A EVOLUÇÃO DA REVELAÇÃO DIVINA INTRODUÇÃO

:
A)

DEFINAMOS PRIMEIRO O SENTIDO DA PALAVRA REVELAÇÃO

A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 2.

Definamos primeiro o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa ignota que é divulgada, de qualquer idéia nova que nos põe ao corrente do que não sabíamos.
B)

A CARACTERÍSTICA ESSENCIAL DA REVELAÇÃO

A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Itens 2 e 3.

Deste ponto de vista, todas as ciências que aos fazem conhecer os mistérios da Natureza são revelações e pode dizer-se que há para a Humanidade uma revelação incessante. A Astronomia revelou o mundo astral, que não conhecíamos; a Geologia revelou a formação da Terra; a Química, a lei das afinidades; a Fisiologia, as funções do organismo, etc.; Copérnico, Galileu, Newton, Laplace, Lavoisier foram reveladores.

A característica essencial de revelação tem que ser a verdade. (...).
C)

qualquer

A REVELAÇÃO DIVINA

A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 10.

Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas, sabe-se hoje que nem todos os
Espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentem sob falsas aparências, o que levou S. João a dizer: “Não acrediteis em todos os Espíritos; vede antes se os Espíritos são de Deus. ”(1ª, 4:4.)

Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como as há apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de

erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus.
DESENVOLVIMENTO: A)A PROGRESSIVIDADE DA REVELAÇÃO DIVINA
ESPIRITISMO BÁSICO, 1ª Parte, AS REVELAÇÕES E O PROGRESSO ESPIRITUAL DO HOMEM.

REVELAR significa tirar o véu, mostrar, tornar conhecido o que é secreto, mas todo conhecimento deve ser progressivo e ajustado às mentalidades a que se destina.
ESPIRITISMO BÁSICO, Primeira Parte, P. 37, AS REVELAÇÕES E O PROGRESSO ESPIRITUAL DO HOMEM.

De fato, as leis divinas são reveladas às criaturas humanas de acordo com seu grau de entendimento e capacidade de apreensão das verdades que encerram. O selvagem não entenderia por que não deve matar, se a isso o aconselhássemos.
EMMANUEL, O Consolador, Terceira Parte, Religião, Pg. 271.

Aliás, somos obrigados a reconhecer que os homens receberão sempre as revelações divinas de conformidade com a sua posição evolutiva.
LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro Terceiro, Capítulo I, Lei Divina ou Natural.

628. Por que nem sempre a verdade foi colocada ao alcance de todos? “É necessário que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso habituar-se a ela pouco a pouco, senão ela ofusca.” UM EXEMPLO:
RODOLFO CALLIGARES, As Leis Morais, A Progressividade da Revelação Divina I, P. 16.

Há uma opinião generalizada de que, sendo a Bíblia um livro de inspiração divina, tudo o que nela se contém, "de capa a capa", forma um bloco indiviso, uma unidade indecomponível, um respositório de verdades eternas, e que, rejeitar-lhe uma palavra que seja, seria negar aquele seu caráter transcendente.

E preciso, entretanto, dar-nos conta de que entre a época em que foi escrito o pentateuco de Moisés e aquela em que João escreveu o Apocalipse, decorreram séculos e séculos, durante os quais a Humanidade progrediu, civilizou-se e sensibilizou-se, devendo ter ocorrido, paralelamente com esse desenvolvimento, um acréscimo correspondente nos valores morais da Revelação Divina, como de fato ocorreu. A.1) OUTRA CARACTERISTICA DA REVELAÇÃO DIVINA
RODOLFO CALLIGARES, As Leis Morais, A Progressividade da Revelação Divina I, P. 16.

Por outro lado, sendo o progresso constante e infinito, essa revelação, necessariamente, também deve ser ininterrupta e eterna, não podendo haver cessado, por conseguinte (como alguns o supõem), com o último livro do Novo Testamento.
B) AS TRÊS REVELAÇÕES
ESPIRITISMO BÁSICO, 1ª Parte, AS REVELAÇÕES E O PROGRESSO ESPIRITUAL DO HOMEM.

As revelações (*) deram-se em épocas variadas, e povos, os mais diversos, as receberam, através do ensino de profetas inspirados, de instrutores espirituais capacitados. (...). (*) Nesse sentido, houve uma "revelação" budista, uma islâmica, etc.

Allan Kardec estuda em "A Génese" as revelações dirigidas à civilização cristã, ou seja, a de Moisés e a de Jesus, comparando-as com a dos Espíritos.
B.1) LEVANDO–SE EM CONSIDERAÇÃO QUE:
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 10.

O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus.
(...)

