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Unidade IV - Vitimologia

Sumário
4. Vitimologia 4.1 Formas de participação da vítima no crime 4.2 Enquetes de vitimização 4.3 Mulheres maltratadas 4.4 Filhos sob a Síndrome de Alienação Parental 4.5 Tendências político-criminais relacionadas à vítima

Durante seu estudo será abordada a importância da Vitimologia nos estudos criminológicos e suas dimensões. a não participação da vítima está nas próprias origens do processo legal moderno. O outro componente da dinâmica criminal. gostaria de lembrar que estão disponibilizados os exercícios e as áudio-aulas para que possa complementar seu estudo. Mas desde o advento da Escola Clássica do Direito Penal. que obteve este nome pela ausência. Que a resposta ao crime deve ser uma resposta distante. 3 . Mas antes de iniciarmos. que a neutralização. passando antes pela Escola Positiva de Lombroso. convertendo a justiça em vingança ou retaliação. Vamos começar? INFORMAÇÃO Nos primórdios da civilização o homem já sentia a necessidade de resolver seus conflitos em sociedade. Que a natural paixão que o delito desencadeia em quem o sofre tende a instrumentalizar a crueldade da resposta. onde temos a idade de ouro da vítima. Vislumbra-se. Ferri e Garofalo. Inicialmente vale observar que a vítima experimentou sua “idade de ouro” durante a época da justiça privada. a vítima. imparcial. ainda. assim. jamais foi levada em consideração. da figura do Estado-Juiz. a vingança pelo mal sofrido estava nas mãos da vítima ou de seus familiares. que buscava uma justa proporção entre a pena cometida e o crime praticado. E não havia nenhuma preocupação em se atingir uma proporção entre o crime cometido e a pena aplicada. do delinquente e da pena. Assim nasce a justiça privada.Bem-vindo(a) à quarta e última unidade. desapaixonada. A experiência do período da justiça privada já havia demonstrado que não se podia pôr nas mãos da vítima ou de seus parentes a resposta ao agressor. apesar de já surgirem penas como o talião. pública. por exemplo. sob as influências de Beccaria e Fuerbach. Historiadores dividem a justiça privada em dois períodos: a) Período da Vingança Privada Ilimitada. o Direito Penal praticamente se restringiu ao estudo do delito. e b) Período da Vingança Privada Limitada onde. Neste período.

Pois o infrator. por outro lado. como também abriu uma fenda entre elas. que aludiu ao binômio delinquente-vítima em seu livro The Criminal and Victim. sob a supervisão do criminólogo chileno Israel Drapkin. Em virtude do delito ser definido como o enfrentamento simbólico do infrator com a lei. a vítima se enfraqueceu. pela primeira vez. A consequência de tal fenômeno sempre ocasionou muitos prejuízos. p. Neste Congresso. 2002. Assim. cortando artificialmente a unidade natural e histórica de um enfrentamento interpessoal (MOLINA. coube a outras ciências. 2002. na cidade de Jerusalém. 543). como também pelo sistema legal. Passou a ter a impressão. que a Vitimologia nasceu com esta denominação e como ramo da Criminologia. Tempos depois. teve lugar o 1º Congresso Internacional de Vitimologia. foram apontados os objetivos da Vitimologia e discutidas as causas de vitimização. percebendo o formalismo jurídico e suas decisões como uma imerecida agressão (vitimização secundária). do desinteresse e da desmedida burocracia. como objeto e não como sujeito de direitos. Mas só foi a partir de 1956. incluir a vítima. de um lado. Esta. passou a se sentir violada não só pelo crime contra ela cometido (vitimização primária). e onde também examinou o problema da reparação do dano causado à vítima pelo delito. fruto da insensibilidade. numa análise aprofundada do crime. em mais uma abstração. De acordo com Newton Fernandes e Walter Fernandes (2002. 4 . E passou a esquecer. de “sua” vítima. na cronologia acerca da vítima quem figurou como pioneiro foi o criminólogo Hans Von Hentig. para sempre. Deste modo o Direito não só distanciou as partes do conflito criminal. independentemente da responsabilidade civil do autor. em 1973. considerou como seu único interlocutor o sistema legal.Comentário Mas a linguagem abstrata e simbólica do Direito e o formalismo da intervenção jurídica converteram a vítima real e concreta do drama criminal em um mero conceito (MOLINA. isto é. em Israel. vir em auxílio do Direito Penal para. com o advogado israelita Benjamin Mendelsohn. editado na década de 1940. bem como sua pesquisa e prevenção. p. principalmente à Criminologia. não de todo infundada. p. de atuar como mero pretexto da investigação processual. 80). 79). e que só frente a ele contraiu alguma responsabilidade.

