMA PROPOSTA INICIAL DE AGENDA Retomada do projeto de desenvolvimento industrial nacional. visa alçar a posição de objetivo nacional primeiro e permanente a priorização absoluta da educação pública e gratuita no ensino básico e superior. São medidas propositivas que visam iniciar um debate fundamentado em pontos mais concretos de proposta de ação política e.necessário para cada ramo da atividade econômica. e também do “mundo árabe”).

Fortalecimento do pequeno comércio (proibição da venda de carnes. Renuncia- . Discriminação Racial Não deve ser permitida qualquer manifestação de discriminação racial ou de apologia racial. preconceber o regime e forma de governo é prematuro. Sobretaxação da produção cultural estrangeira para criação de um fundo de incentivo à produção cultural nacional. etc). apoiam uma Agenda Patriótica. o processo de amadurecimento das condições de mudança social no país pode vir a exigir o fortalecimento do Poder Executivo. O Executivo forte não tem nada a ver com ditadura. Uso exclusivo de software livre em todos os níveis político-administrativos e grandes empresas. Contudo. exemplo no setor de serviços/alimentício são as franquias de fast foods. Extinção das Câmaras de Vereadores ou da remuneração da atividade parlamentar no âmbito local (pode ser substituída por um conselho nãoremunerado com representantes da sociedade civil). que terá benefícios fiscais e direitos especiais de vendas a prazo em relação às concorrentes multinacionais. A sociedade brasileira ainda está em construção. Valorização do transporte coletivo urbano de qualidade e sobretaxação dos transportes individuais. pão e leite em grandes estabelecimentos como shoppings e supermercados). PRINCÍPIOS GERAIS Centralismo da União Embora não seja conteúdo programático obrigatório. portanto. É vedado ao capital estrangeiro a aquisição de terras. empresas petrolíferas (extração. Se nosso fenótipo tende a ser a mistura de todas as raças. além de semear atritos desnecessários entre uma gama variada de grupos que. aqui incluindo o antissemitismo. não há.. Penas rigorosas para crimes de corrupção ativa e passiva quando envolvendo membros do governo ou o erário (e penas severas para todas as demais formas de corrupção). em comum. Criação de uma empresa automobilística majoritariamente de capital nacional inclusive com fabricação de motores (com participação acionária do Estado e de empresas nacionais). Sobretaxação de produtos. refino e comercialização) e quaisquer outras empresas e atividades consideradas estratégicas para a segurança nacional. sem que se compactue com qualquer forma de violência que não seja para promover a autodefesa. Renúncia à luta armada Denúncia do mito da pacificidade do brasileiro. marcas e processos tecnológicos de transnacionais que possuam similar nacional (exemplo no setor de bebidas são as empresas fabricantes de refrigerantes. uma vez que existe apoio popular ao Presidencialismo e certo repúdio aos atos contraditórios emanados do Poder Judiciário.− − − − − − − − − − Proibição de exportações de petróleo brasileiro (nossas jazidas devem constituir reservas estratégicas). e no futuro o intenso amalgamento das raças e etnias que formam a brasilidade tende a formar um tipo mestiço: o mulato. razão em forjar uma identidade racial no país.

Governos Totalitários Por ter representando um caso histórico de governo forte que rapidamente encetou o desenvolvimento alemão e por sua luta antissistêmica. Individualidade e Liberdade A oposição entre coletividade e individualidade é uma falsa questão. Dai que desenvolvemos nossas habilidades individuais não sozinhos. ao egoismo da competição desenfreada e desmedida. teatros. Contudo. o paladar (a alta culinária). Somos todos produtos da sociedade. . pois todo indivíduo é manifestação de um ser social. deve-se permitir aos grupos e células organizarem seus próprios cursos de formação política. mas nos livros. o olfato (as fragrâncias).se à luta armada e qualquer forma de violência. escolas. a glorificação do nazismo (bem como do integralismo) e do comunismo são contraproducentes no atual momento histórico. e tendem a impedir o debate racional em torno de uma Agenda Patriótica e sua disseminação junto à sociedade brasileira. oficinas. o nazismo costuma ser glorificado por certos segmentos conservadores. Da mesma forma ocorre com grupos comunistas que rememoram o passado grandioso soviético. recitais. etc. Entretanto. mas somente podem ser plenamente desenvolvidos socialmente. * Edu Albuquerque é professor de geopolítica e editor da Revista de Geopolítica. isto sim. Mas a individualidade pode perfeitamente e deve ser preservada na coletividade. o tato (a habilidade do uso de ferramentas). da coletividade. são todos inatos aos indivíduos. que provoca a miséria e a exclusão do outro. A ideia de coletividade é contrária. A fala (a escrita). desde que se submetam a vontade geral da AP quando representando este movimento. A única arma de uma AP é a força das ideias do conteúdo moral de seus participantes. por meio do aprendizado coletivo. ao individualismo. a audição (a música).

Este criticismo soou não somente de oponentes externos – conservadores. [4] Ideologias Universais Além do liberalismo outras duas ideologias são conhecidas por terem tentando atingir a supremacia mundial: Nomeadamente. o liberalismo mina não somente o fenômeno cultural. o Marxismo em seus vários aspectos) e o Fascismo/Nacional-Socialismo. mas a quase resistência inata entre uma cultura homogênea universal e aqueles que resistem a esta globalização. Vozes perturbantes e criticismo começaram durante o final do último século. De acordo com esta idéia. Como Aleksandr Gelyevich Dugin bem observa. por décadas dominou a maior parte do planeta. 13 de outubro de 2011 por Leonid Savin Tradução: Daniel Sender A Necessidade da Quarta Teoria Política A atual crise financeira mundial marca a conclusão do dano feito pela ideologia liberal que. e suas características distintas devem desaparecer antes da aproximação da conclusão desta época mundial. tendo aparecido durante a época do Iluminismo Ocidental. [3] Jean Baudrillard também declara que este não é o choque de civilizações. todos os sistemas públicos no Mundo são variantes do sistema – liberal – Ocidental [2]. o Fascismo surgiu após as duas outras ideologias e desapareceu antes delas. que se opõe a qualquer manifestação de distinções. Por isso. Pesquisadores perceberam que o moderno choque de globalização é a conseqüência do liberalismo universal. o Marxismo que . [1] A experiência histórica provou que o mundo liberal Ocidental tentou forçosamente impor sua vontade sobre todos os outros. mas começou dentre o campo da comunidade Ocidental. o Comunismo (isto é. A lógica do liberalismo Ocidental contemporâneo é aquela do mercado universal desprovido de qualquer cultura que não seja aquela do processo de produção e consumo. Marxistas e povos indígenas –.quinta-feira. Após a desintegração da URSS. mas também o próprio organismo social. O programa último do liberalismo é a aniquilação de quaisquer distinções. com o nascimento de fenômenos como a globalização e o unimundialismo.

