Conferê Bacia, CIOB Confer ê ncia Internacional de Org ãos d e Bacia , CIO B Madri, 4 a 6 de Novembro de 2002 I n t e r n a t i o n a l C o n f e r e n c e o f Wa t e r B a s i n A g e n c i e s at Madrid, 4 - 6 November

2002

1 . Introdução / Introduction 2 . Regulação: Políticas de Gestão de Recursos Hídricos / Regulation: Water
Resources Management Policies

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3 . Política Nacional de Recursos Hídricos / National Water Resources Policy 4. Principais Instrumentos de Gestão / Main Management Instruments
4.1 Principais Instrumentos Institucionais / Main Institutional Instruments 4.2 Principais Instrumentos Técnicos de Gestão / Main Technical Instruments for Management 4.3 Instrumentos Econômicos / Economic Instruments

5 . Desafios / Challenges 6 . Estratégia / Strategy
6.1 Criação de um Ambiente Institucional de Negociação e Consensos / Creation of an Institutional Environment for Negotiation and Consensus 6.2 Pacto de Gestão e Convênio de Integração / Management Pact and Integration Agreement

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7 . Implemento à Nova Política / Implementing the New Policy 7.1 Instalação do Comitês da Bacia do Rio São Francisco / Installation of the São Francisco River Basin
Committee 7.2 Etapas da Instalação do Comitê /Committee Installation Stages 7.3 Processo de Mobilização / Mobilization Process 7.4 Processo Eleitoral /Electoral Process

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Resumo:
O Brasil concentra aproximadamente 13% das reservas hídricas do planeta. Isto gerou uma sensação de abundância que retardou a tomada de consciência sobre a escassez do recurso e a conseqüente necessidade de gerir as suas águas. A gestão integrada dos recursos hídricos no Brasil foi tardia. Contudo trouxe consigo um marco legislativo moderno e um novo paradigma: o da gestão por bacia hidrográfica de forma compartilhada, integrada, participativa e descentralizada. A dimensão continental do país, a diversidade ecológica, cultural e econômica, somadas à sua organização federativa, impõe grandes desafios à implementação desse novo modelo de gestão. A recente criação da Agência Nacional de Águas, ANA, é um marco significativo na construção de uma nova institucionalidade que viabilize a implementação dos instrumentos de gestão coerentes com os princípios estabelecidos na Política Nacional de Recursos Hídricos. Dentre as estratégias desenvolvidas pela Agência destacaremos a construção de pactos para gestão, estabelecidos através de Convênios de Integração e a constituição de canais de interlocução com a sociedade através dos Comitês de Bacia. Este processo será ilustrado neste documento a partir da experiência de instalação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

Abstract:
Approximately 13% of the world’s water resources are found in Brazil.This perceived abundance delayed the realization of its true scarcity and the need for it to be managed. The integrated management of water resources in Brazil was thus tardy in getting started. It did however bring with it a new paradigm and a modern legislative milestone; built upon cooperative, integrated, and decentralized management of water basins with user participation. The continental dimensions of the country, together with its ecology and organizational structure, present great challenges for the implementation of this new management model. The recent creation of the National Water Agency is a significant milestone in the construction of a new institutional structure that will makes feasible the implementation of management instruments that follow the principles laid down in National Water Resources Policy. Among the strategies developed by the Agency emphasis is given to the building of management pacts, established through Integration Agreements and the constitution of channels for discussion with society around Basin Committees.This process will be shown in this document by looking at the installation process for the São Francisco River Basin Committee.

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1 . Introdução
O Brasil possui quase 13% dos recursos hídricos superficiais do planeta. Uma vazão de 182.633 m3/s, se concentra nos 8.57 milhões de km2 do território nacional. Este fato, nada desprezível, gerou uma sensação de abundância que retardou a tomada de consciência nacional sobre a escassez do recurso e desenvolveu, historicamente, uma cultura de uso abusivo de rios e lagos. A dotação, embora sobre-abundande para as demandas antrópicas em algumas regiões, em outras não corresponde à demanda urbana nem à demanda do setor produtivo em geral . No mapa 1 podemos observar que 73% dos recursos hídricos concentram-se na bacia hidrográfica Amazônica, onde habita 4% da população do Brasil. Por sua vez, 8% do recurso hídrico deve responder pelo abastecimento da região Sudeste, a mais populosa, onde se concentra 47% da população do país (Regiões Hidrográficas Costeira do Sudeste e do Paraná). Por sua vez, a região Hidrográfica Costeira do Nordeste Oriental, que concentra 20% da população do país, conta apenas com 2% dos recursos hídricos (Mapa 1).

1. Introduction
Almost 13% of the world’s surface water resources are in Brazil, with 182,633 m3/s flowing within the 8.57 million km2 of its land area. These numbers gave the sensation that water was abundant, delaying the realization of just how scarce water really was, and leading to the unrestrained use of rivers and lakes.This natural endowment, while abundant in some regions, in others meets neither the demand from urban areas nor from industry in general. Map 1 shows that 73% of water resources are concentrated in the Amazon Water Basin, with only 4% of Brazil’s population. On the other hand, the Southeast Region, with 47% of the population, has only 8% of the country’s water resources (Southeast Coast and Paraná Hydrographic Regions). The Eastern Northeast Coast Hydrographic Region, with 20% of the Brazil’s population, has only 2% of its water resources (Map 1).

Mapa 1: Distribuição dos Recursos Hídricos por Bacias Hidrográficas BRASIL: 170 milhões de habitantes; 8.57 milhões de Km2; 12 Regiões hidrográficas; águas superficiais 182.633 m3/s

Map 1: Distrib ibution Distr ib ution of Wa ter Resources by Hydrographic Region. BRAZIL: 170 million inhabitants; 8.57 million Km2; 12 Hydrographic regions; Surface water 182.633 m3/s

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A tomada de consciência sobre a escassez do recurso água, embora relativamente tardia, chegou, inexoravelmente. A poluição dos rios e/ou escassez relativa em algumas regiões do país tornou os recursos insuficientes – em quantidade e/ou qualidade - para atender às demandas, alertando a urgência de uma gestão sustentável do mesmo, que garanta tanto a quantidade como a qualidade do recurso para atender às demandas, tanto do consumo humano como às do setor produtivo em geral. O Estado de São Paulo, na região Sudeste, o Estado economicamente mais dinâmico do país, foi também precursor na tomada de consciência da necessidade de uma política de gestão dos recursos hídricos e pioneira na formulação de um marco regulador orientado à gestão integral desses recursos promulgando uma política estadual de recursos hídricos já em 1991, respondendo aos graves problemas de poluição de seus mananciais. O Estado do Ceará, localizado na região Nordeste, predominantemente semi-árido, também definiu a sua política de gestão de recursos hídricos no inicio da década de 90, neste caso foi a escassez do recurso o catalisador das medidas legais e institucionais.

Although tardy, the realization that water resources were limited was inexorable. River pollution and/or the relative shortage of water in some regions of the country made resources insufficient – in quantitative and/or qualitative terms – to meet demand, bringing forward the need for its sustainable management to guaranty both the quantity and the quality of this resource to meet the requirements of human consumption and for industry in general. The State of São Paulo in the Southeast, the most dynamic in economic terms, was the first to realize the need for a water resources management policy. In response to the grave pollution problems afflicting its water sources, it pioneered by drawing up and promulgating, in 1991, state policies regulating the integrated management of water resources. The State of Ceará in the Northeast of Brazil, a predominantly semi-arid region, drew up its water resources management policy in the early 90’s. In this case the shortage of water was the catalyst that brought about legal and institutional measures.