Diversamente. poderá servir de estímulo à prática de roubo e até de latrocínio o fato da pessoa se expor em locais pouco seguros exibindo dinheiro e/ou joias. durante muito tempo não se investigou a personalidade individual da vítima no âmbito da dinâmica do crime. No contexto delituoso.1. como o aborto consensual. deixando abertas as janelas do veículo e. Tanto assim que as pesquisas feitas cada vez mais evidenciam que nem sempre o crime deve ser analisado à luz do binômio delinquente-vítima. Coube à Psicologia Social esclarecer que na interação das condutas individuais a ação humana é sempre resposta a um estímulo. o criminoso e a vítima são encarados como diametralmente diferentes um do outro. onde o nascituro é a vítima. c) mensurar o grau de inocência da vítima com o grau de culpa do criminoso. ainda. a ausência da pessoa a ser vitimada também poderá ser suficiente estímulo para que ocorra um crime de furto ou furto qualificado em sua residência. estando psicologicamente solidária 5 . a Vitimologia busca indicar o posicionamento biopsicossocial da vítima diante do crime. Vale mencionar. carteiras. Desse modo. a vítima pode ser inteiramente passiva ou. mesmo. Claro que crimes existem onde não se vislumbra nem a ação nem a omissão da vítima. pensamento que advém das concepções jurídicas clássicas. mas através do complexo da interação “homem-ambiente”. certas modalidades de estelionato nos quais a participação da vítima é fator primordial para o desfecho. INFORMAÇÃO A vítima é ativa e concorrente quando ela é uma vítima provocadora. Formas de participação da vítima no crime Ainda hoje. pode ser ativa e concorrente. da atenuante baseada na injusta provocação da vítima. Da mesma forma. da coação irresistível e. ao contrário. 4. no seu interior. abrangendo inclusive sob a ótica do Direito Penal. Desse modo cabe à Vitimologia: a) desvendar a participação da vítima na gênese de muitos crimes. roupas etc. celulares. da Psicologia e da Psiquiatria. quando seu comportamento provocador é o gatilho da violência perpetrada contra ela. b) traçar o divisor de águas entre o delinquente e a vítima e.Em síntese. É o que sucede nas hipóteses de legítima defesa. ou no caso do motorista que se ausenta do seu automóvel estacionado numa rua pública. por exemplo.

delitos violentos com motivação política. ocupou-se dos processos de vitimização. genocídio etc. em princípio. danos e sua reparação. com o objetivo de conhecer o verdadeiro alcance das queixas dos vizinhos vitimados. por exemplo. encomendadas pela Prefeitura. oferecendo conhecimentos especialmente sobre as seguintes questões: aptidão e propensão dos sujeitos para converterem-se em vítimas do delito. que são as “enquetes de vitimização”.000 (noventa mil). Estas enquetes de vitimização também foram rea- 6 . E é sobre elas que passaremos a tratar. Mas o que a preocupação com a vítima trouxe para a moderna Criminologia foi um aparato metodológico instrumental que. violação. p. como consequência da atuação dos órgãos da Administração da Justiça Penal e da resposta desigual que estes dão às vítimas segundo a origem social e demais circunstâncias. Em 1972. seguindo um paralelismo com a Teoria do Etiquetamento.000 (trinta e três mil) pessoas que. ou seja. em 1730. a reação social frente ao crime. torna-se imprescindível para conhecer a real dimensão da criminalidade. INFORMAÇÃO No Material Didático está disponibilizado um texto que aborda sobre um estudo desenvolvido por Benjamin Mendelsohn relacionado aos tipos de vítima. elevou-se para 90. em pesquisas feitas posteriormente. mais avançada. o abuso de menores. 133). as estatísticas elaboradas a partir deste tipo de pesquisa passaram a revelar que a cifra dos delitos cometidos era quase o dobro da cifra dos delitos denunciados. Confira! Nessa vertente de pensamentos. atualmente. seguindo um paralelismo com as teorias criminológicas biológicas. os antecedentes das enquetes de vitimização já são encontrados na cidade dinamarquesa de Aarhus. 4. por roubos.com o delinquente. prevenção criminal por parte da vítima. a partir de uma amostra de 33. Daí para cá. Hoje. influências sociais no processo de vitimização e hipóteses específicas de vítimas como. relações entre delinquentes e vítimas. interacionistas ou socioestruturais sobre o delinquente.2. roubo. a Vitimologia desenvolveu uma série de tipologias. a etiologia ou gênese do delito. a prevenção do delito. são muitos os dados que a Vitimologia vem pondo em destaque: o conhecimento da interação entre delinquente e vítima. Enquetes de vitimização Como informam Conde e Hassemer (2008. como no caso de informações pessoais ou bancárias transmitidas via e-mail. Numa segunda fase. por exemplo. do porquê alguns indivíduos terem mais possibilidades de chegar a serem vítimas de delitos que outros. principalmente. foi realizada nos Estados Unidos da América uma pesquisa nacional sobre Vitimização Delitiva. a Vitimologia.

