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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO

COMISSÃO EXECUTIVA DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA

CENTRO DE EDUCAÇÃO

ESCOLA MÉDIA DE AGROPECUÁRIA REGIONAL DA CEPLAC

Seringueira: da implantação ao
Beneficiamento
primário
Jodelse Dias Duarte
Valença - Bahia
2007

634.895
D812S

Duarte, Jodelse Dias.

Seringueira: da implantação ao beneficiamento primário por Jodelse Dias Duarte. — 1.ed.


— Valença,
2007. 62 p.

1. Seringueira — Implantação — Beneficiamento. I. Seringueira

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SUMÁRIO

Apresentação 06
Introdução 07
Historicidade 08
Botânica 11
Agroclimatologia 14
Coleta, transporte e armazenamento de sementes 19
Formação de mudas de seringueira 21
Sementeira 21
Viveiros 22
Jardim Clonal 31
Área de Viveiros 36
Processos de propagação da seringueira 38
Enxertias 38
Tipos de mudas de seringueira 40
Toco Convencional 41
Toco Baixo 41
Toco Alto 41
Toco Tricomposto 42
Arranquio das Mudas 43
Preparo da área 43
Plantio 46
Replantio 47
Tratos Culturais 48
Consorciação 52
Sangria 54
Estrutura do Seringal 61
Estimulantes 64
Administração da Sangria 66
Beneficiamento primário do látex 72
Pragas da Seringueira 74
Doenças da Seringueira 79
Doenças das Folhas 80
Doenças do Caule 92
Doenças das Raízes 97
Bibliografia 100

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APRESENTAÇÃO

Visando subsidiar os alunos da EMARC de Valença,


com referencial teórico atualizado e oriundo, fez-se a compilação dos
textos doravante apresentados, os quais acreditamos que preencherá
as lacunas existentes na assimilação de saberes técnicos necessários
à complementação do processo ensino-aprendizagem, subsidiando-os
em sua trajetória profissional.

Apesar disso, recomendamos a atualização constante


do profissional, para que a absolência do material não o deixe à
margem das inovações tecnológicas.

Jodelse.

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INTRODUÇÃO

A seringueira (Hevea brasiliensis Muell Arg.) é uma árvore


produtora de látex, do qual é extraída a borracha natural. Esse gênero ocorre
naturalmente entre as latitudes 3º N e 15º S no continente americano, incluso aí a
Região Amazônica, em uma área superior a quatro milhões de km². Comercialmente
as regiões de produção compreendem latitudes de 24º N na China e 25º S no litoral
do Estado de São Paulo.

A substância denominada “borracha” foi mencionada como


curiosidade em livro de Ovíedo y Valle no Século XVIII, como uma substância
elástica que os ameríndios da Amazônia usavam para várias finalidades. A partir do
Século XIX com o interesse de Hancock (1820) em patentear artigos
confeccionados com borracha e a descoberta, a seguir (1839) de Goodyear, do
processo de vulcanização abriram excelentes perspectivas para utilização comercial
deste produto.

As primeiras tentativas de produção de borracha natural de


áreas cultivadas só iniciaram na primeira metade do Século XX, porém sem
sucesso, devido ao da doença denominada “Mal das Folhas”. O aumento do
consumo interno e o controle desta doença, a obtenção de clones mais resistentes e
produtivos e a elevação do preço do petróleo, levaram o governo a incentivar a
produção da borracha natural a partir de seringais cultivados, incrementando o
plantio de novas área e recuperação das existentes.

Hoje a fixação do homem no campo, através de incentivos e


recursos do Programa Nacional da Agricultura Familiar com a implantação dos SAF
(Sistema de Cultivo Agro-Florestal), abre-se uma nova perspectiva no aumento da
área plantada, consequentemente levando um aumento da produção nacional de
borracha natural.

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HISTORICIDADE

As civilizações ameríndias pré-colombianas já utilizavam a


borracha natural (látex da seringueira) na confecção de diversos artefatos.

A partir da segunda metade do Século XIX a ocupação da


Amazônia brasileira está diretamente ligada à exploração da seringueira nativa, de
maneira bastante primitiva em uma Região de condições naturais tão adversas. A
necessidade de se encontrar maiores concentrações de seringueiras levou a
colonização das margens dos rios Xingu, Tapajós, Madeira, Purus-Acre, Juruá e
Javari, terminando com a incorporação do Acre ao território brasileiro.

A visita empreendida pelo botânico inglês Henry Wickhan às


florestas brasileiras levou-o em 1871 a publicar suas impressões, detalhando bem a
seringueira. Um ano após, este decide voltar ao Brasil alegando a vontade de
plantar café na confluência do rio Tapajós com o Amazonas, onde, naquela época se
produzia a melhor borracha.

Em 1876 Wickhan, através de um cargueiro especial, envia


para a Inglaterra 70.000 sementes de seringueira proveniente da região de Boim, às
margens do rio Tapajós. Estas sementes foram plantadas no “Royal Botanic
Garden”, em Kew, de onde foram levadas as mudas para Java, Sri Lanka e depois
para Cingapura.
No final do Século XIX as invenções da câmara de ar
(Thompson), da roda pneumática (Michelin, Dunlop) e do automóvel (1895)
tornaram a borracha natural um produto de grande importância econômica. Assim o
Brasil, “habitat” natural das “heveas”, passou à frente dos países produtores de
borracha natural. A exportação cresceu, chegando a 24.300 t em 1900, entrando,
portanto o Século XX com a Amazônia no auge da produção de borracha natural.
O primeiro plantio racional de seringueiras em território
nacional foi realizado em 1908, quando Leo Zehntner, Diretor da Escola Agrícola
de São bento das Lages, no Município de São Francisco do Conde, importou 200
mudas altamente selecionadas da Ilha de Java. No ano seguinte, o alemão
Guilherme Behrmann, agente do “Lloyd” (companhia de navegação), importou 150
mil mudas do Ceilão (Sri Lanka), das quais 30 mil mudas foram implantadas na
região sudeste da Bahia, onde as condições edafo-climáticas são similares às
encontradas no ecossistema amazônico, centro de origem da Hevea brasiliensis.
Dessa forma, surgiram os primeiros seringais baianos: o da Serra da Onça em
Canavieiras, o da Fazenda Francônia em Uma e o do Sítio Mucambo em Ilhéus.
Com a queda dos preços da borracha natural, nos anos
1913-1914, as tentativas de fomento da seringueira arrefeceram-se, o que não
impediu que em 1927, o governo brasileiro cedesse à Ford Motor Company,
1.200.000 hectares de terras às margens do Rio Tapajós, para implantação de
seringueiras. Foi a primeira tentativa séria de produção eficiente de borracha
natural em nosso Pais, encerrando-se em 1933. Os plantios foram formados em
duas cidades fundadas pela Companhia Ford no Estado do Pará, as cidades de
Belterra e Fordlândia.

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Os plantios nessas duas localidades não obtiveram sucesso,
devido ao ataque da doença “Mal das Folhas” que praticamente dizimou os plantios
de seringueiras.

Em 1934 os alemães inventaram a borracha sintética (SBR),


tornando viável um empreendimento de 30 milhões de marcos, realizado sem
mistério e transmitido na íntegra aos norte-americanos no conjunto de acordo entre
a “I.G. Farberindustrie” e a “Standard Oil” até maio de 1940. A partir desse ano com
o advento da 2ª Guerra Mundial os japoneses tomaram os plantios asiáticos de
seringueiras, forçando os americanos a um esforço concentrado na produção de
borracha sintética (SBR) chegando 820 mil t em 1945.

Em 1951, o Brasil passou de exportador a importador de


borracha, neste ano, a família Almeida-Fuchs doou ao Ministério da Agricultura, as
Fazendas Laranjeira e Cajueiro, com uma área total de 500 hectares, localizada em
Uma, objetivando a criação de Estação de Plantas Tropicais, hoje denominada
Estação Experimental Djalma Bahia, da CEPLAC, onde se iniciou um trabalho
pioneiro de suporte técnico para o cultivo de seringueiras na Bahia.

Entre 1870 e 1910, o Brasil foi o maior produtor e exportador


de borracha natural, obtida através do extrativismo na região Amazônica, que
respondia com 98% da produção mundial (hoje menos de 1%).

Entre 1908 - 1913 o Estado do Acre era o 2ª maior


contribuinte em divisas para o País, atrás apenas de São Paulo. Os seringalistas
(donos de seringais), poderosos latifundiários, tornaram-se grandes magnatas.

Os seringais eram formados por uma sede (barracão),


localizado preferencialmente às margens de rio navegável, onde viviam o patrão e
seus serviçais. Via de regra, os seringais do início do século constituíam grandes
latifúndios (até 600 mil hectares) e neles se fixavam de 200 - 250 colocações (casas
de Seringueiros), às vezes distantes até 20 h do barracão. Em busca de seringueiras
de grande porte, essas colocações penetravam na selva, onde encontravam plantas
que produziam de 6 a 9 litros de látex por sangria.

O seringueiro, que na maioria das vezes era o cearense


fugindo da seca, chega à sede do barracão, etapa final de uma viagem de três a
cinco meses, nos lendários “navios gaiolas”, eram retirados dos porões dessas
embarcações pelos seringalistas e iniciavam uma lenta, penosa e muitas vezes
mortal aprendizagem, diante de um mundo adverso, assolado pelas chuvas,
enchentes e pela malária.

No sistema tradicional de extração do látex, persistente


ainda hoje na Amazônia – o mais onerado e sacrificado sempre foi o seringueiro,
pois, além das condições precárias de sobrevivência, a remuneração pelo seu
trabalho era praticamente absorvida pelos seringalistas, aviados, gerentes e
marreteiros e encarregados de “aviar” (fornecer) os gêneros alimentícios, bem
como os utensílios necessários à obtenção da borracha natural.

A borracha natural constitui um produto estratégico para a


maioria dos países, pois é indispensável à moderna civilização industrial. É
necessário, portanto, que se mantenha uma distribuição de plantios de seringueiras
cultivadas em vários continentes que apresentem condições edafo-climáticas à
espécie, a fim de se evitar colapso no fornecimento em caso de conflitos armados.

Em 2003 a Bahia possuía 21.774 hectares cultivados com


seringueira, sendo 18.279 em exploração com uma produção de 10.700 t de
borracha seca/ano, beneficiadas no parque manufatureiro regional, o qual também
beneficia borracha natural de outras regiões. Entretanto, o estádio avançado dos
seringais, a redução na oferta de mão de obra qualificada e o nível de extrativismo

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empregado por grade parte das propriedades existentes, são indicadores de
redução na oferta de borracha natural, comprometendo a sobrevivência do setor
em médio prazo.

BOTÂNICA

Seringueira é o nome vulgar de todas as espécies do gênero


Hevea, pertencente á família Euphorbiaceae. A sua dispersão natural está
circunscrita à Amazônia, isto é, os Estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia,
Roraima, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, e nos países limítrofes à região a
exemplo das Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia.

O gênero Hevea apresenta onze espécies com produção


laticífera, sendo a mais importante delas a Hevea brasiliensis Muell. Arg., por
produzir látex de melhor qualidade e com elevado teor de borracha.

Como espécies de menor importância econômica, mas de


grande valor em trabalhos de melhoramento genético, temos:

Espécie Porte

Hevea benthamiana Arbóreo

Hevea camargoana Arbustiva

Hevea camporum Arbustiva

Hevea guianensis Arbóreo

Hevea microphylla Arbóreo

Hevea nítida Arbóreo

Hevea paludosa Arbóreo

Hevea pauciflora Arbóreo

Hevea rigidifolia Arbóreo

Hevea spruceana Arbóreo

A seringueira (Hevea brasiliensis) é uma arvore de grande


porte podendo atingir entre 40 m e 50 m de altura, cujas características podemos a
seguir descrever:

Caule: seu caule é ereto, cilíndrico, de coloração cinza esverdeado, com


ramos principais acentuadamente ascendentes. A copa é densa,
porém, não muito desenvolvida. O caule pode chegar até 1,5 m de
diâmetro, no caso da seringueira nativa.

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Folha: as folhas são alternas, longopecioladas, três folíolos (trifolioladas)
alongados pendentes e de cor verde escuro, elípticos e acuminados
ou não, com características senescentes, em maio,junho e julho.
Reenfolha a partir de agosto.

Flor: a planta é monóica (com flores masculinas e femininas numa


inflorescência tipo racimo). Esta inflorescência está localizada na
axila das ramificações novas.
As flores masculinas estão distribuídas mais internamente nas
inflorescências e as femininas nas extremidades das ramificações
principais, existindo sempre uma nas extremidades do eixo principal.
As masculinas são ligeiramente menores que as femininas, porém
aparecem em maior numero e se localizam sempre aos pares.
Florescimento a partir de agosto. Quer a flor masculina quer a flor
feminina estão constituídas de um só perianto, isto é, são
monoperiantadas, perianto este que se resume ao cálice (sépalas)
faltando a corola (pétalas). As flores femininas apresentam na base
um disco esverdeado, característica esta que facilita a sua
diferenciação das flores masculinas. A flor masculina apresenta um
eixo central (andróforo) onde se localizam os dez estames sésseis. As
flores femininas apresentam três carpelos soldados.

Fruto: a frutificação ocorre em nov/fev, o fruto é uma cápsula trilocular,


formada por três “loci”, encerrando em cada “locus” uma única
semente.Tem a característica deiscente, ou seja na sua deiscência, a
partir de fevereiro, as sementes são atiradas a grandes distâncias,
com um estalido característico.Trata-se de sementes volumosas,
porém leves, sendo necessário cerca de 160 unidades para 1 kg. as
sementes são providas de casca resistente, de coloração parda com
manchas cor de ferrugem escura, algumas vezes pretas, de tamanho
e forma irregulares, distribuídas em toda superfície, o seu formato é
alongado medindo mais ou menos 28 mm de comprimento por 19
mm de largura. A face dorsal é arredondada e a ventral formada por
duas facetas mais ou menos planas, as quais muitas vezes, mostram
pequena depressão.

Raiz: apresenta sistema radicular pivotante de onde partem as raízes


secundárias, as quais por sua vez se ramificam. O sistema radicular
é, pois, bastante desenvolvido.

CLONE
A seringueira deve ser propagada por via assexuada
(enxertia por borbulhia), então, cada população de plantas de características
estudadas e que são mantidas por tal via de propagação, constitui um clone.

A designação de um clone compreende uma sigla e um


número. A sigla se refere à origem do material melhorado. Por exemplo, todas as
seleções feitas por Ford, receberam os prefixos F e B. Todos os cruzamentos Ford,
têm o prefixo Fx. Os cruzamentos feitos sob patrocínio do Instituto Agronômico do
Norte, receberam o prefixo IAN. O numero que acompanha o prefixo diferencia os
clones que tem a mesma sigla, tais como os clones
Fx 3864, Fx 3844, ..... IAN 717, etc.

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AGROCLIMATOLOGIA

CLIMA
É a manifestação em longo prazo das variações
atmosféricas. Por outro lado, denominam-se condições de tempo as variações a
atmosféricas em curto prazo.

No caso específico da seringueira, podemos afirmar que o


seu desenvolvimento satisfatório e econômico só acontece se associarmos os
fatores ambientais com as exigências específicas da cultura, de modo que se
consiga à manifestação plena de toda sua capacidade produtora.

Comercialmente, as regiões de produção compreendem


latitudes de 24º N na China até 25º S no litoral do estado de São Paulo.
Considerando-se tanto sua ocorrência espontânea, como os ecossistemas de
cultivos comerciais, o gênero Hevea demonstra excepcionais condições de
rusticidade e de capacidade de adaptação a grande numero de padrões climáticos
e edáficos (ORTOLANI et alii, 1983; ORTOLANI, 1985).

A possibilidade de cultivo comercial em áreas com climas


tão diferenciados exige, como premissa básica, o seu desenvolvimento e
adaptação de tecnologia de produção à cada padrão climático. Quando isto não
ocorre, normalmente, o empreendimento não apresenta retorno econômico
esperado. A freqüência de temperaturas baixas no Sul e Sudoeste, regime de
ventos fortes em ares não tradicionais, a superumidade na Região Norte e no Sul
da Bahia, a duração da estação seca em ecossistemas de transição úmida por
subúmida são exemplos de problemas mais freqüentes observados no Brasil
(ORTOLANI, 1985).

A interação clima – agentes patogênicos principalmente o


“Mal das folhas”, causada pelo Microcyclus ulei, a mancha aureolada causa pelo
Tanatephorus cucumeris, e a requeima, causada por Phytophthora são
considerados problemas importantes nos países tradicionais de cultivo do
continente americano. A superumidade na porção ocidental do Vale Amazônico
condiciona epifitias constantes de enfermidades de folhas. No Sul da Bahia a
principal área de produção situa-se também em clima superúmido. (ORTOLANI
1985; BERNARDES et alii, 1983).

Os sistemas de produção de borracha natural,


principalmente a indicação de clones, devem estar associados, preferencialmente,
aos fatores climáticos, além dos tipos de solo. Na Malásia essa tecnologia é
operacional e no Brasil BERNARDES et alii, (1983), com base em dados
experimentais e de observação elaboraram boas aproximações sobre fatores
edafoclimáticos e indicação de clones.

TEMPERATURA

A temperatura média anual de 20ºC tem sido adotada como

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uma média limite mínimo para o cultivo da seringueira. Para regiões limítrofes ao
Trópico, livre de geadas, essa temperatura anual corresponde a uma condição de
periodicidade térmica estacional adequada para o crescimento vegetativo e
produção de látex.

Observações de ZONG DAO e WUEQIN (1983) na China


mostram que a temperatura ambiente superior a 40ºC, a taxa de respiração excede
a taxa de fotossíntese. Os limites térmicos mais favoráveis à fotossíntese estão
entre 27 30º. Para i fluxo de látex, o intervalo entre 18 e 28ºC é o mais indicado.

UMIDADE ATMOSFÉRICA

Elevados índices de umidade do ar tem alguns efeitos


benéficos para o crescimento vegetal, pois algumas plantas podem absorver
umidade diretamente do ar e, além disso, a taxa de fotossíntese geralmente
aumenta e a taxa de transpiração diminui com a elevação de umidade. A maioria
dos plantios de seringueira estão situados em regiões com umidade relativa do ar
acima de 80%.

PRECIPITAÇÃO

Com base na necessidade de elevada pressão de turgência


nos vasos laticíferos, para que se verifique um escoamento de maior volume de
látex na sangria da seringueira, definiu-se, de um modo geral que, quanto mais
uniforme for a distribuição mensal das chuvas, maior será a produtividade da
seringueira. Isso é realmente válido para os países em que não ocorrem
enfermidades graves das folhas, causadas por fungos que exigem alta umidade e
temperatura para ataques epidêmicos. Uma distribuição pluviométrica sem estação
seca definida é boa para a seringueira, mas é melhor para Microcyclus ulei, para
Phytophthora e, também para o Tanatephorus cucumeris. Os resultados dos
plantios feitos no Brasil, em áreas de clima tipo Afi de Koppen, o qual se caracteriza
por chuvas bem distribuídas durante o ano, poderiam ser considerados como
desastres econômicos, devido principalmente aos ataques de Microcyclus ulei , se
os preços da borracha no Brasil não fossem atualmente um que os preços
praticados no mercado internacional. Também no Extremo Oriente a ocorrência de
danos causados por Oidium, Gloesporium e Phytophthora estão fortemente
relacionadas com a precipitação pluviométrica.

Em contrapartida, encontram-se no Brasil pequenos


seringais plantados em áreas com estação seca definida, cujo estado fitossanitário
é muito bom e cuja produtividade é comparável a de outros paises onde a
Heveicultura é um sucesso econômico. Essas áreas, consideradas como “áreas de
escape”, atestam que a seringueira é mais plástica do que se pensava, quanto às
suas exigências de disponibilidade de água, o mesmo não ocorrendo com os fungos
que atacam suas folhas, podendo, portanto ajustar-se a climas mais secos sem
ocorrência de danos econômicos em plantas adultas.