2 . Regulação: Políticas de Gestão de Recursos Hídricos
A gestão de bacias hidrográficas no Brasil pode ser considerada como uma experiência relativamente recente, uma experiência “em construção”. A Lei 9.433, de 1997, instituiu a Política Política Hídricos. Nacional de Recursos Hídricos Essa lei foi a culminação de mais de 20 anos de experiências e tentativas de construção de uma institucionalidade adequada à gestão dos recursos hídricos, tomando como base de gestão bacia hidrográfica.

2. Regulation:Water Resources Management Policies
In Brazil, the management of water basins can be considered a relatively recent experience, or ‘under construction’. Promulgated omulga Law No. Pr omulgated in 1997, Law No. 9,433 instituted the National Polic olicy Na tional Wa ter Resources Polic y . This law was the culmination of over 20 years of attempts to construct a water resources management structure based on the catchment as a management unit.

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criou A lei 9.984 de 2000 criou a Agência Nacional de Águas, ANA, uma Autarquia sob regime especial, com autonomia administrativa e financeira, vinculada ao ministério de Meio Ambiente. A ANA tem como missão implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, SNGRH, previsto na Constituição de 1988 e regulado pela lei 9.433/97. Recursos C RONOLOGIA da Gestão de Recur sos Hídricos no Brasil As nossas primeiras tentativas de gestão tendo como base a bacia hidrográfica ocorreram na década de 70. Iniciou-se a construção de uma nova institucionalidade que permitiria abordar a gestão dos recursos hidrográficos considerando a sua unidade básica natural: a bacia hidrográfica. Este esforço culminou com a promulgação da Política Nacional de Recursos Hídricos em 1997 e a criação da Agencia Nacional de Águas no Ano 2000. Eventos especialmente relevantes no processo são enunciados abaixo:

Law No. crea eating National Agency Law No. 9,984, creating the National Water Agenc y , an administratively and financially autonomous government agency, subordinated to the Ministry of the Environment, was promulgated in the year 2000.The National Water Agency is responsible for implementing the National Water Resources Policy and the NationalWater Resources Management System, as laid out in the Constitution of 1988 and regulated by Law No. 9,433/97. CRONOLOGY CRONOLOGY of Wa ter Resources Management in Brazil The first management efforts, using the catchment as a management unit, took place in the 70’s. A new institutional framework was under construction, one in which water resource management was set up using natural units: the water basins. This effort culminated with the promulgation, in 1997, of the NationalWater Resources Policy and, in 2000, with he creation of the NationalWater Agency.The main events are listed below:

CRONOLOGIA da Gestão de Recursos Hídricos no Brasil
• 1934 - Código de Águas • 1977 - Mar del Plata, Conferencia das Nações Unidas sobre Água; • 1978 - Constituição Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográficas - CEEIBH; • 1991 - Lei 7663/91, do Estado de São Paulo, que define a Política Estadual de Recursos Hídricos e Institui o seu sistema de gestão. • 1997 - Lei 9.433 Política Nacional de Recursos Hídricos; • 2000 - Lei 9.984 Cria a Agencia Nacional de Águas, ANA. • 2001 - Decreto de 05/06/2001 Cria o Comitê de Bacia do São Francisco • 2002 - Decreto de 25/01/2002 Cria o Comitê de Bacia do Rio Doce • 2002 - Decreto de 25/01/2002 Cria o Comitê de Bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí • 2002 - Decreto de 16/07/2002 Cria o Comitê de Bacia do Paranaíba

CRONOLOGY of Water Resources Management in Brazil
•1934 - The Water Code; •1977 - The United Nations Conference on Water, Mar del Plata; •1978 -The Special Committee for the Integrated Studies ofWater Basins, is created; •1991 - Law 7663/91 of the State of São Paulo, laying out State Water Resource Policy and instituting the management system; •1997 - Law 9,433 lays out National Water Resources Policy; •2000 - Law 9,984 creates the National Water Agency; •2001 - Decree published on 05/06/2001 creates the São Francisco River Basin Committee; •2002 - Decree published on 25/01/2002 creates the Doce River Basin Committee; •2002 - Decree published on 25/01/2002 creates the Piracicaba, Capivara and Jundiaí Rivers’ Basin Committee; •2002 - Decree published on 16/07/2002 creates the Paranaíba River Basin Committee.

3 . Política Nacional de Recursos Hídricos
A Política Nacional de Recursos Hídricos (lei 9.433 de 1997) estabelece um novo paradigma, o da gestão integrada, descentralizada e participativa dos recursos hídricos em todos os níveis territoriais da administração. Conseqüente com esse novo paradigma o Brasil começa estabelecer um novo modelo de gestão: a gestão compartilhada entre diferentes níveis do poder público, usuários e sociedade civil organizada. A operacionalização desse novo modelo de gestão exige: i) O exercício das atribuições e responsabilidade da sociedade civil organizada e dos usuários na pratica da gestão da bacia e dos recursos hídricos; ii) O exercício das atribuições e responsabilidade do poder público na gestão compartilhada; iii) A criação de arranjos institucionais participativos, flexíveis e adaptáveis às diferentes realidades regionais – os Comitês e as Agências de Água.

3. NationalWater Resources Policy
The National Water Resources Policy (Law 9,433 of 1997) defines a new paradigm – integrated, decentralized management of water resources with user participation, throughout the country.As a consequence of this new paradigm a new management model began to be implemented: cooperative management of water basins involving different levels of government, users, and organized civil society. The operations of this new management model require: i) That organized civil society and users exercise their attributions and responsibilities in the management of water basins; ii) That public authorities exercise their attributions and responsibilities in the cooperative management process; iii) The creation of flexible and adaptable cooperative management arrangements for varying regional situations – the Committees and the Water Agencies.

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Princípios de Política
Os princípios orientadores da Política Nacional de Recursos Hídricos são: A Bacia Hidrográfica como Unidade de gestão; Gestão integrada descentralizada e participativa; Usos múltiplos da água; Valor econômico da água Prioridade para o abastecimento humano, em caso de escassez

Policy Principles
The guiding principles of the National Water Resources Policy are: The Water Basin as the management unit; Decentralized and integrated management with user participation; Multiple water usage; Water has an economic value In situations of water shortage, priority is to be given to human consumption.

A implantação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos – SNGRH consiste em um dos principais desafios da Política Nacional de Recursos Hídricos, formulada pelo Ministério do MeioAmbiente.Vencer este desafio requer tornar operacional o conceito de bacia gestão, hidrográfica, como unidade de planejamento e gestão sobretudo nos rios de domínio da União, onde se sobrepõem competências tanto da União como dos Estados que integram a bacia. Requer também das unidades federadas conferir prioridade, disposição e decisão políticas concretas quanto à implantação e/ou fortalecimento dos respectivos Sistema Estaduais de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, para os quais poderão exigir inclusive novos arranjos institucionais. Em nível federal, os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento Recursos Hídricos estão instalados e funcionando, nos termos da Lei das Águas, quais sejam: a Agência Nacional de Águas – ANA e o Conselho Nacional de Recursos Hídricos – órgão superior do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos. Até o momento já foram criados 5 Comitês de Bacias Hidrográficas em rios da União, e aproximadamente 80 Comitês de Bacias Estaduais (ver mapa em anexo 1).