pelas mais variadas razões. locais estes que nem sempre coincidem com os locais de procedência dos delinquentes.lizadas em outros países como a Espanha. como a realizada em 1989 pelo Ministério do Interior Espanhol. as mulheres mais que os homens. as prostitutas mais que as mulheres que não se dedicam ao exercício da prostituição. muitas vezes. d) É mais provável que o agressor pertença ao círculo de conhecidos da vítima. os jovens estão mais expostos a ser vítimas que os adultos. sobretudo nos delitos de violência familiar e abuso sexual de crianças e adolescentes. na zona urbana também há maiores riscos em determinados bairros ou zonas específicas. mas. os imigrantes mais que os nacionais. não denunciam. há coincidências que merecem ser apontadas. como centros turísticos e de diversão. 7 . os homossexuais são mais vulneráveis que os heterossexuais. como comportamentos relacionados a sair à noite ou ir a determinados lugares para espairecer. 134): a) Existem muitos delitos onde as vítimas. g) Também o lugar onde se vive ou por onde se transita ocasionalmente acaba por se tornar um fator de vitimização. p. Assim. f) Existem determinados grupos de riscos de ser vítima. o que revela uma falta de confiança no sistema de justiça. c) Existem determinados fatores relacionados com o estilo de vida que aumentam a possibilidade de que alguém se torne uma vítima. onde existem enquetes em nível nacional. como acontece no furto e roubo de veículos. b) A denúncia nem sempre é feita com o objetivo de castigar o delinquente. É mais provável ser vítima de um ataque na zona urbana que na rural. para cobrar a indenização frente à seguradora. por exemplo. como resultado da homofobia. os que pertencem a minorias étnicas mais do que os que não o são. Apesar dos resultados serem muito controversos. pois estes costumam se proteger melhor. e) Existe mais risco de ser vítima em setores econômicos mais carentes do que entre os mais abastados. como relatam Conde e Hassemer (2008.

tal como ocorre com conhecimentos derivados de dados empíricos sobre a criminalidade e. sobretudo quando se trata de delitos que pertençam à sua intimidade ou que nem sequer no âmbito destas pesquisas se atrevam a denunciar. que também são vítimas. neste caso. sobretudo jovens. E muitas vezes nem sequer há uma coincidência no que se percebe ser crime. vandalismo em parques públicos etc. Mas vale observar que as enquetes de vitimização tendem a subestimar algumas formas de criminalidade. Mesmo com tais limitações. a raça ou a idade são fatores de risco de vitimização. em determinadas circunstâncias. podem ter maior conotação política ou ideológica que social ou econômica. Também não se pode estar seguro de que os entrevistados digam a verdade. Basta compararmos as pesquisas de vitimização na Cidade do México com as de qualquer cidade da Europa Ocidental. mas dependem também do contexto e do tipo de delito. os delitos meio ambientais ou uma fraude cometida por uma empresa e que ocasiona o desemprego de milhares de trabalhadores. como o crime de colarinho branco. Igualmente. como maus-tratos familiares. circunstância mais relacionada com as deficientes condições econômicas e culturais em que vivem do que com o racismo propriamente dito. os ataques às minorias étnicas. as mulheres têm mais probabilidade de sofrerem agressões e maus-tratos familiares que os homens. atos de depravação. como os abusos sexuais por parte de padres ou pessoas do âmbito familiar. são consideradas normais ou pelo menos não-criminosas. por exemplo. pessoas de raça negra. imigrantes ou simplesmente estrangeiros. atualmente. pequenos furtos. sobretudo quando se refere a condutas que. violência “neonazi”. Assim. na Cidade do México recomenda-se aos turistas que não peguem táxis nas ruas. elementos imprescindíveis não só para o co8 . e em outras cidades. as enquetes de vitimização são. sobre vitimização. Em outros países como a Alemanha. sofrem maior vitimização por parte das autoridades policiais que os de raça branca.Observação Mas vale salientar que. em determinadas circunstâncias. para dar-se conta das diferenças. como Buenos Aires ou mesmo Fortaleza. por exemplo. Assim. que não transitem por determinados lugares em determinadas horas da noite. Nos Estados Unidos e aqui no Brasil. como já apontado. o gênero. as observações que foram feitas acima devem ser relativizadas e situadas em determinados contextos. por exemplo.

