ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA

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PRIMEIRA PARTE
Vida e atividades em sala de aula
1. 2. 3. 4.
Criar condições facilitadoras para a aprendizagem Estimular a leitura e a produção de diferentes tipos de texto em situações reais de uso Refletir com os alunos sobre as suas vivências e sistematizar as suas descobertas: uma forma de enfrentar a trilogia “gramática – vocabulário – ortografia” Avaliar de outra forma, permitir que as crianças se auto-avaliem

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Criar condições facilitadoras para a aprendizagem

Se quisermos que nossos alunos sejam personalidades ricas e solidárias, crianças com domínio da linguagem, não basta apenas atualizar as atividades de aprendizagem propriamente ditas. A vivência tem nos mostrado que é necessário criar condições mais gerais que permitam formar essas personalidades e estimular essas aprendizagens.1 Os temas tratados neste capítulo explicitam tais condições: • • • • Reorganizar o ambiente de sala de aula Proporcionar aos alunos a presença de múltiplos tipos de texto Adotar uma pedagogia por projetos – O que nossos alunos desejam fazer em aula? Estimular a cooperação ativa nas turmas promovendo um ambiente prazeroso

REORGANIZAR O AMBIENTE DE SALA DE AULA
Alguma vez pensaram quão entediantes e antisociais são as nossas salas de aula? • Onde as crianças passam o tempo todo caladas e sentadas em fila, podendo apenas ver as costas ou a nuca dos seus colegas. • Onde a disposição das mesas e o lugar de cada um são fixados, definitivamente, no primeiro dia de aula, e nunca se modificam seja qual for a atividade realizada. • Onde as paredes são propriedade exclusiva do professor e permanecem sem mudanças durante um ano inteiro ou de um ano para o outro. Sugerimos, então, uma sala que crie um ambiente agradável e estimulante, onde as crianças sintam necessidade de se comunicar e que sirva de meio para as aprendizagens: • Uma sala de aula como lugar de comunicação efetiva entre as crianças e entre elas e o professor.

• Uma sala de aula em que mesas e cadeiras sejam distribuídas de acordo com as necessidades e a variedade de atividades das crianças. • Uma sala de aula com um espaço evolutivo, na qual há liberdade de movimentos em relação às atividades que se está realizando, onde as crianças estejam autorizadas a ir buscar um livro na biblioteca, sentar-se no chão, sair para o pátio, etc. Trata-se de facilitar que tenham liberdade de movimentos dentro de uma concepção positiva de autodisciplina, que aperfeiçoe as condições de aprendizagem. • Uma sala de aula onde as paredes são espaços funcionais a serviço da expressão e das aprendizagens, sempre em curso de evolução e transformação.

Mesas e cadeiras adequadas às diferentes atividades: alguns exemplos
A seguir, apresentaremos alguns exemplos de organização alternativa que experimentamos

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JOSETTE JOLIBERT, JEANNETTE JACOB & COLS.
Quadro-negro

m pr esa ofe d ss o or

FIGURA 1.1 Organização da sala para um trabalho em grupo.

em nossas salas para adaptar, de maneira funcional, a localização do mobiliário às atividades. Veremos que, segundo as necessidades, as mesas podem ser agrupadas: • Duas a duas, três a três ou cinco a cinco para facilitar a visão e o trabalho em grupo nas oficinas. • Em forma de U, em semicírculo ou em V , para facilitar o trabalho coletivo diante do quadro-negro. • Empilhadas em um lado da sala ou no corredor, quando perturbam uma atividade em grupo na qual somente se usam as cadeiras ou o chão. É fato que mesas pesadas e salas demasiado pequenas para o número de crianças não facilitam a mobilidade das peças; no entanto, pensamos que tais dificuldades não podem ser-

vir de pretexto para deixar sempre as mesas em fileira. Com um pouco de convicção, de imaginação e de organização sempre se encontram possibilidades criativas. Quanto ao barulho causado pelo deslocamento das mesas das crianças, todos (ou alguns responsáveis pela tarefa) podem treinar para fazê-lo em um momento ou de tal forma que não incomode os vizinhos. Isto também faz parte da aprendizagem.

Recantos
Como uma forma de oferecer às crianças um espaço acolhedor, livre e dinâmico, propusemos “Recantos” dispostos na sala de aula, onde os alunos, no mínimo duas vezes por semana, poderão escolher livremente o que preferirem, dando vazão à sua criatividade e ao seu ta-

o recanto assimila outras modalidades. . mensagens e outros tipos de correspondência que as mobiliza a produzir e a responder. a confecção de fichários para incrementar o material da biblioteca. • Recanto dos jogos matemáticos: as crianças reúnem e organizam diferentes materiais e jogos. documentos históricos e da atualidade. mapas. • Recanto da biblioteca: neste recanto. ser a mãe. etc. A partir do segundo semestre da 1a série.2 Disposições possíveis para facilitar um trabalho coletivo em frente ao quadro.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA Quadro-negro 25 Quadro-negro FIGURA 1. • Recanto da caixa do correio: neste espaço existe uma caixa de correio na qual as crianças colocam as suas cartas. elaborando e expondo as atividades que desenvolve. lento. Jogam e desenvolvem atividades competitivas. Alguns desses recantos escolhidos livremente são: • Recanto de casa: é um lugar onde as crianças pequenas escolhem os papéis que desejam representar. • Recanto das ciências: é o lugar onde funciona o grupo ecológico. contar e dramatizar histórias e fábulas. • Recanto do armazém: é um lugar onde as crianças brincam de vender e comprar produtos. fazer a limpeza da casa. como. comandar a cozinha. como a contribuição de produ- ções. por exemplo. as crianças aprendem a interrogar e a manipular os livros. Também congrega diversas revistas. lendo os rótulos e as embalagens. planejando.

das crianças.5 Sala organizada para a apresentação de uma peça de teatro de fantoches ou representação cênica dos alunos. Se a sala for pequena. • Recanto da notícia: é um lugar onde as crianças juntam. produzem e publicam as notícias para o jornal mural da sala de aula ou da escola (as turmas mais adiantadas publicam um jornal). do lado de fora. JEANNETTE JACOB & COLS. d) A parede de metacognição ou de sistematizações. Por exemplo: comentar um vídeo de notícias importantes. prioritariamente. c) Os textos produzidos pelos próprios alunos. • São espaços funcionais a serviço da expressão e das aprendizagens. as mesas podem ser empilhadas no corredor. b) As informações que chegam regularmente à sala de aula e que devem ser disponibilizadas a todos. • Podem ser utilizadas por iniciativa tanto das crianças quanto da professora. úteis para o bom funcionamento da aula e que Mesas empilhadas no corredor do sa or meofess pr . FIGURA 1. Uma vez terminado o horário estipulado para trabalhar nos recantos. FIGURA 1. A utilização das paredes Propomos uma sala de aula em que as paredes: • Constituem-se em um lugar para valorizar a produção das crianças.3 Sala adaptada para a posição comum (10 crianças aproximadamente). sem o objetivo de enaltecer os “melhores”. • Estão sempre em curso de evolução. realiza-se uma apresentação. Nas paredes vão: a) Os textos funcionais da vida escolar cotidiana.4 Entrevista com convidados da terceira idade.26 JOSETTE JOLIBERT. Disposição do mobiliário da sala conforme as atividades realizadas Quadro-negro Quadro-negro Quadro-negro Mesas empilhadas Mesas empilhadas m pr es ofe a d ss o or Biblioteca Estante Biblioteca Estante Biblioteca Estante FIGURA 1. transformação e renovação. As mesas são empilhadas ou dispostas em algum lado da sala. Os textos funcionais da vida escolar cotidiana Ferramentas de organização da vida coletiva Compreendem todos os textos de uso diário. na qual cada criança participa. • São ferramentas de trabalho a serviço. expondo a sua experiência. para valorizá-los.

arquivos e máquinas de escrever. JORNAL MURAL NOTÍCIAS RECEITAS JOGOS POEMAS EVENTOS CARTAS RECEBIDAS PIADAS FIGURA 1. mensais. etc.6 Pastas. • Regras de vida que vão sendo elaboradas e transformadas pouco a pouco. semanal e anualmente: • • • • Quadro de freqüência. Representações cronológicas: de um dia.7 Jornal Mural. . de uma semana. Observações meteorológicas. com o estímulo e o apoio da professora. os textos são produzidos pelas próprias crianças. Textos-objeto que permitem às crianças se localizarem no tempo • • • • Relógio. Estes textos são escritos com letras grandes e têm uma dimensão que permite a comunicação a distância. Obviamente.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 27 FIGURA 1. Calendário. semanais. etc. Lista de projetos anuais. (mais tarde poderão ser incluídos eventos históricos). registrando diária. permitem organizar a vida do grupo. Quadro das responsabilidades (rotativas). Quadro de aniversários. de acordo com a série.

