CIVILIZE-SE.WEBNODE.COM 1 APOSTILA DO CURSO DE DIREITO – 1º BIM. DO 2º SEM.

O projeto Civilize-se! surgiu com a intenção de auxiliar o operador do Direito, facilitar a busca pelo conhecimento intrínseco ao universo do Direito. Essa apostila, de cunho didático, reúne todas as aulas ministradas no 1º bimestre do 2º semestre do Curso de Direito, e contém textos das disciplinas de: Direito Civil II, Introdução ao Estudo do Direito, Sociologia e Antropologia Jurídica, Direito Constitucional I, Teoria Geral do Estado II e Criminologia e Política Criminal. O presente material foi cuidadosamente elaborado pelo acadêmico David Maxsuel Lima, com base em exposições orais e pesquisas em meios virtuais e impressos, tais como sites e livros. É preciso ponderar que, nos textos, constam citações dos mais variados autores e, portanto, a obra ora fornecida pelo CIVILIZE-SE! não é exclusivamente produzida pelo idealizador do projeto. Intentamos que os conhecimentos agora disponibilizados sejam de grande valia. CIVILIZE-SE: Porque quem conhece, evolui!

Atenciosamente, David Maxsuel Lima, Idealizador do projeto. civilize-se@hotmail.com 9632-6373

Apostila elaborada por David Maxsuel Lima

CIVILIZE-SE.WEBNODE.COM 2
ÍNDICE 1. Direito Civil II 1.1 Aula 01 – Os bens como objeto da relação jurídica 1.2 Aula 02 - Bens 1.3 Aula 03 – Classificação dos Bens 1.4 Aula 04 – Classificação dos Bens 1.5 Aula 05 – Classificação dos Bens 1.6 Aula 06 – Classificação dos Bens 1.7 Aula 07 – Classificação dos Bens 1.8 Aula 08 – Fatos Jurídicos 1.9 Aula 09 1.10 Aula 10 2. Introdução ao Estudo do Direito 2.1 Aula 01 – A ciência do Direito 2.2 Aula 02– Jusnaturalismo e a Escola da Exegese 2.3 Aula 03 – Escola Histórica e Fontes do Direito 2.4 Aula 04 – Fontes do Direito 2.5 Aula 05 – Fontes do Direito 2.6 Aula 06 – Fontes do Direito 2.7 Aula 07 – Direito Positivo 2.8 Aula 08 – Divisão do direito positivo e Ramos do Direito Público 2.9 Aula 09-Direito Processual, Direito Eleitoral & Direito Penal 2.10 Aula 10 –Direito Militar, Direito tributário, Direito Internacional, Direito civil e Direito comercial 3. Sociologia e Antropologia Jurídica 3.1 Aula 01 - Conceitos 3.2 Aula 02 – Aristóteles e Renascentismo 3.3 Aula 03 – Herbert Spencer e escola Biológica 3.4 Aula 04 – Augusto Comte 3.5 Aula 05 – Karl Marx e Max Weber 3.6 Aula 06 - Emmanuel Kant 3.7 Aula 07 – Hans Kelsen e Poder, Estado e Controle Social 3.8 Aula 08 - Controles: positivo, negativo, interno e externo 3.9 Aula 09 – Controle Social e Direito 3.10 Aula 10 – Abordagem critica do controle social através do direito 3.11 Aula 11 4. Direito Constitucional I 4.1 Aula 01 - Constitucionalismo na Inglaterra 4.2 Aula 02 - Magna Charta Libertatum e Artigo 5º 4.3 Aula 03 – Artigo 5º 4.4 Aula 04 - Primórdios e Estatuto de Westmister 4.5 Aula 05 - Aristocracia e Petition Of Rights 4.6 Aula 06 – Inglaterra: século XIX a XXI 4.7 Aula 07 4.8 Aula 08 4.9 Aula 09 5. Teoria geral do Estado II 5.1 Aula 01 – Ideologias Políticas 5.2 Aula 02 – Teoria Geral da Constituição Apostila elaborada por David Maxsuel Lima

CIVILIZE-SE.WEBNODE.COM
5.3 Aula 03 – Poder Constituinte 5.4 Aula 04 – Sufrágio Universal 6. Criminologia e Política Criminal 6.1 Aula 01 – Conceito de Criminologia 6.2 Aula 02 – Objeto de estudo: o crime 6.3 Aula 03 – Política criminal 6.4 aula 04 – O crime ou delito 6.5 Aula 05 – Escola Humanista e Escola Positiva

3

1. DIREITO CIVIL II

1.1 Aula 01 – Os bens como objeto da relação jurídica
Apostila elaborada por David Maxsuel Lima

ou da própria natureza. 421 e 422. crédito. o direito autoral. Sentido Jurídico: Utilidade física material ou imaterial apta a servir como objeto numa relação jurídica. a lei lhes atribui a qualidade de bens e passa a classificá-los. por exemplo. úteis aos homens e de expressão econômica suscetíveis de apropriação bem como as de existência imaterial economicamente apreciáveis. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . todo direito tem o seu objeto. Sobre o objeto. São elas s atisfeitas com utensílios que podem decorrer da racionalidade e criação humana. e podem ser tangidos pelo homem. Incorpóreos – São os que têm existência abstrata. + Ações Humanas (prestações) Em sentido Amplo temos: + Coisas (relações reais) + ações humanas (prestações) + certos atributos da personalidade + determinados direitos Artigos mencionados: CC 104. material. como instrumento de realização de suas finalidades jurídicas. 1228. “O ser humano possui necessidade de acordo com a realidade vivida por cada ser. sucessão aberta. DIREITO CIVIL II 1.2 Aula 02– Bens Bens São coisas materiais. Objeto da relação jurídica é tudo o que se pode submeter ao poder dos sujeitos de direito.WEBNODE. mas com valoração econômica – como. Como direito subjetivo é poder outorgado a um titular. concretas.1 Aula 01 – Os bens como objeto da relação jurídica A parte geral do Código Civil trata das pessoas (naturais e jurídicas) como sujeitos de direito e dos bens como objeto das relações jurídicas que se formam entre os referidos sujeitos. desenvolvese o poder de fruição da pessoa. Sentido Econômico: é a utilidade dotada de valor pecuniário.CIVILIZE-SE. 1.3 Aula 03 – Classificação de Bens Bens considerados em si mesmos Corpóreos – São os que têm existência física. Em sentido estrito temos: + Bens objeto de direitos reais. Ao preencher tais requisitos. Assim.COM 1. requer um objeto. 1210. Podem ainda ser perceptíveis ou não aos órgãos do sentido. Mas o que importa para o mundo jurídico é que tal utensílio tenha uma raridade e uma utilidade que a torne objeto de apreciação econômica.” 4 Sentido Filosófico: Tudo que satisfaz uma necessidade humana. 1.

o manuscrito original de um consagrado autor. B. construções. Bem comum pode se tornar bem móvel como. como a semente. De determinação legal. 1. De modo geral. animal vivo. todo bem móvel é fungível. muito embora mantenha a sua substância. Por exemplo. cada metade conservará as qualidades do produto”. os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes e os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações) e por antecipação (são os incorporados ao solo mas com a intenção de separá-los oportunamente e convertê-los em móvel). a água. a hipoteca. Convencional ou voluntário. Bens Indivisíveis – São os desprovidos de caráter fracionário. Econômica. Bens Consumíveis – Sãos os bens cujo uso importa a destruição instantânea da própria substância. g. encarados segundo suas qualidades individuais. sem prejuízo do seu perecimento ou destruição progressiva e natural de modo a permitir o aproveitamento de suas utilidades sem violação à sua integridade como um carro. Bens Inconsumíveis – São os que permitem uso contínuo. A diferenciação entre bens consumíveis e inconsumíveis tem como norte a sua durabilidade. bem como aqueles destinados à alienação. devido à manifestação da vontade das partes interessadas –art. g. 259 e parágrafo único. D. uma obra de arte. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . g. o espaço aéreo e o subsolo). como direito real sobre coisa alheia. 5 Orlando Gomes assevera: “A distinção entre bens divisíveis e indivisíveis aplica-se às obrigações e aos direitos. são os que se destroem tão logo usados. industrial ou artificial (inclui tudo o que o homem incorpora definitivamente ao solo. a eletricidade. A regra dominante para as obrigações é que mesmo quando a prestação é divisível o credor não pode ser compelido a receber por partes se assim não se convencional.. Segundo Maria Helena Diniz. o dinheiro. tendo a mesma qualidade e prestando as mesmas utilidades e serviços do todo. os edifícios. a soja. quantidade e qualidade. Ponderações: Herança pode tornar-se bem imóvel em razão da lei. por exemplo. por exemplo. de modo que não possam ser retirados sem destruição ou modificação em sua estrutura) e por acessão intelectual ou por destinação (são as coisas móveis que o titular mantêm no imóvel para a exploração de atividade econômica ou industrial ou para sua comodidade – tratores oi máquinas agrícolas. v. C. A. Bens infungíveis – São aqueles não passíveis de substituição.4 Aula 04 – Classificação dos Bens Bens Fungíveis – São aqueles que podem ser substituídos por outro de mesmo gênero-espécie. vistos como de natureza insubstituíveis. como os alimentos.WEBNODE.COM Imóveis – As coisas que não podem ser removidas de um lugar para outro sem destruição. se repartir um pacote de açúcar. Podem ser por sua natureza (o solo e tudo quanto se lhe incorporar naturalmente. Móveis – Podem ser transportados. “Deve cada parte ser autônoma. Da própria natureza do bem. uma pedra preciosa. equipamentos e ornamentos) e por disposição legal. Bens Divisíveis – São os passiveis de divisão em frações homogêneas e distintas que guardam a qualidade de não se alterarem nem desvalorizarem a essência do todo. compreendendo as árvores e os frutos pendentes. acarretará em considerável diminuição do valor da coisa. por determinação legal (as energias que tenham valor econômico.. o café. Subdividem-se em consumíveis de fato. v. Em geral. e consumíveis de direito. por exemplo. v. posto que um eventual fracionamento do bem.. por exemplo. Podem ser: por natureza (são os removíveis sem danos). Se a prestação for indivisível e houver pluralidade de devedores cada qual será obrigado pela divida total”. como o dinheiro. suscetíveis de movimentação própria ou de locomoção por força alheia. sendo certo que tal classificação é típica de bens moveis como. por acessão física.CIVILIZE-SE.

Frutos – São as utilidades que uma coisa periodicamente produz. Consumidos – Os que não mais existem. Quanto à ligação com a coisa principal Colhidos ou percebidos – São os frutos já separados da coisa que o produziu. uma árvore). representados por uma unidade autônoma e por isso distinta de quaisquer outras (um lápis. transformados. Os bens coletivos ou universalidades são aqueles que. Produtos Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . podem ser divididos em bens coletivos de fato e coletivos de direito. ou seja.5 Aula 05 – Classificação dos Bens Bens Singulares e coletivos Bens singulares são aqueles avaliados em sua individualidade. apesar de terem todas as condições para sua separação da coisa frugífera. estes são os que têm suas partes ligadas artificialmente pelo homem. dividendos e foros ³. gastos ou vendidos.COM 6 1. a produção de uma fábrica².WEBNODE. juros. Ademais. aluguéis. acabam por formar um todo homogêneo como. como. Os de fato são o conjunto de bens singulares (simples ou compostos) AGRUPADOS PELA VONTADE DA PESSOA. Os bens singulares podem ser divididos em simples e compostos.CIVILIZE-SE. um livro. cujas partes unidas pela natureza ou pelo engenho humano. 1.6 Aula 06 – Classificação dos Bens Frutos Quanto à sua natureza Naturais – São oriundos do bem principal de modo que essa geração não resulta de intervenção humana. Civis – Rendimentos periódicos oriundos da utilização de coisa frutífera por outrem que não o proprietário. São os decorrentes do engenho humano. como as rendas. São os que se desenvolvem e se renovam periodicamente pela própria força orgânica da coisa¹. tendo destinação comum e permitindo a sua desconstituição pela mesma manifestação de vontade. Percipiendos .Os que deviam ser. nascem e renascem da coisa sem acarretar-lhe destruição no todo ou em parte. enquanto que aqueles são os que compõem um todo homogêneo. Acessório – é bem cuja existência depende da principal (fruto em relação à árvore). Os coletivos de direito. abstrata ou concretamente (A árvore em relação ao fruto). entendidos como um complexo de direitos e obrigações. por exemplo. Pendentes – Aqueles ligados à coisa que o produziu. sendo compostos de vários bens singulares. nenhuma determinação especial reclamam da lei. pois podem ser materiais (um cavalo. porque foram utilizados. por exemplo. uma planta) ou imateriais (como um crédito). Industriais – Advém da atividade industrial humana. perdidos. são dotados de valor econômico e reconhecidos pela lei como bens que têm caráter UNITÁRIO. Bens reciprocamente considerados Principal – é o bem que existe sobre si. mas não foram. Estantes – São os armazenados em depósito para expedição ou venda. o rebanho ou uma biblioteca. percebidos.

