ORAÇÃO PELO DARFUR

PONTE PEDONAL – Coimbra 03.11.2007

1/ Acolhimento:
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Encontro na margem esquerda, junto à ponte. A cada jovem é dada uma venda e um objecto que possa fazer barulho (a utilizar no momento oportuno). Cartaz sobre o Darfur: “O silêncio mata, a tua voz pode salvar”, seguro por dois jovens. Cânticos de ambientação.

2/ Cântico de inicio. 3/ Introdução à oração.
Auatif, não regressou. Quatro janjauid apareceram, montados em camelos. Agarraramna, arrastaram-na por uns metros. Até que a ataram a um camelo. Ora de rastos, ora a caminhar. Caía, outra vez de rastos… Para onde? Para que? Para ser escrava dos senhores do Darfur: os janjauid. Com eles vale tudo, desde a violação ao espancamento, até deixar a presa inânime no chão, à mercê dos abutres e dos cães vadios. Domingo, 28 de Outubro, nos Missionários Combonianos na Maia. 400 pessoas, crianças, jovens, mulheres e homens, reunidas na habitual festa missionária. Encontro sobre o darfur. Quem já ouviu falar do que se passa no darfur? 9 pessoas levantaram o braço. Sim só 9 pessoas entre 400. Não conheciam, só alguma vez ouviram falar. E no entanto, nos últimos 4 anos são mais de 400.000 mortos e 2 milhões e meio de refugiados. Triste realidade. Porquê? Até quando? Será que ninguém vê? Se estamos aqui hoje e agora é para acabar com o silêncio cúmplice e mortal. Para sermos a voz dos que não têm voz. Para sermos ponte que nos une a todos, que faz de nós humanidade. Uma ponte interior, mas também um aponte física, exterior. Uma ponte que destrói muros e constrói comunhão. Uma ponte com o Darfur.

4/ Oração: PONTES OU MUROS?
Oração lida por dois ou mais jovens. O Itálico a negrito poderia ser proclamado por todos a uma indicação de presidente.
Na vida podemos escolher entre ser Ponte que une, ou ser Muro que separa. Se formos Ponte, iremos unir todas as coisas que vivem separadas. Se formos Muro, estaremos dividindo, marcando espaço, entre mundos em duelos. Como Ponte, podemos aumentar amizades, fazer elos de ligação, amar com mais intensidade. Como Muro, aumentamos divisões, isolamentos, deixámos a vida mais solitária.

Sejamos nesta vida, rápida e passageira, Ponte que une, mensageira, elo de ligação, ponte de união, simples... como flor de laranjeira, lançando perfume com notas sublimes, a solitários e sofridos corações, que tanto o mundo reprime. De nada nos serve sermos Muro, se formos nós mesmos a perder a liberdade. Sejamos Ponte, ser para os nossos semelhantes, verdadeira fonte de amizade, de união, para alguém que na hora certa conte connosco, para que possamos sentir o amor de Deus no nosso coração. A escolha é nossa... É minha... Ser Muro... e ficar sozinh@? Ou Ponte... e ter sempre a alegria da companhia na nossa vida.

Sejamos Ponte na Comunidade, Ponte na nossa Família, Ponte da Fraternidade, Semeando amor em grande quantidade. SEJAMOS PONTES, DERRUBEMOS OS MUROS

5/ Atravessar a ponte
No fim da oração, damo-nos as mãos em duas filas, para atravessarmos o rio percorrendo a ponte até à margem direita. Cada fila de cada lado da ponte. Atravessamos cantando.

6/ Realidade:
Depois de atravessar o rio, juntamo-nos de novo voltados para o cartaz. Um leitor lê uma pequena história dos acontecimentos no Darfur.
O Darfur (ou "terra dos fur", em árabe) é uma região no extremo oeste do Sudão. Tem cerca de 6 milhões de habitantes. Apenas 44% das crianças do sexo masculino - e um-terço do feminino – frequentam a escola. Em 2003, dois grupos armados revoltaram-se contra o governo central sudanês que acusam de oprimir os não-árabes em favor dos árabes do país e de negligenciar a região de Darfur. As mortes causadas pelo conflito são estimadas a 400 000 e os refugiados a mais de 2 milhões e meio. A comunicação social descreve o conflito como um caso de "limpeza étnica" e de "genocídio". Há acusações de violações dos direitos humanos, inclusive assassinatos em massa, saques e o estupro sistemático da população não-árabe do Darfur. Nem a presença no terreno de uma força de paz enviada pela união africana consegue manter a segurança. Interesses diplomáticos de europeus, americanos, russos e chineses impediram até agora qualquer acção válida para encontrar uma solução ao conflito. Numa entrevista, Kofi Anan exsecretário geral da ONU, quando confrontado com o que aconteceu no Ruanda, e a forma como a comunidade internacional reagiu à tragédia do Darfur, respondeu: “Será um juízo muito

desfavorável… é quase certo que fomos lentos, hesitantes e negligentes. E que não aprendemos nada com o Ruanda.” Em Julho de 2007 o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a constituição de uma força militar conjunta da ONU e da União Africana (UA) para o Darfur. A resolução autoriza a formação de uma força denominada Unamid, constituída por 26 mil soldados e polícias. Deveria chegar ao Darfur neste mês. Nada ainda está feito. Segundo o Eng António Guterres, Alto Comissário para os refugiados, mais de 14.000 pessoas de organizações humanitárias trabalham no terreno, além dos funcionários da ONU. Calculamse cerca de 20.000 pessoas. Em Nyala, em pleno darfur, está o P. Feliz, Missionário Comboniano. Dele nos têm chegado notícias confirmando o estado de calamidade, os ataques, as pilhagens, destruição dos campos de cultivo que são a base de sustento para a população, mortes em catadupa, violações…