para valorizá-los. Assim.8 Parede textualizada.9). com os quais elas interagem de forma natural no dia-a-dia ou consultam como referência. que as crianças tenham à mão ou à vista todos os textos advindos do cotidiano escolar.28 JOSETTE JOLIBERT. No entanto. justamente. O TEMPO ILIDADES QUADRO DE RESPONSAB NOMES RESPONSÁVEIS QUADRO-NEGRO NOME FREQÜÊNCIA DO MÊS 1 2 3 4 5 PE DR O MA RIA CALENDÁRIO 1 8 15 22 29 2 9 16 23 30 3 10 17 24 31 4 5 6 7 1 12 13 14 1 18 19 20 21 25 26 27 28 JUA N JAN FEV MAR QUADRO DE ANIVERSÁRIOS ABR MAI JUN JUL AGO SO LE D INÊ S RI CA R SET OUT NOV DEZ FIGURA 1. Os textos apresentados devem ser significativos e de todos os tipos. em vez de aprender sempre pela instrução do educador. sem o objetivo de enaltecer os “melhores” • Podem ser textos individuais ou coletivos. Aqui. podem ficar afixados nas paredes um dia. Paredes textualizadas Já mencionamos os tipos de texto que são afixados nas paredes. podem ser histórias. Falamos de uma sala textualizada porque o propósito é. queremos enfatizar . ao mesmo tempo em que constroem a idéia da importância da língua escrita. • Conforme a oportunidade e o espaço disponível. quadrinhos. permitindo à criança apropriar-se. informações. nas paredes ou nos recantos. poemas. Os textos produzidos pelos próprios alunos. extraem desses textos informações e prazer. pastas ou arquivos. uma semana ou um mês. Desde a educação infantil ou da 1a série. devem ficar arquivados em fichários. A parede de metacognição ou de sistematizações Aqui vão todas as ferramentas elaboradas coletivamente. Não são rótulos nem etiquetas. pouco a pouco. do sentido do tempo e manejá-lo de forma autônoma. A substituição dos materiais é imprescindível. nas pastas pessoais ou nos arquivos coletivos ou na biblioteca da sala de aula (ver Figura 1. • Conforme o momento. de forma sistematizada (ver Capítulos 2 e 3). As informações que chegam regularmente à sala de aula e que devem ser disponibilizadas a todos • • • • • • Correspondência Textos administrativos Cartazes de saúde Notícias Jornal mural Outras PROPORCIONAR AOS ALUNOS A PRESENÇA DE MÚLTIPLOS TIPOS DE TEXTO É importante que o contato com os textos comece desde a chegada da criança na sala de aula. o calendário e o relógio estão em uso permanente. mas textos que se espalham pela sala. piadas. JEANNETTE JACOB & COLS.

As crianças são encarregadas pelo menos de: • atualizar o calendário. – O flip shart* dos projetos de trabalho. Tentamos trabalhar com responsabilidades verdadeiras mais do que formais. semanal. se for necessário. É muito usado no Brasil no meio empresarial. Normalmente é usado sobre um cavalete e nele se escreve com pincéis-atômicos. organizá-lo por temas. trocar regularmente os documentos. • cuidar da limpeza e da arrumação da sala. embora esta denominação não seja muito usada atualmente. • observar o tempo meteorológico e anotálo por meio de símbolos. recebe o nome de álbum seriado. • averiguar as presenças e as ausências. Chegando à sala de aula.9 O que há para ter em uma sala de aula textualizada? o uso de alguns desses textos que implica saber para que servem. O projeto anual (é elaborado no início do ano le- *N. Os textos funcionais da vida cooperativa do grupo Trata-se de todos os textos úteis de uso diário para o bom funcionamento da aula que permitem organizar a vida do grupo. este bloco. • convidar os colegas para participar da elaboração do jornal mural. . • relembrar o contrato diário (que será feito na jornada).ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 29 FIGURA 1. As escolas públicas pouco o utilizam por ser um material caro. sem pauta. – Quadro de responsabilidades. registrando diária. • regar as plantas ou alimentar os animais. e o aluno responsável por essa tarefa assinala as ausências. O termo usado no original castelhano é “papelógrafo”. Trata-se de responsabilidades rotativas que mudam a cada semana ou a cada mês. Trata-se de um bloco em formato grande com folhas brancas. Uma vez preenchido. cada um marca a sua presença no quadro. • arrumar a biblioteca. mensal e anualmente: – Quadro de presenças. Com as crianças menores pode-se utilizar um sistema de cartões com seus nomes. Cada um retira o cartão com seu nome e o pendura em uma espécie de varal. de T. caso seja arquivado (como veremos que acontece na experiência narrada nesta obra). etc.

as crianças: – coletam diversos tipos de informações. – O regulamento (direitos e deveres) da vida escolar. – produzem textos. folhetos. ao contrato dos projetos. etc. Os textos funcionam como referência para as crianças e para o professor. que seriam premiados quando socializados. ao regulamento. o interesse pela leitura de jornais. para recordar os compromissos consensualmente assumidos pelos alunos. no contexto de todos os projetos do curso ou espontaneamente: cartas. as marcas do plural. etc. poemas.. que O Jornal Mural Dipõe-se de um painel especial. FIGURA 1. piadas. O material retirado das paredes vai para o arquivo do grupo. Por meio do jornal mural conseguimos que as crianças. receitas. recursos e prazos). Os textos associados a aprendizagens 3 • Os textos interrogados pelo grupo e que servem de referência a todos os alunos. pelo qual fica responsável um ou dois alunos. Conforme a ocasião. Para realizar o jornal mural. desde pequenas. contos. tivo) e o contrato dos projetos atuais (com tarefas. São de uso permanente e devem ser renovados constantemente. as palavras que começam com a mesma letra. conforme a necessidade do momento. – discutem quais assuntos merecem fazer parte do jornal mural. o sistema dos tempos em um conto.. É um processo evolutivo. os textos vão para a parede ou para um arquivo ou fichário. JEANNETTE JACOB & COLS. O painel é atualizado pelos estudantes e funciona como espaço de comunicação de notícias. histórias em quadrinhos. etc. relatórios. .). adquiram o hábito de estar informadas. revistas. desenhos. São quadros que reúnem as estruturas lingüísticas descobertas (por exemplo: a forma de diferentes tipos de texto. promoção de eventos. Vão sendo construídos pouco a pouco durante o ano e servem de lembrete. já na infância.30 JOSETTE JOLIBERT. As crianças adquirem o hábito de recorrer ao quadro de responsabilidades.10 Livros ao alcance da vista e da mão das crianças. – escolhem as notícias de maior interesse para elas. – recortam e colam as informações no mural. Assim nasce. Textos produzidos pelas crianças 2 Trata-se de textos de todos os tipos produzidos pelos alunos de forma individual ou grupal. Estamos falando dos textos de todas as crianças. de buscar informações. • Os quadros de sistematização das aprendizagens realizadas ao interrogar ou produzir textos. não somente “dos melhores”. responsáveis. etc. Também há quadros recapitulativos do que foi aprendido em todas as áreas. de compartilhá-las com seus colegas. destinados a servir de ferramenta.

acomoda-se um recanto com almofadas e almofadões (devese observar que tenha iluminação suficiente). dicionários. organizam o quadro e retiram o material já exposto. O cuidado e a manutenção dos livros têm de ser objeto de uma aprendizagem. poemas. Nenhuma preocupação com a conservação dos livros. Esses quadros são utilizados desde a pré-escola. A biblioteca da sala de aula não requer apenas um espaço próprio. Biblioteca da sala de aula Consideramos fundamental a presença e a renovação da biblioteca da sala de aula. caixas. – cuidar do material coletado. Sobre as mesas próximas vê-se o material textual elaborado. É importante destacar que os alunos selecionam o material. mapas.. – renovar constantemente o acervo. mesmo que seja. escrever. de pesquisa e de criação. Está constituída com os livros fornecidos pelo Ministério da Educação. etc. atlas. se há necessidade de protegê-los. os livros e outros escritos devem estar ao alcance imediato dos alunos. quadrinhos. provérbios. enciclopédias.. contribuições ou produções cotidianas de uns e outros. empréstimos. catálogos. revistas. jornais. deve ser um espaço vivo. álbuns. Ao contrário. coletâneas de contos ou poemas.. vão adquirindo autonomia no mundo textual da sala e do seu entorno. acrescida de doações. cartazes. legítima. arquivar. Pouco a pouco. – administrá-la com a participação rotativa dos alunos durante o ano letivo. etc. canções. A biblioteca da sala de aula inclui livros de história. mediante uma “tempestade de idéias” relativa a “como vai funcionar?” e “para quê?”. variado.. mas. também. pastas de metacognição. junto à biblioteca. todos os textos enunciados devem ser elaborados pelas próprias crianças com o apoio do professor: selecionar materiais. Este recanto deve ser um lugar atraente. Por isso. em si. É um lugar ativo. privando as crianças do poder de atração que elas podem exercer.11 Livros fora do alcance das crianças. . Esta atenção manifestase em: – usá-la sempre individual e coletivamente. A organização da biblioteca começa por um projeto anual. guias. folders. e. uma atenção priorizada e permanente por parte dos alunos e do professor. com produções dos alunos e de colegas de outras séries ou salas. organizar. Na sala.. Para que nos servirá? FIGURA 1. rótulos. romances. bem-aproveitado e permanentemente renovado. É essencial que o recanto da biblioteca deixe de ser o local onde os livros estão em caixas ou onde as crianças vão depois que terminaram as suas tarefas. familiar.. que instigue a criança a entrar em contato com os textos. Dentro do possível. cartas. arquivos com piadas. de diversão. que seja com material transparente. justifica cobrir as capas dos livros. organizado em coleções e classificado pelas crianças: fichários.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 31 serve de consulta para as crianças.

