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Sumário PARTE 1 – CONCEITOS DE TEORIA DO ESTADO ................................................................ 2 1. O ESTADO ................................................................................................................ 2 2. ELEMENTOS FORMADORES DO ESTADO ............................................................... 5 3. PODER POLÍTICO ..................................................................................................... 7 4. A REPARTIÇÃO INTERNA DO PODER POLÍTICO – AUTONOMIA ......................... 11 5. CLASSIFICAÇÃO DOS ESTADOS QUANTO À FORMAÇÃO – FORMA DE ESTADO 12 5.1. 5.2. ESTADOS UNITÁRIOS (OU SIMPLES)........................................................ 12 ESTADOS COMPOSTOS (OU COMPLEXOS) .............................................. 14

6. FORMA DE GOVERNO........................................................................................... 16 6.1. 6.2. 6.3. CONCEITO DE GOVERNO ......................................................................... 16 MONARQUIA ............................................................................................ 16 REPÚBLICA ................................................................................................ 18

7. REGIME DE GOVERNO OU REGIME POLÍTICO ..................................................... 20 7.1. 7.2. AUTOCRACIA ............................................................................................ 21 DEMOCRACIA ........................................................................................... 21

PARTE 2 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ......................................................................... 26 1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – VISÃO GERAL ..................................................... 27 2. ESQUEMAS PARA MEMORIZAR OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ..................... 29 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. SOBERANIA............................................................................................... 31 CIDADANIA ............................................................................................... 32 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA .......................................................... 33 OS VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA ................ 39 PLURALISMO POLÍTICO ............................................................................ 40

4. OBJETIVOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ........................................... 40 5. PRINCÍPIOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS .................................................... 43 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. DIREITOS HUMANOS................................................................................ 48 ASILO POLÍTICO ........................................................................................ 48 REPÚDIO AO TERRORISMO ..................................................................... 49 COMUNIDADE LATINO-AMERICANA ....................................................... 49
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PARTE 3 – PRINCÍPIOS DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ................................... 49 1. O ESTADO DE DIREITO .......................................................................................... 49 2. ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ................................................................... 51

PARTE 1 – CONCEITOS DE TEORIA DO ESTADO 1. O ESTADO Em primeiro lugar é bom saber que há duas grandes teorias sobre o nascimento ou surgimento do Estado. Os principais teóricos sobre a formação do Estado dividiram as grandes teorias em Naturalistas e Contratualistas, vamos ver um pouco de cada uma delas, sabendo que as teorias contratualistas prevaleceram: A. TEORIAS NATURALISTAS SOBRE A FORMAÇÃO DO ESTADO: Os Homens, ao viverem na lei da natureza, tinham várias dificuldades que só poderiam ser supridas quando vivessem em grupos. Para os naturalistas o surgimento do Estado seria espontâneo, pela necessidade de resolver problemas em comum ou pela natureza social do ser humano. Exemplo de teoria naturalista é a de Maurice Hauriou que diz que o Estado nasce da fixação de uma sociedade humana em um determinado território, por isso a ideia de naturalidade, de formação natural. B. TEORIAS CONTRATUALISTAS SOBRE A FORMAÇÃO DO ESTADO: Para os contratualistas os homens fazem um pacto entre si, expresso ou tácito, para que constituam uma entidade superior a eles com poder de organização sobre toda sociedade. Veja que os homens, então, delegam parcela da liberdade individual para criar uma organização. Assim surge o Estado, fruto de um contrato entre os homens. Vários são os pensadores que contribuíram para a formação de uma Teoria do Estado, vamos fazer um resuminho disso: Thomas Hobbes Obra: “O leviatã”; Frase famosa: Homo homini lupus – O homem é lobo do próprio homem; Entendia que o homem renunciava seus direitos naturais para viver em sociedade; Pregava o Absolutismo como forma de sobrevivência da humanidade; Para ele o homem natural é agressivo e associável;

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Locke Obra: “Dois tratados sobre o Governo Civil”; Entendia que o homem possuía direitos naturais e não os perdia ao viver em sociedade; Pregava o Liberalismo; Para ele o homem é social e espera que o Estado consiga manter a liberdade individual de todos; Para ele as leis são comandos emanados pelo povo ou pelos representantes deste e o pacto social é revogável pelo povo, único soberano;

Rousseau Obra: “O contrato social”; Entendia que o homem perde ao viver em sociedade; Pregava a Democracia; Para ele o homem é bom e a sociedade o corrompe;

Maquiavel Com a obra “O príncipe”, entendia que os fins justificam os meios e por isso o governante deve ser forte. Sintetizou as formas de governo em Monarquia e República.

Barão de Montesquieu Com a obra “O espírito das Leis” entendia que apenas o poder poderia controlar o próprio poder - Le povoir arret le povoir; Pregava a separação de poderes com um sistema de contenção do poder pelo poder – Cheks and balances.

Sieyès Com a obra “O que é o terceiro Estado” entendia que a burguesia deveria exercer o poder no lugar da nobreza e do clero já que possuía poder econômico e número para isso. Para ele o terceiro Estado (a burguesia) crescia economicamente e numericamente sem a correspondente parcela de poder. Com base em suas ideias convoca-se Assembleia Nacional na França Revolucionária e surge a ideia de poder constituinte como forma de legitimar a criação de uma lei que fosse mais importante que as outras leis e assim frear o próprio poder estatal.

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Vejamos agora alguns conceitos essenciais sobre a teoria do Estado. Primeiramente vamos distinguir alguns conceitos que ficam muito próximos, são eles: País, Pátria e Nação, veja como são próximos, mas atente-se para as diferenças: PAÍS País se refere aos aspectos físicos, ao habitat, à paisagem territorial (o nome do país pode coincidir ou não com o do Estado – Espanha coincide já Brasil não, já que Brasil é o país e o Estado é chamado de República Federativa do Brasil). PÁTRIA Pátria se refere aos sentimentos cívicos, terra dos pais, terra que se sente bem. NAÇÃO Nação é um conceito sociológico, ou seja, são os grupos com os mesmos aspectos culturais, língua, costumes, origem, sentimentos, religião e ideias – É uma realidade sociológica enquanto o Estado é uma realidade jurídica; Os elementos que formam a nação são elementos naturais, históricos e psicológicos. Pode-se dizer que a Nação é anterior ao Estado e utilizada para a formação do Estado (“Nação é um Estado em potência”).

Então, entendeu direitinho, não é muito cobrado em prova não, mas dê uma outra lida antes de passar pra frente! Preste atenção que pelos conceitos dados é possível ter um Estado com uma única nação, mas é possível ter várias nações dentro de um mesmo Estado, a Espanha tem duas nações muito grandes (Espanhóis e Bascos) dentro de um mesmo Estado. No Brasil há várias nações além da “brasileira” que são as nações indígenas. E antes da criação do Estado de Israel, os judeus eram uma nação dispersa em vários Estados (ainda há muitos judeus “espalhados” pelo mundo, mas agora há um Estado para a nação). Vamos agora para o Estado, mas o que é o Estado então? O Estado é uma realidade JURÍDICA que contempla um conjunto de pessoas que habitam um determinado território e que possuem um autogoverno com certos fins.

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2. ELEMENTOS FORMADORES DO ESTADO Então se percebe que para existir o Estado faz-se necessário uma combinação e elementos, a doutrina convencionou chamar de elementos formadores do Estado, vejamos: A. Povo: O conjunto de pessoas que se vinculam juridicamente ao Estado (Art. 12 da CF trata dos brasileiros natos e naturalizados). Se situam em um determinado território e constituem relações de poder para só após possuírem soberania. o Veja que povo é diferente de população, enquanto o povo é o conjunto dos nacionais a população é o conjunto de pessoas que habitam um Estado. População é um conceito numérico, quantitativo – massa total dos indivíduos que vivem dentro das fronteiras e sob o império das leis de um determinado Estado (nacionais residentes + estrangeiros residentes + apátridas).

Os conceitos de povo e de população foram usados com precisão no Art. 45 da CF, lá se vê que a Câmara dos Deputados representa o POVO e, para determinar o número de deputados em cada Estado e no DF (Art. 45 §1º) utiliza-se o critério da proporcionalidade em relação ao número de habitantes – quanto mais populoso, mais representantes (sendo que a CF estabelece mínimos e máximos: 8 e 70, respectivamente). Se um brasileiro for morar definitivamente em outro país, deixará
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a finalidade seria o mesmo que os objetivos. nacionais e estrangeiros.com Página 6 de 51 www. que se encontrem dentro dos limites em que impera.br . o local físico de atuação do Estado. o Poder Punitivo.concursos@gmail. o Poder de domínio eminente. Porém. Território: Limite espacial onde se exerce a soberania. C. variam no tempo e no espaço (Alexandre Groppali é quem utiliza esse elemento). portanto. andre. Poder político (Governo Soberano ou Soberania Estatal): O poder político diz respeito à capacidade de o Estado impor decisões.com.andrealencar. para exercer seu poder de governo sobre os indivíduos. o interesse da sociedade – satisfação de interesses públicos. D. sendo. Agora vamos para o elemento mais importante. pode ser visto como capacidades: o Poder de Polícia. o bem estar social. continuará a fazer parte do povo brasileiro enquanto mantiver a condição e brasileiro. Achei melhor pecar pelo excesso do que pela falta.Professor André Alencar Direito Constitucional de pertencer à população brasileira. Finalidade: Não é um elemento essencial para todos os doutrinadores. Território é a base espacial indispensável ao Estado. B. porém. ou seja. garantir o bem comum. o Poder Financeiro.

Já explicamos isso. porém. território.2008 . se necessário for. O conceito de Estado possui basicamente quatro elementos: nação. Assim. tem o poder de coação. quanto o de Estado.com. né? Veja outras duas questões: 3) CESPE – Ministério Público do Estado do Amazonas – Cargo: Promotor de Justiça Substituto – Caderno 1 – Aplicação: 02/12/2007 Os tradicionais elementos apontados como constitutivos do Estado são: o povo. E também faltou falar do governo SOBERANO. Errada porque nação não é um dos elementos do Estado.br . julgue o item que se segue. O poder político dá ao Estado poder para constranger alguém à obediência.concursos@gmail. a uniformidade lingüística e o governo. não é possível que haja mais de uma nação em um determinado Estado.SERPRO – Analista Acerca dos conceitos de Estado.andrealencar. Segundo.. Primeira: Errada porque uniformidade linguística (sem trema né!?) é um traço da nação e não um dos elementos do Estado... ou mais de um Estado para a mesma nação. ou mais de um Estado para a mesma nação – você viu esse erro também. veja bem esses conceitos para não se atrapalhar – principalmente quando estiver discutindo numa mesa de bar (!). PODER POLÍTICO Voltando a falar do Poder Político. principalmente as do Código Penal para você ver!!! O Estado tem a capacidade de subordinar vontades individuais ao interesse coletivo e. andre. pode impor direitos e obrigações a todas as pessoas e bens – quer ver? Experimente não seguir as normas jurídicas. O vocábulo nação é bastante adequado para expressar tanto o sentido de povo. governo e soberania. é possível que haja mais de uma nação em um determinado Estado. São lançados muitos juízos de valor sobre o poder político exercido pelo Estado.com Página 7 de 51 www. Veja como caiu em prova: 2) CESPE . nação e povo.. Segunda: Errada também! Não há que se confundir nação com Estado. Há Estados com multiplicidade de idiomas no seu interior. o Estado possui o poder de coerção máxima dentro de seu território. 3.Professor André Alencar Direito Constitucional Falaremos mais sobre o Poder Político do Estado. vamos ver uma questão sobre isso que caiu em prova.

br . internamente. Inalienável: A soberania estatal (ou o poder político) não pode ser transferida a outro Estado. pode marcar na prova que a característica do poder político é a indivisibilidade e não a divisibilidade.andrealencar. não tem “prazo de validade”. 170 I e 4o I. O Poder Supremo é aquele que não está limitado por nenhum outro na ordem interna. mas ela representa a ideia de que não nenhum outro que possa se igualar – que pudesse gerar um contraste – demonstra bem a supremacia) na ordem jurídica interna. intransferível e indelegável). professor”.      andre. Lícito: Quando atua em conformidade com a moral (moral comum.com.com Página 8 de 51 www.concursos@gmail.. está em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. porém. Supremo: O poder político é o poder supremo consistente na capacidade de autodeterminação interna. entendeu? “Entendi. por isso diz-se que é um poder ilimitado e incontrastável (gosto muito dessa palavra.. inclusive. conforme se observa os artigos 1o I. não pode ser dada ou vendida. Poder de fazer prevalecer. impor sanções a quem desobedecer ou mesmo forçar a obediência às suas prescrições. então beleza! Passando. Não se sujeita a prazo. aceito pela maioria das pessoas). Legítimo: Quando atua em conformidade com a política (interesses sociais ou coletivos). Independente: Porque na ordem internacional não tem de acatar regras que não sejam voluntariamente aceitas. apesar de ela ser bem estranha. Uno (unicidade): Só existe um poder político dentro de um território . não está sujeita à disposição do governante (veja que podemos falar que é um poder que se exerce de forma indisponível.Professor André Alencar Direito Constitucional    Legal: Quando atua em conformidade com o direito. conforme já ressaltado com a capacidade de impor condutas. as normas Estatais. ou seja. Imprescritível: O poder político não se perde pelo não uso. não está sujeito à ação do tempo. São atributos ou características do poder político (ATENÇÃO – CAI EM PROVA!!!):  Absoluto: Dentro do território o poder político é o poder máximo. seu exercício é que poderá ser distribuído dentro do território ou a partir de certas funções.

