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LEI DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações, avanços e retrocessos na nova lei : abordagem

crítica
LUIZ ANTONIO GUERRA1 Pós-Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e mestre em Negociação Internacional e Integração

1.

Introdução Finalmente, após quase 60 anos, entrou em vigor, no dia 9 de

junho de 2005, a nova Lei de Falências e Recuperação de Empresas, Lei n° 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. A referida lei chegou, em boa hora, revogando, expressamente, no art. 200, o inolvidável, porém desatualizado Decreto-Lei 7.661, de 21 de junho de 1945 (antiga lei de falências e concordatas). A Lei n° 11.101, que tramitou por 11 anos no Congresso Nacional, após negociação do Poder Executivo, trouxe como ponto principal e de novidade para o ordenamento jurídico brasileiro, no Direito Concursal, os institutos da Recuperação Judicial e Recuperação Extrajudicial, eliminando-se, assim, a criticada e combalida concordata preventiva e a então imprestável concordata suspensiva, que vigoraram, no Brasil, por longos anos. A inserção do instituto da recuperação econômica no sistema jurídico nacional põe o Brasil em destaque e em consonância com a legislação falimentar vigente nos principais países europeus e sul-

Professor de Direito Comercial-Empresarial, Direito Econômico e Direito Processual Civil, da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, do Centro Universitário de Brasília – UNICEUB. Advogado especialista em Direito Comercial-Empresarial. Membro da Federação Interamericana de Advogados. Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros. Membro do Instituto dos Advogados do Distrito Federal. Consultor Jurídico de Companhias nacionais e multinacionais. Sócio do escritório Guerra Advogados Consultores Associados. Autor de artigos e livros jurídicos.
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Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações, avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica

americanos. É bem verdade que a nova lei falimentar e de recuperação não é perfeita, não é a melhor, mas trouxe significativos avanços. Lamenta-se que tenha deixado escapar, neste momento de recrudescimento do comércio internacional, de alcance de mercados alémfronteira, de tempos de formação de blocos econômicos e de integração econômica, de atitudes de globalização e novos conceitos de mundialização que permeiam o Direito Global, a matriz do futuro instituto da falência internacional, com o Juízo Universal Etranacional, como pioneiramente tratou do tema a Argentina na Ley sobre Concursos y Quiebras – Ley 25.522/95. A tônica da nova Lei de Falências e Recuperação é a mantença da atividade empresarial em crise econômico-financeira, preservando-se a fonte produtora de riquezas e impostos, além dos empregos e preservação dos interesses dos credores, reconhecendo-se, finalmente, a função social da empresa. O reconhecimento da empresa como ente social que é deriva, naturalmente, da adoção feita pelo Brasil, no ano de 2002, da teoria da empresa, do Direito Italiano, inspiradora do Direito de Empresa, no Livro II, da Parte Especial, do novo Código Civil. Importante registrar que a preservação da atividade

empresarial, fruto do reconhecimento de sua função social, na perspectiva desenvolvida na Teoria da Empresa, como agasalhada no Código Civil, a atual Lei de Quebras, na mesma linha de pensamento, reconheceu o empresário e a sociedade empresária - titulares que são da atividade econômica - como entes sociais geradores de empregos, impostos e riquezas, agentes fundamentais ao equilíbrio social e desenvolvimento econômico do País. A interpretação sistêmica dos ramos do Direito Econômico e Empresarial sinalizam para o correto direcionamento do Estado, com
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passou a propulsora da atividade empresarial – daí a importância da nova lei falimentar e de recuperação empresarial. ao lado da integração regional.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. não viabilizará o crescimento econômico do Brasil. daí por que a Lei de Falências e recuperação de empresas. isoladamente. do Município e do Estado. com redução da carga tributária. ao lado da referida lei concursal. Decorrência da nova ordem econômica. pelo Congresso. além de se constituir em decisivo fator de chamada de novos investimentos estrangeiros para o Brasil. antes restritos aos territórios do bairro. Os velhos conceitos de concorrência. Porém. Óbvio que a nova Lei de Falências e Recuperação. cuja lei já fora sancionada e entrará em vigor no dia 1º de julho de 2007. A atuação estatal. do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. antes marcadamente intervencionista. como política de Estado. da comarca. nova ordem econômica foi estabelecida para o Estado brasileiro. emprestando a esses agentes econômicos tratamentos diferenciados. de mercado e de clientela. chegou em boa hora visando o fortalecimento da economia nacional. políticas de abertura da economia e de mercado. trazendo novos institutos visando à recuperação da atividade econômica. a adoção de outras políticas públicas. Sabe-se que a partir da Constituição Federal de 1988. Outro exemplo mais recente de política pública em favor da economia foi a aprovação. no final do século passado e limiar deste ganharam 3 . elevando-se o PIB nacional. no ensejo da globalização econômica e mundialização do comércio. o acesso ao crédito e recolhimento de tributos pelo sistema Supersimples. foram e vêm sendo adotadas pelo Brasil. dentre outros. da cidade. contribuirá sobremaneira para o crescimento da economia. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica políticas públicas fomentadores da atividade econômica.