com especialistas. com os pais. – contribuição com cotas para a compra de jornais. folhetos. JEANNETTE JACOB & COLS. – brincarmos. resolvendo palavras-cruzadas. com colegas de outra escola.12 Biblioteca da sala de aula. cartazes. – satisfazer as necessidades dos projetos. oxalá. aqui começa um grande relacionamento com os livros e outros textos escritos. ler e contar para os outros. FIGURA 1. que. dramatizarmos. – recreação. inevitavelmente. etc. para convidar para algum acontecimento. encontrar personagens ou expressões na página X do livro. Enviados aos seus destinatários. para promover alguma atividade que pretendemos realizar ou para trocar correspondências. para difundir alguma produção. surge. Textos para se comunicar com a comunidade O curso não está isolado. – sabermos as notícias do país e do mundo. – supervisionar a boa manutenção dos livros.32 JOSETTE JOLIBERT. convites. Para: – obtermos informações úteis para todas as disciplinas. autorizações. com a leitura de histórias e poemas de diferentes autores. – convidar os pais para que leiam as produções de seus filhos. fotografias. etc. Todos esses textos resultam em um intercâmbio com o colégio. os textos também ficam expostos em um painel especial da sala e depois são “arquiva- . informações. Determinando maneiras de incrementar a biblioteca: – contribuições dos voluntários com temas de interesse do doador. que não têm nem livros nem leitores em casa. Como faremos? Nomeamos três encarregados (que vão sendo substituídos durante o ano) de: – escolher o espaço a ser ocupado pela biblioteca e identificá-lo. Para muitas crianças. para agradecer alguma solicitação atendida. – recorrermos à leitura de um tema de interesse pessoal quando terminamos um trabalho antes dos colegas. Sendo produto de projetos. Recebemos e remetemos cartas. – entregar um balanço mensal ao grupo. – fazer um inventário por tipo de texto e classificá-los em diferentes pastas. – abrir um caderno de empréstimos. – confecção de fichários. documentos. com a comunidade. caso não se consiga uma entrega gratuita de exemplares normalmente vendidos. dure a vida toda. Para cada uma destas atribuições são nomeados responsáveis que assumirão as tarefas em sistema de rodízio durante todo ano. para solicitar uma autorização necessária. Escrevemos para informar a outra turma ou série ou à direção sobre alguma atividade. – obtenção de recursos para comprar novos livros. a necessidade de comunicar-se com o exterior. propaganda.

14 Cartaz anunciando a festa do colégio. com objetivo de entretenimento ou para buscar informação.. às 15 horas. Havia uma vez. Elaboram.. usando a sua criatividade. Valparaíso. cuidando-os... Papel do professor O papel motivador do professor é particularmente evidente na elaboração e na gestão de todos esses textos. preocupando-se com a sua manutenção e reposição.. Então.. Adquirem autonomia para usar os livros da biblioteca.). a tia Maribel e alguns representantes responsáveis. 15 de maio de 1997 Senhora Rozita Viano Contreras Diretora do Liceu B-26 Valparaíso Estimada Senhora Diretora: As crianças da 2a série B se dirigem à senhora para pedir-lhe permissão para ir lançar garrafas com mensagens ao mar.13 Carta para a Diretora. lembra das responsabilidades. dia 19. os quadros recapitulativos com os elementos lingüísticos já sistematizados e os utilizam sempre que necessitam deles. Nós já planejamos tudo. Comportamento das crianças As crianças adquiriram o hábito de procurar o recanto da leitura a fim de seleciona textos para ler. para entrar em comunicação com crianças de outros países. Remete às ferramentas úteis já elaboradas quando as crianças se “esquecem” da sua existência. Venham! Algo fabuloso os espera 12 e 13 FIGURA 1. e contribuem com novos textos. etc. nos acompanhará a tia Saby. Estamos longe do “texto-manual” único. Ajuda a conseguir material. . Crianças da 2a B FIGURA 1. constituindo a memória social da nossa turma. Não atua diretamente. Usando frases-ponte (Era uma vez.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 33 dos” em pastas especiais.. impulsiona a renovação de material para as paredes e convida a guardá-lo em arquivos ou caixas.. Relembramos que todo esse material escrito constitui o conjunto de textos com os quais as crianças aprendem a ler e a produzir. só falta a sua permissão. Uma lancha da Força Naval nos levará na segunda-feira. construídas mediante a leitura de histórias. as crianças são capazes de produzir outras do mesmo gênero. mas permite que os alunos o façam. apóia na utilização de todos os quadros. Saudações. dos tempos anteriores. freqüentemente.

a utilizar métodos de trabalho e a esperar que seus alunos os recebam. JEANNETTE JACOB & COLS. que os ajudará quando surgirem dúvidas ou dificuldades. Como organizar concretamente um projeto na prática de sala de aula? 3.. grandes questões para o professor: “Parece interessante. Quando os alunos mergulham em uma tempestade de idéias. Sabemos que surgem. b) Porque ajuda os alunos a organizar o seu trabalho escolar. vivenciálas e avaliá-las. de acordo com os conteúdos exigidos pelo programa”. assumi-las com responsabilidade. seguramente a sua resposta será algo assim: “Tenho minhas aulas planejadas com bastante material e muito ativas. suas qualidades e fragilidades. a presente proposta é um convite a vivenciar com os alunos a experiência de uma pedagogia por projetos. executá-los e buscar informações. já que respondem às suas necessidades e são planejadas por elas. vêem o professor como um facilitador da aprendizagem. seus conflitos. Por que escolher uma pedagogia por projetos? 2.. Finalmente. que ganham significado para as crianças. E. Há diferentes tipos de projetos de aula? 4. sugerimos que experimentem. apliquem e memorizem. ADOTAR UMA PEDAGOGIA POR PROJETOS – O QUE NOSSOS ALUNOS DESEJAM FAZER EM AULA? Se perguntarmos a qualquer colega: “O que você fará na aula de hoje com os seus alunos?”. os professores estão acostumados a dar conteúdos. eles têm muitas dúvidas a respeito da capacidade dos seus alunos. Encontramo-nos diante de proposições como (é claro que depende da idade das crianças): – – – – – Queremos brincar! Queremos saber por quê. via de regra. as propostas podem ser formuladas pelos alunos ou pela professora. favorecendo as relações intergrupais e incrementando a socialização e a auto-estima. confiar e aceitar que um grupo seja capaz de viver suas alegrias. c) Porque permite aos alunos tomar decisões. como posso EU fazer isso com os MEUS alunos? Como posso inserir o que me exige o programa no que eles querem fazer?” . Os projetos favorecem a aprendizagem da língua? Por que escolher uma pedagogia por projetos? a) Porque uma pedagogia por projetos dá sentido às atividades do curso. mas. a hierarquizar as tarefas.! Queremos ler uma história! Queremos ir ao zoológico! Queremos fazer entrevistas! A seguir. Ao contrário. por meio dos seguintes tópicos: 1. d) Porque permite aos alunos realizarem um trabalho cooperativo. Ousem! Geralmente.34 JOSETTE JOLIBERT. a partir da construção de uma rede de comunicações e ações. a definir as atividades. e vêem seus colegas como parceiros com os quais é agradável compartilhar experiências e confrontar aprendizagens. aqui. e o quanto as suas experiências e vivências podem contribuir para o processo de aprendizagem e para a construção de seu projeto de aula. Alguma vez vocês perguntaram aos seus alunos o que gostariam de fazer ou de aprender? Se ainda não o fizeram. Veremos o quanto resulta enriquecedor e surpreendente compartilhar com eles o sentido de sua atividade escolar. por meio de um projeto. ao bairro. trataremos de responder a essas questões considerando esta nova opção de trabalho. pensam que eles chegam à escola “sem saber nada”. os alunos reconhecem a escola como um lugar privilegiado onde se realizam aprendizagens significativas para eles. estão nos dizendo quais são as atividades significativas que eles desejam realizar. Os projetos nascem das necessidades que surgem no dia-a-dia da sala de aula ou da escola. e) Porque facilita a abertura da escola à família. à comunidade. a fazer combinações e acordos. que não têm expectativas de aprendizagem e que o professor tem de lhes ensinar tudo.

