TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 05.

903/08

RELATÓRIO
Cuida o presente processo de denúncia formulada pelo ex-vereador do município, Sr. Clóvis Alves de Oliveira Filho, contra os atos do Prefeito Municipal de Santa Rita Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, no tocante a gastos com publicidade de cunho promocional do Sr. Prefeito, à época e do filho, então candidato a deputado estadual. A Unidade Técnica, visando apurar os fatos denunciados, analisou os documentos acostados e emitiu o relatório inicial de fls. 126/8, destacando o seguinte: A denúncia versa sobre irregularidade praticada pela Administração Municipal da cidade de Santa Rita, relativa aos gastos com publicidade de cunho promocional do prefeito, à época, Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho e de seu filho Flaviano Quinto, candidato a deputado estadual. Segundo o denunciante o Sr. Williams Olegário Trindade, editor do Jornal “Fala Alta”, de circulação local, recebeu juntamente com sua filha Juliana de Lourdes Santos Trindade a quantia de R$ 54.530,00 pela confecção do jornal “Fala Alta”, um jornal estritamente feito para promover a figura do ex-prefeito. Os documentos de despesas com esse jornal foram juntados pela defesa, conforme fls. 07/30 dos autos. O denunciante ainda afirmou que existe outro jornal pago com recursos municipais para promover o ex-prefeito e o seu filho, chamado Jornal da Cidade, este último é da empresa Nova Era – Assessoria e Marketing, tendo como favorecido dos pagamentos, o Sr. Cosmo José de Brito. Na conclusão, A Unidade Técnica identificou pagamentos pela confecção do Jornal “Fala Alto” da ordem de R$ 68.440,00 (R$ 28.100,00 em 2005 e R$ R$ 40.340,00). Foram consideradas irregulares as publicações por contrariar o art. 37, § 1º da Constituição Federal, uma vez que em tais publicações não podem constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou de servidores públicos. Em relação ao jornal “A Cidade”, a Auditoria também identificou pagamentos que totalizam R$ 14.150,00 (R$ 10.000,00 em 2005 e R$ 4.150,00 em 2006). Tais publicações possuem características de promoção pessoal do ex-prefeito e do filho candidato a deputado estadual na época. O Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, Prefeito do Município, foi citado para apresentação de defesa. Veio aos autos, conforme documentos anexados de fls. 134/47. Do exame dessa documentação, a Unidade Técnica emitiu novo relatório de fls. 149/51, com as seguintes considerações: A defesa alegou que as despesas foram decorrentes de publicações de atos do Governo Municipal e que nos documentos extraídos do próprio processo fica demonstrado que as publicações focam as ações administrativas , tais como: entrega de diplomas, entrega de peixes, etc. Também alegou que não existe nenhum impedimento legal pelo fato do Sr. Williams Olegário da Trindade, editor e proprietário do jornal “Fala Alta”, ser funcionário da Assembléia Legislativa do Estado. Fez comparações entre o valor gasto com publicações e o valor total da despesa do município, ficando demonstrado que as despesas com esse jornal corresponderam a 0,004% e 0,006% do total das despesas dos anos de 2005 e 2006, respectivamente. Ressaltou ainda que em nenhum momento se fez questionamentos quanto à execução dos serviços. E por fim, alegou que as aquisições das edições do jornal serviram exclusivamente para atos administrativos informativos, onde eram disponibilizados em diversas dependências do município, com o intuito de divulgar e dar transparência às ações do município.

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Quanto ao Jornal da Cidade os exemplares anexados ao processo demonstram que a atuação do jornal não se prende apenas ao município de Santa Rita, mas sim a região metropolitana de João Pessoa. O fato de estar relacionada em algumas páginas a candidatura à deputado estadual de Flaviano Quinto, trata-se de matéria independente do jornal. Em todo jornal publicitário existem colunas pagas e colunas de informação e demais divulgações do próprio jornal, onde não teve nenhuma vinculação com o município. Afirmou que a Administração buscou o atendimento aos ditames legais. Em nenhum momento agiu de má fé, se houve alguma falha foi de ordem formal não causando nenhum dano ao erário. A Unidade Técnica diz que a defesa tenta comprovar que as despesas, objeto da denúncia, representam um ínfimo percentual em relação ao total das despesas do município, e que as matérias editoriais e citação do slogan de campanha do ex-Prefeito (Governo Povo da Silva), para vincular a realização de obras municipais, teriam apenas caráter informativo. São duas vertentes na defesa, sendo que a primeira delas (percentual de gastos com publicidade em relação ao total dos gastos do município) não é objeto do presente processo. Em relação à segunda (caráter promocional pessoal das autoridades) a defesa não traz nenhum fato capaz de elidir a irregularidade. A Constituição Federal, em seu art. 37, § 1º dispõe que todos os atos da Administração Pública devem ser divulgados com observância ao princípio da impessoalidade. Assim, a pavimentação de uma rua não pode ser atribuída a um determinado prefeito, mas sim à prefeitura. Da mesma maneira, a utilização de slogans de campanhas eleitorais em matérias custeadas com recursos públicos, não parece ter qualquer caráter educativo ou informativo ou de orientação social, mas tão somente de se associar determinado candidato à administração pública. O Princípio da Impessoalidade busca então assegurar que as realizações da Administração Pública não sejam atribuídas a funcionário A ou B, mas exclusivamente à entidade, órgão ou repartição que a efetiva. O que se viu no farto material anexado ao processo são publicações que comprovam o caráter promocional pessoal do Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho e do seu filho Flaviano Quinto, apenas a título de exemplo, verificamos as chamadas da capa do jornal às fls. 63: “Saiba porque Marcus Odilon é o melhor prefeito do Brasil” inclusive com a foto ex-prefeito. Outra chamada: “Políticos Santaritenses se unem em prol da candidatura de Flaviano Quinto”. O uso de recursos para custear a tiragem de determinados veículos de comunicação não pode ser dissociado da responsabilidade de quem contrata os serviços pelo conteúdo das matérias ali publicadas, uma vez que faz parte do poder-dever da autoridade pública zelar pela aplicação das normas legais. É de se notar que as tiragens das edições desses jornais foram adquiridas pela prefeitura, fazendo as vezes de uma publicação direta, porta-voz da própria administração. Na conclusão, a Unidade Técnica entende como procedente a denúncia e sugere a imputação do débito de R$ 82.590,00 relativos aos gastos com publicações. Em seguida o processo foi enviado ao Ministério Público que, através do Douto Procurador Marcílio Toscano Franca Filho, emitiu o Parecer nº 1223/2011, às fls. 152/3, ressaltando que, no caso em apreço, foi constatada evidente publicidade de cunho promocional pessoal, devidamente comprovada nos autos às fls. 37/104. Tal fato fere frontalmente o princípio da impessoalidade e viola, sobremaneira, o disposto no art. 37, § 1º da CF/88. De mais a mais, tem se a comprovação de ato de gestão ilegítimo ou antieconômico de que resulte injustificado dano ao erário. Tal fato enseja aplicação de multa com fulcro nos arts. 55 e 56 da LOTCE.

EX POSITIS, alvitra o Representante do Ministério Público junto a esta Corte de Contas, preliminarmente, pelo recebimento da denúncia e, no mérito, em harmonia com a d. Auditoria, pela sua procedência, com imputação de débito e aplicação de multa ao responsável.
É o relatório. O denunciado foi intimado para a presente sessão!

Antônio Gomes Vieira Filho Auditor Relator

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VOTO
Considerando as conclusões a que chegou o órgão de instrução, bem como o parecer oferecido pelo Ministério Público Especial, voto para que os membros da 1ª CÂMARA do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, 1) Recebam a presente denúncia; 2) Julguem-na PROCEDENTE; 3) IMPUTEM ao Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, ex-Prefeito do Município de Santa Rita, débito no valor de R$ 82.590,00 (Oitenta e dois mil, quinhentos e noventa reais) referentes a despesas com publicidades de cunho promocional pessoal, assinando-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento dessa quantia aos cofres do município, sob pena de cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o vencimento daquele prazo, na forma da Constituição Estadual; 4) APLIQUEM ao Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, ex-Prefeito do Município de Santa Rita, MULTA no valor de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e dez centavos), conforme dispõe o art. 56, inciso II, da Lei Complementar Estadual nº 18/93; concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 3º da Resolução RN TC nº 04/2001, sob pena de cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o vencimento daquele prazo, na forma da Constituição Estadual; 5) RECOMENDEM a atual gestão municipal estrita observância às normas legais quando da realização das despesas públicas. É o voto !

Cons. Subst. Antônio Gomes Vieira Filho Relator

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
1ª CÂMARA

Processo TC nº 05.903/08
Objeto: Denúncia Órgão: Prefeitura Municipal de Santa Rita Prefeito Responsável: Marcus Odilon Ribeiro Coutinho Patrono/Procurador: Não consta
Denúncia contra o ex-Prefeito do Município de Santa Rita, Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho. Pelo Recebimento e Provimento. Imputação de Débito. Aplicação de Multa. Recomendação.

ACÓRDÃO APL - TC - 1.406/2013
Vistos, relatados e discutidos os autos do processo TC Nº 05.903/08, que trata de denúncia encaminhada pelo Sr. Clóvis Alves de Oliveira Filho, ex-vereador do Município, contra o Prefeito de Santa Rita PB, Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, acerca de irregularidades praticadas no exercício de 2005/2006, ACORDAM os membros da 1ª CÂMARA do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, à unanimidade de votos, em sessão plenária realizada nesta data, na conformidade do relatório da Unidade Técnica e do voto do Relator, partes integrantes do presente ato formalizador, em: I. II. Receber a presente DENÚNCIA; Julgá-la PROCEDENTE, para os efeitos de:

a) IMPUTAR ao Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, ex-Prefeito do Município de Santa Rita, DÉBITO no valor de R$ 82.590,00 (Oitenta e dois mil, quinhentos e noventa reais) referentes a despesas com publicidade de cunho promocional pessoal, contrariando o art. 37, § 1º da Constituição Federal de 1988; assinando-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento dessa quantia aos cofres do município, sob pena de cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o vencimento daquele prazo, na forma da Constituição Estadual; b) APLICAR ao Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, ex-Prefeito do Município de Santa Rita, MULTA no valor de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e dez centavos), conforme dispõe o art. 56, inciso II, da Lei Complementar Estadual nº 18/93; concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 3º da Resolução RN TC nº 04/2001, sob pena de cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o vencimento daquele prazo, na forma da Constituição Estadual; c) RECOMENDAR a atual gestão municipal estrita observância às normas legais quando da realização das despesas públicas.

Publique-se, notifique-se e cumpra-se.
TC – Sala das Sessões da 1ª Câmara - Plenário Conselheiro Adailton Coelho da Costa

João Pessoa, 06 de junho de 2013.
Cons . Fernando Rodrigues Catão Cons. Subst. Antônio Gomes Vieira Filho

No exercício da Presidência
Fui presente. REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Relator