em sistemas de joint ventures e de outros mecanismos de investimentos em consórcios empresariais. outra importante lei para a economia brasileira. celebração de fusões. o Brasil começou a experimentar reestruturação os processos de de privatização. após a chegada da Lei de Falências e Recuperação. A nova pauta do comércio internacional é a exportação de produtos e a busca de novos parceiros e mercados. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica elasticidade. ganhando tratamento diferenciado dispensado aos agentes constituídos sob as leis brasileiras2.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. A atividade empresarial ganhou novo perfil. Lei Complementar 123. particularmente no Direito da Empresa. da celebração de parcerias diversas. como dito linhas atrás. da Constituição Federal. A dos agentes econômicos nos mercados de nacional e abertura econômica. com acirrada competitividade internacional. cisões e incorporações de companhias. que chega no mundo jurídico mercantil em cumprimento ao preceito previsto no art. coligação capitais. de de reengenharia a exemplo ou da societária.12. de estabelecimento e outros institutos mercantis conexos. afirmando-se a importância dos conceitos de empresa.2006. inciso IX. passando tais definições à dimensão do comércio alémfronteiras. com acesso investidores estrangeiros foi e continuará sendo primordial para a qualidade do parque industrial nacional. Neste momento. porque. a partir da década de 1990. de 14. A referida lei que cria o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte e estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de 4 2 . também colaborou na consolidação do fomento da atividade econômica. a chamada Lei Geral das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. o Congresso aprovou. A chegada do novo Código Civil. 170. Nesta trilha. em janeiro de 2003. os modelos societários foram redesenhados.

no cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias. era o fim da linha para o empresário ou sociedade empresária. foi presenteado com a Lei de Falências. ao lado da Lei Falimentar. perspectivas surgem com os institutos da recuperação judicial e extrajudicial. inclusive quanto à preferência nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos. anteriormente. O Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte estabeleceu normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido aos micros e pequenos empresários. e III – ao acesso ao crédito e ao mercado. pouca ou quase nenhuma alternativa tinha para viabilizar o soerguimento de sua atividade. especialmente no que se refere: I – à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União. que. a declaração da falência. do Distrito Federal e dos Municípios. dos Estados. dos Estados. no acesso ao crédito e ao mercado. A falência. ao associativismo e às regras de inclusão. potencializando o aumento de renda e distribuição de recursos. possa contribuir para o crescimento do emprego e renda do trabalhador brasileiro. O mencionado diploma prestigiou a produção e o consumo. em futuro próximo. inclusive imprimindo maior competitividade empresarial entre os agentes econômicos. 5 . Agora. o que favoreceu tais entes na apuração e recolhimento de impostos. pequeno porte no âmbito dos Poderes da União. à tecnologia. Em linha de contato com a realidade. o povo brasileiro. porque foram inseridos no ordenamento jurídico nacional os institutos da recuperação judicial e extrajudicial. o Brasil. com a nova lei. à tecnologia. em crise econômico-financeira. do Distrito Federal e dos Municípios. inclusive obrigações acessórias. ao associativismo e às regras de inclusão. 50 da Lei de Falências e Recuperação. de modo a evitar. oportunizando-se para evitar a falência à apresentação de plano de recuperação. sempre que possível. mediante a escolha dos variados meios. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica Espera-se que essa nova legislação. mediante regime único de arrecadação. como indicados no art.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. II – ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias. inclusive obrigações acessórias.