desenhar 2. administrar: – o seu espaço – o seu tempo – as suas atividades – avaliar o seu trabalho Permitir a cada aluno que: – escolha – estabeleça – discuta – critique – avalie – – – – comprometa-se responsabilize-se realize-se viva Projeto: Queremos uma sala mais bonita Responsabilidade Material Dia Guilherme Vasos 15 de Tereza Plantas outubro Matheus Cachepôs Camila Conseguir Cera material Panos de limpeza Limpa-vidros Detergente Vassoura Água sanitária Tarefas Trazer plantas FIGURA 1. pessoalmente. esta semana?”. as tarefas. organizar-se 2.15 Crianças e professor planejando um projeto e elaborando o contrato. Outras condições básicas são: – Disponibilizar quadro e giz ou flip sharts4 e pincéis-atômicos para anotar as diferentes propostas. este mês. a distribuição das responsabilidades e do tempo. – O estabelecimento de um contrato claro e explícito que especifique a organização das tarefas.. definir as tarefas a realizar 4. de tal maneira que cada participante tenha tem- po para refletir. . etc. antes de propor ou discutir com os demais. construir as suas regras de convivência 3.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 35 Como organizar concretamente um projeto na prática de sala de aula? É muito simples. as combinações estabelecidas. Quadro 1. – A institucionalização de uma avaliação sistemática ao longo do projeto. avaliar E em geral decidir: – o que será feito – como será feito – quando será feito Sim Permitir ao grupo: 1.1 Pedagogia por projetos Não Continuar com o monopólio do professora quanto a: 1. Basta lançarse na proposta. decidir o funcionamento da aula 3. podendo confrontar as suas idéias no grupo. – Planejar desde a primeira sessão. os prazos.. os responsáveis. No quadro a seguir mostramos o que se deve e o que não se deve fazer para trabalhar na lógica de uma pedagogia por projetos. Outra condição fundamental de partida é a disposição da sala. Tudo começa por uma pergunta aberta: “O que vamos fazer juntos este ano. este semestre. antes da socialização das propostas e da tomada de decisão coletiva. montada de tal modo que se possa ver o rosto e não a nuca dos convidados com os quais se discutem idéias.

o professor e seus alunos reúnem as idéias surgidas. apresentamos um esquema com cinco fases que orientam a organização dos diversos tipos de projeto. O professor também contribui. etc. isto é. em especial no final da tempestade de idéias. Projetos de longo. 1. em geral. Exemplos de projetos e aprendizagem A seguir apresentamos alguns dos múltiplos projetos vivenciados com nossos alunos. – em pequenos grupos. aqueles que o sistema educacional avalia ao final do ano e que. Realização das atividades. Não há por que privar as crianças de prospectar ou representar-se. Ao final da sessão. ou de curto prazo (1 a 6 dias). Pode-se incentivar: – projetos multidisciplinares ou específicos. a cidade. – envolvendo a unidade educativa. busca de informações. – de estudo (exemplo: “Porque os nossos dentes caem aos 6 ou 7 anos?” ou “Aprofundemos o conceito de lenda”).). do próprio curso. antecipadamente. médio ou até de curto prazo precisam de uma organização detalhada.). Pode-se implementar projetos: – de realizações (convivências. Projetos mensais ou semanais 3. JEANNETTE JACOB & COLS. mensais. encarregando-se de inserir as necessidades do “programa”. que proponham projetos que eles querem desenvolver durante o ano. – com séries paralelas ou envolvendo outro(s) cursos(s) por correspondência escolar. Finalização do projeto. como se pode perceber nos exemplos seguintes: . exposições. 5. Avaliação das aprendizagens durante o projeto. Avaliação coletiva do projeto. – de aula. Há diferentes tipos de projetos O quê pode ser objeto de uma proposta com as crianças? Tudo! Tudo o que faz parte da vida diária. o município. por meio de uma tempestade de idéias. classificados por duração e objetivos: 1. de um ou dois dias Projetos anuais No começo do ano escolar conversamos com nossos alunos sobre o que eles querem fazer durante o ano que se inicia e sobre a exigência dos conteúdos de formação que correspondem ao período. visitas. das tarefas a ser realizadas e das responsabilidades (contrato). Concretamente: o professor solicita aos alunos. – de pesquisa (levantamentos. – projetos anuais. desde a organização do seu espaço e tempo até as atividades e as aprendizagens a desenvolver. entrevistas. No Capítulo 9.36 JOSETTE JOLIBERT. Projetos anuais 2. semanais. ou seja. Estas idéias são levadas ao quadro-negro (na educação infantil e na 1a série o professor é também um secretário). das atividades escolares pode ser objeto de um projeto. preocupa somente os professores. como será o seu ano letivo. Planejamento do projeto. Pode-se elaborar projetos: – envolvendo toda a classe. a comunidade. que são copiadas em um flip shart e afixadas em uma das paredes. o bairro. 2. Projetos de curto prazo. ou de permitir que expressem o que querem fazer do seu tempo em sala de aula. – individuais – sempre que os resultados sejam socializados. acrescenta os requisitos de aprendizagem e a construção de competências próprias de cada série. 3. 4. Antecipamos resumidamente essas fases a seguir.

• • • • • Pintar com têmpera Recortar Sair para passear Somar e diminuir Trabalhar com massinha Exemplo de um plano anual para alunos de 3a série Queremos: • • • • Aprender a dividir e a multiplicar Aprender a tabuada de multiplicação Aprender inglês Comemorar algumas datas especiais: – Dia dos pais. os temas são anotados na ordem em que foram propostos. estes não implicam planejamento detalhado. estabelecidas em conjunto no primeiro dia de aula. – Em um primeiro momento. ou surgir de forma espontânea con- . – A formulação é a mais próxima possível da dos alunos. – Sempre se deixa espaço no final da lista para acrescentar novas idéias. Além disso. é que os alunos possam começar o ano com uma prévia representação global do que vão fazer. sintam-se consultados e possam conferir se o que foi proposto vai sendo respeitado. não se entra em detalhes. das mães e da criança – Aniversário da escola – Festas da pátria – Dia da terra Conviver com outras pessoas Cuidar da higiene da escola e da população Escrever cartas e histórias Fazer entrevistas Fazer trabalhos manuais com papel Inventar novos jogos Jogar bola Ler e escrever melhor Ler e escrever regras de jogos Visitar o zoológico Exemplo de um plano anual para alunos de educação infantil (5 anos)5 Queremos: • • • • • • • • • • • • • Aprender Brincar Cantar Escovar os dentes Escrever Fazer festas Fazer ginástica Fazer tarefas Lanchar Ler histórias Pintar Sair para fazer visitas Sair para passear • • • • • • • • • • Exemplo de um plano anual para alunos de 1a série Queremos: • • • • • • • • • • Andar limpos Comemorar os aniversários Conhecer as letras Conhecer os números Desenhar Fazer doces Fazer fantoches Fazer ginástica Fazer móbiles e guirlandas Ler e escrever Como é possível observar. O projeto anual da turma permanecerá durante todo o ano afixado na parede da sala de aula em lugar visível. aqui. O importante.16). À diferença dos demais projetos.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 37 – Trata-se de grandes orientações. é uma oportunidade interessante para o professor escutar os desejos e as necessidades de seus alunos recém-chegados (ver Figura 1. apresentam somente grandes eixos para as atividades do ano letivo. estas listas. os alunos vão marcando as metas atingidas. Projetos semanais ou mensais Este tipo de projeto pode ser extraído do projeto anual. À medida que o projeto anual vai sendo cumprido.