The implementation of the National Wa ter Resource National Management System is one of the main challenges of the NationalWater Resources Policy, drawn up by the Ministry of the Environment. Overcoming this challenge will require that the water basin concept, as a planning and operational, management unit, become operational especially on rivers under both federal and state domain. It also requires that states give the necessary priority, disposition and take the required political decisions for the implementation and/or strengthening of the respective State Water Resource Management Systems, for which new institutional arrangements may be necessary. At federal level, the bodies that make up the National Water Resource Management System have been created and are functioning, as laid out in the Water Law, i.e.: the National Water Agency, the National Water Resources Council – the superior body of the National Water Resource Management System, and the National Secretariat forWater Resources.To the present, 5 Basin Committees have been created on national rivers and approximately 80 Committees on state rivers (see map in Annex 1).

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4. Principais Instrumentos de Gestão
Para efeitos de melhor compreensão dividiremos os instrumentos de gestão estabelecidos na PNRH nas seguintes categorias: institucionais, técnicos e econômicos.

4. Principal Management Instruments
To facilitate matters we have divided the management instruments, as defined in the NationalWater Resources Policy, into the following categories: institutional, technical and economic.

Instrumentos de Gestão de Recursos Hídricos / Water Resources Management Instruments
INSTITUCIONAIS/INSTITUTIONAL
Conselho Nacional de Recursos Hídricos, CNRH Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos Comitês de Bacias Hidrográficas Agências de Água

TÉCNICOS/TECHNICAL

ECONÔMICOS/ECONOMIC

Planos de recursos hídricos Cobrança pelo uso da água e pela diluição de Enquadramento dos corpos de água efluentes Outorga Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos

National Water Resources Council State Water Resources Councils Basin Committees Water Agencies

Water resources plans Classification of bodies of water Grants Water Resources Information Systems

Water charges and effluent dilution charges

4.1 Os principais instrumentos institucionais são:
4.1.1.O Conselho Nacional de Recursos Hídricos CNRH. Criado em junho de 1998, Decreto 2612 de 03/07/98, e instalado em novembro do mesmo ano, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos é o órgão mais expressivo da hierarquia do Sistema Nacional de Recursos Hídricos, de caráter deliberativo, normativo e deliberativo com atribuições de: promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos nacional, regionais, estaduais e dos setores usuários; deliberar sobre os projetos de aproveitamento de recursos hídricos; acompanhar a execução do plano nacional de recursos hídricos; estabelecer critérios gerais para a outorga de direito de uso dos recursos hídricos e para a cobrança pelo seu uso.

4.1 The principal institutional instruments are:
National Council. 4.1.1 The National Water Resources Council Created in June of 1998, Decree 2612 of 03/07/98, and installed in November of the same year, the National Water Resources Council is the highest body in the hierarchy of the National Water Resources System. A nor mative and deliberative normative mativ deliberativ tive body bod y , it has the following attributions: promote the coordination of water resource planning with national, regional, state and user planning; deliberate on projects for the use of water resources; follow up the carrying out of the national water resources plan; lay down general criteria for the granting of water resource rights and usage charges.

O CNRH é composto por Presidente e Secretário The National Water Resources Council has a Executivo e 29 membros sendo: President, a General Secretary and 29 members, made up as follows: • 15 representantes do Governo Federal
• 5 representantes indicados pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos • 6 representantes dos usuários dos recursos hídricos; e • 3 representantes das organizações civis de recursos hídricos. O número de representantes do poder executivo federal não poderá exceder à metade mais um do total dos membros do CNRH

• 15 representatives of the Federal Government • 5 representatives nominated by the State Water Resources Councils • 6 representatives of water resources users, and • 3 representatives of civil water resources organizations. The number of representatives of federal government may not be more than 50% of the total.

Hidrográficas, 4.1.2 . Os Comitês de Bacias Hidrográficas ou o “Parlamento das Águas”. São compostos por representantes do poder publico: Federal, Estadual e Municipal; representantes da sociedade civil e representantes dos usuários. Os Comitês de Bacia são, quiçá, o maior desafio na construção desta nova institucionalidade, por essa razão a sua “construção” será analisada em maior detalhe na seção 7, “Implementando uma nova Política”

“Wa Parliaments” arliaments”. 4.1.2 Basin Committees, or “Wa ter P arliaments” These are made up of representatives of the federal, state and municipal governments; representatives of the civil society and representatives of users. The Basin Committees are probably the greatest challenge to be met in constructing this new institutional framework and for this reason they are looked at in more detail in section 7, “Implementing the New Policy”.

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Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica, no âmbito de sua área de atuação, entre outros: i) Promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e articular a atuação das entidades intervenientes; ii) Arbitrar em primeira instância administrativa, os conflitos Arbitrar, hídricos; relacionados aos recursos hídricos aprovar o Plano bacia; de Recursos Hídricos da bacia iii) Estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados.

Within their areas of operation, the Basin Committees should inter should, alia: i) Stimulate the discussion of questions related to water resources and coordinate the involvement of other entities; ii)Arbitrate at initial administrative level, conflicts related to ii)Arbitrate Arbitrate, w a ter r esources; appr ov e the Wa ter Resources Plan for resources; appro the water basin; iii) iii)Design the charging mechanism for the use of water resources and suggest unit charges.

4.1.3 Águas, 4.1.3.As Agencias de Águas exercerão a função de secretaria executiva do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica.

4.1.3 Water Agencies will carry out the job of executive secretary to the respective Basin Committee(s).

4.2.Os principais instrumentos técnicos de gestão são:
4.2.1.Os Planos de Recursos Hídricos são planos diretores que visam fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos. São planos de longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus programas e projetos. 4.2.2.O Enquadramento dos corpos ’água d’água segundo os usos preponderantes da água; O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água, visa a i) assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas;ii) diminuir os custos de combate à poluição das águas, mediante ações preventivas permanentes.As classes de corpos de água serão estabelecidas pela legislação ambiental. 4.2.3.Outorga. 4.2.3.Outorga O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso a água. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte aquaviário, quando for o caso. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso múltiplo destes.

4.2 The principal technical management instruments are:
4.2.1 Water Resources Plans are master plans that seek to set up the basis for, and direct the implementation of National Water Resources Policy and the management of water resources.These are long-term plans with planning horizons compatible with the timescale for the implementation of their plans and projects. 4.2.2 Classification of bodies of water in terms of their main uses. This classification, following the main uses to which the water is put, aims to: i) assure water quality compatible with the most demanding use; ii) reduce the cost of fighting water pollution by means of ongoing preventative measures. The classes of water bodies are laid out in the environmental legislation. 4.2.3 Grants. The grant regime for Grants water resource rights seeks to maintain qualitative and quantitative controls over water use and the right to have effective access to water. All grants are subject to the usage priorities laid out in the Water Resource Plans and should respect the class in which the water body has been placed and the maintenance of adequate water transportation conditions when it is the case.The granting of water resource rights shall preserve its characteristic as a multiple use resource.

