UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE MATEMÁTICA, ESTATÍSTICA E COMPUTAÇÃO CIENTÍFICA
O Papel Algébrico dos
Operadores Diferenciais
no Formalismo Variacional
por
Alexandre Luis Trovon de Carvalho
Orientador: Prof. Dr. Waldyr Alves Rodrigues Jr.
CAMPINAS
MAIO DE 2000
-----
l I

O Papel Algébrico dos
Operadores Diferenciais
no Formalismo Variacional
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Waldyr Alves Rodrigues Jr.
Prof. Dr. Márcio Antônio de Faria Rosa
Prof. Dr. Luiz Antonio Barrera San Martin
Prof. Dr. Daciberg Lima Gonçalves
Prof. Dr. Orlando Stanley Juriaans
Este exemplar corresponde à reda-
ção final da tese devidamente corri-
gida e defendida por Alexandre Luis
Trovon de Carvalho e aprovada pela
Comissão Julgadora.
Campinas, 03 de maio de 2000.
~
Pro f. Dr. Waldyr Alves R1 rigues Jr.
Tese apresentada ao Instituto de
Matemática, Estatística e Compu-
tação Científica, UNICAMP, como
requisito parcial para obtenção do
Título de DOUTOR em Matemática.
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CM-00142391-4
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA
BffiLIOTECA DO IMECC DA UNICAMP
Can'8.lho, Alexandre Luis Trovon de
C253p O papel algébrico dos operadores diferenciais no formalismo variacional /
Alexandre Luis Trovon de Carvalho- Campinas, (S.P. :s.n.], 2000.
Orientador : Waldyr Alves Rodrigues Jr.
Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas. Instituto de
Matemática, Estatistica e Computação Científica.
1. Operadores diferenciais. 2. Lagrange, Equações de. 3. Clífford,
Álgebra de. 4. Hamilton-Jaoobi, Equações. L Rodrigues Jr., Waldyr Alves. ll.
Uni versidade Estadual de Campinas. Instituto de Matemática. Estatística e
Computação Científica m. Titulo.
Tese de Doutorado defendida em 03 de maio de 2000 e aprovada
pela Banca Examinadora composta pelos Profs. Drs.
Prof (a). Dr (a). MAR CIO ANTONIO DE FARIA ROSA
Prof (a). Dr (a). LUIZ ANTONIO BARRERA SAN MARTIN
Prof(a). Dr(a). DACIBERG LIMA G NÇALVES
Prof(a). STANLEY JURIAANS
Enquanto a álgebra e a geometria estiveram separadas,
seu progresso foi lento. e seu uso linútado; mas, quan-
do essas duas ciências se uniram, elas emprestaram for-
ças mutuamente, e marcharam juntas rumo à perfeição.
Joseph-Louis Lagrange (1736-1813)
Progresso fundamental tem a ver com reinterpretação
de idéias básicas.
Alfred North Whitehead ( 1861 - 1947)
Não se encontrará figuras neste trabalho. Os métodos que
exponho não requerem nem construções, nem raciocíni-
os geométricos, nem mecânicos, mas somente operações
algébricas, sujeitas a uma regra regular e unifonne. - Pre-
fácio à Mécanique Analytique.
Joseph-Louis Lagrange (1736-1813)
Sumário
O propósito desta tese é estudar, sob o ponto de vista algébrico, o papel de-
sempenhado pelos operadores diferenciais nos formalismos variacionais
Lagrangeano e Hamiltoneano. Apresentamos uma aplicação simples das
idéias e resultados básicos da teoria dos operadores diferenciais às álge-
bras de Clifford, obtendo uma relação entre os operadores diferenciais e
o operador de Dirac. Introduzimos um formalismo Hamiltoneano, com
base nos módulos de símbolos dos operadores diferenciais, generalizan-
do os resultados para anéis comutativos. Nesse formalismo. encontramos
importantes propriedades algébricas para a Hamiltoneana, e destacamos
o colchete de Poisson como uma estrutura mais básica que a forma sim-
plética canônica. Introduzimos o conceito de adjunta de um operador di-
ferencial e, por meio dela, caracterizamos as formas integrais em termos
das formas de Berezin. Obtemos uma seqüência espectral relacionando a
cohomologia das formas integrais com a cohomologia de De Rham, tanto
para variedades quanto para supervariedades. Introduzimos o conceito de
Lagrangeana, e analisamos sua relação com as formas de Berezin. Nes-
se contexto, estudamos as leis de conservação, e obtemos um equivalente
algébrico para o Teorema de Noether. Finalmente, essas construções nos
encaminham rumo a uma versão algébrica para o teorema do índice.
Abstract
The purpose of this thesis is to study, from the algebraic viewpoint, the
rule played by the differential operators in Lagrangian and Hamiltonian
variational formalisms. We present a simple application o f the basic ideas
and results form the theory of differential operators to the Clifford alge-
bras, from where we obtain a relationship between differential operators
and the Dirac operator. We introduce a Hamiltonian formalism based on
the symbol modules, generalizing some results to commutative rings. In
this formalism we find important algebraic properties for the Hamiltonian
and notice that the Poisson bracket is a more fundamental structure than
the canonical sympletic forro. We introduce the concept of adjoint of a
differential operator and by means of it we are able to charactrize the in-
tegral forms in terms of Berezin forms. We obtain a spectral sequence
relating the cohomology of integral forms to the De Rham cohomology,
for both manifolds and supennanifolds. In this context, we study the con-
servation laws and obtain an algebraic equivalem to the Noether theorem.
Finally, these constructions direct us towards an algebraic version to the
index theorem.
Agradecimentos
Agradeço ao Professor Waldyr, pela constante compreensão, estímulo, amizade e,
sobretudo, pelo seu exemplo de persistência no trabalho e humildade de caráter - duas
características difíceis de se encontrar hoje em dia.
Agradeço à minha família e à minha esposa pela compreensão que tiveram durante
o processo de "gestação" que deu à luz esta tese.
Agradeço aos professores do Departamento de Matemática do IMECC, a quem
devo boa parte de minha formação.
Agradeço aos colegas do Departamento de Matemática da UFPR pelas discussões
e constante estímulo.
Agradeço a todo o pessoal do Grupo de Física-Matemática pelo bom ambiente de
trabalho e companheirismo.
Agradeço à CAPES pelo suporte financeiro.
Dedicatória
Dedico esta tese a minha esposa Sílvia.
Conteúdo
Introdução
1 Operadores Diferenciais
1.1 Caracterização Algébrica da Topologia . . . . . . .
1.1.1 O Spectrum Primo . . . . . . . . . . . . .
1.1.2 Espaços Topológicos e Funções Continuas
1.1.3 Módulos Projetivos e Localização .....
l .2 A Equivalência entre Fibrados Vetoriais e Módulos Projetivos
1.2.1 Corte e Costura com Fi brados Vetoriais . . .
1.3 Operadores Diferenciais .... . .... . ......... .
1.3.1 Cálculo Diferencial sobre Anéis Comutativos . . . . .
1.3.2 Representação de Operadores Diferenciais e Derivações
1.3.3 Símbolos e a Primeira Identidade Fundamental
1.3.4 Módulos Geométricos .. .
2 Aplicações às Álgebras de Clifford
2.1 A Estrutura das Álgebras de Clifford . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2.2 Álgebras de Azumaya, Cohomologias de Hochschild, Derivações e
Quantizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2.3 Operadores Diferenciais sobre as Álgebras de Clifford . . . . . . . .
3 Formalismo Hamiltoneano na Linguagem dos Operadores Diferen-
3
6
6
7
8
10
14
20
21
21
22
28
32
35
35
38
40
ciais 43
3.1 Espaços de Fase e Anéis Comutativos . 44
3.2 Colchetes de Poisson e Hamiltoneanas . 44
3.3 Transformações Canônicas . . . . . . . 48
3.4 Transformações Canônicas Infinitesimais 49
3.5 Variedades Lagrangeanas e a Equação de Hamilton-Jacobi 50
3.6 Formalismo Hamiltoneano a Valores em Módulos . . . . . 52
3.7 O Formalismo Hamiltoneano em Anéis Hamiltoneanos ..
3.8 Em Direção a uma Teoria de Schemas Afins Hamiltoneanos
1
54
55
4 Formas de Berezin e Lagrangeanas Algébricas 59
4.1 A Adjunta de um Operador . . . . . . . . . . . . 60
4.2 Formas de Berezin e Integração Algébrica . . . . 61
4.3 Seqüências Espectrais e a Dualidade de Poincaré 64
4.3.1 Complexos de Kozul e as Teorias Supersimétricas. 65
4.4 A Fórmula de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
4.5 Lagrangeanas, o Operador de Euler e o Teorema de Noether 73
4.5.1 O Formalismo Lagrangeano em Variedades 75
4.5.2 Leis de Conservação . 76
4.5.3 O Teorema de Noether . . . . . . . . . . . 78
5 Considerações Finais: Em Direção a uma Versão Algébrica para o
Teorema do Índice 80
A Limites Algébricos 83
B Seqüências Espectrais 95
2
Introdução
Tanto a matemática quanto a física moderna têm lançado mão das álgebras de Clifford
como um aparato para a resolução de diversos problemas. Como exemplos disso,
citamos a teoria K e os espinores de Dirac.
Ao tentarmos dar uma interpretação matemática coerente para as Jagrangeanas
multivetoriais, deparamo-nos com operadores diferenciais sobre as álgebras de Clif-
ford. Essa tentativa aponta diretamente para dois problemas:
1. Como caracterizar operadores diferenciais e o formalismo variacio-
nal no contexto do fi brado de Clifford?
2. Como generalizar essa situação, substituindo a álgebra de Clifford
por um fi brado vetorial arbitrário?
Motivada pelo Teorema de Swan [61], uma análise mais criteriosa mostra que po-
demos abordar essas questões de uma maneira puramente algébrica, substituindo a
variedade por um anel, e o fibrado vetorial por um módulo sobre esse anel. Isso nos
leva, então, a uma quest.ão ainda mais ampla e profunda:
Como introduzir um formalismo variacional de uma maneira puramente
algébrica?
Em 1972, A. M. Vinogradov propôs uma solução para isso, utilizando a teoria de
operadores diferenciais "á la Grothendieck" [67]. Trabalhos como [35, 68, 69, 70]
surgiram, dando impulso a esse estudo e obtendo resultados satisfatórios.
Abordaremos essa questão, motivados pela equivalência dada pelo Teorema de
Swan [61]. Isso possibilita uma abordagem puramente algébrica dos fibrados vetori-
ais sobre uma variedade compacta, bem como a construção algébrica dos operadores
diferenciais [35, 67].
No Capítulo 1, trataremos de desenvolver uma teoria algébrica para os operadores
diferenciais, no sentido de [20, 24]. Na verdade, dado um fibrado vetorial, associare-
mos a ele um anel e um módulo. A partir daí, buscaremos caracterizar as estruturas
topológica (por meio da topologia de Zariski) e diferencial (por meio do cálculo sobre
anéis comutativos).
Tendo por base o Capítulo 1, estudamos no Capitulo 2 algumas propriedades dos
operadores diferenciais sobre as álgebras de Clifford, utilizando idéias das álgebras
3
Azumaya [5, 7] e da cohomologia de Hochschild [30, 54]. Nesse contexto, é possí-
vel mostrar que a álgebra de Clifford é rígida [22], e tirar conclusões a respeito das
quantizações por deformação [34, 55]. Além disso, obtemos uma classificação parcial
dos operadores diferenciais sobre a álgebra de Clifford, mostrando sua relação com o
operador de Dirac.
Curiosamente, o formalismo Hamiltoneano clássico tem reaparecido como um
componente essencial a algumas teorias matemáticas que, aparentemente, nada têm
a ver com a mecânica. Nessas teorias, tem-se interesse em que o formalismo Hamil-
toneano desempenhe diferentes regras funcionais. Isto sugere que tal formalismo seja
parte de um sistema matemático mais amplo. Para o caso linear, acreditamos que este
sistema seja a teoria de operadores diferenciais lineares, como a desenvolvemos no
Capítulo 1. Esta idéia é reforçada por [67] e pelos avanços no entendimento da geo-
metria diferencial por meio do complexo de Euler [38, 51]. Talvez isso explique, em
parte, a multiaplicação do formalismo Hamiltoneano e nos pernúta um entendimento
mais profundo das possibilidades do método Hamiltoneano.
Assim, o objetivo do Capítulo 3 é traduzir os conceitos básicos do formalismo Ha-
miltoneano em uma linguagem algébrica natural, por meio do cálculo sobre anéis co-
mutativos. Motivada por [44], esta tradução naturalmente pernúte uma generalização
para uma teoria de schemas afins Hamiltoneanos, e aponta para uma versão algébrica
do teorema do índice [ 48].
Por meio da Geometria não-Comutativa, vislumbra-se a possibilidade de refor-
mular as noções clássicas de geometria diferencial em termos puramente algébricos.
Nesse contexto, o cálculo diferencial torna-se uma extenão da linguagem da álgebra
comutativa [2]. Por outro lado, existem vários casos, bastante importantes, onde é
possível ir além disso [44]. Eles deram ímpeto a novas pesquisas, cujo objetivo é
transplantar as ferramentas da análise e geometria em termos não-comutativos. Um
exemplo vem do estudo de uma teoria não-comutativa de integração, leis de conserva-
ção e formalismo Lagrangeano [40, 47]. Entretanto, surge o problema da descrição do
processo de integração. A primeira questão é a seguinte: dada uma álgebra comutati-
va, como definir o módulo das formas de volume? Uma resposta a essa questão, em
particular, dá a possibilidade de definir as formas de Berezin sobre uma supervariedade
da maneira usual, i.e., usando convenientemente a regra de sinais [53]. Tendo em vis-
ta as peculiaridades bem conhecidas da integração de Berezin, o caráter do problema
toma-se evidente, pois resulta na perda de um claro cenário algébrico para o processo
de integração e de construções relacionadas a este processo.
Se entendermos por Lagrangeana multivetorial, a natural generalização algébrica
da Lagrangeana usual, as dificuldades de entendimento tomam-se apenas dificuldades
de linguagem e de interpretação das propriedades do módulo das formas de Berezin.
De fato, a inesperada relação entre lagrangeanas e formas de Berezin, nos dá uma idéia
mais clara dos problemas variacionais em supervariedades.
Assim, nosso objetivo no Capítulo 4 será buscar um cenério algébrico adequado
para a construção do formalismo Lagrangeano. Trabalharemos sobre um anel comu-
tativo arbitrário, a fim de mostrar que as noções de formas de Berezin, adjuntas de
4
operadores, operador de Euler, fórmula de Green, etc., podem ser estendidas a este
anel de uma maneira bastante natural.
Finalmente, no Capítulo 5, comparamos diversas abordagens que apontam para
uma versão algébrica do teorema do índice. É dada uma definição algébrica para
operadores elípticos e são feitas algumas propostas na direção desse resultado.
5
Capítulo 1
Operadores Diferenciais
Na categoria dos fibrados vetoriais sobre uma variedade compacta e homomorfismos,
existe um teorema bem conhecido, inicialmente demonstrado por Swan [61], que pro-
vê uma equivalência entre esta categoria e a categoria dos módulos projetivos sobre o
anel das funções da variedade. Isto possibilita fazer uma abordagem puramente algé-
brica dos fibrados vetoriais sobre uma variedade compacta, bem como construir alge-
bricamente operadores diferenciais [35]. Esta abordagem toma-se naturalmente mais
geral, pois pode-se tratar módulos projetivos quaisquer sobre anéis e estudar diversas
propriedades, motivados pela sitação oriunda da geometria. Desta maneira, perguntas
naturais surgem: é possível ter um formalismo Lagrangeano ou Hamiltoneano nes-
se contexto? Que propriedades possuem as álgebras e os fibrados de Clifford nesse
formalismo? É possível ter uma versão algébrica do teorema do índice?
Neste capítulo trataremos de desenvolver uma teoria algébrica para os operadores
diferenciais. Na verdade, dado um fibrado vetorial, associaremos a ele um anel e um
módulo. A partir daí buscaremos caracterizar as estruturas topológica e diferencial.
Um primeiro passo nessa direção será caracterizar a topologia por meio dos spectra
primo e maximal. Alguns resultados algébricos serão essenciais mas, na medida do
possível, procuraremos fazer com que nossa abordagem seja autosuficiente.
1.1 Caracterização Algébrica da Topologia
Dado um espaço topológico X , construímos o anel C(X) das funções contínuas sobre
X a valores reais. Uma pergunta que surge é se este anel se relaciona com X de alguma
forma não trivial, i.e., que propriedades topológicas de X podemos obter por meio de
propriedades algébricas de C(X)?
Dado um ponto x E X, qual estrutura algébrica em C(X) representa-o topologica-
mente? Uma primeira tentativa é olhar a caracterização topológica de x. Temos
{ x} = n{ F : x E F, F fechado em X}
desde que X seja de Hausdorff. Por outro lado, se X é localmente compacto e y ~
6
F, onde F C X é fechado, existe uma função contínua f: X-+ lR tal que f (F) =O
e f(y) = 1. Isto garante a caracterização dos fechados de X por meio de funções
contínuas. Assim, se denotamos porCx(X) ={f E C(X): f (x) = 0}, temos:
{x} = n{y : f E Cx(X ), f (y) = 0}.
Isto mostra a necessidade de considerarmos espaços topológicos de Hausdorff, local-
mente compactos.
Então faz sentido olhar o conjunto de funções mx = {f E C(X) : f(x) = 0}, já que
este caracteriza o ponto x E X. Veremos que a associação x ~ mx provê uma aplicação
entre pontos de X e ideais maximais de C(X). Entretanto, do ponto de vista algébrico,
ideais maximais não desempenham um bom papel no que diz respeito a propriedades
funtoriais, e portanto prefere-se ideais primos (A imagem inversa de ideais maximais,
por homomorfismos, nem sempre é maximal, ao passo que a imagem inversa de um
ideal primo, por homomorfismos, é sempre primo).
Procuraremos, tanto quanto possível, descobrir quais estruturas topológicas pode-
mos obter a partir de C(X), e quais as estruturas algébricas deste último que caracteri-
zam tais estruturas topológicas.
1.1.1 O Spectrum Primo
Seja R um anel comutativo com identidade, e X o conjunto de todos os ideais primos
de R. Dado E c R, definimos por
V(E) = {P: p primo, E C p },
o conjunto de todos os ideais primos de R que contém E.
Se a=< E> é o ideal gerado por E, é claro que temos V(E) = V(a). Na verdade,
um ideal contém E se e somente se contém a. Por simplicidade, denotaremos por V (f)
ao conjunto V ( {/}).
Caracterizemos agora algumas propriedades dos conjuntos V(E).
Proposição 1.1. Os conjuntos da forma V(E) satisfazem as seguintes propriedades:
1. V(cf>) =X e V(l ) = cp;
2. n V (E a) = V ( U Ea) ;
CXEA CXEA
3. V(E) UV(F) = V(ab) = V(an b), onde a =< E > e b =< F > são os ideais
gerados por E e F respectivamente.
Demonstração. A parte ( 1) é evidente, uma vez que todo ideal primo contém cp e não
contém 1.
7
Quanto à pane (2), veja que Ea c UaeA Ea para todo a E A. Daí, segue que
V (UaeA Ecc) C V(Ecc), e desta forma, V (UcceA Ecc) C naEA V(Ea )- Por outro lado,
se p E n aEA V(Ecc ). então Ea c p para todo a E A, mostrando que UaeA Ea c p.
Assim, naeA V(Ea ) C V (UaeA Ecc ).
A fim de demonstrar a parte (3), coloquemos a=< E> e ó = < F >. Como
V(a) = V(E) e V(b) = V(F), devemos mostrar que
V(a)UV(b) = V(ab) = V(a n b).
Uma vez que a n b c a e a n b c b, temos V(a) c V(an b) e V(b) c V(an b). Desta
forma, V(a) UV(b) c V(an b). Também, como ab c a n b, temos V(a n b) c V(ab).
Dessas considerações resulta a seguinte seqüência de inclusões:
V(a)UV(b) C V(a n &) C V(ab).
Dado agora um ideal primo p, com ab C p, ternos a C p ou b c p. Disso se conclui
quep E V(a) UV(b), e portanto V(ab) C V( a) UV(b). I
A proposição acima assegura que cf> e X estão dentre os conjuntos da forma V (E), e
que tais conjuntos são fechados com respeito a interseções arbitrárias e uniões finitas.
Desta forma, eles definem uma coleção de conjuntos fechados, e portanto uma topo-
logia em X . Tal topologia é chamada topologia de Zariski, e o conjunto X spectrum
primo do anel R. Usualmente se escreve Spec(R) ao invés de X.
Dado um elemento f E R, definimos x
1
= (V(f))c. Isto mostra que os conjuntos
x
1
são abenos, e vale a propriedade abaixo.
Proposição 1.2. A coleção {X
1
: f E R} é uma base para a topologia de Zariski sobre
Spec(R).
Demonstração. Dado um aberto U C Spec(R), devemos mostrar que existem!,- E R,
i E/, tais que U = ux/;" Com efeito, uma vez que Ué aberto, existe E c R tal que
i E/
U = V(E)C. Assim,
U =(V(E)r = (v(U{!})) c = (nvu)) c = U (V(f) / = UXr
/EE I EE /EE /EE
Isto conclui a demonstração. I
1.1.2 Espaços Topológicos e Funções Contínuas
No que segue, assumiremos que todos os espaços topológicos são de Hausdorff; caso
contrário, faremos menção explícita.
8
Seja X um espaço topológico localmente compacto. Denotemos por C(X) o con-
junto de todas as funções contínuas de X em lR. Não é muito difícil de se ver que este
conjunto é de fato uma anel comutativo com identidade, quando munido das operações
usuais de soma e multiplicação de funções.
Pela discussão da subseção anterior, somos levados a considerar a topologia de
Zariski sobre o espaço Spec(C(X)). Neste ponto, surge naturalmente uma questão:
qual é a relação entre X e Spec(C(X))?
Antes de responder, vamos olhar mais de perto a estrutura de Spec(C(X)). Dado
x E X, definimos
mx ={f E C(X): f (x) = 0}.
Uma vez que mx é o núcleo do homomorfismo sobrejetivo
C(X) ~ lR
f ~ f (x)
e R é um corpo, temos ~ C(X) / mx, mostrando que mx é um ideal maximal de C(X).
Definindo-se a aplicação
Ç: X ~ Spec(C(X))
podemos responder a questão acima. Ç é uma aplicação contínua e injetiva. Na ver-
dade, é um homeomorfismo sobre sua imagem, quando a última é considerada co-
mo subespaço de Spec( C(X)). Se X é compacto, ele é homeomorfo ao subespaço
Max(C(X) ), formado por todos os ideais maximais de C(X) .
Até agora, fizemos algumas afirmações a fim de responder à questão formulada
anteriormente. O próximo passo será demonstrar estas afirmações na forma de propo-
sições.
Proposição 1.3. Ç é uma aplicação contínua.
Demonstração. É suficiente mostrar que, para cada f E C(X), o conjunto ç-
1
(V (f))
é fechado. Note que ç-
1
(V (f))= {x E X: mx E V (f)}. Mas mx E V (f) se e somente
se f(x) =O. Assim,
ç-
1
(V(f)) = {xEX : f (x) =0},
que é fechado, visto que f é contínua. I
Proposição 1.4. Ç é injetora.
Demonstração. Sejam x,y E X, com x i: y. Sendo X localmente compacto, o lema de
Urysohn afirma que existe uma função contínua f: X --t IR tal que f(x) =O e f(y) = 1.
Desta forma, f E mx e f r/. my. Segue que Ç (x) = mx =I- my = Ç (y). I
9
Proposição 1.5. Ç é um mergulho, i.e., Ç é um homeomorfismo entre X e Ç (X).
Demonstração. Seja X = Ç (X). Dada f E C(X). sejam
Uf = {x E X: f (x) # 0},

Então Ç(U
1
) = {mx E X: f (x) =I 0}. Mas f (x) #O se e somente se mx. Assim,

Note agora que uf =X n V(f)C =X nxf e, desta forma, os conjuntos uf formam
uma base de abertos para Ç (X), urna vez que os conjuntos x
1
formam uma base de
abertos para Spec(C(X)). Além disso, o lema de Urysohn garante que os conjuntos
da forma U
1
também formam uma base de abertos para X. Segue disso que Ç é um
homeomorfismo sobre sua imagem. I
Proposição 1.6. Se X é um espaço compacto, então Ç(X) = Max(C(X)), onde
Max( C(X)) é o subespaço formado por todos os ideais maximais de C(X).
Demonstração. É suficiente mostrar que, para todo ideal maximal m de C(X), existe
xEX, taJ quem = {fEC(X) :f(x) = 0} = mx.
Para esse fim, seja N = {x E X: f (x) =O, 'V f E m}. Vamos mostrar que N i: lP·
Suponha o contrário, N = lP· Então para cada x E X existe fx E C(X) tal que f x(x) i: O.
Pela continuidade de f x. existe um aberto Ux C X sobre o qual f x não se anula. Desta
forma, construimos uma cobenura aberta sobre X, por meio dos abertos Ux. Sendo
X compacto, existe uma subcobertura finita. Designemo-los por Ux
1
, ••• Uxn· Então a
função
f
=f2 +· . · + r:2
x
1
Jxn
é contínua, e não nula, para todo ponto x E X. Isto mostra que f é uma unidade em
C(X), contradizendo o fato de f Em. Segue disso que N =I 4> . Dado então x E N.
tem-se mx C m. Por maximalidade segue quem= mx. I
Na demonstração da proposição acima, o lema de Urysohn nos diz que, para todo
mE Max(C(X)). existe um únicoxE X, tal quem= mx. e vice-versa. Assim, podemos
imaginar os pontos de X como sendo os ideais maximais de C(X).
1.1.3 Módulos Projetivos e Localização
Se R é um ané1 e Pé um R-módulo, quando não houver perigo de confusão, diremos
simplesmente que P é um módulo.
10
Definição 1.7. Seja P um módulo. Dizemos que P é projetivo se ele satisfaz a pro-
priedade de levantamento projetivo, i.e., para todo epimorfismo s : M -t N e todo
homomorfismo g: P --+ N, existe um homomorfismo f: P -t M tal que o diagrama
é comutativo.
Proposição 1.8. Seja P um R-módulo. As seguintes afirmações são equivalentes:
1. P é projetivo.
2. Existe um módulo Q tal que P EB Q é livre.
Demonstração. Suponha P projetivo. Formamos o R-módulo F, constituído das famí-
lias (ax)xeP de elementos de R, indexados por P, tais que ax =O salvo para um número
finito de índices x E P. F é um módulo livre, e a aplicação 1t : F -t P dada por
está bem definida (somente um número finito de ax's não se anula) e é de fato um
epimorfismo de módulos. Como P é projetivo, a propriedade de levantamento cinde
n, de modo que F ~ PEBKer(tt).
Reciprocamente, note de início que módulos livres satisfazem a propriedade de
levantamento; neste caso f é determinada levantando-se a imagem de uma base. Para
ver que os módulos projetivos satisfazem a propriedade de levantamento, estenda g a
uma aplicação de um módulo livre P EB Q em N, e faça o levantamento como descrito
a n ~ . I
Recordemos que um R-módulo P é finitamente gerado se existe um subconjunto
finito {x
1
, ... ,xn} c P, tal que, para todo x E P, existem a
1
, ••. ,an E R com
Se {x
1
, •• • ,xn} é minimal com respeito à propriedade de gerar P, dizemos que o posto
deM én.
Veja que, se P é um R-módulo finitamente gerado, e R é um corpo, então P é
projetivo, e na verdade livre.
Retomemos à questão de se estudar o anel C(X) , onde X é um espaço topológico
localmente compacto. Não faz sentido falar em corpo de frações de C(X), visto que
este não é um domínio de integridade. Nesse ponto, percebemos a necessidade de uma
noção mais geral que a de corpo de frações, abarcando este tipo de situação. Para tal. é
11
no mínimo instrutivo recordar a construção do corpo de frações do anel Z, e extrairmos
dela algumas idéias.
Para se construir os racionais a partir dos inteiros, tomamos pares ordenados (a, s),
onde a,s E Z e s -=/= O, e definimos a relação de equivalência:
(a,s) '"V (b, t ) se e somente se at- bs =O.
Isto funciona bem em Z, pois podemos cancelar termos não-nulos. Para um anel geral ,
precisaremos ajustar convenientemente esta idéia.
Definição 1.9. Seja R um anel comutativo com identidade. Um subconjuntoS c R é
dito ser uma parte multipicativa de R se:
1. 1 E S;
2. OS{ S;
3. Sé estável por multiplicações, i.e., se s, t E S então st E S.
Definimos uma relação rv em R x S como segue:
(a, s) '"V (b,t ) se e somente se (at- bs)u =O para algum u E S.
É fácil ver que esta relação é simétrica e reftexiva. Para a transitividade, suponha-
mos que (a, s) rv (b,t ) e (b,t ) '"V (c, u). Então existem v, w EStais que (ar- bs)v =O,
e (bu- ct )w =O. Multiplicando a primeira destas igualdades por uw, a segunda por sv
e somando, ternos (au- cs) rvw = O. Sendo S fechado com respeito à multiplicação,
t vw E S, e daí (a,s) rv (c,u). Segue disso que"' é uma relação de equivalência.
Notemos que, se R = Z, e S = Z- {O}, temos Q = Z x S j "'. Desta forma, é natural
denotar o r ~ a classe de equivalência do par (a,s), e pensá-la como uma "fração". Na
verdade, os elementos de S funcionam como os denominadores e, por esse motivo,
denotamos por s-
1
R o conjunto quociente R X Sj"'.
Colocamos em s-
1
R uma estrutura de anel, definindo a adição e multiplicação das
frações q como em Q
a b at + bs
-+- = ---
s t st
a b a · b
- · -=-
c t s. t
É um exercício elementar em álgebra mostrar que estas operações estão bem definidas
e fazem de s-
1
R um anel comutativo com identidade. Tal anel é chamado anel de
frações de R com respeito a S.
Como 1 E S, R c s-
1
R. Se S = { 1}, ou se é formado pelos elementos inversíveis
de R, temos s-
1
R = R.
Um caso de especial interesse é quando p é um ideal primo de R, pois aí S =
R-pé uma parte multiplicativa de R. Com efeito, se s, tE S, então st fi p, uma vez
12
que p é primo. Escrevemos simplificadamente Rp para s-
1
R neste caso. Também
é de interesse quando temos S = {r : n = O, 1, 2, · · ·}, onde f E R não é nilpotente.
Nesse caso, denotamos s-
1
R simplesmente por R
1
, como no caso de um ideal primo
p, descrito anteriormente.
Os elementos com a E p formam um ide.al m em Rp. Se ft m. então b f/: p.
Desta forma b E Se, portanto, i é uma unidade em RP. Logo, se a é um ideal em Rp e
a <t m, então a contém uma unidade e é, portanto, todo o anel R. Assim, m é o único
ideal maximal em Rp.
Definição 1.10. Um anel R é dito local se ele possui um único ideal maximal.
Desta maneira, o anel Rp é local.
O processo de passar de R para Rp é chamado localização em p, e o anel Rp é cha-
mado localizado de R em p. Uma vez que RP é um anel local, os termos
e "localização" fazem sentido.
Podemos agora usar o processo de localização para entender a estrutura dos módu-
los projetivos finitamente gerados.
Definição 1.11. Sejam P um R-módulo, eS C R uma parte multiplicativa de R. Cha-
mamos ao conjunto P
5
= P®RRs módulo de frações de P com respeito a S.
Veja que P
5
é um Rs-módulo, e que pode ser entendido como formado pelos quo-
cientes 7 com m E P e s E S.
Como fizemos para o anel R, dado um ideal primo p de R, podemos formar o
Rp-módulo P'P.
Proposição 1.12. Se R é um anel local, então todo R-módulo proj etivo e finitamente
gerado é livre.
Demonstração. Sejam m o ideal maximal de R, e P um R-módulo projetivo e fini-
tamente gerado. Tendo em vista que Pé finitamente gerado, e R/ m é um corpo,
P j mP:: P ®R Rj m é um R/ m-espaço vetorial de dimensão finita. Seja { vl' ... , vk}
urna base de P f mP sobre Rj m, e tomemos elementos {u
1
, •• • , uk} C P cujas imagens
via a projeção canônica são os elementos {v
1
, ... , v k}. Temos então um homomorfis-
mo s : Rk P, que aplica os elemento e i da base canônica de Rk no elemento u; de P,
provendo-nos da seqüência exata
ç

Como Coker( Ç) = P/ s (Rk) é finitamente gerado, reduzindo módulo m temos
Coker(Om = Coker(s)/mCoker(s ) =O, donde o lema de Nakayama [39] nos for-
nece Coker( Ç) = O. Isso reduz a seqüência exata anterior a
13
Como P é projetivo, Ker( Ç) é finitamente gerado. Reduzindo módulo rn obtemos
Ker( Ç) m = Ker(Ç)/ mKer(Ç) =O e, mais uma vez, o lema de Nakayama nos fornece
Ker( Ç) =O. Segue disso que P = Rk. I
Em vista deste resultado, faz sentido falar em posto nos termos da definição seguinte.
Definição 1.13. Seja P um R-módulo projetivo e finitamente gerado. Dizemos que P
é de posto nem p E Spec(R) se Pp é um Rp-módulo de posto n.
Finalmente, temos uma caracterização local para os módulos projetivos finitamente
gerados.
Teorema 1.14 (Trivialidade Local para Módulos). Sejam P um R-módulo projetivo
finitamente gerado e n seu posto em p E Spec(R). Então existe f E R- p tal que P
1
é
um R r módulo livre de posto n.
Demonstração. Como Rp é local, a proposição anterior nos dá que PP é um Rp-módulo
livre. Seja então { v
1
, .•• , vn} uma base de PP. Reduzindo-se a um denominador co-
mum, encontramos um homomorfismo Ç : Rn P, de onde construímos a seqüência
exata
0--Ker( Ç)--R"__i__P--Coker( Ç)-0.
Localizando em p, temos Coker( ()p =O. Como Coker( Ç) é finitamente gerado, existe
g E R- p tal que Coker( ( )
8
=O. Desta forma, obtemos uma nova seqüência exata
O-Ker(