B.2) NOS TEMOS QUE: É assim que a lei do Decálogo tem todos os caracteres de sua origem, enquanto que as outras leis moisaicas, fundamentalmente transitórias, muitas vezes em contradição com a lei

do Sinai, são obra pessoal e política do legislador hebreu. Com o abrandarem-se os costumes do povo, essas leis por si mesmas caíram em desuso, ao passo que o Decálogo ficou sempre de pé, como farol da Humanidade. O Cristo fez dele a base do seu edifício, abolindo as outras leis. Se estas fossem obra de Deus, seriam conservadas intactas. O Cristo e Moisés foram os dois

grandes reveladores que mudaram a face ao mundo e nisso está a prova da sua missão divina. Uma obra puramente humana careceria de tal poder.
B.3) O ESPIRITISMO
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Itens 12 e 13.

O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra.
B.3.1) A REVELAÇÃO ESPIRITA TEM DUPLO CARÁTER Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Participa da primeira, porque foi providencial o seu aparecimento e não o resultado da iniciativa, nem de um desígnio premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da doutrina provêm do ensino que deram os Espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca de coisas que eles ignoravam, (...). Participa da segunda, por não ser esse ensino privilégio de indivíduo algum, (...); por não serem os que o transmitem e os que o recebem seres passivos, dispensados do trabalho da observação e da pesquisa, (...); enfim, porque a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. Numa palavra, o que

caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.
B.4) EMMANUEL: AS TRÊS REVELAÇÕES
EMMANUEL, O Consolador, Terceira Parte, Religião, Pg. 271.

Até agora, a Humanidade da era cristã recebeu a grande

Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor, e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade. No centro das três revelações encontra-se Jesus-Cristo, como o fundamento de toda a luz e de toda a sabedoria. É que, com o Amor, a Lei manifestou-se na Terra no seu esplendor máximo; a Justiça e a Verdade nada mais são que os instrumentos divinos de sua exteriorização, com aquele Cordeiro de Deus, alma da redenção de toda a Humanidade. C)UM POUCO DE CADA REVELAÇÃO A PRIMEIRA REVELAÇÃO: MOISÉS

INDIVIDUAL, DEUS VINGATIVO E PARCIAL, PROPRIO PARA UMA ÉPOCA.
ESPIRITISMO BÁSICO, Pedro Franco Barbosa, Primeira Parte, P. 37, A REVELAÇÃO DE
MOISÉS.

A Revelação moisaica é individual e sobressai pela herança que nos legou do Decálogo, do Deus único e da fortificação da fé, mas nos apresenta a divindade sob a forma de um ser vingativo, cruel, guerreiro, temido e parcial, próprio de uma época em que somente pela ameaça de castigo físico, de represálias, seria possível conseguir ordem, obediência, submissão. "As leis moisaicas, propriamente ditas, revestiam, pois, um caráter essencialmente transitório." — Allan Kardec, em "O Evangelho segundo o Espiritismo".
RODOLFO CALLIGARES, As Leis Morais, A Progressividade da Revelação Divina I, P. 16.

E porque não pudessem assimilar lições de teor mais elevado, a par das ordenações de Moisés, especificamente nacionais, que tinham por objetivo levá-los a uma estreita solidariedade racial, e regras outras, oportunas, porém transitórias, que servissem para disciplinálos durante o êxodo, (...).

O PROFETA
LIVRO DOS ESPIRITOS, Parte terceira, Capítulo I, DA LEI DIVINA OU NATURAL.

622. Confiou Deus a certos homens a missão de revelarem a sua lei?

“Indubitavelmente. Em todos os tempos houve homens que tiveram essa missão. São Espíritos superiores, que encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade.”
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 21.

Moisés, como profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único, Soberano Senhor e Orientador de todas as coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva fé, purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a Terra.

O DECÁLOGO: LEI DIVINA
RODOLFO CALLIGARES, As Leis Morais, A Progressividade da Revelação Divina I, P. 16.

receberam, também, a primeira grande revelação de leis divinas — o Decálogo — que lhes prescrevia o que não deviam fazer em dano do próximo.
(...)

EMMANUEL, O CONSOLADOR, LEI.

268 — Os dez mandamentos recebidos por Moisés no Sinai, base de toda justiça até hoje, no mundo, foram alterados pelas seitas religiosas? — As seitas religiosas, de todos os tempos, (...), procuram modificar os textos sagrados; todavia, apesar das alterações transitórias, os dez mandamentos, (...), voltam sempre a ressurgir na sua pureza primitiva, como base de todo o direito no mundo, sustentáculo de todos os códigos da justiça terrestre.
EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec, Capítulo I, NÃO VIM DESTRUIR A LEI, As três revelações: Moisés, Cristo, Espiritismo, Item 2, Moisés.