4.3 Instrumentos econômicos:
efluentes. A Cobrança pela água e pela diluição de efluentes. A lei 9.433 estabelece que a água é um bem com valor econômico. Compete ao Comitê de Bacia estabelecer os mecanismos para a cobrança e sugerir os valores a serem cobrados de acordo com os usos outorgados aos diferentes usuários.

4.3 Economic instruments
charges charges harges. Wa ter c harges and effluents dilution c harges Law No. 9,433 states that water is a good with an economic value. The Basin Committee is responsible for designing the charging mechanisms and defining the prices to be charged in accordance with the uses authorized.

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5 . Desafios
Os principais desafios estabelecidos pela Política Nacional de Recursos Hídricos são: i) Gestão compartilhada. O primeiro grande desafio, a gestão compartilhada, tem como pressuposto a atuação harmônica do tripé: poder público, usuários e sociedade civil organizada. Para tanto se requer da formação de parcerias entre Poder Publico lico, Usuários ios, entre o Poder Publico, Sociedade Civil e Usuários respondendo ao novo paradigma da gestão integrada, descentralizada e participativa estabelecidos na lei 9.433. hidrog ográfica gestão, ii) A bacia hidrog ráfica como unidade de gestão em contraposição com a divisão administrativa do país em estados e regiões administrativas. iii) Compatibilização da legislação da União com a dos estados e preenchimento de lacunas legais. A legislação define quais rios são de domínio da União e quais são de domínio dos Estados; não define no entanto qual a relação de subordinação entre eles. Torna-se necessário compatibilizar a legislação da União, especialmente a lei 9.433 com a dos estados federados, suprindo as referidas omissões legais através de processos de negociações. iv) Criação de uma identidade da bacia. Os participantes no processo não possuem ainda um sentimento de identidade com a Bacia. Isso se reflete, naturalmente, em certas tensões por maior quota de poder a nível de estado ou ou regiões administrativas, com as quais o processo de identificação já esta consolidado. A construção de um sentido de cidadão da bacia é um dos desafios importantes na consolidação deste novo paradigma. Diver ersidade regional. egional v) Diver sidade regional As dimensões continentais do Brasil propiciam a existência de uma grande diversidade: climática; ecossistêmica; cultural; de estrutura produtiva; de dotação de recursos naturais. A esta diversidade se somam, ainda, diferentes legislações estaduais e a existência de nações indígenas em algumas bacias. A implementação de um Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos no Brasil (SNRH) requer a criação de uma parceira estreita entre o Estado e a Sociedade Civil. A diretriz estratégica da parceria entre o Estado e a Sociedade se baseia, em primeiro lugar, no reconhecimento do novo papel da sociedade civil organizada e dos usuários, na gestão da bacia, e no gerenciamento dos recursos hídricos, a partir do paradigma gestão integrada, descentralizada e participativa, em contraposição à visão tecnocrática, setorial e obreira, que vigorou, anteriormente, nas políticas de recursos hídricos do país. Um sistema de instituições estatais, submetidas ao controle da sociedade – e, para tanto, articuladas a instituições sociais – legalmente protegidas do poder discricionários dos governantes, confere maturidade às políticas públicas e capacidade de resolução e problemas, a partir de uma burocracia profissionalizada, regulada por normas democráticas e organicamente vinculada a uma agenda objetiva, submetida a “coletivos, conselhos, comitês” com poder decisório e autonomia perante cada poder.

5 . Challenges
The main challenges laid out in the national Water Resources Policy are: Cooperativ management. tive i) Cooperative management The first great challenge, cooperative management, presupposes the harmonious working of a tripod made up of: public authorities, users and organized civil society. Par tner ships should be artner tnerships Public uthorities, for med among Pub lic A uthor ities, the Civil Users, Society and Users responding to the new paradigm laid out in Law 9,433, for integrated and decentralized management with user participation. wa ii) The water basin as a management unit, set against unit the administrative division of the country into states and administrative regions. iii) Compatibilization of federal and state legislations and resolution of legal omissions. Legislation defines which rivers are federal and which are state, but doesn’t define their relative subordination.Thus federal legislation has to be made compatible with that of the states, especially Law No. 9,433, eliminating legal omissions through negotiation. Crea eating identity. iv) Creating a basin identity The participants in the process do not, as yet, identify themselves with the water basin. This is reflected, naturally, through tensions resulting from the struggle for influence at state or administrative region level, where the identification process has been consolidated. The construction of the idea of citizen of the water basin is one of the more important challenges in consolidating this new paradigm. Regional diversity. ersity v) Regional diversity Brazil’s continental dimensions are compatible with the existence of a great diversity of: climates; ecosystems; cultures; industries and natural resources. On top of this diversity, there are also different state legislations and the presence of indigenous peoples in some of the water basins. The implementation of a National Water Resources Management System in Brazil requires a partnership between the State and Civil Society. The strategic guideline for this partnership is based, in the first place, on the recognition of the new role played by organized civil society and users in the management of the basin and water resources, based on the integrated and decentralized paradigm with user participation as a counterpart to the technocratic, sector and civil works based view in vigor before in the policies related to the country’s water resources. A system of state institutions, controlled by Society – and, as such, articulated and social institutions – legally protected from discretionary decisions by governments, leads to more mature public policies and the capability of a professional bureaucracy to resolve problems, regulated by democratic norms and following an objective agenda, submitted to “collectives, councils, committees” with the power to make decisions and the autonomy to act before the legislative, the administration and the judiciary.

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A sustentabilidade das intervenções, isto é, a perene, integral e eqüitativa disponibilidade do recurso água assim como também das infra-estruturas à população, justificam o esforço legal, institucional e operacional para implantar o modelo de gestão de recursos hídricos, a partir do tripé – poder público – usuários – sociedade, o qual, representado nos comitês de bacias, estará presente em todo o território brasileiro, nas principais bacias nacionais e estaduais. Graças a um arcabouço institucional existente que funciona ancorado em instituições perenes – a Agência Nacional de Águas, os Comitês e as Agências de Bacias e em instrumentos de gestão de recursos hídricos, legalmente definidos – é possível ampliar os conceitos de governabilidade e governança. Isto significa que será possível a vários governos acolherem uma mesma agenda como prioridade, sem que a alternância democrática interrompa a continuidade de políticas estratégicas, de longo prazo. Particularmente, deve-se destacar os instrumentos institucionais de gestão de bacias como representação dessa nova institucionalidade trans-setorial e administrativa, e capaz de assegurar a continuidade da política estratégica de recursos hídricos. O grande desafio de implementar o Sistema Nacional de Recursos Hídricos consiste, portanto, em conceber as estratégias operacionais para tornar realidade os princípios, conceitos e instrumentos presentes na Lei Federal e Estaduais já vigentes.

The sustainability of measures, i.e., the perennial, integral and equitable availability of water resources as well as infrastructure for the population, justifies the legal, institutional and operational efforts made to implement this water resources management model, based on the tripod – public authority – users – society, which, through the basin committees, will be present throughout Brazil on major national and state water basins. Thanks to the existing institutional framework, which functions based on permanent institutions – the NationalWater Agency, the Committees and the Basin Agencies, and on legally defined water resources management instruments – the concept of governance can be expanded.This means that it will be possible for various governments to give priority to the same agenda without the risk of changes in administrations interrupting the continuity of long-term strategic policies. Especially, institutional instruments for basin management should be emphasized as representative of the new cross-sector institutional and administrative frameworks, with their capacity to assure the continuity of strategic policies for water resources. The greatest challenge in implementing the National Water Resource System consists in designing operating strategies in such a way as to transform into reality the principles, concepts and instruments present in existing state and federal law.