concursos@gmail. 4o. O Brasil propugnará pela formação de um tribunal internacional dos direitos humanos). 3o e 4o – esses dispositivos admitem a incorporação de tratados internacionais – veremos adiante – e também a submissão à Corte Internacional que o próprio Brasil tenha manifestado adesão). o Portanto. de criar sua própria ordem jurídica de tal modo que qualquer regra heterônoma (que veio de fora) só possa valer nos casos e nos termos admitidos pela própria Constituição (como é o caso do art. por exemplo. conforme o art. em processos trabalhistas. sob pena de essa prática consagrar censurável desvio ético-jurídico. 7º do ADCT (Art.br . em inaceitável detrimento de trabalhadores residentes em território brasileiro. §2o.andrealencar. III. é sempre bom acompanhar a jurisprudência. incompatível com o princípio da boa-fé e inconciliável com os grandes postulados do direito internacional. especialmente: II. para coonestar o enriquecimento sem causa de Estados estrangeiros. O privilégio resultante da imunidade de execução não inibe a andre. veja alguns julgados do STF sobre o tema! AgR-RE 222. IV e IX.com Página 9 de 51 www. 7º.com.368 (STF): "Privilégios diplomáticos não podem ser invocados. podemos dizer que a soberania é um poder político supremo e independente. Vamos ver alguns julgados do STF sobre esse tema. o Internacionalmente dá ao Estado o poder de independência (igualdade) como se percebe nos incisos do art. o Veja. 5o.Professor André Alencar Direito Constitucional o Na órbita interna a soberania é a capacidade que o Estado tem de editar suas próprias normas. que havia uma vontade do constituinte originário ao promulgar a Constituição que o Brasil fizesse parte de um Tribunal Internacional de Direitos Humanos.

assim a federação é uma forma de limitação do exercício do poder político.com Página 10 de 51 www. não competindo ao Brasil. Separação dos poderes: A atribuição de diferentes funções a diferentes órgãos também se constitui limitação ao exercício do poder político.    andre. desde que o permita a sua própria legislação penal. afinal foi para limitar o exercício do poder político que tantas lutas foram travadas nos séculos XIII até hoje e que conseguiram acabar com o absolutismo. ora em produção perante a autoridade judiciária do País requerente." Ext 853 (STF): “Não pode o Supremo Tribunal Federal avaliar o mérito dos elementos formadores da prova. Federação: A repartição do exercício do poder político no plano vertical faz surgir vários entes com poder político dentro do mesmo território. da continuidade delitiva. apenas possibilita o conhecimento da ação que tramita perante a justiça alienígena e faculta a apresentação de defesa". seu exercício não deve ser absoluto. Ext 542 (STF): “Cabe.849 (STF): "O mero procedimento citatório não produz qualquer efeito atentatório à soberania nacional ou à ordem pública. reconhecer soberanamente. que rege as relações internacionais.Professor André Alencar Direito Constitucional Justiça brasileira de exercer jurisdição nos processos de conhecimento instaurados contra estados estrangeiros. à Justiça do Estado requerente. a ocorrência. constranger o Governo requerente a aceitar um instituto que até mesmo o seu próprio ordenamento positivo possa rejeitar”. AgR-CR 10. inclusive a autoria e a materialidade dos delitos cometidos. tema afeto à sua soberania”.concursos@gmail.andrealencar. Controle de constitucionalidade: O controle de constitucionalidade limita a atividade estatal de emanar leis quando estas estejam em desconformidade com a Constituição. assim. ou não.com. Embora tenhamos dito que a soberania do Estado é um poder absoluto ou supremo. em obséquio ao princípio fundamental da soberania dos Estados.br . Para limitar o exercício do poder político foram criados vários meios (os dois primeiros são mais importantes – CAI NA PROVA!!!):  Direitos fundamentais: A atribuição de direitos fundamentais gera aos indivíduos poder de exercício de liberdades contra a vontade do próprio Estado.

jamais. confundir soberania com autonomia. agora veremos um pouquinho do Estado “por dentro”. Não conversaremos sobre descentralização administrativa porque essa interessa mais ao professor da área (direito administrativo).concursos@gmail.Professor André Alencar Direito Constitucional 4.andrealencar. há uma repartição de funções e tarefas.com . porém. administrativas e financeiras.br andre. quando um Ente é autônomo. é um poder circunscrito pelas regras traçadas pela manifestação soberana do poder político do povo (a Constituição) . Mas veja bem meu amigo concurseiro. feita pela Constituição. A descentralização do poder político confere autonomia a Entes internos do Estado. Autonomia é um conceito relacionado à visão interior do Estado. não se pode. Todo Estado costuma organizar seu Poder Político. enquanto a soberania é um poder absoluto na ordem interna e que a tudo e todos subordina a autonomia já é fruto desta subordinação. Quando se divide o poder político entre órgãos de forma horizontal falamos em “separação dos poderes” e quando se divide entre Entes distintos falamos em descentralização política. O poder político (ou soberania) é uno (já vimos isso hoje né?). é um poder limitado pelas regras da soberania. possui capacidades políticas.com. A REPARTIÇÃO INTERNA DO PODER POLÍTICO – AUTONOMIA Já vimos o Estado “de fora”. mas saiba que os Estados podem ter descentralização administrativa sem ter descentralização política (Estados unitários Página 11 de 51 www. Diz respeito ao governo próprio dentro do círculo de competências traçadas pela Constituição Federal (que é a única lei soberana). dentro de todos os Estados e essa maior ou menor competência própria para usar uma parcela do poder político é designada como autonomia.

num Estado Composto ou Complexo há múltiplas ordens de poder político. ou seja.com. Na primeira figura você vê um Estado com centralização política do poder. ainda há um centro de poder político. É a distribuição de “poder” dentro do território.. porém. Você deve imaginar a área de um Estado e vislumbrar duas hipóteses de organização do poder político: Figura 1 Estado Unitário ou Simples Figura 2 Estado Composto ou Complexo Não sei se minhas figuras ajudaram muito. Melhorou agora a interpretação da figura? 5. há vários Entes com poderes políticos próprios.concursos@gmail. Também podemos dizer que a forma de estado é a organização espacial do poder político. mas tente ver com coração (!) – tenha boa vontade com o titio aqui. sua estrutura político-administrativa Página 12 de 51 www. ESTADOS UNITÁRIOS (OU SIMPLES) A grande parte dos Estados soberanos (mundialmente falando) se organiza internamente como Estado centralizado. há agora os poderes políticos regionais (ou regionais e locais). Logicamente a capital não precisa estar no centro geográfico do Estado.andrealencar. normalmente tem uma capital onde o poder político é emanado para todo o Estado. CLASSIFICAÇÃO DOS ESTADOS QUANTO À FORMAÇÃO – FORMA DE ESTADO A forma de estado está relacionada ao modo de exercício do poder político em função do território.. 5.br andre.1. No segundo caso temos um Estado composto ou complexo (como uma federação).Professor André Alencar Direito Constitucional com divisões administrativas) ou podem ter descentralização política e administrativa (Estados Federados).com . Portanto.

Professor André Alencar Direito Constitucional é unitária. Cuba. não possuem repartição de autonomia nem mesmo no campo administrativo. adotam a descentralização administrativa. Estados unitários descentralizados politicamente: São Estados que fazem. não é um direito constitucional do delegado e por isso o Estado ainda é considerado unitário. é possível que os Estados unitários possam ter algum tipo de descentralização. excepcionalmente. São inviáveis na atualidade como tipos de Estado porque há uma concentração excessiva que impede uma boa administração. como o nome já demonstram tem uma organização política mais fácil de ser compreendida.pdfconcursos. política e ainda sim consideraremos como um Estado unitário. Estados unitários centralizados administrativamente: Não possuem descentralização funcional ou horizontal. este é o modelo mais comum de Estados unitários ou simples. A delegação tem a desvantagem de poder ser facilmente avocada. por delegação do poder central. A descentralização administrativa pode ser do tipo hierárquica (desconcentração = criação e órgãos que ficam subordinados à pessoa que cria) ou descentralização propriamente dita (descentralização = criação de entidades que possuem personalidade jurídica própria e.br Página 13 de 51 . Estados unitários descentralizados administrativamente: Possuem descentralização administrativa. Profº André Alencar www. No entanto. França. ou seja.com. seja ela administrativa ou até. Os Estados simples ou unitários. transferência de poder político para Entes dentro do território. ou seja. Vejamos as divisões então: A. B. as leis são emanadas de um único órgão. as decisões políticas e de governo são dadas de um único órgão. A descentralização administrativa permite a delegação de competências para serem executadas por outras pessoas ou até mesmo por empresas privadas. portanto. É típico de governos extremamente autoritários e centralizadores que não delegam competências a tentam decidir tudo sozinhos. Há uma única fonte de poder que emana a soberania. Exemplos de Estados unitários: Uruguai. C. maior grau de autonomia em relação aos órgãos).

atualmente as principais formas de Estados compostos ou complexos são a Federação de Estados e a Confederação de Estados. 5. Federal. Internamente tem-se a ideia de que há uma pluralidade de Estados.2. ou seja.Professor André Alencar Direito Constitucional Estado Regional e Estado Autonômico: São formas de organização de Estados onde há poder de auto-organização aos entes criados pela descentralização por delegação. Porém se diferenciam por:   Estado Regional (Itália): O poder central é quem pode criar regiões autônomas.com. ou seja. ESTADOS COMPOSTOS (OU COMPLEXOS) É muito diversificada a forma de organização dos Estados no que se refere ao seu agrupamento. por meio de lei nacional. Nas federações continua a existir um poder político central (representado pelo ente União) que passa a coexistir com realidades regionais ou locais autônomas. Estadual.. Profº André Alencar www. há uma multiplicidade de ordens jurídicas: Nacional. O Estado federal nasceu nos EUA e é uma forma de organização do Estado em que se faz uma descentralização política e administrativa do Estado. Estado Autonômico (Espanha): A iniciativa para a criação de região autônoma parte da própria região e o parlamento nacional pode aprovar ou desaprovar a nova estrutura política..pdfconcursos.br Página 14 de 51 . à reunião de Estados em blocos ou até mesmo em um único Estado Soberano.

há uma corrente doutrinária (majoritária) que defende que a União Europeia é uma Confederação. Há pluralidade de nacionalidades: Cada Estado componente ainda conserva seu direito de reconhecer e estabelecer a nacionalidade. Também foi exemplo de confederação os Estados Confederados da América de 1861 a 1865 (que lutaram na guerra de secessão americana).com. Não é propriamente uma forma de Estado (é forma de associação de Estados ainda soberanos) por não ter uma ordem jurídica única. Há o direito de nulificação de uma das partes em assuntos conjuntos (exigindo a unanimidade): As decisões são. Profº André Alencar www. Um exemplo histórico de confederação foi a confederação germânica formada entre 1815 a 1866 e a confederação dos Emirados Árabes Unidos formada em 1971. Principais características da confederação:    Há o direito de secessão: Os Estados. normalmente.br Página 15 de 51 .pdfconcursos. tomadas por unanimidade porque a negativa de um dos componentes significaria que o descontente não querer permanecer unido. possuem um Tratado Internacional como base jurídica ao invés de uma Constituição. sendo soberanos (independentes) podem se desligar do pacto (fazer a secessão ou rompimento).Professor André Alencar Direito Constitucional A Confederação é uma União convencional (no sentido de convenção ou acordo) de países independentes. objetivando a realização de grandes empreendimentos de interesse comum ou o fortalecimento da defesa de todos contra a eventualidade de uma agressão externa. Embora não seja uma forma comum hoje em dia de organização.

A forma de governo está relacionada ao vínculo entre governantes e governados. que podem ser supremos (constitucionais) ou podem ser dependentes (administrativos).Professor André Alencar Direito Constitucional Há outros modos de organização complexa. mas (para minha mãe ficar tranquila em casa) seguem: A. Pode ser por:  União pessoal: Ainda mantém a soberania (apenas liga-se pela pessoa do rei). 6. normalmente desprezadas para fins de concursos. Essa classificação é atribuída a Maquiável! 6. Traços característicos da monarquia: Profº André Alencar www.pdfconcursos.com. é possível classificar as formas de governo em República e Monarquia. União de Estados em torno do Rei: Estas uniões em torno de um único Rei são adotadas quando dois ou mais Estados ficam submetidos ao governo de um único rei. CONCEITO DE GOVERNO O Estado se manifesta por seus órgãos. como se dá a relação entre as pessoas e os mandatários? De acordo com a resposta. FORMA DE GOVERNO 6.1. É o conjunto das funções necessárias à manutenção da ordem jurídica e da administração pública. Em verdade foi com a decadência desta estrutura que começaram a surgir as Constituições como documentos escritos. governo é então definido como o conjunto de órgãos mediante os quais a vontade do Estado é formulada.br Página 16 de 51 . Os órgãos são titularizados por meio de mandatários. MONARQUIA A forma de governo monárquica é a mais antiga forma de organização do Poder conhecida pelo constitucionalismo.2. ou seja. expressada e realizada.  União real: Mantém autonomia administrativa e forma-se um único ente de Direito Internacional.