Em plantios jovens, até 2 a 3 anos, a seringueira cresce de


modo intermitente, com lançamentos novos mais freqüentes na estação chuvosa.
Como os folíolos recém brotados atravessam uma fase inicial de crescimento em
que são susceptíveis ao Microcyclus ulei , caso haja suficiente potencial de
inoculo, o que costuma ocorrer nos viveiros, é provável a necessidade de
tratamento das plantas jovens com fungicida, durante os dois primeiros anos, para
proteger os lançamentos que ocorrem no período chuvoso. A partir do terceiro ano a
seringueira entra no regime de queda anual da folhagem, seguida de

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reenfolhamento, que nos clones de “hibernação” tardia ocorre em plena estação
seca, sem condições para ataques epidêmicos, se o plantio for feito em áreas de
clima Ami ou Awi.

Além da queda e renovação anual da folhagem, é comum a


ocorrência de novas brotações esporádicas durante o ano. Quando estas coincidem
com o período chuvoso, especialmente quando as árvores estão próximas a fontes
de inoculo, como viveiros, ou quadras de clones muito susceptíveis, os folíolos
jovens desses lançamentos esporádicos são atacados, mas o maior volume de
folhagem é formada após a queda anual, de sorte que não tem havido
comprometimento da produtividade nem formação de alto volume de inoculo capaz
de produzir um ataque severo, no caso de anos irregulares em que ocorrem
precipitações mais pesadas em pleno período normalmente seco.

Vale considerar, por último, que os exemplos citados de


localidades onde ocorre o escape ao “mal da folhas” correspondem sempre a
pequenas áreas de seringais de 5 a 20 hectares. Tem-se argumentado que a nesses
casos não se forma um maciço uniforme de seringal que induza condições
favoráveis ao fungo. O exemplo da Guatemala felizmente nos pode dar a garantia
que invalida essa preposição. As primeiras tentativas de heveicultura comercial na
Costa Atlântica da Guatemala, onde ocorre o clima Afi, fracassaram devido ao “mal
das folhas”. Na Costa do Pacífico, com cinco meses de baixa precipitação e pelo
menos um mês com precipitação nula, existem maciços de mais de 900 hectares
com seringais em excelente estado fitossanitário e produção média de 1.500
kg/bs/ha/ano.

As regiões onde as chuvas matutinas são freqüentes, não


deverá ser implantada a cultura da seringueira, porque no futuro estas irão
prejudicar a sangria, operação feita pela manhã. A seringueira se desenvolve em
regiões com precipitação anual de 1.500 mm a 4.000 mm bem distribuídos, sendo
que as condições ideais para o cultivo estão nas áreas com média de 2.000 mm de
chuvas durante o ano.

VENTOS

Ventos fortes causam danos sensíveis à seringueira. Eles


aumentam a demanda de águas, reduzem a eficiência fotossintética e causam
danos mecânicos como quebra de ramos, galhos e até destruição total da árvore.
Constituem um dos fatores mais importantes a serem considerados nas áreas não
tradicionais de cultivo no Brasil.

ALTITUDE

Os paises produtores do oriente cultivam a seringueira até


700 metros de altitude, mas, é preciso notar que eles estão só um pouco acima ou
um pouco abaixo do Equador, enquanto que na Bahia estamos a 15º S, razão
porque devemos ser cautelosos e não levar a heveicultura a mais de 400 m de
altitude. A altitude influindo na temperatura, na densidade atmosférica e no seu
teor de CO2, é fator primordial no comportamento das plantas não só no seu
crescimento, mas também na sua produtividade. Experimentos e observações
comprovaram que acima dos 400 m de altitude, cada 100 m atrasa a idade em que
a planta atinge o limite mínimo para sangria em seis meses.

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SOLOS

Um solo adequado ao desenvolvimento da seringueira


deverá apresentar boas condições de fixação e desenvolvimento do sistema
radicular, água e nutrientes disponíveis suficientes à exploração econômica do
cultivo.

As propriedades físicas do solo importantes para o bom


desenvolvimento da seringueira são a profundidade, a estrutura, a consistência, a
textura, ausência de camada compacta ou impermeável no perfil e boa drenagem.
Estas são intrínsecas e duráveis.

As propriedades químicas são o pH e a fertilidade expressa


em íons disponíveis e trocáveis. Estas são passiveis de serem mudadas com o
manejo. Do ponto de vista agronômico, a seringueira exige um solo as seguintes
características:

Profundidade superior a 1 m;

Boa drenagem e boa aeração;

Boa estrutura;

Consistência friável e firme;

Boa capacidade de retenção de umidade;

Textura argilosa ou franco-argilosa;

pH 4,5 a 5,5;

Relevo suave ondulado a ondulado, com baixa erosão;

Declividade inferior a 16%;

Lençol freático profundo, acima de 1 m.

COLETA, TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO DE SEMENTES.

Recomenda-se que a coleta de sementes utilizadas na


produção de porta-enxertos seja feita não em seringais nativos da Amazônia e sim
em seringais de cultivo, onde a uniformidade e a qualidade fisiológica das sementes
são superiores ao daquelas coletadas nos seringais nativos, entretanto, alguns
cuidados são necessários durante o período de produção, coleta, transporte e
armazenamento.

A deiscência dos frutos inicia-se em janeiro, perdurando de 2


a 3 meses, existindo alternância de alta e baixa produção de um ano para outro.

As sementes de seringueira apresentam um período de


viabilidade muito curto, principalmente quando ficam expostas, sem qualquer

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proteção às condições ambientais. Desta forma, a coleta deve ser feita no menor
prazo possível, após a queda das sementes. É interessante que se proceda à coleta
em intervalos não superiores a uma semana e que as sementes sejam
imediatamente transportadas para o local onde serão utilizadas.

Esse transporte deve ser feito evitando-se as horas mais


quentes do dia, de maneira que as sementes fiquem protegidas da ação direta do
sol e da chuva. Como as sementes apresentam alto grau de umidade, o calor
provocado pela ação do sol, contribui para aumentar a temperatura da massa de
sementes e de sua atividade metabólica provocando, em conseqüência, sua rápida
deterioração.

Existe um teste prático para determinar o poder germinativo


de um lote de sementes, sem a perda de tempo. Toma-se 100 sementes ao acaso,
corta-se ao meio cada uma, e, após a remoção do tegumento observar as seguintes
características no interior da amêndoa:

Endosperma branco - semente boa

Endosperma amarelo - viabilidade duvidosa;

Endosperma oleoso - viabilidade negativa.

Pelo número de sementes com endosperma branco


determina-se o percentual aproximado de germinação do lote.

A semente de seringueira perde rapidamente seu poder


germinativo. A.T. Edgar ressaltou que quanto mais frescas as sementes por ocasião
do plantio, melhor seria a germinação. Ele encontrou que as sementes recém
colhidas, deixadas em meio ambiente, perdiam 50% de seu conteúdo de umidade
em três dias e o restante nos dez dias consecutivos. A percentagem de germinação
acompanha de perto a curva da perda de umidade. Para que o poder germinativo
seja mantido é necessário que o grau de umidade seja mantido a valores acima de
30 a 35% (Cícero, S.M., 1986).

FORMAÇÃO DE MUDAS DE SERINGUEIRA

SEMENTEIRA

É importante notar que as sementeiras devem ser


localizadas adjacentes ou dentro da área do viveiro e de próximo acesso à água.

Existem dois processos para o preparo das sementeiras:

Sementeira a céu aberto com cobertura artificial dos canteiros – consiste na


construção do ripado com altura de 1,0 m a 1,5 m, coberto com folhas de
palmeiras, ou tela sombrite, para proteção dos canteiros contra a
incidência direta de raios solares, danos pelo vento e água das chuvas.
Embora seja o método mais comum, tem um maior custo.

Sementeiras rústicas com cobertura natural – consiste no aproveitamento da

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sombra propiciada pela própria vegetação natural.

A escolha de quaisquer dos métodos está diretamente


relacionada com a localização do viveiro em caso de sua localização em terreno
inclinado, os canteiros deverão ser dispostos perpendicularmente à pendente.

O preparo do leito da sementeira em ambos os casos são


idênticos. Faz-se a limpeza do local e demarcam-se os canteiros com largura de 1,0
a 1,20 m e com comprimento de acordo com a área disponível, porém, nunca
superior a 25 m, de maneira a facilitar a condução dos trabalhos. Entre canteiros,
deixar um espaço para circulação em torno 0,50 m. proceder ao afofamento do solo
a uma profundidade de 20 cm; a seguir, remover os restos de raízes com posterior
nivelamento do leito. Distribuir o substrato em uma camada nunca inferior a 10 cm,
utilizando para tal, serragem curtida, terriço ou areia lavada. Abrir drenos nas
laterais dos canteiros para evitar possível encharcamento.

Antes do semeio colocar as sementes dentro d’água por 10 a


12 horas. Distribuir as sementes ordenadamente com a face achatada (micrópila)
voltada para baixo, de maneira a ficarem em perfeito contato com o substrato. Em
seguida, colocar uma fina camada de substrato sobre as sementes, regando logo
após. Durante a germinação, regar frequentemente de manha cedo e à tardinha,
salvo em dias chuvosos. Periodicamente, redistribuir o substrato sobre as sementes,
de maneira a evitar o ressecamento das pequeninas raízes.

Um quilo de sementes oriundas dos seringais do Sul da


Bahia, comporta entre 160 a 200 sementes. Essas sementes atingem um percentual
de até 60% do poder germinativo e um índice de aproveitamento em torno de 70%
na sementeira. Em um metro quadrado de canteiro, semeia-se em torno de 5 kg de
sementes. Para plantio de um hectare de viveiro no espaçamento de 0,80 m x 0,20
m, necessita-se de 750 kg de sementes.

A germinação das sementes começa a partir do 7º dia após


a semeadura, sendo a prática da repicagem realizada entre 7 e 10 dias da
semeadura, quando a radícula aponta pelo pólo germinativo, rompendo a cutícula
micropilar, dando surgimento às radicelas e formando um emaranhado que se
constitui em estágio denominado de “pata de aranha”.

A repicagem é feita de preferência nas primeiras horas do


dia e à tardinha, sendo as sementes germinadas transportadas em pequenas caixas
de madeira com um pouco de serragem úmida. Se o dia estiver nublado, a prática
pode ser realizada durante todo dia.

VIVEIRO

A seringueira, por uma planta de polinização cruzada, com


alto nível de segregação, somente através da propagação vegetativa é que se
consegue manter as boas características agronômicas apresentadas por
determinado cultivar.

A modalidade mais comum de propagação vegetativa é a


enxertia, a qual, normalmente, realiza-se em viveiros.

Comumente existem dois tipos de viveiros, denominados


viveiros de campo ou a pleno solo e viveiros em sacos plásticos. O estabelecimento
do viveiro deve ser feito observando-se as características do solo, que deve ser
bastante profundo, bem estruturado e friável, a fim de possibilitar um perfeito
desenvolvimento do sistema radicular das plantas, com suprimento de água

15
constante, e com topografia plana ou suave ondulado.

VIVEIRO A PLENO SOLO

A instalação de um viveiro deve ser em local de fácil acesso,


próximo a área de implantação do seringal, evitando-se a derruba de áreas
ocupadas com vegetação nativa. Após o preparo da área dividi-la em blocos, de
maneira a facilitar os tratos culturais, a distribuição dos insumos, melhor controle
da enxertia e perfeita aeração do viveiro. Cada bloco deverá ter no máximo 60 m x
30 m separados por arruamentos secundários de 3,5 m de largura e principais de
6,0 m de largura, possibilitando o acesso de máquinas e veículos. De preferência
essa área deverá ser arada e a gradeada.

Recomenda-se a adoção do espaçamento em linhas simples,


espaçadas de 0,80 m e com distância de 0,20 m entre plantas nas linhas,
perfazendo um total de 62.500 plantas inicialmente repicadas por hectare,
subtraindo-se os arruamentos. Neste caso, obtém-se cerca de 25.000 mudas
enxertadas por hectare considerando-se um índice de aproveitamento de 40%.
Embora existam outros espaçamentos que podem ser utilizados, este é o que
preferencialmente recomendamos.

Ao iniciar a germinação, e de acordo com o já preconizado


no item “Sementeiras”, repicar as sementes, transportando-as em caixas de
madeira contendo serragem umedecida e protegendo-as do sol. São necessários
cuidados especiais na coleta e transporte, de maneira a não danificar as pequenas
raízes. A repicagem permite a seleção das sementes germinadas, possibilitando um
melhor desenvolvimento do porta enxerto. O plantio é feito colocando-se a muda na
cova de 2,5 a 4,0 cm de profundidade, previamente aberta, segurando-a pela
semente e comprimindo o solo com ligeira pressão dos dedos em volta da radícula.
As sementes deverão ficar na mesma posição da sementeira, ou seja, com o lado
liso para cima. Após uma semana verificar a “pega” das mudas e replantamos as
falhas.

TRATOS CULTURAIS

Recomenda-se realizar a prática da irrigação nos períodos de


estiagem acentuada, de maneira a deixar o solo com água disponível às plantas,
principalmente nos primeiros meses de desenvolvimento do viveiro.

É importante frizar, que na condução de um viveiro é muito


importante mantê-lo livre de concorrência de ervas daninhas que utilizam água e
nutrientes, competindo com o desenvolvimento dos porta-enxertos notadamente
nos primeiros meses. A capina pode ser manual ou química, através do uso de
herbicidas. Ao usar herbicidas pós-emergentes, adicionar espalhante adesivo na
dosagem de 0,05%. Nos trinta dias que antecedem a enxertia e durante esta
prática, não se deve fazer uso de herbicidas, a recomendação técnica é descrita no
seguinte quadro:

Estágio da Principio Nome comercial Dosagem Modo de aplicação Plantas invasoras controladas
cultura ativo (kg/l/ha.)

Diuron Karmex 80, 2,0 Pré-emergência 30 dAnuais (gramíneas e


Centhion 80 ou antes plantio. Açãodicotiledôneas)
Herburon residual

16
Pré-plantio Dalapon Gramitec, Secafix,6,0 + 4,0 Pós-emergência. DuasSapé e Canoão
Dowpon ou aplicações c/ intervalo
Basfapon 20 dias

Glifosate Round-up 3,0 Pós-emergência, umaGramíneas perenes


aplicação.

2-3 meses pós- Paraquat Gramoxone 1,5 Pós-emergência, Folhas largas e estreitas
plantio plantas com máx. de 20anuais e algumas herbáceas
cm altura. * perenes

Diuron Karmex 80, 3,0 – 4,0 Pré-emergência Folhas largas e estreitas


Centhion 80 ou anuais e algumas herbáceas
Herburon perenes

Simazine Gesatop, Simazinax 4,0 – 5,0 Pré-emergência Folhas largas e estreitas


ou Herbazin anuais e algumas herbáceas
perenes

Acima de 2 Paraquat +Gramoxone + 1,0 + 3,0-Ação de contato comFolhas largas e estreitas


meses pós- Diuron Karmex 80, 4,0 efeito residual. * anuais e algumas herbáceas
plantio Centhion 80 ou perenes
Herburon

Paraquat +Gramoxone + 1,0 + 4,0-Ação de contato comFolhas largas e estreitas


Simazine Gesatop, Simazinax 5,0 efeito residual. * anuais e algumas herbáceas
ou Herbazin perenes

Paraquat +Gramoxone + Herbi 1,5 + 2,0 Ação de contato comAplicar na predominância de


2,4-D – D4 efeito residual. * folhas largas

* Usar chapéu de Napoleão.

Havendo disponibilidade de restos de culturas para formação


de “mulching”, diminui-se a incidência de ervas daninhas e mantêm-se bom teor
de umidade.

Deve-se procurar manter dentro do possível, uma


uniformidade de plantas no stand do viveiro, para isso aos dois meses de
implantado e entes da segunda adubação, elimina-se plantas defeituosas e poço
desenvolvidas. O percentual de eliminação pode chegar a 20% do stand inicial.

Antes da instalação do viveiro, amostras compostas de solo


serão coletadas, com o objetivo de conhecer algumas características químicas
avaliar as necessidades de calagem e adubação. Teores insuficientes de Ca e Mg
poderão ser adicionados através da calagem em pré-plantio, conforme
recomendações da análise do solo.

Previamente ao transplantio das plântulas no viveiro, aplica-


se por metro linear, em sulco, 50 g de Superfosfato Simples. Em etapas posteriores,
usar a fórmula 10-18-06 nas épocas e quantidades seguintes:

Mês após Dosagem (g/m) Quantidade


transplantio (kg/ha.)

2コ 60 750

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4º 60 750

8º 60 750

As dosagens acima recomendadas devem ser aplicadas em


cobertura, em faixas opostas a cada vez, de 0,15 m de largura e afastadas 0,10 m
das plantas.

Para obter a fórmula recomendada, misturar os seguintes fertilizantes, para 10 kg


da mistura:

Nutrientes% Quantidades em kg

N P2O5 K2 O

Sulfato de amônio Superfosfato Triplo Cloreto de Potássio

10 18 06 50 40 10

Deficiências de micronutrientes, notadamente zinco,


manganês e cobre poderão ser atenuadas quando do controle fitossanitário de
doenças, através de fungicidas que tenham esses elementos na base de seu
princípio ativo. Sintomas de carência acentuada serão corrigidas pela aplicação de
adubos foliares que contemplem os micronutrientes necessários, através de
pulverizações a 0,25%.

No sul da Bahia a maior freqüência de ataque de pragas é


ocasionada pela ação de formigas cortadeiras e da lagarta mandarová. Às formigas
faz-se o combate com iscas granuladas ou formulação formicida pó. As lagartas,
através de polvilhamento de Dipterex 2,5% ou Sevin 7,5%.

Preferencialmente deve-se efetuar o controle de doenças de


forma preventiva, através da aplicação de fungicidas descritos a seguir:

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Doenças Fungicida Dosagem produto Aplicação Volume l /ha. Observações
comercial (g ou
ml/ l)
(Agente causador)

Principio ativo Nome Tipo Dependendo


comercial

Mal das folhas Benomil Benlate Sistêmico 1,0 Aplicar um sistêmicoda idade dasUsar espalhante
e um protetor plantas

(Microcyclus Clorotalonil Bravonil (1) (2) Protetor 4,0 alternadamente 100-200 l adesivo na
ulei) dosagem

Mancozeb DithaneM45 Protetor 4,0 a intervalos de 7, 15c/ costalde 0,05%


ou 30 dias motorizado

Triadimefon Bayleton Sistêmico 0,6 A depender das200-400 l c/ costal


condições demanual
umidade

Idem

Requeima Captafol Difolatan 4F(2) Protetor 4,0 Intercalar Idem


semanalmente

(Phytophthora Oxicloreto dediversos Protetor 7,5 ( a 50%) em períodos


spp.) cobre chuvosos

(1) Pode ser usar o Daconil 50 FW ( 4 ml/ l ) ou daconil 70 PM (3 g/ l)

(2) Não usar espalhante adesivo

VIVEIRO EM SACOS PLÁSTICOS

A formação de mudas em sacos plásticos tem encontrado


grande aceitação por parte dos viveiristas e heveicultores de várias regiões do
Brasil, principalmente onde a tecnologia é mais avançada. Esta crescente aceitação
está diretamente relacionada com as vantagens apresentadas por estas mudas
quando comparadas ao toco enxertado de raízes nuas, como:

Redução dos riscos de perdas por variações climáticas das


mudas após plantio, além de dar maior flexibilidade de
tempo para a implantação definitiva.

Elevação do índice de pegamento das mudas após o plantio,


além de dar maior flexibilidade de tempo para
implantação definitiva.

Diminuição do período improdutivo do plantio, antecipando

19
a entrada em sangria da plantação, consequentemente
o retorno econômico ao produtor.

As mudas em sacos plásticos podem ser obtidas usando-se


dois métodos:

MUDA ENXERTADA NO SACO PLÁSTICO – Este processo consta na


produção da muda em saco plástico desde a repicagem da semente
germinada, podendo ser as mudas levadas para o campo com a gema
dormente ou com até dois lançamentos foliares maduros.