COM Utilidades não sujeita à renovação posto que a percepção diminui a substância da coisa principal. juro. ao uso. rua. sem restrição.CIVILIZE-SE. embora pertencente a pessoa de direito público interno. foro etc. jardim. enseada. a lâmpada de um lustre. 99. É o bem que se destina de modo duradouro. o metal precioso de uma mina. construção de piscina numa residência etc. intencionalmente. por exemplo. unido ao principal. no seu aformoseamento ou na sua comodidade. renda percebida pela aplicação do capital. podendo ser federal. Nada impede que o poder público suspenda seu uso por razões de segurança nacional ou do próprio usuário. estrada. a utilização do bem jurídico principal. tendo apenas com o principal uma subordinação econômicojurídica. por exemplo. sem ser parte integrante. vincula-se à principal para que esta atinja suas finalidades. I) Bem público “de uso especial” – É o utilizado pelo próprio Poder Público. pois. São qualidades que se acrescentam à coisa em virtude de obra humana. (CC. Por serem acessórios. forma com ele um todo. Partes Integrantes Bem que. ou seja. Benfeitorias voluptuárias – Obras ou despesas de mero deleite ou recreio. São pertenças todos os bens móveis ajudantes que o proprietário. golfo. Benfeitorias necessárias – Obras ou despesas feitas na coisa para conservá-la ou evitar que se deteriore. como. construção de uma garagem. estadual. praia.WEBNODE. Art. Por exemplo. Excepcionalmente nada obsta a que se ligue. Por exemplo. revestimento em mármore de piso de cerâmica em bom estado. se do Município. 1. Pertenças Coisa acessória destinada a conservar ou facilitar o uso do bem principal . por todos. como. desinfecção de um pomar atacado de praga etc. estaduais ou municipais.7 Aula 07 – Classificação dos Bens Bem público – É o que tem por titular do seu domínio uma pessoa jurídica de direito público interno. empregar na exploração industrial de um imóvel. por exemplo. por exemplo. ao serviço ou ao aformoseamento de outro. acompanham a sorte do principal. ligado à coisa principal. se pertencente à União. Rendimentos Fruto civil como aluguel. sendo desprovido de existência material própria. Apesar de acessório. pertinencialmente. reforço das fundações de um prédio. instalação de aparelhos hidráulicos modernos. se do Estado. Benfeitorias Obras ou despesas feitas em bem móvel ou imóvel para conservá-lo (necessária). melhorá-lo (útil) ou embelezá-lo (voluptuária). ¹ Bem público “de uso comum do povo” – Aquele que. gratuita ou onerosamente. não tendo por fim aumentar o uso habitual do bem ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. um imóvel a outro. Bem acessório que. mantém sua individualidade e autonomia. passa a integrá-la de modo que sua separação prejudicará a fruição do todo. prédio onde funciona Apostila elaborada por David Maxsuel Lima 7 . constituindo imóvel aplicado a serviço ou estabelecimento federais. mar etc. sem haver qualquer incorporação. ² O uso de tais bens podem estar condicionadas às condições impostas por regulamentos. pode ser utilizado. para servi-lo na consecução de seus fins. Benfeitorias úteis – Obras ou despesas que visam aumentar ou facilitar o uso da coisa. embora mantenha sua identidade. praça. por exemplo. ou municipal. sem necessidade de qualquer permissão legal.

dos Estados ou dos Municípios. como a perda da propriedade. Art. 99. c) a entidade pública os aliene em hasta pública ou por meio de concorrência administrativa”. Jurídica é a qualidade atribuída ao FATO que traz no seu bojo a produção de efeitos jurídicos. oficina e fazenda do Estado. são impenhoráveis porque inalienáveis. quartel etc. Alienabilidade dos bens públicos dominicais – Os bens públicos dominicais são passiveis de alienação desde que sejam observadas as exigências legais. 5º.COM tribunal. contudo. tudo que ocorre é um fato. 189 1. certamente tal fato chamará a atenção do ordenamento jurídico.CIVILIZE-SE. 191CF. não mais conservando sua qualificação. seja ele bom. bem como das pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado a estrutura de direito privado. 99CF. ou seja. Inalienabilidade dos bens públicos e a questão do usucapião – De caráter inalienável. II) Bem dominical – É o que compõe não só o patrimônio da União. indiferente. analisa-se se aquela conduta humana é considerada relevante para o direito. ordinário. jazida e minério. 183. podem receber a conceituação de fatos jurídicos se apresentarem consequências jurídicas. I a IV. Pode abranger coisas móveis ou imóveis. I a IV – CC. b) tenham tais bens perdidos sua utilidade ou necessidade. queda d´água. Tal inalienabilidade poderá ser revogada desde que: a) o seja mediante lei especial. se é considerado ou não um fato jurídico. utiliza-se o método do juízo de valoração. se esta ação desencadear um curto circuito. ministério. os chamados fatos naturais. o simples fato de alguém acender uma lâmpada não possui qualquer relevância jurídica.”¹ A vida é uma sucessão de fatos. estrada de ferro. 188CF. § 3ºCF. 101CF. a destruição.WEBNODE. III – CF. ruim. os bens públicos não são passíveis de aquisição mediante usucapião. a ponto de existir norma que a regulamente e/ou a proíba. como: título de divida pública.8 Aula 08 – Fatos Jurídicos Fatos Jurídicos 8 Relevantes e irrelevantes “Para aferir se determinado fato é relevante ou não para o direito. 4 São bens passiveis de alienação. Assim. um fato jurídico é aquele acontecimento natural ou voluntário que tem capacidade de provocar efeitos jurídicos. os bens públicos não podem ser usucapidos. 99. de conversão em bens de uso comum ou especial. É o que tem. (CC. 20. mar territorial. desde que por determinação legal. Assim. o vento. 176. (CC. a chuva. 20CC. 26. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . escola pública. terreno de marinha. parágrafo único) Inalienabilidade dos bens públicos – Ensina-nos Maria Helena Diniz: “Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis. como objeto do direito pessoal ou real dessas pessoas de direito público interno. Art. casando danos materiais a terceiros. Art. 98CC. arsenal das Forças Armadas etc. portanto. Legislação relacionada: CC. terra devoluta. por exemplo. secretaria. uma destinação especial. Imprescritibilidade e Impenhorabilidade dos bens públicos como características decorrentes da sua inalienabilidade – De caráter imprescritível. Assim. 99. LXXIIICF. único etc. o terremoto.

internação. incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou. Artigos relacionados: Art. 108. maioridade. 949. nesta espécie o efeito encontrado pelo ilícito difere da vontade do agente. III – testemunha. Fica evidente que os efeitos não coincidem com a intenção do agente. Art. levando-se em conta a duração provável da vida da vítima. Não cumprida a obrigação. responde o devedor por perdas e danos. Porém. No caso de homicídio.WEBNODE. sem excluir outras reparações: I – no pagamento das despesas com o tratamento da vítima. ou da depreciação que ele sofreu. Art. Aos fatos jurídicos tidos como decorrentes da força da natureza dá-se o nome de fatos jurídicos em sentido estrito. ou se lhe diminua a capacidade de trabalho. e honorários de advogado. pode-se detalhar ainda mais os fatos jurídicos decorrentes da força da natureza e fatos jurídicos decorrentes da atividade humana. funeral e alimentos civis e naturais às pessoas a quem o morto devia). Artigos relacionados: Art. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Logo. mas continuam sendo jurídicos. Em acidente de trânsito no qual o agente embriagado e em alta velocidade atropela e mata um individuo (ato ilícito). os efeitos jurídicos coincidem com a vontade das partes. os fatos jurídicos irrelevantes são aqueles que não adentrarão na órbita do Direito. V – perícia. o fato jurídico pode ser provado mediante: I – confissão. 394. Salvo as exceções expressamente previstas em lei. Ato Ilícito É fato jurídico porque gera efeitos na órbita do Direito. a indenização consiste. 212. A lei obriga o adquirente a pagar o preço e o alienante a entregar a coisa. morte) e extraordinários (grande tempestade na colheita do agricultor que enseja a reparação por seguro). além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença. IV – presunção. emancipação. modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. a lei dá guarida à vontade humana externada. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Como exemplo de ocorrência de um negócio jurídico relevante citamos o art. Não dispondo a lei em contrário. E os que decorrem da atividade humana quer sejam lícitos quer não”. Art. 389. obrigando as partes a cumprir com o avençado. além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. despesas com luto.CIVILIZE-SE. 402. 108: Art. tratamento. Portanto. além do que ele efetivamente perdeu. num contrato de compra e venda (negócio jurídico perfeitamente licito). há também efeitos jurídicos (pagamentos de todas as despesas médicas. as perdas e danos devidas ao credor abrangem. seu funeral e o luto da família. Art. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. 948. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo.COM 9 Carlos Roberto Gonçalves assevera que “após separar os fatos irrelevantes daqueles que tem repercussão na órbita do Direito. Por exemplo. o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença. lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde. transferência. Salvo o negócio a que se impõe forma especial. II – documento. Art. II – na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia. o que razoavelmente deixou de lucrar. podendo ser divididos em ordinários (nascimento. não sendo passíveis de utilização da norma jurídica. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão. a indenização.

que defende a aplicação da lei para disciplinar as relações de modo geral. a escola de exegese defende que as leis são as regras naturais devidamente codificadas. de fato social. Segundo tal direito. Em decorrência da escola de Exegese temos o chamado positivismo jurídico.WEBNODE. O direito natural existe pelo fato do homem existir. eterna e imutável. O prejudicado. Apresenta como ideia central um sistema normativo codificado de leis. sem apontar as respectivas fontes. em decorrência da natureza ou da natureza social do ser humano. 2. portanto. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO 2. sendo resultado de um convívio em sociedade cujo fator preponderante seria uma lei divina. se preferir. visando garantir os direitos subjetivos do homem. O conhecimento científico deve ser organizado e coerente. 2. Defende-se o inverso do jusnaturalismo. de prerrogativas. Não é preciso um sistema codificado de leis para regrar as condutas da sociedade – defende-se. de justiça etc. é necessário que os operadores do direito façam um estudo da ciência jurídica abordando todos os fatores ou vertentes do direito. Escola de Exegese A escola de exegese tem origem no chamado empirismo jurídico. Trata-se de uma escola baseada numa ordem pré-existente. o senso comum diz respeito a informações sem qualquer organização técnica. Conceito A doutrina aponta que o direito é uma ciência humana responsável por regrar a convivência em sociedade.COM Parágrafo único. de origem divina. 2. Assim sendo.1 Aula 01 – A ciência do Direito A ciência do direito Introdução A ciência busca organizar e sistematizar o conhecimento humano. principalmente a chamada função social do direito. O direito pode ser analisado sob o aspecto de ciência jurídica. Em suma. advogando o estabelecimento de regras para cada situação. poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só 10 vez. para a escola do jusnaturalismo. de norma escrita. ou seja. Os cursos de direito priorizam a análise do direito dando enfoque à norma escrita. Decorre de uma transformação do positivismo jurídico – definido como tão somente o estudo da lei. não há necessidade de regras elencadas por um poder respectivo. O direito está classificado entre as ciências humanas num contexto de organização da sociedade. com o apontamento da fonte especifica. as relações humanas podem ser protegidas ou regulamentadas pelas leis de ordem natural. De modo que. a ausência de leis previstas m textos legais.3 Aula 03 – Escola Histórica e Fontes do Direito Apostila elaborada por David Maxsuel Lima .2 Aula 02 – Jusnaturalismo e Escola da Exegese Jusnaturalismo O jusnaturalismo prega como ideia central a existência de uma lei natural.CIVILIZE-SE.

não está devidamente registrada em texto legal. costumes. princípios etc. circulares. em nível federal ou estadual. que não são elaboradas diretamente no âmbito legislativo. Para a escola histórica. editais. sobretudo por advogar a desnecessidade de leis. É parte integrante desse ordenamento as regras elaboradas pelos poderes estatais e seus respectivos órgãos. Outrossim. doutrina etc. advindos do convívio em sociedade.COM A escola Histórica A escola histórica do direito apresenta como regra ou apontamento principal a análise do direito através dos usos e costumes da sociedade. São normas apreciadas pela sociedade. o legislador não cria qualquer direito. A norma jurídica não escrita. como é o caso do Brasil. 2.4 Aula 04 – Fontes do Direito A legislação é um complexo de normas jurídicas escritas formuladas pelo poder legislativo. doutrina. resoluções. As súmulas. doutrina. Caracteriza-se.WEBNODE. de modo geral. temos a Constituição como lei mais importante de modo que as demais normativas devem respeitá-la. majoritária e minoritária são adjetivos aplicados à jurisprudência conforme a análise de certos conflitos por parte dos tribunais e juízes. jurisprudência. Fontes do Direito Fontes do Direito são os ensinamentos que os operadores do Direito vão utilizar para a disciplina jurídica e das relações de modo geral. Sob a vigência de um Estado Democrático de Direito. A jurisprudência. As fontes do Direito são importantes até mesmo para a existência do direito tido como ciência humana. oriundas de costumes. uma gama de fontes do direito . 2. O ordenamento jurídico constitui. de certo modo fontes. Unânime. serve de parâmetro para novas decisões que tendem a condizer com as resoluções adotadas pelos tribunais superiores. Assim. pois as leis apenas retratam os costumes da sociedade.CIVILIZE-SE. os tratados internacionais também são constituintes de nosso ordenamento jurídico. A jurisprudência que apresentas um juízo unânime ou majoritário acerca de determinada matéria são consideradas sedimentadas e são úteis enquanto fonte secundária do direito. jurisprudência “é o conjunto de decisões uniformes de juízes e tribunais sobre determinada matéria”. É habitualmente um fonte do direito empregada para fundamentar novos julgamentos ou para disciplinar determinada relação jurídica. Há consenso de que os costumes evoluem de modo a criar regras de conduta. é inevitável a abordagem de decisões superiores posto que elas acabam por servir de base para lides afins.5 Aula 05 – Fontes do Direito A jurisprudência é um corpo de decisões reinteradas dos tribunais. portanto. as súmulas dos tribunais traduzem entendimentos uniformes e Apostila elaborada por David Maxsuel Lima 11 . portaria. O ordenamento jurídico é um corpo de normas jurídicas escritas e não escritas. A norma jurídica escrita é a lei enquanto fonte principal do direto oriundo do poder legislativo. segundo Marcos Cláudio Acquaviva. O magistrado habitualmente utiliza os costumes jurídicos para fundamentar suas decisões. O direito brasileiro utiliza os costumes jurídicos para fins de disciplinar várias relações jurídicas. são “ementas reveladoras da orientação jurisprudencial de um tribunal para casos análogos. ao sugerir que a sociedade se autoadministra através dos usos e costumes. Segundo Maria Helena Diniz. As rotuladas normas jurídicas não escritas são direitos ou normativas. apesar de sua inquestionável relevância. superiores acerca de determinada questão submetida ao seu julgamento.jurisprudência.