e a vitória nunca aconteceu.nasceu no século XIX foi definitivamente desacreditado também. um tipo nômade de “sociedade da informação”. Fascismo e Nacional-Socialismo foram tentativas de inaugurar um novo ciclo. mas também guerras de longo termo em escala internacional). nunca aconteceu. baseado principalmente em uma sociedade individualista e atomista. composta de indivíduos egoístas atomizados [8]. Sabemos que o Marxismo foi de certa forma. Moeller van den Brück for alcançada. permaneceu incerta. é uma doutrina messiânica por ver a inevitabilidade de sua vitória. ao contrário. O liberalismo. ou o que foi chamado de zeitgeist. e assim. Se a premissa de A. mas em “perspectiva da eternidade”. e temos. contudo. colapsos econômicos tremendos acontecem em todo o mundo. de forma mais apropriada com idéia do Reich de Mil anos). Neste respeito. sobre a qual o teórico conservador-revolucionário Arthur Moeller van den Brück expõe em seu livro Das Dritte Reich. ao invés disso. mais convenientemente descrita por Francis Fukuyama (o Fim da história e o último homem) [7]. “espírito da era”. descrito por Hobbes. Tal fim. De tal perspectiva histórica. Além disso. A Quarta Teoria Política e o Contexto do Tempo Como deveriam os especialistas da nova quarta teoria política enquadrar suas análises no contexto das épocas do tempo histórico? Deveria ser a união com a eternidade. mas com uma forma modernista [6]. conflitos violentos ocorrem (muitas revoltas locais. lançando as bases para uma nova Civilização como conseqüência do que foi visto como o declínio cultural e a morte da Civilização Ocidental (assim. cujos frutos serão simultaneamente conservadores e portadores dos novos valores que nosso mundo desesperadamente necessita. nós devemos ter então uma nova teoria política. tentaram recriar a abundancia de uma mítica Era Dourada. Aqui é necessário analisar a relação das ideologias supracitadas no contexto da época e locos dos quais elas emergiram. que conduziria à culminação e ao fim do processo histórico. O Fascismo e o Nacional-Socialismo perceberam as fundações da história no . Mas Marx foi um falso profeta. O Liberalismo (como o Marxismo) proclamou o fim da história. entidades temporais. emergiu por conta do bellum omnium contra omnes [5] e há desde então se manteve a isso. nos direitos humanos e no Estado-Leviatã. Isto foi abortado também. que consomem avidamente os frutos da técno-cultura. uma idéia futurística – o Marxismo profetizava a futura vitória do comunismo em uma época que. O Nacional-Socialismo e o Fascismo. então eles serão libertados das desastrosas conseqüências da abordagem liberal para a vida humana. Se os humanos considerarem a si mesmos e ao povo ao qual pertencem não como algo momentâneo. o desapontamento domina nosso mundo ao invés da utopia universal prometida em nome do “progresso” [9]. contudo. é possível entender os elos entre a emergência de uma ideologia dentro de uma época histórica particular. onde os seres humanos são considerados a partir de um ponto de vista estritamente temporal.

liberalismo e Marxismo. Contudo. entre o puro ser (Seyn) e sua expressão na existência (Seiende). A antiga Grécia é a fonte de todas as três teorias da filosofia política. os Gregos consideravam primeiramente a questão do Ser. após a consideração filosófica necessária. Fascismo e Liberalismo). Se considerarmos as várias alternativas. a renúncia ao (neo) Liberalismo e a revisão das antigas categorias e. do espírito do dinheiro [10]. A destruição do campesinato. religião e laços familiares pelo Marxismo foram manifestações deste rompimento das sociedades orgânicas tradicionais. são limitadas dentro das fronteiras do EstadoNação singular em questão.estado (Fascismo) ou na raça (Nacional-Socialismo Hitlerista). Esta oposição fundamental à tradição. ninguém considerou como sujeito da história o Povo como um Ser. entre o ser humano (Dasein) e o próprio ser em si (Sein). a ação política deve acontecer. contato inter-social e comunicação. por outro lado. Como resultado. [11] Por isso. _____ Fonte: Necessity of the Fourth Political Theory . para o nosso inimigo não é “o outro”. com toda a riqueza dos elos interculturais. é claro. Estas respostas anti-Liberais. mas uma ideologia que destrua todas as identidades. vê a história em termos do indivíduo atomizado. incorporada em ambos. de acordo com Alain de Benoist. deterioração e obliteração total. O Liberalismo. onde o principal objetivo do estado é aceleração para a chegada do Mahdi e a revisão do socialismo na América Latina (as reformas na Bolívia são especialmente indicativas). de toda Filosofia Ocidental são necessárias. traduções. pode ser entendida pelo método de análise histórica considerado acima: tanto o liberalismo quanto o Marxismo emergiram do mesmo zeitgeist na instância destas doutrinas. Alternativas ao Liberalismo Muitas tentativas de criar alternativas ao neoliberalismo são agora visíveis – o socialismo Libanês de Jamahiria. seja na China Maoísta ou na URSS sob Lênin e Trotsky. E. [12] É digno de nota que três ondas de globalização foram os corolários das três teorias políticas supramencionadas (Marxismo. depois disso nós precisamos de uma nova teoria política. até mesmo países nomeadamente “socialistas” adotaram mecanismos e modelos liberais que expuseram regiões com um modo de vida tradicional a uma acelerada transformação. eles arriscaram o ofuscamento pelas nuances das altamente complicadas relações entre o ser e o pensamento. no entanto. O filósofo Francês está certo em sua observação de que a reconsideração positiva da identidade coletiva é necessária. Para os Marxistas era a classe trabalhadora e as relações econômicas entre as classes. que geraria a Quarta Onda: o restabelecimento do Povo (todos eles) com seus valores eternos. separado de um complexo de herança cultural. É importante entender que no principio do pensamento filosófico. Contudo. Nós deveríamos desenvolver uma nova ideologia política que. será o Novo (Quarto) Nomos da Terra. o Xiismo político no Irã. talvez. características étnicas e cosmovisão.