Os sacos de polietileno devem ser pretos, sanfonados lateralmente e com as


dimensões de 20 a 25 cm de largura por 40 a 45 cm de altura e 0,20 mm de
espessura. Estes sacos deverão ser cheios com terriço de boa qualidade,
retirando dos primeiros 15 cm de solo, livre de raízes e torrões, de textura
média com boa estrutura e após o enchimento sofrerem três perfurações
(1,0 a 1,5 cm ente si) na parte do fundo para permitir a passagem da raiz
pivotante para o solo evitando assim seu enovelamento no interior dos
sacos.

O período total de permanência das plantas no viveiro é de 10 a 12 meses,


por esta razão tem que serem posicionadas no viveiro de forma a evitar o
autosombreamento ou mesmo concorrência de luz entre si.

Na instalação do viveiro são abertas trincheiras com 20 cm de profundidade


e largura suficiente para comportar 2 fileiras de sacos afastadas 60 cm entre
si, para facilitar a circulação dos operários e os tratos culturais. O solo
removido da trincheira, com alguma raspagem da superfície é utilizado para
promover a fixação do saco, formando-se montões em volta da parte
exposta deste, cobrindo-os do lado externo até a altura de 6,0 cm da parte
de cima do saco. Este procedimento tem a finalidade de manter a umidade
em períodos de estiagens ou quando a irrigação não for suficiente e também
serve para dar maior durabilidade aos sacos plásticos utilizados.

A repicagem das sementes germinadas e a manutenção do viveiro seguem


os passos do viveiro no solo ou convencional. A enxertia pode ser verde ou
madura (marrom).

As mudas em condições de serem usadas em plantio definitivo devem


apresentar as folhas maduras no último lançamento e ao se fazer a retirada
destas dos canteiros deve-se fazer uma poda da raiz pivotante rente ao
fundo do saco e o plantio no mesmo dias.

TOCO ENXERTADO TRANSPLANTADO PARA SACO PLÁSTICO - Os


porta enxertos neste método, são cultivados e enxertados em viveiros
convencionais, sendo as mudas decapitadas e arrancadas de raízes nuas e,
em seguida, transplantadas para os sacos plásticos, visando maior garantia
de brotação do enxerto e enraizamento do toco. As mudas assim produzidas
estarão em condições de irem para o lugar definitivo três a cinco meses após
o plantio nos sacos, quando tiverem de dois a três lançamentos foliares,
sendo o último com folhas maduras.

Os sacos plásticos para este tipo de muda podem ter as dimensões de 15 a


20 cm de largura por 40 a 45 cm de altura e 0,16 mm de espessura. Estas
dimensões variam em função da idade da muda (toco enxertado oriundo de
enxertia vede ou marrom) e não causam qualquer problema ao
desenvolvimento do sistema radicular ou parte aérea das mudas.

O enchimento e arrumação dos sacos destinados a formação das mudas

20
seguem as recomendações do método anterior, podendo ser acrescentado
uma fertilização do terriço com 1,4 kg de superfosfato triplo, 0,5 kg de
cloreto de potássio e 1,0 kg de calcário dolomítico em cada mero cúbico de
substrato.

A decapitação dos tocos enxertados (mudas),ocorre uma semana antes do


arranquio destes. O preparo da muda é feito com o corte em bisel da raiz
pivotante com 15 – 20 cm de comprimento e as raízes laterais rentes à
pivotante ou, no máximo, com 1,0 cm de comprimento (Pereira & Pereira,
1986) e, a parafinagem do toco e a indução de raízes com Nafusaku (20%
de Ácido Naftalenoacético), 0,5 kg de Caulim e 1,0 l de água (Pereira &
Durães, 1983) deixam as mudas em condições de serem plantadas nos
sacos plásticos.

O plantio deve ser feito após uma rega e a abertura de uma cova no centro
do saco com uso de um “chucho” no comprimento e diâmetro equivalentes
ao da raiz pivotante. Para um bom pegamento é necessário uma leve
compressão da terra ao redor da raiz e uma nova rega até saturar o
substrato.

Os tocos ao serem plantados devem ter os escudos de enxertia voltados


para o lado externo das fileiras, para facilitar a distribuição dos espaços dos
enxertos brotados e menor abafamento das mudas.

Os tratos culturais constam de irrigação freqüente nos períodos estiados;


controle de ervas daninha; cobertura do solo do saco com “mulching”;
desbrota de ramos ladrões ou enxertos com mais de uma brotação; controle
de doenças e combate às pragas.

JARDIM CLONAL

A exploração da seringueira exige um fornecimento


constante de material vegetativo (hastes ou vergônteas ou bengalas de borbulhas
que contêm gemas axilares dormentes para enxertia). Sendo assim, o jardim clonal
é a base da infra-estrutura de formação e produção de mudas para plantio de
seringais.

Um viveiro tem tecnicamente via útil máxima de 22 meses,


enquanto que um jardim clonal, apresenta uma utilização mais ampla chegando a
cinco anos quando o objetivo é produção de hastes para enxertia madura e até
doze anos quando se destina a obtenção de hastes para enxertia verde (Pereira, J.P.,
1986).

Existem três maneiras de se instalar um jardim clonal (RRIM,


1975).:

Plantio de sementes germinadas com realização de enxertia


verde aos 5 – 6 meses no próprio local com decapitação
da parte aérea dos porta-enxertos para possibilitar o
desenvolvimento da gema do enxerto. Se o objetivo for
a produção de hastes para enxertia verde aos 8 – 9
meses após, as plantas devem ser decepadas a
aproximadamente 0,90 m de altura, deixando-se
desenvolver quatro ramos laterais por 08 a 10 semanas,
ocasião em que são colhidas cortando-se a poucos

21
centímetros da base a fim de possibilitar a brotação de
novas hastes e assim dar continuidade ao ciclo de
coletas.

Formação do jardim clonal a partir de tocos enxertados


provenientes de enxertia verde ou madura, plantados de
muda convencional (raiz nua) ou em sacos plásticos.

Também um jardim clonal pode ter sua formação a partir de


um viveiro, após um desbaste de plantas, ficando sem
arrancar um “stand” no espaçamento requerido pelo
jardim clonal.

A área para estabelecimento de um jardim clonal deve ser o


mais próximo possível do viveiro, ou do plantio definitivo, no caso da operação de
enxertia se processar no campo. A topografia deve ser de plana a moderadamente
inclinada, solo de textura média, profundo e de boa permeabilidade. Esta área deve
ser preparada da mesma forma que se prepara a área para implantação do viveiro.

Utilizar-se-á o espaçamento de plantio de 1,0 m x 1,0 m


(10.000 pl/ha.) quando a finalidade for produzir hastes verdes, e 1,0 m x 0,50 m
quando for produzir hastes maduras (20.000 pl/ha.). Quando se estabelece a partir
do viveiro de linha simples, usa-se o espaçamento de 0,80 m x 1,0 m.

Faz-se a demarcação da área, após locação, utilizando-se da


mesma técnica para o viveiro, procedendo-se o balizamento de acordo com a
finalidade, iniciando-se a abertura das covas com a utilização de cavador reto ou
cavador boca de lobo. Dimensionam-se as covas em 0,40 m x 0,40 m x 0,50 m e o
reenchimento feito com a camada superficial do solo depositada no fundo da cova
até metade, e o restante será complementado com a camada superior ou o volume
resultante de uma raspagem superficial o solo em volta da cova, misturada com
100 g de superfosfato simples.

Se for utilizar o toco já enxertado, logo no início do período


chuvoso faz-se o plantio das mudas, perfurando-se o centro da cova com um
piquete de madeira pontiaguda e na profundidade suficiente para comportar a raiz
pivotante, em seguida planta-se a muda deixando o coleto ao nível do solo com a
posição do enxerto voltada para o nascente ou para os ventos dominantes na
região. Feito isso, comprime-se o solo em volta da raiz pivotante até a parte
desprovida de raízes laterais; reencher a cova até a superfície para fixar bem a
muda. Após plantio fazer “mulching”, com a finalidade de manter a umidade em
volta da muda.

Ao se procurar estabelecer um jardim clonal deve-se


observar a disposição deste em blocos ou canteiros e a separação do material
clonal nele plantado, e deve-se obedecer ao critério de preferência de um clone
para cada bloco. Todos os clones deverão estar rigorosamente identificados com
marcas de concreto, ou placas de ferro onde esteja marcado inequivocadamente a
identidade do clone.

Na exploração de seringueiras deve-se evitar o plantio de


um só clone, pois em plantações policlonais a probabilidade de resultados negativos
se torna bastante reduzida, pois às vezes uma menor extensão de massa foliar de
certo clone reduz a possibilidade de ocorrência de doenças em toda plantação.

Dentre os tratos culturais realizados em um jardim clonal, as


capinas e tratos fitossanitários são os mesmos indicados para o viveiro.

Deve-se ter o cuidado de não deixar hastes brotando do

22
“hipobioto”, pois estes causam a atrofia do enxerto, retardando seu
desenvolvimento (efetuar desbrota).

Quanto à adubação, no 2º, 4º e 8º mês da realização do


plantio, aplicar 50 g da fórmula 10-18-06 por planta, em cobertura em círculos de
raios de 0,20 m, 0,30 m, e 0,50 m, respectivamente. Quando há necessidade de
cálcio e magnésio é recomendada a aplicação de 600 kg de calcário dolomítico por
hectare distribuído de maneira uniforme, por ocasião do balizamento. Novas
aplicações de calcário através do resultado da análise de solo. As adubações
realizadas a partir do 2º ano deverão acontecer após 1,3 e 5 meses após a coleta
das hastes, utilizando-se a mesma mistura fertilizante na proporção de 50 g por
planta no circulo com raio de 0,50 m. Se porventura surgirem sintomas de carência
acentuada de micronutrientes, serão corrigidas pela aplicação de adubos foliares
que contemplem os micronutrientes necessários, através de pulverizações a 0,25%.

A depender da prática dos enxertadores, fazer ou não a


prática da “toalete”, que consiste em eliminar os folíolos deixando o pecíolo com
aproximadamente 15 cm, deixando os dois últimos lançamentos foliares, para maior
aproveitamento das gemas.

Num jardim clonal para produção de hastes destinadas a


enxertia marrom, utilizar hastes com a casca parda ou verde escuro, com as gemas
apresentando cicatrização em forma de coração, após queda das folhas.

A depender do clone, cada metro de vergôntea ou haste


deverá ter em torno de 15 gemas aproveitáveis para enxertia. Comprimento da
haste, no entanto não deverá ultrapassar 1,50 m, sendo o ideal em torno de 1,0 m.

A coleta da haste é feita usando-se uma serra de poda para


o corte em bisel a 15 cm acima da base da haste, deixando 3 a 4 gemas para
posterior rebrota. Logo após, aplicar parafina derretida ou tinta a base de óleo no
local do corte. As vergônteas que não forem utilizadas de imediato devem receber
tratamento com parafina nas extremidades. Quando se necessitar transportar
hastes à pequena distância deve-se evitar traumatismos nas mesmas, para não
danificar as gemas, envolvendo-as em leguminosas ou jornal umedecido.

Se o transporte for realizado a longa distância, as hastes


deverão ter as extremidades parafinadas e serem acondicionados em caixas de
madeira de 1,10 m x 0,30 m x 0,30 m. esta caixa comporta a depender do material
de 50 a 70 hastes, que deverão ficar arrumadas em camadas intercaladas com
jornal umedecido. Mantendo-se a umidade do jornal constante, pode-se conservar
as hastes por até 20 dias. Ao abrirem-se as caixas, se o material apresentar aspecto
de ressecamento, com dificuldade para soltar a casca, apara-se a extremidade
basal, colocando este lado dentro da água de um dia para o outro.

Se porventura houver um ataque de doenças no jardim


clonal, este não deve ser usado para coleta das hastes, devido o baixo índice de
pegamento da enxertia.

Quando iniciar a brotação das gemas dormentes do toco,


realiza-se a poda do jardim clonal, com a finalidade de impedir a competição,
eliminando-se os brotos pouco desenvolvidos e posicionados mais próximos do solo.
Nos locais susceptíveis a incidência de ventos, as brotações novas devem ser
tutoradas.

Os jardins clonais no 3º ano de exploração pode-se manter


em desenvolvimento 2 a 5 hastes, desde quando estejam bem distribuídas. No caso
de enxertia verde, faz-se a eliminação do broto apical a uma altura em torno de
0,65 m e acima da roseta. O local do corte deve ser tratado com tinta a base de

23
óleo ou piche, deixar crescer 3 a 5 brotações laterais, quando estas adquirirem a
cor parda, deverão ser cortadas um pouco acima da roseta, de onde surgirão novos
lançamentos de brotos que deverão ser utilizados 6 a 8 semanas após. Este manejo
favorece a produção de uma maior quantidade e material clonal, uma vez que se
obtêm hastes no intervalo menor.

Na formação de um seringal, a primeira providência que o


agricultor deve tomar quando quer criar sua própria infra-estrutura é saber quanto
deve instalar de canteiros, sementeiras, viveiros e jardim clonal para atender ao seu
plantio definitivo. Poderemos realizar os cálculos da seguinte maneira:

ÁREA DE VIVEIROS:

Considerando-se os espaçamentos definitivos utilizados na implantação


de seringais no Brasil, que são de 7,0 m x 3,0 m; 7,0 m x 2,5 m; 8,0 m x
3,0 m; 8,0 m x 2,5 m, tomaremos como exemplo o espaçamento de 8,0
m entre linhas e 2,5 m entre plantas perfazendo um total de 500 plantas
por hectare, e faremos a base de cálculo para 10 hectares, que comporta
5.000 mudas.

Sendo assim, 5.000 mudas correspondem a 80% do material pego na


enxertia, logo:

5.000 ― 80%

X ― 100% X = 6.250 mudas enxertadas

Esse número corresponde a 80% do material que se encontrava em


condições de ser realizada a enxertia no viveiro, logo, o número de porta
enxertos existentes no viveiro na época da enxertia será:

6.250 ― 80%

X ― 100% X = 7.813 porta enxertos

Como houve um desbaste de 20% no 2º mês, os 7.813 porta enxertos


correspondem a 80% do material enviveirado

7.813 ― 80%

X ― 100% X = 9.766 porta enxertos.

Logo a área do viveiro, no espaçamento de 0,80 m x 0,20 m será de:

1 planta ― 0,16 m2

9.766 plantas ― X x = 1.562,25 m2

Para conhecermos as áreas necessárias à implantação de canteiros e


sementeira, consideremos as seguintes constantes:

1,0 kg de sementes dos seringais de cultivo da Bahia contêm em


média 160 sementes;

1,0 m2 de canteiro comporta entre 1.400 a 1.600 sementes –


consideramos a média de 1.500 sementes;

Poder germinativo em torno de 60%;

24
Aproveitamento de cerca de 70% das sementes germinadas;

Aproveitamento global de 42% das sementes que foram postas a


germinar.

Logo:

9.766 ― 42%

X ― 100% X = 23.252 sementes

Correspondente a 145,325 kg de sementes.

Para os canteiros então:

23.252 sementes ― X

1.500 sementes ― 1,0 m2 x = 15,50 m2

Largura do canteiro 1,0 m a 1,20 m

Comprimento do canteiro 15,0m a 25,0 m

Para a sementeira então:

15,50 m2 ― X

15 ― 1,0 canteiro x = 1,03


canteiros

Para o jardim clonal:

Considerando que cada metro de haste possui em média


quinze gemas utilizáveis e que cada planta clonal produz em torno de 15 escudos
para serem enxertados, logo:

6.250 ÷ 15 = 417 plantas em jardim clonal, ou


0,042 ha.

no espaçamento de 1,0 m x 1,0m.

PROCESSOS DE PROPAGAÇAO DA SERINGUEIRA

PROPAGAÇÃO SEXUADA - Também conhecida como plantio de “seedlings” ou


“mudas de pé franco”, consiste no plantio no local definitivo de sementes recém
germinadas. Apresentam como fatores negativos, um longo período de imaturidade
em decorrência da desuniformidade no crescimento das plantas e desuniformidade
produtiva, devido a baixa produtividade da maioria dos “seedlings”, onde 75% da
produção de uma determinada área pode ser representada por apenas 25% das
árvores boas produtoras e, os 25% da produção restante representam a
contribuição de 75% das árvores restantes de baixa produtividade individual.

PROPAGAÇÃO ASSEXUADA - O processo de propagação agâmica da seringueira

25
é realizada através da enxertia, tendo por finalidade manter as características
desejáveis e inalteradas. Este método foi desenvolvido por VAN HELTEN na
Indonésia em 1916.

O método de enxertia consta da substituição da copa de um


porta enxerto comum por um clone previamente selecionado, apresentando alta
produtividade, resistência a doenças e outros caracteres fisiológicos e vegetativos
desejáveis ao cultivo.

Desde o desenvolvimento deste processo de propagação,


que inovações vem sendo adquiridas visando o aprimoramento e redução do tempo
de formação das mudas, para isto alguns tipos são usuais como descritos a seguir:

ENXERTIA MADURA - Enxertia marrom (convencional), foi desenvolvida


por FORKERT (1951) e consta da técnica de introdução de uma gema
dormente em um porta enxerto com idade a partir de dez meses e 2,0
cm de diâmetro a 5,0 cm do solo. O índice de pegamento (eficiência)
pode ser superior a 80% quando executado por pessoal bem treinado.
Este método de enxertia pode ser feito no viveiro a pleno solo, em viveiro
em sacos plásticos, ou no local definitivo e consiste em destacar a
lingüeta da casca do hipobioto em forma de “U” invertido, através de
duas incisões paralelas de 5 a 6 cm no sentido longitudinal, distanciadas
2,0 cm e uma incisão no sentido transversal ligando as extremidades
superiores. Em seguida, introduz-se a borbulha na janela de cima para
baixo, recobrindo-a com a lingüeta do porta enxerto. Finalmente, com
uso da fita plástica transparente, faz-se o amarrio de baixo para cima,
em espirais sucessivas, destacando-se 2/3 da lingüeta. A borbulha
utilizada como epibioto é retirada com um auxilio de um canivete de
enxertia, utilizado pelo enxertador que retira um fragmento de casca e
lenho da haste clonal (vergôntea), contendo uma gema em dormência.,
em seguida faz-se a apara das bordas da borbulha (gema) e se destaca
da casca a parte lenhosa a ela fixada, fazendo todo movimento apenas
com o lenho. Deve-se ter o cuidado de retirar o escudo (gema ou
borbulha) com tamanho um pouco menor que a janela do porta enxerto,
não tocar nas superfícies cambiais e evitar colocar a borbulha invertida
(gema de cabeça para baixo).

ENXERTIA VERDE - A enxertia verde (Greenbuding), conhecida


também como enxertia herbácea, foi desenvolvida por H.R. HUROV em
Bornéu. É a técnica de enxertia que possibilita o aproveitamento de porta
enxertos mais jovens. Isto ocorre entre os 4 e 6 meses de idade quando
os mesmos apresentam aproximadamente 1,0 cm de diâmetro a 5,0 cm
de altura do solo. A prática é idêntica à enxertia madura; o que difere é a
idade do material. Não é muito utilizada na Bahia.

Após 23 dias de realização da prática é feita a primeira


verificação do pegamento do enxerto, e retira-se a fita que envolve a gema; em
caso positivo, a muda enxertada será marcada com um laço utilizando-se a própria
fita da enxertia. Transcorridos mais sete dias, faz-se a segunda verificação.

Concluída esta prática as mudas estarão aptas a serem


decapitadas e levadas pra o local definitivo. A decapitação deve ser realizada dez
dias antes da muda ser arrancada, para a gema seja estimulada e intumesça.
Consta da retira da parte aérea da muda enxertada através de um corte em bisel 2
cm acima da parte superior do enxerto, ficando a parte mais alta voltada para o
mesmo. No local do corte aplicar tinta à base de óleo ou parafina derretida, a fim de
impedir a perda de água e penetração de agentes patogênicos. Caso não se faça a
decapitação, a muda enxertada poderá permanecer “armazenada” no viveiro,
aguardando a época propícia para o plantio.

26
Quando o arranquio for realizado com uso do “quiau” fazer
a decapitação com facão, a uma altura de 0,60m, deixando para preparar a muda
após a operação.