consultado por vezes para complementar a análise de casos específicos.7 Aula 07 – Direito Positivo Direito Positivo Habitualmente o direito positivo é definido como um complexo de normativo-jurídico escrito e não escrito. 2. produzido pela sociedade e tido como fonte do direito. é habitualmente suscitado nas argumentações e empregado nas fundamentações jurídicas. as normativas podem estar atrasadas. tornam-se interessantes enquanto fonte do direito. Entendemos como normas não escritas as regras de conduta respeitadas como lei. sistematizado através da lei de maneira que seu estudo é preponderante dentro do universo do Direito. Os costumes que geram efeitos jurídicos servem como parâmetro para decisões. Direito Objetivo Apostila elaborada por David Maxsuel Lima .CIVILIZE-SE. a legislação. De acordo com a lei – costumes realizados de acordo com a lei. o direito positivo se ocupa da análise das normas jurídicas escritas. a doutrina. torna obrigatório seu cumprimento pelos demais órgãos do poder judiciário e pela administração pública de todas as esferas federativas”. É um conjunto amplamente reconhecido pela legislação brasileira.WEBNODE.6 Aula 06 – Fontes do Direito O costume jurídico é uma norma jurídica não escrita advinda da prática reinterada de certo ato pelo corpo social. Os costumes jurídicos podem servir como alicerce para justificar fundamentações. c. A súmula vinculante é definida por André Ramos Tavares como “aquela que. Doutrina – São os pareceres dos estudiosos do direito acerca de determinado assunto. A doutrina classifica os costumes jurídicos em: a. disciplinado. São oriundas do exame de diversos julgadores sobre o mesmo 12 assunto”. O estudo doutrinário pode servir como fundamento para a elaboração de projetos de lei. O costume jurídico é acatado pela sociedade do mesmo modo ou com vários aspectos do respeito à lei. além de complementar a jurisprudência. ou seja. a jurisprudência. laudos. seja com o escopo prático de interpretar as normas jurídicas para sua exata aplicação”. A sociedade cria alguns regulamentos inerentes ao convívio social. b. ou seja. nascidos da capacidade da sociedade se autodisciplinar e que surtem efeito na ausência de normativas. seja com o objetivo meramente especulativo de conhecimento. 2. Na falta da lei – são costumes não abrangidos pela lei. São costumes aceitos com força similar à lei. O costume assim rotulado pode ter surgido a partir de uma evolução do corpo social que não foi compreendida pela lei. Alguns costumes surgem a partir dessas relações. emitida pelo Supremo Tribunal Federal após reinteradas decisões uniformes sobre um mesmo assunto. A doutrina o divide em direito objetivo e direito subjetivo. costumes cujo aspecto podem gerar efeitos jurídicos. Sendo fonte do direito.COM sedimentados sobre determinada matéria. A doutrina apresenta diversas teses e posicionamentos sobre temas jurídicos de modo que pode ser classificada em majoritária e minoritária. Sendo um conjunto de normas vigentes. Além da análise das normas jurídicas escritas. desatualizadas. Contrários à lei – habitualmente não têm validade jurídica. pedidos. é o “estudo de caráter cientifico que os juristas realizam a respeito do direito. Para García Maynez. daquilo que foi positivado. está intrínseco ao direito positivo os costumes.

8 Aula 08 . assim como os órgãos públicos de modo geral. todos devem respeitá-lo. Seus efeitos nascem com seu exercício. cujos titulares não podem ser especificados. abuso vedado pelo legislador. de maneira que se possa compreendê-las e assimilá-las facilmente. isto é. Segundo o professor Rizatto Nunes. Refere-se a uma fração do Direito que rege as funções e organizações estatais. e o conteúdo normativo e o interesse jurídico a ele relacionado. são plenos. isto é. Entendemos que Direito Difuso é aquele cuja característica marcante é a transindividualidade. As normativas nascem com a função de trazer regras de modo objetivo. são direitos de natureza indivisível que apresentam como titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. É um 13 direito positivado de modo abstrato. Habitualmente as regras inerentes ao Direito Público trazem efeitos para a coletividade. como. isto é. o direito à vida. O direito público é aquele que reúne as normas jurídicas relacionadas ao Estado. damos origem ao direito subjetivo. O direito público apresenta normativas para a administração pública direta e indireta. É a lei apresentada em si mesma. A doutrina pondera que existem alguns direitos subjetivos plenos. assim. por exemplo. 2. quando do exercício desses direitos surge o direito subjetivo. É usual pontuar que os direitos inerentes à personalidade. objetivamente já temos um direito disciplinado. a divisão em público e privado pode ser feita tendo por critério os sujeitos envolvidos e a qualidade destes quando estão na relação jurídica. no entanto.COM É apresentado através das normas jurídicas independentemente do seu exercício ou aplicação efetiva. Cabe ressaltar que o direito subjetivo pleno é aquele já existente cuja demonstração independe de seu exercício. a prerrogativa colocada pelo direito objetivo à disposição do individuo. Por não se pensar num grupo especifico de pessoa e sim de modo mais amplo o direito objetivo é tido como norma abstrata. Ramos do Direito Público Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . O direito positivo corresponde à norma jurídica em si. O exercício do direito objetivo. O direito subjetivo é. de maneira em geral. que não necessitam de qualquer exercício para sua existência. há exceções. Direito Subjetivo Temos objetivamente as leis que especificam direitos. tal direito aparece com o exercício da normativa pré-estabelecida. Assim. exemplificado essencialmente no direito público. O direito difuso permeia tanto o direito público quanto o direito privado. direito privado e direito difuso. os denominados interesses privados ou particulares. ou seja. São direitos que transcendem a esfera individual. O Direito Privado é aquele que engloba normas jurídicas que estabelecem questões relacionadas ao âmbito particular. Limita-se a um direito objetivado independentemente do seu uso ou exercício. e quando o exercitamos. portanto.CIVILIZE-SE.Divisão do direito positivo e Ramos do Direito Público Costuma-se dividir o direito positivo em: direito público. trará a observância do que está previamente estipulado pela legislação. o direito subjetivo é a possibilidade do individuo exercer determinado direito de modo especifico.WEBNODE. e exibe o direito de modo sistemático e pré-estabelecido. É necessário salientar que o abuso do direito ocorre principalmente quando do exercício do direito subjetivo. quando exercemos o que a lei previamente estabeleceu. Defende-se que o direito subjetivo ocorre com seu efetivo exercício bem como pelo potencial exercício do direito objetivo. além de gerar efeitos jurídicos. pois apresenta um comando que define determinado comportamento.

os estados e municípios disporem sobre regras de cunho eleitoral. penal e trabalhista) As regras de Direito material. não podendo. o Direito Processual reúne normas jurídicas que visam disciplinar a ação judicial. é o ramo autônomo do Direito Público encarregado de regulamentar os direitos políticos dos cidadãos e o processo eleitoral. É preciso lembrar que “Direito material é usado em contraposição ao Direito formal. 16. regras que disciplinam os órgãos estatais. Destacamos. assim como a organização judiciária.Direito Processual. e o direito processual (processual civil. o resultado é representado pela ofensa ao bem jurídico “patrimônio”. As regras de direito processual regulam a existência de processos judiciais. da CF). O Direito Processual disciplina o processo judicial.Lei nº 4. Foi o italiano Carnelutti quem propôs a divisão do ordenamento jurídico em duas partes: O direito material (direito civil. o Direito Processual Civil. deferindo a eles. Enquanto o direito material descreve o que se tem direito. as contravenções e as respectivas penas. A lei eleitoral é exclusivamente federal por disposição constitucional (Art.”² Direito Penal É o conjunto de normas jurídicas que regulam os crimes. principalmente os que envolvem votar e ser votado (Art.CIVILIZE-SE. "Direito Penal. 22. as regras inerentes à Constituição. por exemplo. desta forma. direitos e obrigações. Desse modo. regime político. I. Vigora no Direito Eleitoral o Princípio da Anterioridade. assim como a administração direta ou indireta. ou seja. 62. 2. bem como o modo destes se iniciarem. nem mesmo supletivamente. I. se desenvolverem e terminarem. também chamado de Direito Criminal. o direito formal descreve como obter este direito. é uma especialização do direito constitucional. de modo a que se estabeleça a precisa equação entre a vontade do povo e a atividade governamental. são todas aquelas que regulam o convívio social entre pessoas e entre elas e o Estado.737/65). embora entrando em vigor na data de sua publicação. “a”. penal. ou seja. No crime de furto. As Medidas Provisórias não podem conter disposições com conteúdo eleitoral e/ou partidário (Art. cujo conjunto sistematizado de normas destina-se a assegurar a organização e o exercício de direitos políticos. 1º do Código Eleitoral . principalmente.”¹ Direito Eleitoral Trata-se do conjunto de normas jurídicas que disciplinam a escolha dos membros do Poder Executivo e do Poder Legislativo. sobretudo. no homicídio. da CF). Apresenta. Direito Administrativo – O complexo de normativas jurídicas que organizam administrativamente o Estado. competência 14 e função dos órgãos estatais e os direitos e garantias fundamentais. Em outras palavras. é o ramo do Direito Público dedicado às normas emanadas pelo legislador com a finalidade repressiva do delito e preservativa da sociedade.9 Aula 09 . Direito Eleitoral & Direito Penal Direito Processual Também denominado direito adjetivo.COM Direito Constitucional – É aquele que engloba as normas jurídicas constitucionais. há lesão ao Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . da CF). “O Direito eleitoral é o ramo do Direito destinado a estudar os sistemas eleitorais e sua legislação. a lei somente será aplicada se a eleição acontecer após 1 (um) ano da data de sua vigência (Art. Especificam-se as matérias de organização do Estado. no Brasil. posto que é o instrumento do direito material. O Direito Eleitoral. o Direito Processual Penal e o Direito Processual do Trabalho. É o ramo do direito que reúne as condutas ilícitas no âmbito criminal. O Direito Constitucional é indubitavelmente o ramo mais importante do Direito Público brasileiro. constitucional). De uma forma mais específica. Direito Penal visa a proteger os bens jurídicos fundamentais (todo valor reconhecido pelo direito). o Direito Eleitoral dedica-se ao estudo das normas e procedimentos que organizam e disciplinam o funcionamento do poder de sufrágio popular.WEBNODE.

Resumidamente o Direito Tributário tem por função apresentar regras atinentes à instituição. Direito Administrativo Militar e Direito Humanitário. onde não se pode cobrar qualquer coisa sem que a Lei autorize. Portanto o Direito Tributário. Assim para prestar os serviços públicos em prol dos cidadãos. primeiramente. etc. como ente que agrega a soberania sobre um território. como a forma de arrecadação. o sujeito passivo. como por exemplo: no consumo da energia elétrica. pois pagamos tributos diariamente.CIVILIZE-SE. o fato gerador e a alíquota aplicável.WEBNODE.”³ 2. em uma ligação telefônica. e ainda o planejamento necessário de forma que a receita e despesa pública se equilibrem no grande orçamento público. Além de 15 tentar proteger os bens jurídicos vitais para a sociedade. liberdade e propriedade. Logicamente. deve ela ser levada em conta na formulação das normas penais. onde era utilizado para manter a disciplina das tropas da Legião Romana. na coação. ou seja. que advém dos tributos (impostos. que designa o direito aplicado nos acampamentos do Exército Romano. estando esta atividade vinculada à lei. Direito Internacional. Direito tributário. tem o dever de gerar a ordem e proporcionar o bem estar para a coletividade. Ainda que se duvide dessa função garantista. para cada tipo de tributo existem qualidades próprias na lei. É a intenção do Direito Tributário ou Financeiro que o Estado empregue seus recursos da maneira mais eficiente possível para a sociedade. É ela que cria e autoriza a cobrança do 'imposto'. enquanto no direito privado se busca a harmonia dos interesses particulares em si. arrecadação e fiscalização dos tributos. Direito civil e Direito comercial Direito Militar Engloba normas jurídicas que disciplinam as relações que envolvem os militares. a preocupação central do Direito Tributário é o estudo dos princípios e diretrizes que norteiam a forma de aplicação. A Lei. pelo princípio da legalidade. A lei tributária está restrita ao tributo em si e à definição de suas características tais como o sujeito ativo. É um direito público porque visa ao atendimento de interesses da sociedade de modo geral. uma violação à liberdade individual. Para entender o significado de tributo.” Direito Tributário São as normas jurídicas que disciplinam a relação entre o contribuinte e o fisco. estaduais e federais. tais como: Direito Disciplinar Militar.” Está relacionado à legislação das Forças Armadas. São disposições sobre a arrecadação de impostos municipais. Vai além do Direito Penal Militar e do Direito Processual Penal Militar. Tem a sua origem no Direito Romano. regulamenta a atividade estatal de cobrar os chamados tributos. isto é. como ramo do direito público que é. O Estado. necessita de recursos. apresentando. normalmente entende-se que o direito penal garante os direitos da pessoa humana frente ao poder punitivo do Estado. outros sub-ramos pouco estudados. onde o gênero é o 'tributo'. também.10 Aula 10 . é importante saber que 'imposto' é uma espécie. na realização de compras num supermercado. na aquisição de combustíveis. palavra de origem latina. isenções. Esse ramo do direito está bastante presente na nossa vida ainda que não diretamente. administração e gerenciamento desses recursos públicos para a execução destes serviços. por sua vez. a fim de poder evitar que o Estado de Polícia se manifeste e se sobreponha ao Estado de Direito. é a vontade do povo construída por intermédio de seus representantes no regime democrático. Por vezes conhecido como Direito Castrense. é regida. no recebimento do salário ou na Apostila elaborada por David Maxsuel Lima .Direito Militar.COM valor jurídico “vida humana”. bem como dá ao Estado seus objetivos. Assim. “O Direito Tributário é um dos ramos do direito público que regula os direitos e deveres do cidadão face ao Estado. “um ramo do Direito que encampa diversos sub-ramos. taxas e contribuições). Estes recursos vêm dos tributos em geral e não somente dos impostos. Essa seria a tríade fundamental de bens jurídicos tutelados coativamente pelo Estado: vida.