requerem uma organização rigorosa e detalhada. PROJETO ANUAL PROJETO DO MÊS ATIVIDADE PROJETO EM DESENVOLVIMENTO RECURSOS RESPONSÁVEL TEMPO AVALIAÇÃO PROJETO SEMANAL FIGURA 1. Como veremos na seqüência. mensal ou semanal. – Escrever uma carta para o Papai Noel e postá-la no correio. sim.6 Vejamos uma seleção de quatro projetos deste tipo. – Conhecer a história do Papai Noel. Quatro exemplos de projetos semanais e mensais Exemplo 1: “Esperando a chegada do Papai Noel” Turma: 1a série Idade: 7 anos Número de alunos: 29 Duração: 20 dias Final: 20 de dezembro 1a Fase: Planejamento do projeto O que queremos alcançar? Celebrar o Natal cultivando o espírito natalino de amor. podem se limitar aos alunos de uma turma ou implicar uma interação com a comunidade. realizados em nossas aulas. Podem ser projetos de curso ou de escola. nos corredores) Visitar um museu Interrogar cartazes de todos os tipos Visitar o zoológico Semear e manter o jardim detalhado em capítulo posterior. Tempestade de idéias para decidir o que vamos realizar – Confeccionar enfeites natalinos para ornamentar a sala. forme a necessidade da turma. – Que seja um momento agradável para o grupo. . Estes. paz. Aproveitamos esta apresentação para fornecer exemplos de contratos estabelecidos no início do projeto. com outras unidades educativas ou mesmo com outras instituições. Vejamos alguns exemplos: • • • • • • • • • • • • • • Instalar uma biblioteca de aula Organizar um jornal mural Editar um jornal Celebrar o mês da natureza Comemorar aniversários Informar-se sobre o “porquê” (ou “como”) de um assunto interessante ou atual Realizar saídas e visitas Intercambiar informações sobre um tema com outras turmas Preparar um espetáculo de fantoches Organizar um espaço na escola (no pátio. utilizando o esquema das cinco fases mencionado e Objetivos pedagógicos – Que se cultive nas crianças o espírito natalino de amizade. estes são projetos de realizações por fazer e aprendizagens a construir.16 Projetos da turma.38 JOSETTE JOLIBERT. ao cuidar que a leitura e a escrita estejam a serviço das atividades projetadas. solidariedade e alegria. solidariedade. descartando o valor consumista. – Celebrar a festa de Natal. JEANNETTE JACOB & COLS. benevolência. Nestes projetos integram-se áreas de conhecimento específico (competências e conteúdos) apoiando as aprendizagens.

etc. os alunos selecionam as que mais gostam e escolhem os materiais com os quais trabalharão (trabalha-se uma figura a cada dois períodos de 90 minutos cada um). professora. iniciando-se um diálogo otimista e alegre por parte dos alunos. com as figuras confeccionadas pelos alunos. São recebidos pelo chefe dos correios que lhes indica onde devem depositar as suas cartinhas. – Antes de envelopar a carta. – Que confeccionem com prazer e capricho os enfeites para a carta resultar bonita. pela professora. os alunos escutam. 5a Fase: Avaliação de nossas aprendizagens durante o projeto O que aprendemos durante o desenvolvimento deste projeto? – Que o Natal não é somente uma data comemorativa em que trocamos presentes materiais. – Que desfrutem e mantenham a inocência com a ida até o correio para postar a carta para o Papai Noel (se necessário. – Novamente realiza-se um trabalho em grupo para escrever o destinatário. mas também espirituais. papel celofane.17). trabalhando com a ferramenta desse tipo de texto (ver Figura 1. seu endereço e o nome e endereço do remetente. chefe dos correios. – A confeccionar figuras natalinas. Produzir a carta. utilizando a ferramenta e a forma da carta já trabalhada em aula. Confeccionar os enfeites. – Alternando as atividades de confeccionar figuras. Selecionar o material e as imagens de Natal. opinam e confrontam suas idéias sobre a história do Papai Noel (desenvolvimento em liguagem oral). cada um ajudado por seus colegas e. a professora realizará o trabalho de secretária). acompanhados por cinco responsáveis. 2a Fase: Realização das atividades – Em uma sessão. O compromisso com as atividades. ocorre um bate-papo. acompanhantes. – Utilizando figuras natalinas coletadas pela professora. sucata. – Decorar a sala de aula. As dificuldades para a realização. os alunos decidem se desejam ou não lê-la aos colegas. Ida aos correios (definir dia e hora). reativa-se o que foi aprendido sobre a carta. e estas são as vivências mais importantes. – As atividades são finalizadas com a ornamentação da sala. – A história da chegada do Papai Noel. comentam. – Depois da visita. 3a Fase: Finalização do projeto – Realiza-se uma visita aos correios. 4a Fase: Avaliação final coletiva do projeto – – – – Para esta avaliação considera-se: O tempo empregado.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 39 – Que redijam uma carta incluindo um desejo para alguém extraclasse. serragem colorida. esclareçam dúvidas ou solicitem ajuda aos colegas. – Materiais: folha de ofício. – A organizar com alegria e bom gosto a sala de aula. O funcionamento dos grupos. O conteúdo é trabalhado individualmente. . em alguns momentos. lápis de cor. Recursos – Humanos: alunos. colocadas em lugares especiais escolhidos por eles. – Que durante a produção troquem idéias. Definição das tarefas a serem realizadas de forma individual ou coletiva – – – – – – Definir a data das atividades. – Na sessão de produção da carta trabalhase em conjunto o destinatário e a data da carta. Solicitar acompanhantes para a saída até os correios. Os alunos levam suas cartas.

Recursos – Humanos: alunos. 1a Fase: Planejamento do projeto O que queremos alcançar? Melhorar o ambiente da nossa sala de aula Tempestade de idéias para decidir o que vamos realizar – Limpar bem a sala: piso. – Explicar para a turma do turno paralelo o que estamos pensando fazer.17 Silhueta de um envelope de carta. – Colocar plantinhas. – Regar e cuidar das plantas. etc. janelas. com envelope. – Materiais: objetos úteis da sala de aula. colaboradores. Definição das tarefas a serem realizadas de forma individual ou coletiva Organizar-se: . FIGURA 1. – Que dialoguem livremente sobre o projeto. – Que redijam cartas. mensagens em cartazes para a situação. JEANNETTE JACOB & COLS. Exemplo 2: “Queremos uma Sala mais Bonita” Turma: 2a série Idade: 8 anos Duração: 20 dias Final: outubro – Que as crianças sintam que o espaço da sala de aula lhes pertence. pais. – Conseguir utensílios de limpeza. que são responsáveis por este espaço e que podem atuar sobre ele. de artigos de revistas sobre o cuidado de plantas. – Pedir ajuda aos pais e à direção do colégio. – Organizar-se para executar as tarefas propostas. – Que o projeto seja uma oportunidade para se comunicar com o exterior. – Que se entretenham e usufruam das atividades que planejaram. fotocópias de rótulos de produtos de limpeza. vasos com plantas. portas. – Que pratiquem a leitura necessária para a situação. professores. bancos. – Conseguir mais plantinhas. – Que vivenciem o que se pode alcançar trabalhando em conjunto e organizados.40 JOSETTE JOLIBERT. Objetivos pedagógicos – A escrever uma carta pessoal completa.

Produzir textos: – o próprio contrato (tarefas. • gostamos da idéia de inaugurar a sala com os demais. 2a Fase: Realização das atividades As atividades previstas realizaram-se em um clima de alegria. detergente. – lista de utilidades necessárias. E. mas da evolução da nossa sala. 3a Fase: Finalização do projeto As crianças sentiram necessidade de compartilhar seu prazer com as pessoas que cola- Quadro 1. calendário). – As dificuldades encontradas e como foram superadas. a fim de que ficasse cada vez mais bonita. – carta aos pais. envelopes. limpa vidros. boraram. água sanitária. Foi necessário definir e distribuir as responsabilidades para continuarmos cuidando. – A pontualidade ou a sua falta na realização das tarefas. finalmente. lápis. convidando os colegas da turma do outro turno. os pais e a direção da escola para verem o resultado alcançado.2 Contrato do projeto: “Queremos uma sala mais bonita” TAREFAS Trazer plantas Conseguir utensílios para limpeza e reuni-los Redigir solicitação de apoio Limpar a sala Trazer informações de revistas sobre o cuidado com as plantas Confeccionar cartões RESPONSÁVEIS 5 alunos (nomes) 10 alunos (nomes) MATERIAL Vasos. Dessa forma. dali em diante. 4a Fase: Avaliação final coletiva do projeto Foram avaliadas coletivamente: – As gratificações obtidas foram: • aprendemos a desfrutar da nossa obra: gostamos mais de viver em nossa sala. sem maior dificuldade. ao centro de pais. máquina de escrever. plantas e cachepôs Cera. Depois de concluído o projeto. no próximo ano. para solicitar ajuda. à direção do colégio. fotocópias CALENDÁRIO 1 semana (data) 1 semana Toda turma e a professora Todo o grupo 6 alunos (nomes) 1 dia 1 dia Revista Enciclopédia Folhetos Papel acartonado Pincéis-atômicos Cola Percevejos 1 semana Grupo de 6 alunos (Toda a turma) 3 dias . decidimos fazer algo que não havia sido previsto no início do projeto: uma inauguração da sala. desenhar a sala. – definir as responsabilidades de cada um e do grupo. • conseguimos a cooperação dos nossos pais. responsáveis. panos de limpeza Folhas de ofício. – comunicar-se com a escola e pais para pedir apoio. – interrogar os textos dos produtos adquiridos. não somente da manutenção. perguntaram-se: “Por que não fazê-lo desde o início do ano letivo.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 41 – estabelecer um calendário de atividades. – mensagens dos alunos do projeto aos alunos do curso paralelo. Interrogar textos: – interrogar textos relativos a como manter um ambiente agradável. em vez de esperarmos até outubro?”.