ENXERTIA DE COPA - É o método usado em seringueira envolvendo


uma dupla enxertia com a intenção de formar uma planta composta,
denominada tricomposta. Esta planta é constituída pelo sistema radicular
de hipobioto, no qual é enxertado, próximo ao solo (5 cm) um painel de
corte de um clone de alta produção e a copa de clone resistente ou
tolerante a doenças. Esta enxertia é uma variante da verde com o
mesmo procedimento. A técnica da enxertia de copa foi inicialmente
desenvolvida por CRAMER em Java e deve ser feita à altura de 2,20m a
2,50 m em tecido verde, entre o penúltimo e o último lançamento foliar
totalmente maduros usando hastes clonais com 3 a 4 meses de idade,
usando a técnica da enxertia verde. Essa enxertia pode reduzir a
imaturidade da seringueira, porém precisa de estudos aprimorados sobre
a compatibilidade copa – painel, pois além de provável efeito de redução
na produção do clone de painel, a qualidade e coloração do látex podem
ser afetadas no caso de uma combinação indevida (PEREIRA,1986).

TIPOS DE MUDAS DE SERINGUEIRA.

A seringueira é uma planta que permite, com êxito, a sua


implantação utilizando mudas de raízes nuas. Estas mudas geralmente são
produzidas em viveiros implantados no campo, mediante enxertia seguida de
arranquio e por último o plantio em local definitivo. Temos os seguintes tipos:

TOCO ENXERTADO CONVENCIONAL - É a muda obtida a partir de


enxertia madura ou verde e plantada no local definitivo com a gema do
enxerto dormente ou ligeiramente intumescida, tendo a raiz principal
(pivotante) decepada com 45 cm de comprimento e as laterais com 5
cm. Este tipo de muda é o mais utilizado no Brasil, cerca de 90% dos
plantios de nossos seringais, apesar de ter como inconveniente o alto
índice de replantio (20 a 50%) quando plantados em épocas sujeitas a
estiagens ocasionais após o plantio ou no início do desenvolvimento.
Para reduzir as perdas, PEREIRA e DURÃES, 1983, fizeram a decapitação
da parte aérea do toco a apenas 1,0 cm acima do escudo de enxertia
seguido da impermeabilização até abaixo da borbulha com parafina
derretida (85 a 90ºC) em “banho maria”, promovendo antecipação e
uniformização da brotação do enxerto (PEREIRA,1986). As áreas
implantadas com mudas convencionais entrarão em sangria 6 a 7 anos
após o plantio, excluindo-se as perdas e os replantios.

MINI TOCO - É um tipo de muda usado para replantio, sendo


inicialmente formado a partir de enxertia verde em viveiro de campo no
espaçamento de 1,0 m x 0,50 m, em seguida de decapitação da haste do
porta enxerto. Após 7 a 10 meses, a haste brotada do enxerto é podada
em tecido maduro à altura de 0,60 m a 1,0 m do nível do solo e, após 10
dias, a muda é arrancada e transplantada com raiz nua para o local
definitivo, quando as gemas, abaixo do ponto de decapitação da haste se
apresentam ligeiramente intumescidas. (RRRIM 1975). A haste do mini
toco deve ser pincelada com calda de cal em toda a sua extensão para
melhor refletir os raios solares e diminuir a temperatura e transpiração. A
raiz principal deve ser decepada a 45 cm de comprimento do “colo” do
toco e as laterais a 5 cm da raiz principal (PEREIRA,1986.)

27
TOCO ALTO - Possui a técnica inicial de produção idêntica à descrita
para mini toco, sendo ambos conduzidos em viveiros de campo, já
estabelecidos no espaçamento de 0,90 m x 0,90 m com o “stand”
conduzido até 18 meses quando será feita a decapitação da haste do
porta enxerto. Este tipo de muda também pode ser conduzida em
viveiros destinados a mudas convencionais. Após a enxertia verde e a
verificação do pegamento, algumas são selecionadas e decapitadas para
formação do “toco alto” num espaçamento 1,0m x 0,80 m,
permanecendo as demais plantas enxertadas aguardando a época
própria para serem decapitadas, arrancadas e plantadas em local
definitivo, como muda convencional de raiz nua ou em sacos plásticos
com dois lançamentos maduros. As plantas quando apresentarem a
casca madura e diâmetro entre 9 cm e 14 cm, deverão ser separadas por
classe e estarão em condições de serem levadas para o local definitivo.
Seis ou sete semanas antes do transplantio, abre-se uma valeta de um
dos lados da planta a fim de se fazer o corte da raiz pivotante a 45 cm a
50 cm de profundidade, em seguida a valeta deverá ser parcialmente
reenchida. A decapitação da haste para o toco alto deverá ser feita 10 a
14 dias antes do transplantio para o local definitivo no local de casca
madura a 2,40 m a 2,50 m de altura do solo, abaixo de um lançamento
de gemas dormentes. A impermeabilização do corte terminal deverá ser
feita com parafina líquida e o toco deve ser imediatamente pincelado
com calda de cal hidratada em toda sua extensão (PEREIRA, 1986). O
toco deve ser arrancado quando apresentar as gemas intumescidas e em
início de brotação até 0,5 cm de comprimento. O transplantio realizado
neste estágio, mais corte antecipado da raiz, tem a vantagem de induzir
certo grau de endurecimento a muda, dando um alto grau de pegamento
(95 a 100%), salvo condições adversas de clima. A muda de toco alto é
considerada um tipo avançado, usado no replantio de falhas ou
substituição de plantas em campo quando aos doze meses não
apresentarem um desenvolvimento satisfatório. Caso se forme em área
contínua, o período de sangria é antecipado para 4 a 4,5 anos após o
plantio (PEREIRA, 1986).

TOCO ALTO ENXERADO DE COPA - Também chamado de tricomposto,


é a muda originada de um viveiro de campo no qual foi utilizado o
espaçamento de 1,0 m x 1,0 m e o porta enxerto recebe a enxertia verde
com o clone desejado para painel (normalmente clones de alta
produção). Após a enxertia de base e decapitada a haste do porta
enxerto, as plantas crescerão até uma altura de 3,0 m a ,60 m, antes
porém receberão outra enxertia verde a altura de 2,50 m acima do solo
com o clone de copa (enxertia de copa). Uma vez estabelecido o
tricomposto, poda-se o enxerto quando está crescido e maduro e o
transplantio é feito tanto em raiz nua, quanto em saco plástico, seguindo
a mesma técnica do toco alto.

ARRANQUIO DAS MUDAS

O arranquio das mudas pode ser manual com uso do


enxadete ou mecânico pelo emprego do “quiau”. Se for utilizar o método de
arranquio manual, cavar uma valeta lateral à linha das plantas enxertadas e a 0,50
m de profundidade. Arrancar as mudas através de movimentos para cima e para o
lado da valeta com o devido cuidado para não danifica-las. Quando a raiz pivotante
ultrapassar 0,50 m, decapita-la com o enxadete à essa profundidade.

Se o solo for de textura média a leve, o uso do “quiau”


proporciona melhor rendimento e economia de mão de obra. Deve-se adotar os

28
cuidados necessários para evitar o rompimento dos tecidos à altura do coleto. Dois
homens com um “quiau”, arrancam de 800 a 1.000 mudas por dia.

Prepara-se essas mudas serrando a parte aérea não


decapitada, através de corte em bisei, ficando o lado mais alto voltado para o
enxerto; posteriormente, aplicar parafina derretida ou tinta a óleo no local
seccionado. Aparar a raiz pivotante para 0,40 a 0,50 m de comprimento e as
laterais para 0,10m.

Para transporte e plantio em locais distantes, procurar


embalar as mudas em feixes de 30 a 35 plantas enroladas com ramagens ou sacos
de aniagem, amarradas com fio de barbante, procurando evitar ao máximo traumas
no enxerto.

PREPARO DA ÁREA

No estabelecimento de um seringal, o primeiro passo é a


divisão da área em blocos, seguida das operações de preparo de área que pode ser
manual ou mecanizada, e por fim complementa-se com as práticas
conservacionistas de solo.

Esses blocos são definidos a partir da área a ser plantada


com um clone e a quantidade de clones a serem utilizados no plantio é que irá
definir o tamanho dos blocos ou talhões do seringal, que em grandes áreas não
devera ultrapassar 25 ha. (EMBRATER, 1981) e se possível dever ser múltiplo inteiro
da área de uma tarefa (área sangrada em um dia por um seringueiro).

Quando fizer a divisão da área em blocos, a distribuição das


estradas terá que ser levada em consideração, pois pode ou não coincidir com a
divisão, dependendo apenas do relevo. De qualquer modo nenhum “ponto” no
interior do seringal deve ficar a mais de 450 m de uma estrada em condições de
tráfego o ano todo (ABDULLAH, 1978). A idéia básica da divisão da área em blocos e
a construção de estradas e/ou acessos está na facilidade de coleta de látex,
realização de práticas agrícolas mecanizadas, de administração, acompanhamento
e outras atividades que necessitam transporte. A direção e a forma dos blocos
dependerão do relevo, direção e intensidade dos ventos, bem como a necessidade
de se plantar um sistema de quebra ventos.

Selecionar a área para implantação do seringal com


topografia plana ou suave ondulada, solo de textura média, não sujeita a
inundações, profundidade mínima de 2,0 m, ausência de lençol freático neste nível,
inexistência de camadas compactas e cobertura vegetal de mata ou capoeirão.
Procurar utilizar áreas com culturas abandonadas ou improdutivas, evitando o
máximo à derrubada de vegetação de recuperação florestal. Ao fazer a derruba de
restos de culturas, procurar evitar a queima do material, preservando assim, a
fauna e a flora microbiológica do solo.

Em terrenos declivosos, demarcar as curvas de nível com


aparelhos de precisão ou níveis rústicos, obedecendo a distância inicial de 7,0 m ou
8,0 m entre linhas, abertura máxima nas entrelinhas de 11,0 m e mínima de 5,50
m. nos terrenos panos, estabelecer as linhas básicas distanciadas de 7,0 m ou 8,0
m uma da outra. Se a área for de capoeira rala, abrir faixas com largura de 2,0 m,
tendo-se as linhas básicas como centro, distanciadas uma da outra de acordo com
espaçamento escolhido, e rebaixar os tocos encontrados dentro da faixa.

29
Durante esse procedimento, deve-se efetuar a coleta de
amostras de solo para verificação do pH e teores de alumínio trocável e bases Ca++
e Mg++. Caso seja necessário fazer a correção do solo, aplica-se calcário dolomítico
na quantidade indicada pela análise do solo, inicialmente na faixa de 3,0 m tendo
como centro a linha de plantio, e as aplicações subseqüentes de 2 em 2 anos
ocorrerão até completar a área entre as linhas básicas, o que deverá acontecer no
máximo no 6º ano após plantio. Se houver exploração de cultivos intercalares, a
calagem deverá ser a lanço cobrindo toda a superfície do solo.

A calagem em uma área de seringueiras só deverá ocorrer


até antes de iniciar a sangria devido a prováveis mudanças no látex provocada pelo
aumento de concentração das bases circulando na seiva das plantas. No caso de
solos com teores muito baixos de Ca++ e Mg++ a aplicação de fosfato de rocha ou
termofosfato magnesiano além de acrescentar estes elementos, ainda fornece
fósforo às plantas.

COVEAMENTO

A prática da abertura de covas tem por objetivo dar


condições para plantio da muda e melhorar o solo do local do plantio, para um
desenvolvimento do sistema radicular. A maneira como a cova deve ser aberta vai
depender do tipo de material de plantio a ser utilizado, seja semente, muda de raiz
nua ou torrão. Em áreas de plantio que permitem a mecanização, a abertura das
covas poderá ser feita com brocas nas dimensões exigidas o que dará uma redução
nos custos desta prática, além do rendimento diário ser excelente.

Em áreas de relevo declivoso ou naqueles que foram


preparadas manualmente, o coveamento é feito com auxílio de cavador boca de
lobo, nas dimensões de 0,40 m X 0,40 m X 0,60 m, separando o solo retirado da
camada superficial que deve retornar ao fundo da cova no momento do plantio, a
camada inferior deverá ser misturada com a adubação de cova (100 g de
superfosfato simples) e complementar o reenchimento da cova. A abertura das
covas deverá preceder no mínimo 30 antes do plantio, a fim de que possa se evitar
a formação de bolsões de ar que irão prejudicar as mudas implantadas dificultando
a aeração.

TERRACEAMENTO

Em áreas de relevo acidentado (mais de 8% de declividade)


é necessário se fazer um controle da erosão, o caminho para se realizar os tratos
culturais e posteriormente a sangria, e para resolver de uma vez de uma vez as
situações faz-se o terraceamento.O terraceamento quando feito com uso de
tratores equipados com lâminas deve-se deixar uma declividade de 1,5% de fora
para dentro e a cada 30 m de terraços fazer lombada transversal para evitar erosão
dentro do terraço.

Em locais não possíveis de mecanização ou que não haja


disponibilidade de máquinas, a opção é a construção manual de banquetas
individuais para as plantas e a interligação das banquetas para o terraceamento é
feita associada às capinas.

Em qualquer dos métodos utilizados, a cova deve ser


localizada na margem externa do terraço ou das banquetas para que a muda
quando plantada desenvolva seu sistema radicular no solo superficial de origem.

30
PLANTIO

A fase de instalação de um seringal correspondente ao


plantio da muda deve ocorrer a partir do início do período chuvoso.

MUDAS DE RAIZ NUA - São aquelas conhecidas por toco enxertado


convencional, mini toco e toco alto ou tricomposto e que para serem
plantadas deve-se observar os seguintes cuidados:

Abrir com auxílio de um espeque um furo no centro da cova de modo


a permitir maior contato da raiz pivotante com o solo, pra evitar a
formação de bolsões de ar próximos da raiz;

Comprimir o solo em torno da muda;

Manter o solo da cova úmido após o plantio até o pegamento da


muda, caso seja realizado num período de estiagem. No caso de
toco alto, para um período sem chuva após o plantio, deve-se
colocar 9 a 10 litros de água por cova a cada 4 dias. Também pode
se fazer, o plantio em lameiro feito na cova e neste caso a
compactação final é feita posteriormente.

MUDAS DE TORRÃO EM SACOS PLÁSTICOS – Em covas já reenchidas faz-


se aberturas com tamanho suficiente para alojar a muda. O saco tem o
fundo eliminado e o torrão juntamente com o que restou do saco é colocado
na cova. A seguir firma-se o torrão com um pouco de terra e retira-se o
restante do saco completando a cova até o coleto da muda.

Qualquer tipo de muda de seringueira após o plantio,


necessita a formação de uma cobertura morta (mulching) em sua volta a fim de que
possa ser mantida a umidade e temperatura adequada no solo. Entretanto em
condições de temperaturas extremas (altas e baixas) a cobertura morta pode
provocar danos na parte aérea da planta. Para evitá-las, a cobertura deve ser
afastada da muda e com o início do período frio deve ser retirada completamente
(CARMO et alii, 1985; Convênio CEPLAC/EMBRAPA, 1983; RRIM 1970/1974/1976 e
SAMPAIO, 1984).

Ao ser plantada, a muda terá que ser colocada com a gema


enxertada voltada para o nascente (para evitar a exposição do ao sol no horário de
maior insolação do dia) no sentido dos ventos dominantes do local (pra evitar a
quebra dos ramos e brotos do porta enxerto).

Para diminuir o efeito do porta enxerto na produção à


medida que o painel de sangria se aproxima do solo, o enxerto ou a inserção do
broto de enxertia deve ser posicionado 5 cm abaixo do nível natural do terreno, sem
entretanto cobri-los com terra. O nivelamento é feito após suberificação do tecido
do ramo da enxertia ao nível do solo (RRIC,1970 e SAMPAIO, 1984).

REPLANTIO

31
O replantio consiste na substituição das plantas mortas ou
atrofiadas por mudas vigorosas e de bom desenvolvimento, de maneira que se
consiga formar um plantio uniforme. Esta operação deverá ocorrer no início do
período de maior precipitação pluviométrica, e essa prática pode ser feita durante o
primeiro ano com mudas do mesmo tipo utilizadas no plantio.

No caso da utilização de material avançado de plantio (toco


alto, toco tricomposto), o replantio pode ser feito até o 3º ano de implantação do
seringal, desde que persistam percentagens acima de 10% de covas a serem
replantadas. Considera-se exceção áreas, que após esse período, permaneçam com
densidades muito baixas de plantas vivas ou grande número de plantas raquíticas
(BERNARDES, 1982; EMBRATER, 1981 e RRIC, 1970).

TRATOS CULTURAIS

Para o bom desenvolvimento e produção um seringal é


exigente em cuidados, tais como:

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS - A seringueira não tolera


concorrência de plantas daninhas, por isso um seringal deve ser mantido
sempre limpo o que representa uma grande parcela dos custos totais de
manutenção do cultivo. As linhas do plantio deverão ser mantidas limpas,
através do uso de capinas manuais ou químicas através do uso de herbicidas
(Quadro 01). A largura da faixa deverá iniciar-se com 0,80 m e chegar a 2,0
m quando o plantio entrar em produção. As faixas ou entrelinhas terá a
vegetação controlada fazendo-se roçagens que vão diminuindo de
intensidade com o desenvolvimento do seringal ou da leguminosa que
porventura tenha sido planta, ou até mesmo pelo adensamento da cultura
intercalar. Em áreas mecanizadas as roçagens nas entrelinhas serão
realizadas com roçadeiras motorizadas que possuem largura de corte de
mais ou menos 1,50 m, peso de mais ou menos 400 kg, com cerca de 500
rpm e tracionadas por trator de pneu leve, do tipo agrícola.

DESBROTA – Consta da eliminação de quaisquer brotos laterais que venham


surgir no porta enxerto, e no caule (haste enxertada) até a altura de 2,50 m.
Os brotos surgidos na haste enxertada deverão ser retirados rentes ao caule
tendo a finalidade de se obter um tronco livre de cicatrizes e bifurcações.
Essa prática deve ser feita continuamente, e devem ser feitas inspeções
regulares (semanalmente) com este objetivo.

DESBASTE – É a prática responsável pela eliminação das plantas mal


formadas, raquíticas e que apresentem conformação não compatível com a
idade de plantio. O desbaste deve ocorrer no 3º e 5º anos, porém nos
seringais em sangria também se realiza a prática com a finalidade de
retirada das plantas de baixa produção de látex, plantas doentes ou mortas.

ADUBAÇÃO - A seringueira apesar da sua alta capacidade de adaptação a


solos ácidos e de baixa fertilidade química, é uma cultura que responde bem
a aplicações de fertilizantes e armazena, durante seu desenvolvimento,
quantidades respeitáveis de nutrientes nos diferentes tecidos (SHORROCKS,
1965). Entretanto as quantidades de nutrientes contidos no látex são
praticamente inexpressivas (GEUS, 1967). A maioria dos países produtores
de borracha emprega análise de solo e/ou folhas para diagnosticar o estado
nutricional do solo e avaliar as necessidades de adubação.

A análise química do solo constitui a técnica mais comumente usada no


Brasil para diagnosticar a fertilidade dos solos e avaliar as necessidades de

32
adubação. O histórico da área e a amostragem bem representativa dão
validade aos resultados analíticos, objetivando recomendação de
fertilizantes. Durante a fase de
desenvolvimento, a seringueira responde bem à adubação fracionada. As
quantidades a serem utilizadas da FÓRMULA E (10 18 06) variam de acordo
com a idade e o explicitado no a seguir:

ÉPOCA QUAN TIDADE N P2O5 K2O APLICAÇÃO

(mês) g/pl kg/Ha.

2コ 100 0,25 m em círculo

4º 100 190 19 34 11 0,25 m em círculo

6º 100 0,50 m em círculo

8º 100 0,50 m em círculo

11º 200 0,75 m em círculo

14º 200 381 38 69 23 0,75 m em círculo

17º 200 1,00 m em círculo

20º 200 1,00 m em círculo

24º 400

28º 400 571 57 103 34 1,25 m em círculo

32º 400

36º 500

40º 500 714 71 129 43 Faixas de

44º 500 1,20 m nas

50º 600 laterais

56º 600 das

62º 600 571 57 103 34 plantas

68º 600 afastadas

74º 600 0,30 m

80º 600 destas.

