You are on page 1of 22

Temporada 03 Capítulo 48

Eu Chorarei Amanhã
By We Love True Blood

What I'm doing now is 'wrong'... and I'm doing it!

Pam observava a boate imaginando que os bons tempos tinham voltado, ou pelo menos voltariam aos poucos. Haviam retornado dos Estados Unidos faziam algumas horas, ela dormiu junto de Eric no quarto secreto que ficava no escritório. Foi o máximo de intimidade que teve com ele num longo tempo, os acontecimentos ainda ecoavam na cabeça dos dois. Nesses últimos meses brigaram, fizeram as pazes, brigaram novamente, ela quase se foi, ele quase se foi também. Foi uma sucessão de situações que saíram do controle. Dormir abraçada a ele foi a reconciliação final que necessitavam. Não podiam continuar se perdendo um do outro dessa maneira. Existia Nora, existia o passado, mas Pam era dele e ele também fazia parte dela. Isso ninguém poderia tirar, pelo jeito nem a morte. Ela deu ordens para Carmelita começar os reparos na boate, tinham que reformar muita coisa, principalmente a fachada que ainda estava toda pichada. Os ataques provavelmente continuariam até Eric ser considerado inocente, ela queria assistir de camarote o constrangimento da Autoridade e da polícia. Ajeitava a peruca loira enquanto caminhava até o escritório, Eric já estava por lá trabalhando. Mas, não pela boate e sim atrás de Leroy, o verdadeiro assassino de Jason. Pam abriu a porta e caminhou até a poltrona em frente à mesa. Sentou de maneira espalhafatosa para atrair a atenção dele. “Sua mão não se recuperou totalmente. Estranho.”, ela disse observando a mão dele parcialmente em carne viva por causa do sol. “Nem reparei.”, Eric respondeu mantendo a atenção na tela do notebook. “Pois deveria, não é normal demorar dessa maneira.” “Faz um tempo que isso acontece, não é tão foram do comum.”, ele retrucou olhando rapidamente para ela e voltando ao computador. “Deveríamos chamar a doutora...”

“Não, nada de médicos.”, ele a interrompeu bruscamente. “Mudando de assunto.”, Pam disse franzindo o cenho, ele concordou com a cabeça. “Já avisou a Autoridade de seu retorno triunfal?” “Ainda não, estou esperando o melhor momento.” “Como pretende pegar Leroy dessa maneira?” “Não vou pegá-lo. Quero que venha até mim.”, ele a encarou. “Não entendo.”, ela odiava quando Eric agia dessa maneira, enigmático. “Montaram uma armadilha pra mim, vou fazer o mesmo. Alguém me quer morto e não vai desistir quando descobrir que não morri.” “Eric, meu amor, tanta gente te quer morto. É uma lista sem fim.”, ela balançou a cabeça. “Menos você.”, ele deu um meio sorriso. “No momento sim...” “Eu tenho que virar um alvo fácil, ele tem que se arriscar.”, ele voltou a digitar no computador. “Mais uma vez na linha de tiro? Eu quase rezei para que não te matassem. Acho que até por isso o Papa renunciou.” “Dessa vez não vou ser pego desprevenido.” “Por que não mata o filho da puta de uma vez?” “Sem descobrir quem o contratou? Vampiros como Leroy não agem sozinhos.” “Pra mim ele sempre foi o capanga descerebrado de Santiago.” “E você insiste que Santiago não tem nada a ver com isso.”, Eric disse irritado. “Se não tivesse a Outra...”, ela não iria mencionar o nome de Nora. “Nora não é o problema, nunca foi.”, ele respondeu defensivo. “Achei que odiaria eu tê-la chamado para ajudar.” O celular de Pam tocou antes que Eric pudesse responder. Ela viu a foto de Bastian assim que tirou o celular do bolso. “O que foi?” Ela perguntou fazendo uma careta, não gostava de ser interrompida quando conversava com Eric. Bastian não parava de falar do outro lado, a voz chorosa,

ela mal entendia. Pediu para que ele se acalmasse várias vezes. Até que ouviu o motivo por ele ter ligado. E era a pior notícia que podiam receber. “É melhor voltar dos mortos, Eric.”, ela disse desligando o celular. “O que aconteceu?” “Delilah foi encontrada morta no apartamento de Leroy. Ele está desaparecido, assim como Maya, a cria de Bastian.”, ela disse sentindo um pouco de emoção, talvez pudesse até derrubar uma lágrima, algo raro. “A Autoridade americana avisou, não entendo. Alguém teria vindo aqui me procurar.”, ele disse ficando em pé. “Parece que Delilah estava atrás dele, tinha alguma pista. Foi o pouco que entendi em meio a choradeira de Bastian.” “Ele escapou.”, Eric deu um soco na mesa, a madeira quase se partiu no meio. “E agora?” “A minha ressureição.” “Amém.”, ela sorriu. Eric fez um aceno para ela o seguir, ele pegou a chave na mesa e foi para os fundos da boate. --------------------------Jessica caminhava entre as árvores sentindo dores pelo corpo, não eram dores comuns. Sentia mordidas em várias partes, mas não havia marcas. Ela gemia pela dor, a bruxaria da vó de Alcide realmente funcionava. Se apoiou numa árvore para se recuperar das dores, como eram internas não se regeneravam rapidamente. Ou não eram, ela não sabia. Ficou surpresa em ter uma alma para ser ligada a de Alcide, sempre acreditou que vampiros não tinham mais nada, somente o cérebro mantendo o corpo. Tinha se enganado dessa maneira? Farejava o ar, pelo menos não perdeu os poderes que tinha. Precisava encontrar logo o lobo idiota e ajudá-lo. Como a velha tinha descoberto, ela não fazia ideia. Talvez ficasse escutando atrás das portas como boa fofoqueira, coisas de velhas como Constance. Ela tinha armado o plano perfeito, quebraria o pescoço de Alcide quando voltasse a forma humana, usaria até uma luva, não cometeria o erro burro de Eric quando matou Jason. Jessica assistia seriados criminais, tinha uma certa ideia de como pericias funcionavam. Os lobos eram sobrenaturais como ela,