propriedade. Direito Privado “O Direito Privado se refere ao conjunto de todas as normas jurídicas de natureza privada. contratos. o Brasil. grupos sociais. Assim entendido. responsabilidade civil. e ensina quais e quantos são os impostos federais. família.1 Aula 01 . Conceito de Antropologia Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . as sociedades empresárias. e que a exerça com a racionalidade própria de "empresa". em suas relações privadas cotidianas.CIVILIZE-SE. e de qualquer pessoa física ou jurídica. “Direito comercial ou Direito empresarial é um ramo do direito privado que pode ser entendido como o conjunto de normas disciplinadoras da atividade negocial do empresário. das formas de associação destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenômenos sociais. os títulos de crédito. desde que habitual e dirigida à produção de bens ou serviços conducentes a resultados patrimoniais ou lucrativos.” Direito comercial ou empresarial São normas jurídicas que disciplinam a atividade empresarial. “O direito civil é o principal ramo do direito privado. Segundo Pinheiro de Castro. bens. O Direito tributário estabelece as competências tributárias para cada um dos entes políticos na Constituição Federal.” Direito Civil É a disciplina mais importante e abrangente do Direito Privado. estado das pessoas. envolve: fato social. especificamente toda norma jurídica que disciplina a relação entre os particulares.WEBNODE. incluindo as obrigações dos empresários. Engloba regras jurídicas sobre capacidade.” Direito Internacional São normas jurídicas e tratados internacionais que estabelecem as relações entre os países signatários. estrutura e organização social. Trata-se do conjunto de normas (regras e princípios) que regulam as relações entre os particulares. o direito empresarial abrange um conjunto variado de matérias. na prestação de um serviço. entre outras. obrigações. SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA JURÍDICA 3. destinada a fins de natureza econômica.COM obtenção de uma renda.”. apropriedade intelectual. São regras que apresentam as relações e os efeitos jurídicos que envolvem o empresário.Conceitos Conceito de Sociologia É o estudo cientifico das relações sociais. tanto públicas quanto privadas. controle e instituições sociais. demonstrando acreditar na validade de determinada ordem e de acordo com ela a própria conduta. sendo um ramo especial de direito privado. que comumente se encontram em uma situação de equilíbrio de condições. que regem as empresas brasileiras de personalidade jurídica de direito privado. os contratos especiais de comércio. entre estes e tantos outros fatos considerados como 16 hipótese de incidência da norma tributária. estratificação e mudança social Conceito de Sociologia Jurídica Segundo Max Weber. convencionou-se chamar de Direito Empresarial o conjunto de legislações. processos de interação social. visa compreender o comportamento dos indivíduos em relações jurídicas. estaduais e municipais que pagamos. após a vigência do novo Código Civil. sucessões etc. O direito civil é o direito do dia a dia das pessoas. 3.

da filosofia. Aristóteles afirmava que o homem precisava se relacionar. Apesar de não ter sido tão radical quanto Platão. O homem torna-se o centro das coisas. num primeiro estágio. tenta aproximar-se da cultura grega. justiça consiste num modo de vida que tenda a plena realização das potencialidades humanas. a Democracia. É preciso ponderar que Platão não era democrático. A visão de que a promoção do bem comum é uma qualidade que pode ser encontrada tanto na Democracia. o direito é inerente ao Estafo de modo que as comunidades que não se organizam politicamente e não possuem leis. na visão de Aristóteles. é preciso entender o homem.WEBNODE. cujo poder é detido por poucos. as análises sociais derivavam de uma visão católica. Esse momento histórico caracteriza-se por uma mudança nas conclusões acerca do direito natural. e nasce a consciência de que . a Monarquia. e a Aristocracia. religião que exercia domínio político na época. Conceito sociológico do Direito “O direito representa uma tentativa de realizar a justiça” Sociologia Geral _ Precursores e Fundadores Surgiu no século XIX. o homem. das artes etc. as análises sociais são recuperadas. reprodução e consumo. seus potenciais. a escravidão se justifica porque o homem de maior inteligência deve naturalmente escravizar o de menor inteligência. Assim. viver em sociedade. onde há um único cidadão.CIVILIZE-SE. Para Aristóteles. vive em estado de guerra. rouba. não exercem o justo político. Thomas Hobbes (1588-1679) – Para o autor de Leviatã. o homem é considerado Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . 3. interagir. mas outra forma de justo análoga à esta. quanto na Monarquia ou na Aristocracia parece justificada por Aristóteles quando ele numera as formas degeneradas de administrar o poder: a democracia acaba se tornando demagogia. o homem volta-se para os ideais clássicos gregos e procuram copiá-los. Aristóteles ponderava que cidadão era aquele que exercia o poder político. seja por meio das ciências. acrescentando que s poderes são bons desde que não pensem apenas em si. ou seja. mata. ou seja. Assim. O filósofo Platão defendia que as pessoas não eram iguais e justificava tal defesa a partir do direito natural. Havia. Renascença_ O Renascentismo Neste contexto. onde todo povo é cidadão. apresentado na figura do rei. a monarquia adquire status de tirania e a aristocracia transforma-se em oligarquia. uma sociedade justa seria alcançada quando o ser humano puder explorar seus talentos. No que diz respeito às diferenças de sexo.COM Antropologia é uma ciência que estuda todos os aspectos e experiências e história da humanidade. Além disso. para entender a sociedade.2 Aula 02 – Aristóteles e Renascentismo 17 Aristóteles Segundo Aristóteles. numa luta constante de todos contra todos. Idade Média Na Idade Média. o filosofo pregava que as pessoas deveriam ser tratadas de modo igual. Platão se limitou a explanar que homens são naturalmente superiores às mulheres posto que possui maior força física. Conceito de Antropologia Jurídica Está voltada ao estudo das categorias que perpassam o saber jurídico: seus mecanismos de produção. a análise social de igualdade mereceu destaque por parte de Aristóteles.

Escola biológica evolucionista – Há maior ênfase na questão evolutiva. a ineficácia. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) – Foi o autor de O contrato social. de um positivismo puro.CIVILIZE-SE.WEBNODE. Adam Smith (1723-1778) – No seu livro.seja ela de ordem mecânica. posto que o homem tem garantia frente a ele. 2. O direito positivo é uma decisão política fundamental num certo momento histórico. Assim. O efeito dessa cessão é a transferência de parte da liberdade do individuo para o Estado. como a fundadora do método cientifico. Assim. Em sua obra demonstra que a sociedade fez um pacto para viver em comum. junto a de René Descartes. Frances Bacon (1561-162 – Sua figura aparece. A violação do contrato social implica em punição e o descontentamento com ele dá ao individuo a oportunidade de abandoná-lo. 3. Há em Rousseau um olhar mais positivo acerca do homem. aparece nítida interdependência entre as partes. Seu ponto de vista justifica o uso da força. Émile Durkheim Principais pontos da teoria de Durkheim: 1. A riqueza das nações. A vida social é vista como uma macrobiologia onde há adaptação ao meio. cujo poder é limitado.3 Aula 03 – Herbert Spencer & Escola Biológica Herbert Spencer Para ele a sociedade é semelhante a um organismo biológico. posto que há uma 18 renúncia total da liberdade em prol do estado. um clássico da ciência política. o processo de crescimento da origem e complexidade à estrutura social.COM naturalmente mau. As leis não podem ir de encontro aos costumes da sociedade. 4. Montesquieu (1689-1775) – Buscou entender O Espírito das Leis e qual a sua função. a legislação é utilizada como forma de administração social. Escola biológica organicista – a sociedade é considerada um organismo real que vive e se reproduz. Salientamos o não funcionamento. A sociedade está estruturada em pilares que se manifestam através de expressões. A sociedade é algo que está dentro e fora do homem simultaneamente devido à existência de valores e princípios morais. e cresce quando aumenta sua massa. As pessoas se educam influenciadas por valores da sociedade onde vivem.4 Aula 04 – Augusto Comte Augusto Comte Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Cada indivíduo deve exercer uma função específica segundo direitos e deveres em busca da solidariedade social. 5. 3. A vida da sociedade é bem mais longa que suas partes. sanguínea. estudou a economia e sua importância para a sociedade. o absolutismo. 2. Século XVIII 1. 3. ou mecânica. A vida do grupo social é menor do que a vida da sociedade como um todo. Hobbes considera que para viver em sociedade o homem cedeu toda sua liberdade para o Estado. luta pela vida e seleção dos mais aptos. 3. asseverando que elas não devem contrariar a cultura de cada povo. Os fenômenos sociais devem ser analisados e demonstrados com técnicas especificamente sociais. religiosa. caracterizada por grupos pequenos com vínculos de ordem familiar. Crê-se na existência de um vinculo que mantém a sociedade unida. onde círculos mais complexos cujo vinculo se desenvolve a partir de uma ideia de contrato. a solidariedade.

Conhecer as leis que permeiam os relacionamentos humanos é considerado ação primordial para que se possa influenciar e de certo modo modificar tais regramentos. O progresso dos conhecimentos é característica da sociedade humana. sobre a existência de deuses. O homem é o mesmo em toda a parte e em todos os tempos. ou seja. Essa fase. Este período subdivide-se em três estágios distintos: Fetichismo – Atribui-se a objetos de caráter animado ou inanimado. Não há mais anseio em conhecer a natureza intima das coisas. ideais. poderes sobrenaturais. Entre seus posicionamentos estava o de que todas as esferas do conhecimento deveriam ter caráter objetivo. sua ascendência. além de pregar que conhecer tais relações é preponderante para poder modificá-las. Comte elaborou a lei dos três Estados. As pessoas projetam imagens próprias em seres abstratos. afim de prover”. Prioridade do todo sobre as partes. tinha descendência judaica sendo seu Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . à compreensão de um fenômeno a partir do contexto em que ele está inserido. Na tentativa de explicar o aparente conflito existente entre o homem igualitário sob todos os sentidos e o progresso científico.WEBNODE. autor de Curso de filosofia Positiva. a ideia de um todo absoluto é abandonada. uma teoria que muito influenciou o direito. Estado Metafísico Ocorre uma incessante busca por valores de ordem absoluta. moldado pelo homem ou já existente na natureza. A máxima positivista assevera:”Saber para prever. Os três princípios de Comte: 1. Diz respeito ao método de pesquisa. Estado Positivista ou cientifico O que caracteriza esse estágio é. 2. a formulação de leis. Sua classificação das ciências tem na base piramidal a matemática e no cume todo o ramo de conhecimento inerente ao homem. Monoteísmo – A crença em um único Deus se manifesta. Augusto Comte substitui o absolutismo pelo relativismo nas relações humanas.COM Isidore Auguste comte (1798-1857) foi um positivista francês. observa-se um desenvolvimento de caráter industrial e econômico.CIVILIZE-SE. 3. melhorá-las. o rotulado antropomorfismo. prestando a eles cultos.5 Aula 05 – Karl Marx e Max Weber Karl Marx (1818 – 1883) O autor de O Capital e Manifesto Comunista foi filósofo e economista. Questionamentos de ordem absoluta são relegados. surgem guerras em razão de ideais confrontados. A sociologia foi por ele rotulada de física social. As relações humanas são colocadas como regras relativas. pois o considera constituído da mesma forma física e cerebral “em toda a parte e em todos os tempos”. sobretudo aquele que diz respeito às relações que o envolvem. não é relevante para o filósofo positivista. deuses a que se atribuem formas ou personalidade humanas. Estado teológico Num primeiro momento o homem divaga por questionamentos de ordem absoluta. 3. Politeísmo – Surge a crença em vários deuses. Comte é citado como o Pai do Positivismo. considerada intermediária. O que decididamente predomina é a tentativa de compreender as relações entre objetos e os acontecimentos da ciência do raciocínio. A diferença se verifica a partir do contexto em que se está inserido. Os valores acarretam no desenvolvimento da sociedade. Há um processo de união entre pessoas próximas. à busca por mudanças que possam modificar as relações sociais. Nesse período. Augusto Comte põe o homem em pé de igualdade. sobretudo. Política 19 Positiva etc.