Ao iniciar a fase de sangria deverá ser realizada uma nova análise de solo e
em alguns casos análise foliar. A depender dos resultados, as quantidades
dos fertilizantes serão aplicadas em função das necessidades diagnosticadas

33
no plantio observando principalmente uma redução nas dosagens dos
adubos. Os seringais adultos que ainda não sofreram adubações e que se
encontram estimulados com fitohormônios, a adubação deve ser feita de
uma só vez com a FÓRMULA F (12 12 06), na dosagem de 600 g por planta,
distribuídos na área recomendada para plantas a partir do 3º ano. O
fertilizante deve ser aplicado no período de queda das folhas (agosto e
setembro), complementando 3 a 4 meses após com 250 g de sulfato de
amônia.

INDUÇÃO DE COPA – Em plantas alongadas que ainda não formaram copa


e irão dar plantas de grande altura, porém com diâmetro reduzido, deve-se
fazer a indução da copa a uma altura de 2,50 m através da poda da gema
apical (com canivete ou outro instrumento afiado) ou anelamento do caule à
altura do último lançamento maduro, com um anelador de casca. A poda ou
anelamento pode ser feita em qualquer época do ano, porém, se possível a
prática deve ser feita no período de emissão de folíolos. Atualmente a
indução de copa é também feita através da cobertura do broto apical. O
processo consta da dobra para cima das folhas do lançamento subapical
fazendo a cobertura deste. Com o broto apical sem receber luz as folhas são
presas com auxílio de tiras de borracha ou barbante, até que ocorra a
intumescência das gemas axilares da roseta inferior, após isso a cobertura
desfeita e o broto volta a ficar exposto à luz. A copa será formada com
os lançamentos laterais desenvolvidos a partir das gemas intumescidas e a
gema apical continuará sua função e crescimento normais.

CONSORCIAÇÃO COM OUTRAS CULTURAS

A seringueira por ser um cultivo de espaçamento largo e ter


início de produção relativamente demorado e fazer a cobertura do solo com a
projeção das copas a partir do 5º ano, em média, podemos utilizar outro cultivo
para que haja uma proteção do solo exposto, redução dos custos com a
manutenção das faixas entre as linhas de plantio e até trazer algum retorno
financeiro para cobrir as despesas nos primeiros anos da instalação do seringal.

A consorciação pode ter caráter econômico (plantio de


cultivos que tragam receitas para o imóvel) ou simplesmente ser uma prática
conservacionista (plantio de leguminosas para cobertura de solo).

Nesse último caso, as entrelinhas de plantio estarão sem a


cobertura de vegetação, principalmente se o preparo de área for efetuado por
processo de mecanização, onde a vegetação remanescente é arrastada e enleirada
em camalhões, necessitando-se então providenciar cobertura viva das entrelinhas,
onde se recomenda o plantio de leguminosas de porte rasteiro, que irá cobrir o solo
satisfatoriamente.

A recomendação técnica é que se use de preferência a


Pueraria phaseoloides (Kudzu tropical), semeando-se 8 a 10 sementes por cova,
no espaçamento de 1,0 m x 1,0 m, guardando-se a distância mínima de 1,50 m das
linhas de plantio e com gasto de sementes em torno de 5,0 kg/ha. Caso se disponha
no imóvel de plantadeira manual (matraca), o plantio feito através desta irá
economizar mão de obra e a quantidade sementes por hectare será reduzida a 1,5
kg. Ao utilizar este tipo de leguminosa, proceder a quebra de dormência das
sementes colocando água em ¾ de vasilhame, aquecendo-a até a fervura; em
seguida, completar com água fria, o que deixará a mistura com a temperatura de
75ºC. As sementes serão colocadas dentro dessa água, e cobertas imediatamente e

34
deixadas em repouso por 10 a 12 horas. Posteriormente, escorrer a água e espalhar
as sementes sobre uma lona em local sombreado. No dia seguinte realizar o plantio.

Quando a consorciação for feita através do plantio de


cultivos de interesse econômico, pode se optar por cultivos de ciclo curto, semi-
perenes, perenes, ou a implantação de um sistema agro-florestal (SAF).

Ao se optar por cultivo de ciclo curto, a consorciação pode


ser feita até os três anos do seringal, utilizando-se o feijão, milho, arroz, abóbora,
abacaxi, melão, batata doce, açafrão ou gengibre. A exploração deve acontecer até
quando as plantas de seringueiras ainda não fecharam a copa, consequentemente
sombreando o solo. Os plantios devem obedecer a uma distância de 1,5 m das
linhas de seringueira e no espaçamento inerente a cultura utilizada.

Se a consorciação for feita com cultivos semi-perenes, deve-


se obedecer a uma distancia mínima de 2,0 m da linha de plantio de seringueiras.
As opções de exploração econômica serão em função da facilidade de
comercialização, podendo-se na região cultivar a banana da terra, mamão,
maracujá ou patchouli.

Utilizando-se culturas perenes, será levada em consideração


a capacidade do cultivo de tolerar o sombreamento provocado pelo seringal, além
de não afetar direta ou indiretamente a exploração básica, que é a seringueira.
Nesta situação a região apresenta o cacau como excelente opção, e mais
recentemente o uso de cupuaçu, desde que seja obedecido um espaçamento
idêntico ao da seringueira, ou seja, plantar uma fileira da cultura entre duas filas de
seringueira.

Já a implantação de seringueiras seguindo o SAF (Sistema


Agro Florestal), propicia ao produtor rendimentos sob os três estratos de cultivo,
onde ele poderá adotar a sistemática de implantar, conjuntamente, um cultivo de
ciclo curto, um cultivo semi-perene, e dois cultivos perenes na mesma área, não
deixando, portanto, de obter receitas durante a fase improdutiva do seringal, e da
cultura escolhida como consórcio perene. Se ele assim optar, deverá efetuar a
implantação de abacaxi, banana da terra, cacau ou cupuaçu e seringueira, no
sistema de fileira duplas, seguindo os espaçamentos de 13m x 3m x 2,5m para
seringueira,três fileiras de cacau no espaçamento 3m x 3m, afastados 2m da fileira
de seringueira, e banana da terra entre fileiras de cacaueiros no espaçamento de
3m x 3m. Na entrelinhas da seringueira, feijão ou abacaxi nos espaçamentos
regulares.

SANGRIA

A seringueira no início de sua exploração comercial como


produtora de látex, tinha a sangria (extração do látex) realizada através do corte
amazônico, conhecido como espinha de peixe e que até hoje continua em uso nos
seringais nativos. Este método consta do corte da casca em forma de riscos
descontínuos sucessivos a uma distância aproximada de 2,0 cm ficando uma faixa
intacta entre as duas incisões (CONCEIÇÃO, 1979).

O corte amazônico persistiu no início da extração do látex


nos seringais do Sudoeste Asiático. Com o crescimento da demanda de borracha
natural, houve a necessidade de se desenvolver métodos menos danosos aos
plantios e mais produtivos. Em 1889 RIDLEI através de observações no Singapura
Botanic Garden descobriu o método contínuo de incisão, no qual o corte é procedido

35
regularmente pela remoção de uma fina camada de casca através de corte
declivoso, princípio este usado até os tempos atuais. Esta descoberta proporcionou
a redução dos ferimentos na planta dando condições à regeneração dos tecidos da
casca (ABRAHAM, 1980).

Posteriormente em trabalhos realizados pelo RRIM, IRCA,


RRIC e alguns outros conduzidos em menor intensidade em outros países,
desenvolveram-se sistemas alternativos, visando a racionalização da mão de obra,
maximização da produção, prolongamento da vida útil da planta.

VASOS LATICÍFEROS

Na seringueira o sistema laticífero é formado por vasos que


se encontram em todas as partes da planta, exceto no lenho. Nas partes
vegetativas, os vasos laticíferos se restringem quase que inteiramente à região
secundária do floema do tronco, ramos e raízes (DICKENSON, 1969 citation
BUTTERY e BOATMAN, 1976).

A extração de látex é fundamentada na incisão do tronco da


seringueira visando a secção dos vasos laticíferos da casca possibilitando ao fluxo
do látex para o exterior. Os vasos laticíferos estão arranjados em anéis regulares,
quase paralelos ao câmbio, formando círculos concêntricos em relação ao eixo do
tronco e inclinados da direita para a esquerda, a partir do alto da planta,
notadamente em plantas adultas. O número de anéis dos vasos laticíferos é uma
característica clonal e varia com a idade da planta, podendo ser em número de um
ou dois em plântulas jovens ou até mais de cinqüenta em determinadas plantas
adultas.

Em planta de “pé franco” o número de anéis é maior na


parte basal em virtude do formato cônico do tronco. Em plantas enxertadas o
número de anéis não varia significativamente a diferentes alturas.

Com base nos clones estudados, GOMEZ et alii (1972)


assinalou que 20 a 55% dos anéis de vasos laticíferos estavam a 1 mm do câmbio,
10 35% a 2 mm e 10 a 30% a 3 mm. Em árvores com idade inferior a cinco anos, os
anéis estão concentrados nos primeiros 4 – 5 mm, sendo que 40% estão até a 2 mm
do câmbio. Acima de cinco anos há uma concentração de anéis próximos ao câmbio
e a 8 mm deste, pode-se também nos mais observar a presença de anéis. Por volta
do vigésimo na, cerca de 75% dos vasos estão distribuídos a 5 mm do câmbio. Em
plantas com idade avançada - em torno de 32 anos – a densidade dos vasos
laticíferos é elevada até os 3 mm do câmbio; nos primeiros 2 mm é ainda maior
(GOMEZ,1980).

A sangria da seringueira reduz o desenvolvimento da árvore.


Após o primeiro ano de sangria, a redução média da taxa de crescimento do tronco,
de cultivares produtivas, mostrou-se da ordem de 29%, com variações entre os
cultivares. Isto sugere que a regeneração do látex consome reservas de
carboidratos que poderiam, de outra forma ser utilizadas no crescimento.

O rendimento econômico da sangria depende da abundancia


do escorrimento do látex e pelo seu teor de borracha seca (DRC – Dry Rubber
Content). Estes dois elementos estão diretamente na dependência de fatores de
ordem anatômica, física e fisiológica, que descreveremos a seguir:

PROFUNDIDADE DO CORTE - A região de interesse econômico da planta de


Hevea é o tronco onde é realizada a sangria, logo, a exploração do látex
está diretamente relacionada com a estrutura anatômica da casca. A

36
profundidade da incisão tem estreita relação com a produção, pois o maior
escoamento do látex está relacionado com os cortes mais profundos até a
distância 1 – 1,5 mm do câmbio. Por outro lado, incisão superior a este
limite resulta em lesões das camadas regenerativas do câmbio, provocando
o surgimento de nodosidades que dependendo da extensão e quantidade
tornam a casca irregular, dificultando ou impossibilitando a sangria no ciclo
seguinte.

DECLIVIDADE DO CORTE - A orientação dos vasos laticíferos do interior da


casca obedece a um ângulo em torno de 2,1º a 7,1º da esquerda para cima
à direita (GOMEZ, 1980). Visando melhor seccionamento dos vasos
laticíferos, a sangria deve ser feita a uma declividade em torno de 33º do
alto à esquerda para baixo à direita. Diferenças de produção em relação
declividades entre 25º e 45º são aceitáveis. Todavia, maior declividade de
corte implica em maior consumo de casca e menor declividade conduz à
perda de látex por escorrimento no painel quando a casca não é muito
espessa. Em planta de “pé franco”, devido a maior espessura da casca, a
declividade pode ser menor reduzida (ABRAHAM, 1980).

CONSUMO DE CASCA - A maior quantidade de látex produzida não está


relacionada com a maior retirada de casca numa sangria e sim à remoção
de fragmentos em torno de 1,5 mm de espessura, no comprimento,
profundidade e inclinação de corte adequados. Adotando-se o convencional
sistema de sangria (S/2 d/2 100 %), teremos um consumo de casca em
torno de 2,0 a 2,5 cm por mês e 30 cm para cada ano de sangria. No
sistema S/2 d/3 o consumo mensal fica em torno de 1,5 a 2,0 cm por mês.
O controle do consumo de casca deve ser considerado como primordial
para a manutenção da vida útil de um seringal e deve acontecer através de
marcação mensal de uma linha paralela a linha de corte e com distância
entre 1,5 a 2,0 cm (S/2 d/3) ou 2,0 a 2,5 cm (S/2 d/2). A cada último dia de
sangria por mês é feita a verificação do consumo de casca e faz-se nova
marcação para as sangrias do mês seguinte.

RESPOSTA À SANGRIA – A seringueira tem a característica de produzir maior


quantidade de látex quando se reaviva logo depois uma incisão já aberta,
do que quando se faz uma nova incisão. Este fenômeno denominado
“resposta à ferimento ou resposta à sangria”, foi observado logo no início
das explorações econômicas da seringueira, porém sua causa não é muito
conhecida. Atribui-se a participação de hormônios, produzidos após a
incisão da casca sobre os vasos laticíferos da zona incisada. Em função
deste fenômeno é que se verifica uma reduzida produção de látex nas
primeiras sangrias efetuadas. De uma maneira geral a “resposta à sangria”
se traduz pela aclimatação da zona de casca próxima ao corte, à renovação
e restauração de seu látex.

REGIME HÍDRICO E HORA DA SANGRIA – O fluxo de látex varia tanto em


volume como em concentração, de acordo com a hora do dia e a estação
do ano. As mudanças diurnas parecem ser devidas a alterações na taxa
transpiratória, sendo que efeitos sazonais podem ser atribuídos à variação
na precipitação e a demanda fisiológica das épocas de queda das folhas e
rebrotamento. Experimentos demonstraram que a sangria realizada às
7:00, 9:00 e 11:00 apresentaram diferenças consideráveis de produção de
látex. A queda real na produção parece mostrar-se dependente da taxa de
transpiração e do suprimento de água. As condições ecológicas que são
favoráveis à entrada de água (abundância de água no solo) e que
restringem a saída pela transpiração (tempo nublado e temperatura menos
elevada) são propícias a uma hidratação dos tecidos e consequentemente
uma boa produção de látex. Durante a noite a transpiração é fraca e as
perdas de água reduzidas, assim, na prática, num seringal explorado

37
racionalmente a sangria deve ocorrer às primeiras horas do dia (a partir de
4:00), desde que haja luminosidade suficiente para execução perfeita da
prática.

ESTADO DE NUTRIÇÃO E FITOSSANITÁRIO - Um seringal para ter uma


produção constante e econômica necessita ter uma reposição no solo dos
nutrientes extraídos pelas plantas e assim dar condições a estas
continuarem produzindo sempre com o mesmo desempenho. As plantas
deverão também apresentar um bom estado fitossanitário a fim de que a
produção não seja afetada.

TAREFA DE SANGRIA

É a denominação dada a uma quantidade plantas que um


seringueiro realiza a sangria em uma jornada de trabalho. O tamanho de uma tarefa
varia em função do sistema de sangria adotado, relevo do terreno, habilidade do
seringueiro, densidade da área explorada, e, principalmente, da finalidade da
produção, se é látex ou cernambi tigela. . No sistema convencional S/2 d/2 100%, o
tamanho da varia entre 350 e 500 plantas, sendo comum a média de 450 plantas.
Tarefas com maior número de árvores conduzem à sangria tardia em algumas
plantas e coleta antecipada em outras, resultando na redução de produção.

CODIFICAÇÃO DOS SISTEMAS E EINTENSIDADE DE SANGRIA

O sistema de sangria é o conjunto de fatores como a forma,


comprimento e número de incisões, enquanto a freqüência de sangria determina a
intensidade desta. Muitos dos sistemas de sangria já não são mais utilizados, mas,
não deixaremos de mencioná-los a título de informação. Na codificação geral do
sistema, o numerador, representado por uma letra maiúscula, indica o tipo de corte;
a fração pode aparecer antecipada de um numeral que indique o número de cortes
realizados numa mesma árvore, por dia de sangria. O denominador é a
representação para o comprimento horizontal de cada corte, expresso como fração
da circunferência da planta.

EXEMPLOS:

S/1 = Corte em espiral completa, somente em plantas com perímetro de


tronco superior a 70 cm.

S/2 = Corte em meio espiral.

S/3 = Corte em terço de espiral.

S/4 = Corte em quarto de espiral.

Para indicar a posição dos cortes nos sistemas de dupla


sangria ou sangria múltipla, são usados os seguintes sinais:
Corte com escada em painéis adjacentes, são usadas duas linhas paralelas
inclinadas (//).
Cortes em lados opostos da árvore usa-se o sinal (+).
Cortes superpostos, um em cima do outro do mesmo lado, usa-se o sinal (-).

EXEMPLOS:

38
S/2 + S/2 = Cortes em duas meio espiral em painéis opostos.
S/2 – S/2 = Cortes em duas meio espiral superpostas do mesmo lado.
S/4 // S/4 = Dois quartos de espiral em escada.

SÍMBOLOS DE CORTE

O tipo de corte mais comum é aquele em espiral


representado por “S”. Existem outros tipos, porém somente o “S” e o corte em
“V” (observado em alguns países asiáticos e menos usado é que serão
considerados). A pesquisa tem intensificado estudos com sangria por puntura –
“PG” e com mini cortes – “MC“ (corte em espiral com comprimento inferior a 6,0
cm), ambos com estimulação.

COMPRIMENTOS DE CORTE

Excluindo-se mini cortes, o comprimento do corte é


interpretado como uma relativa proporção da circunferência do tronco que é
atingida pelo corte de sangria. No caso de mini corte, o comprimento não é
expresso em termos relativos, mas em centímetros. Ex. S/2 corte em meio espiral,
MC 5 mini corte com 5 cm, S/4 corte em quarto de espiral.

DENOMINAÇÃO DOS PAINÉIS

A planta ao ser feita a sangria pela primeira vez, este painel


recebe a denominação de painel “A” ou “A1” que é aberto em casca virgem. Após
a utilização deste, o lado oposto recebe o nome de painel “B” ou “B1”, também
constituído de casca virgem. A seguir, depois de completada a sangria em todo ele,
retorna-se ao anterior que terá a denominação de painel “C” ou A2 e a sangria é
realizada em casca regenerada. Por último faz-se a sangria em casca regenerada do
painel “B”, que se chamará “D” ou B2. No sistema tradicional S2 d2 100%, o
período d exploração de cada painel terá uma duração média de 4,5 5,0 anos
alguns produtores já utilizam a técnica de sangria em corte ascendente em painel
alto e descendente (corte bidirecional ou sangria remontante) e pelo
balanceamento no uso dos painéis.

DIREÇÃO DE SANGRIA

A sangria convencional é no sentido descendente e pode


também ser ascendente. Quando não aparece o símbolo da direção é porque a
sangria é descendente (Ex. S2 d2). De outra forma teremos S2 (sangria em meio
espiral ascendente); S4 (sangria em quarto de espiral ascendente); 2S4 ↓ (sangria
em quarto de espiral, dois cortes em sentido bi-direcional.).

FREQUÊNCIA DE SANGRIA

Representa o intervalo entre sangrias. Ex. d/1 (uma sangria


diariamente); d/2 (uma sangria a cada dois dias); d/4 (uma sangria a cada quatro
dias); 2d/1(duas sangria diariamente); d/2d/3 (sangria de dois em dias seguido de
um dia de intervalo).

39
ESTRUTURA DO SERINGAL

Na estrutura de um seringal encontramos blocos que são


formados por tarefas e também, deve-se fazer um croqui detalhado do seringal com
a finalidade de se localizar facilmente no escritório as tarefas que compõem a área
e com isso melhorar a administração e os controles. Dentro de cada tarefa as
primeiras e as últimas seringueiras de cada linha de plantio são marcadas com dois
números e uma seta a 1,80 m de altura – o primeiro algarismo indica o número da
tarefa, e o seguinte o número de plantas sangráveis de cada linha de plantio - a
seta indicará a direção que o seringueiro deve tomar ao chegar ao fim da linha,
para pra não sair da tarefa ou voltar a uma linha já percorrida. O conjunto de
tarefas denomina-se “partes”. Deve-se tomar diversos cuidados ao se dividir o
seringal em tarefas, entre estes, destacam-se:

Determinar o numero de árvores por tarefa a depender da finalidade da


sangria;

Planejar o menor percurso dentro da atarefa, para que o seringueiro


possa passar em todas as árvores em sangria;

Evitar obstáculos dentro da tarefa, afim de que o seringueiro não reduza


seu rendimento. Ex. cursos d’água, depressões e elevações íngremes.