6 . Estratégia
6.1.Criação de um Ambiente Institucional de Negociação e Consensos
A gestão compartilhada dos recursos hídricos requer, necessariamente, compatibilizar conflitos de interesse entre os diferentes usuários. Requer portanto a criação de ambientes institucionais adequados à resolução de conflitos, à negociação e à superação de eventuais legais. lacunas existentes nos arcabouços legais Esses ambientes são formados pela trama de múltiplos fatores, dentre os quais são decisórios i) a convergência de objetivos; ii) o entendimento das questões envolvidas por todos os atores; iii) a criação de laços de confiança através de um processo de gestão ético, transparente e democrático, que conduza à equidade na tomada de decisões; iv) a construção de um sentido de identidade social da bacia, um sentido de

6 . Strategy
6.1 The Creation of an Institutional Environment for Negotiation and Consensus
The cooperative management of water resources necessarily requires that conflicts of interest among different users be resolved. As such, adequate institutional environments are required for the resolution of these conflicts, for negotiations and so that eventual omissions in the framew may with. legal framework may be dealt with These environments form a network of factors, among which the following are decisive: i) a convergence of objectives; ii) that all involved fully understand the questions; iii) an ethical, transparent and democratic management process that nurtures bonds of trust and equity in the decision-making process; iv) the construction of a sense of social identity with the catchments, a sense of community and co-dependence. The creation of trust and

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comunidade e de co-dependência. A criação de tais ambientes de confiança e consenso está sendo abordada pela ANA através de um processo de construção de um PACTO entre todos os atores sociais relevantes da bacia. Esse “Pacto” consiste no compromisso de tornar realidade objetiva os princípios da gestão compartilhada, previstos na Lei 9.433/97.

consensus environments is being carried out by the National Water Agency through the building of a PACT among all the relevant social parts within the water basins.This “Pact” consists of the pledge to transform the principles of cooperative management, as laid down in Law No. 9,433/97, into objective reality.

6.2.Pacto de Gestão e Convênio de Integração:
A estratégia da ANA para o cumprimento de sua missão no campo institucional esta na realização de PACTOS DE GESTÃO. Estes se operacionalizam através do Convênio de Integração a ser firmado entre os gestores de recursos hídricos: ANA – ESTADOS – COMITÊS DE BACIAS - para implantação da gestão integrada dos recursos hídricos. Essa integração consiste na harmonização de critérios e procedimentos para implantação dos instrumentos técnicos e institucionais, constituindo-se em uma alternativa, quiçá a única dentro do arcabouço jurídico-legal presente, para superar a questão da dominialidade dos corpos de água.

6.2 Management Pacts and Integration Agreements
The strategy of the National Water Agency to carry out its mission in the institutional area is based on MANAGEMENT PACTS. These are brought about through Integration Agreements to be signed by water resources managers – NATIONAL WATER AGENCY – STATES – BASIN COMMITTEES – to implement the integrated management of water resources. This integration comes about through the harmonization of criteria and procedures to implement the technical and institutional instruments, perhaps the only alternative available within the present legal framework capable of resolving the domain question in relation to bodies of water.

O Organograma acima apresenta a interação dos diversos órgãos, quais sejam: o Comitê de Bacia que é constituído, na esfera Governamental, pelo Poder Público: Federal, Estadual e Municipal, e na esfera não governamental, pelos Usuários das águas e as Organizações da sociedade civil.

The Organization Chart above shows the interaction among the various bodies within the Basin Committee; made up, at government level, of federal, state and municipal representatives, and at non-government level, by representatives of water users and organizations from civil society.

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Pacto para Gestão
O Pacto de Gestão é operacionalizado através de um Convênio de Integração firmado entre ANA – ESTADOS e COMITÊS - para implantação da gestão integrada dos recursos hídricos compatibilizando critérios e procedimentos para implantação dos instrumentos técnicos e institucionais de gestão. • Articulação da União com os Estados na gestão de recursos hídricos de interesse comum; • Gestão dos recursos hídricos sem dissociar os aspectos de quantidade e de qualidade e, ainda, a adequação do processo de gestão às diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões do País; • Integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental; • Integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e das zonas costeiras; • Articulação do planejamento dos recursos hídricos com os dos setores usuários e com os planejamentos regionais, estaduais e nacional, bem como a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo.

Management Pact
The Management Pact is brought about by means of an Integration Agreement among the - NATIONAL WATER AGENCY – STATES and COMMITTEES – to implement the integrated management of water resources harmonizing criteria and procedures for the implementation of technical and institutional management instruments. • Coordination of activities between federal and state governments for the management of joint-interest water resources; • Water resources management without disassociating quality and quantity aspects, while taking into account its effects on the physical, biotic, demographic, economic, social and cultural diversity of the various regions of the country; • Water resources and environmental management integration; • IIntegration of water basin management with that of estuary and coastal zone systems; • Coordination of water resources planning with that of water users; regional, state and national planning; and coordination of water resources management with land-use management planning.

O entendimento e a cooperação, entre os entes da Federação, compõem a base inteligente e possível para superar as lacunas existentes na legislação. Considera-se, portanto, as disposições constitucionais relativas a dominialidade da União e dos Estados e as possibilidades legais de acordos administrativos para a cooperação, visando à resolução conjunta de problemas. Prevêse ainda a criação conjunta de normas e procedimentos que garantam o uso eficaz das competências delegadas. Finalmente, cabe destacar a importância das iniciativas para realização de pactos da estatura e abrangência dos Convênios de Integração, viabilizando o desafio de implementação, na prática, do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos no Brasil. Tais iniciativas se transformarão, sem dúvida alguma, em marcos importantes no processo de consolidação da gestão de recursos hídricos, refletindo os princípios da democratização, descentralização e da ética. No entanto, esse tipo de procedimento exige dos promotores da integração pretendida, ou seja, as instituições integrantes do Sistema, a responsabilização pelo desempenho de seus papéis em suas respectivas esferas de atuação. A estratégia usada pela ANA para construir essa nova institucionalidade esta ancorada em um processo permanente de negociação que se constitui em um dos princípios basilares negociação, da Lei 9.433/97 e do modelo institucional descentralizado por ela preconizado. Focando os fenômenos hidrológicos como se apresentam, os conflitos de usos, os diferentes órgãos gestores responsáveis pela outorga, pela fiscalização e cobrança.

The understanding and cooperation between federal and state governments form the basis for the actions necessary to overcome the omissions that exist in legislation. Consideration is given to the references in the Constitution to domain in terms of the federal and state governments, and the legal possibilities of administrative agreements for cooperation in the direction of resolving these problems.The joint creation of norms and procedures that assure the efficient use of delegated authority are also covered. Finally, attention is called to the importance of measures to draw up pacts with the stature and cover of Integration Agreements that will enable the effective implementation of the Brazilian National Water Resources Management System. Such initiatives will undoubtedly become important milestones in the water resources management process, reflecting the principles of democracy, decentralization and ethics. However, this type of procedure requires that the institutions that make up the System be made accountable for the results obtained within their spheres of action. The strategy used by the National Water Agency to build this new institutional framework is anchored in the ongoing process, negotiation process which constitutes one of the basic principles of Law No. 9,433/97 and of the decentralized institutional model foreseen in that law, concentrating on the hydrological phenomena to be dealt with, conflicts of use, the different management bodies involved with water rights, supervision and charging.