Uma vez que P
8
é projetivo, ker( Ç)
8
é um R
8
-módulo finitamente gerado. Como
ker( S)p = O, existe h E R- p tal que ker( Ç) gh = O. Segue disso que P
8
h = h. I
1.2 A Equivalência entre Fibrados Vetoriais e Módulos
Projetivos
Nesta seção discutiremos a íntima relação entre fibrados vetoriais e módulos projeti-
vos finitamente gerados. Para isso, vamos rever os principais aspectos a respeito da
estrutura dos fi brados vetoriais.
Definição 1.15. Seja X um espaço topológico. Uma família de espaços vetoriais sobre
X é um espaço topológico E, munido de uma aplicação contínua Ç X e uma
estrutura de espaço vetorial de dimensão finita (sobre IR ou C) em cada fibra Ex =
Ç - I (x), e tal estrutura é compatível com a topologia de E.
14
Um homomorfismo de uma família Ç: E---? X em uma famíliaS': F --+ X é uma
aplicação contínua f : E ---? F, para a qual o diagrama
E f F
~ / .
X
é comutativo, e a aplicação induzida fx : Ex --+ Fx é uma transformação linear de espa-
ços vetoriais.
Não é difícil definir isomorfismos de famílias, de modo que obtemos a categoria
formada por fanu1ias de espaços vetoriais sobre X e seus homomorfismos.
Por exemplo, se V é um espaço vetorial de dimensão n, a projeção de rn = X x V
em X forma uma farru1ia "constante" de espaços vetoriais. Chamamos tal fanu1ia, e
qualquer fanu1ia isomorfa a esta, de fibrado vetorial crivial sobre X.
Se Y c X, escrevemos EIY para a restrição ç-
1
(Y) de E a Y; a restrição ÇIY:
EIY ---? Y de Ç faz de EIY uma família de de espaços vetoriais sobre Y. Mais geral-
mente, se f : X --+ Y é uma aplicação contínua, podemos construir a fanu1ia induzida
r ç : j* E --7 y como segue: o espaço r E é o subespaço de y X E' consistindo de
todos os pares (y,e) tais que f(y) = Ç (e), e f* E---? Y é a restrição da projeção. Uma
vez que a fibra de f* E em y E Y é Ef(y)' segue que f* E é uma familia de espaços
vetoriais sobre Y.
Definição 1.16. Umfibrado vetorial sobre X é uma família de espaços vetoriais Ç :
E --+ X, tal que todo ponto x E X possui uma vizinhança U C X com Ç I U : E I U ---?
U trivial. Um fibrado vetorial também é chamado de fanulia de espaços vetoriais
Localmente trivial.
O conceito de fi brado diferenciável
1
pode ser definido de maneira análoga. A penas
se exige que E e X sejam variedades diferenciáveis, que Ç seja uma aplicação diferen-
ciável, e que, para cada x E X, exista uma vizinhança U c X, de modo que ç-
1
(U)
seja difeomorfo a um fibrado trivial.
A soma de Whitney E EEl F de dois fi brados vetoriais Ç : E --+ X e Ç : F --+ X, é a
família de todos os espaços vetoriais Ex EB Fx, munida da topologia de subespaço de
E x F. Uma vez que E e F são localmente triviais, não é difícil ver que E Ee F também
o é, de modo que este último é um fi brado vetorial.
Um sub-fibrado de um fi brado vetorial Ç :E--+ X é um subespaço F C E, que é um
fi brado vetorial com respeito a estrutura induzida de E. Isto significa que cada fibra
F.t é um subespaço vetorial de Ex. e a fanulia F ---? X é localmente trivial. O fibrado
quociente E/ F é a união de todos os espaços vetoriais Ex/ Fx. munido da topologia
quociente. Não é difícil ver que E/ F é localmente trivial, uma vez que E e F o são, de
1
Convencionamos que diferenciabilidade sempre significará C"'.
15
modo que ele é um fi brado vetorial. Isto provê uma "seqüência exata curta" de fi brados
vetoriais:
O--F--E-E/ F-0
Se E é um fibrado vetorial sobre X, então a dimensão dim(Ex) da fibra Ex é uma
função localmente constante de X a valores em N = {O, 1, 2, ... } ; em particular, é
constante quando X é conexo. Assim, dim(E ) é uma função contínua de X a valores
no espaço topológico discreto N.
Definição 1.17. Umfibrado vetorial n-dimensional é um fibrado vetorial Ç :E --t X
tal que dim(E ) = n é constante.
Os fibrados vetoriais 1-dimensonais são usualmente chamados de fibrados de li-
nhas (tine bundles).
Definição 1.18. Uma seção de um fibrado vetorial Ç : E --t X é uma aplicação continua
s : X --t E, tal que Ç o s = 1 x.
O espaço de todas as seções de E é denotado por f (X, E) . Em particular, s(x) = Ox
(o vetor nulo de Ex) é uma seção, chamada seção nula.
Toda seção s : X ~ E determina uma aplicação do fi brado vetorial trivial X x lR. em
E e, portanto, se s não se anula em em nenhum ponto, sua imagem é um subfibrado de
linhas de E.
Proposição 1.19. Umfibrado vetorial n-dimensional Ç : E 4 X é trivial se, e somente
se, existem n seções Linearmente independentes em todo ponto x E X.
Demonstração. Suponhamos primeiro que E seja trivial. Então, existe um isomor-
fismo f : E --t X x IRn. Definamos para i = 1, ... , n as aplicações s; : X --t X x IRn ,
por
si(x) = (x, (O, ... , O, l ,O, .. . , O)) ,
sendo 1. somente a i-ésima coordenada de IR.n. É claro que s
1
, • .• , sn são seções de
X x lRn. Definindo-se então s; = f -
1
os
1
, 1 ~ i ~ n, obtemos as seções procuradas.
Reciprocamente, suponha que s
1
, .•. , Sn são n seções linearmente independentes
em cada ponto x E X. Definamos f : X x IRn 4 E por
É claro que f assim definida é um isomorfismo de fi brados vetoriais. I
Definição 1.20. Seja Ç : E --7 X um fibrado vetorial real. Uma coleção de seções
s
1
, •• • ,sn é chamada referencial de X em E, se para todo x E X, s
1
(x), ... ,sn(x) forma
uma base para Ex.
16
Considere agora um homomorfismo f: E ----7 F de um fibrado vetorial Ç :E -7 X
em um fibrado vetorial Ç :F -7 X. Para cada x E X temos o espaço vetorial Ker(fx).
do qual formamos a fanu1ia de espaços vetoriais Ker(f). A fim de que esta família seja
um fibrado vetorial, devemos mostrar que é localmente trivial. Mas, uma vez que E é
localmente trivial, dado x E X, existe um aberto U c X, x EU, tal que EIU ~ X x V.
Desta forma, se identificamos as fibras de E lU com V, Ker(f) será um fi brado vetorial
se e somente se dim(Ker(fx) ) for uma função localmente constante em cada compo-
nente conexa de X. Ocorrendo isso, podemos identificar Ker(fx) com um subespaço
K c V, de modo que Ker(f) IU U x K.
Lema 1.21. Se X é um espaço localmente compacto, então toda seqüência exata de
fibrados vetoriais sobre X
a f3
O-F-G-E-0,
(onde dim(E) = p, dim(G) = q e dim(F ) = q- p) cinde, i.e. , existe um homomorfismo
CJ : E -7 G tal que f3 o CJ = 1 E·
Demonstração. Para cada ponto x E X existe uma vizinhança aberta Ux para a qual
GIUx ~ y q e EIU.x ~ TP, onde Ti = Ux X JRÍ. Sejam sl , .. . , Sq E r (Ux, GIUx) um refe-
rencial de Ux em GIUx. Da sobrejetívidade de f3 segue que {/3y(s
1
(y)) , ... ,{Jy (sq(y))}
gera Ey para todo y E Ux. Então existem
{s; , ... , s;} C {s
1
, .. • ,sq},
l p
tais que {f3x (s; (x)), .. . ,f3x(s; (x)) } é uma base para Ex. Da continuidade em x de
I p
{s
1
, • •• ,si } , existe um aberto Vx C Ux, tal que para cada y E Vx o conjunto
I p
{/3y(s; (y)), .. . ,{Jy(s, (y) )} é uma base para Ey. Definimos então a aplicação O' x:
l p
EIVx -7 GIVx como
ax(a
1
/3y (s; (y))+ .. ·+ap/3y(s; (y))) = a
1
s, (y)+· · ·+aps; (y).
l p l p
Uma vez que X é um espaço localmente compacto, existe uma partição da unidade
{ tPx}xEX subordinada a {Vx}xex·
Colocando O' = Exex O'xtPx. a soma é contínua, e um homomorfismo de fibrados
vetoriais. Além disso, como
O' é uma cisão, completando a demonstração. I
De posse deste lema, é possível demonstrar um teorema que traduz algebricamente
a estrutura de um fi brado vetorial sobre um espaço compacto.
17
---...-..... -
'-
I.#Pi t CI..D .I'
IOrtlfCj\ CII!HJ
Teorema 1.22. E -t X umfibrado vetorial real n-dimensional, onde X é um
espaço topológico compacto. Então
1. r (X, E) é um C(X) -módulo finitamente gerado.
2. Existe um fibrado vetorial real Ç : F -7 X tal que E Ee F é trivial.
Demonstração. Como E é localmente trivial, existe uma cobertura aberta %' de X
tal que, para cada aberto U E %' , se tenha EIV x JR.n. Pela Proposição 1.19,
existem n seções sf, ... E r (U, E jU) que geram Ex em cada pontox E V. Como
X é compacto, existem uma subcobertura finita {U
1
, ••• , Uk} c%'. e uma partição da
unidade { <PJf=
1
subordinada a ela. Desta forma, temos n · k seções
sij(x) = E r(X,E),
1 i k, 1 j n, que por construção geram r(X ,E). Isto prova a primeira afir-
mação.
Para provar a segunda afirmação, colocamos yn·k = X x Rn·k e definimos a aplica-
ção f : r n·k -t E como
k n
J(x,(au, ... ,aln) , ... ,(akl '" .,akn)) =E E a;Jsij(x).
z=l j=l
f assim definida é um epimorfismo de fibrados vetoriais. Veja ainda que
dim(Ker(/x)) = dim(lRn·k)- dim(Ex) = nk- n = n(k -1),
para todo x E X, mostrando que Ker(f) é um fi brado vetorial. Com isso, formamos a
seqüência exata curta
0-Ker{f)-yn-k __!__E -o.
Pelo Lema anterior, segue que yn·k E E9 Ker{f), concluindo a segunda parte do teo-
reDla. I
Este teorema sintetiza duas importantes propriedades que relacionam fibrados ve-
toriais com módulos projetivos finitamente gerados. Antes, porém, de analisar mais
intimamente esta relação, vejamos urna situação muito particular para a qual a segun-
da afirmação do teorema é válida.
Se X é uma variedade diferenciável de dimensão d, seu fibrado tangente TX -7 X
é um fibrado vetorial real d-dimensional. Mergulhando X em JRil, podemos formar o
fibrado normal NX -7 X, onde NxX é o complemento ortogonal de TxX em lRn. Não é
difícil ver que TX E9 NX é o fi brado vetorial n-dimensional trivial X x lRn -7 X.
Seja Ç :E -7 X um fi brado vetorial real n-dimensional, com X um espaço topológi-
co compacto, o Teorema 1.22 diz que r (X }E) é um C(X)-módulo projetivo finitamente
gerado. Na verdade, temos o teorema de Swan [61], que caracteriza a recíproca desse
fato.
18
Teorema 1.23 (Swan). Seja X compacto. Então um C(X)-m6dulo Pé isomorfo a um
módulo da forma r(X,E), onde Ç X é umfibrado vetorial real n-dimensional,
se e somente se P é finitamente gerado e projetivo.
Demonstração. O Teorema 1.22 estabelece a necessidade da afirmação. Para a sufi-
ciência, veja que sendo X compacto, a Proposição 1.6 garante que X Max(X) por
meio do homeomorfismo
XI-? mx = {f E C(X): f (x) = 0}.
Então, para cada x E X o conjunto
Ex= P®qx) (C(X)fmx
é um espaço vetorial real de dimensão finita, de modo que podemos formar o conjunto
Colocando Ç : E X como Ç (Ex) = x, e munindo E da maior topologia que faz
Ç continua, temos E uma farru.1ia de espaços vetoriais, onde dim(Ex) é uma função
localmente constante em cada componente conexo de X .
A fim de que Ç X seja um fibrado vetorial, devemos mostrar que este é
localmente trivial. Para isso, o Teorema 1.14 nos fornece f E C(X) - mx tal que P
1
é
um C{X) r módulo livre. Desta maneira, mx E X f· Além disso, temos
Xf = {my: f(y)-:/; U = {y E X: f(y)-:/; 0}.
Corno Pé finitamente gerado, existem { v
1
1
•••
1
vk} C P tais que o conjunto fgy = { v
1
®
(1 + my), ... , vk®( 1 + my)} é uma IR-base deP®qx) (C(X)/my) para todoy E U. Com
isso, definimos seções s, : U 1 i k, por
si(y) =v,® (f+ my) .
Uma vez que, para todo y EU tem-se f(y) :f. O, as seções {sp· . . ,sk} formam um
referencial deU em EIU. A Proposição 1.19, então, fornece EIU U x (P®qx) R).
Finalmente, a construção de E evidencia que r (X ,E) P. I
Na demonstração deste teorema, foi de vital importância tomarmos o elemento
f E C(X) - mx fornecido pelo Teorema 1.14, pois esta é a garantia de que, variando-se
y convenientemente, o conjunto fígy é uma base.
Se X é um espaço topológico compacto, o Teorema de Swan provê uma equiva-
lência categórica entre a categoria dos fi brados vetoriais de dimensão finita, sobre X ,
e a categoria dos C(X)-módulos projetivos finitamente gerados. Por meio desta equi-
valência, é possível obter novos fibrados vetoriais por meio de construções puramente
algébricas sobre módulos projetivos finitamente gerados.
19
1.2.1 Corte e Costura com Fibrados Vetoriais
Neste ponto, o leitor deve achar no mínimo estranho o título deste tópico. Entretanto, o
que faremos com fi brados vetoriais muito se assemelhará ao processo de cortar e costu-
rar partes de diferentes tecidos para se confeccionar urna peça de roupa de particulares
características.
As construções algébricas sobre módulos nos dirão como cortar e costurar, e o Te-
orema de Swan nos dará a existência (a menos de isomorfismo) de um fibrado vetorial
nas características desejadas.
No que segue, X será um espaço compacto e todos os fibrados em questão serão
reais e de dimensão finita.
Produto Tensorial: Sejam Ç : E ---*X e Ç : F ---* X dois fibrados vetoriais. Então
p = 1( X, E) e Q = r(x I F) são módulos projetivos finitamente gerados. Pelo
Teorema de Swan, existe um único fi.brado vetorial W (a menos de isomorfismo)
tal que P ® Q = r(X, W). Pela construção de W. não é difícil ver que Wx =
Ex® Fx, de modo que denotamos W por E® F.
Fibrado de Homomorfismos: Sejam Ç :E---* X e Ç: F---* X dois fi brados vetoriais.
Então P = r(X, E) e Q = r(X, F) são módulos projetivos finitamente gerados.
Pelo Teorema de Swan, existe um único fibrado vetorial W (a menos de isomor-
fismo) tal que HomC(X) (P, Q) = r (x, W). Pela construção de W, não é difícil
ver que Wx = HomlR(Ex,Fx). de modo que denotamos W por Hom(E,F).
Fi brado Dua.l: Seja Ç : E ~ X um fi brado vetorial. Então P = r ( X, E) é um módulo
projetivo. Pelo Teorema de Swan, existe um único fibrado vetorial W (a menos
de isomorfismo) tal que P* = r (X
1
W). Por construção, Wx = E*
1
de modo que
denotamos W por E*.
Fi brado Produto Exterior: Sejam Ç : E ---* X um fi.brado vetorial e P = r (X, E) seu
módulo de seções. Formamos a álgebra tensorial
T(P) = C(X) 9 P9 P
02
9p®
3
9 · · · ,
onde p®n = P ®qx) · · · ®qx) Pé o produto tensorial de n parcelas de P. Tal
álgebra é um módulo projetivo, mas não finitamente gerado. Tomemos agora
o ideal bilateral/ desta álgebra, gerado pelos elementos da forma x ® y + y ® x
com x,y E P. O quociente
AP = T(P) / 1
é um módulo projetivo finitamente gerado. Como álgebra AP possui uma gra-
duação, então
1\P = A
0
P9 · · · ffiAnP,
onde n é o posto de P. Desta maneira, o posto de AP não excede 2n. Pelo
teorema de Swan, existe um fibrado vetorial, que denotaremos por 1\E, tal que
20
1\P = r(X, J\E) e A k P = r(x, A k E), 1 k ~ n. Por construção, para cada
x E X temos (AE)x = AEx. Assim, a fibra de 1\E em x é a álgebra exterior
de E.-c· Isto mostra que dim(An E) = 1, de modo que este fibrado é um fibrado
de linhas. Tal fibrado é usualmente chamado de fibrado determinante, dado
que determinantes de matrizes de mudança de base estão envolvidos em sua
construção.
Construção Funtorial Geral Para uma construção geral, sejam ''f/ a categoria que
consiste de todos os espaços vetoriais reais de dimensão finita e todos os iso-
morfismos entre tais espaços,
um funtor contínuo de k variáveis e E
1
, •.. , Ek fi brados vetoriais sobre X. A
continuidade de T juntamente com o Teorema de Swan provêem a existência de
um fibrado vetorial E tal que
para todo x E X.
As construções que fizemos acima, na verdade não dependem da equivalência ca-
tegórica dada pelo Teorema de Swan; este é um artefato algébrico que nos dá os re-
sultados esperados. De fato, se lançarmos mão das chamadas trivializações locais,
podemos fazer construções similares às acima para fibrados vetoriais sobre uma base
não compacta. Como estamos buscando uma formulação algébrica, isso não vem ao
caso em nosso estudo. Para mais informações, vide [33, 62].
1.3 Operadores Diferenciais
Introduziremos, a princípio, algumas definições e resultados da geometria algébrica "à
la Grothendieck" [24], e então, mediante o Teorema de Swan, mostraremos a equiva-
lência de tal abordagem, com o tratamento clássico de operadores diferenciais lineares
sobre fibrados vetoriais [51, 52]. Isto justificará a preferência que fizemos por uma
abordagem algébrica. Tal abordagem será fundamental no estudo de operadores dife-
renciais lineares sobre álgebras de Clifford.
1.3.1 Cálculo Diferencial sobre Anéis Comutativos
Sejam K um anel comutativo com identidade, e R uma K-álgebra comutativa com
identidade. Se 1 R E R representa a identidade de R, construímos o homomorfismo
q>: K-+ R definido por cp(k) = klR. Desta fonna, todo R-módulo é também um K-
módulo, imaginando-se K c R por meio da identificação dada por cp.
21
Dado um par de R-módulos P e Q e um elemento a E R, definimos os operadores
de multiplicação à esquerda la e multiplicação à direita r a por a como
la(4J )(p) = acp (p) e ra(cp )(p) = cp (ap)
para todo cp E Homx(P, Q). Também defi nimos o operador Da como a diferença en-
tre os operadores r
0
e La: Da = ra -1
0
. Estas multiplicações à direita e à esquerda
determinam uma estrutura de R-bimódulo sobre Homx(P, Q).
Por uma questão de simplicidade, se a
0
, a
1
, ... , an E R, definimos
Definição 1.24. Dizemos que l:l E Homx(P, Q) é um operador diferencial sobre R de
ordem n (n O) agindo do R-módulo P para o R-módulo Q, se Õa
0
,a1' . O
para todo o conjunto de elementos a
0
, a
1
, • •• , an E R.
Equivalentemente, veja que A é um operador diferencial de ordem n de P em Q
se e somente se para todo a E R, D
0
(.6.) é um operador diferencial de ordem n- 1.
Isto possibilita definir operadores diferenciais recursivamente.
Denotamos por Difn(P, Q) o conjunto de todos os operadores diferenciais de ordem
n de P em Q. Este conjunto possui uma estrutura natural de R-bimódulo dada pelas
multiplicações à direita e à esquerda. Também se tem Dif
0
(P, Q) = HomR(P, Q).
Se P, Q e T são R-módulos, A
1
E Difm(P, Q) e A
2
E Difn(Q, T) são operadores
diferenciais, a composição A
2
o A
1
está definida, e para todo a E R vale
Da(A
2
ol\
1
) = Da(A
2
)oA
1
+l:l
2
o8a(l:l
1
) .
Isto mostra que Az o A
1
E Difm+n ( P, T).
1.3.2 Representação de Operadores Diferenciais e Derivações
Denotemos por Mod(R) a categoria dos R-módulos. Dizemos que um funtor § :
Mod(R) x Mod(R) -4 Mod(R) é representável se, para cada objeto P E Mod(R), exis-
te um objeto E Mod(R), tal que $(P, Q) HomR(&t'(P), Q).
Este é exatamente nosso caso, pois temos o funtor
Difn : Mod(R) x Mod(R) -4 Mod(R).
Nosso objetivo aqui será a construção dos módulos de jatos /n(P) que são os objetos
que caracterizam a representação de Dün. i.e., Difn(P, Q) HomR(,/n(P), Q) para
todos os R-módulos P e Q. Para tal, consideremos o produto tensorial R®KP munido
da estrutura de R-módulo dada por
b(a®p) = (ba) ®p,
para todos os elementos a, b E R e p E P.
22
Proposição 1.25. HomK(P, Q) e HomR(R®KP,Q) são canonicamence isomorfos.
Demonstração. Se cp E HomK(P, Q), definimos a aplicação cpQ E HomR(R®KP, Q) por
p) = acp(p).
Por outro lado, se 'I' E HomR(R®K P,Q) , como a® p = a(1 ® p) tem-se 'lf(a® p) =
a 'I'( 1 ® p). Desta forma, definimos v/' E HomK ( P, Q) por
ljÍ(p) = 'l' ( l ®p).
Finalmente, veja que
( cp")l> = cp e ='I'
para todos os cp E HomK(P,Q) e os 'I' E HomR(R®KP,Q). Isto conclui a demonstra-
ção. I
Dado um elemento b E R, denotamos por oh o R -endomorfismo de R® K P definido
por
ôb(a®p) =a®bp-ba®p.
Como antes, por uma questão de simplicidade, se a
0
,a
1
, .• • ,an E R, definimos
Denotemos por r+
1
(P) o sub-módulo de R®KP gerado por todos os elementos da
forma ôao,al , ... ,an(a ® p). Entretanto, por causa da estrutura de R-módulo de R ®K P,
temos
a®p= a(l ®p),
de modo que, como R-módulo, Jn+J (P) é de fato gerado pelos elementos da forma
ôao,al .... ,an (1 ® p).
Proposição 1.26. 6 E Difn(P, Q) se e somente se 6P(ln+
1
(P)) =O.
Demonstração. Primeiramente, se a E R, temos
Da(6 )(p) - 6(ap)- a6(p)
= 6U(a®p-1 ®ap)
= p)).
Indutivamente, se a
0
,a
1
, .. . , an E R, temos
Como Jn+J (P) é gerado sobre R pelos elementos da forma Ô
0
0•a1, .•. ,an (10 p) com p E P,
e é R-linear, temos (P)) =O se e somente se Õa
0
,al> . . ,an (6)(p) =O para todo
p E P e todos os a
0
,a
1
, ... , an E R, i.e., ô. E Difn(P, Q). I
23
Denotamos por /n(P) o módulo quociente (R®KP) jr+
1
(P) e por in : P --+
/ n(P) a aplicação K-linear definida por i n(P) = l®p + Jn+I(P). A estrutura de
R-módulo de R ®K P mostra que /
11
(P) é gerado (como R-módulo) pelos elementos
in( p), com p E P.
Teorema 1.27. Difn(P, Q) é canonicamente isomorfo a HomR( fn(P), Q).
Demonstração. Considere a aplicação <P : Difn(P, Q) --+ HomR(/ n(P), Q) dada por
(a 0 p + r +
1
( P)) = Esta aplicação está bem definida, e na verdade é
um homomorfismo de R-módulos. De fato, vale que = e a Proposi -
ção 1.26 nos fornece

-

-
p)

Além disso, veja que = O se e somente se = O, mostrando que <P é um
monomorfismo. A fim de provarmos que <P é também um epimorfismo. seja h E
HomR( f
11
(P), Q). E HomK(P, Q) h o i n, e então vale
p) - = a(h o i n)(p)
- ah( l ® p+ r+ I (P))
h(a® p + r+
1
(P)) .
••• ,a" ( 10 p))
_ h ( 5a
0
,al' ... ,an ( 10 p) + [n+l (P))
- o,
uma vez que 8ao,al , ... ,an (l®p) E [
11
+
1
(P). Segue E Difn(P,Q) e que h.
Isto conclui a demonstração. I
Este teorema afirma que Dif : Mod(R) x Mod(R) --+ Mod(R) é representável na
categoria dos R-módulos. Além disso, veja que i n: P--+ /n(P) é um operador dife-
rencial de ordem n que é universal no sentido do corolário seguinte.
Corolário 1.28. Dif
11
(P, Q) se, e somente se, existe h E HomR(/
11
(P), Q)) tal que
o seguinte diagrama é comutativo
24
Isto mostra que a todo operador diferencial ó E Difn(P, Q) corresponde um homo-
morfismo h E HomRLI'"(P), Q) tal que ó = h o in· Alguns autores chamam in de
operador diferencial universal de ordem n (para maiores detalhes ver [52]).
Vamos agora nos restringir a uma situação especial, onde veremos uma importan-
te conseqüência do Teorema 1.27. Por simplicidade, denotemos ,/"(R) por ,/" e
Difn(R: Q) por Dif
11
(Q). Definimos o R-epimorfismo TI: Dif
11
(Q) --t Q como II{ó) =
ó( 1). Temos então a seqüência exata
Se L\ E Ker(TI), então ó(1) =O. Logo. dados a, b E R, uma vez que L\ E Dif
1
(Q), vale
de onde se conclui que 6(ab) = 6(a)b + aó(b). Nesse caso, L\ satisfaz a regra de
Leibnitz.
Definição 1.29. Dizemos que L\ E Homx(R, Q) é uma derivação de R a valores em Q
se para todos os a, b E R vale a regra de Leibnitz
ó (ab) = 6 (a)b + aó(b).
Denotamos por Derx(R, Q) o R-módulo de todas as derivações de R em Q. Se
6 E Ker(TI), então 6 E Derx(R,Q). Por outro lado, se 6 E Derx(R,Q) então
6(1) = L\(1·1) = 6(1) + 6{1),
de modo que ó (l ) =O e 6 E Ker(TI). Segue disso que Ker(II) = Derx(R,Q). Assim,
temos a nova seqüência exata
Note agora que o R-epimorfismo X: Dif
1
(Q) --t Derx(R, Q) definido por X(ó) = 6-
6(1) produz uma cisão nessa seqüência exata, de forma que
Dif(Q)
Definimos o R-mono morfismo i : R --t (
1
por i (a) = a j
1
( 1), e denotamos por
ilx(R) ao quociente /
1
/ Im(i). Se 1t: / ilx(R) é a projeção canônica, temos
a aplicação d : ilx(R) definida como d = 1t o j
1
. Não é difícil ver que d é uma
derivação de R a valores no R-módulo º-x(R).
Proposição 1.30. Derx(R, Q) é canonicamente isomorfo a HomR(ilx(R), Q).
25
Demonstração. Dado ll. E DerK(R, Q), o Teorema 1.27 fornece um único homomor-
fismo h E HomRC/"
1
, Q) tal que8 = hoj
1
. Como8(1) =O, tem-seh(j
1
(1)) = O. Con-
seqüentemente, h(Im(i)) =O. Segue que ll. determina o elemento h E HomR(.QK(R), Q)
dado por h = ho1r. Reciprocamente, se h E HomR(.QK(R), Q) definimos a derivação
ll. = hod. Isto completa a demonstração. I
Como uma conseqüência natural desta proposição, o conjunto das derivações é re-
presentável na categoria das K-álgebras comutativas e satisfaz a propriedade universal
dada pelo resultado seguinte:
Corolário 1.31. 8 E DerK(R, Q) se, e somente se, existe h E HomR(.QK(R), Q)) tal
que o seguinte diagrama é comutativo:
Isto mostra que toda derivação 8 E DerK(R, Q) se fatora através de d por meio de
um homomorfismo h E HomR(.QK(R), Q), i.e., 8 = hod. Neste sentido, podemos dizer
que o par (.QK(R), d) é universal.
Uma vez que, como R-módulo, /
1
é gerado pelos elementos da forma j
1
(a), o
R-módulo .QK(R) é gerado pelos elementos da forma da . .QK(R) possui importantes
propriedades funtoriais, e é chamado módulo dos diferenciais de Kéihler. Para maiores
detalhes. vide o Capítulo 10 de [46].
Este processo de construção pode ser naturalmente estendido. Para isso, denotemos
por R®n = R®K · · · ®KR o produto tensorial, sobre K, de n cópias de R (convenciona-
mos que J?®
0
= K e R®
1
= P), e por Yn o grupo das permutações de n-elernentos.
Definição 1.32. Sejam Q um R-módulo e 8 E HomK(R®n
1
Q). Dizemos que 8 é uma
n-derivação anti-simétrica de R a valores em Q, se as seguintes condições são satisfei-
tas:
I. ô (aO"( l)
1
•••• a0"(
2
)) = ( -1 ) O" 8 (ap ... , an ) para todos os ai' o •• , an E R e CJ E Yn.
onde ( -1 )(j é o sinal da permutação CJ.
2. Para toda fanu1ia finita de elementos a
1
, ...
1
ak-
11
ak+ Jlo .. , an E R e para todo
inteiro k, 1 ~ k ~ n, a aplicação b H 8 (a
11
.. o ,ak-Jlb, ak+l 'o . . , an) é uma de-
rivação de R a valores em Q.
O conjunto das n-derivações anti-simétricas possui uma natural estrutura de R-
módulo, denotada por Dn(Q)o Com isso, D
0
(Q) = Q e D
1
(Q) = DerK(R, Q).
Seja agora P um R-módulo e
26
a álgebra tensorial de P, onde p®n = P®R · · · ®RP é o produto tensorial, sobre R, de
n cópias de P (novamente, para efeito de notação, colocamos p ®O =R e p ®I = P). O
produto em T(P) é o produto tensorial. Definimos por A(P) o ideal bilateral de T(P)
gerado por todos os elementos da forma p ® p com p E P.
Definição 1.33. Seja P um R-módulo. A álgebra exterior AP de P é definida como o
quociente AP = T(P)/A(P).
Se denotamos a classe de equivalência p ® q +A ( P) por p 1\ q, ternos p 1\ q-q 1\ p =
(p + q) ® (p+q) +A(P) = A(P), e conseqüentemente tem-se
p /\ q= -q/\ p.
Desta maneira, um elemento p
1
/\ p
2
1\ · · · 1\ Pn E AP satisfaz
para todos os elementos a de .9'n.
A graduação de T(P) produz uma graduação em AP, por meio da projeção dos
fatores p ®n em AP, de onde se tem
AP = A
0
P6A
1
PffiA
2
Pffi .. · ,
com A
0
(P) =R+ J(P) e An(P) = p®n + J(P). Assim, é gerado, como R-
módulo, pelos elementos da forma p
1
1\ p
2
1\ · · · 1\ Pn com p
1
, p
2
, . .. , Pn E P.
Por simp}jcidade, denotemos por Q o módulo QK(R).
Proposição 1.34. Dn(Q) é canonicamente isomoifo a HomR(Ann, Q).
Demonstração. é gerado, como R-módulo, pelos elementos da forma da
1
1\ · · · 1\
dan. com a
1
, ••. ,an E R. Além disso, o operador d: R -t n é uma derivação. Desta
forma, definindo
cp(bda
1
1\ · · · 1\ dan) =

• • • , an),
verifica-se que, E Dn(Q), então cp E Q) e reciprocamente. I
Na situação especial de n ser projetivo e finitamente gerado, pode-se provar um
resultado um pouco mais geral a respeito da estrutura de Dn.
Corolário 1.35. Se .Q é projetivo e finitamente gerado, então Dn(Q) ::::: Q®RDn(R).
Demonstração. Pela proposição anterior, tem-se Dn(Q) ::::: Q). Desta for-
ma, como .Q é projetivo e finitamente gerado, vale
27
Isto conclui a demonstração. I
Finalizando, definimos indutivamente os operadores diferenciais de primeira or-
dem d: 1\.nn -7 1\.n+I n. Para n =O, tome como d meramente o operador d :R -7 n
introduzido anteriormente. Se n = 1, definimos d (bda) = db /\ da. Para n > 1 e qual-
quer elemento decomponível Wl\ 8 E 1\.nQ, definimos
onde o sobrescrito em ( -l)ro significa o grau de w, i.e., o inteiro n para o qual w E
1\.nn.
Os operadores d: Ann -7 1\n+l n. estão bem definidos e satisfazem a relação d
2
=
do d = O. Isto nos fornece o resultado seguinte.
Proposição 1.36. A seqüência
d 1 d d n d
O-R-A Q---+···---+1\. Q---. . .. .
é um complexo, í.e., d
2
= d od =O.
Este complexo é chamado complexo de De Rham de R, e é fundamental na defini-
ção e no estudo das lagrangeanas.
1.3.3 Símbolos e a Primeira Identidade Fundamental
Nosso objetivo aqui será a caracterização dos módulos Smbln(P, Q) dos símbolos. Is-
to possibilitará provar a primeira identidade fundamental dos jatos, bem como uma
relação entre os símbolos e os diferenciais de Kãhler.
Se P e Q são R-módulos, a Definição 1.24 implica que Difm(P, Q) C Difn(P, Q)
sem n. Desta maneira, temos uma filtração crescente, que nos permite definir o
módulo filtrado
O módulo graduado
00
Dif(P, Q) = U Difn(P, Q).
n=O
oo Difn(P,Q)
Smbl(P, Q) = Difn-1 (P, Q)
associado a esta filtração, é chamado módulo dos símbolos. Denotamos por
Smbln(P, Q) ao fator Difn(P, Q)/Difn-l (P, Q).
Sem n, então [m+l(P) c r + I (P), de modo que Vn,m: /n(P) /m(P) dada
por
p+ln+l (P)) p+[m+l (P)
28
está bem definida, e é um epimorfismo de R-módulos. Quando m = n -1, temos
Ker(vnn-l) = {a®p+J11+
1
(P): a®p E /n(P)}
'
~ In(P) / fn+l (P).
Isto fornece a seqüência exata de R-módulos
Seja agora P um R-módulo e T(P) a álgebra tensorial de P. Definimos por J(P)
o ideal bilateral de T (P) gerado por todos os elementos da forma p ® q - q ® p, com
p ,qEP.
Definição 1.37. Seja P um R-módulo. A álgebra simétrica S(P) de Pé definida como
o quociente S(P) = T(P)/J(P).
Se denotarmos a classe de equivalência do elemento p ® q simplesmente pela jus-
taposição pq, como p®q- q® p E J(P), tem-se
pq =qp.
Desta maneira, um elemento p
1
p
2
• • · Pn E S(P) satisfaz
Pc(I)Pc(2l · · · Pa(n) = P1P2 · · · Pn
para todos os elementos cr do grupo de permutações de n-elementos .9'n.
A graduação de T(P) produz uma graduação em S(P), por meio da projeção dos
fatores p®n em S( P), de onde se tem
S(P) = SJ (P) EB S
1
(P) EB S
2
(P) ffi · · · ,
comSÜ(P) = R+J(P) esn(P) = p®n+J(P). Assim. sn(P) é gerado, como R-módulo,
pelos elementos da forma p
1
p
2
-- · Pn com p
1
,p
2
, ... ,Pn E P.
Denotamos por P* o módulo dual de P, formado por todos os R-homomorfismos
de P a valores em R.
Consideremos o caso P = QK(R) e, por simplicidade, denotemos QK(R) por Q.
sn(n ) é gerado, sobre R, pelos elementos da forma
da
1
da
2
• · -dan,
onde a
1
, a
2
, ... , an E R. Como para todos os a, b E R vale a relação o a o oh = ob o o
0
,
a função (a
1
, .•• , an) ~ - - - + - oa, , ... ,a, é simétrica, i.e., para todo cr E ..9'n tem-se
Com isso, podemos demonstrar a primeira identidade fundamental dos espaços de
jatos.
29
Teorema 1.38 (Primeira Identidade Fundamental). S
11
(.Q) ®RP é canonicamente i-
somorfo a 1
11
(P)/I
11
+
1
(P).
Demonstração. Definimos o R-homomorfismo e: S
11
(.Q) ®RP --t /
11
(P)ji
11
+
1
(P) por
e (da
1
.. ·da
11
0p) = Ô
0
t ·····
0
"(1 ®p) +r+
1
(P) .
Como a seqüência
é exata, temos
Vnn-l o e (da
1
.. ·dan®P) -