Também prevaleceu em partes do século XX em muitos países árabes e africanos. com limitação de poderes.  Podemos. XVIII e parte do século XIX. ou seja. XVII. Esta forma de governo foi praticamente banida do mundo ocidental durante o século XIX. O rei fazia as leis. o que não desmente a frase.br Página 17 de 51 . Nesta forma de governo o monarca detém todas as funções estatais (concentração de poderes) e as utiliza sem receio de ser responsabilizado pelo mau uso (irresponsabilidade). não há rotatividade e nem alternância dos governantes. as desigualdades são estabelecidas dentro do ordenamento jurídico com bases em critérios não racionais (do ponto de vista do merecimento). com exteriorização republicana (nome de república). apenas em situações excepcionais ou por morte o monarca é destituído do seu trono. basta que seja filho de fulano que terá tal cargo ao seu dispor. Monarquia Absolutista: Forma de governo que prevaleceu na Europa dos séculos XVI. Outro problema da hereditariedade é a fixação de famílias ou grupos no poder. Porém. os governados não têm direito estabelecido de reivindicar o poder (a não ser por revolução.com. normalmente. para o primogênito. porém. Essa forma de aquisição do poder. Hereditariedade: A transmissão do poder se faz de ascendente para descendente. dividir a monarquia em dois grandes tipos:  Monarquia Constitucional: Monarquia com respeito à Constituição. mais tirânicos do que as antigas monarquias absolutistas (antigo regime). No entanto existem muitos governantes.Professor André Alencar Direito Constitucional  Vitaliciedade: O monarca tem poder vitalício sobre os órgãos de governo. resta a função de representação junto aos outros Estados (chefe de Estado). não há mandato com prazo fixado. executava e julgava quaisquer conflitos. O princípio era de que o rei não errava ou o rei não poderia errar.pdfconcursos. posto que a revolução não é um direito positivado). portanto. com separação de poderes e respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos. por direito próprio (normalmente com bases divinas). ainda. é típico da forma de governo monárquico.  O Brasil adotou a monarquia no período de 1822 a 1889 e em parte deste tempo adotou-se a monarquia constitucional. nossa Profº André Alencar www. normalmente nas monarquias Constitucionais o rei não exerce a função de governo. não há tempo determinado para o exercício do cargo. podemos dizer que a monarquia constitucional combina com o parlamentarismo.

pdfconcursos... O vocábulo República origina-se do latim “res publica”. VII. Toda a sociedade é responsável pelo respeito à publicidade. ou seja. Profº André Alencar www. sem descuidar da impessoalidade. a um grupo "privilegiado" (República Aristocrata). A opção da esmagadora maioria foi pela forma republicana. propostas de Senadores Vitalícios. mormente para aquisição de mão-de-obra gabaritada e aprovada para assumir um cargo público por meio de mecanismo de aferição objetiva de desempenho que é o concurso público. Não é somente a existência de três poderes separados que todo governo constitucional deve possuir mas a existência de Poder Executivo e Poder Legislativo que derivem de eleições populares.br Página 18 de 51 .. é evidente). No entanto. Num passado recente o Brasil pôde optar pela forma de governo monárquica (do tipo constitucional. fica a crítica de que ainda temos que abandonar velhos hábitos monárquicos. mesmo depois de mais de 100 anos de república no Brasil. a escolha foi posta no plebiscito de 7 de setembro de 1993 (que depois foi antecipado por EC). Ave Maria! 6. à eficiência como princípios administrativos. com o significado de a coisa (res) pública. Na forma de governo republicana o poder estatal não é atribuído apenas a uma pessoa (como na Monarquia). à moralidade. 34. Os cidadãos e o Judiciário precisam ser mais firmes na responsabilização dos governantes. com repúdio. 1º. conforme se extrai dos Arts. REPÚBLICA Atualmente é a Forma de Governo adotada pelo Brasil. a coisa comum. mas a todo o povo (República e Democracia caminham juntas) ou. aquilo que é de todos ou o que é do povo. Até duas décadas atrás ainda havia a sombra de transmissões hereditárias de serviços públicos. 37 e outros. Há que se desgarrar de velhas práticas clientelistas de promessas de cargos aos amigos e partidários.com.. isso sim. 14. caracteriza a república em sua essência. quando o eleitorado foi chamado a escolher entre República e Monarquia Constitucional.Professor André Alencar Direito Constitucional monarquia.3. apesar de inserida dentro de uma constituição era “meio indomável” porque a própria constituição dava ao imperador o poder executivo e a função moderadora sobre os outros poderes. como a apropriação da máquina estatal por verdadeiras famílias “nobres” que reinam absolutas em alguns Estados do Brasil.

www. 37 §4º): Partindo-se da ideia de uma administração privada. a responsabilização é a sanção para aqueles que não foram dignos da função pública que receberam (ou até mesmo que conquistaram). 31. O controle popular poderá ser efetivado por diversas formas e as mais efetivas são o voto consciente. Perde sua base de sustentação a partir do momento que existe a reprovação generalizada ao governo. da “coisa pública” nas mãos do povo. Publicidade: Não pode haver sigilo no governo. Há tipos distintos de responsabilidades.br Página 19 de 51     Profº André Alencar . 28. porque os mandatários atuam juntos na elaboração e no cumprimento das leis. 44. o Penais: Sem prejuízo de eventuais condenações por crimes contra a administração pública. a educação e a politização do eleitorado. o Políticas: Suspensão dos direitos políticos. e por isso o art. E mais. o controle é a forma mais efetiva de manutenção da república. ou pelo menos. 70 a 75. cabe a ele a prestação de contas. 77. A eletividade é obrigatória para os principais cargos da função Executiva e Legislativa. 30 III. A publicidade também se insere como um direito fundamental dos cidadãos no art. 32 §3º e 29 I.  Legitimidade: Para haver legitimação o governante tem que agir com base no interesse público. Vários dispositivos da Constituição trazem a obrigatoriedade da prestação de contas arts.. A responsabilidade recai sobre quem administra mal o que é do povo. o governo só é legítimo enquanto for representante. 27.Professor André Alencar Direito Constitucional Na república os governantes são meros representantes dos reais titulares do poder (o povo). Eletividade dos governantes: Não só a ideia simples de eleições. 5º XXXIII. mas a real e efetiva eleição livre. sem abuso do poder econômico e sem a possibilidade de perpetuidade de grupos que se apropriam da máquina administrativa.. com base na legalidade. o Poder Legislativo: Art. 32 §2º e 29 I e II. as responsabilidades que recaem sobre quem utiliza mal o dinheiro público podem ser do tipo: o Civis: Ressarcimento ao erário e indisponibilidade dos bens. podemos estabelecer o seguinte paralelo: se o administrador recebe um mandato para atuar em nome do povo. sem fraudes. o Poder Executivo: Art. o Administrativas: Perda da função pública. 34 VII “d” e 35 II. cabe a ele cuidar da melhor forma possível do que não é dele porque está sendo pago e recebeu votos para isso. 45 e 46. honesta. assim como um administrador privado.com. 37 estabelece a obrigatoriedade da transparência.pdfconcursos. Controle popular: A publicidade permite o controle. Responsabilidade dos governantes (art.

em cuja base se acha o fenômeno essencial da autoridade. Mas. REGIME DE GOVERNO OU REGIME POLÍTICO O regime político diz respeito ao controle político. “a”) e. como é o caso dos membros do Poder Judiciário. uma das bases da forma republicana que é a temporariedade dos mandatos tem correlação com o voto periódico. porém. B. principalmente. secreto. II) e também porque foi escolhida mediante vontade direta do povo no plebiscito já citado (aquele de 1993). sob pena de intervenção federal (art. defende-se a tese de que a República não poderá ser abolida por Emenda Constitucional mesmo não sendo cláusula pétrea expressa. periódico (art. conforme art. Não se admite atribuição de cargos públicos vitalícios. Parte da doutrina enxerga a República como cláusula pétrea implícita porque estaria pressuposta dentro do tema do voto direto. Escolha dos governantes. É necessária a existência de regras muito claras sobre a duração dos mandatos porque não é apenas a proibição de reeleição para o executivo. mas também a eleição de parentes. não é cláusula pétrea expressa. 5º da CF. Princípio da igualdade: Não se admite a atribuição de vantagens públicas pelo simples fato de ser conhecido ou parente de fulano. sendo assim.  E a república é clausula pétrea? O princípio republicano não é mais protegido expressamente contra alterações constitucionais. universal e.br Página 20 de 51 . que é cláusula pétrea. a contratação de parentes (nepotismo) e outras formas nefastas de permanência no poder. 60 §4º. 34. optou-se no Brasil a também permitir funções vitalícias a esses. Define como se dá: A. o mais importante: Não é constitucional a discriminação sem fundamentação de ordem prática e que não tenha objetivo de restabelecer uma situação de igualdade . salvo quando a função exija como garantia contra abuso das outras funções estatais. Porém não perdeu sua importância porque é obrigatório em âmbito estadual como um dos princípios sensíveis. Profº André Alencar www. Constitui um conjunto de instituições políticas que. funcionam em dado país. diz respeito à escolha dos que efetivamente exercerão o poder político. ou seja. em determinado momento. e ainda assim seria possível a rotatividade dos membros dos Tribunais Superiores e do Supremo como forma de maior preservação dos princípios republicanos. 7. do poder.pdfconcursos. da distinção entre governantes e governados. A autoridade dos governantes e sua obediência. VII.Professor André Alencar Direito Constitucional  Temporariedade dos mandatos: A temporariedade dos mandatos é um dos traços mais marcantes e diferenciadores entre a República e a Monarquia .com. ou seja.

Profº André Alencar www. regime militar. AUTOCRACIA É o regime político que se caracteriza pela chefia unipessoal do Estado.pdfconcursos. Limitação dos governantes.com. que se efetiva pela técnica da representação política (o poder é exercido em nome do povo). pelo povo e para o povo. não é!? A democracia é um processo de convivência social em que o poder emana do povo.. ou seja. D. pela extensão territorial do Estado a ser administrado. Estrutura dos governos.Professor André Alencar Direito Constitucional C.). por isso o Parlamentar é visto como quem “fala em nome do povo”. pelo visto. Abraham Lincoln (expresidente norte-americano) diz que é o regime de governo onde o governo é do povo. Nesta situação a chefia é unipessoal e tem “fama” de ditador.br Página 21 de 51 . principalmente no estado moderno. marxismo. que se apoia no consentimento popular. por fim. como base da legitimidade do exercício do poder. o princípio fundamental de todo o regime democrático. Pode-se dizer que a democracia é o regime de garantia geral para a realização dos direitos fundamentais do homem. pelo povo e sempre em proveito do povo. governo democrático é o que se baseia na adesão livre e voluntária do povo à autoridade. segue-se pensando que ao se eleger mandatários o próprio povo estaria no poder. 7. Bonito isso. Governo para o povo há de ser aquele que procure liberar o homem de toda imposição autoritária e garantir o máximo de segurança e bem-estar.. o poder emana do governante. há de ser exercido.2. Governo do povo significa que este é fonte e titular do poder. direta ou indiretamente.1. de conformidade com o princípio da soberania popular que é. Os regimes políticos podem ser autocráticos ou democráticos 7. com forte concepção ideológica totalitária (fascismo. No entanto. No governo autocrático o fundamento da autoridade é o próprio governante. Governo pelo povo quer dizer governo que se fundamenta na vontade popular. DEMOCRACIA A Democracia é conceituada como o regime político onde o povo exerce o poder. Também é inviável pelo número de pessoas a quem se dariam as funções de governo e. Em verdade sabe-se que a democracia plena é realmente impossível devido à complexidade dos temas serem tratados.

maioria não é princípio e sim uma simples técnica de que se serve a democracia para tomar decisões governamentais no interesse da maioria que é contingente. pode-se dizer que a democracia repousa sobre dois princípios fundamentais ou primários. Participação do povo: A participação. para que este seja efetiva expressão da vontade popular. Segundo José Afonso da Silva a democracia repousa sobre três princípios fundamentais: O princípio da maioria. que se exprime pela regra de que todo o poder emana do povo. esta técnica pode ser substituída por outras mais adequadas como a da representação proporcional. Profº André Alencar www. segundo o mesmo autor. Um regime democrático fundado no princípio da soberania popular. surge um princípio derivado ou secundário: o da representação. que amplia a participação do povo. o princípio da igualdade e o princípio da liberdade. que lhe dão a essência conceitual: Princípio da soberania popular: Segundo o qual o povo é a única fonte do poder. do povo no poder. Então.br Página 22 de 51 .Professor André Alencar Direito Constitucional O regime político brasileiro funda-se no princípio democrático. direta ou indireta. no poder. Porém. Nos casos em que a participação é indireta.com. por seus representantes.pdfconcursos.