mas respiravam, tinham coração e outros órgãos dispensáveis. Eram humanos com um bônus, então a polícia se envolveria quando encontrassem Alcide. Só que seu belo plano foi destruído e Francisco não era tão inteligente como pensava. Conseguiu pegar o traço no ar de animais exalando medo, provavelmente uma luta estava acontecendo. Afinal, ela sentia as malditas dores de Alcide. Se ele tivesse sucumbido, Jessica infelizmente saberia. Corria na velocidade vampírica na direção da luta, o cheiro do medo aumentando conforme se aproximava. Se fosse em outra situação, sentiria um prazer enorme. O medo é um afrodisíaco para os vampiros, só que nem poderia apreciar nesse momento. Ouvia os rosnados e choros quando um animal era atingido. Ela parou de correr quando viu a movimentação numa pequena clareira. Um lobo de pelagem cinzenta, enorme como os outros que ela viu na Assembleia, lutava no meio de um círculo de coiotes. Os olhos vermelhos do lobo estavam vidrados, ela os conseguia captar no luar. As garras sujas de pelo misturado com sangue, as presas com pedaços de carnes. Ele havia matado vários pelas contagens de Jessica. Mas, os outros que continuavam vivos não paravam de ataca-lo, dois subiram no dorso do lobo e o mordiam. Jessica apertou os lábios para não gritar de dor. Sem as presas ela não se sentia tão segura para atacar, mas teria que agir antes que o idiota morresse, não daria conta de enfrentar tantos de uma vez. Ela saltou no meio do círculo, estava tão acostumada a mostrar as presas, que projetou a mandíbula para frente, e nada surgiu, apenas os dentes normais. Um coiote com os pelos eriçados de excitação pulou na direção dela, Jessica se desviou e com uma das mãos o puxou pelas pernas trazendo para junto de si. Sem dificuldade quebrou o pescoço do animal, a vontade que sentia era de cravar os dentes na jugular. Outros dois viram o acontecido e vieram ataca-la, começavam a mudar o alvo do lobo para ela. Um mordeu a perna dela, o lobo uivou de dor, assim como ela. O outro saltou em cima dela fazendo com que caíssem no chão. Saíram rolando e só pararam quando atingiram uma árvore. Ela mordeu a jugular do coiote, mordiscava os pelos até chegar na carne, quando sentiu o sangue, começou a puxar a pele, até sentir o pescoço do animal destroçar. Sem as presas encontrava mais dificuldades. O coiote que a mordeu anteriormente voltou a ataca-la. O chutou quando ele se aproximou, o animal atingiu uma árvore do outro lado da clareira e caiu desmaiado.

Alcide mantinha um coiote preso usando a pata da frente, assim como Jessica, mordeu a jugular e matou o último que restava. Havia pelo menos oito coiotes mortos em volta deles e um desmaiado. Jessica foi velozmente até ele e deu um pisada na cabeça do animal, voou sangue para todos os lados. O uivo ensurdecedor de Alcide atraiu a atenção dela. Ele a observava com a bocarra aberta, a baba de sangue escorrendo e o rosnado aumentava conforme se aproximava. Ela estendeu a mão suja de sangue, tinha que fazê-lo voltar a forma normal, não tinha mais coiotes para matar, passou no teste. “Alcide...”, ela disse numa voz doce. “Sou eu... Jessica.” O luar deixava o pelo cinzento acentuado e maior ainda do que o normal. Ele se aproximava lentamente, os pelos do dorso em pé, posição de ataque. As garras raspavam na terra deixando marcas de sangue dos coiotes mortos. O lobo tocou com o focinho na ponta dos dedos de Jessica, deu uma leve lambida no sangue que escorria. Ela ficou estranhamente excitada pelo magnetismo de Alcide como lobo, tão ameaçador, agressivo, os olhos demonstrando o ódio que sentia. “Acabou... você conseguiu.” Ele continuava lambendo a mão dela, Jessica gemeu alto, mas não de dor e sim de prazer. Sentia isso por causa da alma dos dois unida? Só poderia ser essa a explicação, lobisomens eram odiosos. Ela não percebeu quando o lobo parou de lamber, só percebeu o perigo quando ele uivou novamente machucando os ouvidos dela. Jessica fitou os olhos vermelhos de raiva, ela se afastou por instinto, ainda mantendo a mão estendida como proteção. O lobo ficou em pé nas duas pastas, atingia quase dois metros de altura, deu um passo para frente e depois outro sem nenhuma dificuldade. Saltou para cima de Jessica antes que ela conseguisse fugir. ---------------------------Ela tinha perdido a noção do tempo desde que chegou na mansão, não foi proibida de entrar e muito menos encontrou Bill preso na cama. O cansaço a abateu, Sookita só queria fechar os olhos e dormir por um bom tempo, talvez desse novamente a sorte de ficar um mês fora. Mas, ela não poderia fugir do que tinha feito, existiam consequências e ela teria que encará-las, por mais dolorosas que fossem. Havia feito algo terrível com Bill, pedir desculpas seria um insulto. Com essa pensamento, Sookita deitou na cama e só acordou na noite seguinte.