Sociologia “A sociologia é o estudo das interações significativas de indivíduos que formam uma teia de relações sociais. as indústrias. B. mas uma superestrutura ideológica a serviço das classes dominantes. contrapondo-se a Durkheim que considerava a sociedade como ponto de partida para seus estudos. O pesquisador cria tipos e padrões sociais construídos a partir da apreciação de aspectos essenciais do fenômeno. tais princípios seriam úteis e buscados quando da solução dos problemas financeiros.COM pai advogado. Conceito de Direito (na visão de Karl Marx) “O Direito não é instrumento para a realização da Justiça. Max Weber parte do valor que o individuo tem. Para Max Weber. justiça. Depois de formado atuou como jornalista. Karl Marx dividia a sociedade em duas fases: Supraestrutura – mecanismos para proteção da fábrica. Inclui-se aqui a religião (cuja função. que justiça e razão não eram oriundos do direito natural e que as normativas não refletiam a vontade do povo e sim do legislador. Materialismo Histórico “Materialismo porque somos o que as condições materiais (as relações sociais de produção) nos determinam a ser e a pensar. defendia que a economia determinava tudo. seria a de influenciar as pessoas de modo que elas trabalhassem sem reclamar). Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . sendo seu objetivo a compreensão da conduta social” Conduta social – é a conduta humana publica ou não a que o agente atribui significado subjetivo. Karl Marx cria que o problema da sociedade era dinheiro. Para ele. o que acarretava em problemas sociais vários. isto é. nem a mera vontade do legislador. enquanto que as pessoas viviam numa situação de pobreza extrema. Em sua teoria. o Congresso de Viena. Marx pretendia acabar com o Direito e com o Estado simultaneamente. Bittar) Max Weber (1864 – 1920) É considerado um dos fundadores da sociologia.WEBNODE. justiça. porém o interrompeu para se dedicar à história e à economia. Para Marx não existe Direito sem Estado tampouco Estado sem Direito. com péssimas condições de trabalho. É autor de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo e Economia e Sociedade. São os meios de produção industrial cuja função é organizar o modo de produção a fim de produzir riquezas. A partir de suas observações.CIVILIZE-SE. visto como funcionário dos detentores do poder econômico. valores. valores como solidariedade. Método tipológico O método tipológico tem por escopo auxiliar o entendimento acerca dos fenômenos sociais e jurídicos. Com um histórico de vida similar ao de Karl Marx. Então. a Europa a criticar o poder do rei. segundo o filósofo. demonstrou bastante preocupação em sua teoria com a filosofia do Direito. uma burguesia rica. Iniciou o curso de Direito. tornou-se professor e chegou a atuar como editor de uma revista científica que divulgava teses acerca da sociologia. Havia à época um contexto de luta pelo poder. são questões não cientificas. Karl Marx se dedicou entre outras coisas ao estudo da teoria do 20 materialismo histórico. não havia necessidade de ética. propondo a ditadura do proletariado. Após formado. Marx concluiu que 90% das riquezas da Europa estavam sob a propriedade de 10% da população. a sociologia não deve tratar dos valores em si. Histórico porque a sociedade e a política não surgem de decretos divinos nem nascem da ordem natural. Exemplo: compara-se diversas formas de capitalismo para estabelecer um modelo ideal de capitalismo. Marx desenvolve sua teoria sob um prisma econômico. inclusive. Revoluções. mas dependem da ação concreta dos seres humanos no tempo”. não são objeto de estudo da Sociologia que se limitaria a estudar as ações e entender as atitudes que o homem toma para conquistar tais valores. onde advogava que todas as ações do homem se deve ao capital. nem a emanação da vontade do povo. advogando que com a resolução dos problemas de ordem econômica os demais problemas seriam solucionados. a filosofia (serviria para anestesiar os intelectuais que não atentavam para a situação do corpo social). isto é.” (Eduardo C. Marx fez algumas análises do corpo social. Infraestrutura – Incluem as ferramentas. busca do bem-estar. (Marilena Chauí) Quando jornalista. a ideologia e o Direito – Marx defendia.

3. Kant defendeu: 1. se desloca para os Estados Unidos. A desigualdade diante da lei. repreendiam a previsão de que os agentes políticos administrativos eram envoltos de total irresponsabilidade perante seus atos. sem fazer um exame próprio da sua justificação”. diz também que os Estados nacionais devem proceder do mesmo modo na formulação de uma lei. muito sistemático. regra geral. Judeu de família austríaca. como se verá. 4. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . escreveu obras como Crítica da Razão Pura e Crítica da razão Prática e enfrentou diversas crises financeiras durante sua vida. Limitação do direito de propriedade e da atividade econômica em geral. Rejeição de qualquer argumento de autoridade. Rejeição dos interesses e desejos pessoais. é um ato irracional. 2. Kant advoga que todo ser humano deve agir de modo racional. A existência de servidão. contrariando. 2. esse ato considerado irracional pode ser contornado posto que “os cidadãos possuem o direito de resistir a ordens que consideram contrárias aos imperativos da razão”. o aspecto criminal. O direito não é igual a moral mas está ligado à ela. crueldade da justiça penal e condições de vida desumanas. Kelsen escreveu mais de 400 obras. além de ter se inspirado em anseios religiosos. A validade de determinada opinião é garantida a partir de sua racionalidade. caracterizado pela concessão de privilégios. Um crime. com a ascensão do nazismo. atuou como professor e. posto que as altas jornadas de trabalho e o feudo como domicilio impediam que a maioria gozasse de sua liberdade. Características do Iluminismo Principais críticas do Iluminismo 1. Assim. embora na prática isso não ocorra. “Não devemos aceitar uma opinião. alimentou laços de amizade com o neto do soberano. Tendo sido amigo de Imperador. no entanto. A lei era desigual em diversos aspectos e as criticas recaíam sobre o Antigo Regime. assim deve sê-lo. Questionava-se. Kant é envolto por influências de caráter racional e pietista. 3. impunidade. Não havia liberdade econômica tampouco ampla permissão para o exercício de profissões. a teoria que pregava.COM 3. que pregava a busca da santificação do ser humano. Os detentores do poder podem se impor aos demais. Kelsen se tornou ainda jovem doutor pela Universidade de Viena.WEBNODE. É necessário repreender desejos e interesses pessoais em prol das ambições da sociedade posto que a responsabilidade da vida em sociedade é exclusivamente do homem que deve agir conforme critérios de racionalidade e justiça para que suas ações sejam entendidas como principio universal. como o pietismo. Rejeição da força. 4. Autoritarismo dos monarcas. exprimida por uma pessoa respeitada pelo seu conhecimento. Havia severa critica aos critérios de hierarquia e ao exercício da autoridade. O direito para Kant é fruto da razão humana e. Era professor universitário. intolerância. Rejeição de qualquer decisão tomada pela maioria se ela não é baseada na razão humana.7 Aula 07 – Hans Kelsen e Poder. sobretudo. enfrentou uma espécie de censura nos seus estudos. Estado e Controle Social 21 Hans Kelsen (1881-1973) Jusfilósofo e jurista. O exercício da cidadania era para poucos. seu título principal é Teoria Pura do Direito. Por último. e brigado com o filho deste. 3.6 Aula 06 – Emmanuel Kant Emmanuel Kant (1724-1804) Emmanuel Kant foi muito influenciado por ideais iluministas. para Kant.CIVILIZE-SE.

e foi vítima da própria teoria. para Kelsen. a trabalhar no pleito eleitoral. para esse jurista. sobretudo. por exemplo. não sendo seu escopo avaliar a qualidade da lei.CIVILIZE-SE. as normativas vigentes são bastante influenciadas pelo pós-positivismo.8 Aula 08 – Controles: positivo. perceber que a lei é injusta ou dá margem ao desequilíbrio. Ana Lucia Sabadell assume que definir controle social é tarefa difícil e assevera que esse controle “indica todo o processo de socialização que orienta o individuo.COM Kelsen muito se aproximou da visão de Comte. existe para explicar o sistema jurídico. Kelsen advoga que não compete ao jurista discutir sociologia. 4. com rito a ser seguido e pena prevista em lei. é uma das maiores preocupações da sociologia. portanto. juntamente com questionamentos acerca das relações entre os homens e da existência de regras na sociedade. Orientação – O individuo é orientado a praticar determinada conduta. circunstâncias da sociedade e o por 22 quê da lei eram. mas sim obedecer o que está pré-estabelecido. os requisitos para a eficácia do negócio jurídico. isto é. por exemplo.WEBNODE. como. segundo Kelsen. um positivista que atribuiu à lei suma importância. sobretudo. O Direito. Classificação do controle social 1. se ocuparia tão somente da aplicação pura e simples da lei. Direito e Indireto – Ana Lucia Sabadell assim exemplifica: “o professor exerce um controle social direto sobre os alunos. presente. O controle externo ganha espaço quando falha o controle interno. Informações como o contexto em que a lei foi elaborada. Difuso – Controle destinado a todos os indivíduos. é um controle jurídico. 2. Os pensamentos de Kelsen tiveram influência no país durante décadas. interno e externo Controle positivo e controle negativo O controle positivo é tido como um incentivo a um bom comportamento ou em convencer através de orientações e conselhos. Como exemplos temos o mesário. para a sociedade. Poder. tem por escopo descrever a ordem jurídica e não legitimá-la. tarefa do legislador e não do jurista. relegando a origem dessas normas. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . um alerta. Localizado – Normas impostas que vigoram apenas para determinado grupo social. 3. sendo que os órgãos do Ministério de Educação podem influir indiretamente sobre estes. parte da própria pessoa que exerce um autocontrole. O Direito. O controle negativo tem efeito de coação para o infrator e de intimidação para os demais. Entendemos que controle jurídico é o realizado por agente estatal. Kelsen assume que o sistema jurídico não é perfeito e cria ser necessária a introdução de meios para preencher tais lacunas como. por exemplo. alterando a estrutura ou o programa de ensino das escolas”. Kelsen considerava heresia deixar de cumprir a lei. dado seu aspecto formal. Estado e Controle Social O controle social. 3. 5. Alguns juristas que teoria desse jusfilósofo é quimérica. integrando-o aos valores e aos padrões de comportamento social”. A doutrina. Controle interno e controle externo O controle interno consiste em regras que aprendemos e que nos oferecem nítida impressão de como devemos agir durante a convivência. incentivado com recompensa. as perguntas sobre as forças sociais que criam o Direito são eliminadas. Contudo. como. foi. mas hoje está ultrapassado. Fiscalização – Exemplo maior são as rondas policiais incumbidas de fiscalizar certos atos ou executar certas disposições. no ato de punir. negativo. o disposto num Edital de Concurso Público. Em outras palavras. trás uma punição e. a analogia e os princípios gerais do Direito.

TrataApostila elaborada por David Maxsuel Lima 23 . exercido de forma impessoal. temos a admissão de que. não correspondem aos dados de uma análise cientifica. devido ao seu bom comportamento. 2. É um controle formal. Modo pelo qual se tenta fazer com que as pessoas mantenham a fé no sistema jurídico. Positivas – Não tem apenas caráter punitivo. Tipos de Sanções Jurídicas 1. Exemplos: ECA.2. selecionamos pessoas e condutas. não deve se submeter a controle algum. protegida pelo uso de sanção porque existe punição jurídica para as normas desrespeitadas. Salienta ainda que elegemos condutas e as criminalizamos. 2. para que a sociedade viva de modo organizado. CDC. Controle Social e Direito – Teoria Liberal-funcionalista O Direito é a forma específica de Controle Social nas sociedades complexas. Os teóricos do conflito discordam. interpretado e aplicado por agentes oficiais. 2. mesmo sendo falho. importante para manter a ordem. 2. 3. porém. Outrossim. e interpretado e aplicado por agentes oficiais porque exercidos de acordo com as atribuições da lei. Consideram que o controle realizado através do direito exerce funções latentes. elaborando leis para outrem. o controle social é realizado segundo normas legais. explícitas porque devem ser percebidas pela sociedade. no caso de um presidiário que. no que tange aos fenômenos de expansão e uniformização do direito não existem divergências de opiniões entre os estudiosos de ambas as abordagens. sistema de processo civil coletivo. É formalista porque elegemos condutas e estabelecemos normas.2. determinado por normas de conduta que apresentam as seguintes características: explícitas.CIVILIZE-SE. o controle social é exercido por indivíduos que não detêm cargo vitalício. 2. Negativas – Corresponde às penas.9 Aula 09 – Controle Social e Direito No que tange à teoria liberal-funcionalista. de forma radical. assemelha-se a uma recompensa. É a ação anterior à violação do Direito. recebe redução de pena. Já a teoria conflitiva vê o controle social como um mal. 2. defendendo que o ser humano.1 Preventivas – São úteis para evitar violação de Direito.3 Imposição de uma obrigação que pretende castigar e ressocializar o desviante e mostrar à comunidade a eficácia do sistema de controle social.1 Constrangimento para forçar o cumprimento de uma obrigação. protegida pelo uso de sanção. 3. quando do exercício do controle social.2 Condenação ao ressarcimento de um dano por meio de pagamento em dinheiro. porém. diferentes das suas funções declaradas e criticam o funcionalismo por adotar ideias provenientes do “senso comum”. por exemplo. Estas ideias são expressas pelas maiorias das pessoas. Por exemplo. por vezes. para alcançar a felicidade. como.2. no que se refere às finalidades do controle.2 Reparatória – O autor de um dano é punido. além de sermos seletivos até no momento de julgar.WEBNODE.COM Finalidade do controle social A teoria liberal-funcionalista considera o controle social válido.10 Aula 10 – Abordagem crítica do controle social através do direito Abordagem critica do controle social através do Direito Os juristas-sociólogos que adotam a abordagem do conflito social concordam parcialmente com a descrição funcionalista do papel do direito no controle social. Já a teoria conflitiva assevera que.