Na lei mosaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo. A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes: I. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da

casa da servidão. Não tereis, diante de mim, outros deuses estrangeiros. — Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano. II. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus. III. Lembrai-vos de santificar o dia do sábado. IV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará. V. Não mateis. VI. Não cometais adultério. VII. Não roubeis. VIII. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo. IX. Não desejeis a mulher do vosso próximo. X. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam. A SEGUNDA REVELAÇÃO: JESUS: O CRISTO

JESUS NÃO VEIO DESTRUIR A LEI, VEIO CUMPRI-LA
EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec, Capítulo I, NÃO VIM DESTRUIR A LEI, As três revelações: Moisés, Cristo, Espiritismo, Itens 3 e 4.

Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus; veio cumprila, isto é, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. (...). Combatendo constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, por mais radical reforma não podia fazê-las passar, do que as reduzindo a esta única prescrição: “Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo”, e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas.

Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina. Ele viera ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra e sim a que é vivida no reino dos céus; viera ensinar-lhes o caminho que a esse reino conduz, (...).

A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Itens 22 E 23.

O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino e rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moisés não falara, assim como a das penas e recompensas que aguardam o homem, depois da morte. A PARTE MAIS IMPORTANTE DA REVELAÇÃO DO CRISTO SEGUNDO ALLAN KARDEC
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Itens 22 E 23.

A parte mais importante da revelação do Cristo, no sentido de fonte primária, de pedra angular de toda a sua doutrina é o ponto de vista inteiramente novo sob que considera ele a Divindade. UM QUADRO COMPARATIVO MOSTRANDO: A PROGRESSIVIDADE DA REVELAÇÃO DIVINA MOISÉS Deus terrível, ciumento, vingativo, cruel e implacável, (...). Deus injusto, que pune um povo inteiro pela falta do seu chefe, que se vinga do culpado na pessoa do inocente, que fere os filhos pelas faltas dos pais. Deus de um único povo privilegiado, o Deus dos exércitos, presidindo aos combates para sustentar a sua própria causa contra o Deus dos outros povos. Deus que recompensa e pune só pelos bens da Terra, que faz consistir a O CRISTO Deus clemente, soberanamente justo e bom, cheio de mansidão e misericórdia, que perdoa ao pecador arrependido e dá a cada um segundo as suas obras. Pai comum do gênero humano, que estende a sua proteção por sobre todos os seus filhos e os chama todos a si; Deus que diz aos homens: “A vossa verdadeira pátria não é neste mundo, mas no

glória e a felicidade na escravidão dos povos rivais e na multiplicidade da progenitura. Deus que faz da vingança uma virtude e ordena se retribua olho por olho, dente por dente;

reino celestial, lá onde os humildes de coração serão elevados e os orgulhosos serão humilhados.” Deus de misericórdia, que diz: “Perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem em troca do mal; não façais o que não quereis vos façam.” Deus mesquinho e Deus grande, que vê o meticuloso, que impõe, sob pensamento e que se não as mais rigorosas penas, o honra com a forma. modo como quer ser adorado, que se ofende pela inobservância de uma fórmula; Deus que quer ser temido; Deus que quer ser amado.

A PROMESSA DO CRISTO
EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec, Capítulo I, Itens 3 e 4.

Entretanto, (Jesus) não disse tudo, limitando-se, respeito a muitos pontos, a lançar o gérmen de verdades que, segundo ele próprio o declarou, ainda não podiam ser compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos implícitos. Para ser apreendido o sentido oculto de algumas palavras suas, mister se fazia que novas idéias e novos conhecimentos lhes trouxessem a chave indispensável, idéias que, porém, não podiam surgir antes que o espírito humano houvesse alcançado um certo grau de madureza. A Ciência tinha de contribuir poderosamente para a eclosão e o desenvolvimento de tais idéias. Importava, pois, dar à Ciência tempo para progredir.
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 26.

Entretanto, o Cristo acrescenta: “Muitas das coisas que vos digo ainda não as compreendeis e muitas outras teria a dizer, que não compreenderíeis; por isso é que vos falo por parábolas; mais tarde, porém, enviar-vos-ei o Consolador, o Espírito de Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas.” (S. João, 14,16; S. Mateus, 17.)

Se o Cristo não disse tudo quanto poderia dizer, é que julgou conveniente deixar certas verdades na sombra, até que os homens chegassem ao estado de compreendê-las.
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 26.

Como ele próprio o confessou, seu ensino era incompleto, pois anunciava a vinda daquele que o completaria; previra, pois, que suas palavras não seriam bem interpretadas, e que os homens se desviariam do seu ensino; em suma, que desfariam o que ele fez, uma vez que todas as coisas hão de ser restabelecidas: ora, só se restabelece aquilo que foi desfeito.
EURÍPEDES BARSANULFO, Tormentos da Obsessão, Manoel P. de Miranda, p. 316.