constituição de sociedade formada por credores ou por empregados. a exemplo de operações de cisão. 2. avanços e retrocessos contidos na Lei de Falências e Recuperação. cessão de quotas ou ações. no próximo tópico. convolado em falência. este último. afirmando tratar-se de Lei dos Bancos. tomamos conhecimento de apenas dois pedidos de recuperação judicial. já dentro da realidade da nova lei. Considerações Gerais sobre a Lei de Falências e Recuperação Feitas as considerações acima sobre a nova Lei de Falências e Recuperação. A Lei de Falências e Recuperação é recente e ainda não houve tempo suficiente para o amadurecimento das idéias acerca dos novos institutos e temas abordados. incorporação. o recolhimento de impostos e a geração e distribuição de riquezas. iremos aos apontamentos referentes às novidades. Registre-se que até o momento do fechamento desta obra. em Goiânia. celebração de contrato de arrendamento ou de trespasse e tantos outros. Esta adjetivação não 6 nos articulados a seguir comentaremos pontualmente algumas questões postas ao tempo da aprovação da lei no Congresso . celebração de convenção ou acordo coletivo de trabalho com redução de jornada e salário. aliás. venda ou transferência de ativos. fusão. o que possibilitará a mantença de empregos. como ocorrera nos casos Varig.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. e Avestruz Master. no Rio de Janeiro. de repercussão nacional. criação e oferta pública de valores mobiliários. Agora. constituição de sociedade de propósito específico. Nacional. tudo visando à recuperação da empresa. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica Os meios para alcançar a recuperação são diversos. Alguns segmentos da sociedade criticaram a Lei de Falências e Recuperação.

salvo as exceções expressamente contempladas. historicamente. no antigo regime das concordatas e falências. Tal precedência ocorre em relação aos créditos trabalhistas. andou alardeando a queda dos juros. Os seus créditos. Interessante foi o destaque dado à Lei de Falências e Recuperação quanto às taxas de juros praticadas no Brasil.que são os bancos -. por alguns ministros ligados à área econômica. Em outras palavras. significa dizer que os emprestadores de capital .Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. Não se pode dizer que a nova lei seja dos banqueiros. como sendo extraconcursais. de lobby. terão os créditos decorrentes dos contratos de mútuo (empréstimo de dinheiro) precedência sobre todos os demais créditos indicados no art. Nada de errado nisso! As instituições financeiras estão em posição de prestígio na nova lei. com a nova lei. Sucede que o Governo Federal. isso é não é verdade. na hipótese de convolação da recuperação judicial em falência. a exemplo das instituições financeiras e seguradoras. acidentários e tributários. na classificação. o que lhes garante posição privilegiada. porque possuem legislação específica. A lei alcança todos os empresários nos variados segmentos econômicos. 83. com os privilégios dados aos trabalhadores e ao fisco. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica é real! A Lei de Falências e Recuperação. Infelizmente. rompeu. na defesa dos seus legítimos interesses. A Lei de Falências e Recuperação não chegou ao cenário jurídico para baixar a taxa de juros. conforme previsto nos arts. estão em destaque. 67 e 84 da Lei de Falências e Recuperação. no Congresso Nacional. Os fundamentos de teoria econômica 7 . Errôneo pensar que a Lei de Falências e Recuperação viria para equilibrar a economia. É fato que os bancos realizaram ótimo trabalho.