nhecimento real da criminalidade. Como bem destacam Conde & Hassemer (2008.3. da tomada de consciência que as mulheres vêm experimentando nas últimas décadas. assunto este já tratado em nossa Unidade III. substituída pela “consciência de gênero”. Realmente. mas também para comprovar o grau de eficácia do sistema penal e da confiança dos cidadãos nestes órgãos. não é à toa que tivemos a entrada em vigor da Lei Maria da Penha. Mas um melhor conhecimento da realidade da vitimização não tem por que conduzir.. algumas vezes. a um aumento da repressão penal de determinados comportamentos. em grande parte. provavelmente nenhuma relação de convivência humana é tão conflitiva e produtora de violência como a família e. celebradas por ilustres pensadores. As mulheres encontram-se entre os grupos de vítimas mais presentes nas pesquisas de vitimização. Realmente. que igualou homens e mulheres em direitos e obrigações. em poucos setores da sociedade se produziu uma conscientização crítica tão grande como entre as mulheres. p. 137). insustentável fruto de imagens de subordinação social e jurídica da mulher ao homem. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. fruto da violência intrafamiliar desmedida e que tem. Tais imagens de subordinação foram. A “consciência de classe” de que falava Marx como forma de superação da alienação da classe trabalhadora foi. Também servem para evidenciar. inclusive. E tais modificações foram fruto. 226 da Constituição Federal. estados de alarme e insegurança e um medo infundado da delinquência ou pelo menos exagerado. o que de pronto gera políticas criminais repressivas e excessos punitivos que se justificam por assegurar uma maior proteção das vítimas. pelo menos legalmente. Por meio dela as mulheres ado9 . a conjugal. como principal vítima. mas sim à adoção de medidas preventivas mais eficazes. leve o chicote”) e Schopenhauer (“a mulher. esta situação vem sendo alterada. necessariamente. Na realidade. às vezes. A íntegra da Lei Maria da Penha pode ser encontrada no site do Planalto. com o advento da Constituição Federal de 1988. este ser de cabelos compridos e ideias curtas”). 4. dentro dela. de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha). da Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir. Em nosso país tal mudança iniciou-se. Mulheres maltratadas INFORMAÇÃO Lei nº 11. principalmente. considerado em nossos dias. com relação às possibilidades de chegar a ser vítima de um delito. nos termos do §8º do art. nos encontramos diante de um típico “círculo vicioso” no qual à insegurança se responde com medidas puramente defensivas que deslocam a vitimização para outros lugares ou geram ainda mais insegurança. Pois apesar do “boom” das empresas de segurança privada e da presença de vigilantes privados armados em quase todos os estabelecimentos e zonas comerciais de muitas cidades. Mas. como Nieztsche (“quando for ver sua mulher. a mulher. gera maior alarme do que o que se pretende evitar. Tal estado de coisas chegou a um patamar..340. percebemos que tal realidade. em parte. que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

as mulheres conseguiram. vizinhos. a existência de armas no domicílio e a presença de terceiros. em pesquisas realizadas em centros que acolhem mulheres maltratadas na cidade de Málaga. Por meio dos movimentos feministas. Vale ressaltar que esta violência não é privativa da relação entre homem e mulher. o mais grave e lastimável de todos os obstáculos ao livre desenvolvimento da personalidade continua sendo a violência. como o acesso ao trabalho. como parentes que convivem com o casal. somente em países como o Afeganistão e em alguns países do continente africano é que continua predominando. deve-se diferenciar a violência doméstica como fenômeno social da violência como evento. Referida prevenção se caracteriza por tratar de modificar ou reduzir as oportunidades para a execução de delitos. muitas vezes. falta de atenção por parte da esposa/companheira. Esse material vem complementar o raciocínio do parágrafo ao lado. mas para uma valoração jurídico-penal do caso concreto. como ato particularizado entre duas pessoas. dos homens. ao voto. 10 . personalidade violenta. amigos. Sobre casos de homicídios entre casais ocupa-se Ana Isabel Cerezo Domínguez (2000. Entretanto. levam o homem a cometer o homicídio: ciúme. ou seja. pode exercer para humilhar e esmagar a mulher e seu direito de ser tratada como igual. Entre os fatores de risco situacional que fomentam a violência doméstica contra a mulher se encontram o consumo de álcool por parte do homem. p. na Espanha. atuam. Comentário Primeiramente. mas como verdadeiros provocadores (inocentes ou não) do conflito. insultos e enfermidades mentais. filhos comuns ou de um dos membros do casal e que. geralmente mais forte fisicamente. a força bruta que o homem. pelo menos em boa parte dos países ocidentais. brutalmente repressivas. Esta autora. de ser respeitada. tanto jurídica quanto socialmente. abandono. que não devem servir somente para análise do fenômeno em si. baseando-se. sobretudo. atualmente. direitos e garantias idênticos etc. com vistas a uma prevenção situacional. INFORMAÇÃO No Material Didático está disponibilizado um arquivo com alguns artigos da Lei Maria da Penha. 34). sendo um ingrediente habitual em muitas relações humanas. E. A violência doméstica possui componentes situacionais e interativos. não como mediadores. em sua tese. em lugar de incidir sobre as causas últimas da delinquência. Mas a violência que o homem exerce sobre a mulher apresenta conotações específicas que merecem um estudo mais aprofundado. conquistas que até pouco tempo eram imagináveis.taram posturas reivindicatórias e vêm conseguindo libertar-se da outra parte da humanidade a que estavam historicamente e culturalmente submetidas. atitudes machistas-paternalistas e. destaca. os motivos que. mesmo. ou seja. na maioria das vezes. os maus-tratos.

