UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS ALUNO: TAILAN TOMIELLO COSTA DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO II DOCENTE: RONALDO

GATTI NOTAS SOBRE O DIREITO CONTRATUAL BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO: RELATÓRIO Ao décimo dia do outoniço mês de abril do pós-apocalíptico ano de 2013, foi proferida palestra acerca dos contratos civis, tendo como expositores o Professor Doutor Summa cum Laude pela USP Marcos Catalan e o reconhecido doutrinador de Direito Civil, Doutor Rodolfo Pamplona. FALA DO PROFESSOR DOUTOR MARCOS CATALAN O primeiro a dissertar foi o Professor Doutor Marcos Catalan. A fala do douto palestrante versou sobre o inadimplemento contratual. Tal instituto, sob a ótica do descumprimento por parte do devedor, foi explanado a partir da divisão entre a violação contratual passível e não passível de adimplemento posterior; e uma dicotomia que envolvia o inadimplemento versando bens comuns e envolvendo direitos fundamentais. Quando da violação contratual passível de adimplemento posterior, está-se diante da figura da mora. A mora é o instituto relativo ao inadimplemento injustificado, poetizado pelo palestrando no verso “mora, demora por falha na memória”. Se a obrigação contratual violada não puder ser adimplida em momento posterior, estar-se-á diante da figura do inadimplemento, propriamente dito, haja vista este, feito extemporaneamente, não interessar ao credor. Neste caso, resolve-se a relação jurídica em perdas e danos. A polarização de inadimplemento envolvendo bens comuns e direitos fundamentais foi levantada com vistas ao suplantar da questão meramente material do Código Civil Brasileiro (muito criticada pelo segundo palestrante). No caso da segunda espécie de inadimplemento, não se estará lidando com bens meramente patrimoniais do credor, mas, sim, com bens que lhe atinem à dignidade.

O canal para tal ação é o princípio da boa-fé objetiva. por si só. a condição de pessoa-humana não era suficiente para o reconhecimento pelo ordenamento civil como um sujeito pleno de direitos. Do princípio da boa-fé objetiva surgem aquilo que o professor . O status personae devia vir conjugado com uma determinada relação para que o sujeito fosse tutelado. foi realizada uma comparação entre a codificação atual e aquela que esta superou: a de 1916. o paradigma dos princípios normativos é um importante passo rumo à superação da lógica subsuntiva de aplicação da lei. O Código Civil de Beviláqua foi elogiado por sua técnica louvável (que o Código atual não manteve). Nesse sentido. FALA DO PROFESSOR DOUTOR RODOLFO PAMPLONA Malgrado a duração mais prolongada. o forte aspecto patrimonialista do código novecentista fez com que sua revogação fosse mais do que necessária. a curta fala do palestrando encerrou-se com a questão das escusas ao inadimplemento. Entretanto. devendo-se pensar em atos imputáveis ou não). em detrimento do “ser”. As próprias bases fundamentadoras do Código Civil demonstram o avanço ensejado: eticidade. veja-se que a legislação passada colocava demasiada primazia no “ter”. Segundo o palestrante. Apesar da má-técnica. Portanto. A condição de ser humano. a palestra do professor Rodolfo Pamplona pode ser resumida em uma crítica à racionalidade positivista de aplicação do direito e nos (novos) institutos do Código Civil tendentes à sua superação. em razão da fatos não imputáveis ao devedor (lembrando que o professor Dr. não era suficiente. em questões principiológicas o Código Civil de 2002 apresentou importante avanço. socialidade e operabilidade.Por fim. Desta forma. o proprietário. o contratante. Primeiramente. eram os “protagonistas” do Código de 1916 o pai de família. Catalan defende a tese de inexistência – morte – da culpa no direito civil. A boa-fé objetiva representa uma visão objetivada do bonus pater familias. A eticidade é o meio de compatibilização de valores técnicos e éticos. o possuidor e o testamentário.

pautados na autonomia da vontade. seja por outros princípios. ela obriga e limita o proprietário. pautado pelo princípio da função social: a propriedade obriga.Catalan chama (mas não originariamente) de deveres gerais de conduta: informação. Tais deveres são de observância obrigatória em todo contrato. modificam o paradigma clássico dos contratos. É o que decorre da socialiadade. seja por determinadas espécies contratuais. confidencialidade etc. a eticidade e a socialidade. eis que lhe são dados poderes maiores para a resolução de litígios. a possibilidade de resoluções efetivas de problemáticas fáticas com amparo legal é buscada pela operabilidade. Ambas. . segundo sustentáculo do código civil. sigilo. eis que esta é severamente limitada e flexibilizada. na atual. Enquanto na legislação antiga a propriedade conferia apenas privilégios. no entanto. aumenta a responsabilidade do juiz. é possibilitado ao juiz a realização de juízos de comaltação. Tal atitude. Por fim. Com ela. que integram o direito e ampliam as possibilidades de resolução de casos.