Continuava sozinha no quarto, Bill estaria dormindo no andar debaixo, fazia isso para não acordá-la. Ela tomou um longo banho, ficou na banheira até sentir os dedos enrugados. Colocou um dos vestidos mais velhos que tinha. A Sookita sofisticada terminou antes de começar. Voltaria a ser o que sempre foi, a telepata tranquila e que trabalhava para sobreviver, como qualquer outra pessoa. O problema seria esquecer tudo o que viveu nesses meses, fechar o seu coração. Desceu a escada, a casa continuava quieta, sem movimentação de empregados, da mesma maneira que ela encontrou quando voltou. Só as luzes dos abajures mantinha a luz na mansão, um clima soturno e um pouco assustador. Foi diretamente para o escritório de Bill que ficava no lado direito da mansão. Bateu levemente na porta, esperava que ele a mandasse entrar. Ele não disse nada, o silêncio era total. Ela bateu mais uma vez, como não obteve resposta, abriu a porta. A sala também estava escura como o resto da casa, havia apenas um ponto de luz do abajur. “Bill?” “Você voltou, Senhora de La Vega.”, ele disse parado em pé frente à janela. Sookita estremeceu pelo susto, não o havia visto ali em pé. Apenas o luar projetava a sombra dele na sala. “Voltei... por pouco tempo.”, ela engoliu em seco. “A última palavra nessa farsa toda será minha.”, Bill disse entre dentes saindo das sombras. “Eu não queria que acabasse dessa maneira.”, ela sentou na cadeira em frente à mesa, os joelhos tremiam. “A culpa foi minha em tentar salvar esse casamento. Eu acreditei que sua paixão era passageira, que eu bastaria para você.”, ele caminhou para perto dela. “Fui um tolo. Uma mulher depois que é tocada por Eric é pior do que veneno.” “Pensava assim também de Lorena?” “Não a traga para essa conversa. Lorena foi uma vítima.”, o tom na voz dele era ameaçador. “Eu sou o que? Uma idiota no meio de vocês... vampiros.” Sookita falou mais alto do que gostaria. “Você era um sopro de vida na minha imortalidade.”, ele se aproximou dela. “Meu erro foi tê-la dividido, usado o seu dom pensando no bem maior.”

“Essa decisão foi minha. Eu quis usar essa... essa coisa que eu tenho. Ler pensamentos horríveis das pessoas dessa cidade não era o suficiente. Essa coisa tinha que ter vindo pra mim por algum motivo.” “Seu dom nos uniu e nos separou. Enquanto Eric continuasse vivo, eu jamais poderia ter uma chance de felicidade.”, ele disse com pesar. “E nem você.” “Isso não envolve Eric. Não foi ele quem me mudou. Eu mudei, eu quis isso.”, ela batia no peito lentamente. “Eu gostaria tanto de tê-lo amado como merecia, Bill. Queria ter sido a esposa perfeita que minha vó sonhava. Mas algo se quebrou aqui dentro.” “Nesse ponto você e Lorena são parecidas, a diferença é que Lorena buscava a morte e você a vida. Ambas acharam que encontraram isso em Eric. Eu perdi as duas, eu deveria ter lutado mais, não me encolhido de medo.”, ele passou a mão no rosto de Sookita. “Nem sempre entramos para ganhar a batalha...”, Sookita tocou a mão dele. “Eu não fui justa com você, casei pelos motivos errados e você pelos certos.” “Não temos mais como estancar a ferida aberta. Você escolheu Eric.” “Eu fui salvar um inocente. Um erro que cometi.” “Bastava me contar a verdade. Me tratou com desrespeito.” Bill se afastou dela, acendeu a luz da sala. Sookita piscou os olhos por causa da luz forte. Ele caminhou até a mesa e se sentou na cadeira, não estava com o bigode característico. “Tirar aquela fita me fez isso.”, ele passou a mão onde o bigode ficava. “Bill, se um dia puder me desculpar por tudo.” “Eu poderia força-la a ficar, implorar, eu ainda a amo. Só que minha honra não permite.” “Posso ir embora ainda hoje.” “Não, não... leve o tempo que precisar. Não a deixarei desamparada. Pagarei o que for necessário para te manter bem.” “Não quero nada, não é por orgulho. Voltarei para a casa da minha avó, arrumarei novamente um emprego.”, ela balançava a cabeça. “Justamente por causa disso. A casa de sua avó foi vendida.”, ele disse calmamente. “Vendida? Quando?”, ela ficou em pé, estava em choque.

“A casa estava prestes a ser perdida, duas hipotecas para vencer, não preciso te lembrar disso. Como veio morar aqui, uma coisa levou a outra.” “Eu não lembro disso, não lembro mesmo.”, ela balançava a cabeça boquiaberta. “Foi logo depois do enterro de seu irmão.” Ela não disse nada, foi no tempo que ficou fora do mundo. O que iria fazer? Onde iria morar? Aceitar o dinheiro de Bill não fazia parte do pacote, jamais faria isso. “Por isso, fique quanto tempo precisar.”, ele insistiu. “Obrigada...”, ela abaixou a cabeça. “Apesar de tudo, eu desejo que seja feliz.” “Eu desejo o mesmo. Nunca quis te machucar.”, ela apertou as mãos no colo. “Jamais vou esquecer tudo o que fez por mim.” “Pena que não tivemos um final feliz.”, ele não escondia a tristeza. Ela concordou com a cabeça. Se aproximou da mesa tirando a aliança com dificuldade do dedo, estava mais apertado do que deveria. Colocou em cima da mesa empurrando na direção dele. “Peço que faça uma última coisa pra mim.”, ele disse pegando o anel com uma expressão dolorosa. “Qualquer coisa.”, ela disse rapidamente. “Continue casada comigo... oficialmente.” “Não quer o divórcio?” “Eu disse que a última palavra seria minha, Sookita.”, ele a encarou. “Não é prudente atenção da mídia nesse momento para minha vida pessoal. E os repórteres começariam a te perseguir para saber os motivos de nossa separação. Daqui alguns meses podemos anunciar para todos.” “Mas... eu não estarei morando aqui...”, ela disse abrindo os braços. “Apenas perante a justiça.” “Eu aceito.”, era o mínimo que podia fazer por ele. Ele não disse nada, apenas meneou a cabeça. Sookita retribuiu o gesto e se virou para sair do escritório. Assim que fechou a porta, respirou aliviada, não tinha sido tão ruim, apenas triste.