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7 . Implemento a Nova Política
É durante o processo de implementação do sistema de gestão, no nível da bacia hidrográfica que enfrentamos, na pratica, os grandes desafios da gestão compartilhada. Ao nível de Bacia, o primeiro passo dessa nova institucionalidade é a criação do Comitê de Bacia. A ANA vem coordenando a instalação de 5 Comites de Bacia em rios de domínio da União, entre os quais apresentaremos a experiência concreta da instalação do Comitê da Bacia do São Francisco.

7 . Implementinga a New Policy
It is during the implementation of the management system, at water basin level, that we encounter in effect the greatest challenges to cooperative management. At catchment level, the first step in this new institutional framework is to create the Basin Committee. The National Water Agency has been coordinating the installation of 5 Committees on rivers within federal domain, from among which we present the real experience of installing the São Francisco Basin Committee.

7.1.Instalação do Comitê da Bacia do Rio São Francisco.
Caracterização Hidrog ográfica. 7.1.1 Caracter ização da Bacia Hidrog ráfica. A Bacia do rio São Francisco caracteriza-se por sua grande extensão e potencial hídrico, tem uma área de 645.000 Km2, que representa 8% do território nacional, com uma população de mais de 13 milhões de habitantes, distribuídas em 503 municípios dos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal.Sua vazão média é de 2.500 m3/s. Outro aspecto relevante é a diversidade regional quer seja em termos populacionais, econômicos ou culturais. A seguir destacam-se alguns números significativos:

7.1 Installing the São Francisco River Basin Committee.
Characteriza ization Basin. 7.1.1 Character iza tion of the Wa ter Basin The São Francisco River Basin is characterized by its great area and water potential, being 645,000 km2 in area, about 8% of Brazil’s total land area, and a population of 13 million inhabitants, distributed among 503 municipalities within the states of Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás and the Federal District. The average flow rate of the river is 2,500 m3/s. Another relevant aspect is the regional diversity, be it in population, economic or cultural terms. Some important data follows:

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Potenciais otenciais. 7.1.2 Conflitos Potenciais A multiplicidade de usos de seus mananciais é outra forte característica da Bacia do São Francisco. A bacia tem um potencial energético instalado de 10.356 MW ( 17% do país); uma área irrigada de 330 mil hectares ( 11% do país); 1.528 km de trechos de rio navegáveis; cerca de 40 mil pescadores profissionais, e á ainda responsável não apenas pelo abastecimento da população que reside na bacia, mas suas águas são aduzidas para abastecimento humano, inclusive de capitais fora da bacia. Mesmo com um potencial hídrico tão expressivo, já evidenciam-se conflitos entre seus usos, podendo-se destacar como os mais graves: • geração de energia X ampliação da área irrigada; • irrigação X abastecimento humano ( qualidade da água); • geração de energia ( hidroelétricas) X pesca e agricultura aluvional; • ampliação dos usos da bacia X revitalização do rio X transposição de águas para outras bacias Legais. 7.1.3 Aspectos Legais Quanto aos aspectos legais e institucionais, têm-se nos Estados a situação caracterizada no quadro abaixo, onde todos os Estados tem lei que define a Política Estadual de Recursos Hídricos e Institue o Sistema de Gestão. Entretanto, háque se salientar que existem muitas diferenças nas atribuições e competências previstas, nas mesmas, em relação aos seus organismos colegiados ( Conselhos Estaduais e Comitês de Bacia).

Potential Conflicts. 7.1.2 Potential Conflicts The multiplicity of uses is another strong characteristic of the tributaries of the São Francisco Basin.The basin can generate 10,356 MW in electrical power (17% of country total); has an irrigated area of 330,000 hectares (11% of the country); 1,528 km of navigable waterways; about 40,000 professional fishermen, and is responsible for supplying not only the population along the basin, but also state capitals outside the basin. However, even with all this potential, conflicts have already arisen among users, the most serious being: • power generation X increase in irrigated area • irrigation X human consumption (water quality) • power generation (hydroelectric) X fishing and aluvial agriculture • increased uses of the basin X river revitalization X transfer of water to other basins Aspects. 7.1.3 Legal Aspects . With regard to the legal and institutional aspects, within the states the situation is described in the following table. With all the states having laws that define StateWater Resources Policy and institute Management Systems. However, attention should be drawn to the many differences in the attributions and responsibilities foreseen in these laws in relation to the collegiate bodies (State Councils and Basin Committees).

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7.2 Etapas da instalação do Comitê
Tendo em vista a importância estratégica da Bacia do Rio São Francisco, e a percepção da necessidade de construir um canal de interlocução e de negociação de regras de uso e de preservação entre os segmentos usuários, a sociedade civil e o poder publico com atuação na bacia, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou a Criação do Comitê da Bacia, que surgiu por decreto presidencial, em junho de 2001. Institucionais. 7.2.1 Aspectos Institucionais A Agência Nacional de Águas - ANA, é a entidade do Sistema Nacional de Recursos Hídricos que tem como atribuição apoiar a instalação e o funcionamento de Comitês em rios de domínio da União. A partir do decreto presidencial de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, a agência definiu uma metodologia para a instalação do referido comitê. A legislação nacional de recursos hídricos prevê a criação de uma Diretoria Provisória para coordenar o processo de instalação de um Comitê de Bacia, em rio de domínio da União, a qual é responsável pela definição de normas e procedimentos do processo eleitoral; pela distribuição das vagas do comitê, por segmento e região ou estado e pela elaboração do regimento interno que irá orientar o funcionamento do comitê. A Diretoria Provisória do CBH-SF foi designada por portaria ministerial, em outubro de 2001, sendo composta por dezenove membros, com representantes do poder publico federal, dos órgãos gestores estaduais, dos

7.2 Committee Installation Stages
Due to the strategic importance of the São Francisco River Basin, and the perception of the need to build a channel of communication and negotiation of rules for the use and preservation of water resources among users, civil society and the authorities, the National Water Resources Council approved the creation of the Basin Committee by means of a presidential decree in June, 2001. Aspects. 7.2.1 Institutional Aspects The National Water Agency is the entity of the National Water Resources System that is responsible for lending support to the installation and working of committees along rivers under federal domain. With the signing of the presidential decree creating the São Francisco River Basin Committee, the agency drew up a methodology for installing this committee. National water resources legislation includes the creation of a Provisional Board of Directors to coordinate the process of installing the Basin Committee on a river under federal domain, and which is responsible for drawing up norms and procedures for the electoral process for the distribution of seats on the committee, per segment and region or state, and for the preparation of the statutes to be followed by the committee. The Provisional Board of Directors of the BC-SF was nominated by ministerial order, in October 2001, and is made up of nineteen members including representatives of the federal government, state management bodies, user