na hipótese de convolação da recuperação em falência. fazer cair a taxa de juros.juro -está diretamente vinculada ao comprometimento do déficit público. Também. da viabilidade econômica do plano de recuperação. A necessidade de capital para financiar os gastos do governo é que é responsável pelo aumento ou diminuição da taxa de juros. As taxas poderão ser diferenciadas a partir da análise da situação específica do devedor. vislumbramos que a taxa de juros poderá ser menor. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica indicam que a remuneração do capital . então. ainda que acanhadamente. como já se vem experimentando. porém jamais. após o sancionamento da Lei de Falências e Recuperação. a concessão de empréstimos aos empresários. A Lei de Falências não tem este objetivo! Em realidade. o crédito bancário será reconhecido como extraconcursal. acreditamos que a Lei de Falências e Recuperação. como forma de inibir o consumo. A política econômica brasileira é nitidamente fixada por metas de inflação. poderá contribuir. Significa dizer.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. no contexto econômico. que a Lei de Falências mudará o rumo da economia neste País. No Brasil. Poderá ocorrer. mesmo porque. Estamos controlando o índice de inflação através do aumento da taxa de juros. 83 da lei. em recuperação judicial ou extrajudicial. com precedência sobre os demais previstos no art. porém para aqueles tomadores de dinheiro. quando a Lei de Falências e Recuperação estava em tramitação no Congresso. ao contrário. o Conselho Monetário não parou de aumentar a taxa de juros. Isto não é verdade. no mercado de varejo. as taxas continuaram a crescer por alguns meses. Neste particular. devedores em 8 . É irresponsabilidade dizer que as taxas de juros irão diminuir com a Lei de Falências e Recuperação. com taxas de juros diferenciadas daquelas praticadas no mercado aos consumidores e tomadores comuns. isoladamente.

quando ocorrer venda de ativos. b) a indicação dos meios visando à recuperação. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica recuperação judicial ou extrajudicial. credores. venda de ativos. transformação. geradora de riquezas. 9 constituição de sociedade com a participação de empregados e credores. ao invés de afirmar que as taxas de juros irão baixar. Muitas são as inovações contempladas na lei. como já dito acima. Com a lei criou-se nova ambientação de preservação da atividade econômica. ao permitir o rompimento da responsabilidade tributária. reconhecendo-se. fornecedores. É preciso ter coragem para fazer campanha esclarecedora ao povo. Todavia. finalmente. por força da Lei de Falências e Recuperação. que após conviver com legislação que não mais atendia à realidade econômica. daí por que os bancos e os fornecedores mereceram prestígio. banqueiros e o próprio Estado. Todos ganharam e ganharão com a nova Lei de Falências e Recuperação. Com a perspectiva de recuperação e preservação da empresa resta evidente que se exigirá fomento através de capital na atividade econômica. na sucessão. a exemplo da prática de atos de reengenharia societária de fusão. como se tivesse preceito dessa natureza na nova lei de falências. os trabalhadores sofreram mitigação nos seus direitos e o Estado cedeu. empregos e impostos. na classificação dos créditos. a saber: a) a introdução da recuperação judicial e extrajudicial da atividade econômica e o reconhecimento da função social da empresa. aqui destacamos cinco boas indicações. constituição de sociedade de propósito específico e . a função social da empresa. incorporou o instituto da recuperação ao seu ordenamento jurídico. cisão. O maior beneficiado é o Brasil. A Lei de Falências e Recuperação trouxe benefícios a todos os agentes econômicos: trabalhadores. e ainda.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. incorporação.

emprestou-se natureza material e processual. d) a alteração na classificação de créditos.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica c) a criação do Comitê e a Assembléia de Credores. com a introdução de condições próprias. Podemos indicar outros pontos negativos: 10 . a Lei Falimentar sempre apresentou-se desta forma. verdadeira equação matemática de primeiro grau. condições. Porém. dando-lhe rosto de lei processual especial. isto é. pagase o passivo e apura-se o resultado. a depender da força econômica da massa falida e do volume de créditos habilitados. o processamento do pedido de falência. e não processual. A lei alterou. Mas a lei também tem pontos negativos. Sabe-se que o processo falimentar é. aliás. devendo ser essencialmente lei econômica. ainda. prazos etc. ritualidade e prazos diferenciados da legislação comum. A nova Lei de Falências e Recuperação tem a mesma feição da revogada (Decreto-Lei 7. esta é uma tendência ocidental. arrecada-se e aliena-se o ativo. Não há justificativa para inserir matéria processual na lei de falências. A nova lei deveria ter natureza exclusivamente material. oriente-se pelos princípios da celeridade e economia processual. antes de mais nada. historicamente. a exemplo de requisitos. embora a lei.661/45). com processo próprio. em tese. Temos dúvidas acerca da celeridade do processo. Já temos no ordenamento jurídico os Códigos de Processo Civil e Processo Penal. e) a quebra da responsabilidade tributária. ou seja. na sucessão. com a alienação de ativos. que poderá ser positivo ou negativo. A burocracia documental exigida para instruir o pedido de recuperação e de falência é um ponto negativo.