but practically they attack. Affluenza: When Too Much is Never Enough. [11] Note Martin Heidegger nestes termos. em L’Homme et la société(numéro spécial [1987]). São Petersburgo: Амфора. 2005. 2.173. theEquites. 2002. The Decline of the West (London: George Allen & Unwin. Bolton. Vol. a insistência que todos os estados e povos deveriam adotar o sistema parlamentar Inglês de Westminster como um modelo universal. independentemente de tradições ancestrais.geopolitica. poor) parties necessarily become the tools of the moneypowers.ru). NSW. 3. NSW. Thinkers of the Right. The Global Me.199. Editor Chefe da “Geopolítica do pós-modernismo”. Também veja. 1992. p. em Après-demain (4-51996). pp. [7] Francis Fukuyama. 2009. Против Либерализма (Contra o Liberalismo). not the Bourse. Penguin Books. and in all countries…” Oswald Spengler. [3] “Les droits de l´homme et le nouvel occidentalisme”. [5] Em Português: A guerra de todos contra todos. The End of History and the Last Man . 464. (). Paris: Galilée. 1971). [8] G Pascal Zachary. 2003). the Bourse. por exemplo Jean Baudrillard. p. Australia: Allen and Unwin. This is as true today as it was for the Gracchuan age.Leonid Savin é o Administrador Chefe do “Movimento Eurasiano Internacional”. de que “Herein lies the secret of why all radical (i. (Luton. Especialista Sênior no Centro de Pesquisa Geopolítica e Parceiro no Centro de Estudos Conservadores da Faculdade de Sociologida da Univercidade Estadual de Moscou. “The Violence of the Global”. [9] Clive Hamilton. “Quelle response a la mondialisation”. . p. p. Australia: Allen and Unwin. R. Power Inferno. [2] Por exemplo. Ver K. Publicado na revista Ab Aeterno No. internet media (www.e. Theoretically their enemy is capital. [10] Este é o significado da declaração de Spengler. but Tradition on behalf of the Bourse. [12] – Ален де Бенуа (Alain de Benoist). estruturas sociais e hierarquias. [6] Por isso o criticismo do Nacional-Socialismo e do Fascismo por Tradicionalistas de Direita como Julius Evola. [1] Gustav Massiah.9 [4] Jean Baudrillard.14 -15. 2000.

esses “dissidentes da direita” souberam os nomes e as idéias dos dois maiores tradicionalistas do século.domingo. Duas personalidades centrais animavam este grupo – o filósofo islâmico Geidar Djemal e o poeta nãoconformista Eugene Golovine. os livros de René Guénon e Julius Evola. ao invés disso. Nos anos 70. 27 de novembro de 2011 Julius Evola e o Tradicionalismo Russo* Por Alexandr Dugin 1) A Descoberta de Evola na Rússia Os trabalhos de Julius Evola foram descobertos nos anos 60 pelo grupo de intelectuais esotéricos e anti-comunistas conhecidos como “os dissidentes da direita”. Graças a eles. como o único livro desse tipo disponível na Livraria Lenin em Moscow. No entanto. de acordo com os métodos do Samizdat [1]. Foi pela sua recusa do Comunismo que eles descobriram certos trabalhos de autores anti-modernos e tradicionalistas: acima de tudo. Em 1981. tinham escolhido uma vida subterânea para si. A disparidade entre o cultura Soviética presente e a verdadeira realidade Soviética foi quase que totalmente o motivo que os levou a buscar os princípios fundamentais que poderiam explicar as origens daquela terrível idéia absolutista. Eles compunham um pequeno círculo de pessoas que conscientemente se negava a participar da “vida cultural” da URSS e que. as traduções originais eram particularmente ruins em qualidade. Desta vez. uma tradução do Heidnische Imperialismus apareceu de maneira similar. uma das primeiras traduções de um trabalho de Evola (A Tradição Hermética) apareceu e foi distribuída dentro de um grupo. . porque elas foram feitas por amadores incompetentes muito distantes do grupo de verdadeiros intelectuais tradicionalistas.