---------------------Alcide cravou os dentes na pele sensível de Jessica, afundou até chegar nos ossos e começar a tritura-los. Mas, parou no mesmo instante quando sentiu uma dor excruciante na pata. Jessica tentou se afastar dele, só que o lobo pulou novamente em cima dela e a mordeu no pescoço. O animal uivou de dor e correu para longe dela. Ela não tinha dúvidas de que realmente estavam unidos, tinha medo de pensar que isso duraria para sempre. O que faria presa até Alcide morrer de velhice? Lobisomens tinham vida longa, muito mais do que humanos. Ele lambia a bata machucada pela mordida em Jessica. Ela o observava com curiosidade, por mais que não gostasse de admitir. Só que um som atraiu a atenção dos dois, parecia um choro de criança, um lamento. Alcide parou de lamber a pata e começou a correr na direção do choro. Jessica correu atrás dele, teria que ser a babá pela noite toda. Não podia usar a velocidade vampírica senão o ultrapassaria. O cheiro que ela captou era de algo morto, não havia batimento cardíaco. Alcide havia chegado no local e urrava sem parar. Jessica ficou nas sombras observando, não poderia se expor. Para seu horror e isso era difícil de acontecer, havia uma jovem vampira acorrentada pelos braços num galho de uma árvore, quase uns dois metros acima do chão. Alcide pulava para alcançá-la, não demoraria para conseguir. Jessica não duvidava de que ele destroçaria a menina. Essa era a surpresa maldosa de Francisco, obrigar Alcide a matar uma vampira para sentir o gosto de sangue. Jessica sentiu vontade de matar aquele imbecil traiçoeiro. Teria que pôr um fim na vida da vampira antes de Alcide matá-la, não daria esse prazer para Francisco. Jessica teria que arrumar uma maneira de distrair Alcide, sendo que não podia machucá-lo. Ela teve vontade de gritar de raiva, tudo estava dando errado. Normalmente levaria alguns segundos para quebrar o pescoço do lobo idiota e faria uma dança de comemoração. Pegou um galho no chão e gritou chamando a atenção dele. “Vem, cachorrinho, vem...”, ela agitava o galho de um lado para o outro. O lobo virou a cabeça de lado, sem entender o que ela fazia. “Venha, idiota, venha...”, ela gritava. A menina pendurada gemia de dor por causa da prata, parecia ter apanhado e estava nua. A raiva de Jessica só aumentou diante da visão. Alcide caminhava

com cuidado para perto de Jessica. Sabia o que tinha acontecido quando a atacou, sentiu dor, muita dor, assim como ela sentiu. Ela jogou o galho no focinho dele, queria irritá-lo, obriga-lo a atacar novamente. Ele uivou para a lua, eriçou os pelos em sinal de ataque e saltou para pegá-la. Jessica agarrou as patas da frente e quebrou, o animal gritou de dor, assim como ela. Os dois caíram no chão, ele tentava se levantar mas não conseguia. Ela se arrastava na direção da menina chorosa. Em questão de minutos suas pernas estariam recuperadas. Em seguida iria matar a vampira, não gostaria de fazer isso, mas não a deixaria sofrer sendo morta por um lobisomem. Jessica se apoiou na árvore onde ela estava. Esperava as pernas voltarem ao normal. A menina começou a gemer baixinho: “Ele... está me chamando... preciso ir...”, ela se agitava nas correntes, balançava pra frente e pra trás. “Bastian... Bastian... estou indo... não me machuque.” “Bastian?”, Jessica gritou. “Como o conhece?” A menina não respondeu, continuava gemendo o nome de Bastian como um mantra assustador. “Chamando... ele me quer ao lado... chamando...” Essa vampirinha era cria dele? Jessica olhou para cima assustada. Não poderia matá-la, teria problemas, pois pertencia à Bastian que pertencia a Santiago e isso significaria mais problemas com a Autoridade. Ela não queria ter as presas arrancadas novamente ou coisa pior. Suas pernas ainda estavam quebradas, assim como as de Alcide. O lobo estava deitado no chão uivando baixinho. De repente, ela sentiu o cheiro de vários lobos, o cheiro forte de pelos fétidos, e hálito nojento. Como ela os odiava, adoraria vê-los todos mortos. Francisco foi o primeiro a se transformar, estava nu, com o membro grande balançando de um lado para o outro, meio hipnótico, Jessica pensou. Nada mal, pelo jeito era tradição na família. “Vejo que ajudou Alcide a passar no teste... Vampirinha sem vergonha.”, ele gargalhou. “Não ajudei merda nenhuma. Ele está ali com as patas quebradas.” “E você também?”

Francisco arqueou uma sobrancelha, pareceu surpreso. Os outros lobos se mantiveram entre as árvores em posição defensiva. “Vai se foder.”, ela cuspiu sangue na direção dele. “Resposta errada.” Os lobos rosnaram em uníssono, um som alto, apavorante. Jessica tapou os ouvidos, aquela sensação de morte iminente voltava quando faziam isso. Ela não queria morrer essa noite, não naquela floresta. Alcide era para ter morrido, não ela. “Não deixou ele se divertir com nosso presentinho...” Ele puxou a menina bruscamente pelos pés, a jovem vampira caiu no chão chorando sem parar, se encolheu perto de Jessica com medo, as mãos ainda presas pelas correntes. “Matem a vampira menor. Deixem a ruiva comigo.”, ele soltou um riso maldoso. Três lobos se aproximaram, os outros continuaram distantes. Jessica podia sentir a baba e o hálito fedorento deles. Passou os braços perto da jovem, não deixaria que a pegassem, teriam que matá-la antes. Mas, não teve tempo em reagir quando um dos lobos cravou os dentes na perna de Maya e a arrastou. Os lobos foram na direção deles. Francisco ainda estava na forma humana quando chegou perto de Jessica. Só que foi jogado no chão quando Alcide ainda como lobo veio se arrastando com as patas de trás que estavam boas e pulou nas costas de seu irmão. Os dois começaram a rolar, Alcide tentava morder Francisco e este voltar a forma de lobo. “Parem tudo.” A voz cavernosa do avô de Alcide surgiu perto deles, os lobos que atacavam a menina pararam de medo, sabiam o que isso significava. Francisco e Alcide também deixaram a luta de lado. “Todos serão punidos por esta noite. Todos, sem exceção.”, ele estava na forma humana, os olhos vermelhos faiscando de raiva. “Saiam daqui. Ajudem Alcide.” Francisco tremia de ódio e medo, fez um sinal e os outros lobos voltaram a forma humana. Dois deles pegaram Alcide que também voltou a forma humana e sofria uma convulsão. Os braços pendiam frouxos, ele tinha hematomas pelo corpo todo. Jessica se viu sozinha com o velho, talvez a matasse. Ouvia o choro baixo da menina perto dali, ainda continuava viva.