de ser extra para ganhar feição judicial. procedimental. Nenhuma lei. que deixa. j) a não contemplação da falência internacional. d) a homologação judicial do plano. dentre outros. b) o não processamento dos pedidos de recuperação e falências em juízos e tribunais especializados. inclusive especializados. pode mais corresponder aos fiéis anseios e à realidade econômica e social do tempo de sua gestação. g) a declaração de falência do sócio de responsabilidade ilimitada.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. f) o não processamento dos pedidos perante câmaras de arbitragem. É bom dizer que a demora na tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional foi prejudicial à lei. a rigor. i) não se apresenta como uma lei econômica. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica a) a exclusão do alcance da lei em relação às sociedades de economia mista e as empresas públicas. c) o não processamento dos pedidos de microempresa e empresa de pequeno porte perante os juizados especiais. h) excessivamente ritualística. a rigor. como sói ocorrer na maioria dos casos. quando aprovada e sancionada. 11 . de reorganização societário-econômica. após 14 anos de gestação. e) a potencialidade de imprimir rito ordinário na recuperação extrajudicial. na recuperação extrajudicial.

após muitas perdas reconheceu a necessidade de preservação da atividade e da função social da empresa. encontra-se. mormente em razão da incorporação do instituto da recuperação. certamente. Porém. Os meios indicados estão na lei e. de natureza econômica. em linhas gerais. Felizmente. em tese. o que significa dizer que após o início de sua vigência. o Brasil. o CC atual já foi alterado algumas vezes. empregos e impostos. Aliás. neste momento. hoje. Ademais. em sintonia com a legislação de quebra dos principais países europeus e sul-americanos. judicial ou extrajudicial. se comparada com o obsoleto Decreto-Lei 7.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. visa superar crise econômico-financeira. ainda que com as suas imperfeições. No nascedouro da reforma tinha-se a idéia de criar uma lei de reorganização da empresa. não é uma legislação propriamente de reorganização econômica. em 2002. No caso da nova lei de falências a situação não é diferente. quando é aprovada chega defasada no tempo. o que autoriza afirmar que a nova lei continua atual. embora contendo equívocos. permitirão ao empresário manter a fonte produtora. O art. verificando na prática as impropriedades. A recuperação tem tratamento específico. é uma lei de vanguarda. 47 é o norte para a recuperação. A recuperação. embora cuidando da recuperação. A lei aprovada e sancionada. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica Recentemente experimentamos a mesma situação com a chegada do Código Civil. poderá buscar a sua alteração no parlamento. a nova lei. os empregos dos trabalhadores e os interesses dos credores. é fundamental dizer que a nova Lei de Falências. posto que além da demora. alguns projetos buscando a alteração de preceitos do novo Código. em tramitação no Congresso. o mercado. Grande parte da sociedade viu-se frustrada e temos.661/45. geradora de riquezas. O devedor que exerça 12 . A técnica legislativa é ruim.