3. o controle social exprime mecanismos irracionais de expiação do crime. Trata-se das funções latentes (ou reais). Isto se deve ao fato de existirem. 4. que indicam quais são as funções reais do controle social através do direito e invalidam a perspectiva funcionalista. Assim sendo. Indaga-se como pode o direito reivindicar para si o monopólio da verdade moral. Assim sendo. sem corresponder à vontade das pessoas que. nem o crime destrói a sociedade. a tranquilidade e a justiça social. Além disso. mostrando o seu caráter ideológico. por muitos funcionalistas e pela maioria dos juristas. o controle jurídico e social de alguns comportamentos desviantes não exprime o combate do Bem contra o Mal. Negação da ideologia funcionalista com relação ao controle social A visão da teoria conflitiva pode ser exprimida através de cinco criticas. nem o criminoso é um elemento anormal. muitas vezes. 2. Para estes autores. também não é possível considerar que uma conduta possa ser imputada a um indivíduo. Na sociedade não existe unanimidade sobre conceitos como “o Bem e o Mal”. Esta opinião é criticada por vários autores. quando ele mesmo se altera com o tempo.CIVILIZE-SE. estas ideias podem não estar em consonância com as regras estabelecidas pelo ordenamento jurídico. Segundo uma visão baseada na psicanálise freudiana. que protege todos os indivíduos. Ademais. Ilegitimidade do poder punitivo O controle social através do direito apresenta-se como expressão de um poder legítimo. tal como sustentam os funcionalistas. que decide violar os valores morais de toda sociedade. Inexistência da distinção entre Bem e Mal (“normalidade do crime”) O desvio é considerado. nem sequer as percebem. Vários estudos sociológicos indicam que o controle social é carente de legitimidade porque está a serviço dos grupos de poder que. através da criação e da aplicação de normas de controle.COM se de opiniões que possuem um caráter ideológico e que servem para legitimar o controle social através do 24 direito. reprovando e reprimindo comportamentos desviantes e reafirmando os valores sociais exprimidos pelo direito. Inexistência de culpabilidade pessoal (pluralismo cultural) Os críticos do controle social sustentam que o princípio da culpabilidade pessoal não corresponde à realidade social. numa mesma sociedade. Isto nos impede de distinguir o Bem do Mal de forma definitiva. ocultando assim a sua verdadeira função social. culturas e sistemas de valores diversos (pluralismo cultural).1 Aula 01 – Constitucionalismo na Inglaterra Libertatum e Constitucionalismo na Inglaterra Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Funções declaradas e funções latentes A função declarada (ou manifesta) de uma instituição consiste nos efeitos que causa o seu funcionamento para o sistema social. o controle social é caracterizado por fortes mudanças históricas na avaliação jurídica de alguns comportamentos.WEBNODE. asseguram seus interesses. sempre que tais efeitos sejam desejados e admitidos por aqueles que participam do sistema. A concepção do que é justo ou correto pode diferir não só de pessoa para pessoa. que influem sobre o sistema social. Muitas vezes as instituições sociais cumprem funções diferentes daquelas declaradas. que lesa a ordem. Nessa ótica. os representantes dessa corrente entendem que a repressão está enraizada no inconsciente coletivo e não constitui legítima reação contra o desvio individual. Uma posição contrária é adotada pelos sociólogos do conflito que indicam que o desvio é um fenômeno normal em qualquer sociedade. como um dano e o desviante é visto como um elemento negativo. DIREITO CONSTITUCIONAL I 4. mas também em função do grupo social onde está inserido o indivíduo. 1. A sociedade tem a necessidade de punir uma pessoa para “limpar-se” da sua má consciência e para exorcizar os instintos de destruição.

Direito à vida: Art. durante o dia. apenas com ordem judicial. Confissão Religiosa: VI . por determinação judicial. tampouco criou leis. previa o direito de proteção contra a opressão do rei. O rei não se comprometeu à oferecer serviços à população. Seu principal objetivo foi instituir um Estado legal. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. 4. assinada mediante coação dos barões. parte integrante do exercício da defesa.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. nem pena sem prévia cominação legal. como o confisco. 6. 4. 5. Trata-se de um documento dirigido aos detentores do poder – barões e alto clero – posto que foram eles que coagiram o rei e o fizeram assiná-la. Caracteriza-se por conter apenas direitos individuais. acarretou em diminuição do absolutismo do rei. este caracteriza-se por ter sido o primeiro assinado por um rei. Direito à Intimidade: X . poderia ser efetuada. 3. a Carta Magna previa que.COM O ponto de partida desse período foi a Carta Magna Libertatum – A lei da Terra – outorgada por João Sem Terra em 1215. vindo a revoga-la três meses depois – embora. A Carta Magna. ou seja. não contenha especificações acerca do direito constitucional. A partir da Carta Magna aparece a figura de um governo de acordo com a lei. Há ainda uma inovação importante: estabelece-se um tribunal de justiça (não o cria).ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. É preciso ponderar que os direitos individuais concedidos tinham caráter instável. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. desconcentrar o poder absolutista e proteger os indivíduos contra prisões arbitrarias.WEBNODE. sendo vedado o anonimato. apenas formalizou direitos preexistentes. e apesar de não ter criado direito novo.são invioláveis a intimidade. em tese. portanto. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. posto que se limitou a formalizar os já existentes em 25 um documento escrito. 7. A Carta Magna não se notabilizou por sua longa duração. recebeu a Carta já escrita. Proibição de Tortura: III . surge o principio da legalidade. 1. XXXIX . Princípio da Legalidade: II . inspirou nossa Constituição. teria de submeter tal proposta ao conselho real. inclusive a brasileira. e a assinou a contragosto. não houve concessão social. 8. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. Embora a carta. Inviolabilidade do Domicilio: XI .2 Aula 02 – Magna Charta Libertatum e Artigo 5º O processo legal. ela se notabiliza por servir de matriz a várias constituições contemporâneas.ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Quanto à prisão. Apesar de não ter criado direito novo. Liberdade de pensamento: IV . garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. passaram a inexistir de acordo com a Carta.CIVILIZE-SE. a honra e a imagem das pessoas.não há crime sem lei anterior que o defina. visto que tais concessões foram conquistadas mediante coação. Direito à locomoção física e Habeas Corpus: Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Assim. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. sem distinção de qualquer natureza. ou para prestar socorro. então. a vida privada. 2.a casa é asilo inviolável do indivíduo. ou. na forma da lei. dada a sua importância. João Sem Terra. As medidas coercitivas. a carta tenha sido restabelecida. 5º Todos são iguais perante a lei. posteriormente. caso a lei quisesse impor novos tributos.é livre a manifestação do pensamento.

LXIII .não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. podendo qualquer pessoa. 20. Direito a asilo político: Art.ninguém será levado à prisão ou nela mantido.ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. 19.todos podem reunir-se pacificamente.não haverá juízo ou tribunal de exceção.aos litigantes.é reconhecida a instituição do júri. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local.o preso será informado de seus direitos.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Presunção de Inocência: LVII . Direito à Herança: XXX . ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.é garantido o direito de herança. 10.nenhum brasileiro será extraditado.conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. 17.CIVILIZE-SE. Fiscalização do executivo pelo legislativo: Art.fiscalizar e controlar. 15. Direito à ampla defesa: LV . diretamente. Direito ao Devido Processo Legal: LIV . 16. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: X .ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. com a organização que lhe der a lei.concessão de asilo político. 13.a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: X . LXVIII . 18.Proteção contra prisão arbitraria: LXI .COM XV . Direito ao juiz natural: XXXVII . Apostila elaborada por David Maxsuel Lima 26 . salvo o naturalizado. em processo judicial ou administrativo. LXVI . por ilegalidade ou abuso de poder.é garantido o direito de propriedade.Propriedade Privada: XXII . e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. os atos do Poder Executivo.o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. praticado antes da naturalização. LXII . entre os quais o de permanecer calado. em locais abertos ao público. Direito de Reunião: XVI . sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. 49.WEBNODE. LXIV . LXV . incluídos os da administração indireta. Tribunal do Júri: XXXVIII . nos termos da lei. 12.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. 9. quando a lei admitir a liberdade provisória. sem armas. sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. ou por qualquer de suas Casas. assegurados: 14. Proibição de Extradição: LI . definidos em lei.a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. com ou sem fiança. em caso de crime comum. independentemente de autorização. 11. nele entrar. na forma da lei. permanecer ou dele sair com seus bens. LIII . LII . com os meios e recursos a ela inerentes.

Lei complementar. XXXVIII Reconhece a instituição do júri. é vedado à União. a que se refere o artigo. 6º. assevera que o usucapião não tem validade quando o imóvel for bem público. parágrafo único. 231. de iniciativa do Supremo Tribunal Federal.utilizar tributo com efeito de confisco. limitase. ao Distrito Federal e aos Municípios: I . considerações sobre as terras de ordem indígena. temos.exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça.WEBNODE. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. Decisões fundamentadas e julgamentos públicos: Art. inc. 191. 150. inc. Art. salvo o naturalizado em se tratando de crimes comuns. havendo nesse contexto maior proteção aos direitos individuais. trazendo a ressalva de que brasileiros não serão extraditados. um meio de que fez uso a igreja ao longo da história. 5º. inc. 5º. aos Estados. XVI Trata do direito de propriedade. inc. os direitos individuais não recebem a necessária proteção. às próprias partes e a seus advogados. sobretudo.COM 21. 5º. Ainda acerca do direito de propriedade. 5º.3 Aula 03 – Artigo 5º 27 Art. Os tribunais funcionarão de acordo com a constituição. observados os seguintes princípios: IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. 93. em determinados atos. LI Trata da extradição. ou somente a estes. 5º. ao Distrito Federal e aos Municípios: IV . 5º. Vale ponderar que a propriedade tem de desempenhar a sua função social. Art. inc. e fundamentadas todas as decisões. 4. sob pena de nulidade. no art. inc. em princípio. 4. A locomoção. Proibição de Confisco: Art. LII Assevera que não existirá concessão de extradição por crime de ordem política ou de opinião. p. é vedado à União. aos Estados. Art. Rodrigo César Rebello Pinho nos explica que essa forma de governo “caracteriza-se pela eletividade. Art. temporalidade dos membros do poder Legislativo e Executivo e um regime de Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . portanto. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45.4 Aula 04 – Primórdios e Estatuto de Westmister O absolutismo caracteriza-se. Nesta forma de governo. O art. Imposto mediante lei: Art. 150. inc. Art. pelo poder concentrado nas mãos do monarca. 5. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte.CIVILIZE-SE. podendo a lei limitar a presença. em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. LIV Diz respeito à garantia de que não existirá privação de liberdade e bens sem o devido processo legal. de 2004) 22. XXXVII Declara inaceitável o juízo ou tribunal de exceção. A República tem por escopo a desconcentração do poder. à liberdade de transitar fisicamente pelos espaços abrangidos pela federação. disporá sobre o Estatuto da Magistratura. XV Diz respeito à locomoção do individuo no território nacional. Art. e tem como aspectos essenciais a vitaliciedade e a hereditariedade. 23. um direito fundamental relativizado. de caráter não absoluto.