“Pode levantar?”, ele perguntou parando em frente a ela. “Sim.” Em seguida, o velho entrou na floresta e voltou minutos depois com a menina nos braços. As pernas dela estavam em carne viva, havia várias mordidas, não foi desmembrada pelos outros, graças a chegada do avô de Alcide. Ele caminhava a frente, e ela ia atrás, numa estranha procissão. Sem perceber, Jessica começou a chorar, não sabia se por ela, pela menina, ou por essa noite que não tinha fim. “Agradeço o que fez por Alcide.”, ele disse sem olhar para trás. “Como sabe?” “Eu mandei Constance unir vocês dois.” “Não tinha essa direito.”, ela fungava por causa das lágrimas. “Precisava saber se era merecedora de meu neto.” “Besteira. Eu só fiz porque fui obrigada.” “A união só funciona se existe amor.”, ele disse numa voz grave. “O Rito de Passagem era para vocês dois.” “Eu não sou a merda de um lobisomem.”, ela enxugava as lágrimas com raiva. “Os dois passaram no teste.” Jessica continuou caminhando cabisbaixa, as luzes pálidas da cidade começavam a surgir. “Até quando estarei presa em Alcide?” “Só a morte pode separar.” Ela sentiu vontade de pular no pescoço do velho e mata-lo com requintes de crueldade. Mas, deixaria isso para mais tarde, teria que descobrir uma maneira de sair desse inferno. Talvez usasse a cria de Bastian. --------------------------Sookita olhava pela janela do carro que a levava para o cerimonial em homenagem a Delilah. Fazia uma semana que tinha se separado verbalmente de Bill e também da descoberta da morte de Delilah por Leroy. Ela se sentia mais ligada do que nunca em Santiago e Bastian, os três choravam pela morte de alguém querido e o mesmo assassino.

Havia um novo frenesi na mídia desde que a polícia e a Autoridade divulgaram o nome do verdadeiro assassino. Bill enviou um comunicado para a imprensa dizendo o quanto ele e a esposa estavam aliviados pela captura de Leroy. Captura que nunca ocorreu, a Autoridade mentiu para o grande público com a intenção de não causar comoção, já bastava o erro que cometeram com Eric. Falando em Eric, tudo o que ela não queria aconteceu, a dor de perdê-lo voltava a todo momento quando via o rosto dele na televisão. Parecia que a perseguia, quando mais tentava se afastar, ele ressurgia. Eric era o novo herói da mídia, o vampiro injustamente preso e que quase enfrentou a pena de morte. Sookita ainda se lembrava do sorriso vitorioso de Eric na coletiva de imprensa ao lado de Bill, na qual foi desculpado oficialmente. Havia uma nova discussão em como agir quando vampiros cometiam assassinatos, que deveriam ser julgados com as mesmas leis dos humanos. Mas, era uma lei que jamais seria aprovada, apesar do sumiço do Senador Morales, outros compartilhavam de sua opinião. Vampiros e humanos não pertenciam à mesma categoria, sendo o último o topo da cadeia. A verdade era que ninguém sabia realmente como lidar com os vampiros na Sociedade Moderna. As buscas pelo Senador Morales, um dos maiores opositores dos vampiros no México, não deu em nada. Grupos radicais acusavam a Autoridade por tê-lo matado, algumas tensões entre os grupos estavam acontecendo, os que defendiam os vampiros e os que eram contras. Mas, Sookita sabia da verdade, principalmente o responsável pela morte do senador. O sempre sorridente e carismático Eric Colunga, pelo menos era o que se via na televisão. A Autoridade não mentia nesse caso, não faziam ideia de quem matou o senador e Eric não seria bobo de contar. Sookita também não via motivo para revelar o que realmente aconteceu. Bastava ter o prazer de imaginar o senador apodrecendo numa fazenda abandonada em Tijuana. Além do que a Autoridade não poderia lidar com mais esse problema, se mais um vampiro fosse acusado de uma morte, ainda mais de uma figura importante, a situação acabaria fugindo do controle. E eles gostavam de controlar tudo, mesmo que por debaixo do pano. Igual o assassino de Jason ter sido pego magicamente após outro ter sido acusado falsamente. De acordo com Bill, Leroy provavelmente estava em outro país. Garantiu para Sookita que o vampiro seria pego e morto. Os dois conversavam apenas o essencial, ela ainda estava na mansão, ajeitando a mudança que iria fazer e procurando um lugar para morar. Só que não estava sendo fácil, as poucas economias que tinha não eram o suficiente para se manter morando sozinha de aluguel. Talvez voltasse a trabalhar com Sam, era a única opção que restava.