conforme prevê seu Estatuto Nacional – Lei Complementar 123. Tais categorias societárias poderão formular o pedido. As microempresas e as empresas de pequeno porte. mereceram tratamento diferenciado. de 14/12/2006 (em período de vacatio legis). contados da distribuição do pedido. em outras palavras. bastando apresentar Plano Especial de Recuperação. Os procedimentos de processamento dos pedidos estão previstos nos arts. O plano especial ainda contemplará o pagamento dos créditos em até 36 parcelas mensais. O pedido com base no plano especial não acarreta a suspensão do curso da prescrição e nem das ações e execuções por créditos não abrangidos pelo plano.841/99. § 1º. 49 da lei. o processamento da recuperação judicial é diferente da extrajudicial. após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores. 70 e art. O processamento do pedido apresenta particularidade. para o devedor aumentar despesas ou contratar empregados. O processamento da recuperação é diferente daquele previsto para as demais sociedades empresárias e o plano de recuperação especial somente abrangerá os créditos quirografários. ou seja. 48. excetuados os decorrentes de repasse de recursos oficiais e os previstos nos §§ 3º e 4º do art. desde que preencha os demais requisitos previstos nos incisos I a IV do art.Lei 9. é diverso do pedido formulado por microempresa e empresa de pequeno porte. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica regularmente atividade econômica há mais de dois anos poderá pleitear a recuperação. Ainda estabelecerá a necessidade de autorização do juiz. 162 da lei. Significa dizer. que. do art. atualizadas monetariamente e acrescidas de juros de 12% ao ano.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. bem como o pagamento da primeira parcela no prazo máximo de 180 dias. que credores 13 . 51. ainda definidas na legislação atual . iguais e sucessivas. por sua vez.

No extrajudicial. Esclareça-se que a recuperação extrajudicial alcança basicamente os credores quirografários e os seus efeitos são diversos da recuperação judicial. sabe-se que o processo falimentar é complexo e moroso. daí por que não vislumbramos atendimento ao princípio da celeridade.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. o que descaracteriza a natureza extrajudicial da recuperação. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica não alcançados pelo plano poderão promover execuções e ações em desfavor do devedor. Ademais. a lei é burocrática. nos limites físicos do estabelecimento do devedor. Contudo. os arts. opera-se exclusivamente no Poder Judiciário. Como já indicado. assim não procedeu o legislador. inclusive formular pedido de falência. Embora o legislador tenha firmado na lei a orientação do processamento do pedido à luz dos princípios da celeridade e economia processual. transformando-a em judicial. Tal situação opera verdadeiro rito ordinário no processamento do pedido. todo o processamento do pedido.deveria limitar-se ao ambiente extrajudicial.que é a negociação direta do devedor com os seus credores e a celebração de acordo ou plano de recuperação . porque exigiu que o plano seja homologado judicialmente. porque o acordo ou plano firmado por si só gera efeitos para as partes. o ato jurídico . 14 . No judicial. por óbvio. O legislador criou dois modelos de recuperação: judicial e extrajudicial. a nova Lei de Falências e Recuperação não trouxe soluções para acabar com a morosidade e desburocratização. Historicamente. 163 e 164 abriram a possibilidade de o devedor pedir a homologação do plano de recuperação em relação a todos os credores por ele abrangidos. não havendo necessidade de homologação judicial.

Importante dizer que muitas são as diferenças entre a recuperação e a concordata. a principal reside na essência dos institutos. Contudo. neste artigo. Explica-se: historicamente a legislação nunca preocupou-se com a preservação da atividade econômica. com reformas estruturais visando à celeridade do processo. com a declaração da falência. mas acima de tudo realistas e não enxergamos grandes mudanças ou avanços na celeridade do processo porque o modelo processual brasileiro ainda é imperial. Todos lembram do caso Encol. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica A celeridade do processo. cartorial por excelência. Mais cedo ou mais tarde chegará o dia que o processo será reconhecido.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. com a redução do número de recursos. Ao revés. na prática judiciária. dos prazos. A Encol teve a sua falência declarada. que o concordatário quase sempre teve a concordata rescindida. Vislumbrando-se dificuldade econômico-financeira o caminho sempre foi a declaração da falência. A concordata preventiva não é instituto próprio para a recuperação da atividade econômica. Indaga-se: de que 15 . na prática. como meio. sob pena de desprestígio de sua ciência. Não é possível. As verdadeiras mudanças somente se operarão quando a sociedade organizada exigir postura de coragem dos nossos parlamentares. com a rescisão da concordata preventiva. Os processualistas devem pensar firmemente nisto. apontar cada uma delas. alterações substanciais dos ritos e outros procedimentos que estrangulam o processamento de qualquer pedido judicial. as estatísticas revelaram. certamente ficará longe de materializar-se. portanto arcaico e longe de atender aos anseios dos jurisdicionados. no passado recente. que a essência é o direito material e este deverá prevalecer sempre sobre as fórmulas do Direito Processual. Somos otimistas. jamais como fim.