ou artigos inspirados nele. foram completamente removidas dos outros grupos de “dissidentes da direita”. como a idéia de “Revolução Conservadora” e de “Revolta Contra o Mundo Moderno”. melhoradas ou mesmo rejeitadas. que uma vez constitui o núcleo intelectual hiper-marginal da Rússia. mas foi um fenômeno bem diferente como um todo em relação com a Nova Direita européia).a distribuição pelo Samizdat havia se tornado muito maior e a qualidade da tradução era muito melhor. Até mesmo um programa de televisão voltado a Evola foi feito por uma canal popular. etc. Ele. ou em que seu nome e citações apareciam. Durante a Perestroika. que geralmente eram Cristãos ortodoxos. Pode-se categorizar este segundo grupo de patriotas como sendo parte da “Terceira Via” ou “Nacional-Revolucionários” e por aí em diante. neste ponto particular. então. todos os tipos de dissidência anti-comunista se manifestaram e dos “dissidentes da direita” vieram as ideologias políticas e culturais da Direita atual: nacionalistas.000 cópias publicadas. se tornou agora um fenômeno político e ideológico considerável. antes da Perestroika. nessas circunstâncias? Esta pergunta necessita de uma rápida análise comparando e contrastando o tradicionalismo sagrado de Evola e o fenômeno político estritamente russo. Nesta época. da idéias de Evola que não poderiam ser consideradas naturalmente “conservadoras” ou “reacionárias”. Os primeiros trabalhos de Evola apareceram nos anos 90. como resultado do Glasnost. Nach Sovremennik. pode-se ver que a descoberta de Evola pela Rússia foi feita em uma escala bastante ampla. Mas é bem claro que Evola escreveu seus livros e formulou suas idéias num contexto temporal. teosofistas [2]. histórico e étnico bem diferente. Recentemente. nas amplamente lidas partes da mídia conhecidamente “patriótica” ou “conservadora” e o assunto do tradicionalismo tornou-se tema de virulentas polêmicas e era um assunto importante para a Direita Russa como um todo. Pouco a pouco eles distanciaram a verdadeira corrente tradicionalista do anti-comunismo. . Então. extendendo a sua negação da existência Soviética para a rejeição do mundo moderno. o primeiro livro “Heidnische Imperialismus” teve 50. os nomes de Guénon e Evola foram introduzidos no conjunto cultural russo. Pouco a pouco o campo “conservador” veio a ter uma estrutura ideológica que produziu cisões entre os velhos nostálgicos e monarquistas da Direita e os mais abertos não conformistas e participantes da Direita menos ortodoxa (algumas vezes chamados de “novye pravye”. O ponto de separação se dá exatamente sobre a aceitação ou rejeição da idéias de Evola. ou talvez mais apropriadamente. começaram a publicar fragmentos dos escritos de Evola. Mily Anguel. e daí em diante. anti-liberais e anti-Ocidentais. Den. torna-se um problema: quais partes da filosofia de Evola são relevantes para a Rússia moderna e quais partes precisam ser trabalhadas. Periódicos como Elementy. psiquistas [3]. e a aproximaram do anti-modernismo. Deve notar-se que as idéias tradicionalistas em questão. nostálgicos. Isso. em russo. cultural. de maneira muito próxima à visão tradicionalista integral. Evola era mais popular entre aqueles interessados no espiritualismo em sentido amplo: praticantes de yoga. pode-se estar inclinado a fazer um paralelo com a “nouvelle droite”. Neste contexto e depois do desenvolvimento de ideias estritamente tradicionalistas. monarquistas e nacionalistas.

2) Contra o Ocidente Moderno Desde o começo, se torna óbvio que a rejeição do mundo mercenário profano moderno, manifestado na Civilização Ocidental durante os últimos séculos, é comum tanto para Evola quanto para a totalidade da tradição intelectual da Eslavofilia Russa. Autores russos como Homyakov, Kirievsky, Aksakov, Leontiev e Danilevsky (entre os filósofos), assim como Dostoievsky, Gogol e Merejkovsky (entre os romancistas), criticaram o mundo Ocidental quase na mesma linguagem em que o fez Evola. Pode-se observar que todos eles possuiam o mesmo ódio pelo governo dos mafiosos, ou seja, o sistema democrático moderno, e que eles consideravam este sistema como degradação espiritual e profanação total. Similarmente, pode-se observar o mesmo diagnóstico para essas doenças do mundo moderno - a Franco-Maçonaria Profana, o judaismo depravado, o avanço da plebe, a deificação da “razão” – em Evola e na cultura “conservadora” russa. Obviamente, a tendência reacionária aqui é comum a ambos, então a crítica de Evola do Ocidente está totalmente de acordo com, e é aceitável para, a linha de pensamentos do conservadorismo russo. Mais freqüentemente do que não [freqüentemente], pode-se ver que as críticas de Evola estão mais proximamente relacionadas com a mentalidade russa do que com uma mais amplamente européia – o mesmo tipo de generalização, a invocação freqüente de objetivos mitológicos e místicos, a noção distinta de que o mundo espiritual interno é organicamente separado das realidades imediatas modernas da perversão e do desvio. Em geral, a tradição conservadora russa de hodiernamente explicar eventos históricos num sentido mitológico, é de alguma forma, obrigatória. O apelo ao sobrenatural/irracional, aqui, está em perfeita congruência com o pensamento russo, que faz da explicação racional a exceção, e não a regra. Pode-se notar a influência que os conservadores russos exerceram em Evola: nos seus trabalhos ele freqüentemente cita Dostoievsky, Merejkovsky (que ele conhecia pessoalmente) e muitos outros autores russos. Na outra mão, as

frequëntes referências que ele faz à Malynsky e Leon de Poncins carregam parcialmente a tradição contra-revolucionária tão típica do Ser europeu. Pode-se citar também as referências que ele faz a Serge Nilus, o compilador do famoso “Protocolos dos Sábios de Sião”, que Evola reeditou na Itália. Ao mesmo tempo, fica claro que Evola conhecia relativamente pouco sobre os meios conservadores russos, e, de fato, ele nem mesmo estava particularmente interessado neles, devido à sua idiossincrasia anti-cristã. A respeito da tradição Ortodoxa ele fez apenas alguns insignificantes comentários. Mesmo assim, a semelhança entre a sua posição sobre a crise do mundo moderno e o antimodernismo dos autores russos é dada, amplamente, pela comunidade de reações orgânicas – Grandes Homens e “indivíduos”, no caso de Evola e heróis, no caso dos russos. Mas graças à espontaneidade das convergências antimodernas, a gravidade dos desacordos de Evola, se tornam muito mais interessantes e muito mais críticos. Em qualquer nível, as interpretações de Evola se encaixam perfeitamente no quadro da ideologia moderna da “novye pravye”, [isso ocorre] tão amplamente, que ela [novye pravye] agrega mais à sua visão da degradação da modernidade, aplicando, algumas vezes, as suas idéias [de Evola] mais globalmente, mais radicalmente e mais profundamente. Deste modo, as teorias de Evola são muito bem aceitas na Rússia moderna, onde o anti-Ocidentalismo é um fator políticoideológico extremamente potente.