Então. a soberania popular pode ser exercida mediante: o Voto: Embora o voto constitua a forma de apuração da vontade popular para a escolha dos representantes é certo que o ato de votar constitui manifestação direta de soberania popular. 29 XIII e nas Constituições Estaduais e Lei Orgânica do DF. 5º XXXVIII o Direito de obter informações dos órgãos públicos: Art. que apontam para a realização dos direitos econômicos e sociais. 5º XXXIII. 27§4º. A democracia aponta para a realização dos direitos políticos. A igualdade é o valor fundante da democracia. por mãos próprias.Professor André Alencar Direito Constitucional Cuidado! Segundo o Mestre José Afonso da Silva. mas valores democráticos. diz-se democracia semidireta quando há mecanismos ou institutos de participação popular em um Estado que adotou a democracia indireta como exercício do regime político. o Iniciativa Popular: Prevista nos arts. A atual Constituição previu mecanismos de participação direta. Já dissemos antes que a democracia é o poder do povo. 14 caput. Consiste na apresentação de projeto de lei (ou de Emenda Constitucional. Vejamos os tipos de democracia:  Direta: A democracia direta seria a forma em que o povo controlaria.br Página 23 de 51  Profº André Alencar . o Plebiscito: Consulta prévia ao ato – Art. Democracia semidireta ou participativa: Diz respeito. 14 I.pdfconcursos. de exercício direto do poder. Não há necessidade de requisitos especiais para que seja implementada. justamente. 61§2º. esta não admitida no atual regime constitucional) subscrito por parcela representativa do eleitoral ao Parlamento para que este delibere sobre a possibilidade de transformar o projeto em lei. de que a liberdade é a expressão mais importante. não a igualdade formal. mesmo adotando. como regra. particularmente entendemos que no regime democrático não são aceitas as teses elitistas de que apenas os mais capazes ou estudados teriam direito a voto. a democracia indireta. 14 II. Sabe-se que é de difícil implementação prática e impossível em sua plenitude. no sentido de que a democracia constitui um instrumento de sua realização no plano prático. o Participação no Júri: art. não são princípios. que garantem a realização dos direitos individuais. o poder político. A democracia é definida como o regime em que os governantes são eleitos de forma livre e honesta pelos governados. o Referendo: Consulta posterior ao ato (povo ratifica ou rejeita) – Art.com. www. igualdade e liberdade. mas a substancial. ao Estado que adota mecanismos de participação popular direta. pelo povo e para o povo. conforme o Art.

fonte primária do poder. da densidade demográfica e da complexidade dos problemas sociais. Não é utilizado no Estado brasileiro.com. em face da extensão territorial.br Página 24 de 51 . não podendo dirigir os negócios do Estado diretamente. 5º LXXIII Fiscalização popular nos Municípios: Art. concede as funções de governo aos seus representantes. 194 VII. 11. 31 §3º. B.Professor André Alencar Direito Constitucional o o o o o o Direito de petição e certidão junto aos órgãos públicos: Art. C. 5º XXXIV. É aquela na qual o povo. 10. Ação Popular: Art. sendo exercido em seu nome e no seu interesse. D. A ordem pública baseia-se em uma Constituição escrita. Outras formas: Arts. As funções de mando são temporárias e eletivas. 1º parágrafo único da Constituição. Denúncia direta ao TCU: Art. com a garantia de livre crítica.pdfconcursos. respeitado o princípio da “tripartição do poder” de Estado. 37§3º. conforme o art. 206 VI e 216§1º. Profº André Alencar www.  Indireta ou representativa: A democracia indireta ou representativa é baseada na escolha de representantes do povo para que possam exercer as funções de governo. que elege periodicamente. É admitido o sistema de livre criação de partidos políticos. 74 §2º. Todo poder emana do povo. Recall (para mandatos ou para decisões judiciais): É uma forma de “chamar de volta” um mandatário ou um juiz que não estejam desempenhando sua função em conformidade com a vontade popular. Características da Democracia: A.

tanto na ordem interna como na internacional. 1º).Professor André Alencar Direito Constitucional E. G. fundada na harmonia social da Nação (integração social) e comprometida com a solução pacífica de todas as controvérsias.com. a segurança. F. proporcionando o Estado. quando eleva os direitos sociais e individuais. III). Optar por uma sociedade pluralista significa acolher uma sociedade conflitiva. Os direitos fundamentais do homem são reconhecidos e declarados em ato constitucional. A Constituição fala em pluralismo social. pluralista e sem preconceitos. pluralismo político (Art. tendo em mira conciliar as desigualdades humanas. pluralismo cultural que se infere dos Arts. como forma de preservar as liberdades. pluralismo partidário (Art. 170). 17). Democracia pluralista: Segundo José Afonso da Silva a Constituição de 1988 opta pela sociedade pluralista que respeita a pessoa humana e sua liberdade. 206. H.br Página 25 de 51 . especialmente as desigualdades de ordem econômica. o bem estar. pluralismo de ideias e de instituições de ensino (Art. os meios e as garantias tendentes a torná-los efetivos. art. O problema do pluralismo está precisamente em construir o equilíbrio entre as tensões múltiplas e por vezes contraditórias. a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna (solidária). Os atos dos governantes são submetidos permanentemente aos princípios da responsabilidade e do consenso geral como condição de validade. O princípio da igualdade se realiza no plano jurídico (material). Essa concepção está expressamente traduzida no preâmbulo. É assegurada a supremacia da lei como expressão da soberania popular (Estado Democrático de Direito). Para fechar o tema. em administrar os antagonismos e evitar divisões irredutíveis. de interesses contraditórios e antinômicos. em conciliar a sociabilidade e o particularismo. O mandato representativo procura legitimar os Profº André Alencar www. o desenvolvimento. 215 e 216 e pluralismo de meios de informação (Art. a liberdade. 220 caput e §5º). a igualdade. pluralismo econômico (livre iniciativa e livre concorrência. vamos falar uma palavra sobre o Mandato Representativo que é a base da democracia moderna.pdfconcursos.

Irrevogável: Porque o mandatário tem direito de cumprir o mandato todo. não há previsão de recall para os mandatários.br Página 26 de 51 . ainda que indiretamente. o mandato cria a ficção de que o próprio povo governa.com. porém. que sua decisão é a decisão do povo. Livre: Porque o mandatário não está vinculado à vontade dos eleitores. Possui como características: Geral: Porque o mandatário é representante de todas as pessoas e não somente dos que nele votaram. como há em Estados Americanos. os anseios de eleitorado.. PARTE 2 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Profº André Alencar www. Obedece aos ditames de sua consciência.Professor André Alencar Direito Constitucional governantes como mandatários ou representantes do povo. ou seja. em tal suposição.. quando o representante decide é como se decidisse o povo. A representação é montada sobre o mito da “identidade entre povo e representante popular” que tende a fundar a crença de que. não recebe instruções diretas. embora sejam eleitos pela população (eleitorado) de um determinado Estado-membro da federação possuem a prerrogativa de representar todo o povo brasileiro.pdfconcursos. o povo se autogoverna. passará por nova apreciação popular em futuras eleições e se quiser continuar no poder deverá seguir. no caso dos Deputados Federais percebe-se bem a ideia da representação geral. que. não tem o dever jurídico de prestar contas aos eleitores.

são normas que norteiam a produção e a aplicação de outras normas. 1º A República Federativa do Brasil. Parágrafo único. ou interferências legítimas também se Forma de Governo: República.a cidadania III . Tipo de Estado: Estado de Direito. Cidadania. Tipo de democracia: semidireta ou Profº André Alencar www.Professor André Alencar Direito Constitucional Começando a segunda parte trataremos do tema Princípios Fundamentais – art. desnecessitando de dependências entre si. fins que a Constituição determina.a soberania. independência dos poderes porque exige Municípios e Distrito Federal.br Página 27 de 51 . Podemos dividir os princípios fundamentais em: Art. V .pdfconcursos. IV . trazem as normas mais elementares (fundamentais) do Estado.a dignidade da pessoa humana. Funções típicas e atípicas também garantem a independência dos poderes porque permite o exercício de tarefas de outros poderes em caráter secundário. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – VISÃO GERAL Os princípios fundamentais traduzem-se em normas de grande grau de abstração. nos termos desta Constituição. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. independentes e harmônicos entre si. Todo o poder emana do povo. Executivo e Judiciário. 1. 2º São Poderes da União. Os princípios fundamentais são princípios estruturantes. há necessidade de tratamento do Brasil. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I . o Executivo e o Judiciário. cordial e respeitoso. inserem dentro da ideia de Entes formadores do Estado: Estados.com. Harmonia: Está relacionada ao respeito que os membros de um poder deve ao Nome do Estado: República Federativa outro. Regime Político ou de Governo: Democrático. Fundamentos: Soberania.o pluralismo político. Princípio da Separação dos Poderes ou das Funções do Estado: Legislativo. Art. estabelecem as características mais básicas do Estado brasileiro. uma atuação harmoniosa para atingir os Tipo de União: Indissolúvel.os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. 1º ao 4º. Dignidade da pessoa humana e pluralismo político. Independência: Um poder não tem que pedir permissão aos outros poderes para atuar. II . Controles recíprocos Forma de Estado: Federação. o Legislativo.

Art. III . justa e solidária. Em geral são lembrados pelos verbos no infinitivo.prevalência dos direitos humanos. Art.br Página 28 de 51 .erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. X . sem preconceitos de origem.Professor André Alencar Direito Constitucional participativa. II . social e cultural dos povos da América Latina. vamos ver alguns esquemas para facilitar a memorização: Profº André Alencar www. mas cuidado que às vezes os examinadores fazem maldade e colocam os incisos com substantivos nos lugar do verbo. política. II . VI . fixam objetivos.solução pacífica dos conflitos. Feita a primeira análise dos princípios fundamentais.garantir o desenvolvimento nacional.não-intervenção. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica. 4º: A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I . IX . justa e solidária é um dos objetivos da RFB”. VIII . raça.construir uma sociedade livre. visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Objetivos: Consistem normas programáticas. VII .pdfconcursos. III . idade e quaisquer outras formas de discriminação.igualdade entre os Estados. cor.promover o bem de todos. V . IV .com.independência nacional. exemplo: “a construção de uma sociedade livre. 3º: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . IV . metas.defesa da paz. Parágrafo único.autodeterminação dos povos. fins a serem alcançados.repúdio ao terrorismo e ao racismo. sexo.concessão de asilo político.

pdfconcursos.com.Professor André Alencar Direito Constitucional 2.br Página 29 de 51 . ESQUEMAS PARA MEMORIZAR OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. 1º Fundamentos: Art. 3º Objetivos: Profº André Alencar www.

com. 4º Princípios das Relações Internacionais – esquema1: Profº André Alencar www.br Página 30 de 51 .pdfconcursos.Professor André Alencar Direito Constitucional Art.

com. está firme aí? Então vamos nessa. indivisível. indivisível. sem esmorecer!!! 3. Reparem que a Constituição trata o Poder como algo uno. eles irradiam preceitos para todas as normas constitucionais. 4º Princípios das Relações Internacionais – esquema2: 3. Veremos de forma mais detalhada cada um dos fundamentos.Professor André Alencar Direito Constitucional Art.. SOBERANIA Já foi estudada como poder político supremo e independente. ou seja. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. 1º Parágrafo Único: Todo o poder emana do povo. analisa-se aqui a soberania no sentido de soberania popular que já vem definida no mesmo art. pois diz que “Todo o poder.pdfconcursos. a Constituição está apoiada nestes cinco fundamentos. Podemos dizer que os cinco fundamentos são como cinco vigas mestras de um edifício. com a visão de que esta soberania representa o poder inalienável. nos termos desta Constituição.1. Outros artigos da Profº André Alencar www. incontrastável do povo se auto-conduzir. O edifício é a estrutura do Estado brasileiro que está descrita em seu texto constitucional. FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Os fundamentos são os pilares que sustentam toda a constituição (equivalem às vigas de sustentação ou as vigas mestras) do Estado brasileiro. Talvez agora seja necessário olhar a soberania com outros olhos.” e assim consagra a tese da soberania popular..br Página 31 de 51 . Viu-se que consiste na capacidade que o Estado tem de editar sua própria ordem jurídica e fazê-la efetiva. ou seja.