– Integrar as demais disciplinas. Exemplo 3: “Conheçamos as Ruas e os Elevadores de Valparaíso. – Elaboração de uma maquete. SIM Coloquei o emissor? Coloquei o destinatário? Coloquei a data corretamente? Indiquei o motivo da carta? Assinei? NÃO Recursos – Humanos: centro de pais. – Criar e facilitar instâncias de comunicação entre os alunos e a comunidade. têmpera. 1a Fase: Planejamento do projeto O que queremos atingir? Reconhecimento e exploração das ruas e dos elevadores de Valparaíso. – Interrogar e produzir textos. papel acartonado. cartazes. guia turístico. – Materiais: fotocópias. – Desenvolver a capacidade de trabalhar em grupo. Tempestade de idéias para decidir o que vamos realizar – Rememorar o que conhecemos e localizálo no plano da cidade. guia turístico. cartazes. especialmente ciências sociais e artes. Objetivos pedagógicos – Que os alunos conheçam melhor e valorizem a sua cidade.. – Realização de um café da manhã para reunir fundos que custearão os gastos da saída (microônibus. uso dos elevadores. – Produzir textos. realização.. documentos. – Que as crianças comprometam-se com as atividades pelas quais se responsabilizam. – Fotografar.). caixas. lanches). – Interrogação de dois textos: “Elevadores de Valparaíso” e “Descoberta de Valparaíso”. – Fotografar e montar um álbum. – Saída: preparação. – Elaboração de perguntas para levá-las a alguns personagens característicos do porto (vendedores ambulantes. às vezes. marinheiros. máquina fotográfica. – Percorrer as ruas do bairro. . neste contexto. – Desenhos. – Obter documentação: fotografias. JEANNETTE JACOB & COLS. Em termos de linguagem.42 JOSETTE JOLIBERT. – Ler os documentos. elaboramos juntos a ferramenta de auto-avaliação a seguir: – Subir a outros morros com elevadores. aprendemos mais especificamente a escrever cartas e. textos. 5a Fase: Avaliação de nossas aprendizagens durante o projeto – Aprendemos a assumir com responsabilidade os nossos papéis. – Elaboração de um relato. – Aprendemos que. – Elaboração de convites e cartazes para que as mães nos acompanhem ao passeio por Valparaíso. Nossa Cidade” Turma: 3a série Idade: 9 anos Duração: um mês e meio Final: outubro Definição das tarefas a serem realizadas de forma individual ou coletiva – Seleção de material. temos que redistribuir as tarefas para o êxito do Projeto. responsáveis pelo bote salva-vidas. – O funcionamento dos grupos e da vida coletiva. jardineiros.

A divisão das tarefas e a organização do calendário resultou em um contrato. – Utilizando as ferramentas resultantes da interrogação com cartões. – Antes da saída.Toda a turma bre Valparaíso 1 semana Programar e realizar um Comissão de cooperação café da manhã com os alunos Confeccionar os convites Interrogar os textos: “Descoberta de Valparaíso” e “Elevadores de Valparaíso” Produzir relatos sobre a saída Cada aluno Toda a turma 2 aulas 1 aula 2 aulas para cada texto Individual Folha Pasta Tábua 30x30cm Argila Vasilhames vazios Papel colorido Têmpera Folha de bloco Têmpera Papel acetinado Lápis de cor Máquina fotográfica Pincéis atômicos Cola 2 aulas 1 aula Confeccionar uma maquete Trabalho grupal de Valparaíso e seus elevadores.00 (dois reais). cada aluno 1 aula Responsáveis: professora e alunos 1 aula . – Foram duas aulas para cada texto. as crianças reuniram-se em grupos e elaboraram uma série de perguntas direcionadas aos personagens do porto.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 43 – Avaliação da saída. Quadro 1. forma (título e parágrafo). 2a Fase: Realização das atividades – Interrogação dos textos selecionados pelos alunos na biblioteca da sala de aula: “Elevadores de Valparaíso” e “Descoberta de Valparaíso”. sistematizando-se o uso da maiúscula. da biblioteca de aula CALENDÁRIO 1 semana Reunir documentação so. Desenhar o que mais agradou a cada um na saída Realizar uma exposição fotográfica Individual. Realizaram-se as atividades típicas de exploração do texto.3 Contrato do projeto: “Conheçamos as ruas e os elevadores de Valparaíso. nossa cidade” TAREFAS Planejar saídas a campo Ruas do bairro Morros e elevadores RESPONSÁVEIS Toda a turma MATERIAL Máquina fotográfica Bloco de desenho Lápis Documentos Recortes do jornal Revistas Mapa da cidade Utensílios Cooperação de cada aluno Folha de ofício Envelope Livro: Rato de biblioteca. – Produziram cartazes dirigidos aos colegas de outras turmas para divulgar o café da manhã ao custo de R$ 2. foi criado um modelo para convidar as mães a acompanhá-los no passeio.

– Em sala de aula. * Atividades – A turma se divide em arrecadadores e recepcionistas. responsabilidade. por problemas familiares ou socioeconômicos ou por delinqüência juvenil. que uma criança ainda não-alfabetizada pode distinguir facilmente. guloseimas. – Depois da saída. – Uma exposição de fotografias. Às vezes. no início das atividades. alimentos. com delimitação clara das tarefas.44 JOSETTE JOLIBERT. etc. 5a Fase: Avaliação de nossas aprendizagens durante o projeto O que aprendemos durante este projeto? – A conhecer melhor a nossa cidade e a valorizar a sua beleza e as suas características. – O nome das ruas do entorno da nossa escola. – A formular perguntas em uma entrevista. Surgem algumas perguntas: Por que estão ali? Quem cuida deles? Onde estão as suas famílias? A professora explica a situação irregular em que se encontram essas crianças.. envolvendo: – Uma maquete de Valparaíso e seus elevadores. – Que durante uma saída é importante prestar muita atenção. de T. – Que para redigir uma notícia é mais fácil escrever os fatos em ordem cronológica. Exemplo 4: Projeto “Prestando Solidariedade aos Meninos da C a s a d e Me n o r e s ” Duração: 2 períodos de 90 minutos 4a Fase: Avaliação final coletiva do projeto – As dificuldades encontradas e as satisfações obtidas. preparam mensagens escritas. além de canções e amizade. fizeram relatos individuais. O dia programado para a entrega das doações é quarta-feira. seguindo as instruções dos adultos (professor e responsáveis). organizam-se. Em termos específicos de linguagem aprendemos: – A produzir convites. Cada aluno expõe a toda a turma a sua preocupação pelo delito de “fuga”. Todas as atividades foram realizadas em um clima de afetividade. apesar dele não ser usual na literatura brasileira. canções. para explicar aos colegas como podem colaborar nessa campanha de solidariedade. . – Que para a nossa segurança. – Percorrem as demais salas. diariamente. Toda a tur- N.. JEANNETTE JACOB & COLS. justificando a escolha pela sua plasticidade. selecionam e empacotam as doações durante 15 a 20 minutos. morros). para designar os contornos ou configurações dos diferentes tipos de texto. Optamos pela tradução literal do termo “silueta”. – A comparar as silhuetas* típicas dos textos produzidos. encontram-se nesses lugares. 24 de agosto. disposição. elevadores. devemos nos deslocar em ordem. – A usar as letras maiúsculas nos nomes próprios (ruas. – O nome dos elevadores e as suas características. com a autorização da direção. – Que é importante trabalhar em equipe. – O funcionamento dos grupos e da vida coletiva do curso. 3a Fase: Finalização do projeto Foi realizada uma apresentação para a turma do outro turno e seus responsáveis. Os alunos propõem-se a realizar uma campanha em solidariedade a esses meninos e decidem contribuir para suprir algumas de suas necessidades básicas como roupas. Contexto Uma menina da 4a série comenta a seguinte notícia: “Algumas crianças escaparam da Casa de Menores SENAME”. brinquedos e.