, '
Ôa1> ... ,a,( l ®p) +ln(P)
1
11
(P).
Isto mostra que e está bem definida e, uma vez que I" (P) é gerado como R-módulo
pelos elementos da forma Ô
0
t·····
0
" ( 1 ® p)' segue que e é um epimorfismo.
Por outro lado, definamos o R-homomorfismo 'í' : Jll(P)/ r + I (P) --t S"(Q.) ®R P
por
'P(8°t "··•
0
n(l®p)+Jf1+
1
(P)) = da
1
···da
11
®p.
Se Ô
0
p· ··•a, ,b(10 p) E r +
1
(P), então
ÕaJ o• .,a, ,b(l ® p) = sal' .. ,a,( 1 ®bp)- bÕal' .. ,a, ( 1 ® p).
Desta forma,
'P(8at, ... ,an,b( 1®p)+r+
1
(P)) = da
1
.. ·da
11
®bp-bda
1
···dan ® P
= o.
Isto mostra que 'í' está bem definida e, de fato, é um epimorfismo.
Uma vez que 'P o e= 1 e 0 o 'í' = 1 l"(P)f!"+l (P)' a demonstração do teore-
ma está concluída. I
Levando em conta o isomorfismo dado por esse teorema, temos a seguinte seqüên-
cia exata de jatos:
Para obtermos uma caracterização completa dos símbolos, precisaremos estabele-
cer alguns resultados a respeito das álgebras simétricas:
Proposição 1.39. Se P é projetivo e finitamente gerado, então S
11
(P) é projetivo e
finitamente gerado.
30
Demonstração. Se P é finitamente gerado, é claro que S
11
(P) é finitamente gerado.
Se P é projetivo, então existe um módulo projetivo Q tal que P EB Q é livre. Como
S
11
(PE9 Q) é livre, a fórmula
S
11
(P$Q) EB Si (P)msi(Q)
i+j=n
mostra que sn(P) é somando direto de um módulo livre e, portanto, projetivo. I
Finalmente, precisaremos relacionar (S
11
(P))* com sn(P*). Para isso, adicionamos
a hipótese de K ser de característica zero. De fato, definindo e : S
11
(P*) -+ sn(P)*
como
1
e( cpl · · · q:>n)(al · · ·an) = I L cpl (acr (l )) · · · cpn (acr(n)),
n. CTE.9'n
fica claro que, para todo n, n! deve ser invertível em K. A Proposição abaixo estabelece
um pouco mais a respeito da estrutura de e.
Proposição 1.40. Se P é projetivo e finitamente gerado, então e é um isomorfismo.
Demonstração. Se e(cp
1
···q>
11
) =O, então cp(a
1
) .. ·cp(an) =O para todos os
a
1
, • • • , an E R, de modo que algum dos cpi é identicamente nulo. Sendo assim, tem-se
cp
1
· · · cpn = O. Segue disso que e é um monomorfismo.
A fim de mostrar que e é também um epimorfismo, note que, como P é projetivo
e finitamente gerado, a Proposição 1.39 garante a existência de um módulo livre e
finitamente gerado F e epimorfismos Ç : sn(F*) ---t S
11
(P*) e T] : sn(F)* ---t sn(P)* que
levam as bases canônicas de sn(F*) e sn(F)* sobre os geradores de sn(P* ) e sn(P)"'.
Definimos o R-homomorfismo ê : sn(F* ) ---t sn(F)* como
e(q)l ··· q)n)(al···an) = L q)l (aCT(I)) .. ·q)n (aCT(n)).
n. CTE.9':,
Como antes, não é difícil ver que e é um monomorfismo. Além disso, como
dimRSn(F*) = dimRS
11
(F)*, ê é de fato um isomorfismo de R-módulos. Temos por-
tanto o diagrama
que por construção é comutativo. Como e é um isomorfismo e Ç e TJ são epimorfismos
segue que e é epimorfismo. Com isso se conclui que e é um isomorfismo. I
31
De posse desta proposição temos, finalmente, a identidade para os módulos dos
símbolos.
Corolário 1.41 (Identidade dos Símbolos). Se K é de característica zero e P e Q são
R-módulos projetivos e finitamente gerados, existe um isomorfismo entre Smbln(P, Q)
e sn(Q*) ®R HomR(P, Q).
Demonstração. O Teorema 1.38 nos fornece a seguinte seqüência exata:
Dado um R-módulo Q, como Q e P são projetivos, a aplicação do funtor HomR( ·, Q) à
seqüêcia acima produz a seqüência exata
Segue disso que Smbln(P, Q) HomR(sn(n ) ®P, Q). Como Q é projetivo e finitamen-
te gerado, temos sn(.Q)* ~ sn(n•). Portanto
Smbln(P, Q) "' HomR(Sn(.n) ®P, Q)
Isto conclui a demonstração.
,.... sn(.Q)* ®Rp• ®R Q
sn(Q)* ®R HomR(P, Q)
sn(Q*) ®R HomR(P, Q).
I
A colocação da hipótese de Q ser projetivo e finitamente gerado faz sentido, pois,
se X é uma variedade, não há garantias de que QR(c-(X)) seja finitamente gerado, a
menos que X seja compacta. Este será o caso de interesse para nós.
1.3.4 Módulos Geométricos
É de se esperar que o formalismo algébrico que até aqui foi desenvolvido para os
operadores diferenciais, possua uma natural realização geométrica. Tal realização se
dá por meio da equivalência entre módulos e fibrados vetoriais.
Como foi feito na seção 1.2, pode-se construir uma equivalência entre fi brados ve-
toriais diferenciáveis sobre uma variedade X e a categoria de módulos projetivos sobre
o anel c-(X), das funções diferenciáveis sobre esta variedade [61]. Nossa prova do
teorema de Swan foi puramente algébrica; entretanto, a estrutura do anel de funções
diferenciáveis sobre X é suficiente para se reproduzir uma prova para a situação dife-
renciáveL
Quando X é uma variedade, o papel desempenhado pelo anel R passa agora a ser
desempenhado pelo anel c-(X). Note que uma repetição direta dos argumentos da
32
subseção anterior para a construção dos módulos j!k(P) e AkQ, se deparara com di-
ficuldades adicionais. Se tais módulos são vistos como objetos que representam os
correspondentes funtores definidos nessa categoria (Dífn e D
11
), eles conterão elemen-
tos que serão "redundantes" no seguinte sentido: apesar de não serem elementos nulos
no módulo, eles se anulam em todos os pontos do spectro maximal, i.e., são os ele-
mentos p E P tais que p + mP = O para todos os ideais m E Max( R).
Para ver isso em mais detalhes, considere a seguinte situação: Sejam X uma va-
riedade e R= CO(X). Se Ç :E-+ Me Ç : F-+ M são dois fibrados vetoriais dife-
renciáveis, e P =r( E), Q = r (F), os correspondentes R-módulos de seções, pode-se
mostrar que Dif
11
(P, Q) coincide com o módulo de operadores diferenciais de Ç para Ç
e o módulo D
1
(R) coincide com o módulo de campos de vetores sobre a variedade X
([35, 52]).
Entretanto, se construímos os objetos representativos para os funtores
Difn(P, ·) e Dn na categoria de todos os R-módulos, os módulos j!
11
(P) e A"Q não
coincidirão com os equivalentes "geométricos" dos jatos e formas diferenciais. Por
exemplo, no caso X= JR as funções cost e t são algebricamente independentes, mas
a forma diferencial "algébrica" m = d ( cos t) + ( sen 1 )dt é um elemento não nulo de
n = nlR (c-(X)). satisfazendo (J) + mxn = o para todo X E X.
Estas dificuldades podem ser superadas restringindo a categoria dos R-módulos a
uma classe mais conveniente de objetos.
Definição 1.42. Um R-módulo Pé dito geométrico se n mP = 0.
2
mEMax(R)
Dado um R-módulo P, coloquemos
ç; ( P) = ------::--P_
n mP.
mEMax(R)
Evidentemente ~ ( P ) é um R-módulo geométrico, e a correspôndencia P H c.I(P) dá
origem a um funtor da categoria de todos os R-módulos para a categoria dos R-módulos
geométricos.
Abaixo colocamos uma proposição que sumariza algumas propriedades imediatas
do funtor c./.
Proposição 1.43. Sejam R um anel, P um R-módulo e Q = QK(R).
1. Os objetos representativos para osfuntores Difn(P, ·)e Dn na categoria dos R-
módulos geométricos, coincidem com Ç#(cf"(P)) e ( A " Q ) respectivamente.
2. Se P = r(s ) para umfibrado diferenciável Ç: E-+ X, então C§(cfn(P)) coin-
cide com o módulo r( Çn), onde Çn :r( Ç) -+X é o fibrado dos jatos de ordem n
sobre x.
3
.
2
Em uma siwação algébrica mais geral. usualmente se requer npESpec(R) pP =O, mas para nossos
propósitos basta a Definição 1.42.
3
Para a definição de fi brado de jatos veja [52]
33
Demonstração. Quanto à primeira afinnação, basta notar que, se Q é um módulo ge-
ométrico, então todos OS elementos de nmEMax(R) mfn(P) serão levados em zero por
qualquer R-homomorfismo de /n(P) em Q. Dada a definição do operador d : R -t .Q
consequentemente ter-se-á O mesmo para OS elementos de nmEMax(R) m.Q.
A segunda afirmação decorre diretamente da primeira. I
Uma análise da demonstração que fizemos para a identidade dos símbolos (Corolá-
rio 1.41) mostra que a validade deste resultado em uma variedade X é essencialmente
devido ao fato de que o módulo dos diferenciais de Kãhler nesta situação é projeti-
vo e finitamente gerado. Enfatizamos, ainda, que a projetividade e a existência de
um número finito de geradores desse módulo são determinados não somente pela ál-
gebra R= C"' (X), mas também pelo fato de estarmos trabalhando em uma categoria
de módulos geométricos. Por esse motivo, resumimos na definição abaixo as imposi-
ções, sobre os tipos de estrutura algébrica; necessária para abarcar as situações acima
descritas.
Definição 1.44. Por situação diferenciável emendemos o seguinte:
1. uma K-álgebra R para a qual o módulo dos diferenciais de Kãhler QK(R) é
projetivo e finitamente gerado.
2. uma K-álgebra R para a qual o módulo ~ ( Q K ( R ) ) é projetivo e finitamente ge-
rado, char(K) = 0
4
e R é um R-módulo geométrico.
Veja que a situação diferenciável está relacionada diretamente com as propriedades
da K-álgebra R. De fato, se R é um R-módulo geométrico, o radical de R é nulo e,
portanto, todo R-módulo projetivo é geométrico.
4
Aqui char(K) designa a característica do anel K
34
Capítulo 2
Aplicações às Álgebras de Clifford
Tendo por base o Capítulo 1, estudamos nesse capítulo algumas propriedades dos ope-
radores diferenciais sobre as álgebras de Clifford. Para tal, lançaremos mão de algumas
propriedades das álgebras de Azumaya [5, 7] e da cohomologia de Hochschild [30, 54].
Com 1sso é possível mostrar que a álgebra de Clifford é rígida, e tirar conclusões ares-
peito das quanúzações por deformação. Além disso, uma classificação parcial para os
operadores diferenciais sobre a álgebra de Clifford é obtida, mostrando a relação deles
com uma versão generalizada do operador de Dirac.
Estas considerações também apontam para uma maneira de se estudar a álgebra de
Clifford do ponto de vista da Geometria não-Comutativa de Connes [13, 14].
,
2.1 A Estrutura das Algebras de Clifford
Sejam R um anel comutativo com identidade 1 R• P um R-módulo projetivo e finita-
mente gerado, e q: P -4 R uma forma quadrática sobre P [5, 7]. Dizemos que o par
(P,q) é um módulo quadrático.
Denotamos por T(P) a álgebra tensorial de P, i.e. ,
T ( P) = R ffi P ffi J>®
2
ffi .. · J 3 / ~ ® n ffi .. · .
Considere em T(P) o ideal bilateral J(q) gerado por todos os elementos da forma
p®p-q(p), com p E P.
Definição 2.1. A álgebra de Clifford e(P,q) do módulo quadrático (P,q) é o quociente
e(P, q) = T(P)/l(q).
As inclusões naturais R<-+ T(P) e P <-+ T(P) induzem injeções de R e P em e(P,q)
(para maiores detalhes vide [5, 7]). Tais injeções tomam possíveis as identificações
a:=a+J(q) , u=u+J(q) VaER,uEM.
Se denotarmos uv = u ®v+ J( q), segue que u
2
= uu = q( u). Esta relação caracte-
riza a propriedade universal de e:
35
Propriedade Universal de e. Sejam A uma R-álgebra e p : P--* A uma aplicação
R-linear tal que (p(p))Z = q(p) 1 A• para todo p E P. Então existe um único homomor-
fismo TJ : e --* A tal que p = TJ o 1C, onde n : P --* e é a injeção canônica.
Este é um resultado bem conhecido da teoria das álgebras de Clifford, e sua de-
monstração pode ser encontrada em [5, 36].
o homomorfismo a : p--* e. definido por a (u) = -u, satisfaz a(u)
2
= q(u) le·
Portanto, pela propriedade universal de e, ele se estende. de maneira única, a um
automorfismo a : e --* e, chamado de automorfismo canônico, que é caracterizado
pela identidade
I
a(u
1
···uk) = (-u
1
)···(-uk) = (- l )ku
1
·· ·uk.
Com isso, a
2
= le, mostrando que a é uma involução de e. Este fato gera a decom-
posição de e:
e= e
0
EB e
1
,
onde e
0
= Ker( a- ide) e e
1
= Ker( a + ide)· Tal decomposição mune e de uma
Z
2
-graduação, dada por
eier c ei+r,
onde i, r E Z
2
. Daqui para frente, toda vez. que usarmos o termo "graduação" de e
estaremos nos referindo a esta estrutura de Z
2
-graduação.
A definição que demos para a álgebra de Clifford, corresponde à definição usual
de fibrado de Clifford. De fato, se (M,g) é uma variedade Riemanniana (ou semi-
Riemanniana) consideramos o anel R= C"' (M), o módulo P = r (M, TM), onde TM
é o fibrado tangente, e q(u) = g(u, u) para todo campo de vetores u E r (M,TM)
1
.
Podemos então construir a álgebra de Clifford e(P,q) que, pelo Teorama de Swan 1.23,
naturalmente se identifica com o fibrado de Clifford C(M) [56].
Além disso, no caso trivial, onde R = IR. e (V,< · >) é um espaço vetorial munido
de um produto interno, a construção para a álgebra de Clifford que propusemos, leva
diretamente à definição da álgebra de Clifford real e(V, < · >) [57].
Nesse ponto, notamos que apenas a simplicidade e a funtorialidade da definição
que demos para álgebra de Clifford, já são suficientes para justificar seu uso. Assim,
podemos estudar de uma só maneira tanto as álgebras de Clifford sobre corpos. quanto
o fibrado de Clifford.
No que segue, vamos analisar um resultado que caracteriza a esuutura das álgebras
de Clifford em termos da álgebra exterior. Para isso, precisaremos lançar mão dos
módulos ortogonais e dos módulos hiperbólicos.
Um módulo quadrático (P, q) é dito ser um módulo ortogonal se a forma bilinear
hq : P x P -4 R, definida por
1
AqUI estamos usando a dualidade entre campos de vetores e seções do fibrado tangente.
36
onde p
1
, p
2
E P, é não-degenerada. Associamos a todo R-módulo P, o módulo hiper-
bólico
H(P) = (PEB P* q p ) ~
onde P" é o dual algébrico de P e qp(p,f) = f(p) para todos os p E P e f E p1<.
Dados então dois módulos quadráticos (P,q) e (P ,q), construímos o módulo
(P,q) ..L (P' ,q') = (P(JJ P' ,qEBq
1
),
onde qfJJq(p, p
1
) = q(p) +q(p'). De [5], encontramos que
e((P,q) ..L (P' ,q')) e(P,q) ®R e(P' ,q').
Quando (P,q) é um módulo ortogonal, por [7, 36], existe um isomorfismo (P,q) ..L
(P, -q) H(P). Desta fonna, temos
e(P,q) ®Re(P, -q) e(H(P)) .
Isso mostra que, se entendennos os módulos hiperbólicos, poderemos ter um entendi-
mento de e(P,q). Essa é a razão para os considerarmos aqui.
É possível então, para todo R-módulo P, construir um homomorfismo
Tal homomorfismo desempenha papel primordial no estudo das álgebras de Clifford,
pois nos leva ao seguinte teorema de estrutura:
Teorema de Estrutura. Se Pé um R-módulo projetivo e finitamente gerado, então
l/fp é um isomorfismo.
A demonstração desse fato pode ser encontrada em diversos textos [5, 7, 36]. En-
tretanto, queremos aqui entender mais a respeito da construção de \}1 p· Para isso, sejam
x E P e f E P*. Ternos, então, dois homomorfisrnos de A(P),
definidos como: lx é a multiplicação à esquerda por x, dada por
lx(Y) = xl\y,
para todos os x E P e y E A(P); df é a única antiderivação prolongando f: P-+ R [36].
Urna vez que z; =o e d} =O, tem-se, para todos os X E p e y E A(P),
df(x Ay) = df(x) 1\y-x/\ df(y) = f(x)y-xl\df(y).
Desta fonna, d f o lx + lx o d f = f(x) 1 A(P) e
(lx+df)2 = f(x)lA{P) = qp(x,j)IA(P)'
37
Pela propriedade universal das álgebras de Clifford, a aplicação
~ EndR(A(P))
t--t lx+df
induz o homomorfismo \J' P• que procuramos.
Podemos ainda verificar a naturalidade desse isomorfismo, entretanto não faremos
isso aqui. Para mais detalhes, vide [7].
O Teorema de Estrutura para as álgebras de Clifford estabelece um isomorfismo
entre álgebras. Mas. se esquecermos a estrutura de produto da álgebra de Clifford,
de [5, 36] temos:
Teorema 2.2. Existe um isomorfismo de R-módulos entre e(P,q) e A(P).
Assim, fica clara a distinção da estrutura de R-álgebra, da estrutura de R-módulo
de e(P,q) .
,
2.2 Algebras de Azumaya, Cobomologias de Hochschild,
Derivações e Quantizações
Nesta seção vamos caracterizar a estrutura das derivações e obter um resultado a res-
peito de deformações das álgebras de Clifford, mostrando a trivialidade algébrica de
alguns processos de quantização.
Um R-módulo P = P
0
ES P
1
é dito ser um módulo Z
2
-graduado. Com base nisso,
temos a definição:
Definição 2.3. Uma R álgebra A é dita ser uma álgebra de Azumaya se existe uma
álgebra graduada B e um R-módulo Z
2
-graduado Q, projetivo e finitamente gerado, tal
que
A ®RB::::: EndR(Q),
onde EndR denota o funtor dos endomorfismos referentes à Z
2
-graduação de P.
Pelo que vimos na seção anterior, se ( P, q) é um módulo quadrático, com P proje-
tivo e finitamente gerado, temos
mostrando que e(P,q) é uma álgebra de Azumaya.
Esse fato desempenhará papel dos mais importantes no estudo das derivações de
e(P,q) e na classificação das deformações, no sentido de Gerstenhaber [22, 54]. Antes,
entretanto, precisamos introduzir algumas noções elementares a respeito da cohomo-
logia de Hochschild [30].
38
Sejam e uma R -álgebra associativa, e F um e-bimódulo.
2
Uma aplicação <P : ek 1
F é dita R-multilinear se ela é R-linear em cada argumento. Denotamos por F)
o conjunto de todas as aplicações k-multilineares de e em F. Para k = O, definimos
F) = F. Se 'l',<t> E e a E R, a aplicação 'l'+a<t> é bem definida, e faz
de e , F) um R-módulo.
Vamos agora definir uma estrutura de complexo cocadeia sobre Pa-
ra isso, definimos os operadores dk: e, F) 1 I (e,F) como
d
0
(u) (A) = [A,u] =Au- uA, l:fu E F,A E e,
e, para k 1,
Com isso, obtemos o complexo de Hocchschild [30, 54]
A cohomologia deste complexo é chamada de cohomologia de Hochschild de e com
valores em F [54], e os grupos de cohomologia são denotados por Hk(e , F ) .
Para k =O, os elementos dos R-módulo Int(e,F) = d
0
(F) são chamados de deri-
vações interiores de e em F e, para k = 1, temos
(d
1
<t>) (A
11
A
2
) = A
1
<t>(A
2
) - <t>(A
1
A
2
) + <t>(A
1
)A
2
.
Assim, se <P E Ck(e , F) é fechada, segue que
mostrando que o R-módulo das cocadeias fechadas é, de fato, o R-módulo Der R( e , F)
das R-derivações de e em F.
Com isso, podemos tomar e= e(P,q) como a álgebra de Clifford de um módulo
quadrático, e estabelecer um resultado que descreve a estrutura da cohomologia de
Hochschild de e.
Teorema 2.4. Sejam (P,q) é um módulo quadrático graduado, com P projetivo e fi -
nitamente gerado, e= e(P,q) a álgebra de Clifford a ele associada, e F é um e-
bimódulo. Então toda R-derivação de e em F é interior.
2
Um e -bimódulo é um e-módulo à direita e um e-módulo à esquerda.
39
Demonstração. Como a álgebra de Clifford é uma álgebra de Azumaya, ela é separá-
vel e projetiva como R-módulo [5, 7]. Mas então, por [30, 54], temos Hk(e, F ) =O
para todo k ~ O. Em particular, H
1
(e, F ) = O. Isso conclui o teorema. I
Na demonstração deste teorema, pudemos ver que Hk(e,F) =O para todo k ~ O.
Uma vez que e é naturalmente um e-bimódulo, segue que H
2
(e , e)= O. Mas, como
a obstrução para a rigidez [22] é um elemento de H
2
(e , e ), então e é rígida, i.e. , todas
as deformações da multiplicação em e são equivalentes.
A atual proliferação das teorias de quantização da álgebra de C1ifford, por meio
de deformações, tornou muito popular a possibilidade de se desenvolver um "cálculo
quântico" em e. Entretanto, pelo que pudemos ver, todas essas considerações são
triviais do ponto de vista das deformações (no sentido de Gerstenhaber), i.e., todas as
quantizações algébricas na álgebra de Clifford são equivalentes. Isto significa que a
idéia de quantização por deformações precisa ser aprimorada. Uma sugestão de como
isso pode ser feito, é por meio das álgebras C* [14] e das quantizações por deformação
via operadores diferenciais [27, 55].
2.3
"
Operadores Diferenciais sobre as Algebras de Clif-
ford
Como antes, K será um anel comutativo com identidade, R uma K -álgebra comutativa
com identidade, e QK(R) o módulo dos diferenciais de Kãhler. Assumimos aqui que
QK(R) é projetivo e finitamente gerado.
Aqui vamos supor que o R-módulo DerK(R) é munido de uma forma quadrática
q : DerK(R,R) --7 R. Então, podemos construir a álgebra de Clifford
e= e(Derk(R, R), q).
A fim de estudar os operadores diferenciais sobre e , precisamos supor que DerK(R) é
munido de uma conexão compatível com a forma quadrática q, i.e.,
onde u --7 V"' satisfaz as condições seguintes:
1. Y'u(fv) = u(f)v+ fVu (v)
2. Y'u (f (q)) C J(q),
para todos os u, v E DerK(R) e f E R. A segunda propriedade garante que a conexão
V passa ao quociente, permitindo-nos estender a ação de V à álgebra de Clifford e.
3
Com isso, obtemos a seguinte identidade:
3Essas considerações naturalmente são válidas no caso diferenciável. Para ver isso, considere (M,g)
40
ondeA, B E e eu E DerK(R).
Teorema 2.5 (Classificação Parcial dos Operadores Diferenciais em e). Seja t1 E
Dif
1
(e, e). Então, existem um operador diferencial O E Dif
1
(e, e), nulo sobre R,
AI ' ... ,Ak,B E e e UI ' ... , uk E Derk(R), tais que
k
!1= [,Ai®'Vu, +O+B.
I= I
Demonstração. Uma vez que R c e, podemos considerar a restrição ó.IR· Então ó.IR
se escreve como
ó.IR = D+ó(l),
onde D é uma K-derivação de R a valores em e. Ponanto, basta estudarmos a natureza
da derivação D. Como QK(R) é projetivo e finitamente gerado, temos
DerK(R, e) - HomR(QK(R), e)
"' e®RHomR(QK(R),R)
"' e®RDerK(R).
Desta forma, podemos considerar D como um elemento de e®RDerK(R). Com isso,
existem AI ' ... ,Ak E e e UI , ... , uk E Derx(R) tais que
Definindo
VD = A
1
® Vu
1
+ · · ·Ak ® Vuk
temos vD E Difl (e, e) e vDIR = D. Colocando o= !1- vD, obtemos OIR =O; então
t1 - vv +o +!1(1)
- AI ®Vu
1
+···Ak®Vuk +D+ó(l ).
-------------------------
uma variedade Riemanniana (ou sem.i-Riemanniana), e R= c-(M) seu anel de funções. Neste caso.
os campos de vetores sobreM podem ser pensados como denvações de R. Assumamos ainda queM é
munida de uma conexão V, compatível com a forma quadrática q(u) = g(u, u), i.e.,
onde u V u• satisfaz as condições seguintes:
1. Vu(fv) = u(f)v+ fVu(v)
2. V u(l(q)) C J(q),
para todos os u, v E DerR(R) e f E R. A segunda propriedade garante que a conexão V passa ao quoci-
ente, permitindo-nos estender a ação de V ao fibrado de Clifford C(M) = e(f(M,TM),q) [15. 56].
41
Isso conclui o teorema. I
Essa classificação é parcial, pois depende do operador O. No caso de uma varie-
dade diferenciável, pode-se mostrar que esse operador é um colchete ou a derivação
definida pela extensão a e de algum homomorfismo f: Derk(R)-+ R.
Um ponto importante nesse teorema é que o operador vD é uma generalização do
operador de Dirac [56, 57, 66]. Portanto, todo operador diferencial sobre e se escreve
como soma de um operador de Dirac generalizado, um operador nulo sobre R e uma
constante (operador de grau zero).
Este teorema pode ser generalizado para módulos de Clifford
4
, e suscita investi-
gações a respeito do caráter do operador O. Nessa linha, pode-se estudar estruturas
espinorais algébricas, bem como obter resultados algébricos para sua existência, com
base em cohomologias de álgebras e representações.
Uma última consideração a respeito deste teorema vai na linha da Geometria não-
Comutativa [14, 44]. Uma vez que as cohomologias de Hochschild são nulas, dado
u E DerK(R,R), a conexão 'Vu determina um elemento Fu E e tal que
V u(x) = [Fu,x]
para todo elemento x E e. Comparando essa fórmula com a obtida por Connes [13],
podemos vislumbrar um estudo das álgebras de Clifford por meio da Geometria não-
Comutativa.
4
S é um módulo de Clifford se ele é um C-módulo.
42
Capítulo 3
Formalismo Hamiltoneano na
Linguagem dos Operadores
Diferenciais
Curiosamente, o formalismo Hamiltoneano clássico tem reaparacido como um com-
ponente essencial a algumas teorias matemáticas que, aparentemente, nada têm a ver
com a mecânica. Há uns 30 anos surgiram as aplicações desse formalismo ao estudo
das órbitas, na teoria de representações de grupos de Lie [37]. e à teoria de solubili-
dade local de operadores diferenciais lineares [16]. Recentemente, as profíquas idéias
matemáticas de quantização algébrica [8, 9, 19, 55], juntamente com as idéias da Geo-
metria Não-comutativa [14, 27, 42], vêm promovendo importantes avanços no estudo
de uma versão algébrica para o Teorema do Índice [48]. Também recentemente, uma
versão do Teorema de Riemann-Roch foi obtida por meio de quantização por defor-
mações [12]. Nessas teorias, tem-se interesse em que o formalismo Hamiltoneano
desempenhe diferentes regras funcionais. Isto sugere que tal formalismo seja parte de
um sistema matemático mais amplo. Para o caso linear
1
, acreditamos que este sistema
seja a teoria de operadores diferenciais lineares, como a desenvolvemos no Capítu-
lo 1. Esta idéia é reforçada por [67] e pelos avanços no entendimento da geometria
diferencial por meio do complexo de Euler [38, 51]. Talvez isso explique, em parte,
as inúmeras aplicações do formalismo Hamiltoneano e nos permita um entendimento
mais profundo das possibilidades do método Hamiltoneano, bem como um vislumbre
de novas aplicações.
O modesto objetivo do presente capítulo é traduzir os conceitos básicos do forma-
lismo Hamiltoneano em uma linguagem algébrica natural, por meio do cálculo sobre
anéis comutativos. Motivada por [44], esta tradução naturalmente permite uma gene-
ralização para uma teoria de schemas afins Hamiltoneanos, e aponta para uma versão
algébrica do teorema do índice [ 48].
1
Entendemos por caso linear aquelas situações que gerem equações diferenciais lineares sobre fi-
brados vetoriais.
43
3.1 Espaços de Fase e Anéis Comutativos
O cenário para o estudo do formalismo Hamiltoneano, o espaço de fase, é o fibrado
cotangente T* M de alguma variedade M de estados (configurações) [ 41).
Do ponto de vista da geometria algébrica "à la Grothendieck" [24], pode-se estudar
a variedade M estudando seu anel de funções CO(M). Por essa razão, o cálculo dife-
rencial sobre anéis comutativos, em que se fundamenta nossa construção, se baseia na
transição da variedade M para o anel R = COO ( M).
Como antes, K será um anel comutativo com identidade, R uma K -álgebra comu-
tativa com identidade e QK(R) o módulo dos diferenciais de Kãhler.
Devemos então encontrar, em termos puramente algébricos, o equivalente a T'" (M),
quando trocamos c(M) pelo anel arbitrário R, i.e., devemos descobrir que "anel"
corresponde a T* (M).
Para isso, vamos considerar o caso clássico, onde K =IR e R= c-(M). Nesse caso,
Smbl(R) = Smbl(R, R) é a álgebra dos campos de tensores simétricos contravariantes
sobreM [52, 67]. Cada um desses tensores pode ser identificado com uma função que
é polinomial ao longo das fibras n-
1
(x), onde n: r •(M) M é a projeção natural
do fibrado cotangente [52, 67]. Desta forma, Spec(Smbl(R)) é a complexificação do
fibrado rc, de modo que temos a identificação T* (M) c Spec(Smbl(R)).
De acordo com o que vimos no Capítulo 1, juntamente com [26, 39], cada elemento
de Smbl (R) pode ser pensado como uma aplicação sobre Spec(Smbl(R) ). Finalmente.
da teoria das schemas afins [20, 24, 26], segue que os elementos de Smbl(R) podem
ser recuperados por meio de suas restrições ao subespaço T*(M) c Spec(Smbl (R)).
Por isso, os pontos do complemento Spec(Smb1(R)) \ T"" (M) são desnecessários, do
ponto de vista da realização geométrica do anel Smbl (R), i.e., sua representação como
o anel de funções de "algum espaço".
Essa discussão mostra que T* (M) pode ser considerado como o equivalente geo-
métrico do anel Smbl(R).
Já que temos essa identificação, seguindo as idéias de [25], daqui para frente vamos
escrever T*(R) ao invés de Spec(Smbl(R))
3.2 Colchetes de Poisson e Hamiltoneanas
Seja Difk(R) -t Smblk(R) = Smbl(R, R) a projeção canônica, e considere !l E Difk(R).
A imagem de ll, sob essa projeção, é denotada por ló.lk = ló.l, e é chamada símbolo do
operador ll. Temos o homomorfismo
induzido pela composição de operadores diferenciais:
lVII ·llllk = IVo!li k+l ·
Em particular, Smbl(R) é uma R-álgebra associativa.
44
Considere dois operadores 11; E Difk.(R), i= 1,2. Então, como vimos no Capítu-
lo 1, seu comutador [.:l
1
,il
2
] = .:l
1
o .ó.
2
~ Ll
2
o Ll
1
E Difk.+kz-I' Colocando s = j.ó.
1
j e
r= 1 ~ 1 . definimos o colchete de Poisson de se t como
Denotando S = Smbl(R), segue diretamente dessa definição que { ·, ·} é R-bilinear. e
que:
Proposição 3.1. Para quaisquer elementos s, t , r E S temos
1. { s, t} = - { t, s} (anti-comutatividade)
2. {s, {t , r}}+ {t, {r,s}} +{r, {s,t}} =O (identidade de Jacobi)
3. {s,tr}={s, t}·r+t·{s, r}
Isto mostra que { ·, ·}é um colchete de Lie sobreS= Smbl(R). Da terceira afirma-
ção da proposição, fixado s
0
E S, a aplicação Hs
0
: S ~ S definida por Hs
0
(s) = {s
01
s}
é uma derivação de S. Entretanto, como "campos de vetores de S" e "derivações de S"
são sinônimos
2
, podemos pensar em Hs
0
como um campo de vetores sobre T* (R), i.e.,
Hs
0
é o campo de vetores Hamiltoneano correspondente à "Hamiltoneana" s
0
.
A terceira afirmação da proposição mostra também que a aplicação H : S Der K ( S),
dada por s H Hs é uma derivação de S a valores noS-módulo DerK(S) . Da repre-
sentação do funtor DerK(·), que vimos no Capítulo 1, existe um S-homomorfismo
h: .QK(S) ~ DerK(S), de modo que o diagrama seguinte é comutativo
S---H--DerK(S) ,
~ / .
onde d: S ~ .O.K(S) é o diferencial de Kãhler.
Desta forma, especificar a derivação H é o mesmo que especificar h. Portanto, o
colchete de Poisson pode ser escrito em termos de h:
{s,t} = Hs(t) =< h(ds),dt >,
onde<,> é o emparelhamento natural de .O.K(S) e DerK(S), induzido pela representa-
ção do funtor DerK, dada por Derk(S) ~ Homs(.O.K(S) , S).
Assim, ao invés de usar h, podemos considerar a forma bilinear roh sobre .O.K(R),
definida por
2
Um fato básico do estudo das vanedades diferenciáveis é que os campos de vetores são as deriva-
ções do anel das funções diferenciáveis dessa variedade.
45
onde a, f3 E Q K ( S). Quando h é um isomorfismo, podemos também considerar a forma
fjjh, sobre Der K ( S), definida como
mh(D
1
,D
2
) = coh(h-
1
(D
1
), h-
1
(D
2
)),
onde D
1
, D
2
E DerK(S). Se fjjh E A
2
(S) = A
2
(QK(S)), é natural interpretá-la como
uma 2-forma sobre a variedade Spec(S) = T" (R).
Proposição 3.2. Se a forma mh existe, então ela é fechada, i.e., dmh = O.
Demonstração. A representação do módulo Ai(S) como a i-ésima potência exterior
de .QK(S), permite-nos pensar nos elementos a E Ai(S) como funções anti-simétricas
i-lineares sobre DerK(S), que corresponde ao tratamento clássico de uma forma dife-
rencial sobre uma variedade. Neste caso, continua válida a fórmula clássica para a
diferencial exterior [62, 72], de modo que devemos mostrar que:
dmh(D}ID2,D3) = DI mh(D2,D3)- D2mh (Dl ,D3) +D3mh(Dl ,D2)-
-mh([Dl,D2], D3) + mh ([DpD3], D2)- fjjh([D2,D3], Dl)
- o,
onde DpD
2
,D
3
E DerK(S).
Como QK(S) é gerado, como S-módulo, pelos elementos da forma ds, e como h é,
por hipótese, um isomorfismo, o módulo DerK(S) é gerado pelas derivações da forma
Hs com as mesmas relações. Portanto, como a fórmula clássica para a diferencial
exterior é linear em todos os argumentos, basta verificarmo-la para D, = Hs;• i= 1 ,2, 3.
Assim,
dmh(Hs
1
,Hs
2
,Hs) = Hs
1
mh(Hs
2
,Hs)-Hs
2
mh(Hs
1
,Hs
3
)+
+Hs
3
fjjh (Hs
1
,Hs)- é0h([Hs
1
,Hs
2
],Hs
3
)+
+é0h ([Hs
1
, Hs
3
], Hs
2
) - éàh([Hs
2
, Hs
3
], Hs
1
)
- 2 ( {s
1
, {s
2
,s
3
}} + {s
3
, {s
1
,s
2
}} + {s
2
, {s
3
,s
1
}})
- o,
devido à identidade de Jacobi do colchete de Poisson, estabelecida pela Proposição 3.1.
Isso completa a prova. I
No caso clássico, quando R= c-(M), temos mh = Eidp;f\ dqi , nas coordenadas
de T* (A1). Assim, quando h é um isomorfismo, éàh é a "realização geométrica" de h
3
.
Por isso, a aplicação H (ou h) é um objeto mais fundamental que mh.
3Esta pode ser pensada também como a realização geométrica de H, ou mesmo do colchete de
Poisson.
46
Apesar de o ponto de vista convencional considerar a Hamiltoneana (estrutura
canônica) como uma 2-forma sobre T*(M), que neste caso equivale a especificar H
ou h, em uma situação geral devemos entender por estrutura Hamiltoneana (canônica)
um dos três objetos: o operador H, o homomorfismo h, ou a forma @h. Obviamente,
esses três objetos deverão satisfazer condições convenientes. Por exemplo, o operador
H deve ser uma derivação de Sem DerK(S) , onde Hs
1
(s
2
) +Hs
2
(s
1
) =O para todos os
s
1
, s
2
E S.
Podemos, então, estender essa idéia para anéis arbitrários.
Definição 3.3. SejaS uma K-álgebra comutativa com identidade (não necessariamen-
te igual ao anel dos símbolos Smbl(R)). Uma derivação H: S -t DerK(S) satisfazendo
Hs
1
(s
2
) + Hs/ s
1
) =O para todos os s
1
,s
2
E Sé dita ser uma estrutura canônica sobre
S. O par (S, H) é então chamado anel canônico.
Note que, quando M é uma variedade canônica (simplética), existe uma estrutura
canônica natural sobre o anel de funções C"' (M). Desta forma, o conceito de anel
canônico é uma generalização daquele para variedades simpléticas [41].
Nota-se também que a equação H
51
(s
2
) = {s
1
,s
2
} define um "colchete de Poisson"
sobre o anel canônico S. Reciprocamente, este colchete determina, de maneira única,
a estrutura canônica H: S -t DerK(S) .
Na mecânica clássica, a forma w = f.;dp
1
1\ dqi é exata, e aparece de maneira
puramente geométrica como a diferencial da l -forma e = L; p
1
dq; sobre o espaço
de fase T* (M) [1 , 71]. Esta l-forma, por sua vez, é determinada naturalmente pela
propriedade universal: s;,(e) = p, onde pé uma l-forma arbitrária sobreM, e Sp é a
seção
4
do fibrado cotangente JC: T* (M) -t M, correspondente a p.
Entretanto, em geral, esta construção pode não ser possível. Suponhamos que o
anel R seja uma Q-álgebra, e definamos p =da E .QQ(R), onde a E R. Dado então
a= lõlk E Smblk(R), tl E Difk(R), definimos
s; (a) = kl' Da, ... a ( ~ ) E R= Dif
0
(R) .
· ~
/c

eus
Olhando com um pouco mais de cuidado, notamos que a aplicação ~ : Smbl (R) -t
R é um homomorfismo de anéis que, no caso de R= C"' (M), corresponde ao homo-
morfismo sp : C"' (T* (M)) -t C"'(M), gerado pela seção Sp· Assim, o homomorfismo
sp é o equivalente algébrico do conceito de seção de T* (M). Isto mostra que a existên-
cia de uma aplicação do tipo sp pode não permitir a construção da forma 8. A seguir,
damos um exemplo ilustrando essa situação.
Considere o anel
R= {f: lR -t lRJf é contínua e f' (O) existe } .
-----------------------
4Recordemos que as l -formas sobreM são seções do ti brado cotangente 7 · (M) [72].
47
Dado a E IR, denotemos por ma C R o ideal maximal consistindo de todas as funções
de R que se anulam em a. Como .QJR(R) =I O, existem derivações de R com valores
emRj m
0
. Por outro lado, para a =I= O, os módulos DerK(R/ ma) são todos triviais, uma
vez que = ma para a =I O. Por isso, o módulo DerK(R) é trivial pois, se existe
uma derivação não nula Â: R -T R, então sua composição com a projeção R -t R/ ma,
para algum a =I O, também seria uma derivação não nula, em contradição com o que
dissemos acima
5
. Esses argumentos mostram que a aplicação não depende de p E
QR(R), i.e. , não existe uma forma universal 8.
Portanto, o mecanismo clássico que garante que fijh é exata, não funciona, em geral,
em T* (R).
3.3 Transformações Canônicas
Da equivalência dada pelo Teorema de Swan 1.23, as aplicações diferenciáveis na
categoria da variedades diferenciáveis estão em correspondência um a um com os ho-
momorfismos dos respectivos anéis de funções diferenciáveis. Desta forma, é natural
definir-se os difeomorfismos da variedade Spec(S) como automorfismos do anel S. Is-
to nos leva à definição de uma transformação canônica como um automorfismo que
respeita a estrutura Hamiltoneana, no seguinte sentido:
Definição 3.4. Um automorfismo cp de Sé dito ser canônico se o diagrama
.QK(R)

.QK(S) DerK(S)
é comutativo, i.e., h = Dcp o h oQcp.
Aqui, definimos .Qcp e Dcp como
onde s,s' E Sed E DerK(S).
Qcp(s'ds) = cp(s')dcp(s)
Dcp(d) = cp -
1
o() ocp ,
Os homomorfismos Qq> e Dq> estão relacionados, por meio do emparelhamento
natural de DerK(S) e QR(S), da seguinte maneira:
< d,ilq>(a) >= cp (< Dq>(J), a >) .
Essa identificação nos permite provar a proposição seguinte.
5Mais informações a respeito russo podem ser encontradas em [46], onde estudam-se também as
extensões de Hochschild.
48
Proposição 3.5. O diagrama da Proposição 3.4 é comutativo se, e somente se, wh é
invariante por cp.
Demonstração. Temos

- < h(Ucp(a
1
)) >
-

- cp ( < h( a
1
), >)
- cp ( wh ( a
1
, ,
onde a segunda igualdade segue do emparelhamento natural que relaciona Ucp e Dcp,
e a terceira é conseqüência da comutatividade do diagrama da Proposição 3.4. Esta
seqüência de igualdades demonstra a necessidade e a suficiência da proposição. I
Recordando a relação entre H e h, segue diretamente da proposição que acabamos
de provar que:
Proposição 3.6. O automorfismo cp do anel Sé canônico se, e somente se, o diagrama
é comutativo, i. e., se, e somente se, H( cp(s)) = cp o Hs o cp -
1
para todos E S.
O conceito de transformação canônica que introduzimos aqui corresponde, no
caso clássico quando R= c-'(M), ao conceito usual de transformação canônica em
T* (M) [1 , 71].
3.4 Transformações Canônicas Infinitesimais
O análogo de uma transfonnação canônica infinitesimal, i.e., um campo de vetores que
respeita a estrutura Hamiltoneana, deve, em geral, ser tomado como uma derivação do
anel S que respeita a estrutura Hamiltoneana.
Definição 3.7. Uma derivação lJI E Der K(S) do anel dos símbolos Sé dita ser canônica
se satisfaz a relação
DlJi oh+hoilvr= O,
onde, por definição, Dljl(à) =[à, V') para toda à E DerK(S) e illjl(s'ds) = ljl(s')ds +
s'dljl(s) para todos os s,s' E S.
Dessa definição. segue diretamente que:
49
Proposição 3.8. Uma derivação 1jl E DerK(S) é canônica se, e somente se, satisfaz a
ambas as condições
1. wh (QVí( ai) , CXz) + wh( a)' QVí( az)) = 1jl ( wh( al' exz) ).
2. H(ljl(s)) = [llf,Hs]·
Como acima, sejaS= Smbl(R). Escrevemos Ham(S) para o conjunto de todos
os campos de vetores Harniltoneanos sobre T*(R), (derivações de S da forma Hs para
s E S), e Can(S) para o conjunto de todos os campos de vetores canônicos sobre T'" (R)
(derivações canônicas sobreS).
Quando aplicamos a segunda afirmação da Proposição 3.8 a um elemento s' E
S, a identidade de Jacobi do colchete de Poisson nos dá a validade de lfl ( { s, s'}) =
{ llf(s) , s'} + { s, ljl(s')} para todos os elementos da forma 11f = Hs'l• onde s'' E S. Logo,
temos a inclusão de conjuntos Ham(S) c Can(S).
Por outro lado, como Ham(S) e Can(S) estão munidos do colchete de Lie de deri-
vações, a segunda parte da Proposição 3.8 mostra que Ham(S) é um ideal em Can(S) .
No caso clássico, quando R= c(M), o "teorema fundamental da mecânica" [71] afir-
ma que Ham(S) = Can(S) localmente (e globalmente seM é simplesmente conexa).
6
Portanto, devemos entender como "teorema fundamental da mecânica" para um anel
R, um teorema que descreva a estrutura da K-álgebra de Lie Can(S) / Ham(S) .
Como antes, os conceitos aqui introduzidos correspondem completamente, no caso
clássico, aos usuais [ 41, 71].
3.5 Variedades Lagrangeanas e a Equação de Hamil-
ton-Jacobi
De [1, 41, 71] sabemos que toda variedade Lagrangeana L c T*(M), que está na su-
perfície de nível J{ = O da função Harniltoneana, é invariante pelo correspondente
campo de vetores Harniltoneano. Este princípio de absorção, traduzido em linguagem
algébrica, leva à seguinte definição:
Definição 3.9. Um ideal J c S é dito ser autoestável se ele é invariante pela ação de
todos os operadores Hs. com s E J. Um ideal maximal autoestável é dito ser um ideal
Lagrangeano. A subvariedade L
1
c T*(R), correspondendo a um ideal Lagrangeano,
é também dita ser Lagrangeana.
No caso clássico, onde R= CO(M), o conceito algébrico introduzido acima corres-
pende ao conceito geométrico de variedade Lagrangeana em T*(M) [41, 71] .
6
Isto é uma conseqüência do lema de Poincaré para variedades. Também, no caso em queM é uma
variedade canônica arbitrária, tendo em vista que a fonna fundamental é não-degenerada, o conjunto
h-
1
(Can(S)) coincide com o conjunto de todas as 1-fonnas fechadas de M, ao passo que h-
1
(Ham(S))
coincide com o conjunto de todas as 1-fonnas exatas. Com isso, Can(S)/ Ham(S) ~ H
1
(M, JR) .
50
Desta forma, o fato de que alguma variedade Lagrangeana (conexa) está na super-
fície de nível JC = O, pode ser considerado como a "realização geométrica" da situação
onde o ideal principal de S gerado por JC está contido no correspondente ideal Lagran-
geano.
No que segue, vamos usar esta interpretação para determinar o significado algé-
brico da equação diferencial parcial de Harnilton-Jacobi. Para isso, vamos, primeira-
mente, dar um significado geométrico para a equação de Hamilton-Jacobino contexto
clássico:
H (q, q= (qp·· ·,q.), = ,·· , ::J. u = u(q) .
Aqui, q
1
,- · · , qn são as coordenadas locais em U c M, e ( q, p) são as coordenadas
canônicas em n:-
1
(U) c T* (M), onde 1C : T* (M) --+ M é a projeção natural do fibrado
cotangente. Com essa equação. podemos associar uma função H(q,p) em T*(M).
Desta forma, o fato de que uma função f E C"(M) satisfaz as equações acima, significa
que a variedade L= L(!) C T* (M), definida pelas equações
at
P·= i= l , ... ,n
' aq;
em n:-
1
(U), está na superficie de nível H(p,q) =O.
As subvariedades da forma L(!) são unicamente caracterizadas pelas duas propri-
edades seguintes [ 41, 71]:
1. L(f) é Lagrangeana;
2. niL(f) é um difeomorfismo.
Logo, as soluções procuradas estão em correspondência um a um com as variedades
Lagrangeanas L c {JC =c} para as quais niL é um difeomorfismo.
Esta interpretação geométrica do conceito de solução da equação de Hamilton-
Jacobi não é invariante por transformações canônicas do espaço de fase T*(M). A
obstrução para isso é a exigência de que niL seja um difeomorfismo. Se descartar-
mos esta condição, poderemos considerar como solução generalizada da equação de
Hamilton-Jacobi qualquer variedade Lagrangeana que esteja contida inteiramente na
superfície de nível JC = 0
7
Por sua vez, esta formulação geométrica tem a seguinte representação algébrica,
em virtude do significado algébrico da inclusão L c { 9-C = O}: uma solução da ''equa-
ção de Hamilton-Jacobi" JC =O, com JC E S, é um ideal Lagrangeano 1 C S contendo
o ideal principal gerado por JC, i.e. , na notação do Capítulo 1, < JC >C 1.
Vamos chamar o problema de encontrar todos os ideais Lagrangeanos 1 C S con-
tendo um dado ideal principal < JC > de problema de Hamilton-1acobi. Desta forma,
7
Existem uma série de outras razões, físicas e matemáúcas, para que se use esse conceito mais geral
de solução. Para mais detalhes ver [67, 71].
51
no caso clássico onde R = C"' (M), o problema de Hamilton-I acobi consiste em encon-
trar todas as soluções generalizadas da equação de hamilton-Jacobi. Em vista disso,
é natural considerar a equação de Hamilton-Jacobi como a maneira "geométrica" de
expressar o problema de Hamilton-Jacobi.
Finalmente, vamos indicar o significado algébrico de uma solução "ordinária" da
equação de Hamilton-Jacobi. Por simplicidade. vamos nos restringir a um anel R que
é uma Q-álgebra. Vamos então construir a variedade L(f ). Seja x
1
o campo Hamil-
toneano sobre T* (M) correspondendo à hamiltoneana tt*(f), sendo 1t: T*(M) -t Ma
projeção natural do fibrado cotangente. Denotamos por A
1
: T*(M) -7 r • (M) a curva
integral do campo X r Então, nas coordenadas canônicas consideradas acima,
A
1
(p, q) = ( q, p- t ~ ~ ) .
Em particular, A
1
(L(!)) = L(O), e assim L(O) é a seção nula do fibrado vetorialn:
T* (M) -7 M. Uma vez que x
1
tem curvas integrais globalmente definidas [1, 71].
podemos representar o automorfismo A7 : c-(T* (M)) -7 c-(T* (M)) na forma A; =
erxr, onde
t"Xn
etxf = I: - - ~ ,
n ~ O n!
e onde interpretamos X f como uma derivação do anel c-(T* (M) ), ou, em notação "al-
gébrica", A7 = etH(tt• fl. Portanto, o operador A':.
1
= e-H(tt" f ) leva o ideal Lagrangeano
1
0
, correspondendo a L(O) no ideal Lagrangeano Jf' correspondendo a f. Assim. para
descrever J
1
basta descrever 1
0
.
Por outro lado, olhando algebricamente, temos 1
0
= ffi; ~
0
Smbl;(R). Assim, em
geral, define-se 1
1
como a imagem inversa do ideal ffi; ~
0
Smbl, (R) c S pelo auto-
morfismo e-H, (!) , onde f E R e j : K -7 Smbl(R) é a inclusão natural. Mas note que
para s E Smblm (R), desde que HJ(f) ( s) = O para i > m, de modo que o operador e - H, (f)
tem um significado para anéis que são Q-álgebras.
Após essas considerações, notamos que um elemento f E R é uma solução "ordi-
nária" para a equação de Hamilton-Jacobi se o ideal Lagrangeano contiver < J-C >.
3.6 Formalismo Hamiltoneano a Valores em Módulos
Recordemos que, se R= c-(M), então Smbl(R) = Smbl(R, R) pode ser representado
como a álgebra dos campos de tensores simétricos e contravariantes sobreM [52, 67].
Cada um desses tensores, por sua vez, pode ser identificado com uma função sobre
52
T* (M) que é polinomial ao longo das fibras n-
1
(x), onde 1r: T* (M) --4 M é a projeção
natural.
Dado agora um R-módulo P, o Teorema de Swan 1.23 nos garante que existe um
fibrado vetorial Ç :E --4 M, tal que r(M,E) :::::::: P. Desta forma, consideremos N =
C"' (E). Então, o módulo graduado Smbl(N) = Smbl(N,N) consiste das seções C"' do
fi brado tr* (E), que são polinomiais ao longo das fibras, sendo que tr• (E) é o "pull-
back" do fibrado Ç :E --4 M.
Um formalismo Hamiltoneano sobre E é então uma maneira de escrever conceitos
e funtores na categoria dos módulos graduados dos símbolos Smbl (N). Entretanto, o
objeto básico, que é o colchete de Poisson, não é possível de ser escrito sem conside-
rarmos uma estrutura adicional: uma conexão no R-módulo P.
Definição 3.10. Uma conexão no R-módulo N é um homomorfismo de módulos fil-
trados
V: Dif(R,R) -+ Dif(N,N)
a t-t va
tal que V
1
= IN E HomR(N,N) e c5a (V a) = V c5a (J ) para todos os a E R e a E Dif(R,R).
Desta forma, para todos os a E Difk(R,R) e l:l E Difm(N, N), o colchete
é um operador diferencial de ordem ~ k + m- 1, sobre N, cujo símbolo depende
somente dos símbolos dos operadores a e l:l.
Este raciocínio nos permite definir o colchete de Poisson:
{Smbl(l:l),Smbl(a)} = Smbl ([l:l,a]v).
É fácil ver que {Smbl(l:l), Smbl(o)} E Smblk+m-IN. É claro que, no caso clássico,
essas considerações nos levam ao "formalismo Harniltoneano com valores no fibrado
E" [67], onde N = C"' (E).
Isso nos permite definir um formalismo Harniltoneano algébrico a valores em um
anel N. Para isso, consideremos os anéis R e N, onde N é um R-módulo, e a conexão
dada pela Definição 3.10. O colchete de Poisson, e conseqüentemente os campos
Hamiltoneanos, ficam bem definidos. Entretanto, dado um R-módulo arbitrário P, que
anel N devemos associar a ele, de modo a obter um formalismo Hamiltoneano a valores
em P? Obviamente esta situação não está clara.
No caso em que R= C"'(M), já sabemos como fazer isso, tendo em vista a equi-
valência categoria! dada pelo Teorema de Swan 1.23. Uma resposta parcial a esta
questão pode ser encontrada em [68]. Entretanto, a idéia de conexão gera uma cisão
em uma seqüência exata de fi brados vetoriais, envolvendo o fi brado tangente e o fibra-
do E, dando à luz os campos verticais e aos horizontais [62]. Dessa cisão obtemos a
Sf-seqüência espectral de Vinogradov [63, 70], envolvendo os invariantes integrais de
53
Cartan [23, 64]. Tal seqüência espectral carrega dentro de seus termos as Hamiltonea-
nas, como se pode ver em [68, 70]. Ela também está naturalmente relacionada com a
cohomologia do complexo variacional [63] e com a resolução do complexo de Euler-
Lagrange [38]. Esta abordagem, naturalmente, mistura-se com a teoria de operadores
diferenciais não-lineares, e mostra um pouco da natureza do problema.
Dadas as proporções do problema, em [64], o autor chega a sugerir a gênese de
um novo campo de estudos na Matemática, a Geometria Diferencial Algébrica, cujo
objetivo seria estudar as propriedades geométricas do complexo variacional. De fato,
em [38, 51, 70] é mostrado que toda a Geometria Diferencial advém das estruturas
envolvidas na parte vertical do complexo de Eu1er-Lagrange
8
. O estudo da parte ho-
rizontal pode vir a proporcionar novos resultados e a abertura de profícuos campos
de estudo na matemática, resgatando e dando entendimento a importantes resultados
das geometrias clássica e moderna. Tal estudo esbarra, entre outras coisas, no enten-
dimento de uma versão algébrica para o Teorema do Índice, como sugerido em [67].
Voltaremos a essa questão no Capítulo 5.
3.7 O Formalismo Hamiltoneano em Anéis Hamiltone-
anos
De nossas discussões anteriores, do ponto de vista formal, precisamos somente da
existência de um colchete de Poisson para construir um "formalismo Hamiltoneano".
Por outro lado, o método usado para se definir os colchetes de Poisson se baseia no
fato de que, no anel filtrado Dif(R) ::) · · · ::) Difk(R) :J · · · :J R, o comutador [ô
1