Foi, no entanto, Jesus, quem melhor se doou à Humanidade, ensinando pelo exemplo dedicação até à morte, e oferecendo carinho até hoje, aguardando com paciência infinita que Suas ovelhas retornem ao aprisco. Apesar das Suas magníficas lições, o ser humano alterou o rumo da Sua proposta de lídima fraternidade, promovendo guerras de extermínio, elaborando castas separatistas, elegendo ilusões para a conquista do reino terrestre... Sabendo, por antecipação, dessa peculiaridade da alma humana, o Mestre prometeu o Consolador que viria para erguer em definitivo os combalidos na luta, permanecendo com as criaturas até o fim dos tempos... A TERCEIRA REVELAÇÃO: O ESPIRITISMO

E O CONSOLADOR VEIO
EURÍPEDES BARSANULFO, Tormentos da Obsessão, Manoel P. de Miranda, p. 316.

E o Consolador veio. Ao ser apresentado no Espiritismo, surgiram incontáveis possibilidades de edificação humana, pelo fato de a Doutrina abarcar os vários segmentos complexos e profundos da Ciência, da Filosofia e da Religião, contribuindo em todas as áreas do conhecimento e da emoção para o desenvolvimento dos valores eternos e a conseqüente consolidação do reino de Deus na Terra.

CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO
ÁUREO, Universo e Vida, Hernani T. Sant’Anna, Capítulo XI, O terceiro legado.

O Espiritismo não tem o carater isolado de uma filosofia, de uma ciência ou de uma religião, porque é, ao mesmo tempo, religião, filosofia

e ciência.(...).

É ciência, porque investiga, experimenta, comprova, sistematiza e conceitua leis, fatos, forças e fenômenos da vida, da natureza, dos pensamentos e dos sentimentos humanos. É filosofia, porque cogita, induz e deduz idéias e fatos lógicos sobre as causas primeiras e seus efeitos naturais; generaliza e sintetiza, reflete, aprofunda e explica; estuda, discerne e define motivos e conseqüências, comos e porquês de fenômenos relativos à vida e à morte. É Religião, porque de suas contatações científicas e de suas conclusões filosóficas resulta o reconhecimento humano da Paternidade Divina e da irmandade universal de todos os seres da Criação, estabelecendo, desse modo, o culto natural do amor a Deus e ao próximo.

ESPIRITISMO BÁSICO, Pedro Franco Barbosa, Primeira Parte, P. 38, A REVELAÇÃO ESPIRITA

A Revelação Espírita é, assim, divina (proveniente dos Espíritos de Deus) e científica, pois resultou, também, da experimentação, da observação e do trabalho do homem e se baseia em fatos, ou seja, na Ciência, cujos métodos adota. O ESPIRITISMO: TERCEIRA REVELAÇÃO, FRUTO DO ENSINO DOS ESPÍRITOS
EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec, Capítulo I, Itens 6 e 7.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos (...).
ESPIRITISMO BÁSICO, Pedro Franco Barbosa, Primeira Parte, P. 38, A REVELAÇÃO ESPIRITA

As Revelações moisaica e cristã são individuais, a Espírita é coletiva, porque oriunda do ensino coincidente de muitos Espíritos, ministrado ao mesmo tempo em muitos lugares e por vários intermediários (médiuns).

O ESPIRITISMO: NADA ENSINA EM CONTRÁRIO AO CRISTO
EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec, Capítulo I, Itens 6 e 7.

Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra.
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 30.

O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é conseqüência direta da sua doutrina. (...). Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. CONCLUSÃO: ONDE ENCONTRAR A ARGUMENTAÇÃO
ESPIRITISMO BÁSICO, Pedro Franco Barbosa, Primeira Parte, P. 38, A REVELAÇÃO
ESPIRITA

O ensino de Allan Kardec, o extraordinário Codificador da Doutrina Espírita, exposto em "A Génese", referente às Três Revelações e que constitui excelente estudo de suas características, (...). AS DUS PRIMEIRAS REVELAÇÕES: UM ENSINO DIRETO
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 49.

As duas primeiras revelações só podiam resultar de um ensino direto; como os homens não estivessem ainda bastante adiantados a fim de concorrerem para a sua elaboração, elas tinham que ser impostas pela fé, sob a autoridade da palavra do Mestre. Contudo, notam-se entre as duas bem sensível diferença, devida ao progresso dos costumes e das idéias, (...). A doutrina de Moisés é absoluta, despótica; não admite discussão e se impõe ao povo, pela força. A de Jesus é essencialmente conselheira; é livremente aceita e só se impõe pela persuasão; foi controvertida desde o tempo do seu fundador, que não desdenhava de discutir com os seus adversários. A TERCEIRA REVELAÇÃO: ENSINO E TRABALHO
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 50.

A terceira revelação, vinda numa época de emancipação e madureza intelectual, em que a inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo; em que o homem nada aceita às cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada coisa — tinha ela que ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da pesquisa e do livre-exame.
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 50.

Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é mister para guiá-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe-lhe a ele aproveitálos e pô-los em obra.

DE PAR COM O PROGRESSO: O ESPIRITISMO JAMAIS SERÁ ULTRAPASSADO
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 55.

Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus.
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 55.

Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.

A TERCEIRA REVELAÇÃO PROGRESSIVA ESTAMOS PARTICIPANDO DELA
A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 50.

A revelação fez-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado. Cada centro encontra nos outros centros o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de todos os ensinos parciais que constituíram a doutrina espírita.
ZÊUS WANTUIL e FRANCISCO THIESEN, ALLAN KARDEC, Volume II, Capítulo V, A Progressividade da Revelação.

Com a Primeira (de Moisés), ensinam os Espíritos, tivemos um dos aspectos da eterna Verdade: o da Justiça; com a Segunda (do Cristo), outro aspecto: o do Amor; com a Terceira (do Espírito da Verdade, através de suas imensas

Falanges de Espíritos), o derradeiro: da Verdade progressiva. Esta última revelação é mesmo a última, porque não nos foi dada em circuito fechado, mas aberto. São as três Grandes Revelações sucessivas e complementares, pois a segunda engloba a primeira, tanto quanto a terceira enfeixa a segunda e não se encerra. Dai os Altos Espíritos considerarem-na como a Revelação da Revelação = Revelação das Revelações. É a própria Revelação Permanente.
JUVANIR BORGES DE SOUZA, Reformador, Nº 2.146, Janeiro de 2008, P.5.

Os livros básicos da Doutrina, escritos pelo Codificador, sob a orientação dos Espíritos superiores, à frente o Espírito de Verdade, obras que posteriormente se desdobraram em milhares de outras, de autoria de diversas entidades espirituais e dos próprios homens, expressam, ampliam e expandem a última Revelação, como previu o Espírito de Verdade:
"Prefácio" de O Evangelho segundo o Espiritismo, Ed. FEB.

As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. [...]

FIM

TEXTOS
LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro Terceiro, Capítulo I, Lei Divina ou Natural. 628. Por que nem sempre a verdade foi colocada ao alcance de todos?

“É necessário que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso habituar-se a ela pouco a pouco, senão ela ofusca.” “Jamais permitiu Deus que o homem recebesse comunicações tão completas e instrutivas como as que hoje lhe são dadas. Havia, como sabeis, na antiguidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução.” A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Itens 2 e 3 Definamos primeiro o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa ignota que é divulgada, de qualquer idéia nova que nos põe ao corrente do que não sabíamos. Deste ponto de vista, todas as ciências que aos fazem conhecer os mistérios da Natureza são revelações e pode dizer-se que há para a Humanidade uma revelação incessante. A Astronomia revelou o mundo astral, que não conhecíamos; a Geologia revelou a formação da Terra; a Química, a lei das afinidades; a Fisiologia, as funções do organismo, etc.; Copérnico, Galileu, Newton, Laplace, Lavoisier foram reveladores. A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por conseqüência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele: deve ser considerada produto de uma concepção humana. A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 10. Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas, sabe-se hoje que nem todos os Espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentem sob falsas aparências, o que levou S. João a dizer: “Não acrediteis em todos os Espíritos; vede antes se os Espíritos são de Deus.”(Epíst. 1ª, 4:4.) Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como as há apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus. É assim que a lei do Decálogo tem todos os caracteres de sua origem, enquanto que as outras leis moisaicas, fundamentalmente transitórias, muitas vezes em contradição com a lei do Sinai, são obra pessoal e política do legislador hebreu. Com o abrandarem-se os costumes do povo, essas leis por si mesmas caíram em desuso, ao passo que o Decálogo ficou sempre de pé, como farol da Humanidade. O Cristo fez dele a base do seu edifício, abolindo as outras leis. Se estas fossem obra de Deus, seriam conservadas intactas. O Cristo e Moisés foram os dois grandes reveladores que mudaram a face ao mundo e nisso está a prova da sua missão divina. Uma obra puramente humana careceria de tal poder. A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Itens 12 e 13. O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra. Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Participa da primeira, porque foi providencial o seu aparecimento e não o resultado da iniciativa, nem de um desígnio premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da doutrina provêm do ensino que deram os Espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca de coisas que eles ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos e

que lhes importa conhecer, hoje que estão aptos a compreendê-las. Participa da segunda, por não ser esse ensino privilégio de indivíduo algum, mas ministrado a todos do mesmo modo; por não serem os que o transmitem e os que o recebem seres passivos, dispensados do trabalho da observação e da pesquisa, por não renunciarem ao raciocínio e ao livre-arbítrio; porque não lhes é interdito o exame, mas, ao contrário, recomendado; enfim, porque a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.