Evitar vários clones na composição de uma tarefa;

Marcar as árvores de maneira fácil de identificação.

POSTO DE RECEPÇÃO

A distribuição das tarefas deve acontecer levando em


consideração um ponto central, que será de o local de recepção de látex daquele
grupo de seringueiros. Este lugar recebe o nome de Posto de recepção ou “Ponto”.

O posto de recepção de uma “parte” é o local onde os


seringueiros se reúnem antes do início das atividades diárias para responder ao
ponto e, também entregam a produção diária de látex colhida nas suas tarefas, que
é pesada individualmente pelo cabo de turma antes de ser armazenada.

O ponto é um pequeno abrigo com área mínima de 3,0 m2 , é


feito de madeira rústica, coberto de palha ou telha, paredes de taipa ou tábuas,
com um dos lados aberto. O ideal é que se situe às margens de uma estrada em
condições de tráfego durante todo ano, próximo da água, no meio ou na parte baixa
da encosta, nunca no topo, e no ponto mais central possível das tarefas.

Podemos encontrar “pontos centrais” e pontos


intermediários, dependendo da área do seringal. Nestes locais encontramos como
materiais os tonéis de 200 l,, balança, defensivos para uso diário, vasilhame com
anti coagulante e ferramentas usadas na sangria.

PROCEDIMENTOS PARA SANGRIA DESCENDENTE

Antes de se iniciar a sangria de um seringal, algumas


medidas deverão ser adotadas tais como a seleção de árvores para a sangria e a
abertura de painel.

40
A escolha das plantas aptas para sangria deve ser feita
mediante a verificação do perímetro destas à altura de 1,50 m do solo. Esta medida
deverá corresponder ao mínimo de 0,45 m de circunferência. A área que apresentar
pelo menos 50% das plantas nestas condições pode ser considerada apta para
iniciar a sangria. Semestralmente recontar as árvores que entrarão em corte
segundo os mesmos critérios, incorporando-se às árvores que já estão em
produção. A média de idade para o seringal entrar em fase de sangria é de sete
anos, mas, se realizado o manejo adequado e tratamentos fitossanitários
constantes, essa média se reduzirá para 5,5 a 6,0 anos. Para uniformização da
altura do corte, os novos painéis deverão ser abertos na mesma altura em que se
encontrarem os painéis anteriores.

ABERTURA DE PAINEL

É a preparação da árvore para sangria. Inicialmente o tronco


é dividido em dois semicírculos com o auxílio de um barbante. Os dois riscos
verticais que delimitarão os semicírculos serão abertos com o traçador que ligará
em cada lado e tendo a régua bandeira como guia dois pontos marcados à altura de
1,00 m e 0,50 m da união enxerto/porta enxerto, respectivamente. Essas linhas
divisoras deverão estar voltadas para as árvores vizinhas da mesma fila. A régua da
bandeira (1,50 m x 0,03 m x 0,01 m) terá uma fita flexível presa a extremidade e
formando um ângulo em torno de 33º em relação a linha perpendicular ao seu eixo.
Posteriormente e com o uso da faca jebong, serão ampliados os riscos verticais
que terão início no ponto da união enxerto/porta enxerto e se estenderão até a
altura de 1,50 m no lado onde será fixada a tigela e em torno de uns 0,20 m acima
do risco do lado oposto, que será o limite superior do painel. A seguir será
procedida a marcação do risco inicial da sangria através da ligação da parte
superior de um risco vertical a outro, formando uma inclinação em torno de 33º.
Esse risco terá como linha guia a fita flexível da régua bandeira.

EQUIPAGEM DAS ÁRVORES

Consta da fixação nas seringueiras dos materiais usados na


coleta do látex escorrido, ou seja, a bica, o suporte e a tigela. A bica é fixada 0,10 m
abaixo da extremidade inferior da abertura do painel e a tigela será colocada 0,10
m abaixo da bica, cujo suporte é feito com arame liso número 12. A cada três meses
a bica e a tigela serão mudadas de posição. A cada sangria o cernambi deve ser
removido da tigela e da superfície de corte, a tigela deve ser centralizada em
relação à bica e proceder ao corte pela remoção de um afina camada de casca na
declividade e profundidade tecnicamente recomendadas.

SANGRIA ASCENDENTE

O painel ascendente e aberto estendendo-se para cima os


dois sulcos verticais em continuação ao sulco do painel de sangria descendente.
Para o sistema utilizado S/4 faz-se um sulco paralelo a partir do ponto intermediário
do painel S/2 inferior. O corte ligando os dois sulcos é procedido na inclinação de
45º da horizontal (VIRGENS FILHO e CASTRO, 1986). Com a sangria ascendente são
menores as possibilidades de esgotamento fisiológico da planta estimulada. Todavia
a sangria ascendente apresenta as desvantagens já mencionadas quando não
devidamente realizada e o anelamento provocado por uma sangria bidirecional
pode levar à morte da planta (VIRGENS FILHO e CASTRO, 1986).

A faca para realização desta sangria tem o formato de “V”


promovendo uma canaleta invertida com ângulo agudo, resultando em menor
adesão do látex ao longo da canaleta, diminuindo o escorrimento. Alguns
produtores utilizam a própria faca jebong neste tipo de sangria. O consumo de
casca neste método de sangria varia de com a idade da planta e a altura do corte.
Inicialmente faz-se a sangria com a retirada da fita cernambi, e neste caso a casca

41
é consumida 2,5 cm mensalmente. Em cortes mais altos, não se faz a remoção do
cernambi fita o que implica em maior consumo de casca mensal, chegando a cerca
de 3,7 a 5,0 cm.

ESTIMULANTES

A necessidade do aumento de produtividade dos seringais


levou os produtores e pesquisadores a testarem vários produtos como o sulfato de
cobre, oxietileno, antibióticos, bactericidas, herbicidas, acetileno e outros. Porém,
somente depois de várias tentativas e o aprimoramento da pesquisa, verificou-se
que o ácido dicloroetilfosfônico (ETHEPHON – American Chemical
Company, AMCHEN) era um excelente estimulante ao fluxo do látex após a
sangria, com poucos aspectos indesejáveis a seu uso em comparação aos demais
utilizados. O ponto comum dos estimulantes é o estímulo à liberação do etileno.
Este composto está relacionado com o atraso na obstrução dos vasos laticíferos,
permitindo o escorrimento do látex por mais tempo. Os estimulantes podem ser
aplicados de maneiras diferentes e cada uma apresentando características próprias
(HASMIN,1980):

RASPAGEM DA E APLICAÇÃO – Corresponde a uma raspagem de uma


faixa paralela ao corte, com 2,0 cm de largura e 4,0 cm de comprimento
a cada mês ou dois meses. Normalmente a produção atinge ao máximo
no período pós estimulação declinando 2 a 3 semanas depois. A maior
necessidade de mão de obra é o inconveniente e esta maneira será mais
econômica se feita a cada dois meses.

APLICAÇÃO NO CANAL DE SANGRIA – Faz-se a remoção do cernambi fita


da zona do corte com um pincel faz a aplicação do estimulante. A
quantidade de estimulante é menor, porém a remoção do látex
coagulado (cernambi) apresenta-se como inconveniência apesar de uma
produção maior que o método anterior.

APLICAÇÃO NO CANAL DE SANGRIA SOBRE CERNAMBI – A região da


incisão recebe a aplicação do estimulante sem a retirada do cernambi. O
processo funciona bem para árvores que não tenham cernambi espesso,
pois facilita a penetração do ethephon. Comparado com a anterior
apresenta a vantagem de não pincelar gotas de látex que escoam após a
retirada do cernambi. Apresenta redução de custos e pode ser usado em
painel ascendente ou mesmo em painel alto descendente e a produção é
comparável a outros métodos.

APLICAÇÃO NO PAINEL - O estimulante é aplicado após leve raspagem e


pincelamento em faixa de 1,5 cm a 2,5 cm sobre casca renovada
próximo ao corte, a intervalos mensais ou bimensais. É viável nas
situações em que a cascas renovada não seja futuramente explorada,
portanto aplicado em plantas exploradas há alguns períodos. Ainda não é
frequentemente recomendado.

O resultado do uso de estimulantes ao método de aplicação


está relacionado com o clone e o sistema de sangria. O ethephon pode ser usado 4
vezes ao ano com intervalos de três meses ou ainda a quatro aplicações de dois em
dois meses em casca raspada. A estimulação no canal de sangria ou sobre o
cernambi pode acontecer mensalmente durante 8 a 10 meses. No período de troca
de folhas não se deve fazer a estimulação, e deve ter inicio à partir do 12º a 15º
anos, quando for em casca renovada (painéis A2 e B2) em plantas com bom estado
de nutrição e fitossanitário. Em plantas jovens, em caráter experimental, já se tem
feito estimulação, porém, em baixas concentrações (ETHREL 2,5 a 5%)(VIRGENS

42
FILHO e CASTRO, 1986). Em plantas com maior período de exploração (painéis A2
eB2), tem-se feito a aplicação em casca raspada usando ETHREL 2,5 a 10% na
quantidade de 1,5 2,0 ml por planta no sistema S2/d2 com boas respostas. Em
aplicações no canal de sangria sobre cernambi, tem-se usado a mesma
concentração na dosagem de 0,5 ml/planta (HASMIM, 1980). Não utilizar óleo de
palma (dendê) para diluir o ethrel, pois estará estimulando o aparecimento do mofo
cinzento (doença de painel).

ADMINISTRAÇÃO DA SANGRIA

A sangria deve ter como intervalo o início e o fim de cada


mês, de maneira que o último corte atinja o limite inferior da faixa de casca
determinado para o mês findo. Os trabalhos do seringal são inicialmente
acompanhados e administrados pelo cabo de turma, figura indispensável à
estrutura administrativa desta exploração. Esta pessoa deve conhecer bem a área,
a localização dos blocos e tarefas, além de ter um bom relacionamento com os
seringueiros de seu grupo, que deve ser de 10 a 15 componentes. O cabo de turma
no seu trabalho faz a reunião dos seringueiros no “ponto” ou posto de recepção,
diariamente, antes do início da sangria, relacionando os presentes e caso haja
algum seringueiro ausente, será providenciado um substituto junto ao capataz ou
redistribuída a tarefa com os demais. Será também anotado diariamente a hora que
se iniciou a sangria e as substituições de seringueiros que porventura tenha
ocorrido. Durante o horário em que os seringueiros estão realizando a sangria o
cabo de turma faz uma fiscalização geral, observando:

Árvores sangradas – às vezes o seringueiro deixa árvores sem sangrar, seja


por falta de atenção, involuntariamente, ou de propósito; a razão o cabo
de turma deverá descobrir.

Impedir que a sangria iniciasse antes da hora prevista, na tentativa do


seringueiro terminar o trabalho mais cedo. Alguns tentam recolher o
látex logo após a sangria, aguardando o momento de entregar a
produção. Tão logo o sinal seja dado aparecem com uma baixa produção,
ou seja, pouco peso para carregar. É muito fácil descobrir a fraude após a
execução pela diferença de peso para menos e pelas sobras na tigela,
isto é, pelo tamanho dos coágulos. (EMBRATER, 1981).

Látex transbordando pelo painel. Se a sangria não for bem feita e o canal da
frente e a bica não tiverem sido bem limpos.

Profundidade de casca e declividade do corte – verificar se os cortes estão


sendo feitos na profundidade e declividade ideais, casso encontre árvores
sangrando fora dos padrões técnicos, o cabo de turma pode corrigir o
erro a tempo, evitando maiores danos.

Cernambi perdido – o seringueiro pode querer acelerar o seu trabalho e com


isso deixe de recolher algum cernambi, com prejuízo para a renda do
seringal. O cabo de turma deve estar atento para o problema.

Proteção do painel contra doenças – o pincelamento dos painéis com


fungicidas deverá ocorrer em dias, semanal ou quinzenal. A calda
fungicida e o corante (marcador visual de aplicação do fungicida) devem

43
ser distribuídos pelo cabo de turma. O seringueiro deve fazer o
pincelamento no mesmo dia da sangria à tarde, quando o látex já parou
de escorrer. As tigelas deverão ser viradas para baixo até a próxima
sangria para evitar que o produto cai nestas.

Limpeza das tigelas – os coágulos da tigela e o cernambi do corte e da bica


resultantes da sangria anterior devem ser recolhidos pelo seringueiro,
sendo colocados separadamente em bolsas diferentes. A raspagem dos
restos de látex coagulados aderentes na tigela também deve ser
realizada pelo seringueiro.

Manutenção das linhas e faixas de plantio - o seringueiro em alguns plantios


também é o responsável pela limpeza das faixas e linhas de plantio de
sua tarefa, o cabo de turma irá verificar se os trabalhos estão sendo
realizados a contento.

Anti-coagulante – o cabo de turma é o responsável pela preparação e


distribuição diária do anti-coagulante usado para manter o látex líquido.
Se o dia for chuvoso dificilmente se evitará a coagulação do látex, sendo
dispensável essa operação. Nos dias de chuva dois casos são prováveis,
em relação à sangria:

· A chuva foi anterior à mesma, encontrando-se na árvore, bica e


tigela ainda molhadas. O cabo de turma marca na folha de ponto,
na linha painel/chuva, no dia correspondente, a letra M
(molhado).

· Se a chuva for durante ou depois da sangria e se cair água na


tigela antes do final da coleta, marca-se a letra D (diluído).

Percebendo que a chuva é iminente ou já esteja chovendo


antes de iniciar a sangria, o cabo de turma aguarda uma definição do tempo até as
12:00 h. A sangria poderá, nesses casos ser atrasada até esse horário, se a chuva
não parar antes. Se a chuva se prolongar até após as 12:00 h não haverá sangria
nesse dia. No caso de haver sido iniciada a sangria e o cabo de turma perceber que
vai chover, mesmo que não seja a hora de recolher ele pode, através do sinal pré-
determinado autorizar a coleta do látex imediatamente (EMBRATER,1981).

Em seringais pequenos o cabo de turma se encarrega da


fiscalização geral dos trabalhos. Nos seringais maiores, porém, para cada cinco
cabos de turma existe um capataz da sangria, que fiscaliza o trabalho de todos os
seringueiros, conferindo-lhes pontos d modo a quantificar a qualidade da sangria.
Com tal procedimento, os seringueiros são estimulados, mediante prêmios, a
executarem um trabalho de alta qualidade, podendo no final do mês receber um
prêmio em dinheiro, variável com o seringal.

O capataz faz a fiscalização por amostragem de 08 árvores


(não muito próximas) ao acaso por tarefa nos últimos cinco dias úteis de sangria de
cada mês. A classificação dos prêmios, de acordo com os pontos negativos é a
seguinte:

TOTAL DE PONTOS PRÊMIO TOTAL DE PONTOS NEGATIVOS PRÊMIO


NEGATIVOS

0a2 A 6a7 C

3a5 B acima de 7 D (sem prêmio)

44
O prêmio em dinheiro é proporcional aos dias de sangria. Se
o seringueiro trabalhou todos os dias, recebe o prêmio integral. Se houver faltas
justificadas ou não, as mesmas são descontadas proporcionalmente. Procurando
estimular os cabos de turma, aos mesmos são concedidos prêmios em função do
desempenho de seus seringueiros. Os critérios adotados na determinação do
desses prêmios variam de seringal para seringal, dependendo do vigor da
fiscalização e da qualidade da sangria exigida. Alguns adotam o seguinte esquema
(EMBRATER, 1981).

Para receber o prêmio A, 20% de seu salário o cabo de turma deve se


esforçar para que todos os seringueiros recebam A nas duas
tarefas (S/2 d/2), ou pelo menos B.

Se aparecerem de 1 a 5 prêmios B e um prêmio C entre os


seringueiros de seu grupo, sendo os demais prêmios A, o cabo de
turma receberá o prêmio B. se aparecerem 3 a 5 prêmios B e os
demais forem prêmios A o cabo de turma receberá o prêmio B.

Se os prêmios A forem oito no mínimo e os sete restantes distribuídos


entre B e C, o prêmio do cabo de turma será C. Se houver premio
D ou menos de oito prêmios A o cabo de turma não receberá o
prêmio no mês.

COLETA DO LÁTEX

A sangria quando realizada num dia normal, sem chuva e


iniciada no horário indicado, a última planta da tarefa será sangrada em torno de
7:00 h, 8:00h. Assim acontecendo, o sinal para iniciar a coleta do látex será dado
pelo cabo de turma às 10:00 h de maneira que uma hora após se encerrará a
atividade, estando a produção já devidamente pesada e acondicionada em tonéis
ou latões, que serão transportados para a usina de beneficiamento ou depósito.

O armazenamento do látex deverá ocorrer após a pesagem


e retirada de algum coágulo que porventura tenha se formado e o
acondicionamento em tonéis de 200 l,, revestidos de plástico resistente ou fibra de
vidro (para evitar a oxidação do ferro). Antes de se despejar o látex nos tonéis
adiciona-se o anti-coagulante (amônia líquida ou sulfito de sódio) colocando-se a
seguir a produção e armazenando-os à sombra, onde poderão ficar por 30 dias sem
maiores perdas de características básicas da borracha natural.

RENDIMENTO

O seringal quando tecnicamente formado e conduzido


entrará em produção aos sete anos de campo, com produtividade média em
quilogramas de borracha seca por hectare, de acordo com as seguintes estimativas.

ÉPOCA DE SANGRIA PRODUÇAO

1º ANO 350 kg

45
2º ANO 450 kg

3º ANO 600 kg

4º ANO 750 kg

5º ANO 900 kg

6º ANO 1.100 kg

Em alguns seringais com manejo técnico podemos encontrar


uma maior precocidade de início de sangria (menos de 7 anos) e produtividades
maiores que as estimadas na projeção anterior, além de uma estabilização com
produção por hectare superior a 1.500 kg de borracha seca.

ANTI-COAGULANTES

O produtor de borracha natural deve pensar em conseguir o


máximo de rendimento possível do seu seringal. Para isso além de outros fatores
inerentes à cultura deve comercializar o seu látex de forma líquida, ou seja, “in
natura”. O coágulo ou cernambi da tigela e o cernambi fita não conseguem a
mesma cotação no mercado que o látex “in natura” mesmo porque alguns produtos
nobres dependem da industrialização do látex em estado natural.

Para ocorrer a produção de látex ”in natura” é necessário se


fazer adição de um anti-coagulante na tigela, logo após a sangria. Como produtos
usados nesta função temos o sulfito de sódio de 5 a 7,5% e amônia líquida. O
primeiro é preparado diariamente pelo cabo de turma no posto de recepção e 10
litros da solução são suficientes para uma turma de 15 seringueiros, que usam
algumas gotas por tigela. Este produto é usado como anti-coagulante
principalmente quando o látex “in natura” se destina à produção de crepe claro,
pois não provoca o escurecimento da borracha.

A amônia líquida é utilizada normalmente a uma


concentração até 5%, usando-se de 2 a 5 gotas por tigela e o látex pode ser usado
na produção de folha defumada ou outros produtos que não exijam classificação de
qualidade e cor.

BENEFICIAMENTO PRIMÁRIO DO LÁTEX

Os produtos látex natural, cernambi e coalho em pouco


tempo sofrem modificações acentuadas em suas características, indo com isso
perdendo seu valor comercial e restringindo mercado. No contorno dessa situação,

46
a alternativa é estabilizar o látex bruto com amônia e a secagem do coágulo e
cernambi. Porém, não chega a atender ao todo, portanto, a solução é a instalação
de uma agroindústria no imóvel ou na proximidade deste, pois o produto final terá
melhor preço e consequentemente o lucro será compensador. O beneficiamento do
látex pode seguir dois rumos, o do látex concentrado (creme) e a borracha sólida.

LÁTEX CONCENTRADO

A matéria prima é o látex do campo que passa por um


processo de retirada de água, elevando o teor de borracha seca para 60%. A
concentração do látex pode ser através de centrifugação (físico-mecânica) ou
cremagem (físico-química). No processo resulta o látex com 60% de borracha seca,
e o soro que contém entre 0,5 a 2% de borracha seca (BERNARDES et alii,1986).