3) Roma e a Terceira Roma Um aspecto particular do pensamento de Evola é sentido pelos russos como de uma extrema e iminente importância: sua exaltação do Ideal Imperial. Roma representa o ponto principal da visão-de-mundo de Evola. Este poder sagrado vivente, que se manifestou por todo o Império era, para Evola, a própria essência da herança do Ocidente tradicional. Para Evola, as ruínas do Palácio de Nero e dos prédios romanos eram como um testamento direto de uma santidade orgânica e física, da qual a integridade e continuidade fora aniquilada pelo “castelo” kafkiano [4] do Vaticano Católico Guelfo. A sua linha de pensamento Gibelina era clara: Imperium contra a Igreja, Roma contra o vaticano, a sacralidade iminente e orgânica contra as abstrações sentimentais e devocionais da fé, implicitamente dualista e Farisaica[5]. Mas uma linha de pensamento similar, aparentemente, é naturalmente sentida pelos russos, de quem o destino histórico sempre esteve profundamente ligado ao

[Ideal] doImperium. Esta noção estava dogmaticamente enraizada na concepção Ortodoxa da filosofia staret[6] – “Moscow: A Terceira Roma” – Deve-se tomar nota que a “Primeira Roma” nesta interpretação cíclica Ortodoxa não era a Roma Cristã, mas a Roma Imperial, porque a “Segunda Roma” (ou “a Nova Roma”) era Constantinopla, a capital do Império Cristão. Então a mesma idéia de “Roma” mantida pelos Ortodoxos Russos, corresponde ao entendimento de sacralidade como a importância daquilo que é Sagrado e assim, a necessária e inseparável “sinfonía” entre autoridade espiritual e o reino temporal. Para a ortodoxia tradicional, a separação católica entre o Rei e o Papa é inimaginável e beira a blasfêmia, este conceito é até mesmo chamado de “heresia Latina”. Mais uma vez, pode-se ver a perfeita convergência entre o dogma de Evola e o pensamento comum da mentalidade conservadora russa. E outra vez mais, a clara exaltação espiritual do Imperium nos livros de Evola, é de inestimável valor para os russos, pois isto é o que eles veem como a sua verdadeira identidade tradicional. O “imperialismo sinfônico”, ou melhor, “Imperialismo Gibelino”. Existe um outro detalhe importante que merece ser mencionado aqui. É sabido que o “Autor do Terceiro Reich” Artur Müller van den Bruck, foi profundamente influenciado pelos escritos de Fiodor Dostoievsky, para quem o conceito de “Terceira Roma” era vitalmente significativo. Pode-se ver a mesma visão escatológica de van den Bruck do “Último Império”, nascido da convergência metafórica entre as idéias dos montanistas paracléticos[7] e as profecias de Joachim de Flora[8]. Van den Bruck, de quem as idéias eram algumas vezes citadas por Evola, adaptou o seu conceito de “Terceira Roma” da tradição Ortodoxa russa, e aplicou na Alemanha, onde ele foi ulteriormente trabalhado espiritual e socialmente pelos Nacional-Socialistas. Um fato interessante é que Erich Müller, o protegé de Nikisch[9], que fora grandemente inspirado por van den Bruck, comentou certa vez que o Primeiro Reich havia sido Católico[10], o Segundo Reich, Protestante[11], o Terceiro Reich deveria ser, exatamente, Ortodoxo! Mas o próprio Evola participou amplamente nos debates intelectuais dos círculos revoluionários-conservadores alemães (ele era membro do “Herrenklub” de von Gleichen, que era a continuação do “Juniklub” fundado por van den Bruck), onde assuntos similares eram discutidos de uma maneira muito vívida. Agora é fácil ver outra maneira em que a mentalidade conservadora russa está ligada às teorias de Evola. Obviamente, não é possível dizer que as suas idéias, nesses problemas particulares, eram idênticas, mas ao mesmo tempo, existem conexões extraordinárias entre os dois que podem ajudar a explicar a assimilação das idéias de Evola para a mentalidade russa, que possui visões muito menos “extravagantes” do que aquelas pertencentes à Europa Conservadora Tradicional, que é majoritariamente Católica e Nacionalista nos dias de hoje, e raramente Imperialista. * Texto publicado orginalmente em http://yrminsul.blogspot.com/2011/11/juliusevola-e-o-tradicionalismo-russo.html ***

[1] Samizdat foi um sistema na antiga URSS em que os livros oficialmente “impermissíveis” circulavam pelo país; estes eram cópias de cópias e não tinham boa qualidade, mas eles tendiam a chegar ao seu objetivo. [2] Um escola religiosa/filosófica fundada pela ocultista russa Helena Blavatsky. [3] Um conceito teosófico relacionado à todos os fenômenos mentais; C.G. Jung também o discutiu ocasinalmente.

[4] Para aqueles que não estão familiarizados com o trabalho de Kafka.e. mas que não consegue começar ou muito menos completar o seu trabalho. esta é uma referência para o seu livro chamado “O Castelo”. fazendo o levantamento das terras de um nobre local. que é sobre um homem que contrai o que deveria ser uma trabalho relativamente fácil num lugar distante. porque tudo será fundamentado no conhecimento e na razão. mas ele não consegue nunca ir até lá para começar a sua tarefa. por volta de 1200. onde ele escreveu “no novo dia. i. fingimento. homens não dependerão da fé. [8] de Flora era o Abade de Corazzo que completou um ensaio bastante presciente sobre a “era da razão”. [10] o Sacro Império Romano-Germânico [11] a Prússia sob o governo de Frederico.” [9] Ernst Nikisch.. esta é uma acusação metafórica contra a totalidade do sistema judaico-cristão e como ele se relaciona com uma aparentemente impossível salvação. devido à burocracia imposta pelo seu próprio empregador (que ele nunca conhece pessoalmente. duplicidade. apenas por um representante ou representante de um representante) e que se frustra muito pelo fato de que o imenso e opressivo castelo do Conde pode ser visto de qualquer parte da cidade. o Grande Postado por D. que era hostil ao Papa e ao Catolicismo. [6] Os starets eram conselheiros espirituais. “Guelfo” se refere à uma coalisão alemã/italiana da Idade Média que apoiava a casa real de Guelfo contra a Dinastia Imperial Alemã dos Guibelinos. Obviamente. [7] Os montanistas foram os precursors das seitas pentecostais modernas. mas não sacerdotes: Rasputin poderia ser considerado como um. Da mesma forma. [5] Referente aos Fariseus. aqueles que acreditam em revelações divinas pessoais e falar em linguas diferentes. hipocrisia. Matos . um nacionalista alemão da mesma época. falsidade.