2
],
de elementos das filtrações ~ v
1
, ~ v
2
, respectivamente, é um elemento da filtração
~ v
1
+ v
2
- 1. Desta forma, podemos construir um "formalismo Hamiltoneano" pa-
ra qualquer anel comutativo, com identidade, e filtrado, F :J · · · ::) Fk :J · · · :J F
0
em
que a relação de comutação esteja ligada à fltração, da maneira que indicamos acima.
Chamamos tais anéis de Hamiltoneanos. Assim, o anel graduado
00 F.
Smbl(F) = EfJ F n ,
n=1 n-l
associado a F, tendo em vista as suposições feitas anteriormente, é comutativo e com
identidade.
Dados elementos a
1
E Fn
1
C F e a
2
E F ~ C F, definimos os símbolos Smbl ( <1
1
) E
Fn
1
I Fn,-l e Smbl( <1
1
) E Fn) Fn
2
_
1
por meio das projeções naturais Fn
1
-t Fn
1
I Fn
1
_
1
e
F ~ - - + Fn) Fn
2
_
1
• Desta maneira, podemos definir o colchete de Poisson dos elementos
s = Smbl( <1
1
) e t = Smbl( a
2
) como
{ s, t} = Smblnl +n2-l ([ <1p <12]) .
------------------------
8 A cisão dada pela conexão de que falamos antes, cinde o complexo variacional em partes horizontal
e vertical que, por sua vez, dão origem às panes vertical e horizontal do complexo de Euler-Lagrange.
54
Daqui para frente, a construção de um "formalismo Hamiltoneano" para o anel F
prossegue, passo a passo, como fizemos nas seções anteriores.
Isso mostra que podemos construir um "formalismo Hamiltoneano" para qualquer
anel Hamiltoneano F. Tais anéis podem aparecer como extensões de filtrações de-
terminadas por fibrados vetoriais sobre uma variedade. Com efeito, a referência [67]
aponta uma maneira de se obter importantes invariantes "topológico-geométricos" pa-
ra o anel F por meio do "formalismo Hamiltoneano".
3.8 Em Direção a uma Teoria de Schemas Afins Hamil-
toneanos
Uma sugestão dada por Manin [44] para a superação dos problemas apresentados no
final da seção 3.6, vem da Geometria Não-Comutativa. Comentando a respeito da
fórmula
da= i[ F, a],
apresentada no artigo publicado por Connes em 1982, Manin sugere que os diferenciais
devam pertencer a um feixe estrutural de um "superschema" [44, 45] mais geral que
aquele adivindo de um fibrado algébrico de linhas [13, 14].
Isso mostra que o problema pode ser abordado por meio de técnicas da Geometria
Algébrica, que generalizam a noção de schema para "superschema", em consonância
com as idéias da Geometria Não-Comutativa. Em [44, 45] temos urna idéia de como
isso pode ser feito.
Podemos, ainda que de uma maneira bem primitiva, adaptar algumas dessas idéias
a nosso estudo. Procuraremos não nos aprofundar muito nessa questão, pois tal envol-
veria um estudo de operadores diferenciais sobre schemas [20] e superschemas [44], e
cohomologia cíclica [13], fugindo ao escopo desta tese.
A definição que demos para automorfismo canônico, pode ser generalizada no se-
guinte sentido: Um homomorfismo de anéis canônicos q> : S
1
~ S
2
é dito ser um
homomorfismo canônico se ele preserva os colchetes de Poisson, i.e., se
para todos os si' s
2
E S
1
, onde { ·, ·h é o colchete de Poisson de S
1
e {-, ·h o de
S
2
. Assim, se s
1
E Ker( q> ), então q> ( { s
1
, s
2
}
1
) = { cp(s
1
) , cp(s
2
) h =O, i.e., { s
1
, s
2
} E
Ker( q>). Portanto, Hs
1
(Ker( q>) ) C Ker( q> ) para todo s
1
E S.
Os ideais que são invariantes pela ação de todas as hamiltoneanas, são chamados
estáveis. Isto significa que um ideal de um anel canônicoS é estável se ele é também
um ideal com respeito à estrutura de álgebra de Lie de S, determinada pelo colchete de
Poisson. Com isso, temos diretamente o resultado seguinte.
Proposição 3.11. Seja p um ideal estável de um anel canônico S. Então, a igualdade
{ cp(s
1
) , cp(s
2
)} = q> ( { s
1
, s
2
} ), onde q> : S-+ S /P é a projeção no quociente, determi-
55
na uma estrurura canônica bem definida em Sj p. Além disso, cp é um isomorfismo
canônico.
Em vista desta proposição, é natural considerar o anel quociente como a localiza-
ção [26] do anel canônico S.
O quadro geométrico correspondendo ao ideal estável p c Sé que a "sub variedade"
Spec(S/ p) da ''variedade" Spec(S) é tangente a todo campo de vetores Hamiltoneano.
Com isso, é natural definir a órbita Hantiltoneana [41] de um subconjunto A c Spec(S)
como sendo o menor subconjuntoA
8
C Spec(S), comA c A
8
, que toca todos os cam-
pos de vetores Hamiltoneanos. Intuitivamente, podemos imaginar A
8
como sendo o
conjunto obtido de A por meio de todas as transformações Hamiltoneanas, i.e., des-
locamento ao longo das linhas integrais dos campos Hamiltoneanos. É claro que não
podemos dar um significado preciso para esse conceito intuitivo, em geral. Entretanto,
uma versão algébrica do conjunto A
8
existe, e é dada pela definição a seguir:
Definição 3.12. A órbita algébrica de um ponto p E Spec(S) é a "subvariedade"
Spec (S {{')(p) ), onde {')(p) é o maior ideal estável de S contido em p.
Note que a projeção S-t Sj (') (p) dá a luz o homomorfismo Spec (Sj {') (p)) -t
Spec(S). Além disso, intuitivamente, podemos interpretar S/ ô(p) como sendo o "anel
de funções sobre p H". O teorema seguinte esclarece um pouco mais a respeito da
estrutura algébrica de (') ( p).
Teorema 3.13. Para todo ideal p E Spec(S), o ideal O(p) existe, é único, e é primo.
Denwnstração. Se O(p) = p, não há o que provar. Denotemos, então, q = O(p). Va-
mos, primeiramente, mostrar que q = ( q ) , onde :R(q) é o radical [39] de q. Uma
vez que o radical é um ideal estável contendo q, o fato de p ser primo implica que
q c :R(q) c p. Da maximalidade de q, segue que ( q ) = q.
Consideremos agora um elemento s E S J q, e denotemos por
qs = { s' E s' I sn s' E q para algum n}.
Não é difícil ver que qs é um ideal com q c qs. A identidade
H
0
(s') .s:+l = H
0
(s·tt+
1
) -H
0
(tt+
1
) ·s' = H
0
(s·sn+l ) - (n+ l )S:s'H
0
(s)
mostra que H
0
(s')sn+
1
C q se s' E qs e C5 E S. Isto mostra que qs é estável. Por outro
lado, uma vez que pé primo, tem-se qs C p se s ~ p.
Sejam então s, s' E S, tais que ss
1
E q. Assumimos que um dos dois, sou s', não
pertence a q. Digamos que s (j. q, e consideremos o ideal qs. Se existe um elemento
s" E qs com s'' (j. p, então q c qs', c p e, desta forma, qs', = q. Uma vez que sns" E q,
segue que sn E qs''' e daí sn E q. Como q é igual ao seu próprio radical, vale que sE q,
contradizendo o fato de que s rt q. Assim, devemos ter q C qs C p, e portanto q = qs.
Desta forma, como s' E qs, segue que s' E q. Isso mostra que q é primo. I
Como conseqüências diretas desse teorema, temos os seguintes resultados:
56
Corolário 3.14. Uma estrutura Hamiltoneana sobre S define uma aplicação
('): Spec(S)-+ Spec(S), onde cada ideal p C Sé associado ao ideal <J(p). Tal apli-
cação é a projeção do espaço Spec(S) sobre o subespaço SpecH(S), consistindo de
rodos os ideais primos estáveis de S.
Corolário 3.15. O conjunto das órbitas algébricas em Spec(S) está em correspondên-
cia um a um com o conjunto de ideais primos estáveis de S, i.e. , SpecH(S) é o "espaço
das órbitas".
Mesmo quando se pode dar um significado geométrico à idéia da órbita Hamilto-
neana pH, como discutimos anteriormente, pode acontecer que PH =fi Spec (SI <J(p))
9
.
Essa situação tem a ver com o fato de Spec (SI <9 ( p)) ser meramente o "fecho algébri-
co" de pH, e portanto ser consideravelmente maior que PH· Neste caso, o espaço de
órbitas Spec(S/ el(p)) contém objetos geométricos qH com q E Spec(S). A definição
seguinte corresponde, intuitivamente, à operação de excisão das órbitas geométricas
qH, que não possuem dimensão maximal, do espaço Spec (S ICJ(p) ).
Definição 3.16. Seja p E Spec(S) um ideal primo de S. A parte principal da órbita
algébrica de p é definida corno
P(p) = <9-
1
(ô(p)).
Como conseqüência direta dessa definição, temos os resultados:
Proposição 3.17. SejaS um anel canônico. Valem:
1. A partição de Spec(S) em partes principais das órbitas algébricas é uma parti-
ção em classes disjuntas.
2. A órbita algébrica de Spec(S/ q) coincide com sua parte principal se, e somente
se, q é um ideal estável maximal.
Definimos o centro de Poisson Z(S) de um anel canônico S corno o conjunto dos
sE S para os quais se tem Hs =O. Dessa definição, segue que Z(S) é um subanel de
S. O resultado seguinte caracteriza o centro de Poisson quando q é um ideal estável
maximal.
Proposição 3.18. Se q é um ideal estável maximal, então o centro de Poisson de SI q
é um corpo.
Demonstração. Primeiramente, notemos que o centro de Poisson de S/ q é o "anel de
funções" sobre a órbita correspondendo a q. Assim, o anel S/q é munido de uma estru-
tura Hamiltoneana, e é caracterizado pelo fato de não possuir ideais estáveis próprios.
É claro que Z(S/ q) =fi </J. Seja então z E S/ q. Então, o ideal principal < z > é estável
9
De fato, temos semprepH C Spec(S/O(p)).
57
e, conseqüentemente, ele coincide com o anel todo Sj q. Isto mostra que z é invenível
em Sj q. É evidente que sua inversa z-
1
também penence a Z(S/ q). I
Isto mostra que, associado a uma órbita algébrica de um determinado tipo, está o
corpo Z(S/ q), que é uma extensão do anel de base R. É natural chamar os elementos
deste corpo de caracteres infinitesimais da órbita algébrica Spec (S/ ô(q)) [16].
Os conceitos que introduzimos aqui podem ser considerados como um análogo
algébrico-geométrico do conceito de variedade canônica, e apontam para uma teoria
de "schemas afins Hamiltoneanos", como já foi discutido no início.
58
Capítulo 4
Formas de Berezin e
Lagrangeanas Algébricas
Por meio da Geometria Não-comutativa, vislumbra-se a possibilidade de reformular
as noções clássicas de geometria diferencial em termos puramente algébricos. Nesse
contexto, o cálculo diferencial torna-se uma extenão da linguagem da álgebra comu-
tativa [2]. Por outro lado, existem vários casos bastante importantes, onde é possível
ir além disso [44]. Eles deram ímpeto a novas pesquisas, cujo objetivo é transplantar
as ferramentas da análise e geometria em termos não-comutativos. Um exemplo vem
do estudo de uma teoria não-comutativa de integração, leis de conservação e forma-
lismo Lagrangeano [40, 47]. Entretanto, surge o problema da descrição do processo
de integração. A primeira questão é a seguinte: dada uma álgebra comutativa, como
definir o módulo das formas de volume? Uma resposta a essa questão, em particular.
dá a possibilidade de definir as formas de volume (formas de Berezin) sobre uma su-
pervariedade da maneira usual, i.e., usando convenientemente a regra de sinais [53].
Tendo em vista as peculiaridades bem conhecidas da integração de Berezin, o caráter
do problema toma-se evidente, pois resulta na perda de um claro cenário algébrico
para o processo de integração e de construções relacionadas a este processo.
Se entendermos por Lagrangeana multivetorial a natural generalização algébrica
da Lagrangena usual, as dificuldades de entendimento tornam-se apenas dificuldades
de linguagem e de entendimento das propriedades do módulo das formas de Berezin.
De fato, a inesperada relação entre lagrangeanas e formas de Berezin nos dão uma
idéia mais clara para estudar problemas variacionais em supervariedades.
Assim, nosso objetivo neste capítulo será buscar um adequado cenário algébrico
para a construção do formalismo Lagrangeano. Trabalharemos sobre um anel comu-
tativo arbitrário a fim de mostrar que as noções de formas de Berezin, adjuntas de
operadores, operador de Euler, fórmula de Green, etc., podem ser estendidas a este
anel de uma maneira bastante natural.
59
4.1 A Adjunta de um Operador
Como antes, K será um anel comutativo com identidade, R urna K -álgebra comutativa
com identidade e n.K(R) o módulo dos diferenciais de Kah.ler.
Dados R-módulos P e Q, definimos uma estrutura de R-módulo à direita em
Difk(P, Q) através da operação de multiplicação
(6 oa)(p) = 6 (ap),
para todo a E R, p E P e 6 E Difk(P, Q).
Denotamos por Dift (P, Q) o módulo Difk(P, Q) munido desta estrutura de R-mó-
dulo à direita.
Note que qualquer operador diferencial de ordem ~ k, agindo de P a Q, é também
um operador diferencial de ordem ~ L para todo L ;;:: k. Conseqüentemente, obtemos
inclusões Difl ( P, Q) C Dlft ( P, Q), que nos permitem definir a filtração
Dif(j (P, Q) C Difi (P, Q) C · · · C Dü;r (P, Q) c · · ·
Por simplicidade, denotaremos por Dif+(P,Q) ao módulo filtrado Un ~
0
Dir,; (P,Q).
Também denotaremos A
11
(n.K(P) ) simplesmente por A".
Sendo d : A n -+ A"+
1
o diferencial do complexo de De Rham, definimos a seguinte
seqüência
onde w(V) =do V E Dif(P, A"+
1
) para todo operador V E Dif(P,A"). Uma vez que
wo w('V) =do d o V = 0 para todo V E Dif(P, An), n ;;:: O, a seqüência acima é, de fato,
um complexo.
Denotemos por P
11
, n ;;:: O, o seguinte módulo de cohomologia deste complexo:
P, _ {V E Dit+(P, An) : w(V) =O}
n - w(Dif+ (P, J\n- 1))
Se 6 : P -+ Q é um operador diferencial, denotamos por ll a aplicação definida
como ~ ( V ) = Vo6 E Dir+(P, A"), para todo o operador V E Dirt" (Q, A"). Uma vez
que w( ( V ) ) = d o V o 6 = ( w(V)), induz uma aplicação cocadeia entre complexos
· · · --Dirt"(Q, A") ~ Dirt" (Q, A"+
1
) --· · ·
1Ã !Ã
· · · - Dif+(P, An) DW(P, An+l) - · · ·
Esta aplicação cocadeia passa ao nível de cohomologia, determinando uma aplicação
6 ~ : Qn -+ Pn. para todo n ;;:: O.
60
Definição 4.1. O operador induzido por Li, é chamado n-ésima adjunta do operador
Ll [70].
Para finalizar esta seção, quando não causar confusão, denotaremos Dif+ simples-
mente por Dif, e fixaremos o inteiro n, omitindo o índice correspondente, a fim de
simplificar a notação.
Proposição 4.2. Sejam P, Q e T, R-módulos.
1. Se Ll E Difk(P, Q), então Ll* E Difk(Q,P).
2. Se Ll
1
E Dif{P, Q) e A
2
E Dif(Q, T), então (õ
2
o Ll
1
)* = Llr o Lli.
Demonstração. Denotemos por (V] a classe de cohomologia de um operador V E
Di f( P, A n), onde w(V) = O. Dado a E R, denotemos por a o A e Ll o a os operadores
definidos por aoll(p) = aLl(p) e !l oa(p) = A(ap) respectivamente.
Para demostrarmos a primeira afirmação, seja a E R. Então
aLl*([V]) -A*(a[V]) = [VoaoA] - [Voõ oaJ
(aoõ)*([V])- (õ oa)*([V]) = -(óa(A))*([V']) .
Conseqüentemente, óaa •... ,a
11
(il*) = (-1)n+
1
(óa
0
, .•. ,a
11
(A))* para quaisquer elementos
a
0
, . .. , an E R.
A segunda afirmação segue diretamente da identidade
Isto conclui a demonstração. I
Vejamos alguns exemplos de adjuntas de operadores.
Exemplo 4.3. Seja a E R e a= ap: P -t P o operador de multiplicação: a: p r--t ap.
Então a?([V]) =[V oap] = [V]a. Assim, a? é a multiplicação à direita por a em P.
Exemplo 4.4. Dado p E P, definimos o operador p : R -t P _por p(a) = ap, a E R.
Pela primeira parte da Proposição 4.2, segue que p* E HomR(P,R). Assim, existe um
emparelhamento natural<· ,· >: P®RP -t R, definido por < p,p>= p*(íi), pE P.
4.2 Formas de Berezin e Integração Algébrica
6
Dado um complexo de operadores diferenciais · · ···,coloca-
mos
j)(n) = {V E Dif(Pk, An): w(V) =O}
k w(Dif(Pk,An-1 )) .
61
t,•
Pela Proposição 4.2, para cada n ~ O a seqüência · · ·-í'in).-..!,_Pk'i
1
- · · · é
também um complexo de operadores diferenciais, uma vez que óZ o óZ+
1
= (ók+l o
ók)• =O. Por simplicidade, como antes, omitimos o índice n, e chamamos o complexo
.-. âk -
· · · ~ P - P --···
k k+l
de complexo adjunto do complexo original.
Definição 4.5. O complexo adjunto ao complexo de De Rham do anel R, é chamado
complexo de formas integrais, e é denotado por
onde Ek = Âk e 8 = d*. O módulo .E
0
=R é chamado Bereziniano (ou módulo das
formas de volume), e é denotado por !8 [45, 53].
Quando P é um módulo projetivo e finitamente gerado, podemos caracterizar P em
termos do Bereziniano. Isto é feito por meio das proposições a seguir:
Proposição 4.6. Dif+ (P, Q) é canonicamente isomorfo a HomR(P, Di r+ (R, Q) ).
Demonstração. Dado ó E Dif+(P, Q), definimos a aplicação f: P ~ Dif+(R, Q) por
f(p)(a) = ó (ap), para todos os a E R e p E P. Uma vez que (óoa)(p) = ó (ap)
1
,
segue que f(p)(a) = (f(p) oa)(l), mostrando que f é R-linear.
Reciprocamente, dada f E HomR(P, Dif+(R, Q)), temos TI o f E Dif+(P, Q), onde
TI : Dif+ (R, Q) ~ Q é definida por TI(ó) = .1(1). I
Proposição 4.7. Quando Pé um módulo projetivo e finitamente gerado, tem-se o iso-
morfismo P HomR(P, ) .
Demonstração. Pela proposição anterior, e do fato de P ser projetivo e finitamente
1
Recordemos que 6. o a é a multiplicação à direita de 6 por a.
62
gerado, temos a sequinte seqüência de igualdades e isomorfismos
fo(n) = {V E Dif+(P, An) : w(V) =O}
w(Dif+(P,A"-
1
))
""'
{VEDif+(P, An) :doV=O}
{do V : V E Dif+ (P, A n-1)}
P*®R {V E Dif+(R, An) : do V =0}
P* ®R {do V: V E Dif+(R, An-1)}
"" P* {V E Dif+(R,An): d o V= O}
®R {do V: V E Dif+ (R, An-1 )}
'""" p* ®R r;B(n)
HomR(P, r;B(n))
Isto conclui a demonstração. I
Por meio dessa proposição, podemos caracterizar completamente o complexo de
formas integrais somente em termos do Bereziniano quando P =R:
Corolário 4.8. Se P =R, tem-se Ek = Â..k = HomR(Ak, r:B) ~ Dk(r:B).
Notemos que o R-epimorfismo TI: Dif(R,An) ~ An, definido por fl(Ll) = 6.(1),
induz uma aplicação cocadeia
pois d o fi = n o W. Desta maneira, a aplicação n passa ao nível de co homolo-
gia gerando a aplicação f: fJ3 ~ H* (A• ), do Bereziniano a valores nos módulos da
cohomologia de De Rham, definida por
onde [V] E r;B(n) = R(n). Esta é uma versão algébrica para a integração, como sugerida
em [53], que se relaciona diretamente com a integral de Berezin [45, 53].
Proposição 4.9. A aplicação f: fJ3 ~ H* (A•) satisfaz as seguintes propriedades:
1. Se ro E 1:
1
então f 8m =O
63
2. ("Integração por Partes") Para qualquer operador diferencial 6 : P -t Q e ele-
mentos p E P e q E Q, a identidade
f < ó(p),(f>= f < p,t/ (q) > .
é válida.
Demonsrração. Para a primeira afirmação, suponha que m E r.
1
• Então 8 co = [V o d]
e, conseqüentemente, f 8m = [Vod( l )) = O. Quanto à segunda afirmação, suponha
que q = [V) para algum operador V : Q --+ A n. Então
f< Ll(p) ,q>= f[''V oll.(p) ] = f [Votl op] = f < p, [Voô] >= f < p,b.*({j) >
1
completando a demonstração. I
4.3 Seqüências Espectrais e a Dualidade de Poincaré
Nesta seção descreveremos uma seqüência espectral, que estabelece a relação entre
a cohomologia de De Rham e a homologia do complexo das formas integrais. Para
maiores detalhes a respeito de seqüências espectrais, vide o Apêndice B ou [43].
Podemos definir o operador d': DiF(i\k, P) -t Dif+(Ak-l ,P) por d'(D. ) = D.od.
Desta maneira, temos o diagrama
o o o
l l l
o-Dif+(R,R) w DiF(R, J\
1
)

- · ··
l d' l d' l d'
O-Dif+(A
1
DiF(J\
1
, i\
1
) Dif+(A
1
, A
2
)-· · ·
ld' ld' l d'
O-- Dif+(A
2
,R) Díf+(A
2
,A
1
) Dif+(A2, A2) --· · ·
1d' 'd' 'd'
Uma vez que Dir+(A- p-l ,Q) = Dif(i\-(p+l), Q), definindo Kp,q = Dit-+-(1\- P,f\q),
temos d': Kp,q -t KP+I ,q e w: KP·q--+ Kp,q+t. Além disso, como wow =O, d' od' =O
e wod' = d' ow, temos um complexo duplo munido de dois operadores diferenciais, de
maneira que a construção desenvolvida no Apêndice B se aplica neste caso, e produz
duas seqüências espectrais, ambas convergindo para o mesmo módulo graduado. O
resultado abaixo completa essa discussão.
64
Teorema 4.10 (Dualidade de Poincaré Algébrica). Existe uma seqüência espectral
{
E NI dP,q} com
r ' r
Ep,q =H (E(q))
2 -p • .
sendo esta a homologia do complexo deformas integrais, e convergindo para a coho-
mologia de De Rham H(A*).
Demonstração. O diferencial J = d' + ( -1 )Pw aplica K" em Kn+
1
, onde
fazendo de K = EBn um complexo diferencial. Pelo que temos do Apêndice B,
segue que
Mas H;,(K) = Aq se p =O e O se p =f:. O. Assim, llEf'q = = Hq(A*) se
p =O e llEf•q = O se p =f:. O. Desta forma, a segunda seqüência espectral converge para
a cohomologia de De Rham. Da primeira seqüência espectral, temos
Mas = Como o operador d' é um operador de homologia sobre esse com-
plexo tem-se
1
EP•q= HP(Hq(K))=HP(r,(q)) =H (E(q)) Noteque porconstrução
' 2 d' w d' • - p • . • ,
devemos ter
TJEp,q = Ep,q
2 2 .
Uma vez que as duas seqüências espectrais convergem para o mesmo limite, concluí-
mos a demonstração. I
No caso das variedades diferenciáveis, e mesmo das supervariedades, é possível
obter um resultado mais amplo, caracterizando completamente a homologia das formas
integrais em termos da cohomologia de De Rham. Faremos isso na subseção seguinte,
como uma aplicação desta versão algébrica da dualidade de Poincaré.
4.3.1 Complexos de Kozul e as Teorias Supersimétricas
Uma das questões mais freqüentes em álgebra homológica é estabelecer que um de-
terminado complexo é acíclico, i.e., exato em todos os graus. Uma das maneiras mais
simples de provar isso, é verificando que ele é um complexo de Kozul. Os comple-
xos de Kozul envolvem as álgebras simétricas e a álgebra exterior, sendo por isso de
particular importância no contexto de nosso estudo dos operadores diferenciais.
Seja V um espaço vetorial, e considere a seqüência
65
com
q
d(z®v
1
1\ ··· I\ vq) = [ ( -l)i+lviz® (v
1
1\ ··· I\ vi_
1
1\ v
1
+
1
1\ ··· I\ vq) ,
i== I
onde z E sn-q(V), VI ) .•. ) Vq E v e V;Z denota o produto simétrico de vi por z. Como
d
2
= d o d = O, esta seqüência é um complexo. Este complexo é chamado complexo
de Kozul. Para mostrar que ele é acíclico, definimos o operador
p
s(z
1
• • · Zp®v) = [ z
1
• • ·zi_
1
z
1
+
1
· · ·zp® (zil\v) ,
i=l
onde z
1
, ... , Zp E V e v E An-P(V). Um cálculo, usando a definição de de s, leva a
(dos+sod)(x) = (p+q)x
para todo x E SP (V)® A q (V). Isto nos mostra que este complexo é homotópico a zero
2
,
i.e., é acíclico. Olhando com um pouco mais de cuidado, notamos que s
2
= sos =O,
fazendo com que
seja um complexo. Este complexo é chamado complexo de De Rham polinomial e, tal
qual o complexo de Kozul, é acíclico.
Com essas considerações prévias, podemos agora caracterizar o Bereziniano quan-
do R é o anel de funções de uma variedade diferenciável de dimensão finita.
Teorema 4.11. Suponha que R= CO(M), onde M é uma variedade diferenciável de
dimensão n. Então
1. R(k) =O para k =/= n.
2. ~ ~ An, i.e., o Bereziniano coincide com o módulo dasfonnas de volume de M.
Demonstração. Devemos calcular a cohomologia do complexo
Para isso, consideramos o complexo aumentado
onde TI (V) = V( l) .
2
A construção de operadores de homotopia é um processo padrão para a demonstração da aciclici-
dade de complexos. Para mais detalhes, veja [11, 58]
66
Da definição da filtração crescente de Dif+ (R,AP), se mostrannos que esse corn-
prexo é acíclico para todo o inteiro k ~ O, poderemos tomar o limite algébrico sobre
k. obtendo o resultado procurado.
Uma vez que, localmente, vale a dualidade de Poincaré para formas, temos um
isomorfismo natural E>: Dk(A
11
) ~ An-k_ Tal isomorfismo é definido tomando-se uma
forma de volume local ro E A
11
• Então, se Z = X
1
/\ • · · 1\Xk ® w E Dk (A
11
), temos
E>(Z) (Yl , · · ·, Yn-k) = ro(XI , · · · ,Xk, YJ ' · · · ' Yn-k) ,
onde X
1
, •.. , Xk, Y
1
, ... , Xn-k são campos de vetores definidos localmente. Obviamente
essa definição não depende da particular escolha de ro.
Se Pé um R-módulo projetivo e finitamente gerado, tem-se, a seqüência de iso-
morfismos
Ds(Difk_/ R,P))
I'V
HomR(As, Difk-s(R,P))
"'
HomR(As ,HomRCJ"k-s(R), P))
I'V
(As)• ®R HomR(/k-s(R), P))
,.._,
fk-s(R)* ®R (As)* ®R P
I'V
.,fk-s(R)* ® HomR(A
5
,P)
,.._,
HomR(fk-s(R), Ds(P))
-
Difk-s(R,Ds(P)).
Uma vez que Dk(A
11
) ~ An-s, que A" é projetivo e finitamente gerado, e que DiÇ_k é
um funtor exato, temos mais uma seqüência de isomorfismos
Difk-s(R,Ds(A
11
))
Difk-s(R,An-s)
"' Dift_s (R' A n-s).
Tomando então dois complexos aumentados, definidos como no inicio da demons-
tração, um de ordem k e outro de ordem k - 1, e considerando as inclusões naturais
Difk-J (P, Q) Y Difk( P, Q), temos o diagrama
Assim, como estamos em uma situação diferenciável , passando ao quociente, temos o
complexo
67
Se provarmos que esse complexo é acíclico, os outros dois também serão [11, 58]. Para
isso, notamos que, das identidades fundamentais para os símbolos e da representação
do funtor D;. temos
Mas, da definição do operador w, não é difícil ver que o operador
é expresso por
i
<1( (L) ®'!'® q>l 1\ · ·· I\ q>;) = L ( - 1 y+I (L)® 'I'q>r ® q>l 1\ ·" 1\ fPr- 11\ ({Jr+l 1\ · .. 1\ ({Ji,
r=l
onde ro E An, '!'E Sk (.Q*) , ({Jr E .Q*, sendo que 'I'q>r denota o produto simétrico de'!'
e cp, em sk+J (.Q*) .
Com isso, vemos que o operador <1 coincide com o diferencial de Kozul, mostrando
que o complexo em questão é de Kozul. Isto implica que o complexo aumentado é
acíclico. Tomando o limite algébrico sobre k, nesse complexo, obtemos a aciclicidade
de:
Da exatidão dessa seqüência segue, em particular, que
Isso completa a demonstração.
se k f:. n
se k = n.
I
Na situação diferenciável, existe um isomorfismo natural Ai:::: Dn_;(An) =L.;. que
leva a E Aí no homomorfismo a: An-í --+ An dado por a(7J ) = 1J A a, para todo
1J E An- i_
Na demonstração do teorema, aqueles mais familiarizados com a teoria de Spencer,
-
puderam notar que o complexo, cuja cohomologia define os módulos A k, é equivalente
ao complexo de Spencer para o funtor Dif. Para mais detalhes a esse respeito, vide [35,
60].
O Teorema 4.11, juntamente com o Teorema 4.1 O, produzem diretamente a duali-
dade de Poincaré.
Corolário 4.12. Se R_(k) =O para todos os k f:. n e R(n) = An, então
68
É óbvio que não fizemos todo esse esforço meramente para provar a dualidade de
Poincaré. Na verdade, o Teorema 4.11 provê um resultado análogo para as supervari-
edades, onde obtemos uma ferramenta para calcular a homologia das formas integrais
em termos da cbhomologia de De Rham. Isso dá uma caracterização simples para as
formas de Berezin.
As supervariedades têm se demonstrado cenário adequado para o estudo de teorias
quânticas supersimétricas. Uma necessidade que surge nesse contexto, está relaciona-
da com a superação de problemas topológicos envolvendo a homologia das formas de
Berezin. Para mais detalhes a respeito dessas questões, vide [31 , 32, 34, 45].
A teoria de operadores diferenciais que desenvolvemos, é baseada em considera-
ções puramente algébricas. Portanto, os resultados que obtivemos continuam válidos
para o caso de superoperadores diferenciais (e também para as superequações induzi-
das por esses operadores), desde que se insira um sinal negativo onde for apropriado.
Um estudo das supervariedades e questões topológicas envolvendo formas de Berezin,
pode ser encontrado em [45] e as definições de superoperadores diferenciais, supeija-
tos, etc., podem ser encontradas em [28, 29]. Discutiremos aqui somente a extensão do
Teorema 4.1 O e do Teorema 4.11, alguns pontos menos óbvios e a fórmula da mudança
de coordenadas.
Sejam M uma supervariedade, dimM = nlm, e 1t : M um superfibrado sobre
M com dimensão slt. A validade do Teorema 4.10 segue diretamente da definição dos
"superanálogos" do complexo de De Rham e do complexo das formas integrais.
Localmente, as seções do fibrado Ber (M) são escritas na forma f (x)D(x) [45],
onde f E c-(U) e D é uma seção local básica, que é multiplicada pelo determinante
de Berezin da matriz Jacobiana, quando ocorre mudança de coordenadas. O deter-
minante de Berezin de uma matrix em blocos ( ) é definido como det(A -
sv-
1
c )(detD)-
1

A seguir temos o "superanálogo" do Teorema 4.11.
Teorema 4.13. Suponha que R= COO(M). Então
1. íi(k) = O para k =/= n.
2. _R(n) é o módulo das seções do fibrado Ber (M).
Demonstração. Como as afirmações são locais, podemos considerar um domínio U
com coordenadas x = (yil Çj), i= 1, ... ,n, j = 1, . .. ,m. Nesse caso, há uma cisão
do complexo Dif+(R,A*) em um produto tensorial de complexos Dif+(R, A*)par ®R
Dif+(R, A• )cmpar• onde Dif+(R, A•)par é o complexo

1

• • ·,
nas variáveis y
1
, . .. ,yn e Dif+(R,A*)rmpar é o mesmo complexo para as variáveis
Ç
1
, • •• , Çm da álgebra de Grassmann.
69
Pelo Teorema4.11 temosHk(Dif+(A*)par) = O parak=/= n e Hn(Dir+ (A*)par) =A[;,
onde A'/; é o módulo das n-formas definidas nas variáveis y
1
, •• • ,Yn· Para calcu-
lar a cohomologia de Dit+(A*)ímpar• consideramos, como na demonstração do Teo-
rema 4.11, o complexo quociente
O --7 Smblk(R,R)ímpar --7 Smblk+
1
(R, J\
1
)ímpar ---7 · · ·
onde Smblk(R,P)rmpar = Dift(R,P)fmpar/ Dift+
1
(R,P)impar. O mesmo cálculo feito lá
mostra que esses são complexos de Kozul, e portanto obtemos Hk(Dif+(A•)ímpar) =O
para k >O, sendo que H
0
(Dir+(A*)írnpar) é um módulo de posto 1. Ponanto, íj{.k) =
Hk(Dit+(A*)) = O para k =!= n.
3
De [45] temos que os únicos operadores que representam cociclos não-triviais tem
am
a forma f (y, Ç )dy
1
1\ · · · dyn éJÇ
1
... Çm. Assim, para completar a prova, devemos mos-
trar que R(n) é precisamente o módulo das seções r (M, Ber (M)), i.e., que fazendo uma
mudança de coordenadas obtemos
fdyl f\ .. · dYnaÇ am Ç =JBerl(:)dv
1
1\ ···dvné) am +T,
1 • • • m Z 1J 1 .. • 1'/m
onde z = (vi, 1J) é um novo sistema de coordenadas sobre V, Ber denota o determi-
nante de Berezin, J ( é a matriz jacobiana e T é cohomologo a zero (veja [53]).
Mas isto é conseqüência direta de um cálculo envolvendo o determinante de Berezin,
como descrito a seguir:
Se X = ( ) e x-t = ( ) são inversas uma da outra, tem-se AB +
BD=OeCB+DD= l,ondeD=D-
1
+CA- LB. Destaforma,
( = ( j)-1 = ( c1-l ( ti ) .
Com isso, obtemos
Ber ( ) = Ber ( c1-I Ber ( ) = det (A) det(D).
Isso conclui a demonstração. I
Por fim, esse teorema, juntamente com o "superanálogo" do Teorema 4.10, impli-
cam o seguinte:
Corolário 4.14. Se íi(k) =O para todo k =!= n, então Hk(r. .. ) Hn-k(A*).
Isso provê uma caracterização da homologia do complexo das formas de volume
em termos da cohomologia de De Rham da supervariedade M.
3
Esse fato segue da fórmula de Küneth para o cálculo da cohornologia produto. Para mais detalhes,
vide [58).
70
4.4 A Fórmula de Green
No que segue, vamos assumir que o módulo nK(R) é projetivo e finitamente gerado.
Isso implica que os módulos Ak e /k(R) são projetivos e finitamente gerados. Neste
caso, vamos considerar uma variante da construção da adjunta de um
Seja Q um R-módulo. Então existe um homomorfismo natural ÇQ : Q --7 Q, definido
por ÇQ(q)(q) =< q,q>. Conseqüentemente, para todo operador diferencial!:::.: P--1- Q,
corresponde o operador b. o : Q --7 P, onde b. o = b. * o ÇQ. Este operador também será
chamado de adjunto de b..
Com base em considerações análogas às que fizemos na última seção, pode-se
mostrar que as duas definições de adjunto coincidem no caso diferenciável.
Exemplo 4.15. Seja q E Q e q : R --7 Q o operador de ordem zero definido por a H
a(j. Desta fonna, podemos pensar no adjunto deste operador como um elemento de

Proposição 4.16. A correspondência b. r-t Ô
0
possui as seguintes propriedades:
1. Sejam ll. E Dif(P, Q) e t:::.(p) = [Y'p]. onde V'P E Dif(Q,Ai). Então /l
0
= [Dq], onde
Dq E Dif(P, Ai) e Dq(p) = Y'p(q).
2. Para todo b. E Dif(P, Q), temos (!:::.
0
)
0
= b..
3. Para todo a E R, temos (ab.)
0
= /l.
0
o a.
4. Se b. E Difk(R, 23) então b.
0
(a) = jk o (ab.).
5. Se X E D
1
X +Xo = o(X) E Dif
0
(R, 23) =
Demonstração. A primeira e a terceira afirmações são conseqüências diretas da defi-
nição de b. o, e a segunda afirmação segue diretamente da primeira.
Para a quarta afirmação, note que, pela definição de Â
0
, ternos Ó
0
E HomR(R,P).
Assim,
Â
0
(a) = b.* oÇR(a) =(h o jk)*(ÇR(a)) = (jk oh*)(ÇR(a)),
onde  =h o jk é dado pelo isomorfismo Difk(P, HomR(.j' k( P), ÇR e
-
h* são R-lineares, e f(P) Difk(P, que
UZ o h*)(ÇR(a)) = jic o (ah*( ÇR(1 ))) = jk o (all.).
Para demonstrar a quinta afirmação, note que 5a(J
1
) = j
1
(a)- aj
1
(1) E /
1
(R).
Portanto, para  E Dif
1
(R,P) temos (oa(h )t(t:::. ) = ll.(a)- a8(1) = ( 8a(8))( 1). Con-
seqüentemente,
71
Assim, c5(X) = Ji(X) = X
0
(l ) =X +X
0
• Isso conclui a demonsração I
Nesse contexto, podemos obter um resultado semelhante ao Teorema 4.11, que
nos será útil tanto na demonstração da fórmula de Green [69, 70] para operadores
diferenciais, quanto na demonstração de certos resultados, que veremos mais adiante,
envolvendo Lagrangeanas.
Teorema 4.17. O complexo abaixo é exato
P? Dif(P, Dif(R,.E
1
)? · · ·,
onde (J) = 8 o , para E Dif(P,I:k), e J.L(V) = °(1), para E Dif(P, s.B).
Demonstração. Se provarmos que, para todo k O, o complexo
é exato, tendo em vista a filtração crescente Dif(P,.EJ = Uk
0
Difk(P,.EJ, poderemos
tomar o limite algébrico sobre k, obtendo o resultado procurado.
Recordemos que, se P é projetivo e finitamente gerado, temos os isomorfismos
Por meio deles, podemos transformar o complexo original no complexo
O f- P Difk(R,É') D
1
(Difk-l (R,P)) D
2
(Difk_
2
(R, É') ) · · ·,
ondeS(V)(ap· · .,ar_
1
)(a) = Y' (a
1
, ..• ,ar-Pa), V' E Dr(Difk-r(R,P)) .
Procedendo exatamente como na demonstração do Teorema 4.11, provamos que
esse complexo é um complexo de Kozul; logo, acíclico. Isso conclui a demonstraç,ão.
I
Note que, se 11: P--+ Q é um operador diferencial, temos o seguinte diagrama
comutativo:
O+- Q .2-Dif(Q, Dif(Q, .E
1
) · · ·
ó"l 1 !
0---

· · ·
Na Proposição 4.9 obtivemos a fórmula para a integração por partes, associando
um operador diferencial e sua adjunta. No corolário seguinte, obtemos um resultado
semelhante à fórmula de Green do cálculo vetorial.
72
Corolário 4.18 (Fórmula de Green). Se ó. E Dif(P, Q), p E P e q E Q, então
< q,A(p) > - < ó.
0
(q), p >= 8G,
para alguma l-forma integral G E L
1
.
Demonstração. Considere o operador V E Dif(R, pelo Teorema 4.17, V-
v o ( 1) E Ker Jl e, conseqüentemente, existe um operador O E Dif(R. L
1
) satisfazendo
V - V
0
(l ) = ro(O) = 8 o O. Assim, V(l ) - V
0
(l ) = óG, onde G = 0(1). Colocando
V(a) =< q, Ll(ap) >obtemos o resultado procurado. I
A l-forma integral G, que encontramos na demonstração do corolário, depende de
p e q. Entretanto, podemos escolher G de modo que a aplicação (p,q) H G(p,q) seja
um operador bídiferencial
4
. Como a aplicação m: Dif+(R,E
1
) Dif+(R, Q3) é um R-
homomorfismo, o fato de o módulo Dif+ (A, L
1
) ser projetivo, implica na existência de
um R-homomorfismo K: Im(ro) Dif+(R,.E
1
) , tal que Colocando
O = JC(V- V ( 1)), obtemos G = K(V - V ( 1)) ( 1). Isso prova nossa afirmação.
Para terminar, do ponto vista algébrico, existe, na situação diferenciável , uma vasta
gama de isomorfismos; por exemplo, Q3 A'', fl o = A •, etc. No caso geral, por exem-
plo no caso supercomutativo, estes isomorfismos desaparecem, a menos que se tenha
certas homologias iguais a zero.
4.5 Lagrangeanas, o Operador de Euler e o Teorema
de Noether
Nesta seção, P e Q serão R-módulos projetivos. Introduzimos a notação
Dif(
2
) (P, Q) = Dif(P, Dif(P, Q)) .
Os elementos de Dif(
2
) (P, Q) são chamados operadores bidiferenciais.
Um operador V E Dif(
2
) (P, Q) satisfazendo a condição
V(p ll p2) = V(p1 )(P2) = aV(p2)(pt ) = aV(p2, pi),
é chamado simétrico se a= 1, e anti-simétrico se a= -1. para todos os p
1
, p
2
E P. O
R-módulo de todos os operadores bidíferenciais simétricos, de P a valores em Q, será
denotado por Q).
Teorema 4.19. A seqüência abaixo é exata
O--- Dif
5
im(P, P) 2-- 1:
1
) • • • ,
onde m(V) = ô o V, V E k >O, e Jl(V)(p) = (V(p)t(l ), p E P.
4
A definição encontra-se na próxima seção
73
Demonstração. Do Teorema 4.17, juntamente com o fato de P ser projetivo e de
Dif(P, ·) ser um funtor exato, segue que
O--- Dif(P, P) Dif(P, Dif(P, 1:
1
) · · · ,
é um complexo acíclico, onde éõ(V) = S o V, 'ji(V)(p) = (V(p))
0
(1).
Para provarmos o teorema, é suficiente mostrar que este complexo cinde em par-
tes simétrica e anti-simétrica. Para fazer isso, vamos mostrar que a involução p, de-
finjda como p (V)(p
1
)(p
2
) = V(p
2
)(p
1
), V E Dif(P, Dif(P,I:k)) e p(V) = vo, para
V E Dif(P, P), é um automorfismo deste complexo. Pela definição de p, segue di-
retamente que mo p = p o éõ. Vamos então verificar que ji o p = p o ji. Para isso,
E Dif(P, Dif(P, .1(p
1
)(p
2
) =[V p]>p
2
], V p
1
,p
2
E Dif+(R,An) . Segue da
Proposição 4.16 que
< Ji (.1)(Pt) , p2 >= [DL
onde O E Dif+(R, An), D(a) =V ppap
2
(1), p
1
, p
2
E P. Portanto,
onde D' (a) = V ap
2
,p
1
( 1). Por outro lado,
onde D"(a) =V Ppap
2
(1), sendo que < p(.1)(p
1
),p
2
>= Por construção,
tem-se = vp2,p1· Desta forma, D"(a) = Vap2,p1(1). I
De posse desse teorema, podemos definir o espaço das Lagrangeanas e os opera-
dores de Euler e de Euler-Lagrange.
Definição 4.20. O espaço Lag(P), das Lagrangeanas quadráticas sobre P, é definido
como o cokemel do operador ro:

-t Dif{à)(P, i.e.,
Difsím(P P>)
)
(2) '
Lag(P = Irn( ro) .
Um operador L E dito ser uma densidade da Lagrangeana .Sf E Lag(P)
se !f = L mod Im(ro).
Do Teorema 4.19, passando ao quociente, J.l dá origem ao isomorfismo
Difsim(P
Lag(P) = ( (
2
) ' ) "' {V E Dif(P,P) I (V(p)t = V(p)} .
ro P, 1:)
74
Este isomorfismo é chamado operador de Euler, e será denotado por 6
5
.
Não vamos aqui introduzir algum tipo de principio variacional. Nosso modesto
objetivo é observar a relação entre o formalismo lagrangeano e as formas de Berezin.
Apesar de termos considerado somente Lagrangeanas quadráticas, os argumentos
que usamos podem ser naturalmente generalizados. Por exemplo, definindo
Dif(k) (P, Q) = Dif(P, ... , Dif(P, Q) .. . )
kvezes
podemos generalizar, de maneira imediata, os resultados que obtivemos. Pode-se tam-
bém generalizar para supervariedades, fazendo uso adequado da regra dos sinais. Para
mais detalhes a respeito do formalismo lagrangeano, vide [ 40, 69].
4.5.1 O Formalismo Lagrangeano em Variedades
Sejam M uma variedade diferenciável n-dimensional e R= c-(M). Nesse caso, temos
= An. Além disso, não é difícil ver que di= ( -l)i+
1
dn- i-l, onde d;: A
1
Aí+l é
o diferencial de De Rham.
Dado um R-módulo projetivo e finitamente gerado P, sejam L E e
L(p,q) = Lp(q), com p,q E P. Consideremos a variação de L(p, p) (valor da densidade
em p) correspondendo à mudança de variável p H p + eh, com e E .IR e h E P. Então,
como L é lR-biline.ar, temos
L(p+ eh,p+ eh) = L(p,p) +2eL(p,h) + e
2
L(h,h).
O fato de p ser um extremo, significa que
fv L(p,h) =O
para todo h E P com hlav =O, onde V C M é o domínio onde estamos resolvendo o
problema variaciona1
6
.
Tendo em vista a relação Lp (h, I) = Lp (h) = L(p, h), a fórmula de Green aplicada
a Lp(h, 1) fornece
L(p,h)- < L;(l),h >= dG,
onde G = G(Lp (h, 1 ) ) . Desta forma,
fv L(p,h) = fv ( < L;(I),h > +dG).