A estabilização do látex concentrado é obtida com amônia


suficiente para aumentar o pH para 10,2. Apesar de a amônia ser excelente agente
estabilizador do látex, não apresenta boas qualidades antissépticas, portanto em
alguns casos pode-se acrescentar para assepsia o sal de sódio pentaclorofenol.

Após o processamento do látex concentrado é armazenado


em tambores, que em casos especiais, podem ser revestidos internamente de
polietileno para evitar a oxidação do ferro usado na fabricação dos tambores.

BORRACHA SÓLIDA

As borrachas usinadas mais comuns são os crepes, os


granulados e as folhas defumadas ou secas ao ar.

As folhas defumadas podem ser produzidas em mini-usinas


dimensionadas para produção econômica a partir de 30 a 50 kg de B.S./dia, ou seja,
atende a necessidade dos pequenos e médios seringais existentes nas regiões
brasileiras. Os equipamentos para produção das folhas são relativamente simples e
com pouco consumo de energia.

Os granulados e crepes exigem equipamentos pesado,


construção sólida e movidos por possantes motores, para que possam lavar
intensamente e triturar o látex coagulado e obter estes produtos. Por isso a usina
para obtenção de crepes e granulados operam geralmente com uma produção de
2.500 kg de B.S./dia. Neste tipo de produção a coagulação do látex na usina é
obtida através da adição de ácido acético ou ácido fórmico.

Considerando a comercialização do látex processado,


encontramos na folha defumada o produto de maior aceitação e consumo, sendo
esta e os granulados os produtos de uso geral, enquanto os crepes e o látex
concentrado (creme) tem usos específicos em linhas restritas de industrialização,
reduzindo assim as suas participações no total da borracha natural comercializada.

PRAGAS DA SERINGUEIRA

A seringueira como toda planta cultivada e de interesse


econômico, possui alguns insetos, ácaros, moluscos e mamíferos que lhe causam
danos, provocando estragos desde a fase de semente até o seringal em produção.
Relacionamos as seguintes:

47
ORDEM LEPIDÓPTERA

NOME VULGAR – Mandarová

NOME CIENTÍFICO – Erinnyis ello (L. 1758) – o mais comum

Erinnyis alope (Drury. 1773)

DESCRIÇÃO E BIOLOGIA – O mandarová é considerado a principal praga da


seringueira, em função da sua voracidade, chegando a dizimar por completo, um
plantio em poucos dias. A ocorrência é cíclica, aparecendo em determinadas épocas
em ataques severos. Os ovos são depositados no limbo foliar. Estes ovos são verdes
e tornam-se amarelados próximos à eclosão. O período de incubação é de 3 a 6
dias, quando eclodem lagartas medindo 5 mm de comprimento e após sofrerem
cinco mudanças de pele (ECDISES) no 3º,6º, 8º, 10º, 14º dia quando chegam a
atingir 70 a 80 mm de comprimento, podendo alcançar 10 cm de comprimento por
1,0 cm de diâmetro. A coloração é variável: aparecem indivíduos verdes com dorso
pardacento; outros são de coloração preta com pontuações laterais brancas e
vermelhas, havendo ainda aqueles de cor pardo-marmorizada. O ciclo completo do
ovo ao adulto leva de 35 a 38 dias.

PREJUÍZOS – As lagartas se alimentam das folhas novas depois as mais velhas e


em ataques violentos destroem até as ramificações mais finas.

CONTROLE – Dentre os métodos de controle de pragas conhecidos destacamos:

Mecânico: Quando o surto é pequeno e em viveiros e jardim clonal o


controle é feito através da catação manual e destruição das lagartas.

Biológico: Alguns pássaros como o “anu” e o “tesoureiro” ao


sobrevoarem um seringal com freqüência focalizam intensa
infestação de lagartas e se encarregam da eliminação de um grande
número destas. O inseto Belvosia sp. da família Trachinidae é um
dos principais parasitas da E. ello, depositando seus ovos sobre a
folhagem da seringueira e são ingeridos pelas lagartas, vindo depois
as larvas destruir a lagarta na fase de pupa. O Bacillus
thuringiensis tem sido de grande importância seu uso no controle
biológico desta praga. Apresenta a vantagem de ser seletivo e não
tóxico ao homem. Os produtos DIPEL e MANAPEL têm apresentado
grande eficiência (96 a 98%) na eliminação desta praga no sétimo dia
após a aplicação.

Físico: As armadilhas luminosas poderão servir de indicador de ataque


de pragas, através da captura dos insetos adultos.

Químico: O TRICHLORPHON (Dipterex) a 2,5% e CARBARYL 7,5% são


inseticidas pó seco de menor toxicidade para o homem, que
apresentam boa eficiência no controle desta praga. Usa-se o produto
comercial em polvilhamento na dosagem de 20 a 30 kg/ha. Em
pulverizações a alto volume os mesmos inseticidas pó solúvel
(TRICHLORPHON) e pó molhável (CARVIN85) além dos emulsionáveis
Diazinom 60, Malatol 50; na dosagem de 100 e 300 ml/100 litros de
água. O maior problema ainda é o porte das plantas de seringueira o
que dificulta a eficiência dos equipamentos convencionais.

48
ORDEM LEPIDÓPTERA

NOME VULGAR – Pararama

NOME CIENTÍFICO – Premolis semirufa (Walker. 1856)

DESCRIÇÃO E BIOLOGIA – A lagarta causa efeitos dolorosos ou lesões nos dedos


dos seringueiros. Os ovos são esféricos, mais ou menos achatados na porção que
adere à superfície, após a eclosão são liberadas lagartas de 5 mm de comprimento
pó 1,0 mm de diâmetro. O corpo é recoberto por cerdas castanhas e prateadas de
diversos tamanhos e distribuição. O adulto de hábito noturno (mariposa) mede de
20 a 25 mm de comprimento e 40 a 55 mm de envergadura. A cor predominante é
o amarelo quando as asas estão cobrindo o corpo do inseto.

PREJUÍZOS - O dano econômico à seringueira não é significativo apesar da


alimentação das lagartas ser as folhas da planta, pois a ocorrência no seringal é de
pequena monta. Esta lagarta é considerada de importância pelos males causados
aos dedos dos seringueiros, depois do contato com as cerdas desta. A
predominância do aparecimento dessas lagartas e seus casulos está no tronco da
planta na faixa que vai do solo até 1,5 m de altura atingindo assim a zona de
trabalho do seringueiro (painel, tigela e bica). Os danos físicos causados aos
seringueiros estão relacionados ao hábito destes de retirarem o cernambi (látex
coagulada), passar os dedos (principalmente o médio) no interior da tigelinha,
tendo assim contato com as cerdas deixadas pelas lagartas. Inicialmente o local
apresenta prurido intenso seguido de edema, durante uma semana. Podem ocorrer
casos crônicos de incapacitar o seringueiro para o trabalho devido a falta de
articulação dos dedos atingidos. Até o momento ainda não se descobriu uma
medicação eficiente para resolver os problemas das pessoas atingidas pela
pararama, somente de forma paliativa os corticosteróides são usados. Predomina na
Região Norte.

CONTROLE: Dentre os métodos de controle utilizados citamos:

Mecânico: Destruição (sem tocar com as mãos) das lagartas e casulos


encontrados nas hastes e folhas das plantas jovens e no tronco na
zona de produção (painel) das plantas adultas.

Biológico: Ocorre em nível de laboratório a lagarta e parasitada através


de um Braconidae (Zele sp) e um Ichnenmonidae (Netelia sp) e
em menor incidência a lagarta é parasitada por Apanteles sp
(Braconidae).

Químico: Não se recomenda porque a incidência ainda é pequena nos


seringais.

ORDEM HOMÓPTERA

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NOME VULGAR – Mosca Branca

NOME CIENTÍFICO – Aleurodicus cocois (Curtis. 1846)

Aleurodicus pulvinatus (Maskell. 1895)

Lecanoideus giganteus (Quaint & Baker. 1914)

DESCRIÇÃO E BIOLOGIA: São pequenos insetos, raramente com mais de 2 a 3


mm de comprimento, sugadores, que quando adultos muito se assemelham às
moscas comuns.

PREJUÍZOS: Os insetos se localizam na face inferior das folhas onde ficam


protegidos, formando colônias, repletas de ovos, larvas, pupárias e adultos. Tanto a
fase jovem quanto a adulta suga grande quantidade de seiva da planta provocando
envelhecimento precoce das folhas atacadas que ficam cloróticas, secam e caem.
Também excretam substancia açucarada que cobre as folhas favorecendo o
desenvolvimento de fungos (fumagina) prejudicando a fotossíntese.

CONTROLE: Dentre os métodos de controle utilizados citamos:

Biológico: Predadores – Baccha sp (Díptera – Crysopidae)

Patógeno – Aschersoria aleyrodes – Fungo


entomógeno

Parasito – Um Hymenóptero endoparasita da “ mosca


branca” com grande capacidade de
eliminação, apareceu no Pará, a partir de 1978.

Químico: Os inseticidas Ometoato (Folimat 1000) e o Malathion


(Malatol 50 E) apresentam uma eficiência acima de 80% no controle
desta praga.

ORDEM HYMENÓPTERA

NOME VULGAR – Formigas cortadeiras (quem- quéns)

NOME CIENTÍFICO – Acromyrmex spp

DESCRIÇÃO E BIOLOGIA: As formigas “quenquéns” são menores que as saúvas e


possuem seus formigueiros constituídos de uma só panela cuja terra retirada pode
aparecer ou não na superfície do solo: algumas espécies fazem seu ninho superficial
coberto de palha ou de terra retirada. Algumas porém podem fazer mais de uma
panela (máximo de 10) e que pelo tamanho reduzido não se confundem com as
saúvas.

PREJUÍZOS: As folhas que cortam e carregam até o ninho são utilizadas para
cultivar o fungo Pholiota gorgylophora (o mesmo cultivado pelas saúvas) de cuja
frutificação se alimentam.

CONTROLE: Localização e destruição dos ninhos através de escavação e aplicação


de formicidas pó, ou se não forem encontrados deve-se usar iscas microgranuladas
nos carreiros.

50
ORDEM HYMENÓPTERA

NOME VULGAR – Formigas cortadeiras (saúvas)

NOME CIENTÍFICO – Atta spp

DESCRIÇÃO E BIOLOGIA: São as formigas de maior importância econômica dentro


de um seringal. Se caracterizam pelo tamanho grande e pelos 6 espinhos que
apresentam na parte superior do tórax, são insetos sociais que vivem em
formigueiro subterrâneo denominado “sauveiro”, formado por dezenas ou centenas
de panelas arredondadas, ligadas entre si com a superfície do solo por meio de
“galerias” ou “canais”. Caracteriza-se externamente por um monte de terra fofa
(murundu), formado pelo acúmulo de terra extraída das “panelas”.

PREJUÍZOS: São insetos vorazes chegando em uma noite causar desfolha de


muitas plantas prejudicando o desenvolvimento normal de um plantio. Os maiores
prejuízos ocorrem em seringais jovens (primeiros anos de implantados), além de
sementeiras e viveiros. As folhas que cortam e carregam até o ninho são utilizadas
para cultivar o fungo Pholiota gorgylophora de cuja frutificação se alimentam.

CONTROLE: Localização e destruição dos sauveiros com dois ou mais olheiros


porém não muito velho pois se torna mais difícil a eliminação, além de maior gasto
com o produto a ser utilizado. Atualmente com a proibição de aplicação de
formicidas clorados (a base de Aldrin), se torna difícil o controle das saúvas, porém,
até que se produza um substituto eficiente nós devemos localizar os sauveiros no
início de sua formação e destruí-los ou devem-se usar iscas granuladas nos
carreiros, para que se possam diminuir os prejuízos causados por estes insetos.
Evitar o contato manual com a isca ou o uso desta em época de chuvas constantes.

DOENÇAS DA SERINGUEIRA

Segundo GAUMANN “doença é um processo dinâmico, no


qual hospedeiro e patógeno, em íntima relação com o meio, se influencia
mutuamente, do que resultam modificações morfológicas e fisiológicas. Por ação
conjugada dessas forças recíprocas, a doença não pode ser considerada como
simples reação da planta à penetração do patógeno, e sim, como um processo
independente, um complexo biológico autônomo de suas partes, quando o parasita
e hospedeiro se unem em vidas separadas”.

As doenças da seringueira, como das outras plantas, sempre


aparecem em maior intensidade quando o agente causal ou patógeno encontra
plantas susceptíveis, sob condições favoráveis ao seu desenvolvimento.

No Brasil as tentativas iniciais de cultivo econômico da


seringueira fracassaram em função da incidência de doenças. As condições de
umidade e temperatura nas zonas edafoclimáticas propícias para exploração da
Hevea são bastante favoráveis ao desenvolvimento de vários patógenos desta
planta.

51
DOENÇAS DE FOLHAS

MAL DAS FOLHAS

É a doença considerada como um dos principais fatores que


limitam a expansão da cultura da seringueira no Brasil. Até o momento esta
enfermidade só ocorre no Continente Americano não atingindo o Oriente, onde se
concentra a maior atividade heveícola do mundo. O mal das folhas causa danos à
seringueira porque proporciona a queda precoce das folhas. O patógeno, em
condições favoráveis, pode provocar o desfolhamento total das plantas. Quando a
doença se instala em viveiros e jardins clonais, a alta incidência provoca a
diminuição do crescimento das plantas, redução do percentual de porta enxertos
aptos à enxertia e o aproveitamento de gemas (borbulhas) para enxerto. Ataques
freqüentes em seringais adultos causam debilidade nas plantas, levando-as em
certos casos à morte, ou favorecem o aparecimento de outras doenças que podem
também contribuir para a morte das plantas. Num seringal em fase produtiva, a
perda de 75% da folhagem resulta em uma queda de produção da ordem de 30 a
50% (ALBUQUERQUE, 1980).

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

A doença “mal-das-folhas” é causada pelo fungo


Microcyclus ulei (P. Henn) A. Arx., sendo que até o momento as espécies do
gênero Hevea, principalmente a Hevea brasiliensis e a Hevea benthamiana
são parasitadas com danos econômicos. A espécie Hevea pauciflora, que
apresenta contra esse fungo uma reação de hipersensibilidade, trem sido
considerada como altamente tolerante (CHEE & WASTIE, 1980).

O fungo durante seu ciclo de vida apresenta três tipos de


esporos, os conídios, os pcnidiósporos e os ascósporos. Os conídios são os
responsáveis pela disseminação da doença, correspondem ao estágio assexuado
(forma imperfeita).

Os ascósporos são produzidos na fase sexuada ou perfeita


nas folhas maduras. Estes são os responsáveis pela sobrevivência do fungo quanto
as condições alimentícias são desfavoráveis e servem de inoculo primário, sendo
24º C a temperatura ótima para sua germinação. Por fim os pcnidiósporos que
representam a fase de transição entre as anteriores e apesar de germinarem, não
causam a doença.

Quando aparecem condições climáticas de elevadas


temperaturas e umidade, os conídios germinam e penetram no limbo foliar,
iniciando uma lesão, que no tempo de 5 a 6 dias já se torna visível nos clones
susceptíveis.

A água da chuva e o vento são os principais responsáveis


pela disseminação dos esporos do Microcyclus ulei, principalmente os conídios
que tem no vento seu grande aliado para transportá-lo, não só dentro de um
plantio, como a grandes distâncias.

Nas regiões onde as condições do ambiente favorecem a


disseminação rápida, dois outros fatores devem ser considerados: o de que a
folhagem da seringueira está sujeita ao patógeno até cerca de 12 a 15 dias de
idade, dependendo do clone e do vigor das plantas e o de a seringueira perder
todas as folhas e reenfolhar anualmente. Estas características apresentam grande

52
importância quando do controle do mal-das-folhas. (GASPAROTTO, 1984).

SINTOMAS

No mal-das-folhas aparece a sintomatologia no limbo foliar,


pecíolo e nos ramos novos, podendo também ser encontrada nos frutos verdes de
clones altamente susceptíveis. Os sintomas da doença nas folhas novas são
caracterizados por manchas necróticas, sobre as quais, após cinco a seis dias,
aparecem os esporos do Microcyclus ulei em massa compacta com coloração
verde-oliva sobre a lesão, na face dorsal do folíolo.

A queima dos folíolos é provocada pela aglutinação de várias


lesões em seguida ocorre a queda. Dependendo das condições ambientais e da
planta, a doença pode causar seguidos desfolhamentos nos clones susceptíveis,,
provocando o secamento das extremidades dos ramos e, posteriormente a morte
descendente das plantas que não forem capazes de renovação das folhas.

Os estromas são produzidos após a evolução do fungo nos


folíolos atacados que ficaram presos aos ramos, isso já perto do final da fase de
infecção. Estas são estruturas negras, carbonáceas, ásperas ao tato e dispostas
como uma lixa sobre o limbo foliar. No seu interior estão os peritécios guardando as
ascas e nestas se encontram oito ascósporos.

Os sintomas da doença no viveiro é um engrossamento de


aspecto rugoso nas extremidades dos ramos, de coloração cinza escuro, que causa
um emponteiramento e morte de cima para baixo de todo o tecido verde da planta.
Nas folhas jovens quando a infecção é intensa, dois a três dias após a brotação
ocorre a “queima” e queda destas.

CONTROLE

O mal-das-folhas no Brasil tem como opções de controle a


adoção do uso de clones resistentes ou tolerantes ao ataque do fungo, o controle
químico, plantio em “áreas de escape”, enxertia de copa e desfolhamento artificial.

USO DE CLONES RESISTENTES

Os pesquisadores em melhoramento genético de seringueira


ainda não conseguiram obter grande numero de clones tolerantes ou resistentes ao
Microcyclus ulei. Aqueles que apresentam alguma tolerância quando expostos à
condições ambientais favoráveis ao aparecimento da doença, na época da troca de
folhas, em geral, se tornam vulneráveis e susceptíveis.

A quebra da tolerância de certos clones está às vezes


relacionada com o plantio destes, nas áreas de características ambientais
(microclimáticas) diferentes dos locais onde foram selecionados, bem como as
variações do fungo com o aparecimento de novas raças fisiológicas. Como por
exemplo, temos o clone Fx 2261 que na Bahia apresenta certa tolerância ao
Microcyclus ulei e no Pará é bastante susceptível, já com o Fx 3899 a situação é
inversa.

Há de ressaltar que a maioria dos clones resistentes


plantados no Brasil, foram selecionados a partir da Hevea benthamiana, o que

53
pode ter facilitado a quebra da resistência pelo aparecimento de novas raças do
fungo.

ENXERTIA DE COPA

As características genéticas de resistência e produtividade


nem sempre se consegue introduzir numa mesma planta. Assim, com o intuito de
se fazer uma combinação positiva, usa-se a copa de uma planta resistente
associada a um painel produtivo, com a realização de uma dupla enxertia ou
tricomposto.

A Hevea pauciflora é, até o momento, a espécie mais


usada para enxertia de copa, com alta tolerância ao M. ulei. Certos clones desse
material como o PA 31 tem sido testados com bons resultados.

A característica da Hevea pauciflora de apresentar queda


de folhas e emissão de novos lançamentos durante todo o ano, aliada ao fato do M.
ulei causar danos apenas nos folíolos jovens, deve-se reduzir os riscos dessa
prática, mesmo que apareçam novas raças fisiológicas do fungo capazes de quebrar
a tolerância dos clones dessa espécie. A quantidade de folhas maduras existentes
nas copas dos clones de Hevea pauciflora durante o ano seria suficiente para
manter as reservas na planta necessárias as suas atividades vegetativas normais
além de recompor as perdas de folhas causadas pelo possível ataque da doença.

A enxertia de copa, no entanto, não deve ser recomendada


para grandes plantios devido os resultados experimentais ainda não serem
definitivos, problemas apresentados quanto a compatibilidade de copa versus
painel, os custos de implantação na Bahia, ao ataque de Phythophthora sp. E
redução da produção.