Uma pergunta típica. você se lembra que você está vivendo o fim da história. Primeiro nível. Como resultado. necessariamente. Alguém está falando sobre algo . temos de enfrentá-la sem quaisquer risos ou rodeios. A vida toma um novo significado. dificilmente você vai mantê-lo no nível do dia-a-dia . alguma e alguém irão apoiá-lo. já que você está agindo como um ser que trabalha para o fim da história. Segundo nível.mas não é assim tão simples. Isso seria apenas uma coincidência? 2. A pergunta é sobre o sentido da vida. As primeiras diferenciações tomam lugar. a pergunta pode parecer um pouco abstrata demais para os filósofos profissionais. as suas próprias emoções ganham novas dimensões. Às vezes. Todos devem deixar claro para ele(a) mesmo(a). pequenas coisas são suficientes. Agora. Durante os tempos de passagem. Todo e qualquer idiota deve ter pelo menos alguma idéia do curso da história. nos tornaremos mais qualificados para tomar parte. historiadores e presidentes. nós nos encontramos em uma situação paralela a ter forças desconhecidas perfuraçando os nossos dentes. fazer alguma coisa grande. ou contando uma história sobre como ele acabou de sair da prisão. e suas capacidades intelectuais são mínimas. Ele está sujeito a forças externas. 13 de novembro de 2011 Cinco Teses sobre o Significado da Vida * por Aleksandr Dugin Já é hora de chamar as coisas pelos seus próprios nomes. Não jogamos xadrez no final da Kali-Yuga. Tomar parte não quer dizer. O espírito do nosso tempo está contra nós. Grease e a televisão tornaram-se as próteses cérebrais da nação. os arredores com que estamos lidando. Alguma coisa e alguém irão ficar contra seus esforços. Todos movimento seus. em qualquer caso. pelo menos. o que queremos e o que nós queremos de você pessoalmente. concretude vectorial. que nos mantemos firmes para a compreensão da história. Caso contrário. Portanto não há nenhuma razão real para dar ao discurso um tom mais estilístico. As primeiras experiências existenciais e gnosseologicas acontecem. Deve-se entender o curso da história. Deve-se tomar parte no curso da história. Quem não entender o curso da história e seus modelos é tão inútil quanto um corvo na borda de um campo. várias coisas são deixadas incompreendidas: o contexto em que nos encontramos. Uma vez que tenhamos obtido algum tipo de modelo do curso da história. Por exemplo. as atividades cotidianas. a língua que falamos. Mas só depois de entendê-lo. N’outros tempos as pessoas não se atreveriam a aparecer em público sem conhecer certas idéias sobre o curso da história. aproximadamente. Hoje. Sem isso.domingo. ninguém vai entender-nos ou receber-nos. 1. Torna-se claro que. Nosso objetivo tem vários níveis. sem prestar atenção à correções estilísticas ou tons excessivamente acadêmicos. É claro. você bebe o seu café ou da um passeio no parque ou bate em alguém . o processo de existência obtém tons revoltantes.possivelmente brincando. todas suas condições.

e que detém muitas armadilhas e buracos. que alguma coisa é a “conversa do dia”.. você é igual à própria história. No caso contrário. você é o seu doppelgänger . tudo isso é apenas alucinações de um toco de cinza. Ao tentar mudar até mesmo as menores partículas dentro do curso da história. não fora. para um orador. nada é. piscando os olhos.. 4. Sshhhhh. Estamos perdendo terreno . Se somos capazes de girar o curso da história 180 graus. Isso é muito. Mas quem disse que porcos de duas são tolerados pela ontologia? Quem carrega a forma humana deve ser humano ou ser punido. ele estava vivo um minuto atrás .homem-tempo. "nunca se esqueça"? Devemos tomar decisões razoáveis com isso. e jogue-o no esgoto. vamos lá . É preciso parar o curso da história.é uma conquista. sai.isso é algo!" Há sempre um lugar para um orador. Deve-se mudar o curso da história. verdadeiramente. o que é. Alguém está destruído. depois de ter conseguido tudo. não como . O último..responda com um riso mal.sem tentar socializar sua própria experiência. É um caminho perigoso. Terceiro nível. No caso de você ter passado por os dois primeiros níveis. Um movimento inesperado. Prove.).para trás! 5. O que quer dizer.. A nossa forma não existe fora da transgressão. Mas apenas heróis e santos são capazes de fazer isso. Este é entendido (oh. Nós nunca devemos nos esquecer de você . você está testando o estado do seu próprio ser histórico. seja até mesmo as menores mudanças. assobiando e dançando em círculos. Topmodels são vítimas ontológicas de franco-atiradores metafísicos. Quinto nível. Leve o seu eixo de macarrão e vá impressionar as fêmeas em algum museu. Mas não há razão para levar tanto a si próprio ou outros a se desviarem. finalmente. Isso é claro. Como para não-algumacoisa . Vlad.. Tempo . o solo base final. seu irmão gêmeo do mal. Aqui você terá que aprender a distinguir entre os vários espíritos. enfiando a palavra pronunciada de volta na garganta. Este é o nível mais alto em mudar o curso da história. "algo é aqui e agora" . convincente claro. aqui começamos a desvendar a essência de nossos pensamentos secretos. Um tem que virar o curso da história 180 graus. Se sua parte no curso da história não mostra em suas mudanças. nós nos encontramos em um mundo onde tudo não é como ontem. mas na verdade os seus ouvidos estão circundadas pelo seu próprio eixo de macarrão. e. Ele tenta persuadi-lo a afunilar-se no redemoinho escuro. nada de contemporâneo. Primeiro o demônio rindo de vaidade. Isto significa que você está dentro. No inferno. alguém finalmente aprendeu a banhar-se nas regiões de fogo. Por esta razão... Quando lhe disserem que algo está dentro. Uma mudança real no curso da história mesmo um grau .queira você ou não. Naomi Campbell morta toca uma bateria-de-cérebro feita dos ossos de Yakubovich. e isso vai parecer para você como se você estivesse amadurecendo e deixando vestígios de uma grande massa de tempo. Pseudodandism fricassé. fique quieto. Nada é assim. O novo "Campo dos Milagres" Nacional-Bolchevique. Esta é a consequência lógica do segundo nível. Nós nunca podemos dizer com total responsabilidade "Humano .. Se você girar o curso da história completamente.. você será levado para o terceiro nível. 3. Levando a semente perdida de volta para si mesmo. Nossa essência é que nos falta a definição final. Quarto nível. sua parte é fictícia. E o ciclo de eventos está circulando você..