gozou inclusive de impunidade. e os relacionamentos possessivos desencadeiam. dois filhos. Juanjo Medina Ariza (2001. jovens freiras foram violentadas por missionários. setenta e cinco por cento são casadas. costumam apresentar o seguinte perfil: idade média de 32 anos. média de sete anos e meio de sofrimento com maus-tratos. fora do âmbito conjugal. infundado ou não.Ana Isabel também dedica uma parte de seu trabalho ao homicídio entre casais cometido pela mulher. Tal impunidade. de forma mais acentuada nos homens que nas mulheres. e baixo nível educativo. a mulher tem sido objeto especial de humilhações brutais. por meio da crítica ao patriarcado e ao comportamento machista. e em geral em todas as guerras. no conhecido “lavar a honra com sangue”. Também o ciúme. durante muito tempo. grupos específicos de mulheres como as prostitutas. na Espanha. Inclusive em alguns lugares da África. reações violentas que levam inclusive ao homicídio passional (“a matei porque era minha”). média de convivência com o companheiro violento de dez anos. envolve ações mais violentas por parte do marido traído e que. Também em situações de guerra civil e “limpeza étnica”. como as ocorridas na antiga Iugoslávia ou em Ruanda. Em sua tese de doutorado. como é o caso do nosso. 98) relata que tais mulheres. Frequentemente são objetos de maus-tratos. p. seja ou não no âmbito doméstico. ainda está presente na mentalidade atávica de muitos setores da sociedade. comportamento que. Comentário Mas a consciência social do problema das mulheres maltratadas. não teria sido possível sem a contribuição fundamental da literatura feminista que. 11 . apesar de suprimida da maioria dos códigos penais vigentes. ou de sádicos que chegam a assassiná-las. que ainda veem com bons olhos este tipo de reação. pelas mãos de seus clientes ou rufiões. Entre as causas do referido crime encontra-se a infidelidade do marido/companheiro. demonstrou claramente a relação existente entre gênero e tal tipo de violência. quando praticado pela mulher. violentada reiteradamente por dezenas de soldados que a deixam grávida e contaminada com o vírus da AIDS. Já o fenômeno da mulher maltratada se baseia em dados sóciodemográficos obtidos entre as mulheres que recorrem a estabelecimentos de proteção. desnudada de forma furiosa.

a Síndrome de Alienação Parental. Ao pai restava somente o direito de visitas em dias predeterminados. consiste em programar uma criança para que ela odeie um dos seus genitores sem justificativa. A partir deste momento. mesmo após uma separação. Assim. quando da separação dos genitores. Tal intensificação fez surgir. quando não são estes. que é o afeto. Mas tal estado de coisas começou a mudar em nosso país com o advento da Constituição Federal de 1988. objeto de maus-tratos em uma proporção que. implantando até mesmo falsas memórias no fi12 . atualmente residentes em países europeus. 4. na maioria das vezes o pai. Ao equiparar homens e mulheres em direitos e obrigações e garantir às crianças e adolescentes o direito fundamental à convivência familiar. em continuar uma convivência plena com seus filhos. Antes. estaria instalado um terreno fecundo para que um dos genitores. normalmente em fins-desemana alternados. trouxe explicitamente para o plano jurídico um elemento fundamental da convivência familiar. divórcio ou dissolução de união estável. começasse uma campanha difamatória contra aquele. provavelmente. algo impensável até algum tempo atrás. supere a da mulher.4.Os maus-tratos infantis também merecem um estudo vitimológico. por influência do outro genitor com quem a criança mantém um vínculo de dependência afetiva e estabelece um pacto de lealdade inconsciente. a naturalização da função materna levava a que os filhos ficassem sob a guarda da mãe. diretamente. Filhos sob a Síndrome de Alienação Parental Segundo o psiquiatra norte-americano Richard Gardner. já que a violência exercida sobre esta ocorre muitas vezes diante dos próprios filhos. ressentido por ter sido abandonado. sua origem estaria ligada à intensificação das estruturas de convivência familiar. também conhecida como Implantação de Falsas Memórias. muito relacionados com o da mulher. por não ser mais amado pelo outro. E com base no afeto e no redimensionamento dos papéis reservados aos homens e mulheres começamos a perceber um interesse do genitor não guardião. passou a haver entre eles uma disputa pela guarda dos filhos. como o estupro e abusos sexuais. ou é a condição de mulher e filha que determina os maus-tratos e abusos específicos. em consequência. De acordo com Maria Berenice Dias (2006). maior aproximação dos pais com os filhos. ou a mutilação do clitóris entre alguns povos africanos e entre algumas famílias imigrantes procedentes destas regiões.

carinho e amor. Desse modo. ocorrem graus de ambivalência de sentimentos. “seu pai não se importa com você”. vive me perseguindo”. da Síndrome de Alienação Parental. A Fundação Child Alienation (http://childalienation. sentia inicialmente saudade. não se importa com você”. A partir daí. o ciclo se fecha quando essa influência emocional começa a fazer com que a criança modifique seu comportamento. citada por François Podevin (2001).lho. a criança sente que precisa afastar-se do pai. porque a mãe tem opiniões ruins a respeito dele. “sua mãe abandonou vocês”. até mesmo ilícitos e inescrupulosos. “sua mãe é uma desequilibrada”.com). 13 . exercer o direito de visitas. afastar o filho daquele que o abandonou. na verdade. ele quer roubar você de mim”. b) Organizar várias atividades com os filhos durante o período que o outro genitor deve. a Síndrome de Alienação Parental age sobre duas frentes: por um lado. com a separação. d) Interceptar as cartas e os pacotes mandados aos filhos. o comportamento do filho para com o genitor não guardião passa a se modificar. De acordo com Denise Maria Perissini da Silva (2009). como punição. com o intuito de. como podemos acreditar que agora ele lhe tratará bem?” apontam para a existência. passa a rejeitar totalmente o outro genitor sem que nenhum motivo real pudesse ocasionar tal mudança. normalmente. “sua mãe me ameaça. mas também se sente culpada por isso. “seu pai só quer comprá-lo com tantos presentes. demonstra a psicopatologia gravíssima do genitor alienador que se utiliza de todos os meios. Nesse processo. sentimentos e opiniões acerca do outro genitor (alienado). para atingir seu intento. por exemplo. porém. ou pelo menos o início. apresenta os seguintes comportamentos como típicos do genitor alienador: a) Recusa em passar as chamadas telefônicas aos filhos. e a própria criança contribui para o afastamento. c) Apresentar o novo cônjuge aos filhos como sua nova mãe ou seu novo pai. essa ambivalência vai diminuindo. por outro. a utilização de frases do tipo “cuidado ao sair com seu pai. “lembre-se de que quando seu pai estava aqui só lhe dava surras. Aos poucos. Se a criança.