em 1660 restabelece-se a monarquia com a assunção ao trono de Carlos III que em 1679 outorga o habeas corpus act – um procedimento não estabelecido na Carta Magna e incabível nos casos de crime de traição.5 Aula 05 . não havia uma tradição nesse sentido. Em 1628 surge um novo documento constitucional. o que resulta em uma grave questão política dando inicio a movimentos que visavam a organização de uma guerra civil. A Inglaterra. da CF/88 que nos assegura o direito de nos dirigirmos diretamente a qualquer autoridade através dela. o que guarda certa semelhança com o presidencialismo. então. a petição. isto é. Carlos I outorga a Petição de Direitos. religiosa e econômica – levam à guerra civil inglesa que transcorreu de 1640 a 1648. a partir de 1625. liderado por Oliver Cromwell. no entanto. houve intensa rivalidade entre o rei e o povo inglês.WEBNODE. que não representava verdadeiramente o povo da Inglaterra. escócia e Irlanda como também o ato de navegação que garantiu à Inglaterra o monopólio do comércio marítimo. Num gesto de aproximação com o parlamento surge. 4. Ao longo do desenvolvimento das instituições constitucionais britânicas destaca-se como fato relevante uma acirrada disputa entre o parlamento e o rei.CIVILIZE-SE.Aristocracia e Petition Of Rights Aristocracia O século XVII foi marcante para o Constitucionalismo inglês por diversos e importantes acontecimentos. na Inglaterra. 5º. entraves de ordem política. devendo todos os ocupantes de cargos públicos prestar contas de seus atos”. ainda vigorava um abuso de poder por parte das autoridades. Eduardo III outorgou em 1354 importante documento constitucional: o Estatuto de Westmister das Liberdades de Londres. sendo as raízes do parlamento bicameral remotas ao reinado de Eduardo I. que solidificou e ampliou a cláusula do devido processo legal – due process of law. XXXIV. todas as mercadorias deveriam ser transportadas por navios ingleses.COM responsabilidade das pessoas que ocupam cargos públicos. Em 1658 morreu Cromwell. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . ou seja. vê-se sob uma espécie de República Puritana liderada por Oliver Cromwell que havia a arquitetado com o propósito de governar sem parlamento. prevista no art. que não lança novos direitos. Cromwell recoloca a Inglaterra no auge do setor político e bélico. tendo iniciado o século XVII. os municípios e o Distrito Federal são entes federados de maneira que a União não faz parte da Federação. O agrupamento desses fatores – briga do rei com o parlamento. é precioso ressaltar. No ano de 1649 Carlos I foi condenado pelo crime de traição (felonia) sendo executado no ano seguinte. A Inglaterra não demonstrou ao longo de sua história interesse em fazer leis. Não é uma ação processual. ESCLARECIMENTO: Os Estados-membros. mais nitidamente no reinado de Carlos I. em 1651 o ato de união entre Inglaterra. durante a dinastia Stuart. muito se preocupou em administrar a Justiça. Cromwell outorga nesse período diversos documentos: em 1648 o acordo com o povo. Durante a guerra civil. PRIMÓRDIOS Em 1295 começaram a participar das reuniões do Parlamento a alta burguesia que representava a gênese do sistema bicameral na Inglaterra. protagonizando um simbólico ato de extinção da monarquia. Consta que o parlamento efetivamente funcionava quando convocado pelo rei. Em 1629 fecha-se o parlamento. O parlamento passou a ser composto por duas casas: a câmara alta – nobres – e a câmara baixa – dos comuns. Esse sistema foi formalizado por Eduardo III em 1343. São representantes do povo no poder Legislativo 28 e Executivo.

o governo pelo parlamento. A partir do século XVIII a burguesia ganhou status na Inglaterra. Ocorre transferência de competências da câmara alta para a câmara baixa.CIVILIZE-SE. 1928 e 1948 9sufrágio universal) Não se tem a clássica separação dos poderes no contexto governamental inglês. isto é. 1867 e 1884. Atos de representação popular de 1918. num sistema mais representativo. passando pela República de Cromwell.WEBNODE. em 1701 foi pactuado o ato de estabelecimento que consolidou os mandamentos contidos no Bill of rights. Após a Revolução Gloriosa. cabendo a Guilherme III representar politicamente a nação. assume o trono. Com o Bill of Rights. uma paridade na composição do parlamento. c. houve a consolidação das conquistas históricas do constitucionalismo inglês. a câmara baixa passou a comportar maior representatividade e legitimidade. Até a Revolução Gloriosa quem governava era o Rei. seu irmão. buscando. após esta. e logo depois para uma monarquia absolutista. a igualdade entre Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . ao mesmo tempo. baixas competências. enquanto que a câmara baixa detinha poucos poderes. o "socialismo utópico" pode ser definido como um conjunto de ideias que se caracterizaram pela crítica ao capitalismo. posto que a composição da câmara baixa se dá pelo voto direito e periódico. 1999 e 2007. com Carlos II. O panorama muda possibilitando uma eficácia democrática. transferindo competência e poderes da câmara alta para a baixa e assegurar a soberania popular através do sufrágio universal. Os atos de reforma parlamentar de 1832. A figura do rei permaneceu como chefe político do Estado.6 Aula 06 – Inglaterra: século XIX a XXI A Inglaterra iniciou o século XVII sob uma monarquia absolutista. no evento denominado revolução gloriosa. ocorre uma reforma que visa garantir a paridade no número de membros. TEORIA GERAL DO ESTADO II 5. A Inglaterra evolui democraticamente de modo gradual. a construir uma cultura constitucional desde o século XIII. Os atos do parlamento de 1911. Em 1688 deixa o trono e Guilherme de Orange é convidado a assumi-lo. Sendo o parlamento bicameral. a câmara alta. Predomina então a soberania popular. passou a governar o parlamento. Esses documentos são: a. muitas vezes ingênua e inconsistente. por questões históricas. Em 1689 foi instalada na 29 Inglaterra por meio do Bill Of Rights a monarquia constitucional. 1949. através de documentos constitucionais que tiveram por finalidade central garantir a paridade entre os membros das duas casas. Inglaterra (século XIX a XXI) Em síntese. Assim. 1688.1 Aula 01 – Ideologias Políticas IDEOLOGIAS POLÍTICAS SOCIALISMO Socialismo Utópico Em síntese.COM Em 1685 falece Carlos II e Jaime II. b. há a instalação da monarquia parlamentar. nesse período houve várias mudanças no parlamento inglês. gozava de certa superioridade. 5. 4. secreto e periódico. pois vige uma forma de governo pura centrada no parlamento.

Socialismo Científico O Socialismo Científico foi criado por Karl Marx e Friedrich Hegel.Fundou diversas cidades no Canadá.WEBNODE.COM os indivíduos. a propriedade pertencia ao Estado e todos trabalhavam para ele. o principal problema é o do direito do Estado e do dever do indivíduo e das classes. A liberdade é uma concessão do estado.CIVILIZE-SE. superficiais e ingênuas dos utópicos. Principais pensadores do socialismo utópico Charles Fourier Pierre Leroux Robert Owen . Controle policial da manifestação política exercido pelo Estado. nome do grupo político que surgiu na Itália no fim do século XIX e começo do século XX. Para o fascismo. 1924 – Representantes políticos fascistas ganharam a maioria no parlamento. Mussolini compôs o novo governo. quando estes desenvolveram a teoria socialista. nas quais a distribuição de terra era de acordo com a sua obra. criada pelo liberalismo. 27/10/1922 . partindo da análise crítica e científica do próprio capitalismo. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima 30 . O termo fascismo deriva de fascio. Principais Pensadores do Socialismo Científico Karl Marx e Friedrich Hegel TOTALITARISMO É uma Concepção política que se mostra em franca oposição à doutrina do cidadão abstrato. O socialista Giacomo Matteotti foi brutalmente assassinado por partidários fascistas. mas foram acusados de fraude no processo eleitoral. CARACTERÍSTICAS Ideologia oficial.2 milhões de trabalhadores pararam ao mesmo tempo em que os camponeses exigiam reforma agrária.MARCHA SOBRE ROMA – manifestação fascista que exigia que o rei Vitor Emanuel II passasse o poder para o Partido Nacional Fascista. combate-se a propriedade privada dos meios de produção como única alternativa para se atingir tal fim. Os direitos individuais não são mais que o reflexo dos direitos do Estado. A palavra foi criada por Mussolini em discurso proferido no dia 22 de junho de 1925. Concentração dos meios de propaganda do Estado. Contexto Histórico Fim da 1ª Guerra Mundial: problemas da nação italiana mobilizaram diferentes grupos políticos procurando resolução. FASCISMO O fascismo é um regime autoritário de extrema-direita desenvolvida por Benedito Mussolini. em resposta às acusações. Em linhas gerais. 1920 – Greve Geral . românticas. do homem soberano. a partir de 1919 na Itália. Sistema de partido único dirigido por um líder. Direção estatal da economia. e tinham providas suas necessidades por ele. Concentração dos meios militares. em reação contrária as ideias espiritualistas.

no campo da economia. O fascismo de certa forma era resultado de um sentimento geral de medo e ansiedade dentro da classe média do pós-guerra.WEBNODE. Embora inegável as vantagens apresentadas pelo corporativismo orgânico. presos ou deportados. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Limitação ao direito dos empresários de administrar sua força de trabalho. em 1923. passaram a desenvolver um programa de separação da igreja do estado. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Nacionalismo: exaltação do país italiano que coloca como país supremo em termos de desenvolvimento.COM 1927 e 1934: milhares de civis foram mortos. um exército nacional. Cerceamento (cortar. mas o povo não se autogovernava. Führung . um imposto progressivo. um condutor. em que os membros do partido ocupavam todos os cargos estatais. Mussolini era assistido pelo Grande Conselho Fascista. Criou-se o Estado totalitário. O rei servia apenas para assinar alguns papéis e manter a tradição. NAZISMO – NACIONAL-SOCIALISMO O nacional-socialismo afirma que a origem de todo o Direito e poder reside na própria comunidade. é dele que provém a expressão Führer que significa chefe. sem dúvida. então era guiado por um guia. Mussolini criou 22 Corporações. de condução da comunidade. O Estado nacional-socialista. Em 1934. regulando as relações trabalhistas no país e garantindo a representação separada de patrões e empregados. Organização do Estado Todo o poder concentrado no Dose. em que patrões e funcionários dos sindicatos fascistas atuavam juntos.CIVILIZE-SE. a fim de disciplinar o trabalho e a produção (com receio da burguesia que temia perder poder). chefe do governo e do Partido Nacional Fascista. o apoio da população italiana e lhe possibilitou a realização pacífica de uma notável obra social econômica. foi elaborada a Carta do Trabalho. O trabalho foi considerado como dever social e o direito de greve foi abolido e considerado crime contra a organização corporativa estatal. certo é que o regime político fascista foi cruel e violento. desenvolvimento de cooperativas e principalmente a república italiana. porque mais essencial que o indivíduo é a comunidade total. política e cultural. Uni partidarismo: o único partido permitido pelo governo era o próprio partido fascista Derrota dos movimentos de esquerda. O Sistema Corporativo O fascismo queria eliminar a luta de classes e para isso criou organizações econômicas chamadas Corporações (corporações) formadas de patrões e empregados de um mesmo setor. que os esquerdistas tomassem o poder. como todas as ditaduras. restringir) da liberdade civil: pois se trata de um regime autoritário. Adotou a violência como método de governo. Havia também um terço de representantes do Estado para somar seu voto ao dos patrões (estratégia de Mussolini que dava a impressão de aproximar patrão e empregado). 31 partidos políticos (exceto fascista). órgão encarregado de coordenar toda a atividade do regime e nomear o chefe do governo. composto pelos principais chefes fascistas. O principal instituto de direito público deles é a Führung. não é individualista. foram colocados na ilegalidade. Os fascistas. fato que lhe valeu.trata-se de um princípio de liderança. Os órgãos de imprensa foram fechados. devido convergências de pressões inter-relacionadas de ordem econômica. Em 1927.

quem cometesse crime contra a economia seria punido com pena de morte. Estabelece os limites da atuação do estado. Sentido político – Oriunda da decisão de um conjunto conciso para favorecer o Estado. Cerceamento (cortar. trata das formas de Estado e de governo. restringir) da liberdade civil: pois trata-se de um regime autoritário. Devem exercê-lo na medida em que lhes foram conferidos pelas normas jurídicas. 32 Apostila elaborada por David Maxsuel Lima .2 Aula 02 – Teoria Geral da Constituição Rodrigo César Rebello Pinho assim se manifesta acerca da Constituição: “É a lei fundamental de organização do Estado. sobretudo. Uni partidarismo: Hitler assumiu o governo e investido de poderes ditatoriais extingui partidos políticos e dissolveu os grupos nacionais considerados por ele perigosos. nem mesmo a autoridade da lei. exercício e perda do poder político e dos principais postulados da ordem econômica e social. Concepções de Constituição Sentido sociológico – Baseada em fatos reais da sociedade. com uma Alemanha isenta da influência dos não arianos. É a base do todo normativo em que se identifica um principio de hierarquia entre as leis.” Entendemos que a Constituição. Optar-se-ia apenas por regrar normativas essenciais. como. seja de ordem governamental ou jurídica. Autoritário – suas decisões não sofrem oposição. e a fixação de competências. assim como seus agentes. Formais – caracterizada pelo modo especifico de abordar determinado assunto. por exemplo.COM O poder Führung é: Originário – porque não foi conferido pelo povo nem por qualquer autoridade. Depuração da nacionalidade.WEBNODE. ao estruturar e delimitar poderes políticos. do sistema de governo. De forma ampla: Os artigos referemse de modo amplo a determinados temas. complexo jurídico eficaz formulado de modo particular e majestoso entendido como normativa maior de um corpo social. seja pelas vias de fato ou de direito Características Nacionalismo: proteção dos símbolos nacionais e dignificação da história alemã. Sentido jurídico – Regida pelo dever-ser.CIVILIZE-SE. respondendo por eventuais abusos a direitos individuais. ao assegurar respeito aos direitos individuais. direitos individuais e estrutura do estado. Dispõe sobre os principais aspectos da sua estrutura. O Estado. é um complexo no qual se atribui a delimitação do poder. É. não possuem poderes ilimitados. 5. na visão de Carl Schmitt. Economia totalmente vinculada ao Estado. Autônomo – porque o Führer não se submete a nenhuma autoridade. vista como um corpo de regras e normativas formuladas e compiladas num único volume de livro. do modo de aquisição. Quanto ao conteúdo – objeto da Constituição Materiais – Um corpo de normativas codificadas de modo material. Quanto à forma (de apresentação) Escrita ou orgânica – A codificação das normas num único corpo textual já positivado. De forma restrita: O tema está intrínseco ao artigo de modo pormenorizado.