. a sua expressão no plano internacional.. é necessário definir se o ato do chefe de Estado é sindicável pelo Judiciário. como ficção jurídica ou como uma instituição não tem vontade própria.2. Plenário. 14 e art. pelo presidente da República. Veja decisão do STF sobre o tema: “Negativa.Professor André Alencar Direito Constitucional Constituição que fazem referência à soberania popular são: Art. 1. dicotomizada em interna e externa. III. p/ o ac. da competência indeclinável do presidente da República. 84. que não exerce soberania internacional. máxime para impor a vontade da República italiana ao chefe de Estado brasileiro. é o direito de não ser excluído da sociedade. 1º da Constituição assenta como um dos fundamentos do Estado brasileiro a sua soberania – que significa o poder político supremo dentro do território. CIDADANIA O Estado é criado para proporcionar o bem comum. O art. o bem dos seus habitantes – o Estado não é um fim em si mesmo. Neste sentido. nas leis. I. julgamento em 8-6-2011. No campo da soberania. de ser agraciado com os planos de governo. no seu art. porém o Estado. ou mesmo se essa autoridade se manteve nos lindes da decisão proferida pelo Colegiado anteriormente. O descumprimento do Tratado. na segunda. por meio do presidente da República. no plano internacional. f.) Deveras. relativamente à extradição. VII e VIII. permite a não entrega do cidadão da parte requerente quando ‘a parte requerida tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição’. efetivada pelo presidente da República. no tocante às relações da República Federativa do Brasil com outros Estados soberanos. de ser inserido. em abstrato.. A soberania. art. Min. 14 da CRFB) através dos representantes do povo no parlamento e no governo. 5º LXXI. 4º. da Carta Magna.br Página 32 de 51 . da Lei Maior. cuja resolução não compete ao STF. consoante suas atribuições previstas no art. Rel. tem na primeira a exteriorização da vontade popular (art.com.243. é quem está inserido como destinatário das políticas públicas. 92 da Carta das Nações Unidas de 1945. é assente que o ato de entrega do extraditando é exclusivo.) 3. (. Uma feliz frase que já li: “É o direito de ter direitos”. conforme consagrado na Constituição.) O Tratado de Extradição entre a República Federativa do Brasil e a República italiana. DJE de 5-10-2011. gera uma lide entre Estados soberanos. cogitando-se de mediação da Corte Internacional de Haia. A soberania nacional no plano transnacional funda-se no princípio da independência nacional.pdfconcursos. nos termos do art. (. em tese. antes de deliberar sobre a existência de poderes discricionários do presidente da República em matéria de extradição. Profº André Alencar www. e. Luiz Fux. de entrega do extraditando ao país requerente. nos tratados e na própria decisão do Egrégio STF na Ext 1.085. nos termos do art.. aí que se insere a capacidade de o povo participar da vida do Estado. cidadão é quem participa.” (Rcl 11. 170 I. ou seja.

Min. 205 e os art. imagem. 89 VII.br Página 33 de 51 . 101. Tem como essência a proteção aos direitos fundamentais. ou a ela se submeter. Vejamos: No sentido Eleitoral está correto dizer que cidadão é quem está alistado junto à justiça eleitoral. Segundo o STF: "Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal. proibição Profº André Alencar www. 103-B XIII. Entende-se que a dignidade é o princípio de proteção ao mínimo existencial. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Esse é o princípio mais importante do direito constitucional moderno. nega-se o Estado de Direito. da vida privada. mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos. A cidadania representa um status e apresenta-se simultaneamente como objeto e um direito fundamental das pessoas. apenas excepcionalmente poderão ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais. DJ de 7-6-96) Neste ponto é importante entender que cidadão é algo maior que o conceito de eleitor. 68 §1º II." (HC 73. Como a dignidade é um dos princípios fundamentais ela irradia seus valores para toda a ordem constitucional e até para todo o ordenamento jurídico . por isso é considerado um sobreprincípio – muito embora haja divergência doutrinária quanto a ser ou não um princípio absoluto. Diz respeito ao reconhecimento do indivíduo como pessoa integrada na sociedade estatal além de titular de direitos políticos. da honra. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal. 3. LXXIII e LXXVII.3. incapazes. Rel. 74 §2º. 131 §1º. 5º LXXI. ora como conceito técnico (eleitor) e ora em sentido amplo no sentido de indivíduo da “cidade” – no sentido de ser partícipe de uma comunidade política. Maurício Corrêa. 61.pdfconcursos. 98 II. posto que somente com direitos fundamentais o homem terá dignidade para viver em uma sociedade. no sentido amplo do termo. arts.Professor André Alencar Direito Constitucional Ser cidadão é participar da vida política do Estado. indigentes) tem o direito de serem cidadãos na ordem constitucional. podemos dizer que os direitos fundamentais protegem e efetivam a dignidade da pessoa humana. pois. eleitor é a condição jurídica do nacional (ou equiparado) dotado de capacidade de votar (algumas vezes também ser votado). 130-A VI. 8º §3º e 64 do ADCT. A Constituição utiliza o termo cidadania. ainda que emanada de autoridade judicial. 58 §2º V. julgamento em 22-4-96. 22 XIII. 62 §1º a. conforme podemos ver em algumas das seguintes passagens.454.com. 14. sendo assim. ser cidadão é ser participante da vida em sociedade. 17. Sendo assim. porém. 31 §3º. aqueles que não estão alistados (menores. Não há dignidade se não houver proteção da intimidade. caso contrário.

1º. entre nós. art. quando evidente a atipicidade da conduta. LIV).409 (STF): Denúncias genéricas. art. HC 84. Segundo o STF a necessidade de individualização das respectivas condutas dos indiciados é essencial para a observância dos princípios do devido processo legal (CF. se não houver um rol de penas inconstitucionais.988-MC (STF): A duração prolongada..879 (STF): É inepta a denúncia. sob os quais se ergue e se harmoniza o estado democrático. que não descrevem os fatos na sua devida conformação. dada a sua condição de princípio fundamental da República (art. por si só. art. LV) e da dignidade da pessoa humana (CF. HCs 86. 5º.br Página 34 de 51 . Violação ao princípio da dignidade da pessoa humana.Professor André Alencar Direito Constitucional da tortura. da ampla defesa. direito do trabalhador. III) significativo vetor interpretativo. contraditório (CF. HC 82. do racismo. direitos de participação política. em especial ao princípio da dignidade humana. abusiva e irrazoável da prisão cautelar de alguém ofende. características suficientes para justificar a segregação e o extermínio: inconciabilidade com os padrões éticos e morais definidos na Carta Política do Brasil e do mundo contemporâneo.360. uma proibição objetiva incondicional à concessão de prisão domiciliar. III).. 1º. de modo expressivo.com. pois a dignidade da pessoa humana.pdfconcursos. da CF/88). Vamos ver algumas decisões do STF sobre o tema: HC 86. art. verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional vigente em nosso País e que traduz.969 (STF): A mera instauração de inquérito. 85. senão forem prescritos direitos do preso. inciso III. um dos fundamentos em que se assenta. o postulado da dignidade da pessoa humana. Não é difícil perceber os danos que a mera existência de uma ação penal impõe ao indivíduo. 1º.237 e 85. 226 §7º. a questão do livre planejamento familiar no art. especialmente a dos idosos. constitui meio hábil a impor violação aos direitos fundamentais. 5º. não se coadunam com os postulados básicos do Estado de Direito.424-QO (STF): Fundamento do núcleo do pensamento do nacional-socialismo de que os judeus e os arianos formam raças distintas. sempre será preponderante. Concepção Profº André Alencar www. de modo frontal. Também vale ressaltar que tanto os títulos da Ordem Econômica como o da Ordem Social visam efetivar e dar conteúdo jurídico ao princípio da dignidade da pessoa humana. que representa considerada a centralidade desse princípio essencial (CF. HC 83. nefasta e infecta.358 (STF): O fato de o paciente estar condenado por delito tipificado como hediondo não enseja. por ausência de indicação da conduta individualizada dos acusados ainda que seja nos crimes societários. HC 82. Necessidade de rigor e prudência daqueles que têm o poder de iniciativa nas ações penais e daqueles que podem decidir sobre o seu curso. Como por exemplo. Estigmas que por si só evidenciam crime de racismo. a ordem republicana e democrática consagrada pelo sistema de direito constitucional positivo. Os primeiros seriam raça inferior.

em prejuízo. aí.389 (STF): A simples referência normativa à tortura. o interesse público na eficácia da repressão penal em geral ou. HC 99. Condutas e evocações aéticas e imorais que implicam repulsiva ação estatal por se revestirem de densa intolerabilidade. Ayres Britto.512 (STF): Objeção de princípio .br Página 35 de 51 .à tese aventada de que à garantia constitucional da inadmissibilidade da prova ilícita se possa opor. Primeira Turma. DJE de 412-2009 (STF): “A LEP é de ser interpretada com os olhos postos em seu art. de sorte a afrontar o ordenamento infraconstitucional e constitucional do País. HC 79. Lei 8.009/90: Impenhorabilidade do bem de família como forma de dar efetividade ao princípio da dignidade da pessoa humana. A tortura constitui a negação arbitrária dos direitos humanos. para coleta do material indispensável à feitura do exame DNA. HC 71. da dignidade humana. na de determinados crimes: é que. até mesmo. a autonomia e a liberdade com que o indivíduo foi dotado. da intangibilidade do corpo humano.pelos valores fundamentais. a mais não poder. RHC 384 (STJ): Internar menor de 14 anos não fere o princípio da dignidade da pessoa humana. de maneira indisponível. 'debaixo de vara'. pelo ordenamento positivo.652. implique determinação no sentido de o réu ser conduzido ao laboratório. foi a Constituição mesma que ponderou os valores contrapostos e optou . princípio alçado a fundamento da República Federativa do Brasil. a doutrina e a jurisprudência. Artigo Profº André Alencar www.a ponderação de quaisquer interesses constitucionais oponíveis à inviolabilidade do domicílio não compete a posteriori ao juiz do processo em que se pretenda introduzir ou valorizar a prova obtida na invasão ilícita. A recusa resolvese no plano jurídico-instrumental. Min. com o fim de dar-lhe prevalência em nome do princípio da proporcionalidade. se necessário da eficácia da persecução criminal . julgamento em 3-11-2009. gesto ominoso de ofensa à dignidade da pessoa humana. no que voltadas ao deslinde das questões ligadas à prova dos fatos.869 (STF): O direito ao nome insere-se no conceito de dignidade da pessoa humana. mas sim àquele a quem incumbe autorizar previamente a diligência.em relação à qual houve reserva de Ministros do Tribunal .373 (STF): Discrepa. de garantias constitucionais implícitas e explícitas — preservação da dignidade humana. em particular.com.salvo em casos extremos de necessidade inadiável e incontornável . Rel.. do império da lei e da inexecução específica e direta de obrigação de fazer — provimento judicial que. pois reflete — enquanto prática ilegítima. baseada na respeitabilidade e dignidade do ser humano e de sua pacífica convivência no meio social. 1º. a suprimir a dignidade. em ação civil de investigação de paternidade. da intimidade. RE 248.pdfconcursos.. consideradas a dogmática. imoral e abusiva — um inaceitável ensaio de atuação estatal tendente a asfixiar e.Professor André Alencar Direito Constitucional atentatória dos princípios nos quais se erige e se organiza a sociedade humana. aos quais serve de salvaguarda a proscrição da prova ilícita: de qualquer sorte . HC 70.

ter acesso amplo aos elementos de prova que... por parte do preso ou de terceiros.340/2006. I. bem como do art. sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. a prestações positivas originárias do Estado. com o propósito de fraudar. pelo Poder Público.510. 1º). 5º da Lei de Biossegurança (Lei 11. para atribuir interpretação conforme a Constituição aos arts.. III.) o Plenário. (. digam respeito ao exercício do direito de defesa. o direito à saúde. que representa. o direito à proteção integral da criança e do adolescente.105/2005).com. por entender que as pesquisas com células-tronco embrionárias não violam o direito à vida ou o princípio da dignidade da pessoa humana. e assentar a natureza incondicionada da ação penal em caso de crime de lesão corporal. todos da Lei 11. viabilizadoras da plena fruição de direitos sociais básicos.” (Súmula Vinculante 14) “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. em ordem a assegurar. a redução de distância entre a população intramuros penitenciários e a comunidade extramuros. pontual densificação de ambos os fundamentos constitucionais. A reintegração social dos apenados é. julgou procedente ação direta. civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere.. e art. emanação direta do postulado da essencial dignidade da pessoa humana. acesso efetivo ao direito geral de liberdade e.” “É direito do defensor. da CF. o direito à alimentação e o direito à Profº André Alencar www. sob pena de responsabilidade disciplinar.br Página 36 de 51 .” (Súmula Vinculante 11) O Plenário do STF. o direito à moradia. por implicitude. o direito à assistência social. por maioria. tais como o direito à educação. de determinados preceitos constitucionais (CF. no julgamento da ADI 3. "A cláusula da reserva do possível – que não pode ser invocada. justamente.. Essa particular forma de parametrar a interpretação da lei (no caso. no contexto de nosso ordenamento positivo. proposta pelo PGR. 3º.. que resulta. III). que faz da cidadania e da dignidade da pessoa humana dois de seus fundamentos (incisos II e III do art. sempre que possível. art. § 8º. à pessoa.Professor André Alencar Direito Constitucional que institui a lógica da prevalência de mecanismos de reinclusão social (e não de exclusão do sujeito apenado) no exame dos direitos e deveres dos sentenciados. (.) Salientou-se a evocação do princípio explícito da dignidade humana. praticado mediante violência doméstica e familiar contra a mulher. declarou a constitucionalidade do art. 1º.pdfconcursos. 226. compreende um complexo de prerrogativas cuja concretização revela-se capaz de garantir condições adequadas de existência digna. também. 12.) A noção de ‘mínimo existencial’. de frustrar e de inviabilizar a implementação de políticas públicas definidas na própria Constituição – encontra insuperável limitação na garantia constitucional do mínimo existencial. "(. justificada a excepcionalidade por escrito. Isso para favorecer. 16 e 41. já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária. a LEP) é a que mais se aproxima da CF. no interesse do representado.