5Existe uma pequena diferença entre as definições do operador de Euler. Em face desse isomorfismo,
alguns autores chamam de operador de Euler à correspondência E: L -t .Z,
enquanto que os operadores da forma!:!.= E( L) são chamados de operadores de Euler-Lagrange. Pre-
ferimos adotar aqui a definição mais tradiciOnal, que é usada na construção do complexo variado-
na! [38, 51, 65].
6Veja que, pelo Teorema de Swan, existe um fibrado vetorial s :E--+ M tal que r(M, E) P. Por
1sso. pensamos em um elemento p E P como uma seção de E.
75
Mas note que L;( I ) = J.L (L)(p) = C(.:t')(p).
Introduzindo a notação J.l (L) = CL, podemos então escrever:
!v L(p,h) =!v ( < CL(p), h > +dG).
Suponha que a variação h tenha suporte W. Então o suporte da forma G está contido
em W, uma vez que h H G(Lp (h, 1)) pode ser escolhido corno um operador diferencial.
Se éJV n W = 0, então
fv L(p,h) =!v< CL(p) ,h >.
Uma vez que a expressão< gL(p) , h> é R-linear com respeito a h, a igualdade f v <
CL (p), h > = O para todo h com suporte compacto contido em V, implica que gL (p) =
O [ 1 0], i.e.,
g(z) =o.
Isto mostra que o formalismo lagrangeano que introduzimos, coincide com o for-
malismo Iagrangeano usual em variedades.
4.5.2 Leis de Conservação
Na última subseção, vimos que o formalismo lagrangeano que introduzimos coincide
com o usual formalismo lagrangano em variedades. Aqui iremos além, definindo leis
de conservação para urna equação diferencial linear.
A equação diferencial associada a um operador 6. E Difk(P, Q) é o conjunto dos
pontos p E P para os quais !i(p) =O. Denotemos por E a equação diferencial associada
a 6.. i.e., o conjunto
E= {p E P j!i(p) = 0}.
O operador 6. dá origem a urna aplicação de cadeia Q.t. entre os complexos
O-Dif(Q, ) ~ Dif(Q, 1:
1
) ~ Dif(Q, I:
2
) ~ · ..
nót nó! nó!
O- Dif(P, ) ~ Dif(P, I:
1
) ~ Dif(P, I:
2
) ~ · · .
Corno em [70], definimos as leis de conservação para a equação E, como os ele-
mentos do primeiro grupo de homologia do complexo Coker Q.t.· Vamos denotar o
grupo de leis de conservação da equação E por LC(!i) = H
1
(Coker Q
6
). O teorema e
o corolário seguintes descrevem o grupo LC(li) de uma maneira mais completa.
Teorema 4.21. Existe uma seqüência exata
76
Demonstração. Por um processo padrão de álgebra homológica [58], dada uma se-
qüência exata curta de complexos, obtemos uma seqüência exata longa. relacionando
a homologia dos três complexos. Desta forma, segue do Teorema 4.19 que as homolo-
gias das seqüências exatas curtas de complexos
o___. Ker !1
6
- Dif(Q,I:,. ) --1m !1
6
--o
têm a forma
Por construção, a composição j o i : Q -t P coincide com a adjunta 11 * : Q -+ P. Por-
tanto, Ker /1* fim i
1
é isomorfo a Ker j = LC(ó) . Com isso, obtemos a seqüência exata
procurada. I
Como uma conseqüência imediata deste teorema, temos o seguinte corário:
Corolário 4.22. Se Ker QÁ =O, o grupo de leis de conservação LC(/1) é isomorfo a
Ker óAc .
Vamos dar uma expressão mais explícita para a aplicação Ker ó" -+ LC(ó ). Para
isso, suponha que q E Ker {). * C Q. Então, pelas considerações que fizemos após a
demonstração da fórmula de Green, temos um operador diferencial p H G(ó(p,q)),
tal que
< Ll(p), q >= 8G(ó(p,q)) .
Logo, o operador p G(ó(p,q)) é um 1-cociclo do complexo Coker .QÁ, de maneira
que obtemos uma aplicação X : Ker 11* -+ LC(/1), onde x(q) é a lei de conservação
correspondendo ao operador p H G(ó(p,q)). Vamos ver que esta é a aplicação que
procuramos.
Se V é um 1-cociclo de Coker QÁ, de acordo com a demonstração do Teorema 4.21,
o elemento q E Ker {). * correspondente a ele pode ser encontrado como q = }.! (0), onde
O E Dif(Q, a relação O o{).= 8 o V. Se V é o operador p H G(Ll(p,q)) ,
então O= q E Dif(P, }.l (O) = }.L(q) = q.
Um aprofundamento maior no estudo das leis de conservação, fatalmente esbarra
na idéia de características. Não desenvolveremos esta teoria aqui, pois foge ao escopo
de nossos propósitos. Para mais detalhes a esse respeito, bem como para exemplos
onde R= C"' (M), com M uma variedade diferenciável, vide [70]
77
4.5.3 O Teorema de Noether
Vamos começar descrevendo as transformações dos objetos que o teorema de Noether
inclui. Para isso, considere os pares (Xp,X) tais que X E D
1
(R). Xp E Dif
1
(P, P) onde
Xp(ap) = aXp(p) + X (a)p para todos os a E R e p E P. Denotamos por Der(P) o
conjunto de todos esses pares.
Assim, se X E D
1
(R) então (X1.B,X) E onde X'.B = - X*
7

Dado (Xp,X) E Der(P), definimos (XmpX) E Der(Dif(P, fórmula
X
0
if(ô) = [X,ô] = X'.B oô-


Para L E Dif(P, Dif(P, Xp(L) = Xmr oL- LoXp. Se L E
é fácil ver que Xp(L) E forma, Xp gera uma aplicação das Lagran-
geanas de P. Xp(L) é chamado de variação de L sob a transformação infinitesimal
Xp.
Da definição de variação, segue que
Além disso, usando a quinta afirmação da Proposição 4.16, temos
Como vimos na subseção anterior, das considerações que fizemos após a demonstração
da fórmula de Green, temos que, para todos os p
1
, p
2
E P,
onde G é tomado como sendo um operador bidiferencial.
Combinando essas duas fórmulas, obtemos o teorema seguinte:
Teorema 4.23 (Fórmula para a Primeira Variação). Sejam (Xp ,X) E Der(P) e L E
Dif(P, Dif(P, Se definimos Xp(L) E que
Xp(L)(pt)(p2) =- < Xp(P2), 6"L(pl ) > - < Xp(Pt ),CL(p2) > -Sn(pl ,p2),
onde n(p
1
, p
2
) = L(p
1
)(p
2
) o X+ G(p
1
,Xp(p
2
)) + G(p
1
,Xp(p
2
)).
Assim, podemos finalmente definir simetria para uma Lagrangeana .!l' E Lag(P).
Definição 4.24. Xp E Der(P) é dita ser uma simetria da Lagrangeana 2' se Xp(2') =
o.
Pelo Teorema 4.19, uma simetria da Lagrangeana .!l' é uma simetria do operador
C z = C(.!l'), i.e. , Xp(C = XPotC .!t'- C = O e reciprocamente.
7
Mais geralmente, se (Xp,X) E Der(P), podemos definir {X;>, X) E Der(P} como X r; = - (Xp)'.
78
Teorema 4.25 (Noether). Se Xp é uma simetria da Lagrangeana .Z =L mod Im( w ),
e o módulo P é projetivo, então a aplicação p t-t n(p, p) +I! (p) (p ), p E P dá origem
a uma lei de conservação da equação tff
2
.
Demonstração. Se Xp é simetria de .:L', então Xp(L) = w(U), onde L é uma
densidade deZ, e L' E Considerando a l-forma integral n(p
1
, p
2
) +
L'( p
1
)(p
2
), a fórmula para a primeira variação implica que esta forma é fechada para
todos os PpP
2
E Portanto, como a classe de homologia desta forma não
depende da particular escolha de L' , nem do homomorfismo K (que tomamos para que
G fosse escolhido de modo a ser um operador bidüerencial), o teorema é provado. I
A forma n(p) = n(p,p) faz o papel da corrente de Noetber clássica. No caso
clássico do cálculo de variações, a Lagrangeana .2 = f L é dita ser invariante com
respeito a alguma transformação se a "ação" f v L não é alterada para um domínio
compacto arbitrário V. Isto é equivalente à invariância da densidade da Lagrangeana
L com respeito à transformação. Por esta razão, Xp é chamado simetria da densidade
da Lagrangeana L se Xp(L) =O. Isso implica que Xp(tffL) =O toda vez que Xp é uma
simetria da densidade de L. Em particular, Xp(P) E Ker tffL quando p E Ker tffL.
Para mais detalhes a respeito do teorema de Noether em variedades vide [70]
79
Capítulo 5
Considerações Finais: Em Direção
a uma Versão Algébrica para o
Teorema do Índice
É inegável o fato de que o teorema do índice de Atiyah-Singer seja um dos maiores
resultados do século. A vastidão de suas conseqüências abriram novos horizontes tanto
na matemática quanto na física. Em sua versão original [3, 4], o índice de um operador
se relaciona com o caráter de Chem, a classe de Euler e a classe de Todd. Isto mostra
a natureza tanto topológica quanto analítica do problema. Entretanto, com o adven-
to da Geometria não-Comutativa de Allain Connes, aplicações à álgebra tomaram-se
possíveis. Um exemplo disso é o trabalho [18] de Gerd Faltings.
Já em 1972, Vinogradov apontava para uma versão algébrica do teorema do índi-
ce [67]. Sua idéia era bem simples: dado !1 E Difs(P, Q), denotamos por 11
1
a compo-
sição

Esta composição é chamada r-extensão do operador 11. Denotamos por b
1
= b
1
(11) :
Difi (P) -7 Difs+r (Q) o homomorfismo correspondente ao operador 11
1
• Tomando o
limite algébrico quando t-+ =,obtemos um homomorfismo de módulos filtrados
b.: Dit+(P)-+ Dít+(Q).
Tanto b
1
quanto b'* induzem, ao nível dos símbolos, homomorfismos graduados, os
quais denotamos por b
1
: Smbl
1
(P)-+ Smbl,(Q) e b* : Smbl(P)-+ Smbl (Q). Note que
b
0
(!1) = Smbl(/1) é a aplicação que leva !1 em seu símbolo. O homomorfismo b* é
chamado de símbolo total do operador !1.
Com base nessas idéias, Vinogradov [67] propôs a seguinte definição para um ope-
rador elíptico:
Definição 5.1. Um operador .ó. : P -t Q é dito ser elíptico se seu símbolo total b* :
Smbl(P) -1 Smbl (Q) é uma equivalência "birracional" [26] dos módulos graduados
Smbl(P) e Smbl(Q).
80
Em particular, esta definição aponta para a natureza algébrica da elipticidade, Em [67]
ele afirmou que apresentaria uma generalização algébrica para o teorema do índice em
outro artigo. Entretanto, até agora, tal generalização ainda não apareceu.
Uma generalização deste tipo, fatalmente esbarra em diversas dificuldades, que só
podem ser superadas por meio de métodos da Geometria não-Comutativa.
As primeiras idéias para um teorema do índice, como o conhecemos hoje, veio do
estudo do Teorema de Riemann-Roch, feito por Grothendieck. Em [ 18] encontramos
uma descrição mais precisa a esse respeito. Com base nisso, vários artigos foram
publicados, abordando o problema [12, 17, 21, 27, 48, 49, 55].
Uma das abordagens que obteve mais sucesso, usa um misto de idéias da Física, a
respeito de quantização por deformações, e métodos da Geometria não-Comutativa.
Uma quantização por deformação [6, 48] sobre uma variedade M é uma defor-
mação formal a l-parâmetro do feixe estrutural c:JM [12, 24, 26, 44], i.e., um feixe
de álgebras A ~ sobre o anel das séries formais C[[ !i]] munido de um isomorfismo de
álgebras A'M 0q[1iiJ C ~ tJ M· Nesse contexto, a fórmula
1-- li
{f,g} = h[f,g]+Ti·AM,
onde f e g são duas seções locais de c:J M• e 7 e g são seus respectivos levantamentos a
A ~ , define um colchete de Poisson sobreM, associado à quantização por defonnação
AM.
Essas quantizações estão associadas às classes características da variedade [12,
48, 49]. Por esse motivo, usando cohomologia de Hochschild e o caráter de Chern
algébrico, pode-se mostrar que, se M = r• X para uma variedade complexa X e A![. x
é a quantização por deformação com classe característica e= 1tr*(c
1
(X)), então
Â(TM) Ue
9
= tr•Td(TX),
ondeÂ(TM) é o Â-genus de TM e Td(TX) é a classe de Todd de TX. Esta é, na verda-
de, uma generalização do teorema de Riemann-Roch e, como o lado direito da igualda-
de não depende de Ti, obtem-se a conjectura de P. Schapira e J. P. Schneiders [49, 59).
Nesse contexto, é possível estabelecer urna versão algébrica para o teotema do
índice, segundo [ 49]. Ela é baseada na seguinte idéia geométrica: dada uma variedade
simplética 2n-dimensional (M, co) com um produto estrela *• definido por
1
f* g = E (in)kq>k(f,g),
tomamos Ali.(M) = CO(M)[[Ti]] munida do produto *• e colocamos ~ ( M ) =
c;'(M)[[Ti]]. O seguinte teorema foi provado em [49]. Considere o traço canônico
Tr{f) = ( ili:"n! (L f af' + t. {i li)• D•(f)co") ,
------------------------
1Para mais detalhes a respeito da construção desse produto, vide [27].
81
onde D k são certos operadores diferenciais.
Tomemos dois elementos X= X
2
e Y = Y
2
, da álgebra matricial MN(An.(M)), tais
que X - Y E M N( (M)). Colocando X
0
= X mod fi e Y
0
= Y mod n, temos que
é o caráter de Chern da conexão dX
0
d no fibrado vetorialX
0
CN [48, 49].
Recordemos que, a cada quantização por deformação de M, está associada uma
classe característica e, definida como um elemento de H
2
( M)[[ n]], onde e I in é a
curvatura da conexão de Fedosov definindo a deformação [49]. Com isso, temos a
seguinte versão para o teorema do índice [49]:
Teorema 5 ~ 2 .
Tr(X- Y) =L (ch(X
0
) -ch(Y
0
)) Â(TM)e
9
1ili ,
onde e é a classe característica associada a *·
Com base nessas idéias de Nest e Tsygan, em conjunto com as concepções algé-
bricas de Vinogradov, podemos definir um colchete de Poisson, como indicamos no
Capítulo 3, para módulos sobre uma variedade. Para isso, precisaremos introduzir
urna conexão, que cindirá o complexo variacional [64] em partes horizontal e vertical,
levando, inevitavelmente, ao estudo da parte horizontal. Acreditamos que o processo
de quantização por deformação, aplicado a esse complexo, produza urna versão pura-
mente algébrica para o teorema do índice. Tal estudo foge ao escopo desta tese, mas,
não poderíamos deixar de vislumbrá-lo mediante a teoria que desenvolvemos até este
ponto.
82
Apêndice A
Limites Algébricos
Os limites algébricos surgem em diversas aplicações tais como a demonstração das du-
alidades de Poincaré e Alexander sobre variedades, onde os módulos de cohomologia
não são, em geral, os módulos de cohomologia singular, mas outros obtidos através de-
les por meio do processo de passagem ao limite. Além disso, o completamente I -ádico
de um anel é obtido por meio de um limite [58].
Para se estudar limites, a primeira noção que se faz necessária é a de proximidade,
e assim. precisamos de um sentido mais abstrato de ordem. Esta é dada por meio de
conjunto dirigido.
Definição A.l. Um conjunto dirigido .f11 é um conjunto munido de uma relação ~
tal que:
1. a ~ a para todo a E .91.
2. a ~ {3 e {3 ~ r implica a ~ r.
3. Para todos os a, f3 E .91 existe r E .91 tal que a ~ y e f3 ~ y.
As propriedades 1. e 2. definem o que chamamos de conjunto pré-ordenado. O
elemento r na parte 3 da definição, é dito ser um limitante superior de a e f3.
Note que dois elementos quaisquer de um conjunto dirigido podem não ser compa-
ráveis. Em vista da definição, isto é perfeitamente possível. Vejamos alguns exemplos
que elucidam esta situação:
Exemplo A.2. A classe dos subconjuntos finitos de um conjunto X, com a ordem
parcial dada pela inclusão, é um conjunto dirigido. Note que dois subconjuntos finitos
de X não necessariamente são comparáveis nesse caso.
Exemplo A.3. Sejam K um subconjunto de um conjunto X, e .<d a classe de todos os
subconjuntos que contêm K. Colocamos em JZI uma relação de ordem parcial dada da
seguinte maneira: se A,B E Jd, definimos A ~ B se e somente se B c A. Assim, para
cada par A,B E .91, tem-se A ~ A nB e B ~ A nB, mostrando que .rd é um conjunto
dirigido.
83
Exemplo A.4. Seja Jlf o conjunto dos inteiros não nulos. Colocamos em .s:d a seguinte
relação de ordem: dados m,n E .sd, dizemos quem ~ n se e somente sem divide n.
Para quaisquer elementos m,n E Jlf, o mínimo múltiplo comum m.mc(m,n) é tal que
m ~ mmc(m,n) e n ~ mmc(m,n). Desta forma, Jl1 é um conjunto dirigido.
A noções que daremos a seguir, de uma certa maneira, relembram. a idéia de rede.
Aqui, no entanto, temos uma rede de conjuntos. Isto é necessário para obtermos uma
noção, ainda que primitiva, de convergência.
Definição A.S. Um sistema indutivo (ou direto) de conjuntos {Mp, cpg} sobre um con-
junto dirigido .JZI, é uma função que, a cada p E JZI, associa um conjunto Mp. e a cada
par p , q E .s:d, com p ~ q, uma aplicação
cp$ : Mp ---7 Mq
tal que cpff = identidade, e para p ~ q ~ r em .fl1,
r q _ r
cpq o cpp - cpp.
Analogamente, se quando p ~ q, contrariamente à definição anterior, as aplicações
cpg forem tais que cpg : MP f- Mq. temos a noção dual de sistema indutivo. Aqui, por
razões psicológicas, revertemos a flechaM P f- Mq. Desta meneira, podemos imaginar
o sistema dual como sendo um sistema indutivo onde as flechas entre os conjuntos Mp
são invertidas. Desta forma. a definição seguinte faz sentido:
Definição A.6. Um sistema projetivo (inverso) de conjuntos {Mp, cpg} sobre um con-
junto dirigido ;;;I é uma função que a cada p E Jl1 associa um conjunto Mp. e a cada
par p,q E .9'1, com p ~ q, uma aplicação
cp$: Mp f- Mq
tal que cpC = identidade, e para p ~ q ~ r em d,
Em um sistema indutivo (projetivo), as aplicações cpg são chamadas projeções do
sistema. Se cada Mp é um espaço topológico, ou um R-módulo, ou um grupo topoló-
gico, e cada projeção é, respectivamente, contínua, R-linear, um homomorfismo contí-
nuo, então {Mp, cp$} é dito ser um sistema indutivo (projetivo) de espaços topológicos,
R-módulos, ou grupos topológicos. respectivamente.
Definição A.7. Sejam { Mp, cpg} e {Nr, 1/1} sistemas indutivos sobre conjuntos dirigi-
dos Jl1 e !!A, respectivamente. Uma aplicação
84
consiste de uma aplicação ít: 91 -t . e para cada p E .r#, de uma aplicação
Âp: Mp -t NÃ(p)
tal que, se p ~ q em 91, o diagrama
é comutativo.
Não é difícil imaginar a definição análoga de aplicação entre sistemas projetivos.
q ~ ( q )
P
. b . od . fi h . "d M cpp M N À(p) N . .
ara 1sso, asta mtr um as ec as mvem as P r-:- q e Ã(p) ~ Ã(q) , e eXIgu
a comutatividade do diagrama
Toda vez que os sistemas indutivos (projetivos) são sistemas de espaços topoló-
gicos, ou de grupos, etc., as componentes Âp da aplicação A são requeridas serem
contínuas, ou homomorfismos de grupos, etc. Caso
A: {Mp, q>$} -t {N, , vi,}, 0 : {N,, v/,} -t {Tm, -t;,,},
sejam duas aplicações de sistemas indutivos (projetivos), sua composição
está definida, e consiste das composições e o  e 'l';ij, o <fJp· p E d.
Não é difícil verificar que os sistemas indutivos (projetivos) de qualquer tipo espe-
cificado fonnam uma categoria. De fato, se {Mp, q>$} é um sistema indutivo (projeti-
vo). a aplicação identidade A é a composta pelas identidades À : .r.d -t de Âp: Mp -t
Mp (resp. Àp: Mp ~ Mp).
Vejamos agora alguns exemplos de sistemas indutivos e projetivos:
Exemplo A.S. Para qualquer conjunto dirigido Jll , fixe um R-módulo Me coloque
Mp = M para todo p E .flf, e q>$ = idM para todos os p ~ q. Este é o sistema indutivo
e projetivo constante com conjunto de índices .flf.
85
Exemplo A.9. Seja .91 tendo a ordem parcial trivial : p ~ q se e somente se p = q.
Um sistema indutivo (ou projetivo) sobre .fll é uma família indexada {Mp: p E .!21}.
Exemplo A. lO. Seja Jl1 = { 1, 2, 3} com a ordem parcial 1 ~ 2 e 2 ~ 3. Um sistema
projetivo sobre Jd é um diagrama
Exemplo A.ll. Seja .fll o conjunto dos inteiros positivos com a ordem parcial usual.
Um sistema indutivo sobre d é urna seqüência M
1
--+ M
2
--+ ···,e um sistema projetivo
sobre Jl1 é uma seqüência M
1
t- M
2
t- · · ·
Exemplo A.l2. Seja M um módulo. Então a fanu1ia de todos os subrnódulos finita-
mente gerados de M, é um conjunto dirigido, com a ordem parcial dada pela inclusão.
Esta família, juntamente com todas as possíveis aplicações de inclusão, é um sistema
indutivo.
Exemplo A.13. SeM= ffipE.rdMP, então a família de todas as somas parciais M p
1
$
· · · 63 M Pn é parcialmente ordenada pela inclusão. Esta farru1ia, munida de todas as
projeções em cada fator da soma, é um sistema projetivo.
Daqui para frente, convencionamos que todos os sistemas indutivos ou projetivos
em questão, são de grupos abelianos e homomor:fismos de grupos abelianos. Outras
estruturas, tais como anéis, módulos, espaços topológicos, etc, possuem um tratamento
similar, de modo que deixamos a cargo do leitor fazer as adaptações necessárias aos
casos que lhes interessem.
Definição A.14. seja {Mp, q>$} um sistema indutivo de grupos abelianos sobre um
conjunto dirigido d . O limite indutivo (ou limite direto, ou simplesmente o limite)
deste sistema é um grupo abeliano, denotado por M p , e uma fanu1ia de homomor-
fismos
Cíp : Mp -t M p
com Cíp o cpg se p ~ q, satisfazendo a seguinte propriedade universal: para rodo grupo
abeliano N e toda família de homomorfismos /p: Mp--+ N com fp = !q o({)$. sem-
pre que p ~ q, existe um único homomorfismo Ç : M p -t N fazendo com que o
86
diagrama
-- - - _ç- -- - - - ._ N

aq M!p
fi'$
seja comutativo.
A condição Gp = Gq o qlj, na definição, nada mais é que a comutatividade do dia-
grama
ap 1· M
P
(/':!Á
Mq
A propriedade universal pode, então, ser entendida como: para todo grupo abeliano N
e toda farru1ia de homomorfismos /p: Mp-+ N satisfazendo /p = /q o cpg, toda vez que
p q, existe um único : N tal que /p Gp, para todo
p E .rd. Visualmente, esse fato é ilustrado por meio do diagrama
N
À
I

I



Gp
É claro que existe também uma propriedade universal como essa, para os sistemas
projetivos. Sendo a interpretação desta análoga à dos limites indutivos, deixamo-la a
cargo do leitor.
Definição A.lS. Seja {Mp, cpg} um sistema projetivo de grupos abelianos sobre um
conjunto dirigido Jd. O limite projetivo (ou inverso, ou simplesmente limite) deste
sistema é um grupo abeliano, denotado por e uma farru1ia de homomorfismos
87
com Gp = cp$ o Gq se p q, satisfazendo a seguinte propriedade universal: para todo
grupo abeliano N e toda família de homomorfismos fp: Mp +-- N com /p = cpg o fq,
sempre que p q, existe um único homomorfismo Ç: +-- N, fazendo com que
d
. p
o 1agrama
- - - 3- - - - -- - N

Mp

seja comutativo.
Como no caso dos limites indutivos, a conctição Gp = Gq o cpg é equivalente à co-
mutatividade do diagrama

q>fir A
Mq
Como é usual em álgebra, a menos de isomorfismo, as propriedades universais que
definem os limites indutivo e projetivo implicam na unicidade destes. Para se ter uma
idéia a respeito dos chamados problemas universais, que visam à construção de obje-
tos (tais como os produtos tensorial e exterior) por meio de propriedades universais,
vide [50]. No que segue, mostraremos a existência e a unicidade dos limites.
Proposição A.16. O limite de um sistema indutivo {Mp, cpg}, sobre um conjunto diri-
gido d, existe e é único (a menos de isomorfismo).
Demonstração. A unicidade, a menos de isomorfismo, segue diretamente da propri-
edade universal. De fato, dois limites indutivos são isomorfos. Quanto à existência,
para cada p E !71, seja Ãp: Mp--+ 9pEilfMP a p-ésima injeção na soma. Defina o
quociente
= ( EB Mp) /S,
pE.flf
onde S é o subgrupo abeliano gerado por todos os elementos da forma ( Âq o cpg ) ( ap) -
Àp(ap) . com ap E Mp e p q. Se, além disso, definimos Gp : Mp -t por
ap 1-7 Àp(ap) + S então se nota facilmente que o grupo abeliano juntamente
com os homomorfismos Gp, satisfazem a definição de limite indutivo. I
88
Na demonstração, não fizemos uso do fato de .Pf ser um conjunto dirigido. Na ver-
dade, apenas usamos que J21 é um conjunto pré-ordenado. A necessidade de Jll ser um
conjunto dirigido somente aparecerá quando considerarmos seqüências exatas. Mui-
tos autores, em se tratando de limites, apenas tomam .!d um conjunto pré-ordenado.
Para mais detalhes a esse respeito, vide [58]. Veja ainda que o conjuntoS pode ser
caracterizado como
Além disso, ap E Mp e aq E Mq são iguais no limite se, para algum r E .91, com p r
e q r, vale cp;(ap) = i.e., uma classe de equivalência do limite é formada
pelos elementos que "estabilizam" com o "crescimento" dos índices de .91.
O limite indutivo foi construído como o quociente de uma soma, gerando assim
uma sobrejeção. A noção dual, de limite projetivo, nos vem então à mente, como
algum tipo de injeção em um produto de módulos. A proposição abaixo traz um pouco
mais de luz neste assunto:
Proposição A.l7. O limite de um sistema projetivo {Mp, cpg}, sobre um conjunto di-
rigido .Jd, existe e é único (a menos de isomorfismo).
Demonstração. A unicidade, a menos de isomorfismo, segue diretamente da propri-
edade universal. De fato, dois limites projetivos são isomorfos. Quanto à existência,
considere o grupo abeliano produto llpeJ#Mp e, paracadap E oi, seja À.: ilpe.ti1'MP -t
M P a p-ésima projeção. Defina o subgrupo abeliano
{(ap)pe.t# E I1 Mp: ap = cpg(aq), sempre que p q}.
pEd
Se, além disso, definimos Gp: Mp como sendo a restrição nota-
se facilmente que o grupo abeliano \!!!!MP, juntamente com os homomorfismos Gp,
satisfazem a propriedade universal que define o limite projetivo. I
Novamente, não fizemos uso do fato de Jl1 ser um conjunto dirigido. Neste caso,
realmente não há muito sentido em se considerar um conjunto dirigido, uma vez que os
limites projetivos gozam de um comportamento restritivo, no que se refere a seqüên-
cias exatas. Mais adiante, veremos que o limite projetivo de uma seqüência exata, em
geral, não é exata.
Vamos agora detenninar alguns dos limites dos sistemas indutivos e projetivos,
apresentados nos exemplos anteriores.
Exemplo A.18. O limite indutivo e projetivo do sistema constante do exemplo A.8 é
M.
89
Exemplo A.19. Se Jd possui a ordem parcial trivial, como no exemplo A.9, temos
[IMp.
pEd
Para ver isso, note que não existem aplicações q>$ quando p i- q. Isto mostra que o
submódulo é todo IlpedMP.
Além desses exemplos, temos algumas propriedades que seguem diretamente da
caracterização dos limites indutivo e projetivo como quociente.
Proposição A.20.
1. Assuma que Jd é o conjunto dos inteiros positivos com a ordem usual, e que
temos uma seqaência decrescente M
1
::::> M
2
::::>···.Então n;=l Mp;
2. Seja M um grupo abeliano, e Jd a família de todos os subgrupos finitamente
gerados de M, com a ordem parcial dada pela inclusão. Esta família, munida
de todas as poss(veis aplicações de inclusão, é um sistema indutivo, cujo limite
indutivo é o pr6prio M.
3. ffipesdMP

EB · · · EBMpJ. o Limite de todas as "somas parciais" finitas.
Nosso objetivo, agora, é examinar o comportamento de seqüências exatas mediante
limites, i.e., se o limite de uma seqüência exata de sistemas indutivos ou projetivos é
ainda uma seqüência exata. Teremos de tratar separadamente os dois tipos de limites,
pois nem sempre o limite de uma seqüência exata de sistemas projetivos será exata.
Consideremos primeiramente os sistemas indutivos, que é onde temos algumas
boas propriedades.
Definição A.21. Seja A: {Mp, q>fi}--+ {N,, l/1} uma aplicação de um sistema indutivo
sobre !21 em um sistema indutivo Os homomorfismos Àp: Mp -t NJ... (p) são
componentes de um homomorfismo e: EBpeJII'MP--+ Como OÀ.p =
À.q o q>fi, para p q' e induz um homomorfismo
e :
chamado limite indutivo de A.
Olhando para a relação de equivalência que usamos na construção do limite indu-
tivo, se ap E Mp está relacionado com aq E Mq. então Àp(ap) = Àq(aq)· Portanto, A
aplica uma classe de equivalência de em uma de A aplicação induzida
entre essas classes é precisamente e. Além disso, temos a comutatividade do diagrama
Cfp li lA

J...p ! ! B

t').(p)
90
onde crp e -r, são os homomorfismos induzidos pelos limites indutivos UmMp e
respectivamente. Com isso em mente, passemos ao estudo de seqüências exatas.
Suponha que temos três sistemas indutivos: {Lp, -rfo}, {Mp, q>Z} e {Np, 1J1}. defi-
nidos sobre o mesmo conjunto dirigido .sd. Além disso, suponha que tenhamos homo-
morfismos
/p 8p

de modo que esta seqüência seja exata, e tal que para p q o diagrama
L
/p M
8
P N
o- p- p-- p-o
tfit VI$!

/q gq
seja comutativo. Passando ao limite, obtemos homomorfismos
tais que f o-rp = q>po /pego q>p = Vfp ogp para todo p E .rd, onde '!p : Lp 4 q>p :
Mp 4 e V'p: Np 4 são as aplicações induzidas pelos limites indutivos.
Isto é visualizado através do diagrama, que em certo sentido pode ser imaginado como
o "diagrama limite"
o
Lp
fp
Mp
8p
Np
o

f -g
Antes de demonstrarmos que o limite de uma seqüência exata é novamente uma
seqüência exata, precisamos de um resultado auxiliar.
Lema A.22. Sejam {Mp, q>$} um sistema indutivo sobre um conjunto dirigido .rd, e
Gp: Mp -4 a família de homomorfismos dada pelo limite indutivo. Então
= UpEJ11Gp(Mp)·
Demonstração. Sejam N = UpE.l11 Gp(Mp). e lJ!p a composição dos homomorfismos
C1
Mp -4 crp(Mp) <-t N. Então N, juntamente com os homomorfismos lJ!p. é um outro
limite indutivo do sistema. Sejam lJf: -4 N e q>: N 4 os únicos ho-
momorfismos satisfazendo lJfp = lJI o Gp e crp = q> o lJfp· Mas então q> é a inclusão
N <-t e lJI = q>-
1
. Assim, N. I
91
Teorema A seqüência limite
é exata.
Demonstração. A sobrejetividade de g e a injetividade de f seguem diretamente do
diagrama limite, acima. Vejamos que o núcleo de g é igual à imagem de f.
Dado l E pelo lema anterior, existe Lp E Lp tal que l = -rp(lp). Então (g o
f )(l) = (1Jfpogp o fp) (lp) =O, mostrando que a imagem de f está contida no núcleo
deg.
Para a inclusão contrária, dado mE liWMp tal que g(m) =O, pelo lema anterior
existe mp com m = (/Jp (mp)- Visto que (li' o gp)(mp) =O, existe urn q E d, com
p q, tal que O= (V'$ o gp)(mp) = (gp o cpq)(mp)· Pela exatidão da seqüência no
estágio q, existe lq E Lq tal que q>$(mp) = /pÚq)· Então, (f o Tq) (lq ) = ( (/Jp o f )(lq) =
(/Jp(mp) = m. Isto completa a demonstração. I
Corolário A.24. Se cada fp é sobrejetora (resp. cada gp é injetora) então f também
o é (resp. g).
Tratemos agora dos limites projetivos. Muitas das definições e resultados, apresen-
tados acima, terão naturalmente seus análogos.
Definição A.25. Seja A: { M P• Cf'g} -4 { Nr, yr,} uma aplicação de um sistema projetivo
sobre p/ em um sistema projetivo sobre !fl. Os homomorfismos Àp: Mp -7 NÃ( p} são
componentes de um homomorfismo 8: I1pEdlfMP -4 Como o Âq =
Àp o cpg, para p :;::; q, 0 induz um homomorfismo
e: -7
chamado limite projetivo de A.
Olhando para a construção do limite projetivo, se (ap) pEilf E a consuução
feita na Proposição A.l7 nos dá que ap = cpg(aq). desde que p q. Desta forma,
temos Àp(ap)pEilf E uma vez que Àp(ap) = Âp(cpg(aq)) = Isto
mostra que a aplicação e está bem definida. Desta maneira, temos o diagrama
onde CJp e 'rr são os homomorfismos induzidos pelos limites projetivos e
respectivamente.
92
Consideraremos agora seqüências exatas. Para tal, tomemos três sistemas proje-
tivos { Lp, -rp} , {Mp, Cl'$} e {Np, llf$} definidos sobre o mesmo conjunto dirigido 91.
Além disso, suponha que tenhamos homomorfismos
/ p 8p
o-Lp-Mp-Np-0,
de modo que esta seqüência seja exata. e tal que, para p q, o diagrama
L
/p M gp N
o- p- p- p-o
rtfo tV'fo
o-Lq-Mq-Nq-0
/q gq
seja comutativo. Passando ao limite obtemos homomorfismos
tais que (/'p o f= /p o 'Cp e Vfp o g = gp o (/'p para todo p E .91, onde 'Cp : Lp t- \i!!!Lp.
<pp: Mp t- Mp e Vfp : Np +- são as aplicações induzidas pelos limites projetivos.
Isto é visualizado através "diagrama limite"
o
Lp
/p
Mp
8p
Np
o
t Tp t f