já presentes em qualquer processo de separação. ainda que este esteja disponível e queira ocupar-se dos filhos. seu nome e/ou sobrenome. 14 . escolha da escola etc. abusos de drogas. algumas vezes. e proibi-los de usá-las. bem como a regulamentação de visitas no caso de guarda unilateral devem ser criteriosas o suficiente para amenizar possíveis danos. companheira(o) ou namorada(o) do outro genitor. grupos teatrais. desespero. atividades escolares.. como sua mãe ou seu novo cônjuge na lavagem cerebral de seus filhos. o) Ameaçar punir os filhos se eles telefonarem. comportamento hostil. escreverem ou se comunicarem com o outro genitor de qualquer maneira. Quando adulta. l) Trocar. incluirão sentimentos incontroláveis de culpa. como: escolha da religião. a opção feita pelo juiz quanto ao tipo de guarda (se ela será unilateral ou compartilhada). ou tentar trocar. tendência ao isolamento.. escotismo etc. f) Recusar informações ao outro genitor sobre as atividades em que os filhos estão envolvidos. j) Envolver pessoas próximas. psicólogo etc. falta de organização e.e) Desvalorizar e insultar o outro genitor na presença dos filhos. g) Falar de maneira descortês do novo cônjuge. i) “Esquecer” de avisar o outro genitor de compromissos importantes.. k) Tomar decisões importantes a respeito dos filhos sem consultar o outro genitor. médicos. incluem sintomas como depressão. incapacidade de adaptar-se aos ambientes sociais. álcool e suicídio. em geral. ao ter consciência da grande injustiça que cometeu para com o genitor alienado. n) Falar aos filhos que a roupa que o outro genitor comprou é feia. como esportes. p) Culpar o outro genitor pelo mau comportamento dos filhos. m) Sair de férias sem os filhos e deixá-los com outras pessoas que não o outro genitor. transtornos de identidade e de imagem. Comentário Desse modo. h) Impedir o outro genitor de exercer seu direito de visita. As consequências para a criança. como dentista.

de alguns grupos de vítimas (especialmente feministas). sem análise de outras provas.Os ex-casais. a vítima era “neutralizada” no processo penal.072 de 25 de julho de 1990 (Lei de Crimes Hediondos) que em seu artigo 2º dispunha serem insuscetíveis de fiança e liberdade provisória os crimes hediondos. b) No âmbito de aplicação e execução das penas. por exemplo: admissão de provas ilícitas em prol da mulher vitimizada. maior valor probatório ao depoimento da mulher. liberdade condicional ou outros benefícios penitenciários. se consiga realmente alcançar a melhor solução judicial possível no caso concreto. com seu olhar. insiste-se na prevenção geral intimidatória. 4. nem sempre acessível às partes. nas disputas judiciais. e que se refletem em quatro âmbitos distintos: a) Ampliação da proteção da vítima. Assim. costumam trazer como característica o fato de ainda estarem envolvidos na dor. tem o propósito de interpretar os sentimentos e transformá-los em palavras no processo. e que vêm afetando a forma como. que solicitam uma intervenção mais enérgica e eficaz do Direito Penal na repressão e prevenção de delitos que mais lhes afetam. por exemplo. Conde e Hassemer (2008. promotor e advogados. para que. e eliminação de institutos como a progressão de regime. além da atuação do magistrado. até então. faz-se necessário. consequências de movimentos sociais a favor da vítima ou. p. e não ao do homem.5. pleiteando a prisão perpétua ou a de morte para o estuprador. na desilusão e na raiva pelo fracasso da relação. deixando de lado a finalidade de reinserção social. condenação do homem baseada somente no testemunho da mulher vitimada. Estas demandas traduziram-se em uma determinada Política Criminal que está fornecendo uma nova imagem ao Direito Penal e provocando uma série de reformas legais. o que enseja a adoção de medidas cautelares como a prisão preventiva. pelo menos. A linguagem jurídica. em grande parte. por exemplo. entre eles o estupro e o homicídio 15 . visando primordialmente o melhor interesse dos filhos. como no caso da Lei Maria da Penha em nosso país. Tendências político-criminais relacionadas à vítima As novas tendências da moderna Criminologia são. quando ela é a vítima. um profissional de psicologia. que é buscada à custa de restrições às garantias e direitos do acusado no processo penal como. principalmente a de prisão. A sentença judicial visa solucionar conflitos e não perpetuá-los. 149) apontam as tendências político-criminais que atualmente se manifestam a favor da vítima. como podemos perceber na redação original da Lei nº 8. para que se possam revelar as reais motivações dos genitores no caso concreto.