Por tudo isso é que podemos afirmar que existem diferenças substanciais entre os institutos da concordata e da recuperação. dentre outras. algumas medidas importantes que poderão ser adotadas. inclusive quanto à administração desta. tudo seria diferente. aplicando-se exclusivamente os Códigos de Processo Civil e Penal. c) criar os Juízos Especializados para os processamentos dos pedidos de recuperação e falências dos demais empresários.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. trabalhadores e o Estado nada ou quase nada receberam ou receberão. a preocupação é a preservação e a mantença da empresa. Apontamos. estivesse a Encol em atividade. conforme indicadas abaixo: a) retirar toda a natureza processual da lei. A lei é imperfeita e merecerá reparos. Certamente. d) diminuir a burocracia e a ritualidade dos pedidos de recuperação e de falência. credores. facilitando o preenchimento dos requisitos e condições para o processamento da recuperação. sob controle e fiscalização. em curto espaço de tempo. A quebra não resolveu o problema econômico de ninguém. imprimindo-se uniformidade nos procedimentos. Portanto. agora. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica serviu a sua falência??? De nada. com a introdução da recuperação no ordenamento jurídico falimentar o enfoque é outro. ao revés. para atender a realidade socioeconômica de nossa complexa sociedade. Temos de buscar o aperfeiçoamento da lei. b) criar Juizados Especializados para o processamento dos pedidos de recuperação e falências das microempresas e empresas de pequeno porte. dos empregos e da geração de riquezas e impostos. desde logo. 16 . Todos perderam.

Esta matéria é polêmica. quando se discutia o privilégio da classe dos comerciantes3. não temos receio de oferecer posição sobre o assunto. Federações e Associações de Comércio e Indústria. Esse magistrado não tem a experiência e a vivência das questões mercantis de maior complexidade. De acordo com pesquisa realizada com base em acórdãos da Justiça Estadual do Rio de Janeiro.cuida basicamente das questões comuns. pois.5% de mudança em decisões sobre matérias referentes ao Direito Societário dadas por juízes sem especialização. 17 3 . Disponível em: http://www.bovespa/espaço juridico bovespa>. envolvendo contratos de locação. porém é preciso enfrentá-la. O Juiz – representante do Estado e que diz o Direito no caso concreto . há cinco anos. de 1806. deixando exclusivamente para o Poder Judiciário a solução dos conflitos não dirimidos extrajudicialmente. Em 10 fev/2007. contra um percentual de 37. Em Ciência Jurídica. o objeto tende a ser cada vez mais específico e complexo. como em todas as demais. impossível conhecer e dominar todo o conhecimento científico. 21% das decisões provenientes de varas empresariais foram modificadas em segundo grau. Dentro desta perspectiva. Somos favoráveis à criação de Juízos e Tribunais Especializados visando imprimir celeridade aos processos de recuperação e falência. A questão da especialização é antiga e remonta ainda ao Código de França. sendo. com a ampliação de competência. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica e) estimular e facilitar o processamento da recuperação extrajudicial mediante a criação de mecanismos de solução de controvérsia. Todavia. execução de títulos e ações de responsabilidade civil. Varas empresariais reduzem as chances de decisões serem reformadas.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. fomentando-se e fortalecendo-se a arbitragem no âmbito das Juntas Comerciais. ainda ao tempo da unificação das obrigações civis e mercantis. Matéria veiculada no site da Bovespa. A discussão é de velha data e perdurou por toda a Europa. O Estado transformou suas Varas de Falências e Concordatas em Empresariais. é forçoso reconhecer a necessidade de criação de Juízos e Tribunais Especializados.