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segmentos usuários, da sociedade civil e do poder publico municipal da bacia. Metodológicos icos. 7.2.2 Aspectos Metodológ icos A metodologia de mobilização para instalação do Comitê da Bacia do Rio São Francisco buscou contemplar a diversidade social, política, econômica e cultural da bacia, assim como as diferentes visões que a população tem sobre o Rio, quer seja como o rio da unidade nacional, como meio de sobrevivência, como fonte geradora de riquezas e de desigualdades, como fonte de inspiração e poesia e ainda numa perspectiva religiosa, misto de fé, de crendices e lendas, inspiradas na religiosidade e no imaginário popular. Através de um convênio com o Instituto Manoel Novaes IMAN, viabilizou o desenvolvimento do processo de mobilização dos usuários, da sociedade civil e do poder público municipal em toda a Bacia do Rio São Francisco, visando informar e sensibilizar a população para a formação do Comitê e efetivar o processo de escolha dos representantes dos diferentes segmentos que compõe o Comitê. Diante deste cenário, o Programa de Mobilização buscou estabelecer suas bases executivas e operacionais em cada um dos Estados, através de equipes de coordenação e de mobilização em diversos níveis, tendo uma coordenação geral com atribuições de articulação político- institucional, técnica e administrativa e cinco coordenações estaduais responsáveis pelo Programa em cada um dos principais Estados da bacia. No nível operacional foram formadas equipes de mobilizadores regionais e agentes locais, dimensionadas por Estado. O perfil destes mobilizadores exigia experiência em projetos sociais e/ ou comunitários, facilidade de comunicação, capacidade de articulação e uma escolaridade que os habilitasse a elaborar relatórios e outros documentos. A partir da definição das equipes a concepção metodológica inicial foi detalhada e adequada a cada uma das realidades estaduais, regionais e locais. A estratégia de execução do Programa de Mobilização teve que articular, portanto, a integração entre as deliberações da Diretoria Provisória, as diversidades regionais e locais, o conceito de Bacia Hidrográfica como unidade de planejamento; tendo como princípio a participação de todos os segmentos usuários, poder publico e sociedade civil no processo de instalação do Comitê.

groups, the civil society and municipal authorities within the basin. Aspects. 7.2.2 Methodolog ical Aspects . The mobilization methodology for installing the São Francisco River Basin Committee sought to cover the diverse social, political, economic and cultural characteristics of the catchment, as well as the different views that the population had about the river, in relation to its national importance, as a means of earning a living, as a source of wealth and of inequality, as a source for inspiration for writers and poets, and from a religious viewpoint, a mixture of faith, beliefs and legends inspired by the imagination of the populace. By means of an agreement with the Manoel Novaes Institute – IMAN, users, the civil society and the municipal authorities along the basin of the São Francisco River were mobilized. This made it possible to inform and awaken the sensibilities of the population about the need for the committee and to initiate the process of choosing the representatives from the various segments that make up the committee. Within this scenario, the Mobilization Program set up operating bases in each of the states, with multilevel coordination and mobilization teams, with a general coordination responsible for political, institutional, technical and administrative coordination, and five state coordination teams to deal with the Program in each state along the river basin. At operational level, mobilization teams, made up of regional and local agents, were put together for each state. These agents had to have experience in social and/or community projects, good communication and articulation skills, and sufficient schooling to enable them to prepare reports and other documents. Once the teams had been put together, the initial methodology was detailed and adjusted to state, regional and local conditions. The Mobilization Program strategy had therefore to take into account decisions taken by the Provisional Board of Directors, numerous regional and local peculiarities, the concept of the Water Basin as a planning unit; and the participation of user segments, public authorities, and civil society during the installation of the Committee.

7.3 The Mobilization Process
It is important to remember that this was the first experience in Brazil in terms of creating a catchment body with the characteristics and dimensions of the São Francisco River Basin. With no previous similar experience, definitions of how to do things were made as things moved forward, which was only made possible due to the clarity of the measures to be taken and the principles to be followed. The stages of the mobilization process were defined as objectives on the route to discovering the organizational and institutional reality of the basin, informing and awaking the population to its role, and

7.3 Processo de Mobilização
É importante lembrar que esta foi a primeira experiência no Brasil, para a formação de um organismo de bacia com as características e as dimensões da Bacia do São Francisco. Não havendo antecedentes de prática social semelhante, as definições do como fazer foram sendo identificadas a seu tempo, o que só foi possível por se ter clareza do objetivo da ação a ser empreendida e dos princípios a serem observados. As etapas do processo de mobilização foram estabelecidas

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como momentos objetivos, onde se buscava conhecer a realidade organizacional e institucional da bacia; informar e sensibilizar a população para a participação e organizar o processo de escolha dos membros do comitê. Capacitação. 7.3.1 Capacitação. Constituídas as equipes de trabalho, receberam treinamento tendo como objetivo: o conhecimento da Política Nacional de Recursos Hídricos e do papel do Comitê de Bacia no Sistema de Gestão; o entendimento do Programa de Mobilização, e a elaboração de uma agenda de trabalho, adequada a realidade de cada Estado. Diagnóstico. 7.3.2 Diagnóstico Consistiu na identificação e cadastramento dos segmentos de usuários e de suas entidades representativas, das entidades da sociedade civil e das instituições públicas, buscando identificar os atores da bacia, informando sobre a política de gestão de recursos hídricos e a constituição do Comitê. Divulgação. 7.3.3 Divulgação Concomitante à primeira fase da mobilização, foi desenvolvido um programa de divulgação de massa, com utilização de rádios estaduais e locais, material informativo, cartazes, literatura popular, que tinha como objetivo informar sociedade em geral, sobre o processo de instalação do Comitê da Bacia. Regionais. 7.3.4 Encontros Regionais Realização de 45 encontros regionais, por sub bacia, que contaram com a participação de mais de 3.000 entidades e que caracterizaram-se como momentos em que usuários, organizações civis, poder público municipal, além da sociedade em geral recebiam informações sistematizadas sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, sobre a gestão da água como bem público, finito e de valor econômico e sobre o processo de instalação do Comitê, sua função enquanto organismo gestor, suas principais atribuições, composição e como fazer para participar de seu processo de instalação. Os encontros encerravam-se com uma oficina temática onde os participantes, faziam sua leitura da realidade da bacia, identificando alguns problemas, suas causas e sugerindo estratégias de como enfrentá-los. Essas oficinas despertaram grande interesse nos participantes pela dimensão da problemática identificada, a partir das discussões conjuntas, motivando-os a reconhecer a importância de se construir uma instância colegiada, com poder deliberativo para decidir sobre os destinos do Rio.

organizing the process of choosing the committee members. raining. 7.3.1 Training Once formed, the work teams received training on National Water Resources Policy and the role of the Basin Committee within the Management System; the Mobilization Program, and the preparation of a work agenda adjusted to the reality of each state. Diagnosis. 7.3.2 Diagnosis This consists of the identification and preparation of a registry of users and representative bodies, civil society entities and local authorities, to identify stakeholders, giving information on water resource management policy and the makeup of the committee. Dissemination. 7.3.3 Dissemination In parallel with the first phase of mobilization, an dissemination program was drawn up, using local and state radios, pamphlets, posters, and popular publications, to inform the population about the installation of the Basin Committee. Meetings. 7.3.4 Regional Meetings Forty-five regional meetings were held, in sub-basins, with more than 3,000 parties turning up, with users, civil organizations, municipal authorities, and the population in general, receiving information on National Water Resources Policy, on the management of water as a finite public good of economic value, and on the committee installation process, its role as a management body, its main attributions and composition, and how to take part in the installation process. The meetings ended with a theme workshop when participants presented their understanding of the situation of the water basin, identifying problems and causes, and suggesting solutions. These workshops generated great interest in the participants because of the number of problems identified in the discussions, which caused the participants to recognize the importance of this collegiate in the decision-making process that will decide the future of the river.