ESPIRITISMO BÁSICO, Primeira Parte, P. 37. AS REVELAÇÕES E O PROGRESSO ESPIRITUAL DO HOMEM REVELAR significa tirar o véu, mostrar, tornar conhecido o que é secreto, mas todo conhecimento deve ser progressivo e ajustado às mentalidades a que se destina. De fato, as leis divinas são reveladas às criaturas humanas de acordo com seu grau de entendimento e capacidade de apreensão das verdades que encerram. O selvagem não entenderia por que não deve matar, se a isso o aconselhássemos. Periodicamente, a Espiritualidade Maior revela aos Homens os princípios que nortearão suas vidas no caminho do bem, embora nem todos os aceitem ou deles se apercebam. Isso porque têm livre-arbítrio na escolha. Entretanto, esse cabedal de conhecimentos ético-morais forma, paulatinamente, a estrutura da individualidade, ou seja, de cada Espírito, despojando-o de todos os vícios e defeitos que constituem jsua bagagem de erros do passado. As revelações (19) deram-se em épocas variadas, e povos, os mais diversos, as receberam, através do ensino de profetas inspirados, de instrutores espirituais capacitados. A vivência e a prática desses ensinamentos promovem a evolução espiritual das criaturas, imperfeitas, mas perfectíveis em si mesmas. Allan Kardec estuda em "A Génese" as revelações dirigidas à civilização cristã, ou seja, a de Moisés e a de Jesus, comparando-as com a dos Espíritos. (19) Nesse sentido, houve uma "revelação" budista, uma islâmica, etc. A REVELAÇÃO DE MOISÉS O povo hebreu destaca-se por seus numerosos profetas, dos quais um foi Moisés, e dos mais notáveis. A Revelação moisaica é individual e sobressai pela herança que nos legou do Decálogo, do Deus único e da fortificação da fé, mas nos apresenta a divindade sob a forma de um ser vingativo, cruel, guerreiro, temido e parcial, próprio de uma época em que somente pela ameaça de castigo físico, de represálias, seria possível conseguir ordem, obediência, submissão. "As leis moisai-cas, propriamente ditas, revestiam, pois, um caráter essencialmente transitório." — Allan Kardec, em "O Evangelho segundo o Espiritismo". A REVELAÇÃO DE JESUS A revelação cristã desvendou-nos a vida futura, e o Deus de Jesus é todo bondade e amor, o Pai misericordioso e justo, não o Senhor inclemente e cruel. Todavia, seu ensino foi incompleto, como ele mesmo nos advertiu: "Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora." (João, 16:12. Seu Evangelho é o mais perfeito Código de conduta moral que se conhece, mas os ensinamentos que deixou estavam, muitas vezes, velados, principalmente nas parábolas, pois ainda era cedo para seu conhecimento integral. A REVELAÇÃO ESPIRITA No século passado novos ensinamentos foram trazidos à Humanidade e continuam sendo ampliados, para conhecimento de todos. Completaram os de Jesus, pois os tempos são chegados. Foram ditados pelos Espíritos e constituem o Espiritismo, o Consolador prometido pelo Mestre. O caráter essencial da Revelação Espírita é a verdade, pois nos mostra a existência de outro mundo, mais real que o nosso, de suas leis morais rigorosas, explicando-nos a origem e a natureza dos seres que o habitam, os Espíritos, que nada mais são, aliás, que as almas dos Homens que