DESFOLHAMENTO ARTIFICIAL

A técnica consta em se provocar a desfolha das plantas nas


épocas desfavoráveis a ocorrência do fungo. Esta prática ajuda a reduzir e
uniformizar a fase de perda das folhas e reenfolhamento, facilitando a programação
de controle do M. ulei através de fungicidas e reduzindo as pulverizações. Apesar
da técnica ainda estar em fase experimental no Brasil, a Bahia já testou os produtos
DROP, FOLEX, MSMA e o ÀCIDO CACODÍLICO, porém sem resultados definitivos.

PLANTIOS EM “ÁREAS DE ESCAPE”

Uma área é considerada de “escape” quando apresenta


condições desfavoráveis à proliferação do M. ulei, embora a seringueira possa ter
desenvolvimento e produção econômica. A EMBRAPA considerou como área de
escape a região apresenta “déficit” hídrico anual de 200 a 350 mm distribuídos de
quatro a seis meses, com a desfolha da seringueira ocorrendo preferencialmente
nos três meses intermediários desse período.

As áreas litorâneas que estão sempre sob ação do vento,


margens de rios largos, onde normalmente a umidade relativa do ar é baixa e
localidades em que a duração do orvalho nos folíolos não é muito demorada,
contrariando as exigências do fungo que requer umidade relativa do ar alta por
período prolongado, são consideradas de “escape” para plantio da Hevea. Mesmo
considerando uma “área de escape”, devemos escolher para o plantio, clones que
apresentem troca de folhas num período curto e uma só vez no ano, a fim de não

54
favorecer o mal das folhas.

CONTROLE CULTURAL

Antes e após a implantação de um seringal e objetivando


reduzir a incidência de doenças e facilitar o controle químico, devem ser seguidos
os seguintes critérios:

Evitar o plantio em áreas de baixadas, pois nestes locais a umidade é


maior e favorece a incidência de M. ulei.

Dispor as linhas de plantio no sentido dos ventos dominantes, pois uma


melhor aeração do seringal propiciará uma redução no período de
permanência do orvalho, não esquecendo de verificar também os
problemas de erosão.

Plantar blocos monoclonais, pois a mistura de clones determinará maior


numero de aplicações de fungicidas, devido a troca de folhas ocorrer
normalmente em épocas diferentes.

Criar uma infra-estrutura viária dentro do seringal de maneira que facilite


o deslocamento de máquinas e equipamentos nas épocas das
pulverizações.

Manter o plantio com vigor, realizando os tratos culturas adequados e


nas épocas recomendadas, pois assim as plantas se tornam mais
tolerantes às doenças.

CONTROLE QUÍMICO

O mal das folhas, dentro do possível, deve ser evitado para


não precisar de aplicação de defensivos no seu controle, haja vista que o custo é
alto. O uso de fungicidas quando associado à época adequada de pulverização e
pique da doença, tem trazido bons resultados (no quadro a seguir, recomendações
de defensivos).

Mistura de fungicidas, no caso da ocorrência de mais de uma


doença, são aconselháveis, pois reduzem os custos de aplicação. Recomenda-se
mistura de Tiofanato metílico (Cercobin a 0,15%) + Clorotalonil (Bravonil a 0,3% ou
Daconil a 0,2%), para controle do M. ulei do Colletrotrichum gloeosporioides,
agente causal da Antracnose. Em viveiros e jardim clonal, as aplicações devem ser
feitas semanalmente, durante o período chuvoso, e quinzenalmente, durante o
período seco. Em plantios definitivos, devem ser feitas em torno de seis
pulverizações durante o reenfolhamento (GASPAROTTO. 1985).

RECOMENDAÇÕES PARA CONTROLE DE MAL DAS FOLHAS

Doenças (Agente Fungicida Dosagem Dosagem


causador) Viveiro Seringal
Jardim clonal adulto (l/kg/ha)
(g ou ml/ l)

Principio ativo Nome comercial Tipo

Benomil Benlate Sistêmico 1,0

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Captafol (1)
Difolatan 4F 4,0

Mal das folhas Bravonil 0,6 1,6

Clorotalonil (1)
Daconil 50 FW Protetor 4,0 2,2

Daconil 70 PM 3,0 1,5

Fenarimol Rubigan Sistêmico 0,03 0,6

(Microcyclus Mancozeb DithaneM45 4,0 2,0


ulei)

Mancozeb Protetor 4,0

Propiconazole Tilt 0,3 0,3

Triadimefon Bayleton Sistêmico 0,6 0,3

Triadimefon +Bayleton + Daconil 50Sis + Prot. 0,1 + 0,65


Chlorothalonil FW

Triadimefon + Mancozeb Bayleton + Dithane Sis + Prot. 0,1 + 0,65

Triadimenol Bayfidan Sistêmico 0,3 0,3

Triforine Saprol Protetor 1,2 1,2

Triforine + Chlorothalonil Saprol + Daconil 70 PM Protetor 0,5 + 0,85

Oxicloreto de cobre diversos Protetor 7,5 (a 50%) 3,0 (a 50%)

(1) Não usar espalhante adesivo

ANTRACNOSE

A ocorrência desta doença na maioria das vezes vem


associada ao mal das folhas. A desfolha das plantas em certas épocas é mais
intensa em decorrência da antracnose, pois muitos folíolos que não cairiam com o
ataque do M. ulei, mais tarde desprendem-se com a incidência desta doença.

ETIOLOGIA E EPIDEMOLOGIA

O agente causal da antracnose é o fungo Colletrotrichum


gloeosporioides, chama na fase imperfeita de Glomerella cingulata.

Plantas deficientes, sem condução técnica e o ambiente com

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umidade relativa superior a 90%, são condições mais favoráveis para a ocorrência
da infecção.

SINTOMAS

Aparece nas folhas imaturas, ramos e frutos. A penetração


do fungo nas folhas ocorre através de lesões provocadas por outros patógenos,
insetos ou aberturas naturais. A identificação da doença pode ser feita observando
lesões escurecidas, circundadas por área cloróticas e secamento dos folíolos,
começando geralmente pelos bordos. Em plantios novos e jardim clonal, a doença
causa o secamento do último lançamento. Nos ramos o sintoma pode ser
confundido com o ataque de Phytophthora, porém a antracnose não provoca
escorrimento de látex no local afetado. Nos frutos aparecem rachaduras e
apodrecimento da casca. A antracnose também pode ser identificada pela massa de
esporos de coloração rósea na região necrosada.

CONTROLE

As plantas conduzidas tecnicamente e em bom estado


nutricional, se tornam menos susceptíveis à antracnose. O controle químico deve
ser feito com fungicidas, e as pulverizações devem ser feitas por semana na época
de maior incidência e a cada quinze dias em outras ocasiões. O controle deverá
acontecer na fase de lançamentos novos ou reenfolhamento até os folíolos estarem
maduros.

REQUEIMA

Na Bahia é considerada como doença de maior importância


no cultivo da seringueira. Em certas ocasiões o ataque é tão intenso que traz
prejuízos superiores aos causados pelo mal das folhas.

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

O patógeno Phytophthora capisici foi isolado como agente


causal desta doença em seringais baianos. Este afeta também, na região, a pimenta
do reino e o cacaueiro. A ocorrência acentuada do ataque desta doença coincide
com o aumento da umidade relativa do ar e queda da temperatura. Os plantios de
Hevea que se encontram em fase de frutificação ou próximos de cacauais, têm
apresentado maior incidência da enfermidade.

Os frutos apodrecidos pelo fungo e que ficam nas plantas de


um período para o outro, ainda se constituem na maior fonte de inoculo da doença.
Quando as condições de tempo são favoráveis, ocorre por parte do fungo uma
produção acentuada de esporângios, que germinam ou passam a produzir
zoósporos e daí ocorre a disseminação, principalmente pela água da chuva
(ROCHA,1973).

SINTOMAS

A doença aparece em toda a parte aérea da planta, como


também nos frutos. Inicia pelos ramos mais baixos da planta e a partir daí ocorre a
distribuição para a copa. A infecção inicial nos frutos verdes apresenta uma mancha
aquosa e descolorida. À proporção que aumenta a lesão verifica-se a presença de

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gotas de látex, negras e brilhantes. O desenvolvimento do micélio branco do
patógeno ocorre quando o tempo apresenta umidade relativa alta. As plantas
podem manter frutos doentes presos em seus ramos de um ano para o outro.

A concentração da infecção ocorre nos pecíolos, embora os


folíolos também apresentem lesões. Nos pecíolos as lesões são aquosas, marrons
escuras e com gotas de látex coagulados. As folhas contaminadas normalmente
caem com os folíolos verdes e intactos. Quando a doença aparece nos folíolos,
encontramos também lesões aquosas. Em condições de tempo favoráveis a doença
pode provocar o desfolhamento total em 14 dias (RAMAKRISHNAN e PILLAI, 1961).

O ataque severo da requeima em clones susceptíveis, pode


provocar destruição parcial da copa das plantas pela morte dos ponteiros e ramos
inferiores. A requeima em viveiros e jardim clonal apresenta nas plantas atacadas, o
aparecimento de látex exsudado na extremidade do último lançamento, causando a
morte do broto terminal. Isto provoca o estímulo da brotação de gemas laterais.

CONTROLE

O controle preventivo seria a melhor opção. Como se torna


difícil fazer uma previsão do surgimento da doença, o melhor é manter uma
observação constante no seringal e, logo que apareçam os primeiros sintomas da
enfermidade, fazer aplicações quinzenais, com os fungicidas recomendados.

Doenças Fungicida (1)


Dosagem Viveiro Dosagem
Jardim clonal Seringal
(Agente causador) (g ou ml/ l) adulto
(kg/ha.)

Principio ativo Nome comercial Tipo

Cholorihidrate Propamocarbe Previcur Sistêmico 1,0

Requeima Cymoxanil Curzate M 2,0 1,7

Cymoxanil + Curzate M + Venturol Protetor 0,56 + 0,8

Dodina Venturol 1,1 1,6

Dodina + KCl Venturol + Cloreto de 1,0 + 1,0 0,8 + 0,3


potássio

Metalaxyl – Mancozeb Ridomil Mancozeb BR Sistêmico 2,0 1,0

(Phytophthora Metalaxyl – Mancozeb +Ridomil Mancozeb BR +Sist + 1,0 + 0,6 0,5 + 0,56
capisici) Cymoxanil Curzate M Prot.

Metalaxyl – Mancozeb +Ridomil Mancozeb BR +Sist + 0,5 + 0,53


Dodina Venturol Prot.

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Metalaxyl – Mancozeb + KCl Ridomil Mancozeb BR + 1,0 + 1,0 0,5 + 0,3
Cloreto de Potássio

Intervalo de Aplicação: (Período chuvoso – 7 dias) (Período seco– 14 dias)


(1)

DOENÇAS DO CAULE

CANCRO DO PAINEL

No mundo onde se explora a seringueira, o seringalista tem


que conviver com esta enfermidade. Os prejuízos são maiores em função das
condições climáticas para o desenvolvimento do fungo, apresentadas por cada
região. O caule afetado pela doença tem os tecidos cambiais invadidos, provocando
aparecimento de fendas no painel. O patógeno causa lesões em toda extensão do
tronco e não só no painel como o nome da doença sugere. Quando os ferimentos
são grandes, a casca não se regenera, há exposição do lenho e deformação do
painel, não permitindo a sangria. Também é conhecido como cancro estriado do
painel.

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

Esta doença é causada pelo fungo Phytophthora spp que


em a disseminação pelas chuvas, ventos, instrumentos e ferramentas usadas na
sangria de plantas doentes. As infecções são causadas por esporângios e zoósporos
do fungo. A incidência da doença é acentuada quando ocorre umidade alta e
temperatura amena. O ataque de um fungo se torna mais severo quando s sangria
é feita em cortes mais profundos, o painel está muito próximo ao solo, má
conservação do seringal facilitando a retenção de umidade, e copas bem fechadas
(EMBRATER, 1980).

SINOMAS

Um tumor é o aspecto que toma o painel de sangria, quando


afetado pelo fungo. O patógeno se propaga pela casca, causando o aparecimento
de estrias escuras, que se estendem vertical e horizontalmente indo atingir partes
do caule onde ainda não houve abertura de painel. O caule apresenta escorrimento
de látex formando filetes enegrecidos sobre a casca. Em áreas à primeira vista,
sadias, muitas vezes, ocorre exsudação de látex sob a casca, que coagula e provoca
o rompimento desta. Partes da copa dos clones mais susceptíveis podem morrer,
quando o fungo ataca os ramos grossos junto às bifurcações.

CONTROLE

O tratamento preventivo é o mais racional e de maior


eficiência. Aos fungicidas recomendados devem ser adicionados um corante, para
que se possa identificar as plantas tratadas. A aplicação da pasta fungicida no
painel, faz-se com auxílio de uma brocha ou pincel, logo após o recolhimento do
látex proveniente da sangria. Em áreas onde ainda não ocorre a doença, deve-se
fazer aplicações mensais de fungicidas.

Os produtos com princípios ativos à base de cobre, não são

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recomendados para tratamento de painel, por apresentarem problemas no
processamento de látex, alterando as qualidades tecnológicas da borracha.

Medidas preventivas também devem ser tomadas para


evitar ou reduzir a incidência do cancro do painel. Como tais, podemos citar:
desinfecção da faca de sangria com fungicida, logo após o corte de cada árvore;
evitar a consorciação com cultivos altamente susceptíveis ao Phytophthora ou
adequar o espaçamento de forma a permitir boa aeração, evitando as condições
favoráveis à proliferação do patógeno e, manter os plantios sempre limpos ou com
a faixa de plantas livres de ervas daninhas para evitar a retenção de umidade
próxima ao painel de sangria.

Doenças (Agente Fungicidas(1) Dosagem


causador) (g ou ml/ l)

Principio ativo Nome comercial Tipo

Cholorihidrate PropamocarbePrevicur Sistêmico 10

Cholorothalonil Daconil 10

Cancro do painel Cymoxanil Curzate M 10

Dithianon Delan Protetor 10

(Phytophthora spp) Dodine Venturol 10

Metalaxyl Ridomil Mancozeb BR Sistêmico 6,6

Intervalo de Aplicação: (Período chuvoso – 4 dias) (Período seco– 8 dias) (Área foco – 2 dias) Cirurgia:
(1)

Sobre a área lesionada, proceder o rebaixamento de casca, de forma a constituir uma concha com a
extremidade basal abaulada.

MOFO CINZENTO

Esta doença ocorre às vezes com alta incidência nos países


produtores de borracha natural. Os maiores danos estão relacionados com os
seringais de densidade de plantio alto e infestados de ervas daninhas, mantendo
assim uma alta umidade em torno do tronco (BEELEY,1935).

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

O fungo Ceratocystis fimbriata é o causador desta


enfermidade. A alta umidade e temperatura entre 22ºC e 26ºC, são as condições
ideais para a proliferação da doença. A disseminação do fungo ocorre
principalmente pala faca de sangria, quando é feito o corte em uma planta doente
em seguida nas sadias. Segundo CONDURU NETO (1980), os insetos e o vento
também distribuem o patógeno, embora em menor escala.

SINTOMAS

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O painel de sangria é o local do aparecimento da doença,
provocando o apodrecimento deste. Uma podridão negra e mole da casca é a forma
que identifica exata enfermidade. A frutificação do fungo nas lesões aparece
inicialmente como um mofo branco e depois acinzentado. O patógeno tem um
desenvolvimento rápido nas lesões provocadas na sangria, destrói a casca, abre
feridas expondo o lenho evitando a recuperação da casca e inutilizando o painel.

CONTROLE

Manter constante vigilância no seringal quanto às práticas


de manutenção e a qualidade da sangria, evitando assim incidência de ervas
daninhas próxima do painel e cortes profundos feitos pelo sangrador na obtenção
do látex. Quando consorciar o seringal não se deve escolher cultivos susceptíveis ao
patógeno ou quando já estiver instalada a consorciação manter freqüente vigilância
eliminando as plantas que apresentem a doença.

A desinfecção da faca de sangria com fungicida após o corte


de cada planta, completa o conjunto de ações preventivas contra esta doença. O
controle químico deverá ser realizado de acordo com a tabela em anexo, e como
medida curativa deve-se remover com uma faca os tecidos lesionados e fazer um
pincelamento de toda área contaminada com fungicidas recomendados.

Doenças (Agente causador) Fungicidas(1) Dosagem


(g ou ml/ l)

Principio ativo Nome comercial Tipo

Benomyl Benlate Sistêmico 4,0

Mofo Cinzento Dodine Venturol Protetor 10

Tiofanato Metílico Cercobin 3,4

(Ceratocystis fimbriata) Thiabendazole Tecto Sistêmico 3,4

Triadimefon Bayleton 3,5

(1)
Intervalo de Aplicação: 7 dias Método de Aplicação: Pincelar sempre 15 cm acima e 5 cm abaixo da
linha de corte, com proteção lateral de 2,5 cm, inclusive até a canela de coleta do látex.

DOENÇAS DAS RAÍZES

PODRIDÃO DAS RAÍZES

PODRIDÃO VERMELHA

PODRIDÃO BRANCA

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PODRIDÃO PARDA

Embora a incidência de doenças de raízes seja mais


freqüente no Continente Asiático, observa-se a ocorrência esporádica no Brasil, nas
áreas desmatadas manualmente, mesmo sendo capoeiras ralas. As raízes de tocos
que persistem nas áreas assim preparadas podem vir a ser fontes de inóculos dos
patógenos. A ocorrência dessas doenças é preocupante em face à dificuldade de
controle, já que, frequentemente ocorre a cessação da vida da planta, e
consequentemente a redução do número total de plantas e sua produção por área.

Os fungos causadores dessas doenças pertencem à classe


dos basidiomicetos na qual o fungo Ganoderma philippi causa a podridão
vermelha, o Rigidoporus lignosus a podridão branca e o Phellinus noxius a
podridão parda. Em condições de elevada umidade, estes fungos formam
basidiocarpos (orelhas de pau) e quando produzem basidiósporos são disseminados
pelo vento ou por insetos que se alimentam dos esporos (LIM,1977), que podem vir
germinar e infeccionar em ferimentos próximos ao solo, no tronco. A disseminação
pode se processar por meio de rizomorfas, quando não existem condições
favoráveis à formação de esporos, no momento em que as raízes das plantas sadias
entram em contato com raízes de plantas doente e/ou tocos persistentes.

SINTOMAS

Secamento parcial ou murcha da parte aérea da planta cujos


folíolos ficam presos aos ramos. Tombamento das árvores implantadas em solos
pouco profundos, em que a pivotante não se desenvolve, causado pelo
apodrecimento das raízes laterais de sustentação sem apresentar amarelecimento
das folhas.

A presença de rizomorfas pardacentas (podridão parda) na


parte externa e marrons em zig-zag na parte interna das raízes caracteriza a
podridão parda.

Na podridão vermelha o estágio inicialmente das rizomorfas


é amarronzado e ao senescer torna-se vermelha, podendo ser úmida e esponjosa ou
seca, a depender das condições do solo.

CONTROLE

Recomenda-se a destoca da área e queima, com a finalidade


de destruir basidiocarpos e rizomorfas porventura existentes nas raízes e tocos de
plantas nativas infectadas. Arranquio das plantas mortas e infectadas. Arranquio
das plantas mortas e tratamento das raízes laterais e pivotante das circunvizinhas
após remoção do solo descobrindo cuidadosamente estas raízes, com o fungicida
recomendado, em seguida recobrir as raízes com o solo. Proceder, principalmente
com as raízes das plantas atacadas a queima.

Doenças (Agente Fungicida (1) Modo de aplicação


causador)

Principio ativo Nome comercial

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Podridão vermelha Misturar 10 %

Ganoderma philippi do produto com

Calixin 85% de piche e

Podridão parda 5% de querosene

Phellinus noxius A seguir, pincelar as

raízes remanescentes

Podridão branca 75 % de PentacloronitrobenzenoBentacol 75 PM, PCNB 75


BASF

(Rigidoporus Brassicol 75 PM, Kobutol 75


lignosus)

Tenaclor 75 PM, Sementol

(1) Misturar 20% de um produto que contêm 75 % de PCNB com 75% de piche e 5% de querosene.
Pincelar as raízes remanescentes.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de


Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.

CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus - Bahia, 1983.
48 p.

FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.

MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.


Valença - Bahia, 1987.102 p.

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