p. castração”. Nicholas. de 28 de março de 2007 que. Paralelamente.072/90 por violação da garantia constitucional da individualização da pena (art. mas pela excessiva burocracia do processo penal. Em nosso país. Com vosso veredicto lhes darei a resposta”. às vezes de duvidosa constitucionalidade. que é o dano causado à vítima não mais por seu agressor. 2º da Lei nº 8. E esta ainda falta de atenção à vítima por parte do processo penal ocasiona o fenômeno conhecido como “revitimização” ou “vitimização secundária”. o dano moral ou a dor que o delito causou na vítima ou em parentes. que sentença foi prolatada. leve em consideração. citado por Conde & Hassemer (2008. aplicando-lhe medidas excepcionais. c) Outra consequência que demonstra a maior preocupação com a vítima é o crescente protagonismo a ela dado no exercício da ação penal. que proporcionou maiores condições de reparação do dano à vítima. Tennesse. de 25 de julho de 1990.099. na presença do outro filho. Confira! qualificado. ou na jurisprudência americana na chamada “declaração de impacto da vítima”. por exemplo. também. acompanhando a decisão proclamada pelo Supremo Tribunal Federal no Habeas Corpus 82. XLIII da Constituição Federal de 1988). d) Uma última tendência é o incremento de ajuda e aten- 16 . nos casos de aplicação da pena de morte.br) você pode visualizar na integra a Lei nº 8. e que no § 1º deste mesmo artigo também dispunha que a pena por crime previsto neste artigo seria cumprida integralmente em regime fechado. a vítima foi redescoberta com o advento da Lei nº 9. de 28 de março de 2007. 5º. e saberá o que ocorreu com sua mãe e sua irmã. os meios de comunicação social desencadeiam campanhas de “lei e ordem”. alegou: “No futuro. para fundamentar o pedido da aplicação da pena de morte a qual o sujeito foi condenado. o acusado foi condenado à pena de morte pelo assassinato brutal da mãe e da filha. pretende-se que o Juiz. na fase de determinação da pena (sentencing).072.gov.464. Irá saber que tipo de Justiça foi aplicada. Tal redação somente foi alterada com a Lei nº 11. solicitando um maior rigor na atuação policial e uma “tolerância zero” em caso de delitos de abuso sexual praticado contra menores e maus-tratos a mulheres. Com ela. Um exemplo que demonstra claramente até onde se pode chegar na valorização dos sentimentos da vítima na determinação da gravidade da pena é encontrado em slogans como “contra o estupro. planalto. de três anos. O Promotor. Assim. no caso Paune vs.464. ou inclusive o Jurado. e a Lei nº 11. Mas vale observar que tal reparação somente tem incidência no âmbito da criminalidade pequena ou média. 150). que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art.INFORMAÇÃO No site do Planalto (www. o pequeno Nicholas crescerá e vai querer saber o que ocorreu. continuando no esquecimento as vítimas de delitos graves. de 26 de setembro de 1995.959.

mas para conseguir provas que sirvam para castigar o autor do delito e assim restabelecer a vigência das normas jurídicas violadas e a confiança dos cidadãos no correto funcionamento da Justiça. também. cooperar com as autoridades policiais na qualidade de testemunha. a cargo do erário público. mais uma vitimização. mas. supõe. quanto a maior participação da vítima no processo penal. Mas algumas reservas devem ser feitas quando esta intervenção possa condicionar o próprio resultado do processo penal. A própria investigação da autoria do homicídio. investiga seus órgãos. 17 . não só por parte do condenado. Cada uma destas tendências vem se manifestando pouco a pouco nos dispositivos do Direito Penal de boa parte dos países ocidentais. Não há que se objetar. seus movimentos nos dias anteriores. que em crimes violentos e atentados terroristas a indenização à vítima também deve ser uma obrigação do Estado. também. E tudo isso não é feito para favorecê-la (no caso dos crimes contra a vida. Também não se pode esquecer que a intervenção da vítima no processo penal é. sobretudo quando foi vítima de um delito contra a liberdade sexual. Mas vale observar que algumas dessas tendências. assim como a indenização dos danos e prejuízos causados pela prática do crime. inclusive. Claro que não se pode objetar a tendência a fomentar ajuda de assistência material e psicológica à vítima. não pode ser coberta pelo patrimônio do condenado (como o caso de um crime ambiental que tenha como consequência o envenenamento de pessoas em determinada localidade). desde já. identificar o violador etc. tem que se submeter a provas de periciais. praticamente. sempre que esta atuação sirva para reforçar a proteção e defesa de seus direitos e estimular o Ministério Público a agir com mais zelo. Mas não se pode esquecer. também. uma violação à intimidade corporal da vítima. cuja indenização. o estado de sua conta corrente etc.ção à vítima por parte das instituições públicas e a indenização e ressarcimento do prejuízo causado pelo delito. ou nos casos de delitos com pluralidade de vítimas. comparecer às audiências. devem ser criados mecanismos jurídicos que concedam à vítima o direito de solicitar do Estado e dos entes públicos a ajuda para superar os problemas ocasionados pelo delito. o que comeu antes de ser assassinada. pois isso é impossível). analisa o sangue. em quem é realizada a necrópsia. sob o risco de estarmos ressuscitando o período da vingança privada. por si só. como o exame de corpo de delito. podem ser consideradas contrárias à ideia de um Direito Penal de um Estado de Direito. em caso de insolvência deste. mas porque. suas relações amorosas ou familiares. não só pelo fato de ser obrigada a declarar muitas vezes sobre questões relativas à sua intimidade.