• Preparar a visita recém-anunciada de um convidado. Atividades – Informar o ocorrido a todos os alunos do mesmo turno com a finalidade de provocar uma adesão solidária. FIGURA 1. • Realizar uma caminhada para admirar a mudança de estação. Considerem os resultados ótimos. um aluno sofre um acidente na rua. Seus colegas sentem a necessidade de ajudá-lo. apresentamos dois projetos curtos originados de acontecimentos imprevistos da vida cotidiana escolar. Permanecem ali em torno de duas horas. organizem e cumprem a meta traçada. nas quais se expressam e escutam interesses e necessidades do momento. Contexto Certo dia. ficam preocupados com a situação das crianças e adolescentes daquela casa de menores. mensagens e piadas. refletem sobre a situação daquelas crianças e os resultados da sua campanha. • Organizar festas de convivência para celebrar um evento. por exemplo: • Realizar uma campanha de prevenção em função de acontecimentos ocorridos na escola (acidentes. – Realizar visitas ao hospital. – Confeccionar cartões para remeter ao colega acidentado. MOTORISTA: O NESTA CIDADE NÃ . falta de água). Entretanto. todos colaborem. Na seqüência. – Realizar visitas periódicas no domicílio do colega e demonstrar-lhe solidariedade. depois de ouvi-la.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 45 ma. – Organizar grupos para coletar alimentos não-perecíveis e dinheiro. P r o j e t o 2 : “A d o ç ã o d e uma Mascote de Rua” Projetos de curto prazo originados da vida cotidiana Este tipo de projeto surge das conversas entre alunos e professores. Os alunos gravam em fita cassete uma entrevista com as crianças e os professores do local e. • Situar no mapa-múndi os países participantes do campeonato mundial de futebol na França em 1998. como. participa do encontro com as crianças da casa de menores. AS NÇ IA CR SOBRAM M DIRIJA CO CUIDADO! PUCHUNCAVÍ MUNICÍPIO DE Projeto 1: “Vamos Ajudar o Vítor ” Contexto Em uma turma de 2a série.18 Finalização do projeto . conversando e compartilhando com as crianças e os adolescentes canções. Os alunos da 3a série levaram-na para a SR. acompanhada de seis responsáveis. uma cadelinha de aproximadamente 2 meses foi deixada na porta do colégio.

– Organizar turnos para levá-la diariamente para a casa de um aluno. proporcionam diferentes tipos de situação de uso e aprendizagem da linguagem. – Produzir poemas alusivos ao nome da mascote. a definir suas tarefas e a administrar o seu espaço e o seu tempo. vacinação na presença dos alunos. que a levará para casa de forma definitiva. sala de aula e se organizaram para decidir o que fazer com ela. Quadro 1. Que resultados pudemos observar a partir da vivência sistemática com projetos em nossas aulas? Resultados favoráveis – Os alunos aprendem a se organizar. alimentação e coleira. JEANNETTE JACOB & COLS. até os que lidam com assuntos muito gerais (“Queremos uma sala de aula bonita”) ou os mais específicos que tratam de uma disciplina (ciências sociais ou ciências naturais. – Realizar um concurso para escolher um nome para a cadelinha. um dono para a mascote. – Solicitar uma conversa com um veterinário (cuidados necessários com a cadelinha.4 Projeto 1: “Cuidemos de nossos dentes” Turma: educação infantil e 1a série Objetivo: Saber o que temos de fazer para ter dentes limpos e sadios DATA 1 semana a TAREFA Apresentar o cartaz 1 alusivo ao cuidado com os dentes Apresentar o cartaz 2 alusivo à dentição SITUAÇÃO COMUNICAÇÃO ORAL TEXTOS LIDOS O que vamos fazer? (conversa e discussão) O cartaz 1 PRODUÇÃO Modelar dentes com massinha O que vamos fazer? (conversa e discussão) O que vamos fazer? (conversa e discussão) Conversa entre o dentista e as crianças: “A importância de cuidar dos dentes” Comentário sobre o que se ouviu O cartaz 2 Desenhar livremente sobre o tema Silhueta da canção Cartaz 2a semana 3a semana Cantar Receber a visita de um odontólogo Memorizar a canção: “Os senhores dentes” Folhetos relacionados com a saúde bucal 4a semana A professora lê a história da “Patrulha da saúde” Receber diploma fornecido pelo odontólogo Uma história Desenho livre O que faremos com os Identificam a silhueta da nossos diplomas? canção “Os senhores dentes” Diploma para cada um . – Designar. etc. tanto em comunicação oral quanto em leitura ou produção.46 JOSETTE JOLIBERT. apresentamos dois exemplos para enfatizar este aspecto. alimentação adequada. mediante um sorteio. Atividades – Designar um lugar na sala de aula para a mascote. – Organizar uma rifa para cobrir os gastos com as vacinas. A seguir.). Os projetos favorecem a aprendizagem da línguagem Talvez você se pergunte: “O que esses projetos têm a ver com a aprendizagem da língua?” Pensamos – e temos vivenciado – que qualquer projeto. por exemplo).

que cada um traz consigo. Cartazes Cartazes Cartazes Mensagens dos cartazes Colocar os cartazes em lugares visíveis na comunidade — — – Atuam com responsabilidade. – Deparam-se com situações reais nas quais precisam ler um texto por prazer e não por imposição. – Observa-se uma expressão da criatividade pessoal.) Reconhecer e observar o lugar em busca de cartazes SITUAÇÃO COMUNICAÇÃO ORAL Confeccionar cartazes (acordo prévio) TEXTOS LIDOS — PRODUÇÃO – Cartazes – Slogan a a Estabelecer acordos entre o professor e os alunos sobre a disciplina fora da escola Conversar sobre as características dos cartazes – Organização do trabalho em grupo – O relator de cada grupo expõe – Os alunos selecionam os cartazes – Entram em acordo sobre o tamanho das letras – Dividem o trabalho (uns anotam. defendem-nas ou aceitam quando estão equivocados. – Pouco a pouco são capazes de regular a organização da turma. produzir e escrever mensagens alusivas ao projeto. fôrmas para desenhar letras. – Cada um vive as suas estratégias de aprendizagem. pinturas. – São capazes de atuar com flexibilidade. – Observa-se o desenvolvimento das suas competências. madeiras. – Confrontam suas idéias. etc. feltro.5 Projeto 2: “Não espalhe lixo”7 Turma: 2 e 3 séries Objetivo: Participar da limpeza e dos bons hábitos da nossa comunidade DATA TAREFA Coletar material (cartolinas. passando do trabalho individual ao grupal e vice-versa. – Criam regras de convivência. . – São capazes de avaliar a si e aos colegas.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 47 Quadro 1. outros pintam). – Utilizam-se de conhecimentos prévios. – Melhora na qualidade da interação dentro da sala de aula. – Selecionam lugares com problemas de contaminação – Estabelecer os lugares mais freqüentados pelo público Cartazes — Confeccionar cartazes em forma livre Redigir.

contra-argumentam. – Às vezes. existe uma dimensão afetiva. . o que fica registrado no contrato individual e/ou coletivo. relacionam e confrontam idéias. – a ausência de restrições culturais e sociais (respeito às formas de falar próprias de cada criança. criar o contexto adequado é considerado da maior importância. – as relações sociais que assim se estabelecem entre alunos e professor e entre os próprios alunos. – A comunidade nem sempre valoriza o trabalho das crianças. Isto significa: – um ambiente físico pertinente (crianças olhando-se em posição confortável). mas que podem ser superados – Alguns alunos escoram-se no grupo e não participam. – Alguns alunos inquietos demoram mais para se integrarem no grupo e nas atividades. Nesta perspectiva. – Decepcionam-se quando um projeto não está ao seu alcance. ESTIMULAR A COOPERAÇÃO ATIVA NAS TURMAS PROMOVENDO UM AMBIENTE PRAZEROSO Quisemos transformar cada turma em uma comunidade educativa por meio da organiza- FIGURA 1. antes de executar as ações que os levarão à prática. para que a sua personalidade e as suas idéias sejam consideradas. As crianças sabem que não há necessidade de gritar. já que ocorrem tomadas de decisão que resultam de uma negociação e de um consenso. evidentemente. que escutam e sabem que serão escutadas. e que as principais decisões que concernem à vida da turma serão tomadas em grupo. mas também uma dimensão de poder compartilhado. caracterizadas pelo respeito à opinião do outro e o direito de ser escutado. JEANNETTE JACOB & COLS. são vivenciadas as características típicas de uma autêntica comunicação oral: – a alternância de papéis. Problemas encontrados. de sua família ou do meio cultural). a comunicação oral adquire relevância fundamental. Nestas inter-relações. todos os alunos querem realizar uma mesma atividade. A comunicação oral utilizada em benefício da construção de relações afetivas agradáveis e de poder compartilhado No contexto da nossa pedagogia por projetos. argumentam. – Nem sempre conseguimos financiamento e cooperação para a execução dos projetos por parte da escola ou dos responsáveis. ção de uma pedagogia por projetos.48 JOSETTE JOLIBERT. – os propósitos deste falar e seus reais desafios. que tomam iniciativas. já que no desenrolar dos projetos os alunos propõem.19 Crianças lendo um projeto. discutem. Passamos da situação tradicional de crianças sentadinhascaladinhas para a situação de crianças que solicitam a palavra. deixando de lado outras de igual importância. Assim. o que fala e o que escuta.