inciso II). Quanto aos tribunais. falências. Portanto. mercado de arrendamento de aeronaves e afretamento de navios. porque as sociedades de economia mista e as empresas públicas têm sujeição ao regime jurídico das empresas privadas. 2º. comerciais. agora. ao menos. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica Então. questões societárias diversas envolvendo disputas entre sócios. sem perda de tempo e dinheiro. da recuperação e da falência. Finalmente. dissolução de sociedades etc. O importante é ter prestação jurisdicional de qualidade. a nosso juízo. ao excluir do seu alcance as sociedades de economia mista e as empresas públicas. trabalhistas e tributários (Constituição Federal no art. fundos e aplicações). cabe dizer que a nova Lei de Falências e Recuperação contém. manifesta inconstitucionalidade.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. como se pode exigir decisão célere e de qualidade nas questões mercantis especializadas versando sobre mercado de capitais (valores mobiliários e bolsa de valores). então que. 18 . 173. recuperação judicial. se esse magistrado não foi e não está preparado para conhecer questões diferenciadas e especializadas? Claro que não! Assim. somos favoráveis à criação de Juízos e Tribunais Especializados não só em matéria de recuperação e falências. mercado financeiro (títulos. sempre defendemos que as questões diferenciadas merecem Juízos e Tribunais Especializados. sempre visando celeridade nos julgados. § 1º. franquia empresarial etc. a exemplo. intervenção e liquidação de sociedades. na organização interna ocorra o julgamento por turmas especializadas. acordo de acionistas. controle acionário. O legislador não tem justificativa e não poderia excluir tais entes do alcance da Lei de Falências e Recuperação. do art. se não há espaço para a criação de Tribunais Mercantis. mas em todas as demais que estão a exigir especialização. inclusive quanto aos direitos e obrigações civis. no inciso I.

seguradoras. zelando-se pelo dinheiro e interesse públicos no desempenho de sua atividade econômica. a exemplo de bancos. a inclusão e exclusão de sociedades sob o alcance da Lei de Falências e Recuperacão operou-se não por critérios científicos. a rigor. que as entidades autorizadas promovam a competente ação direta de inconstitucionalidade em prol do prestígio do princípio constitucional da eficiência da Administração Pública. foi a exclusão da cooperativa de crédito.565. do art. 187 da Lei 7. a cooperativa é sociedade simples. ao autorizar as empresas aéreas a pedir recuperação judicial. O simples fato de existir lei específica para tais segmentos econômicos não impede que a Lei de Falências e Recuperação contemple a recuperação e quebra de tais empresários. ainda que a atividade econômica tenha regramento próprio. Também verificamos que a exclusão de outros entes públicos e privados. 37 da Constituição Federal). mas por interesses econômicos e políticos envolvidos. Em conclusão. de 19/12/1986 – Código Brasileiro de Aeronáutica. As demais sociedades empresárias. que alterou o art. como sói ocorrer com as companhias aéreas. do alcance da Lei de Falências e Recuperação não reside em critérios científicos. assim. 199. porquanto independentemente do objeto. Logo. o que a retira da aplicação do instituto da recuperação e da falência. embora arquive erroneamente seus atos constitutivos na Junta Comercial. infelizmente. tais empresas não podem ser excluídas.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. no art. 19 . na definição do Código Civil/2002. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica Com efeito. poderiam e até deveriam ser incluídas no art. que nos parece correta. 2º da Lei de Falências e Recuperação. afirmamos que. sociedades de previdência complementar etc. A única exceção. por força do princípio da eficiência da Administração Pública (art. esperando-se. 1º da Lei de Falências e Recuperação. é flagrante a inconstitucionalidade contida no inciso I.

aplicadas. impende dizer que. sempre que possível. 20 . a declaração da falência. Conclusão Concluindo a temática. com serenidade e maturidade. sinceramente. A experiência do Decreto-Lei 7. sejam. evitando-se. esperamos que a Lei de Falências e Recuperação mereça a atenção necessária por parte de todos os operadores do Direito. avanços e retrocessos na nova lei : abordagem crítica 3. de modo que possamos ter efetivada a recuperação da atividade econômica. com a preservação de empregos.Lei de Falências e Recuperação de Empresas : a recuperação é a solução para a empresa em crise : inovações. de fato. geração de riquezas e impostos. mais que incorporadas ao ordenamento jurídico.661/45 há de ser lembrada. desejando que as inovações.