Min. dos princípios constitucionais da igualdade.. em ordem a permitir que se extraiam. do pluralismo. em seu art. notadamente no campo previdenciário. pelo Congresso Nacional.Professor André Alencar Direito Constitucional segurança. A arguente desqualifica fatos históricos que antecederam a aprovação. da não discriminação e da busca da felicidade) – reconhece assistir. Segunda Turma.. Rel. Celso de Mello. da igualdade.) O princípio constitucional da busca da felicidade.683/1979. Min. entre nós. o direito fundamental à orientação sexual. Plenário. (. de 1948 (Artigo XXV). 1º.. dentre outros. anteriormente a sua vigência. da dignidade. por isso mesmo. IV). de modo expressivo. sem qualquer exclusão. DJE de 15-9-2011. III.277 e ADPF 132. DJE de 26-8-2011. que se qualifica como expressão de uma ideia força que deriva do princípio da essencial dignidade da pessoa humana. verdadeiro estatuto de cidadania. Rel.) No mesmo sentido: ADI 4." (ARE 639. julgamento em 16-8-2011. Rel. da intimidade. qualificando-se. por isso mesmo.br Página 37 de 51 . numa estrita dimensão que privilegia o sentido de inclusão decorrente da própria CR (art. DJE de 14-10-2011. em função de sua própria teleologia. 1º. gozo e expansão dos direitos fundamentais.com. atribuindo-lhe. a plena legitimidade ético-jurídica da união homoafetiva como entidade familiar. e. Min. julgamento em 23-8-2011. havendo proclamado. da liberdade. Assiste.. a ordem republicana e democrática consagrada pelo sistema de direito constitucional positivo. afetar ou. que decorre. "(. julgamento em 5-52011. um dos fundamentos em que se assenta.) A inicial ignora o momento talvez mais importante da luta pela Profº André Alencar www. a todos. (. também.. (. verdadeiro postulado constitucional implícito. fundamentos autônomos e suficientes aptos a conferir suporte legitimador à qualificação das conjugalidades entre pessoas do mesmo sexo como espécie do gênero entidade familiar.) a dignidade da pessoa humana precede a Constituição de 1988 e esta não poderia ter sido contrariada. Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana. às uniões homoafetivas. que representa – considerada a centralidade desse princípio essencial (CF. Ayres Britto. os quais configuram. da autodeterminação. do núcleo de que se irradia o postulado da dignidade da pessoa humana. 1º. verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional vigente em nosso País. O STF – apoiando-se em valiosa hermenêutica construtiva e invocando princípios essenciais (como os da dignidade da pessoa humana. e art. o direito à busca da felicidade. por implicitude.pdfconcursos. como fator de neutralização de práticas ou de omissões lesivas cuja ocorrência possa comprometer. esterilizar direitos e franquias individuais. da Lei 6.) “Reconhecimento e qualificação da união homoafetiva como entidade familiar..337-AgR. na esfera das relações sociais e familiares. traduz. do mesmo regime jurídico aplicável à união estável entre pessoas de gênero distinto justifica-se e legitima-se pela direta incidência. assume papel de extremo relevo no processo de afirmação. da segurança jurídica e do postulado constitucional implícito que consagra o direito à busca da felicidade.) O postulado da dignidade da pessoa humana.” (RE 477. a qualquer pessoa. em favor de parceiros homossexuais. da liberdade. Segunda Turma. em consequência. relevantes consequências no plano do Direito. até mesmo. art.. III. A extensão. Celso de Mello.. III) – significativo vetor interpretativo. 3º.554 -AgR.

constata-se. no caso concreto. chegando-se. esse argumento não prospera. processos criminais em curso. (. § 5º. da liberdade e autonomia da manifestação da vontade e da legalidade –. da Lei 1. de todos quantos pertencem à humanidade. em perigo quando alguém se arroga o direito de tomar o que pertence à dignidade da pessoa humana como um seu valor (valor de quem se arrogue a tanto). Tanto quanto possível. julgamento em 22-8-2006. considerados a interrupção da gravidez de feto anencéfalo e os enfoques diversificados sobre a configuração do crime de aborto.Professor André Alencar Direito Constitucional redemocratização do país. Pendente de julgamento a arguição de descumprimento de preceito fundamental. DJE de 6-8-2010. DJ de 22-9-2006. a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que essa há de ser respeitada." (ADPF 153. (. A dignidade não tem preço. Então o valor da dignidade da pessoa humana já não será mais valor do humano.. a pronunciamento do STF.. Arguição de descumprimento de preceito fundamental – Liminar – Anencefalia – Interrupção da gravidez – Glosa penal – Afastamento – Mitigação. nos termos do art. não Profº André Alencar www. Arguição de descumprimento de preceito fundamental – Liminar – Anencefalia – Interrupção da gravidez – Glosa penal – Processos em curso – Suspensão. No que se refere à prerrogativa da intimação pessoal.) "Arguição de descumprimento de preceito fundamental – Adequação – Interrupção da gravidez – Feto anencéfalo – Política judiciária – Macroprocesso. Estamos. As coisas têm preço. Min. presos ou não. em face da interrupção da gravidez no caso de anencefalia.) Tem razão a arguente ao afirmar que a dignidade não tem preço.) Sem de qualquer modo negar o que diz a arguente ao proclamar que a dignidade não tem preço (o que subscrevo).683/1979.br Página 38 de 51 . que o constrangimento alegado é inegável. Rel. Min. tenho que a indignidade que o cometimento de qualquer crime expressa não pode ser retribuída com a proclamação de que o instituto da anistia viola a dignidade humana.2010." (HC 89.) O argumento descolado da dignidade da pessoa humana para afirmar a invalidade da conexão criminal que aproveitaria aos agentes políticos que praticaram crimes comuns contra opositores políticos.) "O direito de defesa constitui pedra angular do sistema de proteção dos direitos individuais e materializa uma das expressões do princípio da dignidade da pessoa humana. porém de quem o proclame conforme o seu critério particular. submissos à tirania dos valores.pdfconcursos. 5º.. Gilmar Mendes. de imediato. Estamos então em perigo. Na dicção da ilustrada maioria. autêntica batalha.. o da batalha da anistia. então. da saúde. Plenário. vale para todos quantos participam do humano. durante o regime militar. Segunda Turma. entendimento em relação ao qual guardo reserva. todavia. julgamento em 29-4. É que... voto do Rel. as pessoas têm dignidade. (. devem ficar suspensos até o crivo final do STF.060/1950. Em jogo valores consagrados na Lei Fundamental – como o são os da dignidade da pessoa humana. Toda a gente que conhece nossa História sabe que esse acordo político existiu. há de ser dada sequência a processo objetivo. Eros Grau. Diante da ausência de intimação de defensor público para fins de julgamento do recurso. adequada surge a arguição de descumprimento de preceito fundamental.com. resultando no texto da Lei 6. o valor do humano assume forma na substância e medida de quem o afirme e o pretende impor na qualidade e quantidade em que o mensure.176.

de outro determina ao Estado a adoção de todas as providências tendentes a garantir o efetivo exercício do direito à educação. A livre iniciativa é expressão de liberdade titulada não apenas pela empresa. OS VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA Aqui se começa a perceber a democracia social. nossa Constituição também se preocupa com a livre iniciativa. como bem pertinente apenas à empresa. ao contemplá-la. julgamento em 27-4-2005. portanto. ADIn 1. cabe ao intérprete e ao aplicador do direito conciliar os valores em rota de colisão e em casos concretos buscar aquele que melhor se adapta ao bem comum e atende ao princípio da dignidade da pessoa humana. inciso V.br Página 39 de 51 . Marco Aurélio. Plenário. DJ de 31-8-2007. cogita também da ‘iniciativa do Estado’. participativo do crescimento do Estado e da sociedade. 208. Neste sentido o STF já decidiu que a livre iniciativa não pode ser invocada para afastar regras de regulamentação do mercado e de defesa do consumidor e também não obsta que o Estado faça política de controle (tabelamento) de preços para proteger a livre concorrência.950 (STF): "É certo que a ordem econômica na Constituição de 1. não a privilegia. Postula um plano de ação global normativo para o Estado e para a sociedade. § 3º.4. no entanto. mormente do trabalhador. Rel. liminar no sentido de afastar a glosa penal relativamente àqueles que venham a participar da interrupção da gravidez no caso de anencefalia. programas e fins a serem realizados pelo Estado e pela sociedade. da Constituição]. Por último o alerto que aqui podemos encontrar uma colisão dos princípios. Por isso a Constituição.988 define opção por um sistema no qual joga um papel primordial a livre iniciativa. a nossa Constituição enuncia diretrizes. posto que em tese. mas também pelo trabalho. em arguição de descumprimento de preceito fundamental. também se fundamenta no sentido de que o empregador. informado pelos preceitos veiculados pelos seus artigos 1º. 205. a assertiva de que o Estado só intervirá na economia em situações excepcionais. à cultura e ao desporto [artigos 23. Na composição entre esses princípios e regras há de ser preservado o Profº André Alencar www. Min. 3º e 170. 170 e ss (ss = seguintes). a defesa do consumidor e a redução das desigualdades sociais. Se de um lado a Constituição assegura a livre iniciativa. o valor do trabalho seria colidente com o valor da livre iniciativa . trabalhador subordinado e o autônomo porque o trabalho dignifica a pessoa e a insere no conceito de cidadão. a Constituição não se esquece de valorar o lado social. enquanto empreendedor do crescimento do país merece valorização. ou seja. Mais do que simples instrumento de governo. além do estudo dos Princípios Gerais da Ordem Econômica. embora o nosso texto constitucional seja um texto com abertura capitalista como sistema de produção.pdfconcursos.Professor André Alencar Direito Constitucional prevalece.com. 215 e 217. No entanto. reporto o leitor para o art. tudo em conformidade com os ditames da justiça social." (ADPF 54-QO. no entanto. Essa circunstância não legitima.) 3.

Veja que embora esteja em conexão com o art. DJ de 5-8-2005. 4. DJE de 1º-3-2011. ao esporte e ao lazer.Professor André Alencar Direito Constitucional interesse da coletividade.950. permite a liberdade de crenças. garantindo a liberdade de convicção filosófica e.pdfconcursos. aceita o agrupamento social em coletividades (reuniões. 17 e o art. OBJETIVOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Profº André Alencar www. Min. são meios de complementar a formação dos estudantes. julgamento em 14-6-2005. 6º do ADCT o pluralismo político é mais amplo do que o pluripartidarismo. DJ 02/06/06). julgamento em 8-2-2011. Rel. interesse público primário. Segunda Turma.com. partidos político).) No mesmo sentido: AI 636. Min.br Página 40 de 51 . O direito ao acesso à cultura.686. O pluralismo político tem por fim afirmar a ampla e livre participação popular nos destinos políticos do país. PLURALISMO POLÍTICO O pluralismo político está relacionado com a ideia de que a Constituição é aberta a diversas ideologias. Eros Grau. Ellen Gracie. Min." (RE 349. também. a possibilidade de organização e participação em partidos políticos. Rel.5. principalmente.512." (ADI 1. exige a pluralidade de partidos políticos (pluripartidarismo). associações. DJ 23/06/06. 3. Primeira Turma. "O princípio da livre iniciativa não pode ser invocado para afastar regras de regulamentação do mercado e de defesa do consumidor. Rel. Cármen Lúcia. doutrinas e.883-AgR. No mesmo sentido: ADI 3. sindicatos.