hoje. por puro terror? Ou as águas que se dividiram sobre o Mar Vermelho. à beira-mar"? Poderíamos ser chamados de "partido"? A sutil diferença continua tudo a mesma coisa. mas um corpo. um pouco mais açucarado. a dinâmica imóvel de um problema colossal. O corpo vai. Parece um horizonte distante.. onde Nosso Salvador pisou. . Haverá alguma história depois de ter girado o seu curso para trás? Poderíamos chamá-lo de Jordão.. nem amanhã. originalmente. Indo para trás ou mesmo sem um curso. onde Moisés andou ". no entanto.. ser um pouco diferente. Vamos ter de resolver este problema importante dentro deste corpo. Mas vamos ter que parar . insuportável drama em uma posição estática. naturalmente. embora alguns poderes deste mundo não concordem com isso. * Postado por Hesperial no Legio Victrix. Para trás ou em lugar nenhum? Para iniciar novamente ou ficar na mesma? Para ser tão claro quanto possível. mas não é uma discussão vazia. Um complexo.. nós vamos responder com sinceridade: Teremos que detê-lo. e o rio parou de correr.

como doutrina e como estilo. ao mesmo tempo. existiu na realidade. passamos por dois estágios ideológicos – o comunista e o liberal. de acordo com alguns analistas. 23 de dezembro de 2011 Fascismo – sem fronteiras e vermelho Por Aleksandr Dugin [Traduzido do russo por Andreas Umland – Traduzido do Inglês pela Equipe Yrminsul] Existem. Ainda assim. Por mais que se queira – é impossível nomear outro modelo de sociedade que não esteja nos moldes dessas ideologias e que. existem países comunistas. Além disso. na verdade. Na Rússia. “A dominação do capital nacional” – essa é uma definição Marxista do fenômeno do fascismo.sexta-feira. . 1. apenas três ideologias que conseguiram demonstrar que os seus princípios são realistas em termos de implementação políticoadministrativa – Elas são o liberalismo. a união da “burguesia nacional” com os “intelectuais” em que. no Século XX. São impossíveis. a variação “nacional-capitalista”. “direitista” do fascismo. se baseará o fascismo russo que está por vir. é o capitalismo nacional. e existem países fascistas (nacionalistas). É quase indubitável que o capitalismo nacional ou “fascismo de direita” constitua uma iniciativa ideológica daquela parte da elite da sociedade que está seriamente preocupada com o problema do poder e sente agudamente o poder do tempo [velenie vremeni]. o comunismo e o fascismo. Existem países liberais. Outros não existem. Falta o fascismo. Contra o capitalismo nacional Uma das versões do fascismo. é inteiramente estrangeiro ao fascismo como visão-de-mundo. que aparentemente a sociedade Russa de hoje está pronta (ou quase pronta) para abraçar. esgota a natureza dessa ideologia. de modo algum. constitui um evidente exemplo do que.

O fascista ama o brutal [zverskoe]. dar a luz a uma sociedade do herói e do supra-humano. idealista e futurista. Hitler. como o símbolo supremo da trágica luta com o destino. idealista. o Fascismo limpo. rebelde. mas não qualquer nacionalismo. se perdendo e se colocando em segundo plano [otstupayut na zadnii plan]. romântico. E finalmente. Führer [fyurer]. o trabalhador e o soldado. Ele ama o frio e a tragédia. Ela é uma ideologia do trabalho e heróica. as suas figuras estão desaparecendo. a visão fascista da cultura corresponde a uma rejeição radical da mentalidae humanista. um filisteu pretencioso. militante e criativa. Ele [o fascismo]. No topo. Mas. está o líder-divino. os problemas urgentes da tomada do poder e do estabelecimento da ordem econômica. Ele luta pelo “domínio do idealismo nacional” (e não pelo capitalismo nacional) e contra a burguesia e os intelectuais (e não por eles ou com eles).Absolutamente não leva em conta a auto-reflexão filosófica da ideologia fascista e ignora conscientemente o núcleo-pathos fundamental do fascismo. Franco. entropia cósmica. o fascismo despreza tudo o que faz parte da essência do “nacional capitalismo”. o homem-superior que que realiza na sua personalidade supra-individual. mudar e transformar [preobrazovat` i preobrazit`] o mundo. que subordinam os interesses econômicos pessoais e individuais aos princípios do bem-estar nacional. enquanto que Mussolini – confiando no rei (articulador dos interesses das grandes empresas) – ganhou em troca os renegados Badoglio e Ciano. o supra-humano e o angelical ao mesmo tempo. na realidade fascista. As figuras centrais do Estado fascista e do mito fascista são o camponês. mas [uma forma de nacionalismo] revolucionário. Assim. não vivênciou um encarnação direta. instigado pelos capitalistas alemães. Não é por causa deles e nem por eles que a revolução nacional é feita. Em outras palavras. o nacionalismo. Sem dúvidas. há também lugar para o mercador-cidadão [grazhdanin-lavochnik] honesto e para o professor universitário. Na prática. No aspecto econômico. O fascista odeia o intelecutal como um tipo. grandes proprietários e chefes de corporações. que colocaram o Duce na prisão e correram para . vê nele [intelectual] um burguês mascarado. assim como Salazar – a forjar alianças com conservadores. O Fascismo – isso é. o que representa a essência [do pensamento] dos “intelectuais”. em algum lugar na periferia. ou seja. “excessivamente humana”. nacionalcapitalistas. ele não gosta do calor e do conforto. O anticomunismo fanático de Hitler. a extraordinária tensão da vontade nacional para a façanha. Duce [duche]. Eles também usam distintivos do partido e participam de reuniões cerimoniais. O Pathos fascista é corretamente definido pela famosa frase de Mussolini: “Erga-se Itália fascista e proletária!”. um covarde tagarela e irresponsável. tentando colocar em prática o Sonho Impossível. o fascismo é mais caracterizado pelos metodos socialistas ou moderadamente socialistas. forçaram os líderes fascistas – incluindo Mussolini. estes compromissos sempre acabaram deploráveis para os regimes fascistas. Na história. custou a derrota na guerra para a URSS. atraente ao grande mito da idéia transcendental. que não tem nada em comum com assegurar mais conforto governamental aos comerciantes [torgasham] (mesmo que mil vezes nacionais) ou sinecuras para os socialmente parasitários intelectuais. ideal. da justiça e da fraternidade. Fascista e proletária – essa é a orientação do fascismo.