Infelizmente, o limite projetivo não possui tão boas propriedades, com respeito a
seqüências exatas, quanto o limite indutivo i.e., a seqüência limite, é exata somente em
e A aplicação g não é sempre sobrejetora.
Teorema A.26. A seqüência limite
é exata.
Demonstração. Suponha que f (l ) = O. Do diagrama limite temos O = C/'p(/(1)) =
/p( t p(L)), e da injetividade de f p, 'Cp(l) =O para todo p E .91. Sendo 'Cp uma projeção
de um produto e l = {lp) pE.d' temos lp =O para todo p E .91 e portanto I = O.
Provemos agora que Kerg = Imf. Suponha que g(m) = O. Então gp(C/'p(m)) =
Vfp(g(m)) = O, de modo que existe lp E Lp, tal que /p(lp) = C/'p(m) = mp para todo
p E ..91, sendo que a última igualdade se deve ao fato de (/'p ser uma projeção. Tomando
93
I= (lp) pEid' devemos mostrar que f {i)= m mas, para isso, devemos primeiramente ter
I E ~ L p . Veja que /p('r$(1q)) = lfJ$(/q(lq)) = lfJ$ (mq) = mp. Por outro lado, fp(lp) =
mp. e da injetividade de /p temos tg(lq) = lp, mostrando que l E ~ L p . Agora, como
lpp é uma projeção e q>p(f(l) ) = /p( 't"p (l)) = /p(lp) = mp para todo p E .9!1, segue que
f(l) =me Kerg c Imf. A inclusão contrária demonstra-se semelhantemente. I
Existem estudos para estabelecer a exatidão da seqüência
Para isso, utiliza-se a chamada condição de Mittag-Leffer. Para mais detalhes, vi-
de [26].
Se {Mp, q>Z} é um sistema indutivo, existe uma importante propriedade, conse-
qüência dos desenvolvimentos anteriores, entre limite indutivo e o limite projetivo.
Corolário A.27. Para todo grupo abeliano N, tem-se
Veja que poderíamos, ao invés de grupos abelianos, ter os limites para anéis e
homomorfi.smos de anéis, R-módulos e aplicações R-lineares, espaços topológicos e
apliações contínuas, etc. Desta forma, tudo que desenvolvemos pode ser facilmente
refeito para outros casos que nos interessem.
94
Apêndice B
Seqüências Espectrais
Sejam A um anel comutativo com unidade, e K um A-módulo. Chamamos filtração
decrescente de K a toda seqüência de submódulos Kp, verificando as condições:
e
Chamamos módulo filtrado a todo A-módulo K munido de uma filtração decrescente.
Dado um módulo filtrado K, chama-se módulo graduado associado a K o módulo
G(K) = EBKp/ Kp+i"
p
Se K = EB,ez K' é um módulo graduado, podemos filtrá-lo por meio de seus subrnó-
dulos
É claro, então, que o módulo graduado G(K) é isomorfo ao próprio K.
Seja K um módulo filtrado e, suponha que K = ffi,K'. Dizemos que a filtração e a
graduação de K são compatíveis se
r
isto é, se os Kp são homogêneos.
Ao invés de dizer que uma filtração de K é compatível com uma graduação de K,
diremos somente que esta é umafilrração do módulo graduado obtida, munindo-se K
da graduação em questão. K, munido da graduação e da filtração dados, será chamado
módulo graduado filtrado.
Seja K um módulo graduado filtrado. Dizemos que a filtração de K é regular se
existirem n, tais que
KpnK' =O para p > nr.
95
Chamamos módulo diferencial filtrado a todo módulo diferencial
1
K munido de
uma filtração tal que se tenha d(Kp) c Kp para todo p. A teoria das seqüências espec-
trais consiste essencialmente em utilizar a filtração de K para construir por "aproxi-
mações sucessivas" o módulo derivado H(K) = ker(d)/Im(d).
Seja r um inteiro. Colocamos
Zf = Z(Kp mod Kp+r),
isto é,
Zf = {x E Kp: dx E Kp+r}·
Para r O tem-se, evidentemente, Zf = Kp.
Entre os elementos de Zf, encontram-se, por um lado, aqueles de

e, por
outro, todos os elementos de Kp que são bordos. Em particular, Zf contém
o conjunto dos elementos de Kp que são bordos de elementos de Kp+t-r· Colocamos
EP= Zf
r dZP+I-r +ZP+I ,
r-1 r-1
e
p
Observa-se que, se x E Kp é um ciclo (dx = 0), ele define um elemento de E f para
todo r e, se ele é um bordo (x = dy), o elemento de Ef definido por ele é nulo para r
suficientemente grande.
o diferencial d : K -7 K aplica ZP em z p+r e dzP+ l-r + zp+
1
em dZP+ I. Assim,
r r r- I r-1 r- I
como
zp+r
Ep+r = r
r dZP+I + Zp+r+l,
r-1 r-1
por passagem ao quociente, d induz um diferencial
d · EP -7 Ep+r
r · r r '
definido por
d (x + (dzP+I-r + ZP+
1
)) = dx+ (dzp+l + Z p+r+l),
r r-l r-1 r - 1 r-1
uma vez que d(dzP+ I-'+ ZP+
1
) = dZP+ l C dZP+
1
+ zp+r+
1
.
r- I r-I r- I r-1 r - 1
Não é difícil ver que Er+J = H(En dr), isto é, = HP(E, ,d, ).
A seqüência espectral de K é, por definição, formada pelos complexos E, definidos
como ac1ma.
Definimos o termo Eoo, como segue. Coloquemos
K- - o
ze, - Z(Kp mod Koo) -
Bf, - Kp n dK_
00
-
K_
00
= K
ciclos de Kp
bordos de Kp em K.
1
K é um módulo diferencial quando exisre um homomorfismo d : K-+ K tal quedo d = O.
96
e definimos então
e Eoo =$E!.
p
Se colocamos de forma geral Bf = Kp n dKp-r• obtemos a fórmula
EP- Zf
r- BP +ZP+l .
r - l r-l
Temos uma inclusão natural i: Kp Y K, que por sua vez induz uma aplicação
i• : H(Kp) -+ H(K) (que não tem por que ser inclusão). Denotando por FP(H(K)) a
imagem de H(Kp) em H(K) por i* temos a seguinte filtração de H(K)
Fp+l (H(K)) C FP(H(K)) e UFP(H(K)) = H(K).
p
Com isso, não é difícil ver que existe um isomorfismo canônico
E - ~ G(H(K)) .
Dado um módulo diferencial filtrado K, é fácil ver que
de modo que
Z
p+l -K
- 1 - p+ l '
K
E
p __ P_
o- .
Kp+t
Conseqüentemente, o termo E
0
é idêntico ao módulo graduado associado à K, e a
diferencial d
0
se deduz por passagem ao quociente da diferencial d de K. Além disso,
Ef = H(Kp/ Kp+i) ,
sendo a cohomologia tomada com respeito ao operador d
0
.
Examinaremos agora o caso onde o módulo K está munido de uma graduação
compatível com a filtração dada e, para a qual, d é homogêneo e de grau + 1. Nesse
caso, dizemos que K é um complexo filtrado. Pode-se introduzir sobre os termos E,
uma bigraduação. Para isso, colocamos
Z
p,q = zP n xp+q
r r •
zp.q
Ep,q- r
' - BP•q + ZP+l,q-1 ·
r-I r- 1
Para um elemento de Ef·q, diz-se usualmente que pé o grau fi/trance, p + q é o grau
lolal e q o grau complementar.
97
Uma vez que
d(ZP,q) = d(Zp,q n Kp+q C zp+r n Kp+q+
1
= zp+r n Kp+r+q-r+
1
= zP+r,q- r+ l
r r r r r ,
e
d(z P+l,q-
1
) - d(zP+
1
nKP+q) c d(zP+
1
) n KP+q+t = BP+rnKP+q+t
r - l r- J r- I r - l
c BP+'nKP+r+q-r+l = sp+r,q-r+l c zp+r+l .q-r + BP+r,q-r+l
r-] r -I r - ! r - I
tem-se que d, aplica Ef•q em Ef+r,q-r+l, sendo definida por
d, (x + (zP+I,q-1 +Bp,q )) =dx+(zP+r+I,q-r +Bp+r,q-r+l ).
r- 1 r - 1 r-1 r- J
Além disso, em H(K) a filtração pelos FP(H(K) ) e a graduação pelos Hq(K) são
compatíveis. Finalmente, colocando
tem-se a relação
Ep,q = FP(HP+q(K))
oo pp+I (HP+q(K) )"
Vejamos agora o que ocorre para complexos duplos. Seja
K= EBKp,q
p,q
um complexo duplo com operadores diferenciais
e
verificando 8
2
= ()
2
= O e ô o a = a o ô. Podemos então considerar K como um
complexo "simples", utilizando a graduação total
Kn = EB Kp,q.
p+q=n
A diferencial d = ô + ( -1 )P a aplica Kn em [('I+ I' fazendo de K = EBn Kn um comple-
xo diferencial.
Existem duas filtrações muito particulares, que refletem diretamente as proprieda-
des dos diferenciais ô e (). A primeira dessas filtrações é dada por
/Kp = EB $Ki,} _
i ~ p j
Os termos da seqüência espectral correspondente serão denotados por
1
Ef•q (note que
K = EBnKn é um complexo diferencial filtrado). Vamos calcular esses termos para
r= 1 2.
98
Recordemos que
1
Ef = HeKp/
1
Kp+J ), onde
1
Kp/
1
KP+
1
se identifica canonicamente
ao grupo graduado
j
e como ô aplica
1
K P em
1
K p+
1
, a identificação acima transforma a diferencial d
0
em
( -1 )k a. Portanto,
onde o índice inferior a indica que o cálculo da cohomologia é feito com o operador
a. Um pouco de cálculo mostra que
dl : IEf ---4 'Ef
[x] 1---} [ ôx],
isto é, o operador d
1
é induzido por ô. Conseqüentemente, se munimos o grupo H a ( K),
que representa a a-cohomologia de K, da graduação definida pela fórmula
Ha(K) = ffiHa (KP•*)
p
e do diferencial induzido pelos homomorfismos ô : KP•* -t KP+
1
•* obtemos isomorfis-
mos canônicos
A fim de obtermos um resultado completo, devemos ainda explicitar a segunda
graduação do tenno E
2
. Ora,
1
Ef•q é formado pelos elementos de EP que podem ser
representados pelos elementos de graus p + q de K, sendo entendido que K está munido
de sua graduação total. Mas, evidentemente,
1
Ef é o conjunto dos elementos de
1
E
2
representados pelos elementos de KP•*, dentre eles os elementos de grau p + q formam
o grupo KP·q. Então, se designarmos por Hj(K) o grupo de cohomologia de grau q de
K, calculado por meio da segunda diferencial e da segunda graduação de K, obtemos
a fórmula abaixo
De maneira inteiramente análoga, considerando uma segunda filtração de K como
llKp = EB EB Ki,J,
i J ~ p
obtemos d
0
= ô e. então,
11
Ef = H
0
(K*•P). Além disso, também vale que d
1
([x]) =
[ax], levando a
11
Ef•q =H: ( HZ(K)).
Definição B.l. Uma seqüência espectral { Ef•q, dr} é dita convergir para um módulo
graduado H* se existe uma filtração F em H* tal que
FP(HP+q)
Ep,q "' - + - : - ~
00
- FP+l (HP+q)"
99
Ora, mas pelo que vimos na página 97, a seqüência espectral de um complexo
filtrado, construída a partir da filtração, como fizemos, converge para a cohomologia
deste complexo. Para que, então, definir convergência?
Oque ocorre, no entanto, é que, dada a seqüência espectral { Ef•q, d,} construída
a partir da filtração de um complexo filtrado K, como podemos saber se ela converge
para n•(K,d) e não para algum outro grupo, digamos H*(L,d' )? Para ilustrar, seja
M um módulo livre graduado. Considere o complexo K E9 M, com diferencial d EB O e
filtração dada por
···C (Kp+l ffii) C (Kp mM) C (Kp-l mM) · · ·
Não é difícil ver que as seqüências espectrais de K e de K (f} M, construídas a partir
das respectivas filtrações desses módulos, são iguais. Assim, uma mesma seqüência
espectral converge para H ( K, d) e H ( K, d) $ M.
Surge então a pergunta: como (ou quando) a seqüência espectral {Ef•q,dr} cons-
truída à partir da filtração de um complexo filtrado K, determina completamente o
módulo H(K,d)?
Para respondermos a esta pergunta, consideremos um complexo filtrado K e supo-
nhamos que a filtração de K é regular, isto é,
Kp n Kq =O para p > n(q).
Então, deduzimos que
Zf·q = Z! •q para r > n(p +q + 1)- p,
pois se x E Zf•q, temos dx E Kp+r n KP+q+l, módulo que é nulo para p +r > n(p +
q + 1). Além disso, temos dr = O sobre Ef•q para r > n(p + q + 1) - p, pois, para os
valores de r em questão, vale zp+r,q-r+I =O.
Uma vez que, para p e q dados e r suficientemente grande, dr é nulo, sobre Ef·q
temos. mediante a identificação H(Er ) = Er+l' uma aplicação de Ef•q sobre
visto que = ker(d,: Ef •q ---t Ef+r,q-r+l ) = Ef•q. Iterando estes homomorfismos,
obtemos epímorfismos
e; : Ef•q ---+ Ef•q
definidos para s,r > n(p+q+ 1) - p.
Evidentemente, estes e; gozam das relações de transitividade que permitem definir
o limite indutivo
2
dos Ef•q quando r aumenta indefinidamente. Vamos ver que limite
indutivo é precisamente E!,•q.
Com efeito, para r suficientemente grande, temos Zf•q = ze,,q e .q = ze,+ I ,q-l .
Além disso, para todo r temos Bf •q c Be;q. Como valem as fórmulas
z p,q
Ep,q = r
r Bp,q + ZP+l,q-1
r-1 r-1
zp,q
Ep,q = oo
00 B P,q +Zp+l ,q- 1)
------------------------ 00
2Para mais detalhes a respeito de limites algébricos vide o Apêndice A
100
então para r suficientemente grande temos um homomorfismo canônico
induzido pela aplicação identidade ze,,q ~ Z!•q. Veja que este homomorfismo é eviden-
temente sobrejetivo. Além disso, uma vez que BJ é induzido pela aplicação identidade
Zf•q -+ Zf•q, tem-se a relação de compatibilidade
Para ver que E!•q se identifica com o limite indutivo dos Ef•q resta ver que Be,;q é a
união dos Bf•q, fato este que resulta de K ser a união dos Kp.
Como conseqüência deste resultado, consideremos dois complexos filtrados K e L,
e um homomorfismo f: K-+ L (compatível com as graduações e filtrações). Deduzi-
mos, de maneira evidente, homomorfismos
E, (K) -+ E, (L)
comutando com os diferenciais d, compatíveis com a identificação E,+
1
= H(E,) para
r finito e, com as identificações Eoo(K) = G(H(K)), Eoo(L) = G(H(L)). Dito isto,
suponhamos que as filtrações de K e L são regulares. Com esta suposição, o mesmo
ocorrerá com as filtrações de H(K) e H(L). Então, se o homomorfismo Eoo(K) -+
Eoo(L), deduzido de f , é bijetivo, o mesmo ocorrerá para f*: H(K)-+ H(L) . Levando
em conta que, se f* : E,(K) -+ E, (L) é bijetiva para um índice r
0
, ela também será
bijetiva para todo r ~ r
0
temos o resultado seguinte:
Teorema B.2. Seja f um homomorfismo de um complexo filtado K em um complexo
filtrado L Suponhamos que as filtrações de K e L são regulares. Se, para um inteiro r
o homomorfismo f* : E,(K)-+ E,(L) é isomorfismo, então o homomorfismo
f*: H(K)-+ H(L)
também é um isomorfismo.
Com este teorema, ficam eliminados problemas como o exposto na página 100,
pois a seqüência espectral construída a partir da filtração de um complexo graduado,
converge para um único módulo, quando esta filtração é regular, a saber, o módulo
H(K).
Para concuir nosso raciocínio, queremos saber quando podemos determinar expli-
citamente H(K) a partir de Eoo(K).
Em geral, quando a filtração é regular, não se consegue determinar explicitamen-
te H(K). Entretanto, se supusermos que a filtração de K é limitada, i.e., para cada
dimensão n dos complexo K, existem valores s = s(n) e r = c(n) tais que
101
então, sendo este um caso especial de filtração regular, o Teorema B.2 se aplica, le-
vando à conclusão de que a seqüência espectral {Ef·q,d,} construída por meio desta
filtração, converge para um único valor, a cohomologia H ( K) , com
Para ver que H ( K) pode ser efetivamente recuperado a partir de Eoo, é sufuciente notar
que F'(HP+q(K) ) = HP+q(K) quando r ~ t(p + q) e F' (HP+q(K)) =O quando r <
s(p+q) .
102
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Amsterdan, 1978.
107

Related Interests

eus
Olhando com um pouco mais de cuidado, notamos que a aplicação ~ : Smbl (R) -t
R é um homomorfismo de anéis que, no caso de R= C"' (M), corresponde ao homo-
morfismo sp : C"' (T* (M)) -t C"'(M), gerado pela seção Sp· Assim, o homomorfismo
sp é o equivalente algébrico do conceito de seção de T* (M). Isto mostra que a existên-
cia de uma aplicação do tipo sp pode não permitir a construção da forma 8. A seguir,
damos um exemplo ilustrando essa situação.
Considere o anel
R= {f: lR -t lRJf é contínua e f' (O) existe } .
-----------------------
4Recordemos que as l -formas sobreM são seções do ti brado cotangente 7 · (M) [72].
47
Dado a E IR, denotemos por ma C R o ideal maximal consistindo de todas as funções
de R que se anulam em a. Como .QJR(R) =I O, existem derivações de R com valores
emRj m
0
. Por outro lado, para a =I= O, os módulos DerK(R/ ma) são todos triviais, uma
vez que = ma para a =I O. Por isso, o módulo DerK(R) é trivial pois, se existe
uma derivação não nula Â: R -T R, então sua composição com a projeção R -t R/ ma,
para algum a =I O, também seria uma derivação não nula, em contradição com o que
dissemos acima
5
. Esses argumentos mostram que a aplicação não depende de p E
QR(R), i.e. , não existe uma forma universal 8.
Portanto, o mecanismo clássico que garante que fijh é exata, não funciona, em geral,
em T* (R).
3.3 Transformações Canônicas
Da equivalência dada pelo Teorema de Swan 1.23, as aplicações diferenciáveis na
categoria da variedades diferenciáveis estão em correspondência um a um com os ho-
momorfismos dos respectivos anéis de funções diferenciáveis. Desta forma, é natural
definir-se os difeomorfismos da variedade Spec(S) como automorfismos do anel S. Is-
to nos leva à definição de uma transformação canônica como um automorfismo que
respeita a estrutura Hamiltoneana, no seguinte sentido:
Definição 3.4. Um automorfismo cp de Sé dito ser canônico se o diagrama
.QK(R)

.QK(S) DerK(S)
é comutativo, i.e., h = Dcp o h oQcp.
Aqui, definimos .Qcp e Dcp como
onde s,s' E Sed E DerK(S).
Qcp(s'ds) = cp(s')dcp(s)
Dcp(d) = cp -
1
o() ocp ,
Os homomorfismos Qq> e Dq> estão relacionados, por meio do emparelhamento
natural de DerK(S) e QR(S), da seguinte maneira:
< d,ilq>(a) >= cp (< Dq>(J), a >) .
Essa identificação nos permite provar a proposição seguinte.
5Mais informações a respeito russo podem ser encontradas em [46], onde estudam-se também as
extensões de Hochschild.
48
Proposição 3.5. O diagrama da Proposição 3.4 é comutativo se, e somente se, wh é
invariante por cp.
Demonstração. Temos

- < h(Ucp(a
1
)) >
-

- cp ( < h( a
1
), >)
- cp ( wh ( a
1
, ,
onde a segunda igualdade segue do emparelhamento natural que relaciona Ucp e Dcp,
e a terceira é conseqüência da comutatividade do diagrama da Proposição 3.4. Esta
seqüência de igualdades demonstra a necessidade e a suficiência da proposição. I
Recordando a relação entre H e h, segue diretamente da proposição que acabamos
de provar que:
Proposição 3.6. O automorfismo cp do anel Sé canônico se, e somente se, o diagrama
é comutativo, i. e., se, e somente se, H( cp(s)) = cp o Hs o cp -
1
para todos E S.
O conceito de transformação canônica que introduzimos aqui corresponde, no
caso clássico quando R= c-'(M), ao conceito usual de transformação canônica em
T* (M) [1 , 71].
3.4 Transformações Canônicas Infinitesimais
O análogo de uma transfonnação canônica infinitesimal, i.e., um campo de vetores que
respeita a estrutura Hamiltoneana, deve, em geral, ser tomado como uma derivação do
anel S que respeita a estrutura Hamiltoneana.
Definição 3.7. Uma derivação lJI E Der K(S) do anel dos símbolos Sé dita ser canônica
se satisfaz a relação
DlJi oh+hoilvr= O,
onde, por definição, Dljl(à) =[à, V') para toda à E DerK(S) e illjl(s'ds) = ljl(s')ds +
s'dljl(s) para todos os s,s' E S.
Dessa definição. segue diretamente que:
49
Proposição 3.8. Uma derivação 1jl E DerK(S) é canônica se, e somente se, satisfaz a
ambas as condições
1. wh (QVí( ai) , CXz) + wh( a)' QVí( az)) = 1jl ( wh( al' exz) ).
2. H(ljl(s)) = [llf,Hs]·
Como acima, sejaS= Smbl(R). Escrevemos Ham(S) para o conjunto de todos
os campos de vetores Harniltoneanos sobre T*(R), (derivações de S da forma Hs para
s E S), e Can(S) para o conjunto de todos os campos de vetores canônicos sobre T'" (R)
(derivações canônicas sobreS).
Quando aplicamos a segunda afirmação da Proposição 3.8 a um elemento s' E
S, a identidade de Jacobi do colchete de Poisson nos dá a validade de lfl ( { s, s'}) =
{ llf(s) , s'} + { s, ljl(s')} para todos os elementos da forma 11f = Hs'l• onde s'' E S. Logo,
temos a inclusão de conjuntos Ham(S) c Can(S).
Por outro lado, como Ham(S) e Can(S) estão munidos do colchete de Lie de deri-
vações, a segunda parte da Proposição 3.8 mostra que Ham(S) é um ideal em Can(S) .
No caso clássico, quando R= c(M), o "teorema fundamental da mecânica" [71] afir-
ma que Ham(S) = Can(S) localmente (e globalmente seM é simplesmente conexa).
6
Portanto, devemos entender como "teorema fundamental da mecânica" para um anel
R, um teorema que descreva a estrutura da K-álgebra de Lie Can(S) / Ham(S) .
Como antes, os conceitos aqui introduzidos correspondem completamente, no caso
clássico, aos usuais [ 41, 71].
3.5 Variedades Lagrangeanas e a Equação de Hamil-
ton-Jacobi
De [1, 41, 71] sabemos que toda variedade Lagrangeana L c T*(M), que está na su-
perfície de nível J{ = O da função Harniltoneana, é invariante pelo correspondente
campo de vetores Harniltoneano. Este princípio de absorção, traduzido em linguagem
algébrica, leva à seguinte definição:
Definição 3.9. Um ideal J c S é dito ser autoestável se ele é invariante pela ação de
todos os operadores Hs. com s E J. Um ideal maximal autoestável é dito ser um ideal
Lagrangeano. A subvariedade L
1
c T*(R), correspondendo a um ideal Lagrangeano,
é também dita ser Lagrangeana.
No caso clássico, onde R= CO(M), o conceito algébrico introduzido acima corres-
pende ao conceito geométrico de variedade Lagrangeana em T*(M) [41, 71] .
6
Isto é uma conseqüência do lema de Poincaré para variedades. Também, no caso em queM é uma
variedade canônica arbitrária, tendo em vista que a fonna fundamental é não-degenerada, o conjunto
h-
1
(Can(S)) coincide com o conjunto de todas as 1-fonnas fechadas de M, ao passo que h-
1
(Ham(S))
coincide com o conjunto de todas as 1-fonnas exatas. Com isso, Can(S)/ Ham(S) ~ H
1
(M, JR) .
50
Desta forma, o fato de que alguma variedade Lagrangeana (conexa) está na super-
fície de nível JC = O, pode ser considerado como a "realização geométrica" da situação
onde o ideal principal de S gerado por JC está contido no correspondente ideal Lagran-
geano.
No que segue, vamos usar esta interpretação para determinar o significado algé-
brico da equação diferencial parcial de Harnilton-Jacobi. Para isso, vamos, primeira-
mente, dar um significado geométrico para a equação de Hamilton-Jacobino contexto
clássico:
H (q, q= (qp·· ·,q.), = ,·· , ::J. u = u(q) .
Aqui, q
1
,- · · , qn são as coordenadas locais em U c M, e ( q, p) são as coordenadas
canônicas em n:-
1
(U) c T* (M), onde 1C : T* (M) --+ M é a projeção natural do fibrado
cotangente. Com essa equação. podemos associar uma função H(q,p) em T*(M).
Desta forma, o fato de que uma função f E C"(M) satisfaz as equações acima, significa
que a variedade L= L(!) C T* (M), definida pelas equações
at
P·= i= l , ... ,n
' aq;
em n:-
1
(U), está na superficie de nível H(p,q) =O.
As subvariedades da forma L(!) são unicamente caracterizadas pelas duas propri-
edades seguintes [ 41, 71]:
1. L(f) é Lagrangeana;
2. niL(f) é um difeomorfismo.
Logo, as soluções procuradas estão em correspondência um a um com as variedades
Lagrangeanas L c {JC =c} para as quais niL é um difeomorfismo.
Esta interpretação geométrica do conceito de solução da equação de Hamilton-
Jacobi não é invariante por transformações canônicas do espaço de fase T*(M). A
obstrução para isso é a exigência de que niL seja um difeomorfismo. Se descartar-
mos esta condição, poderemos considerar como solução generalizada da equação de
Hamilton-Jacobi qualquer variedade Lagrangeana que esteja contida inteiramente na
superfície de nível JC = 0
7
Por sua vez, esta formulação geométrica tem a seguinte representação algébrica,
em virtude do significado algébrico da inclusão L c { 9-C = O}: uma solução da ''equa-
ção de Hamilton-Jacobi" JC =O, com JC E S, é um ideal Lagrangeano 1 C S contendo
o ideal principal gerado por JC, i.e. , na notação do Capítulo 1, < JC >C 1.
Vamos chamar o problema de encontrar todos os ideais Lagrangeanos 1 C S con-
tendo um dado ideal principal < JC > de problema de Hamilton-1acobi. Desta forma,
7
Existem uma série de outras razões, físicas e matemáúcas, para que se use esse conceito mais geral
de solução. Para mais detalhes ver [67, 71].
51
no caso clássico onde R = C"' (M), o problema de Hamilton-I acobi consiste em encon-
trar todas as soluções generalizadas da equação de hamilton-Jacobi. Em vista disso,
é natural considerar a equação de Hamilton-Jacobi como a maneira "geométrica" de
expressar o problema de Hamilton-Jacobi.
Finalmente, vamos indicar o significado algébrico de uma solução "ordinária" da
equação de Hamilton-Jacobi. Por simplicidade. vamos nos restringir a um anel R que
é uma Q-álgebra. Vamos então construir a variedade L(f ). Seja x
1
o campo Hamil-
toneano sobre T* (M) correspondendo à hamiltoneana tt*(f), sendo 1t: T*(M) -t Ma
projeção natural do fibrado cotangente. Denotamos por A
1
: T*(M) -7 r • (M) a curva
integral do campo X r Então, nas coordenadas canônicas consideradas acima,
A
1
(p, q) = ( q, p- t ~ ~ ) .
Em particular, A
1
(L(!)) = L(O), e assim L(O) é a seção nula do fibrado vetorialn:
T* (M) -7 M. Uma vez que x
1
tem curvas integrais globalmente definidas [1, 71].
podemos representar o automorfismo A7 : c-(T* (M)) -7 c-(T* (M)) na forma A; =
erxr, onde
t"Xn
etxf = I: - - ~ ,
n ~ O n!
e onde interpretamos X f como uma derivação do anel c-(T* (M) ), ou, em notação "al-
gébrica", A7 = etH(tt• fl. Portanto, o operador A':.
1
= e-H(tt" f ) leva o ideal Lagrangeano
1
0
, correspondendo a L(O) no ideal Lagrangeano Jf' correspondendo a f. Assim. para
descrever J
1
basta descrever 1
0
.
Por outro lado, olhando algebricamente, temos 1
0
= ffi; ~
0
Smbl;(R). Assim, em
geral, define-se 1
1
como a imagem inversa do ideal ffi; ~
0
Smbl, (R) c S pelo auto-
morfismo e-H, (!) , onde f E R e j : K -7 Smbl(R) é a inclusão natural. Mas note que
para s E Smblm (R), desde que HJ(f) ( s) = O para i > m, de modo que o operador e - H, (f)
tem um significado para anéis que são Q-álgebras.
Após essas considerações, notamos que um elemento f E R é uma solução "ordi-
nária" para a equação de Hamilton-Jacobi se o ideal Lagrangeano contiver < J-C >.
3.6 Formalismo Hamiltoneano a Valores em Módulos
Recordemos que, se R= c-(M), então Smbl(R) = Smbl(R, R) pode ser representado
como a álgebra dos campos de tensores simétricos e contravariantes sobreM [52, 67].
Cada um desses tensores, por sua vez, pode ser identificado com uma função sobre
52
T* (M) que é polinomial ao longo das fibras n-
1
(x), onde 1r: T* (M) --4 M é a projeção
natural.
Dado agora um R-módulo P, o Teorema de Swan 1.23 nos garante que existe um
fibrado vetorial Ç :E --4 M, tal que r(M,E) :::::::: P. Desta forma, consideremos N =
C"' (E). Então, o módulo graduado Smbl(N) = Smbl(N,N) consiste das seções C"' do
fi brado tr* (E), que são polinomiais ao longo das fibras, sendo que tr• (E) é o "pull-
back" do fibrado Ç :E --4 M.
Um formalismo Hamiltoneano sobre E é então uma maneira de escrever conceitos
e funtores na categoria dos módulos graduados dos símbolos Smbl (N). Entretanto, o
objeto básico, que é o colchete de Poisson, não é possível de ser escrito sem conside-
rarmos uma estrutura adicional: uma conexão no R-módulo P.
Definição 3.10. Uma conexão no R-módulo N é um homomorfismo de módulos fil-
trados
V: Dif(R,R) -+ Dif(N,N)
a t-t va
tal que V
1
= IN E HomR(N,N) e c5a (V a) = V c5a (J ) para todos os a E R e a E Dif(R,R).
Desta forma, para todos os a E Difk(R,R) e l:l E Difm(N, N), o colchete
é um operador diferencial de ordem ~ k + m- 1, sobre N, cujo símbolo depende
somente dos símbolos dos operadores a e l:l.
Este raciocínio nos permite definir o colchete de Poisson:
{Smbl(l:l),Smbl(a)} = Smbl ([l:l,a]v).
É fácil ver que {Smbl(l:l), Smbl(o)} E Smblk+m-IN. É claro que, no caso clássico,
essas considerações nos levam ao "formalismo Harniltoneano com valores no fibrado
E" [67], onde N = C"' (E).
Isso nos permite definir um formalismo Harniltoneano algébrico a valores em um
anel N. Para isso, consideremos os anéis R e N, onde N é um R-módulo, e a conexão
dada pela Definição 3.10. O colchete de Poisson, e conseqüentemente os campos
Hamiltoneanos, ficam bem definidos. Entretanto, dado um R-módulo arbitrário P, que
anel N devemos associar a ele, de modo a obter um formalismo Hamiltoneano a valores
em P? Obviamente esta situação não está clara.
No caso em que R= C"'(M), já sabemos como fazer isso, tendo em vista a equi-
valência categoria! dada pelo Teorema de Swan 1.23. Uma resposta parcial a esta
questão pode ser encontrada em [68]. Entretanto, a idéia de conexão gera uma cisão
em uma seqüência exata de fi brados vetoriais, envolvendo o fi brado tangente e o fibra-
do E, dando à luz os campos verticais e aos horizontais [62]. Dessa cisão obtemos a
Sf-seqüência espectral de Vinogradov [63, 70], envolvendo os invariantes integrais de
53
Cartan [23, 64]. Tal seqüência espectral carrega dentro de seus termos as Hamiltonea-
nas, como se pode ver em [68, 70]. Ela também está naturalmente relacionada com a
cohomologia do complexo variacional [63] e com a resolução do complexo de Euler-
Lagrange [38]. Esta abordagem, naturalmente, mistura-se com a teoria de operadores
diferenciais não-lineares, e mostra um pouco da natureza do problema.
Dadas as proporções do problema, em [64], o autor chega a sugerir a gênese de
um novo campo de estudos na Matemática, a Geometria Diferencial Algébrica, cujo
objetivo seria estudar as propriedades geométricas do complexo variacional. De fato,
em [38, 51, 70] é mostrado que toda a Geometria Diferencial advém das estruturas
envolvidas na parte vertical do complexo de Eu1er-Lagrange
8
. O estudo da parte ho-
rizontal pode vir a proporcionar novos resultados e a abertura de profícuos campos
de estudo na matemática, resgatando e dando entendimento a importantes resultados
das geometrias clássica e moderna. Tal estudo esbarra, entre outras coisas, no enten-
dimento de uma versão algébrica para o Teorema do Índice, como sugerido em [67].
Voltaremos a essa questão no Capítulo 5.
3.7 O Formalismo Hamiltoneano em Anéis Hamiltone-
anos
De nossas discussões anteriores, do ponto de vista formal, precisamos somente da
existência de um colchete de Poisson para construir um "formalismo Hamiltoneano".
Por outro lado, o método usado para se definir os colchetes de Poisson se baseia no
fato de que, no anel filtrado Dif(R) ::) · · · ::) Difk(R) :J · · · :J R, o comutador [ô
1

2
],
de elementos das filtrações ~ v
1
, ~ v
2
, respectivamente, é um elemento da filtração
~ v
1
+ v
2
- 1. Desta forma, podemos construir um "formalismo Hamiltoneano" pa-
ra qualquer anel comutativo, com identidade, e filtrado, F :J · · · ::) Fk :J · · · :J F
0
em
que a relação de comutação esteja ligada à fltração, da maneira que indicamos acima.
Chamamos tais anéis de Hamiltoneanos. Assim, o anel graduado
00 F.
Smbl(F) = EfJ F n ,
n=1 n-l
associado a F, tendo em vista as suposições feitas anteriormente, é comutativo e com
identidade.
Dados elementos a
1
E Fn
1
C F e a
2
E F ~ C F, definimos os símbolos Smbl ( <1
1
) E
Fn
1
I Fn,-l e Smbl( <1
1
) E Fn) Fn
2
_
1
por meio das projeções naturais Fn
1
-t Fn
1
I Fn
1
_
1
e
F ~ - - + Fn) Fn
2
_
1
• Desta maneira, podemos definir o colchete de Poisson dos elementos
s = Smbl( <1
1
) e t = Smbl( a
2
) como
{ s, t} = Smblnl +n2-l ([ <1p <12]) .
------------------------
8 A cisão dada pela conexão de que falamos antes, cinde o complexo variacional em partes horizontal
e vertical que, por sua vez, dão origem às panes vertical e horizontal do complexo de Euler-Lagrange.
54
Daqui para frente, a construção de um "formalismo Hamiltoneano" para o anel F
prossegue, passo a passo, como fizemos nas seções anteriores.
Isso mostra que podemos construir um "formalismo Hamiltoneano" para qualquer
anel Hamiltoneano F. Tais anéis podem aparecer como extensões de filtrações de-
terminadas por fibrados vetoriais sobre uma variedade. Com efeito, a referência [67]
aponta uma maneira de se obter importantes invariantes "topológico-geométricos" pa-
ra o anel F por meio do "formalismo Hamiltoneano".
3.8 Em Direção a uma Teoria de Schemas Afins Hamil-
toneanos
Uma sugestão dada por Manin [44] para a superação dos problemas apresentados no
final da seção 3.6, vem da Geometria Não-Comutativa. Comentando a respeito da
fórmula
da= i[ F, a],
apresentada no artigo publicado por Connes em 1982, Manin sugere que os diferenciais
devam pertencer a um feixe estrutural de um "superschema" [44, 45] mais geral que
aquele adivindo de um fibrado algébrico de linhas [13, 14].
Isso mostra que o problema pode ser abordado por meio de técnicas da Geometria
Algébrica, que generalizam a noção de schema para "superschema", em consonância
com as idéias da Geometria Não-Comutativa. Em [44, 45] temos urna idéia de como
isso pode ser feito.
Podemos, ainda que de uma maneira bem primitiva, adaptar algumas dessas idéias
a nosso estudo. Procuraremos não nos aprofundar muito nessa questão, pois tal envol-
veria um estudo de operadores diferenciais sobre schemas [20] e superschemas [44], e
cohomologia cíclica [13], fugindo ao escopo desta tese.
A definição que demos para automorfismo canônico, pode ser generalizada no se-
guinte sentido: Um homomorfismo de anéis canônicos q> : S
1
~ S
2
é dito ser um
homomorfismo canônico se ele preserva os colchetes de Poisson, i.e., se
para todos os si' s
2
E S
1
, onde { ·, ·h é o colchete de Poisson de S
1
e {-, ·h o de
S
2
. Assim, se s
1
E Ker( q> ), então q> ( { s
1
, s
2
}
1
) = { cp(s
1
) , cp(s
2
) h =O, i.e., { s
1
, s
2
} E
Ker( q>). Portanto, Hs
1
(Ker( q>) ) C Ker( q> ) para todo s
1
E S.
Os ideais que são invariantes pela ação de todas as hamiltoneanas, são chamados
estáveis. Isto significa que um ideal de um anel canônicoS é estável se ele é também
um ideal com respeito à estrutura de álgebra de Lie de S, determinada pelo colchete de
Poisson. Com isso, temos diretamente o resultado seguinte.
Proposição 3.11. Seja p um ideal estável de um anel canônico S. Então, a igualdade
{ cp(s
1
) , cp(s
2
)} = q> ( { s
1
, s
2
} ), onde q> : S-+ S /P é a projeção no quociente, determi-
55
na uma estrurura canônica bem definida em Sj p. Além disso, cp é um isomorfismo
canônico.
Em vista desta proposição, é natural considerar o anel quociente como a localiza-
ção [26] do anel canônico S.
O quadro geométrico correspondendo ao ideal estável p c Sé que a "sub variedade"
Spec(S/ p) da ''variedade" Spec(S) é tangente a todo campo de vetores Hamiltoneano.
Com isso, é natural definir a órbita Hantiltoneana [41] de um subconjunto A c Spec(S)
como sendo o menor subconjuntoA
8
C Spec(S), comA c A
8
, que toca todos os cam-
pos de vetores Hamiltoneanos. Intuitivamente, podemos imaginar A
8
como sendo o
conjunto obtido de A por meio de todas as transformações Hamiltoneanas, i.e., des-
locamento ao longo das linhas integrais dos campos Hamiltoneanos. É claro que não
podemos dar um significado preciso para esse conceito intuitivo, em geral. Entretanto,
uma versão algébrica do conjunto A
8
existe, e é dada pela definição a seguir:
Definição 3.12. A órbita algébrica de um ponto p E Spec(S) é a "subvariedade"
Spec (S {{')(p) ), onde {')(p) é o maior ideal estável de S contido em p.
Note que a projeção S-t Sj (') (p) dá a luz o homomorfismo Spec (Sj {') (p)) -t
Spec(S). Além disso, intuitivamente, podemos interpretar S/ ô(p) como sendo o "anel
de funções sobre p H". O teorema seguinte esclarece um pouco mais a respeito da
estrutura algébrica de (') ( p).
Teorema 3.13. Para todo ideal p E Spec(S), o ideal O(p) existe, é único, e é primo.
Denwnstração. Se O(p) = p, não há o que provar. Denotemos, então, q = O(p). Va-
mos, primeiramente, mostrar que q = ( q ) , onde :R(q) é o radical [39] de q. Uma
vez que o radical é um ideal estável contendo q, o fato de p ser primo implica que
q c :R(q) c p. Da maximalidade de q, segue que ( q ) = q.
Consideremos agora um elemento s E S J q, e denotemos por
qs = { s' E s' I sn s' E q para algum n}.
Não é difícil ver que qs é um ideal com q c qs. A identidade
H
0
(s') .s:+l = H
0
(s·tt+
1
) -H
0
(tt+
1
) ·s' = H
0
(s·sn+l ) - (n+ l )S:s'H
0
(s)
mostra que H
0
(s')sn+
1
C q se s' E qs e C5 E S. Isto mostra que qs é estável. Por outro
lado, uma vez que pé primo, tem-se qs C p se s ~ p.
Sejam então s, s' E S, tais que ss
1
E q. Assumimos que um dos dois, sou s', não
pertence a q. Digamos que s (j. q, e consideremos o ideal qs. Se existe um elemento
s" E qs com s'' (j. p, então q c qs', c p e, desta forma, qs', = q. Uma vez que sns" E q,
segue que sn E qs''' e daí sn E q. Como q é igual ao seu próprio radical, vale que sE q,
contradizendo o fato de que s rt q. Assim, devemos ter q C qs C p, e portanto q = qs.
Desta forma, como s' E qs, segue que s' E q. Isso mostra que q é primo. I
Como conseqüências diretas desse teorema, temos os seguintes resultados:
56
Corolário 3.14. Uma estrutura Hamiltoneana sobre S define uma aplicação
('): Spec(S)-+ Spec(S), onde cada ideal p C Sé associado ao ideal <J(p). Tal apli-
cação é a projeção do espaço Spec(S) sobre o subespaço SpecH(S), consistindo de
rodos os ideais primos estáveis de S.
Corolário 3.15. O conjunto das órbitas algébricas em Spec(S) está em correspondên-
cia um a um com o conjunto de ideais primos estáveis de S, i.e. , SpecH(S) é o "espaço
das órbitas".
Mesmo quando se pode dar um significado geométrico à idéia da órbita Hamilto-
neana pH, como discutimos anteriormente, pode acontecer que PH =fi Spec (SI <J(p))
9
.
Essa situação tem a ver com o fato de Spec (SI <9 ( p)) ser meramente o "fecho algébri-
co" de pH, e portanto ser consideravelmente maior que PH· Neste caso, o espaço de
órbitas Spec(S/ el(p)) contém objetos geométricos qH com q E Spec(S). A definição
seguinte corresponde, intuitivamente, à operação de excisão das órbitas geométricas
qH, que não possuem dimensão maximal, do espaço Spec (S ICJ(p) ).
Definição 3.16. Seja p E Spec(S) um ideal primo de S. A parte principal da órbita
algébrica de p é definida corno
P(p) = <9-
1
(ô(p)).
Como conseqüência direta dessa definição, temos os resultados:
Proposição 3.17. SejaS um anel canônico. Valem:
1. A partição de Spec(S) em partes principais das órbitas algébricas é uma parti-
ção em classes disjuntas.
2. A órbita algébrica de Spec(S/ q) coincide com sua parte principal se, e somente
se, q é um ideal estável maximal.
Definimos o centro de Poisson Z(S) de um anel canônico S corno o conjunto dos
sE S para os quais se tem Hs =O. Dessa definição, segue que Z(S) é um subanel de
S. O resultado seguinte caracteriza o centro de Poisson quando q é um ideal estável
maximal.
Proposição 3.18. Se q é um ideal estável maximal, então o centro de Poisson de SI q
é um corpo.
Demonstração. Primeiramente, notemos que o centro de Poisson de S/ q é o "anel de
funções" sobre a órbita correspondendo a q. Assim, o anel S/q é munido de uma estru-
tura Hamiltoneana, e é caracterizado pelo fato de não possuir ideais estáveis próprios.
É claro que Z(S/ q) =fi </J. Seja então z E S/ q. Então, o ideal principal < z > é estável
9
De fato, temos semprepH C Spec(S/O(p)).
57
e, conseqüentemente, ele coincide com o anel todo Sj q. Isto mostra que z é invenível
em Sj q. É evidente que sua inversa z-
1
também penence a Z(S/ q). I
Isto mostra que, associado a uma órbita algébrica de um determinado tipo, está o
corpo Z(S/ q), que é uma extensão do anel de base R. É natural chamar os elementos
deste corpo de caracteres infinitesimais da órbita algébrica Spec (S/ ô(q)) [16].
Os conceitos que introduzimos aqui podem ser considerados como um análogo
algébrico-geométrico do conceito de variedade canônica, e apontam para uma teoria
de "schemas afins Hamiltoneanos", como já foi discutido no início.
58
Capítulo 4
Formas de Berezin e
Lagrangeanas Algébricas
Por meio da Geometria Não-comutativa, vislumbra-se a possibilidade de reformular
as noções clássicas de geometria diferencial em termos puramente algébricos. Nesse
contexto, o cálculo diferencial torna-se uma extenão da linguagem da álgebra comu-
tativa [2]. Por outro lado, existem vários casos bastante importantes, onde é possível
ir além disso [44]. Eles deram ímpeto a novas pesquisas, cujo objetivo é transplantar
as ferramentas da análise e geometria em termos não-comutativos. Um exemplo vem
do estudo de uma teoria não-comutativa de integração, leis de conservação e forma-
lismo Lagrangeano [40, 47]. Entretanto, surge o problema da descrição do processo
de integração. A primeira questão é a seguinte: dada uma álgebra comutativa, como
definir o módulo das formas de volume? Uma resposta a essa questão, em particular.
dá a possibilidade de definir as formas de volume (formas de Berezin) sobre uma su-
pervariedade da maneira usual, i.e., usando convenientemente a regra de sinais [53].
Tendo em vista as peculiaridades bem conhecidas da integração de Berezin, o caráter
do problema toma-se evidente, pois resulta na perda de um claro cenário algébrico
para o processo de integração e de construções relacionadas a este processo.
Se entendermos por Lagrangeana multivetorial a natural generalização algébrica
da Lagrangena usual, as dificuldades de entendimento tornam-se apenas dificuldades
de linguagem e de entendimento das propriedades do módulo das formas de Berezin.
De fato, a inesperada relação entre lagrangeanas e formas de Berezin nos dão uma
idéia mais clara para estudar problemas variacionais em supervariedades.
Assim, nosso objetivo neste capítulo será buscar um adequado cenário algébrico
para a construção do formalismo Lagrangeano. Trabalharemos sobre um anel comu-
tativo arbitrário a fim de mostrar que as noções de formas de Berezin, adjuntas de
operadores, operador de Euler, fórmula de Green, etc., podem ser estendidas a este
anel de uma maneira bastante natural.
59
4.1 A Adjunta de um Operador
Como antes, K será um anel comutativo com identidade, R urna K -álgebra comutativa
com identidade e n.K(R) o módulo dos diferenciais de Kah.ler.
Dados R-módulos P e Q, definimos uma estrutura de R-módulo à direita em
Difk(P, Q) através da operação de multiplicação
(6 oa)(p) = 6 (ap),
para todo a E R, p E P e 6 E Difk(P, Q).
Denotamos por Dift (P, Q) o módulo Difk(P, Q) munido desta estrutura de R-mó-
dulo à direita.
Note que qualquer operador diferencial de ordem ~ k, agindo de P a Q, é também
um operador diferencial de ordem ~ L para todo L ;;:: k. Conseqüentemente, obtemos
inclusões Difl ( P, Q) C Dlft ( P, Q), que nos permitem definir a filtração
Dif(j (P, Q) C Difi (P, Q) C · · · C Dü;r (P, Q) c · · ·
Por simplicidade, denotaremos por Dif+(P,Q) ao módulo filtrado Un ~
0
Dir,; (P,Q).
Também denotaremos A
11
(n.K(P) ) simplesmente por A".
Sendo d : A n -+ A"+
1
o diferencial do complexo de De Rham, definimos a seguinte
seqüência
onde w(V) =do V E Dif(P, A"+
1
) para todo operador V E Dif(P,A"). Uma vez que
wo w('V) =do d o V = 0 para todo V E Dif(P, An), n ;;:: O, a seqüência acima é, de fato,
um complexo.
Denotemos por P
11
, n ;;:: O, o seguinte módulo de cohomologia deste complexo:
P, _ {V E Dit+(P, An) : w(V) =O}
n - w(Dif+ (P, J\n- 1))
Se 6 : P -+ Q é um operador diferencial, denotamos por ll a aplicação definida
como ~ ( V ) = Vo6 E Dir+(P, A"), para todo o operador V E Dirt" (Q, A"). Uma vez
que w( ( V ) ) = d o V o 6 = ( w(V)), induz uma aplicação cocadeia entre complexos
· · · --Dirt"(Q, A") ~ Dirt" (Q, A"+
1
) --· · ·
1Ã !Ã
· · · - Dif+(P, An) DW(P, An+l) - · · ·
Esta aplicação cocadeia passa ao nível de cohomologia, determinando uma aplicação
6 ~ : Qn -+ Pn. para todo n ;;:: O.
60
Definição 4.1. O operador induzido por Li, é chamado n-ésima adjunta do operador
Ll [70].
Para finalizar esta seção, quando não causar confusão, denotaremos Dif+ simples-
mente por Dif, e fixaremos o inteiro n, omitindo o índice correspondente, a fim de
simplificar a notação.
Proposição 4.2. Sejam P, Q e T, R-módulos.
1. Se Ll E Difk(P, Q), então Ll* E Difk(Q,P).
2. Se Ll
1
E Dif{P, Q) e A
2
E Dif(Q, T), então (õ
2
o Ll
1
)* = Llr o Lli.
Demonstração. Denotemos por (V] a classe de cohomologia de um operador V E
Di f( P, A n), onde w(V) = O. Dado a E R, denotemos por a o A e Ll o a os operadores
definidos por aoll(p) = aLl(p) e !l oa(p) = A(ap) respectivamente.
Para demostrarmos a primeira afirmação, seja a E R. Então
aLl*([V]) -A*(a[V]) = [VoaoA] - [Voõ oaJ
(aoõ)*([V])- (õ oa)*([V]) = -(óa(A))*([V']) .
Conseqüentemente, óaa •... ,a
11
(il*) = (-1)n+
1
(óa
0
, .•. ,a
11
(A))* para quaisquer elementos
a
0
, . .. , an E R.
A segunda afirmação segue diretamente da identidade
Isto conclui a demonstração. I
Vejamos alguns exemplos de adjuntas de operadores.
Exemplo 4.3. Seja a E R e a= ap: P -t P o operador de multiplicação: a: p r--t ap.
Então a?([V]) =[V oap] = [V]a. Assim, a? é a multiplicação à direita por a em P.
Exemplo 4.4. Dado p E P, definimos o operador p : R -t P _por p(a) = ap, a E R.
Pela primeira parte da Proposição 4.2, segue que p* E HomR(P,R). Assim, existe um
emparelhamento natural<· ,· >: P®RP -t R, definido por < p,p>= p*(íi), pE P.
4.2 Formas de Berezin e Integração Algébrica
6
Dado um complexo de operadores diferenciais · · ···,coloca-
mos
j)(n) = {V E Dif(Pk, An): w(V) =O}
k w(Dif(Pk,An-1 )) .
61
t,•
Pela Proposição 4.2, para cada n ~ O a seqüência · · ·-í'in).-..!,_Pk'i
1
- · · · é
também um complexo de operadores diferenciais, uma vez que óZ o óZ+
1
= (ók+l o
ók)• =O. Por simplicidade, como antes, omitimos o índice n, e chamamos o complexo
.-. âk -
· · · ~ P - P --···
k k+l
de complexo adjunto do complexo original.
Definição 4.5. O complexo adjunto ao complexo de De Rham do anel R, é chamado
complexo de formas integrais, e é denotado por
onde Ek = Âk e 8 = d*. O módulo .E
0
=R é chamado Bereziniano (ou módulo das
formas de volume), e é denotado por !8 [45, 53].
Quando P é um módulo projetivo e finitamente gerado, podemos caracterizar P em
termos do Bereziniano. Isto é feito por meio das proposições a seguir:
Proposição 4.6. Dif+ (P, Q) é canonicamente isomorfo a HomR(P, Di r+ (R, Q) ).
Demonstração. Dado ó E Dif+(P, Q), definimos a aplicação f: P ~ Dif+(R, Q) por
f(p)(a) = ó (ap), para todos os a E R e p E P. Uma vez que (óoa)(p) = ó (ap)
1
,
segue que f(p)(a) = (f(p) oa)(l), mostrando que f é R-linear.
Reciprocamente, dada f E HomR(P, Dif+(R, Q)), temos TI o f E Dif+(P, Q), onde
TI : Dif+ (R, Q) ~ Q é definida por TI(ó) = .1(1). I
Proposição 4.7. Quando Pé um módulo projetivo e finitamente gerado, tem-se o iso-
morfismo P HomR(P, ) .
Demonstração. Pela proposição anterior, e do fato de P ser projetivo e finitamente
1
Recordemos que 6. o a é a multiplicação à direita de 6 por a.
62
gerado, temos a sequinte seqüência de igualdades e isomorfismos
fo(n) = {V E Dif+(P, An) : w(V) =O}
w(Dif+(P,A"-
1
))
""'
{VEDif+(P, An) :doV=O}
{do V : V E Dif+ (P, A n-1)}
P*®R {V E Dif+(R, An) : do V =0}
P* ®R {do V: V E Dif+(R, An-1)}
"" P* {V E Dif+(R,An): d o V= O}
®R {do V: V E Dif+ (R, An-1 )}
'""" p* ®R r;B(n)
HomR(P, r;B(n))
Isto conclui a demonstração. I
Por meio dessa proposição, podemos caracterizar completamente o complexo de
formas integrais somente em termos do Bereziniano quando P =R:
Corolário 4.8. Se P =R, tem-se Ek = Â..k = HomR(Ak, r:B) ~ Dk(r:B).
Notemos que o R-epimorfismo TI: Dif(R,An) ~ An, definido por fl(Ll) = 6.(1),
induz uma aplicação cocadeia
pois d o fi = n o W. Desta maneira, a aplicação n passa ao nível de co homolo-
gia gerando a aplicação f: fJ3 ~ H* (A• ), do Bereziniano a valores nos módulos da
cohomologia de De Rham, definida por
onde [V] E r;B(n) = R(n). Esta é uma versão algébrica para a integração, como sugerida
em [53], que se relaciona diretamente com a integral de Berezin [45, 53].
Proposição 4.9. A aplicação f: fJ3 ~ H* (A•) satisfaz as seguintes propriedades:
1. Se ro E 1:
1
então f 8m =O
63
2. ("Integração por Partes") Para qualquer operador diferencial 6 : P -t Q e ele-
mentos p E P e q E Q, a identidade
f < ó(p),(f>= f < p,t/ (q) > .
é válida.
Demonsrração. Para a primeira afirmação, suponha que m E r.
1
• Então 8 co = [V o d]
e, conseqüentemente, f 8m = [Vod( l )) = O. Quanto à segunda afirmação, suponha
que q = [V) para algum operador V : Q --+ A n. Então
f< Ll(p) ,q>= f[''V oll.(p) ] = f [Votl op] = f < p, [Voô] >= f < p,b.*({j) >
1
completando a demonstração. I
4.3 Seqüências Espectrais e a Dualidade de Poincaré
Nesta seção descreveremos uma seqüência espectral, que estabelece a relação entre
a cohomologia de De Rham e a homologia do complexo das formas integrais. Para
maiores detalhes a respeito de seqüências espectrais, vide o Apêndice B ou [43].
Podemos definir o operador d': DiF(i\k, P) -t Dif+(Ak-l ,P) por d'(D. ) = D.od.
Desta maneira, temos o diagrama
o o o
l l l
o-Dif+(R,R) w DiF(R, J\
1
)