Nesses casos. a literalidade do texto constitucional. sob pena de violação Profº André Alencar www. o Estado deve atuar a fim de alcançar tais valores fixados pelo constituinte.Professor André Alencar Direito Constitucional Os objetivos já foram vistos. Traduzem tarefas a serem executadas pelo Estado. contribuindo os ativos para financiar os benefícios pagos aos inativos. ou seja. colega concursando. não há que se estabelecer discriminação entre os beneficiários. “buscar a paz”. I. da CB/1988).br Página 41 de 51 .com. já que as contribuições previdenciárias têm natureza tributária. Obviamente traduzem objetivos ou metas. extraído do art. 3º I da CF: “O sistema público de previdência social é fundamentado no princípio da solidariedade (art. seria flagrante a afronta ao princípio da isonomia se o legislador distinguisse. “permitir a dignidade da pessoa humana”. eis que todos contribuem. então vamos lembrar que os objetivos são considerados normas programáticas que procuram estabelecer uma sociedade mais justa. tendo em vista que buscam a legalidade. indiscriminadamente. para financiar o sistema. Se todos. inclusive inativos e pensionistas. 3º. Se as alterações na legislação sobre custeio atingem a todos.. alguns mais e outros menos privilegiados. entre os beneficiários. são normas de prestação positiva. as questões são falsas. “combater o racismo e o terrorismo”.pdfconcursos.. apesar de haver certa coerência! Interessante ressaltar que o STF decidiu que as contribuições sociais da previdência social estão embasadas no princípio da solidariedade. tipo: “alcançar a cidadania”. atender a diversos valores (axiologia) do preâmbulo constitucional. bem como aos aumentos de suas alíquotas. Você. conforme as mesmas regras. ou ainda transformar princípios das relações internacionais em objetivos: “fazer prevalecer os direitos humanos”. estão sujeitos ao pagamento das contribuições. não podem ser colocadas como objetivos. deve ter muito cuidado ao julgar questões sobre objetivos porque o examinador adora transformar os fundamentos em objetivos. mas não se constituem em meras promessas inconsequentes.

pdfconcursos. encontra suporte legitimador em compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro e representa fator de obtenção do justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da ecologia. 5º. Constitucionalidade da Lei 8. Min. que traduz bem de uso comum da generalidade das pessoas. art. Rel. A proibição do preconceito como capítulo do constitucionalismo fraternal.com. bem como seu Protocolo Facultativo. e 170 da CF): improcedência. cuja observância não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um dos mais significativos direitos fundamentais: o direito à preservação do meio ambiente. salvo disposição constitucional expressa ou implícita em sentido Profº André Alencar www. na sede da ONU.899. Interestadual e Internacional de Passageiros (ABRATI). Rel.540-MC.)Em 30-3-2007. seja no plano da orientação sexual de cada qual deles. julgamento em 85-2008. além de impregnado de caráter eminentemente constitucional. Plenário. Liberdade para dispor da própria sexualidade. o que se concretiza pela definição de meios para que eles sejam alcançados. Eros Grau. além de ausência de indicação de fonte de custeio (arts. (. Cláusula pétrea. a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. IV. da isonomia.br Página 42 de 51 . 1º. que concede passe livre às pessoas portadoras de deficiência. Min. comprometendo-se a implementar medidas para dar efetividade ao que foi ajustado. Plenário. no entanto. julgamento em 23-8-2005.649. 3º. Direito à intimidade e à vida privada. Rel. A Lei 8. inserida na categoria dos direitos fundamentais do indivíduo. art." (ADI 2. em cumprimento aos fundamentos da República de cidadania e dignidade da pessoa humana. de 29-6-1994.Professor André Alencar Direito Constitucional do princípio constitucional da isonomia. Primeira Turma.899/1994 é parte das políticas públicas para inserir os portadores de necessidades especiais na sociedade e objetiva a igualdade de oportunidades e a humanização das relações sociais. Celso de Mello.” (RE 450.. quando ocorrente situação de conflito entre valores constitucionais relevantes. a uma condição inafastável. julgamento em 1º-9-2005.) “Proibição de discriminação das pessoas em razão do sexo.” (ADI 3. O sexo das pessoas. II) e a necessidade de preservação da integridade do meio ambiente (CF. XXII.855-AgR. a ser resguardado em favor das presentes e futuras gerações.. 225): O princípio do desenvolvimento sustentável como fator de obtenção do justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da ecologia. Min. a invocação desse postulado. DJ de 3-2-2006. subordinada. expressão que é da autonomia de vontade.) Veja mais alguns julgados do STF sobre o tema: "Ação direta de inconstitucionalidade: Associação Brasileira das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal. DJE de 17-10-2008. o Brasil assinou. Homenagem ao pluralismo como valor sócio-político-cultural. O princípio do desenvolvimento sustentável. seja no plano da dicotomia homem/mulher (gênero). DJ de 9-12-2005. Alegação de afronta aos princípios da ordem econômica. da livre iniciativa e do direito de propriedade.) Também houve um julgamento importante sobre o desenvolvimento nacional e o meio ambiente: “A questão do desenvolvimento nacional (CF. Cármen Lúcia.

Empírico uso da sexualidade nos planos da intimidade e da privacidade constitucionalmente tuteladas..277 e ADPF 132. Silêncio normativo da Carta Magna a respeito do concreto uso do sexo dos indivíduos como saque da kelseniana ‘norma geral negativa’.723 do CC. julgamento e m 5-5-2011. RE 477. Rel. não resolúvel à luz dele próprio. Rel. julgamento em 18-9-2012. O concreto uso da sexualidade faz parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. julgamento em 16-8-2011. 1. faz-se necessária a utilização da técnica de ‘interpretação conforme à Constituição’.Professor André Alencar Direito Constitucional contrário. Direito à busca da felicidade. ou obrigado. Segunda Turma. min. em geral não costumam trazer nenhuma grande novidade ou complicação nas provas de concursos. Primeira Turma. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.” (ADI 4. não se presta como fator de desigualação jurídica. Autonomia da vontade. Proibição de preconceito. Isso para excluir do dispositivo em causa qualquer significado que impeça o reconhecimento da união contínua. Cláusula pétrea. Reconhecimento do direito à preferência sexual como direta emanação do princípio da ‘dignidade da pessoa humana’: direito a autoestima no mais elevado ponto da consciência do indivíduo.com.) Ante a possibilidade de interpretação em sentido preconceituoso ou discriminatório do art. DJE de 2-10-2012. 4º temos os princípios das relações internacionais. rel. 5. DJE de 26-8-2011. já recomendamos o famoso “decoreba” e se não puder decorar: MEMORIZE! Profº André Alencar www.pdfconcursos.) No mesmo sentido: RE 687. PRINCÍPIOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS No Art. está juridicamente permitido’. Celso de Mello. (. Plenário.432-AgR.. DJE de 14-10-2011. segundo a qual ‘o que não estiver juridicamente proibido. Luiz Fux. por colidir frontalmente com o objetivo constitucional de ‘promover o bem de todos’.554-AgR. à luz do inciso IV do art. Salto normativo da proibição do preconceito para a proclamação do direito à liberdade sexual. Ayres Britto. Min. pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como família. Min.br Página 43 de 51 . 3º da CF.

Tais documentos.Não intervenção V.Prevalência dos direitos humanos VI.pdfconcursos. é a de que estamos diante de um documento produzido no contexto de negociações multilaterais a que o País formalmente aderiu e ratificou.Defesa da paz.. as convenções e os acordos..Igualdade entre os Estados IX – Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade Princípios relacionados aos valores constitucionais II.Professor André Alencar Direito Constitucional Vejamos uma forma de separar os 10 incisos desse artigo: Princípios relacionados à soberania no plano internacional – independência nacional I.Autodeterminação dos povos IV.) de tecer algumas considerações sobre a Convenção da Haia e a sua aplicação pelo Poder Judiciário brasileiro.. VII.br Página 44 de 51 .Solução pacífica dos conflitos VIII. portanto..Independência nacional III.) A primeira observação a ser feita. pressupõem Profº André Alencar www. (. Vamos ver algumas decisões do STF sobre o tema: "Gostaria (.com.Concessão de asilo político. em que se incluem os tratados.Repúdio ao terrorismo e ao racismo X.

) É este o verdadeiro alcance das disposições da Convenção.) Atualmente (. antes da subtração. em abstrato..com. A Convenção estabelece regra processual de fixação de competência internacional que em nada colide com as normas brasileiras a respeito. Plenário.. matéria que. 1. é necessário definir se o ato do chefe de Estado é sindicável pelo Judiciário. previstas na Lei de Introdução ao CC. O compromisso assumido pelos Estados-membros. O atraso ou a demora no cumprimento da Convenção por parte das autoridades administrativas e judiciais brasileiras tem causado uma repercussão negativa no âmbito dos compromissos assumidos pelo Estado brasileiro. Verificando-se que um menor foi retirado de sua residência habitual. O juiz do país da residência habitual da criança foi o escolhido pelos Estados-membros da Convenção como o juiz natural para decidir as questões relativas à sua guarda. no tocante às relações da República Federativa do Brasil com outros Estados soberanos. f. 1º da Constituição assenta como um dos fundamentos do Estado brasileiro a sua soberania – que significa o poder político supremo dentro do território. que informa o cumprimento dos tratados internacionais. Ellen Gracie. ainda não se faz claro para a maioria dos aplicadores do Direito o que seja o cerne da Convenção. ou seja. os Estados-partes definiram que as questões relativas à guarda serão resolvidas pela jurisdição de residência habitual do menor. I. antes de deliberar sobre a existência de poderes discricionários do presidente da República em matéria de extradição. nesse tratado multilateral.. 4º. em um de seus aspectos. sem consentimento de um dos genitores. A Convenção também recomenda que a tramitação judicial de tais pedidos se faça com extrema rapidez e em caráter de urgência. de modo a causar o menor prejuízo possível ao bem-estar da criança." (ADPF 172. o da necessidade de integração de vontades entre o chefe de Estado e o Congresso Nacional. pelo presidente da República.. É o que expressa o velho brocardo Pacta sunt servanda. Min.. permite a não entrega do cidadão da parte requerente quando ‘a parte requerida tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição’. em razão do princípio da reciprocidade. nos termos do art.. Os tratados e outros acordos internacionais preveem em seu próprio texto a possibilidade de retirada de uma das partes contratantes se e quando não mais lhe convenha permanecer integrada no sistema de reciprocidades ali estabelecido. (. e.) Deveras. no plano internacional. (. da Carta Magna. foi o de estabelecer um regime internacional de cooperação. no seu art. está sob o exame do Tribunal.Professor André Alencar Direito Constitucional o cumprimento de boa-fé pelos Estados signatários.) O Tratado de Extradição entre a República Federativa do Brasil e a República italiana. A observância dessa prescrição é o que permite a coexistência e a cooperação entre nações soberanas cujos interesses nem sempre são coincidentes. (. ou mesmo se essa autoridade se manteve nos lindes da decisão proferida pelo Colegiado anteriormente. julgamento em 10-62009.) “Negativa. DJE de 21-8-2009.. de entrega do extraditando ao país requerente. A soberania nacional no plano transnacional funda-se no Profº André Alencar www.. Marco Aurélio.br Página 45 de 51 .. por meio de autoridades centrais como judicial. III. É o que se chama de denúncia do tratado. Rel.. apesar dos esforços em esclarecer conteúdo e alcance desse texto. O art. tanto administrativa.pdfconcursos. sua jurisdição natural. Mas. voto da Min.) a Convenção é compromisso internacional do Estado brasileiro em plena vigência e sua observância se impõe.MC-REF. (.

Rel.Professor André Alencar Direito Constitucional princípio da independência nacional. O privilégio resultante da imunidade de execução não inibe a Justiça brasileira de exercer jurisdição nos processos de conhecimento instaurados contra Estados estrangeiros. por meio do presidente da República. A soberania. p/ o ac." (RE 222. em inaceitável detrimento de trabalhadores residentes em território brasileiro.com. da competência indeclinável do presidente da República. 4º. Celso de Mello. máxime para impor a vontade da República italiana ao chefe de Estado brasileiro. Ayres Britto. Segunda Turma. a tratamento jurídico impregnado de máximo rigor.243. A CF. considerados os parâmetros consagrados pela vigente CF. pois a Lei Fundamental proclamou o repúdio ao terrorismo como um dos princípios essenciais que devem reger o Estado brasileiro em suas relações internacionais (CF.) No mesmo sentido: Ext 509. ainda. julgamento em 4-5-1990. VII e VIII. tem na primeira a exteriorização da vontade popular (art. O descumprimento do Tratado.195. No campo da soberania. além de haver qualificado o terrorismo. conforme consagrado na Constituição. da Lei Maior. Luiz Fux. incompatível com o princípio da boa-fé e inconciliável com os grandes postulados do direito internacional. que não exerce soberania internacional. sob pena de essa prática consagrar censurável desvio ético-jurídico. nos termos do art. DJ de 14-2-2003. tornando-o inafiançável e insuscetível da clemência soberana do Estado e reduzindo-o. Rel. Min. Min. cogitando-se de mediação da Corte Internacional de Haia.6-1990. cuja resolução não compete ao STF. Profº André Alencar www. o que o expõe. Rel. Celso de Mello. quer em face de sua própria Constituição. em tese. DJE de 5-10-2011. 14 da CRFB) através dos representantes do povo no parlamento e no governo. "Privilégios diplomáticos não podem ser invocados. art. nos Tratados e na própria decisão do Egrégio STF na Ext 1. VIII). é assente que o ato de entrega do extraditando é exclusivo. à dimensão ordinária dos crimes meramente comuns (CF. Plenário. 84. Min.) "O repúdio ao terrorismo: um compromisso ético-jurídico assumido pelo Brasil. para coonestar o enriquecimento sem causa de Estados estrangeiros.. presentes tais vetores interpretativos (CF. efetivada pelo presidente da República. art.085. Plenário. nas Leis. DJ de 1º. não se subsumem à noção de criminalidade política.368-AgR. Mais: o assentimento do acusado com a extradição não dispensa o exame dos requisitos legais para o deferimento do pleito pelo STF..) “A anuência do extraditando ao pedido de sua entrega não desobriga o Estado requerente de instruir devidamente esse pedido. 92 da Carta das Nações Unidas de 1945. sob tal perspectiva. como crime equiparável aos delitos hediondos.). XLIII).” (Ext 1. gera uma lide entre Estados soberanos. julgamento em 30-4-2002. Min. dicotomizada em interna e externa. Plenário. STF que participa do processo de extradição para velar pela observância do princípio que a CF chama de ‘prevalência dos direitos humanos’ (. quer perante a comunidade internacional. consoante suas atribuições previstas no art.br Página 46 de 51 . Rel. relativamente à extradição. em processos trabalhistas. DJE de 21-62011. julgamento em 12-5-2011.pdfconcursos. Os atos delituosos de natureza terrorista. para efeito de repressão interna. na segunda. 5º. julgamento em 8-6-2011.” (Rcl 11. a sua expressão no plano internacional.