real. A natureza do fascismo é uma nova hierarquia. raízes. dois sistemas normativos é inevitável. estão. proibição da especulação no mercado de ações. Ele se precipita em se fazer conhecido antes que um fascismo autêntico. mas uma tentativa de preliminarmente deturpar o que não pode ser contornado. fidelidade ao solo. Em analogia ao Nacional-Socialismo. O nacional-capitalismo é o vírus interior do fascismo. A novidade é que a hierarquia se baseia em princípios claros. limitação das forças de mercado. no caso do crescent nacional-capitalismo russo. “um gosto por intrigas”. e primazia do trabalho honesto. esteja totalmente nascido e [que se torne] forte na Rússia. libertação de “escravidão dos juros [protsentnogo]”. coragem e heroísmo. aparantemente.os braços dos americanos. se tornaram “democratas liberais” e. baseada nas abilidades conformistas: “flexibilidade”. se aventurando em esconder-se sob vestes nacionais. Ademais. O que se entende é a formulação de uma doutrina socio-econômica desde o começo. de maneira alguma. “bajulação”. Franco não era um verdadeiro fascista. pode-se falar do fascismo russo como “socialismo russo”. etc. um fascismo fascista. junto com os intelectuais controlados. É uma combinação da um orientação cultura-política “direitista” – tradicionalismo. monopólios e trustes. radicalmente revolucionário e consistente. Nacional-capitalistas – eles são os antigos líderes de partido [comunista] que eram usados para mandar [vlastvovat`] e humiliar o povo e que subsequentemente. dois tipos humanos. O nacional-capitalismo não é. igualmente zelosos. nesse contexto. Socialismo russo É absolutamente injustificado chamar o fascismo de ideologia da “extrema direita”. no nosso caso. O conflito óbvio entre dois estilos. agora que este estágio acabou. Tal pseudo-fascismo pode ser chamado de “preventivo” ou [de] “precaução”. que foi por vezes simplesmente chamado de “socialismo alemão”. seu inimigo e assegurador [zalog] da sua degeneração e destruição. A hierarquia dilapidada que esta tentando se arrastar para a era do nacionalismo é. naturais e orgânicos – dignidade. como antes. Portanto. um elemento acidental e contraditório dentro da sua estrutura interna. honra. ética nacional – com um programa econômico “esquerdista” – justiça social. uma nova aristocracia. estão decididos a envenenar o nacionalismo que avança na sociedade. não se pode falar em fascismo. ainda assim devido às concessões [que ele fez] aos liberal-capitalistas Inglaterra e Estados Unidos e por causa da sua recusa em ajudar os regimes ideologicamente parecidos do Eixo. mas com base nos princípios . Franco foi o que se manteve por mais tempo. um significado especial. “cautela”. A especificação etnica do termo “socialismo” tem. 2. não com base em dogmas abstratos e leis racionalistas. um característica essencial do fascismo e é o contrário. Transformando a democracia numa farça. Este fenômeno é muito mais precisamente caracterizado pela formula paradoxal da “Revolução Conservadora”. por conformismo. os partocratas.

o fascismo está crescendo – um fascismo sem fronteiras e vermelho. Diferente dos rígidos dogmas Marxistas-Leninistas. excessividade e disciplina. Uma classe de heróis e revolucionários. Fascismo – sem fronteiras como as nossas terras e vermelho como o nosso sangue. pela nossa tradição histórica. A revolução nacional russa. Sim. finalmente inteligente e guerreiro. conduzirão expurgos dos inimigos da nação e carinhosamente tomarão conta dos idosos e das crianças russas. Os restos da nomenclatura do partido e da sua ordem moribunda devem ser vítimas da revolução socialista. mas o amanhecer cegante de um nova Revolução Russa. apaixonados e sem conhecer limites. mais comunal e cooperativo do que administrativo [gosudarstvennyi]. marrom-rosado. Os russos estão suspirando por novidade. destemidos. fanatismo e ironia irão arder nos nacional revolucionários – jovens. o escritor fascista francês Robert Brasillach proferiu uma estranha profecia: “Eu vejo como no leste. Tudo o que é oferecido a eles hoje ou é arcaico (os patriotas nacionais) ou tedioso e cínico (os liberais). que têm formado organicamente a nação como tal. eles impulsionarão [vvergnut] o povo para o doce processo da criação da História. mas socialismo para os Russos. Novo povo Tal socialismo russo deve ser construído por um novo povo. governarão e cumprirão ordens. que achará sua expressão na doutrina e não apenas na prática. Eles respirarão Vida para a sociedade. Eles sabem como usa-la. pelas nossas éticas econômicas. Um novo povo.espirituais-éticos e culturais. Tal socialismo será mais rural do que proletário. Eles construirão e destruirão. mais regionalista do que centralista – todas essas são necessidades da especifidade nacional russa. Furiosamente e alegremente se aproximarão da cidadela do sistema podre e moribundo. vontade e gesto. Socialismo russo – isso não quer dizer Russos para o socialismo. . A dança e o ataque.” Nota: Não um desbotado nacional-capitalismo. agradáveis. Que tomam o mundo exterior como um ataque (NdT: nas palavras de Evgenii Golovin [um místico russo e professor de Dugin]) Imediatamente antes de sua morte. o hábito e a agressão. na Rússia. um novo tipo de povo. maliciosos [zlykh]. eles têm sede profunda [krovno] de poder. Do jeito que é necessário. uma nova classe. o Nacional Socialismo Russo prossegue de um entendimento da justiça social que é caracterizada exatamente pelo nossa nação. pelo romantismo não fingido. 3. por modernidade [sovremennosti]. por uma participação viva em alguma grande causa.

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