Bill estava ao seu lado no banco de trás do carro, o motorista de sempre os levavam para a Autoridade. Ela usava um vestido preto até a altura dos joelhos, um coque simples e um pouco de maquiagem. Ela não foi no enterro de Jason, mentalmente. Mas, iria prestar as últimas homenagens para Delilah, que morreu tentando provar a inocência de Eric. Dessa vez ela não foi vendada para ir até a Autoridade. Já estava bem familiarizada com os procedimentos. Pararam no terreno baldio ao lado do prédio abandonado, havia vários carros ali, inclusive o carro de rapper que ela conhecia tão bem. Respirou fundo sabendo que encontraria Eric ao vivo, não apenas na televisão. Bill a ajudou a descer do carro, eles caminharam silenciosamente até a entrada. Ele parou na recepção, fez os tramites necessários e foram para o elevador. Dessa vez desceram até o primeiro andar acompanhados de outros vampiros. Ela notou que jamais foi na Autoridade por algum motivo feliz, sempre envolvia algo ruim, principalmente sofrimento. Lembrava da ironia em ter sido levada por aqueles corredores por Leroy na primeira vez que esteve ali. Sentiu uma pontada no peito, as lembranças eram dolorosas, a visão de Jason sorridente vinha em sua mente. Entraram por uma porta dupla, o batente quase chegava no teto, que já era bem alto. Para a surpresa dela, adentrou num salão suntuoso, com o teto abaulado e adornado com pinturas de vários estilos, parecia a Capela Sistina ou algum Palácio europeu. O chão de mármore como o resto da Autoridade, se gastava muito ali. Havia estatuas de figuras humanas, mulheres segurando algo que ela não fazia ideia do que fosse em frente aos pilares que sustentavam o lindíssimo teto. Era um salão de gala para festas, ela não conseguia imaginar os vampiros se divertindo, não combinava, sempre tão soturnos. Não tinha cadeiras, nem mesas, não fazia sentido ter comes e bebes. Mas, havia garçons circulando com taças de sangue entre os presentes. Notou vários olhares conforme transitavam entre os vampiros. Ela não tinha dúvidas de que era a única humana ali, não captou nenhum pensamento. Infelizmente não teve dificuldades em encontrar Eric, era o mais alto naquele salão enorme e mesmo entre tantos vampiros, lá estava, imponente, segurando uma taça de sangue, bebericando de vez em quando. Ao lado dele estava Pam que devolveu o olhar de Sookita com um leve aceno de cabeça e um sorriso cínico. Do outro lado de Eric estava Nora, trajando um vestido preto, esvoaçante que acentuava a beleza etérea dela.

Sookita devolveu o aceno de Pam e desviou o olhar, não queria mais drama nessa noite, já bastava a tristeza que sentia. Bill a levou até Santiago e Bastian. O vampiro mais velho estava com os olhos marejados de sangue por causa das lágrimas, o mais jovem fungava baixinho. Sookita não tinha terminado bem a última conversa com Bastian, mesmo assim gostava muito dele. “Sinto muito.”, ela estendeu a mão para Santiago. O vampiro tomou a mão entre as dele e a beijou delicadamente, Sookita sentia as lágrimas escorrendo, chorava por Delilah, por Jason, por ela mesma. Santiago não disse nada, agradeceu o gesto com um leve aceno de cabeça. Em seguida, Sookita se aproximou de Bastian que a abraçou fortemente encostando a cabeça no ombro dela. “Chorar faz bem... não tenha receio.”, ela sussurrou. “É minha culpa, ela não deveria ter ido sozinha.” “Por favor, Bastian... não se coloque esse fardo. Você terá que ser forte por Santiago e Maya.”, ela afagava o cabelo ralo dele, as pontinhas faziam cócegas nos dedos. “Maya... Maya... sumiu também. Ela não veio até mim. Leroy a pegou.”, ele disse soluçando. “Meu Deus, não...”, Sookita sentiu fraqueza nos joelhos. Continuou abraçada a Bastian por um tempo, só o soltou quando a cerimônia iria começar. Ela se afastou para longe, não queria ficar perto de Bill. No fundo agradecia por não ter acompanhado o enterro de Jason, era doloroso demais. Ela se afastou da multidão, parou perto de um pilar, ao lado de uma estátua e ficou observando. Vários vampiros falaram sobre Delilah, quando terminavam tomavam um gole de algo dentro de um cálice, ela imaginou ser sangue. Não era uma cerimônia pomposa, era bem simples para o salão luxuoso. Mas, não havia nada para ser comemorado, era melhor a sobriedade do que algo chamativo. Santiago e Bastian não falaram, faltou voz e coragem, ela entendia perfeitamente. Ela descansava a cabeça no pilar, perdida em pensamentos e lembranças, fechou os olhos e se imaginou ao lado de Jason. “Hum, está sem aliança.” A voz de Pam soou ao lado dela. Sookita abriu os olhos sem vontade. “Só você para reparar...”

“Todo mundo deve ter visto. Nem todos tem colhões como eu para vir perguntar, preferem ficar cochichando nos cantos. Posso ouvir daqui.”, ela bebeu um gole da taça que carregava. “Estou separada de Bill. Satisfeita? Pode espalhar a fofoca.”, Sookita disse gesticulando as mãos. “Depois do que fez, não estou surpresa.” “Precisamos sempre lembrar disso?” “Sim porque foi divertido. Daria tudo pra ter visto.”, Pam sorriu de canto. “Deveria ter mais respeito por Santiago e Bastian.”, Sookita cruzou os braços e fechou a cara. “Temos a eternidade para lamentar. Isso aqui é apenas... lembrar que a morte existe.” “Nada dura para sempre...”, ela disse baixinho. “Nem o amor, nem a paixão. Triste, não?”, Pam piscou para ela. Sookita desviou o olhar, voltou a focar nos vampiros que falavam do outro lado do salão. Não iria responder as provocações de Pam. “Vou fazer algo que não costumo. Não imagina o quanto me dói. Mas, não quero Bill saindo vitorioso nessa.”, ela se aproximou de Sookita. “Do que está falando?” “Aproveite, é a primeira e última vez que farei isso.” Pam colocou a taça em cima da bandeja quando um garçom passou ao lado delas. “Por acaso, você nunca se perguntou como Eric chegou até seu irmão?” “Por favor, não quero voltar nesse assunto...”, ela balançou a cabeça em desespero. “Deve ter se perguntado, não é tão tapada como parece. De qualquer maneira, não precisa ficar se martirizando como Madre Teresa pelo que fez com de La Vega.”, Pam fez uma pausa dramática. “O que...” “Não me interrompa, estraga a dramaticidade da coisa.”, Pam revirou os olhos. “Eric foi te salvar, lembra do senador... longa história... porque Bill entregou o paradeiro de seu irmão.”, Pam saboreava cada palavra. “Não acredito, está querendo me provocar.”