julgamento em 17-9-2003. julgamento em 21-3-2007. Rel. Plenário." (Ext 1.pdfconcursos.) Especialmente sobre o parágrafo único o STF entendeu que: Profº André Alencar www. descendência ou origem nacional ou étnica. ‘islamafobia’ e o antissemitismo.008. extinto o processo.) Adesão do Brasil a tratados e acordos multilaterais. gera a discriminação e o preconceito segregacionista. Min. A divisão dos seres humanos em raças resulta de um processo de conteúdo meramente político-social. Min. A circunstância de o prejuízo do processo advir de ato de um outro Poder – desde que compreendido na esfera de sua competência – não significa invasão da área do Poder Judiciário. 493).424. incidiria a proibição constitucional da extradição por crime político. impedindo. art.) “Raça e racismo." (Ext 855. Presidente Maurício Corrêa. Rel. 33 (Estatuto do Refugiado). em torno do terrorista. julgamento em 26-8-2004. que se venha a estabelecer. enquanto dure. é elisiva.474/1997. DJ de 17-8-2007. Caso em que de qualquer sorte. 33 da Lei 9. Min. É válida a lei que reserva ao Poder Executivo – a quem incumbe. inspiradas na pretensa superioridade de um povo sobre outro. (. o mesmo tratamento benigno dispensado ao autor de crimes políticos ou de opinião. Celso de Mello.Professor André Alencar Direito Constitucional art. Pedido de extradição não conhecido. XLIII). de que são exemplos a xenofobia. cuja constitucionalidade é reconhecida: ausência de violação do princípio constitucional da separação dos Poderes. às práticas delituosas de caráter terrorista. p/ o ac.br Página 47 de 51 . Desse pressuposto origina-se o racismo que. da extradição que tenha implicações com os motivos do seu deferimento. 5º. cor. e art. por atribuição constitucional. credo. Rel. Plenário. sem julgamento do mérito e determinada a soltura do extraditando. Sepúlveda Pertence. ‘negrofobia’. notadamente se se tiver em consideração a relevantíssima circunstância de que a Assembléia Nacional Constituinte formulou um claro e inequívoco juízo de desvalor em relação a quaisquer atos delituosos revestidos de índole terrorista. por definição. VIII. o reconhecimento administrativo da condição de refugiado. Reconhecimento do status de refugiado do extraditando. aí compreendidas as distinções entre os homens por restrições ou preferências oriundas de raça. Plenário.. Questão de ordem. a competência para tomar decisões que tenham reflexos no plano das relações internacionais do Estado – o poder privativo de conceder asilo ou refúgio.) "Extradição: Colômbia: crimes relacionados à participação do extraditando – então sacerdote da Igreja Católica – em ação militar das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).474/1997. De acordo com o art. 4º. um inadmissível círculo de proteção que o faça imune ao poder extradicional do Estado brasileiro.com.” (HC 82. na qual se compreende a prática de eventuais crimes contra a pessoa ou contra o patrimônio no contexto de um fato de rebelião de motivação política (Ext.. por sua vez. p/ o ac. DJ de 19-3-2004. desse modo. por decisão do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE): pertinência temática entre a Constituição e o motivação do deferimento do refúgio e o objeto do pedido de extradição: aplicação da Lei 9. a estes não reconhecendo a dignidade de que muitas vezes se acha impregnada a prática da criminalidade política. não autoriza que se outorgue. que energicamente repudiam quaisquer discriminações raciais. DJ de 1º-7-2005.

por motivos de perseguição ou não aceitação de suas ideias ou ideologias. protocolos e convenções celebrados pelo Brasil no âmbito do Mercosul.. são direitos imutáveis no tempo e no espaço e são reconhecidos pelas ordens jurídicas estatais. Profº André Alencar www." (CR 8. discriminatórios. Presidente Celso de Mello. A competência para a concessão do asilo político é do Poder Executivo ( ato discricionário de soberania). da CR. ainda subsistem os clássicos mecanismos institucionais de recepção das convenções internacionais em geral. são perseguidos por motivos preconceituosos. que não o seu de origem.br Página 48 de 51 . por isso. para afastá-los. Sendo assim. não bastando. positivando-se e. mesmo cuidando-se de tratados de integração. o estrangeiro tem assegurado o direito à sua dignidade como pessoa humana. Plenário. 4º.Professor André Alencar Direito Constitucional "Sob a égide do modelo constitucional brasileiro. é plena a aplicabilidade dos direitos fundamentais aos estrangeiros exceto nos pontos que a própria Constituição expressamente os diferenciou.2. no caso brasileiros. religiosos ou políticoideológicos em seu país de origem. julgamento em 17-6-1998..com. designados de direitos fundamentais. dos acordos.pdfconcursos. DJ de 10-8-2000. constitui o asilo político em uma forma de proteção àqueles que.) Vamos comentar alguns pontos essenciais sobre os princípios das relações internacionais. O Brasil é signatário do Estatuto dos Refugiados (aderiu em 1952) e assim.279AgR. a existência da norma inscrita no art. ASILO POLÍTICO O asilo político é o acolhimento de estrangeiro por parte de um Estado. que possui conteúdo meramente programático e cujo sentido não torna dispensável a atuação dos instrumentos constitucionais de transposição. arbitrariamente. tem direito a um devido processo legal e outras garantias expressamente declaradas no Texto Maior.1. 5. Rel. 5. DIREITOS HUMANOS Os direitos humanos constituem-se em uma categoria de direitos aplicados a todos os seres humanos. mesmo durante o processo de extradição. Min. ou seja. para a ordem jurídica doméstica. parágrafo único.

Professor André Alencar Direito Constitucional 5.4. plenamente.com. COMUNIDADE LATINO-AMERICANA É patente a diferença entre o objetivo fixado pelo constituinte em norma programática de criar uma comunidade com os povos latino-americanos e a criação de um bloco de integração dos países do cone-sul (Mercosul). inclusive. em hipótese nenhuma. que a criação do Mercosul. ou seja. tratados ou convenções celebrados entre tais povos (e o Brasil) seja automaticamente recepcionado pelo nosso ordenamento jurídico. PARTE 3 – PRINCÍPIOS DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 1. Crime de terrorismo não pode ser. a vontade do constituinte originário. o repúdio ao terrorismo é um compromisso assumido pelo Brasil que o faz. equiparado a crime político ou de opinião (Art. nada mais é o do que o Estado da legalidade. 4º Parágrafo Único ao buscar uma integração entre estes povos latino-americanos não faz com os acordos. mesmo os protocolos e convenções do Mercosul precisam passar pelo mecanismo da internalização. ou seja. diferenciando o crime de terrorismo para com os outros delitos (conforme o art.3. REPÚDIO AO TERRORISMO Não é compatível com a situação de asilo político aquele que pratica em outros Estados atos de terrorismo. pessoal. é nítida a distinção entre eles e por isso não se concederá asilo ao extraditando acusado de crime de terrorismo. 5. O STF decidiu que a norma art. É o Estado onde impera o princípio da legalidade (Art. 5º LII). 5º II e 37 caput) tanto para governantes como para governados.pdfconcursos.br Página 49 de 51 . O Estado de Direito tem dois pressupostos inarredáveis (inafastáveis): Divisão de poderes e o estabelecimento de direitos e garantias individuais. o Estado do exato ou estrito cumprimento das ordens legais. não satisfaz. 5º XLIII). O ESTADO DE DIREITO O Estado de Direito. sendo então. Profº André Alencar www.

O poder não se exerce de forma ilimitada.br Página 50 de 51 . além de estar previsto no Código de Processo Penal aos réus.Professor André Alencar Direito Constitucional As garantias dos juízes já foram consideradas em prova como forma de manutenção do Estado Democrático de Direito. sob a custódia. então.. portanto a aplicação das garantias processuais são também essenciais para a preservação desse estado. ministro Marco Aurélio. gozar de garantias. administradores e legisladores. ou não. Ele acrescentou “que se paga um preço por se viver em um Estado Democrático de Direito. “é assegurado constitucionalmente a todo aquele que.) O respeito efetivo pelos direitos individuais e pelas garantias fundamentais outorgadas pela ordem jurídica aos cidadãos em geral representa. No Estado Democrático de Direito.015 (STF): . Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal. Também é importante destacar que o estado de direito é o estado que respeita o direito. Nenhum órgão do Estado — situe-se ele no Poder Judiciário. ou no Poder Executivo.. (. para se posicionar contrariamente às pretensões estatais. o quadro democrático delineado na Constituição da República. Veja algumas decisões do STF sobre o tema: HC 86563 (STF): O relator do HC.454 (STF) “Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal. especialmente às balizas da Lei Fundamental”. de maneira real.na fórmula política do regime democrático. Profº André Alencar www. no contexto de nossa experiência institucional.com. do Estado. caso contrário. não há lugar para o poder absoluto. HC 73. o sinal mais expressivo e o indício mais veemente de que se consolida..). (.pdfconcursos.” HC 88. afirmou que o direito ao silêncio. em nosso País. nega-se o Estado de Direito.. assim podem ser imparciais e fazer prevalecer os direitos dos cidadãos contra o próprio Estado. Esse dever de obediência ao regime da lei se impõe a todos — magistrados.. posto que os Juízes façam valer as garantias dos indivíduos (direitos fundamentais) contra o próprio Estado e. é convocado para depor e vê-se alvo de investigação”. ainda que emanada de autoridade judicial. os Juízes devem. ou a ela se submeter. que nenhum dos Poderes da República está acima da Constituição e das leis. um preço que reputo módico – o respeito irrestrito ao arcabouço normativo.. ou no Poder Legislativo — é imune à força da Constituição e ao império das leis.A observância dos direitos e garantias constitui fator de legitimação da atividade estatal.

ou seja. o direito de defesa.. Min. pois lhe é vedado. Inclusive.009. Tipificações correspondentes no direito brasileiro. 5º. há um Estado-de-direito de democracia”. a componente do Estado de direito e a componente do Estado democrático – não podem ser separadas uma da outra. DJE de 19-12-2008) "Extradição e necessidade de observância dos parâmetros do devido processo legal. notadamente naqueles casos em que os fatos subjacentes à persecutio criminis revelam-se destituídos de tipicidade penal. não será arrebatado de nós e submetido a ferros sem antes se valer de todos os meios de defesa em qualquer circunstância à disposição de todos. Rel. Associação delituosa e confabulação. Rel. Celso de Mello. fique esperto porque alguma questão vai vir daqui!!! "Controle jurisdicional da atividade persecutória do estado: uma exigência inerente ao Estado Democrático de Direito..." (Ext 986. O Estado não tem o direito de exercer.) Profº André Alencar www. julgamento em 6-11-2008. Tráfico de entorpecentes.. Plenário.pdfconcursos. ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO Segundo Gomes Canotilho e Vital Moreira “O Estado é um Estado de direito democrático. o poder persecutório de que se acha investido. arts.) Obrigação do STF de manter e observar os parâmetros do devido processo legal. DJ de 5-10-2007. e as suas duas componentes – ou seja. sem base jurídica idônea e suporte fático adequado.) “O Estado de Direito viabiliza a preservação das práticas democráticas e. amigo concursando. do estado de direito e dos direitos humanos.) é bastante complexo. Este conceito (. especialmente. amigo ou parente próximo vier a ser acusado de ter cometido algo ilícito. ética e juridicamente. se um irmão. e 60. Segunda Turma. (. Eros Grau. Há uma democracia de Estado-de-direito. Direito a. Vejamos mais decisões do STF sobre o tema.br Página 51 de 51 . § 1º. Min. julgamento em 15-12-2009. Min. DJE de 6-8-2010. não é possível admitir-se no Estado Democrático de Direito as restrições abusivas aos direitos fundamentais.com. Por isso usufruímos a tranquilidade que advém da segurança de sabermos que. Precedentes. Plenário. Rel. já cabe fazer uma indicação de que uma das bases do princípio da proporcionalidade (ou razoabilidade) como forma de limitar o excesso estatal decorre justamente do Estado de Democrático de Direito.237. não sermos presos senão após a efetiva comprovação da prática de um crime. salvo circunstâncias excepcionais. O Estado de direito é democrático e só sendoo é que é Estado de direito. do estado de direito e do respeito aos direitos humanos. § 4º. julgamento em 15-8-2007. (.)” (HC 95. CB... o Estado democrático é Estado de direito e só sendo-o é que é democrático. agir de modo arbitrário. seja fazendo instaurar investigações policiais infundadas. Eros Grau.Professor André Alencar Direito Constitucional 2. seja promovendo acusações formais temerárias." (HC 98.