- · ··
l d' l d' l d'
O-Dif+(A
1
DiF(J\
1
, i\
1
) Dif+(A
1
, A
2
)-· · ·
ld' ld' l d'
O-- Dif+(A
2
,R) Díf+(A
2
,A
1
) Dif+(A2, A2) --· · ·
1d' 'd' 'd'
Uma vez que Dir+(A- p-l ,Q) = Dif(i\-(p+l), Q), definindo Kp,q = Dit-+-(1\- P,f\q),
temos d': Kp,q -t KP+I ,q e w: KP·q--+ Kp,q+t. Além disso, como wow =O, d' od' =O
e wod' = d' ow, temos um complexo duplo munido de dois operadores diferenciais, de
maneira que a construção desenvolvida no Apêndice B se aplica neste caso, e produz
duas seqüências espectrais, ambas convergindo para o mesmo módulo graduado. O
resultado abaixo completa essa discussão.
64
Teorema 4.10 (Dualidade de Poincaré Algébrica). Existe uma seqüência espectral
{
E NI dP,q} com
r ' r
Ep,q =H (E(q))
2 -p • .
sendo esta a homologia do complexo deformas integrais, e convergindo para a coho-
mologia de De Rham H(A*).
Demonstração. O diferencial J = d' + ( -1 )Pw aplica K" em Kn+
1
, onde
fazendo de K = EBn um complexo diferencial. Pelo que temos do Apêndice B,
segue que
Mas H;,(K) = Aq se p =O e O se p =f:. O. Assim, llEf'q = = Hq(A*) se
p =O e llEf•q = O se p =f:. O. Desta forma, a segunda seqüência espectral converge para
a cohomologia de De Rham. Da primeira seqüência espectral, temos
Mas = Como o operador d' é um operador de homologia sobre esse com-
plexo tem-se
1
EP•q= HP(Hq(K))=HP(r,(q)) =H (E(q)) Noteque porconstrução
' 2 d' w d' • - p • . • ,
devemos ter
TJEp,q = Ep,q
2 2 .
Uma vez que as duas seqüências espectrais convergem para o mesmo limite, concluí-
mos a demonstração. I
No caso das variedades diferenciáveis, e mesmo das supervariedades, é possível
obter um resultado mais amplo, caracterizando completamente a homologia das formas
integrais em termos da cohomologia de De Rham. Faremos isso na subseção seguinte,
como uma aplicação desta versão algébrica da dualidade de Poincaré.
4.3.1 Complexos de Kozul e as Teorias Supersimétricas
Uma das questões mais freqüentes em álgebra homológica é estabelecer que um de-
terminado complexo é acíclico, i.e., exato em todos os graus. Uma das maneiras mais
simples de provar isso, é verificando que ele é um complexo de Kozul. Os comple-
xos de Kozul envolvem as álgebras simétricas e a álgebra exterior, sendo por isso de
particular importância no contexto de nosso estudo dos operadores diferenciais.
Seja V um espaço vetorial, e considere a seqüência
65
com
q
d(z®v
1
1\ ··· I\ vq) = [ ( -l)i+lviz® (v
1
1\ ··· I\ vi_
1
1\ v
1
+
1
1\ ··· I\ vq) ,
i== I
onde z E sn-q(V), VI ) .•. ) Vq E v e V;Z denota o produto simétrico de vi por z. Como
d
2
= d o d = O, esta seqüência é um complexo. Este complexo é chamado complexo
de Kozul. Para mostrar que ele é acíclico, definimos o operador
p
s(z
1
• • · Zp®v) = [ z
1
• • ·zi_
1
z
1
+
1
· · ·zp® (zil\v) ,
i=l
onde z
1
, ... , Zp E V e v E An-P(V). Um cálculo, usando a definição de de s, leva a
(dos+sod)(x) = (p+q)x
para todo x E SP (V)® A q (V). Isto nos mostra que este complexo é homotópico a zero
2
,
i.e., é acíclico. Olhando com um pouco mais de cuidado, notamos que s
2
= sos =O,
fazendo com que
seja um complexo. Este complexo é chamado complexo de De Rham polinomial e, tal
qual o complexo de Kozul, é acíclico.
Com essas considerações prévias, podemos agora caracterizar o Bereziniano quan-
do R é o anel de funções de uma variedade diferenciável de dimensão finita.
Teorema 4.11. Suponha que R= CO(M), onde M é uma variedade diferenciável de
dimensão n. Então
1. R(k) =O para k =/= n.
2. ~ ~ An, i.e., o Bereziniano coincide com o módulo dasfonnas de volume de M.
Demonstração. Devemos calcular a cohomologia do complexo
Para isso, consideramos o complexo aumentado
onde TI (V) = V( l) .
2
A construção de operadores de homotopia é um processo padrão para a demonstração da aciclici-
dade de complexos. Para mais detalhes, veja [11, 58]
66
Da definição da filtração crescente de Dif+ (R,AP), se mostrannos que esse corn-
prexo é acíclico para todo o inteiro k ~ O, poderemos tomar o limite algébrico sobre
k. obtendo o resultado procurado.
Uma vez que, localmente, vale a dualidade de Poincaré para formas, temos um
isomorfismo natural E>: Dk(A
11
) ~ An-k_ Tal isomorfismo é definido tomando-se uma
forma de volume local ro E A
11
• Então, se Z = X
1
/\ • · · 1\Xk ® w E Dk (A
11
), temos
E>(Z) (Yl , · · ·, Yn-k) = ro(XI , · · · ,Xk, YJ ' · · · ' Yn-k) ,
onde X
1
, •.. , Xk, Y
1
, ... , Xn-k são campos de vetores definidos localmente. Obviamente
essa definição não depende da particular escolha de ro.
Se Pé um R-módulo projetivo e finitamente gerado, tem-se, a seqüência de iso-
morfismos
Ds(Difk_/ R,P))
I'V
HomR(As, Difk-s(R,P))
"'
HomR(As ,HomRCJ"k-s(R), P))
I'V
(As)• ®R HomR(/k-s(R), P))
,.._,
fk-s(R)* ®R (As)* ®R P
I'V
.,fk-s(R)* ® HomR(A
5
,P)
,.._,
HomR(fk-s(R), Ds(P))
-
Difk-s(R,Ds(P)).
Uma vez que Dk(A
11
) ~ An-s, que A" é projetivo e finitamente gerado, e que DiÇ_k é
um funtor exato, temos mais uma seqüência de isomorfismos
Difk-s(R,Ds(A
11
))
Difk-s(R,An-s)
"' Dift_s (R' A n-s).
Tomando então dois complexos aumentados, definidos como no inicio da demons-
tração, um de ordem k e outro de ordem k - 1, e considerando as inclusões naturais
Difk-J (P, Q) Y Difk( P, Q), temos o diagrama
Assim, como estamos em uma situação diferenciável , passando ao quociente, temos o
complexo
67
Se provarmos que esse complexo é acíclico, os outros dois também serão [11, 58]. Para
isso, notamos que, das identidades fundamentais para os símbolos e da representação
do funtor D;. temos
Mas, da definição do operador w, não é difícil ver que o operador
é expresso por
i
<1( (L) ®'!'® q>l 1\ · ·· I\ q>;) = L ( - 1 y+I (L)® 'I'q>r ® q>l 1\ ·" 1\ fPr- 11\ ({Jr+l 1\ · .. 1\ ({Ji,
r=l
onde ro E An, '!'E Sk (.Q*) , ({Jr E .Q*, sendo que 'I'q>r denota o produto simétrico de'!'
e cp, em sk+J (.Q*) .
Com isso, vemos que o operador <1 coincide com o diferencial de Kozul, mostrando
que o complexo em questão é de Kozul. Isto implica que o complexo aumentado é
acíclico. Tomando o limite algébrico sobre k, nesse complexo, obtemos a aciclicidade
de:
Da exatidão dessa seqüência segue, em particular, que
Isso completa a demonstração.
se k f:. n
se k = n.
I
Na situação diferenciável, existe um isomorfismo natural Ai:::: Dn_;(An) =L.;. que
leva a E Aí no homomorfismo a: An-í --+ An dado por a(7J ) = 1J A a, para todo
1J E An- i_
Na demonstração do teorema, aqueles mais familiarizados com a teoria de Spencer,
-
puderam notar que o complexo, cuja cohomologia define os módulos A k, é equivalente
ao complexo de Spencer para o funtor Dif. Para mais detalhes a esse respeito, vide [35,
60].
O Teorema 4.11, juntamente com o Teorema 4.1 O, produzem diretamente a duali-
dade de Poincaré.
Corolário 4.12. Se R_(k) =O para todos os k f:. n e R(n) = An, então
68
É óbvio que não fizemos todo esse esforço meramente para provar a dualidade de
Poincaré. Na verdade, o Teorema 4.11 provê um resultado análogo para as supervari-
edades, onde obtemos uma ferramenta para calcular a homologia das formas integrais
em termos da cbhomologia de De Rham. Isso dá uma caracterização simples para as
formas de Berezin.
As supervariedades têm se demonstrado cenário adequado para o estudo de teorias
quânticas supersimétricas. Uma necessidade que surge nesse contexto, está relaciona-
da com a superação de problemas topológicos envolvendo a homologia das formas de
Berezin. Para mais detalhes a respeito dessas questões, vide [31 , 32, 34, 45].
A teoria de operadores diferenciais que desenvolvemos, é baseada em considera-
ções puramente algébricas. Portanto, os resultados que obtivemos continuam válidos
para o caso de superoperadores diferenciais (e também para as superequações induzi-
das por esses operadores), desde que se insira um sinal negativo onde for apropriado.
Um estudo das supervariedades e questões topológicas envolvendo formas de Berezin,
pode ser encontrado em [45] e as definições de superoperadores diferenciais, supeija-
tos, etc., podem ser encontradas em [28, 29]. Discutiremos aqui somente a extensão do
Teorema 4.1 O e do Teorema 4.11, alguns pontos menos óbvios e a fórmula da mudança
de coordenadas.
Sejam M uma supervariedade, dimM = nlm, e 1t : M um superfibrado sobre
M com dimensão slt. A validade do Teorema 4.10 segue diretamente da definição dos
"superanálogos" do complexo de De Rham e do complexo das formas integrais.
Localmente, as seções do fibrado Ber (M) são escritas na forma f (x)D(x) [45],
onde f E c-(U) e D é uma seção local básica, que é multiplicada pelo determinante
de Berezin da matriz Jacobiana, quando ocorre mudança de coordenadas. O deter-
minante de Berezin de uma matrix em blocos ( ) é definido como det(A -
sv-
1
c )(detD)-
1

A seguir temos o "superanálogo" do Teorema 4.11.
Teorema 4.13. Suponha que R= COO(M). Então
1. íi(k) = O para k =/= n.
2. _R(n) é o módulo das seções do fibrado Ber (M).
Demonstração. Como as afirmações são locais, podemos considerar um domínio U
com coordenadas x = (yil Çj), i= 1, ... ,n, j = 1, . .. ,m. Nesse caso, há uma cisão
do complexo Dif+(R,A*) em um produto tensorial de complexos Dif+(R, A*)par ®R
Dif+(R, A• )cmpar• onde Dif+(R, A•)par é o complexo

1

• • ·,
nas variáveis y
1
, . .. ,yn e Dif+(R,A*)rmpar é o mesmo complexo para as variáveis
Ç
1
, • •• , Çm da álgebra de Grassmann.
69
Pelo Teorema4.11 temosHk(Dif+(A*)par) = O parak=/= n e Hn(Dir+ (A*)par) =A[;,
onde A'/; é o módulo das n-formas definidas nas variáveis y
1
, •• • ,Yn· Para calcu-
lar a cohomologia de Dit+(A*)ímpar• consideramos, como na demonstração do Teo-
rema 4.11, o complexo quociente
O --7 Smblk(R,R)ímpar --7 Smblk+
1
(R, J\
1
)ímpar ---7 · · ·
onde Smblk(R,P)rmpar = Dift(R,P)fmpar/ Dift+
1
(R,P)impar. O mesmo cálculo feito lá
mostra que esses são complexos de Kozul, e portanto obtemos Hk(Dif+(A•)ímpar) =O
para k >O, sendo que H
0
(Dir+(A*)írnpar) é um módulo de posto 1. Ponanto, íj{.k) =
Hk(Dit+(A*)) = O para k =!= n.
3
De [45] temos que os únicos operadores que representam cociclos não-triviais tem
am
a forma f (y, Ç )dy
1
1\ · · · dyn éJÇ
1
... Çm. Assim, para completar a prova, devemos mos-
trar que R(n) é precisamente o módulo das seções r (M, Ber (M)), i.e., que fazendo uma
mudança de coordenadas obtemos
fdyl f\ .. · dYnaÇ am Ç =JBerl(:)dv
1
1\ ···dvné) am +T,
1 • • • m Z 1J 1 .. • 1'/m
onde z = (vi, 1J) é um novo sistema de coordenadas sobre V, Ber denota o determi-
nante de Berezin, J ( é a matriz jacobiana e T é cohomologo a zero (veja [53]).
Mas isto é conseqüência direta de um cálculo envolvendo o determinante de Berezin,
como descrito a seguir:
Se X = ( ) e x-t = ( ) são inversas uma da outra, tem-se AB +
BD=OeCB+DD= l,ondeD=D-
1
+CA- LB. Destaforma,
( = ( j)-1 = ( c1-l ( ti ) .
Com isso, obtemos
Ber ( ) = Ber ( c1-I Ber ( ) = det (A) det(D).
Isso conclui a demonstração. I
Por fim, esse teorema, juntamente com o "superanálogo" do Teorema 4.10, impli-
cam o seguinte:
Corolário 4.14. Se íi(k) =O para todo k =!= n, então Hk(r. .. ) Hn-k(A*).
Isso provê uma caracterização da homologia do complexo das formas de volume
em termos da cohomologia de De Rham da supervariedade M.
3
Esse fato segue da fórmula de Küneth para o cálculo da cohornologia produto. Para mais detalhes,
vide [58).
70
4.4 A Fórmula de Green
No que segue, vamos assumir que o módulo nK(R) é projetivo e finitamente gerado.
Isso implica que os módulos Ak e /k(R) são projetivos e finitamente gerados. Neste
caso, vamos considerar uma variante da construção da adjunta de um
Seja Q um R-módulo. Então existe um homomorfismo natural ÇQ : Q --7 Q, definido
por ÇQ(q)(q) =< q,q>. Conseqüentemente, para todo operador diferencial!:::.: P--1- Q,
corresponde o operador b. o : Q --7 P, onde b. o = b. * o ÇQ. Este operador também será
chamado de adjunto de b..
Com base em considerações análogas às que fizemos na última seção, pode-se
mostrar que as duas definições de adjunto coincidem no caso diferenciável.
Exemplo 4.15. Seja q E Q e q : R --7 Q o operador de ordem zero definido por a H
a(j. Desta fonna, podemos pensar no adjunto deste operador como um elemento de

Proposição 4.16. A correspondência b. r-t Ô
0
possui as seguintes propriedades:
1. Sejam ll. E Dif(P, Q) e t:::.(p) = [Y'p]. onde V'P E Dif(Q,Ai). Então /l
0
= [Dq], onde
Dq E Dif(P, Ai) e Dq(p) = Y'p(q).
2. Para todo b. E Dif(P, Q), temos (!:::.
0
)
0
= b..
3. Para todo a E R, temos (ab.)
0
= /l.
0
o a.
4. Se b. E Difk(R, 23) então b.
0
(a) = jk o (ab.).
5. Se X E D
1
X +Xo = o(X) E Dif
0
(R, 23) =
Demonstração. A primeira e a terceira afirmações são conseqüências diretas da defi-
nição de b. o, e a segunda afirmação segue diretamente da primeira.
Para a quarta afirmação, note que, pela definição de Â
0
, ternos Ó
0
E HomR(R,P).
Assim,
Â
0
(a) = b.* oÇR(a) =(h o jk)*(ÇR(a)) = (jk oh*)(ÇR(a)),
onde  =h o jk é dado pelo isomorfismo Difk(P, HomR(.j' k( P), ÇR e
-
h* são R-lineares, e f(P) Difk(P, que
UZ o h*)(ÇR(a)) = jic o (ah*( ÇR(1 ))) = jk o (all.).
Para demonstrar a quinta afirmação, note que 5a(J
1
) = j
1
(a)- aj
1
(1) E /
1
(R).
Portanto, para  E Dif
1
(R,P) temos (oa(h )t(t:::. ) = ll.(a)- a8(1) = ( 8a(8))( 1). Con-
seqüentemente,
71
Assim, c5(X) = Ji(X) = X
0
(l ) =X +X
0
• Isso conclui a demonsração I
Nesse contexto, podemos obter um resultado semelhante ao Teorema 4.11, que
nos será útil tanto na demonstração da fórmula de Green [69, 70] para operadores
diferenciais, quanto na demonstração de certos resultados, que veremos mais adiante,
envolvendo Lagrangeanas.
Teorema 4.17. O complexo abaixo é exato
P? Dif(P, Dif(R,.E
1
)? · · ·,
onde (J) = 8 o , para E Dif(P,I:k), e J.L(V) = °(1), para E Dif(P, s.B).
Demonstração. Se provarmos que, para todo k O, o complexo
é exato, tendo em vista a filtração crescente Dif(P,.EJ = Uk
0
Difk(P,.EJ, poderemos
tomar o limite algébrico sobre k, obtendo o resultado procurado.
Recordemos que, se P é projetivo e finitamente gerado, temos os isomorfismos
Por meio deles, podemos transformar o complexo original no complexo
O f- P Difk(R,É') D
1
(Difk-l (R,P)) D
2
(Difk_
2
(R, É') ) · · ·,
ondeS(V)(ap· · .,ar_
1
)(a) = Y' (a
1
, ..• ,ar-Pa), V' E Dr(Difk-r(R,P)) .
Procedendo exatamente como na demonstração do Teorema 4.11, provamos que
esse complexo é um complexo de Kozul; logo, acíclico. Isso conclui a demonstraç,ão.
I
Note que, se 11: P--+ Q é um operador diferencial, temos o seguinte diagrama
comutativo:
O+- Q .2-Dif(Q, Dif(Q, .E
1
) · · ·
ó"l 1 !
0---

· · ·
Na Proposição 4.9 obtivemos a fórmula para a integração por partes, associando
um operador diferencial e sua adjunta. No corolário seguinte, obtemos um resultado
semelhante à fórmula de Green do cálculo vetorial.
72
Corolário 4.18 (Fórmula de Green). Se ó. E Dif(P, Q), p E P e q E Q, então
< q,A(p) > - < ó.
0
(q), p >= 8G,
para alguma l-forma integral G E L
1
.
Demonstração. Considere o operador V E Dif(R, pelo Teorema 4.17, V-
v o ( 1) E Ker Jl e, conseqüentemente, existe um operador O E Dif(R. L
1
) satisfazendo
V - V
0
(l ) = ro(O) = 8 o O. Assim, V(l ) - V
0
(l ) = óG, onde G = 0(1). Colocando
V(a) =< q, Ll(ap) >obtemos o resultado procurado. I
A l-forma integral G, que encontramos na demonstração do corolário, depende de
p e q. Entretanto, podemos escolher G de modo que a aplicação (p,q) H G(p,q) seja
um operador bídiferencial
4
. Como a aplicação m: Dif+(R,E
1
) Dif+(R, Q3) é um R-
homomorfismo, o fato de o módulo Dif+ (A, L
1
) ser projetivo, implica na existência de
um R-homomorfismo K: Im(ro) Dif+(R,.E
1
) , tal que Colocando
O = JC(V- V ( 1)), obtemos G = K(V - V ( 1)) ( 1). Isso prova nossa afirmação.
Para terminar, do ponto vista algébrico, existe, na situação diferenciável , uma vasta
gama de isomorfismos; por exemplo, Q3 A'', fl o = A •, etc. No caso geral, por exem-
plo no caso supercomutativo, estes isomorfismos desaparecem, a menos que se tenha
certas homologias iguais a zero.
4.5 Lagrangeanas, o Operador de Euler e o Teorema
de Noether
Nesta seção, P e Q serão R-módulos projetivos. Introduzimos a notação
Dif(
2
) (P, Q) = Dif(P, Dif(P, Q)) .
Os elementos de Dif(
2
) (P, Q) são chamados operadores bidiferenciais.
Um operador V E Dif(
2
) (P, Q) satisfazendo a condição
V(p ll p2) = V(p1 )(P2) = aV(p2)(pt ) = aV(p2, pi),
é chamado simétrico se a= 1, e anti-simétrico se a= -1. para todos os p
1
, p
2
E P. O
R-módulo de todos os operadores bidíferenciais simétricos, de P a valores em Q, será
denotado por Q).
Teorema 4.19. A seqüência abaixo é exata
O--- Dif
5
im(P, P) 2-- 1:
1
) • • • ,
onde m(V) = ô o V, V E k >O, e Jl(V)(p) = (V(p)t(l ), p E P.
4
A definição encontra-se na próxima seção
73
Demonstração. Do Teorema 4.17, juntamente com o fato de P ser projetivo e de
Dif(P, ·) ser um funtor exato, segue que
O--- Dif(P, P) Dif(P, Dif(P, 1:
1
) · · · ,
é um complexo acíclico, onde éõ(V) = S o V, 'ji(V)(p) = (V(p))
0
(1).
Para provarmos o teorema, é suficiente mostrar que este complexo cinde em par-
tes simétrica e anti-simétrica. Para fazer isso, vamos mostrar que a involução p, de-
finjda como p (V)(p
1
)(p
2
) = V(p
2
)(p
1
), V E Dif(P, Dif(P,I:k)) e p(V) = vo, para
V E Dif(P, P), é um automorfismo deste complexo. Pela definição de p, segue di-
retamente que mo p = p o éõ. Vamos então verificar que ji o p = p o ji. Para isso,
E Dif(P, Dif(P, .1(p
1
)(p
2
) =[V p]>p
2
], V p
1
,p
2
E Dif+(R,An) . Segue da
Proposição 4.16 que
< Ji (.1)(Pt) , p2 >= [DL
onde O E Dif+(R, An), D(a) =V ppap
2
(1), p
1
, p
2
E P. Portanto,
onde D' (a) = V ap
2
,p
1
( 1). Por outro lado,
onde D"(a) =V Ppap
2
(1), sendo que < p(.1)(p
1
),p
2
>= Por construção,
tem-se = vp2,p1· Desta forma, D"(a) = Vap2,p1(1). I
De posse desse teorema, podemos definir o espaço das Lagrangeanas e os opera-
dores de Euler e de Euler-Lagrange.
Definição 4.20. O espaço Lag(P), das Lagrangeanas quadráticas sobre P, é definido
como o cokemel do operador ro:

-t Dif{à)(P, i.e.,
Difsím(P P>)
)
(2) '
Lag(P = Irn( ro) .
Um operador L E dito ser uma densidade da Lagrangeana .Sf E Lag(P)
se !f = L mod Im(ro).
Do Teorema 4.19, passando ao quociente, J.l dá origem ao isomorfismo
Difsim(P
Lag(P) = ( (
2
) ' ) "' {V E Dif(P,P) I (V(p)t = V(p)} .
ro P, 1:)
74
Este isomorfismo é chamado operador de Euler, e será denotado por 6
5
.
Não vamos aqui introduzir algum tipo de principio variacional. Nosso modesto
objetivo é observar a relação entre o formalismo lagrangeano e as formas de Berezin.
Apesar de termos considerado somente Lagrangeanas quadráticas, os argumentos
que usamos podem ser naturalmente generalizados. Por exemplo, definindo
Dif(k) (P, Q) = Dif(P, ... , Dif(P, Q) .. . )
kvezes
podemos generalizar, de maneira imediata, os resultados que obtivemos. Pode-se tam-
bém generalizar para supervariedades, fazendo uso adequado da regra dos sinais. Para
mais detalhes a respeito do formalismo lagrangeano, vide [ 40, 69].
4.5.1 O Formalismo Lagrangeano em Variedades
Sejam M uma variedade diferenciável n-dimensional e R= c-(M). Nesse caso, temos
= An. Além disso, não é difícil ver que di= ( -l)i+
1
dn- i-l, onde d;: A
1
Aí+l é
o diferencial de De Rham.
Dado um R-módulo projetivo e finitamente gerado P, sejam L E e
L(p,q) = Lp(q), com p,q E P. Consideremos a variação de L(p, p) (valor da densidade
em p) correspondendo à mudança de variável p H p + eh, com e E .IR e h E P. Então,
como L é lR-biline.ar, temos
L(p+ eh,p+ eh) = L(p,p) +2eL(p,h) + e
2
L(h,h).
O fato de p ser um extremo, significa que
fv L(p,h) =O
para todo h E P com hlav =O, onde V C M é o domínio onde estamos resolvendo o
problema variaciona1
6
.
Tendo em vista a relação Lp (h, I) = Lp (h) = L(p, h), a fórmula de Green aplicada
a Lp(h, 1) fornece
L(p,h)- < L;(l),h >= dG,
onde G = G(Lp (h, 1 ) ) . Desta forma,
fv L(p,h) = fv ( < L;(I),h > +dG).

5Existe uma pequena diferença entre as definições do operador de Euler. Em face desse isomorfismo,
alguns autores chamam de operador de Euler à correspondência E: L -t .Z,
enquanto que os operadores da forma!:!.= E( L) são chamados de operadores de Euler-Lagrange. Pre-
ferimos adotar aqui a definição mais tradiciOnal, que é usada na construção do complexo variado-
na! [38, 51, 65].
6Veja que, pelo Teorema de Swan, existe um fibrado vetorial s :E--+ M tal que r(M, E) P. Por
1sso. pensamos em um elemento p E P como uma seção de E.
75
Mas note que L;( I ) = J.L (L)(p) = C(.:t')(p).
Introduzindo a notação J.l (L) = CL, podemos então escrever:
!v L(p,h) =!v ( < CL(p), h > +dG).
Suponha que a variação h tenha suporte W. Então o suporte da forma G está contido
em W, uma vez que h H G(Lp (h, 1)) pode ser escolhido corno um operador diferencial.
Se éJV n W = 0, então
fv L(p,h) =!v< CL(p) ,h >.
Uma vez que a expressão< gL(p) , h> é R-linear com respeito a h, a igualdade f v <
CL (p), h > = O para todo h com suporte compacto contido em V, implica que gL (p) =
O [ 1 0], i.e.,
g(z) =o.
Isto mostra que o formalismo lagrangeano que introduzimos, coincide com o for-
malismo Iagrangeano usual em variedades.
4.5.2 Leis de Conservação
Na última subseção, vimos que o formalismo lagrangeano que introduzimos coincide
com o usual formalismo lagrangano em variedades. Aqui iremos além, definindo leis
de conservação para urna equação diferencial linear.
A equação diferencial associada a um operador 6. E Difk(P, Q) é o conjunto dos
pontos p E P para os quais !i(p) =O. Denotemos por E a equação diferencial associada
a 6.. i.e., o conjunto
E= {p E P j!i(p) = 0}.
O operador 6. dá origem a urna aplicação de cadeia Q.t. entre os complexos
O-Dif(Q, ) ~ Dif(Q, 1:
1
) ~ Dif(Q, I:
2
) ~ · ..
nót nó! nó!
O- Dif(P, ) ~ Dif(P, I:
1
) ~ Dif(P, I:
2
) ~ · · .
Corno em [70], definimos as leis de conservação para a equação E, como os ele-
mentos do primeiro grupo de homologia do complexo Coker Q.t.· Vamos denotar o
grupo de leis de conservação da equação E por LC(!i) = H
1
(Coker Q
6
). O teorema e
o corolário seguintes descrevem o grupo LC(li) de uma maneira mais completa.
Teorema 4.21. Existe uma seqüência exata
76
Demonstração. Por um processo padrão de álgebra homológica [58], dada uma se-
qüência exata curta de complexos, obtemos uma seqüência exata longa. relacionando
a homologia dos três complexos. Desta forma, segue do Teorema 4.19 que as homolo-
gias das seqüências exatas curtas de complexos
o___. Ker !1
6
- Dif(Q,I:,. ) --1m !1
6
--o
têm a forma
Por construção, a composição j o i : Q -t P coincide com a adjunta 11 * : Q -+ P. Por-
tanto, Ker /1* fim i
1
é isomorfo a Ker j = LC(ó) . Com isso, obtemos a seqüência exata
procurada. I
Como uma conseqüência imediata deste teorema, temos o seguinte corário:
Corolário 4.22. Se Ker QÁ =O, o grupo de leis de conservação LC(/1) é isomorfo a
Ker óAc .
Vamos dar uma expressão mais explícita para a aplicação Ker ó" -+ LC(ó ). Para
isso, suponha que q E Ker {). * C Q. Então, pelas considerações que fizemos após a
demonstração da fórmula de Green, temos um operador diferencial p H G(ó(p,q)),
tal que
< Ll(p), q >= 8G(ó(p,q)) .
Logo, o operador p G(ó(p,q)) é um 1-cociclo do complexo Coker .QÁ, de maneira
que obtemos uma aplicação X : Ker 11* -+ LC(/1), onde x(q) é a lei de conservação
correspondendo ao operador p H G(ó(p,q)). Vamos ver que esta é a aplicação que
procuramos.
Se V é um 1-cociclo de Coker QÁ, de acordo com a demonstração do Teorema 4.21,
o elemento q E Ker {). * correspondente a ele pode ser encontrado como q = }.! (0), onde
O E Dif(Q, a relação O o{).= 8 o V. Se V é o operador p H G(Ll(p,q)) ,
então O= q E Dif(P, }.l (O) = }.L(q) = q.
Um aprofundamento maior no estudo das leis de conservação, fatalmente esbarra
na idéia de características. Não desenvolveremos esta teoria aqui, pois foge ao escopo
de nossos propósitos. Para mais detalhes a esse respeito, bem como para exemplos
onde R= C"' (M), com M uma variedade diferenciável, vide [70]
77
4.5.3 O Teorema de Noether
Vamos começar descrevendo as transformações dos objetos que o teorema de Noether
inclui. Para isso, considere os pares (Xp,X) tais que X E D
1
(R). Xp E Dif
1
(P, P) onde
Xp(ap) = aXp(p) + X (a)p para todos os a E R e p E P. Denotamos por Der(P) o
conjunto de todos esses pares.
Assim, se X E D
1
(R) então (X1.B,X) E onde X'.B = - X*
7

Dado (Xp,X) E Der(P), definimos (XmpX) E Der(Dif(P, fórmula
X
0
if(ô) = [X,ô] = X'.B oô-


Para L E Dif(P, Dif(P, Xp(L) = Xmr oL- LoXp. Se L E
é fácil ver que Xp(L) E forma, Xp gera uma aplicação das Lagran-
geanas de P. Xp(L) é chamado de variação de L sob a transformação infinitesimal
Xp.
Da definição de variação, segue que
Além disso, usando a quinta afirmação da Proposição 4.16, temos
Como vimos na subseção anterior, das considerações que fizemos após a demonstração
da fórmula de Green, temos que, para todos os p
1
, p
2
E P,
onde G é tomado como sendo um operador bidiferencial.
Combinando essas duas fórmulas, obtemos o teorema seguinte:
Teorema 4.23 (Fórmula para a Primeira Variação). Sejam (Xp ,X) E Der(P) e L E
Dif(P, Dif(P, Se definimos Xp(L) E que
Xp(L)(pt)(p2) =- < Xp(P2), 6"L(pl ) > - < Xp(Pt ),CL(p2) > -Sn(pl ,p2),
onde n(p
1
, p
2
) = L(p
1
)(p
2
) o X+ G(p
1
,Xp(p
2
)) + G(p
1
,Xp(p
2
)).
Assim, podemos finalmente definir simetria para uma Lagrangeana .!l' E Lag(P).
Definição 4.24. Xp E Der(P) é dita ser uma simetria da Lagrangeana 2' se Xp(2') =
o.
Pelo Teorema 4.19, uma simetria da Lagrangeana .!l' é uma simetria do operador
C z = C(.!l'), i.e. , Xp(C = XPotC .!t'- C = O e reciprocamente.
7
Mais geralmente, se (Xp,X) E Der(P), podemos definir {X;>, X) E Der(P} como X r; = - (Xp)'.
78
Teorema 4.25 (Noether). Se Xp é uma simetria da Lagrangeana .Z =L mod Im( w ),
e o módulo P é projetivo, então a aplicação p t-t n(p, p) +I! (p) (p ), p E P dá origem
a uma lei de conservação da equação tff
2
.
Demonstração. Se Xp é simetria de .:L', então Xp(L) = w(U), onde L é uma
densidade deZ, e L' E Considerando a l-forma integral n(p
1
, p
2
) +
L'( p
1
)(p
2
), a fórmula para a primeira variação implica que esta forma é fechada para
todos os PpP
2
E Portanto, como a classe de homologia desta forma não
depende da particular escolha de L' , nem do homomorfismo K (que tomamos para que
G fosse escolhido de modo a ser um operador bidüerencial), o teorema é provado. I
A forma n(p) = n(p,p) faz o papel da corrente de Noetber clássica. No caso
clássico do cálculo de variações, a Lagrangeana .2 = f L é dita ser invariante com
respeito a alguma transformação se a "ação" f v L não é alterada para um domínio
compacto arbitrário V. Isto é equivalente à invariância da densidade da Lagrangeana
L com respeito à transformação. Por esta razão, Xp é chamado simetria da densidade
da Lagrangeana L se Xp(L) =O. Isso implica que Xp(tffL) =O toda vez que Xp é uma
simetria da densidade de L. Em particular, Xp(P) E Ker tffL quando p E Ker tffL.
Para mais detalhes a respeito do teorema de Noether em variedades vide [70]
79
Capítulo 5
Considerações Finais: Em Direção
a uma Versão Algébrica para o
Teorema do Índice
É inegável o fato de que o teorema do índice de Atiyah-Singer seja um dos maiores
resultados do século. A vastidão de suas conseqüências abriram novos horizontes tanto
na matemática quanto na física. Em sua versão original [3, 4], o índice de um operador
se relaciona com o caráter de Chem, a classe de Euler e a classe de Todd. Isto mostra
a natureza tanto topológica quanto analítica do problema. Entretanto, com o adven-
to da Geometria não-Comutativa de Allain Connes, aplicações à álgebra tomaram-se
possíveis. Um exemplo disso é o trabalho [18] de Gerd Faltings.
Já em 1972, Vinogradov apontava para uma versão algébrica do teorema do índi-
ce [67]. Sua idéia era bem simples: dado !1 E Difs(P, Q), denotamos por 11
1
a compo-
sição