“Pergunte pra Eric. Não entendi porque não te contou antes...”, Pam tinha uma expressão de triunfo. Sookita não deixou Pam continuar falando, foi na direção dos vampiros. Por mais que odiasse ter que fazer isso, iria questionar Eric se era realmente verdade. Não iria acusar Bill sem ter certeza. Não aguentava tantos segredos e mentiras. Viu ele parado no lado esquerdo do salão, perto de um pilar com Nora ao seu lado. Sookita atravessou o salão às cegas, os saltos fazendo barulho quando tocavam no mármore. Alguns vampiros voltaram para olhar o que acontecia, mas ela não se importava. Parou em frente a Eric, nem reparou em Nora. “Preciso falar com você.”, ela disse num fio de voz. “Não temos o que conversar. Acho que fui bastante claro da última vez.”, Eric respondeu dando de ombros. “Eric...”, Nora chamou a atenção dele. “Sookita é convidada aqui, não seja tão mal educado.”, a vampira sorriu para ela. “Fale você com ela.”, ele apontou de Nora para Sookita. “É com você que eu quero falar.”, Sookita insistiu sentindo a raiva crescer. “O assunto é urgente?”, Nora se aproximou tocando no ombro de Sookita. “Sim.”, ela disse encarando Eric. Eric a pegou pelo braço antes que Nora pudesse responder, lançou um olhar nada amigável para a vampira. Os dois caminhavam juntos pelo salão, as mãos dele apertando o braço dela, Sookita soltou um gemido de dor. Antes de sair do salão, ela viu Pam que fez um aceno com a cabeça e abriu um sorriso zombeteiro. Chegaram no corredor ao lado do salão, havia dois vampiros montando guarda, Eric mandou que saíssem. “O que quer?”, ele disse sem vontade cruzando os braços. “É verdade... verdade que Bill te entregou Jason para me salvar?”, ela disparou. “Quem te contou isso?” “Só quero que me responda.” “Leia a minha mente... como da outa vez. Deu tão certo.”, ele soltou uma risada amargurada.

“Não é assim que funciona. Repentino. Não brinque comigo, Eric.” “É difícil entender que não quero mais nada com você? Vai ficar correndo atrás esperando migalhas?” “Pense o que quiser. Não me importa mais. Só me responda o que perguntei.”, ela o encarava bufando de raiva. “Eu te disse que não iria gostar de saber. Já que insiste.”, ele deu novamente de ombros. “Eu só fui te salvar porque Bill me deu Jason como troca. Satisfeita?” “A troca que fez foi com Bill...”, ela cambaleou, teve que se apoiar na parede. “Eu quis te poupar.” “Me poupar do que? Você deveria rir da minha cara o tempo todo...” “Bill, seu príncipe encantado, era tão cruel quanto eu.”, ele passou as mãos nos cabelos. “Você não perderia a oportunidade de fazer exatamente isso. Está mentindo.” “Eu queria que descobrisse por si própria. Nem tudo vem de mão beijada. Veja isso como um aprendizado.”, ele se afastou. “Preciso sair desse lugar.” Ela respirava com dificuldade, tinha que ir embora da Autoridade, ficar longe de todos os vampiros. Ela passou por Eric que nada fez para impedir. Ele não a amava mais, não tinha que protegê-la. Ela recomeçou a chorar pensando nisso. Entrou no elevador, apertou o botão do lobby. Passou correndo pela recepção, foi até o carro onde estava o motorista de Bill e implorou para ser levada embora. Ele ficou confuso, a olhou assustado, mas não poderia negar as ordens da mulher do chefe. Quarenta minutos depois Sookita chegou na mansão, subiu para o quarto e se trancou. Tirou a roupa e colocou novamente um vestido velho, de quando era apenas Sookita Montenegro. Pegou as malas que tinha deixado arrumadas, começou a descer uma por uma pela escada e levando em direção ao carro. Era a única coisa que iria manter do casamento, o carro que ganhou, o antigo nem tinha mais, assim como a casa de sua avó. Um dos empregados veio ajudá-la a guardar as malas. Sookita se despediu e deu partida no carro. A mansão tão bonita ficava para trás, a vida infeliz que levou lá também.