desencarnaram. As Revelações moisaica e cristã são individuais, a Espírita é coletiva, porque oriunda do ensino coincidente de muitos Espíritos, ministrado ao mesmo tempo em muitos lugares e por vários intermediários (médiuns). A Revelação Espírita é, assim, divina (proveniente dos Espíritos de Deus) e científica, pois resultou, também, da experimentação, da observação e do trabalho do homem e se baseia em fatos, ou seja, na Ciência, cujos métodos adota. É também universal, pois o ensino do Cristo se destina a todos os povos, e progressiva, porque não teme a Ciência e suas descobertas, mas nelas se alicerça, complementando-as com esclarecimentos de outra ordem, nem por isso menos importantes. A verdade é que, antes do Espiritismo, o homem formulava hipóteses sobre a vida futura, hoje tem certeza dela, conhece muito de seu mecanismo e funcionamento e aceita e compreende, pela reencarnação, a justiça e a bondade de Deus. O ensino de Allan Kardec, o extraordinário Codificador da Doutrina Espírita, exposto em "A Génese", referente às Três Revelações e que constitui excelente estudo de suas características, mostra que a moisaica é despótica (impunha-se pela força e pelo medo), a cristã é conselheira (Jesus mostrava sempre a necessidade de obediência às leis de Deus), sendo ambas, entretanto, parte de um todo em processo de esclarecimento progressivo. Quanto à revelação espírita, demonstra ele que ela é científica (adapta-se às pesquisas e métodos da Ciência em busca do conhecimento, Ciência que ela, por sua vez, ilumina e esclarece) e filosófica (ditada diretamente pelos Espíritos do Senhor, seus Mensageiros e intérpretes) (20), e, ainda, coletiva (originada do ensino de muitos Espíritos) e universal (porque os ensinos dos Espíritos foram colhidos de muitas fontes, em muitos lugares, mostrando-se sempre concordantes). (21) (20) O conhecimento revelado é dos mais Importantes e perfeitamente possível: "Deus pode revelar o que à ciência nâo é dado apreender." ("O Livro dos Espíritos" — questão 20.) Ver Paulo aos Gaiatas, 1:11-12: "Faco-vos, porém, saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem; porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus-Cristo." (Destacamos.) As leis morais, divinas ou naturais, são eternas e imutáveis como o próprio Deus ("O Livro dos Espíritos" — questão 615), são reveladas e estão implícitas ou explícitas no Decálogo, de Moisés, nos Mandamentos de Jesus ("Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", o que resume a Lei e os profetas, no "Amai-vos uns aos outros tanto quanto eu vos amei") e nos preceitos mencionados na Parte Terceira de "O Livro dos Espíritos". (21) "Com a Primeira (de Moisés), ensinam os Espíritos, tivemos um dos aspectos da eterna Verdade: o da Justiça; com a Segunda (do Cristo), outro aspecto: o do Amor; com a Terceira (do Espirito da Verdade, através de suas imensas Falanges de Espíritos), o derradeiro: da Verdade progressiva" — "Allan Kardec", de Zeus Wantuil e Francisco Thiesen, Introdução, V — A progressividade da Revelação, Vol. II 1ª edição FEB. A GÊNESE, ALLAN KARDEC, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, Item 30. O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é conseqüência direta da sua doutrina. À idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa vontade. Sabe que não há criaturas deserdadas, nem mais favorecidas umas do que outras; que Deus a nenhuma criou privilegiada e dispensada do trabalho imposto às outras para progredirem; que não há seres perpetuamente votados ao mal e ao sofrimento; que os que se designam pelo nome de demônios são Espíritos ainda atrasados e imperfeitos, que praticam o mal no espaço, como o praticavam na Terra, mas que se adiantarão e aperfeiçoarão; que os anjos ou Espíritos puros não são seres à parte na criação, mas Espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do progresso; que, por essa forma, não há criações múltiplas, nem diferentes categorias entre os seres inteligentes, mas que toda a criação deriva da grande lei de unidade que rege o Universo e que todos os seres gravitam para um fim comum que é a perfeição, sem que uns sejam favorecidos à custa de outros, visto serem todos filhos das suas próprias obras.

