TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 07.

276/09 RELATÓRIO O presente processo trata de Inspeção Especial realizada na Câmara Municipal de Alagoa Nova, objetivando o exame da legalidade dos atos de gestão de pessoal do Poder Legislativo, nos exercício de 2008 e 2009, sob a responsabilidade da então Presidenta Maria de Fátima Câmara de Souza. Após exame da documentação pertinente, a Unidade Técnica emitiu relatório, às fls. 266/72, destacando que a análise envolveu todos os servidores ativos e inativos, além dos prestadores de serviços. Houve diligência in loco nos dias 25 a 26 de junho e 02 a 03 de julho de 2009. Foram constatadas algumas irregularidades, o que ocasionou a citação da ex-Gestora, Srª Maria de Fátima Câmara de Souza, que apresentou defesa nesta Corte de Contas, conforme documentação acostada às fls. 276/337 dos autos. Do exame dessa documentação, a Unidade Técnica emitiu novo relatório, conforme fls. 340/2, entendendo remanescer as seguintes irregularidades: a) Pagamento de remuneração de Pessoal sem o respectivo respaldo legal; A defesa apresentou a Lei Complementar nº 50/2007 (fls. 309/11). A Unidade Técnica informou que a Lei apresentada aprovou a Resolução Administrativa da Câmara nº 002/2007 (fls. 285/306). Segundo a Auditoria não há previsão no ordenamento jurídico brasileiro vigente, porquanto as resoluções da Câmara formalizam as decisões tomadas no âmbito da competência privativa da Casa Legislativa, não podendo ser objeto de lei, nos termos do disposto nos arts. 37, X; 51, IV e 52, XIII da Constituição Federal. Os cargos do Poder Legislativo podem ser criados por Ato Normativo (Resoluções). No entanto, as respectivas remunerações somente podem ser fixadas por leis específicas, de iniciativa de cada Casa do Poder Legislativo. b) Existência de Cargos (Procurador e Secretário de Atas) não previstos na Resolução Administrativa RA nº 02/2007; A defesa afirma que o cargo de Procurador foi transformado pela nova norma em “Assessor Jurídico”. Em relação ao cargo de Secretário de Atas, este teria sido criado numa Resolução anterior de nº 02/2004. O Órgão Técnico informou que a nova Resolução RA 02/2007 revogou explicitamente a Resolução Normativa nº 02/2004, logo o cargo que foi extinto pela resolução vigente. Assim ficou sanada a falha em relação ao cargo de Procurador, permanecendo, no entanto, a falha relativa ao cargo de Secretário de Atas. c) Pagamento de Gratificações não amparadas por Lei e com valores discrepantes para uma mesma categoria funcional; Permanece a falha pelos motivos expostos no primeiro item da defesa. d) Concessão de empréstimos consignados a servidor da Câmara Municipal, com comprometimento de mais de 30% do valor da remuneração;

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 07.276/09 A defesa apresentou uma declaração fornecida pelo Gerente da CAIXA – AG Areia/PB (fls. 312) informando que a servidora Catharina de Cássia Matias Costa, CPF nº 047.430.334-97, liquidou o contrato de empréstimo de nº 13.1100.110.0005374-40, no qual pagava prestações de R$ 424,64 e contratou uma nova operação sob nº 13.1100.110.5383-54, com prestações mensais de R$ 182,00, com 29 parcelas. e) Ausência de previsão legal para pagamento de “serviços extras” prestados por servidora da Câmara Municipal; A Unidade Técnica informa que a irregularidade persiste, uma vez que, além dos motivos expostos no item primeiro dessa defesa, a Servidora Maria do Socorro Ricardo da Silva (fls. 271) ocupa cargo comissionado de Diretor de Comunicação e Eventos, de dedicação exclusiva, não podendo receber por serviços extras, pela execução de tarefas de outra servidora que estava em gozo de licença-prêmio. f) Existência de servidor parente em 3º grau de Vereador da Câmara Municipal; A Auditoria informa que persiste a irregularidade (documento fls. 320) da contratação do Sr. Alexsandro Martins de Souza, sobrinho do Vereador Françuá Marques da Silva, para manutenção de computadores, visto que, embora a hipótese não esteja literalmente contemplada na Súmula Vinculante nº 13 do STF, o fato constitui infração aos princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade constantes no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Porquanto o contrato não licitado, tem como objeto a realização de serviços não eventuais. Ao se pronunciar sobre a matéria, o Ministério Público Especial, através da Douta Procuradora Sheyla Barreto Braga de Queiroz, emitiu COTA, anexada aos autos às fls. 347/9, ressaltando o seguinte: Em relação às irregularidades de pagamento de pessoal sem o devido respaldo legal; à criação de cargos por meio de Resolução Administrativa e ao Pagamento de Vantagens com base em Resolução e em valores discrepantes, foram esvaziadas após a promulgação da (esdrúxula, porém válida) Lei Complementar nº 50/2007. O fato da remuneração ter como fundamento legal uma mera resolução administrativa foi absorvido com a edição da Lei. De todo modo, mesmo quando não existia diploma legal stricto sensu existiu uma norma (imprópria, por óbvio) autorizando os pagamentos, até porque o Poder Público não pode deixar de remunerar quem quer que seja que lhe tenha prestado serviço; Quanto à irregularidade relativa à falta de prova de redução do percentual comprometido pelo empréstimo consignado em favor da servidora Catharina de Cássia Matias da Costa comporta assinação de prazo para que o atual gestor comprove junto a este Tribunal não mais estar o Poder Legislativo consignando percentual acima dos 30% permitidos em lei sobre a renda bruta mensal para concessão de empréstimos pessoal; Quanto ao pagamento por serviços extraordinários a pessoa que já ocupava cargo de livre provimento na própria Câmara, em virtude de gozo de licença-prêmio da servidora titular do cargo, este Tribunal de Contas esposa a tese de inviabilidade da restituição de valores pagos a título salarial, à luz do princípio da vedação do enriquecimento ilícito.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 07.276/09 Neste caso, então, por ocasião do julgamento dos presentes, cabe aplicar multa pessoal à ex-Presidenta da Câmara Municipal de Alagoa Nova, no sentido de não incorrer em eiva idêntica a esta aqui comentada; Resta, por conseguinte, tão-só a irregularidade que repousa sobre a contratação do Sr. Alexsandro Martins de Souza, sobrinho do Vereador Françuá Marques da Silva, caracterizando-se prática de nepotismo. Sendo assim é de alvitre assinar prazo à atual Gestão da Câmara para esclarecer se o contrato de prestação de serviço que deu origem à caracterização do nepotismo ainda está em vigor. Em harmonia com o proposto pela Unidade Técnica de Instrução, e à luz do princípio da economicidade, alvitra o Ministério Público de Contas a ASSINAÇÃO de PRAZO ao atual Presidente da Câmara Municipal de Alagoa Nova para, sob pena de cominação de multa pessoal prevista no art. 56, IV da LOTCE/PB, em caso de omissão ou descumprimento da determinação, fazer remeter esclarecimentos e documentos em contraposição ao exposto e concluído nos itens 2.4 e 2.7 do Relatório Técnico, às fls. 340/342 dos presentes autos. É o relatório! Informando que os interessados foram intimados para a presente sessão!

VOTO
Considerando as conclusões oferecidas pelo órgão de instrução, bem como o parecer oferecido pela Procuradoria do Ministério Público Especial, proponho que os Exmos. Srs. Conselheiros membros da 1ª CÂMARA DO TRIBUNAL DE CONTAS DA PARAÍBA assinem prazo de 60 (sessenta) dias para que o atual Presidente da Câmara Municipal de Alagoa Nova/PB, Sr. Severino Ricardo da Silva, proceda ao restabelecimento da legalidade, no sentido de encaminhar a esse Tribunal de Contas esclarecimentos e documentos em contraposição ao exposto nos itens 2.4 e 2.7 do Relatório Técnico de fls. 340/342 dos presentes autos, sob pena de aplicação de multa por omissão. É o voto !

Cons. Subst. Antônio Gomes Vieira Filho Relator

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
1ª CÂMARA

Processo TC nº 07.276/09 Objeto: Atos de Pessoal Órgão: Câmara Municipal de Alagoa Nova Inspeção Especial. Atos de Pessoal – Determina providências para os fins que menciona.

RESOLUÇÃO – RC1 – TC nº 097/2013
A 1ª CÂMARA DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, no uso de suas atribuições constitucionais e legais e, tendo em vista o que consta no Processo TC nº 07.276/09, que trata de Inspeção Especial realizada na Câmara Municipal de Alagoa Nova, objetivando o exame da legalidade dos atos de gestão de pessoal do Poder Legislativo, nos exercício de 2008 e 2009, RESOLVE: 1) Assinar prazo de 60 (sessenta) dias, com base no art. 9º da RN TC nº 103/1998, para que o atual Presidente da Câmara Municipal de Alagoa Nova/PB, Sr. Severino Ricardo da Silva, proceda ao restabelecimento da legalidade, no sentido de encaminhar a esse Tribunal de Contas esclarecimentos e documentos em contraposição ao exposto nos itens 2.4 e 2.7 do Relatório Técnico de fls. 340/342 dos presentes autos, sob pena de aplicação de multa por omissão. Publique-se, registre-se e cumpra-se. TC – Sala das Sessões da 1ª Câmara – Cons. Adailton Coelho Costa João Pessoa, 06 de junho de 2013.

Cons. Fernando Rodrigues Catão
No Exercício da Presidência

Cons. Umberto Silveira Porto

Cons. Subst. Antônio Gomes Vieira Filho
Relator

Fui Presente: Representante do Ministério Público junto ao TCE-PB