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Evolução do conceito de cidadania

O que é ser cidadão?

No sentido etimológico cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade e tem o seu correlato grego na palavra politikos - aquele que habita na cidade. Isabel Lucena Ser cidadão é ter direito à vida, à propriedade, á igualdade perante a lei: ter direitos civis. É também participar nos destinos da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos, Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação colectiva: O direito à educação, ao trabalho justo, à saúde e a uma velhice tranquila.

O que é a cidadania? É a qualidade ou estado do cidadão. Entende-se por cidadão o indivíduo no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho dos seus deveres para com este. Contudo, o conceito de cidadania foi sendo alargado consoante a evolução histórica das sociedades e, por conseguinte, o papel que os indivíduos assumiam na construção das mesmas. As sociedades em que os Homens vivem resultam do seu exercício de cidadania que empreendem. A ideia de cidadania nasce da transformação de submisso/súbdito em cidadão. Quando falamos em cidadania falamos no contexto das sociedades democráticas ocidentais. Mesmo neste contexto, cidadania é um conceito que gira em torno do estatuto de pertença de um indivíduo a uma comunidade politicamente articulada e que lhe confere um conjunto de direitos e deveres.

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Daí resulta uma capacidade integradora, vertida não apenas numa igualização de direitos formais, mas também num sentimento de pertença a uma comunidade de cidadãos, em geral à comunidade nacional. Cidadania e Sociedade O Desenvolvimento da cidadania, apoiado na liberdade e na democracia, permitiu alargar as oportunidades de participação cívica e a construção de sociedades mais justas. Ora, Estado e Cidadania são criações do homem – da sociedade - e que idealizam uma determinada concepção de ser humano. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) contém os princípios que estão subjacentes à definição actual dos direitos egarantias fundamentais dos cidadãos e a afirmação da soberania davontade popular, da lei e do Estado-Nação, a saber: – Todos os Homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos; – Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão; – A soberania reside essencialmente na nação; nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dele não emane expressamente; – A lei é a expressão da vontade geral.

O conceito clássico de Cidadania Poderemos definir cidadania como um status jurídico e político mediante o qual o cidadão adquire os direitos como indivíduo (civis,políticos, sociais) e os deveres (impostos, tradicionalmente o serviço militar, fidelidade…) relativos a uma colectividade política, além da faculdade de participar na vida colectiva do Estado. Esta faculdade surge do princípio democrático da soberania popular. Qualquer cidadão dito normal (de Espanha, Reino Unido, França, Portugal, Estados Unidos…) dispõe de uma série de direitos reconhecidos nas suas constituições mas além disso tem obrigações no que se refere à colectividade (fiscais, militares…). Num estado democrático, o cidadão vê-se obrigado a cumprir com essas obrigações, já que são aprovadas pelos

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representantes que elegeram, utilizando um dos seus principais direitos políticos como cidadãos, o sufrágio. A condição de cidadania está limitada às pessoas que têm essa condição. As pessoas que habitam num território do qual não são cidadãos, estão excluídos dos direitos e deveres que comportam essa condição. Cada estado tem normas que regulamentam a aquisição da nacionalidade desse estado, o que quer dizer a condição de cidadão. Assim sendo, não existe uma verdadeira cidadania, madura e autónoma, se o comportamento de cada indivíduo não se alicerçar fundamentalmente nos seus próprios valores. Uma Educação para a Cidadania é, em grande parte, uma Educação direccionada para os Valores. Apontando mais longe, tendo em conta que esses mesmos valores são parte muito importante da identidade de cada cidadão, podemos afirmar que a “Educação para os Valores” é, num sentido mais amplo, “ apenas Educação”, entendida como processo, transversal e pluridisciplinar, promotor do desenvolvimento e da construção da identidade. Quantas vezes não atribuímos imediatamente atitudes que evidenciam deficit de cidadania a uma pura e simples “falta de educação”? O estatuto de Cidadão português é atribuído sobretudo por direito de sangue, podendo também adquiri-lo por naturalização. A pertença à União Europeia dá ao cidadão português o estatuto de cidadão europeu, com os direitos e deveres que isso implica. A palavra “Cidadão” começou por significar “habitante de uma cidade”. Mas depois, com o tempo, adquiriu um significado mais rico. É cidadão quem pertence a um país onde há leis que protegem as pessoas, e onde as pessoas, além de direitos, têm também deveres a cumprir, ou seja, quem pertence a um país politicamente organizado. Ser cidadão, anteriormente era uma certa forma de estar na cidade, isto é, de estar e de viver com os outros. Hoje, é mais do que isso, é participar na vida da “cidade”, fazendo com que todos os problemas da sociedade sejam também os nossos problemas.

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Apesar de tudo há problemas que não conseguimos resolver. Há problemas como a droga e a transmissão da Sida em que ainda não conseguimos resolver. No entanto, não podemos cruzar os braços e fechar os olhos aos problemas porque assim eles não vão deixar de existir. Cidadania europeia O tratado de Maastrich, também conhecido como Tratao da União Europeia (TUE), foi assinado a 7 de Fevereiro de 1992 na cidade Holandesa de Maastricht. O Tratado de Maastrich foi um marco significativo no processo de unificação europeia, fixando que à integração económica, até então existente entre diversos países europeus, se acrescentaria uma unificação política. O seu resultado mais evidente foi a substituição da denominação Comunidade Europeia pelo termo actual União Europeia. O tratado da União Europeia passou também a atribuir aos cidadãos dos Estados-Membros o Estatuto de Cidadão Europeu, que inclui um conjunto de direitos e deveres que caracterizam a cidadania europeia, como o voto e participação nas eleições locais e europeias, o direito de petição (direito de pedir de expor e reclamar) e o direito de recorrer ao defensor do povo europeu. Passou-se assim de uma cidadania local, concentrada apenas no nosso País, para uma cidadania com um sentido e uma responsabilidade mais amplos/complexos, facto que implica um conhecimento e formação também mais aprofundados por parte de todos os cidadãos. Contudo, pelo menos no tocante aos Portugueses, desconfio que apresentem, ainda hoje, maturidade e sensibilidade suficientes para uma cidadania Europeia, porquanto, basta atentarmos na abstenção nos sucessivos actos eleitorais para a E.U.. Penso que qualquer projecto de educação para a cidadania será sempre um projecto inacabado. Coimbra, 06 de Fevereiro de 2009 Joaquim Rodrigues