7/ Respeito pelas vítimas:
Convite a fazermos um minuto de silêncio absoluto pelas vítimas do Darfur

8/ Cântico 9/ Venda (gesto simbólico):
Objectivo é mostrar que não podemos fazer de conta que não sabemos, não podemos ficar de olhos fechados e boca calada. Todos são convidados a vendar os olhos. Com os olhos tapados, um leitor lê um testemunho do P. Feliz Martins:
“Assalam aleikum”. Um “bom dia” de alguém com o coração apertado pela angústia. Veio do frio da noite e das estradas improvisadas no deserto-savana do Darfur. Fica de pé, o turbante a envolver-lhe a cabeça e o rosto. Destapou o rosto e, da sua boca, ouvi palavras de amargura. “Não podemos aguentar mais. Já há muito que a nossa gente quer fugir desta terra maldita. As razias tornaram-se coisa normal e frequente. Em cada hora que passa há vidas que já não são. Muitas aldeias já deixaram de existir. Não poucas vezes somos obrigados a conviver com o cheiro fétido dos corpos que nem sempre podemos sepultar. Agora já não há longe nem perto: os “jaujauid” moram ao nosso lado. Violam as nossas mulheres e filhas; roubam o nosso gado. A nossa vida ou a nossa morte depende somente do bel-prazer desses malditos sanguinários”. Que fazer? Dizer palavras de consolação? De simpatia? A melhor escolha foi o silêncio: E, daí a instantes, concluiu: “o meu nome é Macur”. Homem já bem entrado nos cinquenta. “Se temos de fugir, que seja em direcção à nossa terra, porque nós não somos daqui e não temos nada a ver com os árabes” – diz o Macur, agora já mais calmo e sereno. O que, desde há 4 anos, está a acontecer no Darfur é um verdadeiro genocídio. Registo a expressão do Macur que, me convida a olhá-lo de alto a baixo e diz, com tristeza: “pensávamos poder regressar com calma e depois de ter enchido estes ossos, mas agora está difícil salvar mesmo os ossos”! Os ossos ainda não se encheram, como teria desejado Macur.

Mas não há tempo a perder. Põem-se a caminho, antes que seja tarde demais. Quando é que lá chegarão? O relógio e o calendário não lhes poderão servir de ajuda. Também não fazem conta de reconhecer a sua casa ou haveres que um dia lá deixaram. Porque já não existem. Tudo começará de novo. Na estaca zero. Entretanto, o chão que piso neste momento, continua a ser o palco da morte; e os campos de refugiados que se improvisaram passam bem de uma centena. Se Cartum quisesse… Se o mundo quisesse… a palavra ‘genocídio’ não existiria neste ponto do globo. Mas também sei que há muita gente a rezar e a trabalhar para trazer de volta a felicidade que Deus sonhou para estes seus filhos e filhas. Não queremos o inferno no Darfur. A Paz há-de vencer! “In chá Allah”! P. Feliz - Missionário Comboniano em Nyala, no Darfur

10/ Tirar venda e grito:
No fim da leitura do testemunho, um leitor proclama:
Nós queremos dar a mão a Darfur, não queremos que o futuro seja de morte mais sim vitorioso. Por isso não podemos tapar os nossos olhos! Não podemos calar a nossa voz. O silêncio mata, mas a tua voz pode salvar.

Tirem a venda! Abram os olhos! Gritem pelo Darfur!
Todos tiram a venda e fazem barulho com o que tiverem à mão (apitos, chaves, assobios, palmas, gritos,…)

11/ Cântico: (depois de alguns momentos de barulho). 12/ Oração pela paz no Darfur: (podem ser 2 jovens)
Durante a oração damos todos as mãos em sinal de comunhão e compromisso pela paz. Senhor! O mundo precisa de paz. A paz não é apenas ausência de guerra. A paz não é apenas o abandonar das armas. A paz é decisão. É acção. Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz de crianças que aprendam desde cedo a amar e respeitar. Da paz de adolescentes que convivam com as mudanças sem raivas. Da paz dos jovens decididos a manter a harmonia do universo. Da paz dos maduros de todas as idades. Da paz dos velhinhos que se sintam livres e felizes. Que se sintam amados e acolhidos. Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz dos que pouco têm e, mesmo assim, partilham. Da paz dos que sabem que os bens materiais ajudam, mas não sãoa essência de existir. Da paz dos que muito têm e agem como se não tivessem. São desapegados e generosos. Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz das famílias que se fazem Igreja. Das famílias cientes da missão de educar, que conseguem viver sem máscaras.

Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz das escolas. Escolas que são espaços de luz e que têm a natural vocação de iluminar os que, iluminados, iluminarão o mundo. Das escolas que ensinam a brincar e a respeitar. E que aceitam que o sorriso está na moda, e estará sempre. Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz da comunidade. Da paz dos vizinhos, de comunidades que se organizam para vencer a violência e a destruição. Senhor! O mundo precisa de paz. Da paz que habita o coração das mulheres e dos homens. A paz do amor, que faz com que toda nossa acção tenha um sentido. Senhor! O mundo precisa de paz. Faz de mim um instrumento da Tua paz… comigo mesmo, com os outros com os quais convivo, com o mundo e com aqueles que nem conheço. Assim seja!

13/ Cântico final

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