RODOLFO CALLIGARES, As Leis Morais, A Progressividade da Revelação Divina I, P. 16. Há uma opinião generalizada de que, sendo a Bíblia um livro de inspiração divina, tudo o que nela se contém, "de capa a capa", forma um bloco indiviso, uma unidade indecomponí-vel, um respositório de verdades eternas, e que, rejeitar-lhe uma palavra que seja, seria negar aquele seu caráter transcendente. E preciso, entretanto, dar-nos conta de que entre a época em que foi escrito o pentateuco de Moisés e aquela em que João escreveu o Apocalipse, decorreram séculos e séculos, durante os quais a Humanidade progrediu, civilizou-se e sensibilizou-se, devendo ter ocorrido, paralelamente com esse desenvolvimento, um acréscimo correspondente nos valores morais da Revelação Divina, como de fato ocorreu. Por outro lado, sendo o progresso constante e infinito, essa revelação, necessariamente, também deve ser ininterrupta e eterna, podendo haver cessado, por conseguinte (eosno alguns o supõem), com o último livro do Novo Testamento. Certo, sendo Deus a perfeição absoluta, desde a eternidade, "sempre revelou o que é perfeito — como lembra um renomado pensador contemporâneo —, mas os recipientes humanos da antiguidade receberam imperfeitamente a perfeita revelação de Deus, devido à imperfeição desses humanos recipientes, porquanto, o quer que é recebido, é recebido segundo o modo do recipiente. Se alguém mergulhar no oceano um dedal, vai tirar, não a plenitude do oceano, mas a diminuta fração correspondente ao pequenino recipiente do dedal. Se mergulhar no mesmo oceano um recipiente de litro, vai tirar da mesma imensidade medida maior de água. O recipiente não recebe segundo a medida do objeto, mas sim segundo a medida do sujeito. Na razão direta que o sujeito recipente ampliar o seu espaço, a sua receptividade, receberá maior quantidade do objeto". Aos homens das primeiras idades, extremamente ignorantes e incapazes de sentir a menor consideração para com os semelhantes, entre os quais o único tipo de justiça vigente era o direito do mais forte, não poderia haver outro meio de sofrear-lhes os ímpetos brutais senão fazendo-os crer em deuses terríveis e EMMANUEL, O Consolador, Terceira Parte, Religião, Pg. 271. 271 — Moisés transmitiu ao mundo a lei definitiva? — O profeta de Israel deu à Terra as bases da Lei divina e imutável, mas não toda a Lei, integral e definitiva. Aliás, somos obrigados a reconhecer que os homens receberão sempre as revelações divinas de conformidade com a sua posição evolutiva. Até agora, a Humanidade da era cristã recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor, e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade. No centro das três revelações encontra-se Jesus-Cristo, como o fundamento de toda a luz e de toda a sabedoria. É que, com o Amor, a Lei manifestou-se na Terra no seu esplendor máximo; a Justiça e a Verdade nada mais são que os instrumentos divinos de sua exteriorização, com aquele Cordeiro de Deus, alma da redenção de toda a Humanidade. A Justiça, portanto, lhe aplainou os caminhos, e a Verdade, conseguintemente, esclarece os seus divinos ensinamentos. Eis por que, com o Espiritismo simbolizando a Terceira Revelação da Lei, o homem terreno se prepara, aguardando as sublimadas realizações do seu futuro espiritual, nos milénios por-vindouros. RODOLFO CALLIGARES, As Leis Morais, A Progressividade da Revelação Divina I, P. 16. Certo, sendo Deus a perfeição absoluta, desde a eternidade, "sempre revelou o que é perfeito — como lembra um renomado pensador contemporâneo —, mas os recipientes humanos da antiguidade receberam imperfeitamente a perfeita revelação de Deus, devido à imperfeição desses humanos recipientes, porquanto, o quer que é recebido, é recebido segundo o modo do recipiente. Se alguém mergulhar no oceano um dedal, vai tirar, não a plenitude do oceano, mas a diminuta fração correspondente ao pequenino recipiente do dedal. Se mergulhar no mesmo oceano um recipiente de litro, vai tirar da mesma imensidade medida maior de água. O recipiente não recebe segundo a medida do objeto, mas sim segundo a medida do sujeito. Na razão direta que o sujeito recipente ampliar o seu espaço, a sua receptividade, receberá maior quantidade do objeto". Aos homens das primeiras idades, extremamente ignorantes e incapazes de sentir a menor consideração para com os semelhantes, entre os quais o único tipo de justiça vigente era o direito do mais forte, não poderia haver outro meio de sofrear-lhes os ímpetos brutais senão fazendo-os crer em

deuses terríveis e vingativos, cujo desagrado se fazia sentir através de tempestades, erupções vulcânicas, terremotos, epidemias, etc, que tanto pavor lhes causavam. O sentimentto religioso dos homens teve, pois, como ponto de partida, o temor a um poder extraterreno, infinitamente superior ao seu. E foi apoiado nisso que Moisés pôde estabelecer a concepção de Jeová, uma espécie de amigo todo-poderoso, que, postando-se à frente dos exércitos do povo judeu, ajudava-o em suas batalhas, dirigia-lhe os destinos, assistia-o diuturnamente, mas exigia dele a mais completa fidelidade e obediência, bem assim o sacrifício de gado, aves ou cereais, conforme as posses de cada um. Era como levar os homens à aceitação do monoteísmo e encaminhá-los a um princípio de desapego dos bens materiais, que tinham em grande apreço. O Velho-Testamento oferece-nos um relato minucioso dessa etapa da evolução humana. Vê-se, por ali, que "o Deus de Abraão e de Isaac" é uma divindade zelosa dos israelitas, que faz com eles um pacto (Êx., 34:10), pelo qual se compromete a obrar prodígios em seu favor, mas que, ciumento, manda passar à espada, pendurar em forcas ou lapidar os que se atrevam a adorar outros deuses (Êx., 32:27; Núm., 25: 2-4; Deut., cap. 13) e, com requintes de um mestre-cuca, estabelece como preparar e executar os holocaustos em sua memória ou pelos pecados do "seu" povo (Lev., caps. 1 a 7) . Por essa época, conquanto fossem, talvez, os homens mais adiantados espiritualmente, os judeus não haviam atingido ainda um nível de mentalidade que lhes permitisse compreender que, malgrado a diversidade dos caracteres físicos e culturais dos terrícolas, todos pertencemos a uma só família: a Humanidade. E porque não pudessem assimilar lições de teor mais elevado, a par das ordenações de Moisés, especificamente nacionais, que tinham por objetivo levá-los a uma estreita solidariedade racial, e regras outras, oportunas, porém transitórias, que servissem para discipliná-los durante o êxodo, receberam, também, a primeira grande revelação de leis divinas — o Decálogo — que lhes prescrevia o que não deviam fazer em dano do próximo. Chegou o momento, todavia, em que a Humanidade devia ser preparada para um novo avanço e...