São habitualmente extensões dos princípios do direito natural arraigados na sociedade humana. é de natureza formal. sob um texto único. 5. democrática. Não há. respectivamente. quanto à origem.CIVILIZE-SE. Exemplo: Constituições brasileiras de 1824.3 Aula 03 – Poder Constituinte Poder Constituinte Originário Quando da instalação de uma nova ordem constitucional. Habitualmente não se respeitam as Constituições Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Flexível – Independe de método especifico para ser alterada. quanto ao modo de elaboração.WEBNODE.COM Não escrita ou inorgânica – Oriunda de um processo evolutivo do corpo social. costumeira ou consuetudinária – Resultado da gradativa evolução histórica de um corpo social. pelo regime militar de 1967 e por uma junta militar em 1969. Classificação da Constituição Brasileira de 1988 Quanto ao conteúdo. Trata-se de um meio-termo entre a Constituição rígida e flexível. 1934. Sendo não escrita. São compostas de leis esparsas sem organização em código. pelo Imperador D. Baseia-se em tradições peculiares à sociedade. 1967 e 1969. Exemplos: Constituições brasileiras de 1891. 1946. temos a instituição de um Poder Constituinte Originário. Quanto à Estabilidade Dada sua mutabilidade. A Constituição escrita sempre é dogmática”. “Elaboradas por um órgão constituinte. a Constituição da Inglaterra. Rígida – Há um rito especial para sua alteração. escrita. Semirrígida – Alguns assuntos independem de certos ritos para serem alterados. Ex. Há doutrinadores que não admitem uma Constituição não escrita e que subdividem a forma escrita em orgânica e inorgânica. Histórica. Quanto à elaboração Dogmática – São fruto da elaboração levada a efeito por um conjunto de indivíduos destinados a sua confecção¹. quanto à estabilidade. Quanto à origem Populares ou Democráticas – Regidas por intermédio do povo. Outorgadas – Regida e imposta não existindo intermediação do povo. rígida. 1937. seja ele de caráter popular ou outorgado. como. que incorpora no texto constitucional os valores políticos e ideológicos predominantes em determinado momento histórico. normativas codificadas. Constituição da Inglaterra. é histórica ou costumeira. enquanto outros o necessitam. outorgadas. baseada em preceitos. Pedro I. 1988. as Constituições devem conter dispositivos que permitem a alteração de suas normas de acordo com as modificações exigidas pela dinâmica social. dogmática. Sua modificação exige procedimentos distintos daqueles pelos quais se ditam e revogam as demais leis. quanto à forma. por 33 exemplo. Sua modificação segue o mesmo rito quando da reformulação de leis ordinárias. pelo Ditador Getúlio Vargas. Exemplo clássico é a Carta Imperial do Brasil.

III). Como inaugura uma ordem jurídica. estado de defesa ou estado de sítio). Diversamente do poder Constituinte Originário. o Derivado é jurídico. o voto direito. criando determinadas áreas imutáveis. 29. secreto. São as cláusulas pétreas que. é o poder do Estado-Membro de uma Federação elaborar sua própria Constituição. 60 (vigência de intervenção federal. estabelecendo os limites e a forma de manifestação no art. justamente diante da necessidade de tranquilidade social. quando a lei ordinária pode ser apresentada. 60. Após um Golpe de Estado. art. A atual Constituição brasileira estabelece duas formas de alteração. da Constituição Federal. c. da Constituição da República que. Materiais – são as matérias petrificadas pelo art. 11 do ato das Disposições Transitórias – ADCT. Inicial – inaugura uma ordem jurídica. por intermédio de ementa à Constituição e pela revisão constitucional. revogando a Constituição anterior e os dispositivos infraconstitucionais anteriormente produzidos e incompatíveis com ela. a separação dos poderes e os direitos e garantias individuais. Diz-se. O primeiro é o poder de modificação das normas constitucionais. atribuem-se ao Poder Constituinte Originário algumas características que demarcariam seu perfil. para que se possa modificar a Constituição. que o Poder Constituinte Originário é: a. Limites ao poder Constitucional Derivado: a. Ocorre que. bem como o poder do Estado-Membro de uma Federação de elaborar sua própria Constituição. Autônomo – só ao seu exercente cabe determinar quais os termos em que a nova Constituição será estruturada. 60. em seus incisos I a IV. muito embora exista influência de determinados preceitos basilares que permeiam a vida de 34 todos. há alguns implícitos. condicionando o procedimento. caput) (4) Características Limitação – a Constituição impõe limites a sua alteração. Procedimentais – durante o processo de ementa. algumas mudanças constitucionais não podem ser toleradas. compõe novo arcabouço jurídico. 25.WEBNODE. só poderá ser apresentada na sessão seguinte. 67). Ilimitado – não se reportando à ordem jurídica anterior. Além dos limites explícitos acima anunciados. Incondicionado – não se submete a nenhum processo predeterminado para sua elaboração ¹ Poder Constituinte Derivado (ou poder reformador ou secundário) Para Rodrigo César Rebello Pinto.³ Quanto ao poder constituinte decorrente. apesar de não estarem previstas de forma clara. “é o poder de modificação da Constituição. c. b. fala-se em um Poder Constituinte Originário. por decorrência do sistema. por exemplo. estaríamos mudando a vontade do Poder Constituinte Originário de tal maneira que a competência reformadora seria exercida de forma diferente da determinada pelo Poder Inicial. § 4º. 60) e na impossibilidade de representação do projeto nas mesma sessão legislativa (§ 5º do art. por isso.CIVILIZE-SE. Circunstanciais – elenca determinadas circunstâncias em que não pode haver trâmite de ementa constitucional. A atual atribui esse poder constituinte aos Estados Federados em seu art. II. d. Em nosso caso. pois apenas revela o exercício de uma competência reformadora. que se regem por leis orgânicas aprovadas pelas respectivas Câmaras Municipais (CF. em nosso sistema. Estão presentes no § 1º do art. a regra consiste na dificuldade maior da iniciativa (art. Se modificássemos o processo do art. torna imutáveis a forma federativa de Estado. O poder Constituinte decorrente não foi estendido pela atual Constituição aos Municípios. no quorum elevado em relação à lei ordinária (§ 2º do art. § 4º. desde que por pedido da maioria absoluta em qualquer das Casas (art. Assim. Abrange tanto o poder constituinte de reforma como o poder constituinte decorrente”² Espécies: poder constituinte derivado de reforma ou reformador e poder constituinte decorrente. se esta for rejeitada ou tida como prejudicada. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . 60 (previsto para alteração do texto constitucional). 60. 60). sem limites para a criação de sua obra. b. Condicionalidade – a modificação da Constituição deve obedecer ao processo determinado para sua alteração (processo de ementa). universal e periódico. algumas formalidades devem ser cumpridas. que é político. I.COM anteriores. Cada unidade da Federação possui a sua Constituição Estadual. encontram-se indicadas no art.

Criminologia é ciência flexível. podemos afirmar que esta não é um todo imutável. v. Tudo isso sem falar nos princípios constitucionais (objetivos e fundamentos do Estado brasileiro. por si só. 3º e dos incisos do art. Basta compreender que a Política Criminal não é. e conclui que é necessário preveni-lo através de políticas públicas. antijurídico. a criminologia analisa o crime sob um prisma particular. a cultura.COM Da mesma forma se alterássemos o rol de matérias imutáveis previsto no § 4º do art. a fé. mas sim uma ciência inexata acrescida de conclusões que não pretendem fixar-se como verdades absolutas. A política criminal parte da percepção de que o crime não se resolve apenas com a lei. Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . constrói uma relação do crime com a economia. onde este é tido como típico. daquilo imposto pelo Estado. Criminologia é ciência de caráter subjetivo onde se procura resposta para uma gama de questionamentos suscitados após uma análise do crime. A Criminologia lida com fenômenos oriundos de uma realidade social que de modo algum configuram um conjunto sólido. uma ciência.1 Aula 01 – Conceito de Criminologia A criminologia é uma ciência empírica e interdisciplinar que se ocupa do estudo do crime. CRIMINOLOGIA E POLÍTICA CRIMINAL 6. temos como problemática inicial a dificuldade que existe em se rotulá-la. conceitualizá-la. o crime se faz essencial também para o Direito Penal e à Política Criminal.WEBNODE. O Direito Penal não problematiza o crime. seu escopo com a intenção de compreendê-lo a partir de diversos ângulos. da vítima e do controle social. g. No entanto. o que faz dessa ciência ímpar é sua orientação crítica. visto por ele tão somente sob a perspectiva do que está estabelecido. código. caracterizado pelo controle do Estado.3 – Aula 03 – Política Criminal Considerações acerca da criminologia e Política criminal A criminologia tem como propósito aplicar a pacificação social. 6. respectivamente. e sim um meio de controle social. em verificações e comprovações de ordem empírica. respostas que são por vezes encontradas após laboriosos estudos de ordem empírica e indutiva. legislação. Esse mecanismo de controle do crime se divide em formal. a criminologia o estuda de modo mais amplo. não é matéria por ela analisada de modo exclusivo. ou seja. 60. analisando. A criminologia é crítica enquanto o direito penal compreende dogmas.CIVILIZE-SE. que são intocáveis por via de emenda. sobretudo. Se compreendermos que a criminologia é um corpo de análises cujas considerações são pautadas. o crime. crime em criminologia difere de crime em direito penal. nos limites de sua abrangência. Portanto. observa. Distinguir Criminologia de outros ramos do conhecimento que dispõem do mesmo objeto de observação não é tarefa que demande aprofundados conhecimentos. algumas considerações No que tange à Criminologia. Caracteriza-se por buscar a verificação de suas teses. 6. e informal.2 Aula 02 – Objeto de estudo: o crime Criminologia. o relativizando.. dogmatizado. da pessoa do infrator. Enquanto o direito penal avalia o crime a partir do dogma. o crime a partir da ciência social. Não se buscam conclusões perpétuas. culpado. 1º da CF). O conceito de crime não pode ser apenas legal para a criminologia. constantes. isto é. 6. quando há um controle feito pela sociedade. da psiquiatria etc. Seu objeto de estudo. 35 do art.

em meados do século XVIII. entendida como toda a ação pública que não está diretamente 36 relacionada ao crime. Crenças nos poderes do ser humano. não aflitivos. A criminologia não analisa o crime como conceito legal. o delito é o fato típico antijurídico e culpável. Persistência espaço-temporal – é necessário que não seja aflitivo apenas para um grupo. mas sim como ato puro. onde nasce a lei. quem a criou. não o que a lei admite como tal.5 Aula 05 – Escola Humanista e Escola Positiva Temos que o Direito Penal é uma maneira de executar a vontade de um grupo social. Ponderamos que a legislação penal extravasa o Código Penal. isto é. são três os aspectos intrínsecos à Escola Clássica: 1. como. algo que exerça certa aflição social com razão de ser disciplinado pelo Direito Penal. por exemplo. entre outros iluministas. mais que mero aborrecimento. É preciso compreender ainda que nem tudo que é considerado crime para o direito penal sofre igual julgamento pela sociedade. 6. ou delito. antes dela surgir. 4º. 3º. persistindo no espaço e no tempo. Temos. 3. Consta que o individuo tem o poder de dirigir a própria vida. autor de Dos delitos e Das penas. Assim. isto é. é definido como fato negativo de incidência massiva na população. com o crime ligado à religião.4 – Aula 04 – O crime ou Delito O crime. à ideia de pecado. 2. entendidos como ilícitos pelo código penal. A problemática consiste na impossibilidade de aferir a principal tese da escola Clássica: o livre-arbítrio – não há cientificidade. Certeza de que a punição inibe o crime. Inequívoco consenso quanto à efetividade da intervenção penal – Não se pode inserir no rol penal fatos isolados.CIVILIZE-SE. de natureza aflitiva dotado de persistência espaço-temporal que tenha um inequívoco consenso acerca de sua origem. seu processo de criação. também se encontra no rol da política criminal. É diferente de determinado fenômeno que em apenas determinado local causa desconforto. Escola Positiva Apostila elaborada por David Maxsuel Lima . Césare Beccaria. já o Sistema Penal engloba o todo. isto é. o CPP. portanto. sob o prisma Clássico. nasce para proteger os interesses daquele que está à frente do Estado. Não há discussão quanto à origem do fato. A primeira escola a estudar o crime numa perspectiva cientifica foi a escola Positiva. Para o Direito Penal. Caso tenha sido perpetrado. Como exemplo temos os CDs piratas que. há uma crença nos poderes do ser humano. são as chamadas Escolas Humanista e Clássica. os elementos do delito para a criminologia são: 1º. As penas devem ser proporcionais aos delitos. Assim. Com os iluministas essa perspectiva é contestada. Muito embora. Incidência massiva – Não pode ser um fato isolado. o seu infrator deve ser punido nos limites da lei. identifica o que é crime. não é efetivamente recriminado pelo corpo social 6.WEBNODE. preocupado em zelar por tais interesses. Há subsunção do fato à norma penal.COM Percebemos que os mecanismos de controle social formal não são aqueles realizados exclusivamente através de leis e sanções posto que a prevenção. já existia um modo de se interpretar o fenômeno do crime. penas desproporcionais. defende que o ser humano é dotado de livre-arbítrio. 2º. Natureza aflitiva – ou seja. O Direito Penal compreende a legislação. e que o que leva a pessoa a não cometer o delito é a certeza de que será punida.

Apostila elaborada por David Maxsuel Lima .CIVILIZE-SE. O equivoco atribuído a essa escola foi de ter crido que o crime advém da natureza do criminoso.COM Advoga que o fenômeno do crime não é algo simples.WEBNODE. o que incentiva a pesquisa cientifica. criando a figura do 37 criminoso nato.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful