FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

O PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA NO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: PERSPECTIVAS ATUAIS

Projeto de Pesquisa apresentado para elaboração de Dissertação de Mestrado, sob orientação de

professor a ser definida conforme Edital FD/PÓS/SEL. nº 05/2012.

Rômulo Cristiano Coutinho da Silva

SÃO PAULO 2012

SUMÁRIO

1. DELIMITAÇÃO DO TEMA ....................................................................................... 3 2. JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 16 3. OBJETIVOS ............................................................................................................... 17 4. DESENVOLVIMENTO............................................................................................. 18 5. METODOLOGIA....................................................................................................... 19 6. CRONOGRAMA ....................................................................................................... 20 7. BIBLIOGRAFIA PRELIMINAR .............................................................................. 21

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p. aversão nos contribuintes. do antagonismo existente entre o interesse de um e do outro. São Paulo: Revista dos Tribunais. a primeira e mais instintiva reação do contribuinte perante exigências tributárias é teoricamente aquela de abster-se ao seu cumprimento” (TÔRRES. São Paulo: Dialética. Ainda com relação a essa instabilidade de convivência entre Fisco e contribuinte. 2008. Sob este aspecto. talvez por sua origem impositiva. desde os primórdios. Marco Aurélio. por outro. ou seja. acabou deixando o legado de permanente resistência dos contribuintes quanto à apropriação compulsória do seu patrimônio por parte do Erário. Planejamento Tributário. p. Neste cenário em que o contribuinte pretende diminuir o impacto fiscal sobre seus custos. Direito tributário e direito privado: autonomia privada. a ponto de IVES GRANDA DA SILVA MARTINS conceber o tributo como „norma de rejeição social‟. 2ª ed. a fim de assegurar a arrecadação de receitas para fazer frente aos custos da máquina administrativa. DELIMITAÇÃO DO TEMA A obrigação de pagar tributos gera. reduzindo ou retardando o pagamento de um tributo. 173). O tributo. interessante o relato feito por Marco Aurélio Greco com relação à evolução social e sua consequente influência na visão da doutrina brasileira quanto ao tema da elisão fiscal. notadamente para garantir o atendimento das necessidades públicas. De acordo com o autor. cabe ao Estado exigir o cumprimento da legislação tributária. Heleno Taveira. dentro da legalidade. Marco Aurélio Greco adverte: “quando mencionamos planejamento tributário. o que se percebe com clareza é que ao longo da história a relação entre Fisco e contribuinte tem sido marcada por uma certa tensão.191). Acerca do planejamento tributário. decorrente.1. que possibilitem a redução da carga tributária de modo legítimo. 1 Se por um lado o contribuinte busca minimizar seus custos tributários evitando. 3 . “É típico das décadas de 40 a 70 ver a tributação como agressão ao patrimônio individual. sobretudo. estamos falando do conjunto de conduta que o contribuinte pode realizar visando buscar a menor carga tributária legalmente possível” 2 1 Neste ponto. por meio da prestação dos serviços públicos que lhe foram incumbidos pela Constituição Federal. simulação. Heleno Taveira Torres diz que se pensarmos sob o ponto de vista da “sociologia (ou psicologia) do direito tributário. 2003. elusão tributária. surge o tema do planejamento tributário e o histórico debate acerca dos limites normativos existentes no Sistema Constitucional Tributário pátrio. como se entre o indivíduo e o Estado houvesse uma oposição absoluta (GRECO.

São Paulo: Dialética. São Paulo: Dialética. constitucionalmente assegurado. MARTINS. e MENEZES. cit. pois estas se configuram quando há situações em que o ordenamento jurídico torna possível ao contribuinte a escolha de mais de um caminho um deles pode ser. simulação e norma antielisiva . p. 129. quanto no âmbito das denominadas “opções fiscais”. Tipicidade da tributação. Planejamento Tributário. XAVIER. Na opinião de muitos autores4. decorrente de atos e negócios jurídicos lícitos. 63. cit. 68. p. esse direito do contribuinte de organizar-se fiscalmente tem como fundamento. 106-115. Elisão tributária: limites normativos. Planejamento Tributário..3 Apesar da observação feita pelo autor. Assim... São Paulo: Quartier Latin. Ives Granda Martins. o entendimento majoritário é o de que o planejamento fiscal se revela como uma verdadeira economia legítima de tributos. Planejamento Tributário: elisão e evasão fiscal. 4 GODOI. tais conceitos acabam sendo colocados imediatamente como sinônimos de manipulação da forma jurídica e 2 3 Planejamento Tributário. p.114. a livre iniciativa e a propriedade privada. cit. 101-102.117-118.5 Contudo. Financeiro e Tributário da FDUSP. Revista Dialética de Direito Tributário. Trata-se de garantia que não pode ser suprimida. São Paulo: Dialética. Paulo Ayres. Alberto. “os contribuintes têm o direito.. § 4º. n. parágrafo único do CTN. da Magna Carta”. 2008. Tese de Livre Docência apresentada ao Departamento de Direito Econômico. por força do que dispõe o art. 2002 (1ª reimpressão da edição publicada em 2001). 60. asseguradas constitucionalmente a liberdade contratual. Miguel Delgado. ainda. Direito tributário e direito privado: autonomia privada.O autor faz a ressalva. Revista Dialética de Direito Tributário. enquanto o planejamento se está no âmbito das “substituições jurídicas” e “montagens” feitas pelo contribuinte. 362-363.. p. p. 2000. 116.. IV. p. mais oneroso que o outro -.117. 2001. Paulo Lucena de.. p... sobretudo.. 159. Elisão fiscal (parecer). realizados sem qualquer tipo de violação à legislação tributária vigente. São Paulo: USP. de que o planejamento tributário se diferencia das “opções fiscais”. nem mesmo por intermédio de emenda constitucional. A figura da “fraude à lei tributária prevista no ar t. 4 . n. p. 111. 2006. Conforme sublinha Paulo Ayres Barreto. Marciano Seabra de. a autonomia da vontade e o princípio da legalidade da tributação.. GUTIERREZ. p. o planejamento opera tanto na identificação de espaços e circunstâncias da atividade econômica que não tenham sido objeto da norma de tributação. de estruturarem seus negócios livremente. cit.. 5 BARRETO. simulação. inclusive. elusão tributária. eventualmente em razão do uso de expressões como “substituições jurídicas” e “montagens” por vezes utilizadas pela doutrina.

desde já.desvirtuamento da causa objetiva do negócio jurídico. que diz respeito à existência de verdadeira zona cinzenta sobre o que poderia ser considerada uma economia tributária legítima. torna-se imprescindível que sejam feitas as devidas ponderações sobre o estudo pioneiro do saudoso Antonio Roberto Sampaio Dória. 43). O fato dele se planejar não remete. Hermes Marcelo. ou a desconstituição do ato ou negócio jurídico pela autoridade administrativa (art.6 Nos casos em que a menor carga tributária tenha sido obtida a partir da realização de atos e negócios jurídicos ilegais. Trata-se de premissa necessária. 5 . de forma alguma. Eis o primeiro objeto de análise do presente trabalho: os limites normativos do planejamento tributário e o âmbito de atuação da norma inserta no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. VII. importante destacar. elusão tributária e figuras afins. 116. CTN). “A escolha do caminho negocial menos oneroso é chamada por alguns como planejamento tributário. Evasão e Elisão: rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. reduzir ou retardar o pagamento do tributo. evasão. tornase habitual a presença de tratamento preconceituoso por parte da Administração tributária acerca do planejamento tributário. que o contribuinte que se organiza fiscalmente não dever ser visto como alguém que se aproveita de meios ilegais para evitar. surge um tema bastante controverso e de grande repercussão tanto na doutrina. do CTN). necessariamente. para que haja incursão mais profunda na questão da insegurança jurídica verificada atualmente no contexto do planejamento tributário. 149. nos conceitos da elisão. que deve ser fixada. Ao adentrar no campo da evasão fiscal. mas sim outras figuras do direito capazes de gerar ou a constituição imediata do crédito por meio do lançamento de ofício (art. Como consequência disso. parágrafo único. assim entendia a prática do contribuinte em organizar sua atividade de modo a minimizar sua carga tributária. 1997. sem cometer qualquer infração fiscal ou atos considerados nitidamente evasivos” (HUCK. Apesar disso. não estaria mais em evidência o planejamento tributário. O instituto é apresentado pelo 6 Conforme destaca Hermes Marcelo Huck. p. Diante deste quadro. quanto na jurisprudência tributária. Neste campo específico. São Paulo: Saraiva. o estudo irá esbarrar. à ideia de que estaria agindo com o propósito de sonegar ou fraudar o Fisco.

80.7 Dentre as diversas balizas conceituais estabelecidas pelo autor. Ricardo Mariz de.. FERRAGUT. São Paulo: Bushatsky. p. 67. Ricardo Mariz de. p. justificando-o em face da contradição implícita do termo evasão lícita. Evasão Fiscal: o Parágrafo Único do Art. já que o substantivo evasão carregaria em si próprio uma conotação de prática de ato ilícito. p. ao tratar da evasão legítima. 9 Por exemplo. já vem matizada. n. cit. num caso. a partir dos estudos do autor. 1977. 83-85. 2ª ed. 102. abstraídos os qualificativos. Elisão e Evasão Fiscal. Analogia em Direito Tributário – Interpretação Econômica e Norma Geral Antielisiva.45. Paulo Adyr Dias do. pleonástico e. 2004. 7 8 DÓRIA. Revista Dialética de Direito Tributário. p. Reinterpretando a Norma Antievasão do Parágrafo Único do Art. ônus tributário. incompatível”. 2002. 116 do Código Tributário Nacional. 6 . Esse pioneirismo também contribuiu de forma substancial para o estudo do tema.. n. p. Pois hoje evasão sugere de imediato a fuga ardilosa. por meios lícitos. OLIVEIRA. 98. São Paulo: Dialética.9 Ademais. sinuosa. São Paulo: Dialética.renomado professor de diferentes formas. p.88. 2001. ilícita em suma. Revista Dialética de Direito Tributário. Na linha de raciocínio do autor.8 O delineamento conceitual acima mencionado representou marco importante no estudo do planejamento tributário. 32. Revista Dialética de Direito Tributário. 116 do CTN e os Limites de sua Aplicação. acrescentar-lhe os adjetivos ilegal e legal seria. Lucros de coligadas e controladas no exterior e aspectos de elisão e evasão fiscal no direito brasileiro e no internacional. que serão estruturadas de acordo com o comportamento do indivíduo quando se vê diante de uma obrigação tributária real ou em potencial. 117-119.. inúmeros autores passaram a se alinhar à ideia de que o termo “evasão” não deve ser associado de forma alguma à realização de atos e negócios jurídicos lícitos. a um dever ou obrigação (ex. furtiva. evasão de presos). n. em sua acepção moderna de certas conotações que a tornam particularmente inadequada para exprimir um ato legal como é o de evitar. já que. Revista Dialética de Direito Tributário. Sampaio Dória foi o grande idealizador dos critérios cronológico e da licitude para diferenciar uma conduta evasiva de uma conduta elisiva. Elisão e Evasão Fiscal. 76. ele irá preferir a adoção do termo elisão fiscal. São Paulo: Dialética. São Paulo: Dialética. “a palavra evasão. Ora. Maria Rita. n. 2002. no outro. dissimulada.. Antônio Roberto Sampaio. já que. AMARAL. OLIVEIRA.

ainda há grande dificuldade em definir os limites entre o que seria uma elisão e uma evasão fiscal. Entretanto. Desta feita. Manuel González Sanchéz. emerge a denominada elusão fiscal. embora os negócios aparentes estejam acobertados de legalidade. p. como. ni intento de burlar una norma amparándose en otras. sinônimo de planejamento tributário. El fraude de la ley en materia tributaria. Porém.. 110-190. p. muitos ainda são os autores que adotam exclusivamente os referidos critérios para distinguir os diversos casos. na doutrina estrangeira. 36).atualmente. 7 . por sua vez. 1993. Assim. foi criada no âmbito do planejamento 10 OLIVEIRA. estudada de modo mais profundo na doutrina nacional por Heleno Taveira Torres. sendo. 11 Direito tributário e direito privado: autonomia privada. cit.. mas desprovidos de causa. Ricardo Mariz de. sino que exige la no tipificación como hecho imponible de una conducta o la posible elección de uno u outro hecho imponible sin violación normativa” (SANCHÉZ. a elusão pode ser entendida. Salamanca: Plaza Universitaria. entre as zonas de certeza do legal e do ilegal. elusão tributária. es decir evitar la carga tributaria u obtener una carga tributaria menor a través de mecanismos lícitos. a despeito dos critérios idealizados por Sampaio Dória. De forma sintética. 92. são os de evitar a aplicação da lei tributária por meio da manipulação ilegal das formas jurídicas... como a prática de atos lícitos no âmbito do direito privado. por exemplo. com fraude à lei ou simulação. portanto. Reinterpretando a Norma Antievasão do Parágrafo Único do Art. 12 Há aqueles que entendem.. especialmente em face da legislação fiscal. a primeira deve ser entendida como uma economia legítima de tributos. que diz: “El término elusión.10 Pode-se afirmar que existe certo consenso na doutrina no que se refere à dicotomia entre elisão e evasão. no implica ni alteración del hecho imponible.. se caracteriza por ser uma prática ilegal do contribuinte ao buscar se omitir ou encobrir a ocorrência do fato ensejador da tributação. com o advento do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. que a elusão se caracteriza pela prática de atos lícitos. 116 do Código Tributário Nacional. Neste verdadeiro campo minado. simulação. as condutas elusivas poderiam levar a crer que seriam comportamentos lícitos do contribuinte.11 Inicialmente. seus efeitos. por sua aparência legal. A segunda. incorporado no ordenamento jurídico-tributário brasileiro por meio do artigo 1º da Lei Complementar nº 104 de 2001. Manuel González. cit. no direito pátrio12. quando vistos sob o viés da legislação tributária. o que colocaria a figura da elusão no campo da ilicitude.

2010. posto que embora a exposição de motivos revele o intuito de se combater o planejamento tributário perpetrado com abuso das formas jurídicas ou abuso de direito. Paulo Ayres. são inúmeros os debates acalorados na doutrina tanto com relação aos limites que efetivamente o parágrafo único do artigo 116 do CTN impôs ao planejamento tributário. In ROCHA. v. quanto no que se refere à sua natureza jurídica. dessa forma.fiscal aquela que é denominada por grande parte da doutrina como norma geral antielisiva.13 Desde então. com a inclusão do parágrafo único. Valdir de Oliveira. norma que permita à autoridade tributária desconsiderar atos ou negócios jurídicos com a finalidade de elisão. o comando prescritivo verdadeiramente inserido no sistema constitucional-tributário com o acréscimo do parágrafo único ao artigo 116 do Código Tributário Nacional assim dispõe. a norma efetivamente inserida no sistema autoriza a autoridade administrativa a desconsiderar tão somente atos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador. 15. 8 . “no âmbito da legislação brasileira. A exposição de motivos da Lei Complementar nº 104/2001 justificou a modificação ocorrida no artigo 116 do CTN na necessidade de se fazer estabelecer. São Paulo: Dialética. Planejamento Tributário: Perspectivas Jurisprudenciais.). portanto. referida alteração legislativa tinha por objetivo inserir no ordenamento jurídico pátrio um mecanismo para assegurar uma arrecadação tributária eficaz. No entanto. vedando-se. Sob o ponto de visa ontológico. que houve evidente descompasso entre o processo de enunciação da norma e seu enunciado-enunciado. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. planejamentos tributários abusivos. em instrumento eficaz para o combate aos procedimentos de planejamento tributário praticados com abuso de forma ou de direito”. observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária” Nota-se. Grandes Questões Atuais de Direito Tributário . in verbis: “Parágrafo único. 298-299. (Org. p. constituindo-se. Sob o ponto de 13 BARRETO.

p. Há longos anos discorre-se na doutrina sobre a possibilidade de ter havido. Miguel Delgado. elusão tributária. cláusula anti-simulação17 ou antiabuso18. CASSONE. Evasão Fiscal: o Parágrafo Único do Art. FILHO. simulação. 243. 119. Os Limites do Planejamento Tributário em face da Lei Complementar nº 104/2001. 2001. cit. ainda. 9 . cit. simulação e norma antielisiva. constitucional e administrativo. Elisão tributária: limites normativos. IOB – Repertório de Jurisprudência: tributário. Direito tributário e direito privado: autonomia privada. Luis Eduardo. p. Revista Dialética de Direito Tributário. cit. antielusiva16.. 16 TÔRRES. tal norma tem sido denominada pelos doutrinadores brasileiros das mais diversas formas: norma geral antielisiva14. Revista Dialética de Direito Tributário. Tipicidade da tributação. n. em grande 14 15 GRECO.. 468... São Paulo: IOB.. Edmar Oliveira Andrade. n. AMARO. 116 do CTN. a solidariedade e a justiça fiscal. baseada numa suposta eficácia positiva conferida a tal princípio. n. p. Direito Tributário Brasileiro. antievasiva15.. 128. São Paulo: Dialética. p.. 19 MARTINS. p. as diferentes denominações acima mencionadas para identificar a natureza jurídica do parágrafo único do artigo 116 do CTN.. Vittorio. São Paulo: IOB.. elusivas. bem observou Paulo Ayres Barreto: “É possível. 17 GUTIERREZ. 2003.. p.. Marco Aurélio. p. p. apenas assim se conseguira garantir a igualdade.. cit.. p. Luciano. simuladas ou abusivas por parte do contribuinte.. 52.. São Paulo: Dialética. 354.. Paulo Ayres. OLIVEIRA.. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva. Revista de Direito Tributário Atual. 98-99. 15ª ed.. então. Norma Antielisão Tributária e o Princípio da Legalidade. cit. n. surgindo. destaca-se a corrente “moderna”. a depender da premissa adotada por cada estudioso do tema.. 2001. De um lado encontra-se a corrente “tradicional”. 328. 2005. a intenção de limitar. Norma Antievasão Fiscal LC nº 104/2001. de modo que se assegure a liberdade negocial e a autonomia privada19. p. cit... 282. p.. Ives Granda Martins. 31 20 GRECO. 33. no contexto do planejamento tributário. 116 do CTN e os Limites de sua Aplicação. evasivas. Interpretação do Parágrafo Único do Art. Tipicidade da tributação. 361. Planejamento Tributário. Ricardo Mariz de.. simulação e norma antielisiva. cit. 238. São Paulo: Dialética. 10. cit. XAVIER. 119. FILHO. p. Segundo esta corrente. BARRETO. cit. São Paulo: Saraiva. FERRAGUT. constitucional e administrativo. 10. com tal alteração legislativa.. Heleno Taveira. 99-101. IOB – Repertório de Jurisprudência: tributário. Com relação a tais divergências. Planejamento Tributário. Marco Aurélio. p. Do outro. 18 SCHOUERI. Planejamento Tributário: Limites à Norma Antiabuso.. 2010. p. Lucros de coligadas e controladas no exterior e aspectos de elisão e evasão fiscal no direito brasileiro e no internacional. Tal fato decorre. 72. Maria Rita. 2009. à Luz da Segurança Jurídica.. Planejamento Tributário: elisão e evasão fiscal. p. Alberto. 368-369. n 24. XAVIER.vista específico da sua natureza jurídica. da qual fazem parte estudiosos que sustentam a primazia do princípio da capacidade contributiva no contexto do planejamento20. condutas elisivas. Alberto. notar a abissal distância e ntre as principais correntes que se digladiam sobre o tema.. composta por doutrinadores que defendem uma interpretação mais rígida do princípio da legalidade.

associada a essa discrepância doutrinária estabelecida em torno dos limites do planejamento tributário. Valores que apontam em sentidos diversos e que são considerados. fato este que tem dificultado cada vez mais a identificação dos verdadeiros limites do que pode ser considerada uma economia legítima de tributos. uma resposta inequívoca: qualquer posicionamento a ser adotado deve preceder de uma análise minuciosa acerca dos valores que norteiam o sistema tributário nacional. por uma ou outra correntes. 10 . Verifica-se. tem tido reflexo direto nas requalificações dos atos e negócios jurídicos por parte da autoridade administrativa e nos tribunais administrativos e judiciais. as seguintes indagações: o conteúdo normativo constante do parágrafo único do artigo 116 do CTN contempla as figuras da fraude à lei. São pertinentes. um importante descompasso no sopesamento de valores constitucionalmente plasmados. sobretudo. com maior ou menor ênfase. do negócio jurídico indireto. como também se fundamentar no Sistema Constitucional Tributário vigente. produzem propostas interpretativas radicalmente díspares”21 Atualmente. 21 Planejamento Tributário: Perspectivas Jurisprudenciais.parte. 301. p. cit.. A consequencia imediata deste cenário é a enorme insegurança jurídica que paira sobre o tema do planejamento fiscal... a aplicação da teoria do business purpose ou a pretensa eficácia positiva do princípio da capacidade contributiva como fundamentos para que a autoridade administrativa desconsidere determinados atos ou negócios jurídicos praticados pelo contribuinte. ainda que tenham sido realizados com o fim exclusivo de economizar tributos? Há. da simulação (relativa e/ou absoluta)? Foram positivados no ordenamento jurídico-tributário pátrio o abuso das formas e o abuso do direito? O Sistema Constitucional Tributário brasileiro comporta a interpretação econômica. então. também. a alteração legislativa decorrente da inserção do parágrafo único no artigo 116 do Código Tributário Nacional. distintas visões sobre os efeitos das normas de direito privado sobre o Direito Tributário. todas as premissas devem ter como ponto de partida a Constituição Federal brasileira. Noutras palavras. dos diferentes pontos de partida das correntes doutrinárias apresentadas. Há. para todas estas perguntas.

direitos fundamentais e proibição de retrocesso social no Direito Constitucional brasileiro. n. 22 23 Planejamento Tributário: Perspectivas Jurisprudenciais.Desse modo. o que inclui não apenas uma compreensão do significado e conteúdo do direito à segurança jurídica. análise mais acurada sobre o conteúdo e o significado do direito à segurança jurídica.. de modo a permitir que o administrado possa antecipar os efeitos de suas ações. Sob este prisma. 14. assim como os princípios constitucionais fixados na Lei Maior. sendo certo.23 Por certo que a ênfase que merece o princípio da segurança jurídica não implica na compreensão de que esse princípio não possa conviver harmonicamente com outros de semelhante envergadura. p. na medida em que “levar a sério a segurança jurídica implica a análise de todas as suas dimensões. A Eficácia do Direito Fundamental à Segurança Jurídica: dignidade da pessoa humana. busca-se eliminar a discricionariedade da atuação da autoridade administrativa. de fato. especialmente no contexto do planejamento tributário. de forma a prestigiar os comandos normativos na sua exata dimensão. partindo do pressuposto de que o ordenamento jurídicotributário pátrio prestigia o princípio da segurança jurídica como um de seus pilares de sustentação. a certeza no direito. “os valores que norteiam o sistema tributário nacional prestigiam. mas alcança igualmente o problema de sua eficácia e efetividade”. 313. que age aplicando regras”22 Nesse aspecto. mas também como um direito fundamental. v. novamente recorrendo aos ensinamentos de Paulo Ayres Barreto. Esse aprofundamento é essencial. para a autoridade administrativa e para o Judiciário. que se constitui não só como um princípio. Em matéria tributária labora-se no sentido de superar as ambiguidades sistêmicas. Adverte-se. SARLET. p. que tal princípio destaca-se no âmbito do planejamento tributário. o estudo do tema do planejamento tributário requer que se tenha em vista as diversas garantias conferidas ao contribuinte na Carta Magna. 11 .. que servem de norte para o legislador tributário. cit. São Paulo: Revista dos Tribunais. torna-se necessário que seja feita.. Prestigia-se a segurança jurídica. 7. porém. sobremodo. Ingo Wolfgang. out/dez 2008. valoriza-se a previsibilidade da ação estatal. Revista de Direito Constitucional e Internacional. igualmente. a segurança jurídica e a estrita legalidade. nos estudos a serem realizados. 57.

2ª ed. Paulo de Barros. Souto Maior. cit. CARVALHO. Revista de Direito Tributário. o planejamento tributário está intimamente ligado à segurança jurídica. p. não terá eficácia. 206-210. clareza. na verdade.26 Desse modo. significativamente. 74-90.24 Por ser tido pela doutrina como um sobprincípio25. opera no sentido de circunscrever ao máximo as possíveis incertezas. 104). CARRAZA.. assim. porque. O Princípio da Segurança Jurídica em Matéria Tributária. p. que devem agir em obediência ao princípio da legalidade. por isso que dizemos que segurança 24 Nesse sentido. por exemplo. São Paulo: Revista dos Tribunais. BORGES. a partir do Texto Constitucional. o princípio da segurança jurídica deve ser observado. que operacionaliza tal segurança por meio dos seus núcleos funcionais da certeza. 184. a estabilidade das relações jurídicas.. 2012. confiabilidade e estabilidade sistêmicas. portanto. 463-466 e TORRES. Princípio da Segurança Jurídica na Criação e Aplicação do Tributo. n. p. p. necessariamente. confiança. a possibilidade de planejar ações futuras e a garantia da não-surpresa. 28ª ed. 63. Revista de Direito Tributário. anterioridade e outros mais. A segurança jurídica busca assegurar. 1993.. Heleno Taveira. Desta feita. efetiva-se pela atuação de outros princípios.. p. que se interligam diretamente às ideias de estabilidade jurídica. irretroatividade. ao assegurar-se um direito. o espaço para atuação administrativa de cunho discricionário” (Elisão tributária: limites normativos. Direito Constitucional Tributário e Segurança Jurídica: metódica da segurança jurídica do Sistema Constitucional Tributário. a previsibilidade da ação estatal. São Paulo: Malheiros. Curso de Direito Constitucional Tributário. o âmbito de atuação das autoridades administrativas. conforme advertiu magistralmente Diva Malerbi: “Só podemos separar direitos e garantias por elementos metajurídicos. São Paulo: Malheiros. então. 1992. Roque Antonio.Segundo a maior parte dos doutrinadores nacionais. 61. que a sua devida efetivação está umbilicalmente relacionada ao entrelaçamento destes outros princípios. Não há dúvidas. certeza e previsibilidade. caracterizando-se como uma das formas de manifestação do Estado Democrático de Direito. São Paulo: Malheiros. tais como legalidade. já que a possibilidade de planejar ações futuras requer um conhecimento prévio do sistema normativo e a certeza de que o ordenamento será devidamente observado. “Toda a legislação. n. para que se possa prever. para que seja ao um só tempo direito e garantia do contribuinte. segurança jurídica deve ser compreendida como um princípio plasmado na própria concepção de Direito. 25 Nesse sentido. 26 Segundo Paulo Ayres Barreto. se este direito não for garantido. pelos três Poderes. 12 . eliminando vaguidades e eventuais indeterminações de conceitos e reduzindo.

na prática. São Paulo: Malheiros. ora em simulação29. Recurso 143. Hodiernamente. não há uma uniformidade de critérios por parte dos Tribunais.2006. 13. na nossa Constituição. o que se nota. é a enorme preocupação dos juristas acerca da insegurança jurídica que se tem presenciado nos planejamentos tributários. j. 30 Primeiro Conselho de Contribuintes. 13 .12.11. Revista de Direito Tributário. Do modo como vem sendo aplicados os conceitos para justificar a manutenção do ato de desconsideração promovido pelo Fisco.980.2005 e publicado em 18. fraude à lei. este é um problema que vai depender da prática constitucional. 3ª. Apesar dessa ausência de uniformização ter como consequência sérios transtornos para os contribuintes que hoje pretendem se aventurar na realização do 27 MALERBI. impende destacar que essa questão da desconsideração do negócio jurídico por parte da autoridade administrativa não se releva importante apenas nas autuações feitas pelo Fisco. quanto à eficácia.jurídica. da prática do Executivo enquanto aplicador do direito. 207. é um sistema de garantias que o ordenamento jurídico oferece da sua própria eficácia. muitas vezes a autoridade administrativa não tem utilizado critérios objetivos para verificar a ocorrência dos planejamentos abusivos e justificar a desconsideração do negócio dissimulado. administrativos e judiciais. mas preocupa também com relação aos argumentos utilizados pelos órgãos julgadores nacionais para manter a desconsideração realizada pela autoridade fiscal.2007. 29 Recurso Extraordinário 268586/SP. etc. Câmara. j. São utilizados conceitos diferentes para a desconsideração de negócios jurídicos que se assemelham.05. Primeira Turma. Câmara. propósito negocial30. 28 Primeiro Conselho de Contribuintes. abuso de direito.795. Relator Min. n. 1ª. da prática do Judiciário. p. Se será ou não eficaz.05. julgado em 24. Ora fala-se em abuso de forma28. Ademais. resta ao contribuinte navegar no mar da insegurança jurídica ao realizar o planejamento tributário. v. enquanto aplicador do direito”27 Todavia. Recurso 152. 25.2005. Diva. Por haver verdadeira zona cinzenta entre a elisão e a evasão. 47. Segurança Jurídica e Tributação. nos moldes do parágrafo único do artigo 116 do CTN. 05. da prática dos senhores como advogados. jan/mar 1989. Marco Aurélio. ao decidir casos semelhantes.

e (iv) que é a legislação tributária que define os efeitos fiscais e. em todas as suas dimensões. 1ª Sessão de Julgamento.2012. Trata-se de decisão extremamente importante no que diz respeito às premissas que pretendem ser fixadas no trabalho a ser elaborado. 1ª Câmara.708.532. (iii) que não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal. por isso. a decisão analisou o planejamento tributário realizado dentro dos limites previstos no Sistema Constitucional Tributário brasileiro. sendo frequentes. 7º e 8º da Lei nº 9. de 1997. acima de tudo. o ágio interno. algumas decisões pontuais merecem destaque pela correta interpretação dada ao caso. é legítimo. poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. em síntese. ainda que realizado com a única intenção de economizar tributos. desde que realizado nos estritos contornos da lei. na medida em que a identificação dos efetivos limites positivados no que refere à estruturação de operações com o escopo de 31 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 14 . Contudo. a 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu julgamento paradigmático através do Acórdão nº 1101-00. então. do ponto de vista pragmático. o estudo da segurança jurídica no planejamento tributário se faz extremamente necessário nos dias de hoje. Acórdão nº 110100. amortizado na incorporação reversa. autuações discricionárias por parte do Fisco e interpretações desuniformes por parte dos tribunais na análise das desconsiderações realizadas pela autoridade administrativa. Decidiu-se. 11. levando-se em consideração. (i) que o planejamento tributário. ao decidir sobre o aproveitamento do ágio interno nas operações de reestruturação societária de conhecida empresa siderúrgica nacional. Desse modo. sob a alegação de estar havendo abuso de direito.04. Nesse caso. (ii) que a previsibilidade da tributação é um dos aspectos fundamentais da segurança jurídica. a segurança jurídica que deve ser observada ao se julgar o tema.70831.planejamento tributário. j. Recentemente. verifica-se no contexto do planejamento fiscal verdadeiro abandono de alguns conceitos que integram a segurança jurídica.

33 32 33 O Princípio da Segurança Jurídica em Matéria Tributária.. de tal forma que a compreensão de outras unidades do sistema fica na dependência da boa aplicação daqueles vetores”32 Assim. Paulo de Barros Carvalho ensina: “Em termos de direito positivo. p. Nesse sentido. quanto dos órgãos julgadores. princípios são normas jurídicas portadoras de intensa carga axiológica. 88. jan/mar 2006.eliminar ou reduzir o pagamento de tributos tem. apesar do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional ter sua eficácia técnica-sintática condicionada à edição de lei ordinária. mas sim da interpretação equivocada tanto da autoridade administrativa. 15 . ÁVILA. diante deste cenário intrigante. p.. n. Humberto. no que se refere às premissas fixadas no âmbito do Sistema Constitucional Tributário pátrio para a requalificação dos atos e negócios jurídicos decorrentes de planejamentos abusivos. sobretudo porque. Princípios e Regras e a Segurança Jurídica. 200.. a ausência de segurança jurídica verificada atualmente não decorre da falta de regulamentação do referido dispositivo legal. o princípio da segurança jurídica. Destarte. 1. Revista de Direito do Estado. justifica-se o estudo projetado. Rio de Janeiro: Renovar. cit. “diferenciar os princípios das regras em razão do conteúdo axiológico dos primeiros é desconhecer a resistente dimensão axiológica das segundas”. marcado pela complexidade e pela atualidade do tema. como ponto de partida. no contexto do planejamento tributário.

sobretudo em razão da crise econômica por que passa o mundo. justifica-se o presente estudo na tentativa de identificar. quer durante a gestão daquelas sociedades já constituídas. Ademais. sempre respeitando os limites impostos pela lei. deve ser objeto de preocupação quer por ocasião da constituição da sociedade. significa aventurar-se no mar da insegurança jurídica. Assim. porque constitui ponto fundamental na organização da empresa. os gastos empresariais.2. 16 . assim. de modo que sejam evitados. o âmbito de atuação do Fisco na requalificação dos negócios jurídicos realizados pelo contribuinte e fixadas as premissas necessárias para que seja assegurada. o planejamento tributário se revela extremamente útil. o verdadeiro alcance da denominada norma geral antielisiva incorporada no ordenamento jurídico pátrio. a segurança jurídica nos planejamentos tributários. necessariamente. requer. realizar um planejamento tributário. uma vez que a prévia organização dos atos e fatos da vida empresarial é fundamental para que as atividades principais da empresa sejam desenvolvidas com o menor custo tributário possível. constante atenção no que se refere aos custos e despesas da atividade. em que pese a inexistência de qualquer norma que vede expressamente o contribuinte de estruturar seus negócios jurídicos com o fim exclusivo de obter economia fiscal. em que a obtenção de maiores lucros. Sendo assim. muitas vezes em razão das premissas equivocadas de que partem a autoridade administrativa e os órgãos julgadores para desconsiderar os atos e negócios jurídicos realizados nesse sentido. a partir de uma análise profunda do Sistema Constitucional Tributário nacional. JUSTIFICATIVA Atualmente as empresas encontram-se inseridas em um mercado altamente competitivo. a discussão acerca do planejamento tributário como forma de prever e dispor os negócios jurídicos do contribuinte de modo que haja uma economia de tributos. sobretudo. nos dias de hoje. ao máximo. torna-se extremamente relevante. No Brasil. a fim de que seja delimitado. Por essa razão. o planejamento tributário.

quanto do direito privado. Em síntese. Para tanto. pois enquanto o primeiro busca a redução da carga tributária e o menor ônus tributário possível. serão realizados estudos mais profundos sobre o princípio da segurança jurídica. Sob este aspecto. para determinar o alcance e aplicabilidade do parágrafo único do artigo 116 do CTN. para que. vez que se apresenta em paralelo à delimitação dos legítimos poderes do fisco de agir contra os infratores das leis tributárias. em suas raízes. tanto do direito tributário. OBJETIVOS O tema da elisão fiscal engloba conceitos complexos e de grande discussão na doutrina nacional. tendo em vista. no intuito de que sejam estabelecidas premissas sólidas que justifiquem os reais motivos que ocasionam o alto nível de insegurança jurídica verificado atualmente com relação ao tema. 116 do CTN. o trabalho a ser elaborado tem por objetivo analisar as diferenças reveladas pela doutrina sobre o que seja uma economia legal de tributos. Neste ponto. Será necessário ainda empreender firme debate em torno do direito constitucional à economia de tributos. o eterno conflito entre e o contribuinte e o Fisco. serão expostas as conclusões da pesquisa hermenêutica utilizada para identificar as efetivas limitações positivadas no ordenamento jurídico pátrio sobre o tema do planejamento tributário. a aplicabilidade do parágrafo único do art. 17 .3. preceder-se-á de uma análise esmiuçada dos institutos aplicados ao tema do planejamento fiscal. possa se fazer uma ponderação mais robusta sobre a existência no ordenamento jurídico pátrio de uma normal geral antielisiva. sobretudo. assim. o segundo busca assegurar a aplicação da legislação tributário no exercício do seu “poder-dever” de arrecadar as receitas públicas. partindo do Sistema Constitucional Tributário pátrio. O planejamento tributário e as suas formas de limitação traz. vez que os atos ou negócios jurídicos passíveis de desconsideração pelo referido parágrafo único evolvem ambos os campos do direito brasileiro. especialmente do princípio da segurança jurídica.

4. 6. Aspectos Atuais da Insegurança Jurídica nos Tribunais no Contexto dos Planejamentos Fiscais. 4. Fraude à lei. A denominada Elusão Tributária.2.2.1. Princípios da Legalidade e Tipicidade Tributária.2. O Fundamento Constitucional do Planejamento Tributário.3. DESENVOLVIMENTO Conforme aquilo que foi explicado na Delimitação do Tema. Princípio da Capacidade Contributiva.1.3. 3.3. O sobprincípio da Segurança Jurídica. 2. 6. Os Limites Positivados do Planejamento Tributário. 5. Isonomia e Solidariedade. Simulação. 6. na Justificativa e. A Confiança Legítima.4. 4.1. evasão e elusão. 9.2. 4. 6. a estruturação e o desenvolvimento da monografia se darão de maneira que sejam divididos os aspectos principais do trabalho. A Hermenêutica do Princípio da Segurança Jurídica nos Planejamentos Fiscais.2. 18 . O Sistema Constitucional Tributário brasileiro e o Planejamento Tributário. 6. 5. nos Objetivos.2. Noções introdutórias. O parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. 5. Evasão Tributária. Exposição de Motivos da Lei Complementar nº 104/01. Elisão. Conclusões. Interpretação Econômica e o “Business Purpose” . 4.1. 6. 5.2. 3.1. A Medida Provisória nº 66/02. 8.1 Processo de Enunciação da Norma e Enunciado-Enunciado. como se observa no seguinte sumário preliminar: 1. 6. 3. 3. 7. 10. principalmente.2. Elisão Fiscal. O Planejamento Tributário e as figuras do Direito Civil. Estabilidade das Relações Jurídicas e Previsibilidade das Ações Futuras. Negócio Jurídico Indireto.2 O abuso do direito e o abuso das formas.3.1.1.

também serão analisados os potenciais conflitos que a norma pode vir a criar: de caráter semântico. portanto. 19 . levando em consideração a finalidade da norma e os valores que ela consagra. após a descrição dos problemas verificados. de lege lata. teleológicos e axiológicos. encontrar respostas que inovem no ordenamento posto. analisar hipóteses de interpretação apontando aquelas que podem ser adequadas à sistemática do ordenamento. de compatibilidade sistemática. ou seja. METODOLOGIA Tendo. mas sim buscar alternativas. Desse modo. a pretensão de demonstrar o verdadeiro problema de interpretação do ordenamento jurídico no contexto dos planejamentos tributários. a monografia respeitará as funções da dogmática de descrever o objeto do problema e prescrever critérios para sua solução. sem qualquer alteração da legislação vigente. certamente. a tarefa da monografia será. Não se pretenderá.5. de reconstrução histórica (sentido originário do dispositivo) e lógicos. para interpretar o tema em questão. Já se pode antecipar que além dos problemas de interpretação mencionados.

Elaboração do capítulo 5 do trabalho.. Pesquisa a respeito dos aspectos que envolveram a criação do parágrafo único do artigo 116 do CTN. Pesquisa a respeito da evolução histórica dos conceitos de elisão.6. Ago/2013 IV V Elaboração do capítulo 1 do trabalho baseadas nas conclusões da pesquisa de que trata o item 1. Elaboração das considerações de como a característica relacional influencia a extinção do contrato. Mar/2014 VII VIII IX Elaboração dos capítulos 3 e 4 do trabalho a teor da pesquisa de que tratam os itens III e V. Dez/2014 Elaboração dos capítulos 7. Jun/2014 Ago/2014 Set/2014 X Elaboração do capítulo 6 do trabalho à luz da pesquisa de que trata o item IX. Pesquisa específica acerca do tema do planejamento tributário no âmbito do Sistema Constitucional Tributário nacional. principalmente no que tange se refere ao relacionamento de tais conceitos com o parágrafo único do artigo 116 do CTN. Pesquisa detalhada sobre o princípio da segurança jurídica. Jan/2015 20 . Out/2014 XI Pesquisa com relação à interpretação econômica e à teoria do “business purpose” aplicados no planejamento tributário. Elaboração do capítulo 2 da dissertação baseadas nas conclusões da pesquisa de que trata o item I. nos termos da pesquisa apontada no item VI. CRONOGRAMA Atividade Pesquisa a respeito de generalidades doutrinárias sobre os Conclusão Abr/2013 I fundamentos constitucionais do planejamento tributário. 8 e 9 com fundamento na pesquisa aponta nos itens IX e X. XII Revisão final e conclusão do trabalho. especificamente no que diz respeito ao contexto do planejamento tributário. II Jun/2013 III evasão e elusão tributária. Pesquisa sobre a interelação entre Direito Civil e Direito Set/2013 Nov/2013 VI Tributário.

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