tem-se criado delegacias especializadas para atender. Além de você poder pesquisar nos livros e artigos elencados nas referências. que a vítima faça o reconhecimento por detrás de um vidro espelhado. Confira! Sem dúvida os efeitos negativos desta “vitimização secundária” devem ser reduzidos ao máximo. Ainda temos disponibilizados os áudios. por exemplo. por exemplo. 18 . Bons estudos! Encontraremo-nos no Unifor Online! Caso queira imprimir este conteúdo. mulheres vítimas de crimes sexuais ou maus-tratos. exercícios e os fóruns. Também se tem adotado medidas que tentam evitar o contato visual direito entre a vítima e o autor do delito. Neste sentido de maior preocupação com a vítima. como as Delegacias da Mulher. mas seu estudo está apenas começando. permitindo. de acordo com o programa de sua impressora. você pode utilizar a configuração econômica disponibilizada nas propriedades de impressão. Para colher depoimentos de crianças ou adolescentes vítimas de maus-tratos ou abusos sexuais temos um projeto denominado Depoimento Sem Dano.INFORMAÇÃO Disponibilizamos para você um texto complementar sobre o Projeto Depoimento sem Dano. Exercício Após todas estas informações você conseguiria perceber como os conhecimentos vitimológicos poderiam ajudar em sua vida? Acha que com tais conhecimentos seria mais fácil que você conseguisse se prevenir de forma mais eficaz com o intuito de não se tornar uma vítima em potencial? Chegamos ao final da unidade 4.

htm>. gov. Acessado em 21 de fevereiro de 2009. 5º. CONDE. FALOTICO.gov.340. Maria Berenice. Lei nº 8. BOLETIM CBES. inciso XLIII. BRASIL.464. Acessado em 25 de março de 2009. de 26 de setembro de 1995.cbesaude. HASSEMER. asp?id=8690>. Valencia. Centro Universitário Eurípides de 19 . p. Isabel. Rio de Janeiro: Ed.br/doutrina/texto.htm#art1>. nos termos do § 8º do art. Disponível em <http://www.planalto. BRASIL. Disponível em <http://jus2. Acessado em 21 de fevereiro de 2009. p. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11464. de 28 de março de 2007.br/ ccivil_03/Leis/L8072.com. br/2007/08/15/sindrome-de-alienacao-parental-%E2%80%93o-lado-sombrio-da-separacao/ . e dá outras providências. Disponível em <http://www.Referências Associação Pais para Sempre. Introdução à Criminologia. altera o Código de Processo Penal. Lei nº 11. o Código Penal e a Lei de Execução Penal.gov. In: http://blog. de 25 de julho de 1990.org>. 34. Síndrome da alienação parental.com.072.br/ccivil_03/ Leis/L9099.htm>. 2º da Lei nº 8. e determina outras providências. 2008. DIAS. de 7 de agosto de 2006.htm>. Disponível em <http://www.gov.planalto. Carla.paisparasemprebrasil. Winfried. Acessado em 25 de março de 2009. que dispõe sobre os crimes hediondos. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. 226 da Constituição Federal. 133. Dá nova redação ao art.planalto. 5º da Constituição Federal. Lumen Juris. Acessado em 25 de março de 2009.099. Acessado em 21 de fevereiro de 2009. Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências. dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.planalto. Disponível em <http://www. Acessado em 25 de março de 2009. de 25 de julho de 1990 (Lei de Crimes Hediondos). nos termos do inciso XLIII do art. CEREZO DOMÍNGUEZ. Lei nº 9. Vitimologia. o que é isso?. BRASIL. da Constituição Federal. Dispõe sobre os crimes hediondos. Síndrome de Alienação Parental (SAP): o lado sombrio da separação. BRASIL.br/CCIVIL/_Ato2004-2006/2006/Lei/ L11340.072. 2000. Disponível em <http://www. Lei nº 11.uol. El homicídio em la pareja: tratamiento criminológico. Francisco Muñoz. nos termos do art.

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