também. realizam e avaliam. Com sua alegria. – o momento de celebrar os aniversários. – responsabilizam-se. secretário da turma.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 49 – um professor que facilite que todas as crianças se sintam seguras para poder expressar as suas emoções. argumentam. – a abertura da caixa de correios que recolhe as produções espontâneas. Nesta sessão abordam-se as seguintes questões: – Como foi realizado o trabalho previsto para a semana? – Como funcionaram os projetos? – Como funcionou o trabalho dos grupos? – Como funcionaram as relações? – Como foram resolvidos os conflitos? – Todas as responsabilidades foram cumpridas? Para cada questão são buscadas explicações. sentimentos. – os alunos se conheçam (por meio de dinâmicas e trabalho de grupo que contribuam para atingir tal meta). – os alunos participem da organização da sala de aula. – os encontros poéticos. comprometem-se. os seus recursos. realizada pelas crianças em conjunto com o seu professor. desenvolve-se cooperativamente pois: – organizam-se. – administram o seu espaço. O seu papel não desaparece. – os alunos dividam responsabilidades e que estas sejam avaliadas. – criam regras de convivência e de funcionamento. mas. comentam. que ocorrem como encontros semanais: – a hora de escutar a história apresentada pelos colegas ou lida pelo professor. assumindo-se posições para tentar melhorar as condições de trabalho das semanas seguintes. requer tempo e uma estratégia de mudança clara por parte do professor. seus erros e seus acertos as crianças dão vida à atividade. criticam. sugestões. o seu tempo. Ademais. decidem juntos. são estabelecidos rituais gratificantes na vida da turma. – o momento da leitura dessas produções. além de outra sessão de avaliação da semana. Neste enquadramento. a opinião de cada um e a de todos é considerada com respeito. organizador da atividade. em voz alta. Vida cooperativa se aprende: Conselho de turma e hábitos prazerosos A vida cooperativa se constrói. – haja instâncias para deliberar sobre os conflitos que não podem ser resolvidos de maneira direta. A clara percepção dos papéis é importante: um aluno pode ser apenas participante ou pode atuar como moderador. etc. A explicação dessas funções (rotativas) e o respeito a elas contribui para a formação das crianças e para o bom ambiente da turma e dos grupos. seu entusiasmo. gerando expectativa de conhecer e receber as contribuições dos colegas. particularmente em busca de que: . opiniões. que reúne todos os alunos e o professor para uma sessão de planejamento de todas as atividades programadas semanalmente. seus conflitos. Pelo contrário. Porém. as suas atividades. tanto para os êxitos quanto para os problemas detectados. – discutem. Crianças ativas em um meio administrado por elas Qualquer atividade. garante o bom funcionamento do grupo. A fim de se alcançar uma vida cooperativa efetiva é preciso criar e pôr em funcionamento sistemático o Conselho de Turma. com espírito crítico. encarregado da biblioteca. relator ou delegado do seu grupo. – os alunos tomem parte das decisões sobre a vida da turma. O professor também manifesta a sua opinião.

fica mais fácil dar-lhes sentido. pois na sala de aula todos têm direitos. e devolvê-lo. Exemplo 1: “Regras de convivência do curso” Ao longo do ano vai sendo construído o regulamento. MEUS DEVERES Eu tenho o dever de: • Respeitar o trabalho dos meus colegas. aproveitando as experiências prévias de convívio que o meio social tem lhes oferecido. cuja finalidade é estabelecer as regras de funcionamento do grupo. a disciplina adquire um significado diferente do tradicional. • Cometer erros. bem como estabelecer uma forma de sanção quando o combinado não é cumprido. pessoal da escola) que estabelecem as normas destinadas a reger e a favorecer a convivência. por parte do grupo. • Ajudar os meus colegas nas suas aprendizagens. • Receber ajuda dos meus colegas. . • Deixar tranqüilo o colega que ainda não tiver terminado o seu trabalho.50 JOSETTE JOLIBERT. • Pedir explicações sobre o que está sendo desenvolvido em classe. • Pegar um livro emprestado lê-lo. • Ir ao banheiro. • Respeitar meus compromissos. • Falar baixinho para não atrapalhar os meus colegas. e que as próprias crianças são as principais fiscalizadoras. aceitá-las e respeitá-las. • Expressar as minhas opiniões. • Levantar a mão para pedir a palavra e esperar que ela me seja concedida. ao mesmo tempo em que são muito sensíveis à crítica dos seus pares. Vida cooperativa e “disciplina” Neste contexto. quando tiver terminado meus trabalhos.20 Conselho da Turma: Avaliando e planejando uma vez por semana a vida e as atividades do curso. Vejamos o exemplo tomado de uma 1a série: MEUS DIREITOS Eu tenho o direito de: • Pedir a palavra. • Escutar os outros. FIGURA 1. JEANNETTE JACOB & COLS. responsáveis. São os alunos em conjunto com os adultos (professor. É importante observar que o grupo cumpre a função que ga- rante as normas de convivência estabelecidas por ele. mas também deveres. • Respeitar o material da sala de aula e dos colegas. Apresentamos em seguida dois exemplos relativos aos aspectos recém-descritos. Como tais regras não são impostas aos alunos.

Os flip sharts são mais funcionais que o quadro porque podem ser guardados depois da primeira sessão e servem de contrato para organizar e avaliar. mas de condições prévias que nos parecem imprescindíveis. Ele leva a correspondência. 4. Ver Capítulo 2. de tempos em tempos. NOTAS 1. Ver Capítulos 2 e 3. É responsável pelas chaves da sala. 5. 2. tomado de uma turma de 3a série. esses alunos poderão tornar-se cidadãos muito especiais. Não se trata aqui de um “complemento” interessante e agradável. mas vão sendo enfrentados e resolvidos pouco a pouco. recolherá o dinheiro e cobrará os atrasados. eles existem. parece-nos importante considerar a disciplina como sendo o resultado de um convívio construído e avaliado cooperativamente ao longo do tempo. Os quadros correspondem aos flip sharts que vão sendo afixados na parede da sala de aula. É o nosso carteiro. ela escreverá no quadro todas as manhãs o que será feito. ela anota todas as decisões do Conselho. avalia-se o cumprimento das atividades. É responsável pelas calculadoras. Isto não quer dizer que a proposta de se construir uma vida cooperativa seja isenta de problemas. . poderíamos falar de “pré-requisitos pedagógicos”. É responsável pelo caderno de observações onde serão registrados todos os problemas graves que ocorrerem para poder tratá-los no Conselho. É responsável pelo quadro de presenças. Verificará as presenças e ausências em sala de aula. todos têm responsabilidades efetivas. além de leitores e produtores de textos. cuidar do apagador e fazer a limpeza do quadro-negro. distribui e verifica o seu funcionamento. ESTE MÊS Carmen Luís Júlia João Jaqueline Pedro Eliana Luísa Joel e Guilherme Myrian Joana Catarina Alexandra DEVERES Rega as plantinhas todos os dias. O quadro abaixo. Ver os exemplos detalhados nas páginas seguintes e as ferramentas do Capítulo 9. mas à riqueza e à abertura para vivências coletivas que se transformam em condições facilitadoras da aprendizagem. fica exposto na sala em um flip shart e. É nossa secretária. Não é difícil imaginar que. É a tesoureira: fará regularmente um balanço. ou seja.ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA 51 Exemplo 2: As responsabilidades do mês Por turnos. 7. No mês seguinte mudamse as responsabilidades. 6. cabe-lhes realizar uma atividade cuja finalidade é favorecer a convivência entre os alunos. 3. referindo-se esta expressão não à conduta pessoal. É a responsável pela utilização do tempo. para que tudo corra bem. Ver Capítulos 2 e 3. São responsáveis por revisar e verificar a assinatura de todos os pais nas cadernetas de comunicação. É responsável por dirigir o Conselho do curso. Concluindo. É responsável por manter o livro de apontamentos. É responsável pelos contratos de trabalho. à medida que o grupo vai aproveitando o ambiente de “colméia ativa” do curso e realizando uma avaliação sistemática do seu funcionamento.