Ela foi num hotel do centro da cidade, era um dos mais chiques, não importava o preço, só queria desaparecer. Deixou as malas dentro do carro, subiu para a suíte e dormiu a noite inteira. Quando amanheceu, ela se sentou na sacada e ficou observando a vida movimentada lá embaixo, como queria acordar do pesadelo que estava. Ligou o celular e viu várias mensagens de Bill, ignorou todas. Deitou novamente na cama e passou o resto do dia sem fazer nada. Mas, perto do anoitecer, uma mensagem desconhecia apitou no seu celular. Ela iria deletar pensando ser de Bill, mas viu o nome no final dela e pulou de susto. Venha me encontrar esta noite na boate, Eric O que Eric queria? Depois que a tratou com tanto desprezo na Autoridade. Sookita não entedia. Ligou para ele, no número que conhecia, não houve resposta. Ele poderia ter trocado de número. Ela não fazia ideia. Toda a tranquilidade que sentia foi perdida. O frio na barriga tinha tomado conta, sentia o estômago revirando. Foi tomar um banho para relaxar, mas a mensagem voltava a martelar em sua cabeça. Será que ele tinha mudado de ideia? Se arrependido? A desejava junto dele? Seu corpo começou a tremer diante desses pensamentos, não tinha mais ninguém para atrapalhar. Bem, exceto Nora, Pam, Bill. Não, não, ela não deveria ficar excitada desse jeito por causa de um vampiro como Eric, vampiros só traziam problemas. Ela se trocou e olhava toda hora para o celular. Leu a mensagem várias vezes, até enjoar das palavras. Não tinha um horário marcado, bastava aparecer na boate. Ela iria, não, iria, não, o que faria? Sookita andava de um lado para o outro na suíte. Seu coração ansiava por Eric, mas a sua mente mandava ficar longe. Assim que bateu na porta da entrada dos fundos da boate, ela xingou o coração traiçoeiro. Mais uma vez jogava contra ela, perdia toda as batalhas quando ele entrava na parada. Pam surgiu na porta com uma expressão de surpresa. “O que faz aqui?” “Eric me pediu para vir.”, Sookita disse sentindo arrependimento, não deveria ter vindo. “Duvido. Ele anda muito ocupado com Nora.”, ela disse franzindo o cenho. “Eu jamais viria sem ter um motivo.”, Sookita se explicou.

“Aliás, fugiu ontem da cerimônia? Cadê o respeito por Santiago e Bastian?”, Pam deu o troco. “Tenho muito...” “Descobriu o que queria com Eric?” “Não é da sua conta.” Sookita empurrou Pam e entrou na boate. Não estava com paciência para mais um round com a vampira. Tara acenou excitada do balcão assim que a viu, Mariano estava ao lado dela. Sookita fez um sinal para se falarem depois. A amiga devolveu o sinal. Havia alguns funcionários na boate. Carmelita também estava lá, ela sabia o que tinha acontecido entre Sookita e Eric. Lançou um olhar indiferente para Sookita. Pam caminhou lentamente até o escritório de Eric, Sookita ficou esperando perto da saída. Pam bateu na porta, não abria mais como antes, ainda mais depois que encontrou Sookita com ele em posição comprometedora, tinha ficado com trauma. Eric demorou para entender, Sookita começou a ficar nervosa. De repente a porta se abriu, ele apareceu ajeitando a calça, estava sem camisa. “Tem visita.”, ela apontou para Sookita. A expressão de Eric que estava relaxada, mudou completamente. Mediu Sookita de cima a baixo, caminhou até ela do jeito que estava. Nora surgiu em seguida, ajeitava também a roupa que usava. Sookita sentiu um nó na garganta, não tinha dúvidas do que estavam fazendo. Ela tinha cometido um erro em ter vindo. “Você me pediu para vir.”, ela disse antes dele, desviando o olhar do peito musculoso. “Não consegue parar de inventar desculpas para me ver.”, ele disse baixo ao se aproximar dela. “Está aqui, você me mandou hoje... olha...” Ela pegou o celular tremendo, ele percebeu e sorriu de lado. Estendeu para ele. Eric viu rapidamente e arqueou a sobrancelha, ficou tão surpreso quanto ela. “Alguém está brincando com você. Não mandei mensagem nenhuma.”

Nora acenou para Sookita, não se aproximou dos dois, continuava parada em frente ao escritório. Os poucos funcionários pararam o que estavam fazendo e começaram a observar os dois, muitos se lembravam de Sookita, a maneira que saiu carregada por Eric semanas atrás. Só que o show não continuou, pois ouviram uma batida forte na porta de entrada. Carmelita foi atender, disse que estavam fechados, abririam em algumas semanas. Mas, não conseguiu continuar falando, uma arma surgiu na fresta da porta e disparou no meio da testa dela. A moça caiu morta no chão. Os outros funcionários gritaram de susto. Sookita olhou assustada para Tara. Mariano impediu que saísse de trás do balcão. A porta foi escancarada e um homem entrou apontando a arma. Eric exibia as presas, contorcia o rosto de raiva. Sookita sentia a tensão dele, estava pronto para atacar. “Fiquem onde estão.” Pam reconheceu a voz, sabia de quem se tratava. Ela deu um passo à frente e disse: “Achei que tinha morrido.” “Deveria ter me matado quando pode.” Sookita se lembrou imediatamente de Juan Carlos. Todo o pavor que passou com o senador voltou em sua mente. “Dê mais um passo e será um homem morto.”, Eric disse entre dentes. “Agora eu estou no comando. Dessa vez você e a putinha irão pagar.”, ele jogou a arma longe e abriu o sobretudo que usava. Usava um colete com várias bombas de C4 conectadas por fios. Pam sabia do que ele era capaz, tinha visto o que fez no depósito vazio. Iria matar todos ali, inclusive ele. Pam olhou assustada para Eric, fez um movimento para saírem da boate o quanto antes. “Não... não... não... se fugirem como ratinhos medrosos, vou explodir isso aqui tudo. Não poderão salvar todos os humanos, né putinha?”, ele perguntou para Sookita. Nora se aproximou de Eric, também estava pronta para atacar. Sookita adoraria tirar o sorriso da cara de Juan Carlos. Queria que Eric o matasse com requintes de crueldade.

“Acreditei que iria pagar por matar um inocente como fez com o senador. Eu tenho que agir para trazer justiça a esse mundo.”, ele gritou, babava de raiva. “Só quer a mim, deixe os outros saírem daqui.”, Eric tentava negociar. “Não me dê ordens. Você acabou com o plano perfeito que montamos em Tijuana. Fui obrigado a mentir sobre o senador, ele não poderia ter a vida manchada por um vampiro como você e essa vagabunda.” “Seja razoável. Não quer matar inocentes.”, Eric insistiu. “Não vim para sair de mãos abanando.” Juan Carlos puxou uma cordinha no colete, as bombas foram acionadas. “Eric!”, Pam gritou. Depois veio o clarão e o barulho ensurdecedor.

Nos vemos em setembro para a Quarta Temporada