.4 Electoral Process
7.4.1 Registry. Once the Provisional Board of Directors had defined the norms and procedures for the electoral process and the makeup of the state electoral commissions, the interested parties received orientation on the conditions and timescales for registry as candidates to one of the seats on the basin committee. Approximately 1,500 parties came forward, of which 1,324 were accepted and registered to take part in the electoral process to fill the 98 seats on the Committee. 49 holders and 49 substitutes; with 24 representing users; 16 representing civil society; 8 representing the municipal authority, and 01 representing the indigenous peoples of the basin, all of whom have their respective substitutes.

7.4 Processo Eleitoral
7.4.1.Inscrição/ Habilitação. 7.4.1.Inscr ição/ Habilitação. A partir da definição, por parte de Diretoria Provisória de Normas e Procedimentos para o Processo Eleitoral e da constituição de Comissões Estaduais Eleitorais, os interessados foram orientados sobre as condições e prazos para se habilitarem à concorrer a uma vaga no comitê da bacia. Apresentaram-se aproximadamente 1.500 entidades das quais

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1.324 foram aceitos e habilitados a participar do processo de escolha e preenchimento de 98 vagas no Comitê: 49 membros titulares e 49 suplentes, dos quais: 24 titulares do segmento usuários; 16 titulares do segmento sociedade civil; 8 titulares do poder publico municipal e 01 titular das comunidades indígenas da bacia com os seus respectivos suplentes. Regimento no. 7.4.2 Reg imento Inter no. A Diretoria Provisória elaborou uma minuta de regimento interno, contendo a distribuição das vagas do Comitê por estado e segmento que foi entregue aos habilitados à participar do processo eleitoral, para apresentação de sugestões de alteração, as quais foram analisadas pela diretoria, que aprovou a versão final do regimento. 7.4.3 Plenárias Estaduais. Foram realizadas, sob a coordenação da Diretoria Provisória, 26 plenárias estaduais por categoria ou segmento que compõem o Comitê, nas quais foram eleitos os membros dos segmentos usuários sociedade civil e poder público municipal. Sendo que para as 24 nações indígenas, localizadas em 42 comunidades existentes na bacia, foi organizada uma única plenária para escolha de sua representação, prevista na legislação nacional de recursos hídricos. Comitê. 7.4.4 Instalação do Comitê. O processo de instalação do Comitê se efetiva com a posse dos membros eleitos, dos segmentos usuários, sociedade civil e poder publico municipal e com a indicação dos representantes dos segmentos poder publico federal e estadual. Os membros empossados elegem sua diretoria, que é composta por um presidente, um vicepresidente e um secretário-executivo.

Statutes tutes. 7.4.2 Sta tutes The Provisional Board of Directors drafted the statutes including a distribution of the committee seats among the states and segments. This was given to the registered candidates for them to make suggestions about possible alterations. These were studied by the Provisional Board of Directors, which approved the final version of the statutes. 7.4.3 State Plenary Meetings. Under the coordination Meetings of the Provisional Board of Directors, 26 state plenary meetings were held per category or segment that makes up the Committee, at which the users, civil society and municipal authority segments were elected. With regard to the 24 indigenous peoples, located in 42 existing communities throughout the basin, one plenary meeting was held to choose the representative, as laid down in national water resource legislation. Installation tion. 7.4.4 Committee Installation The installation process happens when the elected members are inaugurated, as are the user, civil society and municipal authority segments, and the representatives of federal and state governments. The committee members elect the board of directors, which is made up of a president, a vice president and an executive secretary.

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7.5.Conclusões
Desafios da gestão participativa das águas do Rio Francisco. São Francisco A Política de Gestão de Recursos Hídricos, que esta sendo implantada no país não é apenas um conjunto de medidas burocráticas/ institucionais, mas traz em seu bojo, uma nova concepção de democracia, que implica em mudança de mentalidade e de atitudes na relação Estado e sociedade. Trata-se de democratizar a gestão dos recursos hídricos, democratizar de compar tilhar o poder de decidir e de se definir compartilhar decidir, estratégias e metas acordadas entre os diversos atores ( usuários, sociedade civil e poder público). Num comitê como o do rio São Francisco, que reflete em sua composição a diversidade física, econômica, política, institucional e cultural de uma bacia hidrográfica com 645 mil km2, 503 municípios, seis Estados e o Distrito Federal, o desafio de gestão participativa , integrada e descentralizada de um bem público, torna-se ainda maior. Entretanto, a lógica da gestão da água compartilhada, por bacia hidrográfica, não deixa de ser válida porque a dimensão e a complexidade da bacia é maior. A superação de algumas resistências, decorrentes de práticas conservadoras em relação a gestão dos recursos hídricos é que irá exigir do Comitê e de todos segmentos envolvidos, quer sejam eles públicos ou privados, decisão política , um processo de educação para o exercício da cidadania, incluindo os princípios fundamentais da democracia e da ética; a predisposição ao diálogo e respeito aos espaços institucionais já constituídos, na busca de consensos para definição de estratégias conjuntas de ação em prol da bacia. Contudo, o cenário político, o arcabouço legal e institucional instalado no país, que garante a efetiva participação da sociedade na definição da política de recursos hídricos, e a predisposição da população da bacia de construir este comitê, que ficou evidenciada a cada momento do processo de instalação, não deixa dúvidas de que a gestão compartilhada deste rio, não é apenas necessária, mas é decididamente possível.

7.5 Conclusions
Challenges to the cooperative management of São River wa ters Francisco Riv er w a ter s . The Water Resources Management Policy that is being implemented in Brazil isn’t merely a set of bureaucratic/institutional measures, it brings a new democratic concept, requiring changes of mentality and attitude and implications for the relationship State/society. It involves the democratization of water resource management, cooperation in decision-making, strategy definition and target fixing among the various parties involved (users, civil society and public authorities). In the case of the committee for the São Francisco River, which reflects in its makeup the physical, economic, political, institutional and cultural diversity of a 645,000 km2 catchment area, with 503 municipalities, 06 states and the Federal District; the challenge represented by cooperative, integrated and decentralized management of a public good is even greater. The logic, however, behind the cooperative management of water basins, doesn’t lose any of its validity just because the catchment area is large. Overcoming resistance resulting from conservative practices in relation to water resource management will require the committee, and all involved parties, whether public or private, to take political decisions, an education process including basic democratic and ethical concepts; the predisposition to speak and to listen, and to respect already constituted institutional spaces in the search for consensus in the definition of group strategies in favor of the water basin. However, the political scenario, the legal and institutional framework installed in the country, that assures the effective participation of society in the definition of water resource policy, and the predisposition of the population within the water basin to build this committee, made evident during the installation process, leaves no doubt that cooperative river, iver only necessary management of this r iv er, is not onl y necessar y, it possible. is decidedly possible

A N A - EVOLUÇÃO DA ORGANIZAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DE BACIAS NO BRASIL

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P r o j e t o

G r á f i c o

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