Esta composição é chamada r-extensão do operador 11. Denotamos por b
1
= b
1
(11) :
Difi (P) -7 Difs+r (Q) o homomorfismo correspondente ao operador 11
1
• Tomando o
limite algébrico quando t-+ =,obtemos um homomorfismo de módulos filtrados
b.: Dit+(P)-+ Dít+(Q).
Tanto b
1
quanto b'* induzem, ao nível dos símbolos, homomorfismos graduados, os
quais denotamos por b
1
: Smbl
1
(P)-+ Smbl,(Q) e b* : Smbl(P)-+ Smbl (Q). Note que
b
0
(!1) = Smbl(/1) é a aplicação que leva !1 em seu símbolo. O homomorfismo b* é
chamado de símbolo total do operador !1.
Com base nessas idéias, Vinogradov [67] propôs a seguinte definição para um ope-
rador elíptico:
Definição 5.1. Um operador .ó. : P -t Q é dito ser elíptico se seu símbolo total b* :
Smbl(P) -1 Smbl (Q) é uma equivalência "birracional" [26] dos módulos graduados
Smbl(P) e Smbl(Q).
80
Em particular, esta definição aponta para a natureza algébrica da elipticidade, Em [67]
ele afirmou que apresentaria uma generalização algébrica para o teorema do índice em
outro artigo. Entretanto, até agora, tal generalização ainda não apareceu.
Uma generalização deste tipo, fatalmente esbarra em diversas dificuldades, que só
podem ser superadas por meio de métodos da Geometria não-Comutativa.
As primeiras idéias para um teorema do índice, como o conhecemos hoje, veio do
estudo do Teorema de Riemann-Roch, feito por Grothendieck. Em [ 18] encontramos
uma descrição mais precisa a esse respeito. Com base nisso, vários artigos foram
publicados, abordando o problema [12, 17, 21, 27, 48, 49, 55].
Uma das abordagens que obteve mais sucesso, usa um misto de idéias da Física, a
respeito de quantização por deformações, e métodos da Geometria não-Comutativa.
Uma quantização por deformação [6, 48] sobre uma variedade M é uma defor-
mação formal a l-parâmetro do feixe estrutural c:JM [12, 24, 26, 44], i.e., um feixe
de álgebras A ~ sobre o anel das séries formais C[[ !i]] munido de um isomorfismo de
álgebras A'M 0q[1iiJ C ~ tJ M· Nesse contexto, a fórmula
1-- li
{f,g} = h[f,g]+Ti·AM,
onde f e g são duas seções locais de c:J M• e 7 e g são seus respectivos levantamentos a
A ~ , define um colchete de Poisson sobreM, associado à quantização por defonnação
AM.
Essas quantizações estão associadas às classes características da variedade [12,
48, 49]. Por esse motivo, usando cohomologia de Hochschild e o caráter de Chern
algébrico, pode-se mostrar que, se M = r• X para uma variedade complexa X e A![. x
é a quantização por deformação com classe característica e= 1tr*(c
1
(X)), então
Â(TM) Ue
9
= tr•Td(TX),
ondeÂ(TM) é o Â-genus de TM e Td(TX) é a classe de Todd de TX. Esta é, na verda-
de, uma generalização do teorema de Riemann-Roch e, como o lado direito da igualda-
de não depende de Ti, obtem-se a conjectura de P. Schapira e J. P. Schneiders [49, 59).
Nesse contexto, é possível estabelecer urna versão algébrica para o teotema do
índice, segundo [ 49]. Ela é baseada na seguinte idéia geométrica: dada uma variedade
simplética 2n-dimensional (M, co) com um produto estrela *• definido por
1
f* g = E (in)kq>k(f,g),
tomamos Ali.(M) = CO(M)[[Ti]] munida do produto *• e colocamos ~ ( M ) =
c;'(M)[[Ti]]. O seguinte teorema foi provado em [49]. Considere o traço canônico
Tr{f) = ( ili:"n! (L f af' + t. {i li)• D•(f)co") ,
------------------------
1Para mais detalhes a respeito da construção desse produto, vide [27].
81
onde D k são certos operadores diferenciais.
Tomemos dois elementos X= X
2
e Y = Y
2
, da álgebra matricial MN(An.(M)), tais
que X - Y E M N( (M)). Colocando X
0
= X mod fi e Y
0
= Y mod n, temos que
é o caráter de Chern da conexão dX
0
d no fibrado vetorialX
0
CN [48, 49].
Recordemos que, a cada quantização por deformação de M, está associada uma
classe característica e, definida como um elemento de H
2
( M)[[ n]], onde e I in é a
curvatura da conexão de Fedosov definindo a deformação [49]. Com isso, temos a
seguinte versão para o teorema do índice [49]:
Teorema 5 ~ 2 .
Tr(X- Y) =L (ch(X
0
) -ch(Y
0
)) Â(TM)e
9
1ili ,
onde e é a classe característica associada a *·
Com base nessas idéias de Nest e Tsygan, em conjunto com as concepções algé-
bricas de Vinogradov, podemos definir um colchete de Poisson, como indicamos no
Capítulo 3, para módulos sobre uma variedade. Para isso, precisaremos introduzir
urna conexão, que cindirá o complexo variacional [64] em partes horizontal e vertical,
levando, inevitavelmente, ao estudo da parte horizontal. Acreditamos que o processo
de quantização por deformação, aplicado a esse complexo, produza urna versão pura-
mente algébrica para o teorema do índice. Tal estudo foge ao escopo desta tese, mas,
não poderíamos deixar de vislumbrá-lo mediante a teoria que desenvolvemos até este
ponto.
82
Apêndice A
Limites Algébricos
Os limites algébricos surgem em diversas aplicações tais como a demonstração das du-
alidades de Poincaré e Alexander sobre variedades, onde os módulos de cohomologia
não são, em geral, os módulos de cohomologia singular, mas outros obtidos através de-
les por meio do processo de passagem ao limite. Além disso, o completamente I -ádico
de um anel é obtido por meio de um limite [58].
Para se estudar limites, a primeira noção que se faz necessária é a de proximidade,
e assim. precisamos de um sentido mais abstrato de ordem. Esta é dada por meio de
conjunto dirigido.
Definição A.l. Um conjunto dirigido .f11 é um conjunto munido de uma relação ~
tal que:
1. a ~ a para todo a E .91.
2. a ~ {3 e {3 ~ r implica a ~ r.
3. Para todos os a, f3 E .91 existe r E .91 tal que a ~ y e f3 ~ y.
As propriedades 1. e 2. definem o que chamamos de conjunto pré-ordenado. O
elemento r na parte 3 da definição, é dito ser um limitante superior de a e f3.
Note que dois elementos quaisquer de um conjunto dirigido podem não ser compa-
ráveis. Em vista da definição, isto é perfeitamente possível. Vejamos alguns exemplos
que elucidam esta situação:
Exemplo A.2. A classe dos subconjuntos finitos de um conjunto X, com a ordem
parcial dada pela inclusão, é um conjunto dirigido. Note que dois subconjuntos finitos
de X não necessariamente são comparáveis nesse caso.
Exemplo A.3. Sejam K um subconjunto de um conjunto X, e .<d a classe de todos os
subconjuntos que contêm K. Colocamos em JZI uma relação de ordem parcial dada da
seguinte maneira: se A,B E Jd, definimos A ~ B se e somente se B c A. Assim, para
cada par A,B E .91, tem-se A ~ A nB e B ~ A nB, mostrando que .rd é um conjunto
dirigido.
83
Exemplo A.4. Seja Jlf o conjunto dos inteiros não nulos. Colocamos em .s:d a seguinte
relação de ordem: dados m,n E .sd, dizemos quem ~ n se e somente sem divide n.
Para quaisquer elementos m,n E Jlf, o mínimo múltiplo comum m.mc(m,n) é tal que
m ~ mmc(m,n) e n ~ mmc(m,n). Desta forma, Jl1 é um conjunto dirigido.
A noções que daremos a seguir, de uma certa maneira, relembram. a idéia de rede.
Aqui, no entanto, temos uma rede de conjuntos. Isto é necessário para obtermos uma
noção, ainda que primitiva, de convergência.
Definição A.S. Um sistema indutivo (ou direto) de conjuntos {Mp, cpg} sobre um con-
junto dirigido .JZI, é uma função que, a cada p E JZI, associa um conjunto Mp. e a cada
par p , q E .s:d, com p ~ q, uma aplicação
cp$ : Mp ---7 Mq
tal que cpff = identidade, e para p ~ q ~ r em .fl1,
r q _ r
cpq o cpp - cpp.
Analogamente, se quando p ~ q, contrariamente à definição anterior, as aplicações
cpg forem tais que cpg : MP f- Mq. temos a noção dual de sistema indutivo. Aqui, por
razões psicológicas, revertemos a flechaM P f- Mq. Desta meneira, podemos imaginar
o sistema dual como sendo um sistema indutivo onde as flechas entre os conjuntos Mp
são invertidas. Desta forma. a definição seguinte faz sentido:
Definição A.6. Um sistema projetivo (inverso) de conjuntos {Mp, cpg} sobre um con-
junto dirigido ;;;I é uma função que a cada p E Jl1 associa um conjunto Mp. e a cada
par p,q E .9'1, com p ~ q, uma aplicação
cp$: Mp f- Mq
tal que cpC = identidade, e para p ~ q ~ r em d,
Em um sistema indutivo (projetivo), as aplicações cpg são chamadas projeções do
sistema. Se cada Mp é um espaço topológico, ou um R-módulo, ou um grupo topoló-
gico, e cada projeção é, respectivamente, contínua, R-linear, um homomorfismo contí-
nuo, então {Mp, cp$} é dito ser um sistema indutivo (projetivo) de espaços topológicos,
R-módulos, ou grupos topológicos. respectivamente.
Definição A.7. Sejam { Mp, cpg} e {Nr, 1/1} sistemas indutivos sobre conjuntos dirigi-
dos Jl1 e !!A, respectivamente. Uma aplicação
84
consiste de uma aplicação ít: 91 -t . e para cada p E .r#, de uma aplicação
Âp: Mp -t NÃ(p)
tal que, se p ~ q em 91, o diagrama
é comutativo.
Não é difícil imaginar a definição análoga de aplicação entre sistemas projetivos.
q ~ ( q )
P
. b . od . fi h . "d M cpp M N À(p) N . .
ara 1sso, asta mtr um as ec as mvem as P r-:- q e Ã(p) ~ Ã(q) , e eXIgu
a comutatividade do diagrama
Toda vez que os sistemas indutivos (projetivos) são sistemas de espaços topoló-
gicos, ou de grupos, etc., as componentes Âp da aplicação A são requeridas serem
contínuas, ou homomorfismos de grupos, etc. Caso
A: {Mp, q>$} -t {N, , vi,}, 0 : {N,, v/,} -t {Tm, -t;,,},
sejam duas aplicações de sistemas indutivos (projetivos), sua composição
está definida, e consiste das composições e o  e 'l';ij, o <fJp· p E d.
Não é difícil verificar que os sistemas indutivos (projetivos) de qualquer tipo espe-
cificado fonnam uma categoria. De fato, se {Mp, q>$} é um sistema indutivo (projeti-
vo). a aplicação identidade A é a composta pelas identidades À : .r.d -t de Âp: Mp -t
Mp (resp. Àp: Mp ~ Mp).
Vejamos agora alguns exemplos de sistemas indutivos e projetivos:
Exemplo A.S. Para qualquer conjunto dirigido Jll , fixe um R-módulo Me coloque
Mp = M para todo p E .flf, e q>$ = idM para todos os p ~ q. Este é o sistema indutivo
e projetivo constante com conjunto de índices .flf.
85
Exemplo A.9. Seja .91 tendo a ordem parcial trivial : p ~ q se e somente se p = q.
Um sistema indutivo (ou projetivo) sobre .fll é uma família indexada {Mp: p E .!21}.
Exemplo A. lO. Seja Jl1 = { 1, 2, 3} com a ordem parcial 1 ~ 2 e 2 ~ 3. Um sistema
projetivo sobre Jd é um diagrama
Exemplo A.ll. Seja .fll o conjunto dos inteiros positivos com a ordem parcial usual.
Um sistema indutivo sobre d é urna seqüência M
1
--+ M
2
--+ ···,e um sistema projetivo
sobre Jl1 é uma seqüência M
1
t- M
2
t- · · ·
Exemplo A.l2. Seja M um módulo. Então a fanu1ia de todos os subrnódulos finita-
mente gerados de M, é um conjunto dirigido, com a ordem parcial dada pela inclusão.
Esta família, juntamente com todas as possíveis aplicações de inclusão, é um sistema
indutivo.
Exemplo A.13. SeM= ffipE.rdMP, então a família de todas as somas parciais M p
1
$
· · · 63 M Pn é parcialmente ordenada pela inclusão. Esta farru1ia, munida de todas as
projeções em cada fator da soma, é um sistema projetivo.
Daqui para frente, convencionamos que todos os sistemas indutivos ou projetivos
em questão, são de grupos abelianos e homomor:fismos de grupos abelianos. Outras
estruturas, tais como anéis, módulos, espaços topológicos, etc, possuem um tratamento
similar, de modo que deixamos a cargo do leitor fazer as adaptações necessárias aos
casos que lhes interessem.
Definição A.14. seja {Mp, q>$} um sistema indutivo de grupos abelianos sobre um
conjunto dirigido d . O limite indutivo (ou limite direto, ou simplesmente o limite)
deste sistema é um grupo abeliano, denotado por M p , e uma fanu1ia de homomor-
fismos
Cíp : Mp -t M p
com Cíp o cpg se p ~ q, satisfazendo a seguinte propriedade universal: para rodo grupo
abeliano N e toda família de homomorfismos /p: Mp--+ N com fp = !q o({)$. sem-
pre que p ~ q, existe um único homomorfismo Ç : M p -t N fazendo com que o
86
diagrama
-- - - _ç- -- - - - ._ N

aq M!p
fi'$
seja comutativo.
A condição Gp = Gq o qlj, na definição, nada mais é que a comutatividade do dia-
grama
ap 1· M
P
(/':!Á
Mq
A propriedade universal pode, então, ser entendida como: para todo grupo abeliano N
e toda farru1ia de homomorfismos /p: Mp-+ N satisfazendo /p = /q o cpg, toda vez que
p q, existe um único : N tal que /p Gp, para todo
p E .rd. Visualmente, esse fato é ilustrado por meio do diagrama
N
À
I

I



Gp
É claro que existe também uma propriedade universal como essa, para os sistemas
projetivos. Sendo a interpretação desta análoga à dos limites indutivos, deixamo-la a
cargo do leitor.
Definição A.lS. Seja {Mp, cpg} um sistema projetivo de grupos abelianos sobre um
conjunto dirigido Jd. O limite projetivo (ou inverso, ou simplesmente limite) deste
sistema é um grupo abeliano, denotado por e uma farru1ia de homomorfismos
87
com Gp = cp$ o Gq se p q, satisfazendo a seguinte propriedade universal: para todo
grupo abeliano N e toda família de homomorfismos fp: Mp +-- N com /p = cpg o fq,
sempre que p q, existe um único homomorfismo Ç: +-- N, fazendo com que
d
. p
o 1agrama
- - - 3- - - - -- - N

Mp

seja comutativo.
Como no caso dos limites indutivos, a conctição Gp = Gq o cpg é equivalente à co-
mutatividade do diagrama

q>fir A
Mq
Como é usual em álgebra, a menos de isomorfismo, as propriedades universais que
definem os limites indutivo e projetivo implicam na unicidade destes. Para se ter uma
idéia a respeito dos chamados problemas universais, que visam à construção de obje-
tos (tais como os produtos tensorial e exterior) por meio de propriedades universais,
vide [50]. No que segue, mostraremos a existência e a unicidade dos limites.
Proposição A.16. O limite de um sistema indutivo {Mp, cpg}, sobre um conjunto diri-
gido d, existe e é único (a menos de isomorfismo).
Demonstração. A unicidade, a menos de isomorfismo, segue diretamente da propri-
edade universal. De fato, dois limites indutivos são isomorfos. Quanto à existência,
para cada p E !71, seja Ãp: Mp--+ 9pEilfMP a p-ésima injeção na soma. Defina o
quociente
= ( EB Mp) /S,
pE.flf
onde S é o subgrupo abeliano gerado por todos os elementos da forma ( Âq o cpg ) ( ap) -
Àp(ap) . com ap E Mp e p q. Se, além disso, definimos Gp : Mp -t por
ap 1-7 Àp(ap) + S então se nota facilmente que o grupo abeliano juntamente
com os homomorfismos Gp, satisfazem a definição de limite indutivo. I
88
Na demonstração, não fizemos uso do fato de .Pf ser um conjunto dirigido. Na ver-
dade, apenas usamos que J21 é um conjunto pré-ordenado. A necessidade de Jll ser um
conjunto dirigido somente aparecerá quando considerarmos seqüências exatas. Mui-
tos autores, em se tratando de limites, apenas tomam .!d um conjunto pré-ordenado.
Para mais detalhes a esse respeito, vide [58]. Veja ainda que o conjuntoS pode ser
caracterizado como
Além disso, ap E Mp e aq E Mq são iguais no limite se, para algum r E .91, com p r
e q r, vale cp;(ap) = i.e., uma classe de equivalência do limite é formada
pelos elementos que "estabilizam" com o "crescimento" dos índices de .91.
O limite indutivo foi construído como o quociente de uma soma, gerando assim
uma sobrejeção. A noção dual, de limite projetivo, nos vem então à mente, como
algum tipo de injeção em um produto de módulos. A proposição abaixo traz um pouco
mais de luz neste assunto:
Proposição A.l7. O limite de um sistema projetivo {Mp, cpg}, sobre um conjunto di-
rigido .Jd, existe e é único (a menos de isomorfismo).
Demonstração. A unicidade, a menos de isomorfismo, segue diretamente da propri-
edade universal. De fato, dois limites projetivos são isomorfos. Quanto à existência,
considere o grupo abeliano produto llpeJ#Mp e, paracadap E oi, seja À.: ilpe.ti1'MP -t
M P a p-ésima projeção. Defina o subgrupo abeliano
{(ap)pe.t# E I1 Mp: ap = cpg(aq), sempre que p q}.
pEd
Se, além disso, definimos Gp: Mp como sendo a restrição nota-
se facilmente que o grupo abeliano \!!!!MP, juntamente com os homomorfismos Gp,
satisfazem a propriedade universal que define o limite projetivo. I
Novamente, não fizemos uso do fato de Jl1 ser um conjunto dirigido. Neste caso,
realmente não há muito sentido em se considerar um conjunto dirigido, uma vez que os
limites projetivos gozam de um comportamento restritivo, no que se refere a seqüên-
cias exatas. Mais adiante, veremos que o limite projetivo de uma seqüência exata, em
geral, não é exata.
Vamos agora detenninar alguns dos limites dos sistemas indutivos e projetivos,
apresentados nos exemplos anteriores.
Exemplo A.18. O limite indutivo e projetivo do sistema constante do exemplo A.8 é
M.
89
Exemplo A.19. Se Jd possui a ordem parcial trivial, como no exemplo A.9, temos
[IMp.
pEd
Para ver isso, note que não existem aplicações q>$ quando p i- q. Isto mostra que o
submódulo é todo IlpedMP.
Além desses exemplos, temos algumas propriedades que seguem diretamente da
caracterização dos limites indutivo e projetivo como quociente.
Proposição A.20.
1. Assuma que Jd é o conjunto dos inteiros positivos com a ordem usual, e que
temos uma seqaência decrescente M
1
::::> M
2
::::>···.Então n;=l Mp;
2. Seja M um grupo abeliano, e Jd a família de todos os subgrupos finitamente
gerados de M, com a ordem parcial dada pela inclusão. Esta família, munida
de todas as poss(veis aplicações de inclusão, é um sistema indutivo, cujo limite
indutivo é o pr6prio M.
3. ffipesdMP

EB · · · EBMpJ. o Limite de todas as "somas parciais" finitas.
Nosso objetivo, agora, é examinar o comportamento de seqüências exatas mediante
limites, i.e., se o limite de uma seqüência exata de sistemas indutivos ou projetivos é
ainda uma seqüência exata. Teremos de tratar separadamente os dois tipos de limites,
pois nem sempre o limite de uma seqüência exata de sistemas projetivos será exata.
Consideremos primeiramente os sistemas indutivos, que é onde temos algumas
boas propriedades.
Definição A.21. Seja A: {Mp, q>fi}--+ {N,, l/1} uma aplicação de um sistema indutivo
sobre !21 em um sistema indutivo Os homomorfismos Àp: Mp -t NJ... (p) são
componentes de um homomorfismo e: EBpeJII'MP--+ Como OÀ.p =
À.q o q>fi, para p q' e induz um homomorfismo
e :
chamado limite indutivo de A.
Olhando para a relação de equivalência que usamos na construção do limite indu-
tivo, se ap E Mp está relacionado com aq E Mq. então Àp(ap) = Àq(aq)· Portanto, A
aplica uma classe de equivalência de em uma de A aplicação induzida
entre essas classes é precisamente e. Além disso, temos a comutatividade do diagrama
Cfp li lA

J...p ! ! B

t').(p)
90
onde crp e -r, são os homomorfismos induzidos pelos limites indutivos UmMp e
respectivamente. Com isso em mente, passemos ao estudo de seqüências exatas.
Suponha que temos três sistemas indutivos: {Lp, -rfo}, {Mp, q>Z} e {Np, 1J1}. defi-
nidos sobre o mesmo conjunto dirigido .sd. Além disso, suponha que tenhamos homo-
morfismos
/p 8p

de modo que esta seqüência seja exata, e tal que para p q o diagrama
L
/p M
8
P N
o- p- p-- p-o
tfit VI$!

/q gq
seja comutativo. Passando ao limite, obtemos homomorfismos
tais que f o-rp = q>po /pego q>p = Vfp ogp para todo p E .rd, onde '!p : Lp 4 q>p :
Mp 4 e V'p: Np 4 são as aplicações induzidas pelos limites indutivos.
Isto é visualizado através do diagrama, que em certo sentido pode ser imaginado como
o "diagrama limite"
o
Lp
fp
Mp
8p
Np
o

f -g
Antes de demonstrarmos que o limite de uma seqüência exata é novamente uma
seqüência exata, precisamos de um resultado auxiliar.
Lema A.22. Sejam {Mp, q>$} um sistema indutivo sobre um conjunto dirigido .rd, e
Gp: Mp -4 a família de homomorfismos dada pelo limite indutivo. Então
= UpEJ11Gp(Mp)·
Demonstração. Sejam N = UpE.l11 Gp(Mp). e lJ!p a composição dos homomorfismos
C1
Mp -4 crp(Mp) <-t N. Então N, juntamente com os homomorfismos lJ!p. é um outro
limite indutivo do sistema. Sejam lJf: -4 N e q>: N 4 os únicos ho-
momorfismos satisfazendo lJfp = lJI o Gp e crp = q> o lJfp· Mas então q> é a inclusão
N <-t e lJI = q>-
1
. Assim, N. I
91
Teorema A seqüência limite
é exata.
Demonstração. A sobrejetividade de g e a injetividade de f seguem diretamente do
diagrama limite, acima. Vejamos que o núcleo de g é igual à imagem de f.
Dado l E pelo lema anterior, existe Lp E Lp tal que l = -rp(lp). Então (g o
f )(l) = (1Jfpogp o fp) (lp) =O, mostrando que a imagem de f está contida no núcleo
deg.
Para a inclusão contrária, dado mE liWMp tal que g(m) =O, pelo lema anterior
existe mp com m = (/Jp (mp)- Visto que (li' o gp)(mp) =O, existe urn q E d, com
p q, tal que O= (V'$ o gp)(mp) = (gp o cpq)(mp)· Pela exatidão da seqüência no
estágio q, existe lq E Lq tal que q>$(mp) = /pÚq)· Então, (f o Tq) (lq ) = ( (/Jp o f )(lq) =
(/Jp(mp) = m. Isto completa a demonstração. I
Corolário A.24. Se cada fp é sobrejetora (resp. cada gp é injetora) então f também
o é (resp. g).
Tratemos agora dos limites projetivos. Muitas das definições e resultados, apresen-
tados acima, terão naturalmente seus análogos.
Definição A.25. Seja A: { M P• Cf'g} -4 { Nr, yr,} uma aplicação de um sistema projetivo
sobre p/ em um sistema projetivo sobre !fl. Os homomorfismos Àp: Mp -7 NÃ( p} são
componentes de um homomorfismo 8: I1pEdlfMP -4 Como o Âq =
Àp o cpg, para p :;::; q, 0 induz um homomorfismo
e: -7
chamado limite projetivo de A.
Olhando para a construção do limite projetivo, se (ap) pEilf E a consuução
feita na Proposição A.l7 nos dá que ap = cpg(aq). desde que p q. Desta forma,
temos Àp(ap)pEilf E uma vez que Àp(ap) = Âp(cpg(aq)) = Isto
mostra que a aplicação e está bem definida. Desta maneira, temos o diagrama
onde CJp e 'rr são os homomorfismos induzidos pelos limites projetivos e
respectivamente.
92
Consideraremos agora seqüências exatas. Para tal, tomemos três sistemas proje-
tivos { Lp, -rp} , {Mp, Cl'$} e {Np, llf$} definidos sobre o mesmo conjunto dirigido 91.
Além disso, suponha que tenhamos homomorfismos
/ p 8p
o-Lp-Mp-Np-0,
de modo que esta seqüência seja exata. e tal que, para p q, o diagrama
L
/p M gp N
o- p- p- p-o
rtfo tV'fo
o-Lq-Mq-Nq-0
/q gq
seja comutativo. Passando ao limite obtemos homomorfismos
tais que (/'p o f= /p o 'Cp e Vfp o g = gp o (/'p para todo p E .91, onde 'Cp : Lp t- \i!!!Lp.
<pp: Mp t- Mp e Vfp : Np +- são as aplicações induzidas pelos limites projetivos.
Isto é visualizado através "diagrama limite"
o
Lp
/p
Mp
8p
Np
o
t Tp t f

Infelizmente, o limite projetivo não possui tão boas propriedades, com respeito a
seqüências exatas, quanto o limite indutivo i.e., a seqüência limite, é exata somente em
e A aplicação g não é sempre sobrejetora.
Teorema A.26. A seqüência limite
é exata.
Demonstração. Suponha que f (l ) = O. Do diagrama limite temos O = C/'p(/(1)) =
/p( t p(L)), e da injetividade de f p, 'Cp(l) =O para todo p E .91. Sendo 'Cp uma projeção
de um produto e l = {lp) pE.d' temos lp =O para todo p E .91 e portanto I = O.
Provemos agora que Kerg = Imf. Suponha que g(m) = O. Então gp(C/'p(m)) =
Vfp(g(m)) = O, de modo que existe lp E Lp, tal que /p(lp) = C/'p(m) = mp para todo
p E ..91, sendo que a última igualdade se deve ao fato de (/'p ser uma projeção. Tomando
93
I= (lp) pEid' devemos mostrar que f {i)= m mas, para isso, devemos primeiramente ter
I E ~ L p . Veja que /p('r$(1q)) = lfJ$(/q(lq)) = lfJ$ (mq) = mp. Por outro lado, fp(lp) =
mp. e da injetividade de /p temos tg(lq) = lp, mostrando que l E ~ L p . Agora, como
lpp é uma projeção e q>p(f(l) ) = /p( 't"p (l)) = /p(lp) = mp para todo p E .9!1, segue que
f(l) =me Kerg c Imf. A inclusão contrária demonstra-se semelhantemente. I
Existem estudos para estabelecer a exatidão da seqüência
Para isso, utiliza-se a chamada condição de Mittag-Leffer. Para mais detalhes, vi-
de [26].
Se {Mp, q>Z} é um sistema indutivo, existe uma importante propriedade, conse-
qüência dos desenvolvimentos anteriores, entre limite indutivo e o limite projetivo.
Corolário A.27. Para todo grupo abeliano N, tem-se
Veja que poderíamos, ao invés de grupos abelianos, ter os limites para anéis e
homomorfi.smos de anéis, R-módulos e aplicações R-lineares, espaços topológicos e
apliações contínuas, etc. Desta forma, tudo que desenvolvemos pode ser facilmente
refeito para outros casos que nos interessem.
94
Apêndice B
Seqüências Espectrais
Sejam A um anel comutativo com unidade, e K um A-módulo. Chamamos filtração
decrescente de K a toda seqüência de submódulos Kp, verificando as condições:
e
Chamamos módulo filtrado a todo A-módulo K munido de uma filtração decrescente.
Dado um módulo filtrado K, chama-se módulo graduado associado a K o módulo
G(K) = EBKp/ Kp+i"
p
Se K = EB,ez K' é um módulo graduado, podemos filtrá-lo por meio de seus subrnó-
dulos
É claro, então, que o módulo graduado G(K) é isomorfo ao próprio K.
Seja K um módulo filtrado e, suponha que K = ffi,K'. Dizemos que a filtração e a
graduação de K são compatíveis se
r
isto é, se os Kp são homogêneos.
Ao invés de dizer que uma filtração de K é compatível com uma graduação de K,
diremos somente que esta é umafilrração do módulo graduado obtida, munindo-se K
da graduação em questão. K, munido da graduação e da filtração dados, será chamado
módulo graduado filtrado.
Seja K um módulo graduado filtrado. Dizemos que a filtração de K é regular se
existirem n, tais que
KpnK' =O para p > nr.
95
Chamamos módulo diferencial filtrado a todo módulo diferencial
1
K munido de
uma filtração tal que se tenha d(Kp) c Kp para todo p. A teoria das seqüências espec-
trais consiste essencialmente em utilizar a filtração de K para construir por "aproxi-
mações sucessivas" o módulo derivado H(K) = ker(d)/Im(d).
Seja r um inteiro. Colocamos
Zf = Z(Kp mod Kp+r),
isto é,
Zf = {x E Kp: dx E Kp+r}·
Para r O tem-se, evidentemente, Zf = Kp.
Entre os elementos de Zf, encontram-se, por um lado, aqueles de

e, por
outro, todos os elementos de Kp que são bordos. Em particular, Zf contém
o conjunto dos elementos de Kp que são bordos de elementos de Kp+t-r· Colocamos
EP= Zf
r dZP+I-r +ZP+I ,
r-1 r-1
e
p
Observa-se que, se x E Kp é um ciclo (dx = 0), ele define um elemento de E f para
todo r e, se ele é um bordo (x = dy), o elemento de Ef definido por ele é nulo para r
suficientemente grande.
o diferencial d : K -7 K aplica ZP em z p+r e dzP+ l-r + zp+
1
em dZP+ I. Assim,
r r r- I r-1 r- I
como
zp+r
Ep+r = r
r dZP+I + Zp+r+l,
r-1 r-1
por passagem ao quociente, d induz um diferencial
d · EP -7 Ep+r
r · r r '
definido por
d (x + (dzP+I-r + ZP+
1
)) = dx+ (dzp+l + Z p+r+l),
r r-l r-1 r - 1 r-1
uma vez que d(dzP+ I-'+ ZP+
1
) = dZP+ l C dZP+
1
+ zp+r+
1
.
r- I r-I r- I r-1 r - 1
Não é difícil ver que Er+J = H(En dr), isto é, = HP(E, ,d, ).
A seqüência espectral de K é, por definição, formada pelos complexos E, definidos
como ac1ma.
Definimos o termo Eoo, como segue. Coloquemos
K- - o
ze, - Z(Kp mod Koo) -
Bf, - Kp n dK_
00
-
K_
00
= K
ciclos de Kp
bordos de Kp em K.
1
K é um módulo diferencial quando exisre um homomorfismo d : K-+ K tal quedo d = O.
96
e definimos então
e Eoo =$E!.
p
Se colocamos de forma geral Bf = Kp n dKp-r• obtemos a fórmula
EP- Zf
r- BP +ZP+l .
r - l r-l
Temos uma inclusão natural i: Kp Y K, que por sua vez induz uma aplicação
i• : H(Kp) -+ H(K) (que não tem por que ser inclusão). Denotando por FP(H(K)) a
imagem de H(Kp) em H(K) por i* temos a seguinte filtração de H(K)
Fp+l (H(K)) C FP(H(K)) e UFP(H(K)) = H(K).
p
Com isso, não é difícil ver que existe um isomorfismo canônico
E - ~ G(H(K)) .
Dado um módulo diferencial filtrado K, é fácil ver que
de modo que
Z
p+l -K
- 1 - p+ l '
K
E
p __ P_
o- .
Kp+t
Conseqüentemente, o termo E
0
é idêntico ao módulo graduado associado à K, e a
diferencial d
0
se deduz por passagem ao quociente da diferencial d de K. Além disso,
Ef = H(Kp/ Kp+i) ,
sendo a cohomologia tomada com respeito ao operador d
0
.
Examinaremos agora o caso onde o módulo K está munido de uma graduação
compatível com a filtração dada e, para a qual, d é homogêneo e de grau + 1. Nesse
caso, dizemos que K é um complexo filtrado. Pode-se introduzir sobre os termos E,
uma bigraduação. Para isso, colocamos
Z
p,q = zP n xp+q
r r •
zp.q
Ep,q- r
' - BP•q + ZP+l,q-1 ·
r-I r- 1
Para um elemento de Ef·q, diz-se usualmente que pé o grau fi/trance, p + q é o grau
lolal e q o grau complementar.
97
Uma vez que
d(ZP,q) = d(Zp,q n Kp+q C zp+r n Kp+q+
1
= zp+r n Kp+r+q-r+
1
= zP+r,q- r+ l
r r r r r ,
e
d(z P+l,q-
1
) - d(zP+
1
nKP+q) c d(zP+
1
) n KP+q+t = BP+rnKP+q+t
r - l r- J r- I r - l
c BP+'nKP+r+q-r+l = sp+r,q-r+l c zp+r+l .q-r + BP+r,q-r+l
r-] r -I r - ! r - I
tem-se que d, aplica Ef•q em Ef+r,q-r+l, sendo definida por
d, (x + (zP+I,q-1 +Bp,q )) =dx+(zP+r+I,q-r +Bp+r,q-r+l ).
r- 1 r - 1 r-1 r- J
Além disso, em H(K) a filtração pelos FP(H(K) ) e a graduação pelos Hq(K) são
compatíveis. Finalmente, colocando
tem-se a relação
Ep,q = FP(HP+q(K))
oo pp+I (HP+q(K) )"
Vejamos agora o que ocorre para complexos duplos. Seja
K= EBKp,q
p,q
um complexo duplo com operadores diferenciais
e
verificando 8
2
= ()
2
= O e ô o a = a o ô. Podemos então considerar K como um
complexo "simples", utilizando a graduação total
Kn = EB Kp,q.
p+q=n
A diferencial d = ô + ( -1 )P a aplica Kn em [('I+ I' fazendo de K = EBn Kn um comple-
xo diferencial.
Existem duas filtrações muito particulares, que refletem diretamente as proprieda-
des dos diferenciais ô e (). A primeira dessas filtrações é dada por
/Kp = EB $Ki,} _
i ~ p j
Os termos da seqüência espectral correspondente serão denotados por
1
Ef•q (note que
K = EBnKn é um complexo diferencial filtrado). Vamos calcular esses termos para
r= 1 2.
98
Recordemos que
1
Ef = HeKp/
1
Kp+J ), onde
1
Kp/
1
KP+
1
se identifica canonicamente
ao grupo graduado
j
e como ô aplica
1
K P em
1
K p+
1
, a identificação acima transforma a diferencial d
0
em
( -1 )k a. Portanto,
onde o índice inferior a indica que o cálculo da cohomologia é feito com o operador
a. Um pouco de cálculo mostra que
dl : IEf ---4 'Ef
[x] 1---} [ ôx],
isto é, o operador d
1
é induzido por ô. Conseqüentemente, se munimos o grupo H a ( K),
que representa a a-cohomologia de K, da graduação definida pela fórmula
Ha(K) = ffiHa (KP•*)
p
e do diferencial induzido pelos homomorfismos ô : KP•* -t KP+
1
•* obtemos isomorfis-
mos canônicos
A fim de obtermos um resultado completo, devemos ainda explicitar a segunda
graduação do tenno E
2
. Ora,
1
Ef•q é formado pelos elementos de EP que podem ser
representados pelos elementos de graus p + q de K, sendo entendido que K está munido
de sua graduação total. Mas, evidentemente,
1
Ef é o conjunto dos elementos de
1
E
2
representados pelos elementos de KP•*, dentre eles os elementos de grau p + q formam
o grupo KP·q. Então, se designarmos por Hj(K) o grupo de cohomologia de grau q de
K, calculado por meio da segunda diferencial e da segunda graduação de K, obtemos
a fórmula abaixo
De maneira inteiramente análoga, considerando uma segunda filtração de K como
llKp = EB EB Ki,J,
i J ~ p
obtemos d
0
= ô e. então,
11
Ef = H
0
(K*•P). Além disso, também vale que d
1
([x]) =
[ax], levando a
11
Ef•q =H: ( HZ(K)).
Definição B.l. Uma seqüência espectral { Ef•q, dr} é dita convergir para um módulo
graduado H* se existe uma filtração F em H* tal que
FP(HP+q)
Ep,q "' - + - : - ~
00
- FP+l (HP+q)"
99
Ora, mas pelo que vimos na página 97, a seqüência espectral de um complexo
filtrado, construída a partir da filtração, como fizemos, converge para a cohomologia
deste complexo. Para que, então, definir convergência?
Oque ocorre, no entanto, é que, dada a seqüência espectral { Ef•q, d,} construída
a partir da filtração de um complexo filtrado K, como podemos saber se ela converge
para n•(K,d) e não para algum outro grupo, digamos H*(L,d' )? Para ilustrar, seja
M um módulo livre graduado. Considere o complexo K E9 M, com diferencial d EB O e
filtração dada por
···C (Kp+l ffii) C (Kp mM) C (Kp-l mM) · · ·
Não é difícil ver que as seqüências espectrais de K e de K (f} M, construídas a partir
das respectivas filtrações desses módulos, são iguais. Assim, uma mesma seqüência
espectral converge para H ( K, d) e H ( K, d) $ M.
Surge então a pergunta: como (ou quando) a seqüência espectral {Ef•q,dr} cons-
truída à partir da filtração de um complexo filtrado K, determina completamente o
módulo H(K,d)?
Para respondermos a esta pergunta, consideremos um complexo filtrado K e supo-
nhamos que a filtração de K é regular, isto é,
Kp n Kq =O para p > n(q).
Então, deduzimos que
Zf·q = Z! •q para r > n(p +q + 1)- p,
pois se x E Zf•q, temos dx E Kp+r n KP+q+l, módulo que é nulo para p +r > n(p +
q + 1). Além disso, temos dr = O sobre Ef•q para r > n(p + q + 1) - p, pois, para os
valores de r em questão, vale zp+r,q-r+I =O.
Uma vez que, para p e q dados e r suficientemente grande, dr é nulo, sobre Ef·q
temos. mediante a identificação H(Er ) = Er+l' uma aplicação de Ef•q sobre
visto que = ker(d,: Ef •q ---t Ef+r,q-r+l ) = Ef•q. Iterando estes homomorfismos,
obtemos epímorfismos
e; : Ef•q ---+ Ef•q
definidos para s,r > n(p+q+ 1) - p.
Evidentemente, estes e; gozam das relações de transitividade que permitem definir
o limite indutivo
2
dos Ef•q quando r aumenta indefinidamente. Vamos ver que limite
indutivo é precisamente E!,•q.
Com efeito, para r suficientemente grande, temos Zf•q = ze,,q e .q = ze,+ I ,q-l .
Além disso, para todo r temos Bf •q c Be;q. Como valem as fórmulas
z p,q
Ep,q = r
r Bp,q + ZP+l,q-1
r-1 r-1
zp,q
Ep,q = oo
00 B P,q +Zp+l ,q- 1)
------------------------ 00
2Para mais detalhes a respeito de limites algébricos vide o Apêndice A
100
então para r suficientemente grande temos um homomorfismo canônico
induzido pela aplicação identidade ze,,q ~ Z!•q. Veja que este homomorfismo é eviden-
temente sobrejetivo. Além disso, uma vez que BJ é induzido pela aplicação identidade
Zf•q -+ Zf•q, tem-se a relação de compatibilidade
Para ver que E!•q se identifica com o limite indutivo dos Ef•q resta ver que Be,;q é a
união dos Bf•q, fato este que resulta de K ser a união dos Kp.
Como conseqüência deste resultado, consideremos dois complexos filtrados K e L,
e um homomorfismo f: K-+ L (compatível com as graduações e filtrações). Deduzi-
mos, de maneira evidente, homomorfismos
E, (K) -+ E, (L)
comutando com os diferenciais d, compatíveis com a identificação E,+
1
= H(E,) para
r finito e, com as identificações Eoo(K) = G(H(K)), Eoo(L) = G(H(L)). Dito isto,
suponhamos que as filtrações de K e L são regulares. Com esta suposição, o mesmo
ocorrerá com as filtrações de H(K) e H(L). Então, se o homomorfismo Eoo(K) -+
Eoo(L), deduzido de f , é bijetivo, o mesmo ocorrerá para f*: H(K)-+ H(L) . Levando
em conta que, se f* : E,(K) -+ E, (L) é bijetiva para um índice r
0
, ela também será
bijetiva para todo r ~ r
0
temos o resultado seguinte:
Teorema B.2. Seja f um homomorfismo de um complexo filtado K em um complexo
filtrado L Suponhamos que as filtrações de K e L são regulares. Se, para um inteiro r
o homomorfismo f* : E,(K)-+ E,(L) é isomorfismo, então o homomorfismo
f*: H(K)-+ H(L)
também é um isomorfismo.
Com este teorema, ficam eliminados problemas como o exposto na página 100,
pois a seqüência espectral construída a partir da filtração de um complexo graduado,
converge para um único módulo, quando esta filtração é regular, a saber, o módulo
H(K).
Para concuir nosso raciocínio, queremos saber quando podemos determinar expli-
citamente H(K) a partir de Eoo(K).
Em geral, quando a filtração é regular, não se consegue determinar explicitamen-
te H(K). Entretanto, se supusermos que a filtração de K é limitada, i.e., para cada
dimensão n dos complexo K, existem valores s = s(n) e r = c(n) tais que
101
então, sendo este um caso especial de filtração regular, o Teorema B.2 se aplica, le-
vando à conclusão de que a seqüência espectral {Ef·q,d,} construída por meio desta
filtração, converge para um único valor, a cohomologia H ( K) , com
Para ver que H ( K) pode ser efetivamente recuperado a partir de Eoo, é sufuciente notar
que F'(HP+q(K) ) = HP+q(K) quando r ~ t(p + q) e F' (HP+q(K)) =O quando r <
s(p+q) .
102
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